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Principais pontos desta publicação ...............................................................................................

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A você, saúde! ............................................................................................................................... 4
Maiores e mais fortes têm melhores chances ............................................................................. 4
Mais crescimento, mais planos de saúde..................................................................................... 5
Plano de saúde é um benefício altamente desejado pela população.......................................... 6
A pandemia e o setor de saúde .................................................................................................... 7
RDOR3 – REDE D’OR SÃO LUIZ ..................................................................................................... 9
Consolidadora, eficiente e excelente no atendimento .............................................................. 10
Crescimento com mais leitos e margens maiores ...................................................................... 11
Em mãos cuidadosas .................................................................................................................. 11
Valuation .................................................................................................................................... 12
Riscos .......................................................................................................................................... 13
Contraindicações ........................................................................................................................ 13
DASA3 – DIAGNÓSTICOS DA AMÉRICA ...................................................................................... 14
Medicina preventiva: mais barata e eficiente ............................................................................ 14
O one-stop shop de saúde do Brasil ........................................................................................... 17
O mix de veteranos e prodígios.................................................................................................. 17
Valuation .................................................................................................................................... 18
Possíveis efeitos colaterais ......................................................................................................... 19

Principais pontos desta publicação


• Setor com crescimento contratado em função do envelhecimento da população e do
maior número de beneficiários de planos de saúde
• Setor altamente fragmentado, sendo os líderes setoriais, detentores de apenas uma
pequena parcela do mercado
• No Brasil, apenas aproximadamente 23% da população possui plano de saúde. Dentre
os que não são beneficiários, este é o terceiro item de maior desejo
• As demandas por tecnologia médica serão cada vez maiores e neste relatório iremos
apresentar o que acreditamos ser a empresa mais preparada para desenvolver um
ecossistema de saúde no país.

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A você, saúde!
Terça-Feira, 22 de julho de 2021

Iniciamos a cobertura do setor de saúde com recomendação de compra para


Rede D’Or São Luiz, com preço alvo em R$93,00 (upside potencial de 40%) e
Dasa, com preço alvo em R$118,00 (upside potencial de 108%).

Maiores e mais fortes têm melhores


chances
O setor de saúde no Brasil é altamente fragmentado, isso significa que os líderes
setoriais têm participações relativamente pequenas no mercado. Esse tipo de
estrutura facilita teses de consolidação, que é quando os grandes competidores, com
maior robustez operacional e financeira, adquirem os pequenos concorrentes.
Este é o caso no segmento de hospitais, em que a Rede D’Or, uma das líderes
de mercado, contava com pouco mais de 8% de market-share em 2019, segundo a
companhia. O mesmo fenômeno é observado na medicina diagnóstica, com os 11%
de participação de mercado da Dasa, segundo documentos da empresa,
representando ampla vantagem sobre os demais concorrentes.
Em um mercado fragmentado, a aquisição de concorrentes que sejam
complementares aos negócios é aprovada com mais facilidade e agilidade pelo
órgão regulador, como pudemos ver recentemente com a Rede D’Or comprando o
BioCor em BH, operação que foi aprovada sem restrições pelo CADE. Essa maior
facilidade na aprovação faz com que a integração ao negócio seja feita de forma
mais rápida, gerando resultados para a empresa já no curto prazo.
É nítido o espaço para o crescimento inorgânico (por meio da compra de
concorrentes) para o setor de saúde no Brasil. No entanto, o crescimento não se
apoia apenas na atividade de M&As (fusões e aquisições), mas apresenta também
uma tendência estrutural de longo prazo a favor, beneficiando também o
crescimento orgânico.

