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APRESENTAÇÃO DO CURSO

O curso será disponibilizado em forma de vídeo-aulas, distribuídas em


12 aulas, sendo 10(dez) delas expositivas, ministradas no período de
aproximadamente 15 (quinze) minutos cada; as outras 02(duas) contém o áudio
explicativo com base do teor de uma tese de concurso e de uma sentença (que
constará na tela).

• Vídeo 000
Título: Introdução
Conteúdo: Conceito de sentença (e suas modificações ao longo das últimas
alterações legislativas e no NCPC). Conteúdo do curso distribuído em seus 6 módulos (1.
conceitos; 2. relatório; 3. fundamentação; 4. dispositivo; 5. estruturação do raciocínio; 6.
prática/análise de sentenças).
Tempo: 5:54

• Vídeo 001 – Módulo 1 – Aula 1


Título: Reflexões Iniciais. A Vida do Juiz e os Pronunciamentos Judiciais.
Conteúdo: Reflexões iniciais. A vida do juiz e os pronunciamentos judiciais
(despachos, decisões interlocutórias e sentenças).
Tempo: 15:02

• Vídeo 002 – Módulo 1 – Aula 2


Título: A Sentença – Considerações Gerais.
Conteúdo: Sentença: conteúdo, objetivo e importância. Sentença terminativa e
definitiva. Perspectivas da atuação judicial à luz do NCPC.
Tempo: 13:08

• Vídeo 003 – Módulo 2 – Aula 1


Título: Relatório – Dicas de Redação. Importância e Requisitos.
Conteúdo: Elementos da sentença. Dicas de redação. Importância dos requisitos
de regularidade formal, de validade, de existência e de inteligência. Relatório (o
que deve constar, como deve ser desenvolvido).
Tempo: 14:18

• Vídeo 004 – Módulo 2 – Aula 2


Título: Relatório – Critérios para Elaboração
Conteúdo: Nomes das partes. Identificação do caso. Suma do pedido e da
contestação. Registro das principais ocorrências. Questões incidentais. Tempo
verbal.
Tempo: 13:57

• Vídeo 005 – Módulo 3 – Aula 1


Título: Fundamentação – Estruturação. Questões Preliminares.
Conteúdo: Estruturação da fundamentação (ordenação e desenvolvimento).
Preliminares.
Tempo: 18:17

1
• Vídeo 006 – Módulo 3 – Aula 2
Título: Fundamentação – Questões Prejudiciais. Mérito da Causa.
Conteúdo: Questão Prejudicial. Mérito da causa. Motivação: princípio da
persuasão racional. Aspectos processuais destacados, como julgamento
antecipado da lide. Aplicabilidade do CDC. Inversão do ônus da prova.
Tempo: 15:32

• Vídeo 007 – Módulo 3 – Aula 3


Título: Fundamentação – Alterações no NCPC (art. 489, §1º)
Conteúdo: Exigências previstas no §1º do art. 489 do NCPC. Importância do
sistema de precedentes. Orientações complementares (sugestões sobre o
desenvolvimento do raciocínio).
Tempo: 17:21

• Vídeo 008 – Módulo 4 – Aula 1


Título: Dispositivo – Comando Principal e Encargos Sucumbenciais
Conteúdo: Importância do dispositivo. Rigor técnico. Conteúdo: comando principal
e encargos sucumbenciais (art. 85 do NCPC).
Tempo: 13:00

• Vídeo 009 – Módulo 4 – Aula 2


Título: Dispositivo – Encargos Sucumbenciais
Conteúdo: Encargos sucumbenciais (continuação). Outros comandos e
regramentos específicos.
Tempo: 18:03

• Vídeo 010 – Módulo 5 – Aula 1


Título: Estruturação do Raciocínio
Conteúdo: Dicas sobre a estruturação do raciocínio por ocasião da elaboração da
sentença em prova de concurso (a partir da tese apresentada). Método CPC
(conhecer, planejar e conferir).
Tempo: 16:21

• Vídeo 011 – Módulo 6 – Aula 1


Título: Análise do Teor de uma Tese de Concurso da Magistratura.
Conteúdo: Leitura e breve interpretação de uma tese de sentença cível (aplicada
no concurso da magistratura no estado de Santa Catarina no ano de 2010).
Tempo: 25:49

• Vídeo 012 – Módulo 6 – Aula 2


Título: Análise da Sentença Cível.
Conteúdo: Dicas sobre a elaboração da sentença cível (explicadas a partir do seu
teor já redigido). Erros mais comuns praticados. Considerações finais.
Tempo: 02:00:37

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SUMÁRIO
PALAVRAS INICIAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4

DA SENTENÇA
REFLEXÃO INICIAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
OS PRONUNCIAMENTOS JUDICIAIS. A SENTENÇA, A DECISÃO
INTERLOCUTÓRIA E O DESPACHO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
O QUE O NCPC PROMETE? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
O QUE O NCPC ESPERA DO JULGADOR? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
ELEMENTOS ESSENCIAIS DA SENTENÇA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
DICA DE REDAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
DICA QUANTO À FORMA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12

DO RELATÓRIO
CONSIDERAÇÕES INICIAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
COMO REDIGIR O RELATÓRIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
DICAS IMPORTANTES PARA A ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO . . . . . . . . . . . . 14
TEMPO VERBAL A SER EMPREGADO NO RELATÓRIO . . . . . . . . . . . . . . . 15

DA FUNDAMENTAÇÃO
CONSIDERAÇÕES INICIAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
EM QUE CONSISTE A FUNDAMENTAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
ORDEM A SER OBSERVADA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
PRELIMINARES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
QUESTÃO PREJUDICIAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
MÉRITO DA CAUSA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
ALTERAÇÕES PROMOVIDAS COM O NCPC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
A FUNDAMENTAÇÃO COMO CRITÉRIO PARA ENFRENTAMENTO
DA COLISÃO ENTRE NORMAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
REFERÊNCIAS LEGISLATIVAS USUAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO JUDICIAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
A COERÊNCIA COMO MEIO INTERPRETATIVO . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
A PREVALÊNCIA DA SENTENÇA COM RESOLUÇÃO DE MÉRITO . . . . . . . . . . . 23
A SENTENÇA SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
ESPECIFICAÇÕES NECESSÁRIAS – OBRIGAÇÃO DE PAGAR QUANTIA CERTA . . . . . 24
PRINCÍPIO DA CONGRUÊNCIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
FATO SUPERVENIENTE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
SISTEMA DE PRECEDENTES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25

DO DISPOSITIVO
CONSIDERAÇÕES INICIAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
COMANDO PRINCIPAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
ENCARGOS SUCUMBENCIAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
SUCUMBÊNCIA MÍNIMA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO DOS ENCARGOS SUCUMBENCIAIS . . . . . . . . . . . . . 33
DEMAIS COMANDOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34

PALAVRAS FINAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA PARA ESTUDO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38

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PALAVRAS INICIAIS

Se você foi capaz de sonhar com algo, tenha certeza de que também
é capaz de realizá-lo. Rogando que compartilhe desta convicção, cumprimento-
o carinhosamente e lhe desejo boa sorte em seus propósitos, pois todo o resto
depende apenas de você.

