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CONTABILIDADE INTERMEDIÁRIA

Unidade III
7 CONCEITO DA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE)

A demonstração do resultado do exercício, também conhecida pela sigla DRE, é um demonstrativo


contábil que mostra a apuração do resultado do exercício da empresa em determinado período.

Para a apuração do resultado do exercício, são comparadas as receitas ganhas e as despesas e custos
incorridos em determinado período, geralmente de um ano. Essa comparação é feita por meio da
subtração, ou seja, das receitas, subtraem-se as despesas e custos, para se obter o resultado do período
ou do exercício.

Na determinação do resultado, deve ser observado o principio da competência. Por este principio, deverão
ser consideradas as receitas efetivamente ganhas e não as necessariamente recebidas. Ainda por este principio,
deverão ser considerados os custos e despesas incorridas e não os necessariamente pagos.

A demonstração do resultado do exercício possui uma estrutura legal que deve ser obedecida.
Devemos entender como estrutura a forma de apresentação da DRE para seus diversos usuários internos
e externos.

7.1 Estrutura da demonstração do resultado do exercício, conforme


Lei nº 6.404/76

A demonstração do resultado do exercício deve ser estruturada, observando-se as disposições


contidas na seção V, artigo 187 da Lei nº 6.404/76, que a seguir transcrevemos:

Seção V da Lei nº 6.404/76

Demonstração do Resultado do Exercício

Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará:

I – a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos;
II – a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto;
III – as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e
administrativas, e outras despesas operacionais;
IV – o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais e o saldo da conta de
correção monetária (artigo 185, § 3º);
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IV – o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais; (Redação dada pela Lei
nº 9.249, de 1995)

V – o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto;

VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo


na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de
empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)

VII - o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social.

§ 1º Na determinação do resultado do exercício, serão computados:

a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e

b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e


rendimentos.

§ 2º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.638, de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638, de 2007).

Assim, seguindo o estabelecido na Lei nº 6.404/76, podemos apresentar a estrutura de Demonstração


do Resultado do Exercício, de forma reduzida, da seguinte maneira:

7.2 Resumo da estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício,


conforme Lei nº 6.404/76

Receita Bruta de Venda de Bens e Serviços

(-) Devoluções, abatimentos, descontos comerciais


(-) Impostos sobre venda
= Receita líquida
(-) Custo dos Produtos e Serviços Vendidos
= Lucro Bruto
(-) Despesas de Vendas
(-) Despesas Financeiras
(+) Receitas Financeiras
(-) Despesas Administrativas
(-) Outras Despesas Operacionais
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(+) Outras Receitas Operacionais

= Lucro Operacional

(+) Receitas não-operacionais

(-) Despesas não-operacionais

= Lucro antes do Imposto de Renda

(-) Provisão para Imposto de Renda

(-) Participações e Contribuições

= Lucro líquido do exercício


Lucro por ação

7.3 Alteração na Demonstração do Resultado do Exercício, conforme Lei


nº 11.638/07

A Lei nº 11.638, publicada no Direito Oficial da União, em 31 de dezembro de 2007 e que passou a
vigorar a partir de 1º de janeiro de 2008, promoveu algumas importantes alterações na Lei nº 6.404/76,
modificando alguns artigos da Lei 6.404/76 objetivando atualizá-la ao novo mundo de negócios
globalizado.

No que diz respeito à estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício, a Lei nº 11.638/07 criou
algumas modificações que passamos a descrever:

Assim, segundo o estabelecido na Lei nº 11.638/07, o artigo 187 item IV, tinha e passa a ter a
seguinte redação:

Quadro 5 – Diferenças entre a Lei nº 6.404/76 e nº 11.638/07

Redação da Lei 6.404/76 (anterior) Redação da Lei nº 11.638/07 (nova)


IV – O lucro ou prejuízo operacional, as IV – O lucro ou prejuízo operacional, as
receitas e despesas não operacionais e receitas e despesas não operacionais.
o saldo da conta de correção monetária
(art. 185, parágrafo 3º)

Ainda no artigo 187, agora o item VI tinha e passa a ter a seguinte redação:

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Quadro 6 – Diferenças entre a Lei 6.404/76 e 11.638/07

VI – As participações de debêntures de
VI – As participações de debêntures, empregados e administradores mesmo
empregados, administradores e partes na forma de instrumentos financeiros,
beneficiárias, e as contribuições para e de instituições ou fundos de
instituições ou fundos de assistência assistência ou previdência de
ou previdência de empregados empregados, que não se caracterizem
como despesa

Conforme pode ser percebido, as alterações na estrutura da demonstração do resultado do exercício


foram mínimas, razão pela qual, manteremos o resumo da estrutura apresentada anteriormente neste
livro-texto.

7.4 Funções das contas que compõem e estrutura da Demonstração do


Resultado do Exercício

A seguir, discorreremos sobre a função de cada uma dessas contas que formam a estrutura de
Demonstração do Resultado do Exercício.

7.4.1 Receita operacional bruta

A palavra receita deve ser entendida como venda, venda de bens se a empresa for comercial, neste
caso, estaremos tratando de venda de mercadorias. Se a empresa for industrial, estaremos tratando de
venda de produtos e se a empresa for prestadora de serviços, estaremos tratando de venda de serviços.

A receita bruta, representa a soma de todas as vendas realizadas pela empresa num determinado
período. A receita bruta é portanto, a somatória das vendas feitas a vista e a prazo, no mercado interno
e externo.

7.4.2 As deduções de vendas

As devoluções, abatimentos, descontos comerciais e impostos incidentes sobre vendas formam


aquilo que é denominado deduções de vendas.

7.4.3 Devolução e abatimento

Após a venda de mercadorias e produtos, quando da entrega das mesmas, o cliente pode identificar
algum fato que mostre que os bens entregues não estão de acordo com o pedido feito no ato de venda.

Tais fatos podem ser identificados, por exemplo: bens avariados durante o transporte, bens cujo
tipo, modelo, não corresponde à amostra do ato de venda, bens de qualidade inferior à prometida.

Neste momento, o cliente comprador, pode tomar as seguintes decisões:

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a) Devolver total ou parcialmente a mercadoria ou produto;

b) Ficar com a mercadoria ou produto e negociar com o vendedor um abatimento, ou seja, uma
redução no preço de custo de mercadoria ou produto.

