Você está na página 1de 174

Martinho Maurício Gomes de Ornelas

5ª edição
, , ··- ,
' '

MARTINHO MAURÍCIO GOMES DE ÜRNELAS


PERÍCIA CONTÁBIL

Sª Edição

SÃO PAULO
EDITORA ATLAS S.A. - 2011
© 1994 by Editora Atlas S.A.

l.ed. 1994; 2.ed. 1995; 3.ed. 2000;4. ed. 2003;


5. ed. 2011 (4 impressões)

Capa: Aldo Catelli


Composição: Lino-Jato Editoração Gráfica

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Ornelas, Martinho Maurício Gomes de


Perícia contábil/Martinho Maurício Gomes de Ornelas. - 5. ed. - São Paulo : Atlas, 2011.

Bibliografia.
ISBN 978-85-224-6258-2

1. Contabilidade 2. Prova pericial I. Título.

93-3045 CDD-657

Índice para catálogo sistemático:


1. Perícia contábil 657

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS - É proibida a reprodução total ou parcial, de qualquer


forma ou por qualquer meio. A violação dos direitos de autor (Lei nº 9.610/ 98) é crime
estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal.

Depósito legal na Biblioteca Nacional conforme Lei nº 10.994, de 14 de dezembro de 2004.

Impresso no Brasil/Printed in Brazil

1
• 1

.\\
Editora Atlas S.A. 1 (.

Rua Conselheiro Nébias, 1384 (Campos Elísios)


01203-904 São Paulo (SP)
Te!.: (011) 3357-9144 N. cham.: 657 081
www.EditoraAtlas.com.br Al1tor: Omelas, Martinho Maurício Gom
Título: Perícia contábil.
5
lellllll lllll lllll lllll lllll lllll lllll 111111111111111111
.," "cr.n nro
:c
::473 1
A Iracy, Teo e Laura,
minha querida fama.ia .
• SUMÁRIO

Apresentação, xi

Prefácio à 5ª edição, xiii

Prefácio à 4ª edição, xv

Prefácio à 3ª edição, xvii


Prefácio à l ª e 2 ª edição, xix

Introdução, 1

1 Prova pericial: noções introdutórias, 5


1.1 Introdução, 5
1.2 Prova pericial, 6
1.3 Função da prova pericial, 8
1.4 Ônus da prova, 9
1.5 Meios de prova, 12
1.6 Modalidades da prova pericial, 14

2 Perícia contábil, 15
2.1 Alguns conceitos, 15
2.2 Objeto da perícia contábil, 17
2.3 Modalidades de perícia contábil, 18
2.4 Admissão da perícia contábil, 20
viii Perícia Contábil • Ornelas

3 Exercício da função pericial contábil, 22


3 .1 Aspectos legais e profissionais, 22
3.2 Escolha do perito, 26
3.3 Indicação do assistente técnico, 27
3.4 Perícia contábil em arbitragem, 28
3.5 Direitos e deveres funcionais , 30
3.6 Perfil profissional, 34

4 Perícia no Código de Processo Civil, 37


4.1 Código de 1939, 37
4.2 Decreto-lei nº 8.570, de 1946, 41
4.3 Código de 1973, 42
4.4 Lei nº 8.455, de 1992, 43
4.5 Lei nº 8.952, de 1994, 46
4.6 Lei nº 10.358, de 2001, 46
4. 7 Lei nº 10.406, de 2002, 48
4.8 Lei nº 11.232, de 2005, 48
4.9 Novo Código de Processo Civil, 49

5 Técnicas do trabalho pericial judicial, 50


5.1 Introdução, 50
5.2 Ambientes do trabalho pericial, 50
5.3 Desenvolvimento do trabalho pericial, 51
5.3 .1 Procedimentos preliminares, 52
5.3.2 Organização e planejamento da perícia, 55
5.3 .3 Diligências, 58

6 Quesitos, 67
6.1 Questionário básico, 6 7
6.2 Quesitos suplementares, 72
6.3 Pedido de esclarecimentos, 72
6.4 Uso da linguagem técnico-contábil, 74

7 Relatórios periciais contábeis: laudo e parecer, 76


7 .1 Relatórios periciais, 76
7.2 Laudo pericial contábil, 76
7.2.l Aspectos gerais, 76
7.2.2 Organização e desenvolvimento do conteúdo, 78
7.2.3 Estética, 82
7.2.4 Alguns tipos de laudo, 83
7.3 Parecer pericial contábil, 87
7.4 Encaminhamento do laudo e do parecer, 89
Sumário ix

8 Remuneração do trabalho pericial, 92


8.1 Quando em função judicial, 92
8.1.1 Honorários de perito judicial, 92
8.1.1.1 Depósito integral, prévio e complementar, 95
8.1.1.2 Levantamento dos honorários, 96
8.1.1.3 Algumas particularidades, 98
8.1.1.4 Modelos de petição, 99
8.1.2 Honorários de assistente técnico, 100
8.2 Quando em função extrajudicial, 101

9 Perspectivas da perícia contábil, 113

Apêndice A - Normas Técnicas e Funcionais de Perícia Contábil, 118

Apêndice B - Modelo de Proposta/Contrato de Prestação de Serviços de Assi.stência Técnica, 143

Bibliografia, 149
~ -- ~ ~ - -- -- -
APRESENTAÇÃO

Maurício de Ornelas é um profissional que respeito. Fiquei surpreso, entre-


tanto, quando me procurou com uma cópia de sua dissertação de mestrado, di-
zendo que me queria como autor da apresentação da obra: esta seria examinada
e julgada, pouco tempo depois, no exame essencial à obtenção do título. Fiquei
de ler o trabalho e de escrever alguma coisa.
Para os advogados que exercem sua profissão em juízo, o conhecimento do
que deve ser a prova pericial contábil é essencial. Só por esse motivo já merece
encômios o autor, pela facilidade com que brinda a classe dos advogados militan-
tes com este livro que vai divulgar. Comentários sobre o que sejam as provas, até
mesmo as provas contábeis, nós os temos, de variados e eruditos autores, mas
trabalho que se dedique exclusivamente à perícia contábil, com ensinamentos
valiosos para os praticantes do direito, só conheço este.
Para os advogados, os peritos contábeis são de duas espécies: o nomeado
pelo juiz e o escolhido por ele, advogado da causa, seja como autor ou como réu.
O primeiro, de escolha do juiz, pode e deve ser culto, bom e imparcial. O outro, o
perito assistente, deve ter também duas dessas qualidades, mas atuar muito mais
como um advogado, como um advogado especializado na matéria contábil que
precisa ser examinada. Isso, aliás, é o que se aplica a quaisquer assistentes peri-
ciais em qualquer tipo de prova, e não apenas na contábil. O assistente técnico é
o advogado da parte em matéria técnica; posso até dizer que o assistente técnico
é o perito particular do advogado da causa. Diferentes as situações, diferentes as
atuações, diferentes os resultados.
É de ver que, sobre o perito contábil, pouca influência possa o advogado da
causa exercer. Não é o perito do juiz da escolha do advogado: a confiança que
xii Pe r íc ia Co ntábi l • Ornela s

reflete é a recebida do juiz que o nomeou. Totalmente diversa a situação do as-


sistente técnico, em matéria contábil ou outra qualquer: este é de confiança do
advogado que o escolheu e, dentro do possível (tal como ocorre com o próprio
advogado), deve procurar defender os legítimos interesses da parte que o contra-
tou, dentro dos limites de suas qualificações profissionais. Não presta os serviços
desejados, muito menos aqueles para os quais foi contratado, o perito e assistente
técnico que tenta ser imparcial, da mesma forma como se comete essa obrigação
ao perito do juiz.
Daí a importância do assistente técnico, desde a elaboração dos primeiros quesi-
tos apresentados nos autos; maior sua relevância, quando do preparo dos eventuais
quesitos suplementares, e no exame do laudo apresentado pelo perito do juiz; ainda
maior a importância do assistente técnico, quando aconselha o advogado da parte
sobre os pedidos de esclarecimentos que serão apresentados em audiência.
Questão delicada, e difícil, é a dos salários dos peritos - quaisquer que sejam.
O escolhido pelo juiz faz sua proposta - contra a qual é difícil aos advogados das
partes se rebelarem ou criticarem, com o receio justo de serem brindados com a
má vontade, ou relutância, do perito do juiz em examinar as questões apresenta-
das com aquela imparcialidade a que a lei obriga. Se esta já é uma situação difícil
para os advogados, quando não conhecem o perito, mais difícil se torna se já
terçaram armas, em outros processos, com o perito do juiz. Essa é uma situação
às vezes constrangedora, mas inevitável.
A remuneração dos assistentes técnicos é estabelecida livremente entre estes
e o advogado que os contrata. Leia-se "tão livremente quanto possível", porque
essa remuneração está atrelada, em parte, à do perito do juiz e em não menor
parte em sua receptividade às sugestões dos advogados e dos clientes que os
contratam. Todavia, é forçoso reconhecer as divergências que hoje se notam a
respeito dos salários dos peritos, que são muito menores com relação aos dos
assistentes técnicos do que com relação aos dos peritos nomeados pelos juízes.
Os aspectos examinados pelo autor conduzem a importantes reflexões sobre
todos esses temas. O trabalho que preparou muito facilita o dos advogados que se
veem na contingência de contratar um assistente técnico contábil.
Maurício de Ornelas é um estudioso da matéria. Suas preocupações com o
ensino e a prática profissional transparecem neste trabalho que tem também o
mérito de orientar contadores para a função pericial. Antecipa-se o autor aos
próprios cursos de formação dos bacharéis em ciências contábeis, que a partir de
agora, por determinação do Conselho Federal de Educação, terão a Perícia Contá-
bil como disciplina obrigatória.
Como profissional, confirma o conceito que dele meus companheiros e eu
formamos, há muito tempo. Que prossiga em seus estudos e sempre com a vonta-
de de contribuir para a elevação da profissão que adotou, com o que ajudará não
só seus companheiros de profissão, mas principalmente os advogados e a Justiça.
São Paulo, 30 de maio de 1994.
J. M. Pinheiro Neto - KBE
PREFÁCIO À 5ª EDIÇÃO

Esta 5ª edição vem com questões novas relacionadas à perícia contábil e ao


perito contador.
A primeira delas diz respeito às novas Normas Brasileiras de Contabilidade
relativas à perícia e ao perito. Trata-se da NBC-TP-01 - Perícia Contábil e da NBC-
PP-01 - Perito Contábil, baixadas pelo Conselho Federal de Contabilidade, em
dezembro de 2009.
Procedemos a várias adaptações do texto para enfatizar a produção de prova
pericial contábil nos procedimentos de arbitragem.
A função de assistente técnico é apresentada, em tópico destacado, em face
da relevância que lhe é inerente.
O texto foi amplamente revisto, ora reformulando, ora ampliando determi-
nados temas.
Acredita-se que o leitor sai beneficiado com esta nova edição de um primeiro
texto publicado em 1994.

São Paulo, dezembro de 2010.


Martinho Mauricio Gomes de Ornelas
~ -- ~ ~ - -- -- -
PREFÁCIO À 4ª EDIÇÃO

Pouco tempo se passou desde a 3ª edição deste livro; entretanto, aconteci-


mentos relevantes no mundo jurídico pátrio, em especial a entrada em vigor do
novo Código Civil - Lei nº 10.406, de 10-1-2002 -, que revogou a Parte Primeira
do Código Comercial - Lei nº 556, de 25-6-1850 - neste mês de janeiro de 2003,
exigiram a revisão e acréscimos em seu conteúdo.
Assim, todas as referências à parte revogada do Código Comercial foram
excluídas, adaptadas ou modificadas, considerando os dispositivos correlatos e
aqueles novos contidos no novo Código Civil.
A Lei nº 10.358, de 27-12-2001, que introduziu acréscimos e modificações no
Código de Processo Civil, de interesse da perícia contábil, também foi fator que
determinou modificações no conteúdo do livro.
Além desses aspectos, procedeu-se à revisão de todo o texto, ampliando ou
reformulando determinados assuntos.
Espera-se que o leitor usufrua desta edição modificada e ampliada.

São Paulo, janeiro de 2003.


Martinho Maurício Gomes de Orneias
~ -- ~ ~ - -- -- -

PREFÁCIO À 3ª EDIÇÃO

Já se passaram cerca de cinco anos desde que veio a lume a primeira edição
deste livro. A estrutura básica do livro permanece válida, entretanto, já reclama-
va algumas revisões e inclusões. É o que fizemos nesta 3ª edição.
Com o advento da Lei nº 9 .307, de 23 de setembro de 1996, Lei de Arbitra-
gem, foram revogados os dispositivos sobre o juízo arbitral contidos no Código de
Processo Civil. Assim, foi necessário reescrever os trechos onde se tratou do juízo
arbitral, e, pela relevância e novidade do tema, tratou-se do assunto no Capítulo
3, em tópico específico.
Por força de acréscimo de parágrafo único ao artigo 33, CPC, introduzido pela
Lei nº 8.952, de 13 de dezembro de 1994, foi necessário reescrever parte do Ca-
pítulo 8, que trata da remuneração do trabalho pericial, considerando que o ma-
gistrado pode determinar que o perito nomeado ofereça orçamento ou estimativa
da sua remuneração a ser fixada e depositada antes do início do trabalho pericial.
A reformulação das Normas Técnicas de Perícia Contábil e Funcionais do
Perito, aprovadas no decorrer do mês de outubro de 1999, pelo Conselho Federal
de Contabilidade, provocou a necessidade de adaptar o texto às modificações ali
contidas. Sem prejuízo do conteúdo, entendeu-se mais conveniente tratar do as-
sunto em tópico específico; assim, em Apêndice são abordados e comentados os
normativos aprovados pelo Conselho Federal de Contabilidade, relativos à perícia
contábil e ao exercício da função pericial.
Espera-se que o leitor obtenha proveito desta edição revisada e ampliada.

São Paulo, janeiro de 2000.


Martinho Maurício Gomes de Ornelas
~ -- ~ ~ - -- -- -
PREFÁCIO À 1ª E 2ª EDIÇÃO

Este livro, que é o resultado da dissertação de Mestrado apresentada ao Pro-


grama de Estudos Pós-Graduados em Contabilidade da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo, em junho de 1994, sintetiza minha experiência profissio-
nal e acadêmica nestes últimos anos.
Reflete minha prática e preocupação profissionais no desenvolvimento de
perícias contábeis judiciais, como perito contábil nomeado por magistrados da
capital de São Paulo, ou como assistente técnico indicado por escritórios de ad-
vocacia paulistas.
É, também, resultado de minha atividade acadêmica de professor da disci-
plina Perícia Contábil oferecida aos alunos do curso de Ciências Contábeis da
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, desde 1978.
Em seu todo, sem qualquer pretensão de esgotar o assunto ou intenção de
ser obra perfeita ou acabada, é uma contribuição que se coloca à disposição do
profissional contábil brasileiro, creio inédita na forma como o assunto é tratado,
relativa ao estudo e desenvolvimento de uma das áreas de aplicação da ciência
contábil, a da perícia contábil, no âmbito judicial.
Perícia contábil é um dos meios que as pessoas têm a sua disposição, garanti-
do constitucionalmente de se defenderem ou exigirem direitos nas mais variadas
situações, e seu estudo possibilita fazer uma avaliação da própria ciência contá-
bil, à medida que se entende o sistema contábil como o melhor banco de dados,
consequentemente um dos melhores instrumentos de prova de fatos patrimo-
niais, quantificáveis monetariamente.
XX Perícia Contábil • Ornelas

Três momentos podem ser descortinados no texto. O primeiro deles revela o


que é e a que se presta a perícia contábil. O segundo momento cuida da elabo-
ração do trabalho pericial contábil. O terceiro momento revela um diagnóstico
positivo das possibilidades de desenvolvimento da perícia contábil no país.
Dois ambientes científicos convivem neste livro: (1) o da ciência jurídica:
o desenvolvimento da perícia contábil, em seus aspectos formais, é matéria de
Direito Processual Civil; (2) o da ciência contábil dá-nos o contexto teórico nor-
teador do conteúdo da prova técnica.
O presente livro procura sistematizar aspectos relevantes sobre a perícia
contábil, colocando à disposição dos leitores conteúdo de muita utilidade para
aqueles que se dedicam ou que poderão vir a interessar-se pela função pericial
contábil.
É, por outro lado, texto que contribuirá e auxiliará os professores no desen-
volvimento da disciplina Perícia Contábil do curso de Ciências Contábeis, bem
assim de interesse dos advogados que desenvolvem sua profissão em juízo.

São Paulo, julho de 1994.


Martinho Maurício Gomes de Ornelas
AGRADECIMENTOS

Muitos são aqueles a quem devo agradecer, uns por serem responsáveis por
minhas escolhas profissionais, outros por me terem incentivado no desenvolvi-
mento deste livro.
Não poderia deixar de lembrar de Vaner Bícego, que conheci na cidade de
Maringá, Paraná, nos idos de 1977, pois foi por meio de sua recomendação que
tive a oportunidade de iniciar meus trabalhos periciais.
Ao Dr. Sebastião Oliveira Lima, em 1978, Juiz Federal da Sexta Vara Federal
em São Paulo, hoje Juiz do Tribunal Regional Federal - 3ª Região, responsável
por minha primeira nomeação como perito judicial contábil, bem como ao Dr.
Ubiratan Mattos, de Pinheiro Neto - Advogados, que me proporcionou, pela pri-
meira vez, a oportunidade de funcionar como assistente técnico.
Ao Dr. Paulo Octávio Baptista Pereira, Juiz Titular da Décima Vara da Justiça
Federal em São Paulo, hoje membro do Tribunal Regional Federal da 3ª Região,
por ter colocado sua biblioteca à disposição de nossa pesquisa; à Dra. Christine
Santini Muriel, digna Juíza de Direito da Comarca de São Paulo, pela leitura e
contribuições oferecidas.
Aos colegas peritos que sempre me incentivaram com sugestões muito opor-
tunas.
Agradecimento especial ao honrado colega Valder Luiz Palombo Alberto, que
se dignou ler o presente livro, oferecendo críticas e comentários de muita perti-
nência e profundidade.
XXÍÍ Perícia Contábil • Ornelas

Ao nobre Prof. Dr. Sérgio de Iudícibus, digno orientador e incansável edu-


cador e divulgador da ciência contábil no país, responsável pela materialização
desta contribuição que ora ofereço.
À colega Profa. Dra. Sueli Cristina Marquesi, que teve a gentileza de ler os
originais, oferecendo sugestões e correções muito oportunas, nossos sinceros
agradecimentos.
Agradecimentos especiais aos colegas professores da disciplina de Perícia
Contábil oferecida nos cursos de graduação em Ciências Contábeis deste imenso
país que vêm adotando este livro em suas aulas e, mais especialmente, por seus
comentários sempre oportunos que têm ensejado a melhoria do próprio texto.
A meus alunos da cadeira de Perícia Contábil do Curso de Ciências Contábeis
da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, que, desde 1978, obrigaram-me
a cada vez mais aprofundar meus estudos sobre o tema prova pericial contábil.
Nesta 5ª edição, é meu dever consignar e agradecer as contribuições ofereci-
das pelo colega Prof. Dr. Ivam Ricardo Peleias.
INTRODUÇÃO

Este livro é uma contribuição ao estudo e desenvolvimento de uma das áreas


de aplicação da Ciência Contábil, ou seja, a da Perícia Contábil, no âmbito do
Poder Judiciário, ainda muito pouco explorada ou conhecida, seja em trabalhos
publicados, seja em livros-textos. Muito embora seja dada ênfase à vertente judi-
cial, não se olvidou sua aplicação no campo extrajudicial, neste incluída a perícia
contábil determinada pelos tribunais arbitrais .
Prova Pericial Contábil é um dos meios que as pessoas naturais e jurídicas
têm a sua disposição, garantido constitucionalmente, de se defenderem ou exigi-
rem direitos nas mais variadas situações econômicas e sociais. Trata-se do direito
de o cidadão defender-se, e uma das formas de exercitá-lo é por meio da prova
técnica, ou seja, a pericial que, em nossa área científica, é a contábil.
Falar de Perícia Contábil é, portanto, num plano abrangente, trazer à tona
direitos essenciais das pessoas, o direito do contraditório e da ampla defesa.
Como preliminar, cabe esclarecer o significado de alguns termos usados neste
livro.
A aplicação da expressão prova pericial, de uso genérico no Judiciário, é
adotada quando queremos referir-nos a prova técnica, ou seja, quando os fatos
alegados pelas partes são de natureza científica ou artística, para os quais o ma-
gistrado vai precisar de opinião técnica de um especialista, no caso, o perito.
Nesse sentido, a palavra perícia tem o mesmo significado de prova pericial
ou prova técnica. No mesmo diapasão, pode-se entender prova pericial contábil
ou perícia contábil.
2 Perícia Co nt ábi l • Orn ela s

Dois podem ser os objetivos que justificam o requerimento de prova técnica


contábil.
Um deles pode ter a intenção de procrastinar o desate do litígio, pois em sua
origem mais remota, ou seja, a própria propositura da ação, já tem esse caráter
protelatório. Trata-se do conhecido ganhar tempo. Naturalmente, essas tentati-
vas devem e são rechaçadas pelo magistrado.
Como objetivo relevante para seu requerimento, existem razões objetivas
de provar, pelos fatos patrimoniais, a tese ou as questões submetidas ao Poder
Judiciário.
Nossa preocupação central, neste livro, é com este segundo objetivo, e a ra-
zão é simples, pois possibilitará fazer uma reavaliação da própria ciência contá-
bil, nesse campo de aplicação, à medida que se entende o sistema contábil como
o melhor banco de dados e, consequentemente, um dos melhores instrumentos
de prova de fatos patrimoniais, quantificáveis monetariamente.
No Judiciário, parafraseando Fernando Pessoa, um dos maiores poetas lusi-
tanos, provar é preciso. Nesse sentido, não basta alegar direitos. É fundamental
transformar os fatos alegados, por meio da prova técnica contábil, em certeza
jurídica.
Chegam alguns juristas de renome nacional a dizer que a essência de um
processo é a prova.
Começa com a necessidade de ser provado que existe autorização para se ini-
ciar o processo. A parte interessada passa procuração a seu advogado, dando-lhe
poderes específicos para propor ação ou defendê-la.
A parte que passou a procuração tem que provar que pode e tem capacidade
jurídica para dar esses poderes. É o caso, por exemplo, de um sócio ou diretor
de entidade jurídica que tem que juntar ata de assembleia ou contrato social nos
quais constem seus poderes.
Se os fatos alegados pelas partes versarem sobre questões de natureza técni-
ca, havendo contestação ou dúvidas por parte do magistrado, ha\·erá, com cer-
teza, a necessidade da produção de prova técnica, em nosso caso prova pericial
contábil.
Em determinados casos, como veremos, a produção de prü\·a técnica surge
não da existência de controvérsia, mas por determinação legal.
Dois ambientes científicos estarão convivendo neste livro, à medida que ele
se situa numa área limítrofe entre a Contabilidade e o Direito.
Do Direito estaremos alimentando-nos de todo o embasamento teórico da
denominada Teoria da Prova e do Direito Processual Civil, naquilo que se
refere à prova técnica e à função do perito e do assistente técnico, à medida que
a perícia contábil tem de obedecer a determinados rituais, ou seja, o desenvol-
Introduç ão 3

vimento de uma perícia contábil, em seus aspectos formais, é matéria de Direito


Processual Civil.
A Contabilidade dá-nos o segundo contexto teórico, que vai nortear o de-
senvolvimento do conteúdo da prova técnica; consequentemente, os princípios
fundamentais de Contabilidade, os sistemas contábeis aplicados a cada caso e
as Normas Técnicas de Perícia Contábil e Funcionais de Perito, aprovadas pelo
Conselho Federal de Contabilidade, estarão sempre presentes na realização da
perícia contábil.
Os três primeiros capítulos deste texto delineiam o ambiente teórico-proces-
sual, técnico e funcional que permeiam a perícia contábil.
No Capítulo 1, apresentamos as noções fundamentais quanto ao estudo da
prova pericial, inserindo aqui aspectos relevantes quanto à função da prova, ônus
da prova, meios de prova e as modalidades de prova pericial admitidas no Judi-
ciário, buscando, na área do Direito Processual Civil, os subsídios necessários ao
desenvolvimento desses aspectos.
O Capítulo 2 tem por preocupação apresentar conceitos fundamentais quan-
to ao que seja perícia contábil, seu objeto, suas modalidades, possibilidades e
admissão desse tipo de prova técnica, isto é, o eixo central do texto.
No Capítulo 3, traçamos os aspectos centrais do exercício profissional da fun-
ção pericial contábil, na qualidade de perito e de assistente técnico. Abordamos
quem pode exercer essas funções, como são nomeados os peritos e indicados os
assistentes técnicos, seus direitos e deveres funcionais, ou seja, os aspectos legais
do exercício da função e, por fim, o perfil profissional requerido do perito em
Contabilidade.
O Capítulo 4 apresenta uma evolução histórica, desde o Código de Processo
Civil de 1939, até os dias atuais, dos aspectos mais significativos da prova pericial
e da função pericial, seja do perito, seja do assistente técnico. São enfatizados os
acréscimos trazidos pela Lei nº 10.358, de 2001, especialmente quanto ao dever
de o perito dar ciência às partes do dia e local de início da prova, bem como da
possibilidade da realização de perícias complexas. Introduz-se o leitor em deter-
minados aspectos do novo Código Civil, de interesse da perícia contábil, que num
futuro próximo, crê-se, irão provocar modificações e adaptações, ou, possivel-
mente, um novo Código de Processo Civil.
Os Capítulos 5 a 7 estão voltados para o desenvolvimento do trabalho peri-
cial contábil propriamente dito.
No Capítulo 5, são apresentadas as etapas de desenvolvimento do trabalho
pericial, desde seus primeiros momentos, que se inicia com a nomeação e indica-
ção do perito, aquela de responsabilidade do magistrado ou do tribunal arbitral,
esta de responsabilidade das partes, passando pela organização e planejamento
do trabalho pericial e trabalhos de campo, no caso, as diligências realizadas pelo

4 Perícia Con tá bil • Orn elas

perito para a coleta de informações. Ênfase especial foi dada aos novos livros
empresariais obrigatórios exigidos pelo novo Código Civil.
No Capítulo 6, são abordados aspectos fundamentais quanto às questões téc-
nicas submetidas ao perito, quando sob a forma de quesitos. Aqui, são postas
algumas técnicas de como bem responder às perguntas formuladas, os cuidados
que devem ser observados no uso correto e preciso da linguagem escrita, evitan-
do-se a utilização de termos ambíguos, prejudiciais à clareza e entendimento do
trabalho pericial. Basicamente, preocupações com técnicas de comunicação escri-
ta, partindo do pressuposto fundamental de que seus leitores são pessoas alheias
ao universo técnico-contábil.
O Capítulo 7 tem por questão central a elaboração dos relatórios periciais
contábeis: laudo e parecer sob duas vertentes. Numa primeira abordagem, busca-
se oferecer uma organização quanto ao desenvolvimento e apresentação do con-
teúdo do trabalho pericial contábil, seja do laudo, seja do parecer. >l"a segunda,
são apresentados e comentados vários aspectos relativos à apresentação gráfica
do laudo e do parecer, ou seja, as preocupações que o perito deve ter presentes
para valorizar seu trabalho em seus aspectos estéticos e propiciar leitura fácil e
agradável do laudo pericial contábil e do parecer pericial contábil.
Em síntese, são apresentados os aspectos intrínsecos e extrínsecos que devem
conter o laudo e o parecer, tudo já adaptado ao disposto no novo Código Civil.
Abordam-se também alguns tipos de laudo pericial contábil e de parecer.
No Capítulo 8 são desenvolvidos alguns procedimentos especiais que devem
ser observados pelo perito, no que se refere ao orçamento ou estimativa dos
honorários periciais e seu arbitramento, depósito integral, prévio e complemen-
tar, assim como quanto ao levantamento desses honorários. É também exposto o
mesmo tema remuneratório que envolve o assistente técnico .
O Capítulo 9 delineia um inventário das perspectivas da perícia contábil, ju-
dicial ou extrajudicial, diante das condições objetivas postas, na atualidade, para
seu desenvolvimento futuro.
No Apêndice A, são apresentadas as Normas Técnicas e Funcionais vigen-
tes relativas à Perícia Contábil e à Função de Perito, aprovadas pelo Conselho
Federal de Contabilidade. O Apêndice B consubstancia um modelo de proposta/
contrato de prestação de serviços de assistência técnica.
1

PROVA PERICIAL:
~ ,
NOÇOES INTRODUTORIAS

1.1 Introdução

O estudo da prova pericial contábil pressupõe desenvolver uma abordagem


interdisciplinar, inter-relacionando diversos aspectos do Direito Processual Civil
com nossa área de estudo, a Ciência Contábil aplicada à especialidade da perícia
contábil.
Desse modo, é necessário buscar alguns aspectos doutrinários fundamentais
quanto ao instituto da prova, tratados por ilustres juristas pátrios. É conteúdo
fora de nosso domínio técnico e científico, mas essencial ao entendimento da
prova pericial contábil. Por isso, pedimos escusas por eventuais impropriedades
que possam ser cometidas.
A função pericial pressupõe enfrentar determinados aspectos processuais,
relativos ao domínio e ao entendimento quanto à produção da prova pericial e,
em particular, da contábil, que devem ser dominados pelo perito, já que este tem
papel relevante, na qualidade de auxiliar da justiça estatal ou em arbitragem.
O perito tem necessidade de apreender algumas noções fundamentais quan-
to ao instituto da prova, qual a função da prova, a quem compete o ônus da pro-
va, os meios de prova contábeis disponíveis, bem assim os tipos de prova, sobre
os quais estará desenvolvendo seu mister.
6 Perícia Contábil • Orn e las

1.2 Prova pericial

O estudo da prova pericial contábil, uma das espécies do género prorn peri-
cial, envolve, necessariamente, o entendimento e o domínio de noções essenciais
quanto ao instituto da prova.
Não entraremos nos aspectos polêmicos originários das dourrinas a que se
filiam os tratadistas. Vamos limitar a questão aos aspectos que interessam a nosso
propósito.
De Milhomens colhemos alguns ensinamentos. Citando João Bonumá, diz
que "a prova, no significado comum e geral, visa à demonstração da ver-
dade, ao passo que a prova específica processual civil limita-se à produção
da certeza jurídica".1 Daí decorrem dois conceitos: o de \·erdade real e o de
verdade formal.
A este estudo interessa o conceito de verdade formal, aquele assentado nas
provas, ou no dizer de Santos, "a verdade não existe no espírito sem a sua
percepção. Os recursos de que se utiliza a inteligência, para a percepção da
verdade, constituem a prova".2
Milhomens diz ainda que "a prova tem por finalidade demonstrar a verda-
de ou não verdade de uma afirmação" e classifica a verdade em duas classes:
"verdade a respeito dos fatos e verdade no tocante ao direito:·:
A verdade positiva ou negativa acerca dos fatos interessa ao julgador, estatal
ou arbitral, quando, ao sanear determinado processo, percebe estar em·olvida
matéria técnica, cuja certeza jurídica só pode ser alcançada mediante produção
de prova pericial.
Nesse mesmo sentido, Santos diz: "a prova visa, como fim último, a incutir
no espírito do julgador a convicção da existência do fato perturbador do
direito a ser restaurado". 4
Por consequência, aquele objetivo, ou seja, a busca da \·erdade formal quanto
aos fatos, interessa ao perito, já que a ele será cometida a responsabilidade fun-
cional de trazê-la para os autos do processo estatal ou arbitral.
No tocante à outra classe de verdade, interessa exclusi\·ameme ao julgador,
fora, portanto, de nosso objeto de estudo.
Santos deixou-nos uma definição que bem sintetiza roda a amplitude do
tema, ao dizer que "prova é a soma dos fatos produtores da convicção, apu-
rados no processo".5

1
MILHOMENS, Jônatas. A prova no processo. Rio de Janeiro: Forense , 1982. p. 7.
2 SANTOS, Moacyr Amaral. Prova judiciária no cível e comercial. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 1983.
V. 1, p. 2.
3
Op. cit. p. 7-9.
4
Op. cit. p. 6.
5
Op. cit. p. 13.
Prova Pe ricial: Noções Introdutórias 7

Obviamente, não são todos os fatos que podem ser passíveis ou submetidos
a prova.
São afastados os impertinentes e os irrelevantes. Os primeiros são estranhos
à lide, nada têm a ver com o que se debate. Já os irrelevantes podem referir-se à
causa; todavia, não a ajudam em nada, são inconsequentes, sem qualquer possi-
bilidade de influir no processo decisório.
No dizer de Milhomens, "provam-se os fatos controvertidos ou con-
troversos";6 por consequência, podem existir fatos relacionados com a lide que
independem de prova, questão disciplinada no art. 334, CPC.
Trata-se dos denominados fatos notórios (inciso I); os afirmados por uma
parte e dados por verdadeiros pela outra parte (inciso II); os admitidos no
processo como incontroversos (inciso III); e aqueles em cujo favor milita
presunção legal de existência ou de veracidade (inciso IV) .
Fatos notórios, segundo Santos, são aqueles que fazem "parte da cultura de
uma determinada esfera social".7
Exemplifica essa espécie, colocando que todos sabem que a data de 15 de
novembro corresponde à da Proclamação da República; que os agricultores e
comerciantes de café conhecem a época da colheita; que os operários do porto
de Santos sabem os sinais de autorização para atracação de um navio. Podemos
acrescentar que os moradores da cidade de São Paulo tiveram conhecimento das
enchentes acontecidas em meados de 1991.
São• fatos evidentes e de domínio público, de ordem geral ou particular, po-
dendo ser únicos ou se repetirem.
De fato, o que é notório, desnecessário é provar; todavia, não o são suas
eventuais consequências.
Essas devem ser provadas. Imprudente um comerciante alegar em Juízo ou
em Tribunal Arbitral que perdeu seus estoques, o maquinário ou mesmo seus li-
vros mercantis, em função da enchente, se não fizer prova dessas consequências.
Há que produzir provas de causa e efeito, se pretende, se for o caso, propor
ação própria de perdas e danos e lucros cessantes, que vai requerer a produção
de prova pericial contábil.
O remédio jurídico preliminar é produzir prova ad perpetuam rei memo-
riam , a prova antecipada, prevista no art. 846 e seguintes do Código de Pro-
cesso Civil.
Os fatos admitidos como verdadeiros e os incontroversos, como regra geral,
independem de prova. Alerta, porém, Santos que a regra não deve ser aceita de
forma absoluta, ou, em suas palavras: "Conquanto não se discuta o princípio,

6
Op. cit. p. 11.
7
Op. cit. p. 179.
8 Perícia Contáb il • Ornelas

é bom se diga que não se deve tomá-lo como absoluto e aplicável a todas as
hipóteses."ª
Ilustra com o exemplo da afirmação de um cônjuge que acusa o outro de ser
portador de defeito irremediável que ignorava, afirmativa essa aceita pelo outro,
e em função da qual, pelo princípio abordado, terminaria o juiz por anular oca-
samento.
E arremata assim: "E ter-se-ia por essa forma um sem-número de vezes,
por mera inteligência das partes, fraudado o princípio da indissolubilidade
do casamento."
Prossegue ainda no mesmo assunto afirmando:

"Dita regra, se tomada com caráter absoluto, acarretaria se prestasse


a Justiça a encampar manobras de interessados conluiados na reali-
zação de atos simulados ou na consecução de atos proibidos por lei."

Atos simulados interessam e muito à perícia contábil, em especial desvios


patrimoniais, transações mercantis danosas ou omitidas.
Por último, temos os fatos mencionados no inciso Iv. Milhomens afirma:

"Se o fato que se quer provar está protegido por presunção legal, ab-
soluta ou relativa, dispensa-se da prova a parte beneficiada pelo ex-
pediente da lei."9

O caso pode ser ilustrado com -as certidões de dívida ativa, emitidas pelos
órgãos do Poder Executivo nas várias esferas, pois, por dispositivo legal, há a
presunção de que são possuidoras de certeza e liquidez.

1.3 Função da prova pericial

A função primordial da prova pericial é a de transformar os fatos relativos à


lide, de natureza técnica ou científica, em verdade formal, em certeza jurídica.
Valendo-nos, novamente, de Milhomens, vamos encontrar a função da prova
colocada nos seguintes termos: "para demonstrar incidência da forma jurídi-
ca é mister provar a existência do fato da vida a que se ajusta a norma ou
princípio de direito".1º
Isso significa ser crucial provar-se, em primeiro plano, os fatos técnico-cientí-
ficos, em nossa área de estudo, os fatos patrimoniais. Assim, adquirida a certeza

8 Op. cit. p. 149.


9
Op. cit. p. 203.
10 Op. cit. p. 43 .

L.
Prova Pericial : Noções Introdutória s 9

jurídica sobre os fatos da causa, pode o julgador aplicar o dispositivo correspon-


dente. Por isso é que ao julgador não é permitido tomar decisão adotando suas
convicções pessoais, e tampouco supor qualquer coisa. Sua convicção é adquirida
com base nas provas produzidas nos autos .
Ao perito, tampouco, é permitido, em seus trabalhos, externar sua opinião
pessoal sobre o que se debate nos autos do processo judicial ou arbitral. Quer-se
do perito contador o relato dos fatos patrimoniais objeto da lide tal qual os ob-
servou, de conformidade com os princípios fundamentais da Contabilidade e sua
boa técnica. Defeso, portanto, ao profissional oferecer sua opinião ou convicção
pessoal sobre a lide.

