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Arquitetura de interiores residenciais: O bem-estar de quem ocupa

Dezembro/2018

Arquitetura de interiores residenciais: O bem-estar de quem ocupa


Tuanny de Almeida Pinto – tuannyy@hotmail.com
Design de Interiores – Ambientação e Produção do Espaço
Instituto de Pós-Graduação - IPOG
Natal/RN, 04 de Dezembro de 2017

Resumo
A relação com o mundo exterior é pelo meio dos cincos sentidos. São eles que abrem as
portas para as percepções sobre o que está no entorno. Cada um tem uma percepção do
espaço, e esta tem um peso determinante na satisfação do usuário em relação ao ambiente
edificado. Os estímulos decorrentes de imagens, cheiros, sons, toques e dos gostos
determinam os aprendizados ao longo da vida, de tal modo, transformando a personalidade do
ser humano, as opiniões, os sentimentos e o temperamento. É necessário que as residências
acomodem os ambientes de acordo com as necessidades e desejos dos usuários, sendo
aconchegante e que transmita a sensação de conforto e segurança, para que assim consiga ter
uma qualidade de vida ideal. Para isso, um espaço aconchegante com suas particularidades,
formas, cores, iluminação e mobiliários adequados necessitam comunicar a sensação de bem-
estar. O objetivo principal do estudo é apresentar a importância da Arquitetura de Interiores
Residenciais, desenvolvendo ambientes confortáveis proporcionando bem-estar aos
moradores, com o intuito de compreender que esses ambientes influenciam no
comportamento. A pesquisa foi elaborada através de referenciais teóricos de livros, artigos e
dissertações sobre o assunto. Com isso, os resultados encontrados para ambientes residenciais
serem acolhedores, são necessárias suas particularidades, de cada usuário, como cores, formas
e mobiliários corretos, promovendo sensações de conforto e bem-estar.

Palavras-chave: Arquitetura de Interiores. Ambiente. Bem-estar. Conforto.

1. Introdução
Melhorar o espaço fisico que habitamos é a garantia de uma boa qualidade de vida. Pequenas
ou grandes reformas tem a capacidade de transformar o dia-a-dia das pessoas que o utilizam.
Por esse motivo, a arquitetura está sempre presente em nossas vidas e tem como parâmetro o
bem-estar. Ou seja, é a arte de conseguir realizar os desejos da sociedade procurando o
conforto e a segurança, sendo em espaços abertos ou fechados, cobertos ou não.
As inter-relações sociais e as ações que desempenhamos acontecem interiomente nos espaços,
tanto abertos ou fechados, pois somos influenciados por eles.
A área da arquitetura responsável pelos ambientes internos é a Arquitetura de Interiores, seja
com campo comercial, residencial ou corporativo. Uma vez que, existem alguns fatores que
são importantes como: a circulação, conforto, funcionalidade, disposição dos mobiliários,
iluminação, revestimentos e texturas, acabamentos, conforto acústico e térmico, e ainda o
fator psicológico diante o espaço que o usuário habita.

ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG - Goiânia - Ano 9, Edição nº 16 Vol. 01 Dezembro/2018
Arquitetura de interiores residenciais: O bem-estar de quem ocupa

Dezembro/2018

A arquitetura vai além do abrigo das necessidades e atividades, e no meu entender,


seria um meio de favorecer e desenvolver o equilíbrio, a harmonia e a evolução
espiritual do homem, atendendo ás suas aspirações, acalentando seus sonhos,
instigando as emoções de se sentir vivo, desenvolvendo nele um sentido afetivo em
relação ao locus e ao topos. (OKAMOTO, 2002)

Ainda do mesmo autor, Okamoto (2002) finaliza descrevendo que a intenção da arquitetura
não é apenas para construção de abrigo para as necessidades básicas e objetivas do ser
humano. E sim, atendendo as aspirações dos habitantes, na modificação material e formal de
todas as atividades concretas. A conduta do indivíduo perante o seu espaço é bem
diferenciado. A influência do ambiente no bem-estar é tão intensa tanto na forma de conviver,
habitar e trabalhar, por isso, o usuário e ambiente não podem ser independentes, tem que ser
pensando juntos e o determinante em um projeto de arquitetura de interiores não pode ser
somente o estético.
Conforme Bestetti (2014), o ambiente construído manifesta estímulos que pode ou não
agradar, onde conduz uma sensação de desconforto se possuir uma desigualdade com os
limites do nosso corpo. Além disso, a experiência cultural do indivíduo causa o é ou não
agradável, uma vez que as escolhas são individualizadas e dependem da história de cada um.
Portanto, as configurações que se integram e formam o lar tem impacto diretamente no
comportamento e na mente humana. As formas, a iluminação, as cores e texturas muitas vezes
têm um significado escondido que gera uma influência sob o cérebro.
O bem-estar dentro dos ambientes é basicamente uma sensação agradável, é se sentir bem em
um espaço e muitas vezes sem nem saber o motivo.
Por isso,o mesmo autor, Okamoto (2002) ainda diz que:

Temos a sensação do ambiente pelos estímulos desse meio, sem se ter consciência
disso. Pela mente seletiva, diante do bombardeio de estímulos, são selecionado os
aspectos de interesse ou que tenham chamado a atenção, e só ai é que ocorre a
percepção (imagem) e a consciência (pensamento, sentimento), resultando em uma
resposta que conduz a um comportamento.

