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CONFERÊNCIA - HISTÓRIA DA MAÇONARIA

Em 07 de Março de 2002 - Casa da Comarca da Sertã

Minhas senhoras e meus senhores,

Permitam-me que os felicite por terem decidido organizar este jantar debate e sobre o tema da
Maçonaria, que me foi proposto de modo a apresentar não os aspectos contemporâneos, mas
sim sobre o ângulo da História.

Mas de que História podemos tratar? Necessariamente a do Homem praticante ou adepto da


Maçonaria, o Maçon. História dos Maçons portanto. Mas quando apareceram os maçons?
Quem foi o primeiro maçon? E quem iniciou o primeiro maçon, seria ele um pré-maçon, e
portanto também elegível para figurar numa historia da maçonaria? E será que os maçons
sempre foram conhecidos por este vocábulo “maçon”? è que hoje já não há romanos, mas sim
italianos...e se quisermos falar sobre a historia dos italianos, forçosamente que temos de
remontar aos romanos, e aos etruscos, tal e qual como para se falar da história dos
portugueses temos de remontar aos lusitanos e aos galaicos durienses... Para além do
problema de semântica, a identificação exacta do que se entende por maçon e por maçonaria,
temos um segundo problema que é o que se reduz em saber se de História temos o conceito
estrito de elementos em documentos escritos, ou se será possível recorrer também à pré
história...

Enfim terceiro e último problema. Que aspectos dos maçons e da maçonaria interessam a esta
pequena conferência? O da filosofia dos maçons? O das obras dos maçons? O da galeria dos
ilustres maçons? A temática dos mistérios e dos rituais? A das Lojas maçónicas, ou da suas
Obediências e Ordens? Vamos depois de postos os problemas à sua solução possível, ponto
por ponto: 1) do conceito de história, 2) do conceito de maçon, e 3) do essencial da maçonaria
– a iniciação.

1) do conceito de História
Todas as obras sobre História localizam o seu início em função da história do Homem
civilizado, e assim remontam a cerca de 4000 anos antes de Cristo. Um bom exemplo é a
História do Mundo de Christos Kondeatis (edição Caminho 1990) Cujo mapa de parede refere
na Europa a cultura megalítica, a civilização de UR na Mesopotâmia (as primeiras cidades
datariam de 3000 AC), a unificação do Egipto com o primeiro Faraó Menés, em 3100 AC, enfim
a época dos primeiros escritos sumários com pictogramas de 3100 AC, em tábuas de argila.
Recorde-se que a idade da pedra se estende até 2000 AC a idade do bronze (misturado com
cobre e ferro), que cede á idade do ferro em 1100 AC, e sempre com epicentro no Oriente ou
médio oriente. Mas vamos abarcar toda a Terra, todo o globo terrestre? Então devemos citar a
primeira civilização americana, dos Olmecas no México cerca de 1200 AC, a civilização do
povo Tcheu na China em 1120 AC.

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Será esta aproximação satisfatória? Podemos começar no neolítico e na idade dos metais, que
alguns situam a começar com a idade do cobre entre 2000 e 3000 AC, e a que se seguiram
com 1000 anos de intervalo a idade do bronze, e depois, quase 1000 anos depois a idade do
ferro como expõem W. Devos e R. Geivers no seu Atlas Historique (edição Erasme 1993)?
Podemos situar-nos no epicentro da civilização egípcia como ponto de partida? E se tivermos
em conta os aspectos não apenas materiais mas espirituais, podemos talvez situar o advento
da civilização no Egipto, portanto em momento anterior ao nascimento formal da filosofia grega,
com Thalés de Mileto em 585 AC, como de forma pedagógica ensina Jostein Gaarder em Le
Monde de Sophie (edição Seuil de 1995)...

Fiquemos pois no Egipto.

2) Do conceito de maçon.
Já alertámos para o facto de não nos devermos cingir a este vocábulo se pretendemos
averiguar a concepção e a caracterização de uma realidade maçónica, que hoje é percebida
em termos da Maçonaria Universal como relativa ao Homem, crente em Deus, Grande
Arquitecto do Universo, que pratica em Loja, depois de devidamente iniciado pelos seus
Irmãos, rituais esotéricos que lhe permitem melhor conhecer-se a si próprio, e ao Mundo,
postulando que não deve fazer aos outros aquilo que não gostavam que lhe fizessem a si.