É sob esta perspectiva que o presente curso SENTENÇA CÍVEL


DESCOMPLICADA está sendo disponibilizado de modo online, justamente para
permitir que este conhecimento seja acessível a todo aquele que tiver interesse
em aprender ou aperfeiçoar a técnica de elaboração da sentença cível.

A presente apostila se presta apenas a servir de material de apoio


para eventual consulta, sobretudo após a conclusão do curso, daí porque nela
constam alguns destacados registros do seu conteúdo (dos módulos 1 a 4). Além
disso, permitirá que nela sejam lançadas suas anotações ao longo dos estudos
e das atividades práticas realizadas.

Lembro que, para alcançar o desafio de conceber a tarefa de elaborar


uma sentença cível como algo simples e descomplicado, duas atitudes
complementares, de sua parte, além do curso, são necessárias:

A primeira é a constante leitura de sentenças. Tente montar um


banco de dados (que pode ser virtual e facilmente obtido em consulta aos sites
dos tribunais) e assim se disciplinar para ler atentamente, e com olhos críticos,
pelo menos uma sentença cível por dia, procurando diversificar o conteúdo (de
modo a ler, por ex., num dia uma sentença em demanda possessória, noutro,
uma rescisória de contrato, noutro indenização por acidente de trânsito, e assim
sucessivamente).

A segunda é o permanente treinamento da elaboração de


sentenças em relação a casos concretos (minutas) ou a partir de teses de
concurso (simulação). Tais teses podem ser facilmente obtidas pela internet.

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Priorize aquelas aplicadas nos concursos da magistratura realizados em
diversos locais, conforme o ramo da justiça por você escolhido. Importa que você
treine, treine e treine muito. Somente assim, perceberá a evolução alcançada, a
qual fará com que, dia após dia, melhor compreenda a tese, estruture o raciocínio
e desenvolva a elaboração da sentença.

Este é o nosso desafio, sendo certo que o resultado proporcionará a


aproximação ao seu objetivo que pode ser a aprovação no concurso da
magistratura ou outro, como o aprimoramento do seu trabalho já desempenhado
na assessoria de gabinete de magistrado ou até mesmo a atuação como juiz
leigo (no âmbito dos juizados especiais).

E é assim, compartilhando deste propósito, que se disponibiliza este


curso na plataforma UDEMY (http://www.udemy.com) e que, eu e você,
seguimos caminhando em busca do permanente aprimoramento.

So, let’s go! The dream is waiting for you! (Não o contrário)

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DA SENTENÇA

REFLEXÃO INICIAL

Sobre a atuação do Poder Judiciário, sugerimos inaugural reflexão


sobre as palavras ditas por WARREN BURGER, Presidente da Suprema Corte
norte-americana na década de 70, citado por CALMON: "Não é correta a noção
de que os cidadãos comuns querem juízes com toga preta, advogados bem
vestidos e tribunais bem revestidos como características para resolver suas
disputas. As pessoas com problemas são como os doentes, querem remédios e
os querem o mais rápido e barato possível.", citado por Calmon (2007, p. 164,
original dem grifo)

OS PRONUNCIAMENTOS JUDICIAIS. A SENTENÇA, A DECISÃO


INTERLOCUTÓRIA E O DESPACHO.

Ato processual do juiz é categoria mais ampla (abrange os


pronunciamentos, inquirição de testemunha, inspeção judicial). Logo, ato
processual é gênero, do qual pronunciamento é espécie.

NCPC, Art. 203. Os pronunciamentos do juiz consistirão em sentenças, decisões


interlocutórias e despachos.
§1o Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença
é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e
487, põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a
execução.
§ 2o Decisão interlocutória é todo pronunciamento judicial de natureza decisória
que não se enquadre no § 1o.
§ 3o São despachos todos os demais pronunciamentos do juiz praticados no
processo, de ofício ou a requerimento da parte.
§ 4o Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista obrigatória,
independem de despacho, devendo ser praticados de ofício pelo servidor e revistos
pelo juiz quando necessário.

6
Vale lembrar que as decisões interlocutórias consistem nos
pronunciamentos judiciais (em qualquer grau de jurisdição) que durante o
processo, resolvem uma questão incidente, um incidente processual ou
uma parcela do mérito sem, contudo, pôr fim a fase cognitiva do
procedimento comum ou extinguir a execução.

SENTENÇA, por sua vez, é o pronunciamento por meio do qual o


juiz, com fundamento no art. 485 e 487, põe fim à fase cognitiva do
procedimento comum, bem como extingue a execução.

Como identificar a sentença como pronunciamento judicial?

1. ANTES DA REFORMA (LEI N. 11.232/05). Em sua redação


anterior à Lei n. 11.232/05, o Parag. 1o do art. 162 preconizava: "sentença é o
ato pelo qual o juiz põe termo ao processo, decidindo ou não o mérito da causa".

2. DEPOIS DA LEI N. 11.232/05). A redação dada pela Lei n.


11.232/05 estabeleceu: "sentença é o ato do juiz que implica alguma das
situações previstas nos arts. 267 e 269 desta Lei."

3. COM O NOVO CPC. É necessário que concorram duas


circunstâncias:

1) Que o pronunciamento tenha fundamento nos arts. 485


e 487;

2) Que extinga o processo (fase cognitiva ou execução)

Diz o §2ª do art. 203 do NCPC que decisão interlocutória é todo


pronunciamento judicial de natureza decisória que não se enquadre no § 1º (em
relação aos dois requisitos).

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Logo, haverá decisões interlocutórias agraváveis (quando couber
agravo de instrumento) e outras apeláveis (quando forem impugnadas na
apelação.

Além disso, haverá decisões com conteúdo típico de sentença que


serão agraváveis (como JAPM – Julgamento Antecipado Parcial do Mérito).

Há, portanto, decisões interlocutórias que tem conteúdo de sentença.


Por isso, nestes casos, se recomenda que contenham os mesmos elementos
(relatório, fundamentação e dispositivo).

São os casos em que parcela do mérito é resolvida no curso do


processo e/ou em que o processo é parcialmente extinto sem resolução do
mérito.

Seção I - Da Extinção do Processo


Art. 354. Ocorrendo qualquer das hipóteses previstas nos arts. 485 e 487, incisos
II e III, o juiz proferirá sentença.
Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput pode dizer respeito a apenas
parcela do processo, caso em que será impugnável por agravo de instrumento.

Seção III - Do Julgamento Antecipado Parcial do Mérito


Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos
formulados ou parcela deles:
I - mostrar-se incontroverso;
II - estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355.

QUANTO AO CONTEÚDO DA SENTENÇA. Poderá ser


PROCESSUAL (art. 485) ou DE MERITO (art. 487).

A primeira, também é conhecida como SENTENÇA TERMINATIVA.

Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:

I - indeferir a petição inicial;

II - o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes;

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III - por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor abandonar
a causa por mais de 30 (trinta) dias;

IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento


válido e regular do processo;

V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada;

VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual;

VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o


juízo arbitral reconhecer sua competência;

VIII - homologar a desistência da ação;

IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por


disposição legal; e

X - nos demais casos prescritos neste Código.

A segunda é conhecida como SENTENÇA DEFINITIVA

Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz:

I - acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção;

II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou


prescrição;

III - homologar:

a) o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na


reconvenção;

b) a transação;

c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção.

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O QUE O NCPC PROMETE?

Vejamos, a partir da própria letra da norma jurídica, algumas


promessas veiculadas com o NCPC.

Art. 3o Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.

Art. 4o As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do


mérito, incluída a atividade satisfativa.

Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha,
em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (Princípio da primazia da
sentença de mérito).

Art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e
fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade.

O QUE O NCPC ESPERA DO JULGADOR?

Espera que a parte encontra o que procura, ou seja, uma tutela de


mérito que resolva o conflito e, que para isso, seja efetiva.

Espera que a parte compreenda as razões que levaram o juiz a formar


tal convicção,

Espera que o sistema de precedentes, formado pelas decisões


prolatadas nos tribunais superiores, especialmente por meio do julgamento
repetitivo e das súmulas vinculantes, proporcione mais segurança jurídica e, até
mesmo, maior celeridade e efetividade processual (como efeitos reflexos).

E, para tudo isso, o que ele pede ao julgador, é que desenvolva uma
motivação qualificada.

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ELEMENTOS ESSENCIAIS DA SENTENÇA. DICAS DE REDAÇÃO

Todos sabemos que a sentença é composta de três partes essenciais:


o relatório, a fundamentação e o dispositivo.

Façamos, então, uma comparação, entre o teor do art. 458 do CPC


de 1973 com o art. 489 do NCPC.

CPC/1973: Art. 458. São requisitos essenciais da sentença:

NCPC: Art. 489. São elementos essenciais da sentença:

CPC/1973: I - o relatório, que conterá os nomes das partes, a suma


do pedido e da resposta do réu, bem como o registro das principais ocorrências
havidas no andamento do processo;

NCPC: I - o relatório, que conterá os nomes das partes, a


identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro
das principais ocorrências havidas no andamento do processo;

CPC/1973: II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões


de fato e de direito;

NCPC: II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de


fato e de direito; [MESMA REDAÇÃO]

CPC/1973: III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões, que


as partes Ihe submeterem.

NCPC: III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões


principais que as partes lhe submeterem.

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Tais elementos essenciais (especialmente a fundamentação e o
dispositivo) se aplicam a qualquer decisão e instância.

NCPC, art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão
públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade.

DICA DE REDAÇÃO

Dentre tantas outras, veiculadas no curso on line, segue destacada a


seguinte pela sua importância: a sentença deve ser escrita em bom vernáculo,
de modo que todos possam compreendê-la, inclusive as partes (evitar uso
excessivo de jargões forenses, expressões em latim, gírias, etc)

Vale lembrar que a sentença é um ato de comunicação (não somente


do juiz com os advogados, mas também, e principalmente, com as partes, que,
em tese, são os destinatários da jurisdição).

DICA QUANTO À FORMA

A regularidade formal da sentença está diretamente ligada à garantia


do devido processo legal, daí porque seu atendimento assegura importante
coerência interna do próprio ato.

HÁ REQUISITOS DE VALIDADE (relatório e fundamentação).

HÁ REQUISITOS DE EXISTÊNCIA (dispositivo).

MAS HÁ TAMBÉM REQUISITOS DE INTELIGÊNCIA (que são


clareza e precisão), os quais devem estar presentes em todos os elementos
da sentença (tanto no relatório, quanto na fundamentação e no dispositivo).

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DO RELATÓRIO

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Quanto ao conteúdo, segundo exigência legal, temos o seguinte: "o


relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma
do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no
andamento do processo” (NCPC, art. 489, inc. I)

A importância do relatório foi ressaltada pelo NCPC, tanto que o


manteve como elemento essencial da sentença e fez questão de incluir, na sua
concepção, a identificação do caso, a partir do que será possível identificar os
elementos necessários à aplicabilidade da teoria dos precedentes.

No relatório, são historiados os fatos relevantes ocorridos ao longo da


tramitação processual. Tem-se por relevantes aqueles que compõe as principais
etapas da marcha processual, especialmente os que, de alguma forma,
influenciaram a formação da convicção judicial. Tal relato deve ser feito de modo
imparcial, ou seja, a narrativa há de ser desenvolvida com isenção.

Devemos, assim, formular algumas perguntas básicas: Quem litiga?


Por que? O que deseja? Com base em quais argumentos a parte contrária
formula sua resistência?

COMO REDIGIR O RELATÓRIO

 DESCREVA O CONTEÚDO COM OBJETIVIDADE, como se


estivesse contando uma história.
 TODAVIA, FAÇA-O COM IMPARCIALIDADE, ou seja, não permita
que, nesta etapa da elaboração, o leitor identifique indícios do seu
posicionamento. Ex.: não expressar juízo de valoração da prova,
nem mencionar o que foi declarado pelas testemunhas, nem o

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resultado do laudo pericial. Apenas mencionar quantas
testemunhas foram inquiridas e/ou que, realizada a prova pericial,
o laudo pericial foi juntado às fls. 00-00, sobre o qual se
manifestaram as partes.
 Em síntese: para que o relato seja desenvolvido de modo imparcial,
narre os fatos com máxima isenção.

DICAS IMPORTANTES PARA A ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO

NOME DAS PARTES: Citar todos os nomes textualmente, sem


abreviações (evitar expressões como "e outros" ou "e sua mulher“).

IDENTIFICAÇÃO DO CASO: SUMA DO PEDIDO E DA


CONTESTAÇÃO: Atentar para a causa de pedir e para as razões invocadas na
defesa.

REGISTRO DAS PRINCIPAIS OCORRÊNCIAS: Narrar apenas as


relevantes. Não é necessário citar o que ocorreu em todas as folhas do processo.
Ao abordar cada uma delas, priorizar a revelação do seu desencadeamento.

Mencionar os principais fatos ocorridos ao longo da tramitação,


respeitando o nexo lógico e também, dentro do possível, a cronologia. Importa
que o leitor compreenda o desencadeamento da tramitação processual. Ou seja,
ao relatar um incidente, já apontar o seu desfecho (ex.: recurso de agravo,
impugnação assistência judiciaria, etc).

Como se percebe, estabelece-se um nexo lógico entre os fatos


narrados e o resultado do julgamento, pois aqueles serão o suporte fático da
fundamentação deste.

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TEMPO VERBAL A SER EMPREGADO NO RELATÓRIO

Considerando que, ao redigir a sentença, os fatos narrados já


aconteceram, justamente porque se deram nas fases antecedentes (postulatória,
de saneamento e instrutória), sugere-se o emprego do verbo no tempo
PASSADO.

Nada impede que seja feito no tempo presente (ex.: para tanto, alega
...). Todavia, uma vez empregado um tempo verbal, sugere-se mantê-lo até o
final do relatório (padronizando-se a linguagem).

