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6.

5 Forma de Interpolação Polinomial de Gregory-Newton

Nesta formulação o é necessário que os pontos usados sejam igualmente


espaçados e em ordem crescente, ou seja: ( x i =1 − x i = h, i = 0,1,2,....., n ).
A expressão da forma de Gregory-Newton é dada por:

∆f ( x 0 ) ∆2 f ( x 0 )
Pn ( x) = f ( x 0 ) + +( x − x 0 ) + ( x − x 0 )( x − x1 ) + .... +
1! ⋅ h 2! ⋅ h 2
∆n f ( x 0 )
+ ( x − x 0 )( x − x1 )...( x − x n −1 )
n! ⋅ h n

Onde h é o intervalo entre os pontos, e os termos ∆k f ( x j ) são diferenças ordinárias


de ordem k para o ponto x j .

Definição: Sejam os pontos x 0 , x1 , x 2 ,......... ., x n , igualmente espaçados com um passo


h, isto é, x j = x 0 + jh . O operador diferença ordinária é definido por:

∆0 f ( x ) = f ( x )
∆f ( x ) = f ( x +h) − f ( x )
∆2 f ( x ) =∆f ( x +h) −∆f ( x )
∆3 f ( x ) =∆2 f ( x +h) −∆2 f ( x )

∆n f ( x ) =∆n −1 f ( x +h) −∆n −1 f ( x )

Para facilitar os cálculos pode-se construir uma tabela para as diferenças


ordinárias. Para exemplificar, apresenta-se um exemplo para ordem 4.

x f(x) ∆f ( x ) ∆2 f ( x ) ∆3 f ( x ) ∆4 f ( x )
x0 f (x0 )

1
∆f ( x 0 )
x1 f ( x1 ) ∆2 f ( x 0 )
∆f ( x1 ) ∆3 f ( x 0 )
x2 f ( x2 ) ∆2 f ( x1 ) ∆4 f ( x 0 )
∆f ( x 2 ) ∆3 f ( x1 )
x3 f ( x3 ) ∆2 f ( x 2 )
∆f ( x 3 )
x4 f ( x4 )

Exemplo 6.7: Construir a tabela de diferenças ordinárias para a função f(x) tabelada abaixo:

x -1 0 1 2 3
f(x) 2 1 2 5 10

x f(x) ∆f ( x ) ∆2 f ( x ) ∆3 f ( x ) ∆4 f ( x )
-1 2
-1
0 1 2
1 0
1 2 2 0
3 0
2 5 2
5
3 10

Exemplo 6.8: Com os dados do exemplo anterior, aproximar f(0,5) pela Forma de
Gregory-Newton.

∆f ( x 0 ) ∆2 f ( x 0 )
P4 ( x) = f ( x 0 ) + +( x − x 0 ) + ( x − x 0 )( x − x1 ) +
1! ⋅ h 2! ⋅ h 2
∆3 f ( x 0 ) ∆4 f ( x 0 )
+ ( x − x 0 )( x − x1 )( x − x 2 ) + ( x − x 0 )( x − x1 )( x − x 2 )( x − x 3 )
3! ⋅ h n 4! ⋅ h n

−1 2 0 0
P4 ( x ) = 2 ++( x +1) +( x +1)( x ) +( x +1)( x )( x −1) +( x +1)( x )( x −1)( x −2)
1! 2 ⋅1 6 ⋅1 24 ⋅1
P4 ( x ) = x 2 +1

P4 (0,5) = 0,25 +1 = 1,25

2
Teorema 6.1
Seja x j = x 0 + jh , j = 0,1,2,...., n . Tem-se a seguinte relação entre diferenças
divididas e diferenças ordinárias:

∆n f ( x 0 )
f [ x n , x n −1 ,....., x1 , x 0 ] =
n! ⋅ h n

Estudo de Erros na Interpolação

Seja a interpolação através de dois pontos, ou seja através de uma reta conforme
mostra a figura.

f ( x)

f ( x1 ) P1 ( x)

f (x0 )

x0 x1 x

O erro é definido por: E n ( x) = f ( x) − Pn ( x), ∀x ∈[ x 0 , x1 ] . Seja a figura


com duas funções, f 1 ( x ) e f 2 ( x) .

f 2 ( x)
f ( x)

f 1 ( x)
f ( x1 )

f (x0 ) P1 ( x)

3
x0 x1 x

Observe que o erro vai depender da concavidade da função que estamos


interpolando, ou seja, da segunda derivada das funções f 1 ( x ) e f 2 ( x ) , ( f 1 ' ' ( x ) e
f 2 ' ' ( x ) ).

Teorema 6.2

Sejam x 0 < x1 < x 2 < .......... < x n , n+1 pontos . Seja f(x) com derivadas até a
ordem (n+1) para todo x ∈[ x 0 , x n ] .
Seja Pn (x ) o polinômio interpolador de f(x) nos pontos
x 0 , x1 , x 2 ,......... ., x n . Então em qualquer ponto x ∈[ x 0 , x n ] o erro é dado por:

n +1
f (ξ x )
E n ( x ) = f ( x ) − Pn ( x) = ( x − x 0 )( x − x1 )....( x − x n ) onde ξ x ∈[ x 0 , x1 ]
(n +1)!

