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PM-TO

Mundo Contemporâneo: elementos de política internacional e brasileira. Cultura internacional. Cultura


e sociedade brasileira: música, literatura, artes, arquitetura, rádio, cinema, teatro, jornais, revistas e
televisão. Descobertas e inovações científicas na atualidade e seus impactos na sociedade
contemporânea. ....................................................................................................................................... 1

O desenvolvimento urbano brasileiro. .............................................................................................. 117

História e Geografia do Estado do Tocantins; o movimento separatista; a criação do Estado; os


governos desde a criação; ................................................................................................................... 122

Governo e Administração Pública Estadual; divisão política do Estado, clima e vegetação; hidrografia;
............................................................................................................................................................. 145

atualidades: economia, política, desenvolvimento. .......................................................................... 151

Candidatos ao Concurso Público,


O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas
relacionadas ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom
desempenho na prova.
As dúvidas serão encaminhadas para os professores responsáveis pela matéria, portanto, ao entrar
em contato, informe:
- Apostila (concurso e cargo);
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- Número da página onde se encontra a dúvida; e
- Qual a dúvida.
Caso existam dúvidas em disciplinas diferentes, por favor, encaminhá-las em e-mails separados. O
professor terá até cinco dias úteis para respondê-la.
Bons estudos!

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Mundo Contemporâneo: elementos de política internacional e brasileira. Cultura
internacional. Cultura e sociedade brasileira: música, literatura, artes,
arquitetura, rádio, cinema, teatro, jornais, revistas e televisão. Descobertas e
inovações científicas na atualidade e seus impactos na sociedade
contemporânea.

Caro(a) candidato(a), antes de iniciar nosso estudo, queremos nos colocar à sua disposição, durante
todo o prazo do concurso para auxiliá-lo em suas dúvidas e receber suas sugestões. Muito zelo e técnica
foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida
conceitual. Em qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de atendimento ao cliente
para que possamos esclarecê-lo. Entre em contato conosco pelo e-mail: professores@maxieduca.com.br

Olá candidato(a). Antes de iniciarmos eu gostaria de fazer alguns esclarecimentos. O primeiro é


em relação ao período que usaremos nos conteúdos de atualidades. O edital é claro quanto aos
tópicos (cultura, inovação científica...) porém não estabelece um período exato. Sento assim
trabalharemos com textos noticiados a partir de janeiro de 2017. O segundo é em relação à ordem do
edital. O conteúdo de atualidades acabou separado pela História e Geografia regionais. Para que não
haja esse corte, os tópicos de economia, política e desenvolvimento também serão trabalhados aqui
e não ao final. Em caso de dúvidas ou sentindo falta de algum conteúdo em particular, por favor entre
em contato conosco. Nossa equipe de tutores está à disposição.

Bons estudos!

Política

Sistema Político Brasileiro


O sistema político brasileiro tem base nas ideias iluministas do pensador francês Montesquieu. O
pensador defendeu a divisão do poder político em Legislativo, Executivo e Judiciário em sua obra “O
Espírito das Leis”. Para ele o poder concentrado na mão do rei leva à tirania, então o Estado deveria
dividi-lo em poder executivo (executa as leis, o governo), legislativo (cria as leis, o congresso) e judiciário
(que julga e fiscaliza os poderes).
No Brasil o voto é universal, ou seja, todo cidadão com a idade mínima de 16 anos pode participar do
processo político e eleger seus representantes. O país é uma república federativa presidencialista, onde
o Chefe de Estado, no caso o presidente, é eleito através do voto direto da população e os estados
possuem autonomia política, com a possibilidade de criar leis específicas.
Assim como na obra de Montesquieu o país possui a divisão do poder entre Executivo, representado
pelo presidente da república, Legislativo, que é representado pelo congresso nacional e Judiciário que é
representado pelo Supremo Tribunal Federal.

Poder Executivo
O poder executivo é compreendido pelo presidente da república e seus ministros de Estado no sistema
federativo brasileiro, com atribuições e responsabilidades definidos pela constituição federal. Nos estados
da federação e no distrito federal, o poder executivo é exercido pelos governadores e seus secretários,
com atribuições e responsabilidades controlados pela constituição estadual. Nos municípios, os
representantes do poder executivo são os prefeitos e seus secretários, que também possuem atribuições
e responsabilidades, definidas na lei orgânica de cada município.
O presidente, governadores e prefeitos são eleitos através de sufrágio (voto) universal. O eleitor tem
o direito de escolher aquele que melhor se encaixa em sua visão política. Todos os candidatos devem
ser filiados a um partido político e, quando eleitos, possuem mandato com tempo determinado. No Brasil
as funções de presidente, governador e prefeito possuem duração de 4 anos cada, com a possibilidade
de reeleição. Durante suas campanhas os candidatos discutem seus programas de governo e os rumos
que pretendem dar ao país.
Existem punições ao presidente da república em caso de crime de responsabilidade, como previsto na
constituição federal, além de punição para infrações penais comuns. Para ser submetido a julgamento o
presidente precisa ter acusação admitida por pelo menos dois terços da Câmara dos Deputados. Nos

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casos de infrações penais ele é julgado pelo Supremo Tribunal Federal e em caso de crimes de
responsabilidade é julgado pelo Senado Federal.
Entre as principais funções do presidente da república estão a execução de leis e expedição de
decretos e regulamentos; prover cargos e funções públicas; promover a administração e a segurança
públicas; emitir moeda; elaborar o orçamento e os planos de desenvolvimento econômico e social nos
níveis nacional, regional e setoriais; exercer o comando supremo das forças armadas; e manter relações
com estados estrangeiros.
Além das funções executivas, o presidente conta ainda, em alguns casos, com poder legislativo. O
poder pode ser aplicado em veto a leis aprovadas pelo Congresso Nacional e a edição de medidas
provisórias com força de lei de aplicação e execução imediatas.
Os ministros de estado e auxiliares diretos do presidente podem ser nomeados ou demitidos livremente
por ele. Para assumir alguma das funções a pessoa deve ter no mínimo 21 anos de idade, brasileiros
natos, e estar no exercício dos direitos políticos. Os ministros nomeados pelo presidente são responsáveis
por diversas políticas de governo, em diversos campos de atuação, como educação, economia, cultura,
finanças e justiça, entre diversos outros. Os ministros podem ser convocados para justificar seus atos
perante a Câmara dos Deputados, o Senado ou qualquer uma de suas comissões para explicar atos ou
programas.

Poder Legislativo
O Poder Legislativo é representado por pessoas que devem elaborar as leis que regulamentam o
Estado, conhecidos por legisladores. Na maioria das repúblicas e monarquias o poder legislativo é
formado por um congresso, parlamento, assembleia ou câmara.
Seu objetivo é elaborar normas de abrangência geral ou em raros casos individual, que são
estabelecidas aos cidadãos ou às instituições públicas nas suas relações recíprocas.
Entre as principais funções do poder legislativo estão a de fiscalizar o Poder Executivo, votar
leis orçamentárias e, em situações específicas, julgar determinadas pessoas, como o Presidente da
república ou os próprios membros do legislativo.
No Brasil, o Poder legislativo é exercido em âmbito federal, estadual e municipal. O Congresso
Nacional é formados pela Câmara dos Deputados e o Senado Federal e é responsável pelo Poder
Legislativo federal. Possui a função de elaborar e aprovar as leis do país, e também controlar os atos do
executivo e impedir abusos pela fiscalização permanente. Nos estados é exercido pelas assembleias
legislativas e nos municípios pelas câmaras municipais, ou de vereadores

Poder Judiciário
O Poder Judiciário é exercido pelos juízes e possui a capacidade e a prerrogativa de julgar, de acordo
com as regras constitucionais e leis criadas pelo poder legislativo em determinado país.
No Brasil, o judiciário não depende dos demais poderes nem possui controles externos de fiscalização.
Sua função é a de aplicar a lei a fatos particulares e, por atribuição e competência, declarar o direito e
administrar justiça. Além disso, pode resolver os conflitos que podem surgir na sociedade e tomar
decisões com base na constituição, nas leis, nas normas e nos costumes, que adapta a situações
específicas.
O poder judiciário possui a divisão entre a União(Federal) e os estados, com a denominação de justiça
federal e justiça estadual, respectivamente.
Entre os órgãos que formam o poder Judiciário estão o Supremo Tribunal Federal (STF), Superior
Tribunal de Justiça (STJ), além dos Tribunais Regionais Federais (TRF), Tribunais e Juízes do Trabalho,
Tribunais e Juízes Eleitorais, Tribunais e Juízes Militares e os Tribunais e Juízes dos estados e do Distrito
Federal e Territórios.
O STF é o órgão máximo do Judiciário brasileiro. Sua principal função é zelar pelo cumprimento da
Constituição e dar a palavra final nas questões que envolvam normas constitucionais. É composto por 11
ministros indicados pelo Presidente da República e nomeados por ele após aprovação pelo Senado
Federal.
Os juízes que atuam em tribunais superiores são nomeados pelo presidente da república, porem
precisam de aprovação do Senado. Outros cargos são preenchidos através de concurso público. Os
juízes têm cargo vitalício, não podem ser removidos e seus vencimentos não podem ser reduzidos.

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Papelão e substância cancerígena ou exagero? O que se sabe - e o que é dúvida - na Operação
Carne Fraca1
A BBC Brasil conversou com engenheiros de alimentos e especialistas em carnes para esclarecer o
que pode e o que não pode ser adicionado no processamento de carnes e quais as preocupações que a
investigação da PF deve despertar no consumidor.
Para alguns deles, a maneira como a operação foi divulgada acabou gerando uma desconfiança
"exagerada" sobre a carne brasileira.
"A polícia agiu mal com a maneira como divulgaram tudo. Acho que houve um certo exagero, para
precipitar a loucura que foi na imprensa ontem", disse à BBC Brasil o médico veterinário e especialista
em carnes Pedro Eduardo de Felício, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp.
A engenheira de alimentos Carmen Castillo, da ESALQ - USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de
Queiroz), pontua que alguns ingredientes citados nas acusações, como o ácido ascórbico, são
necessários para o processamento dos alimentos e é preciso tomar cuidado para não "demonizá-los".
"Não é problema usar esses ingredientes (em alimentos processados e embutidos), o problema é não
respeitar os níveis permitidos na lei", disse à BBC Brasil.
De acordo com a Polícia Federal, esse seria um dos delitos cometidos pelas empresas, que utilizavam
ingredientes no processamento de carnes em quantidades acima do que determina a regulamentação.
"Eles usam ácidos, outros ingredientes químicos, em quantidades muito superior à permitida por lei
pra poder maquiar o aspecto físico do alimento estragado ou com mau cheiro", explicou o delegado da
PF responsável pela investigação, Maurício Moscardi Grillo, em entrevista coletiva na sexta-feira.
A operação deflagrada pela PF foi a maior de sua história e revelou que empresas do setor, incluindo
as as gigantes JBS e a BRF, adulteravam a carne que vendiam no mercado interno e externo.
A investigação também revelou um esquema de propinas e presentes dados pelos frigoríficos a fiscais
do Ministério da Agricultura, que supostamente recebiam para afrouxar a fiscalização e liberar a
comercialização de carne vencida e adulterada.
Sobre as acusações, a JBS se manifestou dizendo que "é a maior interessada no fortalecimento da
inspeção sanitária no Brasil", ressaltando que "no despacho da Justiça Federal que deflagrou a operação,
não há qualquer menção a irregularidades sanitárias ou à qualidade dos produtos da JBS e de suas
marcas."
A BRF disse que "apóia a fiscalização do setor e o direito de informação da sociedade com base em
fatos, sem generalizações que podem prejudicar a reputação de empresas idôneas e gerar alarme
desnecessário na população."

Exagero?
O delegado Grillo explicou os problemas encontrados na carne das empresas investigadas pela
operação - que iam desde mudar a data de vencimento e a embalagem de carnes estragadas, que eram
usadas como matéria-prima para embutidos, até injetar água em frangos para alterar seu peso e mascarar
a deterioração de carnes com o uso de ácido ascórbico.
"São dois anos de análise de fatos, desde utilização de papelão por essas empresas - até essas que
já citei de grande porte (JBS e BRF) - para colocar esse tipo de situação em comidas, pra fazer enlatados,
e outras coisas que podem prejudicar a saúde humana. (...) Tudo isso mostra que o que interessa para
esse grupo é o capitalismo, é o mercado, independente da saúde pública", disse.
"Determinados produtos, cancerígenos até, em alguns casos, eram usados pra poder maquiar as
características de um produto estragado ou com cheiro."
Mas alguns especialistas ouvidos pela BBC Brasil avaliam o modo como as informações foram
divulgadas como "sensacionalista".
"A divulgação da operação foi muito sensacionalista. Essa é uma questão pontual. Estou nesse
mercado, estudando e trabalhando, há 30 anos. Uma das empresas que dirijo importava carne do Uruguai
e da Argentinos até 2012. Hoje, 100% da carne que usamos é produzida no Brasil porque melhorou muito
a qualidade", afirma Sylvio Lazzarini, dono do restaurante Varanda Grill, em São Paulo.
Já Felício ressaltou a importância da investigação e disse que a operação revela um problema no
setor, que "precisa de uma renovação no sistema de fiscalização". Ele destaca, porém, que é preciso
esclarecer melhor as informações divulgadas sobre ingredientes comuns na indústria de carnes, como o
ácido ascórbico, "que é utilizado no mundo todo".
Tanto Felício quanto Lazzarini apontaram o fato de que, ao anunciar a operação, a PF não explicitou
quais infrações foram cometidas por quais empresas, o que facilitaria uma "generalização" do problema.

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19/03/2017 – Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39317738

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A BBC Brasil procurou a Polícia Federal, mas não obteve resposta até o fechamento dessa
reportagem.

Papelão
Ao anunciar a operação, a PF mencionou que empresas envolvidas no esquema de corrupção
"usavam papelão para fazer enlatados (embutidos)".
Em uma das ligações telefônicas citadas no relatório da Polícia, funcionários da BRF falam sobre o
uso de papelão na área onde produzem CMS (carne mecanicamente separada, comumente usada na
produção de salsichas).
No áudio, é possível ouvir:
Funcionário: o problema é colocar papelão lá dentro do cms também né. Tem mais essa ainda. Eu vou
ver se eu consigo colocar em papelão. Agora se eu não consegui em papelão, daí infelizmente eu vou ter
que condenar.
Luiz Fossati (gerente de produção da BRF): ai tu pesa tudo que nós vamos dar perda. Não vamos
pagar rendimentos isso.
Pedro Felício acredita que a referência ao papelão não foi feita como ingrediente para o processamento
da carne. "Acho muito difícil isso ter acontecido. O que acontece é que tem áreas dentro das indústrias
que são chamadas de áreas limpas, onde não podem entrar embalagens secundárias, como caixas de
papelão", diz.
"Na gravação que ouvi, duas pessoas falavam em entrar com uma embalagem de papelão na área
limpa. Evitar papelão nessas áreas faz parte das boas práticas de manufatura, mas não fazer isso não é
o mesmo que usar papelão dentro da salsicha."
Em nota, a empresa BRF afirmou que "houve um grande mal entendido na interpretação do áudio
capturado pela Polícia Federal".
A empresa afirma que um de seus funcionários falava que tentaria embalar a carne em papelão. O
produto é embalado normalmente em plásticos.
"Na frase seguinte, ele deixa claro que, caso não obtenha a aprovação para a mudança de embalagem,
terá de condenar o produto, ou seja, descartá-lo", afirma a empresa.

Ácido ascórbico
O ácido ascórbico - a popular vitamina C - também foi citado pelo delegado da PF como algo utilizado
para "maquiar" o aspecto da carne.
"Eles usam ácido ascórbico e outras substâncias na carne pra maquiar essa imagem ruim que ficaria
se ela fosse expostas dessa forma. Inclusive cancerígenas. Então se usa esses produtos multiplicados
cinco, seis vezes pela quantia permitida pela lei para que não dê cheiro, e o aspecto de cor fique bom
também", disse Grillo.
A partir daí, muitas pessoas entenderam que o ácido ascórbico é uma substância potencialmente
cancerígena.
De acordo com a OMS, ela pode contribuir com distúrbios gastrointestinais, cálculos renais e outros
problemas de saúde se for consumida em excesso e por longos períodos de tempo, mas não há
evidências de relação direta com o câncer.
Falta saber que substâncias cancerígenas estariam sendo usadas e por quais empresas, de acordo
com a investigação da Polícia Federal.
Os especialistas alertam que o uso de ácido ascórbico na carne não é problema.
"O uso dele tem benefícios e não é para mascarar carne adulterada. Ele tem uma função nas carnes
processadas como antioxidante, ajuda a melhorar a estabilidade do sabor e reduzir o teor de nitrito
residual. O nitrito é um aditivo para realizar a cura, que é uma etapa importante no processamento da
maior parte dos produtos processados. Todo ingrediente não cárneo tem função a cumprir no
processamento de alimentos", afirmou Carmen Castillo.
Pedro Eduardo de Felício pontua que o ácido ascórbico "evita que a carne fique com uma coloração
marrom" e que "isso é feito no mundo todo".
A substância, segundo Felício, conseguiria mascarar a deterioração da carne no princípio, quando ela
só tem algumas manchas, mas não quando o estado é mais avançado.
De qualquer forma, ela só deve ser usada somente em produtos embutidos como parte de seu
processamento, e não nas carnes que são vendidas como matéria-prima para estes produtos - nem nas
carnes compradas no supermercado.
"A carne usada como matéria-prima não deve ter qualquer aditivo, nem o ácido ascórbico. Se a Polícia
achou isso, não deveria acontecer", diz.

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Salsicha de peru sem peru
A descoberta de que, no Paraná, alunos da rede pública estadual consumiram salsicha de peru sem
carne de peru - preenchida com proteína de soja, fécula de mandioca e carne de frango - deu início à
investigação de dois anos.
"Muitas vezes verificou-se a falta de proteína, por exemplo, numa merenda escolar, trocada por fécula
de mandioca ou então a proteína da soja, que é muito mais barata do que a carne, então substituía.
Muitas vezes até tinha a quantidade de proteína suficiente, mas não era a proteína da carne, era proteína
de outro alimento, que não traz as mesmas substâncias pro corpo humano como a carne", afirmou o
delegado.
O uso de soja e de fécula de mandioca são comuns na produção de embutidos em todo o mundo,
segundo os especialistas, porém é preciso respeitar as quantidades determinadas pela lei.
"É preciso observar as quantidades usadas, porque elas só podem ser usadas dentro dos limites da
lei. Senão, você tem um produto de carne que tem predominância de matérias-primas não cárneas", diz
Felício.

Injeção de água no frango


Segundo a PF, fiscais teriam descoberto que frangos da empresa BRF, a maior exportadora de frango
do mundo, teriam "absorção de água superior ao índice permitido".
"Injetar água no frango é um problemão com o qual o Brasil vive e luta contra há muito tempo. Há oito
anos que o Ministério da Agricultura é cobrado pelo Ministério Público que o frango não pode ter mais de
8% de água", afirma Felício.
"É uma luta difícil. Eu não duvido que isso aconteça muito por aí, mas existe um esforço para
combater."
A prática não chega a ser prejudicial à saúde, mas altera o peso da carne. "É uma fraude econômica",
diz o engenheiro.

Cabeça de porco
O uso da carne de cabeça de porco ou de boi em linguiças é discutido em uma das ligações
interceptadas entre os sócios do frigorífico Peccin e é proibido no Brasil. "Usavam cabeça de porco, animal
morto, tudo para fazer esse tipo de produtos, principalmente esses derivados, salsicha, linguiça, e outros
produtos", afirmou Grillo.
A utilização de cabeça de porco é admitida em outros países, segundo Felício. "Não será a melhor
linguiça do mundo, mas não é prejudicial à saúde. Será um produto comestível, mas de categoria inferior."
"No Brasil, essa carne é considerada como matéria-prima nas formulações de embutidos cozidos,
como mortadela, mas não em linguiças, que são cruas."

O consumidor deve se preocupar?


Segundo Sylvio Lazzarini, as irregularidades encontradas pela Polícia Federal devem ser punidas, mas
não representam a totalidade dos produtos feitos no Brasil e vendidos em supermercados e restaurantes.
"A carne brasileira evoluiu muito nos últimos anos e é muito segura. Senão o Brasil não exportaria para
os países asiáticos, e muito menos para os EUA, que tem um dos maiores controles fitossanitários do
planeta", diz Lazzarini.
Para o empresário, "irregularidades desse nível existem em todo o mundo porque bandidos existem
em todo lugar".
O Ministério da Agricultura divulgou nota também para acalmar os ânimos dos consumidores.
"O Serviço de Inspeção Federal é considerado um dos mais eficientes e rigorosos do mundo. Tem um
quadro de 2.300 servidores e inspeciona 4.837 unidades produtoras habilitadas para exportação para 160
países. Foi com este Serviço que construímos uma reputação de excelência na agropecuária e
conseguimos atender às exigências rigorosas de diferentes nações", afirma a pasta.
O delegado da PF chegou a ser questionado na coletiva de imprensa se seria correto afirmar que
"quase nenhum produto no mercado hoje está 100% livre dessas possíveis fraudes". Ele respondeu com
cautela, mas não escondeu sua preocupação.
"É possível que a gente tenha consumido alimentos de baixa qualidade, no mínimo, com qualidade
inferior do que deveria ser fornecido."
"Hoje é realmente complicado. Tenho ido ao mercado e passeio um bom tempo até escolher um
produto, mudou esse aspecto na minha vida. É difícil porque a confiança que a gente tem nas empresas,
pelo menos da minha parte, mudou muito. São empresas que a gente considerava corretas, então
assusta. Obviamente deve ter empresas sérias, corretas, mas na investigação foi assim, foi aparecendo

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uma, depois outra. Acho que a gente pode dizer que todas as empresas que a gente teve o azar ou a
sorte de investigar tiveram problemas sérios. Foram quase 40."
Para evitar problemas, Pedro Eduardo de Felício afirma que os consumidores devem conferir se os
estabelecimentos de onde compram carne vendem produtos com certificação de origem e de inspeção,
mesmo após as acusações de corrupção de inspetores federais.
"Este escândalo é de desvio de conduta de 33 funcionários, que foram afastados, entre mais de quatro
mil inspetores. E o Ministério da Agricultura estar tomando atitudes para corrigir o problema. A partir de
agora, todo mundo vai ficar alerta."
"Os erros que foram cometidos devem ser comprovados e punidos, com certeza. Mas eu não acredito
que essas acusações possam ser generalizadas, acho que esse foi problema localizado e o governo terá
que resolver", diz.

Seis perguntas para entender a operação Carne Fraca2


A Polícia Federal deflagrou, na manhã da última sexta-feira (17/03) a operação Carne Fraca, destinada
a combater a venda ilegal de carnes no país. A operação, a maior já realizada pela PF, contou com o
trabalho de mais de mil agentes, em sete Estados. Revelou uma extensa rede de corrupção - da qual
participavam empresários e dezenas de inspetores do governo - criada para garantir a comercialização
de carnes adulteradas e com data de validade vencida. A investigação implicou mais de 30 empresas,
entre elas as gigantes JBS e BRF - donas de marcas como Friboi, Sadia e Perdigão. As duas figuram
entre as maiores exportadoras mundiais de carne. Negam ter cometidos essas irregularidades.

O que houve?
De acordo com a Polícia Federal, ao menos 30 empresas produtoras de carne no Brasil adulteravam
a data de validade dos produtos comercializados. Para mascarar a aparência e o cheiro ruim da carne
vencida, eram usados produtos químicos - o ácido ascórbico e o ácido sórbico. As empresas também
injetavam água nas peças, para aumentar o peso dos produtos, e acrescentavam papelão no preparo de
embutidos. As carnes chegavam aos supermercados graças ao pagamento de propina a fiscais do
Ministério da Agricultura, que afrouxavam a vigilância. Nem sempre a propina envolvia dinheiro - até
mesmo caixas de carnes, frango e botas foram dadas como forma de pagamento pela vista grossa das
autoridades.

Havia envolvimento de políticos?


Segundo a Polícia Federal, a propina paga aos fiscais acabava alimentando os cofres de PP e PMDB.
A polícia, no entanto, ainda não conseguiu estabelecer por que essa divisão acontecia. Um dos envolvidos
no caso é o ministro da Justiça Osmar Serraglio (PMDB- PR). Ele aparece em grampos interceptados
pela PF, conversando com Daniel Golçalves Filho, fiscal agropecuário e líder do esquema criminoso. Na
época, Serraglio ainda não era ministro, e a PF, apesar dos telefonemas, não encontrou indícios de crime
em sua conduta. Nas interceptações, também foram citados outros parlamentares do PMDB do Paraná -
como o deputado federal Sérgio Souza, da Frente Parlamentar da Agropecuária.

Quem comer a carne vencida vai ficar doente?


Não necessariamente - a carne que já passou da data de validade não tem uma aparência muito
diferente da carne boa, caso mantida sob refrigeração adequada. O que muda é o gosto, que logo
denuncia o produto ruim. Segundo especialistas consultados pelo jornal Folha de S. Paulo, haverá
problema se tiverem se proliferado, no produto, colônias de bactérias potencialmente nocivas, como
coliformes fecais. Nesse caso, o consumo da carne pode provocar enjoos, vômito e diarreia.

Para onde toda essa carne foi vendida?


As carnes eram comercializadas em todo o país e também exportadas. A agência de notícias
Bloomberg destacou que o esquema envolvia inclusive uma carga de carnes contaminada com salmonela
e que estava a caminho da Europa.

E o mercado externo? Como reagiu?


Na sexta-feira, quando foi deflagrada a operação, as ações da JBS caíra 10,6% e as da BRF caíram
7,3%. Em parte, pesou contra elas a má repercussão internacional do caso. O jornal americano The New
York Times chegou a dizer que o caso abala um dos poucos pilares ainda seguros da instável economia
brasileira, o agronegócio.

2
18/03/2017 – Fonte: http://epoca.globo.com/brasil/noticia/2017/03/seis-perguntas-para-entender-operacao-carne-fraca.html

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Haverá punições?
Por ora, a Justiça Federal do Paraná já decretou o bloqueio de R$1 bi em bens das investigadas. A
Polícia Federal também cumpriu 38 mandados de prisão - 34 deles para funcionários públicos. Foram
detidos, também, quatro executivos das empresas envolvidas. Entre eles, o gerente de Relações
Institucionais e Governamentais da BRF Brasil, Roney Nogueira dos Santos, e o diretor da BRF André
Luiz Baldissera.
Lula dá depoimento a Moro como réu da Lava Jato: veja como foi o dia em Curitiba3
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve, nesta quarta-feira, sua primeira audiência com o juiz
federal Sergio Moro, juiz da operação Lava Jato na primeira instância e, por isso, responsável por julgar
os processos contra o ex-presidente ligados ao caso.
Réu de três ações sob a alçada do magistrado, o petista foi interrogado sobre as acusações de que
recebeu vantagens indevidas das empreiteiras OAS em troca de contratos com a Petrobras.
Segundo o Ministério Público Federal, a companhia pagou R$ 3,7 milhões a Lula por meio da reserva
e reforma de um tríplex no Guarujá, no litoral de São Paulo, e pelo custeio do armazenamento de seus
bens depois que o petista deixou a Presidência.
Lula negou ser proprietário do imóvel e que tenha recebido propina da OAS. A Moro, o ex-presidente
afirmou nunca ter tido a intenção de adquirir o tríplex, mas admitiu que jamais disse à OAS que não ficaria
com o apartamento. Ele afirmou ainda que sua mulher, Marisa Letícia, morta em fevereiro, poderia estar
interessada no imóvel como "investimento".
O ex-presidente também afirmou não ter mandado destruir provas e disse não saber sobre desvios na
Petrobras.
O depoimento ocorreu sob grande expectativa. A defesa do ex-presidente vinha afirmado que ele é
vítima de "um histórico de perseguição e violação às garantias fundamentais pelo juiz de Curitiba" e
chegou a pedir que Moro fosse afastado do caso. O magistrado refuta as acusações - e a solicitação foi
negada pela instância superior.

Depoimento
Lula ficou cerca de cinco horas no prédio da Justiça Federal. Parte da audiência foi marcada por bate
boca da defesa do ex-presidente e Sérgio Moro, em especial durante as perguntas em que o juiz citou o
sítio de Atibaia (SP) - que teria sido reformado pela OAS a pedido de Lula, segundo sustenta a acusação
com base em informações fornecidas pelo sócio da OAS Leo Pinheiro. A defesa do ex-presidente alegou
que o sítio é objeto de outro processo penal e Lula, mais de uma vez, afirmou que daria os detalhes
necessários quando fosse intimado para falar sobre essa outra ação.
Nos primeiros trechos tornados públicos, Lula é questionado sobre o tríplex e diz que "nunca houve a
intenção de adquirir" o apartamento de três andares, só uma unidade simples no prédio. Também diz que
chegou a visitar o tríplex uma única vez, mas que nunca teve a intenção de comprá-lo - apesar das
afirmações em contrário de Leo Pinheiro.
"Leo estava querendo vender o apartamento e o senhor sabe que, como todo e qualquer vendedor,
(ele queria) vender de qualquer jeito. Eu disse ao Leo que o apartamento tinha 500 defeitos", afirmou
Lula, admitindo que não recusou de pronto o imóvel. Questionado por Moro se ele não comunicou a Leo
Pinheiro que não ficaria com o imóvel, o ex-presidente afirmou: "Não. Não sei por que não comuniquei".
Depois de ter visitado o imóvel com a mulher, ele afirma que nunca mais falou sobre o apartamento
com o executivo da OAS. Disse ter ficado sabendo pelo filho Fábio que a mulher voltou ao Guarujá para
visitar o tríplex. "Dona Marisa não gostava de praia, nunca gostou de praia. Certamente ela queria o
apartamento para fazer investimento", afirmou durante o depoimento.
Já Leo Pinheiro havia dito à Justiça que o apartamento sempre pertenceu a Lula, apesar de no papel
estar no nome da OAS, e que "tinha a orientação de não colocá-lo à venda porque pertencia à família do
ex-presidente".
Lula também negou que tivesse pedido a Leo Pinheiro que destruísse provas - conforme o executivo
da OAS havia dito em depoimento.
Lula também negou as acusações de que a OAS custeava o armazenamento de seu acervo
presidencial.
Direito de imagem Lula Marques / AGPT Image caption Policiamento maciço fazia segurança do prédio
da Justiça Federal para a chegada de Lula

3
BBC BRASIL. Lula dá depoimento a Moro como réu da Lava Jato: veja como foi o dia em Curitiba. BBC Brasil. Disponível em: <
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39853650> Acesso em 11 de maio de 2017.

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O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, disse após o depoimento desta quarta que "o que vimos
hoje no tribunal foi um ataque com motivações políticas" e criticou Moro, chamando a audiência de "farsa"
e "um ataque à democracia".
Moro, durante a audiência, disse a Lula que ele foi "tratado com respeito" durante os procedimentos
judiciais e que ele será julgado "com base na lei".
O juiz perguntou também sobre as indicações feitas a cargos da Petrobras, e o ex-presidente afirmou
que Nestor Cerveró (ex-diretor financeiro da companhia) foi uma indicação do PMDB. Também falou
sobre o encontro que teve com Paulo Duque (ex-diretor de serviços da Petrobras) e confirmou ter
indagado se o ex-diretor da estatal, preso e condenado a 53 anos, mantinha contas no exterior.
Diante de Moro, Lula reclamou da postura do Ministério Público e da Polícia Federal. E, ao final do
depoimento, disse que, se for absolvido, Moro teria de se preparar para ataques "muito mais fortes". O
juiz rebateu, dizendo: "Já sou atacado por bastante gente, inclusive por blogs que supostamente são
patrocinados pelo senhor".

Palanque
Milhares de simpatizantes aguardavam o fim do depoimento em uma praça a poucos quilômetros do
prédio da Justiça Federal, onde Lula discursou após falar à Justiça.
Agradeceu aos manifestantes por "apoiarem uma pessoa que está sendo massacrada" e disse que
está se preparando "para voltar a ser candidato a presidente desse país. Nunca tive tanta vontade,
vontade de fazer melhor, de fazer mais, e provar que se a elite brasileira não tem competência pra
consertar este país, o metalúrgico primário vai provar que e possível consertar este país."
Diante da tensão entre apoiadores e críticos de Lula, o acesso ao edifício estava fechado desde a noite
de terça, quando manifestantes chegaram em maior número à cidade.
Havia temores de confrontos entre grupos favoráveis ao ex-presidente e contrários a ele, o que acabou
não se confirmando diante do forte policiamento.
Apoiadores de Lula se concentraram no acampamento da Frente Brasil Popular, que reúne vários
movimentos sociais, próximo à rodoviária.
Direito de imagem EFE Image caption Outdoor em Curitiba para recepcionar Lula na cidade
Críticos ao petista eram em menor número - após vídeo de Moro pedindo que os simpatizantes da
Lava Jato ficassem em casa, vários grupos decidiram não ir a Curitiba.
O local ficou cercado por policiais, e os manifestantes pró e contra Lula foram mantidos afastados entre
si e do acesso à Justiça Federal.
Durante o depoimento, a imprensa ficou em um espaço reservado situado distante do prédio. Os
moradores do grande perímetro cercado foram escoltados por agentes para entrar e sair de casa - todos
tiveram que comprovar residência na região e cadastrar seus veículos para conseguir usá-los.

Impacto político
Ao aterrissar em Curitiba, Lula foi recebido por petistas e posou para fotos e vídeos com
correligionários como a senadora Gleisi Hoffmann, o deputado federal Zeca Dirceu e o presidente do
partido, Rui Falcão.
O ex-presidente chegou ao prédio da Justiça Federal acompanhado de militantes por volta das 13h45,
reforçando o caráter político que o depoimento assumiu.
Segundo especialistas entrevistados pela BBC Brasil, era pequena a possibilidade de o interrogatório
ter relevância jurídica para o processo contra o ex-presidente.
Já o impacto político poderia ser expressivo.
Líder nas pesquisas de intenções de voto para as eleições de 2018, Lula pode ser impedido de
concorrer tenha uma condenação em segunda instância até o pleito, e tem adotado o discurso de que é
perseguido pela Lava Jato.

Delação da JBS aponta que Temer pedia propina desde 20104


Informação está no anexo 9 do acordo de colaboração firmado junto à Procuradoria-Geral da República
(PGR)
Em um dos trechos da delação de Joesley Batista, um dos proprietários da JBS, o empresário descreve
a relação que tinha com o presidente Michel Temer, detalha os pedidos de pagamento de propina feitos
pelo presidente e conta sobre o último encontro, ocorrido no Palácio do Jaburu, em março deste ano.
Segundo o delator, Temer solicitava pagamentos irregulares à empresa desde 2010.

4
SCHUCH, MATHEUS. SORDI, JAQUELINE. Delação da JBS aponta que Temer pedia propina desde 2010. Gaúcha. Disponível em:
<http://gaucha.clicrbs.com.br/rs/noticia-aberta/delacao-da-jbs-aponta-que-temer-pedia-propina-desde-2010-195975.html> Acesso em 19 de maio de 2017.

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A informação está no anexo 9 do acordo de colaboração firmado junto à Procuradoria-Geral da
República (PGR).
O empresário relata que conheceu Temer no escritório do peemedebista, em São Paulo. Joesley
atendeu a um primeiro pedido de R$ 3 milhões em propina, sendo R$ 1 milhão através de doação oficial
e R$ 2 milhões para a empresa Pública Comunicações. Os repasses foram registrados em notas fiscais.
No mesmo ano, o empresário também concordou com outro pedido do presidente para o pagamento
de propina de R$ 240 mil à empresa Ilha Produções. Joesley disse ter se encontrado Temer ao menos
20 vezes — no escritório de advocacia do peemedebista, na sua residência e no Palácio do Jaburu.

Temer teria voltado a solicitar pagamentos em 2012


De acordo com a delação, em 2012, na campanha à prefeitura de São Paulo, Temer voltou a solicitar
pagamentos milionários para a campanha de Gabriel Chalita, o que ocorreu por meio de caixa 2. A partir
de então, estreitou-se a relação entre Joesley e Temer, "ficando claro que o então vice-presidente
operava, além de Wagner Rossi (então Ministro da Agricultura), em aliança com Geddel Vieira Lima,
Moreira Franco e Eduardo Cunha, entre outros".
Joesley descreve que, durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, Temer o chamou para
uma reunião para pedir uma propina de R$ 300 mil com o objetivo de pagar as despesas de marketing
político pela internet, pois "o mesmo estava sendo duramente atacado no ambiente virtual".
Quando Temer assumiu a presidência, o empresário estabeleceu um canal de interlocução, junto com
Geddel Vieira Lima, na qual enviava pedidos ao presidente. Entre os pedidos, Joesley lembra de ter
solicitado que ele realizasse uma intervenção no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) para que a instituição não vetasse a mudança da sede da JBS para o Exterior.
Após a queda de Geddel, Joesley afirma que teve dificuldades de manter o canal de interlocução com
Temer "e avançar agendas de seu interesse". Foi quando contatou o deputado federal Rodrigo Rocha
Loures (PMDB-PR) e, por meio dele, conseguiu uma reunião com Temer no Palácio do Jaburu. O
encontro ocorreu ema 7 de maio de 2017, e os assuntos foram descritos pelo empresário em tópicos.
Primeiro falam sobre assuntos econômicos, e logo a seguir Joesley "procurou tranquilizar Temer sobre
o risco de delações", dizendo que estava "cuidando" de Eduardo Cunha e de Lucio Funaro, ao que Temer
respondeu "importante manter isso". O empresário disse, ainda, que estava "tranquilo em relação às
investigações que lhe diziam respeito, a propósito de ter entrado em ajustes com autoridades do sistema
de Justiça".
Na sequência, Joesley pede ao presidente que lhe indique alguém para tratar dos interesses de ambos,
no que Temer menciona o próprio Loures. O empresário pediu, ainda, que Temer encontrasse uma
solução junto a Henrique Meirelles nos assuntos de interesse do Grupo JF, e exemplificou o pedido com
assuntos relacionados ao Cade e à CVM, além de questões relacionadas com o BNDES.
O encontro, que ocorreu à noite, é finalizado com Joesley indicando que o método de reunião noturna
e entrada discreta havia funcionado, no que Temer teria concordado.
A seguir, o documento descreve dois encontros de Joesley com Loures, em que o empresário pede
para o deputado interceder junto ao Cade, "pois uma empresa controlada pela JF precisava de liminar
para afastar o monopólio da Petrobras do fornecimento de gás para termelétrica do Grupo JF.
Ao final do documento, Joesley conta que ofereceu "lançar mais créditos na planilha a medida que
outras intercessões de Temer e Rodrigo em favor do Grupo JF fossem bem sucedidas em negócios tais
como energia a longo prazo e destravamento das compensações de crédito PIS/Cofins com débitos de
INSS". Afirma, ainda, que disse para o deputado, assim como havia feito com o presidente, que "estava
cuidando de Eduardo Cunha e Lucio Funaro". Loures teria indicado que isso "era bom".

Temer revoga decreto que autorizou Forças Armadas na Esplanada5


Militares ocuparam ruas de Brasília após protesto de centrais sindicais terminar em vandalismo.
Ministro anunciou que o presidente mandou AGU acionar na Justiça responsáveis pelas depredações.
O presidente Michel Temer revogou nesta quinta-feira (25), por meio de uma edição extraordinária do
"Diário Oficial da União", o decreto que autorizou o uso de tropas das Forças Armadas na Esplanada dos
Ministérios.
No decreto que revogou o ato anterior, o presidente afirma que, "considerando a cessação dos atos
de depredação e violência e o consequente restabelecimento da Lei e da Ordem no Distrito Federal, em
especial na Esplanada dos Ministérios", ele decidiu retirar os militares das ruas de Brasília.
O decreto publicado nesta quinta-feira tem apenas dois artigos:

5
AGUIAR, GUSTAVO. Temer revoga decreto que autorizou Forças Armadas na Esplanada. G1, Política. Disponível em: <
http://g1.globo.com/politica/noticia/governo-revoga-decreto-que-autorizou-atuacao-do-exercito-na-esplanada-dos-ministerios.ghtml> Acesso em 25 de maio de 2017.

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Art. 1º Fica revogado o Decreto de 24 de maio de 2017, que autoriza o emprego das Forças Armadas
para a Garantia da Lei e da Ordem no Distrito Federal;
Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 25 de maio de 2017; 196º da
Independência e 129º da República.
A decisão se deu menos de 24 horas após a assinatura do decreto que determinou o envio de tropas
das Forças Armadas para o Distrito Federal. Na manhã desta quinta, Temer se reuniu, no Palácio do
Planalto, com ministros de seu núcleo político e de defesa para avaliar a eventual saída dos militares da
Esplanada.
Participaram da reunião com o presidente da República os ministros Raul Jungmann (Defesa), Eliseu
Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral), Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) e
Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional).

Ações judiciais
Após a publicação da edição extra do "Diário Oficial", os ministros da Defesa e do GSI concederam
uma coletiva no Planalto para explicar a decisão de retirar as tropas do centro de Brasília.
Raul Jungmann afirmou aos jornalistas que, ao avaliar que a ordem havia sido "restaurada" na capital
federal, Michel Temer determinou a suspensão da operação de garantia da lei e da ordem.
O ministro da Defesa também comunicou que o presidente da República ordenou que a Advocacia-
Geral da União acione perícias em todos os imóveis federais da Esplanada dos Ministérios nos quais
foram registrados atos de vandalismo para que sejam ajuizadas ações judiciais – cíveis e criminais –
contra os autores dos atos de violência.
"A desordem não será tolerada. Não serão toleradas essas manifestações que descambem para o
vandalismo e para a violência", enfatizou.
Segundo Jungmann, de 2010 a 2017, foram realizadas no país 29 ações de garantia da lei e da ordem,
nas quais as Forças Armadas são enviadas às ruas.

Envio das tropas


Michel Temer havia assinado nesta quarta (24) o decreto de garantia da lei e da ordem no Distrito
Federal que autorizou o uso de tropas militares na segurança de prédios públicos federais.
A decisão foi motivada pelos tumultos e atos de vandalismo registrados nesta quarta, na área central
de Brasília, durante a manifestação organizada por centrais sindicais para reivindicar que Temer deixe o
comando do Palácio do Planalto e também para protestar contra as reformas nas regras previdenciárias
e trabalhistas propostas pelo peemedebista.
O protesto, que havia iniciado de forma pacífica e reuniu 35 mil pessoas, segundo a Polícia Militar do
DF, terminou com 7 presos, 49 feridos e prédios públicos queimados e depredados.
Jungmann informou nesta quarta que seriam usados 1,5 mil militares para cumprir o decreto
presidencial – 1,3 mil do Exército e 200 fuzileiros navais.

Presidente da Câmara
Em meio à entrevista, o titular da Defesa foi indagado sobre o fato de ele ter atribuído ao presidente
da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), o pedido para que os militares fossem enviados à
Esplanada. Na véspera, foi o próprio Jungmann quem informou que havia sido determinado o uso das
tropas para atender a uma solicitação do parlamentar do DEM.
A presença de tropas do Exército nas ruas da capital federal gerou polêmica, especialmente, no
Congresso Nacional. Assim que foi anunciado o envio dos militares para a área central de Brasília,
deputados da oposição questionaram duramente o presidente da Câmara no plenário da Casa.
O notícia causou discussões e tumulto durante a sessão da Câmara. Maia, porém, disse que havia
pedido a Temer o emprego da Força Nacional, e não das Forças Armadas.
Aos jornalistas, Jungmann disse nesta quinta-feira que houve um "mal-entendido".
"Houve um mal-entendido da comunicação. A decisão foi do presidente da República, ouvindo Defesa
e GSI. Era absolutamente necessário que ocorresse, e o senhor Rodrigo Maia não tem responsabilidade
sobre a decisão", justificou o ministro.
"Esse conflito [de versões] está devidamente esclarecido. A responsabilidade foi nossa", acrescentou.

Oposição
Inconformados com a autorização para as Forças Armadas policiarem o centro de Brasília,
parlamentares da oposição chegaram a apresentar projetos na Câmara e no Senado com o objetivo de
derrubar o decreto editado nesta quarta pelo presidente da República.

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Além disso, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF)
mandado de segurança contra o ato da Presidência da República.
Na ação, o parlamentar pedi que a Suprema Corte derrubasse o decreto, argumentando que a medida
só cabia “quando esgotados todos os meios normais para o reestabelecimento da lei e da ordem”.
O mandado de segurança, que perdeu o objeto com a revogação do ato anterior do presidente da
República, será analisado pelo ministro Dias Toffoli.

Rollemberg
No mesmo dia em que Michel Temer deu aval para os militares ocuparem a Esplanada dos Ministérios,
o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), divulgou uma nota na qual classificou de
"medida extrema" o decreto presidencial. Rollemberg ressaltou no comunicado que a decisão do Planalto
não teve "anuência" do governo do DF.
Responsável pela segurança institucional do Palácio do Planalto, o general Sérgio Etchegoyen
contradisse o governador. Na versão do ministro do GSI, a conversa com o governo do Distrito Federal
foi "absolutamente harmônica" quanto ao uso do Exército para reforçar a segurança na região central de
Brasília.
"Não vou criar uma querela com o senhor governador do Distrito Federal. A conversa conosco foi
absolutamente harmônica. Não vamos imaginar que há uma briga com a polícia do DF", destacou.

Polícia Federal deflagra a 2ª fase da Operação Carne Fraca6


Ex-superintendente do Mapa de Goiás foi preso preventivamente.
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (31) a 2ª fase da Operação Carne Fraca, que
investiga irregularidades na fiscalização de frigoríficos.
De acordo com a PF, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão
preventiva, que é por tempo indeterminado, em Goiás.
O principal alvo desta fase é Franciso Carlos de Assis, ex-superintendente regional do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Estado de Goiás. Ele será levado para a
superintendência da PF em Curitiba, onde ficará à disposição da Justiça.
Franciso Carlos de Assis foi flagrado, conforme a PF, "em interceptações telefônicas destruindo provas
relevantes" para a apuração da Operação Carne Fraca. A PF ainda não explicou como ocorreu a
destruição das provas.
Esta nova etapa foi batizada de "Antídoto" em referência à uma ação policial com o objetivo de cessar
os atos criminosos do investigado e de preservar eventuais novas provas.
O ex-superintendente já é réu na Justiça, em ação penal relacionada à 1ª fase da operação. Segundo
a PF, ele participou de um esquema de corrupção entre uma grande empresa do ramo alimentício e o ex-
chefe do Serviço de Inspeção em Produtos de Origem Animal (Sipoa) de Goiás.
A partir desta nova etapa, os investigados podem responder, ainda segundo a PF, por obstrução de
investigação criminal.

1ª fase da Carne Fraca


A 1ª fase da operação foi deflagrada no dia 17 de março e cumpriu 309 mandados judiciais em seis
estados e no Distrito Federal. A ação apurou o envolvimento de fiscais do Mapa em um esquema de
liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos.
Em abril, o juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, decidiu receber as cinco
denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal (MPF), referentes à primeira fase da operação.
Das 60 pessoas denunciadas, o magistrado resolveu acolher denúncias contra 59. Com isso, elas
passaram a ser consideradas rés nas ações penais que respondem junto à Justiça.
Atualmente, 24 pessoas seguem detidas em caráter preventivo, ou seja, não têm prazo para deixar a
cadeia.

Ex-ministro citado
O ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio (PMDB-PR) foi citado na 1ª etapa da Carne Fraca. Na época,
ele ainda era ministro.
Em uma ligação grampeada, Osmar Serraglio chamou de "grande chefe" um dos líderes do suposto
esquema, o ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa)
Daniel Gonçalves Filho.

6
G1 PR, RPC CURITIBA. Polícia Federal deflagra a 2ª fase da Operação Carne Fraca. G1, Paraná, RPC. Disponível em:
<http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/policia-federal-deflagra-a-2-fase-da-operacao-carne-fraca.ghtml> Acesso em 31 de maio de 2017.

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No domingo (28), o presidente Michel Temer (PMDB) decidiu transferir o ministro Torquato Jardim do
Ministério da Transparência para o comando do Ministério da Justiça, substituindo Osmar Serraglio, que
estava no cargo desde março.
TSE absolve a chapa Dilma-Temer por abuso de poder econômico e político nas Eleições 20147
Coube ao presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes, desempatar o placar do julgamento
Por 4 votos a 3, os ministros que compõem o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) absolveram nesta sexta-
feira (9) a chapa Dilma-Temer por abuso de poder econômico e político nas Eleições 2014. Votaram pela
absolvição os ministros Gilmar Mendes, que foi o voto de desempate, Napoleão Maia Nunes e os recém
indicados por Temer Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira. Votaram pela condenação os ministros Rosa
Weber, Luiz Fux e o relator Herman Benjamin.
Coube ao presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes, desempatar o placar do julgamento. Por recair
sobre ele o peso da absolvição, o ministro fez um voto extenso. Justificou o motivo de ter votado pelo
prosseguimento da ação contra a chapa que agora absolve em 2015. Voto que foi citado pelo relator
Herman Benjamin várias vezes ao longo do julgamento.
— Havia sinais de que havia abusos, como na questão das gráficas. Mas aqui é como se fosse, no
máximo, o recebimento de uma denúncia. Quantas vezes recebemos denúncia que são depois excluídas.
Primeiro é preciso julgar para depois condenar. E é assim que se faz. O objeto dessa questão é sensível
e não se compara a qualquer outro porque trata da soberania popular.
O relator, ainda na quinta (8), ao finalizar o seu voto, já com a sinalização de que seria derrotado pelo
plenário, defendeu o uso das provas coletadas e das delações da Odebrecht, alvo de grande discussão
ao longo de todo o julgamento.
— Recuso papel de coveiro de prova viva. Posso participar do velório, mas não carrego caixão.
Dilma e Temer eram acusados de usar recursos de propina de contratos superfaturados da Petrobras
na campanha eleitoral que saiu vitoriosa por uma margem pequena da chapa de Aécio Neves, autor da
ação. O PSDB e o Ministério Público Eleitoral podem recorrer ao próprio TSE por meio de embargos de
declaração, assim como aconteceu no julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), mas
ainda não declararam se irão recorrer da decisão. Os embargos só podem ser apresentados após a
publicação do acórdão do julgamento, que deve demorar cerca de dez dias.
As sessões começaram na noite de terça-feira (6) e se estenderam até esta sexta (9). Somado, o
julgamento durou cerca de 30 horas, descontados os intervalos. A maior parte do tempo foi gasta na
discussão das preliminares (questões colocadas pela defesa sobre o processo, e não sobre o mérito) e
no voto do relator.
A única das sete preliminares apresentadas pela defesa aceita pela maioria dos ministros foi a de
descartar as delações da Odebrecht da ação de cassação, por terem sido reveladas depois do início da
ação (inicial).
Apesar da maioria dos ministros entenderem que as delações da Odebrecht deveriam ser descartadas,
o relator Herman Benjamin centrou o seu voto pela condenação nas informações prestadas pelos
marqueteiros João Santana e Mônica Moura.
Para o relator, as investigações da Lava Jato revelaram o esquema de distribuição de propina e os
políticos tinham conhecimento de que recebiam dinheiro ilícito nas campanhas. Benjamin usou os
depoimentos dos marqueteiros para comprovar o uso de caixa 2.
Ele chegou a dividir a propina em caixa 2, propina-gordura, ou propina-poupança (dinheiro reservado
para ser usado depois) e caixa 3 (operações de empresas que serviram como "barriga de aluguel" para
que outras doassem mais dinheiro e seus nomes não aparecessem nas contabilidades das campanhas).
— A Odebrecht está na petição inicial, queria dizer que temos Petrobras, temos uma contratante da
Petrobras, temos pagamento tirado de um crédito rotativo de uma conta poupança para o partido do
governo e esses recursos foram utilizados para os marqueteiros dessa campanha de 2014. E que sejam
relacionados a débitos de 2010, 2012 é irrelevante, pois sem esses pagamentos, eles disseram em
depoimentos, não fariam a campanha. Por isso reconheço o abuso de poder político com altos impactos
nas eleições.
Em abril, quando o julgamento começou, o tribunal aceitou pedido da defesa de incluir novas
testemunhas no processo, o ex-ministro Guido Mantega e os delatores João Santana, Mônica Moura e
André Santana, estes três últimos presos na Operação Acarajé após a descoberta do departamento de
operações estruturadas (propina) da Odebrecht.

7
LONDRES, MARIANA. TSE absolve a chapa Dilma-Temer por abuso de poder econômico e político nas eleições de 2014. R7, Brasil. Disponível em: <
http://noticias.r7.com/brasil/tse-absolve-a-chapa-dilma-temer-por-abuso-de-poder-economico-e-politico-nas-eleicoes-2014-10062017> Acesso em 12 de junho de
2017.

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— A Odebrecht até merecia uma fase própria. Não é um capítulo, é um título inteiro. Uma empresa
que liderou o ataque à Petrobras e que está desde o início. A Odebrecht era a matriarca da manada de
elefantes que transformou a Petrobras numa savana africana para a reprodução da rapinagem.
O julgamento foi marcado pelo embate entre os ministros Herman Benjamin, relator, e Gilmar Mendes,
presidente da Corte, que tinham visões divergentes. Apesar das discussões dentro do plenário, Benjamin
e Mendes são amigos há mais de trinta anos.
Para tentar convencer os seus colegas tanto na preliminar quanto no mérito, Benjamin chegou a usar
um voto anterior de Gilmar Mendes no próprio processo, quando ele defendeu dar seguimento a ação.
Mendes acusou Benjamin de distorcer a sua visão e chegou a chamar o relator de 'falacioso' em
um de seus argumentos.
O relator focou o seu voto quanto ao mérito no uso de caixa 2 nas eleições. Também foi discutida a
importância da reforma eleitoral para acabar com arrecadações ilegais em eleições no Brasil, como disse
o relator.
— No Brasil ninguém fazia doações por questões ideológicas. Aqui era sempre na expectativa de
cooptação e favorecimento futuro ou já ocorrido.
Para Gilmar Mendes, houve "alargamento" do pedido inicial da ação. Para ele, a Odebrecht não tem
relação com o possível pagamento de propina da Petrobras a chapa. Ele ressaltou, contudo, que não
está negando a corrupção, mas se atendo aos fatos sobre a chapa eleitoral.
— Estamos discutindo abuso de poder econômico nas eleições.
Durante o julgamento das preliminares também foi discutido se recursos eram caixa 2 ou caixa 1
(doações legais de empresas para as campanhas). Um dos ministros, Admar Gonzaga disse que só caixa
1 deveria ser considerado. O argumento foi rechaçado pelo relator, e lembrado sempre no seu voto.
— Se foi montado um sofisticado esquema de arrecadação de dinheiro público, como não é caixa 2?
questionou o relator.
Admar Gozaga chegou a dizer que Benjamin estava tentando constranger os demais ministros.
Nos quatro dias de julgamento, apenas o assessor de Temer Gastão Toledo esteve no TSE para
acompanhar de perto das discussões. O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, que era presidente da
corte durante o julgamento do mensalão, também esteve no plenário em uma das sessões de discussão.

Último dia de julgamento


O último dia do julgamento, esta sexta (9), foi marcado pela finalização do voto do relator, que ao todo
levou nove horas em dois dias, e pelos votos dos demais ministros. Por um acordo entre os ministros,
cada um, tirando o relator, tinha vinte minutos para falar.
Além das leituras dos votos, o vice-procurador eleitoral Nicolao Dino pediu o impedimento do ministro
Admar Gonzaga, por ele ter sido, nas Eleições 2010, advogado da ex-presidente Dilma Rousseff. O
pedido foi negado pela corte e o presidente Gilmar Mendes chegou a suspender a sessão por cinco
minutos em função do pedido, seguido por uma manifestação acalorada do ministro Napoleão Maia
Nunes.

Lula é condenado na Lava Jato a 9 anos e 6 meses de prisão no caso do triplex8


Na sentença, juiz Sergio Moro cita documentos e depoimentos que comprovam que apartamento no
litoral de SP era destinado ao ex-presidente, diz que há 'provas documentais' e que Lula 'faltou com a
verdade'.
O juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância,
condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de
corrupção passiva e de lavagem de dinheiro.
A acusação é pela ocultação da propriedade de uma cobertura triplex em Guarujá, no litoral paulista,
recebida como propina da empreiteira OAS, em troca de favores na Petrobras.
Outros dois réus no mesmo processo também foram condenados, e quatro, absolvidos (veja a lista
completa abaixo).
É a primeira vez, na história, que um ocupante da Presidência é condenado por um crime comum no
Brasil. A sentença foi publicada nesta quarta-feira (12) e permite que o petista recorra em liberdade.
Na sentença, de 218 páginas, o juiz Moro resume as acusações que pesam contra Lula, relata os
argumentos da defesa e analisa as provas documentais, periciais e testemunhais. O magistrado afirma
que houve condutas inapropriadas por parte da defesa de Lula que revelam tentativa de intimidação da
Justiça e, por isso, até caberia decretar a prisão preventiva do ex-presidente. Porém, decidiu não mandar
prendê-lo por "prudência".
8
FONSECA, A. GIMENES, E. KANIAK, T. DIONÍSIO, B. Lula é condenado na Lava Jato a 9 anos e 6 meses de prisão no caso do tríplex. G1, Paraná. Disponível
em: <http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/lula-e-condenado-na-lava-jato-no-caso-do-triplex.ghtml> Acesso em 13 de julho de 2017.

. 13
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"[...] Considerando que a prisão cautelar de um ex-Presidente da República não deixa de envolver
certos traumas, a prudência recomenda que se aguarde o julgamento pela Corte de Apelação antes de
se extrair as consequências próprias da condenação. Assim, poderá o ex-Presidente apresentar a sua
apelação em liberdade", diz a decisão.
Por "falta de prova suficiente da materialidade", o juiz absolveu Lula das acusações de corrupção e
lavagem de dinheiro envolvendo o armazenamento do acervo presidencial numa transportadora, que teria
sido pago pela empresa OAS.
Moro determinou ainda que Lula não pode exercer cargo ou função pública pelo dobro do tempo da
pena, ou seja, a 19 anos. A decisão, no entanto, só passa a valer após ser referendada por colegiado --
no caso, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
A defesa de Lula diz que o ex-presidente é "inocente". Os advogados declararam que a condenação
foi "politicamente motivada", que o julgamento "ataca o Estado de Direito no Brasil" e que Moro deveria
"se afastar de todas as suas funções". Durante o decorrer do processo, os advogados negaram que Lula
fosse dono do triplex.
Moro diz "que a presente condenação não traz a este julgador qualquer satisfação pessoal, pelo
contrário". "É de todo lamentável que um ex-Presidente da República seja condenado criminalmente, mas
a causa disso são os crimes por ele praticados e a culpa não é da regular aplicação da lei. Prevalece,
enfim, o ditado 'não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você' (uma adaptação livre
de 'be you never so high the law is above you')", escreveu Moro na sentença.

Juiz Sérgio Moro condena ex-presidente Lula a 9 anos e 6 meses de prisão


O Ministério Público Federal (MPF) havia denunciado o ex-presidente por ter recebido R$ 3,7 milhões
em propina dissimulada da OAS por meio do triplex reformado no Condomínio Solaris e pelo pagamento
de R$ 1.313.747,24 para a empresa Granero guardar itens que Lula recebeu durante o exercício da
presidência, entre 2002 e 2010. Em troca, segundo a acusação, o ex-presidente conseguiria contratos da
Petrobras para a empresa.
Com a absolvição no caso do armazenamento, Moro considerou que Lula recebeu mais de R$ 2,2
milhões em propina. "Do montante da propina acertada no acerto de corrupção, cerca de R$
2.252.472,00, consubstanciado na diferença entre o pago e o preço do apartamento triplex (R$
1.147.770,00) e no custo das reformas (R$ 1.104.702,00), foram destinados como vantagem indevida ao
ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva", diz na sentença.

Apartamento
Sobre o apartamento, Moro afirmou que, segundo o MPF, não teria havido o pagamento do preço pelo
ex-presidente, nem do apartamento nem das reformas feitas no imóvel.
Moro também lembrou que, segundo a defesa de Lula, o triplex 164-A jamais pertenceu ao ex-
presidente, e, embora tivesse sido oferecido a ele em 2014, não houve interesse na aquisição e, portanto,
não houve a compra.
Para o juiz, essa é a questão crucial do processo, pois se determinado que foi de fato concedida a Lula
pelo grupo OAS, sem o pagamento correspondente, haverá prova da concessão a Lula de um benefício
patrimonial considerável, estimado em R$ 2,424 milhões, e para o qual não haveria uma causa ou
explicação lícita.
Para o juiz, na resolução desta questão, não é suficiente um exame meramente formal da titularidade
ou da transferência da propriedade do triplex. Isso porque, segundo a acusação, a concessão do
apartamento ao ex-presidente Lula teria ocorrido de maneira "subreptícia", com a manutenção da
titularidade do bem com o grupo OAS, também com o objetivo de ocular e dissimular o ilícito.
Para Moro, apesar de não haver escritura em nome do ex-presidente, é preciso examinar as provas
documentais. O juiz afirmou que, embora não haja dúvida de que o registro da matrícula do imóvel aponte
que ele permanece em nome da OAS, isso não é suficiente para a solução do caso.
De acordo com Moro, nem a configuração do crime de corrupção, nem do crime de lavagem, que
pressupõe estratagemas de ocultação e dissimulação, exigiriam, para a sua consumação, a transferência
formal da propriedade do imóvel do grupo OAS para o nome do ex-presidente Lula.
Inicialmente, o condomínio onde está localizado o triplex era um empreendimento da Cooperativa dos
Bancários do Estado de São Paulo (Bancoop). A Bancoop passou por problemas financeiros, quebrou e
transferiu o empreendimento para o grupo OAS. Segundo o juiz, o ex-presidente teria pago, quando o
imóvel ainda pertencia à Bancoop, cerca de R$ 209 mil por um apartamento simples, de preço muito
inferior ao triplex.
Moro também aplicou a Lula uma multa. "Considerando a dimensão dos crimes e especialmente renda
declarada de Luiz Inácio Lula da Silva (cerca de R$ 952.814,00 em lucros e dividendos recebidos da LILS

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Palestras só no ano de 2016), fixo o dia multa em cinco salários mínimos vigentes ao tempo do último ato
criminoso que fixo em 12/2014".

Provas
Os principais pontos da sentença que condenou o ex-presidente Lula
No decorrer da sentença, o juiz afirmou que há provas documentais contra o ex-presidente e que Lula
não apresentou resposta concreta. Disse que as reformas feitas no apartamento têm caráter de
personalização.
Uma das provas, segundo Moro, são rasuras em documentos de adesão da cota habitacional no
edifício do Guarujá. Os documentos foram encontrados no apartamento de Lula em São Bernardo do
Campo. O número 141, de um apartamento mais simples, foi escrito em cima de 174, que seria a primeira
numeração do triplex, que, depois, passou a 164-A.
Outra rasura foi identificada do lado esquerdo do documento, na palavra "triplex". Para Moro, essa
constatação revela que havia a pretensão de adquirir o apartamento.
Ainda de acordo com Moro, há registros documentais de que todos os cooperados com direito a
unidades da Bancoop tiveram que optar, em 30 dias, por celebrar novos contratos de compra e venda
com a OAS ou por desistir e solicitar a restituição do dinheiro.
Moro também afirma que a OAS informou sobre os empreendimentos que recebeu da Bancoop.
Consta no relatório que haveria 112 unidades no condomínio Solaris e que "foram vendidas para ex-
cooperados da Bancoop, bem como uma unidade do empreendimento para novo adquirente".
Apesar dessas informações, de que todas as unidades teriam sido vendidas, de que os antigos
cooperados tinham prazo de 30 dias para adquirir as novas unidades ou pedir o dinheiro de volta, e que
não consta que o ex-presidente Lula ou sua esposa, Marisa Letícia, teriam tomado qualquer uma das
providências.
Então, para Moro, o que se tem presente até o momento é que Lula e a esposa, diferentemente dos
demais cooperados do antigo empreendimento, não atenderam prazo de 30 dias contadas da assembleia
para celebrar novo contrato com a OAS ou para requerer a devolução do dinheiro.
Moro também sustenta que não há qualquer registro de que Lula e a família foram cobrados, pela
Bancoop ou pela OAS, para realizar formalmente qualquer uma das opções.
Neste ponto da sentença, o juiz evidencia que o triplex era do ex-presidente. Ele citou as declarações
de renda de Lula e de dona Mariza de que não houve alteração formal da contratação junto à Bancoop
ou à OAS antes do início das investigações --e afirmou que documentos apreendidos na sede da Bancoop
mostram que a unidade estava reservada a Lula. Ressalta ainda que o triplex jamais foi colocado à venda,
ao contrário do apartamento mais simples, o 141, vendido em agosto de 2014.

Reforma é a prova, diz Moro


Moro também afirmou que a reforma do apartamento é prova de que o triplex é de Lula. O juiz lembrou
que "Léo Pinheiro realizou reformas expressivas durante todo o ano de 2014, com despesas de R$
1.104.702 incluindo a instalação de um elevador privativo para o triplex, instalação de cozinhas e
armários, retirada de sauna, demolição de dormitório e colocação de aparelhos eletrodomésticos". Disse
ainda que tal reforma não foi feita para nenhum outro apartamento no condomínio Solaris.
"Assim, por exemplo, não se amplia o deck de piscina, realiza-se a demolição de um dormitório ou
retira-se a sauna de um apartamento de luxo para incrementar o seu valor para o público externo, mas
sim para atender ao gosto de um cliente, já proprietário do imóvel, que deseja ampliar o deck da piscina,
que pretende eliminar um dormitório para ganhar espaço livre para outra finalidade, e que não se interessa
por sauna e quer aproveitar o espaço para outro propósito", diz Moro (veja íntegra das provas que
basearam a condenação no fim da reportagem).
Sérgio Moro destaca que a versão de Lula, de que ele sequer foi comunicado das reformas e que não
as solicitou, nem sua esposa, fica sem qualquer sentido. Em outro trecho, o juiz pergunta: "Afinal, por que
a OAS realizaria reformas personalizadas no apartamento se não fosse para atender um cliente
específico?".
Moro listou as notas fiscais da construtora responsável pela reforma, no valor de R$ 777.189,90 e
destacou que todas foram emitidas para a OAS.

E-mails e mensagens de telefone


Entre outras provas de que as reformas eram para Lula, Moro citou e-mails e mensagens de telefone.
Entre essas provas estão as que fazem referência ao projeto do "Guarujá" e ao da "Praia", e que foram
submetidos à aprovação da "Madame" ou "Dama". Sérgio Moro diz que "é inequívoco de que se trata de
projetos submetidos à esposa de Luiz Inácio Lula da Silva, como, aliás, confirmado pelos interlocutores.

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Na sentença, Moro ressalta ainda as contradições nos depoimentos prestados pelo ex-presidente Lula.
Primeiro à Polícia Federal, em São Paulo, em março do ano passado, quando foi alvo da 24ª fase da
Lava Jato, e, depois, ao próprio Moro, em Curitiba. O juiz disse que o depoimento prestado em juízo e,
mesmo antes, o prestado ante a autoridade policial pelo ex-presidente, são absolutamente inconsistentes
com os fatos provados documentalmente".
Moro ressaltou que Lula, ao longo de seu depoimento, foi confrontado com todas essas contradições
entre as suas declarações, e o constante nos documentos, e não apresentou esclarecimentos concretos.
E que "a única explicação disponível para as inconsistências e a ausência de esclarecimentos
concretos é que, infelizmente, o ex-presidente faltou com a verdade dos fatos em seus depoimentos
acerca do apartamento triplex".
O juiz ainda menciona moro que testemunhas ligadas à OAS e ao condomínio também comprovam
que o apartamento era de Lula.
Na sentença, o juiz Sergio Moro também cita o depoimento do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro,
que confirmou que o triplex foi reservado à família de Lula em 2009, que a OAS não poderia vender o
imóvel e que a diferença de preço do imóvel e o custo das reformas seriam abatidos das dívidas de
propinas do Grupo OAS com o PT, ligado ao esquema da Petrobras.
A PT emitiu uma nota sobre a sentença na qual afirma que a condenação de Lula é "ataque à
democracia" e "conduzida por um juiz parcial".

Réus no processo
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente: condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a 9
anos e 6 meses de prisão no caso do triplex. Absolvido dos mesmos crimes no caso do armazenamento
de bens.
Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS: condenado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro a 10 anos
de 8 meses de prisão no caso do triplex. Absolvido dos mesmo crimes no caso do armazenamento de
bens.
Agenor Franklin Magalhães Medeiros, ex-executivo da OAS: condenado por corrupção ativa a 6 anos
de prisão.
Paulo Gordilho, arquiteto e ex-executivo da OAS: absolvido da acusação de lavagem de dinheiro.
Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula: absolvido da acusação de lavagem de dinheiro.
Fábio Hori Yonamine, ex-presidente da OAS Investimentos: absolvido da acusação de lavagem de
dinheiro.
Roberto Moreira Ferreira, ligado à OAS: absolvido da acusação de lavagem de dinheiro.

O que dizem os réus


Léo Pinheiro
Em nota, a defesa do ex-presidente da OAS afirmou que "a sentença reconheceu a efetividade da
colaboração prestada por Léo Pinheiro, que admitiu os ilícitos praticados e apresentou novas informações
e provas decisivas para o esclarecimento da verdade".
Agenor Franklin Magalhães Medeiros
"Eu e meu sócio aqui copiado, Luís Carlos Dias Torres, fizemos uma análise preliminar da sentença.
Vemos com bons olhos o reconhecimento pelo Dr. Moro da colaboração que nosso cliente deu para o
esclarecimento da verdade, a qual está lastreado em documentos contidos nos autos. Aliás, esse é o
nosso maior compromisso: colaborar com as autoridades para que a verdade dos fatos venha à tona,
independentemente de termos ou não um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público.
Ainda estudamos se iremos recorrer ou não da decisão", disse o advogado Leandro Falavigna.
Paulo Okamotto
"A absolvição do ex-presidente Lula e do ex-presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto quanto à
acusação de lavagem de dinheiro pela manutenção do acervo presidencial demonstra que a Operação
Lava Jato está preenchida por ilegalidades e acusações que não constituem crime. A expectativa é que,
em razão do parecer da Procuradoria Geral da República perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ)
pelo trancamento da ação, o procurador Deltan Dallagnol não recorra da decisão preferida pelo juiz Sergio
Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba", afirma nota da defesa.
Fábio Hori Yonamine
A defesa de Fabio Hori Yonamine afirmou que "tem suas esperanças renovadas na Justiça Criminal
com a absolvição do réu pelos crimes imputados na denúncia sem fundamento concreto". A advogada
Carolina Fonti, do escritório Urquiza, Pimentel e Fonti Advogados, afirmou que "no caso do Triplex,
mesmo após a injusta e penosa exposição de Fabio durante o processo, a sentença muito bem
fundamentada não deixa dúvidas sobre a sua inocência".

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Roberto Ferreira
A defesa afirmou que seu cliente foi absolvido, "como o esperado".

Outros processos de Lula


O ex-presidente é réu em outras duas ações da Lava Jato: uma ligada à Operação Janus, que trata
de contratos no BNDES, e outra relacionada à Operação Zelotes, que apura venda de medidas
provisórias.
Lula também foi denunciado no caso envolvendo o sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, no âmbito
da Lava Jato.
Ele é alvo ainda de dois inquéritos na Lava Jato: um sobre a formação de organização criminosa para
fraudar a Petrobras, e outro sobre obstrução das investigações ao tomar posse como ministro de Dilma.
Na Zelotes, ele é investigado em inquérito sobre a edição da medida provisória 471, que criou o Refis.

Temer sanciona texto da reforma trabalhista em cerimônia no Planalto9


Modificações na CLT foram aprovadas pelo Senado na última terça (11) em uma sessão tumultuada.
Governo prometeu alterar pontos da reforma por meio de medida provisória.
O presidente Michel Temer sancionou nesta quinta-feira (13) o projeto de reforma trabalhista aprovado
pelo Congresso Nacional.
A nova legislação altera regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e prevê pontos que
poderão ser negociados entre empregadores e empregados e, em caso de acordo coletivo, passarão a
ter força de lei. As novas regras entrarão em vigor daqui a quatro meses, conforme previsto na nova
legislação.
Ao discursar na solenidade de sanção da reforma trabalhista, o peemedebista também criticou o que
chama de “passionalização” na Justiça que, na opinião dele, gera instabilidade ao país.
Temer argumentou que se "passionalizou" praticamente todas as questões que vão ao Judiciário.
Segundo ele, em vez de aplicar "rigidamente" a lei "sem qualquer emoção", há pessoas que usam
"ideologia" e "sentimentos psicológicos e sociológicos".
"Isso, naturalmente, quebra a rigidez, a higidez da ordem jurídica e, naturalmente, instabiliza o país.
Toda e qualquer desobediência à ordem jurídica significa precisamente a instabilização da ordem
jurídica", declarou o presidente da República.
'Não precisamos registrar que foi árduo o percurso', diz Temer sobre reforma trabalhista
Temer também enalteceu a atuação do ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, e do relator da
proposta na Câmara, deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), na articulação política do projeto. Na
avaliação do presidente, foi "árduo o percurso" para aprovar a reforma das leis trabalhistas.
Aprovado pela Câmara em abril, o projeto da reforma trabalhista foi aprovado pelo Senado na última
terça-feira (11) em uma sessão tumultuada.
Com a reforma trabalhista, a negociação entre empresas e trabalhadores prevalecerá sobre a lei em
pontos como parcelamento das férias, flexibilização da jornada, participação nos lucros e resultados,
intervalo de almoço, plano de cargos e salários e banco de horas.
Outros pontos, como FGTS, salário mínimo, 13º salário, seguro-desemprego, benefícios
previdenciários, licença-maternidade, porém, não poderão ser negociados.

'Suposta crise'
Em meio ao discurso sobre a reforma trabalhista, Temer afirmou que o país vive uma ‘suposta crise’,
mas que há um “entusiasmo extraordinário” em relação às políticas públicas.
“Eu faço um registro curioso: nessas últimas semanas, certa e precisamente, em função de uma
suposta crise, o que tem acontecido é um entusiasmo extraordinário”, enfatizou.
O presidente também fez um balanço das medidas aprovadas, citando, além da reforma trabalhista,
as mudanças no ensino médio e a PEC do teto de gastos.
“Poderia elencar tudo que nós fizemos ao longo desses 14 meses e olhe: não são 4 anos, não são oito
anos, são 14 meses. E, toda a modéstia de lado, estamos revolucionando o país. Fizemos a reforma
trabalhista, a do ensino médio”, destacou.

Medida provisória
Diante da polêmica gerada em torno das modificações prometidas pelo Palácio do Planalto na
legislação aprovada nesta semana, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), voltou a

9
LIS, LAÍS. Temer sanciona texto da reforma trabalhista em cerimônia no Planalto. G1 Política. Disponível em: < http://g1.globo.com/politica/noticia/temer-
sanciona-texto-da-reforma-trabalhista-em-solenidade-no-planalto.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1> Acesso em 14 de julho de
2017.

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afirmar nesta quinta que o Executivo federal vai editar uma medida provisória para alterar os pontos
negociados com os congressistas.
O peemedebista afiançou durante a tramitação do projeto no Senado as mudanças exigidas, inclusive
por integrantes da base aliada, como o dispositivo que permite que gestantes trabalhem em ambientes
insalubres.
O acordo foi costurado com os senadores governistas para que o texto que chegou da Câmara não
fosse alterado no Senado. Se o texto retornasse para nova análise dos deputados, iria atrasar a sanção
das novas regras.
Segundo Jucá, o governo tem 119 dias para editar a MP que modificará a recém-aprovada reforma
trabalhista.
Antes da solenidade de sanção da reforma, o líder do governo no Senado divulgou o texto-prévio da
medida provisória que Michel Temer deve enviar ao Congresso com mudanças em nove pontos da
proposta.