REGRA DE OURO: O relatório há de ser sucinto, porém sem deixar


de constar o necessário.

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FUNDAMENTAÇÃO

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Primeiramente, vale salientar que, no NCPC, a fundamentação foi a


parte da sentença que recebeu a maior atenção do legislador, tendo sido alvo de
importante modificação (cujo objetivo foi contemplar expressamente as
exigências que devem ser atendidas pelo juiz, ao elaborar a sentença, para que
seja considerada adequada). Estabeleceu, assim, parâmetros para definir os
marcos de uma fundamentação qualificada.

Ou seja, é preciso que o juiz enfrente todas as questões e as decida


motivadamente, apontando as razões que o levaram àquele entendimento.

A motivação, não só da sentença (mas de toda decisão judicial),


constitui exigência constitucional (CF, art. 93, IX).

EM QUE CONSISTE A FUNDAMENTAÇÃO

A fundamentação revela uma operação lógico-psicológica, por meio


da qual o juiz desenvolve, de modo justificado, o raciocínio empregado para
conectar as circunstâncias fáticas ao entendimento jurídico aplicado,
externando, assim, com clareza e concatenadamente, as razões de decidir
então adotadas.

ORDEM A SER OBSERVADA

No desenvolvimento da fundamentação, sugere-se a seguinte ordem:

• Parágrafo de abertura (facultativo)

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• Preliminares. Primeiramente, as processuais (NCPC, art. 337);
depois as mérito (prescrição ou decadência), se houver;
• Questões prejudiciais (NCPC, art. 503, §§1º e 2º). São aquelas cuja
decisão influenciará ou determinará o conteúdo da decisão
vinculada;
• Mérito da causa.

PRELIMINARES

A preliminar, que pode ser processual ou de mérito, de regra diz


respeito a um fato que poderá impedir a apreciação das questões de mérito, daí
porque precisa ser resolvida anteriormente. Justamente por isso, o acolhimento
de uma preliminar impedirá a apreciação das questões logicamente
subseqüentes.

Há preliminares processuais que revelam problemas que podem ser


sanados, caso em que tal providência será oportunizada (preliminares dilatórias)
e outras que revelam problemas irremediáveis (preliminares peremptórias), caso
em que o feito, de regra, aquela relação processual deverá ser extinta.

QUESTÃO PREJUDICIAL

A questão prejudicial pode ser entendida como "a relação jurídica reda
lide em andamento, dita principal, e apta, em tese, a ser objeto de uma ação
principal autônoma" 1. Ex.: a alegação de nulidade de contrato numa demanda
em que busca a condenação ao pagamento da multa contratual nele prevista.

1
GRECO FILHO, Vicente. Direito Processual Civil Brasileiro. 6.ed., vol. 2, p. 149 apud SANTOS, Nelton
Agnaldo Moraes dos. A Técnica de Elaboração da Sentença Cível. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 163.

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MÉRITO DA CAUSA

No mérito propriamente dito, o juiz enfrentará as teses formuladas


pela parte autora e pela parte contrária, promovendo a análise das provas
respectivas e alinhando suas premissas atinentes às circunstâncias fáticas com
o respectivo entendimento jurídico aplicável.

Ao analisar os fatos, deve o juiz atentar para a prova e apontar as


razões que motivaram a formação da sua convicção, observando, assim, o
princípio da persuasão racional - NCPC, art. 371:

NCPC, art. 371. O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente
do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de
seu convencimento.

Cabe ao juiz promover o exame crítico dos elementos probatórios


(deve valorar e não apenas indicar os elementos de prova, mesmo porque pode
haver aparente conflito).

ALTERAÇÕES PROMOVIDAS COM O NCPC

No NCPC, o art. 489, especialmente em seu §1º, foi o que mais


impactou a elaboração da sentença. Nele estão enumeradas as circunstâncias
que, se configuradas, importarão em nulidade da sentença por falta ou
insuficiência da fundamentação.

Ou seja, o artigo do §1º do art. 489, do NCPC aponta os aspectos que


não podem deixar de constar abordados na fundamentação da sentença, sob
pena de nulidade.

Vejamos seu teor:

Art. 489. São elementos essenciais da sentença:

18
I - o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma
do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no
andamento do processo;
II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito;
III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe
submeterem.
§ 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela
interlocutória, sentença ou acórdão, que:
I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar
sua relação com a causa ou a questão decidida;
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de
sua incidência no caso; (ex.: “A pretensão encontra respaldo na boa-fé”).

III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; (ex.: diz-
se da decisão conhecida como padrão, de todo inadmitida, assim denominada por
ser aplicada a vários casos, sem atentar para as suas particularidades. Ex.: “os fatos
alegados pelo autor encontram na prova produzida o necessário respaldo”. Ou, “tal
concussão tem respaldo no ordenamento jurídico”.)

IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em


tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; (Com isso, resultará inaplicável o
entendimento jurisprudencial seguinte, reiteradamente seguido na vigência do
CPC/1973: “(...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CÍVEL -
CADERNETA DE POUPANÇA - SUPOSTA OFENSA AO ARTIGO 535 DO
CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL - OMISSÃO E AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DOS
FUNDAMENDOS DA APELAÇÃO NÃO EVIDENCIADOS - MATÉRIA
DEVIDAMENTE SOPESADA NO V.ACÓRDÃO OBJURGADO - O JUIZ NÃO
PRECISA REBATER TODOS OS ARGUMENTOS DAS PARTES - ACÓRDÃO
DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO - EMBARGOS REJEIÇÃO. 1. O juiz não está
obrigado a responder a todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado
motivo suficiente para fundar a decisão, nem se obriga a ater-se aos fundamentos
indicados por elas e tampouco a responder um a um todos os seus argumentos (TJ-
PR - EMBDECCV: 650258301 PR 0650258-3/01, Relator: Themis Furquim Cortes,
Data de Julgamento: 25/08/2010, 14ª Câmara Cível, Data de Publicação: DJ: 474)”)

V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus


fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta
àqueles fundamentos; (Ao desenvolver a fundamentação, deve o juiz demonstrar,
com argumentos, que o caso concreto está de acordo com o precedente. Cabe ao
juiz tal ônus argumentativo).
VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado
pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a
superação do entendimento. (Identicamente ao previsto no item supra, deve o juiz
demonstrar, com argumentos, que o caso concreto não se amolda às circunstâncias
que ensejaram a formação do precedente invocado).
§ 2o No caso de colisão entre normas, o juiz deve justificar o objeto e os critérios
gerais da ponderação efetuada, enunciando as razões que autorizam a interferência
na norma afastada e as premissas fáticas que fundamentam a conclusão.

19
§ 3o A decisão judicial deve ser interpretada a partir da conjugação de todos os
seus elementos e em conformidade com o princípio da boa-fé.

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

Prestigiando a força dos precedentes, o NCPC apontou, em seu art.


