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COMPILADO DE INFORMATIVOS

STF E STJ
2020

@MP_ESTADUAL
FONTE: DIZER O DIREITO

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Controle de leitura dos Informativos
STF STJ

966 666

Sumário
DIREITO CONSTITUCIONAL.........................................................................................................................8
Direitos e garantias fundamentais..........................................................................................................8
Direitos sociais........................................................................................................................................9
Direitos políticos.....................................................................................................................................9
Competências legislativas.......................................................................................................................9
Regime de precatórios..........................................................................................................................10
Processo Legislativo..............................................................................................................................10
Poder Executivo....................................................................................................................................10
Poder Legislativo..................................................................................................................................10
Imunidade parlamentar....................................................................................................................10
Tribunal de Contas................................................................................................................................10
Controle de constitucionalidade...........................................................................................................10
Poder Judiciário....................................................................................................................................12
CNJ........................................................................................................................................................12
Ministério Público................................................................................................................................12
Advocacia Pública.................................................................................................................................13
Defensoria Pública................................................................................................................................13
Ordem Econômica................................................................................................................................13
Direito à saúde.....................................................................................................................................13
Direito à educação................................................................................................................................13
Desporto...............................................................................................................................................14
DIREITO CIVIL............................................................................................................................................14
Direitos da personalidade.....................................................................................................................15
Pessoas jurídicas...................................................................................................................................15
Prescrição e decadência.......................................................................................................................15
Obrigações............................................................................................................................................15
Negócio jurídico....................................................................................................................................15
Contratos..............................................................................................................................................15
Seguro..............................................................................................................................................15
Fiança...............................................................................................................................................17

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Arrendamento mercantil..................................................................................................................18
Responsabilidade civil..........................................................................................................................18
Direitos reais........................................................................................................................................19
Posse................................................................................................................................................19
Direitos reais.....................................................................................................................................19
Direito de Família.................................................................................................................................22
Casamento........................................................................................................................................22
Parentesco........................................................................................................................................22
Filiação..............................................................................................................................................23
Alimentos.........................................................................................................................................23
Sucessões.............................................................................................................................................23
Alienação fiduciária (DL n° 911/69)......................................................................................................26
Bem de família......................................................................................................................................26
SFH.......................................................................................................................................................28
Lei de Locação (Lei n° 8.245/91)...........................................................................................................28
Lei de Direitos Autorais (Lei n° 9.610/98).............................................................................................28
Arbitragem...........................................................................................................................................28
ECA...........................................................................................................................................................30
Direitos da criança e do adolescente....................................................................................................30
Poder Familiar......................................................................................................................................30
Colocação em família substituta...........................................................................................................30
Proteção à criança e ao adolescente....................................................................................................31
Classificação indicativa de programas..................................................................................................31
DIREITO NOTARIAL E REGISTRAL..............................................................................................................32
DIREITO PROCESSUAL CIVIL......................................................................................................................32
Competência........................................................................................................................................32
Partes e Procuradores..........................................................................................................................32
Deveres das partes e de seus procuradores.....................................................................................32
Sucumbência e honorários de advogado..........................................................................................32
Comunicação de atos processuais........................................................................................................32
Tutela provisória...................................................................................................................................32
Procedimento comum..........................................................................................................................33
Petição inicial....................................................................................................................................33
Cumprimento de sentença...................................................................................................................33
Execução...............................................................................................................................................35
Fazenda Pública em juízo.....................................................................................................................36
Procedimentos especiais......................................................................................................................37
Ordem dos processos nos Tribunais e competência originária............................................................37

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Disposições gerais............................................................................................................................37
Técnica de ampliação do colegiado..................................................................................................37
IAC....................................................................................................................................................38
Ação rescisória..................................................................................................................................38
Reclamação......................................................................................................................................38
IRDR..................................................................................................................................................39
Recursos...............................................................................................................................................39
Regras gerais....................................................................................................................................39
Apelação...........................................................................................................................................42
Agravo de instrumento.....................................................................................................................42
Agravo interno..................................................................................................................................42
Execução Fiscal.....................................................................................................................................42
Mandado de segurança........................................................................................................................42
Processo coletivo..................................................................................................................................42
Fazenda Pública em juízo.....................................................................................................................46
DIREITO DO CONSUMIDOR.......................................................................................................................46
Consumidor..........................................................................................................................................46
Fornecedor...........................................................................................................................................46
Direitos básicos....................................................................................................................................46
Responsabilidade.................................................................................................................................46
Prescrição e decadência.......................................................................................................................46
Publicidade...........................................................................................................................................46
Práticas abusivas..................................................................................................................................48
Práticas comerciais...............................................................................................................................49
Cadastro de consumidores...................................................................................................................49
Contratos bancários.............................................................................................................................50
Planos de saúde....................................................................................................................................51
DIREITO EMPRESARIAL.............................................................................................................................52
Direito SOCIETÁRIO..............................................................................................................................52
Sociedade limitada...............................................................................................................................52
SA.........................................................................................................................................................52
Propriedade industrial..........................................................................................................................52
Falência e recuperação judicial.............................................................................................................53
Recuperação judicial.........................................................................................................................53
Falência............................................................................................................................................55
Títulos de crédito..................................................................................................................................55
Fundo de investimento.........................................................................................................................55
Contratos empresariais........................................................................................................................55

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DIREITO PENAL.........................................................................................................................................55
Princípios..............................................................................................................................................56
Princípio da insignificância...............................................................................................................56
Pena......................................................................................................................................................56
1ª Fase..............................................................................................................................................56
2ª Fase..............................................................................................................................................56
Medidas de segurança..........................................................................................................................56
Extinção da punibilidade......................................................................................................................57
Prescrição.........................................................................................................................................57
Homicídio.............................................................................................................................................58
Furto.....................................................................................................................................................58
Roubo...................................................................................................................................................58
Estelionato............................................................................................................................................58
Crimes contra a dignidade sexual.........................................................................................................59
Crimes contra a fé pública....................................................................................................................59
Crimes contra a administração pública................................................................................................59
Crimes hediondos.................................................................................................................................60
Lei de Drogas........................................................................................................................................60
Lei Maria da Penha...............................................................................................................................61
ECA.......................................................................................................................................................61
Lei de licitações....................................................................................................................................61
Lavagem de dinheiro............................................................................................................................61
Estatuto do Desarmamento.................................................................................................................62
Racismo................................................................................................................................................62
Crimes contra a ordem tributária.........................................................................................................62
Crimes contra o sistema financeiro (Lei n° 7.492/86)...........................................................................62
Crimes de trânsito................................................................................................................................62
Crimes de responsabilidade de Prefeitos.............................................................................................62
Organização criminosa.........................................................................................................................62
Lei Antiterrorismo (Lei n° 13.260/16)...................................................................................................62
Outros crimes.......................................................................................................................................63
DIREITO PROCESSUAL PENAL...................................................................................................................63
Inquérito policial..................................................................................................................................63
Investigação criminal............................................................................................................................64
Competência........................................................................................................................................64
Competência originária........................................................................................................................64
Ação penal............................................................................................................................................64
Sujeitos do processo.............................................................................................................................64

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Impedimento e suspeição................................................................................................................64
Partes e procuradores......................................................................................................................65
Medidas assecuratórias........................................................................................................................65
Provas...................................................................................................................................................65
Prisão e cautelares diversas..................................................................................................................65
Execução provisória da pena............................................................................................................65
Audiência de custódia..........................................................................................................................67
Sentença...............................................................................................................................................69
Tribunal do Júri.....................................................................................................................................69
Nulidades..............................................................................................................................................69
Recursos...............................................................................................................................................69
Reclamação..........................................................................................................................................70
Revisão criminal...................................................................................................................................70
Remédios constitucionais.....................................................................................................................70
Execução penal.....................................................................................................................................72
Colaboração premiada.........................................................................................................................72
Juizados................................................................................................................................................72
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL MILITAR.......................................................................................72
DIREITO ADMINISTRATIVO.......................................................................................................................72
Princípios..............................................................................................................................................73
Organização da Administração Pública.................................................................................................73
Ato administrativo................................................................................................................................73
Processo administrativo.......................................................................................................................73
Licitação................................................................................................................................................73
Responsabilidade Civil do Estado.........................................................................................................75
Poderes administrativos.......................................................................................................................75
Concurso público..................................................................................................................................75
Agentes públicos..................................................................................................................................77
Improbidade administrativa.................................................................................................................78
Intervenção do Estado na propriedade................................................................................................78
DIREITO TRIBUTÁRIO................................................................................................................................79
Limitações ao poder de tributar...........................................................................................................79
Crédito tributário..................................................................................................................................80
Responsabilidade tributária..................................................................................................................80
Tributos em espécie.............................................................................................................................80
Repetição de indébito..........................................................................................................................81
Prescrição.............................................................................................................................................81
Compensação tributária.......................................................................................................................81

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Parcelamento.......................................................................................................................................81
Direito aduaneiro.................................................................................................................................81
Processo administrativo tributário.......................................................................................................81
DIREITO ELEITORAL..................................................................................................................................81
DIREITO AMBIENTAL................................................................................................................................81
DIREITOS DIFUSOS e coletivos..................................................................................................................82
Direito financeiro......................................................................................................................................82
Orçamento...........................................................................................................................................82
Despesas públicas.................................................................................................................................82
Outros temas........................................................................................................................................82
Direito internacional.................................................................................................................................82
Exercícios / INFORMATIVOS STF...............................................................................................................82
EXERCÍCIOS / INFORMATIVOS STJ............................................................................................................84

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INFORMATIVOS STF E STJ
(2020)
DIREITO CONSTITUCIONAL

Direitos e garantias fundamentais

(!)A omissão injustificada da Administração em providenciar a disponibilização de banho


quente nos estabelecimentos prisionais fere a dignidade de presos sob sua custódia.

A omissão injustificada da Administração em providenciar a disponibilização de banho quente nos


estabelecimentos prisionais fere a dignidade de presos sob sua custódia. A determinação de que o
Estado forneça banho quente aos presos está relacionada com a dignidade da pessoa humana, naquilo
que concerne à integridade física e mental a todos garantida. O Estado tem a obrigação inafastável e
imprescritível de tratar prisioneiros como pessoas, e não como animais. O encarceramento configura
pena de restrição do direito de liberdade, e não salvo-conduto para a aplicação de sanções extralegais e
extrajudiciais, diretas ou indiretas. Em presídios e lugares similares de confinamento, ampliam-se os
deveres estatais de proteção da saúde pública e de exercício de medidas de assepsia pessoal e do
ambiente, em razão do risco agravado de enfermidades, consequência da natureza fechada dos
estabelecimentos, propícia à disseminação de patologias. STJ. 2ª Turma. REsp 1.537.530-SP, Min.
Herman Benjamin, 27/04/2017, DJe 27/02/2020 (Info 666).

Sobre a “suspensão de segurança”


a) Conceito
O pedido de suspensão é
 um instrumento processual (incidente processual)
 por meio do qual as pessoas jurídicas de direito público ou o Ministério Público
 requerem ao Presidente do Tribunal que for competente p/ o julgamento do recurso
 que suspenda a execução de uma decisão, sentença ou acórdão proferidos,
 sob o argumento de que esse provimento jurisdicional prolatado causa grave lesão à
ordem, à saúde, à segurança e à economia públicas.
b) Outras denominações
“Suspensão de liminar”, “suspensão de sentença”, “suspensão de acórdão”, “pedido de
contracautela”.
c) Previsão legal
1. art. 12, § 1º da Lei nº 7.347/85 (suspensão de liminar em ACP);
2. art. 4º da Lei nº 8.437/92 (suspensão de liminar ou sentença em ação cautelar, em
ação popular ou em ACP). É considerada pela doutrina como a previsão mais geral
sobre o pedido de suspensão;
3. art. 1º da Lei nº 9.494/97 (suspensão de tutela antecipada concedida contra a Fazenda
Pública);
4. art. 16 da Lei nº 9.507/97 (suspensão da execução de sentença concessiva de habeas
data);
5. art. 15 da Lei nº 12.016/09 (suspensão de liminar e sentença no mandado de
segurança).
d) O que se examina

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Na análise do pedido de suspensão, é vedado o exame do mérito da demanda principal. O que
será examinado pelo Tribunal é se a decisão prolatada acarreta risco de grave lesão à: a) ordem;
b) saúde; c) segurança; ou d) economia pública.
e) Competência para decidir o pedido de suspensão da liminar

f) Recurso contra a decisão do Presidente do Tribunal: agravo interno para o Plenário ou para a
Corte Especial do Tribunal.
g) Cabe recurso especial da decisão do Plenário ou da Corte Especial que julga esse agravo?
a. Para o STJ, não! Nesse sentido: “Este Superior Tribunal firmou o entendimento de não
ser cabível o recurso especial contra decisões proferidas no âmbito do pedido de
suspensão, na medida em que a via especial reporta-se a argumentos que digam respeito
à exame de legalidade, ao passo que o pedido de suspensão ostenta juízo político”. STJ.
6ª Turma. AgRg no REsp 957.825/CE, Min. Og Fernandes, 27/08/2013.
b. Para a 1ª Turma do STF: sim! A 1ª Turma do STF entendeu que a decisão em sede de
suspensão de segurança não é estritamente política, possuindo conteúdo jurisdicional.
Com base nisso, decidiu que é cabível, em tese, recurso especial contra decisões
proferidas no âmbito do pedido de suspensão de segurança (RE 798740 AgR/DF).
Voltando ao caso concreto...
No caso veiculado no Informativo 666, o STJ conheceu do REsp, por se tratar de uma situação
excepcional, dando-lhe provimento para restaurar a integralidade da decisão de 1ª instância.
Reserva do impossível (= reserva de intocabilidade da essência)
De acordo com o Min. Herman Benjamin, assegurar a dignidade de presos sob custódia do Estado
dispara a aplicação não do princípio da reserva do possível, mas do aforismo da reserva do
impossível (= reserva de intocabilidade da essência) , ou seja, manifesto interesse público
reverso, considerando-se que a matéria se inclui no núcleo duro dos direitos humanos
fundamentais, expressados em deveres constitucionais e legais indisponíveis, daí marcados
pela vedação de descumprimento estatal, seja por ação, seja por omissão. Consequentemente,
impróprio retirar do controle do Judiciário tais violações gravíssimas, pois equivaleria a afastar o
juiz de julgar ataques diretos ou indiretos aos pilares centrais do ordenamento jurídico.
Hipermotivação
Quando a liminar está buscando combater uma violação a direitos humanos, eventual suspensão
a ser deferida pelo Presidente do Tribunal requer hipermotivação.

Direitos sociais

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Direitos políticos

Competências legislativas

Regime de precatórios

Processo Legislativo

Poder Executivo

Poder Legislativo

Imunidade parlamentar

Tribunal de Contas

Controle de constitucionalidade

É possível, em tese, o ajuizamento de ADI contra deliberação administrativa de tribunal,


desde que ela tenha conteúdo normativo com generalidade e abstração, devendo, contudo,
em regra, a ação ser julgada prejudicada caso essa decisão administrativa seja revogada.

É cabível ação ADI contra deliberação administrativa do Tribunal que determina o pagamento de
reajuste decorrente da conversão da URV em reais (“plano real”) aos magistrados e servidores. Depois
que a ADI foi proposta, e antes que fosse julgada, o TRT decidiu revogar essa deliberação
administrativa. Diante disso, indaga-se: o mérito da ação foi julgado? NÃO. Em decorrência da
revogação da deliberação, o STF julgou prejudicada a ADI, por perda superveniente de objeto. STF.
Plenário. ADI 1244 QO-QO/SP, Min. Gilmar Mendes, 19/12/2019 (Info 964).

Sempre que uma lei ou ato normativo que estava sendo impugnado por ADI for revogado, haverá
perda do objeto? O que acontece caso o ato normativo que estava sendo impugnado na ADI seja
revogado antes do julgamento da ação? Regra: haverá perda superveniente do objeto e a ADI
não deverá ser conhecida (STF ADI 1203).

Exceção 1: “fraude processual”, ou seja, a norma foi revogada de forma proposital a fim de evitar
que o STF a declarasse inconstitucional e anulasse os efeitos por ela produzidos (STF ADI 3306).

Exceção 2: conteúdo do ato impugnado foi repetido, em sua essência, em outro diploma
normativo. (STF ADI 2418/DF, Min. Teori Zavascki, 4/5/2016. Info 824).

Exceção 3: caso o STF tenha julgado o mérito da ação sem ter sido comunicado previamente
que houve a revogação da norma atacada (STF. Plenário. ADI 951, Min. Barroso, 27/10/2016.
Info 845).

Exige-se quórum de maioria absoluta dos membros do STF para modular os efeitos de
decisão proferida em julgamento de recurso extraordinário no caso em que não tenha
havido declaração de inconstitucionalidade.

Exige-se quórum de MAIORIA ABSOLUTA dos membros do STF para modular os efeitos de decisão
proferida em julgamento de recurso extraordinário repetitivo, com repercussão geral, no caso em que
NÃO tenha havido declaração de inconstitucionalidade da lei ou ato normativo.

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Qual é o quórum para que o STF, no julgamento de recurso extraordinário repetitivo, com repercussão
geral reconhecida, faça a modulação dos efeitos da decisão?

• Se o STF declarou a lei ou ato inconstitucional: 2/3 dos membros.

• Se o STF não declarou a lei ou ato inconstitucional: maioria absoluta. STF. Plenário. RE 638115 ED-
ED/CE, Min. Gilmar Mendes, 18/12/2019 (Info 964).

Modulação de efeitos da decisão

a) Nos processos objetivos de controle de constitucionalidade, há previsão expressa (art. 27 da Lei


9.868/99)

b) O STF entende que, excepcionalmente, admite-se, em caso de controle difuso de


constitucionalidade, a modulação temporal dos efeitos da decisão proferida. Com o objetivo de
seguir o mesmo modelo previsto no art. 27 da Lei 9.868/99, o STF decidiu que é necessário o
quórum de 2/3 p/ que ocorra a modulação de efeitos em sede de RE com repercussão geral
reconhecida. Considerou-se que esta maioria qualificada seria necessária para conferir eficácia
objetiva ao instrumento. Nesse sentido: É possível a modulação dos efeitos da decisão
proferida em sede de controle incidental de constitucionalidade. STF. Plenário. RE 522897/RN,
Min. Gilmar Mendes, 16/3/2017 (Info 857). Vale ressaltar que esse quórum de 2/3 é para o
caso de o STF declarar inconstitucional a lei ou ato normativo.

CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO. Viola a cláusula de reserva de plenário e a SV 10 a


decisão de órgão fracionário do Tribunal que permite que empresa comercialize produtos em
desacordo com as regras previstas em Decreto federal, sob o argumento de que este ato
normativo violaria o princípio da livre concorrência.

O afastamento de norma legal por órgão fracionário, de modo a revelar o esvaziamento da eficácia do
preceito, implica contrariedade à cláusula de reserva de plenário e ao Enunciado 10 da Súmula
Vinculante. Caso concreto: a 4ª Turma do TRF da 1ª Região, ou seja, um órgão fracionário do TRF1, ao
julgar apelação, permitiu que uma empresa comercializasse determinada espécie de cigarro mesmo
isso sendo contrário às regras do Decreto nº 7.212/2010. Embora não tenha declarado expressamente
a inconstitucionalidade do Decreto, a 4ª Turma afirmou que ele seria contrário ao princípio da livre
concorrência, que é previsto no art. 170, IV, da CF/88. Ao desobrigar a empresa de cumprir as regras do
decreto afirmando que ele violaria o princípio da livre iniciativa, o que a 4ª Turma fez foi julgar o
decreto inconstitucional. Ocorre que isso deveria ter sido feito respeitando-se a cláusula de reserva de
plenário, conforme explicitado na SV 10: Súmula vinculante 10-STF: Viola a cláusula de reserva de
plenário (CF, art. 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare
expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, afasta a sua
incidência no todo ou em parte. STF. 1ª Turma. RE 635088 AgR-segundo/DF, rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 4/2/2020 (Info 965).

O que significa a cláusula de reserva de plenário? A chamada “cláusula de reserva de plenário”


significa que, se um Tribunal for declarar a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo, é
obrigatório que essa declaração de inconstitucionalidade seja feita pelo voto da maioria absoluta
do Plenário ou do órgão especial deste Tribunal.

Valor prestigiado: segurança jurídica.

Origem: A CF/1934 foi a primeira Constituição brasileira a prever a cláusula de reserva de


plenário.

Sinônimos: full bench, full court ou julgamento en banc.

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Previsão legal: art. 97 da CF/88 e arts. 948/949 do NCPC.

A exigência da cláusula de reserva de plenário aplica-se tanto no controle difuso como no


controle concentrado de constitucionalidade. Vale advertir que, no STF, somente se aplica ao
controle concentrado.

Casos aos quais não se aplica a reserva de plenário:


1. Declaração de constitucionalidade da norma;
2. Lei ou ato normativo anterior à CF (aqui, a questão é de não recepção);
3. Emprego da técnica da interpretação conforme;
4. Juiz singular;
5. Turmas Recursais;
6. Controle difuso de constitucionalidade pelo STF (por exemplo, no julgamento de um RE):
A vedação do art. 97 da CF/88 não tem aplicação ao Supremo Tribunal Federal, cuja
missão precípua é a guarda da Constituição. O STF exerce, por excelência, o controle
difuso de constitucionalidade quando do julgamento do recurso extraordinário, via
apropriada à discussão de violação constitucional, ordinariamente realizado por suas
turmas. STF. 2ª Turma. ARE 1008426 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em
26/05/2017.

Exceções previstas em lei (art. 949, § único, NCPC)


Existem duas mitigações à cláusula de reserva de plenário, ou seja, duas hipóteses em que o
órgão fracionário poderá decretar a inconstitucionalidade sem necessidade de remessa dos autos
ao Plenário (ou órgão especial):
a) quando o Plenário (ou órgão especial) do Tribunal que estiver decidindo já tiver se
manifestado pela inconstitucionalidade da norma;
b) quando o Plenário do STF já tiver decidido que a norma em análise é inconstitucional.

Outro julgado importante sobre reserva de plenário


 Não viola a Súmula Vinculante 10, nem a regra do art. 97 da CF/88, a decisão do órgão
fracionário do Tribunal que deixa de aplicar a norma infraconstitucional por entender
não haver subsunção aos fatos ou, ainda, que a incidência normativa seja resolvida
mediante a sua mesma interpretação, sem potencial ofensa direta à Constituição. STF.
1ª Turma. Rcl 24284/SP, rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22/11/2016 (Info 848).

O Procurador da Câmara Municipal dispõe de legitimidade para interpor recurso


extraordinário contra acórdão de Tribunal de Justiça proferido em representação de
inconstitucionalidade em defesa de lei ou ato normativo estadual ou municipal.

Os Procuradores (do Estado, do Município, da ALE, da Câmara etc.) possuem legitimidade para a
interposição de recursos em ação direta de inconstitucionalidade. STF. 2ª Turma. RE 1126828 AgR/SP,
rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, julgado em 4/2/2020 (Info 965).

Poder Judiciário

A readmissão na carreira da Magistratura não encontra amparo na Lei Orgânica da


Magistratura Nacional nem na Constituição Federal de 1988.

Após a promulgação da CF de 1988, o servidor exonerado não possui o direito de reingresso no cargo.
Isso porque o atual ordenamento constitucional impõe a prévia aprovação em concurso público como
condição para o provimento em cargo efetivo da Administração Pública. O STF já declarou a
inconstitucionalidade de lei estadual que previa a possibilidade de o magistrado exonerado reingressar
nos quadros da magistratura: ADI 2983, Min. Carlos Velloso, 23/02/2005. O CNJ também já expediu
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orientação normativa vinculante afirmando que não são possíveis formas de provimentos dos cargos
relacionados à carreira da Magistratura que não estejam explicitamente previstas na CF nem na
LOMAN. Assim, o magistrado que pediu exoneração não tem direito de readmissão no cargo mesmo
que essa possibilidade esteja prevista em lei estadual. STJ. 2ª Turma. RMS 61.880-MT, Min. Mauro
Campbell Marques, 03/03/2020 (Info 666).

CNJ

Ministério Público

(!)Ação de improbidade administrativa proposta contra Promotor de Justiça (podendo


resultar na perda do cargo): julgada em 1ª instância; ação civil de perda de cargo de
Promotor não envolvendo improbidade administrativa: julgada pelo TJ.

Ação Civil de perda de cargo de Promotor de Justiça cuja causa de pedir não esteja vinculada a ilícito
capitulado na Lei nº 8.429/92 deve ser julgada pelo Tribunal de Justiça. STJ. 2ª Turma. REsp 1.737.900-
SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 19/11/2019 (Info 662).

 Promotor de Justiça não pode perder o cargo em processo administrativo instaurado


para apuração de infração disciplinar de natureza grave. Exige-se, para tanto, sentença
judicial transitada em julgado.
 O art. 92 do CP não se aplica aos membros do MP condenados criminalmente porque o
art. 38 da Lei 8.625/93 disciplina o tema, sendo norma especial (específica), razão pela
qual deve esta última prevalecer em relação à norma geral (CP). STJ. 5ª Turma. AgRg no
REsp 1409692/SP, Min. Reynaldo Soares da Fonseca, 23/05/2017. A perda do cargo do
Promotor de Justiça, portanto, não pode ser decretada como efeito da condenação
penal.
 É pacífico o entendimento de que o Promotor de Justiça (ou Procurador da República)
pode ser processado e condenado por ato de improbidade administrativa, com
fundamento na Lei nº 8.429/92.

 A ação de improbidade contra o membro do MP deverá ser proposta pelo Promotor de


Justiça ou Procurador da República, ou seja, pelo membro do MP que atua em 1ª
instância.

Advocacia Pública

Defensoria Pública

É inviável o acolhimento do requerimento formulado pela DPU para assistir parte em


processo que tramita no STJ nas hipóteses em que a Defensoria Pública Estadual atuante
possui representação em Brasília ou aderiu ao portal de intimações eletrônicas.

O STJ indeferiu pedido da DPU para, em substituição à Defensoria Pública de Alagoas, atuar em recurso

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especial sob o argumento de que a Defensoria Estadual não possui representação em Brasília. Isso
porque, embora a DPE/AL não possua espaço físico em Brasília, ela aderiu ao Portal de Intimações
Eletrônicas do STJ e, portanto, pode atuar normalmente no processo a partir de sua sede local. A DPU
só pode atuar nos processos das Defensorias Públicas estaduais se a respectiva Defensoria Pública
estadual:
• não tiver representação em Brasília; e
• não tiver aderido ao Portal de Intimações Eletrônicas do STJ. STJ. 5ª Turma. PET no AREsp 1.513.956-
AL, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, 17/12/2019 (Info 664).

Ordem Econômica

Direito à saúde

Direito à educação

FUNDEF. União deverá indenizar Estados prejudicados com o cálculo incorreto do VMNA.

O valor da complementação da União ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino


Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) deve ser calculado com base no valor mínimo
nacional por aluno extraído da média nacional. A complementação ao Fundef realizada a partir do valor
mínimo anual por aluno fixada em desacordo com a média nacional impõe à União o dever de
suplementação de recursos, mantida a vinculação constitucional a ações de desenvolvimento e
manutenção do ensino. Em outras palavras, os Estados prejudicados com o cálculo incorreto do valor
mínimo nacional por aluno deverão ser indenizados por conta do montante pago a menor a título de
complementação pela União no período de vigência do FUNDEF, isto é, nos exercícios financeiros de
1998 a 2007. O tema acima foi definido pelo STJ (no REsp 1101015/BA) e pelo STF nas ACO 648/BA,
ACO 660/AM, ACO 669/SE e ACO 700/RN, jugadas em 6/9/2017. Diante disso, é possível que o Ministro
do STF, Relator de ações com pedidos semelhantes, decida monocraticamente e julgue procedente os
pedidos formulados por outros Estados-membros contra a União. Não haverá, neste caso, violação ao
princípio da colegialidade. STF. Plenário. ACO 701 AgR/AL, Min. Edson Fachin, 18/12/2019 (Info 964).

Desporto

É inconstitucional previsão do Estatuto do Torcedor, inserida pela Lei do PROFUT, que


permitia o rebaixamento do clube em caso de não comprovação da regularidade fiscal e
trabalhista.

A Lei 13.155/2015 institui o PROFUT (Programa de modernização da gestão e de responsabilidade fiscal


do futebol brasileiro). Essa lei alterou o Estatuto do Torcedor (Lei 10.671/03) para incluir entre os
critérios técnicos, além da colocação obtida em campeonato anterior, a apresentação de Certidão
Negativa de Débitos Federais, de certificado de regularidade de contribuição ao FGTS e comprovação
de pagamentos de obrigações previstas nos contratos de trabalho e nos contratos de imagem dos
atletas. Assim, por força da Lei 13.155/15, um clube de futebol da série “A” (“1ª divisão”) do
Campeonato Brasileiro caso não cumprisse os requisitos de regularidade fiscal, regularidade com o
FGTS e com os salários dos atletas seria rebaixado para a série “B”. Para o STF, a exigência da
regularidade fiscal fere a autonomia das entidades desportivas em relação à sua organização e seu
funcionamento (art. 217 da CF) e constitui forma indireta de coerção estatal ao pagamento de tributos.
A retirada do clube do campeonato pelo não pagamento de tributos ou do FGTS é medida gravíssima,
que demonstra falta de proporcionalidade e razoabilidade, além de configurar uma sanção política.
Com a exclusão automática do campeonato, o clube jamais conseguiria pagar tributos e
refinanciamentos, trazendo prejuízos à União, aos atletas, aos funcionários e à ideia de fomentar o
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desporto. Resultado: foi declarada a inconstitucionalidade do art. 40 da Lei 13.155/15, na parte em que
altera o art. 10, §§ 1º, 3º e 5º da Lei 10.671/03, mantendo-se a vigência e eficácia de todos os demais
dispositivos impugnados. STF. Plenário. ADI 5450 MC-Ref/DF, Min. Alexandre de Moraes, 18/12/2019
(Info 964).

A cobrança do tributo por vias oblíquas (sanções políticas) é rechaçada por quatro súmulas do
STF e do STJ:
a) Súmula 70-STF: É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo
para cobrança de tributo.
b) Súmula 323-STF: É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para
pagamento de tributos.
c) Súmula 547-STF: Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira
estampilhas, despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais.
d) Súmula 127-STJ: É ilegal condicionar a renovação da licença de veículo ao pagamento de
multa, da qual o infrator não foi notificado.

DIREITO CIVIL

Direitos da personalidade

Pessoas jurídicas

Prescrição e decadência

Obrigações

Negócio jurídico

Contratos

Seguro

É cabível a modulação dos efeitos do entendimento da Súmula 610 do STJ no caso de suicídio
que tenha ocorrido ainda na vigência do entendimento anterior, previsto nas Súmulas 105
do STF e 61 do STJ.

No seguro de vida, se o segurado se suicidar, a seguradora continua tendo obrigação de pagar a


indenização?
1) Entendimento ANTERIOR (até 08/04/2015) (Súmulas 105 do STF e 61 do STJ): O critério era o da
premeditação:
• Se o suicídio foi premeditado: NÃO. A seguradora não tem obrigação de indenizar.
• Se o suicídio não foi premeditado: SIM. A seguradora tem obrigação de indenizar.
2) Entendimento ATUAL (Súmula 610 do STJ): O critério passou a ser o meramente temporal:
• Suicídio nos dois primeiros anos: SEM direito à indenização.
• Suicídio após os dois primeiros anos: TEM direito à indenização.
Caso concreto: segurado cometeu suicídio antes de terminarem os dois primeiros anos do contrato.
Ficou demonstrado que o suicídio não foi premeditado. Assim, pelo entendimento anterior, o
beneficiário do seguro teria direito à indenização (porque o suicídio não foi premeditado). Por outro
lado, pelo entendimento atual, o filho de João não teria direito à indenização (porque o suicídio ocorreu
nos dois primeiros anos do contrato). O beneficiário ajuizou a ação contra a seguradora quando ainda
vigorava o entendimento anterior do STJ, tendo, inclusive, obtido uma sentença favorável. Ocorre que,
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quando o processo chegou ao STJ por meio de recurso, o entendimento já havia mudado. Neste caso, o
STJ afirmou que, mesmo tendo havido alteração da jurisprudência, deveria ser aplicado o
entendimento anterior. STJ. 3ª Turma. REsp 1.721.716-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
10/12/2019 (Info 662).

● Nesse julgado, o STJ aplicou a técnica da superação prospectiva de precedente (prospective


overruling). Como o suicídio correu na vigência do entendimento anterior, deverá ser aplicada a
posição anterior da jurisprudência, ou seja, o critério da premeditação previsto nas Súmulas 105
do STF e 61 do STJ. Para o STJ, deve ser feita a modulação dos efeitos do novo entendimento,
manifestado na Súmula 610, de forma que essa nova posição não retroaja para alcançar suicídios
ocorridos antes de seu início.
● Essa modulação de efeitos é expressamente permitida pelo art. 927, §3°, do NCPC:
Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do STF e dos tribunais
superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver
modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança
jurídica.

(!) Mudança de entendimento – Atualize informativo 561, STJ. A cláusula de reajuste por
faixa etária em contrato de seguro de vida é legal, ressalvadas as hipóteses em que o
contrato já tenha previsto alguma outra técnica de compensação do desvio de risco dos
segurados idosos.

Em regra, é válida a cláusula de reajuste por faixa etária em contrato de seguro de vida. Essa cláusula
somente não será válida nos casos em que o contrato já tenha previsto alguma outra técnica de
compensação do “desvio de risco” dos segurados idosos, como nos casos de constituição de reserva
técnica para esse fim, a exemplo dos seguros de vida sob regime da capitalização (em vez da repartição
simples). STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 632.992/RS, Min. Maria Isabel Gallotti, 19/03/2019. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.816.750-SP, Min. Paulo de Tarso Sanseverino, 26/11/2019 (Info 663).
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Vale ressaltar que o julgado acima representa uma mudança de entendimento!
No Info 561 do STJ, o seguinte julgado está SUPERADO: A cláusula de contrato de seguro de vida
que estabelece o aumento do prêmio do seguro de acordo com a faixa etária mostra-se abusiva
quando imposta ao segurado maior de 60 anos de idade e que conte com mais de 10 anos de
vínculo contratual. STJ. 3ª Turma. REsp 1376550-RS, Min. Moura Ribeiro, 28/4/2015 (Info 561).
A tese 3 do Jurisprudência em Teses do STJ (edição 98) também está SUPERADA: 3) Em
decorrência da aplicação analógica do parágrafo único do art. 15 da Lei n. 9.656/1998, que
dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde, é abusiva a cláusula que
estabelece fatores de aumento do prêmio do seguro de vida de acordo com a faixa etária após o
segurado completar 60 anos de idade e ter mais de 10 anos de vínculo contratual.

A cláusula de não renovação do seguro de vida, quando constituiu faculdade conferida a


ambas as partes do contrato, assim como a de reajuste do prêmio com base na faixa etária
do segurado, mediante prévia notificação, não configuram abusividade.

No seguro de vida em grupo, não há abusividade na cláusula que permite a não renovação do contrato
ou a renovação condicionada a reajuste por faixa etária. É válida a cláusula contratual que confere a
prerrogativa de a seguradora optar por não renovar o contrato de seguro de vida em grupo. Também
é válida a cláusula contratual que preveja a possibilidade de alteração da cobertura contratada e de
reajuste por implemento de idade, mediante prévia comunicação, quando da formalização da
estipulação da nova apólice. Em outras palavras, no contrato de seguro de vida em grupo, não há
abusividade no reajuste por implemento de idade quando da formalização da nova apólice. Tais
cláusulas são decorrentes da própria natureza do contrato. STJ. 4ª Turma. REsp 1.769.111-RS, Min. Luis
Felipe Salomão, 10/12/2019 (Info 665).

Fiança

É necessária a outorga conjugal para fiança em favor de sociedade cooperativa. STJ. 4ª


Turma. REsp 1.351.058-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 26/11/2019 (Info 664).

 Fiança é um tipo de contrato por meio do qual uma pessoa (“fiadora”) assume o compromisso
junto ao credor de que irá satisfazer a obrigação assumida pelo devedor, caso este não a
cumpra (art. 818 do CC).
 Outorga uxória...
a. É a concordância do outro cônjuge à fiança prestada pelo fiador.
b. Não é exigida no regime de separação absoluta (art. 1647 do CC).
c. Súmula 332 do STJ: A fiança prestada sem autorização de um dos cônjuges implica a
ineficácia total da garantia.
d. O próprio fiador não pode alegar a invalidade da fiança prestada sem a outorga
uxória, sob pena de incorrer em venire contra factum proprium (espécie de abuso de
direito). Nesse sentido: Jurisprudência em Teses do STJ (ed. 101) - Tese 9: A nulidade
da fiança só pode ser demandada pelo cônjuge que não a subscreveu ou por seus
respectivos herdeiros.
 E se o fiador, ao prestar a fiança, mente afirmando ser solteiro? A jurisprudência do STJ tem
mitigado a incidência da regra de nulidade integral (total) da fiança nos casos em que o fiador
omite ou presta informação inverídica sobre seu estado civil. Em tais hipóteses, deverá ser
preservada apenas a meação do cônjuge cuja autorização não foi concedida, não se
protegendo a parte do cônjuge que agiu de má-fé. Jurisprudência em Teses do STJ (ed. 101) -
Tese 7: A fiança prestada sem autorização de um dos cônjuges implica a ineficácia total da
garantia (Súmula n. 332/STJ), salvo se o fiador emitir declaração falsa, ocultando seu estado

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civil de casado.

