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ANET _ Associação Nacional dos Engenheiros Técnicos

Secção Regional do Sul

Relatório de Estágio Formal

Lisboa, 19 Novembro de 2008

Realizado por:
Eng. Carla Filipa Simões Rama
ANET _ Associação Nacional dos Engenheiros Técnicos
Secção Regional do Sul

Relatório de Estágio Formal

Lisboa, 19 Novembro de 2008

Realizado poo:
Eng. Carla Filipa Simões Rama
Índice
Agradecimentos 7

Sumário 9

1. Sistemas AVAC 11
1.1_Componentes básicos de funcionamento 11
1.2_ Filtração 12
1.3_ Ventilação 13
1.3.1_ Ventilação natural 13
1.3.2_ Ventilação forçada ou mecânica 13
1.4_ Sistemas de climatização 14
1.5_ Manutenção de sistemas AVAC 15
2. O Ar 17
2.1_ Modos de transmição de doenças pelo ambiente 17
2.2_ Qualidade do ar 18
2.2.1_ A qualidade do ar interior 18

3. A Água 21
3.1_ Modos de transmição de doenças através da água 21
3.2_ Infecções através da água 21

4. Gestão Ambiental de Edifícios 23


4.1_ Análises ambientais 23
4.2_ Instalação de sistemas e equipamentos 24
4.3_ Manutenção 26
4.3.1_ Periodicidade de manutenção 27
4.4_ Limpeza de sistemas AVAC 30
4.5_ Higiene e limpeza das instalações 31

5. Princípios Gerais de Controlo Ambiental 33


5.1_ Amostras do ar ambiente 33
5.2_ Amostras de superfície 36
5.3_ Amostras de água 36
5.4_ Medições de gases 37
5.4.1_ Concentração de gases 37

6. Lei 37/2007 de 14 de Agosto 39

7. Sistema Nacional de Certificação Energética


e da Qualidade do Ar Interior nos Edifícios (SCE) - DL 78/2006 41
7.1_ Objectivos 42
7.2_ Auditorias períodicas aos edifícios existentes 42
7.3_ Os certificados 43
7.4_ Parâmetros de qualidade do ar interior 43

8. Energias Renováveis 45
8.1_ Energia solar 45
8.1.1_ Energia solar térmica 45
8.1.2_ Energia solar fotovoltaica 45
8.2_ Energia eólica 45
8.3_ Energia hídrica 46
8.4_ Energia geotérmica 46

9. Cursos, Seminários e Workshops 49

10. Conclusão 51

11. Discussão 53
Agradecimentos

À Eng.ª Alexandra Monteiro, minha professora de faculdade, por me ter ajudado a


encontrar o Patrono.
Ao Eng.º Augusto Miguel Rosa Lopes por se ter disponibilizado para ser o meu Pa-
trono. Por orientar o estágio e este relatório, pelo apoio prestado no esclarecimento de
dúvidas e linhas directivas do estágio a desenvolver, bem como pelo acompanhamento
e correcção do relatório.
Ao Eng.º Rui J. Maia por me ter acolhido na sua entidade, pelo tempo que dispo-
nibilizou para me orientar no início e durante o estágio e, pela informação e conheci-
mentos essenciais por ele facultados.
A todos os que me apoiaram no decorrer do estágio e na execução do presente re-
latório, nomeadamente à minha mãe e irmã e, em especial, ao meu namorado a quem
dedico este relatório.

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Sumário

O presente relatório foi realizado para ser membro da ANET – Associação da Or-
dem dos Engenheiros Técnicos, sendo o seu principal objectivo a aquisição de conhe-
cimentos na área dos Sistemas AVAC (Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado)
e estabelecer critérios da Lei 37/2007 de 14 de Agosto e dos Decretos-Lei 78/2006,
79/2006 e 80/2006 de 4 de Abril.
As actividades desenvolvidas consistiram em projectar soluções para a conformi-
dade dos estabelecimentos que pretenderam estabelecer os critérios definidos na Lei
37/2007 de 14 de Agosto e adquirir conhecimentos sobre a Qualidade do Ar Interior.
Além dos objectivos referidos no plano de estágio, há um novo objectivo referido
neste relatório, obter informação sobre energias renováveis, principalmente energia
solar térmica.

Este relatório consiste na descrição das actividades desenvolvidas, pelo estagiário,


durante o estágio formal.

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1 | Sistemas AVAC

Os sistemas AVAC englobam os sistemas de Aquecimento, Ventilação e Ar Condi-


cionado ou seja os sistemas que permitem controlar os valores máximos e mínimos da
temperatura e da humidade relativa bem como a qualidade do ar interior.

Estes sistemas são usados essencialmente para:

- Manter a temperatura e humidade a níveis de conforto para os ocupantes;


- Controlar odores;
- Remover o ar contaminado;
- Fazer as mudanças de ar necessárias para proteger o pessoal de microrganismos
patogénicos, transmitidos pelo meio ambiente;

1.1. Componentes básicos e funcionamento

Um sistema AVAC (básico) é composto de:

- Entrada de ar proveniente do exterior;


- Filtros;
- Mecanismos modificados de humidade (controlo de humidade de Verão, humi-
dificação no Inverno);
- Equipamento de aquecimento e refrigeração;
- Turbinas;
- Condutas;
- Sistemas de exaustão;
- Registos;
- Difusores para a distribuição do ar.

Num sistema AVAC centralizado, o ar do exterior entra para o sistema através de


pré-filtros ou filtros de baixa eficiência para remover as partículas de maior dimensão.
Passa ao sistema de distribuição para ser condicionado para a temperatura e humidade
apropriada, e depois passa por filtros de maior eficiência para remover partículas de
menor dimensão e muitos microrganismos, seguindo através de condutas para ser dis-

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tribuído por cada zona do edifício. Após ser distribuído por cada zona, entra no sistema
de exaustão e é devolvido à unidade do sistema AVAC. Parte desse ar contaminado sai
para o exterior; outra parte é misturada com a entrada de ar novo do exterior filtrado
e volta a circular no sistema. O ar de zonas sanitárias e outras áreas sujas é removido
directamente para o exterior através de um sistema de exaustão separado.

O funcionamento inapropriado dos sistemas AVAC, devido a filtros inadequados ou instalados


impropriamente e falta de manutenção de acordo com o sistema instalado, afecta a qualidade de
climatização e circulação de ar.

1.2. Filtração

A filtração, forma física de remover partículas do ar, é o início de conseguir uma


boa qualidade do ar interior. A filtração é a primeira forma de manter o ar limpo.

Manutenção dos filtros


A eficiência do sistema de filtração depende da densidade dos filtros que pode cau-
sar uma baixa de pressão, a menos que compensada por mais fortes e mais eficientes
turbinas para que o fluxo de ar seja mantido. Para um rendimento óptimo, os filtros
requerem inspecção e substituição, de acordo com as recomendações do fabricante e
normas preventivas da prática de manutenção. A acumulação excessiva de poeira e ou-
tras partículas requer mais pressão para passar o ar através do filtro. Os filtros reque-
rem também regular inspecção para outras causas que afectam o rendimento: espaços
dentro e à volta do filtro, pedaços de terra e outros sedimentos de resíduos.

1.3. Aquecimento

O aquecimento é um processo de produção de calor que usa a energia eléctrica.


Existem diferentes tipos de aquecimento eléctrico, e alguns deles são descritos segui-
damente:

Aquecimento por resistência eléctrica – aquecimento produzido pela resistência


de um corpo à passagem de uma corrente eléctrica que o atravessa;

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Aquecimento por indução electromagnética – aquecimento de materiais conduto-
res em que o calor é gerado por correntes eléctricas alternadas electromagneticamente
induzidas;
Aquecimento por radiação de infravermelhos – processo de aquecimento que sub-
mete os objectos à incidência de raios infravermelhos (que produzem calor) emitidos
por uma ou várias lâmpadas.

1.4. Ventilação

A ventilação é um processo de renovação de ar ambiente por forma a retirar os


elementos poluidores.
O controlo de partículas contaminantes do ar ambiente (microrganismos, po-
eiras, químicos, tabaco, etc.) junto ao local de produção dos mesmos é a forma
mais eficiente de manter o ar limpo. A segunda forma mais eficiente de controlar
o ar ambiente é através de ventilação adequada, que é assim considerada quando
mantém o controlo dos níveis de cheiros e dióxido de carbono.
A ventilação pode ser feita essencialmente de duas formas:
- Ventilação natural;
- Ventilação forçada ou mecânica.

1.4.1. Ventilação Natural

Nalguns casos é suficiente a ventilação natural que resulta da abertura de


portas e janelas, gerando-se correntes de ar que asseguram a renovação do ar.
Noutros casos a renovação do ar é tão lenta que pode conduzir a situações de des-
conforto, sendo então necessário proceder a uma ventilação do tipo forçada.

1.4.2. Ventilação Forçada ou Mecânica

A ventilação forçada consiste em utilizar dispositivos próprios (ventilado-


res, exaustores, extractores, etc.) que provocam o movimento do ar entre o in-
terior e o exterior do recinto.

