Você está na página 1de 28

UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA

CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE


CURSO DE PSICOLOGIA

CAMILA TORRES KAWAGUCHI


CARLA VALÉRIA DE OLIVEIRA GOMES
JÉSSICA LORENA FERREIRA AGUIAR
LÍDIA MACHADO DA SILVA

ANÁLISE DO FILME “DIVINOS SEGREDOS”

BELÉM
2010
CAMILA TORRES KAWAGUCHI
CARLA VALÉRIA DE OLIVEIRA GOMES
JÉSSICA LORENA FERREIRA AGUIAR
LÍDIA MACHADO DA SILVA

ANÁLISE DO FILME “DIVINOS SEGREDOS”

Análise apresentada à disciplina Teoria


da Gestalt como requisito total de
avaliação da 2ª N.I., realizada sob
orientação da Profª Ms. Cíntia Mara
Lavratti.

BELÉM
2010

1. CONCEITOS

1.1. CONTATO
Segundo D’acri, Lima & Orgler (2007), a palavra contato no cotidiano faz com
que seu significado mude a partir de cada explicação ou percepção da palavra. Para a
Gesltat, a palavra contato tem sido definida como um intercâmbio entre o indivíduo e o
ambiente, em termos de totalidade. Refere-se então, aos ciclos de encontro e retiradas
no campo organismo e meio. Pode-se dizer que contato é algo dinâmico e ativo, pelo
qual se torna sempre seletivo nos processos onde deve se assimilar com o campo ou
algo novo para o organismo.
O contato sempre ocorre a partir de um limite, denominado de fronteira de
contato. A fronteira une e separa tornando-se parcialmente permeável, o que favorece
ou dificulta o contato. Além de ser subdividido entre quatro fases principais no
processo: pré-contato (fase em que a sensação do corpo torna-se figura); contato
(enfatiza a ação do organismo no ambiente); contato final (momento em que a troca
ocorre a partir do enfraquecimento ou flexibilidade da fronteira); e pós-contato (fase
onde a assimilação do novo sucede, a qual favorece o crescimento).
“O contato inclui a experiência consciente do aqui-agora, envolve uma sensação
clara de estar em, de estar com, de estar para e criar algo diferente do sujeito e do objeto
(pessoal ou coisa) com a qual está em relação” (RIBEIRO, 2006, p. 93).
Ribeiro (2006) afirma que contato é algo que dificilmente um indivíduo consegue
descrever, pois o contanto está presente no nosso ser e no nosso existir: somos a nossa
existência. É tudo aquilo que engloba o que somos (essência) e tudo aquilo que nos
torna algo (existência). Além de ser uma função do campo e obedecer às leis do mesmo,
a vivência do individuo diante do contato depende das experiências do campo, cuja
qualidade pode alterar-se conforme um dado momento vivido.
Contato é uma técnica que está diretamente ligada ao corpo, afirma-se que sem
um conhecimento preciso do corpo não há uma “nutrição” do contato. Assim,
resultando em uma prática simples, onde as leis regentes ao corpo consequentemente
tornam um contato de maior ou menor qualidade. Além de delimitar dados no campo,
nos quais são conceituados as questão de fronteira e limite.
Segundo Polster & Polster (1979), o contato é representado pelo sangue vital do
crescimento, um meio que modifica a experiência da pessoa no mundo. Essa
modificação é um produto inescapável do contato, pois há uma novidade assimilada ou
não assimilada que leva diretamente à mudança individual. Através do contato, firma-se
que a pessoa não precisa tentar mudar seus comportamentos ou pensamentos, pois, a
mudança simplesmente acontece, a mudança é inerente ao contato.
Afirmam também, que o contato não é algo do qual estejamos conscientes,
contudo, todas as nossas funções sensoriais e motoras são componentes presentes no
momento em que o contato é feito. Contato, além de ser a soma de todas as partes, é
necessariamente mais do que todas as somas das funções possíveis que poderiam entrar
nele. A fronteira de contato, para eles, é uma forma que a pessoa experiencia o “eu”
naquilo que não é considerado “eu”, porém, não só o senso do próprio eu é determinado,
mas também é estimado o senso de qualquer coisa que transgrida essa fronteira.
Segundo Perls (1988), a função do campo junto com o comportamento é o próprio
meio. Esse acontecimento é mútuo, o que afirma ser um comportamento normal, porém,
se ocorrer um conflito no meio, o comportamento torna-se descrito como anormal. A
partir desses estudos feitos por Perls, constatou-se que o modo do ser humano se
elaborar no seu meio é o estudo que ocorre na fronteira de contato, entre o indivíduo e
seu meio. Ou seja, todos os nossos pensamentos, emoções, comportamentos, ações,
nossa maneira de viver e encontrar esses fatos na limitação decorrente.
Perls (1988) descreve que o contato e a fuga são acontecimentos opostos, é um
meio que o individuo acha para lidar com a fronteira de contato. No campo
organismo/meio as catexis positiva e negativa (contato/fuga) se comportam de maneira
muito semelhante às forças de atração e repulsão. O objeto catexial, quando está
associado à necessidade, tem uma relação na qual o contato torna-se meio e a fuga para
o indivíduo. Contatar o meio é formar uma Gestalt. Fugir é fechar o contato
completamente ou reunir forças para tornar o fechamento possível. Contato e fuga têm
um padrão rítmico, no qual os nossos meios de saciar nossas necessidades estão ligados
ao progresso dos processos da vida.
Contudo, Perls (1988) afirma que não podemos decidir por nós mesmos quando
participar ou fugir de algo que está no nosso campo. As vivências inacabadas da vida,
todos os bloqueios e todas as interrupções dos processos contínuos perturbam a
orientação e alteram a capacidade de distinguir entre objeto ou pessoas, do meio do
catexis positivo ou negativo.
Os conceitos expressados pelos autores exemplificam a capacidade e a grandeza
que um indivíduo possui em relação ao seu contato. Podendo, diante dele, entender
alguns acontecimentos durante suas experiências presentes. Pois engloba todos os
comportamentos e sentimentos. Os autores afirmam também que o contato não é de
percepção do indivíduo, mas que isso não impede que o mesmo possa acontecer diante
das situações, realizações e aprimoramentos ao crescimento.

