Você está na página 1de 18

PSICOLOGIA – 12º ANO 1

RELAÇÕES INTERPESSSOAIS

A área da psicologia que estuda como pensamos e nos comportamos em situações


sociais tem o nome de psicologia social.

Podemos dividir a psicologia social em duas dimensões: a cognição social e a


influência social.

A cognição social estuda a forma como pensamos (cognição) acerca dos outros e
de nós próprios.

A influência social designa o estudo da forma como os outros influenciam o


nosso comportamento.

AS IMPRESSÕES

Porque nos vestimos bem quando vamos a uma entrevista para um emprego ou a
um primeiro encontro com determinadas pessoas?

Num estudo realizado em 1946, Solomon


Asch deu a um grupo uma lista com as
características e traços psicológicos de uma
pessoa e pediu-lhes para escreverem as
impressões que dela formaram.

A outro grupo deu outra lista com as mesmas características, mas na ordem
exatamente inversa

Pessoa A Pessoa B
Inteligente Invejosa
Trabalhadora Obstinada
Impulsiva Crítica
Crítica Impulsiva
Obstinada Trabalhadora
Invejosa Inteligente

Apesar de as características serem as mesmas, avaliaram mais positivamente uma


delas porque tinha as características positivas em primeiro lugar.
PSICOLOGIA – 12º ANO 2

Concluiu-se que a primeira informação é a que tem maior influência sobres as


nossas impressões. Portanto, a ordem com que conhecemos as características de
uma pessoa não é indiferente para a formação de impressões sobre ela.

No primeiro contacto que temos com alguém que não conhecemos, construímos
uma imagem, uma ideia sobre essa pessoa (“Tenho a impressão que ela é uma
pessoa orgulhosa”), selecionando alguns aspetos que consideramos mais
significativos: – efeito de ordem ou de primazia.

IMPRESSÕES E CATEGORIZAÇÃO

Temos a tendência para colocar as pessoas em categorias sociais, com base em


critérios como a boa aparência física, a competência ou a capacidade de
comunicação oral.

Julgamos mais positivamente as pessoas cujo aspeto é semelhante ao nosso.

Categorias sociais seriam, por exemplo, “belo é bom”, “introvertido é antipático”


ou “gorducho é bem disposto”.

Não é possível armazenar toda a informação referente aos objetos, às pessoas com
quem contactamos. Assim sendo, reagrupamo-los em diferentes classes a partir
do que consideramos serem as suas diferenças e semelhanças – categorização.

Podemos dizer que a inclusão da pessoa numa determinada categoria contempla


três tipos de avaliação:
 Afetiva – gostamos ou não da pessoa;
 Moral – consideramos a pessoa boa ou má;
 Instrumental – se é competente ou incompetente.

A forma simplificada como classificamos a pessoa permite comportarmo-nos de


forma segura na relação interpessoal.

Ao desenvolvermos expectativas sobre o comportamento dos outros através das


impressões que formamos, podemos planear as nossas ações, o que é um
facilitador no processo das interações sociais.
PSICOLOGIA – 12º ANO 3

IMPRESSÕES E EXPECTATIVAS

Quando conhecemos alguém não nos ficamos apenas com a primeira imagem que
resulta desse primeiro contacto: criamos expectativas que decorrem das
características que apreendemos nesse encontro.

A partir de alguns indicadores, prevemos o seu comportamento e as suas atitudes,


isto é, desenvolvemos determinadas expectativas – modos de categorizar as
pessoas através dos indício e das informações, prevendo o seu comportamento.

As expectativas são mútuas, o outro com quem interagimos desenvolve, também,


expectativas em relação a nós.

A psicologia social dedica um grande interesse ao estudo das expectativas porque,


em certa medida, nós comportamo-nos tendo em conta o que os outros esperam
de nós.

Robert Rosenthal (psicólogo norte-americano)


testou , em 1973, os efeitos das expectativas
dos professores nos resultados dos alunos.