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Nesta forma de ventilação existe dois tipos de ventiladores: ventiladores cen-
trífugos, expulsam o ar em direcção radial ao seu eixo, e ventiladores helicoidais,
expulsam o ar segundo o eixo do ventilador.

A poluição do ar interior é muitas vezes 2 a 5 vezes superior à poluição do ar exterior. Considerando


que nós, europeus, passamos 85% a 90% do nosso tempo em ambientes fechados, consequentemente
ficamos mais vulneráveis a alergias e infecções pulmonares.
A ventilação é muito importante para o nosso bem-estar, facilita a renovação do ar e assegura a
salubridade interior dos edifícios, evitando humidades.

1.5. Sistema de Climatização

Designa-se por sistema de climatização o sistema de equipamentos combinados de


forma coerente com vista a satisfazer a um ou mais dos objectivos da climatização (ven-
tilação, aquecimento, arrefecimento, humidificação, desumidificação e purificação do
ar). O Ar Condicionado é o processo de tratamento do ardestinado a controlar em si-
multâneo os objectivos referidos anteriormente. Existem aplicações muito especiais,
nas quais até mesmo a pressão do ar ambiente pode vir a ser controlada.
Os aparelhos de ar condicionado têm a finalidade de retirar calor de um ambiente
transferindo-o para outro permitindo manter uma determinada temperatura, renovar
o ar e desumidificá-lo.

O ar condicionado contém três gamas, a doméstica, a comercial e a industrial, existindo, para


cada uma diferentes tipos de equipamentos.
Os factores que considero mais importantes são:
-Potência
Calculada através da área a colocar o ar condicionado.
-Ruído
O nível de ruído não pode exceder 45dB, já existem aparelhos que não excedem os 21dB.
-Energia
Existem equipamentos com sistema inverter que consomem muito menos energia, sendo possível
economizar até 40%, contribui para uma casa eficiente a nível energético já que estes equipamentos
são de classe A.
-Filtro
Para se obter o ar mais limpo, deve-se adquirir um aparelho que, além de possuir o filtro normal,
contenha um filtro purificador de ar.
Os filtros purificadores captam poeiras, pequenas partículas e pólen (≥ 0,01 mícrones), e
impedem a propagação de bactérias e vírus. São subdivididos em dois, um filtro electrostático de
limpeza do ar e um filtro desodorizante.

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-Sistema split ou multi-split
Um sistema split é formado por uma unidade exterior (condensadora) e uma interior
(evaporadora) enquanto que a multi-split é formado por uma unidade exterior mas pode ter até
quatro unidades exteriores. Esta última permite ocupar menos espaço no exterior do edifício ou
habitação.
-Manutenção
Um factor muito importante. Não é relevante ter um bom filtro se não existir uma boa
manutenção. Limpar e substituir os filtros preferencialmente, de 2 em 2 semanas e de 3 em 3 meses,
respectivamente.
-Gás
R22 antigo gás que contribuía para a destruição da camada do ozono, uso do novo gás não
poluente, o R410A e R407.

Além da ajuda do técnico especializado o cliente é que decidi o equipamento a utilizar, porque
os tamanhos, formas e marcas dos equipamentos diferem como também o preço.
Após a escolha do equipamento adequado para cada caso, acompanhei a sua montagem e
verifiquei também as ferramentas utilizadas.
Concluo que para se criar um ambiente agradável, confortável e de bem-estar, seja em casa ou
no local de trabalho, é imprescindível que o ar condicionado seja o adequado e principalmente que
exista a devida manutenção.

1.6. Manutenção de sistemas AVAC

Há proliferação de microrganismos em ambientes sempre que poeiras e águas


estejam presentes e sistemas de ar condicionado possam ser ambientes ideais para o
desenvolvimento de micróbios. Os sistemas AVAC exigem uma monitorização e manu-
tenção regular e adequada, de modo a providenciar a qualidade do ar interior eficiente
e minimizar condições favoráveis à proliferação de microrganismos patogénicos.

A limpeza ou substituição de filtros conforme necessário, é importante para pre-


venir a exposição a contaminantes ambientais. Uma entrada de ar novo com insufi-
ciente manutenção, com elevada sujidade e poeiras, junto da entrada, contribui para
a danificação precoce dos filtros e permite a entrada de fungos. É necessário manter
as entradas de ar novo sem fezes de aves, para minimizar a entrada de fungos e outros
microrganismos patogénicos dentro do ar ambiente.

A acumulação de poeiras e humidade dentro do sistema AVAC aumenta o risco de


infecções causadas por bactérias e fungos. Focos de infecções têm estado associados a
sistemas AVAC devido a inadequada, insuficiente, ou mesmo inexistente manutenção.

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Se existir água no interior do sistema AVAC, é importante não haver períodos de
estagnação, tais como quando o sistema é desligado temporariamente. Correntes de
microrganismos podem ser lançadas no ar ambiente quando este sistema for ligado de
novo.

A limpeza das condutas tem benefícios em termos de eficiência do sistema. Envol-


ve o uso de equipamento específico para remover sujidade e um aspirador de elevada
potência para aspirar os resíduos da mesma. A limpeza das condutas inclui também o
uso de biócidas e selantes no interior para minimizar o desenvolvimento de microrga-
nismos e a libertação de partículas que ficam presas nas suas superfícies.

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2 | O Ar

2.1. Modos de Transmissão de Doenças pelo Meio Ambiente

As pessoas, quando expostas a microrganismos patogénicos, podem estar


susceptíveis a contrair um número variado de infecções, quando estes são li-
bertados no ar devido ao distúrbio do meio ambiente em que se encontram, tais
como terras, águas, poeiras, matérias orgânicas em decomposição, etc. Quando
estes microrganismos entram dentro de instalações através de diversas formas,
quer por pessoas, correntes de ar, por entradas de ar novo através do sistema
AVAC, quer pelo transporte de materiais de construção ou equipamento, podem
proliferar dentro do meio ambiente e dispersar-se pelas instalações como um
surto ambiental causando infecções nosocomiais. Aerossóis de secreções orais e
nasais de doentes representam outra fonte importante de microrganismos pato-
génicos que se podem dispersar no ambiente.

A exposição a microrganismos patogénicos em forma de aerossóis constitui


o modo de transmissão por contacto directo. Quando os aerossóis são produ-
zidos durante a tosse ou um espirro, uma quantidade de partículas infecciosas
>5μm em tamanho é libertada, resultando numa exposição de enormes dimen-
sões para pessoas susceptíveis no espaço de cerca de 3 metros. Exemplos de mi-
crorganismos patogénicos espalhados nesta forma são os vírus influença, rinoví-
rus, adenovírus e vírus respiratório sincicial. Como a transmissão destes vírus é
por contacto directo e os aerossóis tendem a cair rapidamente do ar, medidas de
controlo da circulação de ar nas unidades hospitalares, tais como o uso de quar-
tos de pressão negativa, não são geralmente indicadas para evitar a propagação
das doenças causadas por estes microrganismos patogénicos. Outras medidas de
prevenção para controlo de propagação destes microrganismos patogénicos são
recomendadas.

A propagação de doenças infecciosas através de gotículas ou do núcleo de


agentes infecciosos é um modo indirecto de transmissão. Os núcleos nas gotícu-
las são os resíduos que, quando suspensos no ar, secam e produzem partículas de
dimensões entre 1μm e 5μm.

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Estas partículas podem:
- Conter potenciais microrganismos;
- Estar protegidas por uma parede de secreções secas;
- Ficar suspensas indefinidamente no ar;
- Ser transportadas a longas distâncias.

2.2. Qualidade do Ar

A poluição atmosférica... e a qualidade do ar...

A Poluição Atmosférica...
A poluição atmosférica é a alteração da composição química natural da atmosfera,
que resulta das várias actividades humanas – nomeadamente a industrial e a utilização
de transportes automóveis – e também de fenómenos naturais, tais como as erupções
vulcânicas e os incêndios.
Da poluição atmosférica resultam efeitos de macro-escala, tais como: o aqueci-
mento global/alterações climáticas, deterioração da camada de ozono na alta atmosfe-
ra, etc., e também uma degradação mais localizada do ar que respiramos.

...e a Qualidade do Ar...


O nível de alteração da camada inferior da atmosfera (troposfera) é o que se pre-
tende traduzir com o conceito Qualidade do Ar. Essa alteração repercute-se negativa-
mente na saúde pública e no bem-estar das populações, exercendo também uma influ-
ência nefasta na fauna, flora e até no património construído.

2.2.1. A qualidade do ar interior

A qualidade do ar que respiramos diariamente no interior dos edifícios, é cada vez


mais aceite como fundamental à nossa qualidade de vida e à produtividade no trabalho.
A qualidade do ar interior depende dos sistemas AVAC e de muitos outros tipos de
equipamentos de climatização. Para que as condições ambientais sejam de boa qualida-
de, é importante que todos os sistemas de climatização sejam adequados e funcionem em
condições normais.

