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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Faculdade de Engenharia
Professor: Eduardo Martins

RELATÓRIO DE MONITORAMENTO DA QUALIDADE DO


AR – ESTAÇÃO DE MONITORAMENTO ENGENHÃO – DADOS
DE JUL/2020

Alunos:
Anderson Melo
Gabriel Motta
Leonardo Carvalho
Novembro de 2021
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO 4

2. DESCRIÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DA REGIÃO 4

2.1. USO E OCUPAÇÃO DO SOLO 4

3. DESCRIÇÃO DA REDE DE MONITORAMENTO 4

4. POLUENTES ATMOSFÉRICOS MONITORADOS 5

5. TIPOS DE REDE E PARÂMETROS MONITORADOS 6

5.1. REDES DE MONITORAMENTO 6

5.2. PARÂMETROS MONITORADOS 6

6. METODOLOGIA DE MONITORAMENTO 8

7. METODOLOGIA DE TRATAMENTO DOS DADOS 8

8. DESCRIÇÃO DAS FONTES DE POLUIÇÃO DO AR 9

8.1. NOX 9

8.2. OZÔNIO 9

8.3. HIDROCARBONETOS TOTAIS E HIDROCARBONETOS NÃO METANO 10

8.4. METANO 10

8.5. MONÓXIDO DE CARBONO 10

9. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS QUANTO AOS POLUENTES 10

9.1. NOX E OZÔNIO 10

9.1.1 PADRÃO DE QUALIDADE DO AR 18

9.2. HIDROCARBONETOS TOTAIS, HIDROCARBONETOS NÃO METANO E


METANO 20

9.2.1 PADRÃO DE QUALIDADE DO AR 24

9.3. MONÓXIDO DE CARBONO 26

9.3.1 PADRÃO DE QUALIDADE DO AR 28

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10. PROPOSTA DE MELHORIAS 28

11. BIBLIOGRAFIA 29

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1. INTRODUÇÃO
Os primeiros sinais da necessidade de controle e monitoramento das emissões de
poluentes atmosféricos e qualidade do ar surgiram, no Brasil, a partir da Política
Nacional de Meio Ambiente (PNMA), estabelecida pela Lei 6.938/1981, e das
Resoluções CONAMA nº 05/1989 e 03/1990, as quais integram o Programa Nacional
de Controle de Qualidade do Ar (PRONAR).
Dentre as medidas a serem tomadas, está o cumprimento das exigências técnicas
e legais que estabelecem limites de emissão, sendo, portanto, considerado um dos
principais instrumentos de controle da poluição atmosférica. Em adição, as Resoluções
CONAMA resolução nº 491, de 19 de novembro de 2018 e nº 382/2006 trazem o
conceito de limite máximo de emissão (LME) aplicável a fontes fixas.
Quando o objetivo é controlar e mitigar as emissões atmosféricas, a fim de
manter a qualidade do ar, a regulamentação utilizada é a Resolução CONAMA nº
491/2018, que estabelece os padrões de qualidade do ar.
Como forma de atender a Resolução CONAMA e estar assegurado quanto ao
princípio da prevenção, foi implementado pelo INEA – Instituto Estadual do Meio
Ambiente o Plano e Programa de Controle e Monitoramento das Emissões Atmosféricas
e Qualidade do Ar.

2. DESCRIÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DA REGIÃO


2.1. USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
Os dados utilizados para a elaboração deste relatório foram obtidos a partir da
Estação de monitoramento de ar Engenhão, que se encontra dentro das imediações do
Estádio Olímpico Nilton Santos, localizado no bairro Engenho de Dentro. O bairro
Engenho de dentro, conforme determinado pelo Plano diretor do município do Rio de
janeiro (2011), se encontra em uma Zona Residencial Multifamiliar - ZRM, sendo
assim, a maior parte da poluição atmosférica contida na área de contribuição desta
estação é proveniente de veículos automotores, ou seja, fontes móveis.

3. DESCRIÇÃO DA REDE DE MONITORAMENTO


A estação de monitoramento de qualidade do ar em estudo está localizada no
estacionamento do Estádio Nilton Santos (Engenhão), próximo à rua José dos Reis e
tendo como coordenadas geográficas 22.89182° S, 43.29442° O.

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Por estar localizada no estacionamento a estação não possui interferência na
circulação do ar no seu entorno.
A figura abaixo representa a estação em estudo.
Figura 1: Estação automática de monitoramento da qualidade do ar Engenhão.

