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FILOSOFIA – ARA0099

PROFª ESP. TATIANA ALMEIDA

Feira de Santana, 2021


OBJETIVOS

✓ Debater sobre os conceitos de cidade e


justiça na visão do Santo Agostinho;
✓Discutir o as características das virtudes
morais cardeais segundo Santo Tomás de
Aquino;
✓Analisar concepção de lei no Nominalismo e
na Escola Ibérica em relação ao pensamento
agostiniano e tomista.

Plano de aula 04– ARA0099


FILOSOFIA MEDIEVAL
Império Romano
27 a.C. — 395 d.C.
Período Helenístico
séculos IV a.C. a VI d.C.
Cristo ano 0
Santo São Tomás de Guilherme de
O Ocidente Filosofia Antiga Agostinho Aquino Ockam
1.000 a.C 600 a.C – 300 a.C 354 – 430 1225 – 1274 1288 – 1347
Tradição Cosmologia Ética Metafísica Nominalismo
mitológica Antropologia Platonismo Aristotélica- político
Ética, Metafísica, cristão cristã
Política
Da queda do Império Romano no século V até a
Renascença no século XV

Bíblia
Antigo Testamento
10 a.C. — 70 d.C. FILOSOFIA MEDIEVAL
Novo Testamento Idade Média séculos V-XV
40 d.C
O livro sagrado escrito por homens
BÍBLIA SAGRADA
inspirados por Deus.
Bíblia: período de escrita
Antigo Testamento: 1300 a.C. — 70 d.C.
Novo Testamento: 40 d.C – 90 d.C

A Bíblia é um conjunto de livros (73 livros na versão católica e 66 naquela


dos protestantes/evangélicos), que durante a história foram colocados num
único volume. Resumidamente podemos dizer que a igreja católica definiu a
“lista dos livros” bíblicos (o cânon), composta de 73 livros, durante o Concílio
de Trento (de 1545 a 1563). No mesmo período Martinho Lutero,
protagonista da Reforma, decidiu deixar fora da sua lista de livros 7 livros do
Antigo Testamento, acolhendo a lista indicada pelos judeus, que em comum
com os cristãos têm o Antigo Testamento.
VOCÊ SABIA?

A contagem de anos antes e depois de Cristo (a.C. e d.C) só foi inaugurada


mais de 500 anos depois do que hoje chamamos de ano 1 d.C. —que, na
verdade, era o ano 754 para os romanos, 3761 para os judeus e 2697 para os
chineses.
Essa história de identificar o ano de nascimento de Cristo como algo marcante
começou em 525 d.C. e foi ideia do monge Dionísio Exíguo, da Cítia Menor
(região que hoje se divide entre os territórios da Romênia e da Bulgária).
Enquanto montava um calendário para organizar as datas da Páscoa, ele fez
umas contas de padaria e atribuiu o status de ano 1 ao que batizou como
"anno Domini nostri Jesu Christi" ("ano de nosso Senhor Jesus Cristo",
traduzindo livremente do latim). A abreviação Anno Domini (AD) é usada até
hoje para identificar os anos que vieram após Jesus.
Antigo Testamento – 27 livros
Novo Testamento – 46 livros
BÍBLIA SAGRADA

A mensagem bíblica, mesmo que não tenha sido inspirada pela razão e sim
pela fé, teve tal impacto histórico e incidiu de modo tão profundo na
concepção do mundo e da natureza do homem, que deve ser considerada
também do ponto de vista filosófico. Neste sentido, ela trouxe algumas
contribuições revolucionárias para a história do pensamento.
Hoje é possível encontrar a Bíblia, completa ou em porções, em mais de
2.527 línguas diferentes (levantamento de dez/2010).
Grego, hebraico e aramaico. Esses foram os idiomas utilizados para escrever
os originais das Escrituras Sagradas.