Através dos estudos e avanços na área da psique humana, tem a convicção que o ambiente em
que o indivíduo está estabelecido influencia não só nas suas atitudes, mas também no seu
aprendizado, produtividade e melhorar a saúde.
Deste modo, para Bestetti (2014), o ser humano, além do acolhimento e proteção, procura o
bem-estar. O conforto ambiental proporciona uma melhor qualidade de permanência no
espaço com a sensação de satisfação, conseguindo a adequação dos diferentes aspectos
sensoriais. É estudado a temperatura, ventilação e iluminação, questões essas que mudam as
condições de habitar o espaço, principalmente na habilidade produtiva dos moradores.
A interação entre o homem e o espaço ambiental, a interação social e a comportamental em
relação ao espaço é decorrência da percepção que esse ambiente transmite, assim, é de grande
importância a compressão desse processo para que possua o melhor entendimento da relação
entre o homem e o ambiente, as perspectivas, desejos, satisfações e desprazeres.
Okamoto (2002) descreve que “as percepções decorrentes das sensações vão além das simples
reações aos estímulos externos, pois são acrescidas de outros estímulos internos, que intervém
e conduzem o comportamento.”.

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Segundo o professor de psicologia e doutor em psicologia, Gabriel Moser, é evidente que as


pessoas se comportam de forma diferente de acordo com ambiente que ocupa. Como por
exemplo, se o espaço é pequeno, limitado, o modo de agir diverge bastante quando tem um
espaço amplo, uma vez que a maneira de atuar depende do local. (SAVI, 2016).
A arquitetura e a psicologia são pesquisadas à parte, mas, a relação do comportamento
humando e o espaço contruído é muito importante, pois influencia a qualidade de vidas de
diversas maneiras.
O estudo da ambiência desejada para cada situação de espaço, em qualquer escala,
traz subsídios importantes para o entendimento das condições físicas e emocionais
do bem-estar subjetivo, e nisso se consideram os estímulos ao comportamento dos
sujeitos inseridos nesse contexto, aprimorando seu relacionamento. (BESTETTI,
2014).

Ao longo da história, o ser humano projetou e construiu seus ambientes de atividades,


moradia, lazer ou repouso, de forma que pudesse beneficiar suas necessidades vivenciais e
sociais. Portanto, de que jeito os ambientes têm influenciado o comportamento das pessoas e
como procederia para uma execução esperada ou pelo que foi desejado do arquiteto? São
esses questionamentos que há tempos fazem. (OKAMOTO, 2002).
Por essa razão, compreender como o homem comporta-se, no nível emocional e cognitivo,
diante dos espaços interiores são dispostos, e o quanto a qualidade de vida das pessoas lidam
sob a influência da arquitetura provocando sensações e percepções, deixando os ambientes
funcionais, confortáveis, encantador e prazeroso por estar lá, é o que este artigo tem como
objetivo.
O arquiteto é um profissional que trabalha com os sonhos, os desejos e as emoções das
pessoas. Tudo pode ser resultado de uma mistura de desejo ou do reflexo de um determinado
estilo de vida, do sonho de um refúgio que proporcione aconchego, de lembranças de
ambientes ou de fantasias de infância, da adolescência ou quaisquer outras que possam povoa
nossa mente.
O arquiteto tende a transmitir em seus projetos as necessidades que seu cliente
almeja e para isso passa a ter uma integração direta com sua vida pessoal,
conhecendo suas histórias e raízes, criando um laço na criação do projeto.
(MACHADO, 2016)

Cada ambiente é entendido pelos os moradores de diferentes formas, diante disso, esse artigo
tem como objetivo apresentar a percepção em relação as características do ambiente e o
quanto influenciam nos sentimentos do indivíduo.
Por esse motivo, quando é entendida a relação entre o homem e o espaço construído, acontece
a probabilidade de esse espaço ser alterado de forma adequada para obter os melhores
resultados em questão do bem-estar.

2. A importância da arquitetura de interiores


Na arquitetura, considerar corretamente os espaços internos, de forma planejada, é uma ótima
maneira de proporcionar soluções adequadas e personalizadas.

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Ambiente está em toda nossa volta, e a influência que tem nos indivíduos é muito importante,
pois causam sentimentos e sensações, porém, muitas vezes não é percebido conscientemente.
Desde década de 50, pelos motivos dos estragos causados no meio ambiente pela as ações do
homem, que deram início aos estudos que classificaram como o espaço físico influenciava
diretamente o comportamento do ser humano e que comovia ou não com a qualidade de vida.
A Resolução Federal do Conselho de Arquitetura e Urbanismo n° 76/2014 relata que
arquitetura de interiores é uma intervenção nos ambientes externos e internos, na qual
determina a forma de aproveitar o espaço em função dos mobiliários e das interfaces do
espaço construído, possibilitando transformar ou não a concepção original para atender as
necessidades. Esta intervenção acontece através: espacial, das instalações, de
condicionamento acústico, de climatização, estrutural, dos acabamentos, iluminação, da
comunicação visual, das cores, de mobiliários, de equipamentos, da coordenação de projetos
complementares e, da proteção e segurança. (CAU BR, 2014)
Portanto, no ponto de vista de Gurgel (2013), descreve que “a arquitetura de interiores deve
criar ambientes onde a forma e a função, ou seja, a estética e funcionalidade, convivam em
perfeita harmonia e cujo o projeto final seja o reflexo das aspirações de cada indivíduo.”.
É necessário procurar soluções criativas, personalizadas e com as particularidades de cada
ambiente.

Neste sentido, falar de Arquitetura é falar em pensar o ambiente, é refletir sobre suas
possibilidades. É fazer o máximo por ele, dentro das necessidades de quem vai
usufruir do espaço. Logo, a Arquitetura de Interiores vem ao encontro do propósito
de fazer do ambiente um lar ou um local de trabalho confortável, tranquilo e
produtivo. (PADILHA, 2015)

Gurgel (2013), ainda afirma que a arquitetura de interiores estuda o ser humano e suas
características, que consiste na expressão científica do seu modo de viver. Portanto, leva em
consideração dois fatores, o subjetivo e objetivo. Quando relacionado à utilização do espaço,
do ambiente com todos os detalhes e particularidades de quem vai desfrutar, é o fator
subjetivo. Já o fator objetivo é aquele que é dirigido pelas normais técnicas, ergonomia,
topografia, clima, dentre outros, e o mais recente pelo conceito de ecodesign e
sustentabilidade.

