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POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL

CENTRO DE ENSINO, FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMETO DE PRAÇAS


CURSO DE FORMAÇÃO DE SOLDADOS – 36ª TURMA

APOSTILA DE TIRO POLICIAL


CFSD/PMMS/2021-22

Campo Grande MS
2021
1

TIRO POLICIAL
Por: 1º Sgt QPPM Wagner Siqueira Gonçalves
2º Sgt QPPM Wellington Antonio de Sousa

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................................. 2

HISTÓRIA DO TIRO POLICIAL ................................................................................................................................. 2

REGRAS DE SEGURANÇA AO MANUSEAR ARMAS DE FOGO ......................................................................... 5

TRIANGULO DE SEGURANÇA ................................................................................................................................. 6

FUNDAMENTOS DE TIRO ......................................................................................................................................... 7

POSIÇÕES DE TIRO .................................................................................................................................................... 7

POSIÇÃO EM PÉ .......................................................................................................................................................... 7

SAQUE DE ARMA CURTA COLDREADA ............................................................................................................... 9

POSIÇÃO TORRE/AJOELHADO .............................................................................................................................. 11

POSIÇÃO DE TIRO DEITADO .................................................................................................................................. 12

EMPUNHADURA ....................................................................................................................................................... 13

LINHA DE VISADA ................................................................................................................................................... 16

CONTROLE DA RESPIRAÇÃO ................................................................................................................................ 17

ACIONAMENTO DO GATILHO ............................................................................................................................... 17

VARREDURA DO ALVO .......................................................................................................................................... 18

PROCEDIMENTOS FUNDAMENTAIS DE SEGURANÇA ..................................................................................... 19

GIROS ESTACIONÁRIOS NA POSIÇÃO EM PÉ .................................................................................................... 19

GIROS ESTACIONÁRIOS NA POSIÇÃO AJOELHADO/TORRE .......................................................................... 21

GIROS ESTACIONÁRIOS NA POSIÇÃO DEITADO .............................................................................................. 24

RECARGAS/TROCA DE CARREGADOR ............................................................................................................... 26

SOLUÇÃO DE PANES ............................................................................................................................................... 27

SAQUE COM A MÃO FRACA .................................................................................................................................. 29

TIRO EMBARRICADO .............................................................................................................................................. 30

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................................... 33

SITES CONSULTADOS ............................................................................................................................................. 33


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INTRODUÇÃO
Esta apostila, apresentará aos futuros soldados da Polícia Militar do Mato
Grosso do Sul (PMMS) o conhecimento básico fundamental para a realização de um
disparo com arma de fogo, seja curta ou longa, alcançando o máximo de
aproveitamento e eficiência na busca de cessar uma injusta e desnecessária
agressão.
Tendo esse objetivo, trataremos, basicamente, dos elementos essenciais para
a realização de qualquer das técnicas e fundamentos apresentados. O iniciante na
carreira policial militar disporá, ao longo da carreira, de diversos cursos de
especialização e aperfeiçoamento na PMMS ou em outras instituições de segurança
pública para ampliar seu conhecimento técnico em matéria de tiro policial. Portanto,
cumpre ao Centro de Formação e Aperfeiçoamento da Polícia Militar a habilitação
básica de seus formandos no exercício de suas funções, conforme os vários níveis
de progressão funcional dentro da PMMS.

HISTÓRIA DO TIRO POLICIAL


Posições para o tiro policial
As posições utilizadas pelo policial para disparar sua arma de fogo, curta ou
longa, podem ser resumidas naquelas válidas para o tiro de combate visado e para o
instintivo. No tiro visado, faz-se uso do aparelho de pontaria da arma, enquanto no
tiro instintivo, executa-se o disparo sem a utilização do aparelho de pontaria. As
posições Weaver, Weaver modificada, isósceles e isósceles modificadas são as
mais empregadas por forças de seguranças do mundo todo.
Posições para o tiro visado com arma curta
Classicamente existem, para o combate visado, apenas as posições básicas
acima apresentadas, todas as demais variando em função destas técnicas. No
serviço operacional, a situação real irá determinar qual a melhor posição a ser
adotada. Vejamos, agora, as características básicas das posições primárias do tiro
policial.
Posição Weaver
Criada na década de 50 por Jack Weaver, policial norte americano, esta
posição permite disparos rápidos e de grande precisão. Para adotá-la, devem ser
observados os seguintes passos:
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a. os pés do atirador tomam a posição semelhante à do boxeador, frente ao


