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GRUPO 7 - 9°B

ACADÊMICOS:
Alison Luan do Nascimento Calistro
Anna Caroline Telles
Anselmo Beraldo
Larissa Ferreira
Leticia Kohut Garcia
Valéria Dallagassa
AO JUÍZO DA VARA DE TRABALHO DE CASTRO – PARANÁ

AUTOS Nº 0001810-71.2015.5.09.0660

Horinando Nassorte, devidamente qualificado nos autos da reclamação trabalhista


em epígrafe, movida em face de Xingue & Lingue Alimentos Ltda, vem, por seus
advogados infra-assinados, tempestivamente, inconformado com a sentença
proferida na fase de conhecimento, com base no art. 895, I da CLT, interpor

RECURSO ORDINÁRIO

Para o Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região. 

Tendo promovido o pagamento das custas processuais devidas, conforme


comprovam as guias anexas, requer seja o presente acolhido e devidamente
remetido ao Tribunal Regional do Trabalho.

Requer ainda, que as publicações sejam expedidas em nome dos advogados infra-
assinados, sob pena de nulidade.

Termos em que, pede deferimento.

Telêmaco Borba, 07 de junho de 2021.

Alison XXX XXX

OAB/PR nº 101010

Anna Caroline XXX XXX


OAB/PR nº 010101

Anselmo XXXX

OAB/PR nº 020202

Larissa XXXXXX

OAB/PR nº 030303

Leticia G. XXXX XXXX

OAB/PR nº 040404

Valéria XXXXXX

OAB/PR nº 050505
RAZÕES DE RECURSO ORDINÁRIO

Recorrente: Horinando Nassorte

Recorrido: Xingue & Lingue Alimentos Ltda

Processo nº xxxxx   – Vara do Trabalho de Castro - Paraná

Egrégio Tribunal

Em que pese o notável saber jurídico do Juízo de primeiro grau, merece


reforma a sentença proferida, conforme restará demonstrado a seguir.