Arrendamento mercantil

(!)
O arrendante é o responsável final pelo pagamento das despesas, junto a pátio privado,
com a remoção e a estadia do automóvel apreendido em ação de reintegração de posse.

O arrendante é responsável pelo pagamento das despesas de remoção e estadia de veículo em pátio
de propriedade privada quando a apreensão do bem ocorreu por ordem judicial no bojo de ação de
reintegração de posse por ele ajuizada em desfavor do arrendatário que se tornou inadimplente.
Enquanto perdurar o arrendamento mercantil, o arrendante é o seu proprietário. As despesas
decorrentes do depósito do veículo em pátio privado referem-se ao próprio bem, ou seja, constituem
obrigações propter rem. Isso significa dizer que as despesas com a remoção e a guarda dos veículos
objeto de contrato de arrendamento mercantil estão vinculadas ao bem e a seu proprietário, isto é, ao
arrendante. Assim, o arrendante é o responsável final pelo pagamento das despesas com a estadia do
automóvel junto a pátio privado, pois permanece na propriedade do bem alienado enquanto perdurar
o pacto de arrendamento mercantil. STJ. 3ª Turma. REsp 1.828.147-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 20/02/2020 (Info 665).

O que é o leasing? O arrendamento mercantil (também chamado de leasing) é uma espécie de


contrato de locação no qual o locatário tem a possibilidade de, ao final do prazo do ajuste,
comprar o bem, pagando uma quantia chamada de valor residual garantido (VRG).
(Juiz TJ/MG 2018) O arrendamento mercantil é a locação caracterizada pela faculdade conferida
ao locatário de, ao seu término, optar pela compra do bem locado (CERTO).

Súmula 293: A cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o
contrato de arrendamento mercantil.

Responsabilidade civil

O fato de ter havido prescrição da pretensão punitiva não impede o ajuizamento ou a


continuidade da ação civil ex delicto.

A decretação da prescrição da pretensão punitiva do Estado na ação penal não fulmina o interesse
processual no exercício da pretensão indenizatória a ser deduzida no juízo cível pelo mesmo fato. STJ.
3ª Turma. REsp 1.802.170-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/02/2020 (Info 666).

Fundamentos
1. Condenação criminal faz com que não se discuta mais que o condenado tem o dever de
indenizar (art. 91, I, do CP; art. 63 do CPP; art. 515 do NCPC).
2. Como se adota a independência relativa das instâncias, a vítima escolhe uma de duas
opções: 1) ajuizar a ação cível de indenização (ação civil ex delicto); ou 2) aguardar o

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desfecho do processo penal, para, então, liquidar ou executar o título judicial
eventualmente constituído pela sentença penal condenatória transitada em julgado.

Quais são as consequências do fato de a sentença criminal ter declarado a prescrição do réu?
• Se for prescrição da pretensão punitiva: isso impede a formação do título executivo judicial na
esfera penal. Logo, a vítima não poderá executar sentença penal condenatória no juízo cível. A
vítima continuará, contudo, com interesse processual para a ação civil ex delicto.
• Se for prescrição da pretensão executória: permanecem os efeitos secundários da sentença –
como maus antecedentes, a possibilidade de gerar reincidência, além da formação do título
executivo judicial. Isso significa que a vítima poderá executar a sentença condenatória no juízo
cível.

Direitos reais

Posse

Direitos reais

CONDOMÍNIO. É nula a cláusula de convenção do condomínio outorgada pela própria


construtora que prevê a redução da taxa condominial das suas unidades imobiliárias ainda
não comercializadas.

Caso concreto: a convenção de condomínio previu que a construtora – proprietária das unidades
imobiliárias ainda não comercializadas – precisaria pagar apenas 30% do valor da taxa condominial por
unidade. Assim, enquanto os demais condôminos pagariam 100% da quota condominial, a construtora
teria que pagar apenas 30% por unidade. O STJ considerou que essa cláusula é nula. A convenção
outorgada pela construtora/incorporadora não pode estabelecer benefício de caráter subjetivo a seu
favor com a finalidade de reduzir ou isentar do pagamento da taxa condominial. A taxa condominial é
fixada de acordo com a previsão orçamentária de receitas e de despesas, bem como para constituir o
fundo de reserva com a finalidade de cobrir eventuais gastos de emergência. A redução ou isenção da
quota condominial a favor de um ou vários condôminos implica oneração aos demais, com evidente
violação da regra da proporcionalidade prevista no inciso I do art. 1.334 do CC/2002. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.816.039-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, 04/02/2020 (Info 664).

Embora a convenção do condomínio possa fixar o rateio das contribuições condominiais de


maneira diversa da regra da fração ideal pertencente a cada unidade (Jurisprudência em Teses do
STJ - ed. 68 - Tese 9), no caso concreto, o STJ entendeu que houve nulidade nesta previsão.

CONDOMÍNIO. O condomínio, por ser uma massa patrimonial, não possui honra objetiva e
não pode sofrer dano moral.

Os condomínios são entes despersonalizados, pois não são titulares das unidades autônomas,
tampouco das partes comuns, além de não haver, entre os condôminos, a affectio societatis, tendo em
vista a ausência de intenção dos condôminos de estabelecerem, entre si, uma relação jurídica, sendo o
vínculo entre eles decorrente do direito exercido sobre a coisa e que é necessário à administração da
propriedade comum. Caracterizado o condomínio como uma massa patrimonial, não há como
reconhecer que seja ele próprio dotado de honra objetiva. Qualquer ofensa ao conceito (reputação)
que possui perante a comunidade representa, em verdade, uma ofensa individualmente dirigida a cada
um dos condôminos, pois quem goza de reputação são os condôminos e não o condomínio, ainda que o
ato lesivo seja a este endereçado. Diferentemente do que ocorre com as pessoas jurídicas, qualquer
repercussão econômica negativa será suportada, ao fim e ao cabo, pelos próprios condôminos, a
quem incumbe contribuir para todas as despesas condominiais, e/ou pelos respectivos
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proprietários, no caso de eventual desvalorização dos imóveis no mercado imobiliário. Assim, o
condomínio, por ser uma massa patrimonial, não possui honra objetiva e não pode sofrer dano moral.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.736.593-SP, Min. Nancy Andrighi, 11/02/2020 (Info 665).

Observações:

 Condomínio não é substituto processual (legitimado extraordinário) para a defesa de


interesse dos condôminos. “Nem o CC nem a Lei 4591/64 (Lei dos Condomínios) preveem que o
condomínio tenha legitimação extraordinária p/, representado pelo síndico, atuar como parte
processual em demanda que postule a compensação dos danos morais sofridos pelos condôminos.
O dano extrapatrimonial possui natureza personalíssima e se caracteriza como uma ofensa à
honra subjetiva do ser humano, dizendo respeito, portanto, ao foro íntimo do ofendido. Em suma:
o condomínio é parte ilegítima para ajuizar ação pedindo indenização por danos morais em nome
dos condôminos”. STJ. 3ª Turma. REsp 1177862/RJ, Min. Nancy Andrighi, 03/05/2011. STJ. 4ª
Turma. AgInt no REsp 1812546/MG, Min. Maria Isabel Gallotti, 26/11/2019.
 CUIDADO aqui: o STJ afirmou que o condomínio tem legitimidade para pleitear
indenização por alegado dano moral sofrido por ele próprio. “O condomínio tem
legitimidade ativa para pleitear, em favor próprio, indenização por dano moral, não
podendo fazê-lo em nome dos condôminos”. STJ. 3ª Turma. REsp 1.736.593-SP, Min.
Nancy Andrighi, 11/02/2020 (Info 665). No mérito, contudo, entendeu que condomínio
não sofre dano moral, por não contar com honra subjetiva.

USUCAPIÃO. O interesse jurídico no ajuizamento direto de ação de usucapião independe de


prévio pedido na via extrajudicial.

A tentativa de usucapião extrajudicial não é condição indispensável para o ajuizamento da ação de


usucapião. Mesmo que estejam preenchidos os requisitos para a usucapião extrajudicial, o interessado
pode livremente optar pela propositura de ação judicial. O próprio legislador deixou claro, no art. 216-A
da Lei de Registros Públicos, que a existência da possibilidade de usucapião extrajudicial não traz
prejuízo à busca da usucapião na via jurisdicional: Art. 216-A. Sem prejuízo da via jurisdicional, é
admitido o pedido de reconhecimento extrajudicial de usucapião (...) STJ. 3ª Turma.REsp 1.824.133-RJ,
Min. Paulo de Tarso Sanseverino, 11/02/2020 (Info 665).

O que é usucapião? Usucapião é...


- um instituto jurídico por meio do qual a pessoa que fica na posse de um bem (móvel ou imóvel)
- por determinados anos
- agindo como se fosse dono
- adquire a propriedade deste bem ou outros direitos reais a ele relacionados (ex: usufruto,
servidão)
- desde que cumpridos os requisitos legais.
Usucapião extraordinária
 Surgiu com a Lei n° 11.977/2009 (Lei que disciplinou o “Programa Minha Casa, Minha
Vida”), restrita ao âmbito da regularização fundiária.
 A experiência se mostrou produtiva e, em 2015, foi editada a Lei 13.105/2015 (NCPC) que
acrescentou o art. 216-A na Lei de Registros Públicos (Lei 6.015/73) prevendo, de forma
ampla, a possibilidade de usucapião extrajudicial.
Disciplina legal
Art. 216-A.  Sem prejuízo da via jurisdicional, é admitido o pedido de reconhecimento
extrajudicial de usucapião, que será processado diretamente perante o cartório do registro de
imóveis da comarca em que estiver situado o imóvel usucapiendo, a requerimento do
interessado, representado por advogado, instruído com:                  

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I - ata notarial lavrada pelo tabelião, atestando o tempo de posse do requerente e de seus
antecessores, conforme o caso e suas circunstâncias, aplicando-se o disposto no art. 384 da Lei
no 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil):
II - planta e memorial descritivo assinado por profissional legalmente habilitado, com prova de
anotação de responsabilidade técnica no respectivo conselho de fiscalização profissional, e pelos
titulares de direitos registrados ou averbados na matrícula do imóvel usucapiendo ou na
matrícula dos imóveis confinantes;
III - certidões negativas dos distribuidores da comarca da situação do imóvel e do domicílio do
requerente;
IV - justo título ou quaisquer outros documentos que demonstrem a origem, a continuidade, a
natureza e o tempo da posse, tais como o pagamento dos impostos e das taxas que incidirem
sobre o imóvel.
§ 1o O pedido será autuado pelo registrador, prorrogando-se o prazo da prenotação até o
acolhimento ou a rejeição do pedido.                
§ 2o Se a planta não contiver a assinatura de qualquer um dos titulares de direitos registrados ou
averbados na matrícula do imóvel usucapiendo ou na matrícula dos imóveis confinantes, o
titular será notificado pelo registrador competente, pessoalmente ou pelo correio com aviso de
recebimento, para manifestar consentimento expresso em quinze dias, interpretado o silêncio
como concordância.
§ 3o O oficial de registro de imóveis dará ciência à União, ao Estado, ao Distrito Federal e ao
Município, pessoalmente, por intermédio do oficial de registro de títulos e documentos, ou pelo
correio com aviso de recebimento, para que se manifestem, em 15 (quinze) dias, sobre o pedido.
§ 4o O oficial de registro de imóveis promoverá a publicação de edital em jornal de grande
circulação, onde houver, para a ciência de terceiros eventualmente interessados, que poderão
se manifestar em 15 (quinze) dias.
§ 5o Para a elucidação de qualquer ponto de dúvida, poderão ser solicitadas ou realizadas
diligências pelo oficial de registro de imóveis.
§ 6o Transcorrido o prazo de que trata o § 4 o deste artigo, sem pendência de diligências na forma
do § 5o deste artigo e achando-se em ordem a documentação, o oficial de registro de imóveis
registrará a aquisição do imóvel com as descrições apresentadas, sendo permitida a abertura de
matrícula, se for o caso.
§ 7o Em qualquer caso, é lícito ao interessado suscitar o procedimento de dúvida, nos termos
desta Lei.
§ 8o Ao final das diligências, se a documentação não estiver em ordem, o oficial de registro de
imóveis rejeitará o pedido.
§ 9o A rejeição do pedido extrajudicial não impede o ajuizamento de ação de usucapião.
§ 10.  Em caso de impugnação do pedido de reconhecimento extrajudicial de usucapião,
apresentada por qualquer um dos titulares de direito reais e de outros direitos registrados ou
averbados na matrícula do imóvel usucapiendo e na matrícula dos imóveis confinantes, por
algum dos entes públicos ou por algum terceiro interessado, o oficial de registro de imóveis
remeterá os autos ao juízo competente da comarca da situação do imóvel, cabendo ao
requerente emendar a petição inicial para adequá-la ao procedimento comum.
§ 11.  No caso de o imóvel usucapiendo ser unidade autônoma de condomínio edilício, fica
dispensado consentimento dos titulares de direitos reais e outros direitos registrados ou
averbados na matrícula dos imóveis confinantes e bastará a notificação do síndico para se
manifestar na forma do § 2o deste artigo.
§ 12.  Se o imóvel confinante contiver um condomínio edilício, bastará a notificação do síndico
para o efeito do § 2o deste artigo, dispensada a notificação de todos os condôminos.
§ 13.  Para efeito do § 2o deste artigo, caso não seja encontrado o notificando ou caso ele esteja
em lugar incerto ou não sabido, tal fato será certificado pelo registrador, que deverá promover a
sua notificação por edital mediante publicação, por duas vezes, em jornal local de grande
circulação, pelo prazo de quinze dias cada um, interpretado o silêncio do notificando como
concordância.
§ 14.  Regulamento do órgão jurisdicional competente para a correição das serventias poderá
autorizar a publicação do edital em meio eletrônico, caso em que ficará dispensada a publicação
em jornais de grande circulação.
§ 15.  No caso de ausência ou insuficiência dos documentos de que trata o inciso IV
do caput deste artigo, a posse e os demais dados necessários poderão ser comprovados em
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procedimento de justificação administrativa perante a serventia extrajudicial, que obedecerá, no
que couber, ao disposto no § 5o do art. 381 e ao rito previsto nos arts. 382 e 383 da Lei
no 13.105, de 16 março de 2015 (Código de Processo Civil).

DÍVIDAS CONDOMÍNIAIS. A proprietária do imóvel gerador dos débitos condominiais pode ter
o seu bem penhorado no cumprimento de sentença, mesmo não tendo figurado no polo
passivo da ação de cobrança, que tramitou apenas em face de seu ex-companheiro.

O imóvel gerador dos débitos condominiais pode ser objeto de penhora em cumprimento de sentença,
ainda que somente o ex-companheiro tenha figurado no polo passivo da ação de conhecimento. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.683.419-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/02/2020 (Info 666).

Trata-se de obrigação propter rem (ou obrigação ambulatória)


A obrigação de pagamento das despesas condominiais é de natureza propter rem, ou seja, é
obrigação “própria da coisa”, ou, melhor ainda, assumida “por causa da coisa”. Como essas
obrigações decorrem da mera titularidade do direito real sobre o imóvel, elas incidem e
acompanham a coisa em todas as suas mutações subjetivas (mudanças de “dono”).

Informações complementares - Jurisprudência em Teses do STJ (ed. 68)


 Tese 1: É possível a penhora do bem de família para assegurar o pagamento de dívidas
oriundas de despesas condominiais do próprio bem.
 Tese 3: As cotas condominiais possuem natureza proptem rem, razão pela qual os
compradores de imóveis respondem pelos débitos anteriores à aquisição.

Direito de Família

Casamento

Parentesco

(!)A concessão de guarda do menor não implica automática destituição do poder-dever


familiar dos pais para representá-lo em juízo.

A representação legal do filho menor é uma das vertentes do poder familiar e deverá ser exercida, em
regra, pelos pais, conforme prevê o art. 1.634, VII, do CC. Assim, somente em algumas hipóteses é que
o menor poderá deixar de ser representado pelos seus pais. O fato de ter sido concedida a guarda do
menor para uma outra pessoa que não compõe o núcleo familiar não significa que tenha havido a
destituição automática do poder familiar. Logo, mesmo em tais casos, a competência para representar
este menor em juízo é do pai ou da mãe (e não da guardiã). STJ. 3ª Turma. REsp 1.761.274-DF, Rel. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 04/02/2020 (Info 664).

● Em regra, os pais exercem a representação do filho menor em juízo.


● Exceções (interpretadas restritivamente): hipóteses em que o menor não poderá ser
representado pelos seus pais. Exemplos:
• quando os pais forem destituídos do poder familiar;
• quando forem declarados ausentes;
• quando estiverem impossibilitados de representar adequadamente o menor;
• quando houver colisão de interesses entre pais e filhos.

O que decidiu o STJ? O exercício da guarda não outorga ao guardião, de forma automática, o
direito de representar o menor em juízo.
E se a mãe biológica, que teria a atribuição para representar o menor em juízo, se omite? Essa

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inércia poderia ser suprida:
 pelo Ministério Público, cuja atuação é marcada pela neutralidade e pela incessante
busca do melhor interesse do menor;
 ou, excepcionalmente, pela própria guardiã, mas desde que ficasse demonstrada a
presença de circunstâncias excepcionais que justificassem a concessão a ela de poderes
de representação judicial.

Filiação

Alimentos

O fato de o representante legal do menor, autor de execução de alimentos, possuir atividade


remunerada não pode, por si só, servir de empecilho à concessão da gratuidade de justiça.

Em ação judicial que versa sobre alimentos ajuizada por menor, não é admissível que a concessão da
gratuidade de justiça esteja condicionada a demonstração de insuficiência de recursos de seu
representante legal. Caso concreto: uma criança, representada por sua mãe, ingressou com execução
de alimentos contra o pai; o juiz indeferiu o pedido de gratuidade de justiça porque a mãe do autor
(representante do menor) não provou a sua insuficiência de recursos. O direito ao benefício da
gratuidade de justiça possui natureza individual e personalíssima. Assim, os requisitos para a
concessão ou não do direito à gratuidade deverão ser preenchidos, em regra, pela própria parte, e não
pelo seu representante legal. É evidente que, em se tratando de menores representados pelos seus
pais, haverá sempre um forte vínculo entre a situação desses dois diferentes sujeitos de direitos e
obrigações, sobretudo em razão da incapacidade civil e econômica do próprio menor. Isso não significa,
contudo, que se deva automaticamente examinar o direito à gratuidade a que poderia fazer jus o
menor à luz da situação financeira de seus pais. Assim, em se tratando de direito à gratuidade de justiça
pleiteado por menor de 18 anos, deve o juiz, inicialmente, aplicar a regra do §3º do art. 99 do NCPC,
deferindo o benefício em razão da presunção de sua insuficiência de recursos. Existe, todavia, a
possibilidade de a outra parte demonstrar, com base no § 2º, a ausência dos pressupostos legais que
justificam a gratuidade, pleiteando, em razão disso, a revogação do benefício concedido. STJ. 3ª T. REsp
1.807.216-SP, Min. Nancy Andrighi, 04/02/2020 (Info 664).

Questões sobre gratuidade de justiça...


● (MP/PI 2019 CEBRASPE) O benefício da gratuidade de justiça não poderá ser concedido a
estrangeiro não residente no Brasil. (ERRADO)
● (PGM João Pessoa 2018 CEBRASPE) O pedido de gratuidade da justiça pode ser feito na inicial
ou na contestação, porém, mesmo que deferido, não afastará das partes a responsabilidade
pelos honorários advocatícios decorrentes da sucumbência. (CERTO)

Sucessões

INVENTÁRIO. A fixação de determinado valor a ser recebido mensalmente pelo herdeiro a


título de adiantamento de herança não configura o negócio jurídico processual atípico do art.
190 do CPC/2015.

A fixação de determinado valor a ser recebido mensalmente pelo herdeiro a título de adiantamento de
herança não configura negócio jurídico processual atípico na forma do art. 190, caput, do NCPC. O
acordo firmado entre os herdeiros para autorizar a retirada mensal dos valores não é um acordo
puramente processual. Isso porque o seu objeto é o próprio direito material que se discute e que se

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pretende obter na ação de inventário, ou seja, a divisão do patrimônio do autor da herança. O que se
está fazendo, portanto, é simplesmente antecipar a fruição e uso do direito material. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.738.656-RJ, Min. Nancy Andrighi, 03/12/2019 (Info 663).

Negócios jurídicos processuais


O que são negócios jurídicos processuais?
Negócio processual é um fato jurídico voluntário por meio do qual o sujeito regula, dentro dos
limites fixados no ordenamento jurídico, certas situações jurídicas processuais, podendo até
mesmo alterar o procedimento (DIDIER, Fredie. Curso de Direito Processual Civil. Salvador:
Juspodivm, 2019, p. 443).
Negócios processuais unilaterais, bilaterais e plurilaterais
1. Unilaterais: quando o sujeito, sem necessidade de acordo com a outra parte, pratica
determinado ato que gera consequências no processo. Ex: desistência do recurso (art.
998 do CPC).
2. Bilaterais: quando há um acordo de vontades, uma combinação entre as partes.
3. Plurilaterais: quando a sua eficácia depende de um acordo de vontade das partes e do
juiz (NEVES, Daniel Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. 11ª ed., Salvador:
Juspodivm, 2019, p. 390). É o caso, por exemplo, do calendário processual (art. 191).
Negócios processuais típicos e atípicos
1. Típicos: quando o legislador prevê expressamente a possibilidade de a parte regular
aquela situação jurídica. Exs: o foro de eleição (art. 63 do CPC), o calendário processual
(art. 191), o acordo para a suspensão do processo (art. 313, II).
2. Atípicos: ocorre quando as partes criam um ajuste que não foi previsto previamente pela
lei. A autorização para negócios processuais atípicos está no art. 190 do CPC, que é
considerada como uma cláusula geral de negociação sobre o processo. Obs: o negócio
processual atípico é sempre um negócio jurídico processual bilateral.
Cláusula geral de negociação sobre o processo
O caput do art. 190 do CPC previu uma cláusula geral de negociação por meio da qual se
concedem às partes mais poderes para convencionar sobre matéria processual. O CPC/1973
autorizava a celebração de determinados negócios jurídicos processuais típicos, como a eleição
de foro para modificação de competência relativa (art. 111, caput), a redução ou a prorrogação
de prazos dilatórios (art. 181), a suspensão do processo (art. 265, II). A grande novidade do
CPC/2015 foi essa cláusula geral do art. 190. A partir dela passou a ser admitida a celebração de
negócios processuais não especificados na legislação, isto é, atípicos.

(!)É possível o inventário extrajudicial, ainda que exista testamento, se os interessados


forem capazes e concordes e estiverem assistidos por advogado.

É possível o inventário extrajudicial, ainda que exista testamento, se os interessados forem capazes e
concordes e estiverem assistidos por advogado, desde que o testamento tenha sido previamente
registrado judicialmente ou haja a expressa autorização do juízo competente. STJ. 4ª Turma. REsp
1.808.767-RJ, Min. Luis Felipe Salomão, 15/10/2019 (Info 663).

Quais são as exigências para que o inventário seja feito extrajudicialmente? Segundo a lição
tradicional que se encontra nos manuais de Direito Civil, o inventário extrajudicial exigiria o
cumprimento de quatro requisitos cumulativos (art. 610, NCPC):
1. herdeiros capazes: todos os herdeiros devem ser capazes; havendo interessado incapaz,
deve ser feito o inventário judicial.
2. consenso: deve haver consenso entre os herdeiros quanto à divisão dos bens; todos
devem ser concordes.
3. advogado: todas as partes interessadas devem estar assistidas por advogado ou por
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defensor público.
4. inexistência de testamento: o falecido não pode ter deixado testamento; pela lei,
havendo testamento, deveria ser feito inventário judicial.

Anderson Schreiber afirma que a exigência relativa à ausência de testamento “não tem razão de
ser. Pelo contrário, cria no Brasil um cenário insólito em que o testador que realiza testamento,
pretendendo justamente evitar conflitos futuros entre seus herdeiros, acaba por lhes impor a via
judicial, mesmo que não haja nenhum herdeiro incapaz e todos estejam de acordo quanto à
divisão dos bens. Trata-se de verdadeiro contrassenso.” (Direito Civil contemporâneo. 3ª ed. São
Paulo: Saraiva, 2020, p. 1432).

Nesse julgado, o STJ encampou a crítica doutrinária, propondo nova interpretação ao art. 610 do
NCPC c/c os arts. 2015 e 2016 do CC.

Enunciados doutrinários sobre o tema


• Enunciado 600 da VII Jornada de Direito Civil do CJF: Após registrado judicialmente o
testamento e sendo todos os interessados capazes e concordes com os seus termos, não
havendo conflito de interesses, é possível que se faça o inventário extrajudicial.
• Enunciado 77 da I Jornada sobre Prevenção e Solução Extrajudicial de Litígios: Havendo registro
ou expressa autorização do juízo sucessório competente, nos autos do procedimento de abertura
e cumprimento de testamento, sendo todos os interessados capazes e concordes, o inventário e
partilha poderão ser feitos por escritura pública, mediante acordo dos interessados, como forma
de pôr fim ao procedimento judicial.
• Enunciado 51 da I Jornada de Direito Processual Civil do CJF: Havendo registro judicial ou
autorização expressa do juízo sucessório competente, nos autos do procedimento de abertura,
registro e cumprimento de testamento, sendo todos os interessados capazes e concordes,
poderão ser feitos o inventário e a partilha por escritura pública.
• Enunciado 16 do IBDFAM: Mesmo quando houver testamento, sendo todos os interessados
capazes e concordes com os seus termos, não havendo conflito de interesses, é possível que se
faça o inventário extrajudicial.

SUCESSÃO LEGÍTIMA. Se o herdeiro renunciou a herança, não tem legitimidade para ação que
busca a nulidade de uma alienação realizada pelo de cujus em vida considerando que,
mesmo se anulada a venda, não terá qualquer direito sobre esse bem.

Aquele que renuncia a herança não tem legitimidade para pleitear eventual nulidade de negócio
jurídico que envolva um dos bens que integram o patrimônio do de cujus. Exemplo: João, Pedro, Tiago e
Regina são irmãos. Em 2010, Regina, que tinha sérios problemas de saúde, vendeu um apartamento
para seu irmão Tiago por preço bem abaixo do mercado. Os demais irmãos não souberam dessa venda.
Em 2011, Regina faleceu. Não tinha cônjuge, descendentes ou ascendentes. Diante disso, os únicos
herdeiros eram seus irmãos. João optou por renunciar a herança em favor do monte. Logo depois que
fez isso, João tomou conhecimento da venda do apartamento ocorrida em 2010. Ele ficou revoltado
porque considerou que sua irmã não estava em sua perfeita condição mental, tendo sido, portanto,
“enganada” por Tiago. João ingressou com ação declaratória de nulidade do negócio jurídico. O juiz
deverá extinguir o processo sem resolução do mérito porque João não possui legitimidade ativa ad
causam considerando que ele renunciou expressamente a herança deixada por Regina, de sorte que,
mesmo se anulada a venda, não teria nenhum proveito econômico com isso. STJ. 4ª Turma. REsp
1.433.650-GO, Min. Luis Felipe Salomão, 19/11/2019 (Info 664).

Aceitação (adição) da herança x Renúncia da herança

Aceitação Renúncia

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Ato por meio do qual o herdeiro manifesta a Ato formal e solene por meio do qual a pessoa
vontade de receber a herança. Não é possível a afirma, por escrito, que não quer receber a
aceitação da herança de forma parcial, herança a que teria direito.
condicional ou a termo. Espécies de renúncia: a) Abdicativa: o herdeiro
renuncia pura e simplesmente a herança. A parte
que lhe cabia é dividida igualmente entre os
demais herdeiros como se o renunciante nunca
tivesse existido. b) Translativa: o herdeiro
“renuncia” a herança em favor de alguém. Na
verdade, tecnicamente não seria uma renúncia,
mas sim uma cessão de direitos em favor de uma
pessoa e ninguém pode ceder algo que renunciou.
A doutrina, no entanto, chama de renúncia
translativa.
Pode ser expressa, tácita ou presumida. A renúncia deverá ser sempre expressa e escrita,
por meio de instrumento público ou termo
judicial. Não existe renúncia tácita, presumida ou
verbal.

Alienação fiduciária (DL n° 911/69)

Em caso de conversão da busca e apreensão em execução, a quantia cobrada na ação


executiva será o valor da integralidade da dívida, ou seja, a soma das parcelas vencidas e
vincendas do contrato.

Nos contratos de financiamento com cláusula de alienação fiduciária, quando houver a conversão da
ação de busca e apreensão em ação de execução nos moldes do art. 4º do Decreto-Lei nº 911/1969, o
débito exequendo deve representar o valor da integralidade da dívida (soma das parcelas vencidas e
vincendas do contrato). STJ. 3ª Turma. REsp 1.814.200-DF, Min. Nancy Andrighi, 18/02/2020 (Info 665).

Conceito de alienação fiduciária


“A alienação fiduciária em garantia é um contrato instrumental em que uma das partes, em
confiança, aliena a outra a propriedade de um determinado bem, ficando esta parte (uma
instituição financeira, em regra) obrigada a devolver àquela o bem que lhe foi alienado quando
verificada a ocorrência de determinado fato.” (RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito
Empresarial Esquematizado. São Paulo: Método, 2012, p. 565).

Disciplina legal da alienação fiduciária

Procedimento em caso de inadimplemento pelo devedor: notificação do devedor  ajuizamento


ação autônoma de busca e apreensão OU ajuizamento de ação de execução.

Sobre a NOTIFICAÇÃO do devedor...


 A mora decorre do simples vencimento (art. 2°, § 2°, do DL 911/69), mas a notificação é
imprescindível à busca e apreensão do bem (Súmula 72-STJ);
 Dispensa a indicação do valor do débito (Súmula 245-STJ);
 Pode ser feita mediante carta com AR (art. 2°, § 2°, do DL 911/69);
 O AR não precisa ser assinado pelo próprio devedor (art. 2°, § 2°, do DL 911/69).

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Bem de família

Proprietário que aceita que seu bem de família sirva como garantia de um contrato de
alienação fiduciária em garantia não pode, posteriormente, alegar que esse ato de
disposição foi ilegal.

A proteção legal conferida ao bem de família pela Lei 8.009/90 não pode ser afastada por renúncia do
devedor ao privilégio, pois é princípio de ordem pública, prevalente sobre a vontade manifestada. A
despeito disso, o bem de família legal não gera inalienabilidade. Logo, é possível que o proprietário
pratique atos de disposição dele, podendo, por exemplo, oferecê-lo como objeto de alienação
fiduciária em garantia. A utilização abusiva do direito à proteção do bem de família viola o princípio
da boa-fé objetiva e, portanto, não deve ser tolerada. Assim, deve ser afastado o benefício conferido
ao titular do bem de família que exerce o direito em desconformidade com o ordenamento jurídico.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.595.832-SC, Min. Luis Felipe Salomão, 29/10/2019 (Info 664).

Espécies de bem de família


Bem de família convencional ou voluntário Bem de família legal
Arts. 1711 a 1722 do CC. Lei n° 8009/90.
Parte do patrimônio do cônjuge ou da entidade Consiste no imóvel residencial próprio do casal ou
familiar, limitada a 1/3 do patrimônio existente ao da entidade familiar.
tempo da instituição, constituído como bem de Considera-se residência um único imóvel utilizado
família mediante escritura pública ou testamento pelo casal ou pela entidade familiar para moradia
(art. 1711 do CC). permanente. Na hipótese de o casal, ou entidade
Art. 1712, CC. O bem de família consistirá em prédio familiar, ser possuidor de vários imóveis utilizados
residencial urbano ou rural, com suas pertenças e como residência, a impenhorabilidade recairá
acessórios, destinando-se em ambos os casos a sobre o de menor valor, salvo se outro tiver sido
domicílio familiar, e poderá abranger valores registrado, para esse fim, no Registro de Imóveis e
mobiliários, cuja renda será aplicada na conservação na forma do CC (bem de família convencional)
do imóvel e no sustento da família.

Alienação fiduciária
 Instituto por meio do qual alguém (fiduciante) toma dinheiro emprestado de outrem
(fiduciário) e, como garantia de que irá pagar a dívida, transfere a propriedade resolúvel
de um bem imóvel para o credor, ficando este obrigado a devolver ao devedor o bem
que lhe foi alienado quando houver o adimplemento integral do débito.
 Como consequência, ocorre o “desdobramento da posse, tornando-se o fiduciante
possuidor direto e o fiduciário possuidor indireto da coisa imóvel” (art. 23, § único, da Lei
9.514/97).
 Consolidação da posse é o que ocorre quando o fiduciante não paga a dívida (art. 26 da
Lei 9.514/97.
O que decidiu o STJ nesse julgado? Proprietário que aceita que seu bem de família sirva como
garantia de um contrato de alienação fiduciária em garantia não pode, posteriormente, alegar que
esse ato de disposição foi ilegal. E quais os fundamentos invocados?
a. Se o bem de família pode ser alienado, pode igualmente ser oferecido em garantia;
b. A alegação de que o ato de disposição é ilegal viola a boa-fé objetiva e a vedação ao
comportamento contraditório.
Jurisprudência em Teses do STJ:
 Tese 11: Afasta-se a proteção conferida pela Lei n. 8.009/90 ao bem de família, quando
caracterizado abuso do direito de propriedade, violação da boa-fé objetiva e fraude à
execução.
 Tese 12: A impenhorabilidade do bem de família hipotecado não pode ser oposta nos
casos em que a dívida garantida se reverteu em proveito da entidade familiar.

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ATENÇÃO! O caso veiculado nesse Informativo não se confunde com a renúncia à proteção
conferida pelo bem de família. Sobre renúncia, veja-se o entendimento do STJ - Jurisprudência em
Teses do STJ (ed. 44) Tese 17: A impenhorabilidade do bem de família é questão de ordem pública,
razão pela qual não admite renúncia pelo titular.

Não se pode penhorar o bem de família com base no inciso IV do art. 3º da Lei 8.009/90 se
o débito de natureza tributária está relacionado com outro imóvel que pertencia ao
devedor.

Para a aplicação da exceção à impenhorabilidade do bem de família prevista no art. 3º, IV, da Lei
8.009/90 é preciso que o débito de natureza tributária seja proveniente do próprio imóvel que se
pretende penhorar. Ex: João celebrou com Pedro contrato de “permuta de imóveis urbanos”. Ficou
acertado que João transmitiria a propriedade de sua casa para Pedro e, em troca, Pedro faria a
transferência de seu apartamento a João. Ficou consignado que cada parte iria transmitir o imóvel sem
quaisquer dívidas tributárias. Depois da permuta e da transferência da posse, Pedro constatou que a
casa cedida por João possuía débitos de IPTU. Para regularizar a situação, Pedro quitou essas dívidas.
Em seguida, Pedro ajuizou ação contra João pedindo o ressarcimento desses valores considerando que
houve um descumprimento do contrato neste ponto. O pedido foi julgado procedente. No
cumprimento de sentença, Pedro pediu a penhora do apartamento que, depois da permuta, passou a
pertencer a João e que é seu bem de família. Essa penhora não pode ser deferida porque não se
enquadra no inc. IV do art. 3º da Lei 8009/90: A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de
execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido: IV - para
cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em função do imóvel
familiar; Pode-se apontar três argumentos principais:
• A dívida era referente a outro imóvel (e não ao que se pretende penhorar).
• Não se está cobrando um imposto devido em função do imóvel; o que se está pleiteando é o
ressarcimento decorrente de inadimplemento contratual.
• As hipóteses de exceção à regra da impenhorabilidade do bem de família são taxativas, não
comportando interpretação extensiva. STJ. 3ª Turma. REsp 1.332.071-SP, Min. Marco Aurélio Bellizze,
18/02/2020 (Info 665).

SFH

Lei de Locação (Lei n° 8.245/91)

Mesmo que existam mais de um locador, qualquer deles poderá ajuizar a ação de despejo,
não sendo necessário que todos figurem no polo ativo.

A ação de despejo não exige a formação de litisconsórcio ativo necessário. STJ. 3ª Turma. REsp
1.737.476-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 04/02/2020 (Info 664).

 A solidariedade entre os locadores prevista no art. 2° da Lei 8245/91 não gera a


obrigatoriedade de um litisconsórcio ativo entre eles.
 Vale lembrar que o litisconsórcio ativo só deve ser admitido em situações excepcionalíssimas.
Nesse sentido é o entendimento do STJ: Não há que se falar, via de regra, em litisconsórcio
necessário no polo ativo da relação jurídica processual, uma vez que não é possível compelir
alguém a demandar em juízo ante a voluntariedade do direito de ação, nem tolher o direito
de acesso à justiça daquele que quer litigar, mormente em face do art. 5º XXXV, da
Constituição da República, que assegura a todos a inafastabilidade da tutela jurisdicional. STJ.
2ª Turma. AgRg no AREsp 493.183/SE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
27/05/2014.