Nestas hipóteses, a empresa vendedora, pode utilizar para registrar o fato, contas tais como vendas
canceladas, devoluções de vendas, vendas anuladas, abatimentos sobre vendas. Observar que estamos
nos referindo a fatos que podem ocorrer após a venda de mercadoria ou produto, quando da entrega
dos mesmos pelo vendedor ao cliente.

7.4.4 Desconto comercial

Por outro lado, se o vendedor conceder ao comprador uma redução de preço em função da grande
quantidade comprada de mercadoria ou produto, ou ainda, por esse comprador representar um
cliente com grande potencial de compras futuras, estaremos diante de um fato, denominado desconto
comercial ou desconto incondicional. A empresa vendedora pode utilizar para registrar o fato contas
como descontos incondicionais concedidos, descontos comerciais concedidos.

7.4.5 Impostos sobre venda

Quanto aos impostos, estamos nos referindo aos impostos incidentes, que recaem proporcionalmente
sobre a receita bruta, quer seja de mercadorias, produtos ou serviços. Não nos preocuparemos neste
momento quanto ao cálculo e à contabilização desses impostos.

Alguns dos principais impostos, que incidem sobre as vendas brutas e que, portanto, deveriam ser
deduzidos das mesmas para obtermos a receita líquida são os seguintes:

a) ICMS – Imposto sobre circulação de mercadoria e prestação de serviços de transporte interestadual


e intermunicipal e de comunicações. É um imposto de âmbito estadual, isto é, cobrado a prazo
do Estado.

b) IPI - Imposto sobre produtos industrializados. É um imposto de âmbito federal, isto é, cobrado e
pago à União.

c) ISS – Imposto sobre serviço. É um imposto de âmbito municipal, isto é, cobrado e pago à Prefeitura.

d) IE – Imposto sobre exportação é um imposto de âmbito Federal, isto é, cobrado e pago à União.

e) PIS/Pasep/Cofins – Respectivamente, Programa de Integração Social; Programa de Formação do


Patrimônio do Servidor Público; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social. Todos
estes impostos são de âmbito Federal, isto é, cobrados e pagos à União.

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7.5 Receita Líquida

É o resultado da subtração entre a receita bruta e as chamadas deduções de vendas (devoluções,


abatimentos, descontos comerciais, impostos sobre vendas).

7.6 Custo dos Produtos e Serviços Vendidos

Partindo-se da receita líquida, subtrai-se os custos das mercadorias vendidas (CMV) se a empresa
for comercial, que é representado pelo custo histórico de aquisição das mercadorias, acrescentados dos
gastos, por exemplo, frete, seguros e impostos não recuperáveis. A baixa dessas mercadorias negociadas,
vendidas, é normalmente efetuada com base no Preço Médio Ponderado.

Se a empresa for industrial, será subtraído da Receita Líquida o Custo dos Produtos Vendidos (CPV).
O Custo dos Produtos Vendidos, compreenderá o resultado obtido pela soma dos estoques iniciais de
produtos acabados, com os custos de produção do período (matéria-prima, mão de obra direta e os
custos indiretos de fabricação), diminuídos dos estoques finais.

E, finalmente, quanto aos custos que serão deduzidos da receita líquida, temos o caso das
empresas prestadoras de serviços, onde são encontrados os Custos dos Serviços Prestados (CSP).
Neste caso, as regras são teoricamente as mesmas, mas é frequente encontrarmos empresas
prestadoras de serviços que não apuram o custo dos serviços prestados e acabam tratando todos
esses gastos como despesas do período, misturando-os às despesas gerais/administrativas. Observa-
se que este procedimento não é recomendável.

Observação

De fato, grande parte da cultura contábil foi desenvolvida para a indústria.


Não há ou não houve nos últimos anos uma preocupação contábil com o
comércio, apesar de ser um segmento da economia que evoluiu substancialmente
nas últimas décadas. A cidade de São Paulo, por exemplo, já é conhecida como
uma cidade de serviços, e não mais como um centro industrial. Sendo assim, há
um hiato no que tange a tratamentos contábeis para empresas de serviços.

7.7 Lucro Bruto

Representa o lucro bruto, a diferença entre a receita líquida e o custo dos produtos, mercadorias ou
serviços vendidos.

7.8 O que era considerado como Despesas e Receitas Operacionais e Não


Operacionais antes das Leis nº 11.638/07 e nº 11.941/09

Antes das leis 11.638/07 e 11.941/09, os contadores brasileiros evidenciavam as despesas e receitas
operacionais, com o intuito de apurar um lucro operacional.
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Entendia-se como operacionais atividades que constituem o objeto social da empresa. Eram
consideradas atividades operacionais:

• despesas de vendas;
• despesas financeiras;
• receitas financeiras;
• despesas gerais/administrativas;
• outras despesas operacionais;
• outras receitas não operacionais;
• receitas não operacionais;
• despesas não operacionais.

A seguir, estuda-se o conceito de cada um desses grupos de contas.

7.9 Despesas de vendas

São consideradas nesta conta as despesas relacionadas com a venda de mercadorias, produtos ou
serviços da empresa, tais como: salário dos vendedores; comissões pagas aos vendedores; encargos
sociais incidentes sobre os salários e comissões dos vendedores; despesas de viagens de vendedores;
frete sobre venda; propaganda.

7.10 Despesas financeiras

São consideradas, nesta conta, a representação dos custos de empréstimos/financiamentos


obtidos pela empresa, tais como: juros sobre empréstimos/financiamentos; comissões sobre
empréstimos/financiamentos; taxas bancárias; correção monetária sobre empréstimos/
financiamentos; variação cambial; impostos sobre operações financeiras IOF; descontos financeiros
concedidos.

7.11 Receitas financeiras

São consideradas, nessa conta, a representação dos ganhos auferidos com aplicações financeiras,
feitas pela empresa, tais como: juros auferidos, correção monetária auferida, descontos financeiros
obtidos.

7.12 Despesas gerais/administrativas

São consideradas, nesta conta, todas as despesas com a administração da empresa, tais como:
salários e encargos sociais do pessoal administrativo, aluguéis administrativos, material de expediente,
água, luz, telefone, segurança, alimentação, transporte e assistência médica dos funcionários.

