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portuguesa da Casa Publicadora das Assembleias de Deus.
Aprovado pelo Conselho de Doutrina.

Título do original em inglês: Five Essentials for Lifelong Intimacy


Multnomah Publishers, Sisters, Oregon, EUA
Primeira edição em inglês: 2005
Tradução: Fernanda Bittencourt

Preparação dos originais: Elaine Arsenio


Capa: Jonas Lemos
projeto gráfico e Editoração: Luiz Felipe Kessler

CDD: 243 - Família


ISBN: 978-85-263-1075-9
eISBN: 978-85-263-1187-9

As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida Revista e


Corrigida, edição de 1995, da Sociedade Bíblica do Brasil, salvo
indicação em contrário.

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Avenida Brasil 34.401, Bangu, Rio de Janeiro - RJ
CEP 21852-002

1ª edição: Junho de 2013


Tiragem: 3000
Agradecimentos
Gostaria de agradecer ao meu editor, Jim Lund, por ajudar-me a
pesquisar o material deste livro, compilá-lo e dar-lhe forma. Mais
uma vez, foi um prazer trabalhar com ele.
Também externo meu apreço por todos da equipe de Multnomah,
por seus esforços para tornarem este livro realidade.
Introdução

Nanette e Paul casaram-se repletos das melhores esperanças.


Ambos gostavam de atividades ao ar livre, em especial, de andar a
cavalo, e amavam viajar. Como Paul já possuía um negócio bem-
sucedido no ramo imobiliário, puderam comprar uma bela casa de
frente para um lago. Os dois queriam filhos. Melhor de tudo, eles
apreciavam cada minuto que passavam juntos. Eram “almas
gêmeas”, profundamente apaixonados. Parecia que nada poderia
dar errado.
Com o passar dos anos, porém, tudo começou a desandar.
Apesar de terem ficado maravilhados com o nascimento de suas
duas meninas, as demandas da criação de filhos acrescentaram
uma tensão inesperada ao seu relacionamento. Então os negócios
do Paul começaram a dar errado, e ele se viu passando mais e mais
horas no escritório. Para ajudar manter em dia as contas da casa e
do barco novo e também das despesas crescentes com a educação
das filhas, Nanette começou a trabalhar como assistente de
dentista. Ela e o marido viam-se cada vez menos e quase sempre
brigavam quando se encontravam.
Numa noite chuvosa de novembro, durante uma briga das mais
acaloradas, Nanette teve o seu pior medo confirmado: Paul estava
se encontrando com outra mulher. Enquanto as lágrimas rolavam
pelo seu rosto, ela se lembrava da proximidade que ela e o marido
compartilharam um dia. Pensou: “como nosso casamento chegou a
isso?”. O seu relacionamento de sonhos fora rasgado em pedaços.
O divórcio saiu em menos de um ano.
Essa é uma história comum. Para cada 10 casamentos nos
Estados Unidos hoje, cinco acabarão em uma disputa dolorosa e em
divórcio. Isso é trágico, mas já parou para pensar no que acontece
com os outros cinco? Navegam alegremente em direção ao pôr do
sol? Dificilmente!
De acordo com o psicólogo Neil Waren, todos esses cinco
casamentos “bem-sucedidos” durarão a vida inteira, mas em
diferentes graus de desarmonia. Numa das transmissões de seu
programa de rádio, Focus on the family (“Foco na família”), Dr.
Waren citou uma pesquisa do Dr. John Cuber, cujos resultados
foram publicados em um livro intitulado The significant Americans
(“Os importantes norte-americanos”). Nela, levantou-se que alguns
casais permanecem casados pelo benefício de seus filhos, ao passo
que outros passarão os anos em relativa apatia. Inacreditavelmente,
apenas um ou dois casais em 10 alcançarão o que pode ser
chamado de “intimidade” em seus casamentos.
Por “intimidade”, o Dr. Cuber referia-se ao elo místico de amizade,
compreensão e compromisso que quase desafia o entendimento.
Ocorre quando um homem e uma mulher, começando como
indivíduos distintos e separados, fundem-se em uma unidade
singular, à qual a Bíblia chama de “uma carne”. Estou convencido de
que o espírito humano anseia por esse tipo de amor incondicional, e
que as mulheres, em especial, sentem algo como uma “fome da
alma” quando não o conseguem encontrar. Também estou certo de
que a maioria dos casais espera encontrar a intimidade no
casamento, embora ela, de alguma maneira, esquive-se deles com
frequência.
A despeito de seu desejo de unirem suas almas, muitos casais,
inclusive aqueles que já estão casados, também sentem medo da
intimidade. Eles têm assistido a seus amigos e talvez seus próprios
pais despedaçarem os seus casamentos e uns aos outros. Agora,
esses homens e mulheres temem ser vulneráveis, rejeitados e
abandonados. Alguns se perguntam se é mesmo possível alcançar
a intimidade com outro ser humano em nosso mundo moderno.
Felizmente, cônjuges não são meras vítimas passivas no
desenrolar do drama de suas vidas unidas. Eles podem construir um
relacionamento íntimo estável e prazeroso que resistirá às
tempestades da vida. Nem o divórcio nem um casamento sem vida
são inevitáveis. Depois da bênção de um casamento de mais de 40
anos com a minha mulher, Shirley, posso dizer que não há nada
como ser amado íntima e incondicionalmente, década após década,
por alguém que promete estar ao seu lado para o melhor e para o
pior, na doença ou na saúde, na riqueza ou na pobreza,
abandonando todos os outros — todos os outros — até que a morte
nos separe. Um relacionamento entre almas sob a proteção do
casamento é um plano que traz em si a sabedoria e a compaixão do
Criador em pessoa e oferece a maior satisfação que a experiência
humana pode dar.
Há várias ferramentas que podem ajudar você a se unir em amor
ao seu companheiro, mas pelo menos cinco delas são princípios
essenciais para que se aproveite uma relação íntima por toda a
vida. Como vamos explorá-los juntos, incluindo as dicas que
seguem cada capítulo, oro para que eles refresquem sua inspiração
para renovar e aprofundar a intimidade em seu casamento.
Princípio nº 1

Cristo no Centro do Lar


Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do
que já está posto, o qual é Jesus Cristo.
1 Coríntios 3.11

Alguns anos atrás, num esforço para retirar subsídios das


experiências daqueles que viveram juntos em harmonia como
marido e mulher, pedimos a casais casados que participassem de
uma pesquisa informal. Mais de 600 pessoas concordaram em falar
abertamente sobre as ideias e os métodos que deram certo em seus
lares por 30, 40 ou até 50 anos. Cada um deunos comentários e
recomendações, que foram analisados e comparados com cuidado.
O conselho que deram não é novo, mas com certeza representa um
ótimo ponto de partida. Na tentativa de aprender qualquer tarefa,
deve-se começar pelos seus fundamentos, aqueles passos iniciais a
partir de onde tudo o mais se desenvolverá.
O que, então, de acordo com o nosso gabaritado painel de
experts, é o segredo mais importante para desfrutar de um
casamento bem-sucedido, a única coisa que tem mais chances de
garantir uma vida inteira de intimidade e amor?
A resposta é estabelecer e manter um lar cujo centro seja Cristo.
Quando um marido e uma mulher estão profundamente
comprometidos com Jesus, desfrutam de uma enorme vantagem
sobre uma família sem bases espirituais. Tudo tem a ver com a
base. Apenas por meio da conexão espiritual com Ele é que
podemos experimentar o amor genuíno e começar a desenvolver
todo o potencial desse relacionamento chamado casamento.
Certa vez, recebi a seguinte carta:

Caro Dr. Dobson,


Meu marido deixou-me há pouco tempo, depois de 15
anos de vida conjugal. Tínhamos uma excelente relação
física, emocional e intelectual, mas faltava alguma coisa...
Não havia uma ligação espiritual entre nós.
Por favor, diga aos casais jovens que, sem Jesus,
sempre haverá um vazio na sua vida em comum. Um bom
casamento tem que ser fundado nEle, de modo a
experimentar amor, paz e alegria duradouros.
Desde que meu marido me deixou, tenho tentado
reconstruir minha relação com Deus. Agora estou
crescendo, firme, na minha caminhada com Deus, porém
estou sozinha.

Há uma grande verdade nessa triste carta. O nosso Senhor,


afinal, criou o casamento, um dos presentes mais maravilhosos e
duradouros já concedidos à humanidade. Esse plano divino foi
revelado a Adão e Eva no Jardim do Éden e, depois, descrito de
modo sucinto em Gênesis 2.24, onde se lê: “Portanto deixará o
homem o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão
ambos uma carne”. Com essas 21 palavras, Deus anunciou a
ordenação da família. Cinco mil anos de história escrita passaram-
se, e, mesmo assim, toda civilização na história mundial foi
construída sobre isso. Esperar um casamento com amor e
intimidade sem depender do Senhor é temerário, com certeza.

Esperar um casamento com amor e


intimidade sem depender do Senhor é
temerário.

Por outro lado, um casal que busca nas Escrituras as soluções


para os estresses da vida leva grande vantagem sobre outro sem fé.
Sua Bíblia amada é o texto mais maravilhoso do mundo. Foi
escrito por 39 autores, que falavam três línguas diferentes e viveram
em um intervalo de tempo de 1500 anos. Que milagre o trabalho
desses escritores inspirados! Se duas ou três pessoas hoje fossem
testemunhar sobre um assalto a banco, é provável que dessem
versões conflitantes do incidente. A percepção humana é
simplesmente falha assim. No entanto, aqueles 39 colaboradores da
Palavra de Deus, dos quais a maioria sequer se conheceu,
prepararam 66 livros distintos que se encaixam com continuidade e
simetria perfeitas. O Antigo Testamento inteiro constrói uma única
frase: “Jesus está vindo”. O Novo Testamento declara: “Jesus está
aqui”.
Ao lermos as Sagradas Escrituras, abre-se para nós uma janela
para a mente do Pai. Que recurso infalível! O Criador, que começou
com o nada e fez belas montanhas, e riachos, e nuvens, e
bebezinhos fofos, escolheu presentear-nos com a história dos
bastidores da família. Ele nos diz em sua Palavra como vivermos
juntos em paz e harmonia. Tudo, desde a lida com dinheiro até as
atitudes sexuais, é discutido nas Escrituras, com cada prescrição
endossada pelo Rei do universo. Por que alguém desconsideraria
as verdades reveladas nelas?
O modo de vida cristão empresta estabilidade ao casamento,
porque seus princípios e valores naturalmente produzem harmonia.
Quando postos em prática, os ensinamentos cristãos enfatizam a
generosidade, a autodisciplina, a obediência, a adequação às leis
humanas e o amor e a fidelidade entre marido e mulher. Quando
funciona como o desejado, o casamento provê uma redoma contra
vícios em álcool, pornografia, apostas, contra o materialismo e
contra outros comportamentos que podem ser danosos ao
relacionamento. É de surpreender que uma relação cristocêntrica é
a melhor base para um casamento?
Aleksandr Solzhenitsyn, grande dissidente da União Soviética,
uma vez escreveu: “Se eu fosse requisitado para identificar, com
poucas palavras, a principal característica de todo o século XX, mais
uma vez seria incapaz de encontrar algo mais preciso e digno de
pena do que repetir: o homem esqueceu-se de Deus”. Não deixe
isso acontecer no seu lar.

Um Orador Persistente
Se o compromisso com Cristo é a base de um casamento bem-
sucedido, então a oração diária a dois é a construção firme, rocha a
rocha, que fornece um porto seguro para uma intimidade verdadeira.
Isso com certeza foi verdade para os meus pais. James Dobson
Sr. foi pastor e evangelista por quase toda a sua vida. Com
frequência, passava longas horas sobre seus joelhos, conversando
com Deus, e orando por seu ministério e por aqueles que amava.
Na pequena cidade do Texas, onde passei meus tempos de pré-
escola, ele era conhecido como “o homem sem couro na ponta dos
sapatos”. Passava tanto tempo ajoelhado que desgastava os bicos
dos sapatos antes das solas.
Papai não orava sozinho. Minha mãe, sua amada esposa, a quem
chamava Myrt, juntava-se a ele para orar com regularidade, em
tempos de crise, em tempos rotineiros e em tempos nos quais
necessitavam de ajuda e direcionamento especiais para lidarem
com um filho indisciplinado chamado Jim. As vezes em que oraram
juntos devem ter causado uma profunda impressão nos meus
primeiros anos, pois contaram-me que, quando eu tinha um ano de
idade, tentei orar com eles. Ainda nem tinha aprendido a falar, então
tentei imitar os sons que eles faziam enquanto se comunicavam
com Deus.
Não tenho dúvida de que o amor inabalável de meus pais por
Jesus Cristo, renovado dia a dia pelas conversas com Ele,
consolidou a profunda afeição e o respeito de um pelo outro. Sua
vida de oração foi a cola que preservou uma união amorosa por 43
anos, até meu pai deixar este mundo, em 1977.
Tenho tentado seguir esse exemplo em minha própria casa. As
inúmeras vezes em que Shirley e eu nos curvamos diante de Deus
para oferecer palavras de gratidão, pedidos de ajuda e expressões
de amor têm fortalecido nosso relacionamento também, de formas
que jamais poderão ser medidas. A oração tem sido a autoridade
estabilizadora da nossa vida juntos.
É claro que algumas pessoas usam a oração da para tentar
manipular um “poder maior” não identificado. Um amigo meu diz, em
tom de brincadeira, que ele faz uma oração sempre que passa em
frente à loja de doughnuts. Ele sabe que não é saudável comer
esses doces gordurosos, mas ele gosta disso demais. Assim, pede
a Deus permissão para ser indulgente consigo mesmo todos os
dias. Ele diz: “Se for da tua vontade que eu coma um doughnut
nesta manhã, então deixe uma vaga no estacionamento disponível
para mim enquanto dou a volta no quarteirão”. Se não encontrar
nenhum espaço para o seu carro, ele dá mais uma volta e ora de
novo.
Shirley e eu levamos nossa vida de oração um pouco mais a
sério. Em tempos bons ou maus, momentos de ansiedade e
períodos de adoração, temos compartilhado desse privilégio
maravilhoso de falar direto com o nosso Pai celestial. Genial! Não é
necessário marcar para entrar em sua presença. Não temos que
passar por seus subordinados ou subornar seus secretários. Ele
simplesmente está ali, sempre que nos curvamos juntos diante dEle.
Alguns dos momentos mais maçantes da minha vida ocorreram
nessas sessões tranquilas com o Senhor.
Não entenda mal — orar sozinho, com um amigo, num estudo
bíblico ou na igreja é de extrema importância, e nosso Pai lhe dá o
mesmo valor, porém há algo especial sobre a oração entre marido,
mulher e Deus que não se pode encontrar em nenhum outro lugar.
Isso cria uma conexão espiritual, uma responsabilidade e um
vínculo santo que traz força e estabilidade à relação. Isso até lhe
permite conversar sobre certos assuntos delicados que poderiam
nunca vir à tona de outro modo — assuntos sobre os quais se pode
discutir e orar em espírito de humildade e pureza de razões.

