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A Constituição Federal, no seu artigo 150, estabelece várias limitações do poder de tributar.

Por sua vez, as contribuições sociais, dentre as quais se incluem aquelas destinadas ao
custeio de seguridade social, têm sido consideradas espécies de tributos, embora o artigo 145
dessa mesma constituição não faça referência expressa às contribuições sociais como sendo
espécies de tributos. Diante dessas considerações, responda, fundamentadamente, com base
nas normas constitucionais:

a) As contribuições sociais, em geral, estão sujeitas a limitações do poder de tributar?


b) As contribuições sociais destinadas especificamente ao custeio da seguridade social estão
sujeitas aos princípios da legalidade, da irretroatividade, anterioridade e da noventena (este
último também conhecido como princípio da anterioridade nonagesimal)?

Embora o Código Tributário Nacional institua apenas três tipos de tributos - impostos,
taxas e contribuições de melhoria -, o Supremo Tribunal Federal adota a corrente
pentapartite, de forma que os empréstimos compulsórios e as contribuições especiais também
passam a integrar o rol em questão de espécies tributárias*. Nesta matéria, a Constituição
Federal de 1988, além de conferir competência aos entes federados para que eles possam
instituir tributos, prevê, também, as limitações deste poder.

* vez que, segundo sua jurisprudência, os empréstimos compulsórios e as


contribuições especiais são espécies tributárias autônomas, ostentando natureza jurídica
própria que as distingue dos impostos, taxas e contribuições de melhoria. OU Apesar de o art.
145 da CF, analisado isoladamente, haver consagrado a classificação tripartite, boa parte da
doutrina a repele, sob o argumento de que não se coadunaria com as demais regras e
princípios constantes da Constituição de 1988.

A Carta Magna, em seu artigo 150, veda à União, por exemplo, de instituir impostos
sobre o patrimônio e a renda de produtos e serviços dos demais entes federativos. Esta
limitação, conhecida por imunidade recíproca, abrange também as autarquias e as fundações
de direito público(,); e, segundo a jurisprudência do STF, pode abranger as empresas
públicas e as sociedades de economia mista quando as atividades por elas desenvolvidas não
tiverem finalidade econômica. Ainda que a CF/88 seja clara em seu texto e se refira(-se)
apenas aos impostos, o pretório excelso estende esta possibilidade também às taxas.
Notadamente, os demais tributos não ficam adstritos a tal limitação.
Sistemática semelhante abrange as demais incompetências tributárias imunidades
previstas no mesmo artigo, quais sejam: a imunidade religiosa, a qual abarca templos de
qualquer culto e atividades para o fim de devoção; a imunidade cultural, que abrange livros e
o papel destinado a sua impressão(,); a imunidade de partidos políticos, entidades sindicais
dos trabalhadores e instituições de educação e assistência social; e ainda aquela a imunidade
em favor da produção musical brasileira. Todo o rol exposto abrange apenas os impostos,
não se impedindo a instituição de contribuições sociais. Esta, por sua vez, não poderá ser
cobrada das entidades de assistência social, desde que cumpram os critérios estabelecidos
em lei.
É notório que as imunidades se aplicam a algumas espécies de tributos, mas não a
outros, diferentemente do que ocorre com os princípios que regem o sistema tributário
nacional. Segundo o preceito de legalidade, todo tributo será criado e majorada por meio de
lei, salvo exceções previstas na Constituição, não fazendo parte deste destaque as
contribuições sociais. Estas, por sua vez, também respeitam a irretroatividade, ou seja, não
podem atingir fato pretérito à sua instituição sendo esta aplicada a todos tributos.
O princípio da anterioridade anual, porém, não se aplica às contribuições sociais*, de
forma que(,) estes tributos poderá poderão ser cobrados no mesmo ano em que for
publicada lei que a os institua ou majore. De todo o modo, é necessário respeitar o
interstício de noventa dias para efetuar a cobrança, pois, conquanto as contribuições sociais
sejam exceção à anterioridade anual, elas ainda devem observar o preceito de noventena.

* contribuições sociais destinadas especificamente ao custeio da seguridade social

* Artigo 145 (Tri) x STF/Doutrina (Penta)


1º§ * Contribuições sociais
- breve definição;
- tipologia: I- contribuições gerais, II- contribuições social-previdenciárias e
III-“outras” contribuições;
* Item a: Sim, as contribuições sociais, em geral, estão sujeitas a limitações do
2º§ poder de tributar, tais como: legalidade, isonomia, irretroatividade, proibição do
confisco, liberdade de tráfego.
3º§ * (Cont. Item a) As contribuições sociais, em geral, estão sujeitas a limitações do
poder de tributar, tais como: imunidades e anterioridade nonagesimal (e não
anual);
4º§ * Item b: As contribuições sociais destinadas especificamente ao custeio da
seguridade social não são exceção: elas também estão sujeitas a princípios como a
legalidade, irretroatividade e noventena.

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