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7.13 Contribuição social sobre o lucro

Esta conta representa um tributo devido ao Governo Federal pelas empresas que estão sujeitas ao
recolhimento do Imposto de Renda com base no lucro real.

O valor deste tributo é calculado com base no resultado do exercício.

7.14 Provisão para Imposto de Renda

Esta conta representa um tributo devido ao Governo Federal, que a empresa deve pagar sobre o lucro
gerado por suas operações.

Devemos ressaltar que o Imposto de Renda incide sobre o lucro real, e não sobre o lucro contábil.
Segundo o artigo do Regulamento do Imposto de Renda, o Lucro Líquido do Período de apuração,
ajustado pelas adições, exclusões e compensações prescritas ou autorizadas. Maiores detalhes sobre este
assunto (lucro real/ calculado do Imposto de Renda) serão estudados em disciplinas posteriores.

Saiba mais

Este assunto será melhor estudado em disciplinas que tratam do aspecto


tributário, como “contabilidade tributária”. Se no entanto você precisar
de mais informações sobre a provisão para o imposto de renda, acesse o
regulamento do imposto de Renda RIR/99: <http://www.receita.fazenda.
gov.br/legislacao/rir/default.htm>.

7.15 Participações e contribuições

Do lucro após o Imposto de Renda, devemos subtrair as participações e contribuições previstas nos
estatutos da empresa. Essas participações e contribuições representam partes do lucro a serem pagas a
favorecidos específicos, conforme determinarem os estatutos de cada empresa.

Assim, podemos ter, conforme cada estatuto, participações de debenturistas, participações de


empregados, participações dos administradores, participações de partes beneficiarias e as contribuições
para fundos de previdência ou assistência de empregados.

7.16 Outras despesas operacionais

Esta conta reúne despesas não classificadas em outras contas de despesas operacionais
anteriormente citadas. É importante mencionar que, se algumas dessas “outras” despesas operacionais
apresentarem valor relevante, será preciso indicar, pelo titulo, a sua natureza. Podemos citar como
exemplo: mercadorias danificadas, quebra de estoque.

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7.17 Lucro Líquido do Exercício

Do resultado do exercício após o imposto de renda, excluindo-se as participações que restam e o


lucro ou prejuízo do exercício.

7.18 Lucro por ação

Por determinação legal, a Demonstração do Resultado do Exercício, deve conter os valores do Lucro
Líquido por ação em que se divide o capital social.

7.19 Estrutura básica da DRE segundo o CPC26

A seguir, reproduz-se a atual estrutura básica da DRE, segundo o CPC26_R1 que faz correlação com
a Norma Internacional de Contabilidade IAS 1 (IASB – BV 2011):

82. Além dos itens requeridos em outros pronunciamentos, a demonstração


do resultado do período deve, no mínimo, incluir as seguintes rubricas,
obedecidas também às determinações legais:

(a) receitas, apresentando separadamente receita de juros calculada


utilizando o método de juros efetivos; (Alterada pela Revisão CPC 12)

(aa) ganhos e perdas decorrentes do desreconhecimento de ativos financeiros


mensurados pelo custo amortizado; (Alterada pela Revisão CPC 12)

(b) custos de financiamento;

(ba) perda por redução ao valor recuperável (incluindo reversões de perdas


por redução ao valor recuperável ou ganhos na redução ao valor recuperável),
determinado de acordo com a Seção 5.5 do CPC 48; (Incluída pela Revisão
CPC 12)

(c) parcela dos resultados de empresas investidas, reconhecida por meio do


método da equivalência patrimonial;

(ca) se o ativo financeiro for reclassificado da categoria de mensuração ao custo


amortizado de modo que seja mensurado ao valor justo por meio do resultado,
qualquer ganho ou perda decorrente da diferença entre o custo amortizado
anterior do ativo financeiro e seu valor justo na data da reclassificação (conforme
definido no CPC 48); (Incluída pela Revisão CPC 12)

(cb) se o ativo financeiro for reclassificado da categoria de mensuração ao


valor justo por meio de outros resultados abrangentes de modo que seja
mensurado ao valor justo por meio do resultado, qualquer ganho ou perda
acumulado reconhecido anteriormente em outros resultados abrangentes
que sejam reclassificados para o resultado; (Incluída pela Revisão CPC 12)

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(d) tributos sobre o lucro;

(e) (eliminada);

(ea) um único valor para o total de operações descontinuadas (ver


Pronunciamento Técnico CPC 31);

(f) em atendimento à legislação societária brasileira vigente na data da


emissão deste Pronunciamento, a demonstração do resultado deve incluir
ainda as seguintes rubricas:

(i) custo dos produtos, das mercadorias e dos serviços vendidos;

(ii) lucro bruto;

(iii) despesas com vendas, gerais, administrativas e outras despesas e receitas


operacionais;

(iv) resultado antes das receitas e despesas financeiras;

(v) resultado antes dos tributos sobre o lucro;

(vi) resultado líquido do período. (Item alterado pela Revisão CPC 06)

E a seguir, expõe-se um modelo sugestivo de DRE:

Quadro 7 – Modelo sugestivo de apresentação da Demonstração do Resultado do Exercício

Demonstração do Resultado do
Exercício findo em X1 X1 X0
Receita Bruta (Vendas ou Serviços)
(-) Deduções da Receita Bruta
(=) Receita Líquida
(-) Custo das Mercadorias, Produtos ou Serviços
(=) Lucro Bruto
(-) Despesas (Gerais; Administrativas; Vendas);
(+/-) Receitas (Despesas) com Investimentos, Pessoas Ligadas
(+/-) Outras Receitas ou Despesas
(=) Resultado antes das Receitas e Despesas Financeiras
(+/-) Receitas e Despesas Financeiras
(=) Resultado antes dos Tributos sobre Lucros
(-) Despesas com tributos sobre os Lucros
(=) Resultado Líquido das Operações Continuadas
(+/-) Vendas/Custos (Vendas de itens do não circulante) Resultado de Operações Descontinuadas
(=) Resultado Líquido do Período

Fonte: Adaptado NBC TG 26

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7.20 Exemplo da Demonstração de Resultado do Exercício de uma


empresa existente

Figura 10 – Demonstração de Resultado do Exercício da Empresa Natura 31/12/2016

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Unidade III

Saiba mais
Empresas da área de serviços costumam demonstrar uma DRE bem
detalhada. Uma dica é acessar as demonstrações contábeis da empresa
Ticket em:
<http://www.ticket.com.br/portal/portalcorporativo/home/>.