Haveria maçons na idade Média (1212-1600) ? decerto....


Haveria maçons na idade das Luzes (1736- 1899) ? decerto...
Haverá maçons contemporâneos (século XX) ? decerto...

Estas afirmações baseiam-se numa cultura documentada relativamente assente, sobre a qual
há inúmera bibliografia objectiva, e claro, muitíssimos elementos lendários. Todavia naqueles
três períodos de tempo, Maçonaria e Maçons são claramente objecto de investigação, de
estudo e portanto de conhecimento, em variadíssimos autores como por exemplo Pierre A.
Riffard em L´esoterisme (edição Laffont, 1990).

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a) Na idade média, a Maçonaria era apelidada de operativa. Ou seja os detentores de ofícios


“corporativos” sacralizavam a sua profissão emergente dos tradicionais trabalhos de campo de
lavradores, ou de pastores. Algumas destas profissões como a de pedreiro ou de arquitecto (o
que planeia, ou projecta o arco e o tecto) afiguram-se particularmente importantes, porque o
trabalhar da pedra visando transformar a pedra bruta em pedra cúbica, adequada á construção
impõe necessariamente um trabalho de interiorizarão sobre si próprio, em o que resultado, a
obra prima externa, indicia um aperfeiçoamento interior, a nível da mestria do seu autor. Aliás
lê-se na primeira epístola de São Pedro (II, 5) o conceito de que o trabalhador é também uma
pedra viva sobre a qual e com a qual se edifica o edifício espiritual...tendo com referência o
Templo de Salomão, ou seja o primeiro edifício físico em que a Arca da Aliança fica depositada

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de forma imobilizada e permanente. A ideia base é a arquitectura ou o plano da construção, o


que implica o respeito de uma ideia ou concepção com regras e símbolos materializadas no
concreto por pedras, colunas, tectos, paredes, tecidos, artefactos diversos, em que se
transparecia o poder de autodomínio, e auto conhecimento de técnicas e segredos transmitidos
ciosamente, por uma cadeia sucessiva de mestres de obras, que se tinham oportunamente
iniciado nessa actividade operativa.

A vivência interior desses segredos, o auto aperfeiçoamento, a capacidade de realizar uma


obra apreciada por qualquer um, nos seus aspectos exteriores, significa o indício de uma certa
elite conceptual, bem diversa da comum dos guerreiros que visavam ainda que em auto
defesa, a destruição aos inimigos, ou a dos lavradores e pastores que surgiam como sujeitos
às leis da natureza. O maçon era pois um homem voltado para si, actuando em grupo
homogéneo, inspirado em regras ancestrais que lhe tinham sido transmitidas por mestres de
saberes e de valores Entrava-se nestes grupos depois de uma iniciação, era preciso ser
escolhido, prestar provas e ser aceite nestas irmandades, que nada tinham de religioso (não
eram nem monges nem sacerdotes), nada tinham de guerreiro (não eram soldados), nada
tinham de senhorial (não pertenciam a nobreza), nem eram dependentes dos trabalhos e
campo (não eram nem servos da gleba nem pastores) nem eram letrados ou eruditos.

Os Maçons ter-se-iam organizado lentamente talvez a partir de 1212, apenas com homens,
reunidos em Strasbourg em 1275. Dispõe se de documentação relevante sobre estas especiais
comunidades de maçons que se vão estruturando com base em declarações de princípios, de
cartas e de outras formas do que hoje se considera a “auto regulação de interesses” em termos
jurídicos, de “franchising” em termos económicos, e de “Lobby” em termos políticos.

Entre outros são citados


. 1212 London Assize of Wages (pedreiros)
. 1250 Album de Villard de Honnecourt (arquitecto)
. 1350 Manuscrito Cooke
. 1390 Manuscrito Regius (edição da tradução de René Dez por Guy Trédaniel, 1985).