1.2. AWARENESS
D’acri, Lima & Orgler (2007) afirmam que o termo awareness foi um modo que
Perls utilizou para justificar uma prática que é resultante das práticas de contraposição
ao método de associação livre. Onde essa associação livre leva à hesitação do tema ou
conflito, contrapondo a isso, sua proposta sugere a técnica de concentração no contato.
Awareness caracteriza-se a partir do contato pelo sentir (sensação e percepção) e
pelo processo de experiência. Além de ser definida como awareness parcial, isto é, um
conhecimento que não presencia um sentimento, ou vice-versa: emoções que são
expressas sem conhecimento do indivíduo, sem um conhecimento cognitivo.
Com isto, awareness é categorizado em três importantes partes, das quais a
primeira é quando a fundamentação e energização são necessidades atuais e dominantes
do organismo; a segunda é a não compreensão direta da realidade da situação e de como
estar na situação, resultando em um não conhecimento completo; a terceira é a
afirmação que a awareness é sempre o aqui-agora e está em constante mudança,
evoluindo e transcendendo.
Segundo Yontef (1998), awareness é tudo aquilo que uma pessoa pode
experimentar e pode definir a partir do contato com a própria existência, com o aquilo
que é. Awareness é o total contato com os eventos mais importantes do campo do
indivíduo, com um apoio do emocional, cognitivo e sensomotor. É baseada
primordialmente na necessidade dominante atual do organismo do individuo. Além do
autoconhecimento presente, a existência de um conhecimento direto da situação atual e
de como o self está para a situação.
Essa teoria é necessariamente acompanhada por um conceito de aceitação, isto é,
um processo pelo qual o sujeito é submetido ao conhecimento do controle, escolha e
responsabilidade dos próprios sentimentos e comportamentos. Por exemplo, uma pessoa
não reconhece afetivamente a sua situação, mas pode apenas reconhecer verbalmente,
isso tem como resultado a disfunção com a awareness e no contato total da situação.
Qualquer negação da situação e suas exigências e vontades da pessoa ou da
resposta escolhida é uma perturbação da awareness. A ausência de awareness é o
resultado de que o organismo não está em contato com o meio externo, criando o seu
próprio meio, e assim, provocando fantasias ou perdendo contato com a vida exterior.
Esses acontecimentos podem ser explicados a partir de diversos fenômenos, como:
repressão, ambiente cognitivo, caráter e estilo.
Cardella (2002) afirma que o processo de auto regulação organísmica está ligada
ao awareness do indivíduo, com isso a capacidade de discriminar e assimilar o que é
benéfico ou maléfico resulta na capacidade do indivíduo em crescimento no campo. A
awareness é a necessidade do indivíduo que possibilita a percepção e necessidade
predominante no momento presente, fechar uma gestalt.
Além disso, a awareness é um processo em constante mudança, pois é sempre
presente, fluida e dinâmica. Tornando-se possível saber o “o quê’ e “como” se faz algo,
favorecendo o contato de boa qualidade e a capacidade de diferenciação do eu-não eu.
Uma das funções da awareness é a distinção que o individuo pode perceber como
impedir, dificultar e bloquear sua comunicação e expressão. Podendo, dessa forma, dar-
se conta de relações e significações desconhecidas do próprio campo. Além de
possibilitar a percepção do presente, permite a revelação de situações inacabadas do
passado e resulta interferindo na vivência no presente (aqui-agora).
É caracterizada a partir do processo de contato pela sensação, excitação e
formação da gestalt. Para que ocorra a awareness, necessariamente deve ocorrer
primeiramente o contato, embora este possa acontecer sem a awareness. É de grande
importância identificar com o que a pessoa faz contato no seu campo, para que,
decorrente disso, tenha uma awareness.
A partir desse conhecimento do campo, flui a possibilidade do indivíduo tomar
posse de seu processo de existir e da maneira que percebe a situação que está presente.
Com isso, é possível que o indivíduo consiga identificar e responder de modo sensorial,
perceptual, emocional e cognitivamente do qual é de grande importância para o campo
organismo/meio.
De acordo com os conceitos expressados pelos autores conclui-se que awareness é
a capacidade que o indivíduo tem de se autoconhecer, podendo, dessa forma, ter
experiências nas quais estão presentes no contato e além do mesmo. E entender o
porquê e como as coisas acontecem durante as mudanças no campo. Além de ser a base
de toda a estrutura de ser, pois demonstra e exemplifica todos os acontecimentos do
indivíduo.
Kiyan (2006) afirma que awareness não tem tradução correspondente ao nosso
idioma, mas em geral, é traduzida como “consciência”, mas com um significado bem
mais amplo que a própria tradução, uma conotação que transcende este sentido
envolvendo um aspecto de maior peso do que a “consciência”.
Awareness é categorizado como um processo de contato que estabelece uma
relação com o campo, organismo e meio; com qualidade direcionada a atenção e
sentido. Fazendo com que seja um meio de experiência, um processo seguido do
contato, que é considerado um evento de maior importância no campo organísmico.
É considerado um processo fluido e dinâmico, levando ao resultado de
descobertas e uma apreensão de elementos presentes no campo. Ao que leva a
compreensão dos fatos e aos conhecimentos diretos da realidade da situação e de como
está inserido nela.
Awareness é sempre considerado um aqui-agora, multuamente desdobrando e
transcendendo situações. Com isso, é necessariamente destinado a experiência e saber
como e o que eu estou fazendo agora. Considerando a capacidade do agora estar em
constante mudança, um momento mutável, é o resultado do modo de ver o mundo e
como está inserido nele.

2. ANÁLISE DAS CENAS

2.1. CONTATO DE MÁ QUALIDADE


 Sidda (Sandra Bullock)
Quando o personagem Connor diz para sua noiva (Sidda) que acha melhor ela
resolver o problema com sua mãe para que seus filhos não se sintam do mesmo jeito em
relação a ela, percebe-se que ela apresenta uma percepção distorcida da situação, já que,
a partir do comentário dele, ela sente-se comparada à mãe ao ponto de arruinar a vida
dele e dos seus “hipotéticos” filhos. Essa consciência parcial que ela tem da mãe, a
levou a fazer um ajustamento criativo disfuncional adiando, mais uma vez, o casamento.
Tal atitude mostra uma situação inacabada, uma vez que ela mesma não tem certeza se
quer casar, pois vive com o medo de agir do mesmo modo que sua mãe em relação ao
seu marido e filhos.
 Vivi (Ellen Burstyn)
Na cena em que Sidda acorda Vivi com a queixa de que todos os seus irmãos
estão doentes, Vivi se vê em uma situação na qual não sabe como agir e apresenta uma
percepção distorcida da realidade quando afirma que o seu marido não a ajuda a cuidar
dos filhos. A consciência parcial que ela tem em relação à participação do marido nas
tarefas de casa faz com que ela apresente um ajustamento criativo disfuncional ao tapar
os ouvidos, mandar as crianças se calarem e não tomando nenhuma providência para
resolver a situação.

2.2. CONTATO DE QUALIDADE


 Sidda (Sandra Bullock)
No momento em que as amigas de Vivi revelam o verdadeiro motivo de sua
ausência na infância de Sidda, esta passa a ter uma percepção clara de que a culpa do
que aconteceu não foi sua, mas sim do vício de sua mãe. Após ter consciência plena da
situação, Sidda pode fazer um ajustamento criativo funcional decidindo conversar com
Vivi a respeito e reconhecer na mãe alguém que trouxe sofrimento para a sua vida por
motivos que não eram ligados à Sidda. Assim, ela pode reorganizar seu campo
perceptivo e fazer o fechamento dessa gestalt.