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 A conclusão é outra quando há PLURALIDADE DE LOCATÁRIOS. Nesse caso, todos devem ser
incluídos no polo passivo da ação, sendo hipótese, assim, de litisconsórcio passivo necessário.

Lei de Direitos Autorais (Lei n° 9.610/98)

Arbitragem

(!)Pretensão dos acionistas de serem indenizados pela União e pela Petrobrás pelos
prejuízos causados em decorrência da desvalorização dos ativos da Companhia, por conta da
Lava Jato, deverá ser ajuizada na Justiça Federal de 1ª instância (e não por arbitragem).

A União, na condição de acionista controladora da Petrobras, não pode ser submetida à cláusula
compromissória arbitral prevista no Estatuto Social da Companhia, seja em razão da ausência de lei
autorizativa, seja em razão do próprio conteúdo da norma estatutária. Caso concreto: um grupo de
acionistas da Petrobrás formulou requerimento para instauração de procedimento arbitral perante a
Câmara de Arbitragem do Mercado (CAMBOVESPA) contra a União e a Petrobrás, no qual pedem o
ressarcimento pelos prejuízos decorrentes da desvalorização dos ativos da Petrobras, em razão dos
desgastes oriundos da Operação Lava Jato. O procedimento foi instaurado com base no art. 58 do
Estatuto Social da Petrobrás, em que consta uma cláusula compromissória dizendo que as disputas que
envolvam a Companhia, seus acionistas, administradores e conselheiros fiscais deverão ser resolvidas
por meio de arbitragem. A União afirmou que não estava obrigada a participar dessa arbitragem,
argumento que foi acolhido pelo STJ. STJ. 2ª Seção. CC 151.130-SP, Rel. Acd. Min. Luis Felipe Salomão,
27/11/2019 (Info 664).

Sobre convenção de arbitragem...


 É gênero que tem como espécies: a) a cláusula compromissória (é prévia ao surgimento
do conflito); b) o compromisso arbitral (estipulado após o surgimento do conflito);
 Jurisprudência em Teses do STJ (ed. 122) – Tese 1: A convenção de arbitragem, tanto na
modalidade de compromisso arbitral quanto na modalidade de cláusula compromissória,
uma vez contratada pelas partes, goza de força vinculante e de caráter obrigatório,
definindo ao juízo arbitral eleito a competência para dirimir os litígios relativos aos
direitos patrimoniais disponíveis, derrogando-se a jurisdição estatal.
É possível suscitar conflito de competência entre um Tribunal Arbitral e o Juízo Estatal? Sim,
competindo ao STJ a solução (art. 105, I, “d”, da CF/88). A atividade do Tribunal Arbitral possui
natureza jurisdicional e, por essa razão, é possível conflito de competência entre juízo arbitral e
juízo estatal. A esse respeito, Jurisprudência em Teses do STJ (ed. 122) - Tese 9: A atividade
desenvolvida no âmbito da arbitragem possui natureza jurisdicional, o que torna possível a
existência de conflito de competência entre os juízos estatal e arbitral, cabendo ao STJ o seu
julgamento.
Algumas questões sobre arbitragem...
 É possível a aplicação da arbitragem nas controvérsias envolvendo uma sociedade
anônima (como é o caso da Petrobrás). Existe previsão expressa no § 3º do art. 109 da
Lei nº 6.404/76, com redação dada pela Lei nº 10.303/2001.
 É possível a arbitragem na administração pública, quando a lide versar sobre direitos
disponíveis (art. 1°, § 1°, da Lei 9.307/96, incluído pela Lei 13.129/15). Questão de prova
(Promotor MPMG 2018): A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da
arbitragem para dirimir conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. Nesse caso,
por exigência da própria lei, a arbitragem será sempre de direito e respeitará o princípio
da publicidade (CERTO).
 Jurisprudência em Teses do STJ (ed. 122) –Tese 13: Não existe óbice legal na estipulação

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da arbitragem pelo poder público, notadamente pelas sociedades de economia mista,
para a resolução de conflitos relacionados a direitos disponíveis.
 Princípio da Kompetenz-kompetenz. (MPMG 2019) De acordo com o princípio da
competência-competência, é o árbitro que tem competência, em primeiro lugar, para
decidir sobre a sua própria competência (CERTO). Embora isso seja correto, a regra
kompetenz-kompetenz não resolve o caso em tela porque a discussão aqui envolve uma
análise pretérita, qual seja, o exame da própria existência da cláusula compromissória
e se ela poderia ser aplicada para a União.
O que decidiu o STJ no julgado veiculado neste Informativo? Deve haver previsão legal ou
regulamentar específica para a extensão da arbitragem à União, como acionista controladora de
sociedade de economia mista (no caso, a Petrobrás). Para o STJ, muito embora a arbitragem seja
permitida nas demandas societárias e naquelas envolvendo a administração pública, para que
isso possa ocorrer é indispensável que haja “um regramento específico que apresente a
delimitação e a extensão de determinado procedimento arbitral ao sócio controlador,
notadamente em se tratando de ente federativo, no caso a União, em que a própria
manifestação de vontade deve estar condicionada ao princípio da legalidade”.
Arbitralidade subjetiva x Arbitralidade objetiva
a. Arbitrabilidade subjetiva: significa analisar quem pode ser parte numa arbitragem.
b. Arbitrabilidade objetiva: significa identificar quais controvérsias poderão ser submetidas
à arbitragem.
No caso analisado, o STJ entendeu que o procedimento arbitral não poderia envolver a União por
faltar:
• Arbitrabilidade subjetiva: diante da ausência de lei autorizativa ou estatutária; e
• Arbitrabilidade objetiva: considerando que o pleito indenizatório formulado pelos acionistas
transcende (ultrapassa) aquilo que está previsto na cláusula compromissória como sendo passível
de ser submetido à arbitragem.

ECA

Direitos da criança e do adolescente

Poder Familiar

Colocação em família substituta

O registro civil de nascimento de pessoa adotada sob a égide do Código Civil/1916 não pode
ser alterado para a inclusão dos nomes dos ascendentes dos pais adotivos.

O registro civil de nascimento de pessoa adotada sob a égide do Código Civil/1916 não pode ser
alterado para a inclusão dos nomes dos ascendentes dos pais adotivos. O ordenamento jurídico vigente
ao tempo em que realizada a adoção simples da peticionante por meio de escritura pública (natureza
contratual), previa que o parentesco resultante da adoção era meramente civil e limitava-se ao
adotante e ao adotado, não se estendendo aos familiares do adotante visto que mantidos os vínculos
do adotado com a sua família biológica. Não se aplica o regime jurídico de adoção do ECA para este
caso. STJ. 3ª Turma. REsp 1.232.387-MG, Rel. Acd. Min. Marco Buzzi, 11/02/2020 (Info 666).

O regime da adoção no tempo

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Código de Menores
CC/16 Lei n° 4.655/65 CF, ECA e CC/02
(Lei 6.697/79)
No CC/1916, vigorava A Lei 4.655/65 trouxe Somente com o advento da A CF/88 proibiu o
o regime da adoção algumas mudanças no Lei 6.697/79 (“Código de tratamento desigual entre
simples. A adoção era regime da adoção e Menores”) é que passou a os filhos.
realizada por escritura uma delas foi a vigorar no país a adoção O ECA, que entrou em vigor
pública e o parentesco possibilidade de o plena. Essa lei admitiu a no biênio seguinte, revogou
resultante da adoção vínculo da adoção se coexistência das duas os dispositivos do CC/1916
limitava-se ao estender aos formas de adoção, a e das demais leis ordinárias
adotante e ao ascendentes do simples e a plena. A adoção relativamente aos menores
adotado, salvo quanto adotante, desde que plena, contudo, era de 18 anos. Manteve, no
aos impedimentos com expressa anuência endereçada apenas aos entanto, os anteriores
matrimoniais. O destes. Esta Lei menores “em situação preceitos normativos p/ as
parentesco natural também previu o irregular” e extinguia todos adoções dos maiores de
(biológico) não se rompimento dos os vínculos do adotado com idade, haja vista que a
extinguia, exceto o direitos e obrigações a sua família natural, referida legislação se volta
“pátrio poder” (atual oriundos da relação do estendendo o vínculo às crianças e adolescentes.
poder familiar), que adotado com a família adotivo aos parentes do O CC/2002 (arts. 1.618 e
seria transferido do pai de origem. adotante 1619), no entanto,
natural para o adotivo. independentemente da promoveu a unificação do
concordância destes. A instituto passando a
adoção simples não admitir apenas a adoção
ensejava tal rompimento, plena, impondo novo e
tanto que essa modalidade completo vínculo familiar,
podia ser revogada pela com a efetiva participação
vontade das partes a do Poder Público no
qualquer tempo, pois processo de adoção de
constituída por intermédio crianças, adolescentes ou
de um contrato assinado maiores de 18 anos.
expresso em escritura
pública.

Proteção à criança e ao adolescente

O art. 78 do ECA traz um dever que obriga todos os que integram a cadeia de consumo,
abrangendo o editor da revista ou publicação, o transportador, o distribuidor e o
comerciante.

O art. 78 do ECA prevê o seguinte: As revistas e publicações contendo material impróprio ou


inadequado a crianças e adolescentes deverão ser comercializadas em embalagem lacrada, com a
advertência de seu conteúdo. § único: As editoras cuidarão para que as capas que contenham
mensagens pornográficas ou obscenas sejam protegidas com embalagem opaca. Esse dever de zelar
pela correta comercialização de revistas pornográficas, em embalagens opacas, lacradas e com
advertência de conteúdo, não se limita aos editores e comerciantes, mas se estende a todos os
integrantes da cadeia de consumo, inclusive aos transportadores e distribuidores. STJ. 1ª Turma.REsp
1.584.134-RJ, Min. Napoleão Nunes Maia Filho, 20/02/2020 (Info 666).

O ECA prevê princípios e regras próprios que asseguram à criança e ao adolescente múltiplos
direitos fundamentais, dentre os quais se inclui o direito à dignidade e ao respeito. O art. 6º
afirma que, na interpretação do ECA deverão ser levados em consideração os fins sociais a que
ele se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a
condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento. Desse
modo, a fim de se garantir a máxima eficácia das normas protetivas, não se pode fazer uma
interpretação literal do art. 78 para dizer que apenas os comerciantes e os editores é que teriam
esse dever.

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Classificação indicativa de programas

(!)Emissora de TV pode ser condenada ao pagamento de indenização por danos morais


coletivos em razão da exibição de filme fora do horário recomendado pelo Ministério da
Justiça.

Segundo decidiu o STF, é inconstitucional a expressão “em horário diverso do autorizado” contida no
art. 254 do ECA. Assim, o Estado não pode determinar que os programas somente possam ser exibidos
em determinados horários. Isso seria uma imposição, o que é vedado pelo texto constitucional por
configurar censura. O Poder Público pode apenas recomendar os horários adequados. A classificação
dos programas é indicativa (e não obrigatória) (STF. Plenário. ADI 2404/DF, Min. Dias Toffoli,
31/8/2016). Vale ressaltar, no entanto, que a liberdade de expressão, como todo direito ou garantia
constitucional, exige responsabilidade no seu exercício, de modo que as emissoras deverão resguardar,
em sua programação, as cautelas necessárias às peculiaridades do público infantojuvenil. Logo, a
despeito de ser a classificação da programação apenas indicativa e não proibir a sua veiculação em
horários diversos daquele recomendado, cabe ao Poder Judiciário controlar eventuais abusos e
violações ao direito à programação sadia, previsto no art. 221 da CF/88. Diante disso, é possível, ao
menos em tese, que uma emissora de televisão seja condenada ao pagamento de indenização por
danos morais coletivos em razão da exibição de filme fora do horário recomendado pelo órgão
competente, desde que fique constatado que essa conduta afrontou gravemente os valores e
interesses coletivos fundamentais. STJ. 3ª Turma. REsp 1.840.463-SP, Min. Marco Aurélio Bellizze,
19/11/2019 (Info 663).

No caso concreto, contudo, não houve essa demonstração, razão pela qual não se justifica a
condenação da emissora ao pagamento de danos extrapatrimoniais coletivos. Segundo restou
apurado nos autos, em um dos casos a exibição inadequada ocorreu em razão de falha técnica no
sistema de controle da emissora. Em outra hipótese houve posterior reclassificação do filme pelo
Ministério da Justiça. Em outros casos a emissora fez a edição dos filmes, com supressão das
cenas impróprias para a respectiva faixa etária. Vale ressaltar, ainda, que em todos os casos, a
exibição dos filmes ocorreu apenas parcialmente em horário inadequado. Desse modo, a conduta
da ré, a despeito da sua irregularidade, não foi capaz de abalar, de forma intolerável, a
tranquilidade social dos telespectadores, assim como os seus valores e interesses fundamentais.

DIREITO NOTARIAL E REGISTRAL

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Competência

Justiça comum deve julgar causa de servidor celetista que passou a ser regido pelo regime
estatutário (pós CF/88).

Compete à Justiça comum processar e julgar causa de servidor público municipal admitido mediante
aprovação em concurso público sob o regime da CLT e que, posteriormente, passou a ser regido pelo
estatuto dos servidores públicos municipais (estatutário). Caso concreto: o servidor ingressou no
serviço público do Município em 1997 no cargo de auxiliar de serviços gerais sob o regime celetista e,
em julho de 2010, passou a ser regido pelo regime estatutário. Em 2013, ele ajuizou ação na Justiça do
Trabalho para pleitear o recolhimento de parcelas do FGTS no período em que esteve regido pelas
regras da CLT. Como o vínculo do servidor com a administração pública é atualmente estatutário, a
competência para julgar a causa é da Justiça comum, ainda que as verbas requeridas sejam de natureza

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trabalhista e relativas ao período anterior à alteração do regime de trabalho. STF. Plenário. CC 8018/PI,
red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, 19/12/2019 (Info 964).

Partes e Procuradores

Deveres das partes e de seus procuradores

Sucumbência e honorários de advogado

Comunicação de atos processuais

Tutela provisória

Procedimento comum

Petição inicial

Autor propôs ação monitória envolvendo duas notas promissórias; juiz determina que ele
traga aos autos o original de uma dessas promissórias; ele descumpre; deverá haver o
indeferimento parcial da inicial, prosseguindo o processo quanto a outra promissória.

Descumprida a determinação de emenda a inicial com relação à apresentação do original de uma das
cártulas que embasou a monitória, não é juridicamente possível se falar em extinção total da demanda.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.837.301-SC, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 18/02/2020 (Info 665).

Ação monitória
Ação monitória é um procedimento especial, previsto no CPC, por meio do qual o credor exige
do devedor o pagamento de soma em dinheiro ou a entrega de coisa com base em prova
escrita que não tenha eficácia de título executivo. Ex: ação monitória para cobrança de cheque
prescrito, ação monitória para cobrança de valores baseados em contrato bancário de abertura
de conta-corrente.
a) Se o credor tem título executivo, pode ingressar desde logo com a execução.
b) Se o credor não tem nenhuma prova documental, só lhe resta a ação de cobrança.
c) Se o credor tem prova escrita que não goza de eficácia de título executivo: cabe ação
monitória.

Cumprimento de sentença

O credor pode optar pela remessa dos autos ao foro de domicílio do executado, mesmo após
o início do cumprimento de sentença.

O inciso II do art. 516 do CPC prevê que o cumprimento da sentença será feito perante o juízo que
decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição. O § único, por sua vez, afirma que o exequente poderá
optar por ingressar com o cumprimento de sentença: a) no juízo do atual domicílio do executado; b) no
juízo do local onde se encontrem os bens sujeitos à execução; c) no juízo do local onde deva ser
executada a obrigação de fazer ou de não fazer. É possível que o exequente faça a opção de que trata o
§ único do art. 516 do CPC/2015 mesmo após já ter sido iniciado o cumprimento de sentença? SIM. O
credor pode optar pela remessa dos autos ao foro de domicílio do executado, mesmo após o início do
cumprimento de sentença. STJ. 3ª Turma. REsp 1.776.382-MT, Min. Nancy Andrighi, 03/12/2019 (Info
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663).

Para incidência da multa do art. 523, § 1º, do CPC (Não ocorrendo pagamento voluntário no
prazo do caput, o débito será acrescido de multa de dez por cento e, também, de honorários
de advogado de dez por cento), é preciso a efetiva resistência do executado ao cumprimento
de sentença.

João ingressa com pedido de cumprimento de sentença cobrando determinada quantia de Pedro. Após
ser intimado a pagar, Pedro depositou em juízo o valor da condenação, mas apresentou petição
narrando que aquilo não era pagamento e sim mera garantia do Juízo para obter o efeito suspensivo na
futura impugnação.
Hipótese 1: Pedro, logo em seguida ao ato acima, apresentou impugnação ao cumprimento de
sentença. A impugnação foi julgada improcedente. Pedro terá que pagar a multa de 10% do art. 523, §
1º? SIM. Veja: A multa a que se refere o art. 523 do CPC/2015 será excluída apenas se o executado
depositar voluntariamente a quantia devida em juízo, sem condicionar seu levantamento a qualquer
discussão do débito. STJ. 3ª Turma. REsp 1803985/SE, Min. Nancy Andrighi, 12/11/2019. STJ. 4ª Turma.
AgInt no AREsp 1435744/SE, Min. Raul Araújo, 28/05/2019.
Hipótese 2: Pedro depositou em juízo o valor da condenação e apresentou petição narrando que aquilo
não era pagamento e sim garantia do Juízo. Apesar disso, Pedro não apresentou a impugnação.
Transcorrido o prazo, como o devedor não ingressou com a impugnação, o credor pediu a expedição de
guia para levantamento do valor depositado, o que foi deferido pelo juiz mediante alvará. Pedro terá
que pagar a multa de 10% do art. 523, § 1º? NÃO. Não haverá a incidência da multa mesmo o devedor
tendo afirmado que não estava pagando. Isso porque para incidir a multa é necessário que haja a
efetiva resistência do devedor por meio da propositura de impugnação, o que não ocorreu. Assim,
considerando o depósito efetuado e a ausência de resistência ao cumprimento de sentença, não se
justifica a incidência da multa. Para incidência da multa do art. 523, § 1º, do CPC, é preciso a efetiva
resistência do executado ao cumprimento de sentença. STJ. 3ª T. REsp 1.834.337-SP, Min. Nancy
Andrighi, 03/12/2019 (Info 663).

O requerimento de inclusão do nome do executado em cadastros de inadimplentes, nos


termos do que dispõe o art. 782, § 3º, do CPC/2015, não depende da comprovação de prévia
recusa administrativa das entidades mantenedoras do respectivo cadastro.

O § 3º do art. 782 do CPC/2015 prevê que o juiz, a requerimento da parte, pode determinar a inclusão
do nome do executado nos cadastros de inadimplentes (exs: SPC/SERASA). Embora o magistrado não
esteja obrigado a deferir o pedido de inclusão do nome do executado no cadastro de inadimplentes,
visto que a norma do art. 782, § 3º, do CPC/2015 não trata de uma imposição legal, mas mera
faculdade atribuída ao juiz da causa, não se revela idôneo condicionar a referida medida à prévia
recusa administrativa das entidades mantenedoras do respectivo cadastro. Assim, o credor pode
requerer essa providência diretamente ao juízo, não sendo necessário comprovar que este pedido foi
feito antes, extrajudicialmente, para as entidades mantenedoras do cadastro e que elas recusaram. STJ.
3ª Turma. REsp 1.835.778-PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 04/02/2020 (Info 664).

Sobre a inclusão do nome do devedor nos cadastros restritivos de crédito...


 Trata-se de medida executiva típica, importante e eficaz medida para concretizar o
princípio da efetividade do processo. Isso porque, com a negativação do seu nome, o
devedor terá seu direito ao crédito restringido, o que o forçará a satisfazer a obrigação.
 Exige-se pedido da parte, não podendo o juiz não pode determinar a inclusão de ofício.
 Trata-se de uma faculdade do magistrado (“pode”), devendo ser analisadas as
particularidades (proporcionalidade da medida) do caso concreto.
Tema correlato
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O STJ já decidiu que é possível que o exequente requeira diretamente ao Juízo a busca de
informações sobre eventuais veículos pertencentes ao executado, por meio do sistema RENAJUD,
não sendo necessário o prévio exaurimento das vias extrajudiciais (STJ. 3ª Turma. REsp
1347222/RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 25/08/2015).

(!)
Na execução de sentença que condenou ao pagamento de pensão mensal, o percentual
dos honorários advocatícios deverá incidir apenas sobre as parcelas vencidas da dívida.

No cálculo dos honorários advocatícios devidos na fase de cumprimento de sentença, após escoado o
prazo legal para o pagamento voluntário da obrigação, não devem ser incluídas as parcelas vincendas
da dívida. Ex: em ação de indenização, a empresa ré foi condenada a pagar 60 prestações mensais de 1
salário mínimo para o autor ofendido; transitou em julgado e a empresa não pagou nada; iniciou-se o
cumprimento de sentença; a empresa está devendo 1 ano de pensão mensal (12 prestações); o valor a
ser pago irá, portanto, aumentar; isso porque incidirá 10% de multa e 10% de honorários advocatícios,
nos termos do § 1º do art. 523 do CPC; esses 10% dos honorários advocatícios incidirão apenas sobre as
12 prestações atualmente em atraso (parcelas vencidas) ou sobre o total das 60 prestações (parcelas
vencidas e também vincendas)? Apenas sobre as parcelas vencidas (no caso, 12 prestações). O § 1º do
art. 523 afirma que, se não ocorrer o pagamento voluntário dentro do prazo de 15 dias, o débito será
acrescido em 10% a título de honorários, além da multa de 10%. A expressão “débito”, para fins de
honorários, engloba apenas as parcelas vencidas da pensão mensal, visto que, em cumprimento de
sentença, o devedor/executado é intimado para quitar os valores exigíveis naquele momento. Não faz
sentido condenar a parte executada ao pagamento de honorários de sucumbência sobre prestações
que ainda não venceram e, portanto, não são exigíveis.
Não confundir. Cálculo dos honorários advocatícios na ação de indenização com o objetivo de obter o
pagamento de pensão mensal:
• Na fase de conhecimento: o percentual dos honorários advocatícios deverá incidir sobre todas
as parcelas vencidas e mais 12 parcelas vincendas, ou seja, parcelas vencidas + 1 ano de parcelas
vincendas (art. 85, § 9º, do CPC/2015).
• Na fase de cumprimento de sentença: o percentual dos honorários advocatícios deverá incidir
apenas sobre as parcelas vencidas. STJ. 3ª Turma. REsp 1.837.146-MS, Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
11/02/2020 (Info 665).

Execução

É ilegal a decisão judicial que determina a penhora de valores de instituição financeira, no


âmbito de processo do qual não era parte, mas funcionou como auxiliar da justiça.

A instituição financeira que cumpre ordem judicial de indisponibilização de saldos encontrados em


contas bancárias atua como auxiliar da Justiça. A atuação dos auxiliares da Justiça é dirigida e orientada
pelo Juízo da causa, a quem subordinam-se e submetem-se, mediante regime administrativo, e, por
isso, os auxiliares não detêm nenhuma faculdade ou ônus processual, devendo, entretanto, observar os
deveres estabelecidos no art. 77 do CPC/2015 (art. 14 do CPC/1973). Assim, os auxiliares da Justiça
podem ser responsabilizados civil, administrativa ou penalmente pelos danos que causarem, em razão
de dolo ou culpa. A responsabilidade civil dos auxiliares da Justiça deve ser apurada mediante
observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa, em via processual adequada para sua
inclusão como parte. Exemplo: o Juiz da 3ª Vara Cível determinou ao Banco Itaú que efetuasse o
bloqueio dos valores existentes na conta bancária da empresa Fênix S/A. A instituição financeira
cumpriu a ordem e foi bloqueado R$ 1 milhão. Passados alguns meses, o Juiz da 3ª Vara Cível
determinou a transferência do valor bloqueado. O banco respondeu que o dinheiro não existia mais,
uma vez que foi retirado por determinação do Juiz da 5ª Vara Cível, onde tramitava outra execução
proposta contra a Fênix S/A. O Juiz da 3ª Vara Cível entendeu que houve descumprimento de ordem

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judicial e, em razão disso, determinou a penhora do mesmo valor (R$ 1 milhão, com as atualizações)
nas contas do Banco Itaú. O STJ considerou que essa determinação foi ilegal. STJ. 3ª T. RMS 49.265-MG,
Min. Marco Aurélio Bellizze, 10/12/2019 (Info 662).

Os bens da Fundação Habitacional do Exército - FHE são impenhoráveis.

A Fundação Habitacional do Exército (FHE) é uma entidade vinculada ao Exército Brasileiro, criada pela
Lei 6.855/80. A FHE tem por objetivo facilitar a aquisição da “casa própria” para os militares e demais
associados, além de prestar outras formas de “apoio social” aos militares (exs: consórcios, seguros,
planos odontológicos etc.). Os bens da FHE são considerados impenhoráveis em razão de dois motivos:
1) a FHE possui características de autarquia federal (e os bens das autarquias são impenhoráveis); 2) o
art. 31 da Lei 6.855/80 prevê que o patrimônio da FHE goza dos privilégios próprios da Fazenda Pública,
inclusive quanto à impenhorabilidade. STJ. 1ª T. REsp 1.802.320-SP, Min. Benedito Gonçalves, 12/11/19
(Info 662).

Não tendo sido prestada garantia real, é desnecessária a citação em ação de execução, como
litisconsorte passivo necessário, do cônjuge que apenas autorizou seu consorte a prestar
aval.

O cônjuge que apenas autorizou seu consorte a prestar aval, nos termos do art. 1.647, III, do CC
(outorga uxória), não é avalista. Dessa forma, não havendo sido prestada garantia real, não é necessária
sua citação como litisconsorte, bastando a mera intimação do cônjuge que apenas autorizou o aval.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.475.257-MG, Min. Maria Isabel Gallotti, 10/12/2019 (Info 663).

Juiz, no despacho inicial da execução, fixou os honorários advocatícios; esse valor é, em


princípio, provisório; ocorre que, no curso da execução, foi firmado acordo entre as partes,
sem nada dispor sobre honorários; o advogado poderá executar esse valor fixado no
despacho inicial.

Quando houver sentença homologatória de transação firmada entre as partes e esta não dispor sobre
os honorários sucumbenciais, a decisão inicial que arbitra os honorários advocatícios em execução de
título extrajudicial pode ser considerada título executivo. STJ. 3ª Turma. REsp 1.819.956-SP, Rel. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 10/12/2019 (Info 663).

Tratando-se de condenação ao pagamento de honorários sucumbenciais, não é possível


exigir do cônjuge meeiro, que não integrou a relação processual da lide originária, a
comprovação de que a dívida executada não foi contraída em benefício do casal ou da
família.

Havendo penhora de bem indivisível (ex: um apartamento), a meação do cônjuge alheio à execução
deve recair sobre o produto da alienação do bem. Para impedir que a penhora recaia sobre a sua
meação, o cônjuge meeiro deve comprovar que a dívida executada não foi contraída em benefício da
família. Precedentes. No entanto, tratando-se de dívida proveniente da condenação ao pagamento de
honorários sucumbenciais em demanda da qual o cônjuge meeiro não participou, é inegável o direito
deste à reserva de sua meação. Os honorários advocatícios consagram direito do advogado contra a
parte que deu causa ao processo, não se podendo exigir do cônjuge meeiro, que não integrou a relação
processual da lide originária, a comprovação de que a dívida executada não foi contraída em benefício
do casal ou da família. Exemplo: João ajuizou ação ordinária contra Pedro, tendo o pedido sido julgado
improcedente. O autor foi condenado a pagar R$ 200 mil de honorários advocatícios em favor de
Pedro. Marcos (advogado de Pedro) ingressou com execução contra João cobrando os R$ 200 mil. O juiz
determinou a penhora de uma sala comercial que está em nome de João. Raquel, esposa de João,
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apresentou embargos de terceiro contra essa penhora. Sua quota-parte deverá ser preservada, não
sendo necessário que ela comprove que essa dívida contraída foi exclusiva do marido. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.670.338-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 04/02/2020 (Info 664).

Fazenda Pública em juízo

EXECUÇÃO FISCAL. Termo inicial da prescrição para redirecionamento em caso de dissolução


irregular da empresa.

i) O prazo de redirecionamento da Execução Fiscal, fixado em cinco anos, contado da diligência de


citação da pessoa jurídica, é aplicável quando o referido ato ilícito, previsto no art. 135, III, do CTN, for
precedente a esse ato processual;
ii) A citação positiva do sujeito passivo devedor original da obrigação tributária, por si só, não provoca o
início do prazo prescricional quando o ato de dissolução irregular for a ela subsequente, uma vez que,
em tal circunstância, inexistirá, na aludida data (da citação), pretensão contra os sócios-gerentes
(conforme decidido no REsp 1.101.728/SP, no rito do art. 543-C do CPC/1973, o mero inadimplemento
da exação não configura ilícito atribuível aos sujeitos de direito descritos no art. 135 do CTN). O termo
inicial do prazo prescricional para a cobrança do crédito dos sócios-gerentes infratores, nesse contexto,
é a data da prática de ato inequívoco indicador do intuito de inviabilizar a satisfação do crédito
tributário já em curso de cobrança executiva promovida contra a empresa contribuinte, a ser
demonstrado pelo Fisco, nos termos do art. 593 do CPC/1973 (art. 792 do novo CPC - fraude à
execução), combinado com o art. 185 do CTN (presunção de fraude contra a Fazenda Pública); e,
iii) em qualquer hipótese, a decretação da prescrição para o redirecionamento impõe seja demonstrada
a inércia da Fazenda Pública, no lustro que se seguiu à citação da empresa originalmente devedora
(REsp 1.222.444/RS) ou ao ato inequívoco mencionado no item anterior (respectivamente, nos casos de
dissolução irregular precedente ou superveniente à citação da empresa), cabendo às instâncias
ordinárias o exame dos fatos e provas atinentes à demonstração da prática de atos concretos na
direção da cobrança do crédito tributário no decurso do prazo prescricional. STJ. 1ª Seção. REsp
1.201.993-SP, Min. Herman Benjamin, 08/05/2019 (recurso repetitivo - Tema 444) (Info 662).

Procedimentos especiais

Ordem dos processos nos Tribunais e competência originária

Disposições gerais

SUSTENTAÇÃO ORAL. Se um processo que estava no Plenário virtual é destacado para


julgamento presencial, o julgamento será reiniciado, de forma que será possível a realização
de sustentação oral mesmo que o relator já tivesse votado no ambiente virtual.

O Min. Alexandre de Moraes era relator de uma ADI. Ele incluiu esse processo para ser julgado pelo
Plenário Virtual. O relator apresentou seu voto e os Ministros começaram a votar. Ocorre que o Min.
Marco Aurélio formulou pedido de destaque, requerendo que a referida ADI fosse julgada
presencialmente pelo Plenário físico. Diante disso, o Min. Alexandre de Moraes retirou o processo da
pauta de julgamentos eletrônicos e o encaminhou ao Plenário físico para julgamento presencial, tendo
havido nova publicação de pauta. O advogado da parte, quando viu a publicação da pauta, pediu para
fazer sustentação oral no Plenário físico. O Min. Alexandre de Moraes negou o pedido sob o argumento
de que já havia apresentado seu voto no Plenário Virtual e a sustentação oral ocorre sempre antes de o
relator votar. Depois que o relator vota, não cabe mais sustentação oral. A maioria dos Ministros,
contudo, concordou com o pedido de sustentação oral da parte. Quando há o deslocamento do
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Plenário Virtual para o Plenário físico, o julgamento se reinicia, havendo, portanto, direito de ser
formulado pedido de sustentação oral. Além disso, os advogados somente têm acesso ao que foi
deliberado na sessão virtual depois de prolatados todos os votos. Logo, o advogado da parte não teve
acesso ao voto do relator que foi liberado no Plenário Virtual. STF. Plenário. ADI 4735/DF, Min.
Alexandre de Moraes, 6/2/2020 (Info 965).

Técnica de ampliação do colegiado

Aplica-se a técnica de ampliação do colegiado quando o Tribunal, por maioria, der


provimento aos embargos de declaração para reformar a decisão embargada e, por
consequência, reformar a decisão parcial de mérito prolatada pelo juiz em 1ª instância.

Em se tratando de aclaratórios opostos a acórdão que julga agravo de instrumento, a aplicação da


técnica de julgamento ampliado somente ocorrerá se os embargos de declaração forem acolhidos para
modificar o julgamento originário do magistrado de primeiro grau que houver proferido decisão
parcial de mérito. Quando se tratar de embargos de declaração contra acórdão que decidiu agravo de
instrumento, só será caso de ampliação do colegiado se, ao julgar os embargos declaratórios, o
colegiado - por maioria - deliberar por reformar decisão de mérito (o que significa dizer que se terá, por
deliberação não unânime, atribuído efeitos infringentes aos embargos de declaração, reformando-se a
decisão embargada e, por conseguinte, reformando a decisão parcial de mérito prolatada pelo órgão de
primeira instância) (CÂMARA, Alexandre Freitas. A ampliação do colegiado em julgamentos não
unânimes. Revista de Processo, ano 43, vol. 282, ago/2018, p. 264). STJ. 3ª Turma. REsp 1.841.584-SP,
Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, 10/12/2019 (Info 662).

IAC

Ação rescisória

(!) Se o autor da ação rescisória – fundada em violação literal à disposição de lei – afirma que
a sentença rescindenda violou o art. XX da Lei, o Tribunal não pode julgar a rescisória
procedente com base na violação do art. YY, mesmo que se trate de matéria de ordem
pública.

Na ação rescisória fundada em literal violação de lei, não cabe o reexame de toda a decisão
rescindenda, para verificar se nela haveria outras violações à lei não alegadas pelo demandante,
mesmo que se trate de questão de ordem pública. Quando o autor da rescisória propõe a ação com
fundamento na hipótese de violação literal à disposição de lei - art. 485, V, CPC/73 (art. 966, V,
CPC/2015) – ele tem o ônus de indicar o(s) dispositivo(s) que foi(foram) violado(s). O Tribunal que
julgará a rescisória só irá examinar se houve violação aos dispositivos indicados, não podendo
reexaminar toda a decisão rescindenda, para verificar se nela haveria outras violações a literal
disposição de lei não alegadas pelo demandante, nem mesmo ao argumento de se tratar de matéria da
ordem pública.” (YARSHELL, Flávio. Ação rescisória: juízos rescindente e rescisório. São Paulo:
Malheiros, 2005, p. 151). Desse modo, na ação rescisória fundada no art. 485, V, CPC/1973 (art. 966, V,
CPC/2015), o juízo rescindente do Tribunal se encontra vinculado aos dispositivos de lei apontados
pelo autor como literalmente violados, não podendo haver exame de matéria estranha à apontada na
inicial, mesmo que o tema possua a natureza de questão de ordem pública, sob pena de transformar a
ação rescisória em um recurso, natureza jurídica que ela não possui. STJ. 3ª Turma. REsp 1.663.326-RN,
Min. Nancy Andrighi, 11/02/2020 (Info 665).

Sobre a ação rescisória...

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 A propositura da ação rescisória não impede o cumprimento da decisão rescindenda,
ressalvada a possibilidade o Relator ou o Tribunal conceder tutela provisória determinando
a suspensão do início ou da continuação do cumprimento de sentença.
 O fato de não ter sido interposto o recurso cabível e, em razão disso, ter ocorrido o
trânsito em julgado não é motivo para se impedir o ajuizamento da ação rescisória. Não se
exige exaurimento de instância como pressuposto para a ação rescisória. STJ. 2ª Seção.
AgRg na AR 4.459/DF, Rel. p/ Acórdão Min. Maria Isabel Gallotti, 14/10/2015.

Reclamação

É inadmissível a reclamação proposta após o trânsito em julgado da decisão reclamada.

STF determinou a devolução do recurso extraordinário para o tribunal de origem a fim de que ficasse
aguardando o julgamento do tema afetado como recurso extraordinário repetitivo. Após o julgamento
pelo STF, o Presidente do Tribunal de origem julgou prejudicado o referido RE. Contra esta decisão do
Presidente do Tribunal de origem, a parte prejudicada interpôs recurso inadequado, que não foi
admitido. Houve trânsito em julgado. Diante disso, a parte prejudicada ingressou com reclamação
afirmando que a decisão do Presidente do Tribunal de origem descumpriu a decisão do STF que
determinou o retorno dos autos ao Tribunal para aguardar o julgamento do tema afetado. Deve ser
negado seguimento a esta reclamação. Isso porque é inadmissível a reclamação proposta após o
trânsito em julgado da decisão reclamada (art. 988, § 5º, I, do CPC/2015). Súmula 734-STF: Não cabe
reclamação quando já houver transitado em julgado o ato judicial que se alega tenha desrespeitado
decisão do Supremo Tribunal Federal. Além disso, o ato do STF que determina a devolução do RE p/
que aguarde o julgamento do tema afetado não tem cunho decisório. STF. 1ª Turma. Rcl 24810
AgR/MG, Min. Luiz Fux, 11/2/2020 (Info 966).

IRDR

(!)O procedimento de distinção (distinguishing) previsto no art. 1.037, §§ 9º a 13, do


CPC/2015, aplica-se também ao incidente de resolução de demandas repetitivas – IRDR.