Fonte: IBGE. Elaboração: DV Research

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“A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer”
Arnaldo Antunes

O aumento recente na expectativa de vida do brasileiro faz com que os gastos


com atenção com a saúde subam sensivelmente, com mais exames de rotina e
cirurgias pontuais. O crescimento da população acima de 60 anos se dará em um
forte ritmo ao longo das próximas décadas. O impacto financeiro desse
envelhecimento populacional não será desprezível. O gasto per capita com saúde
da população acima de 60 anos é significativamente maior do que faixa etárias mais
baixas. Essa novidade demográfica, como aponta o poeta e compositor Arnaldo
Antunes, deve ser capturada pelas maiores do setor.
Um levantamento da London School of Economics estudou o comportamento de
gastos com saúde em 8 países desenvolvidos. O que foi observado é que, na média,
o gasto com saúde do grupo com mais de 65 anos é 3,4x maior do que do grupo
entre 20 e 65 anos.

Fonte: London School of Economics e DVResearch

Mais crescimento, mais planos de saúde


O crescimento da economia brasileira também é um importante fator para o
setor. Há uma relação forte entre taxa de desemprego e número de beneficiários de
planos de saúde no Brasil. O fenômeno tem ligação com a alta participação dos
planos empresariais dentro do universo de beneficiários brasileiros. Para se ter uma
ideia, atualmente, quase 70% dos atendimentos médicos são feitos através de planos
empresariais, segundo dados da ANS.

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Mais uma vez, a estrutura regulatória do mercado favorece essa situação. Os
planos individuais contam com reajuste anual definido pela ANS (Agência Nacional
de Saúde Suplementar). Os planos empresariais, no entanto, têm os reajustes
definidos em negociação entre a empresa e a operadora do plano.
Em um ambiente de VCMH (Variação do Custo Médico-Hospitalar), também
conhecida por inflação médica, maior do que a inflação oficial, a liberdade do
reajuste de preço do plano cria incentivos para as operadoras darem preferência aos
planos coletivos. Em alguns casos, elas nem mesmo contam com a possibilidade de
contratação do plano individual.
Assim sendo, um ambiente de expansão econômica e geração de emprego
(como esperados para este ano e o próximo) é altamente benéfico para o setor em
geral, dado que as empresas tendem a oferecer o serviço de saúde como benefício
aos seus funcionários.

Fonte: ANS e IBGE. Elaboração: DV Research

Plano de saúde é um benefício altamente


desejado pela população
Uma pesquisa realizada pelo Ibope, em 2017, mostrou que o item “plano de
saúde” é o terceiro mais desejado pelos brasileiros, atrás apenas de educação e casa
própria.

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Além disso, 80% se disseram satisfeitos ou muito satisfeitos com os planos de
saúde. Esse número é importante sob duas dimensões: indica que os atuais usuários
do sistema privado de saúde pretendem continuar a ter o benefício; e são prováveis
promotores de seus planos para amigos e familiares.
Alie-se a isso o fato de que 8 em cada 10 brasileiros ainda não contam com um
plano de saúde. E estamos diante de um setor que tem tudo para crescer muito nos
próximos anos.

A pandemia e o setor de saúde


Os anos de 2020, notadamente, e de 2021, foram extremamente duros com o
sistema de saúde como um todo. Se de um lado houve aumento da procura por
testes de Covid-19 e de internações em hospitais para o tratamento da doença, por
outro, os tratamentos eletivos acabaram sendo postergados.
Os altos volumes de cancelamentos das cirurgias eletivas podem ter
comprometido, em média, 27% da receita dos hospitais em 2020, segundo
estimativas da ANAHP, Agência Nacional dos Hospitais Privados. Em todo o
mundo, estima-se que apenas pouco mais de 25% das cirurgias eletivas agendadas
foram de fato realizadas. Adicionalmente, olhando dados de ocupações de leitos,
podemos afirmar com convicção que a pandemia afetou de forma considerável os
hospitais.

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Fonte: ANAHP. Elaboração: DV Research

Ainda segundo estudo publicado pela ANAHP, a margem Ebtida média de seus
hospitais credenciados passou de 12,4% em 2019, para 8,0% em 2020,
demonstrando que os custos Covid tiveram relevância nos números dos hospitais.