Um grupo de 100 alunos foi aleatoriamente


distribuído por 5 turmas. Eram todos bons
alunos a Matemática. Contudo, disse-se aos
professores que umas turmas eram constituídas
por bons alunos e outras por alunos fracos.

Nas turmas supostamente compostas por


melhores alunos verificou-se um rendimento
académico superior ao das restantes.

Numerosos estudos deste investigador mostraram que os professores com


expectativas de bons resultados por parte de alguns alunos, tratam-nos de forma
diferente.

Em resposta, as crianças desenvolvem uma autoimagem positiva das suas


capacidades escolares e trabalham mais – autorrealização das profecias.
PSICOLOGIA – 12º ANO 4

EXPECTATIVAS, ESTATUTO E PAPEL

Ao construirmos a impressão de que uma pessoa é inteligente, formamos também


uma expectativa acerca do seu comportamento ou desempenho.

Esperamos que tenha um bom desempenho na resolução de problemas, sejam eles


práticos ou teóricos. Por outras palavras, temos a tendência para atribuir a causa
do seu sucesso à sua inteligência.

As nossas expectativas baseiam-se no nosso conhecimento social. Podem basear-


se no género, na idade, em traços de personalidade, no grupo étnico, na classe
social a que os indivíduos pertencem e nos estatutos e papéis que temos e
desempenhamos.
Estatutos e papéis são modelos sociais de comportamento que dão a um indivíduo
um quadro de referência relativamente estável para a relação com os outros e
permitem formar expectativas relativamente seguras acerca do comportamento
dos indivíduos no meio social.

O papel é o conjunto de deveres que os membros do grupo ou da sociedade a que


pertencemos esperam que cumpramos.

Por exemplo, enquanto professor, devo corresponder a legítimas expectativas dos


alunos (respeito, cumprimento de programas, capacidade pedagógica, empenho,
etc.).
Por outro lado, o estatuto é o conjunto das obrigações e dos comportamentos que
legitimamente esperamos que os outros cumpram em virtude da nossa posição
social.

Por exemplo, os meus alunos devem-me respeito, empenho e participação no


processo de aprendizagem, etc.
É esta a interação entre estatuto e papel: o meu papel exige o reconhecimento dos
direitos dos outros; o meu estatuto exige aos outros o reconhecimento dos meus
direitos.
PSICOLOGIA – 12º ANO 5

AS ATITUDES

Atitudes são avaliações (juízos de valor) aprendidas no processo de socialização


e relativamente estáveis, de sinal positivo ou negativo, a respeito de algo ou de
alguém.

Uma atitude não é um comportamento mas sim uma predisposição aprendida para
reagir de forma positiva ou negativa em relação a determinada situação, pessoa
ou objeto social.

Como diz Allport, uma atitude é gostar ou não gostar de alguma coisa ou de
alguém, o que influencia o nosso comportamento em relação a essa coisa ou
alguém.

De acordo com o psicólogo Howard H. Kendler, a sua atitude para com a religião
determinará provavelmente o que faz ao domingo de manhã. A sua atitude para
com as pessoas do sexo oposto afetará, até certo ponto, a escolha da pessoa e da
altura em que vai casar, se o fizer. A sua atitude para com a função do governo
influenciará o seu comportamento político.

FORMAÇÃO DAS ATITUDES

As atitudes formam-se e aprendem-se no processo de socialização, no meio social


onde estamos inseridos.

Agentes sociais – responsáveis pela formação de atitudes – pais e família, escola,


grupo de pares e os media. Os pais são como modelos com os quais as crianças se
tentam identificar.

Atualmente os media têm muita influência na formação de novas atitudes e


reforço das que já existem, tudo isto através de publicidade, telenovelas e filmes.

É através da observação, identificação e imitação dos modelos que se aprendem,


que se formam atitudes. Esta aprendizagem ocorre ao longo da vida, mas tem
particular prevalência na infância e adolescência.