Contribuições significativas da bíblia:


Monoteísmo; criacionismo vindo do nada; antropocentrismo; lei moral
vinculada à vontade de Deus; quedo do homem por desobediência; o resgate
depende de Deus; imortalidade da alma e ressurreição; amor cristão e amor de
Deus.
FILOSOFIA MEDIEVAL

O objeto de estudo da filosofia medieval começou antes


deste período cronológico da história. Afinal, após a
morte de Jesus Cristo, os primeiros cristãos tiveram que
conciliar a filosofia grega com os ensinamentos cristãos.
Uma vez que a Idade Média foi um longo período da
história ocidental, dividimos a Filosofia Medieval em
quatro fases:
Filosofia dos Padres Apostólicos;
Filosofia dos Padres Apologistas;
Patrística;
Escolástica.
A filosofia patrística e
escolástica, que Filosofia dos Padres Apostólicos
correspondem aos dois Nos séculos I e II, a filosofia desenvolvida esteve relacionada com o
últimos períodos, foram início do Cristianismo e, portanto, os filósofos desse período
os mais importantes da estavam preocupados em explicar os ensinamentos de Jesus Cristo
filosofia medieval. num meio pagão. Recebe esse nome, uma vez que esse cristianismo
. primitivo esteve baseado nos escritos de diversos apóstolos.
O maior representante desse período foi Paulo de Tarso, o Apóstolo
Paulo, que escreveu muitas epístolas incluídas no Novo Testamento.
FILOSOFIA MEDIEVAL

Filosofia dos Padres Apologistas

Nos séculos III e IV a filosofia medieval passa para uma


nova fase relacionada com a apologia. Esta era uma
figura da retórica que consistia na defesa de algum ideal,
nesse caso, a fé cristã.

Os "Padres Apologistas" utilizaram as mesmas figuras de


linguagem e argumentos para dialogar com os helenistas.
Assim, defendia o cristianismo como uma filosofia natural
que seria superior ao pensamento greco-romano.
Dessa maneira eles aproximaram o pensamento greco-
romano aos conceitos cristãos que estavam se disseminando
pelo Império Romano.
Nesse período destacam-se os apologistas cristãos: Justino
Mártir, Orígenes de Alexandria e Tertuliano.
FILOSOFIA PATRÍSTICA

A filosofia patrística foi desenvolvida a partir do século IV e permaneceu até o século


VIII. Recebe esse nome porque os textos desenvolvidos no período foram escritos
pelos chamados "Padres da Igreja" (Pater, "pai", em latim).

✓A patrística se preocupava em adaptar os ensinamentos da filosofia grega aos


princípios cristãos. Baseava-se nas obras de Platão e identificava a Palavra de Deus com
o mundo das ideias platônicas. Partiam do princípio de que o homem seria capaz de
entender a Deus através da sua revelação.
✓Esta é uma fase inicial de desenvolvimento da filosofia medieval, quando o
Cristianismo está concentrado no Oriente e vai se expandindo pela Europa. Por isso, a
maioria dos filósofos era também teólogos e o tema principal era a relação da razão e
da fé.
✓Os Padres da Igreja precisavam explicar conceitos como imortalidade da alma,
existência de um só Deus, e dogmas como a Santíssima Trindade, a partir da filosofia
grega.
✓Dentre os Padres da Igreja destacam-se santo Irineu de Lyon, santo Inácio de
Antioquia, são João Crisóstomo, santo Ambrósio de Milão, entre muitos outros.
✓O filósofo mais destacado do período, porém, foi Santo Agostinho de Hipona.
SANTO AGOSTINHO

Aurélio Agostinho
(África - Milão)
Santo Agostinho (354-430), foi influenciado pelos pensamentos de Platão (c.427-
347a.C).
A questão que unia e fundamentava o pensamento de Santo Agostinho com o
dos filósofos era a comprovação da alma humana.

Partindo do princípio que há um mundo de ideias, ou formas, totalmente


separado do mundo material, Platão compreendeu que a capacidade de
entender esse mundo das ideiais só era possível porque era algo inato ao
homem. Ou seja, ele acreditava que os seres humanos eram divididos em duas
partes: corpo e alma.

Platão concluiu que a alma, imortal e eterna, habitou o mundo das ideias antes
do nosso nascimento e ainda deseja retornar àquele reino após a nossa morte.
Por isso, as variantes de ideias que o mundo dos sentidos apresenta nos soam
como uma reminiscência. Rememorar as lembranças inatas dessas ideias exige
razão, um atributo da alma.
SANTO AGOSTINHO
Aurélio Agostinho
(África - Milão)
Partindo do princípio que há um mundo de ideias, ou formas, totalmente
separado do mundo material, Platão compreendeu que a capacidade de
entender esse mundo das ideiais só era possível porque era algo inato ao
homem. Ou seja, ele acreditava que os seres humanos eram divididos em duas
partes: corpo e alma.
Platão concluiu que a alma, imortal e eterna, habitou o mundo das ideias antes
do nosso nascimento e ainda deseja retornar àquele reino após a nossa morte.
Por isso, as variantes de ideias que o mundo dos sentidos apresenta nos soam
como uma reminiscência. Rememorar as lembranças inatas dessas ideias exige
razão, um atributo da alma.