Fonte: ANAHP. Elaboração: DV Research

Felizmente, a pandemia aos poucos vai se despedindo. Com isso, gradualmente


temos a volta dos tratamentos eletivos. Mas a retomada impacta hospitais e
laboratórios de formas distintas.

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No caso dos hospitais, quem necessitava de uma cirurgia, fará assim que
possível. Existe aqui uma demanda reprimida, na qual o ato do consumo foi apenas
postergado, mas vai acontecer. É razoável esperar, inclusive, um momentâneo
aumento de volume de pacientes e de ocupação de leitos, que deve se normalizar
ao longo de 2022.
No caso da medicina diagnóstica, no entanto, temos aqui um negócio de
recorrência. Assim, o cliente que deixou de fazer exames de rotina em 2020, vai
retomar em 2021 e 2022, mas ele já faria isso. Desta forma, aqui não é esperado
nenhum efeito relacionado a demanda reprimida. Haverá, no entanto, melhor
utilização da capacidade instalada, e isso pode auxiliar na diluição de custos e
aumento de margens operacionais.

RDOR3 – REDE D’OR SÃO LUIZ


A Rede D’Or é a maior rede privada de hospitais do Brasil, com mais de 9 mil
leitos e um market share próximo a 8%, de acordo com dados da companhia. A
empresa é focada nos segmentos de alta renda e premium, principalmente sob as
bandeiras Rede D’Or, São Luiz e Rede Star, essa última, reservada a hospitais de
alto padrão.
A empresa atende diversos planos de saúde e tem inclusive influenciado na
decisão dos clientes finais em relação a quais operadoras escolher. Recentemente,
quando a Amil (operadora de planos de saúde pertencente à United Health)
descredenciou os hospitais da Rede D’Or para direcionar clientes a hospitais
próprios, o número de beneficiários caiu vertiginosamente, forçando a Amil a
retomar a parceria com a Rede D’Or.
Essa qualidade percebida pelos clientes também é vista nos números da
empresa e se reflete em valor para o acionista. Entre 2009 e 2019, a proxy para o
lucro operacional da empresa (Ebtida) registrou crescimento anualizado de 42%.
Enquanto isso, a margem Ebtida saiu de 14,5% para 27,6%. A empresa conseguiu
entregar crescimento com rentabilidade neste período, apesar de toda a dificuldade
da economia brasileira.

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Fonte: Companhia. Elaboração: DV Research

Consolidadora, eficiente e excelente no


atendimento
A Rede D’Or é uma consolidadora natural do setor de hospitais. Desde 2007, a
empresa realizou 39 aquisições de hospitais e mais 35 de clínicas de oncologia. A
capacidade de integração nessas compras é muito forte. A companhia tem bom
histórico em otimizar custos e trazer receitas adicionais ao negócio. A empresa
estima que em 24 meses faz a integração completa, melhorando a margem Ebtida
da adquirida em aproximadamente 14 pontos percentuais.
A Rede D’Or é a maior compradora de medicamentos do Brasil, o que faz com
que ela consiga evitar o distribuidor e comprar diretamente do fabricante, uma
vantagem de custo para ela. Além disso, a empresa tem um centro de serviços
compartilhados abrigando áreas administrativas, que, geralmente, têm um custo
próximo 12% da receita do hospital. Após a integração, a empresa consegue cortar
esse custo para algo próximo a 4%, gerando um impacto direto na margem.
Além disso, a Rede D’Or construiu ao longo dos últimos 40 anos uma extensa
história de qualidade de atendimento. Isso faz com que exista desejo dos clientes de
planos de saúde em ser atendidos em hospitais da companhia. Ademais, a empresa
tem em seu modelo de negócios uma forte barreira a novos entrantes, dado que a
construção e o estabelecimento de uma extensa base de ativos são improváveis por
conta dos altos custos no setor.