alvo;
b. as pernas ficam esticadas e trancadas à altura dos joelhos;
c. o braço da mão forte fica levemente flexionado;
d. o braço de apoio, que tem somente esta função, fica bem flexionado;
e. o cotovelo do braço de apoio permanece perpendicular ao solo;
f. a mão que empunha a arma empurra para frente, e a mão do braço de
apoio imprime uma pressão contrária, mantendo a arma firmemente estabilizada.
Isto permite um controle efetivo dos disparos sequenciais.
O policial dispara utilizando plenamente o aparelho de pontaria da arma,
mantendo o corpo ereto e os braços semi flexionados. Esta posição permite controle
maior do recuo da arma, proporcionando ao atirador melhor aproveitamento de seus
disparos.
A posição Weaver tem demonstrado, na prática, ser extremamente eficiente.
Proporciona, além da excelente controlabilidade da arma em disparos consecutivos,
a vantagem adicional de diminuir o alvo oferecido pelo corpo do policial ao oponente,
uma vez que este, ao adotá-la de modo correto, evita a exposição total do tórax ao
fogo do agressor.
A desvantagem principal desta posição é que, em condições de stress
elevado, limita o giro do corpo a menos de 90°, o que pode apresentar problemas
quando for necessário atingir um oponente colocado lateralmente ao policial. A
posição lateral adotada pelo atirador, também pode expor justamente o ponto fraco
dos coletes balísticos, sua lateral, aos disparos frontais de um oponente.
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Weaver modificada
Esta posição foi idealizada por Ray Chapman, instrutor de tiro de combate
norte americano, e apresenta três características:
a. pés colocados como na posição Weaver;
b. o braço da mão forte fica esticado e travado nesta posição, agindo como
uma extensão da coronha da arma;
c. a mão de apoio puxa a mão forte em direção ao ombro.
É uma variante da posição Weaver, na qual o braço que empunha a arma fica
completamente estendido à frente. Fornece grande estabilidade no tiro rápido. Esta
posição também expõe menos a lateral do corpo do policial.
Posição Isósceles
Esta posição de tiro visado tem seu nome derivado da posição tomada pelos
braços do atirador, que formam um triângulo isósceles com seu peito. O corpo fica
semi flexionado (para diminuição do alvo), pés na mesma linha, ambos os braços
estendidos; a mão forte empunha a arma, e a mão fraca completa a pegada em
firme dupla empunhadura.
Os dois braços são impelidos fortemente para frente, enquanto os joelhos
semi flexionados permitem a já citada diminuição no alvo oferecido ao agressor. A
Posição Isósceles permite que os braços fiquem completamente esticados, o que é
preferível para alguns atiradores, em detrimento da flexão determinada pela posição
Weaver.
Sob stress, é tendência natural que o operacional diminua sua silhueta,
flexionando as pernas levemente. O corpo fica bem equilibrado, e com os joelhos
flexionados o peso do corpo e seu centro de gravidade, são jogados para baixo.
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Isósceles modificada
A perna esquerda (do atirador destro) fica à frente cerca de 30 cm. Para
alguns, constitui em um melhoramento da posição isósceles clássica, o que vai
depender de sua compleição física e adaptação à técnica. O peso do corpo fica
deslocado para frente, possibilitando maior equilíbrio.