Agostinho, Fé (Igreja) e Razão (Filosofia) não sobrevivem uma sem a outra, pois
não pode ter fé sem compreender algo, e não pode compreender algo sem ter fé.
Essa é a abordagem original à filosofia e teologia desenvolvida por Agostinho que
acomoda uma variedade de métodos e perspectivas de uma maneira até então
desconhecida para aquela época.
Foi acreditando que a graça era indispensável para a liberdade humana que ele
ajudou a formular a doutrina do pecado original com base na Queda de Adão.
SANTO AGOSTINHO

Aurélio Agostinho
(África - Milão)
Agostinho tinha interesse particular sobre a questão do mal:
“Se Deus é inteiramente bom e todo-poderoso, por que há o mal no mundo?”.

A resposta de Agostinho girou em torno da ideia de que os humanos são seres


racionais e que foram criados por Deus com o livre-arbítrio (ser capaz de
escolher entre o bem e o mal).

Por essa razão, Deus teve de deixar aberta a possibilidade de que o primeiro
homem, Adão, escolhesse o mal em vez do bem. De acordo com a Bíblia
Sagrada (2008), isso é o que aconteceu, visto que Adão desobedeceu à ordem
de Deus para não comer a fruta da Árvore do Conhecimento, causando, assim,
a sua Queda e impondo à humanidade o pecado original.

Assim, antes da Queda, Adão era capaz de pecar e não pecar, tanto que o fez
voluntariamente. Depois disso, seus descendentes ficaram comprometidos com
o pecado, capazes de pecar como de não pecar, sendo que o que prevalece
depende do nível de santificação de cada um e dos meios da graça.
SANTO AGOSTINHO

Aurélio Agostinho
(África - Milão)

O monge irlandês Pelágio refutou as doutrinas de Agostinho.

Pelágio foi um moralista que temia que a oração de Agostinho a Deus,


para “dar o que Tu ordenas, e ordenar o que Tu queres”, pudesse
conduzir à imoralidade e lassidão, porque ela implicava que mesmo os
regenerados não poderiam obedecer a Deus a menos que fossem
continuamente capacitados pelos dons da graça divina.
Sua própria ideia de natureza humana foi baseada na teoria da Queda de
Adão que essencialmente negava o pecado original, de modo que a
vontade era totalmente livre da influência de Adão.
Consequentemente, os pecadores poderiam obedecer à lei de Deus
perfeitamente, se somente eles fizessem um esforço.
SANTO AGOSTINHO

Aurélio Agostinho
(África - Milão)

A doutrina da depravação total no calvinismo tem base na Queda de Adão.


Esta derivou do conceito de Santo Agostinho sobre o pecado original e se
fundamentou na teologia do Apóstolo Paulo de Tarso.

“Se Deus é inteiramente bom e todo-poderoso,


por que há o mal no mundo?”

Aurélio Agostinho (354 d.C – 430 d.C), teólogo e filósofo do cristianismo,


acreditava que Deus não é a origem do mal e considerava heresia as
considerações do monge inglês Pelágio (350 d.C – 423 d.C) que insistia em
afirmar que todo homem se encontra absolutamente livre para escolher o
bem ou o mal em qualquer momento de sua vida, que a Queda de Adão não
tinha afetado a mais ninguém além dele mesmo.
SANTO AGOSTINHO

Em A Cidade de Deus, Agostinho (2006) defende que


uma sociedade se forma a partir do amor de vários
indivíduos pelo mesmo objeto. Ele exemplifica com os
espetáculos: os espectadores ignoram-se mutuamente,
mas, ao admirarem a performance do ator, também
passam a nutrir simpatia uns pelos outros.
Aurélio Agostinho
(África - Milão) Essa tese agostiniana vai ao encontro da tese de Aristóteles,
segundo o qual a polis é o âmbito dos “amigos”, dos que amam
e odeiam as mesmas coisas. E contrapõe-se à teoria moderna
“Cidade” é o conjunto de
de Hobbes, do “contrato social”, que considera que o Estado
homens unidos pelo amor
comum a certo objeto. E nasce como um pacto para cessar a luta de todos contra todos,
haveria fundamentalmente para nos protegermos dos “vizinhos”, e não dos inimigos
duas cidades: externos.