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A falta de equipamento de climatização adequado, de acordo com o tipo de ins-
talações e actividade, contribui para muitos problemas a nível ambiental, tais como
insuficiente ou inadequada ventilação e renovações de ar, causando uma elevada con-
taminação dentro das instalações, proveniente de fontes do interior e exterior.

Manutenção
Um serviço de manutenção adequado e regular de todo o equipamento e sistema é
essencial. A falta de manutenção contribui para:
- Deterioração precoce de todo o equipamento e sistema, causando elevados custos
na reparação;
- Contaminação de todo o equipamento e sistema de climatização com bactérias,
fungos e partículas não respiráveis;
- Contaminação ambiental de todas as áreas;
- Más condições ambientais de trabalho para todos os trabalhadores dos espaços,
causando muitas vezes perdas de dias de trabalho por doença, de causas muitas vezes
não determinadas.
- Desconforto nos ocupantes.

Análises periódicas à qualidade do ar determinam as condições ambientais exis-


tentes, contribuem para uma manutenção e gestão adequadas de todo o sistema de cli-
matização e reduzem o número de doenças causadas por contaminação ambiental.

A manutenção feita na maioria dos edifícios é insuficiente ou mesmo não existente. Basicamente,
é limpo ou substituindo o filtro a certas unidades do sistema. Quando surgem problemas são feitas
reparações de urgência por vezes a preços elevados, que tantas vezes possíveis de evitar.

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3 | A água

3.1. Modos de transmissão de doenças através da água

Ambientes húmidos e soluções aquosas têm a capacidade de servir como fontes de mi-
crorganismos provenientes da água. Em condições ambientais favoráveis (p. ex., temperatu-
ra, nutrientes), estes microrganismos podem proliferar em grande número ou podem mesmo
permanecer por longo tempo num estado estável resistente ao ambiente mas com capacidade
de causar infecção. Os modos de transmissão de infecção através da água incluem:

- Contacto directo;
- Ingestão de água;
- Transmissão através de contacto indirecto;
- Inalação de aerossóis dispersos em reservatórios de água;
- Aspiração de água contaminada.

Os três primeiros modos de transmissão são geralmente associados com infecções cau-
sadas por bacilos gram negativos e micobactéria não tuberculosa. Aerossóis provenientes de
águas contaminadas com legionella são na maior parte das vezes o modo de introdução destes
microrganismos patogénicos no aparelho respiratório.

3.2. Infecções através de Água

A legionella app., entre os bacilos gram negativos é o mais importante.

Legionella
Legionelose é um termo colectivo para descrever uma infecção causada por legionella
spp., uma doença sistémica com o desenvolvimento de pneumonia. Embora a legionelose,
conhecida como a doença dos legionários, seja uma infecção respiratória, as medidas de con-
trolo para prevenção de infecções nosocomiais concentram-se na qualidade da água nos sis-
temas e reservatórios.
Legionella spp. é geralmente encontrada em ambientes naturais e criados pelo homem.
Torres de arrefecimento, condensadores de evaporação e sistemas de distribuição de água
quente potável podem criar ambientes para a multiplicação de Legionella.

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Os factores que facultam a colonização e multiplicação de Legionella incluem:
- Temperatura 25ºC-42ºC;
- Estagnação;
- Sedimentação.

A presença de algas ou ameba aquática pode suportar o crescimento intracelular


de legionella. A legionella multiplica-se dentro de células de protozoários e dentro dos
macrófagos.

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4 | Gestão Ambiental de Edifícios

A qualidade do ar interior está ligada a diversas áreas, as quais, para produzir os


efeitos ideais, devem ser coordenadas por uma divisão de gestão ambiental. De um
modo geral, a gestão ambiental é feita directamente pelos proprietários dos edifícios
ou empresas contratadas para a gestão dos mesmos. Compete ao departamento de ges-
tão ambiental coordenar as equipas envolvidas:

Fig. 1 | Divisões das Análises Ambientais

4.1. Análises Ambientais

O laboratório de análises ambientais é um dos elementos essenciais para avaliar a


qualidade do ar interior.

O Trabalho do laboratório consiste em:


- Auditoria dos equipamentos e sistemas de climatização;
- Análises físicas e químicas de acordo com a actividade de cada espaço;
- Análises microbiológicas do ambiente;
- Análises a Legionella nos equipamentos de refrigeração dos sistemas AVAC;

23
- Análises a Legionella em depósitos e circuitos de canalização de águas potá-
veis e sanitárias;
- Avaliação e recomendações baseadas nas condições detectadas com base na
auditoria e resultados globais das análises efectuadas.

Com base nos resultados obtidos, é possível avaliar:


- As condições de funcionamento dos equipamentos e sistemas de climatiza-
ção;
- O tipo de manutenção existente;
- As condições no respeitante a higiene e limpeza das instalações.

Análises ambientais devem ser realizadas:


- Após a instalação de novos equipamentos ou modificação dos sistemas para
determinar se as especificações dos fabricantes e as condições ambientais são ade-
quadas;
- Após a conclusão de construção dentro das instalações ou áreas adjacentes ao
exterior das mesmas;
- Com periodicidade, de acordo com o tipo de actividade das instalações;
- Sempre que surjam problemas possivelmente relacionados com o ar ambien-
te.

4.2. Instalação de Sistemas e Equipamentos

A instalação de sistemas e equipamentos é feita segundo projectos previamen-


te estudados, de acordo com a área interior do edifício e outros factores. De um
modo geral, há sempre a preocupação, por parte dos arquitectos, com a estética do
interior do edifício e o interior das instalações, não tendo em conta muitas vezes
factores como:

- A localização do edifício;
- As áreas da instalação dos equipamentos;
- O tipo de equipamento adequado;
- O tipo de actividade;
- O número de ocupantes por m2.

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A localização do edifício é fundamental para determinar quais as posições a
escolher no sentido de colocar as entradas de ar novo e libertar o ar proveniente
das extracções do edifício. De modo geral, deve, sempre que possível, colocar-se a
entrada de ar novo:

- Num local protegido da direcção normal dos ventos na zona;


- Afastado da direcção de auto-estradas;
- Afastado da direcção de zonas de descargas de resíduos sólidos;
- Afastado das saídas de extracção.

As áreas de instalação dos equipamentos são extremamente importantes e, de um


modo geral, também ignoradas. Os projectos têm sempre a tendência de reservar o mí-
nimo espaço possível para acomodação dos equipamentos, isto no sentido de deixarem
o máximo espaço possível de ocupação. Esta situação causa problemas de grande di-
mensão:

- Equipamentos colocados em áreas de difícil acesso para manutenção adequada,


muitas vezes de impossível desmontagem para reparação ou substituição de equipa-
mentos sem ser necessária a demolição de partes da estrutura do edifício;
- Equipamentos colocados em pisos técnicos com condições inadequadas de pro-
tecção dos mesmos. Muitas unidades centrais de climatização, de valores de centenas
de milhares de euros, são instaladas apenas debaixo de uma cobertura básica de te-
lhas, ou, pior ainda, com folhas de zinco, sofrendo temperaturas muitas vezes acima
de 50ºC, podendo afectar o funcionamento das mesmas ao ponto de provocar avarias
dispendiosas e obrigando à paragem de actividades nos edifícios devido à falta de con-
dições adequadas de climatização. Estas situações acontecem normalmente nos piores
dias de condições atmosféricas. Em casos pontuais, podem contribuir para incêndios,
causando danos materiais avultados a nível de equipamentos de climatização, estrutu-
ras dos edifícios e mesmo colocando em risco vidas humanas;
- Unidades de climatização instaladas em espaços inadequados, como tectos falsos,
causando níveis de ruído constante e até vibração em áreas de trabalho. Em muitos dos
espaços afectados, o desconforto e dificuldade de trabalhar obriga os ocupantes a man-
ter os sistemas de climatização desligados;
- No respeitante ao tipo de equipamento, é fundamental considerar onde o mesmo
ficará instalado. O equipamento a ser instalado no exterior de edifícios deverá possuir

25
tratamento adequado de acordo com as condições climatéricas do local. Os edifí-
cios colocados perto de zonas marítimas deverão possuir tratamento anticorrosivo
adequado às diversidades de ambientes marítimos, para evitar corrosão precoce.
O tipo de actividades do edifício e o número de pessoas por espaço, muitas vezes
ignorados, devem também ser tomados em consideração, para além da área total do
espaço para ocupação.

Após a instalação de novos equipamentos, é um protocolo normal durante o


período de garantia do equipamento ser a empresa instaladora a fazer toda a ma-
nutenção de acordo com as especificações dos fabricantes.

O departamento de gestão ambiental do edifício deverá contratar um laborató-


rio independente para avaliar as condições ambientais existentes e determinar se
todo o equipamento está a funcionar de acordo com o pretendido. As análises am-
bientais feitas no início da instalação dos equipamentos servem não só para avaliar
as condições de funcionamento inicial, como também como ponto de referência
para os resultados de análiese futuras.