O procedimento de alegação de distinção (distinguishing) entre a questão debatida no processo e a


questão submetida ao julgamento sob o rito dos recursos repetitivos, previsto no art. 1.037, §§9º a 13,
do CPC, aplica-se também ao IRDR. Exemplo: o TJ/SP está recebendo milhares de apelações discutindo
se os bancos podem ou não cobrar a tarifa bancária “X”. É instaurado um IRDR no TJ/SP para decidir o
tema. O Des. Relator determina a suspensão de todos processos pendentes, individuais ou coletivos,
que tramitam no Estado de SP envolvendo a cobrança da tarifa bancária “X”. Antes da instauração do
IRDR, Pedro havia ajuizado, na comarca de Santos (SP), ação contra o Banco Itaú questionando a
cobrança da tarifa “X”. O processo estava tramitando normalmente, mas o Juiz foi informado de que o
TJSP determinou o sobrestamento de todos os processos que tratem sobre o tema. Diante disso, o
magistrado proferiu decisão determinando a suspensão do processo envolvendo Pedro e o Banco Itaú.
Pedro, contudo, não concorda com essa suspensão. Isso porque a matéria discutida na ação por ele
proposta envolve a constitucionalidade da tarifa “X” (e não a sua legalidade). Logo, seria, em seu ponto
de vista, um caso diferente daquele que será julgado pelo TJSP no IRDR. Pedro poderá interpor,
imediatamente, um agravo de instrumento contra esta decisão do Juiz? Não. Antes de interpor o
agravo de instrumento, Pedro deverá adotar o procedimento de distinção previsto no art. 1.037, §§ 9º
a 13, do CPC. Mas esse procedimento foi previsto para os recursos repetitivos. Mesmo assim, ele se
aplica também para o IRDR? Sim. Tanto os recursos especiais e extraordinários repetitivos como o IRDR
compõem um microssistema de julgamento de questões repetitivas , devendo o intérprete
promover, sempre que possível, a integração entre os dois mecanismos que pertencem ao mesmo

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sistema de formação de precedentes vinculantes. Não há diferença ontológica nem tampouco
justificativa teórica para um tratamento assimétrico (diferente). STJ. 3ª Turma. REsp 1.846.109-SP, Min.
Nancy Andrighi, 10/12/2019 (Info 662).

Recursos

Regras gerais

O STF reconheceu a repercussão geral na discussão sobre a inclusão dos expurgos


inflacionários na correção monetária dos depósitos judiciais (Tema 1.016) e determinou a
suspensão nacional de todos os processos que envolvam o tema.

Há repercussão geral da questão constitucional referente à inclusão dos expurgos inflacionários na


correção monetária dos depósitos judiciais (Tema 1.016). Reconhecida a repercussão geral, o STF
determinou a suspensão nacional de todos os processos que envolvam discussão sobre expurgos
inflacionários dos planos econômicos nos depósitos judiciais. Tal decisão foi proferida com base no art.
1.035, § 5º do CPC/2015. STF. Plenário. RE 1141156 AgR/RJ, Min. Edson Fachin, 19/12/2019 (Info 964).

O sobrestamento dos processos pendentes, no caso de reconhecimento de repercussão geral,


não é obrigatório (trata-se de uma decisão discricionária do relator do RE).

(!)A simples referência à existência de feriado local previsto em Regimento Interno e em


Código de Organização Judiciária Estadual não é suficiente para a comprovação de
tempestividade do recurso especial nos moldes do art. 1.003, § 6º, do CPC/2015.

A parte, ao apresentar REsp ou RE, tem o ônus de explicar e comprovar que, na instância de origem, era
feriado local ou dia sem expediente forense? SIM. O art. 1.003, § 6º, do CPC/2015 trouxe
expressamente um dispositivo dizendo que a comprovação do feriado local deverá ser feita,
obrigatoriamente, no ato de interposição do recurso: “O recorrente comprovará a ocorrência de
feriado local no ato de interposição do recurso.” Assim, a comprovação da ocorrência de feriado local
deve ser feita no ato da interposição do recurso, sendo intempestivo quando interposto fora do prazo
previsto na lei processual civil. Imagine que em um REsp interposto, a parte mencionou que havia um
feriado local, mas não juntou qualquer documento comprovando esse fato. Ao adotar essa prática, a
parte comprovou validamente a existência do feriado local? A mera referência (menção) às normas
estaduais é suficiente para comprovar a ocorrência de feriado local? NÃO. A comprovação da existência
de feriado local que dilate o prazo para interposição de recursos dirigidos ao STJ deverá ser realizada
por meio de documentação idônea, não sendo suficiente a simples menção ou referência nas razões
recursais. A ocorrência de feriado local, recesso, paralisação ou interrupção do expediente forense
deve ser demonstrada, no ato da interposição do recurso que pretende seja conhecido por este
Tribunal, por documento oficial ou certidão expedida pelo Tribunal de origem , não bastando
a mera menção ao feriado local nas razões recursais, tampouco a apresentação de documento não
dotado de fé pública. STJ. 3ª Turma. REsp 1.763.167-GO, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, 18/02/2020
(Info 665).

Sobre o tema...
 A comprovação do feriado local deve ser feita no ato da interposição do recurso. “Nos
termos do art. 1.003, § 6º, do CPC/2015, a comprovação da ocorrência de feriado local
deve ser feita no ato da interposição do recurso, sendo intempestivo quando interposto
fora do prazo previsto na lei processual civil”. STJ. 3ª T. AgInt nos EDcl no AREsp
1539007/RJ, Min. Marco Aurélio Bellizze, 09/03/2020.

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 Cópia de calendário do Tribunal de origem é documento idôneo p/ comprovar feriado
local?
a) STJ: NÃO. A jurisprudência do STJ entende que cópia de calendário editado pelo
Tribunal de origem não é hábil a ensejar a comprovação da existência de feriado
local, pois é necessária a juntada de cópia de lei ou de ato administrativo exarado
pela Corte a quo, comprovando a ausência de expediente forense na data em
questão. STJ. 3ª T. AgInt no REsp 1829351/RJ, Min. Nancy Andrighi, 30/03/2020.
b) STF: possui UM JULGADO afirmando que sim. O calendário disponível no sítio
do Tribunal de Justiça que mostra os feriados na localidade é documento idôneo
para comprovar a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso,
nos termos do art. 1.003, § 6º, do CPC/2015. STF. 1ª T. RMS 36114/AM, Min.
Marco Aurélio, 22/10/2019 (Info 957).

(!) É possível afastar a intempestividade do recurso quando isso decorreu do fato de o site do
Tribunal ter disponibilizado informação equivocada, que induziu a parte em erro.

A tempestividade recursal pode ser aferida, excepcionalmente, por meio de informação constante em
andamento processual disponibilizado no sítio eletrônico, quando informação equivocadamente
disponibilizada pelo Tribunal de origem induz a parte em erro. Caso concreto: o TJMS negou
provimento a uma apelação que havia sido interposta pela parte; na movimentação processual
existente no site do TJMS, constou a informação de que o vencimento do prazo recursal para a
interposição de recurso ao STJ contra o acórdão do TJ se daria no dia 10/12; assim, no dia 10/12, a
parte apresentou REsp contra o acórdão do TJ; ocorre que essa informação estava errada; o termo final
do prazo era dia 09/12; isso significa que a parte interpôs o REsp intempestivamente; vale ressaltar,
contudo, que a parte foi induzida em erro pela informação constante no sítio oficial do TJ; o STJ,
excepcionalmente, considerou tempestivo o recurso. STJ. Corte Especial. EAREsp 688.615-MS, Min.
Mauro Campbell Marques, 04/03/2020 (Info 666).

No caso, aplicou-se o art. 223 do NCPC: Decorrido o prazo, extingue-se o direito de praticar ou de
emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado,
porém, à parte provar que não o realizou por justa causa. § 1º Considera-se justa causa o evento
alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. § 2º
Verificada a justa causa, o juiz permitirá à parte a prática do ato no prazo que lhe assinar.

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ATUALIZE O INFORMATIVO 660 DO STJ . A tese firmada por ocasião do julgamento do REsp
1.813.684/SP é restrita ao feriado de segunda-feira de carnaval.

A parte, ao apresentar REsp ou RE, tem o ônus de explicar e comprovar que, na instância de origem, era
feriado local ou dia sem expediente forense? SIM. O art. 1.003, § 6º, do CPC/2015 trouxe
expressamente um dispositivo dizendo que a comprovação do feriado local deverá ser feita,
obrigatoriamente, no ato de interposição do recurso: “O recorrente comprovará a ocorrência de feriado
local no ato de interposição do recurso.” Assim, a comprovação da ocorrência de feriado local deve ser
feita no ato da interposição do recurso, sendo intempestivo quando interposto fora do prazo previsto
na lei processual civil.
Esse entendimento acima explicado está sujeito a alguma modulação de efeitos? Em regra: não.
Depois da entrada em vigor do CPC/2015, a comprovação da ocorrência de feriado local deve ser feita
no ato da interposição do recurso, sendo intempestivo quando interposto fora do prazo previsto na lei
processual civil. Esse entendimento está em vigor desde o início da vigência do CPC/2015 e não se
submete a modulação de efeitos. Exceção: no caso do feriado de segunda-feira de carnaval, há uma
modulação dos efeitos. Segunda-feira de carnaval não é um feriado nacional. No entanto, em diversos
Estados, trata-se de feriado local. • Se o REsp foi interposto antes de 18/11/2019 (data de publicação
do REsp 1.813.684-SP) e a parte não comprovou que segunda-feira de carnaval era feriado no Tribunal
de origem: é possível a abertura de vista para que a parte comprove isso mesmo após a interposição do
recurso, sanando o vício. • Se o REsp foi interposto depois de 18/11/2019 (data de publicação do REsp
1.813.684-SP) e a parte não comprovou que segunda-feira de carnaval era feriado no Tribunal de
origem: não é possível a abertura de vista para que a parte comprove esse feriado, ou seja, o vício não
pode mais ser sanado. STJ. Corte Especial. QO no REsp 1813684/SP, Min. Nancy Andrighi, 03/02/2020
(Info 666).

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Apelação

Agravo de instrumento

“Despacho” que intima o advogado para que o devedor cumpra obrigação de fazer, sob pena
de multa, possui aptidão para gerar prejuízo à parte e, portanto, pode ser impugnado por
meio de recurso.

Cabe agravo de instrumento contra o pronunciamento judicial que, na fase de cumprimento de


sentença, determinou a intimação do executado, na pessoa do advogado, para cumprir obrigação de
fazer, sob pena de multa. STJ. 3ª Turma. REsp 1.758.800-MG, Min. Nancy Andrighi, 18/02/2020 (Info
666).

Agravo interno

A multa em caso de agravo interno declarado manifestamente inadmissível ou improcedente


em votação unânime é revertida em prol da parte contrária (art. 1.021, § 4º).

A multa do art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 tem como destinatário a parte contrária e não o Fundo de
Aparelhamento do Poder Judiciário. Art. 1.021 (...) § 4º Quando o agravo interno for declarado
manifestamente inadmissível ou improcedente em votação unânime, o órgão colegiado, em decisão
fundamentada, condenará o agravante a pagar ao agravado multa fixada entre um e cinco por cento do
valor atualizado da causa. STJ. 2ª Turma. REsp 1.846.734-RS, Min. Og Fernandes, 11/02/2020 (Info 666).

Recurso especial (REsp) e recurso extraordinário (RE)

Não cabe recurso extraordinário para discutir a possibilidade ou não de retenção de


honorários advocatícios contratuais sobre crédito relativo a diferenças do FUNDEF.

A discussão envolvendo a possibilidade ou não de retenção de honorários advocatícios contratuais


sobre crédito relativo a diferenças do FUNDEF possui natureza infraconstitucional, de forma que não
cabe recurso extraordinário para apreciá-la considerando que não há matéria constitucional a ser
analisada. STF. 1ª Turma. ARE 1066359 AgR/AL, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/11/2019 (Info
961). STF. 1ª Turma. ARE 1107296 AgR/PE, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/2/2020 (Info 966).

Se a matéria discutida envolve unicamente a análise da legislação infraconstitucional federal, a


“palavra final” sobre o tema é do STJ. O que o STJ entende sobre esse assunto? Depois de
muito polêmica, a 1ª Seção do STJ pacificou o tema decidindo que: É vedada a retenção de
honorários advocatícios contratuais sobre crédito relativo a diferenças do FUNDEF. STJ. 1ª
Seção. REsp 1.703.697-PE, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10/10/2018 (Info 643).

Execução Fiscal

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Mandado de segurança

Processo coletivo

(!)
O MPF possui legitimidade para propor ação civil pública a fim de debater a cobrança de
encargos bancários supostamente abusivos praticados por instituições financeiras privadas.

O Ministério Público Federal possui legitimidade para propor ação civil pública a fim de debater a
cobrança de encargos bancários supostamente abusivos praticados por instituições financeiras
privadas. Ex: ação civil pública ajuizada pelo MPF contra diversos bancos privados pedindo para que
seja declarada abusiva a cobrança da tarifa bancária pela emissão de cheque de baixo valor. As
atividades desenvolvidas pelas instituições financeiras, sejam elas públicas ou privadas, estão
subordinadas ao conteúdo de normas regulamentares editadas por órgãos federais e de abrangência
nacional. Logo, o cumprimento dessas normas por parte dos bancos é um tema de interesse
nitidamente federal, suficiente para conferir legitimidade ao Ministério Público Federal para o
ajuizamento da ação civil pública. STJ. 3ª Turma. REsp 1.573.723-RS, Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
10/12/2019 (Info 662).

Temas correlatos
● O Conselho Monetário Nacional e o Banco Central possuem legitimidade passiva para figurar
nesta ação? NÃO. O Conselho Monetário Nacional e o Banco Central possuem função
fiscalizadora e reguladora das atividades das instituições financeiras. Isso, contudo, por si só, não
faz com que o CMN e o BACEN tenham interesse jurídico em relação às ações que são propostas
contra os bancos. STJ. 3ª T. REsp 1303646/RJ, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em
10/05/2016.
● O fato de a União e do CMN terem sido excluídos da lide faz com que o processo tenha que ser
deslocado para a Justiça Estadual? NÃO. A simples presença do MPF no polo ativo da relação
processual é suficiente para manter o processamento da demanda perante a Justiça Federal.
Nesse sentido: A presença do Ministério Público Federal no polo ativo da demanda, por si só,
determina a competência da Justiça Federal, nos termos do art. 109, I, da CF, tendo em vista que
o MPF é um órgão federal. STJ. 1ª Seção. AgInt no CC 163.268/SC, Min. Gurgel de Faria,
20/8/2019.
● Município tem legitimidade ad causam para ajuizar ação civil pública em defesa de direitos
consumeristas questionando a cobrança de tarifas bancárias. STJ. 3ª Turma. REsp 1.509.586-SC,
Min. Nancy Andrighi, 15/05/2018 (Info 626).

(!)Em regra, o autor pode ajuizar a ação popular no foro de seu domicílio, mesmo que o
dano tenha ocorrido em outro local; contudo, diante das peculiaridades, as ações
envolvendo o rompimento da barragem de Brumadinho devem ser julgadas pelo juízo do
local do fato.

Em 2019, houve o rompimento de uma barragem de rejeitos de minério, localizada em


Brumadinho/MG. O rompimento resultou em um terrível desastre ambiental e humanitário. Felipe, na
condição de cidadão, ajuizou ação popular contra a União, o Estado de MG e a Vale S.A., pedindo para
que os réus fossem condenados a recuperar o meio ambiente degradado, pagar indenização pelos
danos causados e pagar multa por dano ambiental. Como Felipe mora em Campinas/SP, ele ajuizou a
ação no foro de seu domicílio e a demanda foi distribuída para a 2ª Vara Federal de Campinas/SP.
Ocorre que na 17ª Vara Federal de MG existem ações individuais, ações populares e ações civis públicas
tramitando contra os mesmos réus e envolvendo pedidos semelhantes a essa ação popular ajuizada em
Campinas. Quem é competente para julgar esta ação popular: o juízo do domicílio do autor ou o juízo

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do local em que se consumou o ato danoso? O juízo do local onde se consumou o dano (17ª
Vara Federal de MG).
Regra geral: em regra, o autor pode ajuizar a ação popular no foro de seu domicílio, mesmo que o dano
tenha ocorrido em outro local. Isso porque como a ação popular representa um direito político
fundamental, deve-se facilitar o seu exercício.
Exceção: o STJ entendeu que o caso concreto envolvendo Brumadinho era excepcional com inegáveis
peculiaridades que impõem a adoção de uma solução diferente para evitar tumulto processual em uma
situação de enorme magnitude social, econômica e ambiental. Assim, para o STJ é necessário superar,
excepcionalmente, a regra geral. Entendeu-se que seria necessário adotar uma saída pragmática para
permitir uma resposta do Poder Judiciário aos que sofrem os efeitos desta grande tragédia. A regra
geral do STJ deve ser usada quando a ação popular for isolada. Contudo, no caso de Brumadinho havia
uma ação popular em Campinas/SP competindo e concorrendo com várias outras ações populares e
ações civis públicas, bem como com centenas, talvez milhares, de ações individuais tramitando em MG,
razão pela qual, em se tratando de competência concorrente, deve ser eleito o foro do local do fato. Em
face da magnitude econômica, social e ambiental do caso concreto, é possível a fixação do juízo do
local do fato para o julgamento de ação popular que concorre com diversas outras ações individuais,
populares e civis públicas decorrentes do mesmo dano ambiental. STJ. 1ª Seção. CC 164.362-MG, Min.
Herman Benjamin, 12/06/2019 (Info 662).

Distinguishing
Vale ressaltar que a solução encontrada é de distinguishing à luz de peculiaridades do caso
concreto. Isso significa que não houve uma “revogação universal” (superação) do entendimento
do STJ sobre a competência para a ação popular. Logo, o entendimento tradicional do STJ (CC
47.950/DF) deve ser mantido como regra geral.

Ação popular em temas ambientais: aplicação analógica do art. 2° da LACP


A definição do foro competente para a apreciação da ação popular em temas como o de direito
ambiental exige a aplicação, por analogia, da regra pertinente contida no art. 2º da LACP (Art.
2º As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde ocorrer o dano, cujo juízo
terá competência funcional para processar e julgar a causa. § único. A propositura da ação
prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações posteriormente intentadas que possuam a
mesma causa de pedir ou o mesmo objeto). Tal medida se mostra consentânea com os princípios
do Direito Ambiental, por assegurar a apuração dos fatos pelo órgão judicante que detém maior
proximidade com o local do dano e, portanto, revela melhor capacidade de colher as provas de
maneira célere e de examiná-las no contexto de sua produção. É verdade que, ao instituir a ação
popular, o legislador constituinte buscou privilegiar o exercício da fiscalização e da própria
democracia pelo cidadão. Disso não decorre, contudo, que as ações populares devam ser
sempre distribuídas no foro mais conveniente a ele; neste caso, o de seu domicílio. Isso porque,
casos haverá, como o destes autos, em que a defesa do interesse coletivo será mais bem
realizada no local do ato que, por meio da ação, o cidadão pretenda ver anulado. Nessas
hipóteses, a sobreposição do foro do domicílio do autor ao foro onde ocorreu o dano ambiental
acarretará prejuízo ao próprio interesse material coletivo tutelado por intermédio desta ação, em
benefício do interesse processual individual do cidadão, em manifesta afronta à finalidade
mesma da demanda por ele ajuizada.

Ausência de prejuízo para o autor da ação popular: processo eletrônico


Vale ressaltar, por fim, que devido ao processamento eletrônico, as dificuldades decorrentes da
redistribuição para local distante do domicílio do autor são significativamente minimizadas, se
não totalmente afastadas, em decorrência da possibilidade de acesso integral aos autos por meio
do sistema de movimentação processual.

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(!)Em ação civil pública, é possível a substituição da associação autora por outra associação
caso a primeira venha a ser dissolvida.

Caso ocorra dissolução da associação que ajuizou ação civil pública, é possível sua substituição no polo
ativo por outra associação que possua a mesma finalidade temática. O microssistema de defesa dos
interesses coletivos privilegia o aproveitamento do processo coletivo, possibilitando a sucessão da
parte autora pelo Ministério Público ou por algum outro colegitimado (ex: associação), mormente
em decorrência da importância dos interesses envolvidos em demandas coletivas. STJ. 3ª Turma. EDcl
no REsp 1.405.697-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 10/09/2019 (Info 665).

Art. 5º (...) § 3º Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação


legitimada, o Ministério Público ou outro legitimado ASSUMIRÁ a titularidade ativa.

(Promotor MP/GO 2019) Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por


associação legitimada, o Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa.
(CERTO)
(Promotor MP/SC 2019) Em caso de desistência infundada ou abandono da ação coletiva de
defesa do consumidor por associação legitimada, somente o Ministério Público assumirá a
titularidade ativa. (ERRADO)
(Juiz de Direito TJ/AC 2019 Vunesp) Em caso de desistência infundada ou abandono da ação
por associação legitimada, o Ministério Público tem atribuição exclusiva para assumir a
titularidade ativa. (ERRADO)

A possibilidade de substituição da associação autora por outra associação encontra fundamento


também no art. 9° da Lei de Ação Popular (Lei n° 4.717/65).
Art. 9º Se o autor desistir da ação ou der motiva à absolvição da instância,
serão publicados editais nos prazos e condições previstos no art. 7º, inciso II,
ficando assegurado a qualquer cidadão, bem como ao representante do
Ministério Público, dentro do prazo de 90 (noventa) dias da última publicação
feita, promover o prosseguimento da ação.
“Diante do microssistema processual das ações coletivas, em interpretação
sistemática de seus dispositivos (art. 5º, § 3º, da Lei nº 7.347/1985 e art. 9º da
Lei nº 4.717/1965), deve ser dado aproveitamento ao processo coletivo, com
a substituição (sucessão) da parte tida por ilegítima para a condução da
demanda”. STJ. 4ª T. REsp 1192577/RS, Min. Luis Felipe Salomão, 15/05/2014.
Tema importante: Quando uma associação ajuíza ação coletiva ela atua como representante
processual ou como substituta processual?
 As associações possuem legitimidade para defesa dos direitos e dos interesses
coletivos ou individuais homogêneos, independentemente de autorização
expressa dos associados. STJ. 2ª Turma. REsp 1796185/RS, Min. Herman Benjamin,
28/03/2019.
 As associações de classe atuam como representantes processuais, sendo
obrigatória a autorização individual ou assemblear dos associados - STF, RE 573.232.
Esse entendimento, todavia, não se aplica na hipótese de a associação buscar em juízo a
tutela de interesses ou direitos difusos - art. 82, IV, do CDC. STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp
1335681/SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 26/02/2019. Por se tratar do
regime de substituição processual, a autorização para a defesa do interesse coletivo em
sentido amplo é estabelecida na definição dos objetivos institucionais, no próprio ato de
criação da associação, sendo desnecessária nova autorização ou deliberação assemblear.
As teses de repercussão geral resultadas do julgamento do RE 612.043/PR e do RE

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573.232/SC tem seu alcance expressamente restringido às ações coletivas de rito
ordinário, as quais tratam de interesses meramente individuais, sem índole coletiva, pois,
nessas situações, o autor se limita a representar os titulares do direito controvertido,
atuando na defesa de interesses alheios e em nome alheio. STJ. 3ª T. REsp 1649087/RS,
Min. Nancy Andrighi, 02/10/2018. STJ. 3ª T. AgInt no REsp 1719820/MG, Min. Marco Aurélio
Bellizze, 15/04/2019.

Fazenda Pública em juízo

DIREITO DO CONSUMIDOR

Consumidor

Fornecedor

Direitos básicos

Responsabilidade

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Prescrição e decadência

Publicidade

A ausência de informação relativa ao preço, por si só, não caracteriza publicidade enganosa.

A ausência de informação relativa ao preço, por si só, não caracteriza publicidade enganosa. Para a
caracterização da ilegalidade omissiva, a ocultação deve ser de qualidade essencial do produto, do
serviço ou de suas reais condições de contratação, considerando, na análise do caso concreto, o público
alvo do anúncio publicitário. STJ. 4ª T. REsp 1.705.278-MA, Min. Antonio Carlos Ferreira, 19/11/2019
(Info 663).

Publicidade ilícita
Publicidade ilícita é toda aquela que viola os deveres jurídicos estabelecidos no Código de Defesa
do Consumidor para a realização, produção e divulgação de mensagens publicitárias. Existem
duas espécies de publicidade ilícita:

Obs. É possível que uma publicidade seja simultaneamente enganosa e abusiva.


● Nesse julgado, o STJ afirmou que nem sempre o preço constitui informação essencial do
produto ou serviço. Assim, sua omissão, por si só, não configura publicidade enganosa.
Assunto correlato
Jurisprudência em Teses do STJ: Tese 18 (Ed. 74): É solidária a responsabilidade entre aqueles
que veiculam publicidade enganosa e os que dela se aproveitam na comercialização de seu
produto ou serviço.

Se a matriz havia sido condenada a publicar contrapropaganda, mas encerrou suas


atividades, essa condenação poderá ser redirecionada para a filial.

É possível o redirecionamento da condenação de veicular contrapropaganda imposta a posto de


gasolina matriz à sua filial. Ainda que possuam CNPJ diversos e autonomia administrativa e operacional,
as filiais são um desdobramento da matriz por integrar a pessoa jurídica como um todo. Eventual
decisão contrária à matriz por atos prejudiciais a consumidores é extensível às filiais. Obs: a
contrapropaganda é uma medida imposta nos casos de veiculação de publicidade inverídica ou abusiva,
que busca anular ou compensar os efeitos nocivos da publicidade ilícita. A finalidade, portanto, é
corrigir o desvio cometido na publicidade antijurídica veiculada pelo fornecedor. STJ. 3ª Turma. REsp
1.655.796-MT, Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, 11/02/2020 (Info 665).

Sobre a contrapropaganda (corrective advertising)


 É espécie de sanção administrativa na tutela consumerista.

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 A imposição de contrapropaganda é cominada quando o fornecedor incorrer na prática de
publicidade enganosa ou abusiva, nos termos do art. 36 e §§ do CDC, sempre às expensas
do infrator.
 Será divulgada pelo responsável da mesma forma, frequência e dimensão e,
preferencialmente no mesmo veículo, local, espaço e horário, de forma capaz de desfazer
o malefício da publicidade enganosa ou abusiva.
 Pode ser imposta tanto judicialmente, quanto administrativamente.

O que decidiu o STJ nesse julgado? É possível redirecionar à filial a obrigação de publicar
contrapropaganda feita à matriz que encerrou suas atividades, ainda que situadas em
localidades distintas. Quais os fundamentos invocados?
1. O direito do consumidor não se submete o princípio estrito da territorialidade. É, aliás,
salutar a realização mais ampla possível do direito à informação dos consumidores.
2. Responsabilidade subsidiária das empresas do mesmo grupo econômico (art. 28, §2°,
CDC).
3. Matriz e filial possuem CNPJs diferentes, mas são a mesma pessoa jurídica.
4.

Práticas abusivas

COBRANÇA JUDICIAL INDEVIDA. A sanção do art. 940 do Código Civil pode ser aplicada
também para casos envolvendo consumidor.

Em caso de cobrança judicial indevida, é possível aplicar a sanção prevista no art. 940 do Código Civil
mesmo sendo uma relação de consumo. O art. 940 do CC e o art. 42 do CDC incidem em hipóteses
diferentes, tutelando, cada um deles, uma situação específica envolvendo a cobrança de dívidas pelos
credores. Mesmo diante de uma relação de consumo, se inexistentes os pressupostos de aplicação do
art. 42, § único, do CDC, deve ser aplicado o sistema geral do Código Civil, no que couber. O art. 940 do
CC é norma complementar ao art. 42, § único, do CDC e, no caso, sua aplicação está alinhada ao
cumprimento do mandamento constitucional de proteção do consumidor. STJ. 3ª Turma. REsp
1.645.589-MS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 04/02/2020 (Info 664).

Regramento de repetição do indébito do CC (art. 940): sanção civil do pagamento em dobro...


 A penalidade do art. 940 deve ser aplicada independentemente de a pessoa demandada
ter provado qualquer tipo de prejuízo;
 A penalidade do art. 940 exige que o credor tenha exigido judicialmente a dívida já paga
(“demandar” = “exigir em juízo”).
 A aplicação da sanção civil do pagamento em dobro por cobrança judicial de dívida já
adimplida (art. 1531 do CC/16 - art. 940 do CC/02) pode ser postulada pelo réu na
própria defesa, independendo da propositura de ação autônoma ou do manejo de
reconvenção. STJ. 2ª Seção. REsp 1111270-PR, Min. Marco Buzzi, 25/11/2015 (recurso
repetitivo) (Info 576).
 Súmula 159-STF: Cobrança excessiva, mas de boa fé, não dá lugar às sanções do art.
1.531 do Código Civil (atual art. 940).
Regramento da repetição do indébito no CDC (art. 42): devolução do dobro pago em excesso...
 Esse valor deve ser acrescido de juros e correção monetária. (MPE/SC 2019) O
consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por valor
igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais,
salvo hipótese de engano justificável (CERTO).
 Requisitos para aplicar essa penalidade do CDC: a) consumidor ter sido cobrado por
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quantia indevida; b) Consumidor ter pagado essa quantia indevida (o CDC exige que a
pessoa tenha efetivamente pago e não apenas que tenha sido cobrada); c) Não
ocorrência de engano justificável por parte do cobrador (o ônus de provar o engano
justificável é do fornecedor).
 Exige-se a má-fé do fornecedor. Jurisprudência em Teses do STJ (ed. 39) - Tese 7: A
devolução em dobro dos valores pagos pelo consumidor, prevista no art. 42, parágrafo
único, do CDC, pressupõe tanto a existência de pagamento indevido quanto a má-fé do
credor.
Em resumo:

No julgado veiculado nesse informativo, o STJ entendeu que, mesmo diante de uma relação de
consumo, é possível aplicar a sanção prevista no art. 940 do CC. De acordo com o Min. Herman
Benjamin:
“(...) A sanção do art. 42, parágrafo único, dirige-se tão somente àquelas cobranças que não têm o munus
do juiz a presidi-las. Daí que, em sendo proposta ação visando à cobrança do devido, mesmo que se trata
de dívida de consumo, não mais é aplicável o citado dispositivo, mas, sim, não custa repetir, o Código Civil.
No sistema do Código Civil, a sanção só tem lugar quando a cobrança é judicial, ou seja, pune-se aquele
que movimenta a máquina do Judiciário injustificadamente. Não é esse o caso do Código de Defesa do
Consumidor. Usa-se aqui o verbo cobrar, enquanto o Código Civil refere-se a demandar. Por conseguinte, a
sanção, no caso da lei especial, aplica-se sempre que o fornecedor (direta ou indiretamente) cobrar e
receber, extrajudicialmente, quantia indevida. O Código de Defesa do Consumidor, preventivo por
excelência, enxerga o problema em estágio anterior ao tratado pelo Código Civil. E não poderia ser de
modo diverso, pois, se o parágrafo único do art. 42 do CDC tivesse aplicação restrita às mesmas hipóteses
fáticas do art. 940 do CC, faltar-lhe-ia utilidade prática, no sentido de aperfeiçoar a proteção do
consumidor contra cobranças irregulares, a própria ratio que levou, em última instância, à intervenção do
legislador” (Manual de Direito do Consumidor. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 330).

Práticas comerciais

Cadastro de consumidores

A Súmula 385-STJ pode ser flexibilizada para reconhecer o dano moral decorrente da
inscrição indevida, mesmo que a ação ajuizada para questionar a inscrição anterior ainda não
tenha transitado em julgado, desde que demonstrada a verossimilhança das alegações do
consumidor.

Admite-se a flexibilização da orientação contida na súmula 385/STJ para reconhecer o dano moral
decorrente da inscrição indevida do nome do consumidor em cadastro restritivo, ainda que não tenha
havido o trânsito em julgado das outras demandas em que se apontava a irregularidade das anotações
preexistentes, desde que haja nos autos elementos aptos a demonstrar a verossimilhança das

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alegações. STJ. 3ª Turma. REsp 1.704.002-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/02/2020 (Info
665).

Sobre cadastros restritivos de crédito...


 Súmula 359-STJ: Cabe ao órgão mantenedor do cadastro de proteção ao crédito a
notificação do devedor antes de proceder à inscrição.
 Súmula 404-STJ: É dispensável o Aviso de Recebimento (AR) na carta de
comunicação ao consumidor sobre a negativação de seu nome em bancos de dados e
cadastros.
 A ausência de prévia comunicação ao consumidor da inscrição do seu nome em órgão de
proteção ao crédito enseja indenização por danos morais, a ser paga pelos órgãos
mantenedores de cadastros restritivos (exs.: SERASA, SPC).
 O credor não é responsável por indenizar danos morais decorrentes da inscrição em
cadastros de inadimplentes sem prévia comunicação.
 A situação será diferente se o consumidor for negativado por conta de uma dívida que não
existia realmente (dívida irregular). Nesse caso, o fornecedor é quem será
responsabilizado.
 Se não houve comunicação prévia, a indenização é devida mesmo que depois fique
provado que o débito realmente existe.
 Súmula 385-STJ: Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe
indenização por dano moral, quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o
direito ao cancelamento. (COBRADA NO MPGO/2019).
 Essa súmula 385 do STJ também se aplica ao credor que comunicou ao órgão mantenedor
do cadastro restritivo a inadimplência de um débito inexistente.
 A indenização por dano MORAL dispensa a prova do prejuízo sofrido. Trata-se de dano
moral in re ipsa, no qual o prejuízo é presumido. A mera negativação sem prévio aviso
geral dano moral.
 Por outro lado, para que haja condenação por danos MATERIAIS, é indispensável a prova
dos prejuízos sofridos.
E se a 1ª inscrição no cadastro restritivo é questionada judicialmente e há nova inscrição, esta
reconhecidamente indevida? Haverá danos morais?
 Regra: não há direito à indenização. Até que haja o reconhecimento judicial definitivo
acerca da inexigibilidade do débito, deve ser presumida como legítima a anotação
realizada pelo credor junto aos cadastros restritivos. Essa presunção, via de regra, não é
afastada pela simples juntada de extrato comprovando o ajuizamento de ação com a
finalidade de contestar a 1ª anotação. Logo, até aqui estamos aplicando integralmente a
Súmula 385 do STJ e o SERASA realmente não terá que pagar indenização pela 2ª inscrição
sem prévio aviso.
 Exceção (caso julgado neste informativo): Para fazer jus à indenização pela inscrição
indevida (a 2ª, relembre-se), o consumidor deve provar que a 1ª inscrição foi ilegítima.
Como fazer isso? A jurisprudência admite que o consumidor, mesmo antes de o 1º
processo transitar em julgado, demonstre que existe verossimilhança em suas
alegações, ou seja, existe uma forte aparência de que a 1ª inscrição foi realmente
indevida porque a dívida não existiria. Isso pode ser provado, por exemplo, com a
demonstração de que o consumidor já obteve sentença favorável e que só está
aguardando o julgamento de recurso. Em outras palavras, demonstrando a
verossimilhança, o consumidor consegue afastar a incidência da Súmula 385 do STJ.

Contratos bancários

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É possível que o contrato de abertura de crédito fixo preveja que os encargos financeiros
serão um percentual da taxa média do CDI.

É admissível a estipulação dos encargos financeiros de contrato de abertura de crédito em percentual


sobre a taxa média aplicável aos Certificados de Depósitos Interbancários (CDIs). Nos depósitos
interbancários, como em qualquer outro tipo de empréstimo, a instituição tomadora paga juros à
instituição emitente. A denominada Taxa CDI, ou simplesmente DI, é calculada com base nas taxas
aplicadas em tais operações, refletindo, portanto, o custo de captação de moeda suportado pelos
bancos. STJ. 3ª Turma. REsp 1.781.959-SC, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 11/02/2020
(Info 665).

Eventual abusividade pode ser verificada no caso concreto


Eventual abusividade deve ser verificada no julgamento do caso concreto em função do
percentual fixado pela instituição financeira, comparado às taxas médias de mercado
regularmente divulgadas pelo Banco Central do Brasil para as operações de mesma espécie. No
entanto, não se pode afirmar, de forma abstrata, que essa previsão seja nula.

Planos de saúde

Autarquia que seja criada para prestar serviços de saúde suplementar para os servidores
públicos e seus dependentes estará sujeita às regras da Lei dos Planos de Saúde (Lei
9.656/98).

Aplica-se a Lei nº 9.656/98 à pessoa jurídica de direito público de natureza autárquica que presta
serviço de assistência à saúde de caráter suplementar aos servidores municipais. Considerando que o
caput do art. 1º faz menção expressa às pessoas jurídicas de direito privado, pode-se interpretar que a
escolha do termo “entidade” no § 2º teve por objetivo ampliar a aplicação da lei para todas as pessoas
jurídicas que prestam os serviços de assistência à saúde suplementar, até porque não faria sentido a
utilização de termos distintos. STJ. 3ª T. REsp 1.766.181-PR, Rel. Acd. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
03/12/2019 (Info 662).

Sobre o tema, vale lembrar...


Súmula 608-STJ: Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde,
salvo os administrados por entidades de autogestão.

