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Será 

lícito falar do ser humano em geral ou teremos de o diferenciar


sexualmente, distinguindo um polo feminino e um polo masculino?

Problema

Moralidade na diferenciação sexual um indivíduo

Posição

Neste ensaio vou defender a minha posição relativamente à questão “Será


lícito falar do ser humano em geral ou teremos de o diferenciar sexualmente,
distinguindo um polo feminino e um polo masculino?”, que se situa dentro do
tema da Igualdade e Discriminação.

A finalidade deste debate é contribuir para o desenvolvimento de uma


sociedade mais inclusiva, que respeite e reconheça a diversidade sexual,
começando pelo reconhecimento plural de todas a identidades de género,
garantindo assim os seus direitos.

Primeiramente gostaria de esclarecer que Identidade Sexual e Identidade de


Género são sinónimos, e muitas vezes confundidos com o conceito de
Orientação Sexual. A Identidade Sexual ou Identidade de Género refere-se à
perceção do indivíduo como “homem ou mulher”, enquanto que a Orientação
Sexual se refere à atração por um sexo ou outro.

Pretendo, demostrar que a Identidade de Género, homem e mulher, não faz


mais sentido na época que nos encontramos, em pleno século XXI, com todo
desenvolvimento médico, social, cultural e tecnológico que tem acontecido ao
longo dos tempos. Neste ensaio não procuro esclarecer se é errado ou não,
mas sim se é moralmente correto fazer diferenciação sexual entre indivíduos,
com base em apenas dois polos. Ao contrário da moralidade do aborto, não
concordo que em algum momento seja diferenciado um conjunto de pessoas
com base em apenas dois polos sexuais.

Há muitos anos apenas considerávamos duas Identidades de Género (o


masculino e o feminino). Porém, hoje em dia, ouvir falar em Identidade de
Género, é um livro aberto, pois mostra um estudo atual (2016), em Nova
Iorque, que existem mais de 31 identidades de género. Onde, o dito masculino
e o feminino, já é completamente ultrapassado e nem todos se identificam
com apenas estas duas amplas identidades de género. Acredito que devemos
sim, falar do ser humano como um todo, sendo retrógrado, errado e
desrespeitoso diferenciar um indivíduo pela sua Identidade Sexual.

Concluo assim a minha posição referindo a extrema importância de permitir


ao indivíduo ser quem ele é, escolher a Identidade de Género com qual se
identifique. Considero ser muito desconfortável, aterrorizante e perturbador
ter de viver numa Identidade de Género com a qual a pessoa não se
identifica.

Defesa do Tema

Na nossa sociedade existem uma série de comportamentos/atitudes que


podem levar a consequências puníveis. A transfobia é um exemplo de um
conjunto de comportamentos, atitudes, desejos, sentimentos e ações
negativas com a finalidade de magoar ou provocar dor a um indivíduo
transexual. Muitas vezes vem seguida de comportamentos racistas, sexistas
e/ou homofóbicos.

A transexualidade consiste na mudança do género em relação ao atribuído no


momento do seu nascimento, podendo ser masculino ou feminino. O indivíduo
pode ser ou não submetido a um conjunto de intervenções médicas, como por
exemplo, a toma de hormonas, cirurgias plásticas e de mudança de sexo, para
além de todos os aspetos comportamentais e o vestuário que possam ser alvo
de mudança. Ao contrário da transexualidade, o termo popular “travesti”,
remete para um indivíduo que se comporta e usa peças de vestuário
femininas. Não tendo qualquer vontade em fazer a cirurgia de redesignação
sexual.

Realço que os comportamentos/atitudes, assim como o vestuário estão ligados


meramente a questões sociais, que muitas vezes levam ao dimorfismo
sexual na espécie humana.
O dimorfismo sexual consiste no desconforto persistente do indivíduo com
características sexuais ou marcas que lhe são atribuídas ao nascimento.
Acresce a mudança de comportamentos e de uso de peças de vestuário, sendo
assim necessário ser submetido a um tratamento mais intenso como a toma de
hormonas e cirurgia de mudança de sexo. Esta decisão tem de ser totalmente
feita pelo o indivíduo, maior de idade e com a ajuda médica especializada.
Faço questão de referir, mais uma vez, que a Orientação Sexual do indivíduo
não é analisada neste ensaio, mas sim a Identidade de Género.

