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ESOLA SUPERIOR MADRE CELESTE

DISCIPLINA: TEORIA GRAL DO ESTADO - TGP


PROFESSOR: MICHELBATISTA
ALUNA: LIDIANE PINHEIRO DO E. SANTO
MATRÍCULA: 1607469

TERCEIRA ATIVIDADE AVALIATIVA

1) Com base da doutrina processualística, explique quais as fontes do


Direito Processual.

As fontes do Direito Brasileiro podem ser definidas de acordo com os meios


produção, expressão e interpretação das normas jurídicas. Assim, as normas
do direito processual podem ser classificadas em fontes formais e materiais.

Por fonte, compreendemos o lugar de onde emana algo. Nas fontes do direito
(formais e materiais), encontra-se a origem das normas jurídicas, assim, das
normas processuais. Para os juristas em geral, as fontes formais (meios de
produção ou expressão da norma jurídica) são o que interessa, especialmente
quando se fala em direito processual.

A principal fonte é a lei, em sentido amplo, a Constituição Federal, as espécies


normativas.

Segundo Ada Pellegrini, as fontes das normas processuais no direito brasileiro


podem ser classificadas em abstratas ou concretas, vejamos:

1. Fontes abstratas

As fontes abstratas são as mesmas do direito em geral a lei e as fontes tidas


como subsidiárias, que são: os usos-e-costumes e o negócio jurídico, e,
para alguns, a jurisprudência e a doutrina. Assim, primeiramente, são fontes
abstratas da norma processual as disposições de ordem constitucional,
como as que criam e organizam tribunais, que estabelecem as garantias da
Magistratura, que fixam e discriminam competências, que estipulam as
diretrizes das organizações judiciárias estaduais, que tutelam o processo como
garantia individual.

Além disso, também podem ser fontes da norma processual: as Constituições


estaduais (na competência que lhes é reservada), a lei complementar, a lei
ordinária, a lei delegada, convenções e tratados internacionais.
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Fontes Subsidiárias

 Analogia: É quando julgamos pela semelhança dos fatos, aplicando a


um caso não previsto a mesma interpretação de um similar. A analogia é
vista como uma forma de integração do ordenamento jurídico, utilizada
para preencher lacunas.
 Costumes: O costume não é legislado, ou seja, não é produzido por um
legislador. É fruto de usos populares e avisto como necessário pelo
próprio povo.
 Princípios Gerais do Direito: Há divergência doutrinária quanto os
princípios gerais do direito serem do direito natural ou do direito positivo.
De acordo com José de Albuquerque, os chamados princípios gerais do
direito são as normas que estabelecem as proposições fundamentais do
ordenamento jurídico. Compõem o “espírito do sistema”, no sentido de
princípios que inspiram todo o sistema do direito.
 As Súmulas dos Tribunais: Desde que tenham conteúdo processual,
são fontes formais do direito processual, já que, segundo o ordenamento
jurídico brasileiro, são uma das formas de expressão do direito. São
juridicamente obrigatórias para os tribunais que as elaboram nos casos
de que tratem, até que sejam modificadas ou revogadas pelo mesmo
procedimento seguido na sua constituição. A obrigatoriedade das
súmulas STF resulta dos arts. 95/99 do seu regimento interno, que por
sua vez, se se funda na CF. A obrigatoriedade das súmulas dos demais
tribunais se funda nos arts. 476 e 479 do CPC.
 Jurisprudência: Conjunto de decisões concordantes sobre uma mesma
questão jurídica, das quais se extrai a norma jurídica aplicável às
questões análogas, que se suscitarem no futuro. Não está enumerada
entre as fontes formais do direito no sistema jurídico brasileiro. Embora a
jurisprudência não seja, juridicamente, vinculante, com exceção das
súmulas, do ponto de vista sociológico, é fonte do direito, porque é uma
instância a que acorrem normalmente os usuários do direito para
encontrar a norma jurídica.
 Doutrina: Também não está pautada entre as fontes formais do direito
no sistema jurídico brasileiro. No entanto, a doutrina exerce um
importante papel na aceitação das normas por parte dos juristas
práticos.

