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Universidade Federal de Juiz de Fora

Instituto de Ciências Exatas


Departamento de Química

Relatório
Laboratório de Termodinâmica Química
Prática 3: Equilíbrio sólido-líquido: misturas eutéticas.

Alunos:

Cristiano Faria Lopes


Matricula: 201465856A

Igor Lima de Paula


Matricula: 201665813AG

Mike de Oliveira Pires


Matricula: 201565815G

Talita Valverde Ferreira da Silva


Matricula: 201465847G

Docente:
Prof.Dr. Antônio Carlos Sant’anna
Turma A
Juiz de Fora, 02 de abril de 2018.
1. INTRODUÇÃO:

Uma mistura eutética apresenta um comportamento igual ao de substâncias puras


quando submetidas à fusão, apesar de serem constituídas de dois ou mais
compostos diferentes. Em propriedades físico-químicas a temperatura durante o
processo de fusão dos constituintes da amostra se mantém inalterada, ou seja,
ponto de fusão constante. Se fosse uma mistura comum, um dos ingredientes iria
se fundir primeiro, mas neste caso o ponto de fusão é o mais baixo possível, e
todos os constituintes cristalizam simultaneamente a partir do líquido. Podendo
concluir que o ponto de fusão de uma mistura eutética é inferior às temperaturas
de fusão de cada componente da mistura.

O gráfico a seguir representa uma mistura com pontos de fusão constantes


indicados pela região T1.

Figura 1: representação de uma mistura eutética.

No equilíbrio sólido-líquido é comum a existência de sistemas eutéticos. Para


construir diagramas de equilíbrio de fases de uma mistura de dois componentes de
concentrações ou proporções conhecidas utiliza-se a curva de resfriamento da
mistura. Essa curva é construída quando funde-se a mistura inicial e em seguida faz-
se leituras das temperaturas em intervalos de tempo regulares, com isso pode-se tirar
conclusões a partir de pontos de inflexão e patamares. Essas curvas são construídas
em gráficos de temperatura em função do tempo.
Existe na literatura vários exemplos de mistura eutéticas com aplicações bem
variadas. A solda é um eutético com importância tecnologia cuja composição em
massa é de aproximadamente 67% de estanho e 33% de chumbo, outro exemplo é a
mistura de NaCl (23%) com H2O (77%) que é muito utilizada em rodovias para ajudar
no descongelamento do gelo.

2. OBJETIVO:

Determinar as temperaturas de solidificação e do eutético variando as


quantidades de massas de naftaleno e difenilamina, obter curvas de resfriamentos
para cada uma das composições e por último, construir o diagrama de fases sólido-
líquido para a solução de interesse, achando qual é a relação eutética pro sistema
binário.

3. MATERIAIS UTILIZADOS:
 8 tubos de ensaio contendo soluções de naftaleno e difenilamina em
proporções diferentes
 8 termômetros digitais
 4 chapas de aquecimento
 Resistência (rabo quente)
 Água
 8 béqueres
 Haste universal
 Garra

4. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL:

Aqueceu-se as misturas sólidas de naftaleno-difenilamina em um banho térmico


até aproximadamente 90°C, agitando regularmente a mistura, o aquecimento só
parou quando toda a solução sólida sofreu completa fusão. Retirou o tubo do
banho térmico e fixou o mesmo em um suporte, lendo a temperatura do sistema,
de forma simultânea disparou o cronômetro e registrou o tempo da primeira leitura
como tempo zero, continuou-se anotando a temperatura de 30 em 30 segundos
até aproximadamente 3 minutos após a solidificação completa da amostra.
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Para a avaliação do equilíbrio sólido da mistura de naftaleno-
difenilamina, foram preparados tubos contendo proporções diferentes
desses dois componentes, como mostrado na tabela a seguir.

Tabela 1: Proporções de massas de naftaleno-difenilamina para os 7 tubos.