1.022, as hipóteses em que serão cabíveis os embargos de declaração;
inclusive, no seu parágrafo único, especificou as circunstâncias que configurarão
omissão.

Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para:
I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição;
II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de
ofício ou a requerimento;
III - corrigir erro material.
Parágrafo único. Considera-se omissa a decisão que:
I - deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou
em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento;
II - incorra em qualquer das condutas descritas no art. 489, § 1o.
Com isso, deve o juiz estabelecer clara correlação (diálogo) entre o caso concreto
(objeto do julgamento) e o precedente.

A FUNDAMENTAÇÃO COMO CRITÉRIO PARA


ENFRENTAMENTO DA COLISÃO ENTRE NORMAS

Se houver aparente colisão entre normas, o próprio NCPC traça, no


§2º do art. 489, a orientação a ser aplicada: deverá o juiz justificar e fundamentar
a conclusão adotada.

Art. 489. São elementos essenciais da sentença:


(...)
§ 2o No caso de colisão entre normas, o juiz deve justificar o objeto e os critérios
gerais da ponderação efetuada, enunciando as razões que autorizam a interferência
na norma afastada e as premissas fáticas que fundamentam a conclusão.

20
REFERÊNCIAS LEGISLATIVAS USUAIS

Os artigos abaixo traduzem marcante importância na tarefa de


articulação dos argumentos desenvolvidos pelo juiz ao longo da fundamentação,
seja quanto à análise dos fatos, seja quanto à aplicação da norma ao caso
concreto, daí porque frequentemente são citados na sentença. Vejamos:

Art. 341. Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente sobre as


alegações de fato constantes da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as
não impugnadas, salvo se:

I - não for admissível, a seu respeito, a confissão;

II - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considerar


da substância do ato;

III - estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto.

Parágrafo único. O ônus da impugnação especificada dos fatos não se aplica ao


defensor público, ao advogado dativo e ao curador especial.

Art. 370. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as


provas necessárias ao julgamento do mérito.

Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as diligências inúteis


ou meramente protelatórias.

Art. 371. O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do


sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de
seu convencimento.

Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo,
atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório.

Art. 373. O ônus da prova incumbe:

I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;

II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do


direito do autor.

§ 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas


à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos
do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz
atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão

21
fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir
do ônus que lhe foi atribuído.

§ 2o A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a


desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil.

§ 3o A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção


das partes, salvo quando:

I - recair sobre direito indisponível da parte;

II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito.

§ 4o A convenção de que trata o § 3o pode ser celebrada antes ou durante o


processo.

Art. 374. Não dependem de prova os fatos:

I - notórios;

II - afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária;

III - admitidos no processo como incontroversos;

IV - em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade.

Art. 375. O juiz aplicará as regras de experiência comum subministradas pela


observação do que ordinariamente acontece e, ainda, as regras de experiência
técnica, ressalvado, quanto a estas, o exame pericial.

INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO JUDICIAL

A decisão judicial deve ser interpretada a partir da conjugação de


todos os seus elementos (relatório, fundamentação e dispositivo) e em
conformidade com o princípio da boa-fé.

Art. 489. São elementos essenciais da sentença:


(...)
§ 3o A decisão judicial deve ser interpretada a partir da conjugação de todos os seus
elementos e em conformidade com o princípio da boa-fé.

22
A COERÊNCIA COMO MEIO INTERPRETATIVO

Para entender o comando da decisão (dispositivo), é importante ler


atentamente o relatório e examinar as razões declinadas na fundamentação
respectiva. Com efeito, a partir da coerência entre tais elementos, é possível
aferir importantes elementos interpretativos.

A PREVALÊNCIA DA SENTENÇA COM RESOLUÇÃO DE MÉRITO

Conforme já vimos, a sentença poderá resolver, ou não, o mérito. Esta


é a distinção entre sentença definitiva (NCPC, art. 487) e terminativa (NCPC, art.
485).

Outrossim, o NCPC foi claro em concitar os juízes a prolatarem, tanto


quanto possível, sentença que resolva o mérito. É o que se conclui a partir da
leitura atenta do art. 490 em consonância com o art. 4º. Vejamos:

Art. 490. O juiz resolverá o mérito acolhendo ou rejeitando, no todo ou em parte, os


pedidos formulados pelas partes.
Art. 4o As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do
mérito, incluída a atividade satisfativa.

A SENTENÇA SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO

A sentença sem resolução do mérito (NCPC, art. 485) pode ser


redigida de modo mais sucinto.

Não pode deixar de apontar, todavia, com clareza, as razões (de


regra, processuais) que motivam referida conclusão.

23
ESPECIFICAÇÕES NECESSÁRIAS – OBRIGAÇÃO DE PAGAR
QUANTIA CERTA

Caso a decisão determine o cumprimento de obrigação de pagar


quantia, deverá especificar os parâmetros necessários à precisa apuração do
montante devido (índice da correção monetária e da taxa de juros moratórios).
Apenas se não for possível precisar desde logo o valor devido, objeto da
condenação, é que terá lugar a fase de liquidação.

Art. 491. Na ação relativa à obrigação de pagar quantia, ainda que formulado
pedido genérico, a decisão definirá desde logo a extensão da obrigação, o
índice de correção monetária, a taxa de juros, o termo inicial de ambos e a
periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso, salvo quando:
I - não for possível determinar, de modo definitivo, o montante devido;
II - a apuração do valor devido depender da produção de prova de realização
demorada ou excessivamente dispendiosa, assim reconhecida na sentença.
§ 1o Nos casos previstos neste artigo, seguir-se-á a apuração do valor devido por
liquidação.
§ 2o O disposto no caput também se aplica quando o acórdão alterar a sentença.

PRINCÍPIO DA CONGRUÊNCIA

Deve o juiz prestar a tutela segundo o que foi pleiteado. Não pode
fazê-lo a menor, nem a maior e nem diferentemente do que foi pedido.

Há de haver, portanto, precisa congruência entre o que foi pedido,


debatido e decidido.

Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem
como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi
demandado.
Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica
condicional.

24
FATO SUPERVENIENTE

Se houver fato superveniente (ou seja, ocorrido depois da propositura


da demanda), hábil a influenciar no julgamento, será considerado pelo juiz,
respeitado, sempre, o contraditório (logo, antes de decidir a respeito, será
oportunizada a manifestação da parte contrária, além da ampla produção de
provas a respeito por ambas as partes).

Art. 493. Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo
ou extintivo do direito influir no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomá-lo em
consideração, de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a
decisão.
Parágrafo único. Se constatar de ofício o fato novo, o juiz ouvirá as partes sobre
ele antes de decidir.

SISTEMA DE PRECEDENTES

O sistema de precedentes constitui o conjunto de decisões


consideradas relevantes prolatadas nos tribunais com o intuito de servirem de
paradigma nos julgamentos, daí porque traduz importante repercussão na
direção dos entendimentos firmados nos julgamentos prolatados pelas
instâncias inferiores. Inspiram-se no propósito de assegurar a possível coerência
nos julgamentos de casos similares, justamente para que sejam julgados
também de maneira similar, proporcionando, assim, a tão esperada segurança
jurídica.

Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão:


I - as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de
constitucionalidade;
II - os enunciados de súmula vinculante;
III - os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de
demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial
repetitivos;
IV - os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria
constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional;
V - a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados.

25
§ 1o Os juízes e os tribunais observarão o disposto no art. 10 e no art. 489, § 1o,
quando decidirem com fundamento neste artigo.
§ 2o A alteração de tese jurídica adotada em enunciado de súmula ou em julgamento
de casos repetitivos poderá ser precedida de audiências públicas e da participação
de pessoas, órgãos ou entidades que possam contribuir para a rediscussão da tese.
§ 3o Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal
Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos
repetitivos, pode haver modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no
da segurança jurídica.
§ 4o A modificação de enunciado de súmula, de jurisprudência pacificada ou de tese
adotada em julgamento de casos repetitivos observará a necessidade de
fundamentação adequada e específica, considerando os princípios da segurança
jurídica, da proteção da confiança e da isonomia.
§ 5o Os tribunais darão publicidade a seus precedentes, organizando-os por questão
jurídica decidida e divulgando-os, preferencialmente, na rede mundial de
computadores.

26
DISPOSITIVO

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O dispositivo é eminentemente técnico e objetivo. Traduz-se no


resultado final do julgamento e seu teor faz coisa julgada material.

Deve conter as palavras exatas, nenhuma a mais (desnecessária),


nem a menos (sob pena de exigir embargos declaratórios para alcançar a devida
complementação).

De regra, terá, no mínimo, dois parágrafos:

1º) COMANDO PRINCIPAL - com resolução do mérito (procedência,


improcedência, etc) ou sem (art. 487 e 485, respectivamente).

2º) ENCARGOS SUCUMBENCIAIS - condenação da parte vencida


ao pagamento das despesas processuais e honorários advocatícios.

Contudo, além destes comandos, outros podem ser necessários,


conforme a natureza da decisão e a extensão das providências cabíveis para o
adequado cumprimento da tutela jurisdicional prestada.

COMANDO PRINCIPAL

É o primeiro e mais importante, pois aponta o resultado principal do


julgamento.

Ex. 1: PROCEDÊNCIA TOTAL DO PEDIDO

... julgo procedente o pedido para o fim de condenar o requerido FULANO DE TAL
ao pagamento, em favor do requerente BELTRANO DE TAL, do valor de
R$1.000,00 (um mil reais), incidindo correção monetária (INPC/IBGE) a partir do
[apontar marco inicial] e juros moratórias (1% ao mês) a partir da [apontar marco
inicial – 00/00/0000 – fl. 00].

27
Ex. 2: PROCEDÊNCIA PARCIAL DO PEDIDO

... julgo parcialmente procedente o pedido para o fim de condenar o requerido


FULANO DE TAL apenas ao pagamento, em favor do requerente BELTRANO DE
TAL, do valor de R$500,00 (quinhentos reais), incidindo correção monetária
(INPC/IBGE) a partir do [apontar marco inicial] e juros moratórias (1% ao mês) a
partir do [apontar marco inicial – 00/00/0000 – fl. 00].
.

[opcional] Julgo improcedente, portanto, o pedido de indenização por danos morais.

Ex. 3: IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO

... julgo improcedente o pedido.

ENCARGOS SUCUMBENCIAIS

Além do comando principal, haverá outro que se prestará a condenar


a parte vencida ao pagamento das despesas processuais (NCPC, art. 85).

Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do


vencedor.
§ 1o São devidos honorários advocatícios na reconvenção, no cumprimento
de sentença, provisório ou definitivo, na execução, resistida ou não, e nos
recursos interpostos, cumulativamente.
§ 2o Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte
por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não
sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos:
I - o grau de zelo do profissional;
II - o lugar de prestação do serviço;
III - a natureza e a importância da causa;
IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.
§ 3o Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação dos honorários
observará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2o e os seguintes
percentuais:
I - mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico obtido até 200 (duzentos) salários-mínimos;

28
II - mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico obtido acima de 200 (duzentos) salários-mínimos até 2.000
(dois mil) salários-mínimos;
III - mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) salários-mínimos até 20.000
(vinte mil) salários-mínimos;
IV - mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da condenação ou
do proveito econômico obtido acima de 20.000 (vinte mil) salários-mínimos até
100.000 (cem mil) salários-mínimos;
V - mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico obtido acima de 100.000 (cem mil) salários-mínimos.
§ 4o Em qualquer das hipóteses do § 3o:
I - os percentuais previstos nos incisos I a V devem ser aplicados desde logo,
quando for líquida a sentença;
II - não sendo líquida a sentença, a definição do percentual, nos termos previstos
nos incisos I a V, somente ocorrerá quando liquidado o julgado;
III - não havendo condenação principal ou não sendo possível mensurar o proveito
econômico obtido, a condenação em honorários dar-se-á sobre o valor atualizado
da causa;
IV - será considerado o salário-mínimo vigente quando prolatada sentença líquida
ou o que estiver em vigor na data da decisão de liquidação.
§ 5o Quando, conforme o caso, a condenação contra a Fazenda Pública ou o
benefício econômico obtido pelo vencedor ou o valor da causa for superior ao valor
previsto no inciso I do § 3o, a fixação do percentual de honorários deve observar a
faixa inicial e, naquilo que a exceder, a faixa subsequente, e assim sucessivamente.
§ 6o Os limites e critérios previstos nos §§ 2o e 3o aplicam-se
independentemente de qual seja o conteúdo da decisão, inclusive aos casos
de improcedência ou de sentença sem resolução de mérito.
§ 7o Não serão devidos honorários no cumprimento de sentença contra a Fazenda
Pública que enseje expedição de precatório, desde que não tenha sido impugnada.
§ 8o Nas causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou,
ainda, quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos
honorários por apreciação equitativa, observando o disposto nos incisos do
§ 2o.
§ 9o Na ação de indenização por ato ilícito contra pessoa, o percentual de
honorários incidirá sobre a soma das prestações vencidas acrescida de 12
(doze) prestações vincendas.
§ 10. Nos casos de perda do objeto, os honorários serão devidos por quem deu
causa ao processo.
§ 11. O tribunal, ao julgar recurso, majorará os honorários fixados anteriormente
levando em conta o trabalho adicional realizado em grau recursal, observando,
conforme o caso, o disposto nos §§ 2o a 6o, sendo vedado ao tribunal, no cômputo
geral da fixação de honorários devidos ao advogado do vencedor, ultrapassar os
respectivos limites estabelecidos nos §§ 2o e 3o para a fase de conhecimento.