REGRAS DE SEGURANÇA AO MANUSEAR ARMAS DE FOGO


A segurança não é doutrinariamente vinculada a fundamentos do tiro, mas é
oportuno neste momento da aprendizagem que seja abordada. Podemos simplificar
os cuidados com a segurança a partir dos pensamentos, abaixo:
➢ Controle do cano da arma;
➢ Controle do gatilho;
➢ Uma arma não dispara sozinha.
Diante dessas considerações, é mais do que evidente que, em todo o contato
com as armas, iremos examiná-las e adotar os procedimentos adequados a cada
situação em que as empregarmos.
Na instrução
a) todas as armas deverão ser examinadas e descarregadas antes de
qualquer outro procedimento;
b) o manejo da arma somente poderá ocorrer por determinação do instrutor;
c) enquanto estiver sendo executado o tiro o manejo de arma em pista de tiro,
as demais deverão estar descarregadas e abertas ou no coldre.
Como já referimos “Uma arma nunca dispara sozinha”, portanto o acidente ou
incidente decorre sempre de ATO INSEGURO e/ou CONDIÇÃO INSEGURA.
Quanto aos ATOS INSEGUROS, além dos específicos para a instrução temos
como determinação para a segurança no serviço:
➢ O dedo sempre fora do gatilho;
➢ Nunca apontar, se não para atirar;
➢ Manejar somente armas as quais está habilitado a portar;
➢ Carregar e descarregar em local seguro;
➢ Nunca brincar com a arma;
➢ Certificar-se sempre se a arma está carregada;
➢ Nunca utilizar em serviço munição recarregada;
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Portanto:
1. Manuseie sua arma como se ela, sempre, estivesse carregada;
2. Sempre mantenha a arma apontada para uma direção segura;
3. Mantenha seu dedo fora do gatilho até que você tenha direcionado sua
arma para um alvo;
4. Sempre se certifique que seu alvo e o local de tiro são seguros antes de
atirar;
5. Sempre que for manusear uma arma, certifique-se de que está com a
câmara vazia. Se não souber como abrir a arma para checar, não a manuseie;
6. Sempre leia o manual da arma antes de operá-la;
7. Mantenha sua arma limpa e em condições de tiro, a fim de evitar
incidentes;
8. Somente utiliza munição recomendada pelo fabricante;
9. Utilize equipamento de proteção individual (olhos e ouvidos) sempre que for
praticar o tiro;
10. Nunca utilize armas de fogo sob influência de álcool ou outras
substâncias;
11. Toda arma deve ser guardada descarregada em local apropriado,
inacessível a crianças ou adultos sem treinamento;
12. A aquisição, registro, porte e transporte de armas de fogo são regidos por
legislação específica. Informe-se.
Na verdade, pode-se discorrer sobre um cem número de regras de
segurança, a serem observadas durante uma instrução de tiro policial. Entretanto,
relembramos as três regras que devem ser observadas por todos os que lidam com
armas de fogo, a fim de evitarem-se acidentes, também durante uma instrução:
➢ Conhecer a arma e a munição empregadas;
➢ Controlar a direção do cano da arma;
➢ Manter o dedo fora do gatilho, até o momento do disparo.

TRIANGULO DE SEGURANÇA
Os acidentes ocorrem não só na instrução, por falha em algum ponto do
chamado triângulo de segurança (homem, equipamento e instrução). O instrutor
deve se empenhar para evitar estas falhas, tanto humanas como materiais.
Podem ocorrer as seguintes falhas:
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Homem - Imprudência, negligência ou imperícia;


Equipamento - Defeituoso ou inoperante;
Instrução - não periódica, ineficiente, mal ministrada ou mesmo inexistente.

FUNDAMENTOS DE TIRO
Basicamente, consideram-se cinco elementos como fundamentos básicos de
tiro, entretanto, dependendo da instituição esse número aumenta. Para o
CFSD/PMMS, adicionaremos um sexto elemento, que é a varredura do alvo.

POSIÇÕES DE TIRO
É a postura corporal adotada pelo atirador policial em situação de risco,
colocando-se em condições de realizar a pronta resposta caso sofra uma injusta
agressão ou na legítima defesa de terceiros. As posições utilizadas pelo policial para
disparar sua arma de fogo, curta ou longa, podem ser aquelas válidas para o tiro de
combate visado ou instintivo. No primeiro, faz-se o uso do aparelho de pontaria da
arma, enquanto no segundo realiza-se o disparo sem sua utilização.
As três posições que serão apreendidas no curso, são as básicas em
qualquer situação de emprego da arma de fogo, e devem fazer parte do treinamento
contínuo do Policial Militar, seja institucional ou individual. Abordaremso cada uma
com suas peculiaridades a seguir.
POSIÇÃO EM PÉ
É a posição que propicia maior mobilidade e campo de visão ao policial.
Facilita a mudança de direção, quando necessária, o deslocamento de um ponto a
outro e a alternância de velocidade nesse deslocamento. Apresenta como principal
desvantagem a grande exposição da silhueta do policial. Por isso, nessa posição, o
policial fica de frente para o perigo buscando a proteção do colete balístico,
geralmente, na posição isósceles ou isósceles modificada.
Tomada de posição
Partindo da posição em pé com os pés alinhados e afastados,
aproximadamente na largura dos ombros. A mão empunhando ou não a arma.
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Avança-se o pé não dominante à frente na mesma linha que estava, até que o
calcanhar do pé que avançou fique, praticamente, alinhado com a ponta do pé que
ficou atrás. Deve-se manter o afastamento lateral entre os pés para otimizar o
equilíbrio do atirador. A mão forte empunha a arma e a mão fraca ficará entre o
abdômen e o tórax.

Flexona-se os joelhos reduzindo a silhueta, inclinando levemente o tronco à


frente, apenas para estabilizar a postura corporal. Deve-se evitar a inclinação da
cabeça para frente, o que causa prejuízo para a perfeita tomada da linha de visada.
Finaliza-se essa posição com a empunhadura da arma na posição 4, seja simples ou
dupla nas armas de porte.
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Com Arma longa


A tomada de posição é idêntica, mudando apenas a sequência de emprego
da arma longa, independente do modelo e calibre.

