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ECONOMIA

DEFINIÇÃO ETIMOLÓGICA DE ECONOMIA (ORIGEM)

CONCEITO OPLACIONAL DE ECONOMIA

OBJECTO DE ESTUDO DA CIÊNCIA ECONÓMICA

SISTEMAS DE ORGANIZAÇÃO ECONÓMICA

O termo economia tem origem do grego, deriva da junção de dois termos ou palavras: OIKOS e
NOMOS.

OIKOS que significa casa ou lar e NOMOS que significa regras ou princípios. Deste modo,
economia é definida etimologicamente como sendo as regras ou normas de gestão da casa ou lar.

A economia não surge pela primeira vez como ciência. Ela surge como actividade que as
comunidades humanas sempre praticaram para garantir a satisfação das suas necessidades ou carências
mediante a produção de bens a troca ou permuta que permitia a distribuição de bens na comunidade.

Quem define pela primeira vez economia é Aristóteles no esforço de sistematização das
ciências.

CONCEITO OPERACIONAL

Segundo Paul A. Samuelson e Willian Nordhaus a economia pode ser definida como sendo a
ciência que estuda a forma como as sociedades utilizam os recursos escassos para produzir bens com
valor e como distribuem esses mesmos bens entre os vários indivíduos.

Nesta definição estão implícitos dois momentos importantes para a compreensão da economia
enquanto ciência.

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a) Por um lado a ideia de que os bens são escassos, ou seja, não existem em quantidade
suficiente para satisfazer plenamente todas as necessidades e desejos humanos;

b) Por outro lado, a ideia de que a sociedade deve utilizar os recursos de que dispõe de uma
forma eficiente, ou seja, deve procurar formas de utilizar os recursos de modo a maximizar
a satisfação das suas necessidades.

OBJECTO DE ESTUDO DA CIÊNCIA ECONÓMICA

A ciência económica tem como objecto:

A escassez de recursos. Compreende-se como objecto de estudo de uma ciência o seu


problema central. Ou seja, a razão da sua existência. Dito por outras palavras, a economia procura
responder a três questões às quais constituem os três problemas fundamentais de qualquer organização
económica.

Qualquer sociedade humana, seja um país industrial avançado, quer seja um país do 3º mundo,
uma economia de planeamento central ou uma sociedade tribal isolada tem que defrontar e resolver
três problemas económicos fundamentais.

1. O QUE PRODUZIR?

2. COMO PRODUZIR?

3. PARA QUEM PRODUZIR?

1- O QUE PRODUZIR?

Propõe-se saber quais os produtos e serviços que deverão ser produzidos de forma a
satisfazerem da melhor forma as necessidades da sociedade.

Exemplo:

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Vamos produzir sapatos ou vamos produzir arroz? Poucos sapatos de alta qualidade ou muitos
sapatos baratos?

NOTA: SABER QUE TIPO DE BENS E EM QUE QUANTIDADES

2- COMO PRODUZIR?

Propõe-se saber como devem os bens ser produzidos:

Que tipos de tecnologias e métodos de produção utilizaram? Que matérias deverão ser
utilizadas para produzir determinados bens? Qual é a mão de obra necessária, qualificada ou não
qualificada? Como maximizar a produção tendo em conta os recursos disponíveis?

Exemplo: As fábricas serão dirigidas por pessoas ou robots? A electricidade será obtida a partir
do petróleo, do carvão ou da energia solar?

3- PARA QUEM PRODUZIR?

Para quem produzir pressupõe saber quem vai consumir os bens ou produtos produzidos.
Implica saber o grupo alvo que vai consumir os bens ou serviços, também implica saber como repartir
pelos diferentes agentes económicos os rendimentos disponíveis. Quem vai ganhar mais e quem deverá
ganhar menos?

Para além destas três questões fundamentais da economia já desenvolvidas, actualmente


alguns economistas consideram importante outras duas questões, nomeadamente:

Onde produzir?

Quando produzir?

ONDE PRODUZIR

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Pressupõe saber a localização geográfica adequada ou estratégica para implantar o
investimento.

Por exemplo: A fábrica Coca-Cola decidiu instalar-se em Bom Jesus, atendendo a


disponibilidade da água.

QUANDO PRODUZIR

Pressupõe saber o período adequado para produzir um bem ou serviço.

Por exemplo: A roupa para o inverno deve ser produzida no inverno ou no verão?

TIPOS DE ECONOMIA

ECONOMIA NORMATIVA E ECONOMIA POSITIVA

Economia Normativa é o tipo de economia que se subordina à ética ou à moral e está preocupada com
as questões do dever ser.

Ex: Deve-se plantar mais árvores ou não na cidade de Luanda?