29
§ 12. Os honorários referidos no § 11 são cumuláveis com multas e outras sanções
processuais, inclusive as previstas no art. 77.
§ 13. As verbas de sucumbência arbitradas em embargos à execução rejeitados ou
julgados improcedentes e em fase de cumprimento de sentença serão acrescidas
no valor do débito principal, para todos os efeitos legais.
§ 14. Os honorários constituem direito do advogado e têm natureza alimentar, com
os mesmos privilégios dos créditos oriundos da legislação do trabalho, sendo
vedada a compensação em caso de sucumbência parcial.
§ 15. O advogado pode requerer que o pagamento dos honorários que lhe caibam
seja efetuado em favor da sociedade de advogados que integra na qualidade de
sócio, aplicando-se à hipótese o disposto no § 14.
§ 16. Quando os honorários forem fixados em quantia certa, os juros moratórios
incidirão a partir da data do trânsito em julgado da decisão.
§ 17. Os honorários serão devidos quando o advogado atuar em causa própria.
§ 18. Caso a decisão transitada em julgado seja omissa quanto ao direito aos
honorários ou ao seu valor, é cabível ação autônoma para sua definição e cobrança.
§ 19. Os advogados públicos perceberão honorários de sucumbência, nos termos
da lei.

HIPÓTESE 1 – Regra geral, aplicável às sentenças


independentemente do seu conteúdo, inclusive nas hipóteses de
improcedência do pedido ou de extinção sem resolução do mérito (caso
não se configure qualquer das demais situações específicas previstas no
art. 85 do NCPC): arbitrar percentual (entre 10 e 20%) sobre o valor da
condenação, do proveito econômico obtido, ou, não sendo possível mensurá-lo,
sobre o valor atualizado da causa, atendidos os critérios atinentes ao grau de
zelo do profissional, o lugar da prestação do serviço, a natureza e a importância
da causa e também o trabalho realizado pelo advogado, além do tempo exigido
para o seu serviço (NCPC, art. 85, § 2º).

EXEMPLO:
Em consequência, condeno o requerido ao pagamento das despesas processuais
e honorários advocatícios, estes arbitrados na base de 20% (vinte por cento) sobre
o valor da condenação, na forma do art. 85, §2º, do NCPC.

HIPÓTESE 2 - Se a Fazenda Pública for parte: arbitrar honorários


advocatícios segundo os parâmetros estabelecidos no §3º do art. 85 do NCPC.

30
HIPÓTESE 3 – Se a causa for inestimável, for irrisório o proveito
econômico obtido ou, ainda, o valor da causa for muito baixo: arbitrar
honorários advocatícios segundo apreciação equitativa, observando os critérios
previstos no §2º do art. 85 do NCPC (a saber: ao grau de zelo do profissional, o
lugar da prestação do serviço, a natureza e importância da causa e também o
trabalho realizado pelo advogado, além do tempo exigido para o seu serviço).
Neste caso, o juiz arbitrará o valor específico, em moeda (R$...) (NCPC, art. 85,
§8º).

HIPÓTESE 4 - Atentar para as regras especiais, como a hipótese


em que houver condenação ao pagamento de indenização por ato ilícito
contra a pessoa (quando consistir trato sucessivo): neste caso, arbitrar
honorários advocatícios mediante fixação de percentual (segundo os critérios
previstos no §2º do art. 85 do NCPC), o qual incidirá sobre a soma das
prestações vencidas, acrescida de uma anuidade (concernente às vincendas).
(NCPC, art. 85, §9º).

SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA

Configurar-se-á sucumbência recíproca quando houver procedência


parcial do pedido, ou seja, nos casos em que apenas parte dos pedidos
formulados tiverem sido acolhidos (desde que a parte rejeitada não seja
inexpressiva, hipótese que caracterizaria sucumbência mínima). A proporção da
derrota, para a definição da espécie de sucumbência – se recíproca ou mínima
– não é prevista na legislação, mas há pronunciamento jurisprudencial
apontando o seguinte: se o autor tiver sido sucumbente em até 10% (dez por
cento) do total dos pleitos formulados, considerar-se-á inexpressiva sua derrota,
daí porque reputar-se-á mínima a sucumbência (hipótese em que todos os

31
encargos sucumbenciais serão atribuídos à parte contrária); se, diferentemente,
o autor tiver sido sucumbente em mais de 10% (dez por cento) do total dos pleitos
formulados, considerar-se-á expressiva sua derrota, daí porque reputar-se-á
recíproca a sucumbência (hipótese em que todos os encargos sucumbenciais
serão distribuídos proporcionalmente entre as partes) .

Assim, não se configurando inexpressiva a derrota sofrida pelo autor,


será considerada recíproca a sucumbência, caso em que, por terem sido
sucumbentes em parte ambos os litigantes, ambos serão condenados ao
pagamento das despesas processuais e honorários advocatícios, observando-
se a proporção da derrota de cada qual (o autor, naquilo que deixou de lograr a
procedência, seja em relação a alguns pedidos ou a parte deles, e, o réu, naquilo
que sofreu condenação, ainda que em parte, quer ao pagamento de algum valor,
quer ao cumprimento de alguma obrigação de dar, fazer ou não fazer). Vale notar
que, a partir do NCPC, restou vedada a compensação de honorários
advocatícios (antes admitida segundo entendimento jurisprudencial
predominante).

Art. 86. Se cada litigante for, em parte, vencedor e vencido, serão


proporcionalmente distribuídas entre eles as despesas.
Parágrafo único. (...).

Art. 85. (...)


§ 14. Os honorários constituem direito do advogado e têm natureza alimentar, com
os mesmos privilégios dos créditos oriundos da legislação do trabalho, sendo
vedada a compensação em caso de sucumbência parcial.

EXEMPLO:

Operada a sucumbência recíproca (NCPC, art. 85, caput), as despesas processuais


devem ser proporcionalmente distribuídas, daí porque condeno os autores ao
pagamento correspondente a 20% e os requeridos ao restante (80%). Quanto aos
honorários advocatícios, condeno os requeridos ao pagamento na base total de
20% (vinte por cento) do valor total do débito objeto da condenação respectiva, na
forma do art. 85, §2º, do NCPC; e, igualmente, condeno os autores ao pagamento
do mesmo percentual, a incidir, contudo, sobre o cômputo dos pleitos rejeitados.
Ressalto, ainda, que não é cabível a compensação de honorários advocatícios
(NCPC, art. 85, §14) e que os autores ficam dispensados do referido pagamento

32
por serem beneficiários da gratuidade da justiça (NCPC, art. 98, ressalvado o
disposto no seu §3º).

SUCUMBÊNCIA MÍNIMA

Conforme explicação supra (alusiva à sucumbência recíproca),


configurar-se-á sucumbência mínima quando, havendo procedência parcial do
pedido, a parte rejeitada tenha sido inexpressiva (de regra, inferior a dez por
cento do total dos pleitos formulados pelo autor). Em tal caso, por ter sido
inexpressiva a derrota (sucumbência) sofrida pelo autor, os ônus sucumbenciais
(despesas processuais e honorários advocatícios) serão integralmente
atribuídos à parte contrária.

Art. 86. (...).


Parágrafo único. Se um litigante sucumbir em parte mínima do pedido, o outro
responderá, por inteiro, pelas despesas e pelos honorários.

EXEMPLO:

Operada a sucumbência mínima, condeno o requerido ao pagamento das despesas


processuais e honorários advocatícios, estes arbitrados na base de 20% (vinte por
cento) sobre o valor da condenação, na forma do art. 85, §2º e art. 86, Parágrafo
Único, do NCPC.

AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO DOS ENCARGOS SUCUMBENCIAIS

Caso a sentença não tenha contemplado, por omissão, a fixação dos


honorários advocatícios sucumbenciais, seja quanto ao direito ou ao seu valor,
o advogado interessado poderá ajuizar ação autônoma para lograr sua definição
e viabilizar sua cobrança.

Tal situação constou regulada pelo art. 85 do NCPC, precisamente


em seu §18º. Vejamos:

Art. 85. (...)

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§ 18. Caso a decisão transitada em julgado seja omissa quanto ao direito aos
honorários ou ao seu valor, é cabível ação autônoma para sua definição e cobrança.

Com isso, está superada a Súmula n. 453 do STJ, segundo a qual:


“Os honorários sucumbenciais, quando omitidos em decisão transitada em
julgado, não podem ser cobrados em execução ou em ação própria.”

DEMAIS COMANDOS

Além dos comandos supra mencionados, de regra fundamentais (o


principal, que trata sobre a direção do julgamento, e o complementar, que trata
sobre a atribuição dos encargos sucumbenciais), outros comandos poderão ser
necessários.

Sugere-se que, após registrar no dispositivo da sentença os


comandos principais referidos, o julgador atente para as especificidades do caso
julgado e verifique se outros comandos são necessários para fazer cumprir a
decisão.

Abaixo seguem enumerados alguns outros comandos,


exemplificativamente, dentre os mais comuns, para exercitar a conferência
respectiva, como se fosse um check-list, justamente para não correr o risco de
esquecer de apontar alguma medida necessária à adequada efetivação da tutela
jurisdicional então prestada. Vejamos:

• É o caso de confirmar a tutela de urgência?


• Caso o comando principal trate de obrigação de fazer ou não fazer,
as circunstâncias recomendam o arbitramento de multa ou outra
ordem para fazê-la cumprir?
• É necessária a expedição de algum ofício ou mandado?
• É necessária a expedição de alvará?

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• É necessária alguma comunicação ao Ministério Público ou a
algum órgão de classe?
• É o caso do duplo grau de jurisdição obrigatório? (NCPC, art. 496)

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PALAVRAS FINAIS

A você que concluiu o curso SENTENÇA CÍVEL DESCOMPLICADA,


registro aqui meu sincero agradecimento pela confiança depositada. Espero que
as lições ministradas tenham contribuído, de algum modo, para o seu
aperfeiçoamento nesta delicada e importante tarefa de elaborar uma sentença.

Como não poderia deixar de ser, coroando este momento com a mais
genuína gratidão, ofereço-lhe algumas dicas finais:

As primeiras, sobre a consecução do sucesso (assim entendido


como o alcance do estado de felicidade obtido a partir da satisfação pela
sua plena realização profissional). Trilhe os passos seguintes: SONHE (defina
qual sua meta, seu objetivo de vida a ser alcançado), PLANEJE (estabeleça um
plano de estudos, com a especificação da rotina a ser observada diariamente),
EXECUTE (cumpra as tarefas elencadas no seu planejamento, fazendo-o com
disciplina); MONITORE (avalie constantemente sua evolução, valendo-se para
tanto de provas simuladas ou até mesmo realizando-as verdadeiramente quando
se sentir minimamente preparado, exercício que, no mínimo, servirá para revelar
as áreas de estudo que devem merecer sua atenção redobrada) e, por fim,
PERSISTA (lembre que a diferença entre os que venceram e os que fracassaram
é apenas uma: estes últimos desistiram antes de realizar o que desejavam).

As demais, também derradeiras, sobre o aprimoramento da


técnica de elaborar a sentença cível. Após ter concluído este curso, prossiga
estudando a matéria, cujo conhecimento não se esgota nem mesmo após longos
anos da atuação profissional, ainda que o seja como magistrado(a). A considerar
que, neste momento de sua vida, você está aprendendo a respeito, sugiro-lhe a
adoção das seguintes atitudes (tal como já referido nas palavras iniciais desta
apostila): TENTE (dedique-se a elaborar minutas de sentença, seja em casos
reais, seja com base em teses de concursos já realizados nos mais diferentes

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tribunais; se possível peça que alguém mais experiente as corrija); OBSERVE
(pratique a leitura de sentenças e acórdãos, prestigiando diferentes assuntos e
autores – juízes, desembargadores ou ministros -, sempre atentando para o
modo como são empregados os argumentos ao longo da construção do
raciocínio, sem olvidar também para o emprego da técnica processual
respectiva); e, por fim, APERFEIÇOE-SE CONTINUAMENTE (treinando e
observando, consoante dicas supra, naturalmente você estará aperfeiçoando
sua habilidade em elaborar sentença, via pela qual cada vez mais se aproximará
do grau de excelência esperado, não somente pelos membros da banca
examinadora (na hipótese de um concurso), mas por você próprio. Para isso,
uma sacada providencial é: desperte o senso de curiosidade. Não carregue
dúvidas. Faça do estudo um hábito e da curiosidade um estímulo.

Por fim, lembre-se que, num concurso (bem como na própria vida), o
desafio é travado conosco próprio e não com os demais candidatos. Como já
salientado, só não o alcança quem não tenta ou desiste antes. Tropeços e
dificuldades fazem parte do caminho. Então, sempre que precisar, inspire fundo
e resgate a força que habita em você, nem sempre conhecida. No mais, siga em
frente.

O sucesso está logo ali. Encontre-o, mas não esqueça que a


felicidade está, sempre, no caminho.

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BIBLIOGRAFIA SUGERIDA PARA ESTUDO

ASSIS, Araken de. Processo Civil Brasileiro. Vol. I a IV, São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2015.
BUENO, Cássio Scarpinella. Novo Código de Processo Civil Anotado. São
Paulo: Saraiva, 2015.
DIDIER JÚNIOR, Fredie; BRAGA, Paula Sarno; e OLIVEIRA, Rafael Alexandria
de. Curso de Direito Processual Civil. Vol. 2. 10.ed. Salvador: Jus Podivm,
2015.
FUX, Luiz (Coord) e NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Novo CPC
Comparado. São Paulo: Método, 2015.
MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz; e MITIDIERO, Daniel.
Novo Código de Processo Civil Comentado. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2015.
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Novo CPC – Código de Processo Civil –
Lei 13.105/2015. São Paulo: Método, 2015.
OLIANI, José Alexandre Manzano. Sentença no Novo CPC. São Paulo: Revista
dos Tribunais, 2015.
SANTOS, Nelton Agnaldo Moraes dos. A Técnica de Elaboração da Sentença
Cível. São Paulo: Saraiva, 1996.
SLAIBI FILHO, Nagib e SÁ, Romar Navarro de. Sentença Cível – Fundamentos
e Técnica. 8.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2013.
TONIAZZO, Paulo Roberto Froes. Técnica de Elaboração de Sentença Cível.
Florianópolis: Conceito Editorial, 2014.

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