4. POLUENTES ATMOSFÉRICOS MONITORADOS


 A estação do Engenhão monitora dos seguintes poluentes:
 Dióxido de Nitrogênio
 Hidrocarbonetos Não-Metano
 Hidrocarbonetos Totais
 Metano
 Monóxido de Nitrogênio
 Óxidos de Nitrogênio
 Ozônio

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5. TIPOS DE REDE E PARÂMETROS MONITORADOS
5.1. REDES DE MONITORAMENTO
a) REDE AUTOMATICA
As estações da rede automática se caracterizam pela capacidade de processar na
forma de médias horárias, no próprio local e em tempo real, as medidas dos parâmetros
de qualidade do ar. Estas médias são transmitidas para a central de telemetria e
armazenadas em servidor de banco de dados dedicado, onde passam por processo de
validação técnica periódica e, posteriormente, são disponibilizadas diariamente no
endereço eletrônico do INEA.
A rede automática é composta por estações que realizam medições contínuas das
concentrações dos poluentes dispersos no ar e dos parâmetros meteorológicos. Os
poluentes monitorados são os gases NOx, CO, SO2, O3, HC (metanos e não metanos),
COV (compostos orgânicos voláteis, ex. benzeno) e partículas como o PTS, PI e PM2.5.
Os parâmetros meteorológicos monitorados são direção e velocidade do vento,
temperatura, umidade, radiação solar, pressão atmosférica e precipitação. Os dados
obtidos são transmitidos em tempo real para a central de telemetria do INEA e
compõem o banco de dados do Instituto.

b) REDE SEMI-AUTOMÁTICA
As estações semiautomáticas utilizadas na rede de monitoramento do estado do
Rio de Janeiro monitoram os parâmetros PM2.5, PM10 e Partículas suspensas totais
(PTS). Nessas estações, a amostragem é realizada durante 24 horas, a cada seis dias.

5.2. PARÂMETROS MONITORADOS


Óxidos de nitrogênio (NOX): As principais fontes de monóxido de nitrogênio
(NO) e dióxido de nitrogênio (NO2) são os motores dos automóveis. As usinas
termelétricas e indústrias que utilizam combustíveis fósseis contribuem em menor
escala. Durante a combustão sob elevadas temperaturas, o oxigênio reage com o
nitrogênio formando óxido nítrico (NO), dióxido de nitrogênio (NO2) e outros óxidos
de nitrogênio (NOX). Estes compostos são extremamente reativos e na presença de
oxigênio (O2), ozônio e hidrocarbonetos, o NO se transforma em NO2.
Por sua vez, NO2 na presença de luz do sol, reage com hidrocarbonetos e
oxigênio formando ozônio (O3), sendo um dos principais precursores deste poluente na
troposfera. Ao contrário de outros poluentes, as concentrações de NO2 nos ambientes

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internos estão intimamente relacionadas com as concentrações externas, uma vez que
este poluente se difunde com muita facilidade de fora para dentro das edificações
através de mecanismos de ventilação. A isto se soma o fato de existirem várias fontes de
NO2 e outros óxidos de nitrogênio (NOX) dentro das residências, como fogões a gás,
aquecedores que utilizam querosene (mais frequente em regiões frias) e o cigarro.
Ozônio (O3): O ozônio presente na troposfera é formado por uma série de
reações catalisadas pela luz do sol (raios ultravioletas). Tem como precursores, óxidos
de nitrogênio (NOx) e hidrocarbonetos, derivados de fontes de combustão móveis,
como os veículos automotores, de fontes estacionárias, como usinas termelétricas, e até
mesmo fontes naturais como as árvores, que contribuem na produção de compostos
orgânicos voláteis.
Hidrocarbonetos totais (HCT) e Hidrocarbonetos não metano (HCnM): Os
hidrocarbonetos são substâncias químicas compostas exclusivamente de carbono e
hidrogênio. Por estarem presentes nos combustíveis de veículos automotivos, como gás
natural, óleo diesel e gasolina, sua maior fonte de emissão é a queima incompleta desses
combustíveis. São compostos reativos e, quando lançados na atmosfera, podem gerar
subprodutos, como o ozônio. Apesar de não haver padrão de concentração para esses
compostos, é importante que haja o monitoramento, para a melhor compreensão dos
efeitos adversos gerados pelo seu acúmulo. Já os hidrocarbonetos não metano, são todos
os hidrocarbonetos com exceção ao metano.
Metano (CH4): O metano ou hidrocarboneto de metila pode ser encontrado
como produto de biodigestão de bactérias anaeróbicas, durante a extração de
combustíveis fósseis, atividades agrícolas e de pecuária, aterros de resíduos urbanos e
estações de tratamento de esgoto. É amplamente utilizado na indústria química como
gás comprimido liquefeito e é um dos principais constituintes do gás natural veicular
(em torno de 89%).
Monóxido de Carbono (CO): É um gás resultante da combustão incompleta de
combustíveis, da oxidação do metano pelo íon hidroxila, de processos industriais e da
queima incompleta de matéria orgânica. Dada sua afinidade à hemoglobina, altas
concentrações de monóxido de carbono causam diversos malefícios à saúde humana, o
que justifica o monitoramento e o controle deste poluente.

