Você está na página 1de 29

Cinética Química:

Velocidade de Reação
Núcleo de Educação a Distância
www.unigranrio.com.br
Rua Prof. José de Souza Herdy, 1.160
25 de Agosto – Duque de Caxias - RJ

Reitor
Arody Cordeiro Herdy

Pró-Reitoria de Programas de Pós-Graduação Pró-Reitoria Administrativa e Comunitária


Nara Pires Carlos de Oliveira Varella

Pró-Reitoria de Programas de Graduação Núcleo de Educação a Distância (NEAD)


Lívia Maria Figueiredo Lacerda Márcia Loch

1ª Edição
Produção: Gerência de Desenho Educacional - NEAD Desenvolvimento do material: Robson Marques Viana

Copyright © 2019, Unigranrio


Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por
fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Unigranrio.
Sumário
Cinética Química: Velocidade de Reação
Para início de conversa… .................................................................... 04
Objetivo ............................................................................................ 05
1. Cinética Química: Velocidade de Reação ................................... 06
1.1 Fatores que Influenciam a Velocidade de Reação ....................... 10
1.2 Velocidade Média, Velocidade Instantânea e Equação
de Velocidade ....................................................................... 12
1.3 Ordem de Reação .................................................................. 14
2. Energia de Ativação da Reação Química e Complexo Ativado ....... 20
3. Molecularidade .................................................................. 23
4. Ordem de uma Reação ........................................................... 23
5. Relações entre Concentração e Tempo ...................................... 25
5.1 Reação de Primeira Ordem ...................................................... 26
5.2 Reação de Segunda Ordem ..................................................... 27
Referências ......................................................................................... 29
Para início de conversa…
É muito importante para o Químico obter respostas em relação a
fatos do dia a dia, como por exemplo: se duas substâncias são colocadas em
contato em um recipiente, elas reagem? Se reagem, existe uma determinada
velocidade de reação? Qual é a velocidade de reação? Qual é a quantidade de
produto formado? Os princípios da Termodinâmica respondem, parcialmente,
à primeira pergunta. De forma geral, as reações ditas exotérmicas favorecem
a formação de produtos. Esse princípio não é suficiente, pois uma reação
pode produzir produtos e ser muito lenta. Esse tipo de avaliação é feita pela
cinética química. De forma geral, o estudo da cinética química leva em
consideração as velocidades das reações, como elas podem ser determinadas
de forma experimental, e como alguns fatores influenciam em suas
velocidades. O conceito de velocidade de uma reação química é o meio de
medir duas grandezas, que são as concentrações e o intervalo de tempo. Desta
forma, a velocidade de uma reação química é descrita como a diminuição da
concentração dos reagentes, com o consequente aumento da concentração do
produto, em um intervalo de tempo.

4 Química Geral
Objetivo
Analisar as reações químicas e suas evoluções de acordo com os estados
físicos dos reagentes, concentrações e suas temperatura.

Química Geral 5
1. Cinética Química: Velocidade de Reação
Por definição cinética, a química estuda a velocidade das reações. As
quantidades de cada reagente ou produtos em uma reação química podem ser
expressas em massa, quantidade de matéria, volume ou em qualquer outra
grandeza. Para expressar o tempo necessário para a reação química, também
se faz uso de uma unidade mais conveniente para cada momento. Por exemplo,
para calcular a velocidade de explosão de uma quantidade de dinamite, utiliza-
se o segundo, já que a reação é muito rápida. Por outro lado, uma outra
reação pode durar uma ou mais horas. Vejamos o exemplo a seguir:

Um comprimido de vitamina C de 1 g é colocado em um recipiente


contendo água em temperatura ambiente. Com um cronômetro, foi medido
o tempo que o comprimido levou para se decompor por completo (60
segundos). Neste sentido, conforme apresentado na Figura 1, pode-se dizer
que a velocidade de decomposição do comprimido de vitamina C é de:

V = Massa / tempo
V = m/t
V = 1g/60s
V = 0,0167g/s

Figura 1: Comprimido efervescente. Fonte: Dreamstime.