Construímos o meio ambiente utilizando valores objetivos como forma, função, cor,
textura, aeração, temperatura ambiental, iluminação, sonoridade, significante e
simbologia. Cada um desses valores objetivos resulta no espaço dimensionado,
funcional, sonoro, colorido, significante, e a somatória deles resulta no espaço da
comunicação da arquitetura. (OKAMOTA, 2002)

Seguindo a mesma linha, Diasgoi (2015) descreve que a arquitetura de interiores é muito mais
que um projeto com fatores técnicos, é ainda compreender o cliente e o ambiente. Já que são
os espaços que causam sensações e impacto na vida das pessoas independente do tamanho do
projeto, e ainda adequando as necessidades com criatividade e bom senso, proporcionando
acima de tudo o bem estar, tanto funcional quanto psicológico.
Ainda do mesmo autor, ele diz que:

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Essa mesma sensibilidade é capaz também de traduzir o partido e as expectativas


pessoais em formas e composições harmônicas, que tenham equilíbrio e
gerem sensação de bem-estar. É isso que interfere no resultado estético, porém se
não existir todo o embasamento anterior o projeto fica vazio. Fica parecido com
pessoas que são bonitas por fora mas sem muito conteúdo, sem “alma”, sem vida ou
energia, como uma casca bem enfeitada. (DIASGOI, 2015).

Além do Design e da Decoração, a arquitetura de interiores, conforme Oliveira (2008) é o


componente estrutural interno da edificação, como as aberturas, esquadrias, vigas,
fechamentos, escadas estruturais, mas incluindo a relação entre os espaços, destinações e
usos.
Já na visão de Padilha (2015), na arquitetura de interiores “o ambiente precisa ser pensado,
planejado, personalizado e partir de escolhas específicas para a sua utilização, os gostos dos
moradores, a sua localização e claro, a otimização de espaços.”.
É nessa perspectiva que o mesmo autor descreve que a arquitetura de interiores caracteriza a
concepção de um espaço que transmite aconchego capaz de proporcionar bons sentimentos e
a sensação de conforto e bem-estar. E para isso, é necessário que o ambiente seja bem
pensado em todos os detalhes. (PADILHA, 2015).
O ambiente provoca estímulos onde pode proporcionar a sensação de conforto ou não. Diante
disso, nas palavras de Bestetti (2014), cada indivíduo tem uma história de vida e isso
influencia no que é agradável ou desagradável, uma vez que as escolhas dependem de cada
um.
Segundo, Silva (2016) apresenta que “ao entrar em um ambiente, através de impacto visual,
percebem-se alguns significados devido ao comando inconsciente que o ambiente transmite.”.
Esses ambientes são pensados de tal modo que proporcione praticidade, conforto,
funcionalidade e a estética, harmonizando o espaço com os mobiliários, objetos de decoração,
cores e texturas e iluminação de acordo com a disponibilidade do investimento do cliente.
Botton (2007) conclue que: “A premissa para se acreditar na importância da arquitetura é a
noção de que somos, queiramos ou não, pessoas diferentes em lugares diferentes – e a
convicção de que cabe à arquitetura deixar bem claro para nós que poderíamos idealmente
ser.”.

2.1 Bem-estar e o conforto nos ambientes residenciais


A residência representa inteiramente o homem nas informações mais básicas, essenciais e as
interações entre natureza e cultura, como a relação entre sociedade e indivíduo.
Atualmente, o ser humano tem procurado uma nova realidade na qual as necessidades foram
modificadas e evoluíram aonde a questão principal é o bem-estar e a qualidade de vida junto
com sua família. A busca é constante, pois, não a nada melhor e confortável do que os
ambientes da nossa casa poder proporcionar essa sensação, tais necessidades da moradia para
o seu beneficio.
Segundo Padilha (2015), o homem tem a finalidade de garantir a qualidade de vida para sua
família, e para isso vive em busca de conseguir melhorar e alcançar ascensão social. Dessa

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forma, há uma grande dedicação estudando, trabalhando e correndo atrás dessa idealização do
padrão de viver bem, do bem-estar.
O ambiente doméstico como moradia, como convivência, é uma ampliação dos que moram
são. Para conceituar “casa” existem várias maneiras.
Para Machado (2016), o ser humano a casa representa dois fatos, a de segurança e a de
proteção. Contudo, quando se trata de lar, acredita que desempenha o papel muito mais que
um abrigo. A casa transmite conforto, estabilidade, paz e, sobretudo proporcione mais
felicidade onde transforma o espaço para manter os corações, mente e corpos.
Ainda do mesmo autor, Machado (2016) apresenta que: “O lar em que se vive é o ambiente
no qual se deve preservar todos os tipos de salubridades possíveis para que assim seja
possível ter a plena sensação de bem estar, este que é imprescindível para a felicidade
humana.”.
Já para Gurgel (2013) afirma que “a casa é onde dormimos, comemos, guardamos coisas
importantes para nós, recebemos amigos, ou seja, onde vivemos e nos sentimos protegidos.”.
Na visão de Silva e Santos (2012), a casa é o abrigo familiar por proporcionar relações
próximas que constituem o acolhimento e confiança. É a marca territorial, guarda nossa
identidade, nossa história, e é por isso que recebe a condição de lar.
Cianciard (2010) faz a conexção de lar de acordo com o arquiteto Witold Rybczynski afirma:

Como ressalta o arquiteto canadense-americano de origem polonesa Witold


Rybczynski em seu livro Casa, pequena história de uma idéia (Record, 1999), a
palavra “lar” reúne o significado de casa e família, de moradia e abrigo, de
propriedade e afeição. Esse pensamento pode ser complementado pelo arquiteto
finlandês Juhani Pallasmaa, quando afirma que o lar é um espaço que integra
memórias e imagens, desejos e sentimentos, passado e presente; é o lugar dos nossos
rituais e ritmos pessoais de todos os dias. Cada indivíduo possui uma forma de
imprimir sua marca no espaço onde habita, revelando sua personalidade e os seus
aspectos emocionais.