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6. METODOLOGIA DE MONITORAMENTO
Os métodos utilizados para medição dos parâmetros, descritos no tópico
anterior, das amostras obtidas pela estação de monitoramento de ar, estão listados na
tabela abaixo.

Tabela 1: Métodos de medição utilizados na rede de monitoramento.

Parâmetro Método

Óxidos de nitrogênio Quimiluminescência

Ozônio Fotometria de ultravioleta

Monóxido de carbono Infravermelho não dispersivo


(GFC)

Hidrocarbonetos Ionização de chama

7. METODOLOGIA DE TRATAMENTO DOS DADOS


A partir da base de dados de monitoramento da qualidade do ar do estado do Rio
de Janeiro, disponibilizado no site do Instituto Estadual do Ambiente - INEA, foram
obtidos os resultados das medições feitas pela Estação de monitoramento de ar
Engenhão no mês de julho.
Foi avaliado a acurácia dessas medições para a exclusão de dados considerados
inválidos. Estes dados podem ser invalidados pelo próprio sistema ou manualmente,
pelo responsável pela coleta dos dados ou pelo analista responsável pela elaboração do
relatório de monitoramento da qualidade do ar.
Alguns dos critérios utilizados para invalidar dados considerados inconsistentes,
são a permanência de um mesmo valor por um longo período de tempo ou quando os
dados não atendem relações pré-estabelecidas, como, por exemplo, quando os valores
de HCnM somados aos valores de CH4 não resultarem na concentração de HCT.
No mês de julho, nenhum dado foi considerado inválido pelo sistema da estação
de monitoramento.
Após remover os dados considerados inválidos, utilizando o software Excel, foi
desenvolvida uma tabela dinâmica para a avaliação dos valores dos parâmetros medidos
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pela estação Engenhão, segundo os padrões estabelecidos pela resolução CONAMA
491/2018.

8. DESCRIÇÃO DAS FONTES DE POLUIÇÃO DO AR


8.1. NOX
Automóveis e outras fontes móveis contribuem com cerca de metade do NOx
que é emitido.
Além disso, emissões de substâncias também são adicionadas por fontes
antropogênicas, como usinas incineradoras, turbinas a gás, ignição por centelha
recíproca e motores diesel, fontes estacionárias, siderúrgicas, fabricação de cimento,
fabricação de vidro, refinarias de petróleo e Fabricação de ácido nítrico. Fontes
biogênicas ou naturais de óxidos de nitrogênio incluem raios, queimadas em florestas,
árvores, arbustos, gramíneas e leveduras. Essas várias fontes (Automóveis, Usinas, e o
restantes) produzem diferentes quantidades de cada óxido.
Isso mostra um retrato gráfico das emissões de nossas duas maiores fontes de
NOx. Se nós poderíamos reduzir as emissões de NOx de apenas essas duas categorias
principais, poderíamos ser capazes de viver com o resto. No entanto, não espere que
nenhuma dessas categorias se torne zero no previsível futuro. Não podemos esperar que
o carro, o caminhão, o ônibus e o avião desapareçam. O carro com emissão zero é ainda
na prancheta e não na linha de produção. Além disso, os costumes sociais terão que
mudar antes que o consumo de eletricidade possa ser reduzido.

8.2. OZÔNIO
O ozônio não é um poluente emitido diretamente pelas fontes, mas formado na
atmosfera por meio da reação entre os compostos orgânicos voláteis e óxidos de
nitrogênio em presença de luz solar.
A formação do ozônio na troposfera se inicia com a reação de fotólise do NO2,
gerando monóxido de nitrogênio (NO) e oxigênio monoatômico. A partir da reação do
oxigênio monoatômico com o oxigênio diatômico é formado o ozônio. Na presença do
NO o O3 reage rapidamente para gerar NO2 e O2, sendo assim formando um estado
estacionário. No entanto, a presença de compostos orgânicos voláteis pode converter o
NO em NO2 e assim alterar as concentrações de O3.