1.4 Ônus da prova

A palavra ônus é entendida pelos juristas pátrios não como dever para com
outrem, seja a parte contrária, seja o próprio julgador. Quem afirma ou nega de-
terminado fato é que tem o ônus, o interesse de oferecer ou produzir as provas
necessárias que entende possam vir a corroborar as alegações oferecidas.
O dever de provar compete a quem alega, a quem afirma ou nega determina-
dos fatos da causa. Quem busca a proteção da justiça estatal ou arbitral depara
com a necessidade de produzir suas provas. Quem oferecer as provas mais con-
vincentes fatalmente obterá sucesso.
É de se notar que ninguém está obrigado a produzi-las; todavia, não o fazen-
do, arcará com as consequências.
O Código de Processo Civil trata a questão como incumbência, em seu art.
333, estipulando que

"incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;


II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou
extintivo do direito do autor".
Na produção da prova pericial contábil, é, portanto, indispensável o perito
debruçar-se sobre a matéria fática objeto da causa, à luz da classificação contida
no dispositivo legal, estudando-a detidamente sob essa ótica, o que lhe vai possi-
bilitar traçar os caminhos técnicos a serem por ele percorridos mesmo porque é
inerente a sua função colaborar para o descobrimento da verdade.11
Os fatos administrativo-financeiros e patrimoniais captados pelo sistema de
informações contábeis e respectivo suporte documental podem servir para ilus-
trar a classificação dos fatos jurídicos objeto do dispositivo legal.

:: CPC. "Art. 339. Ninguém se exime do dever de colaborar com o Poder Judiciário para o desco-
brimento da verdade."
10 Perícia Contáb il • Ornelas

Antes de apresentar alguns exemplos da tipificação legal, vamos buscar os


ensinamentos de Santos, 12 oferecendo as definições dos fatos jurídicos, as quais
devem ser de domínio do perito.
Fatos constitutivos: "se entendem os que têm a eficácia jurídica de dar
vida, de fazer nascer, de constituir a relação jurídica [ ... ]"
Fatos extintivos: "os que têm a eficácia de fazer cessar a relação jurídica".
Fatos impeditivos: "todas aquelas circunstâncias que impedem decorra de
fato o efeito que lhe é normal, ou próprio, e que constitui a sua razão de ser".
Fatos modificativos: "os que, sem excluir ou impedir a relação jurídica, à
qual são posteriores, têm a eficácia de modificá-la".
Passemos a exemplos ilustrativos.
Determinado comerciante propõe ação contra um de seus devedores que
não honrou o pagamento de uma duplicata de venda mercantil. Sabe-se
que uma transação de venda mercantil provoca a emissão de nota fiscal e res-
pectiva duplicata, gerando alguns lançamentos contábeis nos livros mercantis e
fiscais das partes:

- nos do vendedor, lançamentos nas contas: (a) pela venda: duplicatas


a receber e receitas; (b) pela saída das mercadorias: custo das vendas e
estoques; e (c) registro da venda no livro Registro de Saídas;
- nos do comprador, lançamentos nas contas: (a) pela compra: estoques, 1
impostos e duplicatas a pp.gar; e (b) escrituração da compra no livro Re-
gistro de Entradas.

A entrega da mercadoria pode ser efetuada por transportadora, ou mediante


frota própria do comerciante, e ainda ser retirada pelo comprador. No primeiro
caso, temos ainda duas possibilidades: frete pago ou a pagar. Independentemente
do meio utilizado, o vendedor deve exigir do comprador o recibo de entrega do
produto, mediante assinatura do denominado canhoto da nota fiscal.
A duplicata mercantil poderá ser colocada em cobrança bancária e protesta-
da por falta de pagamento.
Pode ter sido uma transação originária de um pedido remetido pelo compra-
dor ao vendedor; pode referir-se a pedido emitido por vendedor pertencente ao
quadro de vendedores ou de representante comercial do vendedor, ou, então,
ter origem em pedido extraído pela administração da vendedora, provocado por
telefonema do comprador.
A matéria fática disponível, de fonte própria, em favor do direito reclamado
pelo comerciante, ou seja, os fatos constitutivos, são:

12
Op. cit. p. 152.
7

Prova Pericial: Noçõ es Intro dutórias 11

a) a duplicata e o respectivo instrumento de protesto;


b) o canhoto da nota fiscal devidamente assinado pelo comprador e, se
for o caso, a cópia do conhecimento de transporte;
c) os registros contábeis e fiscais relativos à venda realizada, lançados em
seus livros;
d) o pedido recebido do comprador, ou aquele extraído pelo vendedor ou
representante comercial, devidamente assinado por aquele.

O autor tem, portanto, condições de oferecer e provar em juízo os fatos


constitutivos de seu direito. Como é óbvio, se realizar a operação mercantil, sem
a devida emissão documental, fica impossibilitado de produzir provas desse fato.
Na hipótese de vir a surgir controvérsia, poderá, por meio de prova pericial
contábil, socorrer-se de seus registros contábeis e fiscais, requerendo, também,
exame naqueles do devedor, robustecendo seu direito.
A polêmica surge quando da contestação.
Santos, apreciando o art. 333, do CPC, distinguiu duas modalidades de con-
testação:

"1 ª o réu não só nega os fatos constitutivos articulados pelo autor


como também alega fatos que extinguem ou impedem aqueles;
2ª o réu reconhece os fatos constitutivos, mas alega fatos que extin-
guem, impedem ou modificam a relação jurídica." 13

Seguindo em nosso exemplo, o devedor contesta negando que tenha qual-


quer obrigação pecuniária para com o comerciante vendedor, relativa à duplicata
objeto da causa, sob o argumento de que nunca realizou negócios com aquele
comerciante.
Nesse caso, compete ao comerciante vendedor provar que o título (duplica-
ta) é possuidor de liquidez e certeza, ou seja, que se trata de operação mercantil
legítima, efetivamente realizada.
Não é possível pretender ou exigir do devedor prova da negativa. O devedor
não teria condições de oferecer material fático, de modo que prove tratar-se de
duplicata ilegitimamente sacada pelo vendedor.
Poderá o devedor, além de negar a obrigação, articular que devolveu a mer-
cadoria. Para tanto, deverá prová-lo mediante cópia da nota fiscal de devolução
com o respectivo canhoto devidamente assinado pelo credor.
Procedimento alternativo será o de provar que pagou a totalidade da dupli-
cata, especificando sua forma de liquidação e juntando o respectivo documento

:, Op. cit. p. 158.


12 Pe rícia Con tábil • Orn elas

comprobatório. Esses são exemplos de fatos impeditivos, a serem constatados


nos livros mercantis do devedor e respectivo suporte documental, bem como,
confrontados com os assentamentos nos livros mercantis do credor.
Poderá o devedor articular que devolveu parte da mercadoria, ou que reali-
zou pagamento parcial do título. Nesse caso, deverá provar esses fatos modificati-
vos do crédito original, mediante o comprovante do pagamento ou da devolução
parcial da mercadoria e respectivos registros contábeis e fiscais.

1.5 Meios de prova

O meio de prova abordado neste livro é o da prova pericial.


Inobstante essa especificidade, no desenvolvimento da mesma, é importante
para o perito conhecer os demais meios de prova reconhecidos pelo Direito pátrio.
O Código de Processo Civil, Capítulo VI - Das Provas, art. 332, dispõe que

"todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que


não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos
fatos, em que se funda a ação ou a defesa".

O Código Civil, em seu Livro III - Dos Fatos Jurídicos, Título V - Da Prova,
art. 212, quanto aos meios de prova, assim dispõe:

"Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode


ser provado mediante:
I - confissão;
II - documento;
III - testemunha;
IV - presunção;
V - perícia."

O mesmo diploma legal especifica que os fatos jurídicos podem provar-se


mediante:

a) confissão de pessoa capaz (arts. 213 e 214);


b) escritura pública, certidões textuais de qualquer peça judicial, trans-
lados e certidões extraídos por tabelião ou oficial de registro, decla-
rações constantes de documentos assinados, instrumento particular,
telegrama, cópia fotográfica de documento, reproduções fotográficas
e cinematográficas, registros fonográficos, reproduções mecânicas ou
eletrônicas, livros e fichas dos empresários (arts. 215 a 226) ;
Prova Pericia l: Noções In trod utórias 13

c) testemunho de pessoas capazes e sobre as quais não haja impedimento


ou suspeição (arts. 227 a 229);
d) presunções legais (art. 230); e
e) perícia (arts. 231 e 232).

Como é natural, o Código de Processo Civil regula

"o modo de oferecimento das provas, o momento de sua produção,


as linhas mestras de sua apreciação, cercando os atos respectivos das
medidas de segurança indispensáveis ao surgimento da verdade". 14

Sem nos aprofundarmos nessa matéria, já que nosso objeto de estudo abor-
da, exclusivamente, um dos meios de prova, o da prova pericial, apresentamos
sucintamente a questão.
Os arts. 342 a 354 dispõem sobre o depoimento pessoal.
Os arts. 355 a 362 cuidam do disciplinamento da exibição de documento ou
coisa.
Da prova documental cuidam os arts. 364 a 399.
Destes, de interesse da perícia contábil, é necessário evidenciar aqueles rela-
tivos aos livros comerciais e à escrituração contábil, a saber: os arts. 378 e 379
disciplinam os livros contábeis como meio de prova, verbis:

"Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao


comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em
direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos.
Art. 379. Os livros comerciais, que preencham os requisitos exigidos
por lei, provam também a favor do seu autor no litígio entre comer-
ciantes."

De qualquer modo, é necessário ter presente que a escrituração contábil é


••indivisível"; isto quer dizer que não pode o seu autor valer-se apenas daquilo que
lhe é favorável; é o que disciplina o art. 380, verbis:

"Art. 380. A escrituração contábil é indivisível; se os fatos que resul-


tam dos lançamentos, uns são favoráveis ao interesse de seu autor e
outros são contrários, ambos serão considerados em conjunto como
unidade."

A prova testemunhal é disciplinada pelos arts. 400 a 419. É a prova colhida


:nediante o testemunho de pessoas físicas capazes juridicamente.

- S.-\.\/TOS, Moacyr Amaral. Op. cit. p. 69.


14 Perícia Contábil • Ornelas

A prova pericial, objeto central deste livro, é tratada nos arts. 420 a 439. Vale
observar que, no entendimento de Santos, o arbitramento é urna das modalida-
des de exame pericial. 15
A inspeção judicial é abordada nos arts. 440 a 443. Trata-se da possibilidade
na qual o magistrado, de ofício ou a requerimento de urna das partes, pode ins-
pecionar pessoas ou coisas de interesse da causa. Obviamente, se envolver ques-
tões patrimoniais, poderá o magistrado ser assistido por perito ou por peritos em
contabilidade, a teor do art. 441, CPC. 16

1.6 Modalidades da prova pericial

As provas produzidas com a interveniência de perito são qualificadas pelo


Código de Processo Civil corno prova pericial, dividida em quatro modalidades:
(a) exame; (b) vistoria; (c) arbitramento; e (d) avaliação.
O exame pericial envolve a inspeção de pessoas ou coisas com o objetivo de
verificar determinados fatos relacionados com o objeto da lide.
A vistoria pericial é o trabalho desenvolvido pelo perito para constatar in
loco o estado ou a situação de determinada coisa, geralmente imóveis.
O arbitramento consiste na fixação de valor, determinado pelo perito para
coisas, direitos ou obrigações. É a estimação do valor em moeda.17
Pode, por outro lado, envolver não apenas aspectos quantitativos, mas tam-
bém aspectos qualitativos.
Santos colocou a questão assim:

"todo o arbitramento pode achar-se acumulado com o exame ou a vis-


toria, sempre que haja a necessidade de parecer sobre a qualidade ou
quantidade das coisas, direitos ou obrigações sobre os quais ele versa". 18

A avaliação tem também por finalidade a fixação de valor,


"recebendo essa denominação quando feita em inventário, partilhas
ou processos administrativos e nas execuções para estimação do valor
da coisa a partilhar, ou penhorada". 19

Voltaremos a esse assunto no Capítulo 2, quando tratarmos o terna sob a


óptica contábil.

15 Op. cit. p. 86.


16
"Art. 441. Ao realizar a inspeção direta, o juiz poderá ser assistido de um ou mais peritos."
17
SANTOS, Moacyr Amaral. Op. cit. p. 86.
18 Op. cit. p. 86.
19
Op. cit. p. 87.
2


.

PERÍCIA CONTÁBIL

2.1 Alguns conceitos

A Perícia Contábil inscreve-se num dos gêneros de prova pericial, ou seja, é


uma das provas técnicas à disposição das pessoas naturais ou jurídicas, e serve
como meio de prova de determinados fatos ou de questões patrimoniais con-
trovertidas.
Alargando o significado do que se pode entender por fatos ou questões pa-
trimoniais, não se pode olvidar que a Contabilidade, enquanto ciência social
aplicada, tem por objeto o patrimônio das entidades e das pessoas naturais, seja
no aspecto qualitativo, seja no quantitativo, e ainda o observa em situações es-
táticas e dinâmicas; portanto, quando se relaciona a perícia contábil a fatos ou
questões patrimoniais, é evidente e inerente que estas e aqueles sempre hão de
referir-se a determinado patrimônio ou parcela deste.
Alberto enfrenta a questão assim:

"Definido que o objeto da Ciência Contábil é o patrimônio, já pode-


mos, logicamente, inferir que a perícia será de natureza contábil sem-
pre que recair sobre elementos objetivos, constitutivos, prospectivos
ou externos, do patrimônio de quaisquer entidades, sejam elas físicas
ou jurídicas, formalizadas ou não, estatais ou privadas [ ... ]" 1

..\LBERTO, Valder Luiz Palornbo. Perícia contábil. São Paulo : Atlas, 1996. p. 46.
16 Perícia Contábil • Orn elas

Conceituando exame pericial ou perícia, Gonçalves assim se expressou: "é


o exame hábil de alguma cousa realizada por pessoa habilitada ou perito,
para determinado fim, judicial ou extrajudicial". 2

Essa conceituação oferece, de forma concisa, o que é perícia, quem a realiza


e qual sua finalidade.
Situa, porém, a questão conceitual de modo stricto sensu, em nível exclusivo
de exame. Inobstante o aspecto restrito, é uma definição feliz, dado que, em sua
simplicidade, permite entender-se com muita clareza o aspecto operacional da
perícia contábil do qual é possuidora.
Podemos nos socorrer mais uma vez do citado autor para termos uma concei-
tuação do que seja perícia contábil. Diz Gonçalves:

"A perícia contábil é, pois, o exame hábil [ ... ] com o objetivo de resol-
ver questões contábeis, ordinariamente originárias de controvérsias,
dúvidas e de casos específicos determinados ou previstos em lei." 3

Traz a conceituação geral para o campo específico, substituindo alguma cou-


sa pela expressão questões contábeis, isto é, sai de um objeto genérico, qualifi-
cando-o no campo contábil.
Possui outro aspecto que merece ser ressaltado: a perícia contábil, além de
ser de aplicação usual na solução de controvérsias, é obrigatória em determina-
dos casos, como, por exemplo, .em processos judiciais que demandam apuração
de haveres, como veremos em outro momento deste livro.
D'Áuria disse que "o conceito pacífico da perícia é que, juízes e inte-
ressados pedem o testemunho e os subsídios dos técnicos para decidir e
resolver". 4
Por outro lado, desse mesmo autor, temos:

"A perícia contábil se caracteriza como incumbência atribuída a con-


tador, para examinar determinada matéria patrimonial, administrati-
va e de técnica contábil, e asseverar seu estado circunstancial." 5

Note-se que para D'Áuria a perícia contábil é também um exame, só que mais
amplo. Sua conceituação envolve dois enfoques.
Numa primeira abordagem, qualifica o exame como de questões patrimo-
niais e administrativas.

2
GONÇALVES, Reynaldo de Souza. Peritagem contábil. Rio de Janeiro: Forense, 1968. p. 7.
3
Op. cit. p. 7-8.
4
D'ÁURIA, Francisco. Revisão e perícia contábil. 3. ed. São Paulo: Nacional, 1962. p. 152.
5
Op. cit. p. 154.
Perícia Contábil 17

Num segundo aspecto, traz à baila o exame de questões patrimoniais oriun-


das das consequências da própria aplicação dos princípios fundamentais de con-
tabilidade, ou, em suas palavras, de técnica contábil. Tudo de forma a possibili-
tar fidedigno testemunho técnico circunstanciado.
Para Alberto, perícia contábil é

"um instrumento técnico-científico de constatação, prova ou demons- ,


tração, quanto à veracidade de situações, coisas ou fatos oriundos
das relações, efeitos e haveres que fluem do patrimônio de quaisquer
entidades". 6
Buscando os ensinamentos do saudoso mestre Santos, pode-se entender pro-
va pericial contábil como o meio ténico-jurídico pelo qual se chega à verdade, à
certeza, sobre questões ou fatos patrimoniais objeto da causa.
É o caminho trilhado com o objetivo de alcançar os meios afirmativos para os
fatos patrimoniais alegados ou contestados. É também a ação de provar, de fazer
a prova contábil. 7

2.2 Objeto da perícia contábil

A perícia contábil tem por objeto central os fatos ou questões patrimoniais


1 relacionadas com a causa, as quais devem ser verificadas, e, por isso, são subme-
tidas à apreciação técnica do perito contador, que deve considerar, nessa aprecia-
ção, certos limites essenciais, ou "caracteres essenciais". 8
Independentemente dos procedimentos a serem adotados, são caracteres es-
senciais da perícia contábil:
a) limitação da matéria;
b) pronunciamento adstrito à questão ou questões propostas;
c) meticuloso e eficiente exame do campo prefixado;
d) escrupulosa referência à matéria periciada;
e) imparcialidade absoluta de pronunciamento.
Em se tratando de perícia judicial contábil, ou mesmo arbitral, os limites da
matéria submetida à apreciação pericial são delineados pelo próprio objeto sub
judice ou pelo julgador dos pontos controvertidos quando do despacho saneador,
1 ou em audiência.

6
ALBERTO, Valder Luiz Palombo. Op. cit. p. 48.
7
SANTOS, Moacyr Amaral. Prova judiciária no cível e comercial. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 1983.
V.1, p. 2.
s D'ÁURlA, Francisco, Op. cit. p. 155.
18 Perícia Contábil • Ornelas

São os fatos ou questões de natureza patrimonial abordados nos autos sobre


os quais o julgador ou Tribunal Arbitral deverá debruçar-se para exarar sua sen-
tença ou laudo arbitral.
Desse modo, define-se a extensão do trabalho pericial, que, normalmente,
fica sempre adstrito aos contornos da ação proposta; todavia, às vezes, é neces-
sário romper esses limites, buscando outros elementos correlatos oriundos das
exigências técnicas provocadas pela matéria fática. Entretanto, deve-se sempre
manter a regra básica de que matéria técnica alheia aos fatos é impertinente e,
em hipótese alguma, deve alterar ou desvirtuar os objetivos centrais perseguidos
pela perícia contábil.
Consequência lógica do que acabamos de abordar é a de ser exigido da perí-
cia contábil pronunciamento limitado ou adstrito àquilo que foi apreciado; por-
tanto, o laudo pericial consubstanciará esses limites fixados. Nem pode ser dife-
rente, já que a causa é julgada pelo magistrado ou Tribunal Arbitral nos exatos
termos de sua propositura. 9
A tarefa pericial envolve a necessidade de o perito contador adotar procedi-
mentos meticulosos e eficientes de exame das questões patrimoniais prefixadas
na lide.
Além de constatar e identificar "as fontes informativas ou reveladoras dos
elementos" 1º que pesquisou, há que desenvolver e correlacionar referidas fontes
com as próprias questões sob análise ou apreciação. Isso permitirá à perícia con-
tábil oferecer respostas ou raciocínios técnicos fundamentados e circunstanciados.
Outro cuidado a ser adotado é o de permanecer fiel nas referências às ques"
tões objeto do trabalho pericial.
E, por derradeiro, a materialização do trabalho pericial, por meio de laudo
ou parecer, deverá refletir, com muita nitidez, uma posição de imparcialidade
absoluta.
Voltaremos a este assunto no Capítulo 7.

2.3 Modalidades de perícia contábil

Da seção do Código de Processo Civil que trata da prova pericial, surge que
esta pode constituir-se em exame, vistoria ou avaliação. 11

9
CPC. "Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendo-lhe defeso conhecer
de questões não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte."
CPC. ''Art. 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor de natureza diversa da
pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi
demandado."
10
Op. cit. p. 157.
11
''Art. 420. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação."
Perícia Contábil 19

São modalidades de perícia desenvolvidas na chamada fase de instrução do


processo. São, portanto, necessárias no sentido de trazer para os autos a prova
técnica contábil que convalide as alegações oferecidas, transformando ou não
referidas alegações em certeza.
Exame pericial é a modalidade de perícia contábil mais comum. É desenvol-
vida mediante a análise de livros e documentos. Pode envolver também procedi-
mentos indagativos e investigativos.
Vistoria pericial é modalidade não muito usual na perícia contábil, mais ado-
tada em perícia médica ou de engenharia. Não obstante ser pouco adotada na
área contábil, pode consistir em olhar ou observar determinada coisa ou fato de
modo a constatar seu estado ou situação.
A avaliação pericial contábil envolve, como o próprio nome já indica, a valo-
rização ou estimação em moeda.
Nessa modalidade, enquadra-se a apuração de haveres, em processos de in-
ventário e de dissolução ou liquidação de sociedades. 12
Quando da liquidação de sentença, podem surgir outras modalidades de pe-
rícia contábil, no caso a liquidação por arbit:ramento 13 e a liquidação por ar-
tigos.14

l Arbitramento envolve juízo técnico e surge quando "determinado pela sen-


tença ou convencionado pelas partes ou o exigir a natureza do objeto da
liquidação. "15
1 Referido dispositivo aplica-se ao arbitramento em liquidação de sentença.
1 Faz-se necessário quando inexistem elementos fáticos que possibilitem a apura-
ção real de valores, seja pela natureza do objeto liquidando, ou por obstáculos
normais ou causados pela parte perdedora, dando sumiço ou se negando a exibir
livros e documentos necessários à apuração dos valores que liquidam a decisão.
O arbitramento exige do expert poder criativo e domínio profissional amplo
e profundo, de modo que lhe permita construir premissas técnicas plausíveis
que suportem os critérios adotados na solução da controvérsia ou na fixação de
\·alares.
Fixar ou solucionar por arbitramento não quer dizer que se possa desenvol-
\·er trabalho pericial arbitrário. Há que suportar o resultado ou juízo técnico de
forma coerente com o que se debate na lide.

: Art. 381: incisos I e II . Art. 993: inciso II.


·Art. 475-D. Requerida a liquidação por arbitramento, o juiz nomeará o perito e fixará o prazo
;::ara a entrega do laudo."
1 - ·Art. 475-E. Far-se-á a liquidação por artigos, quando para determinar o valor da condenação
:: ou,·er necessidade de alegar e provar fato novo."

l ' CPC : Art. 475-C., incisos I e II .


20 Perícia Contábil • Ornelas

Por isso, a questão mais significativa é a que se refere à construção das pre-
missas e critérios assumidos no arbitramento.
Podemos afirmar, sem medo de cometer excesso, que o arbitramento envolve
enorme responsabilidade técnica.
Perícia contábil em liquidação por artigos poderá envolver exame e ava-
liação. Fatos novos provocarão a necessidade de examinar livros e documentos.
Feitos os exames, a perícia contábil desenvolve procedimentos avaliatórios.
Surge também quando as partes apresentam artigos de liquidação divergen-
tes, em consequência de levarem em consideração interpretações diferenciadas
quanto aos itens da condenação. Nessa hipótese, a perícia contábil envolverá
avaliação, já que voltada para a apuração do valor certo que reflita os exatos li-
mites da sentença. Essa modalidade aplica-se comumente na fixação dos itens da
condenação constantes das decisões trabalhistas.

2.4 Admissão da perícia contábil

É da regra processual que, no rito ordinário, o autor na inicial indique as pro-


vas que pretende produzir, 16 assim como é exigido do réu o mesmo procedimento
quando da contestação. 17
São, na maioria dos casos, protestos pela produção de todas as provas admi-
tidas em direito, sem prejuízo de nenhuma. O protesto genérico é que obriga o
magistrado, antes de sanear o processo, a determinar às partes que especifiquem
provas, justificando-as.
Especificadas e justificadas as provas, passa-se ao momento de sua admissão
ou não.
Santos afirma que, a teor do art. 331,

"A admissão é ato do juiz, exclusivamente seu, como o é a avalia-


ção ou estimação da prova. Aliás, é ato de direção do processo, que
lhe cabe no processo baseado nos princípios do sistema dispositivo
e, com mais força de razão, baseado no sistema em que predomina o
princípio da autoridade (Cód. Proc. Civil, arts. 125 e 130)." 18

Prossegue dizendo que "a prova indicada pela parte passa pelo critério da
admissão do juiz, que a defere ou a rejeita".

16
CPC, art. 282, inciso VI.
17
CPC, art. 300.
18
Op. cit. p. 282.
Perícia Co ntábil 21

A avaliação ou estimação da prova, de responsabilidade do magistrado, são


procedimentos essenciais de modo a possibilitar a determinação das provas ne-
cessárias à instrução do processo e o indeferimento daquelas inúteis ou procras-
tinatórias.19
Portanto, a realização de prova pericial contábil, ou seja, sua admissão, é
ato que emana do princípio de autoridade do julgador estatal ou do Tribunal
Arbitral, que se consubstancia quando do despacho saneador ou em audiência e
de Ordem Procedimental. 20
É, por sua vez, resultado da análise dos fatos da lide efetuada pelo julgador
ou Tribunal, que lhe propicia concluir que os fatos a serem provados podem sê-lo
mediante a perícia contábil.

~-.
! ·-: ·

' .,

CPC, art. 130 .



CPC, art. 331.
3


EXERCÍCIO DA FUNÇÃO
PERICIAL CONTÁBIL

3.1 Aspectos legais e profissionais

O exercício da função pericial contábil é uma atribuição privativa do bacha-


rel em Ciências Contábeis e daqueles que tenham equiparação legal, ou seja, dos
contadores devidamente registrados no respectivo Conselho Regional de Conta-
bilidade.
O comando legal vigente que organizou a profissão contábil veio à luz em
maio de 1946, por meio do Decreto-lei nº 9.295. Esse diploma legal, entre outras
providências, definiu as atribuições dos profissionais da contabilidade, em espe-
cial a competência legal quanto ao desenvolvimento de perícias.
Na letra e, do art. 25, do mencionado diploma, foram definidos como traba-
lhos contábeis:

"c) perícias judiciais ou extrajudiciais, revisão de balanços e de contas


em geral, verificação de haveres, revisão permanente ou periódica de
escritas, regulações judiciais ou extrajudiciais de avarias grossas ou
comuns, assistência aos Conselhos Fiscais das sociedades anônimas
e quaisquer outras atribuições de natureza técnica conferidas por lei
aos profissionais da contabilidade" .

E, no art. 26, do mesmo diploma, foi definida a atribuição exclusiva da fun-


ção pericial, assim:

j
Exercício da Função Perici a l Contá bil 23

"Art. 26. Salvo direitos adquiridos ex-vi do disposto no art. 2º do De-


creto nº 21.033, de 8 de fevereiro de 1932, as atribuições definidas na
alínea e do artigo anterior são privativas dos contadores diplomados
e daqueles que lhes são equiparados, legalmente." 1
Cabe salientar que, anteriormente a 1945, a função pericial contábil já se
apresentava ordenada, em especial pelo Decreto nº 20.158, de 30-6-1931.
Nesse diploma legal já ficava assentado, desde o início da década de 30, do
século XX, que os exames periciais, de modo geral, os exames em falências e
concordatas e quaisquer exames de livros mercantis, somente poderiam ser reali-
zados por peritos-contadores ou contadores. 2
Regulamentando o art. 25, do Decreto-lei nº 9.295/ 45, o Conselho Federal
de Contabilidade, por meio da Resolução CFC nº 107, de 13-12-1958, especificou
os trabalhos contábeis de natureza pericial, bem como definiu as atribuições e
competências dos contadores.
Em seu art. 1º, item 6, é especificado:
"6) Apuração de haveres em virtude de entrada, retirada, exclusão e
falecimento de sócios, quotistas ou àcionistas; liquidação, falência e
concordata de quaisquer entidades, inclusive a liquidação extrajudi-
cial de estabelecimentos bancários ou de qualquer outro tipo."
Esse dispositivo profissional podia ser correlacionado com o art. 381 do CPC
\igente, cujo comando dá poderes ao magistrado para determinar a exibição dos
livros comerciais, no caso de liquidação de sociedade e na sucessão por morte
de sócio. 3
Podia ser também relacionado com o parágrafo único do art. 993, CPC, quan-
to à apuração de haveres por morte de comerciante em nome individual e de
quotista. 4 O parágrafo único do art. 1.003 é cristalino ao dispor que os trabalhos
mencionados naquele dispositivo legal serão realizados por contador. 5

Decreto-lei nº 8.191 , de 20-11-1945; Lei n" 2.811 , de 2-7-1956.


'Art. 72. Somente os peritos-contadores e os contadores que tiverem os seus diplomas, títu-
:os ou atestados registrados na Superintendência do Ensino Comercial poderão ser nomeados ex-
_,.fi.c io, pelos juízes, para os exames de livros exigidos pelo Código Comercial, e bem assim para
ja!anços e exames em falências e concordatas."
·Art. 381. O juiz pode ordenar, a requerimento da parte, a exibição integral dos livros comer-
::ais e dos documentos do arquivo:
I - na liquidação de sociedade;
II - na sucessão por morte de sócio."
·Art. 993. Parágrafo único. O juiz determinará que se proceda:
I - ao balanço do estabelecimento, se o autor da herança era comerciante em nome individual;
II - a apuração de haveres, se o autor da herança era sócio de sociedade que não anônima."
"Art. 1.003. Parágrafo único. No caso previsto no artigo 993, parágrafo único, o juiz nomeará
-..::-::. contador para levantar o balanço ou apurar os haveres."
24 Perícia Contá bil • Ornelas

A presença do profissional contábil em processos de falência ou concordata


estava disciplinada pelo Decreto-lei nº 7.661, de 21-6-1945. 6 Com o advento da
Lei nº 11.101, de 9-2-2005, que atualmente disciplina o processo falimentar e de
recuperação judicial, a presença do perito contador está fixada, especialmente,
no seu art. 186, parágrafo único.
No mesmo art. 1º, da Resolução CFC nº 107/58, o item 7 especificava:

"Levantamento e apuração de contas de qualquer organização."

Esse dispositivo remetia aos arts. 914 e seguintes do CPC, que tratam das
ações de prestação de contas. Quanto à presença do profissional contábil nesse
tipo de processo judicial, está definida na parte final do § 3º, do art. 915, cujo
texto é o seguinte:

"sendo as contas julgadas segundo o prudente arbítrio do juiz, que


poderá determinar, se necessário, a realização do exame pericial con-
tábil".

A Resolução sob análise, em seu art. 6º, especificava várias atribuições do


contador, relativas à função pericial, a saber:

1. exames de escritas, em qualquer campo de atividades profissionais, in-


clusive perícias extrajudiciais e tidas como inspeções normais em qual-
quer tipo de contabilidade, mesmo quando forem efetuadas por órgãos
da Administração Pública;
2. peritagem simples;
3. exames extrajudiciais de qualquer situação da entidade atingida;
6. assistência aos Comissários nas concordatas e aos Síndicos, nas falên-
cias;
7. assistência aos liquidantes de qualquer massa ou acervo;
8. verificação de haveres para levantamento do Fundo de Comércio;
9. exames e perícias para constituição, transformação e liquidação de so-
ciedades de qualquer natureza;

6
';,\rt. 63. Cumpre ao síndico:
[ ........ .. ..... . .... ]
V - designar, comunicando ao juiz, perito contador, para proceder ao exame da escrituração
do falido, e ao qual caberá fornecer os extratos necessários à verificação dos créditos, bem como
apresentar, em 2 (duas) vias, o laudo do exame procedido na contabilidade."
';,\rt. 169. Ao comissário incumbe:
VI - designar perito contador, para os trabalhos referidos no art. 63, nº V [ ... ]"
Exercício da Função Pericial Contábil 25

14. perícias judiciais de qualquer natureza, que envolvam matérias con-


tábeis;
16. verificação de haveres;
17. quaisquer outros exames, apurações, investigações e perícias judi-
ciais.

A Resolução sob comento veio a ser substituída pela Resolução CFC nº


560/83, de 28-10-1983, que, no Capítulo I - Das atribuições privativas dos con-
tabilistas, art.igo 3º, no que se refere, especificamente a trabalhos de cunho pe-
ricial, assim dispôs:

"Art. 3º São atribuições privativas dos profissionais da contabilidade:


1) avaliação de acervos patrimoniais e verificação de haveres e obri-
gações, para quaisquer finalidades, inclusive de natureza fiscal;
2) avaliação dos fundos de comércio;
3) apuração do valor patrimonial de participações, quotas ou ações;
5) apuração de haveres e avaliações .de direitos e obrigações, do acer-
vo patrimonial de quaisquer entidades, em vista de liquidação, fu-
são, cisão, expropriação no interesse público, transformação ou
incorporação dessas entidades, bem como em razão de entrada,
retirada, exclusão ou falecimento de sócios, quotistas ou acionistas;
8) regulações judiciais ou extrajudiciais, de avarias grossas ou comuns;
15) levantamento de balanços de qualquer tipo ou natureza e para
quaisquer finalidades, como balanços patrimoniais, balanços de re-
sultados, balanços de resultados acumulados, balanços de origens e
aplicações de recursos, balanços de fundos, balanços financeiros, ba-
lanços de capitais, e outros (por exemplo: balanço de determinação);
35) perícias contábeis, judiciais e extrajudiciais;
43) assistência aos comissários nas concordatas, aos síndicos nas falên-
cias, e aos liquidantes de qualquer massa ou acervo patrimonial."

A Resolução CFC nº 858/99, de 21-10-1999, reformulou a Norma Brasileira


de Contabilidade T-13 - Da Perícia Contábil, sistematizando todo o arcabouço
legal relativo à função pericial contábil, dispondo que a perícia contábil judi-
cial, extrajudicial e arbitral é de competência extlusiva de contador registrado no
Conselho Regional de Contabilidade.
Mais recentemente, veio a lume a Resolução CFC nº 1.243/09, de 10-12-
2009, que aprovou a NBC-TP-01 - Perícia Contábil, reorganizando todos os dis-
positivos anteriores relativos à pericial contábil, revogando várias resoluções, em
especial a Resolução CFC nº 858/99. O inteiro teor da NBC-TP-01 é apresentado
ao fi nal deste livro como Apêndice A.
26 Pe rícia Contábil • Ornel as

3.2 Escolha do perito

O exercício profissional da função pericial contábil realiza-se sob duas formas


de atuação técnica.
A primeira oportunidade surge quando o profissional contábil, de nível supe-
rior ou o equiparado, é nomeado pelo magistrado ou pelo Tribunal Arbitral para
assumir o encargo de perito contador, judicial ou arbitral.
Outra forma de atuação ocorre quando o profissional contábil é indicado
pela parte para funcionar como assistente técnico, a qual será abordada no tópico
seguinte.
O momento da nomeação do perito contador, em função judicial, dá-se por
ocasião do denominado despacho saneador 7 exarado pelo magistrado nos autos
do processo.
Na vertente judicial, é nesse momento processual, a teor do art. 130, com-
binado com o disposto nos arts. 145 e 331, do CPC, 8 que o magistrado avalia a
relevância ou a necessidade de produzir prova técnica contábil. A relevância ou
sua necessidade é analisada considerando-se as alegações oferecidas pelas partes
e os fatos objeto da lide.
Na vertente arbitral, nos termos do art. 22, Lei nº 9.307/ 96 e dos Regula-
mentos próprios, pode o árbitro ou o Tribunal Arbitral determinar a realização
de perícia.
Se as alegações ou os fatos· postos envolverem matéria fática patrimonial-
contábil9 controvertida que possa ser provada mediante perícia contábil, o jul-
gador ou o Tribunal Arbitral irá determinar sua realização e, consequentemente,
nomeará perito-contador. 10
Em determinados casos, como já observado, a nomeação de perito dá-se em
função de determinação legal independentemente de controvérsias. Ser nomea-
do pelo magistrado é receber deste um voto de confiança ampla, que reflete o
reconhecimento de sua capacidade técnica e honorabilidade.

