Você está na página 1de 446

“[ ]


~
Deus seja louvado.

Guerreiro, Helder
Eu Odeio Operações Unitárias. / Helder
Guerreiro. – Manaus, 2019.
Bibliografia
Livro não catalogado e não institucional, o
mesmo é amador.
Sumário
1. SECAGEM – REMOÇÃO DE UMIDADE POR CALOR ...................................... 12
1.1 A ESSÊNCIA DA SECAGEM .................................................... 13
1.2 EQUILÍBRIO DE REMOÇÃO .................................................... 13
1.3 PRESSÃO DE VAPOR.......................................................... 14
1.4 CONCEITOS IMPORTANTES .................................................... 15
1.5 COMPORTAMENTO GERAL DA SECAGEM ........................................... 16
1.6 TEMPO DE SECAGEM.......................................................... 18
1.7 EXEMPLO................................................................... 22
1.8 TRANSFERÊNCIA DE CALOR ................................................... 26
1.9 TRANSFERÊNCIA DE MASSA CONVECTIVA ........................................ 27
1.10 DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE CONVECTIVO .................................. 29
1.11 EFEITOS DAS VARIÁVEIS DA SECAGEM ........................................ 31
1.12 EXEMPLO.................................................................. 32
1.13 DIFUSÃO E CAPILARIDADE .................................................. 37
2. PROJETO DE TROCADORES DE CALOR – ESTUDO APROFUNDADO ......................... 40
2.1 INTRODUÇÃO AOS MÉTODOS ................................................... 42
2.2 MÉTODO DE PROJETO......................................................... 43
2.3 DADOS DE TUBOS............................................................ 48
2.4 GRAMPOS................................................................... 50
2.5 PERDA DE CARGA EM TROCADORES DE DUPLO TUBO ............................... 51
2.6 EXEMPLO................................................................... 54
2.7 MÉTODO CASCO E TUBO....................................................... 60
2.8 PERDA DE CARGA EM TROCADORES DE CASCO E TUBO ............................. 69
2.9 EXEMPLO DE MÉTODO MLDT ................................................... 72
2.10 USANDO ÁGUA.............................................................. 73

2.11 MÉTODO 𝜀-NUT ............................................................. 75

2.12 EXEMPLO 𝜀-NUT ............................................................ 79

2.13 EXEMPLO CASCO E TUBO .................................................... 81


3. CONDENSAÇÃO E EBULIÇÃO E SEUS PROJETOS - O PRINCÍPIO DOS PROJETOS É O FENÔMENO
............................................................................... 88
4
3.1 CONDENSAÇÃO............................................................... 89
3.1.1 Condensação em filme .................................................. 91
3.1.2 Condensação em placas verticais ....................................... 93
3.1.3 Condensação casos diversos ............................................ 95
3.2 EBULIÇÃO.................................................................. 98
3.2.1 Ebulição em piscina .................................................. 101
3.2.2 Equações para ebulição em piscina .................................... 105
3.2.3 Ebulição em escoamento ............................................... 110
3.2.4 Fenômenos do escoamento externo ...................................... 112
3.2.5 Fenômenos do escoamento interno ...................................... 114
3.3. PROJETO DE EBULIDORES EM ESCOAMENTO .................................... 118
3.4. PROJETO DE CONDENSADORES ............................................... 123
3.4.1 Perda de carga em condensadores ...................................... 129
4. CRISTALIZAÇÃO – UM CURIOSO MÉTODO DE SEPARAÇÃO DE UM SÓLIDO EM UM FLUIDO ... 132
4.1 A ESSÊNCIA DA CRISTALIZAÇÃO ............................................. 133
4.2 GEOMETRIA CRISTALINA..................................................... 134
4.3 SOLUBILIDADE............................................................. 136
4.4 TRANSFERÊNCIA DE ENERGIA ................................................ 139
4.5 TRANSFERÊNCIA DE MASSA .................................................. 141
4.6 TIPOS DE CRISTALIZADORES ................................................ 144
4.7 BALANÇO DE MASSA......................................................... 145
4.8 EXERCÍCIO RESOLVIDO...................................................... 147
5. EVAPORADORES – VAI UM VAPORZINHO AÍ? ....................................... 149
5.1 BALANÇO DE MASSA......................................................... 151
5.2 BALANÇO DE ENERGIA....................................................... 152
5.3 TABELAS E DIAGRAMAS...................................................... 154
5.4 FATORES DO PROCESSO...................................................... 162
5.5 EVAPORADORES DE MÚLTIPLOS EFEITOS ....................................... 164
5.5.1 Múltiplos Efeitos Cocorrente ......................................... 166
5.5.2 Múltiplos Efeitos Contracorrente ..................................... 170
5.6 TIPOS DE EVAPORADORES ................................................... 172
5.7 MÉTODO COMPUTACIONAL DE MÚLTIPLOS EFEITOS EM PYTHON ..................... 175
6. TORRES DE RESFRIAMENTO – UMA CACHOEIRA ..................................... 190

5
6.1 BALANÇO DE MASSA......................................................... 191
6.2 BALANÇO DE ENERGIA....................................................... 193
6.3 PSICROMETRIA............................................................. 195
6.4 TIPOS DE TORRES DE RESFRIAMENTO ......................................... 203
6.5 TRANSFERÊNCIA DE MASSA E ENERGIA ........................................ 207
7. ABSORÇÃO – O PRINCÍPIO DAS DORES ........................................... 210
7.1 BALANÇO DE MASSA DE UMA COLUNA DE ABSORÇÃO .............................. 212
7.2 FORÇA MOTRIZ............................................................. 214
7.3 COLUNA DE RECHEIOS....................................................... 218
7.4 COLUNA DE PRATOS......................................................... 221
7.5 COLUNA DE SPRAY.......................................................... 223
7.6 COLUNA DE BOLHAS......................................................... 223
7.7 CONTATO POR CENTRIFUGAÇÃO ............................................... 224
7.8 ALTURA DA COLUNA......................................................... 225
7.9 RESISTÊNCIA ENTRE AS FASES .............................................. 227
7.10 O EFEITO DA PRESSÃO..................................................... 229
7.11 O EFEITO DA TEMPERATURA ................................................ 231
7.12 INTRODUÇÃO A PERDA DE CARGA EM COLUNAS DE RECHEIO ...................... 233
7.13 EFICIÊNCIA DA TRANSFERÊNCIA DE MASSA ................................... 237
7.14 QUAL TIPO DE COLUNA ESCOLHER? .......................................... 239
7.15 DIÂMETRO DE UMA COLUNA E ESPAÇAMENTO ENTRE OS PRATOS ................... 241
7.16 INUNDAÇÃO E GOTEJAMENTO ................................................ 245
7.17 CÁLCULOS DE ESTÁGIOS ................................................... 247
7.18 EXERCÍCIOS RESOLVIDOS DE ABSORÇÃO ...................................... 268
7.19 DESSORÇÃO............................................................... 277
7.19.1 Balanço de Massa .................................................... 278
7.19.2 Altura da Coluna e Análises de Eficiência ........................... 279
7.19.3 Efeito da Pressão ................................................... 280
7.19.4 Cálculos de Dessorção ............................................... 281
7.20 TORRES DE RESFRIAMENTO ................................................. 283
7.20.1 Fluxo Mínimo de Ar .................................................. 291
7.20.2 Torres de Desumidificação ........................................... 292
8. DESTILAÇÃO – A MUSA DA ENGENHARIA QUÍMICA .................................. 293

6
8.1 TIPOS DE DESTILAÇÃO...................................................... 295
8.2 A ESTRUTURA DE UMA COLUNA DE DESTILAÇÃO FRACIONADA ...................... 297
8.3 EQUILÍBRIO LÍQUIDO VAPOR ................................................ 299
8.4 MODELOS TERMODINÂMICOS .................................................. 303
8.5 BALANÇO DE MASSA......................................................... 307
8.6 GRÁFICOS DE ESTÁGIOS..................................................... 310
8.7 INFLUÊNCIA DOS TIPOS DE ALIMENTAÇÃO ..................................... 313
8.8 FENOMENOLOGIA DOS TRANSPORTES DE MASSA E ENERGIA ........................ 316
8.9 FATOR E RETA Q........................................................... 319
8.10 DETERMINAÇÃO GRÁFICA DO NÚMERO DE ESTÁGIOS ............................. 321
8.11 O USO DOS LIMITES....................................................... 326
8.12 O ESTUDO DA EFICIÊNCIA ................................................. 328
8.13 SEMELHANÇAS............................................................. 331
8.14 CONDENSADORES PARCIAIS ................................................. 331
8.15 REFERVEDORES............................................................ 333
8.16 DIVERSAS ENTRADAS....................................................... 335
8.17 RETIRADA LATERAL........................................................ 337
8.18 CORRENTE ABERTA......................................................... 340
8.19 MULTICOMPONENTES........................................................ 342
8.20 EXEMPLO DE MULTICOMPONENTES ............................................ 349
8.21 BALANÇO DE ENERGIA...................................................... 357
8.22 NÚMERO DE ESTÁGIOS ATRAVÉS DE BALANÇO DE ENERGIA ....................... 362
9. EXTRAÇÃO – FORA DA BANCADA ................................................. 369
9.1 TRANSFERÊNCIA DE MASSA .................................................. 371
9.2 DISPERSÃO AXIAL.......................................................... 373
9.3 TIPOS DE EXTRATORES...................................................... 376
9.4 O DIAGRAMA TERNÁRIO...................................................... 379
9.5 SOLUBILIDADE E TEMPERATURA .............................................. 386
9.6 CÁLCULO DE ESTÁGIOS...................................................... 387
9.7 CÁLCULO DE ESTÁGIOS EM EXTRAÇÃO DE LÍQUIDO IMISCÍVEIS ................... 392
9.8 ALTURA DAS COLUNAS DE EXTRAÇÃO .......................................... 396
10. LIXIVIAÇÃO – ISSO NÃO É GEOGRAFIA ......................................... 398
10.1 TRANSFERÊNCIA DE MASSA ................................................. 399

7
10.2 TRANSFERÊNCIA DE ENERGIA ............................................... 402
10.3 MÉTODO DE LIXIVIAÇÃO ................................................... 404
10.4 BALANÇO DE MASSA........................................................ 408
10.5 CÁLCULO DE ÚNICO ESTÁGIO POR MÉTODO GRÁFICO ............................ 411
10.6 MÚLTIPLOS ESTÁGIOS POR MÉTODO GRÁFICO .................................. 415
10.7 MÉTODO ANALÍTICO PARA CÁLCULO DE ESTÁGIOS .............................. 420
11. ADSORÇÃO – A VIDA NÃO É SÓ CARVÃO ATIVADO ................................. 422
11.1 SORVENTES............................................................... 423
11.2 EXEMPLOS DE SEPARAÇÕES POR ADSORÇÃO .................................... 424
11.3 ADSORVENTES............................................................. 425
11.4 CONSIDERAÇÕES DE EQUILÍBRIO ............................................ 428
11.5 ADSORÇÃO LÍQUIDA........................................................ 434
11.6 CONSIDERAÇÕES DE CINÉTICA E TRANSPORTE ................................. 435
11.7 MODOS DE DEPENDÊNCIA DO TEMPO NA SORÇÃO ................................ 437
11.8 MÉTODOS DE BALANÇOS E CÁLCULOS DE DIMENSIONAMENTO ...................... 438
ADEUS ......................................................................... 443
REFERÊNCIAS ................................................................... 444

8
Observações

• Este material é baseado em muitos livros, devidamente


referenciados, e nas aulas do professor do autor;

• Referências constadas no final deste livro que não foram


citadas no meio deste, foram responsáveis pela formulação do
pensamento do autor, sendo assim contribuições indiretas;

• Todas as imagens não pertencentes ao autor foram devidamente


referenciadas na própria e no final deste livro, as que não
contem referência são de autoria do próprio autor livro;

• Este livro é amador e não obteve ajuda de terceiros, ou seja,


o autor pensou, escreveu, editou e publicou este livro
sozinho, o que faz deste passível de certos erros pequenos
nesta edição, o que não comprometerá o seu estudo, dessa forma
peço sua compreensão caso encontre algum erro neste livro.

• Para dúvidas, sugestões, aviso de erros, elogios ou algo que


necessite contato, envie um e-mail para o autor através do
endereço: heldermeloguerreiro@gmail.com;

• Este livro é gratuito e não deve, de forma alguma, ser vendido


por nenhuma pessoa física ou jurídica, o autor deliberou de
boa vontade este livro como livre para todo aquele que queira
possuí-lo.

9
Apresentação
Olá, meu nome é Helder Guerreiro, sou estudante de Engenharia Química na
Universidade Federal do Amazonas (UFAM), este livro foi escrito durante um
período de 6 meses no meio do meu curso de graduação, sendo meu oitavo livro
de uma coleção extensa de muito “ódio”. Meus livros começaram pela computação,
envolveram química e cálculo e depois foi se aprofundando nos fenômenos de
transporte e controle e simulação, a etapa final da engenharia química é este
livro: as operações unitárias, todo aquele que as completou já se pode
considerar um quase engenheiro e é importante que já tenha amadurecido depois
de uns quatro anos no curso.

O nome “Eu Odeio” surgiu do meu primeiro período, aonde nas aulas de
computação os professores usavam exemplos na linguagem dizendo “Eu amo”, mas
na verdade minha turma sempre odiou com todas as forças aquilo tudo, então
este nome é uma sátira à realidade que vivemos hoje: o professor tenta passar
a importância daquilo, mas só consegue o nosso ódio.

Chegar até aqui não foi fácil, eu sei, mas eu tenho certeza que nada nessa
vida se conquista sozinho, eu sou o único autor deste livro, eu fiz ele de
uma ponta a outra, mas seria egoísmo dizer que em cada parte dele não há um
pouco de cada professor que tive, das pessoas que pedi conselho e de minha
amada. Com certeza eu me esforcei para que este livro fosse realidade, assim
como meus sete livros anteriores, mas meu olhar crítico foi formado ao longo
dos meses e anos, minha visão foi ampliada graças a professores, amigos,
monitores, livros e meu empenho, dessa forma é um prazer chegar aqui e
entregar a você esses conhecimentos, quero muito que sejam úteis a você, de
coração, porque um engenheiro jamais deve se limitar a repetição, o engenheiro
deve imaginar, criticar e melhorar!

Este livro foi criado com o intuito de ajudar pessoas com dificuldades neste
assunto, seja por causa de livros, seja por causa dos professores, aqui eu
investigo tudo a fundo e lhe mostro como tudo pode ser explicado de uma
maneira mais simples. Lembrando que eu não sou a fonte da verdade, nunca
deixe de lado os outros livros, os professores e monitores, explore cada um
deles com sabedoria e tenho certeza que conquistará sua vitória.

Seja bem-vindo ao Eu Odeio Operações Unitárias, espero que aprenda a ama-la.

10
1. SECAGEM – REMOÇÃO DE UMIDADE POR CALOR
O que é secagem? É a mesma coisa que evaporação? Se eu colocar uma pizza no
micro-ondas é secagem?

Bom, vamos entender com calma o que é cada qual. Veja que a palavra evaporação
está ligada com o fato de um líquido atingir um certo ponto de ebulição, aí
ele evapora, mas na secagem a gente não faz isso, portanto a evaporação é
diferente de secagem.

Respondendo a pergunta lá em cima, colocar uma pizza no micro-ondas não é


secagem, é evaporação. A secagem é uma operação unitária que envolve
transferência de energia e massa, em conjuntos, mas o seu estudo foi moldado
para que somente a análise da transferência de energia seja o suficiente para
entendermos a operação.

1.1 A ESSÊNCIA DA SECAGEM

A secagem pode ser realizada de muitas formas, mas todas tem o mesmo princípio
e objetivo.

Essa operação ocorre através de transferência de energia e massa convectivos,


utilizando uma corrente de ar quente sobre o material a ser secado.

O material com uma certa umidade é posto num local apropriado, depois ele é
exposto a uma corrente de ar quente que irá transferir energia para o
material, essa energia irá agitar as moléculas e faze-las evaporar, por fim
a corrente de ar irá absorver as moléculas de água e sairá carregada do outro
lado.

Toda a secagem acontece desse jeito que eu estou lhe explicando, o nosso
interesse aqui é conhecer esse processo melhor através de equações e gráficos
de tal maneira a atingirmos algum objetivo em específico.

1.2 EQUILÍBRIO DE REMOÇÃO

Existem limites para a secagem de um produto. A uma determinada pressão e


temperatura a transferência de calor convectiva consegue atuar no material,
mas não podemos esquecer que existe o interior do material, que após sofrer
a ação da convecção a condução irá comandar a transferência de calor até a
umidade interna do material.

13
Todo esse processo exige um esforço da corrente de ar e não é a qualquer
temperatura e pressão que isso vai ocorrer, então em consequência disso
existem limites para a secagem em determinados parâmetros, é a chamada umidade
de equilíbrio.

1.3 PRESSÃO DE VAPOR

Uma teoria essencial para os nossos estudos é a pressão de vapor, de onde


vem essa história de pressão de vapor? Desse conhecido diagrama abaixo:

Fonte: Geankoplis, 1993.

O que acontece é o seguinte, existe uma região desse diagrama descrito pela
curva AB aonde o líquido coexiste com o vapor, ou seja, o vapor por mais que
você não possa vê-lo ele está lá.

Em consequência disso de acordo com o comportamento da temperatura e pressão


o líquido sai da fase líquida para a fase vapor e o ponto aonde isso começa
acontecer é exatamente em cima da linha AB, que significa: o líquido irá
evaporar a partir do momento que sua pressão atingir uma pressão igual a do
vapor.

E isso nos importa porque os nossos sistemas de secagem são lugares fechados
aonde podemos controlar a temperatura e pressão, portanto através desse
conhecimento podemos controlar a evaporação do líquido.

14
1.4 CONCEITOS IMPORTANTES

Base úmida

É uma forma de medir a umidade presente no material, calculada da seguinte


forma:

𝑘𝑔 𝐻2 𝑂
𝑊=
𝑘𝑔 𝐻2 𝑂 + 𝑘𝑔 𝐿𝑠

Uma relação entre as massas de água e a massa do sólido seco (𝐿𝑠 ), ou seja, a
massa do material sem qualquer quantidade de umidade.

Base seca

É o contrário da anterior, é a fração mássica de sólido seco:

𝑘𝑔 𝐻2 𝑂
𝑋=
𝑘𝑔 𝐿𝑠

Ambas se relacionam, então podemos calcula-las usando as próprias bases:

𝑋 𝑊
𝑊= 𝑋=
1+𝑋 1−𝑊

Teor de umidade no equilíbrio (𝑿∗ )

Lembra que eu falei que existe um equilíbrio que indica até que ponto podemos
secar um material em condições específicas? Então, essa é a umidade que
determina o fim da secagem, aonde não podemos mais secar.

Umidade livre

É toda umidade que está acima do equilíbrio, ou seja, é a umidade que nós
conseguimos retirar através da secagem em condições específicas.

Umidade ligada

É a umidade retida no sólido que só é liberada quando se atinge pressões


abaixo da do líquido, ou seja, vimos lá em cima que pelo diagrama a evaporação
começa a partir da curva AB, então a umidade ligada só pode ser retirada com
pontos abaixo dessa curva, portanto abaixo da pressão do líquido.

Umidade não ligada

É o contrário da anterior, é a umidade que conseguimos retirar mantendo a


pressão igual a do líquido. A diferença entre as duas está entre o forçado e

15
o natural, porque a umidade não ligada é aquela que sai naturalmente e a
ligada só sai se forçamos o sistema através da modificação da pressão.

Teor de umidade crítico (𝑿𝑪 )

Quando estamos secando algum material a umidade é naturalmente retirada pela


sua superfície, a transferência de calor convectiva afeta as moléculas e elas
evaporam e são absorvidas pelo ar, mas depois de algum tempo a superfície do
material já está toda seca, nesse momento resta somente a umidade no interior
do material.

Essa umidade já não é retirada pela convecção, o calor absorvido pela


superfície se espalha através da condução para o interior do material, então
a umidade começa a ser retirada pelo fenômeno de difusão, aonde as moléculas
se deslocam do mais concentrado para o menos concentrado.

A umidade que fica no interior do material é chamada de teor de umidade


crítico.

Temperatura de bulbo úmido

É a temperatura que representa a corrente de vapor ou gás que já recebeu um


certo tipo de umidade do material que está sendo secado em condições
adiabáticas e em regime estacionário.

Temperatura de bulbo seco

Representa a temperatura da corrente de vapor que entra no sistema para secar


o material.

Existem métodos para medir essa temperatura de bulbo úmido, basta utilizar
um termômetro preparado para isso e a de bulbo seco basta saber a temperatura
da corrente que entra no sistema.

1.5 COMPORTAMENTO GERAL DA SECAGEM

A secagem é estudada através de curvas que relacionam umidade pelo tempo


(curva de secagem) ou a velocidade de secagem pela umidade (curva de
velocidade de secagem).

Ambas as curvas são muito úteis e carregam informações importantes para nós,
você pode observa-las abaixo:

16
Fonte: Geankoplis, 1993.

Fonte: Geankoplis, 1993.

Veja que ambos os gráficos têm em comum 5 pontos representados pelas letras
A, B, C, D e E, cada um deles possui um significado na secagem:

17
● De A a B é chamado de período instável;

● De B a C é chamada de período constante (aonde no ponto C o sólido


alcança o teor de umidade crítico);

● De C a D é chamado de período decrescente linear;

● De D a E é chamado de período decrescente não linear.

A umidade ligada está presente de A a C, depois disso temos somente umidade


não ligada, aonde a taxa de secagem cai indicando que a umidade está sendo
mais difícil de se retirar.

No seguimento de A até B, temos um período instável, que é nada mais que um


período aonde o sistema se encontra em estado transiente e ainda não se
desenvolveu plenamente. Aquela diferença entre a reta para baixo ou para cima
no gráfico é só uma indicação de que as duas situações podem acontecer.
Quando a secagem atinge o ponto B a temperatura de bulbo úmido pode ser
determinada.

O seguimento B até C apresenta a secagem constante, aonde a troca térmica


convectiva é majoritária, portanto a massa de água na superfície do sólido é
arrancada numa alta velocidade, sem muito esforço, até que a superfície
esteja seca e dê início ao processo de difusão da água do interior para as
bordas do sólido.

O ponto C é aonde está o ponto crítico da secagem, ou seja, a partir desse


ponto a superfície já se encontra seca, e pelo fato da difusão ser mais
demorada que a convecção a secagem se torna mais lenta, iniciando o período
decrescente.

O seguimento de D até E representa os últimos momentos da secagem, aonde a


umidade no interior do fluido está sendo retirada até que umidade de
equilíbrio é atingida e não se pode mais secar.

1.6 TEMPO DE SECAGEM

O gráfico da velocidade de secagem que lhe apresentei nos permite encontrar


uma relação para a velocidade da secagem que nos possibilitará encontrar o
tempo, que é apresentado abaixo:

𝐿𝑠 𝑑𝑋
𝑅=−
𝐴 𝑑𝑡

18
Separando as variáveis e integrando:

𝐿𝑠 𝑋𝑓 𝑑𝑋
𝑡=− ∫
𝐴 𝑋𝑖 𝑅

Lembra de cálculo? Uma integral representa a área abaixo de uma curva, não
é? Então, o resultado dessa integral irá depender de onde você está querendo
analisar os pontos no gráfico.

Seguimento A até B: não possui cálculo de tempo, porque é um período instável


e transiente e não podemos representa-lo juntamente com o restante do
processo.

Seguimento B até C: é aonde a secagem ocorre a velocidade constante, então


por se tratar de uma simples constante o cálculo do tempo fica:

𝐿𝑠 𝑋𝑓 𝑑𝑋 𝐿𝑠
𝑡=− ∫ = (𝑋 − 𝑋𝐶 )
𝐴 𝑋𝑖 𝑅 𝐴𝑅 𝐵

Seguimento C até D: comportamento de uma reta decrescente, então utilizamos


uma reta para representar a queda de velocidade:

𝑅 = 𝑚𝑋 + 𝑏

Derivando essa equação temos:

𝑑𝑅
𝑑𝑅 = 𝑚𝑑𝑋 → 𝑑𝑋 =
𝑚

𝐿𝑠 𝑅𝑓 𝑑𝑅 𝐿𝑠 𝑅𝑖
𝑡=− ∫ = ln
𝑚𝐴 𝑅𝑖 𝑅 𝑚𝐴 𝑅𝑓

O coeficiente angular da reta pode ser relacionado com os dois pontos que
queremos estudar, assim:

𝑅𝑖 = 𝑚𝑋𝑖 + 𝑏 𝑅𝑓 = 𝑚𝑋𝑓 + 𝑏

Através de um sistema muito simples temos que:

𝑅𝑖 − 𝑅𝑓
𝑚=
𝑋𝑖 − 𝑋𝑓

Logo:

𝐿𝑠 𝑅𝑓 𝑑𝑅 𝐿𝑠 𝑋𝑖 − 𝑋𝑓 𝑅𝑖
𝑡=− ∫ = ln
𝑚𝐴 𝑅𝑖 𝑅 𝐴 𝑅𝑖 − 𝑅𝑓 𝑅𝑓

19
Podemos reduzir essa equação utilizando o conceito de média logarítmica, que
se apresenta assim:

𝑅𝑖 − 𝑅𝑓
𝑅𝑚 =
𝑅
ln 𝑅 𝑖
𝑓

Logo:

𝐿𝑠 𝑋𝐶 − 𝑋2
𝑡=
𝐴 𝑅𝑚

Essa equação serve para qualquer situação dentro da reta decrescente de


secagem, não precisa ser necessariamente uma análise entre os pontos C e D,
qualquer ponto entre eles pode ser analisado.

Para casos aonde a reta decrescente em vez de parar no ponto D segue até o
ponto E, ou seja, até o final da secagem, a equação toma uma nova forma, pois
agora estamos na origem no gráfico, logo:

𝑅 = 𝑚𝑋 → 𝑑𝑅 = 𝑚𝑑𝑋

Logo:

𝐿𝑠 𝑅𝑖
𝑡= ln
𝑚𝐴 𝑅𝑓

A velocidade de secagem pode ser interpretada somente por 𝑅𝑖 , aonde temos o


ponto crítico, pois a reta tem comportamento linear em todo seu comprimento:

𝑅𝑖
𝑅𝑖 = 𝑚𝑋𝑖 → 𝑚 =
𝑋𝑖

Substituindo:

𝐿𝑠 𝑋𝑖 𝑅𝑖
𝑡= ln
𝑅𝑖 𝐴 𝑅𝑓

Veja que também podemos fazer a seguinte relação:

𝑅𝑖 = 𝑚𝑋𝑖 𝑅𝑖 𝑋𝑖
𝑅𝑓 = 𝑚𝑋𝑓 𝑅𝑓 = 𝑋𝑓

Logo:

𝐿𝑠 𝑋𝑖 𝑋𝑖
𝑡= ln
𝑅𝑖 𝐴 𝑋𝑓

20
Porém, essa é uma equação aonde consideramos que o teor de umidade no
equilíbrio é zero o que é irreal, então para relacionarmos a quantidade de
água que não podemos remover fazemos:

𝐿𝑠 (𝑋𝑖 − 𝑋 ∗ ) 𝑋𝑖 − 𝑋 ∗
𝑡= ln
𝑅𝑖 𝐴 𝑋𝑓 − 𝑋 ∗

Veja que eu represento todas as equações com “inicial” e “final” em vez de


colocar ponto C ou ponto D. Faço isso para que não se acostume, porque essas
equações não precisam ser aplicadas somente em cima dos pontos B, C, D ou E,
você pode aplicar em quaisquer pontos, basta saber aonde você está pisando,
se é constante, decrescente ou não linear.

O seguimento D até E é uma curva, portanto não vai dar para calcular a
velocidade tão facilmente, para isso a integral terá que ser resolvida por
um método numérico, chamado regra de Simpson (trapézio).

Essa regra funciona assim, no início temos a nossa integral:

𝐿𝑠 𝑋𝑓 𝑑𝑋
𝑡=− ∫
𝐴 𝑋𝑖 𝑅

Você entende que a integral calcula a área debaixo de uma curva né? Então,
nesta regra vamos transformar essa integral em cálculos de retângulos que
ficam abaixo da curva D até E:

𝐿𝑠
𝑡= A. Δh
𝐴

1° passo: calcular o Δℎ

Para encontra-lo você deve utilizar os pontos disponíveis que você tem, ou
seja, D e E, depois você deve escolher a acurácia do seu método através de
um valor “n”, quanto maior esse valor melhor será a precisão do seu método:

𝑋𝑖 − 𝑋𝑓
Δℎ =
𝑛

Valores cada vez maiores de “𝑛” resultarão em maiores iterações do método,


portanto será cada vez mais longo de se realizar.

Para a secagem utilizamos um valor de n = 5, não é muito longo e se apresenta


seguro.

2° passo: tabela

21
Para encontrar a área debaixo da curva precisamos completar essa tabela
abaixo:

Aonde X é umidade, R a velocidade, 1/R o inverso da velocidade e A é a área


calculada.

Os valores de X são encontrados com o Δℎ e os de R por interpolação.

1.7 EXEMPLO

Uma secagem com a quantidade de massa seca e área apresentadas abaixo


apresentou os dados dispostos na tabela que foram plotados para formar o
gráfico ao seu lado:

𝐿𝑠 = 0,403 𝑘𝑔 𝐴 = 0,02316 𝑚2

22
1° passo: período constante (R = 5,22)

A partir dos dados, temos:

𝐿𝑠 0,403
𝑡= (𝑋𝐵 − 𝑋𝐶 ) = (0,216 − 0,19) = 0,087 ℎ
𝐴𝑅 (0,02316)(5,22)

2° passo: período decrescente linear (R = 5,22 até R = 1,036)

𝐿𝑠 𝑋𝑖 − 𝑋𝑓 𝑅𝑖 0,403 0,19 − 0,14 5,22


𝑡= ln = ln = 0,336 ℎ
𝐴 𝑅𝑖 − 𝑅𝑓 𝑅𝑓 0,02316 5,22 − 1,036 1,036

3° passo: período não linear (R = 1,036 até R = 0,023)

23
0,14 − 0,11
Δℎ = = 0,006
5

A partir desse momento temos o método com 5 iterações com o objetivo de


preencher a tabela.

Os valores de R devem ser interpolados de acordo com os valores calculados


de X através da tabela:

A tabela com esses dados fica:

24
A coluna da área é completada da seguinte forma: os dados do topo e do fundo
são divididos pela metade e o restante basta repetir.

Resultado:

Por fim, soma-se todas as áreas: 𝐴 = 43,4.

Nossa integral fica:

𝐿𝑠 0,403
𝑡= A. Δh = (43,4)(0,006) = 4,53 ℎ
𝐴 0,02316

Agora podemos calcular o tempo total de secagem:

𝑡 = 0,087 + 0,336 + 4,53 = 4,95 ℎ = 4 ℎ 57 𝑚𝑖𝑛

25
Portanto nossa operação de secagem gastou um tempo de 4 horas e 57 minutos
para atingir o teor de umidade de equilíbrio do material.

1.8 TRANSFERÊNCIA DE CALOR

A secagem não ocorre somente por causa da convecção e isso é observado com
mais intensidade no período de secagem constante aonde grande quantidade de
umidade está presente na superfície do material dando possibilidade de a
convecção, condução e a radiação entrarem em ação.

Veja um caso abaixo:

Fonte: Geankoplis, 1993.

Observe como os três mecanismos se comportam:

A convecção se dá pelo movimento do gás que passa sobre a superfície do


sólido e transfere energia ao mesmo tempo que absorve a umidade que evapora;

A condução ocorre através do metal aonde o sólido está colocado, ele recebe
a transferência de calor e absorve a energia e dissipa ela para o sólido na
forma de condução;

Já a radiação recebe uma ajuda do material de metal radiante que está envolta
do sólido, esse material possui uma propriedade de corpo negro, ou seja,
emite grande quantidade de energia que recebe dissipando para o sólido.

A equação de cada mecanismo fica:

𝑞𝑐 = ℎ𝑐 (𝑇 − 𝑇𝑠 )𝐴

Convecção

26
𝑇𝑅 4 𝑇𝑠 4
(100 ) − (100 )
𝑞𝑅 = ℎ𝑅 (𝑇𝑅 − 𝑇𝑠 )𝐴 → ℎ𝑅 = 𝜀(5,676)
𝑇𝑅 − 𝑇𝑠

Radiação

1
𝑞𝐾 = 𝑈𝐾 (𝑇 − 𝑇𝑠 )𝐴 → 𝑈𝐾 =
1/ℎ𝑐 + 𝑧𝑀 /𝑘𝑀 + 𝑧𝑠 /𝑘𝑠

Condução

Aonde: 𝑇𝑅 → metal radiante, 𝑇𝑠 → superfície do sólido, 𝑧𝑀 → espessura do metal


responsável pela condução, 𝑘𝑀 → condutividade do metal, 𝑧𝑠 → espessura do
sólido; 𝑘𝑠 → condutividade do sólido.

A condução não utiliza a equação de Fourier como conhecemos, mas utiliza uma
equação semelhante a de um trocador de calor. Isso se dá pelo fato de a
condução ser o resultado da influência que o metal, o qual o sólido está em
cima, está sofrendo da convecção e da radiação que transferem energia até
ele e aí sim a energia é transferida por condução para dentro do sólido.

Todos esses mecanismos juntos são somados a fim de se conhecer a quantidade


total de energia transferida para o sólido:

𝑞 = 𝑞𝐾 + 𝑞𝑐 + 𝑞𝑅

𝑞 = (ℎ𝑐 + 𝑈𝐾 )(𝑇 − 𝑇𝑠 )𝐴 + ℎ𝑅 (𝑇𝑅 − 𝑇𝑠 )𝐴

1.9 TRANSFERÊNCIA DE MASSA CONVECTIVA

É impossível falar de secagem e não falar de transferência de massa, todos


os nossos estudos de energia não são os suficientes para entender o que está
acontecendo no sistema, isso porque a troca de calor é só a primeira etapa
do processo, a segunda etapa é o resultado da transferência de calor: o
movimento de umidade.

Vamos começar nossos estudos com o período de secagem constante, aonde temos
a transferência de massa ocorrida por convecção.

A difusão ocorre quando moléculas se movimentam por causa da diferença de


concentração no meio e a convecção ocorre quando moléculas são arrastadas
pelo movimento de um fluido.

27
A transferência de massa por convecção mede a quantidade de umidade que sai
do sólido, portanto ela é a nossa taxa de secagem, o famoso 𝑅𝐴 .

Primeiramente o gás entra em contato com o sólido lhe transferindo energia,


mas ao mesmo tempo que transfere energia também recebe a transferência de
umidade para dentro de si, pois o gás entra com uma umidade baixa no sistema
e ao entrar em contato com um sólido, com uma umidade maior, as moléculas de
água se difundem até o gás que arrasta elas para dentro si. Isso se chama
camada limite mássica.

O aumento da temperatura ocasionado pela transferência de energia acelera a


transferência de massa porque as moléculas adquirem uma difusividade maior,
ou seja, maior facilidade em se difundir até o gás.

O mecanismo que estou explicando aqui não é necessariamente a evaporação,


pois nem sempre podemos usar temperaturas altíssimas, pode comprometer o
sólido a ser secado, então o que estou explicando aqui é a passagem de um
gás quente e seco sobre um sólido úmido.

Claro que a evaporação pode ocorrer, mas ela é mais simples de entender e
será calculada da mesma forma.

A convecção mássica pode ser calculada utilizando a equação de fluxo molar:

𝑀𝐵
𝑁𝐴 = 𝑘𝑦 (𝑋 − 𝑋)
𝑀𝐴 𝑠

Aonde 𝑴𝑨 é a massa molecular da água; 𝑴𝑩 a massa molecular do gás ou ar


utilizado; 𝑿𝒔 é a umidade de saturação na temperatura do sólido, 𝑿 é a umidade
do ar em bulbo seco e 𝒌𝒚 é o coeficiente de transferência.

Então o calor pode se relacionar com a transferência de massa da seguinte


forma:

𝑞 = 𝑀𝐴 𝑁𝐴 𝜆𝑊 𝐴

Aonde 𝝀𝑾 é o calor latente (entalpia de evaporação) da água em bulbo úmido e


𝒒 é o calor total transferido no sistema.

Veja que temos o fluxo molar (𝑁𝐴 ) multiplicado com a massa molar (𝑀𝐴 ),
consequentemente o nosso fluxo agora será calculado em 𝑘𝑔/(𝑚2 𝑠), isso lhe
lembra algo? É a mesma unidade da taxa de secagem, logo:

𝑞 = 𝑅𝐶 𝜆𝑊 𝐴
28
Nós já temos uma equação para o calor total transferido no sistema, então
substituímos:

(ℎ𝑐 + 𝑈𝐾 )(𝑇 − 𝑇𝑠 ) + ℎ𝑅 (𝑇𝑅 − 𝑇𝑠 ) = 𝑅𝐶 𝜆𝑊

Portanto a taxa de secagem pode ser calculada da seguinte forma:

(ℎ𝑐 + 𝑈𝐾 )(𝑇 − 𝑇𝑠 ) + ℎ𝑅 (𝑇𝑅 − 𝑇𝑠 )


𝑅𝐶 =
𝜆𝑊

Podemos utilizar a equação de transferência de massa também sem problemas:

𝑀𝐵
𝑁𝐴 = 𝑘𝑦 (𝑋 − 𝑋) → 𝑅𝐶 = 𝑘𝑦 𝑀𝐵 (𝑋𝑠 − 𝑋)
𝑀𝐴 𝑠

A equação da taxa de secagem em relação ao calor pode ser reduzida caso a


condução e a radiação possam ser desconsideradas:

ℎ𝑐 (𝑇 − 𝑇𝑠 )
𝑅𝐶 =
𝜆𝑊

Podemos relacionar a equação do calor com a equação da transferência de massa


a fim de podermos estudar as temperaturas caso não a tenhamos:

(𝑋𝑠 − 𝑋)𝜆𝑊 𝑈𝐾 ℎ𝑅
= (1 + ) (𝑇 − 𝑇𝑠 ) + (𝑇𝑅 − 𝑇𝑠 )
ℎ𝑐 /𝑘𝑦 𝑀𝐵 ℎ𝑐 ℎ𝑐

Nós podemos evitar ter que encontrar os valores de transferência de massa


ℎ𝑐 /𝑘𝑦 𝑀𝐵 através de uma aproximação matemática em função da umidade de bulbo
seco:

𝑐𝑠 = ℎ𝑐 /𝑘𝑦 𝑀𝐵 = (1,005 + 1,88𝑋)103 𝐽/𝑘𝑔𝐾

Através de todas essas relações nós conseguimos estudar a taxa de secagem de


um produto usando dados de transferência de calor, mais simples do que usar
a transferência de massa.

1.10 DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE CONVECTIVO

Se você tem noção da transferência de calor sabe que a convecção é o mecanismo


majoritário, quer um exemplo?

Imagine que você está tomando água numa garrafa com gelo, de repente a água
acaba, o que você faz? Completa a água com certeza.

29
Mas iae? Quanto tempo demora para a água ficar gelada de novo?

Se você pegar a garrafa de água com gelo e sacudi-la bastante e depois tomar
a água, perceberá que a água ficou muito gelada em questão de segundos
balançando.

Ou seja, a convecção é muito mais evidente do que os outros mecanismos ainda


mais quando não se cria um ambiente propício para o desenvolvimento da
condução e radiação.

Então, em muitos dos casos o que nós vemos é sistemas representados pela
equação dependente da convecção:

ℎ𝑐 (𝑇 − 𝑇𝑠 )
𝑅𝐶 =
𝜆𝑊

Pensando nisso existem técnicas de cálculos simples para encontrar o


coeficiente convectivo ℎ𝑐 para sistemas aonde a convecção é majoritária.

O coeficiente das películas pode ser determinado da seguinte forma:

ℎ = 0,0204𝐺 0,8

Aonde G é o fluxo mássico de gás (𝑘𝑔/𝑚2 ℎ), para encontra-lo você precisa da
densidade e da velocidade do ar ou gás que está sendo utilizado para a
secagem:

𝐺 = 𝜌𝑎𝑟 𝑣

Em alguns casos não temos a densidade do ar ou gás em mãos, então calculamos


utilizando a seguinte relação:

1+𝑋
𝜌𝑎𝑟 =
𝑉

É uma simples relação entre a base seca e o volume de umidade presente no


ar, ambos podem ser determinados em cartas psicrométricas através de valores
de temperatura de bulbo seco.

O volume de umidade também pode ser calculado através de uma aproximação


evitando o uso de cartas psicrométricas:

𝑉 = (2,83 × 10−3 + 4,56 × 10−3 𝑋)𝑇

Unidade S.I. (Kelvin)

30
𝑉 = (0,0252 + 0,0405𝑋)𝑇

Unidade Inglesa (Rankine)

1.11 EFEITOS DAS VARIÁVEIS DA SECAGEM

Nós já citamos muitas variáveis através das equações e métodos, mas do ponto
de vista fenomenológico, o que ocorre com o sistema com a modificação de
algumas variáveis?

Velocidade do ar

Se a condução e a radiação forem desprezíveis, o fluxo mássico do ar (𝐺 0,8 )


será proporcional ao coeficiente da película, ou seja, a velocidade com que
o ar passa sobre o sólido se torna a variável mais importante do processo,
mas se a condução e radiação também tiverem uma alta contribuição a
transferência de calor a velocidade já não será tão importante assim.

Umidade do gás

Se a umidade do gás em bulbo seco diminui, mantendo uma temperatura 𝑇, a


temperatura de bulbo úmido irá diminuir também, portanto através desse
pensamento podemos dizer que existe uma relação entre a taxa de secagem com
uma umidade 𝑋1 de bulbo seco e a taxa com uma umidade 𝑋2 de bulbo seco.

Assim temos a seguinte equação:

𝑅𝐶2 𝑇 − 𝑇𝑊2 𝜆𝑊 1 𝑋𝑊 2 − 𝑋2
= =
𝑅𝐶1 𝑇 − 𝑇𝑊1 𝜆𝑊 2 𝑋𝑊1 − 𝑋1

Nesses casos, o calor latente da água é parecido nas duas situações, portanto
seu valor é aproximadamente 1 podendo ser ignorado:

𝑅𝐶2 𝑇 − 𝑇𝑊2 𝑋𝑊 2 − 𝑋2
= =
𝑅𝐶1 𝑇 − 𝑇𝑊1 𝑋𝑊1 − 𝑋1

Obs.: Ao aumentar a umidade do gás a taxa de secagem diminui.

Temperatura do gás

Mas se em vez de olhar para a umidade olharmos para a temperatura, vemos que
se a temperatura do gás aumentar (bulbo seco) a temperatura de bulbo seco
também aumentará, então a relação que encontramos é parecida com a anterior,
só que com duas temperaturas de bulbo seco diferentes:

31
𝑅𝐶2 𝑇2 − 𝑇𝑊2 𝑋𝑊 2 − 𝑋2
= =
𝑅𝐶1 𝑇1 − 𝑇𝑊1 𝑋𝑊1 − 𝑋1

Ao aumentar a temperatura do gás aumentamos a taxa de secagem.

Espessura do sólido a ser secado

A espessura do material não tem qualquer efeito em relação a transferência


de calor convectiva em si, mas afeta diretamente o tempo da secagem.

Ou seja, a convecção ocorre na superfície, não importa o quanto de material


tem para baixo, mas a convecção vai retirar a umidade da superfície e depois
transferir calor para o interior, portanto esse processo leva tempo e quanto
maior a espessura maior será o tempo de secagem.

Levando em consideração tudo isso, a taxa de secagem diminui com o aumento


da espessura do sólido, mas não por causa da transferência de calor
convectiva.

1.12 EXEMPLO

Geankoplis, 1993: Um material insolúvel granular umedecido com água é secado


em uma bandeja de metal com área de 0,457 x 0,457 m e 25,4 mm de espessura.
O material possui a espessura de 25,4 mm, a espessura da bandeja é 𝑧𝑀 =
0,610 𝑚𝑚 possuindo uma condutividade térmica 𝑘𝑀 = 43,3 𝑊/𝑚𝐾. A condutividade
térmica do sólido pode ser assumida como 𝑘𝑠 = 0,865 𝑊/𝑚𝐾. A transferência de
calor ocorre por convecção de uma corrente de ar que escoa em paralelo com a
superfície do sólido e o fundo da bandeja a uma velocidade de 6,1 m/s e
possuindo uma temperatura de 65,6 °C e umidade de 𝐻 = 0,010 𝑘𝑔 𝐻2 𝑂/𝑘𝑔 𝑎𝑟 𝑠𝑒𝑐𝑜. A
superfície também recebe radiação direta de tubos com vapor aquecido com
temperatura da superfície de 𝑇𝑅 = 93,3 °𝐶. A emissividade do sólido é de 𝜀 = 0,92.
Estime a taxa de secagem de período constante.

Através do enunciado extraímos os seguintes dados:

● 𝑇 = 65,6 °𝐶 (bulbo seco)

● 𝑧𝑠 = 0,0254 𝑚 (espessura sólido)

● 𝑘𝑀 = 43,3 W/mK (condutividade metal)

● 𝑘𝑠 = 0,865 W/mK (condutividade sólido)

32
● 𝑧𝑀 = 0,00061 𝑚 (espessura metal)

● 𝜀 = 0,92 (emissividade)

● 𝑇𝑅 = 93,3 °𝐶

● 𝑋 = 0,010 kg H2 𝑂 / 𝑘𝑔 𝑎𝑟 𝑠𝑒𝑐𝑜 (umidade bulbo seco)

Bom, esse caso está envolvendo todas os mecanismos de transferência, então


podemos encontrar a taxa assim:

(ℎ𝑐 + 𝑈𝐾 )(𝑇 − 𝑇𝑠 ) + ℎ𝑅 (𝑇𝑅 − 𝑇𝑠 )


𝑅𝐶 =
𝜆𝑊

Porém, para encontrar essa taxa está faltando alguns dados que temos que
encontrar, vamos passo a passo.

Veja que não temos a temperatura em bulbo úmido, mas temos a do bulbo seco e
podemos calcular o volume de umidade, então temos:

𝑉 = (2,83 × 10−3 + 4,56 × 10−3 (0,010))(65,6 + 273) = 0,97 𝑚3 /𝑘𝑔 𝑎𝑟 𝑠𝑒𝑐𝑜

Usamos cartas psicrométricas e encontramos o seguinte resultado:

𝑇𝑊 = 28,9 °𝐶

Temos que encontrar o coeficiente da película, já que calculamos o volume de


umidade vamos logo terminar isso:

1 + 𝑋 1 + 0,01
𝜌𝑎𝑟 = = = 1,04 𝑘𝑔/𝑚3
𝑉 0,97

Então calculamos o fluxo mássico:

𝑘𝑔 𝑘𝑔
𝐺 = 𝜌𝑎𝑟 𝑣 = (6,1 𝑚/𝑠)(1,04 𝑘𝑔/𝑚3 ) = 6,34 = 22824
𝑚2 𝑠 𝑚2 ℎ

Portanto nosso coeficiente de transferência de energia por convecção fica:

ℎ𝐶 = 0,0204𝐺 0,8 = 0,0204(22824)0,8 = 62,6 𝑊/𝑚2 𝐾

Um dado muito importante pode ser encontrado por tentativa e erro, que é a
temperatura da superfície do sólido, tudo começa com um chute lógico, aonde
o chute deve ter um sentido fenomenológico.

Veja, temos a temperatura de bulbo seco e bulbo úmido em mãos, como chutar
uma temperatura ideal para a superfície do sólido?

33
Entenda o seguinte, a temperatura de bulbo seco é o ar quente que vem para
aquecer a superfície do sólido, então o sólido nunca irá ter uma temperatura
igual ou maior que a de bulbo seco.

E a temperatura de bulbo úmido representa o gás já umedecido, ou seja, com


presença de água dentro dele, portanto é o gás que já passou pelo sólido.
Veja que pelo fato dele ser mais úmido a temperatura diminui, então podemos
concluir que o sólido está mais seco e irá atingir uma temperatura maior que
a do gás úmido.

Então agora temos uma faixa de segurança para podermos aplicar um chute
razoável.

Temos a seguinte faixa:

65,6 °𝐶 < 𝑇𝑠 < 28,9 °𝐶

Eu darei uma dica para você: use a metade do valor da temperatura do bulbo
seco, logo temos que o nosso chute será:

𝑇𝑠 = 32,8 °𝐶

Então prosseguimos nossos cálculos normalmente, quando chegarmos na equação


que relaciona transferência de massa e de calor iremos saber qual é a
temperatura verdadeira.

Vamos calcular o 𝑈𝐾 coeficiente de transferência global para a condução:

1
𝑈𝐾 = = 22,05 𝑊/𝑚2 𝐾
1/62,6 + 0,00061/43,3 + 0,0254/0,865

Calculemos o coeficiente de transferência de calor por radiação:

93,3 + 273 4 32,8 + 273 4


( ) −( )
ℎ𝑅 = (0,92)(5,676) 100 100 = 7,99 𝑊/𝑚2 𝐾
(93,3 + 273) − (32,8 + 273)

Para prosseguirmos para a equação de transferência de massa e energia


precisamos calcular a aproximação para ℎ𝑐 /𝑘𝑦 𝑀𝐵 :

𝑐𝑠 = (1,005 + 1,88(0,010))103 = 1024 𝐽/𝑘𝑔𝐾

E precisamos da entalpia de evaporação da água 𝜆𝑊 através da seguinte tabela:

34
35
Fonte: Geankoplis, 1993.

Interpolamos entre 30 °C e 33 °C e encontramos o seguinte resultado:

𝜆𝑊 = 2424 𝑘𝐽/𝑘𝑔

Por fim precisamos da umidade de saturação no sólido, determinamos isso


através da nossa temperatura estimada de 32,8 °C utilizando cartas
psicrométricas, então temos que:

𝑋𝑠 = 0,031 𝑘𝑔 𝐻2 𝑂/𝑘𝑔 𝑎𝑟 𝑠𝑒𝑐𝑜

Então nossa equação fica:

(0,031 − 0,010)2424 × 103 22,05 7,99


= (1 + ) (65,6 − 𝑇𝑠 ) + (93,3 − 𝑇𝑠 )
1024 62,6 62,6

Agora encontramos o valor real de 𝑇𝑠 :

𝑇𝑠 = 34,4 °C → 𝜆𝑊 = 2420 𝑘𝐽/𝑘𝑔


36
Agora sim, estamos livres para usar a equação para encontrarmos a taxa de
secagem, lembrando que os calores estão com a unidade em Watt que possui
segundo, então multiplicamos por 3600:

(62,6 + 22,05)(65,6 − 34,4) + 7,99(93,3 − 34,4) 𝑘𝑔


𝑅𝐶 = 3600 = 4,63
2420 × 103 𝑚2 ℎ

Ou seja, para cada metro quadrado de sólido a nossa secagem retira 4630
gramas de água por hora.

Se nós tivéssemos desconsiderado a radiação e a condução o resultado seria


aproximadamente:

𝑘𝑔
𝑅𝐶 = 3,39
𝑚2 ℎ

Veja como a convecção é majoritária, mas a condução e a radiação dão uma


forcinha também.

1.13 DIFUSÃO E CAPILARIDADE

Toda a discussão envolvendo a taxa de secagem até agora foi com o enfoque no
período constante de secagem, ou seja, dos pontos B até C, mas agora chegou
a vez de falarmos sobre os pontos mais a frente aonde temos uma velocidade
de secagem decrescente.

Foi afirmado mais cedo que após a convecção retirar a grande quantidade de
umidade presente na superfície ela se torna seca permitindo transferência de
calor por condução e a difusão das moléculas de água até a superfície, sim
isso é verdade, mas essa difusão pode ocorrer de duas formas: difusão
molecular ou difusão por capilaridade.

A diferença entre essas duas formas de movimento da umidade se dá pela


granulometria do material a ser secado, materiais porosos tendem a ser secados
por capilaridade e os não porosos por difusão molecular.

Por exemplo: estamos secando uma fruta, a convecção tira toda a umidade de
suas bordas, então o calor começa a se transferir para o seu interior,
portanto com a presença de uma parte seca (a superfície) teremos uma diferença
de concentração no meio causando a difusão das moléculas de água para as
bordas da fruta.

37
A difusão molecular ocorre quando as moléculas de água se desprendem do
sólido e se deslocam para uma área de concentração menor, após isso são
levadas pela convecção mássica.

Então conclui-se que: a difusão molecular ocorre quando o sólido é não poroso
e possui afinidade com o líquido (não precisa ser só água).

Outro exemplo: estamos secando um material poroso semelhando a uma rocha,


ela é secada pelo período constante até que a sua superfície seca e então a
energia é transferida para o interior da rocha. As moléculas de água não
estão necessariamente ligadas a rocha, elas estão presas dentro dos poros e
falhas presentes na estrutura do material tornando-o úmido.

Quando a superfície fica seca as moléculas de água presas se deslocam para a


parte mais seca através dos poros e falhas da rocha, por causa da diferença
de concentração, e quando o calor atinge o interior por condução a
capilaridade melhora mais ainda. E assim se prossegue a secagem, com o
escapamento de umidade através dos poros do material.

Portanto concluímos que: a capilaridade ocorre quando o sólido é poroso e


possui pouca ou nenhuma afinidade com o líquido.

Mas diante de tudo isso, o que devemos nos atentar ao nosso sistema em cada
caso? Ou qual será o nosso foco de estudo a fim de melhorar essa secagem?

Perceba que no caso da fruta a difusão molecular foi ajudada pela


transferência de energia, enquanto ela não entrou em prática as moléculas
não se desprenderam da fruta, logo, a transferência de energia controla a
secagem quando ocorre difusão molecular.

Já no caso da rocha não precisamos desprender a molécula de água do material,


na verdade ela está presa e precisa de um incentivo para sair. Quando a
superfície fica seca a capilaridade inicia, porque temos diferença de
concentração, portanto não precisamos necessariamente da transferência de
energia para dar início a capilaridade, logo, a transferência de massa
controla a secagem quando ocorre capilaridade.

A capilaridade é mais rápida que a difusão molecular, isso porque no caso da


difusão molecular o calor deve estar bem presente para que as moléculas de
água se desprendam do sólido e então se difundem até a superfície, mas na
capilaridade a partir do momento que a superfície seca a umidade do interior
começa a ser retirada e pelo fato das moléculas não estarem tão ligada ao
sólido elas se difundem facilmente.

38
Estudos experimentais comprovam isso como no gráfico que você verá que
relaciona a umidade relativa e o comportamento difusivo das moléculas, nele
você verá uma secagem aonde ocorre difusão (A) e capilaridade (B):

Fonte: Geankoplis, 1993.

Diferente do caso da convecção aqui não teremos equações para encontrar a


taxa de secagem.

Por envolver situações que podem ocorrer capilaridade ou difusão envolvendo


transferência de energia e massa as equações se tornam enormes utilizando de
aproximações com séries e métodos analíticos.

Essa complexidade toda não convém a nós agora, mas a teoria sim é importante
e ela foi bem discutida aqui.

39
2. PROJETO DE TROCADORES DE CALOR – ESTUDO APROFUNDADO
Em fenômenos de transporte II você viu a teoria que rege um trocador de calor
e como a geometria e a configuração desses equipamentos são decisivos no
processo.

Vou explicar toda a teoria em poucas palavras para você: existem diversos
tipos de trocadores de calor, mas todos obedecem as leis descritas para troca
térmica, o que muda é como devemos lhe dar com suas geometrias; o escoamento
entre os fluidos quente e frio podem ser cocorrente ou contracorrente, o que
causa mudança no comportamento do processo, pois em cocorrente ocorre uma
alta taxa de troca térmica na entrada e esse valor vai decaído até ser muito
pequeno na saída, já em contracorrente a taxa de troca térmica se mantém
aproximadamente constante em toda extensão do trocador.

Abaixo você observa o comportamento da transferência de calor nas


configurações cocorrente e contracorrente:

Cocorrente

Fonte: Incropera, 2008.

41
Contracorrente

Fonte: Incropera, 2008.

A entrada no trocador em cocorrente é caracterizada pelo encontro entre dois


fluidos com temperaturas totalmente distintas e em contracorrente temos o
encontro de fluidos com temperaturas próximas, em consequência o fluido frio
na saída pode se tornar mais quente do que o próprio fluido quente na saída.

2.1 INTRODUÇÃO AOS MÉTODOS

Você viu antes e verá agora, um trocador de calor sempre será definido por
essa equação:

𝑄 = 𝑈𝐴Δ𝑇

Essa equação é usada até mesmo em evaporadores, isso porque troca de calor
não precisa ser necessariamente um equipamento, pode ser até um fenômeno
simples na natureza.

A diferença é: a fim de encontrarmos algo mais próximo do real uma série de


etapas são realizadas a fim de se encontrar um coeficiente global que envolve
as propriedades físicas dos fluidos e a possibilidade de incrustação no meio,
é o chamado coeficiente global sujo 𝑈𝐷 . Em vez de usarmos uma diferença
simples de temperatura (Δ𝑇) nós usaremos o método MLDT (média logarítmica)
pois temos que relacionar as temperaturas nas saídas e entradas do trocador
e não em só um ponto.

Então todas as etapas do método para projeto do trocador de calor se devem a


um único objetivo: encontrar o coeficiente global de transferência de calor.

42
Portanto ter em mãos tabelas, diagramas e adimensionais será algo muito
rotineiro aqui, já que temos que nos basear em dados disponíveis na literatura
desde informações sobre os fluidos utilizados no trocador até dados complexos
de comportamento do fluido no escoamento.

O método que você verá terá como foco trocadores de calor do tipo tubos
concêntricos, ou seja, um tubo dentro do outro, é a forma mais simples de
trocador de calor, porém esse método poderá ser estendido a outros tipos de
trocadores o que será abordado mais tarde.

O método a seguir deve ser realizado duas vezes, uma para o fluido quente e
outra para o fluido frio.

2.2 MÉTODO DE PROJETO

Passo 1 Determinar a seção de cada fluido

Em um trocador de calor concêntrico temos o tubo maior (espaço anular) e o


tube menor (tubo interior), então devemos procurar saber qual fluido, quente
ou frio, irá passar em cada um desses tubos.

Para isso se faz: determina-se o fluxo mássico de cada corrente, o maior


fluxo deve estar na maior área e o menor fluxo na menor área.

Fluxo mássico pode ser determinado de inúmeras formas, mas na troca de calor
você pode usar:

𝑄
𝑄 = 𝑊𝐶𝑝 Δ𝑇 → 𝑊 =
𝐶𝑝 Δ𝑇

Você tem que saber o fluxo de pelo uma das correntes, dessa forma você
encontra 𝑄 que deve ser o mesmo para a outra corrente.

Passo 2 MLDT (Média Logarítmica)

Esse cálculo é conhecido lá das aulas de fenômenos de transporte II e se


apresenta da seguinte forma:

Δ𝑇𝑒 − Δ𝑇𝑠 Δ𝑇𝑒 → 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎


𝑀𝐿𝐷𝑇 =
Δ𝑇 Δ𝑇𝑠 → 𝑠𝑎í𝑑𝑎
ln Δ𝑇𝑒
𝑠

Muita gente quer decorar o MLDT que muda para em escoamentos cocorrente e
contracorrente, gente bora sair dessa vida pelo amor de Deus!

43
Para saber quais são as temperaturas basta observar o gráfico do comportamento
do escoamento:

Cocorrente

Contracorrente

Passo 3 Área de fluxo interno ou externo

Como foi avisado antes de iniciarmos o método o fluido frio e o quente devem
passar por esse método, um por vez, dessa forma deve ser determinado a área
do tubo em que o fluido irá passar.

A área pode ser encontrada através de:

𝜋𝑑12 𝜋(𝐷12 − 𝑑22 )


𝐴= 𝐴=
4 4
𝑆𝑒çã𝑜 𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑖𝑜𝑟 𝑆𝑒çã𝑜 𝑎𝑛𝑢𝑙𝑎𝑟

Que diâmetros são esses? Vou desenhar para você:

44
Passo 4 Velocidade Mássica

É um simples cálculo que serve para você encontrar a velocidade com que a
massa de fluido passa pela seção:

𝑊
𝐺 =
𝐴

Passo 5 Reynolds

Será útil para o diagrama que estar por vir, para encontrá-lo você deve ter
em mãos a viscosidade do fluido. Essa adimensional depende do diâmetro do
tubo, o que é calculado normalmente na seção interior, mas na seção anular
devemos utilizar o diâmetro equivalente que relaciona a área de fluxo e o
perímetro molhado:

𝑑1 𝐺 𝐷𝑒𝑞 𝐺
𝑅𝑒 = 𝑅𝑒 =
𝜇 𝜇

Onde:

4𝐴 𝐷12 − 𝑑22
𝐷𝑒𝑞 = =
𝑃𝑒𝑟í𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 𝑚𝑜𝑙ℎ𝑎𝑑𝑜 𝑑2

Passo 6 Número de Prandtl

Mais uma adimensional para auxílio no método:

𝐶𝑝 𝜇
𝑃𝑟 =
𝑘

Passo 7 Análise de diagrama

Com o valor de Reynolds em mãos será utilizado um diagrama que o relaciona


com outra adimensional, 𝑗𝐻 , através de linhas com valores da relação
comprimento por diâmetro dos tubos.

45
Para altos valores do número de Reynolds a relação L/D possui cada vez menos
influência, com isso se encontrarmos um valor alto no número de Reynolds a
relação L/D acaba não importando, nem precisando calcular.

Fonte: Kern, 1983.

A partir desses dados podemos encontrar valores para 𝑗𝐻 que é descrita pela
seguinte equação:

hd1 1 μ 0,14
jH = ( )
k 13 μW
Pr

Aqui nós consideramos que μ ≈ μ𝑊 , ou seja, a viscosidade dos fluidos que


μ 0,14
utilizaremos aqui será próxima da água, portanto (μ ) ≈ 1. Se por acaso o
W

fluido que você for utilizar tenha uma viscosidade muito distante em relação
a da água então utilize a equação completa. A partir desse ponto é importante
conhecer as unidades das equações que encontramos por aí, para o caso acima
temos:

46
𝐵𝑇𝑈 𝑘𝐽
ℎ 𝑓𝑡 2 °𝐹 ℎ 𝑚2 °𝐶
𝐼𝑛𝑔𝑙ê𝑠 𝑆. 𝐼.

O objetivo disso tudo é encontrar o “ℎ” que tá nessa equação, mas ele muda
conforme o local do seu estudo.

Passo 8 Encontrar relação 𝒉𝒊𝒐

Esse coeficiente é referente a face externa do tubo interior:

𝐴𝑖 𝑑1
ℎ𝑖𝑜 = ℎ𝑖 ( ) = ℎ𝑖 ( )
𝐴𝑒 𝑑2

Somente o tubo interno precisa dessa relação, ainda mais porque a face externa
do tubo externo não nos interessa, se você não entendeu vou desenhar para
você:

Passo 9 Coeficiente global de transferência de calor

Depois desses dados adquiridos podemos encontrar o coeficiente global que é


chamado de coeficiente limpo porque ele não envolve possíveis incrustações
na tubulação:

ℎ𝑖𝑜 ℎ𝑜
𝑈𝐶 =
ℎ𝑖𝑜 + ℎ𝑜

𝐵𝑇𝑈 𝑘𝐽
(ℎ 𝑓𝑡 2 °𝐹 ℎ 𝑚2 °𝐶 )
𝐼𝑛𝑔𝑙ê𝑠 𝑆. 𝐼.

Passo 10 Coeficiente global sujo

Através de um fator de incrustação 𝑅𝑑 que é tradado como uma resistência


térmica podemos encontrar o coeficiente mais próximo do real, o chamado sujo:

47
1
𝑈𝑑 =
1
𝑈𝐶 + 𝑅𝑑

𝐵𝑇𝑈 𝑘𝐽
(ℎ 𝑓𝑡 2 °𝐹 ℎ 𝑚2 °𝐶 )
𝐼𝑛𝑔𝑙ê𝑠 𝑆. 𝐼.

Depois de toda essa maratona do cálculo você pode agora utilizar a equação
geral do trocador de calor para encontrar a área total necessária:

𝑄
𝑄 = 𝑈𝑑 𝐴Δ𝑇𝑚𝑙 → 𝐴 =
𝑈𝑑 Δ𝑇𝑚𝑙

2.3 DADOS DE TUBOS

Irei lhe apresentar uma tabela do Kern, 1983, que irá nos ajudar a encontrar
valores de diâmetros para tubos de ferro padronizados segundo o IPS
(Integrated Project Services).

48
Fonte: Kern, 1983.

Ao analisar a tabela entenda que:

49
Isso é só um exemplo, por favor, o que você tem que fazer é pegar a referência de
quais tipos de tubos você vai usar, no externo e no interno, depois disso você vai
olhar a tabela e localizar os dois tipos de tubos e então realizar a análise que
eu mostrei.

2.4 GRAMPOS

Os grampos são equipamentos de trocadores de calor utilizados para diminuir


o espaço que o trocador acaba por tomar, imagine um trocador de 100 metros
de comprimento? Aja espaço numa sala meu caro leitor, então por isso que nós
utilizamos a técnica de grampos que são curvas que interligam várias partes
de um mesmo trocador:

Fonte: Kern, 1983.

O grampo é uma propriedade exclusiva da seção anular, isso quer dizer que
somente o fluido da seção anular passa pelo grampo, veja o desenho e tire
suas conclusões.

A primeira coisa que você deve ter em mente é qual o comprimento do grampo
que você vai usar, isso é algo padronizado, depois disso vamos usar dos dados
que temos de área do trocador para identificar a quantidade de necessária de
grampos para o nosso sistema, é bem simples.

Depois de todos aqueles cálculos, vamos dizer que você encontre uma área de
𝐴 = 150 𝑚2, portanto temos que descobrir qual será o comprimento desse
trocador, isso é fácil, considerando que estamos usando tubos concêntricos:

𝐴
𝐴 = 𝜋𝑑2 𝐿𝑇 → 𝐿𝑇 =
𝜋𝑑2

50
Veja que estamos usando como base o diâmetro 𝑑2 que é referente ao diâmetro
externo do tubo interno, por isso preste atenção. Depois que você encontra
essa área lateral você irá fazer uma razão, entre esse comprimento total e o
comprimento do grampo, a partir disso você descobre quantos grampos você irá
usar.

Supondo 𝑑2 = 0,138 𝑚 e o comprimento do grampo = 30 𝑚:

𝐴 150 𝑚2
𝐿𝑇 = = = 346 𝑚
𝜋𝑑2 𝜋0,138 𝑚

Logo:

346
= 11,5 ≈ 12
30

Veja que não existe meio grampo, então a título de projeto temos que
arredondar o número para cima, mas quando nós fazemos isso os nossos cálculos
são modificados, porque teoricamente ao arredondar o número de grampos nós
aumentamos a área necessária do trocador. Portanto, agora o nosso objetivo
será verificar se essas modificações são muito evidentes no nosso projeto.

Como vamos fazer isso? Fazendo cálculo reverso, vamos recalcular a área do
trocador e depois aplicar no coeficiente global sujo a fim de entender se o
fator de incrustação está muito longe da realidade, se estiver próximo o
arredondamento é viável e não atrapalha nosso projeto.

2.5 PERDA DE CARGA EM TROCADORES DE DUPLO TUBO

A perda de carga é um problema observado em transporte de momentum e suas


consequências são bem exploradas pelas operações unitárias de fluidos e
agitação.

Então pelos mesmos motivos que você estudou nessas disciplinas nós devemos
evitar a perda de carga excessiva no trocador de calor e para isso existem
cálculos específicos que você verá aqui.

Esse estudo deve ser feito pois temos que entender que na troca térmica as
altas velocidades são o paraíso e trocam calor maravilhosamente, mas essas
velocidades tão altas podem proporcionar quedas de pressão que podem ser
perigosas para o equipamento.

51
Dependendo do fluido utilizado para a troca térmica uma faixa de pressão e
velocidade deverá ser mantida para se evitar os problemas provenientes da
queda ou excesso desses dois fatores.

Por exemplo, uma certa velocidade mínima deve ser mantida para que o fluido
não deixe que se deposite eventuais sólidos no fundo do trocador podendo
causar a incrustação e nós usamos uma velocidade máxima para evitar a queda
de pressão ocasionando erosão e corrosão no equipamento.

Para esses casos vamos tabelar algumas informações importantes:

Em relação a pressão:

• Gases e vapores: operando em pressões médias e altas é comum se adotar


valores entre 2 e 10 psi (𝑙𝑏/𝑖𝑛2 );

• Gases e vapores: operando em vácuo ou pressões próximas a da atmosfera


são comuns valores entre 0,3 e 2 psi;

• Líquidos: os valores admissíveis são mais elevados, variando entre 10 e


25 psi.

Em relação a velocidade:

• Líquidos: costuma-se adotar velocidades máximas de 3 a 4,5 m/s e


velocidades mínimas de 0,9 m/s, sendo normal a utilização de 1,5 a 1,8
m/s;

• Água de resfriamento: recomenda-se não ultrapassar 1 m/s;

• Gases ou vapores: as velocidades recomendadas são maiores, sendo normal


a utilização de velocidades de 25 a 30 m/s.

Agora vamos explorar os cálculos que rodeiam o método da perda de carga e


pressão nos trocadores de calor, veja que nós vamos abordar um método geral,
ou seja, você pode aplica-lo para qualquer tipo de trocador de calor desde
que observe a geometria do seu trocador na hora de envolver cálculos com
diâmetro e área.

O método deve ser realizado tanto para a seção menor (os tubos) quanto para
a seção maior (anelar, casco etc.).

O método começa com a identificação do tipo de escoamento dentro do trocador,


laminar ou turbulento, essa análise pode ser tanto gráfica como através de
equações analíticas, nós vamos abordar as equações aqui.

52
Reynolds é dado por:

𝑣𝐷𝜌 𝐷𝐺
𝑅𝑒 = =
𝜇 𝜇

Aonde "𝐺“ é a velocidade mássica, mas há uma diferença entre a seção maior e
a menor, para a seção maior deve ser calculado diâmetro equivalente, para um
trocador de tubo concêntrico (tubo duplo) o diâmetro equivalente da seção
anular fica:

4𝐴 4𝐴𝑠𝑒çã𝑜 𝑎𝑛𝑢𝑙𝑎𝑟
𝐷𝑒𝑞 = =
𝑃𝑒𝑟í𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 𝑚𝑜𝑙ℎ𝑎𝑑𝑜 𝑃𝑠𝑢𝑝𝑒𝑟𝑓í𝑐𝑖𝑒 𝑑𝑜 𝑡𝑢𝑏𝑜 + 𝑃𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑖𝑜𝑟 𝑎𝑛𝑢𝑙𝑎𝑟

𝜋(𝐷12 − 𝑑22 )
4
𝐷𝑒𝑞 = 4 = 𝐷1 − 𝑑2
𝜋𝐷1 + 𝜋𝑑2

Se você prestar atenção vai perceber que esse “𝐷𝑒𝑞 ” é diferente daquele que
apresentei no método do projeto do trocador, essa diferença existe justamente
porque no projeto estamos relacionando transferência térmica e aqui estamos
falando de perda de carga, lá nós só precisamos do perímetro anular pois é
nele que ocorre a transferência, já na perda de carga temos que considerar
tudo que o fluido toca.

Quando for a seção menor (do tubo) basta usar o seu diâmetro normal, então
após isso calcula-se o número de Reynolds e então iremos descobrir se o
regime é laminar ou turbulento:

• Turbulento: 𝑅𝑒 > 2400

• Transição: 2000 < 𝑅𝑒 < 2400

• Laminar: 𝑅𝑒 < 2000

Após a identificação escolha a equação correta para encontrar o fator de


atrito:

16 0,264
𝑓= 𝑓 = 0,0035 +
𝑅𝑒 𝑅𝑒 0,42
𝐿𝑎𝑚𝑖𝑛𝑎𝑟 𝑇𝑢𝑟𝑏𝑢𝑙𝑒𝑛𝑡𝑜

Com isso calcula-se a perda de carga:

4𝑓𝐺 2 𝐿 𝑣 2 (𝐺/𝜌)2
Δ𝐹1 = Δ𝐹2 = =
2𝑔𝜌2 𝐷 2𝑔 2𝑔

53
A seção menor usa somente a primeira equação, a seção maior usa as duas,
porque o segundo calcula a perda de carga em cada grampo e somente o fluido
da seção maior passa pelo grampo, veja a imagem dos grampos novamente no
tópico anterior e perceba isso. Obs.: depois de calcular “Δ𝐹2 ” é necessário
que se multiplique pela quantidade de grampos presentes no trocador de calor.

Agora pode-se calcular a queda de pressão nas seções do trocador de calor:

Δ𝑃 = Δ𝐹1 𝜌 Δ𝑃 = (Δ𝐹1 + Δ𝐹2 )𝜌


𝑆𝑒çã𝑜 𝑝𝑒𝑞𝑢𝑒𝑛𝑎 𝑆𝑒çã𝑜 𝑔𝑟𝑎𝑛𝑑𝑒

Nesse método todas as variáveis e os resultados devem estar no sistema


britânico.

2.6 EXEMPLO

Kern, 1983 (modificado): Trocador de duplo tubo para benzeno-tolueno em


contracorrente requeresse aquecer 9820 lb/h de Benzeno de 80 até 120 °F (27
a 49 °C) mediante uma corrente de Tolueno que se resfria de 160 até 100 °F
(71 a 38 °C). As propriedades físicas se apresentam na seguinte tabela.

O fator de incrustação é de 0,001 para os dois fluidos. A queda de pressão


permitida é de 10 psi. Dispomos de um certo número de grampos com tubos IPS
em arranjo 2 × 11/4 pol e 20 pés de comprimento.

Determinar:

a) O fluxo necessário do Tolueno;

b) Qual dos fluidos fluirá pela seção anular;

c) Quantos grampos são necessários?

d) A queda de pressão em ambas as correntes.

54
Nós temos o fluxo de Benzeno, logo podemos encontrar a quantidade de calor
transferida:

𝑙𝑏 𝐵𝑇𝑈 𝐵𝑇𝑈
𝑄 = 𝑚̇𝐶𝑝 Δ𝑇 = (9820 ) (0,425 ) (120 − 80)°𝐹 = 166940
ℎ 𝑙𝑏°𝐹 ℎ

Considerando que não há perda de calor para o meio então o calor que sai do
Benzeno vai integralmente para o Tolueno, logo:

𝐵𝑇𝑈 𝑙𝑏
166940 = 𝑚̇(0,44)(160 − 100)°𝐹 → 6323,5
ℎ ℎ

b) Qual dos fluidos fluirá pela seção anular:

Agora devemos saber qual fluido passará em cada seção, para isso devemos nos
lembrar do passo 1 que diz que aquele que possui maior fluxo mássico deve
passar pela maior área, então temos que:

𝑙𝑏
𝐵𝑒𝑛𝑧𝑒𝑛𝑜 → 9820

𝑙𝑏
𝑇𝑜𝑙𝑢𝑒𝑛𝑜 → 6323,5

Portanto o Benzeno irá passar pela seção interior (maior área) e o Tolueno
pela seção anular (menor área).

c) Quantos grampos são necessários?

Para isso temos que realizar todo o método descrito anteriormente a fim de
encontrar os coeficientes globais e a área total necessária para o trocador.

Começamos pelo passo 2, média logarítmica:

ΔTe − ΔTs (160 − 120) − (100 − 80)


MLDT = = = 28,85 °𝐹
ΔTe 160 − 120
ln ΔT ln 100 − 80
s

Prosseguindo para o passo 3, áreas das seções interna e anular, para isso
você vai usar os dados de diâmetros daquela tabela que eu lhe mostrei,
lembrando que 2 → 𝑠𝑒çã𝑜 𝑎𝑛𝑢𝑙𝑎𝑟, 11/4 → 𝑠𝑒çã𝑜 𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑖𝑜𝑟:

πd12 π(1,380)2 π(D12 − d22 ) π(2,0672 − 1,662 )


Ai = = = 1,50 pol2 Aa = = = 1,19 pol2
4 4 4 4
Seção interior Seção anular

Não vai ajudar ficar usando unidade em polegadas, pois estamos usando o
sistema inglês, então vamos converter:

55
𝐴𝑖 = 0,0104 𝑓𝑡 2 𝐴𝑎 = 0,00827 𝑓𝑡 2

Passo 4: velocidade mássica

𝑙𝑏 𝑙𝑏
𝑊 9820 𝑊 6323,5
𝐺= = ℎ = 944230,8 𝑙𝑏 𝐺= = ℎ = 𝑙𝑏
2 764631,2
𝐴𝑖 0,0104 𝑓𝑡 2 ℎ𝑓𝑡 2 𝐴𝑎 0,00827 𝑓𝑡 ℎ𝑓𝑡 2
𝐵𝑒𝑛𝑧𝑒𝑛𝑜 𝑇𝑜𝑙𝑢𝑒𝑛𝑜

Quinto passo: Reynolds

𝑙𝑏
(1,380 𝑝𝑜𝑙) (944230,8 )
𝑑1 𝐺 ℎ𝑓𝑡 2
𝑅𝑒 = =
𝜇 0,5 𝑐𝑃
𝑆𝑒çã𝑜 𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑖𝑜𝑟

2,0672 − 1,662 𝑙𝑏
𝐷𝑒𝑞 𝐺 ( ) 𝑝𝑜𝑙 (764631,2 )
1,66 ℎ𝑓𝑡 2
𝑅𝑒 = =
𝜇 0,41 𝑐𝑃
𝑆𝑒çã𝑜 𝑎𝑛𝑢𝑙𝑎𝑟

Com essas unidades nunca vamos conseguir algo coerente, então vamos converter
a viscosidade e os diâmetros:

𝑙𝑏
(0,115 𝑓𝑡) (944230,8 )
𝑑1 𝐺 ℎ𝑓𝑡 2
𝑅𝑒 = = = 89740,9 ≈ 9 × 104
𝜇 𝑙𝑏
1,21
ℎ𝑓𝑡

𝑙𝑏
𝐷𝑒𝑞 𝐺 0,0762 𝑓𝑡 (764631,2 ℎ𝑓𝑡 2 )
𝑅𝑒 = = = 58853,4 = 6 × 104
𝜇 𝑙𝑏
0,99
ℎ𝑓𝑡

Sexto passo: número de Prantdl

𝐶𝑝 𝜇 (0,425)(1,21) 𝐶𝑝 𝜇 (0,44)(0,99)
𝑃𝑟 = = = 5,65 𝑃𝑟 = = = 5,12
𝑘 0,091 𝑘 0,085
𝐵𝑒𝑛𝑧𝑒𝑛𝑜 𝑇𝑜𝑙𝑢𝑒𝑛𝑜

Sétimo passo: usamos o diagrama com os seguintes dados e encontramos os


valores para 𝑗𝐻 :

(9 × 104 ; 5,65) → 𝑗𝐻 ≈ 250

(6 × 104 ; 5,12) → 𝑗𝐻 ≈ 160

Portanto temos:

56
h𝑖 d1 1
jH = 1/3
k 13 → ℎ = (250)(0,091)(5,65) = 352,3 𝐵𝑇𝑈
Pr 𝑖
0,115 𝑓𝑡 ℎ𝑓𝑡 2 °𝐹
𝑆𝑒çã𝑜 𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑖𝑜𝑟

h0 Deq 1
jH = 1 (160)(0,085)(5,12)1/3 𝐵𝑇𝑈
k 3 → ℎ0 = = 307,6
Pr 0,0762 𝑓𝑡 ℎ𝑓𝑡 2 °𝐹
𝑆𝑒çã𝑜 𝑎𝑛𝑢𝑙𝑎𝑟

Oitavo passo serve somente para a seção interior com os cálculos para
encontrar o coeficiente da película para a face exterior do tubo interior:

𝑑1 0,115 𝐵𝑇𝑈
ℎ𝑖𝑜 = ℎ𝑖 ( ) = (352,3) = 293,6
𝑑2 0,138 ℎ𝑓𝑡 2 °𝐹

Nono passo: coeficiente global limpo

ℎ𝑖𝑜 ℎ𝑜 (293,6)(307,6) 𝐵𝑇𝑈


𝑈𝐶 = = = 150,2
ℎ𝑖𝑜 + ℎ𝑜 (293,6) + (307,6) ℎ𝑓𝑡 2 °𝐹

Último passo: coeficiente global sujo

1 1 𝐵𝑇𝑈
𝑈𝑑 = = = 115,5
1 1 ℎ𝑓𝑡 2 °𝐹
𝑈𝐶 + 2𝑅𝑑 + 2(0,001)
150,2

Multiplicamos o fator de incrustação por 2 porque isso equivale tanto para a


seção interior como a anular.

Com essa informação em mãos podemos encontrar a área total necessária para a
troca térmica:

𝑄 166940
𝑄 = 𝑈𝑑 𝐴Δ𝑇𝑚𝑙 → 𝐴 = = = 50,1 𝑓𝑡 2
Δ𝑇𝑚𝑙 𝑈𝑑 (28,85)(115,5)

Agora encontramos o comprimento total do trocador:

50 𝑓𝑡 2
𝐴 = 𝜋𝑑2 𝐿𝑇 → 𝐿𝑇 = = 115,6 𝑓𝑡
𝜋0,138 𝑓𝑡

No enunciado da questão é informado que o grampo possui 20 ft, porém cada


grampo permite a entrada de dois tubos, o interior e o anelar, portanto para
descobrirmos a quantidade de grampos necessários para este trocador devemos
realizar a seguinte razão:

115,6 𝑓𝑡
= 2,89 ≈ 3 grampos
40 𝑓𝑡

57
Para ter exatamente 3 grampos seria necessário 120 ft de comprimento lateral,
mas como tivemos um valor abaixo disso somos obrigados a arredondar para
cima.

Em alguns casos o arredondamento pode trazer consequências ruins, então a


fim de verificarmos se tudo continua dentro do previsto vamos usar o valor
de comprimento que seria para 3 grampos, 120 ft, e analisar se o fator de
incrustação se modificará muito:

𝐴 = 𝜋𝑑2 𝐿𝑇 = 𝜋(0,138)(120) = 52 𝑓𝑡 2

Então o coeficiente global sujo fica:

𝑄 𝐵𝑇𝑈
𝑈𝑑 = = 111,3
Δ𝑇𝑚𝑙 𝐴 ℎ𝑓𝑡 2 °𝐹

Usando a equação do coeficiente global sujo temos que:

1 𝑈𝑐 − 𝑈𝑑
𝑈𝑑 = → 𝑅𝑑 = = 0,00116
1 2𝑈𝑐 𝑈𝑑
𝑈𝑐 + 2𝑅𝑑

Se arredondarmos esse valor ele atinge facilmente 𝑅𝑑 = 0,001, que é o valor


dado no enunciado da questão, logo o nosso método está seguro sem desvios
importantes.