Isto não significa que depois destas idades as atitudes não possam mudar. Há, no
entanto, uma tendência para a estabilidade das atitudes. As experiências vividas
pelo próprio podem conduzir à alteração das atitudes.
PSICOLOGIA – 12º ANO 6

COMPONENTES DAS ATITUDES

Componente • Conjunto de ideias, informações e crenças que se têm


cognitiva sobre um dado objeto social (pessoa, grupo, objeto,
situação).

Componente afetiva • Conjunto de valores, sentimentos e emoções, positivos


ou negativos, relativamente ao objeto social (pessoa,
grupo, objeto, situação).

Componente • Conjunto de reações, de respostas face ao objeto social


comportamental (pessoa, grupo, objeto, situação).
• Esta disposição para agir de determinada maneira
depende das crenças e dos valores que se têm
relativamente ao objeto social.

DISSONÂNCIA COGNITIVA

Leon Festiger, psicólogo social, levou a cabo uma investigação a partir da qual
elaborou a teoria da dissonância cognitiva.

Sempre que uma informação ou acontecimento contradiz o sistema de


representações, as convicções, a atitude de uma pessoa, gera-se um mal-estar e
uma inquietação que têm de ser resolvidos: ou se muda o sistema, ou se
reinterpreta a informação que o contradiz, ou se reformulam as crenças.

A dissonância cognitiva é um estado psicológico desagradável resultante do


conflito entre as nossas atitudes e o nosso comportamento.
PSICOLOGIA – 12º ANO 7

Para aliviar a tensão psicológica, é provável que a pessoa procure diminuir a


importância dos elementos dissonantes, recorrendo a argumentos do tipo:

 Há fumadores de idade avançada que vendem saúde.


 Há pessoas que nunca fumaram e têm cancro.
 Ter cancro depende mais da predisposição genética do que do tabaco e na
minha família não há casos de cancro.
 Mais vale morrer feliz aos 70 anos do que infeliz aos 80.

Segundo a teoria da dissonância cognitiva, para reduzir a tensão psicológica, as


pessoas tendem a racionalizar e a distorcer a realidade, adotando atitudes que se
ajustem melhor ao seu comportamento.

ESTEREÓTIPOS, PRECONCEITOS E DESCRIMINAÇÃO

Os estereótipos são crenças ou representações rígidas e simplificadoras sobre as


pessoas, grupos e instituições que resultam de uma generalização excessiva.

Ver os ingleses como pessoas pontuais, os nórdicos como frios e os latinos como
exuberantes é encará-los sob uma perspetiva estereotipada, isto é, estamos a
atribuir-lhes características que a sociedade solidificou para se lhes referir.

De qualquer modo, sempre que nos lembramos dos carateres raciais, étnicos,
nacionais ou sexuais que vulgarmente as pessoas atribuem a povos e a grupos,
estamos em presença de estereótipos.
PSICOLOGIA – 12º ANO 8

Enquanto formas cristalizadas de ver, de pensar e de atuar, os estereótipos têm


fortes relações com os preconceitos. Isto verifica-se, por exemplo, quando alguém
assume, infundadamente, uma atitude negativa em relação a pessoas ou grupos,
tendendo a discriminá-los.

Os preconceitos são uma atitude geralmente negativa em relação a membros de


um grupo, resultante de um juízo desfavorável que foi prévia e infundadamente
constituído.

As ideias e os sentimentos que se têm em relação aos homossexuais, polícias,


arrumadores de carros e prostitutas geram muitas vezes comportamentos
injustificáveis de evitação ou violência relativamente a elementos desses grupos.

É que as pessoas com preconceitos raciais, étnicos, sexistas ou outros comportam-


se não de acordo com as características reais dos indivíduos com que se deparam,
mas de acordo com o que sentem em relação ao grupo e com as características que
acreditam que o grupo possui.

A discriminação é o comportamento dirigido aos indivíduos visados pelo


preconceito. Segundo Allport, discriminação é “todo o comportamento que nega
aos indivíduos e aos grupos a igualdade de tratamento que eles mereceriam”.

AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

As representações sociais são um conjunto de explicações, crenças e ideias que


são aceites por uma dada sociedade ou por grupos sociais. É um saber partilhado,
produto das interações sociais, e que funciona como um regulador do
comportamento.

As representações sociais, frequentemente, são associadas ao conhecimento de


senso comum e são características de uma determinada época, sociedade e cultura.

Um bom exemplo disto é a representação da mulher nas sociedades ocidentais.


Contemporaneamente, para além de ser mãe de família, desenvolve uma atividade
profissional em que procura como é evidente ser bem sucedida.

Esta representação que, atualmente é tida como desejável, seria impensável no


início do século XX, cuja representação social era da mulher que ficava em casa
a cuidar dos filhos e das tarefas domésticas.

Outro exemplo onde é evidente a mudança da representação é no ideal de mulher


bonita. A imagem robusta, com ancas arredondadas, associada ao que se
considerava um corpo bonito e esbelto, deu lugar a um ideal em que dominam os
corpos magros e esguios.

É através do conjunto das representações sociais partilhadas que os membros de


um grupo se entendem e comunicam entre si.
PSICOLOGIA – 12º ANO 9

A INFLUÊNCIA SOCIAL

A influência social designa o processo pelo qual as pessoas modificam, afetam


os pensamentos, sentimentos, emoções e comportamentos de outras pessoas.
O processo de influência social ocorre no contexto dos grupos sociais e é uma
consequência da interação social.
A influência social manifesta-se em três grandes processos: a normalização, o
conformismo e a obediência.

A NORMALIZAÇÃO

A normalização pode ser definida como o conjunto de normas/regras/padrões que


orientam a vida em sociedade, influenciando o modo como pensamos e nos
comportamos. A normalização conduz ao conformismo.

As normas fazem parte integrante da vida social, sendo veiculadas através do


processo de socialização. São uma expressão da influência social.
As normas refletem o que é socialmente desejável numa dada cultura,
regulam as interações sociais e orientam o comportamento. Na maior parte das
vezes, não temos consciência de que as estamos a cumprir.

Assumidas pelos elementos de um grupo, as normas traduzem o conjunto de


valores, atitudes, constituindo-se como fator de coesão grupal.

As normas são, assim, agentes promotores da ordem e estabilidade nos


relacionamentos sociais, permitindo prever o comportamento daqueles com quem
se convive.

O CONFORMISMO

O conformismo é a tendência das pessoas para aproximarem as suas atitudes e


comportamentos das atitudes e comportamentos dos outros elementos do grupo.
O conformismo conduz à obediência.

O ser humano sente-se, por vezes, condicionado pelo grupo (família, escola,
amigos, etc.), que o induz a executar atos aceitáveis e a inibir atos reprováveis.

A adaptação aos outros leva os indivíduos a aceitar as normas sociais vigentes,


sem o que não seria possível integrar-se de modo estável e duradoiro nos
diferentes contextos.
PSICOLOGIA – 12º ANO 10

Por isso, o conformismo é uma atitude desenvolvida e altamente valorizada na


vida social.

Há, no entanto, o perigo do pensamento grupal em que os elementos de um grupo


perdem a capacidade crítica em proveito da vontade geral.

Alguns psicólogos sociais têm vindo a estudar casos de conformismo, destacando-


se as experiências desenvolvidas por Solomon Asch, em 1951.
PSICOLOGIA – 12º ANO 11

A OBEDIÊNCIA

A obediência é a tendência das pessoas para se submeterem e cumprirem normas


e instruções ditadas por outrem.

A obediência é uma mudança de comportamento em resposta a ordens e


instruções de alguém reconhecido como autoridade.

Alguma obediência é necessária para que uma sociedade ou um grupo funcionem,


mas a obediência acrítica pode conduzir a comportamentos e práticas atrozes,
desumanas. O problema da obediência é o de saber até que ponto é legítimo
obedecer.