 Vivi (Ellen Burstyn)


Na cena em que Vivi reconhece os seus erros para Sidda, percebe-se que ela
apresenta uma percepção clara das lacunas que deixou durante a infância de seus filhos
e da responsabilidade que Sidda teve de assumir na ausência dela. Ao conscientizar-se
plenamente dos danos que causou e de que foram suas atitudes passadas que geraram
esta relação conturbada com Sidda, ela pode fazer um ajustamento funcional propondo-
se a conversar e expor seus sentimentos para então resolver o impasse.

3. FUNÇÕES DE CONTATO
Polster & Polster (1979) afirmam que geralmente, as pessoas utilizam a
linguagem para obtenção de contato. Nós entramos em contato a partir do que ouvimos
ou do que vemos, geralmente, isso se torna evidente ao indivíduo no momento em que
ele se sente comovido pela situação. As experiências de contato podem-se concentrar
em torno dos quatros sentidos, embora, envolvam em uma proeminência no toque.
Por causa da evidência do contato, é tentador dar prioridade somente ao próprio
toque, pois, desvalorizam-se os demais modos que se obtém contato do espaço. As
oportunidades de atingir o campo pessoal, através do espaço, aumentam com a
possibilidade da fala, da visão e da audição. Onde assumem condições superiores ao
toque diante de situações interpessoais oferecidas, como: a descoberta de uma palavra
bem colocada no contexto da historia, seja tão tocante quando um contato físico,
aumentando os modos de comunicações e condições para que ocorra contato.
Apesar dos cincos modos básicos de contato, são apresentados mais dois: falar e
movimentar-se. Com esses setes processos, pode-se afirmar que são as funções que
estão diretamente ligadas ao contato. Contudo, recorda-se que enquanto são descritos os
setes processos diferentes para que ocorra o contato, é necessariamente de grande
importância ressaltar que quando ocorre o contato, ele é o mesmo para todos os
sentidos.
O contato contínuo de uma situação, não necessariamente leva a ter um resultado
feliz, muito dos resultados dos contatos são infelizes. Mas é de suma importante para o
desenvolvimento e a humanização do indivíduo. Porém, o pavor que o indivíduo sente
quando presencia a infelicidade no contato, faz com o que o mesmo tenha um
movimento de redução dos contatos, para que ocorra a preservação da felicidade. Com
isso, inicialmente, todas as funções são vulneráveis a diminuição ou aumento do
contato, através do distanciamento ou desinteresse demonstrado diante da situação.

3.1. OLHAR
Em certas condições, o indivíduo constrói níveis de prioridades diante dos
contatos que dependem de acordo com a situação e o motivo. Porém, qualquer momento
é motivo para que o indivíduo mude de prioridade, assim, a capacidade a experiência
aumenta e torna-se uma pessoal vivaz, abertas a qualquer tipo de mudança dos contatos
para outros.
Assim, podemos distinguir dois tipos de contatos feitos a partir do olhar, esta
dicotomia também se aplica nas demais funções de contato. Um deles é o contato
evidencial, onde o olhar tem a capacidade de fornecer orientações para eventos ou ações
que demonstre um maior alcance, do que o ato olhar em si. O outro é o contato por-si-
mesmo.
Quando predominantemente é feio o contato evidencial, o contato torna-se mais
claro, onde é preciso que ocorra uma ação para que aconteça outra ação correlacionada,
como: olhar para um amigo enquanto conversa com o mesmo, para ter certeza que ele
ainda está lá ou ainda está interessado na conversa. Assim, pode-se representar o
contato evidencial como um acontecimento facilitador e de melhor entendimento sobre
situações decorrente do contato.
Entretanto, nem sempre ver é um prazer puro, maioria das vezes os sentimentos
que acompanham ou que resultam dos contatos podem ser instáveis. Onde existem
escolhas perigosas a serem feitas quando a habilidade do indivíduo de assimila aquilo
que pode ver, está no seu limiar e, com isso, podendo ocasionar um risco de uma
sobrecarga psicológica. Porém, a assimilação do contato visual dificilmente é alguma
coisa que possa ser tomada como certa. Como a experiência de fechar os olhos em certo
momento de medo, com isso, emprega-se muita energia para achar um meio de fugir do
contato visual.
Pode-se dizer que olhar para os lados é uma das formas de desviar o contato visual
e olhar fixamente para um ponto é a capacidade que o indivíduo tem de bloquear o
contato através de um enrijecimento muscular ocular. Assim, evitando situações onde a
aceitação e assimilações dos fatos ocasionam riscos, fazendo com o que o indivíduo
ative sua defesa.
O contexto do contato visual resulta diretamente na dimensão da experiência,
expandindo-se naquilo que aconteceu e naquilo que pode acontecer no campo. A
aceitação de cenas e compreensão das mesmas adiciona ao indivíduo como reagir diante
da situação ou como aceitar os acontecimentos presentes.

3.2. OUVIR
Polster & Polster (1979) afirmam que ação de escutar está diretamente ligada a
aceitação e a forma de um processo ativo aberto, onde quando um indivíduo realmente
consegue escutar está ativamente recebendo os sons fornecidos pela fonte. Porém, é
associado como um processo jovial, onde é frequentemente evitado e considerado um
contato secundário. Além de considerar que o comportamento de falar ou produzir sons
é obviamente mais ativo do que escutar.
O processo decorrente disto é a ação de manter suspenso contato de ouvir
enquanto se está escutando, pois é consideração um procedimento inevitável, por causa
da natureza recíproca do falar e escutar. Assim, tais contatos evidenciam um conflito
entre si. Contudo, não se pode escutar uma pessoa se estiver falando junto, pois o
movimento cerebral é incapaz de aceitar esse procedimento.
Afirma-se que o indivíduo aprimora a experiência do contato de escutar,
programando-se a não interromper a pessoa falando e simultaneamente ativar o
processo de escutar, aceitando, desta forma, o que se doa para si naquele momento.
Porém, o escutar não é suficiente se for usado somente para orientação quando a
posição de outra pessoa, mas tem com a função de orientação escutar com a base para
uma ação consequência.
As dificuldades apresentadas entre escutar e falar se tornam manifestos em uma
conversa com pontos de vistas diferenciados entre pessoas ou na capacidade que a
pessoa tem de selecionar o que vai escutar ou não, da mesma forma que tem essa
capacidade de decidir o que falar ou não.
Cada indivíduo aprende a construir no meu modo de viver a habilidade de escutar
com especialidades estabelecidas, seja ela a capacidade de escutar para apoiar, para
informação, para crítica, para fatos simples ou para complexidades que ele não
entenderá. Diante das distinções na forma de restabelecer o modo de atenção e o
processo de escutar, é preciso que o indivíduo escute a outra coisa além das palavras
que estão sendo faladas.
Outro método eficaz no contato da pessoa que está escutando é a iniciativa de
fazer o indivíduo repetir o que acabou de escutar, antes de responder. Essas técnicas
estão sendo bastante eficientes na clinica. Porém, há o modo também onde o individuo é
exposto a estar lidando não somente com a resistência de escutar, mas com a
necessidade de outra pessoa em permanecer não ouvida. A seletividade descrita no
processo de escuta pode ser a necessidade ou a demonstração que o indivíduo achou de
contar algo que ele tem medo de expor.
Esse escutar não é mais um escutar literal, já é um modo de orientação onde o
indivíduo escuta o que lhe é dito de forma onde cada palavra e significado se doa a ele,
formando assim o contato de escutar. Contudo, o ouvinte que esta em contato com outro
ouvinte, está em alerta no que está sendo doando a sua consciência naquele momento,
de tal forma que escuta mais do que simples palavras. O indivíduo escuta qualquer coisa
que signifique algo para si e é afetado por aquilo que ouve, resultando na formação de
um bom contato.