Por fim vamos calcular a queda de pressão no trocador de calor, vamos começar
com o escoamento interno, mas para isso temos que saber se o regime é
turbulento ou laminar, sabemos isso facilmente através de Reynolds:

𝑙𝑏
(0,115 𝑓𝑡) (944230,8 )
𝑑1 𝐺 ℎ𝑓𝑡 2
𝑅𝑒 = = = 89740,9 = 9 × 104
𝜇 𝑙𝑏
1,21
ℎ𝑓𝑡

Com esse valor temos certeza que estamos em regime turbulento, logo:

0,264 0,264
𝑓 = 0,0035 + = 0,0035 + = 5,7 × 10−3
𝑅𝑒 0,42 89740,90,42

Agora encontramos a variação de perda de carga e de pressão no trocador:

𝑙𝑏 2
4𝑓𝐺 2 𝐿 4(5,7 × 10−3 ) (944230,8 ) (115,6 𝑓𝑡)
ℎ𝑓𝑡 2
Δ𝐹𝑃 = = = 8,2 𝑓𝑡
2𝑔𝜌2 𝑑1 𝑓𝑡 𝑙𝑏 2
2 (417118110,236 2 ) (54,69 3 ) (0,115 𝑓𝑡)
ℎ 𝑓𝑡

58
𝑙𝑏 𝑙𝑏 𝑙𝑏
Δ𝑃 = Δ𝐹𝑃 𝜌 = (8,2 𝑓𝑡) (54,69 3
) = 448,5 2 = 3,11 2
𝑓𝑡 𝑓𝑡 𝑖𝑛

Não podemos interpretar qualquer coisa com essa unidade, então vamos
converter esse valor:

Δ𝑃 = 18773,8 𝑃𝑎 = 19 𝑘𝑃𝑎

Agora seguimos para a seção anular, que devemos começar calculando o diâmetro
equivalente:

𝐷𝑒𝑞 = 𝐷1 − 𝑑2 = 0,172 − 0,138 = 0,034 𝑓𝑡

Agora encontra-se o Reynolds na seção anular:

𝑙𝑏
𝐷𝑒𝑞 𝐺 (0,034 𝑓𝑡) (764631,2 ℎ𝑓𝑡 2 )
𝑅𝑒 = = = 26260,1 = 3 × 104
𝜇 𝑙𝑏
0,99
ℎ𝑓𝑡

Regime turbulento:

0,264 0,264
𝑓 = 0,0035 + = 0,0035 + = 7,2 × 10−3
𝑅𝑒 0,42 26260,10,42

Agora encontrando a perda de carga na solução anular:

𝑙𝑏 2
2
4𝑓𝐺 𝐿 4(7,2 × 10−3 ) (764631,2 ) (115,6 𝑓𝑡)
ℎ𝑓𝑡 2
Δ𝐹𝑎 = = = 23,4 𝑓𝑡
2𝑔𝜌2 𝐷𝑒𝑞 𝑓𝑡 𝑙𝑏 2
2 (417118110,236 2 ) (54,12 3 ) (0,034 𝑓𝑡)
ℎ 𝑓𝑡

Por fim calculamos as perdas de entrada e saída nos extremos expostos do tubo
interior em cada grampo:

𝑙𝑏 2
764631,2
ℎ𝑓𝑡 2
( )
54,12 𝑙𝑏/𝑓𝑡 3
𝑣2
Δ𝐹𝐼 = = = 0,239 𝑓𝑡/𝑔𝑟𝑎𝑚𝑝𝑜
2𝑔 𝑓𝑡
2 (417118110,236 2 )

𝑓𝑡 𝑙𝑏 1 𝑖𝑛2
Δ𝑃𝑎 = (Δ𝐹𝑎 + Δ𝐹𝐼 )𝜌 = [(23,4 𝑓𝑡 + 3 𝑔𝑎𝑚𝑝𝑟𝑜 (0,239 )) 54,12 3 ]
𝑔𝑟𝑎𝑚𝑝𝑜 𝑓𝑡 144 𝑓𝑡 2

Logo:

59
𝑙𝑏
𝛥𝑃𝑎 = 9,03 = 62,49 𝑘𝑃𝑎
𝑖𝑛2

2.7 MÉTODO CASCO E TUBO

Todos os trocadores de calor têm algo em comum: todos obedecem a lei geral
de um trocador de calor:

𝑄 = 𝑈𝐴Δ𝑇

Com isso você consegue modelar qualquer tipo de trocador de calor, o que eu
estou fazendo aqui com esses métodos é apresentar a você alternativas de
cálculo para os trocadores através de tabelas, equações e coeficientes que
são úteis para projeto de trocadores de calor, mas no fundo todos chegam na
equação acima.

O método para projeto de um trocador casco e tubo é bastante semelhante ao


que nós já vimos, que foi de tubos concêntricos, as mudanças são referentes
a geometria e ao modo de operação, já que um trocador casco e tubo possui
chicanas e diversos tubos dentro de si, para cada um desses parâmetros existem
tabelas e cálculos.

Antes de metermos a cara no método temos que conhecer um pouco melhor esse
trocador, abaixo você verá uma imagem de um tipo de trocador casco e tubo,
vamos analisar as características desse sistema:

Fonte: Kern, 1983.

Arranjo de tubos:

Os tubos podem apresentar os seguintes tipos de arranjo dentro do trocador


de calor:

60
Fonte: Kern, 1983.

a) Retangular;

b) Triangular;

c) Retangular rotacionada;

d) Triangular acoplada a uma rede.

Cada tipo de arranjo tem a sua influência na transferência térmica, os motivos


para você escolher um tipo de arranjo podem ser os dos mais variados tipos:
financeiros, disponibilidade, facilidade na limpeza, fácil manuseio etc.

Para isso nós temos a nossa disposição tabelas que irão nos informar dados
como diâmetros e quantidade de tubos, um exemplo é a tabela abaixo, para
arranjos retangulares:

61
Fonte: Kern, 1983.
Claro (distância entre tubos dentro do casco) (𝑪′ ):

É o espaço existente entre as bordas dos tubos, como se pode ver na imagem
abaixo.

Passo entre tubos (Pt):

É a distância entre os centros dos tubos, como também pode se ver na imagem
abaixo.

62
Fonte: Kern, 1983.

Distância entre as chicanas (B)

Elas possuem valores padronizados e podem variar entre o mesmo valor do


diâmetro do casco ou 1/5 dele. Elas são usadas justamente para forçar o
movimento dos fluidos, aumentando a troca térmica convectiva, isso melhora a
eficiência do trocador. Elas podem ter diversas formas e designes.

Fonte: Kern, 1983.

Área total do tubo e área do casco:

Você deve ter percebido que não temos só um tubo, mas vários, então temos
que levar em consideração todos os tubos e não somente isso, mas como também
o número de passes (quantas vezes o tubo passa pelo casco). Já o casco tem
suas peculiaridades, então teremos que considerar o seu diâmetro (𝐷𝐼 ), o
claro, distância entre as chicanas e o número de vezes que os tubos dão
voltas no casco (𝑛𝑝𝑎𝑠𝑠𝑒𝑠 ).

𝐴𝑛𝑡𝑢𝑏𝑜𝑠 𝐷𝐼 𝐶 ′ 𝐵
𝐴𝑇 = 𝐴𝑠 =
𝑛𝑝𝑎𝑠𝑠𝑒𝑠 𝑃𝑡
𝑇𝑢𝑏𝑜𝑠 𝐶𝑎𝑠𝑐𝑜

Diâmetro exterior do tubo (𝒅𝟐 ):

63
Todo tubo tem sua espessura, logo esse diâmetro é o diâmetro de fora do tubo,
com isso podemos encontrar de duas formas:

𝑑2 = 𝑑1 + 2𝑒𝑠𝑝𝑒𝑠𝑠𝑢𝑟𝑎 = 𝑃𝑡 − 𝐶′

Diâmetro equivalente do casco (𝑫𝒆𝒒 ):

Você sabe muito bem que para a área maior precisamos calcular o diâmetro
equivalente e no casco ele se dá assim:

𝑑2
4 (𝑃𝑡 2 − 𝜋 42 )
𝐷𝑒𝑞 =
𝜋𝑑2

Pronto, com todos esses dados você consegue utilizar o método anterior de
modelagem de trocadores de tubos concêntricos e adapta-lo para o caso atual.

Eu preciso explicar o método de novo? Você tem que se tocar e perceber que
do método anterior para este o que vai mudar são só as especificações de área
e diâmetro, só.

MLDT verdadeira:

Quando utilizamos trocadores de calor casco e tubo o método da MLDT não se


torna mais fiel, justamente porque essa técnica foi criada para trocadores
de tubos concêntricos e não para casco e tubo.

A correção ocorre através de um fator:

𝐹Δ𝑇𝑚𝑙 = Δ𝑇𝑚𝑙 𝐶

Ele é função de três variáveis:

𝐹(𝑅, 𝑆, 𝑎𝑟𝑟𝑎𝑛𝑗𝑜)

Aonde R e S são equações que utilizam as temperaturas que entram e saem do


trocador:

𝑇𝑞1 − 𝑇𝑞2 𝑇𝑓2 − 𝑇𝑓1


𝑅= 𝑆=
𝑇𝑓2 − 𝑇𝑓1 𝑇𝑞1 − 𝑇𝑓1

Com isso utilizamos os gráficos abaixo e encontramos o valor do fator de


correção para a MLDT:

64
Fonte: Kern, 1983.

Fonte: Kern, 1983.

65
Fonte: Kern, 1983.

Fonte: Kern, 1983.


66
Fonte: Kern, 1983.

Fonte: Kern, 1983.


67
Localização dos fluidos:

Existem condições diferentes para que um fluido seja escolhido para o tubo
ou para o casco, veja:

• Corrosão: Onde será que colocamos o fluido mais corrosivo? Aonde tem
maior ou menor área? É claro que será na menor, menos trabalho para
manutenção e troca, portanto, eles ficam nos tubos.
• Incrustação: O inverso da corrosão, as incrustações ocorrem por causa
da deposição de sólidos presentes no fluido, pode parecer estranho, mas
sabe aquela água transparente que sai da torneira da sua casa? Então,
ela é uma água dura, termo para informar que há grande quantidade de
íons minerais não dissolvidos em água, ou seja, ao longo do tempo esse
depósito vai se tornando cada vez maior. Para evitar isso colocamos
fluidos com potenciais de incrustação nos tubos, pois a alta velocidade
permitida irá evitar a deposição de materiais.

• Temperatura: todo meio de trabalho não deve oferecer temperaturas


desconfortantes para o operador, isso é questão de segurança, por isso
se o trocador de calor estiver oferecendo uma alta temperatura para o
meio temos duas coisa: 1 desperdício de calor e 2 falta de segurança
no meio, com isso teremos que usar isoladores para conter essa
transferência de calor. Tudo isso pode ser evitado se o fluido mais
quente for colocado no tubo, pois com o fluido frio no casco ele irá
absorver todo esse calor e haverá pouco desperdício, todo mundo fica
feliz.

• Pressão de operação: alguns fluidos precisam ser utilizados a altas


pressões, esses tipos ficam nos tubos, por questões financeiras, é
mais barato usar um tubo, que é bem menor do que um casco, para
controlar a pressão do que um casco gigante.

• Viscosidades: você já estudou transferência de calor e termodinâmica


então sabe que o movimento dos fluidos libera mais energia, por isso
usamos as chicanas, forçando o fluido a entrar em regime turbulento.
Então, quando o fluido é viscoso temos que tentar melhorar sua
capacidade de transferência no casco, mas caso não consiga êxito é
melhor ficar nos tubos mesmo.

• Vazão das correntes: experimentos mostraram que colocar o fluido com


menor vazão no lado do casco é melhor.

68
2.8 PERDA DE CARGA EM TROCADORES DE CASCO E TUBO

Quando falamos de casco e tubo as coisas mudam, mas elas mudam só que muito,
entende? É um outro método totalmente diferente, mas vamos aprende-lo com
calma, tanto a área dos tubos quanto a do casco tem as suas características.

Método de perda de carga no tubo:

Para encontrar o resultado da queda de pressão utilizaremos somente duas


equações cujos resultados serão somados:

fGt2 Ln 4n V 2
ΔPt = ΔPr =
(5,22 × 1010 )Dsϕt s 2g

Logo:

ΔP𝑇 = ΔPt + ΔP𝑟

Aonde temos o fator de atrito (𝑓), fluxo mássico (𝐺𝑡 ), comprimento do tubo
(𝐿), número de passes (𝑛), diâmetro do tubo (𝐷), densidade relativa (s) e
viscosidade relativa (𝜙𝑡 = 𝜇/𝜇𝑎𝑔𝑢𝑎 ).

Para resolver essas equações vocês precisam da ajuda de dois diagramas, um


para encontrar o fator de atrito e outro para encontrar a razão 𝑉 2 /2𝑔. Pode
parecer estranho usarmos diagramas para essas duas coisas sendo que existe
equações para isso, só que as equações para fator de atrito que mostrei a
você mais cedo para casos de duplo tubo não funciona para estes casos, já a
razão 𝑉 2 /2𝑔 tem que ser encontrada por diagrama já que a velocidade não é
facilmente calculada para um tubo.

Abaixo você verá exemplo de diagramas, o primeiro é para tubos e o segundo é


para encontrar a razão 𝑉 2 /2𝑔 através da velocidade mássica.

69
Fonte: Kern, 1983.

70
Fonte: Kern, 1983.

Método de perda de carga no casco:

Já para o casco precisamos de somente uma equação que dessa vez só vai
precisar dos diagramas de fator de atrito para ser completada:

fG𝑠2 𝐷𝑠 (𝑁 + 1)
ΔP𝑠 =
(5,22 × 1010 )D𝑒 sϕ𝑠

Aonde podemos calcular o número de chicanas da seguinte forma:

𝐿
𝑁+1=
𝐵

Lembrando de arredondar números quebrados para inteiros.

71
Para o casco nós temos o diagrama exposto abaixo que irá relacionar um fator
de atrito para trocadores de calor com cortes de segmentação das chicanas de
25 %.

Fonte: Kern, 1983.

2.9 EXEMPLO DE MÉTODO MLDT

Kern, 1983 (modificado): Em um trocador de casco e tubos 1-2 são aquecidas


3000 lb/h de água de 55 até 95 °F (35 °C), mediante 4415 lb/h de óleo de
girassol, que entra a 200 °F e deixa o trocador a 140 °F, após dois passes
pelos tubos. O arranjo dos fluxos é em contracorrente. Determinar o valor da
MLDT verdadeira.

Começamos com o cálculo da MLDT que já conhecemos:

Δ𝑇𝑒 − Δ𝑇𝑠 (200 − 95) − (140 − 55)


Δ𝑇𝑚𝑙 = = = 94,65 °𝐹
Δ𝑇 200 − 95
ln Δ𝑇𝑒 ln
𝑠 140 − 55

Para correção não devemos esquecer que:

𝐹(𝑅, 𝑆, 𝑎𝑟𝑟𝑎𝑛𝑗𝑜)

72
Então calculamos R e S:

𝑇𝑞1 − 𝑇𝑞2 200 − 140 𝑇𝑓2 − 𝑇𝑓1 95 − 55


𝑅= = = 1,5 𝑆 = = = 0,28
𝑇𝑓2 − 𝑇𝑓1 95 − 55 𝑇𝑞1 − 𝑇𝑓1 200 − 55

O arranjo é 1 para 2, logo pela análise do diagrama:

𝐹 = 0,97

Com isso:

Δ𝑇𝑚𝐿 𝐶 = 𝐹Δ𝑇𝑚𝑙 = (0,97)(94,65) = 91,8 °𝐹

2.10 USANDO ÁGUA

Quando usamos água, seja para aquecer ou arrefecer, temos um caso bem mais
específico, ora estamos falando do líquido mais abundante do planeta e o mais
conhecido, sério, todas as características da água já foram exploradas, tanto
que a usam como referência a outras substâncias.

Duas coisas são muito importantes:

Velocidade: quando a água circula lentamente, sujeira e lama se depositam


nos tubos. Por isso, você deverá estudar a água usando o tubo que você
utilizará no trocador, dependendo da área do tubo a água não pode ser menor
do que certos níveis de velocidade.

Corrosão: A água é corrosiva para metais como o aço, particularmente quando


a temperatura é alta e a água contém sais ou ar dissolvido. Por este motivo
várias indústrias usam tubos não ferrosos feitos de alumínio, bronze, cobre
ou latão para manipular água, que costuma ser colocada no lado dos tubos, já
que o casco geralmente é de aço. Outra possível medida é evitar que a água
utilizada como meio de resfriamento alcance valores de temperatura maiores
de 49 °C (120 °F), na saída dos tubos.

Para encontrar o coeficiente da película nos tubos não será necessário usar
o jH e o seu diagrama, a água tem o seu próprio diagrama aonde podemos
encontrar o coeficiente diretamente do diagrama:

73
Fonte: Kern, 1983.

74
Esse diagrama é específico para um tubo BWG 16 com diâmetro interno de 0,62
in, caso o seu tubo seja de um diâmetro diferente use o diagrama menor acima
do grande, ele é um fator de correção que deverá ser multiplicado pelo
coeficiente encontrado no diagrama grande.

Perceba que estamos lhe dando com um trocador de calor, a temperatura de


entrada é diferente da de saída, então qual delas usar? Segundo Incropera,
2008:

“Os calores específicos podem, naturalmente, variar em função das


mudanças de temperatura, e o coeficiente global de transferência
de calor pode variar devido a mudanças nas propriedades dos
fluidos e nas condições de escoamento. Entretanto, em muitas
aplicações tais variações não são significantes e é razoável
trabalhar com valores médios [...]”.

Baseado nesse pensamento você deverá usar o valor médio entre a temperatura
de saída e entrada da água a fim de encontrar o coeficiente da película.

2.11 MÉTODO 𝜀-NUT

Esse é método é famoso por ajudar em situações aonde não sabemos qual será
as temperaturas de saída do trocador de calor, ou seja, não se sabe qual será
o resultado do trocador de calor em análise, por isso esse método surge para
usarmos os dados do trocador ao nosso favor, praticamente o que vamos fazer
é modelar o trocador através de equações.

Tudo começa com o estudo da transferência de calor efetiva, que é aquela que
ocorrerá normalmente no processo e a troca de calor máxima, aonde é feito
uma comparação entre o fluido quente e frio para obter o melhor resultado
possível.

Para calcular o calor efetivo temos:

𝑄 = 𝑤𝑓 C𝑃 𝑓 Δ𝑇𝑓 = 𝑤𝑞 C𝑃 𝑞 Δ𝑇𝑞

Aonde 𝑤C𝑃 = 𝐶, que é a capacitância do fluido e “q” é referente ao fluido


quente e “f” ao fluido frio.

Para encontrar a transferência máxima de calor é necessário encontrar a


capacitância mínima do fluido, isso porque capacitância, lembrando de
eletricidade, é a habilidade de segurar energia dentro de si e libera-la aos

75
poucos, quanto menor a capacitância mais energia o fluido irá liberar para o
meio.

Para saber de quem é a capacitância mínima é fácil, basta calcular 𝑤C𝑃 dos
dois fluidos e ver de quem é o menor resultado.

Depois disso basta fazer:

𝑄𝑚á𝑥 = 𝐶𝑚𝑖𝑛 (𝑇1 𝑞 − 𝑇1𝑓 )

Agora podemos conhecer qual é a eficiência do trocador:

𝑄
𝜀=
𝑄𝑚á𝑥

É simples, se a capacitância mínima vier do fluido quente você irá calcular


o calor efetivo com os dados do fluido frio, mas a capacitância mínima vier
do fluido frio você irá calcular o calor efetivo com os dados do fluido
quente.

𝑄 𝐶𝑓 (𝑇2 − 𝑇1 )𝑓 𝐶𝑞 (𝑇1 − 𝑇2 )𝑞
𝜀= = =
𝑄𝑚á𝑥 𝐶𝑞 (𝑇1 𝑞 − 𝑇1𝑓 ) 𝐶𝑓 (𝑇1 𝑞 − 𝑇1𝑓 )

Uma coisa que é importante lembrar é que o calor efetivo também pode calculado
da seguinte forma:

𝑄 = 𝑈𝐴Δ𝑇𝑚𝑙

Depois disso apresento a você uma relação chamada “z” ela relaciona as
capacitâncias dos dois fluidos dessa forma:

𝐶𝑚𝑖𝑛
𝑧=
𝐶𝑚𝑎𝑥

Agora encontramos mais uma peça do nosso quebra cabeça, o famoso NUT, número
de unidades de transferência:

𝐴𝑈
𝑁𝑈𝑇 =
𝐶𝑚𝑖𝑛

Daí nós percebemos uma relação, fenomenologicamente óbvia, mostrando que


quanto maior o número de unidades de transferência de energia no processo
maior deve ser a área do trocador de calor.

Com esse valor de NUT nós devemos distinguir qual a configuração do nosso
trocador de calor, pois cada uma tem a sua influência, dessa forma iremos
76
dividir o estudo da efetividade para escoamento cocorrente (paralelo) e
contracorrente.

Elas ficam assim:

1 − exp[−𝑁𝑈𝑇(1 + 𝑍)]
𝜀𝐶𝑃 =
1+𝑍

Corrente Paralela

1 − exp[−𝑁𝑈𝑇(1 − 𝑍)]
𝜀𝐶𝐶 =
1 − 𝑍 exp[−𝑁𝑈𝑇(1 − 𝑍)]

Contracorrente

Se por acaso tivermos 𝑍 = 1, indicando máxima transferência de calor no


sistema, temos que a equação da contracorrente se modifica:

𝑁𝑈𝑇
𝜀𝐶𝐶 =
1 + 𝑁𝑈𝑇

Contracorrente

Também podemos encontrar o NUT através do valor de Z de forma semelhante ao


que vimos ainda a pouco:

ln[𝜀𝐶𝑃 (1 + 𝑍) − 1]
𝑁𝑈𝑇 =
1+𝑍

Corrente Paralela

1 𝜀𝐶𝐶 𝑍 − 1
𝑁𝑈𝑇 = ln [ ]
1−𝑍 𝜀𝐶𝐶 − 1

Contracorrente

Se 𝑍 = 1:

𝜀𝐶𝐶
𝑁𝑈𝑇 =
1 − 𝜀𝐶𝐶

Contracorrente

O interessante é que esses dados se relacionam em diagramas aonde podemos


descobrir valores antes não conhecidos:

77
Paralelo Contracorrente

Fonte: Incropera, 2008, editado.

Existem diversos diagramas como esses para trocadores de calor específicos,


basta utilizados a vontade.

A facilidade do método 𝜀-NUT está na possível interpretação de diversos tipos


de trocadores de calor tudo através de estudos da efetividade, vamos a alguns
exemplos:

Casco e Tubos:

1 −1
2 2
1 1 + exp [−𝑁𝑈𝑇(1 + 𝑍 ) ]
𝜀1 = 2 {1 + 𝑍 + (1 + 𝑍 2 )2 1 }
1 − exp [−𝑁𝑈𝑇(1 + 𝑍 2 )2 ]

Trocador de 1 passe no caso para 2, 4 … passes nos tubos

−1
1 − 𝜀1 𝑍 𝑛 1 − 𝜀1 𝑍 𝑛
𝜀𝑛 = [( ) − 1] [( ) − 𝑍]
1 − 𝜀1 1 − 𝜀1

Trocador de 𝑛 passes no caso para 2𝑛, 4𝑛 … passes nos tubos

Correntes cruzadas de passe único:

1
𝜀 = 1 − exp [( ) (𝑁𝑈𝑇)0,22 {exp[−𝑍(𝑁𝑈𝑇)0,78 ] − 1}]
𝑍

Sem mistura entre os fluidos

78
1
𝜀 = ( ) (1 − exp{−𝑍[1 − exp(−𝑁𝑈𝑇)]})
𝑍

Mistura do fluido 𝐶𝑚á𝑥 e não mistura do fluido 𝐶𝑚𝑖𝑛

𝜀 = (1 − exp(−𝑍 −1 ) {[1 − exp(−𝑍𝑁𝑈𝑇)]})

Mistura do fluido 𝐶𝑚𝑖𝑛 e não mistura do fluido 𝐶𝑚á𝑥

Por fim podemos entender algumas situações corriqueiras no método 𝜀-NUT:

1. Quando NUT < 0,25 todos os trocadores de calor têm aproximadamente a


mesma eficiência. Essa é uma conclusão empírica observada de muitos
outros casos;

2. Para 𝑍 > 0 e 𝑁𝑈𝑇 > 0,25 o trocador de calor contracorrente é o mais


eficiente. É o que vemos observando a bastante tempo, o método
contracorrente possibilita que os fluidos tenham um grande campo de
transferência térmica sendo interessante para trocadores longos e
necessitados de boa efetividade;

3. Para qualquer trocador de calor o valor máximo e mínimo da eficiência


se encontra em 𝑍 = 0 e 𝑍 = 1, respectivamente. É simples, se temos um
valor de Z igual a 1 é porque a capacitância é mínima no sistema e zero
significa capacitância máxima.

2.12 EXEMPLO 𝜀-NUT

Um trocador de calor de duplo tubo opera com correntes em fluxo paralelo, já


visto no exemplo Ilustrativo da aula anterior, mas agora sem conhecer a
superfície de transferência de calor A e sabendo que a temperatura de saída
do fluido quente é 90 ºC. Determine:

a) O fluxo de calor que se transfere em ambos dois fluidos, quente e frio.

b) A superfície de transferência de calor A, aplicando o método ε-NUT e


logo depois aplicando o método da MLDT

Resumo da informação disponível:

𝑇1 𝑞 = 150 °C; 𝑇2 𝑞 = 90 °C; 𝑇1𝑓 = 40 °C;

𝐶𝑓 = 20 000 W/K; 𝐶𝑞 = 10 000 W/K;

79
U = 500 𝑊/𝑚2 𝐾.

a) O fluxo de calor que se transfere em ambos dois fluidos, quente e frio:

𝑄𝑞 = 𝐶𝑞 (𝑇1 − 𝑇2 )𝑞 = (10000 𝑊/𝐾)(150 − 90)𝐾 = 600000 𝑊

𝐶𝑞
𝑄𝑞 = 𝑄𝑓 = 𝐶𝑓 (𝑇2 − 𝑇1 )𝑓 → 𝑇2 = (𝑇 − 𝑇2 )𝑞 + 𝑇1
𝐶𝑓 1

Logo:

10000
𝑇2 = (150 − 90)°𝐶 + 40 °𝐶 = 70 °𝐶
20000

b) A superfície de transferência de calor A, aplicando o método ε-NUT e


logo depois aplicando o método da MLDT

Nós sabemos que:

𝑄
𝜀=
𝑄𝑚á𝑥

O calor máximo é aquele que possui a capacitância mínima, com isso usamos a
capacitância do fluido quente para encontrar o calor máximo:

𝑄 600000 𝑊
𝜀= = = 0,54
𝐶𝑚𝑖𝑛 (𝑇1 𝑞 − 𝑇1𝑓 ) 𝑊
10000 𝐾 (150 − 40)𝐾

Agora nos falta encontrar a adimensional Z para utilizamos o gráfico 𝜀-NUT:

10000
𝑧= = 0,50
20000

É fácil demais:

𝑁𝑈𝑇 = 1,1

E nós sabemos que:

𝑈𝐴 (1,1)(10000 𝑊/𝐾)
𝑁𝑈𝑇 = →𝐴= = 22 𝑚2
𝐶𝑚𝑖𝑛 500 𝑊/𝑚2 𝐾

A questão pede para compararmos com o método do MLDT, então vamos obedecer:

Δ𝑇𝑒 − Δ𝑇𝑠 (150 − 40) − (90 − 70)


Δ𝑇𝑚𝑙 = = = 52,8 °𝐶
Δ𝑇𝑒 150 − 40
ln Δ𝑇 ln 90 − 70
𝑠

80
Logo temos que:

𝑄 600000 𝑊
𝑄 = 𝑈𝐴Δ𝑇𝑚𝑙 → 𝐴 = = = 27,2 𝑚2
𝑈Δ𝑇𝑚𝑙 (500 𝑊/𝑚2 𝐾)(52,8 °𝐶)

Perceba a diferença entre os resultados por NUT e MLDT.

2.13 EXEMPLO CASCO E TUBO

Kern, 1983 (modificado): Dispõe-se de um fluxo de 70000 lb/h de acetona


líquida a 240 ºF, a qual se envia a um tanque de armazenagem a 140 ºF. Para
resfriar a acetona se utiliza uma corrente de ácido acético puro, disponível
na fábrica a 100 ºF, e que deve aquecer até 150 ºF. O valor do fator de
obstrução combinado, Rd, se estima de 0,0039.

No armazém se dispõe de um grande número de trocadores 1-2 que têm 21 ¼ in


DI do casco; tubos de ¾ in 14 BWG e 20 pés de comprimento, o feixe de tubos
está colocado em um arranjo quadrangular (quadrado) com um Pt = 1 in. As
chicanas são segmentadas a 25 %, com um espaço entre elas de 5 in.

Dados:
𝑙𝑏 𝐵𝑇𝑈 𝐵𝑇𝑈
Acetona: 𝜇 = 0,49 ; C𝑃 = 0,53 ; 𝑘 = 0,095 ; (𝑃𝑟 )1/3 = 1,4.
ℎ𝑓𝑡 𝑙𝑏°𝐹 ℎ𝑓𝑡°𝐹

𝑙𝑏 𝐵𝑇𝑈 𝐵𝑇𝑈
Ac. acético: 𝜇 = 2,06 ℎ𝑓𝑡; C𝑃 = 0,51 𝑙𝑏°𝐹 ; 𝑘 = 0,098 ℎ𝑓𝑡°𝐹; (𝑃𝑟 )1/3 = 2,21.

a) Determine vazão da corrente fria (Ác. Acético)

b) Calcule a área de troca de calor necessária para realizar este processo,


usando o método 𝜀-NUT.

c) Comprove se a área de troca de calor do trocador disponível no armazém


satisfaça os requerimentos este processo.

d) Determine o valor do Rd verdadeiro ou de projeto do trocador disponível.

a) Determine vazão da corrente fria (Ác. Acético)

Para isso usamos o conceito que temos em que a troca térmica é ideal, portanto
sem perda de calor, com isso:

81
𝑄𝑓
𝑄𝑞 = 𝑄𝑓 = 𝑤𝑓 𝐶𝑝𝑓 (𝑇2 − 𝑇1 )𝑓 → 𝑤𝑓 =
𝐶𝑝 𝑓 (𝑇2 − 𝑇1 )𝑓

Com isso:

𝑙𝑏 𝐵𝑇𝑈
𝑤𝑞 𝐶𝑝 𝑞 (𝑇1 − 𝑇2 )𝑞 (70000 ) (0,53 ) (240 − 140)°𝐹
𝑤𝑓 = = ℎ 𝑙𝑏°𝐹
𝐶𝑝 𝑓 (𝑇2 − 𝑇1 )𝑓 𝐵𝑇𝑈
(0,51 ) (150 − 100)°𝐹
𝑙𝑏°𝐹

𝑤𝑓 = 145490,2 𝑙𝑏/ℎ

Com essa informação encontramos as capacitâncias:

𝐵𝑇𝑈 𝐵𝑇𝑈
𝐶𝐹 = 𝑤𝑓 𝐶𝑃 𝑓 = 74200 𝐶𝑞 = 𝑤𝑞 𝐶𝑃 𝑞 = 37100
°𝐹 °𝐹

b) Calcule a área de troca de calor necessária para realizar este processo,


usando o método 𝜀-NUT.
𝑙𝑏 𝐵𝑇𝑈
𝑄 (70000 ) (0,53 ) (240 − 140)°𝐹
𝜀= = ℎ 𝑙𝑏°𝐹 = 0,71
𝐶𝑚𝑖𝑛 (𝑇1 𝑞 − 𝑇1𝑓 ) 𝐵𝑇𝑈
(37100 °𝐹 ) (240 − 100)𝐾

Encontrando a adimensional:

𝐶𝑚𝑖𝑛 37100
𝑧= = = 0,5
𝐶𝑚𝑎𝑥 74200

Utilizando o gráfico:

𝑈𝐴
𝑁𝑈𝑇 = 2,3 =
𝐶𝑚𝑖𝑛

Veja que não temos dados o suficiente para encontrar a área necessária e isso
nós fazemos por aquele método que conhecemos, devemos encontrar os
coeficientes globais para depois encontrar a área necessária.

Vamos começar com as áreas de cada seção:

𝐴𝑛𝑡𝑢𝑏𝑜𝑠 𝐷𝐼 𝐶 ′ 𝐵
𝐴𝑇 = 𝐴𝑠 =
𝑛𝑝𝑎𝑠𝑠𝑒𝑠 𝑃𝑡
𝑇𝑢𝑏𝑜𝑠 𝐶𝑎𝑠𝑐𝑜

Temos informações faltando: área do tubo, número de tubos e o claro.

Então área nós encontramos ou pelo método convencional ou por tabela, então
vamos lá:

82
Com BWG 14 analisa-se a tabela abaixo:

Fonte: Kern, 1983.

Com isso temos:

𝑒 = 0,083 𝑖𝑛 𝑑1 = 0,584 𝑖𝑛 𝐴 = 0,268 𝑖𝑛2

Ou:

𝑒 = 0,0069 𝑓𝑡 𝑑1 = 0,049 𝑓𝑡 𝐴 = 0,023 𝑓𝑡 2

O número de tubos é dado pela tabela abaixo usando o diâmetro do casco que
foi informado (D = 21 ¼ ), é afirmado o tipo de tubo (¾), arranjo quadrangular
e dois passos (pois o trocador é do tipo 1 para 2, ou seja, o tubo passa 1
vez em um casco e dá duas voltas dentro do casco sem sair dele):

Resultado:

n = 270 tubos

Fonte: Kern, 1983.

83
Resta-nos saber o valor do claro, ou seja, o espaço existente entre as bordas
dos tubos, para isso temos a seguinte equação:

𝑑2 = 𝑑1 + 2𝑒𝑠𝑝𝑒𝑠𝑠𝑢𝑟𝑎 = 𝑃𝑡 − 𝐶′

Agora sim, daí encontramos:

𝑑2 = 0,584 𝑖𝑛 + 2(0,083 𝑖𝑛) = 0,75 𝑖𝑛 = 1 𝑖𝑛 − 𝐶 ′

𝐶 ′ = 0,25 𝑖𝑛

Portanto nossas áreas ficam:

(0,268 𝑖𝑛2 )(270) (21,25 𝑖𝑛)(0,25 𝑖𝑛)(5 𝑖𝑛)


𝐴𝑇 = = 36,2 𝑖𝑛2 𝐴𝑠 = = 26,7 𝑖𝑛2
(2) 1 𝑖𝑛
𝑇𝑢𝑏𝑜𝑠 𝐶𝑎𝑠𝑐𝑜

Polegadas não vai nos ajudar, trate de converte-las:

𝐴𝑇 = 0,251 𝑓𝑡 2 𝐴𝑠 = 0,185 𝑓𝑡 2

Para encontrarmos as velocidades mássicas precisamos saber aonde vai ficar


cada fluido, você lembra das condições para casco e tubo que eu lhe passei?
Então, vamos usar ela.

Foi afirmado que o fluido de menor vazão deve estar do lado do casco, verdade,
mas também outras coisas interessantes para analisarmos, de todas as
informações nos dada o que se destaca é a viscosidade, veja:

𝑙𝑏 𝑙𝑏
𝜇 = 0,49 𝜇 = 2,06
ℎ𝑓𝑡 ℎ𝑓𝑡
𝐴𝑐𝑒𝑡𝑜𝑛𝑎 𝐴𝑐. 𝐴𝑐é𝑡𝑖𝑐𝑜

É mais de quatro vezes a diferença entre um e outro, o que indica que o ácido
acético é um fluido muito viscoso em relação a acetona o que nos força a
colocá-lo no casco para melhorar seu escoamento através da turbulência.

Agora calculamos as velocidades mássicas:

𝑊 70000 𝑙𝑏/ℎ 𝑙𝑏 𝑊 145490,2 𝑙𝑏/ℎ 𝑙𝑏


𝐺= = = 278884,5 𝐺= = = 786433,5
𝐴𝑇 0,251 𝑓𝑡 2 ℎ𝑓𝑡 2 𝐴𝑠 0,185 𝑓𝑡 2 ℎ𝑓𝑡 2
𝑇𝑢𝑏𝑜 𝐶𝑎𝑠𝑐𝑜
Com isso podemos encontrar Reynolds:

𝑑1 𝐺 𝐷𝑒𝑞 𝐺
𝑅𝑒 = 𝑅𝑒 =
𝜇 𝜇
𝑇𝑢𝑏𝑜 𝐶𝑎𝑠𝑐𝑜

84
Aonde:

𝑑2 (0,75 𝑖𝑛)2
4 (𝑃𝑡 2 − 𝜋 42 ) 4 ((1 𝑖𝑛)2 − 𝜋 )
4
𝐷𝑒𝑞 = = = 0,95 𝑖𝑛
𝜋𝑑2 𝜋 0,75 𝑖𝑛

Convertendo:

𝐷𝑒𝑞 = 0,079 𝑓𝑡

Logo:

𝑙𝑏
(0,049 𝑓𝑡) (278884,5 )
ℎ𝑓𝑡 2
𝑅𝑒 = = 27888,4 ≈ 3 × 104
𝑙𝑏
0,49
ℎ𝑓𝑡
𝑇𝑢𝑏𝑜

𝑙𝑏
𝐷𝑒𝑞 𝐺 (0,079 𝑓𝑡) (786433,5 ℎ𝑓𝑡 2 )
𝑅𝑒 = = = 30159,3 ≈ 3 × 104
𝜇 𝑙𝑏
2,06
ℎ𝑓𝑡
𝐶𝑎𝑠𝑐𝑜

Com esses dois valores de Reynolds utilizamos o diagrama para encontrar o 𝐽𝐻


das duas seções, dessa forma:

𝐽𝐻 = 90 𝐽𝐻 = 100
𝑇𝑢𝑏𝑜 𝐶𝑎𝑠𝑐𝑜

Com isso encontramos os coeficientes convectivos do interior do tubo e do


interior do casco:

h𝑖 d1 1 ℎ𝑖 (0,049 𝑓𝑡) 1
jH = 90 = =
k 3 0,095 𝐵𝑇𝑈 1,4 → ℎ𝑖 = 244,3 𝑙𝑏
1
Pr ℎ𝑓𝑡°𝐹 ℎ𝑓𝑡 2 °𝐹
𝑇𝑢𝑏𝑜

h0 Deq 1 ℎ0 (0,079 𝑓𝑡) 1 𝑙𝑏


jH = 100 = = → ℎ0 = 274,2
k 1 𝐵𝑇𝑈 2,21 ℎ𝑓𝑡 2 °𝐹
Pr3 0,098
ℎ𝑓𝑡°𝐹
𝐶𝑎𝑠𝑐𝑜

Para o tubo devemos encontrar o coeficiente do seu exterior:

𝑑1 𝑙𝑏 0,584 𝑖𝑛 𝑙𝑏
ℎ𝑖𝑜 = ℎ𝑖 ( ) = 244,3 2
= 190,2
𝑑2 ℎ𝑓𝑡 °𝐹 0,75 𝑖𝑛 ℎ𝑓𝑡 2 °𝐹

Temos condições de encontrar os coeficientes globais sujo e limpo:

85
ℎ𝑖𝑜 ℎ𝑜 (190,2)(274,2) 𝑙𝑏
𝑈𝐶 = = = 112,3
ℎ𝑖𝑜 + ℎ𝑜 190,2 + 274,2 ℎ𝑓𝑡 2 °𝐹
𝐿𝑖𝑚𝑝𝑜

1 1 𝑙𝑏
𝑈𝑑 = = = 78,1
1 1 ℎ𝑓𝑡 2 °𝐹
𝑈𝐶 + 𝑅𝑑 112,3 + 0,0039
𝑆𝑢𝑗𝑜

Pronto, você sabe que o valor que vamos usar é o sujo né? Claro, porque
representa o caso real, agora vamos voltar para o cálculo do NUT (mas que
volta nós damos):

𝐵𝑇𝑈
(2,3) (37100
𝑁𝑈𝑇 = 2,3 =
𝑈𝐴
→𝐴= °𝐹 ) = 1092,6 𝑓𝑡 2
𝐶𝑚𝑖𝑛 𝑙𝑏
78,1
ℎ𝑓𝑡 2 °𝐹

Agora que encontramos a área devemos saber se esse valor é o suficiente


através de uma técnica bastante simples:

𝐴 = 𝑃𝑠 𝐿𝑁𝑡𝑢𝑏𝑜𝑠

Aonde 𝑃𝑠 é o perímetro da superfície do tubo, L é o comprimento desejado e


𝑁𝑡𝑢𝑏𝑜𝑠 é a quantidade de tubos. Então porque não usamos logo essa equação e
evitamos todo um trabalho? Veja só esse é um valor que mostra o quanto de
área precisamos GEOMETRICAMENTE e os cálculos que fizemos lá atrás são para
mostrar a quantidade de área necessária para TROCA TÉRMICA.

Para encontrar o perímetro basta usar a mesma tabela que usamos para encontrar
os dados do nosso tipo de tubo.

Veja:

86
Fonte: Kern, 1983.

No enunciado foi informado o comprimento de 20 𝑓𝑡 para o trocador:

𝐴 = (0,1963 𝑓𝑡)(20 𝑓𝑡)(270) = 1060,02 𝑓𝑡 2

O valor de área geométrico é menor do que o valor de área para transferência


de calor, ou seja, se usarmos essas configurações para o nosso trocador o
resultado será ineficiente e fugirá do que queremos, portanto, o projeto não
é válido.

Na vida real o que fazer? Simplesmente mude alguma coisa, que vai depender
do seu processo, temperatura, tamanho, tipo do trocador... Tem uma infinidade
de variáveis que você pode mudar, você só tem que ser sábio o suficiente para
saber o que você pode e o que não pode mudar.

Se o valor geométrico fosse maior aí sim poderíamos usar essa área para o
nosso trocador, nós só teríamos que corrigir pegando esse novo valor de área
e encontrando um novo valor de 𝑅𝑑 , algo que eu já lhe ensinei a fazer.

87
3. CONDENSAÇÃO E EBULIÇÃO E SEUS PROJETOS - O PRINCÍPIO DOS PROJETOS É O
FENÔMENO
Todo condensador ou ebulidor é um trocador de calor, essa afirmação iluminará
a sua mente e transformará a sua visão quanto a esse assunto, justamente
porque para esses casos é necessário trocar calor.

O nosso objetivo aqui não será projetar um trocador de calor para realizar
uma condensação ou ebulição, haja vista que esses fenômenos podem ocorrer de
diversas formas possíveis, até na natureza, então primeiramente devemos
entender como isso ocorre em diferentes geometrias e fenomenologicamente.

Estes fenômenos estão muito presentes em nossas vidas, já se perguntou porque


o vidro do carro fica tão embaçado em dias de frio? Você que gosta do
condicionador de ar ligado no último e deixa o celular em cima de uma mesa,
no outro dia quando você for pegar o celular e sair do seu quarto ele vai
começar a molhar a tela e a sua mão. Então está mais interessado?

3.1 CONDENSAÇÃO

Segundo Çengel, 2002: “A condensação ocorre quando a temperatura do vapor é


reduzida abaixo da sua temperatura de saturação.”.

Bom, mudança de temperatura pode ocorrer das mais diversas formas possíveis,
claro, a transferência de energia se dá por três mecanismos diferentes, mas
a forma mais fácil que se tem é utilizando algum tipo de superfície que tenha
uma temperatura fria o suficiente para condensar o vapor, isso proporcionará
a condução e a convecção.

Duas formas de condensação podem ser exploradas aqui: condensação em filme


ou formação de gotículas. A primeira ocorre quando uma alta quantidade de
vapor é condensada e assim forma um filme líquido na superfície que irá
escoar, essa operação é normalmente feita em placas verticais, aumentando a
espessura do filme.

O segundo caso é quando a taxa de condensação não é tão alta e por isso
pequenas gotas são formadas em cima da superfície, igual quando você deixa
uma garrafa de água natural parada num canto e depois observa que gotas de
água estão escorrendo pelo interior da garrafa. Veja uma representação dos
dois casos abaixo:

89
Fonte: Çengel, 2002.

O que vemos nas indústrias não é o caso das gotículas, é claro que ninguém
vai ficar perdendo seu tempo observando gotículas escorrerem pela superfície,
na indústria o pessoal é bruto mesmo. Então o que temos de mais corriqueiro
é o caso da formação de condensação por filmes.

Nesse caso, o filme formado na superfície gera um escoamento com as


configurações que vimos na mecânica dos fluidos, começa com uma fina camada
mas depois vai crescendo e se tornando turbulento, até aí tudo bem, só que a
questão é: conforme o escoamento se desenvolve, e a camada aumenta, maior
será a resistência de troca térmica entre a superfície e o vapor.

Observe a situação ao lado:

Todo material possui sua resistência à troca


térmica, o líquido que escorre pela placa não está
livre disso, a camada aumenta claramente devido a
transferência de massa entre o meio vapor e o meio
líquido favorecido pela diferença de temperatura,
mas no caso do filme a transferência de energia é
mais evidente do que a transferência de massa,
então concluímos que: a formação de gotículas é um
fenômeno majoritariamente de transferência de
massa, na formação de um filme o fenômeno é
majoritariamente de transferência de energia.

Lembra da equação de Fourier? 𝑞̇ = −𝑘𝐴(𝑑𝑇/𝑑𝑥), então


veja que a área e a espessura são a resistência do
Fonte: Çengel, 2002.

90
processo, conforme a camada de líquido cresce na superfície a resistência á
condução é maior.

Mas muita coisa tá em jogo, porque sabemos que não é só condução, sabemos
que um fluido em turbulência perde energia, para onde ela vai? Simples, se
energia se move é transferência de calor, com isso o fluido irá liberar
energia, ela vai se dissipar justamente para aonde tem menos energia, adivinha
aonde é? A placa né. Com esse pensamento, podemos entender que o vapor irá
aquecer o líquido que desce, mas este em turbulência vai dissipar sua energia
para placa que irá esfria-lo, então começa um cabo de guerra entre a placa
fria e o vapor quente, quem conseguir proporcionar melhor a transferência de
energia vai ganhar.

Apesar de toda essa situação o método das gotículas é o mais almejado, calma
eu sei que eu disse que o método da formação de filme líquido é o mais usado,
claramente porque não é fácil você conseguir uma formação de gotículas em
grande quantidade, existe um cabo de guerra, ou você tem pouca taxa de
condensação e gera gotículas ou você tem muita taxa e gera um filme líquido.

Mas porque o método das gotículas é o melhor? Bom, teoricamente nenhum filme
deve ser formado, então nenhuma resistência aparecerá, com isso a
transferência de energia será dez vezes mais eficiente, porém não é fácil
conseguir juntar a formação de gotículas com a alta geração de condensado.

3.1.1 Condensação em filme

Entrando mais fundo nesse assunto temos algumas considerações básicas sobre
o processo. Primeiro vamos falando do calor latente de vaporização (ℎ𝑓𝑔 ), ou
seja, a energia necessária para que uma unidade de massa de vapor seja
condensada, esse calor será modificado com a adição de um escoamento líquido
entre a superfície e o vapor e ficará assim:

ℎ𝑓𝑔 = ℎ𝑓𝑔 + 0,68𝐶𝑝𝑙 (𝑇𝑠𝑎𝑡 − 𝑇𝑠 )

Aonde 𝐶𝑝𝑙 é o calor específico do líquido na temperatura do filme, que é a


média da temperatura da superfície com a do vapor.

Se o vapor estiver superaquecido temos outra adição, porque o vapor nestas


condições precisa ser resfriado até atingir a temperatura de saturação.

A equação fica:

91

ℎ𝑓𝑔 = ℎ𝑓𝑔 + 0,68𝐶𝑝𝑙 (𝑇𝑠𝑎𝑡 − 𝑇𝑠 ) + 𝐶𝑝𝑣 (𝑇𝑣 − 𝑇𝑠𝑎𝑡 )

Aonde 𝑇𝑣 é a temperatura do vapor superaquecido e 𝐶𝑝𝑣 é o calor específico do


vapor na média entre a temperatura do vapor e a temperatura de saturação.

Com isso temos a equação convectiva da transferência de energia da superfície


para o vapor presente no meio considerando um filme líquido:

𝑞̇ = ℎ𝐴𝑠 (𝑇𝑠𝑎𝑡 − 𝑇𝑠 ) = 𝑚̇. ℎ𝑓𝑔

Mas você lembra que eu disse que se o regime estiver turbulento haverá
diferença na transferência de calor? Então, para levar isso em conta
precisamos estudar o número de Reynolds desse filme líquido que escoa
verticalmente.

A equação de Reynolds pode ser modificada dessa forma:

𝐷ℎ 𝜌𝑙 𝑣𝑙 4𝐴𝑐 𝜌𝑙 𝑣𝑙 4𝜌𝑙 𝑣𝑙 𝛿 4𝑚̇


𝑅𝑒 = = = =
𝜇𝑙 𝑝𝜇𝑙 𝜇𝑙 𝑝𝜇𝑙

Aonde:

● 𝐷ℎ = 4𝐴𝑐 /𝑝 = 4𝛿 é o diâmetro hidráulico do fluxo de condensado pela


superfície em metros, lembra quando você estudou isso em mecânica dos
fluidos?;

● 𝑝 é o perímetro molhado do condensado em metros;

● 𝐴𝑐 = p𝛿 é o produto do perímetro molhado pela espessura do filme


resultando numa área da seção transversal do fluxo de condensado na
parte mais baixa do fluxo em metros quadrados;

● 𝜌𝑙 é a densidade do líquido em S.I.;

● 𝜇𝑙 é a viscosidade do líquido em S.I.;

● 𝑣 é a velocidade média do condensado na parte mais baixa do fluxo em


S.I.;

● 𝑚̇ = 𝜌𝑙 𝑣𝑙 𝐴𝑐 é a taxa fluxo mássico do condensado na parte mais baixa do


fluxo em S.I.

Dependendo da geometria o diâmetro hidráulico pode ser modificado como mostra


a figura abaixo:

92
Fonte: Çengel, 2002.

Então nós podemos rearranjar o Reynolds e deixa-lo em função da energia


necessária para se condensar uma determinada quantidade mássica de vapor:

4𝑞̇ 4𝐴𝑠 ℎ(𝑇𝑠𝑎𝑡 − 𝑇𝑠 )


𝑅𝑒 = ∗ = ∗
𝑝𝜇𝑙 ℎ𝑓𝑔 𝑝𝜇𝑙 ℎ𝑓𝑔

É importante atentar o seguinte, todas as propriedades do líquido devem


ser analisadas usando a temperatura do filme, que é a média entre a
temperatura de saturação do vapor e da superfície, através dela você irá
encontrar os dados necessários para esses cálculos.

A partir de agora vou começar a apresentar a você os coeficientes de


transferência de energia convectivos para casos distintos vistos em
condensação, a demonstração não será realizada, mas quero que você fique
ciente que tudo foi fruto de cálculos de modelagem fenomenológicas, isso não
é macumba.

3.1.2 Condensação em placas verticais

Segundo Çengel, 2002, os regimes do escoamento do condensado estão divididos


da seguinte forma:

● Laminar: 0 < 𝑅𝑒 < 30;

● Ondulado: 30 < 𝑅𝑒 < 1800;

● Turbulento: 𝑅𝑒 > 1800.

93
Para o caso de uma placa vertical com o escoamento
do condensado laminar, como mostra a figura ao
lado, temos o seguinte coeficiente da película:

∗ 1/4 1/3
𝑔𝜌𝑙 (𝜌𝑙 − 𝜌𝑣 )ℎ𝑓𝑔 𝑘𝑙3 −1/3 𝑔
ℎ = 0,943 [ ] = 1,47𝑘𝑙 𝑅𝑒 ( 2)
𝜇𝑙 (𝑇𝑠𝑎𝑡 − 𝑇𝑠 )𝐿 𝑣𝑙

Com essa equação o Reynolds para esse caso pode


reescrito dessa forma:

4𝑔 𝑘𝑙 3
𝑅𝑒 = 2 ( )
3𝑣𝑙 3ℎ/4

Aonde "𝐿" é o comprimento da superfície vertical,


"𝑘𝑙 “ é a condutividade térmica do líquido, "𝜌𝑙 “ e "𝜌𝑣 “
são as densidades do líquido e vapor
respectivamente, todos em S.I.

Ainda em placas verticais agora apresento a você o


coeficiente da película para o regime ondulado: Fonte: Çengel, 2002.

1/3
𝑅𝑒 𝑘𝑙𝑔
ℎ= 1,22 ( 2)
1,08𝑅𝑒 − 5,2 𝑣𝑙

Çengel, 2002, ainda nos mostra que podemos encontrar uma relação entre o
regime laminar e o ondulado através da seguinte equação:

ℎ𝑣𝑒𝑟𝑡,𝑜𝑛𝑑𝑢𝑙𝑎𝑑𝑜 = 0,8𝑅 0,11 ℎ𝑣𝑒𝑟𝑡, 𝑙𝑎𝑚𝑖𝑛𝑎𝑟

O Reynolds apresentará essa cara para esse regime:

1/3 0,820
3,70𝐿𝑘𝑙 (𝑇𝑠𝑎𝑡 − 𝑇𝑠 ) 𝑔
𝑅𝑒 = [4,81 + ∗ ( 2) ]
𝜇𝑙 ℎ𝑓𝑔 𝑣𝑙

O último regime é o mais complexo de todos, o turbulento tem diversas equações


na literatura, mas Çengel, 2002, mostra a equação de Labuntsov para nós:

1/3
𝑅𝑒 𝑘𝑙 𝑔
ℎ= −0,5 0,75 ( 2)
8750 + 58𝑃𝑟 (𝑅𝑒 − 253) 𝑣𝑙

Dessa forma o Reynolds fica:

94
1/3 4/3
0,0690𝐿𝑘𝑙 𝑃𝑟0,5 (𝑇𝑠𝑎𝑡 − 𝑇𝑠 ) 𝑔
𝑅𝑒 = [ ∗ ( 2) − 151𝑃𝑟0,5 + 253]
𝜇𝑙 ℎ𝑓𝑔 𝑣𝑙

Para todos esses casos é imprescindível que a densidade do líquido seja maior
do que a do vapor, porque essa informação modifica todo o ponto de vista da
modelagem, ainda mais que é algo surreal imaginar que o vapor seja mais denso
do que o próprio líquido.

Como esses estudos estão sendo matutados a muito tempo facilidades foram
criadas para as crianças de hoje, estou falando de um diagrama muito genial
e simples que foi criado para comportar todos os regimes para o caso de uma
placa aonde podemos encontrar uma adimensional que irá ajudar a encontrar o
coeficiente da película, observe-o abaixo:

Fonte: Çengel, 2002.

3.1.3 Condensação casos diversos

Superfícies de placa inclinada:

95
Fonte: Çengel, 2002.

Resultados promissores foram encontrados para casos aonde a superfície lisa


esteja inclinada, como mostra a figura ao lado, pois se nem as propriedades
e nem o método de transferência de energia são modificadas a diferença dos
resultados só pode ter algo haver com a inclinação do meio, então isso foi
levado em consideração:

ℎ𝑖𝑛𝑐𝑙𝑖𝑛𝑎𝑑𝑜 = ℎ𝑣𝑒𝑟𝑡𝑖𝑐𝑎𝑙 (cos 𝜃)1/7

Esse método serve para casos de regime laminar e apresenta resultados


satisfatórios para ângulos até 60 °, essa equação também pode ser usada para
o regime ondulado, mas somente como forma de aproximação.

Superfície de Tubos verticais:

Çengel, 2002, explica que a equação do coeficiente da película para o caso


laminar numa placa vertical também pode ser aplicado num tubo que esteja na
mesma posição, mas a condição é que o tubo tenha um diâmetro bem maior que a
espessura do filme líquido.

Superfície de Tubos horizontais e Esferas:

Para casos aonde temos um tubo horizontal ou uma esfera o seu coeficiente da
película fica da seguinte forma:

1/4 ∗ 1/4

𝑔𝜌𝑙 (𝜌𝑙 − 𝜌𝑣 )ℎ𝑓𝑔 𝑘𝑙3 𝑔𝜌𝑙 (𝜌𝑙 − 𝜌𝑣 )ℎ𝑓𝑔 𝑘𝑙3
ℎℎ𝑜𝑟𝑖𝑧 = 0,729 [ ] ℎ𝑒𝑠𝑓𝑒 = 0,815 [ ]
𝜇𝑙 (𝑇𝑠𝑎𝑡 − 𝑇𝑠 )𝐷 𝜇𝑙 (𝑇𝑠𝑎𝑡 − 𝑇𝑠 )𝐷
𝑡𝑢𝑏𝑜 ℎ𝑜𝑟𝑖𝑧𝑜𝑛𝑡𝑎𝑙 𝑒𝑠𝑓𝑒𝑟𝑎

96
Uma relação entre os coeficientes para o tubo vertical e horizontal foi
criada:

ℎ𝑣𝑒𝑟𝑡 𝐷 1/4
= 1,29 ( )
ℎℎ𝑜𝑟𝑖𝑧 𝐿

Segundo Çengel, 2002, para tubos 𝐿 > 2,77𝐷 o coeficiente da película será maior
no tubo horizontal do que no vertical, sabendo disso e sabendo também que é
bastante difícil ver casos aonde o comprimento seja próximo do tamanho do
diâmetro podemos dizer que majoritariamente realizar condensação com tubos
horizontais exigirá tubos menores (pois a troca térmica será melhor) do que
com tubos verticais. A explicação para essa diferença é justamente porque
com tubos horizontais aquela resistência apresentada pelo filme líquido é
bastante minimizada.

Tubos horizontais enfileirados verticalmente:

Na figura ao lado temos um caso aonde um primeiro tubo horizontal


formará o filme inicial de líquido condensado e depois o líquido
irá escoar para os demais que estão logo abaixo, dessa forma
temos a equação abaixo:

∗ 1/4
𝑔𝜌𝑙 (𝜌𝑙 − 𝜌𝑣 )ℎ𝑓𝑔 𝑘𝑙3 1
ℎ = 0,729 [ ] = ℎ
𝜇𝑙 (𝑇𝑠𝑎𝑡 − 𝑇𝑠 )𝑁𝐷 𝑁1/4 ℎ𝑜𝑟𝑖𝑧

É importante você entender o seguinte, há casos de termos diversos


tubos enfileirados na vertical e na horizontal, mas é importante
você não esquecer que o cálculo acima serve para uma fileira
vertical, ou seja, se o cálculo acima é feito para três tubos
então são três de cima para baixo e não da esquerda para direita.

Imagine o exemplo abaixo: são 12 tubos no total, o cálculo do


coeficiente da película que eu lhe mostrei levará em conta somente
três tubos, ou seja, 𝑁 = 3, porque a fileira vertical é formada
por três tubos somente. Fonte:
Çengel, 2002.

97
Fonte: Çengel, 2002.

O próximo passo seria encontrar a área total de troca térmica, aí sim dessa
vez iria envolver todos os 12 tubos dessa forma:

𝐴𝑠 = 𝑁𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝜋𝐷𝐿

Aonde 𝑁𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 12, com isso usaríamos esse valor de área, que é equivalente a
doze tubos dispostos em quatro fileiras verticais de três, para calcular a
quantidade de taxa de calor:

𝑞̇ = ℎ𝐴𝑠 (𝑇𝑠𝑎𝑡 − 𝑇𝑠 )

Viu, nenhum mistério, abra sua mente.

3.2 EBULIÇÃO

Segundo Çengel, 2002: “Evaporação ocorre na interface líquido vapor quando a


pressão de vapor é menor que a de saturação do líquido a uma dada
temperatura.”.

É aquilo que estudamos na química, imagine um Kitasato com água fechado na


sua parte superior, na abertura lateral colocamos uma bomba de sucção, essa
bomba vai sugar o ar do meio aumentando a pressão, dessa forma mesmo estando
na temperatura amena a água vai evaporar. Com isso temos em mente que a
evaporação é um processo natural aonde as condições do meio proporcionam a
mudança de fase do líquido.
98
Ainda segundo Çengel, 2002:

“Ebulição, de contramão, ocorre na interface sólido líquido


quando o líquido é levado em contato com uma superfície numa
temperatura suficientemente acima da temperatura de saturação do
líquido.”.

Dessa forma entendemos que a ebulição ocorre de forma forçada, não depende
somente das condições ambientais, mas de como o líquido está exposto a uma
superfície sólida cuja temperatura está elevada.

Çengel, 2002, descreve a ebulição com a seguinte equação convectiva:

𝑞̇ = ℎ(𝑇𝑠 − 𝑇𝑠𝑎𝑡 ) = ℎΔ𝑇𝑒𝑥𝑐𝑒𝑠𝑠

A diferença de temperatura é chamada de excesso porque ela representa a


temperatura da superfície que está acima temperatura de saturação do fluido.

Segundo Çengel, 2002:

“O processo de ebulição na prática não ocorre em condições de


equilíbrio e normalmente as bolhas não estão em equilíbrio
termodinâmico com o líquido ao seu redor. Isto é, a temperatura
e a pressão do vapor na bolha são geralmente diferentes do que
os do líquido. A diferença de pressão entre o líquido e o vapor
são equilibradas pela superfície de tensão na interface. A
diferença de temperatura entre o vapor na bolha e o líquido ao
redor é a força motriz para a transferência de energia entre as
duas fases.”.

Tudo isso significa uma coisa: as bolhas são uma ótima forma de transferência
de energia e elas representam o comportamento de como a ebulição está
seguindo.

Se o líquido estiver mais frio que a bolha o vapor de dentro vai condensar,
porque o vapor quente dentro da bolha vai transferir energia para o líquido,
logo a bolha estoura. É perceptível que isso ocorre nos estágios iniciais da
ebulição, aonde o fundo é mais quente do que o topo, então quando a bolha se
aproxima do topo e este está mais frio a bolha transferirá energia para o
topo.

Quando a ebulição está mais intensa e bastante energia foi distribuída para
grande parte do corpo do fluido o líquido poderá apresentar temperatura maior

99
que a da bolha, então a energia será transferida do líquido para a bolha
fazendo esta crescer e subir até o topo liberando vapor.

Bom, esse é o mecanismo da ebulição, mas ela pode ser realizada de formas
diferentes, Çengel, 2002, expõe dois métodos: ebulição em piscina e em
escoamento, como mostra a figura abaixo. A diferença é muito simples,
movimentação ou não do fluido, basicamente a ebulição em piscina é quando o
fluido está parado e na ebulição em escoamento o fluido está se movimentando
numa convecção forçada.

Fonte: Çengel, 2002.

Independentemente do método a ebulição pode ser classificada como


subresfriada ou saturada, é aquele papo de termodinâmica, lembra? Ponto de
bolha, ponto de orvalho, líquido subresfriado etc. Então, um líquido
subresfriado está numa temperatura abaixo do ponto de bolha, logo precisa
ser esquentado para começar a vaporizar, já um líquido que esteja numa
temperatura exatamente em cima desse ponto é dito que este está na sua
temperatura de saturação.

Mas como podemos chamar algo de ebulição se a temperatura do ponto de bolha


não foi atingida? Justamente, porque o que a termodinâmica está nos dizendo
é as condições ambientais para vaporizar uma substância líquida, isso é
evaporação, o que estamos falando aqui não é vaporização e sim ebulição.
Dessa forma, a superfície a qual o líquido está em contato possui uma alta
temperatura, que é maior do que a temperatura de saturação do líquido, de
acordo com o princípio da aderência e com a camada limite térmica as
partículas do fluido em cima da superfície terão a mesma temperatura que a
superfície, isso irá causar imediatamente a vaporização dessas partículas,
bolhas serão formadas, mas elas estão sendo formadas perto da superfície, a
outra parte do fluido ainda está subresfriada, então as bolhas geradas no

100
fundo terão que subir e trocar calor com a outra parte do fluido até que este
atinja a temperatura de saturação e comece a vaporizar por completo.

Fonte: Çengel, 2002.

3.2.1 Ebulição em piscina

Vamos a um exemplo bacana para você começar a entender melhor como uma
ebulição funciona, no caso em questão é em piscina, o método mais comum.

Imagine que uma certa quantidade de água esteja numa panela a 15 °C, sendo
uma temperatura muito distante de 100 °C (considerando CNTP). Num primeiro
momento você não perceberá nada de significante na panela, somente algumas
bolhas que sobem para a superfície, mas calma, essas bolhas não são do vapor
elas são resultado do ar dissolvido no líquido que é bastante diferente de
vapor gerado.

Você sabe muito bem que um líquido pode diluir gases, não? O que você acha
que é todas aquelas milhares de bolhas formadas no seu copo de refrigerante?
Se isso não é um gás eu não sei o que é. A diferença de pressão entre a
atmosfera e dentro do líquido é a força motriz para o movimento do fluido
gasoso que irá sair do líquido na forma de bolhas.

O que acontece na água é muito simples, sabe o oxigênio? Então, ele é um gás
que fica dissolvido na água, tanto que os peixes morrem se a água não tiver
oxigênio, quando o líquido começa a esquentar ele perde sua capacidade de
solubilização, então qualquer coisa que estiver dissolvida no meio líquido
irá sair, se for um gás será na forma de bolhas, mas se for um sólido então
ele irá formar cristais ou precipitados.

Conforme a temperatura da água aumenta você irá perceber que ela vai começar
a se agitar e formar ondas rotativas descendo e subindo, quem estudou

101
termodinâmica ou transferência de energia sabe o que é, estou falando da
convecção formada dentro do líquido. O que acontece é que a parte superior
está fria e a inferior quente, o líquido no fundo se torna menos denso e
tenderá a subir, já o do topo, por ser mais pesado, irá descer, quando isso
acontece a corrente que desce será esquentada e a corrente que sobe será
esfriada voltando a situação inicial e fazendo o líquido novamente a se
movimentar em correntes rotativas. Quando essa convecção natural ocorre as
primeiras bolhas de vapor começam a aparecer no fundo da panela.

Tudo isso que lhe falei é um breve resumo de tudo que acontece na ebulição
em piscina, mas não são os detalhes, porque a ebulição em piscina se apresenta
em regimes diferentes conforme a temperatura do líquido se desenvolve.

Todos os regimes da ebulição em piscina são apresentados no diagrama abaixo:

Fonte: Çengel, 2002.

De acordo com a curva apresentada a ebulição em piscina passa pelos seguintes


regimes:

102
1. Convecção natural (até o ponto A);

2. Ebulição nucleada (entre os pontos A e C);

3. Ebulição de transição (entre os pontos C e D);

4. Formação de filme (a partir do ponto D).

Vamos entender o que cada etapa descrita por essa curva significa na prática.

Convecção natural:

Essa fase inicial é uma fase gradual, pois o líquido é superaquecido


levemente, como você pode ver na curva o valor de Δ𝑇𝑒𝑥𝑐𝑒𝑠𝑠 está por volta de
5, nessa etapa ocorre o movimento de correntes internas do líquido subindo e
descendo, igual como eu expliquei antes.

Nessa etapa nenhuma bolha de vapor é formada, se houver alguma bolha no meio
então é porque algum gás ou o ar está saindo do líquido, algo natural,
portanto o aquecimento do líquido é dado somente por convecção natural, nada
além disso.

Ebulição nucleada:

As primeiras bolhas de vapor são formadas nessa etapa, a quantidade de bolhas


formadas aumenta conforme a ebulição se aproxima do ponto C. A ebulição
nucleada pode ser dividida em duas regiões diferentes: de A até B, aonde as
primeiras bolhas são formadas, mas a superfície ainda está fria,
consequentemente as bolhas vão fornecer energia ao líquido frio e estourar
sem atingir a superfície, e de B até C aonde o líquido possui uma temperatura
mais elevada e a quantidade de bolhas é bem maior, com isso as bolhas
conseguem passar por todo o líquido e liberar o vapor na superfície.

Na prática a ebulição nucleada é a mais desejada pelo motivo que você consegue
observar na curva dos regimes, o ponto C é o ponto mais alto de transferência
de energia antes de se entrar no regime de formação de filme, aonde o Δ𝑇𝑒𝑥𝑐𝑒𝑠𝑠
não é tão alto (por volta de 30 °C) possibilitando uma ebulição satisfatória
sem um gasto tão alto de energia.

Ebulição de transição:

Observe que depois do ponto C a taxa de transferência de energia cai do ponto


C ao D, isso porque a partir desse regime um filme de vapor começa a ser
formado no meio das bolhas. Esse filme de vapor diminui muito a transferência
de energia porque ele possui uma condutividade térmica muito menor que a do

103
líquido, então a resistência que o fluxo de energia se torna maior para
passar da superfície para o líquido.

Nesse filme a transferência de energia se dá mais por radiação, tornando esse


regime indesejado porque um alto gasto de energia é necessário para um baixo
fluxo de calor. Nesse regime tanto as bolhas nucleadas quanto alguns pontos
de formação de filmes de vapor estão presentes, mas quando o ponto D é
atingido toda a superfície é tomada pelo filme do vapor.

Formação de filme:

O ponto D é chamado de o ponto de Leidenfrost e esse regime apresenta dois


problemas: a dificuldade de transferência de energia da superfície para o
vapor e o fenômeno de esgotamento (burnout ou fluxo de calor crítico) na
superfície metálica. Uma coisa puxa a outra, esse esgotamento significa que
o metal, que está servindo de condutor de energia para o líquido, atinge a
sua temperatura de fundição e começa a derreter, interrompendo o processo.

É fácil entender como isso acontece: lembra da aula de química quando pegaram
um balão cheio de água e com um isqueiro queimou esse mesmo balão? Ele não
estourou né? Claro que não, o fogo é um plasma, é a forma pura de energia,
ele por si só é energia, então o plástico do balão será o condutor e a água
o receptor, mas porque? Simples, a água está mais fria do que o material do
balão, então quando o fogo toca o balão a energia imediatamente é dissipada
para a água e não para o material do balão, mas como o plástico é um material
frágil nós percebemos que o balão começa a ficar escuro, porque ele está
sendo queimado, mas ele não chega a romper porque a carga maior de energia
está sendo absorvida pela água. Mas você lembra o que acontece com o balão
vazio? Ele vai estourar imediatamente, porque o ponto de fusão do plástico é
muito baixo.

Agora imagine num processo de ebulição, você tem um filete de metal imerso
em um líquido e o aquece para gerar a ebulição no meio, os primeiros regimes
são bastante tranquilos, mas quando o filme de vapor é formado a transferência
de energia é prejudicada, só que nós sabemos muito bem (desde o experimento
de Joule) que energia não brota e nem desaparece do nada, então essa
quantidade de calor que está sendo conduzida até o metal será dissipada mais
vagarosamente, como se fosse um capacitor sabe? Com isso o metal vai ter que
armazenar essa energia dentro de si, só que se essa quantidade de energia
for alta a ponto do metal atingir a sua temperatura de fundição o fenômeno
do esgotamento irá ocorrer e o metal será derretido imediatamente, ou seja,
o ar dentro do balão não consegue impedir dele estourar, mas a água consegue.
104
O ponto E na curva dos regimes de ebulição representa
o momento em que a temperatura é tão alta que a
radiação consegue ser significante o suficiente para
manter a mesma taxa de transferência de energia
observada no ponto C (que é o ponto crítico ou de
máxima transferência de energia), se o metal consegue
suportar até esse ponto então ele consegue atravessar
todos os regimes da ebulição sem sofrer com o
fenômeno do esgotamento.

Observe na imagem ao lado os diferentes regimes da


ebulição: (a) nucleada, (b) de transição e (c)
formação de filme de vapor.

3.2.2 Equações para ebulição em piscina

Convecção natural:
Fonte: Çengel, 2002.
Segundo Çengel, 2002, a convecção natural não precisa
de equações mirabolantes ou correlações empíricas para que venhamos modelar
esse fenômeno, como o nome já diz é algo natural então essa primeira etapa
de aquecimento pode ser equacionada pela lei do resfriamento de Newton
normalmente:

𝑞̇ = ℎ𝐴𝑠 (𝑇𝑠 − 𝑇∞ )

Existe todo um estudo voltado para convecção natural, justamente porque ela
ocorre em diversos casos, por exemplo um ovo quente em cima de uma mesa, o
ar envolta dele será aquecido e assim criará uma corrente de subida e o ar
em cima irá descer por se tornar mais pesado, algo natural que também ocorre
numa panela de água quente.

105
Fonte: Çengel, 2002.

Mas resumidamente a convecção natural é estudada muito através de


adimensionais: Grashof, Nusselt, Reynolds, Rayleigh e Prandtl. Tudo isso é
necessário para que possamos encontrar o coeficiente da película dessa forma:

ℎ𝐿
𝑁𝑢 =
𝑘

Através das adimensionais citadas acima e usando algumas correlações você


consegue encontrar o número de Nusselt e usando a equação acima encontra o
coeficiente da película para ser utilizada na equação da lei do resfriamento
de Newton. Para se aplicar mais a fundo nesse assunto e observar as
correlações para diversos casos favor consultar Çengel – Transferência de
calor: Uma abordagem prática, 2002, 2ª ed. no capítulo 9.

Ebulição nucleada:

Segundo Çengel, 2002, a taxa de transferência de calor nesse regime depende


fortemente da natureza da nucleação, pois a taxa de bolhas e como elas são
formadas é muito variado, tornando difícil de se modelar. Mas a correlação
mais utilizada para esse caso foi feita por Rohsenow e é apresentada abaixo:

1/2 3
𝑔(𝜌𝑙 − 𝜌𝑣 ) 𝐶𝑝 (𝑇𝑠 − 𝑇𝑠𝑎𝑡 )
𝑞̇ = 𝜇𝑙 ℎ𝑓𝑔 [ ] [ ]
𝜎 𝐶𝑠𝑓 ℎ𝑓𝑔 𝑃𝑟 𝑛𝑙

Aonde temos nesse meio a viscosidade (𝜇𝑙 ), entalpia de vaporização (ℎ𝑓𝑔 ),


aceleração gravitacional (𝑔), densidade do líquido (𝜌𝑙 ) e do vapor (𝜌𝑣 ),

106
tensão superficial da interface líquido vapor (𝜎), calor específico do
líquido (𝐶𝑝 ), constante experimental dependente da relação da superfície com
o fluido (𝐶𝑠𝑓 ), número de Prandtl do líquido (𝑃𝑟 ) e uma constante experimental
dependente do fluido (𝑛).

Abaixo você verá algumas tabelas para determinar algumas constantes:

Fonte: Çengel, 2002, editado e traduzido pelo autor.

107
Fonte: Çengel, 2002, editado e traduzido pelo autor.

Fluxo máximo de transferência de energia:

Um dado muito importante para se evitar o fenômeno do esgotamento é conhecer


o fluxo máximo de energia para a ebulição nucleada, que é o ponto C da curva
dos regimes, pois depois desse ponto filmes de vapor começarão a ser formados
podendo aumentar o risco de esgotamento. A equação para essa taxa máxima é
expressa abaixo:

𝑞̇ = 𝐶𝑐𝑟 ℎ𝑓𝑔 [𝜎𝑔𝜌𝑣2 (𝜌𝑙 − 𝜌𝑣 )]1/4

Veja que a taxa é diretamente proporcional a entalpia de vaporização (ℎ𝑓𝑔 ),


isso significa que altos fluxos de energia podem ser obtidos com fluidos de
alta entalpia de vaporização, como a água.

“𝐶𝑐𝑟 ” é uma constante dependente da geometria do aquecedor e valores para


diversos tipos estão dispostos na tabela abaixo:

108
Fonte: Çengel, 2002, editado e traduzido pelo autor.

Fluxo mínimo de energia (ponto de Leidenfrost):

Segundo Çengel, 2002, Zuber com a contribuição de Berenson encontrou uma


expressão para um caso de uma ebulição ocorrendo em um grande prato horizontal
exatamente no ponto D da curva dos regimes. Essa taxa é chamada de mínima
porque nesse ponto toda a superfície é tomada por um filme de vapor que cria
uma alta resistência a transferência de calor, com isso a taxa se torna
mínima. A equação é expressa abaixo:

1/7
𝜎𝑔(𝜌𝑙 − 𝜌𝑣 )
𝑞̇ = 0,09𝜌𝑣 ℎ𝑓𝑔 [ ]
(𝜌𝑙 + 𝜌𝑣 )2

A correlação não é perfeita, os erros experimentais podem atingir 50 % ou


mais.

Formação de filme de vapor:

O último estágio da ebulição vem com uma correlação complexa que envolve a
análise dos três mecanismos de transferência de energia. A equação total
relaciona a transferência energia através do filme mais a transferência de
energia por radiação em uma superfície cilíndrica horizontal ou esférica:

3
𝑞̇ 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝑞̇ 𝑓𝑖𝑙𝑚𝑒 + 𝑞̇ 𝑟𝑎𝑑
4

Aonde:

109
1
𝑔𝑘𝑣3 𝜌𝑣 (𝜌𝑙 − 𝜌𝑣 )[ℎ𝑓𝑔 + 0,4𝐶𝑝𝑣 (𝑇𝑠 − 𝑇𝑠𝑎𝑡 )] 4
𝑞̇ 𝑓𝑖𝑙𝑚𝑒 = 𝐶𝑓𝑖𝑙𝑚𝑒 [ ] (𝑇𝑠 − 𝑇𝑠𝑎𝑡 )
𝜇𝑣 𝐷(𝑇𝑠 − 𝑇𝑠𝑎𝑡 )

Sendo “𝐷” o diâmetro da superfície e

0,62 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑐𝑖𝑙𝑖𝑛𝑑𝑟𝑜𝑠 ℎ𝑜𝑟𝑖𝑧𝑜𝑛𝑡𝑎𝑖𝑠


𝐶𝑓𝑖𝑙𝑚𝑒 = {
0,67 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑒𝑠𝑓𝑒𝑟𝑎𝑠

E a equação da radiação fica:

𝑞̇ 𝑟𝑎𝑑 = 𝜀𝜎(𝑇𝑠4 − 𝑇𝑠𝑎𝑡


4 )

Sendo “𝜀” a emissividade e “𝜎” a constante de Stefan–Boltzman com o valor de


5,67 × 10−8 𝑊/𝑚2 𝐾 4 .

A radiação se torna significante a altas temperaturas, geralmente acima de


300 °C, então nesses casos ela deve ser considerada, haja vista que na equação
total o seu valor de transferência é multiplicado por ¾ o que para valores
pequenos da um resultado pouco significante. A equação acima considera que o
líquido possui uma radiação aproximadamente de um corpo negro e que o vapor
é um meio transparente entre dois pratos paralelos (a superfície e o líquido).

Terminando este tópico é importante você entender como as propriedades do


fluido em ebulição devem ser determinadas, isso porque você sabe que dados
como densidade, viscosidade, etc., variam com a temperatura, mas qual
temperatura usar?

No caso da convecção natural você usa a temperatura do fluido normalmente;


para o caso da ebulição nucleada e para as equações de calor máximo e mínimo
devemos usar a temperatura da saturação do líquido; para o caso do filme de
vapor a temperatura a ser usada é a do filme que é encontrada pela média da
temperatura da superfície com a de saturação.

3.2.3 Ebulição em escoamento

Chegamos na parte mais interessante dos nossos estudos, sabe porquê?


Justamente porque estamos numa área ainda muito remota da ciência, isso
ocorre devido a dificuldade de se modelar uma situação de tantas variáveis
assim, porque você bem sabe que a ebulição tem várias etapas agora imagine
isso combinado ao movimento confinado dentro de um tubo?

110
Sobre esse assunto o que vamos abordar aqui são dois tipos de ebulição em
escoamento: externo e interno, o primeiro ocorre quando você quer ebulir um
líquido em escoamento num duto aberto, imagine uma calha por exemplo, já o
interno é quando nós temos um tubo totalmente fechado aonde o líquido que
passará por dentro irá sofrer total ebulição.

É importante você entender que o que vamos abordar aqui são estudos vindos
de dissertações, teses etc., ou seja, sobre esse assunto existe uma gama de
base teórica a se explorar e verificar, portanto o que eu irei trazer aqui
para você são correlações já testadas e antigas que pode-se dizer que
apresentam certa confiança, mas fique ciente que há diversas outras formas
de análises desse fenômeno e que valem a pena serem estudadas com mais calma
caso esse seja o seu foco e interesse.

Se você como engenheiro tiver que projetar, por exemplo, um trocador de calor
que cause ebulição, ou seja, um tubo para proporcionar ebulição em escoamento,
você poderá usar os conhecimentos que trarei aqui, mas como são modelagens e
estudos empíricos é necessário que você realize testes laboratoriais dessas
correlações e de outras que você se sentir a vontade, a fim de garantir
sucesso no seu projeto.

Como seria a ebulição em escoamento? Basicamente seria um projeto de trocador


de calor que na verdade foi feito para ebulir em vez de só trocar calor ou
condensar, então o que veremos aqui pode ser chamado de “projeto de ebulidor”
ou “projeto de trocador de calor para ebulição”.

É necessário você aprender a diferençar as coisas, por exemplo, se você


estiver a fim de passar pelos tubos uma corrente de fluido muito quente e no
casco fazer o outro fluido entrar em ebulição, na verdade você estará entrando
em uma outra situação, é inviável fazer isso num casco, como já foi estudado
aqui por nós, por diversos fatores de segurança, conforto, gastos, manutenção
etc., então se for para fazer isso é melhor você usar um evaporador, um dos
assuntos que estudamos aqui, por que esse equipamento já foi modelado e bem
estudado e tudo já está pronto.

Qual a diferença entre a ebulição em escoamento e o evaporador? Simples, o


evaporador é algo muito mais básico porque o líquido quente está nos tubos
dentro de um grande equipamento (ou “vaso”) e o líquido a ser evaporado está
dentro desse equipamento, com isso o resultado será um vapor gerado no meio,
esse vapor é liberado enquanto o líquido que resta é retirado na forma de
concentrado. Um tubo de ebulição em escoamento não tem essa visão de projeto,
esse caso seria como se fosse um trocador de calor de duplo tubo, aonde o
111
líquido a entrar em ebulição estaria no tubo interno e o fluido quente no
tubo anelar, ou então você pode usar energia elétrica para aquecer, sei lá,
o que acontece é que o vapor gerado no meio não tem para onde fugir, ele é
forçado a escoar junto com o líquido, então esse caso pode ser resumido
assim: entra líquido escoando e do outro lado sai vapor escoando.

O que temos de diferente a aprender aqui é que quando o fluido se move a


transferência de energia aumenta, ou seja, para uma mesma temperatura da
superfície a taxa de energia será muito maior no movimento do fluido do que
ele parado. Vamos olhar mais fundo essa história? Quando o fluido entra em
movimento a fluidodinâmica entra em cena, tudo aquilo que aprendemos na
mecânica dos fluidos ainda é válido, com isso a camada limite térmica
proporciona a entrada de energia através do movimento e agitação das
moléculas, quando o fluido está em regime turbulento a camada limite é maior
o que significa maior entrada de energia e ainda mais, a turbulência gasta
muita energia mecânica, o que significa que o fluido estará dispersando muita
energia, mas como a superfície já está quente então a energia fica em trânsito
no próprio fluido proporcionando maior eficiência na ebulição.

