Você está na página 1de 7

GRAN CURSOS

TRIBUTÁRIO

QUESTÃO: Lei municipal específica instituiu contribuição de melhoria para custeio de


pavimentação asfáltica integralmente custeada pelo ente público na Rua ABC, localizada
no Município X. Finalizada a obra e seguido o devido procedimento previsto na
legislação para cálculo e cobrança deste tributo, Lucas, proprietário de imóvel
substancialmente valorizado em recorrência da obra, recebeu notificação, em
01/06/2021, para pagamento do tributo até 30/06/2021. Contudo, nem pagou, nem
impugnou o débito tributário. Diante desse cenário, assinale a afirmativa correta.

A) O prazo decadencial para constituição deste crédito tributário se encerra em cinco


anos contados a partir da data de 01/06/2021.

B) O prazo decadencial para constituição deste crédito tributário se encerra em cinco


anos contados a partir da data de 30/06/2021.

C) O prazo prescricional para cobrança deste crédito tributário se encerra em cinco anos
contados a partir da data de 01/06/2021.

D) O prazo prescricional para cobrança deste crédito tributário se encerra em cinco anos
contados a partir da data de 30/06/2021.

RECURSO: A notificação ocorreu em 01/06. O início da contagem dos prazos em


tributário exclui o início (art 201 CTN). Sendo assim, a contagem do prazo só se inicia em
02/06 sendo finalizado os 30 dias de pagamento (160 CTN) na data de 01/07. Por tal
motivo, a contagem do prazo prescricional será iniciado em 02/07 momento em que o
crédito estará constituído de forma definitiva.

Resumindo: notificou + 30 dias de pagamento. Começa a contagem no 31° dia.

Art. 174 do CTN: A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos,
contados da data da sua constituição definitiva.

Súmula 622-STJ: A notificação do auto de infração faz cessar a contagem da decadência


para a constituição do crédito tributário; exaurida a instância administrativa com o
decurso do prazo para a impugnação ou com a notificação de seu julgamento definitivo
e esgotado o prazo concedido pela Administração para o pagamento voluntário, inicia-
se o prazo prescricional para a cobrança judicial.

Art. 160 do CTN: Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o
vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito
passivo notificado do lançamento.

Art. 210 do CTN: Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos,
excluindo-se na sua contagem o dia de início e incluindo-se o de vencimento.
CIVIL

QUESTÃO: Bruna visitou a mansão neoclássica que André herdara de seu tio e cuja
venda estava anunciando. Bruna ficou fascinada com a sala principal, decorada com um
piano do século XIX e dois quadros do conhecido pintor Monet, e com os banheiros,
ornados com torneiras desenhadas pelos melhores profissionais da época. Diante disso,
decidiu comprá-la. Na ausência de acordo específico entre Bruna e André, por ocasião
da transferência da propriedade, Bruna receberá

A) a mansão com os quadros, o piano e as torneiras, pois todos esses bens são
classificados como benfeitorias, que seguem o destino do bem principal vendido.

B) apenas a mansão, eis que o princípio da gravitação jurídica não é aplicável aos demais
bens citados no caso.

C) a mansão juntamente com as torneiras dos banheiros, consideradas partes


integrantes, mas não os quadros e o piano, considerados pertenças.

D) a mansão e os quadros, pois, sendo considerados pertenças, impõe-se a regra de que


o acessório deve seguir o destino do principal, mas o piano e as torneiras poderão ser
removidos por André antes da transferência.

RECURSO: Sobre tal questão, o examinador exige que o examinando saiba sobre o
conceito de bens principais e acessórios. Nesse caso específico a questão cobra o
princípio da gravitação jurídica e o conceito de pertenças. Sabe-se que as pertenças são
consideradas bens acessórios, sem, contudo, seguir o principal, pois são consideradas
partes não integrantes, de acordo com o artigo 93 do CC – são pertenças os bens que,
não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao
serviço ou ao aformoseamento de outro.

Evidentemente, na questão acima, resta claro que os quadros e o piano são


considerados pertenças e, de acordo com o artigo 94 do código civil, nos negócios
jurídicos que dizem respeito ao bem principal não se abrangem as pertenças, salvo se o
contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das circunstâncias do caso.

Em tempo, o artigo 233 do código civil estabelece que a obrigação de dar coisa certa
abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo se o contrário resultar do
título ou das circunstâncias do caso, como é o caso das pertenças.

Muito embora a alternativa “C” seja intuitiva, não se pode deixar de mencionar que no
comando da questão consta que as torneiras dos banheiros são desenhadas pelos
melhores profissionais da época, traduzindo-se na possibilidade de se considerar tais
torneiras também como pertenças, visto o destaque que o bem dá ao bem principal
enquadrando-se no conceito do artigo 93 mencionado acima, qual seja, são pertenças
os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao
uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro, posto a possibilidade de que as
torneiras sejam destacadas do principal.
Assim, a alternativa “B” também pode ser considerada como correta (apenas a mansão,
eis que o princípio da gravitação jurídica não é aplicável aos demais bens citados no
caso.)