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8.3. HIDROCARBONETOS TOTAIS E HIDROCARBONETOS NÃO METANO
Os hidrocarbonetos totais e não metanos são em sua maioria produtos emitidos a
partir da combustão incompleta, podendo essa ser proveniente de um automóvel leve
e/ou pesado, de processos industriais, assim como na evaporação de combustíveis.

8.4. METANO
Sendo em torno de 90% da constituição do gás natural, o metano apresenta sua
origem de emissão nos centros da mesma maneira que outros hidrocarbonetos, a partir
da queima incompleta do combustível utilizado nos automóveis, fogões, fornos e outros
equipamentos que utilizem do gás natural vindo da tubulação. Outra fonte de emissão é
a partir de vazamentos na tubulação e outras fontes antrópicas e não antrópicas citadas
anteriormente.

8.5. MONÓXIDO DE CARBONO


É emitido nos processos de combustão que ocorrem em condições não ideais, em
que não há oxigênio suficiente para realizar a queima completa do combustível. A maior
parte das emissões em áreas urbanas são decorrentes dos veículos automotores.

9. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS QUANTO AOS POLUENTES


9.1. NOX E OZÔNIO
A validação manual dos dados foi feita a partir da correlação entre as
concentrações de NOx, NO e NO2, onde, a concentração de NOx menos a concentração
de NO deve ser igual ao valor medido de NO2.

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Gráfico 1: Comportamento das concentrações médias de NO em um período de 24h.

Gráfico 2: Comportamento das concentrações médias de NO2 em um período de 24h.

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Gráfico 3: Comportamento das concentrações médias de NOx em um período de 24h.

Gráfico 4: Comportamento das concentrações médias de O3 em um período de 24h.

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Gráfico 5: Relação das concentrações médias horárias de NOx e O3.

Gráfico 6: Variação das concentrações de NO, NO2, NOx e O3 no dia 25/07/2020


(tempo de média: 1 hora).

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Gráfico 7: Comparação da concentração média diária de NO, NO2, NOx E O3.

Gráfico 8: Variação das concentrações de NO, NO2, NOx e O3 no dia 25/07/2020


(tempo de média: 1 hora).

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Gráfico 9: Variação média horária da concentração de NO, NO2, NOx e O 3 associado a
temperatura média horária.

Gráfico 10: Variação média horária da concentração de NO, NO2, NOx e O 3 associado
a umidade relativa.

15
Gráfico 11: Concentração média diária de NO.

Gráfico 12: Concentração média diária de NO2.

Gráfico 13: Concentração média diária de NOx.

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Gráfico 14: Relação das concentrações médias diárias de NO, NO2, O3.

Variabilidade da série temporal de NOX e O3


A variabilidade das concentrações de poluentes atmosféricos depende de
emissões específicas e condições meteorológicas gerais. NOx (NO 2 + NO) é um
contaminante primário e O3 é um contaminante secundário que se origina na atmosfera
através de um conjunto de reações complexas (Seinfeld e Pandis, 2006). As
concentrações de O3 são influenciadas por precursores de NOx e condições
meteorológicas (temperatura e radiação solar). No presente trabalho foram examinadas
séries temporais de concentrações de poluentes atmosféricos (NO, NO2, NOx e O3) para
o período analisado no mês de julho de 2020.

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As concentrações elevadas de NOx e NO foram observadas durante todo o
período estudado. Além disso, os resultados apresentam maiores concentrações de NO,
o que pode ser atribuído à maior influência veicular, caracterizada por frota “pesada”.
No gráfico se pode ver os níveis aumentados de concentração de O 3, provavelmente
devido à diminuição dos níveis de NO e, consequentemente, ao menor consumo de O3,
produzindo um acúmulo de O3 troposférico. O aumento dos níveis de NO e NOx podem
causar uma redução de O3. Em uma atmosfera limitada de NOx (com altas
concentrações de NOx), o O3 pode depender do nível global de NOx (Seinfeld e Pandis,
2006). Além disso, a concentração ambiente de O3 é fortemente influenciada pela
flutuação diária do NO2 e a proporção de NO2 para NO (Sebald et al, 2000).
As concentrações mais baixas de O3 durante o mês mais frio, no cenário, julho
podem ser atribuídas à presença de maiores concentrações de NO, NO 2 e NOx e
condições climáticas específicas que favorece uma presença de radiação solar mais
baixa, menor camada de mistura e ventos fracos. Nesses dias mais frios, a formação
fotoquímica de O3 é inibida pela falta de radiação solar intensa.