8 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE (DRA)

8.1 Introdução

A Demonstração do Resultado Abrangente difere de uma Demonstração de Resultado do


Exercício tradicional porque começa com o resultado do período e apresenta cada item de outros
resultados abrangentes separadamente. No entanto, não se trata de uma mera inversão de forma de
apresentação da DRE. Seu significado é muito maior e há, em particular, a introdução do conceito
de Resultado Abrangente.

8.2 Demonstração do Resultado Abrangente (DRA) no CPC 26

Além da elaboração da Demonstração do Resultado do Exercício, o Pronunciamento Técnico CPC


26 que determina a Apresentação das Demonstrações Contábeis, seguindo as normas internacionais
de contabilidade, instituiu também a obrigatoriedade de elaboração da Demonstração do Resultado
Abrangente do Exercício.

Essa demonstração apresenta as receitas, despesas e outras mutações que afetam o patrimônio
líquido, mas que não são reconhecidas (ou não foram reconhecidas ainda) na Demonstração do Resultado
do Exercício, conforme determinam os Pronunciamentos, Interpretações e Orientações que regulam a
atividade contábil. Tais receitas e despesas são identificadas como “outros resultados abrangentes” e, de
acordo com o CPC 26, compreendem os seguintes itens:

a) Variações na reserva de reavaliação quando permitidas legalmente (veja


Pronunciamentos Técnicos CPC 27 – Ativo Imobilizado e CPC 04 – Ativo
Intangível);

b) Ganhos e perdas atuariais em planos de pensão com benefício definido


reconhecidos conforme item 93A do Pronunciamento Técnico CPC 33 –
Benefícios a Empregados;

c) Ganhos e perdas derivados de conversão de demonstrações contábeis de


operações no exterior (ver Pronunciamento Técnico CPC 02 – Efeitos das
Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis);

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CONTABILIDADE INTERMEDIÁRIA

d) Ajuste de avaliação patrimonial relativo aos ganhos e perdas


na remensuração de ativos financeiros disponíveis para venda
(ver Pronunciamento Técnico CPC 38 – Instrumentos Financeiros:
Reconhecimento e Mensuração);

e) Ajuste de avaliação patrimonial relativo à efetiva parcela de ganhos ou


perdas de instrumentos de hedge em hedge de fluxo de caixa (ver também
CPC 38) (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2013, p. 624).

A Demonstração do Resultado Abrangente pode ser apresentada dentro da Demonstração das


Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), ou através de relatório próprio. O CPC sugere que se
faça uso da apresentação na DMPL. Quando apresentada em demonstrativo próprio, a DRA tem
como valor inicial o resultado líquido do período apurado na DRE, seguido dos outros resultados
abrangentes, conforme estrutura mínima para a Demonstração do Resultado Abrangente
estabelecida pelo CPC 26:

a) Resultado líquido do período;

b) Cada item dos outros resultados abrangentes classificados conforme sua


natureza, exceto montantes relativos ao item c;

c) Parcela dos outros resultados abrangentes de empresas investidas


reconhecida por meio do método de equivalência patrimonial; e

d) Resultado abrangente do período (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS


CONTÁBEIS, 2013, p. 635-36).

A DRA, pelas normas internacionais, pode ainda ser apresentada como continuidade da DRE, mas no
Brasil o CPC determinou que seja como um relatório à parte. Utilizando os mesmos números que estão
como exemplo no CPC 26.

Note-se que, apresentadas separadamente, bastaria a DRA começar a partir do Lucro Líquido

Tabela 1

Demonstração de Resultado do Exercício (DRE)


Receita de vendas 1.879.400
Tributos sobre vendas (300.000)
Receita líquida de vendas 1.579.400
Custo dos produtos vendidos (820.000)
Lucro bruto 759.400
Despesas com vendas (180.000)
Despesas administrativas (125.000)

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Unidade III

Receita de equivalência patrimonial 35.000


Lucro antes receita e despesas financeiras 489.400
Receitas financeiras 93.000
Despesas financeiras (124.500)
Lucro antes tributos sobre o lucro 457.900
Tributos sobre o lucro (185.900)
Lucro líquido do período 272.000

Adaptada de: Comitê de Pronunciamentos Contábeis (2013).

Tabela 2

Demonstração do Resultado Abrangente (DRA)


Lucro líquido do período 272.000
Parcela dos sócios da controladora 250.000
Parcela dos não controladores 22.000
Ajustes instrumentos financeiros (60.000)
Tributos s/ ajustes instrumentos financeiros 20.000
Equiv. patrimonial s/ ganhos abrangentes de coligadas 30.000
Ajustes de conversão do período 260.000
Tributos s/ ajustes de conversão do período (90.000)
Outros resultados abrangentes antes da reclassificação 160.000
Ajustes de instrumentos financ. reclassificados p/ Resultado 10.600
Outros resultados abrangentes 170.600
Parcela dos sócios da controladora 164.600
Parcela dos não controladores 6.000
Resultado abrangente total 442.600
Parcela dos sócios da controladora 414.600
Parcela dos não controladores 28.000

Adaptada de: Comitê de Pronunciamentos Contábeis (2013).

(O exemplo acima está com os mesmos números do exemplo anexado ao CPC 26.)

O Pronunciamento Técnico CPC sugere ainda que a DRA seja adicionada à Mutação do
Patrimônio Líquido.