Justiça do Trabalho
Convidado a participar da cerimônia de sanção da reforma trabalhista, o presidente do Tribunal
Superior do Trabalho (TST), ministro Ives Gandra Filho, cumprimentou Michel Temer, em meio ao seu
discurso, pelo que classificou de “coragem, perseverança e visão de futuro" do chefe do Executivo federal
ao "abraçar" as mudanças na legislação trabalhista, o ajuste fiscal e a reforma previdenciária.
Gandra Filho afirmou ainda que a negociação coletiva, que é a espinha dorsal da reforma, é importante
porque, na avaliação dele, quem trabalha em cada segmento é que sabe as reais necessidades daqueles
trabalhadores.
“Aquilo que é próprio de cada categoria você estabelece por negociação coletiva, quem melhor
conhece as necessidades de cada ramo é quem trabalha naquele ramo”, disse.
Veja abaixo alguns pontos que a MP deve modificar:

Gestantes e lactantes
Um dos pontos que a proposta de MP deve alterar é a possibilidade de que gestantes trabalhem em
locais insalubres. O texto original previa que gestantes deveriam apresentar atestado para que fossem
afastadas de atividades insalubres de grau médio ou mínimo.
A proposta de MP divulgada por Jucá determina que “o exercício de atividades insalubres em grau
médio ou mínimo, pela gestante, somente será permitido quando ela, voluntariamente, apresentar
atestado de saúde”.

Jornada 12x36
Outra ponto que o texto-prévio da MP pretende alterar é o que permitia que acordo individual entre
patrão e empregado pudesse estabelecer jornada de 12 horas de trabalho por 36 horas ininterruptas de
descanso. A minuta divulgada por Jucá quer viabilizar essa jornada após acordo coletivo, ou convenção
coletiva.

Trabalhador autônomo
O texto aprovado prevê que as empresas poderão contratar autônomos e, ainda que haja relação de
exclusividade e continuidade, o projeto prevê que isso não será considerado vínculo empregatício.
A proposta de medida provisória quer alterar esse trecho para vedar a celebração de cláusula de
exclusividade no contrato com trabalhadores autônomos. Além disso, prevê que não será admitida a
restrição da prestação de serviço pelo autônomo a uma única empresa, sob pena de caracterização de
vínculo empregatício.

Prorrogação de jornada e insalubridade


O texto-prévio da MP também tem a intenção de modificar a lei sancionada no trecho que sobre a
negociação coletiva para estabelecimento de enquadramento do grau de insalubridade e prorrogação de
jornada em ambientes insalubres.
Pela minuta, isso será permitido por negociação coletiva, mas desde que sejam respeitadas normas
de saúde, higiene e segurança do trabalho previstas em lei ou em normas regulamentadoras do Ministério
do Trabalho.

Outros pontos
A minuta também promete alterar outros pontos da proposta relativos à contribuição previdenciária e
ao pagamento de indenizações por danos morais no ambiente do trabalho.

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Além disso, o texto-prévio da MP que deverá ser enviada ao Congresso prevê mudanças para
salvaguardar a participação de sindicatos em negociações de trabalho.
Pela proposta, comissão de representantes dos empregados não substituirá a função do sindicato de
defender os direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou
administrativas, sendo obrigatória a participação dos sindicatos em negociações coletivas.

Contribuição sindical
Durante a tramitação da proposta no Senado, chegou-se a postular, por senadores governistas, uma
sugestão de que a Casa Civil elaborasse uma proposta de eliminação gradual da obrigatoriedade da
contribuição sindical.
O objetivo era conquistar apoio de parlamentares ligados a sindicatos de trabalhadores.
A proposta aprovada pelo Congresso retira a obrigatoriedade dessa contribuição, o que foi alvo de
críticas de movimentos sindicais.
A proposta de medida provisória apresentada nesta quinta, no entanto, não trata do assunto.

Emendas, promessas de cargos e pacote de bondades: veja as estratégias de Temer para barrar
denúncia na Câmara10
Denúncia por corrupção passiva contra presidente foi rejeitada nesta quarta-feira (2) em votação no
plenário e não será analisada pelo STF enquanto Temer estiver no cargo.
Bilhões liberados em emendas parlamentares, promessa de cargos a partidos, pacote de bondade
para a bancada ruralista e ministros em ação no plenário foram algumas das estratégias usadas pelo
governo Michel Temer para conseguir barrar na Câmara denúncia contra ele apresentada pela
Procuradoria Geral da República (PGR).
Era necessário o aval da Câmara para que a denúncia por corrupção passiva continuasse o trâmite no
Supremo Tribunal Federal (STF), e foi rejeitada nesta quarta-feira (2) por 263 votos, contra 227 pela
continuidade do processo.
No pronunciamento que fez após o resultado, Temer afirmou que a rejeição não foi uma vitória pessoal.
"A decisão soberana do parlamento não é uma vitória pessoal de quem quer que seja, mas é uma
conquista do estado democrático, da força das instituições e da própria Constituição", disse.

Emendas parlamentares
Nas três primeiras semanas de julho, mês que antecedeu à votação da denúncia contra Temer no
plenário da Câmara, o governo liberou R$ 2,11 bilhões em emendas parlamentares – valor equivalente
ao total de todo o primeiro semestre.
De janeiro a junho deste ano, o Planalto destinou R$ 2,12 bilhões para emendas, sendo R$ 2,02 bilhões
só no mês de junho, quando foi apresentada a denúncia contra Temer pela PGR e começou o processo
de análise na Câmara. Para efeito de comparação, nos cinco primeiros meses do ano, o governo liberou
R$ 102 milhões ao todo, mostra levantamento da ONG Contas Abertas.
O Planalto afirma que a liberação de emendas são uma imposição legal e que só está cumprindo a lei.

Liberação de emendas parlamentares segundo a ONG Contas Abertas (Foto: Arte/G1)

10
G1. Emendas, promessas de cargo e pacote de bondades: veja as estratégias de Temer para barrar a denúncia na Câmara. G1 Política. Disponível em:
<http://g1.globo.com/politica/noticia/emendas-promessas-de-cargos-e-pacote-de-bondades-veja-as-estrategias-de-temer-para-barrar-denuncia-na-camara.ghtml>
Acesso em 03 de agosto de 2017.

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Emendas são recursos previstos no Orçamento com aplicação indicada pelo parlamentar. Esse
dinheiro tem de ser obrigatoriamente empregado em projetos e obras nos estados e municípios. A
liberação dos recursos é obrigatória, e o governo tem todo o ano para fazer os repasses.
A primeira etapa da análise da denúncia na Câmara foi a votação de parecer na Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ). Dos 40 deputados que votaram a favor de Temer, 36 receberam R$ 134
milhões em emendas em junho. A votação na comissão ocorreu em 13 de julho e rejeitou o parecer pela
continuidade da denúncia. Os deputados que votaram contra Temer receberam, no mesmo período,
metade do valor em emendas: R$ 66 milhões.
A CCJ aprovou por 41 a 24 o relatório alternativo do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) pela
rejeição da denúncia. Entre os parlamentares favoráveis a Temer, Abi-Ackel foi o que recebeu o maior
valor em emendas: R$ 5,1 milhões.
A oposição acusa Temer de comprar votos. A Rede e o PSOL pediram à PGR que investigue a
liberação de emendas pelo governo durante a tramitação da denúncia na Câmara.

Promessas de cargos
Na véspera da votação no plenário, Temer autorizou interlocutores a sinalizar a deputados com cargos
de 2º e 3º escalões para que eles votassem contra a denúncia da PGR, informou a colunista
do G1 Andréia Sadi.
Com a vitória na Câmara, Temer se prepara para enfrentar a demanda dos deputados do centrão por
mais espaço ministerial. Eles cobram do Planalto os cargos ocupados pelo PSDB no governo, informa
Sadi. O partido liberou a bancada, mas o líder tucano, Ricardo Trípoli, orientou voto contra Temer.
Segundo a colunista Cristiana Lôbo, partidos que fecharam questão a favor de Temer, em particular o
PP, PR e o próprio PMDB, cobraram do presidente mais espaço no governo em troca de apoio.
O Podemos e uma ala mais insatisfeita do PMDB pediram vagas no Incra, Funasa e Caixa Econômica
Federal.

Pacote de bondade para ruralistas


Para conquistar votos da bancada ruralista, que tem 231 deputados, Temer decidiu atender
importantes demandas do grupo.
Na véspera da votação no plenário, o governo publicou no "Diário Oficial da União" uma medida
provisória (MP) que permite aos produtores e empresários do agronegócio pagar dívidas previdenciárias
com desconto e mais prazo. O texto também reduz a alíquota paga pelos produtores ao Fundo de
Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural).
As condições de pagamento das dívidas com contribuições previdenciárias permitem redução de 25%
no valor das multas, pagamento sem juros e em até 176 prestações. No mesmo dia em que publicou a
medida, Temer almoçou com membros da bancada ruralista.
Os agrados aos ruralistas, porém, começaram ainda na fase de análise da denúncia na CCJ. Na época,
Temer anunciou R$ 103 bilhões do Banco do Brasil para a próxima safra e sancionou a lei criada a partir
da MP 759, chamada pelos ambientalistas de "MP da grilagem", informou "O Globo". Segundo o jornal, a
MP muda regras da reforma agrária e regula a compra de terras em áreas de proteção ambiental para
produção agrícola.

Ministros em ação
Além da atuação dos aliados na Câmara, Temer mobilizou sua tropa de choque no primeiro escalão
para garantir votos que barrassem a denúncia. Nos dias que antecederam à votação em plenário, os
ministros foram convocados a ficar em Brasília de "plantão" para atender às demandas dos deputados,
informou o colunista do G1 Gerson Camarotti.
Os ministros também atuaram diretamente no plenário – dez deles reassumiram os mandatos de
deputado para votar a favor de Temer e também articular apoios durante a votação.

Trocas na CCJ
Para derrotar na CCJ o parecer de Jorge Zveiter que recomendava a continuidade da denúncia, o
governo promoveu uma dança das cadeiras entre os membros da comissão. Os partidos aliados
fizeram 26 remanejamentos entre os integrantes do colegiado, substituindo deputados que haviam
indicado voto contra Temer.
O troca-troca causou protestos e críticas por parte da oposição e de parlamentares dissidentes da
base, que chegaram a recorrer ao STF na tentativa de anular as mudanças de membros da CCJ.

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Municípios e estados
Na véspera da votação do parecer sobre a denúncia na CCJ, Temer anunciou um programa de apoio
a concessões nos municípios e estados, que prevê a destinação de R$ 5,7 bilhões para investimentos de
mobilidade urbana e saneamento, e um crédito de R$ 2 bilhões via Banco do Brasil para financiamento
de projetos de saúde, educação, eficiência energética, modernização da gestão e infraestrutura viária

Comissão da Câmara aprova texto-base da reforma política; saiba o que está previsto11
Parecer de Vicente Cândido foi aprovado após 9 horas de sessão. Entre outros pontos, ele propôs
sistema distrital misto, fundo para financiar campanhas e extinção do vice-presidente.
A comissão da Câmara destinada à análise de uma das propostas que estabelecem a reforma política
aprovou nesta quarta-feira (9), por 25 votos a 8, o texto-base do relatório apresentado pelo deputado
Vicente Cândido (PT-SP) – saiba mais abaixo o que está previsto.
O parecer de Vicente Cândido sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi aprovado após
9 horas de sessão. Os deputados, contudo, não haviam concluído a análise do projeto até a última
atualização desta reportagem, isso porque, após o texto-base, eles passaram a analisar os destaques,
ou seja, sugestões que podem mudar a redação.
Após passar na comissão, a PEC seguirá para o plenário da Câmara, onde deverá ser aprovada em
dois turnos antes de seguir para o Senado. A proposta precisa do apoio mínimo de 308 deputados.
Como a sessão se estendia sem previsão de encerramento, a deputada Laura Carneiro (PMDB-RJ)
distribuiu sanduíches a alguns parlamentares.
Entre outros pontos, o projeto cria um fundo para financiar campanhas eleitorais com recursos públicos
e faz mudanças no sistema eleitoral.
Durante a sessão desta quarta, o relator esclareceu que o parecer dele não prevê o chamado
"distritão", modelo que ganhou força entre parlamentares e lideranças partidárias nos últimos dias,
embora o modelo possa ser incluído por meio de uma emenda apresentada por outro parlamentar.
No "distritão", acaba o quociente eleitoral e os mais votados são eleitos, ou seja, seria uma eleição
majoritária, como para presidente. Cada estado vira um distrito eleitoral. No caso de vereador, seria o
município. O eleitor vota em um nome no distrito. Os mais votados são eleitos.

Sistema eleitoral
A proposta aprovada pela comissão estabelece o sistema distrital misto a partir de 2022 nas eleições
para deputado federal, deputado estadual e vereador nos municípios com mais de 200 mil eleitores. O
modelo é uma mistura dos sistemas proporcional e majoritário.
Pelo texto, para escolher deputados federais, por exemplo, o eleitor votará duas vezes. Uma nos
candidatos do distrito e outra nas listas fechadas pelos partidos. A metade das vagas, portanto, iria para
os candidatos eleitos por maioria simples. A outra metade, preenchida conforme o quociente eleitoral
pelos candidatos da lista partidária.
No caso de municípios de até 200 mil eleitores, será adotado o sistema eleitoral de lista preordenada
nas eleições para vereador.

Eleições de 2018 e de 2020


Pela proposta elaborada pelo deputado Vicente Cândido, o sistema eleitoral será mantido como é hoje
em 2018 e em 2020, no modelo proporcional com lista aberta.
Nele, é possível votar tanto no candidato quanto na legenda, e um quociente eleitoral é formado,
definindo quais partidos ou coligações têm direito de ocupar as vagas em disputa. A partir desse cálculo,
são preenchidas as cadeiras disponíveis, proporcionalmente.
O sistema sofre críticas por permitir que candidatos com pouquíssimos votos sejam eleitos, "puxados"
por aqueles com mais votos do mesmo partido.
Na proposta de Cândido, a mudança está na limitação no número de candidatos. A depender do
número de vagas a serem preenchidas, cada partido terá um limite específico de candidatos que poderá
lançar.

Fundo de campanha
Ao apresentar o parecer, o relator Vicente Cândido (PT-SP) dobrou o valor previsto de recursos
públicos que serão usados para financiar campanhas eleitorais.

11
CARAM, B. CALGARO, F. Comissão da Câmara aprova texto-base da reforma política; saiba o que está previsto. G1 Política. Disponível em:
<http://g1.globo.com/politica/noticia/comissao-da-camara-aprova-texto-base-da-reforma-politica-saiba-o-que-esta-previsto.ghtml> Acesso em 11 de agosto de 2017.

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1408527 E-book gerado especialmente para LUCAS ROCHA LOPES
O projeto institui o Fundo Especial de Financiamento da Democracia, que será mantido com recursos
públicos, previstos no orçamento. Na versão anterior do relatório, Cândido havia estabelecido que 0,25%
da receita corrente líquida do governo em 12 meses seria destinada a financiar campanhas.
Havia uma exceção somente para as eleições de 2018, com o valor do fundo em 0,5% da Receita
Corrente Líquida, o que corresponderá a cerca de R$ 3,6 bilhões.
No novo parecer, Vicente Cândido tornou a exceção uma regra. Pelo texto reformulado, o valor do
fundo será de 0,5% da receita corrente líquida em 12 meses, de maneira permanente.

Extinção do cargo de vice


O relatório aprovado nesta quarta extingue da política brasileira as figuras de vice-presidente da
República, vice-governador e vice-prefeito.

Vacância da presidência
No caso de vacância do cargo de presidente da República, será feita eleição 90 dias após a vaga
aberta. Se a vacância ocorrer no último ano do mandato presidencial, será feita eleição indireta, pelo
Congresso, até 30 dias após a abertura da vaga.
A regra também valerá para governadores e prefeitos.

Mandato nos tribunais


O texto define que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Tribunal de Contas da União
(TCU) e de tribunais superiores serão nomeados para mandatos de dez anos.
A mesma regra valerá para os membros de tribunais de contas dos estados e dos municípios, tribunais
regionais federais e dos estados. Os juízes dos tribunais eleitorais terão mandato de quatro anos.

Posse
As datas das posses dos eleitos passarão a ser as seguintes:
6 de janeiro: governadores e prefeitos;
7 de janeiro: presidente da República;
1º de fevereiro: deputados e vereadores.

Suplente de senador
A proposta reduz o número de suplentes de senadores, de dois suplentes para um. Em caso de morte
ou renúncia do titular, será feita nova eleição para o cargo, na eleição subsequente. Esse substituto terá
mandato somente até o término do mandato do antecessor.
O texto define, ainda, que o suplente de senador será o candidato a deputado federal que ocupar o
primeiro lugar na lista preordenada do partido do titular do mandato.

Imunidade do presidente da República


Inicialmente, Vicente Cândido chegou a propor estender aos presidentes da Câmara, do Senado e do
Supremo Tribunal Federal (STF) a imunidade garantida ao presidente da República.
Pela Constituição, o presidente não pode ser investigado por crime cometido fora do mandato. Diante
da reação negativa de diversos integrantes da comissão, o relator informou que retiraria a proposta do
parecer.

Tentativa de adiamento
O PSOL tentou adiar a votação do parecer, sob a justificativa de que seria preciso ouvir antes a
sociedade sobre o texto final, mas não conseguiu.
"Não querer ouvir a sociedade é novamente virar de costas para a opinião popular. Há uma sofreguição
de preservação de mandatos para o sistema continuar o mesmo", afirmou o deputado Chico Alencar
(PSOL-RJ).

Ex-ministro Geddel Vieira Lima é preso após apreensão de R$ 51 milhões12


Ex-ministro já cumpria prisão domiciliar em Salvador. PF e MPF pediram nova preventiva para evitar
destruição de provas.
O ex-ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB, foi preso preventivamente (sem prazo determinado) na
manhã desta sexta-feira (8), em Salvador, três dias após a Polícia Federal (PF) apreender R$ 51 milhões
em um imóvel supostamente utilizado pelo peemedebista.
12
BOMFIM, CAMILA. Ex-ministro Geddel Vieira Lima é preso após apreensão de R$ 51 milhões. G1 Bahia. Disponível em: <
http://g1.globo.com/bahia/noticia/mpf-pede-prisao-preventiva-de-geddel-vieira-lima.ghtml> Acesso em 08 de setembro de 2017.

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1408527 E-book gerado especialmente para LUCAS ROCHA LOPES
A prisão foi determinada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, em
uma nova fase da Operação Cui Bono, que investiga fraudes na Caixa Econômica Federal. Além de
Geddel, a PF cumpre mandado de prisão preventiva contra Gustavo Ferraz – que, segundo as
investigações, é ligado ao ex-ministro – e outros três mandados de busca e apreensão, todos na capital
baiana.
Geddel deixou o prédio pouco depois das 7h, no banco de trás de uma viatura da PF, e chegou ao
aeroporto Luiz Eduardo Magalhães cerca de meia hora depois. Ele será levado para Brasília).
O ex-ministro já tinha sido preso preventivamente na operação, em julho, mas recebeu autorização do
desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, para cumprir prisão domiciliar.
Embora a decisão judicial determine que ele seja monitorado por tornozeleira eletrônica, isso não vinha
acontecendo pois o governo da Bahia não tem o equipamento.
Sete agentes e dois carros da PF entraram no condomínio de Geddel às 6h. Segundo a TV Bahia
(afiliada da Rede Globo), um vendedor ambulante, que estava na região, foi levado para dentro do
condomínio, possivelmente para servir de testemunha.
Segundo o MPF, a nova fase da operação busca apreender provas de crimes como corrupção passiva,
lavagem de dinheiro e organização criminosa, e que as medidas são necessárias para evitar a destruição
de provas.
O G1 tentou contato com a defesa de Geddel, mas não obteve resposta até a última atualização desta
reportagem.

Fortuna em outro imóvel


Na terça-feira (5), a PF apreendeu R$ 51 milhões em um apartamento que seria utilizado por Geddel
em Salvador. O dono do imóvel afirmou à PF que havia emprestado o imóvel ao ex-ministro para que ele
guardasse pertences do pai, que morreu no ano passado.
Segundo o jornal "O Globo", a PF reuniu 4 provas que reforçam a ligação Geddel com o dinheiro. As
impressões digitais do ex-ministro foram encontradas no próprio dinheiro, uma outra testemunha
confirmou que o espaço tinha sido cedido a ele, e uma segunda pessoa é suspeita de ajudar Geddel na
destinação das caixas e das malas de dinheiro. Além disso, a PF identificou risco de fuga, depois da
divulgação da apreensão do dinheiro.
A apreensão do dinheiro é um desdobramento da Operação Cui Bono, que investiga fraudes na
liberação de créditos da Caixa Econômica Federal. De acordo com o MPF, entre 2011 e 2013, Geddel
agia para beneficiar empresas com liberações de créditos e fornecia informações privilegiadas para os
outros membros da quadrilha que integrava.
O ex-ministro virou réu em agosto em uma ação na Justiça Federal em Brasília por obstrução de
justiça. Ele é acusado de tentar atrapalhar as investigações. Em nota divulgada após a decisão da Justiça,
a defesa de Geddel rechaçou as acusações, a a que chamou de "fruto de verdadeiro devaneio e excesso
acusatório".
A defesa do ex-ministro não se manifestou sobre os R$ 51 milhões.

Ex-ministro de Lula e Temer


Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) deixou o cargo de ministro da Secretaria de Governo em novembro de
2016. Ele foi acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de tê-lo pressionado para liberar uma
obra na Ladeira da Barra, área nobre de Salvador. Geddel era um dos principais responsáveis pela
articulação política do governo Temer com deputados e senadores. Ele ficou no cargo por seis meses.
O peemedebista também foi ministro da Integração Nacional do governo Lula, entre 2007 e 2010,
depois de ter sido crítico ferrenho do primeiro mandato do petista e defensor do governo Fernando
Henrique Cardoso (PSDB). No ministério, encampou a transposição do Rio São Francisco, que prometeu
efetivar em seu mandato.
Atuou como vice-presidente de Pessoa Jurídica na Caixa entre 2011 e 2013, cargo do qual chegou a
pedir exoneração pelo Twitter à então presidente Dilma Rousseff, pela possibilidade de concorrer nas
eleições seguintes. Quem o convidou para o cargo foi Michel Temer. Foi derrotado por Otto Alencar (PSD)
na eleição ao Senado.
Formado em administração de empresas pela Universidade de Brasília, é natural de Salvador, onde
foi assessor da Casa Civil da Prefeitura entre 1988 e 1989. Em 1990, filiou-se ao PMDB, partido pelo qual
foi eleito cinco vezes deputado federal.

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Acordos de delação de Joesley e Saud foram rescindidos, informa PGR13
Rodrigo Janot já havia anunciado revisão dos acordos por suspeitas de que delatores haviam omitido
informações. Segundo PGR, mesmo com a rescisão, provas entregues permanecem válidas.
Procuradoria Geral da República (PGR) informou nesta quinta-feira (14) que os acordos de delação
premiada de Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, e de Ricardo Saud, um dos executivos do
grupo, foram rescindidos.
A informação consta de um comunicado divulgado à imprensa na tarde desta quarta, pela procuradoria,
no qual a PGR informa ter denunciado o presidente Michel Temer, Joesley, Saud e integrantes do
PMDB ao Supremo Tribunal Federal.
Segundo a PGR, mesmo com a rescisão, as provas entregues pelos dois delatores permanecem
válidas.
De acordo com a assessoria da PGR, a rescisão do acordo de colaboração ainda precisa ser
confirmada pelo ministro Edson Fachin.
Na semana passada, o procurador-geral, Rodrigo Janot, já havia anunciado a revisão dos acordos dos
delatores por suspeitas de que os dois executivos haviam omitido informações.
Em razão disso, o Supremo Tribunal Federal suspendeu, no último fim de semana, os
benefícios concedidos a Joesley e a Saud.

A decisão de Janot
Rodrigo Janot entendeu que os dois delatores mentiram sobre fatos de que tinham conhecimento, se
recusaram a prestar informações e que ficou provado que, após a assinatura do acordo, eles sonegaram,
adulteraram, destruíram ou suprimiram provas.
Por enquanto, o procurador-geral manteve o acordo do diretor jurídico da J&F, Francisco de Assis,
enquanto aguarda informações sobre uma investigação de uso de informação privilegiada que envolve a
delação premiada.
A informação sobre a rescisão do acordo foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal.

'Confiança'
Ao decidir pela rescisão dos acordos, Janot escreveu que confiança é uma "via de mão dupla",
devendo o investigado assimilar e assumir a condição de colaborador da Justiça, "falando tudo o que
sabe e não omitindo qualquer fato relevante, ainda mais quando este fato pode configurar crime".
O procurador-geral acrescenta, então, que não cabe ao colaborador fazer juízo de valor ou escolher
os fatos que pretende entregar, fazendo, assim, com que a manutenção do acordo dependa da boa-fé e
do fiel cumprimento das cláusulas estabelecidas.
O que ocorreu nas delações de Joesley e de Saud, diz Janot, foi o descumprimento de cláusulas que
proíbem a "omissão deliberada, a má-fé, o dever de transparência" entre as partes contraentes.
"Como se vê, a consequência jurídica da rescisão do acordo por culpa exclusiva do colaborador é a
perda da premiação e a validade de todas as provas produzidas, que poderão ser usadas nos processos
em curso e futuros."

Janot acusa Temer de chefiar organização criminosa: 10 perguntas para entender a denúncia14
Mesmo ferido por graves acusações contra a atuação do Ministério Público Federal na condução da
delação da JBS, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, lançou sua segunda "flechada" contra
Michel Temer e denunciou o presidente nesta quinta-feira sob as acusações de obstrução de Justiça e
de integrar organização criminosa.
O disparo foi dado a três dias de Janot passar o cargo para a próxima procuradora-geral, Raquel
Dodge.
Agora, o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá avaliar se encaminha a denúncia diretamente para
a análise da Câmara dos Deputados ou se vai suspender seu andamento até que se concluam as
investigações sobre a legalidade do acordo firmado com Joesley Batista e outros executivos do grupo.
Em nota, a Presidência da República, afirmou que Janot "continua sua marcha irresponsável para
encobrir suas próprias falhas", ignorando "deliberadamente as graves suspeitas que fragilizam as
delações sobre as quais se baseou para formular a segunda denúncia contra o presidente da República".
"A segunda denúncia é recheada de absurdos. Fala de pagamentos em contas no exterior ao
presidente sem demonstrar a existência de conta do presidente em outro país. Transforma contribuição
13
MATOSO, F. NETTO, V. PARREIRA, M. Acordos de delação de Joesley e Saud foram rescindidos, informa PGR. G1, Política. Disponível em:
<https://g1.globo.com/politica/noticia/acordos-de-delacao-de-joesley-e-saud-foram-rescindidos-informa-
pgr.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1> Acesso em 15 de setembro de 2017.
14
SCHREIBER, MARIANA. Janot acusa Temer de chefiar organização criminosa: 10 perguntas para entender a denúncia. BBC Brasil. Disponível em: <
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-41261952?ocid=socialflow_twitter> Acesso em 15 de setembro de 2017.

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lícita de campanha em ilícita, mistura fatos e confunde para tentar ganhar ares de verdade. É realismo
fantástico em estado puro", diz o texto.
Já o PMDB informou lamentar "mais um ato de irresponsabilidade realizado pelo procurador-geral" e
afirmou que "a Justiça e sociedade saberão identificar as reais motivações" de Janot.
Entenda, em dez perguntas, as acusações contra Temer e o que deve acontecer agora:

1. Do que Janot acusa Temer agora?


O presidente é acusado de integrar uma organização criminosa com outros peemedebistas - eles
teriam montado uma complexa estrutura para desvio de dinheiro público, cujos valores superariam R$
580 milhões.
Segundo a denúncia, políticos do PMDB, sob a liderança de Temer, teriam recebido propinas de
empresas em troca de interferências ilegais em operações de crédito da Caixa, negócios da Petrobras,
concessões de aeroportos e ações dos ministérios da Agricultura e da Integração Nacional, além da
inclusão de emendas em medidas provisórias no Congresso.
Janot diz que o grupo começou a se articular a partir de 2006, quando o PMDB passou a ocupar cargos
no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que precisou ampliar sua base de apoio após o
escândalo do mensalão.
Temer e Henrique Eduardo Alves, na época deputados, teriam negociado "cargos-chaves" para o
grupo criminoso, "tais como a presidência de Furnas, a vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias
na Caixa Econômica, o Ministério da Integração Nacional, a Diretoria Internacional da Petrobras, entre
outros", diz a denúncia.
O procurador-geral frisa também que a organização criminosa continuou praticando crimes nos anos
de 2015, 2016 e 2017, e que Temer teria se tornado o "líder" do grupo em maio do ano passado, quando
assumiu a Presidência da República.
Temer, especificamente, teria obtido "vantagem" de R$ 31,5 milhões, sendo R$ 500 mil da JBS por
meio de Rodrigo Rocha Loures, R$ 10 milhões em doações da Odebrecht, R$ 20 milhões referentes ao
contrato PAC SMS da Diretoria Internacional da Petrobras com a Odebrecht e R$ 1 milhão entregue ao
coronel João Batista Lima Filho, amigo do peemedebista.
Além disso, Janot também acusa o presidente de tentar obstruir a Justiça ao dar aval para suposta
compra de silêncio do ex-presidente da Câmara, o peemedebista Eduardo Cunha, e do operador Lúcio
Funaro.
Para embasar essa acusação, o procurador-geral usa, por exemplo, a gravação da conversa entre o
presidente e Joesley Batista, dono da JBS. Ele sustenta que Temer instigou Batista a pagar, por meio de
Ricardo Saud, vantagens a Roberta Funaro, irmã de Lúcio Funaro.

2. Quem foi denunciado ao lado do presidente?


A suposta organização criminosa denunciada por Janot contaria com mais seis integrantes, todos
peemedebistas: o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, os ministros Moreira Franco (Secretaria-
Geral da Presidência) e Eliseu Padilha (Casa Civil), os ex-ministros Henrique Eduardo Alves (Turismo) e
Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e o ex-assessor de Temer e ex-deputado Rodrigo Rocha
Loures.
Desses, estão presos hoje Cunha, Alves, Geddel e Loures.
Segundo relatório da Polícia Federal usado para embasar a denúncia, "enquanto Eduardo Cunha fazia
a parte obscura das tratativas espúrias, negociatas, ameaças e chantagem política", "o presidente Michel
Temer, como liderança dentro do PMDB, tinha a função de conferir oficialidade aos atos que viabilizam
as tratativas acertadas por Eduardo Cunha e os demais participantes, dando aparente legalidade e
legitimidade em atos que interessam ao grupo."
Joesley Batista e o executivo Ricardo Saud, da JBS, perderam a imunidade que haviam negociado no
acordo de delação e foram denunciados pelo crime de obstrução de Justiça.

3. É o mesmo caso da mala de R$ 500 mil?


A segunda denúncia é mais ampla que a primeira, que foi apresentada no final de junho e acusava o
presidente de corrupção passiva, com base em informações da delação da JBS, revelada em 17 de maio.
Havia um prazo curto para apresentar aquela primeira denúncia porque ela envolvia também um
investigado preso, Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor especial de Temer, filmado recebendo uma mala
de R$ 500 mil de um executivo da multinacional.
Esse pagamento seria, segundo a Procuradoria, a primeira parcela de propina em troca de
interferência do governo no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em favor da JBS.

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Temer nega que tivesse ciência de qualquer acordo entre Loures e JBS e que tenha interferido no
órgão. A Câmara dos Deputados rejeitou o andamento dessa denúncia no início de agosto.

4. Por que a segunda denúncia só foi apresentada agora?


No caso das suspeitas de obstrução de Justiça e formação de quadrilha, não havia exigência de prazo
curto para apresentação da denúncia e, por isso, a Procuradoria-Geral da República pôde continuar
investigando para incluir novos elementos na denúncia, como foi o caso da delação de Funaro.
"O Ministério Público não tem pressa e nem retarda denúncia. Existem investigações em curso", disse
Janot em julho, ao ser questionado sobre a segunda denúncia contra Temer.
Já o presidente e seus aliados acusam o procurador-geral de agir politicamente ao fatiar as denúncias.
"Qual foi primeira ideia? Vamos fatiar a denúncia. Para que fatiar a denúncia, se inquérito é um só, e
os fatos estão ali, elencados? Foi para dizer, se ele ganhar a primeira, eu venho com a segunda. Se ele
ganhar a segunda, eu venho com a terceira", disse Temer em entrevista ao SBT na semana passada.
"Não é tipicamente uma função digamos para estatura de um chefe do Ministério Público", completou
o presidente.

5. Quem são os delatores que denunciaram Temer?


A principal novidade dessa denúncia são as acusações de Lúcio Funaro, tido como operador de
propina do PMDB e que acaba de fechar acordo de delação premiada.
Janot usa também os depoimentos de executivos da JBS, como Joesley Batista e Ricardo Saud,
embora essa delação esteja hoje em xeque e corra o risco de ser anulada por suposta ilegalidade na sua
condução por parte de membros do Ministério Público, como o ex-procurador Marcelo Miller.
O procurador-geral sustenta que a rescisão do acordo dos dois não impede a utilização das provas
apresentadas por eles - e que são centrais na nova denúncia.
Em defesa dessa tese, cita um voto proferido pelo ministro do STF Dias Toffoli em julgamento de 2015,
no qual o magistrado afirmou que as declarações dos colaboradores "poderão ser consideradas meio de
prova válido para fundamentar a condenação de coautores e partícipes da organização criminosa", "ainda
que o colaborador, por descumprir alguma condição do acordo, não faça juz a qualquer sanção premial
(benefício da delação)".
Janot cita ainda na denúncia revelações de outros delatores da operação Lava Jato, como Paulo
Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, e executivos da Odebrecht.

6. O STF pode derrubar essa denúncia antes que a Câmara decida?


A defesa de Temer tentou impedir no STF o oferecimento dessa segunda denúncia, sob o argumento
de que ainda está em curso a investigação para esclarecer se a delação da JBS foi ilegal.
O Supremo, no entanto, adiou essa decisão para a próxima semana, o que na prática deixou o caminho
livre para Janot fazer a denúncia antes de deixar o cargo no domingo.
Agora, de acordo com juristas ouvidos pela BBC Brasil, o STF pode tanto suspender o andamento da
denúncia até o fim das investigações quanto decidir encaminhar a denúncia diretamente para análise da
Câmara.
Nesse caso, a decisão sobre a validade do uso da delação da JBS passaria para o momento de análise
do recebimento da denúncia.
Segundo a Constituição, o Supremo só pode avaliar o recebimento da denúncia para abertura de um
processo contra o presidente caso obtenha a autorização de 342 dos 513 deputados.

7. O que acontece com Temer agora?


Se o STF não impedir o andamento da denúncia, Temer permanece no cargo enquanto os deputados
decidem se autorizam seu julgamento pelo Supremo.
O ministro do STF Edson Fachin deve enviar o pedido da Procuradoria para a Câmara, onde primeiro
haverá uma análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Seja qual for a recomendação da CCJ,
se pela aceitação ou rejeição da denúncia, o crivo final será do plenário da Casa.
Para que o STF fique autorizado a julgar Temer, é necessário o aval de 342 deputados. Ao analisar a
primeira denúncia, a Câmara barrou seu andamento por 263 votos a 227. Se esse resultado se repetir, a
denúncia fica em suspenso e só poderá ser analisada pela Justiça quando terminar o mandato de Temer.

8. E se a Câmara autorizar o julgamento?


Se o andamento da denúncia for aprovado, os onze ministros do Supremo decidirão se há elementos
jurídicos suficientes para tornar Temer réu. Caso isso aconteça, o presidente ficaria afastado por até seis

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meses, enquanto a Corte realizaria o julgamento. Durante o processo, o presidente da Câmara, Rodrigo
Maia, assumiria interinamente.
Na hipótese de Temer ser condenado, Maia teria que convocar uma eleição indireta para que o
Congresso escolhesse o novo presidente. No caso de absolvição, o peemedebista reassumiria o
comando do país.

9. Temer pode ser preso?


A Constituição prevê expressamente que Temer não pode ser preso enquanto for presidente, a não
ser que seja condenado pelo Supremo Tribunal Federal após julgamento autorizado pela Câmara.

10. Haverá novas denúncias?


A apresentação de novas denúncias dependerá do resultado de novas investigações e da avaliação
da nova procuradora-geral, Raquel Dodge, que assume o lugar de Janot na segunda-feira.
Nesta semana, o ministro do STF Luís Roberto Barroso autorizou novo inquérito contra o presidente
para apurar supostas ilegalidades na edição de um decreto sobre o setor de Portos, em maio deste ano.
"Os elementos colhidos revelam que Rodrigo Rocha Loures, homem sabidamente da confiança do
presidente da República, menciona pessoas que poderiam ser intermediárias de repasses ilícitos para o
próprio presidente da República, em troca da edição de ato normativo de específico interesse de
determinada empresa, no caso, a Rodrimar S/A", assinalou Barroso na decisão de abertura do inquérito.
Em nota, a empresa negou qualquer ilegalidade. A assessoria de Temer disse em comunicado que o
decreto foi debatido entre o governo e empresas e que o presidente "não teve interferência no debate e
acatou as deliberações e aconselhamentos técnicos, sem que houvesse qualquer tipo de pressão política
que turvasse todo esse processo".

Temer tem a pior aprovação pessoal e de governo da série histórica15


Segundo os dados do levantamento, a avaliação negativa do peemedebista alcançou 75,6% neste
mês de setembro; até então, o pior desempenho era da ex-presidente Dilma Rousseff, que teve índice de
70,9% em julho de 2015
O presidente Michel Temer (PMDB) registrou a pior aprovação pessoal e de governo da série histórica
da pesquisa CNT/MDA, cuja última edição foi divulgada nesta terça-feira (19) pela Confederação Nacional
do Transporte (CNT).
Do ponto de vista de avaliação de governo, a série histórica da pesquisa começou a ser registrada
pela CNT em julho de 1998, durante o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
De lá para cá, Temer é o presidente da República com a pior avaliação.
Segundo os dados do levantamento, a avaliação negativa do peemedebista alcançou 75,6% neste
mês de setembro. Até então, o pior desempenho era da ex-presidente Dilma Rousseff, que teve índice
de 70,9% em julho de 2015.
Temer também é dono do pior desempenho pessoal da história, avaliação que começou a ser medida
em 2001. Isso porque 84,5% desaprovam o desempenho do presidente, segundo dados de setembro
A 134ª pesquisa CNT/MDA foi realizada entre os dias 13 e 16 de setembro. Foram ouvidas 2.002
pessoas, em 137 municípios de 25 unidades federativas, das cinco regiões do Brasil. A margem de erro
é 2,2 pontos porcentuais, com 95% de nível de confiança.

Entenda o novo fundo público para campanhas eleitorais aprovado na Câmara16


Correndo contra o relógio para garantir verbas para o financiamento de campanhas eleitorais ainda
em 2018, a Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira, projeto originado no Senado que
cria o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Estima-se que, no ano que vem, o fundo
chegue ao valor de R$ 1,7 bilhão.
O texto deve ser sancionado pelo presidente Michel Temer, uma vez que foi objeto de articulações
entre o Congresso e o governo. Mas, nos próximos passos da tramitação, a proposta deve ser mais
detalhada, ganhando especificações e regulamentações. A aprovação foi por votação simbólica (em que
não há registro individual de votos) - o que gerou protestos de deputados no plenário.
Ainda que diversas propostas de reforma política não tenham avançado no Congresso, outras foram
definidas nesta semana. Na terça-feira, o Senado aprovou a instituição da cláusula de barreira para 2018
e a proibição das coligações partidárias a partir de 2020. Nesta quarta-feira, antes de aprovar o fundo, a
15
AGÊNCIA ESTADO. Temer tem a pior aprovação pessoal e de governo da série histórica. O Tempo Política. Disponível em:
<http://www.otempo.com.br/capa/pol%C3%ADtica/temer-tem-a-pior-aprova%C3%A7%C3%A3o-pessoal-e-de-governo-da-s%C3%A9rie-hist%C3%B3rica-
1.1521968> Acesso em 20 de setembro de 2017.
16
BBC BRASIL. Entenda o novo fundo público para campanhas eleitorais aprovado na Câmara. BBC Brasil. Disponível em: <
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-41507850?ocid=socialflow_twitter> Acesso em 05 de outubro de 2017.

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Câmara aprovou um projeto, do deputado Vicente Candido, que regulamenta pontos como a propaganda
na internet e o limite de gastos para campanhas por cargo.
Em meio a tantas propostas, porém, o fundo ganhou especial atenção da classe política e da opinião
pública nos últimos meses. Entenda o que esteve em jogo até aqui e o que muda para a democracia
brasileira.

Como chegamos aqui?


Nos últimos 20 anos, o país assistiu ao encarecimento contínuo das campanhas eleitorais.
O maior abastecedor dos partidos e seus candidatos eram empresas privadas brasileiras, donas de
interesses e negócios dentro do Estado.
Nos últimos anos, a Operação Lava-Jato acabou demonstrando a promiscuidade da relação entre
empresas e políticos. Grosso modo, dinheiro público acabava desviado para irrigar campanhas.
A repercussão das investigações desaguou na proibição de doação de empresas, determinada pelo
Supremo Tribunal Federal, em setembro de 2015.
Desde então, só a eleição municipal de 2016 foi realizada sem doação empresarial.
O impacto foi enorme: a arrecadação caiu pela metade em relação às eleições municipais de 2012,
segundo o Tribunal Superior Eleitoral. E os partidos acharam que era necessário voltar a encher o caixa
eleitoral.

De onde virá e para onde vai esse dinheiro?


Na prática, a proposta aprovada no Congresso faz com que o Estado brasileiro cubra boa parte do
vácuo deixado pela proibição de doações de empresas nas campanhas. Nas eleições de 2014, por
exemplo, elas doaram R$ 3 bilhões (considerando a inflação, o correspondente a R$ 3,6 bilhões em
valores atuais aproximados).
A proposta recém-aprovada no Congresso prevê a transferência para o fundo de 30% das emendas
de bancadas de deputados e senadores (propostas de investimentos que os parlamentares fazem no
orçamento público) - no ano eleitoral. Contribuirá para o fundo também a compensação fiscal que antes
era paga às emissoras de rádio e TV pela propaganda partidária (fora do período eleitoral) - que será
extinta.
Segundo o projeto aprovado pelos deputados, o fundo será distribuído da seguinte forma: 2% divididos
igualitariamente entre todos os partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE); 49% divididos
entre os partidos de acordo com a proporção de votos obtidos na última eleição para a Câmara; 34%
divididos entre os partidos na proporção de representantes na Câmara; e 15% divididos entre os partidos
na proporção de representantes no Senado.

Como funciona o financiamento em outros países?


Em alguns países europeus, o financiamento público é responsável por mais de 70% do custeio dos
partidos. É o caso da Finlândia, Itália, Portugal, Espanha, de acordo com o relatório "Financing
Democracy", da OCDE, de 2016 .
Já no Reino Unido e na Holanda, dinheiro público financia 35% dos gastos políticos.
O volume de recursos, porém, é mais baixo do que os do novo fundo brasileiro.
Na França, por exemplo, o financiamento eleitoral foi de cerca de R$ 314 milhões na disputa de 2012
- bem menor do que o montante previsto para o Brasil.
O financiamento francês também é concedido de forma diferente. Os candidatos não recebem o
dinheiro de antemão. Podem solicitar reembolso apenas de parte dos gastos de campanha - até 47% -
se obtiverem pelo menos 5% dos votos.

Quase 350 mil cadastros do Bolsa Família foram fraudados, diz auditoria17
Segundo relatório da Controladoria-geral da União (CGU), foram identificadas no cadastro do benefício
famílias com casa própria e carro de luxo, além de funcionários públicos.
Uma auditoria da Controladoria-geral da União (CGU) nos benefícios do programa social Bolsa Família
revelou fraude em quase 350 mil cadastros.
De acordo com o ministério do Desenvolvimento Social, o programa beneficiou, em dezembro de 2017,
mais de 13 milhões de famílias, que receberam benefícios com valor médio de R$ 179. O valor total
transferido pelo governo federal às famílias foi de R$ 2,4 milhões em dezembro.
Segundo o relatório da CGU, o governo pagou indevidamente R$ 1,4 bilhão a pessoas que não tinham
direito ao benefício. A CGU afirma que quem recebeu o dinheiro indevidamente está sendo localizado.
17
BOM DIA BRASIL. Quase 350 mil cadastros do Bolsa Família foram fraudados, diz auditoria. G1 Política. Disponível em: <
https://g1.globo.com/politica/noticia/quase-350-mil-cadastros-do-bolsa-familia-foram-fraudados-diz-auditoria.ghtml> Acesso em 05 de janeiro de 2017.

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1408527 E-book gerado especialmente para LUCAS ROCHA LOPES
"Não é aquele indivíduo que aumentou a renda, conseguiu emprego, melhorou que a gente vai atrás.
O que nos preocupa é aquele caso da pessoa que já entrou errada, tem um padrão de vida excelente,
que está fraudando o programa de fato", afirma Antônio Carlos Leonel, secretário federal de controle
interno da CGU.
Segundo a auditoria da CGU, famílias com casa própria e carro de luxo foram identificadas no cadastro,
além de funcionários públicos. O levantamento foi feito entre 2016 e 2017.
O Bolsa Família foi criado em 2003 para atender famílias em condições de extrema pobreza.
Tem direito ao benefício a família que tem renda de R$ 170 por pessoa. Algumas famílias apontadas
na fiscalização da CGU tinham renda de mais de R$ 1.900 por pessoa.
Na cidade de Piancó, no sertão da Paraíba, quase 54% dos moradores tinham cobertura do Bolsa
Família. Depois do pente-fino, quase metade perdeu o benefício. A cidade tinha servidores da prefeitura
e da câmara de vereadores cadastrados no programa.

Benefícios cancelados
O ministério do Desenvolvimento Social disse que recebeu agora as informações da CGU e que vai
conferir com a checagem que já estava fazendo. O ministério disse, ainda, que está corrigindo falhas e
que os cadastros passaram a ser revistos todos meses.
O governo disse que de outubro de 2016 até a semana passada, cancelou 4,7 milhões de pagamentos.
Disse também que já começou a cobrar os casos mais absurdos identificados pelo próprio ministério -
são três mil e 200 famílias.
"Nós já temos cartas enviadas para as famílias. E até este momento, espontaneamente, 23 famílias
devolveram. Ainda é um universo muito pequeno, mas eu acredito que, no andamento desse processo,
nós obteremos a devolução dos R$ 12 milhões que foram recebidos indevidamente por essas famílias",
afirmou Alberto Beltrame, secretário-executivo do MDS.

Mundo – Relações e Conflitos

Nº de mortes em 'ataque químico' passa de 70 na Síria; ONU denuncia crimes de guerra18


O suposto ataque químico que matou pelo menos 72 civis em uma cidade do norte da Síria demonstra
os "crimes de guerra" continuam sendo cometidos no país, afirmou nesta quarta-feira (05/04) o secretário-
geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres.
O balanço divulgado pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) nesta quarta indica que
20 das mais de 70 vítimas são crianças. De acordo com a ONG, houve um ataque aéreo no reduto rebelde
da cidade de Khan Sheikhun, na província de Idlib. Logo em seguida, foi liberado um "gás tóxico" que a
instituição não sabe identificar. Civis morreram por e dezenas apresentaram problemas respiratórios,
vômitos e desmaios.
"Os horríveis acontecimentos de terça-feira demonstram, infelizmente, que os crimes de guerra
continuam na Síria e que o direito internacional humanitário é violado frequentemente", disse Guterres ao
chegar a Bruxelas, onde ocorre uma conferência sobre o conflito sírio.
Guterres afirmou que a ONU deseja estabelecer responsabilidades por estes crimes e expressou
confiança de que o Conselho de Segurança estará " à altura de suas responsabilidades".

Ação do regime?
Para a oposição ao presidente sírio, Bashar al-Assad, e para a União Europeia, o regime sírio é
responsável pelo bombardeio. O governo da Síria nega.
A Rússia nega ter atacado a região, mas afirma que a aviação de Damasco bombardeou um "depósito
terrorista" onde eram armazenadas "substâncias tóxicas" destinadas a combatentes no Iraque. Os russos
têm poder de veto no Conselho de Segurança e apoiam o presidente sírio Bashar al-Assad contra os
rebeldes.
Alguns minutos antes, o ministro britânico das Relações Exteriores, Boris Johnson, havia dito que
"todas as provas" apontam para o regime de Bashar al-Assad como responsável pelo suposto ataque.
"Todas as provas que vi sugerem que foi o regime de Al-Assad... usando armas ilegais contra seu
próprio povo", disse Johnson.
"É a confirmação de que se trata de um regime bárbaro que torna impossível aos nossos olhos que
imaginar que possa ter a menor autoridade na Síria após o fim do conflito", completou o ministro britânico.

18
05/04/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/ataque-quimico-mata-dezenas-na-siria-o-que-se-sabe-ate-agora.ghtml e
http://g1.globo.com/mundo/noticia/vai-a-72-o-numero-de-mortos-apos-ataque-quimico-na-siria-diz-ong.ghtml

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A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, pediu um grande esforço a favor das negociações
de paz sobre a Síria em Genebra, que tem a mediação da ONU. "Temos que unir a comunidade
internacional nas negociações", declarou Mogherini.
Estados Unidos, França e Reino Unido apresentaram na terça-feira (04/04) um projeto de resolução
ao Conselho de Segurança que condena o ataque químico na Síria e exige uma investigação completa e
rápida.

O que aconteceu?
Os aviões teriam atacado Khan Sheikhoun, que fica cerca de 50 km ao sul da cidade de Idlib, no início
da manhã desta terça-feira (04/04).
Hussein Kayal, um fotógrafo do grupo de jornalistas pró-oposição Edlib Media Center (EMC), disse à
agência de notícias Associated Press que ele foi acordado pelo som de uma explosão às 6h30 no horário
local.
Quando ele chegou ao local do ataque, disse não ter sentido cheiro de nada, mas viu pessoas no chão,
sem conseguirem se mover e com as pupilas contraídas.
Mohammed Rasoul, o chefe de um serviço caritativo de ambulâncias em Idlib, disse à BBC que os
médicos que ele transportava encontraram pessoas, muitas delas crianças, sufocando nas ruas.
O grupo Observatório Sírio também citou relatos de médicos dizendo que estavam tratando pessoas
com sintomas que incluíam desmaios, vômito e espuma na boca.
Um jornalista da agência de notícias AFP afirmou ter visto uma garota, uma mulher e dois idosos
mortos em um hospital, todos com espuma ainda visível ao redor da boca.
O jornalista também afirmou que o hospital foi atingido por um foguete na tarde de terça, e que médicos
que cuidavam dos doentes foram atingidos por pedras e destroços.
A procedência dos foguetes não está clara, mas o EMC e os Comitês de Coordenação Local, da
oposição ao governo, dizem que aviões alvejaram diversas clínicas.
Jornalistas pró-governo citaram fontes militares dizendo que houve uma explosão em uma fábrica de
armas químicas em Khan Sheikhoun - que teria sido causada por um ataque aéreo ou por acidente.

Que substância foi usada?


O Observatório Sírio de Direitos Humanos diz que não foi possível determinar que tipo de substância
teria sido usada no ataque.
O EMC e os Comitês de Coordenação Local afirmam que pode ter sido o gás sarin, que é altamente
tóxico e considerado 20 vezes mais letal do que o cianureto.
O sarin inibe a ação de uma enzima que desativa os sinais que as células nervosas humanas
transmitem aos músculos para relaxá-los. Isso faz com que o coração e outros músculos - incluindo os
envolvidos na respiração - tenham espasmos.
A exposição ao gás pode causar desmaios, convulsões e levar à morte por asfixia em minutos.
O especialista em armas químicas Dan Kaszeta disse à BBC que é difícil determinar se o sarin foi
usado no ataque apenas examinando vídeos, como os compartilhados nas redes sociais por
sobreviventes e jornalistas.
Ele afirmou que o ataque pode ter sido resultado de uma série de agentes químicos que "tendem a ter
efeitos semelhantes no corpo humano".
O sarin é quase impossível de detectar - é um líquido claro, sem cor e sem gosto que, em sua forma
mais pura, também não tem odor.

O sarin já foi usado antes na Síria?


O governo sírio foi acusado pelas potências ocidentais de atirar foguetes cheios de sarin em uma série
de subúrbios da capital, Damasco, que eram controlados pelos rebeldes em agosto de 2013, matando
centenas de pessoas.
O presidente Bashar al-Assad negou as acusações, culpando combatentes rebeldes, mas, em
seguida, concordou em destruir o arsenal químico da Síria.
Apesar disso, a Organização pela Proibição de Armas Químicas continua a documentar o uso de
químicos tóxicos em ataques na Síria.
Em janeiro de 2016, o órgão disse que amostras de sangue das vítimas de um ataque não especificado
no país mostrou que elas foram expostas ao sarin ou substância semelhante.

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O que se sabe sobre o uso de outros agentes químicos?
Uma investigação conjunta da Organização pela Proibição de Armas Químicas com a ONU concluiu,
no último mês de outubro, que as forças do governo usaram gás cloro, que também provoca asfixia, como
arma ao menos três vezes entre 2014 e 2015.
Os investigadores também concluíram que militantes do grupo autodenominado Estado Islâmico, que
atua no país, usaram gás mostarda - que pode provocar cegueira, ferimentos na pele e morte.
A ONG de direitos humanos Human Rights Watch acusou recentemente helicópteros do governo de
soltarem bombas contendo gás cloro em áreas controladas por rebeldes em Aleppo em ao menos oito
ocasiões entre os dias 17 de novembro e 13 de dezembro de 2016, durante os estágios finais da batalha
pela cidade.
E na semana passada, dois ataques supostamente químicos foram registrados na província de Hama,
uma área controlada pelos rebeldes próxima a Khan Sheikhoun.

Qual foi a reação ao ataque desta terça?


A província de Idlib, onde os ataques ocorreram, é quase completamente controlada por uma aliança
rebelde e pelo grupo jihadista Hayat Tahrir Al-Sham, ligado à al-Qaeda.
A região, onde vivem 900 mil pessoas, é frequentemente alvejada pelo governo e pela Rússia, sua
aliada, assim como pela coalizão contra o EI, liderada pelos Estados Unidos.
Não houve comentário oficial imediato após o ataque desta terça-feira, mas uma fonte militar disse à
agência de notícias Reuters que o governo "não usa e não usou" armas químicas contra a população.
O enviado dos grupos de oposição sírios na ONU, Staffan de Mistura, disse que o ataque foi "horrível"
e que deve haver uma "identificação clara de responsabilidades e prestação de contas" pelo ataque na
cidade.
Em um comunicado, o presidente francês François Hollande acusou o governo sírio de cometer um
"massacre".
O ministro das Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, disse que Assad seria considerado
culpado de um crime de guerra caso seu governo seja responsável.
O Reino Unido e a França pediram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
Em comunicado, o presidente americano Donald Trump também responsabilizou o governo Assad e
condenou o que chamou de "ações abomináveis" do regime.

Brexit: Reino Unido entrega carta e dá início à saída da União Europeia19


O Reino Unido deu início na manhã desta quarta-feira (29/03) ao processo de saída da União Europeia.
O afastamento efetivo só acontecerá depois de pelo menos dois anos de negociação com os outros 27
integrantes do bloco. Essa é a 1ª vez que um país pede para deixar o grupo.
O embaixador britânico na União Europeia, Tim Barrow, entregou nesta manhã ao presidente do
Conselho Europeu, Donald Tusk, uma carta que simboliza o acionamento do Artigo 50 do Tratado de
Lisboa – dando início às discussões sobre o processo de afastamento. A carta de seis páginas é assinada
pela pela premiê britânica, Theresa May.

Sem volta
Logo após a entrega da carta, Theresa May fez um pronunciamento no Parlamento britânico. “O Reino
Unido está deixando a União Europeia. Este é um momento histórico do qual não pode haver volta".
May também indicou a intenção de buscar um acordo comercial "audaz e ambicioso" ao mesmo que
tempo que negocia o Brexit.
A premiê fez um apelo pela união do Reino Unido no Parlamento britânico. "Agora é a hora de nos unir
nesta casa [do Parlamento] e em todo o país para garantir que trabalhamos para o melhor acordo possível
para o Reino Unido e para o melhor futuro possível para todos nós", declarou May. Na terça-feira, a
Escócia aprovou a realização de um novo referendo sobre a independência.

Obrigado e adeus
Tusk afirmou que a União Europeia está descontente com a saída da Grã-Bretanha. Para ele, não há
razão para dizer que esta quarta-feira é um dia feliz nem para o Reino Unido nem para a União Europeia.
O bloco tem o objetivo de minimizar o custo para os cidadãos europeus, os negócios e para os países
membros do bloco. "Já sentimos a sua falta, obrigado e adeus", declarou ao concluir uma breve coletiva
de imprensa, segundo a Reuters.

19
29/03/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/brexit-reino-unido-entrega-carta-e-da-inicio-a-saida-da-uniao-europeia.ghtml

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O presidente do Conselho Europeu já tinha prometido informar na sexta-feira (31/03) as primeiras
diretrizes do processo de negociação, mas uma resposta formal do bloco dificilmente será divulgada antes
do primeiro encontro oficial dos países membros, já sem a presença do Reino Unido, em 29 de abril.
Esta é a primeira vez que o artigo, criado em 2009, é invocado por um país que decide deixar o bloco,
O prazo de dois anos de negociações só pode ser prorrogado com uma aprovação unânime de todos os
países da União Europeia. A negociação é muito complexa pois exige rescisão de vários tratados
internacionais, acordos comerciais e uma nova política migratória.

Divórcio difícil
O processo para encerrar 40 anos de união não é automático e se anuncia um divórcio difícil, porque
tem de ser discutido com os outros 27 membros do bloco. O afastamento de um país-membro é inédito
no bloco.
A negociação é muito complexa, já que exige rescisão de vários tratados internacionais. Só com a
União Europeia, há pelo menos 80 mil páginas de acordos. Por isso, é provável que, após a negociação,
exista uma fase de transição.

Principais dúvidas
1. Imigração
Em seu pronunciamento nesta manhã, May afirmou que a situação dos europeus no Reino Unido será
uma das prioridades da negociação.
Atualmente, cerca de 3 milhões de cidadãos europeus vivem no Reino Unido, vindos principalmente
da Polônia (850 mil), da República da Irlanda (330 mil) e de diversos países do antigo bloco soviético.
Esses podem pedir a residência permanente no Reino Unido quando completarem cinco anos vivendo no
país. Com a Brexit, o Certificado de Residência Permanente para Cidadão da UE, no entanto, deve deixar
de valer.
Ao longo das negociações, é preciso estabelecer uma nova política migratória, uma das principais
reinvindicações dos partidários da Brexit, que exigiam medidas mais restritivas. Analistas e políticos
ouvidos pela BBC disseram na época que a mudança será gradual e que ninguém terá de deixar o país
da noite para o dia.

2. Comércio
A participação na União Europeia permite que os países comprem e vendam produtos e serviços entre
si sem a aplicação de taxas e impostos dentro da área comum. O Reino Unido então passará a ter taxas
diferentes no comércio exterior com os países europeus em relação às praticadas agora, podendo
inclusive trocar de parceiros.
Segundo a União Europeia, o Reino Unido exporta principalmente para os EUA, a Alemanha e os
Países Baixos. Por sua vez, as suas importações vêm sobretudo da Alemanha, da China e dos EUA.

3. Compromissos europeus
Os defensores do Brexit alegavam que a contribuição do Reino Unido para União Europeia era muito
elevada. Nesse processo é preciso discutir quais são as dívidas britânicas com relação ao bloco, a
chamada, “conta do divórcio”, que poderá custar por volta de 50 bilhões de libras (mais de R$ 191 bilhões).
Outras questões que deverão ser discutidas são, por exemplo, regras de segurança para o cruzamento
de fronteiras; o "Mandado Europeu de Prisão", que é um mandado de prisão válido em todos os países
membros do bloco; a mudança de agências europeias que têm suas bases no Reino Unido.

Sem acordo?
May, no entanto, declarou em janeiro deste ano que o Reino Unido deixará o bloco mesmo que não
haja um pleno acordo nesse período. Segundo a primeira-ministra, ela está pronta a abandonar as
discussões se suas exigências não forem atendidas, e chegou a afirmar que “nenhum acordo para o
Reino Unido é melhor do que um acordo ruim para o Reino Unido”.
A decisão de sair da União Europeia, conhecida como Brexit, foi tomada em um referendo, realizado
em 23 de junho de 2016. Na ocasião, 51,9% dos britânicos optaram por deixar o bloco, o que provocou a
queda do então primeiro-ministro, David Cameron.
Após o referendo, o Brexit foi aprovado também pelo Parlamento britânico e no dia 16 de março deste
ano suas negociações receberam autorização formal da rainha Elizabeth 2ª.

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Oposição escocesa
A decisão de deixar a União Europeia desapontou especialmente a população da Escócia, onde 66%
votaram contra o Brexit. Líderes políticos a favor da independência usaram o resultado como argumento
para justificar o pedido para um novo referendo sobre a independência do país.
O Reino Unido tenta barrar ou ao menos adiar a realização da nova consulta para o fim de 2018 ou
em 2019, que foi aprovada pelo parlamento escocês na terça-feira (28). A chefe de governo britânica já
chamou o novo referendo de "inaceitável", porém não há um artigo na Constituição que proíba a sua
realização.
Em 2014, a decisão de permanecer no Reino Unido foi aprovada com 55% dos votos em um plebiscito,
mas os nacionalistas escoceses acreditam que o temor de deixar a União Europeia será decisiva para
aprovação da independência do país.

Sobe para três o número de mortos em protestos na Venezuela20


Membro da Guarda Nacional foi baleado em Caracas; governo acusa oposição
CARACAS — Um membro da Guarda Nacional foi morto na noite desta quarta-feira em Caracas,
elevando para três o número de vítimas durante os protestos realizados na Venezuela. Mais cedo, dois
jovens já haviam sido mortos.
Segundo a Defensoria do Povo, o militar foi baleado por um franco-atirador. O deputado chavista
Diosdado Cabello, homem forte do regime, culpou o governador de Miranda, Henrique Capriles, e a
oposição pela morte.
— Acabam de assassinar um guarda nacional em San Antonio de los Altos. Capriles e seu combo de
assassinos estavam buscando mortos, desesperados. Mas aqui haverá justiça, tenham certeza de que
vai haver justiça — afirmou Cabello, em seu programa televisivo semanal.
Já haviam sido confirmadas as mortes de Carlos José Moreno Baron, de 17 anos, atingido por uma
bala na cabeça, na região de San Bernardino, em Caracas; e Paola Ramírez, de 23 anos, em San
Cristóbal, no estado de Táchira. Ambos, segundo a mídia local, foram atingidos por disparos feitos pelos
coletivos chavistas, embora não estivessem participando das marchas.
A oposição marcou um novo protesto para esta quinta-feira.
— Amanhã, na mesma hora, convocamos todo o povo venezuelano a se mobilizar. Hoje fomos milhões
e amanhã temos que reunir mais pessoas — declarou Capriles, em entrevista coletiva.

'MÃE DE TODAS AS MARCHAS'


Chamada de "mãe de todas as marchas", a manifestação ocorreu um dia depois de o presidente,
Nicolás Maduro, ter denunciado em cadeia nacional uma tentativa de golpe de Estado “da direita
venezuelana, liderada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos”.
Sem fazer qualquer menção às mortes ocorridas durante as marchas, Maduro parabenizou a Força
Armada Nacional Bolivariana (Fanb) pelo “sucesso na largada do Plano Zamora”, anunciado na véspera
como a grande aposta do Palácio de Miraflores “para derrotar o golpe de Estado”.
— O Plano Zamora está dando resultados — comemorou, ao fim de uma manifestação convocada
para se contrapor, como de costume, aos protestos opositores.
A repressão também atingiu a imprensa: o sinal da TV do jornal colombiano “El Tiempo” foi retirado do
ar pelo governo quando transmitia ao vivo os protestos. Do Brasil, o chanceler Aloysio Nunes, acusou
Maduro de ser o responsável pela morte do manifestante em Caracas. “Aconteceu o que eu mais temia
na Venezuela: a repressão do governo matou um manifestante”, escreveu no Twitter.
— A repressão está se tornando cada vez mais violenta, existe uma vontade evidente de impedir as
ações da oposição — disse Carlos Correa, da ONG Espaço Público, que classifica a marcha de quarta-
feira como a maior dos últimos anos. — As pessoas estão decididas a continuar nas ruas. As declarações
de Maduro e do ministro da Defesa (Vladimir Padrino López) mostram um governo em guerra.
Na marcha, como em todas realizadas nos últimos dias — até durante a Semana Santa — dirigentes
de peso da Mesa de Unidade Democrática (MUD) como Capriles, estiveram presentes e foram atingidos
pela repressão. O uso de gás lacrimogêneo — inclusive de helicópteros — é cada vez mais intenso e
obrigou muitas pessoas a serem atendidas em hospitais.
MADURO ACUSA PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA
Um dos detidos foi o secretário geral do partido Primeiro Justiça (PJ, de Capriles) em Táchira, Gustavo
Gandica, acusado pelo governo de estar envolvido no suposto plano para derrubar Maduro.

20
O GLOBO com Agências Internacionais. Sobe para três número de mortos em protestos na Venezuela. Disponível em: <
http://oglobo.globo.com/mundo/sobe-para-tres-numero-de-mortos-em-protestos-na-venezuela-
21232749?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo> Acesso em 20 de abril de 2017.

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— A violência é o último recurso do governo e, por isso, estamos vendo uma violência descontrolada.
Caracas virou uma espécie de Berlim, só que aqui o muro não é de cimento, e sim formado por militares
que não permitem que manifestantes da oposição cheguem ao centro da cidade — assegurou Carlos
Romero, professor da Universidade Central da Venezuela.
Para ele, o governo já se esqueceu da política, não se importa com a repercussão internacional e
ignora os alertas:
— Mais cedo ou mais tarde, um setor militar não acompanhará mais esta aventura repressiva, mas
pode levar meses.

Nicolás Maduro
Eleito em abril de 2013 para suceder Hugo Chávez, o presidente enfrenta forte pressão por conta da
escassez de alimentos e remédios, agravada pela queda dos preços do petróleo. Trava uma guerra
política contra o Parlamento, controlado pela oposição, que o chama de ditador.
Maduro acusou o presidente da Assembleia Nacional, deputado Julio Borges, de ter violando a
Constituição ao pedir à Fanb que “esteja ao lado do povo”. Em Caracas, há a sensação de que Borges
pode ser um dos próximos perseguidos.
— Borges, mais uma vez, cometeu um delito contra a Constituição e deverá ser processado. Ele está
pedindo, abertamente, um golpe de Estado e a divisão dentro da Fanb — disse, prometendo eleições “em
breve”, mas sem falar em datas.
Já o presidente da AN assegurou que seu único objetivo é “pedir que a Constituição seja respeitada”.
E pela segunda vez em menos de um mês, a procuradora-geral da República, a chavista Luisa Ortega,
questionou publicamente o governo ao exigir a garantia ao direito de manifestações pacíficas.

Estados Unidos adiam construção do muro na fronteira com México21


Financiamento do muro colocou em risco votação orçamentária do governo.
Trump recuou e disse que aceita que o dinheiro seja liberado em setembro
A ameaça de uma paralisação do governo americano fez o presidente Donald Trump suspender, por
enquanto, uma das promessas mais repetidas na campanha eleitoral do ano passado.
A pressa acabou. É que a disputa política virou uma barreira maior do que o muro de 3.500 quilômetros
entre os Estados Unidos e o México, que Donald Trump prometeu durante a campanha presidencial.
Trump queria mais de US$ 1 bilhão para começar a construção. E queria a verba até sexta-feira (28),
prazo para que o Congresso aprove uma extensão do orçamento federal.
Mas o impasse sobre como financiar o muro estava colocando em risco a votação do orçamento, e
poderia forçar uma paralisação do governo americano.
Na segunda-feira (24), numa conversa fechada com jornalistas, Trump recuou e disse que aceita que
o dinheiro só seja liberado em setembro, quando começa um novo ano fiscal.
Nesta terça-feira (25), o presidente afirmou: “O muro vai ser construído. Temos tempo de sobra.”
Mas o muro pode não sair do papel da forma como foi prometido. Alguns senadores propõem uma
mistura de barreira física com barreira tecnológica, usando câmeras e sensores de movimento. O desafio
para Donald Trump vai ser explicar essa mudança para os eleitores dele.

Portugal vive sua maior tragédia em incêndio florestal22


Portugal está arrasada com o incêndio que matou pelo menos 61 pessoas e deixou cerca de 60 feridos.
Essa é, certamente, a maior tragédia registrada no país nas últimas décadas. O incêndio que atingiu
Pedrógrão Grande e região é o incidente que fez mais vítimas fatais na história recente de Portugal e já
é considerado um dos mais graves do mundo. O fogo começou no sábado e ainda não está totalmente
controlado.
O cenário nos vilarejos tomados pelo fogo assusta. Segundo relata a mídia portuguesa, há corpos
espalhados pelo chão esperando para serem recolhidos. Alguns estão cobertos com lençóis brancos.
Outros nem isso. Há inúmeras pessoas desaparecidas e outras tantas em desespero por terem perdido
parentes, vizinhos ou amigos. Pessoas com as quais conviviam diariamente e cuja família se conhecia a
gerações até tudo se acabar em chamas.
Para se ter uma ideia do estrago que o fogo causou nos vilarejos aos quais chegou é preciso entender
Portugal. O país tem pouco mais de 10 milhões de habitantes. Cerca de 1/3 da população vive na capital

21
G1. Estados Unidos adiam construção do muro na fronteira com México. G1, Jornal Nacional. Disponível em: < http://g1.globo.com/jornal-
nacional/noticia/2017/04/estados-unidos-adiam-construcao-do-muro-na-fronteira-com-mexico.html?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_content=jn>
Acesso em 26 de abril de 2017.
22
PUGLLERO, FERNANDA. Portugal vive sua maior tragédia em incêndio florestal. Correio do Povo. Disponível em: <
http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/Internacional/2017/6/620719/Portugal-vive-sua-maior-tragedia-em-incendio-florestal> Acesso em 19 de junho de 2017.

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Lisboa ou arredores. Outra parte reside em volta do Porto, cidade ao Norte do país. O país é pequeno e
praticamente todo mundo, de alguma forma, se conhece – ou conhece alguém que conhece alguém.
Pedrógão Grande é uma vila que pertence ao Distrito de Leiria, na região central do país, com menos
de 2 mil habitantes. Há inúmeros vilarejos em volta, que pertencem ao concelho – a divisão municipal
portuguesa difere da brasileira. Alguns desses vilarejos (ou aldeias, como chamam por aqui) têm 100
habitantes. Outros, 30 ou menos. Há vilarejos onde sobreviveram apenas algumas pessoas para contar
a história e narrar os momentos de pavor ao tentar escapar das chamas e salvar pessoas – pois as casas
arderam.
Segundo informações preliminares, o fogo iniciou por causas naturais – presume-se que um raio tenha
colocado em chamas alguma árvore e, por causa do calor combinado à umidade, o fogo tenha se
espalhado rapidamente. A fumaça que emanou da floresta que fica no local tinha coloração branca – e é
extremamente tóxica. Sem informação sobre o perigo e sobre a grandeza do incidente, alguns moradores
tentaram fugir das chamas que poderiam chegar às suas casas e se dirigiram à principal estrada da região
– que agora ficou conhecida como “Estrada da Morte”, pois as pessoas que ali estavam acabaram
intoxicadas pela fumaça antes de serem carbonizadas pelas chamas.
Um dos maiores canais da televisão portuguesa sobrevoou a estrada com um drone. O cenário é
devastador. Os carros foram consumidos pelas chamas e, provavelmente, as pessoas desesperadas com
o avançar do fogo não sabiam para onde fugir. A maioria morreu dentro dos automóveis. Alguns foram
encontrados nas laterais da estrada e, presume-se, tenham morrido intoxicados antes de terem os corpos
queimados – pois quando uma pessoa morre queimada, coloca os membros em posição de defesa, o
que não se observou nas vítimas que estavam com os braços estendidos ao lado do corpo.
O governo português decretou luto oficial de três dias e promete investigar as causas do incêndio.
Alguns donativos já começam a chegar para ajudar as famílias das vítimas fatais e os sobreviventes a
reconstruírem suas vidas – se bem que talvez isso não seja possível, após o trauma de ver o fogo avançar
e nada ser feito. Muitos moradores locais criticam a lentidão das autoridades em apagar o incêndio:
“Deixaram-nos aqui para morrer”, disse um residente de Pedrógrão Grande a um site de notícias
português. As festas juninas foram suspensas por três dias em todo o país – junho é um mês festivo em
Portugal. O clima está pesado nas ruas e “toda a gente”, como dizem os portugueses, lamenta a tragédia.

Número de refugiados no mundo é o maior já registrado, diz relatório da ONU23


De acordo com os dados, números registrados em 2016 superam os de 2015, com um aumento de
mais de 330 mil pessoas que tiveram que ser deslocadas
Só no ano passado, cerca de 65,6 milhões de pessoas foram forçadas a se deslocar em todo o mundo.
Do total forçado a se deslocar, 10,3 milhões de pessoas são novas e cerca de dois terços (6,9 milhões)
delas se deslocaram dentro de seus próprios países. As crianças representam a metade do número total
dos refugiados de todo o mundo.
As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (19) por meio do maior levantamento sobre
deslocamentos no mundo, o relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).
De acordo com os dados, os números registrados em 2016 superam os de 2015, com um aumento de
mais de 300 mil pessoas. O número de refugiados aumentou, alcançando a marca de 22,5 milhões de
pessoas.
Conflitos políticos, guerras e perseguições são as principais causas dos deslocamentos. Desse total
de pessoas, 17,2 milhões estão sob a responsabilidade do Acnur, e o restante é formado por refugiados
palestinos. O conflito na Síria mantém o país como o local de origem do maior número de deslocados (5,5
milhões).
Ainda de acordo com o Acnur, se não for levada em conta a situação dos palestinos, os afegãos
continuam sendo a segunda maior população de deslocados (4,7 milhões) no mundo, seguidos pelos
iraquianos (4,2 milhões).
O Sudão do Sul também aparece em destaque nos números de 2016, onde “a desastrosa ruptura dos
esforços de paz contribuiu para o êxodo de 739,9 mil pessoas entre julho e dezembro. No total, já são
1,87 milhão de deslocados originários do Sudão do Sul”.
No fim do ano passado, a organização registrou que 40,3 milhões de pessoas foram forçadas a se
deslocar dentro de seus próprios países.
Além disso, a Síria, o Iraque e “o ainda expressivo deslocamento dentro da Colômbia foram as
situações de maior movimento interno. Esse tipo de deslocamento representa quase dois terços dos
deslocamentos forçados em todo o mundo”, acrescenta a organização.
Países receptivos
23
IG SÃO PAULO. Número de refugiados no mundo é o maior já registrado, diz relatório da ONU. Último Segundo. Mundo. Disponível em: <
http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2017-06-19/refugiados.html> Acesso em 19 de junho de 2017.

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O relatório diz ainda que, em 2016, 2,8 milhões de pessoas pediram formalmente refúgio em outros
países. Para o Acnur, os números indicam a necessidade de consolidar mecanismos de proteção para
essas pessoas e de suporte para países e comunidades que apoiam pessoas deslocadas.
O retorno das pessoas para as suas casas, em conjunto com outras soluções como reassentamento
em outros países, significou melhores condições de vidas para muitos no ano passado.
"No total, cerca de 37 países aceitaram 189.300 refugiados para reassentamento. Cerca de meio
milhão deles tiveram a oportunidade de voltar para seus países, e aproximadamente 6,5 milhões de
deslocados internos regressaram para suas regiões de origem – embora muitos deles em circunstâncias
abaixo do ideal e com um futuro incerto”, afirma a organização.

Mais da metade da população mundial não tem acesso a saneamento básico, diz ONU24
Cerca de 4,5 bilhões de pessoas no mundo – bem mais da metade da população global atual de 7,6
bilhões de habitantes - não têm acesso a saneamento básico seguro, segundo relatório recente divulgado
pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Já
a quantidade de moradores do planeta com algum saneamento básico é de 2,3 bilhões. A informação é
da ONU News.
O documento das Nações Unidas indica ainda que o número de pessoas sem acesso à água potável
em casa é de 2,1 bilhões em todo o mundo. Esta é a primeira vez que a OMS e o Unicef fazem um
levantamento global sobre água, saneamento básico e higiene.
O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus afirmou que água potável encanada, saneamento e
higiene não deveriam ser privilégios apenas daqueles que vivem em centros urbanos e em áreas ricas.
Para ele, os governos são responsáveis por assegurar que todos tenham acesso a esses serviços.

