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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO

Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Ciências Atuariais

Economia Brasileira Contemporânea III – Rogério Cesar de Souza – ECO-NA7


São Paulo, 16 de junho de 2021

Karoline Maria de Oliveira


Keroline de Lima e Silva
Matheus Ken Hatori

1ª AVALIAÇÃO

1. Explique as três fases de implantação do Plano Real.

FASE I: AJUSTE FISCAL


Esta fase tinha o intuito de reestabelecer a confiança na moeda nacional, e para
tanto, a ideia era diminuir os desequilíbrios causados pelo excesso de gasto público. A
fase teve como base um intenso ajuste fiscal; entretanto parte desse ajuste já havia sido
feito no Governo Collor.
Apesar da meta, anunciada pelo governo, de reduzir o gasto público, a principal
ação tomada, como Medida Provisória, foi a criação do Fundo Social de Emergência
(FSE), em 1993, objetivando a desvinculação de imposto e contribuição social. Tudo
isso era justificado pelo engessamento, pela CF88, dos gastos públicos, sendo a
desvinculação a forma de conseguir um superávit; isso quer dizer que o governo não
poderia gastar os 20% das contribuições advindas das contribuições sociais.

FASE II: ALINHAMENTO DOS PREÇOS RELATIVOS E TRANSIÇÃO PARA O REAL


Essa fase foi transicional e essencial para garantir o alinhamento dos preços
relativos. Para além de estabilizar os preços através da implantação de uma nova moeda,
existia uma pressão dos fatores em cima dos preços para a nutrição de uma inflação
nessa nova moeda. Então, a solução encontrada foi um mecanismo de transição, para
que as duas moedas (antiga e URV) pudessem circular simultaneamente.
A partir de 1º de março de 1994, a taxa de câmbio e os salários passariam a ser
determinados na moeda que existia (Cruzeiro Real) e pela URV.
O objetivo era deixar fixado o câmbio na nova moeda, por isso a relação entre as
duas moedas era: X Cruzeiros Reais = Y Dólar = Y URV
Todos os preços na economia deveriam variar da mesma forma e de forma
simultânea, por isso a relação entre Cruzeiro Novo e URV variava com base numa cesta
de índices de preços e a periodicidade do ajuste era diária.
Dessa forma, apesar na inflação não cair nesta fase, não haveria mais a distorção
dos preços relativos e nem repressão de preços; o resultado foi um alinhamento de 75 a
80% dos preços com a URV, em 4 meses.

FASE III: ÂNCORA CAMBIAL


A taxa de conversão usada, na implementação da nova moeda (Real), foi:
Cr$2750 = 1 URV = R$1 = US$ 1
Esta fase é conhecida como a fase de criação de uma âncora cambial, uma vez
que a criação da URV foi uma garantia de que a nova moeda tivesse como parâmetro o
valor do dólar. Um dos pressupostos é que estabilizar o valor da moeda em parâmetro
estrangeiro com base na nossa própria moeda, resultaria em estabilidade na formação de
preços.
Para o governo, havia três canais de transmissão para que o barateamento das
importações causasse impacto em termos de redução de preços:
i. Se o produto importado está mais barato, e a nossa estrutura produtiva usa esses
produtos, há o barateamento da produção e o produto poderia ser vendido mais
barato;
ii. O aumento da concorrência obriga a indústria nacional a se adaptar – a melhorar
a qualidade e diversificação dos produtos e a reduzir o preço, além de aumentar
a produtividade do trabalho para parâmetros parecidos com os países
desenvolvidos.
iii. Aumento do acesso à tecnologia, que permitiria, à médio prazo, um aumento
ainda maior da produtividade e uma consequente redução maior dos preços.
• As consequências previstas na Balança Comercial seria de um déficit comercial no
curto prazo, mas o intenso aumento das importações, no médio prazo, seria suprido
pelo aumento das exportações, uma vez que se esperava um aumento na
concorrência interna suficiente para fazer crescer as exportações.
Há uma diferenciação nos produtos e os produtos não-comercializáveis. Os
produtos comercializáveis seriam afetados diretamente pela concorrência externa e teria
uma queda de preços mais acentuada; os produtos não-comercializáveis teriam uma
redução mais vagarosa nos preços, sendo afetados de forma indireta.
2. Por que ocorreu a deterioração das contas externas após o Plano Real?