6 Química Geral
Esse resultado pode ser interpretado levando-se em conta que 0,0167g
do comprimido de vitamina C se decompõe, representando uma média da
velocidade da reação química de decomposição. Pode ser que, no início, a taxa
de decomposição do comprimido seja maior que 0,0167g por segundo e que,
no final, quando o comprimido tem a sua massa diminuída, esta massa seja
menor. A velocidade da reação de decomposição do comprimido de vitamina
C será de:

V = Massa do Comprimido / tempo gasto na decomposição

A velocidade de uma reação química pode ser considerada em:

a) Relação a um determinado reagente.


b) Relação a um determinado produto.

Para a reação química genérica:

A+B→C+D

1. A velocidade de reação em relação ao reagente A será:


V = massa de reagente A consumida / tempo para o consumo
da massa
2. A velocidade de reação em relação ao reagente B será:
V = massa de reagente B consumida / tempo para o consumo
da massa
3. A velocidade de reação em relação ao produto C será:
V = massa de produto C formada / tempo para a massa ser formada
4. A velocidade de reação em relação ao produto D será:
V = massa de produto D formada / tempo para a massa ser formada

Dependendo do tempo envolvido, as reações químicas podem ser


classificadas em:

a. Rápidas ou instantâneas – São reações muito velozes cuja duração


é de microssegundos.

Química Geral 7
Exemplo: Queima de metano.
CH4(g) + 2O2(g) → CO2(g) +2H2O(g)

Figura 2: Gás de metano ardente. Fonte: Dreamstime.

b. Moderadas – São reações mais fáceis de serem observadas, levando


minutos ou poucas horas.

Exemplo: Reação de precipitação de iodeto de chumbo.


Pb(NO3)2(aq) + 2KI(aq) → 2KNO3(aq) + PbI2(s) ↓

Figura 3: Reação de precipitação de iodeto de chumbo. Fonte: Blog Fisiko Kimika.

8 Química Geral
c. Lentas – São reações de grande duração, que podem levar dias
ou anos.
Exemplos: Oxidação do ferro, decomposição da água oxigenada e
a oxidação do vinho.

1. Oxidação do ferro: 2Fe + 2H2O + O2 → 2Fe(OH)2 (formação


de ferrugem).

Figura 4: Textura Velha da Oxidação do ferro.

2. Decomposição da água oxigenada: 2H2O2 + → 2H2O + O2 ↑

2H2O2 2H2O + O2

Catalase
Avidin

Figura 5: Decomposição da água oxigenada. Fonte: Adaptado de Sugai et al (2018).

Química Geral 9
3. Oxidação do vinho: Conversão do álcool etílico em ácido acético.
H3CCH2OH + O2 → H3CCOOH

Figura 6: Mudança de coloração provocada pela oxidação. Fonte: Adaptado de Vinho Nosso.

1.1 Fatores que Influenciam a Velocidade de Reação


Velocidade de uma reação química em um determinado instante,
ou velocidade instantânea, é o valor que tende à velocidade média, quando
os intervalos de tempo vão se tornando menores. A velocidade ou rapidez
instantânea é a rapidez de uma reação química em um determinado instante
de tempo ou determinada concentração de reagentes ou produtos. É inclinação
da reta tangente a curva de concentração em determinado intervalo de tempo.
A velocidade instantânea, graficamente, é representada na Figura 7:
a
CONCENTRAÇÃO

âne
ant
inst
de
cida
velo

TEMPO
Figura 7: Gráfico Concentração x Tempo. Fonte: Elaborado pelo autor.

10 Química Geral
No caso geral, para a reação química:

aA + bB → cC + dD

A velocidade é dada por:


∆[R] ∆[P]
V= V= -
∆t ∆t

Sendo:

∆[R] = Variação de quantidade de matéria dos reagentes.


∆[P] = Variação de quantidade de matéria dos produtos.
∆t = Variação dos tempos ( t2 – t1).

Exemplo: Um químico fez uma reação química do tipo A → B, e


mediu as quantidades de A e B durante os intervalos de 40 e 80 segundos,
após o início da reação química. Os dados coletados estão na Tabela 1:

A→B

Tempo(s) [A] mol/L [B] mol/L

0 2 0

40 1,08 0,92

80 0,60 1,4

Tabela 1: Concentração de reagente e produto. Fonte: Elaborado pelo autor.