Rol de procedimentos da ANS:


a) Exemplificativo para a 3ª Turma do STJ. O fato de o procedimento não constar no rol da
ANS não significa que não possa ser exigido pelo usuário, uma vez que se trata de rol
exemplificativo. STJ. 3ª Turma. AgInt no AREsp 1442296/SP, Min. Paulo de Tarso Sanseverino,
23/03/2020.
b) Exaustivo para a 4ª Turma do STJ. O rol de procedimentos e eventos em saúde da Agência
Nacional de Saúde Suplementar - ANS não é meramente exemplificativo. STJ. 4ª Turma. REsp
1.733.013-PR, Min. Luis Felipe Salomão, 10/12/2019 (Info 665).

O rol de procedimentos previstos na RN 428/2017 é obrigatório, isto é, obriga o plano de saúde a


fornecê-lo.

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(!)Plano de saúde possui responsabilidade solidária por danos causados pelos médicos e
hospitais próprios ou credenciados.

A demora para a autorização da cirurgia indicada como urgente pela equipe médica do hospital próprio
ou credenciado, sem justificativa plausível, caracteriza defeito na prestação do serviço da operadora do
plano de saúde, resultando na sua responsabilização. A operadora de plano de saúde tem
responsabilidade solidária por defeito na prestação de serviço médico, quando o presta por meio
de hospital próprio e médicos contratados, ou por meio de médicos e hospitais credenciados. STJ. 4ª
Turma. AgInt no AREsp 1.414.776-SP, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 11/02/2020 (Info 666).

Jurisprudência em Teses (ed. 4): Tese 2: A operadora de plano de saúde responde por falhas nos
serviços prestados por profissional credenciado.

Se não houver previsão contratual expressa, o plano de saúde não é obrigado a custear o
tratamento de fertilização in vitro.

Não é abusiva a negativa de custeio, pela operadora do plano de saúde, do tratamento de fertilização in
vitro, quando não houver previsão contratual expressa. O art. 10, III, da Lei 9.656/98 estabelece que a
“inseminação artificial” não é um procedimento de cobertura obrigatória pelos planos de saúde. Em
outras palavras, o contrato pode ou não prever a cobertura desse tratamento. Se o contrato não cobrir
expressamente e o plano de saúde, em virtude disso, se recusar a custear, essa negativa não será
abusiva. Vale ressaltar que a fertilização in vitro não é mesmo que inseminação artificial. Mesmo assim,
a partir de uma interpretação sistemática e teleológica, que garanta o equilíbrio atuarial do sistema,
deve-se entender que o mesmo raciocínio se aplica para a fertilização in vitro e que este tratamento
também não é de cobertura obrigatória. Nesse sentido, a Resolução Normativa 428/2017, da ANS
permite que o plano de saúde não ofereça inseminação artificial e outras técnicas de reprodução
humana assistida. Assim, ao falar em outras técnicas, pode-se incluir aí a fertilização in vitro. STJ. 3ª
Turma. REsp 1794629/SP, Rel. p/ Acórdão Min. Nancy Andrighi, 18/02/2020. STJ. 4ª Turma. REsp
1.823.077-SP, Min. Marco Buzzi, 20/02/2020 (Info 666).

DIREITO EMPRESARIAL

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Direito SOCIETÁRIO

Sociedade limitada

SA

Propriedade industrial

MARCA. A empresa que comercializa responde solidariamente com o fabricante de


produtos contrafeitos pelos danos causados pelo uso indevido da marca.

A empresa que comercializa responde solidariamente com o fabricante de produtos contrafeitos pelos
danos causados pelo uso indevido da marca. Ainda que a solidariedade não seja expressamente
prevista na Lei 9.279/96, a responsabilidade civil é solidária para todos os autores e coautores que
adotem condutas danosas ao direito protegido de outrem, conforme sistema geral de
responsabilidade estabelecido no art. 942 do CC. STJ. 3ª Turma. REsp 1.719.131-MG, Min. Marco
Aurélio Bellizze, 11/02/2020 (Info 666).

MARCA. A renúncia ao registro não enseja a perda do objeto da ação que veicula pretensão
de declaração de nulidade da marca. IMPORTANTE P/ CONCURSOS FEDERAIS!

A renúncia ao registro não enseja a perda do objeto da ação que veicula pretensão de declaração de
nulidade da marca. Caso concreto: a empresa Goiás Refrigerantes S/A registrou no INPI a marca JOCA
COLA. Ao tomar conhecimento disso, a “The Coca Cola Company” ajuizou ação contra a empresa Goiás
Refrigerantes S/A e contra o INPI pedindo a nulidade desse registro. Na contestação apresentada, a
Goiás Refrigerantes pediu a extinção do processo sem resolução do mérito por perda do objeto
considerando que, logo após o ajuizamento da ação, ela (ré) renunciou ao registro da marca JOCA COLA
e isso já foi homologado administrativamente pelo INPI. Mesmo com essa renúncia, o processo deverá
prosseguir considerando que a renúncia opera efeitos ex nunc e não implica reconhecimento de que o
registro continha vícios. A declaração de nulidade, por outro lado, produz efeitos ex tunc e significa o
reconhecimento de que o registro foi concedido em desacordo com as disposições da Lei. Logo, mesmo
tendo havido renúncia à marca impugnada, a continuidade da ação é necessária para proteção dos
direitos da autora relativos ao período em que a marca esteve em vigor. STJ. 3ª Turma. REsp 1.832.148-
RJ, Min. Nancy Andrighi, 20/02/2020 (Info 666).

Falência e recuperação judicial

Recuperação judicial

RECUPERAÇÃO JUDICIAL. A ação de habilitação retardatária de crédito deve ser ajuizada até a
prolação da decisão de encerramento do processo recuperacional.

Se o credor não requereu a habilitação de seu crédito e o quadro-geral de credores já foi homologado,
a única via que ainda resta para esse credor será pleitear a habilitação por meio de ação judicial
autônoma que tramitará pelo rito ordinário, nos termos do art. 10, § 6º, da LFRE: § 6º Após a
homologação do quadro-geral de credores, aqueles que não habilitaram seu crédito poderão,
observado, no que couber, o procedimento ordinário previsto no Código de Processo Civil, requerer ao
juízo da falência ou da recuperação judicial a retificação do quadro-geral para inclusão do respectivo
crédito. Vale ressaltar, no entanto, que essa ação pedindo a habilitação retardatária somente pode ser
proposta até a prolação da decisão de encerramento do processo recuperacional. Desse modo, uma

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vez encerrada a recuperação judicial, não se pode mais autorizar a habilitação ou a retificação de
créditos. STJ. 3ª Turma. REsp 1.840.166-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 10/12/2019 (Info 662).

Compete ao juízo da recuperação judicial o julgamento de tutela de urgência que tem por
objetivo antecipar o início do stay period ou suspender os atos expropriatórios determinados
em outros juízos, antes mesmo de deferido o processamento da recuperação.

O Juízo da recuperação é competente para avaliar se estão presentes os requisitos para a concessão de
tutela de urgência objetivando antecipar o início do stay period ou suspender os atos expropriatórios
determinados em outros juízos, antes mesmo de deferido o processamento da recuperação. STJ. 2ª
Seção. CC 168.000-AL, Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, 11/12/2019 (Info 663).

Informação adicional
Embora a execução fiscal não se suspenda, os atos de constrição e de alienação de bens voltados
contra o patrimônio social das sociedades empresárias submetem-se ao juízo universal, em
homenagem ao princípio da conservação da empresa. STJ. 2ª Seção. AgInt no CC 158.712/SP,
Min. Luis Felipe Salomão, 25/09/2019. Essa é, inclusive, a tese 7 da edição 37 do Jurisprudência
em Teses do STJ (recuperação judicial – II): Tese 7: O deferimento da recuperação judicial não
suspende a execução fiscal, mas os atos que importem em constrição ou alienação do patrimônio
da recuperanda devem se submeter ao juízo universal.

O cômputo do período de dois anos de exercício da atividade econômica, para fins de


recuperação judicial, nos termos do art. 48 da Lei nº 11.101/2005, aplicável ao produtor
rural, inclui aquele anterior ao registro do empreendedor.

O art. 48 da Lei 11.101/05 elenca requisitos que deverão ser cumpridos pelo devedor para que ele
possa requerer recuperação judicial. O primeiro requisito é a previsão de que o devedor deverá estar
exercendo regularmente suas atividades há, no mínimo, 2 anos no momento do pedido. O cômputo do
período de 2 anos de exercício da atividade econômica, para fins de recuperação judicial, nos termos do
art. 48 da Lei 11.101/05, aplicável ao produtor rural, inclui aquele anterior ao registro do
empreendedor. O produtor rural, por não ser empresário sujeito a registro, está em situação regular,
mesmo ao exercer atividade econômica agrícola antes de sua inscrição, por ser esta, para ele,
facultativa. Assim, para o empreendedor rural, o registro, por ser facultativo, tem o efeito constitutivo
de equipará-lo, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro, sendo tal efeito apto a retroagir
(ex tunc), pois a condição regular de empresário já existia antes mesmo do registro. Logo, para
cumprir os 2 anos exigidos por lei, o produtor rural pode aproveitar o período anterior ao registro, pois
já naquela época ele estava exercendo regularmente atividade empresarial. STJ. 4ª Turma. REsp
1.800.032-MT, Rel. Min. Marco Buzzi, Rel. Acd. Min. Raul Araújo, julgado em 05/11/2019 (Info 664).

A partir de quando se começa a contar esse prazo de 2 anos exigido para o requerimento da
recuperação judicial? Em regra, da data de inscrição na junta comercial competente. Logo, no
pedido de recuperação judicial, deverá ser juntada uma certidão emitida pela respectiva junta
comercial na qual conste a inscrição do empresário individual ou o registro do contrato social ou
do estatuto da sociedade. Desse modo, estão proibidos de requerer recuperação judicial, os
empresários “de fato” ou “irregulares”, isto é, aqueles que exercem a atividade empresarial de
modo informal, sem registro na junta comercial. Exceção: O empresário rural, para o qual, nos
termos do art. 971 do CC, a inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis é facultativo.

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Seguradora que não recebeu os prêmios arrecadados por empresa que atuou como
representante de seguros terá que receber esse crédito segundo o plano de recuperação
judicial caso a representante entre em recuperação judicial.

O crédito titularizado pela sociedade de seguros, decorrente do não repasse dos prêmios em contrato
de representação de seguro, submete-se à recuperação judicial da empresa representante. Ex: a
empresa fez um contrato de representação de seguro com uma seguradora (sociedade de seguros); a
empresa recebia o valor dos prêmios pagos pelos segurados e, depois de determinado tempo, teria que
entregar essa quantia à seguradora; a empresa entrou em recuperação judicial sem ter repassado esses
prêmios; a seguradora terá que habilitar esse crédito que tem para receber na recuperação judicial. STJ.
3ª Turma. REsp 1.559.595-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 10/12/2019 (Info 665).

Créditos sujeitos à recuperação judicial


Art. 49, Lei n° 11.101/2005. Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na
data do pedido, ainda que não vencidos.

Os créditos derivados da prestação de serviços contábeis e afins podem ser classificados


como créditos trabalhistas no processo de recuperação judicial.

Os créditos decorrentes da prestação de serviços contábeis e afins, mesmo que titularizados por
sociedade simples, são equiparados aos créditos trabalhistas para efeitos de sujeição ao processo de
recuperação judicial. O tratamento dispensado aos honorários devidos a profissionais liberais - no que
se refere à sujeição ao plano de recuperação judicial - deve ser o mesmo conferido aos créditos de
origem trabalhista, em virtude de ambos ostentarem natureza alimentar. Esse entendimento não é
obstado pelo fato de o titular do crédito ser uma sociedade de contadores, considerando que, mesmo
nessa hipótese, a natureza alimentar da verba não é modificada. STJ. 3ª Turma. REsp 1.851.770-SC,
Min. Nancy Andrighi, 18/02/2020 (Info 665).

Falência

O síndico (atual administrador judicial) deve prestar contas também dos atos realizados pelo
gerente que ficar responsável pela continuidade provisória das atividades do falido.

O síndico (atual administrador judicial) é responsável pela prestação de contas da massa falida ao juízo
a partir do momento de sua nomeação, incluídos os atos realizados pelo gerente na continuidade
provisória das atividades. Esse gerente, que desempenhará funções específicas relacionadas ao
comércio dos bens, ficará sob a imediata fiscalização do síndico, cabendo, ao final, prestar contas de
tudo que fez ao síndico. Logo, o síndico é também responsável pelos atos realizados pelo gerente na
continuidade provisória das atividades, devendo prestar contas disso ao juiz. STJ. 4ª Turma. REsp
1.487.042-PR, Min. Luis Felipe Salomão, 05/12/2019 (Info 663). Obs: a Lei 11.101/2005 não mais utiliza
a expressão “síndico”, chamando agora de “administrador judicial”. Obs2: o caso acima foi apreciado
com base na antiga Lei de Falências (DL 7.661/1945), no entanto, a solução seria a mesma no atual
diploma (Lei 11.101/2005).

Títulos de crédito

Fundo de investimento

Contratos empresariais

REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. É nula a cláusula que prevê o pagamento antecipado da


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indenização devida ao representante comercial no caso de rescisão injustificada do contrato
pela representada.

A representação comercial autônoma é uma espécie de contrato segundo o qual uma determinada
pessoa (física ou jurídica) chamada de “representante” compromete-se a ir em busca de interessados
que queiram adquirir os produtos ou serviços prestados por uma empresa, designada “representada”.
O art. 27, “j”, da Lei 4.886/65 prevê que o representado deverá pagar uma indenização ao
representante em caso de rescisão imotivada, cujo montante não poderá ser inferior a 1/12 do total da
retribuição auferida durante o tempo em que exerceu a representação. O valor dessa indenização pode
ser pago antecipadamente, diluído no contrato de representação comercial? NÃO. É nula a cláusula que
prevê o pagamento antecipado da indenização devida ao representante comercial no caso de rescisão
injustificada do contrato pela representada. STJ. 3ª Turma. REsp 1.831.947-PR, Min. Nancy Andrighi,
10/12/2019 (Info 662).

DIREITO PENAL

Princípios

Princípio da insignificância

(!)Em regra, não se aplica o princípio da insignificância ao furto qualificado, salvo quando
presentes circunstâncias excepcionais que recomendam a medida.

A despeito da presença de qualificadora no crime de furto possa, à primeira vista, impedir o


reconhecimento da atipicidade material da conduta, a análise conjunta das circunstâncias pode
demonstrar a ausência de lesividade do fato imputado, recomendando a aplicação do princípio da
insignificância. STJ. 5ª Turma. HC 553.872-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
11/02/2020 (Info 665).

NOÇÕES GERAIS SOBRE O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA


Origem
Quem primeiro tratou sobre o princípio da insignificância no direito penal foi Claus Roxin, em
1964. Esse princípio busca raízes no brocardo civil minimis non curat praetor (algo como “o
pretor – magistrado à época – não cuida de coisas sem importância).
Terminologia
Também é chamado de “princípio da bagatela” ou “infração bagatelar própria”.
Previsão legal
O princípio da insignificância não tem previsão legal no direito brasileiro. Trata-se de uma
criação da doutrina e da jurisprudência.
Natureza jurídica
Para a posição majoritária, o princípio da insignificância é uma causa supralegal de exclusão da
tipicidade material.
Tipicidade
A tipicidade penal divide-se em:
a) Tipicidade formal (ou legal): é a adequação (conformidade) entre a conduta praticada pelo
agente e a conduta descrita abstratamente na lei penal incriminadora.
b) Tipicidade material (ou substancial): é a lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico
protegido pelo tipo penal.
Requisitos objetivos (vetores) para a aplicação do princípio

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O Min. Celso de Mello (HC 84.412-0/SP) idealizou quatro requisitos objetivos para a aplicação do
princípio da insignificância, sendo eles adotados pela jurisprudência do STF e do STJ:
a) mínima ofensividade da conduta;
b) ausência de periculosidade social da ação;
c) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; e
d) inexpressividade da lesão jurídica provocada.
Aplicação do princípio da insignificância
 Jurisprudência em Teses do STJ (ed. 47) - Tese 7: O princípio da insignificância deve ser
afastado nos casos em que o réu faz do crime o seu meio de vida, ainda que a coisa
furtada seja de pequeno valor.
 (Juiz TJ/CE 2019 CEBRASPE) A reincidência do acusado não é motivo suficiente para
afastar a aplicação do princípio da insignificância. (CERTO).

(!)
É possível a aplicação do princípio da insignificância para o agente que praticou o furto de
um carrinho de mão avaliado em R$ 20,00 (3% do salário-mínimo), mesmo ele possuindo
antecedentes criminais por crimes patrimoniais. STF. 1ª Turma. RHC 174784/MS, rel. orig.
Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 11/2/2020 (Info 966).

A existência de antecedentes criminais (habitualidade criminosa) pode servir como argumento


do juiz para afastar a aplicação do princípio da insignificância. No entanto, não se trata de
uma vedação absoluta, podendo ser, excepcionalmente, aplicado o princípio, com base nas
circunstâncias do caso concreto. Veja alguns julgados sobre o tema: Em regra, a habitualidade
delitiva específica (ou seja, o fato de o réu já responder a outra ação penal pelo mesmo delito) é
um parâmetro (critério) que afasta o princípio da insignificância mesmo em se tratando de bem
de reduzido valor. Excepcionalmente, no entanto, as peculiaridades do caso concreto podem
justificar o afastamento dessa regra e a aplicação do princípio, com base na ideia da
proporcionalidade. É o caso, por exemplo, do furto de um galo, quatro galinhas caipiras, uma
galinha garnizé e três quilos de feijão, bens avaliados em pouco mais de cem reais. O valor dos
bens é inexpressivo e não houve emprego de violência. Enfim, é caso de mínima ofensividade,
ausência de periculosidade social, reduzido grau de reprovabilidade e inexpressividade da lesão
jurídica. Mesmo que conste em desfavor do réu outra ação penal instaurada por igual conduta,
ainda em trâmite, a hipótese é de típico crime famélico. A excepcionalidade também se justifica
por se tratar de hipossuficiente. Não é razoável que o Direito Penal e todo o aparelho do Estado-
polícia e do Estado-juiz movimente-se no sentido de atribuir relevância a estas situações . STF. 2ª
Turma. HC 141440 AgR/MG, Min. Dias Toffoli, 14/8/2018 (Info 911).

Jurisprudência em Teses do STJ (ed. 47) - Tese 9: Para efeito da aplicação do princípio da
bagatela, é imprescindível a distinção entre valor insignificante e pequeno valor, uma vez que o
primeiro exclui o crime e o segundo pode caracterizar o furto privilegiado.

Pena

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1ª Fase

2ª Fase

Medidas de segurança

(!)Na aplicação do art. 97 do CP não deve ser considerada a natureza da pena privativa de
liberdade aplicável, mas sim a periculosidade do agente, cabendo ao julgador a faculdade de
optar pelo tratamento que melhor se adapte ao inimputável.

Segundo o art. 97 do CP: Se o agente for inimputável, o juiz determinará sua internação (art. 26). Se,
todavia, o fato previsto como crime for punível com detenção, poderá o juiz submetê-lo a tratamento
ambulatorial. Assim, se fosse adotada a redação literal do art. 97 teríamos o seguinte cenário: a) se o
agente praticou fato punido com RECLUSÃO, ele receberá, obrigatoriamente, a medida de internação;
b) por outro lado, se o agente praticou fato punido com DETENÇÃO, o juiz, com base na periculosidade
do agente, poderá submetê-lo à medida de internação ou tratamento ambulatorial. O STJ, contudo,
abrandou a regra legal e construiu a tese de que o art. 97 do CP não deve ser aplicado de forma
isolada, devendo analisar também qual é a medida de segurança que melhor se ajusta à
natureza do tratamento de que necessita o inimputável. Em outras palavras, o STJ afirmou o seguinte:
mesmo que o inimputável tenha praticado um fato previsto como crime punível com reclusão, ainda
assim será possível submetê-lo a tratamento ambulatorial (não precisando ser internação), desde que
fique demonstrado que essa é a medida de segurança que melhor se ajusta ao caso concreto. À luz dos
princípios da adequação, da razoabilidade e da proporcionalidade, na fixação da espécie de medida de
segurança a ser aplicada não deve ser considerada a natureza da pena privativa de liberdade aplicável,
mas sim a periculosidade do agente, cabendo ao julgador a faculdade de optar pelo tratamento
que melhor se adapte ao inimputável. Desse modo, mesmo em se tratando de delito punível com
reclusão, é facultado ao magistrado a escolha do tratamento mais adequado ao inimputável. STJ. 3ª
Seção. EREsp 998.128-MG, Min. Ribeiro Dantas, 27/11/2019 (Info 662).

Conceito e natureza jurídica


Sanção penal é a resposta dada pelo Estado à pessoa que praticou uma infração penal. Existem
duas espécies de sanção penal: a) pena; b) medida de segurança.
“Medida de segurança é a modalidade de sanção penal com finalidade exclusivamente
preventiva, e de caráter terapêutico, destinada a tratar inimputáveis e semi-imputáveis
portadores de periculosidade, com o escopo de evitar a prática de futuras infrações penais.”
(MASSON, Cleber. Direito Penal esquematizado. São Paulo: Método, 2012, p. 815).

Espécies de medida de segurança

Extinção da punibilidade

Prescrição

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Acórdão que confirma ou reduz a pena interrompe a prescrição?
a) SIM. É a posição atual da 1ª Turma do STF (Info 965, STF).
b) NÃO. É a posição da doutrina, do STJ e da 2ª Turma do STF.

Acórdão que confirma ou reduz a pena interrompe a prescrição?


• SIM. É a posição atual da 1ª Turma do STF. O acórdão confirmatório da sentença implica a interrupção
da prescrição. A prescrição é, como se sabe, o perecimento da pretensão punitiva ou da pretensão
executória pela inércia do próprio Estado. No art. 117 do CP, que deve ser interpretado de forma
sistemática, todas as causas interruptivas da prescrição demonstram, em cada inciso, que o Estado não
está inerte. Não obstante a posição de parte da doutrina, o CP não faz distinção entre acórdão
condenatório inicial e acórdão condenatório confirmatório da decisão. Não há, sistematicamente,
justificativa para tratamentos díspares. A ideia de prescrição está vinculada à inércia estatal e o que
existe na confirmação da condenação é a atuação do Tribunal. Consequentemente, se o Estado não
está inerte, há necessidade de se interromper a prescrição para o cumprimento do devido processo
legal. STF. 1ª Turma. RE 1237572 AgR, Relator p/ Acórdão Min. Alexandre de Moraes, 26/11/2019. STF.
1ª Turma. RE 1241683 AgR/RS, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, 4/2/2020 (Info 965).
• NÃO. É a posição da doutrina, do STJ e da 2ª Turma do STF. O art. 117, IV do CP estabelece que o
curso da prescrição interrompe-se pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis.
Se o acórdão apenas CONFIRMA a condenação ou então REDUZ a pena do condenado, ele não terá o
condão de interromper a prescrição. STF. 2ª Turma. RE 1238121 AgR, Min. Cármen Lúcia, 06/12/2019.
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1557791/SP, Min. Jorge Mussi, 06/02/2020. STJ. Corte Especial. AgRg no
RE nos EDcl no REsp 1301820/RJ, Min. Humberto Martins, 16/11/2016.

Penal ESPECIAL

Homicídio

(!) A qualificadora do meio cruel é compatível com o dolo eventual.

Há compatibilidade entre o dolo eventual e o reconhecimento do meio cruel, na medida em que o dolo
do agente, direto ou indireto, não exclui a possibilidade de a prática delitiva envolver o emprego de
meio mais reprovável, como veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel
(art. 121, § 2º, III, do CP). Caso concreto: réu atropelou o pedestre e não parou o veículo, arrastando a
vítima por 500 metros, assumindo, portanto, o risco de produzir o resultado morte; mesmo tendo
havido dolo eventual, deve-se reconhecer também a qualificadora do meio cruel prevista no art. 121, §
2º, III, do CP. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1573829/SC, Min. Reynaldo Soares da Fonseca, 09/04/2019.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.829.601-PR, Min. Nefi Cordeiro, 04/02/2020 (Info 665).

CUIDADO: não confundir!


Dolo eventual NÃO é compatível com qualificadora de traição, emboscada, dissimulação. O
dolo eventual não se compatibiliza com a qualificadora do art. 121, § 2º, IV (traição, emboscada,
dissimulação). STF. 2ª Turma. HC 111.442/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/8/2012
(Info 677). STJ. 6ª Turma. REsp o/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 05/04/2018.

Furto

Roubo

Estelionato

(!) Entendimento agora consolidado. A competência para julgar estelionato que ocorre
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mediante depósito ou transferência bancária é do local da agência beneficiária do
depósito ou transferência bancária (local onde se situa a agência que recebeu a vantagem
indevida).

Na hipótese em que o estelionato se dá mediante vantagem indevida, auferida mediante o depósito em


favor de conta bancária de terceiro, a competência deverá ser declarada em favor do juízo no qual se
situa a conta favorecida. No caso em que a vítima, induzida em erro, efetuou depósito em dinheiro
e/ou transferência bancária para a conta de terceiro (estelionatário), a obtenção da vantagem ilícita
ocorreu quando o estelionatário se apossou do dinheiro, ou seja, no momento em a quantia foi
depositada em sua conta. STJ. 3ª Seção. CC 167.025/RS, Min. Reynaldo Soares da Fonseca, 14/08/2019.
STJ. 3ª Seção. CC 169.053-DF, Min. Sebastião Reis Júnior, 11/12/2019 (Info 663).
Não confundir:
• estelionato que ocorre por meio do saque (ou compensação) de cheque clonado, adulterado ou
falsificado: a competência é do local onde a vítima possui a conta bancária. Isso porque, nesta
hipótese, o local da obtenção da vantagem ilícita é aquele em que se situa a agência bancária onde foi
sacado o cheque adulterado, ou seja, onde a vítima possui conta bancária. Aplica-se o raciocínio da
súmula 48 do STJ (Compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita processar e julgar crime
de estelionato cometido mediante falsificação de cheque.)
• estelionato que ocorre quando a vítima, induzida em erro, se dispõe a fazer depósitos ou
transferências bancárias para a conta de terceiro (estelionatário): a competência é do local onde o
estelionatário possui a conta bancária. Isso porque, neste caso, a obtenção da vantagem ilícita ocorre
quando o estelionatário efetivamente se apossa do dinheiro, ou seja, no momento em que ele é
depositado em sua conta.

Cuidado com o Jurisprudência em Teses


A tese 9 do Jurisprudência em Teses nº 84 do STJ afirma o seguinte: 9) O delito de estelionato é
consumado no local em que se verifica o prejuízo à vítima. Cuidado porque essa tese não pode
ser tomada de forma absoluta e não se aplica, por exemplo, para a hipótese acima explicada.
Assim, no caso de estelionato que ocorre quando a vítima, induzida em erro, se dispõe a fazer
depósitos ou transferências bancárias para a conta de terceiro (estelionatário): a competência é
do local onde o estelionatário possui a conta bancária.

Crimes contra a dignidade sexual

Crimes contra a fé pública

Crimes contra a administração pública

(!)PECULATO. Pratica o crime de peculato-desvio o Governador que determina que os


valores descontados dos contracheques dos servidores para pagamento de empréstimo
consignado não sejam repassados ao banco, mas sim utilizados para quitação de dívidas do
Estado.
O administrador que desconta valores da folha de pagamento dos servidores públicos para quitação de
empréstimo consignado e não os repassa a instituição financeira pratica peculato-desvio, sendo
desnecessária a demonstração de obtenção de proveito próprio ou alheio, bastando a mera vontade
de realizar o núcleo do tipo. Peculato-desvio é crime formal para cuja consumação não se exige que o
agente público ou terceiro obtenha vantagem indevida mediante prática criminosa, bastando a
destinação diversa daquela que deveria ter o dinheiro. Caso concreto: diversos servidores estaduais
possuíam empréstimos consignados. Assim, todos os meses a Administração Pública estadual fazia o
desconto das parcelas do empréstimo da remuneração dos servidores e repassava a quantia ao banco
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que concedeu o mútuo. Ocorre que o Governador do Estado determinou ao Secretário de
Planejamento que continuasse a descontar mensalmente os valores do empréstimo consignado, no
entanto, não mais os repassasse ao banco, utilizando essa quantia para pagamento das dívidas do
Estado. Esta conduta configurou o crime de peculato-desvio (art. 312 do CP), gerando a condenação do
Govenador, com a determinação, inclusive, de perda do cargo (art. 92, I, do CP). STJ. Corte Especial. APn
814-DF, Rel. Acd. Min. João Otávio de Noronha, 06/11/2019 (Info 664).

Sobre o peculato-desvio...
 O peculato-desvio consuma-se no instante em que o funcionário público dá ao dinheiro
ou valor destino diverso do previsto.
 A obtenção do proveito próprio ou alheio não é requisito para a consumação do crime.
Trata-se de crime formal. Nesse sentido: Jurisprudência em Teses STJ (ed. 57) - Tese 11: A
consumação do crime de peculato-desvio (art. 312, caput, 2ª parte, do CP) ocorre no
momento em que o funcionário efetivamente desvia o dinheiro, valor ou outro bem
móvel, em proveito próprio ou de terceiro, ainda que não obtenha a vantagem indevida.
 O peculato-desvio é um crime próprio. Isso porque somente pode ser praticado por
funcionário público ou por pessoas a ele legalmente equiparadas.
 Apesar de se tratar de crime próprio, o peculato admite a participação de indivíduos que
não são funcionários públicos. Nesse sentido: Jurisprudência em Teses STJ (ed. 57) - Tese
9: A elementar do crime de peculato se comunica aos coautores e partícipes estranhos ao
serviço público.
No caso concreto, as verbas desviadas eram privadas, isto é, pertenciam aos servidores públicos.
A conduta do funcionário público que dá a verbas ou rendas públicas aplicação diversa da
estabelecida em lei configura, em princípio, outro crime, qual seja, o delito do art. 315 do CP.

(!)Configura o crime de peculato-desvio o fomento econômico de candidatura à reeleição


por Governador de Estado com o patrimônio de empresas estatais.

Governador do Estado que desvia grande soma de recursos públicos de empresas estatais, utilizando
esse dinheiro para custear sua campanha de reeleição, pratica o crime de peculato-desvio. As empresas
estatais gozam de autonomia administrativa e financeira. Mesmo assim, pode-se dizer que o
Governador tem a posse do dinheiro neste caso? É possível. Isso porque a posse necessária para
configuração do crime de peculato deve ser compreendida não só como a disponibilidade direta, mas
também como disponibilidade jurídica, exercida por meio de ordens. STJ. 5ª Turma. REsp 1.776.680-
MG, Min. Jorge Mussi, 11/02/2020 (Info 666).

No mesmo sentido é o entendimento do STF: No peculato-desvio, exige-se que o servidor público


se aproprie de dinheiro do qual tenha posse direta ou indireta, ainda que mediante mera
disponibilidade jurídica. STF. Plenário. Inq 2966, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
15/05/2014.

Crimes hediondos

Lei de Drogas

(!) A reincidência de que trata o § 4º do art. 28 da Lei nº 11.343/2006 é a específica.

O art. 28 da Lei 11.343/2006 prevê o crime de porte de drogas para consumo pessoal. Art. 28. Quem
adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem
autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes
penas: I - advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade; III - medida
educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. Em regra, as penas dos incisos II e III só
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podem ser aplicadas pelo prazo máximo de 5 meses. O § 4º prevê que: “em caso de reincidência, as
penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez)
meses.” A reincidência de que trata o § 4º é a reincidência específica. Assim, se um indivíduo já
condenado definitivamente por roubo, pratica o crime do art. 28, ele não se enquadra no § 4º. Isso
porque se trata de reincidente genérico. O § 4º, ao falar de reincidente, está se referindo ao crime do
caput do art. 28. STJ. 6ª Turma. REsp 1.771.304-ES, Min. Nefi Cordeiro, 10/12/2019 (Info 662).

Para fins do art. 33, § 4º, da Lei de Drogas, milita em favor do réu a presunção de que ele é
primário, possui bons antecedentes e não se dedica a atividades criminosas nem integra
organização criminosa; o ônus de provar o contrário é do Ministério Público.

A previsão da redução de pena contida no § 4º do art. 33 da Lei 11.343/2006 tem como fundamento
distinguir o traficante contumaz e profissional daquele iniciante na vida criminosa, bem como do que se
aventura na vida da traficância por motivos que, por vezes, confundem-se com a sua própria
sobrevivência e/ou de sua família. Assim, para legitimar a não aplicação do redutor é essencial a
fundamentação corroborada em elementos capazes de afastar um dos requisitos legais, sob pena de
desrespeito ao princípio da individualização da pena e de fundamentação das decisões judiciais.
Desse modo, a habitualidade e o pertencimento a organizações criminosas deverão ser comprovados,
não valendo a simples presunção. Não havendo prova nesse sentido, o condenado fará jus à redução de
pena. Em outras palavras, militará em favor do réu a presunção de que é primário e de bons
antecedentes e de que não se dedica a atividades criminosas nem integra organização criminosa. O
ônus de provar o contrário é do MP. Assim, o STF considerou preenchidas as condições da aplicação da
redução de pena, por se estar diante de ré primária, com bons antecedentes e sem indicação de
pertencimento a organização criminosa. STF. 2ª Turma. HC 154694 AgR/SP, red. p/ o ac. Min. Gilmar
Mendes, 4/2/2020 (Info 965).

Lei Maria da Penha

ECA

Em regra, não há automática consunção quando ocorrem armazenamento e


compartilhamento de material pornográfico infanto-juvenil.

Se o sujeito armazena (art. 241-B) arquivos digitais contendo cena de sexo explícito e pornográfica
envolvendo crianças e adolescentes e depois disponibiliza (art. 241-A), pela internet, esses arquivos
para outra pessoa, esse indivíduo terá praticado dois crimes ou haverá consunção e ele responderá por
apenas um dos delitos? Em regra, não há automática consunção quando ocorrem armazenamento e
compartilhamento de material pornográfico infanto-juvenil. Isso porque o cometimento de um dos
crimes não perpassa, necessariamente, pela prática do outro. No entanto, é possível a absorção a
depender das peculiaridades de cada caso, quando as duas condutas guardem, entre si, uma relação
de meio e fim estreitamente vinculadas. O princípio da consunção exige um nexo de dependência
entre a sucessão de fatos. Se evidenciado pelo caderno probatório que um dos crimes é absolutamente
autônomo, sem relação de subordinação com o outro, o réu deverá responder por ambos, em concurso
material. A distinção se dá em cada caso, de acordo com suas especificidades. STJ. 6ª Turma. REsp
1.579.578-PR, Min. Rogerio Schietti Cruz, 04/02/2020 (Info 666).

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Juiz não pode aumentar a pena-base do crime do art. 241-A do ECA alegando que a conduta
social ou a personalidade são desfavoráveis, sob o argumento de que o réu manifestou
grande interesse por material pornográfico.

O grande interesse por material que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo
criança ou adolescente é ínsito ao crime descrito no art. 241-A da Lei 8.069/90, não sendo justificável a
exasperação da pena-base a título de conduta social ou personalidade. Caso concreto: na 1ª fase da
dosimetria da pena (art. 59 do CP), o juiz aumentou a pena-base de 3 para 4 anos afirmando que a
conduta social e a personalidade do agente eram desfavoráveis: “Com base nos elementos constantes
dos autos, percebo que a conduta social e a personalidade do acusado demonstram certa
periculosidade pelo grande interesse em pornografia infantil. Fixo a pena-base privativa de liberdade
em 4 anos de reclusão nesta fase.” STJ. 6ª Turma. REsp 1.579.578-PR, Min. Rogerio Schietti Cruz,
04/02/2020 (Info 666).

Lei de licitações

Lavagem de dinheiro

Estatuto do Desarmamento

Racismo

Crimes contra a ordem tributária

(!)O contribuinte que, de forma contumaz e com dolo de apropriação, deixa de recolher o
ICMS cobrado do adquirente da mercadoria ou serviço, incide no tipo penal do art. 2º, II, da
Lei 8.137/90.

A conduta de não recolher ICMS em operações próprias ou em substituição tributária enquadra-se


formalmente no tipo previsto no art. 2º, II, da Lei 8.137/90 (apropriação indébita tributária), desde que
comprovado o dolo. O não repasse do ICMS recolhido pelo sujeito passivo da obrigação tributária, em
qualquer hipótese, enquadra-se (formalmente) no tipo previsto art. 2º, II, da Lei 8.137/90, desde que
comprovado o dolo. Em outras palavras, o tipo do art. 2º, II, da Lei 8.137/90 não fica restrito apenas às
hipóteses em que há substituição tributária. O que se criminaliza é o fato de o sujeito passivo se
apropriar do dinheiro relativo ao imposto, devidamente recebido de terceiro, quer porque descontou
do substituído tributário, quer porque cobrou do consumidor, não repassando aos cofres públicos. STJ.
3ª Seção. HC 399.109-SC, Min. Rogerio Schietti Cruz, 22/08/2018 (Info 633). O contribuinte que, de
forma contumaz e com dolo de apropriação, deixa de recolher o ICMS cobrado do adquirente da
mercadoria ou serviço, incide no tipo penal do art. 2º, II, da Lei 8.137/90. O valor do ICMS cobrado do
consumidor não integra o patrimônio do comerciante, o qual é mero depositário desse ingresso de
caixa que, depois de devidamente compensado, deve ser recolhido aos cofres públicos. Vale ressaltar,
contudo, que, para caracterizar o delito, é preciso comprovar a existência de intenção de praticar o
ilícito (dolo). STF. Plenário. RHC 163334/SC, Min. Roberto Barroso, 18/12/2019 (Info 964).