4.3. Manutenção

Um bom programa de manutenção de todo o equipamento mecânico e sistemas


de climatização num edifício:
- Garante um funcionamento normal dentro das especificações dos fabricantes;
- Reduz a deterioração precoce de todo o equipamento e sistema;
- Tem menos problemas de funcionamento;
- Custa menos em reparações e consumo de energia;
- Oferece melhor qualidade do ar interior;
- Caso venham a existir problemas legais motivados pela qualidade do ar in-
terior, os registos de manutenção são a prova fiel de todos os esforços realizados
pelas entidades responsáveis do edifício para manterem condições ambientais
saudáveis para todos os ocupantes.

A falta de um programa efectivo de manutenção:


- É a maior causa dos problemas relacionados com a qualidade do ar interior;

26
- Acarreta custos de reparações urgentes mais elevados;
- Impede o diagnóstico imediato para resolver assuntos relacionados com a qua-
lidade do ar interior, por falta de conhecimentos suficientes sobre as condições do
equipamento e do sistema, e pela falta de registos de manutenção, que indiquem o que
possivelmente possa ter errado.

4.3.1. Periodicidade de Manutenção

A periodicidade de manutenção é importante para evitar problemas com a qua-


lidade doa ar interior, descobrir e fixar pequenas avarias no equipamento e sistema
antes que surjam maiores complicações e a custos mais elevados, obrigando por ve-
zes à paragem de todo ou parte do sistema antes que surjam maiores complicações e
a custos mais elevados, obrigando por vezes à paragem de todo ou parte do sistema.
Entre outros factores, a periodicidade de manutenção deve estar relacionada:
- Com o tipo de actividade do edifício;
- Com o tipo de sistema e equipamento de climatização;
- Com a localização do edifício.

O serviço de manutenção deve consistir de:


- Área administrativa (Departamento de Gestão ambiental do Edifício);
- Área técnica.

Área Administrativa
Compete aos serviços administrativos estabelecer um sistema e calendário de
manutenção de acordo com o tipo de sistema e equipamento instalado no edifício.
É importante que exista um sistema centralizado dentro das instalações onde se
encontrem:
- Plantas ou gráficos de todo o sistema AVAC e equipamentos de climatização exis-
tente;
- Modo como todo o sistema funciona:
- Se existe recirculação de ar;
- Se a recirculação é feita através de condutas, do pleno do tecto ou chão falso,
ou dentro de uma área fechada;
- Qual o local por onde é feita a entrada de ar novo no edifício;

27
- Qual o local por onde sai a extracção;
- Como é estabelecido de água o sistema AVAC.
- Directamente pela rede;
- Se existem depósitos de água.

A existência destes elementos facilita a todo o pessoal de manutenção o ime-


diato acesso a todo o equipamento e evita a falta de manutenção de muitas uni-
dades por falta de conhecimento da existência das mesmas. Além disso, ajuda
a determinar as possíveis fontes de contaminação que possam surgir dentro do
edifício.

- Registos de toda a manutenção efectuada, onde deve constar:


- A data em que o serviço foi efectuado;
- O tipo de equipamento e localização do mesmo;
- O tipo de serviço efectuado em cada equipamento;
- Anotações de qualquer irregularidade com o equipamento;
- O tipo de acção tomada no sentido de serem corrigidas irregularida-
des;
- A data, o nome e a assinatura do técnico que executou o serviço;
- O nome e a assinatura do técnico responsável.

- Informações para providenciar formação sobre o sistema AVAC e sobre ou-


tros equipamentos de climatização nas instalações a todo o pessoal de manuten-
ção. Este factor garante uma melhor eficiência e qualidade de serviços, a custos
reduzidos.

Área Técnica
A manutenção periódica do sistema AVAC e de todo o equipamento de clima-
tização (UTAs, UTANs, chillers, cooling towers) deve consistir em:
- Manter todas as ligações seguras e sem obstrução;
- Verificar ruídos ou resíduos de peças;
- Manter as correias com a tensão adequada;
- Manter as turbinas limpas e sem obstrução;
- Lubrificar de acordo com as instruções do fabricante;

28
- Verificar a presença de água ou presença de contaminação biológica (bacté-
rias, fungos e algas) dentro das unidades;
- Analisar fugas ou corrosão nas unidades;
- Limpar e substituir filtros de acordo com as indicações do fabricante;
- Analisar humidade ou cheiros na área dos filtros;
- Verificar tabuleiros de condensados e esgotos; observar a presença de cor-
rosão ou contaminação biológica;
- Verificar se todo o escoamento de água do sistema está directamente ligado
a esgotos e não deixar vazar sobre os pisos;
- Verificar bombas electromecânicas e bobines para excesso de condensação,
fugas e corrosão. Fazer manutenção preventiva bianual;
- Manter os chillers limpos, sem obstrução:
- Verificar a carga do refrigerante;
- Verificar fugas de ar, refrigerante ou óleo;
- Fazer manutenção preventiva bianual.

- Verificar o interior das torres de arrefecimento para corrosão, resíduos


biológicos ou calcário excessivo. Fazer manutenção preventiva bianual;
- Manter o piso técnico ou sala onde as unidades estejam instaladas limpo,
sem água espalhada pelo piso, e sem ser usado para arrumações ou armazena-
mento.

Outros equipamentos de climatização (Cassetes, Splits, VRV, Humidificado-


res,…) consistem em:

- Limpar regularmente filtros, tabuleiros de condensados e turbinas;


- Verificar sistema de esgotos;
- Verificar cheiros e acumulação de contaminação biológica junto da área do
equipamento de climatização;
- Verificar humidificadores para resíduos biológicos.

Tal como no respeitante à instalação de equipamentos, o departamento de


gestão ambiental do edifício deverá controlar um laboratório independente da
empresa de manutenção para avaliar as condições ambientais existentes e deter-
minar se todas as limpezas efectuadas são correctas.

29
4.4. Limpeza dos Sistemas AVAC

fig.2 - Visualização de uma conduta antes e depois da limpeza.


Link: http://www.mediar.pt/images/fotos_ar_condicionado/pic_01.jpg” \*

A presença de poeiras e a contaminação no interior dos sistemas de condutas de ar novo,


recirculação de ar e sistema de extracção podem ser causadas por:

- Poeiras e sujidade provenientes de obras durante o período de instalação;


- Insuficiente ou inadequado tipo de filtros e falta de manutenção de limpeza e/ou subs-
tituição adequada;
- Infiltrações de água, poeiras e sujidade devido a rupturas nas ligações;
- Infiltração de aves e animais através de entradas de ar sem redes de protecção;
- Acumulação de poeiras e sujidades correspondentes a anos de actividade.

Poeiras e contaminação no interior das condutas afectam a qualidade do ar ambiente, no


respeitante a partículas não respiráveis em suspensão, bactérias e fungos, e mesmo até à pre-
sença de odores.

Existem, por isso, parâmetros de avaliação da espessura de poeiras no interior das condu-
tas. Para além da espessura do conteúdo de poeiras, há outros factores que poderão justificar a
limpeza e desinfecção das mesmas. Por vezes, elevados níveis de humidade devido a infiltra-
ções de águas no sistema poderão causar contaminação microbiológica dentro das condutas,
particularmente a nível de fungos e mesmo bacilos gram negativos. Também o desenvolvi-
mento de odores causados por degradação biológica de aves e outros animais que penetram e
pereceram dentro do sistema é justificação para limpeza e desinfecção das condutas. Há, no
entanto, que ter em consideração nestes casos a extensão das áreas a serem tratadas.

30
A limpeza e desinfecção do interior das condutas exigem a desactivação dos siste-
mas AVAC e paralisação da actividade dos espaços respeitantes às áreas onde os traba-
lhos serão executados.

Para além dos cuidados de prevenção por parte das equipas envolvidas e do equi-
pamento utilizado no sentido de reduzir poeiras no meio ambiente, é inevitável a pro-
pagação de elevado número de partículas e mesmo contaminação ambiental durante a
realização dos trabalhos. É importante que, após a conclusão dos trabalhos, seja dado
tempo suficiente (48 a 72 horas) para pousarem todas as partículas em suspensão. Após
este período, deverá ser efectuada uma limpeza e desinfecção a todas as superfícies das
áreas afectadas.

Este tipo de trabalhos, de custos bastantes elevados, deve ser considerado após
análises ambientais e ao interior das condutas, complementadas por uma inspecção
através de fotos e filmagem. Estas análises e inspecções devem ser efectuadas por la-
boratórios independentes de empresas de limpeza de sistemas AVAC. Infelizmente,
muitas das empresas dedicadas à limpeza de sistemas AVAC amplificam entre cinco a
dez vezes as inspecções de filmagens e fotos justificar trabalhos.

No caso de terem realizado os trabalhos, após a conclusão das referidas limpezas e


desinfecções, o mesmo laboratório independente deverá repetir as análises e inspec-
ções para garantir que o trabalho foi efectuado com eficiência e que foi alcançada uma
percentagem significativa de melhoria nas condições do meio ambiente.