7
''l\rt. 331. Se não ocorrer qualquer das hipóteses previstas nas seções precedentes e versar a
causa sobre direitos que admitem transação, o juiz designará audiência preliminar [ ... ].
§ 2º Se, por qualquer motivo, não for obtida a conciliação, o juiz fixará os pontos controvertidos,
decidirá as questões processuais pendentes e determinará as provas a serem produzidas, designan-
do audiência de instrução e julgamento, se necessário."
8
''l\rt. 130. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias
à instrução do processo, indeferindo as diligências inúteis ou meramente protelatórias."
9
''l\rt. 145. Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico, o juiz será
assistido por perito, segundo o disposto no art. 421."
10 ''l\rt. 421. O juiz nomeará o perito, fixando de imediato o prazo para a entrega do laudo."
Redação dada pela Lei n Q 8.455, de 24-8-92.
Exercício da Função Peri cial Co ntábil 27

Pode suceder que em audiência o magistrado, a requerimento da parte, ou


de ofício, decida pela realização de prova pericial contábil, decorrendo dessa de-
cisão os mesmos passos retroexpostos.
A Lei nº 8.455, de 24-8-1992, dando nova redação ao art. 427, do CPC, fez
surgir uma nova possibilidade. 11
Trata-se da elaboração de parecer pericial contábil que pode ser requisitado
pelas partes, de modo que instrua a propositura da ação ou da contestação, que,
em tese, poderá contribuir para a celeridade do trâmite do processo judicial.
Nesse caso, o magistrado pode aplicar o disposto no art. 330, inciso II, CPC,
julgando a lide antecipadamente, quando entender não haver necessidade de
produção de provas.
A Resolução CFC nº 1.244/09, de 10-12-2009, que aprovou a NBC-PP-01 -
Perito Contábil, reorganizou todos os dispositivos anteriores relativos à função
pericial, revogando várias resoluções, em especial a Resolução CFC nº 858/ 99. O
inteiro teor da NBC-PP-01 é apresentada ao final deste livro como Apêndice A.

3.3 Indicação do assistente técnico

A oportunidade de indicação para funcionar como assistente técnico surge


do relacionamento que o perito contador tem com os advogados que estejam
defendendo as partes.
Note-se que o perito é nomeado, enquanto que o assistente técnico é indica-
do. Isso vale dizer que, do ponto de vista processual, o assistente técnico preci-
sa, para funcionar em determinado processo, ser aceito pelo magistrado ou pelo
Tribunal Arbitral. Pode, portanto, ser recusado. Neste caso, será, naturalmente,
substituído por outro profissional.
O perito-contador, no exercício da função de assistente técnico, desenvolve
atividades antes, durante e depois da realização da perícia oficial.
Mesmo antes do próprio deferimento da prova pericial contábil já se justifica
a presença e a participação do assistente técnico, seja preventivamente, ou já no
desenvolvimento da estratégia de produção da prova técnica.
Deferida a realização da perícia contábil, eis o momento da formulação de
quesitos; para tanto, o assistente técnico deverá já conhecer e ter lido a Inicial, a
Contestação e, se houver, a Réplica e a Tréplica.
Ainda antes mesmo de iniciada a perícia, é sempre oportuna a contribuição
tempestiva da proposição de impugnação de eventuais quesitos formulados pela

11
''Art. 427. O juiz poderá dispensar prova pericial quando as partes, na inicial e na contestação,
apresentarem sobre as questões de fato pareceres técnicos ou documentos elucidativos que consi-
derar suficientes."
28 Perícia Contábil • Ornelas

parte contrária, ou mesmo subsidiar tecnicamente os pleitos de indeferimento


dos quesitos formulados pela parte que o indicou.
Durante a realização da prova pericial contábil, compete ao assistente técni-
co acompanhar o desenvolvimento do trabalho realizado pelo perito nomeado,
acompanhando as diligências agendadas, examinando os mesmos livros e docu-
mentos colocados à disposição do expert nomeado, requerendo ou sugerindo ao
perito o exame de outros livros e documentos.
A participação efetiva na diligência é extremanente importante e muitas ve-
zes relevante, eis que é a ocasião em que podem surgir questões novas que teriam
sido, casual ou propositadamente, omitidas pela parte.
Conhecedor de algum fato novo, compete ao assistente técnico, ainda nesta
.fase, formular e sugerir aos advogados da parte que o indicou, antes de finda a
diligência, a apresentação de quesitos suplementares, como fixado no art. 425,
CPC, ou ainda, de conformidade com os regulamentos dos Tribunais Arbitrais.
Depois de finalizada a diligência e entregue o laudo pericial elaborado pelo
perito nomeado, cabe ao assistente técnico proceder à elaboração do parecer
pericial sobre o conteúdo daquele trabalho oficial. É o momento propício para
apresentar aos advogados da parte que o indicou, sugestões ou quesitos de escla-
recimentos. Sendo deferidos os esclarecimentos da parte, compete ao assistente
técnico debater com os advogados os próprios esclarecimentos apresentados pelo
expert nomeado e, se for o caso, apresentar petição comentando e/ ou criticando
o posicionamento pericial, podendo, a depender dos acontencimentos proces-
suais, ser convocado para comparecer à audiência de oitiva do perito contador
nomeado.
O perito contador, na função de assistente técnico, como visto, pode e oferece
colaboração deveras importante aos advogados, debatendo com os mesmos as
possibilidades técnicas quanto ao desenvolvimento da prova técnica contábil. O
assistente técnico é o defensor técnico da parte.

3.4 Perícia contábil em arbitragem

Com o advento da Lei nº 9.307, de 23-9-1996, nova realidade temos quanto


ao Juízo Arbitral. Referida lei revogou os arts. 1.037 a 1.048 do Código Civil e
arts. 101, 1.072 a 1.102, do Código Civil.
Finalmente, o país conta com uma lei de arbitragem nos moldes daquelas
vigentes em outros países que há muito tempo se utilizam desse meio para solu-
cionar controvérsias.
As partes interessadas poderão fazer incluir nos contratos procedimento ar-
bitral para solução das controvérsias advindas da execução desses contratos, de
forma privada, através de árbitro ou de Tribunal Arbitral.
Exercício da Função Pericial Contáb il 29

Mujalli1 2 entende que, em face do texto da lei, três podem ser as hipóteses na
estipulação da arbitragem, assim:

"a) por cláusula arbitral inserida em contrato, para o só efeito da so-


lução de questões dele emergentes entre as partes, segundo prevê o
artigo 1 º, parágrafo único, e o artigo 2 º, caput;
b) utilização da arbitragem, sem que exista prévio contrato onde fi-
gure a cláusula arbitral, segundo prescreve o artigo 2 º, parágrafo
único e artigo 3 º;
c) utilização da arbitragem no curso de processo ou procedimento ju-
dicial ( artigo 4 º) ".

Referida lei possibilita a aceitação, em nosso país, de procedimentos arbitrais


..
internacionais, bastando, para tanto, que as sentenças arbitrais estrangeiras se-
jam homologadas pelo Supremo Tribunal Federal.
Incentiva, ainda, a chamada Arbitragem Institucional promovida por órgãos
especializados, nacionais ou internacionais, como, por exemplo, Câmaras de Ar-
bitragem vinculadas a Câmaras de Comércio, Tribunais Arbitrais vinculados a
órgãos do comércio e da indústria.
Dessa forma de solução de controvérsias, exsurge de interesse do perito em
contabilidade a possibilidade de atuar na função de perito nomeado por árbitro
ou tribunal arbitral para a produção das provas técnicas contábeis necessárias ao
deslinde da arbitragem. É o que está disciplinado no art. 22, verbis:

"Art. 22. Poderá o árbitro ou o tribunal arbitral, tomar o depoimento


das partes, ouvir testemunhas e determinar a realização de perícia
ou outras provas que julgar necessárias, mediante requerimento das
partes ou de ofício."

Nada impede que o perito possa ser escolhido para o exercício da função de
árbitro, mesmo porque qualquer um que tenha a confiança das partes pode sê-lo.
É o que dispõe o art. 13, assim:

"Art. 13. Pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a con-
fiança das partes."

Entretanto, há que verificar se não está impedido, como disposto no art. 14,
verbis:

"Art. 14. Estão impedidos de funcionar como árbitros as pessoas que


tenham, com as partes ou com o litígio que lhes for submetidos, algu-

MUJALLI, Walter Brasil. A nova lei de arbitragem, p. 62 .


30 Pe rícia Co ntábi l • Ornela s

mas das relações que caraterizam os casos de impedimento 13 ou suspei-


ção14 de juízes, aplicando-se-lhes, no que couber, os mesmos deveres
e responsabilidades, conforme previsto no Código de Processo Civil."

Portanto, novas possibilidades que o perito em contabilidade tem à sua dis-


posição para o exercício de seu saber contábil. Há que se preparar para mais essa
prestação de serviços à sociedade brasileira.

3.5 Direitos e deveres funcionais

O exercício da função pericial contábil envolve deveres e direitos que devem


ser observados, tanto pelo perito, quanto pelo assistente.
O dever de cumprir a função pericial e de respeitar o prazo assinalado pelo
magistrado para a realização do trabalho pericial é o que assinalam os arts. 146 15
e 433, 16 CPC.
A redação dada ao parágrafo único do art. 433 pela Lei nº 8.455, de 24-8-92,
era polêmica e vinha provocando preocupação quanto ao cumprimento dos prazos
pelos assistentes técnicos, à medida que ficavam por demais vulneráveis quanto
ao cumprimento de seus prazos, pois dependiam da boa vontade de o perito judi-
cial informar-lhes que entregou seu laudo.
Felizmente, essa vulnerabilidade foi superada pela Lei nº 10.358, de 27 de
dezembro de 2001, que modificou a redação do parágrafo único, art. 433, CPC,
fixando que o prazo de 10 (dez) dias para entrega do parecer do assistente técnico
começa a fluir a partir da intimação das partes da apresentação do laudo pericial.
Essa mesma lei, que acrescentou o art. 431-A ao CPC, determinou um novo
dever ao perito judicial, qual seja, o de, caso o magistrado não o tenha feito, dar
ciência às partes do início da produção da prova pericial, verbis:

"Art. 431-A. As partes terão ciência da data e local designados pelo


juiz ou indicados pelo perito para ter início a produção da prova."

Este novo dever pericial é de ser obedecido com rigor pelo perito contador,
em função judicial, de modo a não permitir que as partes contestem o trabalho

13
CPC, art. 134.
14
CPC, art. 135.
15
''Art. 146. O perito tem o dever de cumprir o ofício, no prazo que lhe assina a lei, empregando
toda a sua diligência; pode, todavia, escusar-se do encargo alegando motivo legítimo."
16
''Art. 433. O perito apresentará o laudo em cartório, no prazo fixado pelo juiz, pelo menos vinte
dias antes da audiência de instrução e julgamento.
Parágrafo único. Os assistentes técnicos oferecerão seus pareceres no prazo comum de dez dias
após a apresentação do laudo, independentemente da intimação."
Redação dada pela Lei nº 8.455, de 24-8-92.
Exercíc io da Função Peri cia l Con tábil 31

pericial, argumentando, com razão, o cerceamento de seus assistentes técnicos


acompanharem o desenvolvimento da produção da prova; isto vale dizer que o
perito judicial deve proceder à realização da perícia, abertamente, sem criar obs-
táculos ou subterfúgios à participação dos assistentes técnicos no desenvolvimen-
to da produção da prova pericial. Já se tem notícia de cinco. Acórdãos anulando
prova contábil e mandando refazê-la por conta do não cumprimento da comuni-
cação de início dos trabalhos periciais prevista no art. 431-A, CPC. O fundamento
básico: cerceamento de defesa.
Preventivamente, deve o expert judicial formalizar o cumprimento desse de-
ver, mediante comunicação escrita às partes, com certa antecedência, de modo
que os assistentes técnicos possam estar presentes aos atos por ele praticados. É
claro que o perito judicial não pode ser responsável pela presença dos assistentes
técnicos; compete às partes tomarem as providências necessárias para que tal
aconteça.
O dever de esclarecer a matéria técnica, se requerido pelas partes, e o de
comparecer em audiência é o que determina o CPC no art. 435 e respectivo pa-
rágrafo único. 17
O dever de lealdade é decorrente da função social exercida pelo perito, pois,
como auxiliar da justiça que é, espera-se que ofereça análises e opiniões técnicas
no interesse exclusivo da justiça, sendo sincero, leal, ou nas palavras de Moacyr
Amaral Santos, "insta ao perito espelhar-se no juiz e lembrar-se de que sua
missão a deste se avizinha e como o juiz precisa comportar-se: reto, impar-
cial, sereno, verdadeiro" .18
Esse dever, pela nova redação dada ao art. 422, foi assim tratado:
"O perito cumprirá escrupulosamente o encargo que lhe foi come-
tido, independentemente de termo de compromisso. Os assistentes
técnicos são de confiança da parte não sujeitos a impedimento ou
suspeição."
1 Qualquer desvio funcional do contador, desde que comprovado, pode ser
considerado comportamento criminoso, seja na função de perito judicial, seja
na de assistente técnico, desde que comprovado; é o que consta do art. 342, do
Código Penal, em face da redação dada pela Lei nº 10.268, de 28 de agosto de
2001, verbis:

"Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como


testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em processo ju-
dicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral."

·:m. 435. A parte, que desejar esclarecimento do perito e do assistente técnico, requererá ao
_'·..: iz que mande intimá-lo a comparecer à audiência, formulando desde logo as perguntas, sob for-
::.a de quesitos."
·' Prova judiciária no cível e comercial. São Paulo : Max Limonad , 1949. v. 5, p. 107.
32 Perícia Contáb il • Ornelas

É dever do perito nomeado pelo magistrado recusar sua nomeação pelos mo-
tivos de impedimento e de suspeição. 19
São deveres que obrigam o perito sob pena de severas sanções.
Veja-se o art. 147, CPC:

"O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas, res-
ponderá pelos prejuízos que causar à parte, ficará inabilitado por dois
(2) anos, a funcionar em outras perícias e incorrerá na sanção que a
lei penal estabelecer."

O não cumprimento do prazo assinalado pode ensejar a substituição do peri-


to em função judicial. O art. 424, CPC, diz:

"O perito pode ser substituído quando: II - sem motivo legítimo, dei-
xar de cumprir o encargo no prazo que lhe foi assinado."

Há ainda outras consequências abordadas no parágrafo único do mesmo ar-


tigo, assim:

"No caso previsto no inciso II, o juiz comunicará a ocorrência à cor-


poração profissional respectiva, podendo, ainda, impor multa ao peri-
to, fixada tendo em vista o valor da causa e o possível prejuízo decor-
rente do atraso no proc~sso."

Pode-se entender, também, como sanção, a substituição do perito por outro,


para a realização de segunda perícia, aspectos tratados nos arts. 437 e 438. 2º Na
verdade, uma sanção técnica por eventual imperícia ou omissão cometida pelo
perito.
Aos deveres correspondem determinados direitos exercidos pelos peritos.
Vejamos o que disse o saudoso Moacyr Amaral Santos:

"Ao dever de aceitar o encargo, ampara-os o direito de isentar-se de


uma tal obrigação, dada a ocorrência de razões que tornariam o en-
cargo extremamente gravoso; ao dever de respeitar os prazos e de
comparecer à audiência, surge-lhes o direito de pedir prorrogação, ve-
rificada a existência de motivos relevantes ou de força maior, respecti-
vamente; ao dever de lealdade, isto é, de corresponder ao princípio de
moralidade, arma-os a lei de poderes, que equivalem a legítimos direi-

19
CPC, art. 138, inciso III. Os impedimentos e a suspeição nos arts. 134 e 135, CPC.
20
'fut. 437. O juiz poderá determinar, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de nova
perícia, quando a matéria não lhe parecer suficientemente esclarecida."
Exercício da Fun ção Perici a l Contábil 33

tos de investigar; ao dever de servir se emparelham o direito à inde-


nização das despesas e o de perceber honorários por seus serviços." 21

O poder investigativo emana do artigo 429, in verbis:


"Para o desempenho de sua função, podem o perito e os assisten-
tes técnicos utilizar-se de todos os meios necessários, ouvindo teste-
munhas, obtendo informações, solicitando documentos que estejam
em poder de parte ou repartições públicas, bem como instruir o laudo
com plantas, desenhos, fotografias e outras quaisquer peças."
A liberdade de procedimento, bem como quanto aos métodos técnico-cientí-
ficos, de que se utiliza o perito, sem ultrapassar os limites ou os contornos dos fa-
tos objeto da perícia, é condição essencial para oferecer suas conclusões técnicas
mantendo sua independência, espancando quaisquer interferências que possam
comprometê-la.
O direito de requerer prazo adicional para a conclusão do trabalho pericial é
garantido pelo art. 432. 22
O prazo de realização da prova pericial contábil é variável diretamente vin-
culada à complexidade técnica da prova requerida e do lapso de tempo em que
se localizam os fatos a serem apreciados.
Variáveis alheias à vontade do perito, como, por exemplo, a situação em que
se encontram os arquivos das organizações periciadas, a presteza com que livros
e documentos contábeis são colocados à disposição da perícia, a quantidade de
diligências a serem realizadas são fatores que influenciam no cumprimento do
prazo fixado pelo magistrado.
Por fim, tem o perito direito ao ressarcimento das despesas que realizou com
as diligências efetuadas, bem assim o de receber os honorários correspondentes
ao trabalho pericial realizado.
Voltaremos ao tema remuneratório no Capítulo 8. Por ora, basta lembrarmos
que a ninguém pode ser exigida a prestação de serviços sem a contrapartida re-
muneratória, muito menos a responsabilidade de financiar a produção da prova
técnica contábil e o desembolso de despesas. Seria exigir demais do perito.
Quanto ao ônus pecuniário relativo aos honorários periciais, é de responsa-
bilidade de quem requer a prova pericial contábil, ou do autor, segundo a regra
do art. 33, CPC.
No que se refere ao desembolso das despesas, cabe às partes prover as mes-
mas correspondentes aos atos processuais que requereram, segundo regra conti-
da no art. 19, CPC.

21 Op. cit. V. 5, p. 120.


22 ''Art. 432. Se o perito, por motivo justificado, não puder apresentar o laudo dentro do prazo, o
juiz conceder-lhe-á, por uma vez, prorrogação, segundo o seu prudente arbítrio. "
34 Perícia Contábil • Ornelas

3.6 Perfil profissional

Traçar um perfil profissional do perito exige uma abordagem preliminar do


que vem a ser sua função judicial.
O saudoso jurista Moacyr Amaral Santos deixou-nos, em sua obra memorá-
vel, uma definição de perito que muito nos auxilia a traçar seu perfil. ln verbis:

"é uma pessoa que, pelas qualidades especiais que possui, geralmente
de natureza científica ou artística, supre as insuficiências do juiz no
que tange à verificação ou apreciação daqueles fatos da causa que
para tal exijam conhecimentos especiais ou técnicos". 23

Dessa definição surgem, de plano, duas qualidades de que o perito deve ser
possuidor sob pena de não poder ser aceito na função.
Deve possuir cultura geral e contábil profundas que lhe permitam colaborar
com o magistrado na verificação ou apreciação dos fatos contábeis objeto da lide,
de modo a supri-lo daqueles conhecimentos técnicos ou científicos que este não
possui.
Outra qualidade inerente é a de ser profissional habilitado, ou seja, deve ter
capacidade legal para o exercício da função pericial contábil advinda de seu título
universitário de bacharel em Ciências Contábeis, ou equiparado, devidamente
registrado no Conselho Regional de Contabilidade.
Francisco D'Áuria, saudoso mestre contábil, abordou a habilitação do perito,
assim:

"Resumem-se no perito a competência técnica da sua especialidade, a


experiência da função e as qualidades morais, formando um conjunto
de requisitos que lhe dão a reputação necessária para ser preferido
pelas partes interessadas e pelas autoridades judiciárias." 24

Conhecimentos gerais e profundos da ciência contábil, teórica ou aplicada


em suas várias manifestações organizacionais públicas e privadas, além de outras
áreas correlatas, como, por exemplo, matemática financeira, estatística, assun-
tos tributários, técnicas e práticas de negócios, bem como domínio do direito
processual civil, em especial quanto aos usos e costumes relativos à perícia, e da
legislação correlata, são essenciais ao desempenho competente da função pericial
que devem ser aliados "com qualidades de espírito que o fazem perspicaz, crítico,
hábil e circunspecto". 25

23
Op. cit. p. 35.
24
Revisão e perícia contábil: parte teórica. 3. ed . São Paulo : Nacional, 1962. p. 35.
25
Op. cit. p. 173.
Exercício da Função Pericial Contábil 35

À medida que o trabalho pericial tem como um de seus eixos a postura e a


prática investigativa, determinadas qualidades pessoais são evidentemente ne-
cessárias.
É de sua essência a observância de postura crítica, mas não no sentido popu-
lar da palavra crítica; trata-se de desenvolver atitude ou espírito crítico quanto ao
rigor e legitimidade da matéria sob apreciação, de modo a permitir afirmativas ou
negativas peremptórias, aceitando "como veraz aquilo que é evidente e com-
provado; somente afirmar aquilo que se presume não sofrer contestação". 26
Espírito crítico é, portanto, uma atitude íntima desenvolvida pelo perito de
modo que lhe permita chegar à verdade dos fatos contábeis sobre os quais lhe é
requerida, por terceiros interessados, sua apreciação ou opinião técnica.
Como já se disse alhures, o perito não crê, ele vê. Esse olhar deve ser cuida-
doso, crítico, minucioso, profundo, indagativo, de modo que extraia das coisas e
fatos contábeis por ele observados toda sua veracidade.
Culminando esse perfil, dois requisitos são essenciais ao perito: formação
moral elevada e imparcialidade.
Ser imparcial é desenvolver e oferecer trabalho pericial sem ser tendencioso
para qualquer uma das partes envolvidas no processo judicial; é não temer con-
trariar interesses; é oferecer laudo livre de influências ou injunções dos interessa-
dos, ou como nos disse o mestre D'Áuria

"o perito não deve se arrecear de fazer afirmações que contrariem in-
teresses alheios, porquanto ele nada inventa ou imagina, limitando-se
a reportar coisas e fatos autênticos e opinando, sempre, com integral
imparcialidade". 27

Ser imparcial é exercer, em sua plenitude, a função pericial de forma inde-


pendente, não permitindo interferências ou constrangimentos cerceadores de seu
livre entendimento técnico.
Formação moral elevada reflete uma postura pessoal de integridade moral,
de honestidade, decorrente da própria função de auxiliar da justiça que o perito
exerce e da observância do código de ética profissional circundado das razões mo-
rais e materiais, que constituem a responsabilidade social e profissional do perito.
Por pertinente, é oportuno lembrar que o Código de Ética Profissional, apro-
vado pela Resolução CFC 803/96, com as alterações introduzidas pela Resolução
CFC 819/97, considera como deveres do contador, entre outros, o disposto em
seu art. 5º, verbis:

26 Op. cit. p. 213.


27
Op. cit. p. 215.
36 Perícia Contábil • Ornelas

"Art. 5º O Contador, quando perito, assistente técnico, auditor ou árbi-


tro, deverá:
I - recusar sua indicação quando reconheça não se achar capacitado
em face da especialização requerida;
II - abster-se de interpretações tendenciosas sobre a matéria que
constitui objeto de perícia, mantendo absoluta independência moral e
técnica na elaboração do respectivo laudo;
III - abster-se de expender argumentos ou dar a conhecer sua con-
vicção pessoal sobre os direitos de quaisquer das partes interessadas,
ou da justiça da causa em que estiver servindo, mantendo seu laudo
no âmbito técnico e limitados aos quesitos propostos;
IV - considerar com imparcialidade o pensamento exposto em laudo
submetido a sua apreciação;
V - mencionar obrigatoriamente fatos que conheça e repute em con-
dições de exercer efeito sobre peças contábeis objeto de seu trabalho,
respeitado o disposto no inciso II do art. 2º; 28
VI - abster-se de dar parecer ou emitir opinião sem estar suficiente-
mente informado e munido de documentos;
VII - assinalar equívocos ou divergências que encontrar no que con-
cerne à aplicação dos Princípios Fundamentais e Normas Brasileiras
de Contabilidade editadas pelo CFC;
l
VIII - considerar-se impedido para emitir parecer ou elaborar laudos
sobre peças contábeis observando as restrições contidas nas Normas
Brasileiras de Contabilidade editadas pelo Conselho Federal de Con-
tabilidade;
IX - atender à Fiscalização dos Conselhos Regionais de Contabilidade
e Conselho Federal de Contabilidade no sentido de colocar à dispo-
sição desses, sempre que solicitado, papéis de trabalho, relatórios e
outros documentos que deram origem e orientaram a execução do seu
trabalho."

O cumprimento do Código de Ética é um dever de todos os membros da


classe contábil.

28
Art. 2º, inciso II: guardar sigilo sobre o que souber em razão do exercício profissional lícito,
inclusive no âmbito do serviço público, ressalvados os casos previstos em lei ou quando solicitado
por autoridades competentes, entre estas os Conselhos Regionais de Contabilidade."
4

PERÍCIA NO CÓDIGO
DE PROCESSO CIVIL

4.1 Código de 1939

A perícia judicial surge, no âmbito do direito pátrio, de maneira ordenada e


com regras básicas válidas para todo o território nacional, a partir do advento do
Decreto-lei nº 1.608, de 18-9-1939.
Cabe ressalvar que, no decorrer deste capítulo, quando da transcrição dos
dispositivos relativos à matéria, foi mantida a redação original.
Na exposição de motivos que acompanhou o projeto à sanção presidencial,
consta:

"A Constituição de 10 de novembro veio tornar possível, fortalecido


o poder central, a realização da unidade processual, e, para dar-lhe
maior expressão e coerência, unificou a Justiça."

Para perceber o alcance que se pretendia assegurar à prova pericial, é perti-


nente ressaltar outro trecho da exposição de motivos, a saber:

"Outro característico do sistema processual consubstanciado no pro-


jeto e que se pode considerar como corolário da função ativa e auto-
ritária do juiz, é, seguramente, o papel atribuído ao juiz em relação
à prova", à medida que "no processo concebido como instrumento de
38 Pe rícia Co ntáb il • Ornela s

distribuição da justiça, as testemunhas e os peritos passam a ser tes-


temunhas e peritos do juízo. O seu dever é o de dizer e de investigar a
verdade, sem as restrições que hoje incidem sobre elas."

Referida exposição de motivos, datada de 24-7-1939, foi assinada por Fran-


cisco Campos, então Ministro da Justiça.
A perícia judicial foi tratada no CPC de 1939, no Título VIII - das provas,
Capítulo I - Das Provas em Geral, cujo art. 208 assim dispunha:

"Art. 208. São admissíveis em juízo todas as espécies de prova reco-


nhecidas nas leis civis e comerciais."

Para perceber o alcance desse dispositivo, é pertinente fazer sua leitura con-
jugada com o conteúdo do art. 118, cujo teor é:

"Na apreciação da prova, o juiz formará livremente o seu convenci-


mento, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos,
ainda que não alegados pela parte. Mas, quando a lei considerar de-
terminada forma como da substância do ato, o juiz não lhe admitirá a
prova por outro meio."

A prova pericial foi disciplinada no Capítulo VII - Dos Exames Periciais, do


Título já declinado.
A admissão e a realização do exame pericial foram tratadas nos artigos 254
e seguintes. ln verbis:

"Art. 254. Na perícia, para prova de fato que dependa de conheci-


mento especial, as partes poderão formular quesitos, nos cinco (5)
dias seguintes à nomeação do perito, admitindo-se quesitos suple-
mentares até a realização da diligência."

A admissão do exame pericial, a teor do art. 255, tinha seus limites, eis que po-
deria ser negada, como se pode ver na redação dada ao mencionado artigo, assim:

"Art. 255. O juiz negará a perícia:


I - quando o fato depender do testemunho comum e não do juízo es-
pecial de técnicos.
II - quando desnecessária à vista das provas.
III - quando a verificação for impraticável, em razão da natureza tran-
sitória do fato ."

Por seu lado, a produção da prova pericial poderia realizar-se, de conformi-


dade com o art. 117, cujo teor era:
Perícia no Código de Processo Civil 39

"A requerimento, ou ex-officio, o juiz poderá, em despacho motivado,


ordenar as diligências necessárias à instrução do processo e indeferir
as inúteis em relação a seu objeto, ou requeridas com propósitos ma-
nifestamente protelatórios."

Quanto aos procedimentos a serem adotados pelo perito, o art. 256 dispunha:

"Para a realização dos exames o perito procederá livremente, podendo


ouvir testemunhas e recorrer a outras fontes de informação."

O exame pericial deveria consubstanciar-se em laudo escrito pelo perito, cujo


conteúdo foi disciplinado pelo parágrafo único do artigo citado, assim:

"Parágrafo único. O perito responderá aos quesitos em laudo funda-


mentado, no qual mencionará tudo quanto ocorrer na diligência."

O laudo deveria ser entregue pelo perito como disciplinado no artigo seguin-
te, a saber:

"Art. 257. O perito apresentará o laudo em cartório até cinco (5) dias
antes da audiência de instrução e julgamento, ou, havendo motivo
relevante, até à audiência."

Não cumprindo com a sua obrigação, ou seja, a entrega do laudo a tempo e,


não havendo motivo relevante, dizia o§ 1º, do artigo citado:

"§ 1º Se o laudo não for apresentado até a audiência, o juiz substituirá


o perito e mandará que se produzam as demais provas."

Destarte, como o MM. Juiz deveria formar livremente seu convencimento (art.
118), poderia o magistrado determinar nova perícia, como disposto no art. 258:

"O juiz não ficará adstrito ao laudo e poderá determinar nova perícia."

O Código de 1939 determinava (art. 264) que o perito deveria comparecer à


audiência para expor seu laudo e eventualmente oferecer esclarecimentos como
disposto no art. 267, assim:

"Aberta a audiência, o perito fará um resumo do laudo, podendo o juiz


ex-officio ou a requerimento, pedir-lhe esclarecimentos."

No Título IX - Do Juiz e dos Auxiliares da Justiça, Capítulo III - Do Perito,


foram inseridos diversos dispositivos que tratam de quem poderia realizar os exa-
mes periciais e demais posturas relativas à figura do perito judicial e assistentes
técnicos das partes.
40 Perícia Contábil • Ornelas

O art. 129 dizia, in verbis:

"Os exames periciais serão feitos por um perito, sempre que possível
técnico, de livre escolha do juiz."

Todavia, não era uma livre escolha absoluta, pois o nomeado poderia ser
recusado, como disposto no parágrafo único do artigo mencionado, como segue:

"O perito poderá ser recusado pelas mesmas causas que justificam a
recusa dos juízes e testemunhas e no caso do art. 131, nº II."

Diversas eram as penalidades impostas ao perito. A matéria foi tratada no


art. 131, cuja redação dada foi:

"Art. 131. Salvo prova de força maior, o perito ficará sujeito às seguin-
tes penalidades, que serão impostas pelo juiz:
I - multa de [... ], em benefício da parte prejudicada, e cobrável como
custas, si exceder prazos, ou não comparecer à audiência.
II - inabilitação para funcionar em outras perícias, no caso de recusa
de nomeação anterior, podendo se nomeado, ser destituído a requeri-
mento de qualquer das partes.
§ 1º O perito que, por dolo ou culpa grave, prestar informações inve-
rídicas, incorrerá nas penas dos n~ I e II, sem prejuízo do disposto na
lei penal.
§ 2º Na última hipótese, o juiz dará ciência ao órgão do Ministério
Público."

As partes poderiam valer-se da indicação de assistentes técnicos para acom-


panhar os trabalhos periciais e, se necessário, oferecer impugnações às conclu-
sões do perito. Nesse sentido, dispunha o art. 132, assim:

"A cada uma das partes será lícito indicar, em petição, um assistente
técnico, a quem incumbirá acompanhar as diligências do perito, cujas
conclusões poderá impugnar.
Parágrafo único. Ao assistente serão facultados os mesmos meios de
investigação que ao perito."

O desembolso do custo dos trabalhos periciais foi disciplinado no Título VII -


das Despesas Judiciais, Capítulo I - Das Custas e Multas, art. 57, do seguinte teor:

"As despesas relativas às perícias judiciais ficarão a cargo da parte que


as houver requerido, ou do autor, quando determinadas pelo juiz."
Perícia no Código de Processo Ci vil 41

Esse era o quadro legal disciplinador quanto à realização da prova pericial,


bem como das diretrizes a serem obedecidas pelo perito e assistentes técnicos
emanadas do CPC de 1939.

4.2 Decreto-lei nº 8.570, de 1946

Tal quadro legal, ao longo de sua vigência, sofreu alterações, em especial


aquelas contidas no Decreto-lei nº 8.570, de 8-1-1946, que passaremos a abordar,
naquilo pertinente à prova pericial e ao perito.
Logo no início do ano de 1946, veio à luz o Decreto-lei nº 8.570, que alterou,
significativamente, a forma da produção da prova pericial, bem como o papel do
perito.
A partir do advento desse diploma legal, as partes passaram a poder indicar
perito único, ou, havendo discordância, cada qual indica seu perito. Se neces-
sário, o magistrado nomeava perito de sua confiança para eventual desempate.
Para tanto, veja-se o conteúdo do art. 129, com a nova redação:

"Os exames periciais poderão ser feitos por um só louvado, concor-


dando as partes; se não concordarem, indicarão de lado a lado o seu
perito e o juiz nomeará o terceiro para desempate por um dos laudos
dos dois antecedentes, caso não se contente com um destes."

Com efeito, desaparece a figura do assistente técnico, surgindo a do perito


indicado pelas partes; surge, também, a possibilidade da presença de perito de-
sempatador, este de nomeação do magistrado.
Como veremos, referida forma de produção da prova pericial não se consti-
tuiu numa forma ágil e viria a ser modificada pelo CPC de 1973.
A oportunidade do requerimento da prova pericial passou a ser disciplinada
pelo art. 132, assim:

"O pedido de perícia deverá ser feito antes da conclusão para o despa-
cho saneador, indicando as partes do perito único ou cada qual o seu.
Parágrafo único. Se requerido por uma só das partes, deverá a outra
ser intimada para dentro de 24 horas dizer se concorda com o perito
indicado, ou nomear o seu."

Em função da produção plural da prova pericial, houve adaptação do art.


256, que passou a ter a seguinte redação: "Para a realização dos exames os pe-
ritos procederão livremente, podendo ouvir testemunhas e recorrer a outras
fontes de informação."
42 Perícia Contábil • Ornelas

Diante ainda da pluralidade de peritos, foi também adaptada a redação do


art. 268, que passou a ter o seguinte teor:

"Procedida à exposição sobre o laudo, serão tomados, sucessivamente,


os depoimentos do autor, do réu, e das testemunhas, segundo o dis-
posto no Título VIII, Capítulos IV e V deste Livro, podendo ser admi-
tida discussão sobre o laudo por espaço não excedente a dez minutos
para cada perito, se houver mais de um."

Esses foram os principais aspectos que sofreram modificações.

4.3 Código de 1973

O CPC vigente foi instituído pela Lei nº 5.869, de 11-1-1973. Foi preparado
pelo então Ministro da Justiça, Alfredo Buzaid.
Na parte que nos interessa, qual seja, o campo da prova pericial, o CPC aborda
a matéria no Livro I, Título VIII - Do Procedimento Ordinário, Capítulo VI - Das
Provas, e mais especificamente, na Seção VII - Da prova pericial, arts. 420 a 439.
Antes, porém, é de bom alvitre abordarmos um dispositivo muitas vezes olvi-
dado por quem tem relacionamento com a perícia judicial. Trata-se do art. 145.
Referido dispositivo apresenta a seguinte redação:

"Art. 145. Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico


ou científico, o juiz será assistido por perito, segundo o disposto no
art. 421."

Embora as partes devam especificar as provas que pretendem produzir (art.