Esgoto tratado
Desde 2000, quando foi lançada a agenda dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, bilhões de
pessoas ganharam acesso à água potável e saneamento, mas esses serviços não garantem
necessariamente o saneamento seguro, aquele que é ligado a uma rede de esgoto tratado.
Esse quadro gera doenças que podem ser mortais para crianças com menos de cinco anos de idade.
Todos os anos, mais de 360 mil menores morrem de diarreia, uma doença evitável. Já o saneamento
mal feito pode causar cólera, disenteria, hepatite A e febre tifóide, entre outros problemas.
O diretor-executivo do Unicef, Anthony Lake, disse que ao melhorar esses serviços para todos, o
mundo dará às crianças a chance de um futuro melhor.
Em 90 países, o avanço na área de saneamento básico é muito lento, o que leva a crer que a cobertura
universal não será alcançada até 2030, quando se encerra o prazo para cumprimento da Agenda 2030,
que estabelece os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, que devem
ser implementados por todos os países até aquele ano.

Latrinas compartilhadas
Dos 4,5 bilhões de pessoas sem acesso a esgoto tratado, 600 milhões têm que compartilhar um toalete
ou uma latrina com moradores de outros lares. Já o número de pessoas que defecam a céu aberto é de
892 milhões. Devido ao aumento da população, essa situação tem crescido na África Subsaariana e na
Oceania.
O relatório indica ainda que, em países que passam por conflitos, as crianças têm quatro vezes menos
chance de usar serviços de abastecimento de água e duas vezes menos de ter o saneamento básico que
crianças em outros países.
Os serviços de água potável, saneamento básico e higiene são essenciais para que o mundo alcance
o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 3: assegurar uma vida saudável e promover o bem-
estar de todos, em todas as faixas etárias.

Mercosul submete Venezuela a 'suspensão política' do bloco25


Acordo inclui cláusula democrática que justificou a suspensão
Em reunião nesta manhã de sábado em São Paulo, representantes do Mercosul - bloco formado por
Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - anunciaram a suspensão da Venezuela do bloco econômico.
"Desta vez, temos sanção de natureza política. Ainda que ela internalize os acordos e não tenha

24
ONU NEWS. Mais da metade da população mundial não tem acesso a saneamento básico, diz ONU. EBC Agência Brasil. Disponível em: <
http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2017-07/mais-da-metade-da-populacao-mundial-nao-tem-acesso-saneamento-basico> Acesso em 13 de julho
de 2017.
25
ESTADO DE MINAS. Mercosul submete Venezuela a ‘suspensão política’ do bloco. Em.com.br. Disponível em:
<http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2017/08/05/internas_economia,889588/mercosul-submete-venezuela-a-suspensao-politica-do-bloco.shtml> Acesso
em 07 de agosto de 2017.

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reestabelecido a democracia, seguirá suspensa", explicou o ministro das relações exteriores, Aloysio
Nunes.
Os chanceleres do Mercosul tomaram a decisão com base no Protocolo de Ushuaia. O compromisso
assinado em 1998 inclui uma cláusula democrática que levou à suspensão política do país no bloco.
Atualmente, o Brasil ocupa a presidência temporária do bloco. O encontro foi realizado na prefeitura de
São Paulo, no centro da cidade.
O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes chegou a antecipar, por meio de sua conta no
Twitter, que o Brasil pediria a suspensão da Venezuela do Mercosul. "É intolerável que nós tenhamos no
continente sul-americano uma ditadura. Houve uma ruptura da ordem democrática na Venezuela", disse.
"E, por consequência, o Brasil vai propor que ela seja suspensa do Mercosul até que a democracia volte.",
completou.
Desde abril, a Venezuela vive uma onda de manifestações a favor e contra o governo, muitas delas
violentas e que já deixaram cerca de 100 mortos e mais de mil feridos. O governo Maduro deu posse
nesta sexta-feira (4) a uma nova Assembleia Nacional Constituinte, que a oposição não aceita. A iniciativa
foi criticada pelo Mercosul, bloco do qual a Venezuela também faz parte, mas está suspensa por causa
dos conflitos políticos.
Eleita presidente da Assembleia Nacional Constituinte venezuelana, a governista Delcy Rodríguez
convocou para hoje (5) a primeira sessão do poder "plenipotenciário" para iniciar o processo que
reformará a Constituição e reordenará o Estado. Delcy também acusou a oposição de espalhar ideias
falsas sobre o que acontece no país e garantiu que "na Venezuela não há fome, na Venezuela há vontade
aqui não há crise humanitária, aqui há amor".

'Sou nazista, sim': o protesto da extrema-direita dos EUA contra negros, imigrantes, gays e
judeus26
Centenas de homens e mulheres carregando tochas, fazendo saudações nazistas e gritando palavras
de ordem contra negros, imigrantes, homossexuais e judeus.
Foi a cena - surreal, para muitos observadores - que desfilou aos olhos da pacata cidade universitária
de Charlottesville, no Estado americano de Virgínia.
O protesto, na noite da sexta-feira, foi descrito pelos participantes como um aquecimento para o evento
"Unir a Direita", que acontece na tarde deste sábado na cidade e promete reunir mais de mil pessoas,
incluindo os principais líderes de grupos associados à extrema direita no país.
A cidade, de pouco mais de 50 mil habitantes e a apenas duas horas de Washington, foi escolhida
como palco dos protestos após anunciar que pretende retirar uma estátua do general confederado Robert
E. Lee de um parque municipal.
Durante a Guerra Civil do país (1861-1865), os chamados Estados Confederados, do sul americano,
buscaram independência para impedir a abolição da escravatura. Atualmente, várias cidades americanas
vêm retirando homenagens a militares confederados - o que tem gerado alívio, de um lado, e fúria, de
outro.
Os participantes do protesto desta sexta-feira carregavam bandeiras dos Confederados e gritavam
palavras de ordem como: "Vocês não vão nos substituir", em referência a imigrantes; "Vidas Brancas
Importam", em contraposição ao movimento negro Black Lives Matter; e "Morte aos Antifas", abreviação
de "antifascistas", como são conhecidos grupos que se opõem a protestos neonazistas.
Estudantes negros do campus da universidade da Virginia, onde ocorreu a marcha, e jovens que se
apresentavam como antifascistas tentaram fazer uma "parede-humana" para impedir a chegada dos
manifestantes à parada final do marcha, uma estátua do terceiro presidente americano, Thomas
Jefferson.
"Fogo! Fogo! Fogo!", gritavam os manifestantes, enquanto se aproximavam do grupo de estudantes.
Em número bem menor, o grupo que fazia oposição à marcha foi expulso da estátua em poucos
minutos. A reportagem flagrou homens lançando tochas sobre os estudantes, enquanto estes, por sua
vez, dispararam spray de pimenta nos olhos dos oponentes.
A polícia, que acompanhou todo o protesto de longe, interviu e separou os dois grupos, enquanto
ambulâncias se deslocavam ao local para socorrer feridos pelo confronto.
"Esta manifestação é ilegal", afirmou um dos oficiais aos manifestantes, que se afastaram. A polícia
não confirmou se houve presos.
Nazis
"Sim, eu sou nazista, eu sou nazista, sim", afirmou um homem, em frente à reportagem, durante uma
discussão com um dos membros do grupo opositor.
26
SENRA, RICARDO. ‘Sou nazista, sim’: o protesto da extrema direita dos EUA contra negros, imigrantes, gays e judeus. BBC Brasil. Disponível em:
<http://www.bbc.com/portuguese/internacional-40910927?ocid=socialflow_twitter> Acesso em 14 de agosto de 2017.

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Ao contrário das especulações anteriores, a marcha incluiu muitas mulheres, que também seguravam
tochas.
A BBC Brasil conversou com um pai e uma mãe que levaram a filha de 14 anos ao protesto. "Eu
aprendi com meu pai que precisamos defender a raça branca e hoje estou passando este ensinamento
para a minha filha", afirmou o pai.
"Se não fizermos algo, seremos expulsos do nosso próprio país", disse a mãe. A conversa foi
interrompida por um homem forte e careca. "Vocês estão falando com um estrangeiro. Olha o sotaque
dele!", afirmou, rindo, em referência ao repórter.
A família se afastou e se juntou ao coro, que cantava "Judeus não vão nos substituir". Os três
seguravam tochas.
Outro homem afirmou que estava ali porque "têm o direito de se expressar".
"Gays, negros, imigrantes imundos, todos eles se manifestam e recebem apoio por isso. Porque
quando homens brancos decidem gritar por seus direitos e sua sobrevivência vocês fazem esse
escândalo?", questionou o homem a um grupo de jornalistas.
Perto dali, sozinho, um rapaz jovem estendia a mão e fazia uma saudação nazista, enquanto era
fotografado por fotojornalistas e gritava: "Vocês não vão nos substituir".
As tochas são uma marca da Ku Klux Klan, grupo fundado pouco depois da guerra por ex-soldados
confederados - derrotados no conflito. Originalmente concebida como um clube recreativo, a KKK
rapidamente começou a promover a violência contra populações negras do sul dos EUA.
Por muitas décadas, grupos supremacistas brancos promoveram linchamentos, enforcamentos e
assassinatos de negros.
Não houve referências ao presidente americano Donald Trump durante todo o ato. Mas as críticas à
imprensa eram constantes e faziam coro com o slogan de Trump: "Não temos medo de 'fake news', seus
mentirosos".
Chorando muito, uma estudante era amparada por amigos. "É pior do que a gente pensava. É muito
pior. Isso vai virar um inferno."
"A negra está assustada!", gritou uma mulher, rindo junto a um grupo de homens portando tochas.
Alt-right
O prefeito de Charlottesville divulgou uma nota após a marcha, classificando o ato como "uma parada
covarde de ódio, fanatismo, racismo e intolerância".
"A Constituição permite que todo mundo tenha o direito de expressar sua opinião de forma pacífica,
então aqui está a minha: não só como prefeito de Charlottesville, mas como membro e ex-aluno da
universidade de Virginia, fico mais do que incomodado com essa demonstração não-autorizada e
desprezível de intimidação visual em um campus universitário".
Para o protesto deste sábado, são esperadas figuras como Richard Spencer, criador do termo alt-right,
uma abreviação de "alternative right", ou "direita alternativa", em português. O grupo é acusado de
racismo e antissemitismo e têm representantes no governo de Donald Trump.
Esta é a segunda vez que a cidade se torna sede de protestos de grupos supremacistas. Em 8 de
julho, aproximadamente 40 membros da sede local da Ku Klux Klan também acenderam tochas em
Charlottesville.
Presidente de uma organização que define como "dedicada à herança, identidade e ao futuro de
pessoas de ascendência europeia nos EUA", Spencer ganhou visibilidade internacional por fazer a
saudação "Hail Trump, hail nosso povo, hail vitória", logo após a eleição do republicano.
Formado em filosofia política na Universidade de Chicago, Spencer já declarou que o ativista negro
Martin Luther King Jr. era uma "fraude" e um símbolo da "desconstrução da Civilização Ocidental".
Também disse que imigrantes latinos nos EUA estavam "se assimilando ao longo das gerações rumo
à cultura e ao comportamento dos afro-americanos" e lamentou que o país estivesse se tornando diferente
da "América Branca que veio antes".

Atentado com van em Barcelona deixa 13 mortos e mais de 100 feridos27


O Estado Islâmico reivindicou o ataque em um comunicado divulgado por sua agência de propaganda
Pelo menos 13 pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas nesta quinta-feira em Barcelona,
quando uma van avançou sobre uma multidão em Las Ramblas, turística avenida da capital catalã, em
ataque terrorista reivindicado pelo grupo Estado Islâmico. "Nós podemos confirmar neste momento que
há 13 mortos e mais de uma centena de feridos", declarou à imprensa o ministro do Interior catalão,
Joaquim Forn, ao revisar para cima o balanço de feridos, que era de cinquenta pessoas.

27
AGENCE PRESSE-FRANCE. Atentado com van em Barcelona deixa 13 mortos e mais de 100 feridos. Em.com.br Internacional. Disponível em:
<http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2017/08/17/interna_internacional,892860/atentado-com-van-em-barcelona-deixa-13-mortos-e-mais-de-100-
feridos.shtml> Acesso em 18 de agosto de 2017.

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O grupo Estado Islâmico (EI) reivindicou o ataque em um comunicado divulgado por sua agência de
propaganda Amaq e retransmitido pelo centro americano de vigilância dos sites extremistas, SITE.
Os autores "do ataque de Barcelona eram soldados do Estado Islâmico", indica o comunicado,
apontando que "a operação foi realizada em resposta aos pedidos de alvejar os Estados da coalizão"
internacional anti-extremista que atua na Síria e no Iraque.
Por volta das 17h locais (12h de Brasília), uma van atravessou a toda velocidade a mais turística das
avenidas de Barcelona, onde turistas espanhóis e estrangeiros costumam passear.

MUITO SANGUE
"Estava ao lado, no Corte Inglés [loja de departamentos] e ouvi um barulho forte. Tentamos sair, mas
não pudemos. Vi quatro, cinco corpos no chão e pessoas tentado reanimá-los, e muito sangue", contou
Lily Sution, uma turista holandesa.
"Quando tudo aconteceu, saí correndo e vi destroços, quatro corpos no chão, pessoas socorrendo,
gente chorando e também havia muitos estrangeiros que perderam os seus familiares", contou à AFP
Xavi Pérez, de 26 anos e balconista.
Dois suspeitos foram detidos. O primeiro foi identificado pela Polícia como Driss Oukabir, disse à AFP
um porta-voz do sindicato policial SUP. Depois, o presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont,
informou um segundo detido, sem dar maiores detalhes.
Este ataque remete a outros atentados terroristas na Europa com veículos, como o de Nice em 14 de
julho de 2016, quando um caminhão conduzido por um tunisiano foi lançado contra a multidão, matando
86 pessoas e deixando mais de 400 feridos.
O atentado provocou uma dura condenação da Casa Real espanhola.
"São uns assassinos, simplesmente uns criminosos que não vão nos aterrorizar. Toda a Espanha é
Barcelona. Las Ramblas voltarão a ser de todos", reagiu o Palácio real no Twitter.
"Os terroristas nunca derrotarão um povo unido que ama a liberdade diante da barbárie", assinalou o
chefe de Governo, Mariano Rajoy, que se deslocava até Barcelona junto com a sua vice-presidente e o
ministro do Interior, confirmou um porta-voz do governo à AFP.

CENAS DE PÂNICO
Enquanto a área de Las Ramblas na segunda cidade espanhola se mantinha cercada por um cordão
de segurança, a Polícia pediu à população que evitasse se deslocar. Inúmeros veículos de emergência e
policiais estavam no local, constatou um jornalista da AFP.
Em meio a cenas de pânico, alguns feridos foram levados ao Corte Inglés, aparentemente para receber
os primeiros socorros, indicou um jornalista da AFP. Os policiais pediam às lojas próximas ao local que
deixassem os pedestres entrar e fechassem as portas.
Outros agentes evacuaram a Praça Catalunha, enquanto diziam por alto-falantes: "ataque terrorista".

As autoridades ordenaram o fechamento das estações de metrô e de trem próximas à zona, enquanto
cancelavam todas as "atividades lúdicas" do dia na cidade.

Condenação internacional
O ataque também foi condenado internacionalmente.
"Estamos consternados com o ataque em Barcelona. O Brasil se solidariza com o povo espanhol.
Nossos sentimentos à família das vítimas", escreveu o presidente Michel Temer em sua conta no Twitter.
"Os Estados Unidos condenam o ataque terrorista em Barcelona, na Espanha, e farão todo o
necessário para ajudar", tuitou o presidente Donald Trump.
O presidente francês, Emmanuel Macron, transmitiu "a solidariedade da França às vítimas", enquanto
a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse que seu país "apoia a Espanha contra o terrorismo".
O presidente russo, Vladimir Putin, pediu que o mundo se una "em uma batalha intransigente contra
as forças do terror", após o violento ataque em Barcelona, informou o Kremlin.
"Nós pensamos com profunda tristeza nas vítimas do ataque revoltante de Barcelona - com
solidariedade e amizade nos espanhóis", escreveu Steffen Seibert, porta-voz da chanceler alemã, Angela
Merkel, em sua conta no Twitter.
A Espanha, terceiro destino turístico mundial, permaneceu até agora à margem da onda dos atentados
do grupo Estado Islâmico em grandes cidade europeias como Paris, Bruxelas, Londres, Nice e Berlim.
Mas em 11 de março de 2004 sofreu os atentados extremistas mais sangrentos cometidos na Europa,
quando cerca de 10 bombas explodiram em vários trens de Madri deixando quase 200 mortos. Os ataques
foram reivindicados em nome da Al-Qaeda por uma célula islamita radical.

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Coreia do Norte anuncia teste com bomba de hidrogênio28
País afirma que artefato pode ser instalado em míssil intercontinental
Coreia do Norte testou neste domingo (03/09) sua bomba atômica mais potente até o momento, um
artefato termonuclear ou bomba H, que, segundo o regime, pode ser instalado em um míssil
intercontinental. Se confirmado, isso representa um importante e perigoso aumento de suas capacidades
militares.
O sexto experimento nuclear norte-coreano e segundo supostamente realizado com um artefato
termonuclear culmina um período de frenética atividade armamentista por parte do regime de Kim Jong-
un, após testar mais de uma dezena de mísseis balísticos desde o começo do ano, entre eles dois
intercontinentais.
Essa intensificação coincidiu com a chegada de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro passado –
o de hoje é o primeiro teste atômico norte-coreano sob seu mandato –, e gerou uma das piores crises de
segurança na região nos últimos anos.
O novo experimento atômico ocorreu hoje (3) por volta das 12h30 (horário local, 0h30 em Brasília),
quando os institutos sismológicos de Seul, Tóquio e Pequim detectaram um forte terremoto de origem
aparentemente artificial devido a sua pouca profundidade e com hipocentro na província onde a Coreia
do Norte realizou seu teste nuclear anterior.
Algumas horas depois, a imprensa oficial norte-coreana anunciou que o país tinha testado com "total
sucesso" um artefato termonuclear que pode ser instalado em um dos seus mísseis balísticos
intercontinentais (ICBM).
"O teste foi realizado com uma bomba com poder sem precedentes", disse a locutora da rede estatal
KCTV Ri Chun-hee, a encarregada de dar as notícias mais importantes para o regime, acrescentando
que o experimento teve "duas fases" e foi executado por ordem direta do líder Kim Jong-un.
A intensidade da detonação detectada neste domingo pelos países vizinhos e pela Organização do
Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBTO, na sua sigla em inglês) indica que se tratou de
um ensaio muito mais potente que os cinco anteriores executados pelo regime.
A explosão teve uma potência estimada próxima a 100 quilotons, cinco vezes maior que o teste atômico
norte-coreano anterior, de setembro do ano passado, e cerca de 11 vezes superior à detectada em janeiro
do mesmo ano, quando Pyongyang afirmou ter testado outra bomba de hidrogênio.
Uma análise posterior apontou que o teste de janeiro de 2016 foi de um artefato de características
inferiores a um termonuclear, e desta vez Seul e Tóquio assinalaram que ainda estão analisando os dados
recolhidos para determinar se tratou-se de uma bomba H.
O teste volta a demonstrar que a Coreia do Norte não tem intenção de abandonar seu programa
nuclear apesar da pressão sem precedentes da comunidade internacional e dos recentes apelos ao
diálogo de Washington e Seul.

Comunidade internacional condena teste


A Itália, Estados Unidos, China, Rússia, Japão, Coreia do Sul, França, além da Organização do
Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da União Europeia condenaram o novo teste nuclear com uma bomba
de hidrogênio realizado pela Coreia do Norte neste domingo (3) A comunidade internacional repudiou a
nova violação das diversas resoluções do Conselho de Segurança das Organizações das Nações Unidas
(ONU) e exigiram o fim dos programas nuclear e balístico do país asiático.
O ministro das Relações Exteriores, Angelino Alfano, chamou a atitude da Coreia do Norte de
"irresponsável" e condenou o novo teste dizendo que "é a mais clara violação de muitas resoluções do
Conselho de Segurança das Nações Unidas".
"A Itália expressa sua solidariedade com os países da região pelas consequências do comportamento
irresponsável de Pyongyang", diz a nota do governo italiano.
O primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, entrou em contato por telefone com o presidente da
França, Emmanuel Macron, para comentar a situação, segundo fontes oficiais.
Em nota, o francês disse que "a comunidade internacional deve tratar esta nova provocação com a
maior firmeza, para que a Coreia do Norte volte incondicionalmente ao caminho do diálogo e proceda ao
desmantelamento completo, verificável e irreversível de seu programa nuclear e balístico".
De acordo com a Casa Branca, o presidente norte-americano, Donald Trump, telefonou para o
primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, para conversar sobre uma possível medida para "maximizar a
pressão sobre a Coreia do Norte".

28
AGÊNCIA BRASIL E EFE. Coreia do Norte anuncia teste com bomba de hidrogênio. Época Negócios. Disponível em:
<http://epocanegocios.globo.com/Mundo/noticia/2017/09/coreia-do-norte-anuncia-teste-com-bomba-de-
hidrogenio.html?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=post> Acesso em 04 de setembro de 2017.

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Na conversa, os dois líderes reafirmaram a importância de uma estreita cooperação entre os Estados
Unidos, a Coreia do Sul e o Japão diante da "crescente ameaça dos norte-coreanos" e ainda destacaram
que medidas serão discutidas na Assembleia Geral da ONU.
No Twitter, Trump disse que as palavras e ações da Coreia do Norte continuam sendo muito hostis e
perigosas para os Estados Unidos. O republicano ainda disse que o país se tornou uma grande ameaça
e um constrangimento para a China. Além disso, Trump convocou uma reunião de emergência do
Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca para tratar o teste da Coreia do Norte.
Por sua vez, o secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, anunciou que irá "preparar
uma série de sanções, que apresentarei ao presidente" para punir os norte-coreanos.
"Aqueles que fazem negócios com eles (Coreia do Norte) não poderão fazer negócios conosco.
Trabalharemos com nossos aliados. Trabalharemos com a China", indicou ele.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que "a Coreia do Norte ignorou a
oposição da comunidade internacional efetuando um novo teste nuclear. O governo chinês expressa forte
oposição e forte condenação".
"Nós recomendamos que a Coreia do Norte olhe para o forte desejo expressado pela comunidade
internacional sobre a questão da desnuclearização, apoiada seriamente pelo Conselho de Segurança da
Onu, para evitar tomar as ações erradas que pioram a situação", acrescentou.
Já o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, disse que o novo teste nuclear foi "uma ameaça de
segurança séria e imediata" que "aumenta ainda mais o perigo do regime" e "compromete seriamente a
paz e a segurança no país".
Por sua vez, a Otan se disse preocupada com as ações "desestabilizadoras de Pyongyang", porque
representam uma "ameaça para a segurança nacional e internacional". "A Coreia do Norte cessa
imediatamente todas as atividades nucleares, balísticas, totalmente verificáveis e irreversíveis existentes
e retoma o diálogo com a comunidade internacional", ressaltou Jens Stoltenberg, secretário-geral da
Otan. A União Europeia definiu o teste como uma "grave provocação" e acrescentou que se trata de uma
nova violação "direta e inaceitável" das obrigações internacionais de Pyongyang.
"A mensagem da União Europeia é clara: a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) deve
abandonar os seus programas nucleares, de armas de destruição em massa e de mísseis balísticos de
forma completa, verificável e irreversível e pôr fim imediatamente a todas as atividades relacionadas",
afirmou em comunicado a representante da União para Assuntos Exteriores, Federica Mogherini. O
Ministério das Relações Exteriores da Rússia pediu calma e que todos os envolvidos mantenham o
diálogo. Por sua vez, o presidente sul-coreano Moon Jae-in, disse que Seul "nunca permitirá que a Coreia
do Norte continue avançando com suas tecnologias nucleares e de mísseis", segundo a agência local
"Yonhap".

EUA substituem veto migratório por restrição a 8 países, incluindo Venezuela e Coreia do
Norte29
A medida entrará em vigor no dia 18 de outubro. Sudão foi retirado da lista original e Chade, Coreia
do Norte e Venezuela foram incluídos no novo veto.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, substituiu neste domingo o polêmico veto imigratório
a seis países de maioria muçulmana, que expirou hoje, por um decreto que impõe restrições a oito nações,
entre eles a Venezuela e a Coreia do Norte.
Os países afetados pela nova medida são: Irã, Líbia, Síria, Iêmen, Somália, Chade, Coreia do Norte e
Venezuela. A medida entrará em vigor no dia 18 de outubro.
O veto de Trump, emitido em março, entrou em vigor parcialmente no final de junho e impedia durante
120 dias a entrada nos EUA de refugiados e, durante 90 dias, o de cidadãos de seis países de maioria
muçulmana (Irã, Somália, Sudão, Síria, Iêmen e Líbia).
O Tribunal Supremo dos EUA permitiu sua entrada em vigor e deu liberdade ao Executivo para definir
suas próprias normas de aplicação, ainda que em uma audiência programada para o dia 10 de outubro
estudará sua legalidade a fundo.
"As novas restrições se baseiam em uma revisão mundial em função da informação de que as nações
afetadas compartilham com os EUA, e não em critérios de religião ou raça", explicaram funcionários de
alto escalão do Governo em coletiva de imprensa.
"As restrições são vitais para a segurança nacional", destacou um desses funcionários.

29
AGENCIA EFE. EUA substituem veto migratório por restrição a 8 países, incluindo Venezuela e Coreia do Norte. G1, Mundo. Disponível em:
<https://g1.globo.com/mundo/noticia/eua-substituem-veto-migratorio-por-restricao-a-8-paises-incluindo-venezuela-e-coreia-do-norte.ghtml> Acesso em 25 de
setembro de 2017.

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1408527 E-book gerado especialmente para LUCAS ROCHA LOPES
"Portanto, se somam à lista Chade, Coreia do Norte e Venezuela, saindo dela o Sudão devido a seu
"melhor nível de cooperação" com as autoridades americanas", explicaram os representantes do Governo
na coletiva.
"A Venezuela foi incluída porque seu Governo não coopera em verificar se os seus cidadãos
representam ameaça para a segurança nacional ou para a segurança pública", segundo a ordem emitida
por Trump.
"Logo, as restrições se centram em funcionários do Governo da Venezuela que são responsáveis pelas
deficiências identificadas", acrescentaram na coletiva os representantes do Executivo americano.
Trump emitiu uma primeira versão do veto migratório no dia 27 de janeiro, mas teve que assinar outro
decreto em março para substituí-lo e restringi-lo, por causa dos contínuos revezes judiciais.
O segundo decreto, diferente do anterior, deixou de fora os cidadãos do Iraque e modificou a provisão
sobre os refugiados sírios, ao proibir sua entrada no país durante 120 dias e não de maneira indefinida,
como estabelecia o veto original.

Referendo na Catalunha: as muitas dúvidas geradas pela vitória do "sim" à independência30


O polêmico plebiscito de independência da região mais rica da Espanha terminou com mais de 800
feridos, uma vitória do "sim" e muitas dúvidas.
Ainda é incerto o que vai acontecer com a Catalunha e como será, a partir de agora, a relação dela
com o governo central em Madri.
Cerca de 90% dos 2,2 milhões de eleitores que compareceram às urnas - pouco mais de 42% do total
- votaram pela separação.
Logo após a contagem dos votos, Carles Puigdemont, presidente da Generalitat, o governo regional
da Catalunha, declarou que a região autônoma espanhola "ganhou o direito de ser um Estado".
A consulta popular, porém, foi feita à revelia do governo central, que o considera ilegal e acionou a
Justiça para impedi-lo.
Mesmo com a proibição judicial, milhares de eleitores foram às urnas e enfrentaram a Guarda Civil,
mobilizada por Madri para fechar postos de votação, recolher urnas e cédulas e retirar, mesmo que à
força, eleitores das seções.
O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, declarou em pronunciamento que não houve referendo,
mas uma "encenação".

Mas o que acontece agora?


Carles Puigdemont afirmou que a vitória do 'sim' abre espaço para a declaração de independência e
disse que levará o resultado da consulta ao parlamento catalão nos próximos dias. Inicialmente, o plano
era declarar a independência em até 48 horas.
O legislativo regional teria a prerrogativa, conforme as regras estipuladas para o plebiscito, de anunciar
unilateralmente a separação da Espanha.
Nesta segunda, o governo central pretende se reunir com representantes de diferentes partidos
políticos para discutir a maior crise política do país em décadas.
Ainda não se sabe se Rajoy vai recorrer à Justiça mais uma vez. Há a possibilidade que o governo
central suspenda a autonomia catalã caso haja declaração de independência.

O resultado da consulta é válido?


Na prática, um plebiscito proibido pela Justiça, considerado inconstitucional e ativamente suprimido
pelo governo central, dificilmente será reconhecido como válido pela Espanha e também pela comunidade
internacional.
Ainda assim, o parlamento catalão, que já havia aprovado as regras da consulta, deve reconhecer
formalmente o resultado da votação.
Partidos leais à Espanha também não reconhecem a legitimidade do plebiscito e boicotaram o pleito
do domingo.
Por isso, é possível que os votos pelo "não" estejam sub-representados.

O plebiscito representa a vontade da maioria catalã?


As autoridades catalãs disseram que 90% dos que foram às urnas se manifestaram pela
independência.
No entanto, menos da metade dos eleitores votaram.
O índice de comparecimento às urnas foi de 42,3% dos 5,3 milhões de eleitores registrados na região.
30
BBC BRASIL. Referendo na Catalunha: as muitas dúvidas geradas pela vitória do “sim” à independência. BBC Brasil. Disponível em:
<http://www.bbc.com/portuguese/internacional-41467201> Acesso em 02 de outubro de 2017.

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Segundo autoridades catalãs, cerca de 750 mil votos não puderam ser contabilizados porque as urnas
foram confiscadas pela Guarda Civil espanhola.
No entanto, o número de eleitores que participaram do plebiscito de independência representa cerca
de 30% da população da Catalunha.
Pesquisas feitas antes do pleito, mostravam que a maioria dos moradores da região eram favoráveis
à consulta, mas estavam divididos em relação à independência.
O resultado das urnas sugere, assim, que os eleitores contrários à independência não votaram.
A violência policial fortaleceu a causa dos pró-independência?
O clamor pela independência aumentou quando a Justiça espanhola decidiu proibir a consulta popular.
A véspera foi marcada por protestos pacíficos a favor e contra a possível secessão da região
autônoma. Mesmo em Barcelona, a capital catalã, houve atos contra o plebiscito.
Mas já nas primeiras horas do domingo começaram os confrontos entre as forças de segurança
espanholas e manifestantes pró-independência.
A porta de um centro esportivo foi quebrada e eleitores retirados à força no município de Sant Julia de
Ramis, na província de Girona, onde Carles Puigdemont era esperado para votar.
Imagens publicadas nas redes sociais e por redes de televisão mostraram cenas de violência. O
governo catalão afirma que mais de 800 pessoas ficaram feridas.
A prefeita de Barcelona, Ada Colau, condenou a ação policial contra a "população indefesa".
Mas vice-premiê espanhola, Soraya Sáenz de Santamaria, declarou que a polícia "agiu com
profissionalismo e de maneira apropriada".
O líder catalão afirmou ainda que fez um "apelo direto" à União Europeia para que intervenha diante
da "intransigência e repressão" imposta pelo governo central.

Qua a posição da União Europeia e de líderes mundiais?


James Landale, correspondente para assuntos internacionais da BBC News, salientou que "o silêncio
ecoou nas principais capitais da Europa" em relação ao plebiscito espanhol.
O primeiro-ministro belga, Charles Michel, foi um dos poucos a se posicionar publicamente. Ele
condenou os atos de violência que marcaram o plebiscito. "A violência nunca pode ser a resposta", disse
ele no Twitter.
Por sua vez, o primeiro-ministro da Eslovênia, Miro Cerar, disse estar "preocupado".
Para James Landale, o silêncio dos principais líderes internacionais, em especial os europeus, está
relacionado ao receio de que uma nova onda separatista na Europa. O apoio declarado à consulta na
Catalunha e o reconhecimento de sua validade poderiam estimular outros países onde também há uma
pluralidade de idiomas e diferenças étnicas a discutir suas respectivas independências.
A União Europeia, por sua vez, havia pedido que a Catalunha respeitasse a decisão do Tribunal
Constitucional e advertiu que só reconhecerá o resultado de um plebiscito se ele for feito dentro da
legalidade.
Nenhum país apoiou diretamente a consulta, além da Venezuela. Alguns representantes da
comunidade internacional sugeriram que o governo de Rajoy tentasse negociar com os que querem a
independência.

Uma vez independente, a Catalunha continua parte da União Europeia?


Dificilmente a União Europeia reconheceria a região autônoma da Catalunha como estado membro do
bloco.
Além de ter o referendo validado, seria preciso participar do processo para integrar a UE, que pode
demorar anos.

Há espaço para uma solução intermediária?


Apesar da polêmica e da falta de apoio internacional, será muito difícil para Madri ignorar o pleito dos
separatistas caso os eleitores catalãs compareçam às urnas em peso.
Há pressão para a busca de diálogo e de uma solução intermediária. Contudo, o governo central havia
sinalizado que somente estaria disposto a negociar se o plebiscito fosse cancelado.
A Catalunha é uma das regiões mais prósperas e produtivas da Espanha, e sua história tem quase mil
anos.
A região abriga 16% da população espanhola e responde por quase 20% do PIB do país. Mas existe
entre os catalães a sensação de que o governo central não provê suficientemente a região para
recompensá-la por isso.
Uma legislação de 2006 garantiu ainda mais poder ao governo regional, dando à Catalunha o status
de "nação" - mas isso foi revertido em 2010 pela Corte Constitucional espanhola.

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A solução poderia ser oferecer à Catalunha ainda mais autonomia e recursos. No entanto, ainda há
muita resistência por parte de Madri de repassar uma fatia maior do orçamento e de serviços aos catalães.

Após EUA, Israel decide sair da Unesco31


Decisão foi anunciada após EUA informarem retirada na entidade por postura anti-israelense; país
chamou a atuação da Unesco de 'teatro do absurdo'.
Após os Estados Unidos anunciarem a saída da Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (Unesco), Israel também informou, nesta quinta-feira (12), sua retirada da entidade.
Segundo os dois países, o motivo foi a postura anti-israelense da entidade. Para Israel, a atuação da
Unesco tornou-se um "teatro do absurdo".

Estados Unidos anunciam saída da Unesco


O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu "deu a instrução ao Ministério das Relações Exteriores para
preparar a retirada de Israel da organização, paralelamente aos Estados Unidos", afirma uma nota de seu
gabinete. "A Unesco se tornou o teatro do absurdo, onde se deforma a história, em vez de preservá-la",
acrescentou.
No ano passado, Israel anunciou a suspensão de sua cooperação com a Unesco, um dia depois de
uma votação criticada pelos israelenses sobre um local sagrado de Jerusalém. Do ponto de vista
israelense, a decisão seria uma negação do vínculo milenar entre os judeus e a cidade.
Na resolução aprovada pelos estados membros da Unesco, Israel foi criticada por restringir o acesso
de muçulmanos a um local, reverenciado por judeus e muçulmanos, que é conhecido por judeus como
Monte do Templo e por muçulmanos como al-Aqsa our Haram al-Sharif.

Histórico de desentendimentos
Os EUA reduziram substancialmente suas contribuições em dinheiro para a Unesco em 2011, em
protesto contra a decisão de permitir o ingresso pleno dos palestinos na entidade.
Na época, o financiamento norte-americano equivalia a pouco mais de 20% das verbas totais da
Unesco, a primeira agência da ONU em que os palestinos buscaram integração como membro total.

Israel classificou a saída dos EUA como o "início de uma nova era".
No início de julho, os Estados Unidos haviam advertido que analisavam seus vínculos com a Unesco,
chamando de "uma afronta à história" a decisão do órgão de declarar a antiga cidade de Hebron, na
Cisjordânia ocupada, uma "zona protegida" do patrimônio mundial.
Na ocasião, a embaixadora americana nas Nações Unidas, Nikki Haley, afirmou que esta iniciativa
"desacreditava ainda mais uma agência da ONU já altamente discutível".
O Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco inscreveu a Cidade Velha de Hebron nessa lista como um
local "de valor universal excepcional". Também colocou esta cidade, localizada nos territórios palestinos,
na lista de patrimônios em perigo.
Hebron é o lar de 200 mil palestinos e centenas de colonos israelenses, que estão entrincheirados em
um enclave protegido por soldados israelenses perto do local sagrado, que os judeus chamam de o túmulo
dos Patriarcas e os muçulmanos, de Mesquita de Ibrahim.

Reação da Unesco
A entidade lamentou publicamente a saída dos EUA como país membro da organização.
A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, disse lamentar profundamente a decisão dos EUA de se
retirar da entidade, após ter recebido a notificação oficial do secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson.
"No momento em que o combate à violência extremista pede maiores investimentos em educação, no
diálogo entre culturas para prevenir o ódio, é profundamente lamentável que os Estados Unidos se retirem
da agência líder das Nações Unidas que trata desses assuntos"
"No momento em que conflitos continuam a separar sociedades em todo o mundo, é profundamente
lamentável que os Estados Unidos se retirem da agência das Nações Unidas que promove a educação
para a paz e a proteção da cultura que está sob ataque", completou a diretora-geral.
Bokova acrescentou que a decisão dos EUA marca uma perda para o multilateralismo e para a "família
das Nações Unidas", destacando que o trabalho da Unesco "é fundamental para fortalecer os laços de
patrimônio comum da humanidade, diante das forças do ódio e da divisão".

31
FRANCE PRESSE. Após EUA, Israel decide sair da Unesco. G1 Mundo. Disponível em: <https://g1.globo.com/mundo/noticia/apos-eua-israel-decide-se-
retirar-da-unesco.ghtml> Acesso em 13 de outubro de 2017.

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Juiz decreta prisão de presidente do Parlamento da Catalunha32
Carme Forcadell será levada a prisão perto de Madri, pois não conseguiu reunir o dinheiro da fiança.
A presidente do Parlamento catalão, Carme Forcadell, será detida por sedição e rebelião, decretou o
juiz Pablo Larrena, do Tribunal Supremo da Espanha, nesta quinta-feira (9), fixando uma fiança de 150
mil euros.
Outros quatro deputados regionais acusados pelos mesmos crimes estão em liberdade sob fiança, e
têm uma semana para depositar 25 mil dólares de caução. Um quinto deputado está livre sem medidas
cautelares.
Forcadell e os cinco deputados prestaram depoimento nesta quinta no Tribunal Supremo por
acusações de sedição, rebelião e mau uso dos recursos públicos.
A Procuradoria os acusa de rebelião, sedição e desvio de fundos por ter urdido "uma estratégia
combinada a declarar a independência" no Parlamento, apesar da proibição do Tribunal Constitucional
(TC), que pediu a Forcadell que não permitisse iniciativas sobre a secessão.
Segundo a Procuradoria, este plano começou antes da declaração de independência do Parlamento
catalão, em 27 de outubro, que supôs o auge de uma crise sem precedentes na história moderna do país.
De acordo com a agência Efe, Forcadell será levada na noite desta quinta para a prisão de Alcalá-
Meco, perto de Madri. Ela não teria conseguido reunir o dinheiro da fiança e será transferida para o centro
penitenciário, o único com um pavilhão feminino em Madri e onde estão as ex-conselheiras do governo
da Catalunha Dolors Bassa e Meritxell Borrás. Mas pode conseguir reunir o dinheiro da fiança nesta sexta
e, assim, sair da prisão.
O presidente catalão recentemente destituído, Carles Puigdemont, evitou ir à prisão ao viajar para a
Bélgica há 10 dias junto com quatro companheiros. Todos estão aguardando a decisão da Justiça belga
sobre uma ordem de prisão emitida da Espanha.

Maioria dos australianos vota a favor de casamento gay e premiê diz que quer aprovar lei até o
Natal33
Quase 62% se pronunciou a favor da aprovação do casamento gay. 'Grande apelo para a igualdade
matrimonial', diz premiê.
A maioria dos australianos se posicionou a favor do casamento gay no país em uma pesquisa nacional
feita pelo correio cujo resultado foi divulgado nesta terça-feira (14). Com a divulgação da aprovação ao
casamento gay, o premiê Malcolm Turnbull disse que vai trabalhar para que uma lei que o permita no
país seja aprovada até o Natal.
Das 12,7 milhões de pessoas que participaram da pesquisa, 61,6% se pronunciaram a favor da
aprovação do casamento gay, segundo divulgou o Escritório de Estatísticas da Austrália em uma coletiva
de imprensa em Canberra. Por outro lado, 38,4% das pessoas votaram contra.
"O povo da Austrália se pronunciou e eu pretendo fazer o seu desejo uma lei no país até o Natal. Este
é um grande apelo para a igualdade matrimonial", disse o premiê pelo Twitter.

EUA se retiram do Pacto Mundial da ONU sobre migração e refugiados34


Presidente Trump decidiu deter a participação dos Estados Unidos na preparação do pacto que aponta
para obter um consenso em 2018
Os Estados Unidos anunciaram, no sábado, 3, sua retirada de um Pacto Mundial da ONU sobre
proteção de migrantes e refugiados por considerá-lo "incompatível" com a política migratória americana.
"A missão americana na ONU informou a seu secretário-geral que os Estados Unidos encerrarão sua
participação no Pacto Mundial sobre a Migração", anunciou a representação de Washington em um
comunicado.
Os 193 membros da Assembleia Geral da ONU aprovaram em setembro de 2016 a Declaração de
Nova York com o propósito de melhorar a proteção e a gestão dos movimentos de migrantes e refugiados.
Nesse sentido, a declaração concedeu um mandato ao Alto Comissariado da ONU para os Refugiados
para propor à Assembleia Geral, em 2018, um pacto mundial que teria dois eixos: definições de respostas
diante do problema e um programa de ação.

32
G1. Juiz decreta prisão de presidente do Parlamento da Catalunha. G1 Mundo. Disponível em: < https://g1.globo.com/mundo/noticia/juiz-decreta-prisao-de-
presidente-do-parlamento-da-catalunha.ghtml> Acesso em 10 de novembro de 2017.
33
G1. Maioria dos australianos vota a favor de casamento gay e premiê diz que quer aprovar lei até o natal. G1 Mundo. Disponível em:
<https://g1.globo.com/mundo/noticia/maioria-dos-australianos-vota-a-favor-de-casamento-gay-e-premie-diz-que-quer-aprovar-lei-ate-o-natal.ghtml> Acesso em 17
de novembro de 2017.
34
O ESTADO DE S. PAULO. EUA se retira do Pacto Mundial da ONU sobre migração e refugiados. Estação Internacional. Disponível em:
<http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,eua-se-retiram-do-pacto-mundial-da-onu-sobre-migracao-e-refugiados,70002106230> Acesso em 04 de
dezembro de 2017.

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"A Declaração de Nova York abarca muitas disposições que são incompatíveis com as políticas
americanas de imigração e refugiados e com os princípios ditados pela administração Trump em matéria
de imigração", afirma o comunicado da missão americana na ONU.
"Em consequência, o presidente Trump decidiu deter a participação dos Estados Unidos na preparação
do pacto que aponta para obter um consenso na ONU em 2018", completa.

Por que possível reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelos EUA é tão
polêmico35
O esperado pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconhecendo
Jerusalém como capital de Israel foi recebido com alarme por líderes de diversos países do Oriente Médio,
e também na Europa, que veem na medida potencial para colocar em risco o já frágil processo de paz
entre israelenses e palestinos.
Segundo fontes do governo americano, Trump fará o anúncio em um discurso nesta quarta-feira.
Ele deve adiar, porém, a decisão sobre transferir a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém
- uma de suas promessas de campanha e alvo de críticas na comunidade internacional pela possibilidade
de comprometer a neutralidade dos EUA na mediação do conflito.
Essa transferência é prevista em uma lei que o Congresso americano aprovou em 1995, que prevê,
ainda, o reconhecimento de Jerusalém como capital do Estado israelense.

A lei estipulava 31 de maio de 1999 como data final para a mudança de sede da embaixada, sob pena
de sanções ao Poder Executivo. Contudo, incluía a possibilidade de adiamento do prazo por seis meses,
caso necessário para "proteger os interesses de segurança nacional".
E é isso o que todos os presidentes desde então (Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama) têm
feito.
Trump seguiu o exemplo de seus antecessores e, em junho, renovou a prorrogação por seis meses -
decisão que o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, chegou a avaliar
como "sábia", na época, tendo em vista que mover a embaixada em um contexto em que os dois lados
reivindicam Jerusalém como capital poderia complicar as negociações para a retomada de um processo
de paz genuíno.
Agora, com o prazo de sua última prorrogação expirado nesta semana, Trump deve decidir se cumpre
a promessa de campanha ou opta por voltar a renová-lo.

35
CORRÊA ALESSANDRA. Por que possível reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelos EUA é tão polêmico. BBC Brasil. Disponível em:
<http://www.bbc.com/portuguese/internacional-42235762?ocid=socialflow_twitter> Acesso em 06 de dezembro de 2017.

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Questão de tempo
Nesta segunda-feira, em conversa com jornalistas, o porta-voz da Casa Branca Hogan Gidley disse
que uma decisão será anunciada nos próximos dias e reiterou que, para Trump, "não é uma questão de
se, mas de quando" a embaixada será transferida.
Segundo observadores, o presidente planejaria adiar a decisão sobre a embaixada por mais seis
meses mas, ao mesmo tempo, anunciar o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel.
"Com essa medida, ele poderia dizer para o público doméstico que está sendo mais ousado em relação
a Israel que qualquer presidente antes dele, mas, ainda assim, pelo menos na sua imaginação,
apresentar-se como mediador neutro no plano de paz que seu governo espera implementar", diz o
historiador Barry Trachtenberg, diretor do Programa de Estudos Judaicos da Universidade Wake Forest,
na Carolina do Norte.

Plano de paz em risco


Mas a avaliação de Trachtenberg e de outros analistas é de que essa medida colocaria em risco o
plano de paz, que já é encarado com ceticismo diante das dificuldades da negociação, do fracasso de
iniciativas anteriores e da inexperiência da equipe responsável, liderada por Jared Kushner, genro de
Trump.
"Pelo menos desde os anos 1990 (após os acordos de Oslo, em que israelenses e palestinos, com
mediação dos EUA, concordaram que o status de Jerusalém deveria ser abordado bilateralmente em
negociações de paz) o entendimento é de que Jerusalém Ocidental será capital de Israel e Jerusalém
Oriental será capital de um futuro Estado palestino. Ambos os reconhecimentos devem ocorrer ao mesmo
tempo", afirma à BBC Brasil Fayez Hammad, especialista em Oriente Médio da Universidade do Sul da
Califórnia (USC).
"A aplicação assimétrica coloca mais lenha na fogueira", avalia.
Trachtenberg ressalta que os EUA, em todos os governos anteriores, permitiram que Israel
continuasse construindo assentamentos no território disputado.
"Os Estados Unidos nunca tomaram medidas fortes (para impedir as construções). Então, nesse
sentido, Trump talvez seja o mais honesto sobre o assunto. Sobre o fato de que os EUA na verdade são
parciais, e não neutros", afirma.

Críticas e alerta
Mesmo sem confirmação oficial, o possível reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, que
é reivindicada como capital por ambas as partes, gerou reações no mundo árabe e por parte do presidente
da França, Emmanuel Macron.
O secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, declarou que a decisão vai alimentar extremismo
e violência.
O ministro do Exterior da Jordânia, Ayman Safadi, alertou o secretário de Estado americano, Rex
Tillerson, que a medida poderia ter consequências perigosas, aumentando a tensão na região e
comprometendo os esforços de paz. Alerta semelhante foi feito pelo ministro do Exterior egípcio, Sameh
Shoukry, e pelo vice-primeiro-ministro turco, Bekir Bozdag.
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que o reconhecimento americano é "inaceitável" e
representaria uma ameaça ao futuro do processo de paz.
Emmanuel Macron, da França, fez coro ao discurso. Por telefone, teria alertado a Trump que
reconhecer Jerusalém como capital de Israel seria má ideia - e que a questão deve ser resolvida por meio
de negociações entre israelenses e palestinos.
O governo Trump vem trabalhando em um plano de paz entre Israel e palestinos, objetivo no qual seus
antecessores fracassaram. Mas analistas afirmam que, ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel,
o país comprometeria seu papel de mediador.
"O reconhecimento mostraria os EUA como completamente parciais nesse conflito", disse
Trachtenberg.
"Isso tornaria muito difícil levar os Estados Unidos a sério como árbitros", observa.

Ponto nevrálgico
No conflito entre Israel e palestinos, o status diplomático de Jerusalém, cidade que abriga locais
sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos, é uma das questões mais polêmicas e ponto crucial nas
negociações de paz.
Israel considera Jerusalém sua capital eterna e indivisível. Mas os palestinos reivindicam parte da
cidade (Jerusalém Oriental) como capital de seu futuro Estado.

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A posição da maior parte da comunidade internacional, e dos Estados Unidos até então, é a de que o
status de Jerusalém deve ser decidido em negociações de paz. Os países mantêm suas embaixadas em
Tel Aviv, a capital comercial de Israel.
Em 1947, quando a Assembleia Geral da ONU decidiu pelo plano de partilha da Palestina entre um
Estado árabe e outro judeu, Jerusalém foi designada como "corpus separatum" (corpo separado), sob
controle internacional. O plano, porém, não chegou a ser implementado.
Em 1948 foi declarada a Independência do Estado de Israel e, logo em seguida, a guerra árabe-
israelense. Ao final daquele conflito, Jerusalém foi dividida, com a parte ocidental sob controle de Israel
e a parte oriental controlada pela Jordânia.
Em 1967, Israel capturou a parte oriental da cidade e, desde então, vem construindo assentamentos
em Jerusalém Oriental. Esses assentamentos são considerados ilegais pela comunidade internacional,
posição que é contestada pelo governo israelense.
"O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel seria uma mudança na política adotada pelos
Estados Unidos desde a criação do plano de partilha pela Assembleia Geral da ONU", disse o especialista
em Oriente Médio Fayez Hammad.
"Desde a criação do Estado de Israel no ano seguinte, os Estados Unidos nunca reconheceram a
soberania de Israel em Jerusalém Ocidental ou da Jordânia em Jerusalém Oriental (até 1967)", ressalta
Hammad.

Decisão de Trump sobre Jerusalém gera protesto em frente a embaixadas americanas36


Os protestos que se iniciaram desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou
o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel continuam neste domingo (10). Em diferentes
localidades ocorrem manifestações em frente às embaixadas dos Estados Unidos. Também hoje, a Liga
Árabe, formada por 22 países, divulgou comunicado no qual rejeita a decisão.
Em Jacarta, capital da Indonésia, cerca de 10 mil pessoas, segundo cálculos dos veículos de imprensa
locais, concentraram-se em frente à embaixada norte-americana para protestar contra a decisão de
Trump. A manifestação, convocada por um partido político de ideologia islâmica e parte da oposição ao
atual governo indonésio, ocorre com o fechamento de uma dúzia de ruas e sem incidentes violentos,
conforme afirmou a polícia em um comunicado.
Com bandeiras da Palestina e cartazes contra o Trump, os manifestantes se reuniram para mostrar
sua insatisfação com a decisão do governante americano e exigir "justiça internacional" para o povo
palestino.
A embaixada americana pediu na última sexta-feira (8) que seus cidadãos tomassem cuidado e
"evitassem zonas de manifestações". O presidente da Indonésia, Joko Widodo, condenou na última
quinta-feira (7) a decisão de Trump e pediu que ele reconsiderasse sua posição.
No Líbano, a polícia reprimiu os manifestantes que protestavam neste domingo em frente à
representação diplomática norte-americana na capital, Beirute. Os policiais lançaram gás lacrimogêneo,
e as equipes de Defesa Civil empregaram canhões de água para dispersar os manifestantes, que
lançaram garrafas e atearam fogo em pneus e contêineres de lixo na área de Aukar, próxima à sede da
embaixada.
Segundo a imprensa, há feridos entre os manifestantes, que portavam bandeiras palestinas e dos
grupos políticos que organizaram o protesto, entre os quais havia formações esquerdistas e islamitas
libanesas, bem como de facções palestinas.
Os participantes do protesto entoaram palavras de ordem contra Israel e Trump e queimaram fotos do
governante americano. Com a convocação do protesto em Beirute, as forças de segurança tomaram
medidas preventivas e fecharam as ruas que levam à embaixada americana, razão pela qual os
manifestantes se concentraram a mais de 1 quilômetro de distância do prédio.
Nos últimos dias ocorreram manifestações em vários países árabes e muçulmanos contra a decisão
de Trump, que foi condenada também pelos líderes políticos da região e pela comunidade internacional.

Liga Árabe rejeita decisão


Os ministros de Relações Exteriores de países da Liga Árabe expressaram hoje firme rejeição à
decisão de Trump, e pediram que se retratasse, embora tenham se abstido de tomar medidas de pressão
contra o governo americano.

36
EBC AGÊNCIA BRASIL. Decisão de Trump sobre Jerusalém gera protesto em frente a embaixadas americanas. EBC Agência Brasil. Disponível em:
<http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2017-12/decisao-de-trump-sobre-jerusalem-gera-protesto-em-frente-embaixadas> Acesso em 11 de dezembro
de 2017.

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Os chefes de diplomacia, reunidos na sede da Liga Árabe, no Cairo, consideraram "nula" tal medida e
a qualificaram de "violação perigosa da legislação internacional e das resoluções do Conselho de
Segurança da ONU [Organização das Nações Unidas]".
No comunicado final do encontro, que foi convocado de maneira extraordinária pela Jordânia, os
ministros salientaram que essa mudança na política dos Estados Unidos para o conflito palestino-
israelense representa um giro "perigoso" que coloca Washington do lado da "ocupação" e que o afasta
do seu papel como mediador.
O texto, que contém 16 pontos, foi aprovado após intensas discussões. "O conselho solicita aos
Estados Unidos que anulem sua decisão sobre Jerusalém e trabalhem com a comunidade internacional
para que Israel se comprometa a aplicar as decisões internacionais e a pôr fim à ocupação ilegal e
ilegítima de todos os territórios palestinos e árabes ocupados desde junho de 1967", detalha o documento.
Os países do grupo árabe comprometeram-se a pedir ao Conselho de Segurança da Organização da
ONU que emita uma resolução na qual conste que o passo dado por Trump contradiz a legislação
internacional. Além disso, os ministros instaram a comunidade internacional a reconhecer o Estado
palestino com Jerusalém como capital.
Trump anunciou na última quarta-feira (6) o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e
prometeu a transferência da embaixada de seu país para esta cidade, após décadas de consenso
internacional que condicionavam a decisão a um acordo de paz.

Papa Francisco
Em comunicado neste domingo, o papa Francisco fez um apelo à comunidade internacional para que
evite "uma nova espiral de violência" em Jerusalém, em meio à tensão provocada pela decisão dos
Estados Unidos de reconhecer esta cidade como capital de Israel.
O papa fez um chamado à sabedoria e à prudência de todos e pediu que as nações se comprometam
para evitar uma nova espiral de violência e respondam “com palavras e ações aos anseios de paz, de
justiça e segurança das populações dessa terra atormentada".
“Só uma solução negociada entre israelenses e palestinos pode levar a uma paz estável e duradoura,
e garantir a coexistência pacífica de dois Estados dentro de fronteiras reconhecidas internacionalmente",
diz nota divulgada pelo Vaticano. O papa disse ainda que acompanha a situação no Oriente Médio com
grande atenção e lamentou os enfrentamentos que causaram vítimas nos últimos dias.

Separatistas conquistam maioria absoluta na Catalunha37


Partido leal a Madri é o mais votado, mas não garante votos para ultrapassar outras três legendas
separatistas. Comparecimento às urnas bate recorde histórico em eleições na Espanha.
Os três partidos separatistas conquistaram nesta quinta-feira (21/12) nas eleições regionais a maioria
absoluta no Parlamento na Catalunha. Juntos, os esquerdistas ERC e CUP, assim como os
conservadores do Junts per Catalunha, do chefe do governo catalão suspenso, Carles Puigdemont,
obtiveram 70 dos 135 assentos.
A legenda Liberal Ciudadanos, que defende uma Espanha unida, foi o partido mais votado e garantiu
37 assentos no Parlamento, 12 a mais do que na eleição de 2015. Apesar deste resultado, os separatistas
garantiram assentos suficientes para indicar o próximo chefe de governo catalão.
Em Bruxelas, Puigdemont afirmou que o resultado da eleição representa uma vitória da "república
catalã" sobre a Espanha. "Esse é um resultado que ninguém pode contestar", acrescentou. O separatista
Junts per Catalunha foi o segundo colocado, com 32 assentos.
A eleição regional desta quinta-feira bateu um recorde histórico de comparecimento às urnas, com
81% de participação. Este número representa um aumento de mais de seis pontos percentuais em relação
à votação de 2015 (74,95%), que também foi um recorde na época.
A grande mobilização eleitoral, que já era prevista na maioria das pesquisas, bateu inclusive o recorde
de participação entre todas as disputas eleitorais já realizadas na Espanha. Até agora, a mais alta tinha
sido nas eleições gerais em 1982, com 79,9%, quando ganhou o Partido Socialista Operário Espanhol
(PSOE) liderado pelo ex-presidente do governo espanhol Felipe González.
Estas eleições têm um caráter excepcional, já que foram convocadas por Madri depois de suspender
o governo catalão. A decisão foi tomada após a declaração de independência da região.

A crise catalã
O impasse na Catalunha foi considerado a pior crise política na Espanha desde a tentativa frustrada
de golpe militar de 1981.
37
DW. Separatistas conquistam maioria absoluta na Catalunha. DW. Disponível em: <http://www.dw.com/pt-br/separatistas-conquistam-maioria-absoluta-na-
catalunha/a-41898143> Acesso em 22 de dezembro de 2017.

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Em 1º de outubro, os catalães foram às urnas, num referendo considerado ilegal por Madri, para votar
sobre a independência. O "sim" à separação recebeu mais de 90% de apoio, mas o comparecimento foi
de apenas 43%.
Dizendo ter o "mandato do povo", o então chefe do governo catalão e líder do movimento
independentista, Carles Puigdemont, compareceu em 10 de outubro perante o Parlamento regional
e declarou independência, num discurso confuso que terminou com ele próprio suspendendo o processo
separatista à espera de diálogo.
Madri recusou-se a dialogar deu um ultimato a Puigdemont. Começou então uma queda de braço com
Barcelona, que culminou com a suspensão temporária da autonomia catalã, a suspensão do governo e o
anúncio de novas eleições.
Esta é a quarta vez em sete anos que os catalães realizam eleições regionais, após as de 2010, 2012
e 2015, um exemplo da instabilidade política que vive a região, marcada pelo debate independentista dos
últimos tempos.

ONU rejeita declaração de Trump e considera 'nula e sem efeito' alteração no status de
Jerusalém38
A Assembleia Geral da ONU apoiou com ampla maioria uma resolução que vai de encontro ao
reconhecimento, pelos Estados Unidos, de Jerusalém como capital de Israel.
O texto aprovado em reunião emergencial nesta quinta-feira diz que qualquer decisão relacionada ao
status da cidade é "nula e sem efeito" e deve ser cancelada.
A resolução, não vinculante (não há uma obrigação legal para sua aplicação), foi aprovada por 128
estados - incluindo o Brasil -, com 35 abstenções e nove votos contrários.
Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou cortar repasses financeiros àqueles que
apoiassem o texto.
Antes da votação, o ministro de relações exteriores da Palestina pediu que os países rejeitassem
"chantagem e intimidação".
Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que rejeitaria o resultado e classificou a
ONU como uma "casa de mentiras".

Como os membros da ONU votaram?


- Os nove estados que votaram contra a resolução foram: Estados Unidos, Israel, Guatemala,
Honduras, Ilhas Marshall, Micronésia, Nauru, Palau e Togo;
- Dentre aqueles que se abstiveram, estão Canadá e México;
- Os favoráveis à resolução incluem os outros membros permanentes do Conselho de Segurança da
ONU (China, França, Rússia e Reino Unido) e aliados dos americanos do mundo islâmico;
- Houve 21 países que não se apresentaram à votação;

O que é tão problemático no status de Israel?


O status de Jerusalém está no coração do conflito entre Israel e Palestina.
Israel ocupou a área leste da cidade em 1967, em meio à Guerra dos Seis Dias. Desde então, o país
tem a cidade como sua capital indivisível.
Os palestinos reivindicam a zona leste da cidade como a capital de seu futuro estado e defendem que
seu status definitivo deve ser discutido em etapas mais avançadas das negociações de paz.
A soberania de Israel sobre Jerusalém nunca foi reconhecida internacionalmente, e todos os países
atualmente mantêm suas embaixadas na cidade de Tel Aviv. No entanto, Trump pediu que o
departamento de Estado começasse a trabalhar na mudança de localidade de sua embaixada.

O que diz a resolução aprovada?


A Assembleia Geral, com 193 membros, realizou uma rara sessão especial de emergência a pedido
de estados árabes e muçulmanos - que condenaram a decisão de Trump de reverter, no início do mês,
décadas de política externa dos EUA.
Os palestinos pediram uma reunião depois que os EUA vetaram uma resolução do Conselho de
Segurança com conteúdo semelhante ao aprovado na Assembleia Geral nesta quinta-feira.
O texto apresentado por Turquia e Iêmen não faz menção direta aos EUA, mas expressa "pesar
profundo por decisões recentes sobre o status de Jerusalém".

38
BBC Brasil. ONU rejeita declaração de Trump e considera ‘nula e sem efeito’ alteração no status de Jerusalém. BBC BRASIL. Disponível em: <
http://www.bbc.com/portuguese/internacional-42449771?ocid=socialflow_twitter> Acesso em 22 de dezembro de 2017.

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"Quaisquer decisões e ações que pretendam alterar o caráter, status ou composição demográfica da
Cidade Santa de Jerusalém não têm efeito legal, são nulas e devem ser rescindidas em conformidade
com resoluções relevantes do Conselho de Segurança".

Como os EUA reagiram?


Em um discurso anterior à votação, Nikki Haley, representante norte-americana na ONU, disse que a
decisão dos EUA sobre Jerusalém não impede uma solução de dois estados entre Israel e Palestina,
caso este seja um acordo de ambas as partes.
"Os EUA vão se lembrar deste dia, em que foi alvo de ataques da Assembleia Geral pelo simples fato
de exercer o seu direito como nação soberana", disse Haley.
"A América terá a sua embaixada em Jerusalém. Isto é que o povo americano quer que façamos.
Nenhum voto na ONU fará diferença nisso".
Na quarta-feira, Trump alertou que poderia cortar ajuda financeira a países que votassem à favor da
resolução.
"Eles tomam milhões de dólares, e até bilhões de dólares, e então votam contra a gente", disse Trump.
"Bom, estamos assistindo a esses votos. Deixe que votem contra nós. Vamos poupar muito. Não ligamos".

O que dizem Israel e Palestina?


Riyad al-Maliki, ministro das Relações Exteriores, disse que a Assembleia Geral passou por um "teste
sem precedentes" antes da votação.
"A História se lembra de nomes - os nomes daqueles que se levantam pelo que é certo, e os nomes
daqueles que dizem coisas falsas. Hoje, somos defensores dos direitos e da paz", disse al-Maliki.
Maliki afirmou também que a postura dos EUA "serve a Israel na implementação de seus planos
coloniais, serve ao poder do extremismo e do terrorismo na região e no mundo".
Já o representante israelense Danny Danon disse que já era "vergonhoso que a reunião estivesse
acontecendo", acrescentando que Jerusalém "é a capital do Estado de Israel, ponto final. Este é um fato
que simplesmente não pode ser disputado".
Danon previu que a resolução "acabaria na lixeira da História".
"Não tenho dúvidas de que chegará o dia em que toda a comunidade internacional finalmente
reconhecerá Jerusalém como a eterna capital do estado de Israel".

Em resposta à Venezuela, Brasil decide expulsar principal diplomata do país39


Itamaraty se adianta a notificação oficial de Caracas, que não chegou dias após anúncio
BRASÍLIA - Após três dias do anúncio da expulsão do embaixador brasileiro em Caracas, Ruy Pereira,
o Itamaraty se adiantou ao comunicado oficial da Venezuela e decidiu aplicar reciprocidade, declarando
como persona non grata o encarregado de negócios do país vizinho em Brasília, Gerardo Antonio Delgado
Maldonado. Há mais de um ano, não há embaixador venezuelano no Brasil. O diplomata do país vizinho
Alberto Efraim Castellar Padilla, que havia sido designado para o posto, jamais apresentou credenciais
para trabalhar na capital brasileira, segundo informou o Ministério das Relações Exteriores.
A crise diplomática entre Brasil e Venezuela teve início com o impeachment da ex-presidente Dilma
Rousseff, em meados de 2016. Caracas classificou a deposição de Dilma como golpe de Estado. As
relações foram azedadas ainda mais com a posição claramente contrária do presidente Michel Temer ao
governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro. O Brasil e os demais países do Mercosul decidiram
suspender a Venezuela do bloco, entre outras medidas de represália, incluindo notas de repúdio à
violência e a prisões que vêm ocorrendo naquele país.
Três dias após a Assembleia Constituinte da Venezuela declarar o embaixador brasileiro em Caracas,
Ruy Pereira, persona non grata — o que significa que o diplomata será expulso —, o Brasil ainda não
recebeu a notificação oficial. Pereira está no Brasil, onde pretendia passar as festas de fim de ano. Por
sua vez, o Canadá, cujo embaixador também teve a retirada ordenada pelo chavismo, aplicou a
reciprocidade durante o Natal.
Pereira foi declarado persona non grata pela Assembleia Nacional Constituinte (ANC) chavista no
último sábado. Em nota divulgada no mesmo dia, o Itamaraty disse que “tomou conhecimento” da
expulsão do diplomata brasileiro e que “caso confirmada, essa decisão demonstra, uma vez mais, o
caráter autoritário da administração de Nicolás Maduro e sua falta de disposição para qualquer tipo de
diálogo”. O Itamaraty não tem nenhuma previsão de enviar outro embaixador brasileiro a Caracas.

39
OLIVEIRA, ELIANE. Em resposta à Venezuela, Brasil decide expulsar principal diplomata do país. O Globo, Mundo. Disponível em: <
https://oglobo.globo.com/mundo/em-resposta-venezuela-brasil-decide-expulsar-principal-diplomata-do-pais-
22229999?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=OGlobo> Acesso em 27 de dezembro de 2017

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A presidente da Constituinte da Venezuela, a ex-chanceler Delcy Rodríguez, confirmara ainda a
declaração de persona non grata do encarregado de negócios da Embaixada do Canadá, Craib Kowalik.
— No âmbito da competência da Assembleia Constituinte, decidimos declarar como persona non grata
o embaixador do Brasil até que se restitua o fio constitucional que o governo de fato rompeu neste país-
irmão — afirmou Delcy, acusando Brasil e Canadá de “permanente e grosseira intromissão nos assuntos
internos da Venezuela” e questionando a legitimidade do governo de Michel Temer.
Na semana anterior, ambos os países questionaram a recente decisão adotada pela Constituinte de
dissolver dois governos municipais — Grande Caracas e Alto Apure — por motivos aparentemente
políticos. Tanto o Itamaraty quanto vários países latino-americanos vêm endurecendo a postura crítica
com a Venezuela, isolando-a diplomaticamente em instâncias como OEA e Mercosul.
O embaixador brasileiro retornara a Caracas em julho depois de permanecer nove meses no Brasil
pela tensão política entre os dois países. O diplomata havia sido chamado ao Brasil para consultas em
setembro do ano passado, após o governo de Maduro congelar vínculos no rastro de duras críticas feitas
ao processo de impeachment de Dilma. Diante do recrudescimento da crise política no país vizinho, o
Itamaraty julgou que seria importante manter um representante com o status máximo em Caracas.
O Canadá, por sua vez, afirmou que o embaixador venezuelano “já não é bem-vindo”, declarando-o
persona non grata em represália à expulsão de Caracas do encarregado de negócios canadense. O
embaixador já havia sido retirado pelo governo do presidente Nicolás Maduro em protesto pelas sanções
canadenses contra funcionários venezuelanos envolvidos em atos de corrupção e violações dos direitos
humanos — na sexta-feira, Ottawa decidiu, entre outras medidas, proibir a presença em seu território de
52 funcionários de Venezuela, Rússia e Sudão do Sul por corrupção ou violações dos direitos humanos.
A expulsão de Craig Kowalik é “típica do regime de Maduro, que tem minado todos os esforços para
restaurar a democracia e ajudar o povo venezuelano”, denunciou a ministra canadense das Relações
Exteriores, Chrystia Freeland.
— Os canadenses não ficarão à margem enquanto o governo da Venezuela despoja seu povo dos
direitos fundamentais democráticos e humanos, e lhes nega acesso à assistência humanitária básica —
destacou ela.
Protestos tomam as ruas do Irã e deixam 13 mortos desde quinta-feira40
Mais de 400 pessoas foram detidas durante protestos motivados pela situação econômica e contra o
governo.
País submetido durante anos a sanções internacionais por suas atividades nucleares, o Irã é palco,
desde quinta-feira (28), de manifestações contra a situação econômica e contra o poder, as mais
importantes nos últimos anos. Na segunda-feira (1), o número de mortos nos protestos chegou a 13.
Mais de 400 pessoas foram detidas até agora, na capital e em outras cidades. Embora o número de
manifestantes tenha se limitado a algumas centenas de pessoas nos primeiros dias, esta foi a primeira
vez - desde 2009 - que tantas cidades foram palco de protestos de cunho social.

Início
Em 28 de dezembro, centenas de pessoas se manifestaram na segunda maior cidade do país,
Mashhad (nordeste), contra a alta dos preços, contra o desemprego e contra o governo do presidente
Hassan Rouhani.
Segundo imagens de vídeo difundidas pela mídia reformista Nazar, os manifestantes gritavam "Morte
a Rohani!" e criticaram os compromissos do governo no âmbito regional antes mesmo que no âmbito
doméstico.

Condenação de Washington
Em 29 de dezembro, centenas de pessoas se manifestaram em Qom (norte), gritando "Morte ao
ditador" e "Libertem os presos políticos", segundo vídeos divulgados nas redes sociais.
Outros manifestantes pediam ao regime que abandone seu apoio militar e financeiro aos movimentos
regionais aliados para se ocupar de seu próprio povo.
O primeiro-vice-presidente iraniano, Eshaq Jahanguiri, acusou a oposição de estar por trás dos
movimentos de protesto. Os Estados Unidos condenaram as detenções.
"Os dirigentes iranianos transformaram um país próspero, dotado de uma história e de uma cultura
ricas, em um Estado relegado à deriva, que exporta principalmente violência, banho de sangue e caos",
disse em um comunicado o Departamento de Estado.

40
FRANCE PRESSE. Protestos tomam as ruas do Irã e deixam 13 mortos desde quinta-feira. G1 Mundo. Disponível em:
<https://g1.globo.com/mundo/noticia/protestos-tomam-as-ruas-do-ira-e-deixam-13-mortos-desde-quinta-
feira.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1> Acesso em 02 de janeiro de 2018.

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'Manifestações ilegais'
Em 30 de dezembro, o regime também lançou milhares de pessoas às ruas para celebrar o aniversário
da grande mobilização pró-governo que marcou o fim da contestação contra a reeleição na Presidência
de Mahmud Ahmadinejad em 2009.
O ministro iraniano do Interior pediu à população que não participe de "manifestações ilegais".
À tarde, centenas de pessoas protestaram no bairro da universidade, expressando sua rejeição ao
governo, antes de serem dispersados pela polícia.
O presidente americano, Donald Trump, reiterou suas advertências em relação ao poder iraniano,
afirmando que "os regimes opressivos não podem durar para sempre".

Manifestantes mortos
Dois manifestantes morreram na madrugada de 31 de dezembro durante confrontos na cidade de
Dorud (oeste), indicou o vice-governador da província de Lorestan, Habibollah Khojastehpur,
assegurando que as forças de segurança não atiraram contra os manifestantes.
O governo advertiu os manifestantes, dizendo: "aqueles que destroem os bens públicos, criam
desordem e atuam na ilegalidade devem responder por seus atos e pagar o preço".
O acesso às redes sociais Telegram e Instagram de dispositivos móveis voltou a ser suspenso.
As autoridades acusam grupos "contra-revolucionários" com sede no exterior de utilizar estas redes
para convocar manifestações e utilizar coquetéis Molotov e armas de fogo.
O presidente Rouani reconheceu neste domingo que o governo deve "permitir um espaço" para que a
população possa expressar suas "inquietudes diárias", mas condenou "a violência e a destruição de bens
públicos".
Na noite deste domingo, violentos protestos aconteceram em uma dezena de cidades. Um policial
iraniano morreu e outros três ficaram feridos por disparos de fuzil em Nayafabad, no centro do Irã.
Segundo a emissora pública iraniana, seis pessoas foram mortas por "tiros suspeitos" em Toyserkan
(oeste). Mais cedo, outras quatro já haviam morrido em Izeh (sudoeste) e Doroud (oeste).

'Agitadores'
Em 1 de janeiro de 2018, Rohani declarou que o povo iraniano responderá os "agitadores e
descumpridores da lei". O presidente iraniano qualificou os contestadores de "pequena minoria que (...)
insulta os valores sagrados e revolucionários".
O presidente americano Donald Trump afirmou que "chegou o momento da mudança" no Irã.
O ministério das Relações Exteriores russo, estimou "que se trata de um assunto interno iraniano".
"Qualquer intromissão estrangeira que desestabilize a situação é inadmissível", acrescentou.

Islândia é 1º país a tornar ilegal pagar salário menor a mulheres41


Órgãos governamentais e empresas do setor privado passam a ser obrigados a acabar com a
desigualdade salarial
Se a Islândia já aparecia no topo da lista dos países com a maior igualdade de gênero, agora tem um
motivo a mais para não perder o posto. Nesta segunda-feira (01/01), entrou em vigor uma lei que torna
ilegal pagar mais a homens do que as mulheres no país.
A medida será aplicada tanto nos órgãos governamentais quanto nas empresas do setor privado com
mais de 25 funcionários. Todos terão de obter uma certificação especial do governo garantindo que ali
existem políticas de igualdade salarial. Não conseguiu a certificação? Vai levar multa.
Com isso, a Islândia vira o primeiro país no mundo a tornar a igualdade salarial obrigatória. A ilha
nórdica pretende erradicar as disparidades salariais entre homens e mulheres até 2022.
Ao anunciar a medida em março de 2017, o ministro da Igualdade e Assuntos Sociais da Islândia,
Thorsteinn Viglundsson, defendeu que "direitos iguais são direitos humanos". "Precisamos garantir que
homens e mulheres desfrutem da igualdade de oportunidades no local de trabalho. É nossa
responsabilidade tomar todas as medidas para conseguir isso", afirmou na ocasião.
A lei recebeu apoio de todos os partidos políticos no país. Lá, quase metade dos membros do
Congresso são mulheres.
A Islândia é líder no empoderamento político feminino e na luta constante pela igualdade salarial. Em
2017, pela nona vez, o país ocupou o primeiro lugar no Índice Global Gender Gap do Fórum Econômico
Mundial, que classifica 144 nações com base em quão perto estão de alcançar a igualdade de
gênero. Segundo o último relatório, a Islândia já havia fechado 87% das lacunas de diferença de gênero.

41
ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE. Islândia é 1º país a tornar ilegal pagar salário menor a mulheres. Época Negócios. Disponível em:
<http://epocanegocios.globo.com/Mundo/noticia/2018/01/islandia-e-1-pais-tornar-ilegal-pagar-salario-menor-
mulheres.html?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=post> Acesso em 03 de janeiro de 2018.