Tipo de economia que não lida com termos científicos mas sim com a ética e a moral

Economia Positiva é o ramo da economia que se preocupa com a decisão e explicação dos fenómenos
económicos (microeconomia e macroeconomia).

Ela foca-se nas questões ou factos observáveis e nas relações de causa e efeito e inclui o
desenvolvimento e testes de teorias económicas. Uma das expressões mais antigas é economia-de-valor
(economia livre-de-valor).

Ex: A economia positiva estuda temas como o PIB, Taxa e emprego, crescimento económico, Taxa de
câmbio, Procura, oferta…

DIVISÃO DO ESTUDO DA ECONOMIA

MICROECONOMIA E MACROECONOMIA

MICROECONOMIA

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É o ramo da ciência económica que estuda o comportamento das unidades de consumo representadas
pelos indivíduos e pelas famílias; as empresas e suas produções e custos; a produção e o preço dos
diversos bens e serviços e dos factores de produção.

Dito em outras palavra, a Microeconomia ocupa-se da forma como as comunidades individuais que
compõem a economia, isto é os consumidores privados, empresas, trabalhadores, produtores de bens e
serviços, particulares, etc, agem e reagem umas sobre as outras.

Famílias são unidades de consumo

Empresas são unidades de produção


AGENTES ECONÓMICOS
Estado

Bancos

MACROECONOMIA

É o ramo da ciência económica que estuda o funcionamento da economia de um país. De uma forma
mais abrangente este estudo abrange o nível geral do preço, emprego e desemprego, renda, produto
nacional, PIB, investimento, taxa de câmbio, balança de pagamento, inflação, poupança e consumo,
estoque de moeda, políticas fiscais e monetárias.

Deste modo, podemos concluir que a diferença entre Microeconomia e Macroeconomia é que a
primeira preocupa-se com o particular ou individual, enquanto que a segunda preocupa-se com o todo
ou o geral.

SISTEMAS OU MODELOS DE ORGANIZAÇÃO ECONÓMICA

1. ECONOMIA DE MERCADO

2. ECONOMIA DE DIRECÇÃO CENTRAL OU PLANIFICADA

3. ECONOMIA MISTA

Quais as diferentes formas de organização económica que uma sociedade precisa para responder as
questões de:
 O quê, Como e Para quem produzir?

As diferentes sociedades estão organizadas em sistemas ou modelos económicos alternativos e a


economia estuda os diferentes mecanismos que uma sociedade pode usar para aplicar os seus recursos
escassos. Em geral distinguimos duas formas fundamentais de organizar uma economia.

A) Num extremo, o Governo toma a maioria das decisões económicas, com os indivíduos no topo
da hierarquia a dirigir os que lhes servem na escala.

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B) No outro extremo as decisões são ditadas no mercado, onde os indivíduos e as empresas
acordam voluntariamente em trocar mercadorias e serviços geralmente através de pagamento
de dinheiro.

Examinamos brevemente cada uma dessas formas de organização.

Nos EUA e na maioria dos países democráticos, a maior parte das questões económicas é resolvida pelo
mercado, por isso os sistemas económicos destes países são designados por Economia de Mercado1.

Uma economia de mercado é aquela em que os indivíduos e as empresas privadas tomas as decisões
mais importantes acerca da produção e do consumo. Um sistema de preços, de mercado, de lucros e
prejuízos, de incentivos e recompensas determina o quê, como e para quem produzir.

As empresas produzem as mercadorias que geram os maiores lucros (o quê) com técnicas de produção
que são as menos dispendiosas (como). O consumo é determinado pelas decisões individuais sobre
como despender ou gastar os salários e os rendimentos dos patrimónios gerados pelo trabalho e pela
propriedade desse património (para quem).

O caso extremo de uma economia de mercado em que o Governo se exime ou isenta de tomar decisões
económicas é designado por economia Laissez Faire (deixa andar).

Pelo contrário uma economia de Direcção Central, dirigida ou planificada2 é aquela em que os
Governos tomam todas as decisões importantes acerca da produção e distribuição dos bens.

Numa economia de direcção central, tal como aquela que funcionou na ex União Soviética durante o
século XX, o Governo possui a maior parte dos meios de produção (terra e capital). Também possui e
dirige a actividade das empresas na maior parte dos ramos da actividade, é o empregador da maioria
dos trabalhadores, é quem dirige a sua actividade, decidindo também como a produção da sociedade
deve ser dividida pelos diversos bens e serviços.

Em resumo, numa economia de direcção central é o Governo quem dá resposta à maioria das questões
económicas através da posse de recursos e do seu poder de impor as decisões.