As empresas devem, de acordo com o CPC 26, divulgar como alocações do resultado do exercício na
DRA consolidada os resultados abrangentes totais do período atribuíveis à participação de sócios não
controladores, e os atribuíveis aos detentores do capital próprio da empresa controladora. O referido
Pronunciamento Técnico dispõe também que os outros resultados abrangentes podem ser evidenciados
líquidos de seus respectivos efeitos tributários, ou antes de tais efeitos, sendo estes divulgados em
montante único, que totalize os tributos dos componentes.
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CONTABILIDADE INTERMEDIÁRIA

No momento em que ocorre a realização contábil dos itens, registrados como outros resultados
abrangentes (por exemplo, baixa de investimentos em companhias no exterior, baixa de ativos
financeiros disponíveis para venda, ou quando operações anteriormente prevista e sujeita a
hedge de fluxo de caixa afeta o resultado líquido do exercício etc.), configura-se a necessidade
de divulgação dos ajustes de reclassificação, que são tratados no item 93 do CPC 26, conforme
transcrito a seguir:

93. Alguns Pronunciamentos, Interpretações e Orientações especificam


se e quando itens anteriormente registrados como outros resultados
abrangentes devem ser reclassificados para o resultado do período. Tais
ajustes de reclassificação são incluídos no respectivo componente dos
outros resultados abrangentes no período em que o ajuste é reclassificado
para o resultado líquido do período. Por exemplo, o ganho realizado na
alienação de ativo financeiro disponível para venda é reconhecido no
resultado quando de sua baixa. Esse ganho pode ter sido reconhecido
como ganho não realizado nos outros resultados abrangentes do período
ou de períodos anteriores. Dessa forma, os ganhos não realizados devem
ser deduzidos dos outros resultados abrangentes no período em que os
ganhos realizados são reconhecidos no resultado líquido do período,
evitando que esse mesmo ganho seja reconhecido em duplicidade
((COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2013, p. 637).

A entidade pode optar por apresentar os ajustes de reclassificação em notas explicativas, não os
divulgando na DRA, mas, nesse caso, ela deverá apresentar os itens de outros resultados abrangentes
após os respectivos ajustes de reclassificação.

Cabe salientar que não devem ser tratadas como ajustes de reclassificação as mutações na reserva
de reavaliação, quando permitida por Lei, ou os ganhos e perdas atuariais de planos de benefício a
empregados. Ambos são reconhecidos como outros resultados abrangentes, mas não são reclassificados
para o resultado líquido em exercícios posteriores. Na medida em que ocorrer a realização da reserva
de reavaliação, suas mutações devem ser transferidas para Reserva de Retenção de Lucros ou para
Prejuízos Acumulados. Certos ganhos e perdas atuariais de planos de benefício a empregados podem ser
registrados na Reserva de Retenção de Lucros ou em Prejuízos Acumulados no exercício em que forem
reconhecidos como outros resultados abrangentes.

Por fim, o Pronunciamento Técnico CPC 26 – Apresentação das Demonstrações Contábeis destaca
que, quando for relevante para a compreensão dos resultados da companhia, outras rubricas, contas,
títulos e subtotais devem ser apresentados na DRA e na DRE. Entretanto, a entidade não deve apresentar
nas referidas demonstrações, ou em notas explicativas, rubricas, receitas ou despesas sob a forma de
itens extraordinários. Também não se admite mais a figura das receitas e despesas não operacionais.
A única discriminação é a dos resultados derivados das atividades descontinuadas (COMITÊ DE
PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS, 2013).

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Unidade III

Definições importantes para a DRA

Outros resultados abrangentes compreendem itens de receita e despesa (incluindo


ajustes de reclassificação) que não são reconhecidos na demonstração do resultado como
requerido ou permitido pelas normas, interpretações e comunicados técnicos emitidos pelo
CFC. Os componentes dos outros resultados abrangentes incluem:

a) variações na reserva de reavaliação quando permitidas legalmente (ver a NBC TG


27 – Ativo Imobilizado e a NBC TG 04 – Ativo Intangível);

b) ganhos e perdas atuariais em planos de pensão com benefício definido reconhecidos


conforme item 93A da NBC TG 33 – Benefícios a Empregados;

c) ganhos e perdas derivados de conversão de demonstrações contábeis de operações no


exterior (ver a NBC TG 02 – Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de
Demonstrações Contábeis);

d) ajuste de avaliação patrimonial relativo aos ganhos e perdas na remensuração


de ativos financeiros disponíveis para venda (ver a NBC TG 38 – Instrumentos
Financeiros: Reconhecimento e Mensuração);

e) ajuste de avaliação patrimonial relativo à efetiva parcela de ganhos ou perdas de


instrumentos de hedge em hedge de fluxo de caixa (ver também a NBC TG 38 –
Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração).

Fonte: Conselho Regional de Contabilidade PR

E a seguir, um quadro sugestivo de apresentação da Demonstração do Resultado.

Quadro 8 - Modelo sugestivo de apresentação da


Demonstração do Resultado Abrangente

Demonstração do Resultado
Abrangente de X1 X1 X0
Resultado Líquido do Período
(+/-) Outros Resultados Abrangentes
Variação de Reserva de Reavaliação (Quando Existente)
Ganhos/Perdas em Planos Previdência Complementar
Ou Conversão das Demonstrações Contábeis p/Exterior
Ajuste de Avaliação Patrimonial
(+/-) Resultados Abrangentes de Empresas Investidas (quando reconhecidas pela Eq. Patrimonial)
(=) Resultado Abrangente do Período

Fonte: Adaptado NBC TG 26

60
CONTABILIDADE INTERMEDIÁRIA

8.3 Exemplo da Demonstração de Resultado Abrangente de uma


empresa existente

Figura 11 – Demonstração de Resultado Abrangente da Empresa Natura 31/12/2016

Exemplos de aplicação

1. Língua e Jargão

Ao longo da unidade, você teve contato com termos da área contábil que correspondem a
determinados conceitos e, em razão disso, propõe-se que você aprofunde sua compreensão em
relação a esses termos. Assim, tente explicar a seguir com suas próprias palavras o que significa o
termo em destaque (caso necessite, volte ao texto, releia-o e pesquise em livros e na internet não
só o que o termo significa, mas como os profissionais da área contábil o utilizam).

Os termos são: Abatimentos, Descontos, Devoluções.


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Unidade III

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2. Imagine um produto, que pode ser um bem de consumo, um bem intermediário, um bem de
capital ou um serviço que por algum motivo atrai a sua admiração (não necessariamente você
precisa consumir esse produto regularmente ou mesmo esporadicamente).