A Cidade de Deus
Unida pelo amor divino e que dirige sua existência temporal à glória de Deus.
A Cidade dos homens
Unida pelo amor às coisas temporais, de costas para Deus.
SANTO AGOSTINHO

Agostinho preocupou-se com a arte de governar, pois, para ele, a política deve
contemplar o homem em sua plenitude constituída de corpo e de alma. Portanto, não
haverá política verdadeira se esta não estiver ligada a Deus.
Se os que governam não pensarem na política como uma arte e que esta não pode ser
pensada sem a presença de Deus, não haverá concórdia na cidade terrena. Assim, as
virtudes não serão praticadas e os vícios reinarão.

A condição fundamental para que a paz seja permanente é a ordem. Para que um
conjunto de partes concorde na busca de um mesmo fim, é preciso que cada qual
esteja em seu lugar e desempenhe sua própria função corretamente. Assim:
A paz do corpo é o equilíbrio bem ordenado dos apetites ou das paixões.
A paz da alma racional é o acordo entre o conhecimento e a vontade.
A paz doméstica é a concórdia dos moradores da mesma habitação quanto ao comando e
à obediência.
A paz da cidade é a concórdia da família estendida a todos os cidadãos.
A paz da cidade cristã é uma sociedade ordenada de homens que amam a Deus e se
amam mutuamente em Deus.
A paz, em tudo, é a tranquilidade da ordem, o bem soberano
SANTO AGOSTINHO

A justiça é a virtude que realiza a ordem, que dá a cada


um o que é devido: subordina o inferior ao superior,
mantém a igualdade entre coisas iguais e dá a cada um
o que lhe pertence. A justiça deriva da lei eterna, que
nos ordena conservar a ordem e impedir que ela seja
perturbada. Essa lei imutável ilumina nossa consciência
Aurélio Agostinho moral como a luz do Mestre interior — que é Cristo, “o
(África - Milão) Verbo que ilumina todo homem” — ilumina nossa
inteligência.

Assim, também há em nós uma lei, chamada “lei natural”, que é como a
“transcrição” da lei eterna ou divina em nossa alma. A exigência fundamental da
lei é que tudo esteja ordenado. E é a justiça que estabelece no homem a ordem
pela qual o corpo submete-se à alma e essa a Deus.
FILOSOFIA ESCOLÁSTICA

✓Baseada na filosofia de Aristóteles, a Escolástica foi um movimento


filosófico medieval que se desenvolveu durante os séculos IX e XVI.
✓Ela surge com o intuito de refletir sobre a existência de Deus, da alma
humana, da imortalidade. Em suma, desejam justificar a fé a partir da razão.
✓Por isso, os escolásticos defendiam ser possível conhecer a Deus através do
empirismo, da lógica e da razão.
✓Igualmente, a Escolástica pretende defender a doutrina cristã das heresias
que apareciam e que ameaçavam romper com a unidade da cristandade.
✓Grandes filósofos da escolástica foram são Bernardo de Claraval, Pedro
Abelardo, Guilherme de Ockham, o beato João Duns Escoto, entre outros.
✓Nesse período, o filósofo mais importante foi São Tomás de Aquino e sua
obra "Summa Teológica", onde estabelece os cinco princípios para provar a
existência de Deus.
✓A Escolástica permaneceu em vigor até a época do Renascimento, quando
começa a Idade Moderna.
SANTO TOMÁS DE AQUINO

O maior expoente do período escolástico da


teologia e Filosofia católica, cujo nome deriva das
“escolas” monásticas ou catedralícias, nas quais
eram ensinadas a teologia e as “artes liberais”

Santo Tomás de
Aquino
SANTO TOMÁS DE AQUINO

O período escolástico teve início a partir do século


IX, quando Alcuíno (735 d.C.-804 d.C.) promoveu a
reforma carolíngia no âmbito educacional, que foi
impulsionada pelo imperador Carlos Magno (742
dC-814 d.C.), do recém-criado Sacro Império
Franco-Romano, após a chamada “Idade das
Santo Tomás de Trevas”, provocada pelas invasões bárbaras e pela
Aquino queda do Império Romano (séculos V a VIII).