9.1.1 PADRÃO DE QUALIDADE DO AR


Tabela 2: Comparação das concentrações horárias com os parâmetros estabelecidos pela
CONAMA 491/2018 (média móvel de 8 horas e maior média horária).

Máxima registrada Valor máximo


CONAMA
O3 (mg/m³) 91,6 92% 100 100%

NO2 (mg/m³) 132 66% 200 100%

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Gráfico 15: Média móvel de 8h da concentração de O3 no dia com maior emissão.

Gráfico 16: Comparação da maior concentração horária de NO 2 com o parâmetro


estabelecido pela CONAMA 491/2018 (Concentração em mg/m³).

Os resultados apresentados de NOx, NO2 e NO apresentam sua correlação bem


estabelecida, assim como quando analisamos o gráfico 15 representando o ciclo de
formação do ozônio na atmosfera, representado na equação abaixo:
NO2 + h.V = O+NO
O+O2 = O3
NO+O3 = NO2+O2

Visto que não é possível atribuir os resultados de NOx e NO a CONAMA


491/2018 e a correlação destes poluentes com NO2 e O3, presentes na norma, não faz se

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necessário uma comparação direta destes poluentes com limites fora da norma em
estudo.
Para a correlação dos resultados de NO2 obtidos pela estação de medição, com a
CONAMA 491/2018 foi se necessário utilizar do maior valor coletado em amostra e
compará-lo com o menor limite máximo atribuído para esse poluente, o padrão de
qualidade do ar final PF, no valor de 200 mg/m³. Não foi possível realizar o cálculo da
média horária dos dados coletados pela estação, uma vez que os dados são coletados no
intervalo de uma hora, logo seguindo o critério do Relatório de Qualidade de Ar do
INEA, em que a média horária é definida utilizando 75% das medidas válidas no
intervalo de 1 hora, foi se necessário utilizar o dado único coletado. Sendo assim, ao
considerarmos o maior valor de NO2 e compará-lo com o limite da norma, foi
observado que o limite não foi ultrapassado, tendo a medida representando 66% do
valor limite.
Para a comparação do O3, como a CONAMA 491/2018 utiliza o critério de
máxima média móvel obtida no dia em um intervalo de 8 horas, utilizamos do mesmo
método. Foi escolhido o dia de maior concentração, para considerar o cenário mais
desfavorável, e em seguida foi feita a média móvel para as concentrações de O3 para
este dia. A partir disso foi possível comparar os resultados obtidos com os limites da
CONAMA 491/2018, utilizando o limite de PF, por ser o limite mais restritivo. Como
resultados obtivemos o valor de 91,6 mg/m³, próximo ao limite de 100 mg/m³
apresentado na norma, contudo ao observarmos o gráfico 15 é possível perceber que no
intervalo de 14:30 a 17:30 foi ultrapassado o limite, mas devido ao método de medição
não é considerada uma quebra de limites.

9.2. HIDROCARBONETOS TOTAIS, HIDROCARBONETOS NÃO METANO E


METANO
Para a validação manual dos dados foi feita a partir da correlação entre os
valores, onde a soma do valor de CH4 e HCnM deve ser igual valor medido de HCT.

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Gráfico 17: Comportamento das concentrações médias de HCT em um período de 24h

Gráfico 18: Comportamento das concentrações médias de HCnM em um período de


24h.

21
Gráfico 19: Comportamento das concentrações médias de CH4 em um período de 24h.

Gráfico 20: Relação das concentrações médias de HCT, HCnM e CH4 em um período
de 24h.

Avaliando as concentrações médias de HCT, HCnM e CH4 no decorrer do dia,


vemos que os três poluentes têm o mesmo comportamento, tendo seu pico de
concentração por volta das 7 horas e sua concentração mais baixa por volta de 14h. Esse
comportamento sugere que todos esses poluentes provêm da mesma fonte, emissões
veiculares. Vale destacar que, devido a restrição dos parâmetros da estação de
monitoramento de ar, não é possível determinar se há a presença dos grupos de

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poluentes BTEX, TPH e PAH e, consequentemente, determinar qual fração cada grupo
representa dos HCT.

Gráfico 21: Concentração média diária de HCT.

Gráfico 22: Concentração média diária de HCnM.

Gráfico 23: Concentração média diária de CH4.

