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Justiça Federal da 1ª Região

PJe - Processo Judicial Eletrônico

25/11/2021

Número: 1075247-52.2021.4.01.3400
Classe: MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL
Órgão julgador: 9ª Vara Federal Cível da SJDF
Última distribuição : 22/10/2021
Valor da causa: R$ 1.100,00
Assuntos: Inscrição / Documentação, Classificação e/ou Preterição
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
CINTIA DE LOURDES PINTO COSTA (IMPETRANTE) RINALDO DA SILVA PINHEIRO registrado(a) civilmente
como RINALDO DA SILVA PINHEIRO (ADVOGADO)
DIEGO FABRICIO DE ALMEIDA (IMPETRANTE) RINALDO DA SILVA PINHEIRO registrado(a) civilmente
como RINALDO DA SILVA PINHEIRO (ADVOGADO)
JACKSON SOUZA (IMPETRANTE) RINALDO DA SILVA PINHEIRO registrado(a) civilmente
como RINALDO DA SILVA PINHEIRO (ADVOGADO)
KEEMOY RIOS DAZA (IMPETRANTE) RINALDO DA SILVA PINHEIRO registrado(a) civilmente
como RINALDO DA SILVA PINHEIRO (ADVOGADO)
TONY DA LUZ FIUZA (IMPETRANTE) RINALDO DA SILVA PINHEIRO registrado(a) civilmente
como RINALDO DA SILVA PINHEIRO (ADVOGADO)
SECRETARIO DE ATENCAO A SAUDE DO MINISTERIO DA
SAUDE (IMPETRADO)
UNIÃO FEDERAL (IMPETRADO)
Ministério Público Federal (Procuradoria) (FISCAL DA LEI)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
79177 04/11/2021 18:08 Decisão Decisão
9967
PODER JUDICIÁRIO
JUSTIÇA FEDERAL DA 1a REGIÃO
9a VARA DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL

1075247-52.2021.4.01.3400
MANDADO DE SEGURANÇA CÍVEL (120)
IMPETRANTE: CINTIA DE LOURDES PINTO COSTA, DIEGO FABRICIO DE ALMEIDA, JACKSON SOUZA, KEEMOY RIOS DAZA, TONY DA LUZ FIUZA
- Advogado do(a) IMPETRANTE: RINALDO DA SILVA PINHEIRO - SP354680
IMPETRADO: SECRETARIO DE ATENCAO A SAUDE DO MINISTERIO DA SAUDE, UNIÃO FEDERAL

DECISÃO

Trata-se de mandado de segurança impetrado por CINTIA DE LOURDES PINTO COSTA,


DIEGO FABRÍCIO DE ALMEIDA, JACKSON SOUZA, KEEMOY RIOS DAZA e TONY DA LUZ FIUZA contra
ato imputado ao DIRETOR DE PROGRAMAS DA SECRETARIA DE GESTÃO DO TRABALHO E DA
EDUCAÇÃO NA SAÚDE DO MINISTÉRIO DA SAÚDE e outros, objetivando a concessão de liminar “para que
os Impetrantes ocupem as vagas que resultem ociosa ou remanescente na primeira chamada do Edital 08 de
chamamento público para o 24º ciclo do PMMB nos termos da Lei 12.871/2013 em pleno vigor, como já
mencionado” (p. 21 da rolagem única).

Em síntese, a parte impetrante afirma que:

1) são todos médicos brasileiros, com habilitação para exercício da medicina somente no
exterior;

2) o Edital n. 04 de 08 de março de 2021 2021 (23º ciclo) disponibilizou vagas apenas para
médicos formados em instituições de educação superior brasileiras ou com diploma revalidado no
Brasil, com registro profissional no Conselho Regional de Medicina -CRM;

3) ainda que os médicos com CRM tenham preferência na ordem de chamamento, eventuais
vagas ociosas e/ou remanescentes – aquelas que restem em aberto ou sem preenchimento pelos médicos com
CRM – deverão ser disponibilizadas aos médicos intercambistas consoante art. 13, § 1º, II da Lei 12.871/13.

Inicial acompanhada de procuração e documentos.

Assinado eletronicamente por: MARIA CANDIDA CARVALHO MONTEIRO DE ALMEIDA - 04/11/2021 18:08:12 Num. 791779967 - Pág. 1
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Custas iniciais recolhidas (id. 786965963).

Conclusos os autos.

É o relatório. Decido.