Há algo especial sobre a oração entre


marido, mulher e Deus.
Orações desse tipo podem revigorar um casamento. Em 1983,
depois de anos de desconforto e um vago sentimento de
inquietação espiritual, o cantor cristão Steve Green derramou seu
coração perante o Senhor em oração e vivenciou um renovo em seu
espírito. Apenas algumas semanas depois, sua mulher, Marijean,
fez o mesmo. Pela primeira vez em seu casamento, os Greens
começaram a conversar com Deus juntos, com regularidade.
“Achava que tínhamos um bom casamento antes, porque não
brigávamos, éramos compatíveis e gostávamos de estar juntos,” —
disse Steve — “mas depois do nosso renovo, de repente estávamos
nos comunicando no mais profundo nível. Havia um vínculo do
Espírito de Deus nos segurando e atando juntos. Nossa relação
tornou-se espiritual e floresceu”.
Para os Greens, o segredo para liberar essas bênçãos foi uma
vida de constante oração.

Intimidade com Jesus


Quando Shirley e eu entregamos nossas vidas um ao outro,
naquela noite calorosa de agosto, em Pasadena, todos esses anos
atrás, foi uma oração que melhor capturou tudo o que esperávamos
ser e alcançar durante o nosso casamento. Meu pai e meu tio,
reverendo David L. Sharp, conduziram a cerimônia naquela noite, e
foi o meu pai que ofereceu estas emocionantes palavras ao céu:

Oh, Deus eterno! Trazemos a vós os nossos filhos,


Jimmy e Shirley. Eles eram vossos, mas vós, em amor,
emprestaste-los a nós por um breve tempo, para cuidarmos
deles, amar e dar-lhes carinho. Foi um trabalho de amor
que parece ter durado apenas alguns dias, em virtude do
amor que nutrimos por eles. Fresquinhos de vossas mãos,
eles estavam na manhã das suas vidas. Puros e honestos,
mas ainda duas personalidades separadas. Nesta noite,
nós os devolvemos a vós, não mais como duas, mas como
uma só carne. Que nada exceto a morte dissolva a união
aqui firmada. Para tanto, que a graça maravilhosa de Deus
faça seu perfeito trabalho!
Também é o nosso pedido mais sério por eles, não que
Deus tenha uma parte de suas vidas, mas que tenha a
parte mais importante delas; não que eles tenham fé, mas
que a fé os tome por inteiro; que, num mundo materialista,
eles não vivam apenas para as coisas terrenas e efêmeras,
mas que sejam capazes de se apegar àquilo que for
espiritual e eterno.
Que suas vidas juntas sejam como o curso do sol e
cresçam em força, prossigam no poder e brilhem cada vez
mais até ser dia perfeito. Que o fim de suas vidas lembre o
pôr do sol, descendo em um mar de glória, só para brilhar
eternamente no firmamento de um mundo melhor que este.
No nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

Não é uma descrição maravilhosa do propósito do casamento?


Um homem e uma mulher são unidos em “uma só carne”, ligados
para sempre pela graça de Deus, num esforço santo para alcançar o
melhor que Ele tem a oferecer — uma vida resplandecente como o
sol, construída no amor, pelo Senhor, numa fé plenamente realizada
e na promessa da eternidade. Se você e seu companheiro querem
de verdade experimentar o melhor de Deus para o seu casamento,
uma relação caracterizada pelo amor verdadeiro e pela intimidade
genuína, devem encarar a realidade sobre como estão perante Ele.
Conforme a Bíblia, todos nascemos com uma natureza pecaminosa
(Rm 3.23). Esse problema com o pecado nos impede de viver da
maneira de Deus, seja como indivíduos ou como um casal. De fato,
pecados não perdoados bloquearão até os seus maiores esforços
para ter um casamento bem-sucedido, porque o resultado inevitável
do pecado é tornar-nos escravos dos nossos piores impulsos e,
enfim, levar-nos à morte (veja Romanos 6.23).
No entanto, há uma alternativa maravilhosa! Jesus Cristo pagou o
preço pelos seus pecados por meio de sua morte na cruz. Pelo
milagre da sua ressurreição, resgatou-o da destruição eterna. Você
pode apoiar-se em sua fé para receber o dom gratuito da nova vida.
Jesus pôs as Boas-Novas assim: “Porque Deus amou o mundo de
tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele
que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).
É simples assim mesmo. Se você escolher arrepender-se do seu
pecado e receber o dom da salvação por meio da fé em Jesus
Cristo, será perdoado e receberá dEle a vida eterna.
Jesus o ama e anseia por uma amizade com você. Quando se
ajoelha diante de Cristo e passa algum tempo com Ele em oração,
aproxima-se dEle e leva alegria ao céu. Se você não tem esse tipo
de relacionamento com Jesus, convido-o a oferecer a oração a
seguir, nesta noite. Intimidade no casamento inicia-se com
intimidade com o Senhor. Para todo o ser humano que convida
Jesus para o seu coração, este é o momento em que a vida
verdadeira começa!

Deus, sou um pecador necessitado de ti. Não posso


viver da maneira correta ou esperar pela vida eterna por
mim mesmo. Por favor, perdoe os meus pecados. Creio
que Jesus Cristo é teu único Filho. Tu o enviaste para
morrer em meu lugar e libertar-me do pecado. Muito
Princípio nº 2

Um Compromisso para Toda a Vida


Assim, eles já não são dois, mas, sim, uma só carne.
Portanto ninguém separe o que Deus uniu.
Mateus 19.6

Voltemos ao nosso painel de seiscentos experts em casamento.


Se a primeira recomendação deles para o sucesso no casamento foi
um lar cristocêntrico, qual foi a segunda?
Ainda foi mais um conceito elementar, qual seja, o amor
comprometido. Aqueles casais viveram o bastante para saber que é
comum um compromisso conjugal fraco levar ao divórcio. Um dos
participantes escreveu:

O casamento não é uma terra de conto de fadas, cheia


de encantamento. Você pode, porém, insistir até criar um
oásis de amor no meio de um mundo cruel e fincar os seus
pés lá.

Um outro disse:
A perfeição não existe. Vocês devem entrar nos
primeiros anos de casamento com uma licença de aprendiz
para exercitarem-se em suas incompatibilidades. Isso é um
esforço contínuo.
Esses pontos de vista não parecem exatamente românticos,
parecem? No entanto, carregam a sabedoria da experiência. Duas
pessoas não são compatíveis só porque se amam e são ambas
cristãs. Muitos jovens acreditam que aquele mar de rosas que
caracterizou o momento inicial do namoro durará para sempre. Não
creia nisso! Seria ingênuo esperar que dois indivíduos únicos e com
vontade própria encaixassem-se de um modo fácil, como duas
máquinas. Mesmo engrenagens têm uma série de rodas dentadas,
com suas bordas ásperas, que precisam ser afiadas antes de
funcionarem em conjunto.
Esse processo de afiação, em geral, acontece nos primeiros anos
de casamento. Nessa época, é normal acontecer uma luta
dramática por poder na relação. Quem será o líder? Quem será o
seguidor? Quem determinará como gastar o dinheiro? Quem
conseguirá impor o seu jeito quando houver discordância? Tudo
está disponível para quem quiser agarrar no começo, e essas
decisões iniciais prepararão o cenário futuro.

Se ambos os parceiros entrarem na relação


preparados para a batalha, a fundação
começará a se espatifar.

É aí que mora o perigo. Abraham Lincoln disse, citando Jesus:


“Uma casa dividida contra si mesma não pode permanecer de pé”.
(veja Marcos 3.25) Se ambos os parceiros entrarem na relação
preparados para a batalha, a fundação começará a se espatifar. O
apóstolo Paulo nos deu a perspectiva divina sobre as relações
humanas, não apenas no casamento, mas em todas as outras áreas
da vida. Escreveu: “Nada façam por ambição egoísta ou por
vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si
mesmos”. (Fp 2.3)
Esse único versículo contém mais sabedoria do que a maioria dos
manuais de casamento juntos. Se prestassem atenção a ele, o
divórcio poderia ser praticamente eliminado do catálogo da vivência
humana — nada mal, considerando-se que mais de um milhão de
casamentos terminam nos Estados Unidos por ano.1 Se vocês
querem que seja diferente com o seu, incito-os a comprometerem-
se agora a “fincar os seus pés lá” juntos, durante a fase de
recémcasados, a meia idade do casamento e os seus anos
dourados.