Conforme relata Costa (2015 apud Machado 2016), o ser humano tem a expectativa de
revelar quem realmente são quando constroem ou decoram suas residências. A casa é muito
mais que um porto de proteção, de um abrigo físico, é ainda psicológico que possui o zelo das
identidades e retrata a essência. É por isso, que arquitetura de interiores não é luxo, é acima de
tudo a história de vida dos seus habitantes.

Nosso lar é, por sua vez um reconhecimento do quanto a nossa identidade não é
autodeterminada. Precisamos de um lar no sentido psicológico tanto quanto o físico:
para compensar uma vulnerabilidade. Precisamos de um refúgio para proteger
nossos estados mentais, porque o mundo em grande parte se opõe às nossas
convicções. Precisamos que nossos quartos nos alinhem com versões desejáveis de
nós mesmos e mantenham vivos os nossos aspectos importantes e evanescentes.
(BOTTON, 2007).

A vida do ser humano e sua história deve representar no projeto de interiores do seu lar. É
dessa forma que Cianciard (2010), descreve quando fala nas escolhas da forma, das
composições, cores, estilo e dos objetos de decoração, são eles que comunicam a
personalidade de cada um.
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Da mesma forma que o homem nasce, cresce e morre, a casa embora seja um imóvel estático,
também tem suas evoluções e acompanhada de acordo com as transformações dos seus
moradores. O ideal é que as modificações não sejam somente superficiais, e sim como uma
melhoria interior, de rever o passado e deixar para trás tudo aquilo que não convém mais sob
aquele usuário, entretanto preservando as suas memorias e de sua família. (CIANCIARD,
2010).
As sensações de conforto no ambiente são muito mais do que reações fisiológicas, visto que
desempenham também papel cultural, simbólico e sensorial. Assim, os espaços apresentam
sensações. E, sejam elas, boas ou ruins, irá interferir na atmosfera física, mental e emocional.
Dessa forma, Savi (2016) defende que a integração entre o espaço e homem, particularmente
do lugar edificado, causa diversos comportamentos e atitudes.
Como a casa é um mundo singular, Trevizan (2004) descreve que quando o usuário acomoda
o “seu lugar”, procura marcar este espaço inserindo sua própria personalidade onde geram
significados que revela quem somos e como posicionamos diante desse espaço que nos
resguarda.
O espaço com conforto, privacidade e segurança, é o que Silva (2016) relata como residência,
é o apoio para o homem. Cada um tem sua particularidade e precisa ser pensado conforme as
atividades que vão ser realizadas.

A realização do conforto no ambiente doméstico perpassa pela noção de


habitabilidade. Para Bollnow (2008), as propriedades da habitabilidade de um
ambiente residencial são: ser um invólucro, apresentando-se como um refúgio em
relação ao exterior; ter espaço dimensionado de acordo com as necessidades de
quem nele vai habitar; ter móveis que preencham de forma adequada esse espaço;
proporcionar conforto térmico; ter cuidado na arrumação do espaço; exprimir a
identidade de quem habita; conter a memória da família que nele reside; e por fim,
abrigar uma família. (BOLLONOW apud SILVA; SANTOS, 2012).

Projetar ambientes na área residencial abrange muitas expectativas, por isso é um tanto
complexo. Diz o arquiteto Sig Bergamin que cada casa tem sua voz própria e não parar e
ouvi-la é uma bobagem. Perceber o que o espaço fala é entender a história, costumes e
identidades dos usuários, uma vez que a casa há uma comunicação não verbal e é o seu
modelo que revela quem são seus moradores. (CIANCIARD, 2010).

O planejamento adequado dos diferentes ambientes de uma casa deve propiciar o


acontecimento de todas essas atividades ás quais a casa se destina. A casa não deve
ser estática, pois nossa vida não é. Somos seres em movimento e vivendo uma
sociedade em constante evolução tecnológica. (GURGEL, 2013).

Para Silva (2016), é importante entender de início o perfil dos moradores, de cada usuário
envolvido e os ambientes que utilizam contendo as suas necessidades, mas, ainda as
probabilidades e a finalidade de cada espaço físico, assim, é um ótimo início para um bom
projeto de interiores residencial.
Bem como é tão importante compreender o ambiente e projetar de maneira correta de acordo
com as necessidades dos usuários, que induziu o laço da psicologia e arquitetura, onde
atualmente é conhecido como Psicologia ambiental. E é essa psicologia que avalia os

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comportamentos dos indivíduos no seu contexto, a relação com o ambiente, tanto social como
físico.
De acordo com Machado (2016), a psicologia do design de interiores tem a intenção de causar
a sensação de bem-estar a partir da correlação do homem ao ambiente.

Parecemos divididos entre a necessidade de atropelar nossos sentimentos e nos


adaptar anestesiados aos nossos ambientes e o impulso contraditório de reconhecer o
quanto nossas identidades estão indelevelmente associadas ao lugar onde vivemos, e
junto com ele se transformarão. Um quarto feio pode coagular vagas desconfianças
quanto ao que está faltando na vida, enquanto outro ensolarado, revestido com
pedras calcárias cor de melo, é capaz de dar sustentação às nossas maiores
esperanças. (BOTTON, 2007).