A velocidade de formação de B durante o intervalo de tempo específico


(40 e 80 segundos) é dada pela variação de B dividido pela variação do tempo
analisado. Desta forma, teremos:

Química Geral 11
Velocidade em relação a R:

∆[R]
V=
∆t
t1
V= ∆[R] t2 ∆[R] em
t2- t1
2mol/L
V= 1,08mol/L
40-0
V= -0,023mol/L
V= 0,023mol/L

Velocidade em relação a P:
∆[P]
V=
∆t
t1
V= ∆[P] t2 ∆[P] em
t2- t1
0mol/L
V= 0,92mol/L
40-0

V= 0,023 mol/L

Comentário
Com esse exemplo, foi possível calcular a velocidade de uma reação química, avaliando as
mudanças de concentração dos reagentes ou dos produtos.

1.2 Velocidade Média, Velocidade Instantânea e Equação de Velocidade


A velocidade média (Vm) de uma reação química é a variação da
quantidade de reagente ou produto em função de uma variação de tempo. A
velocidade com que uma reação química se processa pode não ser a mesma
durante a sua duração; assim, é comum trabalhar com velocidade média. Com
a finalidade de quantificar a lentidão ou rapidez com que as reações químicas
ocorrem, é possível fazer as seguintes formulações:

12 Química Geral
a. Massa Vm= ∆m
∆V
b. Volume Vm=
∆t
∆n
c. Quantidade de matéria Vm=
∆t
∆[ ]
d. Concentração e quantidade de matéria Vm=
∆t

Exemplo: Uma reação química genérica do tipo A + B → C se completa


em 25 s. Durante esse intervalo de tempo, a quantidade de reagentes diminui
e a quantidade de produto vai aumentando. Vamos supor que o reagente A e
o produto C variem durante o intervalo de tempo, de acordo com a Tabela 2:

Tempo(s) Reagente A (mol) Reagente B (mol) Reagente C (mol)

0 5 5 0

5 4 4 1

10 3 3 2

15 2 2 3

20 1 1 4

25 0 0 5
Tabela 2: Concentração de reagentes e produtos. Fonte: Elaborado pelo autor.

É possível calcular a velocidade média dessa reação em diferentes


instantes em relação ao reagente ou ao produto.

Vm = ∆m / ∆t
Vm = n2 n1 / t2 – t1

n2 → Quantidade de matéria no início do intervalo considerado.


n1 → Quantidade de matéria no final do intervalo considerado.
t1 → Instante inicial do intervalo considerado.
T2 → Instante final do intervalo considerado.

Química Geral 13
Observe o cálculo, por exemplo, da velocidade média em relação ao
produto C no intervalo de tempo de 5 a 20 s:

∆m
Vm=
∆t
n2-n1
Vm=
t2- t1
4mol-1mol 3mol
Vm= =
20s-5s 15s
Vm= 0,2mol

A cada segundo, forma-se 0,2 mol do produto C.

Observe o cálculo, por exemplo, da velocidade média em relação ao


reagente A no intervalo de tempo de 15 a 10 s:
∆m
Vm=
∆t
n2-n1
Vm=
t2- t1
3mol-4mol -1mol
Vm= =
10s-15s 5s
Vm= 0,2mol

O valor negativo indica que a cada segundo diminui (consome-se) 0,2


mol do reagente A; é comum fazer uso de valores em módulo de velocidade.

∆m
Vm=
∆t

1.3 Ordem de Reação


Para que ocorra uma reação química entre diferentes reagentes, é
necessário que eles tenham afinidade química; afinidade química é a tendência

14 Química Geral
de as substâncias reagirem entre si. Para que duas moléculas reajam, é
necessário que haja colisões (choques) entre elas. Essas colisões devem ocorrer
com uma energia maior que um valor mínimo e com orientação adequada.
Nessas condições, as duas moléculas rompem suas ligações químicas originais
que prendem seus átomos e, em seguida, elas se rearranjam, formando
novas ligações e dando origem às moléculas que compõem os produtos da
reação. Alguns fatores alteram a quantidade de colisões entre as moléculas
dos reagentes em uma reação química, fazendo com que haja aumento ou
diminuição da velocidade com que elas ocorrem. Tais fatores são:

a. Superfície de contato – Para uma maior velocidade de reação, é


necessário que que haja uma maior superfície de contato. Uma
superfície de contato maior favorece muito mais choque entre as
partículas dos reagentes.
b. Temperatura – A maioria das reações químicas ocorre muito mais
rapidamente a temperaturas altas do que a temperaturas mais baixas.
O aumento da temperatura provoca choque entre as partículas dos
reagentes; o aumento da velocidade de uma reação pode ser previsto,
aplicando-se a regra de Van’t Hoff. A regra diz que: a cada aumento
de 10°C na temperatura de uma reação química, a velocidade tende
a se duplicar. Quanto maior a temperatura → Maior a agitação →
Maior o número de choques → Maior a velocidade.
c. Estado físico – O estado físico dos reagentes altera a velocidade de
uma reação. Por exemplo: a reação entre dois reagentes no estado
gasoso ocorre com maior facilidade do que no estado líquido.
No estado gasoso, as partículas possuem maior energia e maior
liberdade de movimento; isso faz com que o número de colisões
seja maior.
d. Pressão – Quanto maior a pressão em um sistema gasoso, menor
será o volume ocupado pelos reagentes e maior será a velocidade
da reação. Nos gases, o aumento da velocidade é provocado pela
variação de volume. Nos líquidos e nos sólidos, essa variação é
muito pequena e praticamente não exerce influência na velocidade
das reações.
e. Catalisador – O catalisador é uma substância que acelera a
velocidade de uma reação química porque permite que ela ocorra

Química Geral 15
com uma menor energia de ativação. Os catalisadores não alteram a
variação de entalpia de uma reação química. Os catalisadores fazem
parte da reação (não alteram a composição química de reagentes
e produtos) e são, ao final, retirados. A reação que ocorre na
presença de um catalisador é chamada de catálise. A catálise pode
ser classificada em:

1. Homogênea – Reagentes, produtos e catalisador estão no


mesmo estado físico (uma única fase). Exemplo:
Catalisador gasoso NO2(g): 2 SO2(g) + O2(g) → 2 SO3(g)

2. Heterogênea – A reação ocorre com, pelo menos, uma


substância em estado físico diferente (mais de uma fase).
Catalisador sólido Fe(s): N2(g) + 3 H2(g) → NH3(g)

f. Reações de autocatálise – É uma reação química em que um


dos produtos formados atua como catalisador. No início, a reação
ocorre de forma mais lenta e à medida que o produto é formado
(catalisador), a velocidade vai aumentando.

Exemplos:
3 Cu(s) + 8 HNO3(aq) → 3 Cu(NO3)2 + 2 NO(g) + 4 H2O(l)
ONO(g) atua como catalisador.
2 SO2(g) + O2(g) → 2 SO3(g)
O NO(g) atua como catalisador.

g. Inibidores – Para aumentar a energia de ativação necessária para


os reagentes atingirem o complexo ativado, é preciso fazer uso de
agentes inibidores. Agentes inibidores diminuem a velocidade de
uma reação química. Por exemplo, para impedir a decomposição da
água oxigenada, adiciona-se ácido para torná-la mais lenta:

2 H2O2(aq) → 2 H2O(l) + O2(g)

16 Química Geral
f. Luz – Algumas reações químicas são mais favorecidas pela ação da
luz, como na decomposição da água oxigenada; por este motivo os
frascos são opacos.
2 H2O2 → 2 H2O + O2

g. Eletricidade – Existem reações que só são ativadas na presença de


eletricidade como na eletrólise.
2 H2(g) + O2(g) → 2 H2O(l)

h. Concentração dos reagentes – As concentrações dos reagentes


alteram a velocidade de uma reação química. Quanto maior for o
número de partículas por unidade de volume, maior será o número
de choques efetivos. A influência das concentrações dos reagentes
é descrita pela Lei de Guldberg-Waage. Esta lei foi proposta em
1867 pelos noruegueses Cato Maximilian Guldberg e Peter Waage.

Figura 8: Guldberg e Waage. Fonte: Wikimedia.

