Você está na página 1de 3

Eduarda Chiapetti, Isadora Hoff, Kimberlly Pereira e Victória Corrêa ADM4

Análise do Documentário “Arquitetura da


da Destruição
Este documento apresenta um resumo sobre o que cada integrante analisou no
documentário

Eduarda - O documentário traça um cenário sobre a trajetória de Hitler e de alguns


de seus mais próximos colaboradores com a arte. Muito antes de chegar ao poder, o
líder nazista sonhou em tornar-se artista. Ele produziu várias gravuras que
posteriormente foram utilizadas como modelo em obras arquitetônicas. O
documentário recusa a baboseira largamente propagada na segunda metade do
século XX de que Hitler era um gênio da retórica e um grande estrategista político.
Também não se vale de acusações imprudentes e pouco claras do processo que
tornou a Alemanha nazista, a exemplo de que Hitler não passava de um artista
medíocre e de um homem sem maiores talentos, que a história tratou meramente de
colocar no momento e no lugar certos para erguer o Terceiro Reich. Em uma época
de grave crise, no período entre guerras, a arte moderna foi apresentada como
degenerada, relacionada ao bolchevismo e aos judeus. Para os nazistas, as obras
modernas distorciam o valor humano e, na verdade, representavam as deformações
genéticas existentes na sociedade. O regime, em oposição, defendia o ideal de
beleza como sinônimo de saúde e consequentemente com a eliminação de todas as
doenças que pudessem deformar o "corpo" do povo. Era um discurso biológico
condizente com as concepções estéticas de uma raça ariana. Nasce assim uma
"medicina nazista" que valoriza o corpo, o belo e estava disposta a erradicar os
males que pudessem afetar essa obra.

Isadora - Analisando o documentário, percebemos muito bem a ideologia nazista de


propor a limpeza dos males que afetam o corpo do povo ariano, sejam eles
produções artísticas ou pessoas de sangue não puro, tendo como ideia a
hereditariedade para a higienização da raça. A arte foi, como já dito, o principal
motivo e alicerce do regime, quando Hitler acreditou que o seu ideal de belo e certo
deveria ser implantado para uma nação alemã mais harmônica, com base na arte
renascentista e da antiguidade clássica. A disseminação de toda essa ideologia se
deu de maneira surpreendente, o que pode ser explicado pela teórica política alemã
Hannah Arendt através do conceito da banalidade do mal, o qual diz que a falta de
um raciocínio crítico pode ser perigoso quando a pessoa passa exercer atividades e
defender idéias sem pensar nos motivos de estar fazendo/pensando aquilo e nas
consequências. Essa ideia é essencial para a explicação da massificação da
sociedade e o totalitarismo, os quais, segundo a autora, permitiram o
desenvolvimento de uma multidão que cumpria ordens sem questionar e incapaz de
fazer julgamentos morais sobre o que acontecia e era proposto pelo seu governo.
Eduarda Chiapetti, Isadora Hoff, Kimberlly Pereira e Victória Corrêa ADM4

Kimberlly - A partir do documentário, percebe-se a relação da arte com o nazismo.


A narrativa explica como a pureza tão almejada pela raça ariana projetava-se no
mundo artístico. O começo do documentário trata da quantidade de artistas
frustrados na Alemanha, o próprio Hitler tentou ser um artista, quando planejou
entrar na Academia de Arte de Viena, mas esse sonho foi frustrado, bem como a
vontade de tornar-se arquiteto. A seguir, temos as menções a Wagner, um escritor
de óperas, do qual era uma grande inspiração para Hitler, que chegou a cogitar
escrever uma ópera com seu amigo, August Kubizek, após assistir a peça “Rienzi”
do autor. O escritor ocupava um lugar especial na mente de Hitler, pois foram as
ideias políticas de Wagner e o roteiro de "Rienzi" que fascinaram o ditador e
fizeram-no fantasiar com o futuro da nação e de seu povo. As ideias de Wagner
eram constituídas pelo anti-semitismo, o culto ao legado nórdico e o mito do sangue
puro, pensamentos preconceituosos que já existiam na mente de Hitler, dos quais
serviram para contornar sua visão de mundo. Há, inclusive, uma citação do próprio
ditador no documentário que diz: “Só entende o nazismo, quem conhece Wagner”.

Victória - Ao escutar uma música, podemos admirá-la e até mesmo concordar com
as afirmações que estão em suas estrofes. A liberdade de expressão nos permite
expressar atividades artísticas, no entanto é preciso ser problematizada quando não
é supervisionada ou mesmo delimitada. Em um cenário frágil cuja liberdade de
expressão não era limitada, Adolf Hitler deparou-se por uma estética a qual
expressava ideias de purificação racial, o que o influenciou ideologicamente. O que
antes, de longe, parecia ser uma “pessoa comum”, através de um “empurrãozinho”
de um cenário pós guerra coberto por uma fumaça de ódio se tornou o Hitler, o
homem símbolo da desumanização.

Por experiência própria, ele sabia o poder da arte e como essa poderia influenciar a
ideologia do ouvinte/telespectador. Considerando isso, Hitler soube controlar as
artes de modo que essas sejam a favor de seu regime totalitário, censurando
aquelas que dissessem o contrário. Embora extremos um do outro, a liberdade de
expressão sem limites e a censura perduraram durante décadas favorecendo, de
forma explícita ou não, o nacionalismo extremo e preconceitos religiosos e étnicos.
Por ser uma disputa recente, há uma linha muito tênue entre essas práticas, o que
torna difícil identificar suas diferenças e logo controlá-las.

Fazendo um paralelo à relevância da arte na realidade brasileira, o governo atual


também possui sua própria estética, sendo usado para seu próprio benefício por
meio de propagandas. A apropriação de imagens e montagens populares utilizada
por pessoas mais velhas em redes sociais foi uma alternativa de diálogo entre o
governo de Bolsonaro com esse público. A estética mais “grotesca”, sem tantos
recursos de edição fotográfica, se assemelha a imagens de bom dia usadas pelas
nossas tias do WhatsApp, o que conquista uma certa simpatia por esses cidadãos.
Pois, de certa forma, as imagens usadas pelos eleitores pró-Bolsonaro parecem ser
Eduarda Chiapetti, Isadora Hoff, Kimberlly Pereira e Victória Corrêa ADM4

feitas pelas mesmas pessoas que elaboraram frases inocentes, pessoas essas que
parecem ser cidadãos inofensivos e não nos colocariam em perigo.

Você também pode gostar