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Oficina de Ataque e Defesa Astral

por Victor Vieira

23 e 30 de outubro e 06 e 13 de novembro de 2021


O que é magia?

Magia por Aleister Crowley: “Magia é a Ciência e a Arte


de Provocar Mudanças em Conformidade com a
Vontade”.

Magia por Israel Regardie: “Magia é a ciência e a arte de


usar estados de consciência alterada para provocar
mudanças em conformidade com a vontade”.

Apesar de Crowley e Regardie dizerem praticamente a


mesma coisa, é muito importante pensarmos que para
Aleister o estado alterado de consciência está implícito
em todo o trabalho, pois leva em consideração que não
há treinamento mágicko sem um trabalho bem executado
com a ashtanga-yoga, da qual faz uso em seu Liber ABA
na Parte I. Porém, para Israel, é necessário levar em
consideração o estado alterado de consciência como um
argumento a mais, pois ele vem de uma sucessão de
escolas esotéricas ocidentais que necessitam por
completo da menção de todo o aparato.

Magia dentro de minhas experiências é a utilização da


consciência e presença na observação da manifestação da
natureza para se beneficiar de seus padrões a fim de usar
a sorte de maneira intencional.

O que é Vontade?

No De Lege Libellum (Liber CL), Crowley define a


Verdadeira Vontade como a vontade que não se
conforma com as coisas parciais e transitórias, mas…
procedem firmemente para ao Fim”, e na mesma
passagem ele identifica esse “Fim” como a destruição de
si mesmo em Amor. O Amor é chamado também de
Ágape, que em Thelema é geralmente usado para
denotar o amor que permeia e impele a criação, a única
substância capaz de unir dois separados.

Por que unir Magia e Vontade nos tópicos iniciais?

Magia é algo que acontece como expressão da Vontade,


pois todo ato mágicko é um ato consciente e livre da
ânsia de resultado, demonstrando que livrar-se da
ansiedade pelo acontecimento que se manifesta é ter a
plena certeza de que sua manifestação é a única
possibilidade, pois ela é a manifestação única que brota
de nossa essência utilizando o ego como ferramenta.

Quando falo de ego, falo do “eu”, e aqui não falaremos


sobre dissolução, mas sim de reconhecimento,
apropriação e validação do ego.

Para falarmos de ego, precisaremos abordar a Verdadeira


Vontade novamente, para dizer que ela não é uma
missão, não é uma ocupação, um emprego ou uma
atividade, mas a expressão única que usa o eu como
meio. Isso significa que cada ato validado pela fuga do
utilitarismo não racionalizado é um ato de vontade, o que
não se trata de um estado de dormência, mas de um
estado de atenção plena ao momento da ação, o agora,
em que se age por si e em si, e que perde sua validade
quando se torna um ato em relação ao outro. Kant
chamaria a Verdadeira Vontade de Imperativo
Categórico, seu termo cunhado dentro da teoria de que
tomar atitudes como um ato moral é agir sem afetar ou
agredir os demais, se manifestando através de três
diferentes fórmulas:

1. Lei universal: “Age como se a máxima de tua


ação devesse tornar-se, através da tua vontade,
uma lei universal.” Variante: “Age como se a
máxima da tua ação fosse para ser transformada,
através da tua vontade, em uma lei universal da
natureza.”
2. Fim em si mesmo: “Age de tal forma que uses a
humanidade, tanto na tua pessoa, como na pessoa
de qualquer outro, sempre e ao mesmo tempo
como fim, e nunca simplesmente como meio.”
3. Legislador da autonomia: “Age de tal maneira
que tua vontade possa encarar a si mesma, ao
mesmo tempo, como um legislador universal
através de suas máximas.” Variante: “Age como
se fosses, através de suas máximas, sempre um
membro legislador no reino universal dos fins.”

Saindo do século XVIII, quando o Imperativo


Categórico foi proposto, para o início do século XX,
mais precisamente 1904, até os dias de hoje, afirmo que
esse imperativo se traduz na Lei de Thelema, “Faze o
que tu queres há de ser tudo da Lei”, onde todo ato de
Vontade um ato consciente e livre de ansiedade,
nomeando-o como mágicko, um ato causador de todas as
consequências, mas nunca causado.
Nos propomos, ao fazer magia, a alcançar atos perfeitos
por si, e para que os atos sejam perfeitos, devemos
primeiramente nos apropriar de nosso eu e, em seguida,
nos apropriar de seu conteúdo, incluindo virtudes e
vícios, pois somente assim, reconhecendo nossos limites,
compreenderemos como válida a mágicka que temos
para servir a Vontade e, ainda, “melhorar suas peças”
para um melhor aproveitamento.