282), quando da petição inicial do autor e (art. 300) quando da contestação do
réu, é no momento processual denominado saneamento do processo que o ma-
gistrado irá decidir sobre a necessidade da prova pericial, como disposto no art.
331. Assim é que, se as provas a serem produzidas dependerem de conhecimento
técnico ou científico, o juiz aceitará a realização da prova pericial, nomeando,
para tanto, perito de sua confiança e facultando às partes a indicação de seus as-
sistentes técnicos. Note-se que a realização de perícia contábil, como já alertado
em momento anterior, poderá ser decidida em audiência.
Nota-se com muita facilidade que o Código de 73 retomou à prática origi-
nal do Código de 39. Voltou o magistrado ao comando absoluto da produção da
prova pericial, por intermédio de seu perito de confiança, cabendo às partes, se
quisessem, indicar assistentes técnicos.
Em reforço ao que se acaba de afirmar, é importante lembrar que o Código
vigente determinou papel fundamental ao magistrado, quanto à produção de
provas, a teor do art. 130, cuja redação é:
Períc ia no Códi go de P~oç es.~p Civil 43

:i
"Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as ./
provas necessárias à instrução do processo, indeferindo as dilíg,êi;içia~ .'!J,l,~·•P'-;.;;/
·.:. . ' ·! • .. •

inúteis ou meramente protelatórias." "'•·,~ 0


··"· · • "

O parágrafo único do art. 420 dá as diretrizes para o indeferimento da prova


pericial. Referido dispositivo apresenta a seguinte redação:

"Parágrafo único. O juiz indeferirá a perícia quando:


I - a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico;
II - for desnecessária em vista de outras provas produzidas;
III - a verificação for impraticável."

Pode também se valer do comando do art. 334, que tem a seguinte redação:

"Art. 334. Não dependem de prova os fatos:


I - notórios;
II - afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária;
III - admitidos, no processo, como incontroversos;
IV - em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veraci-
dade."

Na Seção que trata da prova pericial, o Código, art. 420, começa definindo o
que seja prova pericial assim:

"Art. 420. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação."

Na fase de Execução de Sentença, surgem outras modalidades de produção


de prova pericial: liquidação por arbitramento e liquidação por artigos. Na liqui-
dação de sentença por arbitramento, quando requerida, ou determinada pelas
circunstâncias, o magistrado, como previsto no art. 475-A, nomeará perito para
apresentar laudo de arbitramento. A liquidação por artigos, art. 475-E, objetiva-
se quando, para determinar o valor da condenação, é necessário alegar ou provar
algum fato novo.
Para a produção da prova pericial, art. 421, o juiz nomeará perito de sua
confiança, enquanto as partes poderão indicar assistente técnico.

4.4 Lei nº 8.455, de 1992

:'viodificações significativas no desenvolvimento do trabalho pericial vieram à


:tuz com a Lei nº 8.455, de 24-8-1992.
Antes do advento dessa Lei, o perito e os assistentes técnicos eram intimados
para prestar compromisso de "cumprir conscienciosamente o encargo que lhes
44 Períci a Co ntá bil • Orn elas

for cometido", como dispunha a redação original do art. 422. A nova redação
dada a esse artigo retirou a obrigatoriedade do compromisso. Assim:

"Art. 422. O perito cumprirá escrupulosamente o encargo que lhe foi


cometido, independentemente de termo de compromisso. Os assisten-
tes técnicos são de confiança da parte, não sujeitos a impedimento ou
suspeição."

Nem o perito, tampouco o assistente técnico são obrigados a assumir o en-


cargo, já que, como disposto no art. 423, podem escusar-se, desde que aleguem
motivo legítimo, em função do que consta do art. 146.
O perito e os assistentes técnicos, por força também do art. 423, poderiam ser
recusados por impedimento ou suspeição.
Os motivos de impedimento ou suspeição aplicáveis são aqueles definidos
nos arts. 134 e 135. Vejamos.
Os impedimentos aplicáveis ao perito e que também se aplicavam aos assis-
tentes técnicos são:

"Art. 134. É defeso ao[ ... ] exercer as suas funções no processo conten-
cioso ou voluntário:
I - de que for parte;
II - em que interveio como mandatário da parte, [ ... ] funcionou
como órgão do Ministério Público, ou prestou depoimento como tes-
temunha;
III - omissis;
IV - quando nele estiver postulando, como advogado da parte, o seu
cônjuge ou qualquer parente seu, consanguíneo ou afim, em linha
reta; ou na linha colateral, até o segundo grau;
V - quando cônjuge, parente, consanguíneo ou afim, de alguma das
partes, em linha reta ou, na colateral, até o terceiro grau."

A suspeição vem tratada no art. 135, cuja redação tem o seguinte teor:

"Art. 135. Reputa-se fundada a suspeição de parcialidade do [ ... ]


quando:
I - amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes;
II- alguma das partes for credora ou devedora do[ ... ], de seu cônjuge
ou de parentes destes, em linha reta ou na colateral até terceiro grau;
III - herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de alguma das
partes;
Perícia no Código de Proce sso Civil 45

IV - receber dádivas antes ou depois de iniciado o processo; acon-


selhar alguma das partes acerca do objeto da causa, ou subministrar
meios para atender às despesas do litígio;
V - interessado no julgamento da causa em favor de uma das partes.
Parágrafo único. Poderá ainda [ ... ] declarar-se suspeito por motivo
íntimo."

Na transcrição desses artigos, foi colocado um espaço entre colchetes, pois,


no texto original, consta a palavra juiz, mas aplicável também ao perito por força
do art. 138, inciso III.
Ressalte-se que também o impedimento e a suspeição eram aplicáveis ao
assistente técnico, mas a Lei nº 8.455/ 92 deu nova redação ao inciso III, do art.
138, CPC, retirando a expressão e assistentes técnicos, bem como reescreveu
o art. 423, in verbis:

"Art. 423. O perito pode escusar-se (art. 146), ou ser recusado por
impedimento ou suspeição (art. 138, III); ao aceitar a escusa ou julgar
procedente a impugnação, o juiz nomeará novo perito."

Modificou também o inciso II e parágrafo único do art. 424, assim:

"Art. 424. O perito pode ser substituído quando:


I - omissis;
II - sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que
lhe foi assinado.
Parágrafo único. No caso previsto no inciso II, o juiz comunicará a
ocorrência à corporação profissional respectiva, podendo, ainda, im-
por multa ao perito, fixada tendo em vista o valor da causa e o possí-
vel prejuízo decorrente do atraso no processo."

Mencionada lei fez surgir, também, a possibilidade da realização de prova


pericial em juízo, por ocasião da audiência de instrução e julgamento, mediante
oitiva do perito e dos assistentes técnicos sobre questões contábeis que tenham
informalmente examinado ou avaliado, reescrevendo o§ 2º, do art. 421 , in verbis:

"§ 2º Quando a natureza do fato o permitir, a perícia poderá consistir


apenas na inquirição pelo juiz do perito e dos assistentes, por ocasião
da audiência de instrução e julgamento a respeito das coisas que hou-
verem informalmente examinado ou avaliado."

É espécie nova de perícia ainda pouco conhecida. Quanto à oitiva, nada de


novo, pois já era exigida a presença dos peritos em audiência para esclarecimen-
tos, por força do art. 435, CPC. A novidade envolve a questão de exames ou avalia-
46 Perícia Contá bil • Orn e las

ções informais. Desconhece-se ainda que procedimentos poderão ser entendidos


como informais, à medida que os atos praticados no processo são sempre formais.
Os procedimentos que vierem a ser determinados pelo magistrado, no futuro, irão
nortear a questão do que será entendido por informal, quanto aos exames ou ava-
liações assim realizadas.

4.5 Lei nº 8. 952, de 1994

Acréscimo significativo no que se refere aos honorários do perito quando em


função judicial veio a lume com a Lei nº 8.952, de 13-12-1994.
Trata-se do parágrafo único acrescido ao art. 33 com a redação seguinte:

"Parágrafo único. O juiz poderá determinar que a parte responsável


pelo pagamento dos honorários do perito deposite em juízo o valor
correspondente a essa remuneração. O numerário, recolhido em de-
pósito bancário à ordem do juízo e com correção monetária, será en-
tregue ao perito após a apresentação do laudo, facultada a sua libera-
ção parcial, quando necessária."

Esse dispositivo tem ensejado ao magistrado, quando do despacho ou decisão


de nomeação do perito, determinar a este que ofereça orçamento ou estimativa
do custo do trabalho pericial a ser realizado.
Essa possibilidade de fixar o custo do trabalho pericial contábil antes da apre-
sentação do laudo é deveras salutar. Liberta o perito de eventuais impugnações a
sua remuneração decorrentes do conteúdo do laudo. Amplia sua independência,
além do que melhor garante sua remuneração, pois, às vezes, entregue o laudo, a
parte responsável não cumpre com o depósito da quantia fixada, causando prejuí-
zo ao perito, ensejando ter o mesmo de executar os honorários periciais, arcando
com as respectivas despesas . Não se pode olvidar que honorários periciais são
essencialmente verba alimentar, de sustento familiar.
Por certo, pode até evitar requerimento das partes de prova pericial contábil
desnecessária, apenas com intuito procrastinatório; portanto, do ponto de vista
processual, é extremamente salutar a aplicação pelo magistrado do parágrafo
único do art. 33, CPC.

4.6 Lei nº 10.358, de 2001

Clarificação significativa quanto ao prazo de entrega do parecer pericial


sob a responsabilidade do assistente técnico foi resolvida com a edição da Lei
Perícia no Código de Processo Civil 47

nº 10.358, de 27 de dezembro de 2001, que modificou a redação do parágrafo


único, art. 433, CPC, verbis:

"Parágrafo único. Os assistentes técnicos oferecerão seus pareceres no


prazo comum de 10 (dez) dias, após intimadas as partes da apresen-
tação do laudo."

Data venia, o texto anterior era incompatível com as práticas periciais, agora
sanado com a nova redação dada ao dispositivo.
O Diploma Legal acrescentou dois artigos ao Código de Processo Civil, de
interesse da perícia. Trata-se dos arts. 431-A e 431-B. O primeiro dispõe sobre o
disciplinamento da realização da prova pericial, a saber, verbis:

"Art. 431-A. As partes terão ciência da data e local designados pelo


juiz ou indicados pelo perito para ter início a produção da prova."

Como já comentado no Capítulo 3, trata-se de um novo dever que, conforme


o caso, deverá ser cumprido pelo perito judicial.
O segundo acréscimo - art. 431-B - reconhece que a prova pericial, em face
da própria complexidade dos fatos jurídicos objeto da lide, poderá envolver mais
de uma área de saber; por isso, o dispositivo permite a nomeação e a indicação de
mais de um profissional, verbis:

"Art. 431-B. Tratando-se de perícia complexa, que abranja mais de


uma área de conhecimento especializado, o juiz poderá nomear mais
de um perito e a parte indicar mais de um assistente técnico."

Note-se que é o magistrado que tem a iniciativa, seja por decisão dele pró-
prio, seja provocado pelas partes; de qualquer modo, o dispositivo não é imposi-
tivo, à medida que consta a palavra poderá.
A produção de prova técnica é cada vez mais complexa, porque mais comple-
xo é o mundo dos negócios e a vida das pessoas naturais ou jurídicas. A realização
de perícias mistas já é uma realidade nos Foros, como, por exemplo, em processos
judiciais nos quais é determinada a apuração de haveres, o que, ordinariamente,
envolve a avaliação de imóveis - tarefa incumbida a perito engenheiro - que
vai instruir a avaliação patrimonial de sociedades para efeito de apuração dos ha-
veres de sócio - tarefa de perito contador; outro exemplo pode ser constatado
em processos judiciais que envolvem a comprovação de pirataria, de embalagens
similares de produtos de marcas diferentes - tarefa de perito engenheiro - e a
constatação dos correspondentes danos emergentes e lucros cessantes e sua men-
suração monetária - tarefa de perito contador.
Esses são apenas alguns exemplos conhecidos; é óbvio que no futuro muitas
outras possibilidades surgirão; assim, os profissionais da contabilidade terão que
48 Perícia Contábil • Orn elas

desenvolver e assumir procedimentos éticos e profissionais de convivência com


profissionais de outras áreas do conhecimento.

4. 7 Lei nº 10.406, de 2002

Com vigência a partir de meados de janeiro do ano de 2003, o novo Código


Civil traz consigo uma gama de dispositivos que o expert contábil deverá dominar
para bem desempenhar sua função pericial, seja como perito, seja como assisten-
te técnico.
Preliminarmente, cabe destacar que, pelo art. 2.045, do novo diploma legal,
foi revogada a Parte Primeira do Código Comercial, Lei nº 556, de 25 de junho
de 1850; nessa parte revogada, estavam disciplinadas, entre outros aspectos, as
obrigações do comerciante quanto aos registros contábeis, livros, balanços, exibi-
ção judicial dos livros.
Essas matérias, no novo Código Civil, estão contidas na PARTE ESPECIAL,
LIVRO II - DO DIREITO DE EMPRESA, TÍTULO IV - DOS INSTITUTOS COMPLE-
MENTARES, CAPÍTULO IV - DA ESCRITURAÇÃO, arts. 1.179 a 1.195.
Esse temário, de interesse da perícia contábil, está tratado no Capítulo 5.

4.8 Lei nº 11.232, de 2005

Esta lei federal, de 22-12-2005, alterou diversos dispositivos do Código de


Processo Civil vigente, especialmente a numeração dos dispositivos relativos à
liquidação de sentença, por arbitramento e por artigos.
A liquidação de sentença por arbitramento está, agora, disciplinada como
segue:

"Art. 475-C. Far-se-á a liquidação por arbitramento quando:


I - determinado pela sentença ou convencionado pelas partes;
II - o exigir a natureza do objeto da liquidação.
Art. 475-D. Requerida a liquidação por arbitramento, o juiz nomeará
o perito e fixará o prazo para entrega do laudo.
Parágrafo único. Apresentado o laudo, sobre o qual poderão as partes
manifestar-se no prazo de dez dias, juiz proferirá decisão ou designa-
rá, se necessário, audiência.".

Por sua vez, a liquidação de sentença por artigos foi disciplinada assim:
Perícia no Cód igo de Processo Civil 49

"Art. 475-E. Far-se-á a liquidação por artigos, quando, para determi-


nar o valor da condenação, houver necessidade de alegar e provar
fato novo.
Art. 475-E Na liquidação por artigos observar-se-á, no que couber, o
procedimento comum (art. 272)".

4.9 Novo Código de Processo Civil

Está em debate no Congresso Nacional o anteprojeto do Novo Código de Pro-


cesso Civil, o que poderá vir a afetar os dispositivos relacionados com a produção
da prova técnica e do perito, mas será objeto de uma próxima edição para quando
da aprovação e promulgação da lei correspondente.
5

TÉCNICAS DO TRABALHO
PERICIAL JUDICIAL

5.1 Introdução

O ponto de partida do trabalho pericial dá-se, na vertente judicial, como


vimos anteriormente, por oca.sião do denominado despacho saneador exarado
pelo magistrado nos autos do processo admitindo a produção da prova pericial
contábil, e, por consequência, nomeando perito. 1 Na vertente arbitral, dá-se me-
diante a expedição de ordem processual ou procedimental emitida pelo respecti-
vo Tribunal Arbitral, deferindo a produção da prova e nomeando perito contador.
Pode a nomeação suceder também quando da realização da audiência na
qual o magistrado defere a realização da prova pericial em função de requeri-
mento da parte, ou quando decide ser a mesma necessária.
É, portanto, nesse momento, da nomeação, que se inicia o envolvimento do
profissional perito com determinado processo judicial.
Assim é que, no desenvolvimento da prova pericial, podemos distinguir três
ambientes nos quais o trabalho do perito desenvolve-se.

5.2 Ambientes do trabalho pericial

O primeiro ambiente é o próprio local onde está instalado determinado ramo


do Poder Judiciário, no caso, o Cartório ou Secretaria de determinada Vara Judi-
cial ou de determinada Secretaria de Tribunal Arbitral.

1
CPC, art. 421 , com a nova redação dada pela Lei nº 8.455, de 24-8-92.
Té cnicas d o Trabalho Pericial Judicia l 51

Aí, acontece o procedimento inicial de responsabilidade do perito. Intimado,2


por escrito ou informalmente, de sua nomeação, o perito dirige-se àquele local
e solicita a entrega dos autos do processo. Esse ato é conhecido como carga ao
perito, ou seja, o funcionário do Cartório ou Secretaria preenche o livro de car-
ga, com os dados do processo e do perito e este assina referido livro, retirando,
assim, formalmente os autos do processo.
Não se pode dizer o mesmo da perícia contábil em arbitragem, já que o perito
é obrigado a assinar termo de confidencialidade e pode solicitar cópia integral
dos autos do processo arbitral.
Ao final do trabalho pericial judicial, o perito retorna ao Cartório ou à Secre-
taria para devolver os autos do processo e, ao mesmo tempo, entregar, mediante
protocolo, o laudo pericial contábil por ele elaborado. Na vertente arbitral, o peri-
to deve entregar na Secretaria do Tribunal Arbitral oito vias do respectivo laudo.
Poderá, eventualmente, retornar ao Cartório ou à Secretaria, se houver sua
convocação para apresentar esclarecimentos ao laudo, em audiência, ou fora
dela. Como se pode perceber, nesse ambiente, acontecem diversos procedimen-
tos formais necessários na relação do perito com o Poder Judiciário ou com os
Tribunais Arbitrais.
O segundo ambiente do trabalho é o próprio escritório do perito. Aí, o perito
desenvolve a leitura dos autos do processo, identifica e analisa as questões téc-
nicas relacionadas com a lide, para, em seguida, organizar e planejar o trabalho
pericial.
Após o trabalho de campo, começa a fase de elaboração e acabamento do
laudo pericial contábil.
O terceiro ambiente de trabalho concretiza-se nos locais onde o perito busca
conseguir os elementos necessários à solução das questões técnicas relacionadas
com a lide. Trata-se do trabalho de campo concretizado por meio das diligências
que o perito realiza nos escritórios das partes, ou em outros locais, repartições
públicas, por exemplo, onde possa colher informações ou documentos necessá-
rios à realização de seu trabalho.

5.3 Desenvolvimento do trabalho pericial

Inobstante não ser mais obrigatório assumir compromisso, por força do con-
tido na Lei nº 8.455, de 24-8-1992, que deu nova redação ao art. 422 do CPC, 3

2
CPC, ''.Art. 234. Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e termos do proces-
so, para que faça ou deixe de fazer alguma coisa."
3 ''.Art. 422. O perito cumprirá escrupulosamente o encargo que lhe foi cometido, independente-
mente de termo de compromisso. Os assistentes técnicos são de confiança da parte, não sujeitos a
impedimento ou suspeição."
52 Perícia Co ntábil • Orn elas

deve o perito, antes de assumir efetivamente a função judicial, ter alguns cuida-
dos e atitudes.
Cabe, todavia, ressalvar que, no âmbito da Justiça do Trabalho, persiste a
obrigatoriedade do compromisso, como se depreende do art. 827 da CLT; 4 entre-
tanto, na prática está em desuso, em face do próprio art. 422, CPC.

5.3.1 Procedimentos preliminares

Numa leitura rápida dos autos do processo, o perito tem condições de veri-
ficar se não há nenhuma incompatibilidade para o exercício da função pericial
judicial.
Nesse momento, o perito deve considerar, em face do tipo de perícia, se está
impedido por lei de realizá-la ou se há elementos que possam configurar suspei-
ção de natureza íntima.
Deverá verificar se a matéria técnica a ser enfrentada é de sua especialidade
e, ainda, se terá disponibilidade de tempo para realizar o trabalho para o qual foi
nomeado.
Essas atitudes têm relação íntima com o disposto no art. 423 do CPC, cujo
teor passamos a reproduzir.

"Art. 423. O perito pode escusar-se (art. 146), ou ser recusado por
impedimento ou suspeição (art. 138, III); ao aceitar a escusa ou julgar
procedente a impugnação, o juiz nomeará novo perito."

Os cuidados ainda há pouco lembrados colocam uma questão ética funda-


mental quanto ao exercício da função pericial diante do conteúdo do art. 423.
O perito, na qualidade de auxiliar da justiça - art. 139, CPC 5 - , é nomeado
pelo magistrado, ou seja, é depositário de sua confiança para a produção da pro-
va pericial, cujo resultado, expresso num laudo, servirá como uma das bases em
que se apoiará o mesmo para exarar sua sentença.
Cabe salientar que o magistrado, ao nomear o perito, não sabe se este pro-
fissional tem relação com as partes e respectivos advogados ou, eventualmente,
se a matéria técnica pericial a ser tratada não se coaduna com sua especialidade
técnica.

4
"Art. 827. O juiz ou presidente poderá arguir os peritos compromissados ou os técnicos, e rubri-
cará, para ser junto ao processo, o laudo que os primeiros tiverem apresentado."
5
'í\rt. 139. São auxiliares do juízo, além de outros, cujas atribuições são determinadas pelas
normas de organização judiciária, o escrivão, o oficial de justiça, o perito, o depositário, o adminis-
trador e o intérprete."
Técn icas do Trabalho Pericia l Jud ic ial 53

Em se tratando de função de confiança, será deveras constrangedor ao perito


ao ter, eventualmente, escondido do magistrado seu impedimento ou suspeição,
ser substituído por outro, à medida que uma das partes impugne sua nomeação
pelos motivos retromencionados e esta impugnação seja julgada procedente pelo
magistrado.
Propugnamos que o perito aja eticamente, em atendimento, inclusive, ao pa-
rágrafo único do art. 146, CPC, 6 declarando-se, de plano, impedido ou suspeito,
desde que fiquem caracterizadas tais condições nos autos do processo em que foi
nomeado.
Só assim o perito continuará a gozar da confiança do magistrado e terá de-
monstrado sua integridade moral e ética.
Todos esses cuidados do perito são plenamente aplicáveis na realização de
prova pericial contábil perante qualquer Tribunal Arbitral. O zelo e a ética devem
ser os mesmos, independentemente da origem da nomeação do perito.
Lamenta-se que o mesmo não possa mais ser dito do perito quando assume a
função de assistente técnico, dado que, pela nova redação dada ao art. 422, CPC,7
por meio da Lei nº 8.455, de 24-8-1992, referido profissional indicado pelas par-
tes já não está sujeito a impedimento ou suspeição.
Isso quer dizer que determinado assistente técnico poderá até ser irmão ou
pai de uma das partes, ter interesse no próprio desfecho da ação e ainda assim
funcionar no processo.
Se o próprio magistrado e o perito judicial têm diversas situações de impedi-
mento ou suspeição, significou, de fato, um retrocesso processual, ter-se excluído
o assistente técnico das situações de impedimento ou suspeição.
Essa situação é a nosso ver uma volta ao passado, uma tentativa de retirar do
magistrado o poder de administrar o processo de produção da prova pericial de
forma independente.
Parece uma tentativa de volta ao Código de 1946, quando se tinha a nomea-
ção de peritos indicados pelas partes e, somente em caso de divergência de lau-
dos, o magistrado nomeava o denominado perito desempatador.
No que se refere ao profissional indicado como assistente técnico, entende-
-se ter havido uma desvalorização técnica fundamental, à medida que pode ser

6 "Parágrafo único. A escusa será apresentada dentro de cinco (5) dias contados da intimação ou
do impedimento superveniente ao compromisso, sob pena de se reputar renunciado o direito de
alegá-la."
7
''.A.rt. 422. O perito cumprirá escrupulosamente o encargo que lhe foi cometido, independente-
mente de termo de compromisso. Os assistentes técnicos são de confiança da parte, não sujeitos a
impedimento ou suspeição."
54 Perícia Co n táb il • Orne la s

taxado, até injustamente, de pessoa sem independência técnica suficiente que


permita ao magistrado considerar o trabalho técnico que venha a oferecer.
Superada essa fase, o perito pode então assumir compromisso, se esse for
determinado pelo magistrado.
Como vimos anteriormente, o perito, quando realiza perícia na Justiça do
Trabalho, está sujeito ao compromisso.
O ato de assumir compromisso é um momento solene no qual o perito pro-
mete formalmente ao magistrado que o nomeou, mediante assinatura de termo
próprio, cumprir a função para a qual foi designado. Note-se, não é uma promes-
sa qualquer.
É prometido servir à justiça com diligência, sem dolo, ou má-fé, sob as penas
da lei; consequentemente, temos dois aspectos a considerar.
O primeiro trata da promessa de que o perito se incumbirá de produzir as
provas relativas ao objeto da lide, ou seja, trará, por meio de seu laudo, as provas
deferidas pelo magistrado.
O segundo percorre a questão da atitude ética do profissional quanto ao de-
senvolvimento da prova técnica sem dolo ou má-fé de parte do perito.
Para tanto, a promessa feita está relacionada com as qualidades de que esse
profissional deve ser possuidor: basicamente, ser imparcial, trazer para os autos
os fatos técnicos tais como os viu, não declinar jamais sua posição individual
sobre os fatos observados, fazerido-o com todo seu discernimento técnico-profis-
sional, agindo com ética e bom-senso. Não pode tergiversar; deve relatar em seu
laudo tudo o que observou no trabalho de campo, nas diligências.
Assumido ou não o compromisso, passa-se a um momento de espera. As
partes, neste ínterim, estarão oferecendo, se for o caso, seus quesitos e indicando
seus assistentes técnicos.
No despacho saneador, 8 ou em audiência, como vimos, além da nomeação do
perito, outras decisões são tomadas pelo magistrado. Nesse despacho ou decisão,
o magistrado concede prazo para as partes oferecerem quesitos e indicarem, caso
queiram, seus assistentes técnicos, além do que, poderá, ele próprio, formular
seus quesitos; além dessas determinações, vêm os magistrados, com muita fre-
quência, determinando ao perito que ofereça a estimativa ou orçamento de seus
honorários. 9
Para tais determinações do magistrado, fluem prazos quase que simultâneos.
É por isso que, se necessário for assumir o compromisso, não é ainda o momento
de o perito iniciar seu trabalho. As partes precisam oferecer as perguntas, que no

8
CPC, art. 33 1.
9
CPC, art. 33, parágrafo único.
Técnicas do Traba lh o Pe ricial Judicial 55

léxico forense são conhecidas por quesitos, que desejam ver respondidas median-
te a produção da prova técnica.
Os quesitos oferecidos pelas partes serão objeto de apreciação pela parte
contrária e pelo próprio magistrado, que os aceitará ou, eventualmente, poderá
indeferir aqueles que entender impertinentes ou não relacionados com a matéria
técnica em debate. O indeferimento poderá acontecer de ofício, ou seja, o pró-
prio magistrado decide ou poderá ter origem em impugnação de uma das partes.
Ainda, processualmente, poderá uma das partes que tenha quesitos indeferidos
recorrer da decisão do magistrado ao Tribunal.
Determinada a apresentação de orçamento dos honorários periciais, o perito
a cumprirá, oferecendo petição demonstrando e justificando a verba proposta, a
qual será apreciada pelas partes e, em momento posterior, o magistrado fixará os
honorários do perito, determinando que a parte responsável proceda ao depósito
à ordem do juízo da quantia arbitrada. Esse assunto será amplamente abordado
no Capítulo 8.
Portanto, entre o ato de nomeação, o compromisso, se determinado, e o iní-
cio efetivo do trabalho pericial, como vimos, diversos momentos processuais po-
derão acontecer.
Superadas todas essas etapas, finalmente o perito pode retirar os autos, me-
diante protocolo no livro de carga, e iniciar, de fato, o trabalho pericial.

5.3.2 Organização e planejamento da perícia

Organizar e planejar determinado trabalho pericial tem por pressuposto téc-


nico o conhecimento de dois aspectos fundamentais do processo: o que está sen-
do demandado e a época dos fatos.
O perito inteira-se desses aspectos desenvolvendo leitura atenta dos autos do
processo, em especial de duas peças, a inicial e a contestação.
Da leitura da inicial, deve restar com muita clareza quais os fatos alegados e
constitutivos do direito reclamado pela parte proponente da ação e a pretensão,
ou seja, o pedido submetido ao magistrado.
Já quando da leitura da contestação ou impugnação, deve ser dada atenção
ao conteúdo da petição no que se refere à existência ou não de fatos impeditivos,
modificativos ou extintivos do direito do proponente da ação.
Fundamental, também, identificar a época dos fatos alegados e relatados
pelas partes, já que necessário à perícia, o que vai permitir ao perito formular o
pedido de quais livros e documentos devam ser exibidos.
Será útil também observar eventuais documentos juntados pelas partes.
56 Perícia Contábil • Ornelas

Por fim, a leitura atenta dos quesitos formulados e deferidos pelo magistrado
permite à perícia planejar quais levantamentos técnicos serão necessários desen-
volver a fim de buscar base técnica para oferecer as respectivas respostas.
Num segundo momento, decorrente da própria leitura dos autos, surge a
necessidade de a perícia valer-se de eventual consulta bibliográfica em função
obviamente das questões técnicas formuladas.
Entende-se por consulta bibliográfica, no mais amplo sentido, pesquisa e lei-
tura de livros, artigos técnicos e científicos, inclusive pesquisa sobre leis. Natu-
ralmente, trata-se de pesquisa pontual, voltada exclusivamente para subsidiar
as questões técnicas contábeis relacionadas com a lide, mesmo porque questões
outras estão fora da apreciação pericial.
Agora, conhecendo os fatos alegados, sua época e as questões técnicas for-
muladas à perícia, subsidiadas por pesquisa bibliográfica, se for o caso, é que se
pode afirmar haver condições objetivas de iniciar-se o planejamento do trabalho
pericial propriamente dito.
Planejar o trabalho pericial é, stricto sensu, ordenar os procedimentos téc-
nicos a serem desenvolvidos pelo perito para obter os elementos que permitam
oferecer o laudo pericial contábil.
Tratando-se de perícia contábil, o perito precisa ter presente quais os meios
que tem a sua disposição.
Por princípio, os meios disponíveis são todos os componentes do sistema con-
tábil das partes envolvidas nos autos do processo.
Nesse sentido, temos os livros contábeis, fiscais, societários, as demonstra-
ções contábeis e todo o arcabouço documental que dá suporte ao sistema contá-
bil. Controles internos e outros tipos de registros auxiliares podem e devem ser
também objeto do plano.
Obviamente, não é de todos os livros e documentos que o perito requer a exi-
bição. São aqueles relativos à época dos fatos da lide, mesmo porque os exames
a serem realizados são sempre específicos, pontuais.
Definidos quais livros e documentos serão necessários compulsar, é relevante
buscar identificar que tipos de exames serão desenvolvidos pelo perito, quando
em campo.
Enquanto plano de trabalho, o planejamento é realizado no escritório do
perito; portanto, trata-se de desenhar uma situação ideal, não real, de como os
trabalhos periciais poderão ser desenvolvidos.
O contato com a realidade dos sistemas contábeis e respectivo suporte do-
cumental poderá acarretar mudanças de curso, mas, de qualquer forma, o perito
não pode olvidar que para o desempenho integral de sua função pode e deve
utilizar-se de todos os meios técnicos necessários e disponíveis à solução técnica
da matéria para a qual foi nomeado ou indicado.
Técnica s d o Traba lho Pericial J ud icia l 57

Essa amplitude de meios, para realização do trabalho pericial, está garantida


no art. 429, CPC; 1º todavia, não poderá ser utilizada de forma abusiva ou trucu-
lenta pelo perito. Nesse sentido, é bom trazer à luz o art. 332, CPC, 11 que orienta
a matéria para todos os meios legais e os moralmente legítimos.
As matérias técnicas submetidas à apreciação do perito são as mais varia-
das. Isso traz, como consequência, uma impossibilidade de ter um plano padrão
de ação .
Para cada caso será necessário planejar ações e procedimentos específicos.
Cada trabalho pericial a ser desenvolvido exige do perito um alto poder de conhe-
cimento e criatividade técnica.
Com raras exceções, como, por exemplo, nas perícias contábeis desenvolvi-
das no âmbito da Justiça do Trabalho, de Execução de Sentença, pode-se falar em
trabalhos de conteúdos semelhantes.
Esses limites, em vez de afligirem o perito, devem ser enfrentados como ver-
dadeiros desafios técnicos perenes. É nesses desafios constantes que o perito se
enriquece cultural e tecnicamente e se qualifica cada vez mais. É uma verdadeira
educação continuada, de que tanto se fala.
Terminado o inventário dos procedimentos técnicos que pretende adotar no
caso específico, é chegado o momento de o perito também planejar o trabalho
de campo.
A perícia contábil é sempre realizada sobre fatos passados. Não adianta o pe-
rito imaginar que chegando em determinada organização terá tudo o que precisa
consultar, prontamente, a sua disposição.
Uma forma de o perito não perder seu tempo profissional é contatar, an-
tecipadamente, solicitando, geralmente ao responsável pelo setor contábil, que
separe os livros e os documentos que entende necessários, conforme definiu em
seu planejamento. Essa poderá ser, também, a oportunidade de o perito cumprir
o disposto no art. 431-A, CPC, de dar ciência às partes, comunicando o local e o
dia para início da produção da prova.
Ora, como se trata de transações passadas a serem apreciadas, os livros e
documentos contábeis estão normalmente no chamado arquivo morto das or-
ganizações, nem sempre ordenados. Sua busca e localização é, muitas vezes, de-
morada. Assim, a transmissão, via fax, via Internet ou pelo correio com AR (aviso
de recebimento), de termo de ciência do início do trabalho e de requerimento de

10
''Art. 429. Para o desempenho de sua função, podem o perito e os assistentes técnicos utilizar-se
de todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo informações, solicitando documen-
tos que estejam em poder de parte ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com
plantas, desenhos, fotografias e outras quaisquer peças."
11
''Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especifica-
dos neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa."
58 Perícia Contábil • Ornelas

exibição de livros e documentos (modelo sugerido no final deste capítulo), dá


ciência às partes da data de início e do local trabalho, e, ao mesmo tempo, requer
a exibição dos livros e documentos, cumpre o determinado no art. 431-A e evita
perdas custosas de tempo.

5.3.3 Diligências

O termo diligências, lato sensu, pode ser entendido como todas as providên-
cias levadas a efeito pelo perito para permitir-lhe oferecer o laudo pericial con-
tábil; aliás, é o próprio Código de Processo Civil que nos dá esse entendimento. 12
Na abordagem stricto sensu, pode-se entender o termo diligências como uma
das fases do trabalho pericial, no caso, o trabalho de campo.
O trabalho de campo envolve algumas etapas nas quais o perito tem como
objetivo central a busca dos elementos fáticos que vão permitir solucionar as
questões contábeis submetidas a sua consideração técnica.
O primeiro momento do trabalho de campo situa-se na formalização da pró-
pria diligência que está sendo realizada, que se materializa e documenta por meio
da elaboração de termo de diligência (veja-se, ao final deste capítulo, modelo su-
gerido), para aceitação e assinatura do representado legal da parte diligenciada.
É por esse documento que o perito prova que realizou determinada visita e
que requereu os livros e documentos que indicou no próprio documento.
O perito também precisa de provas para salvaguardar a integridade de seu
mandato judicial. A juntada de uma cópia desses termos ao laudo oferecido des-
carta, de plano, eventuais insinuações porventura oferecidas pelas partes, no sen-
tido de que, tentando destruir o trabalho oferecido, o perito não teria realizado
diligências ou não teria requerido a exibição de livros e documentos e cumprido
o disposto no art. 431-A, CPC.
O termo de diligência elaborado pelo perito deve conter os dados que iden-
tificam o processo, o local e a hora da diligência, os livros e documentos que o
perito deseja ver exibidos, a identificação do perito e do representante legal, a
assinatura dos dois, o local e a data.
Assim formalizada a diligência, é chegado o momento de iniciar os exames e
as verificações contábeis e documentais planejados.
O primeiro exame a ser desenvolvido é o que se refere à certificação de que
os livros e documentos exibidos merecem fé, se estão formalizados extrínseca e
intrinsecamente falando, bem assim se os documentos exibidos são hábeis.
Nesse momento, é necessário abrirmos um parêntese para apresentarmos um
rol dos livros obrigatórios.

12
CPC, art. 130.
Técni cas do Traba lh o Per icial Judicia l 59

Podemos dividir os livros obrigatórios em quatro categorias. Na primeira


categoria, temos os livros contábeis, compostos do livro Diário, que pode ser
substituído por fichas (art. 1.180, Código Civil), sendo obrigatória a transcri-
ção nesse livro "do balanço patrimonial e do resultado econômico"; se houver,
dos livros auxiliares, como, por exemplo, fornecedores, bancos, clientes. Inclui-se
nessa categoria o Registro de Duplicatas (Lei nº 5.474/ 68, art. 19).
O Código Civil vigente - art. 1.185 - permite a substituição do sistema de
fichas de lançamento pelo "Livro Balancetes Diários e Balanços", devidamente
formalizado, o qual será escriturado de modo a que possibilite a apresentação
das posições diárias de cada conta contábil, bem como o balanço patrimonial e
o de resultado econômico no encerramento de cada exercício social (art. 1.186,
Código Civil).
Com o Código Civil vigente, surge ampliação significativa do Livro de In-
ventário; até o advento de sua vigência, o citado livro ficava adstrito ao inventá-
rio dos estoques de matéria-prima, produtos semielaborados, produtos acabados
ou mercadorias existentes em determinada data; agora, o Inventário é obriga-
tório ao término de cada exercício social - art. 1.065 - e amplo - art. 1.187 -,
envolvendo:

a) os bens destinados à exploração da atividade;


b) os valores mobiliários, matéria-prima, bens destinados à alienação, ou
seja, os produtos ou artigos da indústria ou comércio;
c) os valores das ações e dos títulos de renda fixa;
d) os créditos a receber; e
e) os ativos diferidos sujeitos a amortização.