4.5. Higiene e Limpeza das Instalações

Os cuidados e serviços de higiene e limpeza são essenciais para manter a boa


qualidade do ar interior em instalações de qualquer tipo de actividade.
A qualidade do ar interior dos edifícios é afectada por poluentes provenientes
do exterior e outros produzidos no interior das instalações.
A redução de todo o tipo de poluentes do meio ambiente, tanto provenientes
do exterior como produzidos no interior das instalações, é conseguida através da
limpeza de todas as superfícies (paredes, chãos, bancadas) e da remoção no local
directamente para o exterior de gases e cheiros emitidos no interior.

31
A limpeza de carpetes deve ser feita com regularidade para reduzir o número de
ácaros, bem como de outros contaminantes microbiológicos. O tipo de aspirador usado
deverá ter filtro para evitar a propagação de poeira no meio ambiente. O aspirador deve
ser limpo com regularidade e o filtro lavado ou substituído regularmente.

A presença de plantas naturais no interior de instalações hospitalares requer cui-


dados especiais para evitar a propagação de fungos e bactérias no meio ambiente.

Restrições sobre o consumo de tabaco são fundamentais. O consumo de tabaco


no interior das instalações não deve ser permitido e, sempre que possível, poderá ser
criado um espaço fechado com ventilação adequada para fumadores.

No respeitante a produtos de limpeza, deverão ser usados detergentes com o míni-


mo de compostos orgânicos voláteis, pH entre 5 e 9, e não corrosivos. A armazenagem
de produtos deve ser feita num espaço seguro com adequada ventilação.

Nunca se deverá armazenar produtos de limpeza nas áreas dos pisos técnicos onde
é feita a entrada de ar novo ou recirculação de ar.

O armazenamento de resíduos deve ser feito de acordo com o tipo de actividade das
instalações, devendo os mesmos ser separados com base no tipo de resíduos.

A gestão ambiental de muitos edifícios contrata empresas de limpeza para efectu-


arem este tipo de trabalhos. Independentemente de o pessoal ser uma empresa con-
tratada ou pessoal da própria empresa, é importante providenciar formação. Todo o
pessoal de limpeza deve ter conhecimentos sobre os equipamentos de protecção ade-
quados para o tipo de materiais e produto usados. Deverá também haver acompanha-
mento periódico na execução dos trabalhos e informação adequada sobre cada área a
ser limpa.

32
5 | Princípios Gerais de Controlo Ambiental

5.1. Amostras do Ar ambiente

Colheitas de ar podem ser obtidas numa base periódica de actividade e durante


os períodos de construção para determinar a:

- Qualidade do ar interior;
- Eficácia de controlo de poeiras, ou avaliar as condições de eficiência dos sis-
temas de climatização.

A monitorização paramétrica consiste em avaliar a eficiência do sistema AVAC


com base nas especificações do fabricante. Uma avaliação periódica do sistema
(direcção e pressão da circulação do ar, mudanças de ar por hora, teste dos filtros)
pode servir para garantir que todo o sistema de ventilação, particularmente em
áreas críticas, como blocos operatórios e salas de cuidados intensivos, é eficiente.

As colheitas de amostras de ar são também usadas para detectar aerossóis (par-


tículas ou microrganismos). A medição de partículas baseada no número total e di-
mensão da partícula é um método prático para avaliar o sistema AVAC, com parti-
cular atenção na eficiência dos filtros em remover partículas respiráveis (≥ 0,5μm)
do meio ambiente. A medição de partículas dentro de uma determinada área deve
ser avaliada com a medição de partículas em outra área comparada. A comparação
da qualidade do ar interior entre duas áreas pode apresentar informação impor-
tante sobre os problemas da qualidade do ar interior.

A medição de partículas do interior das instalações é geralmente comparada


com os níveis de partículas no exterior. Este método determina a qualidade do ar
no exterior, considerado sujo, com a qualidade do ar interior. Presentemente, a
comparação entre áreas limpas com filtros de alta eficiência e áreas sujas e/ou ex-
terior tem sido sugerida como uma forma de interpretar os resultados das análises
na ausência de normas sobre os níveis da qualidade do ar.

Para além de verificar a eficiência dos filtros, a medição de partículas pode aju-
dar a determinar se os meios de protecção para controlar a dispersão de poeiras

33
do local da construção são efectivos. Este tipo de monitorização ajuda quando é
efectuado várias vezes em diversos locais do perímetro da barreira de protecção
durante o projecto. Fugas ou aberturas nas juntas de protecção são detectadas e
reparadas.
Contadores de partículas e anemómetros são usados na avaliação de partículas:
os anemómetros medem a velocidade da deslocação do ar, o qual pode ser usado
para determinar amostras de volume; a contagem de partículas usualmente não re-
quer serviços microbiológicos para reportar os resultados.

O valor do resultado das análises de amostras de ar, para monitorizar a qualida-


de do ar durante a construção, para verificar a eficiência de filtros, ou para avaliar
um espaço novo antes de este ser ocupado, depende dos cuidados e circunstân-
cias da colheita das amostras. A maioria das colheitas de amostras de ar é feita de
forma a que as condições ambientais não sejam disturbadas. Contudo, quando as
colheitas de ar são efectuadas durante ou depois da actividade humana, tais como
caminhar ou aspirar o local, um número maior de microrganismos e partículas no
meio ambiente é detectado.

A comparação de resultados microbiológicos de amostras de ar entre uma área,


como um espaço de construção, e uma outra área, dentro de um espaço não distur-
bado nas instalações, pode oferecer informação importante acerca da distribuição
e concentração dos organismos patogénicos no meio ambiente. A comparação en-
tre a densidade de espécies microbiológicas no exterior e a de microrganismos no
interior tem sido usada para ajudar a localizar e detectar a propagação de esporos
de fungos. A densidade de esporos de fungos no exterior é variável, embora o grau
de variação esteja relacionado com as estações do ano e a movimentação do solo no
exterior devido a trabalhos de construção.

A contagem de partículas e microrganismos é realizada sempre que sejam ins-


talados novos sistemas AVAC em instalações, sendo particularmente importante
aquando da conclusão de novas salas operatórias e quartos de isolamento.

A contagem de partículas é feita para determinar se o novo sistema AVAC está a


funcionar de acordo com as especificações para filtração e o número apropriado de
mudanças de ar por hora. Análises microbiológicas nesta situação são no entanto

34
controversas devido à falta de padrões para comparação. Caso sejam efectuadas,
devem limitar-se no sentido de determinar a densidade de fungos por unidade de
volume de ar. Um elevado número de fungos indica contaminação dos elementos
do sistema antes ou durante a instalação, ou deficiência do sistema quando o re-
sultado das culturas é comparado com a deficiência dos filtros instalados e as mu-
danças de ar por hora.
Contaminantes microbiológicos ocorrem no ar como aerossóis e podem incluir
bactérias, fungos e vírus. Os aerossóis podem ser caracterizados como partículas
sólidas ou líquidas em suspensão no ar. As amostras de ar são usadas para determi-
nar o número e tipos de microrganismos ou partículas no ar. A recolha de amostras
de ar para controlo da qualidade deste é contudo problemática devido à falta de
parâmetros estandardizados.
Considerando o uso de amostras de ar, deve ter-se em consideração que os
resultados da qualidade do ar interior representam lugares únicos a determinada
hora e podem ser afectados por factores, como:

- Movimentação no interior;
- Entrada de visitantes;
- Temperatura;
- Humidade relativa;
- Altura do dia do ano;
- Relativa concentração de partículas e microrganismos;
- Eficiência dos sistemas de climatização.

Os resultados das amostras devem ser comparados com as amostras de outros


espaços, condições e/ou tempos para determinar o significado.

Existem diversos instrumentos para colheita de amostras de ar para análises


microbiológicas: alguns são unidades que requerem apenas uma fonte de energia e
a placa de meio de cultura adequada. Mas muitos instrumentos requerem equipa-
mento auxiliar, como bombas de aspiração e instrumentos de medidas da velocida-
de do ar e partículas. A selecção do equipamento adequado exige um conhecimento
do tipo de informação e resultados pretendidos.

35
5.2. Amostras de Superfícies

Quando solicitadas amostras a superfícies, devem ser efectuadas de acordo com


um plano aprovado, devendo os locais das amostras ser previamente determinadas.
Este tipo de amostras é feito actualmente como parte de investigação epidemiológica,
ou como parte de um estudo compreensivo para propósito específico de controlo de
qualidade. Como meio de investigação, as análises a superfícies têm sido usadas para
determinar:

- Fontes no meio ambiente de microrganismos patogénicos;


- Sobrevivência de microrganismos em superfícies;
- Fontes de contaminação no meio ambiente.

Alguns destes factores podem ser usados uma investigação de um surto epidémico.
Os resultados dependem do tipo de amostras colhidas e técnicas usadas. Para aná-
lises quantitativas de microrganismos em superfícies, meio de cultura não selectivo e
meio de cultura enriquecido são empregues para a recolha de bactéria aeróbia. A média
SAB e broth devem ser usados para recolha de fungos.

A recolha de amostras de superfícies requer humidade, a qual pode existir já nas


superfícies ou ser aplicada às zaragatoas, esponjas, superfícies dos meios ou filtros de
membranas.