3.3. TOCAR
Polster & Polster (1979) falam que a maneira mais simples de obter contato é a
ação do toque. O toque é a iniciativa de alguns ideais e crescimento pessoal, como na
capacidade de obter informações e experiência a partir do contato sobre as coisas. Desta
maneira, a cautela torna-se indispensável para o individuo.
O tocar está recebendo uma propriedade sobre uma perspectiva má, pois muito
dele é encenado em condições nas quais ele emerge como artificial e não como uma
coisa necessariamente boa no contato. Assim, fazendo com que as pessoas possam
reconhecer o toque como algo detestável.
Contudo, o toque não é resultado inevitável de duas pessoas que se encontram
afetivamente. Pois, se um das pessoas está diretamente temeroso com a situação, as
expectativas catastróficas exercerão o seu efeito sobre o indivíduo. Desta forma, a
capacidade do indivíduo negar qualquer tipo de contato é de extrema necessidade pra si.
Quando um indivíduo afirma que não quer nenhum tipo de contato, esta
estabelecendo seu limite, isso não é um problema neurótico, mas podem ocorrer
episódios de desgastes em relações interpessoais. Nessas situações a pessoa pode fazer
contato, de forma disfuncional.
Afirmam que requer as identificações do não existencial, para o não
reconhecermos o não prematuramente, assim evitando situações que poderias torna-se
satisfatórias, desnecessariamente. Também explicam a necessidade do indivíduo
restabelecer as implicações dos sim, para que futuramente não entre em conflito sobre a
falta de limite estabelecida. Desta forma, tendo como resultado um bom contato de
acordo com a necessidade e disponibilidade de casa indivíduo.

3.4. FALAR
A função de contato falar possui duas dimensões: a voz e a linguagem. A voz é
tomada como um modelo expressivo e, dependendo de sua entonação, pode-se ter
muitas interpretações no momento da fala. Uma simples pergunta pode representar
diversas coisas que vai de uma verdadeira preocupação a um simples passatempo de
conversa sem sentido. A respiração também é um fator relevante, já que com a
respiração adequada e seu uso total na produção da fala a voz possui mais delicadeza e é
livre para vibrar, ressoar e modelar a energia. Porém, quando a respiração não é feita
adequadamente e o trabalho fica sobrecarregado sobre o aparelho vocal a voz soa de
maneira irritante, forçada e agressiva.
Quando emitida a voz possui um alvo, o indivíduo. O fato de penetrar o outro com
a voz é um ato agressivo, mas se ela for assimilável, harmoniosa e bem recebida haverá
um entrosamento. Algumas pessoas possuem voz para conversas intimas, ou seja, não a
projetam muito alta, mas adequada à distância necessária. Outros já não se adaptam a
este tipo de conversa, pois funcionam melhor num “falar ao público”.
Ainda nesta dimensão encontra-se o riso que também é um aspecto revelador do
contato de voz, assim como os já mencionados acima. Este pode traduzir não somente a
alegria, o contentamento, como também uma ansiedade, um desespero e até mesmo só
para chamar atenção mesmo que isso não venha a eliciar nem mesmo um sorriso em
outras pessoas.
Outra dimensão da função falar é a de linguagem. Esta é um dos agentes mais
importantes para que haja um efetivo contato. Ser claro, direto e simples são uns dos
fatores que ajudam a determinar se você está agindo assim com outras pessoas. Os
hábitos lingüísticos que determinada pessoa usa durante uma conversa ajudam bastante
a identificar coisas ao seu respeito como também a respeito daquilo que ela quer passar;
algumas pessoas são meticulosamente cautelosas com as palavras proferidas, outras,
porém, já não são tão cuidadosas assim e dificultam o que tentam passar.
Dentre as estruturas de linguagem é encontrado o circunlóquio que é uma forma
de dificultar as possibilidades de contato de linguagem, onde o sujeito fala o que se
poda chamar de “coisas sem sentido”, ao qual ele percorre por todos os caminhos
possíveis que ele acha ter alguma relação com o que quer dizer, causando assim uma
confusão em suas idéias, mesmo que estas sejam percebidas.
É possível encontrar dentro da linguagem os jargões e chavões. O jargão é um
truque lingüístico que se torna um hábito entre as pessoas, onde uma palavra pode ter
diversos significados já que esta palavra nunca é a mesma para duas pessoas diferentes e
nem mesmo para uma pessoa em circunstâncias distintas. Isso faz com que a mensagem
seja encoberta e recebida de maneira vaga, pois não possuem uma única configuração
de significado e são pouco facilitadoras de contato. Os chavões acontecem quando uma
pessoa se rotula de alguma maneira, afirmando, por exemplo, ser radical por colocar
seus mais simples atos numa linguagem mais excelsa.
A última estrutura dentro da linguagem são os jogos lingüísticos: superexplicar,
quando o sujeito tenta explicar o que a outra pessoa deve escutar e como ela deve
interpretar; repetir-se, quando uma primeira coisa dita não consegue estabelecer
contato, talvez seja necessária uma repetição daquilo que foi dito para que tal fenômeno
ocorra; sim-mas, neutralizador de contato similar, palavras vindas antes do “mas” são
uma forma de amaciamento e isolam o tema principal da afirmação; se semelhante ao
sim-mas.