As experiências levadas a cabo por Milgram levaram-no a concluir que há


condições que favorecem o comportamento de obediência. Destacou algumas
dessas condições: a proximidade com a figura de autoridade, a sua legitimidade,
a proximidade da vítima e a pressão do grupo.

A EXPERIÊNCIA DE SATANLEY MILGRAN

1.Um voluntário apresentava-se para participar na


experiência, sem saber que seria avaliado na sua
capacidade de obedecer a ordens. Era colocado no
comando de uma falsa máquina de infligir
choques;
Os sujeitos participavam, num suposto papel de
“professor”, numa experiência sobre
“aprendizagem”;

2. A máquina estava ligada ao corpo de um


homem mais velho e afável, que era submetido a
uma entrevista numa sala ao lado. O voluntário
podia ver o homem mais velho, mas não era visto
por ele;

3. O voluntário era instruído por um investigador


a acionar a máquina de choques todas as vezes
que a pessoa errava uma resposta. A intensidade
dos choques aumentava supostamente 15 volts
por cada erro cometido, desde 15 (marcado na
máquina como “choque ligeiro”) até
450 volts (marcado na máquina como “perigo;
choque severo”);
PSICOLOGIA – 12º ANO 12

4. À medida que a intensidade dos choques


aumentava a pessoa queixava-se cada vez mais
até que se recusa a responder;

O experimentador ordenava ao sujeito para


continuar a administrar choques.”Você não tem
alternativa, tem que continuar”;

Os resultados mostram que a grande maioria dos sujeitos, mais especificamente


65%, foram até ao máximo dos choques. Um facto surpreendente dado que estava
envolvido o sofrimento de outras pessoas.

Esta é uma das experiências mais conhecidas e mais polémicas da psicologia


social moderna, sobretudo pelos seus resultados que mostram que “uma
proporção substancial de pessoas faz o que lhe mandam, qualquer que seja o
conteúdo do ato e sem entraves de consciência, desde que considerem o comando
como emitido por uma autoridade legítima” (Milgram, 1965)

INCONFORMISMO E INOVAÇÃO

O inconformismo é a adoção de conceções, atitudes e comportamentos que não


correspondem às expectativas do grupo.

Muitas vezes o indivíduo rejeita normas, revolta-se contra costumes e tradições,


chegando até a adotar formas violentas de conduta em relação a tudo o que julga
ser autoridade social.

Ser inconformista não significa apenas ser marginal, ser criminoso, ou ser autor
de escândalos em termos de moral pública e de costumes. Há mesmo casos em
que o inconformismo e a desobediência produzem efeitos sociais mais positivos
do que negativos.

O inconformismo é o grande incentivo de inovações científicas e tecnológicas,


bem como de grandes revoluções no campo da filosofia e da criação artística.

É o caso de Copérnico, inovador na Astronomia, de Darwin, na Biologia, de Freud,


na Psicologia, de Galileu e Einstein, na Física, de Picasso, na Pintura, de Marx,
na Filosofia, ou de Gandhi, na Política. A autonomia do pensar tem, muitas vezes,
de se rebelar contra a autoridade instituída.

Normalmente, a inovação ocorre quando o processo de influência social é


promovido por uma minoria que visa as mudanças das normas e regras sociais de
um dado grupo ou sociedade.

O inconformismo e a desobediência são salutares quando as pessoas julgam ser


necessário alterar normas e costumes que deixaram de ter sentido, teimando a
impor-se por meros hábitos de rotina.
PSICOLOGIA – 12º ANO 13

Assim, o inconformismo pode ser eficaz na luta contra preconceitos sociais


negativos, como o que em anos transatos proibia as mulheres de votar, guiar
automóvel e ocupar lugares de chefia.

O mesmo se passa em regimes políticos ditatoriais e quando se dão ordens


arbitrárias, inexequíveis e injustas.