Escolhido o produto de seu interesse, busque a empresa que produz e/ou distribui esse produto e
tente encontrar seu balanço patrimonial e a demonstração de resultados do exercício e analise-os.

Responda à seguinte questão: O BP e a DRE dessa empresa vão ao encontro de toda a teoria
que você estudou neste livro? Justifique.

Caso não consiga responder a essa pergunta, analise novamente, faça uma revisão quantas vezes
julgar necessário deste livro-texto e entre em contato com os tutores presenciais e ou a distância
(munido evidentemente das demonstrações que está analisando). Não fique com dúvidas!

Essa atividade também pode ser praticada em equipe.

Forme um grupo de estudos em seu polo!

Observação

Faça desta atividade um hábito permanente a partir de agora. A cada


trimestre, obtenha informações sobre a empresa que admira e acompanhe
a sua contabilidade.
62
CONTABILIDADE INTERMEDIÁRIA

Se você souber outras línguas, poderá praticar esse exercício, ou


como foi dito, esse hábito, em uma empresa de outro país. Será mais
uma oportunidade para praticar uma outra língua de acordo com as
suas preferências.

3. No espaço a seguir, tente montar um mapa mental ou um esquema com os principais conceitos
estudados nesta unidade.

63
Unidade III

8.4 Notas Explicativas

8.4.1 Introdução

As demonstrações contábeis devem ser complementadas por notas explicativas, quadros


analíticos ou outras demonstrações necessárias à plena avaliação da situação e da evolução
patrimonial da empresa.

A lei enumera o mínimo dessas notas e induz a sua ampliação quando forem necessárias para o
devido esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício.

Nesse mínimo, incluem-se divulgar informações sobre a base de preparação das demonstrações
financeiras e das práticas contábeis aplicadas, divulgar as informações exigidas pelas praticas contábeis
adotadas no Brasil que não estejam apresentadas em nenhuma outra parte das demonstrações contábeis,
realizar a descrição dos critérios de avaliação dos elementos patrimoniais e das práticas contábeis
adotadas, dos ajustes dos exercícios anteriores, das reavaliações, do ônus sobre ativos, dos detalhamentos
das dívidas de longo prazo, do capital e dos investimentos relevantes em outras empresas, dos eventos
subsequentes importantes após a data do balanço etc. (FIPECAFI, 2011)

8.4.2 Notas Explicativas na Lei nº 6.404/76

O artigo 176, 4º e 5º, e o artigo 177, 1º, transcritos a seguir, apresentam as informações mínimas que
devem constar nas notas explicativas:

§ 4º As demonstrações serão complementadas por notas explicativas e


outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para
esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício.

§ 5º As notas explicativas devem: (Redação dada pela Lei n. 11.941, de 2009)

I – apresentar informações sobre a base de preparação das demonstrações


financeiras e das práticas contábeis especificas selecionadas e aplicadas
para negócios e eventos significativos; (Incluído pela Lei n. 11.941, de 2009)

II – divulgar as informações exigidas pelas práticas contábeis adotadas


no Brasil que não estejam apresentadas em nenhuma outra parte das
demonstrações financeiras; (Incluído pela Lei n. 11.941, de 2009)

III – fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias demonstrações


financeiras e consideradas necessárias para uma apresentação adequada; e
(Incluído pela Lei n. 11.941, de 2009)

IV – indicar: (Incluído pela Lei n. 11.941, de 2009)

64
CONTABILIDADE INTERMEDIÁRIA

a) Os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais,


especialmente estoques, dos cálculos de depreciação, amortização e
exaustão, de constituição de provisões para encargos ou riscos, e dos ajustes
para atender a perdas prováveis na realização de elementos do ativo;
(Incluído pela Lei n. 11,941, de 2009)

b) Os investimentos em outras sociedades, quando relevantes (art. 247,


parágrafo único); (incluído pela Lei n. 11.941, de 2009)

c) O aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avaliações


(art. 182, 3º); (incluído pela Lei n. 11.941, de 2009)

d) os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias prestadas


a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contingentes; (Incluído
pela Lei nº 11.941, de 2009)

d) a taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a


longo prazo; (Incluído pela Lei n. 11.941, de 2009)

e) o número, espécies e classes das ações do capital social; (Incluído pela


Lei n. 11.941, de 2009)

f) as opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício;


(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)

g) os ajustes de exercícios anteriores (art. 186, §1º); e (Incluído pela


Lei n. 11.941, de 2009)

h) os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que


tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e
os resultados futuros da companhia. (Incluído pela Lei n. 11,941, de 2009)

Art. 177, A escrituração da companhia será mantida em registros


permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta
Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar
métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações
patrimoniais segundo o regime de competência.

§ 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação


de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicá-la
em nota e ressaltar esses efeitos (BRASIL, 1976).

65
Unidade III

8.4.3 Notas Explicativas no CPC 26(R1)(NBC TG 26)

O CPC 26(R1), aprovado pelo CFC como Norma Brasileira de Contabilidade (NBC TG 26), em seus
itens 77 a 80 também disciplinam as informações mínimas que devem constar das notas explicativas:

77. A entidade deve divulgar, seja no balanço patrimonial, seja nas notas
explicativas, rubricas adicionais às contas apresentadas, classificadas de
forma adequada às operações da entidade.

78. O detalhamento proporcionado nas subclassificações depende dos


requisitos dos Pronunciamentos, Interpretações e Orientações e da dimensão,
natureza e função dos montantes envolvidos. As divulgações variam para
cada item, por exemplo:

a) os itens do ativo imobilizado são segregados em classes de acordo com o


Pronunciamento Técnico CPC 27 – Ativo Imobilizado;

b) as contas a receber são segregadas em montantes a receber de clientes


comerciais, contas a receber de partes relacionadas, pagamentos antecipados
e outros montantes;

c) os estoques são subclassificados, de acordo com o Pronunciamento


Técnico CPC 16 – Estoques, em classificações tais como mercadorias para
revenda, insumos, materiais, produtos em processo e produtos acabados;

d) as provisões são segregadas em provisões para benefícios dos empregados


e outros itens; e

e) o capital e as reservas são segregados em várias classes, tais como capital


subscrito e integralizado, prêmios na emissão de ações e reservas.

