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APLICAÇÃO DA LEI PENAL

LEI PENAL NO TEMPO E NO ESPAÇO

LEI PENAL NO TEMPO

TEMPO DO CRIME

Art. 4º, Código Penal: “Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que
outro seja o momento do resultado.”

Para definir qual pena será aplicada para um crime, deve-se verificar qual era a lei vigente no
momento da ação ou omissão.

Desta forma, não há a possibilidade de o autor de um crime defender que deveria ser punido com
base numa lei anterior, a vigente quando ele planejou o crime. O que imporá é a lei vigente no momento
da execução do delito (da ação ou da omissão).

Por conseguinte, o Código Penal brasileiro, no que concerne ao tempo do crime, adotou a
denominada Teoria da Atividade, que é definida pelo Art. 4º supracitado.

RETROATIVIDADE DA LEI PENAL MAIS BENÉFICA

Art. 5º, XL, Constituição Federal: “A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu.”

Como visto, via de regra se aplica a lei vigente ao tempo do crime, no momento da ação ou da
omissão.

Entretanto, devido ao disposto no supracitado artigo da Constituição Federal, não só a lei não irá
retroagir para prejudicar o réu, como também deverá retroagir para beneficiá-lo, qualquer que seja este
benefício.

CONFLITOS DA LEI PENAL NO TEMPO

Eventualmente, haverá situações em que duas leis penais entrarão em conflito. Para solucioná-
los, no caso concreto, o operador do direito deverá lançar mão de uma das quatro possíveis soluções:

1) ABOLITIO CRIMINIS

Art. 2º, Código Penal: “Ninguém poderá ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar
crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória”.
Abolitio criminis significa a descriminalização de uma determinada conduta, que se torna lícita a
partir da entrada em vigor de uma nova lei.

Assim, por força da retroatividade benéfica, prevista na Constituição Federal, a nova lei irá
retroagir em benefício de todos aqueles que estão sendo acusados, processados, ou mesmo cumprindo
pena por aquela conduta criminosa.

Desta forma, com a Abolitio criminis, ocorrerá a chamada extinção da punibilidade do agente.

֎A abolitio criminis faz cessar apenas os efeitos penais, permanecendo os efeitos civis.

Por fim, vale ressaltar que, caso uma pessoa seja condenada e a condenação transite em julgado,
em regra numa próxima conduta delituosa ele deverá ser considerado reincidente. Contudo, se a lei
pela qual foi julgado for revogada, ocorrendo a abolitio criminis, então ele voltará ser considerado réu
primário.

2) NOVATIO LEGIS INCRIMINADORA

É o oposto da abolitio criminis. Nesse caso, a nova lei cria um tipo penal. Desta forma, levando
em conta a previsão constitucional, a lei penal em prejuízo não retroagirá.

3) NOVATIO LEGIS IN PEJUS – LEI NOVA MAIS SEVERA

Segue a mesma lógica da modalidade anterior, com a diferença que nesse caso a nova lei não
inovará, e sim provocará uma piora na situação do acusado,

Da mesma forma, essa lei não poderá retroagir, pois causará um prejuízo ao réu.
4) NOVATIO LEGIS IN MELLIUS – LEI NOVA MAIS BENÉFICA

Art. 2º, p.u, Código Penal: “A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos
fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.”

Da mesma forma que a lei que deixa de considerar um fato como crime, a lei que cria um cenário
mais favorável para o réu retroagirá, inclusive nos casos em que já houve o trânsito em julgado.

SÚMULA Nº 711 DO STF

“A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é
anterior à cessação da continuidade ou da permanência. “

Conforme o disposto nessa súmula, entende-se que se a questão tratar de um crime continuado
ou permanente, então deve-se aplicar sempre a última lei vigente antes da conduta delitiva se encerrar,
seja ela mais grave ou mais benéfica.

LEIS TEMPORÁRIAS E EXCEPCIONAIS

Art. 3º, Código Penal: “A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua
duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante
a sua vigência.”

Via de regra, a lei penal não pode retroagir nem ultravir em prejuízo, pois quase sempre se aplica
a lei mais benéfica. Todavia, no caso das leis temporárias e excepcionais, isso não ocorre. As leis
temporárias ou excepcionais, mesmo após revogadas, continuarão a alcançar os fatos praticados
durante a sua vigência.

LEI PENAL NO ESPAÇO

֎A aplicação das normas de Direito Penal quanto ao LUGAR do crime só deve ser utilizada
quando estivermos tratando de um crime perpetrado EM MAIS DE UM PAÍS. Para os casos
nacionais, deve-se levar em conta as normas do Direito Processual Penal.

Art. 6º, Código Penal: “Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão,
no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.