Nestes documentos encontram-se espelhados vários elementos dos chamados Old Charges,
ou seja caracterização do maçon como homem leal, honesto e incorruptível, respeitador dos
seus irmãos, e da hierarquia de mestre, companheiro e aprendiz, o conhecimento da geometria
de Euclides (de Alexandria), a invocação de Deus, para a prática de um mester considerado de
arte divina, e que se integra no conceito de arquitectura real (palácios de Reis e Príncipes) e na
arquitectura sagrada (de Templos). A solidariedade, o direito à remuneração, a
responsabilidade, o dever de transmissão dos conhecimentos aos aprendizes, o respeito pelos
juramentos, entre outros elementos caracterizam o estatuto dos maçons, em que o dever da
solidariedade suplanta o direito à solidariedade.

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b) Na idade das Luzes, a maçonaria entra no seu período esotérico e moderno, também
identificada por maçonaria de adopção. Isto é, os maçons deixam de ser exclusivamente
integrados por profissionais de mesteres relacionados com a arquitectura e construção, para
receberem também burgueses e nobres. Estão em causa não os segredos de conhecimento
operativo, mas sim a elevação (revelação) dos conhecimentos especulativos e espirituais.

As datas de referência são aos do início do século XVIII, com a institucionalização da Grande
Loja de Londres (por reunião de Lojas pré existentes) e que viria a transformar-se mais tarde
na UGLE (United Grand Lodge of England), a Loja Mãe da Maçonaria Universal, com aceitação
espiritual do deísmo, e respeito pelo poder civil da Coroa:

. 1717 criação da Grande Loja de Londres


. 1723 Constituições dos Franco Maçons
. 1736 Discurso do Cavaleiro de Ramsay
. 1753 rito da Estrita Observância Templária do Barão Von Hundt
. 1758 Ordem CBCS Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa
. 1772 rito escocês rectificado de Willermoz
. 1778 Ordem dos Cavaleiros Eleitos Cohen de Martines de Pasqually
. 1785 Rito egípcio de Cagliostro

Importante documento a ter em conta são os Landmarks, que de tradição oral foram depois
vertidos em versão escrita da Regra em doze pontos, que hoje esta amplamente difundida e
acessível em variadíssimos livros e obviamente em numerosos sites da internet. Em termos de
referências filosóficas a Maçonaria nesta época recorre francamente aos Livros Sagrados
(Bíblia, Tora e Alcorão) e recebe a tradição hebraica da construção do Templo de Salomão, e
demais alegorias e simbolismos conexos.

c) A Maçonaria Contemporânea do século XX e até aos nossos dias acha-se polarizada em


Grandes Orientes e Grandes Lojas e em inúmeras outras organizações de Altos Graus (e a
que só se pode pertencer em “good standing” nas Grandes Lojas), e de diversos ritos, dos
quais os mais frequentes são dos York, o Rito Escocês Antigo e Aceite (REAA) e o Rito
Escocês Rectificado (RER). Constitui uma forma de expressão mundial e institucionalizada,
através de Conferências. As mais importantes são a Conferência Mundial das Grandes Lojas (a
II Conferência reuniu-se em Lisboa em 1996, a V será em 2002 em Nova Delli, Índia), as
Conferências anuais dos Grão Mestres e dos Grandes Secretários da América do Norte (que
incluem os EUA, o Canada e o México), e as Conferências anuais dos Grandes Secretários da
Europa.

Trata-se da Maçonaria Institucionalizada e legalizada, com inúmeros Templos, e publicações,


com expressão na Internet prevendo-se inclusive em Inglaterra para o próximo dia 16 de Abril
de 2002 a consagração da primeira Loja virtual. Esta maçonaria mantém obras de
solidariedade social, e abrange o mundo feminino em organizações para maçónicas como por
exemplo, a Ordem da Estrela do Oriente, (inexistente em Portugal), além de organizações de
influencia maçónica para jovens, a Ordem De Mollay para rapazes, e as Filhas de Job ou o
Rainbow para raparigas.