79. A entidade deve divulgar o seguinte no balanço patrimonial, na


demonstração das mutações do patrimônio líquido ou nas notas explicativas:

a) para cada classe de ações do capital:

(I) a quantidade de ações autorizadas;

(III) a quantidade de ações subscritas e inteiramente integralizadas, e


subscritas, mas não integralizadas;

(IV) o valor nominal por ação, ou informar que as ações não têm valor nominal;

(V) a conciliação da quantidade de ações em circulação no início e no fim


do período;

66
CONTABILIDADE INTERMEDIÁRIA

(VI) os direitos, preferenciais e restrições associados a essa classe de


ações incluindo restrições na distribuição de dividendos e no reembolso
de capital;

(VII) ações ou quotas da entidade mantidas pela própria entidade (ações ou


quotas em tesouraria) ou por controladas ou coligadas; e

(b) uma descrição da natureza e da finalidade de cada reserva dentro do


patrimônio líquido.

80. A entidade sem capital representado por ações, tal como uma sociedade
de responsabilidade limitada ou um truste, deve divulgar informação
equivalente à exigida no item 79(a), mostrando as alterações durante
o período em cada categoria de participação no patrimônio líquido e os
diretos, preferências e restrições associados a cada categoria de participante.

80A. Se a entidade tiver reclassificado

(a) Um instrumento financeiro com opção de venda classificado como


instrumento patrimonial, ou

(b) Um instrumento que impõe sobre a entidade a obrigação de entregar


a uma contraparte um valor pro rata dos ativos líquidos (patrimônio
líquido somente na liquidação da entidade e é classificado como
instrumento patrimonial entre passivos financeiros e patrimônio líquido,
ela divulga o montante reclassificado para dentro e para fora de cada
categoria (passivos financeiros ou patrimônio líquido), e o momento
e o motivo dessa reclassificação (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS
CONTÁBEIS, 2013, p. 634-35).

Resumo

Neste livro-texto, conforme foi comentado na introdução, realizou-se


uma ponte entre a contabilidade interna, um trabalho privativo do contador
e as necessidades dos usuários externos. Entendeu-se que, para que haja
uma comunicação eficiente e eficaz do contador com a sociedade, sob os
mais variados interesses, é imprescindível utilizar uma apresentação de
forma que esteja de acordo com as expectativas depositadas nos principais
regulamentos jurídicos brasileiros e internacionais.

Sendo assim, passamos a estudar em detalhes, inclusive com um estudo


dirigido no texto da lei, que expectativas são essas.

67
Unidade III

Após todos esse esforço, entende-se que você está apto para prosseguir
os estudos de outras disciplinas do curso de ciências contábeis, em um
aprimoramento contínuo.

Como uma recomendação básica: entende-se que eventuais ansiedades


para conhecer rapidamente aspectos mais avançados da contabilidade irá
atrapalhar seu desempenho. Atenha-se a este livro-texto, estude com
entusiasmo e não deixe permanecer dúvidas.

De qualquer forma, parabéns, você acaba de vencer mais uma importante


etapa no processo de aprendizagem para ser um(a) ótimo(a) contador(a).

Exercícios

Questão 1. Com relação ao conceito, ao objetivo e à composição da Demonstração do Resultado do


Exercício (DRE), julgue as afirmativas e responda o que se solicita:

I – Para obter o valor da receita bruta, basta deduzir da receita líquida o custo dos produtos e
serviços vendidos.

II – O valor da receita líquida das vendas e serviços é apurado antes do valor do lucro bruto.

III – Na determinação do resultado, deve‑se observar o princípio de competência e não o de caixa.

Está correto apenas o que se afirma em:

A) I.
B) II.
C) III.
D) I e II.
E) II e III.

Resposta correta: alternativa E.

Análise das afirmativas

I) Afirmativa incorreta.

Justificativa: entende‑se por receita bruta a soma de todas as vendas realizadas pela empresa
num determinado período. A receita bruta é, portanto, a somatória das vendas feitas à vista e

68
CONTABILIDADE INTERMEDIÁRIA

a prazo. Ao diminuir o custo dos produtos e serviços vendidos da receita líquida, tem‑se como
resultado o lucro bruto.

II) Afirmativa correta.

Justificativa: o valor da receita líquida das vendas e serviços é apurado antes do valor do lucro bruto.
A receita líquida é obtida quando são deduzidos da receita bruta de vendas de bens e serviços, pela
ordem, devoluções, abatimentos e descontos comerciais bem como os impostos sobre a venda. Tem‑se,
então, a receita líquida que, também pela ordem, deduzida do custo dos produtos e serviços vendidos,
chega‑se ao resultado do lucro bruto.

III) Afirmativa correta.

Justificativa: na determinação do resultado, deve ser observado o princípio da competência. Por


esse princípio, deverão ser consideradas as receitas efetivamente ganhas e não as necessariamente
recebidas. Ainda por esse princípio, deverão ser considerados os custos e despesas incorridas e não os
necessariamente pagos.

Questão 2 (CESPE, 2010, TRE‑MT, adaptada). Considerando que, de acordo com a Lei nº
6.404/76, a DRE deve ser apresentada na forma dedutiva com os detalhes necessários das
receitas, despesas, ganhos e perdas, definindo claramente o lucro ou prejuízo do exercício, e por
ação, assinale a opção correta:

A) O valor da receita líquida das vendas e serviços deve ser apurado pela diferença entre a receita
bruta das vendas e serviços e o valor do custo das mercadorias e serviços vendidos.

B) Despesas de vendas e despesas financeiras denotam mesma conceituação.

C) O lucro (ou prejuízo) líquido do exercício e o montante do lucro (ou prejuízo) por ação do capital
social devem ser apurados depois da dedução dos valores das participações.

D) Fornecedores são exemplos de participações deduzidas na DRE.

E) Os abatimentos concedidos não são discriminados na DRE.

Resolução desta questão na plataforma.

69
FIGURAS E ILUSTRAÇÕES

Figura 1

Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 3 de fev. 1970, p. 23. Disponível em: <http://news.google.com/newspap
ers?nid=0qX8s2k1IRwC&dat=19700203&printsec=frontpage&hl=pt-BR>. Acesso em: 4 jul. 2018.