Do mesmo modo que o autor Botton (2007) abrange a relação entre a arquitetura e a
felicidade, outros estudiosos também levam a sério e buscam essa afinidade. O psicólogo
Gary W. Evans, concluiu, através de pesquisas, que o nível de sastifação dos proprietários das
suas casa é bem diferente da sastifação dos equilinos. Ele ainda obteve que as variações nas
características da casa podem aperfeiçoar a percepção subjetiva dos moradores e causar no
lugar sentimentos positivos. (SCARDUA, 2009).
As casas são caracterizadas como a extensão de nós mesmos, e aquelas que não tem o hábito
de modificar durante os anos podem transparecer em um espaço ríspido, de insegurança e
sensação de medo dos moradores, afirma Cianciardi (2010). Porém, mudar com frequência
semelha os usuários pela falta de firmeza e que são frágeis emocionalmente. Os fatores que
proporcionam o bem-estar, os sentimentos e emoções positivas, as sensações agradáveis e a
satisfação com o lar tem sido elaborados vários estudos de psicólogos para a entender a
arquitetura da felicidade. É por isso que o indivíduo passa a ser a questão principal da casa do
que a estética e funcionalidade.
Segundo Botton (2007), as casas não precisam ser planejadas apenas para ser funcional,
porém, necessita ter a estética e transmitir mensagens. É necessário atender e respeitar as
particularidades de cada usuário é o primeiro passo para atender as necessidades do espaço, e
ainda, as condições biológicas, como por exemplo a iluminação natural introduzir no interior
da residência, que não tem a função exclusivamente de esquentar o espaço, mas sim, tem
influência sob o organismo que regulariza os ciclos cotidianos condicionados de hormônios, e
assim o humor tem melhorias.
No interior de uma casa, um ambiente apropriado é aquele que provoca uma agradável
sensação, tanto na visão quanto no tato, mesmo com as dimensões desejadas de acordo com a
função que o local necessite. As intermináveis cores e as texturas dos elementos, com a
temperatura empregada de forma correta ao local, ainda que pode ser controlada não apenas
pela definição dos materiais construtivos, pela posição solar e os ventos predominantes ou
mesmo utilizar plantas aliviam o calor e ainda enfeitam o espaço. Portanto, pode-se concluir
que todos os elementos precisam levar em consideração para colaborar com a de bem-estar e
aconchego.
Por esse motivo, Gurgel (2013) defende que é: “fundamental que tenhamos espaços
projetados especificamente para sua função, armários convenientes e acessíveis, iluminação

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que não provoque reflexos nos olhos e peças de mobiliário perfeitamente adaptadas ao
homem e à a sua função. ”.
Merino (2010) justifica que as necessidades individuais, os hábitos característicos de cada um
e os aspectos cultuarias e sociais muitas vezes são rejeitados dando forma a um lugar que
chamou de “formula pronta de ambiente”, ou seja, o ambiente que deveria ser personalizado
de acordo com o modo partícula é concebido somente por estética. Assim sendo, a aparência
foi pensada como primordial da concepção do ambiente, e isso não deve ser uma
determinante.
A casa tem a capacidade de influenciar a ação da percepção, avaliação, comportamentos e
satisfazer as nossas necessidades e desejos. As escolhas das cores, texturas, moveis e a
disposição dos elementos constituem uma atmosfera mais pesada ou leve, proporcionam um
espaço expansivo ou introspectivo, manifesta alegria ou tristeza.
Almeida (2011) apresenta que a quantidade de referência visual no interior das casas e as
condições de interação entre o ambiente e as pessoas, são decisivas na qualidade de vida,
além da sensação de satisfação dos indivíduos. Dessa forma, alguns exemplos podem ser
citados: ambientes com muita informação pode proporcionar ao indivíduo que ele fique mais
estremecido, já simultaneamente as cores relaxantes tem a capacidade de gerar tranquilidade
nas pessoas, deixando-as mais calmas. Texturas rústicas causam a sensação de conforto, no
tempo que os espaços sem iluminação natural podem ser cruéis. Afinal, esta interação é muito
importante para a qualidade de vidas dos usuários.
Todos os ambientes de um lar há uma definição no fator psicológico. Com um conceito
social, a sala, é um espaço das relações, onde ocorre a passagem entre o interno e externo. Na
sala de jantar tem como característica de ser uma aparência mais formal, é onde a família e os
amigos socializam e um espaço que estão subentendidos a organização e os princípios de
etiqueta. A cozinha, o autor apresenta como o útero da casa, ou seja, é o ambiente das intensas
mudanças. Os quartos têm como referência aquele lugar que o morador pode sonhar e ser
traduzida a sexualidade de maneira livre. E ainda, um espaço de intimidade que abriga os
segredos e os sonhos. No banheiro a pessoa torna mais vulnerável e surge a imagem do
verdadeiro eu, frágil e sem artifícios, e ainda como característica do ambiente das máscaras
sociais se romperem. (CIANCIARD, 2010).
Conforme Gurgel (2013), estudar e entender as atividades que serão concretizadas em cada
ambiente e os elementos que vão estar formando parte do projeto, é um fator primordial para
que ocorra a satisfação do usuário. Deste modo, ela relata os ambientes de modo que:
Livings ou salas: Os espaços propostos para socializar são necessários ter um clima que
ofereça a convivência, ou seja, tem que haver o diálogo entre as pessoas como em salas e que
proporcione a concentração e o relaxamento em ambientes de home theater.
Dormitórios: Por ser ambientes para relaxar e dormir, uma necessidade básica do homem, é
necessário ser aconchegante e acolhedor, e ainda, essencial causar o relaxamento, ser
ventilado e bem iluminado. No caso de ter um local destinado ao studo, a iluminação deve se
diferenciada. Quando entra em questão as cores, as mais aconselhadas são as levemente
quentes, tons claros, pois facilitam a criar atmosfera aconchegante. As cores mais vibrantes
deixam a mente mais agitada. Por isso, cada atividade é especifica e precisam ser
considerados. A autora ainda complementa quando diz que nos quartos os acabamentos