SAQUE DE ARMA CURTA COLDREADA


Para completar a posição de tiro em pé, trataremos do saque de arma do
coldre. A técnica empregada na PMMS está dividida em quatro tempos didáticos de
ensino, que facilita o aprendizado do iniciante.
Posição 1 – O atirador libera a segurança do coldre e empunha a arma, ainda
no coldre, ficando em condições de saque imediato, caso seja necessário.
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Posição 2 – Ocorre a retirada total da arma com a empunhadura simples,


mantendo-a ao lado do corpo à altura da cintura. Realizando o controle de cano e o
dedo fora do gatilho.

Posição 3 – Com a arma à frente do corpo, com o cano voltado para baixo,
num ângulo de aproximadamente 45º com o solo, o policial realiza a empunhadura
dupla, juntando a mão fraca, que esta colada ou corpo, à mão forte.
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Posição 4 – Consiste em apontar a arma em direção ao local de perigo.

Pronto-Alto – Posição adotada para deslocamentos na qual se busca uma


possível ameaça iminente. Partindo da posição “4”, abaixa-se a arma da linha da
visada, evitando-se a visão em túnel e proporcionando ao operador maior controle
do armamento e controle do perímetro de atuação. Utilizada para se realizar
deslocamentos e buscas em local de possível confronto, com o emprego do
“scaneamento”.

POSIÇÃO TORRE/AJOELHADO
O policial adotará essa posição quando houver necessidade de cobertura de
tiro, para solucionar panes com o armamento, para melhor aproveitamento de abrigo
ou cobertura, etc.
Tomada da posição torre
Partindo da posição em pé:
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1º tempo - o atirador poderá avançar o pé a frente ou recuar o pé de trás na


mesma linha que estava, conforme a disposição do terreno, aumentando a
amplitude da base.

2º tempo - a perna de trás será flexonada, ficando apoiados no chão o joelho


e, apenas, a ponta do pé (pé vivo). O joelho da dessa perna deverá ocupar o local
onde estava o pé, quando na posição em pé. O ideal é formar um ângulo de 90º em
ambas as pernas, o que facilitará mudanças de direção caso necessárias.
POSIÇÃO DE TIRO DEITADO
Partindo da posição torre:
Tempo 1 - desfaz-se a empunhadura dupla e apoia-se a mão fraca no solo
em frente ao corpo;

Tempo 2 - estende-se a perna da frente à retaguarda, mantendo-a estendida


com a ponta do pé apoiada ao solo, ficando com 4 apoios;
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Tempo 3 - logo após, estenderá a perna que estava ajoelhada e repousará o


corpo no solo.

Com arma de porte, a posição lateralizada permite maior mobilidade para


realizar mudança de direção quando necessário.
Obs.: Para levantar-se, o operador deverá fazer a conduta contrária, sempre
mantendo a arma engajada na direção do perigo (ameaça), podendo voltar à
posição em pé ou permanecer na posição torre/ajoelhada.
Com arma longa
Com arma longa, os dois cotovelos deverão estar no solo, baseando a
empunhadura da arma. Ao flexionar lateralmente a perna do lado não dominante, faz
com que o peito esteja afastado do solo facilitando a respiração do operador e a
estabilização da posição e da visada. A tomada de posição e o retorno para posição
ajoelhada ou em pé segue a mesma sequência para com arma curta.

EMPUNHADURA
É o elo entre o atirador e a arma, podendo ser dupla ou simples. É importante
para a execução do tiro preciso em situação de confronto. A correta empunhadura
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da arma permitirá ao Policial realizar um disparo eficiente, caso haja a necessidade


de cessar uma injusta agressão. Treinar uma empunhadura firme, permitirá ao
atirador não apenas um primeiro tiro preciso, mas também a capacidade de manter
uma cadência rápida e precisa de tiro.

Fases do processo de empunhadura:


1ª fase – Forquilha da mão – é necessário que a coronha esteja sendo segura
em sua parte mais elevada, beaver tail (rabo de castor) nas pistolas, e que não haja
folga entre a coronha e a mão. Este apoio na coronha absorve melhor o recuo da
arma e auxilia na retomada rápida da visada para um disparo subsequente, quando
necessário.

2ª fase – Alinhamento Antebraço e Arma.