Como Persistir em meio ao Sofrimento


Posso dizer que não há melhor modelo de compromisso
abnegado e incondicional do que o de Robertson McQuilkin. Em seu
livro A promise kept (“Uma promessa cumprida”), ele relata como foi
servir como presidente de um bem-sucedido seminário e de uma
faculdade bíblica em Carolina do Sul por mais de 20 anos. Sua
mulher, Muriel, apoiou-o de várias maneiras, inclusive como uma
excelente cozinheira e anfitriã quando recebiam convidados da
faculdade em casa. Eram um verdadeiro time ministerial.
Então a saúde de Muriel fragilizou-se. Os exames confirmaram os
receios de seu médico: ela estava com o mal de Alzheimer. Com o
tempo, foi perdendo suas habilidades, e Robertson, ficando cada
vez mais responsável pelas suas necessidades básicas, o que
incluía alimentar, dar banho e vestir sua mulher.
Com as necessidades de Muriel aumentando, e sem nenhuma
mudança em suas tarefas na faculdade, Robertson encarou uma
difícil decisão: “será que ele deveria internar sua esposa em algum
asilo? Ele amava o seu trabalho e sentia que Deus o havia chamado
para servi-lo como Reitor da faculdade. Também sabia que colocar
Deus em primeiro lugar em sua vida significava que “todas as
responsabilidades dadas por Deus também vêm em primeiro lugar”.
Décadas antes, fizera uma promessa diante do Senhor de amar,
acalentar e cuidar de Muriel, e sabia que Deus esperava que ele
continuasse honrando a palavra dada. Enfim, ficou fácil decidir.
Renunciou ao cargo, de modo que pudesse cuidar melhor de sua
mulher. Era a sua vez de servir a ela em humildade.2
Diferente de muitas pessoas hoje, ficou claro para Robertson
McQuilkin o significado de compromisso. Uma vez que o corpo e a
mente de sua mulher deterioraram-se sem esperança de cura, ele,
de boa vontade, abandonou o trabalho e o ministério dos quais
gostava e que havia trabalhado duro para construir. Ela precisava
dele, e ele estaria ao lado dela, mesmo que ela não pudesse lhe dar
nada em troca, nem mesmo um racional “obrigada”. Isso, em toda a
sua magnificência e dor, é o que significa o amor.
Existem poucas certezas comuns a todos nós nesta nossa
existência mortal, mas uma delas é que, como os McQuilkins, nós
também experimentaremos sofrimento e pressão. Ninguém fica
ileso. A vida será severa a testarnos, se não em nossa juventude,
em nossos dias finais, por meio dos acontecimentos que nos
envolverem. Jesus falou sobre essa fatalidade, quando disse aos
seus discípulos: “No mundo tereis tribulações; mas tende bom
ânimo, eu tenho vencido o mundo.” (Jo 16.33, Sociedade Bíblica
Britânica – SBB) O meu pastor coloca isso desta maneira: “Há duas
categorias de pessoas no mundo: aquelas que estão sofrendo e
aquelas que vão sofrer”.
O Dr. Richard Selzer é um cirurgião que já escreveu diversos
livros excelentes sobre seus amados pacientes, incluindo Mortal
lessons (“Aprendendo com a morte”) e Letters to a young doctor
(“Cartas a um jovem médico”). No primeiro, ele descreve a
experiência de horror que invade a vida de alguém mais cedo ou
mais tarde. “Quando somos jovens,” — diz — “parecemos blindados
contra isso pelo modo como o corpo é protegido contra infecções
bacterianas”. Somos rodeados por organismos microscópicos, no
entanto as defesas de nossos corpos mantêm-nos afastados com
sucesso, pelo menos por um tempo. Da mesma forma, todos os
dias, passeamos por um mundo de horrores sem sermos
contaminados, como se cercados por uma membrana protetora
impermeável. Podemos nem nos dar conta de que há a
possibilidade de uma desgraça em meio à boa saúde da juventude,
contudo, um dia, sem avisar, essa membrana se rompe, e o horror
se infiltra em nossas vidas. Até esse momento, era sempre o
infortúnio de uma outra pessoa, a tragédia de um outro homem, e
não a nossa. O rompimento dessa membrana pode ser devastador,
em especial para os que não conhecem o “bom ânimo” que Cristo
nos dá em tempos de tribulação.
Por ter trabalhado em uma grande faculdade de medicina, por 14
anos, observei maridos e mulheres nas horas em que o horror
começou a penetrar suas membranas protetoras. Era demasiado
comum que suas relações fossem destruídas pelas novas tensões
que invadiam as suas vidas. Pais de uma criança com retardo
mental, por exemplo, com frequência culpavam um ao outro pela
tragédia que os confrontava. Em vez de se agarrarem um ao outro
em amor e tranquilidade, aumentavam seu sofrimento ao se
atacarem. Não os culpo por essa falha humana, mas tenho dó
deles. Um ingrediente básico faltava nos seus relacionamentos, sem
se perceber até o rompimento da membrana: o componente
essencial, o compromisso.
Alguns anos atrás, ouvi o finado Dr. Francis Schaeffer falar sobre
esse problema. Ele descreveu as pontes europeias construídas
pelos romanos nos séculos I e II d.C.. Elas estão de pé até hoje, a
despeito de terem sido construídas de tijolo e argamassa sem
nenhum reforço. Por que não caíram nesta era de caminhões e
equipamentos pesados? O motivo pelo qual não caem é que são
usadas apenas para pedestres. Se um caminhão de 18 rodas
passasse por cima de suas estruturas históricas, elas se
estilhaçariam em uma grande nuvem de poeira e escombros.
Casamentos onde falta uma determinação ferrenha para ficarem
juntos a qualquer custo são frágeis como aquelas pontes romanas.
Parecem seguros e de fato podem permanecer erguidos até que
sejam submetidos a uma forte pressão. É quando a costura rasga e
a fundação desmorona. A mim, parece que a maioria dos casais
jovens de hoje estão nessa posição incrivelmente vulnerável. Seus
relacionamentos foram construídos de barro sem nenhum reforço,
que não suportará as pesadas provações que os aguardam adiante.
A determinação de sobreviverem juntos simplesmente não está lá.
O que você fará então, quando crises inesperadas descerem
sobre o seu lar, ou quando o seu casamento parecer vacilante e
frio? Desistirá dele? Vai fazer bico e chorar e buscar um jeito de
retaliar? Ou o seu compromisso aguentará firme? É preciso lidar
com essas perguntas agora, antes que Satanás tenha uma
oportunidade de colocar o seu laço do desânimo em volta do seu
pescoço. Proteja a sua mandíbula e cerre os seus punhos para a
luta. Nada menos que a morte deve ter permissão para se colocar
entre vocês dois. Nada!
Emoções: não se Pode Confiar nelas
Um compromisso de amor, tão crítico para o sucesso de qualquer
casamento, é necessário não apenas para as grandes tragédias da
vida, mas também para as frustrações diárias que desgastam uma
relação. Essas coisas irritantes menores, quando acumuladas ao
longo do tempo, podem ser ainda mais ameaçadoras ao
relacionamento do que eventos catastróficos. E, sim, senhores, há
momentos em todo bom casamento em que marido e mulher não se
gostam tanto. Há até ocasiões em que sentem como se nunca mais
fossem amar seu parceiro de novo.
O problema está nessa palavra “sentir”. O sentimento de amor é
simplesmente efêmero demais para mantê-los juntos numa relação
por muito tempo. Ele vem e vai. Emoções são assim. Elas se
esvaziam às vezes, como um pneu de automóvel com um prego
fincado em sua superfície — andar sobre a roda é uma experiência
um tanto quanto chacoalhante para todo mundo a bordo.

O sentimento de amor é simplesmente


efêmero demais para mantê-los juntos
numa relação por muito tempo.

A instabilidade das emoções lembra-me da piada do casamento


entre um advogado do ramo de contratos e sua noiva. Quando o
ministro da cerimônia chegou à parte dos votos, recitou: “Aceita esta
mulher na alegria? Na tristeza? Na riqueza? Na pobreza? Na
doença? E na saúde”? E ficou chocado ao ouvir o noivo responder:
“Sim. Não. Sim. Não. Não. E sim.”.
Numa outra cerimônia de casamento, desta vez real, os noivos
fizeram votos de ficarem casados enquanto continuassem a se
amar. Vamos esperar que ambos tenham bons advogados na área
de divórcio, porque vão precisar deles. Relacionamentos com base
em sentimentos são passageiros, sem exceção. As emoções são,
na verdade, mentirosas inveteradas que, com frequência,
confirmarão nossos piores medos na falta de provas. Até o jovem e
o corajoso podem ser enganados pelas falcatruas das emoções
fugazes.
Não estou negando a importância dos sentimentos nas relações
humanas. De fato, aqueles que se isolaram tanto ao ponto de não
mais terem sentimentos são indivíduos nada saudáveis. Devemos
compreender, todavia, que as emoções não são confiáveis e, às
vezes, são tirânicas. Nunca deveríamos nos deixar dominar por
elas.
Esse princípio é entendido assim desde os tempos bíblicos.
Lemos em 2 Coríntios 10.5 que devemos “levar cativo todo
pensamento, para torná-lo obediente a Cristo”. Muito claro, não? E
considere Gálatas 5.22: “mas quando o Espírito Santo controlar as
nossas vidas, Ele produzirá em nós esta espécie de fruto: amor,
alegria, paz, paciência, benevolência, retidão, fidelidade, bondade,
mansidão e domínio próprio” (BV). Esses são chamados os frutos
do Espírito, e têm início a partir do último atributo da lista, o
exercício do autocontrole.
Uma das evidências da maturidade emocional e espiritual é a
habilidade — e a vontade — de deixar de lado sentimentos
efêmeros e usar a razão para comandar o nosso comportamento.
Isso o fará resistir quando quiser fugir; guardar a língua quando
quiser gritar; economizar quando quiser gastar; ser fiel quando
quiser flertar; e colocar o bem-estar do seu companheiro acima de si
mesmo. Essas são ações maduras que não ocorrem quando
sentimentos tendenciosos, caprichosos e duvidosos estão no
comando. Emoções são importantes num relacionamento, com
certeza, mas devem ser apoiadas na vontade e num compromisso
para toda a vida.
Uma vez tentei expressar esse meu pensamento para a minha
mulher em um cartão de aniversário de casamento:

À minha querida esposinha, Shirley, no nosso oitavo


aniversário de casamento
Tenho certeza de que você se lembrará das muitas e
muitas vezes nestes nossos oito anos de casamento em
que a maré do amor e do afeto atingiu a crista da onda...
Tempos em que o nosso sentimento um pelo outro era
quase sem limites. Uma emoção intensa assim não pode
ser provocada quando se quer, mas, com frequência,
acompanha um período de especial felicidade. Sentimos
isso quando me ofereceram meu primeiro cargo na
carreira. Quando a criança mais preciosa do mundo veio
para casa, da enfermaria da maternidade do Hospital
Huntington. Quando a Universidade da Carolina do Sul
decidiu graduar-me doutor. Mas as emoções são
estranhas! Sentimos a mesma proximidade quando tipos
de eventos opostos a esses aconteceram, quando perigo e
desastre entraram em nossas vidas. Sentimos uma
proximidade intensa quando um problema de saúde
ameaçou adiar os planos do nosso casamento. Quando
você foi hospitalizada no ano passado. Eu senti isso forte
quando me ajoelhei sobre sua forma inconsciente depois
de um acidente de carro desastroso.
Estou tentando dizer o seguinte: tanto a felicidade quanto
o perigo trazem aquela admiração e aquele afeto
irresistíveis pelos nossos queridos amores. A verdade,
porém, é que a maior parte da vida não é feita nem de
desastres nem de alegrias fora do normal. Em vez disso, é
composta por rotina, calma, acontecimentos cotidianos nos
quais tomamos parte. Nesses períodos, desfruto um amor
calmo e sereno que, na verdade, ultrapassa de muitas
maneiras aquela demonstração esfuziante. Talvez não seja
tão exuberante, mas é profundo e sólido. Sinto-me firme
nesse tipo de amor neste oitavo aniversário. Hoje sinto a
afeição calma e segura que vem de um coração devotado.
Estou comprometido com você e a sua felicidade, agora
mais que nunca. Quero continuar sendo o seu amado.
Quando os acontecimentos nos juntarem
emocionalmente, desfrutaremos daquele arrepio e daquele
entusiasmo romântico. No entanto, na rotina da vida, como
hoje, meu amor permanece irredutível.
Feliz aniversário de casamento, minha esposa
maravilhosa!
Seu Jim

“Prometo...”
Pode-se definir o amor de umas dez mil maneiras, mas, no
casamento, “eu te amo” significa, na verdade: “eu prometo estar do
seu lado, todos os meus dias”. É uma promessa que diz: “estarei
com você quando perder seu emprego, sua saúde, seus pais, sua
beleza, sua confiança, seus amigos”. É uma promessa que diz ao
seu companheiro: “vou engrandecer você, ignorar suas fraquezas,
perdoar os seus erros, colocar as suas necessidades acima das
minhas, permanecer ao seu lado mesmo quando as coisas ficarem
difíceis”.
Esse tipo de certeza irá mantê-los firmes através dos altos e
baixos da vida, “na alegria e na tristeza”. Quando você cumpre a
promessa contida no “eu te amo”, atende à ordem do nosso Senhor,
presente nas Escrituras: “Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’”
(Mt 5.37).

“Eu te amo” significa na verdade: “Eu prometo


estar do seu lado, todos os meus dias.”

O nosso Pai celestial tem demonstrado ao longo dos tempos que


cumpre as suas promessas, inclusive a mais importante de todas:
reservar um lugar no céu para cada um dos seus seguidores, por
toda a eternidade. Se Deus cumpre a sua promessa, nós devemos
cumprir a nossa também, em especial aquela feita diante dEle, da
nossa família, dos nossos amigos e da nossa igreja, no dia do nosso
casamento.
Espero que você me perdoe por compartilhar mais algumas
palavras ditas por um homem, expressando esse tipo de
compromisso com uma mulher. Setenta anos atrás, o meu pai,
James Dobson, falou estas palavras à sua noiva (minha futura mãe),
depois de ela ter aceito se tornar sua esposa:

Quero que conheça e entenda os meus sentimentos a


respeito da aliança de casamento que estamos prestes a
fazer. Aprendi desde criança, em harmonia com a Palavra
de Deus, que os votos do casamento são invioláveis, e
que, ao fazê-los, estarei me comprometendo totalmente e
por toda a vida. A ideia de me separar de você pelo
divórcio, seja qual for a razão — embora Deus permita
uma, o adultério —, nunca passará pela minha cabeça.
Não estou sendo ingênuo, pelo contrário. Tenho plena
consciência da possibilidade, por menos provável que
pareça agora, de que uma incompatibilidade entre nós ou
outras circunstâncias imprevistas poderão causar um
sofrimento psicológico extremo. Se for esse o caso, estou
decidido, de minha parte, a aceitar isso como
consequência do compromisso que estou fazendo agora e
a sustentar isso, se necessário, até o fim das nossas vidas
juntos.
Tenho amado você profundamente como minha
namorada e continuarei a amá-la como minha mulher, mas,
muito mais que isso, amo você no amor de Cristo. Isso me
obriga a jamais fazer algo contra você que ponha em risco
nossos planos de irmos para o céu, o objetivo supremo de
nossas vidas. Oro para que o próprio Deus faça o nosso
afeto um pelo outro perfeito e eterno.

James e Myrtle Dobson desfrutaram de um casamento amoroso,


comprometido e pleno, que começou em 1935 e terminou com a
morte dele em 1977. Nunca vacilaram nenhum momento, em todos
esses anos. Se você entrar em seu casamento com essa
determinação, também estabelecerá um relacionamento sólido e
recompensador que durará uma vida inteira. O seu compromisso de
um com o outro fará ainda mais do que possibilitar ao seu
casamento durar até o fim. Ele estabelecerá o fundamento essencial
de confiança, requisito para a verdadeira intimidade em qualquer
relação. Falaremos mais sobre confiança no próximo capítulo.
Princípio nº 3

Uma Profunda Confiança que Une


O amor... tudo crê...
1 Coríntios 13.6,7

Desde o início da relação e, com certeza, ao longo de todo o


casamento, todos nós, todos os dias, encaramos uma questão
crucial: confio ou não no meu companheiro? Podemos nem nos dar
conta de que nos fazemos essa pergunta, mas, mesmo assim, a
maneira como a respondemos tem tudo a ver com o nível de
intimidade com o nosso parceiro que enfim tenhamos atingido. Os
relacionamentos fundados sobre medo e insegurança nunca
alcançarão o seu potencial, mas os casamentos com base na
confiança e na segurança crescerão.
Vez ou outra, a maioria de nós já sentiu alguma ansiedade acerca
do comprometimento de nossos cônjuges, seja por uma ameaça
real ao relacionamento seja por nossa própria insegurança e
imaginação. Como cristãos, sabemos que podemos confiar de modo
inequívoco no Senhor, mas de modo absoluto e inquestionável em
nossos esposos? Isso pode ser mais difícil de dar. A verdade é que
isso deve ser ganho com o tempo, palavra por palavra, ato por ato.