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Crescimento com mais leitos e margens
maiores
A empresa utilizará tanto as aquisições, quanto a expansão através de projetos
greenfield e brownfield para dobrar o número de leitos até 2025. O foco da
companhia em uma nova região é sempre a compra de um hospital. No entanto,
caso não identifique alvos que façam sentido, podem optar por um projeto
greenfield, que é a construção de um novo ativo, do zero, ou brownfield, que parte
de um ativo existente para uma expansão.
A maior representatividade dos tratamentos oncológicos deverá fazer com que
as margens da companhia sejam impactadas positivamente. Os tratamentos
oncológicos são mais especializados e contam com ticket maior. Além disso,
inovações tecnológicas são muito fortes no segmento, o que deve gerar cada vez
mais valor agregado aos tratamentos, apoiando a cobrança de preços maiores e,
consequentemente, aumento de margens.

Em mãos cuidadosas
A Rede D’Or ainda tem um DNA de empresa familiar. Tocada pela família Moll,
Jorge Moll Filho é o fundador da empresa e presidente do conselho de
administração da companhia, que ainda conta com outros três membros da família
em sua composição. Existem também dois assentos independentes, ocupados por
membros de grandes gestoras internacionais.

Vale citar também o nome de Heráclito Gomes Junior, vice-presidente do


conselho, com passagens por grandes instituições de saúde do país, como
Odontoprev, Qualicorp, Bradesco Seguros e Fleury. Além disso, Heráclito também
já foi diretor presidente da Rede D’Or.

A companhia é tocada por Paulo Junqueira Moll, que entrou na companhia em


2001 e tem formação em negócios pelo IBMEC. Os demais membros da diretoria
executiva são experientes gestores, com passagens por diferentes instituições de
saúde e do mercado financeiro brasileiro, background que agrada pela
multidisciplinaridade necessária para uma empresa do porte da Rede D’Or.

Além disso, o management da empresa tem alta capacidade de execução da


estratégia e de entrega de resultados. A companhia consegue, de forma consistente,
fazer aquisições e integrar a adquirida dentro do sistema da D’Or de forma ágil e
sem perder a cultura de excelência que a trouxe os dias atuais.

Outro ponto que nos agrada bastante é a visão empreendedora da companhia,


ilustrada pela entrada em novos segmentos, complementares ao business de

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hospitais da Rede D’Or. Um importante movimento, realizado em 2019, foi a compra
de uma participação na Qualicorp, uma das maiores corretoras de planos de saúde
do país.

A participação da empresa na Qualicorp, que se iniciou em 10%, já é de pouco


mais de 25% e garante à empresa um importante fluxo de informações em relação
aos planos de saúde. Além disso, deixa a empresa mais próxima de suas fontes
pagadoras, as operadoras de planos de saúde.

Valuation
Em nosso modelo, utilizamos a abordagem do fluxo de caixa descontado, com
uma projeção para 10 anos e WACC de 9,53%. Com isso, chegamos à um target de
R$93,00/ação, um upside de mais de 40% frente ao preço de fechamento do dia
21/7.

Abaixo temos um maior detalhamento dos números e alguns múltiplos da


companhia.

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Riscos
O principal risco para a tese de Rede D’or é o risco de execução em um
processo de expansão que se utiliza de muitos M&As. Neste tipo de processo, pode-
se comprar um ativo que não se prova tão bom quanto se acreditou em um primeiro
momento. O choque cultural pode ser muito forte e a integração na operação ser
mais difícil do que o planejado.

Além disso, por ter concorrentes no setor de saúde que também estão
buscando algum grau de consolidação, isso pode superaquecer o mercado e fazer
com que a companhia pague mais caro por leitos do que o planejado, diminuindo o
retorno prospectivo daquele ativo.

Contraindicações
O principal risco para a tese de Rede D’Or é o risco de execução em um
processo de expansão que se utiliza de muitas fusões e aquisições. Nesse tipo de
processo, pode-se comprar um ativo que não se prova tão bom quanto se acreditou
em um primeiro momento. O choque cultural pode ser muito forte, e a integração
na operação pode ser mais difícil do que o planejado.