Conforme o disposto no Art. 6º do Código Penal, o legislador brasileiro adotou, no que concerne
à lei penal no espaço, a Teoria da Ubiquidade, isto é, uma teoria mista, na qual se considera que o crime
pode ocorrer tanto no local da ação ou omissão, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o
resultado.
TERRITORIALIDADE

Art. 5º, Código Penal: “Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de
direito internacional, ao crime cometido no território nacional.”

Esse tópico alude acerca da aplicação da lei brasileira aos delitos praticados dentro do território
soberano.

Assim, consoante o disposto no artigo supracitado, a territorialidade da lei penal brasileira é


considerada RELATIVA, visto que abre uma exceção para as convenções, tratados e regras de direito
internacional.

Dito isto, é imprescindível distinguir o território nacional propriamente dito e o território


nacional por extensão (ficto):

Art. 5º, §2º, Código Penal: “É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de
aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso
no território nacional ou em voo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar
territorial do Brasil. “

EXTRATERRITORIALIDADE INCONDICIONADA

Prevista no Art. 7º, I, do Código Penal, esse instituto define as hipóteses nas quais a lei penal
brasileira será aplicada, qualquer que seja o país onde ocorre o delito, mesmo que o agente tenha sido
absolvido ou condenado no estrangeiro. Assim:

֎Princípio da Defesa Real: justifica a aplicação da extraterritorialidade incondicionada.


EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA

Neste caso, previsto no Art. 7º, II e §2º, são definidas as hipóteses nas quais será possível a
aplicação da lei penal brasileira, desde que preenchidas algumas condições:
INTRATERRITORIALIDADE

É uma mitigação à territorialidade, permitindo a aplicação de lei estrangeira a fato praticado em


território brasileiro. É o que acontece, por exemplo, no caso da imunidade diplomática, por força da
Convenção de Viena.

CÔMPUTO DE PENA NO ESTRANGEIRO

Art. 8º, Código Penal: “A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo
mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas.”

De acordo com essa previsão legal, nos casos de extraterritorialidade condicionada, se o agente
cumprir pena no estrangeiro, então ele não pode mais responder novamente no Brasil, pois falta uma
condição.

Já se for o caso de extraterritorialidade incondicionada, então o agente poderá responder


novamente pelo mesmo fato no Brasil, mas a pena deverá ser abatida nos termos do Art. 8º, evitando-
se, assim, a violação do ne bis in idem

RETROATIVIDADE DE JURISPRUDÊNCIA

Diferentemente do que ocorre com a lei penal propriamente dita, não há direito à retroatividade
de jurisprudência.

TEORIA DO CRIME

CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES

CRIME COMUM, PRÓPRIO, MÃO PRÓPRIA, BICOMUM E BIPRÓPRIO

Classificação diretamente ligada aos sujeitos da infração penal.

I. Crime comum: é aquele no qual o tipo penal não requer nenhum tipo de qualidade específica do sujeito
ativo (autor). Ou seja, o delito pode ser praticado por qualquer pessoa. Exemplo: homicídio, roubo.
II. Crime próprio: é aquele que exige uma qualidade específica do autor. Exemplo: peculato (praticado por
funcionário público); omissão de notificação de doença (praticado por médico).
III. Crime de mão própria: além de ser um crime próprio, exige também que o autor em pessoa perpetre a
conduta. Assim, não admite a coautoria nem a autoria mediata.
IV. Crime bicomum: é aquele que não exige qualidade específica do autor nem da vítima. Exemplo:
homicídio, roubo.

CRIME MONOSSUBJETIVO E PLURISSUBJETIVO

Classificação relacionada à quantidade de agentes delitivos.


I. Crime monossubjetivo ou unissubjetivo: é o delito que exige apenas um agente para sua realização.
Admite, entretanto, o concurso de pessoas.
II. Crime plurissubjetivo: exige múltiplos agentes para que o crime possa ser configurado. Exemplo:
bigamia; rixa.

CRIME MATERIAL, FORMAL E DE MERA CONDUTA

Classificação relacionada com o resultado da conduta criminosa.

I. Crime material: para a configuração do crime, exige que ocorra o resultado.


II. Crime formal: ocorre, por exemplo, nos crimes de extorsão mediante sequestro. Isto é, basta
que o sequestro da vítima ocorra. Mesmo que o autor não obtenha vantagem alguma, o crime
estará consumado.
III. Crime de mera conduta: delito no qual o tipo penal descreve somente a conduta, não estando
previsto nenhum resultado naturalístico. Exemplo: crime de porte ilegal de arma de fogo.

CRIME DE AÇÃO MÚLTIPLA E DE AÇÃO ÚNICA

Classificação relacionada com o tipo penal e o número de maneiras de praticá-lo (quantidade de


verbos).