3.2.4 Fenômenos do escoamento externo

O escoamento externo é fácil de compreender, não tem tudo aquilo que já


estudamos no caso da ebulição em piscina? Então, tudo aquilo acontece aqui
também só que mais rápido e em escoamento.

Esse tipo de ebulição não é muito comum de se ver por aí, mas tem doido para
tudo nessa vida, né? Dessa forma, imagine uma calha, ou algum tipo de conduto
aberto (pode ser até um tobogã) e por ele passa um líquido, em baixo desse
conduto há uma fonte de energia com o objetivo de ebulir o líquido dentro do
conduto. Todos os regimes vistos (convecção natural, nucleada, transição e
filme de vapor) vão ocorrer nesse escoamento, com a pequena diferença de isso
tudo está acontecendo no meio de um escoamento.

Abaixo veja um diagrama que compara uma ebulição em piscina com uma ebulição
em escoamento externo

112
Fonte: Azevedo, 2000, editado e traduzido pelo autor.

Veja que naturalmente as curvas de convecção


forçada estão bem acima da curva de ebulição em
piscina, e as curvas cada vez mais crescente são
para velocidades cada vez maiores. Perceba também
que a ebulição subresfriada (curva tracejada)
pode começar logo nos primeiros momentos de
ebulição e que as curvas superiores mostram que
em escoamento o ponto crítico pode ser muito
maior, o que traz pontos positivos para algumas
situações. A figura ao lado pode ser mais
didática para você entender.

Então não tem mais nenhuma novidade daqui para


frente, tudo que você viu que acontece com a
ebulição em piscina irá ocorrer normalmente em
escoamento externo também.
Fonte: Çengel, 2002, editado
e traduzido pelo autor.

113
3.2.5 Fenômenos do escoamento interno

Segundo Çengel, 2002:

“Ebulição de escoamento interno é naturalmente muito mais


complicado porque não há uma superfície livre para o vapor
escapar, e com isso ambos líquido e vapor são forçados a escoarem
juntos. O escoamento de duas fases no tubo apresenta diferentes
regimes de ebulição em escoamento, dependendo da quantidade
relativa das fases líquido e vapor. Isso complica as análises
ainda mais.”.

O escoamento em ebulição dentro de um tubo ocorre nos seguintes estágios:


única fase líquida, fluxo borbulhante, fluxo de bolsas de vapor, fluxo anular
e fluxo de queda, vamos procurar entender o que é cada um desses regimes.

Única fase líquida:

Segundo Çengel, 2002, inicialmente o líquido está subresfriado, justamente


porque estamos considerando que o líquido não passou por qualquer tipo de
tratamento térmico, então estamos na estaca zero, nessa etapa inicial a
transferência de calar ocorre por convecção forçada, supernormal.

Nesse momento vai acontecer tudo aquilo que estudamos nos fenômenos da
ebulição para um líquido subresfriado até que a temperatura de saturação seja
atingida e então entre o próximo regime.

Fluxo borbulhante:

Segundo Çengel, 2002, as bolhas começam a se formar no interior do tubo na


sua superfície, depois elas se desprendem até ao meio da corrente, essa taxa
de formação de bolhas aumenta e dá características de borbulhamento dentro
do tubo.

Fluxo de bolsas de vapor:

Segundo Çengel, 2002, conforme o fluido é esquentado as bolhas tendem a


continuar aumentando de tamanho se tornando grandes bolsas de vapor, em
inglês o pessoal gosta de usar o termo “slug” que quer dizer “lesma”,
realmente sem noção.

Essas bolsas existem pelo mesmo motivo estudado lá atrás, já que agora o
líquido está mais quente e assim irá transferir energia para a bolha criando
as bolsas e as fazendo crescer cada vez mais.

114
fluxo anular:

As bolsas de vapor crescem tanto a ponto de que todo líquido presente no tubo
esteja somente nas paredes do tubo, o motivo disso é bem evidente, não? Olha,
a quantidade de líquido e vapor são inversamente proporcionais, se está tendo
muito vapor é porque resta pouco líquido, então temos uma diferença de
densidade, o líquido é mais denso claro, então entra em jogo a força
centrífuga, que é diretamente proporcional a massa, com isso se o líquido é
mais denso a força será maior nele, mas de onde vem essa força? Veja, o
escoamento segue a linha reta do tubo, mas o tubo é cilíndrico, logo com o
preenchimento do fluido no meio as paredes do tubo serão pressionadas, logo
existe uma força radial contra a parede do tubo, dessa forma por diferença
de densidade e pela força centrífuga o líquido estará nas paredes e o vapor
no meio.

Ainda no escoamento anular a camada de líquido nas paredes do tubo vão se


tornando cada vez mais e mais fina até que seja completamente evaporada.
Nesse regime haverá presença de líquido no meio do tubo na forma de pequenas
gotas que constantemente aparecem e somem como resultado da interação entre
as moléculas de vapor no meio. Quando os pontos de secagem da parede do tubo
começam a aparecer o coeficiente de transferência de calor cai drasticamente,
pelo mesmo motivo que nós discutimos sobre a diferença entre a superfície
quente transferir energia para um líquido (menos resistência) e transferir
para um vapor (mais resistência).

fluxo de queda:

A partir desse ponto todo líquido nas paredes do tubo se evaporou, toda forma
existente de líquido será na forma de gotas suspensas no escoamento que
condensam e evaporam repetidas vezes até que o vapor se torne superaquecido
restando no final somente o vapor em fluxo de uma única fase.

Na figura abaixo você verá um resumo de tudo que acontece na ebulição em


escoamento interno, mas é importante você entender que a forma como esses
regimes ocorrem podem ser modificadas, pois depende da taxa de calor
transferida para o líquido, os regimes observados ainda pouco ocorrem em
ordem se a quantidade de calor usado for abaixo do fluxo máximo.

115
Fonte: Collier, 1980, editado e traduzido pelo autor.

Perceba que no comportamento da temperatura vemos que a do fluido e da parede


seguem em valores próximos durante a existência da fase líquida no escoamento,
o que indica que com certeza está havendo uma ótima troca térmica, mas a

116
partir do momento que todo líquido da parede é secado a diferença de
temperatura fica muito alta, a parede aumenta bastante de temperatura, do
mesmo jeito quando discutimos sobre os riscos de ocorrer o fenômeno do
esgotamento (lembra?), e o vapor muda a sua temperatura com muita dificuldade.

Abaixo observe um esquema que demonstra como a transferência de energia é


modificada ao decorrer do escoamento:

Fonte: Collier, 1980, editado e traduzido pelo autor.

Aonde “DNB” significa ebulição nucleada intensa.

Observe como a quantidade de calor fornecido ao tubo pode modificar o


comportamento dos regimes na ebulição. Na fase inicial, aonde temos o líquido
subresfriado, uma taxa pequena de calor resulta na não formação de bolhas e
o líquido troca energia normalmente por convecção forçada, já com uma taxa
de calor mediana temos que as primeiras bolhas são formadas, porém com o
líquido ainda subresfriado elas tendem a estourar rapidamente, e com uma alta
taxa de energia a ebulição nucleada dará início e formando rapidamente filmes
de vapor, porém essa última situação apresenta os riscos de ocorrência do
esgotamento.

117
Já na fase saturada, ou seja, quando o líquido por completo atinge sua
temperatura de saturação, inicialmente, para baixas taxas de energia, a
ebulição nucleada começa a nascer, mas se for muito alta iremos formar filmes
de vapor caindo novamente no risco de esgotamento. Com o progresso da ebulição
ocorrerá a formação das bolsas de vapor que pode mudar gradualmente ou
instantaneamente para o escoamento anular dependendo da taxa de calor. A
linha pontilhada de bolas pretas deve ser evitada a fim de que o fenômeno do
esgotamento não venha ocorrer no seu processo.

Por fim quando todo líquido é evaporado e existe somente vapor podemos dizer
que o mesmo está superaquecido e escoando em somente uma única fase (𝑥 = 1),
indicando que o processo de ebulição foi completado.

3.3. PROJETO DE EBULIDORES EM ESCOAMENTO

Eu chamo isto de projeto porque estamos nos dando com o cálculo da


transferência de energia em relação a um conduto com a finalidade de ebulir
um líquido eficientemente, portanto é um projeto.

Como dito antes, aqui eu irei apresentar a você correlações e métodos


descritos por pesquisadores em suas dissertações e teses, não que isso não
seja confiável, quero dizer que há muito mais para se desvendar na literatura,
mas eu vou apresentar a você aqui os mais usados e serve como algo
introdutório a esse assunto, significa que se você quiser ainda continuar se
inserindo nesse assunto, após este meu texto, tenho certeza que estará
devidamente preparado.

Aqui nós vamos abordar os seguintes métodos:

1. Cálculo para se determinar o coeficiente da película do escoamento em


convecção forçada antes da aparição das bolhas e o ponto do tubo em que
as primeiras bolhas devem aparecer;

2. Cálculo para se determinar o coeficiente da película quando o escoamento


apresentar a formação de bolhas com o líquido ainda subresfriado;

3. Cálculo para se determinar o fluxo de calor levando em consideração a


convecção forçada e a nucleação atuando em conjunto;

4. Cálculo para se determinar o coeficiente da película quando o escoamento


apresentar fluxo anular em um tubo vertical ou horizontal.

118
Em todos esses casos estamos falando de convecção, pelo menos esse é o
mecanismo majoritário, dessa forma a equação para encontrar o fluxo de calor
nos casos que virão será a lei do resfriamento de Newton:

𝑞 𝑛 = ℎ(𝑇𝑠 − 𝑇𝑠𝑎𝑡 ) = ℎΔ𝑇𝑒𝑥𝑐

Então quando nós encontrarmos o coeficiente da película subentenda que ele


será substituído nessa equação para encontrar o fluxo de energia. Outra
situação na equação acima é que ela não tem área, pois esse parâmetro não se
torna interessante para nós agora, e se torna mais fácil de se determinar,
com o fluxo de energia em mãos você pode verificar a melhor área
posteriormente para você.

1. Cálculo para se determinar o coeficiente da película do escoamento em


convecção forçada antes da aparição das bolhas e o ponto do tubo em que
as primeiras bolhas devem aparecer:

Para este primeiro caso é necessário que você saiba qual a temperatura que o
líquido deverá formar as primeiras bolhas (Δ𝑇𝑁𝑢𝑐𝑙 ) e a temperatura de
saturação, dessa forma você pode encontrar a temperatura que a superfície
deve atingir:

𝑇𝑠𝑢𝑝 = 𝑇𝑠𝑎𝑡 + Δ𝑇𝑁𝑢𝑐𝑙

E depois saberemos qual é a verdadeira temperatura do líquido:


𝑞
𝑇𝐿 = 𝑇𝑠𝑢𝑝 −

Para encontrar o coeficiente da película para esse caso usamos a seguinte


correlação, que deve ser utilizada somente para regime turbulento (𝑅𝑒 > 10000)
e z/D > 20:

ℎ𝐷 𝐺𝐷 0,8 0,4
= 0,023 ( ) 𝑃𝑟 𝐿
𝑘𝐿 𝜇𝐿

Com essa informação poderemos encontrar qual o ponto do tubo que se iniciará
a formação das bolhas, através de um balanço de energia:

𝐺𝐶𝑝 𝐿 𝐷 𝑇𝑠𝑎𝑡 − 𝑇𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎 + Δ𝑇𝑁𝑢𝑐𝑙 1


𝑧= [ − ]
4 𝑞 ℎ

2. Cálculo para se determinar o coeficiente da película quando o escoamento


apresentar a formação de bolhas com o líquido ainda subresfriado:

119
Essa parte se assemelha muito ao caso da ebulição em piscina, então nós
poderemos usar a equação de Rohsenow novamente. Vale ressaltar que este
método serve tanto para escoamento interno como externo:

1/2 3
𝑔(𝜌𝑙 − 𝜌𝑣 ) 𝐶𝑝 (𝑇𝑠 − 𝑇𝑠𝑎𝑡 )
𝑞̇ = 𝜇𝑙 ℎ𝑓𝑔 [ ] [ ]
𝜎 𝐶𝑠𝑓 ℎ𝑓𝑔 𝑃𝑟 𝑛𝑙

Cujos valores da constante 𝐶𝑠𝑓 vai variar para cada tipo de tubo, para isso
é apresentado a tabela abaixo:

Fonte: Azevedo, 2000.

Um segundo método pode ser feito utilizando a correlação de Forster e Zuber:

𝑘𝐿0,79 𝐶𝑝 0,45
𝐿
𝜌𝐿0,490,24 0,75
ℎ𝑁𝑢𝑐𝑙 = 0,00122 [ 0,29 0,24 0,24 ] Δ𝑇𝑠𝑎𝑡 Δ𝑃𝑠𝑎𝑡
0,5
𝜎 𝜇𝐿 ℎ𝑓 𝑔 𝜌𝑣

Aonde Δ𝑇𝑠𝑎𝑡 = 𝑇𝑠𝑢𝑝 − 𝑇𝑠𝑎𝑡 e Δ𝑃𝑠𝑎𝑡 = 𝑃𝑠𝑎𝑡 𝑇 −𝑃


𝑠𝑢𝑝

3. Cálculo para se determinar o fluxo de calor levando em consideração a


convecção forçada e a nucleação atuando em conjunto:

Pode ser que somente considerar um caso de nucleação não apresente resultados
satisfatórios, então utilizando a teoria da superposição sabemos que um
sistema pode ser dividido em parcelas que se somam, como se fosse um quebra
cabeça, dessa forma ao considerar o nosso sistema um escoamento em ebulição
podemos representa-lo da seguinte forma:

𝑞 = 𝑞𝐹𝐶 + 𝑞𝐵 − 𝑞𝐵𝐼

Aonde temos que: “𝑞𝐹𝐶 ” é o calor de convecção forçada; “𝑞𝐵 ” é o calor de


ebulição nucleada de Rohsenow e “𝑞𝐵𝐼 ” é a equação de Rohsenow utilizando a
temperatura da primeira aparição das bolhas. Obs.: este método pode ser
aplicado para escoamentos interno e externo.

120
Então as equações ficam:

ℎ𝐷 𝐺𝐷 0,8 0,4
𝑞𝐹𝐶 = ℎΔ𝑇𝑒𝑥𝑐 → = 0,023 ( ) 𝑃𝑟 𝐿
𝑘𝐿 𝜇𝐿
1/2 3
𝑔(𝜌𝑙 − 𝜌𝑣 ) 𝐶𝑝 (𝑇𝑠 − 𝑇𝑠𝑎𝑡 )
𝑞𝐵 = 𝜇𝑙 ℎ𝑓𝑔 [ ] [ ]
𝜎 𝐶𝑠𝑓 ℎ𝑓𝑔 𝑃𝑟 𝑛𝑙
𝐴
1/2 3 Δ𝑇𝑁𝑢𝑐𝑙 = (𝑇𝑠 − 𝑇𝑠𝑎𝑡 )𝑁𝑢𝑐𝑙
𝑔(𝜌𝑙 − 𝜌𝑣 ) 𝐶𝑝 Δ𝑇𝑁𝑢𝑐𝑙 0,463𝑝0,0234
𝑞𝐵𝐼 = 𝜇𝑙 ℎ𝑓𝑔 [ ] [ 𝑛] → 𝑞
𝜎 𝐶𝑠𝑓 ℎ𝑓𝑔 𝑃𝑟 𝑙 Δ𝑇𝑁𝑢𝑐𝑙 = 0,556 ( )
{ 1082𝑝1,156

O valor de “𝑞𝐵𝐼 ” é menor que o de “𝑞𝐵 ”, justamente porque a variação de


temperatura usada em Rohsenow é maior do que a variação necessária para as
primeiras bolhas, se por acaso forem iguais isso significará que a ebulição
ainda não está ocorrendo, portanto a troca térmica será controlada pela
convecção forçada.

Justamente porque a equação de Rohsenow foi criada para que venhamos estudar
a ebulição nucleada em diversos estágios, e nós determinamos a evolução dessa
nucleação através da diferença de temperatura, pois quanto maior a
temperatura da superfície mais núcleos de ebulição teremos.

Para que as primeiras bolhas sejam formadas é necessário que a pressão de


vapor esteja maior que a de equilíbrio, então para isso vemos que é necessário
um esforço do sistema, assim entendemos que é necessário uma entrada de
energia para que isso ocorra, por causa disso a parcela “𝑞𝐵 ” aparece negativa,
pois é necessário haver a entrada de energia para as primeiras bolhas e
depois que elas se desenvolvem elas se tornam um meio de liberação de calor,
igual quando você coloca a mão em cima da panela de arroz, o vapor é quente
justamente porque está liberando calor.

4. Cálculo para se determinar o coeficiente da película quando o escoamento


apresentar fluxo anular em um tubo vertical ou horizontal.
Este método foi desenvolvido por John Chen em seu mestrado em 26 de dezembro
de 1962. Para as modelagens a seguir Chen utilizou as seguintes condições:

1. Fluido de duas fases saturado em fluxo convectivo;


2. Fluxo vertical e axial;
3. Fluxo estável (sem agitação ou singularidades);
4. Sem bolsas de vapor no fluxo;
5. Sem deficiência do líquido (fluxo somente de vapor);
6. Fluxo de calor abaixo do fluxo crítico.

121
Segundo Chen, 1962: “Essas condições normalmente ocorrem quando o fluxo é
dito anular ou anular misto numa faixa de aproximadamente 1 a 70 % de
precisão.”

O método desenvolvido apresenta uma ideia de um coeficiente de película


global, que é encontrado pela soma do coeficiente de ebulição convectiva com
o coeficiente de ebulição nucleada, assim:

ℎ𝑇𝐹 = ℎ𝐸𝐶 + ℎ𝐸𝑁 = ℎ𝐿𝑜 𝐹0 + ℎ𝑏 𝑆

Aonde temos o coeficiente convectivo para do líquido que pode ser encontrado
assim:

𝑘𝑙 𝐺𝑑𝑖 𝜌𝑣𝑑𝑖
ℎ𝐿𝑜 = 0,023𝑅𝑒 0,8
𝐿𝑜 𝑟
𝑃0,3 ; 𝑅𝑒 𝐿𝑜 = =
𝐷 𝜇𝑙 𝜇𝑙

E “𝐹0 ” é um fator corretivo que poderá ser encontrado pelo parâmetro de


Martinelli que pode ser utilizado somente para escoamentos turbulentos:

1 𝑥 0,9 𝜌𝑙 0,5 𝜇𝑣 0,1


=( ) ( ) ( )
𝑥𝑡𝑡 1−𝑥 𝜌𝑣 𝜇𝑙

Aonde esse “x” é fração mássica de vapor, o subscrito “l” é para líquido e
“v” é para vapor. Com esse valor podemos testar a condição abaixo:

1
𝑆𝑒 ≤ 0,1 → 𝐹 = 1
𝑥𝑡𝑡
1 1 0,736
𝑆𝑒 > 0,1 → 𝐹 = 2,35 (0,213 + )
𝑥𝑡𝑡 𝑥𝑡𝑡

Com esse resultado você encontra o fator dessa forma:

𝐹0 = 𝐹(1 − 𝑥)0,8

Depois temos que determinar o coeficiente da película em ebulição nucleada,


que será realizado pela utilizando a correlação de Forster e Zuber já visto
antes:

𝑘𝐿0,79 𝐶𝑝 0,45
𝐿
𝜌𝐿0,49 0,24 0,75
ℎ𝑁𝑢𝑐𝑙 = 0,00122 [ 0,29 0,24 0,24 ] Δ𝑇𝑠𝑎𝑡 Δ𝑃𝑠𝑎𝑡
0,5
𝜎 𝜇𝐿 ℎ𝑓 𝑔 𝜌𝑣

Aonde os valores de temperatura e pressão podem ser encontrados dessa forma:

122
Δ𝑇𝑠𝑎𝑡 ℎ𝑓𝑔 𝜌𝑣
ΔT𝑠𝑎𝑡 = 𝑇𝑠𝑢𝑝 − 𝑇𝑠𝑎𝑡 Δ𝑃𝑠𝑎𝑡 =
𝑇𝑠𝑎𝑡

Por fim, para encontrar o fator de correção do coeficiente da película para


ebulição nucleada devemos utilizar as seguintes equações:

1 𝐺𝑑𝑖 (1 − 𝑥)
𝑆= 1,17 ; 𝑅𝑒 𝐿 =
1 + 2,53 × 10−6 (𝑅𝑒 𝐿 𝐹1,25 ) 𝜇𝑙

O método de Chen pode ser aplicado para água, metanol, benzeno, pentano,
hexano e heptano numa pressão de saturação entre 55 a 3500 kPa, numa
velocidade mássica de 500 a 3600 𝑘𝑔/𝑚2 𝑠 e em fração de vapor numa faixa de
0,01 a 0,71, nunca devendo esquecer as considerações classificadas por Chen,
1962, para que o método seja possível.

3.4. PROJETO DE CONDENSADORES

Diferente dos ebulidores os condensadores são muito mais utilizados na


indústria e tem sua grande importância nas operações unitárias, simplesmente
porque o resultado de muitas operações que aprendemos são sólidos, líquidos
ou vapores, e esses vapores precisam ser encaminhados para algum lugar ou
eles são nosso produto, por causa disso você vai aprender como projetar
condensadores eficientes para liquefazer uma quantidade de vapor.

Como todo engenheiro, não gostamos de enrolação, vamos direto ao ponto:


resumidamente, condensadores são trocadores de calor de casco e tubo cujos
métodos de projetos são modificados para que de um lado entre vapor e do
outro líquido condensado.

Por causa disso devo apresentar a você quais são as pequenas diferenças entre
um trocador de calor comum e um condensador:

1. O valor da taxa de calor “𝑞” para o vapor não é calculado por variação
de temperatura, pois quando algo muda de fase sua temperatura permanece
constante;

2. O coeficiente da película para a seção do vapor será encontrado pelas


correlações estudadas para casos de condensação, porém para o fluido
que não for condensar ainda será utilizado os métodos vistos no trocador
de calor.

123
É exatamente isso que você está lendo, há apenas duas diferenças entre os
projetos de um trocador de calor comum para um condensador, vamos explorar
isso mais a fundo.

Veja só, vamos repetir os passos do projeto de um trocador de calor casco e


tubo, de maneira mais geral, esses passos serão igualmente seguidos para um
condensador:

1. Encontrar taxa de calor “𝑞”;

2. MLDT;

3. Área do casco e do tubo;

4. Fluxo mássico;

5. Coeficiente da película para o casco e o tubo interno;

6. Coeficiente da película externo do tubo;

7. Coeficientes de transferência global limpo e sujo;

8. Equação geral do trocador de calor.

Como nós já sabemos quais as diferenças entre os dois casos vamos direto ao
ponto:

1. Taxa de calor “𝒒”:

Não podemos usar a diferença de temperatura no meio porque não existe essa
mudança, mas calor é transferido ao meio mesmo assim, para encontrarmos essa
taxa nós usaremos o calor latente da substância (𝜆) e multiplicaremos pela
carga mássica de vapor (𝑤):

𝑞 = 𝑤𝜆

Mas esse cálculo só serve para o casco, ou seja, essa é a transferência de


energia que está vindo do casco, já o tubo é composto com um fluido que não
irá mudar de fase, então para ele a taxa de calor continua a mesma:

𝑞 = 𝑤𝐶𝑝 Δ𝑇

2. Coeficiente de película no casco:

Mais cedo você viu que o coeficiente convectivo para tubo enfileirados
verticalmente se daria dessa forma:

124
∗ 1/4
𝑔𝜌𝑙 (𝜌𝑙 − 𝜌𝑣 )ℎ𝑓𝑔 𝑘𝑙3 1
ℎ = 0,729 [ ] = ℎ
𝜇𝑙 (𝑇𝑠𝑎𝑡 − 𝑇𝑠 )𝑁𝐷 𝑁1/4 ℎ𝑜𝑟𝑖𝑧

Porém esse método não é muito eficaz, porque no exemplo que eu lhe dei deu
para perceber que ele não leva em consideração mais de uma fileira horizontal,
para isso temos este novo método:

1/3 −1/3
𝜇2 4𝐺 ′′ 𝑊
ℎ( 3 2 ) = 1,51 ( ) ; 𝐺 ′′ = 2/3
𝑘 𝜌 𝑔 𝜇 𝐿𝑁𝑡

Aonde todas essas propriedades são a do fluido que será condensado, lembrando
que elas devem ser encontradas na temperatura do filme. “𝑁𝑡 ” é o número de
tubos, “𝐿” é o comprimento do tubo.

Igual quando comentei no caso da taxa de fluxo esse cálculo da película serve
para o vapor que será condensado no casco, para o fluido arrefecedor que
passa pelos tubos o método a ser utilizado será o mesmo que estudamos no caso
do trocador de calor.

Coeficiente de película no tubo:

Se por acaso o vapor tiver que ir para os tubos e o líquido arrefecedor para
o casco então o cálculo do coeficiente da película no tubo fica:

1/3 −1/3
𝜇2 4𝐺 ′′ 𝑊
ℎ( 3 2 ) = 1,51 ( ) ; 𝐺 ′′ =
𝑘 𝜌 𝑔 𝜇 𝐿𝑁𝑡

Nesse caso o cálculo no lado do casco seguiria normalmente como aprendemos


antes.

É muito simples, através dessas duas modificações nosso projeto de trocador


de calor vira um condensador rapidamente.

Vamos colocar todos esses estudos num exemplo que vamos resolver a fim de
esclarecer melhor o que você deve fazer para projetar um condensador.

Kern, 1983 (modificado): Se deseja condensar 60000 𝑙𝑏/ℎ de n-propanol (álcool


propílico) quase puro que provém da parte superior de uma coluna de destilação
(operando a 15 𝑙𝑏/𝑖𝑛2 min) a uma temperatura de 244 °F, nessas condições o calor
latente do n-propanol é de 𝜆 = 285 𝐵𝑇𝑈/𝑙𝑏.

O meio de resfriamento será água a 85 °F e saindo a 120 °F com uma capacidade


calorífica de 1 𝐵𝑇𝑈/𝑙𝑏°𝐹. Estima-se um fator de obstrução da água de 0,003 e

125
uma queda de pressão permitida de 3 𝑙𝑏/𝑖𝑛2 para o vapor e de 10 𝑙𝑏/𝑖𝑛2 para a
água. Considere a temperatura da parede dos tubos como 𝑡𝑤 = 125 °𝐹 e o espaço
entre chicanas igual ao diâmetro interior do casco.

Devido à locação do condensador é conveniente utilizar um condensador 1-4,


de casco de B = 𝐷𝐼 = 31 𝑖𝑛 e com tubos de 8 𝑓𝑡 de comprimento em contracorrente.
Os tubos são de ¾ de polegada de diâmetro externo e 16 𝐵𝑊𝐺, com arranjo
triangular de 15/16 𝑖𝑛.

1. Encontrar taxa de calor “𝒒”:

𝑞 = 𝑤𝜆 = (60000 𝑙𝑏/ℎ)(285 𝐵𝑇𝑈/𝑙𝑏) = 17100000 𝐵𝑇𝑈/ℎ

Com isso o fluxo de água necessário fica:

17100000
𝑞 = 𝑤𝐶𝑃 Δ𝑇 → 𝑤 = = 488571,43 𝑙𝑏/ℎ
120 − 85

2. MLDT;

Δ𝑇𝑒 − Δ𝑇𝑠 (244 − 85) − (244 − 120)


Δ𝑇𝑚𝑙 = = = 140,78 °𝐹
Δ𝑇 244 − 85
ln Δ𝑇𝑒 ln 244 − 120
𝑠

3. Área do casco e do tubo:

Nós ajuntamos as seguintes informações:

𝐷𝐼 = 31 (𝑑𝑎𝑑𝑜) 𝑁𝑡 = 766 (𝑡𝑎𝑏𝑒𝑙𝑎) 𝑑2 = 𝑑1 + 2𝑒 = 0,75 𝑖𝑛

𝑐 ′ = 𝑃𝑡 − 𝑑2 = 0,1875 𝑖𝑛

Dessa forma:

(0,302 𝑖𝑛2 )(766) 1 𝑓𝑡 2


𝐴𝑡 = = 0,402 𝑓𝑡 2
4 144 𝑖𝑛2
Á𝑟𝑒𝑎 𝑑𝑜𝑠 𝑡𝑢𝑏𝑜𝑠

(31 𝑖𝑛)(0,1875 𝑖𝑛)(31 𝑖𝑛) 1 𝑓𝑡 2


𝐴𝑠 = = 1,33 𝑓𝑡 2
0,9375 𝑖𝑛 144 𝑖𝑛2
Á𝑟𝑒𝑎 𝑑𝑜 𝑐𝑎𝑠𝑐𝑜

4. Fluxo mássico:

𝑙𝑏
488571,43
𝐺𝑡 = ℎ = 1215351,82 𝑙𝑏
0,402 𝑓𝑡 2 ℎ𝑓𝑡 2
𝑡𝑢𝑏𝑜𝑠
126
60000 𝑙𝑏/ℎ 𝑙𝑏
𝐺𝑠 = 2
= 45112,78
1,33 𝑓𝑡 ℎ𝑓𝑡 2
𝑐𝑎𝑠𝑐𝑜

Perceba que determinamos vapor no casco e água nos tubos, justamente porque
o fluxo de água é muito superior e nós vimos nos estudos de trocadores de
casco e tubo que as menores vazões ficando no casco apresentam resultados
melhores, isso foi confirmando quando calculamos o fluxo mássico, portanto
iremos prosseguir os cálculos com essa determinação.

5. Coeficiente da película para o casco e o tubo interno:

Para o n-propanol (vapor) temos os seguintes dados na temperatura do filme:

𝑘 = 0,094 𝐵𝑇𝑈/ℎ𝑓𝑡
𝑇𝑤 + 𝑇𝑉 125 + 244
𝑇𝑓 = = = 184,5 °𝐹 → { 𝜇 = 1,5 𝑙𝑏/ℎ𝑓𝑡
2 2
𝜌 = 50 𝑙𝑏/𝑓𝑡 3

Logo:

60000 𝑙𝑏
𝐺 ′′ = = 89,59
(8 𝑓𝑡)(766 )
2/3 ℎ𝑓𝑡

1/3 −1/3
1,52 4(89,59) 𝐵𝑇𝑈
ℎ( ) = 1,51 ( ) → ℎ0 = 177,15
0,0943 502 (4,18 × 108 ) 1,5 ℎ𝑓𝑡 2 °𝐹

Como o outro fluido é água então vamos usar o método específico só para ela,
que já foi ensinado quando fale de trocadores de calor, mas se fosse outro
fluido nós iríamos seguir o mesmo esquema que estudamos antes, encontrando
Reynolds e Prandtl e depois usando o diagrama para encontrar o 𝑗𝐻 .

Para encontrar o coeficiente de película para água devemos saber a sua


velocidade e a temperatura média:

𝑙𝑏
𝑓𝑡
85 + 120 𝐺𝑡 1215351,82 ℎ𝑓𝑡 2 1 ℎ = 5,44
𝑇𝑀 = = 102,5 °𝐹 𝑣= = 𝑠
2 𝜌 62 𝑙𝑏/𝑓𝑡 3 3600 𝑠

Dessa forma utiliza-se o diagrama abaixo. O tubo que estamos utilizando


possui exatamente 0,62 in de diâmetro interno então não precisamos do diagrama
menor de correção:

127
Fonte: Kern, 1983.

Pelo diagrama temos que o resultado é:

𝐵𝑇𝑈
ℎ𝑖 = 1310
ℎ𝑓𝑡 2 °𝐹

6. Coeficiente da película externo do tubo:

Agora podemos fazer a relação para encontrar o coeficiente na parte externa


do tubo interno:

𝑑1 0,62 𝐵𝑇𝑈
ℎ𝑖0 = ℎ𝑖 = 1310 = 1082,93
𝑑2 0,75 ℎ𝑓𝑡 2 °𝐹

7. Coeficientes de transferência global limpo e sujo:

(1082,93)(177,15) 𝐵𝑇𝑈
𝑈𝑐 = = 152,24
1082,93 + 177,15 ℎ𝑓𝑡 2 °𝐹

128
1 𝐵𝑇𝑈
𝑈𝐷 = = 104,51
1 ℎ𝑓𝑡 2 °𝐹
+ 0,003
152,24

8. Equação geral do trocador de calor:

Nesta última etapa encontraremos a área de troca térmica necessária para este
projeto:

𝑞 17100000
𝑞 = 𝑈𝐴Δ𝑇𝑚𝑙 → 𝐴 = = = 1162,24 𝑓𝑡 2
𝑈Δ𝑇𝑚𝑙 (104,51)(140,78)

O comprimento fica:

𝐴 1162,24 𝑓𝑡 2
𝐿= = = 5919,24 𝑓𝑡
𝜋𝑑2 𝜋(0,0625 𝑓𝑡)

3.4.1 Perda de carga em condensadores

Continuando os estudos é hora de falar sobre perda de carga, nós ainda


utilizaremos aquele método que vimos para o trocador de calor, mas com algumas
alterações, lembre-se que o método para casco e tubo era realizado da seguinte
forma:

1. 𝑅𝑒 → Diagrama de Moody → 𝑓;

2. Para tubo: Δ𝑃𝑇 = Δ𝑃𝑟 + ΔP𝑡 ;

3. Para casco: Δ𝑃𝑠 .

Então, sabemos que o vapor terá de passar ou pelo casco ou pelo tubo, o
método acima será normalmente utilizado somente para a seção aonde passa o
fluido que não se condensa, já a área aonde o vapor irá passar devemos
utilizar outras equações:

Para condensação no casco:

1 𝑓𝐺𝑠2 𝐷𝑠 (𝑁 + 1)
Δ𝑃𝑠 =
2 5,22 × 1010 𝐷𝑒 𝑠

Para condensação no tubo:

1 𝑓𝐺𝑡2 𝐿𝑛
Δ𝑃𝑡 =
2 5,22 × 1010 𝐷𝑒 𝑠

129
Aonde temos:

● Fator de atrito “𝑓”;

● Fluxos mássicos “𝐺𝑠 , 𝐺𝑡 ”;

● Comprimento do tubo “𝐿”;

● Número de passes entre tubos “𝑛”;

● Diâmetro equivalente para perda de carga “𝐷𝑒 ”;

● Diâmetro do casco “𝐷𝑠 ”;

● Número de chicanas “𝑁”;

● Densidade relativa do vapor “𝑠”.

Obs.: As propriedades devem estar na temperatura do vapor e não na temperatura


do filme.

Voltando ao exemplo anterior foi nos falado sobre uma queda de pressão
permitida de 3 𝑙𝑏/𝑖𝑛2 para o vapor e de 10 𝑙𝑏/𝑖𝑛2 para a água, vamos ver se o
nosso projeto está de acordo:

A água que passa pelos tubos irá seguir os passos normalmente, vamos lá:

1 𝑓𝑡 𝑙𝑏
𝐷𝐺 (0,62 𝑖𝑛 12 𝑖𝑛) (1215351,82 ℎ𝑓𝑡 2 )
𝑅𝑒 = = = 39001,97 ≈ 4 × 104
𝜇 1,61 𝑙𝑏/ℎ𝑓𝑡

Com esse valor sabemos que a água está escoando em regime turbulento. Obs.:
todos esses dados, como viscosidade e densidade, foram extraídos de tabelas
baseadas na temperatura média da água no meio calculada anteriormente.

Como estamos na seção do tubo não precisamos calcular qualquer diâmetro


interno, basta usar o diâmetro interno do próprio tubo. Por análises gráficas
temos:

𝑉2
𝑓 = 0,00019 = 0,20
2𝑔

Encontrando a perda de carga:

𝑓𝐺𝑡2 𝐿𝑛
Δ𝑃𝑡 =
(5,22 × 1010 )𝐷𝑠𝜙𝑡

130
(0,00019)(1215351,82)2 (8)(4) 𝑙𝑏
Δ𝑃𝑡 = = 3,33 2 = 3,33 𝑝𝑠𝑖
(5,22 × 10 )(0,0517)(1)(1)
10 𝑖𝑛

4𝑛 𝑉 2 (4)(4)
Δ𝑃𝑟 = = 0,20 = 3,20 𝑝𝑠𝑖
𝑠 2𝑔 1

Logo:

Δ𝑃𝑇 = 3,33 + 3,20 = 6,53 𝑝𝑠𝑖

Seguindo para o casco aonde o vapor está temos que encontrar os dados para
completar essa equação:

1 𝑓𝐺𝑠2 𝐷𝑠 (𝑁 + 1)
Δ𝑃𝑠 =
2 5,22 × 1010 𝐷𝑒 𝑠

Com isso temos:

𝐷𝑒 = 0,55 𝑖𝑛 = 0,0458 𝑓𝑡

Densidade relativa:

𝜌𝑛−𝑝𝑟𝑜𝑝 0,238 𝑙𝑏/𝑓𝑡 3


𝑠= = = 0,00382
𝜌á𝑔𝑢𝑎 62,24 𝑙𝑏/𝑓𝑡 3

Fator de atrito pelo diagrama de Moody:

(0,0458)(45112,78)
𝑅𝑒 = = 85378,73 ≈ 8 × 104 → 𝑓 = 0,0014
0,0242

Para encontrarmos o número de chicanas é só fazermos uma relação simples,


pois pense bem, se o espaçamento entre as chicanas é de 31 in e se o tubo
tem o comprimento de 8 ft então a quantidade de chicanas fica:

𝐿 8 𝑓𝑡
𝑁+1= = = 3,1 ≈ 3
𝐵 1 𝑓𝑡
31 𝑖𝑛 12 𝑖𝑛

Com isso podemos calcular:

1 (0,0014)(45112,78)2 (2,58)(3)
Δ𝑃𝑠 = = 1,21 𝑝𝑠𝑖
2 5,22 × 1010 (0,0458)(0,00382)

Diante desses resultados vemos que nem a água nos tubos e nem o vapor no
casco ultrapassam os valores permitidos de queda de pressão, portanto este
projeto está validado para construção.

131
4. CRISTALIZAÇÃO – UM CURIOSO MÉTODO DE SEPARAÇÃO DE UM SÓLIDO EM
UM FLUIDO
Chegamos num método bastante curioso das separações, digo isso porque parece
ser tão simples, a química faz direto isso, mas compreende-lo totalmente e
dominar a fenomenologia por trás disso é outra história totalmente diferente.

Você pode tá aí de boa achando que cristalização é só balanço de massa e


energia, vai nessa, a teoria por trás desse processo é pesada e complexa,
envolve uma interligação de assuntos da química, física e fenômenos de
transporte. O nosso objetivo é desvendar essa teoria para que você entender
o que realmente está acontecendo dentro de um cristalizado e como utilizar
dessa teoria para melhorar o seu desempenho.

Sabe porque a cristalização é tão importante? Pureza, esse é o ponto chave


dessa operação, são poucos os processos que conseguem atingir um nível tão
alto de pureza como os cristalizadores atingem, a área farmacêutica adora
isso, pois quando ocorre a cristalização de um soluto no meio fluido o
princípio ativo e características do produto não são perdidas.

A cristalização é um dos métodos arcaicos, tão antigo quanto a produção de


vidro, aonde o sal de cozinha era retirado da água do mar através desse
método.

Então já deu para perceber que a cristalização é a operação unitária das área
delicadas, como farmacêutica, biotecnológica etc. Ainda quer mais um motivo
para entender bem a cristalização?

4.1 A ESSÊNCIA DA CRISTALIZAÇÃO

A cristalização nada mais é do que pegar um meio de solução insaturada ou


saturada com o soluto desejado e leva-la a sobressaturação, quando isso
ocorre o fluido no meio não suporta mais a solubilização do soluto, então
imediatamente o soluto se une em forma de partículas coloidais até se tornarem
grandes o suficiente para decantar no fundo do equipamento.

O tamanho dos cristais formados pode ser estudado e aprimorado para cada
caso, pois de acordo com o arranjo atômico de cada material o soluto pode
formar cristais de diversas geometrias diferentes interferindo no resultado
final.

A sobressaturação da solução pode ocorrer da seguinte forma: esfriamento,


evaporação ou uma combinação dos dois.

133
Esse método não é isolado e quase sempre é acompanhado de outra operação
unitária, veja que a cristalização pode ocorrer também em evaporadores, outro
assunto desta disciplina, e após isso os cristais resultantes podem
participar de uma secagem para a retirada da fase úmida.

Então para quê separar o assunto de cristalização de evaporadores? Na verdade,


os evaporadores podem ser utilizados para outras coisas afins, não precisa
ser necessariamente a cristalização, com isso não vale a pena focar os
evaporadores somente nisso, eles podem até substituir uma coluna de
destilação se você quiser.

Os cálculos aqui feitos para cristalização focam no sal em si, ou seja, na


formação dos cristais, portanto os cálculos são essencialmente balanço de
massa, pois o nosso objetivo é sobressaturar a solução e formar os cristais.

Então quando falamos de cristalização, na verdade estaremos nos focando no


método de esfriamento da solução, pois não exige um método de transferência
de calor tão criterioso, veja que um simples trocador de calor faz isso, mas
quando falamos em aquecer a ponto de evaporar, aí estamos entrando em uma
outra onda de assuntos que é melhor deixar só para o caso de evaporadores.

Daí você percebe que o dimensionamento de evaporadores é um método de cálculo


de transferência térmica cujo objetivo pode ser aplicado na cristalização,
mas não necessariamente só nisso. Portanto, fique sabendo que os métodos para
cristalização usando resfriamento são diferentes para a evaporação, por isso,
nós separamos esse estudo.

4.2 GEOMETRIA CRISTALINA

Você se lembra quando estudou lá em ciência dos materiais sobre as diferentes


formas cristalinas possíveis de um certo tipo de material? Então, elas são
importantes sim, pois dado o tipo de configuração geométrica do cristal os
resultados podem ser bons ou ruins, tudo depende de que tipo de soluto se
está trabalhando e o que se deseja dele.

Cada material possui uma rede cristalina que organiza os átomos, moléculas
ou íons do material num determinado arranjo quando este se solidifica,
portanto, todo material físico possui uma geometria cristalina, cada um com
seus pontos fortes e fracos.

134
Para isso vale lembrar que sólidos amorfos são diferentes de sólidos
cristalinos, eles mudam em relação as suas propriedades e comportamento
mecânico.

Certas substâncias podem apresentar geometrias diferentes dependendo das


condições em que o material é cristalizado e também se há outro tipo de
soluto ou uma impureza no meio, mas uma coisa é certa, os ângulos internos
dos materiais de todos os cristais presentes no meio serão idênticos,
independentemente das diferenças de tamanho e forma.

Na formação dos cristais não deve ser dado atenção somente aos arranjos
cristalinos, mas também à forma de cristalização, pois as substâncias se unem
em partículas coloidais para formar uma maior, a geometria dessa partícula
maior também pode ser modificada dependendo das condições de operação.

A seguir uma figura e tabela sobre as geometrias apresentadas pelo arranjo


espacial de átomos, moléculas ou íons dos materiais.

Fonte: Seader, 2011.

135
Fonte: Seader, 2011.

Abaixo temos uma imagem de exemplo de formas cristalinas apresentadas por


cristais de sulfato de potássio:

Fonte: Seader, 2011.

Modificar isso exige muita pesquisa e análise, não vou entrar em detalhes
porque não é o foco da disciplina.

4.3 SOLUBILIDADE

O estudo da solubilidade se faz importante quando temos que conhecer qual


método de cristalização deveremos utilizar para gerar a maior quantidade de
cristais sem formar precipitados.

136
A química analítica explora muito bem a parte de precipitados, ela explica
que o precipitado é um tipo de sólido formado instantaneamente por causa de
um reagente precipitante.

O precipitado é totalmente indesejado, porque isso é totalmente diferente de


cristalizar, você verá mais para frente que a cristalização necessita de uma
boa nucleação para formação dos cristais e a precipitação é tão rápida que
isso ocorre pouco e consequentemente forma sólidos de formatos e tamanhos
indesejados.

Segundo Skoog, 2006, um reagente precipitante ideal deve apresentar as


seguintes características:

1. facilmente filtrado e lavado para remoção de contaminantes;

2. de solubilidade suficientemente baixa para que não haja perda


significativa do analito durante a filtração e a lavagem;

3. não-reativo com os constituintes da atmosfera;

4. de composição química conhecida após sua secagem ou, se necessário,


calcinação.

O método da precipitação é importante para a química analítica quando o


assunto é gravimetria, aonde um analito pouco solúvel é formado no meio
através de uma reação química.

Segundo Skoog: “Na gravimetria por precipitação, o analito é convertido a um


precipitado pouco solúvel. Então esse precipitado é filtrado, lavado para a
remoção de impurezas, convertido a um produto de composição conhecida por
meio de um tratamento térmico adequado e pesado.”.

Quando átomos, íons ou moléculas se juntam num meio supersaturado para formar
um sólido estável é chamado de nucleação, esse processo junto com o
crescimento das partículas é o responsável pelo tamanho resultante dos
cristais ou precipitado.

Segundo Skoog, 2006:

“Na nucleação, alguns íons, átomos ou moléculas juntam-se para


formar um sólido estável. Muitas vezes, esses núcleos são
formados na superfície de contaminantes sólidos em suspensão,
como, por exemplo, a poeira. A precipitação posterior então
envolve uma competição entre a nucleação adicional e o
crescimento dos núcleos existentes (crescimento da partícula).

137
Se a nucleação predomina, o resultado é um precipitando contendo
um grande número de pequenas partículas; se o crescimento
predomina, um número pequeno de partículas grandes é produzido.”.

Essas partículas grandes que Skoog está falando são os famosos cristais,
portanto a nucleação na cristalização deve ser somente o ponta pé inicial,
depois disso os núcleos formados devem ser desenvolvidos para formar
cristais.

Portanto o objetivo maior no estudo da cristalização em relação ao meio


supersaturado é como controlar a solução para que os cristais possam se
desenvolver e evitar a formação de precipitados.

Isso exige pesquisa, pois cada meio tem suas características próprias, então
algumas peculiaridades que ocorram em um meio pode ser que não ocorra em
outro, mas nada que testes em um laboratório de química que não resolva. Mas
existem alguns padrões que podem ser explorados, a supersaturação, um estudo
da solubilidade é importante para saber as melhores condições de
supersaturação para o meio.

Segundo Skoog, 2006:

“Acredita-se que a velocidade da nucleação aumente enormemente


com a elevação da supersaturação relativa. Em contraste, a
velocidade de crescimento melhora apenas moderadamente a uma
supersaturação relativa elevada. Assim, quando um precipitado é
formado sob uma supersaturação relativa elevada, a nucleação
constitui o mecanismo de precipitação majoritário e um grande
número de pequenas partículas é formado. Sob uma supersaturação
relativa baixa, por outro lado, a velocidade de crescimento das
partículas tende a predominar e ocorre a deposição do sólido em
partículas existentes, em detrimento de nucleação adicional; isso
resulta em uma suspensão cristalina.”.

Então a regra é clara, se a supersaturação é muito elevada há alta chances


de formação de precipitados, se a supersaturação é moderada, há formação de
cristais.

Com essas informações podemos ter em mente como melhor preparar um meio para
a cristalização.

Segundo Skoog, 2006:

138
“As variáveis experimentais que minimizam a supersaturação e,
portanto, produzem os precipitados cristalinos incluem
temperaturas elevadas para aumentar a solubilidade do
precipitado, soluções diluídas e a adição lenta do agente
precipitante, sob agitação eficiente. As duas últimas medidas
também minimizam a concentração do soluto a qualquer instante.”.

Além dessas características também não podemos ignorar pH e solubilidade do


sólido formado, pois existem meios que formam cristais com a variação de pH
no meio e quando um precipitado de solubilidade muito baixa é formado ele se
torna coloidal, o terror da analítica.

Outro método na cristalização, segundo a química analítica, é a chamada


digestão, aonde um precipitado, ou cristal, é aquecido por um determinado
tempo na sua solução de origem (solução mãe).

Assim como afirma Skoog, 2006:

“A digestão de precipitados cristalinos (sem agitação), por algum


tempo após a sua formação, frequentemente gera um produto mais
puro e de filtração mais fácil. A melhoria na filtrabilidade
indubitavelmente resulta da dissolução e da cristalização que
ocorrem continuamente e em maior velocidade a temperaturas
elevadas.”.

Segundo Seader, 2011, a solubilidade da maioria dos compostos inorgânicos


aumenta com o aumento da temperatura, mas nem sempre isso será verdade, pois
há aqueles que apresentam um comportamento invertido ou pouco eficiente.

A determinação para o método de cristalização tem como ferramenta mais


importante as curvas de solubilidade, pois a partir dela será determinado se
aquele meio pode supersaturar somente esfriando, com a queda da solubilidade,
ou se será necessária uma evaporação do solvente presente.

4.4 TRANSFERÊNCIA DE ENERGIA

Como foi afirmado antes, a cristalização pode ocorrer por método de


esfriamento, evaporação (ou pode ser simplesmente aquecimento sem evaporar)
ou os dois em conjunto.

Quando falamos em aquecer para supersaturar, então estamos falando de


transferência de energia, é necessário ceder uma quantidade de calor para a

139
formação dos cristais, porém existem casos que é mais viável esfriar a
solução, para esses casos estudar transferência de energia já não mais tão
viável e sim estudar a transferência de massa e a cinética do meio.

Dessa forma, estaremos dividindo nosso estudo da cristalização em


transferência de energia para métodos de aquecimento e transferência de massa
para métodos de esfriamento.

Quanto de energia eu preciso para formar cristais em um meio supersaturado?

É por causa dessa pergunta que nós temos que entender a termodinâmica da
solução a fim de saber como a energia está sendo transferida no meio, isso
irá nos trazer informações importantes para determinarmos o calor necessário
para a formação dos cristais.

Você aprendeu na química que a dissolução libera calor não é mesmo? Então
não é difícil conseguir enxergar que formação de cristais é um processo
endotérmico, é por isso que quando aumentamos a temperatura ocorre o
favorecimento da cristalização.

O calor da cristalização possui o mesmo valor, porém com sinal contrário ao


calor de dissolução desses mesmos cristais.

A alimentação do cristalizador é a solução mãe e como a priore o meio não


apresenta está reagindo ou acontecendo alguma coisa a solução é endotérmica,
então imagina: alimentação endotérmica, formação de cristais endotérmico,
como é que você acha que vai conseguir formar cristais só misturando as
soluções e com agitação mecânica?

Quando temos a evaporação do solvente no meio, por qualquer motivo que seja,
significa que as moléculas do solvente têm energia o suficiente para se
desprenderem do corpo, então elas estão liberando energia para o meio.

O que é mais fácil determinar? Calor de dissolução dos cristais no meio ou o


calor de cristalização? É claro que o primeiro, porque pode ser feito em
laboratório utilizando métodos mais práticos.

Por isso nós vamos trabalhar com o calor de dissolução dos cristais, por ser
mais fácil, então podemos fazer um balanço de energia da seguinte forma:

𝑞𝐸 − 𝑞𝑆 = 𝐴 → 𝐻2 + 𝐻𝑉 − 𝐻1 = 𝐴

O calor de dissolução (𝐻2 ) e a entalpia de vaporização (𝐻𝑉 ) são as entradas


no sistema, ou seja, quando ocorre uma dissolução ou vaporização calor é

140
liberado para o meio, já a entalpia de alimentação (𝐻1 ) significa que a
alimentação absorve energia do meio. Com isso o acúmulo será a quantidade de
energia externa necessária para a cristalização ocorrer, se o acúmulo for
zero então o sistema por si só formará cristais sem ajuda externa, ou seja,
será um fenômeno espontâneo:

𝑞 = 𝐻2 + 𝐻𝑉 − 𝐻1

Seader, 2011, comenta que o quão mais sensível for a solubilidade do cristal
ao aumento de temperatura mais endotérmico será, ou seja, mais quantidade de
energia será necessário para ocorrer a cristalização.

Isso ocorre porque um cristal com uma alta solubilidade causada pela alta
temperatura indica que esse cristal está absorvendo o calor no meio muito
bem e você aprendeu lá no estudo de trocadores de calor que o fluxo máximo
de calor vem da capacitância mínima do fluido, ou seja, quanto menor for a
capacidade do material em absorver energia maior será o fluxo de calor, a
mesma coisa vale para os cristais.

O fluxo de calor no meio é importante para que se eleve sua temperatura, se


torne supersaturado e iniciando a nucleação.

4.5 TRANSFERÊNCIA DE MASSA

Segundo Seader, 2011:

“A cristalização é um fenômeno complexo que envolve três passos:


(1) nucleação, (2) transferência de massa do soluto para o
cristal, e (3) incorporação do soluto no retículo cristalino.
Coletivamente, esses três são referenciados como cinética de
cristalização. Experimentos mostraram que a força motriz para
esses três passos é a supersaturação.”

Estudos mostram que quando os cristais no meio são pequenos a sua solubilidade
aumenta, influenciando o meio a cada vez mais se tornar supersaturado.

Quando um meio está se tornando supersaturado ele entre em estado metaestável,


que é um estado fora do equilíbrio químico, portanto é uma transição entre a
supersaturação e a formação de cristais.

Observe o gráfico abaixo:

141
Fonte: Seader, 2011.

Toda área acima da curva de solubilidade é área de supersaturação e abaixo


da curva está a área de insaturação. A curva pontilhada significa o limite
da região metaestável da solução, acima disso o meio irá produzir
espontaneamente nucleação de partículas coloidais.

O ponto “c” representa toda área de situação de supersaturação no estado


metaestável, nesse ponto não há formação de cristais, mas se já tiver alguma
perturbação no meio haverá nucleação e sucessiva formação dos cristais.

Quando o processo objetiva ultrapassar a área metaestável e formar os


precipitados é chamado de nucleação primária, mas se o objetivo for perturbar
o sistema no seu regime metaestável para formar cristais então é chamado de
nucleação secundária.

A taxa de nucleação juntamente com a taxa de crescimento dos cristais são os


processos determinantes do tempo de residência no cristalizador além de
ajudar na determinação do tamanho do cristal gerado.

O método utilizado na escala industrial é o da nucleação secundária que


ocorre geralmente da seguinte forma: (1) um fluido lançado no meio
supersaturado, (2) cristais se colidem uns com os outros, e (3) colisão dos
cristais com uma superfície metálica, assim como as paredes do cristalizador
ou as pás de agitação. Os dois últimos são os mais utilizados na indústria.

Cientistas na busca pelo entendimento da nucleação secundária propuseram uma


equação de transferência mássica por convecção que apresentasse uma ideia de
como ocorreria essa nucleação:

142
𝑑𝑚 𝐴(𝑐 − 𝑐𝑠 )
=
𝑑𝑡 1/𝑘𝑐 + 1/𝑘𝑖

Aonde “𝐴” é a área superficial do cristal, “𝑐” a concentração de soluto no


meio supersaturado, “𝑐𝑠 ” a concentração de soluto no meio saturado, “𝑘𝑐 ”
coeficiente de transferência mássica convectiva e “𝑘𝑖 ” a constante cinética.

Entenda a fenomenologia por trás dessa equação: através das influências da


diferença de concentração e da cinética reacional o soluto presente no meio
supersaturado irá sair desse meio até a superfície do cristal tornando o meio
saturado.

A transferência de massa não ocorre obrigatoriamente por causa da


cristalização, isso quer dizer que o soluto pode ser transferido para a
superfície de um sólido que não precisa ser um cristal, adsorção está aí de
exemplo.

Já a cinética reacional é totalmente dependente da cristalização, pois a


cinética descreve o comportamento de moléculas se ligando a uma estrutura
cristalina, caracterizando seu crescimento.

Portanto a cristalização ideal ocorre em duas etapas, a primeira é regida


pela transferência de massa aonde o soluto se transfere para uma superfície,
e a segunda é regida pela cinética aonde o soluto se liga a rede cristaliza
formada.

Experimentos mostraram o comportamento do crescimento cristalino em relação


a esses coeficientes e a velocidade da solução ao redor do cristal:

143
Fonte: Seader, 2011.

Esse gráfico nos mostra que se o meio tiver nenhuma agitação, ou muito pouca,
a cristalização será regida pela transferência de massa e pouco pela cinética,
favorecendo cristais pequenos, mas à altas velocidades a cristalização será
regida pela cinética podendo formar cristais maiores.

4.6 TIPOS DE CRISTALIZADORES

Segundo Seader, 2011, um cristalizador deve ser escolhido em relação ao


tamanho do cristal que você deseja e ao efeito da temperatura na solubilidade
do soluto no meio, então com isso você pode acabar escolhendo o método de
esfriamento, da evaporação ou dos dois juntos. Observe a tabela abaixo:

Fonte: Seader, 2011.

144
Segundo Seader, 2011: “O uso de agitação mecânica pode resultar em cristais
de tamanhos menores e mais uniformes de alta pureza produzido em menos
tempo.”.

Na tabela você vê algo chamado “desordenado ou não”, essa desordenação é


quando o cristalizador possui características que promove a turbulência do
meio, por exemplo turbulência, com isso uma melhor mistura é favorecida.

Na tabela também é falado sobre circulação do licor ou do magma, a diferença


entre eles é simples: o licor é a solução supersaturada, o magma é a solução
mais o cristal. Então há cristalizadores que agitam a solução e quando os
cristais são formados eles são imediatamente separados ou em outros
cristalizadores o cristal participa da agitação para influenciar a formação
de outros mais ou do seu próprio crescimento.

Cristalizadores classificadores separam os cristais menores dos maiores para


que possam se desenvolver ou são dissolvidos novamente na solução para que
assim possam sofrer nucleação novamente e assim retornar maiores.

Os cristalizadores controlados são aqueles que possuem técnicas e design


específicos para controlar o grau de supersaturação do meio a fim de evitar
nucleações indesejadas.

Para os esfriadores as jaquetas são os preferidos na indústria, pois o uso


de serpentina pode causar a cristalização na superfície dos tubos em vez de
ser no meio.

4.7 BALANÇO DE MASSA

Chegou o momento de entendermos como saber a quantidade exata de cristais ou


a corrente necessária para formar uma quantidade determinada de cristais no
cristalizador, isso é feito por balanço de massa com as informações de
solubilidade e massa molar.

O balanço de massa é representado dessa forma:

145
Aonde “𝐹” é a alimentação, “𝑊” é o vapor gerado no cristalizador (se for
gerado), “𝑆” é a solução concentrada e “𝐶” é a quantidade de cristais gerados.

Então as análises no cristalizador são baseadas em balanço global e por


componentes, ande os componentes são o soluto e o solvente:

Balanço em relação ao solvente:

𝑀 𝑑𝑒 𝑠𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑀𝑀 𝑑𝑜 𝑠𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒
𝑥𝐹 𝑠𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒 𝐹 = 𝑊 + 𝑆+ 𝐶
𝑀 𝑑𝑒 𝑠𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒 + 𝑠𝑜𝑙𝑢𝑡𝑜 𝑀𝑀 𝑑𝑜 𝑠𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒 + 𝑠𝑜𝑙𝑢𝑡𝑜

Balanço em relação ao soluto:

𝑀 𝑑𝑒 𝑠𝑜𝑙𝑢𝑡𝑜 𝑀𝑀 𝑑𝑜 𝑠𝑜𝑙𝑢𝑡𝑜
𝑥𝐹 𝑠𝑜𝑙𝑢𝑡𝑜 𝐹 = 𝑆+ 𝐶
𝑀 𝑑𝑒 𝑠𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒 + 𝑠𝑜𝑙𝑢𝑡𝑜 𝑀𝑀 𝑑𝑜 𝑠𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒 + 𝑠𝑜𝑙𝑢𝑡𝑜

O vapor some quando fazemos um balanço em relação ao soluto porque


simplesmente não existe soluto no vapor, com isso essa corrente existe em
100 % no balanço para o solvente e 0 % para o soluto.

As informações para a massa de soluto e solvente pode ser encontrada em


solubilidades, então é sempre importante ter a solubilidade do soluto no
solvente especificado para auxiliar no balanço de massa.

Já a massa molar é extraída através da informação de que tipo de cristal é


formado no meio, na química analítica eles são representados da seguinte
forma:

𝑓𝑜𝑟𝑚𝑢𝑙𝑎 𝑑𝑜 𝑠𝑎𝑙 ∙ 𝑓𝑜𝑟𝑚𝑢𝑙𝑎 𝑑𝑜 𝑠𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒

Por exemplo:

𝑁𝑎2 𝐶𝑂3 ∙ 10𝐻2 𝑂

146
O exemplo mostra um cristal de bicarbonato de sódio deca hidratado, através
dessa equação você extrai a massa molar do sal (𝑁𝑎2 𝐶𝑂3) e do solvente (10𝐻2 𝑂)
e assim usar na equação do balanço de massa.

Para aprofundar esses conhecimentos vamos a exercícios de balanço de massa e


energia.

4.8 EXERCÍCIO RESOLVIDO

Uma solução de alimentação de 2268 kg a 327,6 K (54,4 ºC) contendo 48,2 kg


de 𝑀𝑔𝑆04 /100 kg total de água, arrefeceu-se a 293,2 K (20 ºC) para remover
cristais de 𝑀𝑔𝑆04 . 7𝐻2 𝑂. O sal tem solubilidade de 35,5 kg de 𝑀𝑔𝑆04 /100 kg de
água total. A capacidade calorífica média da solução da alimentação pode ser
assumida como sendo igual a 2,93 kJ/kgK. O calor de solução a 291,2 K (18
ºC) é -13,31 x l03 kJ/kgmol de 𝑀𝑔𝑆04 . 7𝐻2 𝑂. Calcular o rendimento de cristal
e determinar o calor absorvido total q, por meio de um equilíbrio térmico,
assumindo que não há água vaporizando.

O balanço fica:

Em relação a água:

100 100 126


𝐹 = 𝑆+ 𝐶
100 + 48,2 100 + 35,5 120 + 126

Em relação ao sal:

48,2 35,5 120


𝐹 = 𝑆+ 𝐶
100 + 48,2 100 + 35,5 120 + 126

147
Duas incógnitas, duas equações, temos um sistema. Com isso, resolvendo as
duas equações, temos que:

𝑆 = 1632,80 𝑘𝑔 𝐶 = 635,20 𝑘𝑔

O balanço de energia fica dessa forma:

𝑞 = 𝐻2 − 𝐻1

Aonde:

𝐻1 = 𝑚𝐶𝑃 Δ𝑇 = (2268)(2,93)(327,2 − 293,2) = 225938,16 𝑘𝐽

𝐻2 = 𝑞𝑠𝑜𝑙𝑢çã𝑜 𝐶 = (−54,1)(634,62) = −34332,94 𝑘𝐽

Logo a quantidade de energia para cristalizar é:

𝑞 = 𝐻2 − 𝐻1 = −260271,1 𝑘𝐽

148
5. EVAPORADORES – VAI UM VAPORZINHO AÍ?
Os evaporadores são equipamentos muito gerais, suas aplicações podem ser de
acordo com a necessidade de cada indústria, mas é importante destacar algumas
de suas utilidades: o evaporador pode ser um cristalizador, atuando na
cristalização de sais por aquecimento em vez de resfriamento e pode atuar
também na secagem de algum material em meio a solução por evaporação, pode
ser usado para tratamento de água do mar etc. Esse equipamento é relativamente
simples de se projetar, mas não devemos esquecer toda uma carga teórica por
trás dele.

Ora ora, o que é um evaporador? É um meio de ebulição aonde o vapor gerado


escapa e o líquido se torna cada vez mais concentrado.

Nós já estudamos a ebulição e percebemos que ela é bastante interessante e


envolve muitos estudos da transferência de energia. Mas qual a diferença
entre aquele estudo e este? Basicamente é porque aquele estudo é um pouco
mais científico e aprofundado e este aqui é um projeto de engenharia, então
não vamos ficar preocupados com o regime da ebulição e nem com a taxa de
calor naquele momento, o que queremos aqui é simples: gerar vapor, então esse
objetivo será a nossa base para tudo que vamos calcular aqui, ou seja,
queremos saber qual a energia para que uma solução tal se torne saturada até
certo grau através da evaporação, só isso.

Um evaporador se apresenta como o esquema abaixo:

Fonte: Geankoplis, 1993.

É simples, veja que temos uma entrada que é a alimentação, embaixo dela é a
corrente de vapor quente que irá ser usado para aquecer a alimentação, do
outro lado o vapor será condensado a solução de dentro será concentrada e
vapor será retirado.

150
A ebulição não é o foco aqui justamente porque o objetivo deste equipamento
é aquecer a solução a fim de criar vapor imediatamente, sem enrolação. Então
o que teremos aqui será método de cálculo por balanço de massa e energia que
serão abordados agora.

5.1 BALANÇO DE MASSA

Observe a imagem ao lado. É algo meio que


óbvio pensar nas entradas e saídas, elas estão
muito bem expostas, mas temos que ter noção
do que é que nós queremos, porque se tivermos
mais de um ponto de vista nós conseguimos
fazer mais de um balanço de massa.

Vamos ao óbvio, o global:

𝐹 =𝐿+𝑉

Agora pense comigo, o resultado dessa


evaporação é um licor concentrado, mas será
que é importante quantificar isso? Sim é
bastante, porque a alimentação entra a uma
concentração e o licor sai a outra, com isso
através do balanço podemos dizer qual é a
concentração que desejamos na saída. Mas como
fica o vapor? Bom, se o que está dissolvido Fonte: Seader, 2011,
editado pelo autor.
no meio é um sal ou se a temperatura está de
acordo com a ebulição do mais leve então o vapor estará puro, concentração
zero.

Então o nosso balanço em relação a concentração fica:

𝐹𝑥𝐹 = 𝐿𝑥𝐿 + 𝑉𝑥𝑉 → 𝐹𝑥𝐹 = 𝐿𝑥𝐿

Através dessas duas simples equações podemos encontrar diretamente todos os


valores das correntes, ou seja, através da alimentação e da concentração
final desejada nós já iremos saber qual será a quantidade de vapor gerado e
a quantidade de licor concentração nos resultados da operação.

Parece meio besta, mas é assim mesmo, ora a alimentação possui uma mistura
de solvente e soluto, se na saída do concentrado temos uma concentração maior
dessa solução então quer dizer que o solvente foi retirado de alguma forma,
151
se temos somente duas formas de saída (L e V) e o solvente não está no L
então ele tem que obrigatoriamente sair no V, é um cálculo simples.

5.2 BALANÇO DE ENERGIA

O balanço de energia se torna necessário por causa de uma coisa: encontrar a


quantidade de calor necessário para evaporar o solvente até atingir a
concentração final desejada. Então para isso vamos lembrar tudo aquilo que
estudamos lá na cristalização? Não quero que lembre de tubo, só tenha em
mente que nas soluções existem entalpias, por exemplo para cristalizar um
sal dissolvido na solução existe uma entalpia de dissolução que precisa ser
vencida, fazendo do processo endotérmico, a mesma coisa é aqui, mas o nosso
principal objetivo é evaporar, então vamos utilizar entalpias de vaporização.

O resultado desse balanço de energia será a quantidade de calor que iremos


usar em um condensador a fim de ebulir toda a solução e causar a evaporação
necessária.

Porque usar um condensador? Bom, você não é obrigado a usar um condensador,


mas ele está aqui porque é o mais utilizado nas indústrias, justamente por
que nós como engenheiros sempre devemos correr atrás de otimizar tudo que
pudermos e reaproveitar tudo ou quase tudo, então tenha em mente que muitos
processos industriais formam vapores e na maioria das vezes superaquecidos,
então nada melhor do que aproveitar todo esse calor em um evaporador, não?

Para o nosso balanço vamos considerar a corrente do trocador de calor que


passa por dentro do evaporador, vamos chama-lo de “q”, então nosso balanço
global fica:

𝐹+𝑞 =𝐿+𝑉

As entradas são a alimentação e a corrente de vapor dentro do condensador,


as saídas são o concentrado e o vapor.

Agora temos que pensar na energia, como quantificar a energia de cada


corrente? Lembra que lhe falei em entalpia? Então, a alimentação possui uma
entalpia, que pode ser endotérmica ou exo, mas porquê? Lembra de calor de
dissolução? Então, quando o sal se junta com o solvente ele é dissolvido e
isso libera calor, então se nós queremos o oposto nós temos que ceder calor
para a solução a fim de cristalizar ou concentrar mais, portanto se vamos
trabalhar com uma solução concentrada a sua entalpia será endo e se for muito

152
diluída ela será exo porque teoricamente um líquido puro não precisa de
energia para nada, então ele irá libera-la.

Quando a solução é concentrada temos duas situações que ocorrem: elevação do


ponto de ebulição (EPE) e a absorção de calor para vaporização.

Quando estamos retirando solvente do meio as condições da solução se


modificam, então quando a solução entra no evaporador ela possui um certo
ponto de ebulição, mas quando ela é concentrada mais ainda o seu ponto de
ebulição se torna maior e essa informação é importante para nós.

Faça o teste você mesmo, o que é mais fácil de congelar ou evaporar, água
pura ou água com uma colher de sal? Então, as condições são modificadas e na
evaporação precisamos saber disso para que o trocador de calor mande energia
o suficiente para vencer essa EPE.

Já quando falamos da evaporação, tenha em mente que para evaporar algum


líquido precisamos ceder calor a ele, então isso também fará parte do nosso
balanço de energia.

Nosso balanço de energia fica:

𝐹ℎ𝑓 + 𝑞 = 𝐿ℎ𝐿 + 𝑉𝐻𝑉

Aonde temos que “ℎ𝑓 ” é a entalpia da alimentação, “ℎ𝐿 ” é a entalpia do licor


concentrado (já considerando a EPE) e “𝐻𝑉 ” é a entalpia de vaporização. Eu
deixei esse “𝑞” em aberto para deixar algo claro para você, esse evaporador
está precisando de energia para funcionar, não significa que a energia tem
que vir só de um condensador, quantas formas possíveis há de se ceder energia
a algo? Então não se vicie a isso, não seja um repetidor, seja um engenheiro.

Então para um caso em que usamos um condensador o calor pode ser representado
por:

𝑞 = 𝑊𝜆𝑊

A corrente de vapor em produto com o calor latente de condensação.

Portanto nosso balanço de energia fica completo:

𝐹ℎ𝑓 + 𝑊𝜆𝑊 = 𝐿ℎ𝐿 + 𝑉𝐻𝑉

Aonde nós devemos saber os valores das entalpias e encontrar os valores das
correntes de entrada e saída através do balanço de massa, o nosso objetivo

153
com a equação acima é encontrar a corrente de vapor (𝑊) necessário para que
essa evaporação ocorra.

Existem inúmeras tabelas e diagramas para entalpias de diversos tipos de


soluções, vou lhe dar alguns exemplos para você saber como encontrar as
entalpias através das tabelas ou cálculos.

5.3 TABELAS E DIAGRAMAS

Eles são muito mais importantes do que você pensa, ora você acha mesmo que o
mundo vai lhe dar tudo de mão beijada? Não vai procurar para você ver...

Aqui eu irei ensinar a você a procurar dados que irão possibilitar o uso das
equações que eu lhe apresentei posteriormente, preparado?

Tabela de entalpia de um fluido:

Existem tabelas para diversos elementos, mas eu vou usar como exemplo aqui a
tabela da água. Veja o seguinte, um elemento pode ser utilizado como solvente
ou como a corrente de vapor do condensador, então dependendo de como ele será
utilizado nós vamos usar a tabela de entalpia.

Essa tabela só não é utilizada para encontrar a entalpia da alimentação, pois


nesse caso não estamos falando só do fluido puro, mas da sua mistura também.

Se por um acaso a solução estiver muito diluída podemos considera-la como se


fosse o próprio solvente puro, então você poderá usar a capacidade calorífica
do fluido, mas isso veremos depois.

Vamos imaginar que temos uma alimentação cujo solvente é a água que também é
usado na corrente do trocador de calor. Então vamos aos dados:

● Água evapora a 100 °C na CNTP;

● Temos uma corrente qualquer no condensador a 143,3 kPa.

Veja a tabela abaixo:

154
155
Fonte: Geankoplis, 1993.

Agora vamos encontrar a entalpia de evaporação, veja como é que se faz:

● Primeiro vá na temperatura em que ocorre a evaporação (100 °C); depois


vá em entalpia e observe os valores de entalpia do líquido e vapor
saturado, você terá que subtrair o do vapor com o do líquido:

Fonte: Geankoplis, 1993, editado pelo autor.

156
𝐻𝑉 = 2676,1 − 419,04 = 2257,06 𝑘𝐽/𝑘𝑔

Mas se estivermos falando da corrente de vapor superaquecido do trocador de


calor vamos usar a mesma tabela só que dessa vez olhando para pressão:

● Vá na temperatura em que o vapor está sendo operado; depois vá novamente


na entalpia e faça o mesmo método do caso anterior:

Fonte: Geankoplis, 1993, editado pelo autor.

Entalpia da alimentação:

Essa entalpia pode ser encontrada de duas formas: por equação ou por
diagramas. A solução pode estar tão diluída, por exemplo a 5 % de sólido,
que a entalpia terá mudanças pouco significantes, então nós usaremos a equação
abaixo:

ℎ𝑓 = 𝐶𝑃 (𝑇𝑎𝑙𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎çã𝑜 − 𝑇𝑣𝑎𝑝𝑜𝑟 )

Mas se a concentração influenciar significantemente poderemos usar diagramas


ou uma equação específica para o caso em questão, ou seja, existem equações
que preveem a entalpia da alimentação a partir da concentração da alimentação
e a do concentrado também. A seguir temos um diagrama para determinação da
entalpia do meio através da concentração e temperatura.

157
Fonte: Geankoplis, 1993.

Vamos a um exemplo básico para ver como funciona:

● 20% de NaOH dissolvido em água a 60 °C:

Então temos o resultado abaixo através do diagrama abaixo.

ℎ𝑓 = 214 𝑘𝐽/𝑘𝑔

● 1 % de sal dissolvido em água a 311 K na CNTP:

A concentração está muito diluída, então consideramos água pura:

𝑘𝐽
ℎ𝑓 = 𝐶𝑃 (𝑇𝑓 − 𝑇1 ) = 4,14(311 − 373,2) = −257,51
𝑘𝑔

A temperatura de 373,2 𝐾 (100 °C) é o ponto de ebulição da água na CNTP.

158
Fonte: Geankoplis, 1993.

Entalpia do licor concentrado:

Para que haja uma entalpia do licor concentrado é necessário que ocorra uma
elevação do ponto de ebulição (EPE), isso porque a entalpia da alimentação e
a de vaporização já leva em consideração que a solução será elevada sua
temperatura e depois vaporizada, mas quando ocorre uma EPE significa que o
ponto de ebulição será modificado e isso deve ser levado em consideração.

Para esses casos nós devemos saber quanto é a elevação do ponto de ebulição
através do diagrama abaixo e depois usar o resultado no diagrama acima para
encontrar o valor da entalpia do licor concentrado.

159
Fonte: Geankoplis, 1993.

Vamos a um exemplo:

● Deseja-se concentrar uma solução até 50 % de NaOH aonde a pressão dentro


do evaporador está a 11,7 kPa.

Primeiro devemos saber qual será a temperatura do concentrado, nós devemos


usar a pressão do interior do evaporador:

160
Fonte: Geankoplis, 1993, editado pelo autor.

Por interpolação:

11,7 − 9,593 𝑥 − 45
= → 𝑥 = 48,9 °𝐶
12,349 − 9,593 50 − 45

Agora vamos descobrir o valor da EPE:

𝑇á𝑔𝑢𝑎 = 48,9 °𝐶 → 𝐸𝑃𝐸 → 𝑇𝑓 = 89,5 °𝐶

Através desse resultado utilizamos o diagrama para encontrar a entalpia do


licor saturado:

𝑇𝑓 = 89,5 °𝐶 → ℎ𝐿 = 505 𝑘𝐽/𝑘𝑔

Muito simples, cada um dos métodos, agora você consegue encontrar todas as
entalpias do balanço de energia: ℎ𝑓 , 𝜆, ℎ𝐿 e 𝐻𝑉 .

161
Fonte: Geankoplis, 1993, editado pelo autor.

5.4 FATORES DO PROCESSO

Já vimos como a operação ocorre e do que precisamos para ter dados o


suficiente para os cálculos de balanço de massa e energia, agora temos que
prestar atenção nos fatores que vão influenciar no processo, pois antes de
fazer os cálculos nós temos que ter em mente o que é viável e o que não é.

Concentração de sais no solvente:

Cada solvente tem a sua viscosidade, quando a alimentação está diluída os


sais não interferem significativamente nas suas propriedades físico químicas,
mas dentro do evaporador grande parte do solvente será retirado o que

162
significa que a concentração vai aumentar, portanto a solução pode se tornar
mais viscosa, consequentemente o coeficiente de transferência de energia será
prejudicado por causa da resistência que a solução líquida apresentará.

Para resolver problemas voltados a isso é necessário que haja uma circulação
da solução presente dentro do evaporador ou alguma turbulência, pois o
movimento do fluido força-o a transferir energia e a diminuir os efeitos da
sua viscosidade.

Solubilidade:

Aqui entra em ação tudo que estudamos na cristalização, lembra que eu falei
que um evaporador também pode ser um cristalizador? Então, em vez de somente
concentrar o meio o evaporador pode retirar solvente o suficiente para
favorecer a formação de cristais supersaturando a solução, neste caso os
estudos que fizemos em cristalizadores também são aplicados aqui.

Materiais sensíveis a temperatura:

Os evaporadores não são úteis somente para sais e minerais, mas também pode
ser usado para aplicações farmacêuticas, alimentícias e biotecnológicas, só
que esses casos são mais delicados de se realizar, porque muitos dos materiais
relacionados a essas áreas são facilmente degradados por causa da temperatura
e do tempo de aquecimento. Dessa forma, você não irá olhar tanto para a
concentração do licor de saída, mas sim para até qual temperatura e tempo de
aquecimento o material presente dentro dele irá suportar, isso exigirá
pesquisa e testes.

Formação de espuma:

Existem alguns tipos de soluções, como por exemplo as que envolvem alimentos,
ácido graxos, soda cáustica etc., podem gerar espuma por causa da agitação
do meio, o problema é que quando isso o corre o vapor se mistura na espuma o
que pode causar o arraste de algum material pela corrente de vapor. Para
evitar que isso ocorra é necessário que a agitação seja cautelosa e bem
estudada a fim de otimizar o processo.

Pressão e temperatura:

Não preciso nem falar né, todo o processo da operação dependerá da temperatura
e da pressão, justamente por causa daquilo que já estudamos: a pressão do
meio modifica o ponto de ebulição de uma solução, então deveremos operar a
pressão no interior do evaporador ao nosso favor.

163
Incrustação e corrosão:

Já que estamos falando de soluções com a presença de sais ou outros materiais,


então é possível que ocorra alguma incrustação no meio, lembra do que falamos
sobre o uso de serpentinas em cristalizadores? Então, aqui é a mesma coisa,
dependendo de como você vai operar o condensador é possível que alguma
incrustação ocorra devido a cristalização, deposição de sólidos ou a
degradação de materiais no meio. Dependendo do caso, isso pode ser evitado
ou não, mas sempre deveremos buscar a otimização, procurando diferentes
formas de se aquecer o meio.

Já a corrosão é algo inerente a qualquer processo de transferência de energia,


justamente porque a alta temperatura propicia esse fenômeno, ainda mais a
umidade.

Você lembra da corrosão lá em eletroquímica? Então, basicamente um material


é oxidado e o outro é reduzido, temos que ter cuidado para que as paredes do
nosso evaporador e o condensador não sejam corroídos, para isso estudos devem
ser feitos para saber se o material a ser utilizado na construção é resistente
ás soluções que serão alimentadas e em até quais temperaturas e tempo de
aquecimento o material suporta.

5.5 EVAPORADORES DE MÚLTIPLOS EFEITOS

Agora devo falar a você sobre o uso de evaporadores em série, cujo o maior
objetivo de usarmos esses equipamentos dessa forma é a economia do uso
energético, isso porque um evaporador gera um vapor quente na sua saída que
pode ser utilizado para outras finalidades e não simplesmente descartado,
para isso podemos utilizar a técnica de usar o vapor gerado como corrente no
condensador e assim ser fonte de energia para evaporar mais ainda o licor
que sai do anterior.

Então é uma forma de repetição de etapa utilizando o máximo possível da


energia de entrada, porém esse método pode ocorrer de duas formas possíveis:
cocorrente ou contracorrente, e o motivo da diferença desses métodos é a
mesma coisa que vimos lá em trocadores de calor.

Observe os dois métodos na imagem abaixo:

164
Fonte: Seader, 2011.

Vamos lá entender melhor isso, o método cocorrente se inicia com uma alta
variação de temperatura, assim como num trocador de calor, aonde a alimentação
está muito quente e conforme o licor é passado de efeito (evaporador) para
efeito a temperatura vai diminuindo, portanto o licor saturado final é mais
frio do que a alimentação, essa técnica pode ser usada quando o material
presente na solução é facilmente degradado pela temperatura, então para
evitar isso usamos o método cocorrente para uma alta temperatura no início,
evaporando rapidamente o solvente, e uma baixa temperatura no final, uma
evaporação mais delicada.

Já o contracorrente é utilizado para corrente mais frias, aonde o licor


gerado é passado para cada efeito aumentando cada vez mais a sua temperatura,
com isso o licor concentrado final é mais quente do que a alimentação, isso
é útil quando temos problemas com a viscosidade que aumenta por causa da

165
concentração da solução, o aumento da temperatura fará diminuir os efeitos
da viscosidade e manter um bom coeficiente de transferência de calor.

Nesses casos temos que obedecer a uma ordem de diferença de pressão em cada
efeito, justamente porque as temperaturas de ebulição se modificam de efeito
para efeito. A pressão do primeiro efeito deve ser maior do que a dos demais,
assim: 𝑃1 > 𝑃2 > 𝑃3 , então em casos de método cocorrente a temperatura de
ebulição irá diminuir gradualmente, lembrando que ao abaixar a pressão o
ponto de ebulição é atingido mais rápido.

Em contracorrente é necessário o uso de bombas, como pode ser observado na


imagem de exemplo dos múltiplos efeitos, justamente porque o licor terá de
ir contra as ordens de pressão, começando da menor e indo até a maior. O fato
de a alimentação iniciar no efeito de menor pressão é o ponto principal para
que ocorra a evaporação em alimentações mais frias, assim como eu expliquei
antes.

Agora vamos ver os cálculos envolvendo esses dois métodos de múltiplos


efeitos. Você conhece o método de balanço de massa e energia para os outros
casos, agora vamos juntar todos esses cálculos para três evaporadores em
série cujo vapor de um será a corrente do condensador de outro.

5.5.1 Múltiplos Efeitos Cocorrente

Veja o esquema abaixo:

Fonte: Seader, 2011.

Os balanços de massa não se modificam, mas para o caso global temos que
considerar todo o sistema, ou seja, a entrada (efeito 1) e o final (efeito
3). Com esse pensamento os balanços de massa ficam:

𝐹𝑥𝐹 = 𝐿3 𝑥3 𝐹 = 𝐿3 + 𝑉1 + 𝑉2 + 𝑉3

166
Essa equação fica assim porque se você pegar um volume de controle ao redor
dos três efeitos vai perceber que a única entrada ainda é a alimentação e as
saídas são os vapores e o licor concentrado final. O único licor considerado
é o do último efeito, justamente porque ele é o nosso produto final e se
considerarmos que o licor sai de um evaporador para outro imediatamente então
podemos dizer que ele nunca sai do sistema até o último efeito, já o vapor
sai do sistema para ser utilizado em outro, o condensador, então sim os três
vapores saem do sistema.