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devem favorecer a atividade básica do ambiente, como por exemplo, as janelas e portas com
tratamento especifico a escuridão ser garantida e ter uma noite de sono adequada.
Banheiros: Na arquitetura de interiores os banheiros acabaram sendo importantes, na qual, em
muitas situações revelou ser um símbolo de poder econômico. Podendo ser de várias
maneiras, simples e racionais ou até mesmo salas de banho com sauna, Spa e área de repouso,
e alguns ainda com surpreendentes vistas diante das grandes janelas. Algumas maneiras
divergem o uso do banheiro, para alguns indivíduos sendo práticos, pequenos e sendo
utilizado apenas para a higiene pessoal. Já para outros são ambientes que servem para o
relaxamento com grandes espaços confortáveis. Em relação as cores, é indispensável escolher
qual mais se adapta a atmosfera e a energia que espera no banheiro, por exemplo, cores
escuras ocorre a sensação de ambiente menor e cores claras ajudam a ampliar. O amarelo é
aconselhado para aqueles que necessitam de mais energia pela manhã.
Cozinha/Copa: Interligado a cozinha, para alguns tornou um dos ambientes mais importantes
da casa, até mesmo antes da sala de jantar. Com a finalidade de reunir a familia e passar horas
juntas, necessitam ter particularidade e aconchego. Utilizando as cores quentes proporcionam
esse bem-estar, já os tons entre o vermelho e amarelo estimula mais o apetite, pois essa cor
provoca o cérebro. Em relação a iluminação para promover uma atmosfera mais aconchegante
pode fazer o uso da iluminação direta sobre a mesa, e no entorno uma iluminação geral.
Sala de TV/Home Theater: Este ambiente, nada mais é que uma sala com sistema de som que
atua como cinema, ultimamente vem tomando uma grande porporção e importância nas casas.
Esse formato de “cinema em casa” leva em consideração as transformações que sociedade
vem passando, com menos segurança e mais apreensão. A maneira de deixar esse espaço
aconchegante é, além das cores e texturas, utilizar a iluminação indireta ou de efeito.
Quando entra em questão a tecnologia nos ambientes domésticos, sua aplicação foi
estabelecida com a finalidade de favorecer um ar interno melhor por causa das fumaças que
escapavam das lareiras. Isso ocorreu no século XIX, no momento em que houve uma grande
preocupação de melhorar o ar interno das casas, quando as grandes cidades com o intuito de
melhorar a qualidade do ar diminuíram as fontes poluentes externas. Entendia-se que a
respiração com o dióxido de carbono e a junção no ambiente conseguiria ser fatal para a saúde
e conforto de quem ocupava os ambientes. (RYBCZYNSKI, 1996 apud SILVA; SANTOS,
2015).
Padilha (2015) defende que é preciso quando obeserva os materiais de acabamentos nos tons
de madeira, o efeito que causam é favoravel de aquecer qualquer ambiente. Em relação as
cores, as neutras como mafim, marrom, bege e o tradicional branco acompnhado da instalção
de espelho, deixam o espaço com um ar de leveza, e proporciona a sensação de ambiente mais
amplo.
Lembrando ainda que há o poder que a vegetação favorece ao espaço. Ainda a mesma autora,
Padilha (2015), destaca que fazer o uso do verde, da vegetação, seja plantas ou flores,
permitem uma atmosfera pura e com ótimos efeitos ao ambiente construído.

Podemos não nos dar conta disso, mas as plantas fazem muita diferença em relação
ao nosso bem estar dentro de um ambiente. Elas limpam o ar, amenizam o calor,
renovam as energias, e podem estar presentes em grande quantidade no jardim, seja
ele externo ou interno, ou então em vasos dentro de casa ou na varanda. Falta de
espaço também não é motivo para não ter plantas em casa, já que elas podem ficar

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não só no chão, mas também na parede ou penduradas no teto, com vasos suspensos.
(DIASGOI, 2017).

Savi (2016) declara que a forma, função, textura, cor, temperatura ambiental, iluminção e
sonoridade, são principios do espaço construído. E cada um resulta no espaço dimensionado,
funcional e importante.

Contudo, independentemente da escolha, os materiais de acabamento das superfícies


tendem a dar forma e significado ao espaço, e é difícil não perceber o impacto e a
importância deles. As características de qualquer material, entre elas a expressada
pela sua cor, textura, acabamento, calor e respostas inerentes à luz, por exemplo,
fazem muitas vezes com que a percepção do conforto seja mais intensa, e esse fato,
associado também a outros fatores fisiológicos e psicológicos, acaba por determinar
as verdadeiras preferências dos usuários. (ZALESKI, 2006 apud PADILHA, 2016).

A constante busca pela qualidade de vida e bem-estar nos ambientes residenciais, acentua
também outros elementos da arquitetura de interiores como o uso das cores. É algo bem
particular e que representa muita personalidade, além de influenciar no comportamento das
pessoas, de como reagem de maneiras distintas.

Sobre o indivíduo que recebe a comunicação visual, a cor exerce uma ação tríplice:
a de impressionar, a de expressar e a de construir. A cor é vista: impressiona a
retina. E sentida: provoca uma emoção. E é construtiva, pois, tendo um significado
próprio, tem valor de símbolo e capacidade, portanto, de construir uma linguagem
própria que comunique uma ideia. (FARINA; PEREZ; BASTOS, 2013).

As cores exercem uma influência muito grande sobre as pessoas, tanto nos aspectos físico,
mental e no aspceto emocional, que por muitas vezes não é percebida. Elas podem nos
animar da mesma forma que pode irritar, estimular, deprimir, sensação de angustia, dentre
outros sentimentos.