5.3. Amostras de Água

A análise à água é feita para detectar microrganismos patogénicos, ou para deter-


minar a qualidade da água tratada no sistema de distribuição dentro das instalações.
As instalações que determinem a necessidade de analisar a água devem usar la-
boratórios que utilizem métodos estabelecidos e protocolos de controlo de qualidade.
As amostras de água alteram à temperatura ambiente; a alteração do número e tipo de
microrganismos pode acontecer durante o transporte. Consequentemente, as amos-
tras de água devem ser transportadas para o laboratório num ambiente refrigerado,
2ºC-8ºC, e testes devem ser feitos com a maior brevidade, de preferência no espaço de
24 horas.

36
5.4. Medições de Gases

É fundamental fazer análises ambientais aos tipos de gases que possam estar pre-
sentes, tais como gases provenientes de combustão, compostos orgânicos voláteis en-
tre outros, em locais espaços onde a presença de gases possa existir.

5.4.1. Concentração de Gases

- Ozono (O3)
É um importante constituinte da atmosfera superior, onde é produzido por acção
das radiações ultravioleta no oxigénio atmosférico. É um oxidante muito forte e por
isso mesmo bastante reactivo. O ozono é um gás tóxico e irritante, podendo provocar
problemas respiratórios, mesmo em baixas concentrações e em exposições curtas. A
preferência de concentração máxima estabelecida no interior é de <0,05ppm exposi-
ção contínua.
- Oxigénio (O2)
É um gás inodoro e incolor, fundamental para o nosso processo respiratório. De-
verá existir numa concentração mínima dentro dos edifícios por forma a assegurar tal
processo. A quantidade de concentração deste gás é indicativo da boa ou deficiente
ventilação existente no edifício. A referência de concentração estabelecida no interior
é de 19% a 21%.
- Formaldeído (HCHO)
É um gás inflamável, sem cor, mas com um odor muito forte à temperatura am-
biente. É um importante intermediário químico utilizado na produção de diversos ma-
teriais de construção e em numerosos artigos domésticos. É também subproduto da
combustão e de outros processos naturais. A inalação de formaldeído poderá causar
sensação de ardor e irritação nos olhos, nariz e garganta, e dificuldades respiratórias.
Poderá causar fadiga, comichão e reacções alérgicas. A ingestão de formaldeído resulta
na corrosão gastrointestinal, inflamação e ulceração da boca, esófago e estômago. A
referência de concentração máxima estabelecida no interior é de <0,1ppm exposição
contínua.
- Dióxido de Carbono (CO2)
É um gás incolor e inodoro. É libertado em processos de combustão e em proces-
sos metabólicos humanos. É um indicativo da boa ou deficiente ventilação existente
no edifício. Concentrações de dióxido de carbono estão sempre presentes em todos

37
os edifícios ocupados. Não é poluente, mas pode causar dores de cabeça e cansaço. A
referência de concentração máxima estabelecida no interior é de <800ppm exposição
contínua.
- Dióxido de Enxofre (SO3)
Resulta da queima de combustíveis fósseis. Na presença de humidade, forma-se o
ácido sulfúrico, que é altamente corrosivo, degradando os edifícios. É um gás irritante
da mucosa, dos olhos e das vias respiratórias, sobretudo quando associado a partículas.
Provoca crises de asma, enxaquecas e cefaleias. A referência de concentração máxima
estabelecida no interior é de <5ppm exposição de 8 horas.
- Monóxido de Carbono (CO)
É um gás inodoro e incolor. É altamente perigoso, pois liga-se de forma irrever-
sível à hemoglobina, não permitindo que haja o transporte de oxigénio para o san-
gue. Resulta da oxidação incompleta durante a combustão, em aquecedores a gás ou
a querosene e sobretudo em transportes rodoviários. Dispositivos de combustão com
manutenção indevidamente ajustada (ex. caldeiras), com erros de dimensionamento,
bloqueamento ou com rupturas, também podem ser fontes de poluição interior. Dentro
dos edifícios, é importante ter em atenção as entradas de ar junto a garagens, parques
de estacionamento e caldeiras de aquecimento. Em concentrações moderadas, poderá
causar problemas de visão e redução da função cerebral. Em concentrações elevadas, a
exposição a este gás pode ser fatal. A referência de concentração máxima estabelecida
no interior é de <9ppm exposição de 8 horas.
- Compostos Orgânicos Voláteis
Trata-se, na maioria dos casos, de solventes de uso comum – benzeno, tolueno,
xileno, tricloroetileno, tetracloroetileno, entre outros – frequentemente manipulados
por operários sem qualquer protecção ou livremente lançados na atmosfera, atingindo
os residentes das proximidades. Muitos destes compostos exibem propriedades can-
cerígenas ou provocam infertilidade, malformações de nascimento, etc.

38
6 | Lei 37/2007 de 14 de Agosto

O eventual consumo de tabaco em locais públicos tem sido um dos temas mais discutidos
desde o início do corrente ano. A introdução da Lei do Tabaco vem, com certeza, alterar al-
guns dos hábitos quotidianos de milhares de portugueses, restringindo em termos de espaço,
o consumo do mesmo.
Deste modo, a Lei Nº 37/2007 de 14 de Agosto aprovou as normas para a protecção dos
cidadãos da exposição involuntária ao fumo do tabaco. Assim, fumar tornou-se um acto proi-
bido em locais de atendimento directo ao público, estabelecimentos onde sejam prestados
cuidados de saúde, laboratórios, farmácias, estabelecimentos de ensino e centros de forma-
ção profissional destinados a menores de 18 anos, museus, bibliotecas, salas de conferência,
de leitura, cantinas, refeitórios e nos bares, parques de estacionamento cobertos, elevadores,
ascensores, cabines telefónicas fechadas e em recintos fechados das redes de levantamento
automático de dinheiro.
Será ainda proibido fumar nos veículos afectos aos transportes públicos urbanos, subur-
banos e interurbanos de passageiros, bem como nos transportes rodoviários, ferroviários,
aéreos, marítimos e fluviais, nos serviços expressos, turísticos e de aluguer, nos táxis, ambu-
lâncias, veículos de transporte de doentes e teleféricos ou em qualquer outro lugar, onde por
determinação da gerência, ou de outra legislação aplicável, se proíba fumar.
Só será permitido fumar, salvo as excepções legais, em áreas ao ar livre ou em locais de-
vidamente sinalizados, com afixação de dísticos em locais visíveis, separados fisicamente das
restantes instalações e que disponham de dispositivo de ventilação directa para o exterior.
Assim sendo, em todos os outros locais, apenas será permitido fumar em áreas expressa-
mente previstas para o efeito, como por exemplo:

Nos estabelecimentos de restauração ou de bebidas, incluindo os que possuam salas ou


espaços destinados a dança:

- Área para o público inferior a 100 m2, o proprietário pode op-


tar por estabelecer a permissão de fumar que deve, proporcionar a exis-
tência de espaços separados para fumadores e não fumadores.

- Área igual ou superior a 100 m2, podem ser criadas áreas para fumadores, até um má-
ximo de 30% do total respectivo, ou espaço fisicamente separado não superior a 40%
do total respectivo, e não abranjam as áreas destinadas ao pessoal.

39
A definição das áreas para fumadores cabe aos responsáveis pelos estabelecimen-
tos em causa, devendo ser consultados os serviços de segurança, higiene e saúde no
trabalho. Sempre que se verifiquem infracções as entidades que têm a seu cargo os lo-
cais devem determinar aos fumadores que se abstenham de fumar e, caso estes não
cumpram, chamar as autoridades administrativas ou policiais, as quais devem lavrar o
respectivo auto de notícia.

Os requisitos necessários para que os estabelecimentos possam ter zonas para fu-
madores são:

a) Estejam devidamente sinalizadas, com afixação de dísticos em locais visíveis;


b) Sejam separadas fisicamente das restantes instalações, ou disponham de dispo-
sitivo de ventilação, ou qualquer outro, desde que autónomo, que evite que o fumo se
espalhe às áreas contíguas;
c) Seja garantida a ventilação directa para o exterior através de sistema de extracção
de ar que proteja dos efeitos do fumo os trabalhadores e os clientes não fumadores.

Além da lei do tabaco, O decreto-Lei 79/2006 os requisitos da qualidade do ar. As-


sim, em espaços onde seja permitido fumar o caudal mínimo de ar novo é de 60m3/
(h.ocupante).