I. Crime de ação múltipla: é aquele cujo tipo penal prevê vários verbos para a sua prática,
bastando que o autor pratique um deles para ser responsabilizado. Exemplo: tráfico de drogas.
II. Crime de ação única: crime o qual o tipo penal prevê apenas um verbo, ou seja, só existe uma
forma de perpetuar a conduta.

CRIME QUALIFICADO, PRIVILEGIADO E SIMPLES

Classificação relacionada as circunstâncias que podem tornar a pena cominada ao crime mais ou
menos elevada, a depender do caso.

I. Crime qualificado: categoria de crimes cujo tipo penal prevê circunstância que pode tornar a
pena maior do que a do tipo simples. Exemplo: homicídio qualificado – Art. 121, §2º.
II. Crime privilegiado: categoria de crimes que possuem circunstâncias que tornam a pena menos
grave do que a do tipo simples. Exemplo: supressão ou alteração de direito inerente ao estado
civil de recém-nascido – Art. 242.
III. Crime simples: categoria dos tipos penais básicos, que não apresentam circunstâncias que
possam aumentar ou diminuir a pena de qualquer modo.

CRIME INSTANTÂNEO, PERMANENTE E INSTANTÂNEO DE EFEITOS PERMANENTES

Classificação relacionada à consumação do delito.


I. Crime instantâneo: é aquele cuja consumação é imediata. Exemplo: homicídio, no momento da
morte da vítima.
II. Crime permanente: crime cuja consumação se perpetua no tempo. Exemplo: cárcere privado.
III. Crime instantâneo de efeitos permanentes: crime cuja consumação é imediata, mas tem um
resultado que se prolonga no tempo. Exemplo: bigamia.

CRIME FUNCIONAL

Classificação relacionada ao sujeito ativo como sendo funcionário público.

I. Crime Funcional Próprio: só pode ser praticado por funcionário público. Se o autor não possuir
tal qualidade, não incorrerá em crime. Exemplo: prevaricação.
II. Crime Funcional Impróprio: caso o autor não seja funcionário público, ele será julgado por
outra infração penal (desclassificação do crime). Exemplo: peculato-furto, que, quando praticado
por particular, se torna simplesmente o delito de furto.

CRIME COMISSIVO, OMISSIVO E DE CONDUTA MISTA

Classificação relacionada à conduta praticada pelo agente.

I. Crime Comissivo: exige uma fazer, uma ação propriamente dita. Exemplo: Homicídio.
II. Crime Omissivo Próprio: exige uma conduta omissiva. Ou seja, espera-se que o agente pratique
uma ação em determinada situação, mas ele deixa de fazê-lo, incorrendo no crime. Exemplo:
Omissão de socorro.
III. Crime Omissivo Impróprio: ocorre também aqui uma conduta omissiva, mas quem a comete é
um indivíduo que tinha o dever de agir, isto é, de evitar o resultado e não o fez, respondendo
pelo crime que deveria ter evitado. Exemplo: um salva-vidas que deixa de ajudar alguém que
estava se afogando, irá responder por homicídio.
IV. Crime de Conduta Mista: Nesse caso, o tipo penal prevê tanto uma ação quanto uma omissão.
Exemplo: Apropriação de coisa achada – a pessoa encontra coisa alheia e deixa de restitui-la ao
proprietário.

CRIME UNISSUBSISTENTE E PLURISSUBSISTENTE

Classificação relacionada com o número de atos praticados. Não confundir com os crimes unis
e plurissubjetivos, que dispõem acerca do número de agentes envolvidos.

I. Crime Unissubsistente: É o crime que se consuma com a prática de um só ato. Exemplo: Injúria.
II. Crime Plurissubsistente: Consuma-se com a prática de um ou vários atos, dependendo da
situação. Exemplo: Homicídio.

CRIME CONSUMADO, TENTADO E EXAURIDO


Classificação relacionada com o iter criminis, ou seja, com o quão longe o autor conseguiu chegar
na prática delituosa.

I. Crime Consumado: Nesse caso, o autor superou as fases de planejamento, preparação, execução
e consumação de forma completa. Reunindo todos os elementos previstos em sua definição legal,
conforme dita o Art. 14, I, do Código Penal.
II. Crime tentado: Crime no qual o autor chegou à terceira fase do iter criminis (execução), mas
não o crime não foi consumado por circunstâncias alheias à vontade do agente.
III. Crime Exaurido: Crime no qual, além da consumação, ocorreu circunstância posterior ainda
mais lesiva. Exemplo: Extorsão mediante sequestro que efetivamente resulta no recebimento da
vantagem pelo criminoso,

TEORIA FINALISTA – ADOTADA PELO CÓDIGO PENAL

Estabelece que a prática de um fato típico deve ser visualizada como uma vontade com conteúdo.
Assim, o Dolo e a Culpa integram o fato típico.