O “método” da escolástica madura era a disputatio, que consistia em um


embate dialético de opiniões contrárias e favoráveis a determinada tese. Ele
foi inaugurado por Pedro Abelardo (1079-1142), no século XII, iniciando-se a
era das grandes “sumas” (enciclopédias didáticas).
As “sumas” buscavam compendiar todo o saber teológico e filosófico,
reunindo as teses dos padres da Igreja e dos filósofos, confrontando-as
entre si e com a Bíblia, e buscando a melhor solução para os problemas
filosóficos e teológicos.
SANTO TOMÁS DE AQUINO

À época de Aquino, já haviam sido fundadas as


primeiras universidades do Ocidente, a Igreja havia
atingido o auge de seu poder temporal e havia o
apego dos eclesiásticos à riqueza e ao luxo.
Surgiram as ordens dos “irmãos menores” ou
franciscanos, de São Francisco de Assis (1182-1226),
e dos “pregadores”, de São Domingos de Gusmão
Santo Tomás de (1170-1221), para pregar a pobreza como ideal de
Aquino vida cristã.

Também nesse momento, havia iniciado a caçada violenta


aos cátaros (adeptos do catarismo: movimento social e heresia gnóstica ou
dualista, que negava a bondade da matéria e era resistente ao casamento e à
reprodução, bem como aos vínculos feudais, além de incitar as pessoas ao
suicídio) e tinha conseguido da Igreja autorização para a Inquisição (tribunal
eclesiástico instituído pela Igreja Católica, no qual os frades investigavam os
erros doutrinários dos supostos hereges. Ao Estado, era permitido torturar os
réus considerados culpados, condenando-os à pena capital da fogueira).
SANTO TOMÁS DE AQUINO

Tomás de Aquino, frade da Ordem dos Pregadores,


ensinava em Paris, e os livros da ética e da
metafísica aristotélicas começaram a circular na
Europa cristã — até então, era fundamentalmente
adepta da obra lógica conhecida de Aristóteles —, a
partir das traduções e interpretações dos árabes,
que haviam entrado em contato com a tradição
Santo Tomás de filosófica grega por meio dos cristãos da Síria.
Aquino

Assim, o Aquinate (conjunto das obras de Aquino) defende que, sem o


conhecimento revelado do início temporal do mundo no livro de Gênesis,
poderíamos dizer que o mundo foi criado desde toda a eternidade, porque o
essencial na criação é ter um princípio ontológico (de origem causal do ser), e
não um princípio cronológico (de início temporal do ser).
SANTO TOMÁS DE AQUINO

São Tomás de Aquino uniu o pensamento de Aristóteles e da Bíblia.

“O universo sempre “O universo nem


existiu. Nunca houve sempre existiu, é
tempo que não criação de Deus”
houvesse movimento” Bíblia
Aristóteles

“O mundo teve um começo, mas Deus pode tê-lo criado de forma a ter existido
eternamente. Deus poderia ter criado o universo sem humanos e, depois, criá-los”
Aquino.
Ele exemplifica: o pé deixa a marca na areia e que esta sempre tenha estado lá.
Mesmo que nunca houvesse um momento anterior à marca, ainda reconheceríamos
o pé como a causa da marca, se não fosse pelo pé, não haveria marca.
SANTO TOMÁS DE AQUINO

A virtude é definida por Aquino (2011) como “uma


boa qualidade da mente pela que se vive
retamente, da qual ninguém usa mal, produzida
por Deus em nós sem intervenção nossa”. Em
sentido lato, “virtudes” são aquelas humanas, que
destinam-se aos fins da razão humana e que
podem ser obtidas pela reiteração dos atos.
Santo Tomás de
Aquino

Contudo, para Santo Tomás de Aquino a virtude em sentido próprio é a


“infusa”, inseparável da virtude teologal da caridade, com a qual Deus
incrementa as virtudes humanas ou cardeais —
prudência, justiça, fortaleza e temperança — para o cumprimento do fim
último e sobrenatural da vida humana, que é o próprio Deus.
VIRTUDES

Prudência (sabedoria). A condição de todas as outras virtudes e


presente em todas elas. Prudente é aquele que, em todas as situações,
julga e avalia qual atitude e ação melhor realizarão a finalidade ética,
ou seja, garantirão que o agente seja virtuoso e realize o que é bom
para si e para os outros.
A fortaleza (coragem) é um sentimento
ou virtude que evoca a força. Observe o
guerreiro. Ele não pode ser covarde, pois
Consiste na se assim o for não terá condições de
atribuição, na defender a cidade dos inimigos. Daí,
equidade, no dizer que a coragem é a defesa da
opinião própria, mesmo quando atacada
considerar e respeitar por todos os lados e por todas as
o direito e o valor que pessoas. A paciência, ligada à fortaleza,
são devidos a alguém, é a disposição interior de enfrentar as
vicissitudes da vida: dor, morte,
ou alguma coisa. desilusão.