Crimes contra o sistema financeiro (Lei n° 7.492/86)

Crimes de trânsito

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(!)É constitucional a imposição da pena de suspensão de habilitação para dirigir veículo
automotor ao motorista profissional condenado por homicídio culposo no trânsito.

O crime de homicídio culposo na direção de veículo automotor, tipificado no art. 302 do CTB, prevê,
como uma das penas aplicadas, a “suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação
para dirigir veículo automotor.” Se o réu que praticou este crime é motorista profissional, ele pode,
mesmo assim, receber essa sanção ou isso violaria o direito constitucional ao trabalho? Não viola. O
condenado pode sim receber essa sanção, ainda que se trate de motorista profissional. É
constitucional a imposição da pena de suspensão de habilitação para dirigir veículo automotor ao
motorista profissional condenado por homicídio culposo no trânsito. O direito ao exercício de
atividades profissionais (art. 5º, XIII) não é absoluto e a restrição imposta pelo legislador se mostra
razoável. STF. Plenário. RE 607107/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 12/2/2020 (repercussão
geral – Tema 486) (Info 966).

Jurisprudência em Teses do STJ (ed. 114) - Tese 2: O fato de a infração ao art. 302 do Código de
Trânsito Brasileiro - CTB ter sido praticada por motorista profissional não conduz à substituição
da pena acessória de suspensão do direito de dirigir por outra reprimenda, pois é justamente de
tal categoria que se espera maior cuidado e responsabilidade no trânsito.

Prazo de suspensão da habilitação


O prazo de duração da pena de suspensão da habilitação para dirigir veículo automotor deve ser
fixado consoante as peculiaridades do caso concreto, tais como a gravidade do delito e o grau de
censura do agente, não ficando o magistrado adstrito à análise das circunstâncias
judiciais do art. 59 do CP. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1771437/CE, Min. Nefi Cordeiro,
11/06/2019.

Crimes de responsabilidade de Prefeitos

Organização criminosa

Lei Antiterrorismo (Lei n° 13.260/16)

(!)Para que se configure o crime do art. 5º da Lei nº 13.260/2016 (atos preparatórios de


terrorismo) exige-se que o sujeito tenha agido por razões de xenofobia, discriminação ou
preconceito de raça, cor, etnia e religião.

A tipificação da conduta descrita no art. 5º da Lei Antiterrorismo (atos preparatórios de terrorismo)


exige a motivação por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião,
expostas no art. 2º do mesmo diploma legal. STJ. 6ª Turma. HC 537.118-RJ, Min. Sebastião Reis Júnior,
05/12/2019 (Info 663).

Atos preparatórios de terrorismo (art. 5° da Lei n° 13.260/16)


a) Sujeito ativo: este delito por ser praticado por qualquer pessoa; trata-se de crime
comum.
b) Sujeito passivo: é a coletividade.
c) Atos preparatórios: Em regra, os atos preparatórios de um delito não são punidos. A
punição, normalmente, só pode existir se o agente iniciou a prática de atos executórios
(art. 14, II, do CP). O legislador, no entanto, decidiu punir os atos preparatórios do delito
de terrorismo. Para isso, ele criou um tipo específico: o art. 5º da Lei 13.260/16. Desse
modo, o que o art. 5º pune são os atos preparatórios do crime de terrorismo. Assim,
antes que o sujeito inicie a execução do terrorismo, ele já pode ser punido pelo art. 5º.
Vale ressaltar que existem outros exemplos disso, como é o caso do art. 34 da Lei de

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Drogas.
d) Caráter subsidiário: O art. 5º é considerado um crime subsidiário considerando que ele
só irá incidir se o agente não praticar nenhum ato executório. Se o agente praticar ato
executório, incidirá o próprio crime de terrorismo (art. 2º) e não mais o delito do art. 5º.
Assim, o delito do art. 5º funciona como “soldado de reserva” em relação ao delito de
terrorismo previsto no art. 2º, ambos da Lei 13.260/16.
e) Tipo penal aberto: A previsão do caput do art. 5º é criticada por alguns doutrinadores
porque possui uma redação extremamente aberta já que não descreve quais seriam
esses atos preparatórios. Em razão disso, há quem afirme que ele seria inconstitucional.
f) Conspiração ao terrorismo: “Realizar atos preparatórios é praticar ou fazer qualquer
feito introdutório ou preliminar de terrorismo, razão pela qual, esse tipo pode ser
identificado como a criminalização da conspiração ao terrorismo, vocábulo que se
assemelha ao crime de conspiracy do direito anglo-saxão, o qual se satisfaz com o
planejamento da prática de um único crime. Por ex., um terrorista que desenvolve um
programa de computador capaz de controlar o sistema de transporte de uma cidade e
produzir inúmeros acidentes de trânsito, mas antes de executá-lo ou instalá-lo, é detido
em razão de investigações policiais.” (SOUZA, Renee do Ó. Leis penais especiais. Salvador:
Juspodivm, 2018, p. 1948).
g) Elemento subjetivo: o crime é punido a título de dolo, sendo exigida uma motivação
especial. Assim, o agente deve ter praticado a conduta por razões de xenofobia,
discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião. Foi o que decidiu o STJ no
julgado veiculado neste informativo: A tipificação da conduta descrita no art. 5º da Lei
Antiterrorismo (atos preparatórios de terrorismo) exige a motivação por razões de
xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, expostas no art. 2º
do mesmo diploma legal. STJ. 6ª Turma. HC 537.118-RJ, Min. Sebastião Reis Júnior,
05/12/2019 (Info 663). A criminalização dos atos preparatórios do delito de terrorismo
exige a interpretação sistemática, não se podendo, portanto, perder de vista a redação
do art. 2º ao se analisar o art. 5º. Assim, não se mostra admissível, do ponto de vista
hermenêutico, que o delito subsidiário (art. 5º) tenha âmbito de aplicação diferente do
delito principal (art. 2º). Por esse motivo, a tipificação da conduta descrita no art. 5º
exige a motivação por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor,
etnia e religião, expostas no art. 2º da Lei Antiterrorismo.

Outros crimes

DIREITO PROCESSUAL PENAL

Inquérito policial

Não há nulidade na ação penal instaurada a partir de elementos informativos colhidos em


inquérito policial que não deveria ter sido conduzido pela Polícia Federal considerando que a
situação não se enquadrava no art. 1º da Lei 10.446/2002.

Caso concreto: a Polícia Federal, sob a supervisão do MP estadual e do Juízo de Direito, conduziu
inquérito policial destinado a apurar crimes de competência da Justiça Estadual. Entendeu-se que a PF
não tinha atribuição para apurar tais delitos considerando que não se enquadravam nas hipóteses do
art. 144, § 1º da CF/88 e do art. 1º da Lei 10.446/2002. A despeito disso, o STF entendeu que não havia
nulidade na ação penal instaurada com base nos elementos informativos colhidos. O fato de os crimes
de competência da Justiça Estadual terem sido investigados pela PF não geram nulidade. Isso porque
esse procedimento investigatório, presidido por autoridade de PF, foi supervisionado pelo Juízo
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estadual (juízo competente) e por membro do MP estadual (que tinha a atribuição para a causa). O
inquérito policial constitui procedimento administrativo, de caráter meramente informativo e não
obrigatório à regular instauração do processo-crime, cuja finalidade consiste em subsidiar eventual
denúncia a ser apresentada pelo MP, razão pela qual irregularidades ocorridas não implicam, de regra,
nulidade de processo-crime. O art. 5º, LIII, da CF, afirma que “ninguém será processado nem
sentenciado senão pela autoridade competente”. Esse dispositivo contempla o chamado “princípio do
juiz natural”, princípio esse que não se estende para autoridades policiais, considerando que estas não
possuem competência para julgar. Logo, não é possível anular provas ou processos em tramitação com
base no argumento de que a PF não teria atribuição para investigar os crimes apurados. A
desconformidade da atuação da PF com as disposições da Lei 10.446/2002 e eventuais abusos
cometidos por autoridade policial, embora possam implicar responsabilidade no âmbito administrativo
ou criminal dos agentes, não podem gerar a nulidade do inquérito ou do processo penal. STF. 1ª Turma.
HC 169348/RS, Min. Marco Aurélio, 17/12/2019 (Info 964).

A Polícia Federal investiga apenas crimes de competência da Justiça Federal? NÃO. Em regra, a PF
é responsável pela investigação dos crimes que são de competência da Justiça Federal. Isso
porque uma das principais funções da PF é exercer, com exclusividade, as funções de polícia
judiciária da União. No entanto, a PF investiga também outros delitos que não são de
competência da Justiça Federal. As atribuições da PF estão previstas inicialmente no art. 144 da
CF/88:
Art. 144 (...) § 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente,
organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se a:
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens,
serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas,
assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou
internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei [a Lei
10.446/02];
II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando
e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas
respectivas áreas de competência;
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras;

IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.


A Lei 10.446/02 traz um rol exemplificativo de crimes que exigem repressão uniforme. Logo, os
crimes passíveis de investigação pela PF, por exigirem repressão uniforme, não se limitam
àqueles referidos em seu art. 1°.

Investigação criminal

Competência

A competência para julgar estelionato que ocorre mediante depósito ou transferência


bancária é do local da agência beneficiária do depósito ou transferência bancária (local onde
se situa a agência que recebeu a vantagem indevida). STJ. 3ª Seção. CC 169.053-DF, Rel. Min.
Sebastião Reis Júnior, julgado em 11/12/2019 (Info 663).

Competência originária

Ação penal

Sujeitos do processo

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Impedimento e suspeição

Partes e procuradores

Medidas assecuratórias

Provas

Não viola a SV 14 quando se nega que o investigado tenha acesso a peças que digam respeito
a dados sigilosos de terceiros e que não estejam relacionados com o seu direito de defesa.

Mesmo que a investigação criminal tramite em segredo de justiça será possível que o investigado tenha
acesso amplo autos, inclusive a eventual relatório de inteligência financeira do COAF, sendo permitido,
contudo, que se negue o acesso a peças que digam respeito a dados de terceiros protegidos pelo
segredo de justiça. Essa restrição parcial não viola a súmula vinculante 14. Isso porque é excessivo o
acesso de um dos investigados a informações, de caráter privado de diversas pessoas, que não dizem
respeito ao direito de defesa dele. STF. 1ª Turma. Rcl 25872 AgR-AgR/SP, Min. Rosa Weber, 17/12/2019
(Info 964).

É constitucional lei estadual que transforma o cargo de datiloscopista da Polícia Civil em


perito papiloscopista.

O art. 3º da LC 156/2010, do Estado de Pernambuco redenominou o cargo de datiloscopista policial


para perito papiloscopista, no âmbito da polícia civil. Para o STF, essa previsão é constitucional. A
competência para dispor sobre os peritos oficiais da polícia civil é concorrente, nos termos do art. 24,
XVI, da CF, que prevê que compete à União, aos Estados e ao DF legislar concorrentemente sobre
organização, garantias, direitos e deveres dos policiais civis. A União, cumprindo o que prevê o art. 24,
XVI, da CF, editou as normas gerais sobre o tema, ao aprovar a Lei 12.030/2009, que “dispõe sobre as
perícias oficiais”. A LC estadual 156/2010 não possui nenhuma antinomia com a Lei federal
12.030/2009. O art. 5º da Lei 12.030/2009 não foi exaustivo ao elencar determinados peritos. Podem
existir outros. Além disso, a Lei 12.030/2009 não proibiu que se equiparassem os cargos de
datiloscopista ou papiloscopista. A expressão “perito criminal” abrange, portanto, todos os peritos
oficiais que possuem a incumbência estatal de elucidar crimes, sendo possível aventar um rol bem mais
amplo de agentes que atuam como peritos oficiais. STF. Plenário. ADI 5182/PE, Min. Luiz Fux,
19/12/2019 (Info 964).

(!) INGRESSO EM DOMICÍLIO SEM AUTORIZAÇÃO. Não é permitido o ingresso na residência do


indivíduo pelo simples fato de haver denúncias anônimas e ele ter fugido da polícia.

A existência de denúncia anônima da prática de tráfico de drogas somada à fuga do acusado ao avistar
a polícia, por si sós, não configuram fundadas razões a autorizar o ingresso policial no domicílio do
acusado sem o seu consentimento ou sem determinação judicial. STJ. 5ª Turma. RHC 89.853-SP, Min.
Ribeiro Dantas, 18/02/2020 (Info 666). STJ. 6ª Turma. RHC 83.501-SP, Min. Nefi Cordeiro, 06/03/2018
(Info 623).

O STF possui uma tese fixada sobre o tema: A entrada forçada em domicílio sem mandado
judicial só é lícita, mesmo em período noturno, quando amparada em fundadas razões,
devidamente justificadas “a posteriori”, que indiquem que dentro da casa ocorre situação de
flagrante delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da
autoridade, e de nulidade dos atos praticados. STF. Plenário. RE 603616/RO, Rel. Min. Gilmar
Mendes, 4 e 5/11/2015 (repercussão geral – Tema 280) (Info 806).
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Prisão e cautelares diversas

Execução provisória da pena

Se o Tribunal de 2ª instância não analisou a necessidade da prisão preventiva ou outras


medidas cautelares em razão de ter aplicado o antigo entendimento do STF sobre a execução
provisória, antes de ser decretada a liberdade, deve o Tribunal fazer essa análise.

Juiz condenou o réu e concedeu a ele o direito de recorrer em liberdade. Em apelação, o Tribunal de
Justiça manteve a condenação. Contra esse acórdão, o réu interpôs, simultaneamente, REsp e RE. A
decisão do TJ foi proferida na época em que o entendimento do STF era no sentido de ser cabível a
execução provisória da pena. Diante disso, o TJ, logo depois de receber os recursos especial e
extraordinário, determinou que o condenado iniciasse imediatamente o cumprimento da pena. Ocorre
que logo depois, o STF alterou a sua posição e passou a proibir a execução provisória da pena (ADC
43/DF, julgada em 7/11/2019). A defesa do réu impetrou HC pedindo a liberdade imediata do
condenado. O STF concedeu a ordem, mas não para a liberdade imediata do condenado, e sim para
que o Tribunal de Justiça analise eventual necessidade de prisão preventiva ou a aplicação de
medidas cautelares diversas. STF. 1ª Turma. HC 175405/PR e HC 176841/SC, red. p/ o ac. Min.
Alexandre de Moraes, 17/12/2019 (Info 964).

Se o Tribunal de 2ª instância determinou a execução provisória da pena, mas o juiz já havia


negado o direito do condenado de recorrer em liberdade, não cabe a soltura do réu com
base no novo entendimento do STF de que é proibida a execução provisória da pena.

Juiz condenou o réu e negou a ele o direito de recorrer em liberdade por estarem presentes os
requisitos da prisão preventiva. Em apelação, o Tribunal de Justiça manteve a condenação. Contra esse
acórdão, o réu interpôs, simultaneamente, RE e RExt. A decisão do TJ foi proferida na época em que o
entendimento do STF era no sentido de ser cabível a execução provisória da pena. Diante disso, o TJ,
logo depois de receber os recursos especial e extraordinário, determinou que o condenado iniciasse
imediatamente o cumprimento da pena. Ocorre que logo depois, o STF alterou a sua posição e passou a
proibir a execução provisória da pena (ADC 43/DF, julgada em 7/11/2019). A defesa do réu impetrou HC
pedindo a liberdade imediata do condenado. A 1ª Turma do STF afirmou o seguinte: realmente,
atualmente, não cabe execução provisória da pena. No entanto, no caso concreto, o juiz de 1ª instância
decretou a prisão preventiva do acusado e, depois, vedou-lhe o direito de recorrer em liberdade. Além
disso, o Tribunal de Justiça, apesar de ordenar a execução provisória, repetiu a necessidade de garantia
da ordem pública. Logo, a manutenção da prisão não foi apenas por conta da execução provisória da
pena. Desse modo, não se pode dizer que a decisão do Tribunal de Justiça tenha sido teratológica,
flagrantemente ilegal, abusiva ou manifestamente contrária à jurisprudência do STF, situações nas
quais o STF poderia conceder de ofício o HC. STF. 1ª Turma. HC 176723/MG, red. p/ o ac. Min.
Alexandre de Moraes, 17/12/2019 (Info 964).

Não se conhece de habeas corpus impetrado contra decisão monocrática de Ministro do STJ
que nega liminar mantendo decisão do TJ que determinou a execução provisória da pena em
caso de condenação pelo Tribunal do Júri.

Tribunal do Júri condenou o réu. Juiz-Presidente concedeu a ele o direito de recorrer em liberdade. Em
apelação, o Tribunal de Justiça manteve a condenação. Contra esse acórdão, o réu interpôs,
simultaneamente, REsp e RE. A decisão do TJ foi proferida na época em que o entendimento do STF era
no sentido de ser cabível a execução provisória da pena. Diante disso, o TJ, logo depois de receber os
recursos especial e extraordinário, determinou que o condenado iniciasse imediatamente o

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cumprimento da pena. Ocorre que logo depois, o STF alterou a sua posição e passou a proibir a
execução provisória da pena (ADC 43/DF, julgada em 7/11/2019). A defesa do réu impetrou HC no STJ
pedindo a liberdade imediata do condenado. O Min. Relator do STJ, monocraticamente, negou o pedido
de liminar. A defesa impetrou, então HC para o STF contra essa decisão do Min. do STJ. Cabe HC neste
caso? Não. Em regra, não cabe habeas corpus para o STF contra decisão monocrática do Ministro do
STJ. Aplica-se o raciocínio da súmula 691 do STF. Exceções: a regra acima exposta pode ser afastada em
casos excepcionais, quando a decisão atacada se mostrar teratológica, flagrantemente ilegal, abusiva
ou manifestamente contrária à jurisprudência do STF, situações nas quais o STF poderia conceder de
ofício o HC. No caso concreto, o STF entendeu que havia alguma situação excepcional que poderia
justificar a concessão do HC de ofício? Não. A 1ª Turma do STF afirmou o seguinte: realmente,
atualmente, não cabe execução provisória da pena. Isso foi decidido na ADC 43/DF, julgada em
7/11/2019). No entanto, o caso concreto envolve uma condenação pelo Tribunal do Júri. Existem
alguns Ministros do STF que entendem que seria possível a execução provisória da pena nas
condenações do Tribunal do Júri. Isso porque, em razão da soberania dos vereditos, o Tribunal não
pode reexaminar os fatos decididos pelos jurados. A discussão sobre a possibilidade ou não de
execução provisória das condenações do Tribunal do Júri será definida pelo STF no RE 1235340, cujo
relator é o Min. Luís Roberto Barroso e que está previsto para ser julgado ainda no ano de 2020. Logo,
como existe essa possibilidade de o STF adotar a execução provisória nas condenações envolvendo o
Júri, não se pode dizer que a decisão do Tribunal de Justiça tenha sido teratológica, flagrantemente
ilegal, abusiva ou manifestamente contrária à jurisprudência do STF, situações nas quais o STF poderia
conceder de ofício o HC. STF. 1ª Turma. HC 175808/SP, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
17/12/2019 (Info 964).

Audiência de custódia

(!) Não é cabível a realização de audiência de custódia por meio de videoconferência.

A audiência de custódia, no caso de mandado de prisão preventiva cumprido fora do âmbito territorial
da jurisdição do Juízo que a determinou, deve ser efetivada por meio da condução do preso à
autoridade judicial competente na localidade em que ocorreu a prisão. Não se admite, por ausência de
previsão legal, a sua realização por meio de videoconferência, ainda que pelo Juízo que decretou a
custódia cautelar. STJ. 3ª Seção. CC 168.522-PR, Min. Laurita Vaz, 11/12/2019 (Info 663).

Conceito de audiência de custódia: a audiência de custódia consiste...


- no direito que a pessoa presa possui
- de ser conduzida (levada),
- sem demora (CPP adotou o máximo de 24h),
- à presença de uma autoridade judicial
- que irá analisar se os direitos fundamentais dessa pessoa foram respeitados (ex: se não houve
tortura)
- se a prisão em flagrante foi legal ou se deve ser relaxada (art. 310, I, do CPP)
- e se a prisão cautelar (antes do trânsito em julgado) deve ser decretada (art. 310, II) ou se o
preso poderá receber a liberdade provisória (art. 310, III) ou medida cautelar diversa da prisão
(art. 319).
Previsão
1.º. Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH), o “Pacto de San Jose da Costa Rica”,
promulgada no Brasil pelo Decreto 678/92: Artigo 7º - Direito à liberdade pessoal (...) 5.
Toda pessoa presa, detida ou retida deve ser conduzida, sem demora, à presença de um
juiz ou outra autoridade autorizada por lei a exercer funções judiciais (...);
2.º. Resolução 213 do CNJ;
3.º. Lei 13.964/2019 (Pacote Anticrime), que alterou o CPP para disciplinar a audiência de

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custódia.
Art. 287. Se a infração for inafiançável, a falta de exibição do mandado não obstará a
prisão, e o preso, em tal caso, será imediatamente apresentado ao juiz que tiver expedido
o mandado, para a realização de audiência de custódia. (Redação dada pela Lei 13.964, de
2019)
Art. 310. Após receber o auto de prisão em flagrante, no prazo máximo de até 24 (vinte e
quatro) horas após a realização da prisão, o juiz deverá promover audiência de custódia
com a presença do acusado, seu advogado constituído ou membro da Defensoria Pública
e o membro do Ministério Público, e, nessa audiência, o juiz deverá,
fundamentadamente: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - relaxar a prisão ilegal; ou (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
II - converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos
constantes do art. 312 deste Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as
medidas cautelares diversas da prisão; ou (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança. (Incluído pela Lei 12.403, de 2011).
§ 1º Se o juiz verificar, pelo auto de prisão em flagrante, que o agente praticou o fato em
qualquer das condições constantes dos incisos I, II ou III do caput do art. 23 do Decreto-
Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), poderá, fundamentadamente,
conceder ao acusado liberdade provisória, mediante termo de comparecimento
obrigatório a todos os atos processuais, sob pena de revogação. (Renumerado do
parágrafo único pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 2º Se o juiz verificar que o agente é reincidente ou que integra organização criminosa
armada ou milícia, ou que porta arma de fogo de uso restrito, deverá denegar a liberdade
provisória, com ou sem medidas cautelares. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 3º A autoridade que deu causa, sem motivação idônea, à não realização da audiência de
custódia no prazo estabelecido no caput deste artigo responderá administrativa, civil e
penalmente pela omissão. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 4º Transcorridas 24 (vinte e quatro) horas após o decurso do prazo estabelecido
no caput deste artigo, a não realização de audiência de custódia sem motivação idônea
ensejará também a ilegalidade da prisão, a ser relaxada pela autoridade competente, sem
prejuízo da possibilidade de imediata decretação de prisão preventiva. (Incluído pela Lei
13.964, de 2019) [os efeitos desse § 4° foram suspensos em decisão monocrática
proferida nas ADIs 6298, 6299, 6300 e 6305].
Mais algumas informações sobre a audiência de custódia que costumam ser cobradas em
provas...
 A audiência de custódia deve ser realizada após qualquer espécie de prisão, não
somente após a prisão em flagrante delito.
 No caso de prisão em flagrante delito da competência originária de Tribunal, a
apresentação do preso poderá ser feita a um juiz que o Presidente do Tribunal ou
Relator designar para esse fim.
 Estando a pessoa presa acometida de grave enfermidade, ou havendo circunstância
comprovadamente excepcional que a impossibilite de ser apresentada ao juiz no prazo
legal, deverá ser assegurada a realização da audiência no local em que ela se encontre e,
nos casos em que o deslocamento se mostre inviável, deverá ser providenciada a
condução para a audiência de custódia imediatamente após restabelecida sua condição
de saúde ou de apresentação.
 Se, por qualquer motivo, não houver juiz na comarca, a pessoa presa será levada
imediatamente ao substituto legal.
 Quem participa da audiência. Ministério Público e Defensoria Pública, caso a pessoa
detida não possua defensor constituído. É vedada a presença dos agentes policiais
responsáveis pela prisão ou pela investigação durante a audiência de custódia
(IMPORTANTE).
 O preso tem direito de entrevistar-se reservadamente com seu defensor.
 Na audiência de custódia, ao entrevistar o preso, o juiz deverá abster-se de formular
perguntas com a finalidade de produzir provas sobre os fatos objeto do auto da prisão
em flagrante, mas deverá indagar acerca do tratamento recebido nos locais por onde o
autuado passou antes da apresentação à audiência, questionando sobre a ocorrência de
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tortura e maus tratos.
 Após o juiz ouvir a pessoa presa, deverá conceder a palavra ao MP e depois à defesa
técnica, para que estes façam reperguntas compatíveis com a natureza do ato, devendo
indeferir as perguntas relativas ao mérito dos fatos que possam constituir eventual
imputação.
 A oitiva da pessoa presa será registrada, preferencialmente, em mídia, dispensando-se a
formalização de termo de manifestação da pessoa presa ou do conteúdo das postulações
das partes e ficará arquivada na unidade responsável pela audiência de custódia.

Sentença

Tribunal do Júri

Nulidades

Não viola a SV 11 a decisão que mantém as algemas durante julgamento no júri de réu que
integra milícia, possui extensa folha de antecedentes criminais e foi transferido para presídio
federal de segurança máxima em virtude da sua alta periculosidade.

É possível que o réu permaneça algemado durante o julgamento no Tribunal do Júri caso existam nos
autos informações fornecidas pela polícia no sentido de que o acusado integra milícia, possui extensa
folha de antecedentes criminais e foi transferido para presídio federal de segurança máxima
justamente em virtude da sua alta periculosidade. Não se pode desconsiderar o que está nos autos do
processo e aquilo que foi informado pela polícia. A questão da periculosidade, ou não, do réu é assunto
de polícia e não de juiz. Se a polícia informa que o réu é perigoso, o juiz que, normalmente, entra em
contato com o réu pela primeira vez, tem de confiar na presunção de legitimidade da informação
passada pela autoridade policial. Fora dos casos de abuso patente, é preciso dar credibilidade àquele
que tem o encargo de zelar pela segurança pública, inclusive no âmbito do tribunal. Em casos assim, a
decisão do juízo que mantém as algemas não viola a SV 11. STF. 1ª Turma. Rcl 32970 AgR/RJ, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 17/12/2019 (Info 964).

Recursos

Depois do trânsito em julgado, defesa impetrou HC pedindo a anulação do acórdão do TJ; STJ
concedeu a ordem; TJ rejulgou e manteve a condenação; MP interpõe recurso especial para
aumentar a pena; STJ não pode majorar a pena porque isso seria reformatio in pejus
indireta.

Ofende o enunciado do non reformatio in pejus indireta o aumento da pena através de decisão em
REsp interposto pelo MP contra rejulgamento de apelação que não alterou reprimenda do acórdão
anterior, que havia transitado em julgado para a acusação e que veio a ser anulado por iniciativa
exclusiva da defesa. Ex: sentença condenou o réu a 10 anos de reclusão. Defesa apelou. TJ reduziu a
pena para 9 anos. Essa decisão transitou em julgado para ambas as partes. Defesa impetrou HC junto
ao STJ, que concedeu a ordem para anular o acórdão do TJ por ausência de prévia intimação. TJ
rejulgou a apelação e manteve a condenação, fixando a pena em 9 anos (como na 1ª vez). Contra este
segundo acórdão o MP interpôs REsp. STJ deu provimento ao Resp para aumentar a pena do réu para
10 anos (como na sentença). Essa decisão do STJ violou o princípio da non reformatio in pejus indireta

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considerando que colocou o sentenciado em situação pior do que aquela que ele tinha antes do HC.
Desse modo, deve ser afastado o acréscimo da pena (10 anos), restabelecendo-se o segundo acórdão
proferido pelo Tribunal de Justiça no julgamento do recurso de apelação (9 anos). STJ. 3ª Seção. RvCr
4.853-SC, Min. Leopoldo de Arruda Raposo (Desembargador Convocado do TJ/PE), 27/11/2019 (Info
663).

● A vedação da reformatio in pejus conta com previsão legal? Esse princípio, como dito, está
fundado na ampla defesa e no sistema acusatório. Além disso, o CPP possui um dispositivo que é
apontado pela doutrina como sendo a previsão legal do princípio da non reformatio in pejus,
apesar da sua redação não ser tão completa quanto deveria: Art. 617. O tribunal, câmara ou
turma atenderá nas suas decisões ao disposto nos arts. 383, 386 e 387, no que for aplicável, não
podendo, porém, ser agravada a pena, quando somente o réu houver apelado da sentença.
● O princípio da vedação da reformatio in pejus não se restringe à apelação.

● Se houve recurso apenas da defesa, o Tribunal poderá conhecer e declarar, de ofício, uma
nulidade, ainda que isso piore a situação do réu? NÃO. Nesse sentido existe, inclusive, súmula do
STF: Súmula 160-STF: É nula a decisão do tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não argüida
no recurso da acusação, ressalvados os casos de recurso de ofício.

● Reformatio in pejus direta x reformatio in pejus indireta


Reformatio in pejus direta Reformatio in pejus indireta
Se houve recurso exclusivo da defesa, o Anulada a 1ª sentença/acórdão em virtude de
Tribunal não pode reformar o julgado recurso exclusivo da defesa (ou em HC), a
recorrido para piorar a situação do réu. situação do réu não pode ser prejudicada na
2ª sentença/acórdão.
● Admite-se reformatio in mellius: se o recurso for da acusação, há possibilidade de reformatio
in mellius, ou seja, o Tribunal poderá reformar a decisão para beneficiar o condenado, mesmo ele
não tendo recorrido. No caso de recurso do MP, diz-se que é adotado o sistema do benefício
comum (communio remedii): o recurso interposto pelo MP poderá tanto melhorar como piorar a
situação processual do recorrente (a acusação).

Reclamação

Revisão criminal

Remédios constitucionais

Não cabe HC contra decisão de Ministro do STF que decreta a prisão preventiva de
investigado ou réu.

Não cabe HC contra decisão de Ministro do STF que decreta a prisão preventiva de investigado ou réu.
Aplica-se, aqui, por analogia, o entendimento exposto na súmula 606 do STF: Não cabe habeas corpus
originário para o Tribunal Pleno de decisão de turma, ou do plenário, proferida em habeas corpus ou no
respectivo recurso. STF. Plenário. HC 162285 AgR/DF, Min. Alexandre de Moraes, 19/12/2019 (Info
964).

O que a defesa do investigado deverá fazer neste caso? Caso a parte deseje impugnar decisão
monocrática proferida por Ministro do STF, o instrumento processual cabível é o agravo
regimental, no prazo de 5 dias, nos termos do art. 39 da Lei 8.038/90 e art. 317 do Regimento
Interno do STF.

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(!)Para o STF, a concessão do benefício da transação penal NÃO impede a impetração de
habeas corpus em que se busca o trancamento da ação penal. OBS. O STJ entende que a
transação constitui óbice ao HC.

A concessão da transação penal impede a impetração de HC em que se busca o trancamento da ação


penal? Com a celebração da transação penal, o HC que estava pendente fica prejudicado ou o TJ deverá
julgá-lo mesmo assim?
• STJ: SIM. Fica prejudicado. A concessão do benefício da transação penal impede a impetração de HC
em que se busca o trancamento da ação penal. STJ. 6ª Turma. HC 495.148-DF, Min. Antonio Saldanha
Palheiro, 24/09/2019 (Info 657).

• STF: NÃO. Não impede e o TJ deverá julgar o mérito do HC. A realização de acordo de transação
penal não enseja a perda de objeto de HC anteriormente impetrado. A aceitação do acordo de
transação penal não impede o exame de HC para questionar a legitimidade da persecução penal.
Embora o sistema negocial possa trazer aprimoramentos positivos em casos de delitos de menor
gravidade, a barganha no processo penal pode levar a riscos consideráveis aos direitos fundamentais do
acusado. Assim, o controle judicial é fundamental para a proteção efetiva dos direitos fundamentais do
imputado e para evitar possíveis abusos que comprometam a decisão voluntária de aceitar a transação.
Não há qualquer disposição em lei que imponha a desistência de recursos ou ações em andamento ou
determine a renúncia ao direito de acesso à Justiça. STF. 2ª Turma. HC 176785/DF, Min. Gilmar Mendes,
17/12/2019 (Info 964).
Suspensão condicional do processo
O que é a suspensão condicional do processo? Suspensão condicional do processo é:
- um instituto despenalizador
- oferecido pelo MP ou querelante ao acusado
- que tenha sido denunciado por crime cuja pena mínima seja igual ou inferior a 1 ano
- e que não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime,

- desde que presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena
(art. 77 do CP).
Previsão legal

A suspensão condicional do processo está prevista no art. 89 da Lei nº 9.099/95. No entanto, vale
ressaltar que não se aplica apenas aos processos do juizado especial (infrações de menor
potencial ofensivo), mas sim em todos aqueles cuja pena mínima seja igual ou inferior a 1 ano,
podendo, portanto, a pena máxima ser superior a 2 anos.
Período de prova

Caso o acusado aceite a proposta, o processo ficará suspenso, pelo prazo de 2 a 4 anos (período
de prova), desde que ele aceite cumprir determinadas condições impostas pela lei e a outras que
podem ser fixadas pelo juízo. Período de prova é, portanto, o prazo no qual o processo ficará
suspenso, devendo o acusado cumprir as condições impostas neste lapso temporal. O período de
prova é estabelecido na proposta de suspensão e varia de 2 até 4 anos.

Suspensão condicional do processo e HC


O fato de o denunciado ter aceitado a proposta de suspensão condicional do processo formulada
pelo MP (art. 89 da Lei 9.099/95) não constitui empecilho para que seja proposto e julgado HC
em seu favor, no qual se pede o trancamento da ação penal. Isso porque o réu que está
cumprindo suspensão condicional do processo fica em liberdade, mas ao mesmo tempo terá que
cumprir determinadas condições impostas pela lei e pelo juiz e, se desrespeitá-las, o curso do
processo penal retomará. Logo, ele tem legitimidade e interesse de ver o HC ser julgado para
extinguir de vez o processo. STJ. 5ª Turma. RHC 41527-RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em

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3/3/2015 (Info 557).

Transação penal
O que é a transação penal? Transação penal é...
- um acordo
- celebrado entre o MP (se a ação penal for pública) ou o querelante (se for privada)
- e o indivíduo apontado como autor do crime
- por meio do qual a acusação
- antes de oferecer a denúncia (ou queixa-crime)
- propõe ao suspeito que ele, mesmo sem ter sido ainda condenado,
- aceite cumprir uma pena restritiva de direitos ou pagar uma multa
- e em troca disso a ação penal não é proposta e o processo criminal nem se inicia.
O instituto da transação penal é previsto na Lei dos Juizados Especiais (Lei 9.099/95): Art. 76.
Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, não
sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena
restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na proposta.
Em resumo

Transação penal Suspensão condicional do processo


A realização de acordo de transação penal O fato de o denunciado ter aceitado a
não enseja a perda de objeto de habeas proposta de suspensão condicional do
corpus anteriormente impetrado (STF, Info processo formulada pelo MP não constitui
964). empecilho para que seja proposto e julgado
A concessão do benefício da transação penal HC em seu favor, no qual se pede o
impede a impetração de HC em que se busca trancamento da ação penal. Esse é o
o trancamento da ação penal (STJ, Info 657). entendimento do STF e do STJ.

Execução penal

(!)Mesmo que na sentença condenatória não tenha constado expressamente que o réu é
reincidente, o juízo da execução penal poderá reconhecer essa circunstância para fins de
conceder ou não os benefícios, como, por exemplo, a progressão de regime. QUESTÃO
COBRADA NA 2ª FASE DO MPMG/2019.

Suponhamos que na sentença condenatória não constou que o apenado é reincidente. O juízo da
execução, contudo, na fase de cumprimento da pena, percebeu que o condenado é reincidente. O juízo
da execução penal poderá reconhecer essa circunstância negativa no momento de analisar se concede
ou não os benefícios (ex: progressão). O Juízo da Execução pode promover a retificação do atestado de
pena para constar a reincidência, com todos os consectários daí decorrentes, ainda que não esteja
reconhecida expressamente na sentença penal condenatória transitada em julgado. STJ. 3ª Seção.
EREsp 1.738.968-MG, Min. Laurita Vaz, 27/11/2019 (Info 662).

A individualização da pena se realiza, essencialmente, em três momentos: a) na cominação da


pena em abstrato ao tipo legal, pelo Legislador; b) na sentença penal condenatória, pelo Juízo de
conhecimento; e c) na execução penal, pelo Juízo das Execuções.

O reconhecimento da reincidência apenas pelo juízo da execução penal representaria reformatio


in pejus ou afronta à coisa julgada? NÃO. Isso porque não há desrespeito ao comando da
sentença considerando que não haverá o agravamento da pena estabelecida no título executivo
nem modificação do regime inicial para um mais severo.