3.5. MOVER-SE
Os movimentos tanto facilitam quanto impedem um contato. Um mímico é quem
exemplifica com maior clareza um contato, usando todas as partes móveis do corpo e
passando a mensagem que se quer, como uma expressão facial de surpresa ou uma
expressão corporal de choque.
A forma de como uma pessoa se senta, a forma como olha, como movimenta as
mãos, os pés, a postura que tem, posição da boca, dos olhos, das narinas, enfim todas as
partes do corpo dizem muito sobre uma pessoa fazendo-a ter contato com outra a partir
do momento em que esta pode “lê-la” através destas expressões.
No movimento estão presentes três princípios básicos. O primeiro deles é quando
o terapeuta faz o cliente utilizar os movimentos que ele possui presentemente, pois
qualquer atitude que realce aquilo que está acontecendo com ele já uma base de
mudança. O segundo princípio é guiar a consciência e atitudes do indivíduo, em pleno
exercício do movimento. O terceiro e último principio orientador é a busca das fontes de
apoio que há no corpo do indivíduo.
Todas as partes flexíveis do corpo humano, inclusive a parte pélvica e seguida
pelos olhos, são fundamentais a liberdade do movimento. Não manter contato é não se
movimentar e olhos e pescoço desempenham um importante papel para que esse contato
ocorra.

3.6. CHEIRAR E PROVAR


Cheiro e gosto são colocados em segundo plano em relação às outras funções já
que possuem apenas um papel próximo as situações vividas. Mesmo não tendo muito
prioridade como função de contato da vida cotidiana, eles são os mais presentes no
ambiente terapêutico.
O gosto é que delibera se um alimento é aceitável ou não, é também tanto um
estímulo quanto uma recompensa para comer. Pessoas ainda usam seus adjetivos para
classificar outras pessoas como “doces” ou “azedas”, referindo-se, assim, à capacidade
de avaliação das pessoas como boas ou ruins/apropriadas ou inadequadas.
Há contato no ato de degustar uma comida, pois existe um relacionamento integral
com qualquer coisa que esteja disponível no ambiente, e uma vez abandonado esse ato a
pessoa está a um passo de desvalorizar o contato geral.
O ato de cheirar é, provavelmente, a função de contato mais desprezada, sendo
que é uma das mais antigas, e nos animais a mais usada como função de contato entre
eles. Mesmo o homem menosprezando essa função ainda é encontrado na raça humana
através dos perfumes, estes são intensificadores de contato que mesmo mandando uma
mensagem estereotipada não deixa de ser uma característica de odor pessoal de alguém.
O fato de estar em algum lugar e sentir um perfume de alguém que lhe remeta à
lembrança de outra pessoa, isso é um contato.

4. ANÁLISE DA PERSONAGEM “VIVI” (ELLEN BURSTYN) EM


RELAÇÃO ÀS FUNÇÕES DE CONTATO

4.1. OLHAR
No momento em que Vivi lê a entrevista que Sidda deu à revista, percebe-se que
ela fez o contato evidencial quando olhou para a revista e identificou que deveria lê-la e
fez também o contato em si, já que o conteúdo da entrevista despertou nela sentimentos
de raiva e indignação em relação à filha.

4.2. OUVIR
Na cena em que Vivi desliga o telefone na cara de Connor, percebe-se que ela está
evitando o contato, pois o que ele tinha a falar ela não estava interessada em ouvir, já
que ela acreditava que estava certa e que a opinião de Connor não era válida.

4.3. TOCAR
Vivi e seu marido eram muito distantes e não mantinham contato físico há muito
tempo, porém no desfecho da cena em que Vivi bate na porta do quarto dele para
pergunta-lhe se tinha arruinado sua vida, os dois estabelecem um contato que vai além
das esteriotipias físicas de convenção social às quais estavam acostumados, através do
beijos, marido e mulher estabelecem um contato real.

4.4. FALAR
Após Vivi ter lido a entrevista de Sidda, ela liga para a filha, mas quem atende ao
telefone é o Connor. Ao falar com ele, Vivi apresenta uma tonalidade de voz amigável e
gentil, porém quando ouve a voz de Sidda ela muda a respiração, sua voz se
sobrecarrega sobre o aparelho vocal e torna-se irritante, forçada, soando metalicamente.
Isso mostra o seu descontrole ao ouvir a filha, o que a leva a desligar bruscamente o
telefone.

4.5. MOVER-SE
Na cena em que Vivi ainda nova, está em sua festa de aniversário, seu namorado,
Jack, a tira para dançar. Neste momento, percebe-se, através de sua linguagem corporal
e expressões faciais, que Vivi está mantendo contato com ele por meio da dança e que
aquele foi um momento agradável para ela, no qual ela pode desfrutar da companhia de
seu amado e deixar-se envolver pelo ritmo da música.

4.6. CHEIRAR E PROVAR


Na cena em que Sidda aparece tossindo no quarto de da mãe, Vivi diz para ela
tomar um pouco de água do copo que estava em seu criado mudo, porém só depois que
a filha provou o conteúdo do copo e tossiu ainda mais é que Vivi fez contato através do
cheiro e pôde fazer a discriminação entre água e vodka, constatando que aquilo não era
água.

5. RESENHA DO ARTIGO “RELAÇÃO ENTRE CRIATIVIDADE E


SAÚDE NA CESTALT TERAPIA”
De acordo com Ciornai (1995), “a relação da Gestalt Terapia com criatividade se
dá em três instâncias: na sua concepção existencial de ser humano, na sua concepção de
saúde e funcionamento saudável, e na sua metodologia”. Na primeira instância, que é a
visão existencial, todos os seres humanos têm possibilidade de escolha, ou seja, não
somos apenas um “produto” do meio, mas que podemos lidar criativamente com nossos
limites. Portanto, a Gestalt Terapia acredita que o homem está em constante processo de
devir e que pode tornar-se sujeito de sua história aumentando seu processo de awareness
nas situações.
Na segunda instância, entendemos os processos de ajustamento criativo como
sendo a assimilação, através das funções de contato, de elementos que enriqueçam o
indivíduo e o alienamento do que lhe parece tóxico. Porém, tais ajustamentos podem
não levar o sujeito a processos de crescimento saudável, pois às vezes as pessoas
desenvolvem mecanismos de defesa, que são a melhor resposta que conseguiram
desenvolver para lidar com a situação, que acabam limitando sua existência e só o que
pode facilitar a deliberação de novas atitudes é o processo de awareness.
Portanto, o funcionamento saudável vai ser caracterizado pela interação criativa
do indivíduo com o meio, fazendo com que esse indivíduo desenvolva, utilizando as
funções de contato, novas respostas às situações em prol do seu crescimento. Dessa
forma, saúde, para a Gestalt Terapia, seria a manutenção desse comportamento. Já o
funcionamento não saudável se dá através de obstruções no processo de enriquecimento
do indivíduo. Sendo assim, doença seria a ocorrência frequente desse tipo de
comportamento, gerando a cristalização e o empobrecimento dos contatos do indivíduo
com o mundo.
E, na terceira e última instância, a criatividade está presente na Gestalt Terapia no
sentido de que o terapeuta, desde que esteja de acordo com os embasamentos filosóficos
da abordagem, é livre para criar procedimentos e técnicas que o suportem nesse
processo ajuda prestada ao cliente, que visa à restauração de seu contato criativo com o
ambiente.
Portanto, a visão da Gestalt Terapia é acreditar que o homem está em constante
processo de devir e que pode tornar-se sujeito de sua história aumentando seu processo
de awareness nas variadas situações. Entretanto, esses processos podem ocorrer em
diferentes situações, como visto no artigo, onde o indivíduo pode ter a interação criativa
com o seu meio de forma funcional ou disfuncional. Com isso, o terapeuta está diante
de um processo no qual tem o livre poder para intervir no indivíduo e no seu meio.