Com os valores da alimentação e a concentração final desejada você encontra


𝐿3 e (𝑉1 + 𝑉2 + 𝑉3 ), aonde os três vapores são considerado juntos como uma forma
de chute inicial, então nós consideramos os três vapores divididos
igualmente, ou seja:

𝑉1 + 𝑉2 + 𝑉3
𝑉1 = 𝑉2 = 𝑉3 =
3

Agora com esses valores temos condições para criar um balanço de massa global
em cada efeito:

𝐹 = 𝑉1 + 𝐿1 𝐿1 = 𝑉2 + 𝐿2 𝐿2 = 𝑉3 + 𝐿3

Se você prestar atenção vai perceber que a “saída” de um é a “entrada” de


outro, que na verdade não levamos em consideração que o licor está saindo do
sistema até o último efeito, então calculando do primeiro efeito até o último
você encontrará todos esses dados.

Depois desse balanço global você agora pode fazer o balanço de sólidos de
cada efeito:

𝐹𝑥𝐹 = 𝐿1 𝑥1 𝐿1 𝑥1 = 𝐿2 𝑥2 𝐿2 𝑥2 = 𝐿3 𝑥3

O valor encontrado de “𝑥3 ” deve ser o mesmo valor usado no balanço de massa
inicial.

Agora devemos trabalhar com as temperaturas, veja que o somatório das


temperaturas pode ser calculado dessa forma:

∑ Δ𝑇 = Δ𝑇1 + Δ𝑇2 + Δ𝑇3

Aonde temos:

∑ Δ𝑇 = (𝑇𝑠 − 𝑇1 ) + (𝑇1 − 𝑇2 ) + (𝑇2 + 𝑇3 ) = 𝑇𝑠 − 𝑇3

167
Isso não é mágica nem macumba, é um cálculo de somatório total de temperatura
que pode ser encontrado só com a temperatura da corrente de vapor do
condensador (𝑇𝑠 ) e a temperatura no último efeito (𝑇3 ), justamente porque a
temperatura do interior do evaporador será igual a temperatura do vapor que
será usada como corrente do condensador.

O próximo passo é descobrir as temperaturas que não conhecemos, então o que


será feito aqui é um método de chute, isso mesmo, vamos usar uma equação que
vai nos dar um norte, só isso, depois vamos realizar as etapas seguintes a
fim de determinar se o método funcionou ou não, caso não funcione teremos
que retornar aqui e encontrar um novo chute que possa nos dar resultados mais
sólidos.

O nosso chute é baseado nas equações abaixo:

1/𝑈1
Δ𝑇1 = ∑ Δ𝑇
1 1 1
+ +
𝑈1 𝑈2 𝑈3

1/𝑈2
Δ𝑇2 = ∑ Δ𝑇
1 1 1
𝑈1 + 𝑈2 + 𝑈3

1/𝑈3
Δ𝑇3 = ∑ Δ𝑇
1 1 1
𝑈1 + 𝑈2 + 𝑈3

As temperaturas são encontradas:

𝑇1 = 𝑇𝑠 − Δ𝑇1 𝑇2 = 𝑇1 − Δ𝑇2 𝑇3 = 𝑇2 − Δ𝑇3

Só tem um porém, todas essas temperaturas que encontramos serão temperaturas


em relação ao solvente, ou seja, não estamos considerando a concentração de
sólidos no meio, com isso teremos que pegar cada um desses valores e utilizar
um diagrama para descobrir qual é o valor real da temperatura em relação a
concentração, ou seja, temos que buscar a EPE do meio utilizando um diagrama
parecido com aquele que lhe mostrei de NaOH.

Com os valores de temperatura corretos encontrado você agora poderá encontrar


as entalpias para completar o balanço de energia, que irá funcionar da
seguinte forma: como o vapor que sai do primeiro efeito é utilizado como
corrente do condensador então o “𝐻𝑉 ” será igual ao “𝜆” utilizado no próximo
efeito.

Então fica assim:

168
𝑇𝑠 → 𝜆𝑠 𝑇1 → ℎ𝑓 𝑒 𝜆1 𝑇2 → ℎ𝐿 2 𝑒 𝜆2 𝑇3 → ℎ𝐿 3 𝑒 𝜆3

Com essas informações agora podemos calcular o balanço de energia para cada
efeito:

1) Fhf + Sλs = L1 hL1 + V1 λ1


2) L1 hL1 + V1 λ1 = L2 hL2 + V2 λ2
3) L2 hL2 + V2 λ2 = L3 hL3 + V3 λ3

Só que dessa vez nós temos que considerar as equações abaixo e fazer um
sistema:

V1 = F − L1 V2 = L1 − L2 V3 = L2 − L3

O porquê disso é simples, lá atrás nós encontramos valores para os vapores,


mas são somente especulações, pegamos um valor total e dividimos por três,
com esse sistema nós iremos valores reais em função do chute que fizemos.

Depois de algumas movimentações algébricas temos o resultado das equações


unificadas abaixo:

1° equação:

L1 (hL1 − λ1 − λ2 ) − L2 (hL2 − λ2 ) = −Fλ1

2° equação:

L1 λ2 + L2 (hL2 − λ2 − λ3 ) = L3 (hL3 − λ3 )

A corrente do licor concentrado final (L3 ) não precisa ser calculada porque
o balanço global que fizemos lá no início é confiável, porque está envolvendo
todo sistema, então essa corrente não é uma incógnita.

Após resolver o sistema acima você pode encontrar a corrente original do


condensador no primeiro efeito:

L1 hL1 + (F − L1 )λ1 − Fhf


S=
λs

Através dos balanços de massa que utilizamos para substituir na equação do


balanço de energia podemos encontrar os valores das correntes de vapor. Com
essas informações agora você poderá encontrar os valores das taxas de calor
em cada efeito:

q1 = Sλs q 2 = V1 λ2 q 3 = V2 λ3

169
Uma dica: se a questão está lhe dizendo que está havendo perda de calor no
meio através dos equipamentos, você deverá fazer o cálculo da seguinte forma,
considerando perda de 5 %:

q1 = Sλs + 0,05Sλs q 2 = V1 λ2 + 0,05V1 λ2 q 3 = V2 λ3 + 0,05V2 λ3

Essa taxa de calor acima é a taxa necessária para que a evaporação ocorra,
se está havendo perda de calor pelo equipamento então é necessário dar mais
calor para equilibrar a perda.

Agora você terá condições para encontrar a área de cada efeito:

q1 q2 q3
A1 = A2 = A3 =
U1 ΔT1 U2 ΔT2 U3 ΔT3

Depois você terá de calcular a área média porque ela será a sua base de
cálculo para ver o quão grande é o desvio de cada área:

𝐴1 + 𝐴2 + 𝐴3
𝐴𝑚 =
3

O desvio será calculado da seguinte forma:

|A1 − Am | |A2 − Am | |A3 − Am |


D1 = D2 = D3 =
Am Am Am

O resultado proveniente desses desvios deverá ser analisado por você, os


valores não podem ser muito altos e nem ser muito dispersos um do outro.

Se o resultado dos desvios não for convincente então você terá que repetir
os passos acima desde o chute de temperatura, mas agora você será guiado por
outra equação:

Δ𝑇1 𝐴1 Δ𝑇2 𝐴2 Δ𝑇3 𝐴3


Δ𝑇1 𝑁 = Δ𝑇2 𝑁 = Δ𝑇3 𝑁 =
𝐴𝑚 𝐴𝑚 𝐴𝑚

Você irá usar o antigo chute das temperaturas e relacionar com os valores
encontrados de área respectiva e a área média.

5.5.2 Múltiplos Efeitos Contracorrente

O método é muito parecido, as mudanças são somente referentes a mudança de


sentido, como na imagem abaixo, que afetará o balanço de massa, então eu irei
abordar somente as diferenças de um método para o outro, subtenda que todo o
restante é igual nos dois métodos.

170
Fonte: Seader, 2011.

Primeiro temos o balanço de massa global, pois agora a alimentação está no


último efeito e o licor final sai no primeiro:

Fxf = L1 x1 F = L1 + (V1 + V2 + V3 )

E para cada efeito é a mesma coisa:

F = V3 + L3 L3 = V2 + L2 L2 = V1 + L1

Fxf = x3 L3 L3 x 3 = x 2 L 2 L2 x2 = x1 L1

O balanço de energia fica:

3) Fhf + V2 λ2 = L3 hL3 + V3 λ3
2) L3 hL3 + V1 λ1 = L2 hL2 + V2 λ2
1) L2 hL2 + Sλs = L1 hL1 + V1 λ1

Não esquecendo de substituir os valores do vapor de cada efeito utilizando o


balanço de massa acima.

Se você prestar atenção não há necessidade da realizar sistema, porque os


valores são encontrados basicamente substituindo os valores e depois um valor
irá completar o outro e pronto, você terá todos os resultados.

Essas são as únicas diferenças entre os métodos, eles podem parecer chatos
por serem um método iterativo, mas são interessantes porque querendo ou não
sempre vamos conseguir chegar a um resultado final.

171
5.6 TIPOS DE EVAPORADORES

Quero que você tenha algo na sua mente: os cálculos que fazemos aqui é tudo
Alice no país das maravilhas, ou seja, tá tudo dando muito certo, a
transferência de energia é perfeita, o contato também é perfeito etc. Mas o
que acontece é que cada caso é um caso, então existem soluções mais viscosas,
outras não podem receber tanta energia para não degradar seus produtos.
Então, o ideal é muito difícil de ser alcançado, mas temos que tentar, né?
Com isso existem diversos tipos de evaporadores diferentes para casos
diferentes, aonde cada um busca procurar o máximo possível o tão sonhado caso
ideal.

Observe a imagem abaixo para ver exemplos diferentes de evaporadores:

Fonte: Seader, 2011.

Evaporador em tubo horizontal (a)

Esse tipo de evaporador se você observar com cuidado irá perceber que na
verdade ele é um condensador de casco e tubo, aonde o vapor quente passa
pelos tubos e a solução passa pelo casco, a diferença é que essa solução irá
entrar em ebulição e o vapor irá escapar pela saída superior. Segundo Seader,
2011, a agitação existente no meio vem somente pelo movimento das bolhas

172
deixando o evaporador. Esse tipo de equipamento é adequado somente para
soluções de baixa viscosidade que não depositem sólidos nas superfícies do
tubo aonde a corrente do condensador passa.

Evaporador curto em tubo vertical (b)

É um evaporador muito chato de entender, minha cabeça já dói só de pensar,


não sei se é incompetência dos livros didáticos ou falta de interpretação,
porque simplesmente Seader, 2011, afirma que a alimentação passa por dentro
dos tubos e o vapor da corrente do condensador passa por um casco que envolve
esses tubos, só que se você olhar para o esquema desse evaporador não é isso
que você vai ver.

Vou tentar dar uma explicação de como isso ocorre: você observa que
alimentação está sendo lançada no fundo do evaporador, é isso mesmo que
acontece, mas é óbvio que aquela saída do produto não estará aberta nesse
momento, aí tem aquela questão de tempo de residência para esse caso, então
conforme o evaporador é alimentado o nível aumenta e a solução será forçada
a passar por dentro de tubos dentro de um casco.

O casco é fechado, mas os tubos estão abertos em cima e embaixo, ou seja, a


solução passará por dentro de tubos que estão dentro de um casco com vapor
superaquecido, o resultado é que a solução irá entrar
em ebulição dentro dos tubos e ao sair do outro lado
já estarão produzindo vapor.

Olha a imagem ao lado para ver se abre a sua mente.


Então, explicando de novo, em vermelho é a
alimentação, que é lançada no fundo, essa alimentação
é forçada a passar por dentro dos tubos, dentro dos
tubos temos vapor quente que está sendo condensado
aos poucos enquanto que a solução nos tubos entram em
ebulição, no topo vemos a solução saindo dos tubos já
evaporando.

Segundo Seader, 2011, esse equipamento não é adequado


para soluções muito viscosas, isso porque a entrada
de um fluido muito viscoso nos tubos pequenos se
tornaria algo quase impossível de forma natural.

Evaporador longo em tubo vertical (c)


Fonte: Visual Encyclopedia
of Chemical Engineering
Equipment – University of
Michigan, 2017.
173
Esse evaporador é igual ao anterior, só que dessa vez os tubos estão mais
longos e no final (na parte superior) temos uma câmara aonde a solução irá
sair dos tubos já com uma grande quantidade de vapor que irá escapar por cima
e o produto irá cair pela lateral. Segundo Seader, 2011, esse método faz com
que a solução desenvolva uma velocidade maior o que influencia positivamente
no coeficiente de transferência de energia.

Evaporador de circulação forçada (d)

Para casos aonde a solução é muito viscosa esse equipamento é muito útil,
ele utiliza bombas ou outros métodos para arrastar a solução pelo equipamento
que funciona da seguinte forma: a alimentação entra por um tubo lateral, em
seguida irá descer e ser forçada a entrar nos tubos do trocador de calor
através de alguma bomba, no casco irá passar o vapor quente que será
condensado, então na parte superior o vapor será liberado e o licor será
forçado a passar novamente pelos tubos e assim continuará, o produto será
retirado conforme um tempo de residência adequado ao processo.

Evaporador de queda em filme (e)

O nosso último exemplo é chamado assim porque a alimentação é lançada por


cima e depois desce pelos tubos através da ação da gravidade, a corrente
quente que passa pelo casco irá aquecer a solução e gerar o vapor que sairá
pelo final do tubo, a câmara logo abaixo irá armazenar o produto e o vapor
será retirado pela lateral, portanto o aquecimento nos tubos deve ser
suficiente para realizar todo o processo de evaporação, pois ela irá ocorrer
somente uma vez enquanto a solução escoa pelos tubos.

Terminando este tópico quero que você tenha em mente que os exemplos que eu
dei aqui não são regras, são somente tipos de evaporadores que engenheiros
montaram a afim de suprir suas necessidades, existem inúmeros outros mais,
porém apesar de mostrarem ser muito diferentes um do outro, todos possuem o
mesmo princípio de pensamento, os resultados finais são as quantidade de
licor final, vapor e o calor necessário para que isso ocorra, depois disso
você terá que usar essas informações conquistadas pelos cálculos e procurar
a melhor forma de atingi-los independente de método ou geometria o que importa
é gerar vapor.

174
5.7 MÉTODO COMPUTACIONAL DE MÚLTIPLOS EFEITOS EM PYTHON

Realizar o método de cálculo de múltiplos efeitos pode ser algo muito


cansativo, então em vez de fazermos tudo na mão podemos usar a tecnologia ao
nosso favor. Aqui eu irei utilizar a linguagem de programação Python para
realizar todos os cálculos acima para um caso de múltiplos efeitos
contracorrente.

O método contracorrente se apresenta da seguinte maneira:

Fonte: Geankoplis, 1993.

Os dados apresentados são:

𝐹 = 40823,3133 𝑘𝑔/ℎ

𝑇𝑓 = 48,89 °𝐶

𝑥𝑓 = 0,1

𝑃𝑠 = 8,618 𝑏𝑎𝑟

𝑥1 = 0,5

𝑊
𝑈1 = 𝑈2 = 𝑈3 = 2839,13167056
𝑚2 °𝐶

𝑃3 = 0,102 𝑏𝑎𝑟

Em Python devemos declarar todas as variáveis e inserir dados necessários


como de tabelas e diagramas para que o programa possa ler e realizar
interpolações:

175
Inicia-se o método encontrando as temperaturas 𝑇3 e 𝑇𝑠 através das tabelas
pelo método de interpolação:

176
𝑇𝑠 = 173,49 °𝐶

𝑇3 = 46,095 °𝐶

Realizando balanço de sólidos e de massa global:

𝐹𝑥𝑓 = 𝐿1 𝑥1 → 𝐿1 = 8164,663 𝑘𝑔/ℎ

𝐹 = 𝐿1 + (𝑉1 + 𝑉2 + 𝑉3 ) → (𝑉1 + 𝑉2 + 𝑉3 ) = 32658,651 𝑘𝑔/ℎ

Portanto:

32658,651 𝑘𝑔/ℎ
𝑉1 = 𝑉2 = 𝑉3 = = 10886,217 𝑘𝑔/ℎ
3

Então encontra-se o balanço de massa para cada efeito:

1) 𝐹 = 𝑉3 + 𝐿3 → 𝐿3 = 29937,096 𝑘𝑔/ℎ
2) 𝐿3 = 𝑉2 + 𝐿2 → 𝐿2 = 19050,880 𝑘𝑔/ℎ
3) 𝐿2 = 𝑉1 + 𝐿1 → 𝐿1 = 8164,663 𝑘𝑔/ℎ

E o balanço de sólidos para cada efeito:

1) 𝐹𝑥𝑓 = 𝑥3 𝐿3 → 𝑥3 = 0,14
2) 𝐿3 𝑥3 = 𝑥2 𝐿2 → 𝑥2 = 0,21
3) 𝐿2 𝑥2 = 𝑥1 𝐿1 → 𝑥1 = 0,5

O somatório das diferenças de temperatura é encontrado por:

∑ Δ𝑇 = 𝑇𝑠 − 𝑇3 = 127,395 °𝐶

Então, calcula-se a diferença de temperatura para cada efeito, lembrando que


𝑈1 = 𝑈2 = 𝑈3 :

1/𝑈
Δ𝑇1 = Δ𝑇2 = Δ𝑇3 = ∑ Δ𝑇 = 42,465 °𝐶
1/𝑈 + 1/𝑈 + 1/𝑈

Realiza-se um chute inicial de:

Δ𝑇1 = 68,490 °𝐶 Δ𝑇2 = 29,452 °𝐶 Δ𝑇3 =29,452 °𝐶

Esses cálculos foram realizados em Python da seguinte forma:

177
178
O passo 3, descrito no programa, buscou encontrar uma temperatura de chute
através de um método que eu utilizei, a variável “𝑃 = 𝑇𝑠 − Δ𝑇1 − 105 °𝐶”, isso
porque o Python não sabe chutar números aleatoriamente, dessa forma criei
essa variável para que ele consiga chutar números de temperatura coerentes e
depois dividi o valor de “P” para cada variação de temperatura.

𝑇1 = 105,0 °𝐶

𝑇2 = 75,548 °𝐶

𝑇3 = 46,095 °𝐶

Essas são as temperaturas de ebulição da água, porém o problema se apresenta


com uma entrada de 10 % de NaOH para 50 % de NaOH, dessa forma utiliza-se o
diagrama para se determinar o EPE e as novas temperaturas encontradas por
interpolação:

𝑇1 = 149,0 °𝐶

𝑇2 = 116,825 °𝐶

𝑇3 = 85,90 °𝐶

Com essas temperaturas é permitido agora encontrar as entalpias ℎ𝑓 e ℎ𝐿 e os


calores latentes 𝜆 que serão encontrados por interpolação:

179
ℎ𝑓 = 176,592 𝑘𝐽/𝑘𝑔 𝜆𝑠 = 2037,533 𝑘𝐽/𝑘𝑔
ℎ𝐿1 = 546,9 𝑘𝐽/𝑘𝑔 𝜆1 = 2117,301 𝑘𝐽/𝑘𝑔
ℎ𝐿2 = 414,262 𝑘𝐽/𝑘𝑔 𝜆2 = 2211,393 𝑘𝐽/𝑘𝑔
ℎ𝐿3 = 493,987 𝑘𝐽/𝑘𝑔 𝜆3 = 2293,743 𝑘𝐽/𝑘𝑔

No Python tudo isso ocorre dessa forma:

180
181
Realiza-se balanço de energia:

3) 𝐹ℎ𝑓 + 𝑉2 𝜆2 = 𝐿3 ℎ𝐿3 + 𝑉3 𝜆3
2) 𝐿3 ℎ𝐿3 + 𝑉1 𝜆1 = 𝐿2 ℎ𝐿2 + 𝑉2 𝜆2
1) 𝐿2 ℎ𝐿2 + 𝑆𝜆𝑠 = 𝐿1 ℎ𝐿1 + 𝑉1 𝜆1

Substituindo as seguintes equações do balanço de massa:

𝑉3 = 𝐹 − 𝐿3 𝑉2 = 𝐿3 − 𝐿2 𝑉1 = 𝐿2 − 𝐿1

Tem-se então os seguintes resultados:

𝐿1 = 3851,964 𝑘𝑔/ℎ

𝐿2 = 15218,021 𝑘𝑔/ℎ

𝐿3 = 29937,096 𝑘𝑔/ℎ

𝑆 = 36358,591 𝑘𝑔/ℎ

Portanto, os vapores calculados são:

𝑉1 = 11366,056 𝑘𝑔/ℎ 𝑉2 = 14719,076 𝑘𝑔/ℎ 𝑉3 = 10886,217 𝑘𝑔/ℎ

Prossegue-se calculando os calores em cada efeito, lembrando que há uma perda


de calor em cada efeito estimada em 4 %, portanto convertendo diretamente as
unidades:

𝑞1 = 𝑆𝜆𝑠 + 0,04𝑆𝜆𝑠 = 21401421,871 𝑊


𝑞2 = 𝑉1 𝜆2 + 0,04𝑉1 𝜆2 = 7261168,963 𝑊
𝑞3 = 𝑉2 𝜆3 + 0,04𝑉2 𝜆3 = 9753401,102 𝑊

Por fim, encontram-se as áreas necessárias para cada evaporador:

𝑞1
𝐴1 = = 110,06 𝑚2
𝑈1 Δ𝑇1

𝑞2
𝐴2 = = 86,84 𝑚2
𝑈2 Δ𝑇2

182
𝑞3
𝐴3 = = 116,64 𝑚2
𝑈3 Δ𝑇3

Sendo a área média:

𝐴1 + 𝐴2 + 𝐴3
𝐴𝑚 = = 104,51 𝑚2
3

Então calcula-se os desvios para cada área:

|𝐴1 − 𝐴𝑚 |
𝐷1 = = 16,9 %
𝐴𝑚

|𝐴2 − 𝐴𝑚 |
𝐷2 = = 11,6 %
𝐴𝑚

|𝐴3 − 𝐴𝑚 |
𝐷3 = = 5,3 %
𝐴𝑚

Essa parte final se apresenta no Python da seguinte forma:

183
A partir de agora o programa irá realizar uma nova iteração, pois o resultado
dos desvios ainda se apresenta muito alto, então o programa irá retornar ao
início e realizar um novo chute a fim de fazer todos os cálculos novamente
para verificar se os novos desvios estão de acordo ou não:

Dois dos desvios ultrapassaram a marca de 10 %, por causa disso realiza-se


um novo chute:

Δ𝑇1 = 71,435 °𝐶 Δ𝑇2 = 23,780 °𝐶 Δ𝑇3 =32,180 °𝐶

Então encontra-se as temperaturas:

𝑇1 = 102,055 °𝐶

𝑇2 = 78,275 °𝐶

184
𝑇3 = 46,095 °𝐶

Essas são as temperaturas de ebulição da água, porém o problema se apresenta


com uma entrada de 10 % de NaOH para 50 % de NaOH, dessa forma utiliza-se o
diagrama para se determinar o EPE e as novas temperaturas encontradas por
interpolação:

𝑇1 = 145,540 °𝐶

𝑇2 = 119,688 °𝐶

𝑇3 = 85,90 °𝐶

Com essas temperaturas é permitido agora encontrar as entalpias ℎ𝑓 e ℎ𝐿 e os


calores latentes 𝜆 que serão encontrados por interpolação:

ℎ𝑓 = 176,592 𝑘𝐽/𝑘𝑔 𝜆𝑠 = 2037,533 𝑘𝐽/𝑘𝑔


ℎ𝐿1 = 534,029 𝑘𝐽/𝑘𝑔 𝜆1 = 2127,901 𝑘𝐽/𝑘𝑔
ℎ𝐿2 = 424,562 𝑘𝐽/𝑘𝑔 𝜆2 = 2203,424 𝑘𝐽/𝑘𝑔
ℎ𝐿3 = 493,988 𝑘𝐽/𝑘𝑔 𝜆3 = 2293,743 𝑘𝐽/𝑘𝑔

Realiza-se balanço de energia:

3) 𝐹ℎ𝑓 + 𝑉2 𝜆2 = 𝐿3 ℎ𝐿3 + 𝑉3 𝜆3
2) 𝐿3 ℎ𝐿3 + 𝑉1 𝜆1 = 𝐿2 ℎ𝐿2 + 𝑉2 𝜆2
1) 𝐿2 ℎ𝐿2 + 𝑆𝜆𝑠 = 𝐿1 ℎ𝐿1 + 𝑉1 𝜆1

Substituindo as seguintes equações do balanço de massa:

𝑉3 = 𝐹 − 𝐿3 𝑉2 = 𝐿3 − 𝐿2 𝑉1 = 𝐿2 − 𝐿1

Tem-se então os seguintes resultados:

𝐿1 = 3792,315 𝑘𝑔/ℎ

𝐿2 = 15164,789 𝑘𝑔/ℎ

𝐿3 = 29937,096 𝑘𝑔/ℎ

𝑆 = 36507,438 𝑘𝑔/ℎ

Portanto, os vapores calculados são:

𝑉1 = 11372,474 𝑘𝑔/ℎ 𝑉2 = 14772,308 𝑘𝑔/ℎ 𝑉3 = 10886,217 𝑘𝑔/ℎ

185
Prossegue-se calculando os calores em cada efeito, lembrando que há uma perda
de calor em cada efeito estimada em 4 %, portanto convertendo diretamente as
unidades:

𝑞1 = 𝑆𝜆𝑠 + 0,04𝑆𝜆𝑠 = 21489036,242 𝑊


𝑞2 = 𝑉1 𝜆2 + 0,04𝑉1 𝜆2 = 7239088,219 𝑊
𝑞3 = 𝑉2 𝜆3 + 0,04𝑉2 𝜆3 = 9788674,648 𝑊

Por fim, encontram-se as áreas necessárias para cada evaporador:

𝑞1
𝐴1 = = 105.96𝑚2
𝑈1 Δ𝑇1

𝑞2
𝐴2 = = 107,221 𝑚2
𝑈2 Δ𝑇2

𝑞3
𝐴3 = = 107,142 𝑚2
𝑈3 Δ𝑇3

Sendo a área média:

𝐴1 + 𝐴2 + 𝐴3
𝐴𝑚 = = 106,772 𝑚2
3

Então calcula-se os desvios para cada área:

|𝐴1 − 𝐴𝑚 |
𝐷1 = = 0,7 %
𝐴𝑚

|𝐴2 − 𝐴𝑚 |
𝐷2 = = 0,6 %
𝐴𝑚

|𝐴3 − 𝐴𝑚 |
𝐷3 = = 0,3 %
𝐴𝑚

Os desvios alcançaram um desvio abaixo de 1 %, um resultado muito bem aceito,


portanto, este método termina aqui.

Para encontrar esses resultados realiza-se os seguintes cálculos utilizando


os dados encontrados no item anterior:

𝑘𝑔 𝑘𝑔 𝑘𝑔
𝑉1 11372,474 ℎ 𝑉2 14772,308 ℎ 𝑉3 10886,217 ℎ
= = 0,31 = = 0,41 = =0,30
𝑆 𝑘𝑔 𝑆 𝑘𝑔 𝑆 𝑘𝑔
36507,438 36507,438 36507,438
ℎ ℎ ℎ

Agora veja os resultados apresentados no console do Python através do programa


que eu apresentei a você:

186
187
188
Portanto, foi necessário duas iterações para que o programa atingisse
resultados coerentes para os evaporadores em série, dessa forma concluímos
nosso objetivo.

189
6. TORRES DE RESFRIAMENTO – UMA CACHOEIRA
As torres de resfriamento são úteis quando queremos usar a natureza ao nosso
favor, existem inúmeros equipamentos desse estilo, mas o que vamos aprender
aqui é as noções básicas do fenômeno em si, já que o projeto depende muito
de diversos fatores que envolvem ambiente, materiais e métodos. Imagine que
você usa água para resfriar equipamentos quentes, chegará um momento que ela
estará muito aquecida, para isso você poderá projetar uma torre de
resfriamento que usará as condições do ar a sua volta para resfriar essa água
conforme ela cai de uma determinada altura.

Tudo isso nós vamos ver aqui, lembrando que os fenômenos de transferência de
energia já estão muito bem explorados por nós, o que vamos fazer aqui é pegar
esses conhecimentos e associa-los para o entendimento da operação unitária.

Não entende o que é uma torre de resfriamento? Eu digo para você: ela é uma
cachoeira artificial. Veja bem, na natureza temos a presença de muitas
cachoeiras em diversos pontos do planeta, a água que está contida na parte
superior possui uma temperatura maior que a água depois de passar pela
cachoeira. O entendimento disso é simples, quando a água cai de uma altura
ela entra em contato com o ar que possui uma temperatura e umidade, por
transferência de energia a água irá transferir seu calor para o ar cujo
processo é otimizado pela formação de gotículas, então nós teremos a água
que vem de cima quente e o ar que vem de baixo frio, depois de passar pela
cachoeira o ar estará saturado de umidade e com uma temperatura maior, já a
água irá estar com uma temperatura menor e com menos quantidade do que antes,
porque além de transferir energia existe também transferência de massa, que
é a água do corpo líquido para o ar.

Por causa dessa perda de massa de água para o ar os nossos cálculos deverão
prestar atenção nessa quantidade de perda, sendo assim os nossos maiores
objetivos aqui serão: a vazão de ar entrando e saindo da torre e a quantidade
de água necessária para repor as perdas.

Nós vamos conseguir tudo isso através de informações simples e fáceis de se


conseguir e usa-las em um método chamado de psicrometria, que usa de cartas
psicrométricas a fim de conseguir informações das propriedades do ar a
diferentes temperaturas, algo que vamos ver na calma aqui.

6.1 BALANÇO DE MASSA

Um sistema de torre de resfriamento pode ser representado da seguinte forma:

191
2

Fonte: Walas, 1990.

Aonde temos a entrada do ar ambiente (1) e a sua saída depois de passar pela
água (2), a entrada da água quente (3) e a sua saída por debaixo após passar
pelo ar (4).

O que acontece no balanço de massa é que nós queremos que a entrada de água
seja igual a sua saída, ou seja, 𝑤3 = 𝑤4 , mas isso não tem como ser verdade
por causa da transferência de massa, alguma parcela, por menor que seja, será
perdida. Mas vamos imaginar que não existe essa perda, o nosso balanço de
massa global é muito simples:

𝑤3 + 𝑤1 = 𝑤4 + 𝑤2

O nosso balanço de massa deve ter um componente, qual é a melhor forma de


dizer que o ar está carregando umidade em si? Por umidade, que representa
uma quantidade de água por quantidade de ar seco, dado que pode ser encontrado
na psicrometria. Então se formos relacionar o balanço de massa com umidade,
sabemos que a própria água é tida como 100 % úmida então não precisamos dessa
medida para as vazões de líquido, com isso nosso balanço por componente fica:

𝑤3 + 𝑤1 𝑈1 = 𝑤4 + 𝑤2 𝑈2

Mas de uma coisa temos certeza, a mesma quantidade de ar que entrar na torre
será igual àquela que sairá por cima, simplesmente porque não estamos

192
considerando que haverá perda de fluido seja de ar ou de água, então 𝑤1 = 𝑤2 ,
com isso vamos chamar os dois de 𝑤𝑎 :

𝑤3 + 𝑤𝑎 (𝑈1 − 𝑈2 ) = 𝑤4

Com isso, nós separamos ar de um lado e água do outro:

𝑤𝑎 (𝑈1 − 𝑈2 ) = 𝑤4 − 𝑤3

Pensa comigo, se não existe perda de água do corpo líquido para o ar então
as vazões 4 e 3 são iguais, dessa forma o resultado acima seria igual a zero,
o que indicaria um equilíbrio do sistema sem nenhum tipo de perda, mas nós
já sabemos que existe perda, dessa forma se houver algum valor diferente de
zero da subtração 𝑤4 − 𝑤3 indicará perda de água então esse resultado será
exatamente a quantidade de água que deveremos repor no sistema:

𝑤𝑟𝑒𝑝𝑜𝑠𝑖çã𝑜 = 𝑤𝑎 (𝑈1 − 𝑈2 ) = 𝑤4 − 𝑤3

6.2 BALANÇO DE ENERGIA

O balanço de massa é incompleto, porque para resolve-lo nós teríamos que


encontrar a vazão de ar e a vazão final, aí eu te digo, como é que nós vamos
adivinhar o quanto de água vai sair depois de cair na torre de resfriamento?
E você acha que é fácil medir a vazão do ar? Tenha os pés no chão meu amigo,
isso aqui é um planejamento, entende? PLANEJAMENTO, significa que é tudo
papel e caneta, especulação, então você não pode sair construindo uma torre
aí qualquer para medir a vazão final de água, gasto desnecessário. É para
evitar isso que vamos utilizar o balanço de energia.

Vamos lá, nós já sabemos que o balanço global não vai se modificar, pois as
entradas e saídas continuam as mesmas:

𝑤3 + 𝑤1 = 𝑤4 + 𝑤2

Agora como quantificar alguma quantidade de energia presente na água e no


ar? Bom você já sabe como fazer isso, toda substância possui sua entalpia e
é atrás disso que vamos correr atrás, veja:

𝑤3 ℎ3 + 𝑤1 ℎ1 = 𝑤4 ℎ4 + 𝑤2 ℎ2

Agora novamente devemos nos lembrar que as correntes de ar são iguais:

𝑤𝑎 (ℎ1 − ℎ2 ) = 𝑤4 ℎ4 − 𝑤3 ℎ3
193
Esse é o balanço de energia, mas ainda não ajuda muito, ainda temos dados
difíceis de serem achados, mas foi para isso que fizemos o balanço de massa,
que pode ser rearranjado dessa forma:

𝑤4 = 𝑤𝑟𝑒𝑝𝑜𝑠𝑖çã𝑜 + 𝑤3

Substituindo essa equação no balanço de energia temos que:

𝑤𝑎 (ℎ1 − ℎ2 ) = (𝑤𝑟𝑒𝑝𝑜𝑠𝑖çã𝑜 + 𝑤3 )ℎ4 − 𝑤3 ℎ3

Veja só a jogada de mestre, temos a corrente 3 sendo repetida, o que a coloca


em evidência, depois a corrente de reposição ficará sozinha, então nós
poderemos retornar a equação do balanço de massa só que dessa vez em relação
ao ar, sacou?

𝑤𝑎 (ℎ1 − ℎ2 ) = 𝑤𝑟𝑒𝑝𝑜𝑠𝑖çã𝑜 ℎ4 + 𝑤3 (ℎ4 − ℎ3 )

Lembrando que:

𝑤𝑟𝑒𝑝𝑜𝑠𝑖çã𝑜 = 𝑤𝑎 (𝑈1 − 𝑈2 )

Logo:

𝑤𝑎 (ℎ1 − ℎ2 ) = 𝑤𝑎 (𝑈1 − 𝑈2 )ℎ4 + 𝑤3 (ℎ4 − ℎ3 )

Observe o milagre da matemática, todas informações contidas nessa equação


podem ser achadas! Veja, a corrente 3 é dada, porque é a vazão de água que
cai na torre, as outras informações como entalpia e umidade podem ser
facilmente achadas por tabelas e psicrometria, agora é só isolar a vazão de
ar e voalá:

𝑤𝑎 (ℎ1 − ℎ2 ) − 𝑤𝑎 (𝑈1 − 𝑈2 )ℎ4 = 𝑤3 (ℎ4 − ℎ3 )

𝑤𝑎 [(ℎ1 − ℎ2 ) − (𝑈1 − 𝑈2 )ℎ4 ] = 𝑤3 (ℎ4 − ℎ3 )

𝑤3 (ℎ4 − ℎ3 )
𝑤𝑎 =
(ℎ1 − ℎ2 ) − (𝑈1 − 𝑈2 )ℎ4

Depois de encontrar a vazão de ar na torre de resfriamento basta retornar ao


balanço de massa para encontrar os outros dados necessários.

194
6.3 PSICROMETRIA

Esse assunto é um dos mais importantes para quem trabalha na área de


transferência de energia, digo isso porque as torres de resfriamento são
somente um exemplo do que as cartas psicrométricas podem nos oferecer,
justamente porque as operações envolvendo ar e água são muito diversas na
engenharia e para todos esses casos a psicrometria será útil. Outra área que
utiliza bastante da psicrometria é a secagem, pois essa operação envolve a
passagem de ar seco sobre um material úmido a fim de seca-lo e aumentar a
umidade do ar, mas o nosso foco aqui será somente as torres de resfriamento,
estude mais afundo esse assunto assim que tiver oportunidade.

Veja exemplos de carta psicrométrica abaixo:

195
Unidades Inglesas
Fonte: Environmental Growth Chambers

196
Unidades S.I.
Fonte: Carrier Corporation
197
Vou lhe explicar como funciona uma carta psicrométrica e quais informações
você pode extrair dela, observe a imagem abaixo:

Fonte: Biomeasurement and experimental techniques


for avian species, editado e traduzido pelo autor.

É basicamente é só isso, está vendo a entalpia e a taxa de umidade ali? É


justamente o que vamos usar.

De acordo com a imagem que vimos a partir da temperatura de bulbo seco, que
é a temperatura normal que medimos por um termômetro comum, nós conseguimos
liga-la com a umidade relativa, essa umidade é aquela que vemos na previsão
do tempo, de 0 a 100 %. Perceba que a partir da umidade relativa nós podemos
encontrar a entalpia e a taxa de umidade, são os dados que precisamos para
resolver os cálculos da torre de resfriamento.

Vamos começando com um exemplo bem básico, só dois dados, imagine que temos
uma corrente de ar com a temperatura em bulbo seco de 78 °F e a temperatura
em bulbo úmido de 65 °F, quais dados você consegue obter usando essas
informações e a carta psicrométrica? Veja a imagem abaixo para os resultados:

198
Fonte: Biomeasurement and experimental
techniques for avian species.

Resultado: entalpia 30 𝐵𝑇𝑈/𝑙𝑏; umidade relativa 50 %; taxa de umidade


0,010 𝑙𝑏 𝑑𝑒 á𝑔𝑢𝑎 / 𝑙𝑏 𝑑𝑒 𝑎𝑟 𝑠𝑒𝑐𝑜; volume específico 13,7 𝑓𝑡 3 /𝑙𝑏 e ponto de condensação
aos 58 °F. Verifique você mesmo na carta inglesa acima.

Vou dar um exemplo a você só para que não fique perdido e ver como tudo é
simples:

Uma torre está resfriando uma corrente de água quente de 40 ºC para 25 ºC


onde a pressão atmosférica é 1 atm. Ar entra na torre a 20 ºC e 70% de umidade
e deixa saturado a 35 ºC.

a) o fluxo volumétrico do ar na entrada da torre;

b) o fluxo mássico da água de reposição requerida.

199
Fonte: Walas, 1990.

Vamos pegar cada dado e encontrar as informações necessária, lembre-se, para


o ar devemos encontrar umidade e entalpia e para água somente entalpia:

Para encontramos entalpia para água é muito simples, basta usar a tabela que
apresentei a você lá no assunto de evaporação, você pega a temperatura da
água e voalá:

Fonte: Geankoplis, 1993, editado pelo autor.

Então já temos as seguintes informações:

● Entrada de água:

𝑤3 = 50 𝑘𝑔/𝑠 𝑇3 = 40 °𝐶 ℎ3 = 167,54 𝑘𝐽/𝑘𝑔

● Saída de água:
200
𝑤4 =? 𝑇4 = 25 °𝐶 ℎ4 = 104,87 𝑘𝐽/𝑘𝑔

Agora vamos para as correntes de ar, uma de cada vez, a primeira é a entrada
de ar que está a 20 °C e a uma umidade relativa de 70 %, temos que encontrar
a entalpia, a umidade e o volume específico, nós precisamos desse último
porque a questão está pedindo o fluxo volumétrico então é necessário a
informação da quantidade de água em volume. Observe a imagem abaixo para
entender como encontramos os dados:

Unidades S.I.
Fonte: Carrier Corporation

Prosseguindo para saída de ar que está saturado (100 % de umidade) a uma


temperatura de 35 °C, dessa vez não precisamos do volume específico porque a
questão quer a vazão volumétrica somente do ar da entrada:

201
Unidades S.I.
Fonte: Carrier Corporation

Então nossos dados ficam:

● Entrada de ar:

𝑇1 = 20 °𝐶 𝑈1 = 0,0105 ℎ1 = 47 𝑘𝐽/𝑘𝑔 𝑉1 = 0,84 𝑚3 /𝑘𝑔

● Saída de ar:

𝑇2 = 35 °𝐶 𝑈2 = 0,033 ℎ2 = 121 𝑘𝐽/𝑘𝑔

Agora vamos ao balanço de energia:

𝑤3 (ℎ4 − ℎ3 ) (50)(104,87 − 167,54)


𝑤𝑎 = =
(ℎ1 − ℎ2 ) − (𝑈1 − 𝑈2 )ℎ4 (47 − 121) − (0,0105 − 0,033)104,87

𝑤𝑎 = 43,74 𝑘𝑔/𝑠

202
Logo:

𝑘𝑔
𝑤𝑟𝑒𝑝𝑜𝑠𝑖çã𝑜 = |𝑤𝑎 (𝑈1 − 𝑈2 )| = 43,74(0,033 − 0,0105) = 0,98
𝑠

Eu coloquei a equação acima em módulo porque o resultado pode dar negativo,


mas isso não quer dizer que está errado, o que importa é o valor em módulo.

Agora resta-nos saber qual é a vazão volumétrica do ar, então fazemos assim:

𝑘𝑔 𝑚3 𝑚3
𝑄 = 𝑤𝑎 𝑉1 = (43,74 ) (0,84 ) = 36,74
𝑠 𝑘𝑔 𝑠

6.4 TIPOS DE TORRES DE RESFRIAMENTO

É necessário entendermos que existem inúmeras formas de se fazer uma torre


de resfriamento então eu vou classificar alguns tipos aqui para você ter uma
noção de como elas são, as torres elas podem usas dois tipos de escoamento
da água: laminar ou por respingo, basicamente o primeiro é como se fosse água
escorrendo por uma parede e o último é o estilo chuveiro, como pode ser
observado abaixo:

Fonte: Termoparts

Há também outros métodos aonde cai respingos sobre uma superfície e depois o
líquido escoa por ela:

203
Fonte: Termoparts

Vamos conhecer alguns métodos de resfriamento de água ilustrados por um


Manual de Funcionamento de uma Torre de Resfriamento da Termoparts:

Borrifamento:

É uma torre aonde há saída de água na parte superior, como se fossem


chuveirinhos que jogam a água para cima e em direção ao centro de um grande
tanque que irá armazena-las.

Fonte: Termoparts

Resfriador indireto por meio de ar:

Funciona exatamente como se fosse um radiador, entra ar através de uma


ventilação aonde a água passa através de tubos, então o ar está resfriando
indiretamente a água como se fosse um trocador de calor.

204
Fonte: Termoparts

Torre de resfriamento por borrifamento com ventilação natural:

É uma torre cujo topo possui chuveiros que despejam água que cai em
contracorrente com o ar que entra naturalmente até cair no fundo aonde há um
reservatório.

Fonte: Termoparts

Torre de resfriamento hiperbólica:

É uma torre aonde no fundo temos a água quente sendo dispersada ao mesmo
tempo que uma massa de ar frio passa por ela, o formato hiperbólico da torre
facilita a saída do ar quente através de um efeito chamado de chaminé. No

205
fundo há uma zona de baixa pressão por causa da baixa densidade do ar quente
naquele local.

Fonte: Termoparts

Torre de tiragem mecânica:

A sua diferença dos outros é que essa torre possui um ventilado na entrada
de ar, mas a água é dispersada por chuveiros no topo em contracorrente com o
ar.

Fonte: Termoparts

206
Torre de Tiragem Induzida:

Se o ventilador estiver na saída do ar em vez da entrada então teremos uma


tiragem induzida, impede que o ar quente fique circulando dentro da torre
diminuindo a eficiência da operação.

Fonte: Termoparts

6.5 TRANSFERÊNCIA DE MASSA E ENERGIA

Eu afirmei anteriormente que existe transferência de massa e energia no


contato da água com o ar, então, isso é verdade e estou aqui para lhe
reafirmar isso através de uma análise mais aprofundada no fenômeno nesse
caso. O lado positivo de olharmos para a torre de resfriamento como um modelo
de transferência de massa e energia em conjuntos no permite ampliar nossa
visão de alcance, ou seja, porque não resfriar outros tipos de elementos?
Nem todos os elementos possuem uma carta psicrométrica a sua disposição,
então é necessária uma análise mais pesada para evitar essas cartar.

Observe abaixo o que acontece microscopicamente numa torre de resfriamento:

207
Fonte: Geankoplis, 1993.

Nosso amigo Geankoplis (1993) chama o ar de gás, como uma forma de representar
uma fase gasosa e uma fase líquida, mas observe o que está acontecendo nessa
imagem: temos um caso de absorção, que é um estudo da transferência de massa,
nesse caso temos que a água é tratada como “soluto” na forma de umidade, ou
seja, quantidades de água são transferira para o gás através da interface.
Essa interface é a fronteira do contato entre as gotas de água e o ar, além
de transferir massa (água) a fronteira é responsável por mediar também a
transferência de calor (calor latente e sensível), alterando a temperatura
do ar e da água, é por isso que o ar entra seco e sai úmido e a água entra
quente e sai fria.

No próximo capítulo você irá aprender sobre absorção, então estamos saindo
da área das operações majoritárias de transferência de energia para aquelas
que são majoritárias de transferência de massa, após você entender todos os
procedimentos gerais das colunas de absorção terá conhecimento o suficiente
para criar uma torre de resfriamento no tópico 7.20, dessa vez não só usando
os cálculos de balanço de massa e energia, mas usando os conhecimento dos
fenômenos de transporte.

208
7. ABSORÇÃO – O PRINCÍPIO DAS DORES
A absorção é relatada como forma de estudo perto dos últimos assuntos de
Fenômenos de Transporte III, mas agora vamos entender como aquele pensamento
e estudo pode nos levar a projetar e entender uma operação unitária aonde o
principal objetivo é:

“Separar misturas gasosas [...] aonde as espécies de


interesse são transferidas do gás para um líquido.”
Seader, 2011.

Essa operação é realizada em colunas, pois é a posição


mais otimizável para se ocorrer a absorção utilizando
o apoio da força gravitacional. Nas colunas o gás é
alimentado pela base da coluna e o líquido pelo topo
em contracorrente.

A essência da operação é simples, o nosso objetivo é


entender como podemos otimizar essa transferência de
Fonte: Seader,2011.
massa realizada pelo choque entre as correntes.

Qual o objetivo de se usar colunas de absorção? Seader nos mostra os seguintes


motivos:

✣ Remoção de impurezas;

✣ Poluentes em gases;

✣ Contaminantes (ou venenos) nos gases para reações catalíticas;

✣ Recuperar espécies químicas valiosas.

Independente do motivo da realização da absorção todos os casos envolvem o


simples fato da necessidade de se extrair algo de um gás para um líquido e
será em cima disso que vamos trabalhar nossas otimizações.

Para projetar uma coluna de absorção devemos no atentar aos seguintes tópicos:

✣ Balanço de massa;

✣ Força motriz;

✣ Balanço de energia;

✣ Coeficientes de transferência de massa.

Vamos analisar tudo isso a partir de agora.

211
7.1 BALANÇO DE MASSA DE UMA COLUNA DE ABSORÇÃO

A absorção é uma operação unitária contínua, ou seja, os cálculos e métodos


se referem a uma coluna que já saiu do estado transiente e possui uma entrada
constante de líquido e gás em seu interior, portanto estamos no regime
estacionário.

Em consequência disso, nosso balanço não possui acúmulo e como não estamos
envolvendo reação química, também não terá os termos geração e consumo, logo:

𝐸−𝑆 =0

Identificar as entradas são muito simples, temos gás e líquido entrando e


gás e líquido saindo, nada difícil.

Mas antes temos que parar e pensar o que exatamente


nós queremos estudar? Bom, veja que você deve
conhecer a concentração presente no gás de entrada,
o estado do líquido de entrada também, mas o que é
mais importante analisar? O gás de saída ou o
líquido de saída?

A concentração do soluto está no gás, então o mais


correto é estudarmos o comportamento da
concentração de soluto no gás, então para isso
vamos atribuir um volume de controle entre o topo
(aonde está a saída do gás) e o meio da coluna.
Fonte: Seader,2011.
Mas porque só até a metade? Ora, se nós queremos
estudar o fenômeno da transferência de massa na coluna não podemos abranger
a coluna toda, porque se não vamos relacionar somente entradas e saídas da
coluna e isso é muito simples para o que queremos.

Através dessa análise poderemos relacionar o balanço de massa com os efeitos


da transferência de massa, é por isso que realizamos somente até a metade da
coluna.

O balanço de massa por componente fica:

𝐺𝑦 + 𝐿𝑡 𝑥𝑡 = 𝐺𝑡 𝑦𝑡 + 𝐿𝑥

Do lado direito da equação temos a entrada, o gás que está dentro da coluna
e o líquido que vem do topo, do lado esquerdo temos a saída, o gás que sai

212
pelo topo e o líquido que está dentro da coluna (ele está saindo porque ele
está descendo).

Isolando a composição de soluto no gás:

𝐿 𝐺𝑡 𝑦𝑡 − 𝐿𝑡 𝑥𝑡
𝑦= 𝑥+
𝐺 𝐺

Isso é uma equação de uma reta, aonde 𝑦 é a composição de soluto no gás, que
queremos estudar, 𝑥 é a composição de soluto no líquido.

Você lembra da curva de equilíbrio do diagrama de fases quando estudamos


absorção? Então, essa reta se relaciona ao mesmo gráfico que essa curva está
disposta, isso quer dizer que a reta que representa nosso sistema de absorção
coexiste com a curva de equilíbrio abrindo um leque de possibilidades.

Veja como se apresenta o gráfico:

Fonte: Seader,2011.

Uma reta é formada por dois pontos, o primeiro relaciona os pontos de


concentração no gás e líquido do topo da coluna e o segundo os pontos de
concentração no fundo da coluna.

“A, mas não fizemos o balanço de massa da coluna toda, como a reta pode
representar topo e fundo?”

Eu disse que uma reta é formada por dois pontos, e esses dois pontos
são do fundo e do topo, mas não disse que esses dois pontos estão naquela
equação, ela é uma forma de representar aquela reta e de estudarmos ela.

213
Vamos mostrar essa reta com mais detalhes com o gráfico abaixo. O
subscrito E significa “na entrada” e o S “na saída” e o 𝑥𝐴∗ é a máxima
composição possível do soluto no líquido.

7.2 FORÇA MOTRIZ

Retornando para a análise do nosso caso, vamos estabelecer um parâmetro muito


importante para nós: força motriz.

Sabemos que na transferência de massa a força motriz é a diferença de


concentrações, mas no nosso caso quem são elas?

Nos nossos estudos de transferência de massa teórica envolvendo a absorção


encontramos a seguinte equação para o meio gasoso:

𝑁𝐴 𝐺 = 𝐾𝑦 (𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴∗ )

Essa equação nos mostra que a força motriz depende da concentração de soluto
no gás e da concentração de equilíbrio, determinada pela curva de equilíbrio.

Isso nos mostra que quanto mais perto do equilíbrio de concentração menor
será a força motriz da transferência de massa.

214
Logo, observamos que conforme a reta se aproxima da curva de equilíbrio a
força motriz diminui, mas a concentração máxima de soluto aumenta no líquido,
e conforme a reta se afasta da curva de equilíbrio a força motriz aumenta,
mas a concentração máxima de soluto diminui no líquido.

Ou seja, é uma relação inversa entre a quantidade máxima que podemos absorver
e a força motriz com que absorvemos a concentração no gás. Podemos comparar
essa situação com uma bomba hidráulica, pois se quisermos bastante força na
saída da água temos que diminuir o diâmetro do cano, ou seja, quanto menor
quantidade de água colocamos na bomba maior será sua força, o que estamos
vendo aqui é a mesma situação.

Então concluímos que quando a reta tocar na curva de equilíbrio a força


motriz será igual a zero.

Mas que consequências isso traz para nós? Força motriz zero? O que isso quer
dizer?

Para entendermos melhor vamos encontrar uma equação que irá descrever o
tamanho da coluna.

Como podemos relacionar o tamanho da coluna com a atividade de transferência


de massa no interior? Bom, primeiro não podemos definir um tamanho exato na
coluna, devemos trabalhar com uma equação que irá nos levar a algo maior, ou
seja, a forma infinitesimal da coluna irá descrever o que ocorre num pequeno
espaço da coluna, depois de aplicarmos a integração todas as pequenas partes
serão somadas e poderemos saber o tamanho ideal da coluna.

Para conseguirmos uma equação infinitesimal precisamos entender o que ocorre


dentro da coluna relacionando altura, área e fluxo mássico.

Já vimos como é o fluxo mássico convectivo dentro da coluna, ocorre da


seguinte forma:

𝑁𝐴 𝐺 = 𝐾𝑦 𝑎(𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴∗ )

Esse “𝑎” é a área superficial do leito sobre o volume do leito, que representa
uma área de interação entre o líquido e o gás.

O que podemos usar para representar algum comportamento de dentro da coluna?


Porque essa equação acima representa o fenômeno, mas não a física da coisa.

215
A única coisa física que podemos controlar na coluna são as entradas de
líquido e gás, mas pela equação acima dá para perceber que só podemos usar o
gás aqui.

O fluxo de gás dentro da coluna representa o fluxo mássico de transferência


de massa, mas temos que ter cuidado em como vamos representar isso, porque
se formos levar em consideração o volume de controle que usamos até a metade
da coluna existe o gás que entra e o que sai do volume de controle.

O que é mais importante representar?

Bom, se você concorda comigo é mais importante você saber como o fluxo de
gás está saindo da coluna, porque isso lhe trará um panorama de como a
transferência de massa está ocorrendo, logo utilizaremos o fluxo de gás de
saída do volume de controle (o fluxo será negativo).

Mas para terminarmos a equação precisamos relacionar o volume de controle de


forma infinitesimal, a altura será 𝑑𝑧 e a área será a área transversal da
coluna.

Logo:

−𝐺𝑑𝑦 = 𝑁𝐴 𝑉𝑐

Esse 𝑑𝑦 é a variação infinitesimal de concentração no fluxo de gás.

Abrindo a equação, nós temos:

−𝐺𝑑𝑦 = 𝐾𝑦 𝑎(𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴∗ )𝑠𝑑𝑧

Isolando 𝑑𝑧:

𝐺𝑑𝑦
− = 𝑑𝑧
𝐾𝑦 𝑎(𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴∗ )𝑠

Aplicando a integral dos dois lados:

𝐺 𝑑𝑦
𝐻 = ∫ 𝑑𝑧 = − ∫
𝑠𝐾𝑦 𝑎 𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴∗

Agora podemos entender melhor as consequências de uma força motriz tendendo


a zero. Veja que a força motriz, na equação que encontramos, é inversamente
proporcional à altura da coluna, isso quer dizer que com uma força motriz
cada vez menor teremos que construir uma coluna cada vez mais alta.

Resultado:

216
𝐺 𝑑𝑦
∞=−
𝑠𝐾𝑦 𝑎 0

Portanto um caso aonde a força motriz seja zero a coluna deverá ter um tamanho
infinito. Logo, vemos que é impossível atingir a perfeição, isto é, a absorção
total do soluto do gás para o líquido.

Firmado nesse pensamento, testes empíricos revelaram uma faixa de segurança


para a construção de uma coluna de absorção se baseando nos fluxos de gás e
líquido.

Primeiro vamos entender que o valor mínimo que a fração:

𝐿
𝐺

Deve atingir é o valor que faz com que a reta toque na curva de equilíbrio,
ou seja, é o valor da absorção perfeita.

Então realizou-se na história dos testes uma padronização:

𝐿 𝐿 𝐿
1,1 ( ) <( ) < 1,5 ( )
𝐺 𝑚𝑖𝑛 𝐺 𝐷𝑒𝑠𝑒𝑗á𝑣𝑒𝑙 𝐺 𝑚𝑖𝑛

Ou seja, para um valor da fração das vazões desejável devemos escolher dados
entre 10 % e 50 % acima do valor mínimo de L/G.

Mas porque essa fração é tão importante? Lembra da nossa equação da reta?

𝐿 𝐺𝑡 𝑦𝑡 − 𝐿𝑡 𝑥𝑡
𝑦= 𝑥+
𝐺 𝐺

A fração da vazão de líquido e da vazão de gás representam o nosso coeficiente


angular da reta.

Quanto menor o coeficiente angular mais perto a reta estará da curva de


equilíbrio e quanto maior o coeficiente angular mais longe a reta vai estar.

Para o coeficiente angular ser pequeno, devemos ter uma corrente de líquido
baixa e uma corrente de gás alta, o que está de acordo com a teoria, pois
uma quantidade menor de líquido com uma alta vazão de gás irá permitir com
que a transferência de massa venha saturar o líquido mais rapidamente.

Mas um coeficiente angular alto significa que a vazão de líquido é maior do


que a de gás, ou seja, uma quantidade muito alta de líquido pode prejudicar
na perda de área superficial de contato com o gás, porque as partículas do

217
líquido serão maiores, sendo que o ideal é que o líquido se distribua em
partículas pequenas permitindo uma melhor interação entre com o gás.

Então é por causa desse entendimento que nós dimensionamos uma coluna de
absorção em função da vazão de líquido e gás a ser utilizado.

7.3 COLUNA DE RECHEIOS

Perceba que na nossa equação da altura da coluna de absorção temos a presença


de um parâmetro geométrico do leito:

𝐺 𝑑𝑦
𝐻=− ∫
𝑠𝐾𝑦 𝑎 𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴∗

O que realmente significa isso?

Bom, como falei antes ele representa a seguinte divisão:

á𝑟𝑒𝑎 𝑠𝑢𝑝𝑒𝑟𝑓𝑖𝑐𝑖𝑎𝑙 𝑑𝑜 𝑙𝑒𝑖𝑡𝑜


𝑎=
𝑣𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑜 𝑙𝑒𝑖𝑡𝑜

Essa área superficial é a área que o leito da coluna proporciona para a


interação entre líquido e gás, melhorando a transferência de massa. E é essa
a nossa estratégia a partir de agora, melhora essa área de interação, como?
Os recheios, é para isso que eles servem.

Os recheios podem ser de geometrias diferentes e organizados de formas


diferentes, na superfície desses recheios ocorrerá a formação de películas
proporcionando uma maior área superficial melhorando a transferência de
massa.

Essas películas são as mesmas que estudamos na absorção lá na teoria de


fenômenos de transporte de massa.

Os materiais para os recheios são baratos e inertes, por exemplo, argila,


porcelana, plásticos, aço e alumínio. Eles possuem grandes espaços vazios e
passagens largas para os fluidos escoarem, com 60 a 90 % de fração de vazios

Resumindo: uma coluna de absorção com recheios é um líquido sendo jogado em


cima de um bocado de tralha aonde o gás vem de baixo e uma coisa muito louca
acontece.

218
Por incrível que pareça, isso dá certo. Quando você via a água da chuva
acumulada escoando pela parede da sua casa nem imaginava que você ia modelar
isso algum dia, né?

A absorção é algo muito simples, o processo em si é simples, mas você sabe


muito bem que tem um bocado de coisa por trás disso, veja:

- Existem diversos tipos de recheios, mas você deve pensar em qual usar
dependendo do líquido e do gás que você vai utilizar, alguns recheios
causam turbulência nos líquidos, com bastante perda de carga os líquidos
se mantêm em baixa pressão.

- A forma como você organiza os recheios conta muito, as vezes pode ser
que o líquido dê preferência para escoar em um só ponto, isso é muito
ruim, mas se você organizar os recheios empilhados e em fileiras pode
evitar isso.

Veja alguns exemplos de recheios:

Fonte: Seader,2011.

219
Existem outras especificações para as colunas que utilizam recheios, mas
acalme-se que isso tudo é só uma introdução, vai devagar que o santo é de
barro.

Algumas imagens de colunas com recheios:

Fonte: Seader,2011.

Fonte: Seader,2011.

220
Fonte: Seader,2011.

Fonte: Seader,2011.

7.4 COLUNA DE PRATOS

Os pratos são colocados de forma espaçada pela coluna e não fecham todo o
espaço, enquanto o líquido desce pelas bordas dos pratos a corrente gasosa
passa por pequenos orifícios que o fazem passar pelo meio do líquido. Esses
pequenos orifícios que permitem a passagem do gás não devem permitir a
passagem do líquido, proporcionando formação de bolhas e espuma que ajudam
na transferência de massa.

Ou seja, o líquido escoa até o prato, o gás vem debaixo e passa pelos
orifícios, a velocidade do gás não pode ser muito alta a ponto de arrastar o
líquido e nem muito baixa a ponto do líquido escoar pelos orifícios, nas

221
bordas dos pratos há passagens para o escoamento do líquido quando o prato
estiver cheio.

As bolhas e espuma são ótimas para a transferência de massa, porque o gás


fica preso num pequeno filme de líquido, nesse momento a interação entre as
duas fases é mais forte proporcionando transferência de massa e energia.

Veja alguns pratos:

Fonte: Seader,2011.

Cada prato na coluna é chamado de estágio, então uma coluna com 10 pratos
tem 10 estágios, os estágios são nada mais nada menos do que uma área da
coluna aonde ocorre os fenômenos da operação unitária, a inserção de mais
estágios serve para que esses fenômenos venham se repetir de forma a melhorar
o resultado da operação.

O termo estágio não é relacionado somente a coluna de pratos, existem outros


tipos de colunas que usam estágios sem precisar de pratos.

222
7.5 COLUNA DE SPRAY

Em alguns casos temos a necessidade de realizar a absorção de tal forma a


não causar uma queda de pressão muito grande, mais a frente veremos que a
pressão é um fator importante na absorção.

Para essa situação temos colunas cuja vazão de líquido é realizada por sprays,
essas colunas são de poucos estágios e o líquido particulado em diversas
gotículas proporciona um ótimo contato com o gás.

Mas para usar esse método é necessário que o soluto dentro do gás seja
bastante solúvel ao líquido utilizado no spray, pois essa técnica consiste
em uma interação direta entre líquido e gás, sem uso de pratos ou recheios.

Um exemplo de colunas utilizando spray é visto abaixo:

Fonte: Seader,2011.

7.6 COLUNA DE BOLHAS

Você já colocou um canudo num copo cheio de refrigerante e depois soprou em


vez de chupar? Então, a coluna de bolhas tem o mesmo princípio.

Esse é um caso quando temos um soluto muito difícil de se solubilizar no


líquido ou uma reação química muito lenta, pois o líquido é despejado todo
223
dentro da coluna até uma certa altura, então o gás começa a ser soprado por
debaixo do líquido formando as bolhas que percorrem o líquido até a superfície
saindo pelo topo da coluna.

Com a altura da coluna, a bolha de gás tem um


tempo relativamente longo para interagir com o
líquido, ou seja, um alto tempo de residência, e
com a ajuda da convecção entre a bolha e o
líquido temos um grande reforço para a
transferência de massa.

Esse método causa uma grande queda de pressão


pelo fato do líquido está dentro da coluna e o
gás ter que percorre-lo. Por causa disso, esse
método é utilizado somente para os casos
especiais de dificuldade de solubilidade e
reação química, fora isso, não devemos utilizar
esse método.

São utilizados somente 1 ou 2 estágios para as


colunas de bolhas. Fonte: Seader,2011.

Veja um exemplo a lado:

7.7 CONTATO POR CENTRIFUGAÇÃO

Esse é um método de absorção que não consiste em usos de colunas, por isso
não o chamamos de coluna centrífuga. Esse tipo de equipamento é utilizado
quando temos pouco espaço, então temos que nos virar com o que temos
disponível.

Veja um exemplo abaixo:

224
Fonte: Seader,2011.

Nesses casos o líquido entra por cima, bem no meio do equipamento, então com
a ação da centrífuga o líquido é arremessado enquanto o gás passa por ele.

Essa forma violenta de tratar o líquido faz ele se dispersar em partículas


muito pequenas, dessa forma o gás terá uma maior intimidade com o líquido
proporcionando alta taxa de transferência de massa.

Apesar do tamanho do equipamento esse método pode trazer resultados bastantes


empolgantes igual como feito em colunas, e ainda mais, esse equipamento é
muito útil quando nosso processo envolve destilação.

7.8 ALTURA DA COLUNA

Nós já vimos que a altura da coluna pode ser calculada através da seguinte
integral:

𝐺 𝑑𝑦
𝑍=− ∫
𝑠𝐾𝑦 𝑎 𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴∗

Certo, mas você já se perguntou porque todos os cálculos que estamos fazendo
é em relação ao gás e não ao líquido? A resposta é simples.

Segundo Seader, 2011: “normalmente o líquido possui uma afinidade maior ao


soluto, então a resistência a transferência de massa é majoritária na fase
gasosa.”.

Mas Chilton e Colburn, 1935, aconselham a simplificar essa equação usando


variáveis simples, assim:

225
𝐺
𝐻𝑂𝐺 = −
𝑠𝐾𝑦 𝑎
→ 𝑍𝑇 = 𝐻𝑂𝐺 𝑁𝑂𝐺
𝑑𝑦
𝑁𝑂𝐺 =∫
𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴∗

Porque utilizar isso? Bom, essa equação da altura pode mudar de acordo com a
situação que se queira modelar, então utilizar essa notação permite um estudo
mais global do comportamento da absorção, mas cada um desses dois termos
possui seu significado.

𝐻𝑂𝐺 : Altura de Unidade de Transferência (HTU).

𝑁𝑂𝐺 : Número de Unidades de Transferência (NUT).

Pode ser observado pela equação que quanto menor o HTU mais eficiente será o
contato do gás com a área superficial dos recheios, proporcionando uma melhor
transferência de massa:

𝐺
𝐻𝑂𝐺 = −
𝑠𝐾𝑦 𝑎

Já o NUT mostra que quanto maior seu valor maior será o tempo ou área
superficial requerida para a operação, já que a sua equação está em função
da força motriz. Esse número não representa o número de estágios da coluna:

𝑑𝑦
𝑁𝑂𝐺 = ∫
𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴∗

Portanto o NUT mede a dificuldade de separação da operação e o HTU será um


diferencial para comparar colunas de diferentes métodos de absorção. A seguir
uma tabela para NUT e HTU em diversas situações:

226
Fonte: Seader,2011.

7.9 RESISTÊNCIA ENTRE AS FASES

A transferência de massa convectiva na absorção é representada da seguinte


forma:

𝑁𝐴 = 𝑘𝑦 𝑎(𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴∗ )

Podemos encontrar a resistência global da transferência de massa relacionando


as fases:

1 𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴∗ 𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴𝑖 𝑦𝐴𝑖 − 𝑦𝐴∗


= = +
𝐾𝑦 𝑎 𝑁𝐴 𝑁𝐴 𝑁𝐴

Você vai concordar comigo que:

227
1 𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴𝑖
𝑁𝐴 = 𝑘𝑦 𝑎(𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴𝑖 ) → =
𝑘𝑦 𝑎 𝑁𝐴

Logo:

1 1 𝑦𝐴𝑖 − 𝑦𝐴∗
= +
𝐾𝑦 𝑎 𝑘𝑦 𝑎 𝑁𝐴

Utilizando a lei de Henry temos que:

𝑦 = 𝑚𝑥

Logo:

1 1 𝑚(𝑥𝐴𝑖 − 𝑥𝐴∗ )
= +
𝐾𝑦 𝑎 𝑘𝑦 𝑎 𝑁𝐴

Da mesma forma que fizemos antes, tem um fluxo molar mássico em meio líquido
ali, logo:

1 1 𝑚
= +
𝐾𝑦 𝑘𝑦 𝑘𝑥

Essa é a equação da resistência global em relação a fase gasosa, tem a equação


para a fase líquida também, mas não é nosso foco aqui, mas por via das
dúvidas, aqui está ela:

1 1 1
= +
𝐾𝑥 𝑘𝑥 𝑚𝑘𝑦

A constante de henry se relaciona com a reta operacional, se “m” for grande


os valores de y serão grandes também, veja:

𝑦 = 𝑚𝑥

Indicando que a reta operacional irá se inclinar para cima, pois os valores
de concentração na fase gasosa estão cada vez maior, isso significa dizer
que a força motriz aumentou, mas a absorção máxima diminuiu, o significado
disso tudo é resistência predominante na fase líquida.

Se “m” for pequeno os valores de y serão pequenos, logo uma força motriz
menor, a reta irá se inclinar para baixo, portanto absorção máxima aumenta
indicando que a resistência no líquido é baixa, logo a predominante será a
gasosa.

228
A resistência global serve para termos uma noção sobre que tipo de sistema
estamos lhe dando, através dela observamos quem é a fase controladora do
sistema, ou seja, com quem realmente devemos nos preocupar na hora de
projetarmos nosso sistema.

Temos duas parcelas, veja que temos o inverso do coeficiente de transferência


de massa convectiva, logo se esse coeficiente nos indica a facilidade então
o seu inverso significa a dificuldade.

A parcela 1/𝑘𝑦 representa a resistência na fase gasosa, e a parcela 𝑚/𝑘𝑥


representa a resistência na fase líquida.

Portanto aqui novamente enxergamos o que foi mostrado na lei de Henry para
altos valores de "m" a resistência será predominante na fase líquida e para
baixos valores "m" a resistência será predominante na fase gasosa. Quem for
predominante irá controlar o processo de absorção.

7.10 O EFEITO DA PRESSÃO

Dando uma introdução ao efeito que a pressão exerce sobre a absorção vamos
começar pelo óbvio. Primeiro, quando estamos absorvendo algo significa que
existe um certo material que está permitindo a entrada de outro material
dentro de si, um caso muito fácil de se observar isso é numa esponja, ela
simplesmente suga a água para dentro de si, isso é absorção, o refrigerante
que muita gente toma tem gás dentro dele e não é à toa que ele está lá,
ocorreu um processo de absorção.

Então, pensando agora em sistema com a modificação da pressão, com certeza


isso tem maior impacto quando o assunto se refere a gases, são os mais
afetados pela mudança de pressão, como é que é o comportamento dos gases em
relação a pressão mesmo?

Lembrando de mecânica dos fluidos, um sistema com uma alta pressão, um pneu
de um carro por exemplo, joga as moléculas do gás contra a parede do
recipiente dando a forma do pneu e pelo fato da pressão interior ser muito
maior que a exterior o gás tende a sair de lá e na primeira oportunidade ele
vai escapar.

Portanto sistemas com alta pressão retém o gás dentro de um recipiente, por
exemplo o refrigerante é gaseificado a alta pressão, o que convém dizer que

229
o torna mais solúvel em líquido e consequentemente a baixa pressão torna o
gás mais insolúvel.

Você se lembra da lei dos gases reais? Ela aplicável aqui:

𝑃𝐴
𝑃𝐴 𝑉 = 𝑛𝐴 𝑅𝑇 → 𝑃𝐴 = 𝐶𝐴 𝑅𝑇 → 𝐶𝐴 =
𝑅𝑇

Perceba a relação direta entre a concentração de um gás e a pressão exercida


sobre ele.

Concluímos que a alta pressão exercida na coluna de absorção promove um


aumento na transferência de massa, ótimo, isso é fácil de entender, mas sabe
qual é o problema aqui? Dentro da coluna existe perda de carga e ela é
perigosa.

A figura abaixo mostra a relação da pressão com a reta operacional:

Ao mesmo tempo que a pressão modifica a inclinação da reta operacional também


modifica a inclinação da curva de equilíbrio e ela ajuda na absorção, pois a
máxima composição de soluto aumenta no líquido por causa da inclinação da
curva de equilíbrio.

Já a reta operacional se inclina para baixo sendo necessário menos líquido


do que antes, isso justamente porque para uma dada vazão de líquido temos a
concentração x e quando modificamos a pressão na mesma vazão a concentração
agora é 2x, portanto vamos precisar de menos líquido do antes para atingir a
absorção máxima.

230
O fato de precisarmos de menos líquido remete a facilidade da operação, ou
seja, com o aumento da pressão a transferência será mais fácil, logo o NUT
irá diminuir, lembrando que ele mede a dificuldade da operação, indicando
uma força motriz maior.

𝑑𝑦
𝑁𝑂𝐺 = ∫
𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴∗

7.11 O EFEITO DA TEMPERATURA

Mas olhando para outro ponto de vista, a relação entre pressão e temperatura
é importante quando pensamos na evaporação do solvente, ou seja, o líquido
que estamos usando para absorver o soluto, é óbvio que temos que evitar isso
porque se não nossa eficiência vai por águas abaixo, já que o soluto vai todo
embora e ainda vamos perder líquido e contaminar a corrente gasosa.

Outro ponto a ser notado é a diferença muito alta de temperaturas, ou seja,


o líquido deve estar numa temperatura não muito quente para melhorar a
transferência de massa, mas cuidado para que isso não cause um choque térmico
na sua estrutura.

As colunas de absorção devem manter uma constante temperatura e pressão, mas


se você manda para dentro da coluna um gás com uma temperatura maior do que
aquela que você pretende manter constante no sistema não preciso nem falar
que vai dar merda, né?

Isso porque você fez todo um estudo para manter um equilíbrio térmico dentro
da coluna e viu qual a melhor forma de manter a temperatura no sistema aí
você vem e joga uma corrente de gás quente na sua coluna, entenda que é mais
difícil você resfriar do que esquentar o sistema e outra tudo isso pode
causar um desequilíbrio no seu sistema acabando com qualquer previsão
possível dos estudos.

Em colunas de recheio a temperatura alta pode ajudar no quesito viscosidade,


pois ela diminui permitindo melhor acomodamento do líquido nos recheios
aumentando a área superficial, é a chamada “molhabilidade”.

A temperatura também está relacionada com a maior transferência de energia,


aonde temos um balanço de energia. Com Smith e Van Ness vemos que o fluido
entra com uma pressão determinada, mas ao longo do volume de controle ocorre

231
a realização de trabalho (𝑊̇ ) e transferência de calor (𝑄̇ ) e do outro lado o
fluido sai com uma nova pressão.

Fonte: Smith e Van Ness, 2013.

Portanto, a transferência de energia é um fator determinante na mudança das


variáveis de um ponto a outro, se essa transferência de energia é muito alta
as variáveis irão se modificar com uma grande diferença.

Estudos realizados com o objetivo de entender o efeito da temperatura na


perda de carga mostram que ocorre aumento dos coeficientes de perda de carga
(K) proporcional ao aumento da temperatura, como pode ser observado no gráfico
abaixo:

232
Fonte: Diogenes, 2018.

Se considerarmos o escoamento de líquido sem transferência de energia, seu


balanço de energia fica:

Δ𝐻𝑚 + Δ𝐸𝑐 + Δ𝐸𝑝 = 𝑊̇

Ou seja, as características do fluido vão variar somente em relação a taxa


de trabalho que o mesmo realizar ao longo do seu escoamento, esse trabalho
realizado está intimamente ligado a perda de carga, pois ela ocorre por causa
dos obstáculos oferecidos pelos recheios. Então se tivermos transferência de
calor temos que:

Δ𝐻𝑚 + Δ𝐸𝑐 + Δ𝐸𝑝 = 𝑊̇ + 𝑄̇

Portanto, a transferência de calor no meio modifica as propriedades do fluido


o que também se refere a perda de carga.

7.12 INTRODUÇÃO A PERDA DE CARGA EM COLUNAS DE RECHEIO

Perda de carga, né? Legal.

Defina isso para mim... Te desafio.

233
Lá em mecânica dos fluidos você viu isso, não? O que o seu professor lhe
ensinou sobre isso? Ou será que você só sabe aplicar o conceito de perda de
carga em bombas com o risco de cavitação? Não seja uma pessoa assim.

Você deve saber que perda de carga é quando algumas variáveis do fluido em
questão sofrem um decaimento de seus valores de um ponto para outro, no caso
das bombas isso é ruim porque a pressão do fluido não pode ser menor que a
pressão de vapor.

Mas o que realmente nos interessa na perda de carga quando falamos de uma
coluna de estágios? O que é tão importante nesse conceito?

Dentro da coluna ocorre uma interação entre o líquido que desce e o gás que
sobe, essa interação é bem representada por Seader:

Fonte: Seader, 2011.

A inundação ocorre quando a força do fluxo gasoso é maior que a força do


fluxo líquido, o resultado é que o líquido em vez de descer vai subir, será
arrastado e transbordará a coluna.

Entenda o efeito da perda de carga analisando a equação de Bernoulli:

𝐻1 = 𝐻2 + 𝐻𝑃𝐶

Sendo a carga manométrica representada por:

234
𝑃1 𝑣12
𝐻1 = + +𝑧
𝛾 2𝑔

O ponto principal da perda de carga está na pressão, a perda de carga gera


queda de pressão, ou seja, o líquido começa com uma pressão boa, mas conforme
desce a coluna a sua pressão diminui e isso pode chegar a um ponto da pressão
do líquido ser menor que a do gás, resultado: inundamento.

Você deve ter percebido que não existe só a força do líquido e a do gás em
jogo, forças contrárias ao líquido existem a todo momento, a perda de carga
não é tão simples, não é só você a representar por um “𝐻𝑃𝐶 ” e pronto.

Por isso ao longo da história diversos cientistas procuraram representar a


perda de carga dentro do sistema da coluna de absorção a fim de entender e
controlar esse fenômeno.

Para as colunas de pratos diversos modelos e estudo de perda de carga foram


criados, é mais fácil enxergar como a perda de carga ocorre porque estamos
falando de pratos, ou seja, é algo mais concreto do que falar de recheios
que podem ser de diversas formas possíveis, mas isso não impediu que alguns
estudos para as colunas de recheios fossem realizados.

Segundo Seader, os estudos de Kister e Gill para colunas com recheios


distribuídos aleatoriamente mostram que a queda de pressão necessária para
ocorrer inundação dentro da coluna está fortemente ligada ao fator de
empacotamento do recheio, que é demonstrado pela equação empírica:

Δ𝑃𝐹 = 0,115𝐹𝑃0,7

Aonde “𝐹𝑃 ” é o fator de empacotamento do recheio, que varia de 10 a 100,


utilizado na coluna.

Essa é a variação de pressão ao longo da coluna, ou seja, é como se você


pegasse o topo da coluna e o fundo e fizesse a diferença de pressão em cada
ponto. Então o modelo nos fala que a variação de pressão não pode ser maior
ou igual a 0,115𝐹𝑃0,7 .

A partir de agora você entende que quanto mais empacotado for os recheios na
coluna, ou seja, mais apertado ele for, maior será a variação de pressão no
meio, justamente porque o líquido irá sofrer bastante perda de carga variando
sua pressão no meio.

235
Vou explicar em poucas palavras como ocorre a perda de carga numa coluna de
recheios: o líquido que é lançado na coluna enfrenta diversos obstáculos nos
recheios, o impacto do líquido contra esses recheios gera trabalho (𝑊̇ ), já
a transferência de calor (𝑄̇ ) influencia a perda de carga mais ainda, pelo
que vimos no balanço de energia, logo conforme o líquido desce a coluna a
sua pressão cai podendo ocasionar inundamento caso a pressão do gás seja
maior que a do líquido.

Para alguns recheios em específico diagramas foram criados relacionando perda


de carga, fluxo de gás (𝐺𝑦 ) e fluxo de líquido (𝐺𝑥 ), para que possamos analisar
as condições operacionais necessárias para se evitar o inundamento:

Fonte: Bismo, 2018.

O diagrama representa a perda de carga em relação as vazões para um recheio


do tipo Selas Intalox de 1”. Para esse caso não se ultrapassa uma variação
de pressão de 2" H2 𝑂/𝑓𝑡 𝑑𝑒 𝑟𝑒𝑐ℎ𝑒𝑖𝑜 = 1634 𝑃𝑎/𝑚.

Perceba que conforme se aumenta o fluxo de líquido ou gás (não se varia os


dois ao mesmo tempo) a perda de carga também aumenta, isso é bem simples de

236
entender: essa perda é inerente ao movimento dos fluidos, ou seja, todo
fluido em escoamento irá apresentar uma perda de carga, dessa forma a maior
quantidade de fluido (seja gás ou líquido) proporcionará maior impacto,
fricção, contato, transferência de calor, ou seja, 𝑊̇ + 𝑄̇ produzindo maior
perda de carga.

Além da perda de carga deve se tomar cuidado com a formação de alguma


canalização, ou seja, o líquido prefere passar por um determinado ponto da
coluna, baixando a eficiência.

7.13 EFICIÊNCIA DA TRANSFERÊNCIA DE MASSA

Nós já vimos diversas equações e teorias que influenciam na hora de projetar


uma coluna de absorção, vimos a relação da pressão e temperatura, das
resistências entre as fases, o comportamento do balanço de massa e como cada
tipo de coluna afeta a transferência de massa, mas agora chegou o momento de
analisarmos a eficiência com que absorvemos o nosso soluto para a fase
líquida.

Para isso vamos resgatar a nossa equação usando NUT e HTU:

𝐺
𝐻𝑂𝐺 = −
𝑠𝐾𝑦 𝑎
→ 𝑍𝑇 = 𝐻𝑂𝐺 𝑁𝑂𝐺
𝑑𝑦
𝑁𝑂𝐺 =∫
𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴∗

Sobre o NUT não temos muito o que fazer já que ele é uma integral, mas podemos
encontrar relações para o HTU.

Lembre-se que a equação da resistência global é:

1 1 𝑚
= +
𝐾𝑦 𝑘𝑦 𝑘𝑥

Veja que se multiplicarmos tudo por 𝐺/𝑎. 𝑠 encontraremos o HTU:

𝐺 𝐺 𝐺𝑚
= +
𝑠𝐾𝑦 𝑎 𝑠𝑘𝑦 𝑎 𝑠𝑘𝑥 𝑎

Do primeiro lado da igualdade é o HTU que conhecemos, ele, por estar


dependendo da resistência global, é chamado de HTU Global e do outro lado da
igualdade temos o HTU da fase gasosa:

237
𝐺𝑚
𝐻𝑇𝑈𝐺𝑂 = 𝐻𝑇𝑈𝐺 +
𝑠𝑘𝑥 𝑎

Veja que assim como temos um HTU para o gás podemos ter um para o líquido
também, por causa da resistência 𝑘𝑥 , mas eu vou provar para você como
encontramos esse HTU de líquido.