Acredito plenamente que as atitudes exibidas e os comentários atribuídos a


um indivíduo transexual que sofra de dimorfismo sexual, possam ser muito
perturbadoras. Se o próprio indivíduo não se sente confortável com as suas
maneiras e comportamentos, imagino como se deve sentir ao ouvir aqueles
comentários transfóbicos.

A mudança de género é um processo difícil e intenso, quer socialmente,


culturalmente e emocionalmente, assim como em termos biológicos. O
indivíduo que passa por esta mudança revela força interior e “garra” mas ao
mesmo tempo, demonstra muita dor e sofrimento.

Para mim é difícil compreender o porquê de querer infligir dor a uma pessoa,
que já não se sente bem no corpo que tem, provocando-lhe mais desconforto
e dor pelos comentários transfóbicos. Como consequência o indivíduo pode
desenvolver baixa autoestima, falta de confiança, assim como outros
comportamentos mais graves, podendo em casos extremos provocar a sua
própria morte.

Objeções e respostas às objeções

Infelizmente, ainda existem pessoas na nossa sociedade que acreditam que a


“repentina mudança de género”, “a escolha da Orientação Sexual”, a
Igualdade entre Géneros, e muito mais conceitos são apenas mais uma moda.
Que antigamente, nos tempos em que havia opressão da liberdade de
expressão, censura e a PIDE, não existiam as ditas “aberrações”.
Na verdade, existir sempre existiram pessoas “diferentes”, só não eram
ouvidas, não se exponham, não se manifestavam, pois caso corriam perigo de
serem mortas. Uma época em que todos os direitos do ser humano eram
completamente ignorados e ridicularizados.

A transexualidade também já foi considerada uma “aberração” e,


infelizmente, vivemos num planeta que, só recentemente, a transição de um
género para o outro deixou de ser considerada como um transtorno mental. A
Organização Mundial de Saúde tomou como decisão retirar a transexualidade
da lista dos transtornos mentais, em 2018.

Questiono-me como é que em pleno século XXI, a “tal era futurística” onde
supostamente iriam existir os carros que flutuariam, que os telemóveis seriam
incorporados no braço, entre outros avanços, ainda estamos a falar da
transexualidade como se fosse algum tipo de transtorno mental?
Inacreditável!!

Quem defende que a transexualidade é uma moda, que antigamente não


havia “isto”, não sabe que o primeiro indivíduo registado que se submeteu a
uma cirurgia de mudança de sexo foi Lili Elbe, mais conhecida como Einar
Wegener, nome dado no seu nascimento, em 1933. Esta, infelizmente morreu
devido a complicações médicas (rejeição do órgão implantado), e foi primeira
tentativa de transplante de útero da humanidade. Esta história verídica foi
relatada em filme.

Concluo assim, com as minhas respostas a possíveis objeções, que possam vir
a ser feitas aos meus argumentos, referindo que, se não se ouvia falar de
transexualidade no passado, não quer dizer que não tenha havido, pois uma
coisa não invalida a outra. Refiro também a extrema importância de tratar
cada indivíduo como um fim em si mesmo, tal como o filósofo Kant salienta
em várias das suas teses. Kant destaca o conceito de dignidade da pessoa
humana isento de explicações, na qual o ser humano, por ser dotado de razão,
é ao mesmo tempo um fim em si mesmo e dotado de vontade autónoma. E
que, o que nos torna indivíduos pertencentes a uma sociedade não é, nem a
nossa cor, nem a nossa identidade de género, nem a nossa orientação sexual,
nem como nos encontramos financeiramente, mas sim, a nossa dignidade, o
respeito e o carinho que temos pelo o próximo.

Webgrafia:

https://pt.calameo.com/read/0048435889b06dc78dba0

https://redacaonline.com.br/blog/5-dicas-para-desenvolver-uma-boa-
argumentacao-nos-seus-textos/

https://www.hypeness.com.br/2016/06/nova-york-agora-reconhece-31-
diferentes-tipos-de-genero/

https://www.bbc.com/portuguese/geral-44651428

http://rogeriocher.com.br/2017/08/23/a-polaridade-masculina-e-feminina-a-
experiencia-de-ser-integral/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Disforia_de_g%C3%AAnero

https://pt.wikipedia.org/wiki/Transfobia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Transexualidade

https://www.euro.who.int/en/health-topics/health-
determinants/gender/news/news/2019/5/moving-one-step-closer-to-better-
health-and-rights-for-transgender-people

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