Colaboração premiada

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(!)O delatado tem o direito de acesso aos termos de colaboração premiada que mencionem
seu nome, desde que já tenham sido juntados aos autos e não prejudiquem diligências em
andamento.

O delatado possui o direito de ter acesso às declarações prestadas pelos colaboradores que o
incriminem, desde que já documentadas e que não se refiram à diligência em andamento que possa ser
prejudicada. STF. 2ª Turma. Rcl 30742 AgR/SP, Min. Ricardo Lewandowski, 4/2/2020 (Info 965).

Juizados

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL MILITAR

DIREITO ADMINISTRATIVO

Princípios

Organização da Administração Pública

É inconstitucional lei estadual que obrigue a participação de representante da seccional da


OAB em órgão colegiado da Administração Pública estadual.

É possível que o chefe do Poder Executivo estadual convide, em consenso com a OAB, um
representante da Ordem para integrar órgão da Administração. Isso é válido. No entanto, a lei não pode
impor a presença de representante da OAB (“autarquia federal”) em órgão da Administração Pública
local. STF. Plenário. ADI 4579/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13/2/2020 (Info 966).

Ato administrativo

Processo administrativo

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Súmula 641-STJ: A portaria de instauração do processo administrativo disciplinar prescinde
da exposição detalhada dos fatos a serem apurados. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 18/02/2020,
DJe 19/02/2020.

Jurisprudência em Teses do STJ (ed. 05) - Tese 3: A portaria de instauração do processo disciplinar
prescinde de minuciosa descrição dos fatos imputados, sendo certo que a exposição
pormenorizada dos acontecimentos se mostra necessária somente quando do indiciamento do
servidor.

Licitação

(!) O estabelecimento de critérios de classificação para a escolha de licitantes em


credenciamento é ilegal.

O credenciamento é uma hipótese de inexigibilidade de licitação na qual “a Administração aceita como


colaborador todos aqueles que, atendendo as motivadas exigências públicas, manifestem interesse em
firmar contrato ou acordo administrativo.” (TORRES, Ronny Charles Lopes de. Leis de Licitações Públicas
comentadas. Salvador: Juspodivm, 2019, p. 348). Desse modo, o credenciamento é um procedimento
por meio do qual a Administração Pública anuncia que precisa de pessoas para fornecer determinados
bens ou para prestarem algum serviço e que irá contratar os que se enquadrem nas qualificações que
ela exigir. Após esse chamamento público, os interessados podem se habilitar para serem contratados.
Fala-se que é uma hipótese de inexigibilidade de licitação porque não haverá competição (disputa)
entre os interessados. Todos os interessados que preencham os requisitos anunciados serão
considerados “credenciados” e estarão aptos a serem contratos. O Banco do Brasil publicou edital para
credenciamento de advogados para prestar serviços advocatícios. Ocorre que o edital de
credenciamento publicado previu um critério de pontuação, de forma que os advogados e escritórios
que se inscrevessem iriam ser avaliados e organizados segundo uma ordem de classificação baseada no
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currículo, experiência etc. O TCU e o STJ entendem que isso não é válido. O estabelecimento de
critérios de classificação para a escolha de licitantes em credenciamento é ilegal. O credenciamento é
considerado como uma espécie de inexigibilidade de licitação justamente pelo fato de não ser possível,
em tese, a competição entre os interessados. Logo, a previsão de critérios de pontuação entre os
interessados contraria a natureza do processo de credenciamento. Assim, no credenciamento só se
admite a existência de requisitos mínimos. Se o interessado preencher, ele está credenciado; se não
atender, encontra-se eliminado. Os critérios permitidos são, portanto, meramente eliminatórios (e não
classificatórios). STJ. 1ª Turma. REsp 1.747.636-PR, Min. Gurgel de Faria, 03/12/2019 (Info 662).

● Regra: obrigatoriedade de licitação (art. 37, XXI, CF/88).


● Exceção: contratação direta.

● Credenciamento
1. Não possui previsão legal.
2. Não obstante, doutrina e jurisprudência o admitem, considerando-o uma hipótese de
inexigibilidade de licitação com base no caput do art. 25 da Lei nº 8.666/93.
3. Pressupostos para que seja validamente utilizado (de acordo com o TCU): a) contratação
de todos os que tiverem interesse e que satisfaçam as condições fixadas pela
Administração, não havendo relação de exclusão; b) garantia de igualdade de condições
entre todos os interessados hábeis a contratar com a Administração, pelo preço por ela
definido; c) demonstração inequívoca de que as necessidades da Administração somente
poderão ser atendidas dessa forma (Primeira Câmara, Acórdão 2504/2017, Rel.
AUGUSTO SHERMAN).

Responsabilidade Civil do Estado

(!)Pretensão dos acionistas de serem indenizados pela União e pela Petrobrás pelos
prejuízos causados em decorrência da desvalorização dos ativos da Companhia, por conta da
Lava Jato, deverá ser ajuizada na Justiça Federal de 1ª instância (e não por arbitragem).
COMENTÁRIOS EM DIREITO CIVIL.

A União, na condição de acionista controladora da Petrobras, não pode ser submetida à cláusula
compromissória arbitral prevista no Estatuto Social da Companhia, seja em razão da ausência de lei
autorizativa, seja em razão do próprio conteúdo da norma estatutária. Caso concreto: um grupo de
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acionistas da Petrobrás formulou requerimento para instauração de procedimento arbitral perante a
Câmara de Arbitragem do Mercado (CAMBOVESPA) contra a União e a Petrobrás, no qual pedem o
ressarcimento pelos prejuízos decorrentes da desvalorização dos ativos da Petrobras, em razão dos
desgastes oriundos da Operação Lava Jato. O procedimento foi instaurado com base no art. 58 do
Estatuto Social da Petrobrás, onde consta uma cláusula compromissória dizendo que as disputas que
envolvam a Companhia, seus acionistas, administradores e conselheiros fiscais deverão ser resolvidas
por meio de arbitragem. A União afirmou que não estava obrigada a participar dessa arbitragem,
argumento que foi acolhido pelo STJ. STJ. 2ª Seção. CC 151.130-SP, Rel. Acd. Min. Luis Felipe Salomão,
27/11/2019 (Info 664).

Poderes administrativos

Concurso público

(!)Não é legítima a cláusula de edital de concurso público que restrinja a participação de


candidato pelo simples fato de responder a inquérito ou a ação penal, salvo se essa restrição
for instituída por lei e se mostrar constitucionalmente adequada.

Sem previsão constitucionalmente adequada e instituída por lei, não é legítima a cláusula de edital de
concurso público que restrinja a participação de candidato pelo simples fato de responder a inquérito
ou a ação penal. STF. Plenário. RE 560900/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 5 e 6/2/2020
(repercussão geral – Tema 22) (Info 965).

Sobre a investigação social em concursos públicos...


a) Jurisprudência em Teses do STJ (Ed. 115): Tese 10: A investigação social em concursos
públicos, além de servir à apuração de infrações criminais, presta-se a avaliar
idoneidade moral e lisura daqueles que desejam ingressar nos quadros da
administração pública.
b) Pode ter caráter eliminatório.

Candidato só pode ser excluído de concurso público por não se enquadrar na cota para
negros se houver contraditório e ampla defesa.

A exclusão do candidato, que concorre à vaga reservada em concurso público, pelo critério da
heteroidentificação, seja pela constatação de fraude, seja pela aferição do fenótipo ou por qualquer
outro fundamento, exige o franqueamento do contraditório e da ampla defesa. STJ. 2ª Turma. RMS
62.040-MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 17/12/2019 (Info 666).
Sobre a reserva de vagas para candidatos negros em concursos públicos...
 A Lei nº 12.990/2014 reserva aos negros 20% das vagas oferecidas nos concursos
públicos realizados no âmbito da administração pública federal.
 E no âmbito estadual? A Resolução nº 203/2015 do CNJ reserva aos negros, no âmbito do
Poder Judiciário, 20% das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de
cargos efetivos e de ingresso na magistratura.
 O STJ decidiu que é constitucional a reserva de 20% das vagas oferecidas nos
concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito
da administração pública direta e indireta. STF. Plenário. ADC 41/DF, Min. Roberto
Barroso, 8/6/2017 (Info 868).
 É legítima a utilização, além da autodeclaração, de critérios subsidiários de
heteroidentificação, desde que respeitada a dignidade da pessoa humana e garantidos o
contraditório e a ampla defesa. STF. Plenário. ADC 41/DF, Min. Roberto Barroso,
8/6/2017 (Info 868).
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No caso veiculado nesse informativo, o STJ concedeu parcialmente a ordem para determinar à
Comissão do Concurso que franqueie ao candidato prazo para apresentação de pedido de
reconsideração em face do julgamento que o excluiu das vagas reservadas, instruindo-o com os
documentos que reputar pertinentes.

(!) Em casos excepcionais, em que a restauração da estrita legalidade ocasionaria mais danos
sociais que a manutenção da situação consolidada pelo decurso do tempo, a jurisprudência
do STJ é firme no sentido de admitir a aplicação da teoria do fato consumado.

Em regra, o STJ acompanha o entendimento do STF e decide que é inaplicável a teoria do fato
consumado aos concursos públicos, não sendo possível o aproveitamento do tempo de serviço
prestado pelo servidor que tomou posse por força de decisão judicial precária, para efeito de
estabilidade. Contudo, em alguns casos, o STJ afirma que há a solidificação de situações fáticas
ocasionada em razão do excessivo decurso de tempo entre a liminar concedida e os dias atuais, de
maneira que, a reversão desse quadro implicaria inexoravelmente em danos desnecessários e
irreparáveis ao servidor. Em outras palavras, o STJ entende que existem situações excepcionais nas
quais a solução padronizada ocasionaria mais danos sociais do que a manutenção da situação
consolidada, impondo-se o distinguishing, e possibilitando a contagem do tempo de serviço
prestado por força de decisão liminar, em necessária flexibilização da regra. Caso concreto:
determinado indivíduo prestou concurso para o cargo de Policial Rodoviário Federal e foi aprovado nas
provas teóricas, tendo sido, contudo, reprovado em um dos testes práticos. O candidato propôs
mandado de segurança questionando esse teste. O juiz concedeu a liminar determinando a nomeação e
posse, o que ocorreu em 1999. Em sentença, o magistrado confirmou a liminar e julgou procedente o
pedido do autor. Anos mais tarde, o TRF, ao julgar a apelação, entendeu que a exigência do teste
prático realizado não continha nenhum vício. Em virtude disso, reformou a sentença. O servidor,
contudo, continuou cautelarmente no cargo até 2020, quando houve o trânsito em julgado da decisão
contrária ao seu pleito. O STJ assegurou a manutenção definitiva do impetrante no cargo .
STJ. 1ª Turma. AREsp 883.574-MS, Min. Napoleão Nunes Maia Filho, 20/02/2020 (Info 666). STJ. 2ª
Turma. AgInt no REsp 1569719/SP, Min. Og Fernandes, 08/10/2019.

Em resumo:
a. Como regra, não se admite a aplicação da teoria do fato consumado em concursos
públicos.
b. Excepcionalmente, nos casos em que a restauração da estrita legalidade ocasionaria mais
danos sociais que a manutenção da situação consolidada pelo decurso do tempo, como
ocorre na hipótese dos autos, a jurisprudência do STJ é firme no sentido de admitir a
aplicação da teoria do fato consumado. STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1569719/SP, Min.
Og Fernandes, 08/10/2019.

Agentes públicos

STF modulou os efeitos da decisão que afirmou que os servidores públicos federais não
possuem direito aos quintos no período de 08/04/1998 a 04/09/2001; com isso, o Tribunal
resguardou a situação daqueles que recebiam as verbas por força de decisão judicial ou
administrativa.

Os servidores públicos federais, quando desempenhavam funções gratificadas, tinham direito de


incorporar, em sua remuneração, a vantagem decorrente do cargo em comissão ou da função de
direção, chefia e assessoramento. Isso estava previsto na redação original do art. 62 da Lei 8.112/90.
Isso ficou conhecido como incorporação de quintos em razão do exercício de funções gratificadas.
Houve uma discussão se os servidores públicos federais tiveram direito à incorporação dos quintos no

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período que vai de 08/04/1998 a 04/09/2001. Após várias decisões favoráveis aos servidores, o STF
decidiu em sentido contrário. Em 2015, o STF decidiu que não era permitida a incorporação dos quintos
nesse período e que essa possibilidade acabou com a edição da MP 1.595-14 (convertida na Lei
9.527/97). Ocorre que muitos servidores estavam recebendo os quintos referentes ao período de
08/04/1998 a 04/09/2001 por força de decisões judiciais ou administrativas. Como ficou a situação
dessas pessoas? O STF, em embargos de declaração, decidiu modular os efeitos da decisão e afirmou o
seguinte:
• é indevida a cessação imediata do pagamento dos quintos quando houve uma decisão judicial
transitada em julgado em favor do servidor. Neste caso, o servidor já incorporou definitivamente os
quintos ao seu patrimônio jurídico;
• se o servidor estava recebendo os quintos em razão de decisão administrativa ou de decisão judicial
não definitiva, o pagamento dos quintos é indevido. No entanto, os efeitos da decisão foram
modulados, de modo que aqueles que recebem a parcela até a data de hoje terão o pagamento
mantido até a sua absorção integral por quaisquer reajustes futuros concedidos aos servidores. Em
outras palavras, a remuneração ou os proventos não diminuirão de valor imediatamente. No entanto,
quando houver um aumento, esse valor dos quintos sumirá, sendo absorvido pelo aumento. STF.
Plenário. RE 638115 ED-ED/CE, Min. Gilmar Mendes, 18/12/2019 (Info 964).

(!)
É inconstitucional o pagamento de subsídio mensal e vitalício a ex-Vereadores, assim,
como o pagamento de pensão por morte aos dependentes dos ex-ocupantes deste cargo.

Algumas leis municipais preveem que a pessoa que tiver exercido o cargo de Vereador fará jus, após
deixar o mandato, a um subsídio mensal e vitalício. Alguns chamam isso de representação, outros de
pensão vitalícia e outros de pensão civil. A previsão desse pagamento é compatível com a CF? NÃO. O
STF fixou a seguinte tese a respeito do tema: Lei municipal a versar a percepção, mensal e vitalícia, de
“subsídio” por ex-vereador e a consequente pensão em caso de morte não é harmônica com a CF de
1988. STF. Plenário. RE 638307, Min. Marco Aurélio, 19/12/19 (Tema 672 – repercussão geral) (Info
964).

Fundamentos:
a) O Brasil adota a forma republicana de governo e esta prevê o caráter temporário do
exercício de mandatos eletivos.
b) A referida lei municipal afronta, ainda, o art. 37, XIII, da CF, que proíbe a vinculação ou a
equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de
pessoal do serviço público.

Vale lembrar que o mesmo entendimento já era adotado em relação aos ex-Governadores.

Os ex-Governadores (ou as viúvas) que foram beneficiados com esse “subsídio” ou com a
“pensão” dela decorrente terão que devolver as quantias que receberam antes do STF declarar
inconstitucional a previsão da Constituição Estadual? NÃO. O STF afirmou que: Não é necessária
a devolução dos valores percebidos até o julgamento da ação. Isso por conta dos princípios da
boa-fé, da segurança jurídica e, ainda, da dignidade da pessoa humana. STF. Plenário. ADI
4545/PR, Min. Rosa Weber, 5/12/2019 (Info 962).

Os médicos cooperados estrangeiros não possuem direito adquirido de permanecer no


Projeto Mais Médicos.

Inexiste direito adquirido para os médicos cooperados estrangeiros de permanecer nos quadros de
agentes públicos da saúde pública, ainda que já tenham sido vinculados ao Projeto Mais Médicos para o
Brasil. STJ. 2ª Turma. RO 213-DF, Min. Mauro Campbell Marques, 05/12/2019 (Info 663).

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(!)É possível a cassação de aposentadoria de servidor público pela prática, na atividade, de
falta disciplinar punível com demissão.

A pena de cassação de aposentadoria é compatível com a Constituição Federal, a despeito do caráter


contributivo conferido àquela, especialmente porque nada impede que, na seara própria, haja o
acertamento de contas entre a administração e o servidor aposentado punido. Assim, constatada a
existência de infração disciplinar praticada enquanto o servidor estiver na ativa, o ato de aposentadoria
não se transforma num salvo conduto para impedir o sancionamento do ilícito pela administração
pública. Faz-se necessário observar o regramento contido na Lei n. 8.112/1990, aplicando-se a
penalidade compatível com as infrações apuradas. STJ. 1ª Seção. MS 23.608-DF, Rel. Acd. Min. Og
Fernandes, 27/11/2019 (Info 666). STF. 2ª Turma. AgR no ARE 1.092.355, Min. Edson Fachin,
17/5/2019.

Jurisprudência em Teses do STJ (ed. 142)


Tese 10: A pena de cassação de aposentadoria prevista nos art. 127, IV e art. 134 da Lei n.
8.112/1990 é constitucional e legal, inobstante o caráter contributivo do regime previdenciário.

Improbidade administrativa

Intervenção do Estado na propriedade

Em ação de desapropriação indireta é cabível reparação decorrente de limitações


administrativas.

Imóvel do particular foi incluído em unidade de conservação. Houve, no caso, uma limitação
administrativa. Ele ajuizou ação de desapropriação indireta pedindo indenização. Mesmo não tendo
havido desapropriação indireta, mas sim mera limitação administrativa, o juiz deverá conhecer da ação
e julgar seu mérito. Devem ser observados os princípios da instrumentalidade das formas e da primazia
da solução integral do mérito. STJ. 1ª Turma. REsp 1.653.169-RJ, Min. Regina Helena Costa, 19/11/2019
(Info 662).

1. Limitação administrativa

Em que consistem as chamadas “limitações administrativas”? Limitação administrativa é...


- uma determinação de caráter geral (é um ato normativo),
- por meio da qual, o Poder Público impõe a proprietários indeterminados
- obrigações positivas (de fazer), negativas (não fazer) ou permissivas (tolerar)
- com o objetivo de fazer com que aquela propriedade atenda à sua função social.
Exemplos: a) o plano diretor da cidade impõe que os prédios construídos em determinada área
do município devem ter, no máximo, 8 andares; b) a criação de áreas especiais de proteção
ambiental pode configurar limitação administrativa (STJ AgRg no AREsp 155302/RJ).
Principais características
As limitações administrativas, em regra, são:
a) Atos legislativos ou administrativos de caráter geral (leis, decretos, resoluções etc.);
b) Definitivas (tendem a ser definitivas, podendo, no entanto, ser revogadas ou alteradas);
c) Unilaterais (impõem obrigações apenas ao proprietário);
d) Gratuitas (porque o Estado não precisa pagar indenização aos proprietários);
e) Intervenções que restringem o caráter absoluto da propriedade.
O proprietário deve ser indenizado por conta das limitações administrativas que incidam sobre
sua propriedade? Em regra, não. Na generalidade dos casos, a limitação administrativa é
gratuita. No entanto, excepcionalmente, a jurisprudência reconhece o direito à indenização

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quando a limitação administrativa reduzir o valor econômico do bem . Essa é a
jurisprudência do STJ: (...) Sendo imposições de natureza genérica, as limitações administrativas
não rendem ensejo a indenização, salvo comprovado prejuízo. (...) STJ. 2ª Turma. REsp
1233257/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, 16/10/2012.

2. Desapropriação

2.1. Desapropriação indireta

O que é desapropriação indireta?


A desapropriação indireta ocorre quando o Estado (Poder Público) se apropria do bem de um
particular sem observar as formalidades previstas em lei para a desapropriação, dentre as quais
a declaração indicativa de seu interesse e a indenização prévia. Trata-se de um verdadeiro
esbulho possessório praticado pelo Poder Público. A desapropriação indireta é também chamada
de apossamento administrativo.
O que a pessoa pode fazer caso tenha sofrido uma desapropriação indireta?
• Se o bem expropriado ainda não está sendo utilizado em nenhuma finalidade pública: pode ser
proposta uma ação possessória com o objetivo de que a pessoa mantenha ou retome a posse do
bem.
• Se o bem expropriado já está afetado a uma finalidade pública: considera-se que houve fato
consumado e somente restará ao particular ajuizar uma “ação de desapropriação indireta”, a fim
de ser indenizado. Nesse sentido é o art. 35 do DL 3.365/41: Os bens expropriados, uma vez
incorporados à Fazenda Pública, não podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em
nulidade do processo de desapropriação. Qualquer ação, julgada procedente, resolver-se-á em
perdas e danos.
Ação de desapropriação indireta
A ação de desapropriação indireta é uma ação de indenização proposta contra o Poder Público
pelo fato de ele ter se apossado do bem pertencente a particular sem cumprir as formalidades
legais previstas para os casos de desapropriação. Trata-se, portanto, de uma ação condenatória
objetivando a indenização por perdas e danos. Também é chamada de “ ação expropriatória
indireta” ou “ação de ressarcimento de danos causados por apossamento
administrativo”.

DIREITO TRIBUTÁRIO

Limitações ao poder de tributar

A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das
entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF/88.

Tese fixada no RE 566622 – Tema 32: Redação original: Os requisitos para o gozo de imunidade hão de
estar previstos em lei complementar. Redação modificada após embargos de declaração: A lei
complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de
assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição
de contrapartidas a serem por elas observadas. STF. Plenário. RE 566622/RS, Min. Marco Aurélio,
23/2/2017 (repercussão geral – Tema 32) (Info 855). STF. Plenário. RE 566622 ED/RS, red. p/ o ac. Min.
Rosa Weber, 18/12/2019 (Info 964).

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IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 149, § 2º, I, da CF/88
abrange também as receitas decorrentes de operações indiretas de exportação, ou seja,
realizadas com a participação de sociedade exportadora intermediária (trading companies ou
ECEs).

De acordo com o art. 149, § 2º, I, da CF/88, as contribuições sociais e de intervenção no domínio
econômico não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação. Trata-se de imunidade tributária
criada com o objetivo de incentivar as exportações. Se o fabricante ou produtor brasileiro faz a
exportação por intermédio de uma empresa exportadora intermediária (ex: trading company), incide
igualmente a imunidade tributária? Incide a imunidade tributária no caso de operações indiretas de
exportação? SIM. A norma imunizante contida no inciso I do § 2º do art. 149 da CF alcança as receitas
decorrentes de operações indiretas de exportação caracterizadas por haver participação negocial de
sociedade exportadora intermediária. STF. Plenário. ADI 4735/DF. Min. Alexandre de Moraes,
12/2/2020 (Info 966). STF. Plenário. RE 759244/SP, Min. Edson Fachin, 12/2/2020 (repercussão geral –
Tema 674).

Sobre a imunidade tributária...


 Consiste na determinação feita pela Constituição Federal de que certas atividades, rendas,
bens ou pessoas não poderão sofrer a incidência de tributos.
 Trata-se de uma dispensa constitucional de tributo.
 A imunidade é uma limitação ao poder de tributar, sendo sempre prevista na própria CF/88
(não necessariamente no capítulo reservado à ordem tributária).
 As normas de imunidade tributária constantes da CF objetivam proteger valores políticos,
morais, culturais e sociais essenciais e não permitem que os entes tributem certas pessoas,
bens, serviços ou situações ligadas a esses valores.

Crédito tributário

Responsabilidade tributária

Não tendo participado do fato gerador do tributo, a declaração conjunta de imposto de


renda não torna o cônjuge corresponsável pela dívida tributária dos rendimentos percebidos
pelo outro.

Não tendo participado do fato gerador do tributo, a declaração conjunta de IR não torna o cônjuge
corresponsável pela dívida tributária dos rendimentos percebidos pelo outro. Exemplo hipotético: João
e Carla são casados. Eles fizeram uma declaração conjunta do IR. Ocorre que não se declarou que Carla
recebeu R$ 10 mil por serviços prestados para uma determinada empresa. Houve, portanto, omissão de
rendimentos recebidos. Ao detectar a omissão, a Receita Federal fez lançamento de auto de infração
contra Carla e João. Não poderia ter feito contra João. O fato gerador (renda auferida com os serviços
prestados) foi praticado apenas pela mulher. Logo, o marido não pode ser considerado como
solidariamente obrigado. STJ. 1ª T. REsp 1.273.396-DF, Min. Napoleão Nunes Maia Filho, 05/12/2019
(Info 662).

(!) É inconstitucional a lei estadual que preveja que o administrador, o advogado, o


economista e outros profissionais teriam responsabilidade solidária em relação às obrigações
tributárias de seus clientes.

É inconstitucional lei estadual que disciplina a responsabilidade de terceiros por infrações de forma
diversa da matriz geral estabelecida pelo CTN. Há, neste caso, uma inconstitucionalidade formal. Ao
ampliar as hipóteses de responsabilidade de terceiros por infrações, prevista pelos arts. 134 e 135 do

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CTN, ou tratar sobre o tema de maneira diferente, a lei estadual invade competência do legislador
complementar federal para estabelecer as normas gerais na matéria (art. 146, III, “b”, da CF). Caso
concreto: é inconstitucional lei estadual que atribui responsabilidade tributária solidária por infrações a
toda pessoa que concorra ou intervenha, ativa ou passivamente, no cumprimento da obrigação
tributária, especialmente a advogado, economista e correspondente fiscal. STF. Plenário. ADI 4845/MT,
Min. Roberto Barroso, 13/2/2020 (Info 966).

Tributos em espécie

A isenção de quota condominial do síndico não configura renda para fins de incidência do
Imposto de Renda de Pessoa Física.

O IR tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de


proventos de qualquer natureza. Renda, para fins de incidência tributária, pressupõe acréscimo
patrimonial ao longo de determinado período, ou seja, riqueza nova agregada ao patrimônio do
contribuinte. A quota condominial é a obrigação mensal imposta a todos os condôminos para cobrir
gastos necessários à manutenção de um condomínio. Trata-se, portanto, de uma despesa, um encargo
que é suportado pelos condôminos. Assim, a dispensa do pagamento das taxas condominiais concedida
ao síndico pelo trabalho por ele exercido não pode ser considerada como pró-labore, rendimento nem
tampouco como acréscimo patrimonial. Logo, não está sujeita à incidência do IR, sob pena, inclusive, de
violar o princípio da capacidade contributiva. Quando o síndico deixa de pagar a quota condominial não
há uma alteração entre o patrimônio preexistente e o novo. Não há o ingresso de riqueza nova em seu
patrimônio que justifique a inclusão do valor correspondente à sua quota condominial como ganho
patrimonial na apuração anual de rendimentos tributáveis. STJ. 1ª T. REsp 1.606.234-RJ, Min. Napoleão
Nunes Maia Filho, 05/12/2019 (Info 662).

ICMS. A norma do art. 20, § 6º, I, da LC 87/96 não confere o crédito a quem promove as
saídas isentas, mas ao contribuinte que adquire os produtos agropecuários ao abrigo da
isenção.

A exceção prevista no art. 20, § 6º, I, da LC 87/96, que permite a manutenção de créditos nas operações
que envolvem produtos agropecuários, não é destinada àquele que realiza a venda contemplada pela
isenção, mas ao contribuinte da etapa posterior, que adquire a mercadoria isenta do imposto e que
tem a sua operação de saída normalmente tributada. STJ. 1ª T. REsp 1.643.875-RS, Min. Gurgel de Faria,
19/11/2019 (Info 663). Obs: existem julgados da 2ª Turma do STJ concedendo o direito à compensação,
mas sem enfrentar com profundidade esse argumento acima exposto. Nesse sentido: STJ. 2ª Turma.
AgInt no REsp 1606333/RS, Min. Herman Benjamin, 02/02/2017. Para fins de prova, por enquanto,
recomendo a adoção do entendimento manifestado pela 1ª Turma e divulgado no Info 663 do STJ.

IMPOSTO DE RENDA. É ilegal o art. 4º, I, da IN SRF nº 139/1989 que proibiu a compensação
envolvendo exercícios financeiros diferentes.

É ilegal o art. 4º, I, da IN SRF nº 139/1989, que, ao suprimir a comunicação entre exercícios diferentes,
traz inovação limitadora não prevista no Decreto-lei 1.790/1980. O Decreto-lei 1.790/1980, que foi
recepcionado com força de lei ordinária, não estabeleceu restrição à compensação entre períodos
diversos, isto é, não impôs nenhuma limitação temporal ao exercício de tal direito. Assim, era
perfeitamente possível a compensação do imposto de renda retido na fonte mesmo que em
calendários (exercícios) diferentes. STJ. 1ª Turma. REsp 1.628.374-SP, Rel. Acd. Min. Regina Helena
Costa, 04/02/2020 (Info 665).

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ICMS. Sacolas plásticas fornecidas aos clientes para o transporte ou acondicionamento de
produtos, bem como bandejas, não são insumos essenciais à atividade dos supermercados,
de modo que não geram creditamento de ICMS.

Os insumos que geram direito ao creditamento são aqueles que, extrapolando a condição de mera
facilidade, se incorporam ao produto final, de forma a modificar a maneira como esse se apresenta e
configurar parte essencial do processo produtivo. Sacos e filmes plásticos utilizados exclusivamente
para o fornecimento de produtos de natureza perecível são insumos indispensáveis à atividade
desenvolvida pelos supermercados, de modo que a sua aquisição gera direito ao creditamento do ICMS.
Sacolas plásticas fornecidas aos clientes para o transporte ou acondicionamento de produtos, bem
como bandejas, não são insumos essenciais à atividade dos supermercados, de modo que não geram
creditamento de ICMS. STJ. 1ª Turma. REsp 1.830.894-RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em
03/03/2020 (Info 666).

Repetição de indébito

Prescrição

Compensação tributária

Parcelamento

Direito aduaneiro

Súmula 640-STJ: O benefício fiscal que trata do Regime Especial de Reintegração de Valores
Tributários para as Empresas Exportadoras (REINTEGRA) alcança as operações de venda de
mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus, para consumo,
industrialização ou reexportação para o estrangeiro. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 18/02/2020,
DJe 19/02/2020.

Processo administrativo tributário

DIREITO ELEITORAL

DIREITO AMBIENTAL

(!)Em regra, o autor pode ajuizar a ação popular no foro de seu domicílio, mesmo que o
dano tenha ocorrido em outro local; contudo, diante das peculiaridades, as ações
envolvendo o rompimento da barragem de Brumadinho devem ser julgadas pelo juízo do
local do fato. Comentários em Direito Processual Civil.

DIREITOS DIFUSOS E COLETIVOS

DIREITO FINANCEIRO

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As receitas provenientes do adicional criado pelo art. 82, § 1º, do ADCT não podem ser
computadas para efeito de cálculo da amortização da dívida do Estado; tais recursos devem,
no entanto, ser considerados para cálculo do montante mínimo destinado à saúde e à
educação.

O art. 82, § 1º do ADCT permite que os Estados aumentem em até 2% a alíquota do ICMS que é
cobrado sobre produtos e serviços considerados supérfluos. O valor arrecadado com esses 2% a mais
deverão ser destinados exclusivamente ao Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza: Art.
82. Os Estados, o DF e os Municípios devem instituir Fundos de Combate à Pobreza, com os recursos de
que trata este artigo e outros que vierem a destinar, devendo os referidos Fundos ser geridos por
entidades que contem com a participação da sociedade civil. § 1º Para o financiamento dos Fundos
Estaduais e Distrital, poderá ser criado adicional de até 2 pontos percentuais na alíquota do ICMS, sobre
os produtos e serviços supérfluos e nas condições definidas na LC de que trata o art. 155, § 2º, XII, da
Constituição, não se aplicando, sobre este percentual, o disposto no art. 158, IV, da Constituição. (...) As
receitas provenientes do adicional previsto pelo § 1º do art. 82 do ADCT não podem ser consideradas
para efeito de cálculo da amortização da dívida do Estado (não podem ser incluídas no cálculo da dívida
pública do Estado com a União). Por outro lado, tais recursos devem sim ser considerados para efeito
de cálculo do montante mínimo destinado à saúde e à educação. STF. Plenário. ACO 727/BA, Min.
Marco Aurélio, 13/2/2020 (Info 966).