A arma e o antebraço deverão formar um perfeito alinhamento entre si tanto
horizontal como verticalmente. Apenas o dedo indicador da mão forte/dominante não
realizará pressão na arma, ficando fora do gatilho até o momento do disparo. Neste
ponto, teremos realizada a empunhadura simples.
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3ª fase – Realiza-se a união da mão fraca (ou de suporte ou de apoio),


completando todos os espaços da coronha da arma. Segura-se com firmeza nas
mãos, mas com os braços e restante de corpo o mais descontraindo possível.
Faremos a empunhadura, sempre que possível, com as duas mãos, uma segurando
a arma a outra apoiando, exercendo uma pressão isométrica e um envolvimento da
coronha em um ângulo de 360º. Aqui completamos a empunhadura dupla.

Empunhaduras incorretas

Obs.: Deve-se manter o dedo fora do gatilho e estendido na lateral da


armação. A empunhadura deverá contribuir para um rápido enquadramento e para
maior firmeza da arma na execução do tiro.
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LINHA DE VISADA
É a linha que parte do olho dominante do atirador, passa pelo entalhe ou alça
de mira nivelada com a massa de mira e termina no alvo.

http://tudosobrearmas.com.br/2016/02/20/tecnicas-de-tiro-visado/
Tiro visado é aquele efetuado com o uso do aparelho de pontaria da arma.
Devido à precisão que proporciona é o ideal a ser realizado. Entretanto, somente a
circusntância dirá ao policial a conveniência ou não de sua utilização.
Olho diretor ou dominante
É aquele que o atirador tem maior facilidade para realizar o foco do
enquadramento do alvo. Pode ocorrer de um atirador possuir o olhor diretor cruzado.
Isso não interferirá no posicionamento com armas curtas, nem no resultado do tiro.
Contudo, com arma longa, o operador deverá optar por mudar a plataforma de tiro
ou adaptar o olho não dominante para realizar o foco na visada.
Foco na Massa de Mira

https://warfare.com.br/wtm/edicao-138/single-portfolio-standard.html
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Diversas visadas e seus resultados

https://warfare.com.br/wtm/edicao-138/single-portfolio-standard.html

CONTROLE DA RESPIRAÇÃO
O ato de inspirar e expirar, os pulmões expandem e contraem, implica na
oscilação da posição do atirador, pois esse ciclo provoca muita alteração no volume
toráxico, movimentado com eles outros músculos do corpo que, inevitavelmente,
influirão na posição dos braços, que variarão em altura. Para o tiro visado, o policial
deverá realizar uma breve pausa na respiração, durante o acionamento da tecla do
gatilho. Na realização do tiro instintivo isso não será necessário.

ACIONAMENTO DO GATILHO
O atirador deverá levar em consideração esse fundamento, pois interfere
decisivamente no acerto ou não do alvo. Esse fundamento é o mais difícil de
dominar. É uma técnica essencial para um bom disparo e o momento em que quase
todos os atiradores, independente do grau de experiência, estragam o disparo. É
ideal que o dedo que acionará a tecla do gatilho esteja posicionado no meio da
falange distal. Entretanto, o operador deverá fazer ajustes e adaptações conforme
sua ergonomia.
O acionamento do gatilho deve ocorrer de maneira lenta, progressiva e
constante. A velocidade do acionamento aumentará com o tempo de treinamento,
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devendo os atiradores inexperientes fazê-lo lentamente até levar um susto com o


disparo.

Posicionamento do dedo no gatilho


Esta imagem representa o acionamento realizado por um atirador destro.
Com um canhoto, ocorre a inversão da direção.

https://jeffersonhonorato.wixsite.com/lifestyletactical/untitled

VARREDURA DO ALVO
Adota-se também o nome scanear, que significa buscar, varrer, caçar. Nessa
técnica, deve-se olhar por cima da arma (Pronto-Alto), e varre-se o alvo olhando
para todos os lados, visando impedir a chamada visão em túnel, ou seja,
concentração visual em um único ponto de perigo com perda temporária da visão
periférica.
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PROCEDIMENTOS FUNDAMENTAIS DE SEGURANÇA


Controle de Cano
Sempre desviar o cano da arma de pessoas não suspeitas ou de outros
policiais. Dessa forma, busca-se criar “memória muscular” (caminhos neurológicos
entre o cérebro e o músculo) ao ponto de, mesmo em confronto, somente posicionar
o cano da arma para local que represente perigo, evitando-se acidentes e o
chamado “fogo amigo”.

Controle de Dedo
O dedo que fará o acionamento do gatilho deve estar estendido ao lado da
armação da arma, acima do gurada-mato, e nunca posto no gatilho. Estudos
demonstraram que o tempo de se levar o dedo ao gatilho e efetuar um tiro de
pronta-resposta é muito pequeno e não vale a pena mantê-lo posicionado na tecla
do gatilho, frente às possibilidades de acidentes.

