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A importância da neuropsicologia na interface da memoria

A Neuropsicologia é uma ciência que surgiu no Século XX, que se desenvolveu


inicialmente a partir da convergência da Neurologia com a psicologia, a fim de estudar
as modificações comportamentais resultantes de Alteração cerebral, que é um
objetivo comum entre as duas ciências. Ou Seja, A Neuropsicologia busca entender
como as estruturas e funções do sistema nervoso central se relacionam com os
processos psicológicos e o comportamento em geral, como a linguagem, a memória, e
a consciência. No que diz respeito à memória, esta trata-se de uma faculdade
cognitiva, considerada de grande importância para a vida do ser humano, visto que ele
necessita da memória para conseguir aprender algo. Desta forma, sem que não
houvesse um armazenamento de informações seria praticamente impossível o ser
humano se conduzir na vida. O estudo das bases neuropsicológicas da memória e da
aprendizagem é um dos mais interessantes temas atualmente analisados no campo da
neuropsicologia. Adquirir novos conhecimentos e posteriormente transformá-los sem
perdê-los é o grande interesse dos pesquisadores que procuram estudar os aspectos
envolvidos nos mecanismos de formação da memória e na sua correlação com a
aprendizagem.

A importância da neuropsicologia na interface da memória por meio da


Neuropsicologia busca-se estabelecer uma relação entre os processos mentais e o
funcionamento cerebral, segundo Hasse et al. (2012) “utilizando conhecimento das
neurociências, que elucidam a estrutura e o funcionamento cerebral, e da psicologia,
que expõe a organização das operações mentais e do comportamento”.

Nos últimos anos registrou-se um grande avanço na Neuropsicologia, que atualmente


é definida como sendo a área do conhecimento humano que explora as imperfeições
da memória e da cognição em geral, uma avaliação neuropsicológica pode ajudar a
estreitar o diagnóstico diferencial de disfunção cognitiva, escolhendo tratamentos e
avaliando a eficácia de uma intervenção em uma base contínua. Em pacientes com
distúrbios neurológicos documentados, as informações da avaliação neuropsicológica
podem definir as limitações funcionais do paciente ou as forças cognitivas residuais. O
uso adequado da avaliação neuropsicológica pode melhorar a qualidade do
atendimento.

A avaliação neuropsicológica é um procedimento que tem por objetivo investigar as


funções cognitivas (conhecimentos complexos) e práxicas (atividade motora fina) dos
pacientes, buscando elucidar os distúrbios de atenção, memória e sensopercepção,
além de alterações cognitivas específicas como gnosias, abstração, capacidade de
raciocínio, cálculo e planejamento, bem como seus diagnósticos diferenciais. Avaliação
Neuropsicológica serve para auxiliar no diagnóstico diferencial das queixas mnêmicas,
possibilitando um exame detalhado do funcionamento neurológico.

Esta extensa e minuciosa testagem, são solicitadas por médicos geriatras,


neurologistas, psiquiatras e psicólogos, além de outros profissionais envolvidos com a
área de reabilitação em geral, sendo usada para nortear indicações terapêuticas
medicamentosas e de reabilitação, com técnicas específicas aplicadas a distúrbios por
déficit de atenção, com ou sem hiperatividade associada, diagnóstico diferencial dos
déficits cognitivos e avaliação de distúrbios mentais, assim como, as demências
(isquêmica por multi-infartos, Alzheimer e outras) sendo, também, útil para o
diagnóstico diferencial de depressão.

Acrescentam Hasse et al (2012), que a avaliação neuropsicológica evidencia e detalha


as lesões e disfunções cerebrais, mediante uma série de testes, que na sua maioria são
testes psicométricos. Conforme Santo e Bruno (2009), que o estudo das bases
neuropsicológicas da memória e da aprendizagem é um dos mais interessantes temas
atualmente analisados no campo da neuropsicologia.

A memória consiste em um conjunto de processos cognitivos que envolvem a


aquisição, a formação, a conservação e a evocação de informações. A partir delas, ao
longo do ciclo vital, podemos verificar um desenvolvimento no formato de uma curva
em U invertido; na medida em que ela se aprimora ao longo da infância e
adolescência, se estabiliza ao longo da vida adulta e passa a declinar ao longo do
envelhecimento (Schaie, 2005). Contudo, em alguns casos, o declínio dessa função
mostra-se mais pronunciado, caracterizando um comprometimento mais acentuado
que o esperado para a idade do sujeito, o que propicia o desenvolvimento de quadros
de envelhecimento cognitivo patológico, como por exemplo, o Comprometimento
Cognitivo Leve (CCL) e a demência por Doença de Alzheimer (DA) (Petersen e Negash,
2008).

Gil e Busse (2009) mostram que a avaliação da memória pode ser promovida mediante
alguns dos instrumentos neuropsicológicos, dentre os quais destacam-se os seguintes:

a) Escala de avaliação clínica de demência (Clinical Dementia Rating-CDR);


É usada como um instrumento de avaliação global das demências e quantifica o
grau de demência e seus estágios, ou seja, a gravidade do processo demencial. A
proposta do instrumento é de avaliar seis importantes domínios: memória,
orientação, capacidade de julgamento e de resolver problemas, a relação com o
meio social, atividades domésticas, de lazer e cuidados pessoais.

b) Memória lógica da bateria Wechsler revisada (MLWMS-R);

Avalia a recordação imediata e tardia (após trinta minutos) de duas histórias lidas
ao sujeito uma seguida da outra. A utilização desse teste demonstrou que
pacientes demenciados não utilizam à informação semântica na recordação
imediata das duas histórias apresentadas ao examinador e a recordação tardia
mostrou-se essencialmente ausente.

c) Mini-Exame do Estado Mental (MEEM);


É o teste mais utilizado para avaliar a função cognitiva por ser rápido (em torno de
10 minutos), de fácil aplicação, não requerendo material específico. Deve ser
utilizado como instrumento de rastreamento não substituindo uma avaliação mais
detalhada, pois, apesar de avaliar vários domínios (orientação espacial, temporal,
memória imediata e de evocação, cálculo, linguagem-nomeação, repetição,
compreensão, escrita e cópia de desenho), não serve como teste diagnóstico, mas
sim pra indicar funções que precisam ser investigadas. É um dos poucos testes
validados e adaptados para a população brasileira.

d) Teste de aprendizagem auditivo verbal de Rey (Rey Auditory Verbal Learning Test -
RAVLT).
Um dos testes mais utilizados para avaliação neuropsicológica da memória é
o Teste de Aprendizagem Auditivo-Verbal de Rey (RAVLT), amplamente
reconhecido na literatura neuropsicológica para a avaliação dos processos de
aprendizagem, evocação e reconhecimento da memória episódica.
Consiste em cinco apresentações de 15 palavras (lista A), seguida de uma segunda
lista interferente (lista B), também de 15 palavras, com posterior recor- dação da
primeira lista (Lista A). Após, 30 minutos recorda-se novamente a primeira lista. Na
versão atual, o reconhecimento é testado pedindo para o sujeito indicar dentre
uma lista de 30 palavras lidas em voz alta, qual faz parte da Lista A.

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