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Falamos obviamente de Maçonaria Universal (regular) porque existe um sem número de


organizações que se pretendem maçónicas, e que muitas vezes tem expressão apenas nas
suas fronteiras limitadas de adeptos, não sendo reconhecidas internacionalmente, e por isso
não se integrando na Maçonaria de Tradição. Assim, surgiram maçonarias mistas com homens
e mulheres, ditas de Direito Humano, e também maçonarias femininas, como a Grande Loja
Feminina de França, ou de Portugal. Outros Grandes Orientes e Grandes Lojas (irregulares)
multiplicam-se quer na Europa, quer na América Latina , mas não nos países de expressão ou
cultura anglo saxónica. Em Portugal reclama-se da Maçonaria O Grande Oriente Lusitano, O
Direito Humano, A Grande Loja Feminina, a Grande Loja Nacional de Portugal, a Grande Loja
Regular de Portugal, muito embora internacionalmente exista apenas como reconhecida desde
1991, a GLRP que actua sob a designação de uma associação sem fins lucrativos denominada
Grande Loja Legal de Portugal/GLRP, e cuja Loja mais activa de conhecimento externo é a
Camelot ( www.camelotsite.info ).

A razão da distinção entre Maçonaria Universal (Regular) e outras maçonarias é simples, na


maioria dos casos, porque são organizações não deístas, e que rejeitam a crença no Grande
Arquitecto do Universo, o dever de imparcialidade religiosa e política, e consequentemente, a
iniciação não implica o juramento sobre um Livro da Lei Sagrada. Para além destes casos, são
também irregulares aquelas organizações que não respeitem determinadas regras de
administração e legitimação maçónica, como por exemplo pretenderem actuar sobre o território
de Grandes Lojas reconhecidas, admitirem no seu seio maçons não iniciados regularmente,
como é o caso de uma pretensa Grande Loja Europeia que pretende actuar no âmbito
geográfico da União Europeia, ou ainda outras que resultam de cisões, e outros movimentos de
auto afirmação, e que portanto não asseguram a legitimidade da transmissão de origem da
consagração e reconhecimento, violando assim os Landmarks, e Os Antigos Usos e Costumes
praticados pela Maçonaria Universal, periodicamente reafirmados nas Conferências atrás
referidas.

3) Do conceito de iniciação
A Iniciação é um elemento indissociável da maçonaria, embora possa haver muitas outras
iniciações, tantas quantas as organizações que a requerem como forma de ingresso do seus
membros. A iniciação maçónica visa transformar um profano, postulante em maçon, através de
provas rituais a que é submetido por maçons, passando depois deste processo a ser
reconhecido como um igual, na sua condição de aprendiz. Mais tarde, pode passar o aprendiz,
mediante novas provas, a Companheiro, e finalmente através de novas provas, pode o
companheiro ser elevado a Mestre, sempre depois de prestar novos juramentos. Ou seja, a
iniciação comporta sempre para o recipiendário: 1) provas rituais, 2) apreciação favorável pelos
já iniciados e 3) juramento pelo neófito para selar a sua recepção como membro.

Segundo Jesod Bonum (in Secrets de la Magie de Eliphas Lévi, edição Laffont, 2000), o
iniciado tem a lâmpada de Trismegisto, ou seja a razão iluminada pela ciência, o manto de
Apolonio, ou seja o completo autodomínio de si próprio, e o bastão dos patriarcas, significando

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o apoio das forças ocultas e perpétuas da natureza. O iniciado é pois um homem que se
libertou de paixões, de constrangimentos e de superstições, pode avançar no desconhecido,
nas trevas da ignorância, apoiado no conhecimento que ganhou sobre si próprio e sobre a
Natureza, e depois partilhar com outros este estádio de elevação da sua consciência.

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O iniciado é pois alguém que atingiu a Luz, a compreensão de si, dos outros e da Natureza, e
assim goza com discrição do saber e o poder adquiridos, antecipa o futuro, trabalha o presente,
e recorda-se do passado. O verdadeiro iniciado não se abate, não desiste, não se rende aos
homens sem espiritualidade. E em maçonaria? A cerimónia de iniciação é retomada de
tradições imemoriais, algumas com registo na Bíblia, como o episódio de Hiram, outras de
origens diversas como a iniciação dos mistérios de Eleusis, ou dos cavaleiros Templários.