O escritor inglês C. P. Snow afirma que “se cometem mais crimes em nome da
obediência do que em nome da contestação”. De facto, se os oficiais nazis se
tivessem recusado a obedecer às ordens de Hitler, teriam evitado a ocorrência de
atrocidades, talvez das mais bárbaras da história da humanidade.
PSICOLOGIA – 12º ANO 14

INDIVÍDUOS E GRUPOS

O que nos atrai noutras pessoas?

Como se desenvolvem relações de intimidade e de amor?

O que nos afasta dos outros e como se desenvolvem relações de conflito e de


agressividade, relações pró-sociais e antissociais?

As relações que se estabelecem entre os membros de um grupo estão marcadas


pela afetividade, estabelecendo entre si diferentes tipos de interação.

As relações podem ser marcadas pela atração, agressão e intimidade, entre outras.

ATRAÇÃO

Os fenómenos de atração dizem respeito aos componentes afetivos das relações sociais,
em particular às atitudes, emoções e sentimentos positivos que experimentamos na
relação com os outros.

É possível indicar um conjunto de fatores responsáveis pela atração:

Proximidade - quanto mais as pessoas se virem e conviverem, mais familiares


se tornam e mais laços de simpatia e de amizade estabelecem;
Atração física - a boa aparência exterior é um dos principais motivos de atração
física;
Semelhanças interpessoais - temos tendência a aproximar-nos de pessoas que
têm opiniões, crenças, valores e pontos de vista semelhantes aos nossos;
Complementaridade - as pessoas também são atraídas por características que
elas não possuem, o que torna o outro atraente;
Reciprocidade - temos tendência a “gostar de quem gosta de nós”.

INTIMIDADE E AMOR

A intimidade é a partilha de sentimentos, pensamentos e experiências numa


relação de abertura, sinceridade e confiança.

Amar será a mesma coisa que gostar?

O psicólogo Zick Rubin aplicou dois questionários – “a escala de amar” e “a


escala de gostar” – a centenas de estudantes que “saíam juntos”, que teriam de se
pronunciar sobre os parceiros, concordando ou discordando de afirmações
constantes de uma imensa lista.
PSICOLOGIA – 12º ANO 15

A análise das respostas permitiu concluir que se trata de coisas distintas. Enquanto
“gostar” exige afeição e respeito, “amar” apresenta como principais parâmetros:

VINCULAÇÃO Necessidade do outro, da sua presença física e apoio emocional.

PREOCUPAÇÃO Cuidar do outro, sentindo-se responsável pelo seu bem-estar.

INTIMIDADE Desejo de comunicação profunda e confidencial.

A partir das conclusões a que Rubin chegou, é possível estabelecer uma definição
genérica para o amor romântico e apaixonado, aquele que passaremos a designar
simplificadamente pela palavra amor.

Amor é uma emoção caracterizada por uma intensa concentração no objeto amado a
que se associa forte excitação fisiológica e um desejo constante da sua presença.

Sternberg propões a teoria triangular do amor, segundo a qual este sentimento


pode ser esquematizado como uma triângulo cujos vértices são ocupados por cada
um destes sentimentos: intimidade, paixão e decisão/compromisso.
PSICOLOGIA – 12º ANO 16

PAIXÃO INTIMIDADE COMPROMISSO TIPOS DE AMOR


alto baixo baixo Paixão
baixo alto baixo Amizade
baixo baixo alto Amor vazio
alto alto baixo Amor romântico
baixo alto alto Amor companheiro
alto baixo alto Amor fátuo (curta duração)
alto alto alto Amor

A AGRESSÃO

A agressão é o comportamento hostil e violento, dirigido a um alvo considerado


como obstáculo às pretensões do indivíduo.

A agressividade é o modo mais comum de reagir à frustração, surgindo não só no


adulto, mas também na criança e no animal.

FORMAS DE AGRESSIVIDADE QUANTO À INTENÇÃO

Agressão hostil: é um comportamento impulsivo, que visa causar danos ao outro,


mesmo que isso não traga qualquer vantagem para o agressor (por exemplo, um
condutor bate propositadamente na traseira do automóvel que o ultrapassou).