Através da equação baixo nós conseguimos encontrar uma relação da altura com
a transferência de massa na fase gasosa:

−𝐺𝑑𝑦 = 𝐾𝑦 𝑎(𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴∗ )𝑠𝑑𝑧

Mas e se quisermos focar na fase líquida? Podemos fazer isso? Claro que sim,
você se lembra de quando analisamos a transferência de massa entre as fases
e encontramos equação na fase líquida e gasosa? Então através delas é que
montamos todas essas equações, portanto utilizaremos agora as equações para
a fase líquida:

−𝐿𝑑𝑥 = 𝐾𝑥 𝑎(𝑥𝐴∗ − 𝑥𝐴𝐿 )𝑠𝑑𝑧

Logo:

𝐿𝑑𝑥 𝐿 𝑑𝑥
− = 𝑑𝑧 → 𝑧𝑇 = − ∫ ∗ → 𝑍𝑇 = 𝐻𝑂𝐿 𝑁𝑂𝐿
𝐾𝑥 𝑎(𝑥𝐴∗ − 𝑥𝐴𝐿 )𝑠 𝑠𝐾𝑥 𝑎 𝑥𝐴 − 𝑥𝐴𝐿

Logo:

𝐿 𝐻𝑇𝑈𝐿 1
𝐻𝑇𝑈𝐿 = → =
𝑠𝑘𝑥 𝑎 𝐿 𝑠𝑘𝑥 𝑎

Então retornando a nossa equação, temos que:

𝐺𝑚
𝐻𝑇𝑈𝐺𝑂 = 𝐻𝑇𝑈𝐺 + 𝐻𝑇𝑈𝐿
𝐿

Segundo Seader: “para baixa solubilidade dos gases o valor de “m” se torna
alto [...] logo a resistência da fase gasosa será negligenciável e a taxa de
transferência de massa será controlada pela fase líquida.”

É a mesma coisa que vimos quando encontramos as resistências globais, não é


novidade, mas agora temos uma equação mais completa aonde as nossas análises
vão além de “só resistência”.

Os HTU’s servem para medir eficiência, quanto menor os seus valores maior
será a eficiência, logo quem possuir o HTU maior irá comandar a transferência
de massa, por possuir a maior resistência, portanto através dessa equação
238
teremos uma relação direta entre a eficiência do transporte de massa, as
vazões de gás e líquido e as propriedades inerentes da fase gasosa com a
constante de Henry, trazendo uma quantidade de informações muito grande.

7.14 QUAL TIPO DE COLUNA ESCOLHER?

Cada tipo de coluna possui a sua finalidade especial e você terá que escolher
qual coluna se encaixa melhor nas suas condições dependendo de fatores como:
econômicos, controle de temperatura, perda de carga, velocidade dos fluxos
ou tempo de operação.

Quando eu falei dos tipos de colunas eu expliquei para que algumas servem,
mas aqui eu vou citar somente duas, que são o maior dilema das indústrias
hoje, por serem as mais usadas, usar a coluna de pratos ou de recheios?

Para isso vou citar algumas características operacionais de cada coluna


explicadas por Seader, 2011, que irão abrir a sua mente na hora de analisar
qual coluna seria melhor para tal situação.

Segundo Seader, 2011, as colunas de recheios possuem as seguintes


características operacionais:

✣ São preferíveis para colunas com diâmetro menor que 2 ft, ou seja, 0,61
m, pelo simples fato de que projetar pratos cada vez mais pequenos é
mais difícil porque existe toda uma geometria a ser respeitada quanto
aos orifícios, barreiras e espaço para descida do líquido.

✣ São usuais para colunas com até 20 ft (12,19 m) de altura do recheio,


ou seja, acima dessa altura já não é mais tão bom usar a coluna de
recheios. Isso se deve a problemas como perda de carga e perda de
eficiência da operação, sendo que os recheios são distribuídos
aleatoriamente na coluna, quanto maior a quantidade maior a perda de
carga e maior a chance de formação de canais que favoreçam escape para
o líquido.

✣ As colunas de recheio têm grande aplicação quando o assunto é misturas


corrosivas, pois os recheios podem ser de diferentes tipos de materiais,
aonde alguns deles suportam a corrosão, portanto para operações
envolvendo componentes corrosivos a coluna de recheios se torna uma boa
opção.

239
✣ Casos aonde ocorrem uma formação muito exagerada de espuma não podem
ser realizados em pratos, para isso utilizam-se as colunas de recheios
que irão proporcionar uma queda de pressão devido a sua perda de carga
diminuindo a pressão no meio e controlando a espuma.

✣ Operações a vácuo são realizadas em coluna de recheios para evitar alta


pressão, através da perda de carga, e assim a evaporação ou o arraste
do solvente líquido pela coluna.

✣ Quando se deseja baixa retenção de líquido utilizam-se colunas de


recheios, pois a retenção de líquido modifica a pressão no sistema e o
comportamento da relação líquido-gás, portanto se faz necessário o seu
controle, logo para casos aonde essa retenção deseja ser evitada o
máximo possível usa-se a coluna de recheios.

✣ Colunas de recheios são preferíveis para operações com alta taxa de


vazão de líquido, já que problemas como retenção de líquido e espuma
geralmente não ocorrem nessas colunas.

✣ A fase gasosa é a fase limitante do processo em colunas de recheios,


pois essa coluna garante maior liberdade para o fluxo líquido sem grandes
preocupações, dessa forma o arranjo aleatório dos recheios garante
turbulência na fase gasosa o que favorece a transferência de massa.

Segundo Seader, 2011, as colunas de pratos possuem as seguintes


características operacionais:

✣ Colunas de pratos são mais confiáveis para certas operações, já que as


colunas de recheios podem apresentar canalização do líquido por causa
da sua randomização, não se sabe o que pode acontecer, já com os pratos
é diferente, você sabe exatamente o que vai acontecer.

✣ Colunas de pratos garantem alta eficiência já que produzem uma baixa


perda de carga e são mais controláveis durante a operação.

✣ Para baixas vazões de líquido utilizam-se colunas de pratos que garantem


maior eficiência com menos líquido do que a de recheios.

✣ São mais fáceis de receber manutenção do que os recheios estruturados e


mais baratos também.

240
✣ A fase líquida é a fase limitante da operação em colunas de pratos já
que não pode ser trabalhado tão livremente por causa das restrições de
segurança da coluna, dessa forma a coluna proporciona uma turbulência
no comportamento do líquido que favorece a transferência de massa.

7.15 DIÂMETRO DE UMA COLUNA E ESPAÇAMENTO ENTRE OS PRATOS

Através do estudo das forças que agem sobre as partículas de líquidos e dos
diversos efeitos da inundação em uma coluna uma equação para o diâmetro da
coluna foi construída a fim de se evitar a inundação:
0,5
4𝐺𝑀𝐺
𝐷𝑇 = [ ]
𝑓𝑈𝑓 𝜋(1 − 𝐴𝑑 /𝐴)𝜌𝐺

Aonde:

✣ 𝐺 → 𝑣𝑎𝑧ã𝑜 𝑚𝑜𝑙𝑎𝑟 𝑑𝑒 𝑔á𝑠 𝑜𝑢 𝑣𝑎𝑝𝑜𝑟

✣ 𝑀𝐺 → 𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑚𝑜𝑙𝑎𝑟 𝑑𝑜 𝑔á𝑠 𝑜𝑢 𝑣𝑎𝑝𝑜𝑟

✣ 𝜌𝐺 → 𝑑𝑒𝑛𝑠𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑜 𝑔á𝑠 𝑜𝑢 𝑣𝑎𝑝𝑜𝑟

✣ 𝑈𝑓 → 𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑖𝑛𝑢𝑛𝑑𝑎çã𝑜

✣ 𝑓 → 𝑓𝑟𝑎çã𝑜 𝑑𝑒 𝑖𝑛𝑢𝑛𝑑𝑎çã𝑜

✣ 𝐴 → á𝑟𝑒𝑎 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙; 𝐴𝑑 → á𝑟𝑒𝑎 𝑑𝑜 𝑒𝑠𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑑𝑜𝑟 𝑑𝑜 𝑝𝑟𝑎𝑡𝑜 (𝑑𝑜𝑤𝑛𝑐𝑜𝑚𝑒𝑟)

Veja a figura abaixo:

241
Fonte: Seader, 2011.

Como nós estamos querendo encontrar o diâmetro da coluna então é natural que
não temos a área total da coluna (seção transversal) e a área do escorredor,
então para isso cientistas criaram algo para estimarmos como seria o diâmetro
de nossa coluna através da seguinte equação:

𝐿𝑀𝐿 𝜌𝐺 0,3
𝐹𝐿𝑉 = ( )
𝐺𝑀𝐺 𝜌𝐿

Através desse resultado podemos estimar duas coisas: a distância entre os


pratos na coluna e a relação 𝐴𝑑 /𝐴. A relação entre áreas fica assim:

0,1 → 𝐹𝐿𝑉 ≤ 0,1


𝐴𝑑 𝐹𝐿𝑉 − 0,1
= { 0,1 + → 0,1 ≤ 𝐹𝐿𝑉 ≤ 1,0
𝐴 9
0,2 → 𝐹𝐿𝑉 ≥ 1,0

E através do seguinte diagrama feito por Fair e citado por Seader, 2011,
conseguimos estimar o espaçamento entre os pratos:

242
Fonte: Seader, 2011.

Então na equação do diâmetro vemos algo intrigante que se chama velocidade


de inundação, ele é nada menos do que a velocidade necessária para você
conseguir inundar uma coluna, ele é descrito pela seguinte equação:

𝜌𝐿 − 𝜌𝐺 1/2
𝑈𝑓 = 𝐶 ( )
𝜌𝐺

Aonde:

𝜎 0,2
𝐶 = ( ) 𝐹𝐹 𝐹𝐻𝐴 𝐶𝐹
20

Temos que 𝜎 é a tensão superficial do líquido, 𝐹𝐹 é o fator de geração de


espuma (se 𝐹𝐹 = 1 significa que não há formação de espuma), 𝐹𝐻𝐴 é um valor
numérico da relação entre a área do orifício de passagem de gás e a área
total ativa do prato e 𝐶𝐹 é encontrado através do diagrama que lhe mostrei.

Para a relação entre a área do orifício do prato e a área total ativa do


prato temos que:

𝐴𝑑 1,0 → 𝐴ℎ /𝐴𝑎 ≥ 0,1


={
𝐴 5(𝐴ℎ /𝐴𝑎 ) + 0,5 → 0,06 ≤ 𝐴ℎ /𝐴𝑎 ≤ 0,1

Quando eu digo área total ativa é toda a área do prato que contém os orifícios
para a passagem da corrente de gás ou vapor.

Todos esses dados são necessários para encontrarmos o diâmetro e o espaçamento


entre os pratos, vamos a um exemplo para você conseguir enxergar melhor.
243
Seader (2011): Em um bioprocesso, o melaço é fermentado para produzir um
licor contendo álcool etílico. Um vapor rico em CO2 com uma pequena quantidade
de álcool etílico é desenvolvido. O álcool é recuperado por absorção com água
em uma torre de bandeja de peneira.

A entrada de gás é de 180 kmol/h; 98% de CO2 , 2% álcool etílico; 30 °C, 110
kPa.

Introduzir absorvente líquido é 100% de água; 30 °C, 110 kPa.

A recuperação exigida (absorção) de álcool etílico é de 97%.

Estime o diâmetro da bandeja considerando um espaçamento entre as bandejas


de 24 polegadas, um fator espumante de FF = 0,90, uma fração de inundação de
f = 0,80 e uma tensão superficial de σ = 70 dinas/cm.

Dados: Lt = 151,5 kmol/h , Subs. absorvida = 3,5 kmol/h , ρL = 986 kg/m3

Os dados extraídos são:

✣ 𝑇 = 30 °𝐶

✣ 𝑃 = 110 𝑘𝑃𝑎

✣ 𝐺 = 180 𝑘𝑚𝑜𝑙/ℎ

✣ 𝐿 = 155 𝑘𝑚𝑜𝑙/ℎ

Agora podemos encontrar novas informações:

𝑀𝐺 = (0,98)(44) + (0,02)(46) = 44 𝑘𝑔/𝑘𝑚𝑜𝑙

151,5 3,5
𝑀𝐿 = (18) + (46) = 18,6 𝑘𝑔/𝑘𝑚𝑜𝑙
155 155

𝑃𝑀 (110)(44)
𝜌= = = 1,92 𝑘𝑔/𝑚3
𝑅𝑇 (8,314)(303)

Prosseguindo com mais informações:

(155)(18,6) 1,92 0,5


𝐹𝐿𝑉 = ( ) = 0,016
(180)(44,0) 986

Logo:

244
70 0,2
𝐶 = ( ) (0,90)(1,0)(0,39) = 0,45 𝑓𝑡/𝑠
20

Dessa forma:

986 − 1,92 0,5


𝑈𝑓 = 0,45 ( ) = 10,2 𝑓𝑡/𝑠
1,92

Por fim:

𝑘𝑚𝑜𝑙 1 ℎ 𝑘𝑔
4 (180 ) (44 )
ℎ 3600 𝑠 𝑘𝑚𝑜𝑙
𝐷𝑇 = [ ] = 0,81 𝑚
𝑓𝑡 1 𝑚 𝑘𝑔
(0,80) (10,2 ) (3,14)(1 − 0,1)𝑚 (1,92 3 )
𝑠 3,28 𝑓𝑡 𝑚

7.16 INUNDAÇÃO E GOTEJAMENTO

Segundo Seader, 2011, existem dois tipos de inundação que uma coluna pode
sofrer: por arraste e pelo escorredor do prato.

O primeiro pode acontecer com qualquer coluna e o segundo é exclusivo para


colunas de pratos. O que ocorre é o seguinte: o inundamento por arraste
ocorre por causa de uma vazão muito alta de gás ou vapor que sobre e acaba
se tornando mais forte do que o próprio líquido, então ele não tem mais força
para descer, logo ele será arrastado por toda coluna até que transborde;

O inundamento pelo escorredor do prato (𝑑𝑜𝑤𝑛𝑐𝑜𝑚𝑒𝑟) ocorre por uma falha de


projeto, isto é, existe uma faixa de segurança para você construir um prato
e dividi-lo entre a área ativa (com orifícios) e o escorredor, mas se essa
faixa de segurança não for respeitada o gás pode acabar entrando pelo lugar
errado e arrastar toda espuma e líquido que vem pelo escorredor.

A inundação por arraste pode ser causada pela perda de carga como já vimos,
mas também tem a imprudência de se usar uma corrente muito alta de gás ou
vapor, veja a figura abaixo que relaciona as vazões de líquido e gás com a
possibilidade de inundação em uma coluna de pratos:

245
Weep = Gotejamento
Downcomer = Escorredor
Entrainment = Arraste
Flooding = Inundação
Dump = Despejamento

Fonte: Seader, 2011.

Veja no gráfico uma relação direta entre as vazões e a inundação e o


gotejamento, ambos são os extremos de uma coluna que nunca devem ser
atingidos, isto é, a inundação é o uso excessivo das vazões e o gotejamento
é o uso muito fraco da vazão de gás ou vapor.

Entenda o seguinte: a corrente gasosa deve passar pelos pratos e vencer a


força da tensão superficial do líquido para assim se arrastar para fora
formando bolhas e espuma, com essa força a corrente gasosa impede do líquido
gotejar pelos orifícios dos pratos, então em vez dele descer pelos orifícios
ele irá descer pelos escorredores, que é o certo.

Segundo Seader, 2011, para se evitar o gotejamento deve ocorrer a seguinte


situação em relação a cargas manométricas:

ℎ𝑑 + ℎ𝜎 > ℎ𝑙

ℎ𝑑 é a queda de pressão que o gás sofre ao passar pelo orifício da bandeja,


ℎ𝜎 é a queda de pressão que o gás sofre ao passar por um líquido e ℎ𝑙 é a
carga necessária para o líquido ficar retido no prato.

Se você não entendeu eu explico: o vapor deve ter carga manométrica o


suficiente para vencer a passagem pelo orifício e a tensão superficial do
líquido, aquela inequação significa que as perdas de carga para passagem pelo
orifício e pelo líquido juntas devem ser maiores do que a carga necessária
para o líquido ficar retido no prato.

Entenda que se o líquido ficar retido no prato ele vai gotejar é assim que
funciona, é por isso que em alguns casos se utilizam colunas em recheio para
evitar dor de cabeça com o gotejamento. Dessa forma, se o gás perder carga a

246
ponto de não conseguir vencer esses obstáculos o líquido vai possuir uma
carga maior que a do gás e irá vence-lo começando a gotejar.

Segundo Seader, 2011, para uma alta eficiência numa coluna de pratos são
necessários três itens importantes:

1. O escoamento do líquido para o escorredor (downcomer) deve ser muito


maior que as quantidades de líquido que eventualmente possam gotejar
pelo prato;

2. O arraste do líquido pelo gás ou vapor não pode ser excessivo demais;

3. A espuma presente no escorredor não pode retornar para o prato anterior.

A função do engenheiro químico é evitar que essas coisas aconteçam e mantenham


esses três itens sempre ativos.

7.17 CÁLCULOS DE ESTÁGIOS

O método para o dimensionamento dos estágios de uma coluna de absorção é


mecânico, mas o nosso objetivo aqui é entender fenomenologicamente cada passo
realizado. O dimensionamento consiste em 9 passos:

1. Organizar dados;

2. Construir diagrama de equilíbrio;

3. Determinar composição do componente no líquido no fundo;

4. Calcular quantidade de gás inerte;

5. Calcular da quantidade de gás no topo;

6. Calcular vazão de líquido no topo e no fundo;

7. Calcular vazão mínima de líquido;

8. Método iterativo para a retas de operação do sistema;

9. Construir gráfico da linha de equilíbrio e operação.

Esse método serve para encontramos a reta ideal de absorção, ou seja, a


absorção perfeita, vai ser esse nosso foco agora, depois veremos como aplica-
la para casos reais.

A técnica aqui vai ser a seguinte: vamos primeiro ver todos esses cálculos
realizados a mão, para entendermos o fenômeno da coisa por partes.

247
Lembrando que por se tratar de um algoritmo esse método pode ser aplicado em
diversas plataformas de cálculos e programação, é importante que você faça
isso como forma de exercício, porque convenhamos que os engenheiros de hoje
em dia não usam mais papel e caneta, por favor, né?

Otimize seu tempo, querido.

Geankoplis (1993): Uma corrente gasosa oriunda de um reator químico contem


25% de amônia e o resto de gases inertes. O fluxo total é de 181,4 kmol/h
para uma coluna de absorção a 303 K e 1,013 kPa, onde a água contendo 0,005
de fração molar de amônia é utilizado para a absorção. A concentração de
saída do gás é de 2% de amônia. Qual a mínima taxa de líquido inerte L'min ?
Construa um gráfico com as linhas de operação (Utilizando L'min e para um
excesso de 50% em relação a esse valor) e de equilíbrio.

Dados extraídos do enunciado:

𝑌𝐹 = 0,25

𝑋𝑇 = 0,005

𝑌𝑇 = 0,02

𝐺𝐹 = 181,4 𝑘𝑚𝑜𝑙/ℎ

248
1. Organizar dados:

A partir dos dados você irá tirar todas as informações


necessárias, esta etapa é importante para que você saiba
nomear e identificar as variáveis corretamente, porque ao
passo que você avança no método mais variáveis vão aparecendo
e isso pode criar confusão na sua mente se os dados não
estiverem devidamente organizados.

Vamos usar como exemplo um caso envolvendo absorção de


amônia, o esquema com as variáveis é apresentado ao lado:

𝐺𝑇 /𝐺𝐹 = Fluxo de gás no topo/fundo;

𝐿𝑇 /𝐿𝐹 = Fluxo de líquido no topo/fundo;

𝑌𝑇 /𝑌𝐹 = Composição de amônia no gás do topo/fundo;

𝑥𝑇 /𝑥𝐹 = Composição de amônia no líquido do topo/fundo.

2. Diagrama de equilíbrio:

Esse diagrama é formado por dados termodinâmicos que estão datados em tabelas
de diversos livros. Se você estiver atrás de uma tabela para você deve correr
atrás de Dados de Equilíbrio de Sistema Líquido-Gás, esses são dados
referentes a concentração de um certo composto presente em vapor e em um
líquido a temperatura constante, mas variando a pressão de vapor.

No nosso caso nós queremos amônia e o líquido vamos escolher a água, veja
essa tabela abaixo, com dados retirados do Perry, 1997:

249
Com essa tabela em mãos você pode optar por duas opções: você plota os dados
e depois realiza o ajuste polinomial de 2º grau para encontrar a curva de
equilíbrio ou você não plota os dados e encontra as informações através de
interpolação.

A 2ª opção é mais útil quando você está em uma prova e precisa fazer tudo a
mão, mas a 1ª é mais rápido e dá para fazer até na calculadora.

Aqui vou lhe ensinar a encontrar a curva de equilíbrio através de calculadoras


simples, pode ser útil em algumas situações, ainda mais quando você este
algum tipo de experimento ou projeto.

Calculadora simples: CASIO® fx-350ES PLUS ou CASIO® fx-82ES

1. Aperte o botão MODE;

2. Seleciona a opção STAT;

3. Escolha opção 3 (ajuste polinomial de 2º grau);

250
4. Coloque os dados da tabela;

5. Aperte ON (retornar a tela inicial);

6. Acione o SHIFT e aperte o botão 1;

7. Selecione a opção 5 (regressão)

8. Selecione um coeficiente e aperte o botão de


igualdade;

9. Os coeficientes são A, B e C.

Resultado: y = 9,33𝑥 2 + 0,26𝑥 + 0,018

Calculadora simples: CASIO® fx-82ms

1. Vá em MODE e selecione 3 (regressão);

2. Seta para o lado e depois selecione 3 (quad);

3. Escreva os dados da tabela, um por um, da seguinte forma:

𝑥, 𝑦 → →

Depois aperte o botão M+ para armazenar os dados de x e y, um por um.

4. Após todos os dados inseridos acione o SHIFT e aperte 2;

5. Seta para o lado e selecione os coeficientes A, B e C, um por um.

Resultado: y = 9,33𝑥 2 + 0,26𝑥 + 0,018

Tenho que lhe dar a seguinte advertência: antes de utilizar a equação para
os seus fins, primeiro verifique se ela é confiável.

Por mais que você realize os passos tudo bonitinho para encontrar uma equação
para descrever nossa curva você não tem a garantia de que essa curva irá
representar os dados de maneira correta, mesmo que apareça o 𝑅 = 0,99.

Para você testar a veracidade realize um teste com 3 pontos aleatórios pela
tabela, dados no topo, no meio e no final da tabela, realize a interpolação
e depois utilize os mesmos dados para encontrar o valor x dessa vez na
equação.

251
Se os resultados forem muito distantes, descarte a equação e use somente a
interpolação, se forem dados semelhantes então é seguro utilizar a equação.

3. Determinar composição do componente no líquido no fundo (𝑿𝑭 ):

Para encontramos essa composição temos que utilizar o diagrama de equilíbrio


que pegamos do Perry, seja em forma de gráfico seja em forma de tabela. Se
você optou por encontrar a equação você irá simplesmente encontrar as raízes
do polinômio:

Primeiro você deve escolher um 𝑌𝐹 que tem relação com 𝑋𝐹 , essa composição é
dada no enunciado da questão, 25 % de amônia.

𝑥 ′ = 0,144
0,25 = 9,33𝑥 2 + 0,26𝑥 + 0,018 →
𝑥 ′′ = −0,172

Não existe composição negativa, então o valor da composição de amônia no


líquido no fundo da coluna é:

𝑋𝐹 = 0,144

Quando estamos usando o diagrama de equilíbrio a composição sempre deve ser


da mesma área, se usarmos 𝑌𝐹 o resultado será 𝑋𝐹 ou se usarmos 𝑌𝑇 o resultado
será 𝑋𝑇 .

A relação é mais ou menos assim:

252
Se você optou por não encontrar a equação da curva do diagrama deverá realizar
o método de interpolação linear, para isso basta pegar o valor dado de 𝑌𝐹 e
realizar uma interpolação a fim de encontrar o valor correspondente de 𝑋𝐹 com
os valores próximos dispostos na tabela que eu apresentei a você:

𝑋𝐹 − 0,137 0,25 − 0,235


= → 𝑋𝐹 = 0,142
0,175 − 0,137 0,342 − 0,235

Diferença bastante pequena entre a interpolação e a equação do diagrama,


ambos são úteis e estão a sua disposição para realizar o método.

4. Calcular quantidade de gás inerte:

Quando dizemos que numa corrente de gás existe 25 % de amônia, o que seria
os outros 75 %?

Bom, o nosso caso envolve uma situação ideal, então se na corrente não tem a
amônia o resto é gás inerte, que não nos interessa. Mas para efeito de cálculo
ele é importante, pois nos ajuda a encontrar o restante dos dados através de
balanços e cálculos simples.

A quantidade de gás inerte é simplesmente calculada pela porcentagem daquilo


que não é amônia no gás de entrada:

𝐺 ′ = (1 − 𝑌𝐹 )𝐺𝐹 = (0,75)(181,4) = 136,05 kmol/h

5. Calcular da quantidade de gás no topo:

Para encontrarmos a quantidade de gás que sairá pelo topo da coluna nós
iremos realizar um balanço bem simples:

No enunciado é informado que 𝑌𝑇 = 0,02, ou seja, na saída somente 2 % de amônia


não foi absorvida e ainda permanece no gás.

Se 2 % do gás de saída é formado por amônia, quem são os outros 98 %? Lembra


do que eu falei? Se não tem amônia então é gás inerte.

Dessa forma a corrente de gás no topo da coluna é formado por:

𝐺𝑇 = 𝑁𝐻3 𝑛ã𝑜 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 + 𝐺á𝑠 𝑖𝑛𝑒𝑟𝑡𝑒

Olha só a coisa boa, nós já temos a quantidade de gás inerte, porque já


calculamos, então como encontrar a quantidade de amônia não absorvida? Ora,
se a quantidade de gás inerte está diretamente relacionada com a quantidade
de amônia então usamos regra de três.

253
Regra de três:

136,05 − − − − − 98
→ 𝑁𝐻3 𝑛ã𝑜 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 2,78 kmol/h
𝑥 −−−−−−2

Logo:

𝐺𝑇 = 2,78 + 136,05 = 138,83 kmol/h

Através desses dados podemos saber o quanto de amônia foi absorvida, basta
pensar um pouco. Se soubermos o quanto de amônia entrou e tirar o quanto de
amônia não foi absorvida, então o resto só pode ter sido absorvido, não?

𝑁𝐻3 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 𝐺𝐹 𝑌𝐹 − 𝑁𝐻3 𝑛ã𝑜 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = (181,4)(0,25) − 2,78

𝑁𝐻3 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 42,57 kmol/h

6. Calcular vazão de líquido no topo e no fundo:

Agora temos dados o suficiente para encarar o balanço de massa da coluna de


absorção, que fica assim:

𝐺𝐹 𝑌𝐹 + 𝐿𝑇 𝑋𝑇 = 𝐺𝑇 𝑌𝑇 + 𝐿𝐹 𝑋𝐹

Nós temos os seguintes dados:

- Corrente de gás no fundo e a sua fração de amônia;

- Corrente de gás no topo e a sua fração de amônia;

- Fração de amônia no líquido no topo (dado no enunciado);

- Fração de amônia no líquido do fundo.

Resta-nos somente as correntes de líquido no topo e fundo.

Como podemos fazer isso com duas variáveis? Vamos pensar um pouco.

O líquido do topo não podemos mudar nada, porque ele já é a entrada do nosso
sistema, então não podemos modifica-lo, mas quanto ao líquido do fundo podemos
pensar em alguma coisa, porque o líquido do fundo é o resultado da absorção,
é o líquido do topo mais a modificação ocorrida pelo meio da coluna.

Me diga uma coisa, o que é que será adicionado ao líquido para que ele seja
modificado? O que é que o líquido tá fazendo na coluna mesmo?

Absorvendo, não é? Então, o líquido no fundo da coluna é o líquido no topo


da coluna mais tudo aquilo que ele absorveu, ou seja, amônia absorvida:

254
𝐿𝐹 = 𝐿𝑇 + 𝑁𝐻3 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎

Logo:

𝐺𝐹 𝑌𝐹 + 𝐿𝑇 𝑋𝑇 = 𝐺𝑇 𝑌𝑇 + (𝐿𝑇 + 𝑁𝐻3 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎)𝑋𝐹

Isolando 𝐿𝑇 :

𝐺𝑇 𝑌𝑇 + 𝑁𝐻3 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎𝑋𝐹 − 𝐺𝐹 𝑌𝐹
𝐿𝑇 =
𝑋𝑇 − 𝑋𝐹

Substituindo valores, temos que:

(138,83)(0,02) + (42,57)(0,144) − (181,4)(0,25)


𝐿𝑇 = = 262,18 kmol/h
(0,005) − (0,144)

E logo de quebra temos que:

𝐿𝐹 = 𝐿𝑇 + 𝑁𝐻3 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 262,18 + 42,57 = 304,75 kmol/h

7. Calcular vazão mínima de líquido:

A vazão mínima de líquido é muito simples, é basicamente você entender que a


concentração desejada de amônia na água de entrada não pode ser atingida com
qualquer volume de líquido.

O cálculo é muito simples, é falado no enunciado de uma fração de amônia de


0,005 (0,5 %) no líquido de entrada, ok mas quem são os outros 99,5 %?

Ora, se na entrada temos amônia misturada com água então o que não é amônia
só pode ser água, não?

O cálculo da vazão mínima de líquido no topo fica:

𝐿𝑚𝑖𝑛 = (1 − 𝑋𝑇 )𝐿𝑇 = (0,995)(262,18) = 260,87 kmol/h

8. Método iterativo para as retas de operação de cada estágio:

Chegamos na parte crucial do nosso dimensionamento, mas acalme-se só porque


é algo muito importante não quer dizer que é difícil.

Aqui tudo será resolvido só por balanço de massa, olha a moleza, sem truques,
é balanço de massa puro meu irmão.

Só devemos nos atentar quanto ao comportamento das frações mássicas de líquido


e gás, como estamos tratando de estágio devemos considerar algumas coisas.

O balanço da coluna é assim:

255
𝐺𝐹 𝑌𝐹 + 𝐿𝑇 𝑋𝑇 = 𝐺𝑇 𝑌𝑇 + 𝐿𝐹 𝑋𝐹

Veja, isso é um balanço, correto, mas ele não serve para os estágios, porque
ele provém de um balanço que envolve toda a coluna, então não nos é útil,
precisamos de algo mais específico.

Temos uma dificuldade aqui, como vamos encontrar as correntes que vem de cima
e de baixo? Porque nós determinamos somente as correntes e frações das
extremidades da coluna.

Para isso, vamos utilizar uma alternativa, ela consistirá em um jogo de


frações, veja que nos encontrávamos a quantidade de gás inerte dessa forma:

𝐺 ′ = (1 − 𝑌𝐹 )𝐺𝐹

De semelhante modo a vazão de líquido mínima:

𝐿𝑚𝑖𝑛 = (1 − 𝑋𝑇 )𝐿𝑇

O que há nessas duas equações de tão importante? A partir de gases inerte e


de água podemos encontrar as correntes totais que vem de cima e de baixo. O
melhor disso tudo é que podemos aplicar essas equações para todos os estágios
da coluna, porque isso sempre será verdade.

Para o nosso cálculo de estágios as equações ficarão assim:

𝐺 ′ = (1 − 𝑌1 )𝐺1 𝐿𝑚𝑖𝑛 = (1 − 𝑋0 )𝐿0

𝐺 ′ = (1 − 𝑌2 )𝐺2 𝐿𝑚𝑖𝑛 = (1 − 𝑋1)𝐿1

𝐺 ′ = (1 − 𝑌𝑛 )𝐺𝑛 𝐿𝑚𝑖𝑛 = (1 − 𝑋𝑛−1 )𝐿𝑛−1

Isso é difícil? Não, pare de safadeza, isso não é difícil.

A relação de gás começa com 1 e o de líquido com 0 porque o líquido começa


por cima, no topo, aonde não tem estágios, então ele é representado
inicialmente com o número zero e o gás vem de baixo e vai até o topo e pelo
simples motivo de já ter passado por todos os estágios dizemos que ele
pertence ao 1.

Com essas equações em mãos é hora de substituir no balanço de massa,


considerando no estágio 1 (lá em cima) temos:

𝐺2 𝑌2 + 𝐿0 𝑋0 = 𝐺1 𝑌1 + 𝐿1 𝑋1

256
A entrada é o gás que vem do estágio 2 e o líquido que vem do topo, não vá
confundir, vê se toca rapaz.

Com as equações:

𝐺 ′ = (1 − 𝑌)𝐺 𝐿𝑚𝑖𝑛 = (1 − 𝑋)𝐿

Isolando:

𝐺′ 𝐿𝑚𝑖𝑛
=𝐺 =𝐿
(1 − 𝑌) (1 − 𝑋)

Logo:

𝑌2 𝑋0 𝑌1 𝑋1
𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌2 ) (1 − 𝑋0 ) (1 − 𝑌1 ) (1 − 𝑋1 )

Essa equação, meu querido, você irá utilizar em todos os estágios, é só mudar
a numeração e vai embora:

𝑌2 𝑋0 𝑌1 𝑋1
𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌2 ) (1 − 𝑋0 ) (1 − 𝑌1 ) (1 − 𝑋1 )

𝑌3 𝑋1 𝑌2 𝑋2
𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌3 ) (1 − 𝑋1 ) (1 − 𝑌2 ) (1 − 𝑋2 )

𝑌𝑛+1 𝑋𝑛−1 𝑌𝑛 𝑋𝑛
𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌𝑛+1 ) (1 − 𝑋𝑛−1 ) (1 − 𝑌𝑛 ) (1 − 𝑋𝑛 )

Agora nada para você.

Então, esses dados temos quase todos, só não temos dois, mas um será
facilmente interpolado e o outro encontrado pela equação do balanço, venha
comigo.

A equação do primeiro estágio é essa:

𝑌2 𝑋0 𝑌1 𝑋1
𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌2 ) (1 − 𝑋0 ) (1 − 𝑌1 ) (1 − 𝑋1 )

Nos falta 𝑋1 e 𝑌2 , porque o 𝑋0 é a mesma coisa que o 𝑋𝑇 que já temos e o 𝑌1 é


a mesma coisa que o 𝑌𝑇 .

257
Quem vamos interpolar? O 𝑋1, lembra da nossa equação do diagrama? Então,
vamos usar ela toda vez que fomos realizar o cálculo dos estágios, utilizando
a relação 𝑋1 → 𝑌1 .

É a mesma coisa que fizemos lá atrás, ou você interpola ou usa a equação.


Depois disso é só encontrar o 𝑌2 e acabou.

Agora que temos as ferramentas em mãos, entenda aonde vamos parar com isso:
bom, os estágios são calculados infinitamente, você pode passar o dia todo
calculando estágios, mas o cálculo deve ter um sentido fenomenológico, existe
uma teoria por trás disso, então o objetivo do cálculo de estágios é realizar
os cálculos até que não se possa mais absorver.

Isso acontecerá quando através dos cálculos você perceber que 𝑌𝑛+1 = 𝑌𝑛 , ou
seja, a fração de amônia permaneceu constante através do estágio, então não
precisa mais de estágio.

É isso que vamos fazer agora, cuidado com a LER.

1° Estágio:

𝑌2 𝑋0 𝑌1 𝑋1
𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌2 ) (1 − 𝑋0 ) (1 − 𝑌1 ) (1 − 𝑋1 )

Para 𝑌1 = 0,02 temos através da equação ou interpolação na tabela de equilíbrio


de fases da amônia (Perry): 𝑋1 = 0,0167

Logo:

𝑌2 0,005 0,02 0,0167


(136,05) + (260,87) = (136,05) + (260,87)
(1 − 𝑌2 ) (1 − 0,005) (1 − 0,02) (1 − 0,0167)

𝑌2 = 0,0415

Ok, mostrei para você o passo a passo de como encontramos tudo, agora eu vou
prosseguir de uma forma mais rápida, porque agora você já sabe como é o
método.

2° Estágio:

𝑌3 𝑋1 𝑌2 𝑋2
𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌3 ) (1 − 𝑋1 ) (1 − 𝑌2 ) (1 − 𝑋2 )

Para 𝑌2 = 0,0415 temos através da equação ou interpolação: 𝑋2 = 0,0323

258
Logo: 𝑌3 = 0,069

3° Estágio:

𝑌4 𝑋2 𝑌3 𝑋3
𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌4 ) (1 − 𝑋2 ) (1 − 𝑌3 ) (1 − 𝑋3 )

Para 𝑌3 = 0,069 temos através da equação ou interpolação: 𝑋3 = 0,051

Logo: 𝑌4 = 0,103

4° Estágio:

𝑌5 𝑋3 𝑌4 𝑋4
𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌5 ) (1 − 𝑋3 ) (1 − 𝑌4 ) (1 − 𝑋4 )

Para 𝑌4 = 0,103 temos através da equação ou interpolação: 𝑋4 = 0,072

Logo: 𝑌5 = 0,138

5° Estágio:

𝑌6 𝑋4 𝑌5 𝑋5
𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌6 ) (1 − 𝑋4 ) (1 − 𝑌5 ) (1 − 𝑋5 )

Para 𝑌5 = 0,138 temos através da equação ou interpolação: 𝑋5 = 0,092

Logo: 𝑌6 = 0,170

6° Estágio:

𝑌7 𝑋5 𝑌6 𝑋6
𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌7 ) (1 − 𝑋5 ) (1 − 𝑌6 ) (1 − 𝑋6 )

Para 𝑌6 = 0,170 temos através da equação ou interpolação: 𝑋6 = 0,107

Logo: 𝑌7 = 0,194

7° Estágio:

𝑌8 𝑋6 𝑌7 𝑋7
𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌8 ) (1 − 𝑋6 ) (1 − 𝑌7 ) (1 − 𝑋7 )

Para 𝑌7 = 0,194 temos através da equação ou interpolação: 𝑋7 = 0,118

Logo: 𝑌8 = 0,211

8° Estágio:

259
𝑌9 𝑋7 𝑌8 𝑋8
𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌9 ) (1 − 𝑋7 ) (1 − 𝑌8 ) (1 − 𝑋8 )

Para 𝑌8 = 0,211 temos através da equação ou interpolação: 𝑋8 = 0,126

Logo: 𝑌9 = 0,223

9° Estágio:

𝑌10 𝑋8 𝑌9 𝑋9
𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌10 ) (1 − 𝑋8 ) (1 − 𝑌9 ) (1 − 𝑋9 )

Para 𝑌9 = 0,223 temos através da equação ou interpolação: 𝑋9 = 0,132

Logo: 𝑌10 = 0,231

10° Estágio:

𝑌11 𝑋9 𝑌10 𝑋10


𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌11 ) (1 − 𝑋9 ) (1 − 𝑌10 ) (1 − 𝑋10 )

Para 𝑌10 = 0,231 temos através da equação ou interpolação: 𝑋10 = 0,135

Logo: 𝑌11 = 0,236

11° Estágio:

𝑌12 𝑋10 𝑌11 𝑋11


𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌12 ) (1 − 𝑋10 ) (1 − 𝑌11 ) (1 − 𝑋11 )

Para 𝑌11 = 0,236 temos através da equação ou interpolação: 𝑋11 = 0,137

Logo: 𝑌12 = 0,239

12° Estágio:

𝑌13 𝑋11 𝑌12 𝑋12


𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌13 ) (1 − 𝑋11 ) (1 − 𝑌12 ) (1 − 𝑋12 )

Para 𝑌12 = 0,239 temos através da equação ou interpolação: 𝑋12 = 0,138

Logo: 𝑌13 = 0,241

13° Estágio:

𝑌14 𝑋12 𝑌13 𝑋13


𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌14 ) (1 − 𝑋12 ) (1 − 𝑌13 ) (1 − 𝑋13 )

260
Para 𝑌13 = 0,241 temos através da equação ou interpolação: 𝑋13 = 0,139

Logo: 𝑌14 = 0,242

14° Estágio:

𝑌15 𝑋13 𝑌14 𝑋14


𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌15 ) (1 − 𝑋13 ) (1 − 𝑌14 ) (1 − 𝑋14 )

Para 𝑌14 = 0,242 temos através da equação ou interpolação: 𝑋14 = 0,139

Logo: 𝑌15 = 0,243

15° Estágio:

𝑌16 𝑋14 𝑌15 𝑋15


𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛 = 𝐺′ + 𝐿𝑚𝑖𝑛
(1 − 𝑌16 ) (1 − 𝑋14 ) (1 − 𝑌15 ) (1 − 𝑋15 )

Para 𝑌15 = 0,243 temos através da equação ou interpolação: 𝑋15 = 0,140

Logo: 𝑌16 = 0,243

Pronto, nossa jornada acaba aqui, a fração de amônia no gás que sai do estágio
15 deu o mesmo resultado da corrente de gás que sai do estágio 14, ou seja,
o estágio 15 não causou diferenças na absorção, portanto a absorção não
ocorrerá mais.

Enfim, acabamos de encontrar a quantidade de estágios necessários para


dimensionar a nossa coluna de absorção são 15 estágios para que o gás na
entrada caia de uma fração de amônia 0,25 para 0,02 na saída, ou seja, de 25
% para somente 2 %.

9. Construir gráfico da linha de equilíbrio e operação:

Esse passo final é mais para quem está com algum programa em mãos, após você
realizar todos esses cálculos você tem os pontos necessários para criar a
reta de operação da coluna, aquela reta que coexiste com o diagrama de
equilíbrio.

Para plota-la basta utilizar os dados que você encontrou de X e Y, isto é, o


X interpolado e o Y encontrado pelo balanço de massa de cada estágio.

A tabela dos nossos resultados é apresentada abaixo.

261
Perceba que os primeiros dados são aqueles dados lá do enunciado, 𝑋𝑇 e 𝑌𝑇 .

Plotando um gráfico usando os dados do diagrama de equilíbrio e a tabela dos


nossos resultados, temos a nossa reta operacional ideal:

262
Esse gráfico está assim porque tem dados do diagrama de equilíbrio a mais do
que precisamos, para comparar com a reta operacional vamos reduzir os dados
de equilíbrio pela metade:

A outra parte do enunciado da questão que resolvemos dizia:

Construa um gráfico com as linhas de operação (Utilizando L'min e para um


excesso de 50% em relação a esse valor) e de equilíbrio.

263
Quando queremos uma reta de operação de um caso real temos que simplesmente
realizar novamente os cálculos de estágios só que dessa vez com um novo valor
de corrente de gás, e a corrente foi nos dada no enunciado:

1,5 𝐿′𝑚𝑖𝑛 = (1,5)(260,87) = 391,31

Com a mudança do caso ideal para um real o nosso ponto de parada será
modificado, agora já temos os dados de uma reta ideal, então sabemos que a
partir daquele valor não podemos alcançar valores maiores de absorção.

Explicando melhor: quando encontramos a reta ideal nós temos a ciência de


qual é o valor máximo de absorção, mas quando aplicamos uma nova vazão de
gás temos a falsa impressão de que os limites da absorção vão aumentar, então
para isso usamos uma comparação entre os valores da reta ideal com os dados
que encontramos para o real.

Então o nosso critério de parada será: quando os resultados do cálculo de


estágios de um caso real atingirem o máximo valor de absorção visto no caso
ideal, o método termina.

No nosso caso o ideal terminou com o seguinte valor:

𝑌 = 0,243

Então esse será o nosso objetivo na hora de calcular os estágios para a nova
vazão que calculamos, atingir esse valor de absorção.

1° Estágio:

𝑌2 𝑋0 𝑌1 𝑋1
𝐺′ + 𝐿′ = 𝐺′ + 𝐿′
(1 − 𝑌2 ) (1 − 𝑋0 ) (1 − 𝑌1 ) (1 − 𝑋1 )

Para 𝑌1 = 0,02 temos através da equação ou interpolação: 𝑋1 = 0,167

Logo: 𝑌2 = 0,052

2° Estágio:

𝑌3 𝑋1 𝑌2 𝑋2
𝐺′ + 𝐿′ = 𝐺′ + 𝐿′
(1 − 𝑌3 ) (1 − 𝑋1 ) (1 − 𝑌2 ) (1 − 𝑋2 )

Para 𝑌2 = 0,052 temos através da equação ou interpolação: 𝑋2 = 0,04

Logo: 𝑌3 = 0,111

3° Estágio:

264
𝑌4 𝑋2 𝑌3 𝑋3
𝐺′ + 𝐿′ = 𝐺′ + 𝐿′
(1 − 𝑌4 ) (1 − 𝑋2 ) (1 − 𝑌3 ) (1 − 𝑋3 )

Para 𝑌3 = 0,111 temos através da equação ou interpolação: 𝑋3 = 0,077

Logo: 𝑌4 = 0,197

4° Estágio:

𝑌5 𝑋3 𝑌4 𝑋4
𝐺′ + 𝐿′ = 𝐺′ + 𝐿′
(1 − 𝑌5 ) (1 − 𝑋3 ) (1 − 𝑌4 ) (1 − 𝑋4 )

Para 𝑌4 = 0,197 temos através da equação ou interpolação: 𝑋4 = 0,120

Logo: 𝒀𝟓 = 𝟎, 𝟐𝟖𝟑

Pronto ultrapassamos o valor de 0,243, portanto concluímos que 3 estágios e


um pouquinho menos que 1 são o suficiente para a coluna atingir a máxima
absorção de amônia possível nessas condições.

Agora temos os dados da reta operacional real, podemos plota-la junto com a
reta ideal e a curva de equilíbrio.

Lá na frente vamos precisar do 𝑋5 então realizamos logo a interpolação para


encontra-lo: 𝑿𝟓 = 𝟎, 𝟏𝟓𝟓

Veja:

265
Então após obter as comparações entre a nossa reta operacional real e o
diagrama de equilíbrio é hora de realizarmos um desenho de efeito comparativo,
que nos livros é chamado de escadaria.

Essa escadaria é um desenho em formato de degraus plotado em cima do nosso


gráfico, esses degraus relacionam pontos que ligam a curva de equilíbrio e a
reta operacional real, para que tenhamos uma visão do tamanho da diferença
entre o equilíbrio e o caso real.

Basicamente esses degraus representam a quantidade de estágios necessários


para a realização da operação, cada degrau é um estágio.

Para isso não precisamos da reta operacional ideal, somente da reta real e
da curva de equilíbrio. Para plotar essa escadaria você precisa pegar os seus
dados encontrados de X e Y do caso ideal e real e junta-los, um seguido do
outro, para forma os degraus, veja como se faz.

Através dessa tabela plote os dados juntamente com o diagrama de equilíbrio


e a reta operacional real:

266
Por motivos científicos nós precisamos calcular a quantidade de cálculos em
forma de números quebrados, isso é uma forma de visualizar uma porcentagem
de o quanto vamos usar o último estágio da coluna.

Para isso, você vai pegar o valor desejado para o fundo da coluna, no
enunciado 𝑌𝐹 = 0,25, e relacionar com os dados dos dois últimos estágios, como
se fosse uma interpolação:

𝑌𝐹 − 𝑌𝑁−1 𝑌𝐹 − 𝑌4 0,25 − 0,197


𝑥= = = = 0,62
𝑌𝑁 − 𝑌𝑁−1 𝑌5 − 𝑌4 0,283 − 0,197

Então, nós vamos utilizar somente 62 % do último estágio da coluna, então em


termos científicos a quantidade de estágios da nossa coluna de absorção:

𝑒𝑠𝑡á𝑔𝑖𝑜𝑠 = 3 + 0,62 = 3,62

Esse resultado é quebrado mesmo, isso porque ainda não estamos determinando
com a total certeza a quantidade de estágios que a nossa coluna vai ter,
porque o que vimos aqui é algo ideal, perfeito, tudo acontecendo perfeitamente
pelo balanço de massa, mas você sabe que a vida real não é assim.

Dessa forma, outros tipos de análises como de eficiência, resistência, perda


de carga, balanço de energia etc. devem ser realizados a fim de corrigir esse
resultado que encontramos para um resultado mais próximo do real e não tão
fantasioso como o ideal.

267
7.18 EXERCÍCIOS RESOLVIDOS DE ABSORÇÃO

Questão 1: Razões econômicas e ambientais indicam a necessidade de recuperar uma


corrente de gás contendo 30% de amônia e 70% de ar, em volume. Para tal, um engenheiro
químico pretende utilizar uma torre de absorção que opera em contracorrente com água
limpa, a uma pressão de 1 bar. Considerando os dados da figura abaixo para o
equilíbrio NH3-Ar, qual é o número mínimo de moles de água necessário, para cada
100 moles de gás de entrada, para que se recuperem 99% da amônia?

Fonte: CESGRANRIO, 2012.

Os dados fornecidos no enunciado são:

✣ 𝑦𝑓 = 0,30

✣ 𝑃 = 1 𝑏𝑎𝑟

✣ 𝐺𝑓 = 100 𝑚𝑜𝑙𝑠

✣ 𝑅𝑒𝑐𝑢𝑝𝑒𝑟𝑎𝑟 99 %

✣ 𝑥𝑡 = 0 (á𝑔𝑢𝑎 𝑝𝑢𝑟𝑎)

✣ 𝐿𝑡 =?

Então queremos saber a quantidade mínima de água que podemos usar para
absorver 99 % de amônia presente em 100 mols da corrente gasosa.

268
Vou lhe dar uma dica: sempre quando começar uma questão desse tipo, seja qual
for, se envolver balanço de massa sempre monte a equação completa, aí conforme
você vai encontrando os dados você vai riscando aquilo que você encontrou na
equação até que se acabe tudo.

Você já sabe que o balanço de massa de uma torre de absorção é assim:

𝐺𝑓 𝑦𝑓 + 𝐿𝑡 𝑥𝑡 = 𝐺𝑡 𝑦𝑡 + 𝐿𝑓 𝑥𝑓

O que nós temos? Veja os dados que a questão lhe deu:

𝐺𝑓 𝑦𝑓 + 𝐿𝑡 𝑥𝑡 = 𝐺𝑡 𝑦𝑡 + 𝐿𝑓 𝑥𝑓

Primeiramente encontramos a quantidade de gás que sai pelo topo da coluna:

𝐺𝑡 = 𝐺𝑖𝑛𝑒𝑟𝑡𝑒 + 𝑁𝐻3 𝑛ã𝑜 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎

Que se calcula assim:

𝐺𝑡 = 𝐺𝑓 (1 − 𝑦𝑓 ) + (0,01)𝐺𝑓 𝑦𝑓

Veja que o gás inerte é tudo aquilo que não é amônia, logo, se 𝑦𝑓 é a
quantidade de amônia presente no gás de fundo então o oposto dele é a
quantidade de gás inerte. Já a quantidade de amônia não absorvida é fácil de
saber, basta olhar para a eficiência desejada, no caso é 99 % então vai ter
1 % de amônia que não conseguirá ser absorvidade.

𝐺𝑡 = (100)(1 − 0,30) + (0,01)(100)(0,30) = 70,3 𝑚𝑜𝑙𝑠

Assim riscamos mais um na equação:

𝐺𝑓 𝑦𝑓 + 𝐿𝑡 𝑥𝑡 = 𝐺𝑡 𝑦𝑡 + 𝐿𝑓 𝑥𝑓

Com essas informações nós conseguimos encontrar a fração de amônia no gás de


topo. O que você imagina que tem no gás de topo? Veja só, o gás saiu do fundo
com 100 % de amônia que é 0,3, top, aí ele sobe a coluna inteira até chegar
no topo, lá esses 100 % foram absorvidos pelo líquido, então o quanto é que
sobra de amônia?

A quantidade de amônia não absorvida! Claro. Fique esperto, não fique


patetando, é tudo lógica.

Quando temos uma fração de algo significa que estamos dividindo uma parte
pelo todo, então a fração de amônia no topo é a quantidade de amônia não
absorvida, presente no gás, pela quantidade gás de topo:

269
𝑁𝐻3 𝑛ã𝑜 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 (0,01)(100)(0,3)
𝑦𝑡 = = = 0,0043
𝐺𝑡 70,3

Mais um dado encontrado:

𝐺𝑓 𝑦𝑓 + 𝐿𝑡 𝑥𝑡 = 𝐺𝑡 𝑦𝑡 + 𝐿𝑓 𝑥𝑓

Você se lembra que através das tabelas de equilíbrio existe uma relação
direta y𝑓 e 𝑥𝑓 ? Não? Então, é pra isso que serve aquele gráfico no enunciado
da questão, não, aquilo não era um enfeite.

Menos um para nossa dor de cabeça:

𝐺𝑓 𝑦𝑓 + 𝐿𝑡 𝑥𝑡 = 𝐺𝑡 𝑦𝑡 + 𝐿𝑓 𝑥𝑓

Falta muito pouco, e se eu te disser que dá para encontrar o 𝐿𝑓 agora, como


você acha que aconteceria isso?

Bicho vou te explicar uma coisa, entenda que se você sabe a quantidade de
amônia que entra e sai e tem em mãos a concentração de uma certa corrente
você encontra facilmente a vazão dessa corrente igual como fizemos para
encontrar 𝑦𝑡 .

Agora estamos falando o líquido de fundo, ele inicialmente é puro, então tudo
que tiver de amônia dele foi retirado da corrente gasosa. E nós sabemos o
quanto de amônia foi absorvido? Sim, nós sabemos.

A vazão de líquido de fundo será encontrada através da quantidade de amônia


absorvida e da concentração 𝑥𝑓 :

𝑁𝐻3 𝐴𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 𝐺𝑓 𝑦𝑓 (0,99)


𝐿𝑓 = = = 418,3 𝑚𝑜𝑙
𝑥𝑓 0,071

270
Agora que temos a vazão do líquido de fundo é só usar a lógica, se o líquido
de fundo é o líquido puro mais a quantidade de amônia absorvida então o
líquido de topo é só o líquido puro, sem nada de amônia, então é fácil ver
que:

𝐿𝑡 = 𝐿𝑓 − 𝑁𝐻3 𝐴𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 418,3 − 29,7 = 388,6 𝑚𝑜𝑙

Veja que não usamos o balanço de massa para encontrar o líquido do topo pelo
simples motivo dele ser puro, então 𝑥𝑡 = 0, logo é impossível calcular através
do balanço de massa, mas se você fizer o balanço de massa global, aí sim
pode:

Gf + Lt = Gt + Lf → 100 + 𝐿𝑡 = 70,3 + 418,3 → 𝑳𝒕 = 𝟑𝟖𝟖, 𝟔 𝒎𝒐𝒍

Questão 2: Uma coluna de absorção foi dimensionada para absorver 90% de uma
substância de massa molar igual a 50 kg/kmol, presente em uma corrente de ar, usando
água pura como solvente. O teor dessa substância no ar é de 40% em base molar e, na
solução aquosa formada, é de 25% em massa. Considerando-se que sejam desprezíveis a
solubilidade do ar na água e a evaporação da água, a razão molar entre a água usada
como solvente e a corrente de ar a ser tratada é?

Os dados que podemos extrair do enunciado são:

✣ Absorver 90 %;

✣ MM = 50 kg/kmol

✣ 𝑦𝑓 = 0,40

✣ 𝑥𝑓 = 0,25 (𝑚𝑎𝑠𝑠𝑎)

✣ 𝑥𝑡 = 0

Como de praxe, vamos montar nosso balanço de massa:

Gf yf + Lt xt = Gt yt + Lf xf

Dê uma olhada nisso aí, temos somente dois dados que nem entrada ou saída
são, isso é um problema, não podemos encontrar relações se não temos nenhum
dado de entrada ou saída, você vai relacionar o que? Para isso você terá que
escolher uma base de cálculo, você vai escolher a vazão de gás de fundo que
você quiser para poder iniciar os cálculos.

271
Eu escolho Gf = 100 kmol

O enunciado diz claramente “a razão molar entre a água usada como solvente e
a corrente de ar a ser tratada”, ou seja, temos que encontrar uma razão de
𝐿𝑡 por 𝐺𝑓 , então nosso maior objetivo aqui será encontrar o líquido de topo
da coluna.

Já tenha em mente uma coisa: quando você tem a corrente de entrada do gás e
a quantidade que você deseja absorver rapidamente você consegue encontrar os
dados de gás de topo, substância absorvida e substância não absorvida e a
partir daí você segue para os demais dados, igual como fizemos na questão
anterior:

𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑁ã𝑜 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 𝐺𝑓 𝑦𝑓 (0,1) = 4 𝑘𝑚𝑜𝑙

𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 𝐺𝑓 𝑦𝑓 (0,9) = 36 𝑘𝑚𝑜𝑙

𝐺 ′ (𝑖𝑛𝑒𝑟𝑡𝑒) = 𝐺𝑓 (1 − 𝑦𝑓 ) = 60 𝑘𝑚𝑜𝑙

𝐺𝑡 = 𝐺 ′ + 𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑁ã𝑜 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 64 𝑘𝑚𝑜𝑙

Com esses dados agora encontramos 𝑦𝑡 :

𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑁ã𝑜 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 4


𝑦𝑡 = = = 0,062
𝐺𝑡 64

Até agora já temos:

Gf yf + Lt xt = Gt yt + Lf xf

Vamos logo encontrar a vazão de líquido no fundo, mas temos que prestar
atenção, temos que no enunciado diz que 𝑥𝑓 é uma relação massa/massa, então
temos que usar a massa molar da substância agora:

𝑘𝑔
𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = (36 𝑘𝑚𝑜𝑙) (50 ) = 1800 𝑘𝑔
𝑘𝑚𝑜𝑙

Logo:

𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 1800


𝐿𝑓 = = = 7200 𝑘𝑔
𝑥𝑓 0,25

E nós sabemos que, lembrando que o líquido de topo é água pura:

272
5400 𝑘𝑔
𝐿𝑡 = 𝐿𝑓 − 𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 7200 − 1800 = = 300 𝑘𝑚𝑜𝑙
𝑘𝑔
18
𝑘𝑚𝑜𝑙

Então podemos encontrar o que a questão pede:

𝐿𝑡 300 𝑘𝑚𝑜𝑙
= =3
𝐺𝑓 100 𝑘𝑚𝑜𝑙

Questão 3: 100 mol/h de uma mistura amônia-ar, considerada ideal, contendo 15% em
volume de amônia, entram em uma coluna de absorção em contracorrente para serem
tratados com água pura de modo a recuperar 95% da amônia. A relação solvente
líquido/solvente gasoso é 2. A razão molar de amônia no produto líquido e a vazão
do solvente, em mol/h, são, respectivamente?

Dados extraídos do enunciado:

✣ 𝐴𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑒𝑟 95 %

✣ 𝐺𝑓 = 100 𝑚𝑜𝑙/ℎ

✣ 𝐿/𝐺 = 2

✣ 𝑦𝑓 = 0,15

✣ 𝑥𝑡 = 0 (𝑝𝑢𝑟𝑜)

O objetivo dessa questão é somente encontrar a vazão de líquido no fundo e a


composição de amônia nesse líquido. Veja nosso balanço de massa:

Gf yf + Lt xt = Gt yt + Lf xf

Nós temos uma boa informação que é:

𝐿
=2
𝐺

Segundo o enunciado essa é a relação entre o solvente líquido e o solvente


gasoso, ou seja, líquido de topo e gás de fundo, legal, só que quando ele
fala solvente gasoso ele quer dizer que é tudo que não é amônia, ou seja, é
a quantidade de gás inerte.

Então calculamos:

𝐺 ′ = 𝐺𝑓 (1 − 𝑦𝑓 ) = 100(1 − 0,15) = 85,0 𝑘𝑚𝑜𝑙/ℎ

273
Portanto:

𝐿 = 2𝐺 ′ = 170 𝑘𝑚𝑜𝑙/ℎ

Logo, nosso balanço de massa tem mais um dado:

Gf yf + Lt xt = Gt yt + Lf xf

Através da quantidade de amônia que sabemos que será absorvida e dos dados
disponíveis encontramos as seguintes informações:

𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑁ã𝑜 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 𝐺𝑓 𝑦𝑓 (0,05) = 0,75 𝑘𝑚𝑜𝑙/ℎ

𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 𝐺𝑓 𝑦𝑓 (0,95) = 14,25 𝑘𝑚𝑜𝑙/ℎ

𝐺𝑡 = 𝐺 ′ + 𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑁ã𝑜 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 85,75 𝑘𝑚𝑜𝑙/ℎ

Agora podemos encontrar a fração de amônia no topo:

𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑁ã𝑜 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 0,75


𝑦𝑡 = = = 0,0088
𝐺𝑡 85,75

Estamos perto de acabar, nosso balanço de massa está assim:

Gf yf + Lt xt = Gt yt + Lf xf

Encontramos o líquido de fundo através da informação que temos sobre o líquido


de topo:

𝐿𝑓 = 𝐿𝑡 + 𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 170 + 14,25 = 184,25 𝑘𝑚𝑜𝑙/ℎ

O xeque mate pode vir de duas formas, ou pelo balanço de massa ou pela relação
da vazão com a fração:

Gf yf + Lt xt − Gt yt (100)(0,15) + (170)(0) − (85,75)(0,0088)


xf = = = 0,077
𝐿𝑓 184,25

𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 14,25


𝑥𝑓 = = = 0,077
𝐿𝑓 184,25

Questão 4: No processo de absorção de H2S por DEA para a eliminação de gases ácidos
de correntes gasosas, a eficiência da remoção de enxofre atinge 98%. Nesse processo,
uma corrente de gás natural, com vazão mássica de 3 t/h, contendo 15% de H2S, é
tratada com 2t/h de uma corrente contendo água e DEA. A fração mássica de H2S na
corrente de líquido efluente da coluna de absorção é?

274
Dados extraídos do enunciado:

✣ Lt = 2 t/h

✣ Absorver 95 %

✣ Gf = 3 t/h

✣ yf = 0,15

A questão pede basicamente para encontramos a fração da substância no líquido


de fundo, as informações que temos são:

Gf yf + Lt xt = Gt yt + Lf xf

Já podemos começar encontrando aqueles dados que já venho explicando a quatro


questões atrás:

𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑁ã𝑜 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 𝐺𝑓 𝑦𝑓 (0,05) = 0,022 𝑡/ℎ

𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 𝐺𝑓 𝑦𝑓 (0,95) = 0, 43 𝑡/ℎ

𝐺 ′ (𝑖𝑛𝑒𝑟𝑡𝑒) = 𝐺𝑓 (1 − 𝑦𝑓 ) = 2,55 𝑡/ℎ

𝐺𝑡 = 𝐺 ′ + 𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑁ã𝑜 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 2,57 𝑡/ℎ

Agora podemos encontrar o líquido de fundo:

𝐿𝑓 = 𝐿𝑡 + 𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 2,43 𝑡/ℎ

Por fim encontramos o que a questão pede:

𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 0,43


𝑥𝑓 = = = 0,18 = 18 %
𝐿𝑓 2,43

Questão 5: Deseja-se remover etanol de uma corrente de ar, cujo teor de etanol é
igual a 30% em base molar. Para tal, foi dimensionada uma coluna de absorção para
remover 87% do etanol presente na corrente de ar, empregando-se água pura como
solvente. Na solução aquosa formada, o teor de etanol é de 25% em massa. Considerando
desprezíveis a solubilidade do ar na água e a não ocorrência de evaporação da água,
qual é a razão molar entre a água usada como solvente e a corrente de ar a ser
tratada?

275
Dados:

• Massa molar do etanol = 46 kg/kmol

• Massa molar do hidrogênio = 1 kg/kmol

• Massa molar do oxigênio = 16 kg/kmol

• Massa molar do ar = 29 kg/kmol

Dados extraídos do enunciado:

✣ 𝑥𝑓 = 0,25 (massa)

✣ 𝑦𝑓 = 0,30

✣ 𝑥𝑡 = 0 (𝑝𝑢𝑟𝑜)

✣ 𝐴𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑒𝑟 87 %

Veja os dados que temos expressos no balanço de massa:

Gf yf + Lt xt = Gt yt + Lf xf

Não tem qualquer informação de entrada ou saída, não tem como resolver, logo
temos que usar uma base de cálculo:

𝐺𝑓 = 100 𝑘𝑚𝑜𝑙

Veja que o enunciado quer a razão entre o solvente líquido e a corrente de


ar a ser tratada, logo temos que encontra o 𝐿𝑡 e dividir pela nossa base de
cálculo 𝐺𝑓 .

A diferença básica entre esta questão e aquela que pediu o “solvente gasoso”
é que quando o enunciado fala solvente ele fala de algo puro, sem concentração
da substância, mas quando ele fala “corrente de ar a ser tratada” ele já
subentende que existe uma parcela de substâncias na corrente gasosa.

Vamos encontrar os dados mais importantes:

𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑁ã𝑜 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 𝐺𝑓 𝑦𝑓 (0,13) = 3,9 𝑘𝑚𝑜𝑙

𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 𝐺𝑓 𝑦𝑓 (0,87) = 26,1 𝑘𝑚𝑜𝑙

𝐺 ′ (𝑖𝑛𝑒𝑟𝑡𝑒) = 𝐺𝑓 (1 − 𝑦𝑓 ) = 70 𝑘𝑚𝑜𝑙

276
𝐺𝑡 = 𝐺 ′ + 𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑁ã𝑜 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 73,9 𝑘𝑚𝑜𝑙

Agora nosso balanço fica assim:

Gf yf + Lt xt = Gt yt + Lf xf

Nós temos 𝑥𝑓 em mãos, ou seja, podemos encontrar a vazão de líquido no fundo,


lembrando que a fração

𝑘𝑔
𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 (26,1 𝑘𝑚𝑜𝑙) (46 𝑘𝑚𝑜𝑙 )
𝐿𝑓 = = = 4802,4 𝑘𝑔
𝑥𝑓 0,25

Então encontramos a corrente de líquido no topo:

(3601,8 𝑘𝑔)
𝐿𝑡 = 𝐿𝑓 − 𝑆𝑢𝑏𝑠. 𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = = 200,1 𝑘𝑚𝑜𝑙
𝑘𝑔
(18 )
𝑘𝑚𝑜𝑙

Por fim encontramos o que a questão pede:

𝐿 200,1
= =2
𝐺 100

Aqui acaba nossa história.

7.19 DESSORÇÃO

Já estudamos muita coisa sobre a absorção, não é mesmo? Então, saiba que ao
mesmo tempo que você estudou absorção você também estudou dessorção, mas como
assim?

As propriedades e todos os estudos fenomenológicos que foram apresentados a


você sobre absorção também se aplicam na dessorção, só que os pensamentos
são opostos, ou seja, o que para absorção é direita para a dessorção é
esquerda, é mais ou menos esse o pensamento.

Então, não vai ser muito difícil entender a dessorção, eu vou lhe mostrar e
comparar tudo que vimos na absorção e como podemos tirar o entendimento para
a dessorção através disso.

O que seria a dessorção?

277
A dessorção é o processo inverso da absorção, ou seja, em vez da transferência
de massa ocorrer do gás para o líquido na dessorção dessa vez será do líquido
para um gás.

Porque alguém faria isso?

Pense em uma indústria química que produz um efluente altamente tóxico e


corrosivo que torna muito difícil o seu tratamento por métodos convencionais
para água de esgoto, para retirar essas substâncias do efluente pode ser
realizado um método de dessorção aonde um gás irá remover grande quantidade
dessas substâncias do líquido facilitando seu tratamento. Para casos como
esse se faz importante o conhecimento sobre dessorção.

7.19.1 Balanço de Massa

A grande mudança nas nossas análises da coluna de dessorção é que em vez do


líquido entrar puro ou com baixíssima concentração da substância dessa vez
ele entrará carregado e o gás entrará puro ou quase puro.

Lembra que nós realizamos o balanço de massa no topo da coluna? Ainda sabe
qual é o motivo? Então, nós fizemos isso porque o objetivo maior é entender
como o gás estava saindo da coluna porque nosso maior objetivo é absorver a
maior quantidade de soluto do gás possível. Agora com essa mudança na
dessorção o nosso balanço vai mudar, dessa vez para o fundo da coluna, pelo
mesmo motivo que expliquei acima, nós queremos saber o quanto de soluto foi
retirado do líquido então o nosso foco será para o fundo aonde está a corrente
de saída do líquido.

278
O nosso balanço de massa fica:

𝐺𝐹 𝑦𝐹 + 𝐿𝑥 = 𝐺𝑦 + 𝐿𝐹 𝑥𝐹

Logo a reta operacional fica:

𝐿 𝐺𝐹 𝑦𝐹 − 𝐿𝐹 𝑥𝐹
𝑦= 𝑥+
𝐺 𝐺

Muito parecido com a equação do balanço de massa


para o topo da coluna:

𝐿 𝐺𝑡 𝑦𝑡 − 𝐿𝑡 𝑥𝑡
𝑦= 𝑥+
𝐺 𝐺

A partir daí pensamento análogos da absorção


serão aplicados a dessorção. Fonte: Seader, 2011.

O maior impacto nessa modificação da equação da reta operacional para a


dessorção é a posição dela no gráfico com a curva de equilíbrio, enquanto a
reta operacional da absorção fica acima da curva a reta para a dessorção fica
abaixo, como você pode observar na figura abaixo:

Fonte: Seader, 2011, editado pelo autor.

7.19.2 Altura da Coluna e Análises de Eficiência

Assim como nós focamos na fase gasosa para encontrar a altura da coluna de
absorção nós vamos focar na fase líquida para o caso da dessorção, isso
porque na absorção a resistência a transferência de massa geralmente é do
gás porque o líquido possui maior afinidade ao soluto, mas na dessorção quem
tem que ter maior afinidade é o gás se não a dessorção nunca vai ocorrer,
portanto:

279
𝐿 𝑑𝑥
𝑍=− ∫
𝑠𝐾𝑥 𝑎 𝑥𝐴𝐿 − 𝑥𝐴∗

Veja, a altura está relacionada com a vazão de líquido, a resistência global


a transferência de massa que ele apresenta e a força motriz do líquido para
uma concentração 𝑥𝐴𝐿 até o equilíbrio 𝑥𝐴∗ .

No caso da nossa resistência global a equação deve ser também em relação ao


líquido, o que já foi apresentado aqui:

1 1 1
= +
𝐾𝑥 𝑘𝑥 𝑚𝑘𝑦

Em consequência disso a análise de eficiência do processo fica:

𝐿
𝐻𝑇𝑈𝐿𝑂 = 𝐻𝑇𝑈𝐿 + 𝐻𝑇𝑈𝐺
𝐺𝑚

Na análise da eficiência da absorção, quando a fase gasosa apresenta baixa


solubilidade para o soluto a resistência do processo se concentra
majoritariamente na fase líquida, sendo a gasosa desprezível, você perceber
que a mesma coisa se aplica aqui, mas a diferença é interpretar o que esses
resultados nos trazem.

Ora, a solubilidade baixa do gás na absorção é boa, porque nós queremos


retirar dele, mas na dessorção isso é ruim porque nós estamos querendo tirar
do líquido e não do gás.

Então a predominância da resistência na fase líquida na dessorção é ruim,


pois se tornará mais difícil tirar o soluto dele podendo até tornar o processo
inviável.

7.19.3 Efeito da Pressão

O que vimos no efeito da pressão para absorção é que ao aumentar a pressão


do sistema a reta operacional e a curva de equilíbrio tendem a se inclinar
para baixo, logo, a quantidade de concentração do soluto no líquido se torna
maior.

A consequência disso é que cada vez menos líquido será necessário para se
retirar uma certa quantidade de soluto da corrente gasosa, portanto a retirada
se torna mais fácil.

280
Mas e na dessorção? Então, como eu disse lá em cima na introdução, a dessorção
é o oposto da absorção, portanto o que é bom para absorção é ruim para a
dessorção e vice-versa, logo você deve começar a entender que se o aumento
da pressão favorece a absorção então baixar a pressão favorecerá a dessorção.

Basicamente o que ocorre é que a reta operacional e a curva de equilíbrio se


inclinam para cima ao baixar a pressão, então, lembrando que a reta
operacional da dessorção fica abaixo da curva de equilíbrio, é algo bom que
a reta venha se inclinar para cima.

O significado disso pode ser entendido através de um exemplo: no refrigerante


que você toma ou já tomou, o gás que está solubilizado dentro dele só está
lá por causa da alta pressão exercida sobre ele, então alta pressão é bom
para solubilidade do gás no líquido. Como na dessorção o que nós queremos é
retirar o soluto do líquido então o que devemos fazer é oposto, baixar a
pressão, isso irá desestimular a solubilidade do soluto no líquido, então
para uma dada pressão o líquido tem X quantidade de soluto, mas ao baixar a
pressão essa quantidade cai para X/2 (por exemplo).

7.19.4 Cálculos de Dessorção

Vimos muitos cálculos para absorção aqui, é tudo muito básico, é balanço de
massa, mas como esses cálculos ficariam em um caso de dessorção?

Primeiro que os dados mais importantes seriam o do líquido a partir de agora


e depois o vem o da corrente gasosa para complementar, por exemplo:

✣ 𝑥𝑡 = 0,5

✣ 𝐿𝑡 = 300 𝑚𝑜𝑙𝑠

✣ 𝑅𝑒𝑐𝑢𝑝𝑒𝑟𝑎𝑟 90 %

✣ 𝑦𝑡 = 0,25

✣ 𝑦𝑓 = 0 (𝑔á𝑠 𝑝𝑢𝑟𝑜)

Se você manja do balanço de massa não será dificuldade fazer cálculos de


dessorção, tudo segue uma mesma lógica.

Através dos dados que foram fornecidos podemos encontrar estas informações:

𝑠𝑢𝑏𝑠. 𝑑𝑒𝑠𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 𝑥𝑡 𝐿𝑡 (0,9) = (0,5)(300)(0,9) = 135 𝑚𝑜𝑙

281
𝑠𝑢𝑏𝑠. 𝑛ã𝑜 𝑑𝑒𝑠𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 𝑥𝑡 𝐿𝑡 (0,1) = (0,5)(300)(0,1) = 15 𝑚𝑜𝑙

𝐿′ (𝑖𝑛𝑒𝑟𝑡𝑒) = 𝐿𝑡 (1 − 𝑥𝑡 ) = 300(1 − 0,5) = 150 𝑚𝑜𝑙

𝐿𝑓 = 𝐿′ + 𝑠𝑢𝑏𝑠. 𝑛ã𝑜 𝑑𝑒𝑠𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 150 + 15 = 165 𝑚𝑜𝑙

Veja a semelhança entre os cálculos de dessorção e absorção, nossos dados no


balanço de massa ficam:

𝐺𝐹 𝑦𝐹 + 𝐿𝑡 𝑥𝑡 = 𝐺𝑡 𝑦𝑡 + 𝐿𝐹 𝑥𝐹

Podemos encontrar a fração presente no líquido de fundo:

𝑠𝑢𝑏𝑠. 𝑛ã𝑜 𝑑𝑒𝑠𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎


𝑥𝑓 = = 0,1
𝐿𝑓

E também a vazão de gás de topo:

𝑠𝑢𝑏𝑠. 𝑑𝑒𝑠𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 135


𝐺𝑡 = = = 540 𝑚𝑜𝑙
𝑦𝑡 0,25

Logo:

𝐺𝑓 = 𝐺𝑡 − 𝑠𝑢𝑏𝑠. 𝑑𝑒𝑠𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 540 − 135 = 405 𝑚𝑜𝑙

Assim nosso balanço de massa fica completo:

𝐺𝐹 𝑦𝐹 + 𝐿𝑡 𝑥𝑡 = 𝐺𝑡 𝑦𝑡 + 𝐿𝐹 𝑥𝐹

Perceba que a diferença no quesito cálculo é nenhuma, é só seguir o balanço


de massa que vai dar tudo certo.

Para o cálculo de estágio usamos as mesmas equações, mas devemos observar


que a absorção conta os pratos de cima para baixo, mas a dessorção e de baixo
para cima, perceba ainda que dessa vez não nos preocupamos com a vazão mínima
de líquido e sim a de gás:

𝐺𝑚𝑖𝑛 = 𝐺𝑓 (1 − 𝑦𝑓 ) 𝐿′ = 𝐿𝑡 (1 − 𝑥𝑡 )

𝑌0 𝑋2 𝑌1 𝑋1
𝐺𝑚𝑖𝑛 + 𝐿′ = 𝐺𝑚𝑖𝑛 + 𝐿′
1 − 𝑌0 1 − 𝑋2 1 − 𝑌1 1 − 𝑋1

Veja o que essas numerações significam na nossa análise: o gás está entrando
fundo do fundo, estágio zero, enquanto o líquido que entra no estágio 1 está
vindo de cima, estágio 2, já na saída temos o gás e o líquido que saem ao
mesmo tempo do estágio 1.

282
Qual é a diferença nos cálculos de estágios? Simples: para absorção o seu
objetivo era realizar os cálculos de balanço de massa até encontrar as
informações mínimas para os estágios, que eram:

✣ Vazão mínima de líquido;

✣ Vazão de gás inerte;

✣ Fração do líquido de topo;

✣ Fração do gás de topo;

✣ Fração do líquido no 1° estágio (através da fração do gás de topo).

A partir daí você iria prosseguir seus cálculos até que as concentrações do
próximo estágio (𝑌𝑛+1 ) comece a repetir, indicando limite de absorção.

Agora como as coisas estão opostas na dessorção os dados necessários para


vocês começar seu cálculo de estágio são:

✣ Vazão mínima de gás (𝐺𝑚𝑖𝑛 );

✣ Vazão de líquido inerte (𝐿′ );

✣ Fração do gás de fundo (𝑌0 );

✣ Fração do líquido de fundo (𝑋1);

✣ Fração do gás no 1° estágio (𝑌1 ) (através da fração de 𝑋1).

𝑌0 𝑋2 𝑌1 𝑋1
𝐺𝑚𝑖𝑛 + 𝐿′ = 𝐺𝑚𝑖𝑛 + 𝐿′
1 − 𝑌0 1 − 𝑋2 1 − 𝑌1 1 − 𝑋1

Então com esses dados você encontraria 𝑋2 e prosseguiria seus cálculos até
que os valores de 𝑋𝑁+1 se repitam. Pronto, você acabou de aprender a encontrar
a quantidade de estágios de uma coluna de dessorção.

7.20 TORRES DE RESFRIAMENTO

Aprendemos no capítulo anterior como projetar uma torre de resfriamento,


porém as informações não são o suficiente para termos dados de projetos
concretos, justamente porque só temos dados de massa e energia, então só com
essas informações nós podemos fazer um projeto qualquer a fim de maximizar o

283
contato ar – água, só que isso pode trazer gastos desnecessários, que tal
termos dados exatos de umidade, temperatura, altura da coluna e vazão de ar?
Vamos ver como fazer isso agora. Observe o esquema abaixo apresentado por
Geankoplis, 1993:

Fonte: Geankoplis, 1993.

Aonde cada essas variáveis são apresentadas abaixo:

𝐿 = fluxo de água

𝑇𝐿 = temperatura da água

𝐺 = fluxo de ar seco

𝑇𝐺 = temperatura do ar

𝐻 = umidade do ar
284
𝐻𝑦 = entalpia da mistura de vapor - água

Aonde a entalpia pode ser encontrada da seguinte forma:

𝐻𝑦 = (1,005 + 1,88𝐻)103 (𝑇 − 0) + 2,501 × 106 𝐻 (𝑆. 𝐼. )

𝐻𝑦 = (0,24 + 0,45𝐻)(𝑇 − 32) + 1075,4𝐻 (𝑆. 𝐼𝑛𝑔𝑙ê𝑠)

Observe novamente a imagem que apresentei a você quando falei de torres de


resfriamento:

Fonte: Geankoplis, 1993.

Segundo Geankoplis, 1993, a transferência de calor latente é dada da seguinte


forma, com uma equação que envolve transferência de energia e massa em
conjuntos considerando um caso adiabático:
𝑞𝜆
= 𝑀𝐵 𝑘𝐺 𝑎𝑃𝜆0 (𝐻𝑖 − 𝐻𝐺 )𝑑𝑧
𝐴

Aonde 𝑀𝐵 é a massa molecular do ar; 𝑘𝐺 𝑎 é o coeficiente de transferência de


massa volumétrico do gás (ar); 𝑃 é a pressão; 𝜆0 é o calor latente da água;
𝐻𝑖 é a umidade do gás (ar) na interface; 𝐻𝐺 é a umidade do gás no seu seio.

285
E a transferência de calor latente é dada assim:

𝑞𝑠
= ℎ𝐺 𝑎(𝑇𝑖 − 𝑇𝐺 )𝑑𝑧
𝐴

Aonde ℎ𝐺 𝑎 é o coeficiente de transferência de energia no gás (ar).

Através dessas informações e do esquema que temos da coluna de absorção, que


na verdade é uma torre de resfriamento, encontramos o cálculo do tamanho da
coluna:
𝑧
𝐻𝑦2 𝑑𝐻𝑦
𝐺
∫ 𝑑𝑧 = 𝑧 = ∫
𝑀𝐵 𝑘𝐺 𝑎𝑃 𝐻𝑦 𝐻𝑦𝑖 − 𝐻𝑦
0 1

Ou:
𝐻𝑦2 𝑑𝐻𝑦
𝑧 = 𝐻𝐺 ∫
𝐻𝑦 𝐻𝑦𝑖 − 𝐻𝑦
1

Aonde esse valor de entalpia na interface pode ser substituído ao usar um


valor de equilíbrio, igual quando vimos na lei de Henry, trocando o
coeficiente de transferência de massa pelo coeficiente global (𝐾𝐺 ), que nós
também vimos aqui:
𝐻𝑦2 𝑑𝐻𝑦
𝐺
𝑧= ∫ ∗
𝑀𝐵 𝐾𝐺 𝑎𝑃 𝐻𝑦 𝐻𝑦 − 𝐻𝑦
1

Ou:
𝐻𝑦2 𝑑𝐻𝑦
𝑧 = 𝐻𝑂𝐺 ∫
𝐻𝑦 𝐻𝑦∗ − 𝐻𝑦
1

Através de um balanço de massa global analisado através do esquema da torre


nós podemos encontrar a seguinte equação:

𝐺 (𝐻𝑦 2 − 𝐻𝑦 1 ) = 𝐿𝑐𝐿 (𝑇𝐿 2 − 𝑇𝐿 1 )

Aonde esse 𝑐𝐿 é a capacidade calorífica do líquido (água).

Os fluxos mássicos da água e do ar podem ser representados pelas seguintes


equações geradas do balanço de massa:

𝐿𝑐𝐿 𝑑𝑇𝐿 = 𝐺𝑑𝐻𝑦 = 𝑎ℎ𝐿 𝑑𝑧(𝑇𝐿 − 𝑇𝑖 )

286
𝐺𝑑𝐻𝑦 = 𝑀𝐵 𝑘𝐺 𝑎𝑃𝑑𝑧 (𝐻𝑦 − 𝐻𝑦 )
𝑖

Essas duas equações podem ser igualadas formando:

ℎ𝐿 𝑎 𝐻𝑦 − 𝐻𝑦
− = 𝑖
𝑘𝐺 𝑎𝑀𝐵 𝑃 𝑇𝑖 − 𝑇𝐿

Com as informações acima você agora consegue formar uma reta operacional e
analisar uma curva de equilíbrio para o caso da água e ar igual como
Geankoplis, 1993, faz logo abaixo:

Fonte: Geankoplis, 1993.

Através do ponto P – R você encontra o valor da entalpia no equilíbrio 𝐻𝑦∗ na


linha de equilíbrio, sendo o ponto P representante dos valores de entalpia
da mistura e a temperatura do líquido e o ponto M representante dos valores
da interface entre as fases. Os pontos M – S representam a força motriz da
operação, ou seja, 𝐻𝑦 𝑖 − 𝐻𝑦 .