As cores, por meio de nossos olhos e do cerebro, fazem penetrar no corpo físico uma
variedade de ondas com diferentes potencias que atuam sobre os centros nervosos e
suas ramificações, e que modificam nao somente o curso das funções organicas, mas
também nossas atividades sensoriais, emocionais e afetivas. (FARINA; PEREZ;
BASTOS, 2013).

Conforme Gasparetto (2016), as cores podem gerar grande soluções, tais como: elevar a
moral, diminuir ou melhorar a intensidade de luz, aumentar o cumprimento com as atividades,
diminuir o esforço visual, reduzir ou expandir os espaços.
Nessa mesma perspectiva, Farina, Perez e Bastos (2013) concorda que a cor é uma força
poderosa. Pela questão sensorial, as cores podem desandar ou avançar. Pois, qualquer volume
de um objeto que seja pode alterar pela aplicação da cor. Quando branco parece mais amplo,
pela luz que reflete. E as cores escuras, é pelo contrário, encolhem os ambientes. As cores
podem ser um elemento de peso, isto é, pode ocorrer equilíbrio ou desequilíbrio dentro do
ambiente: as cores frias necessitam mais espaço, pela expansão ser menos, e as quentes
necessitam de espaço menor, pois se ampliam mais.

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Para Nunes, Nogueira e Ricci (2016), os efeitos psicológicos que as cores geram nos
indivíduos, quando utilizadas corretamente, podem remedir problemas de saúde ou até mesmo
provocam sensações negativas quando mal aplicadas.
Gasparetto (2016), exemplifca que ao acordar e o dia esta bem ensolardo com o ceu bem azul,
a sensação que transmite é muito boa, uma satisfação intima estimulado pela bela paisagem.
Dessa forma, é possiel que o humor melhore e comece o dia bem animado. Diferentemente
dos dias que amahecem mais fechados, com o tempo de chuva e cinza.
As cores sendo usadas de forma geral, alguns efeitos que podem ser atingidos: os tons claros
em pequenos espaços resultam a sensação de bem maior do que são, pois ampliam os espaços.
Já os tons escuros como em uma parede de fundo, tem a sensação de ambiente menor. Em
espaços mais quadrados, uma ótima possibilidade é aplicar uma parede colorida. (NUNES;
NOGUEIRA; RICCI, 2016).
Segundo a mesma autora, Nunes, Nogueira e Ricci (2016), a sala de estar e jantar devem ser
bem aconchegantes, uma vez que são lugares de receber visitas. Para ter uma conversa
estimulante o uso da cor amarelo forte ou tonalidades de laranja, são uma boa opção pois
despertam o convívio e a sociabilidade.
LACY (1996 apud Nunes, Nogueira e Ricci, 2016) diz que com a cor azul a conversa
encaminha para algo mais sério. O vermelho causa uma sensação de intimidade.
Já Fontoura (2016), afirma que para os dormitórios e sala de estar as cores indicadas são
aquelas que transmite tranquilidade, e serenidade, como os tons verde e azuis.
Gasparetto, (2016) expõe que os quartos por ser ambientes de repouso são indicadas as cores
frias e relaxantes. Uma boa opção são os tons de azul e lilás que acalmam e nos ajudam a
relaxar. O verde é uma cor estável, de equilíbrio, não excita e nem acalma, e também pode
ser aplicada. As cores “quentes” como tons de amarelo, laranja e vermelho podem ser usados,
mas com cuidado, somente em pequenos detalhes de decoração para não despertar agitação.
O ambiente de comida preparada, a cozinha, é considerado um dos lugares mais importantes
da residência, e para isso, uma boa opção de cor é o amarelo que influencia nas refeições,
porém, favorece a pessoa comer mais rápido e a falar muito, fato que atrapalha na digestão.
(LACY, 1996 apud NUNES; NOGUEIRA; RICCI 2016).
Nos banheiros, na maioria das vezes por não ser ambientes grandes, o uso do branco ou cores
neutras são as mais aconselhadas, pois transmite a sensação de amplitude. As demais cores
apenas em detalhes. (NUNES; NOGUEIRA; RICCI 2016).
Seguindo a mesma perspectiva, Gasparetto (2016), relata que as cores claras são indicadas
para que a sujeita fique mais perceptível e o banheiro fique sempre limpo. As cores brancas,
bege, creme, cinza, verde e azul deixam o espaço bem iluminado e gera a sensação de
ambiente mais amplo. As cores escuras utilizadas apenas em detalhes.
Assim sendo, utilizar corretamente as cores é necessário estudar suas particularidades de cada
local e para cada função que exerce, uma vez que o fator psicológico, também pode
influenciar.
Em relação a iluminação, desde início, o homem procura a luz como fonte de sobrevivência,
orientação nos espaços e satisfação, isto é, pode-se dizer que iluminação artificial mudou as
vidas das pessoas.
A iluminação passou ser um elemento fundamental, sendo usada no projeto de arquitetura de
interiores residenciais. Pois, além de ser funcional, a finalidade da luz pode estimular