Orçamento

Despesas públicas

Outros temas

DIREITO INTERNACIONAL

EXERCÍCIOS / INFORMATIVOS STF

INFORMATIVO 964 DO STF


Julgue os itens a seguir:

1) É constitucional previsão do Estatuto do Torcedor, inserida pela Lei do PROFUT, que permitia o rebaixamento
do clube em caso de não comprovação da regularidade fiscal e trabalhista. ( )

2) Lei municipal a versar a percepção, mensal e vitalícia, de “subsídio” por ex-vereador e a consequente pensão
em caso de morte não é harmônica com a Constituição Federal de 1988. ( )

3) Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar causa de servidor público municipal admitido mediante
aprovação em concurso público sob o regime da CLT e que, posteriormente, passou a ser regido pelo estatuto dos
servidores públicos municipais (estatutário). ( )

4) A conduta de não recolher ICMS em operações próprias ou em substituição tributária enquadra-se


formalmente no tipo previsto no art. 2º, II, da Lei nº 8.137/90 (apropriação indébita tributária), desde que
comprovado o dolo. ( )

5) A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de
assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de
contrapartidas a serem por elas observadas. ( )

6) (PGM-Campinas 2016 FCC) Em relação ao recurso extraordinário, reconhecida a repercussão geral, o relator no
Supremo Tribunal Federal determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes,

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individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional. ( )

7) Não cabe habeas corpus contra decisão de Ministro do STF que decreta a prisão preventiva de investigado ou
réu. ( )

8) A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de
assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de
contrapartidas a serem por elas observadas. ( )

INFORMATIVO 965 DO STF


Julgue os itens a seguir:

1) O afastamento de norma legal por órgão fracionário, de modo a revelar o esvaziamento da eficácia do preceito,
implica contrariedade à cláusula de reserva de plenário e ao Enunciado 10 da Súmula Vinculante. ( )

2) (Analista TRT/7 2017 CEBRASPE) A Constituição da República de 1891 foi a primeira a prever a possibilidade de
controle difuso de constitucionalidade, de forma incidental, trazendo também importante inovação referente à
denominada cláusula de reserva de plenário. ( )

3) (Técnico TRE/GO 2015) A inconstitucionalidade de uma lei pode ser declarada por um tribunal reunido em
maioria simples ou por comissão criada nesse tribunal para julgar o caso. ( )

4) (Juiz Federal TRF5 2015) A cláusula de reserva de plenário deve ser observada nos casos em que o tribunal
conclua que determinada norma pré-constitucional não foi recepcionada pela CF. ( )

5) (DPU 2015 CEBRASPE) Desde que observem a cláusula de reserva de plenário, os tribunais podem declarar a
revogação de normas legais anteriores à CF com ela materialmente incompatíveis. ( )

6) (Juiz Federal TRF5 2015 CEBRASPE) Conforme a cláusula de reserva de plenário, o juiz singular de primeiro grau
não pode, incidentalmente, declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em um caso concreto, salvo
se já houver precedente no mesmo sentido do pleno ou órgão especial do tribunal ao qual o magistrado se
encontre vinculado ou do STF. ( )

7) (Juiz Federal TRF5 2015 CEBRASPE) A regra da reserva de plenário não se aplica a julgamento de competência
singular, podendo o juiz, mesmo de ofício, deixar de aplicar preceitos normativos que considere contrários ao
texto constitucional. ( )

8) (Analista TRE/MT 2015) Em razão da cláusula de reserva de plenário, o controle de constitucionalidade


incidental não pode ser exercido por juízos singulares de primeiro grau. ( )

9) (Analista TRT 7 2017 CEBRASPE) A cláusula de reserva de plenário exige que somente pela maioria absoluta de
seus membros poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo do poder público;
a mesma cláusula aplica-se também às turmas recursais dos juizados especiais, por serem órgãos colegiados. ( )

10) (Juiz Federal TRF5 2015 CEBRASPE) A cláusula de reserva de plenário se aplica às turmas recursais dos juizados
especiais. ( )

11) (Juiz Federal TRF5 2015 CEBRASPE) A cláusula de reserva de plenário não atinge juizados de pequenas causas e
juizados especiais, pois, segundo a configuração que lhes foi atribuída pelo legislador, esses juizados não
funcionam, na esfera recursal, sob o regime de plenário ou de órgão especial. ( )

12) (Juiz TJ/PR 2019 CEBRASPE) Um órgão fracionário de determinado tribunal afastou a incidência de parte de
ato normativo do poder público, sem declarar expressamente a inconstitucionalidade do ato. Nessa situação
hipotética, segundo a Constituição Federal de 1988 e o entendimento sumulado do STF, a decisão desse órgão
fracionário violou a cláusula de reserva do plenário, uma vez que afastou a incidência, ainda que em parte, de ato
normativo do poder público. ( )

13) (Analista TCE/PA CEBRASPE) De acordo com entendimento do STF consagrado em súmula vinculante, é
correto afirmar que a observância à cláusula de reserva de plenário não é exigida para situações em que órgão
fracionário de tribunal apenas afaste a incidência de lei em caso concreto. ( )

14) (Analista TJ/AM 2019 CEBRASPE) Órgão fracionário de tribunal de justiça que, por razões de segurança
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jurídica, deixar de aplicar lei estadual, sem declarar expressamente a sua inconstitucionalidade, terá violado a
cláusula de reserva de plenário. ( )

15) (Analista STJ 2018 CEBRASPE) Embora não tenha declarado expressamente a inconstitucionalidade de
determinada lei, turma do Superior Tribunal de Justiça determinou sua não incidência parcial em determinado
caso concreto. Nesse caso, fica configurada violação à cláusula de reserva de plenário. ( )

16) (Abin/Oficial/2018) A decisão de órgão fracionário de tribunal de justiça que deixa de aplicar lei por motivo de
inconstitucionalidade não precisa observar a regra da reserva de plenário, caso se baseie em jurisprudência
consolidada do plenário do Supremo Tribunal Federal. ( )

17) (Analista TJDFT 2015 CEBRASPE) O STF, mitigando norma constitucional, entende que é dispensável a
submissão da demanda judicial à regra da reserva de plenário quando a decisão do tribunal basear-se em
jurisprudência do plenário ou em súmula do STF. ( )

18) Sem previsão constitucionalmente adequada e instituída por lei, não é legítima a cláusula de edital de
concurso público que restrinja a participação de candidato pelo simples fato de responder a inquérito ou a ação
penal. ( )

19) O delatado possui o direito de ter acesso às declarações prestadas pelos colaboradores que o incriminem,
desde que já documentadas e que não se refiram à diligência em andamento que possa ser prejudicada. ( )

INFORMATIVO 966 DO STF


Julgue os itens a seguir:
1) É possível que o chefe do Poder Executivo estadual convide, em consenso com a OAB, um representante da
Ordem para integrar órgão da Administração. Isso é válido. No entanto, a lei não pode impor a presença de
representante da OAB (“autarquia federal”) em órgão da Administração Pública local. ( )
2) (Juiz TJ/RJ 2019 VUNESP) Cabe reclamação mesmo que proposta após o trânsito em julgado da decisão
reclamada. ( )
3) A discussão envolvendo a possibilidade ou não de retenção de honorários advocatícios contratuais sobre
crédito relativo a diferenças do FUNDEF possui natureza infraconstitucional, de forma que não cabe recurso
extraordinário para apreciá-la considerando que não há matéria constitucional a ser analisada. ( )
4) Não é possível a aplicação do princípio da insignificância para o agente que praticou o furto de um carrinho de
mão avaliado em R$ 20,00 (3% do salário-mínimo), se ele possuir antecedentes criminais por crimes patrimoniais.
5) (Juiz TJ/CE 2019 CEBRASPE) A reincidência do acusado não é motivo suficiente para afastar a aplicação do
princípio da insignificância. ( )
6) É inconstitucional a imposição da pena de suspensão de habilitação para dirigir veículo automotor ao motorista
profissional condenado por homicídio culposo no trânsito. ( )
7) A norma imunizante contida no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal não alcança as receitas
decorrentes de operações indiretas de exportação caracterizadas por haver participação negocial de sociedade
exportadora intermediária. ( )
8) É constitucional lei estadual que disciplina a responsabilidade de terceiros por infrações de forma diversa da
matriz geral estabelecida pelo Código Tributário Nacional (CTN). ( )

EXERCÍCIOS / INFORMATIVOS STJ

INFORMATIVO 662 DO STJ


Julgue os itens a seguir:

1) (MP/GO 2019) O membro vitalício do Ministério Público somente perderá o cargo por sentença judicial
transitada em julgado, proferida em ação civil própria, que será proposta pelo Procurador-Geral de Justiça

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perante o Tribunal de Justiça do Estado, após a autorização do Conselho Superior do Ministério Público. ( )

2) Ação Civil de perda de cargo de Promotor de Justiça cuja causa de pedir não esteja vinculada a ilícito capitulado
na Lei nº 8.429/92 deve ser julgada pelo Tribunal de Justiça. ( )

3) (Juiz TJ/CE 2018 CEBRASPE) Conforme entendimento jurisprudencial do STJ, a limitação administrativa sobre
determinado bem constitui modalidade de intervenção restritiva na propriedade de caráter
A) exclusivo e pode dar ensejo a indenização de natureza jurídica de direito real em favor do proprietário, ainda
que não seja demonstrada a efetiva redução do valor econômico do bem em função da referida limitação.
B) geral e condição inerente ao exercício do direito de propriedade, inexistindo hipóteses de indenização.
C) geral, mas que pode dar ensejo a indenização em favor do proprietário na hipótese de a limitação causar
redução do valor econômico do bem, independentemente do momento em que tenha sido instituída a restrição.
D) exclusivo e pode dar ensejo a indenização de natureza jurídica de direito real em favor do proprietário, desde
que a aquisição do bem tenha ocorrido anteriormente à instituição da restrição.
E) geral, mas que pode dar ensejo a indenização de natureza jurídica de direito pessoal, se a limitação causar
redução do valor econômico do bem e a sua aquisição tiver ocorrido anteriormente à instituição da restrição. ( )

4) Em ação de desapropriação indireta não é cabível reparação decorrente de limitações administrativas. ( )

5) É legal o estabelecimento de critérios impessoais de classificação para a escolha de licitantes em


credenciamento. ( )

6) (Juiz TJ/SC 2019 CEBRASPE) A qualificação da entidade como organização social configura hipótese de simples
credenciamento, o qual não exige licitação em razão da ausência de competição. ( )

7) (Juiz Federal TRF3 2018) No seguro de vida, o suicídio não é coberto nos dois primeiros anos de vigência do
contrato, ressalvado o direito do beneficiário à devolução do montante da reserva técnica formada. ( )

8) É cabível a modulação dos efeitos do entendimento da Súmula 610 do STJ no caso de suicídio que tenha
ocorrido ainda na vigência do entendimento anterior, previsto nas Súm 105 do STF e 61 do STJ. ( )

9) Não se aplica a Lei nº 9.656/98 à pessoa jurídica de direito público de natureza autárquica que presta serviço de
assistência à saúde de caráter suplementar aos servidores municipais. ( )

10) (MP/MS 2018) Não se aplica o CDC às relações entre operadoras de plano de saúde constituídas sob a
modalidade de autogestão e seus filiados, por operar plano de assistência à saúde com exclusividade para um
público determinado de beneficiários, mesmo que sem fins lucrativos. ( )

11) (Juiz Federal TRF2 banca própria) Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de
saúde, salvo os administrados por entidades de autogestão. ( )

12) (Juiz TJ/MS 2018 Vunesp) O CDC se aplica aos contratos de planos privados de assistência à saúde na
modalidade de autogestão. ( )

13) (DPE/PE 2018 CEBRASPE) O CDC se aplica para contrato de plano de saúde administrado por entidade de
autogestão. ( )

14) É nula a cláusula que prevê o pagamento antecipado da indenização devida ao representante comercial no
caso de rescisão injustificada do contrato pela representada. ( )

15) A ação de habilitação retardatária de crédito deve ser ajuizada até a prolação da decisão de encerramento do
processo recuperacional. ( )

16) Em se tratando de aclaratórios opostos a acórdão que julga agravo de instrumento, a aplicação da técnica de
julgamento ampliado somente ocorrerá se os embargos de declaração forem acolhidos para modificar o
julgamento originário do magistrado de 1° grau que houver proferido decisão parcial de mérito. ( )

17) (DPE/MA 2018 FCC) A técnica de julgamento continuado diante de decisão não unânime:
A) é aplicada na apelação e no agravo de instrumento, exigindo-se em ambos os casos somente que a decisão seja
não unânime.
B) somente é aplicada na apelação e no agravo de instrumento quando houver reforma da decisão recorrida.

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C) somente é aplicada na apelação e no agravo de instrumento quando a decisão recorrida julgue o mérito ou
parte dele.
D) é aplicada na apelação, bastando a existência de divergência, enquanto no agravo de instrumento, além da
divergência, é necessário que haja a reforma da decisão que julga parcialmente o mérito.
E) é aplicada na apelação, bastando a existência de divergência, enquanto no agravo de instrumento, além da
divergência, basta que haja a reforma da decisão recorrida.
18) (DPE/RS 2018 FCC) Quando o resultado da apelação for não unânime, o julgamento terá prosseguimento em
sessão a ser designada com a presença de outros julgadores, em número suficiente para garantir a possibilidade
de inversão do resultado inicial, aplicando-se a mesma regra ao julgamento não unânime proferido em agravo de
instrumento, quando houver reforma da decisão que julgar parcialmente o mérito. ( )
19) (MP/MG 2018) Quando o resultado da apelação for não unânime, o julgamento terá prosseguimento em
sessão a ser designada com a presença de outros julgadores, que serão convocados nos termos previamente
definidos no regimento interno, em número suficiente para garantir a possibilidade de inversão do resultado
inicial, assegurado às partes e a eventuais terceiros o direito de sustentar oralmente suas razões perante os novos
julgadores. ( )
20) O procedimento de alegação de distinção (distinguishing) entre a questão debatida no processo e a questão
submetida ao julgamento sob o rito dos recursos repetitivos, previsto no art. 1.037, §§9º a 13, do CPC, aplica-se
também ao IRDR. ( )
21) É legal a decisão judicial que determina a penhora de valores de instituição financeira, no âmbito de processo
do qual não era parte, mas funcionou como auxiliar da justiça. ( )
22) Os bens da Fundação Habitacional do Exército - FHE são penhoráveis. ( )
23) O prazo de redirecionamento da Execução Fiscal, fixado em cinco anos, contado da diligência de citação da
pessoa jurídica, é aplicável quando o referido ato ilícito, previsto no art. 135, III, do CTN, for precedente a esse ato
processual. ( )
24) A citação positiva do sujeito passivo devedor original da obrigação tributária provoca o início do prazo
prescricional para o redirecionamento da execução em caso de dissolução irregular da pessoa jurídica, seja ela
anterior ou subsequente. ( )
25) O MPF possui legitimidade para propor ação civil pública a fim de debater a cobrança de encargos bancários
supostamente abusivos praticados por instituições financeiras privadas. ( )
26) Em face da magnitude econômica, social e ambiental do caso concreto, é possível a fixação do juízo do local
do fato para o julgamento de ação popular que concorre com diversas outras ações individuais, populares e civis
públicas decorrentes do mesmo dano ambiental. ( )
27) Na aplicação do art. 97 do CP não deve ser considerada a natureza da pena privativa de liberdade aplicável,
mas sim a periculosidade do agente, cabendo ao julgador a faculdade de optar pelo tratamento que melhor se
adapte ao inimputável. ( )
28) A reincidência de que trata o § 4º do art. 28 da Lei nº 11.343/2006 pode ser a genérica. ( )
29) O Juízo da Execução não pode promover a retificação do atestado de pena para constar a reincidência, com
todos os consectários daí decorrentes, se isso não foi reconhecido expressamente na sentença penal
condenatória transitada em julgado. ( )
30) Não tendo participado do fato gerador do tributo, a declaração conjunta de imposto de renda não torna o
cônjuge corresponsável pela dívida tributária dos rendimentos percebidos pelo outro. ( )
31) A isenção de quota condominial do síndico configura renda para fins de incidência do Imposto de Renda de
Pessoa Física. ( )
32) Aplica-se a regra definitiva prevista no art. 29, I e II, da Lei 8213/91, na apuração do salário de benefício,
quando mais favorável do que a regra de transição contida no art. 3º da Lei 9876/99, aos segurados que
ingressaram no RGPS até o dia anterior à publicação da Lei 9876/99. ( )

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INFORMATIVO 663 DO STJ
Julgue os itens a seguir:

1) Inexiste direito adquirido para os médicos cooperados estrangeiros de permanecer nos quadros de agentes
públicos da saúde pública, ainda que já tenham sido vinculados ao Projeto Mais Médicos para o Brasil. ( )

2) A cláusula de reajuste por faixa etária em contrato de seguro de vida é legal, ressalvadas as hipóteses em que o
contrato já tenha previsto alguma outra técnica de compensação do desvio de risco dos segurados idosos. ( )

3) A fixação de determinado valor a ser recebido mensalmente pelo herdeiro a título de adiantamento de herança
configura o negócio jurídico processual atípico do art. 190 do CPC/2015. ( )

4) É possível o inventário extrajudicial, ainda que exista testamento, se os interessados forem capazes e concordes
e estiverem assistidos por advogado. ( ) 5)

A ausência de informação relativa ao preço, por si só, não caracteriza publicidade enganosa. ( )

6) O síndico (atual administrador judicial) é responsável pela prestação de contas da massa falida ao juízo a partir
do momento de sua nomeação, incluídos os atos realizados pelo gerente na continuidade provisória das
atividades. ( )

7) Compete ao juízo da recuperação judicial o julgamento de tutela de urgência que tem por objetivo antecipar o
início do stay period ou suspender os atos expropriatórios determinados em outros juízos, antes mesmo de
deferido o processamento da recuperação. ( )

8) Não é possível a condenação de emissora de televisão ao pagamento de indenização por danos morais
coletivos em razão da exibição de filme fora do horário recomendado pelo órgão competente. ( )

9) O credor não pode optar pela remessa dos autos ao foro de domicílio do executado se já tiver se iniciado o
cumprimento de sentença. ( )

10) (Juiz TJ/RO 2019 VUNESP) Nas causas de sua competência originária, o cumprimento da sentença efetuar-se-á
perante os tribunais, podendo o exequente, no entanto, optar pelo juízo do atual domicílio do executado, no juízo
do local onde se encontrarem os bens sujeitos à execução ou no juízo do local onde deva ser executada a
obrigação de fazer ou de não fazer. ( )

11) Para incidência da multa do art. 523, § 1º, do CPC, não é preciso a efetiva resistência do executado ao
cumprimento de sentença. ( )

12) (Promotor MP/PI 2012 CESPE) Nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da
separação absoluta, prestar fiança ou aval. ( )

13) Não tendo sido prestada garantia real, é desnecessária a citação em ação de execução, como litisconsorte
passivo necessário, do cônjuge que apenas autorizou seu consorte a prestar aval. ( )

14) Quando houver sentença homologatória de transação firmada entre as partes e esta não dispor sobre os
honorários sucumbenciais, a decisão inicial que arbitra os honorários advocatícios em execução de título
extrajudicial pode ser considerada título executivo. ( )

15) No caso em que a vítima, induzida em erro, efetuou depósito em dinheiro e/ou transferência bancária para a
conta de terceiro (estelionatário), a obtenção da vantagem ilícita ocorreu quando o estelionatário se apossou do
dinheiro, ou seja, no momento em a quantia foi depositada em sua conta. ( )

16) Compete ao juízo do local da obtenção da vantagem ilícita processar e julgar crime de estelionato cometido
mediante falsificação de cheque. ( )

17) (DPE/SC FCC 2016) A Lei Antiterrorismo (Lei 13.260/2016) prevê a punição de atos preparatórios de
terrorismo quando realizado com o propósito inequívoco de consumar o delito. ( )

18) A tipificação da conduta descrita no art. 5º da Lei Antiterrorismo (atos preparatórios de terrorismo) exige a
motivação por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, expostas no art. 2º
do mesmo diploma legal. ( )

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19) Não é cabível a realização de audiência de custódia por meio de videoconferência. ( )

20) Ofende o enunciado do non reformatio in pejus direta o aumento da pena através de decisão em recurso
especial interposto pelo MP contra rejulgamento de apelação que não alterou reprimenda do acórdão anterior,
que havia transitado em julgado para a acusação e que veio a ser anulado por iniciativa exclusiva da defesa. ( )

INFORMATIVO 664 DO STJ


Julgue os itens a seguir:
1) Existindo representação em Brasília ou viabilizada a intimação eletrônica das Defensorias Públicas dos Estados
em virtude de adesão ao Portal de Intimações Eletrônicas, impõe-se o indeferimento de requerimento da
Defensoria Pública da União no sentido de assumir a defesa de pessoas já assistidas pelas Defensorias Públicas
estaduais.
2) A utilização abusiva do direito à proteção do bem de família viola o princípio da boa-fé objetiva e, portanto, não
deve ser tolerada. Assim, deve ser afastado o benefício conferido ao titular do bem de família que exerce o direito
em desconformidade com o ordenamento jurídico. ( )
3) (DPE/SP 2018) Ana e Joaquim, casados pelo regime da comunhão parcial de bens, decidem constituir empresa
limitada para comércio de bebidas. Para obter o capital inicial necessário à abertura do negócio, recorrem à
instituição financeira e dão seu único apartamento como garantia do empréstimo. O negócio não prospera e,
diante da falta de pagamento, o banco executa a garantia. Nesse caso, considerando-se a jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça, consolidada no EAResp 848.498, o apartamento será expropriado presumindo-se A)
que o dinheiro reverteu em favor da família. B) que cônjuges não podem ser sócios. C) tratar de dívida de pessoa
jurídica. D) tratar de bem de família previsto no Código Civil. E) constituir bem de família de acordo com a Lei no
8.009/90. ( )
4) Não é necessária a outorga conjugal para fiança em favor de sociedade cooperativa. ( )
5) A ação de despejo exige a formação de litisconsórcio ativo necessário. ( )
6) A União, na condição de acionista controladora da Petrobras, não pode ser submetida à cláusula
compromissória arbitral prevista no Estatuto Social da Companhia, seja em razão da ausência de lei autorizativa,
seja em razão do próprio conteúdo da norma estatutária. ( )
7) (Promotor MP/MG 2018) A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir
conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. Nesse caso, por exigência da própria lei, a arbitragem será
sempre de direito e respeitará o princípio da publicidade. ( )
8) (PGE/AP 2018 FCC) Em relação ao Estatuto Jurídico das Empresas Públicas, das Sociedades de Economia Mista e
suas subsidiárias, a sociedade de economia mista poderá solucionar, mediante arbitragem, as divergências entre
acionistas e a sociedade, ou entre acionistas controladores e acionistas minoritários, nos termos previstos em seu
estatuto social. ( )

9) (MP/MG 2019) De acordo com o princípio da competência-competência, é o árbitro que tem competência, em
primeiro lugar, para decidir sobre a sua própria competência. ( )
10) É válida a cláusula de convenção do condomínio outorgada pela própria construtora que prevê a redução da
taxa condominial das suas unidades imobiliárias ainda não comercializadas. ( )
11) A concessão de guarda do menor implica destituição do poder-dever familiar dos pais para representálo em
juízo. ( )
12) O fato de o representante legal do menor, autor de execução de alimentos, possuir atividade remunerada não
pode, por si só, servir de empecilho à concessão da gratuidade de justiça. ( )
13) (MP/PI 2019 CEBRASPE) O benefício da gratuidade de justiça não poderá ser concedido a estrangeiro não
residente no Brasil. ( )
14) (PGM João Pessoa 2018 CEBRASPE) O pedido de gratuidade da justiça pode ser feito na inicial ou na
contestação, porém, mesmo que deferido, não afastará das partes a responsabilidade pelos honorários
advocatícios decorrentes da sucumbência. ( )
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15) (DPE/MG 2019 Fundep) A decisão que indefere a justiça gratuita independe de prévia oitiva da parte
interessada, na medida em que o CPC não garante presunção de veracidade da alegação de pobreza firmada por
pessoa natural. ( )
16) Aquele que renuncia a herança não tem legitimidade para pleitear eventual nulidade de negócio jurídico que
envolva um dos bens que integram o patrimônio do de cujus. ( )
17) (Juiz TRF3 2015) São irrevogáveis os atos de aceitação ou de renúncia da herança. ( )
18) (MP/PR 2016) A renúncia da herança deve ser feita por instrumento público ou termo judicial. ( )
19) Em caso de cobrança judicial indevida, é possível aplicar a sanção prevista no art. 940 do Código Civil mesmo
sendo uma relação de consumo. ( )
20) (PGM Manaus 2018 CEBRASPE) De acordo com a jurisprudência do STJ e as disposições do Código Civil, uma
vez ajuizada ação de cobrança de dívida já paga, o direito do requerido à restituição em dobro prescindirá da
demonstração de má-fé do autor da cobrança. ( )
21) (MPE/SC 2019) O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual
ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano
justificável. ( )
22) (MP/TO 2012 CESPE) Segundo o direito consumerista brasileiro, o consumidor cobrado em quantia indevida
tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que lhe tiver sido cobrado em excesso, acrescido
de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável. ( )
23) (Juiz TJPR 2014): Segundo o contido no art. 42, parágrafo único do CDC, o consumidor cobrado por quantia
indevida, tem direito a repetição do indébito do valor em dobro ao que pagou em excesso, porém, se o engano
para tal cobrança for justificável não cabe a repetição em dobro. A prova de que o engano é justificável cabe ao
fornecedor, haja vista que a matéria é de defesa. ( )
24) O cômputo do período de dois anos de exercício da atividade econômica, para fins de recuperação judicial,
nos termos do art. 48 da Lei nº 11.101/2005, aplicável ao produtor rural, inclui aquele anterior ao registro do
empreendedor. ( )
25) (Delegado PC/BA 2018 VUNESP) Poderá requerer a recuperação judicial o devedor que, no momento do
pedido, exerça regularmente suas atividades empresariais pelo período mínimo de seis meses. ( )
26) O requerimento de inclusão do nome do executado em cadastros de inadimplentes, nos termos do que dispõe
o art. 782, § 3º, do CPC/2015, não depende da comprovação de prévia recusa administrativa das entidades
mantenedoras do respectivo cadastro. ( )
27) (Analista TRF2 2017 CONSULPLAN) O CPC/15 permite que o nome do devedor executado seja incluído pelo
juiz, a requerimento do exequente, em cadastro de inadimplentes. ( )
28) Tratando-se de condenação ao pagamento de honorários sucumbenciais, não é possível exigir do cônjuge
meeiro, que não integrou a relação processual da lide originária, a comprovação de que a dívida executada não foi
contraída em benefício do casal ou da família. ( )
29) O administrador que desconta valores da folha de pagamento dos servidores públicos para quitação de
empréstimo consignado e não os repassa a instituição financeira pratica peculato-desvio, sendo necessária,
contudo, a demonstração de obtenção de proveito próprio ou alheio. ( )
30) (Juiz Federal TRF2 2017) O particular que auxilia materialmente a prática de crime de peculato-desvio por seu
amigo, que sabe ser servidor, responderá por apropriação indébita, tendo em vista lhe faltar a qualidade de
funcionário público. ( )

INFORMATIVO 665 DO STJ


Julgue os itens a seguir:
1) (Juiz TJDFT 2016 CESPE) A portaria de instauração de processo administrativo disciplinar dispensa a descrição
minuciosa da imputação contra o servidor público, exigida na fase de indiciamento. ( )
2) Na portaria de instauração do processo administrativo disciplinar é imprescindível a exposição detalhada dos
fatos a serem apurados. ( )
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3) Para a aplicação da exceção à impenhorabilidade do bem de família prevista no art. 3º, IV, da Lei nº 8.009/90 é
preciso que o débito de natureza tributária seja proveniente do próprio imóvel que se pretende penhorar. ( )
4) A cláusula de não renovação do seguro de vida, quando constituiu faculdade conferida a ambas as partes do
contrato, assim como a de reajuste do prêmio com base na faixa etária do segurado, mediante prévia notificação,
não configuram abusividade. ( )
5) O condomínio, por ser uma massa patrimonial, não possui honra objetiva e não pode sofrer dano moral. ( )
6) O interesse jurídico no ajuizamento direto de ação de usucapião depende de prévio pedido na via extrajudicial()
7) Nos contratos de financiamento com cláusula de alienação fiduciária, quando houver a conversão da ação de
busca e apreensão em ação de execução nos moldes do art. 4º do Decreto-Lei nº 911/1969, o débito exequendo
deve representar o valor da integralidade da dívida (soma das parcelas vencidas e vincendas do contrato). ( )
8) O arrendatário é responsável pelo pagamento das despesas de remoção e estadia de veículo em pátio de
propriedade privada quando a apreensão do bem ocorreu por ordem judicial no bojo de ação de reintegração de
posse ajuizada pelo arrendante. ( )
9) (Juiz TJRS 2016 FAUGRS) Sobre as sanções administrativas na tutela consumerista, a imposição de
contrapropaganda será cominada quando o fornecedor incorrer na prática de publicidade enganosa ou abusiva,
nos termos do artigo 36 e seus parágrafos, sempre às expensas do infrator. ( )
10) (Promotor MP/RN 2001) A contrapropaganda não se destina à publicidade abusiva; somente à enganosa. ( )
11) (Juiz TJ/GO FCC 2015) A imposição de contrapropaganda será cominada quando o fornecedor incorrer na
prática de publicidade enganosa ou abusiva, sempre às expensas do infrator e será divulgada pelo responsável da
mesma forma, frequência e dimensão e, preferencialmente no mesmo veículo, local, espaço e horário, de forma
capaz de desfazer o malefício da publicidade enganosa ou abusiva. ( )
12) (Juiz TJ/AL 2019 FCC) A imposição de contrapropaganda será cominada quando o fornecedor incorrer na
prática de publicidade enganosa ou abusiva sempre às expensas do infrator; a contrapropaganda será divulgada
pelo responsável da mesma forma, frequência e dimensão e, preferencialmente no mesmo veículo, local, espaço
e horário, de forma capaz de desfazer o malefício da publicidade enganosa ou abusiva. ( )
13) (Juiz TJ/SP 2015) A sanção de contrapropaganda pode ser imposta tanto administrativamente, quanto
judicialmente. ( )
14) É possível o redirecionamento da condenação de veicular contrapropaganda imposta a posto de gasolina
matriz à sua filial. ( )
15) (Promotor MP/GO 2019) A abertura de cadastro, ficha, registro e dados pessoais e de consumo deverá ser
comunicada por escrito ao consumidor, quando não solicitado por ele. Logo, cabe ao órgão mantenedor do
Cadastro de Proteção ao Crédito a notificação do devedor após proceder à inscrição. ( )
16) (Promotor MP/GO 2019) É indispensável o Aviso de Recebimento (AR) na carta de comunicação ao
consumidor sobre a negativação de seu nome em bancos de dados e cadastros. ( )
17) (Promotor MP/GO 2019) Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, cabe indenização por
dano moral, ainda quando preexistente legítima inscrição. ( )
18) Admite-se a flexibilização da orientação contida na súmula 385/STJ para reconhecer o dano moral decorrente
da inscrição indevida do nome do consumidor em cadastro restritivo, ainda que não tenha havido o trânsito em
julgado das outras demandas em que se apontava a irregularidade das anotações preexistentes, desde que haja
nos autos elementos aptos a demonstrar a verossimilhança das alegações. ( )
19) Não é admissível a estipulação dos encargos financeiros de contrato de abertura de crédito em percentual
sobre a taxa média aplicável aos Certificados de Depósitos Interbancários (CDIs). ( )
20) (Juiz TJ/RJ 2019) Estão sujeitos à recuperação judicial os créditos existentes na data do pedido, desde que
vencidos. ( )
21) (Juiz TJ/MG 2018) Quanto à Falência e Recuperação, segundo a Lei nº 11.101/2005, serão suspensas todas as
ações e execuções em face do devedor, inclusive aquelas em que se demandar quantia ilíquida. ( )
22) O crédito titularizado pela sociedade de seguros, decorrente do não repasse dos prêmios em contrato de
representação de seguro, submete-se à recuperação judicial da empresa representante. ( )
23) Os créditos derivados da prestação de serviços contábeis e afins podem ser classificados como créditos
trabalhistas no processo de recuperação judicial. ( )
24) Descumprida a determinação de emenda a inicial com relação à apresentação do original de uma das cártulas
que embasou a monitória, não é juridicamente possível se falar em extinção total da demanda. ( )
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25) (PGE/TO 2018 FCC) Se o juiz verificar que a petição inicial não preenche os requisitos legais ou que apresenta
defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo de
quinze dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou complementado. ( )
26) (Promotor MP/PI 2019 CEBRASPE) A comprovação da tempestividade de recurso especial, no caso de
prorrogação de prazo em razão de feriado local, pode ocorrer posteriormente ao ato de interposição desse
recurso. ( )
27) (DPE/RS 2018 FCC) Sobre os recursos no Código de Processo Civil, o recorrente comprovará a ocorrência de
feriado local, se intimado pelo relator para tanto. ( )
28) A simples referência à existência de feriado local previsto em Regimento Interno e em Código de Organização
Judiciária Estadual é suficiente para a comprovação de tempestividade do recurso especial nos moldes do art.
1.003, §6º, do CPC/2015. ( )
29) Na ação rescisória fundada em literal violação de lei, não cabe o reexame de toda a decisão rescindenda, para
verificar se nela haveria outras violações à lei não alegadas pelo demandante, mesmo que se trate de questão de
ordem pública. ( )
30) (Juiz Federal TR3 2018) Em se tratando de quantia certa, não ocorrendo o pagamento voluntário no prazo
legal, o débito será acrescido de multa e de honorários advocatícios, ambos no percentual de dez por cento (10%)
cada. ( )
31) No cálculo dos honorários advocatícios devidos na fase de cumprimento de sentença, após escoado o prazo
legal para o pagamento voluntário da obrigação, não devem ser incluídas as parcelas vincendas da dívida. ( )
32) (Promotor MP/GO 2019) Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada, o
Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa. ( )
33) (Promotor MP/SC 2019) Em caso de desistência infundada ou abandono da ação coletiva de defesa do
consumidor por associação legitimada, somente o Ministério Público assumirá a titularidade ativa. ( )
34) (Juiz de Direito TJ/AC 2019 Vunesp) Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação
legitimada, o Ministério Público tem atribuição exclusiva para assumir a titularidade ativa. ( )
35) (Promotor MP/PR 2019 – adaptada) Se o autor desistir da ação popular, serão publicados editais nos prazos e
condições legais, sendo assegurado ao representante do Ministério Público, dentro do prazo de 90 (noventa) dias
da última publicação feita, promover o prosseguimento da ação. ( )
36) Em ação civil pública, é possível a substituição da associação autora por outra associação caso a primeira
venha a ser dissolvida. ( )
37) A despeito da presença de qualificadora no crime de furto possa, à primeira vista, impedir o reconhecimento
da atipicidade material da conduta, a análise conjunta das circunstâncias pode demonstrar a ausência de
lesividade do fato imputado, recomendando a aplicação do princípio da insignificância. ( )
38) A qualificadora do meio cruel é incompatível com o dolo eventual. ( )
39) O dolo eventual não se compatibiliza com a qualificadora do art. 121, § 2º, IV (traição, emboscada,
dissimulação). ( )
40) O benefício fiscal que trata do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas
Exportadoras (REINTEGRA) alcança as operações de venda de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca
de Manaus, para consumo, industrialização ou reexportação para o estrangeiro. ( )

INFORMATIVO 666 DO STJ


Julgue os itens a seguir:
1) A omissão injustificada da Administração em providenciar a disponibilização de banho quente nos
estabelecimentos prisionais fere a dignidade de presos sob sua custódia. ( )
2) Após a promulgação da Constituição Federal de 1988, não remanesce ao servidor exonerado o direito de
reingresso no cargo, tendo em vista que o atual ordenamento constitucional impõe a prévia aprovação em
concurso público como condição para o provimento em cargo efetivo da Administração Pública. ( )

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3) A readmissão na carreira da Magistratura não encontra amparo na Lei Orgânica da Magistratura Nacional nem
na Constituição Federal de 1988. ( )
4) A exclusão do candidato, que concorre à vaga reservada em concurso público, pelo critério da
heteroidentificação, seja pela constatação de fraude, seja pela aferição do fenótipo ou por qualquer outro
fundamento, não exige o franqueamento do contraditório e da ampla defesa. ( )
5) Em situações excepcionais, é possível, para efeito de estabilidade, a contagem do tempo de serviço prestado
por força de decisão liminar. ( )
6) (Promotor MP/GO 2019 – adaptada) De acordo com a jurisprudência do STF, viola a Constituição Federal a
manutenção no cargo, sob o fundamento de fato consumado, de candidato não aprovado que nele tomou posse
em virtude de medida liminar ou outro provimento judicial de natureza precária, supervenientemente revogado
ou modificado. ( )
7) A pena de cassação de aposentadoria é compatível com a Constituição Federal, a despeito do caráter
contributivo conferido àquela, especialmente porque nada impede que, na seara própria, haja o acertamento de
contas entre a administração e o servidor aposentado punido. ( )
8) (Delegado PC/DF 2015) Conforme entendimento do STF, diante do caráter contributivo do regime próprio de
previdência dos servidores públicos, é inconstitucional a penalidade de cassação de aposentadoria. ( )
9) (Analista Judiciário - Administrativa STJ 2018 CEBRASPE) Será cassada a aposentadoria voluntária do servidor
inativo que for condenado pela prática de ato de improbidade administrativa à época em que ainda estava na
atividade. ( )
10) O imóvel gerador dos débitos condominiais pode ser objeto de penhora em cumprimento de sentença, ainda
que somente o ex-companheiro tenha figurado no polo passivo da ação de conhecimento. ( )
11) A decretação da prescrição da pretensão punitiva do Estado na ação penal fulmina o interesse processual no
exercício da pretensão indenizatória a ser deduzida no juízo cível pelo mesmo fato. ( )
12) (Juiz TJ/CE 2018 CEBRASPE) A sentença absolutória do juízo criminal que declare a inexistência do fato ou que
o réu não tenha concorrido para o crime faz coisa julgada no juízo cível, obstando a reparação civil ex delicto. ( )
13) A demora para a autorização da cirurgia indicada como urgente pela equipe médica do hospital próprio ou
credenciado, sem justificativa plausível, caracteriza defeito na prestação do serviço da operadora do plano de
saúde, resultando na sua responsabilização. ( )
14) A operadora de plano de saúde tem responsabilidade solidária por defeito na prestação de serviço médico,
quando o presta por meio de hospital próprio e médicos contratados, ou por meio de médicos e hospitais
credenciados. ( )
15) (DPE/RN 2015 CESPE) Uma operadora de plano de saúde não responde perante o consumidor por falha na
prestação dos serviços médicos e hospitalares por ela credenciados. ( )
16) É abusiva a negativa de custeio, pela operadora do plano de saúde, do tratamento de fertilização in vitro. ( )
17) Não é abusiva a negativa de custeio, pela operadora do plano de saúde, do tratamento de fertilização in vitro,
mesmo que haja previsão contratual expressa. ( )
18) A empresa que comercializa responde solidariamente com o fabricante de produtos contrafeitos pelos danos
causados pelo uso indevido da marca. ( )
19) (Juiz TJ/SC 2015) Em matéria de direito do autor, contrafação significa A) o ato de registro que garante ao
autor exclusividade sobre a sua obra. B) a elaboração de biografia sem autorização do biografado. C) a reprodução
não autorizada. D) a reprodução de obra de domínio público. E) a decadência do direito do autor sobre a sua obra.
20) A renúncia ao registro enseja a perda do objeto da ação que veicula pretensão de declaração de nulidade da
marca. ( )
21) As revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes deverão ser
comercializadas em embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo. ( )
22) As editoras cuidarão para que as capas das revistas e publicações que contenham mensagens pornográficas ou
obscenas sejam protegidas com embalagem opaca. ( )
23) O dever de zelar pela correta comercialização de revistas pornográficas, em embalagens opacas, lacradas e
com advertência de conteúdo, não se limita aos editores e comerciantes, mas se estende a todos os integrantes
da cadeia de consumo, inclusive aos transportadores e distribuidores. ( )

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24) A tempestividade recursal não pode ser aferida por meio de informação constante em andamento processual
disponibilizado no sítio eletrônico, mesmo que a informação disponibilizada pelo Tribunal de origem tenha sido
equivocada. ( )
25) Não cabe agravo de instrumento contra o pronunciamento judicial que, na fase de cumprimento de sentença,
determinou a intimação do executado, na pessoa do advogado, para cumprir obrigação de fazer, sob pena de
multa. ( )
26) A multa do art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 tem como destinatário a parte contrária e não o Fundo de
Aparelhamento do Poder Judiciário. ( )
27) Excepcionalmente, cabe recurso especial contra decisões proferidas no âmbito do pedido de suspensão se
estiverem em jogo aspectos elementares da dignidade da pessoa humana. ( )
28) Configura o crime de peculato-furto o fomento econômico de candidatura à reeleição por Governador de
Estado com o patrimônio de empresas estatais. ( )
29) No peculato-desvio, exige-se que o servidor público se aproprie de dinheiro do qual tenha posse direta ou
indireta, ainda que mediante mera disponibilidade jurídica. ( )
30) Em regra, não há automática consunção quando ocorrem armazenamento e compartilhamento de material
pornográfico infanto-juvenil. ( )
31) O grande interesse por material que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou
adolescente é ínsito ao crime descrito no art. 241-A da Lei n. 8.069/1990, não sendo justificável a exasperação da
pena-base a título de conduta social ou personalidade. ( )
32) A existência de denúncia anônima da prática de tráfico de drogas somada à fuga do acusado ao avistar a
polícia configuram fundadas razões a autorizar o ingresso policial no domicílio do acusado sem o seu
consentimento ou sem determinação judicial. ( )
33) Os insumos que geram direito ao creditamento são aqueles que, extrapolando a condição de mera facilidade,
se incorporam ao produto final, de forma a modificar a maneira como esse se apresenta e configurar parte
essencial do processo produtivo. ( )
34) Sacolas plásticas fornecidas aos clientes para o transporte ou acondicionamento de produtos, bem como
bandejas, são insumos essenciais à atividade dos supermercados, de modo que geram creditamento de ICMS. ( )

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