A deterioração das contas externas após o Plano Real ocorreu por conta das
crises mundiais/externas, e de crises internas (crise energética, crise do desemprego)
causadas em sua maioria pelos baixos crescimentos do PIB. Houve também a precisão
de recursos externos para equilibrar as contas, que estavam em desequilíbrio devido à
queda nas exportações.

3. Como o governo FHC atuou diante das ameaças de crise cambial?

Além da ajuda da inflação residual, a valorização da taxa de câmbio real não se


deu apenas em função daquela. O aprofundamento da ancoragem dos preços foi
principalmente devido à política cambial adotada; a paridade não foi fixada e o real se
valorizou em termos nominais em relação ao dólar, em um momento em que
continuavam as entradas de recursos. Houve uma queda da taxa de câmbio nominal nos
primeiros meses do plano. Logo, com o câmbio valorizado, abertura comercial e um
volume considerável de reservas, os preços internos ficaram sob controle.

4. Por que ocorreu a mudança cambial em janeiro de 1999? Quais suas


consequências?
No ano anterior a mudança cambial, a confiança dos investidores em relação ao
governo brasileiro fica estremecida, pois, é identificado o risco de o governo não
conseguir manter sua taxa de câmbio semifixa. Com isso, uma fuga de capitais tem
início, o que traz problemas sérios para a economia do país, já que isto impossibilita
manter a paridade entre a moeda nacional e o dólar, por causa da saída de capital. Nessa
situação, se faz necessário o Banco Central intervir utilizando suas reservas para
sustentar a paridade da moeda, ou até mesmo utilizar de outro instrumento para
controlar a situação, como por exemplo, o aumento da taxa de juros, que pode atrair os
investidores estrangeiros. Com esta atitude, a taxa de juros Selic em 1998, saiu de 25%
a.a para 40% a.a, e em março do ano seguinte estava em 45% a.a. Porém, este grande
aumento da taxa de juros por parte do governo, apenas sustentou a percepção de risco
dos investidores quanto a presença de instabilidade na economia do país. Esta
desconfiança é também agravada pela instabilidade política trazida pela eleição, bem
como a deterioração dos índices macroeconômicos.
Com a piora do cenário econômico, ainda em 1998, é concedido ao Brasil por
parte do FMI, um empréstimo de US$42 bilhões, que supri a necessidade do governo no
que tange a entrada de capitais para preservação da âncora cambial. Porém, o FMI
impões condições em relação à política fiscal para a concessão deste empréstimo, entre
elas estava a mudança do sistema de âncora cambial. Como consequências da mudança,
a dívida pública teve um considerável aumento, cerca de 60%, isto levou a uma
deterioração da relação dívida/PIB.

5. Explique o funcionamento do regime de metas inflacionárias.


O regime de metas inflacionárias consiste em primeiro lugar, que a autoridade
monetária estabeleça um patamar para a taxa de inflação, que esteja relacionado com o
controle inflacionário e com uma política monetária em torno da taxa de juros, para que
com isso seja determinado sua meta. Tomando como exemplo a experiência de outros
países, a decisão sobre o patamar da inflação, estava relacionada com o fato de não
prejudicar as relações econômicas do país. Além disso, foram levados em considerações
pressupostos como as expectativas racionais, os impactos da emissão monetária
somente sobre o aspecto monetário da economia, isto é, não ser utilizado como
instrumento de expansão da oferta de crédito, bem como o conceito de PIB potencial, a
curva de Phillips e a taxa natural de desemprego da economia.
Fazendo uso dos pressupostos apresentados, pode-se chegar à conclusão que um
instrumento importante para o controle inflacionário é a taxa de juros, pois, com uma
meta estabelecida, o agente racional teria um parâmetro para a formação de preços,
além disto, a especulação não aconteceria. Com base no histórico de uso de metas
inflacionárias em outros países, o Brasil adota o sistema de metas que é apresentada
como uma política de governo e responsabilidade da autoridade monetária. Ela deveria
ser pré-anunciada com pelo menos 2 anos de antecedência, e seria utilizado o IPCA
como indicador econômico quanto a verificação da consistência da meta.

6. Explique as principais mudanças na política econômica no segundo


mandato de FHC. Explique qual é a concepção do tripé econômico.