287
Geankoplis, 1993, nos disponibiliza dados de equilíbrio para o caso de água
e ar:

Fonte: Geankoplis, 1993.

Geankoplis (1993): Uma coluna de recheios usada como torre de resfriamento


usa ar em contracorrente numa taxa de 𝐺 = 1,356 𝑘𝑔 𝑎𝑟 𝑠𝑒𝑐𝑜 /𝑠𝑚2 para resfriar água
a uma taxa de 𝐿 = 1,356 𝑘𝑔/𝑠𝑚2 numa temperatura de 𝑇𝐿 2 = 43,3 °𝐶 até 𝑇𝐿 1 = 29,4 °𝐶. O
ar que entra a 29,4 °C possui temperatura de bulbo úmido de 23,9 °C. O
coeficiente de transferência mássica 𝑘𝐺 é estimado em 1,207 × 10−7 𝑘𝑔 𝑚𝑜𝑙/𝑚3 𝑠𝑃𝑎 e
ℎ𝐿 𝑎/𝑘𝐺 𝑎𝑀𝐵 𝑃 = 4,187 × 104 𝐽/𝑘𝑔𝐾. Calcule o tamanho da torre de resfriamento
recheada. A torre opera numa pressão de 1,013 × 105 𝑃𝑎 .

Primeiro vamos calcular a entalpia da mistura, usando a equação que lhe


mostrei antes:

𝐻𝑦 = (1,005 + 1,88(0,0165))103 (29,4 − 0) + 2,501 × 106 (0,0165) = 71,7 × 103 𝐽/𝑘𝑔

Através do balanço de massa temos:

𝐺 (𝐻𝑦 2 − 𝐻𝑦 1 ) = 𝐿𝑐𝐿 (𝑇𝐿 2 − 𝑇𝐿 1 ) → 𝐻𝑦 2 = 129,9 × 103 𝐽/𝑘𝑔

Com essas informações e usando a tabela de dados do equilíbrio o gráfico


abaixo apresenta a curva de equilíbrio e a reta operacional do nosso caso:

288
Fonte: Geankoplis, 1993.

Se possível, através dos valores de temperatura de entrada e saída e usando


equações, como está:

ℎ𝐿 𝑎 𝐻𝑦 − 𝐻𝑦
− = 𝑖
𝑘𝐺 𝑎𝑀𝐵 𝑃 𝑇𝑖 − 𝑇𝐿

É necessário encontrar os valores de entalpia da interface (𝐻𝑦 𝑖 ) e do meio

(𝐻𝑦 ) a fim de através desses resultados plotar um gráfico 1/(𝐻𝑦 𝑖 − 𝐻𝑦 ) por 𝐻𝑦


e através do valor da área abaixo da curva gerada encontrar o resultado da
integração abaixo:
𝐻𝑦2 𝑑𝐻𝑦

𝐻𝑦 𝐻𝑦𝑖 − 𝐻𝑦
1

Em outros casos, quando não é possível encontrar os dados 𝐾𝐺 𝑎 e ℎ𝐿 𝑎, pode-se


usar a hipótese de que os valores de ℎ𝐿 𝑎 e −ℎ𝐿 𝑎/𝑘𝐺 𝑎𝑀𝐵 𝑃 são muito grandes,
pois esses tipos de resultados foram encontrados em alguns experimentos

289
realizados e disponíveis na literatura, em consequência disso o valor de 𝐻𝑦 𝑖

se aproxima do valor de 𝐻𝑦∗ . Com isso método acima seria realizado da mesma
forma só que dessa vez usando o valor de equilíbrio para plotar os valores
de 1/(𝐻𝑦∗ − 𝐻𝑦 ) por 𝐻𝑦 e assim resolver a integral abaixo:

𝐻𝑦2 𝑑𝐻𝑦

𝐻𝑦 𝐻𝑦∗− 𝐻𝑦
1

Mas para o exemplo em questão temos dados disponíveis da interface que irão
nos ajudar:

Fonte: Geankoplis, 1993.

Dessa forma um gráfico pode ser plotado usando 1/(𝐻𝑦 𝑖 − 𝐻𝑦 ) por 𝐻𝑦 , a área
abaixo da curva gerada pelos dados é igual a:
𝐻𝑦2 𝑑𝐻𝑦
∫ = 1,82
𝐻𝑦 𝐻𝑦𝑖 − 𝐻𝑦
1

Com as informações que temos disponível podemos agora encontrar o valor da


altura da coluna necessário para diminuir a temperatura da água de forma
desejada:
𝐻𝑦2 𝑑𝐻𝑦
𝐺 1,356
𝑧= ∫ = (1,82) = 6,98 𝑚
𝑀𝐵 𝑘𝐺 𝑎𝑃 𝐻𝑦 𝐻𝑦𝑖 − 𝐻𝑦 26(1,207 × 10−7 )(1,013 × 105 )
1

290
7.20.1 Fluxo Mínimo de Ar

Segundo Geankoplis, 1993, um método utilizado para se encontrar a vazão


mínima necessária de ar para se resfriar certa quantidade de água a uma dada
temperatura é apresentada abaixo:

Fonte: Geankoplis, 1993.

Segundo Geankoplis, 1993:

“Normalmente o fluxo de ar G não é fixado, mas é encontrado


através do esquema da torre de resfriamento. Como mostrado na
figura, para um mínimo valor de G, a reta operacional MN é
desenhada através do ponto 𝐻𝑦 1 e 𝑇𝐿 1 com uma inclinação que a faz

tocar a curva de equilíbrio em 𝑇𝐿2 , ponto N. Se a curva de


equilíbrio é curva o suficiente, a linha MN poderá tangenciar a
essa curva em um ponto distante do ponto N. Para a torre do
exemplo um valor de 𝐺 maior que 𝐺𝑚𝑖𝑛 deve ser usado. Geralmente,
o valor de 𝐺 são 1,3 até 1,5 vezes o valor de 𝐺𝑚𝑖𝑛 .”

291
7.20.2 Torres de Desumidificação

Se utilizando água quente e ar seco nós conseguimos esfriar a água e


umidificar o ar, então a desumidificação seria o contrário. Isso mesmo, para
você querer tirar a umidade do ar que entra numa torre você deverá usar água
fria e ar carregado de umidade, como a termodinâmica nos fala, a maior
concentração de energia desta vez está no ar e não mais na água, então a
energia do ar será retirada, consequentemente a massa de água também, não
por motivos de transferência de massa, porque sabemos que a maior concentração
de água está no próprio corpo da água, mas quando o ar é esfriado ele perde
a sua solubilidade e capacidade de carregar umidade, então por questões
físico químicas o ar é desumidificado.

O esquema gráfico de uma torre de desumidificação apresenta sua reta


operacional acima da curva de equilíbrio, justamente o contrário daquilo
visto aqui, algo lógico, por ser uma operação reversa da anterior.

292
8. DESTILAÇÃO – A MUSA DA ENGENHARIA QUÍMICA
Você já fez química várias vezes (pelo amor de Deus, né?) então destilação
já é papo antigo, é aquela velha história de separar dois ou mais componentes
através da diferença de volatilidade, se você perguntar de alguém na rua o
“que é destilação” é isso que ela vai responder.

Mas o negócio aqui é que a destilação deixou de ser simples a século, ou


seja, aquilo que você estuda na química já é arcaico demais, vai ver Jesus
estudava destilação e você não sabia (tô falando sério).

Então para que serve o engenheiro químico? Destilação fracionada, claro,


aquela realizada em colunas gigantes que é de onde vem a gasolina que você
tanto reclama que é cara, tá achando caro? Vai fazer a sua.

Vamos começar com algo importante: qual a diferença crucial entre destilação
e absorção?

Bom, acabamos de estudar a absorção, veja que o princípio dela é a


transferência de massa entre uma fase para outra, só isso, nada além disso,
mas então você olha para a destilação e fica meio assim.... Meio assado... E
não entende nada.

Truta, pensa comigo, o que ocorre na destilação? Aquecimento, né? É óbvio


que eu tenho que aquecer a coluna para atingir o ponto de ebulição de um dos
componentes, e o que acontece depois disso? Isso mesmo, vaporização, você é
muito inteligente, portanto dentro de uma coluna de destilação ocorre uma
mistura de líquido com o seu próprio vapor.

Tá, mas iae? Na absorção nós NÂO queremos vaporizar o líquido e ele se mistura
com um GÁS e não com o seu próprio vapor.

Então basicamente a diferença é: na absorção ocorre a alimentação de uma


corrente de gás ou vapor que não vem do líquido utilizado, ou seja, ocorre
adição de uma nova fase, já na destilação o próprio líquido gera o vapor
dentro da coluna, ou seja, ocorre formação de uma nova fase. Não tirei isso
da cabeça, quem disse isso foi Seader, 2011.

Entenda, essa é a diferença entre a essência da destilação e da absorção,


porque de resto tem algumas partes análogas entre os dois.

Com certeza a destilação é mais complexa, peço a Deus que você tenha estudado
Termodinâmica direito e não dormido nas aulas porque você vai precisar
agora... Se não, segura na mão de Van Ness e vai.

294
Mas porque essa complexidade? Veja, você tem que analisar a relação entre os
componentes na mistura e ver como você vai conseguir separa-los através do
controle da pressão e temperatura.

Mas calma não seja apressado, vamos primeiro começar entendendo a estrutura
padrão de uma coluna de destilação para ver o que acontece em cada parte, ou
seja, vamos desvendar a física da coisa, como tudo ocorre de uma maneira
mecânica e simples. Aí depois lá para frente vamos encarar o diabo e ver a
fundo os efeitos da transferência de massa e energia e o controle da pressão
e temperatura em diversos tipos de situação.

8.1 TIPOS DE DESTILAÇÃO

Vamos começar detalhando sobre quatro tipos de destiladores: flash, batelada


(diferencial), por arraste e fracionada.

Destilação Flash: ocorre a alimentação da mistura que será destilada em um


trocador de calor cujo objetivo é aumentar a temperatura e consequentemente
a pressão na mistura, a partir do momento que a mistura chega no vaso ou
tanque, cuja pressão é menor, os componentes mais voláteis se vaporizam e o
líquido fica retido no tanque.

Fonte: Geankoplis, 1993.

Não tem o que inventar, é só isso, se você não entendeu o que é destilação
flash começo a suspeitar que você tem algum tipo de défice.

Explicando em palavras melhores: a destilação flash ocorre quando uma mistura


é aquecida a uma alta temperatura pré determinada, então essa mistura adquire
uma alta pressão e é direcionada para um tanque, esse tanque possui uma
pressão menor, consequentemente quando a mistura cai no tanque parte dela

295
vira vapor (componente mais volátil) e a outra parte líquida fica retida no
tanque e pronto é isso.

Expliquei melhor que o Geankoplis.

Destilação diferencial (batelada): mundialmente conhecida como destilação de


Rayleigh, tenho certeza que você já ouviu esse nome em algum lugar. Essa é a
tal da destilação simples que Deus e o mundo conhece, então eu ainda devo
explicar como ocorre?

Essa destilação é chamada de diferencial também por causa do balanço de massa


que realizamos para entender o comportamento da destilação, você acaba
encontrando uma equação diferencial e precisa integra-la para encontrar dados
numéricos.

Destilação por arraste a vapor: Geralmente utilizado para separação de óleos


essencial da matéria prima (folhas, etc.), nesse processo vapor de água é
lançado no material a ser destilado, dessa forma o vapor irá arrastar esse
material por causa da transferência de calor e ambos irão se condensar juntos,
porém pelas propriedades físicas da água e do óleo ocorrerá uma separação
natural fazendo com que no final sobre somente o produto desejado.

Destilação com refluxo (fracionada): finalmente, a mais bela, gloriosa,


perfeita e poderosa obra prima de um engenheiro químico, a destilação
fracionada é nada mais do que torres gigantes utilizadas para separar misturas
em escala industrial. O maior exemplo dessa operação é o petróleo que é
destilado para se tornar gasolina, diesel, querosene, etc. Ela será o nosso
maior foco nessa parte da disciplina, por isso a seguir vem um tópico só
falando sobre a estrutura da destilação fracionada.

296
8.2 A ESTRUTURA DE UMA COLUNA DE DESTILAÇÃO FRACIONADA

Pessoas normais analisam as coisas de


cima para baixo ou de baixo para cima,
mas o engenheiro químico analisa as
coisas do meio para as extremidades,
porque? Ora, simples, você não é normal.

É por isso que nós vamos analisar a


estrutura dessa beleza do meio para as
extremidades.

Analise bem a imagem ao lado, vamos


esmiuçar ela em detalhes para
entendermos o todo. Você tem a obrigação
de saber ler todas essas informações em
inglês na imagem, se não... Meus pêsames.

Então no meio temos a alimentação da


torre, ou seja, é o local aonde a mistura
será jogada dentro da torre. Essa mistura
vai cair e passear pelos pratos ou pelos Fonte: Seader, 2011.
recheios até descer para o refervedor.

Você já estudou operações unitárias de transferência de calor, não é? Então,


esse refervedor são os evaporadores que você aprendeu a projetar lá, é a
mesma coisa só muda o nome. Esse refervedor não tem a finalidade de evaporar
tudo, ele terá uma temperatura específica o suficiente para reter uma certa
quantidade de líquido e evaporar uma outra parte, aí já começa a ocorrer a
separação entre componentes da mistura.

O líquido que fica possui uma volatilidade menor e será retirado gradualmente
do fundo da coluna, já o vapor irá subir pelos pratos ou recheios em
contracorrente com o líquido e se direcionar para o topo da torre aonde um
condensador irá condensar todo vapor da coluna.

Isso mesmo, todo o vapor da coluna é condensado no topo, então esse líquido
condensado possui maior quantidade de componentes voláteis e será direcionado
de volta para a coluna no topo enquanto que uma parte dele é retirado
gradualmente. E assim é o ciclo da torre de destilação: cai mistura, evapora
e condensa.

297
Quando eu falo que o líquido do topo e o do fundo serão retirados gradualmente
não quer dizer que a partir do momento que iniciarmos a operação já vamos
começar retirando, existe um tempo de retenção dentro da coluna, essa técnica
de vapor subir e líquido condensado descer para ser evaporado novamente se
chama refluxo, então quanto mais refluxo ocorrer dentro da torre mais
concentrado serão os produtos do líquido do topo e do fundo, claro que tem
um limite que conseguimos atingir.

A química sempre precisou de um referencial,


por exemplo em reações de conversão sempre
temos que representar as equações químicas
em função do reagente limitante, aqui não
será diferente. Para as representações,
cálculos e análises sempre temos que fazer
tudo isso em função do componente mais
volátil.

Então a torre de destilação é dividida em


duas seções que dizem respeito ao efeito da
transferência de massa na operação: seção de
esgotamento e seção de enriquecimento.

A seção de esgotamento (stripping), que está


em vermelho na imagem, é a parte da coluna
aonde a mistura começa a se tornar pobre do
componente mais volátil.
Fonte: Seader, 2011, editado pelo
O motivo desse nome é bastante óbvio, já que autor.
retrata a saída de componentes voláteis
através da ação da transferência de calor e de massa e do refervedor.

Já a seção de enriquecimento (retificação), que se encontra na cor azul na


imagem, remete ao aumento da concentração de componentes voláteis presentes
no vapor da mistura do líquido, portanto na seção superior da torre há mais
vapor do que líquido e conforme ocorre os fenômenos de transferência de calor
e massa e o refluxo se repete a concentração aumenta cada vez mais.

298
8.3 EQUILÍBRIO LÍQUIDO VAPOR

Todo líquido gera vapor e todo vapor gera líquido. Essa afirmação é
verdadeira, porém muito ampla, o importante é sabermos exatamente em que
ponto temos a geração de vapor ou líquido? Perguntas da vida.

O maior objetivo da destilação é a separação de componentes, então o estudo


do equilíbrio entre líquido e vapor é muito importante para podermos dominar
a operação, por isso vamos explorar um pouco desse assunto e depois introduzi-
lo na destilação fracionada.

Entenda uma coisa: uma coluna de destilação deve ser operada a uma certa
temperatura e pressão, para isso você deve ter os conhecimentos necessários
para saber qual pressão e qual a temperatura usar de tal forma a favorecer
uma melhor separação possível entre os componentes presentes na mistura.

Abaixo observe o diagrama de equilíbrio líquido vapor com temperatura


constante (direita) e pressão constante (esquerda):

Fonte: Smith & Van Ness, 2013.

O eixo vertical pode apresentar temperatura ou pressão e o eixo horizontal


representa os dados de composição dos componentes X e Y, as partes mais
importantes do diagrama são:

299
✣ Ponto de bolha: é o ponto “b” presente nos diagramas;

✣ Ponto de orvalho: é o ponto “c” presente nos diagramas;

✣ Área de líquido subresfriado;

✣ Área de vapor superaquecido.

A curva superior (no gráfico de temperatura constante) ou a inferior (no


gráfico de pressão constante) representam os dados de equilíbrio do
componente mais volátil e essa inversão entre os dois diagramas ocorre porque
numa temperatura constante é natural que o seu sistema deva baixar a pressão
para atingir a vaporização do líquido e numa pressão constante é natural que
se tenha de aumentar a temperatura.

Na área de líquido subresfriado a mistura não possui a presença de vapor no


meio, porém conforme se aproxima das curvas o primeiro ponto a ser tocado em
cima da linha do componente mais volátil é o ponto de bolha aonde se dá
início a vaporização com a presença das primeiras bolhas de vapor, logo a
área que está entre as duas curvas representa a presença de líquido e vapor
no sistema.

Conforme se prossegue no diagrama ao atingir o ponto em cima da segunda


curva, ou seja, do líquido menos volátil, o sistema terá atingido o ponto de
orvalho, aonde as últimas gotas de líquido estão prestes a serem vaporizadas,
a partir daí somente vapor existirá no sistema e conforme se prossegue mais
ainda no diagrama o vapor começa a se tornar superaquecido.

Os estudos em cima desses diagramas são realizados através de alguns cálculos


envolvendo composições, pressões de vapor e leis termodinâmicas. Nesses
diagramas você deve escolher uma faixa de temperatura ou pressão, com esses
dados você liga eles do eixo vertical até as curvas, quando tocar na primeira
curva trace uma reta vertical para baixo, esse será o valor da composição do
componente mais volátil (X), e quando tocar na segunda curva você também deve
traçar outra reta vertical para baixo que irá representar a composição do
componente menos volátil (Y).

Dessa forma você poderá entender como as concentrações de cada componente


podem ser controladas através de valores específicos de pressão e
temperatura. Obs.: os valores de pressão usados nos diagramas são de pressão
total do sistema, ou seja, não se usa as pressões de vapor, mas a pressão
total pode ser calculada a partir delas.

300
Algumas características sobre esses diagramas: podem ser realizados diagramas
para mais de um valor fixo de pressão ou temperatura, como pode ser observado
abaixo:

Fonte: Smith & Van Ness, 2013.

Quanto menor o espaço entre as curvas no diagrama mais difícil será a


separação entre os componentes, isso porque as suas concentrações estão em
valores muito próximos:

Fonte: Smith & Van Ness, 2013.

301
Em alguns casos pode ocorrer que as concentrações de ambos os componentes
sejam iguais em uma faixa de pressão e temperatura, tornando impossível a
separação entre os componentes, é um evento chamado de azeótropo como se pode
observar na figura abaixo:

Fonte: Smith & Van Ness, 2013.

Existem também gráficos que relacionam os dois componentes, o mais volátil


no eixo vertical e o menos volátil no eixo horizontal, forma uma simples
curva que quanto mais parecido com uma reta ela for mais difícil será a
separação entre os componentes. A figura abaixo representa o gráfico X vs Y
de quatro misturas diferentes:

302
Fonte: Smith & Van Ness, 2013.

8.4 MODELOS TERMODINÂMICOS

Os modelos matemáticos servem para que esses diagramas possam se tornar


equações, números, coisas mais concretas, mais exatas, é justamente disso
que a engenharia química precisa. Em razão disso irei apresentar a você dois
tipos de modelos termodinâmicos amplamente usados nos estudos de ELV
(equilíbrio líquido vapor): a Lei de Raoult e a Lei de Henry.

Começando pela Lei de Raoult, Smith e Van Ness citam duas importantes
características dessa lei que devem ser seguidas à risca:

✣ A fase vapor é um gás ideal;

✣ A fase líquida é uma solução ideal.

Isso limita a aplicação desse modelo a somente alguns casos, veja que
considerar um gás ideal no lugar do vapor implica que não podemos trabalhar
em altas pressões, somente de baixas até moderadas e uma solução ideal
significa dizer que os componentes devem ser similares.

A similaridade que falo é em relação as características físico químicas como,


por exemplo, o benzeno e o tolueno ou o hexano e o heptano, são misturas

303
entre componentes muito similares fazendo delas soluções aproximadamente
ideais.

Segundo Smith e Van Ness: “Uma limitação da lei de Raoult é que ela somente
pode ser aplicada para espécies com pressão de vapor conhecida, e isso requer
que a espécie seja “subcrítica”, isto é, esteja em uma temperatura abaixo de
sua temperatura crítica.”

A equação que representa a Lei de Raoult é:

𝑦𝑖 𝑃 = 𝑥𝑖 𝑃𝑖𝑣𝑎𝑝

Ou seja, o produto da fração molar da fase gasosa (𝑦𝑖 ) com a pressão total é
igual ao produto da fração molar da fase líquida (𝑥𝑖 ) com a pressão de vapor.

Outras relações podem ser encontradas para os cálculos da Lei de Raoult. A


pressão total do sistema pode ser encontrada através das pressões de vapor e
as composições da mistura da seguinte forma:

𝑃 = 𝑃1𝑣𝑎𝑝 𝑥1 + 𝑃2𝑣𝑎𝑝 𝑥2

𝑃 = 𝑃2𝑣𝑎𝑝 + (𝑃1𝑣𝑎𝑝 − 𝑃2𝑣𝑎𝑝 )𝑥1

E as composições podem ser encontradas por essa lei:

𝑃1 𝑃1𝑣𝑎𝑝 𝑥1 𝑃𝑦1
𝑦1 = = 𝑥1 =
𝑃 𝑃 𝑃1𝑣𝑎𝑝

Alguns livros gostam de usar o sobrescrito “sat” em vez de “vap” indicando


pressão de saturação, mas pelo amor de Deus isso quer dizer a mesma coisa,
ok?

Quando o sistema apresenta somente fase vapor, ou quando não sabemos a


concentração na fase líquida podemos encontrar a pressão total da seguinte
forma:

1
𝑃=
∑ 𝑦𝑖 /𝑃𝑣𝑎𝑝

Outra equação que não é da Lei de Raoult, mas é uma auxiliadora é as equações
de Antoine que descreve as pressões de vapor em função da temperatura, vou
lhe mostrar o exemplo de duas substâncias: acetonitrila e nitrometano
respectivamente.

304
𝑣𝑎𝑝 2945,47
ln 𝑃1 = 14,2724 −
𝑡 + 224,00

2972,64
ln 𝑃2𝑣𝑎𝑝 = 14,2043 −
𝑡 + 209,00

As unidades são no S.I., isto é, graus Celsius e quilo Pascal.

A Lei de Henry pode ser vista como uma complementadora dos pensamentos
provenientes da Lei de Raoult, isso porque para tudo existe uma limitação e
se você está interessado em analisar um sistema aonde o componente já
ultrapassou a sua temperatura crítica não poderá usar a Lei de Raoult.

A Lei de Henry também considera a fase vapor como um gás ideal, portanto pode
ser aplicada somente a baixas e moderadas pressões e o diferencial dessa lei
é a constante de Henry (H) que nos traz informações quanto a transferência
de massa convectiva na absorção de componentes em um meio.

Por exemplo, temos um caso envolvendo ar e água líquida, podemos usar a Lei
de Raoult para encontrar a concentração de ar em vapor, mas não podemos
encontrar a concentração de ar na água líquida isso porque a temperatura
crítica dor ar é abaixo de 25 °C.

Então apresento a você a Lei de Henry:

𝑦𝑖 𝑃 = 𝑥𝑖 𝐻𝑖

Para cada componente existe uma constante de Henry que é determinada em


ensaios laboratoriais, veja uma tabela com os valores da constante de Henry
para diversos componentes:

Fonte: Smith & Van Ness, 2013.

Vamos a um exemplo básico, usando o caso de ar e água líquida procuramos


encontrar a concentração de água no ar através da Lei de Raoult e dados
tabelados:

305
𝑃2𝑣𝑎𝑝 3,166
𝑦2 = = = 0,0312
𝑃 101,33

Agora se queremos encontrar a quantidade de ar presente na água temos que


usar a Lei de Henry, que fica:

𝑦1 𝑃 (1 − 0,0312)(101,33)
𝑥1 = = = 1,35 × 10−5
𝐻1 72,950

O resultado deu bem pequeno, por esse motivo que em alguns casos a Lei de
Henry não é necessária

É importante que você entenda as nomenclaturas, se 𝑦2 é a concentração de


água na fase gasosa então 𝑦1 é a concentração de ar, a mesma coisa é na fase
líquida.

A consequência de todos esses estudos está na volatilidade relativa entre


dois componentes, que é uma forma de expressar, através de números, o
comportamento entre os dois componentes, isto é, o quão solúvel um está no
outro.

𝑦𝐴 /𝑥𝐴 𝑦𝐴 /𝑥𝐴
𝛼𝐴𝐵 = =
𝑦𝐵 /𝑥𝐵 (1 − 𝑦𝐴 )/(1 − 𝑥𝐴 )

E se relacionarmos essa equação com a Lei de Raoult, supondo que o sistema


obedece às condições dessa lei, temos que:

𝑃𝐴𝑣𝑎𝑝
𝛼𝐴𝐵 = 𝑣𝑎𝑝
𝑃𝐵

Portanto temos que:


𝛼𝑥𝐴
𝑦𝐴 =
1 + (𝛼 − 1)𝑥𝐴

Essas equações servem como base para os nossos estudos na destilação, servem
para entendermos o quão difícil será a separação entre os componentes.

Quanto mais perto o valor da volatilidade relativa estiver do número 1 mais


difícil será a separação e se o valor for exatamente 1 então é impossível
separar esses componentes.

Como você pode perceber a volatilidade relativa varia conforme a pressão e


temperatura do sistema, então o que pode ser muito difícil de se separar a
uma dada condição pode ser mais fácil modificando em outras condições.

306
Exemplo: encontrar a volatilidade relativa para o sistema benzeno (A) –
tolueno (B) a 85 °C e 105 °C.

Fonte: Smith & Van Ness, 2013.

Para 85 °C:

𝑃𝐴𝑣𝑎𝑝 116,9 𝑘𝑃𝑎


𝛼𝐴𝐵 = 𝑣𝑎𝑝 = = 2,54
𝑃𝐵 46 𝑘𝑃𝑎

Para 105 °C:

𝑃𝐴𝑣𝑎𝑝 204,2 𝑘𝑃𝑎


𝛼𝐴𝐵 = 𝑣𝑎𝑝 = = 2,37
𝑃𝐵 86 𝑘𝑃𝑎

Concluímos que conforme a temperatura aumenta a separação do benzeno e do


tolueno se tornam mais difíceis, o que é compreensível já que pode ser
observado nos diagramas de ELV que existem pressões ou temperaturas máximas
e mínimas que são os pontos das linhas que tocam os eixos verticais, quanto
mais perto desses pontos menor é o espaço entre as curvas.

8.5 BALANÇO DE MASSA

Estudar o balanço de massa numa coluna de destilação é algo mais complicado,


mais pesado, isso porque a coluna se apresenta mais complexa na sua operação,
veja que a mesma é dividida em duas seções, então justamente por causa disso
vamos ter que estudar três tipos de balanço de massa: da coluna toda, da
seção de esgotamento e da seção de enriquecimento.

307
Então vamos estudar uma por uma com cuidado e analisando suas particularidades
e no final de tudo vamos tentar entender a ligação que uma tem com a outra.

Tá, o balanço global é fácil, olhe a imagem e a equação lado a lado, agora
interprete. Pronto.

Fonte: Geankoplis, 1993.

Basicamente só temos uma entrada e duas saídas, a alimentação como entrada e


os líquidos destilados como saída, sendo um proveniente do condensador e
outro do refervedor. Todas as frações do balanço de massa por componente
devem representar o componente mais volátil, como já foi dito na introdução
deste assunto.

Essas equações nos serão úteis para cálculos simples das colunas a fim de
sabermos mais informações sobre a operação, mas além disso, elas são
importantes para darmos o nosso primeiro passo, essa equação global se
relaciona diretamente com as outras em relação a seção.

A seção de enriquecimento compõe a parte superior da coluna aonde temos a


relação da entrada de vapor, que foi refervida na seção de esgotamento, e as
saídas de destilado e do líquido que desce até a parte inferior da coluna, a
alimentação não está relacionada nesse balanço

308
Fonte: Seader, 2011.

Já na seção de esgotamento temos a parte inferior da coluna e o refervedor,


aonde o líquido está em maior quantidade que o vapor, por causa da
alimentação, mas mesmo assim a alimentação não participa do balanço:

Fonte: Seader, 2011, editado pelo autor.

Você sabe qual é o fruto do balanço de massa né? Retas operacionais.

309
Então, esse é o nosso foco de novo, de todos esses cálculos vai sair retas
operacionais, e dessa vez será pior, uma para a seção de esgotamento e outra
para a de enriquecimento.

Isolando a fração do componente mais volátil na fase gasosa temos que as


retas nas duas seções ficam:

𝐿𝑛 𝐷𝑥𝐷
𝑦𝑛+1 = 𝑥𝑛 +
𝑉𝑛+1 𝑉𝑛+1

Seção de enriquecimento

𝐿𝑚 𝑊𝑥𝑤
𝑦𝑚+1 = 𝑥𝑚 −
𝑉𝑚+1 𝑉𝑚+1

Seção de esgotamento

Uma relação para o refluxo na coluna pode ser idealizada, é uma simples
fração envolvendo o líquido que sai do destilador e o que retorna a coluna:

𝐿
𝑅=
𝐷

Essa relação pode ser utilizada para substituirmos na equação da reta


operacional da seção de enriquecimento, isso é importante porque vamos ter
uma relação direta da seção com o produto destilado:

𝑅 𝑥𝐷
𝑦𝑛+1 = 𝑥𝑛 +
𝑅+1 𝑅+1

Seção de enriquecimento

8.6 GRÁFICOS DE ESTÁGIOS

O gráfico abaixo representa o resultado de uma reta operacional da seção de


enriquecimento de uma coluna qualquer:

310
Fonte: Seader, 2011.

Veja bem que esse gráfico foi criado em cima de um diagrama ELV de
componentes, ou seja, aonde na ordenada temos a fração do componente mais
volátil e na abscissa a fração do menos volátil.

Então a partir daí você começa a entender que o que eu expliquei lá atrás na
termodinâmica não é brincadeira é tudo muito sério e está fortemente ligado
com a operação de destilação.

A curva é o comportamento Componente 1 Vs Componente 2, a reta de 45 ° é o


referencial para indicação da facilidade de separação, assim como eu
expliquei lá atrás, a reta operacional irá cortar uma parte da curva e toda
área entre a curva e a reta irá representar a possibilidade de separação dos
componentes em uma dada condição.

Os estágios que esse método gráfico apresenta é a quantidade de estágios


necessários para a seção de enriquecimento ser otimizado, ou seja, a
quantidade de estágios que irá conseguir enriquecer o vapor ao máximo (em
uma dada condição).

Porque eu fico repetindo: “em uma dada condição”?

311
Primeiro porque o diagrama que você está vendo pode modificar conforme a
variação da temperatura ou pressão e, segundo, a reta operacional pode ter a
sua inclinação modificada com a alteração dos valores de refluxo, isto é,
quanto mais refluxo maior é a inclinação da reta o que indica cada vez menos
número de estágios.

Mas é necessário que você entenda que não é só aumentar o refluxo na coluna
que vai ficar tudo nas mil maravilhas, isso não é tão simples porque isso é
caro, ou seja, conseguir um refluxo eficiente na coluna tem o seu gasto aí
entra em jogo a consciência e o estudo do engenheiro químico em decidir o
que é melhor: mais estágios ou mais refluxo?

O gráfico abaixo representa o resultado de uma reta operacional da seção de


esgotamento de uma coluna qualquer:

Fonte: Seader, 2011, editado pelo autor.

O entendimento e análise do gráfico é o mesmo para o caso anterior, mas


devemos notar que a inclinação dessa vez irá depender de duas coisas: dos
valores no início da seção de esgotamento e dos valores de líquido refervido.

Seader, 2011, mostra que a inclinação da reta operacional fica:

312
𝑉𝑤 + 1
𝑉𝑤

Que é justamente a quantidade de líquido que sai do refervedor, porém na


equação da reta que dei para você lá em cima você também verá que o coeficiente
angular dela será:

𝐿𝑚
𝑉𝑚+1

Portanto veja a relação entre a eficiência da seção de esgotamento e a


eficiência do refervedor e da alimentação.

Como assim eficiência do refervedor e da alimentação? Simples, um bom


refervedor consegue produzir uma boa quantidade de fluxo de produto, mas para
isso deve ser um refervedor que consiga a energia necessária para manter a
eficiência, e isso pode ser caro, já a alimentação influencia diretamente no
resultado de 𝐿𝑚 e 𝑉𝑚+1, como você verá com mais detalhe daqui a pouco, tudo
que desce e sobe na coluna irá depender de como e aonde a alimentação estará
sendo feita.

Portanto resta-nos entender uma coisa: vamos usar dois gráficos separados?
Não, o que você está vendo são exemplos separados, porém na hora da análise
total da coluna os gráficos devem ser fundidos em um só.

8.7 INFLUÊNCIA DOS TIPOS DE ALIMENTAÇÃO

Nossa discussão sobre o balanço de massa foi bastante longa, mas todo esse
tempo estávamos evitando uma coisa: a alimentação.

O que vamos começar a discutir agora ainda não irá envolver cálculos ou
gráficos, é tudo uma questão de análise e entendimento da coisa, porque sem
teoria não há cálculo.

Uma coluna de destilação pode ser alimenta das seguintes formas:

a) Alimentação fria (líquido subresfriado);

b) Alimentação de líquido saturado (próximo do ponto de bolha);

c) Alimentação parcialmente vaporizada;

d) Vapor saturado; (próximo do ponto de orvalho);

313
e) Vapor superaquecido.

Seader, 2011, tenta nos explicar como essas alimentações influenciam a nossa
coluna através dos seguintes desenhos:

Fonte: Seader, 2011.

Ok, vamos entender com calma cada uma dessas formas de alimentação.

a) Alimentação fria.

Esse tipo de alimentação representa o líquido subresfriado presente nos


gráficos de ELV e seu comportamento está representado pelo desenho (a) da
figura anterior.

F é a alimentação, L é o líquido que vem de cima e V é o vapor que sobe pela


coluna. Nessa alimentação líquido possui uma temperatura tal que consegue
influenciar a correte de vapor que sobe trocando de calor e condensando esse
vapor no meio da coluna, portanto a alimentação fria minimiza a quantidade
de vapor na seção de enriquecimento.

314
A consequência disso é que menos vapor está subindo, logo a taxa de refluxo
irá diminuir dentro da coluna afetando a reta operacional da seção de
enriquecimento, todas as consequências devem ser analisadas.

b) Alimentação de líquido saturado;

Esse tipo de alimentação não afeta a corrente de vapor e nem a de líquido,


portanto não exerce grande influência na coluna, essa alimentação pode ser
utilizada para se evitar a condensação precoce da corrente de vapor e manter
um certo equilíbrio das correntes entre as seções e a alimentação da coluna.

c) Alimentação parcialmente vaporizada;

Uma alimentação que está dentro da região entre as curvas do diagrama de ELV,
possui uma mistura entre líquido e vapor. Essa alimentação pode acabar por
favorecer a destilação ao vaporizar mais rapidamente o componente mais
volátil, enquanto que o menos volátil desce pela coluna para o refervedor.

Claro parece uma boa ideia, porém é necessário observar que isso irá exigir
mais do condensador, veja que maiores quantidades de líquido destilado (D) e
de líquido de retorno a coluna (L) serão produzidos e isso claramente irá
afetar a inclinação da reta operacional de alguma forma, portanto deve-se
ter cuidado com o que se deseja priorizar na coluna.

d) Vapor saturado;

e) Vapor superaquecido.

Os casos de alimentação acima são semelhantes ao que eu expliquei sobre a


alimentação líquido misturado com vapor, só que dessa vez o condensador
estará sendo cada vez mais e mais exigido e no caso do vapor superaquecido a
troca térmica está influenciando o líquido que desce pela coluna fazendo-o a
vaporizar precocemente.

Toda essa modificação no sistema faz com que a seção de esgotamento seja cada
vez menos influente, ou seja, escolher entre uma alimentação fria ou quente
é favorecer o cabo de guerra entre seção de enriquecimento vs seção de
esgotamento.

Qual devo favorecer? Isso já é com você, pois cada caso é um caso e se você
pretende favorecer um tipo de seção deve ter certeza que ela esteja preparada
para uma alta carga de trabalho, por exemplo, um condensador que trabalhe
nas condições (d) e (e) deverá ter uma boa eficiência a fim de condensar

315
altas quantidades de vapor e isso exige energia ou um bom trocador de calor,
caso você não tenha condição de manter essa rotina no condensador talvez seja
melhor trocar o tipo de alimentação para uma de líquido misturado com vapor
a fim de tentar igualar o trabalho das duas seções.

Outro exemplo: você tem uma indústria com máquinas pesadas e quentes, usa um
trocador de calor para resfria-las, dessa forma o fluido usado para resfriar
se torna bastante quente o que pode ser um potencial para o refervedor, então
através da capacidade de troca térmica desse fluido quente e do refervedor
você irá determinar qual é o melhor tipo de alimentação para o seu caso.

8.8 FENOMENOLOGIA DOS TRANSPORTES DE MASSA E ENERGIA

Até aqui você conseguiu compreender a termodinâmica, o balanço de massa, os


gráficos e os tipos de alimentações, mas aonde está os transportes de massa
e energia em tudo isso? Essa operação unitária deixa tudo muito implícito o
que torna mais difícil de entender o que é que está acontecendo dentro de
uma coluna de destilação.

Primeiramente: destilação fracionada é uma operação que envolve transporte


de massa e energia em conjuntos, o que deixa bem claro que os fenômenos estão
sim presentes no processo, porém não tão óbvio assim.

Vamos entender cada fenômeno separadamente, depois unimos os pensamentos afim


de encontrarmos uma boa conclusão sobre o estudo.

Considerando uma alimentação de líquido saturado, inicialmente, o primeiro


contato que a alimentação tem a troca térmica é com o refervedor que nada
mais é do que um evaporador que foi dimensionado conforme a capacidade de
transferência de calor disponível, logo a mistura é aquecida e começa a
vaporizar.

A partir daí o vapor resultante do refervedor possuirá um papel importante:


trocar calor convectivo com os novos fluxos de alimentação, portanto
considerando o refervedor estável o vapor tenderá a atingir uma temperatura
aproximadamente constante, dessa forma a alimentação nova irá manter uma
troca térmica constante com o vapor que conforme sobe a coluna irá perder
calor por causa do seu contato constante com fluxo de líquido.

316
Aí está a importância de você saber a qual temperatura a alimentação deve
estar, em qual prato deverá ocorrer a alimentação e a qual temperatura o
condensador irá trabalhar.

Porque imagine o vapor subindo e trocando de calor constantemente, chegará


um momento que ele irá condensar, pelo simples motivo de ter atingido o seu
ponto de liquefação porque o fluxo de líquido está frio. Ok isso é previsto
pela nossa análise dos tipos de alimentação, porém isso não deve ocorrer com
exagero se não sua coluna vai transbordar porque o vapor não consegue subir.
A seção de enriquecimento será prejudicada e o produto do condensador
deficiente.

Para evitar que a transferência de calor ao longo da coluna atinja esses


níveis drásticos se torna necessário o uso dos balanços de energia e das
entalpias no sistema relacionando o calor gerado no refervedor, o calor
proveniente da alimentação e o consumo de calor no condensador.

Agora olhando para outros tipos de alimentações. Veja que o caso não muda,
tudo tem que envolver um equilíbrio térmico no sistema para que a operação
não venha entrar em colapso.

Uma alimentação de vapor superaquecido irá trocar calor intensamente com o


líquido que desce do condensador, então é muito importante que o condensador
prepare esse líquido para isso e que a temperatura da alimentação não seja
exagerada se não o líquido que vem do refluxo não irá conseguir descer a
coluna e a seção de esgotamento será prejudicada, o produto proveniente do
refervedor ficará deficiente e em consequência disso o líquido destilado que
sai do condensador terá uma mistura de ambos os componentes tornando a
operação um fracasso total.

Observando a transferência de massa veja que ela está diretamente ligada com
as seções da coluna, esgotamento e enriquecimento, que eu já expliquei o que
quer dizer cada seção: estudamos a destilação fracionada em relação ao
componente mais volátil, então na seção de esgotamento há pouco componente
volátil e na seção de enriquecimento há muito componente volátil.

Quando o vapor que sobe do refervedor interage convectivamente com o líquido,


seja da alimentação ou do refluxo, um filme de absorção é gerado entre as
duas fases e tudo aquilo que aprendemos na absorção se repete: o soluto
presente em uma das fases irá se transferir para a outra.

317
Porém dessa vez temos o apoio de uma grande aliada: a troca térmica, isso
porque o vapor está quente e irá trocar calor ao mesmo tempo que se cria um
filme de absorção.

Logo, por causa da volatilidade diferente entre os componentes o vapor


consegue arrastar os mais voláteis para si, claro que não todos, mas alguns
sim, dependendo da temperatura em que ele estiver.

Dessa forma a seção de esgotamento tem esse nome justamente porque a


alimentação rica em componentes voláteis começa a ser absorvida pelo vapor
que sobe até atingir o condensador, aonde um líquido com grande quantidade
do componente volátil está presente.

Quando líquido que sai do condensador é jogado novamente na coluna o vapor


agora se relaciona com um líquido mais rico em componentes voláteis, portanto
o vapor se torna cada vez mais enriquecido conforme se aproxima do topo, por
causa da absorção do soluto mais volátil presente no líquido.

Daí você começa a entender porque aumentar o número de estágios ou aumentar


a taxa de refluxo melhora a eficiência de uma coluna de destilação: porque
quanto mais estágios disponíveis, maior será a troca térmica e a absorção do
vapor com o líquido que desce e quanto mais refluxo cada vez mais rico o
vapor chegará ao condensador.

Entender o transporte de massa é entender como você pode aprimorar uma das
seções da coluna, veja que aumentar o número de estágios na seção de
esgotamento aumenta o contato do vapor com a alimentação, isso significa
que a alimentação está chegando cada vez mais pobre do componente mais volátil
e mais rica no componente menos volátil no refervedor, caso seu objetivo seja
esse é uma boa estratégia.

Cada tipo de alimentação tem seu impacto na transferência de massa, veja que
lançar vapor superaquecido numa coluna de destilação irá favorecer bastante
a seção de enriquecimento, a troca térmica entre o vapor e o líquido é
bastante alta o que pode favorecer a transferência de massa caso o componente
mais volátil tenha um ponto de ebulição muito alto.

Portanto, cada caso é um caso, mas todos ocorrem dessa mesma forma que eu
lhe expliquei, então cabe a você entender todo o contexto do seu sistema,
suas limitações, conhecer bem seus componentes, seus recursos para depois
analisar o impacto da transferência de calor e massa na coluna de destilação.

318
8.9 FATOR E RETA Q

O fator “q” é o nome dado a um valor numérico que representa o quanto de


líquido saturado é gerado através da alimentação, portanto é um valor que
expõe qual o efeito que um certo tipo de alimentação tem na coluna.

Esse fator é calculado através de entalpias:

𝑐𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑛𝑒𝑐𝑒𝑠𝑠á𝑟𝑖𝑜 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑣𝑎𝑝𝑜𝑟𝑖𝑧𝑎𝑟 1 𝑚𝑜𝑙 𝑑𝑎 𝑎𝑙𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎çã𝑜 𝑛𝑎𝑠 𝑐𝑜𝑛𝑑𝑖çõ𝑒𝑠 𝑑𝑒 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎


𝑞=
𝑐𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑙𝑎𝑡𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑚𝑜𝑙𝑎𝑟 𝑑𝑒 𝑣𝑎𝑝𝑜𝑟𝑖𝑧𝑎çã𝑜 𝑑𝑎 𝑎𝑙𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎çã𝑜

𝐻𝑉 − 𝐻𝐹
𝑞= 𝐻𝐹 = 𝐶𝑝 (𝑇𝑏 − 𝑇)
𝐻𝑉 − 𝐻𝐿

Onde temos que:

𝐻𝑉 → 𝐸𝑛𝑡𝑎𝑝𝑙𝑖𝑎 𝑑𝑎 𝑚𝑖𝑠𝑡𝑢𝑟𝑎 𝑒𝑚 𝑝𝑜𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑜𝑟𝑣𝑎𝑙ℎ𝑜

𝐻𝐿 → 𝐸𝑛𝑡𝑎𝑙𝑝𝑖𝑎 𝑑𝑎 𝑚𝑖𝑠𝑡𝑢𝑟𝑎 𝑒𝑚 𝑝𝑜𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑏𝑜𝑙ℎ𝑎

𝐻𝐹 → 𝐸𝑛𝑡𝑎𝑙𝑝𝑖𝑎 𝑑𝑎 𝑚𝑖𝑠𝑢𝑡𝑟𝑎 𝑛𝑎𝑠 𝑐𝑜𝑛𝑑𝑖çõ𝑒𝑠 𝑑𝑒 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑎𝑑𝑎

O tipo de alimentação escolhida afeta nos resultados do valor do fator “q”,


justamente porque ele quantifica a geração de líquido saturado, por exemplo
se a alimentação for composta somente por líquido saturado então o fator “q”
será igual a 1, mostrando que o sistema não precisa gerar líquido saturado
da alimentação justamente porque a alimentação já está assim.

Veja as possibilidades:

a) Fria (𝑞 > 1)

b) Líquido saturado (ponto de bolha) (𝑞 = 1)

c) Parcialmente vaporizado (0 < 𝑞 < 1)

d) Vapor saturado (ponto de orvalho) (𝑞 = 0)

e) Vapor superaquecido (𝑞 < 0)

Em uma alimentação fria temos o valor de q > 1, que mostra a grande


disponibilidade dessa alimentação em gerar líquido saturado dentro da coluna,
ou seja, conforme a temperatura da alimentação aumenta menos provável é a
geração de líquido saturado, como se pode observar no decaimentos dos valores
de “q”.

319
Já quando temos um vapor superaquecido a geração de líquido saturado é muito
pequena, por isso temos um fator “q” negativo.

Portanto, o valor encontrado no fator “q” será decisivo para o comportamento


da reta q, essa reta é muito importante porque ela é primordial para a análise
gráfica de estágios da coluna além de conseguirmos saber qual o melhor estágio
para a alimentação da coluna.

O fator é representado através de duas equações simples de balanço de massa,


uma em relação ao líquido e outra em relação ao vapor, as equações são:

𝐿𝑚 = 𝐿𝑛 + 𝑞𝐹

𝑉𝑛 = 𝑉𝑚 + (1 − 𝑞)𝐹

Ora, o fator “q” relaciona a formação de líquido saturado na alimentação,


então o simétrico desse fator relaciona o vapor gerado através da alimentação,
o que explica essas duas equações acima.

Agora, para encontrar a reta q ou linha de alimentação devemos relacionar as


equações das duas seções da coluna, através de um sistema:

𝑉 𝑦 = 𝐿𝑚 𝑥 − 𝑊𝑥𝑊
{𝑚 → (𝑉𝑚 − 𝑉𝑛 )𝑦 = (𝐿𝑚 − 𝐿𝑛 )𝑥 − (𝐷𝑥𝐷 + 𝑊𝑥𝑊 )
𝑉𝑛 𝑦 = 𝐿𝑛 𝑥 + 𝐷𝑥𝐷

Se você comparar esse resultado do sistema com as duas equações aonde o fator
“q” se relaciona vai perceber que podemos substitui-las sem nenhum problema:

𝐿𝑚 = 𝐿𝑛 + 𝑞𝐹 𝐿𝑚 − 𝐿𝑛 = 𝑞𝐹

𝑉𝑛 = 𝑉𝑚 + (1 − 𝑞)𝐹 𝑉𝑛 − 𝑉𝑚 = (1 − 𝑞)𝐹

veja só depois de isolarmos a fração y:

𝐿𝑚 − 𝐿𝑛 𝐷𝑥𝐷 + 𝑊𝑥𝑊
𝑦= 𝑥−
𝑉𝑚 − 𝑉𝑛 𝑉𝑚 − 𝑉𝑛

Substituindo:

𝒒 𝒙𝑭
𝒚= 𝒙−
𝒒−𝟏 𝒒−𝟏

Aonde:

𝐷𝑥𝐷 + 𝑊𝑥𝑊
𝑥𝐹 =
𝐹

320
Essa equação que acabamos de encontrar é a tal da reta “q”, essa reta estará
desenhada no gráfico de ELV que usaremos como base para encontrar os estágios
da coluna e será a nossa guia.

Veja como ela se comporta na figura abaixo:

Fonte: Seader, 2011.

8.10 DETERMINAÇÃO GRÁFICA DO NÚMERO DE ESTÁGIOS

Veja, temos todas as ferramentas para poder traças nossos estágios, curva de
equilíbrio líquido e vapor entre os componentes, retas operacionais das
seções de enriquecimento e esgotamento, reta de 45 ° como base do gráfico e
a reta “q”.

O que nos falta agora? Vergonha na cara.

A forma de dispor todas essas informações no gráfico pode variar, mas somente
uma forma é a mais aceita e também a mais fácil, eu vou citar as outras
formas, claro, mas eu vou focar o seu estudo somente naquilo que é mais
importante para você.

A seguir, observe um gráfico de determinação de estágios de uma coluna de


absorção qualquer e vamos analisar o que está acontecendo.

Em azul a reta operacional da seção de enriquecimento, em vermelho a reta


operacional da seção de esgotamento e em verde a reta “q”.

321
O que acontece é muito simples e acho que você percebeu, as retas operacionais
são normalmente traçadas como devem ser, mas quando elas tocam na reta “q”
um ponto “P” é formado e depois disso as retas são apagadas.

Essa “triangulação” é o que precisamos para traçar os estágios como você vê


na figura, eles começam do destilador (𝑥𝐷 ) e terminam no refervedor (𝑥𝐵 ).

Fonte: Seader, 2011, editado pelo autor.

O último estágio, quinto na figura, pertence ao refervedor, isso porque o


objetivo dele não é evaporar tudo que cai nele, mas uma parcela, portanto é
um refervedor parcial, logo ele deve ser tratado como um estágio aonde temos
líquido e vapor em equilíbrio.

O ponto “P” representa no gráfico o melhor local para a alimentação da coluna,


que no caso da figura é o terceiro estágio.

A reta “q” também tem o objetivo de nos mostrar em até que ponto a reta
operacional da seção de enriquecimento pode se inclinar, isso porque a reta
pode acabar se inclinando para cima ou para baixo e de tanto se inclinar ela
pode acabar saindo do ponto P. O limite para que a reta “q” acompanhe a
inclinação da reta operacional é entre a linha de equilíbrio e a reta de 45°
322
depois disso a reta “q” não passa mais, logo se a reta “q” não conseguir mais
acompanhar a inclinação da reta operacional o método se torna inválido.

Veja o que eu expliquei no exemplo abaixo:

Fonte: Seader, 2011, editado pelo autor.

Em ambos os casos se a reta operacional se inclinar um pouco mais para cima


ou para baixo a reta “q” não poderá mais acompanhar fazendo com que a reta
operacional perca sua interseção com a reta “q”, dessa forma o método fica
inválido e não é mais possível prosseguir.

Você percebeu que a reta de esgotamento fica meio de canto? Isso porque ela
não é o nosso foco, porque através desses métodos que estou lhe ensinando a
reta de esgotamento vai tomando seu rumo normalmente, então ela não é uma
preocupação.

Mas o que influência na inclinação da reta operacional de enriquecimento? Dá


uma olhada na equação dessa reta.

𝑅 𝑥𝐷
𝑦𝑛+1 = 𝑥𝑛 +
𝑅+1 𝑅+1

Você percebeu que o refluxo é o ponto chave da questão, né? Então, nós já
conversamos sobre esse cara e vemos que o aumentar ajuda muito a destilação,
porém ele demanda custos por isso deve ser controlado.

Conforme R (refluxo) aumenta a inclinação da reta da seção de enriquecimento


também aumenta, precisando de menos estágios, ou seja, quanto mais apertado

323
for o desenho dos estágios em cima dessas linhas mais estágios serão
necessários, e quanto menos apertado for o espaço menos estágios.

Essa história de apertado e espaçoso é fácil de se ver olhando para os


gráficos, conforme as retas se inclinam e o ponto “P” se aproxima da linha
de equilíbrio o espaço para o desenho é menor, mas se o ponto “P” se aproxima
da reta de 45° o espaço é cada vez maior.

Mas para tudo existe um limite, nos dois gráficos que apresentei acima sobre
os limites da interseção da reta “q” com as retas operacionais você percebe
que no primeiro caso o ponto “P” está em cima da linha de equilíbrio, aí você
me pergunta como vamos desenhar estágio nesse lugar?

Bom, nesse caso nós consideramos que as dimensões são tão pequenas que
teríamos que desenhar os estágios infinitamente para chegar do outro lado,
portanto quanto o sistema atinge essa condição a quantidade de estágios
requerido é infinita.

Mas que condição é essa? Condição de refluxo (R) mínimo, é o que faz a reta
da seção de enriquecimento inclinar tanto para baixo que atinge a linha de
equilíbrio, portanto se você tá querendo economizar com refluxo colocando
bem pouco lembre-se que cada vez mais pratos serão exigidos no sistema.

No segundo caso temos o ponto “P” exatamente em cima da reta de 45°, agora
estamos livres para desenhar a quantidade de estágios e como temos o maior
espaço possível iremos encontrar a mínima quantidade de estágios necessário
na coluna.

Mas calma, nem tudo são flores, se você se lembra da minha explicação sobre
os diagramas ELV vai perceber que quanto mais perto da linha de 45° mais
difícil é a separação, pois bem, a reta de 45° nos mostra que x = y, ou seja,
a mesma fração presente em um componente também está no outro, portanto
separar esses componentes se torna algo impossível.

O sistema entenderá que para conseguir alguma coisa cada vez mais e mais
refluxo será necessário, mas sem êxito você irá acabar atingindo um valor
infinito para a quantidade de refluxo.

Outras formas de analisar esse gráfico estão apresentadas abaixo:

324
Fonte: Seader, 2011.

Os métodos consistem em ampliar o comprimento das retas operacionais, um


método envolve a reta da seção enriquecimento e o outro é o método da reta
da seção de esgotamento.

O que acontece é que os estágios serão traçados dessa vez respeitando essas
retas prolongadas, como você pode observar nas imagens, quando um estágio
atinge o final do prolongamento da reta ele ultrapassa essa linha causando
um “salto”, uma queda, de um estágio para o outro e assim continuando
normalmente o desenho dos degraus.

O local aonde a reta prolongada toca na linha de equilíbrio se torna o local


mais adequado para a alimentação da coluna, na figura são os pontos K e R.

Esses métodos são utilizados quando desejamos que uma certa seção tenha mais
estágios do que normalmente teria, consequentemente a outra seção terá menos
estágios ainda, porém são métodos pouco usados.

O motivo de alguém querer usar um método como esse pode ser muito variado, é
aquela história cada caso é um caso, então não significa que você tenha de
usar esses métodos, mas caso algo faça você pensar em aumentar a quantidade
de estágios de uma seção então use esses métodos que funcionam normalmente
que nem o método comum

325
8.11 O USO DOS LIMITES

Se considerarmos uma condição limite de refluxo infinito, temos que as retas


operacionais irão sobrepor a reta de 45°, dessa forma poderemos observar qual
é a quantidade mínima de estágios da coluna através do gráfico ou da equação
de Fenske:

𝑥 1 − 𝑥𝑊
log (1 −𝐷𝑥
𝐷 𝑥𝑊 )
𝑁𝑚𝑖𝑛 =
log 𝛼𝑚é𝑑

𝛼𝑚é𝑑 = √𝛼𝑡𝑜𝑝𝑜 𝛼𝑓𝑢𝑛𝑑𝑜

Fonte: Seader, 2011.

Esse valor de volatilidade relativa serve em casos aonde a pressão ou a


temperatura variam ao longo da coluna em vez de manter constante então se
calcula para o topo e para a base da coluna, caso não ocorra variação os são
iguais e o resultado fica log 𝛼.

Seader, 2011, nos mostra que é possível calcular o valor de refluxo mínimo
em uma coluna, o que é bastante importante porque nos possibilitará encontrar
outras informações, veja a equação abaixo:

1
𝑅𝑚𝑖𝑛 =
𝑧𝐹 (𝛼 − 1)

Com isso vale relembrar aonde o refluxo está mais fortemente relacionado, na
reta da seção de enriquecimento, veja a equação novamente:

𝑅 𝑥𝐷
𝑦𝑛+1 = 𝑥𝑛 +
𝑅+1 𝑅+1

326
Veja que o refluxo está diretamente ligado com o coeficiente angular da reta
operacional da seção de enriquecimento, mas nós podemos ver o outro lado da
moeda também, não? Como assim outro lado?

Você deve muito bem se lembrar das suas aulas de trigonometria que através
dos lados de um triângulo desenhado no gráfico o coeficiente angular da reta
pode ser encontrado assim:

𝑦 − 𝑦∗
tan 𝛼 =
𝑥 − 𝑥∗

Aquele sinal de asterisco é porque estamos usando uma situação de equilíbrio


líquido vapor, logo temos que representar os pontos assim. Um coeficiente
angular pode ser encontrado assim, mas dessa forma que ele está não representa
fielmente, veja a forma correta:

𝑅 𝑦1 − 𝑦 ∗
=
𝑅 + 1 𝑥𝐷 − 𝑥 ∗

O valor de fração 𝑥𝐷 representa a fração presente no destilado a ser retirado


da coluna e 𝑦1 é a fração presente no vapor do primeiro estágio que entra no
destilador, agora sim temos a representação da reta operacional de
enriquecimento.

O que acontece é que se nós considerarmos que a quantidade de refluxo na


coluna é a mínima possível estaremos afirmando que quase tudo que entra no
condensador será retirado como destilado, nessas condições o valor da fração
de vapor 𝑦1 se aproxima muito do valor da fração 𝑥𝐷 a ponto de serem iguais:

𝑅𝑚𝑖𝑛 𝑥𝐷 − 𝑦 ∗
=
𝑅𝑚𝑖𝑛 + 1 𝑥𝐷 − 𝑥 ∗

Isso acontece porque nessas condições a quantidade de estágios é infinita!


Logo a transferência será tão exigida ao longo a coluna que no topo o vapor
teria presente somente o componente mais volátil.

Entendo tudo isso posso lhe mostrar agora a faixa de segurança para o refluxo
de uma coluna, assim como no caso das colunas de absorção em vazão de líquido
e gás a coluna de destilação também tem a sua padronização de acordo com a
literatura:

1,2𝑅𝑚𝑖𝑛 ≤ 𝑅 ≤ 1,5𝑅𝑚𝑖𝑛

327
Essa faixa é considerada como condição ótima de refluxo na coluna, usa-la
irá evitar que o número de estágios seja infinito ou que a quantidade de
estágios seja muito pouca.

8.12 O ESTUDO DA EFICIÊNCIA

De acordo com Seader, 2011, quatro modelos já foram estudados ao longo da


grande literatura que temos disponível, porém a mais antiga e a mais comumente
usada é de Eficiência de Vapor de Murphree que é representada pela seguinte
equação:
𝑦𝑛 − 𝑦𝑛+1
𝐸𝑀𝑉 =
𝑦𝑛∗ − 𝑦𝑛+1

Essa eficiência pode ser analisada tanto da forma acima, que indica o uso de
um valor médio de concentração em toda extensão da coluna, ou de uma forma
pontual, aonde você deverá escolher um ponto ao longo do diâmetro da coluna
e analisar a eficiência especificamente nesse ponto, a equação pontual é
representada assim:


𝑦𝑛′ − 𝑦𝑛+1
𝐸𝑙𝑜𝑐𝑎𝑙 = ′
𝑦𝑛∗ − 𝑦𝑛+1

Veja o esquema abaixo que demonstra a diferença entre a eficiência pontual e


a comum:

Fonte: Geankoplis, 1993.

Average = média

328
𝐸𝑀𝑉 → 𝑦𝑛 ; 𝑦𝑛+1

′ ′
𝐸𝑙𝑜𝑐𝑎𝑙 → 𝑦𝑛′ ; 𝑦𝑛+1

Perceba na equação que no numerador temos 𝑦𝑛 e no denominador 𝑦𝑛∗ , a diferença


é simples, a composição que possui o asterisco é referente ao valor de
equilíbrio previsto na situação ideal naquele estágio, os outros são valores
reais medidos na coluna.

Através da eficiência de Murphree podemos encontrar uma eficiência global


que nos permitirá posteriormente encontrar o número de estágios real para a
coluna:

𝑚𝑉
log [1 + 𝐸𝑀𝑉 ( 𝐿 − 1)]
𝐸𝑔𝑙𝑜𝑏𝑎𝑙 =
𝑚𝑉
log 𝐿

Aonde “m” é a inclinação da curva de equilíbrio e “V/L” é o inverso da


inclinação da reta operacional, sendo V a vazão de vapor na seção e L a seção
de líquido na seção.

Agora vamos usar essa eficiência para dimensionar nossa coluna, entenda que
o comportamento da coluna de destilação é muito semelhante da absorção o que
muda é que na absorção temos entrada de líquido e gás distintos e sem relação
entre si e na destilação ocorre a entrada de um líquido misturado cujo
objetivo é ser separado.

Então isso no permite usar a equação dos cálculos de altura para a coluna de
absorção de recheios no caso da destilação:

𝐺 𝑑𝑦
𝑍𝑇 = 𝐻𝑂𝐺 𝑁𝑂𝐺 = − ∫
𝑠𝐾𝑦 𝑎 𝑦𝐴𝐺 − 𝑦𝐴∗

O que muda agora é que não temos entrada de gás o que acontece é que teremos
que quantificar a vazão de vapor dentro da coluna, existem métodos para isso,
então aonde se lia gás agora se ler vapor, não que na absorção não se use
vapor, claro que pode, mas na destilação o vapor é proveniente do próprio
líquido, diferentemente da absorção.

Portanto podemos realizar uma leve modificação na equação da altura:

𝑉 𝑑𝑦
𝑍𝑇 = − ∫
𝑠𝐾𝑦 𝑎 𝑦𝐴𝑉 − 𝑦𝐴∗

329
A interpretação da força motriz é semelhante já que nesse caso temos uma
diferença entre a concentração presente no vapor e a concentração de
equilíbrio, portanto quanto mais próximo a coluna chega de atingir a
concentração perfeita mais difícil se torna a operação, indicando necessidade
de cada vez mais estágios.

Estudos indicam que usando somente o 𝐻𝑂𝐺 conseguimos encontrar uma igualdade
entre a altura necessária para um estágio de recheios e a altura necessária
para um estágio de pratos, essa igualdade é chamada de HETP:

𝐻𝐸𝑇𝑃 = 𝐻𝑂𝐺

Esse método funciona somente para a operação de destilação, isso pode até
acontecer com a absorção, mas para isso é necessário que ocorra um paralelo
entre a reta de operação e a curva de equilíbrio, para casos onde isso não
ocorre (estou falando da absorção) usamos a seguinte relação:

𝑚𝑉
ln 𝐿
𝐻𝐸𝑇𝑃 = 𝐻𝑂𝐺
𝑚𝑉
𝐿 −1

Tendo em mãos a altura total da coluna e a altura de um prato podemos


encontrar a quantidade de pratos ideais necessários em uma coluna de
destilação.

𝐻 = 𝐻𝐸𝑇𝑃 × 𝑁

E através da eficiência global descobrimos qual o real valor do espaçamento


entre os pratos na coluna (T):

𝑇
𝐻𝐸𝑇𝑃 =
𝐸𝑔𝑙𝑜𝑏𝑎𝑙

Pronto, agora com a quantidade de pratos ideais basta usarmos a relação


abaixo para encontrarmos a quantidade de pratos reais que a coluna realmente
necessita de acordo com as condições:

𝑁𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙
𝐸𝑔𝑙𝑜𝑏𝑎𝑙 =
𝑁𝑟𝑒𝑎𝑙

330
8.13 SEMELHANÇAS

A partir de agora você começa a entender que existe uma forte relação entre
a coluna de absorção e a de destilação, pois a diferença entre ambos é somente
a entrada, um possui entrada de gás e líquido ao mesmo tempo em contracorrente
já o outro possui somente a entrada de líquido misturado aonde a fase gasosa
é proveniente do próprio líquido.

Então todas aquelas análises que fizemos na absorção sobre inundação,


gotejamento, perda de carga, tipos de pratos e recheios, tudo é válido aqui,
você só tem que trocar algumas partes do entendimento, pois agora o vapor é
gerado dentro da própria coluna e conforme você controla o condensador e o
refervedor você controla a geração de vapor (você aprende isso em operações
unitárias de transferência de calor).

Portanto, busque rever os conceitos ensinados lá para absorção, claro que a


transferência de massa é modificada aqui tem outros rumos, mas o objetivo é
o mesmo: concentrar mais em um e retirar mais em outro, com isso ainda tem
muitas outras coisas para se explorar aqui como balanço de energia e análise
do condensador e refervedor, mas deve partir de você o interesse em se
envolver mais com o assunto para assim você conseguir compreender todas as
coisas.

8.14 CONDENSADORES PARCIAIS

O nome já diz muita coisa, mas bora explicar, né? Um condensador parcial é
aquele que foi projetado com o intuito de condensar somente uma parte do
vapor que sobe a coluna, porque usar isso? Vamos saber agora.

O tipo de condensador é escolhido de acordo com as condições operacionais da


coluna, isto é, a pressão exigida para que a mistura seja condensada, é o
famoso ponto de orvalho, dependendo da pressão requerida poderemos escolher
entre três tipos de condensadores: total, parcial e misto (suporta os dois
casos).

Nosso amigo Seader, 2011, é muito inteligente e apresente um pequeno algoritmo


que deve ser seguido a fim de encontrarmos o melhor condensador para a coluna
em questão. Devo avisa-lo que o algoritmo leve em consideração água como
líquido refrigerante.

Treine seu inglês:

331
Fonte: Seader, 2011, editado e traduzido pelo autor.

A diferença entre o condensador total e o parcial é que o parcial adiciona


mais um estágio no estudo coluna, ou seja, o condensador parcial é considerado
mais um estágio da seção de enriquecimento.

Fonte: Geankoplis, 1993.

332
O condensador misto você já deve imaginar o que é, né? É um tipo de condensador
especial que consegue lhe dar com as condições de condensação total e parcial,
o que torna um tipo de equipamento multiuso aumentando as possibilidades de
aplicação na coluna.

O objetivo do condensador é sempre jogar uma certa quantidade de líquido de


volta para a coluna, e isso deve ser feito nas condições de líquido saturado,
mas em alguns casos, os condensadores totais acabam por jogar líquido
subresfriado de volta, qual a consequência disso? O líquido subresfriado
através da transferência térmica acaba por condensar algumas quantidades de
vapor antes que ela chegue no condensador.

A consequência disso é que o número de estágios será modificado, então devemos


realizar uma correção utilizando os dados do líquido subresfriado e do
refluxo.

Segundo Seader, 2011, a equação para correção desse tipo de situação fica:

𝐶𝑃𝐿 Δ𝑇𝑠𝑢𝑏𝑟𝑒𝑠𝑓𝑟𝑖𝑎𝑑𝑜
𝑅2 = 𝑅1 (1 + )
Δ𝐻 𝑣𝑎𝑝

Os dados 𝐶𝑃𝐿 e Δ𝑇 pertencem ao líquido que está subresfriado e Δ𝐻 𝑣𝑎𝑝 pertence


ao vapor que sobe a coluna. É importante avisar que os dados de capacidade e
entalpia são todos por mol de líquido ou vapor.

8.15 REFERVEDORES

Aqui vamos falar de alguns tipos de refervedores citados por Seader, 2011,
eles são apresentados abaixo:

Fonte: Seader, 2011, editado pelo autor.

333
Tudo trocador de calor, nenhuma novidade, eles também poderiam ser projetos
de Evaporadores, mas tudo tem o mesmo objetivo: troca térmica. Vamos entender
a finalidade de cada um:

a) Trocador de calor horizontal: é usado quando a área necessária é muito


grande, tornando inviável o seu uso na vertical, pois passaria da altura
necessária, e também quando o líquido não precisa de uma queda tão alta
para favorecer sua circulação. Você consegue observar uma barreira do
lado do trocador perto da saída? Essa barreira favorece o tempo de
residência necessária para que a mistura seja perfeitamente aquecida e
assim aumentando a eficiência das fases resultantes. Esses tipos de
trocadores podem ser ligados a bombas para melhorar a circulação.

b) Trocador de calor vertical comum: são trocadores projetados com um alto


potencial de transferência de calor, então não precisam de uma área tão
grande. Bombas não são necessárias pois o líquido usufrui da queda na
tubulação, se você não entende essa história de queda é só lembrar de
um manômetro: você tem líquido de um lado e através da ação da pressão
e da altura o líquido passa para o outro lado do manômetro. O lado
negativo é que o material de fundo a ser retirado (bottoms) se mistura
com um líquido misturado aonde ainda tem certas quantidades de
componentes voláteis. Como você pode perceber a rigorosidade com os
materiais de fundo é maior no trocador de calor horizontal do que no
vertical comum.

c) Trocador de calor vertical complexo: esse outro tipo de trocador vem


para concertar o erro do anterior. Assim, eu falo erro, mas não leve ao
pé da letra, o vertical comum tem as suas qualidades, o que se deve
fazer é estudar o caso e ver qual tipo de trocador irá conseguir suprir
nossas necessidades. Então, ele pega todo material que vem diretamente
do escorredor (downcomer), é um sentido inverso, em vez do líquido
entrar por baixo ele vem por cima, então pela queda o líquido entra no
trocador, é vaporizado e então sobe novamente na forma de vapor abaixo
do último prato. Isso faz com que o material de fundo (bottoms) não se
misture com líquidos carregados de componentes voláteis, logo ele será
retirado integralmente do fundo da coluna.

334
8.16 DIVERSAS ENTRADAS

Para você conseguir tirar alguns componentes do petróleo como gasolina,


diesel, querosene etc., é necessário a retirada lateral a fim de conseguir
coletar diversas substâncias que possuem pontos de ebulição diferentes.

Mas também existem outros casos em que é necessária mais de uma corrente para
alimentação fazendo com que mais de uma entrada seja designada a coluna.

Vamos entender esses dois tipos de situações passo a passo.

No caso de mais de uma entrada de alimentação na coluna teremos a modificação


da análise gráfica pois uma nova equação de balanço de massa será inserida
na equação e uma nova reta “q” aparecerá.

O que acontece é o seguinte: quando uma alimentação é adicionada a nossa


análise juntando retas da seção de esgotamento e enriquecimento e a reta “q”
não são o suficiente para representar nossa coluna, então o que se deve fazer
é onde exatamente a nova alimentação vai entrar e isso você sabe muito bem
como fazer, será através de uma nova reta “q”.

Com uma nova reta “q” traçada agora você terá uma base da direção em que a
alimentação está, geralmente o que fazemos como padrão é: a reta que está
acima é considerada primeira alimentação, portanto segue os padrões que
conhecemos até agora, já a reta que aparece abaixo dessa será considerada
próxima alimentação e deverá ser adaptada.

Essa adaptação funciona assim: a seção de enriquecimento deve prosseguir


somente a partir da reta “q” da primeira alimentação, abaixo disso a reta é
apagada e a seção de esgotamento deve prosseguir até a reta “q” da segunda
alimentação. Isso vai fazer com que haja um espaço vazio entre as retas “q”
das duas alimentações, esse espaço será justamente aonde uma nova reta será
traçada para completar o que falta, essa nova reta possuirá uma inclinação
𝐿′ /𝑉′, que poderá ser encontrada através dos pontos, indicando o novo
comportamento que a coluna terá com a adição de uma nova alimentação.

Isso não é complexo veja um exemplo prático apresentado por Seader, 2011:

335
Fonte: Seader, 2011, editado pelo autor.

Veja, a primeira alimentação é regida por uma reta “q” horizontal, que indica
alimentação de vapor saturado, a partir desse ponto para cima temos a reta
da seção de enriquecimento (cor azul) com inclinação 𝐿/𝑉.

Observa-se também a segunda reta “q” com comportamento completamente


vertical, indicando alimentação de líquido saturado, aonde abaixo está a reta
de esgotamento (cor vermelha) e acima está a nova reta operacional com
inclinação 𝐿′ /𝑉′.

Esse mesmo método é aplicado facilmente para mais alimentações, portanto você
percebe que uma nova alimentação cria um vão entre uma seção e outra que deve
ser corrigido e isso vai ocorrer com a criação de uma nova reta operacional.

Depois de tudo isso basta prosseguir normalmente com o método que você já
conhece, o espaço acima entre as retas desenhadas e a curva de equilíbrio é
o local aonde os degraus serão desenhados criando a forma gráfica dos estágios
para a sua coluna.

336
8.17 RETIRADA LATERAL

Agora explorando uma situação de retirada lateral, veja que toda vez que você
ver uma coluna na televisão, documentário ou sei lá o que, sempre acaba vendo
uma coluna com diversas saídas laterais, essa fama se propagou mais ainda
por causa do famoso ouro negro, o petróleo. Eu acho que o sonho de um
estudante de petróleo e gás é ir para a Arábia Saudita, só pode, porque no
Brasil que não é, ele pensa que vai para onde? Coari?

A nossa análise não será muito diferente do que você viu para casos de
diversas entradas de alimentação em uma coluna, pois a mesma divisão entre
as seções irá ocorrer, só que dessa vez teremos um refinamento matemático
maior por parte do balanço de massa para podermos controlar essa saída
lateral.

Veja bem, existe uma semelhança entre os casos que eu estou explicando aqui,
eu digo isso porque agora nós vamos nos deparar novamente com a separação
entre as seções de esgotamento e enriquecimento que deverá ser completada,
dessa vez por uma reta descrita por balanço de massa.

Perceba a diferença entre os casos:


quando temos uma segunda alimentação a
pequena reta L’/V’ será guiada pela reta
“q”, mas no caso da retirada lateral não
temos reta “q” simplesmente porque ela
é usada somente para alimentações, então
como proceder? Balanço de massa, vamos
criar uma equação que irá nos localizar
entre as seções.

Observe o exemplo ao lado:

Esses esquemas vão gerar dois balanços


de massa, um que está acima da
alimentação e da retirada lateral até o
condensador (seção 1), ou seja, é a reta
operacional da seção de enriquecimento,
o outro balanço vai especificar acima da
alimentação englobando a retirada
lateral e a saída do condensador (seção
Fonte: Seader, 2011.
2), formando as seguintes retas:

337
𝐿 𝐷 𝐿′ 𝐿𝑠 𝑥𝑠 + 𝐷𝑥𝐷
𝑦= 𝑥 + 𝑥𝐷 𝑦= 𝑥+
𝑉 𝑉 𝑉 𝑉
𝑠𝑒çã𝑜 1 𝑠𝑒çã𝑜 2

Graficamente o que vai acontecer é simples.

Trace as retas operacionais de enriquecimento, esgotamento e a reta “q”


normalmente, agora você vê uma fração 𝑥𝑠 na reta que encontramos? Então essa
é a fração da retirada lateral que deverá ser plotada no gráfico, ela será
seu norte, trace uma reta vertical a partir do ponto 𝑥𝑠 na abcissa, quando
essa reta tocar a reta de 45° só haverá dois destinos: ou a reta vertical
continua vertical e segue até tocar a reta operacional de enriquecimento, ou
a reta se tornar horizontal e segue até tocar a reta operacional de
enriquecimento.

O comportamento horizontal e vertical vai depender das condições dentro da


sua coluna, perceba que termodinamicamente dentro da coluna todos os estágios
estão em equilíbrio de líquido vapor, graças a isso podemos realizar todos
esses cálculos, então o que vai sair da lateral ou pode ser um líquido
saturado (reta vertical) ou um vapor saturado (reta horizontal).

Depois da reta que vem do ponto 𝑥𝑠 ser traçada e devidamente ligada no gráfico
você vai apagar a reta de enriquecimento que estiver passando do encontro
com a reta do ponto 𝑥𝑠 , a reta operacional não deve passar disso, e a reta
de esgotamento não deve passar do encontro com reta “q”, isso vai criar um
espaço entre a alimentação e a retirada lateral, aí entra em cima a reta que
calculamos no balanço de massa.

Observe o resultado ao lado, se você não entendeu veja o gráfico abaixo e


leia minha explicação de novo.

338
Fonte: Seader, 2011.

Veja que o gráfico que eu lhe mostrei está demonstrando uma retirada lateral
de líquido saturado, mas como saber se eu estarei retirando líquido ou vapor
saturado da minha coluna? Bom, se você fez todos os cálculos corretos e
conhece bem a sua coluna você saberá responder essa resposta.

A coluna pode ser dividida em diversas retiradas laterais, é que nem as


horcrux de Harry Potter, você divide uma alma em diversas partes, mas será
que vai prestar? Não sei, isso depende da altura da sua coluna e dos
componentes que você estará jogando na coluna, existem misturas que podem
ser dividas em diversos componentes, a exemplo do petróleo, então você tem
que saber aonde tal componente terá melhor faixa de concentração.

Tá perdido? Ok, eu explico.

Ao passo que se sobe na coluna a temperatura decai, isso quer dizer que o
fundo é quente e o topo é “frio”, eu digo frio mas é em relação ao fundo,
por exemplo o fundo com 1200 °C e o topo com 800 °C, se a mistura tiver
diversos componentes eles sentiram essa diferença de temperatura e em certas
temperaturas as concentrações desses componentes na mistura serão mais
evidentes, sendo o momento certo de retirada lateral.

339
Por isso você deve conhecer a sua mistura e identificar em quais temperaturas
os seus componentes são mais evidentes, seja em forma de líquido ou vapor,
dessa forma você consegue extrair diversos componentes de uma mistura, mas
não perfeitamente, se você quiser tirar o máximo possível desses componentes
deverá ser acoplado uma nova coluna, isso eu explico depois.

8.18 CORRENTE ABERTA

Este é um caso especial aonde não utilizamos refervedor na coluna, em vez


disso usamos uma entrada de vapor superaquecido no fundo da coluna, ou seja,
nós adicionamos um calor bastante quente no fundo em vez de usar um
refervedor. Automaticamente essa corrente irá gerar vapor na coluna, uma
segunda fase, e então esse vapor irá ser condensado no topo e retornar como
líquido, iniciando o ciclo da coluna.

A corrente superaquecida no fundo não é considerada uma alimentação, o que


se faz é adicionar um fluido puro, 𝑦 = 0, por exemplo água, portanto não há
mistura, o objetivo desse vapor será aquecer a alimentação da coluna.

Ao descer para o fundo o vapor superaquecido irá vaporizar parte do líquido


que desce, a outra parte que resiste ao calor irá cair para o fundo e ser
retirado como material de fundo.

Esse caso é utilizado normalmente quando existe presença de água na mistura


a ser destilada, então água superaquecida é lançada no fundo da coluna, como
não há mistura e ela está no fundo da coluna ela não é considerada uma
entrada. Com isso o vapor irá aquecer a alimentação e subir até o topo aonde
será condensado, o objetivo é que o componente mais volátil seja o destilado
e a água seja o menos volátil, ou seja, conforme a água sobe e transfere
energia ela se liquefaz e retorna ao fundo da coluna, aonde será retirada
como material de fundo.

O método gráfico desse tipo de coluna é muito simples, basta fazer uma reta
da seção de esgotamento com 𝑥𝐵 = 0, pronto temos a nossa coluna de corrente
aberta.

Observe o gráfico abaixo que representa um caso de corrente aberta:

340
Fonte: Seader, 2011.
É um gráfico muito parecido com todos os outros, temos a reta de
enriquecimento iniciando a partir da intercessão com a reta “q” e a reta de
esgotamento começando a partir de 𝑥𝐵 = 0 terminando na reta “q”.

A reta de esgotamento começa do zero porque estamos adicionando um vapor de


fluido puro, sem mistura.

Apesar de a reta de esgotamento aparecer cortando a reta de 45°, ela deve


ser apagada nessa parte e somente aparecer dentro do espaço entre a curva e
a reta de 45° como se faz com as outras retas.

Na hora de desenhar os degraus cuidado para não desenhar além da conta, você
só pode ir criando mais e mais degraus conforme as retas operacionais
permitem, digo isso porque entre a reta de esgotamento e o fim do gráfico
existe um espaço considerável e dá para desenhar mais alguma coisa aí.

O correto é desenhar em cima das retas operacionais observando o limite da


curva de equilíbrio, quando se acabar as retas não se traça mais estágios,
veja o exemplo abaixo:

341
Fonte: Seader, 2011.

8.19 MULTICOMPONENTES

Eu falei bastante no tópico anterior sobre casos em que é conveniente a


retirada lateral por causa da presença de mais de dois componentes na mistura,
mas agora chegou a hora de se aprofundar mais especificamente na mistura em
si e não na sua retirada, pois nós já vimos como isso ocorre.

Quando você conhece bem a mistura e o objetivo que você deseja com ela você
consegue saber em qual estágio retirar a melhor faixa possível dos
componentes, caso use a retirada lateral, ou como projetar uma segunda coluna
em série para destilar com uma eficiência melhor.

Primeiramente vamos explorar os dados de equilíbrio para os cálculos de ponto


de bolha e orvalho para cada componente. Veja, por exemplo, se tivermos
quatro componentes numa mistura temos que:

𝑃𝐴 = 𝑥𝐴 𝑃𝐴𝑣𝑎𝑝 𝑃𝐵 = 𝑥𝐵 𝑃𝐵𝑣𝑎𝑝
𝑃𝐶 = 𝑥𝐶 𝑃𝐶𝑣𝑎𝑝 𝑃𝐷 = 𝑥𝐷 𝑃𝐷𝑣𝑎𝑝

Aonde: 𝑃𝐴 + 𝑃𝐵 + 𝑃𝐶 + 𝑃𝐷 = 𝑃

342
E pela Lei de Raoult se nós podemos afirmar a veracidade das equações acima
então nós também podemos fazer isso:

𝑃𝐴 𝑃𝐴𝑣𝑎𝑝 𝑥𝐴 𝑃𝐵 𝑃𝐵𝑣𝑎𝑝 𝑥𝐵
𝑦𝐴 = = 𝑦𝐵 = =
𝑃 𝑃 𝑃 𝑃
𝑃𝐶 𝑃𝐶𝑣𝑎𝑝 𝑥𝐶 𝑃𝐷 𝑃𝐷𝑣𝑎𝑝 𝑥𝐷
𝑦𝐶 = = 𝑦𝐷 = =
𝑃 𝑃 𝑃 𝑃

Tudo isso envolve a lei de Raoult, ou seja, é um caso ideal aonde tudo é arco
ires e borboletas, mas você sabe que a vida não é assim, né?