A principal consequência da aplicação da teoria finalista é a avaliação do Dolo e da Culpa logo na


análise do primeiro elemento do crime, o fato típico.
CRIME TENTADO

Art. 14 (...)

II – tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade
do agente.

Tanto no crime tentado como no crime consumado, o Dolo é o mesmo. Apenas este, no entanto,
foi possível alcançar a totalidade dos elementos objetivos do tipo penal. Contudo, os elementos
subjetivos da conduta são idênticos para ambos.

ELEMENTOS DA TENTATIVA

I. Prática de um ato de execução;


II. Presença de elementos subjetivos;
III. Não consumação do crime por circunstâncias alheias à vontade do agente.

Não existe crime autônomo para tentativa. Assim, o Código Penal não preleciona em artigos
específicos sobre delitos tentados, e sim acerca da combinação do delito praticado com a revisão do Art.
14, II, do Código Penal.

PENA DA TENTATIVA

Art. 14 (...)

Parágrafo único – Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao
crime consumado, diminuída de um a dois terços.
TEORIA APLICÁVEL A TENTATIVA

Via de regra, o Código Penal adota a chamada teoria objetiva, para a qual a punição da tentativa
se dá por conta do perigo de dano acarretado pela conduta do agente.

Excepcionalmente, é aplicada a teoria subjetiva, encontrada no trecho “salvo disposição em


contrário” sublinhado acima. Assim, essa teoria é expressa na prática quando o tipo penal equipara a
forma tentada do delito à forma consumada, atribuindo a mesma pena aos dois casos.

Exemplo: Evasão mediante violência contra a pessoa – “evadir-se ou tentar evadir-se”.

CRIMES QUE NÃO ADMITEM TENTATIVA

1) CRIMES CULPOSOS

Na conduta culposa, o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo, não sendo,
assim, possível a tentativa.

2) CULPA IMPRÓPRIA

A Culpa imprópria ocorre quando o agente age amparado por uma descriminante putativa,
acreditando estar amparado por uma excludente de ilicitude, quando na verdade, não está.

3) CRIMES PRETERDOLOSOS

São aqueles crimes nos quais ocorrem um resultado agravador, mas que não era a intenção do
agente.

4) CONTRAVENÇÕES PENAIS

Art. 4º, LCP: “Não é punível a tentativa de contravenção.”

A tentativa da contravenção é materialmente possível, mas não é punível.

5) CRIMES UNISSUBSISTENTES

Como nesses crimes a fase de execução não admite fracionamento, também não é possível a
tentativa.

6) CRIMES HABITUAIS

Para esses crimes, não é suficiente praticar a conduta apenas uma vez. Caso o indivíduo não
reitere na prática delitiva, os atos praticados serão considerados indiferentes penais, não havendo
assim a tentativa.

7) CRIMES OMISSIVOS PRÓPRIOS


O agente delitivo nesse caso deixa de fazer o que deveria, de modo que, se ele não realizar a
conduta que lhe é imposto por lei, o delito se consuma.

DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA

Art. 15, CP: “O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o
resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.

O instituto da desistência voluntária apenas é aplicável antes da finalização dos atos executórios.

Outrossim, delitos unissubsistentes também não são compatíveis com esse instituto.

ARREPENDIMENTO EFICAZ

Previsto também no Art. 15 do Código Penal, o arrependimento eficaz ocorre depois de


finalizados os atos executórios e antes da consumação. Assim, após praticar a conduta, o agente se
arrepende e faz de tudo para salvar a vítima de sua conduta original.

ARREPENDIMENTO POSTERIOR

Art. 16, CP: “Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou
restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena
será reduzida de um a dois terços.”

O arrependimento posterior deve ser voluntário, o que não se confunde com espontâneo. Se o
agente delitivo recebeu a sugestão de reparar o dano e decidiu por fazê-lo, desde que não tenha sido
coagido, a aplicação do instituto será válida.

CRIME IMPOSSÍVEL

Art. 17, CP: “Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta ou por absoluta impropriedade do
objeto, é impossível consumar-se o crime.

O legislador adotou a teoria objetiva temperada para o crime impossível, segundo a qual a
ineficácia do meio e a impropriedade devem ser absolutas para o reconhecimento do crime impossível.

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FATO TIPÍCO – TEORIA DO CRIME

CONDUTA

A conduta é a ação ou comportamento humano. No direito penal brasileiro, ou o indivíduo age


de forma voluntária e consciente, ou não poderá ser responsabilizado. Não havendo conduta, não
haverá fato típico.

Disto, resulta que o crime praticado ou é doloso (intencional) ou culposo (por negligência,
imprudência ou imperícia).