Agressão instrumental: é um comportamento planeado (e não impulsivo), que


visa obter algo (por exemplo, um assaltante agride um funcionário do banco, mas
o seu objetivo é roubar dinheiro).

FORMAS DE AGRESSIVIDADE QUANTO AO ALVO

Agressão direta: dirigida contra a fonte de frustração (por exemplo, a criança


bate no colega que lhe tirou um brinquedo).

Agressão deslocada: dirigida contra um alvo alheio à frustração (por exemplo,


frustrada, uma criança dá um pontapé a um brinquedo).

Autoagressão: dirigida contra si próprio (o suicídio é a forma extrema de


autoagressão).
PSICOLOGIA – 12º ANO 17

FORMAS DE EXPRESSÃO DA AGRESSÃO

Agressão aberta: expressa por condutas não controladas (por exemplo,


apedrejamentos, espancamentos ou humilhações).

Agressão dissimulada: expressa de forma disfarçada (por exemplo, recorrendo


ao sarcasmo ou ao cinismo).

Agressão inibida: não se expressa abertamente (por exemplo, sentir rancor ou


ódio mas não manifestar esses sentimentos).

TEORIAS DA AGRESSIVIDADE

De acordo com Freud a agressividade é algo intrínseco ao


ser humano, é biológica − a vida do ser humano seria
orientada pelas pulsões da vida (Eros) e da morte
(Thanatos).
As primeiras estariam ligadas às pulsões sexuais, enquanto
as segundas estariam ligadas à autodestruição e por isso à
agressividade. Caberia ao processo de socialização a
missão de reprimir esta pulsão que tem a necessidade de
ser descarregada.

Muito próxima da perspetiva de Freud está a perspetiva de Lorenz que afirma a


presença da agressividade no património genético do ser humano − faz parte das
capacidades inatas e biológicas do ser humano, inscrevendo-se no seu património
genético, sendo que é despontada de acordo com os estímulos exteriores que tiver
– se não for estimulado pelo meio a ter comportamentos agressivos, não os terá.

Dollard estabelece uma relação entre a frustração e a agressividade. Sentindo-se


frustrado, o indivíduo tenderia a ter comportamentos de agressão − esta perspetiva
foi alvo de várias críticas, principalmente porque de facto existe um número
considerável de indivíduos que não reagem de forma agressiva à frustração.

Outros críticos, referiam ainda que mais rapidamente se associavam sentimentos


como a ira e a cólera à frustração, sendo que normalmente estes sentimentos levam
ao estado depressivo e não agressivo.

Bandura desenvolve o seu estudo acerca da agressividade no domínio do


processo de aprendizagem − partindo do princípio de que a aprendizagem se
baseia na observação e imitação, a agressividade decorreria da imitação de
comportamentos agressivos por parte daqueles que rodeiam a criança,
designadamente os modelos deles que geralmente são os pais, familiares diretos,
educadores e outras crianças (geralmente mais velhas).
PSICOLOGIA – 12º ANO 18

CONFLITO E COOPERAÇÃO

Sherif (psicólogo turco, 1905-1988), considera que a origem dos conflitos sociais
reside no antagonismo de interesses.

Os conflitos surgem nas situações em que diferentes grupos lutam por um objetivo
que só pode ser atingido por um deles.

Os conflitos sociais não manifestam apenas aspetos negativos, reforçando a


identidade e coesão dos grupos envolvidos.

Sherif propõe, como forma de resolução dos conflitos, os objetivos


supraordenados, que são finalidades que convêm a ambos os grupos, mas que só
podem ser atingidas através da colaboração de ambos.

Uma outra forma de resolver os conflitos é a negociação, processo através do qual,


através de cedências e exigências de ambas as partes, se procura uma plataforma
de entendimento.

Promovendo os contactos, propondo objetivos supraordenados ou efetuando


negociações, evitam-se formas de descriminação e exclusão e combate-se o
racismo e a xenofobia.

Você também pode gostar