2. Fontes concretas: As fontes concretas das normas processuais se


referem às fontes legislativas, já examinadas em abstrato, quando
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efetivamente atuam. Essas fontes concretas desdobram-se em


fontes constitucionais, fontes da legislação complementar à
Constituição e fontes ordinárias.

A Constituição Federal, como fonte concreta da norma processual,


possui: 1) as normas de superdireito, relativas às próprias fontes formais
legislativas das normas processuais; 2) normas relativas à criação, organização
e funcionamento dos órgãos jurisdicionais; 3) normas referentes aos direitos e
garantias individuais atinentes ao processo, e 4) normas dispondo sobre
remédios processuais específicos.

Na legislação de nível complementar à Constituição assume primeiro


posto o Estatuto da Magistratura, que ainda não foi editado.

Quanto à legislação ordinária, pode-se falar do Código de Processo


Civil, do Código de Processo Penal, da Consolidação das Leis do Trabalho, do
Código de Processo Penal Militar e da Lei de Juizados Especiais

2) Como ocorre a aplicação da norma processual no tempo e no


espaço?
A aplicação da norma processual civil no tempo e no espaço se dá de
acordo com as regras dos artigos 13, 14 e 15 do CPC/2015.

Aplicação da Norma Processual no Espaço: É plenamente aceito o princípio


da territorialidade das leis processuais, ou seja, o juiz apenas aplica ao
processo a lei processual do local onde exerce a jurisdição. Esse princípio
decorre da natureza da função jurisdicional que está ligada à soberania do
Estado, de modo que, dentro de cada Território, só podem vigorar as próprias
leis processuais, não sendo admissível, outrossim, a pretensão de fazer incidir
suas normas jurisdicionais perante tribunais estrangeiros.

O Princípio da territorialidade está expresso no art. 13 do Código de Processo


Civil, que declara que “a jurisdição civil será regida pelas normas processuais
brasileiras, ressalvadas as disposições específicas previstas em tratados,
convenções ou acordos internacionais de que o Brasil seja parte”.

O CPC, em seu art. 16, aduz que as normas de processo civil têm validade e
eficácia, em caráter exclusivo, sobre todo o território nacional. Isso significa que
em todos os processos que correm em território nacional devem-se respeitar as
normas do CPC. Nada impede que elas sejam aplicadas fora do território
nacional, desde que o país em que o processo tramita consinta nisso.
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Todavia, como regra, pode-se dizer que a soberania dos países determina a
cada qual que edite suas próprias leis processuais, aplicáveis aos processos
que neles correm. Somente com relação às provas, seus meios e ônus de
produção, é que prevalecerá a lei estrangeira, quando o negócio jurídico
material tiver sido praticado em território alienígena, mesmo que a demanda
seja ajuizada no Brasil (Lei de Introdução, art. 13). Embora prevaleça o sistema
probatório do local em que se deu o fato, não se permite ao juiz brasileiro
admitir “provas que a lei brasileira desconheça” (art. 13, in fine, da Lei de
Introdução).

Os processos que correm no exterior e os atos processuais neles realizados


não têm nenhuma eficácia em território nacional. Para nós, é como se não
existissem, ainda que neles tenha sido proferida sentença. Para que ela se
torne eficaz, é preciso que haja homologação pelo Superior Tribunal de Justiça.
As determinações judiciais vindas de países estrangeiros também não podem
ser cumpridas no Brasil senão depois do exequatur do STJ.