A Lei de Guldberg-Waage é também chamada de Lei da Ação das


Massas. Ela diz que, em uma determinada temperatura, a velocidade de uma

Química Geral 17
reação química é diretamente proporcional ao produto das concentrações dos
reagentes, em mol por litro, elevados a seus coeficientes determinados de
forma experimental. Para a equação química genérica, temos:

aA + bB → cC + dD

As letras minúsculas são os coeficientes estequiométricos dos reagentes


e produtos da equação. A Lei de Guldberg-Waage diz que a velocidade (v) da
reação será proporcional ao produto [A]a. [B]b. É necessário fazer uso de uma
constante (K) para indicar quantas vezes a velocidade v é igual ao produto
[A]a. [B]b, o que resulta na equação:

V = K [A] a . [B] b

[A] e [B] são as concentrações dos reagentes A e B em mol/L, e K é


a constante de velocidade da reação, determinada experimentalmente, e que
sofre variação de acordo com a temperatura.

Exemplo 1: Para a reação elementar (ocorre em uma única etapa):

2A(g) + 3B(g) + 2C(s) → 2X(s) + 3Y(l)

A velocidade dessa reação será: V = K [A]2. [B]3

Neste exemplo, não é incluído o fator [C]2 para o reagente C, sólido.


A concentração de uma substância sólida é sempre constante.

Exemplo 2: Em experimentos feitos a 300°C, com a reação em


cadeia (ocorre em várias etapas), foram obtidos os seguintes dados,
conforme Tabela 3.
2H2(g) + 2NO(g) → N2(g) + 2H2(g)

Experimento [H2] mol/L [NO] mol/L Velocidade mol/L.h

1 1,0 x 10-3 1,0 x 10-3 3,0 x 10-5

18 Química Geral
2 2,0 x 10-3 1,0 x 10-3 6,0 x 10-5
3 2,0 x 10-3 2,0 x 10-3 24,0 x 10-5
Tabela 3: Concentração de reagentes e velocidades dos experimentos. Fonte: Elaborado pelo autor.

A velocidade da reação será dada por: V = K [A] x . [B] y

Os valores de x e y não são 2 de acordo com a equação (2H2(g) + 2NO(g)),


porque esta reação não é uma reação elementar. Para determinar o valor de x,
na concentração do reagente A, é preciso fazer uso de dois experimentos em
que a concentração do hidrogênio varie, e que a concentração do monóxido
de nitrogênio não.

Experimento 1 → V = K [1,0 x 10-3]x. [1,0 x 10-3]y


3,0 x 10-5 = K [1,0 x 10-3]x. [1,0 x 10-3]y

Experimento 2 → V = K [2,0 x 10-3]x. [1,0 x 10-3]y


6,0 x 10-5 = K [2,0 x 10-3]x. [1,0 x 10-3]y

Dividindo as duas expressões:

3,0 x 10-5 = K [1,0 x 10-3]x. [1,0 x 10-3]y


͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ -5͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ -3͞ ͞ ͞ x͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ -3͞ y͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞
6,0 x 10 = K [2,0 x 10 ] . [1,0 x 10 ]

1/2 = 1x/2x
1/2 = (1/2)x
X=1

Experimento 2 → V = K [2,0 x 10-3]x. [1,0 x 10-3]y


6,0 x 10-5 = K [2,0 x 10-3]x. [1,0 x 10-3]y

Experimento 3 → V = K [2,0 x 10-3]x. [2,0 x 10-3]y


24,0 x 10-5 = k [2,0 x 10-3]x. [2,0 x 10-3]y

Química Geral 19
Dividindo as duas expressões:

6,0 x 10-5 = k [2,0 x 10-3]x. [1,0 x 10-3]y


͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ -5͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ -3͞ ͞ ͞ x͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ ͞ -3
͞͞ ͞
24,0 x 10 = K [2,0 x 10 ] . [2,0 x 10 ]y

1/4 = 1y/2y
1/4 = (1/2)y
1/22 = (1/2)y
(1/2)2 = (1/2)y
Y=2
X e y na equação V = K [A]x. [B]y
V = K [H2 ] . [NO]2

É possível calcular a constante K escolhendo um dos experimentos e


os valores das concentrações e da velocidade da tabela. Os valores de V, [H2]
e [NO] na expressão de velocidade para o experimento 1:

V = K [H2] . [NO]2
3,0 x 10-5mol/L.h = K [1,0 x 10-3 mol/L] . [1,0 x 10-3 mol/L]2
3,0 x 10-5mol/L.h = K . 1,0 x 10-9 mol3/L3
K = 3,0 x 10 4 L2/mol 2 .h

