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Aluno: Guilherme Luis Silva Busato

Disciplina: Comunicação em Língua Brasileira de Sinais (LIB038)

Instituição: Universidade Federal do Paraná

Docente: Brenno Barros Douettes

Resumo das Aulas online 10 e 11 UNIVESP / Disciplina LIBRAS (LBS-001)

As aulas número 10 e 11 do curso de Libras da UNIVESP tratam de aspectos linguísticos das


línguas de sinais. Mais especificamente das unidades formativas dos sinais, dos processos de
formação e modificação de sinais. Os textos base utilizados são: "Diferentes pronúncias em
uma língua não sonora? Um estudo da variação sonora na produção de sinais da libras" de A.
N. XAVIER e P. A. BARBOSA, "Aspectos da morfologia da libras" de A. N. XAVIER e S. L. G.
NEVES, e "Incorporação de numeral na libras" de M. DEDINO.

O professor André Xavier começa a exposição citando o trabalho "Sign Language Structure"
(1960), de William Stokoe, que estabeleceu pela primeira vez as línguas de sinais como línguas
naturais.

Um dos argumentos de Stokoe para a classificação das línguas de sinais como naturais foi a
demonstração de que as palavras gestuais também eram formadas por unidades menores. De
maneira similar às letras das línguas orais. As línguas de sinais possuem unidades
gestuais-visuais: a configuração de mão, a localização da mão e o movimento, que quando
recombinadas podem formar diferentes palavras e significados.

Outro argumento de Stokoe foi que estas unidades possuem dimensões finitas. Ou seja, existe
um número finito de cada um desses elementos acima citados em cada línguas de sinais.
Graças a esse levantamento, Stokoe foi capaz de escrever o primeiro dicionário de ASL
(American Sign Language) utilizando uma simbologia desenvolvida para fazer equivalência às
unidades gestuais-visuais, e não à língua oral.
Um terceiro ponto levantado por Stokoe é que as unidades formativas das palavras em línguas
de sinais são distintivas de significado, ou seja, não possuem significado por si próprias.

Outro fator que aproxima as línguas orais naturais e as línguas de sinais é que estes
componentes formativos também podem sofrer variações sem que isso necessariamente mude
o significado da palavra formada. Nas línguas orais, é possível pronunciar palavras de
maneiras distintas, sem sacrificar a compreensão, como por exemplo nos nossos diversos
erres: "perto" carioca e o "perto sulista".

A palavra "também", em libras, serve como exemplo deste fator, pois gesticular "também" com
a mão em posição de 1 ou em posição de B acarreta no mesmo significado.

Apesar de todas essas semelhanças, Stokoe mostrou também que existem diferenças no uso
das unidades formativas orais e das visuais-gestuais. As unidades orais se manifestam
sequencialmente, ao ponto que palavras podem mudar de significado a depender da ordem em
que as unidades se apresentam: "Ato/Toa".

As unidades visuais-gestuais, por outro lado, se apresentam de forma simultânea.

Na aula seguinte, o professor Xavier inicia falando dos processos de formação de palavras em
Libras.

De acordo com ele, as línguas são sempre econômicas em seu processo de formação de
palavras, é natural aproveitar uma palavra já existente na língua para construir uma nova.
Esses processos são conhecidos como afixação e composição.

(Prefixação/Sufixação/Justaposição/Aglutinação)

Estes processos em Libras se configuram das seguintes formas:

- Alteração na forma de uma ou mais unidades formativas dos sinais


Ou seja, alterar ou adicionar uma configuração de mão, localização de mão ou movimento
a um sinal para formar um significado derivado de outra palavra com unidades formativas
similares.

-Composição

Um sinal formado por 2 ou mais sinais. Como por exemplo igreja = casa + cruz, ou escola =
casa + estudar.

Vale ressaltar que é comum em compostos das línguas que a palavra primitiva sofra alteração
dentro do composto. O nosso "Você" seria um exemplo, assim como quando usamos o sinal de
"escola" em Libras, o movimento do sinal "casa" e "estudar" são abreviados.

Assim como nas línguas orais, os compostos em línguas de sinais podem sofrer alterações tão
drásticas que nem mesmo os falantes daquela língua o reconhecem mais como um composto.

Diferentemente das línguas orais, que possuem um processo de flexão de palavras, as línguas
de sinais realizam processos de modificação de sinais: a incorporação e a intensidade.

Os subtipos de incorporação incluem:

-Numeral: alteração da configuração de mão de alguns sinais, que se tornam numerais para
expressar quantidades relacionadas àquele conceito. (Tempo, Pessoas no discurso, ordem,
série escolar, vez, dinheiro)

-Negação: modular a forma afirmativa de algumas palavras para que elas passem a exprimir
negação. (alteração na orientação da palma/expressão facial)

-Localização: Alguns sinais são produzidos no lugar ao qual fazem referência, e são chamados
de sinais locativos. Por exemplo, o sinal cortar/cirurgia deve ser produzido onde ocorrerá o
corte. Existem também os verbos direcionais (indicadores), que podem denotar o seu sujeito e
o seu objeto através da direção do movimento do sinal. (por exemplo, sinal "Avisar")
-Formato: Alguns sinais na libras incorporam o formato dos objetos aos quais fazem referência,
como por exemplo: Pegar, que muda de forma dependendo do objeto a que se refere.

A modificação de intensidade também se manifesta de forma diferente em línguas de sinais.


Alguns sinais alteram a sua forma quando querem agregar à palavra a ideia de "muito". Outros
ampliam o seu movimento. Esta modulação se aplica na própria palavra, e não a partir de um
advérbio, como no português.

Estes elementos demonstram de forma prática como estamos diante de dois sistemas
linguísticos completamente distintos quando comparamos a língua portuguesa e a libras, assim
como quando comparamos as línguas orais e as gestuais-visuais em geral.

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