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Ciclone bomba cobre o norte dos EUA de neve e leva caos para 60 milhões de pessoas42
Uma tempestade de inverno tem gerado caos no nordeste dos Estados Unidos e vem sendo apontada
como a razão por trás de 17 mortes registradas até o momento.
Cercade 4 mil voos foram cancelados no país nesta quinta-feira com o Estado de Nova York, a região
de New England e o leste do Canadá cobertos por neve.
Escolas estão fechadas nas cidades de Nova York, Filadélfia e Boston e nos Estados da Carolina do
Norte e do Sul, Maryland e Virginia por risco de hipotermia, ferimentos por frio extremo e acidentes de
trânsito.
São esperados hoje 45 cm de neve em Boston e mais de 30 cm na cidade de Nova York, segundo
meteorologistas.
A tempestade, conhecida como um "ciclone bomba", deve continuar a impactar essa parte do país no
final de semana.
Quase 60 milhões de pessoas estão no seu caminho, com alertas emitidos desde o Maine até partes
da Georgia.
"Fortes nevascas vão se espalhar rumo ao norte", informou o Serviço Nacional de Meteorologia.
"Além disso, a tempestade cada vez mais forte vai intensificar os ventos." As correntes de ar podem
atingir intensidade de furacão, com rajadas de até 95 km/h.
Um ciclone bomba é um termo não oficial para um fenômeno que ocorre quando a pressão central de
um sistema de baixa pressão cai abaixo de 24 milibars em 24 horas, resultando em ventos muito intensos
capazes de derrubar árvores e causar danos estruturais.
A agência de notícias Associated Press informou que ao menos 17 mortes relacionadas ao frio foram
registradas nos Estados Unidos.
A empresa de trens Amtrak reduziu sua operação, e ônibus interestaduais estão sendo cancelados. O
clima já fez inclusive com que a neve chegasse ao sul norte-americano, até a Flórida.
"A situação continua a se deteriorar", disse o governador de Nova York, Andrew Cuom, ao instaurar
estado de emergência nesta quinta.
"É quase impossível desbloquear as estradas com ventos tão fortes, porque, assim que você tira a
neve, o vento a traz de volta."
Carros presos em uma autoestrada de Long Island, ele acrescentou, podem se tornar uma "situação
de vida ou morte" se equipes de resgate não foram capazes de chegar aos seus ocupantes.

Cultura

A cultura no Brasil é um reflexo da formação do país, já no período colonial, quando começam a surgir
as primeiras relações entre portugueses e indígenas, no primeiros anos do contato. Ao longo de mais de
cinco séculos de transformação, ela incorpora elementos de todos aqueles que ajudaram a criar o país
ou que vieram para o Brasil em buscas de vida nova. Do churrasco ao acarajé, catolicismo a umbanda,
norte ao sul, o Brasil é um país de contrastes, definidos por seus habitantes que convergem seus
costumes, crenças e práticas em território nacional.
Mesmo admitindo a existência de diversos estudos e discussões antropológicas sobre o conceito de
cultura, podemos considerá-la, grosso modo, da seguinte forma: a cultura diz respeito a um conjunto de
hábitos, comportamentos, valores morais, crenças e símbolos, dentre outros aspectos mais gerais, como
forma de organização social, política e econômica que caracterizam uma sociedade. Dessa forma,
podemos pensar na seguinte questão: o que caracteriza a cultura brasileira? Certamente, ela possui suas
particularidades quando comparada ao restante do mundo, principalmente quando nos debruçamos sobre
um passado marcado pela miscigenação racial entre índios, europeus e africanos e que sofreu ainda a
influência de povos do Oriente Médio e da Ásia. Além de celebrar seus escritores, como Nelson
Rodrigues, dramaturgo, jornalista e escritor, que deixou um legado que ressurge cada vez mais forte
através de suas obras sempre atuais, inexoráveis ao tempo, o cenário cultural brasileiro é marcado pelo
retomada da produção cinematográfica que tem levado alguns cineastas do Brasil a dirigir filmes na
Europa e nos Estado Unidos. José Padilha é o exemplo mais recente deste fenômeno. Depois do sucesso
com “Tropa de Elite”, ele dirigiu o remake de Robocop. No embalo da Copa do Mundo e das Olimpíadas
do Rio de Janeiro, que acontecem em 2016, ritmos musicais de diversas regiões do Brasil têm feito muito
sucesso no exterior. A culinária brasileira, conhecida pela forte influência europeia, africana e indígena
também ganha lugar de destaque.

42
BBEC BRASIL. Ciclone bomba cobre o norte dos EUA de neve e leva caos para 60 milhões de pessoas. BBC. Disponível em:
<http://www.bbc.com/portuguese/internacional-42569176?ocid=socialflow_twitter> Acesso em 05 de janeiro de 2018.

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Diversidade Cultural no Brasil
A diversidade cultural reflete os diferentes costumes e práticas que compõem a sociedade brasileira.
O Brasil é um país de dimensões continentais, que passou por diversos processos de ocupação,
migração, imigração e emigração, incorporando os traços de diversos povos e sociedades para compor
uma cultura única e diversificada. Além disso, por conter um extenso território, apresenta diferenças
climáticas, econômicas, sociais e culturais entre as suas regiões.
Entre as principais fontes de contribuição para a formação da cultura brasileira, estão os diferentes
povos indígenas que habitaram e ainda habitam o território brasileiro, os africanos escravizados e os
colonizadores e imigrantes europeus.
Para facilitar o entendimento da diversidade cultural brasileira é possível dividi-la pelas cinco regiões,
lembrando porém que cada localidade possui características únicas, que muitas vezes não podem
simplesmente serem englobadas de maneira simples.

Arte Brasileira43
A arte brasileira surge da mistura de outros estilos e se inicia desde o período da Pré-História há mais
de 5 mil anos, até a arte primitiva. Ela também foi influenciada pelo estilo artístico de outras sociedades.
Dentre elas, temos a arte da Pré-História brasileira, com vários sítios arqueológicos espalhados pelo
território e tombados pelo IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Outra a ser citada
é a arte indígena, na época do descobrimento do Brasil, quando no início, havia cerca de 5 milhões de
índios. Atualmente, esse número foi reduzido, assim como parte de sua cultura.
Outra arte brasileira a ser citada é a do Período Colonial. O Brasil transformou-se em colônia de
Portugal, depois da chegada de Cabral e eram feitas construções simples, como as feitorias, várias vilas,
engenhos de açúcar como representação da arte. Após a divisão do Brasil em capitanias hereditárias, foi
necessária a construção de casas para os colonizadores.
Na invasão dos holandeses que ficaram no nordeste do Brasil por quase 25 anos, no início de 1624,
se instalou uma cultura vinda dos povos holandeses. Apesar dos portugueses terem defendido o Brasil
de invasores, estes ainda conseguiram instalar-se. Artistas e cientistas vieram para o Recife, trazendo a
cultura holandesa. Outro estilo surgido foi o Barroco, ligado ao catolicismo. A influência da Missão Artística
Francesa, no início do século XIX, quando a família real veio ao Brasil foi intensa. A população começou
a imitar a cultura europeia. Eram pintados retratos da família real e algumas imagens dos índios
brasileiros.
A Pintura Acadêmica, também no século XIX, na arte brasileira, retrata a riqueza clássica, sendo que
era refletido um padrão de beleza ideal (padrões propostos pela Academia de Belas Artes). Já no início
do século XX, presenciamos o Modernismo Brasileiro, marcado inicialmente pela Semana de Arte
Moderna. E, antes disso, o Expressionismo já começa a chegar ao Brasil e fazer história com Lasar Segall
(1891-1957) que contribui para o Modernismo. Após a Semana de Arte Moderna, vários artistas
começaram a desenvolver um estilo próprio de pintura, sendo ela mais valorizada no país.
Além do já citado Lasar Segall, o Brasil tem grandes pintores, cujas obras têm reconhecimento
internacional. Entre os principais destaques, podemos incluir:

Cândido Portinari - Foi um dos pintores brasileiros mais famosos. Nasceu na cidade de Brodowski
(interior do estado de São Paulo), em 29 de dezembro de 1903. Destacou-se também nas áreas de poesia
e política. Durante sua trajetória, ele estudou na Escola de Belas-Artes do Rio de Janeiro; visitou muitos
países, como a Espanha, a França e a Itália, onde finalizou seus estudos. No ano de 1935 ele recebeu
uma premiação em Nova Iorque por sua obra "Café". Deste momento em diante, sua obra passou a ser
mundialmente conhecida. Dentre suas obras, destacam-se: "A Primeira Missa no Brasil", "São Francisco
de Assis" e “Tiradentes". Seus retratos mais famosos são: seu autorretrato, o retrato de sua mãe e o do
famoso escritor brasileiro Mário de Andrade. Características principais de suas obras: Retratou questões
sociais do Brasil; Utilizou alguns elementos artísticos da arte moderna europeia; Suas obras de arte
refletem influências do surrealismo, cubismo e da arte dos muralistas mexicanos; Arte figurativa,
valorizando as tradições da pintura.

Anita Malfatti - Foi uma importante e famosa artista plástica (pintora e desenhista) brasileira. Nasceu
na cidade de São Paulo, no dia 2 de dezembro de 1889 e faleceu na mesma cidade, em 6 de novembro
de 1964. Era filha de Bety Malfatti (norte-americana de origem alemã) e pai italiano. Estudou pintura em
escolas de arte na Alemanha e nos Estados Unidos (estudou na Independent School of Art em Nova
Iorque). Em sua passagem pela Alemanha, em 1910, entrou em contato com o expressionismo, que a

43
Textos adaptados de: Ministério da Cultura, www.historias-da-arte.info e www.suapesquisa.com

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influenciou muito. Já nos Estados Unidos teve contato com o movimento modernista. Em 1917, Anita
Malfatti realizou uma exposição artística muito polêmica, por ser inovadora, e ao mesmo tempo
revolucionária. As obras de Anita, que retratavam principalmente os personagens marginalizados dos
centros urbanos, causou desaprovação nos integrantes das classes sociais mais conservadoras. Em
1922, junto com seu amigo Mario de Andrade, participou da Semana de Arte Moderna. Ela fazia parte do
Grupo dos Cinco, integrado por Malfatti, Mario de Andrade, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e
Menotti del Picchia. Entre os anos de 1923 e 1928 foi morar em Paris. Retornou a São Paulo em 1928 e
passou a lecionar desenho na Universidade Mackenzie até o ano de 1933. Em 1942, tornou-se presidente
do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo. Entre 1933 e 1953, passou a lecionar desenho nas
dependências de sua casa. Principais obras: “A boba”, “As margaridas de Mário”, “Natureza Morta -
objetos de Mário”, “A Estudante Russa”, “O homem das sete cores”, “Nu Cubista”, “O homem amarelo”,
“A Chinesa”, “Arvoredo” e “Interior de Mônaco”, entre outros.

Di Cavalcanti - Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, mais conhecido como Di


Cavalcanti, foi um importante pintor, caricaturista e ilustrador brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro, em 6
de setembro de 1897. Desde jovem demonstrou grande interesse pela pintura. Com onze anos de idade
teve aulas de pintura com o artista Gaspar Puga Garcia. Seu primeiro trabalho como caricaturista foi para
a revista Fon-Fon, em 1914. Participou do Primeiro Salão de Humoristas em 1916. Mudou para São Paulo
em 1917. No mesmo ano, fez a primeira exposição individual para a revista "A Cigarra". Participou da
Semana de Arte Moderna de 1922, expondo 11 obras de arte e elaborando a capa do catálogo. Em 1923,
foi morar em Paris como correspondente internacional do jornal Correio da Manhã. Retornou para o Brasil
dois anos depois e foi morar no Rio de Janeiro. Em 1926, fez a ilustração da capa do livro O Losango de
Cáqui de Mário de Andrade. Neste mesmo ano participa como ilustrador e jornalista do jornal Diário da
Noite. Foi premiado, junto com o pintor Alfredo Volpi, como melhor pintor nacional na II Bienal de São
Paulo. Seu estilo artístico é marcado pela influência do expressionismo, cubismo e dos muralistas
mexicanos (Diego Rivera, por exemplo). Abordou temas tipicamente brasileiros como, por exemplo, o
samba. O cenário geográfico brasileiro também foi muito retratado em suas obras. Em suas obras são
comuns os temas sociais do Brasil (festas populares, operários, as favelas, protestos sociais, etc).
Estética que abordava a sensualidade tropical do Brasil, enfatizando os diversos tipos femininos.
Principais obras: “Pierrete”, “Samba”, “Mangue” e “Cinco Moças de Guaratinguetá”, entre outras.

Tarsila do Amaral - foi uma das mais importantes pintoras brasileiras do movimento modernista.
Nasceu na cidade de Capivari (interior de São Paulo), em 1º de setembro de 1886. Na adolescência,
Tarsila estudou no Colégio Sion, localizado em São Paulo, porém, completou os estudos numa escola de
Barcelona (Espanha). Desde jovem, demonstrou muito interesse pelas artes plásticas. Aos 16 anos,
pintou seu primeiro quadro, intitulado Sagrado Coração de Jesus. Em 1906, casou-se pela primeira vez
com André Teixeira Pinto e com ele teve sua única filha, Dulce. Após se separar, começa a estudar
escultura. Somente aos 31 anos começou a aprender as técnicas de pintura com Pedro Alexandrino
Borges (pintor, professor e decorador). Em 1920, foi estudar na Academia Julian (escola particular de
artes plásticas) na cidade de Paris. Em 1922, participou do Salão Oficial dos Artistas da França, utilizando
em suas obras as técnicas do cubismo. Retornou para o Brasil em 1922, formando o "Grupo dos Cinco",
junto com Anita Malfatti, Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia. Este grupo foi o
mais importante da Semana de Arte Moderna de 1922. Em 1923, retornou para a Europa e teve contatos
com vários artistas e escritores ligados ao movimento modernista europeu. Entre as décadas de 1920 e
1930, pintou suas obras de maior importância e que fizeram grande sucesso no mundo das artes. Entre
as obras desta fase, podemos citar as mais conhecidas: Abaporu (1928) e Operários (1933). No final da
década de 1920, Tarsila criou os movimentos Pau-Brasil e Antropofágico. Entre as propostas desta fase,
Tarsila defendia que os artistas brasileiros deveriam conhecer bem a arte europeia, porém deveriam criar
uma estética brasileira, apenas inspirada nos movimentos europeus. Características de suas obras: Uso
de cores vivas; Influência do cubismo (uso de formas geométricas); Abordagem de temas sociais,
cotidianos e paisagens do Brasil; Estética fora do padrão (influência do surrealismo na fase
antropofágica). Principais obras: “Abaporu”, “Autorretrato”, “Retrato de Oswald de Andrade”, “Estudo
(Nu)”, “Natureza-morta com relógios”, entre outras.

Volpi - Alfredo Foguebecca Volpi, artista plástico ítalo-brasileiro. É considerado um dos principais
artistas da Segunda Geração da Arte Moderna Brasileira. Ganhou destaque com pinturas representando
casarios e bandeirinhas de festas juninas (sua marca registrada). Nasceu na cidade de Lucca (Itália) em
14 de abril de 1896. Atuou como pintor decorador de residências de famílias da alta sociedade paulistana,
fazendo pinturas em paredes e murais; Ganhou o prêmio de melhor pintor nacional na Bienal de Artes de

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1953; Fez afrescos na Capela São Pedro de Monte Alegre e Participou da 1ª Exposição de Arte Concreta
em 1956. Estética: explorou as formas e composição de cores com grande impacto visual. Nos anos 50
enveredou para o campo do abstracionismo geométrico. Foi neste período que começou a retratar
bandeirinhas de festas juninas. Principais obras: "Mulata", "Fachada e Rua", "Festa de São João",
"Grande Fachada Festiva" e "Fachadas".

Literatura brasileira44
A literatura no Brasil viveu vários períodos, geralmente recebendo influência de escolas europeias.
Houve ainda um movimento que tentou criar uma identidade puramente nacional, voltada à abordagem
de temas cotidianos. Os principais momentos da produção literária no Brasil foram:

Quinhentismo (século XVI) - Representa a fase inicial da literatura brasileira, pois ocorreu no começo
da colonização. Representante da Literatura Jesuíta ou de Catequese, destaca-se Padre José de
Anchieta com seus poemas, autos, sermões cartas e hinos. O objetivo principal deste padre jesuíta, com
sua produção literária, era catequizar os índios brasileiros. Nesta época, destaca-se ainda Pero Vaz de
Caminha, o escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral. Através de suas cartas e seu diário, elaborou uma
literatura de Informação (de viagem) sobre o Brasil. O objetivo de Caminha era informar o rei de Portugal
sobre as características geográficas, vegetais e sociais da nova terra.

Barroco (século XVII) - Essa época foi marcada pelas oposições e pelos conflitos espirituais. Esse
contexto histórico acabou influenciando na produção literária, gerando o fenômeno do barroco. As obras
são marcadas pela angústia e pela oposição entre o mundo material e o espiritual. Metáforas, antíteses
e hipérboles são as figuras de linguagem mais usadas neste período. Podemos citar como principais
representantes desta época: Bento Teixeira, autor de Prosopopeia; Gregório de Matos Guerra (Boca do
Inferno), autor de várias poesias críticas e satíricas; e padre Antônio Vieira, autor de Sermão de Santo
Antônio ou dos Peixes.

Neoclassicismo ou Arcadismo (século XVIII) - O século XVIII é marcado pela ascensão da burguesia
e de seus valores. Esse fato influenciou na produção da obras desta época. Enquanto as preocupações
e conflitos do barroco são deixados de lado, entra em cena o objetivismo e a razão. A linguagem complexa
é trocada por uma linguagem mais fácil. Os ideais de vida no campo são retomados (fugere urbem = fuga
das cidades) e a vida bucólica passa a ser valorizada, assim como a idealização da natureza e da mulher
amada. As principais obras desta época são: Obra Poética, de Cláudio Manoel da Costa; O Uraguai, de
Basílio da Gama; Cartas Chilenas e Marília de Dirceu, de Tomás Antonio Gonzaga; e Caramuru, de Frei
José de Santa Rita Durão.

Romantismo (século XIX) - A modernização ocorrida no Brasil, com a chegada da família real
portuguesa em 1808, e a Independência do Brasil em 1822 são dois fatos históricos que influenciaram na
literatura do período. Como características principais do romantismo, podemos citar: individualismo,
nacionalismo, retomada dos fatos históricos importantes, idealização da mulher, espírito criativo e
sonhador, valorização da liberdade e o uso de metáforas. As principais obras românticas que podemos
citar: O Guarani, de José de Alencar; Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães;
Espumas Flutuantes, de Castro Alves; e Primeiros Cantos, de Gonçalves Dias. Outros importantes
escritores e poetas do período: Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo, Junqueira Freire e Teixeira e
Souza.

Realismo - Naturalismo (segunda metade do século XIX) - Na segunda metade do século XIX, a
literatura romântica entrou em declínio, juntos com seus ideais. Os escritores e poetas realistas começam
a falar da realidade social e dos principais problemas e conflitos do ser humano. Como características
desta fase, podemos citar: objetivismo, linguagem popular, trama psicológica, valorização de
personagens inspirados na realidade, uso de cenas cotidianas, crítica social, visão irônica da realidade.
O principal representante desta fase foi Machado de Assis, com as obras: Memórias Póstumas de Brás
Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro e O Alienista. Podemos citar ainda como escritores realistas
Aluísio de Azedo, autor de O Mulato e O Cortiço e Raul Pompéia, autor de O Ateneu.

Parnasianismo (final do século XIX e início do século XX) - O parnasianismo buscou os temas
clássicos, valorizando o rigor formal e a poesia descritiva. Os autores parnasianos usavam uma

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Texto adaptado de www.suapesquisa.com

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linguagem rebuscada, vocabulário culto, temas mitológicos e descrições detalhadas. Diziam que faziam
a arte pela arte. Graças a esta postura foram chamados de criadores de uma literatura alienada, pois não
retratavam os problemas sociais que ocorriam naquela época. Os principais autores parnasianos são:
Olavo Bilac, Raimundo Correa, Alberto de Oliveira e Vicente de Carvalho.

Simbolismo (fins do século XIX) - Esta fase literária inicia-se com a publicação de Missal e Broqueis,
de João da Cruz e Souza. Os poetas simbolistas usavam uma linguagem abstrata e sugestiva, enchendo
suas obras de misticismo e religiosidade. Valorizavam muito os mistérios da morte e dos sonhos,
carregando os textos de subjetivismo. Os principais representantes do simbolismo foram: Cruz e Souza
e Alphonsus de Guimaraens.

Pré-Modernismo (1902 até 1922) - Este período é marcado pela transição, pois o modernismo só
começou em 1922, com a Semana de Arte Moderna. Está época é marcada pelo regionalismo,
positivismo, busca dos valores tradicionais, linguagem coloquial e valorização dos problemas sociais. Os
principais autores deste período são: Euclides da Cunha (autor de Os Sertões), Monteiro Lobato, Lima
Barreto, autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma, e Augusto dos Anjos.

Modernismo (1922 a 1930) - Este período começa com a Semana de Arte Moderna de 1922. As
principais características da literatura modernista são: nacionalismo, temas do cotidiano (urbanos),
linguagem com humor, liberdade no uso de palavras e textos diretos. Principais escritores modernistas:
Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Cassiano Ricardo, Alcântara Machado e Manuel Bandeira.
Neorrealismo (1930 a 1945) - Fase da literatura brasileira na qual os escritores retomam as críticas e
as denúncias aos grandes problemas sociais do Brasil. Os assuntos místicos, religiosos e urbanos
também são retomados. Destacam-se as seguintes obras: Vidas Secas, de Graciliano Ramos; Fogo
Morto, de José Lins do Rego; O Quinze, de Raquel de Queiroz; e O País do Carnaval, de Jorge Amado.
Os principais poetas desta época são: Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade e Cecília
Meireles.

Arquitetura Brasileira45
A arquitetura indígena é baseada nas convicções mágicas que tinham tanto para a moradia quanto
para o conjunto urbano. A disposição geométrica de uma aldeia visa funcionalidade, mas também é
orientada pelo gosto. Uma aldeia circular, com orientação norte-sul, tendo como eixo a casa central
servindo de passagem e como espaço de reuniões, seu conceito é a “aldeia do além”: assim, o arco da
existência supera o tempo e o trânsito terreno em função do infinito. Esta filosofia governa os atos de
viver, as expressões plásticas e mais ainda a poesia, compondo uma cultura bem definida.
Já os portugueses começam da estaca zero, os pioneiros improvisavam-se construtores para levantar
moradias e entrincheiramento a fim de se defenderem dos índios e de outros brancos. Na necessidade
da conquista e manutenção do espaço cria-se um sistema feudal e organizam-se os arraiais, como no
caso de Salvador uma cidade cercada por muros de taipa, essa técnica, embora precária quando bem
mantida, perpetua-se ao longo dos séculos. Em cada uma das regiões ocupadas recursos locais são
utilizados na construção, como a carnaúba no Piauí que ainda hoje é utilizada.
Até a primeira metade deste século grande parte das casas no Recife era construída como no século
do descobrimento. A “casa-fortaleza”, como era denominada, utilizava pedra, cal, pau a pique e era
telhada e avarandada. Não se tem amostras, mas sabe-se através dos documentos que obedeciam às
prescrições da Coroa ao conceder-se uma sesmaria. Com o crescimento das vilas, os construtores
começam a procurar materiais mais resistentes e passam a utilizar a pedra. A primeira obra em pedra
parece ter sido a torre de Olinda, construída por seu primeiro donatário (Duarte Coelho).
A grande produção desta época é de fortalezas e o número de arquitetos é grande, porém a maioria
ocultos. A arquitetura “arte” foi preocupação dos missionários, pois sabiam da importância da construção
das Igrejas na catequese. Esta arquitetura toma vulto com a chegada de Francisco Dias e Luís Dias,
assim como Grandejean de Montiny, no século XIX e Le Corbusier no século XX. Deve-se notar aqui as
conquistas holandesas, os batavos muito produziram com alta qualidade e fazem com que Recife torne-
se a cidade mais importante da colônia, porém não se misturam com os produtores da insipiente arte
local. É com a ajuda de Pieter Post, arquiteto incluído na expedição de Nassau, que se realizam um
conjunto de obras urbanísticas e arquitetônicas notáveis. É nesta época que o barroco começa a dar
sinais de vida, e as Igrejas buscam construir com luxo, enquanto o povo continuará a viver da maneira
mais simples até os anos setecentos. A prosperidade da arquitetura religiosa deve-se, também, à

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http://www.coladaweb.com/artes/arquitetura/arquitetura-brasileira

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instituição das Irmandades que construíam suas igrejas, às vezes, rivalizando com as Ordens. Os artistas
eram disputados e razoavelmente retribuídos.
Nosso barroco floresce de maneira torta e não é comparável aos outros movimentos no mundo, pode-
se dizer que é mais parecido com o alemão do que com o italiano. A arquitetura civil é inexpressiva e
servia, praticamente, a fins religiosos. Quase todos os arquitetos brasileiros da primeira metade do século
XVIII, constroem igrejas de nave octogonal, a primeira, construída entre 1714 e 1730, é a de Nossa
Senhora da Glória do Outeiro, no Rio de Janeiro, muito importante por representar uma evolução em
relação às igrejas portuguesas ou mesmo qualquer igreja da época. Outras Igrejas brasileiras de plano
octogonal são: a igreja paroquial de Antônio Dias (1727); a Igreja de Santa Efigênia em Ouro Preto (1727),
ambas atribuídas a Manuel Francisco Lisboa, pai de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho; igreja do
Pilar em Ouro Preto (1720); igreja de São Pedro dos Clérigos de Recife (1728-1782), de Manoel Ferreira
Jácome; igreja da Conceição da Praia em Salvador, projetada por Manoel Cardoso Saldanha, que foi a
última de importância construída na Bahia, também a última de plano octogonal a ser erguida, tanto no
Brasil quanto em Portugal.
Na segunda metade do século XVIII, Minas Gerais passa a dominar a arquitetura religiosa em igrejas
como: o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo (1757-1770); a de São Pedro
dos Clérigos, em Mariana (1771) e a Capela do Rosário de Ouro Preto. Antônio Francisco Lisboa, o
Aleijadinho principal escultor e arquiteto da época deixou vasta obra, adepto do estilo rococó, soube
integrar melhor do que ninguém a arquitetura e a escultura, a decoração rebuscada à sobriedade da
arquitetura religiosa portuguesa. Ele modifica a estrutura do altar suprimindo o baldaquim ou elevando-o
até a abóbada. A igreja de São Francisco em Ouro Preto foi inteiramente projetada, construída e decorada
por Aleijadinho num espaço de vinte e oito anos entre 1766 e 1794, o que explica sua extraordinária
unidade. Sua capela-mor é uma das obras mais importantes de Aleijadinho.
A transferência da Corte de Dom João VI para o Brasil provoca mudanças sensíveis na arquitetura.
Em 1816 chega ao Rio de Janeiro a chamada Missão Francesa incumbida, por Dom João, da educação
artística do povo brasileiro. Liderada por Lebreton, a missão trouxe como arquiteto Auguste-Henri-Victor
Grandjean de Montigny (1776-1850), que introduziu o Neoclassicismo e fez adeptos. A primeira obra, que
foi encomendada a ele, foi a da Academia de Belas-Artes, edifício cujas obras paralisadas durante anos,
por ocasião da morte do Conde da Barca, responsável pela vinda de Grandjean. Tal fato faz com que o
arquiteto passe a dedicar-se a outros projetos, como o edifício da Praça do Comércio, já demolido, a
Alfândega, o antigo Mercado da Candelária e várias residências, além de ter sido o primeiro professor de
arquitetura do Brasil. Atuaram também nesta época os arquitetos José da Costa e Silva, Manuel da Costa
e o Mestre Valentim da Fonseca e Silva, autor da ornamentação do passeio público do Rio de Janeiro.
Já no começo do século, o Art Nouveau e o Art Deco aparecem de forma restrita, principalmente em
São Paulo, e seu expoente máximo é Victor Dubugras, que faleceu em 1934. A Semana de Arte Moderna
de 1922 e a sequente revolução de 1930 são a alavanca da arquitetura moderna no Brasil. Já em 1925 o
arquiteto Gregori Warchavchik publicou seu Manifesto da Arquitetura Funcional. É interessante notar que
a Casa Modernista que Warchavchik construiu em São Paulo, em 1928, é anterior à construção da Casa
das Rosas, da Av. Paulista. Le Corbusier, arquiteto modernista francês, visitou o Brasil pela primeira vez
em 1929 e realizou conferências no Rio e em São Paulo; chegou a propor um plano de urbanização para
o Rio de Janeiro que não foi executado. Provavelmente o seria, não fosse a Revolução que colocou
Getúlio Vargas no poder e Júlio Prestes no exílio. Mas a revolução traz vantagens para a arquitetura:
Lúcio Costa torna-se diretor da Escola Nacional de Belas Artes, para onde chama Warchavchik. Por
motivos políticos, sua gestão não dura um ano, mas não sem frutos. Cedo uma nova geração de
arquitetos surgia: Luiz Nunes, os irmãos M.M.M. Roberto, Aldo Garcia Roza, entre outros.
Em 1935, é realizado o concurso para o prédio do Ministério da Educação no Rio de Janeiro, cujo
primeiro prêmio foi para um projeto puramente acadêmico; porém, por decisão do Ministro Gustavo
Capanema, o projeto passa para as mãos de Lúcio Costa, que reúne uma equipe com outros
concorrentes, entre eles Oscar Niemeyer. Le Corbusier faz nova visita ao Brasil para opinar sobre o
projeto do concurso e também para discutir o projeto da Cidade Universitária do Rio de Janeiro. Lúcio
Costa deixou, em 1939, a chefia da equipe que construía o Ministério da Educação e em seu lugar assume
Oscar Niemeyer, no início de uma carreira brilhante, que tem seu apogeu juntamente com Lúcio Costa,
com a construção de Brasília, vinte anos mais tarde. No mesmo ano de 1939, acontece a Exposição
Internacional de Nova York, onde o Pavilhão do Brasil, obra de Lúcio e Oscar, causa furor.
A arquitetura brasileira dá sinais de vida mundialmente. Niemeyer constrói o conjunto da Pampulha
em Belo Horizonte durante a prefeitura de Juscelino Kubitschek, que depois o leva para Brasília, onde
realizará um conjunto de obras notáveis juntamente com o plano geral de Lúcio Costa. Oscar Niemeyer
também esteve à frente da equipe que construiu o parque do Ibirapuera em São Paulo entre 1951 e 1955.

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No Ibirapuera, o paisagismo é de Roberto Burle Marx, que tem vasta obra a ser apreciada e é o maior
expoente dessa arte no país.
Em 1954, foi construído o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, de Affonso Eduardo Reidy. Outro
arquiteto modernista de grande importância é Villanova Artigas, autor, entre outras obras, da Faculdade
de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Artigas, que esteve exilado por causa do
regime militar, quando retornou ao Brasil, viu-se obrigado a fazer uma prova de admissão para poder
lecionar na faculdade que ele mesmo projetara, prova que ficou registrada em forma de livro.
Não é possível, neste breve esforço, abranger toda a produção arquitetônica contemporânea, porém
não podemos deixar de citar aqui a grande obra de Lina Bo Bardi, mulher de Pietro Maria Bardi, autora
de projetos como o do SESC Pompéia, em São Paulo ou o do MASP (Museu de Arte de São Paulo), cuja
arrojada estrutura foi uma imposição do terreno. O projeto deveria conservar o antigo belvedere, e a
solução encontrada por Lina foi construir um prédio sustentado apenas por quatro pilares nas
extremidades do terreno, uma vez que o túnel da Av. 9 de julho, que passa por baixo do terreno, não
permitia outra conformação. O resultado é uma grande caixa de vidro suspensa, envolta em dois pórticos,
formados pelos pilares somados às vigas de sustentação da cobertura. Seu vão livre, de setenta e dois
metros em concreto protendido, é uma aventura a ser apreciada.

Cinema no Brasil46
Em 1896, chegaram ao Rio de Janeiro aparelhos de projeção cinematográfica, em 1898, foram
realizadas as primeiras filmagens no Brasil. Somente em 1907, com o advento da energia elétrica
industrial na cidade, o comércio cinematográfico começou a se desenvolver. Nesta fase predominou
filmes de reconstituição de fatos do dia-a-dia. A partir de 1912, das mãos de Francisco Serrador, Antônio
Leal e dos irmãos Botelho eram produzidos filmes com menos de uma hora de projeção, época em que
o cinema nacional encarou forte crise perante o domínio norte-americano nas salas de exibição, os
cinejornais e documentários é que captavam recursos para as produções de ficção. Em 1925, a qualidade
e o ritmo das produções aumenta, o cinema mudo brasileiro se consolida e os veículos de comunicação
da época inauguram colunas para divulgar o nosso cinema. Entre os anos 30 e 40, o cinema falado abre
um reinício para a produção nacional que limita-se ao Rio em comédias populares, conhecidas como
chanchadas musicais que lançaram atores como Mesquitinha, Oscarito e Grande Otelo.
A década de 30 foi dominada pela Cinédia e os anos 40 pela Atlântida. No período de 1950 a 1960,
em São Paulo, paralelo à fundação do Teatro Brasileiro de Comédia e abertura do Museu de Arte
Moderna, surge o estúdio da Vera Cruz que através de fortes investimentos e contratação de profissionais
estrangeiros busca produzir no Brasil, uma linha de filmes sérios, industrial, com uma preocupação
estético-cultural hollywoodiana e com a participação de grandes estrelas como Tônia Carreiro, Anselmo
Duarte, Jardel Filho, entre outros. A Vera Cruz tinha uma produção cara e de qualidade, mas faltava-lhe
uma distribuidora própria e salas para absorver a sua produção, uma de suas produções foi premiada em
Cannes, o filme Cangaceiro, de Lima Barreto. Em oposição às produções paulistas e cariocas, surgem
cineastas independentes que a partir da década de 60, buscam manter a pretensão artística da Vera
Cruz, como por exemplo Walter Hugo Khouri, e uma esfera neorrealista, com o filme “Rio 40°” de Nelson
Pereira dos Santos. Nesta fase há o fenômeno de filmes feitos na Bahia, por baianos e sulistas, como o
“Pagador de Promessas”, é o surgimento do Cinema Novo, movimento carioca que abarca o que há de
melhor no cinema nacional, época de intensa produção e premiação de nomes como os de Glauber
Rocha, Serraceni, Ruy Guerra, entre outros.

Televisão no Brasil47
A primeira emissora de televisão no Brasil, a TV Tupi, foi inaugurada há 60 anos, em 18 de setembro
de 1950. No começo, os programas eram ao vivo e caracterizados pela improvisação, experimentação
em linguagem (adaptada do rádio e do teatro) e falta de aparelhos receptores, devido ao alto custo.
O idealizador da TV brasileira foi Assis Chateaubriand (1892-1968), dono dos Diários Associados, um
império de comunicação que incluía dezenas de jornais, revistas e rádios. Como não havia televisores no
país, o empresário contrabandeou 200 aparelhos. Até os anos 1960, novas emissoras foram inauguradas,
como a TV Excelsior, a Globo, a Bandeirantes e a Rede Record. Nesse período a TV Tupi entrou em
decadência, até ter a concessão cassada em 1980.
Segundo o IBGE, há hoje nos domicílios brasileiros mais TVs (95%) do que geladeiras (92%). Nesta
primeira década do século, o veículo passa por transformações, como a chegada da TV Digital e a
convergência com outras mídias. A despeito disso, a regulamentação para o setor no Brasil é um das
mais atrasadas do mundo e favorece a manutenção de oligopólios.
46
http://www.infoescola.com/cinema/historia-do-cinema-brasileiro/
47
http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/

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Música Brasileira48
Podemos dizer que a MPB surgiu ainda no período colonial brasileiro, a partir da mistura de vários
estilos. Entre os séculos XVI e XVIII, misturaram-se em nossa terra as cantigas populares, os sons de
origem africana, fanfarras militares, músicas religiosas e músicas eruditas europeias. Também
contribuíram, neste caldeirão musical, os indígenas com seus típicos cantos e sons tribais. Nos séculos
XVIII e XIX, destacavam-se nas cidades, que estavam se desenvolvendo e aumentando
demograficamente, dois ritmos musicais que marcaram a história da MPB: o lundu e a modinha. O lundu,
de origem africana, possuía um forte caráter sensual e uma batida rítmica dançante. Já a modinha, de
origem portuguesa, trazia a melancolia e falava de amor numa batida calma e erudita. Na segunda metade
do século XIX, surge o Choro ou Chorinho, a partir da mistura do lundu, da modinha e da dança de salão
europeia. Em 1899, a cantora Chiquinha Gonzaga compõe a música Abre Alas, uma das mais conhecidas
marchinhas carnavalescas da história. Já no início do século XX começam a surgir as bases do que seria
o samba. Dos morros e dos cortiços do Rio de Janeiro, começam a se misturar os batuques e rodas de
capoeira com os pagodes e as batidas em homenagem aos orixás.
O carnaval começa a tomar forma com a participação, principalmente de mulatos e negros ex-
escravos. O ano de 1917 é um marco, pois Ernesto dos Santos, o Donga, compõe o primeiro samba que
se tem notícia: Pelo Telefone. Neste mesmo ano, aparece a primeira gravação de Pixinguinha, importante
cantor e compositor da MPB do início do século XIX. Com o crescimento e popularização do rádio nas
décadas de 1920 e 1930, a música popular brasileira cresce ainda mais. Nesta época inicial do rádio
brasileiro, destacam-se os seguintes cantores e compositores: Ary Barroso, Lamartine Babo (criador de
O teu cabelo não nega), Dorival Caymmi, Lupicínio Rodrigues e Noel Rosa. Surgem também os grandes
intérpretes da música popular brasileira: Carmen Miranda, Mário Reis e Francisco Alves. Na década de
1940 destaca-se, no cenário musical brasileiro, Luis Gonzaga, o "rei do Baião". Falando do cenário da
seca nordestina, Luis Gonzaga faz sucesso com músicas como, por exemplo, Asa Branca e Assum Preto.
Enquanto o baião continuava a fazer sucesso com Luis Gonzaga e com os novos sucessos de Jackson
do Pandeiro e Alvarenga e Ranchinho, ganhava corpo um novo estilo musical: o samba-canção.
Com um ritmo mais calmo e orquestrado, as canções falavam principalmente de amor. Destacam-se
neste contexto musical: Dolores Duran, Antônio Maria, Marlene, Emilinha Borba, Dalva de Oliveira, Angela
Maria e Caubi Peixoto. Em fins dos anos 50 (década de 1950), surge a Bossa Nova, um estilo sofisticado
e suave. Destaca-se Elizeth Cardoso, Tom Jobim e João Gilberto. A Bossa Nova leva as belezas
brasileiras para o exterior, fazendo grande sucesso, principalmente nos Estados Unidos. A televisão
começou a se popularizar em meados da década de 1960, influenciando na música. Nesta época, a TV
Record organizou o Festival de Música Popular Brasileira. Nestes festivais são lançados Milton
Nascimento, Elis Regina, Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso e Edu Lobo. Neste mesmo período,
a TV Record lança o programa musical Jovem Guarda, onde despontam os cantores Roberto Carlos e
Erasmo Carlos e a cantora Wanderléa. Na década de 1970, vários músicos começam a fazer sucesso
nos quatro cantos do país. Nara Leão grava músicas de Cartola e Nelson do Cavaquinho. Vindas da
Bahia, Gal Costa e Maria Bethânia fazem sucesso nas grandes cidades.
O mesmo acontece com Djavan (vindo de Alagoas), Fafá de Belém (vinda do Pará), Clara Nunes (de
Minas Gerais), Belchior e Fagner (ambos do Ceará), Alceu Valença (de Pernambuco) e Elba Ramalho
(da Paraíba). No cenário do rock brasileiro destacam-se Raul Seixas e Rita Lee. No cenário funk
aparecem Tim Maia e Jorge Ben Jor. Nas décadas de 1980 e 1990 começam a fazer sucesso novos
estilos musicais, que recebiam fortes influências do exterior. São as décadas do rock, do punk e da new
wave. O show Rock in Rio, do início dos anos 80, serviu para impulsionar o rock nacional.Com uma
temática fortemente urbana e tratando de temas sociais, juvenis e amorosos, surgem várias bandas
musicais. É deste período o grupo Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Titãs, Kid Abelha, RPM, Plebe
Rude, Ultraje a Rigor, Capital Inicial, Engenheiros do Hawaii, Ira! e Barão Vermelho. Também fazem
sucesso: Cazuza, Rita Lee, Lulu Santos, Marina Lima, Lobão, Cássia Eller, Zeca Pagodinho e Raul
Seixas.
Os anos 90 também são marcados pelo crescimento e sucesso da música sertaneja ou country. Neste
contexto, com um forte caráter romântico, despontam no cenário musical: Chitãozinho e Xororó, Zezé di
Camargo e Luciano, Leandro e Leonardo e João Paulo e Daniel. Nesta época, no cenário pop destacam-
se: Gabriel, o Pensador, O Rappa, Planet Hemp, Racionais MCs e Pavilhão 9. O século XXI começa com
o sucesso de grupos de rock com temáticas voltadas para o público jovem e adolescente. São exemplos:
Charlie Brown Jr, Skank, Detonautas e CPM 22.

48
http://www.suapesquisa.com/mpb/

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1408527 E-book gerado especialmente para LUCAS ROCHA LOPES
Teatro no Brasil49
Uma das primeiras manifestações do teatro no Brasil ocorreu no século XVI como forma de
catequização. O teatro era utilizado pelos jesuítas para instruir religiosamente os índios e colonos. O
padre Anchieta é um dos principais jesuítas que utilizou estes tipos de representações que eram
chamadas de teatro de catequese. Esse teatro possuía uma preocupação muito mais religiosa do que
artística, os atores eram amadores e não existiam espaços destinados à atividade teatral, as peças eram
encenadas em praças, ruas, colégios entre outros. Já no século XVII, além do teatro de catequese emerge
outros tipos de teatros que celebram festas populares e acontecimentos políticos, alguns lembram muito
o carnaval como conhecemos hoje, as pessoas saíam às ruas para comemorações vestidas com
adereços, desfilando mascaradas, dançando, cantando e tocando instrumentos.
Com a chegada da família real no Brasil, em 1808, o teatro dá um grande salto. D. João VI assina um
decreto de 28 de maio de 1810 que reconhece a necessidade da construção de "teatros decentes" para
a nobreza que necessitava de diversão. Grandes espetáculos começaram a chegar ao Brasil porém, além
de serem estrangeiros e refletirem os gostos europeus da época eram somente para os aristocratas e o
povo não tinha qualquer participação, o teatro não tinha uma identidade brasileira. No século XIX o teatro
brasileiro começa a se configurar e um grande marco foi a representação da tragédia Antônio José ou O
Poeta e a Inquisição de Gonçalves Magalhães em 13 de março de 1838. Esse drama foi encenado por
uma companhia genuinamente brasileira, com atores e propósitos nacionalistas formado pelo ator João
Caetano.
Nessa época surgem as Comédias de Costume com o escritor teatral Luiz Carlos Martins Pena que
buscava em fatos da época situações para arrancar da plateia muitos risos. Muitos autores teatrais
surgiram como Antônio Gonçalves Dias, Manuel Antônio Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Castro
Alves, Luís Antônio Burgain, Manuel de Araújo Porto Alegre, Joaquim Norberto da Silva, Antônio
Gonçalves Teixeira e Souza, Agrário de Menezes, Barata Ribeiro, Luigi Vicenzo de Simoni e Francisco
José Pinheiro Guimarães. Em 1855 surge o teatro realista no Brasil, o teatro deixa de lado os dramalhões
e visa o debate de temas atuais, problemas sociais e conflitos psicológicos tentando mostras e revelar o
cotidiano da sociedade, o amor adúltero, a falsidade e o egoísmo humanos. Um dos mais importantes
autores dessa época é Joaquim Manoel de Macedo, autor da obra-prima A Moreninha, de Arthur Azevedo.
A Semana de Arte Moderna de 1922, que foi um marco para as artes não abrangeu o teatro que ficou
esquecido, adormecido por longos anos.
A renovação do teatro brasileiro veio em 1943, com a estreia de Vestido de Noiva, de Gianfrancesco
Guarnieri e Nelson Rodrigues, sob a direção de Ziembinski, que escandalizou o público e modernizou o
palco brasileiro. Vestido de Noiva fez um grande sucesso assim como o Auto da Compadecida, de Ariano
Suassuna. Vale destacar Teatro Brasileiro de Comédia formado por grandes artistas como Cacilda
Becker, Tônia Carrero, Sérgio Cardoso, Paulo Autran, Fernanda Montenegro, entre outros e o Teatro de
Arena que encenou a peça Eles Não Usam Black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, em 1958, um grande
sucesso. Com o golpe militar em 1964 veio a censura e um número enorme de peças foram proibidas e
somente a partir dos anos 70 o teatro novamente ressurge mostrando produções constantes.

Ministério da Cultura cria teto para Lei Rouanet e promete maior controle50
O ministério da Cultura anunciou nesta terça-feira (21/03) a criação de um teto para liberação de
recursos pela Lei Rouanet. A legislação permite a captação de verbas para projetos culturais por meio de
incentivos fiscais para empresas e pessoas físicas. Pelas novas regras, o limite será de R$ 700 mil para
pessoas físicas e microempreendedores. Grandes empresas podem captar até R$ 40 milhões para até
10 projetos, sendo que um único projeto não pode receber mais de R$ 10 milhões.
Os cachês individuais também não poderão ultrapassar R$ 30 mil por artista. Todas as despesas dos
produtores serão pagas a partir de uma conta única do Banco do Brasil, e o ministério receberá os dados
sobre cada transferência em até 24 horas. Em 30 dias, o governo promete divulgar essas informações no
Portal da Transparência.
Os produtos gerados a partir da Lei Rouanet também vão sofrer mudança. Livros e ingressos deverão
ter valor médio de R$ 150. Antes o valor limite era de R$ 200. Na prática, uma peça de teatro pode custar
bem mais caro do que R$ 150, mas se o valor médio (considerando também o número de meias em
relação ao total de ingressos comprados) ficar até este limite, está autorizado.
Por exemplo, uma peça de teatro pode custar R$ 300, mas fazendo a média com número de cadeiras
de estudantes, o valor médio abaixa para R$ 150.

49
www.arte.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=196
50
21/03/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/ministerio-da-cultura-cria-teto-para-lei-rouanet-e-promete-maior-controle.ghtml

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As regras ainda estabelecem que o valor total da receita bruta da produtora não pode ser superior ao
valor previsto no projeto. Estão isentos dos limites de captação projetos que trabalhem com área de
patrimônio e museologia.
Segundo o Ministério da Cultura, o objetivo é trazer maior controle sobre a gestão e aproveitamento
dos recursos destinados para incentivar a cultura.
De acordo com a nova resolução, que substitui as regras aprovadas em 2013, o ministério vai priorizar
projetos que já tenham captado 10% dos recursos do orçamento aprovado. Na opinião do governo, essas
são propostas com maior chance de serem executadas. Atualmente, um a cada quatro projetos consegue
patrocínio suficiente para começar a fase preparatória e ser considerado executável pelos pareceristas
do ministério.
Os repasses da pasta foram alvos de uma operação da Polícia Federal deflagrada em junho de 2016,
a Operação Boca Livre, que segue investigando a liberação de R$ 180 milhões em projetos fraudulentos
com recursos da lei. Em 2016, a Lei Rouanet aprovou projetos no valor total de R$ 1,142 bilhão.

Descentralizar
Outro ponto da resolução desta terça (21/03) é o incentivo para projetos que forem realizados nas
regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país. Em 2016, o ministério informou que 91,1% das
liberações de recursos pela Lei Rouanet foram para projetos no Sul e Sudeste. A mesma concentração
foi registrada nos dois anos anteriores.
Para reduzir esse índice de desigualdade, o limite de orçamento poderá ser 50% maior caso o produtor
cultural apresente algum projeto a ser realizado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país.
Atualmente, os números do ministério mostram que enquanto 62% dos projetos beneficiados se
concentram na região Sudeste; o Nordeste conta com 8,13% dos favorecidos e Centro-Oeste e Norte
com 3,5% e 1,2% respectivamente.

Nomeação de Sérgio Sá Leitão para Cultura é publicada51


Sérgio Sá Leitão assume o comando do Ministério da Cultura no lugar do ministro interino João Batista
de Andrade, que estava no cargo desde maio, após o deputado Roberto Freire (PPS-PE) ter deixado a
pasta
A nomeação de Sérgio Sá Leitão para o comando do Ministério da Cultura está publicada na edição
desta terça-feira (25) do Diário Oficial da União. A cerimônia de posse do novo ministro ocorre às 11h, no
Palácio do Planalto.
Além da passagem pela direção da Agência Nacional de Cinema, para onde teve a indicação aprovada
em abril pelo Senado, Leitão ocupou a chefia de gabinete do Ministério da Cultura durante a gestão do
ex-ministro Gilberto Gil e foi secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro.
Sérgio Sá Leitão assume o comando do Ministério da Cultura no lugar do ministro interino João Batista
de Andrade, que estava no cargo desde maio, após o deputado Roberto Freire (PPS-PE) ter deixado a
pasta.

Artistas afirmam que vão à Justiça se sentirem que foram difamados52


Em reunião realizada no apartamento da produtora Paula Lavigne, quinta-feira à noite, em Ipanema,
Zona Sul do Rio de Janeiro, cerca de cem artistas visuais, curadores e colecionadores de arte, músicos,
atores, diretores e outros profissionais da área cultural decidiram contra-atacar. Um mês após o
cancelamento da exposição “Queermuseu” e dez dias depois da polêmica envolvendo a performance “La
Bête”, no MAM de São Paulo, eles definiram: artistas que se sentiram difamados por vídeos de políticos
e grupos na internet vão entrar na Justiça.
Eles se referem a vídeos como o do prefeito do Rio, Marcelo Crivella, que associou os dois eventos à
promoção de pedofilia e zoofilia. O prefeito de São Paulo, João Doria, também é citado pelo grupo, por
ter postado um vídeo em que descreve a performance do MAM como “cena libidinosa”.
Um dos que irão à Justiça é Adriana Varejão, autora da tela “Cenas de Interior II”, apresentada na
exposição “Queermuseu” e uma das acusadas de promover zoofilia.

51
AGÊNCIA BRASIL. Nomeação de Sérgio Sá Leitão para cultura é publicada. O Tempo. Política. Disponível em:
<http://www.otempo.com.br/capa/pol%C3%ADtica/nomea%C3%A7%C3%A3o-de-s%C3%A9rgio-s%C3%A1-leit%C3%A3o-para-cultura-%C3%A9-publicada-
1.1501297> Acesso em 26 de julho de 2017.
52
O TEMPO. Artistas afirmam que vão à justiça se sentirem que foram difamados. O Tempo. Disponível em:
<http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/magazine/artistas-afirmam-que-v%C3%A3o-%C3%A0-justi%C3%A7a-se-sentirem-que-foram-difamados-1.1529148>
Acesso em 09 de outubro de 2017.

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Campanha
O grupo decidiu também lançar uma campanha nas redes sociais, batizada de “#342 artes – Contra a
Censura e a Difamação”, com vídeos gravados na sexta-feira (6) e sábado (7) por nomes como a própria
Varejão, o pintor Vik Muniz, os cantores Marisa Monte e Caetano Veloso, as atrizes Cissa Guimarães e
Debora Lamm. O material começou a ser veiculado na sexta. No primeiro vídeo divulgado, o curador da
“Queermuseu”, Gaudêncio Fidélis, critica a postura do prefeito do Rio e do senador Magno Malta (PR-
ES) que, segundo ele, o convocou para a CPI dos maus-tratos contra crianças e adolescentes para “armar
um circo midiático”.
Varejão ressalta que o Ministério Público do Rio Grande do Sul foi à mostra “Queermuseu” e não
verificou nada relacionado à pedofilia e zoofilia. “Por mais absurdo que seja o MP ir a um museu para
verificar isso, esse fato demonstra claramente que as acusações são falsas, é uma campanha de
difamação passível de processo. Sofri vários ataques pessoais, e todos terão resposta”, afirma a pintora.
Para Vik Muniz, que se divide entre Nova York e Rio, a campanha contra artistas é semelhante à do
presidente Donald Trump nos Estados Unidos. “Por lá o Trump e sua base de apoio fazem o mesmo,
trazendo questões morais para o centro do debate enquanto elaboram uma agenda política muito mais
perniciosa. Crivella e Doria falam sobre exposições que não viram. Não dá para recorrer ao ‘não vi e não
gostei’ em um caso desses”, diz o pintor.
Procurada pela reportagem, a assessoria do prefeito Marcelo Crivella informou que a prefeitura não
irá se posicionar sobre o caso. A assessoria do prefeito João Doria enviou a mensagem: “Paula Lavigne
está desinformada. Ao referir-se à performance ‘La Bête’, (o prefeito) apontou que houve desrespeito ao
Estatuto da Criança e do Adolescente e manifestou uma opinião crítica em relação a seu conteúdo, o que
ele reafirma”. Procurado, o Movimento Brasil Livre não retornou às solicitações.

Sociedade

Em 79º lugar, Brasil estaciona no ranking de desenvolvimento humano da ONU


O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgou nesta terça-feira (21/03) o
Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), e o Brasil se manteve no 79º lugar no ranking que abrange
188 países, do mais ao menos desenvolvido. O relatório foi elaborado em 2016 e tem como base os
dados de 2015.
O IDH é um índice medido anualmente pela ONU e utiliza indicadores de renda, saúde e educação.
O ranking mundial de desenvolvimento humano dos países apresenta o índice de cada nação, que
varia de 0 a 1 – quanto mais próximo de um, mais desenvolvido é o país. No RDH divulgado nesta terça,
o Brasil registrou IDH de 0,754, mesmo índice que havia sido registrado em 2014.
Conforme o relatório da Pnud, esta foi a primeira vez desde 2010 que o IDH do Brasil se manteve no
mesmo patamar:

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A ONU divide os países entre os que têm o desenvolvimento humano "muito alto", "alto", "médio" e
"baixo".
Veja na imagem abaixo quais países ocupam os primeiros lugares no ranking mundial de IDH; os que
estão próximos à faixa do Brasil; e os que ocupam os últimos lugares no ranking:

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América Latina
Na América do Sul, alguns países vizinhos ao Brasil apresentaram índices de desenvolvimento
humano melhores.
O Chile, por exemplo, ficou em 38º lugar, com IDH 0,847; a Argentina, em 45º lugar (IDH 0,827); o
Uruguai, em 54º lugar (IDH 0,795); e a Venezuela, em 71º lugar (IDH 0,767).
No Mercosul, o único abaixo do Brasil no ranking é o Paraguai, no 110º lugar (IDH 0,693). O país se
enquadra naqueles com desenvolvimento humano "médio", segundo a ONU. Outros países vizinhos,
como Equador (IDH 0,739) e Colômbia (IDH 0,727), ficaram nas posições 89 e 95, respectivamente.
Na América Central, também há países melhores classificados do que o Brasil. Cuba, por exemplo,
está no 68º lugar (IDH 0,775); Trinidad e Tobago, no 65º lugar (IDH 0,780); e Barbados, na 54ª posição
(IDH 0,795).

Brics
Entre os Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o país está atrás somente
da Rússia, no 49º lugar (IDH 0,804).
Na sequência, entre os países do grupo, aparecem China, no 90º lugar (IDH 0,738, excluída Hong
Kong); África do Sul, na 119ª posição (IDH 0,666); e Índia, no 131º lugar (IDH 0,624).

Desigualdade
Ao elaborar o Relatório de Desenvolvimento Humano, o Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento também divulga o "IDH ajustado à desiguldade".
Nem todos os países têm esse índice medido pela ONU. No caso do Brasil, o Pnud afirma que, se for
levado em conta o "IDH ajustado à desigualdade", o índice de desenvolvimento humano do país cairia de
0,754 para 0,561 e o Brasil cairia 19 posições no ranking mundial. Países vizinhos como Argentina e
Uruguai também perderiam posições, 6 e 7, respectivamente.
Entre os 20 primeiros países do ranking, classificados entre as nações com desenvolvimento humano
"muito alto", somente Países Baixos, Islândia, Suécia e Luxemburgo ganhariam posições, se levada em
conta a desigualdade social. Estados Unidos, Dinamarca e Israel, por exemplo, cairiam.

Escolaridade e expectativa de vida


Um dos itens que compõem o IDH é a expectativa de anos de estudo dos cidadãos. De 2010 a 2013,
esse número subiu de 14 anos para 15,2 anos, mas, desde então, não aumentou, se mantendo o mesmo
em 2014 e em 2015.
A média de anos de estudo, por outro lado, manteve neste ano a trajetória de crescimento que vem
sendo registrada desde 2010. Naquele ano, eram 6,9 anos. O número, então, subiu para 7,2 anos em
2012 e para 7,7 anos em 2014, por exemplo, chegando a 7,8 anos em 2015. A média brasileira, porém,
está abaixo das registradas no Mercosul e nos Brics.
Outro idem levado em conta na composição do IDH é a expectativa de vida ao nascer. Segundo o
relatório divulgado nesta terça, a expectativa dos brasileiros manteve a trajetória de crescimento dos
últimos. De 2014 para 2015, o índice subiu de 74,5 anos para 74,7 anos.
Desde 2010, o número tem subido. Naquele ano, eram 73,3 anos, depois, em 2011, passou para 73,6
anos; 73,9 anos (2012); e 74,2 anos (2013).

Metodologia
De acordo com a ONU, o Índice de Desenvolvimento Humano leva em consideração três fatores:
Saúde (expectativa de vida);
Conhecimento (média de anos de estudo e os anos esperados de escolaridade);
Padrão de vida (renda nacional bruta per capita).
Para formular o IDH, o Pnud informou que não coleta dados com os países analisados, mas, sim,
checa bases de dados internacionais, como da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização
Internacional do Trabalho (OIT).
De acordo com as Nações Unidas, é comum, após a divulgação do IDH, países reivindicarem melhores
avaliações conforme dados próprios, contrariando o "princípio de independência" que o Pnud defende
para o ranking mundial.
O IDH divulgado nesta terça foi elaborado em 2016 com base nos dados de 2015. O relatório do Pnud
abrange 188 posições (no caso da China, o IDH de Hong Kong é divulgado em separado).
Segundo a ONU, o índice foi criado como uma forma de se contrapor ao critério de desenvolvimento
de um país tendo como base somente o resultado de crescimento econômico, medido pelo Produto
Interno Bruto (PIB).

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O organismo internacional diz que outros critérios, como acesso à educação e expectativa de vida,
também devem ser usados para medir o desenvolvimento de um país.

Brasil tem 2,6 milhões de crianças em situação de trabalho infantil, diz estudo53
O Brasil tem 2,6 milhões de crianças e adolescentes (entre 5 e 17 anos) em situação de trabalho
infantil, segundo levantamento feito pela Fundação Abrinq. O panorama nacional da infância e
adolescência é lançado nesta terça-feira (21/03) pela organização sem fins lucrativos que promove a
defesa dos direitos de crianças e adolescentes.
A pesquisa ainda aponta um aumento de 8,5 mil crianças de 5 a 9 anos em situação de trabalho infantil,
e redução de 659 mil crianças e adolescentes na faixa de 10 a 17 anos na comparação entre os anos de
2014 e 2015 – segundo dados da Pnad 2015.
A maior parte delas encontra-se nas regiões Nordeste e Sudeste, sendo que, proporcionalmente, a
Região Sul lidera a concentração desse público nessa condição.
A compilação reúne os dados mais recentes no tema, disponibilizados em órgãos como IBGE,
Ministério da Saúde, Ministério da Educação, Disque Denúncia, entre outros.

Pobreza
O “Cenário da Infância e Adolescência – 2017” também revela que 17,3 milhões de crianças de 0 a 14
anos, equivalente a 40,2% da população brasileira nessa faixa etária, vivem em domicílios de baixa renda,
segundo dados do IBGE (2015).
Entre as regiões que apresentam a maior concentração de pobreza (pessoas que vivem com renda
domiciliar per capita mensal igual ou inferior a meio salário mínimo), o Nordeste e o Norte do País
continuam apresentando os piores cenários, com 60% e 54% das crianças, respectivamente, vivendo
nessa condição.
O guia também traz números sobre o que é considerado como “extrema pobreza”, isto é, crianças cuja
família tem renda per capita é inferior a ¼ de salário mínimo: 5,8 milhões de habitantes (13,5% da
população) de 0 a 14 anos de idade.
A publicação chama a atenção sobre o fato de as regiões que mais concentram crianças e
adolescentes no Brasil apresentarem, justamente, os piores indicadores sociais. No Norte do país, 25,5%
dos bebês dos nascidos são de mães com menos de 19 anos.

Violência
De acordo com o estudo, quase 18,4% dos homicídios no país são praticados contra crianças e
adolescentes. Pouco mais de 80% deles com armas de fogo.
A região Nordeste concentra a maior proporção de homicídios de crianças e jovens por armas de fogo
e supera a proporção nacional em 5,4 pontos percentuais.

Trabalhadores com mais de 65 anos ocupam menos de 1% das vagas formais54


Se a proposta de reforma da Previdência do governo federal for aprovada, a maioria dos brasileiros
terá que trabalhar além dos 65 anos para conseguir a aposentadoria integral e manter seu padrão de vida
na terceira idade. Quem optar por esse caminho, vai esbarrar em um número limitado de vagas formais
para os idosos no mercado de trabalho brasileiro.
Estimativas do IBGE apontam que a população brasileira tem cerca de 16 milhões de pessoas com
mais de 65 anos. No entanto, apenas 137,6 mil delas ocupam vagas formais no mercado de trabalho, de
acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2015. Esse grupo representa
apenas 0,3% dos 48 milhões de trabalhadores formais na economia brasileira em 2015.
Além dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que englobam os
trabalhadores celetistas (regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT), os números da Rais
também incluem os servidores públicos federais, estaduais e municipais, além de trabalhadores
temporários.
De acordo com a Rais de 2015, dos 5.570 municípios do país, 906 não tinham nenhum trabalhador
com essa idade. A maior parte dos municípios (4.234) tinha, cada um, menos de 50 trabalhadores com
65 anos ou mais.
Entre as cidades com trabalhadores acima de 65 anos, aquela que tem mais pessoas nessa condição
é São Paulo (15.756), seguida por Rio de Janeiro (10.935), Belo Horizonte (3.652), Brasília (3.508),
Fortaleza (3.116), Salvador (3.072), Porto Alegre (3.011), Curitiba (2.957), Recife (2.873) e Belém (1.897).

53
21/03/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/brasil-tem-26-milhoes-de-criancas-em-situacao-de-trabalho-infantil-diz-estudo.ghtml
54
12/01/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/trabalhadores-com-mais-de-65-anos-ocupam-menos-de-1-das-vagas-formais.ghtml

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Reforma da Previdência
O governo federal apresentou no início de dezembro uma proposta para a reforma da Previdência
Social. Uma das principais mudanças é a criação de uma idade mínima de aposentadoria, de 65 anos,
para homens e mulheres. Essa regra inviabilizaria que trabalhadores mais jovens se aposentassem por
tempo de contribuição, como ocorre atualmente.
A proposta também muda o cálculo do benefício do aposentado. Para conseguir a aposentadoria
integral, o trabalhador deveria contribuir por 49 anos. Ou seja, apenas aqueles que começaram a trabalhar
com 16 anos teriam aposentadoria integral ao se aposentar com a idade mínima.
A proposta está em tramitação no Congresso Nacional e ainda pode sofrer modificações antes de
entrar em vigor.

Idosos na economia informal


De acordo com a pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ana Amélia
Camarano, o número de idosos com mais de 65 anos trabalhando sobe quando se considera também o
mercado informal.
Citando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE, ela informou que
havia cerca de 2,82 milhões de trabalhadores com mais de 65 anos no país em 2014 – enquanto que a
população economicamente ativa somava mais de 100 milhões de pessoas.
"As pessoas se aposentam mais cedo. Aqui no Brasil, a legislação permite que as pessoas se
aposentem cedo e continuem trabalhando. Provavelmente, muitos dos que voltaram a trabalhar estão nas
atividades informais", avaliou a pesquisadora. Segundo ela, muitos trabalhadores com mais de 65 anos
atuam no setor de serviços ou na agricultura.
A pesquisadora defende a necessidade de se fazer uma reforma da Previdência no país, com aumento
da idade mínima, mas avaliou que é necessário oferecer um "pacote mais completo" para a população,
englobando também medidas de saúde e de capacitação de idosos para o mercado de trabalho.
Para o secretário de Finanças da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo, esses
números mostram a "realidade do Brasil", onde os trabalhadores ingressam muito cedo no mercado de
trabalho.
De acordo com Severo, os empregadores são "preconceituosos". "Um trabalhador acima de 45, 50
anos não consegue voltar para o mercado de trabalho, que é altamente rotativo. Há uma resistência por
parte dos empregadores em contratar pessoas com mais idade, assim como os planos de Saúde [em
aceitar pessoas com mais idade]. É por isso que o mercado de trabalho exige pessoas jovens e, ao
mesmo tempo, com experiência, [o que é] uma contradição. Isso vai cada vez mais dificultando a vida de
quem tem mais idade", disse.
"A CUT é contrária a ter idade mínima para aposentadoria. Defendemos a lógica do tempo de
contribuição, de 30 anos para mulher e 35 para homem, como está hoje", afirmou ele.
Empresas terão de se adaptar
Segundo Celso Bazzola, especialista em Recursos Humanos e diretor da consultoria de RH BAZZ, o
mercado de trabalho mudou muito nos últimos anos. "Até 2007, 2008 havia uma tendência maior de não
absorver mão de obra com uma maior idade, mas as empresas vêm percebendo que a experiência é
importante. Isso já está mudando nos últimos anos", afirmou Bazzola.
Para ele, com a possibilidade de mudança nas regras de aposentadoria, com a instituição de uma
idade mínima de 65 anos, conforme a proposta do governo, o mercado de trabalho, principalmente, as
empresas, terão de começar a analisar a integração de profissionais mais experientes nos seus quadros
profissionais.
"Vai ser algo bastante gradativo e muito pontual [o aumento da contratação de pessoas com mais
idade]. Vai crescendo conforme acontece em outros países já", avaliou Bazzola.
Segundo o especialista em recursos humanos, os profissionais com mais idade tendem a atuar como
"tutores" para os mais jovens, em escolas, cursos universitários, "coaching", e engenharia por exemplo.
"Existe uma absorção interessante acima de 45 anos [nessas áreas]."

Brasil tem greve e protestos em 25 estados contra as reformas de Temer55


Paralisação de 24 horas convocada por centrais sindicais e movimentos sociais acontece em todo o
país. Serviços de transporte coletivo, aeroportos e escolas são os principais afetados.

55
DW. Brasil tem greve e protestos em 25 estados contra as reformas de Temer. DW Brasil. Disponível em: < http://www.dw.com/pt-br/brasil-tem-greve-e-
protestos-em-25-estados-contra-as-reformas-de-temer/a-38630159> Acesso em 28 de abril de 2017.

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Diversas cidades em todo o país amanheceram com vias bloqueadas nesta sexta-feira (28/04), devido
à greve geral contra as reformas trabalhista e da Previdência, ainda em tramitação, e a Lei da
Terceirização.
A greve, que pretende ser maior em mais de 20 anos, foi convocada após a Câmara dos Deputados
aprovar a reforma trabalhista na quarta-feira. Convocada por centrais sindicais e movimentos sociais, a
paralisação foi acordada nos últimos dias em vários estados por meio de assembleias. Com adesão em
25 estados e no Distrito Federal, a greve e as manifestações afetaram, sobretudo, os serviços de
transporte coletivo, aeroportos e escolas.

Brasília
Rodoviários, metroviários, bancários, professores da rede pública e privada, servidores administrativos
do governo do DF e do Departamento de Trânsito (Detran), além de técnicos e professores da
Universidade de Brasília (UnB) prometeram parar suas atividades por 24 horas, informa a Central Única
dos Trabalhadores (CUT).
Também devem aderir vigilantes, trabalhadores do setor de hotéis, bares e restaurantes, servidores
da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), da Companhia Energética de Brasília (CEB) e
do Ministério Público da União, além dos trabalhadores do ramo financeiro, como os de transporte de
valores.

São Paulo
Pelo menos 15 categorias afirmaram que participarão da greve. Entre elas, estão professores da rede
pública estadual, municipal e particular, bancários, servidores municipais, trabalhadores da Saúde e
Previdência do estado e metalúrgicos do ABC.
Metroviários (com exceção da Linha Amarela), ferroviários (Linhas 7, 10, 11 e 12 da CPTM não
funcionarão) e rodoviários também cruzarão os braços por um dia, Já os funcionários dos Correios
decretaram greve nacional por tempo indeterminado.

Rio de Janeiro
A greve geral tem a adesão de funcionários do metrô, motoristas e cobradores de ônibus, policiais
civis, militares, federais; servidores da Justiça Federal e da Trabalhista; radialistas; petroleiros; carteiros
e aeroviários.
A Secretaria Estadual de Transportes, contudo, informou que os sistemas de metrô, trens, barcas e
ônibus intermunicipais funcionarão normalmente, ainda que com planos de contingência.
Professores das escolas públicas e particulares também prometeram aderir, mas as secretarias
estadual e municipal de Educação avisaram que as escolas abrirão normalmente e que os profissionais
que faltarem terão o ponto cortado.

Belo Horizonte
Rodoviários, metroviários, professores das redes pública e privada, servidores públicos, profissionais
da saúde, trabalhadores dos Correios, eletricitários, bancários, psicólogos, economistas, jornalistas,
radialistas, petroleiros e aeroportuários, entre outros, prometeram aderir à greve.
No caso dos professores das escolas municipais, foi aprovada uma greve de dois dias, que teve início
já na véspera. Professores e servidores da Universidade Federal de Minas Gerais também decidiram
parar. Algumas unidades do setor de saúde devem funcionar com escala reduzida, a exemplo do Hospital
de Pronto-Socorro João XXIII e dos hospitais Júlia Kubistchek e Odete Valadares.
O TRT-MG declarou feriado no órgão, suspendendo as audiências e os prazos que venceriam na data.
A BH Airport, concessionária do Aeroporto Internacional de Confins, afirmou que os serviços serão
oferecidos normalmente, mas pede que os passageiros se informem diretamente com as companhias
aéreas sobre a situação de seus voos.

Salvador
Rodoviários, bancários, professores das redes estadual e municipal, petroleiros, além de servidores
municipais, da Justiça e do Ministério Público Estadual afirmaram que irão parar as atividades. Os
médicos estaduais também informaram que vão suspender os atendimentos eletivos (como consultas),
mas que os serviços de urgência e de emergência serão mantidos.
No Aeroporto Internacional de Salvador, aeronautas anunciaram adesão ao movimento, e voos
poderão ser cancelados ou remarcados. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas orienta os
passageiros com viagem marcada para que entrem em contato com a empresa aérea e se informem
sobre possíveis cancelamentos e remarcações.

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Recife
Policiais civis, federais, rodoviários federais, agentes penitenciários e guardas municipais do Recife
devem aderir à greve geral. Também prometeram parar servidores da Assembleia Legislativa e do
Ministério Público de Pernambuco, professores e servidores das redes estadual, municipal e privada de
educação e auditores fiscais da Secretaria da Fazenda do estado. Houve adesão ainda de metalúrgicos,
petroleiros, químicos, indústria naval, construção pesada, bancários e comerciários.
Uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT) determinou que os serviços de
ônibus e metrô funcionem com 50% da frota nos horários de pico e 30% nos demais períodos e
estabeleceu uma multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento. O Sindicato dos Rodoviários de
Pernambuco, porém, informou que a paralisação está mantida.

Porto Alegre
Rodoviários, metroviários, aeroviários e bancários prometeram aderir à greve. Professores das redes
municipal, estadual, tanto do setor público quanto privado, também aprovaram a adesão.

Curitiba
Motoristas e cobradores de ônibus, professores e servidores das escolas municipais e estaduais,
servidores estaduais da saúde, aeroviários e trabalhadores da limpeza urbana decidiram paralisar nesta
sexta-feira.

34% dizem ter vergonha de ser brasileiros, segundo Datafolha56


Ainda segundo o levantamento, publicado pelo jornal 'Folha de S.Paulo', 63% se sentem mais
orgulhosos do que envergonhados.
Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada nesta terça-feira (2) pelo jornal "Folha de S.Paulo" apontou
que 34% têm vergonha de ser brasileiros. O índice daqueles que têm mais orgulho do que vergonha de
ser brasileiros é de 63%, o menor valor para a série histórica, segundo o Datafolha.
O Datafolha questiona a população sobre o orgulho de ser brasileiro desde 2000. O menor resultado
havia sido em julho de 2016, quando 67% diziam se sentir orgulhosos. Já o menor índice dos
envergonhados havia sido em 2000, quando era de 9%.
A atual pesquisa ouviu 2.781 pessoas em 172 municípios na semana passada. A margem de erro de
2 pontos percentuais para mais ou para menos.
O Datafolha também ouviu as pessoas sobre a avaliação do Brasil como lugar para viver. Para 54%,
o Brasil é um país ótimo ou bom para morar, uma queda de sete pontos percentuais desde o final do ano
passado. Para 26% é regular e para 20% é ruim ou péssimo.
Segundo o instituto, as duas avaliações, apesar de estar em queda, ainda mostram otimismo com o
país, já que a maioria sente orgulho de ser brasileiro e considera o Brasil um bom lugar para morar.

Governo Temer empurra Brasil de volta ao mapa mundial da fome57


Jornal GGN - A crise econômica aumentou o desemprego no Brasil e ações deflagrados no governo
Temer, sob o guarda-chuva do ajuste fiscal, empurra o País de volta ao mapa mundial da fome da ONU.
Entre elas, a exclusão de pessoas do programa Bolsa Família e o corte no programa de agricultura
familiar, que tem impedido centenas de milhares de pessoas de terem renda suficiente para comprar
alimentos. É o que aponta reportagem publicada pelo jornal O Globo neste domingo (9).
Segundo o veículo, "três anos depois de o Brasil sair do mapa mundial da fome da ONU — o que
significa ter menos de 5% da população sem se alimentar o suficiente —, o velho fantasma volta a
assombrar famílias" no Brasil.
O alerta conta em relatório que será apresentado às Nações Unidas na próxima semana, sobre o
"cumprimento de um plano de ação com objetivos de desenvolvimento sustentável acordado entre os
Estados-membros da ONU, a chamada Agenda 2030".
O Globo ouviu de Francisco Menezes, coordenador do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Soicias
e Econômicas) e consultor do ActionAid, que "o país atingiu um índice de pleno emprego, na primeira
metade desta década, mesmo os que estavam em situação de pobreza passaram a dispor de empregos
formais ou informais, o que melhorou a capacidade de acesso aos alimentos".
Mas a mudança na base de dados do Bolsa Família com o intuito de esvaziar o programa, realizada
no final do ano passado, além da "redução do valor investido no Programa de Aquisição de Alimentos da
56
G1, BRASÍLIA. 34% dizem ter vergonha de ser brasileiros, segundo Datafolha. G1, Política. Disponível em: < http://g1.globo.com/politica/noticia/34-dizem-ter-
vergonha-de-ser-brasileiros-segundo-datafolha.ghtml> Acesso em 02 de maio de 2017.
57
NASSIF, LUIS. Governo Temer empurra Brasil de volta ao mapa mundial da fome. GGN. Disponível em: <http://jornalggn.com.br/noticia/governo-temer-
empurra-brasil-de-volta-ao-mapa-mundial-da-fome> Acesso em 11 de julho de 2017.

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Agricultura Familiar (PAA), que compra do pequeno agricultor e distribui a hospitais, escolas públicas e
presídios, são uma vergonha para um país que trilhava avanços que o colocava como referência em todo
o mundo".
O jornal lembrou que, ano passado, Temer promoveu um "pente-fino" no Bolsa Família com a desculpa
de que o programa estava cheio de beneficiários que adulteravam os dados para continuar recebendo a
ajuda de custo do governo sem ter necessidade. Com esse valor "economizado", Temer pretendia fazer
um reajuste no programa.
Porém, segundo O Globo, o pente-fino do governo só mostrou que a pobreza no Brasil avança a
passos largos, em meio à crise econômica.
"O resultado [do pente-fino], porém, foi a confirmação de um fenômeno de empobrecimento. Ao cruzar
bases de dados, a fiscalização encontrou mais de 1,5 milhão de famílias que tinham renda menor que a
declarada — haviam perdido o emprego, mas não atualizaram o cadastro — e, por isso, teriam direito a
benefícios maiores do que recebiam. Isso corresponde a 46% dos 2,2 milhões de famílias que caíram na
malha fina por inconsistência nos dados. E o prometido reajuste no benefício, que seria de 4,6%, foi
suspenso no fim do mês passado pelo governo, por falta de recursos."
No Facebook, a assessoria de Lula comentou a reportagem. "O Brasil estava no caminho da inclusão
social e da redução da fome e da miséria, com programas sociais que são referência em todo mundo.
Com a sabotagem promovida pelos golpistas e o golpe, o Brasil saiu desse caminho."