Figura 3

20080430BALANCO.JPG. Disponível em: <http://www.netvasco.com.br/news/noticias14/


arquivos/20080430balanco.jpg>. Acesso em: 4 jul. 2018.

Figura 5

CAMPANATO, V. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, participa da abertura da colheita da


safra de cana na usina do Grupo USJ (Quirinópolis-GO). 2010. 1 fotografia. Disponível em: <http://
agenciabrasil.ebc.com.br/sites/_agenciabrasil/files/gallery_assist/29/gallery_assist663543/29032010-
290310VC1855.jpg>. Acesso em: 4 jul. 2018.

Figura 9

NATURA COSMÉTICOS S.A. Demonstrações financeiras: 31 de dezembro de 2016. São Paulo, 2017.
Disponível em: <http:// http://natu.infoinvest.com.br/ptb/5907/Demonstraes%20financeiras%20
4T16%20-%20Portugus%20com%20ata.pdf>. Acesso em: 4 jul. 2018. p. 7.

Figura 10

NATURA COSMÉTICOS S.A. Demonstrações financeiras: 31 de dezembro de 2016. São Paulo, 2017.
Disponível em: <http://natu.infoinvest.com.br/ptb/5907/Demonstraes%20financeiras%204T16%20
-%20Portugus%20com%20ata.pdf>. Acesso em: 4 jul. 2018. p. 8.

Figura 11

NATURA COSMÉTICOS S.A. Demonstrações financeiras: 31 de dezembro de 2016. São Paulo, 2017.
Disponível em: <http://natu.infoinvest.com.br/ptb/5907/Demonstraes%20financeiras%204T16%20
-%20Portugus%20com%20ata.pdf>. Acesso em: 4 jul. 2018. p. 9.

70
REFERÊNCIAS

Textuais

ALMEIDA, M. C. Contabilidade intermediária. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

BRAGA, H. R.; ALMEIDA, M. C. Mudanças contábeis na lei societária. São Paulo: Atlas, 2008.

BRASIL. Lei nº 6.404 (compilada), de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as sociedades por
ações. Brasília, 1976. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6404compilada.
htm>. Acesso em: 6 jul. 2018.

___. Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei nº 6.404, de 15
de dezembro de 1976, e da Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de
grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Diário
Oficial [da República Federativa do Brasil], Brasília, DF.

COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamentos técnicos contábeis 2012. Comitê


de Pronunciamentos Contábeis. Brasília: Conselho Federal de Contabilidade, 2013. Disponível em:
<http://portalcfc.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/06/cpc_pronunciamentos_2012_
web.pdf>. Acesso em: 4 jul. 2018.

FUNDAÇÃO INSTITUTO DE PESQUISAS CONTÁBEIS, ATUARIAIS E FINANCEIRAS (FIPECAFI). Manual


de Contabilidade Societária: FEA/USP. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2011.

INTERNATIONAL ACCOUNTING STANDARDS COMMITTEE FOUNDATION (Reino Unido). Normas


internacionais de relatório financeiro: incluindo normas internacionais de contabilidade (IASS) e
interpretações, aprovadas em 1º de janeiro de 2008. Londres: Departamento de Publicações da
IASCF, 2008.

IUDÍCIBUS, S. de; MARTINS, E.; KANITZ, S. C. Contabilidade introdutória: livro-texto. 11. ed. São
Paulo: Atlas, 2011.

MARION, J. C. Contabilidade empresarial. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

___. Contabilidade empresarial. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2009.

___. Contabilidade empresarial: livro de exercício. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2011.

MULLER, A. N. Contabilidade básica. ed. revisada. São Paulo: Pearson, 2010.

NATURA COSMÉTICOS S.A. Demonstrações financeiras: 31 de dezembro de 2016. São Paulo, 2017.
Disponível em: <http:// http://natu.infoinvest.com.br/ptb/5907/Demonstraes%20financeiras%20
4T16%20-%20Portugus%20com%20ata.pdf>. Acesso em: 4 jul. 2018.
71
NEVES, S.; VICECONTI, P. E. V. Contabilidade básica. 13. ed. São Paulo: Frase, 2006.

SANTOS, J. L.; SCHMIDT, P.; FERNANDES, L. A. Demonstrações contábeis das companhias abertas.
1. ed. São Paulo: Atlas, 2006.

Sites

<http://www.cpc.org>.

Exercícios

Unidade II – Questão 1: CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). Prova para provimento de


cargos de técnico de contabilidade, realizada pelo Conselho Federal de Contabilidade em março de 2012.
Questão 17. Disponível em: <http://www.questoesdeconcursos.com.br/prova/arquivo_prova/27799/cfc-
2011-cfc-tecnico-em-contabilidade-segundo-semestre-prova.pdf>. Acesso em: 18 mai. 2013.

Unidade II – Questão 2: FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS (FCC). Prova para provimento de cargos de
Agente de Fiscalização Financeira, realizada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo em
fevereiro de 2012. Questão 62. Disponível em: <http://www.questoesdeconcursos.com.br/prova/
arquivo_prova/25799/fcc-2012-tce-sp-agente-de-fiscalizacao-financeira-prova.pdf>. Acesso em: 18
mai. 2013.

Unidade III – Questão 1: ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO FAZENDÁRIA (ESAF). Prova para provimento
de cargos de analista de analista de comércio exterior, realizada pelo Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior em maio de 2012. Questão 48. Disponível em: < http://www.
questoesdeconcursos.com.br/prova/arquivo_prova/27576/esaf-2012-mdic-analista-de-comercio-
exterior-prova-2-grupo-1-prova.pdf>. Acesso em: 18 mai. 2013.

Unidade III – Questão 2: CENTRO DE SELEÇÃO E DE PROMOÇÃO DE EVENTOS (CESPE). Prova para
provimento de cargos de analista judiciário – contabilidade, realizada pelo Tribunal Regional Eleitoral
do Mato Grosso em janeiro de 2010. Questão 35. Disponível em: <http://www.questoesdeconcursos.
com.br/prova/arquivo_prova/1343/cespe-2010-tre-mt-analista-judiciario-contabilidade-prova.pdf>.
Acesso em: 18 mai. 2013.

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Informações:
www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000

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