Além disso, por ter concorrentes no setor de saúde que também estão
buscando algum grau de consolidação, isso pode superaquecer o mercado e fazer
com que a companhia pague mais caro por leitos do que o planejado, diminuindo o
retorno prospectivo daquele ativo.

Outro ponto de atenção é o aumento dos custos médicos, fazendo com que a
empresa não consiga repassar esses custos para a operadora. Este se trata de um
problema novo, uma vez que historicamente, a forma de remuneração da cadeia de
saúde foi o fee for service, onde o hospital/laboratório é pago por procedimento,
fazendo com que o incentivo fosse por volume e não pelo resultado.

Esse modelo de remuneração é uma das causas para a inflação médica e a


indústria começou a se movimentar para criar modelos alternativos de
remuneração, onde a operadora define junto ao prestador de serviço um pacote,
com repasse prefixado. Desta forma, o prestador passa a ter incentivos para ser mais
eficiente, para que tenha uma margem maior.

No entanto, isso também representa um risco em caso de alta expressiva dos


custos médicos, dado que a Rede D’Or possivelmente não conseguiria repassar
estes custos imediatamente para o operador de saúde, causando uma diminuição
de margens e eventuais impactos na estrutura de capital da companhia, já que

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pressão de margens podem causar o estouro de covenants de dívida, obrigando a
empresa a fazer o pagamento antecipado desses títulos aos credores.

DASA3 – DIAGNÓSTICOS DA AMÉRICA


Um ecossistema para cuidar da sua saúde
A Dasa é um dos maiores ecossistemas de saúde do país. A companhia atua
tanto no ramo hospitalar, quanto em medicina diagnóstica, atenção primária e
coordenação de cuidado.

A companhia é a segunda maior do Brasil em número de leitos, atrás apenas


da Rede D’Or, com 3,1 mil leitos hospitalares, advindos de recentes aquisições da
empresa. Vale dizer que até 2018 a companhia não podia atuar nesta frente, dado
que a família controladora do negócio tinha um acordo de não competitividade com
a United Health por conta de um negócio passado.

A Dasa iniciou a entrada no setor recentemente, após o fim do acordo com a


United, com uma forte estratégia de aquisições, parecida com a da Rede D’Or. Mas
a Dasa também é a maior companhia de medicina diagnóstica do país, tendo
realizado em 2019 mais exames do que os seus três principais concorrentes
somados: Pardini, Fleury e Alliar. E é aqui que está o diferencial.

Medicina preventiva: mais barata e


eficiente
A tese de investimento na empresa está centrada na criação e
desenvolvimento de um ecossistema de cuidado ao paciente, que tem potencial de
elevar a qualidade do atendimento e trazer uma revolução ao setor de saúde
brasileiro. A ideia é deslocar o foco do tratamento dos pacientes hoje centrado em
resolução de ocorrências esporádicas em função de alguma doença ou mal-estar
para a medicina preventiva, utilizando dados e inteligência para antecipar riscos e
reduzir as sinistralidades.

A Dasa é a principal candidata nacional para criar este hub de saúde, capaz de
disruptar a forma como o setor funciona no país. A companhia tem um plano de
crescimento acelerado em hospitais, buscando fortalecer sua posição competitiva

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na área, além de já contar hoje com mais de 900 unidades diagnósticas, o que apoia
a empresa em seu plano para participar de toda a jornada do paciente. E jornada é
a palavra-chave aqui. Na era das soluções completas com as chamadas big techs
criando ecossistemas que tentam atender todas as necessidades de seus clientes, a
Dasa tem o ambicioso plano de ser essa solução para questões de saúde.

A principal aposta da companhia para isso é o NAV. O NAV é uma plataforma


digital em que médicos e pacientes interagem. Atualmente, os pacientes podem
fazer o agendamento de exames diretamente no app e realizar tele consultas. Mas
futuras funções vão permitir agendamento via WhatsApp, prescrição digital e check-
in em hospitais. Além disso, o sistema consegue disponibilizar aos médicos todo o
prontuário do paciente, além de todo seu histórico de saúde, fornecendo
informações como por exemplo, se o paciente tem alguma doença crônica, qual foi
a última vez que fez exames de rotina e se toma algum remédio controlado.