Esse inventário ampliado passa, obrigatoriamente, a fazer parte integrante


da prestação de contas anual dos administradores, apresentada aos sócios; é o
que fixa o art. 1.020, do Código Civil.
A permissão de uso de códigos ou abreviaturas quando da escrituração con-
tábil - parágrafo único, art. 1.183, Código Civil - está condicionada à existência
de livro próprio obrigatório, devidamente autenticado, onde os mesmos estejam
formalizados. Trata-se de formalizar o sistema e o plano de contas contábil adota-
do pela organização e as respectivas abreviaturas das operações que vão facilitar
o processamento de registro das operações realizadas.
Muito embora não seja mencionado no Código Civil como obrigatório, é da
essência de qualquer sistema de contabilidade a geração do Livro Razão, que,
para o desenvolvimento de qualquer trabalho pericial, é crucial, já que facilita o
exame específico das transações objeto da lide.
Resumindo, são livros contábeis fixados no Código Civil: (a) Livro Diário ou
fichas; (b) alternativamente, à letra anterior, o Livro de Balancetes Diários e Ba-
lanços; c) Livro de Inventário; d) Livro de Códigos e Abreviaturas; e, embora
60 Perícia Contábil • Ornelas

não especificado no diploma legal, o Livro Razão, gerado pela própria operacio-
nalidade de qualquer sistema contábil adotado.
Na segunda categoria, temos os livros fiscais exigidos pelas legislações fiscais
federal, estadual e municipal, tais como: Livro Registro de Entradas, Livro Regis-
tro de Saídas, Livro de Apuração do IPI e do ICMS, Livro de Faturas de Serviços,
Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR.
Na terceira categoria, enquadram-se os chamados livros sociais, aqueles exi-
gidos pela Lei das Sociedades por Ações, no seu artigo 100 e agora, também, pelo
Código Civil.
No caso dos livros exigidos pela Lei das Sociedades por Ações, podem-se dis-
tinguir duas categorias:

a) livros de registro e controle de titularidade do capital social; nesta ca-


tegoria, podem-se citar: (1) registro de ações nominativas; (2) trans-
ferência de ações nominativas; (3) registro de partes beneficiárias
nominativas; (4) transferência de partes beneficiárias; e
b) livros de registro e controle dos atos societários praticados pelos ór-
gãos da sociedade, tais como: (1) registro de atas das assembleias
gerais; (2) presença de acionistas; (3) atas de reuniões do Conselho
de Administração; (4) atas de reuniões da Diretoria; e (5) atas e
pareceres do Conselho Fiscal.

O Código Civil vigente traz consigo a exigência de determinados livros so-


cietários obrigatórios a serem adotados pelas sociedades limitadas. São eles: (1)
Livro de Atas da Administração - art. 1.062; (2) Livro de Atas e Pareceres do
Conselho Fiscal- art. 1.067; e (3) Livro de Atas da Assembleia - § l º, art. 1.075.
Na quarta categoria, podem ser lembrados os livros trabalhistas. São exem-
plos desta categoria o Livro Registro de Empregados, que pode ser sob a forma de
fichas, e o Livro de Inspeção do Trabalho.
Por derradeiro, não se pode olvidar que para algumas atividades empresa-
riais são exigidos livros específicos. Nesse sentido, temos, entre outros, Livro de
Controle de Explosivos em pedreiras; Livro de Movimentação de Combustíveis
em postos de combustíveis; Livro de Controle de Entorpecentes em indústrias
farmacêuticas e hospitais.
Voltando à nossa trilha, temos que nos socorrer dos preceitos do Código Civil
vigente e de outros dispositivos que tratam da formalização dos livros, para se en-
tender o que sejam os aspectos extrínsecos e intrínsecos que os livros devem conter.
São os chamados requisitos exigidos por lei, mencionados no art. 379, CPC. 13

13
CPC, ''.i\rt. 379. Os livros comerciais, que preencham os requisitos exigidos por lei, provam tam-
bém a favor do seu autor no litígio entre comerciantes."
Técnicas do Trabalh o Pericial Judi cial 61

São considerados aspectos extrínsecos aqueles relativos à formalização ex-


terior dos mesmos.
Devem ser encadernados com folhas numeradas mecânica ou tipografica-
mente, conter termos de abertura e de encerramento, ser autenticados ou regis-
trados no órgão competente e assinados pelo representante legal e por profissio-
nal contábil.
Essas exigências já eram tratadas pelo Código Comercial de 1850 14 (dispo-
sitivo revogado pelo Código Civil vigente) e vêm persistindo ao longo do tempo
com pequenas modificações de texto, porém, sem alterar de maneira substantiva
as formalidades legais extrínsecas.
O Código Civil vigente, em seu art. 1.181, dispõe para a sociedade empresá-
ria: "Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas,
antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas
Mercantis", e, a teor, do art. 1.150, no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, os
livros obrigatórios da sociedade simples e demais equiparadas.
São considerados requisitos intrínsecos aqueles relativos ao ordenamento do
conteúdo dos livros. Referidos aspectos foram também originariamente fixados
no Código Comercial de 1850, art. 12 15 e art. 14; 16 esses dispositivos foram revo-
gados pelo novo Código Civil vigente a partir de janeiro de 2003.
O Código Civil vigente disciplinou os requisitos intrínsecos nos arts. 1.183 e
1.184, verbis:
"Art. 1.183. A escrituração será feita em idioma e moeda corrente
nacionais, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos
em branco, nem entrelinhas, borrões, emendas ou transportes para as
margens.
Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e ca-
racterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou
reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa."
De qualquer modo, é oportuno observar a autorização contida no § 1 º, do
artigo retro, de que, no Diário, a escrituração poderá ser resumida em totais que
não ultrapassem 30 dias, desde que a sociedade adote livros auxiliares, devida-
mente autenticados, nos quais proceda aos registros individualizados, conservan-
do os respectivos documentos.

14
''Art. 13. Os dois livros sobreditos devem ser encadernados, numerados, selados e rubricados
em todas as suas folhas por um dos membros do Tribunal do Comércio respectivo, a quem couber
por distribuição, com termos de abertura e encerramento subscritos pelo secretário dos mesmos
Tribunais e assinados pelo presidente."
15
''Art. 12. No diário é o comerciante obrigado a lançar com individuação e clareza todas as suas
operações de comércio [ ...] ."
16
''Art. 14. A escrituração dos mesmos livros será feita em forma mercantil, e seguida pela ordem
cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, raspaduras
ou emendas."
62 Pe rícia Contábi l • Orn e la s

É óbvio que em época de plena informatização eletrônica causa estranheza,


como consta do art. 1.183, disciplinar-se intervalos em branco , entrelinhas, bor-
rões, emendas ou transportes para as margens, mesmo porque, nos sistemas de
contabilidade informatizados, nada disso acontece; todavia, não se pode esque-
cer que o Código Civil atinge a todos e podem existir determinadas organizações
nacionais que ainda realizam sua escrituração contábil na forma manual ou me-
canizada; é para essas sociedades que se destina tal disciplinamento.
Todos esses cuidados quanto aos livros são extremamente importantes, pois
sua regularidade formal, extrínseca e intrínseca, é condição essencial para me-
recerem fé em juízo e, consequentemente, passarem a ser fonte fidedigna a ser
utilizada pelo perito na solução das questões técnicas a ele submetidas.
Todas essas preocupações agora estão voltadas para a certificação digital, que
vem caminhando celeremente tanto na geração da informação contábil quanto
fiscal, o que vem impondo determinações específicas dos órgãos governamentais
e das entidades profissionais.
Dos livros examinados, o perito extrai os dados relativos ao número do li-
vro, quantidade de folhas ou páginas, o número do registro e respectiva data no
órgão competente e o movimento das operações nele registradas, indicando a
que período se referem. Tais apontamentos, formalizados em papel de trabalho
específico, servirão de suporte para a elaboração de anexo a ser juntado ao laudo
pericial contábil.
Pode o perito colher cópia reprográfica dos termos de abertura e de encerra-
mento dos livros compulsados mantendo-os sob sua guarda.
À medida que o perito é possuidor de fé pública, entende-se desnecessário
juntá-los ao laudo, salvo se houver requerimento expresso nesse sentido. A jun-
tada de anexo contendo os dados retroespecificados, do ponto de vista técnico,
é o suficiente.
Quando se fala em livros regularmente formalizados , é importante ter pre-
sente que tal afirmativa envolve questão mais ampla. Estamos nos referindo ao
suporte documental que embasa e comprova as transações neles escrituradas.
Nesse aspecto, não se pode olvidar a obrigação de guardar os documentos,
como já era exigido pelo Código Comercial de 185017
Embora revogado tal dispositivo, o Código Civil vigente manteve essa obriga-
ção. É o que dispõe o art. 1.194, verbis:

"O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar


em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis

17 ''.l\rt. 10. Todos os comerciantes são obrigados:


[ .... ... . ....... ... ]
III - A conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e papéis pertencentes ao
giro do seu comércio, enquanto não prescreverem as ações que lhes possam ser relativas ."
Té cni cas do Tra ba lho Per icial J ud icia l 63

concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou de-


cadência no tocante aos atos neles consignados."

Como esse dispositivo está inserido no Título IV - Institutos Complementa-


res, do Livro II - Do Direito de Empresa, é razoável aceitar que o dever contido
no artigo abrange, também, os demais tipos de sociedade previstos no Código
Civil vigente.
Costuma-se dizer que o papel, ou seja, os livros, atualmente os meios digitais,
sem meios de segurança eficazes, aceitam qualquer escrituração. Desse modo, a
perícia contábil não se satisfaz com o exame dos livros ou dos registros em meios
magnéticos; vai adiante, quer a documentação hábil que justifica e comprova a
própria escrituração.
Os documentos examinados são sempre no original. É imprudente e inse-
gura a realização de perícia contábil com a utilização de cópias reprográficas de
qualquer espécie. Essas podem não refletir fielmente os documentos originais;
consequentemente, todos os cuidados nessa questão são deveras importantes.
O perito desenvolve um pensar e uma ação sistêmica quando de seus exames.
Deve buscar conhecer o sistema contábil da entidade periciada em seus aspectos
relevantes, compulsando o livro de registro de códigos e abreviaturas.
Isso vale dizer conhecer a forma como são desenvolvidos os lançamentos
contábeis compulsando o plano de contas e manuais de procedimentos adotados,
controles internos, examinar a legitimidade dos documentos exibidos, enfim, de-
senvolver uma série de cuidadosas e meticulosas ações, tendo sempre, como ob-
jetivo central, buscar segurança naquilo que vê e examina.
Como já alertado no Capítulo 1, a escrituração contábil é indivisível; não é
permitido considerar apenas os fatos favoráveis a seu autor; há que considerar,
também, os contrários, em conjunto, como disposto no art. 380, CPC.
O perito não crê, ele vê. Seu olhar será sempre indagativo, buscando meca-
nismos que lhe tragam certeza técnica sobre a matéria pericial sob sua responsa-
bilidade.
Agora, vamos colocar uma situação na qual o perito pode deparar-se, qual
seja, a ausência de livros e respectivo suporte documental, ou, então, a existência
desses, porém, sem as formalidades legais anteriormente abordadas.
Configuradas essas situações, compete ao perito comunicar ao magistrado ou
ao Tribunal Arbitral que o nomeou tais constatações por meio de petição, reque-
rendo orientação de como prosseguir nos trabalhos periciais, oferecendo, desde
logo, eventuais procedimentos técnicos que entenda possam suprir as lacunas
observadas.
Se assim não o fizer, o laudo pericial contábil que vier a oferecer poderá ser
taxado de falso, já que não suportado em livros ou reportando-se a livros ou a
meios digitais não merecedores de fé.
64 Períc ia Contábi l • Orne las

É oportuno lembrar que livros ou meios digitais não possuidores das formali-
dades legais anteriormente mencionadas são considerados meros apontamentos,
sem qualquer força probante.
Superada essa fase de exame das formalidades legais dos livros e documen-
tos a serem compulsados, é chegado o momento de iniciar os exames técnicos
periciais planejados.
As verificações contábeis podem ser realizadas compulsando-se as fichas ou
os arquivos eletrônicos do razão daquelas contas em que foram registradas as
operações objeto da lide, fazendo-se, em seguida, o confronto com os respectivos
lançamentos escriturados no Livro Diário, bem como com o suporte documental.
A extensão dos exames envolverá sempre a totalidade das operações relacio-
nadas com a lide. Inadmissível a aplicação de exames por amostragem, como são
comumente aplicados em outras funções contábeis.
Como já exposto no item relativo à organização e planejamento do traba-
lho pericial, não existe a possibilidade técnica de executar-se exame-padrão no
desenvolvimento do trabalho pericial. Cada caso é, normalmente, único. Assim,
cada trabalho pericial vai exigir exames específicos para a solução das questões
técnicas submetidas à perícia.
Abre-se aqui apenas uma exceção, relativa ao desenvolvimento de perícias
contábeis na área da Justiça do Trabalho, quando da liquidação de sentença, mo-
dalidade de trabalho técnico qu~ pode ser padronizada mesmo porque envolve a
apuração de haveres, na quase totalidade, a favor de empregados. Esses haveres
são tratados por igual para todos na legislação trabalhista e fixados de forma
específica em sentença, diferenciados apenas em decorrência de determinados
direitos obtidos por acordos coletivos de trabalho de cada categoria sindical.
Os exames periciais devem ser reportados em papéis de trabalho de modo
que permitam a elaboração de anexos que vão suportar as respostas ou conclu-
sões técnicas.
Nas diligências, o perito faz, também, a colheita de documentos, em cópia
reprográfica, daqueles originais que examinou e que entende relevantes para
fundamentar seu laudo pericial contábil.
Cabe aqui, novamente, advertir ser desnecessário juntar ao laudo pericial
contábil todos os documentos examinados. Basta escolher, entre aqueles compul-
sados, exemplares que reflitam, com fidedignidade, todo o universo documental
relacionado com as questões técnicas em apreço.
Findos os exames e a colheita de documentos, dão-se por encerrados os tra-
balhos de campo.
Com todos os elementos fáticos disponíveis, parte o perito para uma nova
fase do trabalho pericial, qual seja, a de elaboração do laudo pericial contábil.
Té cnicas do Trabalho Pericial Judicial 65

TERMO DE CIÊNCIA DE INÍCIO DA PRODUÇÃO DA PROVA E DE


REQUERIMENTO DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS

PARA: (Nome das partes)


DE: (Nome do Perito) DATA:
FAX Nº: Nº PÁGINAS:
CIDADE: PAÍS: BRASIL

REF: Proc. nº - (tipo de ação) - ( .... Vara ....................... )


(Nome da parte) - Requerente/ Autora/Embargante
e
(Nome da parte) - Requerida/Ré/Embargada

Na qualidade de Perito Judicial nomeado nos autos em epígrafe, nos termos do


art. 431-A, CPC, comunico que a prova pericial .contábil deferida terá início no dia
.... ./ ... ../ ..... ,às ..... . horas, na Av./Rua ...... ...................... ... ...... .... .... ...... (endereço).
Peço a V. Sas., por ser necessário ao desenvolvimento da prova contábil deferida,
bem como para responder aos quesitos formulados pelo MM. Juízo e pelas Partes, sem
prejuízo de outras solicitações, que sejam colocados à disposição da perícia os seguin-
tes elementos:
1. Livros contábeis e fiscais do período de ............... .
2. Declarações de Rendimentos PJ relativas aos exercícios sociais de ............. .... .
3. Contrato Social e alterações posteriores.
4. Cópia do Razão Contábil das contas ..................... .
5. Outros documentos de interesse da lide, porventura, não especificados acima.
Peço a V. Sas. que os livros e documentos requeridos sejam colocados à disposição
da Perícia no dia ...... ./ ...... ./ ....... , ocasião em que serão iniciados os trabalhos periciais.
Outrossim, peço a V. Sas. comunicarem aos respectivos Assistentes Técnicos para, que-
rendo acompanhar a diligência que compareçam no dia e local acima mencionados.

Atenciosamente.

(nome do perito)
Perito Judicial

Modelo de Termo de Ciência de Início da Produção da Prova e de Requeri-


mento de Exibição de Livros e Documentos.
66 Pe rícia Contábil • Orne las

TERMO DE DILIGÊNCIA

REE : Processo nº
Ação : (tipo de ação)
Cartório : (nº da Vara)
Partes : (Nome da Requerente)
(Nome da Requerida)

No dia ..... de .................... de .......... , às ......... horas, na Av. (Rua) .. .... ... ............... ... ,
(dia e local comunicado, previamente, às partes, nos termos do art. 431-A, conforme
termo próprio), onde me encontrava no exercício da função de Perito Judicial nomea-
do nos autos do processo em referência, a fim de proceder às diligências e exames
imprescindíveis à solução da prova pericial contábil deferida, bem como para oferecer
resposta aos quesitos formulados, solicitei, ao Representante da .. .. .......... ......... , por
serem necessários ao desenvolvimento do trabalho pericial, a exibição imediata dos
livros e documentos abaixo:

a. Livros contábeis e fiscais do período de ................ .


b. Razão da conta nº ...................... e respectivo suporte documental.
d. Comprovantes das prestações pagas.
e. Outros documentos de interesse da lide.

Para os devidos fins, foi lavrado o presente Termo de Diligência, que, depois de
lido e aprovado, foi pelo Perito e pelo Sr.................................. ... , Representante do
diligenciado, assinado. Presente(s) o(s) Sr.(s) ........................ ........ , respectivamente,
assistente(s) técnico(s) da ......................... e da ........... ..... .............

Local e data

(nome do perito)
Perito Judicial

Diligenciado(a)

Modelo de Termo de Diligência.


1
!


'

QUESITOS

6.1 Questionário básico

Pode-se entender por questionário básico os quesitos formulados, seja pelo


magistrado, seja pelas partes, antes do início das diligências, isto é, antes do de-
senvolvimento da produção da prova pericial contábil e entrega da peça técnica.
São as perguntas de natureza técnica ou científica naturalmente relacionadas
aos pontos convertidos fixados pelo magistrado ou pelo Tribunal Arbitral, a se-
rem respondidas pelo perito. São, em geral, apreciadas pelo magistrado ou pelo
Tribunal Arbitral e pelas partes a fim de evitar indagações impertinentes, 1 fora
do âmbito da lide proposta e/ ou dos pontos controvertidos fixados, bem como
diligências desnecessárias ou procrastinatórias.2 Surgem, assim, duas categorias
de quesitos: os pertinentes e os impertinentes. Os primeiros têm por objetivo
esclarecer as questões patrimoniais vinculadas aos pontos controvertidos fixados,
ou seja, dentro do âmbito da lide proposta. Os impertinentes abordam, geral-
mente, aspectos não relacionados com o que se debate nos autos do processo,
portanto, alheios à controvérsia, ou então, são perguntas que buscam do perito
opinião fora de sua competência legal.

1
"Art. 426. Compete ao juiz:
I - indeferir quesitos impertinentes;"
2 ''.Art. 130. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessá-
rias à instrução do processo, indeferindo as diligências inúteis ou meramente protelatórias."
68 Perícia Con táb il • Ornelas

Aguiar, ao comentar o tema quesitos impertinentes não indeferidos, é enfá-


tico ao dizer que:

"Evidentemente, encontra-se o perito apto para afirmar, no mais das


vezes, se um quesito é manifestamente impertinente ou não. De outro
modo não se acha preparado para o exercício da função. Se tiver dúvi-
das, sobretudo nas perguntas cuja impertinência não seja manifesta,
nada impede se dirija ao magistrado, por petição nos autos ou ver-
balmente, para que este decida ou o oriente a respeito. Estas cautelas
não devem ser postergadas, pois uma má quesitação pode condenar
uma boa perícia e até mesmo abalar o conceito do perito." 3

Como veremos mais adiante, podem surgir algumas variações nessas cate-
gorias.
É de bom tom imaginar que os quesitos formulados pelas partes são ofereci-
dos perseguindo determinados objetivos, ou seja, ver produzida prova contábil
que dê guarida aos fatos por elas alegados.
Cada perícia contábil tem em comum determinados objetivos perseguidos,
todavia, não os quesitos formulados. Esses refletem o estilo e a estratégia de
quem os formula.
Isso vale dizer ser difícil o perito deparar com quesitos idênticos para proces-
sos semelhantes.
Podem-se, quando muito, encontrar alguns quesitos semelhantes em proces-
sos cujos conteúdos sejam também semelhantes, desde que patrocinados pelos
mesmos advogados.
Oferecer resposta correta e adequada aos quesitos formulados tem por pres-
suposto saber ler e entender o que está sendo indagado, tarefa essa nem sempre
tranquila, mormente, quando o texto da indagação seja dúbio ou permita mais
de uma interpretação técnica.
Cuidado especial deve ser dado a determinados quesitos cujo conteúdo en-
volva matéria de direito. Salvo naquilo que for necessário reportar para atender
à questão técnica proposta, o perito judicial deve eximir-se de oferecer resposta a
esse tipo de pergunta, mesmo porque fora de sua competência legal.
Fazendo um inventário até aqui, podemos ver algumas categorias de quesitos.
Na primeira categoria, enquadram-se aqueles pertinentes ao objeto da perí-
cia; na segunda, aqueles indeferidos pelo magistrado; em uma terceira categoria,
aqueles cujas indagações são dúbias ou que permitem mais de uma resposta téc-
nica; e, por último, aqueles que tratam de matéria jurídica.

3
AGUIAR, João Carlos Pestana de. Comentários ao Código de Processo Civil. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 1974. v. 4, p. 331.
Quesitos 69

Independentemente das categorias retroidentificadas, todos os quesitos for-


mulados deverão ser respondidos pelo perito; todavia, devem ser oferecidas res-
postas adequadas a cada uma dessas categorias. Vejamos.
Imaginemos algumas perguntas que podem ser formuladas e submetidas à
perícia.
Os quesitos que a seguir apresentamos são comumente oferecidos pelos ad-
vogados das partes, não necessariamente com o texto que se adota, mas com o
mesmo conteúdo. O texto, como já se viu, reflete a estratégia e o estilo de cada
advogado.

Quesito: Os livros contábeis e fiscais da Autora estão revestidos das


formalidades legais, extrínsecas e intrínsecas, de modo a
merecer fé em Juízo?
RESPOSTA: Sim. Os livros contábeis e fiscais compulsados pela perí-
cia, do período objeto da lide, foram aqueles especifica-
dos no anexo nº 1. Os mesmos contêm as formalidades
legais, extrínsecas e intrínsecas, sendo, portanto, mere-
cedores de fé em Juízo.

Trata-se, como se pode notar, de uma resposta afirmativa, obviamente, em-


basada nas verificações desenvolvidas pelo perito. Note-se, porém, um pormenor.
O quesito indagava sobre os livros sem especificar o período. Já a resposta
certifica positivamente os livros do período da lide. Isso é o que interessa à pe-
rícia, mesmo porque, se eventuais livros fora desse período não contiverem as
chamadas formalidades legais, não têm o condão de prejudicar a resposta. Poder-
-se-ia oferecer resposta negativa pelas razões óbvias, ou então uma resposta mis-
ta na situação de se ter parte dos livros devidamente formalizados e outros não.
Esse é, portanto, um exemplo de um quesito pertinente deferido pelo magis-
trado e respondido pelo perito.
Como o magistrado e as partes podem formular quesitos, é usual o peri-
to deparar-se com quesitos deferidos envolvendo as mesmas questões técnicas.
Entende-se que seja, sem prejuízo da produção da prova pericial, desnecessário
repetir a mesma resposta duas vezes. Oferece-se a resposta ao quesito primeira-
mente proposto, por exemplo da Autora, e, no quesito oferecido pela Ré, com o
mesmo conteúdo pode-se oferecer a seguinte resposta:

RESPOSTA: O presente quesito aborda o mesmo conteúdo do quesito


nº ....... , da série da Autora; por isso, a perícia pede vênia
para se reportar à resposta oferecida àquele quesito.

Alguns quesitos, embora pertinentes, poderão ter sua resposta prejudicada


em face das constatações da perícia. Vejamos um exemplo.
70 Perícia Contábil • Ornela s

Quesito: Qual o percentual de lucro admitido e praticado no mercado


de produtos químicos "cipados"?
RESPOSTA: Prejudicada a resposta ao presente quesito, eis que os
preços dos produtos objeto da lide, à época dos fatos,
não eram "cipados". A Requerente apenas encaminhava
ao Conselho Interministerial de Preços ( CIP) as listas com
os preços que iria praticar, como pode ser observado nos
does. nºs ............ .

Na categoria dos quesitos indeferidos, a resposta deve ser sempre a que a


seguir apresenta-se.

RESPOSTA: Prejudicada a resposta ao presente quesito, pois o mes-


mo foi indeferido pelo MM. Juízo, conforme despacho de
fls . ......... .
Já na categoria de quesitos dúbios ou que permitem mais de uma resposta,
a melhor técnica de resposta é oferecer conteúdo na forma condicional utili-
zando-se o "se". A utilização de texto na forma condicional evita que o perito
seja acusado de estar oferecendo resposta tendenciosa ou de estar prejulgando
a matéria objeto da lide sem prejuízo de buscar orientação junto ao magistrado.
Na verdade, essa categoria de quesitos denuncia, quase sempre, a sagacidade
do formulador, a qual é de ser respeitada; todavia, não deve o perito deixar-se
seduzir por ela.
Deve, sim, explorar ao máximo a resposta com seu conhecimento técnico am-
plo oferecendo ao magistrado todas as nuanças, envolvidas na questão proposta,
que sua inteligência e conhecimento permitirem. Ao magistrado compete decidir
por qual das vertentes passa a verdade dos fatos relativos à lide.
Agora vamos abordar a categoria dos quesitos que envolvem matéria de di-
reito utilizando de um hipotético quesito e respectiva resposta que pode servir de
paradigma em situações semelhantes.

Quesito: Face às respostas oferecidas aos quesitos anteriores, pede-


-se ao Sr. Perito e Assistentes Técnicos que informem se é ou
não procedente o auto de infração objeto da lide.
RESPOSTA: Prejudicada a resposta ao presente quesito, pois o inda-
gado envolve mérito, matéria de exclusiva competência
do MM. Juízo, fora, portanto, da função legal da Perícia
Contábil.
ou
A matéria fática observada pela perícia está disponível
nas respostas aos quesitos anteriores, o que permitirá ao
Quesitos 71

MM. Juízo decidir sobre a procedência ou não do auto de


infração objeto da lide.

Resposta inadvertida, positivando o indagado, dará azo à parte que pergun-


tou a respeito de capitalizar argumento a seu favor e à parte contrária de argu-
mentar que o perito prejulgou a ação exorbitando de sua competência.
À medida que os quesitos formulados refletem certa lógica sequencial, é pos-
sível deparar-se o perito com a necessidade de oferecer resposta prejudicando
determinado quesito em decorrência de resposta anterior também prejudicada.
Seria uma variante da última das categorias elencadas. Para solucionar essa pos-
sibilidade, poderá ser oferecida a seguinte resposta:

RESPOSTA: Prejudicada a resposta a esse quesito, face àquela ofere-


cida ao quesito nº .......... , desta série.
ou
Prejudicada a resposta pelos mesmos motivos indicados
na resposta ao quesito nº .......... , desta série.

Como regra geral, é recomendável, sempre que adequado, oferecer resposta


utilizando-se dos mesmos termos contidos no quesito oferecido.
Muito cuidado deve ser dispensado aos quesitos que são introduzidos com
texto do tipo "não é verdade que ... ". Esse texto introdutório vem carregado de
intenção subliminar de provocar uma assertiva positiva, a que nem sempre a ver-
dade dos fatos dá guarida. Portanto, uma resposta plenamente correta pressupõe
uma leitura competente dos quesitos formulados.
Como se viu, independentemente da categoria do quesito, sempre será neces-
sário oferecer resposta, mesmo que esta seja para dizer que não se vai responder.
Nenhum quesito poderá ficar sem resposta.
Inadmissíveis, por outro lado, respostas do tipo singelo "sim" ou "não".
Tanto as respostas positivas quanto as negativas serão sempre circunstancia-
das, ou seja, há que oferecer sempre as razões técnicas que as suportam.
É também recomendável não oferecer respostas por demais longas, sob pena
de o leitor perder-se em sua leitura. Os extremos, ou seja, respostas telegráficas
ou muito extensas devem ser olvidadas das práticas periciais contábeis. Texto
preciso e bem conciso é o recomendado.
O texto utilizado na elaboração do laudo, inclusive algumas técnicas de como
bem responder aos quesitos formulados, como é natural, refletem o estilo e o do-
mínio da língua pátria do profissional. Independentemente disso, o perito deve
sempre levar em consideração a quais leitores destina-se o laudo pericial contá-
bil, questão a ser abordada mais à frente.
72 Perícia Contábil • Ornelas

6.2 Quesitos suplementares

O questionário básico ou principal é sempre elaborado em função do que as


partes têm de conhecimento, por meio do que consta dos autos do processo.
Quando dos trabalhos de produção da prova pericial contábil, podem surgir
novos aspectos fáticos desconhecidos ou não tratados pelas partes quando formu-
laram seus quesitos. Assim, podem surgir aspectos relevantes relacionados com a
causa levada ao Judiciário de interesse para chegar-se à verdade dos fatos.
Nessa situação, é de relevância ímpar a presença dos assistentes técnicos in-
dicados pelas partes quando das diligências realizadas pelo perito.
Ciente e conhecedor de novos fatos que reputa relevantes, o assistente téc-
nico pode e deve solicitar ao advogado que o indicou a formulação de quesitos
suplementares, no sentido de trazer para os autos, mediante o laudo pericial con-
tábil, a nova realidade fática que observou antes do encerramento dos trabalhos
periciais e da entrega do laudo.
É desse modo que surge a possibilidade e a oportunidade de as partes ofere-
cerem os denominados quesitos suplementares previstos no CPC. 4
A possibilidade da apresentação depende, como se viu, da presença do assis-
tente técnico durante as diligências.
A oportunidade depende da presteza na formulação e oferta dos suplemen-
tares, pois, finda a diligência e entregue o laudo pericial contábil, ficam, por con-
sequência, prejudicadas, nessa fase processual, as respostas a eventuais quesitos
suplementares.

6.3 Pedido de esclarecimentos

Encerradas as diligências e entregue o laudo pericial contábil, eventuais dú-


vidas ou aspectos do laudo que vierem a sofrer críticas poderão ser superados
pelas partes, ou pelo próprio magistrado, mediante esclarecimentos oferecidos
pelo perito e pelo assistente técnico.
Preliminarmente, cabe um alerta.
Lamentavelmente, nem sempre os pareceres dos assistentes técnicos e as
petições das partes de apreciação do laudo oferecido pelo perito ficam na análise
técnica. Partem para ofensas pessoais, utilizando expressões injuriosas contra o
perito.
Em hipótese alguma, pode o perito calar, permanecer silente. Não pode per-
mitir seja ofendida sua dignidade.

4
"Art. 425. Poderão as partes apresentar, durante a diligência, quesitos suplementares. Da junta-
da dos quesitos aos autos dará o escrivão ciência à parte contrária."
Qu es itos 73

Na petição ou laudo de esclarecimentos, como ponto preliminar, deve reque-


rer ao magistrado, nos termos do art. 15, CPC, 5 sejam riscadas todas as palavras
e expressões injuriosas a sua pessoa.
O pedido de esclarecimentos é disciplinado pelo art. 435 do CPC, 6 o qual fica
adstrito ao conteúdo do laudo contábil oferecido.
Entende-se não se poder, sob a forma de pedido de esclarecimentos, preten-
der abordar questões contábeis não suscitadas ou alheias ao âmbito da prova
técnica deferida e contida no laudo contábil, mesmo porque esclarecer quer dizer
aclarar determinados pontos do laudo que eventualmente não tenham sido tra-
tados de forma tecnicamente completa ou adequada. Como é óbvio, se suscitada,
no pedido, matéria contábil nova, não se pode falar em esclarecimentos.
Nesse caso, antes de oferecer seus esclarecimentos, é recomendável que o pe-
rito, mediante petição, submeta a questão ao magistrado, o qual poderá indeferir
a pretensão da parte ou determinar a realização de perícia complementar, o que
ensejará, consequentemente, honorários periciais complementares.
A prática forense vem demonstrando que a forma tradicional do pedido de
esclarecimentos em audiência vem mudando, ·vem sendo antecipada. Vejamos.
Recebidas as críticas ou comentários técnicos dos assistentes técnicos ou das
próprias partes que suscitem dúvidas muito fortes quanto à consistência do con-
teúdo do laudo contábil oferecido, os magistrados, com muita sabedoria, vêm
determinando por despacho que o perito responda, esclarecendo a procedência
ou não das críticas ou comentários oferecidos antes mesmo da realização da
audiência.
Tal antecipação de oferta de esclarecimentos está a nosso ver suportada numa
interpretação mais ampla do próprio art. 435, combinada com o art. 437, CPC,7
evitando-se, desse modo, tanto quanto possível, a realização de nova perícia.
É de ter-se presente que as críticas ou comentários oferecidos possuem gra-
dações que só podem ser aquilatadas ouvindo-se o perito. ~
Nos Tribunais Arbitrais vem se configurando prática corrente a convocação
do perito e dos assistentes para de viva voz responderam às dúvidas dos árbitros
e às críticas das partes e aos esclarecimentos requeridos e deferidos.

5
CPC, ''.Art. 15. É defeso às partes e seus advogados empregar expressões injuriosas nos escritos
apresentados no processo, cabendo ao juiz, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar
riscá-las."
6
''.Art. 435. A parte que desejar esclarecimento do perito e do assistente técnico, requererá ao juiz
que mande intimá-lo a comparecer à audiência, formulando desde logo as perguntas, sob a forma
de quesitos."
7
''.Art. 437. O juiz poderá determinar, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de nova
perícia, quando a matéria não lhe parecer suficientemente esclarecida."
74 Períc ia Contábil • Orn elas

Podem ser críticas ou comentários envolvendo equívocos contidos no laudo


contábil originários de erros involuntários, sanáveis se ouvido o perito. É possí-
vel, por outro lado, que sejam questões de fundo capazes de alterar, significativa-
mente, o entendimento da matéria fática.
Em qualquer hipótese, é sempre prudente conhecer os esclarecimentos que
o perito possa oferecer para somente depois o magistrado decidir acerca da per-
tinência de nova perícia, obviamente a ser produzida por outro perito; todavia,
é de bom alvitre lembrar que, a teor do parágrafo únicoª do art. 439, CPC, a
segunda perícia não substitui a já realizada.
Um bom indicador que serve para aquilatar a qualidade do laudo contábil
oferecido, e, por consequência, a competência técnica e a lisura do profissional
contábil, é dado pelos pedidos de esclarecimentos que provoca.
Deve, por outro lado, ser observado aqui que os pedidos de esclarecimentos
oriundos de críticas infundadas são geralmente requeridos pela parte com o ob-
jetivo de tentar destruir o laudo contábil que lhe é desfavorável, na tentativa de
sensibilizar os sentidos do magistrado para uma nova perícia.

6.4 Uso da linguagem técnico-contábil

Questão essencial para o entendimento do conteúdo do laudo contábil é


aquela relativa ao uso da linguagem técnico-contábil.
O perito desenvolve seus trabalhos periciais tendo presentes as questões pa-
trimoniais a ele submetidas e, consequentemente, terá sempre que considerar o
universo da ciência contábil.
Isso não quer dizer que deva usar e abusar de termos técnicos.
Se pretende ser entendido por seus leitores, no caso o magistrado ou o Tri-
bunal Arbitral e os advogados das partes, deve buscar o uso de palavras que, sem
perder o significado contábil, sejam inteligíveis a eles.
Essas pessoas não têm qualquer obrigação funcional de dominar o signifi-
cado das palavras técnico-contábeis. Têm sim a necessidade de entender o con-
teúdo da prova técnica produzida pelo perito consubstanciada no laudo pericial
contábil.
Nesse sentido, compete ao perito, na qualidade de emissor, produzir peça téc-
nica com texto límpido, claro e preciso, e, sempre que possível, utilizar linguagem
de senso comum e, em sua impossibilidade, argumentar com termos técnicos,
definindo-os cientificamente no próprio corpo do texto ou em apartado.