Como Construir Confiança com Palavras


Você se diverte zombando de seu marido ou sua mulher? Quando
estão entre amigos, de vez em quando revela algum segredo
embaraçoso do outro?
Uma das chaves para construir confiança é tomar grande cuidado
para não magoar ou envergonhar aqueles que amamos. Algumas
informações são particulares e devem permanecer assim, pois,
quando um parceiro revela segredos de família indiscriminadamente
ou fala alguma ofensa sem disfarçar, isso quebra os laços de
lealdade do casal e viola a confiança.
Se você já esteve em alguma festa onde viu alguém brincar de
“matem a esposa”, sabe do que estou falando. O objetivo é simples:
um dos participantes tenta punir a sua companheira ao ridicularizá-
la na frente dos amigos. Se quiser ser ainda mais maldoso, deixa os
convidados saberem que a acha burra e feia. É um jogo brutal, sem
vencedores. A disputa termina quando sua esposa já não tiver mais
nem um pingo de respeito próprio e dignidade, e ele ainda ganha
bônus se conseguir fazê-la esvair-se em lágrimas.
Parece cruel? E é, mesmo quando disfarçado de uma piada ou
brincadeira. Nunca é divertido assistir a alguém despejar sua raiva
em seu companheiro desse jeito. Somos muito mais sensíveis aos
comentários dos nossos parceiros quando na presença de nossos
semelhantes. É um jogo de palavras que nunca deve ser jogado.
Esteja atento também a outro tipo de pegadinha: usar a
oportunidade de compartilhar suas experiências diárias para criar
insegurança e ganhar poder sobre o outro. Conheci o presidente de
uma empresa, jovem e bonito, que contava à sua esposa, todos os
dias, sobre as mulheres solteiras do escritório que flertavam com
ele. Sua franqueza era admirável, mas além de não somente
colocar pressão sobre o seu compromisso com a sua esposa, ele
estava ainda dizendo (conscientemente ou não): “é melhor tratarme
bem, porque há muitas mulheres lá fora só esperando para porem
as mãos em mim”. Ela passou a ficar preocupada sobre como
conseguiria segurar o marido.
Ele deveria ter refletido sobre os seus reais motivos para alarmar
a sua mulher. Será que compartilhar esse tipo de coisas estimulava
ou prejudicava a amizade e a confiança entre eles? Por sua vez, ela
poderia ter mudado o rumo da conversa, mostrando ao seu marido,
de um modo calmo e amistoso, como se sentia com as palavras
ditas por ele.
Como Construir Confiança com Ações
As palavras e a forma como são usadas são importantíssimas,
mas o modo mais seguro de estabelecer a confiança no casamento
é por meio das suas ações. Construa um repertório de escolhas e
feitos que prove ao seu parceiro que ele pode confiar em você, o
tempotodo, em especial no que se refere ao trato com o sexo
oposto.

Construa um repertório de escolhas e feitos que


prove ao seu parceiro que ele pode confiar em
você o tempo todo.

Da minha parte, posso dizer que nunca pensei em trair a Shirley.


Só pensar que poderia magoá-la e dar chance à ira de Deus já era
mais que o suficiente para eu ficar na linha. Além disso, nunca
destruiria aquilo de tão especial que havíamos compartilhado por
todos aqueles anos.
Casamentos com base nesse mesmo tipo de compromisso,
porém, ainda são alvos de Satanás. Ele preparou uma armadilha
para mim em um período de especial vulnerabilidade. Shirley e eu
tínhamos pouco tempo de casados quando tivemos uma pequena
confusão. Não foi grande coisa, mas ficamos muito irritados na
época. Peguei o carro e dirigi por cerca de uma hora, para esfriar a
cabeça. Então, quando estava voltando para casa, uma mulher
bastante atraente passou de carro por mim e sorriu. Era claro que
estava flertando comigo. Depois, reduziu a velocidade, olhou para
trás e virou em uma transversal. Eu sabia que era um convite para
segui-la. Não mordi a isca. Apenas fui para casa e fiz as pazes com
a Shirley.
Mais tarde, contudo, pensei no quanto Satanás foi perverso ao
tirar vantagem daquele conflito momentâneo entre nós. As
Escrituras se referem a ele como um “leão rugindo, buscando a
quem possa devorar” (1 Pe 5.8 - SBB). Entendo o quão verdadeira
essa descrição de fato é. Ele sabia que a melhor oportunidade de
estragar o nosso relacionamento era naquela uma hora ou duas em
que nós estávamos brigados. Típico da sua estratégia.
Ele armará uma armadilha para vocês também, e é provável que
seja quando estiverem vulneráveis. Um fruto bonito, atraente,
proibido será oferecido a vocês quando a sua fome for imensa. Se
forem tolos o bastante para apanhá-lo, seus dedos afundarão na
polpa podre que está por trás. É assim que o pecado opera nas
nossas vidas. Promete tudo, mas não entrega nada além de
desgosto e mágoa. Alguém disse isso assim: “tudo de que você
precisa para conseguir a mais bela plantação de ervas daninhas é
uma pequenina rachadura na sua calçada”.

Cerque a sua Casa


Como fazer, então, para evitar que apareçam rachaduras nas
calçadas dos nossos casamentos? Bem, o jeito mais seguro de
evitar um caso é fugir da tentação assim que ela o confrontar. O
escritor Jerry Jenkins se referiu a essa determinação de preservar a
pureza moral como a construção de cercas em torno do casamento,
de modo que a tentação nunca tenha chance. Você deve adotar
medidas para se proteger e aumentar a confiança de seu
casamento ao mesmo tempo.
Para construir essa cerca ao redor do seu lar, converse com o seu
parceiro sobre interações com o sexo oposto, e estabeleçam
diretrizes sensatas, que respeitem os sentimentos e as
necessidades de ambos. Alguns casais cortam almoçar, pegar
caronas ou viajar com colegas de trabalho, conversar sozinhos a
portas fechadas ou trabalhar como um casal em um projeto.
Cheguem a um acordo sobre o que ambos consideram razoável e
cumpram-no. Se você se deparar com uma situação sobre a qual
não tenham discutido, converse com o seu cônjuge antes. Se ele
não estiver confortável com isso, não faça. Dê ouvidos às
inquietações do outro. Deus lhes fez “uma só carne” por um bom
motivo.
Pode ser inofensivo demonstrar um pouco de simpatia por alguém
do sexo oposto, mas evite cruzar a linha do flerte. Pergunte a si
mesmo: Será que meu esposo ficaria confortável se visse esta
minha interação com a outra pessoa? Será que o meu
comportamento ganharia confiança ou levantaria suspeitas sobre os
meus motivos?
A princípio, pode parecer estranho pedir autorização para
participar de atividades que parecem completamente inocentes. No
entanto, quando acontecer o contrário e for a vez de o seu parceiro
lhe pedir autorização, então você descobrirá quão maravilhoso é o
conforto que isso traz.
Preste atenção aos sinais de que você pode estar suscetível a ter
um caso. Uma vez, o Dr. Merville Vincent escreveu um artigo para o
Christian Medical Society Jounal (“Revista da Sociedade Médica
Cristã”), o qual descrevia como os médicos ou qualquer outra
pessoa em posição de autoridade podem cair em uma armadilha da
tentação.3
No cenário do Dr. Vincent, uma mulher infeliz em seu casamento
ou uma jovem divorciada visita o seu médico em busca de
tratamento. Ela pode estar se sentindo assustada e desprotegida. O
médico, por sua vez, parece confiante, forte e atencioso e pode
resolver o seu problema de saúde. Ela lhe diz que o acha
maravilhoso. Ele logo concorda.
O médico, ao mesmo tempo, tem seus próprios problemas em
casa. Talvez em razão das horas que passa trabalhando, a sua
carência não é suprida pela sua esposa, a qual também pode estar
cansada de se doar para esse homem que pouco faz para tentar
atender às necessidades dela de um marido e um pai participativo.
Assim ela põe mais carga sobre ele em casa, e ele se sente
desmerecido. De repente, a sua jovem paciente passa a ficar cada
vez mais atraente.
É a receita do desastre. O primeiro sinal de alarme é quando o
marido (ou a mulher) começa a sentir que a sua paciente (ou cliente,
ou colega) o admira mais e gosta mais dele do que a sua esposa e
a sua família. O sinal seguinte é quando ele (ou ela) arruma um jeito
de passar mais tempo com o novo alvo do seu interesse e menos
em casa. Nesse ponto, um caso está só a um passo de distância.
Segundo o Dr. Vincent, essa situação complicada pode ser
evitada se os casais perceberem que a infidelidade se desenvolve a
partir de necessidades não supridas, tanto do marido, quanto da
mulher e da terceira parte envolvida. Deveriam entender que
atender às necessidades daqueles que dependem deles por meio
do sexo, em vez de melhorar, piora ainda mais a situação. Deveriam
ainda compreender que um modo seguro de prevenir um caso
extraconjugal é cada parceiro colocar as necessidades do outro
acima das suas próprias. Eu concordo. É inegável que uma atitude
de serviço e sacrifício edifica o casamento.
Uma última advertência acerca da tentação: insisto para que
sejam cautelosos com o orgulho sobre sua própria infalibilidade. A
partir do momento em que se começa a pensar que um caso “nunca
aconteceria comigo”, torna-se mais vulnerável. Somos criaturas
sexuais com necessidades poderosas. Também somos seres
caídos, com o forte desejo de errar. E tentação é isso. Não dê
espaço para ela em sua vida. O meu pai certa vez escreveu: “Um
forte desejo é como um rio poderoso. Desde que permaneça no leito
da vontade de Deus, tudo continuará correto e puro. Se, porém, ele
transbordar, haverá devastação correnteza abaixo”.
Há algum tempo, descobri uma característica humana pouco
reconhecida, mas universal: valorizamos aquilo que temos a sorte
de conseguir e desabonamos aquilo que não conseguimos!
Ambicionamos tudo o que está fora do nosso alcance e
desdenhamos a mesma coisa quando passa a ser nossa para
sempre.4 Isso ajuda a explicar o incrível poder de sedução que a
infidelidade pode exercer sobre o nosso comportamento. Apesar
disso, Deus nos promete dar um escape da tentação se
procurarmos (1 Co 10.13). Continue buscando a saída e você
construirá a confiança no seu casamento.

A Confiança Começa em Deus


Claro, mesmo no melhor dos casamentos, é possível que maridos
e mulheres errem e quebrem a confiança do outro. Essa é a razão
por que devemos confiar no poder de Deus, não no nosso, se
esperamos ter intimidade no casamento. Somente quando maridos
e mulheres comprometem-se a viver de acordo com os preceitos de
Deus é que desenvolvem entre si um laço de confiança profundo e
duradouro. Podemos entregar nossos corações com confiança ao
nosso cônjuge quando sabemos que ele está buscando de verdade
seguir Deus e suas diretrizes.
Apenas confiar na fidelidade de Deus nos dá a coragem de nos
abrirmos e ficarmos vulneráveis, conscientes de que podemos nos
machucar. No filme Terra das sombras, de 1993, C. S. Lewis amava
uma mulher que morreu de modo prematuro. A morte dela causou-
lhe uma dor intensa, que o fez questionar se deveria ter se deixado
importar tanto com ela. Na última cena, chegou à conclusão de que
temos duas opções na vida. Podemos nos permitir amar e se
importar com os outros, o que nos torna suscetíveis a doenças,
morte ou rejeição. Ou podemos nos proteger e recusar-se a amar.
Lewis decidiu que é melhor sentir e sofrer do que passar pela vida
isolado, ilhado e solitário. Concordo veementemente.
Sim, confiar em seu companheiro é arriscado, todavia a plenitude
que a intimidade genuína dá faz o risco valer a pena.
Princípio nº 4

Boa Vontade para se Comunicar


Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas
também dos interesses dos outros.
Filipenses 2.4

A arte da comunicação não é natural para a maioria de nós.


Algumas pessoas simplesmente não gostam muito de falar. Outras
falam sem parar e não dizem nada, na verdade. No entanto, quando
se trata de casamento, a comunicação é uma das chaves para a
intimidade. Aqueles que dominam essa habilidade estão propensos
a desfrutar de um relacionamento íntimo, pleno e frutífero. Aqueles
que não conseguem se entender, porém, muitas vezes se sentem
distantes e solitários. Isso é o que mais leva ao divórcio.
Uma das razões básicas para os problemas de comunicação no
casamento é a diferença fundamental entre os sexos. Estudos
deixam claro que a maioria das meninas é abençoada com uma
capacidade linguística maior do que a da maioria dos meninos, e
isso é um talento para toda a vida. Isto é, ela fala mais do que ele.
Como adulta, é normal que ela expresse melhor os seus
sentimentos e pensamentos do que o seu marido e fique quase
sempre irritada com a reticência dele. Deus deve ter dado a ela
umas 50 mil palavras por dia e apenas 25 mil ao seu marido [ou
talvez seja só impressão]. Ele chega do trabalho tendo dito ou
apenas grunhido umas 24975 mil palavras até a noite. Desce para o
futebol das segundas-feiras, enquanto a sua mulher está morrendo
de ansiedade por gastar as suas 25 mil palavras remanescentes.
Uma colunista, ao comentar sobre essa tendência masculina, até
propôs que se baixasse um decreto determinando que, se um
homem assistisse a 168 mil jogos de futebol em uma única
temporada, ele fosse declarado morto [os favoráveis digam “sim”].
A complexidade da personalidade humana garante exceções a
toda generalização. No entanto, qualquer conselheiro conjugal bem
informado sabe que a inaptidão ou falta de vontade dos maridos
para revelar os seus sentimentos às suas mulheres é uma queixa
comum entre elas. Isso pode ser declarado quase como uma
verdade absoluta: mostre-me um marido quieto e reservado, e eu
lhe mostrarei uma mulher frustrada. Ela quer saber o que ele está
pensando, o que aconteceu no trabalho, como ele vê os filhos, e, o
mais importante, o que sente por ela. Ele, ao contrário, prefere que
algumas coisas não sejam ditas. É um conflito clássico.
O paradoxo é que uma mulher muito emocional e verbal algumas
vezes se transforma em um tipo duro e silencioso. Ele parecia tão
seguro e no controle de tudo antes de se casarem. Ela admirava a
sua natureza serena e a sua frieza diante de uma crise. Até que se
casaram e o outro lado da sua grande força ficou óbvio: ele não
conversaria. Assim, pelos 40 anos seguintes, ela rangeu os dentes
de raiva porque o seu marido não poderia lhe dar o que precisava
dele. Simplesmente não era ele.
Uma vez, li a carta abaixo (modificada para proteger a identidade
de quem a escreveu), a qual representa outras milhares que recebi:

Caro Dr. Dobson,


Li seu livro What wives wish their husbands knew about
women (“O que as mulheres gostariam que seus maridos
soubessem sobre mulheres”). Infelizmente, não consegui
fazer com que meu marido o lesse, e isso me causou um
problema. É difícil de verdade comunicar-me com ele
quando tenho que competir com televisão, crianças e
trabalho. Nas refeições, um momento que deveria servir
para conversarmos, ele tem que ouvir o Paul Harvey news
no rádio. Ele não está em casa para o jantar, porque
trabalha no turno das 15h às 23h. Eu realmente gostaria
que ele ouvisse o seu programa Focus on the family, mas
ele não fará isso...

