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Faculdade de Letras e Ciências Sociais

Departamento de Arqueologia e Antropologia

Licenciatura em Antropologia

Antropologia Política

Docente: Agostinho Manganhela

Discente: Almiro Camilo

2° Ano/2° Semestre

Segundo Balandier (1967) é possível encontrar precursores da antropologia política, entre os


precursores do pensamento político do século XVIII, no entanto, o precursor destacado como
fornecedor de matriz fundamental foi Montesquieu. Para além do pensamento npolitico do
século XVIII os primeiros antropólogos como Sir Henry Maine e Lewis Morgan. O primeiro
estabelece dois tipos de sociedades: sociedade baseada no status e sociedade baseadas no
contrato. O segundo destaca a distinção de dois tipos de sociedades: sociedade societas e
sociedade civitas.

Portanto, segundo Copans (1971) a génese do verdadeiro nascimento da antropologia política


data dos anos 30 e provem das investigações efectuadas no âmbito da antropologia aplicada.
Neste caso, antropologia política é uma variante da antropologia que surgiu na escola de
antropologia social britânica que os estudos estavam virados para África negra. Neste caso como
aponta Copans (Idem) o político na a antropologia dos anos 30 era definido unilateralmente o
que implica dizer que a primeira antropologia política era muito formal e apresentava descrições
das normas de funcionamento.

Para Balandier (1967) a Antropologia surge às vezes como um projecto muito antigo, mas
sempre actual e como uma especialização da investigação antropológica, de constituição tardia, a
antropologia, tende a fundamentar uma ciência do político que encara o homem sob a forma do
homo politicus buscando as propriedades comuns a todas as organizações políticas e a
Antropologia política dedica se à descrição e análise dos sistemas políticos (estruturas, processos
e representações) próprias das sociedades consideradas primitivas e arcaicas. Copans (1971)
acrescenta que o antropólogo dá particular importância às análises de casos de interacção dentro
de microcomunidades e constrói modelo que tem em conta a dimensão individual.

Segundo Balandier (1967) desde o início a Antropologia Política se confrontou com os debates
que foram tão essenciais à existência da filosofia política. Para o autor, o projecto da
Antropologia Política vai de certa maneira ao encontro da exigência dos especialistas que
pretendem fazer uma verdadeira ciência comparativa do governo. Segundo Copans (1971)
existem duas correntes apontadas que apõem-se consoante o nível considerado para realizar a
análise, nesta vertente, Balandier (1967) estabelece a referenciação e a delimitação do campo
político estabelecendo dois campos: os maximalistas e os minimalistas onde os primeiros cujas
referências são antigas com afirmação de Bonald: não há sociedade sem governo e os
minimalistas mostram-se negativos ou ambíguos acerca de atribuição de um governo a todas as
sociedades primitivas.

Balandier (1967) entende que o objecto da Antropologia Política impõe-se como modo de
reconhecimento e de conhecimento do exotismo político, das formas políticas. Balandier (Idem)
afirma que a Antropologia política surge sob aspecto de uma disciplina que estuda sociedades
arcaicas em que o Estado não está nitidamente construído e sociedades em que o Estado existe e
apresenta configurações diversas.

Para Copans (1971) o político refere-se a totalidade social enquanto tal. Assim, a associação
política caracteriza-se pela sua extensão, pelos fenómenos políticos e pelo poder político que é
inerente a qualquer sociedade. Segundo o autor, para tornar operacional a antropologia política é
necessário precisar as leis do desenvolvimento da sociedade. A passagem de sociedades sem
classes a sociedades com classes é no âmbito que o político adquire a sua autonomia sob a forma
de estado. Segundo o autor, a antropologia política só terá sentido se restringir-se a seu objecto
empírico nas estruturas sociais e na história porque deve-se situar o político na estrutura de uma
formação social enquanto nível especifico enquanto nível crucial em que se reflectem e se
condensam as contradições de uma formação.

Cardoso (1995) afirma que no principio da constituição da antropologia política privilegiou-se do


método comparativo, seus alvos eram os procedimentos dicotómicos. A antropologia política
operava, num domínio fundamentalmente homogéneo cujas variações, advindas das situações
diversas em que se encontram as diferentes sociedades, eram o objecto das comparações
metódicas a que se dedica a ciência. Balandier (1967) estabelece a diferença entre os métodos: a
via genética que coloca os problemas de origem e de evolução a longo prazo: passagem das
sociedades assentes no parentesco para as sociedades políticas; a via funcionalista que identifica
as instituições políticas nas sociedades dita primitivas a partir das funções assumidas; a via
tipológica que visa a determinação dos tipos de sistemas políticos, a classificação das formas de
organização da vida politica; a via terminológica; a via estruturalista que é aplicada ao estudo
dos sistemas políticos, a via dinamistica que pretende apreender ao mesmo tempo a dinâmica das
estruturas e o sistema das relações que as constituem.

Referência bibliográfica

Balandier, Georges. 1967. Antropologia Política. Lisboa: Editorial Presença.

Cardoso, Sérgio. 1995. Fundações de uma Antropologia Política (o caminho comparativo na


obra de J.-W. Lapierre). Revista de Antropologia. 38 (l): 7-47.

Copans, Jean. 1971. "A Antropologia Política". In: Antropologia: Ciência das Sociedades
Primitivas?. Lisboa: Edições 70.

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