Refugiado sírio é atacado em Copacabana: 'Saia do meu país!'58


Mohamed Ali vendia esfirras na esquina da Rua Santa Clara com a Avenida Nossa Senhora de
Copacabana quando foi insultado
RIO - Um refugiado sírio foi vítima de um ataque em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Mohamed Ali,
de 33 anos, que vende esfirras e outros quitutes árabes, e foi agredido verbalmente por um homem por
causa do ponto de venda. Um vídeo da discussão foi publicado nas redes sociais e viralizou.
Nas imagens é possível ver um homem com dois pedaços de madeira nas mãos gritando: "saia do
meu país! Eu sou brasileiro e estou vendo meu país ser invadido por esses homens-bombas que
mataram, esquartejaram crianças, adolescentes. São miseráveis". Adiante no vídeo, ele ainda fala: "Essa
terra aqui é nossa. Não vai tomar nosso lugar não".
Os comerciantes chegam a derrubar a mercadoria de Mohamed no chão, que pergunta o motivo da
agressão. Os homens, então, falam novamente para ele sair do Brasil. Mohamed está no Brasil há três
anos e estava trabalhando na esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana com a Rua Santa
Clara na sexta-feira, quando tudo aconteceu.
— Eu não entendi muito bem porque ele veio brigar comigo. De repente ele começou a gritar e me
pedir para sair. Ele falava muito rápido e não consegui compreender algumas coisas. Outras pessoas que
estavam traduzindo para mim. Sei que ele falou que os muçulmanos estavam invadindo o país e falando
de homens-bomba. Não esperava que isso pudesse acontecer comigo. Vim para o Brasil porque a guerra
me fez vir para cá. Vim com amor, porque os amigos sempre diziam que o Brasil aceita muito outras
culturas e religiões, e as pessoas são amáveis e todos os refugiados procuram paz. Não sou terrorista,
se eu fosse, eu não estaria aqui, estaria lá — disse.
No vídeo, ainda é possível ouvir algumas pessoas defendendo Mohamed. Uma mulher ainda o orientou
a deixar o local diante da confusão. Ele, então, retira os pertences.
— Chegaram carros da polícia, da Guarda Municipal. Me falaram para registrar na polícia, mas não
quis. Não quero confusão. Quero apenas trabalhar em paz – disse.
No Facebook, diversos internautas pediram desculpas a Mohamed em nome dos brasileiros pelo
ocorrido:
"Olá, Mohamed Ali, boa noite. Em nome de todos os brasileiros e trabalhadores, peço desculpas pelo
que você passou enquanto trabalhava", escreveu uma internauta.
"Você é bem-vindo no Brasil. Perdoe este sujeito que te atacou, ele não sabe o que faz", disse outro.
Apesar do ocorrido e de ter medo de encontrar o homem que o ofendeu, Mohamed não tem intenção
de sair do Rio ou deixar de trabalhar em Copacabana.
– Passei a trabalhar em outro ponto para não encontrá-lo novamente, mas não vou sair daqui. Mudar,
trocar de casa, é difícil. Espero apenas que não aconteça novamente. Foi muito triste. Não quero outra
briga. Fico com medo. Trabalho sozinho – falou.
O titular da 12ª DP (Copacabana), Gabriel Ferrando, disse ter conhecimento das imagens, mas em
casos como o de Mohamed, a atuação da polícia depende de uma manifestação da vítima.

58
VIANA GABRIELA. Refugiado Sírio é atacado em Copacabana: ‘Saia do meu país!’. O Globo. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/rio/refugiado-sirio-
atacado-em-copacabana-saia-do-meu-pais-21665327?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=OGlobo> Acesso em 04 de agosto de 2017.

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– O ofendido não compareceu para registrar e denunciar o feito. Ameaça e injúria dependem de
manifestação de vontade da vítima. Independente disso estamos analisando as imagens para tentar
localizar os envolvidos. Estamos diligenciando – disse.
Em nota, a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI)
afirma que acompanha o caso do refugiado agredido. O órgão repudia o ataque de xenofobia, e afirma
que já está em contato com a família do sírio, que participou do curso de português oferecido pela
secretaria no ano passado, para prestar a assistência necessária.
"É inaceitável casos de xenofobia e intolerância religiosa ainda aconteçam no Rio de Janeiro. Essas
pessoas saíram dos seus países por serem vítimas de algum tipo de perseguição e viram no Brasil uma
oportunidade de recomeço. Eles trazem uma grande contribuição para a economia do estado, além da
rica troca cultural com os fluminenses.", afirma, em nota, o secretário Átila A. Nunes.

Juiz federal do DF libera tratamento de homossexualidade como doença59


Ação popular questionava resolução do Conselho Federal de Psicologia que proibia tratamentos de
reorientação sexual. Desde 1990, OMS deixou de considerar homossexualidade doença.
Justiça Federal do Distrito Federal liberou psicólogos a tratarem gays e lésbicas como doentes,
podendo fazer terapias de “reversão sexual”, sem sofrerem qualquer tipo de censura por parte dos
conselhos de classe. A decisão, do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, é liminar e acata parcialmente o
pedido de uma ação popular. Esse tipo de tratamento é proibido desde 1999 por uma resolução do
Conselho Federal de Psicologia. O órgão disse que vai recorrer.
A ação popular foi assinada por um grupo de psicólogos defensores das terapias de reversão sexual.
A decisão é de sexta-feira (15). Nela, Carvalho mantém a integralidade da resolução, mas determina que
o conselho não proíba os profissionais de fazerem atendimento de reorientação sexual. Além disso, diz
que os atendimentos têm caráter reservado.
Na resolução 01/1999, o conselho estabelece as normas de condutas dos psicólogos no tratamento
de questões envolvendo orientação sexual. De acordo com a organização, ela trouxe impactos positivos
no enfrentamento a preconceitos e proteção de direitos da população homossexual no país, “que
apresenta altos índices de violência e mortes por LGBTfobia”.
Para o Conselho Federal de Psicologia, terapias de reversão sexual representam “uma violação dos
direitos humanos e não têm qualquer embasamento científico”. Desde 1990, a homossexualidade deixou
de ser considerada doença pela Organização Mundial da Saúde.
Ainda de acordo com o conselho, a resolução não cerceia a liberdade dos profissionais nem de
pesquisas na área de sexualidade. O juiz mantém a resolução, mas determina que o Conselho Federal
de Psicologia não impeça os psicólogos de promoverem estudos ou atendimento profissional, de forma
reservada, e veta qualquer possibilidade de censura ou necessidade de licença prévia.
“O que está em jogo é o enfraquecimento da Resolução 01/99 pela disputa de sua interpretação, já
que até agora outras tentativas de sustar a norma, inclusive por meio de lei federal, não obtiveram
sucesso", afirma o conselho.
"O Judiciário se equivoca, neste caso, ao desconsiderar a diretriz ética que embasa a resolução, que
é reconhecer como legítimas as orientações sexuais não heteronormativas, sem as criminalizar ou
patologizar. A decisão do juiz, valendo-se dos manuais psiquiátricos, reintroduz a perspectiva
patologizante, ferindo o cerne da Resolução 01/99.”

Ação popular
Uma das autoras da ação popular que questionava a resolução é a psicóloga Rozângela Alves Justino,
que oferecia terapia para que gays e lésbicas deixassem de ser homossexuais. Ela foi punida em 2009
pela prática.
Na época, Rozângela disse ao G1 que considera a homossexualidade um distúrbio, provocado
principalmente por abusos e traumas sofridos durante a infância. Ela afirmou ter "aliviado o sofrimento"
de vários homossexuais.
“Estou me sentindo amordaçada e impedida de ajudar as pessoas que, voluntariamente, desejam
largar a atração por pessoas do mesmo sexo", disse Rozângela na ocasião.

Poema-sentença
O mesmo juiz decidiu, no ano passado, abandonar as formalidades e usou a poesia para afastar a
multa aplicada pelo Ibama a uma moradora de Brasília por manter uma arara-canindé em cativeiro sem

59
MORAIS, RAQUEL. Juiz Federal do DF libera tratamento de homossexualidade como doença. G1 Distrito Federal. Disponível em:
<https://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/juiz-federal-do-df-libera-tratamento-de-homossexualidade-como-doenca.ghtml> Acesso em 19 de setembro de 2017.

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autorização ambiental. Nos 77 versos, o magistrado descreve a história do processo, fundamenta a
decisão, extingue a cobrança e ainda dá um "puxão de orelha" na Justiça.
Segundo a decisão, Elisabete Ramos dos Santos deveria pagar R$ 5 mil. Em depoimento, a acusada
informou à Justiça que o pássaro pertencia ao irmão desde 1993 e foi herdado por ela após a morte do
familiar.
Na sentença, o juiz da 14ª Vara Federal Waldemar Cláudio de Carvalho diz que a idosa tentou entregar
a ave ao Zoológico de Brasília, após ouvir reclamações de vizinhos, mas não teve sucesso. A arara foi
entregue à polícia. Meses depois, Elisabete recebeu a multa e recorreu à Justiça para anular a cobrança.
"Quanto recurso despendido: / salário, tempo, papel e atos demandados, / para movimentar o
Judiciário / com mais essa demanda desnecessária", diz um trecho da sentença. Carvalho diz que a ave
vivia solta na varanda e, por isso, não estava propriamente "em cativeiro".
Com a decisão, a multa foi extinta e o processo foi enviado para arquivamento.

Brasil elimina disparidades entre homens e mulheres na educação e na saúde, mas política e
economia derrubam país em ranking global60
O Brasil é um dos países mais igualitários do mundo quando o assunto é o acesso de homens e
mulheres à educação e saúde, mas figura entre aqueles onde mais imperam disparidades de gênero nos
campos político e econômico.
A conclusão faz parte do "The Global Gender Gap Report 2017", um estudo divulgado pelo Fórum
Econômico Mundial nesta quinta-feira, que revela o tamanho da desigualdade em 144 países e aponta
quais seriam os ganhos com a reversão desse quadro.
Os dados mostram que desde o início da série histórica, em 2006, é a primeira vez que a igualdade
de gênero retrocede globalmente. No Brasil, porém, o nível de desigualdade é o maior desde 2011 - o
país caiu 23 posições no ranking, figurando em 90º lugar na lista global e com o terceiro pior desempenho
na região que engloba América Latina e Caribe, depois apenas de Paraguai e Guatemala.
A igualdade é medida no levantamento em uma escala de 0 a 1 - quanto mais próximo a 1, maior a
igualdade entre homens e mulheres. Para o Brasil, a nota registrada em 2017 ficou em 0,684, a menor
desde 2011, quando estava em 0,668.
"A posição atual do Brasil no relatório se deve a duas disparidades de gênero em particular - a política
e a econômica", disse por email à BBC Brasil Vesselina Stefanova Ratcheva, economista e coautora do
relatório.
Segundo ela, o país pouco progrediu ao longo dos últimos dez anos no sentido de resolver o problema
no campo econômico. Nessa área, perdeu 20 posições de 2006 para cá, passando do 63º para o 83º
lugar - os principais gargalos são as disparidades de salários em funções semelhantes e de renda obtida
por meio do trabalho.

Política
A desigualdade na política é outro gargalo, observa a economista.
"Nosso índice constata que 2017 tem a menor igualdade de gênero em cargos políticos no Brasil desde
que começamos a calculá-lo, em 2006. Isso contrasta com uma região que, na média, se atua fortemente
para a inclusão das mulheres no campo político."
A participação feminina é medida pelo chamado "empoderamento político", e é considerada um dos
principais problemas para o país em relação à desigualdade. O Brasil foi da 86ª para a 110ª posição no
período de 11 anos englobado no relatório - embora sua nota tenha subido de 0.061 para 0.101, o que
indica um ambiente mais igualitário.
O estudo coloca o país entre os piores em dois aspectos: mulheres no parlamento e em posições
ministeriais, rankings em que ocupa, respectivamente, a 121ª e a 134ª posições.
Segundo o Fórum Econômico Mundial, a maior igualdade nesse âmbito foi registrada entre 2011 e
2015, período que engloba a governo Dilma Rousseff. Seu sucessor, Michel Temer, foi duramente
criticado ao assumir o governo nomeando apenas ministros homens - após as críticas, ele nomeou
mulheres para posições de destaque.

Avanços
Nos campos da educação e da saúde, o Brasil se mantém em posição estável e de liderança nos
últimos anos, dividindo o topo do ranking com pouco mais de 30 países. Mesmo assim, ainda enfrenta
desafios, diz a coautora do relatório.

60
Moura. R. Brasil elimina disparidades entre homens e mulheres na educação e na saúde, mas política e economia derrubam país em ranking global. BBC
Brasil. Disponível em: < http://www.bbc.com/portuguese/brasil-41853171?ocid=socialflow_twitter> Acesso em 03 de novembro de 2017.

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"Hoje, o Brasil acabou com a desigualdade de gênero em nível educacional, mas, como em muitas
outras economias em todo o mundo, desequilibra na contratação, retenção e remuneração, entre vários
fatores analisados no relatório, que impedem uma maior integração das mulheres no mercado de trabalho
- e de forma igualitária em todos os setores", observa Ratcheva.
Nesse campo, o relatório também leva em consideração o nível educacional de homens e mulheres
que chegam ao mercado de trabalho.
O Brasil foi o único país da América Latina e um dos seis, em meio às 144 nações, a eliminar a
desigualdade entre homens e mulheres na área de educação. Em saúde e sobrevivência, a diferença
também está próxima do fim. Tais resultados são semelhantes aos registrados nos últimos anos.
Neste ano, somente outros cinco países conseguiram resolver as disparidades nas duas áreas:
República Checa, Letônia, Lituânia, Eslováquia e Eslovênia.
No que diz respeito à educação, são consideradas a taxa de alfabetização e de matrículas nos ensinos
primário e secundário. Na saúde, a análise se dá sobre a razão entre os sexos no nascimento e a
expectativa de vida saudável entre eles.

Ganhos com a igualdade


Globalmente, o estudo observa que apenas 58% da desigualdade de gênero foi resolvida pelos países,
o pior índice desde 2008.
Segundo o estudo, a igualdade deve resultar em ganhos econômicos expressivos, que variam de
acordo com o contexto de cada país.
O texto não traz estimativas específicas para o Brasil, mas no caso do Reino Unido, por exemplo,
mostra que avançar nessa área significaria um reforço adicional de US$ 250 bilhões no Produto Interno
Bruto (PIB).

Nos Estados Unidos, o valor projetado é de US$ 1,7 trilhão.


Há um longo caminho, no entanto, até que as disparidades registradas no estudo sejam eliminadas.
No atual estágio, estima-se que a Europa Ocidental será a região a resolver o problema mais rápido, mas
ainda assim daqui a 61 anos. Na área que englobe a América Latina e o Caribe - e que inclui o Brasil -
serão necessários 79 anos. Para a América do Norte, o tempo previsto chega a 168 anos.
Outro ponto destacado pelo estudo é a fraca presença feminina em áreas como engenharia, indústria
e construção, bem como nos segmentos de comunicação e tecnologia. Áreas que, afirma o relatório,
estão abrindo mão dos os benefícios da diversidade.

Comissão dá aval à PEC que proíbe aborto61


Em sessão tumultuada, vence proposta que pode restringir até interrupções legais da gravidez
BRASÍLIA - A Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 8, um texto
que, na prática, pode levar à proibição de todas as formas de aborto no País, incluindo as hipóteses que
atualmente são autorizadas na legislação e livres de punição.
Em uma sessão tumultuada, venceu a proposta de alterar a Constituição para que o princípio da
dignidade da pessoa humana e a garantia de inviolabilidade do direito à vida passem a ser respeitados
desde a concepção e não, como é hoje, após o nascimento. A PEC havia sido apresentada originalmente
para se discutir a ampliação da licença-maternidade em caso de bebês prematuros de 120 para 240 dias.
O relator da proposta, Jorge Tadeu Mudalem (DEM-SP), no entanto, sob influência da bancada
evangélica, alterou o texto para incluir também as mudanças relacionadas à interrupção da gravidez.
A mudança foi uma resposta à 1.ª Turma do Supremo Tribunal Federal que, em 2016, havia decidido
não considerar crime a prática do aborto durante o primeiro trimestre de gestação, independentemente
da motivação da mulher.
A comissão foi instalada em dezembro. Entre os 35 membros titulares do colegiado, só seis são
mulheres. Dos parlamentares integrantes, quase um terço tem iniciativas para restringir o direito ao aborto
legal.
O presidente da comissão especial, deputado Evandro Gussi (PV-SP), negou que o texto aprovado
nesta quarta coloque em risco as garantias hoje existentes. Atualmente, o aborto não é punido nos casos
em que a gravidez é resultante do estupro ou quando represente ameaça à vida da gestante. “Hoje essas
duas formas não são punidas e assim vai permanecer. O maior impacto do texto é impedir que o aborto
seja descriminalizado”, disse Gussi.

61
CARDOSO, D. FORMENTI, L. Comissão dá aval à PEC que proíbe aborto. Estadão Brasil. Disponível em:
<http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,comissao-aprova-pec-que-impossibilita-aborto-destaques-ainda-precisam-ser-votados,70002077147> Acesso em 09 de
novembro de 2017.

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A deputada Érika Kokay (PT-DF), no entanto, tem avaliação diferente. “Impede a discussão da
interrupção da gravidez e traz, no mínimo, insegurança jurídica para os casos já permitidos no Código
Penal”, afirmou.
Foi aprovado apenas o texto principal. Na próxima semana, será a vez de a comissão especial votar
os destaques. Dentre as propostas que deverão ser avaliadas está a de suprimir justamente o trecho que
determina o respeito à vida desde a concepção. Uma vez avaliados os destaques, o texto fica disponível
para o plenário da Casa, onde precisará de 308 votos para ser aprovado, em dois turnos.

Um terço das mulheres nordestinas são vítimas de violência doméstica62


“O Nordeste é uma das regiões com mais desigualdades no país, com machismo arraigado e
concentração de população negra”, afirma Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.
A violência doméstica emocional, como humilhações e ameaças, atinge 27% das mulheres nordestinas
entre entre 15 e 49 anos. É o que revela a Pesquisa Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica
e Familiar contra a Mulher, da Universidade Federal Ceará e do Instituto Maria da Penha, financiada pela
Secretaria de Políticas para as Mulheres e apoio do Instituto Avon.
O estudo dos professores José Raimundo Carvalho e Victor Hugo de Oliveira, com 10 mil mulheres, é
o primeiro que faz uma ligação da violência doméstica no Nordeste brasileiro, com foco entre gerações,
vulnerabilidades raciais e socioeconômicas e incidência sobre a saúde, direitos sexuais e direitos
reprodutivos das mulheres.
De acordo com a pesquisa, o percentual de mulheres vítimas de agressão física na região é de 17,
27% e de violência sexual fica em 7,13%. Já as capitais Maceió (AL), Recife (PE) e Aracaju (SE) se
destacam nos índices de incidência considerável da violência doméstica, com 68,89%, 53,33% e 46,67%,
respectivamente.
O professor José Raimundo Carvalho estima que, fora das capitais, o nível de violência seja "três
vezes maior do que isso, no mínimo".
As agressões são cometidas tanto por parceiros (45% de violência emocional e 37% de violência física
quanto por ex-parceiros (44% de violência emocional e 48% de violência física para o último ex-parceiro).
"O fato de ex-parceiros serem tão ou mais violentos do que parceiros atuais pode ser entendido ao se
considerar que o fim de uma relação, geralmente aquela encerrada pela mulher, representa um duro
golpe em termos de transgressão de normas de gênero preponderantes nas concepções sobre
relacionamento desses homens", diz o estudo.
Um indicador, que demonstra que 39,3% da vizinhança e 29,45% do círculo social das vítimas
percebeu a violência doméstica mostra que "há uma intrincada e simultânea teia de relacionamentos
permanentemente em ação", o que pode motivar intervenções inovadoras para ajudar na redução do
problema, de acordo com a pesquisa.

Violência na gravidez
Entre as mulheres nordestinas, 6,2% sofreram agressão física durante a gestação. Dessas, 77% eram
negras. "O Nordeste é uma das regiões com mais desigualdades no país, com machismo arraigado e
concentração de população negra. A pesquisa capta a complexidade da violência de gênero com recorte
racial e geracional, que demanda respostas políticas multisetoriais como estabelece a Lei Maria da Penha
ao evocar ações integradas da saúde, segurança pública, justiça, educação, psicossocial e autonomia
econômica", afirma Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.
Para Gasman, a pesquisa traz dados concretos que podem colaborar para a implementação do Marco
de Parceria das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável 2017-2021 pela ONU Brasil e o
governo brasileiro. A divulgação dos dados faz parte da campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da
Violência contra as Mulheres. "Mulheres e meninas devem ser significativamente apoiadas para que
levantem suas vozes", afirmou no lançamento da pesquisa, nesta quinta-feira (23).
Presente no lançamento do estudo, a farmacêutica Maria da Penha, que dá nome à lei de combate à
violência contra mulher no Brasil e incentivadora do estudo, destacou a importância da abordagem da
violência doméstica incluindo aspectos socioeconômicos e a transmissão da agressão pelas gerações.
"O banco de dados dessa pesquisa inaugura uma nova etapa nos debates sobre violência doméstica em
âmbito nacional", afirmou.
A pesquisa também revela que mulheres com mais instrução sofrem menos de violência doméstica
durante a gravidez. Por exemplo, 0,9% das mulheres com ensino superior ou nível educacional mais

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FERNANDES, MARCELLA. Um terço das mulheres nordestinas são vítimas de violência doméstica. Huffpost BR. Disponível em:
<http://www.huffpostbrasil.com/2017/11/23/um-terco-das-mulheres-nordestinas-ja-foram-vitimas-de-violencia-
domestica_a_23286465/?ncid=tweetlnkbrhpmg00000002> Acesso em 28 de novembro de 2017.

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elevado reportaram ter sido fisicamente agredidas pelo parceiro durante a gravidez, enquanto o
percentual é dez vezes superior entre mulheres sem instrução ou ensino fundamental incompleto (9.4%).
Entre as vítimas de violência na gravidez, 82,5% delas sofreram agressões em mais de uma gestação.
"Essa evidência sugere que as agressões eram recorrentes a cada gestação, indicando um elevado grau
de vulnerabilidade da mulheres gestantes vítimas de violência doméstica", aponta o estudo.
A agressão pode levar a gestante à depressão, atenção pre-natal inadequada, sangramento vaginal,
hipertensão e ao aborto espontâneo, dentre outras consequências. Já crianças com mães agredidas na
gravidez, apresentam 0,9 pontos percentuais a mais de chance de morrer no primeiro ano de vida.

Transmissão da violência entre gerações


Um dos resultados mais alarmantes da pesquisa é sobre a transmissão da violência entre gerações.
Segundo a sondagem, 4 a cada 10 mulheres que cresceram em um lar violento sofreram o mesmo tipo
de violência na vida adulta, o equivalente a 42%. Entre as que não lembravam se a mãe sofreu violência,
22% foram agredidas.
De acordo com o estudo, 20,1% de mulheres souberam de agressões sofridas pelas respectivas
mães durante a infância. Desse grupo, 88,7% presenciou efetivamente a violência. Além disso, 12,3%
das mulheres reportaram que o parceiro ou ex-parceiro sabia que a própria mãe foi agredida.
Também nesse aspecto a diferença racial está presente. 1 a cada 4 entrevistadas negras afirmou se
lembrar de episódios de violência contra sua mãe. Já entre as entrevistadas brancas, o número é de 1 a
cada 5.
Em média, cada morte provocada por violência doméstica deixa dois órfãos, mas em em 34% dos
casos, o número é maior ou igual a três crianças. Além disso, 55,2% das mães agredidas contaram que
os filhos presenciaram a cena ao menos uma vez. Nesse grupo, 24% das mulheres afirmaram que os
filhos também foram agredidos pelo parceiro ou ex-parceiro.
A pesquisa recomenda priorizar ações que busquem minimizar o impacto desse problema nas futuras
gerações e "considerar a família e suas complexas inter relações econômicas e sociais como o locus
fundamental onde se criam e perpetuam as relações de poder que determinam o uso de violência
doméstica como estratégia 'instrumental' do patriarcalismo".

Violência doméstica e mercado de trabalho


O estudo também mostrou que a violência doméstica traz como consequência danos para a saúde
mental da mulher e reflexos no mercado de trabalho.
No Nordeste, a capacidade de tomar decisões varia de 74% entre mulheres não agredidas para 58%
entre as vítimas de violência. Em Teresina, 48%, reportaram ter a saúde mental afetada pelo
comportamento violento do parceiro. As proporções em Aracajú e Natal são de 42% e 40%.
"Tais evidências indicam que a violência doméstica pode deteriorar o estado emocional da mulher,
bem como reduzir sua capacidade de concentração e tomada de decisão que são fundamentais no
exercício de qualquer atividade no mercado de trabalho", destaca a pesquisa.
A violência levou ainda 23% das mulheres vítimas de agressão a recusarem ou desistirem de uma
oportunidade de emprego. O percentual é de 9% entre as não agredidas. Na capital Salvador, 22% das
mulheres que sofreram violência doméstica nos últimos 12 meses reportaram que o comportamento
violento do parceiro interferiu em seu trabalho ou em outras atividades remuneradas. Em seguida, a
capital Teresina apresenta uma proporção de 20%, e Fortaleza com 18%.

O impacto financeiro da violência


A pesquisa estima que aproximadamente R$ 64,4 milhões sejam perdidos devido à violência
doméstica nas capitais do Nordeste brasileiro. Isso porque 12,5% das mulheres empregadas nas capitais
nordestinas sofreram algum tipo de violência doméstica nos últimos 12 meses, o equivalente a 219.109
mulheres.
Nesse grupo particular, aproximadamente 25% das mulheres reportaram ter perdido ao menos um dia
de trabalho, ou seja, 54.777 mulheres. Logo, o número total de dias de trabalho perdidos devido ao
absenteísmo (assumindo a média de 18 dias perdidos relatada) somam 985.986 dias, ou quase 7,9
milhões de horas trabalhadas perdidas.
O estudo considerou o valor do salário-hora entre as mulheres vítimas de violência doméstica (R$ 8,16
em valores nominais de 2016). Para o país, a estimativa chega a R$ 975 milhões perdidos.
Segundo a sondagem, 17% das mulheres vítimas de violência doméstica nos últimos 12 meses
responderam que repassam parte ou a totalidade dos seus rendimentos para seus respectivos parceiros.
O percentual é de 10% no outro grupo.

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Já a duração média do emprego para as mulheres que não sofreram violência nos últimos 12 meses
é de 74,82 meses, a duração média daquelas que sofreram é de 58,59 meses, uma queda de 22% na
duração média no emprego.
"Menores durações de emprego significam que as vítimas de violência doméstica terão a sua
capacidade econômica diminuída, enfraquecendo a sua capacidade de empoderamento dentro do
domicílio, aumentando a sua dependência em relação ao parceiro. Também significam que as vítimas de
violência terão menores chances de aquisição de habilidades específicas ao trabalho, bem como serão
preteridas nas promoções de carreira", destaca a pesquisa.
Ambos os fenômenos impactam negativamente no salário. Mulheres vítimas de violência doméstica
possuem um salário cerca de 10% menor do que aquelas que não são vítimas de violência doméstica.
Em Fortaleza, a diferença chega a 34%.
Mais uma vez a questão racial se faz presente. Mulheres brancas não agredidas tem média de R$
11,42 de salário por hora. O valor é de R$ 7,20 para negras vítimas de violência doméstica.
Diante desse cenário, a pesquisa recomenda a aprovação do Projeto de Lei do Senado nº 296/2013,
que cria um auxílio para mulheres vítimas de violência doméstica e a adoção de políticas de recursos
humanos com um foco maior nas questões de gênero nas empresas.

50 milhões de brasileiros vivem na linha da pobreza, aponta IBGE63


Cerca de 25% da população possui renda familiar equivalente a R$ 387. Número de jovens que não
trabalham nem estudam cresce.
Cerca 50 milhões de brasileiros, o equivalente a 25,4% da população, vivem na linha de pobreza e
possuem renda familiar equivalente a R$ 387, ou US$ 5,5 por dia, valor adotado pelo Banco Mundial para
definir se uma pessoa é pobre.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (15) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística) e fazem parte da pesquisa SIS 2017 (Síntese de Indicadores Sociais 2017). Ela indica, ainda,
que o maior índice de pobreza se dá na região Nordeste do país, onde 43,5% da população se enquadram
nessa situação e, a menor, no Sul, com 12,3%.
A situação é ainda mais grave se levadas em conta os números envolvendo crianças de 0 a 14 anos
de idade. No país, 42% dos cidadãos nesta faixa etária se enquadram nestas condições e sobrevivem
com apenas US$ 5,5 por dia.
A pesquisa de indicadores sociais revela uma realidade: o Brasil é um país profundamente desigual e
a desigualdade gritante se dá em todos os níveis.
Seja por diferentes regiões do país, por gênero - as mulheres ganham, em geral, bem menos que os
homens mesmo exercendo as mesmas funções, por raça e cor: os trabalhadores pretos ou pardos
respondem pelo maior número de desempregados, têm menor escolaridade, ganham menos, moram mal
e começam a trabalhar bem mais cedo exatamente por ter menor nível de escolaridade.
Um país onde a renda per capita dos 20% que ganham mais, cerca de R$ 4,5 mil, chega a ser mais
de 18 vezes que o rendimento médio dos que ganham menos e com menores rendimentos por pessoa,
cerca de R$ 243.
No país, em 2016, a renda total apropriada pelos 10% com mais rendimentos (R$ 6.551) era 3,4 vezes
maior que o total de renda apropriado pelos 40% (R$ 401) com menos rendimentos, embora a relação
variasse dependendo do estado.
Entre as pessoas com os 10% menores rendimentos do país, a parcela da população de pretos ou
pardos chega a 78,5%, contra 20,8% de brancos. No outro extremo, dos 10% com maiores rendimentos,
pretos ou pardos respondiam por apenas 24,8%.
A maior diferença estava no Sudeste, onde os pretos ou pardos representavam 46,4% da população
com rendimentos, mas sua participação entre os 10% com mais rendimentos era de 16,4%, uma diferença
de 30 pontos percentuais.

Desigualdade acentuada entre brancos e negros


No que diz respeito à distribuição de renda no país, a Síntese dos Indicadores Sociais 2017 comprovou,
mais uma vez, que o Brasil continua um país de alta desigualdade de renda, inclusive, quando comparado
a outras nações da América Latina, região onde a desigualdade é mais acentuada.
Segundo o estudo, em 2017 as taxas de desocupação da população preta ou parda foram superiores
às da população branca em todos os níveis de instrução. Na categoria ensino fundamental completo ou

63
DIÁRIO DE S. PAULO. 50 milhões de brasileiros vivem na linha da pobreza, aponta IBGE. Diário de S. Paulo. Disponível em:
<http://www.diariosp.com.br/_conteudo/2017/12/dia_a_dia/24209-50-milhoes-de-brasileiros-vivem-na-linha-da-pobreza-aponta-ibge.html> Acesso em 18 de
dezembro de 2017.

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médio incompleto, por exemplo, a taxa de desocupação dos trabalhadores pretos ou pardos era de 18,1%,
bem superior que o percentual dos brancos: 12,1%.
"A distribuição dos rendimentos médios por atividade mostra a heterogeneidade estrutural da
economia brasileira. Embora tenha apresentado o segundo maior crescimento em termos reais nos cinco
anos disponíveis (10,9%), os serviços domésticos registraram os rendimentos médios mais baixos em
toda a série. Já a Administração Pública acusou o maior crescimento (14,1%) e os rendimentos médios
mais elevados", diz o IBGE.

Ciência e Tecnologia

Ciência: técnica pode tornar realidade a produção de "bebês sob medida"64


Uma nova técnica de edição do DNA conhecida como CRISPR promete grandes avanços na biologia
e na medicina, mas desperta polêmica pelo potencial de alterar genes humanos e produzir “bebês sob
medida”.
Uma nova técnica de manipulação do genoma conhecida como CRISPR/Cas9 (pronuncia-se “crísper-
cás-nove”) vem conquistando cientistas ao redor do planeta. Criada em 2012, hoje ela se popularizou e
promete impulsionar descobertas nas áreas de biologia e medicina.
A expectativa é que no futuro o uso da CRISPR/Cas9 em pesquisas possa curar doenças genéticas
alterando o DNA (conjunto de moléculas que carrega a informação genética de todos os seres vivos).
Mas essa técnica abre caminho para outra possibilidade: realizar uma “edição” do genoma de maneira
barata, fácil e precisa.
A CRISPR (sigla em inglês para “clustered regularly interspaced short palindromic repeats”; em
português, repetições palindrômicas curtas agrupadas e regularmente interespaçadas) é um mecanismo
de defesa do corpo humano. Trata-se de uma parte do sistema imunológico bacteriano, que mantém
partes de vírus perigosos ao redor para poder reconhecer e se defender dessas ameaças no futuro.
A segunda parte desse mecanismo de defesa é um conjunto de enzimas chamadas Cas, que podem
cortar precisamente o DNA e eliminar vírus invasores. Existem diversas enzimas Cas, mas a mais
conhecida é chamada Cas9. Ela vem da Streptococcus pyogenes, uma bactéria conhecida por causar
infecção na garganta.

Como funciona o método


O método usa uma proteína (enzima chamada Cas9) guiada por uma molécula de RNA que corta as
fitas de DNA em pontos específicos e ativa vias de reparo. É possível desativar, ativar ou inserir novos
genes. Embora tenha sido descoberta em 2012, a técnica tornou-se mais popular nos últimos dois anos.
Uma justificativa para isso é que ela permite que a modificação de genomas com uma precisão nunca
antes atingida.
“É como um canivete suíço que corta o DNA em um local específico e pode ser usado para introduzir
uma série de alterações no genoma de uma célula ou organismo”, diz a definição da técnica da bióloga
Jennifer Doudna, da Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA), uma das pioneiras na aplicação do
mecanismo.
Ao retirar partes defeituosas do genoma, pesquisadores estão conseguindo eliminar mutações em
células de animais e plantas. Em janeiro deste ano, cientistas norte-americanos utilizaram a técnica para
cortar a parte de um gene defeituoso em ratos com distrofia muscular de Duchanne, doença genética
rara. O experimento permitiu que as células dos animais produzissem uma proteína essencial para os
músculos. A pesquisa foi o primeiro caso de sucesso da CRISPR/Cas9 em mamíferos vivos.
Cientistas já estão encontrando novas formas de aplicações da técnica, como desenvolver terapias
que ajudem na cura de doenças como câncer, leucemia e hemofilia. Algumas pesquisas testam limites
éticos da ciência e reavivam os debates sobre experimentos com embriões humanos e mutações nos
genes humanos.
Com a técnica, seria possível “forçar” organismos a repassarem certos traços genéticos hereditários,
sejam naturais ou inseridos pelo método. O temor é que essa possibilidade abra precedentes para a
criação de “bebês sob medida”.
Por exemplo, cientistas poderão editar genes para gerar bebês com características físicas específicas,
como a cor dos olhos, do cabelo ou da pele. A possibilidade do “design” de bebês ainda não foi
comprovada, mas novas pesquisas podem avançar nessa questão.
Em 2017, o Instituto Karolinska de Estocolmo, na Suécia, obteve aprovação para testar a técnica em
embriões humanos. Eles esperam que, por meio da desativação de determinados genes, seja possível
64
24/01/2017. Fonte: https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/ciencia-tecnica-pode-tornar-realidade-a-producao-de-bebes-sob-
medida.htm

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compreender melhor os primeiros estágios do processo de desenvolvimento humano. O objetivo é
melhorar a eficácia dos tratamentos de fertilização.

O primeiro teste em humanos


No final de 2016, cientistas chineses já anunciaram testes de engenharia genética com embriões
humanos. A equipe queria consertar um gene defeituoso, causador da talassemia beta. O resultado da
edição não obteve sucesso --os genes modificados sofreram mutações aleatórias.
No estudo chinês, foram utilizados embriões não viáveis, que nunca poderiam gerar um bebê. Agora
os cientistas do Instituto Karolinska estão usando zigotos sadios que estavam congelados em clínicas de
fertilização, mas seriam descartados.
No Reino Unido, o uso da CRISPR/Cas9 foi aprovado recentemente para pesquisas em embriões
humanos que buscam melhorar a qualidade das fertilizações in vitro e reduzir o número de abortos.
Os especialistas afirmam que a edição em linhagens germinativas (óvulos e espermatozoides)
apresenta barreiras como o risco de edição imprecisa, dificuldade de prever efeitos danosos e dificuldade
de remoção da modificação. Serão necessários inúmeros experimentos para conseguir a possibilidade
da alteração de forma precisa e segura.
Outro temor da comunidade científica é que, em mãos erradas, a tecnologia que edita o DNA possa
reavivar ideologias perigosas como a eugenia, que prega a “melhoria genética” das populações humanas.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o nazismo usou a eugenia para justificar o genocídio dos judeus e
de minorias. O Estado buscou eliminar da sociedade alemã qualquer tipo de pessoa que não fosse ariana
ou que apresentasse alguma deficiência mental ou física.
No entanto, o design de bebês ainda é realidade muito distante. Além da falta de pesquisas que
asseguram a estabilidade do processo, o tema deve passar por uma forte regulação judicial. Atualmente,
muitos países proíbem estudos com embriões humanos. No Brasil, a lei de biossegurança brasileira, de
2005, deixa claro ser proibida a “engenharia genética em célula germinal humana, zigoto humano e
embrião humano”.
Por Carolina Cunha, da Novelo Comunicação

Ataque de hackers 'sem precedentes' provoca alerta no mundo65


Ataque exigirá 'investigação internacional para identificar os culpados', diz Europol. Empresas e órgãos
públicos de 14 estados mais o DF foram afetados no Brasil.
O ciberataque que atingiu diversos países nesta sexta-feira (12) é sem precedentes e exigirá
investigação internacional para a identificação dos culpados, informa a Europol, o serviço europeu de
polícia.
A onda de ataques atingiu quase uma centena de países em todo o mundo, afetando o funcionamento
de muitas empresas e organizações, como hospitais britânicos, a gigante espanhola Telefónica e a
empresa francesa Renault. No Brasil, empresas e órgãos públicos de 14 estados mais o Distrito Federal
também foram afetados.
"O ataque é de um nível sem precedentes e exigirá uma complexa investigação internacional para
identificar os culpados", afirmou em um comunicado a Europol.
Dezenas de milhares de computadores de uma centena de países, entre eles Rússia, Espanha, México
e Itália, foram infectados na sexta por um vírus "ransonware", explorando uma falha nos sistemas
Windows, exposta em documentos vazados da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos
(NSA).
Os ataques usam vírus de resgate, que inutilizam o sistema ou seus dados até que seja paga uma
quantia em dinheiro - entre US$ 300 e US$ 600 em Bitcoins, segundo o grupo russo de segurança
Kaspersky Lab. Ou seja, eles "sequestram" o acesso aos dados e pedem uma recompensa.

Empresas afetadas em todo o mundo


No Brasil, os ciberataques levaram várias empresas e órgãos públicos a tiraram sites do ar e
desligarem seus computadores:
Petrobras
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em todo o Brasil

65
FRANCE PRESSE. Ataque de hackers ‘sem precedentes’ provoca alerta no mundo. G1 Tecnologia e Games. Disponível em:
<http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/ataque-de-hackers-sem-precedentes-provoca-alerta-no-
mundo.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1> Acesso em 15 de maio de 2017.

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Tribunais da Justiça de São Paulo, Sergipe, Roraima, Amapá, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul,
Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Piauí, Bahia e Santa Catarina
Ministério Público de São Paulo
Itamaraty
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
De acordo com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da presidência, as invasões ocorreram
em grande quantidade no país por meio de e-mails com arquivos infectados. Segundo o GSI, "não há
registros e evidências de que a estrutura de arquivos dos órgãos da Administração Pública Federal (APF)
tenha sido afetada".
O Serviço Público de Saúde britânico (NHS), quinto empregador do mundo, com 1,7 milhão de
trabalhadores, foi a principal vítima no Reino Unido. O gigante americano do correio privado FedEx, o
ministério do Interior russo e o construtor de automóveis francês Renault - que suspendeu sua produção
em várias fábricas da França "para evitar a propagação do vírus" - indicaram neste sábado à AFP que
também foram hackeados.
A companhia ferroviária pública alemã também está envolvida. Embora os painéis das estações
tenham sido hackeados, a Deutsche Bahn certificou que o ataque não teve nenhum impacto no tráfego.
Segundo a Kaspersky, a Rússia foi o país mais atingido pelos ataques. Os meios de comunicação
russos afirmam que vários ministérios, assim como o banco Sberbank, também foram atacados.
O centro de monitoramento do Banco Central russo IT "detectou uma distribuição em massa do
software daninho do primeiro e segundo tipo", revela um comunicado do Banco Central citado pelas
agências de notícias russas.
As autoridades americanas e britânicas aconselharam os particulares, as empresas e organizações
afetadas a não pagarem os hackers, que exigem um resgate para desbloquear os computadores
infectados.
"Recebemos múltiplos informes de contágios pelo vírus 'ransonware'", escreveu o ministério americano
de Segurança Interior em um comunicado. "Particulares e organizações foram alertados a não pagar o
resgate, já que este não garante que o acesso aos dados será restaurado".

'Grande campanha'
Este conjunto de ataques informáticos de envergadura mundial provocou inquietação entre os
especialistas em segurança. O ex-hacker espanhol Chema Alonso, responsável pela cibersegurança da
Telefónica - outro grupo afetado pelo ataque - declarou neste sábado em seu blog que "o ruído midiático
que este 'ransonware' produz não teve muito impacto real", já que "é possível ver na carteira bitcoin
utilizada que o número de transações" é fraco.
A Forcepoint Security Labs, outra empresa do setor, afirmou, por sua vez, que "uma campanha maior
de difusão de e-mails infectados" está sendo realizada, com o envio de 5 milhões de e-mails por hora
para divulgar um malware chamado WCry, WannaCry, WanaCrypt0r, WannaCrypt ou Wana Decrypt0r.
O NHS britânico tentou neste sábado tranquilizar seus pacientes, mas muitos deles temem um risco
de desordem, sobretudo nas urgências médicas, já que o sistema de Saúde Pública, austero, já estava à
beira da ruptura.
"Cerca de 45 estabelecimentos" do Serviço de Saúde Pública foram infectados, indicou neste sábado
a ministra britânica do Interior, Amber Rudd, na BBC. Muitos deles foram obrigados a cancelar ou adiar
as intervenções médicas.
Rudd acrescentou que "não houve um acesso malévolo aos dados dos pacientes". No entanto, começa
a aumentar a pressão sobre o governo conservador a poucas semanas das eleições legislativas de 8 de
junho. O Executivo foi acusado de não ter ouvido os sinais de alerta que advertiam para estes ataques,
já que a estrutura informática do NHS é especialmente antiga.

Como é o ataque
Os vírus de resgate são pragas digitais que embaralham os arquivos no computador usando uma
chave de criptografia. Os criminosos exigem que a vítima pague um determinado valor para receber a
chave capaz de retornar os arquivos ao seu estado original.
Quem não possui cópias de segurança dos dados e precisa recuperar a informação se vê obrigado a
pagar o resgate, incentivando a continuação do golpe.
O jornal "The New York Times" diz que os ataques podem ter usado uma ferramenta que foi roubada
da NSA, a agência de segurança nacional dos EUA. O vírus que se espalhou é o Wanna Decryptor,
variante do ransomware WannaCry, diz o jornal.

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Segundo a Kaspersky, o vírus se espalha por meio de uma brecha no Windows, que a Microsoft diz
ter corrigido em 14 de março. Mas usuários que não atualizaram os sistemas podem ter ficado
vulneráveis.
A falha afeta as versões Vista, Server 2008, 7, Server 2008 R2, 8.1, Server 2012, Server 2012 R2, RT
8.1, 10 e Server 2016 do Windows.

Cientistas dizem ter identificado mais antigo fóssil de Homo sapiens, e ele é 100 mil anos mais
velho do que se acreditava66
Restos encontrados no Marrocos haviam sido datados em 40 mil anos, mas nova pesquisa revelou
serem muito mais antigos. Estudo foi publicado na revista 'Nature'.
Fósseis de Homo sapiens descobertos no Marrocos - que tem entre 300 mil e 350 mil anos de idade -
fizeram recuar em 100 mil anos a data da origem de nossa espécie, segundo dois estudos publicados
nesta quarta-feira (7) na revista "Nature".
"Esta descoberta representa a origem da nossa espécie, o Homo sapiens mais velho já encontrado na
África e em qualquer outro lugar", explica o francês Jean-Jacques Hublin, diretor do departamento de
Evolução humana do Instituto Max Planck em Leipzig (Alemanha) e coautor do estudo.
Os fósseis foram descobertos em Jebel Irhoud, a cerca de 100 quilômetros de Marrakesh, durante a
década de 1960, ao lado de ossos de animais e ferramentas de pedra. Originalmente, esses fósseis foram
datados como tendo cerca de 40 ml anos de idade e eram considerados como uma forma de Neanderthal
da África. Mas análises feitas posteriormente colocaram em dúvida essas conclusões.
Hublin e sua equipe analisaram os fósseis e identificaram diversas características - incluindo as
morfologias facial, mandibular e dentária - similares aos humanos modernos recentes. Com base nessas
análises, os autores sugerem que os hominídeos de Jebel Irhoud fazem parte das primeiras fases
evolucionárias do Homo sapiens.
Até então, o fóssil mais antigo atribuído a uma forma moderna de Homo sapiens tinha sido datado com
195 mil anos

Sonda Cassini encerra missão e faz seu último mergulho em Saturno67


A sonda Cassini, projeto da Nasa que investigou Saturno, fez hoje (15) seu último mergulho em direção
ao planeta. A manobra a levou ao ponto mais próximo possível do planeta, mas ao mergulhar na
atmosfera de Saturno, o satélite foi incendiado e destruído, devido ao atrito. A destruição já havia sido
anunciada e colocou fim a uma iniciativa internacional que envolveu 27 países.
Ao longo de 20 anos, a Nasa estima um investimento total de US$ 3,9 bilhões.
Cassini, a única sonda a navegar a órbita de Saturno, coletou milhares de dados importantes sobre o
planeta - o 6º do Sistema Solar. Por meio dela, foi possível descobrir mundos oceano em Titan e
Enceladus, duas das luas do planeta de anéis.
"Este é o capítulo final de uma missão incrível, mas é também um novo começo”, afirmou Thomas
Zurbuchen, membro da Diretoria de Missões Científicas da Nasa, em um comunicado publicado hoje (15)
no site da agência, sobre o “gran finale” de Cassini.
Thomas Zurbuchen frisou que descobertas como os mundos oceânicos nas luas Titan e Enceladus
são exemplos da importância da sonda. "Isso mudou tudo [as descobertas], balançando nossos pontos
de vista sobre lugares surpreendentes na busca de vida em potencial além da Terra", ressaltou.
Para acompanhar os movimentos finais da Cassini, a equipe da Nasa recebeu sinais de telemetria.
Quando a sonda entrou na atmosfera de Saturno, seus propulsores foram disparados e a nave-sonda
enviou um pacote final de informações com o restante dos dados científicos coletados.
Os dados de oito instrumentos científicos da Cassini foram irradiados para a Terra. A perda de contato
com o satélite foi registrado pela Nasa às 8h55 (no horário de Brasília), graças a um sinal recebido pela
antena Deep Space Network da Nasa, em Canberra, Austrália.
Os cientistas que gerenciaram o programa Cassini, Earl Maize e Julie Webster, se emocionaram e se
abraçaram no momento do recebimento do último sinal da sonda, no centro de Operações em Cabo
Canaveral, Flórida.
A missão é considerada uma das mais promissoras até agora e a comunidade científica da Nasa afirma
que os achados da Cassini mudaram não só a visão sobre Saturno e o Sistema Solar como "moldarão
futuras missões e pesquisas".

66
FRANCE PRESSE. Cientistas dizem ter identificado mais antigo fóssil de homo sapiens, e ele é 100 mil anos mais velho do que se acreditava. G1, Ciência e
Saúde. Disponível em: <http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/homo-sapiens-e-100-mil-anos-mais-velho-do-que-se-acreditava-sugere-estudo.ghtml> Acesso
em 08 de junho de 2017.
67
FELIPE LEANDRA. Sonda Cassini encerra missão e faz seu último mergulho em saturno. EBA Agência Brasil. Disponível em:
<http://agenciabrasil.ebc.com.br/pesquisa-e-inovacao/noticia/2017-09/sonda-cassini-encerra-missao-e-faz-seu-ultimo-mergulho-em> Acesso em 18 de setembro de
2017.

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Cassini foi lançada em 1997 a partir da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida, e
chegou a Saturno em 2004. A Nasa estendeu sua missão duas vezes. Ao todo, Cassini recolheu mais de
453 mil imagens e viajou 7,8 bilhões de quilômetros.

Descoberta brasileira aumenta a discussão: quando a Humanidade chegou às Américas?68


Ferramentas de pedra, fogueiras e adornos recém-encontrados no Mato Grosso e datados de quase
30 mil anos têm dado combustível a uma discussão histórica na arqueologia moderna: a data de chegada
dos seres humanos às Américas.
Há diferentes teorias, desde as que afirmam que o evento ocorreu há cerca de 12 mil anos até as que
apostam em 100 mil anos ou mais.
A descoberta recente foi feita no sítio arqueológico de Santa Elina, a 80 km de Cuiabá. Os arqueólogos
responsáveis pelas escavações, Denis Vialou e Águeda Vilhena Vialou, do Museu Nacional de História
Natural da França, afirmam que essa região brasileira já era habitada há pelo menos 27 mil anos.
"Uma prova é a presença de mais de 300 objetos de pedra lascada, com serrilhados e retoques, que
só poderiam ter sido feitos pela mão do homem", afirma Águeda, que realiza escavações na região da
Serra das Araras desde 1995.
Outra prova da presença humana, segundo ela, são restos de fogueiras.

'Tripla raridade'
O material encontrado foi datado por três métodos diferentes, envolvendo desde radiocarbono 14 até
luminescência ótica.
Segundo Águeda, o sítio de Santa Elina traz uma tripla raridade : "A primeira é que ocupações
humanas pleistocênicas (entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos atrás) são raras e por enquanto lá é o único
local descoberto no centro do continente sul-americano."
A segunda e a terceira raridades dizem respeito aos adornos encontrados: alguns foram feitos com
ossos de preguiças-gigantes do gênero Glossotherium, já extinto.
"É o primeiro caso no Brasil de uma perfeita associação do homem com a megafauna extinta", explica
ela. "Há a confecção de objetos simbólicos com ossos da megafauna, transformando-os em adornos."

Discussão desde Colombo


A discussão sobre a data de chegada da Humanidade às Américas remete aos tempos de Cristóvão
Colombo, quando desembarcou no Caribe em 12 de outubro de 1492.
Ele foi recebido pelos tainos, um povo amistoso, que o navegador genovês a serviço da Espanha
achou que fossem indianos, pois estava convencido que havia chegado à Índia - e permaneceu com essa
convicção até a morte.
O descobridor da América não sabia, mas sua chegada ao continente marcou, na verdade, o
reencontro de duas linhagens evolutivas do Homo sapiens, que estavam separadas havia pelo menos 50
mil anos: a sua própria, europeia, e a dos primeiros americanos, mongoloides, aparentados com os povos
asiáticos.
Desde então, persiste o mistério: como e quando os povos encontrados por Colombo chegaram às
Américas?
Teorias não faltam. A mais antiga e resistente é o modelo conhecido em inglês como Clovis-first
(Clóvis-primeiro). Deve seu nome a um sítio arqueológico assim denominado, descoberto em 1939, no
Novo México, Estados Unidos.
No local, foram encontrados artefatos de pedra lascada, datados de 11,4 mil anos. Segundo essa
teoria, defendida principalmente pela comunidade arqueológica americana, a chegada teria ocorrido há
cerca de 12 mil anos.
Já o chamado "modelo das três migrações", sugerido em 1983 por Christy Turner, se baseia num
amplo levantamento de diversidade dentária, que concluiu ter havido três levas migratórias da Sibéria
para a América.
A primeira, há 11 mil anos, teria dado origem a todos os índios das Américas Central e do Sul e à
maioria dos povos nativos norte-americanos. A segunda teria chegado há 9 mil anos e originou os índios
ancestrais dos Apaches e Navajos, sobretudo na costa pacífica do Estados Unidos e Canadá. A última
seria bem mais recente, há 4 mil anos, e composta pelos ancestrais dos esquimós e povos aleutas (no
Círculo Polar Ártico).

Teorias brasileiras
68
SILVEIRA. EVANILDO. Descoberta brasileira aumenta a discussão: quando a humanidade chegou às Américas? BBC Brasil. Disponível em:
<http://www.bbc.com/portuguese/geral-42103358?ocid=socialflow_twitter> Acesso em 27 de novembro de 2017.

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Cientistas brasileiros também têm suas teorias da ocupação das Américas.
Uma delas foi desenvolvida pelo biólogo e antropólogo Walter Alves Neves e pelo geógrafo Luís
Beethoven Piló, ambos da Universidade de São Paulo (USP). Eles propõem que os primeiros americanos
chegaram ao continente em duas levas migratórias, a primeira há 14 mil anos e a segunda há 11 mil,
vindas da Ásia pelo estreito de Bering.
De acordo com eles, a primeira leva seria composta por uma população com traços semelhante aos
dos africanos e aborígines australianos. A segunda era de mongoloides, semelhantes aos asiáticos e
índios americanos atuais.
Uma segunda teoria foi proposta por três geneticistas brasileiros e um antropólogo argentino,
defendendo que houve apenas uma leva migratória, há 18 mil anos.
Antes disso, os ancestrais dos migrantes haviam ficado "presos" na Beríngia, região que unia o Alasca
ao nordeste da Sibéria e que naquela época não estava submersa (era o ápice do último período glacial
e o mar estava 120 metros abaixo do nível atual).
"Essa população abrigava desde tipos semelhantes aos africanos até os parecidos com os índios
atuais", explica Maria Cátira Bortolini, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, uma integrante do
grupo.
Há ainda uma terceira teoria sobre a ocupação da América. Bem mais polêmica, ela foi proposta pela
arqueóloga Niéde Guidon, com base em suas descobertas em vários sítios arqueológicos no sul do Piauí.
Para ela, o homem chegou à região há nada menos que 100 mil anos, vindo diretamente da África,
cruzando o Atlântico, numa época em que o planeta também estava num período glacial, com o mar 120
metros abaixo de seu nível atual.
"Com o isso, o número de ilhas entre a costa euro-africana e a costa sul-americana era bem maior",
diz. "Além disso, as correntes marítimas favoreciam a passagem para leste, para o Caribe e para o litoral
norte do Brasil."

Controvérsia
É nesse contexto que a descoberta do casal Vialou aumenta a controvérsia.
Alguns pesquisadores brasileiros a veem com cautela e outros, como a confirmação de que os
humanos chegaram ao continente muito antes do que propõem algumas teorias.
"Os autores são arqueólogos com excelente formação, portanto suas publicações devem ser levadas
em consideração", diz Guidon. "Todas as descobertas são importantes na arqueologia, pois os vestígios
estão geralmente sob a terra e podem desaparecer com o passar dos anos."
O geneticista Fabrício Santos, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), outro membro do
grupo que propôs a teoria de uma leva só de migrantes, é mais cauteloso.
"É mais um sítio com datas antigas", afirma. "Parece que é bem datado, mas não tem ossos humanos,
só dois utensílios furados. Abre perspectiva de que pode ser mais antiga a ocupação da América do Sul,
mas faltam mais evidências com vários restos humanos e também ossos."
No que todos concordam é que o modelo Clóvis-primeiro está ultrapassado, por causa de uma série
de descobertas nas últimas décadas.
"A ideia de que a cultura Clóvis teria sido a primeira a surgir na América foi definitivamente descartada
devido à antiguidade incontestável do sítio Monte Verde, no Chile, de 12,5 mil anos atrás, diz o
pesquisador Francisco Mauro Salzano, do Departamento de Genética do Instituto de Biociências, da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS).
"Além disso, uma série de outras datações na América do Sul e do Norte serviram de reforço ao
abandono dessa teoria, inclusive uma ponta de flecha encontrada enterrada na costela de um
mastodonte, no sítio Manis, Washington, EUA, datada de 13,8 mil anos atrás."

Economia

Qual é o impacto do escândalo das carnes na economia brasileira?69


Terceiro maior produto de exportação do Brasil, atrás da soja e do minério de ferro, as carnes
brasileiras conquistaram o mundo, tornando-se sinônimo de qualidade em mais de 150 países.
Mas esse selo de garantia está sob risco desde a última sexta-feira, quando a Polícia Federal revelou
um esquema de adulteração envolvendo pelo menos 30 frigoríficos.
Por si só, pela natureza das descobertas, a operação Carne Fraca já teria o potencial de causar
estragos significativos no mercado interno. Afinal, qual brasileiro vai querer comprar - e consumir -
possível carne adulterada?

69
21/03/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/economia/noticia/qual-e-o-impacto-do-escandalo-das-carnes-na-economia-brasileira.ghtml

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Mas o problema se torna ainda pior porque essa mesma pergunta está sendo feita pelos compradores
internacionais - nesta segunda-feira (20/03), países como China, Chile e Coreia do Sul, além da União
Europeia, suspenderam temporariamente as importações de empresas citadas na fraude.
Por causa disso, segundo economistas ouvidos pela BBC Brasil, o impacto na economia brasileira
pode ser "maior do que se imaginava".
Eles ressalvam, contudo, que tudo "dependerá de quanto vão durar os embargos e se mais países vão
aderir a ele".

'Péssimo momento'
Mas existe um consenso: a operação da PF veio em um "péssimo momento" para o agronegócio, um
dos pilares da economia brasileira, que vinha esboçando sinais de recuperação.
"O Brasil custou para abrir novos mercados e agora a imagem do país está abalada lá fora. É difícil
prever o que vai acontecer, mas não resta dúvida de que esse escândalo será prejudicial para a economia
brasileira", diz à BBC Brasil José Carlos Hausknecht, sócio diretor da MB Agro, braço agrícola da
consultoria MB Associados.
Em outras palavras: isso pode acarretar um prolongamento da recessão, afetando a vida de todos os
brasileiros.
Já segundo estimativa da consultoria LCA consultores, no pior dos cenários - se todos os países
fecharem as portas às importações de carne brasileira - o impacto no PIB pode ser de até 1 ponto
porcentual. A previsão oficial do governo, que deve ser revisada para baixo nos próximos dias, é de
crescimento de 1%.

Desemprego e inflação
A revelação do esquema de carne adulterada terá consequências para a economia brasileira, explicam
os especialistas, pela "importância do setor de carnes".
Atualmente, de toda a carne produzida no Brasil, 80% é consumida pelo mercado interno. O restante
vai para fora.
No ano passado, as exportações brasileiras do produto somaram mais de US$ 14 bilhões (R$ 43
bilhões), ou 7,5% do total exportado, atrás apenas do minério de ferro e da soja.
Além disso, o setor de carnes possui uma cadeia produtiva "muito extensa", com "efeitos indiretos",
lembra Gesner Oliveira, sócio da consultoria GO Associados.
Oliveira estima que uma redução de 10% nas exportações brasileiras de carne pode custar 420 mil
postos de trabalho e R$ 1,1 bilhão a menos em impostos - notícia nada positiva em um momento de crise
fiscal.
Já a inflação também deve subir por causa do escândalo, "devido a algum tipo de recall das carnes já
distribuídas ao comércio", diz à BBC Brasil André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.
Apesar disso, ressalva ele, o impacto na subida dos preços deve ser residual, já que o peso total das
carnes no índice oficial (IPCA) é de apenas 3,69%.
"Nesse sentido, uma alta adicional de 2% nesses produtos iria criar um impacto de 7 pontos base (ou
0,07%) na inflação plena: neste caso, se o IPCA fosse de 4,50%, ele ficaria em 4,57%", afirma.
"Mas será preciso saber mais detalhes sobre como isso vai ocorrer, pois não há notícias de
desabastecimento e não se trata da totalidade de toda a cadeia da carne", acrescenta.

Concorrência e protecionismo
Os especialistas também apontaram que, por causa do escândalo, o Brasil poderia perder espaço para
outros competidores no mercado global de carnes.
Nesse sentido, segundo eles, seria um "grande retrocesso" para um setor que se tornou prioridade
durante os mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016).
Nesse período, recursos públicos foram direcionados (via BNDES, a agência nacional de fomento)
para a criação dos chamados "campeões nacionais" - com o apoio irrestrito do governo, empresas como
a JBS e a BRF formaram monopólios e se projetaram internacionalmente.
"Hoje em dia, o mercado é altamente competitivo. Qualquer deslize pode ser fatal", diz Oliveira, da GO
Associados.
Hausknecht, da MB Agro, concorda que o escândalo acaba gerando uma oportunidade para potenciais
concorrentes, mas avalia que, atualmente, pelas condições do mercado, não há competidores à altura do
Brasil.
"A Austrália, por exemplo, que poderia ser uma alternativa ao Brasil para a oferta de carnes à China,
ainda estão recompondo o rebanho", diz, em alusão à forte seca que forçou produtores australianos a
elevarem o escoamento de animais para o abate.

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"Já os Estados Unidos, o segundo maior produtor mundial de carne bovina, tampouco tem muita
entrada no mercado chinês por causa da escalada da tensão entre Washington e Pequim."
"Por fim, a Índia também é outro grande exportador de carne bovina, mas ela é de pior qualidade",
completa.
Para Campos, da LCA Consultores, a maior consequência do escândalo é dar munição a governos
para impor mais tarifas alfandegárias ao Brasil, em um contexto de maior protecionismo no mundo.
"Trump (Donald Trump, presidente dos Estados Unidos) já deu sinais de que pretende lançar mão de
medidas protecionistas. Nesse caso, isso (escândalo das carnes adulteradas) pode ser usado como
desculpa", conclui.

Terceirização: como fica a partir de agora?70


A sanção da lei que permite a terceirização de trabalhadores de forma irrestrita provocou muita
controvérsia recentemente na sociedade. Diante do novo cenário, é preciso as enxergar as novas
implicações no mercado de trabalho com essa nova lei.
O projeto aprovado pela Câmara e transformado em lei pelo presidente é de 1998 e libera a
terceirização de todos os setores das empresas, seja atividade fim ou atividade meio, e também no serviço
público, com exceção de carreiras de Estado, como auditor e juiz.
A maior crítica da oposição, é que o projeto não tem dispositivos para impedir a chamada "pejotização"
- demissão de trabalhadores no regime de CLT para contratação deles como pessoas jurídicas (PJ) - e
assim restringir direitos trabalhistas. Porém essa conduta continua sendo ilegal. Explicando um pouco
melhor esse termo, a PJ tem vínculos que caracterizam uma relação de funcionário com aquela empresa,
mas não tem sua carteira assinada e, em geral, não tem todos os direitos trabalhistas garantidos
justamente por não trabalhar em regime CLT. Já na terceirização, uma empresa tem empregados com
carteira assinada vinculados a ela, e aloca esses funcionários para prestar serviços na empresa cliente.
Em relação às leis trabalhistas, por enquanto nada mudou. Porém, a expectativa fica sobre como será
votada a lei de flexibilização do regime trabalhista. Caso aprovada, reforma trabalhista irá permitir que o
acordado entre patrões e empregados tenha poder de se sobrepor à normas trabalhistas – o chamado
“combinado sobre o legislado”.
Já o lado que apoia o projeto afirma que ele irá reduzir o alto número de desempregados atualmente
no Brasil. Para se ter ideia, segundo dados do IBGE, no trimestre encerrado em fevereiro o número de
desempregados no Brasil atingiu a marca de 13,5 milhões de brasileiros, o maior índice da série histórica
que se iniciou em 2012. O número de pessoas sem trabalho cresceu 36% em relação ao mesmo período
do ano anterior.
Eles ainda dizem que, na medida em que as empresas passam a se focar em partes específicas do
trabalho, tornam-se mais especializadas e produtivas, elevando assim os ganhos em toda sua cadeia de
produção. Por exemplo, quando uma empresa contrata uma terceirizada para cuidar da limpeza de suas
instalações, essa empresa reduz a quantidade de procedimentos que tem que lidar e acaba prestando
um melhor serviço do seu “core business”. Menos recursos indo para a burocracia resultariam em maior
produtividade. E maior produtividade significa melhores condições e mais ganhos reais ao trabalhador.
Agora, vamos aos pontos mais parciais que foram vetados na proposta. O primeiro deles é da
possibilidade de prorrogação do prazo de até 270 dias do contrato temporário de trabalho por acordo ou
convenção coletiva. O segundo assegura ao trabalhador temporário, salário, jornada de trabalho e
proteção previdenciária e contra acidentes equivalentes aos trabalhadores fixos da mesma função. Por
fim, o terceiro e último, prevê o benefício do pagamento direto do FGTS, férias e décimo terceiro
proporcionais a empregados temporários contratados até trinta dias.
Além disso, um assunto que foi muito questionado com essa lei, foi a maneira em que os concursos
públicos ficariam pós a lei entrar em vigor. A realidade é que o projeto não tem nenhum ponto específico
que fala sobre o serviço público, pois é considerado muito amplo e com poucos itens pontuais que
explicam determinada área em específico.
Segundo o juiz federal William Douglas, a abolição de concursos seria considerada inconstitucional.
Ademais, enquanto algumas pessoas interpretam que o projeto é só para o setor privado, outras acham,
por exemplo, que empresas como o Banco do Brasil, que tem “economia mista”, são afetadas pelo projeto.
Com a terceirização em vigor, as empresas tendem a se tornar mais produtivas e isso se refletirá em
melhores serviços e produtos com preços mais competitivos. Até serviços melhores poderão vir até
mesmo do governo, uma vez que produzindo mais, aumenta-se a arrecadação de impostos e com isso
orçamento público também se eleva.

70
DANA, Samy. Terceirização: Como fica a partir de agora? Portal G1. Disponível em: < http://g1.globo.com/economia/blog/samy-dana/post/terceirizacao-
como-fica-partir-de-agora.html>. Acesso em 10 de abril de 2017.

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Desemprego fica em 13,7% no 1º trimestre de 2017 e atinge 14,2 milhões71
Essa é a maior taxa da série do indicador, iniciada em 2012. Em 3 anos, número de desempregados
mais que dobrou no país.
O desemprego subiu para 13,7% no trimestre de janeiro a março, segundo dados divulgados nesta
sexta-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da pesquisa Pnad
Contínua. De acordo com o IBGE, essa foi a maior taxa de desocupação da série histórica, iniciada em
2012. No 1º trimestre, o Brasil tinha 14,2 milhões de desempregados, também batendo recorde da série
histórica.

Taxa de desocupação, segundo a Pnad do IBGE (Foto: Editoria de arte/G1)

Em relação à taxa, as altas são de 1,7 ponto percentual frente ao trimestre de outubro a dezembro de
2016 (12%) e de 2,8 pontos percentuais em relação ao mesmo trimestre de 2016 (10,9%).
Já em relação ao número de desocupados, o contingente cresceu 14,9% (mais 1,8 milhão de pessoas)
frente ao trimestre de outubro a dezembro de 2016 e 27,8% (mais 3,1 milhões em busca de trabalho) em
relação ao mesmo trimestre de 2016, segundo o IBGE.
Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, desde o 1º trimestre de
2014, o país perdeu cerca de 3 milhões de postos de trabalho com carteira assinada. De acordo com o
IBGE, a menor desocupação foi registrada no trimestre encerrado em fevereiro de 2014, quando havia
6,6 milhões de desempregados, ou seja, esse número mais que dobrou em três anos.

71
SILVEIRA, Daniel. CAVALLINI, Marta. Desemprego fica em 13,7% no 1° trimestre de 2017 e atinge 14,2 milhões. G1 Economia. Disponível em: <
http://g1.globo.com/economia/noticia/desemprego-fica-em-137-no-1-trimestre-de-2017.ghtml> Acesso em 28 de abril de 2017.

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“O mercado de trabalho continua a apresentar deterioração. Perdemos mais de 1,8 milhão de postos
de trabalho, sendo que cerca de 70% dessa perda foi de empregos com carteira de trabalho assinada”,
diz Azeredo.
Já a população ocupada também bateu recorde - é o menor contingente desde o trimestre fevereiro-
abril de 2012. No trimestre encerrado em março, eram 88,9 milhões de pessoas no mercado de trabalho.
O recuo se deu tanto em relação ao trimestre anterior (-1,5%, ou menos 1,3 milhão de pessoas) como
em relação ao mesmo trimestre de 2016 (-1,9%, ou menos 1,7 milhão de pessoas).
“Na passagem do 4º trimestre para o 1º trimestre percebe-se uma redução da população ocupada e
consequentemente aumento da desocupação em função da dispensa das contratações temporárias do
final do ano. Mas, o que está em questão, é o fato de o Brasil manter esse ritmo da crise no mercado de
trabalho”, analisa Azeredo.

Número de pessoas desocupadas, segundo a Pnad do IBGE (Foto: Editoria de arte/G1)

“Não tem absolutamente nada na Pnad Contínua que mostre uma melhoria no mercado de trabalho,
na geração de empregos, ou qualquer tipo de recuperação em qualquer tipo de inserção ou grupamento
de atividade”, completa o pesquisador.

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Carteira assinada
Desse total, 33,4 milhões de pessoas que estavam empregadas no setor privado tinham carteira
assinada. Esse número também recuou em ambos os períodos de comparação: frente ao trimestre
outubro/dezembro de 2016 (-1,8% ou menos 599 mil pessoas) e ao trimestre janeiro/março de 2016 (-
3,5% ou menos 1,2 milhão de pessoas). Segundo o IBGE, foi o menor contingente de trabalhadores com
carteira assinada já observado na série histórica da pesquisa.
O pico de trabalhadores com carteira assinada foi registrado no trimestre encerrado em junho de 2014
- 33,9 milhões de trabalhadores.
Segundo Azeredo, a notícia mais impactante da pesquisa é a perda expressiva de empregos com
carteira assinada. “Perder postos de trabalho com carteira significa perda de arrecadação da Previdência,
perda de acesso ao seguro-desemprego, perda de garantias trabalhistas. Além disso, a carteira de
trabalho serve como garantia de acesso ao crédito. A grande notícia que a Pnad Contínua traz neste
primeiro semestre do ano é que o mercado continua destruindo postos de trabalho”, disse Azeredo.
De acordo com o pesquisador, a queda do número de carteiras assinadas tem relação direta com a
conjuntura política e econômica do país. “Um cenário econômico conturbado, um cenário político instável,
isso traz desestabilização para o mercado de trabalho e seus efeitos são quase imediatos. Reestruturar
postos de trabalho, recompor carteira, isso demora”, afirma.
O número de empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada (10,2 milhões)
apresentou queda em relação ao trimestre anterior (-3,2%), mas cresceu 4,7% (ou mais 461 mil pessoas)
em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
O número de trabalhadores por conta própria (22,1 milhões de pessoas) registrou estabilidade em
relação ao trimestre anterior (outubro a dezembro de 2016). Em relação ao mesmo período do ano
passado, houve queda de 4,6%, ou seja 1,1 milhão de pessoas a menos. “O trabalhador por conta própria,
que no início da crise segurou um pouco a população desocupada, mostra uma redução", diz Azeredo.
Já a categoria dos trabalhadores domésticos, estimada em 6,1 milhões de pessoas, se manteve
estável em ambos os trimestres comparativos, segundo o IBGE.

Nível de ocupação
O nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) foi
estimado em 53,1% no trimestre de janeiro a março, apresentando queda de 0,9 ponto percentual frente
ao trimestre de outubro a dezembro de 2016, (54%).
Em relação a igual trimestre do ano anterior, houve retração de 1,7 ponto percentual, quando recuou
de 54,7% para 53,1%. Foi o menor nível da ocupação observado desde o início da série da pesquisa.

Rendimento
O rendimento médio foi estimado em R$ 2.110 no 1º trimestre de 2017, estável tanto ante o trimestre
de outubro a dezembro de 2016 (R$ 2.064) como mesmo trimestre do ano anterior (R$ 2.059).
Em relação ao trimestre anterior, houve alta para os empregados no setor público (1,9%) e para os
trabalhadores domésticos (1,7%). Em relação ao mesmo trimestre de 2016, apenas os empregados no
setor público apresentaram variação positiva (4,3%). Nas demais posições, foi estável.
“Há um crescimento do rendimento nominal do trabalhador. Isso mostra que você tem um aumento do
poder de compra da população, mas o efeito inflacionário sobre ele fez com que a massa de rendimento
se mantivesse estável”, explicou o pesquisador.

Por setores e atividades


Os grupamentos de atividade que mais têm sofrido deterioração dos postos de trabalho é a indústria
e a construção. De acordo com Azeredo, desde 2015, a indústria perdeu 1,9 milhão de postos e a
construção mais de 800 mil.
“Parte expressiva dessa perda de postos com carteira de trabalho assinada, certamente, vem da
indústria, que é o segmento mais organizado e com maior número de formalidade”, diz.
Em relação ao mesmo trimestre de 2016, houve redução de trabalhadores nos setores de construção
(-9,5% ou -719 mil pessoas), agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e agricultura (-8,0% ou -758
mil pessoas), indústria geral (-2,9% ou -342 mil pessoas) e serviços domésticos (-2,9% ou -184 mil
pessoas). Apenas o grupamento de alojamento e alimentação teve alta (11% ou mais 493 mil pessoas).

Caged
De acordo com os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em
março as demissões superaram as contratações em 63.624 vagas, resultado de 1.261.332 admissões e

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de 1.324.956 demissões em março. No acumulado do primeiro trimestre de 2017, o país registrou o
fechamento de 64.378 postos de trabalho.

Estados Unidos suspendem importação de carne fresca do Brasil72


Medida é anunciada após recorrentes preocupações sobre segurança dos produtos
BRASÍLIA - O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira que suspendeu todas as
importações de carne in natura do Brasil. Em comunicado, o secretário de Agricultura dos Estados Unidos,
Sonny Perdue, informou que há "preocupações recorrentes sobre a segurança dos produtos destinados
ao mercado americano".
Os EUA tinham passado mais de 10 anos sem comprar carne fresca brasileira e só reabriu o mercado
no ano passado. Os americanos são tradicionais importadores de carne industrializada do Brasil. A
decisão de suspender as importações é mais um revés para a indústria de carne, que enfrenta uma
sequência de problemas desde o início do ano, que afetam as exportações e o preço dos produtos e
comprometem toda a indústria cadeia do setor no Brasil.
As autoridades dos EUA informaram que a suspensão dos embarques permanecerá em vigor até que
o Ministério da Agricultura do Brasil tome medidas corretivas que os Estados Unidos considerem
satisfatórias.
O Serviço de Inspeção e Segurança de Alimentos dos Estados Unidos informou, em comunicado, que
desde março vem inspecionando todos os produtos de carne que chegam do Brasil ao país. As
autoridades recusaram a entrada para 11% dos produtos brasileiros de carne fresca, segundo o texto.
"Esse valor é substancialmente superior à taxa de rejeição de 1% das remessas do resto do mundo.
Desde a implementação do aumento da inspeção, foi recusada a entrada para 106 lotes de produtos
bovinos brasileiros devido a problemas de saúde pública, condições sanitárias e problemas de saúde
animal. É importante notar que nenhum dos lotes rejeitados chegou ao mercado norte-americano",
informou o comunicado.
O governo americano disse ainda que o Brasil se comprometeu a resolver essas preocupações. Os
compradores dos Estados Unidos identificaram irregularidades provocadas pela reação à vacina da febre
aftosa na carne enviada ao país. Em alguns casos, a vacina pode provocar manchas internas na carne.
Na semana passada, o Ministério da Agricultura já havia suspendido as exportações de cinco frigoríficos
para os Estados Unidos.
"Garantir a segurança do fornecimento de alimentos da nossa nação é uma das nossas missões
críticas, e é uma tarefa que empreendemos com muita seriedade. Embora o comércio internacional seja
uma parte importante do que fazemos nos EUA, e o Brasil seja há muito tempo um dos nossos parceiros,
minha primeira prioridade é proteger os consumidores americanos. Foi isso o que fizemos ao interromper
a importação de carne fresca brasileira", disse o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny
Perdue, por meio de comunicado à imprensa.
O GLOBO procurou o Ministério da Agricultura, que ainda não se manifestou. Entre janeiro e maio
deste ano, o Brasil exportou US$ 18,9 milhões em carne fresca para os Estados Unidos, segundo dados
da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
— Isso é um absurdo e é inconsequente. Isso se trata de reação a um componente da vacina contra
a febre aftosa. É um prejuízo intangível. Nós levamos mais de 15 anos para abrir o mercado, estávamos
preparando para acessar os parceiros do Nafta, vamos ter que rever isso. Agora, além dos problemas
internos, tem isso. O problema é muito sério — disse o presidente da Abiec, Antonio Camardell,
acrescentando:
— O produtor não tem nada a ver com isso. O abscesso é oriundo de um componente da vacina. O
Brasil está perdendo o mercado americano por conta de uma falha de sistema.
O consultor Cesar de Castro Alves, da MB Agro, observa que o volume exportado de carne fresca para
os EUA não é significativo. Mesmo assim, a preocupação é com a sinalização que os EUA dão a outros
mercados importantes que o Brasil almejava entrar com esses produtos.
— O volume exportado de carne fresca aos EUA não é significativo. Mas a sinalização é ruim. O Brasil
começou a exportar carne fresca para os americanos no ano passado, depois de cerca de dez anos de
negociações. Com essa abertura, almejava entrar em mercados importantes como Japão e Coréia do Sul
— afirmou Alves.
O especialista ressalta que os EUA são muito cuidados com as exigências sanitárias estabelecidas
para carnes in natura.