Ética e moral: atacar ou defender?

Pensar nessa resposta por si já é um ato emocional.


Pensamos em como o ataque deve ser executado na
medida em que algo nos machuca, pensamos em como
uma defesa deve ser feita através do medo que temos de
perder algo, seja nossas vidas, nossos pertences materiais
e até mesmo nossos parentes e amores: POSSES! As
respostas sobre atacar ou defender são feitas com base
naquilo que nos tem, e não no que temos.

Pensar no que é nosso evoca em nós o que temos de mais


interno sobre a criação que nos foi dada enquanto seres
sociais. Quando o que é seu é ameaçado, naturalmente é
colocado em xeque tudo aquilo que você é, porque é
vendida a ideia de que muito do que você tem é parte de
quem você se torna.
Como decidir atacar ou defender numa sociedade que a
todo momento ameaça o que é nosso, mas diz que atacar
é algo violento e sem necessidade e que defender é algo
que não deve ser estimulado porque tudo o que nos
acontece é movido por algo maior que nos fará aprender
com a adversidade?

Dentro do quesito da ética e da moral sobre conflitos


mágickos, devemos lembrar que a magia somente se
desloca por estradas bem pavimentadas e que sempre
busca o caminho de menor resistência para fluir, assim
como a água, que jamais tem como princípio derrubar
muros, mas sim procurar por pontos naturais de
escoamento.

Estou dizendo isso porque, quando fazemos, por


exemplo, um ato mágicko em nosso benefício e alguém
se prejudica com isso, o mais provável é que, se a magia
o afetou de forma secundária em reação a nossa ação, é
porque provavelmente a pessoa afetada está
naturalmente inclinada a se prejudicar, de maneira que
assim foi influenciada. Se fazemos uma magia para que
um objeto caia na casa de alguém, o objeto que cairá será
provavelmente o mais próximo de alguma borda, ou o
que está sobre a superfície mais instável, ou o mais
próximo da pessoa mais desajeitada do ambiente.
Fazer magia, ou melhor, cometer um ato mágicko é estar
alinhado com a tendência da natureza, tornando a
Vontade do todo a sua Vontade, ou vice-versa. Portanto,
não há nada que seja influenciado por nós que já não
seria naturalmente manipulado.

Já pensou sobre o objetivo de fazer magia para arrumar


um bom emprego? Aquele emprego que bancaria seus
luxos, garantiria sua segurança financeira, familiar e
psicológica… Há vezes em que, para que uma vaga se
abra, ela deve se encerrar para outra pessoa. Quando se
disputa uma vaga de emprego, outros ficarão de fora e
sentirão o impacto da negativa. Quando nos esforçamos
para conquistar algo utilizando magia, é importante que
saibamos que a natureza é conosco uma só, e não há
nada que acontece que seja desviado de seu fluxo. O
ciclo da vida tem seus percalços, que somente são
definidos como problema ou solução de acordo com
aquilo que tem influência sobre nós.

A constituição do Ser que ataca e defende

Ser é o verbo que conjuga o alinhamento entre o homem


e sua natureza infinita quando em seu estado sublime de
presença.
Utilizando uma linguagem cabalística, diremos que a
natureza do homem é a natureza de deus, entregue a nós
através de um nome de quatro letras: ‫יהוה‬‎(YHVH).

Ao observarmos a imagem acima, vemos que cada letra


do nome de deus representa uma parte do corpo. A
seguir apresentarei algumas correlações da cabala com o
homem e símbolos próximos.

LEGENDA: “Letra – Letra hebraica – Quatro elementos – Naipes


do tarot – Chave de entendimento”

● Y – Yod – Mundo de Atziluth – Fogo – Bastões –


Impulso da criação
● H – He – Mundo de Briah – Água – Taças –
Sentimento
● V – Vau – Mundo de Yetzirah – Ar – Espadas –
Razão
● H – He – Mundo de Assiah – Terra – Discos –
Xxxxx

A imagem anterior nos mostra partes do nosso corpo


associada às áreas especificadas, porém, não significa
que cada parte do corpo somente se manifeste no plano
mencionado. O que acontece é que nosso corpo está
associado a cada plano de manifestação através de cada
parte referida na imagem.