6. ANÁLISE DA PERSONAGEM “VIVI” (ELLEN BURSTYN) EM


RELAÇÃO AO ARTIGO
Analisando Vivi e seus comportamentos e atitudes demonstrados no filme,
podemos dizer que, apesar de disfuncionais, os ajustamentos criativos apresentados por
ela se colocaram como sendo a melhor resposta para ela conseguir lidar com as
situações. Esses ajustamentos (beber, fumar, fugir de casa etc.) foram as atitudes que
Vivi conseguiu deliberar para conseguir lidar com a morte do homem que amava, com a
ausência do marido, com os pais e com os filhos, mesmo que tais ajustamentos não a
levaram a um processo de crescimento saudável. Pelo contrário, esses comportamentos
só interromperam seu processo de crescimento e, sendo a ocorrência desses
comportamentos frequente, podemos afirmar que Vivi se encaixa na concepção de
patologia apresentada por Ciornai (1995).
Portanto, fica claro que Vivi apresentou, durante boa parte do filme, ajustamentos
criativos disfuncionais, porém como todo indivíduo está em constante processo de
mudança, na cena em que ela reconhece os seus erros para Sidda e conscientiza-se
plenamente dos danos que causou aos seus filhos, bem como na cena em que se
desculpa com o marido e reconhece seus erros para com ele também, ela apresentou
ajustamentos criativos funcionais, já que ela concretizou o processo de awareness em
ambas as situações.

7. CONCEITO DE NEUROSE
Perls, Hefferline e Goodman (1997) definem a neurose como o resultado de
obstruções no ciclo de contato e perda das funções de ego do self, uma vez que na
obstrução do contato o que deveria ser rejeitado ou transformado é aceito passivamente,
tendo como conseqüência a divisão do self. No entanto, como a interrupção do contato e
a aceitação passiva do que deveria ser rejeitado é uma forma de defesa do self, no
sentido de tentar resolver um impasse existencial, no qual este se encontra diante de
uma situação que é ao mesmo tempo intolerável e inevitável, preferimos dizer que a
neurose é o resultado do enfraquecimento das funções de ego do self. Enfraquecimento
porque devido à imaturidade do self da criança e à sua condição de impotência,
fragilidade e dependência diante do adulto, suas funções de ego não são exercidas de
forma adequada às suas próprias necessidades, mas sim às necessidades do outro que
lhe são impostas. Em fim, diante de situações intoleráveis, as quais não podem ser
evitadas nem transformadas, o self, através de suas funções de ego, prioriza a
necessidade de sobrevivência em detrimento de seu prazer e de seu crescimento
harmonioso, produzindo as neuroses.

8. GÊNESE DOS AJUSTAMENTOS NEURÓTICOS

8.1. EVITAÇÃO DELIBERADA


A evitação ou inibição deliberada se constitui quando o indivíduo escolhe inibir o
excitamento imantado pelo dado atual por medo de perder o afeto de outra pessoa. Essa
evitação é funcional, porém é o primeiro passo para constituir um ajustamento criativo
neurótico, mas para isso é preciso que ocorra algo maior, como a repressão da inibição
deliberada.

8.2. HABITUALIZAÇÃO
O processo de habitualização ocorre quando o indivíduo passar a inibir seus
excitamentos imantados pelo dado atual de uma maneira constante, fazendo com que
isso se torne um hábito. Porém, a medida que o indivíduo evita seus excitamentos com
maior frequência, essa evitação passar a ser irreflexiva, ou seja, a pessoa evita mesmo
sem saber o por quê de estar evitando.

8.3. EVITAÇÃO REPRIMIDA


O processo de evitação ou inibição reprimida ocorre quando a pessoa não tem
consciência da evitação que está fazendo, ou seja, evita irreflexivamente. Isso se dá a
partir de uma situação inacabada que está presente no horizonte de passado (inatual) do
indivíduo e é imantada como um co-dado inatual para a demanda na série dos “agora”.

9. AJUSTAMENTOS NEURÓTICOS

9.1. CONFLUÊNCIA
A confluência é determinada como um não-contato do indivíduo, sem nenhuma
fronteira de self. Apresentam diminuição na assimilação do contato feito, e é levado em
consideração, que todos os hábitos e aprendizados são confluentes. O indivíduo está
confluente com tudo em seu campo que é fundamental, sem nenhum tipo de
dependência e sem necessidade de mudança desse campo.
É considerado neurótico quando essa assimilação com o campo não é reflexiva. É
como se o indivíduo estivesse se apegando a um comportamento para ter uma satisfação
e como essa nova excitação fosse roubá-lo.
Contudo, a demanda apresentada para a formulação do excitamento é bloqueada
na fronteira do dado atual, criando assim, uma espécie de vácuo entre ele e o dado atual.
Esse vácuo é preenchido por um modelo, considerado como demanda para a pessoa, de
forma irreflexiva. Isso gera um deslocamento do indivíduo de forma teatral, onde
implica seus significados de satisfação, em que seus comportamentos e atitudes são
adquiridos a partir de outras pessoas.
Deslocamento
no campo

? Impedimento do
excitamento

co-dado

Esta forma de ajustamento, por exemplo, foram encontradas no pai de Sidda e no


Connor, a partir do momento que cada um deles não conseguia viver suas próprias
vidas, e sim, as que a Sidda e Vivi demandavam a eles. E também nesse ajustamento, a
sociedade das YaYas apresentam situações onde uma vive absolutamente a vida da
outra, acabando sem ter personalidade fixa.

9.2. INTROJEÇÃO
A introjeção é a interrupção do processo natural que ocorre com o excitamento.
Nesse caso, o self introjeta, substituindo seu potencial pelos de alguma outra pessoa.
Este processo é normalmente a atitude do indivíduo com relação a todas as coisas e
pessoas das quais estão conscientes, mas sem ter tamanha importância. A situação se
torna neurótica a partir da circunstância onde a contrato é coercitivo com uma excitação
apresentada, na qual, evitar falar sobre conflitos adicionais ao seu próprio desejo, se
torna uma forma de inibição.
Neuroticamente a pessoa que se introjeta em determinadas situações, chega a um
acordo com sua própria frustração, invertendo o afeto apresentado antes que possa
reconhecê-lo. Esse modo de inverter o processo é obtido propriamente pelo processo de
inibição. Resultando na auto aceitação do indivíduo que o indesejável é o melhor pra si,
de uma forma conformada.
Neste processo, a demanda feita ao excitamento chega à fronteira do dado e é
correlacionada e resulta na inversão do afeto, onde o excitamento volta para o co-dado.
Fazendo com que o indivíduo demande uma forma de estratégia que evita suas próprias
ações, assim, não confrontando o outro. A satisfação é de modo masoquista, pois, não
impõem suas próprias opiniões e aceita o que é repassado a ele como verdade.
Deslocamento
no campo

Inversão do afeto

co-dado

Esse ajustamento foi encontrado no filme, nos personagens da Sidda e da Vivi. Por
exemplo, a situação da Vivi era com o relacionamento da mãe dela, pois havia
circunstâncias onde as duas não se davam bem e Vivi nunca se impôs a isso. No caso da
Sidda, era o mau entendimento entre ela e a Vivi, pois Sidda durante a infância nunca
contestou as ações da mãe com relação a ela ou aos outros filhos.