Nenhuma sociedade contemporânea se encaixa completamente numa dessas categorias extremas, em


vez disto, todas as sociedades são economias mistas, isto é com elementos de economia de mercado e
elementos de economia de direcção central.

Nunca houve uma economia 100% de mercado (embora a Inglaterra no sec. XIX se aproximasse disso).

Actuamente, nos EUA a maioria das decisões é tomada no mercado, mas o Governo desempenha um
papel importante na supervisão do funcionamento do mercado. O Governo legisla a regulamentação da
actividade económica, proporciona serviço de educação e de policiamento e controla a poluição.

1
A economia de mercado é o sistema económico fundamentado na propriedade privada, ou
seja, com a menor participação possível das entidades governamentais. Em outras palavras, é
o padrão no qual as trocas, negócios e comércios são realizados com a mínima interferência do
Estado.
2
Economia planificada, também chamada de economia centralizada, é um modelo económico
que defende o controle do Estado sobre a economia. Esse modelo ficou conhecido após sua
aplicação durante mais de 70 anos na extinta União Soviética. Caracteriza-se pela
predominância de empresas estatais; inexistência de concorrência empresarial;
desfavorecimento da dinamização das empresas e, logo, falta de inovação; opõe-se ao modelo
económico de economia de mercado.

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Actualmente a maior parte das sociedades funciona numa economia mista3.

FACTORES DE PRODUÇÃO

Para responder as 3 questões económicas fundamentais qualquer sociedade tem de escolher os factores
de produção (inputs) e as produções (outputs).

Factores de produção são bens ou serviços utilizados para produzir outros bens e serviços. Podemos
considerar que os factores de produção são os insumos 4, ou seja, todos os elementos necessários para a
produção de um bem ou serviço.

Uma economia usa a tecnologia existente para conjugar factores de produção afim de gerar as
produções.

As produções são vários bens e serviços úteis que resultam o processo de produção e que tanto podem
ser consumidos como utilizados na produção posterior.

Ex: Conceber a produção de uma pizza. Dizemos que a farinha, o sal, o calor, o forno, o trabalho
qualificado do cozinheiro, são os factores de produção. A pizza é a produção (output).

Na educação, os factores produtivos são o tempo de aula, laboratórios e as salas de aulas, os livros, o
professor, os estudantes etc, enquanto que as produções são cidadãos educados e formados.

Os factores de produção podem ser classificados em 3 grandes categorias:

 Terra
 Trabalho e
 Capital

A Terra, em geral, apresenta os recursos naturais provenientes da natureza. Este facto produtivo é
utilizado na agricultura, ou na implantação de habitações, fábricas e estradas bem como representa os
recursos energéticos para os nossos automóveis e para aquecer as nossas habitações.

O Trabalho consiste no tempo de trabalho humano despendido na produção, ou seja, refere-se às


faculdades físicas e intelectuais dos seres humanos que intervêm no processo de produção.

O Capital é formado pelos bens duráveis de uma economia, produzidos com vista a produzirem outros
bens. Os bens de capital incluem máquinas, estradas, edifícios, computadores, camiões, martelos,
fornos, automóveis, etc… Fala-se também do dinheiro como capital financeiro.

Actualmente tem-se debatido sobre uma nova categoria de factor de produção que é a tecnologia que
corresponde à tecnologia utilizada tais como software, aplicativos, equipamentos informáticos, dentre
outros.

3
Uma sociedade de economia mista é uma empresa que resulta da união entre o Estado e
entes privados.
4
Insumo é todo e qualquer elemento directamente necessário em um processo de produção.
Nesse grupo estão os produtos usados na fabricação, o maquinário, a energia e a própria mão
de obra empregada, por exemplo.

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FRONTEIRAS DE POSSIBILIDADES DE PRODUÇÃO – FPP

Cada espingarda que é fabricada, cada barco de guerra que é lançado ao mar, cada míssil que é
disparado, significam em última instância um roubo a quem tem fome e não é alimentado.

As sociedades não podem ter tudo que desejam, estão limitadas pelos recursos e pela tecnologia
disponíveis.

Ex: Conceber a despesa na defesa

Os países são sempre obrigados a decidir que parte dos seus recursos limitados vai para o exército e que
parte vai para outras actividades (como novas fábricas e educação).

Alguns países como o Japão aplicam 1% do seu PIB nos seus militares. Por outro lado, países como EUA
gastam cerca de 5% do seu PIB na defesa, enquanto que uma economia militarizada como a Correia do
Norte gasta mais de 20% do seu PIB nas forças armadas.

Quanto maior quantidade de produtos for para a defesa, menor será o que resta disponível para
consumo e investimento.

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