Amostra Massa de naftaleno (g) Massa de difenilamina (g)
1 5,0 0,0
2 4,5 0,5
3 3,5 1,5
4 2,5 2,5
5 1,5 3,5
6 1,0 4,0
7 0,5 4,5
8 0,0 5,0

Após a diluição total, os tubos de ensaio foram retirados do banho maria no


qual estavam sob aquecimento e a partir desse momento foi anotada a
temperatura em que os sólidos foram completamente diluídos e após cada 30
segundos foi anotada a temperatura em que os líquidos se cristalizavam até a
cristalização total dos sólidos.

Tabela2: Temperatura de cristalização de cada frasco em função do tempo.

T (seg) Tubo 1 Tubo 2 Tubo 3 Tubo 4 Tubo 5 Tubo 6 Tubo 7 Tubo 8


T(°C) T(°C) T(°C) T(seg) T(°C) T(°C) T(°C) T(°C)
0 91 70 86 77 86 57 80 53
30 88 67 78 72 82 56 75 52
60 83 61 71 68 78 54 72 50
90 79 56 66 64 73 52 68 47
120 77 52 62 61 69 51 66 46
150 77 49 59 57 65 49 64 45
180 76 47 56 54 61 46 60 44
210 76 44 53 51 57 45 57 43
240 76 43 50 49 55 44 54 42
R270 75 41 47 47 52 42 52 41
300 75 39 45 45 49 41 49 41
330 74 38 43 43 47 40 47 41
360 73 37 42 42 45 39 45 41
390 69 36 41 41 43 38 44 39
420 65 36 41 40 42 37 42 38
450 63 35 40 39 41 36 40 37
480 60 34 40 38 39 36 39 36
510 58 34 39 37 38 35 38 35
540 33 38 37 37 35 37 32
570 33 38 36 36 35 36
600 32 38 36 35 36 35
630 31 37 35 34 35 38
660 31 36 35 34 35 38
690 30 36 34 33 35 38
720 30 36 34 32 34 37
750 30 36 33 33 34 37
780 29 36 33 31 34 36
810 28 35 32 30 33 36
840 28 35 32 30 33 36
870 28 35 32 30 33 35
900 27 34 32 30 32 35
.
Com os dados de tempo (segundos) e temperatura (°C), é possível plotar os
gráficos de temperatura x tempo de cada tubo. Os gráficos foram construídos a
partir do software Origin 8.0.
A primeira inflexão encontrada nos gráficos acima, determina o inicio da
solidificação do componente da solução que se encontra em excesso. No
gráfico 1, a inflexão se encontra em aproximadamente 77°C. No tubo 2, em
aproximadamente 67°C e o frasco 3 em aproximadamente 53°C, representam
a solidificação do naftaleno. Nos demais tubos, a inflexão encontrada
representa a solidificação da difenilamina, pois a solução está rica neste
composto. Sendo assim, podemos observar que a temperatura de solidificação
está relacionada com o composto que se encontra em excesso na solução
trabalhada.

Com os dados obtidos e a massa molar do naftaleno (128,2g/mol) e da


difenilamina (169,2 g/mol, foi possível calcular o número de mol e a fração
molar de cada tubo de ensaio utilizando os valores das massas de cada
composto obtidos através da tabela 1. Os valores obtidos possibilitaram
construir o diagrama sólido-líquido dessa mistura.

massa ( g )
número de mols ( mols )=
g
Massamolar ( )
mol

Para o tubo 1, temos:

Número de mols = (5,0 g de naftaleno)/(128,2g/mol)


Número de mols = 0,0390 mols de naftaleno.

Numero de mols de difenilamina = 0 mols

Para o tubo 2, Temos:


Número de mols= (4,5 g de naftaleno)/(128,2 g/mol)
Número de mols = 0,03510 mols de naftaleno

Número de mols = (0,5 g de difenilamina)/(169,2 g/mol)


Número de mols = 0,0030 g de difenilamina.