72
VENTURA, M. SORIMA, N. J. Estados Unidos suspendem importação de carne fresca do Brasil. O Globo, Economia. Disponível em:
<https://oglobo.globo.com/economia/estados-unidos-suspendem-importacao-de-carne-fresca-do-brasil-
21508582?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo> Acesso em 23 de junho de 2017.

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1408527 E-book gerado especialmente para LUCAS ROCHA LOPES
— Carnes cujo rebanho não foi vacinado contra a febre aftosa, por exemplo, podem ser rejeitadas.
Isso não está relacionado a má qualidade do produto, mas à falta de cuidado com as exigências impostas
pelos EUA — diz o especialista.
Para o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, a
notícia não poderia ter sido pior. Ainda mais agora, que os EUA decidiram facilitar as importações de
carnes da China.
— A notícia é lamentável. Foram longos anos de negociações para abrir o mercado americano. É uma
péssima notícia para nós — afirmou Castro.
Entre os produtores, a notícia é "péssima" e afeta ainda mais a credibilidade da carne brasileira.
— Para o Brasil em geral é uma questão de credibilidade. Infelizmente as instituições do Brasil estão
fragilizadas. Das mais altas e inclusive a segurança sanitária — disse o vice-presidente da Sociedade
Rural Brasileira, Pedro de Camargo Neto.
MINISTÉRIO JÁ HAVIA ANUNCIADO SUSPENSÃO DE EXPORTAÇÕES
Na quarta-feira, porém, o Ministério da Agricultura anunciou que já havia suspendido as exportações
de carne de cinco frigoríficos para os Estados Unidos, desde a semana passada. Segundo a pasta, o
mecanismo de "autossuspensão" permite que as exportações sejam retomadas de forma mais rápida,
após os problemas serem resolvidos.
Em nota, o ministério afirmou que trabalha para "prestar todos os esclarecimentos e correções no
sentido de normalizar a situação. A proibição está valendo desde a última sexta-feira e continuará em
vigor até que sejam adotadas 'medidas corretivas'".

PAC perde R$ 7,48 bilhões; governo remaneja recursos para áreas essenciais73
Planejamento confirma corte adicional de R$ 5,9 bilhões e anuncia remanejamento de R$ 2,2 bilhões
para atender a áreas essenciais. Ministro diz que obras do PAC não serão suspensas.
O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, informou nesta quinta-feira (27) que o governo vai
bloquear e remanejar recursos em um valor total de R$ 8,1 bilhões com o objetivo de cumprir a meta fiscal
do governo, que é fechar o ano com um déficit de R$ 139 bilhões.
Oliveira confirmou o bloqueio de R$ 5,9 bilhões em gastos, anunciado na semana passada, e informou
que serão remanejados para outras áreas R$ 2,2 bilhões, o que totaliza os R$ 8,1 bilhões, dos quais R$
7,48 bilhões serão retirados do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O ministro do Planejamento afirmou que o bloqueio de recursos do PAC não deve resultar, de imediato,
na suspensão de obras públicas.
"A expectativa é de recomposição dos limites ao longo do ano. Pode haver atraso nos empenhos, mas
isso poderá ser recuperado se conseguirmos reaver receitas", declarou o ministro.
Na lei orçamentária deste ano, aprovada pelo Congresso Nacional, os recursos para o PAC somavam
R$ 36,07 bilhões. Com os cortes realizados até agora, o valor caiu quase pela metade: para R$ 19,68
bilhões.
Além do PAC, o governo também vai remanejar recursos de emendas parlamentares.
Segundo Oliveira, o governo procura reaver R$ 2,1 bilhões em precatórios não sacados por seus
beneficiários; R$ 2,5 bilhões com a outorga de aeroportos; e R$ 1 bilhão com a privatização da Lotex.

Áreas essenciais
Entre as áreas consideradas essenciais pelo ministro do Planejamento e que serão contempladas pelo
remanejamento de R$ 2,2 bilhões, estão:
- fiscalização de trabalho escravo;
- defesa civil;
- Polícia Rodoviária Federal;
- Polícia Federal;
- sistema de controle do espaço aéreo;
- agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Levantamento realizado pelo G1 mostra que o corte de verba restringiu a atuação de vários órgãos e
setores dependentes do governo federal.
Além do bloqueio adicional de R$ 5,9 bilhões em gastos no orçamento federal anunciado na semana
passada, o governo também subiu a tributação sobre os combustíveis.
O objetivo do governo, ao elevar tributos e bloquear gastos no orçamento, é tentar cumprir a meta
fiscal de 2017, fixada em um déficit (despesas maiores que receitas) de R$ 139 bilhões. A conta não inclui
as despesas com pagamento de juros da dívida pública.
73
MARTELLO, ALEXANDRO. PAC perde R$7,48 bilhões; governo remaneja recursos para áreas essenciais. G1 Economia. Disponível em: <
http://g1.globo.com/economia/noticia/pac-perde-r-748-bilhoes-e-governo-remaneja-recursos-para-areas-essenciais.ghtml> Acesso em 28 de julho de 2017.

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1408527 E-book gerado especialmente para LUCAS ROCHA LOPES
A arrecadação neste ano tem ficado abaixo da esperada pelo governo. No ano passado, quando
estimou as receitas com impostos e tributos em 2017, o governo previa que a economia brasileira estaria
crescendo em um ritmo mais acelerado, o que não ocorreu.
Com o orçamento apertado e os gastos limitados pela regra do teto, que começou a valer neste ano,
o governo já reduziu investimentos e sofre para manter alguns serviços. Para analistas, as restrições
devem continuar nos próximos meses.
Apesar dos esforços da equipe econômica, economistas das instituições financeiras estimam que
o rombo das contas do governo ficará em 145,26 bilhões. O valor está acima da meta fiscal fixada para
2017, que é de um resultado negativo de até R$ 139 bilhões.

Entenda o que é a meta fiscal e por que o governo revisou o número74


Com receitas abaixo do esperado, governo enfrenta dificuldade para cumprir meta e teve de prever
um rombo maior nas contas públicas em 2017 e 2018.
O governo anunciou nesta terça-feira (15) a revisão da meta fiscal para 2017 e 2018. Na prática, o
governo admitiu que não conseguirá fechar as contas públicas dentro da previsão orçamentária neste
ano e no ano que vem.
A nova meta prevê um rombo de R$ 159 bilhões nas contas públicas em 2017 e 2018. É um rombo
maior do que o previsto anteriormente, de R$ 139 bilhões para 2017 e R$ 129 bilhões em 2018.
Essa mudança poderá trazer consequências para a dívida pública, a nota de crédito do Brasil e a
própria credibilidade do governo.

O que é a meta fiscal?


É uma estimativa feita pelo governo da diferença entre a sua expectativa de receitas e de gastos em
um ano. Se essa diferença for positiva (ou seja, receitas maiores que gastos), a meta prevê um superávit
primário. Se for negativa (com gastos maiores que receitas), será um déficit primário.
Ao estabelecer um valor, o governo assume um compromisso público de como vai equilibrar as contas
públicas e manter a dívida pública sob controle.

Quem define a meta?


O próprio governo através da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que precisa ser aprovada pelo
Congresso.

Por que o governo teve que reajustar a meta?


O governo enfrenta dificuldades em cumprir a meta fiscal porque a recuperação da economia brasileira
está mais lenta que o previsto e, com isso, a arrecadação com impostos e contribuições está ficando
abaixo do esperado. Na prática, a arrecadação cresceu menos de 1% no primeiro semestre. Como os
gastos públicos continuam a crescer, há um desequilíbrio financeiro.
"O grande problema é que o governo acreditou que algumas reformas iam acontecer e já reduziriam
os gastos agora. Eles acreditavam que a economia ia conseguir se recuperar com mais força e que teriam
mais receita. Não conseguiram cortar gastos como queriam, e a receita não aumentou", diz a professora
da Fecap.
Ela cita a reforma trabalhista, que foi aprovada no Congresso com mudanças, e as expectativas das
reformas tributária e da Previdência, que ainda não se concretizaram. "Com a reforma tributária, o governo
esperava ter força para aumentar e ajustar alguns tributos, o que não aconteceu. Já a reforma da
Previdência não traria redução de gastos hoje, mas sinalizaria ao mercado um comprometimento de
ajuste fiscal a médio prazo."

Quais são as consequências do reajuste?


O governo terá que cobrir um déficit fiscal maior (despesas maiores que as receitas). Para isso, ele
precisa captar recursos com a emissão de títulos públicos. Assim, ele consegue financiar os gastos que
foram liberados. Mas, como efeito, sua dívida pública fica maior em relação ao tamanho da economia,
assim como os juros a serem pagos.
"Estamos falando de um acréscimo que não é nada desprezível, R$ 20 bilhões que o governo vai ter
que tirar de algum lugar. Vai ter um aumento da dívida pública, então o ano que vem deve ter taxas de
juros mais altas. O investimento se torna mais caro, então deve ser menor em 2018", diz Inhasz.

74
VELASCO, CLARA. Entenda o que é a meta fiscal e por que o governo revisou o número. G1 Economia. Disponível em:
<http://g1.globo.com/economia/noticia/entenda-o-que-e-a-meta-fiscal-e-por-que-o-governo-revisou-o-numero.ghtml> Acesso em 16 de agosto de 2017.

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Como o reajuste afeta a vida das pessoas?
O crescimento da dívida pública tem efeitos negativos na economia. Segundo a professora da Fecap,
a população deve sentir pouco o reajuste de maneira imediata, mas os efeitos terão mais força no ano
que vem. "Deve ter um aumento na inflação, que não deve ser um baita aumento, mas a população deve
sentir".
Como a meta fiscal é calculada?
O governo faz o planejamento do valor que vai gastar em determinado ano (despesas) e o total de
recursos esperados (receitas).
Os gastos são todas as despesas da máquina pública, exceto o pagamento de juros. "É tudo aquilo
que o governo gasta para colocar serviços à disposição das pessoas: educação, saúde, pagamento de
funcionários públicos, emissão de passaportes", diz Juliana Inhasz, professora de economia da Fundação
Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap).
Já as receitas vêm da tributação – impostos diretos cobrados sobre o patrimônio e renda e tributos
indiretos sobre o preço de bens e serviços – e refinanciamentos, como o Refis.

O que acontece se o governo não cumprir a meta?


Ele desrespeita a Lei de Responsabilidade Fiscal e perde credibilidade internacional. Para evitar isso,
o governo tem a possibilidade de reajustar a meta fiscal. As revisões na meta tornaram-se comuns durante
o governo de Dilma Rousseff e acabaram vistas pelo mercado como sinônimo da falta de compromisso
com o orçamento público e com a retomada da economia.
"[O governo] sinaliza para o mercado que não tem dispositivo econômico suficiente para fazer ajustes
necessários para colocar as contas em ordem. As pessoas enxergam que, se hoje o governo não ficou
dentro da meta, ele pode fazer isso de novo, de dizer uma coisa e fazer outra, já que no início do ano, ele
se comprometeu com uma meta fiscal que depois teve que reajustar", diz Inhasz.
Segundo especialistas ouvidos pelo G1, porém, no contexto atual, o anúncio não compromete a
credibilidade da equipe econômica diante dos investidores.

O que o governo fez para tentar cumprir a meta?


Para tentar cumprir a meta deste ano, o governo já bloqueou gastos e aumentou tributos sobre os
combustíveis, por exemplo. Além disso, o governo já anunciou a adoção de um programa de incentivo
para demissão de servidores e planeja adiar o reajuste programado para o início do ano que vem.

Governo revê orçamento para 2018 e previsão de salário mínimo cai de R$ 969 para R$ 96575
O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, anunciou na noite desta segunda-feira a revisão do
Orçamento de 2018 com a previsão de redução de R$ 4 no valor do salário mínimo para o próximo ano,
que passa de R$ 969 para R$ 965.
“Esse não é o valor que está sendo definido, mas uma projeção para fins orçamentários. O valor será
fixado apenas em janeiro, como determina a lei, com a publicação de um decreto. É uma estimativa com
base na estimativa da inflação”, explicou o ministro.
O valor menor ocorre devido a redução da previsão do Índice de Preços ao Consumidor (INPC).
Na mensagem modificativa do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2018, que será enviada
ao Congresso Nacional, o governo mantém a previsão de crescimento de 2% do PIB para 2018 e uma
inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,2%.
Já a estimativa do INPC, teve uma leve modificação em relação à proposta orçamentária em tramitação
no Congresso, de 4,2%, para 4,3%.
No documento que será enviado ao Congresso, o governo reduz a previsão de taxa Selic para o
próximo ao de 8% ao ano para 7,25%.
O governo está enviando ao Congresso a mensagem modificativa porque a peça orçamentária enviada
em 31 de agosto não considerou a revisão da meta de déficit fiscal para o ano que vem e a redução das
despesas.

Desemprego entre jovens no Brasil tem maior taxa em 27 anos, diz OIT76
Praticamente 30% dos brasileiros com menos de 25 anos estão sem trabalho, um índice duas vezes
maior que a média mundial e equivalente aos países árabes

75
AGÊNCIA BRASIL. Governo revê orçamento para 2018 e previsão de salário mínimo cai de R$ 969 para R$ 965. Disponível em:
<http://www.itatiaia.com.br/noticia/governo-reve-orcamento-para-2018-e-previsao-d> Acesso em 31 de outubro de 2017.
76
CHADE, JAMIL. Desemprego entre jovens no Brasil tem maior taxa em 27 anos, diz OIT. Estadão, Economia & Negócios. Disponível em:
<http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,desemprego-entre-jovens-no-brasil-tem-maior-taxa-em-27-anos-diz-oit,70002091029> Acesso em 21 de novembro
de 2017.

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GENEBRA - O desemprego entre os jovens no Brasil atinge sua maior taxa em 27 anos. Dados
apresentados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que, ao final de 2017,
praticamente 30% dos jovens brasileiros estariam sem trabalho. "Trata-se da maior taxa desde 1991",
aponta a entidade, com sede em Genebra.
A estimativa sobre o índice brasileiro é mais de duas vezes superior à média internacional. Segundo a
OIT, o desemprego entre jovens no mundo é de cerca de 13,1%. A situação brasileira só é equivalente
às taxas registradas nos países árabes, que viram o desemprego desencadear uma importante crise
política e social a partir de 2011.
Hoje, entre as mais de 190 economias avaliadas pela OIT, apenas 36 delas tem uma situação pior que
a do Brasil para os jovens. Na Síria, por exemplo, a taxa de desemprego entre os jovens é de 30,6%,
contra 34% no Haiti.
A queda do crescimento da economia brasileira, informalidade e as incertezas de investimentos teriam
gerado o salto no desemprego dessa camada nos últimos anos, ainda que o pico possa já ter sido
atingido. "Houve uma enorme desaceleração de alguns países, entre eles o Brasil", disse a diretora de
Política de Desenvolvimento e Emprego da OIT, Azita Awad.
Em 1991, a taxa brasileira de desemprego entre os jovens era de 14,3% e, em 1995, chegou a cair
para 11,4%. Mas a segunda metade da década de 90 registrou um aumento, com um pico em 2003.
Naquele ano, o desemprego de jovens era de 26,1%. Entre 2004 e 2014, a taxa sofreu uma queda
substancial, chegando a 16,1%.
Mas a desaceleração da economia nacional teria um impacto direto no desemprego de jovens. Em
2015, a taxa subiria para 20%. Um ano depois, ela já era de 27,1% e, neste ano, bateria a marca de
29,9%. A previsão da OIT é de que, em 2018, uma leve queda deva ser registrada, com 29,8%.
A situação brasileira acabou afetando as médias de toda a região latino-americana, que teve o maior
salto de desemprego no mundo entre essa camada da população. O continente terminará 2017 com seu
nível de desemprego mais alto desde 2004. A taxa entre os jovens chegará a 19,6%, contra um índice de
apenas 14,3% em 2013. Apenas neste ano, 500 mil jovens extras ficarão desempregados e a região deve
somar 10,7 milhões de pessoas nessa situação.
Questionada sobre o impacto do desemprego entre os jovens para os países mais afetados na América
Latina, Awad fez alusão ao movimento de contestação que gerou a Primavera Árabe. "Basta ver o que
ocorreu no Norte da África", alertou. Segundo ela, empregos estão no topo das prioridades para essas
sociedades.
Os números latino-americanos se contrastam com os dados da América do Norte ou Europa. Nos EUA
e Canadá, a taxa deve ser a menor desde 2000, com 10,4% dos jovens desempregados. Na Europa, a
crise de 2009 ainda é sentida. Mas os números de desemprego começam a perder força. Para 2017, o
ano deve fechar com uma taxa de 18,2%, o quarto ano consecutivo de queda. Em 2013, essa taxa
chegava a ser de 23,3%.
No mundo, um total de 70,9 milhões de pessoas com até 24 anos estão sem trabalho. Esse número
deve piorar em 2018, com 71,1 milhões de jovens desempregados.
Os dados ainda revelam que os jovens, hoje, tem três vezes mais chances de estar desempregado
que um adulto. Mas os dados também revelam que uma parte substancial dessa camada da população
deixou de procurar emprego.
Em 1997, 55% dos jovens com até 24 anos estavam no mercado de trabalho. Hoje, essa taxa é de
45%. Para a OIT, essa queda não significa apenas que eles estão permanecendo nas escolas e
universidades por mais tempo. 21,8% dos jovens em 2017 nem trabalhavam e nem estudavam.
Outro destaque da OIT se refere ao número de jovens que, mesmo trabalhando, não conseguem sair
da pobreza. No mundo, esse total chega a 160 milhões de pessoas, que ganham menos de US$ 3,1 por
dia. "Eles representam 39% de todos os jovens que trabalham", destaca a diretora da entidade. Na
América Latina, a taxa é de 9,1%, com 4 milhões de pessoas vivendo nessa situação.
O cenário para os próximos anos não é dos melhores. A média geral de desemprego para os jovens
deve aumentar em 2018. Para a OIT, essa geração enfrentará um "futuro incerto", com salários sendo
pagos em setores temporários.
Uma das constatações, porém, é de que aqueles com maior nível de escolaridade terão uma transição
mais curta entre a escola e o mundo do trabalho. No Brasil, os índices mostram que aqueles apenas com
escolaridade primária podem levar um tempo cinco vezes maior para encontrar um emprego que
universitários.

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Brasil gasta mal e de forma injusta, diz Banco Mundial77
Brasil gasta mais do que arrecada e, além disso, de forma ineficaz, já que as despesas não cumprem
plenamente seus objetivos, e muitas vezes é injusta, porque beneficiam os ricos em detrimentos dos mais
pobres. A conclusão é de um relatório do Banco Mundial divulgado nesta terça-feira (21/11).
O estudo, intitulado "Um ajuste justo: uma análise da eficiência da equidade do gasto público no Brasil",
foi encomendado pelo ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy.
Ele analisa as raízes dos problemas fiscais brasileiros, os programas sociais existentes e as alocações
das despesas, centrando-se em oito setores dos gastos públicos, com diagnóstico detalhado de cada um.
Também aponta possíveis reformas para promover uma gestão de recursos mais eficaz e justa.
O Banco Mundial afirma que o governo brasileiro terá que enfrentar "escolhas difíceis" para ajustar
suas contas, com o perigo de "mergulhar novamente na espiral da inflação e do baixo crescimento".
No entanto, após a análise de uma série de dados, o órgão concluiu que "é possível [no Brasil]
economizar parte do orçamento sem prejudicar o acesso e a qualidade dos serviços públicos,
beneficiando os estratos mais pobres da população".
O relatório alerta, por exemplo, que os gastos públicos brasileiros aumentaram de forma consistente
nas últimas décadas, colocando em risco a sustentabilidade fiscal do país - o déficit fiscal já atinge 8% do
PIB, e a dívida subiu de 51,5%, em 2012, para 73% neste ano.
Nesse sentido, ressalta que será necessário reduzir as despesas em 0,6% em proporção ao PIB do
país a cada ano, bem como reduzir as despesas dos estados e municípios em 1,29%.

Previdência
Um dos problemas apontados pelo banco é referente aos gastos com previdência, descrita como o
"motor do desequilíbrio fiscal" do país. Segundo o estudo, sua reforma seria a medida com maior impacto
para a economia brasileira.
Se a situação atual for mantida, em treze anos, o gasto com previdência esgotará o limite do teto de
gastos do governo federal e não haverá dinheiro para salários, manutenção de escolas e hospitais ou
investimentos. Em 2080, essas despesas corresponderiam a 150% do PIB nacional.
Além disso, a previdência brasileira é "altamente injusta", aponta o Banco Mundial. Isso porque 35%
dos subsídios beneficiam aqueles que estão entre os 20% mais ricos, enquanto penas 18% dos subsídios
vão para os 40% mais pobres.

Serviço público
Na esfera do serviço público, aposentadoria e salários registram uma injustiça ainda maior. Segundo
o relatório, os servidores públicos federais ganham, em média, 67% a mais do que os trabalhadores da
iniciativa privada. Já os servidores estaduais recebem salários 30% maiores.
A remuneração acima da média, afirma o estudo, é o que leva os gastos com funcionalismo no Brasil
serem tão altos, ultrapassando as despesas de países como Estados Unidos, França e Portugal.
O Banco Mundial revela que os gastos com servidores, em todas as esferas do governo, chegaram a
13,1% do PIB em 2015, em comparação com os 11,6% registrados há dez anos. Em outros países
desenvolvidos, esse percentual é de cerca de 9% do PIB.

Ensino superior gratuito


Em relação à educação, o estudo aponta injustiça também no ensino superior gratuito, onde 65% dos
estudantes estão entre os 40% mais ricos do país. O governo gasta 0,7% do PIB com as universidades
federais.
A fim de cortar gastos sem prejudicar os mais pobres, a sugestão do Banco Mundial é o fim da
gratuidade na universidade pública, com a criação de bolsas para aqueles que não podem pagar. Já os
alunos de renda média e alta, que tendem a ter um aumento de renda depois de formados, poderiam
pagar pelo curso após a graduação.
Outro alerta do relatório é referente às políticas públicas de incentivo ao setor privado. Segundo o
banco, elas estão presentes em gastos tributários, créditos subsidiados e gastos diretos com empresas.
Os gastos nessa área correspondem a duas vezes o custo de todos os programas de assistência social
e apoio ao mercado de trabalho e mais de dez vezes o custo do programa Bolsa Família, por exemplo.

77
DW. Brasil gasta mal e de forma injusta, diz Banco Mundial. Terra. Disponível em: <https://www.terra.com.br/noticias/brasil/brasil-gasta-mal-e-de-forma-injusta-
diz-banco-mundial,6cbd6958c84c97d4cd77ec17cfef71bb0drvk8o8.html> Acesso em 22 de novembro de 2017.

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1408527 E-book gerado especialmente para LUCAS ROCHA LOPES
Metade dos trabalhadores brasileiros tem renda menor que o salário mínimo, aponta IBGE78
Renda abaixo do mínimo é possível entre trabalhadores informais e por conta própria; pesquisa revela
que 10% da população concentra 43% da soma de rendimentos do país.
Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) revela que 50% dos trabalhadores brasileiros recebem por mês, em média, 15% menos que o
salário mínimo. Além disso, o rendimento daqueles que ganham mais é 360 vezes maior do que o dos
trabalhadores que têm renda mais baixa.
“O Brasil já é conhecido como um dos países com as piores desigualdades de rendimento do mundo.
Essa pesquisa enfatiza ainda mais o quão desigual é o país”, disse a gerente da pesquisa, Maria Lúcia
Vieira.
O levantamento foi feito ao longo de 2016 por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
Contínua (PNAD). Naquele ano, o salário mínimo era de R$ 880. Dos 88,9 milhões de trabalhadores
ocupados no ano, 44,4 milhões recebiam, em média, R$ 747 por mês.
A lei brasileira prevê um salário mínimo para os trabalhadores com carteira assinada. O rendimento
abaixo desse valor é possível entre a população com emprego informal e os trabalhadores por conta
própria, como vendedores ambulantes e donos de pequenos negócios.
Do total de trabalhadores, 4,4 milhões (5%) recebiam, em média, apenas R$ 73 mensais. Já 889 mil
(1%) recebiam, em média, R$ 27 mil. “Isso significa que aqueles com maiores rendimentos recebiam 360
vezes mais que os com menores rendimentos”, enfatizou a pesquisadora.
A soma dos rendimentos recebidos por todos os brasileiros em 2016 foi de R$ 255 bilhões por mês,
em média. Desse valor, 43,4% estava concentrado nas mãos de 10% da população do país. Já a parcela
dos 10% das pessoas com os menores rendimentos detinha apenas 0,8% da massa.
A análise regional mostrou que a Região Sudeste concentrou R$ 132,7 bilhões da massa de
rendimento do país, superior à soma das demais regiões. As regiões Sul (R$ 43,5 bilhões) e Nordeste
(R$ 43,8 bilhões) produziram cerca de 1/3 da massa de rendimentos do Sudeste. Já as regiões Centro-
Oeste (R$ 21,8 bilhões) e Norte (R$ 13,4 bilhões) produziram, respectivamente, 16,4% e 10,1% do
Sudeste.
"É claro que tem de ser maior porque é no Sudeste onde está concentrada a maior parcela da
população, 42%, do país”, destacou Cimar Azeredo, Coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.
Segundo Azeredo, 44% dos “outros rendimentos” pagos no país estão concentrados no Nordeste.
“Isso mostra o peso e a importância dos programas de transferência de renda para aquela população”.
“Aí a gente vê o tamanho da desigualdade econômica no país”, enfatizou Maria Lúcia.

Renda domiciliar per capita


O rendimento médio real domiciliar per capita foi de R$ 1,2 mil por mês em 2016. Nas regiões Norte e
Nordeste, a média foi de R$ 772. A maior média foi observada no Sudeste, com R$ 1,5 mil.
Com isso, o índice de Gini, que calcula o nível de desigualdade de renda em um país, do rendimento
domiciliar per capita para o Brasil naquele ano foi estimado em 0,549. O Sul do país apresentou o menor
índice, de 0,473, e o Sudeste o maior, de 0,535. O índice de Gini vai de 0 (perfeita igualdade) a 1
(desigualdade máxima).
Para a gerente da pesquisa, Maria Lúcia Vieira, o levantamento enfatiza a necessidade do Brasil
combater as desigualdades sociais e econômicas a fim de alavancar seu desenvolvimento.
"A gente sabe que país nenhum vai crescer sob uma base desigual", destacou.

Fontes de rendimento
Dos 205,5 milhões de habitantes no Brasil, 124,4 milhões (60,5%) possuíam algum tipo de renda em
2016, segundo o IBGE. A maior parcela do rendimento da população provém da remuneração pelo
trabalho, conforme a pesquisa.
Segundo o levantamento, 42,4% da população possuía rendimento de trabalho, ao passo que 24%
possuía algum rendimento proveniente de outras fontes, como aposentadoria e benefícios sociais.
O IBGE destacou que havia diferenças significativas entre as regiões em relação à fonte de rendimento
da população. No Sul, por exemplo, 47,1% das pessoas com renda a obtinham por meio do trabalho. Já
o Nordeste concentrava o maior percentual de pessoas que recebiam rendimento de outras fontes.
Dentre os rendimentos distintos da remuneração pelo trabalho, aposentadorias e pensões se
destacaram como a principal fonte. Da população com renda, 13,9% recebia aposentadoria ou pensão;
2,4% recebia pensão alimentícia, mesada ou doação; 1,8% tinha renda de aluguel; e 7,7% recebia algum

78
SILVEIRA, DANIEL. Metade dos trabalhadores brasileiros tem renda menor que o salário mínimo, aponta IBGE. G1 Economia. Disponível em:
<https://g1.globo.com/economia/noticia/metade-dos-trabalhadores-brasileiros-tem-renda-menor-que-o-salario-minimo-aponta-ibge.ghtml> Acesso em 30 de
novembro de 2017.

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tipo de rendimento de outras fontes, como rendimentos de poupança, seguro-desemprego e dos
programas de transferência de renda do governo, como o Bolsa Família, por exemplo.
Considerando apenas o Bolsa Família, o IBGE constatou que 14,3% dos domicílios do país têm essa
fonte de renda. No Nordeste, este percentual salta para 29,3% dos domicílios e no Norte para 27,2%. O
menor percentual foi observado no Sul (5,4%), seguido pelo Sudeste (6,9%) e Centro-Oeste (9,4%).
Já o Benefício de Prestação Continuada (BPC), conforme apontou a pesquisa, estava presente na
renda de 3,4% dos domicílios brasileiros. Nordeste e Norte são as regiões com maior percentual deste
benefício – respectivamente 5,4% e 5,3% - seguidas pelo Centro-Oeste (3,6%), Sudeste (2,3%) e Sul
(2,1%).
Cimar Azeredo enfatizou que o rendimento médio domiciliar per capita dos domicílios onde havia
pagamento de Bolsa Família foi de R$ 331, enquanto nos domicílios onde nenhum morador o recebia foi
de R$ 1.446.

Região
A análise regional revela que o Nordeste foi a região que concentrou a maior parcela de pessoas que
tinham renda distintas de trabalho, aposentadoria, pensão e aluguel.
“Isso mostra o peso e a importância de programas sociais de distribuição de renda nestas regiões com
maior desigualdade do país”, avaliou Maria Lúcia Vieira, gerente da pesquisa.

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1% mais ricos concentra 28% de toda a renda no Brasil, diz estudo79
Relatório assinado por Thomas Piketty mostra que a concentração de riqueza no topo da pirâmide
cresceu no país num período de 15 anos.
A concentração de renda de quem está no topo da pirâmide cresceu no Brasil num período de 15 anos.
A população 1% mais rica detinha, em 2015, 28% de toda a riqueza obtida no país, mostrou um relatório
sobre a desigualdade no mundo divulgado nesta quinta-feira (14). Em 2001, essa participação era de
25%.
O documento é assinado por um time de pesquisadores, entre eles o aclamado autor do livro "O Capital
no Século XXI", Thomas Piketty, especialista em estudos sobre desigualdade de renda.
Enquanto os 50% mais pobres do Brasil eram mais de 71 milhões de pessoas em 2015, os 1% mais
favorecidos somavam 1,4 milhão de pessoas.
O estudo também aponta que os 10% mais ricos elevaram sua riqueza de 54% para 55% neste mesmo
período.

Extremos
Os 50% mais pobres também tiveram um aumento da renda, passando de 11% para 12%, um
crescimento mais rápido que os 10% mais ricos, segundo o relatório, mas com impacto bem menos
relevante devido a sua baixa renda.
A participação da classe média, por sua vez, caiu entre 2001 e 2015 de 34% para 32%. Segundo o
estudo, esse estreitamento da camada do meio é resultado da baixa participação da renda e baixa
performance de crescimento desta população.
"Enquanto a desigualdade de renda salarial declinou de acordo com nossas observações, essa queda
foi insuficiente para mitigar a concentração de capital e reverter a crescente concentração de renda entre
os mais favorecidos", diz o estudo.

Meio Ambiente e Sustentabilidade

Desenvolvimento sustentável80
Desenvolvimento sustentável é o modelo que prevê a integração entre economia, sociedade e meio
ambiente. Em outras palavras, é a noção de que o crescimento econômico deve levar em consideração
a inclusão social e a proteção ambiental

Gestão do Lixo
O lixo ainda é um dos principais desafios dos governos na área de gestão sustentável. No entanto, na
última década, o Brasil deu um salto importante no avanço para a gestão correta dos resíduos sólidos.
Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, em 2000, apenas 35% dos resíduos eram destinados
aos aterros.
Em 2008, esse número subiu para 58%. Além disso, o número de programas de coleta seletiva saltou
de 451, em 2000, para 994, em 2008.
Para regulamentar a coleta e tratamento de resíduos urbanos, perigosos e industriais, além de
determinar o destino final correto do lixo, o Governo brasileiro criou a Política Nacional de Resíduos
Sólidos (Lei n° 12.305/10), aprovada em agosto de 2010.

Créditos de Carbono
No mercado de carbono, cada tonelada de carbono que deixa de ser emitida é transformada em
crédito, que pode ser negociado livremente entre países ou empresas.
O sistema funciona como um mercado, só que ao invés das ações de compra e venda serem
mensuradas em dinheiro, elas valem créditos de carbono.
Para isso é usado o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que prevê a redução certificada
das emissões de gases de efeito estufa. Uma vez conquistada essa certificação, quem promove a redução
dos gases poluentes tem direito a comercializar os créditos.
Por exemplo, um país que reduziu suas emissões e acumulou muitos créditos pode vender este
excedente para outro que esteja emitindo muitos poluentes e precise compensar suas emissões.
O Brasil ocupa a terceira posição mundial entre os países que participam desse mercado, com cerca
de 5% do total mundial e 268 projetos.

79
G1. 1% mais ricos concentram 28% de toda a renda no Brasil, diz estudo. G1 Economia. Disponível em: <https://g1.globo.com/economia/noticia/1-mais-ricos-
concentram-28-de-toda-a-renda-no-brasil-diz-estudo.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1> Acesso em 15 de dezembro de 2017.
80
Fonte: http://www.rio20.gov.br/sobre_a_rio_mais_20/desenvolvimento-sustentavel.html

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Entenda como funciona o mercado de crédito de carbono81
A partir dos anos 2000, entrou em cena um mercado voltado para a criação de projetos de redução da
emissão dos gases que aceleram o processo de aquecimento do planeta.
Trata-se do mercado de créditos de carbono, que surgiu a partir do Protocolo de Quioto, acordo
internacional que estabeleceu que os países desenvolvidos deveriam reduzir, entre 2008 e 2012, suas
emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) 5,2% em média, em relação aos níveis medidos em 1990.
O Protocolo de Quioto criou o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que prevê a redução
certificada das emissões. Uma vez conquistada essa certificação, quem promove a redução da emissão
de gases poluentes tem direito a créditos de carbono e pode comercializá-los com os países que têm
metas a cumprir.
“O ecossistema não tem fronteira. Do ponto de vista ambiental, o que importa é que haja uma redução
de emissões global”, ressalta o consultor de sustentabilidade e energia renovável, Antonio Carlos Porto
Araújo.
Durante a última Conferência do Clima (COP 17), realizada em 2011, na África do Sul, as metas de
Quioto foram atualizadas e ampliadas para cortes de 25% a 40% nas emissões, em 2020, sobre os níveis
de 1990 para os países desenvolvidos.
“Isso pode significar um fomento nas atividades de crédito de carbono que andavam pouco atraentes”,
disse Araújo, autor do livro “Como comercializar créditos de carbono”.
O Brasil ocupa a terceira posição mundial entre os países que participam desse mercado, com cerca
de 5% do total mundial e 268 projetos. A expectativa inicial era absorver 20%. O mecanismo incentivou a
criação de novas tecnologias para a redução das emissões de gases poluentes no Brasil.

Cálculo
A redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) é medida em toneladas de dióxido de carbono
equivalente – t CO2e (equivalente). Cada tonelada de CO2e reduzida ou removida da atmosfera
corresponde a uma unidade emitida pelo Conselho Executivo do MDL, denominada de Redução
Certificada de Emissão (RCE).
Cada tonelada de CO2e equivale a 1 crédito de carbono. A ideia do MDL é que cada tonelada de CO2
e não emitida ou retirada da atmosfera por um país em desenvolvimento possa ser negociada no mercado
mundial por meio de Certificados de Emissões Reduzidas (CER).
As nações que não conseguirem (ou não desejarem) reduzir suas emissões poderão comprar os CER
em países em desenvolvimento e usá-los para cumprir suas obrigações.

Consumo racional82
É um modo de consumir capaz de garantir não só a satisfação das necessidades das gerações atuais,
como também das futuras gerações. Isso significa optar pelo consumo de bens produzidos com tecnologia
e materiais menos ofensivos ao meio ambiente, utilização racional dos bens de consumo, evitando-se o
desperdício e o excesso e ainda, após o consumo, cuidar para que os eventuais resíduos não provoquem
degradação ao meio ambiente. Principalmente: ações no sentido de rever padrões insustentáveis de
consumo e diminuir as desigualdades sociais.
Adotar a prática dos três 'erres': Redução, que recomenda evitar o consumo de produtos
desnecessários; Reutilização, que sugere que se reaproveite diversos materiais; e Reciclagem, que
orienta reaproveitar materiais, transformando-os e lhes dando nova utilidade.

Aquecimento Global
O aquecimento global é uma consequência das alterações climáticas ocorridas no planeta. Diversas
pesquisas confirmam o aumento da temperatura média global. Conforme cientistas do Painel
Intergovernamental em Mudança do Clima (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), o século
XX foi o mais quente dos últimos cinco, com aumento de temperatura média entre 0,3°C e 0,6°C. Esse
aumento pode parecer insignificante, mas é suficiente para modificar todo clima de uma região e afetar
profundamente a biodiversidade, desencadeando vários desastres ambientais.
As causas do aquecimento global são muito pesquisadas. Existe uma parcela da comunidade científica
que atribui esse fenômeno como um processo natural, afirmando que o planeta Terra está numa fase de
transição natural, um processo longo e dinâmico, saindo da era glacial para a interglacial, sendo o
aumento da temperatura consequência desse fenômeno.

81
Fonte: http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2012/04/entenda-como-funciona-o-mercado-de-credito-de-carbono
82
Texto adaptado de http://www.wwf.org.br/natureza_
brasileira/questoes_ambientais/desenvolvimento_sustentavel/

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No entanto, as principais atribuições para o aquecimento global são relacionadas às atividades
humanas, que intensificam o efeito de estufa através do aumento na queima de gases de combustíveis
fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural. A queima dessas substâncias produz gases como
o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), que retêm o calor proveniente das
radiações solares, como se funcionassem como o vidro de uma estufa de plantas, esse processo causa
o aumento da temperatura. Outros fatores que contribuem de forma significativa para as alterações
climáticas são os desmatamentos e a constante impermeabilização do solo.
Atualmente os principais emissores dos gases do efeito de estufa são respectivamente: China, Estados
Unidos, Rússia, Índia, Brasil, Japão, Alemanha, Canadá, Reino Unido e Coreia do Sul. Em busca de
alternativas para minimizar o aquecimento global, 162 países assinaram o Protocolo de Kyoto em 1997.
Conforme o documento, as nações desenvolvidas comprometem-se a reduzir sua emissão de gases que
provocam o efeito de estufa, em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990. Essa meta teve que ser
cumprida entre os anos de 2008 e 2012. Porém, vários países não fizeram nenhum esforço para que a
meta fosse atingida, o principal é os Estados Unidos.

Conceito de desenvolvimento sustentável


Usar os recursos naturais com respeito ao próximo e ao meio ambiente. Preservar os bens naturais e
a dignidade humana. É o desenvolvimento que não esgota os recursos, conciliando crescimento
econômico e preservação da natureza.
Em Salvador, o TEDxPelourinho foi totalmente dedicado ao tema, e reuniu pensadores de diversas
áreas e regiões do país para compartilhar suas experiências e mostrar como estão ajudando a transformar
os centros urbanos em locais planejados para serem ocupados por pessoas. As iniciativas incluem
ciclovias, centros revitalizados, instrumentos de participação coletiva e empoderamento dos cidadãos,
mais solidários, inclusivos, saudáveis, verdes e humanas. Em relação a capital gaúcha, foi reconhecida
pela IBM com uma das 31 cidades do mundo merecedoras do prêmio Smarter Cities Challenge Summit.
O reconhecimento veio graças ao projeto Cidade Cognitiva, que tem o objetivo de simular os impactos
futuros sobre a vida do município, com as obras e ações realizadas no presente demandadas pelo
orçamento participativo - sistema no qual a tomada de decisões sobre investimentos públicos é
compartilhada entre sociedade e governo.
Quem também fez progressos da área também foi o Rio de Janeiro. A sede das Olimpíadas de 2016
tem investido em um moderno centro integrado de operações para antecipar e combater situações de
calamidade. A tecnologia, desenvolvida em parceria com a IBM, deve ser aplicada nas demais cidades
do país, segundo anunciou o presidente da empresa no Brasil Rodrigo Kede. O prefeito da cidade,
Eduardo Paes, chegou a palestrar em uma Conferência do TED explicando quatro grandes ideias que
devem conduzir o Rio (e todas as cidades) ao futuro, incluindo inovações arrojadas e executáveis de
infraestrutura.
Mobilizações populares: Os rapazes do Shoot the Shit da cidade de Porto Alegre, usam bom humor
para resolver os problemas locais. Ao longo do ano, o foi noticiado diversas iniciativas populares que
contribuem com as cidades brasileiras. Em Salvador, a jornalista Débora Didonê e seus companheiros do
projeto Canteiros Coletivos mostraram como estão transformando os espaços públicos da capital baiana
utilizando somente pás, mudas e a conscientização dos cidadãos locais.
Megacidades: Prefeitos das maiores cidades do mundo estiveram reunidos na Rio+20. Representantes
das maiores metrópoles do mundo se reuniram para trocar experiências sobre desenvolvimento
sustentável e traçar metas para reduzir os impactos dos grandes centros urbanos no planeta. Prefeitos
das 40 maiores cidades do mundo se encontraram em São Paulo para participar da C40 (Large Cities
Climate Leadership Group). Um dos destaques foi à assinatura de um protocolo de intenções destinado
a viabilizar suporte financeiro a grandes cidades, no intuito de que elas desenvolvam ações de
sustentabilidade. O documento foi assinado pelo presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, e pelo
prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, presidente da cúpula. Outro encontro decisivo aconteceu
durante a Rio+20, quando os líderes das 59 maiores cidades do mundo se comprometeram a reduzir em
até 248 milhões de toneladas as emissões de gases do efeito estufa até 2020. Na mesma ocasião, os
prefeitos firmaram o compromisso de engajar 100 metrópoles no caminho do desenvolvimento
sustentável até 2025.

Lixo Eletrônico
Um estudo da Organização Internacional do Trabalho, OIT, destaca que 40 milhões de toneladas de
lixo eletrônico são produzidas todos os anos. O descarte envolve vários tipos de equipamentos, como
geladeiras, máquinas de lavar roupa, televisões, celulares e computadores. Países desenvolvidos enviam
80% do seu lixo eletrônico para ser reciclado em nações em desenvolvimento, como China, Índia, Gana

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e Nigéria. Segundo a OIT, muitas vezes, as remessas são ilegais e acabam sendo recicladas por
trabalhadores informais. Saúde - O estudo Impacto Global do Lixo Eletrônico, publicado em dezembro,
destaca a importância do manejo seguro do material, devido à exposição dos trabalhadores a substâncias
tóxicas como chumbo, mercúrio e cianeto.
A OIT cita vários riscos para a saúde, como dificuldades para respirar, asfixia pneumonia, problemas
neurológicos, convulsões, coma e até a morte. Orientações - Segundo agência, simplesmente banir as
remessas de lixo eletrônico enviadas países em desenvolvimento não é solução, já que a reciclagem
desse material promove emprego para milhares de pessoas que vivem na pobreza. A OIT sugere integrar
sistemas informais de reciclagem ao setor formal e melhorar métodos e condições de trabalho. Outro
passo indicado no estudo é a criação de leis e associações ou cooperativas de reciclagem.

Fenômenos climáticos extremos prosseguirão em 2017, diz ONU83


Após um ano de 2016 com temperaturas em nível recorde no qual a banquisa (água do mar congelada)
no Ártico seguiu minguando e o nível do mar subindo, as Nações Unidas advertiram nesta terça-feira
(21/03) que os fenômenos climáticos extremos prosseguirão em 2017.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência especializada da ONU, publicou seu
relatório anual sobre o estado mundial do clima coincidindo com a jornada meteorológica mundial, que
será realizada em 23 de março.
"O relatório confirma que 2016 foi o ano mais quente já registrado. O aumento da temperatura em
relação à era pré-industrial alcançou 1,1ºC, ou seja, 0,06ºC mais que o recorde anterior de 2015", disse
o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, em um comunicado.
Segundo a OMM, os fenômenos chamados extremos não apenas seguirão em 2017, mas os estudos
recentes "dão a entender que o aquecimento dos oceanos pode ser mais pronunciado do que se
acreditava".
Os dados provisórios dos quais a ONU dispõe revelam que o ritmo de crescimento da concentração
de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera não foi freado.
"Depois que o potente (fenômeno climático) El Niño de 2016 se dissipou, hoje assistimos a outras
alterações no mundo que não conseguimos elucidar, estamos ao limite de nossos conhecimentos
científicos sobre o clima", disse por sua vez o diretor do programa mundial de investigação sobre o clima,
David Carlson.
O fenômeno El Niño, que ocorre a cada quatro ou cinco anos com intensidade variável, provocou um
aumento da temperatura do Pacífico, desencadeando, por sua vez, secas e precipitações superiores à
média.
Em geral, este fenômeno chega ao seu ponto máximo no fim do ano, perto do Natal, daí seu nome,
em referência ao menino Jesus.
Por sua vez, o Ártico viveu ao menos três vezes neste inverno o equivalente polar de uma onda de
calor, segundo a OMM, que ressalta que em alguns dias a temperatura era próxima ao degelo.
Segundo as conclusões dos pesquisadores, as mudanças no Ártico e o degelo da banquisa provocam
uma modificação geral da circulação oceânica e atmosférica que afeta, por sua vez, as condições
meteorológicas de outras regiões do mundo.
É o caso do Canadá e de grande parte dos Estados Unidos, que tiveram um clima suave pouco
habitual, enquanto na península arábica e no norte da África foram registradas no início de 2017
temperaturas anormalmente baixas.
Além disso, as temperaturas na superfície do mar foram em 2016 as mais altas já registradas e o
aumento do nível médio do mar prosseguiu, enquanto a superfície da banquisa no Ártico foi inferior à
normal durante grande parte do ano.

Mais de 100 pessoas morrem em 48h por causa da seca na Somália84


Cento e dez pessoas morreram no sul da Somália nas últimas 48 horas em consequência da seca,
anunciou o primeiro-ministro somali Hassan Ali Khaire.
Segundo ele, as vítimas também sofreram com diarreias severas provocadas pela água insalubre nas
regiões do sul da Somália. A maioria dos mortos é de crianças e idosos, segundo as autoridades.
A Somália decretou no final de fevereiro estado de catástrofe nacional pela seca que atinge o país e
ameaça a cerca de três milhões de pessoas.
A seca na Somália deixou 185 mil crianças em situação à beira da fome e nos próximos meses espera-
se que este número alcance 270 mil crianças, segundo o Unicef.

83
21/03/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/natureza/noticia/fenomenos-climaticos-extremos-prosseguirao-em-2017-diz-onu.ghtml
84
05/03/2017. Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/mais-de-100-pessoas-morrem-em-48h-por-causa-da-seca-na-somalia.ghtml

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Trump anuncia saída dos EUA do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas85
Presidente prometeu negociar um retorno futuro ou fazer um novo acordo mais justo para os
americanos. Na campanha eleitoral, ele tinha prometido abandonar consenso da ONU nos primeiros 100
dias de governo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (1º) a saída de seu país
do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, mas prometeu negociar um retorno ou um novo acordo
climático em termos que considere mais justos para os americanos. Ele disse que o atual documento traz
desvantagens para os EUA para beneficiar outros países, e prometeu interromper a implementação de
tudo que for legalmente possível imediatamente.
"Para cumprir o meu dever solene de proteger os Estados Unidos e os seus cidadãos, os Estados
Unidos vão se retirar do acordo climático de Paris, mas iniciam as negociações para voltar a entrar no
acordo de Paris ou em uma transação inteiramente nova em termos justos para os Estados Unidos, suas
empresas, seus trabalhadores, suas pessoas, seus contribuintes ", disse Trump.
"Estamos saindo, mas vamos começar a negociar e veremos se podemos fazer um acordo justo. Se
pudermos, ótimo. Se não pudermos, tudo bem", disse. "Fui eleito para representar os cidadãos de
Pittsburgh, não Paris", completou.
Logo após o anúncio, no entanto, o prefeito de Pittsburgh, Bill Peduto, disse que irá "garantir que
seguiremos as diretrizes do Acordo de Paris para nosso povo, nossa economia e futuro."
Ao iniciar os procedimentos oficiais de retirada, respeitando a forma de saída prevista no acordo,
Trump desencadeia um longo processo que não será concluído até novembro de 2020 -- no mesmo mês
em que concorrerá à reeleição, garantindo que a questão se torne um grande tema de debate na próxima
campanha presidencial.
O acordo, assinado em dezembro de 2015 durante a cúpula da ONU sobre mudanças climáticas, COP
21, prevê que os países devem trabalhar para que o aquecimento fique muito abaixo de 2ºC, buscando
limitá-lo a 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais.
A saída dos EUA, segundo maior produtor mundial de gás de efeito estufa, pode minar o acordo
internacional, o primeiro da história em que os 195 países da ONU se comprometem a reduzir suas
emissões.

Obama
O ex-presidente Barack Obama, que havia assinado o tratado em 2015, imediatamente reagiu ao
anúncio, dizendo que a administração Trump rejeita o futuro com essa retirada.
"Ainda que este governo tenha se unido a um pequeno grupo de países que ignoram o futuro, confio
nos nossos estados, empresas e cidades que darão um passo à frente e farão ainda mais para liderar o
caminho", disse.
Ao assinar em 2015, Washington tinha se comprometido a reduzir em 28% sua produção de gases de
efeito estufa, além de transferir cerca de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 9,6 bilhões) para países pobres
como forma de ajudá-los a lutar contra as mudanças climáticas.

Medida anunciada
Antes de ser eleito, Trump descreveu em várias ocasiões o aquecimento global como uma enganação
criada pela China para prejudicar as empresas americanas, e anunciou que iria “cancelar” o Acordo de
Paris nos primeiros 100 dias após sua posse.
Uma decisão necessária, segundo ele, para favorecer as empresas petrolíferas e produtores de carvão
dos EUA, e dessa forma garantir mais crescimento econômico e a criação de novos empregos. Depois
de tomar posse, Trump anunciou que teria estudado o acordo antes de tomar uma decisão sobre o
assunto.
O presidente norte-americano tem poderes suficientes para retirar os EUA do tratado. Isso porque o
texto foi denominado “acordo” para permitir que Barack Obama pudesse utilizar seus poderes
presidenciais para ratificá-lo sem pedir a permissão do Congresso, então controlado pelo Partido
Republicano, hostil a qualquer redução das emissões de poluentes. Por esse motivo, a delegação dos
EUA foi obrigada a negociar por muitas horas sobre essa complexa linguagem jurídica no dia da
assinatura do documento.
VEJA PRINCIPAIS PONTOS DO ACORDO DO CLIMA
Países devem trabalhar para que o aquecimento fique muito abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC
Países ricos devem garantir financiamento de US$ 100 bilhões por ano

85
G1. Trump anuncia saída dos EUA do acordo de Paris sobre mudanças climáticas. G1 Natureza. Disponível em: <http://g1.globo.com/natureza/noticia/trump-
anuncia-saida-dos-eua-do-acordo-de-paris-sobre-mudancas-climaticas.ghtml> Acesso em 02 de junho de 2017.

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Não há menção à porcentagem de corte de emissão de gases-estufa necessária
Texto não determina quando emissões precisam parar de subir
Acordo deve ser revisto a cada 5 anos
A decisão de Trump pode ter sérias consequências para o cumprimento das obrigações previstas pelo
tratado por parte de outros países e, mais em geral, sobre a condição climática do planeta, considerando
que o aquecimento global é um fenômeno que já está ocorrendo e que todos os anos perdidos na luta
contra esse fenômeno aumentam o risco de provocar efeitos irreversíveis sobre o clima.
Segundo levantamentos realizados por várias universidades e centros de pesquisa de diferentes
países do mundo, a saída dos EUA do Acordo de Paris acrescentaria 3 bilhões de toneladas de dióxido
de carbono (CO2) emitido por ano na atmosfera, aumentando a temperatura da Terra entre 0,1º e 0,3º C
até o final do século.

Apoio dividido
A decisão de Trump foi influenciada por uma carta assinada por 22 senadores republicanos, incluindo
o líder da bancada Mitch McConnell, que defendia a retirada dos EUA do tratado. Trump preferiu ignorar
a opinião de alguns dos seus assessores mais influentes, como a filha, Ivanka, o Secretário de Defesa,
James Mattis, e o Secretário de Estado Rex Tillerson, os quais defendiam que ele mantivesse os Estados
Unidos no acordo. Mattis em particular salientou como o Pentágono, o Ministério da Defesa dos EUA, já
está produzindo uma grande quantidade de pesquisas sobre o aumento do nível dos mares, a mudança
nas rotas marinhas para os navios de guerra por causa do derretimento das geleiras do Ártico e os efeitos
de secas ou de inundações sobre a segurança nacional americana.

ONU
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu oficialmente aos EUA para que não saíssem do
Acordo de Paris, sem obter nenhum resultado. Outros países, como Alemanha e França, expressaram
suas preocupações com a posição de Trump sobre o meio ambiente e mudanças climáticas. Até o Papa
Francisco tentou persuadir o presidente norte-americano em permanecer no acordo durante sua recente
visita no Vaticano, entregando-lhe uma cópia da encíclica “Laudato si'” que o Pontífice escreveu em 2015
sobre as complexas questões das mudanças climáticas. Os líderes do G7 criticaram a decisão de Trump
de deixar o tratado e os governos do Canadá, da China e a União Europeia já informaram que continuarão
a honrar seus compromissos com o Acordo de Paris mesmo se os EUA se retirarão.
A preocupação em nível global com a saída dos Estados Unidos é o efeito de emulação: outros países
poderiam ser influenciados a reduzir ou atenuar seus compromissos internacionais sobre a questão
climática ou até abandonar completamente o acordo.
A decisão de se retirar do acordo poderia sinalizar a intenção de Trump de cortar outras leis que limitam
a produção de gases poluentes nos EUA assinadas pelo seu antecessor Obama. Entretanto, a saída dos
EUA do Acordo de Paris não seria imediata. O processo poderá demorar até três anos, assim como
estabelecido no próprio acordo, com diversas batalhas jurídicas e diplomáticas muito intensas, além do
grave desgaste de imagem internacional dos Estados Unidos.

O que é o Acordo de Paris


O Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas impõe aos países signatários conter o aquecimento
global em até 2º C em relação aos níveis pré-industriais, com o objetivo de não superar o 1,5º de aumento
da temperatura mundial até 2100.
Já hoje as temperaturas médias são de 1º acima dos níveis pré-industriais, uma mudança climática
ocorrida em larga parte nas últimas décadas. Com o acordo assinado em 2015 no final da Cúpula do
Clima de Paris (COP 21), 195 países signatários se comprometeram a reduzir suas emissões de gases
de efeito estufa. Entretanto, segundo muitos cientistas essas medidas seriam insuficientes para garantir
o respeito dos objetivos fixados e deveriam ser rapidamente atualizadas.
O Acordo de Paris foi assinado na cúpula anual da ONU sobre o clima COP 21, a vigésima-primeira
cúpula das Nações Unidas sobre o tema.
Segundo o próprio acordo, os países signatários não podem abandoná-lo antes de três anos, além de
um quarto ano para que o procedimento seja completado. Ou seja, Trump não poderia se livrar dos
vínculos legais do texto antes de 2020, sem cometer uma violação do direito internacional.
Uma alternativa para os EUA poderia ser aquela de abandonar completamente a Convenção-Quadro
das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) (a que organiza as cúpulas da COP), que
Trump criticou fortemente em diversas ocasiões no passado. Uma última opção poderia ser uma
renegociação dos objetivos de corte das emissões, obrigando todavia Washington a uma longa e difícil
negociação com os outros países.

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Justiça Federal suspende ação criminal que tornou acusados réus por homicídio no desastre
de Mariana86
Samarco, Vale, BHP Billiton, VogBR e 22 pessoas são rés na ação. Decisão foi dada após pedido de
anulação feito por advogado de dois réus, que alega ilegalidade em escutas telefônicas.
A Justiça Federal em Ponte Nova, na Zona da Mata de Minas Gerais, suspendeu o processo criminal
que tornou rés 22 pessoas e as empresas Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR por causa do desastre
com a barragem de Fundão, em Mariana, em novembro de 2015. A reportagem teve acesso à decisão,
que data de 4 de julho deste ano. A defesa do diretor-presidente licenciado da Samarco, Ricardo Vescovi,
e do diretor-geral de operações, Kleber Terra, alegou que escutas telefônicas usadas no processo foram
feitas de forma ilícita.
O despacho é assinado pelo juiz Jacques de Queiroz Ferreira. Os advogados de Ricardo Vescovi e
Kleber Terra pediram a anulação do processo, alegando que a quebra de sigilo telefônico ultrapassou
período judicialmente autorizado e que as conversas foram analisadas pela Polícia Federal e usadas pelo
Ministério Público Federal (MPF) na denúncia.
A pedido do MPF, companhias telefônicas foram oficiadas pela Justiça sobre o esclarecimento das
informações e o processo fica suspenso até que elas entreguem os dados solicitados. No pedido, o MPF
também se manifestou pela não interrupção do processo, o que não foi atendido pelo juiz.
Ainda conforme a Justiça, os advogados também afirmaram que houve desrespeito à privacidade dos
acusados porque dados fora do período requisitado – contudo informados pela própria Samarco – foram
analisados e considerados na denúncia.
“Acresceram que outra nulidade ocorreu quando da determinação dirigida à Samarco para que
apresentasse cópias das mensagens instantâneas (chats) e dos e-mails enviados e recebidos entre
01/10/2015 e 30/11/2015, visto que a empresa forneceu dados não requisitados, relativos aos anos de
2011, 2012, 2013 e 2014, que, da mesma forma, foram objeto de análise policial e consideradas na
denúncia, desrespeitando a privacidade dos acusados”, explica trecho da decisão.
O magistrado afirmou que a defesa dos réus levantou “duas graves questões que podem implicar na
anulação do processo desde o início” e determinou a suspensão do processo até a decisão sobre as duas
alegações.
Procurado pelo G1, o MPF contestou as alegações da defesa dos dois réus, afirmando que as
interceptações usadas na denúncia estão dentro do prazo legal.
“As interceptações indicadas pela defesa como supostamente ilegais sequer foram utilizadas na
denúncia, por isso, não teriam a condição de causar nulidade no processo penal”, informou o órgão em
nota.
Por telefone, o advogado Paulo Freitas, que representa Vescovi e Terra, reforçou que considera as
interceptações telefônicas ilegais.
O G1 entrou em contato com a Polícia Federal para saber sobre o período da quebra de sigilo
telefônico, mas a corporação respondeu apenas que ainda não foi informada oficialmente da suspensão
pela Justiça.
A Samarco, a Vale, a BHP e a VogBR disseram que não vão se pronunciar.

Desastre ambiental de Mariana


A barragem se rompeu no dia 5 de novembro de 2015, destruindo o distrito de Bento Rodrigues, em
Mariana, e atingindo várias outras localidades. Os rejeitos também atingiram mais de 40 cidades do Leste
de Minas Gerais e do Espírito Santo. O desastre ambiental, considerado o maior e sem precedentes no
Brasil, deixou 19 mortos. Um corpo nunca foi encontrado.
No dia 18 de novembro de 2016, a Justiça Federal aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público
Federal (MPF) contra 22 pessoas e as empresas Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR pelo rompimento
da barragem e eles se tornam réus por crimes ambientais e por homicídios.
Dentre as denúncias, 21 pessoas são acusadas de homicídio qualificado com dolo eventual - quando
se assume o risco de matar. Eles ainda respondem por crimes de inundação, desabamento, lesão
corporal e crimes ambientais. A Samarco, a Vale e a BHP são acusadas de nove crimes ambientais. A
VogBR e um engenheiro respondem pelo crime de apresentação de laudo ambiental falso.
Segundo o MPF, os acusados podem ir a júri popular e, se condenados, terem penas de prisão de até
54 anos, além de pagamento de multa, de reparação dos danos ao meio ambiente e daqueles causados
às vítimas.

86
ZUBA, F. CRISTINI, F. ÂNGELO, P. Justiça Federal suspende ação criminal que tornou acusados réus por homicídio no desastre de Mariana. G1 Minas
Gerais. Disponível em: < http://g1.globo.com/minas-gerais/desastre-ambiental-em-mariana/noticia/justica-federal-suspende-acao-criminal-que-tornou-acusados-
reus-por-homicidio-no-desastre-de-mariana.ghtml> Acesso em 08 de agosto de 2017.

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1408527 E-book gerado especialmente para LUCAS ROCHA LOPES
A procuradoria pediu a qualificação do homicídio por motivo torpe, justificando ganância da empresa
e impossibilidade de defesa por parte das vítimas. "Em relação ao motivo torpe, o MPF trouxe indícios de
que a obtenção de rápidos lucros, sem que se atentasse devidamente para as condições da barragem,
pode ter contribuído para o ocorrido", descreveu o juiz Jacques de Queiroz Ferreira na decisão.
Em março deste ano, a 12ª Vara da Justiça Federal de Minas Gerais homologou em parte o acordo
preliminar firmado entre Ministério Público Federal (MPF) e as mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton,
permitindo que instituições independentes façam um diagnóstico dos danos socioambientais causados
pelo rompimento da barragem de Fundão.
O juiz Mário de Paula Franco Júnior também aceitou a disponibilização de R$ 2,2 bilhões como garantia
para cumprimento das obrigações de custeio das análises e financiamento dos programas de reparação
ao meio ambiente e aos moradores atingidos. Desta quantia, R$ 100 milhões serão em aplicações
financeiras, R$ 1,3 bilhão em seguro garantia e R$ 800 milhões em ativos da Samarco.
Em julho deste ano, a Justiça Federal suspendeu o processo ambiental por causa da prorrogação,
para 30 de outubro, do prazo para que a Samarco e suas donas, a Vale e a BHP Billiton, cheguem a um
acordo com a União e o MPF em relação às medidas que serão tomadas como indenização pelo desastre
ambiental.

Temer recua e vai revogar decreto que extinguiu reserva de cobre na Amazônia87
Governo confirmou a decisão sobre a polêmica Renca, que será publicada no Diário Oficial desta terça-
feira
BRASÍLIA - O presidente Michel Temer decidiu revogar o decreto de extinção da Reserva Nacional
de Cobre e Associados (Renca), uma área da floresta entre os estados do Amapá e do Pará. O Ministério
de Minas e Energia informou ter encaminhado ao Palácio do Planalto a solicitação e o governo confirmou
a decisão.
Segundo auxiliares, a decisão levou em conta a polêmica em torno do decreto e, diante de novas
pressões, o presidente decidiu deixar que o tema seja mais debatido. Segundo fontes do Planalto, Temer
vai assinar a revogação na tarde desta segunda-feira, 25, e um novo decreto será publicada no Diário
Oficial da União de terça. Ao revogar o decreto, o governo restabelece as condições originais da área,
criada em 1984.
Em nota, o MME destacou que as razões que levaram o órgão a propor a extinção da Renca
permanecem as mesmas. “O País necessita crescer e gerar empregos, atrair investimentos para o setor
mineral, inclusive para explorar o potencial econômico da região”, diz o comunicado.
O debate sobre o tema será retomado “mais à frente”, esclareceu o órgão. “O MME reafirma o seu
compromisso e de todo o governo com a preservação do meio ambiente e com as salvaguardas previstas
na legislação de proteção e preservação ambiental. O debate em torno do assunto deve ser retomado
em outra oportunidade mais à frente e deve ser ampliado para um número maior de pessoas, da forma
mais democrática possível.”
No dia 14 deste mês, a Comissão de Meio Ambiente da Câmara já havia pedido a revogação definitiva
do decreto. "A maneira agressiva que foi feito (o decreto) não só causou constrangimento da sociedade
brasileira, mas do parlamento como um todo, atingiu a Câmara e o Senado", afirmou o presidente da
comissão, Ricardo Trípoli (PSDB-SP), na ocasião. "Estamos aguardando que o governo revogue por
definitivo e diga quais são os propósitos de exploração na área."
O decreto de extinção da reserva foi assinado pelo presidente Michel Temer no dia 23 de agosto.
Diante da repercussão negativa, o governo fez outro decreto, o que não aplacou as críticas. O Ministério
de Minas e Energia, depois, publicou portaria para congelar por 120 dias a proposta. O decreto também
era questionado no Senado.
O decreto original provocou uma onda de protestos de ambientalistas e artistas, como a modelo Gisele
Bündchen, que acusaram o presidente de estar "vendendo" uma parte da Amazônia para interesses de
mineradoras estrangeiras. As críticas chegaram até ao Rock in Rio, novamente pela voz de Gisele e da
líder indígena Sônia Guajajara, que fez um protesto durante a apresentação de Alicia Keys.
A Renca originalmente não era uma área de proteção ambiental. Ela foi criada para assegurar a
exploração mineral ao governo, mas com o passar dos anos acabou ajudando a proteger a região, na
Calha Norte do Rio Amazonas, que é hoje uma das mais bem preservadas da Amazônia.
A reserva mineral, criada em 1984, pelo então governo militar, delimitou um retângulo de 4,7 milhões
de hectares na região entre o Pará e o Amapá rico em ouro, nióbio e outros metais, onde somente o

87
ARAÚJO, C. MONTEIRO, T. WARTH, A. Temer recua e vai revogar decreto que extinguiu reserva de cobra na Amazônia. Estadão Sustentabilidade.
Disponível em: < http://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,temer-recua-e-vai-revogar-decreto-que-extinguir-reserva-nacional-de-cobre,70002015457>
Acesso em 26 de setembro de 2017.

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próprio governo poderia exercer qualquer atividade mineral. Havia um bloqueio a empresas privadas, que
foi levantado pelo decreto de agosto do presidente Michel Temer.
Ao longo desses 33 anos, no entanto, a região praticamente não teve exploração mineral. Salvo a ação
de alguns garimpeiros. Por isso, diante de um cenário quase intocado, ao longo desse período os
governos federal e estaduais foram criando nove áreas protegidas na região – sete unidades de
conservação e duas terras indígenas naquela área –, que acabaram se sobrepondo à Renca.
Hoje quem de fato preserva a floresta ali são essas UCs e TIs. Com Renca ou sem Renca, só é
possível hoje ter exploração mineral em algo entre 15% e 30% desse quadrilátero de 4,7 milhões de
hectares – só é permitido ter algum tipo de exploração mineral, e ainda assim, com limites, em unidades
de conservação de uso sustentável, como é o caso das florestas estaduais do Paru e do Amapá. Nas
UCs de proteção integral e nas TIs, a mineração é vetada.
O temor de ambientalistas era que, com a extinção da Renca, haveria um novo interesse de empresas
de mineração pela região. Até mesmo o Ministério do Meio Ambiente tinha se mostrado contrário a essa
medida, e o ministro Sarney Filho disse, em entrevista ao jornal Valor Econômico, que foi pego de
surpresa com a decisão de Temer de extinguir a Renca. (Colaborou Giovana Girardi).

Temer assina decreto que converte multa ambiental em prestação de serviços88


O presidente da República, Michel Temer, assinou hoje (20) decreto que permite a conversão de
multas ambientais não quitadas em prestação de serviços de melhoria do meio ambiente, como o
reflorestamento de áreas degradadas.
A medida autoriza que mais de R$ 4 bilhões em multas aplicadas por órgãos federais como o Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sejam convertidas em
investimentos ambientais.
O texto modifica o 6.514, de 2008, tomando por base a Lei 9.605, de 1998, a chamada Lei de Crimes
Ambientais, que já prevê que as multas simples podem ser convertidas em serviços de preservação,
melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente.
O decreto foi assinado durante evento em Miranda, no Mato Grosso do Sul. Ao detalhar a medida, o
ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, destacou que as dificuldades no recolhimento das multas
ambientais geram um passivo financeiro e uma sensação de impunidade, anulando o poder dissuasório
e os benefícios ambientais.
A União, segundo o ministro, consegue arrecadar apenas 5% do total das multas aplicadas. E são os
pequenos infratores que as pagam, enquanto os demais recorrem à Justiça para evitar a cobrança.

Petrobras
“É importante ressaltar que a conversão não implica em anistia de multas, já que a obrigação de pagar
é substituída pela prestação de serviços ambientais. Tampouco significa renúncia fiscal”, destacou o
ministro, afirmando que um levantamento dos infratores interessados em aderir à iniciativa já está sendo
feito.
Durante a cerimônia de assinatura do decreto, Petrobras e Companhia de Saneamento do Paraná
(Sanepar) assinaram protocolo de intenções de adesão.
“Essas multas têm por objetivo dissuadir e punir a prática de ações lesivas ao meio ambiente. Mais do
que a arrecadação de valores decorrente deste tipo de sanção, é de interesse fundamental que os
recursos sejam efetivamente revertidos em melhorias da qualidade ambiental. O governo está
empenhado em conseguir um melhor aproveitamento das multas”, disse o ministro. Ele afirmou que a
iniciativa “muda o paradigma do meio ambiente no Brasil”.
“O Ibama deixa de ser um órgão somente fiscalizador, somente de punição, e passa a ser um órgão
que vai atuar efetivamente com recursos, com planejamento, na recuperação [ambiental] e no
desenvolvimento sustentável”, acrescentou Sarney Filho.

Desmatamento
O decreto estabelece que o autuado interessado em converter uma multa deverá se responsabilizar
por todos os serviços necessários para recuperar uma área degradada definida pelo Ibama.
A proposta prevê como alternativa a execução indireta dos serviços, quando o autuado destina parte
do valor da multa para que o Poder Público os empregue em serviços de recuperação ambiental de
projetos interesse público definidos pelo Ibama ou pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade (ICMBio). Nesses casos, os autuados obterão descontos no valor inicial da multa.

88
RODRIGUES, A. Temer assina decreto que converte multa ambiental em prestação de serviços. EBC Agência Brasil. Disponível em:
<http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2017-10/temer-assina-decreto-que-converte-multa-ambiental-em-prestacao-de-servicos> Acesso em 23 de outubro
de 2017.

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Ao assinar o decreto, o presidente Temer afirmou que “este é um momento importantíssimo para o
meio ambiente em nosso país”. O presidente se referia a indicadores como a redução de 16% no
desmatamento da Amazônia entre agosto de 2016 e julho de 2017 e a ampliação do Parque Nacional da
Chapada dos Veadeiros, em Goiás.

Preservação
“Fizemos pelo meio ambiente muito mais em 16 meses que, acho, em 13 ou 14 anos […] O meio
ambiente é um compromisso do governo brasileiro e vem sendo levado adiante”, afirmou Temer antes de
garantir que autoridades brasileiras devem cobrar de outros países alguma forma de compensação pela
preservação ambiental.
“Quando mantivermos contato com estados estrangeiros, vamos cobrar essa coisa da preservação
ambiental. Porque os países, de alguma maneira, ao longo do tempo, acabaram destruindo suas reservas
ambientais e, agora, exigem que o Brasil mantenha as suas. Acho isso mais do que justo, mas acho que
esses países devem pagar por isso”, completou o presidente.
Temer também assinou outros dois decretos e um projeto de lei que trata da destinação de recursos
de compensação ambiental para unidades de conservação. Todas as medidas ainda serão enviadas para
apreciação do Congresso Nacional.

Saúde

Brasil vive o pior surto da história de febre amarela silvestre; vacina é a melhor prevenção89
Brasil vive o pior surto da doença que mata uma em cada cinco pessoas. No Bem Estar desta quinta-
feira (02/02), o infectologista e consultor do programa, Dr. Caio Rosenthal explica que a vacina é a melhor
forma de proteção. Mas será que todo mundo tem que ir correndo se vacinar?
Se você mora em área de risco ou pretende viajar nos próximos dias, faça a vacinação o quanto antes.
Não há motivo para correria e antes de se vacinar, alguns pontos devem ser observados, como mostra
o quadro abaixo:

Idosos, gestantes e lactantes têm de falar com o médico antes de tomar a vacina. Portadores de
doenças autoimunes ou com histórico de doença do timo também.

89
02/02/2017 – Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/brasil-vive-o-pior-surto-de-febre-amarela-silvestre-vacina-e-a-melhor-forma-de-prevencao.ghtml

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Não devem tomar a vacina menores de 6 meses e pessoas que estejam com doença febril aguda,
tenham histórico de reações anafiláticas ao ovo de galinha e à gelatina e pessoas em tratamento com
imunossupressores.
Os macacos devem ser protegidos e suas mortes comunicadas às autoridades de Saúde. Eles também
são vítimas da doença e ao mesmo tempo sentinelas, cujas mortes alertam que um inimigo está próximo.

STF julga doação de sangue por homossexuais nesta quinta; entenda90


Hemocentros têm permissão legal para rejeitar doação de 'homens que transaram com homens'. Ação
do PSB diz que regra é 'preconceituosa' e reforça estigmas.
Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar nesta quinta-feira (19) normas da Anvisa e do Ministério
da Saúde que autorizam hemocentros de todo o país a rejeitar doações de homens gays sexualmente
ativos. Pelas regras vigentes, eles só podem doar sangue se ficarem 12 meses sem relações sexuais.
As normas consideram que a população gay é "grupo de risco" para a transmissão de vírus como o
HIV, e doenças como as hepatites B e C. Até a publicação desta reportagem, o tema era o segundo item
previsto na pauta do Supremo.
A ação direta de inconstitucionalidade que pede a suspensão imediata dessas regras foi apresentada
em 2016 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). No texto, quatro advogados da legenda argumentam
que as normas “escancaram absurdo tratamento discriminatório” em razão da orientação sexual dos
candidatos.
“Ofendem a dignidade dos envolvidos e retiram-lhes a possibilidade de exercer a solidariedade
humana.”

'Ranço discriminatório'
O advogado Rafael Carneiro, que fará a sustentação oral no STF, conversou com o G1 e explicou que
a anulação das normas não vai prejudicar a qualidade do sangue coletado nos hemocentros, mas garantir
que o controle seja feito com base no comportamento sexual e não na orientação.
“A norma já proíbe a doação de pessoas ‘promíscuas’, que têm mais de um parceiro, que não usam
preservativo ou que usam drogas." Segundo ele, o objetivo é acabar com os “os ranços discriminatórios”
que ainda existem no ordenamento jurídico brasileiro e que perpetuam estigmas e a exclusão social dos
homossexuais.

“Orientação sexual não transmite doença.”