Segundo Daniel Ligou, (Dictionnaire de la Franc Maçonnerie edição PUF, 1987). A inciação
maçónica é típica das sociedades secretas, em especial das corporações de mesteres da
idade média, e exige:

. adesão livre, pessoal e preparada


. inquérito e interrogatórios rituais
. tempo de espera da candidatura
. idoneidade e boa reputação civil
. apadrinhamento por maçon
. período de reflexão isolado
. provas simbólicas e rituais
. juramentos sobre o Livro Sagrado
. admissão formal e solene
. participação no ágape (banquete) fraternal.

Mas estes são os aspectos esotéricos, isto é exteriorizados, não constituem em si mesmo um
segredo, e mesmo os rituais que se acham abundantemente divulgados, revelam ao ínfimo
pormenor os detalhes dos procedimentos adoptados. O verdadeiro segredo maçónico da
iniciação está nos aspectos esotéricos, ou seja, vivenciados intimamente na consciência do
iniciado, em função do conhecimento de si próprio, adquirido face ao simbolismo cujo
significado lhe é revelado, e que lhe permite interiorizar a Luz espiritual do Grande Arquitecto
do Universo, e a compreensão da Criação.

É essencial a predisposição espiritual do candidato, e a sua maturidade psicológica, e


desejável a sua independência económica. O actual Grão Mestre da Maçonaria Regular
portuguesa, José Anes, (A Iniciação Maçónica, uma via de espiritualidade, in Religião e Ideal
Maçónico - convergências, edição da Universidade Nova de Lisboa, 1994), defende que só
pode ser iniciado quem já tem uma religião, ou que acredite no Grande Arquitecto do Universo.

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A iniciação é pois o caminho para a inteligência do Transcendente, para a compreensão da


Harmonia do Universo, para a correcta situação do destino do Homem no Cosmos. Em
Maçonaria toma como referências uma tradição ancestral de arquitectura do Templo de
Salomão, de base operativa, de influência sacerdotal e de conotações cavalheirescas, ao
mesmo tempo, como se deduz da presença respectivamente, do esquadro e do compasso, do
Livro da Lei Sagrada, e da espada.

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Sem desprimor para outras iniciações esotéricas, esta será porventura uma das mais
completas face à História conhecida da Humanidade. E não receamos identificar a iniciação
maçónica regular como muito superior à iniciação maçónica irregular, porque, recusando esta
última a espiritualidade do sagrado, mais não é do que a admissão humanística num circulo de
amizades e solidariedade profanas, embora de elevado sentido cívico, como resulta dos
valores da liberdade, da fraternidade e da igualdade. É porém grande a diferença entre valores
materiais e valores espirituais, e que resultam dos diferentes planos, o imanente e o
transcendente. A grande questão é saber se a iniciação maçónica implica uma morte e um
renascimento como a quase unanimidade dos autores maçónicos sustentam, ou se é antes a
aquisição de um saber novo, uma iluminação, e uma ascese. Acima de tudo, a iniciação é uma
viagem espiritual que visa a obtenção de uma revelação do transcendente, que o próprio
iniciado adquire por vivência, sem que lhe seja transmitida exotericamente, isto é
explicitamente, pelos maçons reunidos para o efeito em Loja. 

O maçon iniciado interioriza na sua intimidade, de consciência desperta pelo simbolismo, a


chave da criação do mundo, e a chave da sua própria criação humana, sempre a partir do Kaos
em que é lançado. Finda a cerimónia, se bem realizada e bem vivida, o iniciado adquiriu um
grau superior de saberes, que lhe permitirá continuar caminho para superiores degraus de
conhecimento e de integração universal. Existem muitos rituais maçónicos de iniciação, e como
já se disse, até disponíveis na internet, e por isso podem-se inventariar alguns elementos
comuns:

. o candidato apresenta-se vendado 


. entra como numa caverna, numa sala que desconhece
. encontra inúmeros obstáculos de difícil percepção
. é sempre guiado pela mão por um condutor
. recebe indicações constantes de caracter ritual
. ouve sons de confrontos confusos
. é confrontado com o ar, o fogo, a água e a terra
. são-lhe propostos juramentos
. enfrenta na semi obscuridade ameaças potenciais
. é apaziguado com as luzes acesas, e com a visão do Templo
. são-lhe transmitidos sinais e palavras rituais

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. é reconhecido como maçon, e recebido como um irmão


. é chamado a provar a sua solidariedade
. assiste a intervenções explicativas da cerimónia
. é investido com um avental e com luvas rituais
. depois da cerimónia participa numa refeição conjunta (ágape)

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Quem é maçon e ler estas linhas assume-as com um significado profundo. Quem o não é,
porque não foi iniciado, dificilmente delas retirará qualquer ensinamento e muito menos
qualquer revelação. Mesmo que uns digam que os procedimentos representaram a sua morte
como profano, e o seu renascimento como maçon, ou que se vá mais longe, e se explique que
de olhos vendados assistiu a criação do mundo e ao seu nascimento do ventre materno, e
assim compreendeu o fenómeno da criação. Aliás o fenómeno da criação que as mulheres, por
o serem, e poderem conceber, não necessitam de assistir em representação para
compreenderem uma realidade que lhes é imanente e não transcendente. Essa é Razão pela
qual, aliás, as mulheres não necessitam da iniciação maçónica para a sua vida espiritual, e
pelo que em nossa opinião não faz sentido a iniciação feminina maçónica, nem a maçonaria
mista, e muito menos feminina, e muito menos com rituais de nomenclatura masculina.

Subsiste uma interrogação. Então e Darwin não explicou pela teoria da evolução das espécies
que o Homem é que criou Deus á sua imagem, e não o inverso, já que com toda a
probabilidade o “homo sapiens” não é mais do que um elo na cadeia evolutiva dos hominideos
que há mais de 6 milhões de anos viveram no Quénia? Subiste outra interrogação, mas a
evolução do Homem explica-se apenas em termos terrestres? Então não é verdade que um
padre jesuíta George Coyne, director do Observatório Astronómico do Vaticano, revelou
recentemente (Diário de Noticias, 8 de Janeiro de 2002), a sua convicção na existência de vida
extraterrestre? E também não é verdade que ganha cada vez mais adeptos a teoria de que a
vida na terra, poderá ter tido origem noutros planetas, em resultado da descoberta de bactérias
a mais de 40 Km de altitude como noticiou o Correio da Manhã de 1 de Agosto de 2001?

Terá assim plausibilidade a Teoria da Panspermia de Fred Hoyle e de Chandra


Wickramasinghe, de que a vida não nasce espontaneamente, mas está presente em toda a
parte, e viaja pelo cosmos fertilizando planetas, como uma espécie de semente universal,
conforme divulgado entre nós no II simpósio Internacional “Fronteiras da Ciência”, em
Setembro de 2001, na Universidade Fernando Pessoa, no Porto? E a ser assim, se há vida em
outros planetas (ou no espaço), será que a evolução da vida hominidea na Terra não sofreu
(beneficiou) de cruzamentos (experiências) de seres mais evoluídos, que teriam inclusive
estado na origem da própria civilização egípcia? Assim se justificaria que as pirâmides
tivessem sido projectadas bem antes da sua construção, cerca de 10.000 AC , em vez da sua
data de referência cerca do século III antes de Cristo? Será essa a data do início da Maçonaria,
ou seja da Sabedoria do Universo, e da possibilidade da capacidade humana desenvolver o

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engenho de construção e de arquitectura? 

Terá esse saber de origem divina e extraterrestre tido os seus continuadores nos grandes
iniciados?

Só o Grande Arquitecto do Universo tem a resposta. [1]

Sertã, ao Oriente de Portugal,


Ao sétimo dia, do terceiro mês de 6002

Luís Nandin de Carvalho


M.·.M.·., e Grão Mestre Ad Vitam da G.·.L.·.R.·.P.·..

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