Os cálculos de numero de mols foram feitos para todos os tubos, como


mostrado na tabela 3:
Tabela 3: Número de mols de naftaleno e difenilamina para os tubos estudados
na prática.

Tubo Número de mols de Número de mols de


naftaleno (mols) difenilamina (mols)
1 0,0390 0,0
2 0,0351 0,003
3 0,0273 0,0089
4 0,0195 0,0148
5 0,0117 0,0207
6 0,0078 0,0236
7 0,0039 0,0266
8 0,0 0,0295

Com o número de mols de naftaleno e difenilamina, é possível calcular a fração


molar dos compostos em cada tubo.

n ° de mols do componente
Fração molar=
número de mols total da amostra

No tubo 1, temos:
Fração molar do naftaleno = 0,0390 mols de naftaleno =1
(0,0390+ 0,00) mols da amostra total.
Fração molar da difenilamina = 0,0

No tubo 2, temos:
Fração molar do naftaleno = 0,0351 mols de naftaleno =
(0,0351 + 0,003) mols da amostra total

Fração molar da difenilamina = 0,003 mols de difenilamina


( 0,003 + 0,0390) mols da amostra total.
Foram calculados a fração molar dos componentes de todos os tubos, como
mostrado na tabela 4.

Tabela 4- Frações molares de naftaleno e difenilamina


Tubo Fração molar do naftaleno Fração molar da difenilamina
1 1,0 0,0
2 0,9212 0,0714
3 0,7541 0,2459
4 0,5685 0,4315
5 0,3611 0,6389
6 0,2267 0,7733
7 0,1279 0,8721
8 0,0 1,0

Com os gráficos obtidos da temperatura em função do tempo, foi obtido as


temperaturas de solidificação dos sólidos nos 8 tubos bem como suas
temperaturas eutéticas, como mostradas na tabela abaixo.

Tabela 5: Temperaturas de solidificação e eutéticos dos frascos estudados.


Tubo Temperaturas de
solidificação (°C)
1 87
2 67
3 53
4 43
5 49
6 55
7 66
8 77
Com as temperaturas de solidificação e a fração molar do naftaleno, foi plotado
o diagrama de fases do sistema naftaleno-difenilamina:

O ponto B representa a solução de naftaleno pura e o ponto A representa a


solução de difenilamina pura. O ponto e representa 3 fases em equilíbrio: os
sólidos naftaleno e difenilamina e a mistura eutética líquida. Abaixo do ponto
marcado como “e”, está os dois sólidos imiscíveis (naftaleno e difenilamina). A
esquerda e acima do ponto “e” tem-se a solução de difenilamina sólida e
naftaleno líquida. Entre a curva apresentada no gráfico acima, está
apresentada a temperatura onde os líquidos são miscíveis, pois a temperatura
de fusão dos dois líquidos foi atingida. Pode-se observar que a medida que se
aumenta a quantidade de naftaleno aumenta a temperatura de solidificação do
sistema até a temperatura eutética.
6. CONCLUSÃO

Na prática realizada e nos cálculos realizados a partir dela, foi possível


construir um diagrama de fases e avaliar a relação da temperatura com a
quantidade de naftaleno na composição das misturas. A partir do gráfico de
temperatura x tempo realizados para as oito soluções, foi possível observar o
ponto de solidificação de cada solução. Observamos também que que a
medida que a fração molar aumenta, o ponto de solidificação da solução
também aumenta. No diagrama de fases também é possível avaliar as “áreas”
onde os líquidos são miscíveis e/ou imiscíveis. O diagrama de fases obtido está
embutido de erros experimentais. Os erros podem ser justificados pela má
visualização do primeiro cristal formado na solução, onde deveria ter sido
anotado a primeira temperatura, gerando uma má formação dos gráficos de
Temperatura x Tempo e consequentemente gerando erros por todo o trabalho.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 Equilíbrio de fases em mituras não reativas, SANTANNA, A.C,
pag 8.
 Apostila de Laboratório de equilíbrio e cinética.

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