Lei Processual no Tempo: Quando entra em vigor, uma nova lei processual
encontra processos já encerrados, que nem se iniciaram ou que ainda estão
em andamento. As duas primeiras situações não trazem nenhuma dificuldade:
se o processo já estava extinto, nada mais há a discutir, não podendo a lei
retroagir para atingir situações jurídicas já consolidadas. Os processos ainda
não iniciados serão inteiramente regidos pela lei nova. A dificuldade fica por
conta dos processos pendentes. De uma maneira geral, a lei processual aplica-
se de imediato, desde o início da sua vigência, aos processos em andamento.
Mas devem ser respeitados os atos processuais já realizados, ou situações
consolidadas, de acordo com a lei anterior. Vigora o princípio do “tempus regit
actum”:

O princípio do "tempus regit actum", o tempo rege o ato. Significa que


qualquer situação jurídica como fatos e negócios serão avaliados e
julgados pela lei em vigor atualmente, não pela legislação aplicada no
tempo da celebração do negócio.

“Tempus regit actum” (o tempo rege o ato), que se traduz na ideia de que os
atos processuais são regidos pela lei em vigor no momento em que são
praticados, portanto, a nova lei deverá ser utilizada para todos os processos
em andamento, e os iniciados após a vigência da lei.
Este princípio está previsto no CPC/15 em seu Art. 14. A norma processual não
retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos em curso, respeitados
os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a
vigência da norma revogada.
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Na verdade, a lei que se aplica em questões processuais é a que vigora no


momento da prática do ato formal, e não a do tempo em que o ato material se
deu. Também a lei processual respeita o direito adquirido, o ato jurídico perfeito
e a coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI, e Lei de Introdução, art. 6º). Mesmo
quando a lei nova atinge um processo em andamento, nenhum efeito tem
sobre os fatos ou atos ocorridos sob o império da lei revogada. Alcança o
processo no estado em que se achava no momento de sua entrada em vigor,
mas respeita os efeitos dos atos já praticados, que continuam regulados pela
lei do tempo em que foram consumados.

Logo, as leis processuais são de efeito imediato perante os feitos pendentes,


mas não são retroativas, pois só os atos posteriores à sua entrada em vigor é
que se regularão por seus preceitos. “Tempus regit actum”

3) Quais são os princípios constitucionais processuais e


infraconstitucionais?

Os princípios constitucionais processuais, também chamados de


fundamentais ou gerais são aqueles retirados do próprio texto constitucional e
que visam tutelar os direitos fundamentais dos cidadãos, os quais são?

a) Princípio do devido processo legal: Este é o princípio base de todos


os processos legais regidos pelo ordenamento jurídico brasileiro. Sua
fundamentação está no inciso LIV do art. 5º da Constituição Federal e
determina que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem
o devido processo legal”.
A sua importância é tão grande que os demais princípios constitucionais
que explicaremos a seguir são derivados dele;
b) Princípio da igualdade de tratamento: Também chamado de princípio
da isonomia, o seu objetivo é garantir que todas as partes no processo
tenham igualdade subjetiva perante a lei. Em outras palavras, esse
princípio permite que todos os envolvidos em determinada demanda
processual tenham igualdade de direitos e deveres;
c) Princípio do contraditório e da ampla defesa: Por meio desse
princípio, é garantido o direito de defesa para todas as pessoas, físicas
ou jurídicas, envolvidas em processos judiciais. É um complemento ao
princípio anterior e confere proteção aos direitos das partes, ao longo
dos trâmites processuais;
d) Princípio da publicidade: O princípio da publicidade determina que
todos os atos processuais devem ser informados aos envolvidos e aos
seus respectivos procuradores. Pode-se dizer, inclusive, que ele é um
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complemento ao princípio do contraditório e da ampla defesa, na medida