GIROS ESTACIONÁRIOS NA POSIÇÃO EM PÉ

Perigo à Direita
Esta técnica segue a mesma sequência para o destro girar à direita e o
canhoto girar à esquerda.
1º passo: olhar para o perigo e realizar o controle de cano;
2º passo: girar nas pontas dos pés para a direita;
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3º passo: avançar a perna de trás para retornar a base forte/inicial e enganjar


o alvo.

Perigo à Esquerda
Esta técnica segue a mesma sequência para o destro girar à esquerda e o
canhoto girar à direita.
1º passo: olhar para o perigo e controle de cano;
2º passo: avançar a perna de trás;
3º passo: girar para à esquerda nas pontas dos pés e enganjar o alvo;

Perigo à Retaguarda
Para mudança de direção à retaguarda pelo lado esquerdo, o operador
deverá fazer controle de cano da arma, logo depois avançar a perna de apoio
(direita para os destros), efetuar o giro à retaguarda e, imediatamente, engajar o
alvo. Emprega-se a mesma técnica tanto para arma curta quanto para arma longa.
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Obs.: o canhoto realiza esse movimento para girar pela direita.

Para mudança de direção à retaguarda pelo lado direito, o operador (destro)


deverá fazer controle de cano da arma, efetuar o giro à retaguarda, recuperar a base
e, imediatamente, engajar o alvo. Emprega-se a mesma técnica tanto para arma
curta quanto para arma longa.
Obs.: o canhoto realiza esse movimento para girar pela esquerda.

Giros em deslocamentos
Em deslocamento, seja em qual velocidade estiver o operador, os giros serão
feitos da mesma maneira, visando o rápido e o seguro engajamento do alvo ou
ameaça.

GIROS ESTACIONÁRIOS NA POSIÇÃO AJOELHADO/TORRE


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Mesmo na posição ajoelhada/torre, o policial poderá fazer uma mudança de


direção, quando o perigo ou a ameaça surgirem de uma direção na qual não estava
em visada direta.
Perigo à Direita
Quando surgir um perigo à direita, o operador fará o controle de cano, fará o
giro do tronco, voltando-se para o lado do perigo (à direita), e voltará a engajar o
alvo (ameaça). A técnica é a mesma tanto para arma curta, quanto para arma longa.
Com esta, o policial poderá fazer mudança de plataforma de tiro.

Perigo à Esquerda
Quando surgir um perigo à esquerda, o operador fará o controle de cano, fará
o giro do tronco, voltando-se para o lado do perigo (à esquerda), e voltará a engajar
o alvo (ameaça). A técnica é mesma tanto para arma curta, quanto para arma longa.

Perigo à Retaguarda
Tendo o perigo surgido à retaguarda do operador, este fará o controle de
cano, olhará para trás, elevando somente o joelho que apoia sua posição, fará o giro
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à retaguarda, trocando o joelho base e a perna de apoio e apontará a arma para a


ameaça ou o perigo.
Com arma curta:

Com arma longa:


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GIROS ESTACIONÁRIOS NA POSIÇÃO DEITADO


Estando o operador deitado com visada voltada para frente, poderá realizar
mudança de direção, mantendo-se ainda deitado, com o objetivo de rapidamente
responder uma agressão ou checar, com segurança, uma ameaça que surja pela
esquerda, pela direita ou pela retaguarda.
Perigo à Direita
Quando o perigo ou a ameaça surgirem do lado direito, o operador deverá
girar seu tronco na direção do perigo; voltando sua visada para o lado direito,
mantendo a posição deitado.

Perigo à Esquerda
Quando o perigo ou a ameaça surgirem do lado esquerdo, o operador deverá
girar seu tronco na direção do perigo; voltando sua visada para o lado esquerdo,
mantendo a posição deitado.

Perigo à Retaguarda
Quando o perigo ou a ameaça surgirem à retaguarda do operador, este
deverá fazer um rolamento à esquerda ou à direita, passando a manter suas costas
e as plantas dos pés firmados ao solo, voltando sua visada para trás. A cabeça do
operador ficará levantada, através de um movimento de isometria abdominal.
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Perigo à retaguarda à direita


Após o rolamento e ter seu corpo voltado para trás, o operador pode localizar
uma ameaça mais à direita. Para que possa ter condições de pronto responder a ela,
deverá estender a perna direita e manter flexionada a esquerda, voltando sua visada
para o lado direito.

Perigo à retaguarda à esquerda


Após o rolamento e ter seu corpo voltado para trás, o operador pode localizar
uma ameaça mais à esquerda. Para que possa ter condições de pronto responder a
ela, deverá estender a perna esquerda e manter flexionada a direita, voltando sua
visada para o lado esquerdo.
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Obs.: Se for necessário que o operador se levante, este deverá cruzar umas
das pernas e com um impulos da outra perna para frente, projetar o tronco à frente
até tomar a posição torre.