Outrossim, o direito penal brasileiro adotou a denominada Teoria Finalista da Conduta, a qual
preleciona que toda ação típica deve ser concebida como um ato de vontade com conteúdo. Assim, em
decorrência dessa teoria é que o dolo e a culpa integram o fato típico.

Finalmente, são hipóteses nas quais não haverá conduta:

I. Inconsciência;
II. Atos reflexos;
III. Coação FÍSICA irresistível;
IV. Caso fortuito;
V. Força maior.

֎Coação física irresistível – excludente de conduta.

֎Coação moral irresistível – excludente de culpabilidade.

RESULTADO

Art. 13, CP: “O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe
deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.”

NEXO DE CAUSALIDADE

Art. 13, CP: “O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu
causa(...).

O resultado naturalístico deve ter sido causado pela conduta praticada. Desta forma, ninguém
pode responder por um resultado sob o qual sua conduta não teve influência alguma.

Nesse sentido, a teoria adotada pelo código penal no que concerne ao nexo causal é a chamada
Teoria da Equivalência dos antecedentes causais (conditio sine qua non).

CONCAUSAS
Na análise das concausas, não existe liame subjetivo entre os dois agentes que praticam as
condutas criminosas.

TEORIA NORMATIVA

Na teoria normativa, temos o chamado nexo causal normativo, ou seja, o agente será
responsabilizado por um resultado para o qual não deu causa, simplesmente porque não cumpriu o seu
dever de impedi-lo.

É o que ocorre nos casos dos crimes omissivos próprios (omissão de socorro) e crimes
impróprios (policial, salva-vidas etc.)

TIPICIDADE

TIPICIDADE FORMAL

É pura e simples adequação do fato à previsão legal.

TIPICIDADE MATERIAL

Para que um ato seja considerado materialmente típico, o desvalor da conduta deve ser
relevante, e o dano causado deve possuir uma lesividade significativa.

TIPO PENAL

CLASSIFICAÇÃO DO DOLO

1) DOLO DIRETO DE 1º GRAU - TEORIA DA VONTADE

O agente tem vontade de praticar a conduta e de produzir o resultado.

2) DOLO DIREITO DE 2º GRAU – DOLO DE CONSEQUÊNCIAS NECESSÁRIAS

O agente quer um resultado X, mas sabe que para alcançá-lo, um resultado Y (em regra mais
gravoso) será inevitável.

3) DOLO EVENTUAL – TEORIA DO ASSENTIMENTO/CONSENTIMENTO

O agente pratica uma conduta que possui uma consequência possível, assumindo a
responsabilidade, mas não deixa de fazê-lo.

TIPO PENAL CULPOSO


֎Culpa consciente: o agente prevê a possibilidade do resultado, mas o repudia.

֎Dolo eventual: o agente prevê o resultado, mas não se importa com a sua ocorrência.

CRIME PRETERDOLOSO OU PRETERINTENCIONAL

Nesse tipo de crime, o agente quer causar um determinado resultado, de forma doloso, mas acaba
causando outro resultado, de forma culposa.

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CONCURSO DE PESSOAS

Art. 29. Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na
medida de sua culpabilidade.

I. Concurso eventual: o tipo penal não exige a pluralidade de agentes – Homicídio.


II. Concurso necessário: o tipo penal exige a pluralidade de agentes – Associação
criminosa/bigamia.

REQUISITOS DO CONCURSO DE PESSOAS

PLURALIDADE DE AGENTES E CONDUTAS

Devem existir duas ou mais pessoas concorrendo para o crime. Nesse sentido, é possível que
inimputável concorra para a prática de crime em conjunto com um imputável. O menor será
responsabilizado pelo ato infracional praticado, e o adulto, pelo crime, considerado o concurso de
pessoas regularmente.

RELEVÂNCIA DE CADA UMA DAS CONDUTAS

Para que ocorra o concurso de pessoas, deve haver relevância causal e jurídica da conduta de
cada um dos agentes.
Se a conduta de determinado autor ou partícipe não influir na causa da infração penal, será
considerada um irrelevante penal.

VÍNCULO SUBJETIVO ENTRE OS AGENTES

Os indivíduos devem possuir a vontade de agir em conjunto. Outrossim, deve existir a chamada
unidade de desígnios entre os agentes delitivos. Do contrário, existirá a chamada autoria colateral.

֎Este vínculo não se confunde com a chamada “prévia combinação – pactum sceleris”. Não há a
necessidade de que os agentes tenham combinado previamente para que exista o concurso de pessoas.

֎Na autoria colateral dois agentes concorrem para um mesmo resultado delituoso – porém um não
conhece a vontade do outro. Há, somente, uma mera coincidência.

IDENTIDADE DE INFRAÇÃO PENAL

Todos os indivíduos concorrentes em uma infração penal, em regra, devem responder pelo
mesmo crime.