9.3. PROJEÇÃO
A projeção é formulada a partir dos conceitos onde a aceitação e o ambiente são
diferentes. O resultado da projeção é necessariamente desvinculado do sentimento,
também é desvinculada do self onde, o comportamento do indivíduo é de forma
expansiva ao que ele atribui a sua realidade. Assim, o indivíduo no seu ajustamento
criativo, tem a intuição de atribuir um sentido flutuante (no ar) as suas emoções que não
são providas dele mesmo, mas sim de outra realidade possível no ambiente.
Na projeção neurótica, o indivíduo não reconhece seu sentimento flutuante como
seu próprio sentimento, prioritariamente ele define esse sentimento como se fosse
vinculada com outra pessoa. Assim, o indivíduo age para evitar a frustração da emoção,
negando que seja sua. Com a relação ao ambiente, em prol do indivíduo projetivo, há
uma atitude provocativa inconfundível. É a necessidade que o indivíduo apresenta de
aproximação e o contato com o outro, já que não tem nenhum tipo de iniciativa.
Esse excitamento se da a partir da demanda apresentada ao co-dado, fazendo com
que o deslocamento no campo do indivíduo, seja responsabilizado por outra pessoa.
Desta forma, transformando a realidade em fantasia. Onde o projetor justifica no outro
as suas ações.
Deslocamento
no campo

Excitamento projetado no
outro

co-dado

Vivi apresenta ter ajustamento projetivo no momento em que responsabiliza Sidda


pelos seus sofrimentos e fala que ela é ingrata. Sidda faz o mesmo em relação a Vivi,
pois responsabiliza os anos de terapia e problemas por culpa da péssima infância que
teve, graças a mãe.

9.4. RETROFLEXÃO
A retroflexão é uma energia que orienta e manipula a totalidade de um indivíduo,
ou seja, uma situação é comprometida ambientalmente (dor, raiva, amor, etc). Assim,
faz com que o indivíduo tenha medo de se machucar ou machucar o outro. Tendo como
início as energias comprometedoras, que se volta contra o próprio campo e ameaçando a
sua própria personalidade.
Dessa forma, é diretamente gerando qualquer tipo de autocontrole e deliberando
um envolvimento difícil ao indivíduo, considerado desse jeito uma retroflexão.
Neuroticamente, o indivíduo evita a frustração tentando não estar envolvido como um
todo em uma situação. Pois, esse processo evitar é obsessivo e repetitivo pela natureza
da pessoa, por que qualquer tipo de modificação no meio só deve ser assimilado com
algo novo.
O excitamento é iniciado com uma demanda feitar a partir do co-dado e assim, o
deslocamento no campo é realizado. Mas como o indivíduo não reconhece a ação
apresentada no dado, o excitamento volta em direção ao co-dado e é energizado como
retroflexivo. A satisfação pessoal está no controle ativo das situações eminentes com os
outros, mesmo que isso lhe cause dor e sofrimento. Mas querer atenção e carinhos de
pessoas próximas é a satisfação necessária para o retroflexivo.
Deslocamento
no campo
Retorno do
excitamento

co-dado

A principal personagem encontrada que utiliza desse ajustamento é a Vivi. Onde,


responsabilizou a morte do homem que amava e as bebidas para justificar seu
sofrimento. Fazendo com que seu marido e filhos tivessem pena dela. Além, de
responsabilizar a Sidda, após a reportagem, fazendo drama para chamar atenção de
quem estava ao redor.

9.5. EGOTISMO
O egotismo é considerado como uma forma de interromper o processo de
renunciar o controle da situação, de ceder o comportamento que levaria ao crescimento
pessoal. Isto é, a pessoas necessariamente efetua uma redução da espontaneidade por
uma introspecção e assim, assegurando que não há nenhuma possibilidade de ameaça ou
perigo eminente, antes de se comprometer.
Para ser considerado um ajustamento neurótico, o egotismo faz uma tentativa de
aniquilação do incontrolável e do surpreendente. Uma forma de funcionamento onde a
frustração é completamente evitada pela pessoa, para controlar comportamentos no
processo do campo.
A excitação apresentada nesse ajustamento é a iniciativa da demanda feita a partir
do co-dado em direção ao dado atual, nesse processo a excitação é diluída. Causando
uma ação não necessariamente do indivíduo, mas uma ação que corresponde a situação
atual que a pessoa se encontra. A satisfação necessária adquirida do campo é a vaidade
da pessoa. Pois, isso resulta na dimensão do querer ser amado, mas sem poder ter
nenhum tipo de frustração. Além, de regularizar a separação da atitude para que a
situação seja segura ao seu ponto de vista. Um exercício de controle deliberado satisfaz
a sua vaidade e, geralmente, desprezo pelo mundo.
Deslocamento
no campo
Diluição do
excitamento

co-dado

A Sociedade das YaYas apresentaram esse ajustamento, pois o mundo para elas
era um completo caso desnecessário, onde cada uma vivia intensamente o momento e
não importava quem estava ao redor.

10. ENTENDIMENTO ACERCA DA CLÍNICA GESTÁLTICA A PARTIR


DA CRÔNICA “O GESTALT TERAPEUTA E O CHACAREIRO”

10.1. CAMILA TORRES KAWAGUCHI


A comparação feita, a partir, da crônica esclarece sobre o “poder” do terapeuta e a
liberdade de escolha do cliente. Onde o terapeuta tem um modo de facilitação do
ajustamento do cliente, mas não necessariamente esse cliente está disposto a contribuir e
aceitar esse modo de ajustamento oferecido. A meu ver, o terapeuta tem um poder linear
com seu cliente, disponibiliza um modo de facilitação na base do que o cliente está
disposto a contribuir e o campo que o mesmo se encontra, onde essa base é retirada
conforme o decorrer de suas sessões e de suas demandas.
Na crônica, percebi que há uma metáfora onde o chacareiro prepara seu terreno,
planta as suas sementes e espera a germinação. É a comparação de como o terapeuta
reage em relação aos seus clientes, onde o terapeuta exerce um modo enfrentamento
diante da demanda apresentada pelo cliente e como o terapeuta atribui isso ao modo de
ajustamento, e as condições facilitadoras para a demanda do cliente.
Contudo, a crônica teve uma analise que contribuiu para um fortalecimento no
meu conteúdo sobre o que é ser terapeuta. Mas com pouca diferença sobre o real que
acredito, pois, acredito que o terapeuta mostra ao cliente a demanda feita pelo mesmo,
onde muitas das vezes são desconhecidas. Então, não necessariamente o terapeuta
exerce uma função superior ao cliente (dizendo o que fazer e como fazer).
10.2. CARLA VALÉRIA DE OLIVEIRA GOMES
Em um texto muito bem escrito a crônica do chacareiro mostra de uma forma
diferente uma possível atitude do gestalt terapeuta, porém ele fala que o chacareiro"cria
todas as condições de facilitação que estão ao seu alcance e nada mais", quando na
verdade o gestalt terapeuta caminha junto ao seu cliente para junto com ele encontrar as
condições de facilitação que o ajudaram a entender melhor, e até mesmo, uma
resolução para seu prolema.