1. DA CULPA RECÍPROCA

A r. sentença do Juízo de primeiro grau julgou estar convencido da culpa


recíproca das partes para a ocorrência do acidente, considerando que:
a) A reclamada, a seu turno, não comprovou que o autor
possuía treinamento para o exercício da função exercida
quando do acidente;
b) A testemunha DEBIL HELOIDE disse: "que o depoente
sabia que o reclamante no momento do acidente também
estava trabalhando na mesma máquina; que havia
necessidade de fazer higienização tanto da parte cima quando
tudo a parte de baixo resposta que deu ao ser indagado se o
depoente não teria que avisar o reclamante que ligaria a
máquina; indagado porque não avisou O reclamante
afirmou que não tinha treinamento nenhum não sabendo
que tinha que avisar e que acarretaria qualquer acidente" (grifo
nosso);
c) A testemunha CELSO disse: "que no dia do acidente O
reclamante estava coletando resíduos e como sobrou uma
mangueira foi ajudar o senhor Debil"; "indagado se era
padrão ir ajudar outro no seu serviço afirmou que o
reclamante foi ajudar para adiantar o serviço mais que o
rapaz não tinha pedido"; e "indagado se era apenas um
funcionário que fazia a higienização das máquinas afirmou
que naquela máquina era feito o revezamento; que naquela
máquina era feito por um funcionário" (grifo da sentença).
Entendeu em sua decisão, conforme apontamento “a”, que a reclamada não
apresentou comprovação de ter executado treinamento adequado para a
reclamante. Uma vez ausente o treinamento do reclamante para que executasse sua
função de limpeza, fica estabelecida a responsabilidade objetiva da reclamada.
No apontamento “b” novamente caracteriza-se a mesma responsabilidade
objetiva da reclamada ao não dar treinamento adequado ao funcionário que causou
o acidente. O depoente Debil Heloide, causador do acidente, assume que sabia que
o reclamante também estava trabalhando na mesma máquina e questionado a
depoente porque não avisou o reclamante que iria ligar a máquina, o depoente
alegou não ter tido qualquer treinamento que o orientasse nesse sentido, não
imaginando também que ao ligar a máquina causaria o acidente. A falta de
treinamento para o depoente caracteriza que o acidente poderia ter sido evitado se o
reclamado cumprisse com todas as normas técnicas de prevenção à acidentes de
trabalho.
Todavia, a sentença quanto a reciprocidade da culpa foi embasada somente
pelo apontamento “c” da sentença, onde o respeitado juízo convenceu-se através do
depoimento do senhor Celso, encarregado de fiscalizar a limpeza, de que o
reclamante não deveria estar efetuando a limpeza no equipamento que levou ao
acidente. Nenhuma prova foi juntada ao depoimento de Celso, ou seja, nenhuma
possível ordem de serviço, escala de trabalho, ordem formal para não executar o
determinado serviço, enfim, qualquer documento que provasse que o reclamante
agiu por sua conta e risco, exercendo função não autorizada, em local não
autorizado.
Neste contexto, segue entendimento do TRT-4 sobre a descaracterização da
culpa recíproca em acidente de trabalho:
Descaracterização da culpa concorrente da parte autora no acidente de
trabalho por ausência de treinamento para execução das atividades em
equipamento de trabalho que não permite operacionalização sem falhas e
depende de interveniência manual dos empregados de desobstrução de
peças.
(TRT-4 - RO: 00005077920125040332 RS 0000507-79.2012.5.04.0332,
Relator: VANIA MATTOS, Data de julgamento: 07/02/2013, 2º Vara do
Trabalho de São Leopoldo).
Nesse mesmo sentido temos outro Recurso Ordinário do TRT-4 com o
mesmo entendimento:
Cabível a indenização por dano causado pela descaracterização da culpa
concorrente de empregado compelido a executar atividade para a qual não
detém treinamento objetivando a continuidade do trabalho.
(TRT-4 RO: 008790048200550405571, Data de julgamento: 17/06/2010, 2º
Turma).

Nesta seara temos o posicionamento da doutrina em relação a culpa objetiva


do empregador, nas palavar de Maria Helena Diniz:
A responsabilidade objetiva funda-se num princípio de equidade, existente
desde o direito romano: aquele que lucra com uma situação deve responder
pelo risco ou pelas desvantagens dela resultantes. Essa responsabilidade
tem como fundamento a atividade exercida pelo agente, pelo perigo que
pode causar dano à vida, à saúde ou a outros bens, criando risco de dano
para terceiros. (DINIZ, pg. 50, 2007).

Assim sendo, nos termos do artigo 818 da CLT, o ônus da prova é de


incumbência do reclamante provar o direito pleiteado. Todavia, esse ônus reverte-se
à reclamada uma vez que ficou comprovado, através do CAT (Comunicação de
Acidente de Trabalho) emitido um dia depois da comunicação, pela fiscalização in
loco realizada pelo MTE (Ministério de Trabalho e Emprego), que houve um acidente
de relação trabalhista, e que o local onde ocorreu o acidente deveria possuir
sinalização adequada. Ou seja, independente do reclamante ter executado a tarefa
de limpeza do equipamento a pedido ou não da supervisão do setor, o acidente iria
ocorrer pelo motivo de não haver sinalização adequada prevenindo o acidente e pela
falta de treinamento. Ademais, o outro operador da máquina tinha conhecimento de
que o reclamante estava limpando o equipamento no mesmo momento, em
conjunto, e uma vez não treinado levou a ligar o equipamento e provocar o acidente.
E ainda, se não era a tarefa a ser exercida pelo requerente naquele momento e
naquele equipamento, porque o mesmo não foi advertido ou por que não houve
negativa de auxílio por parte do depoente Debil Heloide? A reclamada não
apresentou qualquer prova de que não teria dado ordem para que o reclamante
executasse tarefa neste equipamento, e não seria possível apresentar, pois, como
os depoimentos prestados são todos unânimes em afirmar, o reclamante estava
atuando neste setor de limpeza sim, sendo a sua função efetuar limpeza de
equipamentos, incluindo o equipamento do acidente.
2. ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA

No pleito de indenização buscando reparação dos danos morais e estéticos, o


pedido foi indeferido por entender o Magistrado que, considerando:
“(a) o reconhecimento de culpa recíproca; (b) que o reclamante perdeu
sua mão direita, sendo destro; c) que passou por cirurgias; (d) que recebeu
auxílio-doença acidentário; (e) o porte financeiro da reclamada, ; (f) o
reconhecimento de nexo causal; bem como (g) os postulados da
razoabilidade/proporcionalidade, fixa-se equitativamente o valor da
indenização em R$ 80.000,00(oitenta mil reais).
É de bom alvitre registrar que a indenização visa compensar a vítima
da ofensa Moral, mas não pode ser fixada em valor vultoso capaz de
gerar seu enriquecimento sem causa.” (grifo nosso)

Ocorre que, como demonstrado, o acidente ocorreu por culpa exclusiva da


reclamada por não oferecer proteção, treinamento e por não preservar a segurança
do ambiente de trabalho. Bem como em sentença o R. magistrado reconheceu a
presença dos fatores de nexo causal que qualificam a indenização.
Em caso análogo destaca-se o seguinte julgado:

INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL E MATERIAL. ACIDENTE DE


TRABALHO. CULPA EXCLUSIVA DO EMPREGADOR. Em matéria de
saúde e segurança do trabalho, a conduta que se exige do empregador não
é tão só orientar e alertar, mas sim, continuamente, adotar todas as
providências possíveis para tornar o ambiente de trabalho seguro e
saudável, com a adoção de medidas preventivas efetivas para afastar os
riscos inerentes ao mister, o que não aconteceu. Presentes os requisitos
ensejadores da reparação, quais sejam: acidente do trabalho, a ação
ou omissão culposa, a ocorrência do dano e o nexo de causalidade,
não há como afastar a responsabilidade civil da empregadora, nos
termos do que dispõe o artigo 5º, X, da Constituição Federal c/c os artigos
186 e 927, do Código Civil. Recurso do reclamante a que se dá provimento.
(TRT-PR-00457-2014-659-09-00-1-ACO-33802-2015 - 2A. TURMA Relator:
CÁSSIO COLOMBO FILHO Publicado no DEJT em 01-12-2015)

Entretanto, ressalta da r. sentença a limitação da indenização para não gerar


enriquecimento sem causa por parte do reclamado. Ao aduzir que auferir valor
vultuoso para o reclamante seria possível enriquecimento sem causa é
completamente descabido. Sabe-se que o parâmetro para a fixação do quantum
indenizatório deve amenizar o sofrimento do ofendido e, ao mesmo tempo, reprimir a
conduta da empresa e desestimular a sua reincidência. Entretanto deve-se levar em
conta a extensão do dano causado pelo ofensor e a capacidade patrimonial das
partes.
Como demonstrado nos julgados:
O nosso ordenamento jurídico não dispõe de uma tabela tarifária para fins
de fixação do quantum das indenizações por dano moral, cabendo, pois, ao
julgador apreciar a extensão do dano e a capacidade econômica do ofensor
e ofendido para a fixação da referida quantia, de modo que não seja motivo
de enriquecimento sem causa do ofendido ou de empobrecimento do
ofensor. Entendo, entretanto, não terem sido observados os princípios da
razoabilidade e proporcionalidade, uma vez que o quantum arbitrado não é
compatível com a gravidade do ocorrido. Assim, procede, em parte, a
pretensão recursal do reclamante, devendo ser majorado o valor arbitrado à
indenização pelo dano moral sofrido [...] e por considerar o montante
adequado e útil, tendo em vista o caráter exemplar da pena. Quanto ao
dano estético, seu conceito está relacionado a alguma deformação
morfológica permanente sofrida,[...] resultou em amputação parcial do dedo
indicador da mão esquerda que efetivamente enseja em desgosto e
constrangimento, sendo cabível, também aqui, na majoração da
indenização por dano estético.
(TRT 1 -RO 00001260220145010521 RJ, Relator: Tania da silva Garcia,
Quarta Turma, Data de Publicação: 09/07/2018)