● Y – Cabeça – Corpo criativo


● H – Membros superiores – Corpo sentimental
● V – Tronco – Corpo racional
● H – Membros inferiores – Corpo físico

Lógica do ataque e da defesa astral

Ataque

Um ataque depende de alguns fatores essenciais:

1. O atacante deve ter plena certeza do que o afeta e


como ele se sente de verdade em relação ao seu
alvo, seja este alguém a quem pediram para ele
atacar ou alguém que ele próprio escolheu;
2. O atacante precisa conhecer seu alvo, as
fraquezas dele, os pontos fortes, as habilidades e
as dificuldades.
3. O atacante não deve ter dúvidas sobre fazer o
ataque. Ao iniciar um ataque, este já começou, e
os estragos no alvo podem acontecer antes de o
atacante sequer acender a primeira vela.
4. Conhecendo as fraquezas e potenciais do alvo, o
atacante deve focar na fragilidade cuja habilidade
oposta é pouco benéfica ou pouco proveitosa,
pensando sempre que a raiz de um bom ataque
está na autoestima do alvo.
5. Compreender em qual dos quatro planos de
manifestação está a brecha que será usada para
que o ataque acerte a camada mais frágil do alvo.

Defesa

1. Aquele que busca se defender deve pensar sobre


suas fragilidades e ser íntegro quanto à avaliação
delas, evitando cair no vitimismo e na confiança
irresponsável.
2. Aquele que busca se defender deve compreender
o que sente em relação ao que acredita estar
exposto ao ataque e que por consequência pode
levá-lo a perda ou prejuízo.
3. Deve-se ter uma resposta concreta do motivo
pelo qual acredita fielmente que está sob ataque.
4. Devemos buscar uma noção concreta e sincera de
nossas habilidades que são capazes de
acrescentar em nossa autoestima (nesta palavra
mora o segredo de ataques e defesas).
5. Tenha em mente a resposta concreta do motivo
pelo qual você NÃO está sob ataque e compare
com a resposta dada sobre a motivação da crença
no ataque.

Estados alterados de consciência e gnose

“Gnose” ou “gnosis” vem do latim, traduzida como


“sabedoria”, e vemos muitas escolas de mistérios
trabalhando com o conceito através de figuras de
linguagem, que nos estimulam a acreditar que é algo
divino, intangível e externo.

Gosto dessa visão que coloca a gnose como algo fora,


porque de fato é parte do processo de alcance da gnose a
busca, e é natural de nós buscar fora aquilo que parece
impossível de existir dentro, não é mesmo? Por muito
tempo busquei a gnose fora de mim, pedi ao deus, pedi
ao diabo, pedi ao Santo Expedito e a Shiva. Não obtive
retorno de nenhum destes, inclusive de mim.

Éliphas Lévi diz em Dogma e Ritual da Alta Magia, em


seu capítulo 2, “As colunas do templo”, que gnosis é
conhecimento por intuição, vide que não é sobre
sabedoria, mas sim sobre conhecimento através da
permissão de um impulso legítimo, podendo-se dizer até
mesmo que é um conhecimento advindo do entusiasmo.
Isso me faz pensar em inúmeras coisas quando o leio,
inclusive considerando a estrutura da qual ele se vale
para abordar esse conhecimento, justo em seu capítulo
que fala de comparativo. O comparativo é essencial para
a gnose: gnose é o processo de individuação do eu sem o
filtro da razão, é aquilo que de forma íntegra observa o
que está fora, comparando-o com o que está dentro e
analisando o que é ou não parte um do outro.

Como gnose significa sabedoria, então, se há diferença


entre sabedoria e conhecimento? E Lévi retrata gnose
como conhecimento expresso através da intuição. O
ponto é que a sabedoria é a prática do conhecimento
conquistado através da intuição, principalmente quando
entendemos que praticar o que se obtém através da
intuição é uma questão de validação incrível do Eu, um
emprego da autoestima fundamental para a construção
de uma realidade pessoal assumindo a responsabilidade
de tudo aquilo que é e que há.

Lévi, quando menciona as colunas do templo como tema


de seu capítulo, se debruça sobre a dualidade presente
nos princípios herméticos, que, apesar de em muitos
aspectos já terem sido vencidos principalmente quanto a
nomenclaturas obsoletas, vencem sua ignorância através
da observação do conjunto da expansão e da
introspecção, sendo que o que está fora é trazido para
dentro através do processo do V.I.T.R.I.O.L. – “Visita
Interiora Terrae, Rectificando, Invenies Occultum
Lapidem”, que quer dizer: “Visita o Centro da Terra,
Retificando-te, Encontrarás a Pedra Oculta”, ou seja,
transforma o conteúdo em sabedoria, que é o
conhecimento vivo.