8
'fut. 439. Parágrafo único. A segunda perícia não substitui a primeira, cabendo ao juiz apreciar
livremente o valor de uma e outra."
Quesitos 75

Em hipótese alguma devem ser usadas palavras de sentido dúbio ou impreci-


so. O texto oferecido deve ser construído com palavras que permitam, exclusiva-
mente, uma leitura de significado único.
Utilizando palavras que possam ser interpretadas maliciosa ou maldosamen-
te pelos receptores, estará o perito abrindo flanco para críticas ou comentários
destrutivos do próprio trabalho oferecido.
Palavras do tipo "acho" ou "talvez" são impróprias e de forma alguma podem
constar do texto pericial. Inadmissíveis convicções pessoais ou dúvidas.
O perito, no desenvolvimento do texto, não crê, relata simplesmente o que
viu, o que constatou, o que concluiu tecnicamente. Portanto, transmite, via texto
escrito, positiva ou negativamente, os fatos patrimoniais relativos ao objeto da
lide. Isso quer dizer que o texto não pode conter dúvidas ou incertezas. Se o
perito as tiver quanto a determinadas questões, deve dá-las por prejudicadas em
virtude de falta de elementos conclusivos.
Por todo o exposto, do perito, exige-se uma peça contábil clara e objetiva que
tenha o condão de servir como prova técnica, que seja merecedora de fé em juízo.
7

RELATÓRIOS PERICIAIS
CONTÁBEIS: LAUDO E PARECER

7 .1 Relatórios periciais

Podem ser considerados relatórios periciais contábeis tanto o laudo quanto


o parecer.
O laudo pericial contábil é peça técnica da lavra do perito nomeado. Pode ser
elaborado em cumprimento à determinação judicial, arbitral, ou ainda por força
de contratação. No primeiro caso, surge o laudo pericial contábil judicial. Nos de-
mais, surge o laudo pericial contábil extrajudicial, um por solicitação de Tribunal
Arbitral, outro em decorrência de contrato.
O parecer pericial contábil é trabalho técnico da lavra de perito indicado ou
contratado. É elaborado por determinação judicial ou em função de contrato.
Para o primeiro caso será denominado parecer pericial contábil judicial; no
segundo caso, será um parecer pericial contábil extrajudicial. -

7 .2 Laudo pericial contábil


7.2.1 Aspectos gerais

Terminadas as operações de averiguação e coleta das informações, dos do-


cumentos necessários, é chegado o momento de elaboração do laudo pericial
contábil.
Re lató rios Perici a is Contá beis : Laudo e Pa recer 77

O laudo pericial contábil pode ser entendido sob dois aspectos:

a) é a materialização do trabalho pericial desenvolvido pelo perito; e


b) é a própria prova pericial.

Enquanto materialização do trabalho pericial, é bom lembrar o que dizia o


saudoso mestre Santos sobre o laudo: "consiste na fiel exposição das opera-
ções e ocorrências da diligência, com o parecer fundamentado sobre a ma-
téria que lhes foi submetida." 1

Como trabalho técnico juntado aos autos do processo, o laudo pericial con-
tábil é a própria prova pericial sobre a qual as partes irão oferecer seus comentá-
rios, aceitando-o, criticando-o.
Por outro lado, enquanto prova técnica, servirá, apesar de não exclusivamen-
te, para suprir as insuficiências do magistrado ou dos membros do tribunal arbi-
tral no que se refere a conhecimentos técnicos ou científicos, propiciando certeza
jurídica quanto à matéria fática.
O laudo pericial contábil deve obedecer a certos requisitos, "extrínsecos uns,
intrínsecos outros." 2
Como requisitos extrínsecos, deve o laudo pericial contábil ser lavrado na
forma escrita e assinado pelo perito, por ser peça formal que se junta aos autos.
No Direito brasileiro, não se prevê outra forma que não a escrita. 3
Será subscrito pelo perito garantindo sua proveniência,4 além de ser rubrica-
do, evitando-se qualquer possibilidade de substituição de folhas.
O laudo pericial contábil deve possuir algumas determinadas qualidades in-
trínsecas, tais como: ser completo, claro, circunscrito ao objeto da perícia e fun-
damentado. 5
O conteúdo do laudo pericial contábil, independentemente da quantidade de
capítulos em que for organizado, deve possibilitar a apreensão de duas grandes
partes: uma expositiva, outra conclusiva, ou melhor, relatório e parecer.
Nessa primeira parte, ou seja, o relatório, o perito relata e informa tudo o
que ocorreu no trabalho de campo, o objeto da perícia, o desenvolvimento do
trabalho pericial, enquanto a segunda parte será a das conclusões a que chegou
o perito, ou seja, seu parecer técnico.

1
SANTOS, Moacyr Amaral. Prova judiciária no cível e comercial. São Paulo: Max Limonad, 1949.
V. 5, p. 294.
2
Op. cit. p. 299.
3
''.l\n. 156. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso do vernáculo."
4
Op. cit. p. 300.
Op. cit. p. 300.
78 Perícia Cont áb il • Orn elas

Esses são os aspectos de fundo que devem nortear o profissional quando da


elaboração de seu trabalho técnico e que serão mais aprofundados nos tópicos
seguintes deste capítulo.

7.2.2 Organização e desenvolvimento do conteúdo

Organizar e desenvolver o conteúdo do laudo pericial contábil de forma ló-


gica e tecnicamente correta obriga o perito a pensar criativamente como oferecer
uma peça técnica inteligível para seus leitores, com qualidades técnicas impecá-
veis, que permitam, por meio de sua leitura, entender os contornos do processo,
os fatos controvertidos que ensejaram o próprio pedido ou determinação da pro-
va técnica, bem assim a certificação positiva ou negativa desses mesmos fatos.
O perito inicia o laudo com um primeiro tópico, que pode denominar-se Con-
siderações Preliminares. É a parte introdutória da peça técnica pericial, ou seja,
a parte relativa ao relatório pericial.
Esta parte pode ser dividida em alguns subtópicos.
No primeiro subtópico, o perito descreve, sucintamente, o pedido formulado
pelo proponente da ação constante da Inicial. Em seguida, oferece, de forma
breve, os fatos relatados e sua contestação, aspectos fundamentais para a identi-
ficação da controvérsia levada a Juízo ou Tribunal Arbitral e, consequentemente,
traz à luz os contornos e limites ~o trabalho pericial.
Aqui se vê a necessidade e a relevância da leitura atenta dos autos do processo.
Um segundo subtópico a ser oferecido é o que relata as diligências realizadas
pelo perito. É a ocasião de se informar os principais momentos de como foi de-
senvolvido o trabalho de campo, referenciando, inclusive, o termo de ciência às
partes da data e local de início da prova e o termo de diligência, prova essencial
de que o perito realizou a diligência e que requereu a exibição de determinados
livros e documentos. É também pertinente inserir aqui eventuais ocorrências que,
porventura, tenham sucedido.
O tópico seguinte vai abordar, de forma breve, os principais procedimentos
técnicos adotados pelo perito, bem como os exames efetuados, no sentido de solu-
cionar, de maneira competente, as questões técnicas submetidas a sua apreciação.
Por último, é importante colocar alguns limites quanto à responsabilidade
do perito no desenvolvimento de seu trabalho técnico, referenciando, no que se
refere a esse aspecto, os dispositivos das Normas Técnicas de Perícia Contábil e
Funcionais do Perito que abordam essa(s) questão(ões).
Posto isso, é o momento do perito entrar na questão técnica que pode ser
desenvolvida, primeiramente, discorrendo sobre a matéria fática examinando vis
a vis os pontos controvertidos e, em seguida por meio das respostas aos quesitos
Rela tór ios Pe riciais Contá bei s: La ud o e Parecer 79

oferecidos. Na ausência de quesitos, terá o profissional que organizá-la de forma


criativa e tecnicamente competente em função dos pontos controvertidos.
Para a ausência de quesitos não há uma forma acabada para a organização
e elaboração do laudo contábil; por isso, no tópico Alguns tipos de laudo, mais
adiante, abordaremos algumas formas de como ordenar o conteúdo técnico, nes-
sa circunstância.
Quando as questões técnicas objeto da lide são desenvolvidas mediante per-
guntas formuladas pelo magistrado, pelas partes, por uma das partes apenas, ou
pelo tribunal arbitral, o perito observará algumas regras básicas.
Na vertente judicial, por uma questão hierárquica, são oferecidas, prelimi-
narmente, as respostas aos quesitos formulados pelo magistrado; em seguida, as
respostas aos quesitos oferecidos pelas partes, pela ordem de juntada das mesmas
aos autos do processo. Na vertente extrajudicial, pela forma determinada pelo
tribunal arbitral ou pela ordem formulada por quem contratou.
Uma segunda ordem deve ser respeitada. Não pode o perito responder de
forma aleatória, por exemplo, aos quesitos 2 e 4, e, depois, retornar ao quesito
1. Deve oferecer resposta obedecendo, rigorosamente, à ordem em que foram
formulados, ou seja, do quesito 1 até o último.
O perito deve ter presente que as perguntas formuladas pelo magistrado e
aquelas formalizadas pelos advogados das partes, ou pelo tribunal arbitral, são,
em geral, ordenadas, atendendo a determinada lógica que reflete a estratégia da
busca da verdade dos fatos por parte do magistrado e das partes, ou dos mem-
bros do tribunal arbitral; é a busca de elementos fáticos com os quais se pretende
corroborar a matéria fática objeto da lide.
Portanto, a oferta das respostas aos quesitos formulados guardará a ordem de
juntada aos autos do processo judicial ou arbitral, ou seja, responde-se aos que-
sitos juntados primeiramente e em seguida aos demais, e, ainda dentro de cada
série de quesitos, as respostas deverão respeitar a ordem cronológica de quem os
formulou.
Quanto à boa técnica a ser adotada pelo perito, quando das respostas aos
quesitos formulados, já foi mencionada no Capítulo 6, inclusive, acerca dos as-
pectos de como proceder quando se depara com quesitos indeferidos ou fora de
sua área de competência legal.
Seguindo na construção do laudo pericial contábil, após a oferta das respos-
tas aos quesitos ou da abordagem da questão técnica, o trabalho prossegue com
as conclusões técnicas, ou seja, o parecer, que se pode denominar de Considera-
ções Finais.
Nessa parte do laudo pericial contábil, o perito expõe, sinteticamente, os fa-
tos observados, suas conclusões e, eventualmente, oferece comentários técnicos
80 Perícia Contá bil • Orn elas

de questões surgidas no decorrer do trabalho pericial relacionadas com o objeto


da perícia e dentro de seus limites que não tenham sido objeto de quesitos.
Partindo-se de que a tarefa fundamental do perito é a busca da verdade dos
fatos relacionados com a lide, pode acontecer que, ao se debruçar sobre o tema
técnico proposto, venham à luz questões sobre as quais as partes não tiveram
interesse de perguntar, quem sabe, talvez por lhes serem prejudiciais.
Como enfrentar, então, essa situação nem sempre tranquila entre os peritos?
Na vertente judicial, a questão pode ser resolvida fazendo-se uma leitura
atenta do art. 145 do CPC. 6
Esse comando legal é amplo, não havendo nenhum indicativo de que a prova
pericial contábil deva ficar adstrita a eventuais quesitos formulados como alguns
propugnam. Se assim fosse, não havendo quesitos, a prova pericial estaria em
tese prejudicada, o que os fatos periciais desmentem, pois há diversas situações
processuais em que basta apenas um comando do magistrado para a realização
da prova pericial, como é o caso, por exemplo, de apuração de haveres, na qual o
trabalho pericial desenvolve-se sem a necessidade de quesitos.
Assim, assistir competentemente o magistrado significa trazer para o laudo
pericial contábil toda a amplitude da questão técnica; porém, sempre nos limites
do objeto da lide proposta, isso vale dizer que fatos alheios devem ser olvidados,
mesmo porque, se observados pela perícia, são inúteis, à medida que o magistra-
do ou o Tribunal Arbitral decidem a lide nos limites em que foi proposta. 7
Por outro lado, oferecer laudo contemplando de forma ampla a questão téc-
nica submetida a sua apreciação independentemente de haver quesitos ou não, é
dever de ofício do perito, já que nomeado para assistir o magistrado em matéria
técnica; não o fazendo, estará criando obstáculos e passando silente por cima
de eventuais simulações processuais, não trazendo elementos para os autos que
permitam ao magistrado cumprir o disposto no art. 129, CPC. 8
Na vertente extrajudicial, a questão será enfrentada em função das diretri-
zes traçadas pelo tribunal arbitral ou na forma de como o trabalho pericial foi
ajustado.
Finalmente, é praxe constar do laudo pericial contábil um capítulo denomi-
nado Encerramento, no qual o perito dá por terminado o trabalho, inventariando

6
''A.rt. 145. Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico, o juiz será
assistido por perito, segundo o disposto no art. 421."
7
''A.rt. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendo-lhe defeso conhecer de
questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte."
8
''A.rt. 129. Convencendo-se, pelas circunstâncias da causa, de que autor e réu se serviram do
processo para praticar ato simulado ou conseguir fim proibido por lei, o juiz proferirá sentença que
obste aos objetivos das partes."
Re latórios Pericia is Contá beis : La udo e Parece r 81

o número de folhas em que o laudo pericial contábil está composto, a quantidade


de anexos e documentos juntados, datando-o e assinando-o. As demais folhas,
anexos e documentos são rubricados pelo perito. Dessa forma, fica garantida a
proveniência do trabalho pericial e a inerente responsabilidade.
É importante salientar que o perito pode instruir o laudo pericial contábil
com peças que entender relevantes ao bom fundamento de seu trabalho. Na fun-
ção judicial, o CPC garante tal procedimento. 9
Naturalmente, a juntada de anexos e documentos, o mais usual na perícia
contábil, deve fazer-se de forma parcimoniosa, nunca no sentido de inchar o
laudo pericial contábil; a juntada de um documento compulsado ou a elaboração
de anexo justifica-se quando for suporte importante a determinada resposta ou
conclusão, sempre no sentido de oferecer fundamentação técnica.
Inútil e desnecessária, como já se viu, a juntada de centenas de documentos
para ilustrar determinado fato, quando a questão poderia ser resolvida adequa-
damente com a inclusão de apenas alguns exemplares. Primeiro, porque o perito
tem fé pública; segundo, porque o excesso de juntada, em especial de documen-
tos, estará transformando, em nosso entender ~écnico, a prova pericial em prova
documental, outro tipo de prova que prescinde da presença do perito.
Ainda com referência a essa questão, é necessário distinguir anexo de docu-
mento.
Costuma-se denominar de anexo as demonstrações elaboradas pelo perito,
frequentemente, planilhas eletrônicas, para ilustrar determinadas respostas ou
para evidenciar cálculos e apuração de valores. E de documento o material co-
lhido pelo perito, em cópia reprográfica, dos originais compulsados quando do
trabalho de campo.
Em síntese, a clareza do laudo pericial contábil é vital. Delimitados os contor-
nos da perícia, deles não poderá afastar-se o perito.
Dele, perito, espera-se que, dados os limites, cumpra sua função, sendo-lhe
vedado procurar conduzir ou orientar a fase de instrução da lide. Assim é que
o laudo pericial contábil será "circunscrito ao objeto da perícia". 1° Contudo,
esses limites não podem ser entendidos como desculpa para o não cumprimento
das obrigações do perito de apreciar todos os fatos necessários a bem resolver a
questão técnica sob sua responsabilidade funcional.
Por derradeiro, a condição de que o laudo pericial contábil deva ser funda-
mentado é evidente. Se o laudo é o repositório de tudo o que foi observado pelo
perito, bem como de seu parecer, deve o mesmo ter o poder de convencimento
que emana das razões técnicas de que se vale para expender suas conclusões.

9
Art. 429, já citado.
10
Op. cit. p. 303.
82 Perícia Contábil • Ornelas

7.2.3 Estética

A estética do laudo pericial contábil envolve dois aspectos a serem conside-


rados pelo perito.
O primeiro deles deve ter sempre presente que seu trabalho não será apre-
ciado apenas pelo que nele consta, mas também pela forma gráfica que adotou;
deve ser um trabalho bonito de ver, atrativo para seus leitores.
O segundo deles refere-se a que o perito deve oferecer o laudo pericial con-
tábil de forma a possibilitar uma leitura fácil e, nesse sentido, é necessário levar
alguns aspectos gráficos em conta. Afinal, o laudo pericial contábil é a materiali-
zação de todo o esforço técnico desenvolvido pelo perito; portanto, o perito deve
valorizá-lo, oferecendo-o de forma bem apresentada. Não basta apresentar conteú-
do correto e fidedigno; é importante cuidar de sua apresentação para, inclusive,
valorizar o próprio conteúdo.
O textó deve ser disposto considerando uma margem esquerda de no mínimo
3 centímetros e de 1,5 centímetro de margem direita e margens superiores e in-
feriores de 2,5 centímetros cada uma. Especial atenção para a margem esquerda,
pois o laudo pericial contábil, quando juntado aos autos, sem essa margem, sem
espaço conveniente, tem sua leitura prejudicada, já que parte do texto ficará
encoberta.
Quando o laudo pericial contábil for construído por meio de perguntas e
respostas, é pertinente transcrever o quesito e sua resposta em folha específica,
apresentando, em destaque, nesta, a pergunta e por sua vez a resposta oferecida.
Alguns poderão imaginar inadvertidamente que tal procedimento tem o con-
dão de aumentar o tamanho do laudo, mas, em absoluto, não se trata disso.
O fato de oferecer-se uma pergunta e a resposta em folhas individuadas per-
mite um melhor ordenamento do próprio ato de ler, já que o gesto de passar-se
de uma folha para outra, que se dá numa fração de segundos, possibilita ao leitor
assimilar o conteúdo lido e libertá-lo para o próximo texto que vem a seguir.
Ainda para facilitar o ato de ler, o texto deve ser datilografado ou digitado em
espaço um e meio. Referido espaço permite a leitura na horizontal, enquanto o
texto com linhas muito juntas umas das outras provoca, às vezes, leitura na forma
oblíqua, obrigando o leitor a retornar ao início do texto.
O tamanho da letra utilizada no texto é outro aspecto a ser considerado den-
tro das preocupações com o leitor. É recomendado para o texto normal o tama-
nho 12, enquanto, para os títulos de cada capítulo, o tamanho 14.
Todas as recomendações retrossugeridas têm um denominador comum. São
todas voltadas para permitir uma boa estética do trabalho pericial, transforman-
do o ato de ler num momento agradável.
Re lató rios Pe ricia is Co ntábe is : La ud o e Parece r 83

7.2.4 Alguns tipos de laudo

Diversas modalidades de perícia contábil demandam laudos diferenciados.


A prova pericial contábil mais usual é aquela requerida e deferida na fase de
instrução do processo, nos termos do art. 420, CPC,11 que se materializa através
do exame técnico de questões contábeis controvertidas tratadas por meio de per-
guntas formuladas pelo magistrado e pelas partes e atendidas mediante respostas
oferecidas pelo perito, tudo materializado em laudo pericial contábil.
Resumindo esse tipo de laudo pericial contábil, já apresentado e comentado
anteriormente, temos que seu conteúdo pode ser ordenado assim:

1. Das considerações preliminares


a. Aspectos gerais dos autos
b. Diligências
c. Procedimentos técnicos adotados
d. Responsabilidade profissional
2. Da matéria fática e dos quesitos
2,. 1 Da matéria fática e os pontos controvertidos
2.2 Dos quesitos
a. Do magistrado
b. Do autor
c. Do réu
3. Das considerações finais
4. Do encerramento
Anexos
Documentos

As modalidades de perícia contábil que comportam laudo organizado na for-


ma acima são: os exames, as vistorias, as indagações e as investigações. São
modalidades de perícia contábil normalmente construídas mediante perguntas e
respostas.
As modalidades arbitramento e avaliação requerem laudos diferenciados
quanto a seu conteúdo.
Desenvolver uma perícia contábil de arbitramento requer a construção de
tópicos muito específicos.

11 ''Art. 420 . A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação."


84 Pe ríc ia Co ntáb il • Orne!as

Preliminarmente, cabe relembrar que esta modalidade de perícia contábil


surge para liquidar sentença exarada, que, por sua natureza ou por dificuldades
da parte perdedora, obriga o magistrado a assim decidir. Portanto, é perícia con-
tábil que surge na fase de liquidação de sentença, de modo que já há condenação;
porém, falta apenas apurar o valor respectivo.
Após as Considerações preliminares, nos moldes oferecidos no tópico ante-
rior, é necessário desenvolver tópico que pode ser denominado Do arbitramento,
destacando as premissas e os critérios adotados, os cálculos e a fixação ou estima-
ção dos valores arbitrados.
Assim, nos subtópicos Premissas e Critérios adotados, o perito levanta,
descreve e justifica as premissas e critérios por ele adotados para o arbitramen-
to. Eleger determinadas premissas e critérios requer discernimento acurado da
origem dos valores a serem fixados. Para tanto, exige do perito leitura atenta de
tudo o que consta dos autos, com atenção especial para o conteúdo da sentença
exarada pelo magistrado e do V. Acórdão, se houver.
Em seguida, no subtópico Dos cálculos, é necessário evidenciar os cálculos
desenvolvidos po arbitramento, correlacionado-os com as premissas e critérios
assumidos pelo perito.
E, como resultante de todo o procedimento, apresenta a fixação ou estimação
dos valores arbitrados, por juízo técnico.
Como de praxe, é também oferecido tópico Do encerramento, seguido dos
anexos e documentos, se houver.
Resumindo esse tipo de laudo, podemos ter a seguinte organização de seu
conteúdo, a saber:

1. Das considerações preliminares


a. Dos aspectos gerais dos autos
b. Das diligências
c. Dos procedimentos técnicos adotados
d. Da responsabilidade profissional
2. Do Arbitramento
a. Das premissas adotadas
b. Dos critérios adotados
c. Da demonstração dos cálculos
d. Da fixação dos valores arbitrados
3. Do Encerramento
Anexos
Documentos
Re la tórios Pe ricia is Co ntá be is: La ud o e Pa rece r 85

Para suportar a espécie pericial de avaliação, em particular de apuração de


haveres, necessário se faz desenvolver um tipo de laudo que se adapte à natureza
da matéria pericial.
Persiste a necessidade do tópico Considerações preliminares, como descrito
no primeiro tipo de laudo.
Na sequência, é necessário abrir tópico que contemple todas as etapas técni-
cas da apuração de haveres.
O primeiro momento é o da verificação da existência ou não das demons-
trações contábeis especiais. O falecimento de sócio componente de sociedade
limitada ou dissidência societária nesse mesmo tipo de sociedade obriga os sócios
remanescentes a preparar demonstrações contábeis especiais na data do evento.
Nem sempre, porém, tal procedimento é efetuado, o que, em sua ausência, leva
o perito a proceder a sua preparação.
Se existirem as demonstrações contábeis especiais, o primeiro procedimento
do perito é averiguar se as mesmas refletem adequadamente a realidade patri-
monial da sociedade avalianda, dando consistência aos saldos das contas, o que
poderá ensejar determinados ajustes técnicos ~m decorrência de erros ou de au-
sência de escrituração de algumas operações.
Cuidado especial deve ter o perito no sentido de evidenciar eventuais desvios
patrimoniais perpetrados pelos sócios remanescentes. Para tanto, é importante
desenvolver exame técnico comparativo com as demonstrações contábeis ante-
riores às especiais, cotejando os níveis de receitas, das despesas, o movimento das
contas de ativo permanente, de financiamentos bancários e de.mais obrigações
societárias.
Garantida a consistência dos valores patrimoniais, é o momento de partir
para os procedimentos avaliatórios propriamente ditos.
É necessário reconhecer os ganhos e perdas dos itens monetários constantes
do ativo e passivo, por intermédio de indexador monetário aceito pelo Poder
Judiciário.
Se houver estoques de produtos ou mercadorias, será necessário reconhecer
eventuais ganhos monetários de estocagem.
É premente desenvolver procedimento avaliatório do grupo de ativo perma-
nente, em especial dos subgrupos de investimentos e de imobilizado.
Para os investimentos, é necessário constatar quais os tipos de investimentos
e desenvolver procedimentos avaliatórios próprios para cada um deles, consi-
derando, em seguida, os respectivos efeitos no patrimônio líquido da sociedade
avalianda.
Para o imobilizado, se existirem imóveis e instalações industriais ou comer-
ciais, será necessário desenvolver avaliação imobiliária por profissional engenhei-
ro nomeado pelo magistrado ou contratado pelo perito com a anuência daquele.
86 Perícia Co ntá bil • Orn elas

Para os demais itens desse subgrupo patrimonial, se não houver possibilidade


avaliatória, ou no caso de pouca expressão monetária, costuma-se adotar os va-
lores contábeis líquidos de depreciação. Posto, isso, apuram-se os efeitos mone-
tários desse processo avaliatório no patrimônio líquido da sociedade avalianda.
Na sequência, é necessário desenvolver procedimentos quanto à constatação
de eventuais contingências trabalhistas, fiscais ou de outra natureza.
Por fim, é pertinente desenvolver estudos técnicos quanto a se constatar a
existência ou não do denominado goodwill, ou aviamento.
As diversas questões técnico-científicas que são suscitadas quanto ao tema
goodwill ou aviamento não serão, aqui, objeto de análise. Alerta-se apenas tra-
tar-se da apuração de um ativo intangível, que, se constatado pela perícia contá-
bil, deve integrar o patrimônio líquido avaliando.
Constatados ganhos de capital originários especialmente da reavaliação do
ativo permanente, é necessário proceder ao cálculo das provisões tributárias in-
cidentes sobre tais ganhos.
Efetuados todos os ajustes originários do processo avaliatório, é chegado o
momento da perícia contábil construir o balanço de determinação, ou balanço
especial, como consta do Código Civil vigente - art. 1.031, da sociedade avalian-
da, evidenciando-se, assim, o patrimônio líquido a valores de mercado, o que
permitirá calcular-se o valor unitário de uma quota e, seguidamente, obter-se o
valor da participação do sócio falecido ou do dissidente.
Os haveres serão então constituídos do valor apurado para as quotas de capi-
tal avaliandas adicionado de eventuais valores a receber a título de empréstimos
concedidos ou de pró-labore a receber não liquidados até a data do evento, ou,
ainda, subtraídos de valores que porventura tenham sido emprestados pela socie-
dade ao sócio e não devolvidos até a data do evento.
Trata-se de trabalho técnico-pericial altamente complexo,12 pois, muito em-
bora se desenvolva sem ser necessária a oferta de quesitos, tem, em seu cerne,
uma grande pergunta, qual seja, a de se obter resposta consistente para o valor
real da sociedade avalianda.
É possível o perito deparar-se com quesitos em processo judicial que envolva
dissidência societária. Inobstante tal fato, deve o profissional considerar o roteiro
técnico sugerido acrescido das respostas aos quesitos formulados pelas partes.
Resumindo esse tipo de laudo, 13 temos que seu conteúdo pode ser assim
ordenado:

12
Para uma percepção da complexidade do tema, recomenda-se a leitura da obra A va liação de
sociedades: apuração de haveres em processos judiciais, Capítulo 7 - Goodwill em apuração de ha-
veres, Editora Atlas .
13
No apêndice do livro citado na nota anterior, consta um roteiro e modelo de laudo pericial
contábil de apuração de haveres.

Re la tó rios Pe ricia is Contá be is : La udo e Pa recer 87

1. Das considerações preliminares


a. Dos aspectos gerais dos autos
b. Das diligências
c. Da responsabilidade profissional
2. Da apuração de haveres
a. Das demonstrações contábeis especiais
b. Dos ajustes contábeis
c. Dos critérios e procedimentos avaliatórios
d. Dos ajustes avaliatórios
e. Do balanço de determinação
f. Dos haveres apurados
3. Do encerramento
Anexos
Documentos

Os modelos de laudo retroapresentados e comentados refletem as práticas


mais usuais observadas no desenvolvimento da perícia contábil no âmbito do
Poder Judiciário.

7.3 Parecer pericial contábil

Com o advento da Lei nº 8.455/92, surgiu um tipo novo de laudo de respon-


sabilidade do assistente técnico.
Antes dessa lei, os assistentes técnicos tinham, por praxe, oferecer seus traba-
lhos técnicos denominando-os, quando havia divergências, de Laudo Pericial
Contábil, divergente ou parcialmente divergente em função do nível .de discor-
dâncias técnicas observadas, em conformidade com o art. 431, CPC, 14 dispositivo
revogado por aquele diploma legal. Alguns o denominavam de Laudo Crítico.
Por força da legislação vigente, o perito na função de assistente técnico é res-
ponsável pela oferta de parecer pericial contábil, ou seja, oferece, por meio de
trabalho próprio, sua opinião técnica, crítica ou concordante, a respeito do laudo
pericial contábil oferecido pelo perito judicial.
O fato de o assistente técnico oferecer trabalho técnico denominado de pa-
recer pericial contábil não o desobriga de tomar os mesmos cuidados técnicos

14 ''Art. 431. Se houver divergência entre o perito e os assistentes técnicos, cada qual escreverá o
laudo em separado, dando as razões em que se fundar."
88 Perícia Contá bil • Ornelas

adotados pelo perito judicial, ou seja, acompanhar as diligências realizadas, de-


senvolver levantamentos específicos de seu interesse que suportem o trabalho
que oferece.
O trabalho do assistente técnico não perde as características de laudo, à me-
dida que emite juízo técnico ou defende tese ou critério técnico divergente do
laudo pericial contábil oficial. Por isso, deve também obedecer a algumas regras
básicas, enquanto peça técnica que é, juntada aos autos.
Algumas regras básicas, quanto à forma de apresentação do conteúdo do
parecer pericial contábil, de responsabilidade do assistente técnico, são a seguir
propostas.
Num primeiro momento, o assistente técnico oferece um capítulo, que pode
ser denominado de Considerações preliminares ou de Resumo do laudo ofi-
cial, onde vai sintetizar toda a matéria técnica, tal qual consta do laudo pericial
contábil oferecido pelo perito judicial.
O segundo momento do parecer pode denominar-se Comentários técnicos
ao laudo pericial contábil, onde o assistente técnico vai desenvolver toda a sua
criatividade técnica no sentido de realçar os aspectos do laudo oficial favoráveis
às razões técnicas de quem o indicou para a função.
Buscará também destacar eventuais interpretações errôneas ou distorcidas
contidas no laudo pericial contábil oferecido pelo perito judicial. Em hipótese
alguma deve oferecer elogios ou críticas de cunho pessoal.
Assim, cuidado especial deve ter o assistente técnico no uso da linguagem.
Ataques gratuitos e uso de linguagem agressiva, além de ferirem as normas de
civilidade que devem pontuar a convivência profissional, geralmente denunciam
a ausência de bons e consistentes argumentos técnicos e teóricos.
Em sentido amplo, essa parte considera todas as razões técnicas necessárias
a fundamentar sua opinião técnica, seu parecer técnico.
A terceira parte vai tratar do Parecer pericial contábil propriamente dito.
Aqui, o assistente técnico oferece sua opinião técnica favorável ou desfavorável,
ou parcialmente favorável, a respeito do laudo pericial contábil submetido a sua
apreciação técnica.
Por derradeiro, inclui o Encerramento de seu parecer nos mesmos moldes
daquele já comentado quando do laudo pericial contábil.
Poderá, como é óbvio, juntar anexos que elaborou e documentos que tenha
colhido.
Resumindo, o conteúdo desse tipo de laudo pode ser assim ordenado:

1. Das considerações preliminares/Resumo do laudo oficial


2. Dos comentários técnicos ao laudo pericial contábil
.

Relatóri os Pe riciai s Contábeis: Laudo e Parecer 89

3. Do parecer pericial contábil


4. Do encerramento
Anexos
Documentos

Todas as sugestões e recomendações oferecidas no tópico Estética são tam-


bém pertinentes aqui.

7.4 Encaminhamento do laudo e do parecer

O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil são sempre dirigidos ao


magistrado responsável pelo processo objeto da perícia contábil realizada.
Para tanto, o laudo pericial contábil, assim como o respectivo parecer pericial
contábil, contêm uma primeira página de endereçamento ou de apresentação, na
qual é identificado a qual magistrado se dirigem, são especificados o processo e
as respectivas partes, bem como se se trata de laudo pericial contábil ou de pare-
cer pericial contábil.
Não é recomendado entregar de pronto o laudo ou o parecer no mesmo dia
em que é terminado.
Uma boa prática é aquela de deixar a peça técnica em repouso, por um ou
dois dias.
Passado o tempo sugerido, recomenda-se nova leitura do conteúdo do tra-
balho técnico. Se, feita a leitura, o perito mantiver sua opinião técnica, ou seja,
estiver seguro de tudo aquilo que apresenta, estará apto a sustentar seu trabalho
técnico em qualquer circunstância.
Cabe realçar que a leitura não é apenas para oferecer segurança técnica. É
também a oportunidade de se verificar eventuais enganos ou erros no uso da
língua portuguesa, ou ainda a utilização de expressões dúbias.
Enfim, é o momento no qual o perito avalia se sua peça contábil tem o con-
dão da comunicação com seus leitores e usuários. Portanto, é uma leitura tanto
quanto possível no papel de leitor ou usuário.
Assim, é chegado o momento da entrega do laudo pericial contábil ou do
parecer pericial contábil.
O encaminhamento e entrega do laudo pericial contábil ou parecer pericial
contábil dá-se mediante a entrega do original no protocolo central de cada ramo
do Poder Judiciário, acompanhado de uma segunda via que será também proto-
colada, ficando esta em poder do perito judicial ou do assistente técnico como
prova do trabalho entregue.
90 Períc ia Con tá bil • Ornelas

Essa via protocolada deverá ser guardada para servir de guia a eventual respos-
ta às impugnações ou a pedidos de esclarecimentos do magistrado ou das partes.
Determinados ramos do Poder Judiciário contam com protocolo na própria
Secretaria ou Cartório. Nesse caso, o trabalho técnico pode ser ali entregue e pro-
tocolado sem prejuízo da primeira alternativa de entrega mencionada.
Entregue o laudo pericial contábil, inicia-se uma nova fase processual, qual
seja, a da apreciação do trabalho oferecido.
O magistrado, à vista da peça técnica, dá, normalmente, conhecimento às
partes da entrega do mesmo, podendo despachar assim: "J. Ciência às partes."
Referido despacho é publicado na imprensa oficial, abrindo-se prazo para as
partes oferecerem seus comentários ao laudo pericial contábil oferecido, ressalvan-
do-se que, na Justiça do Trabalho, as partes são intimadas por escrito, via correio.
A partir da intimação das partes, por força da Lei nº 10.358, de dezembro
de 2001, passa a correr o prazo de 10 dias para o assistente técnico oferecer seu
parecer pericial contábil sobre a peça técnica oferecida pelo perito judicial. 15
Neste momento, é novamente pertinente abrir comentário específico para o
trabalho do assistente técnico realizado no âmbito da Justiça do Trabalho.
A Lei nº 5.584/ 70, que estabeleceu as normas do processo do trabalho, no
parágrafo único do art. 3º, dispõe que o prazo do assistente técnico é o mesmo
do perito, sob pena de seu trabalho ser desentranhado dos autos. Isso vale dizer
que, na Justiça do Trabalho, é premente a realização do trabalho pericial contábil
de forma conjunta e harmoniosa entre perito judicial e assistente técnico. Não
pode, portanto, o perito judicial entregar seu laudo pericial contábil, sem antes
ter possibilitado ao assistente técnico preparar seu parecer pericial contábil. Re-
tornemos à trilha do CPC.
As reações das partes, em face do conteúdo do laudo pericial contábil e do
parecer pericial contábil do assistente técnico respectivo, poderão ser de concor-
dância absoluta ou parcial, ou de discordância absoluta ou parcial. Tais reações
podem trazer embutido pedido de esclarecimentos, requerimento esse que pode-
rá ser aceito pelo magistrado, ou não.
O próprio conteúdo do parecer pericial contábil oferecido pelo assistente téc-
nico poderá ensejar reação do magistrado, determinando ao perito judicial que
esclareça as críticas ou divergências lançadas sobre o laudo oficial.
Deferido ou determinado de ofício o pedido de esclarecimentos, o perito será
intimado pelo magistrado a oferecê-lo no prazo fixado, ou como disposto no art.
435, CPC. 16

15
Art. 433, parágrafo único.
16
"Art. 435. A parte, que desejar esclarecimento do perito e do assistente técnico, requererá ao juiz
que mande intimá-lo a comparecer à audiência, f ormulando desde logo as perguntas, sob forma de que-
sitos. Parágrafo único. O perito e o assistente técnico só estarão obrigados a prestar esclarecimentos
a que se refere este artigo, quando intimados cinco (5) dias antes da audiência ."
...