VALOR DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. CAPACIDADE


ECONOMICA DA EMPRESA. O valor da indenização deve levar em
consideração, dentre ouros critérios, a capacidade econômica da empresa,
sob pela de não atender aos aspectos educativo e punitivo. [...] (TRT-19-
RECORD 462200600719001 AL 00462.2006.007.19.00-1, Relator: João
Batista, Data da Publicação: 27/12/2006)

Imperioso destacar que o reclamante sofreu redução em grau máximo e de


forma permanente em sua capacidade de exercer trabalho produtivo, conforme
laudo pericial acostado aos autos.
Posteriormente, o reclamante retornou para função diversa por justamente
não possuir mais capacidade laborativa para exercer a antiga função.
Consequentemente a condição de sustento próprio e de seus familiares está
totalmente comprometida. Não abrindo qualquer interpretação para enriquecimento
ilícito do reclamante.
Ademais, não se trata de pleitear benefício para si dilapidando os recursos
financeiros do reclamado. Pelo contrário, o reclamado possui para fins de custeio de
riscos processuais mais de R$ 445.557,000,00 (quatrocentos e quarenta e cinco
milhões, quinhentos e cinquenta mil Reais) conforme impugnação apresentada nos
autos, ou seja, no que tange a condição econômico-financeira da reclamada
mantém-se inabalável independentemente do valor a ser considerado de
indenização.
Logo, demonstrada a inexistência da culpa reciproca, incabível o valor fixado
de indenização determinado em sentença. Uma vez que a indenização foi fixada de
forma equitativa observando os parâmetros de reconhecimento da culpa reciproca e
não a gravidade do ocorrido.
Ora, como demonstrado a culpa pelo dano foi exclusiva do empregador, logo,
se faz cabível a adequação do valor de indenização em dobro. Isto é R$ 160.000,00
(cento e sessenta mil reais) à título de danos morais e de R$ 160.000,00 (cento e
sessenta mil reais) à título de danos estéticos. Se a culpa é exclusiva do
empregador, se faz justo que este arque com a integralidade do dano.
Logo, pleitear valor justo e provado de reparação de danos causados,
materiais, morais e também estéticos, não pode se configurar enriquecimento sem
causa. Ademais, não basta apenas haver o reconhecimento de culpa ao assumir a
reparação dos danos, mas é necessário que o valor reparado seja compatível com o
dano causado.
Posto isso, requer a majoração do quantum indenizatório para R$ 160.000,00
(cento e sessenta mil reais) à título de danos morais e de R$ 160.000,00 (cento e
sessenta mil reais) à título de danos estéticos, ou em valor a ser fixado pelos doutos
julgadores.

3. PENSÃO VITALÍCIA INDEFERIDA

Uma vez reconhecido em decisão o direito do reclamante a indenização por


danos morais, materiais e estéticos, comprovando assim a responsabilidade da
reclamada sobre a conduta geradora do acidente, não pode a decisão se esquivar
do reconhecimento da pensão mensal vitalícia como direito do reclamante.
A pensão decorre da incapacidade laborativa permanente do reclamante
ocasionada pelo acidente de trabalho, conforme já comprovado, gerando um
subsídio necessário a sua subsistência futura uma vez que, mesmo que com o uso
da prótese, não conta mais com sua capacidade de trabalho original.
O artigo 950 do Código Civil é expressivo ao determinar a pensão no valor
mensal correspondente a perda de capacidade do trabalho que exercia, como
vemos:
Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa
exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de
trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros
cessantes até ao fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à
importância do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele
sofreu.