2. Energia de Ativação da Reação Química e


Complexo Ativado
Energia de ativação é a quantidade necessária de energia para que as
partículas dos reagentes possam ter colisões efetivas. Essas colisões precisam
ter uma orientação favorável para que resultem em uma reação química efetiva.
Quando essas colisões das partículas dos reagentes ocorrem com orientação
favorável, e com energia igual ou favorável a energia de ativação, formam-se
estruturas intermediárias entre reagentes e produtos. Esse arranjo químico
recebe o nome de complexo ativado. Em uma reação química com formação
de complexo ativado, teremos: AB + XY → AX + BY, conforme Figura 8.

20 Química Geral
A
A x A x X
B y B y

B
Y
Reagentes Complexo Ativado Produtos

+ + +

Figura 9: Reação química com complexo ativado. Fonte: Elaborado pelo autor.

Os reagentes possuem um conteúdo energético chamado de entalpia


dos reagentes (Hr), e o complexo ativado possui energia chamada de energia
do complexo ativado (Eca), que é a soma da entalpia dos reagentes com a
energia mínima necessária para que a reação tenha início. O complexo ativado
existe durante um curto espaço de tempo, dando, em seguida, origem às
primeiras quantidades de produto, que possuem um conteúdo energético
chamado de entalpia dos produtos (Hp). A variação de energia de uma reação
química e seus gráficos podem ser:

Exotérmica → Se o conteúdo energético dos produtos (Hp) for menor


do que o conteúdo energético dos reagentes (Hr), a reação libera energia
(exotérmica), conforme Figura 10.

A2 + B2 → AB + AB + Calor ∆H ˂ 0
Energia (entalpia)
Kcal/mol

E2 complexo ativado

b
A2 + B2
E1

c
AB + AB
E3

Caminho da reação

Figura 10: Reação exotérmica. Fonte: Elaborado pelo autor.

Química Geral 21
E1 = Energia dos reagentes.
E2 = Energia do complexo ativado.
b = Energia de ativação da reação direta → (E2+E1)
c = Variação de entalpia da reação (∆H).
E3 = Energia dos produtos.

Endotérmica → Se o conteúdo energético dos produtos (Hp) for


maior do que o conteúdo energético dos reagentes (Hr), a reação absorve
energia (endotérmica), conforme Figura 11.

AB + AB + Calor → A2 + B2 ∆H ˃ 0
Energia (entalpia)
Kcal/mol

E2 complexo ativado

b AB + AB
E3
c
A2 + B2
E1

Caminho da reação

Figura 11: Reação endotérmica. Fonte: Elaborado pelo autor.

E1 = Energia dos reagentes.


E2 = Energia do complexo ativado.
b + c = Energia de ativação reação → (E2+E1)
c = Variação de entalpia da reação (∆H).
E3 = Energia dos produtos.

Comentário

Em relação à energia de ativação e velocidade de reação, temos:


↑ Energia de ativação ↓ velocidade de reação
↓ Energia de ativação ↑ velocidade de reação

22 Química Geral
3. Molecularidade
Por definição, a molecularidade de uma reação química é o número
total de espécies reagentes que participam em uma determinada etapa da reação
química. Em reações químicas, que ocorrem em apenas uma etapa (reações
elementares), a molecularidade é a ordem da reação tirada dos coeficientes
estequiométricos. A molecularidade da reação química: 2A + B → C + D é 3.
O complexo ativado é a soma de duas partículas A e uma B.

Quando a reação compõe mais de uma etapa, a molecularidade é


determinada a partir das reações elementares que constituem cada etapa.

Exemplo de uma equação que envolve três etapas: 2A +3B → A2B3


Primeira etapa: 2A + B → A2B Molecularidade = 3
Segunda etapa: A2B + B → A2B2 Molecularidade = 2
Terceira etapa: A2B2 + B → A2B3 Molecularidade = 2

4. Ordem de uma Reação


Ordem de uma reação é a soma de todos os expoentes que aparecem
na expressão da velocidade de reação. Para uma reação do tipo: aA + bB + cC
+ ... → dD + eE + fF, dada pela expressão: V = K .[A]a . [B]b . [C]c...