40
7 | Sistema Nacional de Certificação Energética e da Qualidade do Ar
Interior nos Edifícios (SCE) – DL 78/2006

O Sistema Nacional de Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior nos


Edifícios (SCE) é um dos três pilares sobre os quais assenta a nova legislação relativa à
qualidade térmica dos edifícios em Portugal e que se pretende que venha a proporcio-
nar economias significativas de energia para o país em geral e para os utilizadores dos
edifícios, em particular. Com a transposição da Directiva nº 2002/91/CE em 2006 para
a ordem jurídica nacional através de um pacote legislativo composto por três Decre-
tos-Lei, o Sistema Nacional de Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior
nos Edifícios (SCE, D.L. 78/2006), juntamente com os diplomas que vieram rever a
regulamentar técnica aplicável neste âmbito aos edifícios de habitação (RCCTE, D.L.
80/2006) e aos edifícios de serviços (RSECE, D.L. 79/2006), definiu regras e métodos
para verificação da aplicação efectiva destes regulamentos às novas edificações, bem
como, numa fase posterior, aos imóveis já construídos.
O Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios
(RCCTE), com uma existência muito longa (desde 1990) e totalmente desactualizado
em termos da realidade da nossa construção, veio agora estabelecer requisitos de qua-
lidade para novos edifícios de habitação e pequenos serviços sem sistemas de climati-
zação, nomeadamente ao nível de paredes e pavimentos, tipo de coberturas e superfí-
cies vidradas, limitando perdas térmicas e controlando os ganhos solares excessivos.
Este regulamento impõe limites para as necessidades de energia para climatização e
produção de águas quentes, com obrigatoriedade da instalação de sistemas de energia
solar (pelo menos para as AQS - Águas Quentes Sanitárias) e valorizando a utilização de
outras fontes de energia renovável.
O Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização em Edifícios (RSECE)
é aplicável a edifícios de serviços e de habitação dotados de sistemas de climatização,
define requisitos que englobam, para além da qualidade, a eficiência e manutenção
dos sistemas de climatização, a obrigatoriedade de auditorias e inspecções periódicas
e a garantia da qualidade do ar interior. Neste regulamento, a qualidade do ar interior
surge também com requisitos que abrangem as taxas de renovação do ar interior nos
espaços e a concentração máxima dos principais poluentes.
A aplicação destes regulamentos é verificada em várias etapas ao longo do tempo
de vida de um edifício, sendo essa verificação realizada por Peritos Qualificados. A face
mais visível deste trabalho será o Certificado Energético e da Qualidade do Ar Interior

41
emitido por um Perito para cada edifício, onde o mesmo será classificado em função do
seu desempenho numa escala predefinida de 9 classes (A+ a G). É de realçar que para
um edifício ser certificado a nível da Qualidade do Ar Interior é necessário ser classi-
ficado na classe A.

7.1. Objectivos

- Transpor a Directiva Europeia;


- Definir as condições de conforto térmico e de QAI para os edifícios;
- Criar uma Classificação de Desempenho Energético uniforme para os edifí-
cios;
- Enumerar Medidas de Melhoria de Desempenho Energético;
- Potenciar economias de energia de 20% a 40% nos edifícios e consequentes
reduções de emissões de CO2;
- Monitorizar as práticas de manutenção dos sistemas de climatização;
- Monitorizar e aumentar a Qualidade do Ar interior nos Edifícios.
- A ADENE – Agência para a Energia é a entidade gestora deste processo que
conta com a supervisão da Direcção-Geral de Energia e Geologia e da Agência Portu-
guesa do Ambiente;

7.2. Auditorias periódicas aos edifícios existentes

Todos os edifícios de serviços existentes, abrangidos pelo RSECE, grandes ou pe-


quenos, ficam sujeitos a auditorias QAI, após a atribuição da licença de utilização:

De dois em dois anos: Edifícios ou locais que funcionem como estabelecimentos


de ensino ou qualquer tipo de formação, desportivos e centros de lazer, creches, in-
fantários ou instituições e estabelecimentos para permanência de crianças, centros
de idosos, lares e equiparados, hospitais, clínicas e similares;
De três em três anos: No caso de edifícios ou locais que alberguem actividades
comerciais, de serviços, de turismo, de transporte, de actividade culturais, escritó-
rios e similares;
De seis em seis anos: Nos restantes casos.

42
7.3. Os Certificados

O Certificado Energético e da Qualidade do Ar Interior, emitido por um Perito


Qualificado para cada edifício ou fracção autónoma, é a face visível da aplicação dos
regulamentos (RCCTE e RSECE). Tanto o certificado, como a declaração de conformi-
dade regulamentar emitidos no âmbito do SCE incluem a classificação do imóvel em
termos do seu desempenho energético, determinada sempre com base em pressupos-
tos nominais (condições típicas ou convencionadas de funcionamento). A utilização
de condições convencionadas de funcionamento para efeitos de classificação energéti-
ca resulta directamente das metodologias adoptadas nos dois regulamentos nacionais
(RCCTE e RSECE) para limitação das necessidades/consumos energéticos e permite a
comparação de edifícios em função da qualidade da sua envolvente e das característi-
cas e eficiência dos seus sistemas energéticos. Importa realçar que os valores regista-
dos num certificado ou declaração de conformidade não reflectem necessariamente os
consumos reais medidos de um edifício, pois estes dependem fortemente do compor-
tamento dos utilizadores.
Os certificados têm duração de 10 anos.

7.4. Parâmetros da Qualidade do Ar Interior

43
Estes parâmetros para a qualidade do ar interior são generalizados para todo o tipo
de instalações, independentemente do tipo de actividade existente. A nova legislação
não apresenta parâmetros de acordo com tipos de actividades em áreas específicas de
unidades hospitalares.

44
8 | Energias Renováveis

A necessidade de encontrar novas soluções energéticas, mais eficientes e mais


amigas do ambiente recorrendo a fontes alternativas está presente em todo o mundo e
especialmente na Europa; com o objectivo de reduzir a dependência dos combustíveis
fósseis e minimizar as emissões de dióxido de carbono responsável pelo aquecimento
global do planeta.
As energias renováveis são fontes inesgotáveis de energia obtidas da Natureza que
nos rodeia, como o Sol ou o Vento. Estas energias podem ser:

8.1. Energia Solar

A energia do Sol pode ser convertida em electricidade ou em calor.

8.1.1. Energia Solar Térmica

Com esta energia é possível aquecer água para uso doméstico e/ou para clima-
tização.

8.1.2. Energia Solar Fotovoltaica

Permite-nos produzir directamente energia eléctrica.

8.2. Energia Eólica

A energia produzida pelo vento é um recurso energético natural que pode ser apro-
veitado com um investimento reduzido, é especialmente rentável em locais com muito
vento. Um gerador eólica caseiro é algo possível de fazer sem custos muito elevados.

45
8.3. Energia Hídrica

A energia da água dos rios, das marés e das ondas que podem ser convertidas em
energia eléctrica, como por exemplo as barragens;

8.4. Energia Geotérmica

Uma das soluções para a utilização de fontes renováveis de energia é a utilização de


energia geotérmica. O uso de energia geotérmica mais conhecido é o aproveitamen-
to de calor em zonas onde existe alguma actividade vulcânica, como por exemplo as
centrais eléctricas por geotermia nos Açores; no entanto existe também, um elevado
potencial na utilização da energia contida em qualquer tipo de solo para a produção de
calor e frio, utilizada na climatização dos edifícios, aquecimento das águas das piscinas,
produção de águas quentes sanitárias e produção de calor e frio para processos indus-
triais.

A integração de ” energias renováveis nos edifícios é um desafio para o qual o ob-


jectivo é conceber um edifício eficiente que permita a incorporação de um sistema que
capte a energia e a transforme numa fonte de energia que seja útil para o edifício. Na
realidade a colocação de, por exemplo, painéis solares na cobertura do edifício não é
por si só uma medida eficiente de energia, pois se não tivermos em conta a eficiência
do edifício esta pode nem ser suficiente para comportar a energia, por exemplo, da
iluminação quanto mais do resto dos sistemas. Daí a importância da integração dos
sistemas de energias renováveis em edifícios eficientemente energéticos que até esse
ponto esgotaram todas as possíveis estratégias de design passivo na sua concepção ou
que na sua reabilitação foram tidas em conta medidas de reabilitação energética e de
eficiência energética.
Os incentivos à utilização de energias renováveis e o grande interesse que este as-
sunto levantou nestes últimos anos deve-se principalmente à consciencialização da
possível escassez dos recursos fósseis (como o petróleo) e da necessidade de redução
das emissões de gases nocivos para a atmosfera, os GEE (Gases de efeito de estufa). Este
interesse deve-se em parte aos objectivos da União Europeia, do Protocolo de Quioto e
das preocupações com as alterações climáticas.
A utilização das energias renováveis, como por exemplo os painéis solares térmicos

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e fotovoltaicos, para a produção de calor e de energia eléctrica a partir do aproveita-
mento da energia solar, é uma forma para a qual Portugal dispõe de recursos de grande
abundância, comparando a disponibilidade de horas de Sol por ano com outros países
da União Europeia. No entanto, estes devem ser tidos como complementos à arquitec-
tura dos edifícios que não devem descurar o aproveitamento de estratégias de design
passivo, como o uso da orientação solar, da ventilação natural, da inércia térmica e do
sombreamento, entre outras. Estas estratégias são uma solução bastante vantajosa de-
vido ás condições climatéricas favoráveis para a obtenção de uma maior sustentabili-
dade nos edifícios em Portugal.
A promoção da eficiência energética e a utilização de energias renováveis em edifí-
cios tem sido feita pela revisão e aplicação de Regulamentos, como o RCCTE e o RSECE,
e pela aprovação da criação de um Sistema de Certificação Energética, visando a redu-
ção dos consumos de energia e correspondentes emissões de CO2. Pois o sector dos
edifícios nos consumos médios anuais de energia em Portugal representam, de acordo
com dados do início da década de 2000 da DGE, cerca de 22% do consumo em energia
final do país, onde nas grandes cidades este número sobe para 36%. Estes números têm
vindo a aumentar cerca de 3,7% no sector residencial e 7,1% no sector dos serviços.