Diversas são as decisões recentes sobre o direito pleiteado, conforme


vemos no acórdão abaixo:
ACIDENTE DE TRABALHO. PENSÃO MENSAL VITALÍCIA. O
empregado que, no exercício de suas atividades, vem a sofrer acidente
de trabalho, com perda parcial definitiva da capacidade funcional e laboral,
ainda que permaneça apto para o trabalho, faz jus ao recebimento de
indenização a título de dano material, na forma de pensão mensal vitalícia
em parcela única, na proporção dos prejuízos experimentados. Apelo
negado. (grifo nosso) (TRT-4 – ROT: 0020146682017540733, Data de
Julgamento: 18/10/2018. 1ª Turma)
E ainda, o Tribunal Superior do Trabalho entende que decisão divergente do
direito a pensão vitalícia, nestes termos, contraria decisão do próprio TST e do
estabelecido no artigo 950 do Código Civil, como vemos:

RECURSO DE REVISTA. Acidente de trabalho. Redução PERMANENTE


da capacidade laborativa. PENSÃO MENSAL VITALÍCIA. 1. O preceito
contido no art. 950 do Código Civil não isenta ou excepciona o dever de
indenizar há hipótese de o ofendido continuar exercendo atividade
profissional. Isso porque, a indenização nele prevista tem por escopo o ato
ilícito praticado pelo ofensor, e está associada à compensação pela perda
ou redução da capacidade laborativa da vítima, ainda que temporária, e não
à reposição salarial. 2. Na hipótese, infere-se do acórdão recorrido que o
reclamante, em decorrência do acidente de trabalho, teve redução
permanente de sua capacidade para desempenhar as atividades de
pedreiro. 3. A Corte Regional, não obstante reconhecer a responsabilidade
civil da reclamada (daí o deferimento da indenização por dano moral, pelo
mesmo fato), ao rejeitar o pedido de pensão mensal vitalícia, sob o
fundamento de que a limitação mínima apresentada não o impede de
exercer outras atividades, além de divergir da jurisprudência desta
Corte Superior, proferiu acórdão que violou a literalidade do art. 950 do
Código Civil. Recurso de revista conhecido e provido. (TST-RR:
877008120065170009, Relator: Walmir Oliveira da Costa, Data de
Julgamento: 01/06/2016, 1ª Turma, Data de Publicação: DEJT 03/06/2016).
Dessa forma, é evidente o direito do recorrente em receber o valor devido a
título de pensão vitalícia, e não apenas R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), conforme
especificado em sentença levando em conta apenas que o reclamado arcou com o
valor da prótese.

É importante destacar o entendimento do TRT/SP:

DOENÇA OCUPACIONAL. LAUDO PERICIAL POSITIVO. CPC, ART.479.


REDUÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL. DANO MORAL. DANO
MATERIAL. CÓDIGO CIVIL, ART. 950, PARÁGRAFO ÚNICO.
PAGAMENTO EM PARCELA ÚNICA. É fato que o Juízo, norteado pelo
princípio do livre convencimento motivado, não está adstrito ao laudo
pericial (art. 479 do CPC/2015). No entanto, na seara dos conhecimentos
técnicos especializados, próprios do expert, no seguimento dos
pronunciamentos jurisprudenciais, somente se rejeitará a conclusão da
perícia em face de elementos técnicos relevantes, ou qualquer outra prova
de robustez suficiente a se ir contra ás conclusões daquela. Não é o que se
observa nos autos. [...] A culpa pela doença ocupacional que acomete o
trabalhador foi encontrada na ausência de medidas preventivas
realmente eficazes, as quais deveriam ser adotadas. Cabe ao
empregador tomar todas as medidas que estão ao seu alcance para
preservar a higidez do ambiente de trabalho, em observância ao princípio da
prevenção[...] A redução da capacidade laborativa do reclamante é parcial e
permanente e, portanto, irá acompanhá-lo por toda a sua vida e não pode
mais executar as tarrefas que executava ordinariamente com a mesma
precisão e facilidade. O empregado sofreu lesão á integridade psicofísica
do trabalhador. Devidas a indenização por dano moral e a pensão
mensal vitalícia. [...] Temos que o pensionamento mensal vitalício, previsto
no artigo 950 do Código Civil, é devido quando da lesão resultar deficiência
que impossibilite o trabalhador de exercer o seu ofício, profissão ou
qualquer atividade produtiva. E o deferimento da pensão vitalícia não está
limitada ao caso de redução da capacidade laborativa permanente total,
podendo ocorrer igualmente quando a redução for permanente e parcial,
sendo que a incapacidade deve ser considerada em relação a toda e
qualquer atividade profissional[...]. (grifo nosso)
(TRT-2 1001464520165020362 SP, Relator: IVANI CONTINI BRAMANTE,
4° Turma - Cadeira 5, Data de Publicação 02/06/2021)

Entende-se assim que o reclamado faz jus a pensão vitalícia, pois


comprovada sua incapacidade permanente, que apesar de ser parcial encontra
respaldo legal para ser deferida, conforme entendimento acima demonstrado.
Além do mais, o fato de o reclamante ser reabilitado profissionalmente não
caracteriza a justificativa do indeferimento do referido pedido, visto que o dano é
evidente, e nunca mais a sua capacidade laborativa será a mesma, ainda que com o
uso da prótese, visto que a mesma apenas ajuda no andamento de sua vida pessoal
e profissional, mas não é o suficiente para trazer toda sua capacidade novamente,
devendo portanto ser deferido o pedido.
Ainda, o valor da pensão vitalícia deverá ser fixado levando em
consideração os parâmetros de idade e capacidade do recorrente, visto que sua
retomada ao mercado de trabalho ficará restrita diante da redução de capacidade
laborativa, devendo o valor de pensão vitalícia ser deferido e arbitrado acima de R$
80.000,00 (oitenta mil reais).

Do Pedido
Diante do exposto, requer sejam acolhidas as preliminares formuladas, para
reverter o julgamento, e deferir totalmente procedente o pedido da reclamante,
condenando o recorrido as custas processuais em reversão, tudo por ser a mais
pura e lídima justiça, conforme pedidos que se segue:

1) A descaracterização da culpa recíproca, atribuindo ao empregador a culpa


exclusiva do acidente de trabalho, causado por ausência de treinamento para
execução das atividades e, pela falta de proteções adequadas no equipamento de
trabalho .

2) A majoração do quantum indenizatório à título de danos morais e estéticos, em


valor a ser fixado pelos doutos julgadores, não inferior a R$ 160.000,00 (cento e
sessenta mil reais) para cada espécie de dano referidas, pelas razões expostas.

3) A concessão da pensão vitalícia ao requerente a ser paga em única parcela,


levando em conta 100%(cem por cento) do valor do último salário do requerente, e a
perspectiva de vida de 75 (setenta e cinco) anos de idade. Não sendo este o
entendimento, que seja majorado, no mínimo, em dobro, o quantum indenizatório
fixado à título de reparação, na forma do artigo 950 do Código Civil, e levando em
conta a culpa exclusiva do requerido.

Termos em que, pede deferimento.

Telêmaco Borba, 07 de junho de 2021.

Alison XXX XXX

OAB/PR nº 101010

Anna Caroline XXX XXX

OAB/PR nº 010101
Anselmo XXXX

OAB/PR nº 020202

Larissa XXXXXX

OAB/PR nº 030303

Leticia G. XXXX XXXX

OAB/PR nº 040404

Valéria XXXXXX

OAB/PR nº 050505

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