O Ministério da Saúde informou ao G1 que os critérios de aptidão para doação de sangue baseiam-se
na “proteção dos receptores” e “no perfil epidemiológico dos grupos e situações”.
Segundo a pasta, a norma atende recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e
fundamenta-se em dados epidemiológicos “presentes na literatura médica e científica nacional e
internacional, não tendo relação com preconceito do Poder Público ou que leve em consideração a
orientação sexual do candidato”.
O G1 aguardava posicionamento da Anvisa até a publicação desta reportagem.
O diretor executivo da Fundação Hemocentro de Brasília e hematologista, Jorge Pinto Neto, disse que
a entrevista dos candidatos à doação de sangue é feita com base em recomendações das normativas,
mas não abordam preferências sexuais.
“Em momento algum é feita pergunta direcionada à escolha [sexual] ou como a pessoa conduz a vida.
A pergunta busca identificar comportamentos para os quais é atribuído maior risco de contaminação,
especialmente por HIV e hepatites B e C", afirmou.

Doença de gay?
A primeira norma brasileira que proibiu a doação de sangue por homens gays foi publicada em 1993,
quando ainda pairava sob o imaginário coletivo a falsa relação causal da Aids com a homossexualidade.
A doença, transmitida pelo vírus HIV, foi descoberta no final da década de 1970 e, por desconhecimento
científico, batizada de “Imunodeficiência Gay”.
O advogado Rafael Carneiro afirma que as normas da Anvisa e do Ministério da Saúde contribuem
para reforçar esse estigma e ainda prejudicam o debate e o aperfeiçoamento de políticas públicas que
deveriam ser destinadas a todos – sem distinção.
“O poder público, que deveria evitar preconceitos, cria a ilusão nas demais pessoas de que elas estão
blindadas ou protegidas [das doenças].”

90
GARONCE, LUIZA. STF Julga doação de sangue por homossexuais nesta quinta; entenda. G1 Distrito Federal. Disponível em: <https://g1.globo.com/distrito-
federal/noticia/stf-julga-doacao-de-sangue-por-homossexuais-nesta-quinta-entenda.ghtml> Acesso em 19 de outubro de 2017.

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De acordo com o Ministério da Saúde, dados nacionais apontam que a Aids – doença provocada pela
manifestação do vírus HIV – tem “maior prevalência de infecção” em populações de maior vulnerabilidade,
como "homens que fazem sexo com homens", na terminologia da pasta.
O Boletim Epidemiológico de 2016 mostra que, de janeiro de 2007 a junho do ano passado, foram
registrados 36,6 mil casos de homossexuais soropositivos para o HIV. Os heterossexuais contaminados
pelo vírus correspondem a 29,8 mil.
Contrário à visão apresentada pelo ministério, que correlaciona a contaminação e transmissão do HIV
com a homossexualidade, Carneiro afirma que os direitos fundamentais não podem ser limitados apenas
por números que indicam falsa causalidade.
“Se os números apontam que em certa região do país uma doença é mais prevalente, então vamos
excluir as pessoas deste estado? Por essa lógica, a restrição passa a não ter fim”, disse ao G1.
“Causalidade significa que determinada causa leva a um efeito. Ser homossexual não tem como efeito
contrair uma doença sexualmente transmissível.”
“As normas criam essa correlação que não é real.”

Baixa nos estoques


Na ação, os advogados também apontam que a proibição de doação de sangue por homens gays
sexualmente ativos gera um impacto negativo de 19 milhões de litros anuais, que poderiam abastecer os
estoques em “enorme carência” em todo o país.
“[Isso] corresponde a um número assombroso de vidas que poderiam ser salvas, mas que acabam
desassistidas”, argumentam na ação. Segundo dados do Hemocentro de Brasília, somente na capital
federal, desde 2014 a média de doações recusadas a homossexuais foi de 108 por ano.
Considerando que uma única bolsa de sangue pode ser utilizada por até quatro pacientes, de acordo
com a fundação, este número representa cerca de 1.290 pessoas que podem ter ficado desassistidas nos
últimos três anos quando precisaram de uma transfusão.

Janela imunológica
Segundo os advogados, uma das explicações para adoção da política de restrição à doação de sangue
por homossexuais na década de 1990 era a “janela imunológica” – período imediatamente posterior à
infecção, quando os exames ainda não conseguem detectar os anticorpos contra o HIV. Na época, esta
“janela” era de 6 a 8 semanas.
Hoje, no entanto, os anticorpos conseguem ser identificados cerca de 15 dias após a contaminação,
segundo Manual Técnico para o Diagnóstico da Infecção pelo HIV de 2013, elaborado pelo próprio
Ministério da Saúde.
A Fundação Hemocentro de Brasília disse ao G1 diz que conta com tecnologias de identificação do
vírus capazes de obter resultados confiáveis em prazo ainda menor – dentro de dez dias.
Diante da evolução científica na prevenção e no tratamento das doenças sexualmente transmissíveis,
os advogados afirmam que “a legislação brasileira continua impregnada de visões ultrapassadas, lógicas
irracionais e fundamentos discriminatórios”.
O Ministério da Saúde informou que, embora a janela imunológica “esteja atualmente reduzida”, o
período de 12 meses foi estabelecido por “precaução”, assim como para outros grupos considerados de
risco, como pessoas que fizeram tatuagens ou passaram por cirurgias.
“Sob o pretexto de privilegiar a segurança no controle de saúde do sangue, o Estado brasileiro admite
que determinado grupo de pessoas, por mera questão ontológica – e não em razão de comportamentos
adotados –, seja barrado dos hemocentros e taxado de ‘impuro’, de ‘aidético’, frente às pessoas
supostamente “normais” e possuidoras de sangue hipoteticamente ‘saudável’. A estigmatização é
flagrante e absurda!", diz a ação.

Contradição
A portaria do Ministério da Saúde é uma contradição em si mesma, apontam os advogados. Ao mesmo
tempo em que permite restrição ao público gay sexualmente ativo à doação de sangue valendo-se de
texto idêntico ao da resolução da Anvisa, a norma também proíbe a discriminação por orientação sexual.
Segundo o documento, os hemocentros devem fazer a triagem clínica do sangue coletado para garantir
a segurança do receptor, “porém com isenção de manifestações de juízo de valor, preconceito e
discriminação por orientação sexual, identidade de gênero”.
“Este é, portanto, o quadro da legislação brasileira sobre o tema: aparentemente progressista, mas
notoriamente contraditória e impregnada de preconceito”, concluem os advogados na ação.

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Horto Florestal e Parque da Cantareira continuam fechados e sem previsão de reabertura após
morte de macaco91
Decisão foi tomada após exames comprovarem morte de macaco bugio no parque por febre amarela.
Um milhão de pessoas que residem na região devem ser vacinadas.
Horto Florestal e Parque da Cantareira continuam fechados e sem previsão de reabertura após morte
de macaco
Decisão foi tomada após exames comprovarem morte de macaco bugio no parque por febre amarela.
Um milhão de pessoas que residem na região devem ser vacinadas.
O Parque Horto Florestal e o Parque da Cantareira, na região do Tremembé, na Zona Norte da cidade
de São Paulo, continuam fechados temporariamente e sem previsão de reabertura. A medida foi tomada
após exames confirmarem que o motivo da morte de um macaco encontrado no Horto Florestal foi a febre
amarela silvestre.
Os parques estão fechados desde a manhã deste sábado (21). O macaco foi encontrado morto no dia
9 de outubro. Apesar de serem hospedeiros do vírus, os animais não são transmissores da doença para
humanos. Os transmissores são duas espécies de mosquitos silvestres: Haemagogus E Sabethes.
Técnicos da Vigilância Sanitária estão evitando criadouros do transmissor da febre amarela e fazendo
uma varredura nos parques para coletar amostras dos mosquitos.
Quatro mil pessoas que moram na região foram vacinadas preventivamente. A meta é imunizar um
milhão de pessoas. A ação está sendo feita pelo governo estadual e prefeitura da capital teve início neste
fim de semana.
A vacinação teve início neste sábado em um posto volante que passou a funcionar na associação do
bairro, localizada na rua Tomé Afonso de Moura, 345. A região também terá outros dois pontos para
imunização neste sábado: na UBS e AMA Jardim Peri e UBS Horto Florestal.
A partir desta segunda-feira (23) serão acrescentados outros dois locais de vacinação contra a febre
amarela na zona Norte: Vila Dionísia, na Rua Chen Ferraz Falcão número 50, e na UBS Mariquinha
Sciascia, na Rua Doutor José Vicente, no número 39.O atendimento em todas as unidades é das 8h às
17h.
“Não há motivos para pânico. Nós temos vacina para vacinar toda essa população em torno do Horto
Florestal durante todo o mês. Não tem o menor problema", disse Regiane de Paula, diretora do Centro
de Vigilância epidemiológica.
A vacina é contraindicada para bebês menores de nove meses, gestantes, mulheres que estão
amamentando; idosos com mais de 60 anos; pacientes com câncer; pessoas imunodeprimidas; e pessoas
com alergia grave à proteína do ovo. Nesses casos, o ministério recomenda que um médico avalie se é
mesmo necessário tomar a vacina.

Questões

01. (TRF-5ª Região – Analista Judiciário – FCC) Desenvolvimento Sustentável


(A) envolve iniciativas que concebem o meio ambiente de modo articulado com as questões sociais,
tais como: saúde, habitação e educação, e que estimulem uma visão acrítica da população acerca das
questões ambientais.
(B) e crescimento econômico são sinônimos, significando atividades de incentivo ao desenvolvimento
do país, seguindo modelos de avanço tecnológico e científico.
(C) significa crescimento da economia, demonstrado pelo aumento anual do Produto Nacional Bruto
(PNB) combinado com melhorias tecnológicas e ganhos sociais relevantes.
(D) pode ser alcançado somente através de políticas e diretrizes governamentais de estímulo à
redução do crescimento populacional do país, tendo em vista que a dinâmica demográfica exerce forte
impacto sobre o meio ambiente em geral e os recursos naturais em particular.
(E) significa crescimento econômico com utilização dos recursos naturais, porém com respeito ao meio
ambiente, à preservação das espécies e à dignidade humana, de modo a garantir a satisfação das
necessidades das presentes e futuras gerações.

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BOM DIA SP. Horto Florestal e Parque da Cantareira continuam fechados e sem previsão de reabertura após morte de macaco. G1 São Paulo. Disponível
em: <https://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/horto-florestal-e-parque-da-cantareira-continuam-fechados-e-sem-previsao-de-reabertura-apos-morte-de-
macaco.ghtml> Acesso em 24 de outubro de 2017.

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02. (TJM/SP – Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP) Com Trump eleito, medo toma conta da
comunidade muçulmana nos EUA
O país elegeu o republicano, querido pela maioria dos movimentos extremistas. Vivem nos EUA 3,3
milhões de muçulmanos, 1% da população. Na comunidade, é forte a fobia de uma Casa Branca sob a
guarda do empresário. (Folha. Disponível em: <https://goo.gl/EzXE46>. Adaptado)
Tal fobia deve-se à proposta de campanha de Trump de
(A) vetar a entrada de muçulmanos nos EUA, especialmente de países com histórico terrorista.
(B) proibir a construção de novas mesquitas no país, impedindo a disseminação da religião.
(C) criminalizar o culto islâmico em espaços públicos, restringindo-o à prática doméstica.
(D) expulsar a população muçulmana estrangeira residente nos EUA, cassando os seus vistos.
(E) censurar a utilização de roupas muçulmanas, tais como o véu utilizado por mulheres.

03. (TJM/SP – Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP) De saída do governo, o ex-ministro da


Cultura, Marcelo Calero, acusa o ministro Geddel Vieira Lima (Governo) de tê-lo pressionado para
favorecer seus interesses pessoais. Calero diz que o articulador político do governo Temer o procurou
pelo menos cinco vezes, por telefone e pessoalmente.
(Disponível em:<https://goo.gl/YjmzVm> . Adaptado)
Marcelo Calero acusa Geddel Vieira Lima de pressionar o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional), órgão subordinado à Cultura, a
(A) aprovar projeto imobiliário de interesse particular de Geddel localizado nas cercanias de bens
históricos tombados pelo patrimônio.
(B) financiar projetos de restauro de prédios históricos que pertencem a empresários próximos a
Geddel que pretendem explorá-los economicamente.
(C) rejeitar o tombamento de uma nova área que está em discussão no órgão para favorecer
empreendimentos que interessam a Geddel.
(D) direcionar projetos, investimentos e recursos voltados à preservação do patrimônio histórico na
região da base eleitoral de Geddel.
(E) nomear aliados e políticos próximos a Geddel para funções estratégicas e cargos de confiança do
órgão, favorecendo o loteamento de cargos.

04. (CRB – 6ª Região – Auxiliar Administrativo – QUADRIX) Sobre as investigações da chamada


"Lava-Jato", analise as seguintes afirmativas.
I. O promotor público Sergio Moro é um dos principais agentes no que se refere ao andamento das
investigações, o que fez com que ele ficasse conhecido nacionalmente.
II. Até o momento, diversos políticos e representantes de empreiteiras foram denunciados, sendo que
alguns já foram presos.
III. A denominação dada à operação é proveniente de uma investigação semelhante ocorrida em
postos de gasolina nos Estados Unidos nos anos 90.
Está correto o que se afirma em:
(A) I, somente.
(B) I e II, somente.
(C) I e III, somente.
(D) II, somente.
(E) todas.

05. (CRB – 6ª Região – Auxiliar Administrativo – QUADRIX) “O comitê gestor do Fundo Nacional
sobre Mudança do Clima (Fundo Clima) estabeleceu novas regras para o financiamento de projetos para
os anos de 2017 e 2018. Em reunião realizada nesta quarta-feira (30), o comitê definiu questões como
tecnologia e adaptação para orientar os programas que serão contemplados nos próximos dois anos.
Temas ligados a monitoramento e transparência também estão na lista. A iniciativa busca manter a
atuação do Fundo de acordo com os compromissos assumidos pelo Brasil, no contexto do Acordo de
Paris.”
http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2016/12/fundo-clima-definenovas-regras-para-os-proximos-
dois-anos
A respeito do Acordo de Paris, assinale a alternativa correta.
(A) Assinado em 2002, dez anos após a Rio-92, tem como objetivo a redução na emissão de gases
que contribuem para o aquecimento global.
(B) O acordo insere-se na mesma política do Protocolo de Kyoto, porém, diferentemente deste, não foi
assinado pelos Estados Unidos.

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(C) O principal objetivo do acordo diz respeito a limitar o aumento da temperatura global a no máximo
2°C em relação aos níveis pré-industriais.
(D) Grande parte dos países industrializados ainda não aceitaram o acordo, o que dificulta sua
implementação.
(E) O acordo tem por base a ideia de que a temperatura média global não sofre influência da ação
antrópica.

06. (Pref. de Lauro Muller/SC – Auxiliar Administrativo – Instituto Excelência) Ártico tem ano
recorde de calor e derretimento maciço de gelo. Avaliação foi publicada no Arctic Report Card 2016,
relatório revisado por pares de 61 cientistas de todo o mundo.
Disponível< http://g1.globo.com/natureza/noticia/artico-temano-recorde-de-calor-e-derretimento-
macico-de-gelo.ghtml>Acesso em 14 dez de 2016
Sobre essa notícia é INCORRETO afirmar:
(A) O Ártico quebrou recordes de calor no ano passado, quando um ar excepcionalmente quente
provocou o derretimento maciço de gelo e de neve e um congelamento tardio no outono.
(B) Os cientistas do clima dizem que as razões para o aumento do calor incluem a queima de
combustíveis fósseis que emitem gases causadores do efeito estufa, que prendem o calor na atmosfera,
bem como a tendência de aquecimento do oceano El Niño, que terminou no meio do ano.
(C) Essa tendência de aquecimento também levou a uma cobertura de gelo adulta e grossa que derrete
facilmente.
(D) Nenhuma das alternativas.

07. (Pref. Tremembé/SP – Oficial de Escola – Instituto Excelência) O Impeachment de Dilma


Rousseff foi um dos acontecimentos recentes mais importantes do Brasil, do ponto de vista político.
Referente a isto, assinale a alternativa CORRETA:
(A) Em discurso, o ex-presidente Fernando Collor adotou um tom conciliador com a oposição, gritando
“Não vai ter golpe”.
(B) Como previsto no texto constitucional, Dilma Rousseff teve que se afastar temporariamente do
cargo. Seu vice, Luiz Inácio Lula da Silva, assumiu interinamente o posto.
(C) Foi montada uma Comissão Especial de Impeachment para apurar as denúncias do processo,
ouvir testemunhas da acusação e da defesa e debater política e juridicamente o caso.
(D) Nenhuma das alternativas.

08. (Câmara de Maria Helena – Advogado – FAUL) Votada recentemente pelo Senado Federal, a
chamada PEC 55 gerou uma série de protestos por todo o país. Assinale a alternativa que melhor define
essa PEC:
a) Medida provisória que promove alterações na estrutura do Ensino Médio, última etapa da educação
básica nacional.
b) Processo instaurado com base em denúncia de crime de responsabilidade contra alta autoridade
do poder executivo.
c) Proposta que altera a Constituição Federal e institui um novo regime fiscal no país, estabelecendo
um limite para os gastos do governo.
d) Trata-se da maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já conheceu,
centralizada em recursos desviados da Petrobras.

09. O Ministério da Saúde (BRASIL) confirmou recentemente a relação entre o vírus Zika e
_______________. As investigações sobre o tema devem continuar para esclarecer questões como a
transmissão desse agente, a sua atuação no organismo humano, a infecção do feto e período de maior
vulnerabilidade para a gestante. Em análise inicial, o risco está associado aos primeiros três meses de
gravidez.
Preenche adequadamente a lacuna no fragmento acima:
(A) O surto de microcefalia na região Nordeste.
(B) O surto de encefalopatia na região Sul.
(C) A febre chikungunya na região Sudeste.
(D) A dengue hemorrágica na região Norte.
(E) A macrocefalia na região Sul.

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10. (Prefeitura de Cipotânea – MG – Enfermeiro - REIS & REIS) “Apontada como um mecanismo
importante de financiamento cultural no Brasil, a ________________ é constantemente alvo de críticas e
voltou ao debate nacional por causa da extinção – agora revertida – do Ministério da Cultura na gestão
interina de Michel Temer. Esta Lei foi criada em 1991, durante o governo Collor, e permite que produtores
e instituições captem, junto a pessoas físicas e jurídicas, recursos para financiar projetos culturais. O valor
destinado a esses projetos pode ser deduzido integralmente do Imposto de Renda a pagar.”
Marque a alternativa que completa corretamente o enunciado acima:
(A) Lei Collor.
(B) Lei Rouanet.
(C) Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
(D) Lei Echer.

11. (TJ-SP – Assistente Social Jurídico – Vunesp) O presidente Michel Temer sancionou na noite
desta sexta-feira o projeto de lei que regulamenta a terceirização no país.
A iniciativa foi publicada em edição extra do “Diário Oficial da União” e inclui vetos parciais a três pontos
da proposta.
(Folha de S.Paulo, 31.03.2017)
O projeto de lei sancionado
(A) Isenta as empresas contratantes e contratadas dos serviços terceirizados de qualquer ação no
âmbito da Justiça do Trabalho e determina que todos os trabalhadores terceirizados devem se constituir
em microempresários, dessa forma responsáveis pelos tributos relacionados ao trabalho.
(B) Determina que todas as empresas privadas podem terceirizar qualquer atividade profissional,
desde que todos os direitos trabalhistas sejam respeitados, e veta a utilização de trabalho terceirizado
para as empresas de economia mista e a administração pública, com exceção para a área de saúde.
(C) Limita a terceirização do trabalhador à denominada atividade-meio e, em caso de litígio trabalhista,
as empresas contratadas e contratantes devem ser acionadas conjuntamente na Justiça do Trabalho e
dividirão os custos das indenizações relacionadas a tais processos.
(D) Impede que a empresa de terceirização subcontrate outras empresas, prática denominada de
quarteirização, e amplia os direitos trabalhistas dos funcionários das empresas de terceirização, por
exemplo o aumento da multa sobre o valor dos depósitos do FGTS em caso de demissão sem justa
causa.
(E) Permite a terceirização de todas as atividades e autoriza a empresa de terceirização a subcontratar
outras empresas para realizar serviços de contratação, remuneração e direção do trabalho e atribui à
empresa terceirizada, em casos de ações trabalhistas, o pagamento dos direitos questionados na Justiça,
se houver condenação.

12. (CRBio-1ª Região – Auxiliar Administrativo – Vunesp) O ministro (...) foi escolhido para ser o
novo relator dos processos da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), em sorteio
realizado nesta quinta-feira (02.02) por determinação da presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia.
O ministro vai herdar os processos ligados à operação que estavam com o ministro Teori Zavaski,
morto num acidente aéreo em janeiro. Estavam sob a relatoria de Teori 16 denúncias e outros 58
inquéritos relacionados à Lava Jato.
(Uol, https://goo.gl/NANZYF, 02.02.2017. Adaptado)
O novo relator escolhido por sorteio é o ministro

(A) Alexandre de Moraes


(B) Dias Toffoli
(C) Edson Fachin
(D) Gilmar Mendes
(E) Luiz Fux

13. (TJ-SP – Escrevente Técnico Judiciário – Vunesp) A crise atual entre os EUA e a Coreia do
Norte se intensificou em 8 de abril, quando, após um teste de míssil frustrado pela Coreia do Norte,
Trump disse ter enviado uma “armada muito poderosa” para a península coreana, uma referê ncia ao
porta-aviões USS Carl Vinson e a um grupo tático.
(G1, 23.04.17. Disponível em: <https://goo.gl/20hQJx>. Adaptado)

Entre as reações da Coreia do Norte a essa ação norte-americana, é correto identificar

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1408527 E-book gerado especialmente para LUCAS ROCHA LOPES
(A) a decisão de interromper o programa nuclear, o convite público a agentes de inspeção da ONU e
a aproximação com os países vizinhos.
(B) a ruptura com a moderada e conciliatória China, a ameaça de invasão da Coreia do Sul e a
hostilização do Japão.
(C) o seu desligamento da ONU, a expulsão dos diplomatas dos países ocidentais e a aliança com
outros países comunistas.
(D) o pedido de intermediação da China, o recurso à ONU para negociação e o aceno aos EUA com
uma proposta de acordo.
(E) a exibição pública do seu arsenal militar, a realização de novos testes de mísseis e a ameaça de
um ataque nuclear preventivo.

14. (TJ-SP – Escrevente Técnico Judiciário – Vunesp) Os chanceleres dos países fundadores do
Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) farão uma reunião de emergência n este sábado [1
de abril] em Buenos Aires para discutir sua reação à situação da Venezuela. O tema central deverá
ser a suspensão do país do bloco econômico. É possível que se discuta uma medida ainda mais dura:
a expulsão.
(Estadão, 31.03.17. Disponível em: <https://goo.gl/w9Pv4N> . Adaptado)
Essa possível suspensão ou expulsão deve-se

(A) à aplicação da cláusula democrática, que determina alguma sanção nos casos de interrupção da
ordem democrática, como estaria ocorrendo na Venezuela.
(B) à realização de práticas irregulares de protecionismo e renúncia fiscal na Venezuela, contrariando
as políticas de livre comércio do bloco.
(C) à recusa da Venezuela em aceitar as propostas que visam à construção de uma moeda única para
o bloco, o que atrasa o processo de integração.
(D) aos obstáculos impostos pela Venezuela às negociações dos tratados de comércio com os EUA,
destoando das decisões dos outros países do bloco.
(E) à iminência de guerra civil por conta da profunda crise social que atinge a Venezuela, retirando o
país da situação de paz interna exigida pelo bloco.

15. (TJ-SP – Escrevente Técnico Judiciário – Vunesp) O governo endureceu as negociações com
os parlamentares e deu um basta a novas concessões na reforma da Previdência, rejeitando assim
o lobby pesado de algumas categorias do serviço público, sobretudo com altos salários.
(O Globo, 23.04.17. Disponível em: <https://goo.gl/E79kQQ> . Adaptado)

(A) a aplicação do fator previdenciário para servidores públicos e o direito à aposentadoria com menos
anos de contribuição do que os trabalhadores privados.
(B) a integralidade, que garante a aposentadoria com o último salário da carreira, e a paridade, que
garante ao servidor aposentado reajustes salarias iguais ao do pessoal da ativa.
(C) o período mínimo de 25 anos de contribuição, que passaria para 35 com a reforma, e o mínimo de
50 anos de idade para aposentar-se, que poderia aumentar para 60 anos.
(D) a estabilidade após dez anos de serviço e o pagamento, aos filhos, de pensão integral vitalícia no
caso de servidores públicos que venham a falecer.
(E) a não contribuição dos servidores com o INSS, destinado apenas à aposentadoria na iniciativa
privada, e o direito ao aumento real anual no valor da aposentadoria.

16. (Prefeitura de Salvador-BA – Tecnico de Nível Superior II – Direito – FGV) Desde a morte de
Hugo Chávez, em 2013, as tensões entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição se intensificaram
e o atual presidente está em dificuldade para dar continuidade às políticas do "socialismo bolivaria no"
de seu antecessor.

Assinale a opção que identifica corretamente um fator que vem agravando a recente crise política
e econômica da Venezuela.
(A) A queda nas exportações de petróleo, em função do avanço da demanda por fontes de energias
renováveis no mercado internacional.
(B) O desabastecimento crônico, causado pela política de privatização dos setores básicos de
produção e distribuição de alimentos e insumos.
(C) O intervencionismo norte-americano, responsável pela instalação de bases militares no país e pelo
patrulhamento do Pacífico pela quarta frota dos Estados Unidos.

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(D) A expulsão da Venezuela da Organização dos Estados Americanos (OEA) em razão de seu apoio
ao regime de Cuba e Honduras.
(E) A perda da maioria no Legislativo, por parte das forças chavistas nas eleições de dezembro de
2015, o que aprofundou o impasse entre a oposição e o governo de Maduro.

17. (TJ-MG – Titular de Serviços de Notas e de Registros – Remoção – CONSUPLAN) A


denominada “Operação Lava Jato” trata, segundo o Ministério Público Federal, do maior caso de
corrupção e lavagem de dinheiro já apurado no Brasil, envolvendo um grande número de políticos,
empreiteiros e empresas, como a Petrobras, a Odebrecht, entre outras. O nome do magistrado
encarregado do julgamento em primeira instância, dos crimes apurados na mencionada operação é
(A) Sérgio Moro
(B) Rodrigo Janot
(C) Odilon de Oliveira
(D) Gilmar Mendes

18. (PC-AP – Agente de Polícia – FCC) O presidente Michel Temer sancionou em 24 de maio o
projeto da nova Lei da Migração. O texto será publicado no dia 25, no Diário Oficial da União.
(Adaptado de: http://brasil.estadao.com.br)

Sobre a lei da Migração são feitas as seguintes afirmações:

I. À semelhança do Estatuto do Estrangeiro, da década de 1980, a nova lei está voltada para a
segurança nacional.
II. A nova lei determina a existência de um visto temporário para pessoas que precisam fugir dos países
de origem, mas que não se enquadram na lei do refúgio.
III. A lei acaba com a proibição e garante o direito do imigrante de se associar a reuniões políticas e
sindicatos.
IV. Para especialistas, a legislação endurece o tratamento para os imigrantes, o que fere os direitos
humanos e incentiva a xenofobia.

Está correto somente o que se afirma APENAS em


(A) II e III
(B) I e II
(C) I e IV
(D) II e IV
(E) III e IV

19. (PC-AP – Agente de Polícia – FCC) A Lei da Terceirização, foi sancionada pelo presidente Michel
Temer, em 31 de março. Essa lei dispõe que:

I. A terceirização poderá ser aplicada a qualquer atividade da empresa, tanto atividade-meio como
atividade-fim.
II. O tempo de duração do trabalho temporário não deve ultrapassar três meses ou 90 dias.
III. Após o término do contrato, o trabalhador temporário só poderá prestar novamente o mesmo tipo
de serviço à empresa após esperar três meses.

Está correto somente o que se afirma APENAS em


(A) I e III
(B) I
(C) I e II
(D) II e III
(E) III.

Respostas

01. Resposta: E
A definição mais aceita para desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as
necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras
gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro. Essa definição surgiu na

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Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas para discutir e
propor meios de harmonizar dois objetivos: o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental.
Fonte:
<http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/desenvolvimento_sustentavel/>

02. Resposta: A.
"Vivem nos EUA 3,3 milhões de islâmicos, 1% da população. Na comunidade, é forte a fobia de uma
Casa Branca sob a guarda do empresário que prometeu dar um pontapé no “politicamente correto” e vetar
a entrada de islâmicos no país.
Trump enviou a ideia na esteira de atentados como o de San Bernardino e Orlando, cometidos por
adeptos dessa fé que, contudo, já eram naturalizados ou nascidos no país.
Ainda não se sabe como e se ele vai fazer tudo o que prometeu durante a campanha. O republicano
já havia recuado da proposta em parte, declarando que só baniria islâmicos de países com histórico
terrorista, como refugiados sírios."
(http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2016/11/1831788-com-trump-eleito-medo-toma-conta-da-
comunidade-muculmana-nos-eua.shtml)

03. Resposta: A.
Segundo Calero, Geddel o procurou, em ao menos cinco ocasiões, em busca de conseguir, junto ao
Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) a liberação de um projeto imobiliário em área
tombada de Salvador, na Bahia. Vieira Lima afirmou para Calero ser dono de um apartamento no prédio,
que dependia de aprovação federal, após ter sido liberado pelo Iphan da Bahia, comandado por seus
aliados.

04. Resposta: D.
I. Errado - Sérgio Moro é juiz federal, e não promotor público.
II. Correto.
III. Errado - A operação tem esse nome porque, em seus primórdios, os grupos faziam uso de uma
rede de lavanderias em Brasília e postos de combustíveis para movimentar os valores oriundos de suas
práticas criminosas.

05. Resposta: C.
Na 21ª Conferência das Partes (COP21) da UNFCCC, em Paris, foi adotado um novo acordo com o
objetivo central de fortalecer a resposta global à ameaça da mudança do clima e de reforçar a capacidade
dos países para lidar com os impactos decorrentes dessas mudanças.
O Acordo de Paris foi aprovado pelos 195 países Parte da UNFCCC para reduzir emissões de gases
de efeito estufa (GEE) no contexto do desenvolvimento sustentável. O compromisso ocorre no sentido de
manter o aumento da temperatura média global em bem menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais
e de envidar esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.
Para que comece a vigorar, necessita da ratificação de pelo menos 55 países responsáveis por 55%
das emissões de GEE. O secretário-geral da ONU, numa cerimônia em Nova York, no dia 22 de abril de
2016, abriu o período para assinatura oficial do acordo, pelos países signatários. Este período se estende
até 21 de abril de 2017.
Para o alcance do objetivo final do Acordo, os governos se envolveram na construção de seus próprios
compromissos, a partir das chamadas Pretendidas Contribuições Nacionalmente Determinadas (iNDC,
na sigla em inglês). Por meio das iNDCs, cada nação apresentou sua contribuição de redução de
emissões dos gases de efeito estufa, seguindo o que cada governo considera viável a partir do cenário
social e econômico local.
(Continua em: http://www.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-unidas/acordo-de-paris)

06. Resposta: C.
No ártico existe uma camada de gelo adulta e grossa que demora para derreter, mas o aquecimento
global tem acelerado o derretimento dessa camada durante o verão. No inverno o mar recongela mas
formando uma camada de gelo jovem e fina que no próximo verão vai derreter muito mais rápido.

07. Resposta: C.
A Comissão Especial do Impeachment aprovou em sessão nesta quinta-feira (4), por 14 favoráveis e
5 contrários, o relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) que diz que a presidente afastada
Dilma Rousseff cometeu ilegalidades e recomenda que o caso seja levado a julgamento final.

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Com a decisão, se encerraram os trabalhos da Comissão de Impeachment. A sessão durou quase três
horas, e 22 senadores discursaram. O parecer do relator Anastasia será agora votado pelo plenário
principal do Senado em sessão prevista para a próxima terça-feira (9). Se a maioria simples dos
senadores também aprovar o relatório de Anastasia, Dilma será levada a julgamento final, com início
previsto para o final deste mês.
Dos 21 integrantes da comissão, 20 tinham direito a voto, porque Raimundo Lira, presidente do
colegiado, só votaria em caso de empate. No entanto, foram registrados somente 19 votos porque o
senador Wellington Fagundes (PR-MT) não compareceu à votação por motivos pessoais e suplente dele,
Eduardo Amorim (PSC-SE), também não estava presente.
(http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/08/por-14-votos-5-comissao-especial-recomenda-que-dilma-
seja-julgada.html)

08. Resposta: C
A PEC 55 “institui o Novo Regime Fiscal no âmbito dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da
União, que vigorará por 20 exercícios financeiros, existindo limites individualizados para as despesas
primárias de cada um dos três Poderes, do Ministério Público da União e da Defensoria Pública da União”
(fonte: https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/127337)

09. Resposta: A
Mesmo sendo em menor número do que o surto em 2016, o nordeste ainda é a região que mais sofre
com casos de microcefalia no Brasil (Referência: <http://g1.globo.com/bemestar/noticia/brasil-confirmou-
165-casos-de-bebes-com-microcefalia-e-outras-alteracoes-ligadas-a-zika-em-2017.ghtml> Acesso em
21 de junho de 2017.).

10. Resposta: B
Segue na íntegra a notícia onde ainda há debates a respeito da lei Rouanet (Referência: <
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-36364789> Acesso em 21 de junho de 2017.).

11. Resposta: E
Seria algo como uma “quarteirização”. As novas regras permitem que uma empresa terceirizada
terceirize o serviço para o qual ela foi contratada ou para que essas empresas encontrem outras para
executar esse serviço. Segue o link explicativo < http://g1.globo.com/politica/noticia/temer-sanciona-com-
3-vetos-projeto-da-camara-sobre-terceirizacao.ghtml>

12. Resposta: C
Como tem sido recorrente em notícias que envolvem política, é sabido que o ministro Edson Fachin foi
sorteado para a função de relator da Operação Lava Jato no lugar do ministro Teori Zavaski. Segue o link
com uma notícia do dia do sorteio <http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,edson-fachin-sera-o-
relator-da-lava-jato-no-stf,70001650453>

13. Resposta: E
Cerca de uma semana após esse episódio, Pyongyang dá uma resposta indireta ao presidente dos
Estados Unidos através de desfile organizado em comemoração à data de aniversário de seu avô. Segue
o link com a notícia na íntegra e imagens do arsenal exibido pelo líder exército norte-coreano.

14. Resposta: A
A data da questão remete a uma situação anterior. No dia seguinte os países que compõem o Mercosul
usaram a clausula democrática e infligiram nova suspensão à Venezuela (ela já havia sido suspensa em
dezembro de 2016). A nova suspensão é um grande passo em direção à expulsão do país do bloco.

15. Resposta: B
Próximo a data da notícia, Temer já havia feito reuniões para manter a reforma sem alteração, mesmo
com as reivindicações de vários setores. <https://oglobo.globo.com/economia/temer-reune-lideres-
determina-que-texto-da-reforma-da-previdencia-sera-votado-como-esta-21246160> . Após suas
recentes vitórias é provável que a base governista tenha força para aprovar a reforma da maneira que
está.
16. Resposta: E
Apesar de o Governo Maduro ser minoria no Congresso desde 2015 (veja o seguinte endereço:
<http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/12/com-9603-das-urnas-apuradas-oposicao-tem-maioria-na-

. 116
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venezuela.html>) as consequências são vistas até hoje. Ainda assim é improvável que aconteça na
Venezuela uma mudança semelhante ao que ocorreu no Brasil. Ainda que uma oposição esteja formada
em maioria no Congresso, eles não têm força política para derrubar Maduro. A crise econômica vista por
nós que “estamos fora”, já existia durante o governo chavista, o que para a população não representou
grande diferença quanto aos dois governantes.

17. Resposta: A
Desde março de 2014 Moro julga em primeira instancia os crimes cometidos na Operação Lava-Jato,
maior caso de corrupção e lavagem de dinheiro já apurado no Brasil, segundo o MPF. Sérgio Moro é Juiz
Federal da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba.

18. Resposta: A
92
O Estatuto do Estrangeiro proibia imigrantes de participarem de qualquer atividade de natureza
política. A nova lei acaba com a proibição e garante o direito do imigrante de se associar a reuniões
políticas e sindicatos.
A nova lei determina a existência de um visto temporário específico para o migrante em situação de
acolhida humanitária, para pessoas que precisam fugir dos países de origem, mas que não se enquadram
na lei do refúgio. A legislação também contempla migrantes que vêm ao Brasil para tratamentos de saúde
e menores desacompanhados.
Segue o link de uma notícia vinculada à questão: <http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,temer-
sanciona-lei-da-migracao-com-diversos-vetos,70001812512>

19. Resposta: A
A alternativa II está incorreta. “O contrato de trabalho temporário, com relação ao mesmo
empregador, NÃO poderá exceder ao prazo de CENTO E OITENTA dias, consecutivos ou não.”.
Conforme Artigo 10 da mesma lei.

O desenvolvimento urbano brasileiro

A urbanização brasileira

Fonte: http://2.bp.blogspot.com/-KRaKbTocB78/Tbs2sUdL80I/AAAAAAAACg0/5Hg-
IQAv2nI/s1600/grau-de-urbanizac3a7c3a3o-2010.png.

De maneira geral, podemos afirmar que a cidade é um aglomerado de construções e pessoas, a sede
do município e o lugar onde se localizam as casas do poder político. A urbanização, por outro lado, refere-

92
<https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/disciplinas/historia-atualidades/atualidades-do-ano-de-2017>

. 117
1408527 E-book gerado especialmente para LUCAS ROCHA LOPES
se ao surgimento de novas cidades e à expansão física e em números demográficos das cidades
existentes.
No Brasil, a migração, a industrialização e o crescimento populacional relacionam-se direta ou
indiretamente com o crescimento urbano, que, por sua vez, multiplica o fluxo de mercadorias, de pessoas
e de informações.

As primeiras cidades brasileiras

A origem das primeiras cidades está ligada às atividades relacionadas à exploração dos produtos das
terras brasileiras e ao envio destes para a metrópole europeia, Portugal. Localizavam-se na faixa litorânea
e tiveram, portanto, a função de posto comercial e de defesa militar.
Além disso, as características naturais também foram um ponto de extrema importância para escolher
onde ficaria o sítio urbano a ser desenvolvido. O acesso à água, por exemplo, funcionou como um fator
de decisão de onde se instalaria a cidade.
São Vicente (SP), foi a primeira vila a ser formada, na costa do que hoje é o Estado de São Paulo. Foi
criada por Martim Afonso de Souza em 1532, que lá construiu um pelourinho, uma câmara e uma igreja,
e em 22 de agosto do mesmo ano, realizou as primeiras eleições de toda América Latina.
A primeira capital brasileira foi Salvador, escolhida para ser a sede da Colônia. A baía de seu litoral,
Baía de Todos os Santos, facilitava a exportação de cana-de-açúcar e pau-brasil, que eram os principais
produtos de interesse português naquele momento. A baía servia também como ponto de apoio para
navegações rumo à África e à Ásia, pois era estrategicamente um porto seguro para as embarcações
portuguesas.
O modelo agroexportador foi predominante em todo o período colonial e influenciou a configuração
territorial, a urbanização e a mentalidade da sociedade daquela época. A lógica da plantation era tão
forte que a burguesia brasileira naquela época era rural e morava junto a suas plantações. Embora tivesse
negócios e propriedades nas cidades, seu poder político e econômico era baseado nesse modelo.
Os poderes políticos eram dominados pela oligarquia agrária, que morava em suas fazendas (as casas
grandes, os engenhos e as senzalas conformavam esses espaços), e as cidades eram habitadas,
majoritariamente, por servidores públicos, artesãos, mercadores, etc.
As cidades coloniais, de maneira geral, não foram planejadas, seus traçados não obedeciam a lógica
alguma e seu crescimento deu-se de maneira desordenada, ao ritmo da própria pulsação populacional,
subindo os morros e descendo as vertentes.
Embora já existisse uma relativa ocupação no interior do país, somente com a crise do modelo
agroexportador – por causa da concorrência com a produção de cana-de-açúcar nas Antilhas (na América
Central) – que a exploração de metais preciosos ganhou força para suprir a demanda financeira exigida
pela metrópole. Dessa forma, a exploração de ouro e prata tornou-se a principal fonte econômica lusitana
na Colônia a partir do final do século XVII, o que motivou também a ocupação do interior. A ocupação,
que era mais efetiva na Zona da Mata e no Agreste baiano, onde ocorria a maior parte da produção de
cana-de-açúcar, foi reorientada em direção ao interior, onde havia as maiores jazidas de pedras
preciosas: Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
As cidades criadas na época da mineração esbanjavam riqueza em sua arquitetura. No século XVIII
foram o epicentro da vida social do país, motivando muitas migrações de gente vinda de Portugal e de
diversas localidades da atual região Nordeste. A predominância de morros em seu relevo dificultava a
produção agrícola. O abastecimento de alimentos era realizado por tropeiros que viajavam levando
mercadorias de uma cidade a outra. Esse comércio também foi motivador para a criação de cidades e
vilas em torno dos corredores de passagem das tropas que vinham do Sul.
O esgotamento das jazidas levou à decadência das cidades que viviam dessa economia. De maneira
geral, a ocupação territorial na Colônia possuiu essa característica de desenvolvimento econômico
baseado na exploração até o limite. Assim, quando os recursos naturais se esgotavam ou quando o
mercado entrava em crise, tais regiões entravam em decadência.
As cidades que tiveram maior continuidade econômica, portanto, foram aquelas cuja função estava
ligada ao porto, como Salvador e Rio de Janeiro. A última foi elevada à capital do Império em 1763,
permanecendo até 1960, quando a capital da República foi transferida para Brasília.
Com o esgotamento da economia mineradora, o café despontou como a base da economia brasileira
até o século XX, quando a indústria começou a deslanchar. Nesse período, concomitante ao ciclo do café,
a exploração da borracha destacou-se economicamente, incentivando a relativa ocupação e urbanização
das maiores cidades amazônicas: Belém do Pará (PA) e Manaus (AM).
A predominância da população nas áreas rurais até durante o século XIX no Brasil pode ser explicada
pela economia baseada nas produções agrícolas, que fixava os trabalhadores (escravos até 1888 e

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imigrantes livres) no campo, junto à área produtiva. A economia cafeeira do início do século XX propiciou
o suficiente acúmulo econômico para gerar a industrialização em nosso país. Essa nova economia, por
concentrar-se na cidade, foi responsável por uma virada populacional. Dessa forma, a urbanização
brasileira é recente, tendo sido mais incentivada e desenvolvida ao longo do século XX.

O crescimento das cidades

Foi somente no século XX que o crescimento urbano se intensificou no Brasil. Motivada pela crescente
indústria no começo do século, sobretudo no eixo Rio-São Paulo, a população urbana superou a rural na
década de 1970. A cidade que mais representou esse processo no país é São Paulo, pois foi a que mais
migrantes recebeu e a que mais cresceu, sendo hoje a maior do país.
Esse aumento da população urbana deve-se muito às migrações de pessoas que viviam no campo em
direção à cidade, em busca de oportunidades. Por conta do histórico agroexportador brasileiro, da
concentração fundiária e da mecanização, a vida no campo se tornou difícil para os trabalhadores que
não tiveram acesso à propriedade privada da terra, que se generalizou sobretudo com a Lei de Terras de
1850.
O crescimento das cidades no século XX não foi acompanhado por um planejamento eficiente por
parte do Estado, o que resultou em diversos problemas de organização urbana nas grandes cidades
brasileiras.

As metrópoles brasileiras

O que caracteriza as metrópoles brasileiras é, antes de mais nada, seu processo histórico de formação.
Desde o período da colonização até hoje, as principais cidades cresceram em regiões próximas ao litoral,
locais por onde as mercadorias produzidas eram exportadas e as mercadorias estrangeiras chegavam ao
Brasil. Nestas cidades de concentravam as funções administrativas e políticas.
O desenvolvimento econômico e político do país reforçou essa configuração territorial, ainda que a
ocupação tenha se expandido para o interior. A maioria das metrópoles brasileiras se localiza na faixa a
menos de 200 quilômetros do litoral, como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Porto Alegre, etc.
O conceito que utilizaremos para definir o que é uma metrópole refere-se a cidades que são centros
de decisão política e econômica, em constante relação e interdependência com as regiões em seu
entorno. As metrópoles garantem uma articulação desde a escala regional até a global e, de acordo com
sua área de influência e redes urbanas estabelecidas, essas cidades podem apresentar diferentes
funções no cenário nacional.
Vejamos a cidade de Goiânia. Ela é considerada uma metrópole regional que interfere na organização
socioespacial do Centro-Oeste brasileiro por ser polo de decisões administrativas e econômicas regionais
e por atrair pessoas em busca tanto de melhores salários e qualidade de vida quanto de serviços
especializados.
Enquanto isso, Porto Alegre, além de abarcas as características de uma metrópole regional, oferece
uma estrutura mais complexa de equipamentos públicos, serviços e universidades, o que permite
caracteriza-la como metrópole nacional.
Já São Paulo e Rio de Janeiro são metrópoles globais que possuem uma dinâmica socioespacial capaz
de concentrar grande número de sedes de empresas multinacionais e de grandes bancos, além de
universidades e os principais polos tecnológicos industriais do país. Assim, não só possuem significativa
importância política e econômica nacional como também global, pois garantem boa parte das relações
internacionais e alianças de cooperação.

Problemas urbano-ambientais

A indústria e os avanços tecnológicos representaram não apenas mudanças na produção de


mercadorias, mas influenciaram o modo como a sociedade brasileira passou a organizar sua vida. A
modernização do campo brasileiro resultou em um rápido movimento populacional das áreas rurais para
as cidades, onde as indústrias se instalavam. Os trabalhadores dessas indústrias tinham a possibilidade
de receber salários e garantir um nível de consumo necessário para sua sobrevivência.
No entanto, o avanço do sistema capitalista não se deu apenas com a contratação de mão de obra,
mas também graças ao consumo dessas pessoas. O acesso a produtos tornava-se cada vez mais
possível conforme a propaganda e marketing das empresas estimulavam a compra, garantindo assim a
venda e o aumento do próprio lucro.

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As novas tecnologias possibilitaram ao sistema capitalista oferecer maior quantidade de mercadorias
em circulação no comércio. Com isso, a concorrência entre produtos aumentou, o que obrigou as
empresas a regular seus preços para não perderem espaço no mercado. Assim, os produtos passaram
a ser mais acessíveis aos indivíduos que atingiram altíssimos níveis de consumo que até hoje estão
presentes em nosso cotidiano.
Você já parou para pensar sobre a quantidade de matéria-prima necessária para a produção daquilo
que compramos? O meio ambiente possui um ritmo próprio de renovação daquilo que lhe é extraído, o
que significa que a retirada de matéria-prima deve ser cautelosa. Caso contrário, rapidamente ela estará
em falta. Essa reflexão serve para nosso consumo de água, de produtos derivados do petróleo, da
madeira, etc.
No entanto, não devemos preocupar-nos apenas com o que retiramos do meio ambiente, mas também
com o que devolvemos a ele. Será que todo o lixo que criamos retorna para a natureza sem trazer danos
a ela? Esse questionamento é válido para pensarmos em tudo o que consumimos e na quantidade de
lixo que produzimos.
Os lixões e os aterros sanitários têm sido tema de importantes discussões sobre o descarte dos
resíduos sólidos no meio ambiente. Os lixões a céu aberto que recebem a maior parte do lixo no país não
possuem estrutura adequada, pois não protegem ou tratam os resíduos, deixando-os expostos ao calor
e à chuva. O líquido produzido pela decomposição do lixo, o chorume, infiltra-se no solo e muitas vezes
atinge os lençóis freáticos.
A intoxicação de lençóis freáticos é muitas vezes desencadeada pela instalação de tais lixões. O aterro
sanitário, por sua vez, também traz esse tipo de problema, porém segue uma regulamentação específica
criada pelo governo, que tenta minimizar os efeitos do acúmulo de lixo no meio ambiente.
Em áreas pobres das cidades, onde o governo não oferece a coleta de lixo regular, as populações
lidam como podem com os resíduos. Com isso, muitas vezes jogam o lixo nos rios e na beira de rodovias.
Porém, a poluição das águas também é ocasionada pelo descarte de esgoto e de líquidos tóxicos por
parte de grandes empresas, como costumava ocorrer antigamente com muita frequência no Rio Tietê,
em São Paulo.
Logo, a poluição das águas e a do próprio solo oferecem risco de enchentes quando os bueiros
entopem ou quando os rios não conseguem escoar a quantidade de água necessária, transbordando.

Sustentabilidade urbana

Os problemas urbano-ambientais não tem origem apenas na emissão de gases poluentes ou no0
descarte de resíduos líquidos poluentes nos rios. A causa também está em nossa relação com o espaço
que nos rodeia. Ou seja, como nos relacionamos, por exemplo, com o lixo que produzimos, com aquilo
que comemos, com os produtos que consumimos, com o meio ambiente e com o mundo em que vivemos.
Em suma, a origem desses problemas também está na organização de nosso cotidiano na cidade.
A sustentabilidade não tem a ver apenas com questões ambientais, mas culturais, econômicas,
políticas e sociais em equilíbrio. Repensar a organização do cotidiano é importante para que o estilo de
vida das pessoas seja reestruturado, tornando-se sustentável. As condições de moradia, transporte
público, saneamento básico, saúde, educação e meio ambiente revelam se há sustentabilidade urbana
ou não.
A própria população evidencia isso quando a comunidade luta por mais áreas verdes, parques públicos
e hortas comunitárias. A organização independente é uma ação importantíssima para que o governo
perceba as necessidades do povo.
O movimento organizado por ciclistas de cidades grandes do Brasil demonstra uma iniciativa que se
preocupa com o meio ambiente, evitando a emissão de gases poluentes.
Está relacionada à saúde e ao bem-estar, e também se trata de uma luta em prol de outra relação com
a cidade que não seja apenas a do estresse e trabalho.
As feiras de troca caracterizam uma prática que demonstra a tentativa de tornar a vida mais sustentável
e solidária as cidades, sem a necessidade de maior produção de mercadorias, reduzindo assim o
consumo e o lixo.
O debate urgente acerca da sustentabilidade urbana vem à tona quando a população, mesmo inserida
em um cenário desigual da sociedade, percebe que, em pouco tempo, se nenhuma atitude for tomada, o
espaço que ocupamos logo irá se tornar inviável para viver.

Referências Bibliográficas:
FURQUIM Junior, Laercio. Geografia cidadã. 1ª edição. São Paulo: Editora AJS, 2015. (Coleção
geografia cidadã).

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Questões

01. (SEDF – Estudantes Universitários – CESPE) Com relação à geografia urbana no Brasil, julgue
o item que se seguem.
Os fatores que propiciam o crescimento populacional no interior do Brasil incluem a atração de
indústrias para as cidades de médio porte.
(....) Certo (....) Errado

02. (SEDF – Estudantes Universitários – CESPE) Com relação à geografia urbana no Brasil, julgue
o item que se seguem.
O processo de industrialização foi o fator responsável pelo desenvolvimento das cidades brasileiras,
cujos territórios se transformaram devido ao aumento da atividade produtiva no campo.
(....) Certo (....) Errado

03. (IBGE – Tecnologista/Geografia – FGV/2016) Na organização do espaço urbano brasileiro na


contemporaneidade, observa-se uma expansão impulsionada por duas lógicas, a da localização dos
empregos nos núcleos das aglomerações e a da localização das moradias nas áreas periféricas. A
incorporação de novas áreas residenciais, o aumento da mobilidade e a oferta de transporte eficiente
favorecem a formação de arranjos populacionais de diferentes magnitudes que aglutinam diferentes
unidades espaciais. Adaptado de: IBGE. Arranjos populacionais e concentrações urbanas no Brasil. Rio
de Janeiro: IBGE, 2015. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) identificou 294 arranjos
populacionais no País, formados por 938 municípios e que representam 55,9% da população residente
no Brasil em 2010.
Os critérios utilizados na identificação dos arranjos populacionais empregam a noção de integração,
medida:
(A) pelos movimentos pendulares para trabalho e estudo e/ou pela contiguidade urbana;
(B) pelas funções urbanas e/ou pelo rendimento dos responsáveis por domicílio;
(C) pelos fluxos telefônicos e/ou pelas unidades locais das empresas de serviços à produção;
(D) pela densidade demográfica e/ou pela estrutura da População Economicamente Ativa;
(E) pelo tamanho populacional e/ou pelo fluxo de bens, mercadorias, informações e capitais.

04. (IBGE – Técnico em Informações Geográficas e Estatísticas – FGV/2016) O texto a seguir


descreve duas fases do processo de urbanização do território brasileiro após a década de 1950. “Desde
a revolução urbana brasileira, consecutiva à revolução demográfica dos anos 1950, tivemos, primeiro,
uma urbanização aglomerada, com o aumento do número - e da respectiva população - dos núcleos com
mais de 20 mil habitantes, e em seguida, uma urbanização concentrada, com a multiplicação de cidades
de tamanho intermédio [...].”
Fonte: SANTOS, M. e SILVEIRA, M. Brasil: Território e Sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001: 202.

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A terceira fase, representada nos mapas, caracterizou-se pela:
(A) urbanização difusa;
(B) reurbanização;
(C) metropolização;
(D) explosão demográfica;
(E) periurbanização.

Respostas

01. Resposta: Certo.


Um assunto que tem estado bastante em voga na economia brasileira desde o final do século XX é a
descentralização de indústrias, processo que, de acordo com o geógrafo Paulo Inácio Vieira Carvalho,
“tem início na década de 1980, quando as fábricas começam a deixar as regiões metropolitanas em
direção a municípios do interior”.
Inicialmente, as indústrias se retiraram das capitais do Rio de Janeiro e de São Paulo visando
estabelecer-se em cidades do interior desses estados, mas, posteriormente, o projeto estendeu-se
também para estados menos industrializados do país.

02. Resposta: Errado.


Os territórios se transformaram devido ao aumento da atividade produtiva NAS CIDADES e não no
campo, além disso, o processo de industrialização foi um dos fatores responsáveis pelo desenvolvimento
das cidades brasileiras, porém, não o único.

03. Resposta: A.
Os movimentos pendulares são cada vez mais importantes para o entendimento da dinâmica urbana.
São utilizados para estudar a organização funcional dos espaços regionais e delimitar regiões
metropolitanas; dimensionar e caracterizar os fluxos gerados para o estudo e para o trabalho; para o
planejamento urbano, em especial o de transportes, entre outros.

04. Resposta: C.
Metropolização é o processo de crescimento urbano de uma cidade e sua constituição como
centralidade de uma região metropolitana, isto é, de uma área composta por vários municípios que
congregam a mesma dinâmica espaço-territorial. A metrópole passa a ser vista como a zona na qual as
demais cidades tornam-se dependentes e interligadas economicamente. Entre os exemplos de
metrópoles no Brasil, temos as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Goiânia,
Porto Alegre e muitas outras.
Para entender a lógica da metropolização (e, posteriormente, da desmetropolização), é preciso
considerar a seguinte premissa básica: a industrialização tende a induzir à urbanização, ou seja, quando
uma cidade ou uma região se industrializam, a tendência é de que, com o tempo, a sua população se
eleve, bem como o número de residências e o crescimento horizontal de seu espaço geográfico urbano.93

História e Geografia do Estado do Tocantins; o movimento separatista; a criação


do Estado; os governos desde a criação

Aspectos históricos, sociais e culturais de Tocantins

Desbravamento e Povoamento da Região


O Tocantins é o mais novo dos estados brasileiros. Foi criado em 1988, com a promulgação da
Constituição brasileira. Antes, as terras que hoje correspondem ao território do Tocantins faziam parte do
estado de Goiás.
Antes da colonização, o território do Tocantins era ocupado pelos índios Xingus e Txucarramães.
A colonização do Brasil se deu dentro do contexto da política mercantilista do século XVI que via no
comércio a principal forma de acumulação de capital, garantido, principalmente, através da posse de
93
PENA, Rodolfo F. Alves. "Metropolização"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/geografia/metropolizacao.htm>.

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colônias e de metais preciosos. A partir das Grandes Navegações, iniciadas no século XV, começa a
constituição de impérios coloniais na América.
Além de desbravar, explorar e povoar novas terras os colonizadores tinham também uma justificativa
ideológica: a expansão da fé cristã.
A colônia brasileira, administrada política e economicamente pela metrópole, tinha como função
fornecer produtos tropicais e/ou metais preciosos e consumir produtos metropolitanos. Portugal, então,
iniciou a colonização pela costa privilegiando a cana de açúcar como principal produto de exportação
(Pacto Colonial).
Foram os franceses quem descobriram o rio Tocantins ao encontrarem sua foz, explorando-o entre os
anos de 1610 e 1613. O rio Tocantins foi um dos caminhos para o conhecimento e exploração da região
onde hoje se localiza o Estado do Tocantins. Nasce no Planalto Central de Goiás e corta, no sentido sul-
norte, todo o território do atual Estado do Tocantins.
A catequese dos nativos foi deixada a cargo do padre capuchinho francês Yves d'Evreus. Na área hoje
compreendida pelos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Amazonas e com a ajuda dos índios
Tupinambás tiveram a pretensão de colonizar a Amazônia: foi a chamada França Equinocial. Nessa
época não havia nem a vila de Belém, nem as capitanias do Maranhão e Pará. Eles subiram o Rio
Tocantins pela foz, foram aprendendo a língua e os hábitos dos indígenas da região e fundaram feitorias
no Baixo e Médio Tocantins e Alto Araguaia.
Só mais de quinze anos depois dos franceses foi que os portugueses iniciaram a colonização da região
pela “decidida ação dos jesuítas”. Eram as chamadas descidas, movimentos de penetração do interior
realizados pelos jesuítas e incluídos, por alguns autores, no contexto do movimento bandeirante. E ainda
no século XVII os padres da Companhia de Jesus fundaram as aldeias missionárias da Palma (atual
Paranã) e do Duro (atual Dianópolis).
Impossibilitado de penetrar no território pela vigência do Tratado de Tordesilhas, Portugal contratou
secretamente expedições particulares, as Bandeiras. Os bandeirantes eram mercenários que, saindo da
Capitania de São Paulo, iam à busca de riquezas, seja na forma de índios para a escravização, seja na
forma de ouro ou no pagamento por serviços prestados.
A primeira bandeira que se dirigiu para a região estava sob o comando de Antônio Macedo e Domingos
Luís Grau; ela partiu de São Paulo em 1590 e após três anos, provavelmente, chegou aos sertões de
Goiás, no leste do Tocantins.
Foi o bandeirante vicentino (saído da vila de São Vicente) Antônio Rodrigues Arzão o primeiro a
encontrar ouro em quantidade em Minas Gerais, no atual município de Cataguases, em 1693; mais tarde,
em 1718, encontrou-se ouro em Cuiabá, de forma que Goiás, geograficamente situado entre as duas
capitanias, passou a ser considerada uma área que também guardava o precioso metal em seu subsolo.
Partindo dessa ideia o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, chamado de Anhanguera (“diabo que
põe fogo na água”) conseguiu licença do rei de Portugal para explorar a região. Daí vem o povoamento
da região de Goiás. Anhanguera não foi o primeiro a chegar à região, mas sim seu primeiro povoador, já
que os bandeirantes e jesuítas não se fixaram na região.
Anhanguera não foi o primeiro bandeirante a colocar “fogo na água”. Acredita-se que tal ardil era
comum entre os bandeirantes, e que o primeiro a fazer isso foi Francisco Pires Ribeiro.
A bandeira comandada por Bartolomeu Bueno da Silva Filho (filho do primeiro Anhanguera) saiu de
São Paulo em 3 de julho de 1722, seguindo a rota que já era conhecida até o Rio Grande. As dificuldades
climáticas e vegetacionais do cerrado fizeram muitos dos bandeirantes morrerem de fome, além de
obrigar os sobreviventes a comerem macacos, cachorros e até alguns dos próprios cavalos. Após várias
mortes, seja por causa da fome, doenças ou ataques de índios hostis, finalmente Anhanguera encontrou
ouro nas cabeceiras do rio Vermelho, na região da atual cidade de Goiás. Estavam descobertas as Minas
dos Goyazes. Com a descoberta de ouro, a região logo tornou-se foco de grandes deslocamentos
populacionais. Bartolomeu Bueno da Silva foi declarado Superintendente das Minas de Goiás, ligada a
São Paulo na forma de uma Intendência. A capital era a Vila de Sant’Ana, mais tarde chamada de Vila
Boa e, depois, Cidade de Goyás. Vila Boa tinha uma densidade irregular e instável Cabia ao Intendente
manter a ordem legal e instaurar a os tributos. No seculo XVII toda a região que é o atual Estado do
Tocantins era hábitada por índios.
Apenas três zonas povoaram-se com certa regularidade, sendo elas: Centro-sul, que era composta
por Sta. Cruz, Sta. Luzia (Luziânia), Meia Ponte (Pirenópolis), Jaraguá, Vila Boa e Arraias, Pirenópolis
chegou a disputar a categoria de Sede do Governo, dada sua importância como centro de
comunicações; a segunda zona era na região de Tocantins, composta por Alto do Tocantins ou Maranhão,
Traíras, Água Quente, São José (Niquelândia), Santa Rita, Muquém, etc. Enfim mais ao norte a capitania
atingia uma extensa zona entre o Tocantins e os chapadões limitando-se com a Bahia. Arraias, São Félix,

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Cavalcante, Natividade, São José do Duro (Dianópolis), e Porto Real (Porto Nacional) o arraial mais
setentrional.
1730 e 1740 foram décadas importantes ocorrendo as descobertas de ouro no lado norte de Goiás,
formando os primeiros arraiais no território do hoje estado do Tocantins. Outros resistiram ao fim da
mineração e no século XIX tornaram-se vilas e mais tarde cidades.
O Norte de Goiás foi visto de três formas distintas ao longo de sua evolução histórica. Esta região
(norte de Goiás) deu origem ao atual Estado do Tocantins. Inicialmente, norte de Goiás foi denominativo
atribuído somente à localização geográfica dentro da região das Minas dos Goyazes na época dos
descobrimentos auríferos no século XVIII. Com referência ao aspecto geográfico, essa denominação
perdurou por mais de dois séculos, até a divisão do Estado de Goiás, quando a região norte passa a ser
o Estado do Tocantins.
Num segundo momento, com a descoberta de grandes minas na região, o norte de Goiás passou a
ser conhecido como uma das áreas que mais produziam ouro na capitania. Esta constatação despertou
o temor ao contrabando que acabou fomentando um arrocho fiscal maior que nas outras áreas
mineradoras.
Por último, o norte de Goiás passou a ser visto, após a queda da mineração, como sinônimo de atraso
econômico e involução social, gerador de um quadro de pobreza para a maior parte da população.
Essa região foi palco primeiramente de uma fase épica vivida pelos seus exploradores, criaram
caminhos e estradas, desmataram regiões inteiras, exploraram os índios.
Descoberto o ouro, a região passa, de acordo com a política mercantilista do século XVIII, a ser
incorporada ao Brasil. O período aurífero foi brilhante, mas breve. E a decadência, quase sem transição,
sujeitou a região a um estado de abandono.
Para se integrar ao mercado nacional, a população investiu na economia de subsistência e, dessa
forma, encontrou maneiras de resistência e competitividade. Apesar de demorada, essa integração foi se
consolidando baseada na agropecuária, que é a atual base econômica do Estado.

Formação dos arraiais


“Há ouro e água”. Isto basta. Depois da fundação solene do primeiro arraial de Goiás, o arraial de
Sant'Anna, esse foi o critério para o surgimento dos demais arraiais. Para as margens dos rios ou riachos
auríferos deslocaram-se populações da metrópole e de todas as partes da colônia, formando à proporção
em que se descobria ouro, um novo arraial que podia florescer ou ser abandonado.
Nas décadas de 1730 e 1740 ocorreram as descobertas auríferas no norte de Goiás e, por causa
delas, a formação dos primeiros arraiais no território onde hoje se situa o Estado do Tocantins. Natividade
e Almas (1734), Arraias e Chapada (1736), Pontal e Porto Real (1738). Nos anos 40 surgiram Conceição,
Carmo e Taboca, e mais tarde Príncipe (1770). Alguns foram extintos, como Pontal, Taboca e Príncipe.
Os outros resistiram à decadência da mineração e no século XIX se transformaram em vilas e
posteriormente em cidades.
O grande fluxo de pessoas de todas as partes e de todos os tipos permitiu que a composição social
da população dos arraiais de ouro se tornasse bastante heterogênea. Trabalhar, enriquecer e regressar
ao lugar de origem eram os objetivos dos que se dirigiam para as minas. Em sua maioria eram homens
brancos, solteiros ou desacompanhados da família, que contribuíram para a mistura de raças com índias
e negras escravas. No final do século XVIII, os mestiços já eram grande parte da população que
posteriormente foram absorvidos no comércio e no serviço militar.
A população branca era composta de mineiros e de pessoas pobres que não tinham nenhuma
ocupação e eram tratados, nos documentos oficiais, como vadios.
Ser mineiro significava ser dono de lavras e escravos. Era o ideal de todos os habitantes das minas,
um título de honra e praticamente acessível a quase todos os brancos. O escravo podia ser comprado a
crédito, sua posse dava o direito de requerer uma data - um lote no terreno de mineração - e o ouro era
de fácil exploração, do tipo aluvional, acumulado no fundo e nas margens dos rios.
Todos, uns com mais e outros com menos ações, participavam da bolsa do ouro. Grandes
comerciantes e contratadores que residiam em Lisboa ou Rio de Janeiro mantinham aqui seus
administradores. Escravos, mulatos e forros também praticavam a faiscagem - procura de faíscas de ouro
em terras já anteriormente lavradas. Alguns, pela própria legislação, tinham muito mais vantagens.
O negro teve uma importância fundamental nas regiões mineiras. Além de ser a mão-de-obra básica
em todas as atividades, da extração do ouro ao carregamento nos portos, era também uma mercadoria
de grande valor. Primeiro, a quantidade de negros cativos foi condição determinante para se conseguir
concessões de lavras e, portanto, para um branco se tornar mineiro. Depois, com a instituição
da capitação (imposto cobrado em ouro sobre cada escravo empregado na lavra) no lugar do quinto, o
escravo tornou-se referência de valor para o pagamento do imposto. Neste, era a quantidade de escravos

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matriculados que determinava o quanto o mineiro iria pagar em ouro para a Coroa. Mas a situação do
negro era desoladora. Os maus tratos e a dureza do trabalho nas minas resultavam em constantes fugas.

O controle das minas


Desde quando ficou conhecida a riqueza aurífera das Minas de Goyazes, o governo português tomou
uma série de medidas para garantir para si o maior proveito da exploração das lavras. Foi proibida a
abertura de novas estradas em direção às minas. Os rios foram trancados à navegação. As indústrias
proibidas ou limitadas. A lavoura e a criação inviabilizadas por pesados tributos: braços não podiam ser
desviados da mineração. O comércio foi fiscalizado. E o fisco, insaciável na arrecadação.
A mineração era sujeita à capitação e censo. À época do descobrimento das Minas dos Goyazes
vigorava o método de quintamento nas casas de fundição. A das minas de Goiás era em São Paulo. Era
para lá que deveriam se dirigir os mineiros para quintar seu ouro. Recebiam de volta, depois de
descontado o quinto, o ouro fundido e selado com selo real.
O ouro em pó podia ser usado como moeda no território das minas, mas se saísse da capitania, tinha
que ser declarado ao passar pelo registro e depois quintado, o que praticamente ficava como obrigação
dos comerciantes. Estes, vendendo todas as coisas a crédito, prazo e preços altíssimos acabavam
ficando com o ouro dos mineiros e eram os que, na realidade, canalizavam o ouro das minas para o
exterior e deviam, por conseguinte, pagar o quinto correspondente.
O método da casa de fundição para a cobrança do quinto seria ideal se não fosse um problema que
tomava de sobressalto o governo português: o contrabando do ouro, que oferecia alta rentabilidade.
O grande contrabando era dos comerciantes que controlavam o comércio desde os portos, praticado
por meio da cumplicidade dos guardas dos registros, ou de subornos de soldados, que custodiavam o
comboio dos quintos reais. Contra si o governo tinha as dilatadas fronteiras, o escasso policiamento, o
costume inveterado e a inflexibilidade das leis econômicas. A seu favor tinha o poder político, jurídico e
econômico sobre toda a colônia. Assim, decreta como primeira medida, em se tratando das minas, o
isolamento destas.
A partir de 1730 foram proibidas todas as outras vias de acesso a Goiás ficando um único caminho, o
iniciado pelas bandeiras paulistas que ligavam as minas com as regiões do Sul, São Paulo e Rio de
Janeiro. Com isso, ficava interditado o acesso pelas picadas vindas do Nordeste - Bahia e Piauí. Foi
proibida a navegação fluvial pelo Tocantins, afastando a região de outras capitanias - Grão-Pará e
Maranhão.
À proporção que crescia a importância das minas surgiram atritos com os governadores das capitanias
do Maranhão e Pará. Os governadores tomaram para si o encargo de nomear autoridades para os ditos
arraiais e outras minas que pudessem surgir, com finalidade de tomarem posse e cobrarem os quintos
de. O resultado foi o afastamento dessa interferência seguido da proibição, através de bandos, da entrada
das populações das capitanias limítrofes na região e a saída dos que estavam dentro sem autorização
judicial.

Decadência da produção
A produção do ouro goiano teve o seu apogeu nos primeiros dez anos de estabelecimento das minas,
entre 1726 e 1735. Foi nesse período que o ouro de aluvião aflorava por toda a região, resultando numa
produtividade absurda. Quando se iniciou a cobrança do imposto de capitação em todas as regiões
mineiras, a produção começou a cair, possivelmente mascarada pelo incremento do contrabando na
região, impossível de se medir.
De 1752 a 1778, a arrecadação chegou a um nível mais alto por ser o período da volta da cobrança
do quinto nas casas de fundição. Mas a produtividade continuou decrescendo. O motivo dessa
contradição era a própria extensão das áreas mineiras, que compensavam e excediam a redução de
produtividade.
A distância das minas do norte, os custos para levar o ouro e o risco de ataques indígenas aos mineiros
justificaram a criação de uma casa de fundição em São Félix em 1754. Mas, já em 1797, foi transferida
para Cavalcante, por não recolher o suficiente para abonar as despesas de sua sustentação.
A Coroa Portuguesa mandou investigar as razões da diminuição da arrecadação da Casa de Fundição
de São Félix. Foram tomadas algumas providências como a instalação de um registro entre Santa Maria
(Taguatinga) e Vila do Duro (Dianópolis). Outra tentativa para reverter o quadro da arrecadação foi
organizar bandeiras para tentar novos descobrimentos. Tem-se notícia do itinerário de apenas duas. Uma
dirigiu-se rumo ao Pontal (região de Porto Real), pela margem esquerda do Tocantins e entrou em conflito
com os Xerente, resultando na morte de seu comandante.

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A outra saiu de Traíras (nas proximidades de Niquelândia (GO)) para as margens do rio Araguaia em
busca dos Martírios, serra onde se acreditava existir imensas riquezas auríferas. Mas a expedição só
chegou até a ilha do Bananal onde sofreu ataques dos Xavante e Javaé, dali retornando.
No período de 1779 a 1822, ocorreu a queda brusca da arrecadação do quinto com o fim das
descobertas do ouro de aluvião, predominando a faiscagem nas minas antigas. Quase sem transição,
chegou a súbita decadência.

A crise econômica
O declínio da mineração foi irreversível e arrastou os outros setores a uma ruína parcial. Houve uma
diminuição da mão-de-obra pela proibição de importação de escravos, diminuição da importação e
exportação, estreitamento do comércio interno, menor arrecadação de impostos. Com tendência à
formação de zonas de economia fechada e um consumo dirigido à pura subsistência, houve esvaziamento
dos centros de população, ruralização, empobrecimento e isolamento cultural. Toda a capitania entrou
em crise e nada foi feito para a sua revitalização. Endividados com os comerciantes, os mineiros estavam
descapitalizados.
O desejo pelo lucro fácil, tanto das autoridades administrativas metropolitanas quanto dos mineiros e
comerciantes, não admitiu perseveranças. O local onde não se encontrava mais ouro era abandonado.
Os arraiais de ouro, que surgiam e desapareciam no Tocantins, contribuíram apenas para o
expansionismo geográfico. Cada vez se adentrava mais o interior em busca do ouro de aluvião, cada vez
mais escasso.
No norte da capitania a crise foi mais profunda. Isolada tanto propositadamente quanto
geograficamente, essa região sempre sofreu medidas que frearam o seu desenvolvimento. A proibição
da navegação fluvial pelos rios Tocantins e Araguaia eliminou a maneira mais fácil e econômica de a
região atingir outros mercados consumidores das capitanias do norte da colônia. O caminho aberto que
ligava Cuiabá a Goiás não contribuiu em quase nada para interligar o comércio da região com outros
centros abastecedores, visto que o mercado interno estava voltado ao litoral nordestino. Esse isolamento,
junto com o fato de não se incentivar a produção agropecuária nas regiões mineiras, tornava abusivo o
preço de gêneros de consumo e favorecia a especulação. A carência de transportes, a falta de estradas
e o risco frequente de ataques indígenas dificultavam o comércio.
Além destas dificuldades, o contrabando e a cobrança de pesados tributos contribuíram para drenagem
do ouro para fora da região. Dos impostos, somente o quinto era remetido para Lisboa. Todos os outros
(entradas, dízimos, contagens etc.) eram destinados à manutenção da colônia e da própria capitania.
Inviabilizadas as alternativas de desenvolvimento econômico devido à falta de acumulação de capital
e ao atrofiamento do mercado interno após o fim do ciclo da mineração, a população se volta para a
economia de subsistência.
Nas últimas décadas do século XVIII e início do século XIX, toda a capitania estava mergulhada numa
situação de crise, o que levou os governantes goianos a voltarem suas atenções para as atividades
econômicas que antes sofreram proibições, objetivando soerguer a região da crise em que mergulhara.

Subsistência da população e a integração econômica


Com o fim da mineração, na segunda década do século XIX, os aglomerados urbanos paralisaram ou
desapareceram e grande parte da população abandonou a região. Os que permaneceram foram para
zona rural e dedicaram-se à agropecuária.
Toda a capitania entrou num processo de estagnação econômica. No norte, o quadro de abandono,
despovoamento, pobreza e miséria foi descrito por muitos viajantes e autoridades que passaram pela
região nas primeiras décadas do século XIX.
Saint-Hilaire, na divisa norte/sul da capitania, revelou: “à exceção de uma casinha que me pareceu
abandonada, não encontrei durante todo o dia nenhuma propriedade, nenhum viajante, não vi o menor
trato de terra cultivada, nem mesmo um único boi”.
Johann Emanuel Pohl, anos depois, passando pelo povoado de Santa Rita constatou: “é um lugar
muito pequeno, em visível decadência (...). Por não haver negros, por falta de braços, as lavras de ouro
estão inteiramente descuradas e abandonadas”.
O desembargador Theotônio Segurado, que mais tarde se tornaria ouvidor da Comarca do Norte, em
relatório de 1806, deu conta das penúrias em que vivia a região em função tanto do abandono como da
falta de meios para contrapor esse quadro: “A capitania nada exportava; o seu comércio externo era
absolutamente passivo: os gêneros da Europa, vindos em bestas do Rio ou Bahia pelo espaço de 300
léguas, chegavam caríssimos; os negociantes vendiam tudo fiado: daí a falta de pagamentos, daí as
execuções, daí a total ruína da Capitania”.

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Como saída para a crise voltaram-se as atenções para as possibilidades de ligação comercial com o
litoral, através da capitania do Pará, pela navegação dos rios Tocantins e Araguaia, pois a Coroa
Portuguesa tomou consciência de que a capitania só poderia retomar o fluxo comercial de antes por meio
do povoamento, da agricultura, da pecuária e do comércio com outras regiões.
As picadas, os caminhos e a navegação pelos rios Tocantins e Araguaia, todos interditados na época
da mineração para conter o contrabando, foram liberados desde 1782. Como efeito imediato o norte
começou a se relacionar com o Pará, ainda que de forma precária e inexpressiva.
Nas primeiras décadas do século XIX, o desembargador Theotônio Segurado já apontava a navegação
dos rios Tocantins e Araguaia como uma alternativa para o desenvolvimento da região através do estímulo
à produção para um comércio mais vantajoso tanto no norte como em toda a Capitania, diferente do
tradicionalmente realizado com a Bahia, Minas Gerais e São Paulo. Com esse fim propôs a formação de
companhias de comércio, o estímulo à agricultura, o povoamento das margens desses rios oferecendo
isenção por dez anos do pagamento de dízimos aos que ali se estabelecessem, e, aos comerciantes,
concessão de privilégios na exportação para o Pará.
Com estas propostas chamou a atenção das autoridades governamentais para a importância do
comércio de Goiás com o Pará, através dos rios Araguaia e Tocantins. Foi ele próprio realizador de
viagens para o Pará incentivando a navegação do Tocantins. Destacou-se como um grande defensor dos
interesses da região quando foi ouvidor da Comarca do norte. A criação dessa comarca visava promover
o povoamento no extremo norte para fomentar o comércio e a navegação dos rios Araguaia e Tocantins.