Dave Lee em Caostopia afirma que gnose é estado


alterado de consciência, algo que foi chamado por Spare
de êxtase, termo que complementa o título do livro de
Lee – Magia e Êxtase no PandaemonAeon –, no qual ele
afirma que, conhecendo o aparelho tecnológico que
administra esse processo de conversão detalhado por
Éliphas Lévi, e entendendo que esse aparelho é a
máquina humana que se distribui em sistemas
aglomerados por conjuntos de órgãos que desenvolvem
trabalhos objetivos e codependentes no corpo humano,
podemos chegar a alterações nesse status quo, causando
inúmeras “vírgulas” na narrativa da análise do mundo ao
nosso redor e levando-nos a leves percepções e
compreensões completamente diferentes de qualquer
visão comum do objeto observado. Esse entendimento é
análogo ao Dhyana da ashtanga-yoga, em que não
apenas vemos o objeto, como também o sentido por trás
de sua forma e a sabedoria que seu conhecimento
guarda; trata-se de observar sua função em movimento
para além da forma que o compreende.

Gosto de pensar a gnose como o espaço entre as coisas:


se há a possibilidade de observar o espaço entre as
coisas, há a possibilidade de observar o mundo em sua
estrutura, compreendendo onde tudo começa, termina e
continua, fazendo com que, ao conhecer a estrutura, sua
forma seja moldável ou compreensível no modo de lidar.
Aqui aproveito para finalizar este trecho chamando sua
atenção ao fato de que um futuro bem previsto é aquele
criado pelas mãos de quem conhece a estrutura da
realidade em que esse futuro se manifesta.

Para que serve a gnose?

Lembrando que gnose é a sabedoria cuja matéria


orgânica é composta de conhecimento prático, qual seria
a função de um conhecimento prático senão movimento?
Pensando que gnose é um estado alterado de
consciência, qual será a função de uma mudança de
perspectiva objetiva sobre a realidade senão a de um
comportamento que corrompa um ciclo a fim de tornar o
movimento anterior diferente para conquistar novos
resultados?
No dia a dia a gnose tem me servido de diversas formas.
Enquanto estado alterado de consciência, me ajuda em
questões emocionais cuja raiz abalaria meu consciente
superficial e apegado a pontos ilusórios de sua
construção. Também me ajuda a reduzir a velocidade dos
acontecimentos sem alterar seus ritmos, colaborando
com a análise de situações para que eu note se devo ou
não me envolver ou me retirar.
De forma mágicka e cotidiana, me ajuda a manter a
concentração em intenções cuja execução depende mais
de movimentos físicos que místicos ou intelectuais,
como objetivamente em perceber qual o lugar mais
apropriado para eu ficar em um trem lotado quando há
fatores como “qual porta se abrirá para que eu saia na
estação correta levando em consideração o amontoado
de pessoas que entrarão se atropelando no percurso das
estações que seguem”. Digo mágicka quando falo sobre
esses acontecimentos porque é uma forma de domínio da
realidade perceber os fatores que te acometem e que
podem ser dominados no nível de compreensão de seus
ciclos. Compreender as condições de um trem lotado em
seu cotidiano é tão mágicko quanto compreender que as
possibilidades de conseguir o dinheiro necessário para
viajar para um lugar específico no fim do ano são
menores que as possibilidades de intencionar uma
viagem sem determinar os meios, possibilitando que
amigos te convidem, que você ganhe sorteios e que
outros meios se manifestem. Perceber o conhecimento
prático se transformando em sabedoria, através de um
estado alterado de consciência, para manipular de forma
mais apta a realidade é dominar a gnose, como estado e
como prática esotérica e exotérica.

Alteração dos estados de consciência para prática


mágicka

A alteração dos estados de consciência é o primeiro


passo para a utilização da gnose, pois, assim como a
Vontade usa o eu para sua manifestação, a gnose usa o
corpo para a alteração de sua perspectiva da realidade,
que inclusive, através dessa percepção, se torna maleável
mediante a Vontade.
Sendo o corpo a porta para esse estado, devemos
compreender que a máquina humana tem sua forma
comum de agir não de acordo com o coletivo, mas com
sua rotina, como acordar, tomar café, fazer compras,
odiar algo ou saltar de paraquedas – tudo que faça um
processo de adaptação e automatismo para que tenhamos
a possibilidade de cuidar de nós mesmos durante os
momentos de socialização, e no fim das contas levamos
esses hábitos para o solitário de nossos quartos e ali
agimos automáticos como em sociedade. O intuito de
modificar as percepções físicas do momento para levar
nossa consciência a um evento sempre inovador em
relação ao cotidiano é nos mostrar a realidade de forma
diferente e maleável.