Outra mulher entregou-me o seguinte bilhete depois de ouvir-me.


Ele fala em poucas palavras o que outros expressaram em muitas:

Poderia discutir sobre isso, por favor? [Meu marido]


chega em casa, lê o jornal, janta, fala ao telefone, assiste à
TV, toma um banho e vai dormir. É uma rotina diária
constante. Nunca muda. Aos domingos, vamos à igreja e
depois voltamos para casa. Tiramos uma soneca, e então
já é manhã de segunda-feira, volta ao trabalho de novo.
Nossa filha tem nove anos, e nós não conversamos, e a
vida está passando rápido nessa rotina monótona.

Posso ouvir alguns de vocês falando: “Se as mulheres querem


que seus maridos dediquem mais tempo à conversa e ao convívio
com elas, por que simplesmente não lhes dizem isso”? Na verdade,
elas dizem, sim. Mas os maridos — e, algumas vezes, as mulheres
— é que, com frequência, têm dificuldade de ouvir essa mensagem.
Isso me lembrou uma noite em que meu pai pregava em um culto
de rua que estava mais cheio de gatos e cachorros do que de gente.
Durante o sermão, um gato de rua grande decidiu tirar um cochilo
na plataforma. Foi inevitável. Meu pai deu um passo para trás, e seu
salto acertou em cheio a cauda do bichano. O gato literalmente
enlouqueceu, esfregando e arranhando a esmo para tirar aquele
1,90m de gente de cima da sua cauda. Meu pai, porém, devia estar
preocupado com a pregação e nem notou a confusão. Sob os seus
pés estava um animal em pânico, rasgando buracos no carpete e
gritando por misericórdia, mas o salto não se movia. Papai depois
disse ter pensado que os guinchos vinham dos freios dos
automóveis numa esquina próxima de lá. Quando ele enfim tirou o
pé de cima do gato, ainda sem perceber a comoção, o bicho
disparou feito um foguete.
Essa história tipifica muitos casamentos modernos. A esposa está
gritando e arranhando a esmo e contorcendose de dor, mas o
marido está alheio à sua dor. Ele está preocupado com os seus
próprios pensamentos, sem perceber que um único passo para a
esquerda ou para a direita poderia aliviar a crise. Não paro de me
surpreender com o quanto um homem pode ficar surdo numa
situação dessas.

Ideias Erradas sobre Casamento


Esse dilema desconcertante — um companheiro que nunca fala
nem ouve — está relacionado a outro problema comum, cuja origem
está na infância.
Nossa cultura, de forma sutil, ensina às meninas que o casamento
é uma experiência romântica de uma vida inteira; que maridos
amorosos são totalmente responsáveis pela felicidade de suas
mulheres; que uma boa relação entre um homem e uma mulher
deveria ser o bastante para satisfazer todos os seus desejos e
necessidades; e que qualquer tristeza ou depressão que uma
mulher tenha é culpa do seu marido — ou, pelo menos, ele tem o
poder para acabar com isso, desde que se importe o bastante. Em
outras palavras, muitas mulheres americanas chegam ao
casamento com expectativas românticas irreais, que com certeza
serão destruídas. Esse tipo de ensinamento não apenas prepara
uma noiva para o desapontamento e a confusão no futuro, como
também põe uma pressão enorme sobre o noivo para dar o
impossível.
Infelizmente, também ensinaram ao homem da casa algumas
ideias erradas durante a sua formação. Ele apren deu, talvez com o
pai, que a sua única responsabilidade é prover o sustento material
de sua família. Deve ter um negócio ou uma carreira e ser bem-
sucedido a todo custo, escalando os degraus do sucesso, e
alcançando um padrão de vida sempre ascendente como prova de
sua masculinidade. Nunca lhe ocorreu ter que suprir a sua mulher
emocionalmente. Pelo amor de Deus! Se ele paga as contas da
casa e é um marido fiel, o que mais uma mulher poderia querer? Ele
simplesmente não entende o que ela quer.
É inevitável que essas concepções batam de frente durante os
primeiros anos do casamento. O jovem John está lá fora,
competindo feito um louco no mercado de trabalho, acreditando que
os seus sucessos automaticamente agradarão sua mulher. Para sua
surpresa, ela não só nem nota, como ainda parece não gostar do
trabalho que o afasta dela. “Faço isso por você, meu amor” — ele
diz. Diane não se convence.
Primeiro, ele tenta conformá-la. Outras vezes, se aborrece e eles
brigam feio, numa luta de palavras. Na manhã seguinte, ele se sente
péssimo por causa dessas discussões. Aos poucos, a sua
personalidade começa a mudar. Ele odeia entrar em atrito com a
sua mulher e afasta-se como uma forma de evitar isso. O que ele
mais precisa do seu lar (como a maioria dos homens) é de
tranquilidade. Desse modo, encontra maneiras de escapar. Lê o
jornal, vê televisão, trabalha na sua loja, vai pescar, corta a grama,
joga golfe, trabalha na sua escrivaninha, vai jogar bola — qualquer
coisa para sair do caminho de sua esposa hostil.
Isso a acalma? Nem um pouco! É ainda mais enfurecedor ter a
sua raiva ignorada. Aqui está ela, gritando por atenção e
esbravejando a sua hostilidade pelos defeitos do marido. E o que
ele faz em troca? Esconde-se. Fica mais calado. Foge. O ciclo
torna-se vicioso. Quanto mais ela demonstra raiva contra a falta de
envolvimento dele, mais ele se afasta. Isso inflama ainda mais a
hostilidade dela. Ela disse tudo o que havia a dizer e não obteve
resposta. Agora, sente-se impotente e desrespeitada. Todas as
manhãs ele sai para o trabalho, onde pode socializar-se, porém ela
está presa nesse estado de privação emocional.
Claro, se ambos os cônjuges trabalharem, ou se for a mulher o
arrimo da família, então essa dinâmica muda. No entanto, as
necessidades fundamentais — em especial, para a mulher — de
compartilhamento e intimidade no casamento permanecem. A
despeito das circunstâncias, se um dos parceiros sentir-se
negligenciado por um longo tempo, ele pode começar a buscar
maneiras de magoar o outro como resposta. Quando uma relação
está deteriorada a esse ponto, a ideia de intimidade com o
companheiro parece tão estranha quanto uma visita vinda de Marte.
Sei que pintei um quadro nada esperançoso das formas comuns
como a comunicação pode ruir nos casamentos. Se você se
reconhecer em qualquer um dos cenários anteriores, não perca as
esperanças, porém. Todos nós podemos melhorar a comunicação
nos nossos relacionamentos apelando para soluções consagradas
pelo tempo.

Como Restaurar o Fluxo de Informação


Para o marido e a mulher que acham que o fluxo de informação
entre eles está bloqueado, a palavra de ordem é ceder. Mesmo um
homem reticente por natureza tem a clara responsabilidade de
“alegrar a mulher que tomou” (Dt 24.5). Ele não se pode declarar
uma pedra, que nunca mais se permitirá ser vulnerável de novo. Em
vez disso, deve forçar-se a abrir o coração e partilhar seus
sentimentos mais profundos com a sua mulher.
Deve-se reservar um tempo para conversas significativas.
Caminhar, sair para um café da manhã, andar de bicicleta nas
manhãs de sábado são novas oportunidades para conversas que
poderão ajudar a manter o amor vivo. A comunicação pode ocorrer
mesmo nas famílias onde o marido é introvertido, e a mulher,
extrovertida. Nesses casos, creio que a responsabilidade primária
por ceder recai sobre o marido.
Compartilhar às vezes se estende a assuntos difíceis. Se você for
o encarregado pelas finanças familiares e, por acidente ou tolice,
esvaziou a conta bancária, não esconda isso, deixe o seu cônjuge
saber. Se alguém o assediar sexualmente no trabalho, conte para o
seu parceiro, mesmo que seja desconfortável. Conforme forem
trabalhando juntos para resolver problemas assim, ficarão mais
íntimos.

Deve-se reservar um tempo para


conversas significativas.
Se você revelar seus sentimentos mais profundos com
honestidade e pureza de propósitos e sempre reafirmar o seu
compromisso com o seu casamento, seu cônjuge passará a ser o
seu mais precioso confidente, protetor, conselheiro e amigo.
Uma técnica extremamente útil para os casais que buscam
melhorar a sua comunicação é a ilustração com palavras, descrita
por Gary Smalley e John Trent em seu livro The language of Love
(“A linguagem do amor”). Em um de seus exemplos, um professor
do Ensino Fundamental e treinador de futebol americano chamado
Jim chegava à sua casa, todas as noites, muito cansado até mesmo
para conversar com a sua esposa, Susan. Isso a deixava frustrada e
aborrecida. Enfim, ela lhe contou uma história sobre um homem que
saiu para tomar café da manhã com os seus colegas treinadores.
Comeu seu omelete preferido e depois juntou as migalhas e colocou
num saco. Mais tarde, foi almoçar com outros amigos e pediu uma
torta de tender de peru com bastante salada. De novo, juntou as
migalhas numa sacola “para viagem”. À noite, quando voltou para
casa, entregou à sua esposa e aos seus filhos os pequenos sacos
de sobras.
“É desse jeito que me sinto quando você chega à nossa casa sem
nada mais para dar”, Susan disse. “Tudo o que recebemos são
sobras. Estou aguardando para curtir uma refeição com você,
esperando por um tempo para conversarmos e rirmos e conhecer
um ao outro, ansiosa por me comunicar com você da mesma
maneira como faz com os rapazes, mas tudo o que recebemos são
‘sacolas para viagem’. Meu bem, você não vê isso? Não precisamos
de sobras. Precisamos de você.”
A ilustração de Susan marejou os olhos de Jim e levou a boas
mudanças no seu casamento.5 Você também deve concordar que
uma ilustração fácil de se imaginar é mais eficaz em atrair a atenção
do seu marido do que um monte de palavras agressivas.
Outra ferramenta de comunicação defendida pelos escritores e
conselheiros Chuck e Barb Snyder é a “prontaescuta”,6
fundamentada na seguinte passagem das Escrituras: “sejam todos
prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se” (Tg 1.19).
Depois de um desentendimento, marido e mulher sentam juntos
para esclarecer seus sentimentos quanto ao assunto. O detalhe é
que o outro cônjuge não pode interromper. Os parceiros podem
fazer esse esforço e continuar discordando, contudo, ao darem a
sua opinião e ouvirem com toda a atenção um ao outro, aumentarão
as suas chances de se entenderem e se tornarem melhores amigos.

Felicidade é um ímã fantástico para a


personalidade humana.

Para a mulher que se vê atacando um marido que não reage e


afastando-o, há um método para movê-lo em sua direção.
Consegue-se isso deixando de pressioná-lo. Recuando um pouco.
Evitando as velhas queixas e acusações. Elogiando-o pelo que ele
faz certo e por ser divertido estar com ele. A felicidade é um ímã
fantástico para a personalidade humana.
Algumas vezes é preciso inserir um certo mistério no
relacionamento, a fim de atrair um cônjuge que está afastado. Um ar
de autoconfiança e independência é muito mais eficaz para atrair a
atenção do que um ataque de frente.
Lembro-me de ter aconselhado uma jovem inteligente, que
chamarei Janet. Ela veio a mim porque achava que o seu marido
estava deixando de gostar dela. Frank parecia entediado em casa e
se recusava a levá-la para sair. Nos finais de semana, ele saía para
velejar com os seus amigos, a despeito das queixas amarguradas
da sua mulher. Ela vinha implorando a sua atenção por meses, mas
continuava recebendo cada vez menos.
Admiti a hipótese de a Janet estar invadindo o espaço do Frank,
portanto primeiro precisaria retomar o desafio que o fizera querer se
casar com ela. Assim, sugeri que ela se voltasse para si mesma,
parasse de procurá-lo quando ele estivesse em casa, agendasse
algumas atividades pessoais sem depender da disponibilidade dele,
etc. Ao mesmo tempo, insisti para que não desse muita explicação
sobre o porquê de a personalidade dela ter mudado. Ela foi instruída
a não demonstrar raiva nem descontentamento, para deixar o Frank
chegar às suas próprias conclusões sobre o que ela estaria
pensando. O meu objetivo era mudar o quadro de referência dele.
Em vez de ele pensar: “como posso fugir dessa mulher que está me
enlouquecendo?”, queria que ele pensasse: “O que está
acontecendo? Estou perdendo a Janet? Fui longe demais? Será que
ela encontrou outra pessoa”?
Os resultados foram espantosos. Cerca de uma semana depois
que a mudança de comportamento foi instituída, eles ficaram juntos
em casa à noite. Depois de várias horas de conversa sem graça e
bocejos, Janet disse ao seu marido que estava cansada e queria ir
para a cama. Deu-lhe um “boa noite” apático e foi para o quarto.
Cerca de meia hora depois, Frank escancarou a porta e ligou a luz.
Começou a fazer amor com ela com paixão e depois disse que não
conseguia mais suportar a barreira que havia se posto entre eles.
Era a mesma barreira da qual Janet havia se queixado por meses. A
sua abordagem era tão desgastante que o estava afastando dela.
Quando ela mudou a direção, Frank também deu meia-volta no seu
caminhão. É quase sempre assim que acontece.