Para a vida real existem na literatura uma Constante de Equilíbrio Líquido


Vapor ou um Coeficiente de Distribuição (𝐾), são disponíveis em forma de
diagramas que podem ser consultados para cada tipo de componente, ela funciona
como uma correção, ela fica assim nos componentes:

𝑃𝐴 = 𝐾𝐴 𝑥𝐴 𝑃𝐵 = 𝐾𝐵 𝑥𝐵
𝑃𝐶 = 𝐾𝐶 𝑥𝐶 𝑃𝐷 = 𝐾𝐷 𝑥𝐷

Com esse método nós conseguimos encontrar a volatilidade usando como base
qualquer um dos componentes, que será a componente base, aquele que é o nosso
foco de investigação, veja o exemplo:

𝐾𝑖
𝛼𝑖 =
𝐾𝑥

Para cada componente da mistura (𝐾𝑖 ) você irá encontrar a volatilidade em


função da componente base (𝐾𝑥 ).

Veja um exemplo de diagrama para composições de alguns hidrocarbonetos usando


o Coeficiente de Distribuição:

343
Fonte: Geankoplis, 1993.

Desse estudo nasce uma preocupação: ponto de bolha e de orvalho, como ficam?

Para isso métodos iterativos foram criados baseados na teoria, aonde é


afirmado que o somatório da fração gasosa no meio deve ser igual a 1,0 quando
estiver no ponto de bolha, ou seja: ∑ 𝑦𝑖 = 1, a mesma situação é afirmada na
fração líquida ∑ 𝑥𝑖 = 1.

Eles são iterativos porque não se sabe a temperatura de bolha e orvalho,


então o que se faz é um chute de valor de temperatura, então faz-se o cálculo
de 𝐾𝑥 , depois disso o objetivo será testar se essa temperatura consegue
atingir ∑ 𝑦𝑖 = 1 ou ∑ 𝑥𝑖 = 1.

Ponto de bolha:

∑ 𝑦𝑖 = ∑ 𝐾𝑖 𝑥𝑖 = 𝐾𝑥 ∑ 𝛼𝑖 𝑥𝑖 = 1,0

344
Depois do chute deve ser calculado o valor de 𝐾𝑥 :

1
𝐾𝑥 =
∑(𝛼𝑖 𝑥𝑖 )

Depois que a temperatura correta é conhecida calcula-se a fração de cada


componente assim:

𝛼𝑖 𝑥𝑖
𝑦𝑖 =
∑(𝛼𝑖 𝑥𝑖 )

Ponto de orvalho:

𝑦𝑖 1 𝑦𝑖
∑ 𝑥𝑖 = ∑ ( ) = ∑ ( ) = 1,0
𝐾𝑖 𝐾𝑥 𝛼𝑖

Depois do chute deve ser calculado o valor de 𝐾𝑥 :

𝑦𝑖
𝐾𝑥 = ∑ ( )
𝛼𝑖

Depois que a temperatura correta é conhecida calcula-se a fração de cada


componente assim:

𝑦𝑖 /𝛼𝑖
𝑥𝑖 =
∑(𝑦𝑖 /𝛼𝑖 )

Vamos a um exemplo para você entender, Geankoplis mostra um caso aonde temos
a mistura de quatro componentes: n-butano (𝑥𝐴 = 0,40), n-pentano (𝑥𝐵 = 0,25), n-
hexano (𝑥𝐶 = 0,20) e n-heptano (𝑥𝐷 = 0,15) numa pressão de 405,3 kPa. Foi
escolhido como base de cálculo o componente c, portanto 𝐾𝐶 comandará as
equações, e o chute será de 65 °C.

Resultado:

Fonte: Geankoplis, 1993.


345
Se você não entendeu a imagem mostra duas tabelas, a primeira é a primeira
iteração partindo do chute de 65 °C, foi usado o diagrama que mostrei a pouco
para encontrar os resultados, e a segunda tabela mostra a terceira e última
iteração mostrando que ∑ 𝑦𝑖 = 1 quando o valor utilizado é 70 °C, portanto esse
é o valor do ponto de bolha da mistura.

Prosseguindo com os nosso estudos, entende-se que em uma coluna que destila
uma mistura com diversos componentes a é bastante complicado querer se basear
em somente um componente como se faz na destilação binária, aonde todos os
nosso cálculos são baseados no componente mais volátil, aqui nós abrangemos
um pouco mais esse conceito e dividimos em dois: chave leve (L) e chave
pesada (H).

O que acontece é que os componentes presentes no topo são os mais leves com
pequenas frações de alguns pesados no meio e os componentes mais presentes
no fundo são os mais pesados com pequenas frações dos leves, então é essa
composição que será medida e usada como base para os cálculos.

Em função disso temos uma equação para encontrar a quantidade mínima de


estágios que a coluna precisa para uma mistura com multicomponentes:

𝑥 𝐷𝑥 𝑊
log (𝑥 𝐿𝐷 𝐷 𝑥𝐻𝑊𝑊 )
𝐻𝐷 𝐿𝑊
𝑁𝑚𝑖𝑛 =
log 𝛼𝐿,𝑚𝑒𝑑

Aonde:

𝛼𝐿𝐷 → 𝑝𝑜𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑜𝑟𝑣𝑎𝑙ℎ𝑜 𝑛𝑜 𝑡𝑜𝑝𝑜


𝛼𝑚𝑒𝑑 = √𝛼𝐿𝐷 𝛼𝐿𝑊
𝛼𝐿𝑊 → 𝑝𝑜𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑒 𝑏𝑜𝑙ℎ𝑎 𝑛𝑜 𝑓𝑢𝑛𝑑𝑜

Sendo que:

𝑥𝐿𝐷 : fração molar da chave leve no destilado;

𝑥𝐿𝑊 : fração molar da chave leve no fundo da coluna;

𝑥𝐻𝐷 : fração molar da chave pesado no destilado;

𝑥𝐻𝑊 : fração molar da chave pesado no fundo da coluna.

Conhecendo a quantidade mínima necessária de estágios que a sua coluna precisa


nós agora conseguimos encontrar a concentração dos componentes presentes no
topo e no fundo através dessa equação:

346
𝑥𝑖𝐷 𝐷 𝑁𝑚𝑖𝑛 𝑥𝐻𝐷 𝐷
= (𝛼𝑖,𝑚𝑒𝑑 )
𝑥𝑖𝑤 𝑊 𝑥𝐻𝑊 𝑊

Ou seja, temos a concentração dos componentes pesado e leve no topo (D) e no


fundo (W), usando a volatilidade média, que é calculada da mesma forma que
mostrei antes 𝛼𝑖,𝑚𝑒𝑑 = √𝛼𝑖𝐷 𝛼𝑖𝑊 , usando a volatilidade no fundo e no topo da
coluna.

Para auxiliar todos esses cálculos é muito importante realizar balanços de


massa para cada componente da mistura, dessa forma você irá encontrar
informações importantes para o seu estudo.

Falamos de número mínimo de estágios, que significa refluxo infinito, agora


é hora de falarmos sobre refluxo mínimo, que irá nos mostrar o outro lado do
extremo de uma coluna. É mais um método iterativo que pode ser observado
abaixo:

𝛼𝑖 𝑥𝑖𝐹 𝛼𝑖 𝑥𝑖𝐷
1−𝑞 =∑ 𝑅𝑚𝑖𝑛 + 1 = ∑
𝛼𝑖 − 𝜃 𝛼𝑖 − 𝜃
1ª 𝐸𝑡𝑎𝑝𝑎 2ª 𝐸𝑡𝑎𝑝𝑎

Vamos entender cada parte desse método: esse somatório significa que para
𝛼𝑖 𝑥𝑖𝐹 𝛼𝑖 𝑥𝑖𝐷
cada componente teremos duas frações e , a primeira é referente aos
𝛼𝑖 −𝜃 𝛼𝑖 −𝜃

componentes no momento da alimentação e a segunda é referente aos componentes


no fundo da coluna; temos também o fator “q” que você já sabe o que é; o
valor 𝜃 é um parâmetro de chute cujo valor deve estar entre 𝛼𝐿 e 𝛼𝐻 .

O método funciona assim: calcula-se 1 − 𝑞 para se descobrir o valor total de


𝛼𝑖 𝑥𝑖𝐹
∑ , depois disso você vai desmembrar esse somatório, assim:
𝛼𝑖 −𝜃

𝛼𝑖 𝑥𝑖𝐹 𝛼1 𝑥1𝐹 𝛼2 𝑥2𝐹 𝛼3 𝑥3𝐹


∑ = + +
𝛼𝑖 − 𝜃 𝛼1 − 𝜃 𝛼2 − 𝜃 𝛼3 − 𝜃

Com isso você vai chutar um valor para 𝜃 que deve estar entre 𝛼𝐿 e 𝛼𝐻 , por
exemplo se 𝛼𝐿 = 2,30 e 𝛼𝐻 = 1,00, você pode chutar um valor 𝜃 = 1,50 sem problemas.

Após o chute calcula-se o somatório e verifica se a igualdade vai bater. Se


o resultado der abaixo da igualdade, você precisa aumentar o valor de 𝜃, mas
se o resultado der acima da igualdade você precisa baixar o valor.

Quando você encontrar o valor verdadeiro de 𝜃 você poderá aplicar esse valor
no outro somatório e encontrar o refluxo mínimo na coluna:

347
𝛼𝑖 𝑥𝑖𝐷
𝑅𝑚𝑖𝑛 + 1 = ∑
𝛼𝑖 − 𝜃

Viu, é simples e não dói.

Qual a finalidade de tudo isso, sendo que nós não usamos o valor mínimo de
refluxo e nem o número mínimo de estágios? Relaxe meu pequeno gafanhoto, tudo
tem um porque na vida, até aquela aula de desenho que você odiava.

Descobrindo o valor mínimo de refluxo e de estágios você consegue encontrar


os valores reais necessários para sua coluna de destilação de
multicomponentes.

Isso é possível através da relação de Erbar-Maddox, aonde temos um eixo


vertical que relaciona o valor de refluxo real, um eixo horizontal que
relaciona o número de estágios mínimos pelo real e curvas do valor de refluxo
mínimo. Veja ao lado.

“A, mas não temos o valor de refluxo real, como vamos descobrir o número real
de estágios?”, será mesmo que você esqueceu dessa relação?

1,2𝑅𝑚𝑖𝑛 ≤ 𝑅 ≤ 1,5𝑅𝑚𝑖𝑛

Presta atenção.

Fonte: Geankoplis, 1993.

348
Então juntando tudo bonitinho funciona assim: você descobre o número mínimo
de estágios e o número mínimo de refluxo através das equações que eu lhe
apresentei, após isso você consegue encontrar o valor de refluxo real
dependendo da necessidade do seu projeto, voalá você consegue encontrar o
número de estágios real da sua coluna.

Por último, falta só uma coisa que nós devemos determinar na nossa coluna: a
localização da alimentação. Para isso também existe uma relação matemática,
veja que elas são as nossas únicas alternativas já que o método gráfico fica
comprometido com a presença de diversos componentes, a equação para
determinar a localização da alimentação é descrita por Kirkbride:

𝑁𝑒 𝑥𝐻𝐹 𝑊 𝑥𝐿𝑊 2
log = 0,206 log [( ) ( ) ]
𝑁𝑠 𝑥𝐿𝐹 𝐷 𝑥𝐻𝐷

Esse cálculo é muito simples, através dele você encontra a relação de 𝑁𝑒 ,


número de estágios acima da alimentação, e 𝑁𝑠 , número de estágios abaixo da
alimentação. Perceba que através dele também dá para se determinar o número
total de estágios real na coluna, você pode usar como um comparativo.

Após descobrir o valor da razão 𝑁𝑒 /𝑁𝑠 você pode fazer essa relação para
descobrir o valor total de estágios:

𝑁𝑒
= 𝑥 → 𝑁𝑒 = 𝑁𝑠 𝑥
𝑁𝑠

Sendo:

𝑁𝑒 + 𝑁𝑠 = 𝑁𝑇 → 𝑁𝑠 𝑥 + 𝑁𝑠 = 𝑁𝑇

Logo:

𝑁𝑠 (𝑥 + 1) = 𝑁𝑇

8.20 EXEMPLO DE MULTICOMPONENTES

Um líquido a 100 mol/h é alimentado numa coluna de destilação a 405,3 kPa


com as seguintes composições: n-butano (𝑥𝐴 = 0,40), n-pentano (𝑥𝐵 = 0,25), n-
hexano (𝑥𝐶 = 0,20) e n-heptano (𝑥𝐷 = 0,15). O objetivo é recuperar 90 % de n-
pentano no destilado e 90 % de n-hexano no material de fundo.

a) Calcular o ponto de bolha da mistura;

349
b) Calcular vazão e composição do destilado e do material de fundo;

c) Calcular ponto de orvalho do destilado e o ponto de bolha do material


de fundo;

d) Calcular quantidade mínima de estágios necessários e a distribuição dos


outros componentes no topo e no fundo;

e) Encontrar refluxo mínimo necessário, supondo 𝑞 = 1;

f) Número estágios teóricos para 𝑅 = 1,5𝑅𝑚𝑖𝑛 ;

g) Localização da alimentação na coluna.

a) Calcular o ponto de bolha da mistura:

O chute escolhido é de 65 °C e o componente base será o n-hexano, então


através do diagrama ao lado encontramos dados do coeficiente de distribuição
e usamos o método iterativo:

∑ 𝑦𝑖 = ∑ 𝐾𝑖 𝑥𝑖 = 𝐾𝐶 ∑ 𝛼𝑖 𝑥𝑖 = 1,0

Fonte: Geankoplis, 1993.

350
Fonte: Geankoplis, 1993.

Portanto utilizou-se três iterações, se você não entendeu a tabela veja: usou
o valor da temperatura para encontrar os valores 𝐾𝐴 , 𝐾𝐵 , 𝐾𝐶 e 𝐾𝐷 , depois
utilizando 𝐾𝑖 /𝐾𝐶 encontra-se as volatilidades relativas, na última etapa
calcula-se o valor de 𝑦𝑖 , realizando o somatório para verificar se realmente
o somatório deu igual a 1, se não deu, um novo valor para 𝐾𝐶 será feito com:

1
𝐾𝐶 =
∑(𝛼𝑖 𝑥𝑖 )

Utilizando os valores resultantes da iteração anterior.

Por fim, o método mostrou que a temperatura do ponto de bolha é 70 °C com o


valor de 𝐾𝐶 = 0,283.

b) Calcular vazão e composição do destilado e do material de fundo:

Para isso devemos realizar balanço de massa:

𝐹 =𝐷+𝑊

Em relação ao componente B (n-pentano):

𝐹𝑥𝐵𝐹 = 𝐷𝑦𝐵𝐷 + 𝑊𝑥𝐵𝑊

Em relação ao componente C (n-hexano):

𝐹𝑥𝐶𝐹 = 𝐷𝑦𝐶𝐷 + 𝑊𝑥𝐶𝑊

Nós temos alguns desses dados, veja:

✣ 𝐹 = 100;
351
✣ 𝑥𝐵𝐹 = 0,25;

✣ 𝑥𝐶𝐹 = 0,20.

Com as afirmações que 90 % de B vai para o destilado e 90 % de C vai para o


material de fundo, temos que:

𝑦𝐵𝐷 𝐷 = 0,9𝑥𝐵𝐹 𝐹 = (0,90)(0,25)(100) = 22,5

𝑥𝐶𝑊 𝑊 = 0,9𝑥𝐶𝐹 𝐹 = (0,9)(0,20)(100) = 18

Através do balanço de massa encontramos:

𝑥𝐵𝑊 𝑊 = 2,5 𝑦𝐶𝐷 𝐷 = 2,0

Para encontrar as correntes será assumido que não há componentes D no


destilado e nem A no material de fundo, logo:

Fonte: Geankoplis, 1993.

Vou explicar o que foi feito: a primeira coluna é de alimentação, é os dados


que nós temos, basta fazer 𝑥𝐹 𝐹, depois separa-se os valores de 𝑦𝐷 𝐷 e 𝑥𝑊 𝑊
cujo cálculo eu já mostrei e realiza-se um somatório de cada um, pois o
somatório de 𝑦𝐷 e 𝑥𝑊 sempre será um e o que restará será 𝐷 e 𝑊, a partir daí
você irá calcular o valores de 𝑦𝐷 e 𝑥𝑊 .

Veja que no componente A 𝑦𝐷 𝐷 é o mesmo valor da alimentação e 𝑥𝑊 𝑊 é igual a


zero, por causa da nossa afirmação dizendo que não haverá presença de A n
topo, somente no fundo, a mesma situação é observada para o componente D.

Perceba que Geankoplis está usando B para representar chave leve e C como
chave pesada, isso porque a questão pede foco nesses dois componentes então
um irá para o topo e outro para o fundo.

352
c) Calcular ponto de orvalho do destilado e o ponto de bolha do material
de fundo:

Para o ponto de orvalho do destilado utiliza-se o método iterativo:

𝑦𝑖 1 𝑦𝑖
∑ 𝑥𝑖 = ∑ ( ) = ∑ ( ) = 1,0
𝐾𝑖 𝐾𝑥 𝛼𝑖

Com um chute de 67 °C e usando o diagrama temos que:

Fonte: Geankoplis, 1993.

Então o chute foi certeiro (até parece) e 67 °C, com 𝐾𝐶 = 0,263, é realmente o
ponto de orvalho do destilado.

Agora procura-se o ponto de bolha no produto de fundo para isso usa-se um


chute de 135 °C, depois de duas iterações a temperatura encontrada foi 132
°C, o resultado fica:

Fonte: Geankoplis, 1993.

Portanto o ponto de bolha fica em 132 °C com 𝐾𝐶 = 1,14.

d) Calcular quantidade mínima de estágios necessários e a distribuição dos


outros componentes no topo e no fundo:

353
Para usar a equação do cálculo de quantidade mínima de estágios devemos
encontrar a volatilidade média na coluna que usa das volatilidades no topo e
no fundo da coluna com as temperaturas de bolha e orvalho calculadas:

𝛼𝐿𝐷 = 2,50 (𝑡 = 67 °𝐶) 𝛼𝐿𝑊 = 2,04 (𝑡 = 132 °𝐶)

𝛼𝐿,𝑚𝑒𝑑 = √𝛼𝐿𝐷 𝛼𝐿𝑊 = √(2,50)(2,04) = 2,258

Logo:

𝑥 𝐷𝑥 𝑊 (0,349)(64,5) (0,507)(35,5)
log (𝑥 𝐿𝐷 𝐷 𝑥𝐻𝑊𝑊 ) log (
(0,031)(64,5) (0,070)(35,5)
)
𝐻𝐷 𝐿𝑊
𝑁𝑚𝑖𝑛 = = = 5,404
log 𝛼𝐿,𝑚𝑒𝑑 log 2,258

Agora a distribuição irá ser útil para sabermos como ficarão distribuídos os
outros componentes (A e D) na coluna, mas antes:

𝛼𝐴,𝑚𝑒𝑑 = √(6,73)(4,348) = 5,409 𝛼𝐷,𝑚𝑒𝑑 = √(0,385)(0,530) = 0,452

Logo:

𝑥𝐴𝐷 𝐷 𝑁𝑚𝑖𝑛 𝑥𝐻𝐷 𝐷 (0,031)(64,5)


= (𝛼𝐴,𝑚𝑒𝑑 ) = (5,409)5,404 = 1017
𝑥𝐴𝑤 𝑊 𝑥𝐻𝑊 𝑊 (0,507)(35,5)

𝑥𝐷𝐷 𝐷 𝑁𝑚𝑖𝑛 𝑥𝐻𝐷 𝐷 (0,031)(645)


= (𝛼𝐷,𝑚𝑒𝑑 ) = (0,452)5,404 = 0,001521
𝑥𝐷𝑤 𝑊 𝑥𝐻𝑊 𝑊 (0,507)(355)

Usando os balanços de massas de cada componente:

𝑥𝐴𝐹 𝐹 = 𝑥𝐴𝐷 𝐷 + 𝑥𝐴𝑊 𝑊

𝑥𝐷𝐹 𝐹 = 𝑥𝐷𝐷 𝐷 + 𝑥𝐷𝑊 𝑊

Sabendo que 𝑥𝐴𝐹 𝐹 = 40 e 𝑥𝐷𝐹 𝐹 = 15 encontramos os seguintes valores:

𝑥𝐴𝑊 𝑊 = 0,039 𝑥𝐴𝐷 𝐷 = 39,961


𝑥𝐷𝐷 𝐷 = 0,023 𝑥𝐷𝑊 𝑊 = 14,977

Dessa forma as composições podem ser reescritas dessa forma:

354
Fonte: Geankoplis, 1993.

Com a modificação dessas composições pode ser que ocorra mudanças nos
cálculos, já que os pontos de bolha e orvalho dependem diretamente desses
dados, mas segundo Geankoplis, 1993, pela proximidade que dos valores antigos
com os atuais refazer o método irá gerar o mesmo resultado.

e) Encontrar refluxo mínimo necessário, supondo 𝑞 = 1 :

Utilizando os dados de composição encontrados realização o método iterativo


para o cálculo de 𝑅𝑚𝑖𝑛 :

𝛼𝐴 𝑥𝐴𝐹 𝛼𝐵 𝑥𝐵𝐹 𝛼𝐶 𝑥𝐶𝐹 𝛼𝐷 𝑥𝐷𝐹


1 − 𝑞 == + + +
𝛼𝐴 − 𝜃 𝛼𝐵 − 𝜃 𝛼𝐶 − 𝜃 𝛼𝐷 − 𝜃

Logo:

(5,20)(0,40) (2,30)(0,25) (1,00)(0,20) (0,467)(0,15)


0= + + +
(5,20) − 𝜃 (2,30) − 𝜃 (1,00) − 𝜃 (0,467) − 𝜃

O chute deve estar entre 1,00 ≤ 𝜃 ≤ 2,30, portanto escolhe-se o valor 𝜃 = 1,210,
o resultado fica:

Fonte: Geankoplis, 1993.

355
Portanto o valor de 𝜃 ideal é 1,2096, agora poderemos encontrar o refluxo
mínimo:

𝛼𝑖 𝑥𝑖𝐷
𝑅𝑚𝑖𝑛 + 1 = ∑
𝛼𝑖 − 𝜃

Logo:

(5,20)(0,6197) (2,30)(0,3489) (1,00)(0,031) (0,467)(0,0004)


𝑅𝑚𝑖𝑛 + 1 = + + +
(5,20) − 1,2096 (2,30) − 1,2096 (1,00) − 1,2096 (0,467) − 1,2096

𝑅𝑚𝑖𝑛 = 0,395

f) Número estágios teóricos para 𝑅 = 1,5𝑅min :

Com o valor de refluxo mínimo encontrado temos:

𝑅𝑚𝑖𝑛 𝑅
= 0,2832 = 0,3723
𝑅𝑚𝑖𝑛 + 1 𝑅+1

Sabendo que o número de estágios mínimo é 𝑁𝑚𝑖𝑛 = 5,40 e utilizando o diagrama


ao lado temos que:

𝑁𝑚𝑖𝑛
= 0,49 → 𝑁 = 11,0
𝑁

Fonte: Geankoplis, 1993.

356
g) Localização da alimentação na coluna.

Por fim utilizamos o método matemático para encontrar o estágio de alimentação


da coluna de destilação:

𝑁𝑒 𝑥𝐻𝐹 𝑊 𝑥𝐿𝑊 2
log = 0,206 log [( ) ( ) ]
𝑁𝑠 𝑥𝐿𝐹 𝐷 𝑥𝐻𝐷

Logo:

𝑁𝑒 0,20 35,516 0,0704 2 𝑁𝑒


log = 0,206 log [( ) ( ) ] = 0,07344 → = 1,184
𝑁𝑠 0,25 64,484 0,0310 𝑁𝑠

Portanto:

𝑁𝑠 1,184 + 𝑁𝑠 = 11 → 𝑁𝑠 = 5

Conclusão, 5 estágios abaixo da alimentação e 6 acima, portanto a alimentação


da coluna deverá ficar no 6º estágio da coluna.

8.21 BALANÇO DE ENERGIA

Falamos de tanta coisa até aqui, mas ainda não falamos tudo, pois nós
discutimos bastante como o comportamento do balanço de massa deverá ser
realizado para cada tipo de situação, ok, mas como ter um melhor controle do
refervedor e do destilador? Como saber se eu estou no caminho certo para
atingir aquele tal valor de temperatura? Isso é importante.

Por causa disso vamos explorar o balanço de energia de uma coluna de


destilação, tanto global como o balanço das seções e o que de importante
deverá ser extraído dessas equações.

O balanço geral é descrito da seguinte forma:

𝐹ℎ𝐹 + 𝑄𝑅 = 𝐷ℎ𝐷 + 𝑊ℎ𝑊 + 𝑄𝐶 + 𝑄𝑝𝑒𝑟𝑑𝑖𝑑𝑜

Temos uma alimentação F, nesse caso estamos considerando uma alimentação de


líquido saturado, pois entalpia com h minúsculo significa entalpia de
líquido; tem também um calor 𝑄𝑅 que é o calor proveniente do refervedor; D e
W são as correntes de destilado e material de fundo respectivamente; ℎ𝐷 é a
entalpia do líquido já destilado e condensado; ℎ𝑊 a entalpia do líquido
presente no material de fundo; 𝑄𝐶 é o calor consumido pelo destilador e 𝑄𝑝𝑒𝑟𝑑𝑖𝑑𝑜
é qualquer quantidade de calor que possa ser perdida para o meio.
357
Se a coluna for considerada isolada do meio externo então poderemos
desconsiderar o valor de calor perdido no processo.

Os cálculos de energia para o condensador variam, pois depende se ele é


parcial ou total, como nós já vimos antes, então para esses dois casos temos:

𝑄𝐶 = 𝐷(𝑅 + 1)Δ𝐻 𝑣𝑎𝑝 𝑄𝐶 = 𝐷𝑅Δ𝐻 𝑣𝑎𝑝


𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑝𝑎𝑟𝑐𝑖𝑎𝑙

Aonde Δ𝐻 𝑣𝑎𝑝 é a entalpia molar média de vaporização.

Para os refervedores, que sempre são parciais, temos a seguinte equação:

𝑄𝑅 = 𝑊𝑉𝑊 Δ𝐻 𝑣𝑎𝑝

Em condições de alimentação saturada e condensador total podemos calcular a


geração de vapor no refervedor:

𝑊𝑉𝑊 = 𝐿 + 𝐷 = 𝐷(𝑅 + 1)

Se for utilizada uma alimentação parcialmente vaporizada e um condensador


total o refervedor irá trabalhar menos do que o destilador, isso é óbvio haja
vista que mais vapor sobe do que líquido desce, para esses casos temos que:

𝑉𝐹
𝑄𝑅 = 𝑄𝐶 [1 − ]
𝐷(𝑅 + 1)

Aonde 𝑉𝐹 é a vazão de vapor proveniente da alimentação da coluna.

Com essas informações de energia em mãos é possível calcular a quantidade


vapor saturado e água refrigerante necessários para o refervedor e o
destilador, respectivamente.

𝑀𝑠 𝑄𝑅 𝑄𝐶
𝑚𝑠 = 𝑚𝑐𝑤 =
Δ𝐻𝑠𝑣𝑎𝑝 𝐶𝑃𝐻2𝑂 (𝑇𝑞𝑢𝑒𝑛𝑡𝑒 − 𝑇𝑓𝑟𝑖𝑜 )
𝑣𝑎𝑝𝑜𝑟 𝑠𝑎𝑡𝑢𝑟𝑎𝑑𝑜 á𝑔𝑢𝑎 𝑔𝑒𝑙𝑎𝑑𝑎

Essas equações vem de simples balanços de energia, veja que 𝑀𝑠 é a massa


molecular do vapor, Δ𝐻𝑠𝑣𝑎𝑝 a entalpia molar de vaporização do vapor e 𝐶𝑃𝐻2 𝑂 é
a capacidade calorífica da água.

Esses dados são importantíssimos para você projetar os seus trocadores de


calor no topo e no fundo, com a informação do fluxo e as temperaturas de
entrada e saída necessário você já consegue muita coisa.

358
O refervedor geralmente é mais caro do que o condensador, justamente porque
aquecer da mais trabalho do que resfriar, então em função disso muitos
projetos visam diminuir o trabalho do refervedor pré aquecendo a alimentação
para torna-la parcialmente vaporizada diminuindo, assim, o valor de 𝑄𝑅 .

Partindo para as seções temos que o balanço de energia nas seções de


enriquecimento e esgotamento ficam desconsiderando perda de calor para o
meio:

𝑉𝑛+1 𝐻𝑛+1 = 𝐿𝑛 ℎ𝑛 + 𝐷ℎ𝐷 + 𝑄𝐶


𝑆𝑒çã𝑜 𝑑𝑒 𝐸𝑛𝑟𝑖𝑞𝑢𝑒𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜

𝑉𝑚+1 𝐻𝑚+1 = 𝐿𝑚 ℎ𝑚 + 𝑄𝑅 − 𝑊ℎ𝑊


𝑆𝑒çã𝑜 𝑑𝑒 𝐸𝑠𝑔𝑜𝑡𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜

Os valores 𝐷, 𝑊, 𝑄𝑅 , 𝑄𝐶 , ℎ𝐷 e ℎ𝑊 são facilmente encontrados através do balanço de


massa global feito na coluna, a dificuldade aqui é determinar essas entalpias
de vapor e líquido nos estágios da coluna.

Existem cálculos termodinâmicos que irão os ajudar a encontrar as entalpias


de vapor e líquido presentes no meio da coluna, veja:

ℎ = 𝑥𝐴 𝐶𝑃𝐴 (𝑇 − 𝑇0 ) + (1 − 𝑥𝐴 )𝐶𝑃𝐵 (𝑇 − 𝑇0 ) + Δ𝐻𝑠𝑜𝑙


𝐿í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 𝑠𝑎𝑡𝑢𝑟𝑎𝑑𝑜

𝐻 = 𝑦𝐴 [𝜆𝐴 + 𝐶𝑃𝑦 (𝑇 − 𝑇0 )] + (1 − 𝑦𝐴 ) [𝜆𝐵 + 𝐶𝑃𝑦 (𝑇 − 𝑇0 )]


𝐴 𝐵
𝑉𝑎𝑝𝑜𝑟 𝑠𝑎𝑡𝑢𝑟𝑎𝑑𝑜

Aonde:

𝜆𝐴 = 𝐶𝑃𝐴 (𝑇𝑏𝐴 − 𝑇0 ) + 𝜆𝐴𝑏 − 𝐶𝑝𝑦𝑎 (𝑇𝑏𝐴 − 𝑇0 )

𝜆𝐵 = 𝐶𝑃𝐵 (𝑇𝑏𝐵 − 𝑇0 ) + 𝜆𝐵𝑏 − 𝐶𝑝𝑦𝐵 (𝑇𝑏𝐵 − 𝑇0 )

Veja o que é cada parâmetro presente nessas equações:

✣ 𝑇0 → Temperatura de referência;

✣ 𝐶𝑃𝑥 → Capacidade calorífica do componente x;

✣ Δ𝐻𝑠𝑜𝑙 → Entalpia de solução na temperatura 𝑇0 ;

✣ 𝐶𝑃𝑦𝑥 → Capacidade calorífica do vapor do componente x;

✣ 𝜆𝑥 → Calor latente do componente x na temperatura 𝑇0 ;

359
✣ 𝑇𝑏𝑥 → Temperatura de bolha do componente x;

✣ 𝜆𝑥𝑏 → Calor latente do componente x na temperatura de bolha 𝑇𝑏𝑥 .

Qual benefício que essa técnica nos traz? Através desse método nós conseguimos
determinar os valores de entalpia nas fases líquido e vapor e isso é bastante
promissor porque através disso nós conseguimos até mesmo determinar o número
de estágios de uma coluna.

Vamos a um exemplo utilizando uma mistura de Benzeno-Tolueno a pressão de 1


atm, vamos encontrar as entalpias para as seguintes composições: 0, 0,3, 0,5,
0,8, 1,0. Use as tabelas abaixo.

Fonte: Geankoplis, 1993.

Fonte: Geankoplis, 1993.

Nossa temperatura referencial será 𝑇0 = 80,1 °C, pois é nessa temperatura que
a mistura se torna líquido saturado. Começando com o ponto 𝑥𝐴 = 0, 𝑦𝐴 = 0, iremos
usar 𝑇 = 110,6 °𝐶 para o cálculo porque é nessa temperatura que encontramos as
concentrações nulas de acordo com a tabela:

Líquido saturado: 𝑥𝐴 = 0

ℎ = 𝑥𝐴 𝐶𝑃𝐴 (𝑇 − 𝑇0 ) + (1 − 𝑥𝐴 )𝐶𝑃𝐵 (𝑇 − 𝑇0 ) + Δ𝐻𝑠𝑜𝑙

360
Logo:

ℎ = 0 + (1 − 0)(167,5)(110,6 − 80,1) + 0 = 5109 𝑘𝐽/𝑘𝑔. 𝑚𝑜𝑙

Vapor saturado: 𝑦𝐴 = 0

𝐻 = 𝑦𝐴 [𝜆𝐴 + 𝐶𝑃𝑦 (𝑇 − 𝑇0 )] + (1 − 𝑦𝐴 ) [𝜆𝐵 + 𝐶𝑃𝑦 (𝑇 − 𝑇0 )]


𝐴 𝐵

Aonde:

𝜆𝐴 = (138,2)(80,1 − 80,1) + 30820 − (96,3)(80,1 − 80,1) = 30820 𝑘𝐽/𝑘𝑔. 𝑚𝑜𝑙

𝜆𝐵 = (167,5)(110,6 − 80,1) + 33330 − (138,2)(110,6 − 80,1) = 34224 𝑘𝐽/𝑘𝑔. 𝑚𝑜𝑙

Portanto:

𝐻 = 0 + (1 − 0)[34224 + 138,2(110,6 − 80,1)] = 38439 𝑘𝐽/𝑘𝑔. 𝑚𝑜𝑙

Agora pulamos para os pontos 𝑥𝐴 = 1, 𝑦𝐴 = 1, aonde nesse caso a entalpia do


líquido saturado é zero, porque essas concentrações aparecem quando 𝑇 = 80,1 °𝐶,
o mesmo ponto de bolha do benzeno, logo quando temos 𝑇 = 𝑇0 então ℎ = 0:

𝐻 = 1[30820 + 96,3(80,1 − 80,1)] + 0 = 30820 𝑘𝐽/𝑘𝑔. 𝑚𝑜𝑙

Agora vamos para 𝑥𝐴 = 0,5, 𝑦𝐴 = 0,5, que pela tabela, através de interpolação,
ocorre em 𝑇 = 92 °𝐶 para o líquido e em 𝑇 = 98,8 𝐶:

ℎ = 0,5(138,2)(92 − 80,1) + (1 − 0,5)(167,5)(92 − 80,1) = 1820 𝑘𝐽/𝑘𝑔. 𝑚𝑜𝑙

E também:

𝐻 = 0,5[30820 + 96,3(98,8 − 80,1)] + (1 − 0,5)[34224 + 138,2(98,8 − 80,1)] = 34716 𝑘𝐽/𝑘𝑔. 𝑚𝑜𝑙

Geankoplis, 1993, também realizou cálculos para 𝑥𝐴 = 0,3, 𝑦𝐴 = 0,3 e 𝑥𝐴 = 0,8, 𝑦𝐴 =


0,8 do mesmo jeito que você viu os outros, todos os resultados estão expostos
na tabela abaixo:

361
Fonte: Geankoplis, 1993.

Veja que para cada tipo de concentração nós conseguimos encontrar valores de
entalpia, é justamente essa técnica que irá ajudar a você desenvolver o seu
balanço de energia dentro da coluna. Essa técnica que realizamos gera
diagramas como abaixo:

Fonte: Geankoplis, 1993.

8.22 NÚMERO DE ESTÁGIOS ATRAVÉS DE BALANÇO DE ENERGIA

Tendo em mãos todas as informações apresentadas no tópico anterior você agora


tem condições de aprender um método que através do balanço de energia chegamos
nas retas operacionais o que determina graficamente o número de estágios na
coluna.

O método consiste em unir balanço de energia e massa através da técnica de


determinação da entalpia para cada concentração, que lhe mostrei

362
anteriormente, com isso somente dois pontos de cada seção é o suficiente para
se traçar uma reta no diagrama. Vamos ao método.

Para a seção de enriquecimento:

1. Escolha um valor de 𝑥𝑛 , considere que 𝑉𝑛+1 = 𝑉1 = 𝐿 + 𝐷 e que também 𝐿𝑛 = 𝐿,


para você se localizar no primeiro estágio da coluna, com esses dados
calcule 𝑦𝑛+1 com a equação:

𝐿𝑛 𝐷𝑥𝐷
𝑦𝑛+1 = 𝑥𝑛 +
𝑉𝑛+1 𝑉𝑛+1

2. Esse é um valor aproximado, com 𝑦𝑛+1 calcule 𝐻𝑛+1 , ℎ𝑛 usando o valor de


𝑥𝑛 . Use esses valores na equação:

𝑉𝑛+1 𝐻𝑛+1 = (𝑉𝑛+1 − 𝐷)ℎ𝑛 + 𝑉1 𝐻1 − 𝐿ℎ𝐷

Encontre 𝑉𝑛+1 e depois 𝐿𝑛 através de 𝑉𝑛+1 = 𝐿𝑛 + 𝐷

3. Substitua 𝑉𝑛+1 e 𝐿𝑛 na equação do balanço de massa descrito no passo 1 e


calcule novamente 𝑦𝑛+1 .

4. Se o novo valor de 𝑦𝑛+1 for muito distante do anterior deve se repetir


os passos acima.

Para a seção de esgotamento:

1. Escolha um valor de 𝑦𝑚+1 , considere que 𝑉𝑚+1 = 𝑉1 = 𝐿 − 𝑊 e que também 𝐿𝑚 =


𝐿, para você se localizar no primeiro estágio da coluna, com esses dados
calcule 𝑥𝑚 com a equação:

𝐿𝑚 𝑊𝑥𝑊
𝑦𝑚+1 = 𝑥𝑚 +
𝑉𝑚+1 𝑉𝑚+1

2. Esse é um valor aproximado, com 𝑥𝑚 calcule 𝐻𝑚+1, ℎ𝑚 usando o valor de


𝑥𝑛 . Use esses valores na equação:

𝑉𝑚+1 𝐻𝑚+1 = (𝑉𝑚+1 + 𝑊)ℎ𝑚 + 𝑄𝑅 − 𝑊ℎ𝑊

Encontre 𝑉𝑚+1 e depois 𝐿𝑚 através de 𝑉𝑚+1 = 𝐿𝑚 − 𝑊

3. Substitua 𝑉𝑚+1 e 𝐿𝑚 na equação do balanço de massa descrito no passo 1


e calcule novamente 𝑥𝑚 .

363
4. Se o novo valor de 𝑥𝑚 for muito distante do anterior deve se repetir os
passos acima.

O método é válido para as duas seções e deve ser repetido para cada valor de
𝑥𝑛 escolhido, após isso, com os dados em mãos, você poderá usar as equações
do balanço de massa das seções para encontrar as retas operacionais e depois
corre para o abraço.

Vamos a um exemplo para fixar?

Uma mistura líquida de benzeno-tolueno é destilada usando os seguintes dados:


𝐹 = 100 𝑘𝑔/𝑚𝑜𝑙ℎ a 54,5 °C,𝑥𝐴 = 0,45, 𝑥𝐵 = 0,55, 𝑇 = 327,6 𝐾, 𝑥𝐴 𝐷 = 0,95, 𝑥𝐵 𝐷 = 0,05, 𝑥𝐴 𝑊 =
𝑘𝐽 𝑘𝐽
0,10. 𝑥𝐵 𝑊 = 0,90,𝐶𝑃𝐿 = 159 𝑘𝑔.𝑚𝑜.𝐾, Δ𝐻 = 32099 𝑘𝑔 𝑅 = 1,5𝑅𝑚𝑖𝑛 , aonde 𝑅𝑚𝑖𝑛 = 1,17. Usaremos

dos mesmos dados de entalpia do exercício anterior. Use balanço energético


para calcular as taxas de vazão do líquido e vapor em vários pontos da coluna
e plote as retas operacionais. Determine o número teórico de estágios
necessários.

Com os dados de vazão nós podemos encontrar:

𝐿
𝑅 = 1,5(1,17) = 1,755 = → 𝐿 = (1,755)(41,2) = 72,3 → 𝑉1 = 𝐿 + 𝐷 = 113,5
𝐷

No destilado temos y1 = 𝑥𝐷 = 0,95, essa composição é atingida na temperatura de


𝑇 = 82,3 °𝐶 segundo a tabela ou diagrama ELV:

𝐻 = 𝑦𝐴 [𝜆𝐴 + 𝐶𝑃𝑦 (𝑇 − 𝑇0 )] + (1 − 𝑦𝐴 ) [𝜆𝐵 + 𝐶𝑃𝑦 (𝑇 − 𝑇0 )]


𝐴 𝐵

Logo:

𝐻1 = 0,95[30820 + 96,3(82,3 − 80,1)] + (1 − 0,95)[34224 + 138,2(82,3 − 80,1)] = 31206 𝑘𝐽/𝑘𝑔. 𝑚𝑜𝑙

Lembrando que 𝑦1 = 𝑥𝐷 , logo encontrando a entalpia para líquido saturado:

ℎ = 𝑥𝐴 𝐶𝑃𝐴 (𝑇 − 𝑇0 ) + (1 − 𝑥𝐴 )𝐶𝑃𝐵 (𝑇 − 𝑇0 ) + Δ𝐻𝑠𝑜𝑙

Segundo a tabela ou diagrama ELV para 𝑥 = 0,95 temos 𝑇 = 81,1:

ℎ = 0,95(138,2)(81,1 − 80,1) + (1 − 0,95)(167,5)(81,1 − 80,1) + 0 = 139

Iniciando o método para seção de enriquecimento é escolhido o ponto 𝑥𝑛 = 0,55:

Primeiro passo:

364
𝐿𝑛 𝐷𝑥𝐷 72,3 41,2(0,95)
𝑦𝑛+1 = 𝑥𝑛 + = (0,55) + = 0,695
𝑉𝑛+1 𝑉𝑛+1 113,5 113,5

Segundo passo:

Utilizando os cálculos de entalpia, para 𝑥𝑛 = 0,55 temos ℎ𝑛 = 1590 e para 𝑦𝑛+1 =


0,695 temos 𝐻𝑛+1 = 33240.

𝑉𝑛+1 𝐻𝑛+1 = (𝑉𝑛+1 − 𝐷)ℎ𝑛 + 𝑉1 𝐻1 − 𝐿ℎ𝐷

𝑉𝑛+1 (33240) = (𝑉𝑛+1 − 41,2)1590 + (113,5)(31206) − (72,3)(139)

𝑉𝑛+1 = 109,5

E ainda tem:

𝑉𝑛+1 = 𝐿𝑛 + 𝐷 → 𝐿𝑛 = 68,3

Terceiro passo:

68,3 41,2(0,95)
𝑦𝑛+1 = 0,55 + = 0,700
109,5 109,5

Novo valor de 𝑦𝑛+1 não é muito distante, o método está validade e ficamos com
o novo valor de 𝑦𝑛+1 .

Mais um ponto é necessário, fazemos o método para 𝑥𝑛 = 0,7:

Primeiro passo:

72,3 41,2(0,95)
𝑦𝑛+1 = 0,70 + = 0,791
113,5 113,5

Segundo passo:

Utilizando os cálculos de entalpia, para 𝑥𝑛 = 0,70 temos ℎ𝑛 = 1000 e para 𝑦𝑛+1 =


0,791 temos 𝐻𝑛+1 = 32500.

𝑉𝑛+1 𝐻𝑛+1 = (𝑉𝑛+1 − 𝐷)ℎ𝑛 + 𝑉1 𝐻1 − 𝐿ℎ𝐷

𝑉𝑛+1 (32500) = (𝑉𝑛+1 − 41,2)1000 + 113,5(31206) − (72,3)(139)

𝑉𝑛+1 = 110,8

E ainda mais:

𝑉𝑛+1 = 𝐿𝑛 + 𝐷 → 𝐿𝑛 = 69,6

365
Terceiro passo:

69,6 41,2(0,95)
𝑦𝑛+1 = 0,70 + = 0,793
110,8 110,8

Novo valor de 𝑦𝑛+1 não é muito distante, o método está validade e ficamos com
o novo valor de 𝑦𝑛+1 .

Próxima etapa, vamos calcular o calor necessário a ser removido no condensador


usando simples balanço de energia:

𝑄𝐶 = 𝑉1 𝐻1 − 𝐿ℎ𝐷 − 𝐷ℎ𝐷 = (113,5)(31206) − (72,3)(139) − (41,2)(139) = 3526100 𝑘𝐽/ℎ

Já para calcular o calor necessário no refervedor precisamos da entalpia na


alimentação e entalpia do material de fundo, usando os métodos de entalpia:

𝑥𝑊 = 0,10 → ℎ𝑊 = 4350
𝑥𝐹 = 0,45 → ℎ𝐹 = −3929

Logo:

𝑄𝑅 = 𝐷ℎ𝐷 + 𝑊ℎ𝑊 + 𝑄𝐶 − 𝐹ℎ𝐹 = (41,2)(139) + (58,8)(4350) + 3526100 − (100)(−3929)


= 4180500 𝑘𝐽/ℎ

Encontrando o fator “q” usando a temperatura de alimentação e de bolha (𝑥𝐹 =


0,45) em Kelvin:

(𝐻𝑉 − 𝐻𝐿 ) + 𝐶𝑃𝐿 (𝑇𝐵 − 𝑇𝐹 ) 32099 + 159(366,7 − 327,6)


𝑞= = = 1,195
𝐻𝑉 − 𝐻𝐿 32099

Para realizarmos o método para a seção de esgotamento precisamos saber quem


é 𝐿𝑚 e 𝑉𝑚+1, balanço de massa resolve isso:

𝐿𝑚 = 𝐿𝑛 + 𝑞𝐹 = 72,3 + (1,195)(100) = 191,8

𝑉𝑚+1 = 𝑉𝑛+1 − (1 − 𝑞)𝐹 = 113,5 − (1 − 1,195)100 = 133,0

Agora iniciamos o método com 𝑥𝑊 = 0,10 → 𝑦𝑊 = 0,207:

Primeiro passo:

𝐿𝑚 𝑊𝑥𝑊 191,8 58,8(0,10)


𝑦𝑚+1 = 𝑥𝑚 + → 0,207 = 𝑥𝑚 − → 𝑥𝑚 = 0,174
𝑉𝑚+1 𝑉𝑚+1 133,0 133,0

Segundo passo: com 𝑥𝑚 = 0,174 pelo método das entalpias nós encontramos ℎ𝑚 =
3800 e com 𝑦𝑊 = 0,207 encontramos 𝐻𝑊 = 37000. Usando:

366
𝑉𝑚+1 𝐻𝑚+1 = (𝑉𝑚+1 + 𝑊)ℎ𝑚 + 𝑄𝑅 − 𝑊ℎ𝑊

Então:

𝑉𝑚+1 (37000) = (𝑉𝑚+1 + 58,8)3800 + 4180500 − (58,8)(4350)

𝑉𝑚+1 = 125,0

Logo:

𝑉𝑚+1 = 𝐿𝑚 − 𝑊 → 𝐿𝑚 = 183,8

Terceiro passo:

𝐿𝑚 𝑊𝑥𝑊 183,8 58,8(0,10)


𝑦𝑚+1 = 𝑥𝑚 + → 0,207 = 𝑥𝑚 − → 𝑥𝑚 = 0,173
𝑉𝑚+1 𝑉𝑚+1 125,0 125,0

Novo valor de 𝑥𝑚 não é muito distante, o método está validade e ficamos com
o novo valor de 𝑥𝑚 .

Em busca de mais um ponto vamos realizar o método novamente dessa vez com
𝑦𝑚+1 = 0,55:

𝐿𝑚 𝑊𝑥𝑊 191,8 58,8(0,10)


𝑦𝑚+1 = 𝑥𝑚 + → 0,55 = 𝑥𝑚 − → 𝑥𝑚 = 0,412
𝑉𝑚+1 𝑉𝑚+1 133,0 133,0

Segundo passo: com 𝑥𝑚 = 0,412 pelo método das entalpias nós encontramos ℎ𝑚 =
2300 e com 𝑦𝑚+1 = 0,55 encontramos 𝐻𝑚 = 34400. Logo:

𝑉𝑚+1 (34400) = (𝑉𝑚+1 + 58,8)2300 + 4180500 − (58,8)(4350)

𝑉𝑚+1 = 126,5

Com isso:

𝑉𝑚+1 = 𝐿𝑚 − 𝑊 → 𝐿𝑚 = 185,3

Terceiro passo:

𝐿𝑚 𝑊𝑥𝑊 185,3 58,8(0,10)


𝑦𝑚+1 = 𝑥𝑚 + → 0,55 = 𝑥𝑚 − → 𝑥𝑚 = 0,407
𝑉𝑚+1 𝑉𝑚+1 126,5 126,5

Novo valor de 𝑥𝑚 não é muito distante, o método está validade e ficamos com
o novo valor de 𝑥𝑚 . Com isso nós podemos plotar a reta de esgotamento e
juntar com a reta da seção de enriquecimento e a reta “q” para formar nosso
gráfico completo ao lado:

367
A quantidade de estágios encontrada pelo método foi de 10,4 o que pode ser
observado no gráfico também.

Fonte: Geankoplis, 1993.

368
9. EXTRAÇÃO – FORA DA BANCADA
Se você já fez um laboratório de química, geralmente orgânica ou analítica,
você acaba por realizar experimentos de extração, algo bastante simples que
fazemos nos tubos de ensaio, vamos lembrar para que serve?

Bom, sabemos que existe uma substância desejada em um meio, por exemplo a
clorofila de uma folha, então você irá pegar essa folha e pilar ela até que
fique bem picotada, mas não podemos extrair a clorofila através dos pedaços
de folha, o que podemos fazer é misturar todo esse material num líquido
chamado de carreador, ele irá misturar todo o material dentro de si, tornando
as substâncias mais livres o que possibilita a extração.

Outro líquido deve ser adicionado no meio, é o dito solvente, que é capaz de
extrair a clorofila dispersa no carreador, como isso acontece? É claro que é
por transferência de massa.

A mesma coisa acontecerá aqui, só que em escalas maiores. Então como funciona
a extração? Que equipamento usamos?

Nós usamos colunas, novamente, aonde temos que determinar estágios, mas dessa
vez não temos a necessidade de aquecimento da coluna e tudo é realizado a
pressão atmosférica (bom, sempre podem existir exceções, então não
generalize). A mistura, que contém o carreador e o soluto, é lançada na
coluna em contra corrente com o solvente, daí por transferência de massa o
solvente absorve o soluto presente no carreador através da mistura, pois
dentro dessas colunas há a presença de agitadores melhorando a interação
entre as fases.

É importante destacar duas coisas: a mistura e o solvente devem ser imiscíveis


e deve se evitar a formação de emulsão, que é a dispersão coloidal de um
líquido imiscível em outro, consequentemente a mistura acaba por se tornar
estável em uma única fase.

Portanto devemos sempre trabalhar em duas fases para que seja possível a
extração, por isso o foco do estudo da extração será a solubilidade dos
componentes, sabendo disso nós teremos que estudar os diagramas ternários,
que indicam a concentração de três componentes diferentes misturados em um
meio.

A extração é importante porque ela não se preocupa com volatilidades, que


nem a destilação, então para uma mistura que não consegue ser fracionada na
destilação pode ser que a extração resolva e ela também tem o potencial de
extrair solutos com alta pureza, algo muito útil e aplicado na biotecnologia.

370
Seader, 2011, classifica sete motivos para os engenheiros químicos preferirem
extração do que destilação:

1. Possibilidade de extrair substâncias inorgânicas dissolvidas ou


complexas em soluções aquosas ou orgânicas;

2. Remoção de contaminantes presentes em pequenas concentrações;

3. Extração de componentes com alto ponto de ebulição presentes em pequenas


quantidades (relativamente) em correntes de efluentes aquosos;

4. Recuperação de materiais sensíveis ao calor, aonde a extração pode ser


mais barata do que a destilação a vácuo;

5. É uma separação de misturas de acordo com o tipo químico das misturas


em vez de ser por volatilidade relativa;

6. É possível a separação de líquidos com pontos de fusão e ebulição


próximos aonde a diferença de solubilidade pode ser explorada;

7. É possível separar misturas com presença de azeótropos.

9.1 TRANSFERÊNCIA DE MASSA

Quando falamos da mistura que entra no extrator (alimentação a ser extraída)


e do solvente (alimentação extratora) nós geralmente nomeamos essas fases de
contínua, para alimentação, e dispersante para a solvente.

Aquilo que você observa em absorção também ocorre aqui, ora extração é um
parente próximo pois possui o mesmo princípio da transferência de massa
convectiva, ou seja, um filme é formado entre as fases aonde irá ocorrer o
transporte do soluto da mistura para o solvente de forma espontânea.

Portanto, sempre quando analisamos a transferência de massa no meio nós nos


focamos na fase dispersante, ou seja, os cálculos são baseados nela, isso é
bem evidente pois o que nós queremos saber é se o solvente irá extrair o
soluto da mistura de forma eficiente.

Portanto para convecção mássica temos:

1 1 1
= +
𝐾𝑂𝐷 𝑘𝐷 𝑚𝑘𝐶

A sigla “D” significa fase dispersante e “C” fase contínua, então temos a
análise de resistência global acima em função da fase dispersante aonde a

371
constante “m” é o equilíbrio atingido na interface, ou, como você já conhece,
a inclinação da curva de equilíbrio de C𝐷 e C𝐶 (concentrações), depois mais
você verá esse tipo de gráfico.

Com isso nós conseguimos encontrar o Número de Unidades de Transferência de


massa na fase dispersante:
𝐶𝐷,𝑖𝑛
𝑑𝑐𝐷 𝑐𝐷,𝑖𝑛 − 𝑐𝐷,𝑜𝑢𝑡 𝐾𝑂𝐷 𝑎𝐻 𝐾𝑂 𝐷 𝑎𝑉
𝑁𝑂𝐷 = ∫ ∗ = = =
𝐶𝐷,𝑜𝑢𝑡 𝑐𝐷 − 𝑐𝐷 𝑐𝐷,𝑜𝑢𝑡 − 𝑐𝐷∗ 𝑈𝐷 𝑄𝐷

Aonde V é o volume da coluna e 𝑄𝐷 a vazão de dispersante no meio, H é a


altura da coluna e 𝑈𝐷 é a velocidade da vazão de dispersante.

Seader, 2011, descreve a eficiência de Murphree dessa forma:

𝑐𝐷,𝑖𝑛 − 𝑐𝐷,𝑜𝑢𝑡
𝐸𝑀𝐷 =
𝑐𝐷,𝑖𝑛 − 𝑐𝐷∗

Como nós encontramos o NUT podemos representar a eficiência de outra forma:

𝑁𝑂𝐷
𝐸𝑀𝐷 =
1 + 𝑁𝑂𝐷

Mas esse valor de 𝑁𝑂𝐷 não representa de forma satisfatória o nosso esquema
de extração, pois ele não leva em conta todos os fenômenos que ocorrem dentro
da coluna, a modelagem mais adequada da extração deverá ser feita pode
modelagem matemática e análise da transferência de massa difusiva e
convectiva no interior da coluna em relação a fase contínua, com isso os
valores de HTU e NUT são:

1 𝑥𝑎𝑙𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎çã𝑜 − 𝑦𝑠𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒 /𝑚 𝑄𝐶
𝑁𝑈𝑇𝑂 𝐶 = ln ((1 − 𝐴) )+𝐴 𝐻𝑇𝑈 =
1−𝐴 𝑥𝑟𝑒𝑓𝑖𝑛𝑎𝑑𝑜 − 𝑦𝑠𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒 /𝑚 𝐾𝑂 𝐶 𝑎𝐴á𝑟𝑒𝑎

Aonde 𝑄𝐶 é a vazão da fase contínua (mistura), “a” área específica de contato


em recheios, 𝐴á𝑟𝑒𝑎 é a área transversal da coluna, 𝐾𝑂 𝐶 resistência global da
fase contínua e:

𝐿𝑟𝑒𝑓𝑖𝑛𝑎𝑑𝑜 𝐿𝑎𝑙𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎çã𝑜
𝐴1 = 𝐴2 =
𝑚𝑉𝑠𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑚𝑉𝑒𝑥𝑡𝑟𝑎𝑡𝑜

𝐴 = √𝐴1 𝐴2

Sendo 𝐿 e 𝑉 vazões mássicas.

372
9.2 DISPERSÃO AXIAL

Também chamado de Difusão Axial, esse é um conceito complicado demais de se


entender lendo por aí, sabe né, os doutores estão nem aí com didática, depois
dizem que os artigos devem ser escritos “para que uma pessoa possa ler, como
se lê um jornal”, tá vai nessa.

Deixando a crítica à sociedade acadêmica de lado, esse termo é utilizado


quando ocorre uma “bagunça” no escoamento entre as fases no extrator,
explicando melhor, o escoamento no extrator tem que ser suave, portanto um
escoamento laminar ou próximo, essa suavidade é necessária para proporcionar
melhor transferência de massa por convecção, se não conseguirmos isso então
nossa eficiência irá cair.

Ou seja, turbulência na extração é ruim, mas como que nós usamos agitadores
em alguns extratores? Calma né, nem tudo que é agitado é turbulento, a
agitação tem que ser suave para não formar emulsão e nem gerar a dispersão
axial.

Refresque seus estudos de


transferência de massa:

Nas entradas H e 0 perceba que


temos a representação do fluxo
mássico 𝑈𝑥 𝑐𝑥 indicando
contribuição convectiva e 𝑈𝑦 𝑐𝑦 +
𝑑𝑐𝑦
𝑑𝑧 indicando contribuições
𝑑𝑧
difusiva e convectiva.

O escoamento deve apresentar um


fluxo formado por duas fases (x
e y), veja que temos a Lei de
Fick representando a difusão
axial, que é uma difusão que
ocorre na vertical por causa do
fluxo mássico, até aí tudo
natural, mas existe uma área
representada por 𝑑𝑧 aonde ocorre
o fenômeno da convecção mássica
(você já estudou isso).
Fonte: Seader, 2011.

373
𝑑𝑐𝑥
Do outro lado temos os resultados, aonde x escoou para baixo com 𝑈𝑥 (𝑐𝑥 + 𝑑𝑧)
𝑑𝑧

e y escoou para cima com 𝑈𝑦 𝑐𝑦 . Perceba a diferença nos comportamentos, a fase


y (solvente) entra com contribuição difusiva, pois por diferença de
concentração o soluto se transfere para o solvente, na parte superior a fase
y não possui mais sua contribuição difusiva, indicando equilíbrio, ou seja,
saturação do solvente.

𝑑𝑐𝑥
A fase x apresenta uma equação do tipo 𝑈𝑥 (𝑐𝑥 + 𝑑𝑧) que não devemos nos
𝑑𝑧
enganar, pois não é uma equação de contribuição difusiva e convectiva veja
que a velocidade (𝑈𝑥 ) está multiplicando com a concentração que está somada
a uma pequena parcela diferencial, essa parcela veio da área convectiva 𝑑𝑧 e
indica que houve mudanças na concentração inicial da fase x.

𝑑𝑐𝑥 𝑑𝑐 𝑑2 𝑐𝑥
As equações de difusão axial, −𝐸𝑥 e −𝐸𝑥 ( 𝑑𝑧𝑥 + 𝑑𝑧), se mostram sempre na
𝑑𝑧 𝑑𝑧 2
vertical para baixo, claro porque esse é o movimento da fase x, que é a fase
carregada de soluto, então a transferência de massa irá ocorrer conforme se
desce na coluna. O que acontece é que idealmente, ou seja, Alice in
wonderland, não deveria essa difusão axial, somente a convecção.

A dispersão axial é o fenômeno que distorce tudo isso que estamos vendo, ela
destrói essa área 𝑑𝑧 impedindo a convecção, ou seja, a transferência de massa
não vai ocorrer, ou ocorrerá muito pouco.

Quem é 𝐸𝑥 e 𝐸𝑦 ? Eles são coeficientes de dispersão axial, estávamos ignorando-


os esse tempo todo, mas chegou a hora de entende-los, com essas equações nós
iremos modelar equações para as duas fases, levando em conta toda contribuição
difusiva e convectiva:

𝑑 2 𝑐𝑥 𝑑𝑐𝑥
𝐸𝑥 − 𝑈𝑥 − 𝐾𝑂𝑥 𝑎(𝑐𝑥 − 𝑐𝑥∗ ) = 0
𝑑𝑧 2 𝑑𝑧
𝑀𝑖𝑠𝑡𝑢𝑟𝑎

𝑑2 𝑐𝑦 𝑑𝑐𝑦
𝐸𝑦 − 𝑈𝑦 − 𝐾𝑂𝑥 𝑎(𝑐𝑥 − 𝑐𝑥∗ ) = 0
𝑑𝑧 2 𝑑𝑧
𝑆𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒

Condições contorno de acordo com a imagem acima:

𝑑𝑐𝑥 𝑑𝑐𝑦
𝑧 = 0 𝑈𝑥 𝑐𝑥 𝑓 − 𝑈𝑥 𝑐𝑥 0 = −𝐸𝑥 𝑜𝑛𝑑𝑒 =0
𝑑𝑧 𝑑𝑧

374
𝑑𝑐𝑦 𝑑𝑐𝑥
𝑧=𝐻 𝑈𝑦 𝑐𝑦 𝐻 − 𝑈𝑦 𝑐𝑦 𝑠 = 𝐸𝑦 𝑜𝑛𝑑𝑒 =0
𝑑𝑧 𝑑𝑧

Vamos às nomeações:

𝑐𝑥 𝑓 = concentração do soluto na alimentação original;

𝑐𝑥 0 = concentração do soluto na alimentação no ponto 0;

𝑐𝑦 𝐻 = concentração do soluto no solvente no ponto H;

𝑐𝑦 𝑠 = concentração do soluto no solvente original.

Como você deve saber nós não podemos ir resolvendo uma equação diferencial
assim na tora, temos que usar uma adimensional referente a altura da coluna,
isso é fácil:
𝑧
𝑍=
𝐻

Outra coisa que devemos especificar, para não ficar uma bagunça e não
entendermos nada é sempre organizar um aglomerado de parâmetros em uma só
constante, então para o nosso caso temos:

𝑈𝑦 𝐻 𝑈𝑥 𝐻
𝑁𝑃𝑒𝑦 = 𝑁𝑃𝑒𝑥 =
𝐸𝑦 𝐸𝑥
𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑑𝑖𝑠𝑝𝑒𝑟𝑠ã𝑜 𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑑𝑖𝑠𝑝𝑒𝑟𝑠ã𝑜
𝑎𝑥𝑖𝑎𝑙 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑜 𝑒𝑥𝑡𝑟𝑎𝑡𝑜 𝑎𝑥𝑖𝑎𝑙 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝑜 𝑟𝑒𝑓𝑖𝑛𝑎𝑑𝑜

𝐾𝑂 𝑥 𝑎𝐻 𝐾𝑂 𝑥 𝑎𝑉
𝑁𝑂 𝑥 = =
𝑈𝑥 𝑄𝑥
𝑁𝑈𝑇 𝑑𝑎 𝑓𝑎𝑠𝑒 𝑐𝑜𝑛𝑡í𝑛𝑢𝑎 (𝑚𝑖𝑠𝑡𝑢𝑟𝑎)

Com todas essas informações, temos que as equações diferenciais que geramos
pela análise de transferência de massa resulta nos seguintes resultados para
as fases dispersantes e contínua:

𝑑2 𝑐𝑥 𝑑𝑐𝑥
− 𝑁𝑃𝑒 − 𝑁𝑂𝑥 𝑁𝑃𝑒𝑥 (𝑐𝑥 − 𝑐𝑥∗ ) = 0
𝑑𝑍 2 𝑥
𝑑𝑍

𝑑2 𝑐𝑦 𝑑𝑐𝑦 𝑈𝑥
− 𝑁𝑃𝑒 − ( ) 𝑁 𝑁 (𝑐 − 𝑐𝑥∗ ) = 0
𝑑𝑍 2 𝑦
𝑑𝑍 𝑈𝑦 𝑂𝑥 𝑃𝑒𝑦 𝑥

375
Através dessa equação você consegue entender o tamanho do problema que é a
dispersão (ou difusão) axial, veja que se os números de dispersão forem zero
(significando 𝐸 muito alto) teremos:

𝑑2 𝑐𝑥 𝑑 2 𝑐𝑦
=0 =0
𝑑𝑍 2 𝑑𝑍 2

Tá vendo né, sem difusão, sem convecção, sem extração.

Experimentos mostraram que o número de dispersão axial é maior na fase


dispersante (>50) do que na fase contínua (5 a 30), isso é uma indicação do
nosso processo, pense bem aí, número alto de dispersão axial significa que
as habilidades difusivas e convectivas do solvente são bem menores do que a
da mistura , o que não é ruim, veja bem, nós queremos que o soluto saia da
mistura ou fique nela? Saia, com certeza. Mas então para isso é necessário
que o meio esteja propício para a difusão e convecção o que é verdade
observando os dados experimentais.

Felizmente Watson e Cochran publicaram um método aproximado aonde podemos


identificar o quanto de perda de carga estamos perdendo na coluna, através
dos dados de HTU e NUT, constante “m” e velocidade das entradas:

𝐻𝑖𝑑𝑒𝑎𝑙 (𝐻𝑇𝑈)𝑂𝑥 (𝑁𝑈𝑇𝑂𝑥 )


=
𝐻𝑟𝑒𝑎𝑙 𝐻𝑟𝑒𝑎𝑙

(𝐻𝑇𝑈)𝑂𝑥 (𝑁𝑈𝑇𝑂𝑥 ) 1 𝐸
=1− −
𝐻 𝐻𝑇𝑈𝑂𝑥 1 𝐻𝑇𝑈𝑂𝑥 1
1+𝑁
𝑃𝑒𝑥 ( ) − 𝐸 + ( ) 𝑁𝑃𝑒 ( ) − 1 + 𝐸 +
𝐻 𝑁𝑈𝑇𝑂𝑥 𝑦 𝐻 𝑁𝑈𝑇𝑂𝑥

Aonde 𝐸 = 𝑚𝑈𝑥 /𝑈𝑦 , a constante “m”, por ser a inclinação da curva de equilíbrio
do gráfico das concentrações, pode ser representada de forma diferencial 𝑚 =
𝑑𝑐𝑥 /𝑑𝑐𝑦 .

9.3 TIPOS DE EXTRATORES

Existem uma infinidade de extratores, daria para escrever um livro só sobre


equipamentos de operações de transferência de massa, mas esse não é o nosso
objetivo aqui. O que eu vou fazer é lhe dar uma noção do que os extratores
mais utilizados fazem e quais as suas vantagens e desvantagens, irei lhe
mostrar também um algoritmo que irá lhe guiar na sua escolha para o melhor
extrator.

376
Seader, 2011, classifica 15 fatores decisivos na escolha do extrator ideal e
que devem ser levados em consideração:

1. Taxa de alimentação e sua composição, temperatura e pressão;

2. Tipo de configuração do estágio (uma ou duas seções);

3. Grau desejado de recuperação de um ou mais solutos para cascatas de uma


seção;

4. Grau de separação da alimentação para cascata de duas seções;

5. A escolha do(s) solvente(s);

6. Temperatura de operação;

7. Pressão de temperatura (deve ser maior que a do ponto de bolha);

8. Vazão mínima de solvente e vazão real de solvente para cascatas de uma


seção ou taxa de refluxo mínimo e taxa real para cascatas de duas seções;

9. Número de estágios de equilíbrio;

10. Tendência de formação de emulsão e espuma;

11. Tensão interfacial;

12. Diferença de densidade entre as fases;

13. Tempo de residência máximo para evitar a degradação;

14. Tipo de extrator;

15. Curso do extrator e potência requerida.

Seader, 2011, também comenta os fatores importantes na escolha do solvente


para a extração:

1. Alta seletividade em relação ao soluto no meio carreador, para minimizar


a necessidade de recuperação de líquido carreador presente no solvente;

2. Alta capacidade de dissolver o soluto, para minimizar a taxa de


alimentação de solvente;

3. Mínima solubilidade no carreador;

4. Uma volatilidade suficientemente diferente do soluto de tal forma que a


recuperação do soluto possa ser possível através de destilação, mas não
tão alta a ponto de um extrator de alta pressão seja preciso, ou tão
baixo a ponto de uma alta temperatura seja necessária na destilação;

377
5. Estabilidade, para maximizar o tempo de vida do solvente e minimizar
tratamentos necessários no solvente;

6. Ser inerte, para permitir o uso de materiais comuns de construção;

7. Baixa viscosidade, para promover a separação entre as fases, minimizando


a queda de pressão (perda de carga) e providenciando uma alta taxa de
transferência de massa do soluto.

Com essas informações você consegue ter em mente todos os parâmetros


necessários para preparar o seu processo, mas falta nos uma coisa: conhecer
os extratores, se você conhecer pelo menos um pouco de cada extrator e unir
com as informações que eu lhe apresentei você terá habilidades o suficiente
para escolher um dos extratores que eu irei lhe apresentar.

Agora irei lhe apresentar uma tabela que classifica os extratores por classes
e apresenta as vantagens e desvantagens de cada classe:

Fonte: Seader, 2011, traduzido pelo autor.

Com esses mínimos conhecimento apresentarei a você um pequeno algoritmo em


forma de diagrama de blocos que irá lhe guiar na escolha do melhor tipo de
extrator através das condições operacionais em que você deseja atuar para
garantir maior eficiência na sua extração:

378
Fonte: Seader, 2011, traduzido pelo autor.

9.4 O DIAGRAMA TERNÁRIO

A vida se torna mais difícil a cada vez que você passa uma etapa, esta
operação é uma prova disso. A extração é necessária quando você tem um soluto
presente num líquido qualquer (carreador) aí você usa um solvente capaz de
extrair esse soluto através do mecanismo de transferência de massa, logo você
começa a entender que tem três componentes na jogada, por isso nós teremos
que nos virar com um diagrama ternário aonde tudo é mais difícil. Bem-vindo
ao inferno.

Veja como se analisa um diagrama ternário abaixo:


379
Fonte: Geankoplis, 1993.

Então vamos as explicações:

✣ É normal vermos o soluto sendo representado por A, certifique-se disso


antes de iniciar as análises;

✣ A análise pode mudar de diagrama para diagrama;

✣ As retas apresentam misturas entre os componentes que estão ligados, no


meio do triangulo é a mistura entre os três componentes.

Se você não entendeu a análise:

380
Fonte: Geankoplis, 1993, editado pelo autor.

Porém existem dois tipos de diagrama, que os valores que encontramos de A


são aqueles presentes na reta que vem depois do vértice A, outros tipos de
diagramas invertem isso, em vez da reta que representa os valores vierem
depois do vértice ela vem antes. Geralmente os diagramas desse tipo possuem
o A no vértice da ponta do diagrama:

Fonte: Seader, 2011.

381
A análise é feita da seguinte forma: perceba que é o inverso do anterior:

Fonte: Seader, 2011, editado pelo autor.

O diagrama possui algumas características importantes:

Fonte: Seader, 2011, editado pelo autor.

382
Veja que:

✣ Curva de equilíbrio, é o limite entre a miscibilidade e a imiscibilidade


dos componentes, ou seja, é a fronteira da solubilização entre os
componentes, a área dentro da curva é chamada de envelope e é somente
nessa área que podemos trabalhar, fora dela os componentes se apresentam
como uma única fase;

✣ Fases refinada e extrato: a fase refinada é a mistura que já passou pelo


estágio e sofreu o processo de extração, sempre apresenta pouca
quantidade de soluto, portanto estará bem distante da reta que
representa o soluto, já o extrato foi o responsável por deixar a mistura
refinada, por isso está rico em soluto e se apresenta bem perto da reta
que representa o soluto;

✣ Ponto de trança: é o ponto que separa os dois lados da curva de


equilíbrio, ou seja, é o limite entre a parte refinada e o extrato;

✣ Linha de amarração: é uma característica específica de cada diagrama, é


uma reta que se propaga ao longo do envelope, elas geralmente já vem
desenhadas e o que temos que fazer é só aplicar uma interpolação gráfica
para tentar desenhar outra linha entre o espaço de duas linhas, há
outros métodos mais complicados, porém mais eficientes de se traçar as
linhas de amarração, mas não nos convém estudar isso agora.

Diagramas de triângulos retângulo também existem:

Fonte: Geankoplis, 1993, editado pelo autor.

A sua análise é feita de uma forma diferente.

383
Fonte: Geankoplis, 1993, editado pelo autor.

Fonte: Geankoplis, 1993, editado pelo autor.

384
Ou seja, quem estiver no vértice de 90 ° será analisado através das diagonais
começando pela hipotenusa do triângulo cujo valor começa com 𝑥 = 0, ou seja,
quanto mais perto as diagonais do vértice maior o valor, isso vale para todas
as ocasiões.

Em alguns casos nós dispensamos o uso dos diagramas quanto temos todas as
informações do equilíbrio entre as fases, ou seja, se você tiver a informação
da quantidade de soluto em cada fase nos dados em equilíbrio você pode montar
um gráfico 𝑥 𝑣𝑠 𝑦 aonde “x” são as frações de soluto presentes no extrato e
“y” são as frações de soluto presente no refinado.

Com esses gráficos se faz possível plotar retas operacionais e então traçar
a quantidade de estágios necessários para a coluna.

Veja o exemplo de um caso abaixo:

Fonte: Geankoplis, 1993.

A linha superior é a curva de equilíbrio e a linha inferior é a reta


operacional do processo, veja que esse é o gráfico que relaciona as
concentrações nas duas fases, ou seja, 𝐶𝐷 e 𝐶𝐶 , justamente, é neste gráfico
que nós encontramos o valor da constante “m”, uma constante importantíssima
para os cálculos envolvendo a extração.

385
9.5 SOLUBILIDADE E TEMPERATURA

Veja as condições apresentadas pelos diagramas abaixo:

Fonte: Seader, 2011.

Conforme a temperatura aumenta a área do envelope diminui, o que caracteriza


uma maior dificuldade na extração, lembrando que a extração só pode ocorrer
na região de duas fases (envelope), mas de onde vem esse problema?

Você já deve ter estudado bastante nas químicas, analítica principalmente,


um conceito chamado: solubilidade, então existe todo um estudo bastante
complexo que envolve essa habilidade dos líquidos de dissolverem outras
substâncias, mas como não somos da química o que precisamos é só dar uma
estudada superficial sobre o assunto (se quiser se aplicar mais no assunto
basta ler o Skoog, 8ª ed.).

Quando o líquido recebe energia térmica suas moléculas, que já transitavam


dentro dele, aceleram seu comportamento desestabilizando cada vez mais o
meio, elas começam a abrir mais espaço permitindo que mais substâncias possam
se solubilizar, isso tudo gera a chamada supersaturação.

Nas palavras de Skoog: “Uma solução supersaturada é uma solução instável que
contém uma concentração do soluto mais elevada que uma solução saturada.”.

Na química analítica o foco é voltado ao estudo das precipitações, mas aqui


não temos isso (isso ocorre na cristalização), sabe porquê? Porque temos um
líquido carreador, ele não permite a formação de precipitados, justamente
porque quando a alimentação (com a mistura) e o solvente se encontram o
soluto não tem qualquer motivo para querer precipitar, o que ocorre é uma
disputa entre quem fica com o soluto e nós queremos que o solvente ganhe essa
briga.

386
Então em vez de gerar precipitado a supersaturação forma uma segunda fase,
ou seja, mistura e solvente, e é assim que vamos conseguir criar dois fluxos
diferentes permitindo a transferência de massa convectiva.

Então quais são os problemas envolvendo solubilidade? Emulsificação.

Esse é o termo utilizado para dizer que “duas fases imiscíveis se misturarão”,
isso é uma antítese, mas é basicamente isso que ocorre. Uma das fases acaba
por gerar partículas tão pequenas a ponto de serem coloidais, um coloide é
uma partícula tão pequena que é impossível de se ver a olho nu até mesmo na
luz do Sol, quando ocorre isso nós saímos da área do envelope para fora da
curva de equilíbrio.

Dois principais fatores ocasionam isso: agitação e temperatura, a agitação


força uma das fases a se quebrar em diversas gotas cada vez menores e isso
pode levar a emulsão, já a temperatura aumenta a solubilidade no meio, as
duas fases tendem a se misturar por causa da interferência da temperatura
ocasionando a formação de uma única fase no meio.

9.6 CÁLCULO DE ESTÁGIOS

Todo cálculo de estágios tem o mesmo princípio: queremos saber o que entra e
o que sai, em quantidade e em composição.

Esse pensamento serve para todos os casos, neste não será diferente, mas o
que é diferente é como vamos conseguir isso, veja estamos lhe dando com um
diagrama ternário, algo fora de comum, então pode ter certeza que determinar
os estágios através disso também será algo fora de comum.

Para isso é importante que você não tenha pulado os assuntos dos tópicos
anteriores, ou você acha que eu tô perdendo meu tempo aqui de boas escrevendo
besteira? Então, use os conhecimentos anteriores e una-os com estes que
virão.

Suponho que tudo fique mais simples usando um exemplo prático e numérico,
então vamos ver um passo a passo de um exercício e no final irei resumir tudo
a você, pode ser?

Temos uma alimentação com uma mistura de alguns componentes, a tabela


apresenta os dados da alimentação e logo abaixo temos o diagrama ternário do
caso. A quantidade de soluto no refinado de saída é 𝑥𝐴 = 0,025:

387
Fonte: Seader, 2011.

Fonte: Seader, 2011, editado pelo autor.

1° Passo: Balanço de massa nas entradas

Aqui o nosso objeto é encontrar o M (significa mistura), esse valor que irá
nos guiar na determinação dos estágios, se faz assim:

𝑀 = 𝐿0 + 𝑉𝑁+1 𝑥𝐴 𝑀 = 𝑥𝐴 𝐿0 + 𝑥𝐴 𝑉𝑁+1
𝐺𝑙𝑜𝑏𝑎𝑙 𝑃𝑜𝑟 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑜𝑛𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠

Resolvendo o exercício:
388
𝑀 = 250 + 100 = 350
𝐺𝑙𝑜𝑏𝑎𝑙

𝑥𝐴 (350) = (0,24)250 + (0)100 → 𝑥𝐴 = 0,171


𝑥𝐵 (350) = (0)250 + (1)100 → 𝑥𝐵 = 0,286
𝑥𝐶 (350) = (0,76)250 + (0)100 → 𝑥𝐶 = 0,543
𝑃𝑜𝑟 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑜𝑛𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠

2° Passo: Encontrar todas as frações do refinado (𝑳𝑵 )

A questão nos informou que deseja uma fração de 𝑥𝐴 = 0,025 no refinado, mas
precisamos localiza-lo no diagrama e para isso precisamos dos outros valores.

Para encontrar você terá que usar o diagrama ternário, com o valor de 𝑥𝐴 =
0,025 você já consegue criar um ponto e através desse ponto você irá descobrir
𝑥𝐵 e 𝑥𝐶 :

Os resultados são:

𝑥𝐵 = 0,075 𝑥𝐶 = 0,9

3° Passo: Traçar uma reta através de 𝑳𝑵 e 𝑴 para encontrar 𝑽𝟏

Você deverá desenhar uma reta em cima do diagrama ternário, essa reta vai
passar por cima dos pontos 𝐿𝑁 e 𝑀, daí você irá seguir com a reta até tocar
o outro lado da curva de equilíbrio, a interseção entre essa reta e a curva
será o ponto 𝑉1:

389
Com esse ponto você descobre as frações presentes no extrato (𝑉1) que sãos
as seguintes: 𝑥𝐴 = 0,364; 𝑥𝐵 = 0,561 𝑒 𝑥𝐶 = 0,075.

4° Passo: Realizar balanço de massa para encontrar 𝑽𝟏 e 𝑳𝑵

Com as frações dos pontos da corrente do refinado e do extrato podemos


realizar balanço de massa global e por componente para encontrar as vazões
de cada ponto:

𝑀 = 𝐿𝑁 + 𝑉1 𝐿 = 198,6 𝑘𝑔
→ 𝑁
𝑥𝐴 𝑀 = 𝑥𝐴 𝐿𝑁 + 𝑥𝐴 𝑉1 𝑉1 = 151,4 𝑘𝑔

5° Passo: Encontrar o ponto operacional (𝚫)

Ele se dá pela equação:

𝐿0 − 𝑉1 = Δ

Quem é esse ponto? É o único ponto aonde todas as retas operacionais do


sistema se encontrando em interseção, ele será nosso guia.

Devemos encontrar não somente o valor do ponto, mas como também os valores
das “frações”, eu coloquei entre aspas porque esse ponto não tem um valor
aplicável ele é somente uma referência, nada mais, porque o resultado que
vamos encontra fará nós desenhamos o ponto operacional fora do diagrama o
que é incomum:

Δ = 250 − 151,4 = 98,6


𝐺𝑙𝑜𝑏𝑎𝑙

𝑥𝐴 (98,6) = (0,24)(250) − (0,364)(151,4) → 𝑥𝐴 = 0,050


𝑥𝐵 (98,6) = (0)(250) − (0,561)(151,4) → 𝑥𝐵 = −0,86
𝑥𝐶 (98,6) = (0,76)(250) − (0,075)(151,4) → 𝑥𝐶 = 1,81
𝑃𝑜𝑟 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑜𝑛𝑒𝑛𝑡𝑒𝑠

Veja que tem um valor negativo e outro acima de 1, que viagem, liga não é
muita droga mesmo.

O ponto operacional também pode ser encontrado geometricamente através do


seu próprio conceito, isso porque nós vimos que ele é o único ponto aonde
todas as retas operacionais passam e se tocam em intercessão, por isso nós
conseguimos encontrar o ponto operacional traçando duas retas operacionais:
a reta que liga o refinado (𝐿𝑁 ) e o solvente na entrada do sistema (𝑉𝑁+1),
então você irá desenhar as retas até que elas se toquem em um ponto, esse é
o ponto operacional:

390
6° Passo: Determine os próximos estágios

Para você traçar os estágios que estão entre o refinado e a alimentação, você
deverá realizar os seguintes procedimentos:

1. A partir de 𝑉1 siga a linha de amarração, o ponto do outro lado da curva


de equilíbrio será o 𝐿1 ;

2. Trace uma reta entre Δ e 𝐿1 e siga até o outro lado da curva de


equilíbrio, o ponto que essa reta tocar será o 𝑉2;

3. Repita os procedimentos 1 e 2 até atingir o refinado (𝐿𝑁 ).

Você pode acabar terminando em cima do ponto 𝐿𝑁 , mas em alguns casos você não
consegue ou você passa ele ou você chega bem perto, nesses casos você deve
parar na última reta antes de atingi-lo e não o ultrapassar.