23
Gráfico 24: Concentrações médias diárias de HCT, HCnM e CH4.

Para a avaliação da representatividade dos dados de hidrocarbonetos totais,


hidrocarbonetos não metano e do metano, foi considerado que a soma das concentrações
medidas de HCnM e de CH4 deveriam ser iguais à concentração medida de HCT. Nos
casos onde a variação desses resultados foi maior que 10%, os dados foram
considerados inválidos. A partir disso foram descartados os dados de HCT, HCnM e
CH4 dos dias 4. 10, 15 e 16 de julho

9.2.1 PADRÃO DE QUALIDADE DO AR


Gráfico 25: Cinco maiores concentrações de HCT no mês de julho.

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Gráfico 26: Cinco maiores concentrações de CH4 no mês de julho.

Gráfico 27: Cinco maiores concentrações de HCnM no mês de julho.

Pelo fato de tanto o metano, quanto os hidrocarbonetos totais e os


hidrocarbonetos não-metano não estarem presentes na CONAMA 491/2018 foram
avaliados apenas as 5 maiores concentrações de cada poluente no mês de julho. A
utilização de limites para metano, hidrocarbonetos totais e hidrocarbonetos não-metano
é em sua maioria atribuído à atividades de grande geração desses poluentes, sendo assim
os valores coletados não são representativos quando comparados a grandes poluidores,
estando em uma escala de mais de 100 vezes o valor medido pela estação em estudo.
Pode ser feita a comparação com o valor médio de CH4 na atmosfera de 1,82 ppm de
acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), com os

25
valores medidos pela estação, apresentado 13 resultados acima desse valor médio,
contudo são resultados dispersos e não ultrapassam de maneira alarmante. Sendo assim,
para a avaliação dos padrões de qualidade do ar, foram destacadas as 5 maiores
concentrações horárias desses poluentes no mês de julho.

9.3. MONÓXIDO DE CARBONO


Gráfico 28: Comportamento das concentrações médias de CO em um período de 24h

Assim como no comportamento horário dos hidrocarbonetos totais, as


concentrações de CO acompanham aumentam de acordo com o aumento do tráfego de
veículos, com uma mudança no horário de pico da concentração que, nesse caso, ocorre
por volta de 21h. Estima-se que 95 a 98% das emissões de CO ocorram a partir da
queima incompleta de combustíveis.

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Gráfico 29: Variação média horária da concentração de CO associado a umidade
relativa.

Gráfico 30: Variação média horária da concentração de CO associado à média horária


da temperatura.

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Gráfico 31: Concentração média diária de CO.

9.3.1 PADRÃO DE QUALIDADE DO AR


Gráfico 32: Média móvel (8h) da concentração de CO.

Tabela 3: Comparação da média móvel da concentração de CO com o valor de


referência da CONAMA 491/2018

Máxima registrada Valor máximo


CONAMA

CO (ppm) 2,8 31% 9 100%

O método de comparação dos valores medidos de monóxido de carbono com o


limite estabelecido pela CONAMA 491/2018 foi semelhante à utilizada para o ozônio,

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pelo motivo da resolução utilizar o mesmo método de máxima média móvel diária no
período de 8 horas, apenas alterando a unidade de medição para ppm. A partir disso
foram obtidos os dados apresentados no gráfico 32 e na tabela 3, demonstrando que o
limite pré-estabelecido pela norma não foi ultrapassado. Vale ressaltar que os dados
utilizados para a realização da média móvel foram os que apresentavam o pior cenário,
maiores concentrações.

10. PROPOSTA DE MELHORIAS


1. A redução do limite máximo de NOx dos veículos leves, os quais são a
maior parcela presente nas vias próximas ao local estudado, implica tanto na diminuição
da concentração de NOx, NO2 e NO, quanto na concentração de O3. Sendo assim uma
medida que terá diversos pontos favoráveis, contudo é uma medida de impacto nacional.
2. Redução do número de vagas no estacionamento do estádio,
proporcionando uma menor concentração de veículos leves nos dias de jogos, do
mesmo modo que faria com que os torcedores utilizassem mais meios de transporte
público (trem e ônibus).
3. Monitoramento dos parâmetros MP10, MP2,5 e PTS, visto que há um
grande número de pessoas que visitam o estádio e permanecem por um período de
tempo considerável e as vias no entorno apresentam grande concentração de tráfego.

11. BIBLIOGRAFIA

CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE - CONAMA. (2018).


RESOLUÇÃO CONAMA nº 491, de 19 de novembro de 2018.

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