Aceite o que não Tem Solução


Mesmo se todas essas técnicas forem empregadas, porém,
algumas pessoas — em geral as esposas — vão descobrir que se
casaram com alguém que nunca conseguirá expressar-se
totalmente ou compreender as necessidades que descrevi. Sua
estrutura emocional torna impossível para ele compreender os
sentimentos e a frustração do outro — em particular as típicas do
sexo oposto. Esse marido não leria um livro como este ou ficaria
aborrecido se o fizesse. Nunca lhe fora requerido “dar” e não faz
ideia de como é isso. Então como deve ser a reação da sua mulher?
O que fazer se o seu marido não tem o entendimento necessário
para ser o que você precisa que ele seja?
Meu conselho é que você mude o que puder ser alterado,
explique o que puder ser compreendido, ensine o que puder se
aprendido, revise o que puder ser melhorado, resolva o que puder
ser resolvido e negocie o que tiver espaço para concessões. Crie o
melhor casamento possível com as matérias-primas trazidas por
esses dois seres humanos imperfeitos, com duas personalidades
distintas e únicas. Para as arestas que nunca serão aparadas e as
falhas que nunca desaparecerão, no entanto, tente desenvolver a
melhor perspectiva possível e determine-se a aceitar a realidade
exatamente como é. O primeiro princípio de uma saúde sadia é
aceitar o que não pode ser mudado. Você poderia partir-se em
pedaços com facilidade nas circunstâncias adversas que estivessem
além do seu controle. Você pode determinar-se a aguentar firme ou
render-se à covardia. A depressão é, com frequência, um sinal de
rendição emocional.
Alguém escreveu:

A vida não pode me dar alegria e paz;


eu é que devo querê-las.
A vida só há de me dar tempo e espaço;
eu é que devo enchê-los.

Pode aceitar o fato de que o seu marido nunca será capaz de


atender às suas necessidades e aspirações? É muito raro um ser
humano satisfazer todo anseio e toda expectativa do outro. Claro,
essa moeda tem dois lados: você tampouco pode ser a sua mulher
perfeita. Ele não é mais equipado para resolver todo o seu pacote
de necessidades emocionais do que você é para ser a sua sonhada
máquina sexual 24 horas por dia. Ambos os parceiros têm que
aceitar as fraquezas humanas e os defeitos e a irritabilidade e o
cansaço e as dores de cabeça noturnas eventuais. Um bom
casamento não é aquele em que a perfeição impera, é um
relacionamento em que uma perspectiva saudável supera uma
vastidão de problemas sem solução. Graças a Deus, a minha
esposa, Shirley, adotou essa postura comigo!
Princípio nº 5

A Compreensão do Amor
O amor... Suas brasas são fogo ardente,
são labaredas do Senhor.
Cantares de Salomão 8.6

Nunca me esquecerei do primeiro dia dos namorados do meu


casamento, seis meses depois de Shirley e eu atravessarmos o
corredor da igreja. Foi meio desastroso. Eu havia ido à biblioteca da
Universidade naquela manhã e passado de oito a dez horas
vasculhando livros e jornais empoeirados. Tinha fugido de vez da
minha mente que dia era.
O que era pior, estava alheio aos preparativos que estavam sendo
feitos na minha casa. Shirley havia preparado um jantar
maravilhoso, assado um bolo em forma de coração rosa com a
frase: “Feliz Dia dos Namorados” em cima, colocado várias velas
vermelhas na mesa, embrulhado um presentinho que havia
comprado para mim e escrito uma cartinha de amor em um cartão.
O palco estava armado. Ela me encontraria na porta da frente com
um beijo e um abraço... Mas lá estava eu, sentado do outro lado da
cidade de Los Angeles, feliz por não ter a menor noção da
tempestade que se armava à minha frente.
Umas 8 horas da noite tive fome e pedi um hambúrguer no
University Grill. Depois de comer, fui passeando até onde o meu
Volks estava estacionado e peguei o caminho de casa. Então cometi
um erro terrível, do qual me arrependeria por muitas luas: parei para
visitar os meus pais, que moravam perto da estrada. Mamãe me
cumprimentou com muito carinho e serviu um grande pedaço de
torta de maçã. Aquilo selou o meu destino.
Quando, enfim, pus minha chave na porta às 10 horas, soube
logo que alguma coisa estava muito errada (sou muito perspicaz
para sutilezas como essa). O apartamento estava escuro e num
silêncio de morte. À mesa havia um jantar coalhado, ainda
acomodado nas nossas melhores louças. Velas queimadas até a
metade pairavam frias e apagadas em seus candelabros prateados.
Parecia que eu tinha esquecido algo importante, mas o quê? Então
notei a decoração vermelha e branca da mesa. Ah, não! — pensei.
Assim, fiquei na meia-luz da nossa pequena sala de estar,
sentindo-me desprezível. Não tinha nem um cartão de dia dos
namorados, muito menos um presente carinhoso para a Shirley.
Nenhum pensamento romântico havia passado pela minha cabeça o
dia inteiro. Sequer podia fingir querer a comida já ressecada que
estava diante de mim. Depois de uma breve enxurrada de palavras
e algumas lágrimas, Shirley foi para a cama e cobriu-se até a
cabeça. Eu teria dado milhares de dólares por uma explicação
plausível, sincera para a minha distração, mas simplesmente não
havia nenhuma. Não ajudou dizer a ela: “Parei na mamãe para
comer uma torta de maçã muito boa. Estava maravilhosa. Você
devia ter estado lá”.
Por sorte, Shirley não é apenas uma dama romântica, mas é
também misericordiosa. Conversamos sobre a minha insensibilidade
mais tarde, naquela noite e chegamos a um entendimento. Aprendi
uma grande lição: o dia dos namorados e outras certas datas jamais
devem ser esquecidas. Uma vez que compreendi como a minha
mulher é diferente de mim, em especial quanto a tudo o que for
romântico, passei a dar mais atenção a isso.

A sua “chama” deve ser tratada com o maior dos


cuidados.
É essencial cultivar um ar de romance se for para a intimidade
crescer num casamento. No entanto, o romance entre marido e
mulher é efêmero. Como a chama de uma vela solitária queimando
ao vento, que pode facilmente tremular e morrer. A sua chama deve
ser tratada com o maior dos cuidados — no dia dos namorados e
em qualquer outro dia do ano.

“Eu Sou do meu Amado e ele É meu”


A palavra romance traz à memória diferentes imagens para cada
um de nós, e as nossas expectativas sobre o que constitui um
relacionamento romântico também variam. As mulheres tendem a
descrever romance como as coisas que seus companheiros fazem
para que elas se sintam amadas, protegidas e respeitadas. As
esposas, em especial aquelas casadas com homens ocupados,
anseiam pelos encontros românticos. Suspiram pelo encanto de
uma noite, quando encontrarão o seu amor verdadeiro do outro lado
de uma sala cheia e nunca mais se despedirão. Flores, elogios,
carinho não sexual e bilhetes de amor são passos nessa direção.
Ajudar no serviço doméstico também é. Um homem que divide as
tarefas de cozinhar, limpar e pegar as crianças depois de suas
atividades é muito mais suscetível a ganhar o afeto de sua mulher.
Os homens, por outro lado, confiam mais nos seus sentidos no
tocante ao romance. Eles gostam de uma mulher que se faça tão
atraente para ele quanto possível. Um homem quer ser respeitado
— e ainda melhor, admirado — pela sua esposa. Ele gosta de ouvi-
la expressar um interesse verdadeiro nas opiniões, nos
passatempos e no trabalho dele.
Talvez a descrição que melhor evoca o amor romântico seja a do
livro de Cantares de Salomão, onde vemos que ele envolve tanto
intimidade quanto excitação emocional: “O meu amado é meu, e eu
sou dele” (2.16) e “meu coração começou a palpitar por causa dele”
(5.4). Vemos ainda como um afeto profundo inspira desejo e total
admiração pelo outro: “Como você é linda, minha querida”! (4.1).
Aprendemos que ser romântico significa conquistar o objeto da
nossa afeição — e desejá-lo com ardor quando ele foge ao nosso
alcance: “A noite toda procurei em meu leito aquele a quem o meu
coração ama, mas não o encontrei” (3.1). E percebemos com que
poder uma demonstração pública comunica o amor romântico: “Ele
me levou ao salão de banquetes, e o seu estandarte sobre mim é o
amor” (2.4).
Embora romance possa significar diversas coisas diferentes para
cada um de nós, a maioria das palavras significa aquela sensação
maravilhosa de ser notado, desejado e conquistado — de ser o
centro da atenção do nosso amado. É típico que esse ar de
romance seja mantido pela maioria dos casais quando namorados
e, pelo menos, recém-casados. Com o passar dos anos, conforme
novas tarefas e responsabilidades vão se acumulando, contudo, é
muito frequente esse sentimento romântico começar a desvanecer-
se.

A Excitação da Conquista
Seja há poucos dias, semanas ou meses depois do casamento,
algo começa a acontecer àquele amor. Um homem e uma mulher
simplesmente parecem perder o vento que soprava o seu veleiro
romântico. Nem sempre isso acontece, mas é muito comum.
A sua situação lembra-nos a de marinheiros dos tempos das
caravelas. Os marujos daquela época tinham muito o que temer,
como piratas, tempestades e doenças, porém o seu maior medo era
que seu navio pudesse encontrar as calmarias. Elas eram uma área
do oceano, perto do Equador, caracterizada por ventos calmos e
com pouca variação. Isso poderia significar morte para toda a
tripulação. Esperavam durante dias, ou até semanas, por uma brisa
que os pusesse de volta ao seu curso, e isso esgotava o suprimento
de comida e água do navio.
Bem, os casamentos que alguma vez já foram excitantes e
amorosos podem também ser pegos na calmaria romântica,
provocando uma morte lenta e dolorosa do relacionamento,
entretanto não precisa ser assim. O escritor Doug Fields, em seu
livro Creative Romance (“Romance Criativo”), diz que “namorar e
ser romântico com o seu cônjuge pode mudar esses padrões e ser
muito divertido. Não existe uma solução rápida para um casamento
estagnado, é claro, mas é possível deixar de lado as desculpas e
começar a namorar o seu amado.7 Na verdade, você deveria
experimentar pensar como um adolescente de novo. Deixe-me
explicar.
Lembre-se por um momento da loucura dos seus dias de namoro
— os modos recatados, o flerte, as fantasias, a corrida pelo prêmio.
Uma vez que mudamos da corte para o casamento, a maioria de
nós achou que deveria crescer e deixar os joguinhos para trás. Só
que talvez não tenhamos amadurecido tanto quanto gostaríamos de
acreditar.
De alguma maneira, as relações românticas sempre trarão
consigo algo da sexualidade adolescente. Adultos ainda gostam da
excitação da conquista, da sedução do inatingível, da atração pelo
novo em contrapartida com o tédio do antigo. Os impulsos imaturos
são controlados e minimizados em um compromisso sério, mas
nunca desaparecem por completo.
Isso poderia ajudá-lo a trazer mais vitalidade ao seu casamento.
Quando as coisas estiverem meio passadas entre você e o seu
cônjuge, talvez você deva se lembrar de alguns velhos truques. Que
tal café da manhã na cama? Beijo na chuva? Reler aquelas cartas
de amor juntos? Uma noite numa pousada? Admirar as estrelas?
Preparar uma récita que você nunca tenha tentado antes? Um
telefonema no meio do dia? Uma rosa vistosa e um bilhete
romântico? Há dezenas de maneiras de fazer o vento soprar as
velas mais uma vez.
Recordo-me de uma ocasião — muitos anos depois daquele
infeliz dia dos namorados — na qual Shirley e eu exploramos o que
chamamos de nossos velhos fantasmas. Passamos um dia inteiro
juntos, começando com uma visita ao mercado público, por onde
passeamos quando jovens namorados. Depois almoçamos
calmamente no nosso restaurante favorito e conversamos sobre
fatos antigos. Em seguida, assistimos a uma peça teatral no
Pasadena Playhouse, onde fomos em nosso segundo encontro.
Mais tarde, comemos torta de cerejas com café no restaurante
Gwinn’s, um dos lugares preferidos dos casais de namorados.
Falamos de nossas lembranças gostosas e revivemos a alegria os
primeiros dias. Foi uma reprise maravilhosa.
Noutra vez, quando fiquei longe da Shirley e das crianças por
duas semanas, planejei uma surpresinha para ela. Pedi que
estivesse arrumada para jantarmos quando eu voltasse para casa.
Então liguei para a sua mãe e pedi-lhe que se preparasse para
passar a noite com as crianças, mas deixasse Shirley pensando que
elas voltariam para casa, mais tarde.
Depois de termos jantado e ido ao teatro naquela noite, fomos de
carro até um vilarejo no litoral, onde eu havia feito reservas num
hotel. Shirley não se deu conta até que abri a porta e convidei-a
para vir comigo. Aquela noite ainda é uma das nossas melhores
recordações. (Veja, aprendi mesmo algumas coisas ao longo dos
anos!)