O mesmo método é aplicado para diagramas aonde os triângulos são no estilo


retângulo você só deve atentar para as diferenças da localização da parte
extrato e refinado como nós já discutimos nos tópicos anteriores, isso só
vai mudar a posição dos pontos, mas o método nunca mudará.

Então olha o resumão aí:

1° Passo: Balanço de massa nas entradas;

2° Passo: Encontrar todas as frações do refinado (𝑳𝑵 );

3° Passo: Traçar uma reta através de 𝑳𝑵 e 𝑴 para encontrar 𝑽𝟏 ;

4° Passo: Realizar balanço de massa para encontrar 𝑽𝟏 e 𝑳𝑵 ;

5° Passo: Encontrar o ponto operacional (𝚫);

6° Passo: Determine os próximos estágios.

391
9.7 CÁLCULO DE ESTÁGIOS EM EXTRAÇÃO DE LÍQUIDO IMISCÍVEIS

Então vamos lá, quando temos um caso em específico que as mistura até ocorre,
mas os líquidos são imiscíveis (não se misturam), isso irá causar mudanças
na físico química do processo e o método que fizemos anteriormente irá gerar
um erro muito grande o que deve ser concertado através de outro método, que
é que vamos explorar agora.

Novamente irei usar um exemplo para você ver os resultados numéricos da coisa
ao mesmo tempo que aprende a desenvolver o método, aí no final teremos o
resumão de tudo.

Geankoplis (1993): Uma solução aquosa de 800 kg/h


contendo 12 % (m/m) de acetona é submetida a extração
contracorrente com o solvente tricloroetano contendo 0,5
% (m/m) em uma coluna a 25 °C. Os solventes água e
tricloetano são imiscíveis até uma concentração de
acetona em água de 27 % (m/m). A concentração de saída
da corrente aquosa (Refinado) é especificada a 1 % (m/m)
de acetona. Os dados de equilíbrio são mostrados, onde
x é a fração mássica de acetona em água e y é a fração
mássica de acetona na solução de tricloroetano.

(a) Determine V’min

(b) Usando 1,3V’min, determine graficamente o número de


passos teóricos

(c) Calcule N usando a equação analítica

Fonte: Geankoplis, 1993.

Fonte: Geankoplis, 1993.

1° Passo: Encontrar a quantidade mínima de 𝑳 e 𝑽

Tome cuidado com a nomenclatura, observe a figura anterior.

392
Existem duas formas de se fazer isso: a primeira é através das equações

𝐿′ = 𝐿𝑁 (1 − 𝑥𝑁 ) 𝑉 ′ = 𝑉𝑁+1 (1 − 𝑦𝑁+1 )

O valor “N” nãos significa que as equações sejam aplicáveis somente nos
últimos estágios, mas que elas podem ser aplicadas para qualquer estágio,
então temos:

𝐿′ = 𝐿2 (1 − 𝑥2 ) = (800)(1 − 0,12) = 704 𝑘𝑔/ℎ

Veja que não conseguimos calcular a outra equação porque não temos o valor
da corrente de entrada de solvente, então para isso vamos utilizar a segunda
forma, através do balanço de massa:

𝑥2 𝑦1 𝑥1 𝑦2
𝐿′ ( ) + 𝑉′ ( ) = 𝐿′ ( ) + 𝑉′ ( )
1 − 𝑥2 1 − 𝑦1 1 − 𝑥1 1 − 𝑦2

Muito parecido com o método da absorção, né? É isso aí.

Só que você também não tem o valor de 𝑦2 , mas existe duas formas de acha-lo,
veja que a questão lhe deu a tabela com os dados de equilíbrio do sistema,
então ou você plota esses dados e pega a equação da reta ou curva ou você
interpola a tabela, simples.

Se você lembra dos diagramas de equilíbrio saberá que ao usarmos 𝑥𝑁


encontramos 𝑦𝑁 através da curva, então temos que:

𝑥2 = 0,12 → 𝑦2 = 0,184

Logo:

0,12 0,005 0,01 0,184


704 ( ) + 𝑉′ ( ) = 704 ( ) + 𝑉′ ( )
1 − 0,12 1 − 0,005 1 − 0,01 1 − 0,184

Com isso temos que:

𝑉 ′ = 403,2 𝑘𝑔/ℎ

2° Passo: Encontrar a reta operacional desejada

O valor de 1,3𝑉 ′ foi dado no enunciado da questão o que significa dizer que a
reta operacional deve ter esse valor, a reta operacional é facilmente
encontrada, o que devemos fazer é encontrar dois pontos, é o suficiente para
formar uma reta.

393
Os pontos para formar a reta devem ser o primeiro de todos e o último de
todo, veja que o primeiro ponto de todos é referente a alimentação (𝐿2 ) e ao
solvente (𝑉1), nós temos o valor de 𝑥0 que é a mistura, mas o valor de 𝑦1 deve
ser encontrado através da equação pois o valor que encontramos antes está em
cima da curva de equilíbrio usando valor de 𝑉 ′ , mas agora o valor mudou para
1,3𝑉 ′ , já o segundo ponto é referente a saída do refinado (𝐿1 ) e o extrato
(𝑉2).

Encontrando o primeiro ponto:

0,12 0,005 0,01 𝑦2


704 ( ) + 524,2 ( ) = 704 ( ) + 524,2 ( )
1 − 0,12 1 − 0,005 1 − 0,01 1 − 𝑦2

Logo:

𝑦2 = 0,149

Portanto nosso primeiro ponto é:

𝑃(0,12; 0,149)

E nós já temos o segundo ponto, veja que foi dado a concentração desejada no
refinado (1 %) e a concentração presente no solvente (0,5 %), logo:

𝑃(0,01; 0,005)

3° Passo: Plote a curva de equilíbrio e a reta operacional

Use os dados da tabela e os pontos e você verá que:

394
4° Passo: Desenhe os degraus e determine o número de estágios

Agora é só seguir a velha moda, desenhe os degraus, através dele você


encontrar informações de cada estágio e de quantos estágios a coluna de
extração precisará.

Resumão do método:

1° Passo: Encontrar a quantidade mínima de 𝑳 e 𝑽;

2° Passo: Encontrar a reta operacional desejada;

3° Passo: Plote a curva de equilíbrio e a reta operacional;

4° Passo: Desenhe os degraus e determine o número de estágios.

Nós acabamos de descobrir que precisamos de 7 estágios para essa coluna, mas
também podemos verificar através de um método analítico usando a seguinte
equação:

𝑥𝑎𝑙𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎çã𝑜 − 𝑦𝑠𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒 /𝑚
ln [ (1 − 𝐴) + 𝐴]
𝑥𝑟𝑒𝑓𝑖𝑛𝑎𝑑𝑜 − 𝑦𝑠𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒 /𝑚 𝐿
𝑁= 𝑎𝑜𝑛𝑑𝑒 𝐴 =
1 𝑚𝑉
ln (𝐴)

Esse “m” é a angulação da curva de equilíbrio que pela tabela dada no


enunciado nós plotamos e encontramos a seguinte equação através de regressão:

𝑦 = 1,52𝑥 + 0,00227

395
Para que os cálculos possam representar dados mais fieis realizamos o cálculo
como se nossos dados fossem de uma curva utilizando as equações abaixo:

𝐿𝑟𝑒𝑓𝑖𝑛𝑎𝑑𝑜 𝐿𝑎𝑙𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎çã𝑜
𝐴1 = 𝐴2 =
𝑚𝑉𝑠𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑚𝑉𝑒𝑥𝑡𝑟𝑎𝑡𝑜

𝐴 = √𝐴1 𝐴2

Vamos testar aqui, mas antes vamos encontrar os valores das vazões:

𝐿′ 704
(𝑅𝑒𝑓𝑖𝑛𝑎𝑑𝑜)𝐿1 = = = 711,1
1 − 𝑥1 1 − 0,01

𝑉′ 524,2
(𝑆𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒)𝑉1 = = = 526,8
1 − 𝑦1 1 − 0,005

𝑉′
(𝐸𝑥𝑡𝑟𝑎𝑡𝑜)𝑉2 = = 642,4
1 − 𝑦2

Logo temos que:

711,1 800
𝐴1 = = 0,89 𝐴2 = = 0,82
(1,52)(526,8) 1,52(642,4)

𝐴 = √𝐴1 𝐴2 = 0,85

Portanto temos que:

0,12 − 0,005/1,52
ln [ (1 − 0,85) + 0,85]
0,01 − 0,005/1,52
𝑁= = 7,63 𝑒𝑠𝑡á𝑔𝑖𝑜𝑠 𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑜𝑠
1
ln ( )
0,85

9.8 ALTURA DAS COLUNAS DE EXTRAÇÃO

As colunas compartilham de uma mesma teoria, aonde temos as unidades de


transferência de massa sendo analisadas por toda coluna, consequentemente o
cálculo da altura das colunas é semelhante em todos os casos, o que vemos
abaixo são as equações para a altura de uma coluna de extração:

1 𝑥𝑎𝑙𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎çã𝑜 − 𝑦𝑠𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒 /𝑚 𝑈𝑥
𝑍𝑇 = 𝑁𝑂𝐿 𝐻𝑂𝐿 = [ ln ((1 − 𝐴) ) + 𝐴] [ ]
1−𝐴 𝑥𝑟𝑒𝑓𝑖𝑛𝑎𝑑𝑜 − 𝑦𝑠𝑜𝑙𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒 /𝑚 𝐾𝑂𝑥 𝑎

396
Veja que o 𝐻𝑂𝐿 tem um mesmo esquema de análise que vemos na absorção, dessa
forma percebemos muita semelhança entre as operações, mas também não poderia
ser muito diferente, pois todas são regidas pela transferência de massa e
calor.

Vamos usar os dados do exemplo anterior para encontrar a altura da coluna em


questão.

(d) Utilizando uma coluna de recheio, 𝐻𝑂𝐿 é estimado em 1,2m. Calcule 𝑁𝑂𝐿 e
o comprimento da coluna:

Veja que já fizeram toda a análise de transferência de massa para poderem


encontrar o valor de 𝐻𝑂𝐿 , justamente esse é o parâmetro mais científico e
ligado a transferência de massa, então agora vamos encontrar o 𝑁𝑂𝐿 :

1 0,12 − 0,005/1,52
𝑁𝑂𝐿 = ln ((1 − 0,85) ) + 0,85 = 7,24
1 − 0,85 0,01 − 0,005/1,52

Logo:

𝑍𝑇 = 𝑁𝑂𝐿 𝐻𝑂𝐿 = (1,2)(7,24) = 8,69 𝑚

397
10. LIXIVIAÇÃO – ISSO NÃO É GEOGRAFIA
Não é novidade o que vamos estudar aqui, pois a extração sólido-líquido já
foi muito bem explorada em fenômenos de transporte de massa, lembra do caso
do grão de café? Então a lixiviação é a extração de um soluto presente no
sólido através de solvente.

A diferença entre aquele estudo e este é que aqui nós vamos focar no estudo
de larga escala, ou seja, os famosos estágios para proporcionar a lixiviação
de uma certa quantidade de material.

Claro que alguns pontos de diferença serão notados, haja vista que no caso
do grão de café o meio estava estático, portanto o solvente estava parado e
junto com o grão de café enquanto que a difusão ocorria naturalmente, mas
aqui nós teremos agitação mecânica, fluxo de massa e solvente, logo muita
coisa vai mudar na análise.

10.1 TRANSFERÊNCIA DE MASSA

O método de transferência de massa ocorre de forma semelhante ao que foi


observado nos estudos de reações catalíticas em materiais esféricos e
porosos, isso porque a dissolução de soluto em solvente é uma espécie de
reação que envolve tempo, concentração e condições ambientais, só que é algo
instantâneo e não é levado em consideração nos cálculos.

Portanto o que ocorre numa lixiviação é o que a imagem mostra abaixo:

Portanto a transferência se dá dessa forma:

1. O solvente presente no meio se difunde até a superfície do sólido;

2. O solvente na superfície do sólido se difunde para o interior;

399
3. O solvente dissolve o soluto presente no interior do sólido, fisicamente
ou quimicamente;

4. A mistura se difunde para a superfície do sólido;

5. A mistura se difunde da superfície para a fase líquida agora carregada


de soluto.

Nesse mecanismo temos a ação da difusão e convecção, mesmo que o nome


“convecção” não apareça na descrição acima ela é bastante importante, haja
vista que um fluxo de massa é representado da seguinte forma:

𝐽𝐴 + 𝐶𝐴 𝑣𝑚
𝑁𝐴 =
𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑖. 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑟𝑖.
𝑓𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙
𝑑𝑖𝑓𝑢𝑠𝑖𝑣𝑎 𝑐𝑜𝑛𝑣𝑒𝑐𝑡𝑖𝑣𝑎

Ou seja, o fluxo mássico resultante que sai do seio do solvente e se transfere


até o centro do sólido e depois sai é uma ação conjunta da difusão e convecção.

Veja que o solvente se transfere por convecção até as bordas do sólido criando
um filme envolta do sólido, que possui uma certa espessura e conecta o seio
do solvente até a superfície do sólido. Nesse filme o solvente irá se difundir
até a superfície do sólido por difusão de Fick, após isso o solvente entra
nos poros do sólido dessa vez por difusão de Knudsen até que encontre o
soluto no interior do sólido e o dissolva.

Perceba uma coisa, a diferença de concentração entre o solvente e o sólido é


alta, o que induz as partículas de solvente a se difundir até o sólido, após
dissolver o soluto a concentração no seio do solvente é baixa e no sólido
alta, mais uma vez há diferença de concentração, o que induz a partícula a
sair do sólido.

O filme formado envolta do sólido é a representação do comportamento da


camada limite de transferência mássica. Qual o principal fator modifica as
condições da camada limite? A geometria do sólido e o escoamento.

A camada limite é um meio de resistência, então quanto maior sua espessura


maior será a dificuldade na transferência de massa, com isso na lixiviação o
ideal são camada limites finas, que é comandada por dois fatores: tipo de
escoamento e geometria do sólido.

Um sólido muito grande causa grande perda de carga e desordena o escoamento


do fluido, grandes chances de se atingir o regime turbulento e quanto isso
acontece a camada limite se torna mais espessa, enquanto que com sólidos
pequenos o fluido não sente tanto impacto na sua presença e os envolve mais

400
facilmente, criando uma fina camada limite facilitando a transferência de
massa.

Veja o que acontece com um fluido envolvendo um sólido insolúvel no momento


zero:

Fonte: Seader, 2011.

O líquido forma envolta do sólido um filme que terá os comportamentos de


camada limite fluidodinâmica, térmica e mássica, sendo a primeira a maior
das demais e a última a de nosso maior interesse.

Pela imagem é evidente que o soluto está presente no interior do sólido e


não na superfície, sendo que a concentração presente no filme é constante
até que penetre o interior do sólido.

A consequência disso é que primeiro a transferência de massa deverá ocorrer


através de difusão no interior do sólido e quando chegar na superfície terá
de enfrentar a camada limite, ou seja, os nosso estudos de camada limite
mássica ainda ocorrerão da mesma forma, mas devemos estar cientes que o
soluto não está presente imediatamente na superfície, mas sim no interior.

Com isso entenda que camadas limites finas podem comportar os sólidos mais
facilmente, que nem um lençol que envolve pessoas numa cama, por exemplo, um
lençol fino consegue envolver 2 ou 3 pessoas numa cama individualmente, de
tal forma que envolta da pessoa o lençol esteja caído na cama, mas um lençol
401
muito grosso não consegue fazer isso, portanto ele ficará suspenso entre as
pessoas e não irá envolve-las individualmente e sim todas de uma vez só.

Então, se o filme que envolve o sólido for muito espesso ele vai acabar
envolvendo os sólidos ao redor, pois sabemos que haverá uma vasta quantidade
de sólido no meio, então em vez de cada sólido ter o seu próprio filme com a
sua respectiva camada limite haverá um super filme que irá envolver todos,
ou a maioria, de uma vez só, portanto vamos acabar perdendo área superficial,
o que é muito ruim.

Entendeu a importância de se desenvolver boas condições para a transferência


de massa no meio de lixiviação? Na verdade, está tudo interligado, nós focamos
em transferência de massa, mas foi impossível não falar da fluidodinâmica,
então aqui temos a análise de todas as formas de transferência a fim de se
entender o que ocorre nesta operação.

10.2 TRANSFERÊNCIA DE ENERGIA

Lixiviação não é nenhum mistério, na verdade envolve assuntos muito bem


explorados na transferência de massa, então o que estamos fazendo aqui é
ligando os pontos e aproveitando seus conhecimentos de fenômenos de
transporte a fim de entendermos a fenomenologia por trás da lixiviação.

Quando falamos em transferência de energia, nós trazemos um pouco a nossa


análise para o geral, diferente de quando abordamos sobre a transferência de
massa aonde conhecemos todo o caminho do solvente até se dissolver no soluto,
isso porque a presença de energia no meio é algo mais termodinâmico do que
uma análise transferência microscópica de energia.

É claro que ela existe, mas por se tratar de energia é mais difícil de
entender se quisermos nos focar no microscópico, então para conseguirmos
ligar os pontos é necessária uma visão mais global da situação.

O ponto mais importante disso tudo aqui é a dita temperatura, essa propriedade
intensiva que é fundamental em qualquer processo de transferência de massa.
Não entende porque ela é tudo isso? Vamos lembrar de algumas coisas, Stokes-
Einstein encontrarão uma equação que nos permite calcular a difusividade de
um soluto num determinado meio líquido dessa forma:

9,96 × 10−16 𝑇
𝐷𝐴𝐵 = 1/3
𝜇𝑉𝐴

402
Olha a temperatura bem ali, é diretamente proporcional a difusividade, isso
significa que quanto maior a temperatura mais fácil será a difusão do soluto
em estudo no meio líquido.

Lembrando do caso de sólidos porosos, veja que a difusão de Knudsen é


relacionada a um comportamento do choque dos átomos dentro dos poros de um
sólido e você sabe muito bem que aumentar a temperatura irá aumentar esse
choque facilitando a transferência.

Quando estudamos um exemplo da extração de um óleo de um grão de café, que


foi apresentada pelo Cremasco, a seguinte equação pode ser encontrada para a
concentração adimensional no meio em relação ao tempo de extração e ao raio
do grão de café:

2𝑅 (−1)𝑛+1 𝑛𝜋𝑟 (−(𝑛𝜋 2
) 𝐷𝑎𝑒𝑓 𝑡)
𝜃(𝑟, 𝑡) = ∑ sen ( )𝑒 𝑅
𝜋 𝑛𝑟 𝑅
𝑛=1

Veja só, a difusividade está na exponencial da equação do somatório denotando


uma imensa importância nos resultados de extração, ou seja, a difusividade é
muito importante e precisa ser estudada com mais atenção se ela é tudo isso
então temos que correr atrás do fator principal na mudança de difusividade:
a temperatura.

Mas você consegue entender como exatamente a temperatura age na lixiviação?


Porque veja bem, um meio de sólidos e solvente tem inúmeras características
e áreas diferenciadas, mas a extração somente ocorre dentro do sólido, não é
mesmo? Então como exatamente analisar a temperatura?

É impossível falar de temperatura sem considerar que o calor se dissipa,


então é totalmente inviável analisarmos somente uma área desse grande
sistema, é necessário considera-lo por completo como um só volume de controle,
então chegamos a conclusão que a condição da temperatura só pode ser analisada
como se fosse distribuída no meio, ou seja, temos que considerar que o meio
foi homogeneizado em relação a distribuição de energia. Resumo: a temperatura
deve ser a mesma em todo o sistema para uma análise viável da lixiviação.

A energia se transfere da seguinte forma no meio:

1. Energia é transferida ao solvente pelos mecanismos de condução,


convecção e radiação proveniente de uma fonte qualquer;

2. Através da difusão do solvente no sólido energia é distribuída no seu


interior, pois matéria e energia são inseparáveis;

403
3. A energia presente na partícula de solvente contribui às propriedades
físico químicas do solvente ao dissolver o soluto;

4. Calor é liberado quando ocorre dissolução, com isso o interior do sólido


dissipa energia para o solvente ao seu redor criando assim um ciclo
solvente-sólido, mas não é um calor tão evidente assim ainda mais em
condições de temperatura controlada;

5. Ao mesmo tempo que calor é liberado do interior do sólido energia se


dissipa na forma de matéria da mistura de solvente soluto.

Então é só esquentar e acabou? 100 % extração é tá todo mundo feliz!

O buraco é mais embaixo, você sabe disso. Quando falamos em temperatura meu
amigo eu lhe apresento o livro de Introdução a Termodinâmica do Van Ness e
Smith para você ler e entender, porque ao modifica-la todo o seu sistema
sofrerá alterações.

Você deve atentar as modificações no seu solvente, no seu ponto de ebulição,


observar as condições fluidodinâmicas do sistema e se esse aumento de
temperatura não causará problemas ao seu equipamento. Ainda mais, se for um
soluto bioquímico? Será que vai se degradar ao aumento da temperatura?

10.3 MÉTODO DE LIXIVIAÇÃO

Seader, 2011, mostra como é uma lixiviação em múltiplos estágios com a imagem
abaixo:

Fonte: Seader, 2011, editado e traduzido pelo autor.

404
Mecanicamente é muito simples, a primeira etapa é considerada o primeiro
estágio que é onde ocorrer a lixiviação propriamente dita, funciona assim:

✣ Os sólidos, que são o foco da extração, são adicionados em um meio


enquanto que o solvente vem em contracorrente, portanto no estágio de
lixiviação o sólido terá seu primeiro contato com o solvente formando a
chamada lama, nesse momento a extração se inicia;

✣ Os estágios seguintes são chamados de lavagem, aonde a lama formada no


primeiro estágio será submetido a novos fluxos de solvente vindos do
estágio anterior a fim de extrair cada vez mais o soluto presente no
meio;

✣ No último estágio o sólido passará por uma corrente de solvente pura em


contracorrente sofrendo sua última etapa de extração.

Parece meio estranho falando assim, que o solvente entra por um lado e pelo
outro entra o sólido, na verdade é difícil acreditar que isso vai dar certo.

Vou explicar melhor para clarear sua mente: veja que nós adicionamos sólido
na entrada, esse sólido não está misturado, então ele é jogado em um meio
aonde há um solvente que já veio de estágios anteriores que irá realizar um
primeiro contato com esse sólido. O que acontece é que o sólido já lixiviado
deve sair sem o solvente do outro lado, ou seja, o objetivo não é tirar uma
lama do equipamento e sim o sólido já lixiviado, todo o solvente adicionado
ao equipamento deve ser retirado após passar por todos os estágios.

É meio estranho de pensar que os sólidos que fizeram parte de uma lama deverão
sair sem o solvente do outro lado (não significa que sairão secos, mas sem
aquela lama), mas é isso mesmo, isso já é a estrutura do equipamento que deve
proporcionar essas condições, mas se acalme que vou lhe dar mais exemplos.

Abaixo você verá o Lixiviador de Kennedy feito para extração de óleo de soja:

405
Fonte: Seader, 2011, editado e traduzido pelo autor.

Nessa imagem percebemos que o lixiviador usa uma técnica de raspagem para
retirar os sólidos que ficam no remo, que tem esse nome justamente para você
não confundir o desenho, aquilo não são lâminas são grandes pás chamadas de
remos. A inclinação do equipamento é a estratégia usada para se retirar o
solvente lixiviador através da gravidade. Essa combinação gera um equipamento
de extração sólido líquido ideal.

Mas tenha em mente que isso é só um exemplo de equipamento, há diversos


outros, porém com o mesmo princípio que apresentei aqui: entra solvente sai
extrato, entra sólido sai sólido lixiviado.

Nesse desenho também temos o conceito de overflow (fluxo superior) que se


refere ao solvente lixiviador e o underflow (fluxo inferior) que se refere a
lama (solvente mais sólido).

Se o objetivo for realizar a lixiviação em somente um estágio o equipamento


já se torna mais simples de se projetar como o exemplo abaixo para a extração
de açúcar em beterrabas:

406
Fonte: Geankoplis, 1993, editado e traduzido pelo autor.

Então como é que


determinamos tudo isso?
Há dois métodos, o
gráfico e o analítico. Se
desejarmos somente um
estágio o método gráfico
é o suficiente, mas para
múltiplos estágios temos
tanto o método gráfico
quanto o analítico.
Vejamos exemplos gráficos
ao lado:

N é a relação da
quantidade de sólidos
inertes na solução, as
curvas dos gráficos
superiores são as curvas
de equilíbrio em relação Fonte: Geankoplis, 1993.
ao fluxo de lama, y é a
fração na quantidade de um componente no fluxo inferior (lama) e x é a fração
na quantidade de um componente no fluxo superior (solvente).

A união desses gráficos mais o balanço de massa nos dará informações


importantes sobre os estágios necessários para se atingir uma certa

407
quantidade de concentração no solvente lixiviador. No próximo tópico estarei
lhe dando detalhes de como realizar o balanço de massa e posteriormente como
encontrarmos os estágios por métodos gráficos.

10.4 BALANÇO DE MASSA

Estaremos aqui nos focando nos métodos descritos por Geankoplis, 1993, e ele
usa a seguinte metodologia de balanço de massa:

Fonte: Geankoplis, 1993.

Veja que nessa ideologia não existe aquele pensamento de estágio para
lixiviação, na verdade ele não distingue isso nos seus cálculos e nos seus
desenhos, vamos respeitar isso.

Nós teremos uma coletânea de seis balanços de massa só para essa operação, é
isso mesmo que você leu, tudo isso você vai ter que entender e fazer para
poder ter dados úteis para descobrir a quantidade de estágios necessários.
As equações são:

𝐿0 + 𝑉𝑁+1 = 𝐿𝑁 + 𝑉1 = 𝑀
.
𝐿0 𝑦𝐴 0 + 𝑉𝑁+1 𝑥𝐴 𝑁+1 = 𝐿𝑁 𝑦𝐴 𝑁 + 𝑉1 𝑥𝐴1 = 𝑀𝑥𝐴
.
𝐵 = 𝑁0 𝐿0 = 𝑁𝑁 𝐿0 = 𝑁𝑀 𝑀
.
𝑥𝐴 + 𝑥𝐶 = 1
.
𝑦𝐴 + 𝑦𝐶 = 1
.
{ 𝐿0 − 𝑉1 = 𝐿𝑁 − 𝑉𝑁+1 = Δ

408
Vamos aos nomes: A, relação ao soluto, B, sólido, L, vazão de lama, V, vazão
de solvente lixiviador, M, mistura, C, relação ao solvente, N quantidade
sólido inerte na solução, Δ, ponto operacional, x, fração presente na vazão
de solvente, y, fração presente na vazão de lama.

Todos esses cálculos estão baseados nas seguintes condições:

✣ Não há sólidos presentes no meio solvente. Isso quer dizer que o fluxo
superior (overflow) que se refere ao solvente lixiviador nunca terá
consigo qualquer massa de sólido, portanto não há interferências entre
as vazões inferior e superior;

✣ O soluto está presente no sólido e no solvente. Quando nos referenciamos


as vazões como 𝑥 e 𝑦 estamos querendo dizer que há uma concentração de
soluto presente em ambas as correntes;

✣ No primeiro estágio o solvente terá fração de soluto zero (𝑥𝑁+1 = 0) e a


lama com fração 100 % (𝑦0 = 1), isso se o enunciado não falar que há
algum tipo de contaminação no meio, significando que o solvente entra
puro no equipamento e o sólido sem perda de soluto.

Agora vamos entender para que cada equação serve:

1. L0 + VN+1 = LN + V1 = M:

- É o mais simples de todos, o balanço global, aonde temos a entrada de


solvente puro (VN+1 ) e de lama aonde as saídas são o extrato (L0 ), que é
o solvente já saturado de soluto, e a lama com sólido lixiviado (LN ). A
soma das entradas ou saídas formam um ponto chamado mistura (V1 ) que
representa a mistura das duas correntes em equilíbrio dentro do estágio.

2. L0 yA 0 + VN+1 xA N+1 = LN yA N + V1 xA1 = MxA :

- O mesmo esquema de entrada e saída, porém desta vez é por componente


aonde o foco é o soluto (A), o outro tipo de componente que pode ser
utilizado é somente o solvente (C), já o sólido não pode ser representado
como fração, porque ele é inerte. Para isso é importante entender também
as duas próximas equações.

3. xA + xC = 1 e yA + yC = 1:

409
- São sinônimos, o que está acontecendo aí vem de uma afirmação clara:
não há mais nada na mistura além de solvente, sólido e soluto, ou seja,
se no meio não há soluto então há solvente e assim sucessivamente, por
isso a soma entre a quantidade de soluto e solvente tanto no fluxo
superior como no inferior são iguais a 100 %.

4. L0 − V1 = Δ:

- O ponto operacional será de suma importância para o cálculo de múltiplos


estágios e a sua função é semelhante ao que ocorre na operação de
extração líquido-líquido.

Para encontrar a quantidade de sólidos inertes na solução deve ser feito o


seguinte cálculo:

𝐵
𝑁=
𝐴+𝐶

Ou seja, se você entende o que quer dizer esse N você nem precisa decorar
essa equação acima, pois claramente temos toda quantidade de sólido inerte
(B) sobre a solução total (solvente + soluto) que é justamente o que eu
estive falando sobre esse N. Com isso podemos falar da próxima equação.

5. B = N0 L0 = NN L0 = NM M:

- É o balanço de sólidos, já que não existe sólido no fluxo superior então


𝑁 = 0, por isso você só está vendo as equações de underflow aí.

As frações que iremos utilizar com bastante frequência são determinadas


assim:

𝐴 𝐴
𝑥𝐴 = 𝑦𝐴 =
𝐴+𝐶 𝐴+𝐶
𝐶 𝐶
𝑥𝐶 = 𝑦𝐶 =
𝐴+𝐶 𝐴+𝐶

Na parte superior temos as fações em relação ao soluto aonde temos frações


do soluto (A) em relação a solução total e a mesma coisa é para a parte
inferior aonde as frações estão representando o solvente (C). Nesses casos
estamos representando tudo com A e C porque não tem um valor exato essas
quantidades são aqueles presentes em cada meio e podem variar, mas todas
essas frações não podem ultrapassar 100 %.

410
10.5 CÁLCULO DE ÚNICO ESTÁGIO POR MÉTODO GRÁFICO

O método é simples de entender, mas difícil de praticar, pois teremos que


trabalhar com diversas equações de balanço de massa e ainda em conjunto com
os gráficos de equilíbrio fornecidos pela literatura.

Nada melhor do que começar com um exemplo para entendermos como é que
funcionam as coisas aqui, vamos começar com um caso envolvendo somente um
estágio, super simples e de boas, você vai entender isso e depois vamos
estender esse conhecimento para os múltiplos estágios.

Geankoplis (1993): Em uma lixiviação de óleo de soja em soja floculada de um


único estágio com hexano, 100 kg de soja contendo 20 % (m/m) de óleo é
lixiviada com 100 kg de solvente hexano. O valor de N para a lama no fluxo
inferior é essencialmente constante a 1,5 kg. Calcule a quantidade e a
composição de fluxo superior (V1 ) e de fluxo inferior (L1 ) na saída do estágio.

Essa questão pode ser representa pelo seguinte esquema:

Slurry = Lama

Fonte: Geankoplis, 1993.

Vamos aos dados:

✣ 𝑉2 = 100 𝑘𝑔; 𝑥𝐴 2 = 0; 𝑥𝐶 2 = 1

Foi dado uma entrada de 100 kg de soja, mas isso tudo não é a lama, tem
sólido aí no meio, então temos que 20 % desse total é de óleo de soja, com
isso os outros 80 % só pode ser o sólido, veja que está no início então o
sólido ainda não se encontrou com o solvente, então a nossa “lama” vai ser
só o soluto:

𝐿0 = 100(0,2) = 20 𝑘𝑔 𝐵 = 100(0,8) = 80 𝑘𝑔

411
Com essa informação agora podemos encontrar o N, que é o sólido inerte sobre
a solução:

80
𝑁0 = =4
20

Com isso temos:

✣ 𝐿0 = 20 𝑘𝑔; 𝑦𝐴 0 = 1; 𝑦𝐶 0 = 0; 𝐵 = 80 𝑘𝑔; 𝑁0 = 4.

Você tá vendo eu colocar os valores de 𝑦𝐴1 = 1 e 𝑦𝐶 1 = 0 coisa e tal, mas espero


que você esteja entendo, lembra quando falamos de balanço de massa? Então,
na entrada a “lama” na verdade é puro soluto então a concentração de soluto
no meio é 100 %, a mesma coisa para o solvente que não tem nada de soluto
então é 0.

Balanço de massa global:

𝐿0 + 𝑉2 = 𝐿2 + 𝑉1 = 𝑀 → 𝐿0 + 𝑉2 = 𝑀

20 + 100 = 120 = 𝑀

Balanço por componentes:

𝐿0 𝑦𝐴 0 + 𝑉2 𝑥𝐴 2 = 𝐿1 𝑦𝐴1 + 𝑉1 𝑥𝐴1 = 𝑀𝑥𝐴 𝑀 → 𝐿0 𝑦𝐴 0 + 𝑉2 𝑥𝐴 2 = 𝑀𝑥𝐴 𝑀

(20)(1) + (100)(0) = 120𝑥𝐴 𝑀

𝑥𝐴 𝑀 = 0,167

Balanço de sólido:

𝐵 = 𝑁0 𝐿0 = 𝑁𝑁 𝐿0 = 𝑁𝑀 𝑀 → 𝐵 = 𝑁𝑀 𝑀

80 = 𝑁𝑀 (120) → 𝑁𝑀 = 0,667

Para encontrar o outro extremo do processo precisamos da curva de equilíbrio


que pode ser em forma de equação ou diagrama, mas como estamos calculando
somente um único estágio o outro extremo é o próximo estágio. O diagrama para
este caso é apresentado abaixo:

412
Fonte: Geankoplis, 1993.

A “curva” de equilíbrio dele é essa reta horizontal no meio do diagrama.

O que deve ser feito é o seguinte:

1. Plote o ponto M através de 𝑁𝑀 e 𝑥𝐴 𝑀 ;

2. Plote o ponto 𝐿0 ;

3. Se possível, plotar 𝑉𝑁+1, que nesse caso é 𝑉2;

4. Trace uma reta que passa por 𝐿0 , M e 𝑉2;

5. Siga a linha de amarração através do ponto M.

Então vamos lá, o ponto 𝐿0 é facilmente determinado por 𝑁0 e 𝑦𝐴 0 , cujos valores


nós temos e são 4 e 1, respectivamente, pronto plotamos 𝐿0 ; Com os pontos de
M e 𝐿0 plotados basta traçar uma reta sobre eles, veja que se tudo estiver
correto o final da reta vai bater no eixo 0,0 do diagrama, justamente esse é
o 𝑉2 e isso é verdade já que não há sólidos e nem soluto na vazão de solvente
inicial.

Até agora temos:

Veja que não há indicação alguma de linha de amarração, quando isso ocorrer
subtende-se que elas são verticais e é isso que vamos fazer.

A linha de amarração deve passar exatamente em cima do ponto M, para isso


você deve traçar essa linha de tal forma que toque no eixo coordenada do

413
diagrama e na curva de equilíbrio. Após fazer isso, você encontrará 𝐿1 ,
tocando na curva de equilíbrio, e 𝑉1, tocando no eixo coordenada, pois a lama
sempre terá sólido e o fluxo de solvente nunca terá, por isso o solvente está
em cima do eixo, porque justamente N = 0. Resultado abaixo:

Fonte: Geankoplis, 1993.

Com esse diagrama poderemos encontrar os dados de fração nas alimentações 𝐿1


e 𝑉1, então através de balanço de massa poderemos encontrar os valores de
vazão de lama de sólido lixiviado e do extrato. Pelo diagrama temos que:

𝑁1 = 1,50

Perceba que esse valor foi dado no enunciado, justamente, se você não tivesse
ele poderia ter encontrado através do diagrama igual como nós fizemos, agora
podemos encontrar as vazões:

(0,667)(120)
𝑁1 𝐿1 = 𝑁𝑀 𝑀 → 𝐿1 = = 53,36 𝑘𝑔
1,50

Logo:

𝐿1 + 𝑉1 = 𝑀 → 𝑉1 = 120 − 53,36 = 66,64 𝑘𝑔

Devo avisar você que ao utilizar o diagrama haverá diferenças para um caso
de único estágio e múltiplos estágios, pois o caso de único estágio não
precisa de um ponto operacional e nem muita frescura, então é tudo muito
rápido e prático, mas a mesma coisa não será para formos falar de múltiplos
estágios, então fique atento.
414
10.6 MÚLTIPLOS ESTÁGIOS POR MÉTODO GRÁFICO

Geankoplis (1993): Um sistema de múltiplos estágios em contracorrente é


utilizado para lixiviar óleo de restos de comida através do benzeno. O
processo trata 2000 kg/h de sólido inerte (B) contendo 800 kg de óleo (A) e
também 50 kg de benzeno (C). A entrada por hora de solvente misturado contém
1310 kg de benzeno e 20 kg de óleo. O sólido lixiviado contém 120 kg de óleo.
Em experimentos similares a este no mesmo extrator mostram que a solução
utilizada depende da concentração de óleo nessa solução. Os dados da tabela
ao lado trazem informações sobre o equilíbrio em relação ao sólido inerte e
soluto.

Calcule as quantidades e concentrações das correntes deixando o processo e o


número de estágios requeridos.

Fonte: Geankoplis, 1993.

Vamos aos dados:

✣ 𝐿0 = 800 + 50 = 850 𝑘𝑔/ℎ;

800
✣ 𝑦𝐴 0 = 800+50 = 0,941;

✣ 𝐵 = 2000 𝑘𝑔/ℎ;

2000
✣ 𝑁0 = 800+50 = 2,36;

✣ 𝑉𝑁+1 = 1310 + 20 = 1330 𝑘𝑔/ℎ;

20
✣ 𝑥𝐴 𝑁+1 = 1310+20 = 0,015.

Balanço de massa global:

415
𝐿0 + 𝑉𝑁+1 = 850 + 1330 = 2180 𝑘𝑔/ℎ = 𝑀

Por componente:

𝐿0 𝑦𝐴 0 + 𝑉𝑁+1 𝑥𝐴 𝑁+1 = 850(0,941) + 1330(0,015) = 2180𝑥𝐴𝑀 → 𝑥𝐴 𝑀 = 0,376

Balanço de sólido:

𝐵 = 2000 = 𝑁𝑀 𝑀 = 𝑁𝑀 2180 → 𝑁𝑀 = 0,918

A partir de agora temos que trabalhar com o diagrama, então vamos ver como
proceder esses passos:

1. Plote o ponto M com 𝑁𝑀 e 𝑥𝐴 𝑀 ;

2. Plote o ponto 𝐿0 ;

3. Se possível, plote o ponto 𝑉𝑁+1 ;

4. Trace uma reta por M, 𝐿0 e 𝑉𝑁+1 ;

5. Determine o ponto operacional;

6. Trace uma reta entre o ponto Δ e o ponto 𝐿0 , na intercessão entre essa


reta e o eixo coordenadas você encontrará o ponto 𝑉1;

7. Trace outra reta entre o ponto Δ e o ponto 𝑉𝑁+1, leve essa reta até
encostar na curva de equilíbrio, esse será o ponto 𝐿𝑁 ;

8. Trace a linha de amarração do ponto 𝑉1 até a curva de equilíbrio, esse


será o ponto 𝐿1 ;

9. Trace uma reta entre o ponto Δ e o ponto 𝐿1 , a intercessão dessa reta


com o eixo coordenadas será o ponto 𝑉2;

10. No ponto 𝑉2 repita o passo 8 para encontrar 𝐿2 e depois repita o


passo 9 para encontrar 𝑉3;

11. Repita os passos 8 e 9 até que você encontre um ponto 𝐿 qualquer


que dê exatamente em cima ou passe do ponto 𝐿𝑁 .

A quantidade de vezes que foi necessário encontrar um ponto 𝐿 será a


quantidade de estágios ideais no processo, dificilmente dará um valor exato

416
então se passar do ponto 𝐿𝑁 você deve pegar o número do estágio anterior e
acrescentar um valor decimal.

Retornando ao nosso exemplo, vamos realizar os primeiros passos plotando os


pontos 𝑀, 𝐿0 e 𝑉𝑁+1 :

Fonte: Geankoplis, 1993, editado pelo autor.

Vamos determinar o ponto operacional, mas para fazer isso temos que superar
uma dificuldade: não foi nos dado informação o suficiente sobre a saída do
sólido lixiviado, somente foi falado que resta 120 kg no óleo, então para
contornarmos essa situação vamos ter que criar uma estratégia.

Se o enunciado tivesse dado o valor de 𝑦𝐴 𝑁 bastava você pegar esse ponto no


diagrama e traçar uma reta até tocar a curva de equilíbrio, esse seria o
ponto 𝐿𝑁 , ou se o enunciado tivesse dado a equação da curva de equilíbrio era
só substituir na equação o valor de y e já era.

A nossa estratégia será a seguinte, estamos num meio gráfico então podemos
criar equações de reta, a reta mais simples é aquela que sai da origem (0,0).
Se o gráfico é 𝑁 𝑣𝑠 𝑦 então uma equação de reta fica assim:

𝑁
𝑦= 𝑥+𝑏
𝑦

417
Se os valores de N e y forem os mesmos valores do ponto 𝐿𝑁 então a reta criada
terá uma inclinação que irá cortar o exato ponto onde 𝐿𝑁 está na curva de
equilíbrio, com isso temos que:

𝐵
𝑁𝑀 = 𝑁𝑁 𝐵 2000
𝐴+𝐶 → = = = 16,67
𝐴 𝑦𝐴 𝑁 𝐴 120
𝑦𝐴 𝑁 =
𝐴+𝐶

Nossa reta fica:

𝑦 = 16,67𝑥

Com isso temos o resultado abaixo:

Fonte: Geankoplis, 1993, editado pelo autor.

Os dados extraídos são:

𝑁𝑁 = 1,95 𝑦𝐴𝑁 = 0,118

O ponto 𝑉1 pode ser encontrado automaticamente, basta traçar uma reta que
passe pelos pontos 𝐿𝑁 e M, seguindo a reta até o eixo coordenadas, o ponto
que ela tocar será o ponto 𝑉1, com essas informações temos:

(0,918)(2180)
𝑁𝑁 𝐿𝑁 = 𝑁𝑀 𝑀 → 𝐿𝑁 = = 1026,28 𝑘𝑔
1,95

𝐿𝑁 + 𝑉1 = 𝑀 → 𝑉1 = 2180 − 1026,28 = 1153,72 𝑘𝑔

418
E o ponto operacional fica:

𝐿0 − 𝑉1 = 850 − 1153,72 = −303,72 = Δ

Com isso:

𝐿0 𝑦𝐴 0 − 𝑉1 𝑥𝐴1 = 850(0,941) − 1153,72(0,600) = −303,72(𝑥𝐴 Δ ) → 𝑥𝐴 Δ = −0,354

(1,95)(1026,28)
𝑁𝑁 𝐿𝑁 = Δ𝑁Δ → 𝑁Δ = = −6,59
−303,72

O valor de 𝑥𝐴1 = 0,600 é encontrado pelo diagrama no ponto de 𝑉1.

Pronto temos informações o suficiente para plotar o ponto operacional e daqui


para frente é tudo mais fácil, o que temos de fazer é traçar o ponto entre Δ
e 𝐿0 , que deverá passar por cima de 𝑉1, depois seguir uma linha de amarração,
que, como eu disse, se não está exposta no diagrama então ela é vertical,
com isso:

Fonte: Geankoplis, 1993, editado pelo autor.

Depois disso você já sabe o que fazer, o ponto operacional irá ligar com o
ponto 𝐿1 formando uma reta aonde haverá uma intercessão entre essa reta e o
eixo coordenadas, nesse momento você encontrará o ponto 𝑉2 aonde você irá
traçar novamente a linha de amarração.

419
Essa mesma história irá se repetir até que você atinja exatamente o 𝐿𝑁 ou
passe dele, quando isso ocorrer, você terá a quantidade de estágios
necessárias para o processo de lixiviação. O Resultado é dado com uma
quantidade de 3,9 estágios e é apresentado ao lado:

Fonte: Geankoplis, 1993.

10.7 MÉTODO ANALÍTICO PARA CÁLCULO DE ESTÁGIOS

MacCabe e Smith propuseram, através das equações de Kremser, um método


analítico para encontrar a quantidade de estágios necessários para um
processo de Lixiviação:

𝑦 −𝑥
log ( 𝑁𝑦 − 𝑥𝑁+1 )
1 1
𝑁=
log(𝐿𝑁 /𝑉𝑁+1 )

Aonde todos estão em função do soluto. Para evitar o uso do diagrama você
terá que encontrar a reta operacional do seu caso que é apresentada desta
forma:

1 𝑉1 𝑥1 − 𝐿0 𝑦0
𝑥= 𝑦𝑁 +
1 + (𝑉1 − 𝐿0 )/𝐿𝑁 𝐿𝑁 + 𝑉1 − 𝐿0

Com essa equação da reta você poderá encontrar valores importantes, por
exemplo, com 𝑦𝑁 você encontrar 𝑥𝑁+1 e com 𝑦1 encontra 𝑥1 .

Usando o exemplo anterior de múltiplos estágios nós montamos a reta


operacional necessária para nossos cálculos:

420
1 (1153,72)(0,6) − (850)(0,941)
𝑥= 𝑦+
1 + (1153,72 − 850)/1026,28 1026,28 + 1153,72 − 850

𝑥 = 0,772𝑦 − 0,0809

Não foi dada a fração de soluto presente no solvente lixiviador na saída,


somente uma informação incompleta foi dada dizendo ter 120 kg no sólido
lixiviado, assim foi inevitável o uso do diagrama para encontrar os seguintes
dados:

𝑦𝑁 = 0,118 𝑥1 = 0,600

Com isso:

0,6 = 0,772𝑦 − 0,0809 → 𝑦1 = 0,882

Poderíamos encontrar 𝑦𝑁 e 𝑥1 perfeitamente através da reta operacional, mas


não é viável, haja vista que os fluxos mássicos foram encontrados através
deles, então não podemos ignora-los.

A razão das vazões pode ser determinada assim:

𝐿𝑁 1
= = 0,772
𝑉𝑁+1 1 + (𝑉1 − 𝐿0 )/𝐿𝑁

Com isso:

𝑦 −𝑥 0,118 − 0,015
log ( 𝑁𝑦 − 𝑥𝑁+1 ) log (
1 1 0,882 − 0,6 )
𝑁= = = 3,9
log(𝐿𝑁 /𝑉𝑁+1 ) log(0,772)

Veja só, exatamente o mesmo valor encontrado pelo exemplo anterior foi
encontrado por este método analítico utilizando os mesmos dados da questão,
o que indica uma boa aproximação deste método com o método gráfico.

421
11. ADSORÇÃO – A VIDA NÃO É SÓ CARVÃO ATIVADO
Segundo Seader, 2011: “No processo de adsorção, moléculas, átomos ou íons de
um gás ou líquido se difundem até a superfície de um sólido, onde ocorrem
ligações químicas com a superfície sólida ou são seguradas por forças
intermoleculares fracas.”.

Nessa história temos dois personagens principais: adsorbato e o adsorvente,


onde o primeiro é o material a ser adsorvido e o segundo é o sólido responsável
pela adsorção, ou seja, o adsorbato é aquele material suspenso num meio
líquido ou gasoso que será capturado por adsorvente (sólido).

As capacidades dos adsorventes são medidos pelos seus poros, o seu tamanho e
a conexão entre eles, ou seja, é como se houvesse um labirinto dentro do
sólido, que é formado por poros, a adsorção ocorrerá principalmente nas
paredes dos poros.

O sólido fica saturado após uma operação de adsorção, se for necessário o


seu reuso uma dessorção pode ser realizada para que o soluto presente no
sólido (material sorvido) seja removido, dessa forma a adsorção e a dessorção
são realizadas conjuntamente formando um método cíclico.

A aplicação desse processo se dá geralmente de duas formas: purificação ou


separação de componentes, essa classificação depende da concentração e dos
componentes presentes na alimentação. Essa operação é mais antiga do que se
pensa, por cinco séculos esse método foi utilizado para descolorir líquidos.

11.1 SORVENTES

Vamos pela lógica, você sabe o que é um solvente? Sim, aposto que sim. Então
o que você acha que é um sorvente? Veja só, um solvente é todo aquele que
dissolve, então um sorvente é todo aquele que sorve ou realizar sorção.

Acho que você deve estar perdido nos conceitos, mas que diabos é sorver?
Pensa só, dissolver é quando o soluto é solubilizado no interior de um
solvente, sorver é quando o soluto é transferido até a superfície ou o
interior de um sorvente.

Então um sorvente pode realizar uma absorção ou uma adsorção, mas entre eles
há características semelhantes que devem ser atentadas na hora de escolher
um sorvente, Seader, 2011, lista dez características para um bom sorvente.

1. Alta seletividade: melhora a separação entre os componentes;

423
2. Alta capacidade de minimizar a quantidade de sorvente: quanto menos
sorvente menos custo;

3. Propriedades cinética e de transporte favoráveis para uma rápida sorção;

4. Estabilidade química e térmica, incluindo baixíssima solubilidade no


contato com o fluido, para preservar a quantidade de sorvente e suas
propriedades;

5. Dureza e resistência mecânica para prevenir esmagamento e erosão;

6. Fácil escoamento para facilmente ser colocado ou retirado de tanques;

7. Alta resistência a incrustações para um longo tempo de vida útil;

8. Nenhuma tendência à reações químicas indesejadas;

9. Capacidade de ser regenerado quando usado comercialmente em alimentações


contendo traços de espécies pesadas (alta massa molecular) que são
fortemente sorvidas e dificilmente dessorvidas;

10. Baixo custo: economia é tudo.

11.2 EXEMPLOS DE SEPARAÇÕES POR ADSORÇÃO

Veja alguns casos de separação por adsorção descritos por Seader, 2011:

Purificação gasosa:

✣ Remoção de compostos orgânicos de passagem de ar, gás ou líquido;

✣ Remoção de SO2 de correntes de passagem de ar, gás ou líquido;

✣ Remoção de componentes sulfurosos de correntes gasosas;

✣ Remoção de vapor d’água do ar e outras correntes gasosas;

✣ Remoção de solventes e odores do ar;

✣ Remoção de NOx de N2;

✣ Remoção de CO2 do gás natural.

Separações de componentes em gases:

424
✣ N2/O2;

✣ H2O/etanol;

✣ Acetona/passagem de ar, gás ou líquido;

✣ C2H4/passagem de ar, gás ou líquido;

✣ Parafinas normais/isoparafinas, aromáticos;

✣ CO, CH4, CO2, N2, A, NH3, H2.

Purificação líquida:

✣ Remoção de H2O de soluções orgânicas;

✣ Remoção de compostos orgânicos de H2O;

✣ Remoção de compostos sulfurosos de soluções orgânicas;

✣ Descolorização de soluções.

Separações de componentes em líquidos:

✣ Parafinas normais/isoparafinas;

✣ Parafinas normais/olefinas

✣ p-xileno/outros compostos aromáticos com C8

✣ p- ou m-cimeno/outros cimenos isômeros

✣ p- ou m-cresol/outros cresóis isômeros

✣ Frutose/dextrose, polissacarídeos.

11.3 ADSORVENTES

Segundo Seader, 2011, o parâmetro mais importante para se determinar a


qualidade de um adsorvente é a área superficial que, como explicado antes,
envolve toda área disponível pelo sólido incluindo seus poros e conexões.

425
A adsorção pode ocorrer de duas formas: física, através de forças de Van der
Waals, ou química, através de ligações químicas à superfície do sólido,
também podem ser dados os nomes fisissorção, quimissorção ou adsorção de Van
der Waals e adsorção ativada.

A adsorção física é parecida com uma condensação, segundo Seader, 2011, pois
isso ocorre quando as forças atrativas entre gás-sólido são maiores do que
as interação entre as próprias moléculas do gás. Isso demonstra a fraqueza
da adsorção física.

A adsorção física ocorra rapidamente podendo ser unimolecular ou


multimolecular, isto é, uma ou mais finas camadas de moléculas adsorvidas à
superfície do sólido adsorvente. Se a adsorção é unimolecular ela será
reversível, porém se for multimolecular, preenchendo os poros, pode ser que
ocorra histerese no processo.

A histerese é um fenômeno que ocorre não somente na adsorção, ela é descrita


como um comportamento do sistema que se mantém mesmo após o estímulo externo
terminar, portanto na adsorção esse fenômeno se caracteriza por um
comportamento anormal, isto é, nós já sabemos como a adsorção pode se
comportar aproximadamente, para isso temos as isotermas de adsorção, dessa
forma se o comportamento gráfico apresentar algo anormal então teremos uma
histerese.

Nas palavras de Amgarten, 2006:

“O fenômeno da histerese de adsorção é explicado


satisfatoriamente pela teoria da condensação capilar que está
usualmente associado com a condensação capilar em mesoporos e
aparece na faixa de adsorção em multicamadas. A histerese
significa que a curva de dessorção não coincide com a curva de
adsorção.”.

Portanto é feito um teste, realiza-se a adsorção e traça-se um gráfico,


depois realiza-se a dessorção e traça-se outro gráfico, o resultado tem que
ser o mesmo, pois a dessorção é nada mais do que o caminho inverso da
adsorção, só isso. Se houver diferenças, então temos a chamada histerese,
que segundo a IUPAC pode ser classificada em quatro tipos.

Veja as histereses abaixo:

426
Fonte: Amgarten, 2006.

Afinal, que história é essa de condensação de mesoporos? Quando ocorre


histerese, há evidências que o motivo desse fenômeno seja os mesoporos
presentes no sólido, a condensação ocorre juntamente com a formação de
múltiplas camadas de moléculas e ela ocorre justamente porque ocorre uma
diferença de pressão em diferentes pontos do sólido.

Veja que a histerese H1 e H2 são mais evidentes do que as H3 e H4, isso


porque os primeiros gráficos mostram uma situação aonde há uma grande
quantidade de mesoporos no adsorvente e os outros dois mostram que os
mesoporos não estão muito bem desenvolvidos no sólido.

Perceba, existem quatro tipos de histerese e seis tipos de isotermas, elas


podem se combinar entre si, portanto a histerese H1 pode aparecer na isoterma
IV e assim sucessivamente.

A histerese é boa ou ruim? Na verdade essa pergunta não se aplica a este


caso, a histerese é um fenômeno que nós utilizamos para entender melhor o
que está acontecendo com o sistema e como é as suas características, então
cada caso é um caso, a ocorrência da histerese pode trazer resultados bons

427
ou defeituosos, mas para se determinar isso é necessário mais estudos no caso
específico.

Seguindo para adsorção química, ela envolve formação de ligações químicas


entre o adsorbato e o adsorvente em uma monocamada, geralmente com um calor
resultante maior do que o calor de vaporização. Esse tipo de adsorção em
gases ocorre somente em temperaturas maiores do que 200 °C e pode ser lenta
e irreversível.

Comercialmente falando, a adsorção física é utilizada quando se deseja


separação de componentes, já a química é utilizada em reações químicas
catalíticas, existem reatores específicos para esse último caso.

Segundo Seader, 2011: “Adsorção em líquidos é de difícil mensuração ou de se


descrever. Quando o fluido é um gás, a massa do gás adsorvida em um espaço
confinado é determinada pela medição da queda total de pressão.”.

Nos líquidos pode-se ocorrer adsorção tanto física como química, mas
determinar como isso ocorre é difícil, portanto diversos experimentos são
realizados a fim de se entender o comportamento do adsorvente em relação ao
líquido para que dessa forma as características desses tipos de adsorção
venham ser relatadas. Mais sobre esse assunto será abordado em breve.

11.4 CONSIDERAÇÕES DE EQUILÍBRIO

Segundo Seader, 2011: “Se os dados estão fora da faixa de concentração do


fluido numa temperatura constante, dados de adsorbato carregado versus
concentração do soluto (ou pressão parcial) no fluido são plotados, são as
chamadas isotermas de adsorção.”.

Essas isotermas representam o limite da adsorção do soluto de uma mistura


fluida específica em um dado adsorvente em condições especificadas. Para esse
assunto vamos começar a discutir mais sobre essas isotermas e seus
significados.

Vamos abordar dois lados desse estudo: primeiro vamos atentar aos
comportamentos empíricos observados ao longo da história e aprender a
interpreta-los, depois veremos modelos cinéticos de adsorção, que são
equações modeladas a fim de predizer o comportamento de alguns casos de
adsorção.

428
Segundo Seader, 2011, Brunauer apresentou
cinco situações diferentes de ocorrência
na adsorção descritos na figura ao lado:

Essas curvas apresentam comportamento


para uma adsorção de gás puro (sem
impurezas).

O mais simples é o tipo I, que apresenta


um comportamento de adsorção
unimolecular, portanto essa curva mostra
que a quantidade máxima de adsorbato que
o adsorvente consegue adsorver é uma
simples camada de moléculas, além disso
esse comportamento mostra que os gases
estão acima da sua temperatura crítica,
isso significa que a substância está
somente na sua forma gasosa e não pode
ser liquefeita.

O tipo II mostra um caso multimolecular


de adsorção, que é observado em gases em
temperatura abaixo da sua temperatura Fonte: Seader, 2011.
crítica e a baixa pressão, mas muito
próximo da sua pressão de saturação. O calor de adsorção da primeira camada
formada é maior que as demais, portanto quanto mais camadas são formadas
menos calor de adsorção é gerado, dessa forma as últimas camadas são mais
fracas que as primeiras. Cada uma das camadas apresentam um calor de adsorção
igual ao calor de condensação. As adsorções do tipo I e II são as mais
desejadas por serem as mais fortes.

A isoterma do tipo III apresenta um comportamento curvado, porém é indesejado,


justamente porque isso demonstra baixa capacidade de adsorção, exceto em
altas pressões. No limite da adsorção, o calor de adsorção da primeira camada
se aproxima de zero, a adsorção então é retardada até que se atinja próximo
a pressão de saturação. Felizmente esse tipo de isoterma é raro de se ver.

Os tipos IV e V mostram que a máxima adsorção possível ocorre depois de se


atingir a pressão de saturação, portanto comparando esses tipos com os II e
III a diferença será que no IV e V ocorrerá uma condensação capilar, o IV
sendo a versão do II e o V a versão do III.

429
Explicando melhor nos casos IV e V era para ocorrer a adsorção normalmente
igual como nos casos II e III, porém acabou por ocorrer uma condensação nos
poros do adsorvente causando o comportamento que observamos nas curvas.

Essas curvas que aparecem nos gráficos dos tipos IV e V são a histerese que
eu expliquei a você, a diferença entre o comportamento da adsorção e a
dessorção.

Com o passar do tempo outra isoterma foi encontrada por Pierce, como mostra
a imagem de Rodrigues, 2013, abaixo, completando um total de seis isotermas
de adsorção:

Fonte: Rodrigues, 2013.

Mas o que significa todas essas explicações? Segundo Schmal, 2009, o tipo I
é um comportamento de quimissorção, aonde se atinge a saturação a baixas
pressões relativas que acaba por formar uma monocamada completa, já os tipos
II a VI são encontrados na ocorrência de fisissorção, porém entre essas
isotermas existem diferentes de como essa adsorção física ocorre:

✣ II e III: há formação de camadas múltiplas sobrepostas, ocorrendo em


sólidos porosos ou macroporosos;

✣ IV e V: apresentam comportamento similar aos de II e III, porém na


dessorção há a ocorrência de histerese;

✣ VI: quando a superfície é uniforme e não porosa ocorre um tipo de


adsorção camada sobre camada, representa pela quantidade de degraus
observados nessa isoterma.

430
Depois de falar dos comportamentos observados é hora de apresentar os modelos
cinéticos que buscam descrever e predizer os comportamentos da adsorção, os
modelos que vamos abordar aqui são descritos por Seader, 2011, como:

✣ Isoterma linear;

✣ Isoterma de Freundlich;

✣ Isoterma de Langmuir.

Vamos entender qual é o significado fenomenológico de cada uma dessas


isotermas e ver os seus comportamentos.

Isoterma linear: quando a quantidade de adsorbato é baixa (< 25 𝑐𝑚3 /𝑔) a


isoterma da adsorção apresenta um comportamento linear e obedece a lei de
Henry, com isso a seguinte equação é formada:

𝑞 = 𝑘𝑝

Aonde “q” é a carga de equilíbrio de adsorbato no meio, “k” é uma constante


empírica dependente da temperatura e “p” é a pressão parcial das espécies.

De acordo com essa equação, conforme a temperatura cresce a carga de adsorbato


no meio decai por causa do princípio da Lei de Le Chatelier para um processo
exotérmico.

Isoterma de Freundlich: algumas adsorções se mostram com comportamento


gráfico em isotermas, dessa forma a seguinte equação foi modelada para casos
como esses:

𝑞 = 𝑘𝑝1/𝑛

Aonde “q”, “p” e “k” são os mesmos descritos no caso linear, porém “n” é
outra constante dependente da temperatura que varia numa faixa de 1 a 5, caso
n = 1 então o comportamento se torna linear. Nessas situações, uma
linearização pode ser feita a fim de se encontrar as constantes mais
facilmente:

log 𝑞 = log 𝑘 + (1/𝑛) log 𝑝

Geralmente é observado que k decai e n cresce com o aumento da temperatura.

Isoterma de Langmuir: esse tipo de comportamento é restrito para isotermas


do tipo I, a equação dessa isoterma é proveniente da cinética de transferência
de massa, assumindo quimissorção. As considerações para essa situação é que

431
a superfície tenha sua distribuição de poros homogênea, negligenciando as
forças interativas entre as moléculas do adsorbato, com isso:

𝑑𝑞
= 𝑘𝑎 𝑝(1 − 𝜃) − 𝑘𝑑 𝜃
𝑑𝑡

Isso é uma equação de transferência de massa convectiva aonde “𝑘𝑎 ” e “𝑘𝑑 ” são
constantes cinéticas de adsorção e dessorção respectivamente. Se nós
consideramos que o sistema está em equilíbrio então a taxa de variação será
nula, com isso:

(𝑘𝑎 /𝑘𝑑 )𝑝 𝐾𝑝
𝜃= =
1 + (𝑘𝑎 /𝑘𝑑 )𝑝 1 + 𝐾𝑝

O valor de teta também representa a seguinte relação:

𝑞
𝜃=
𝑞𝑚

Ou seja, é uma adimensional, que representa a variação de carga de adsorbato


no meio pela carga máxima de adsorbato, quem estudou bem transporte de massa
sabe porque foi feita essa adimensional, nada mais nada menos do que para
resolver uma EDO.

Então, tirando essa adimensional e retornando para variáveis originais temos


o resultado:

𝐾𝑞𝑚 𝑝
𝑞=
1 + 𝐾𝑝

Para linearizar essa equação fazendo:

1 1 1 1
= +
𝑞 𝑞𝑚 𝐾 𝑝 𝑞𝑚

Como as condições em que essas equações foram modeladas estão no equilíbrio


podemos atribuir a lei de Raoult válida para todas elas, com isso nós podemos
trabalhar com valor de concentração:

Isoterma linear:

𝑞 = 𝑘𝑐

Isoterma de Freundlich:

𝑞 = 𝑘𝑐 1/𝑛

432
Isoterma de Langmuir:

𝐾𝑞𝑚 𝑐
𝑞=
1 + 𝐾𝑐

Segundo Kehl, 2015:

“[...] As isotermas são identificadas de acordo com a natureza


da inclinação da parte inicial da curva, e dividida em quatro
subgrupos de acordo com a forma das partes das curvas mais
distantes da origem, e o significado dos patamares e alterações
da inclinação.”

Este autor está falando das classificações de Giles, que é uma outra forma
de classificar e subclassificar as isotermas em seus diversos comportamentos.
Esse método consiste em usar descrições em formas de: sigmoidal (S), Langmuir
(L), alta afinidade (H) e partição constante (C).

Observe a figura abaixo:

Fonte: Kehl, 2015.

433
11.5 ADSORÇÃO LÍQUIDA

Os líquidos são aproximadamente incompressíveis, com isso não podemos


utilizar as mesmas técnicas de detecção da adsorção que usamos nos gases,
portanto a alternativa é analisar a concentração no meio, se houver uma
diferença de concentração no líquido estando em contato com o sólido significa
que ocorreu adsorção.

Através da diferença de concentração entre solvente e o sólido dados podem


ser plotados formando isotermas. Dessa forma, com um balanço de massa
assumindo nenhuma adsorção do solvente e negligenciando mudança no número
total de mols da mistura líquida (binária: soluto + solvente) tem que:

𝑛0 (𝑥10 − 𝑥1 )
𝑞1𝑐 =
𝑚

Aonde “𝑛0 ” é o número total de mols da mistura binária, “𝑚” é a massa do


adsorvente, “𝑥10 ” é a fração molar do soluto antes do contato com o adsorvente,
“𝑥1 ” é a fração molar da solução depois da adsorção ter atingido o equilíbrio
e “𝑞1𝑒 ” é a quantidade aparente de mols do soluto adsorvido por unidade de
massa de adsorvente.

Esse tipo de comportamento gera as seguintes isotermas de mudança de


concentração:

Fonte: Seader, 2011.

A estranheza do comportamento está quando se vê uma adsorção negativa na


adsorção líquida, isso ocorre quando o solvente é adsorvido, caso isso possa
ser evitado o resultado será sempre positivo. Isotermas hipotéticas foram
feitas, como mostra a figura abaixo, com um soluto (A) e um solvente (B)
formando um composto de mistura binária, somente no primeiro caso não ocorre
a adsorção do solvente.

434
Fonte: Seader, 2011.

11.6 CONSIDERAÇÕES DE CINÉTICA E TRANSPORTE

Quando se deseja realizar uma separação em uma mistura multicomponente são


geralmente utilizados vasos (tanques) cilíndricos com recheios porosos ou
algum tipo de resina. Para esse tipo de adsorção houveram estudos da
transferência de massa, aonde se observa que o soluto dispersado no solvente
em movimento se transfere através dos interstícios das partículas do recheio
por convecção.

O soluto se difunde entre o movimento da fase fluida e a estacionária que


está no interior dos poros do sólido. Haverá equilíbrio instantâneo do soluto
com as fases fluida e a superfície do sólido devido a uma força motriz
termodinâmica.

Esse processo ocorre em quatro etapas como está explícito na figura abaixo:

435
Fonte: Seader, 2011.

Segundo Seader, 2011, as etapas são:

1. Transporte do soluto por convecção mássica através dos interstícios das


partículas do recheio;

2. Transporte do soluto até a parte externa da interface da partícula


através de um pequeno filme;

3. Difusão para o interior da interface até o fluido estático presente nos


poros do adsorvente;

4. Difusão para a superfície dos poros ao longo de sua extensão na


partícula.

Esse pequeno filme presente na explicação e na imagem é a famosa camada


limite, o seu funcionamento aqui é semelhante ao caso de lixiviação.

Seader, 2011, explica que durante a regeneração do equipamento, que ocorre


através da dessorção, as quatro etapas ocorrem de forma inversa do mesmo
jeito como foi explicado, com diferenças na transferência de energia, pois a
adsorção é exotérmica e a dessorção endotérmica.

Mesmo a transferência de massa externa às partículas sendo majoritariamente


por meio de convecção a transferência de energia ocorre também por radiação,
quando o fluido é um gás, e por condução em alguns pontos de contato

436
adjacentes às partículas. Esses
fenômenos de energia também
ocorrem no interior dos poros das
partículas.

Semelhante ao que vimos na


lixiviação, veja na figura ao lado
como ocorre a transferência de
massa entre a fase externa
passando pela camada limite
entrando no sólido em relação a
temperatura do meio.

O lado (a) representa a adsorção,


alta temperatura no interior do
sólido com uma lata concentração
de soluto, e o lado (b) é a
dessorção, baixa temperatura com
Fonte: Seader, 2011.
baixa concentração de soluto.

11.7 MODOS DE DEPENDÊNCIA DO TEMPO NA SORÇÃO

Seader, 2011, descreve três métodos de sorção aonde a transferência de massa


determina a eficiência da separação, utilização do adsorvente e do solvente,
também na recuperação do soluto.

1. Frontal: este método é muito utilizado para purificação de pequenas


moléculas e biomoléculas em leito fixo. A fase móvel pode ser um gás ou
líquido e é alimentada continuamente na fase estacionária até que o
leito se aproxime de se tornar saturado pelo soluto. O soluto será
dessorvido por um mecanismo apropriado a fim de se obter um produto
puro, alguns deles incluem aumentar a temperatura do meio ou reduzir a
pressão, no caso de ser um gás, ou introduzir um solvente hidrofóbico
para reduzir o equilíbrio da adsorção na fase sólida, caso seja um
líquido.

2. Substituição: método muito utilizado para separar e concentrar proteínas


desejadas de uma mistura. É parecido com o método frontal, a fase móvel
neste método quase sempre contém dois ou mais solutos a serem separados.
Quando o leito se encontra perto da saturação a dessorção ocorre em

437
zonas consecutivas substituindo o adsorbato por outro mais forte, ou
seja, que possui maior afinidade com o sólido.

3. Diferencial: método usado para recuperar uma variedade de bioprodutos.


Uma pequena quantidade pulsada de soluto é dissolvida na fase móvel e
então é carregada no leito. Em vez de ocorrer a saturação, o soluto é
arrastado pelo leito numa taxa menor que a de solvente puro. Isso é
feito devido as interações do soluto com a fase estacionária que é
modulada pela composição do solvente, a qual pode ser modificada ou não
num comportamento linear ou não. Os produtos saem da coluna diluídos
pelo solvente.

11.8 MÉTODOS DE BALANÇOS E CÁLCULOS DE DIMENSIONAMENTO

O balanço de massa para um processo de adsorção é representado da seguinte


forma:

𝐸=𝑆

𝐹𝑖 + 𝑆𝑖 = 𝐹 + 𝑆

𝑞𝑖 𝐹 + 𝑐𝑖 𝑆 = 𝑞𝐹 + 𝑐𝑆

É bem simples, as correntes são quantidade de adsorvente (F) e o volume total


da solução (S), então aqui nós iremos usar como referência a concentração do
meio, pois ela é que determina se ocorreu uma adsorção no meio ou não, dessa
forma “𝑞𝑖 ” é a concentração inicial do soluto adsorvido no sólido, se o sólido
estiver puro então é zero, “𝑞” é a concentração do soluto no sólido após o
processo, “𝑐𝑖 ” é a concentração inicial da alimentação (solução) e “𝑐” é a
concentração do soluto na solução após o processo.

Quando o objetivo é projetar colunas de adsorção com leito fixo Geankoplis,


1993, fala algumas coisas importantes:

“Conforme a adsorção se desenvolve a concentração do soluto na


fase fluida e na fase sólida variam com o tempo e também com a
posição no leito fixo. Na entrada para o leito, é assumido que o
sólido não contém soluto no início do processo. Grande parte da
transferência de massa e da adsorção ocorrem no primeiro contato
do fluido na entrada do leito. Conforme o fluido passa pelo leito,

438
a concentração no fluido decai a zero muito rapidamente com a
distância mesmo antes de se atingir o fim do leito.”.

Baseado nesse entendimento os diagramas abaixo descrevem o comportamento da


concentração de acordo com o tempo e a posição dentro do leito:

Fonte: Geankoplis, 1993.

O primeiro caso é um diagrama que relaciona a variação de concentração com o


tempo (t) e posição (H) já o segundo é somente em relação ao tempo. A zona
de transferência de massa descrita no segundo diagrama representa quando o
sólido já não consegue mais adsorver com eficiência o soluto da alimentação,
e o ponto de quebra (break point) representa o tempo limite de descarga, ou
seja, o ponto em que a adsorção deixa de ser eficiente.

Para projetar uma coluna deveremos utilizar esses diagramas que são chamados
de curva de ruptura (breakthrough), para isso usaremos um esquema de área e
algumas equações para determinar quanto tempo o processo levará e qual será
o tamanho da coluna.

Veja o esquema de Geankoplis, 1993, abaixo:

439
Fonte: Geankoplis, 1993.

Através desse esquema temos que:

𝑡 = 𝐴𝑡 = 𝐴1 + 𝐴2 + 𝐴3

A 𝐴1 é a mais fácil de se achar, haja vista que é um quadrado e é facilmente


calculado, o resultado é dado em horas, mas o desafio está nas outras duas
áreas, que são curvas, a alternativa que temos é usar os métodos de cálculo
numérico que aprendemos faz tempo, por exemplo, você dividir a curva em
diversos retângulos e calcular a área de cada uma delas e no final somar
tudo.

Por exemplo, se você deseja dividir a curva em retângulos com comprimentos


de 0,5 então faça:

𝑡𝑏 − 𝑡𝑑
= 𝑛 → 𝐴2 = 0,5(𝑐𝐴 ) + 0,5(𝑐𝐵 ) + ⋯ + 0,5(𝑐𝑛 )
0,5

Esse é um dos métodos, você escolhe a vontade o melhor para você

Então temos as seguintes relações:

𝐴1 = 𝑡𝑢 𝐴2 = 𝑡𝑛𝑢

440
Ou seja, a área um é equivalente ao tempo útil do processo, ou seja, é todo
o tempo do processo até que se atinja o ponto de quebra, já a área dois é o
tempo não útil que é referente ao tempo depois que passa do ponto de quebra,
quando o leito deixa de ser eficiente. Dessa forma temos:

𝑡𝑡 = 𝑡𝑢 + 𝑡𝑛𝑢

A soma do tempo útil e não útil resulta no tempo total de operação do leito,
ou seja, o tempo máximo que a coluna trabalharia em dadas condições.

Com essas informações nós podemos encontrar o comprimento útil da coluna,


usando os tempos e o comprimento total:

𝑡𝑢
𝐻𝑢 = 𝐻
𝑡𝑡 𝑡

Aonde o comprimento total é dado pelo útil mais o não útil:

𝐻𝑡 = 𝐻𝑢 + 𝐻𝑛𝑢

O comprimento não útil também pode ser encontrado por uma relação dos tempos:

𝑡𝑢
𝐻𝑛𝑢 = (1 − )𝐻
𝑡𝑡 𝑡

Para você gerar um diagrama com uma curva de ruptura você precisa fazer os
testes, claro, então com certeza você usou algum leito que tinha um dado
comprimento, então o comprimento dele será o 𝐻𝑡 ou uma relação com esse valor
caso queira aumentar a escala de produção.

Através do balanço de massa podemos saber qual é a capacidade de saturação


do leito, ou seja, a vazão de solução por massa de adsorvente necessária para
que a adsorção ocorra com eficiência:

𝑞𝑖 𝐹 + 𝑐𝑖 𝑆 = 𝑞𝐹 + 𝑐𝑆

𝑐𝑖 𝑆 𝑐𝑆
𝑞 = 𝑞𝑖 + −
𝐹 𝐹

Considerando que o sólido entra puro e que todo o soluto é adsorvido na no


processo, com isso temos que a concentração de soluto no sólido na entrada
será zero e a concentração de soluto no solvente na saída também:

𝑐𝑖 𝑆
𝑞=
𝐹

441
Imagina uma vazão de solução de 100 𝑐𝑚3 /𝑠 com a concentração de 300 ppm
entrando em uma coluna com 100 g de adsorvente, o tempo total da operação é
de 2 h, qual é a concentração de saturação desse leito?

𝑐𝑚3 𝑠
𝐹 = 100 𝑔 𝑆 = (100 ) (3600 ) 𝑐𝑖 = 300 × 10−6
𝑠 ℎ

Logo:

−6 𝑐𝑚3 𝑠
300 × 10 (100 (2
𝑐𝑖 𝑆 𝑠 ) (3600 ℎ) ℎ) 𝑐𝑚3 𝑑𝑒 𝑠𝑜𝑙𝑢çã𝑜
𝑞= = = 2,16
𝐹 100 𝑔 𝑔 𝑑𝑒 𝑎𝑑𝑠𝑜𝑟𝑣𝑒𝑛𝑡𝑒

442
ADEUS

Bom, chegamos até aqui né, para mim foi um prazer ser o seu ajudante, guia,
seja lá o que for, nessa longa caminhada que é as operações unitárias. Eu
tenho convicção que este material não é aquela 8ª maravilha do mundo, eu sei
que me esforcei ao máximo para trazer o melhor material de qualidade para
você, mas convenhamos que fiz tudo sozinho, não que eu seja egoísta e querer
todo mérito só para mim, na verdade eu não era obrigado a fazer nenhum dos
meus oito livros lançados até então, eu só queria ajudar as pessoas o máximo
que eu pude, porque eu sei que um dia eu precisei e poucos podiam me ajudar
e se eu encontrei a solução dos meus problemas porque não compartilhar isso
com o mundo?

A engenharia é um curso que exige dedicação, ele não é difícil, mas se não
for ensinado da maneira correta, ou se não for ensinado e estudado com amor,
infelizmente você se torna mais um na multidão. Nós, engenheiros, temos que
ter em mente uma coisa: quem repete o que os outros fazem é técnico, o
engenheiro cria e transforma. Por isso escrevi todos esses livros, porque
meu desejo é abrir a mente das pessoas, nunca devemos aceitar qualquer coisa
que vem do professor, corra atrás, busque, pergunte, saiba o porquê de cada
vírgula presente na teoria de um fenômeno, pois dessa forma você conseguirá
atingir um patamar maior de pensamento, você não será superior aos outros,
mas terá uma mente de engenheiro, um genuíno engenheiro, que poderá desvendar
os céus e a terra sem ter medo, porque conhece a teoria e seus mistérios.

Espero ter ajudado você nessas operações unitárias, eu dei o meu melhor.
Posso lhe revelar algo: não fui o melhor nessas disciplinas, não em relação
a notas, justamente porque meus olhos nunca brilharam para essa ilusão,
porque eu sabia que o meu objetivo de sentar naquela cadeira era aprender de
verdade independentemente de como eu fosse me sair, o importante é aprender,
mesmo que você tenha que reprovar, pegar nota baixa, não sei, mas nunca se
esqueça que as melhores notas não fazem grandes homens, as noites mal dormidas
é que fazem. Muito obrigado por ler meu livro, me sinto honrado, aqui fica o
meu:

Adeus.

443
REFERÊNCIAS

AMGARTEN, Dione Rodrigues. Determinação de volume específico de poros de


sílicas cromatográficas por dessorção de líquidos em excesso. Dissertação -
Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Química. Campinas, SP: 2006.

AZEVEDO, João L. T. Apontamentos de Transferência de Calor com Mudança de


Fase: Condensação e Ebulição. DEM/IST: 2000.

BIOMEASUREMENT AND EXPERIMENTAL TECHNIQUES FOR AVIAN SPECIES. Psychrometric


Chart Use. Disponível em < http://web.uconn.edu/poultry/NE-
127/NewFiles/Psychrometric .html >. Acesso em 4 de jan. 2019.

BISMO, S. Absorpsi gas – Kuliah Pendahuluan. Disponível em < https://www.


researchgate.net/profile/Setijo_Bismo/publication/283151767_Kuliah_Pepi
dahan_Massa_2015_01-Pendahuluan_Absorpsi/links/562d02b708ae04c2
aeb4a03b/Kuliah-Pepindahan-Massa-2015-01-Pendahuluan-Absorpsi.pdf > . Acesso
em 06 de setembro 2018.

ÇENGEL, Y.A. Transferência de Calor e Massa: Uma Abordagem Prática, 3ª Ed.


McGrawHill, 2009.

CESGRANRIO. Engenheiro de Processamento Júnior. Disciplina: Engenharia


Química. Concurso Petrobras. 2012.

CHEM. John C. A Correlation for Boiling Heat Transfer to Satured Fluids in


Convective Flow. Brookhaven National Laboratory, New York. 1962.

Diogenes, C. M. Influência da Temperatura no Coeficiente de Perda de Carga


Para Entrada de Borda Viva. Revista Academia Online. Disponível em < https:
//www.revistaa cademicaonline.com/products/influencia-da-temperatura-no-
coeficiente-de-perda-de-carga-para-a-entrada-de-borda-viva/ >. Acesso em 05
de setembro 2018.

ENVIRONMENTAL GROWTH CHAMBERS. Psychrometric Charts. Disponível em <


http://www.egc.com/useful_info_psych .php >. Acesso em 4 de jan. 2019.

GEANKOPLIS, C. J. Transport Processes and Unit Operations – 3ª ed.


Universidade de Minesota: 1993.

444
GEANKOPLIS, C. J. Transport Processes and Unit Operations – 4ª ed. Prentice
Hall Press Upper Saddle River, NJ, USA: 2003

INCROPERA, Frank P.; et al. Fundamentos de transferência de calor e de massa.


Tradução e revisão técnica Eduardo Mach Queiroz, Fernando Luiz Pellegrini
Pessoa. Rio de Janeiro: LTC. 2008.

KEHL, C. C. Remoção de Nitrogênio Amoniacal por Adsorção em Carvão Ativado.


Universidade Federal do Rio Grande do Sul – DEQUI. Porto Alegre: 2015.

KERN, Donald Q. Process Heat Transfer. International Student Edition, McGRAW-


HILL. 1983.

RODRIGUES, V. M. Simulação Computacional de um Sistema de Refrigeração de


Adsorção Acionado por Gases Quentes de Exaustão. Dissertação de Mestrado.
Universidade Estadual de Campinas, Campinas: 2013.

SCHMAL, M. Cinética e Reatores – Aplicação na Engenharia Química. Synergia:


Rio de Janeiro, 2009.

SEADER, J.D. Separation process principles: chemical and biochemical


operations – 3º ed. John Wiley & Sons, Inc. 2011.

SILVA, Evandro F. Efeito da Geometria na Ebulição Nucleada de Refrigerantes


Halogenados em Tubos Horizontais. Universidade de São Paulo, São Carlos:
2005.

SKOOG, WEST, HOLLER, CROUCH, Fundamentos de Química Analítica, Tradução da


8ª Edição norte-americana, Editora Thomson, São Paulo - SP, 2006.

SMITH, J. M. Introdução à Termodinâmica da Engenharia Química / J. M. Smith,


H. C. Van Ness, M. M. Abbor; tradução Eduardo Mach Queiroz, Fernando Luiz
Pellegrini Pessoa. – [Reimpr.]. – Rio de Janeiro: LTC, 2013.

STEWART, James. Cálculo Volume I; tradução técnica Antônio Carlos Moretti,


Antônio Carlos Gilli Martins; revisão técnica Helena Castro – 6° ed. – São
Paulo: Gengage Learning, 2011.

TERMOPARTS. Manual de Funcionamento de uma Torre de Resfriamento. Disponível


em < http://torreresfriamento.com.br/tr/19/torre-de-resfriamento-
funcionamento/manual-de-funcionamento-de-uma-torre-de-resfriamento/ >.
Acesso em 4 de jan. 2019.

445
WALAS, Stanley M. Chemical Process Equipment. Butterworth-Heinemann, Reed
Publishing (USA): 1990.

446

Você também pode gostar