A temperança, segundo Sócrates, é uma ordenação e ainda um poder


sobre certos prazeres. Assim, a temperança refere-se à contenção dos
prazeres sensitivos dentro dos limites estabelecidos pela razão. Diz-se
que a moderação é a temperança no comer, a sobriedade é a
temperança no beber e a castidade é a temperança no prazer sexual.
SANTO TOMÁS DE AQUINO

Para Aquino (2011), o homem é um “animal


sociável e político”: desprovido de instrumentos
que lhe garantam automaticamente a
sobrevivência, mas dotado de razão para buscar os
meios da existência, ele não pode, sozinho,
encontrar tudo que necessita. Portanto, a vida
social lhe é natural.
Santo Tomás de A política não significa uma ordem humana
Aquino independente da ordem cósmica, mas inserida
nela.
O fundamental no governo é a orientação da sociedade ao bem comum. O
governante não pode deliberar sobre este bem comum, mas tão somente
sobre os meios para alcançá-lo. Nesse sentido, Tomás de Aquino não veria
com bons olhos uma democracia que se entendesse, não como método que
faz a multidão participar da eleição dos meios ou das estratégias políticas,
mas como fim do próprio processo político.
SANTO TOMÁS DE AQUINO

Santo Tomás de Aquino apresenta as três condições


exigidas para uma boa vida da multidão:
✓A unidade da paz.
Santo Tomás de ✓O procedimento virtuoso dos cidadãos, isto é, a
Aquino ação em conformidade com o bem moral que se
expressa na lei natural.
✓A abundância do necessário para o viver bem.
GUILHERME DE OCKHAM
A ruptura do equilíbrio entre fé e
razão
Com sua Filosofia “nominalista”, Guilherme (ou
William) de Ockham iniciou o
processo fideísta e racionalista que caracteriza a
Modernidade, com suas separações entre fé e
razão, graça e natureza, Igreja e Estado, as quais
quebram a harmonia buscada por Agostinho e
Tomás de Aquino.

FIDEÍSTA
Crença religiosa que não busca o diálogo com a
Filosofia.
RACIONALISTA
Guilherme de
Ockham Pensamento filosófico que não busca o diálogo com
(condado de Surrey, a teologia.
aldeia de Ockham,
próximo a Londres)
O príncipe dos
nominalistas
GUILHERME DE OCKHAM

A filosofia não é serva da teologia, que não é mais


considerada ciência, mas sim um complexo de
proposições mantidas em vinculação não pela
coerência racional, e sim pela força de coesão da fé.

Transformou outra verdade cristã, a suprema


onipotência de deus, em instrumento de dissolução
das metafísicas do cosmo que se haviam
cristalizado nas filosofias ocidentais de inspiração
aristotélica e neoplatonizante. Se a onipotência de
Deus é ilimitada e o mundo é obra contingente de
Guilherme de sua liberdade criadora, então, diz Ockham, não há
Ockham nenhuma vinculação entre Deus onipotente e a
(condado de Surrey, multiplicidade dos indivíduos finitos,
aldeia de Ockham, singularmente, além do laço que brota de puro ato
próximo a Londres) de vontade criadora da parte de Deus e, portanto,
O príncipe dos não tematizável por nós, mas conhecido apenas por
nominalistas sua sabedoria infinita.
GUILHERME DE OCKHAM

A vida moral é marcada pela “obrigação”, e não


pela “graça” ou “benevolência”, que permite
cumprir a lei. Assim, a moralidade foi separada do
clássico (e bíblico) desejo de felicidade e, com o
tempo, os 10 Mandamentos — considerados
arbitrários. Sem o suporte de uma fé vivida
existencialmente — senão transformada em mera
instalação social, em uma cultura cada vez mais
secularizada (mundana) —, a moral cristã parecia
Navalha de Ockham um fardo.
Com esta metáfora Ockham A prevalência dada ao indivíduo, tanto em lógica
quer exprimir um princípio como em metafísica, e também as teses
antiplatônico, segundo o qual nominalistas, permitem a Ockham separar a lógica
não é necessário multiplicar da realidade e elaborar nova lógica, fundada sobre
os entes e construir um uma sintaxe mais rigorosa e sobre uma clareza
mundo ideal de essências: de
maior na definição dos termos, em relação à
fato, não é preciso ir além dos
indivíduos.
realidade designada.
Obrigado!

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