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9 | Cursos, Seminários e Workshops

De seguida são apresentados os cursos, seminários e workshops, frequentados du-


rante o estágio, e respectivas datas.

25/02/2008 – 10/03/2008
ISQ – Instituto de Soldadura e Qualidade
Formação Profissional de RCESE – QAI (Qualidade do Ar Interior)

31/03/2008
Seminário Consumo, Energia e Ambiente
Realizado pela DECO na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de
Coimbra

09/05/2008
Workshop “Sistemas de Gestão da Qualidade – Implementação no Sector Ambiente”
Realizado pela APEMETA no INETI

05/06/2008
Seminários “Renewable Energies in Buildings” e “Geothermal Energy applied in
Industry”
Realizado na Escola Superior de Tecnologia de Setúbal

22 a 26/09/2008
Curso de Projectista de Equipamentos Solares Térmicos
Realizado pelo Departamento de Energias Renováveis no INETI

09/10/2008
Seminar on Carbon Neutral Buildings
Realizado pela Embaixada Britânica no Centro de Congressos de Lisboa

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10 | Conclusão

A ventilação permite manter um conforto adequado e uma boa qualidade de ar nas


habitações. Uma eficiente ventilação contribui para preservar a saúde dos habitantes.
A ventilação serve para evitar os maus cheiros, os excessos de humidade e os po-
luentes existentes no ambiente da habitação. Enfim, a ventilação permite introduzir ar
novo e limpo do exterior para substituir o ar viciado que estamos a respirar da habita-
ção.

O ambicioso SCE envolve uma capacidade de gestão e fiscalização que se espera


eficaz logo no início. O sucesso do sistema depende da correcta aplicação do RCCTE
e do RSECE. A certificação energética dos edifícios implica uma mudança para a res-
ponsabilidade e responsabilização de todos os intervenientes nas instalações AVAC dos
edifícios, pois, apesar do resultado final ser uma etiqueta de desempenho energético,
a regulamentação térmica, nomeadamente o RSECE, preocupa-se com as instalações
durante todo o seu ciclo de vida, estabelecendo requisitos para a sua concepção, cons-
trução, condução e manutenção.

O SCE tem em vista a concretização de dois grandes objectivos: a poupança de ener-


gia e a protecção do ambiente.

Em relação à qualidade do ar interior existem basicamente três maneiras de man-


ter o ar dentro dum edifício limpo: Não deixar entrar poluentes; eliminá-los do ar por
filtragem; ou removê-los das superfícies com limpeza.

A manutenção preventiva melhora a QAI e reduz o consumo energético, removen-


do fontes de poluição (por ex. limpeza de serpentinas/bandejas de drenagem) e asse-
gurando a calibração correcta, a operação eficiente dos componentes mecânicos (por
ex. ventiladores, motores, termóstatos, e pontos de controle).

As energias renováveis são um investimento necessário e urgente em Portugal.


A elevada disponibilidade que temos destas fontes de energia, daria uma autono-
mia muito elevada a Portugal, libertando o sector eléctrico do peso das constantes va-
riações do preço do petróleo no mercado internacional.
A ampla disponibilidade das energias renováveis, o facto de não serem poluentes e

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a possibilidade de serem aplicadas muito mais próximas do utilizador final, reduzindo
perdas e gastos no transporte, torna-as muito mais viáveis, inclusive em termos am-
bientais, que os combustíveis fósseis.
Apesar de estarem a ser feitos investimentos nesta área, estes são ainda uma pe-
quena percentagem relativamente às nossas necessidades energéticas.

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11 | Discussão

Seguidamente apresento um texto que resume o meu estágio.

A crescente preocupação com a qualidade do ar interior tem relação directa com o


facto de as pessoas permanecerem cada vez mais tempo dentro dos edifícios, seja no tra-
balho, escola ou no próprio lar. Consequentemente estão mais expostas à acção de uma
variedade de poluentes que estão relacionados com os materiais de construção e ma-
nutenção, com os sistemas AVAC, com os ocupantes e com a qualidade do ar exterior.
Os matérias de construção devem ser ecologicamente limpos, caso contrário, os
sistemas de renovação de ar em novas instalações de climatização sujeitas aos requisitos
do presente regulamento devem ser concebidos para poderem fornecer, se necessário,
caudais aumentados em 50%, relativamente à tabela dos caudais de ar novo existente no
anexo VI do RSECE. Os materiais de manutenção também devem ser ecologicamente
limpos para não prejudicarem os ocupantes do local, ou então o local deve permanecer
desocupado até ser não existir risco de afectar a saúde.
Muitas vezes pensa-se que muitos dos problemas são causados pelos sistemas AVAC,
de certo modo é verdade. Porquê? Os sistemas AVAC, aquecimento, ventilação e ar
condicionado, contêm filtros que, como o nome indica, filtram os poluentes e partículas
que existem no ar. Estes sistemas têm de possuir a devida manutenção, para que o seu
funcionamento não prejudique a saúde. Em muitos casos a manutenção dos sistemas
AVAC é mínima, em alguns mesmo inexistente, o que quer dizer que há saturação dos
filtros e o rendimento destes é nulo. Em suma, os sistemas AVAC são responsáveis pelo
conforto dos ocupantes de determinado espaço mas para isso é muito importante existir
um plano de manutenção.
Outro ponto é a ocupação. Os próprios ocupantes são fontes de poluição e o principal
poluente é o CO2. Existem espaços sobrelotados, por exemplo escritórios, aqui o ar tor-
na-se saturado e irrespirável. As soluções são: diminuir o número de pessoas, aumentar
o caudal de ar novo, para compensar a falta de oxigénio, e possuir uma boa ventilação.
Por último, e não menos importante, é a qualidade do ar exterior. Para quê, um es-
forço de ter a qualidade do ar interior limpo se este não se encontra isolado do ar exterior.
Se a qualidade do ar exterior for má, esta contamina o ar interior. Isto acontece quando
os pontos de captação de ar novo não possuem as distâncias mínimas aconselhadas de
algumas fontes de poluição (solo, grelhas de extracção, chaminés…), ou quando o mau
ar exterior entra para dentro dos edifícios por portas ou janelas. Para saber se a quali-

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dade do ar exterior de uma determinada zona podemos aceder ao site www.qualar.org.
É muito importante aceder a este site antes de uma visita a determinado edifício para
avaliação da qualidade do ar interior, porque se os indíces dos poluentes no exterior
forem muito elevados irão, com certeza, influenciar nas medições feitas no interior. O
perito deverá adiar a sua visita se isso acontecer e fazê-la em dias em que a qualidade do
exterior seja favorável.
Para uma boa QAI num edifício é recomendado controlo dos parâmetros químicos,
físicos e biológicos. Parâmetros físicos são a humidade, temperatura, humidade, veloci-
dade do ar e os caudais de ar novo. Os parâmetros químicos são as partículas, o CO2, CO,
O3, formaldeído, COV e radão (este apenas é importante em edifícios construídos em
zonas gravíticas). Por último os parâmetros biológicos – as bactérias, fungos e legionella
(esta é verificada na água).

No início do presente ano entrou em vigor a Lei 37/2007 de 14 de Agosto. A lei é


pouco explícita, apenas define as áreas para fumadores, e não os equipamentos que de-
vem ser colocados para os requisitos exigidos serem cumpridos. Com o conhecimento
do RSECE é mais fácil decidir uma boa solução. No RSECE, artigo 29.º – Requisitos de
qualidade do ar, é referido que em espaços onde seja permitido fumar o caudal de ar
novo deve ser de 60m3/(h.ocupante). A partir deste valor e sabendo os ocupantes do
estabelecimento é possível calcular o caudal total de ar novo a colocar na zona de fuma-
dores. Além disso, muito importante, esta entrada de ar deve possuir um filtro para que
não entre o ar poluído. Obviamente que criar as condições necessárias envolve custos
significativos e como muitos proprietários não podem/querem fazer esses investimen-
tos optaram pela proibição. Deparei com um acréscimo repentino de estabelecimen-
tos que pretendiam estar de acordo com a Lei, após a entrada da Lei em vigor porque o
número de clientes diminui significativamente.

Por último, o tema Energias Renováveis. Frequentei o curso no INETI, para pro-
jectista de sistemas solares térmicos, estou na fase inicial de um projecto para o aque-
cimento das águas sanitárias e piscina de uma moradia. Ainda não tenho o tema muito
aprofundado, mas é uma certeza de que a utilização de energias renováveis nos edifí-
cios visa a redução dos consumos de energia e correspondentes emissões de CO2. Existe
uma crescente preocupação em aumentar o consumo de energias não poluentes e con-
sequentemente melhorar o ambiente.