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sensações e ações distintas nos usuários. Ou seja, é capaz de transformar a percepção das
formas, materiais e cores, e para isso ser adquirido é preciso ter diferença de intensidae,
tonalidade da luz e a organização no ambiente.
Um bom projeto de iluminação com a utilização das texturas e cores, contrastes e definir
corretamente as lampadas e luminarias, pode proporcionar bem-estar dos ambientes, torando
um conforto visual adequado.
Nas áreas residenciais, uma opção que pode ser utilizada é a proposta da iluminação de forma
cênica, isto é, criar diversas atmosfera no ambiente ou destacando algum objeto, que para
produzir esse resultado utiliza a iluminação pontual.
Segundo Portela (2016), com o emprego do forro em gesso a forma de iluminar o espaço
ficou mais apropriada e homogênea. Dessa forma, um ambiente iluminado de forma correta
permite uma melhor qualidade de vida além da aproximação dos habitantes com a casa.
Ainda da mesma autora, ela afirma que a luz influencia no ritmo circadiano do homem, que
de forma adequada é fundamental para uma vida saudável. Logo, a iluminação artificial deve
ser pensando para não interferir com os ritmos biológicos. (PORTELA, 2016).
Soares (2013), expõe que iluminar ambientes residências deve ser muito mais que números e
formulas, e sim, deve ser compreendido como ferramenta que provoca experiências e
sensações. Nesse sentido, o mesmo autor explica cada espaço nas residências: na sala de estar,
o ideal é que o ambiente tenha uma iluminação geral uniforme, agradável e com flexibilidade,
podendo ser alterada conforme cada situação. Como característica do ambiente, é
recomendado que transmita a sensação de aconchego e conforto, e para isso é ideal utilizar
lâmpadas com a temperatura de cor mais quente. Fazer o uso de luminárias com luz rebatida
ou sancas no gesso é uma ótima forma de impedir o ofuscamento das pessoas. Já para a
iluminação de destaque, é necessário que a reprodução de cor seja boa para aparecer as cores
reais dos objetos destacados. Para as salas de jantar, na maioria das vezes faz o uso da
iluminação com um pendente acima da mesa de jantar. Porem, para que seja adequada é
fundamental o uso da dimerização apra controlar a intensidade da luz sobre aqueles que estao
sobre a mesa ou mesmo para limpeza do espaço. Essa iluminação não pode ser ofuscar, por
isso devem estar envolvidads por cupulas com difusor e instaldas na altura correta. A
temperatura de cor é aconselhavel uma temperatura mais quente para proporcionar uma
atmosfera aconchegante e confortável. Para os dormitórios, a iluminação indicada é com
temperatura de cor mais quente, com a luz indireta ou utilizar as sancas em gesso, dessa forma
evita o ofucscamento de quem está deitado na cama. Dependendo dos usuários, ainda tem a
função de atender a leitura de cabeceira, que para isso pode fazer o uso de luminarias de
mesa, como pendentes, abajures ou arandelas. (SOARES, 2013).
Em banheiros, o mesmo autor caracteriza que a iluminação geral precisa ser centralizada e
ambundante, e de preferência que a luminária seja com difusor em vidro ou acrílico. Um dos
pontos importantes e que precisam de cuidado é a iluminação em espelhos, pois pode
provocar um grande ofoscumanto por ser um grande indice de reflexão, e ainda a atenção para
evitar o sombreamento no rosto. Dessa forma, para impedir sombras a iluminação adequeada
é instalar na lateral e embutida por trás do espelho.
Nas cozinhas, atualmente, ganharam um valor fundamental nas residencias, sendo além das
tarefas domésticas e exercendo a função de receber visitas também. A iluminação desse
ambiente deve ser uma mistura de geral e pontual, para favorecer um ambiente aconchegante

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e mais descontraido sem prjudicar a bancada com a iluminação de tarefa. A temperatura de


cor adequada é aquela que propicie um preparao ideal dos alimentos, por isso, de preferência
a luz mais branca, que se for o caso ter armários superiores acima da bancada pode ser
instalado embutida sob esses armários para garantir conforto de quem prepara o alimento.
(SOARES, 2013).
Contudo, com essas informações o profisisonal de arquitetura pode começar a desenvolver
um projeto de arquitetura de interiores residenciais pensando na melhor forma que os usuários
vão usufrir do ambiente respeitando alguns fatores, como: beleza, funcionalidade, harmonia e
satisfação dos futuros usuários, tendo sempre como finalidade principal buscar mais qualidade
de vida com os diversos elemtentos da ambientação.

6. Conclusão
De acordo com este artigo, conseguiu perceber que na arquitetura de interiores pensar nos
ambientes internos de forma adequada é possivel proporcionar resultados satisfatório,
desenvolvendo um projeto que retrata as características, as raízes e acima de tudo a
personalidade dos que habitam.
Para conseguir o bem-estar ao projetar os ambientes não pode pensar somente em “enfeitar o
espaço”, porém, é necessário saber as reais necessidades dos usuários, as características físicas
do ambiente e o tempo que permanecem inserido no local.
Concluiu ainda que os ambientes domésticos podem influenciar os usuários na sua percepção,
no comportamento, proporcionando sensações e emoções, sejam agradáveis ou não, através
da composição dos mobiliários, cores, texturas, ventilação e iluminação. Esses elementos
quando aplicados de forma adequada resulta na qualidade de vida, no conforto e bem-estar de
quem ocupa.
Com o uso ideal das cores nos ambientes percebeu que pode melhoras a eficiência nas
atividades, oferecer um aspecto individual para cada ambiente, aumentar a moral, evidenciar
ou esconder, reduzir ou aumentar a intensidade de luz, diminuir o esforço visual, ampliar ou
reduzir espaços e ainda desenvolver a segurança.
Necessário também pensar na iluminação, pois atualmente, tem um papel fundamental nas
residências, na qual ocasiona conforto físico e mental e ainda favorece sensações. Com um
profissional adequado e um bom projeto de iluminação é preciso analisar a interferência que a
iluminação artificial causa no organismo, por isso, leva-se em consideração as características
físicas e biológicas da luz.
Por essa razão, esta pesquisa apresenta a importância da arquitetura de intereriores residenciais
com um projeto adequado e com as particularirdades de cada ambiente e ocupantes, fazendo a
relação diretamente ambiente e homem. Além de ser fundamental também o profissinal da área,
arquiteto, que possui uma ampla visão em diversos elementos para compor o espaço, não
somente pensando na estética, mas, levando consideração à funcionalidade e o
aproveitamento do espaço da melhor forma, atendendo as necessidades dos ocupantes,
proporcionando uma qualidade de vida.

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