Aproveitem juntos o seu próprio modelo


exclusivo de
romance.

Mesmo quando o orçamento está apertado, só estar junto com o


seu companheiro já pode reacender o amor. Tudo o que é preciso é
um pouco de esforço e uma certa criatividade. Converse com ele,
pergunte-lhe o que traria mais excitação ao seu casamento e
renovaria o interesse. Então aproveitem juntos o seu próprio modelo
exclusivo de romance.

Como Amar um Homem


Tem-se falado muito nas últimas décadas sobre a
responsabilidade masculina de reconhecer a necessidade de
romance que sua esposa tem. Isso está certo. No entanto, o que a
mulher deveria fazer para um homem de modo a comunicar-lhe de
uma forma mais clara o seu amor por ele? Em poucas palavras, ela
pode construir a confiança dele.
Esse papel vital é melhor ilustrado por uma das minhas histórias
favoritas contadas pelo meu amigo, E. V. Hill. O Dr. Hill foi um
ministro do evangelho dinâmico, pastor presidente da Igreja Batista
Missionária em Mount Zion, Los Angeles. Ele perdera a sua
preciosa esposa, Jane, para um câncer, havia poucos anos. Numa
das mensagens mais emocionantes que já ouvi, ele falou sobre
Jane em seu funeral e descreveu as formas como essa mulher
elegante transformou-o num homem melhor.
Como um pastor jovem, precisou batalhar e teve dificuldades para
ganhar a vida. Isso o levou a investir os parcos recursos da família,
sob os protestos de Jane, na compra de um posto de combustível.
Ela achava que seu marido estava perdendo tempo e experiência ao
inspecionar o seu investimento, o que provou estar correto. Enfim, o
posto faliu e E. V. perdeu as próprias calças no negócio.
Foi um tempo difícil na vida desse jovem homem. Ele havia
falhado em algo importante, e a sua esposa teria razão de dizer-lhe
“eu o avisei”. A intuição de Jane, contudo, compreendia a
vulnerabilidade do marido. Assim, quando E. V. telefonou para lhe
contar que havia perdido o posto, ela disse simplesmente: “Tudo
bem”.
Ele foi para casa achando que encontraria a sua esposa de cara
feia por causa do seu investimento insensato. Em vez disso, ela se
sentou ao seu lado e disse: “Estive pensando... Você não fuma nem
bebe. Se fumasse e bebesse, teria gasto tanto quanto perdeu no
posto. Logo são seis numa mão e meia-dúzia na outra. Vamos nos
esquecer disso”.
Ela poderia ter destruído a confiança do seu marido naquela
conjuntura delicada. O ego masculino é surpreendentemente frágil,
em especial em tempos de fracasso e vergonha. Eis o porquê de E.
V. precisar ouvir dela: “Ainda acredito em você”, e esta foi
exatamente a mensagem que ela lhe transmitiu.
Pouco depois do fiasco com o posto de gasolina, E. V. chegou à
sua casa certa noite e encontrou-a escura. Quando abriu a porta, viu
que Jane havia preparado um jantar à luz de velas para dois.
— O que tu pretendes com isto? — ele falou com seu humor
característico.
— Bem, — ela respondeu — vamos comer à luz de velas nesta
noite.
Ele achou uma grande ideia e foi ao banheiro, lavar as mãos.
Tentou acender a luz sem sucesso. Foi então para o quarto e
apertou outro interruptor. A escuridão prevalecia. O jovem pastor
voltou à sala de jantar e perguntou a Jane porque estavam sem
energia. Ela começou a chorar.
— Você trabalhou tanto, e estamos nos esforçando, — disse —
mas está muito difícil. Não tive dinheiro o bastante para pagar a
conta de luz. Não queria que você soubesse, portanto pensei que
iríamos apenas jantar à luz de velas.
Dr. Hill citou as palavras de sua mulher com intensa emoção: “Ela
poderia ter dito: ‘Nunca estive numa situação assim antes. Fui
educada na casa do Dr. Caruthers, e nunca tivemos a nossa luz
cortada’. Ela poderia ter abatido o meu moral, ter me arruinado, ter
me desmoralizado. Em vez disso, disse: ‘De uma forma ou de
outra,teremos essas luzes ligadas, mas hoje vamos comer à luz de
velas”’.
Jane Hill deve ter sido uma senhora incrível. Dos seus muitos
dons e qualidades, o que mais me impressiona é a sua consciência
do seu papel no apoio e fortalecimento do seu marido. E. V. Hill
tornou-se um líder cristão poderoso. Quem teria acreditado que ele
precisava de sua esposa para construir e preservar a sua
confiança? No entanto, é desse jeito que os homens foram feitos. A
maioria de nós é um pouco inseguro no seu íntimo, em especial no
início da fase adulta, e precisa de amor como qualquer um.

A Arte de Fazer Amor


Quando marido e mulher alcançam a verdadeira intimidade, é
claro, vão naturalmente desejar compartilhar seus sentimentos
românticos no nível mais profundo. Pelo projeto de Deus, uma das
maneiras mais prazerosas de expressar seu profundo amor e sua
admiração é por meio da bênção divina da intimidade sexual.
Alguns diriam que “fazer sexo” e “fazer amor” são uma coisa só e
a mesma coisa, mas há uma diferença importante entre elas. O ato
físico do intercurso pode ser realizado por quaisquer membros do
Reino Animal, com seus devidos pares. A arte de fazer amor,
porém, como Deus imaginou, é uma experiência muito mais
significativa e complexa. É física, emocional e espiritual. No
casamento, não devemos aceitar nada menos do que uma relação
sexual que seja expressa não apenas corpo a corpo, mas também
coração a coração e alma a alma. Essa união íntima, dois se
tornando uma só carne, é tanto o símbolo como o fruto do amor
romântico genuíno, que vem do coração, entre marido e mulher.
A síntese do profundo amor romântico, incluindo a intimidade
sexual, só pode ser expressa dentro do vínculo indestrutível do
matrimônio. Já lemos algumas das ilustrações de romance feitas por
Salomão. Cantares de Salomão termina com essa eloquente
descrição da conexão entre dois amantes casados: “O amor é tão
forte quanto a morte, e o ciúme é tão inflexível quanto a sepultura.
Suas brasas são fogo ardente, são labaredas do Senhor” (8.6).

A síntese do profundo amor romântico, incluindo


a intimidade sexual, só pode ser expressa dentro
do
vínculo indestrutível do matrimônio.

Esse amor ardente, romântico e sexualmente íntimo não se


alcança da noite para o dia. Desenvolve-se entre um homem e uma
mulher durante um processo chamado vínculo conjugal. Esse
vínculo faz menção à aliança emocional que une um home e uma
mulher para a vida e os torna intensamente importantes um para o
outro. Isso é o que há de especial que faz dois enamorados
destacaremse entre todos os outros casais na face da Terra. Isso é
a bênção de Deus de uma companhia íntima.
Como esse vínculo conjugal ocorre? Segundo uma pesquisa do
Dr. Desmond Morris, é mais provável que esse vínculo se
desenvolva entre aqueles que se moveram sistemática e
calmamente por meio de 12 passos durante a corte e o começo do
casamento. Eles começam com a conexão visual, depois progridem
para o diálogo, e então para vários estágios de toque sem
conotação sexual, até, enfim, os últimos quatro estágios
distintamente sexuais e privados — e reservados ao casamento —,
que culminam no intercurso.8
O que a pesquisa de Morris mostra é que a intimidade deve
acontecer devagar se for para um relacionamento homem-mulher
atingir o seu potencial máximo. Quando duas pessoas sentem um
amor profundo uma pela outra e estão comprometidas por uma vida,
em geral desenvolveram uma grande capacidade de compreensão
entre si, que seria considerado insignificante para qualquer outro.
Elas compartilham incontáveis memórias só delas, desconhecidas
pelo resto do mundo. É daí, em grande parte, que se origina a
sensação de ser especial para o outro. Quando o intercurso sexual
ocorre antes dos passos que o deveriam ter precedido, é provável
que a mulher, em especial, sintase usada e abusada.
Se vocês forem casados e, agora, ressentem-se de terem
caminhado muito rápido rumo à intimidade física, não é tarde
demais para voltar ao princípio e redescobrir um ao outro de nova
maneira. Desconheço melhor forma de se aproximar da pessoa que
se ama. Tocar e conversar e segurar as mãos e olhar nos olhos um
do outro e construir recordações são, com frequência, as melhores
formas de revigorar uma vida sexual entediada e renovar a
intimidade.
De fato, os homens, em particular, seriam sábios ao reconhecer
que, em razão das importantes diferenças emocionais e fisiológicas
entre homens e mulheres, o desejo sexual de uma mulher é
despertado por meio desse tipo de comportamentos relacionais. A
menos que uma mulher sinta certa proximidade com o seu marido, a
menos que acredite no seu respeito por ela enquanto pessoa, pode
não ser capaz de apreciar um encontro sexual com ele. Um homem
pode contribuir de modo incomensurável para o prazer sexual de
sua mulher — enquanto aumenta o seu próprio — ao dar tempo e
atenção para suas necessidades emocionais. Ele deveria dedicar
muito tempo para o romance fora da cama. Deveria entender que a
fadiga é um inibidor sexual e ajudar sua esposa a encontrar
oportunidades de recuperação física e emocional. E será ricamente
recompensado se fizer tudo o que puder para edificar a autoestima
dela. A forte conexão entre o senso de valor próprio e a capacidade
de responder aos estímulos sexuais significa que qualquer coisa
que o homem faça para reduzir a autoestima de sua mulher será
provavelmente traduzida em problemas no quarto. Já respeito e
apoio aumentarão a sua autoconfiança e levarão a uma vida sexual
plena.9
O Senhor estabeleceu a instituição do matrimônio e nos deu a
bênção da intimidade física como uma forma de expressar amor
entre marido e mulher. Como projetado por Ele, a relação sexual no
casamento é muito mais do que algo não planejado ou um método
para garantir a procriação. Quando caracterizado por respeito
mútuo, carinho e afeto, é a demonstração definitiva do amor
profundo, romântico entre um homem e uma mulher. É também a
cola que mantém a união do casamento.
Não importa como você define e expressa o romance — por meio
de flores, bilhetes apaixonados, uma noite no quarto ou todas as
alternativas anteriores —, ele é um ingrediente vital para alcançar a
intimidade genuína e duradoura no seu casamento. Se você tiver o
cuidado de nutrir e proteger a chama do romance no seu
relacionamento, desfrutará o seu aconchego pelo resto da vida.
Epílogo

Neste pequeno livro, vimos muitos aspectos da intimidade no


casamento. Espero que você agora tenha uma compreensão mais
profunda da complexidade e da fragilidade de um relacionamento de
coração para coração com o seu companheiro. Também oro para
que tenha descoberto conselhos bíblicos e práticos e ajuda
verdadeira nestas páginas. Embora a intimidade não seja algo fácil
de ser alcançado ou mantido, posso falar por experiência própria
que construir uma relação próxima com o “amor da sua vida” é uma
das coisas mais gratificantes que você poderá vivenciar nesta Terra.
Sempre serei grato por Deus ter me levado à Shirley, e ela a mim.
Na esperança de que isso vá encorajá-lo, deixo-lhe este retrato da
intimidade de que eu e minha esposa desfrutamos durante nossos
44 anos de casamento. É uma carta que escrevi num encontro de
casais do qual participamos há muito tempo. Naquela semana,
descobrimos uma fonte secreta de tensão que a Shirley não havia
verbalizado e que eu não sabia que existia. Tinha a ver com as
mortes recentes de oito membros de nossa pequena família, já
idosos, dos quais seis eram homens. Minha mulher havia observado
como os que ficavam se esforçavam para lidar com a vida sozinhos
e as implicâncias assustadoras da repentina viuvez. Como ela e eu
estávamos já nos nossos quarenta e poucos anos, ela estava
preocupada, em silêncio, com a possibilidade de me perder — e
esperando saber o que seria daqui por diante. Minha amada esposa
também estava se perguntando: “Sei que o Jim precisou de mim
quando éramos jovens e ele estava batalhando para se estabelecer
profissionalmente, mas será que eu ainda tenho algum lugar
importante no seu coração”?
Simplesmente ninguém se senta para discutir assuntos delicados
como esse, ao vivo, na correria e no tumulto do dia a dia. Eles são
guardados conosco até (e se) aparecer uma oportunidade de os
expressarmos. Para mim e Shirley, isso aconteceu no encontro de
casais. No comecinho do fim de semana, trabalhamos a
possibilidade da minha morte. Depois, na última manhã, o problema
do meu amor ininterrupto por ela havia sido enterrado.
Shirley estava sozinha no nosso quarto de hotel, expressando sua
preocupação secreta numa carta escrita para mim. Por direção
divina, tenho certeza, eu também estava num outro quarto, tratando
do mesmo assunto, apesar de não havermos combinado. Quando
nos reencontramos e renovamos o nosso compromisso para o
futuro, o que quer que ele nos reservasse, Shirley e eu
experimentamos
um dos momentos mais emocionantes das nossas vidas. Isso foi
o ápice dos nossos 21 anos juntos, e nenhum de nós jamais
esquecerá.
Embora isso requeira de mim dividir uma declaração bastante
pessoal entre mim e a minha mulher, gostaria de terminar com uma
porção da carta que lhe escrevi naquela manhã memorável. Pularei
os detalhes mais íntimos, citando apenas as lembranças que me
ligavam à minha noiva.