A tríplice mudança de regime no segundo mandato - fim de 1998 e começo de


1999 - se pautava no: regime de câmbio fixo; regime monetário; regime fiscal. Esse era
o tripé econômico, que foi a base da política econômica do governo FHC, a partir de
1999.
O primeiro, o regime de câmbio fixo, que havia sido flexibilizado pelas bandas
cambiais, foi substituído por uma flutuação suja. na qual o BC manteve a intervenção na
forma de venda pontual de reservas e oferta de títulos públicos indexados à taxa de
câmbio. Como principal consequência positiva disso foi a possibilidade de ajuste na
conta corrente. A reversão desse déficit ocorreu não somente por conta do câmbio real
mais depreciado, mas também pela reversão do crescimento das remessas de rendas ao
exterior no novo regime.
O regime monetário, por sua vez, que era subordinado à âncora cambial, foi
substituído pelo sistema de metas inflacionárias. Tal sistema de metas, fez com que, ao
contrário do que era antes, a política monetária ganhasse mais liberdade. A principal
consequência disso foi a redução do nível e da volatilidade das taxas de juros.
Por fim, o regime fiscal foi alterado a partir da introdução de um compromisso
de política econômica que fazia com que existisse um ajuste fiscal voltado para a
geração de superávits primários, baseado em aumento de receitas e redução de despesas.

7. Como se deu a emergência dos superávits primários a partir de 1999?


Explique as principais mudanças na área fiscal.

No primeiro mandato, o foco das ações na área fiscal estavam em ações de


alcance estrutural - destacam-se algumas iniciativas, tais como a Reforma da
Previdência e a Reforma Administrativa -, porém, havia uma forte resistência legislativa
e política que dificultou muito o processo. Dentre as iniciativas de reforma estrutural,
temos um destaque para o disciplinamento das finanças dos governos estaduais e
municipais, que colocou os acordos de refinanciamento das dívidas estaduais e
municipais junto à União. Tais acordos resultaram em uma limitação para o crescimento
do déficit público. Como consequência, as finanças públicas deterioraram durante o
primeiro mandato. Tivemos um aumento do déficit primário, principalmente por conta
da crise asiática, que reduziu a arrecadação tributárias de diversos governos. Isso
aconteceu concomitantemente com o crescimento da despesa com juros pelo setor
público. Tudo isso culminou num agravamento da crise fiscal.
O segundo mandato foi marcado por mudanças na área fiscal. Como principal
mudança, temos o Plano de Estabilidade Fiscal, vigorado em outubro de 1998, que
passou a estipular o patamar de superávit primário do setor público necessário para a
estabilização da razão dívida/produto. Além disso, foram criadas metas de superávit
primários, que serviam para estabilizar a razão entre a dívida líquida do setor público e
o PIB.

8. Explique a crise eleitoral de 2002. Explique a ideia de dominância fiscal.

O baixo crescimento econômico levou a um aumento do desemprego. É neste


contexto que o país entra no último ano da presidência de Fernando Henrique e se inicia
a disputa eleitoral: pressões inflacionárias, baixas taxas de crescimento econômico,
aumento do desemprego e das dívidas públicas. Este último ponto foi de suma
importância em 2002. A confirmação da fragilidade do ajuste fiscal realizado nos anos
anteriores, num contexto em que se questionava o tipo de modelo econômico que
sacrificava o crescimento econômico e o emprego, o cumprimento dos contratos e as
elevadas taxas de juros levaram a um aumento dos riscos nacionais, especialmente os
riscos dos títulos públicos, que sofreram elevações.
Tendo em vista a fragilidade do mercado financeiro brasileiro, que era
totalmente concentrado em títulos do governo, houve uma fuga de capitais e fortes
pressões cambiais, com uma deterioração das condições da dívida pública, que passou a
ter prazos mais curtos e maior vinculação à taxa cambial e à taxa over. Com essa
situação da dívida, as pressões cambiais geraram pressões inflacionistas, acompanhadas
por subidas das taxas de juro e aumento da dívida pública. Isso, por sua vez, levava ao
risco-país, resultando em maior taxa de câmbio e pressões inflacionárias. Chegamos
numa situação em que a elevação dos juros para combater a inflação gerava o efeito
inverso, ou seja, novas pressões inflacionárias. Esta situação é chamada de Dominância
Fiscal.

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