10.3. JÉSSICA LORENA FERREIRA AGUIAR


A Gestalt-terapia procura compreender o homem como uma totalidade, um
sistema organizado, sem distinguir ações corporais e mentais, sabendo que se algo muda
em uma dessas partes, a organização geral tender também a mudar.
Essa abordagem psicológica também se foca na relação indivíduo-meio, ou seja,
busca compreensão no relacionamento que o homem mantém com o meio em que vive,
a partir de suas ações sobre o mesmo (sua criatividade, seu poder de recuperação e
transformação, sua capacidade de construção e reconstrução, etc.), visando alcançar o
verdadeiro sentido do seu viver.
Nesse contexto, o gestalt-terapeuta vai ao encontro da realidade do cliente
investigando suas experiências humanas diante do mundo, utiliza desses conhecimentos
para compreender seu cliente, levando também em consideração todas suas
manifestações de dimensões sensoriais, afetivas, intelectuais, corporais, etc... Tudo isso
visando alcançar a totalidade e singularidade da relação do cliente consegue mesmo e
com o mundo, a fim de entender o sentido de sua vida. Este especialista também vai
atrás da realidade de seu paciente, investigando como suas experiências acontecem e se
processam. Apesar de tudo, o gestalt-terapeuta é só um facilitador, já que quem na
verdade dará sentido na relação cliente-meio, será o próprio cliente, começando assim
um processo de conscientização sobre si mesmo na relação com o mundo, tanto aquilo
que é saudável quanto o que não é saudável na busca pela satisfação das suas
necessidade, para facilitar esta compreensão, o profissional deixa de lado seus
julgamentos e pré-conceitos, vendo apenas a situação do paciente naquele momento
presente, assim ajudando-o em seu auto-conhecimento.
10.4. LÍDIA MACHADO DA SILVA
Na crônica, o autor descreve como o chacareiro, que metaforicamente seria o
gestalt terapeuta, prepara o seu terreno para a germinação de suas sementes, porém, no
meu entendimento, não cabe ao gestalt terapeuta criar projetos para o seu cliente,
tampouco imaginá-lo e percebê-lo a partir da sua concepção de verdade, pois, dessa
forma, o terapeuta mostra ser insuficiente sua crença nas potencialidades humanas e na
capacidade de desenvolvê-las, não permitindo assim que o cliente cresça
individualmente.
Percebi no texto também o peso da palavra “terapeuta”, que acaba gerando em
quem exerce esse papel uma superioridade que não é benéfica para a pessoa que
procura ajuda, por isso, concordo com o termo steward colocado pelo autor, que é a
pessoa que quer cuidar, servir e acredita plenamente na capacidade do outro de fazer
suas próprias escolhas e seguir seu próprio caminho. Dessa forma, tudo na relação
terapêutica importa, desde a energia empregada pelo terapeuta naquele ambiente até a
sua postura, que deve ser de facilitação das condições que estão ao seu alcance e nada
mais.
Ter e acreditar na capacidade de se auto-gerir, para mim, implica na quebra do
conflito genuíno ente o indivíduo e as sociedade, pois mostra que cada pessoa tem sua
individualidade, seus desejo e metas e não é apenas um fantoche que segue todas as
regras socialmente aceitas. Portanto, juntamente com o autor, eu digo não ao
crescimento massificado e sim ao crescimento individualizado!

11. PROPOSTA DO GRUPO DE INTERVENÇÃO PARA A PERSONAGEM


“VIVI”
A princípio vimos que ela possui diversos ajustamentos criativos disfuncionais,
como a ingestão excessiva de álcool, o fumo, o vício em remédios, agressão física
contra os filhos e a fuga de casa, que ocorreram ao longo de sua vida, mais
especificamente durante o seu casamento e após o nascimento dos filhos. Estes
ajustamentos disfuncionais se deram em seu self, em um momento de fragilidade
emocional no qual Vivi se encontrava, já que este foi o único meio que ela encontrou
para tomar o lugar das ações realmente nutritivas para sua auto-estima.
A função do gestalt-terapeuta é ajudá-la a chegar ao processo de awareness e isso
só será possível quando todos seus ajustamentos criativos disfuncionais forem para o
âmbito reflexivo e ela passe a ter contato com todas estas experiências, e com o fato de
que suas atitudes, apesar de não julgá-las como as melhores, foram as melhores que
pôde fazer de acordo com a situação que vivia (ambiente).
REFERÊNCIAS
CARDELLA, B. H. P. A. A Construção do Psicoterapeuta: uma abordagem
gestáltica. São Paulo: Summus, 2002.

CIORNAI, Selma. Relação entre criatividade e saúde na Gestalt Terapia. Revista do


Instituto de Treinamento e Pesquisa em Gestalt Terapia, Goiânia: 7 páginas. 1995.

D’ACRI, C.; LIMA, P.; ORGLER, S. Dicionário de Gestalt Terapia: “Gestaltês”.


São Paulo: Summus, 2007.

KIYAN, A. M. M. E a Gestalt Emerge: vida e obra de Frederick Perls. São Paulo:


Altana, 2006.

PERLS, F. A Abordagem Gestáltica e Testemunha Ocular da Terapia. Rio de


Janeiro: Guanabara, 1988.

PERLS, F. S.; HEFFERLINE, R. F.; GOODMAN, P. Gestalt Terapia. São Paulo:


Summus, 1997.

POLSTER, E. & POLSTER, M. Gestalt-Terapia Integrada. São Paulo: Summus,


1979.

RIBEIRO, J. P. O Ciclo do Contato: temas básicos na Abordagem Gestáltica. São


Paulo: Summus, 1997.

RIBEIRO, W. F. R. O Gestalt Terapeuta e o Chacareiro. Revista de Gestalt, Porto


Alegre: 5 páginas. 1992.

YONTEF, G. Processo, Diálogo e Awareness. São Paulo: Summus, 1998.

Você também pode gostar