A ordem de uma reação química é uma relação matemática existente


entre concentrações dos reagentes e suas velocidades. A ordem em relação
a um determinado reagente é o expoente de sua concentração na lei de
velocidade de uma reação química. Exemplos:

a. Reação de ordem zero - Em uma reação de ordem zero, a velocidade


de reação não depende da concentração do reagente: A → B
V = K [A]0 = K

Para uma reação de ordem zero, a concentração do reagente diminui


linearmente com o tempo, conforme Figura 12:

Química Geral 23
CONCENTRAÇÃO

TEMPO

Figura 12: Gráfico Concentração x Tempo. Fonte: Elaborado pelo autor.

A inclinação da reta é constante indicando velocidade constante.

b. Reação de primeira ordem – É aquela em que a velocidade de uma


reação química é diretamente proporcional à concentração de uma
única espécie, elevada a primeira potência: A → B.

V = K [A]
C12H22O11 + H2O → C6H12O6 + C6H12O6 (Glicose e Frutose)
V = K [A]
V = K [C12H22O11]
c. Reações de outras ordens - 2A + 3B → C - Se a expressão de
velocidade é V = k [A]2. [B]3, a reação é de segunda ordem em
relação a A. O expoente da concentração de A é 2. Em relação a B,
a reação é de terceira ordem. A reação geral ou global é de quinta
ordem, pois a soma dos expoentes das concentrações A e B é 5.

2N2O5 → 4NO2 + O2

A lei de velocidade da equação é V = K [N2O5]. A reação química é


de primeira ordem em relação a N2O5 . Como é o único reagente na lei de
velocidade, é também de primeira ordem geral ou global. Vejamos o exemplo:

24 Química Geral
1. 2X + 2Y → 2XY
A reação ocorre em duas etapas:
Primeira etapa: X + 2Y → XY2 (Lenta)
Segunda etapa: X + XY2 → 2XY (Rápida)

A expressão da velocidade da reação é obtida na etapa lenta e


corresponde a V = K.[X].[Y]2 . A reação é de terceira ordem; a soma dos
expoentes das concentrações de X e Y é 3.

2. A reação ocorre em duas etapas para o hidrogênio e o monóxido


de nitrogênio:
Primeira etapa: H2 + 2NO → N2O + 2H2O (Lenta)
Segunda etapa: 2N2O + 2H2O → N2 + 2H2O (Rápida)
A equação global é: 2H2 + 2NO → N2 + 2H2O

A equação de velocidade é obtida na etapa lenta e corresponde a


V = K [H2]. [NO]2.

A reação é de primeira ordem para o H2, e de segunda ordem em


relação ao NO. A reação global é de terceira ordem; a soma dos expoentes das
concentrações de H2 e NO é 3. Os expoentes da equação geral ou global não
são iguais aos expoentes na expressão da lei de velocidade.

5. Relações entre Concentração e Tempo


No estudo da Cinética Química, o objetivo é determinar como as
concentrações dos reagentes afetam a velocidade da reação. Em experimentos
práticos, é importante saber por quanto tempo uma reação deve seguir até
o consumo dos reagentes em determinado espaço de tempo. Para este fim,
utilizam-se as equações que aplicam as leis de velocidade.

Química Geral 25
5.1 Reação de Primeira Ordem
Uma reação de primeira ordem é aquela em que a velocidade de
reação é diretamente proporcional à concentração dos reagentes elevada à
primeira potência.

-[R]f
V= = K [R]
∆t

A equação integrada da velocidade se obtém pela integração da equação


diferencial da velocidade.

[R]t
In = -Kt
[R]0

ln → Logaritmo neperiano.
[R]0 → Concentração dos reagentes no instante t = o.
[R]t → Concentração no instante t.
K → Constante de velocidade.
t → Intervalo de tempo.

A razão [R]t / [R]0 é a fração restante depois do intervalo de


tempo t. Este valor numérico é sempre menor que 1. O logarítmo da razão
[R]t / [R]0 é sempre negativo, razão pela qual aparece sinal negativo no
segundo membro da equação.

Exemplo de aplicação da equação:

As soluções de peróxido de hidrogênio são instáveis, decompondo-


se em temperatura ambiente. O peróxido de hidrogênio se decompõe
em oxigênio e água, e pode ter sua reação de decomposição acelerada
por aquecimento.