que as partes precisam ter conhecimento dos atos processuais para
apresentarem as suas defesas;
e) Princípio do direito de ação: Esse princípio também pode receber o
nome de princípio de acesso à justiça ou de inafastabilidade do controle
jurisdicional. Ele indica que o acesso à justiça, ou o direito de ação, não
pode ser negado àqueles que se sentirem lesados em seus direitos;
f) Princípio da inadmissão da prova ilícita: Também extraído do inciso
LVI do art. 5º da nossa Carta Magna, esse princípio proíbe a
apresentação, no processo, de provas obtidas por meios ilícitos. Vale
ressaltar, nesse caso, que a prova ilícita apresentada não anula o
processo, apenas a prova em si;
g) Princípio do duplo grau de jurisdição: O duplo grau de jurisdição é
decorrente da possibilidade conferida às partes, pela Constituição, de
propor recurso ao discordarem de determinada decisão. Esse princípio
decorre da própria estrutura do judiciário brasileiro. Nele, as ações são
ajuizadas em primeira instância, enquanto os recursos são propostos em
segunda instância, ou por outro tribunal superior em caso de ações
ordinárias de segundo grau;
h) Princípio do juiz natural: O princípio do juiz natural veta o juízo ou
tribunal de exceção, que por sua vez é aquele criado especificamente
para julgar determinada demanda. Assim, a partir desse princípio, as
partes têm a segurança de que terão as suas ações julgadas por órgãos
preexistentes e por seus respectivos membros, devidamente investidos
nessa função;
i) Princípio da fundamentação das decisões judiciais: Expresso no
inciso IX, do art. 93, da nossa Constituição, esse princípio determina que
todas as decisões judiciais devem ser fundamentadas, sob pena de
nulidade. Isto significa que, na decisão proferida pelo Judiciário, devem
estar explicitados todos os fatos e os fundamentos que a motivaram;

j) Princípio da segurança jurídica: Nas normas constitucionais, o


princípio da segurança jurídica não está previsto de forma explícita. No
entanto, ele pode ser observado implicitamente, nos artigos que versam
sobre o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. A segurança jurídica é a
previsibilidade das consequências jurídicas decorrentes de determinada
conduta. O seu objetivo é de manter a ordem no ordenamento brasileiro,
garantindo estabilidade dos atos e procedimentos realizados pelo
Judiciário;
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k) Princípio da celeridade: Encontra-se expresso no inciso LXXVIII do art.


5º onde se lê: “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são
assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam
a celeridade de sua tramitação”. Logo, em cumprimento a esse princípio,
o Judiciário deve sempre buscar acelerar os seus procedimentos, para
reduzir o prazo de duração dos processos;

l) Princípio da efetividade do processo: A efetividade é definida como a


capacidade de produzir efeitos. Logo, o princípio que leva esse nome
estimula o Judiciário a proferir decisões que sejam efetivas às partes.

No tocante aos princípios infraconstitucionais do processo, temos os


seguintes:

a) Princípio da verdade formal: A verdade formal é aquela originada do


processo legal. É um conceito que se difere da verdade real, que norteia
as decisões do Direito Penal e se refere ao que de fato aconteceu.
Nesse sentido, ainda que a verdade encontrada no processo não
corresponda à realidade, é ela que o juiz levará em consideração para
decidir as suas demandas;
b) Princípio da disponibilidade: A disponibilidade é a possibilidade que
os cidadãos têm de exercer, ou não, os seus direitos. Ou seja, no
processo civil, cabe à parte interessada decidir se quer ou não ajuizar
determinada ação a qual tenha direito;
c) Princípio do impulso oficial: Após o ajuizamento da ação, cabe ao juiz
dar continuidade ao procedimento, em cada uma de suas etapas, até a
conclusão. A sua previsão legal se encontra no artigo 2º do Código de
Processo Civil, que determina que o processo “começa por iniciativa da
parte e se desenvolve por impulso oficial”;
d) Princípio do livre convencimento motivado: Da leitura do art. 371, do
novo CPC, é extraído o princípio do livre convencimento motivado. Ele
prevê que o juiz poderá formular livremente a sua decisão acerca dos
fatos expostos no processo e proferir a sua decisão. A decisão, porém,
deve ser motivada, conforme princípio da fundamentação das decisões
judiciais, que já explicamos neste artigo.
e) Princípio da instrumentalidade: A previsão do princípio da
instrumentalidade é encontrada nos artigos 188 e 277 do novo Código
processual brasileiro. Ele prevê que o ato processual é o instrumento por
meio do qual determinada finalidade deve ser alcançada. Isto quer dizer
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que, mesmo que o processo tenha tido algum vício, ele não será nulo se
atingir o seu objetivo e não prejudicar as partes.

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