Relató rios Pe ric iais Co ntá beis: La udo e Parecer 91

Alerta-se que nem sempre os comentários oferecidos referem-se ao conteúdo


do laudo pericial contábil. Muitos procuram atingir a pessoa do perito, buscando
sensibilizar o magistrado para a realização de nova prova técnica, por outro pro-
fissional, mormente quando o resultado técnico é desfavorável à parte que critica.
Nesse caso, a primeira reação do perito será, na petição de esclarecimentos,
requerer ao magistrado que mande riscar, nos termos do art. 15, CPC, 17 todas
as palavras ofensivas e injuriosas à honra e dignidade do expert. Na sequência,
passa a oferecer os esclarecimentos requeridos e deferidos.
Por outro lado, nem sempre o pedido de esclarecimentos tem de fato tal
característica. Somente pode ser entendido como objeto de esclarecimentos, in-
dagações sobre aspectos do laudo pericial contábil que tenham ficado obscuros
ou eventualmente incompletos. Em outras palavras, só é possível esclarecer algo
que já existe. Muitas vezes, o pedido de esclarecimentos trata de matéria nova,
não ventilada no laudo. Nesse caso, é oportuno, antes de responder aos quesitos
de esclarecimentos, informar o magistrado quanto à matéria nova, requerendo
orientação de como proceder.

17 "Art. 15. É def eso às partes e seus advogados empregar expressões injuriosas nos escritos apre-
sentados no processo, cabendo ao juiz, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las."
8

REMUNERAÇÃO DO
TRABALHO PERICIAL

A remuneração do trabalho pericial contábil pode ser abordada sob duas


dimensões. A primeira, relativa ao perito, quando na função judicial; a segunda,
quando em função extrajudicial, incluindo-se nesta a arbitral.

8.1 Quando em função judicial

Como visto em momento anterior, o perito, no âmbito judicial, pode assumir


o encargo de perito judicial nomeado pelo magistrado ou de assistente técnico
indicado pelas partes, o que provoca forma diferenciada de fixação da remune-
ração do trabalho pericial.

8.1.1 Honorários de perito judicial

Sendo o perito nomeado pelo magistrado, portanto, na função judicial, com-


pete àquele fixar sua remuneração. Esse ato processual praticado pelo magistra-
do é conhecido por arbitramento.
Por força do disposto no parágrafo único do art. 33,1 CPC, o magistrado pode
determinar que o perito nomeado ofereça orçamento ou estimativa de sua re-

1
"Art. 33. [. .. ]
Parágrafo único. O juiz poderá determinar que a parte responsável pelo pagamento dos honorários
do perito deposite em juízo o valor correspondente a essa remuneração. O num erário, recolhido em

Remunera ção do Trabal ho Peri cia l 93

muneração, a ser fixada antes do início do trabalho pericial. Tal dispositivo foi
introduzido pela Lei nº 8.952, de 13-12-1994, que muito vem contribuindo para
a garantia da remuneração e independência do perito nomeado pelo magistrado.
Para tanto, o perito subsidia essa decisão, apresentando, por meio de petição,
sua demonstração do custo do trabalho pericial em que constem as horas técni-
cas, a serem aplicadas em cada fase do trabalho pericial e respectivo custo da
hora técnica, levando em consideração as recomendações aprovadas ou homolo-
gadas pelos Conselhos Regionais de Contabilidade.
Na petição de requerimento do arbitramento de seus honorários, o perito
fará uma exposição resumida dos principais eventos de seu trabalho, a título de
justificativa e embasamento para o valor requerido.
Referida petição recebe despacho do magistrado, que, na maioria das vezes,
determina que as partes falem sobre a proposta do perito, exarando despacho na
própria petição, que pode ser do seguinte teor: "J. digam sobre a estimativa";
ou simplesmente, "J. digam".
Há magistrados que, à vista dessa petição, já fixam prontamente a remune-
ração do perito sem ouvir as partes, mesmo porque não há determinação proces-
sual para tanto.
Na verdade, a oitiva das partes sobre a pretensão da remuneração do perito
é medida de prudência do magistrado, na tentativa de evitar eventuais impug-
nações.
De qualquer maneira, tanto num caso como no outro, esses despachos são
publicados no Diário Oficial do Estado para ciência das partes interessadas, lem-
brando que na Justiça do Trabalho as intimações são por escrito.
Os interessados, ou seja, a parte ou as partes, têm prazo para falar sobre os
despachos do magistrado.
No caso do primeiro tipo de despacho, as partes poderão, por meio de peti-
ção, dizer que concordam com o orçamento do perito; poderão reagir, dizendo
que o pleito é exagerado; poderão passar silentes sobre a questão; e, ainda, pode-
rão dizer que deixam ao inteiro critério do magistrado a fixação dos honorários
periciais.
Após o pronunciamento das partes sobre o pedido de arbitramento, ou em
seu silêncio, os autos do processo são conclusos ao magistrado para fixação da
remuneração pericial.
A fixação da remuneração pericial é um ato arbitral do magistrado, que,
normalmente, ao decidir, leva em consideração a relevância e a qualidade do tra-
balho pericial, a complexidade técnica da prova, o orçamento apresentado pelo

depósito bancário à ordem do juízo e com correção monetária, será entregue ao perito após a apresen-
tação do laudo, facultada a sua liberação parcial, quando necessária."
94 Períci a Contábil • Orne las

perito, as possibilidades econômico-financeiras das partes, bem como as even-


tuais reações das partes.
Se as partes reagiram concordando com o pedido, é usual o magistrado fi-
xar a remuneração na quantia requerida pelo perito. Se houve impugnações ao
pleito, o magistrado poderá entendê-las injustificadas e fixar no valor requerido.
Poderá, todavia, entendê-las pertinentes e, assim, justificar eventual redução no
valor requerido, fixando os honorários em menor quantia do que aquela demons-
trada e requerida.
Fixados os honorários, de plano ou após terem sido ouvidas as partes, pode-
rão acontecer alguns eventos que passamos a abordar.
A parte insatisfeita com o valor arbitrado poderá requerer ao magistrado
que reconsidere sua decisão e, no insucesso do pleito, agravar da decisão para o
Tribunal, formando-se, assim, um processo denominado Agravo de Instrumento, a
ser enfrentado pela Segunda Instância.
O perito, embora não sendo parte no processo, pode e deve requerer recon-
sideração, se a remuneração fixada representar, em seu entender, aviltamento de
seu trabalho. Pode, ainda, não obtendo sucesso na reconsideração, por meio de
advogado, recorrer também à Segunda Instância, agravando a decisão do magis-
trado.
Independentemente de concordância, de impugnação, ou de agravo, a quan-
tia fixada deve ser depositada à ordem do magistrado em instituição bancária
autorizada a receber depósitos judi~iais no prazo por ele determinado.
Em hipótese alguma, o perito, na função judicial, pode ser pago diretamente
pela parte responsável pela remuneração pericial. Esse é um ato financeiro que
precisa ser e estar comprovado nos autos do processo.
A parte responsável pelo pagamento precisa provar que cumpriu a determi-
nação do magistrado, sob pena de desobediência ou de extinção do processo.
Além desse aspecto relevante, é fundamental também, como prova nos autos, no
eventual ressarcimento dessa despesa processual.
A regra básica quanto à responsabilidade financeira pelos honorários peri-
ciais está posta no CPC. 2 Honra o pagamento dos serviços periciais realizados
pelo perito a parte que requereu a prova pericial. Havendo requerimento de am-
bas as partes ou se o magistrado determinar de ofício a realização de perícia
contábil, responde pelos honorários o autor do processo.
Cabe, por outro lado, notar que o pagamento da remuneração do perito nada
mais é do que um adiantamento de uma das despesas processuais realizado nas
condições supramencionadas. Trata-se de um desembolso provisório, mesmo por-

2
"Art. 33. Cada parte pagará a remuneração do assistente técnico que houver indicado; a do perito
será paga pela parte que houver requerido o exame, ou pelo autor; quando requerido por ambas as
partes ou determinado de ofício pelo juiz."
Remuneração do Trab alho Perici al 95

que, se a parte que antecipou mencionada despesa for a vencedora, será, por
ocasião da liquidação de sentença, ressarcida pela parte perdedora.
Além da regra básica apontada, há outras regras processuais no que se refere
ao ressarcimento de despesas do processo, que, todavia, não se relacionam com
a remuneração do trabalho pericial contábil, mas com a execução de sentença e
com a desistência ou acordo entre as partes. Para tanto, os interessados poderão
socorrer-se do contido nos arts. 19 e seguintes do CPC vigente.
Pode suceder que o magistrado, ao nomear o perito, não determine a apre-
sentação do orçamento prévio, já que não está obrigado a fazê-lo. Como visto,
o parágrafo único acrescido ao art. 33, CPC tratou a questão da fixação prévia
como possibilidade, não como obrigação.
Vale dizer, então, que o magistrado, em vez de determinar ao perito que ofe-
reça o orçamento, poderá fixar determinada verba provisória em favor do perito
nomeado. Nesse caso, todos os procedimentos anteriormente descritos aconte-
cem a partir da entrega do laudo pericial contábil.
Poderá suceder que o magistrado nada decida, seja quanto a honorários pro-
visórios, ou quanto à determinação de oferta de estimativa. Nesse caso, deve o
perito, com base no parágrafo único do artigo 33, CPC, apresentar orçamento,
como já comentado, requerendo sua fixação e depósito.

8.1.1.1 Depósito integral, prévio e complementar

No despacho saneador, no qual deferiu a prova pericial, nomeando perito,


uma das decisões a seguir abordadas podem ser tomadas pelo magistrado.
A primeira delas poderá ser a fixação de determinada quantia a título de ho-
norários provisórios a favor do perito, ordenando o respectivo depósito judicial
por quem o magistrado especificar.
Outra decisão poderá ser determinar ao perito que ofereça sua estimativa dos
custos de realização da prova contábil deferida.
Nesse caso, como já visto, o perito, após a oferta dos quesitos pelas partes,
terá necessidade de retirar os autos do cartório para se inteirar do conteúdo
dos mesmos, objetivando conhecer os fatos contábeis objeto da lide, para, assim,
poder dimensionar, de forma estimada, as horas técnicas a serem aplicadas no
desenvolvimento do trabalho pericial.
Feito esse estudo preliminar, está o perito apto a oferecer petição contendo o
orçamento do custo do trabalho pericial.
À vista dessa petição, o magistrado poderá decidir ouvir as partes sobre a
estimativa oferecida, fixando-a em momento processual subsequente, na quan-
tia requerida ou em outro valor a seu critério; ou então, de pronto, aceitar a
quantia estimada e determinar seu depósito integral pela parte responsável.
96 Pe rícia Contá bil • Ornelas

O depósito dos honorários provisórios, assim como o depósito dos honorários


orçados são denominados depósito prévio, já que efetuados, um ou outro, antes
do início dos trabalhos periciais.
Fixados os honorários definitivos após a entrega do laudo pericial contábil,
o magistrado, havendo depósito prévio, determina que seja realizado depósito
judicial complementar, que consiste na diferença entre os honorários fixados e os
já depositados previamente.
Essa diferença não é meramente nominal. Apura-se o valor complementar a
ser depositado, confrontando-se os honorários definitivos com o valor do depó-
sito prévio, este atualizado monetariamente, desde a data daquele depósito até
a data do cálculo. E, a partir da apuração dessa diferença, se não depositada no
prazo determinado pelo magistrado, passa a fluir atualização monetária, desde
que requerida pelo perito, ou, de ofício, por determinação judicial.
Na ausência de depósito prévio, os honorários definitivos são depositados à
ordem do magistrado na totalidade fixada, no prazo por este determinado.
Nessa circunstância, não há que se falar em depósito complementar, mas em
depósito integral.

8.1.1.2 Levantamento dos honorários

Como visto, o depósito prévio .e o complementar ou o depósito integral dos


honorários periciais são sempre realizados, em estabelecimentos bancários auto-
rizados, em conta judicial, à ordem do magistrado; consequentemente, só este
pode autorizar sua movimentação.
Referida movimentação é, em geral, provocada pelo perito. Vejamos.
Entregue o laudo pericial contábil, o perito, nesse mesmo momento, oferece
também petição requerendo o arbitramento definitivo de sua remuneração, se
não fixada quando da oferta do orçamento.
Em havendo depósito prévio, o perito, nessa mesma petição, requer o levan-
tamento daquela quantia provisória ou orçada.
Não pode olvidar o perito, em seu pedido, que o levantamento seja autoriza-
do com os acréscimos legais, no caso, correção monetária e juros.
O magistrado, diante do pedido formal de levantamento, autoriza essa movi-
mentação financeira, geralmente, despachando assim: "J. defiro o levantamen-
to requerido", ou "J. sim, se em termos".
Assim, o Cartório ou Secretaria, diante daquele despacho, deferindo o levan-
tamento do depósito, elabora documento próprio, denominado mandado de le-
vantamento judicial, por vezes também chamado de alvará de levantamento.
Remun eração do Traba lho Perici a l 97

Esse documento nada mais é do que uma ordem do magistrado ao gerente


do estabelecimento bancário depositário, mandando pagar ao perito a quantia em
questão, documento esse que vai assinado pelo magistrado e pelo escrivão diretor.
Após receber o mandado de levantamento ou alvará, mediante protocolo nos
autos, o perito dirige-se ao estabelecimento bancário depositário, entregando-o
no setor correspondente para processamento do levantamento que marcará o dia
em que o numerário estará disponível.
No caso do depósito complementar, ou ainda, do depósito integral dos hono-
rários periciais, o ritual ora descrito é também aplicado.
Uma variante pode ser observada nessa questão do levantamento dos hono-
rários, em especial, quanto ao depósito complementar ou do depósito integral
dos honorários definitivos.
Alguns magistrados, visando à economia processual, depositada a verba ho-
norária, de plano já autorizam o levantamento, sendo, neste caso, desnecessário
o perito oferecer petição, requerendo o levantamento dos honorários.
Cautela especial deve ser observada pelo perito quando da hipótese de seus
honorários fixados pelo magistrado serem agr:avados.
O fato de ter sido oferecido Agravo de Instrumento não desobriga a parte
responsável de cumprir com o depósito judicial dos honorários, mesmo porque
aquele procedimento judicial não tem efeito suspensivo.
O perito, portanto, deve permanecer atento a essa alternativa e, não deposi-
tados seus honorários, oferecer petição requerendo ao magistrado seja cumprida
sua determinação anterior. Isso deve ser providenciado antes dos autos do pro-
cesso serem remetidos ao Tribunal respectivo, caso contrário, ficará prejudicado,
já que ausentes os autos do Cartório ou da Secretaria.
Feito o depósito dos honorários agravados, pode o perito requerer ao ma-
gistrado a liberação de parte de sua verba honorária. Não é prudente requerer
o levantamento da totalidade dos honorários, pois há a possibilidade de que o
Tribunal venha a reduzir a quantia arbitrada pelo magistrado de 1ª Instância,
o que, no caso, obriga o perito a devolver a quantia recebida em excesso.
Acontecimento fora do alcance do profissional pode alterar, de maneira sig-
nificativa, o recebimento de seus honorários.
Trata-se da questão do não depósito dos honorários periciais fixados pelo
magistrado pela parte responsável, situação dramática e extraordinária, com a
qual o perito pode vir a deparar-se.
Essa possibilidade existe na prática forense e é decorrente de eventual extin-
ção do processo após a realização de trabalho pericial e respectivo arbitramento,
sem ter sido honrado o depósito da remuneração pericial; ou ainda, quando o
magistrado determina o prosseguimento do processo, independente do cumpri-
mento de sua decisão anterior, que mandou a parte responsável depositar os ho-
norários periciais.
98 Pe rícia Contábi l • Orne las

Tanto num caso como no outro, só resta ao perito requerer ao magistrado


certidão de inteiro teor, contendo o despacho de arbitramento dos honorários
definitivos.
Aqui, é importante lembrar que referida certidão é considerada um título
executivo extrajudicial, como previsto no inciso V, art. 585, CPC. 3
Assim, de posse da referida certidão, pode o perito constituir advogado para
iniciar processo de cobrança judicial contra a parte responsável pelo pagamento
de seus honorários.

8.1.1.3 Algumas particularidades

Todo o ritual descrito nos tópicos precedentes é de aplicação corrente nos


vários tipos de processos judiciais nos quais se produz prova pericial contábil.
Há, todavia, nos processos trabalhistas, circunstâncias que alteram de manei-
ra significativa esses rituais, em particular, quanto ao procedimento de arbitra-
mento e respectivo recebimento da remuneração pericial.
A relação processual num processo de reclamação trabalhista, no que se re-
fere à capacidade econômico-financeira das partes, é de desequilíbrio, pois o pro-
ponente da ação, o reclamante, é, na grande maioria das vezes, pessoa de poucas
posses para enfrentar o custo do trabalho pericial que tenha requerido ou que
tenha sido determinado de ofício pelo magistrado.
Pela regra básica emanada do CPC, o autor da ação, neste caso, o reclamante,
seria o responsável pela antecipação das despesas judiciais relativas ao trabalho
pericial, mas, dada sua incapacidade financeira crônica, os usos e costumes da
Justiça do Trabalho não adotam a antecipação, remetendo esta questão para um
momento processual posterior.
Nesse tipo de processo, o arbitramento da remuneração pericial se dá na
sentença quando o magistrado condena o perdedor a honrar os custos da perícia
e seu pagamento acontece na liquidação da sentença, juntamente com os demais
itens da condenação, se porventura tenha sido realizada perícia contábil na fase
de instrução do processo.
Quando há controvérsias nas verbas que liquidam a sentença exarada, o ma-
gistrado responsável pela Junta de Conciliação e Julgamento nomeia perito para
apuração dos haveres originários dos direitos trabalhistas reconhecidos, em sua
imensa maioria, a favor do reclamante.
Entregue o laudo pericial contábil, o profissional oferece sua petição conten-
do o pedido de fixação dos honorários periciais, que, arbitrados pelo magistrado,
serão honrados pelo perdedor da ação, no caso, em geral, o reclamado.

3
"Art. 585. São títulos executivos extrajudiciais: [ ...]
V - o crédito de serventuário de justiça, de perito, intérprete, ou de traduto1; quando as custas,
emolumentos ou honorários forem aprovados por decisão judicial."
Remuneração d o Traba lho Pe ricial 99

É raro, também, termos a possibilidade de depósito prévio para garantia dos


honorários periciais, ou de estimativa prévia, pela mesma razão já apontada.
No mais, os procedimentos de requerer os honorários justificadamente e seu
levantamento são idênticos aos descritos anteriormente.

8.1.1.4 Modelos de petição

A relação profissional do perito com o magistrado acontece de maneira so-


lene e formal, por meio de expediente escrito, que, na linguagem forense, deno-
mina-se petição.
A questão remuneratória obriga o perito a se comunicar com o magistrado,
em várias oportunidades, requerendo o arbitramento de sua remuneração, apre-
sentando orçamento, pedindo o levantamento de depósito prévio e suplementar,
ou levantamento do depósito integral de seus honorários.
Cada ramo do Poder Judiciário tem suas peculiaridades, quanto ao trata-
mento do magistrado. Por isso, o perito precisa conhecer as formas como se deve
dirigir ao magistrado que o nomeou.
As pessoas (e, entre essas, o perito) não se dirigem nominalmente ao magis-
trado que ocupa determinado cargo. As petições são sempre dirigidas ao cargo,
não à pessoa. Isso tem sua razão de ser, mesmo porque o magistrado não perma-
nece sempre no mesmo cargo; é promovido, é removido, licencia-se, aposenta-se.
Entretanto, os processos permanecem no Cartório para onde foram distribuídos.
No âmbito da Justiça Federal, inclusive nas Varas Trabalhistas, o magistrado
de primeira instância é tratado por Juiz Federal.
Na Justiça Estadual, entendendo-se aqui as Varas Cíveis, Família e Sucessões
e Fazenda Pública, o magistrado é tratado por Juiz de Direito .
Conhecidas então as formas de tratamento, passemos aos vários tipos de
petições que o perito terá de oferecer, relativas ao tema remuneração de seu tra-
balho pericial.
Os textos a seguir oferecidos são indicativos de como devem-se oferecer de-
terminados tipos de petição. Naturalmente, os aqui apresentados refletem o es-
tilo do proponente. Isso quer dizer que cada perito, resguardando os aspectos
formais que cada modelo de petição deve possuir, deve colocar sua marca própria
no texto, ou seja, seu estilo.
O espaço entre o endereçamento da petição e o início do texto deve ser sufi-
ciente para o magistrado exarar seu despacho, na própria petição.
A primeira delas - modelo 1 - é a que trata da apresentação do orçamento
prévio do custo do trabalho pericial. Esse modelo serve para atender ao disposto
no parágrafo único do art. 33, CPC.
100 Pe rícia Contá bil • Orne las

A petição seguinte - modelo 2 - é a que trata do requerimento de fixação


definitiva dos honorários, após a entrega do laudo pericial contábil.
A petição seguinte - modelo 3 - é uma variante do modelo anterior, com o
acréscimo do pedido de levantamento de depósito prévio.
O modelo 4 presta-se ao levantamento dos honorários definitivos, cujo de-
pósito foi efetuado de uma só vez, ou seja, o que se denominou depósito integral.
Para requerer o levantamento do saldo dos honorários periciais, correspon-
dente ao depósito complementar, pode-se adotar o modelo 5.
A petição apresentada sob a forma do modelo 6 é utilizada para requerer
ao magistrado que determine o depósito dos honorários não efetuado pela parte
responsável.
Em vários dos modelos apresentados, é mencionado que vai anexa a demons-
tração do custo e das horas aplicadas. Para ilustrar tal assunto, apresenta-se,
como modelo 7, aquele de como apresentar os custos e as horas aplicadas ou es-
timadas, desenvolvido e aprovado pela Associação dos Peritos Judiciais do Estado
de São Paulo (Apejesp) e homologado pelo Conselho Regional de Contabilidade
do Estado de São Paulo.
Obviamente, referido modelo da Apejesp reflete a realidade profissional
do Estado de São Paulo, porém, nada impede sua adoção por outros peritos,
adaptando-se, todavia, às condições e características do local onde venha a ser
implementado.

8.1.2 Honorários de assistente técnico

A remuneração e o pagamento dos serviços profissionais do perito quando


na função de assistente técnico não se vinculam aos autos do processo. Trata-se
de uma relação particular entre aquele profissional e a parte que o indicou para
a função.
O perito, na função de assistente técnico, deve, preliminarmente, oferecer
proposta de prestação de serviços profissionais, ajustando com a parte seus ho-
norários e forma de pagamento, orientando-se, para tanto, nos procedimentos
recomendados para a perícia contábil, aprovados pelos Conselhos Regionais de
Contabilidade.
Como Apêndice B, é apresentado um modelo de proposta/ contrato de pres-
tação de serviços de assistência técnica.
Muito embora sejam resultantes de uma negociação particular, os honorários
de assistente técnico são, também, considerados despesa do processo a teor do
§ 2º, do art. 20, CPC. 4

4
"§ 2 ºAs despesas abrangem não só as custas dos atos do processo, como também a indenização de
viagem, diária de testemunha e remuneração do assistente técnico."
Re mun e ração do Trabalho Peri cial 1 O1

Deve, portanto, o assistente técnico oferecer petição requerendo ao magistra-


do o arbitramento de sua remuneração, fixada, em geral, em dois terços daquela
fixada para o perito nomeado pelo magistrado.
Na petição preparada e oferecida pelo assistente técnico, é desnecessária a
apresentação de estimativa de valores, apenas requer-se o arbitramento. O mo-
delo 8, apresentado mais adiante, presta-se ao pedido do assistente técnico de
arbitramento de seus honorários para efeito de fixação do valor a ser reembolsa-
do pela parte perdedora quando da liquidação de sentença.
Note-se que esta fixação não se relaciona com aquela livremente ajustada
pelo assistente técnico e a parte que o indicou, mesmo porque o magistrado não
tem poderes para interferir na negociação particular. O magistrado fixa a remu-
neração do assistente técnico nos autos para os efeitos do dispositivo anterior-
mente citado, ou seja, para conhecer-se o valor dessa despesa processual no caso
de ressarcimento à parte vencedora.
Este é um procedimento que, com todo o acato, na maioria das vezes, é ol-
vidado pelo magistrado quando da sentença. Entretanto, é uma despesa que a
parte vencedora tem direito ao reembolso.

8.2 Quando em função extrajudicial

O perito, quando em função extrajudicial, ou seja, contratado privadamente


por interessado em seus serviços, negocia livremente seus honorários e forma de
pagamento.
Recomenda-se a utilização de contrato escrito de prestação de serviços em
que se especifica o escopo dos serviços a serem realizados, honorários, forma de
pagamento, prazo de execução, enfim, referido contrato deve conter todos os
elementos, direitos e obrigações avençadas entre as partes, não podendo ser ol-
vidadas as diretrizes emanadas das Normas Brasileiras de Contabilidade relativas
à perícia contábil e ao perito.
Em procedimentos arbitrais, uma das formas de atuação extrajudicial, o pe-
rito nomeado também é instado a apresentar petição expondo e justificando os
seus honorários ao Tribunal Arbitral.
Pode o Tribunal ouvir as partes que poderão concordar ou discordar do mon-
tante apresentado pelo perito nomeado, ou fixar de plano o valor apresentado.
Os honorários fixados serão depositados em conta de titularidade da entidade
que administra o respectivo Tribunal Arbitral.
Entregue o trabalho pericial realizado, o perito requer o levantamento do
montante depositado, emitindo, para tanto, nota fiscal ou fatura de prestação de
serviços, se organizado como pessoa jurídica. Se, como autônomo, o correspon-
dente recibo.
10 2 Perícia Con tá bil • Ornelas

EXMO SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE

MARTINHO MAURÍCIO GOMES DE ORNELAS, doutor,


mestre e bacharel em Ciências Contábeis registrado no CRC-SP sob o nº ............ .
Perito nomeado nos autos do processo nº ...... - ORDINÁRIA- em que são partes:
CIA . .................................... S.A.
Requerente
e

FELISBERTO M. .................. ..
Requerido
vem, mui respeitosamente, submeter à apreciação de V. Exa.,
em atendimento ao determinado ·às fls. e parágrafo único, art. 33, CPC, o orça-
mento dos honorários periciais do Laudo Pericial Contábil que elaborará.
O valor orçado, como demonstrado em anexo, é de R$ ... ... .
.................. (por extenso).
Ressalta-se que a quantia a ser depositada em caráter provi-
sório pela Requerente ficará à disposição do MM. Juízo até a entrega do Laudo
Pericial Contábil.
Para a oferta da estimativa da verba honorária, foram leva-
dos em consideração os procedimentos técnicos a seguir enumerados:
1. procedeu-se à leitura dos autos do processo e ao exame
da documentação juntada, no sentido de buscar elementos que permitissem
identificar o que demandam as partes;
2. os trabalhos periciais, como emana do que consta dos au-
tos, abrangerão o período de ........... .. ., envolvendo aspectos técnicos contábeis
relativos a ................. ;
3. portanto, para cumprir o honroso mandato de perito judi-
cial, consubstanciado em laudo pericial contábil a ser oferecido, será necessário
Remuneração do Tra ba lho Perici a l 103

realizar diligências à sede ....................... , onde serão compulsados os livros


mercantis e respectivo suporte documental e demais procedimentos periciais
inerentes ao desenvolvimento do trabalho pericial contábil;
4. as horas profissionais estimadas nas várias fases do tra-
balho pericial, como demonstrado em anexo, que redundou na presente pro-
posta de honorários periciais, levaram em consideração as recomendações da
Associação dos Peritos Judiciais do Estado de ................... homologadas pelo
Conselho Regional de Contabilidade do Estado de ................... .
Finalmente, aguardar-se-á o depósito, em conta judicial, da
verba honorária orçada, para então dar-se início aos trabalhos periciais.

Termos em que
P. juntada e deferimento.
São Paulo, ............ .................. ..
Martinho Maurício Gomes de Ornelas
Perito Judicial

Modelo 1 - Petição de estimativa ou orçamento dos honorários periciais.


104 Perícia Co ntábil • Ornelas

EXMO. SR. DR. JUIZ FEDERAL DA ......... ª VARA DA JUSTIÇA FEDERAL EM

MARTINHO MAURÍCIO GOMES DE ORNELAS, doutor, mes-


tre e bacharel em Ciências Contábeis registrado no CRC-SP sob o nº .. ... ... . Pe-
rito nomeado nos autos do processo nº ............ - AÇÃO ORDINÁRIA - em que
são partes:
CIA. .................................. S.A.
Autora
e
UNIÃO FEDERAL

tendo entregue seu Laudo Pericial Contábil, vem, mui respei-
tosamente, à presença de V. Exa. para expor e ao final requerer o que segue:
1. para a oferta do Laudo Pericial Contábil foi necessário rea-
lizar 3 (três) diligências à sede da Autora, onde foram compulsados cerca de 6
(seis) livros contábeis e fiscais e respectiva documentação de suporte, relativos
ao período objeto da lide;
2. como resultado de todo o esforço técnico despendido, foi
oferecido Laudo Pericial Contábil composto de 32 (trinta e duas) folhas, 12
(doze) anexos e 3 (três) documentos;
3. as horas profissionais aplicadas nas várias fases do trabalho
pericial, como demonstrado em anexo, foram valorizadas levando-se em con-
sideração as recomendações da Associação dos Peritos Judiciais do Estado de
................................ , homologadas pelo Conselho Regional de Contabilidade
do Estado de .............. .
Diante do exposto, requer digne-se V. Exa. arbitrar seus hono-
rários periciais, cujo custo vai evidenciado em anexo.
Re m un eração do Tra balh o Pe ricia l 105

Requer, outrossim, que os honorários que V. Exa. vier a arbitrar


sejam atualizados monetariamente, desde a data da entrega do laudo até a
data do efetivo depósito judicial.
Termos em que
P. juntada e deferimento.
São Paulo, ..... ... ........... ..... .
Martinho Maurício Gomes de Ornelas
Perito Judicial

Modelo 2 - Petição de arbitramento dos honorários definitivos.


106 Pe rícia Contá bil • Orne ias

EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA ............ ª VARA CÍVEL DA COMARCA

MARTINHO MAURÍCIO GOMES DE ORNELAS, doutor, mes-


tre e bacharel em Ciências Contábeis registrado no CRC-SP sob o nº ... ..... Perito
nomeado nos autos do processo n<2 ........... - DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE -
em que são partes:
ANTÓNIO ......................... ..
Requerente
e

JOSÉ ................... E OUTROS


Requeridos
tendo entregue seu Laudo Pericial Contábil, vem, mui respei-
tosamente, à presença de V. Exa. para expor e ao final requerer o que segue:
1. para a oferta do Laudo Pericial Contábil foi necessário reali-
zar 3 (três) diligências à sede da sociedade, onde foram compulsados 10 (dez)
livros contábeis e fiscais e respectiva documentação de suporte, relativos ao
período objeto da lide;
2. como resultado de todo o esforço técnico despendido, foi
oferecido Laudo Pericial Contábil composto de 63 (sessenta e três) folhas, 22
(vinte e dois) anexos e 4 (quatro) documentos;
3. as horas profissionais aplicadas nas várias fases do traba-
lho pericial, como demonstrado em anexo, foram valorizadas levando-se em
consideração as recomendações da Associação dos Peritos Judiciais do Estado
de .............. , homologadas pelo Conselho Regional de Contabilidade do Estado
de .................. .
Diante do exposto, requer digne-se V. Exa.:
Remuneração do Trabalho Pericial 107

a) autorizar o levantamento do depósito prévio de fls., com


os acréscimos legais que houver; e,
b) arbitrar seus honorários periciais definitivos, cujo custo
vai evidenciado em anexo.
Requer, outrossim, que os honorários que V. Exa. vier a arbitrar
sejam atualizados monetariamente, desde a data da entrega do laudo até a
data do efetivo depósito judicial.
Termos em que
P. juntada e deferimento.
São Paulo, ........................... .
Martinho Maurício Gomes de Omelas
Perito Judicial

Modelo 3 - Petição de arbitramento de honorários definitivos e levantamen-


to de depósito prévio.
108 Pe rícia Contá bil • Ornelas

EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA ......... ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA


DO ..................... .

MARTINHO MAURÍCIO GOMES DE ORNELAS, doutor, mes-


tre e bacharel em Ciências Contábeis registrado no CRC-SP sob o nº ... ....... .
Perito nomeado nos autos do processo nº ........... ... - EMBARGOS À EXECUÇÃO
- em que são partes:
EMPRESA ................................ S.A.
Embargante/ Executada
e
FAZENDA PÚBLICA DO ....................... .
Embargado/ Exequente
vem, mui respeitosamente, à presença de V. Exa. requerer dig-
ne-se autorizar o levantamento de seus honorários arbitrados e já deposita-
dos pela Embargante, com os acréscimos legais que houver.
Termos em que
P. juntada e deferimento.
São Paulo, ... .. ....... ... ... .. ..... .
Martinho Maurício Gomes de Ornelas
Perito Judicial

Modelo 4 - Petição de levantamento de honorários.


Remuneração do Trabalho Pericial 109

EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA ....... ª VARA DA FAMÍLIA E SUCES-


SÕES DA COMARCA ..................... .

MARTINHO MAURÍCIO GOMES DE ORNELAS, doutor, mes-


tre e bacharel em Ciências Contábeis registrado no CRC-SP sob o nº ......... .
Perito nomeado nos autos do processo nº ....... .'..... - INVENTÁRIO - de
FULANO A. DOS .................... .
vem, mui respeitosamente, à presença de V. Exa. requerer dig-
ne-se autorizar o levantamento do saldo de seus honorários, já depositados
pelo Inventariante, com os acréscimos legais que houver.
Termos em que
P. juntada e deferimento.
São Paulo, ......................... .
Martinho Maurício Gomes de Ornelas
Perito Judicial

Modelo 5 - Petição de levantamento de saldo de honorários.


11 O Perícia Contábil • Ornelas

EXMO. SR. DR. JUIZ DA ......... ª VARA DO TRABALHO DE ................... .

MARTINHO MAURÍCIO GOMES DE ORNELAS, doutor, mes-


tre e bacharel em Ciências Contábeis registrado no CRC-SP sob o nº ... .... .... .
Perito nomeado nos autos do processo nº ........... - RECLAMAÇÃO TRABALHIS-
TA - em que são partes:
BELTRANO A. DOS ....................... .
Reclamante
e
CIA. .............................. S.A.
Reclamada
vem, mui respeitosamente, à presença de V. Exa. para requerer
digne-se V. Exa. intimar, novamente, a Reclamada a efetuar o depósito de seus
honorários arbitrados às fls .................... , não honrados até a presente data.
Reitera, outrossim, que referidos honorários sejam deposita-
dos devidamente atualizados.
Termos em que
P. juntada e deferimento.
São Paulo, ......................... .
Martinho Maurício Gomes de Ornelas
Perito Judicial

Modelo 6 - Petição requerendo o depósito dos honorários periciais.


Remuneração do Traba lho Pe ricial 111

DEMONSTRAÇÃO DO CUSTO/ ORÇAMENTO DOS


TRABALHOS PERICIAIS
ÁREA CONTÁBIL
Processo Nº
Cartório
Partes Requerente(s) :

Requerido(s) :

1
CUSTOS 1

a. Horas Técnicas HORAS VLR. / HORA TOTAIS


ITENS ESTIMADAS R$ EM R$
Estimativa/ Carga
Análise Autos/ Docs ./Relatórios
Diligências
Levantamento de Dados
Cálculos e Elaboração de Anexos
Redação do Laudo
Digitação
Reuniões com Assistentes Técnicos
Montagem Laudo
Revisão/ Assinatura/Entrega do Laudo

Total Item Horas Técnicas

QTDE. VLR. UNIT. TOTAIS


b. Material Direto Aplicado
UN. R$ EM R$
Papéis de Trabalho
Material de Informática
Papéis para Laudo e Cópias (2)
Total Item Material Direto Aplicado

RESUMO R$
Item Horas Técnicas
Item Material Direto Ap~icado
TOTAL DOS HONORARIOS

Modelo 7 - Demonstração do custo/ orçamento dos trabalhos periciais.


112 Períc ia Con táb il • Ornelas

EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA ........ ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE

MARTINHO MAURÍCIO GOMES DE ORNELAS, doutor, mes-


tre e bacharel em Ciências Contábeis registrado no CRC-SP sob o nº ........ .
Assistente Técnico da .............. indicado nos autos do processo nº ......... - EM-
BARGOS À EXECUÇÃO - em que são partes:
EMPRESA ........................ S.A.
Embargante/ Executada
e

CIA . .............................. S.A.


Embargada/Exequente
tendo participado do desenvolvimento dos trabalhos periciais
e oferecido seu Parecer Judicial Contábil de fls ............ vem, mui respeitosa-
mente, à presença de V. Exa., nos termos do§ 2º, art. 20, CPC, requerer digne-
-se arbitrar seus honorários para os fins de direito.
Termos em que
P. juntada e deferimento.
São Paulo, ............................. .
Martinho Maurício Gomes de Omelas
Assistente Técnico da ........................... .

Modelo 8 - Petição de arbitramento dos honorários de assistente técnico.