Através do NAV, a Dasa pode recomendar exames e tratamentos preventivos,


o que diminui a sinistralidade, grande objetivo dos operadores de planos de saúde.
A companhia tem uma grande massa de dados de seus pacientes e pode rodar
algoritmos para identificar clientes mais propensos a algum tipo de doença. Esse
levantamento pode mudar para sempre como nos relacionamos com a medicina.
Para ser uma ideia, a empresa acredita que em sua base de usuários ela tenha,
atualmente:

• 1,2 milhão de usuários diabéticos ou pré-diabéticos sem cuidado e/ou


acompanhamento devido;

• 540 mil homens com idade para realizar exame de próstata e que não o
realizaram há mais de um ano;

• 3,5 milhões de mulheres que deveriam ter realizado mamografia em 2020.


Além disso, 58 mil deveriam ter realizado biópsia e 15 mil deveriam ter feito cirurgia;

• 1,2 milhão de mulheres com gap de rastreamento de osteoporose, com


alguma indicação de que podem ter o problema.

Esses números foram obtidos através do uso da tecnologia e do NAV,


justificando todo o investimento e a energia posta no desenvolvimento da
plataforma. Apenas para o caso da mamografia, espera-se que exista um potencial
de receita de R$900 milhões, indicando o poder que o NAV tem para a Dasa.

A empresa tem investido na divulgação da plataforma e espera migrar sua base


de usuários para o NAV. O foco já tem dado resultado, uma vez que a plataforma
mostrou um forte crescimento no 1T21 frente ao 1T20. Os números ficam ainda
melhores se considerarmos que o primeiro trimestre de 2020 marcou o início da
pandemia no país, momento em que as consultas remotas passaram a ser uma
realidade, dadas as medidas de distanciamento social.

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Fonte: Companhia. Elaboração: DV Research

A Dasa está acelerando seu processo de expansão em hospitais e oncologia


em um ótimo ponto do ciclo. A pandemia afetou os hospitais, que observaram
queda de ocupação de leitos e cancelamento de procedimentos eletivos. Em um
momento como esse, os hospitais com menor estrutura e menor robustez
financeira sofrem mais e se tornam alvos mais fáceis para aquisições. Para
aproveitar o momento, a companhia realizou recentemente um re-IPO, que
levantou mais de R$3 bilhões para sustentar a estratégia de expansão.

Os dois movimentos mais recentes nesse sentido foram em Salvador, onde


adquiriu o Hospital da Bahia (330 leitos), além da comprar a Clínica AMO, líder em
oncologia na Bahia, com 16 unidades. Nossas projeções indicam que a Dasa deve
chegar a aproximadamente 5,5 mil leitos até 2025.

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O one-stop shop de saúde do Brasil
A companhia necessita de presença em boa parte do território brasileiro, com
diferentes tipos de serviços, para levar adiante a estratégia de se tornar o one-stop
shop de saúde brasileiro. Nesse sentido, as recentes aquisições da companhia fazem
sentido e a coloca um pouco mais no caminho rumo à liderança setorial com sua
plataforma para saúde.

A companhia não é necessariamente uma barganha, mas olhando os múltiplos


do setor, acreditamos haver boa margem de segurança para montar uma posição
nas ações da Dasa. A companhia deve crescer lucros em 35% ao longo dos próximos
três anos de acordo com nossas estimativas, pautada em aquisições de novos
hospitais e clínicas e em maior eficiência de custos através do NAV e do ganho de
escala, se aproximando mais do que hoje é a Rede D’or.

O mix de veteranos e prodígios


A equipe de gestão da Dasa apresenta um interessante equilíbrio entre
veteranos do setor e executivos mais jovens, com bastante brilhantismo em suas
áreas de atuação. Uma condição importante para a execução do ambicioso plano de
integração tecnológica através do NAV.