Teorema 6.3
n +1
f (ξ x )
= f [ x, x 0 , x1 , x 2 ,......... ., x n ] onde ξ x ∈[ x 0 , x1 ] e x ∈[ x 0 , x1 ]
( n +1)!

Observações
• São raras as situações em que se conhece f n+1
( x) .
• O ponto ξx nunca é conhecido.

Corolário 6.1
Supondo as hipóteses do teorema 6.2 e se f n+1
( x) for contínua no
intervalo x 0 , x1 ] , tem-se a seguinte relação:
[

M n +1
E n ( x) = f ( x) − Pn ( x) ≤ ( x − x 0 )( x − x1 )....( x − x n )
( n +1)!

n +1
Onde M n +1 = x∈max
[x ,x ]
f ( x)
0 1

Corolário 6.2
Se além das hipoteses anteriores os pontos forem igualmente
espaçados, ou seja , ( x1 − x 0 ) = ( x 2 − x1 ) = ........ = ( x n − x n −1 ) = h , então:

4
h n +1 M n +1
E n ( x ) = f ( x) − Pn ( x) <
4( n +1)!

Exemplo 6.9: Seja f ( x) = e x + x −1 tabelado abaixo. Obter f(0,7) por


interpolação linear e fazer uma análise do erro cometido.

x 0 0,5 1 1,5 2
f(x) 0 1,1487 2,7183 4,9811 8,3890

P1 ( x) = f [ x 0 ] + ( x − x 0 ) f [ x 0 , x1 ]
Para x 0 = 0,5 e x1 = 1
f ( x1 ) − f ( x 0 )
P1 ( x ) = f [0,5] + ( x − 0,5) = 1,1487 + ( x − 0,5)3,1392
1 − 0,5
P1 (0,7) =1,7765

Como a função é conhecida, pode-se calcular o erro exato:


E1 (0,7) = f (0,7) −P1 (0,7) = 1,7137 −1,7765 = 0,0628

Pelo Corolário 1:
M2
E1 (0,7) = ( x − x 0 )( x − x1 )
2!
M 2 = max f ' ' ( x)
x∈[ 0 ,5,1]

f ' ( x ) = e x +1 f ''
( x) = e x
Para o intervalo x ∈[0,5,1] :
M 2 = e1 = 2,7183

2,7183
E1 (0,7) ≤ (0,7 −0,5)( 0,7 −1)
2
E1 (0,7) ≤ 0,0815

Pelo Corolário 2:
h n +1 M n +1 0,5 2 ⋅ 2,7183
E1 (0,7) < = = 0,0850
4(n +1)! 8
E1 (0,7) < 0,0850

Estimativa para o Erro

5
Para o caso de f(x) na forma de tabela utiliza-se o maior valor em
módulo das diferenças divididas de ordem (n+1) como uma aproximação para
M n +1
no intervalo [ x 0 , x n ] .
( n +1)!

E n ( x) =≤ ( x − x 0 )( x −x1 )....( x −x n ) ⋅ Max diferença dividida de ordem n +1

Exemplo 6.10: Seja f(x) dada pela tabela:


x 0,2 0,34 0,4 0,52 0,6 0,72
f(x) 0,16 0,22 0,27 0,29 0,32 0,37

a) Obter f(0,4) utilizando um polinômio de grau 2.


b) Estimar o erro cometido

x Ordem 0 Ordem 1 Ordem 2 Ordem 3


0,2 0,16
0,4286
0,34 0,22 2,0235
0,8333 -17,8963
0,4 0,27 -3,7033
0,1667 -18,2494
0,52 0,29 1,0415
0,375 -2,6031
0,6 0,32 0,2085
0,4167
0,72 0,37

Para obter-se um polinômio interpolador de grau 2, necessita-se de três


pontos. Escolhendo os mais próximos, tem-se: x 0 = 0,4 , x1 = 0,52 e x 2 = 0,6 .
P2 ( x ) = f ( x 0 ) + f [ x1 , x 0 ]( x − x 0 ) + f [ x 2 , x1 , x 0 ]( x − x 0 )( x − x1 )

P2 ( x ) = 0,27 + 0,1667 ( x − 0,4) +1,0415 ( x − 0,4)( x − 0,52 )

a) P2 (0,47 ) = 0,2780
E 2 (0,47 ) ≈ (0,47 −0,4)( 0,47 −0,52 )( 0,47 −0,60 ) 18 ,2494
b) −3
E 2 (0,47 ) ≈8,303 ×10

Escolha do Grau do Polinômio Interpolador

A tabela de diferenças divididas podem auxiliar na escolha do grau do


polinômio interpolador. Para tanto, deve-se construir a tabela e examinar a diferença na
vizinhança do ponto de interesse. Se as diferenças divididas de ordem n nesta vizinhança

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são praticamente constantes, pode-se concluir que o polinômio interpolador de grau n será
uma boa aproximação para a função considerada.

Exemplo 6.11: Para os dados tabelados defina a ordem do polinômio interpolador.

x 1 1,01 1,02 1,03 1,04 1,05


f(x) 1 1,005 1,01 1,0149 1,0198 1,0243

x Ordem 0 Ordem 1 Ordem 2


1 1
0,5
1,01 1,005 0
0,5
1,02 1,01 -0,5
0,49
1,03 1,0149 0
0,49
1,04 1,0198 0
0,49
1,05 1,0243

Observe que um polinômio de grau 2 deve resultar numa boa aproximação.