TEORIAS SOBRE O CONCURSO DE PESSOAS

TEORIA MONISTA OU UNITÁRIA

É a teoria aplicada em regra em nosso ordenamento jurídico. Segundo a teoria monista, todos
os autores, coautores e partícipes respondem pelo mesmo crime, na medida de sua culpabilidade.

TEORIA PLURALISTA

Excepcionalmente, os agentes pratica condutas concorrendo para um único fato, porém


respondem cada um por um crime – Corrupção ativa e passiva.

AUTORIA

A definição do autor do crime e sua diferenciação do partícipe vem da chamada teoria objetivo-
formal. Assim, Autor é aquele realiza o núcleo do tipo.

AUTORIA IMEDIATA

É a regra: ocorre quando o próprio indivíduo executa a conduta delituosa diretamente, sem
utilizar de um terceiro para tal.

AUTORIA MEDIATA
Ocorre quando um terceiro é utilizado como instrumento para executar seu intento criminoso.
Na autoria mediata, o terceiro é inocente, está atuando sem intenção de participar do crime.

A conduta, assim, será imputada ao autor mediato, e não ao terceiro que agiu de forma inocente.
Sucede nas seguintes situações:

I. Executor inimputável;
II. Obediência hierárquica;
III. Coação moral irresistível;
IV. Erro de proibição inevitável;
V. Erro de tipo inevitável provocado por terceiro.

Outrossim, não é cabível a aplicação da autoria mediata para os crimes de mão própria e para os
crimes culposos.

AUTORIA COLATERAL

É aquela que ocorre quando dois ou mais indivíduos concorrem para uma conduta visando um
mesmo resultado, porém desconhecem a intenção uns dos outros. Como não há liame subjetivo, na
autoria colateral não existe concurso de pessoas.

Ademais, a autoria colateral pode resultar na autoria incerta, quando por algum motivo, após a
execução do delito, não for possível determinar qual dos autores causou o resultado.

Desta forma, quando ocorre uma autoria colateral em que o resultado só ocorreu com a soma
das condutas praticadas, temos a chamada autoria acessória ou autoria colateral complementar.

PARTICIPAÇÃO

Partícipe é aquele que contribuiu para o crime sem realizar os elementos do tipo. Em virtude da
teoria do domínio do fato, esse conceito de partícipe só se aplica se o indivíduo não for o mandante
ou superior hierárquico do grupo que está realizando a conduta criminosa.

PARTICIPAÇÃO MATERIAL

Nada mais é que o auxílio na prática de uma determinada conduta delituosa. O indivíduo não
instiga ou induz, mas realiza uma conduta relevante para ajudar na execução ou preparação do delito.

PARTICIPAÇÃO MORAL
COOPERAÇÃO DOLOSAMENTE DISTINTA

§2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a
pena deste; essa pena será aumentada até a metade, na hipótese de ter sido previsível o
resultado mais grave.

Pode acontecer que dois indivíduos combinem de praticar um determinado crime, e que um
deles pratique uma conduta mais grave do que foi anteriormente combinado entre ele e seu parceiro.
Nessa situação, se não era previsível esse resultado mais grave, o indivíduo que concordou apenas
com a prática de um delito mais leve deverá responder por ele.

COMUNICABILIDADE DE CIRCUNSTÂNCIAS PESSOAIS

Art. 30, CP. Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando
elementares do crime.

I. Caráter não pessoal: são as circunstâncias ou elementares chamados de objetivas, as quais são
relacionadas ao fato, e não ao autor – Traição, emboscada, emprego de veneno ou explosivo.
II. Caráter pessoal: são circunstâncias ou elementares relacionadas ao autor – Ser funcionário
público, motivo de relevante valor moral.

Assim, se o coautor ou partícipe de um delito de peculato não for funcionário público, mas tiver
ciência de que está em concurso de pessoas com um funcionário público, responderá também pelo
delito de peculato, pois a circunstância pessoal irá se comunicar a ele.

IMPUNIBILIDADE

Art. 31, CP: o ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo disposição expressa em
contrário, não são puníveis, se o crime não chega, pelo menos, a ser tentado.

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CONCURSO DE CRIMES

O concurso de crimes ocorre quando o autor, mediante uma ou várias ações ou omissões, pratica
dois ou mais crimes.

SISTEMAS DE APLICAÇÃO DE PENA ADOTADOS PELO CÓDIGO PENAL

EXASPERAÇÃO

Utilizado nos crimes continuados e no caso de concurso formal perfeito.

Assim, aplica-se a pena do delito mais grave, aumentada de 1/6 a 1/2 (de acordo com a
quantidade de crimes) em razão do concurso de crimes.