Dessa forma, tanto a alternativa “B”, quanto a “C” podem ser consideradas corretas
diante do comando da questão, devendo as duas alternativas serem consideradas
corretas ou a questão invalidada.

CIVIL

QUESTÃO: Matheus, médico clínico-geral, recebe para atendimento em seu consultório


o paciente Victor, mergulhador profissional. Realizando a anamnese, Victor relata que é
alérgico à ácido acetilsalicílico. Desatento, Matheus ministra justamente esta droga a
Victor como parte de seu tratamento. Victor tem danos permanentes em razão do
agravamento de sua asma pelo uso inadequado do medicamento, tendo que comprar
novos medicamentos para seu tratamento e, ainda mais grave, fica impedido de
trabalhar nos dois anos seguintes. A respeito da responsabilidade civil de Matheus,
assinale a afirmativa correta.

A) Ele responderá pelo regime objetivo de responsabilidade civil, tendo em vista que a
atividade de Matheus é arriscada.

B) Ele deverá indenizar Victor independentemente de culpa, isto é, de imperícia de sua


parte, considerando existir relação de consumo.

C) Ele, sendo profissional liberal, terá apurada sua responsabilidade mediante a


verificação de culpa, responsabilizando-se unicamente pelos danos diretos verificados
no caso.

D) Ele deverá indenizar Victor pelas despesas do tratamento e pelos lucros cessantes até
o fim da convalescença, além da pensão correspondente à importância do trabalho para
que se inabilitou.

RECURSO: A responsabilidade civil dos profissionais liberais é apurada mediante


verificação de culpa, ou seja, sujeita-se à comprovação de que os danos causados
decorreram da negligência, da imprudência ou da imperícia do agente, nos termos do
disposto no artigo 14, § 4º, do Código de Defesa do Consumidor.

Além dessa informação, aplica-se o seguinte artigo: Art. 950. Se da ofensa resultar
defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe
diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e
lucros cessantes até ao fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à
importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu.
Parágrafo único. O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização seja
arbitrada e paga de uma só vez.
Considerando tais informações, tanto a letra “C”, quanto a letra “D” estão corretas,
posto que, sendo profissional liberal, terá apurada sua responsabilidade mediante a
verificação de culpa, responsabilizando-se unicamente pelos danos diretos verificados
no caso; e quais seriam esses danos? A letra “D” responde – deverá indenizar Victor
pelas despesas do tratamento e pelos lucros cessantes até o fim da convalescença, além
da pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou, o que está
de acordo com artigo 950 do CC.

Dessa forma, tanto a alternativa “C”, quanto a “D” podem ser consideradas corretas
diante do comando da questão, devendo as duas alternativas serem consideradas
corretas ou a questão invalidada.

ECA

QUESTÃO: João, de 17 anos, teve sua participação como artista, em


determinado espetáculo público, vedada pela autoridade judiciária, ao
argumento de que se trataria de exposição indevida a conteúdo
psicologicamente danoso. Procurado pela genitora de João para defender sua
participação no espetáculo, você, como advogado(a) deve

A) impetrar mandado de segurança contra a decisão que reputa ilegal.

B) interpor recurso de apelação com vistas a reformar a decisão.

C) interpor recurso de agravo de instrumento para suspender os efeitos da


decisão.

D) ajuizar ação rescisória contra a decisão que reputa ilegal.

RECURSO: O gabarito da questão se fundamenta nos artigos 149 e 199 do ECA.

Art. 199. Contra as decisões proferidas com base no art. 149 caberá recurso
de apelação.

Art. 149. Compete à autoridade judiciária disciplinar, através de portaria, ou


autorizar, mediante alvará:

II – a participação de criança e adolescente em:

a) espetáculos públicos e seus ensaios;

b) certames de beleza.
• 1º Para os fins do disposto neste artigo, a autoridade judiciária levará
em conta, dentre outros fatores:

a) os princípios desta Lei;

b) as peculiaridades locais;

c) a existência de instalações adequadas;

d) o tipo de freqüência habitual ao local;

e) a adequação do ambiente a eventual participação ou freqüência de crianças


e adolescentes;

f) a natureza do espetáculo.

• 2º As medidas adotadas na conformidade deste artigo deverão ser


fundamentadas, caso a caso, vedadas as determinações de caráter
geral.

Todavia, se a decisão causar lesão grave e de difícil reparação, ou se for


teratológica, o caminho seria o mandado de segurança, que está previsto em
outra alternativa. Inclusive há na jurisprudência e doutrina que admitem a
impetração do mandado de segurança por considerarem abusiva a edição de
portarias que contenham normas de caráter geral e abstrato.