RECARGAS/TROCA DE CARREGADOR
Durante a atividade operacional de polícia, possivelmente, será necessário
realizar alguma troca de carregadores (recargas), quer seja pelo emprego do
armamento em combate, quer seja para se preparar para iminente combate.
Recarga Administrativa
Consiste em colocar um carregador na arma, sem tirá-la do coldre. Tem o
objetivo apenas de manter a arma com carregador ou para situações nas quais não
se aconselha o manuseio de armas, não é utilizada para situações de confronto. Nas
armas curtas, a troca de carregador é feita quando ela ainda está no coldre, sem ter
de acionar qualquer nível de retenção do coldre ou mesmo ter de empunhar o
armamento. Nas armas longas, a troca de carregador é feita ainda no cabide ou na
posição “1”.
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Recarga Tática
Esse procedimento é executado em situação de confronto, quando o operador
sabe que a capacidade de tiro do carregado da arma não está completa, porque já
teve de utilizá-la. E, ainda, quando teve de interromper o confronto, na busca de
abrigo ou cobertura; momento em que realiza a recarga tática. Introduzir o
carregador reserva na arma e colocar o carregador que estava na arma no bolso da
calça ou mesmo no bolso do colete tático para não confundir com outros
carregadores reservas e que ainda estão completos. Dessa forma, o operador
poderá retornar à situação de confronto, agora, com sua arma com capacidade
máxima de disparo. A técnica e a mesma, tanto para a arma curta quanto para a
arma longa.
Recarga de combate/emergencial
É utilizada em situações de intenso confronto, quando todas as munições no
carregador da arma já foram utilizadas. É uma situação emergencial. Consiste no
método de o operador retirar o carregador vazio, deixando-o cair ao solo.
Concomitantemente a isso, saca o carregador reserva do portacarregador e efetua
sua introdução no receptáculo; fecha a arma e continua em confronto. Essa troca de
carregador deve ser feita de forma rápida, mantendo a atenção voltada para o
perigo. A técnica e a mesma, tanto para a arma curta quanto para a arma longa.
SOLUÇÃO DE PANES
Solucionar panes significa resolver a pane (falha) de uma arma para continuar
a utilizá-la em combate. Comumente, elas são divididas em invisíveis e visíveis.

Panes invisíveis
São chamadas assim porque o operador, ao olhar para arma, não consegue
identificar qual seria a provável causa e, portando, o método de solucionar passa ter
a sequência lógica abaixo, conforme a pane:
Nega ou carregador solto
Após um disparo, ao acionar a tecla do gatilho e notar que não ocorreu o
disparo, o operador deverá tomar as seguintes atitudes:
1º visualizar a arma para identificar a pane;
2º sendo pane invisível, bater imediatamente embaixo do carregador e
manobrar o ferrolho. Dessa forma, corrigirá duas possibilidades - carregador solto e
falha na munição ou nega;
3º retomar a posição “4” e continuar a sequência de tiro.
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Travamento do ferrolho (estojo inchado)


Após um disparo, ao acionar a tecla do gatilho novamente e notar que não
houve o disparo, o operador deverá tomas as seguintes atitudes:
1º visualizar a arma para identificar a pane;
2º atuar como no caso especificado no item “Nega ou carregador solto”;
3º ao manobrar a arma e perceber que o ferrolho está trancado, o operador
deverá manter a mão fraca, responsável pela manobra do ferrolho, segurando-o pela
parte serrilhada e bater com a mão forte no punho da arma contra o sentido da mão
fraca até conseguir extrair o estojo inchado na câmara da arma;
4º voltar à posição “4” e continuar a sequência de tiro.
Panes visíveis
São chamadas assim porque o operador conseguirá identificar visualmente
qual seria a provável causa e, portando, o método de solucionar o problema.
Duplo carregamento
Ao acionar a tecla do gatilho e notar que não ocorreu o disparo, o operador
deverá fazer imediatamente a visualização da arma para identificar a pane.
Percebendo que o ferrolho está aberto e dois cartuchos de munições estão
acumulados próximos à câmara da arma, deverá proceder da seguinte forma:
1º abrir a arma, trazendo o ferrolho à retaguarda e travando-o;
2º retirar o carregador e colocá-lo embaixo da axila da mão forte, bolso ou
porta carregador;
3º acionar o retém e realizar quantos golpes de segurana forem necessários
para extrair e ejetar o cartucho/estojo que estava na câmara da arma;
4º reintroduzir o carregador e fechar o ferrolho para carregar a arma;
5º voltar à posição “4” e continuar a sequência de tiro.
Chaminé, torre ou munição cruzada
Ao acionar a tecla do gatilho e notar que não ocorreu o disparo, o operador
deverá fazer a visualização da arma para identificar a pane. Percebendo que há um
estojo preso à janela de ejeção, o operador deverá proceder da seguinte forma:
1º lateralizar a arma para a direita e trazer o ferrolho totalmente à retaguarda;
2º soltar o ferrolho para carregar com outro cartucho e voltar à posição “4”,
continuando em combate.
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Mau trancamento
Ao acionar a tecla do gatilho e notar que não ocorreu o disparo, o operador
deverá fazer a imediata visualização da arma para identificar a pane. Percebendo
que a arma apreseta-se parcialmente fechada, com parte do ferrolho sem ter
completado seu fechamento e, portanto, não trancando adequadamente, o operador
deverá proceder da seguinte forma:
Atualmente existem duas técnicas para resolver essa pane:
1ª manter a a empunhadura simples e bater com a mão fraca na parte traseira
do ferrolho completando seu fechamento – deve-se levar em consideração o modelo
da pistola;
2ª manter a empunhadura simples e bater com a mão fraca embaixo do
carregador até o fechamento da arma;
Obs.: o operador deve ficar atento à necessidade de, em alguns casos, sanar
essa pane com o curto e leve alívio do ferrolho.