SISTEMA DE CÚMULO MATERIAL

Utilizado nos crimes de concurso material e concurso formal imperfeito.

A partir desse sistema, aplica-se a pena de cada delito somada com as demais.

ESPÉCIES DE CONCURSO DE CRIMES

CONCURSO MATERIAL OU REAL

Art. 69. Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes,
idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja
incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e detenção, executa-se primeiro
aquela.

Ocorre quando o autor pratica mais de uma ação ou omissão para praticar mais de um crime.
Subdivide-se em:

I. Concurso Material Homogêneo: o autor pratica crimes iguais.


II. Concurso Material Heterogêneo: o autor pratica crimes de espécies diferentes.

Ademais, na hipótese de concurso material, se for aplicada pena privativa de liberdade não
suspensa para um dos crimes praticados, não mais será cabível a substituição da pena privativa de
liberdade por restritiva de direitos para os demais crimes praticados no concurso em análise.

1) CONCURSO MATERIAL BENÉFICO

Art. 70, parágrafo único. Não poderá a pena (do concurso formal) exceder a que seria cabível pela
regra do art. 69 (concurso material) deste código.
O concurso material é, via de regra, mais gravoso para o indivíduo do que o concurso formal.
Entretanto, em alguns, casos, pode ser que o sistema de cúmulo material seja mais benéfico do que o
sistema de exasperação.

Quando isso acontece, deve-se substituir o sistema de exasperação pelo sistema do cúmulo
material.

CONCURSO FORMAL OU IDEAL

Ocorre quando o autor pratica uma ação ou omissão para praticar mais de um crime.

1) CONCURSO FORMAL PERFEITO OU PRÓPRIO

Art. 70. Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes,
idênticos ou não, aplica-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas
aumentada, em qualquer caso, de um sexto até a metade.

O concurso formal próprio será aplicável nas seguintes situações:

I. Crimes dolosos sem desígnios autônomos: ocorre quando o agente pratica dolosamente mais
de um crime, quando queria praticar apenas um.
II. Crime doloso em concurso com crime culposo: o autor queria praticar apenas um crime, mas
acabou praticando mais de um crime por negligência, imprudência ou imperícia.
III. Crimes culposos: quando o agente delitivo não queria nem assumiu o risco de cometer nenhum
crime, mas acaba praticando mais de um delito de forma culposa.

֎O sistema de exasperação não se aplica à pena de MULTA. Pena de Multa é sempre aplicada de
forma cumulativa.

2) CONCURSO FORMAL IMPERFEITO OU IMPRÓPRIO

Ocorre quando o agente pratica dois ou mais crimes dolosos mediante uma ação ou omissão.
Assim, o agente tinha a intenção de praticar mais de um crime. Existência de desígnios autônomos.

Nesse caso, as penas serão aplicadas cumulativamente.

CRIME CONTINUADO

Nessa espécie, o agente realiza mais de uma ação ou omissão para praticar mais de um crime.
Porém, pelas condições de tempo, lugar, modo de execução e outras características, considera-se que
os crimes subsequentes são continuação do primeiro delito.

O crime continuado propriamente dito ocorre em três casos:

I. Crimes culposos;
II. Crimes dolosos, cometidos COM violência ou grave ameaça, contra a MESMA vítima.
III. Crimes dolosos, cometidos SEM violência ou grave ameaça, contra a mesma vítima ou
vítima diferentes.

1) CRIME CONTINUADO ESPECÍFICO

Art. 71, parágrafo único. Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência
ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a
conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, aumentar
a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou mais grave, se diversas, até o triplo (...)

O crime continuado específico, por sua vez, ocorre em crimes dolosos, contra vítimas diferentes,
cometidos COM violência ou grave ameaça à pessoa.

2) REQUISITOS PARA APLICAÇÃO DA CONTINUIDADE DELITIVA

I. Os crimes devem estar previstos no mesmo tipo penal (mesma espécie);


II. Pluralidade de condutas;
III. Circunstâncias objetivas: tempo entre um delito e outro no máximo 30 dias; modus operandi
parecido; unidade de desígnios ligando as condutas praticas em continuidade delitiva.

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DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

PECULATO

Art. 312, CP. Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem imóvel,
público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:
Pena – reclusão, de dois a doze anos, e multa.

§1º Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou
bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de
facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.

O tipo penal de Peculato trata da conduta de um funcionário público que se apropria, desvia
ou furta um bem do qual tem posse em razão do cargo.

Importante ressaltar que o peculato é classificado como crime funcional impróprio, pois se
praticado por particular será punível sob a tutela de um outro tipo penal genérico.

Ademais, o proveito auferido no delito de peculato não necessita ser necessariamente de


natureza econômica.

PECULATO-APROPRIAÇÃO

Art. 312, CP. Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem imóvel,
público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo (...)