A concessão do pedido de medida liminar em sede de mandado de segurança depende da


presença simultânea de dois requisitos: (i) a existência de fundamento relevante e (ii) possibilidade de lesão
irreparável ou de difícil reparação. Interpretação do art. 7º, inciso III, da Lei do Mandado de Segurança (LMS –
Lei 12.016/2009)

Discute-se a legalidade do Edital nº. 8, de 24/9/2021, da Secretaria de Atenção Primária à


Saúde do Ministério da Saúde (SAPS/MS), que procedeu ao chamamento público para o Projeto Mais Médicos
de “médicos formados em instituições de educação superior brasileiras ou com diploma revalidado no Brasil,
com registro profissional no Conselho Regional de Medicina – CRM” (item 1.1.) e vedou a inscrição de
“graduados do curso de medicina em instituição estrangeira, que não possuam diploma revalidado no Brasil”
(item 2.4.f.).

A parte impetrante, que alega que todos são médicos, de nacionalidade brasileira, formados por
instituição estrangeira e com habilitação para o exercício da medicina no exterior, e pretendem concorrer às
vagas ociosas não ocupadas pelos candidatos que se enquadrarem ao item 1.1. supra.

Pois bem.

Dispõe a Lei 12.871/2013 que:

“Art. 13. É instituído, no âmbito do Programa Mais Médicos, o Projeto Mais Médicos para o Brasil, que será
oferecido:

I - aos médicos formados em instituições de educação superior brasileiras ou com diploma revalidado no
País; e

II - aos médicos formados em instituições de educação superior estrangeiras, por meio de intercâmbio
médico internacional.

§ 1º A seleção e a ocupação das vagas ofertadas no âmbito do Projeto Mais Médicos para o Brasil
observarão a seguinte ordem de prioridade:

I - médicos formados em instituições de educação superior brasileiras ou com diploma revalidado no País,
inclusive os aposentados;

II - médicos brasileiros formados em instituições estrangeiras com habilitação para exercício da Medicina no
exterior; e

III - médicos estrangeiros com habilitação para exercício da Medicina no exterior.

§ 2º Para fins do Projeto Mais Médicos para o Brasil, considera-se:

I - médico participante: médico intercambista ou médico formado em instituição de educação superior


brasileira ou com diploma revalidado; e

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II - médico intercambista: médico formado em instituição de educação superior estrangeira com habilitação
para exercício da Medicina no exterior.

(...)”

Como se vê, diz a Lei que o Projeto “será oferecido” – e não que “poderá” sê-lo - tanto aos
médicos formados em instituições brasileiras ou com diploma revalidado no país quanto aos “médicos
formados em instituições de educação superior estrangeiras, por meio de intercâmbio médico internacional”.

É de se observar também que o parágrafo 1º da norma supra citada prioriza os profissionais


contemplados pelo Edital ora impugnado; porém, não exclui do Projeto Mais Médicos “II - médicos brasileiros
formados em instituições estrangeiras com habilitação para exercício da Medicina no exterior; e III - médicos
estrangeiros com habilitação para exercício da Medicina no exterior”.

Tenho, pois, que a exclusão prima facie pelo Edital nº. 8/2021 dos profissionais que se
enquadram ao dispositivo supratranscrito extrapola os limites da Lei nº. 12.871/2013, razão pela qual concluo
pela relevância dos fundamentos da impetração.

Por fim, requerida a concessão de liminar, e firmada a premissa acima quanto à procedência do
pedido da impetrante, verifico que o periculum in mora se evidencia, pois se trata de chamamento (id.
786965950 – p. 97 da rolagem única) editado “considerando a Declaração de Emergência em Saúde Pública
de Importância Internacional pela Organização Mundial da Saúde, a Declaração de Emergência em Saúde
Pública de Importância Nacional (ESPIN), e o Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo
novo Coronavírus (2019-nCoV)”.

Ante o exposto, DEFIRO A LIMINAR, para determinar que a autoridade impetrada oportunize
aos impetrantes se inscrever nas vagas remanescentes do Edital MS/SAPS nº. 8/2021, mediante o
preenchimento das demais condições na Portaria Interministerial MS/MEC nº. 1.369, de 8/7/2013.

Notifique-se a autoridade impetrada para dar cumprimento a presente decisão, bem como
prestar informações, no prazo de 10 (dez) dias, e intime-se o representante judicial da pessoa jurídica
interessada para que, querendo, ingresse no feito (incisos I e II do art. 7.º da Lei 12.016/2009).

Após, dê-se vista ao Parquet Federal, para se manifestar, no prazo de 10 (dez) dias.

Por fim, venham os autos conclusos para sentença.

Publique-se. Intimem-se.

Brasília/DF, data da assinatura eletrônica.

Maria Cândida Carvalho Monteiro de Almeida

Juíza Federal

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