A reação de decomposição é: 2 H2O2(aq) → O2(g) + 2 H2O(l).

Se a concentração inicial do peróxido for 0,04 mol/L, qual será a


concentração desse peróxido, depois de 60 minutos, sabendo-se que
K = 1,0x10-3 min-1 ?

26 Química Geral
[R]t
In = -Kt
[R]0

[H2 O2]t
In = -Kt
[H2 O2]0
In [H2 O2]t -In [0,04]=(10-3min-1).(60min)
In [H2 O2]t-(-3,21888)= -0,06
In [H2 O2]t= -3,21888
In [H2 O2]t= 0,0377mol/L

5.2 Reação de Segunda Ordem


Uma reação de segunda ordem tem equação de velocidade:
-∆[R]
V= = K [R]2
∆t
Essa equação integrada torna-se outra, relacionando a concentração
do reagente com o tempo.
1 1
= Kt
[R]1 [R]0

[R]0 → Concentração dos reagentes no instante t = o.


[R]t → Concentração no instante t.
K → Constante de velocidade.
t → Intervalo de tempo.
Exemplo de aplicação da equação:
A reação de decomposição do HI (ácido iodídrico), em fase gasosa,
acontece da seguinte forma: 2HI(g) → H2(g) + I2(g). A equação tem lei de
velocidade V = K.[HI]2 e K = 0,080 L/mol.min. Que intervalo de tempo
será necessário para a concentração do ácido cair de 0,020 mol/L para 0,010
mol/L, a 300°C?
1/[R]t – 1/[R]0 = Kt
1/0,010 mol/L – 1/0,020 mol/L = 0,080 L/mol.min.t
100 mol/L – 50 mol/L = 0,080 L/mol.min.t
50 mol/L = 0,080 L/mol.min.t
t = 625 min

Química Geral 27
A área específica da Química, que estuda a velocidade em que as
reações químicas ocorrem, é a Cinética Química. A palavra Cinética nos dá
uma ideia de mudança ou movimento, isto é, trata das forças ou mudanças
dos corpos. A palavra Cinética para a Química tem a conotação de velocidade
de uma reação; é a variação da concentração de um reagente ou produto
em relação a um determinado tempo. No processo de uma reação química,
reagentes são consumidos na mesma proporção que os produtos são
formados. Pode-se determinar o progresso de uma reação química medindo-
se a diminuição da concentração dos reagentes e o aumento da concentração
dos produtos. O efeito da concentração dos reagentes sobre a velocidade de
determinada reação química pode ser estudado, determinando como a sua
velocidade inicial depende das concentrações iniciais.

28 Química Geral
Referências
ATKINS, P. W.; JONES, L. Princípios de química – Questionando a vida
moderna e o meio ambiente. Porto Alegre: Bookman, 2012.

BRADY, J. E.; SENESE, F. Química – A matéria e suas transformações. Rio


de Janeiro: Gen-LTC, 2009.

BROWN, T. E. et al. Química a ciência central. São Paulo: Pearson


Educacional do Brasil, 2016.

FISIKO KIMIKA. Reações de precipitação. 2012. Disponível em: https://


fisikokimika.wordpress.com/2012/11/11/reacoes-de-precipitacao/. Acesso
em: 24 jul. 2019.

MAHAN, B. M.; MYERS, R. L. Química – Um curso universitário. São
Paulo: Edgard Blucher, 2003.

MASTERTON, W. L.; HURLEY, C. N. Química – Princípios e reação.


Rio de Janeiro: Gen-LTC, 2010.

______.; SLOWINSKI, E. J.; STANITSKI, C. L. Princípios de química.


Rio de Janeiro: Gen-LTC, 1990.

SUGAI, N. et al. Transparent Protein Microtubule Motors with Controllable


Velocity and Biodegradability. Tokyo, 2018. Disponível em: https://pubs.
acs.org/doi/pdf/10.1021/acsanm.8b00791. Acesso em: 24 jul. 2019.

VINHO NOSSO. Oxidação. Disponível em: https://vinhonossodotcom.files.


wordpress.com/2018/02/oxidaccca7acc83o1.png. Acesso em: 24 jul. 2019.

Você também pode gostar