֎Não basta o indivíduo SER funcionário público para praticar a conduta. O autor tem que SE
VALER de sua condição de funcionário público para que se configure a conduta do art. 312.

PECULATO-DESVIO

Art. 312, CP. (...) ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio (...).

֎O STJ entendeu que pagamentos em favor de funcionários inexistentes é uma forma de se


praticar o peculato-desvio.

֎ Configura crime de peculato-desvio o fomento econômico de candidatura à reeleição por


Governador de Estado com o patrimônio de empresas estatais.

PECULATO-FURTO

§1º Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou
bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de
facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.

Nesse caso há um furto comum, praticado valendo-se de facilidade que lhe proporciona a
qualidade de funcionário público.

POSSIBILIDADE DE PARTICIPAÇÃO DE PARTICULAR


Se o delito de peculato (de qualquer espécie) for perpetrado em conjunto de um particular, e
este souber que seu coautor ou partícipe é funcionário público, também incorrerá no delito de
peculato.

֎O “furto de uso” (praticado por particular) e o “peculato de uso” (praticado por funcionário
público) não são passíveis de punição penal. Entretanto, em alguns casos, o peculato de uso
poderá vir a ser enquadrado como ato de improbidade administrativa.

֎Todas as modalidades de peculato admitem tentativa.

PECULATO CULPOSO

Art. 312, §2º, CP. Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem (...).

O funcionário público apenas pode ser penalizado por peculato culposo numa situação em que
ele era responsável por zelar pelo patrimônio público, mas não o fez por negligência, imprudência e
imperícia.

Outrossim, especificamente para o peculato culposo, caso o funcionário público repare o dano
antes de sentença irrecorrível, fica extinta a punibilidade.

Por outro lado, caso o funcionário repare o dano somente após o trânsito em julgado, terá sua
pena reduzida pela metade.

֎A extinção da punibilidade só será aplicada no peculato culposo.

PECULATO MEDIANTE ERRO DE OUTREM OU PECULATO-ESTELIONATO

Art. 313, CP. Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por
erro de outrem:

O erro tem que ser espontâneo, e não induzido. A pessoa procura o agente público em erro que
não surgiu da conduta deste agente, e ele decide simplesmente se aproveitar desta oportunidade.

CONCUSSÃO

Art. 316, CP. Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou
antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida.

O autor não pede, não solicita e tampouco sugere que deseja uma determinada vantagem. Ele
exige. Portanto, não admite a modalidade culposa.

֎Se o funcionário público usar de violência ou grave ameaça para exigir a vantagem, haverá
extorsão e não concussão.
São sujeitos “extras” capazes de perpetrar o delito de concussão:

I. Jurados;
II. Médicos de hospital credenciado pelo SUS;
III. Funcionário público de férias ou de licença;
IV. Indivíduo nomeado, mas ainda não empossado.

TENTATIVA

EXCESSO DE EXAÇÃO

Art. 316, §1º, CP. Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber
indevido, ou quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza.

FORMA QUALIFICADA

§2º. Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu indevidamente para
recolher aos cofres públicos:

CORRUPÇÃO PASSIVA

Art. 317, CP. Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da
função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal
vantagem:

Além do disposto no caput, é importante ressaltar que o funcionário público deve possuir
atribuição de praticar o ato envolvido na conduta.

Assim, caso ele não possua tal atribuição legal, poderá incorrer em outros crimes, como tráfico
de influência ou exploração de prestígio, mas não corrupção passiva.

֎A vantagem indevida não precisa ser necessariamente uma vantagem financeira.


CORRUPÇÃO PASSIVA PRIVILEGIADA

§2º. Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever funcional,
cedendo a pedido ou influência de outrem:

A lei prevê que se o agente público infringe seu dever funcional cedendo a pedido ou influência
de outrem, e não para obter vantagem pessoal, a conduta é menos ofensiva à moralidade da
administração pública.

PREVARICAÇÃO

Art. 319, CP. Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra
disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal.

Delito semelhante à corrupção passiva privilegiada, a diferença entre os dois está na motivação
do agente público: ele infringe seu dever funcional para satisfazer interesse ou sentimento pessoal.

PREVARICAÇÃO ESPECIAL OU IMPRÓPRIA

Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever de vedar ao
preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos
ou com o ambiente externo.

CONDESCENDÊNCIA CRIMINOSA

Art. 320, CP. Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu
infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da
autoridade competente.

ADVOCACIA ADMINISTRATIVA

Art. 321, CP. Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a Administração Pública,
valendo-se da qualidade de funcionário.

ABANDONO DE FUNÇÃO

Art. 323, CP. Abandonar cargo público, fora dos casos permitidos em lei.
VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL

Art. 325, CP. Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo ou
facilitar-lhe a revelação.

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