A máquina humana depende de uma programação para


guiá-la, e essa é a consciência, que, dependendo desta
máquina para existir, é afetada por suas condições,
fiações e estruturas num geral, se alimentando do
oxigênio absorvido pelos alvéolos pulmonares e levado
ao cérebro. O oxigênio que alimenta nosso cérebro chega
até ele através da corrente sanguínea, o que nos leva a
perceber que toda alteração mínima no fluxo corporal do
sangue altera também a oxigenação do cérebro, o que
naturalmente faz com que sua forma de perceber tudo ao
redor mude para um estado de economia ou exagero.

O corpo deve ser percebido como uma ferramenta de


trabalho quando utilizado para a gnose. Pensemos no
corpo como um mecanismo que a priori observamos por
suas funções estereotipadas e formatos mais óbvios, nos
levando a vê-lo como braços, pernas, cabeça e tronco.
Assim vamos ao domínio das funções básicas daquilo
que é observado e, domando esses impulsos, como
através de exercícios contínuos de imobilidade, podemos
perceber como o corpo tem sido instrumento de distração
da mente em relação a suas ansiedades, que a desviam de
todo estado de presença. Tendo percebido que o corpo
tende a desviar a atenção da mente, passamos a observar
a mente pela mente, não os pensamentos, mas a mente,
esse espaço imaginário que pensa, tal qual o corpo com
sua função mais rasa, observável e menos complexa. Ao
notarmos a mente como ela é, notamos a infinitude de
possibilidades abafadas pela repetição de tudo aquilo que
gostaria de ser evacuado através do corpo, nos
conduzindo à descoberta de que os pensamentos, quando
retidos, se comportam como uma garrafa de refrigerante
sacudida ou uma panela de pressão.

A mente tem seu fluxo, e compreender esse fluxo é o


elemento central para a concentração para a gnose.

Comece guiando seu corpo ao ato de respirar, notando a


sensação somente de permitir que o ar entre por suas
narinas e que saia pela boca, sinta o relaxamento, note
seus membros menos tensos e respire, cada vez mais. Vá
modificando o ritmo de sua respiração até que seu corpo
não tenha a oportunidade de agir ou pensar para além da
manutenção desse ritmo. Você em breve estará no vazio
do agora, que estará te esperando para criar de acordo
com a pureza de seu impulso mais genuíno.
Liber LXXVII vel Oz

“a lei do forte: esta é a


nossa lei e a alegria do
mundo.” AL II:21

“Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.” AL I:40

“tu não tens direito a não ser fazer a tua vontade. Faze
aquilo, e nenhum outro dirá não.” AL I:42-43

“Todo homem e toda mulher é uma estrela.” AL I:3

Não existe deus senão o homem.

1. O homem tem o direito de viver por sua própria lei –


de viver da maneira como quiser viver:

de trabalhar como quiser:


de brincar como quiser:
de descansar como quiser:
de morrer quando e como quiser.

2. O homem tem o direito de comer o que quiser:


de beber o que quiser:
de morar onde quiser:
de mover-se como quiser sobre a face da terra.

3. O homem tem o direito de pensar o que quiser:

de falar o que quiser:


de escrever o que quiser:
de desenhar, pintar, lavrar, estampar, moldar, construir
como quiser:
de se vestir como quiser.

4. O homem tem o direito de amar como quiser:

“tomai vossa fartura e vontade de amor como quiserdes,


quando, onde e com quem quiserdes.” AL I:51

5. O homem tem o direito de matar aqueles que querem


contrariar estes direitos.

“os escravos servirão.” AL II:58


“Amor é a lei, amor sob vontade.” AL I:57
Referências bibliográficas

1. Liber AL vel Legis, Aleister Crowley


2. Liber LXXVII vel Oz, Aleister Crowley
3. A Cabala Mística, Dion Fortune
4. Autodefesa Psíquica, Dion Fortune
5. Ataque e Defesa Astral, Marcelo Ramos Motta
6. Caostopia: Magia e Êxtase no PandaemonAeon,
Dave Lee
7. Liber ABA – Livro 4, Aleister Crowley

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