Povos Indígenas
No Tocantins, a modernidade convive as tradições. Ao mesmo tempo em que a capital do estado,
Palmas, é a última cidade brasileira planejada do século 20, recebendo como moradores pessoas de todo
o país, existe no Tocantins uma população aproximada de 10 mil indígenas.
São sete etnias: Karajá, Xambioá, Javaé (que formam o povo Iny) e os Xerente, Krahô Canela, Apinajè
e Pankararú. Eles se distribuem em mais de 82 aldeias, em municípios de todas as regiões do Estado.

Comunidades Quilombolas
“Existe uma história do povo negro sem o Brasil; mas não existe uma historia do Brasil sem o povo
negro”. (Januário Garcia)
Ao falarmos em quilombo, surge no imaginário, a ideia de um local isolado e habitado apenas por
negros, estes fugidos do sistema escravista, das grandes fazendas produtoras de café ou núcleos
urbanos e mineratórios. Não se sabe exatamente a época de formação dos primeiros quilombos no Brasil,
o que provavelmente não coincidi com a data de chegada dos primeiros negros trazidos da África.
Os antigos quilombos eram formados em sua maioria por negros fugidos do sistema escravista, no
entanto, poderia encontrar nestes quilombos: brancos, índios, ladrões, padres, vendedores, donos de
tabernas, escravos que viviam em senzalas entre outras pessoas que mantinham relações comerciais
com os quilombolas. Desmistificando a ideia de isolamento total dos quilombos, pois os mesmos
necessitavam deste contato com a sociedade circundante, para obter gêneros alimentícios que não eram
produzidos nas terras que habitavam.
Muito tempo se passou desde a formação dos primeiros quilombos no Brasil. Atualmente, segundo
dados da Fundação Cultural Palmares, existem cerca de 1.700 comunidades quilombolas certificadas no
país, sendo que no Estado do Tocantins pode se encontrar 29 comunidades que estão localizadas desde
região norte ao sul do Estado.
O processo de reconhecimento e certificação das comunidades como remanescentes de quilombos,
teve uma dinamização a partir da aprovação do decreto 4.887 de 20 de novembro de 2003 que segue
sob o seguinte enunciado “Regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação,
demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos de que
trata o art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias”. Essa dinamização é decorrente da
facilidade que o referido decreto proporciona as comunidades para se auto reconhecerem como
remanescentes de quilombos, conforme o artigo 2º deste decreto: “Consideram-se remanescentes das
comunidades dos quilombos, para os fins deste Decreto, os grupos étnico-raciais, segundo critérios de
auto atribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com
presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida”.
Como já foi mencionado, no Estado do Tocantins existem 29 comunidades quilombolas, que
compreendem o patrimônio cultural estadual. Estas comunidades são detentoras de características
culturais peculiares que as distinguem umas das outras e de toda a sociedade circundante, apresentando
semelhanças no que diz respeito ao uso e ligação com a terra onde estão localizadas, pois esta é usada
para manutenção na produção de alimentos necessários a sustentabilidade da comunidade e é o local

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onde os seus antepassados estão enterrados, estabelecendo assim o sentimento de pertencimento a
terra, onde as raízes culturais estão fincadas, resistindo às ações do homem e do tempo

PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL, MANIFESTAÇÕES CULTURAIS;

Mesmo sendo o Estado mais jovem do país, o Tocantins conta com uma cultura popular extremamente
rica, com manifestações seculares.

Patrimônio Histórico e Cultural

1. Arraias
A formação étnica de Arraias é proveniente de descendentes de negros escravos e pessoas livres
originárias, ao que tudo indica, de São Paulo e da Bahia. No entanto as características culturais
apresentam maior influência baiana do que paulista.
As construções mais antigas são datadas do século XIX. Algumas conservam paredões em tijolos de
adobe, destacando-se a Igreja Matriz, que sofreu descaracterização dos seus traços originais em razão
das reformas no século XX.

Patrimônio Material

- Igreja Matriz
Dedicada a Nossa Senhora dos Remédios, foi reconstruída com aproveitamento dos velhos paredões,
localizada na praça Dr. João D’Abreu.

- Praça “Cel. Joaquim de Sena e Silva”


Bem iluminada e com vários bancos, é local de desconcentração para os arraianos, Um bonito coreto
e o busto do Coronel, cujo nome cede a denominação atual, completam a paisagem da antiga praça do
rosário.

2. Dianópolis
Antigo Arraial de São José do Duro é uma das cidades tocantinenses mais contempladas em obras de
escritores, poetas e historiadores, especialmente por ter sido palco de movimentos armados.

Patrimônio Material

- Capelinha dos Nove


Igreja erguida no túmulo das nove vítimas do massacre que houve no “tronco” em 16 de janeiro de
1919.

- Prefeitura Velha
O prédio era a antiga residência dos irmãos Aurélio e Alberto Araújo, descendentes da família do
Coronel Wolney. Em 1948 foi comprado pela prefeitura, tornando-se sede do Executivo Municipal até a
década de 1970. Hoje é conhecido como “prefeitura velha”.

- Casa do Cel. Wolney


Casa construída em 1885 pelo Coronel Joaquim Ayres Cavalcante Wolney, é dividida em 14 cômodos
e foi erguida por braço escravo. Suas paredes de adobe medem cerca de 45 cm de espessura e com
portas de madeiras de cerca de 3 metros de altura.

- Igreja Sagrada Família


Funcionou como Matriz de São José (padroeiro da cidade) até tempos recentes quando foi construída
a nova Matriz.

- Igreja de São José das Missões


Templo importante pelo fato de pertencer a um povoado resultante de aldeamento indígena, origem
da própria cidade de Dianópolis.

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Monte do Carmo
Sua história data do período do “Ciclo do ouro no Brasil”, quando aventureiros adentraram os sertões
à procura das minas. O bandeirante Manuel de Souza Ferreira, à procura de ouro pelo Vale do Alto
Tocantins, deparou com essa localidade.
Na sede do município, podem ser encontrados resquícios de muros e pedras e antigos casarões em
ruínas que ficam em torno da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, como testemunhos do importante
povoado minerador que foi Monte do Carmo. O Distrito de Monte do Carmo foi emancipado no dia
23/10/1963, e a sua instalação aconteceu em 10/01/1964, com a nomeação do prefeito Durval da Silva
R. Barros, que permaneceu até a nomeação de Ademar Pereira da Silva, em 1965.

Patrimônio Material

- Igreja de Nossa Senhora do Rosário


Construída em 1801 pelo Sr. João Ayres da Silva, contratado pela Irmandade de Nossa Senhora do
Rosário, pelo valor de 1.200 oitavas de ouro. A igreja abriga a imagem de Nossa Senhora do Carmo.

- Ruínas do Arraial do Carmo


A casa, igreja e diques que os escravos do padre Gama fizeram no sopé da Serra do Carmo. Padre
Gama tinha sob seu comando cerca de 1200 escravos trabalhando na sua lavoura e no garimpo.

Natividade
Situada no Sudeste do Tocantins, ao pé da Serra da Natividade, numa distância de 305 km da capital
do Estado, nascida com a exploração do ouro e fundada por Antônio Ferraz de Araújo, sua origem
remonta ao século XVIII, ligada ao Arraial de São Luiz, no alto da serra. Hoje restam apenas ruínas
daquele fluente e rico garimpo de ouro.
Atualmente, Natividade tem o seu espaço urbano dividido em três zonas de usos específicos: Zona de
Proteção Histórica, Zona de Proteção Ambiental, e Zona de Expansão. O conjunto arquitetônico é
constituído pelas ruas estreitas de casarões e igrejas.

Patrimônio Material

- Igreja da Matriz
Datada de 1759, já sofreu algumas alterações no seu interior e fachada. Nele se encontra a imagem
de Nossa Senhora da Natividade, santa Padroeira do Estado do Tocantins, possui dois sinos em bronze,
datados de 1858.

- Igreja do Rosário dos Pretos


Toda em pedra possui os arcos da entrada central feitos com grandes tijolos especiais da época.
Construída pelos escravos, ficou inacabada. Obra de admirável arquitetura. “Superaria as demais igrejas
da capitania do Norte de Goiás se tivesse sido terminada”, escreveu o Visitante Pohl em 1819. Representa
o monumento símbolo da raça negra e o trabalho escravo da fase da mineração.

- Prédio da Antiga Cadeia Pública


Continua com as características originais da sua construção. Impressiona pelas suas janelas e portas
de largas grades e enormes portais em madeiras. Quando da passagem da “Coluna Prestes”, em 1925 e
1926, seus presos foram soltos pelos membros dessa rebelião. Foi restaurada em 1996 para ser o Museu
Histórico Municipal.

- Casa do Sr. Salvador José Ribeiro (ten. Salvador)


Foi sede da primeira escola pública de natividade, nos anos de 1831 – Grupo Escolar D. Pedro II, e
teve como primeira professora a Sra. Georgiana Viana Torres.

- Ruínas de São Luis


Local do antigo povoado no alto da Serra de Natividade, rico em buracos de garimpos de ouro, que no
início a história do nascimento da atual cidade, onde também se encontra a Lagoa Encantada, construída
pelos escravos.

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Paranã
A atividade econômica que mais impulsionou historicamente a cidade foi o comércio fluvial pelo rio
Tocantins. Através de barcos com capacidade de transporte de 15 toneladas. Essas embarcações eram
impulsionadas por força humanas.
Após a desativação do comércio fluvial, restou a Paranã a criação de gado como principal atividade
economia.
O conjunto arquitetônico conta com alguns destaques historicamente importantes. No que se refere à
arquitetura residencial, preservou-se um razoável conjunto de edificações construídas na segunda
metade do século XIX. Essas casas preservam suas características originais como assoalhos de tábuas,
paredes espessas, portas e janelas enormes e paredes de adobe.

Patrimônio Material

- Cadeia Velha
Construída em 1904, funcionou por muito tempo como Cadeia Pública e Intendência Municipal, depois
Prefeitura. É o único imóvel que ainda guarda suas características arquitetônicas em condições de uma
restauração, apesar de várias modificações sofridas.

- Casa que pertenceu ao Coronel Evaristo Bezzerra


Construída na segunda metade do século XIX. Segundo a tradição oral, é uma das primeiras casas
construídas na cidade. Conserva um assoalho de madeira na sala, com enormes portas e janelas de
madeira, paredes espessas de tijolos. A casa funcionou como escola por muito tempo.

- Casa do Coronel Vitor Lino


Casa construída na segunda metade do século passado, por Natanael Antônio dos Santos, que a
vendeu bem mais tarde para Vitor Lino. A casa tem sido residência da família há muitas gerações, tendo
abrigado várias autoridades municipais, dentre elas a Sra. Josefina Teles Brito, que foi prefeita nomeada
(1946), socio-fundadora da Associação Beneficente Nossa Senhora de Fátima (1952). O atual residente
é o jornalista Hermínio Nunes Bernardes, que foi prefeito (1980-86). Permanece inalterada, com exceção
de alguns cômodos que foram atingidos pelas enchentes.

- Igreja Matriz de São João Batista


Trata-se de uma obra bastante recente. Sua construção teve início na década de 50, após a demolição
da Igreja anterior. Sua conclusão veio ocorrer já no início dos anos 80. A nova igreja não resgatou a
arquitetura da igreja anterior.

Porto Nacional
Segundo os historiadores, a origem de Porto Nacional deve-se á navegação pelo rio Tocantins,
fazendo a ligação entre os dois centros de mineração: Pontal e Monte do Carmo. Depois destacamento
militar encarregado da vigilância da navegação.
Porto Nacional se orgulha de ter na parte velha da cidade imponentes ruas, como a do Cabaçaco e a
da cadeia, que contam ainda com lindos casarões coloniais.

Patrimônio Material

- Catedral Nossa Senhora das Mercês


Situada nas proximidades da margem direita do Rio Tocantins, no mesmo local da antiga capela de
Nossa Sra. das Mercês, essa obra monumental foi iniciada em 1894 e concluída 1904. Projetada em
pedra e tijolos, representa o estilo românico de Toulouse, França (região de origem dos Freis
construtores). A maioria das suas imagens sacras foram trazidas da França e de Belém do Pará. Seu
primeiro sino, todo em bronze, também veio da França. A Catedral representa a “Ordem Dominicana” em
Porto Nacional.

- Seminário São José


Antigo “Convento Santa Rosa de Lima”, é sede dos Padres Dominicanos, desde do inicio da década
de 20. Em 1957 a parte superior do velho sobrado, por motivos estruturação e segurança foi retirada,
porém ainda continua majestoso.

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- Prédio da Prefeitura Velha
Edificado em 1922. Nele funcionou até 1969 a Câmara Municipal, a sala das Audiências Judiciárias e
a Administração Municipal. Construído em dois pavimentos, se destaca entre várias construções na parte
velha da cidade.

- Caetanato
Localizado na conhecida “Rua do Cabaçaco” no Centro Histórico de Porto Nacional, foi a primeira sede
do Colégio das Irmãs Dominicanas. Hoje é sede da COMSAÚDE de Porto Nacional. O nome “Caetanato”
é em homenagem a Sra. Caitana Belles, ultima moradora do local.

- Colégio Sagrado Coração de Jesus


Edificação de Ampla e aprazível arquitetura representa o trabalho iniciado pelas incansáveis e
pioneiras “Irmãs Dominicanas”.

- Prédio do Abrigo João XXIII


Conhecido como “Abrigo dos Velhos”, o importante casarão foi sede do Correio e depois serviu durante
muito tempo como Hospital. Situa-se na Rua Josué Negre.

- Residência do Sr. Oswaldo Ayres


Importante casa residencial de arquitetura antiga, situada na Praça da Igreja Matriz, simboliza o
brilhante trabalho do Dr. Francisco Ayres da Silva, como médico, político e jornalista, filho de Porto
Nacional.

- Residência da Senhora Custódia Pedreira


Herança da família “Pedreira”, esse casarão chama atenção pela arquitetura de épocas passadas,
toda em adobe, conversa o porão e o assoalho de tábuas.

Tocantínia
O primeiro nome da atual Tocantínia foi Tereza Cristina (nome do aldeamento), em homenagem a
então Imperatriz do Brasil. Depois em virtude da proximidade com o Ribeirão Piabanha, passou a se
chamar Piabanha, e em 20 de abril de 1936 adotou o nome atual, sendo elevado a categoria de município
no dia 3 de outubro de 1953.

Patrimônio Material

- Igreja de Tocantínia
A igreja em adobe, construída pelos índios, foi idealizada por frei Antônio. Anos depois foi reconstruída
pela vontade do Monsenhor Pedro Pereira Piagem.

Tocantinópolis
Cidade que ficou popularmente conhecida como “Boa Vista do Padre João”, devido à grande influência
histórica deste vigário, a antiga boa Vista do Tocantins, se tornou cenário de alguns acontecimentos
marcantes.
Tocantinópolis hoje é uma cidade bastante urbanizada, porém, sem deixar sua característica fluvial,
preservando um cais, no porto do rio Tocantins.

Patrimônio Material

- Catedral de Nossa Senhora da Consolação


É a matriz da Padroeira de Tocantinópolis, Nossa Senhora da Conceição. A tradição oral não fixa a
data de sua construção. Trata-se, porém de uma arquitetura imponente, que traduz a força da
religiosidade boavistente/tocantinopolina.

- Seminário João XXIII


A importância arquitetônica do prédio reside no fato de simbolizar a grande influência religiosa da
cidade, que abrigou a sede da prelazia por vários anos, ao elevar-se diocese fundou também este
seminário, que tem ordenado várias turmas de padre, inclusive o Padre Josimo que se tornou conhecido
nacionalmente pela sua atuação ao lado das lutas em favor dos oprimidos da região. Trata-se de um
prédio de construção recente (1955-1960).

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Manifestações Culturais

Cavalhadas
O ritual da luta entre mouros e cristãos é antecedido pelo desfile dos caretas, grupo de mascarados
representando bruxas, caras de boi com chifres e outros animais. Os cavalos, usados pelos caretas, são
enfeitados com flores e portam instrumentos que produzem um barulho que os identifica.
Os cavalheiros que participam do ritual das Cavalhadas, ao contrário dos mascarados, são quase
sempre os mesmos. Nas Cavalhadas tem-se a figura do rei, do embaixador e dos guerreiros. Todos
desfilam sobre cavalos paramentados com selas cobertas por mantas bordadas e, sobre os olhos dos
animais há uma máscara toda trabalhada em cor prata enfeitada com penas vermelhas e amarelas.
As Cavalhadas são formadas por vinte e quatro cavalheiros, distinguindo os mouros na cor vermelha
e os cristãos na cor azul. Doze cavalheiros representam os cristãos e, os outros doze, os mouros.
Os cristãos trajam camisa azul de cetim com enfeites dourados; calça branca com botas azuis e
enfeites dourados. Na cabeça, um cocar cor prata ou ouro com penas coloridas.
Os mouros usam camisa de cetim ou lamê prata brocado, capa vermelha com bordados de ouro e
calça vermelha com bordados e botas prateadas; na cabeça um cocar cor prata ou ouro com penas
coloridas.
A espada e a lança usadas durante a encenação do combate complementam a indumentária dos
cavalheiros.

Congo ou Congadas
A congada é a representação da coroação do rei e da rainha eleitos pelos escravos e da chegada da
embaixada, que motiva a luta entre o partido do rei e do embaixador. Vence o rei, perdoa-se o embaixador.
Termina com o batizado dos infiéis.
Os motivos dramáticos da dança do congo baseiam-se na história da rainha Ginga Bandi, que
governou Angola no século XVII. Ela decidiu, certa vez, enviar uma representação atrevida ao rei D.
Henrique, de Portugal. Seu filho, o heróico príncipe Suena, é morto durante essa investida. O quimboto
(feiticeiro) o ressuscita.
Na dança do congo só os homens participam, cantando músicas que lembram fatos da história de seu
país. A congada é composta por doze dançarinos. O vestuário usado pelos componentes do grupo é bem
colorido e cada cor tem o seu significado. Azul e branco são as cores de Nossa Senhora do Rosário. O
vermelho representa a força divina. Os adornos na cabeça representam a coroa. O xale sobre os ombros
representa o manto real.
Em Monte do Carmo, o congo é acompanhado por mulheres, chamadas de taieiras. Essas dançarinas
usam trajes semelhantes aos usados pelas escravas que trabalhavam na corte. Trajam blusas
quadriculadas em tom de azul e saias brancas rodadas, colares de várias cores e na cabeça turbante
branco com uma rosa pendurada. Os dois grupos se apresentam juntos, nas ruas, durante o cortejo do
rei e da rainha, na festa de Nossa Senhora do Rosário.

Festa de Nossa Senhora da Natividade


As manifestações culturais no Tocantins estão quase sempre atreladas às festas em comemoração
aos santos da igreja Católica. A festa de Nossa Senhora da Natividade é uma celebração tipicamente
religiosa. A devoção a Nossa Senhora e a história da sua imagem existente em Natividade, onde é
festejada há quase três séculos, no dia 8 de setembro, motivaram a eleição desta como Padroeira do
Tocantins. A festa à Padroeira Nossa Senhora da Natividade acontece de 30 de agosto a 8 de setembro.
Durante os festejos, acontece o novenário e são montadas barracas onde se fazem leilões. É celebrada
missa solene no dia dedicado à santa. As comemorações acontecem na igreja matriz de Natividade, uma
das mais antigas do Estado, datada de 1759.

Festa do Divino Espírito Santo


A celebração do Divino Espírito Santo no Tocantins vai de janeiro a julho, de acordo com as
características de cada localidade. Destaque para os municípios Monte do Carmo e Natividade. Em Monte
do Carmo, a celebração foi aproximada à época da festa da padroeira da cidade, passando a ter data fixa
para a sua realização, dia 16 de julho. Natividade mantém a tradição da data móvel.
As folias do Divino anunciam a presença do Espírito Santo. As romarias conduzem a bandeira. O giro
da folia representa as andanças de Jesus Cristo e seus 12 apóstolos durante 40 dias, levando a sua luz
e a sua mensagem, convidando todos para a festa, a festa da hóstia consagrada.
Os foliões que representam os apóstolos andam em grupo de 12 ou mais homens, conduzidos pelo
alferes, em jornada pelo sertão. Esse grupo percorre as casas dos lavradores, abençoando as famílias e

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unindo-as em torno da celebração da festa que se aproxima. Saem a cavalo pelas trilhas e estradas,
quando chegam às fazendas para o pouso, alinham os cavalos no terreiro e cantam a licença, pedindo
ritualmente acolhida. Durante o giro os foliões recolhem donativos para a festa.

Festejos de Nossa Senhora do Rosário


Realiza todos os anos, no mês de julho, os festejos de Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora do
Carmo e Divino Espírito Santo. A festividade secular mistura fé e folclore, através de uma série de rituais
que reúnem costumes religiosos dos brancos europeus e dos negros africanos, o que transforma a festa
em uma atração única, mantida com fidelidade pela população local.
Há informações de que essas manifestações, ainda hoje realizadas em datas específicas, com o
passar do tempo foram se juntando e passando a ser comemoradas no período de 7 a 18 de julho. Nossa
Senhora do Carmo, padroeira da cidade, celebrada em 16 de julho, trouxe para sua festa as
comemorações ao Divino Espírito Santo e Senhora do Rosário. Acredita-se que isso aconteceu devido
às dificuldades da população do sertão em ir às festas em datas diversas e da falta de padres para as
celebrações. É possível afirmar que essa junção tenha acontecido há pelo menos 80 anos.

Caçada
Monte do Carmo possui uma forte influência das culturas portuguesa e africana. Na cidade pode-se
vivenciar, a cada ano, sons de bandas de músicas, de tambores, reco-recos, cuícas e tamborins e danças
como congos, taieiras e sússia. Um dos pontos altos da festa é a caçada da rainha. Em pleno dia, o
cortejo é aberto por tocadores de tambor que vão ditando os passos do público no ritmo da sússia. No
meio do povo, os caretas – homens mascarados – divertem os adultos e aterrorizam as crianças. Somente
depois surgem os “caçadores” e “caçadeiras”, montados em cerca de 40 cavalos e vestidos
especialmente para este momento – mulheres de vestidos longos, em várias tonalidades, homens de
preto e branco.
No final do cortejo, o rei e a rainha da festa, também vestidos a caráter, se dirigem para uma área
periférica de Monte do Carmo. Ali, quase duas mil pessoas permanecem por mais de duas horas cantando
e dançando. A caçada é uma tradição secular. Conta a lenda que esta manifestação surgiu quando a
imagem de Nossa Senhora do Rosário começou a desaparecer da igreja misteriosamente, sendo
encontrada em seguida na Serra do Carmo. Na terceira vez, os negros foram buscá-la tocando tambores,
cantando e dançando, o que encerrou a série de desaparecimentos.

Folia de Reis
A Folia de Reis comemora o nascimento de Jesus Cristo encenando a visita dos três Reis Magos à
gruta de Belém para adorar o Menino-Deus. Dados a respeito desta festa afirmam que a sua origem é
portuguesa e tinha um caráter de diversão, era a comemoração do nascimento de Cristo.
No Brasil, a Folia de Reis chega no século XVIII, com caráter mais religioso do que de diversão. No
Tocantins, os foliões têm o alferes como responsável pela condução da bandeira, que sai pelo sertão
"tirando a folia", ou seja, cantando e colhendo donativos para a reza de Santos Reis, realizada sempre
no dia 6 de janeiro.
A Folia de Reis acontece em função de pagamento de promessa pelos devotos e somente à noite. O
compromisso pode ser para realizar a folia apenas uma vez ou todos os anos. A folia visita as famílias de
amigos e parentes. Os foliões chegam à localidade e se apresentam tocando, cantando e dançando. A
família recebe a bandeira, o anfitrião percorre com ela toda a casa, guardando-a em seguida, enquanto
aos foliões são servidos bolos, biscoitos e bebidas que os mantêm nas suas andanças pela noite.
Ao se retirarem, o proprietário da casa devolve a bandeira e os foliões agradecem a acolhida, repetindo
o gesto da entrada. Quando o dia amanhece, os foliões retornam às suas casas para descansar e, ao
anoitecer, retomam as andanças. Quando termina o roteiro da folia, realiza-se a festa de encerramento
na residência da pessoa que fez a promessa. Neste momento reza-se o terço, com a presença dos foliões
e dos convidados, em frente ao altar ornamentado com flores, toalhas bordadas e a bandeira dos Santos
Reis. Em seguida, é servido um jantar com uma mesa especial para os foliões.
A tradição é muito forte. Os mais velhos acreditam serem os Santos Reis os protetores contra a peste,
a praga na lavoura e, principalmente, os responsáveis pela prosperidade, pela fartura e por muito dinheiro.

Os Caretas
Os caretas são homens que usam máscaras confeccionadas em couro, papel ou cabaça, com o
objetivo de provocar medo nas pessoas. No município de Lizarda, participam da festa que acontece,
tradicionalmente, durante a Semana Santa, na Sexta-Feira da Paixão.

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Monta-se um cenário, um semicírculo com pés de bananeira, chamado pelos caretas de quinta atrativa,
onde se coloca pedaços de cana de açúcar. Num verdadeiro espetáculo teatral, os caretas perseguem
com pinholas – uma espécie de chicote feito de sola ou trançados de palha de buriti- as pessoas que
tentam invadir a quinta para roubar a cana. A proteção da cana pode ter relação com a crença da
população de que no calvário de Jesus Cristo ele foi açoitado com pedaços de cana. Na encenação, os
caretas tentam impedir esse sofrimento.
Faz parte dos caretas personagens como a catita (homem trajando roupas femininas, a mulher dos
caretas que fica se oferecendo para os homens que estão assistindo a encenação, servindo como
distração) e a égua (personagem que assusta os espectadores, feita da caveira de um animal, onde se
prende a sua cabeça a um pau e amarra uma corda de maneira que puxando, se abre e fecha a boca). A
encenação continua até a madrugada de Sábado da Aleluia.

Roda de São Gonçalo


Conta a lenda que São Gonçalo reunia em Amarante, Portugal, várias mulheres que durante uma
semana dançavam até a exaustão. O objetivo do santo era extenuar as mulheres para que no Domingo,
dia do Senhor, elas ficassem em repouso e isentas de pecado. A lenda conta ainda que o santo tocava
viola para as mulheres dançarem.
No Brasil, a devoção a São Gonçalo vem desde a época do descobrimento. O seu culto deu origem à
dança de São Gonçalo, cuja referência mais antiga data de 1718, quando na Bahia assistiu-se a um
festejo com uma dança dentro da igreja. No final, os bailarinos tomaram a imagem do santo e dançaram
com ela, sucedendo-se os devotos. Essa dança foi proibida logo em seguida pelo Conde de Sabugosa,
por associa-la às festas que se costumavam fazer pelas ruas em dia de São Gonçalo, com homens
brancos, mulheres, meninos e negros com violas, pandeiros e adufes dando vivas a São Gonçalo.
São Gonçalo tem, para os seus devotos, a tradição de santo casamenteiro. Inicialmente, a dança tinha
um caráter erótico, que com o tempo foi desaparecendo, permanecendo apenas o aspecto religioso.
Em Arraias, no sul do Estado, a dança de São Gonçalo é chamada de roda, e sempre é dançada em
pagamento a uma promessa por mulheres em pares, vestidas de branco, com fitas vermelhas colocadas
do ombro direito até a cintura. Nas mãos carregam arcos de madeira, enfeitados com flores de papel e
iluminados com pavios feitos de cera de abelha. Também participam do ritual dois homens vestidos de
branco com fitas vermelhas traspassadas. Os homens tocam viola e tem a função de acompanhar as
dançarinas para que estas não se percam nas evoluções da dança.
Os violeiros entoam versos em louvor a São Gonçalo, que fica colocado num altar preparado
exclusivamente para a festa, em frente ao qual se faz as evoluções da roda. Acompanha, ainda, a roda
de São Gonçalo, um cruzeiro todo iluminado, colocado próximo ao altar.

Sússia e Jiquitaia
Também conhecida como súcia ou suça, a sússia é dançada no folclore de cidades como Paranã,
Santa Rosa do Tocantins, Monte do Carmo, Natividade, Conceição do Tocantins, Peixe, Tocantinópolis.
A dança, provavelmente de origem escravagista, é caracterizada por músicas agitadas ao som de
tambores e cuícas. Uma espécie de bailado em que homens e mulheres dançam em círculos.
A sússia na Folia do Divino em Monte do Carmo é dançada ao som da viola, do pandeiro e da caixa.
Também é dançada ao som do tambor em outras manifestações populares, como em Natividade.
A Jiquitaia é um passo da dança da Sússia. Dança-se a jiquitaia na Sússia.

Catira
A Catira é dançada em círculo formando pares que dançam ao som das mãos e dos pés, num
sapateado compassado. É comum entre os grupos que fazem parte dos giros das folias de reis e do
Divino Espírito Santo. Os Catireiros são músicos repentistas que cantam seus poemas ao som do
pandeiro, da caixa e da viola.

O PROCESSO DE CRIAÇÃO DO ESTADO E SUAS DIFERENTES FASES (PERÍODOS COLONIAL,


IMPERIAL E REPUBLICANO);

Criação da Comarca do Norte - 1809


Para facilitar a administração, a aplicação da justiça e, principalmente, incentivar o povoamento e o
desenvolvimento da navegação dos rios Tocantins e Araguaia, o Alvará de 18 de março de 1809 dividiu
a Capitania de Goiás em duas comarcas (regiões): a Comarca do Sul e a Comarca do Norte. Esta recebeu
o nome de Comarca de São João das Duas Barras, assim como chamaria a vila que, na confluência do

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Araguaia no Tocantins se mandaria criar com este mesmo nome para ser sua sede. Para nela servir foi
nomeado o desembargador Joaquim Theotônio Segurado como seu ouvidor.
A nova comarca compreendia os julgados de Porto Real, Natividade, Conceição, Arraias, São Félix,
Cavalcante, Traíras e Flores. O arraial do Carmo, que já tinha sido cabeça de julgado, perde essa
condição, que foi transferida para Porto Real, ponto que começava a prosperar com a navegação do
Tocantins. Enquanto não se fundava a vila de São João das Duas Barras, Natividade seria a sede da
ouvidoria. A função primeira de Theotônio Segurado era designar o local onde deveria ser fundada essa
vila.
Alegando a distância e a descentralização em relação aos julgados mais povoados, o ouvidor e o povo
do norte solicitaram a D. João autorização para a construção da sede da comarca em outro local. No lugar
escolhido por Segurado, o alvará de 25 de janeiro de 1814 autorizava a construção da sede na confluência
dos rios Palma e Paranã, a vila de Palma, hoje a cidade de Paranã.
A vila de São João das Duas Barras recebeu o título de vila, mas nunca chegou a ser construída.
Theotônio
Segurado, administrador da Comarca do Norte, muito trabalhou para o desenvolvimento da navegação
do Tocantins e o incremento do comércio com o Pará. Assumiu posição de liderança como grande
defensor dos interesses regionais e, tão logo se mostrou oportuno, não hesitou em reivindicar legalmente
a autonomia político-administrativa da região.
O 18 de março foi, oficialmente, considerado o Dia da Autonomia pela lei 960 de 17 de março de 1998,
por ser a data da criação da Comarca do Norte, estabelecida como marco inicial da luta pela emancipação
do Estado.

Movimento Separatista do Norte de Goiás - 1821 a 1824


A Revolução do Porto no ano de 1820, em Portugal, exigindo a recolonização do Brasil, mobilizou na
colônia, especificamente no litoral, a elite intelectualizada em prol da emancipação do país. Em Goiás,
essas ideias liberais refletiram na tentativa de derrubar a própria personificação da dominação
portuguesa: o capitão-general Manoel Sampaio.
Houve uma primeira investida nesse sentido em 1821, sob a liderança do capitão Felipe Antônio
Cardoso e do Padre Luiz Bartolomeu Marques. Coube ao primeiro mobilizar os quartéis e ao segundo
conclamar o povo e lideranças para a preparação de um golpe que iria depor Sampaio. Contudo, houve
uma denúncia sobre o golpe e, em seguida, foi ordenada a prisão dos principais líderes rebeldes. O Padre
Marques conseguiu fugir e novamente articulou contra o capitão-general. Sampaio impôs sua autoridade
e os rebeldes foram expulsos da capital Vila Boa. Alguns vieram para o norte, como o capitão Cardoso,
que teve ordem para se retirar para o distrito de Arraias, e o Padre José Cardoso de Mendonça, enviado
para a aldeia de Formiga e Duro.
Mas os acontecimentos que ocorreram na capital não ficaram isolados. A ideia da nomeação de um
governo provisório, depois de fracassada na capital, foi aclamada no norte onde já havia anseios
separatistas. O desejo do padre Luiz Bartolomeu Marques não era outro senão a independência do Brasil.
E a deposição de Sampaio seria apenas o primeiro passo. Para este fim contavam com o vigário de
Cavalcante, Francisco Joaquim Coelho de Matos, que cedeu a direção das coisas ao desembargador
Joaquim Theotônio Segurado.
No dia 14 de setembro, um mês após a frustrada tentativa de deposição de Sampaio, instalou-se o
governo independencista do norte, com capital provisória em Cavalcante. O ouvidor da Comarca do Norte,
Theotônio Segurado, presidiu e estabeleceu essa junta provisória até janeiro de 1822. No dia seguinte, o
governo provisório da Comarca da Palma fez circular uma proclamação em que declarou-se separado do
governo. As justificativas para a separação do norte em relação ao centro-sul de Goiás eram, para
Segurado, de natureza econômica, política, administrativa e geográfica.
A instalação de um governo independente - não necessariamente em relação à Coroa Portuguesa,
mas sim ao governo do capitão-general da Comarca do Sul - parecia ser o único objetivo de Theotônio
Segurado. A sua posição não-independencista provocou a insatisfação de alguns dos seus
correligionários políticos e a retirada de apoio à causa separatista. Em outubro de 1821, transfere a capital
para Arraias provocando oposição e animosidade dos representantes de Cavalcante. Com o seu
afastamento em janeiro de 1822, quando partiu para Lisboa como deputado representante de Goiás na
Corte, agravou a crise interna.
Na ausência de Segurado, nenhuma liderança capaz de impor-se com a autoridade representativa da
maioria dos arraiais conseguiu se firmar. Pelo contrário, os interesses particulares dos líderes de
Cavalcante, Palmas, Arraias e Natividade se sobrepuseram à causa separatista regional.

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Trajetória de luta pela criação do Tocantins
No final do século XIX e no decorrer do século XX, a ideia de se criar o Tocantins, estado ou território,
esteve inserida no contexto das discussões apresentadas em torno da redivisão territorial do país, no
plano nacional. Mas, a concretização desta ideia só veio com a Constituição de 1988 que criou o Estado
do Tocantins pelo desmembramento do estado de Goiás.
Ainda no Império, duas tentativas: a defesa de Visconde de Taunay, na condição de deputado pela
Província de Goiás, propondo a separação do norte goiano para a criação da Província da Boa Vista do
Tocantins, com a vila capital em Boa Vista (Tocantinópolis), em 1863; e, de modo mais concreto, em
1889, com o projeto de Fausto de Souza para a redivisão do Império em 40 províncias, constando a do
Tocantins na região que compreendia o norte goiano.
Nas primeiras décadas da República o discurso separatista sobreviveu na imprensa regional,
principalmente de Porto Nacional - maior centro econômico e político da época - em periódicos como
"Folha do Norte" e "Norte de Goiás". A partir da década de 1930 que o discurso retorna à esfera nacional.
Após a criação pela Constituição de 1937 dos territórios do Amapá, Rio Branco, Guaporé - atual
Rondônia - Itaguaçu e Ponta Porã (extintos pela Constituição de 1946), houve também quem defendesse
a criação do território do Tocantins.

A criação do Estado do Tocantins - 1988


O ano era 1987. As lideranças souberam aproveitar o momento oportuno para mobilizar a população
em torno de um projeto de existência quase secular e pelo qual lutaram muitas gerações: a autonomia
política do norte goiano, já batizado Tocantins.
A Conorte apresentou à Assembleia Constituinte uma emenda popular com cerca de 80 mil assinaturas
como reforço à proposta de criação do Estado. Foi criada a União Tocantinense, organização
suprapartidária com o objetivo de conscientização política em toda a região norte para lutar pelo Tocantins
também através de emenda popular. Com objetivo similar, nasceu o Comitê Pró-Criação do Estado do
Tocantins, que conquistou importantes adesões para a causa separatista.
Em junho, o deputado Siqueira Campos, relator da Subcomissão dos Estados da Assembleia Nacional
Constituinte, redige e entrega ao presidente da Assembleia, o deputado Ulisses Guimarães, a fusão de
emendas criando o Estado do Tocantins que foi votada e aprovada no mesmo dia.
Pelo artigo 13 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição, em 05 de outubro
de 1988, nascia o Estado do Tocantins.
A eleição dos primeiros representantes tocantinenses foi realizada em 15 de novembro de 1988, pelo
Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, junto com as eleições dos prefeitos municipais. Além do governador
e seu vice, foram escolhidos os senadores e deputados federais e estaduais.
A cidade de Miracema do Norte, localizada na região central do novo Estado, foi escolhida como capital
provisória. No dia 1º de janeiro de 1989 foi instalado o Estado do Tocantins e empossados o governador,
José Wilson Siqueira Campos; seu vice, Darci Martins Coelho; os senadores Moisés Abrão Neto, Carlos
Patrocínio e Antônio Luiz Maya; juntamente com oito deputados federais e 24 deputados estaduais.
Ato contínuo, o governador assinou decretos criando as Secretarias de Estado e viabilizando o
funcionamento dos poderes Legislativo e Judiciário e dos Tribunais de Justiça e de Contas. Foram
nomeados o primeiro secretariado e os primeiros desembargadores. Também foi assinado decreto
mudando o nome das cidades do novo Estado que tinham a identificação “do Norte” e passaram para “do
Tocantins”. Foram alterados, por exemplo, os nomes de Miracema do Norte, Paraíso do Norte e Aurora
do Norte para Miracema do Tocantins, Paraíso do Tocantins e Aurora do Tocantins.
Foi construída, no centro geográfico do Estado, numa área de 1.024 Km2 desmembrada do município
de Porto Nacional, a cidade de Palmas, para ser a sede do governo estadual. Em 1º de janeiro de 1990,
foi instalada a capital.
Quando o Estado do Tocantins foi criado existiam 60 municípios implantados. Além destes existiam
mais 19 municípios com leis de criação aprovadas pela Assembleia Legislativa de Goiás, faltando apenas
sua instalação.
Na solenidade de posse do governo, em 1º de janeiro de 1989, os municípios de São Valério da
Natividade e Aliança do Tocantins foram oficialmente instalados, com a posse dos prefeitos e vice
prefeitos. Os demais 17 municípios somente tiveram suas eleições em 15 de abril de 1989 e foram
instalados em 1º de junho do mesmo ano. Entre estes estava o município de Taquaruçu.
Um ano após a criação do Estado foi promulgada a primeira Constituição, que autorizava, caso a
comunidade aprovasse em plebiscito, a mudança de 40 povoados para municípios autônomos. Em 20 de
fevereiro criou-se mais quatro municípios: Lajeado, Rio da Conceição, Carrasco Bonito e Rio dos Bois.
Em 1º de janeiro de 1993 foram instalados 44 novos municípios, com a posse dos prefeitos e vices e
as respectivas câmaras. A partir deste dia o Estado passou a ter 123 municípios. • A Assembleia

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Legislativa autorizou em 26 de maio de 1994, a transformação de 16 povoados em municípios autônomos,
perfazendo-se 139 municípios.

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988

TÍTULO X

ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS

Art. 13. É criado o Estado do Tocantins, pelo desmembramento da área descrita neste artigo, dando-
se sua instalação no quadragésimo sexto dia após a eleição prevista no § 3º, mas não antes de 1º de
janeiro de 1989.

§ 1º O Estado do Tocantins integra a Região Norte e limita-se com o Estado de Goiás pelas divisas
norte dos Municípios de São Miguel do Araguaia, Porangatu, Formoso, Minaçu, Cavalcante, Monte Alegre
de Goiás e Campos Belos, conservando a leste, norte e oeste as divisas atuais de Goiás com os Estados
da Bahia, Piauí, Maranhão, Pará e Mato Grosso.

§ 2º O Poder Executivo designará uma das cidades do Estado para sua capital provisória até a
aprovação da sede definitiva do governo pela Assembleia Constituinte.

§ 3º O Governador, o Vice-Governador, os Senadores, os Deputados Federais e os Deputados


Estaduais serão eleitos, em um único turno, até setenta e cinco dias após a promulgação da Constituição,
mas não antes de 15 de novembro de 1988, a critério do Tribunal Superior Eleitoral, obedecidas, entre
outras, as seguintes normas:

I - o prazo de filiação partidária dos candidatos será encerrado setenta e cinco dias antes da data das
eleições;

II - as datas das convenções regionais partidárias destinadas a deliberar sobre coligações e escolha
de candidatos, de apresentação de requerimento de registro dos candidatos escolhidos e dos demais
procedimentos legais serão fixadas, em calendário especial, pela Justiça Eleitoral;

III - são inelegíveis os ocupantes de cargos estaduais ou municipais que não se tenham deles afastado,
em caráter definitivo, setenta e cinco dias antes da data das eleições previstas neste parágrafo;

IV - ficam mantidos os atuais diretórios regionais dos partidos políticos do Estado de Goiás, cabendo
às comissões executivas nacionais designar comissões provisórias no Estado do Tocantins, nos termos
e para os fins previstos na lei.

§ 4º Os mandatos do Governador, do Vice-Governador, dos Deputados Federais e Estaduais eleitos


na forma do parágrafo anterior extinguir-se-ão concomitantemente aos das demais unidades da
Federação; o mandato do Senador eleito menos votado extinguir-se-á nessa mesma oportunidade, e os
dos outros dois, juntamente com os dos Senadores eleitos em 1986 nos demais Estados.

§ 5º A Assembleia Estadual Constituinte será instalada no quadragésimo sexto dia da eleição de seus
integrantes, mas não antes de 1º de janeiro de 1989, sob a presidência do Presidente do Tribunal
Regional Eleitoral do Estado de Goiás, e dará posse, na mesma data, ao Governador e ao Vice-
Governador eleitos.

§ 6º Aplicam-se à criação e instalação do Estado do Tocantins, no que couber, as normas legais


disciplinadoras da divisão do Estado de Mato Grosso, observado o disposto no art. 234 da Constituição.

§ 7º Fica o Estado de Goiás liberado dos débitos e encargos decorrentes de empreendimentos no


território do novo Estado, e autorizada a União, a seu critério, a assumir os referidos débitos.

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Os governos desde a criação

nº Nome início do mandato fim do mandato


1 José Wilson 1 de janeiro de 1989 15 de março de 1991

2 Moisés Nogueira 15 de março de 1991 1 de janeiro de 1995

3 José Wilson 1 de janeiro de 1995 4 de abril de 1998

4 Raimundo Nonato 4 de abril de 1998 1 de janeiro de 1999

5 José Wilson 1 de janeiro de 1999 1 de janeiro de 2003

6 Marcelo de Carvalho1 de janeiro de 2003 8 de setembro de 2009

7 Carlos Henrique 9 de setembro de 2009 1 de janeiro de 2011

8 Siqueira Campos 1 de janeiro de 2011 4 de abril de 2014

9 Sandoval Cardoso 4 de abril de 2014 1 de janeiro de 2015

10 Marcelo Miranda 1 de janeiro de 2015 Em exercício.

Questões

01. (SEDS – Analista – FUNCAB) No ano de 2010, depois um processo iniciado com ação civil pública
proposta em 1999, os índios da Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, foram autorizados e
desautorizados pela Procuradoria da República a permitir gado de fazendeiros em suas terras, através
de arrendamento. O impedimento e consequente retrocesso na decisão por parte da Procuradoria da
República no Estado do Tocantins, com a consequente ordem para a retirada do gado, se deu porque:
(A) os indígenas deveriam ser transferidos para uma reserva no Alto Xingu.
(B) era necessária a realização de licitação e concorrência pública e isso não ocorreu.
(C) as terras indígenas são propriedade da União, e cabe aos índios a sua posse e usufruto exclusivos.
(D) as terras da Ilha do Bananal pertencem à FUNAI e somente ela poderia realizar a transação.

02. (SEDS – Analista – FUNCAB) A eleição dos primeiros representantes tocantinenses foi realizada
em 15 de novembro de 1988. Foram eleitos prefeitos municipais, governador e vice-governador,
senadores, deputados federais e estaduais.
As primeiras eleições tocantinenses foram conduzidas pelo(a):
(A) Congresso Nacional.
(B) Tribunal Regional Eleitoral de Goiás.
(C) Tribunal Superior Eleitoral.
(D) União Tocantinense.

03. (Prefeitura de Palmas – Agente Administrativo – COPESE) É CORRETO afirmar que o


Tocantins, o mais novo estado brasileiro, foi criado oficialmente em 1988 pela promulgação:
(A) do Plano Diretor Federal
(B) do Regimento Federativo do Brasil
(C) do Ato de Criação dos Estados Brasileiros
(D) da Constituição da República Federativa do Brasil

Respostas
01. Resposta: C
As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são patrimônio da União (art. 20, XI). A propriedade
de tais bens corresponde ao ente federal, constituindo-se essas terras em bens públicos de natureza
especial ou sui generis, inalienáveis, indisponíveis e, como todos os bens públicos, imprescritíveis os
direitos sobre elas incidentes (art. 231, §4º).

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02. Resposta: B
A eleição dos primeiros representantes tocantinenses foi realizada em 15 de novembro de 1988, pelo
Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, junto com as eleições dos prefeitos municipais. Além do governador
e seu vice, foram escolhidos os senadores e deputados federais e estaduais.

03. Resposta: D
A Constituição Federal de 1988, no título X, Atos das Predisposições Constitucionais Transitórias, em
seu artigo 13º, afirma: É criado o Estado do Tocantins, pelo desmembramento da área descrita neste
artigo, dando-se sua instalação no quadragésimo sexto dia após a eleição prevista no § 3º, mas não antes
de 1º de janeiro de 1989.

GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

O Tocantins localiza-se na Região Norte do Brasil. Inicialmente vamos analisar abaixo as principais
características dessa região.

Região Norte

Desafios estratégicos

O desenvolvimento socioeconômico da Região Norte é uma questão nacional estratégica que se


relaciona com a exploração dos recursos da Amazônia brasileira. A região, que conta com mais de 15,8
milhões de habitantes, que produzem 5,3% do PIB brasileiro, ainda é defasada em muitos indicadores
sociais.
Referente ao conflito entre o modelo de desenvolvimento econômico da Região Norte e a preservação
ambiental, observa-se que ao mesmo tempo que as atividades agropecuária e mineradora contribuem
para a geração de riqueza na Amazônia, causam degradação ambiental de grandes áreas de floresta.
Quanto à distribuição da população da Região Norte, ela se concentra, sobretudo, nas capitais dos
dois maiores estados da região: Belém e Manaus. A ocupação mais efetiva de Rondônia, de Tocantins e
da porção leste do Pará denota o avanço da atividade agropecuária sobre a Floresta Amazônica.

A região amazônica pertence a sete países, além do Brasil. A construção de diversos eixos rodoviários
garantiu a articulação da região ao território nacional.

Evolução do desmatamento na Amazônia Legal (1988-2016)

Fonte: http://www.inpe.br/noticias/arquivos/imagens/img02_291116.jpg.

A conquista da Amazônia

Colonizada inicialmente pelos espanhóis e cobiçada por ingleses, franceses e holandeses, a bacia
amazônica foi ocupada pelos portugueses, o que garantiu a posse ao Império brasileiro.

Com cerca de 7,8 milhões de km² que abrangem oito países - Brasil, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia,
Venezuela, Guiana e Suriname - e a Guiana Francesa, a Amazônia Internacional é uma região natural

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formada pela floresta equatorial e por seus ecossistemas associados. A maior parte dessa área, marcada
pelos climas quentes e úmidos, está assentada no interior da bacia fluvial amazônica.
Com exceção da Guiana Francesa, departamento da França, os outros países firmaram em 1978 o
Tratado de Cooperação Amazônica (TCA), cujas metas são a cooperação científica, a preservação
ambiental, o uso racional dos recursos hídricos e o desenvolvimento regional. O Brasil ocupa um papel
de destaque nas políticas do TCA, pois abriga mais de 64% região.
No sentido político, porém, a Amazônia começou a se configurar antes mesmo da independência
desses países, quando a região passou a ser explorada pelas Coroas de Espanha e de Portugal.

Amazônia Internacional

Fonte: http://2.bp.blogspot.com/-
pqRZs_1PEjo/VqZlvt5749I/AAAAAAAACnI/acPXCXEwenE/s1600/amazonia-legal-brasileira-regiao-
norte-2.jpg.

Na Amazônia Internacional há outros países com percentual maior de superfície territorial coberta pela
Floresta Amazônica, como o Peru, a Guiana e o Suriname. Porém, o Brasil detém a maior parte do bioma
amazônico.

A Amazônia Internacional – Porção do bioma amazônico em cada país (% da superfície)

A Amazônia Internacional – Repartição do bioma amazônico entre os países (em %)

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A ocupação portuguesa

Nos termos do Tratado de Tordesilhas (1494), grande parte da Bacia Amazônica pertencia à Coroa
espanhola. Em 1541, uma expedição comandada pelo espanhol Gonzalo Pizarro, irmão do conquistador
do Império Inca, Francisco Pizarro, partiu de Quito em busca dos lugares lendários que supostamente
havia nessas terras florestadas: o "País da Canela", onde a especiaria brotava em abundância, e o "EI
Dorado", com suas enormes jazidas de ouro.
Ninguém sabe ao certo quantas pessoas integraram essa expedição, mas estima-se que ela contava
com algumas centenas de soldados espanhóis e milhares de indígenas, muitos dos quais padeceram de
fome e de frio na travessia da Cordilheira dos Andes.
Em algum ponto da viagem, quando os expedicionários já estavam bastante debilitados, Gonzalo
encarregou um grupo, liderado por seu primo Francisco de Orellana, de seguir pelo rio em busca de
alimentos.
Entretanto, em vez de retornar com as provisões, o grupo de Orellana prosseguiu no curso do rio que
hoje chamamos de Amazonas, viajando nove meses até alcançar a foz, em agosto de 1542.
O diário de viagem do frei Gaspar de Carvajal, um dos integrantes do grupo, é o primeiro relato de uma
jornada completa pelo Rio Amazonas, dos Andes até o Oceano Atlântico. Apesar de seu valor histórico,
o diário não é um documento confiável, já que o frei se esforça em ressaltar os percalços enfrentados
durante a viagem para justificar o descumprimento da ordem de regressar o mais rápido possível, levando
alimentos para a expedição de Pizarro. A descrição do terrível combate travado com as guerreiras
amazonas, que lutavam com a força comparada à de muitos homens e exerciam o poder sobre diversas
tribos indígenas, reforça o caráter fantasioso do documento.
Nos anos seguintes, diversas outras expedições comandadas pelos espanhóis percorreram trechos
da Bacia Amazônica, sempre animadas pela busca de tesouros. Porém, o interesse pela região logo seria
ofuscado pela descoberta das imensas jazidas de prata na região de Potosí (atual Bolívia), que atraiu
grande parte dos exploradores e aventureiros espanhóis.
Enquanto isso, franceses, ingleses e holandeses, inimigos tradicionais dos espanhóis, estabeleciam
feitorias no baixo curso do Rio Amazonas.
Durante a União Ibérica (1580-1640), período no qual Portugal e Espanha formaram uma única
monarquia, os portugueses começaram a se estabelecer na foz do Amazonas. No início do século XVII,
as expedições pelo Amazonas tornaram-se oficiais. Partiam da foz e eram organizadas para expulsar
holandeses e ingleses, senhores de muitas feitorias ao longo do curso dos rios, e impedir o contrabando
de produtos nativos, como madeira e pescado.
Com o fim da União Ibérica, a Coroa portuguesa intensificou a ocupação militarizada da região,
erguendo uma rede de fortificações lusitanas ao longo da calha central do Rio Amazonas. Entre eles,
destaca-se o Forte de São José do Rio Negro, criado em 1668, em torno do qual surgiu o arraial de Lugar
da Barra, mais tarde elevado à categoria de vila e, depois, de cidade, com o nome de Barra do Rio Negro.
Em 1856, a cidade foi rebatizada e passou a se chamar Manaus, em homenagem aos índios da etnia
manaó.
Para preservar a hegemonia na região, a Coroa ainda estimulou a ação das missões religiosas, que
utilizavam a mão de obra indígena na coleta das "drogas do sertão" e na produção de alimentos.

No entanto, foi em meados do século XVIII que o Império Português de fato consolidou sua soberania
na área, criando o estado do Grão-Pará, com capital em Belém. Na nova estrutura política e
administrativa, o Grão-Pará, marcado pelas baixas densidades demográficas e pelo extrativismo, passou
a ser uma unidade distinta de Estado do Brasil.
Com a independência do Brasil em 1822, o estado do Grão-Pará foi dissolvido e tornou-se parte do
Império Brasileiro, cujo poder administrativo concentrava-se no Rio de Janeiro. No entanto, dada a
precariedade das suas redes de transporte e comunicações, a região permaneceu durante muito tempo
isolada do centro político e econômico do país.

A conquista da fronteira interna

O empreendimento de conquista e incorporação efetiva da vasta porção setentrional do Brasil teve


início após a Revolução de 1930, marcada pela centralização do poder, e prosseguiu nas décadas
seguintes, quando a Amazônia Legal se tornou uma região de planejamento.
As políticas que orientaram essa conquista geraram um conflito entre dois tipos de ocupação do
espaço regional. O povoamento tradicional, em grande parte herdeiro das atividades missionárias,
marcado pelo extrativismo e pela agricultura de excedente, consistiu numa ocupação linear e ribeirinha,

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assentada na circulação fluvial e na rede natural de rios e igarapés: a "Amazônia dos rios". O novo
povoamento seguia a trajetória dos eixos de circulação viária, na qual eram implantados núcleos urbanos
e projetos florestais, agropecuários e minerais; é a chamada "Amazônia das estradas".
O conflito entre o modo de ocupação tradicional e o moderno, representado pelos eixos viários,
expressou-se na tensão social que envolveu índios, posseiros e grileiros. Até os dias atuais, as disputas
por terra configuram um "arco de violência" nos municípios da Amazônia Legal.
De outro lado, a conquista da Amazônia resultou na modificação antrópica das paisagens e na
degradação progressiva dos ecossistemas naturais. Um "arco da devastação" demarca as áreas de
ocupação recente do Grande Norte. Nos estados de Tocantins, Pará e Maranhão, a devastação antrópica
atinge formações do Cerrado, da Floresta Amazônica e da Mata dos Cocais. No Mato Grosso e Rondônia,
manifesta-se com intensidade no Cerrado, na Floresta Amazônica e nas largas faixas de transição entre
esses domínios.

Focos de calor na Amazônia – 2000/2010

Os focos de calor marcam a ocorrência das queimadas que abrem os terrenos para as atividades
agropastoris ou minerais, resultando em um arco de devastação dos ecossistemas amazônicos.

Os novos eixos de integração e a ocupação do espaço amazônico

A construção de rodovias foi fundamental para a inserção da região amazônica nos fluxos e circuitos
econômicos nacionais. Belém e Manaus são os dois centros urbanos que polarizam a rede urbana
regional.

As políticas voltadas para a conquista integraram a Amazônia às dinâmicas territoriais nacionais. Esse
processo se realizou por meio de dois vetores.
Um primeiro vetor estruturou-se originalmente na década de 1960, em torno do eixo viário da Belém-
Brasília. Nas décadas seguintes, a exploração dos minérios da Serra de Carajás, a implantação da E. F.
Carajás e do Porto de Itaqui e a construção da hidrelétrica de Tucuruí reforçaram esse vetor, estendendo-
o até São Luís (MA).
Uma vasta mancha de povoamento, nucleada por áreas de intensa modificação das paisagens
naturais, desdobrou-se de sul a norte no estado de Tocantins e avançou pelas porções meridional e
oriental do Pará e por todo o oeste maranhense.
Um segundo vetor estruturou-se a partir da década de 1970, em torno do segmento sul da Cuiabá-
Santarém (BR-163) e da Brasília-Acre (BR-364). Portanto, a integração viária com o Centro-Oeste
ocorre através de Rondônia, até Rio Branco, no Acre. Ao longo desse eixo aparecem as principais áreas
de desflorestamento, associadas à expansão da fronteira agrícola.
No norte de Mato Grosso e em Rondônia, a colonização agrícola impulsionada por migrantes do
Centro-Sul originou dezenas de novos núcleos urbanos. Ao mesmo tempo, a criação e consolidação da
Zona Franca de Manaus (ZFM) transformava a capital amazonense em importante centro industrial e
reforçava seus vínculos externos com os capitais e mercados do Centro-Sul.

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Os novos caminhos para Manaus

Na década de 1980, a ocupação intensiva de Roraima foi facilitada pela pavimentação da rodovia
Manaus-Boa Vista (BR-174), que atravessa a fronteira setentrional do país, interligando-se às rodovias
da Venezuela. Ao longo do seu eixo, na porção central de Roraima e nas proximidades de Manaus,
surgiram em poucos anos largas faixas de devastação. A construção dessa estrada e a concomitante
implantação do imenso reservatório da hidrelétrica de Balbina desfiguraram a reserva indígena Waimiri-
Atroari, localizada no vale do Rio Jauaperi, a oriente do Rio Branco. A BR-174 foi a primeira rodovia
pavimentada a alcançar Manaus, que até então só podia ser atingida por via fluvial ou aérea.
O novo eixo destina-se a projetar a influência da ZFM para os países vizinhos. A produção industrial
do enclave amazonense é parcialmente responsável pelo superávit do Brasil nas trocas comerciais
realizadas com a Venezuela e pode impulsionar os fluxos de comércio do país com as economias centro-
americanas.
No entanto, o isolamento físico do enclave de Manaus está sendo rompido em outra direção. O projeto
de pavimentação da Porto Velho-Manaus (BR-319) pretende conectar a metrópole da Amazônia
Ocidental e o vetor de ocupação estabelecido em Rondônia. Com a Hidrovia do Madeira, essa estrada
tem como objetivo consolidar um corredor de exportação para os produtos agrícolas de Rondônia e Mato
Grosso, através do Rio Amazonas.
O eixo em implantação pode acarretar, porém, nova frente de devastação da Floresta Amazônica. A
fronteira agrícola de Rondônia já se moveu até Humaitá, no sudoeste do Amazonas, primeira cidade
alcançada pela pavimentação da BR-319. Em torno da cidade, uma larga mancha de desflorestamento
assinala a abertura da floresta para a exploração da madeira, acompanhada pelo avanço da
agropecuária.

Os impactos da BR-319

"Se por um lado a construção e a pavimentação de estradas na Amazônia geram benefícios na forma
de redução de custos de transportes, por outro lado impulsionam o desmatamento, os conflitos sociais e
a ilegalidade. A eficiência econômica e os efeitos diversos dos projetos precisam ser identificados e
instrumentos que garantam uma distribuição mais equânime de custos e benefícios entre os atores
afetados precisam ser implantados.
Neste estudo, utilizamos a análise custo-benefício para avaliar a eficiência econômica do projeto de
recuperação do principal segmento da Rodovia BR-319, localizado entre os quilômetros 250,00 e 655,70,
no estado do Amazonas, de forma a contribuir com a discussão dessas questões. Este trecho encontra-
se fortemente deteriorado e virtualmente intransitável desde 1986.
Planeja-se sua recuperação dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo
Federal.
[...] As obras aqui analisadas, com custo de implantação de cerca de 557 milhões de reais, incluem a
recuperação e a pavimentação da rodovia e a construção de quatro novas pontes entre Manaus e Porto
Velho, o que viabilizará o tráfego continuado entre Manaus e o resto do país.
A análise [...] demonstra que o projeto é inviável economicamente, gerando prejuízos de cerca de 316
milhões de reais, ou 33 centavos de benefícios para cada real de custos, em valores atuais. Isso significa
que para que o projeto alcance viabilidade econômica, os benefícios brutos estimados teriam de ser
multiplicados por três. [...]
Modelagens recentes indicam que o projeto provocará forte desmatamento no Interflúvio Madeira-
Purus, com a perda de importantes recursos naturais ainda em excelente estado de conservação, caso
políticas eficazes de contenção do desmatamento não sejam implantadas. Estimamos que o custo
econômico parcial do desmatamento [...] poderia alcançar aproximadamente 1,9 bilhão de reais, em
valores atuais. Destes, 1,4 bilhão corresponderia ao efeito negativo do projeto sobre as mudanças
climáticas globais, valor muito superior aos benefícios brutos gerados pelo projeto, de 153 milhões de
reais."
FLECK. Leonardo C. Eficiência econômica, riscos e custos ambientais da reconstrução da rodovia BR-
319. Lagoa Santa: Conservação Estratégica, 2009. p. 19-20.

Redes urbanas regionais

Enquanto a Amazônia se integrava ao Centro-Sul, a rede urbana regional tornava-se mais complexa
e diferenciada. Nesse processo, a influência vasta e difusa de Belém sobre todo o espaço amazônico
desvanecia-se, em razão da emergência de Manaus.

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Na última década, configurou-se uma situação de dupla polarização, na qual se desenham esferas
de influência distintas das metrópoles do Amazonas.
Durante a década de 1970, com a fronteira agrícola avançando em Mato Grosso e em Rondônia,
ocorreu o acelerado desenvolvimento de Porto Velho e, em grau menor, dos núcleos instalados junto à
rodovia, como Vilhena, Cacoal, Ji-Paraná e Ariquemes.
Na década seguinte, a fronteira agrícola moveu-se até o sul do Acre, acompanhando o trecho
pavimentado da BR-364. Nas áreas das cidades de Xapuri e Brasileia, as atividades madeireiras
avançaram sobre os seringais, provocando conflitos e impulsionando a organização dos seringueiros.

Cenários futuros: entre a devastação e a tecnologia

Para romper o ciclo de devastação e desigualdade social será preciso o desenvolvimento de políticas
territoriais que valorizem as comunidades locais e a preservação da biodiversidade.

As políticas territoriais amazônicas implementadas pela ditadura militar nortearam-se pela meta
geopolítica de “conquista” da Amazônia. O planejamento regional elaborado nesse contexto
fundamentou-se num conceito distorcido de desenvolvimento, que estimula a acumulação de capital por
grandes empresas e o uso predatório dos recursos naturais. Os largos e extensos corredores de
devastação ambiental e as vastas manchas de desflorestamento, assim como a poluição de rios e
igarapés pelos subprodutos do garimpo, são resultado das opções de planejamento adotadas nesse
período.
As políticas amazônicas dissociaram a noção de desenvolvimento de seu conteúdo social. A abertura
de rodovias de integração e a implantação de grandes projetos geraram intensos fluxos migratórios para
a Amazônia, além do esvaziamento demográfico de várzeas e igarapés. A exclusão social se materializa
nas periferias das cidades médias, nos povoados miseráveis nascidos junto a empreendimentos minerais
e florestais e no surgimento de populações itinerantes, que vagueiam à procura de escassas
oportunidades de trabalho.
O novo ciclo de obras rodoviárias na Amazônia, especialmente a Cuiabá-Santarém (BR-163) e a
Porto Velho-Manaus (BR-319), visa estabelecer a ligação entre Manaus e Porto Velho, mas ameaçava
reproduzir, em escala ampliada, os desastres sociais e ambientais do ciclo anterior. A alternativa consistia
em redefinir o sentido do planejamento regional, priorizando o desenvolvimento social e a valorização dos
ecossistemas naturais. A geração de empregos e a exploração sustentável dos recursos naturais são as
metas a serem perseguidas por um planejamento regional renovado.

Um zoneamento econômico e ecológico

O planejamento regional da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) baseou-


se em estudos de pequena escala, inadequados para a definição das realidades sociais e vocações
ecológicas de áreas de médias e pequenas dimensões. Contudo, um planejamento regional voltado para
o desenvolvimento sustentável não pode abrir mão do reconhecimento dessas áreas e suas
peculiaridades. Atualmente, as imagens de satélite e as técnicas de cartografia computadorizada
fornecem os meios necessários para a elaboração de estudos em média e grande escala, produzindo um
zoneamento econômico e ecológico do imenso espaço amazônico.
A "conquista" da Amazônia deixou como herança um mosaico complexo, no qual vastas áreas de
paisagens naturais quase intactas intercalam-se com zonas de garimpo, grandes projetos e corredores
de devastação. Um zoneamento econômico e ecológico destina-se a elucidar a organização desse
mosaico, criando bases para a seleção de políticas específicas para cada área.
Um passo inicial consistiria em distinguir os espaços de preservação (reservas indígenas e unidades
de proteção ambiental) dos espaços disponíveis para a valorização econômica, e cartografá-Ios nas
escalas adequadas. Um segundo passo consistiria no planejamento das modalidades de uso do solo, das
instalações de infraestrutura viária e energética e no desenvolvimento urbano dos espaços disponíveis.
O incentivo ao aproveitamento econômico da biodiversidade também pode proporcionar vantagens
econômicas. Os produtos naturais da floresta encontraram novas e sofisticadas aplicações nas indústrias
farmacêutica, de cosméticos e de alimentos. Além disso, as universidades e os institutos científicos da
Amazônia pesquisam técnicas adequadas para o cultivo de espécies como a seringueira e a castanheira.
Esses projetos experimentais sugerem caminhos para a elaboração de modelos agrícolas a serem
implantados em áreas degradadas dos corredores de ocupação.

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Desmatamento causado pelo garimpo de diamantes na reserva indígena Roosevelt, em Vilhena (RO,
2007)

Transporte de carga na BR-155, no trecho que liga Marabá e Eldorado dos Carajás (PA, 2013)

Referências Bibliográficas:

TERRA, Lygia. Conexões: estudos de geografia geral e do Brasil – Lygia Terra; Regina Araújo; Raul
Borges Guimarães. 2ª edição. São Paulo: Moderna.

Governo e Administração Pública Estadual; divisão política do Estado, clima e


vegetação; hidrografia

Tocantins

Gentílico
Tocantinense

Capital
Palmas

População

De acordo com o IBGE, a População de Tocantins no último censo em 2010, era de 1.383.445 pessoas,
com Densidade demográfica, no mesmo ano, de 4,98 hab./km².
Em 2017 o número da população evoluiu para 1.550.194 pessoas.

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Relevo

O relevo do Tocantins é predominantemente formado por planícies, embora sejam encontradas


planaltos e depressões, principalmente na região sul do estado, com pouca variação de altitude.
Os planaltos são encontrados nas áreas próximas ao Araguaia-Tocantins, localizado no sul do estado,
nessa região as altitudes são de 300 a 600 metros.
A maior parte do estado não ultrapassa a altitude de 500 metros, em relação ao nível do mar. O ponto
mais elevado do estado tem 1340 metros de altitude, e fica na Serra das Traíras.

Clima

Em Tocantins o clima que predomina é o tropical, que apresenta duas estações bem definidas, uma
seca e uma chuvosa.
A temperatura média anual é de 32°C no período de seca (de abril a setembro) e de 26°C no período
de chuvas (de outubro a março).
Os índices pluviométricos durante o ano são de 1.800 mm no norte e no leste, no sul do estado o índice
diminui para 1.000 mm.
Na região norte do estado as temperaturas médias são cerca de 3°C mais altas do que na região sul.

Vegetação

A cobertura vegetal do Estado é composta por 90% de cerrado, cujas principais características são os
grandes arbustos e as árvores esparsas, de galhos retorcidos e raízes profundas.
O restante do território é constituído pela floresta de transição Amazônica, ao norte do estado.
Nas margens dos Rios Araguaia e Tocantins são encontradas pequenos trechos de Mata Atlântica.
Mais da metade do território é considerado área de preservação, com destaque para a Ilha do Bananal
(maior ilha fluvial do mundo) e para o Parque estadual do Cantão, no qual os ecossistemas do Cerrado,
o Pantaneiro e o Amazônico se encontram.

Hidrografia

O Estado faz parte dos principais potenciais hídricos do Brasil, dessa forma o território demonstra
importantes rios como o Araguaia, o Tocantins, do Sono, das Balsas e Paraná.

Hidrovia Araguaia Tocantins

O projeto da hidrovia Araguaia-Tocantins data dos fins da década de 1960, tendo sido retomado a
partir dos anos 80, com o objetivo de programar a navegação comercial na bacia do Tocantins-Araguaia,
em trechos já navegáveis durante boa parte do ano. A hidrovia faz parte de um projeto maior que pretende
oferecer flexibilidade para a navegação no interior do Brasil, ao promover a integração entre as bacias do
Paraguai, Tocantins e Amazonas, por meio dos rios Araguaia, Tocantins, São Francisco, Paraná,
Guaporé e Madeira.

Cidades

As principais cidades do estado, além da capital Palmas, são: Araguaína, Gurupi, Porto Nacional,
Paraíso do Tocantins, Araguatins, Colinas do Tocantins, Miracema do Tocantins, Tocantinópolis e Guaraí.

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Municípios do Estado do Tocantins em 1988 e 2015

Divisão Político Administrativa

Como vimos, o estado do Tocantins está situado na região Norte do Brasil. É o mais novo dos 26
estados do país.
Seus limites são os seguintes: Goiás (Sul); Piauí (Leste); Maranhão (Nordeste); Bahia (Sudeste); Pará
(Noroeste) e Mato Grosso (Sudoeste).
A extensão territorial do estado de Tocantins é de 277.621 km², divididos em 139 municípios.

Governo e Administração Pública Estadual

Governador

Marcelo Miranda

Vice-governadora

Claudia Lelis

Secretarias

Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Tocantins - Adapec


Agência de Fomento do Estado do Tocantins - Fomento
Agência de Metrologia, Avaliação da Conformidade, Inovação e Tecnologia do Estado do Tocantins -
AEM
Agência Tocantinense de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos - ATR
Agência Tocantinense de Saneamento - ATS
Agência Tocantinense de Transportes e Obras - Ageto
Banco do Empreendedor - BEM
Casa Civil

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Casa Militar
Chefia de Gabinete
Companhia Imobiliária do Tocantins - TerraPalmas
Controladoria-Geral do Estado - CGE
Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Tocantins - CBMTO
Departamento Estadual de Trânsito - Detran-TO
Estado Maior do Corpo de Bombeiros
Fundação Radiodifusão Educativa do Tocantins - Redesat
Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins - Ruraltins
Instituto de Gestão Previdenciária do Estado do Tocantins - Igeprev
Instituto de Terras do Tocantins - Itertins
Instituto Natureza do Tocantins - Naturatins
Junta Comercial do Estado do Tocantins - Jucetins
Procuradoria-Geral do Estado - PGE
Secretaria da Administração - Secad
Secretaria da Comunicação Social - Secom
Secretaria da Educação, Juventude e Esportes - Seduc
Secretaria da Fazenda - Sefaz
Secretaria da Infraestrutura, Habitação e Serviços Públicos - Seinf
Secretaria da Saúde - Ses
Secretaria da Segurança Pública - SSP
Secretaria de Cidadania e Justiça
Secretaria de Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária - Seagro
Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Turismo e Cultura
Secretaria de Estado de Articulação Política
Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos - Semarh
Secretaria do Planejamento e Orçamento - Seplan
Secretaria do Trabalho e Assistência Social - Setas
Secretaria Extraordinária de Integração Governamental
Universidade Estadual do Tocantins - Unitins

Outros órgãos

Defensoria Pública do Estado do Tocantins


Ministério Público Estadual
Tribunal Regional Eleitoral
Tribunal de Contas do Estado

Outros poderes

Assembleia Legislativa do Tocantins


Tribunal de Justiça

Referências Bibliográficas:

IBGE. Disponível em:


https://cidades.ibge.gov.br/brasil/to/panorama.

Governo do Estado do Tocantins. Disponível em:


http://to.gov.br/.

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Questões

01. (PC/TO – Delegado de Polícia – Aroeira) Analise o mapa a seguir.

O desenvolvimento econômico do estado do Tocantins está estruturado


(A) no corredor intermodal que integra as hidrovias Araguaia–Tocantins com a malha da Ferrovia
Norte-Sul e a malha rodoviária da BR–113.
(B) no escoamento da produção agropecuária para o Porto de Itaqui.
(C) em nove distritos agroindustriais instalados nas cidades-polo de Palmas, Paraíso do Tocantins,
Gurupi, Araguaína, Colinas e Porto Nacional.
(D) na produção da soja e cana-de-açúcar na região do MAPITOBA.

02. (PC/TO – Escrivão de Polícia – Aroeira) A Hidrovia Tocantins-Araguaia tem como um dos seus
objetivos:
(A) restaurar ambientalmente a dinâmica hidrológica da bacia Tocantins-Araguaia, com obras de
contenção de erosões e recuperação das matas de galeria.
(B) ampliar a produção agropecuária no entorno de 10 km ao longo de toda a hidrovia, com base em
técnicas sustentáveis.
(C) consolidar um eixo de transporte hidrorodo-ferroviário que ligue as regiões de Mato Grosso aos
portos do Maranhão e Pará, através do Tocantins.
(D) favorecer mudanças no modo de vida e perda do bem-estar das populações indígenas e
ribeirinhas.

03. (SUDAM – Agente Administrativo – IADES) A forte miscigenação da população da Região Norte
do Brasil contribui, de forma significativa, para a grande diversidade cultural e artística verificada em seus
estados.
Em um dos estados da Amazônia Legal, destaca-se o artesanato com capim dourado, planta exclusiva
desse estado. Na produção dos artesanatos, são confeccionados mais de 50 produtos. O estado em tela
é
(A) Amazonas.
(B) Tocantins.
(C) Pará.
(D) Roraima.
(E) Maranhão.

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04. (PC/TO – Delegado de Polícia – Aroeira) Analise o mapa a seguir.

A região hidrográfica destacada no mapa corresponde à bacia do:


(A) Paraná
(B) Tocantins.
(C) Sono.
(D) Rio Formoso.

Respostas

01. Resposta: C.
Desde a sua criação, o Tocantins não para de crescer no setor do agronegócio. Por onde se anda pelo
Estado, é possível ver novas áreas se abrindo para a produção, lavouras em crescimento e,
principalmente, mais produtividade. Muitos fatores têm contribuído para o crescimento da produção de
grãos, como disponibilidade de água em abundância, energia, logística de escoamento e principalmente
o uso de novas tecnologias no campo, indo desde o manejo do solo, escolha correta da semente e até a
adubação.

02. Resposta: C.
A hidrovia faz parte de um projeto maior que pretende oferecer flexibilidade para a navegação no
interior do Brasil, ao promover a integração entre as bacias do Paraguai, Tocantins e Amazonas, por meio
dos rios Araguaia, Tocantins, São Francisco, Paraná, Guaporé e Madeira.

03. Resposta: B.
Da palha do babaçu e do buriti, duas espécies de palmeiras comuns na região Norte do Brasil, surgem
esteiras, chapéus, cestos e uma infinidade de produtos utilizados há muito tempo pelos indígenas e pelos
sertanejos tocantinenses, mas que somente agora vem ganhando status de artesanato decorativo. Das
fibras podem surgir as mais variadas peças. Como coadjuvantes de outras matérias-primas servem para
amarrar peças em capim dourado ou surgem como detalhes de produtos em madeira. Largamente
utilizadas pelos povos indígenas e difundidas em todo o Estado, as fibras demonstram toda sua
versatilidade de acordo com os costumes de cada região.

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04. Resposta: D.

atualidades: economia, política, desenvolvimento

Lembrem-se: economia, política e desenvolvimento foram trabalhados junto dos primeiros tópicos.

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