Talvez o maior representante dessa dualidade da empresa seja Pedro Bueno,


CEO da companhia e acionista de referência da companhia (ponto importante para
quem gosta de skin in the game). Pedro tem apenas 31 anos, mas é presidente da
Dasa desde 2015. Pedro iniciou sua carreira na Amil, empresa que o pai, Edson
Bueno, era dono e também teve passagens pelo BTG Pactual e pelo Credit Suisse.

Pela pouca idade, o CEO da empresa sempre esteve sob pressão para
performar. Não que ele não estivesse acostumado, uma vez que ele começou a
trabalhar na empresa do pai aos 15 anos, e aos 16 anos entrou na universidade, em
ambos os casos, diferente de boa parte dos jovens.

Apesar disso, a empresa entregou bastante resultado desde que Bueno


assumiu a presidência. Em 2015, a Dasa tinha um valor de mercado de R$3 bilhões.
Seis anos depois chegada de Bueno, a Dasa vale aproximadamente R$33 bilhões,
uma multiplicação maior do que 10x.

O CEO foi o responsável pela montagem do time heterogêneo à frente da


empresa e pelo apoio do conselho de administração da companhia, esse sim, com
forte experiência dos membros liderados por Dulce de Godoy Bueno, ex-esposa de
Edson e Romeu Cortes Domingues, ambos médicos com décadas de carreira.

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Cortes já foi presidente da companhia e liderou iniciativas de pesquisa em
medicina diagnóstica, sendo uma das maiores referências do país no assunto. Além
disso, foi o responsável por mudar completamente a cultura empresarial da
companhia, que foi, por muito tempo, comandada por gestoras de fundos de
investimentos e carecia de um alinhamento realmente de longo prazo.

Cortes foi o braço direito de Edson Bueno, esteve presente nos mais
importantes momentos da Dasa e é um dos grandes responsáveis pela cultura da
empresa.

Valuation
Em nosso modelo, utilizamos a abordagem do fluxo de caixa descontado, com
uma projeção para 10 anos e WACC de 9,95% e crescimento na perpetuidade de
6%. Com isso, chegamos à um target de R$118,00/ação, um upside de 108% frente
ao preço de fechamento do dia 21/7.

Abaixo temos um maior detalhamento dos números e alguns múltiplos da


companhia.

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Possíveis efeitos colaterais
O principal perigo para a concretização da tese é o risco de execução, inerente
a processos de crescimento pautados em fusões e aquisições. Vale lembrar que
diferente de uma expansão orgânica, onde se investe aos poucos em um novo
produto ou serviço que rapidamente começa a gerar resultados operacionais, em
um M&A, se paga à frente, para depois colher os frutos. É por conta dessa
característica que o crescimento via aquisições é mais arriscado.

Além disso, nossa tese é pautada no sucesso do NAV e do ecossistema Dasa


para a saúde. No entanto, seus concorrentes também têm projetos parecidos, como
as operadoras verticalizadas NotreDame Intermédica e Hapvida. Em um cenário
onde elas ganham mais participação e avançam sobre os beneficiários com perfil
premium, a Dasa pode ficar desfavorecida.

Além disso, todo o sistema de saúde privado brasileiro tem agido em prol de
maior controle dos custos médicos. Isso fez com que surgissem modelos alternativos
de pagamentos, criando um maior alinhamento de interesse entre as partes
envolvidas, como hospitais, laboratórios, médicos e operadoras de planos de saúde.
Neste novo modelo de pagamento, ao invés de se fazer o pagamento por serviço
prestado, há um acordo prévio entre operadora e hospital, sobre o quanto será pago,
em uma espécie de pacote.

Desta forma, é também de interesse do hospital/laboratório o controle de


custos, uma vez que ele pode não conseguir repassar esses custos para a operadora.
Assim sendo, um controle de sinistralidade ruim e/ou uma alta acima do esperado
dos custos médicos, pode prejudicar a tese da empresa, que se dá através de
cuidado do paciente e recorrência em exames preventivos.

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