SAQUE COM A MÃO FRACA


Caso ocorra algum acidente que impossibilite o operacional de efetuar o
saque da arma curta com a mão forte, isso não impedirá que ele a utilize.
O saque deverá ser feito com a mão fraca, retirando a arma do coldre e
apoiando-a entre as duas pernas, próximo aos joelhos, para inversão da
empunhadura.
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No momento do apoio da arma entre as pernas e da inversão da


empunhadura, o operacional deverá manter o controle de cano, mantendo-o voltado
para frente e para o solo, sem apontar para os próprios pés. Terminando o
procedimento com uma empunhadura simples de mão fraca.

TIRO EMBARRICADO
É o tiro realizado com o uso de uma cobertura ou abrigo.
Cobertura: são os locais, objetos ou obstáculos que ocultam a silhueta do
ocupante, impedindo ou dificultando sua visualização, não oferecendo, contudo,
proteção balística;
Abrigo: São todos os locais, objetos, anteparos e os obstáculos que
oferecem proteção balística e visual ao seu ocupante.
Procedimento:
Para o tiro embarricado, o operador deverá manter-se com o corpo postado
atrás do abrigo ou cobertura, mantendo uma perna à frente como apoio. Se o corpo
estiver inclinado para a direita, a perna direita ficará à frente; caso esteja inclinado
para a esquerda, a perna esquerda estará à frente. Atenção para não deixar passar
o cano da arma pela barricada.
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1 – Atirador em pé:

2 – Atirador em posição torre:


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3 – Atirador em posição deitado:


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CUNHA, Pablo Nascimento da. Técnicas de Tiro Defensivo Policial: Teoria e Prática
/ Pablo Nascimento da Cunha (Cap QOC). João Pessoa: Fotograf, 2009. 248p.: il.
FLORES, Erico Marcelo; GOMES, Gerson Dias. Tiro policial: técnicas sem fronteiras.
Porto Alegre: Evangraf, 2006. 152p.:il.
GIRALDI, Nilson. Tiro Defensivo na Preservação da Vida – Método Giraldi.
Manual – Curso para Instrutores e Usuários. São Paulo-SP.
CAMPOS, Alexandre Flecha. Manual Prático do Instrutor: Tiro Policial Defensivo.
Goiânia-GO, 2010. 135 p:Il.
MENEGASSI, Giuvany. Manual de Operação da PST PT-100, 24/7 e 24/7 PRO
Brasília-DF 2008
HUDMAX, Carlos. Apostila de Tiro Defensivo – CFSD 2008;
DA SILVA, Wagner Ferreira. TÉCNICAS POLICIAIS – DOUTRINA E EMPREGO DO
GATE/CIGCOE, Polícia Militar do Mato Grosso do Sul. Campo Grande/MS - 2011

SITES CONSULTADOS
www.cbtp.org.br
www.cbte.org.br
www.alvos.com.br
www.jusnavegandi.com.br
www.ibccrim.com.br
www.direitocriminal.com.br
www.bibliotecajuridica.com.br
https://jeffersonhonorato.wixsite.com/lifestyletactical/untitled
https://warfare.com.br/wtm/edicao-138/single-portfolio-standard.html
http://tudosobrearmas.com.br/2016/02/20/tecnicas-de-tiro-visado/

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