Quem mais divide as lembranças da minha juventude,


durante a qual as fundações do amor foram lançadas?
Pergunto-lhe, quem mais poderia ocupar o lugar reservado
para a única mulher que estava lá quando me formei na
faculdade, e fui para o Exército, e voltei como estudante
para Universidade da Carolina do Sul, e comprei meu
primeiro carro decente (e logo destruí), e escolhi com você
uma aliança de casamento não muito cara (e paguei por
ela com títulos de capitalização do governo), e oramos e
agradecemos a Deus pelo que tínhamos? Então recitamos
os votos do casamento, e meu pai orou: “Pai, o Senhor nos
deu Jim e Shirley quando crianças para amarmos e
cuidarmos e criarmos por um tempo, e, nesta noite, nós os
devolvemos ao Senhor, depois de nosso trabalho de amor
— não como dois indivíduos distintos, mas como um”! E
todos choraram.
Depois partimos para a lua de mel e gastamos todo o
nosso dinheiro, e voltamos para casa — um apartamento
cheio de arroz e um sino sobre a cama —, e estávamos só
começando. Você dava aulas para o segundo ano, e eu,
para um bando de alunos do sexto ano (e amei fazer isso),
e havia um aluno em especial chamado Norbert, e ganhei
meu diploma de mestre e fui aprovado para o doutorado, e
compramos nossa primeira casinha, e reformamos, e
arranquei todo o mato e enterrei em um buraco de três
metros, que depois afundou e ficou parecido com duas
covas no jardim de frente de casa — e enquanto espalhava
a terra para fazer um novo gramado, “plantei” por acidente
oito milhões de sementes de freixo e descobri, duas
semanas mais tarde, que tínhamos uma floresta crescendo
entre a nossa casa e a rua.
Em seguida, para piorar, você nos deu nossa
primeiríssima filha, e morremos de amor por ela, e demos-
lhe o nome de Danae Ann, e construímos um quarto no
nosso pequeno bangalô, e mobiliamos aos poucos. Então
entrei para o Hospital Infantil, e fui bem lá, mas ainda não
tinha dinheiro suficiente para pagar a mensalidade da
universidade e outras despesas, assim vendemos (e
comemos) um Volkswagen. Aí ganhei um diploma de
doutor, e choramos e agradecemos a Deus pelo que
tínhamos.
Em 1970, trouxemos para casa um menininho e demos-
lhe o nome de James Ryan, e morremos de amor por ele, e
ficamos sem dormir por seis meses. E trabalhei em um
manuscrito cujo título era “Ouse (alguma coisa)” ou outro e
quase caímos para trás diante da enxurrada de reações
ora favoráveis, ora nem tanto, e recebemos um pequeno
cheque de pagamento dos direitos autorais e achamos que
fosse uma fortuna, e entrei para a Escola de Medicina da
Universidade da Carolina do Sul e fui bem lá.
Logo me vi andando de um lado para o outro nos
corredores do Hospital Memorial de Huntington, enquanto
uma equipe de neurologistas sisudos examinava o seu
sistema nervoso em busca de evidências de um tumor no
hipotálamo, e orei e implorei para que Deus me permitisse
completar a minha vida com a minha melhor amiga, e Ele,
enfim, disse “sim, por enquanto”, e choramos e
agradecemos a Ele pelo que tínhamos. E compramos uma
nova casa e de pronto a quebramos em pedacinhos e
fomos esquiar em Vail, Colorado e quebramos a sua perna
em pedacinhos, e liguei para a sua mãe para falar do
acidente e ela me quebrou em pedacinhos, e o nosso
bebê, Ryan, quebrou a cidade de Arcadia inteira em
pedacinhos. E a obra na casa parecia que duraria para
sempre, e você ficava na sala de estar quebrada e chorava
todo sábado à noite, porque havia sido concluído muito
pouco. Assim, durante a pior parte da bagunça, cem
amigos deram-nos uma festa surpresa de inauguração da
casa nova e caíram por cima do entulho, da lama, da
serragem, das tigelas de cereais e dos pedaços de
sanduíches — e na manhã seguinte você sussurrou e
perguntou: “Isso aconteceu mesmo”?
E publiquei um livro chamado Hide or seek e todos o
chamaram “Hide and seek",* e o editor nos enviou para o
Havaí, e ficamos na varanda apreciando a baía, e
agradecemos a Deus pelo que tínhamos. E publiquei What
wives wish..., e as pessoas gostaram, e choveram elogios,
e chegaram pedidos de palestras às centenas.
Então você foi submetida a uma cirurgia de risco, e eu
disse: “Senhor, agora não”! E o médico falou: “nada de
câncer”!, e choramos e agradecemos a Deus pelo que
tínhamos. Depois comecei um programa de rádio, e tirei
uma licença do Hospital Infantil, e abri um pequeno
escritório em Arcadia chamado Focus on the Family, o qual
mais tarde foi chamado Poke us in the Family por um
ouvinte de três anos de idade, e ganhamos visibilidade.
Em seguida, fomos para Kansas City, para umas férias
em família, e, no último dia, o meu pai orou e disse:
“Senhor, sabemos que não pode ser sempre maravilhoso
como está sendo agora, mas agradecemos pelo amor de
que desfrutamos hoje”. Um mês depois, ele sofreu aquele
ataque do coração, e, em dezembro, eu disse adeus ao
meu gentil amigo, e você me abraçou e disse: “Estou
sofrendo com você”! e eu chorei e respondi: “Amo você”! E
convidamos a minha mãe para passar seis semanas
conosco enquanto se recuperava, e nós três amarguramos
o Natal mais solitário das nossas vidas, com a cadeira
vazia e o lugar a menos na mesa, lembrando-nos do suéter
vermelho que ele usava, e do dominó, e das maçãs, e da
pilha de livros sofisticados, e de um cãozinho chamado
Benji, o qual sempre sentava no colo dele. No entanto, a
vida continuou. Com muita dificuldade, mamãe juntou os
seus cacos sem poder, e perdeu sete quilos, e mudou-se
para a Califórnia, e ainda sentia a dor da perda do seu
companheiro.
E mais livros foram escritos, e mais elogios chegaram, e
ficamos mais conhecidos, e a nossa influência se espalhou,
e agradecemos a Deus pelo que tínhamos. E a nossa filha
virou uma adolescente, e esta grande autoridade em
crianças soube que não era adequado para aquilo, e viu-se
pedindo a Deus para ajudá-lo com a assustadora tarefa de
ser pai, e Ele o fez, e nós agradecemos a Ele por
compartilhar a sua sabedoria conosco.
E então um cãozinho chamado Siggie, que era tipo um
daschshund, ficou velho e banguela, e tivemos que deixar
o veterinário fazer o serviço, e uma amizade de 15 anos
entre homem e cachorro teve fim em um ganido. Mas uma
filhote de nome Mindy apareceu na nossa porta, e a vida
seguiu. A essa altura, inúmeros filmes foram produzidos
em San Antonio, Texas, e o nosso mundo virou de cabeça
para baixo à medida que fomos postos em evidência, e
“Poke us in the family” expandiu em novas direções, e a
vida ficou bem mais atribulada e mais agitada, e o tempo
ficou mais precioso, e enfim alguém nos convidou para um
fim de semana num encontro de casais, onde me encontro
sentado agora.
Então sou eu que pergunto a você! Quem vai tomar o
seu lugar na minha vida? Você se tornou eu e eu me tornei
você. Somos inseparáveis. Agora, são 46% da minha vida
passados com você, e mal consigo me lembrar dos outros
54%! Nem uma das experiências que acabei de listar
podem ser compreendidas por alguém, senão pela mulher
que passou por elas comigo. Esses dias se foram, porém o
seu aroma perdura nas nossas mentes. E após cada
evento ao longo desses 21 anos, as nossas vidas ficaram
mais entrelaçadas — misturadas até virarem, enfim, esta
afeição incrível que nutro por você hoje.
Seria algum espanto o fato de eu ser capaz de ler o seu
rosto como se fosse um livro quando estamos no meio da
multidão? O mais discreto franzir dos seus olhos pode falar
toneladas para mim sobre os pensamentos que passam
pela sua consciência. Quando abre os presentes de natal,
sei de imediato se você gosta da cor ou do estilo do
presente, porque os seus sentimentos não podem ser
escondidos de mim.
Amo você, S. M. D. (lembra-se da camisa com
monograma?). Amo a menina que acreditou em mim antes
que eu mesmo acreditasse. Amo a menina que nunca
reclamou das contas altas dos meus estudos, e dos livros,
e dos apartamentos quentes, e da mobília alugada
horrorosa, e da falta de férias, e dos carrinhos humildes da
Volkswagen. Você está comigo — dando-me ânimo, amor e
apoio, desde o dia 27 de agosto de 1960. E o status que
você me concede na nossa casa é muito mais do que eu
mereço.
Então por que quero continuar vivendo? É porque tenho
você para continuar essa jornada comigo. Senão, para que
fazer a viagem? A outra metade da vida que nos espera
adiante promete ser mais dura do que a que ficou para
trás. É a ordem natural das coisas a minha mãe um dia
unir-se ao meu pai, e então ela será sepultada ao lado dele
em Olathe, Kansas, admirando a colina varrida pelo vento,
onde ele caminhava com o Benji e gravou uma fita para
mim, descrevendo a beleza daquele lugar. Depois teremos
que dizer adeus à sua mãe e ao seu pai. E lá se foram os
jogos de tabuleiro, e o ping-pong, e os dardos de jardim, e
a risada do Joe, e os maravilhosos presuntos assados da
Alma, e os cartões de aniversários sublinhados por ela e a
casinha amarela de Long Beach. Tudo dentro de mim grita
“Não!”, mas a oração final do papai ainda é válida:
“sabemos que não pode ser assim para sempre”. Quando a
hora chegar, nossas infâncias ficarão mais difíceis,
interrompidas pela passagem dos nossos pais queridos,
que cuidavam de nós.
E daí, minha doce esposa? Para quem me voltarei em
busca de consolo e conforto? Para quem direi “Estou
sofrendo”! com a certeza de que estarei sendo
compreendido de uma forma mais que abstrata? Quem
poderei procurar quando as folhas do verão começarem a
mudar de cor e cair ao chão? Quanto aproveitei a
primavera e o calor do sol de verão! Saboreei o máximo de
suas flores, sua grama verde, seu céu azul e seus rios
límpidos. Infelizmente, porém, o outono se aproxima.
Mesmo agora, posso sentir aquele friozinho — e tento não
ver aquela nuvem distante e solitária que passa no
horizonte. Devo encarar o fato de que o inverno está mais
à frente, com seu gelo e granizo e neve a transpassar-nos.
Neste caso, contudo, ele não será seguido pela primavera,
exceto na glória da vida vindoura. Com quem, então,
passarei a última estação da minha vida?
Ninguém a não ser você, Shirls. A única alegria do futuro
será vivenciar isso como nos últimos 21 anos — de mãos
dadas com quem amo: uma jovem senhorita chamada
Shirley Deere, a qual me deu tudo que ela tinha, inclusive o
seu coração.
Obrigada, meu amor, por fazer esta viagem comigo.
Vamos terminá-la... Juntos!

Seu Jim
* N. do T.: Numa tradução literal, o título dado ao livro significa
esconda-se ou procure. Pela semelhança sonora em inglês, seu
nome foi confundido com o da brincadeira infantil de esconder-se. É
como se o título do livro fosse “Procura ou esconde” e passasse a
se chamar “Pique esconde”. No Brasil, foi intitulado “Esconde-
esconde”.
Notas

1 ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA. National Center for Health


Statistics. DIVORCE: Provisional 1998 data. Disponível em:
<http://www.cdc.gov/nchs/fastats/divorce.html >. Acesso em: 13
jan. 2003.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA.
Registro Civil 2010: Número de divórcios é o maior desde
1984.
Disponível em:
<http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visual
iza.php?id_noticia=2031&id_pagina=1>. Acesso em: 26 nov.
2012.
2 McQUILKIN, Robertson. A promise kept. Wheaton, IL:

Tyndale House Publishers, 1998.


3 VINCENT, M. O. The physician’s own well-being. Annals

Royal College of Physicians and Surgeons of Canada, vol.


14, 4, 277-281, 1981.
4 DOBSON, James. What wives wish their husbands knew

about women. Wheaton, IL: Tyndale House Publishers, 1975.


5 SMALLEY, Gary; TRENT, John. The language of love.

Pomona, CA: Focus on the family Publishing, 1988.


6 SNYDER, Chuck; SNYDER, Barb. Incompatibility: still

grounds for a great marriage. Sisters, OR: Multnomah


Publishers, 1999.
7 FIELDS,Doug. Creative Romance. Eugene, OR: Harvest

house Publishers, 1991. In: DOBSON, James. Solidanswers.


Wheaton, IL: Tyndale House Publishers, 1997.
8 MORRIS, Desmond. Intimate behavior. Nova York, NY:

Random House, 1971.


9 DOBSON, James. What wives wish their husbands knew

about women. Wheaton, IL: Tyndale House Publishers, 1975.


Sumário
Agradecimentos

Introdução

Princípio nº 1: Cristo no Centro do Lar

Princípio nº 2: Um Compromisso para Toda a Vida

Princípio nº 3: Uma Profunda Confiança que Une

Princípio nº 4: Boa Vontade para se Comunicar

Princípio nº 5: A Compreensão do Amor

Epílogo

Notas

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