Esse é o posicionamento do doutrinador Nucci (2021, p. 744): Portaria ou


alvará: essas decisões de cunho administrativo do juiz poderiam ser
consideradas interlocutórias, passíveis de interposição de agravo. Porém,
optou a lei pela apelação, como indica neste artigo. Entretanto, conforme a
decisão tomada, gerando lesão grave e irreparável, é cabível a impugnação
pela via do mandado de segurança, que não se trata de recurso, mas de ação
constitucional. Dependendo, inclusive, do objeto da portaria, como impedir
menores de transitar na cidade, torna-se cabível, também, o habeas corpus.
Estatuto da Criança e do Adolescente Comentado / Guilherme de Souza Nucci.
– 5. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2021.

MANDADO DE SEGURANÇA – ESTATUTO DA CRIANÇA E ADOLESCENTE –


APLICAÇÃO DO ARTIGO 149 – LIMITES – PODER NORMATIVO DA AUTORIDADE
JUDICIÁRIA – NORMA DE CARÁTER GENÉRICO – PORTARIA ANULADA –
PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA – ORDEM CONCEDIDA. A
jurisprudência moderna considera abusiva a edição de Portarias que
contenham normas de caráter geral e abstrato e ultrapassem os limites
normativos previstos no artigo 149 do Estatuto da Criança e Adolescente. […]
(TJTO, Mandado de Segurança n. 5001539-06.2011.827.0000, Rel. Des. Moura
Filho, j. 2-5-2012).

Mandado de segurança – entrada e permanência de menores em festa de


rodeio – portaria emitida pelo Juízo da Vara da Infância e da Juventude que
veda o ingresso e permanência de menores no evento, mesmo que
acompanhados dos pais ou responsáveis – excesso do ato impugnado –
Proibição de caráter geral e abstrato – Inobservância aos limites estabelecidos
pelo artigo 149 do Estatuto da Criança e do Adolescente menores de 14 anos
acompanhados e adolescentes maiores de 14 anos desacompanhados que não
podem ser impedidos de entrar em eventos – Inteligência do artigo 149, I, do
ECA – Segurança parcialmente concedida. (TJSP, Câmara Especial. Mandado
de Segurança n. 2188148-73.2014.8.26.0000, Rel. Designado Des. Eros Piceli,
j. 22-6-2015).

Assim, se há duas alternativas possíveis, o caminho seria a anulação da


questão.

TRABALHO
QUESTÃO: Suelen trabalhava na Churrascaria Boi Mal Passado Ltda. como
auxiliar de cozinha, recebendo salário fixo de R$1.500,00 (um mil e quinhentos
reais) mensais. Por encontrar se em dificuldade financeira, Suelen pediu ao
seu empregador um empréstimo de R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos
reais) para ser descontado em parcelas de R$ 500,00 (quinhentos reais) ao
longo do tempo. Sensibilizado com a situação da empregada, a sociedade
empresária fez o empréstimo solicitado, mas 1 mês após Suelen pediu
demissão, sem ter pago qualquer parcela do empréstimo.

Considerando a situação de fato, a previsão da CLT e que a empresa elaborará


o termo de rescisão do contrato de trabalho (TRCT), assinale a afirmativa
correta.

A) A sociedade empresária poderá descontar todo o resíduo do empréstimo


do TRCT.

B) A sociedade empresária poderá, no máximo, descontar no TRCT o valor de


R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais).
C) Não pode haver qualquer desconto no TRCT, porque o empréstimo tem a
natureza de contrato civil, de modo que a sociedade empresária deverá cobrá-
lo na justiça comum.

D) Por Lei, a sociedade empresária tem direito de descontar no TRCT o dobro


da remuneração do empregado por eventual dívida dele.

Fundamento de recurso

O examinador na questão em tela interpretou que o valor cedido a empregada


seria um adiantamento salarial no valor de 300% de sua remuneração mensal,
apontando como gabarito correto a opção B.

Todavia o próprio enunciado por três oportunidades expressamente utiliza a


expressão “empréstimo“, deixando claro que o valor ofertado não seria uma
obrigação contratual trabalhista.

Desta forma com base na súmula 18 do TST, não poderia haver compensação
de tal importância na rescisão contratual da empregada, pois a natureza
jurídica do empréstimo é distinta da verba trabalhista que possui natureza
alimentar.

“Súmula nº 18 do TST – COMPENSAÇÃO

A compensação, na Justiça do Trabalho, está restrita a dívidas de natureza


trabalhista.”

Em face do exposto, requer este examinando a ANUALAÇÃO da questão ora


analisada, com a atribuição do respectivo ponto.

Fonte

https://blog.grancursosonline.com.br/recursos-oab/

Você também pode gostar