9

PERSPECTIVAS DA
PERÍCIA CONTÁBIL

Alguns caminhos foram abertos e, nos próximos anos, eles vão permitir um
desenvolvimento acentuado da perícia contábil no país. Um deles passa pelas
instituições de ensino superior do país.
Com a vigência obrigatória do novo currículo mínimo do curso de Ciên-
cias Contábeis, a partir de 1994, os currículos plenos das instituições de ensino
superior passam a contemplar carga horária para conteúdos programáticos de
perícia contábil. Sabe-se, por outro lado, que os currículos mínimos dos cursos
de graduação estão em fase de substituição pelas denominadas "diretrizes cur-
riculares". Isso vale dizer que as Instituições de Ensino Superior passam a ter
liberdade de organizar o currículo pleno, obedecidas tais diretrizes. Entretanto,
não podem olvidar as exigências que o ambiente social impõe aos profissionais
da contabilidade, entre elas, competência técnica e domínio da ciência contábil
para o exercício da função pericial contábil.
Muitas instituições optam por desenvolver o conteúdo de perícia junto com o
de auditoria, com a justificativa de que se trata de conteúdos semelhantes. Ledo
engano.
A perícia contábil desenvolve trabalhos técnicos cuja origem é contenciosa,
controvertida e, em alguns casos, por determinação legal. Versa sobre matéria pa-
trimonial consubstanciada em fatos contábeis específicos, seja na esfera judicial
ou extrajudicial, nesta incluída a arbitral.
Desde 1946, quando veio à luz o Decreto-lei nº 9.295, está definida a com-
petência dos bacharéis em Ciências Contábeis, dentre elas a de realizar perícias
judiciais ou extrajudiciais.
114 Períc ia Co ntáb il • Ornelas

O Decreto-lei nº 7.988, de 22-9-1945 , que dispôs sobre o ensino de Ciências


Contábeis, previa no quarto ano do curso a oferta da disciplina Revisões e Perícia
Contábil.
Posteriormente, referida disciplina, com o desenvolvimento acentuado dos
serviços de auditoria no país, passou a denominar-se Auditoria e Perícias. Toda-
via, as práticas observadas nas instituições de ensino foram as de privilegiar o
ensino da auditoria e relegar o ensino dos conteúdos relativos à perícia contábil.
Havia uma razão objetiva para tal procedimento. Os professores eram, geralmen-
te, profissionais auditores, competentes nessa especialidade, desconhecedores
das lides periciais, em particular daquelas desenvolvidas no âmbito judicial.
Assim é que o ensino da perícia contábil em nível superior vem sendo esque-
cido desde o início da implantação dos cursos superiores de contabilidade no país.
O exercício da cidadania, reclamando e exigindo procedimentos éticos e
transparência, como veremos mais adiante, em nosso entendimento, irá deter-
minar a presença cada vez mais acentuada de peritos em contabilidade, seja em
âmbito judicial, seja em âmbito extrajudicial.
Por isso, entendemos que, independentemente de ser obrigatória a inclusão
da disciplina perícia contábil nos currículos plenos, será uma necessidade social
termos a formação de bacharéis em ciências contábeis que possam dedicar-se a
essa função social relevante, em especial a de ser auxiliar da justiça.
Portanto, propugnamos e conclamamos as instituições de ensino superior
que resgatem sua dívida quanto ao ensino da perícia contábil, oferecendo ou
mantendo em seus currículos de Ciências Contábeis a disciplina em apreço, de
modo que o bacharel adquira e domine conhecimentos específicos de perícia con-
tábil no curso de graduação em Ciências Contábeis. Existe razão nova. Trata-se
da obrigatoriedade dos formandos do curso de graduação em Ciências Contábeis,
para efeito de obtenção do registro profissional, submeterem-se ao exame de
suficiência determinado pelo Conselho Federal de Contabilidade, no qual o con-
teúdo de perícia contábil é ponto obrigatório.
A sociedade brasileira vem exigindo, nos negócios públicos e privados, pro-
cedimentos éticos de repulsa à sonegação de tributos e de transparência nas prá-
ticas políticas, muitas vezes corruptas.
A perícia contábil tem muito a oferecer e a contribuir nessa área.
No desenvolvimento dos inquéritos policiais que vão suportar os processos
de sonegação de tributos ou de corrupção, os levantamentos contábeis são as
fontes principais utilizadas pelos peritos pertencentes aos quadros funcionais das
polícias federal e estaduais, para instruir referidos processos com as provas ne-
cessárias.
Trata-se de perícia contábil extrajudicial por excelência. Esse caminho será
largo e deveras importante num futuro muito próximo, em face dos sinais que a
Perspectiva s da Perícia Contábil 115

sociedade civil vem emitindo em frequência, que, em nosso entender, serão bem
mais fortes daqui para a frente.
Nesse sentido, as polícias federal e estaduais têm demandado profissionais
contadores competentes, que possam desenvolver trabalhos periciais de natureza
contábil.
Acreditamos que, no âmbito civil, outro caminho está por ser explorado, que
passa também pela perícia contábil extrajudicial.
A arbitragem contábil, instituto muito adotado em outros países, ainda é
pouco aplicada no país. Quando as organizações e as pessoas naturais percebe-
rem e assumirem as vantagens da arbitragem, outra demanda social surgirá para
os peritos em contabilidade.
Esta alternativa, em face da Lei nº 9.307, de 23-9-1996, que disciplinou a
Arbitragem, muito avançará no país. Vários Tribunais e Câmaras Arbitrais já se
constituíram. Essas instâncias privadas de solução de controvérsias, nos procedi-
mentos de arbitragem, já demandam e irão demandar peritos contadores para a
produção de provas sobre matéria patrimonial.
O caminho tradicional da perícia contábil, de há muito conhecido, tem sido
o judicial, mas já não é o único.
O mundo complexo dos negócios públicos e privados vem provocando o sur-
gimento de demandas judiciais cada vez mais complexas, requerendo a produ-
ção de provas técnicas altamente sofisticadas, em especial, provas de natureza
contábil.
Isso vem determinando a presença de peritos nos processos judiciais, com ca-
bedal intelectual altamente sofisticado, capazes de ofertar laudos periciais contá-
beis, cujos conteúdos permitam aos magistrados conhecer os fatos controvertidos
em toda a sua extensão técnica.
Melhor justiça é, em nosso entender, além de outros aspectos, que não cabe
aqui colocar, a produção de melhores provas, em nosso caso, perícia contábil.
Em decorrência da Lei nº 8.455, de 24-8-1992, que alterou dispositivos do
CPC, relativos à prova pericial, fez surgir um novo caminho a ser percorrido.
Trata-se da possibilidade das partes que demandam em juízo apresentarem, já
no início do processo, pareceres técnicos sobre matéria patrimonial controvertida.
Vale dizer que, tratando-se de matéria patrimonial, refletida em fatos contá-
beis, o perito, além da função tradicional de assistente técnico, pode também ser
contratado pelas partes na qualidade de consultor pericial, oferecendo laudo
pericial contábil extrajudicial sobre as questões técnicas submetidas a sua apre-
ciação.
Esta possibilidade de produção de prova técnica contábil para instruir desde
logo, embora ainda muito tímida nos procedimentos judiciais, já é uma realidade
em expansão nos procedimentos arbitrais.
116 Perícia Contábil • Ornelas

Por outro lado, a classe contábil brasileira tem à sua disposição normas pró-
prias sistematizando a perícia contábil e o exercício da função de perito. Esta-
mos referindo-nos às normas, editadas, recentemente, pelo Conselho Federal de
Contabilidade. A NBC-TP-01 - Perícia contábil, aprovada pela Resolução CFC
nº 1243/09, de 10-12-2009 e a NBC-PP-01 - Perito contábil, aprovada pela Re-
solução CFC nº 1.244/09, de 10-12-2009.
Trata-se de um corpo de normas que possibilitam um desenvolvimento mais
homogêneo e disciplinado da perícia contábil, bem como da atuação do perito
em contabilidade.
Permanece o desafio de socializar e divulgar, de forma ampla, essas normas,
de modo que venham a ser conhecidas, assumidas e cumpridas por todos os que
militam na perícia contábil judicial e extrajudicial, bem como conhecidas por
aqueles que usufruem desses trabalhos técnicos periciais.
O desenvolvimento de mecanismos institucionais, quanto à assunção e cum-
primento das normas pelos profissionais que militam nessa especialidade contá-
bil, é de rigor. Desse modo, procedimentos fiscalizatórios emanados do Conselho
Federal de Contabilidade, executados pelos Conselhos Regionais, têm papel rele-
vante, no sentido de coibir a presença de leigos e charlatões no desenvolvimento
de trabalhos periciais contábeis para os quais não têm competência técnica, tam-
pouco conhecimento científico de natureza contábil.
Entende-se também importante o papel das Entidades de Peritos espalhadas
pelo país como canais de socialização e de exigência como normativo social, do
cumprimento das normas de perícia contábil e do exercício da função pericial
contábil.
Muito há por fazer. Os desafios são grandes, porém o porvir é promissor e
alvissareiro.
Resumindo o até aqui exposto, temos alguns aspectos fundamentais que é
necessário ressaltar.
A manutenção da disciplina perícia contábil no currículo pleno do curso de
graduação em Ciências Contábeis é condição básica para o desenvolvimento da
perícia contábil no país. Essa medida didático-pedagógica tem como contrapar-
tida não olvidar do desenvolvimento e treinamento de corpo docente especiali-
zado, por meio de palestras, cursos de curta duração e participação em eventos
especializados. As Instituições de Ensino Superior não podem olvidar que o con-
teúdo da disciplina Perícia Contábil é ponto obrigatório no exame de suficiência
para obtenção do registro profissional de seus formandos.
Novos patamares éticos quanto aos negócios e às atividades públicas e priva-
das vêm sendo exigidos pela sociedade civil. Isso obriga a que as polícias técnicas
- federal e estaduais - estejam aparelhadas para responder a suas responsabili-
dades funcionais, contando com bacharéis em Ciências Contábeis suficientes e
capazes para o exercício da função pericial contábil extrajudicial.
Perspectivas da Perícia Contábil 1 17

O Poder Judiciário, em suas várias especialidades, vem, cada vez mais, sendo
exigido a pronunciar-se sobre questões as mais variadas e muitas dessas somente
são devidamente instruídas por meio de prova pericial contábil. A consequência
lógica é a necessidade de contar com profissionais competentes para o exercício
da função pericial.
A perícia contábil em procedimentos de arbitragem é outra perspectiva pro-
fissional que vem se ampliando rapidamente.
As normas relativas à perícia contábil e ao exercício da função de perito
possibilitam atuação ordenada, procedimentos técnicos homogêneos e de fiscali-
zação profissional.
Todos os caminhos abertos rasgam trilhas amplas a serem percorridas pelos
peritos em contabilidade e as demandas sociais por perícia contábil exigem a
presença de profissionais ética e tecnicamente competentes.
Apêndice A

• NORMAS TÉCNICAS
E FUNCIONAIS DE
PERÍCIA CONTÁBIL

Como resultado de estudos iniciados no decorrer do ano de 1990, o Conse-


lho Federal de Contabilidade, em outubro de 1992, promulgou duas Resoluções
normatizando a realização da perícia contábil e a função de perito. A Resolução
CFC nº 731, de 22-10-1992, aprovou as Normas Técnicas de Perícia Contábil
(NBC-T-13) , e a Resolução CFC nº 733, da mesma data, aprovou as Normas Pro-
fissionais de Perito Contábil (NBC-P-2).
Referidas normas sofreram revisão e reformulação, tendo o Conselho Federal de
Contabilidade promulgado, no dia 21-10-1999, a Resolução CFC nº 858/ 99, refor-
mulando a NBC-T-13 - Da Perícia Contábil, e a Resolução CFC nº 857/ 99, reformu-
lando a NBC-P-2 - Normas Profissionais de Perito Contábil.
Mais recentemente, as diversas Normas Técnicas editadas esparsadamente
até então, foram condensadas em uma única Norma, a NBC-TP-01 - Perícia con-
tábil, aprovada pela Resolução CFC nº 1243/09, de 10 de dezembro de 2009.
Por sua vez as Normas relativas ao perito também foram condensadas na
NBC-PP-01 - Perito contábil, aprovada pela Resolução CFC nº 1.244/09, de 10 de
dezembro de 2009.
Apên dice A - Normas Técn icas e Funcio na is d e Pe rícia Contábil 119

NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE


NBC-TP-01 - PERÍCIA CONTÁBIL

ÍNDICE ITEM
OBJETNO 1
CONCEITO 2-5
EXECUÇÃO 6-17
PROCEDIMENTOS 18- 30
PLANEJAMENTO 31-46
Objetivos 33
Desenvolvimento 34- 38
Riscos e custos 39
Equipe técnica 40-41
Cronograma 42-45
Conclusão 46
TERMO DE DILIGÊNCIA 47- 56
Aplicabilidade 49-54
Estrutura 55- 56
LAUDO E PARECER PERICIAL CONTÁBIL 57- 88
Apresentação do laudo e do parecer pericial contábil 60-66
Terminologia 67- 79
Estrutura 80
Assinatura em conjunto 81-83
Laudo e parecer de leigo ou profissional não habilitado 84
Esclarecimentos do laudo e do parecer pericial contábil em audiência 85-86
Quesitos e respostas 87
Quesitos novos 88

OBJETIVO

1. Esta Norma estabelece regras e procedimentos técnico-científicos a serem


observados pelo perito, quando da elaboração de perícia contábil, no âmbito
judicial, extrajudicial, inclusive arbitral, mediante o esclarecimento dos as-
pectos e dos fatos do litígio por meio de exame, vistoria, indagação, investi-
gação, arbitramento, avaliação ou certificação.
120 Períc ia Contábil • Orne las

CONCEITO

2. A perícia contábil constitui o conjunto de procedimentos técnico-científicos


destinados a levar à instância decisória elementos de prova necessários a sub-
sidiar a justa solução do litígio ou constatação de um fato, mediante laudo pe-
ricial contábil e/ou parecer pericial contábil, em conformidade com as normas
jurídicas e profissionais, e a legislação específica no que for pertinente.
3. O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil têm por limite os pró-
prios objetivos da perícia deferida ou contratada.
4. A perícia contábil, tanto a judicial como a extrajudicial, é de competência
exclusiva de contador registrado em Conselho Regional de Contabilidade.
Entende-se como perícia judicial aquela exercida sob a tutela da justiça. A pe-
rícia extrajudicial é aquela exercida no âmbito arbitral, estatal ou voluntária.
5. A perícia arbitral é aquela exercida sob o controle da lei de arbitragem. Pe-
rícia no âmbito estatal é executada sob o controle de órgão do Estado, tais
como perícia administrativa das Comissões Parlamentares de Inquérito, de
perícia criminal e do Ministério Público. Perícia voluntária é aquela contrata-
da espontaneamente pelo interessado ou de comum acordo entre as partes.

EXECUÇÃO

6. O perito-contador assistente pode, tão logo tenha conhecimento da perícia,


manter contato com o perito-contador, pondo-se à disposição para o pla-
nejamento, para o fornecimento de documentos em poder da parte que o
contratou e ainda para a execução conjunta da perícia. Uma vez recusada
a participação, o perito-contador pode permitir ao assistente técnico acesso
aos autos e aos elementos de prova arrecadados durante a perícia, indicando
local e hora para exame pelo assistente técnico.
7. O perito-contador assistente pode, logo após sua contratação, manter conta-
to com o advogado da parte que o contratou, requerendo dossiê completo do
processo para conhecimento dos fatos e melhor acompanhamento dos atos
processuais no que pertine a perícia.
8. O perito, enquanto estiver de posse do processo ou de documentos, deve
zelar por sua guarda e segurança.
9. Para a execução da perícia contábil, o perito deve ater-se ao objeto e ao lapso
temporal da perícia a ser realizada.
10. Mediante termo de diligência, o perito deve solicitar por escrito todos os do-
cumentos e informações relacionadas ao objeto da perícia.
11 . A eventual recusa no atendimento a diligências solicitadas ou qualquer difi-
culdade na execução do trabalho pericial deve ser comunicada, com a devida
comprovação ou justificativa, ao juízo, em se tratando de perícia judicial; ou
à parte contratante, no caso de perícia extrajudicial.
Apêndice A- Normas Técnicas e Funcionais de Perícia Contábil 121

12. O perito deve utilizar os meios que lhe são facultados pela legislação e normas
concernentes ao exercício de sua função, com vistas a instruir o laudo pericial
contábil ou parecer pericial contábil com as peças que julgar necessárias.
13. O perito deve manter registros dos locais e datas das diligências, nomes das
pessoas que os atenderem, livros e documentos ou coisas examinadas ou
arrecadadas, dados e particularidades de interesse da perícia, rubricando a
documentação examinada, quando julgar necessário e possível, juntando o
elemento de prova original, cópia ou certidão.
14. A execução da perícia, quando incluir a utilização de equipe técnica, deve
ser realizada sob a orientação e supervisão do perito, que assume a respon-
sabilidade pelos trabalhos, devendo assegurar-se que as pessoas contratadas
estejam profissionalmente capacitadas à execução.
15. O perito deve documentar os elementos relevantes que serviram de suporte
à conclusão formalizada no laudo pericial contábil e no parecer pericial con-
tábil, por meio de papéis de trabalho, que foram considerados relevantes,
visando fundamentar o laudo ou parecer e comprovar que a perícia foi exe-
cutada de acordo com os despachos e decisões judiciais, bem como com as
normas legais e Normas Brasileiras de Conta_bilidade.
16. Entende-se por papéis de trabalho a documentação preparada pelo perito
para a execução da perícia. Eles integram um processo organizado de regis-
tro de provas, por intermédio de termos de diligência, informações em papel,
meios eletrônicos, plantas, desenhos, fotografias, correspondências, depoi-
mentos, notificações, declarações, comunicações ou outros quaisquer meios
de prova fornecidos e peças que assegurem o objetivo da execução pericial.
17. O perito-contador assistente que assessorar o contratante, na elaboração das
estratégias a serem adotadas na proposição de solução por acordo ou deman-
da, cumprirá, no que couber, os requisitos desta Norma.

PROCEDIMENTOS

18. Os procedimentos de perícia contábil visam fundamentar as conclusões que


serão levadas ao laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil, e abran-
gem, total ou parcialmente, segundo a natureza e a complexidade da ma-
téria, exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento, mensuração,
avaliação e certificação.
19. O exame é a análise de livros, registros das transações e documentos.
20. A vistoria é a diligência que objetiva a verificação e a constatação de situação,
coisa ou fato, de forma circunstancial.
21. A indagação é a busca de informações mediante entrevista com conhecedores
do objeto ou de fato relacionado à perícia.
22. A investigação é a pesquisa que busca trazer ao laudo pericial contábil ou
parecer pericial contábil o que está oculto por quaisquer circunstâncias.
122 Pe ríci a Con tá bil • Orne las

23. O arbitramento é a determinação de valores ou a solução de controvérsia por


critério técnico-científico.
24. A mensuração é o ato de qualificação e quantificação física de coisas, bens,
direitos e obrigações.
25. A avaliação é o ato de estabelecer o valor de coisas, bens, direitos, obriga-
ções, despesas e receitas.
26. A certificação é o ato de atestar a informação trazida ao laudo pericial con-
tábil pelo perito-contador, conferindo-lhe caráter de autenticidade pela fé
pública atribuída a este profissional.
27. Concluídas as diligências, o perito-contador apresentará laudo pericial contá-
bil, e o perito-contador assistente seu parecer pericial contábil, obedecendo
aos respectivos prazos.
28. O perito-contador, depois de concluído seu trabalho, fornecerá, quando soli-
citado, cópia do laudo, ao perito-contador assistente, informando-lhe a data
em que o laudo pericial contábil será protocolizado.
29. O perito-contador assistente não pode firmar o laudo pericial quando o do-
cumento tiver sido elaborado por leigo ou profissional de outra área, de-
vendo, neste caso, apresentar um parecer pericial contábil sobre a matéria
investigada.
30. O perito-contador assistente, ao apor a assinatura, em conjunto com o perito-
contador, em laudo pericial contábil, não pode emitir parecer pericial contá-
bil contrário ao laudo.

PLANEJAMENTO

31. O planejamento da perícia é a etapa do trabalho pericial, que antecede as


diligências, pesquisas, cálculos e respostas aos quesitos, na qual o perito es-
tabelece os procedimentos gerais dos exames a serem executados no âmbi-
to judicial, extrajudicial para o qual foi nomeado, indicado ou contratado,
elaborando-o a partir do exame do objeto da perícia.
32. Enquanto o planejamento da perícia é um procedimento prévio abrangente
que se propõe a estabelecer todas as etapas da perícia, o programa de tra-
balho é a especificação de cada etapa a ser realizada que deve ser elaborada
com base nos quesitos e/ ou no objeto da perícia.

Objetivos

33. Os objetivos do planejamento da perícia são:


(a) conhecer o objeto da perícia, a fim de permitir a adoção de procedimen-
tos que conduzam à revelação da verdade, a qual subsidiará o juízo, o
árbitro ou o interessado a tomar a decisão a respeito da lide;
Apê ndice A - No rm as Técnicas e Funcion a is d e Perícia Contábil 123

(b) definir a natureza, a oportunidade e a extensão dos exames a serem


realizados, em consonância com o objeto da perícia, os termos constan-
tes da nomeação, dos quesitos ou da proposta de honorários oferecida
pelo perito;
(c) estabelecer condições para que o trabalho seja cumprido no prazo esta-
belecido;
(d) identificar potenciais problemas e riscos que possam vir a ocorrer no
andamento da perícia;
(e) identificar fatos que possam vir a ser importantes para a solução da de-
manda, de forma que não passem despercebidos ou não recebam a aten-
ção necessária;
(f) identificar a legislação aplicável ao objeto da perícia;
(g) estabelecer como ocorrerá a divisão das tarefas entre os membros da
equipe de trabalho, sempre que o perito necessitar de auxiliares;
(h) facilitar a execução e a revisão dos trabalhos.

Desenvolvimento

34. Os documentos dos autos servem como suporte para obtenção das informa-
ções necessárias à elaboração do planejamento da perícia.
35. Em caso de ser identificada a necessidade de realização de diligências, na
etapa de elaboração do planejamento, devem ser considerados, se não decla-
rada a preclusão de prova documental, a legislação aplicável, documentos,
registros, livros contábeis, fiscais e societários, laudos e pareceres já reali-
zados e outras informações que forem identificadas como pertinentes para
determinar a natureza do trabalho a ser executado.
36. O planejamento da perícia deve ser mantido por qualquer meio de registro
que facilite o entendimento dos procedimentos a serem adotados e sirva de
orientação adequada à execução do trabalho.
37. O planejamento deve ser revisado e atualizado sempre que fatos novos sur-
jam no decorrer da perícia.
38. O planejamento deve ser realizado pelo perito-contador, ainda que o traba-
lho venha a ser realizado de forma conjunta com o perito-contador assisten-
te, podendo este orientar-se no referido planejamento.

Riscos e custos

39. O perito, na fase de elaboração do planejamento, com vistas a elaborar a pro-


posta de honorários, deve avaliar os riscos decorrentes de responsabilidade
civil, despesas com pessoal e encargos sociais, depreciação de equipamentos
e despesas com manutenção do escritório.
124 Perícia Contábil • Ornelas

Equipe técnica

40. Quando a perícia exigir a necessidade de utilização de trabalho de terceiros


(equipe de apoio, trabalho de especialistas ou profissionais de outras áreas
de conhecimento), o planejamento deve prever a orientação e a supervisão
do perito, que assumirá responsabilidade pelos trabalhos executados exclusi-
vamente por sua equipe de apoio. l
41. Quando a perícia exigir a utilização de perícias interdisciplinares ou trabalho
de especialistas, estes devem estar devidamente registrados em seus conse-
lhos profissionais, quando aplicável, devendo o planejamento contemplar tal
necessidade.

Cronograma

42. O perito-contador deve levar em consideração que o planejamento da perícia,


quando for o caso, inicia-se antes da elaboração da proposta de honorários,
considerando-se que, para apresentá-la ao juízo, árbitro ou às partes no caso
de perícia extrajudicial, há necessidade de se especificar as etapas do trabalho
a serem realizadas. Isto implica que o perito-contador deve ter conhecimen-
to prévio de todas as etapas, salvo aquelas que somente serão identificadas
f
quando da execução da perícia, inclusive a possibilidade da apresentação de
quesitos suplementares, o que será objeto do ajuste no planejamento.
43. O planejamento da perícia deve evidenciar as etapas e as épocas em que se-
rão executados os trabalhos, em conformidade com o conteúdo da proposta
1
de honorários a ser apresentada, incluindo-se a supervisão e a revisão do
próprio planejamento, os programas de trabalho quando aplicáveis, até a
entrega do laudo.
44. No cronograma de trabalho, devem ficar evidenciados, quando aplicáveis, to-
dos os itens necessários à execução da perícia, tais como: diligências a serem
realizadas, deslocamentos, necessidade de trabalho de terceiros, pesquisas
que serão feitas, elaboração de cálculos e planilhas, respostas aos quesitos,
prazo para entrega do laudo e outros, de forma a assegurar que todas as eta-
pas necessárias à realização da perícia sejam cumpridas.
45. Para cumprir o prazo determinado ou contratado para realização dos tra-
balhos de perícia, o perito deve considerar em seus planejamentos, quando
aplicáveis, entre outros, os seguintes itens:
(a) o conteúdo da proposta de honorários apresentada pelo perito-contador
e aceita pelo juízo, pelo árbitro ou pelas partes no caso de perícia extra-
judicial ou pelo perito-contador assistente;
(b) o prazo suficiente para solicitar e receber os documentos, bem como
para a execução e a entrega do trabalho;
(c) a programação de viagens, quando necessárias.
Apê nd ice A - Normas Técnicas e Fun cio nais de Pe rícia Contá bil 125

Conclusão

46. A conclusão do planejamento da perícia ocorre quando o perito-contador


completar as análises preliminares, dando origem, quando for o caso, à pro-
posta de honorários (nos casos em que o juízo ou o árbitro não tenha fixado,
previamente, honorários definitivos), aos termos de diligências e aos progra-
mas de trabalho. Um modelo de planejamento para perícia judicial encontra-
se em anexo ao final desta Norma.

TERMO DE DILIGÊNCIA

47. Termo de diligência é o instrumento por meio do qual o perito solicita docu-
mentos, coisas, dados, bem como quaisquer informações necessárias à elabo-
ração do laudo pericial contábil ou do parecer pericial contábil.
48. Servirá ainda para a execução de outros trabalhos que tenham sido a ele
determinados ou solicitados por quem de direito, desde que tenham a finali-
dade de orientar ou colaborar nas decisões, judiciais ou extrajudiciais.

Aplicabilidade

49. O termo de diligência deve ser redigido pelo perito, ser apresentado direta-
mente à parte, ao seu procurador, ou ao terceiro, por qualquer meio escrito
que se possa documentar a sua entrega, contendo minuciosamente o rol dos
documentos, livros, coisas, ou outros dados de que se necessite para a elabo-
ração do laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil.
50. Diligenciado é qualquer pessoa física ou jurídica, inclusive de direito públi-
co, que tenha a posse de documentos, coisas, dados ou informações úteis e
indispensáveis para subsidiar a elaboração do laudo pericial contábil ou do
parecer pericial contábil, e que o destinatário, por decorrência legal ou de-
terminação de autoridade competente, esteja obrigado a fornecer elementos
de prova.
51. O perito deve observar os prazos a que está obrigado por força de determina-
ção legal, e, dessa forma, sempre mencionar o tempo máximo para o cumpri-
mento da solicitação a que está obrigado o diligenciado.
52. O termo de diligência deve conter, quando possível, a relação dos documen-
tos, coisas ou dados que o perito tenha mencionado em petição de honorário
judicial ou em contrato.
53. Deve ser apensada ao laudo ou parecer cópia do termo de diligência conten-
do o ciente do diligenciado ou do seu representante legal. Devem compor o
texto do laudo as informações colhidas ou não durante as buscas das provas,
bem como as providências tomadas para o cumprimento do seu ofício.
126 Perícia Contábil • Ornelas

54. Caso ocorra a negativa da entrega dos elementos de prova ou para a colabo-
ração na busca da verdade, deve o perito se reportar diretamente a quem o
nomeou, contratou ou indicou, narrando os fatos por meio de provas e soli-
citando as providências cabíveis e necessárias, para que não seja imputada a
ele responsabilidade por omissão na atividade profissional.

Estrutura

55. O termo de diligência deve conter os seguintes elementos:


(a) identificação do diligenciado;
(b) identificação das partes ou dos interessados, e, em se tratando de perí-
cia judicial ou arbitral, o número do processo, o tipo e o juízo em que
tramita;
(c) identificação do perito com indicação do número do registro profissional
no Conselho Regional de Contabilidade;
(d) indicação de que está sendo elaborado nos termos do item 49 desta
Norma;
(e) indicação detalhada dos livros, documentos, coisas e demais elementos
a serem periciados, consignando as datas e/ ou períodos abrangidos, po-
dendo identificar o quesito a que se referem;
(f) indicação do prazo e do local para a exibição dos livros, documentos,
coisas e elementos necessários à elaboração do laudo pericial contábil
ou parecer pericial contábil, devendo o prazo ser compatível com aquele
concedido pelo juízo, contratante ou convencionado pelas partes, consi-
derada a quantidade de documentos, as informações necessárias, a estru-
tura organizacional do diligenciado e o local de guarda dos documentos;
(g) após atendidos os requisitos da alínea (e), quando o exame dos livros,
documentos, coisas e elementos tiver de ser realizado junto à parte ou ao
terceiro que detém em seu poder tais provas, haverá a indicação da data
e hora para sua efetivação; e
(h) local, data e assinatura.
56. O perito elaborará o termo de diligência, podendo adotar os modelos sugeri-
dos em anexo ao final desta Norma.

LAUDO E PARECER PERICIAL CONTÁBIL


I
57. O Decreto-lei nº 9.295/46, na alínea "c" do art. 25, determina que o laudo
pericial contábil e o parecer pericial contábil somente sejam elaborados por
contador que esteja devidamente registrado e habilitado em Conselho Regio-
nal de Contabilidade.
Apê ndi ce A - Normas Técni cas e Fun ciona is de Perícia Contábil 127

58. O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil são documentos escritos,
nos quais os peritos devem registrar, de forma abrangente, o conteúdo da perí-
cia e particularizar os aspectos e as minudências que envolvam o seu objeto e
as buscas de elementos de prova necessários para a conclusão do seu trabalho.
59. Obriga a Norma que os peritos, no encerramento do laudo pericial contábil
ou do parecer pericial contábil, consignem, de forma clara e precisa, as suas
conclusões.

Apresentação do laudo e do parecer pericial contábil


60. O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil são orientados e condu-
zidos pelo perito-contador e pelo perito-contador assistente, respectivamen-
te, que adotarão padrão próprio, respeitada a estrutura prevista nesta Nor-
ma. Neles devem ser registrados de forma circunstanciada, clara e objetiva,
sequencial e lógica, o objeto da perícia, os estudos e observações realizadas,
as diligências executadas para a busca de elementos de prova necessários, a
metodologia e critérios adotados, os resultados devidamente fundamentados
e as suas conclusões.
61. O perito não deve utilizar-se dos espaços marginais ou interlineares para lan-
çar quaisquer escritos no laudo pericial contábil e parecer pericial contábil,
ou produzir emendas ou rasuras.
62. A linguagem adotada pelo perito deverá ser acessível aos interlocutores, pos-
sibilitando aos julgadores e às partes da demanda conhecimento e interpre-
tação dos resultados obtidos nos trabalhos periciais contábeis. Devem ser
utilizados termos técnicos e o texto conter informações de forma clara. Os
termos técnicos devem ser inseridos na redação do laudo pericial contábil
e do parecer pericial contábil, de modo a se obter uma redação técnica que
qualifique o trabalho pericial, respeitadas as Normas Brasileiras de Contabi-
lidade, bem como a legislação de regência da profissão contábil.
63. Tratando-se de termos técnicos atinentes à profissão contábil, devem quando
necessário, ser acrescidos de esclarecimentos adicionais e recomendada a
utilização daqueles de maior domínio público.
64. O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil deverão ser escritos
de forma direta, devendo atender às necessidades dos julgadores e dos in-
teressados e ao objeto da discussão, sempre com conteúdo claro e limitado
ao assunto da demanda, de forma que possibilite aos julgadores proferirem
justa decisão. O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil não de-
vem conter documentos, coisas, e/ ou informações que conduzam a duvidosa
interpretação, para que não induza os julgadores e interessados a erro.
65. Os peritos devem elaborar o laudo pericial contábil e o parecer pericial con-
tábil utilizando-se do vernáculo, sendo admitidas apenas palavras ou expres-
sões idiomáticas de outras línguas de uso comum nos tribunais judiciais ou
extrajudiciais.
128 Perícia Contá bil • Ornelas

66. O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil devem contemplar o


resultado final de todo e qualquer trabalho alcançado por meio de elementos
de prova inclusos nos autos ou adquiridos em diligências que o perito-con-
tador tenha efetuado, por intermédio de peças contábeis e quaisquer outros
documentos, tipos e formas.

Terminologia
67. Forma circunstanciada: a redação pormenorizada, minuciosa, efetuada
com cautela e detalhamento em relação aos procedimentos e aos resultados
do laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil.
68. Síntese do objeto da perícia: o relato sucinto de forma que resulte numa lei-
tura compreensiva dos fatos relatados ou na transcrição resumida dos fatos
da lide sobre as questões básicas que resultaram na nomeação ou na contra-
tação do perito.
69. Diligência: todos os procedimentos e atos adotados pelo perito na busca de
documentos, coisas, informações ou quaisquer outros elementos de prova,
bem como todos os subsídios necessários à elaboração do laudo pericial con-
tábil e do parecer pericial contábil, mediante termo de diligência, quando
possível, desde que tais provas não estejam insertas nos autos. Ainda são
consideradas diligências as comunicações às partes, aos peritos-contadores
assistentes ou a terceiros, ou petições judiciais, em decorrência de necessida-
de de arrecadar elementos de prova.
70. Critérios da perícia: procedimentos que servem de norma para julgar ou
decidir o caminho que deve seguir o perito na elaboração do trabalho peri-
cial. É a faculdade que tem de distinguir como proceder em torno dos fatos
alegados.
71. Metodologia: conjunto dos meios dispostos convenientemente para alcançar
o resultado da perícia por meio do conhecimento técnico-científico, de ma-
neira que possa ao final inseri-lo no corpo técnico do laudo pericial contábil
e do parecer pericial contábil.
72. Resultados fundamentados: representam as consequências do trabalho téc-
nico-científico do perito, por meio da explicitação da forma pela qual o perito
chegou às conclusões da perícia.
73. Conclusão: é a quantificação, quando possível, do valor da demanda, podendo
reportar-se a demonstrativos apresentados no corpo do laudo pericial contábil
e do parecer pericial contábil ou em documentos. É na conclusão que o perito
colocará outras informações que não foram objeto de quesitação, porém, as
encontrou na busca dos elementos de prova inerentes ao objeto da perícia e
que, de alguma forma, servirão de apoio para a opinião ou julgamento.
74. Anexos: são documentos elaborados pelas partes ou terceiros com o intuito
de complementar a argumentação ou elementos de prova arrecadados ou
requisitados pelo perito durante as diligências.
Apêndice A - Normas Técnicas e Fun cio na is de Pe rícia Contábil 129

75. Apêndices: são documentos elaborados pelo perito com o intuito de comple-
mentar a argumentação ou elementos de prova.
76. Palavras e termos ofensivos: o perito que se sentir ofendido por expressões
injuriosas, de forma escrita ou verbal, no processo, poderá tomar as seguintes
providências:
(a) sendo a ofensa escrita ou verbal, por qualquer das partes, peritos ou ad-
vogados, o perito ofendido pode requerer a autoridade competente que
mande riscar os termos ofensivos dos autos ou cassada a palavra;
(b) sendo a ofensa escrita ou verbal, por qualquer dos peritos, o perito ofen-
dido pode requerer a autoridade competente que mande riscar os termos
ofensivos dos autos ou cassada a palavra. Pode ainda, ser comunicado o
ocorrido mediante protocolo ao Conselho Regional de Contabilidade da
sua jurisdição;
(c) as providências adotadas, na forma prevista nos itens precedentes, não
impedem outras medidas de ordem civil ou criminal.
77. Esclarecimentos: havendo determinação -de esclarecimentos do laudo peri-
cial contábil ou do parecer pericial contábil sem a realização de audiência, o
perito as fará por escrito, observando em suas respostas os mesmos procedi-
mentos adotados quando da feitura do esclarecimento em audiência, no que
for aplicável.
78. Quesitos novos e honorários suplementares: o perito deve observar os
quesitos suplementares formulados pelas partes ou pelo julgador.
79. Os peritos devem, na conclusão do laudo pericial contábil e do parecer peri-
cial contábil, considerar as formas explicitadas nos itens seguintes:
(a) omissão de fatos: o perito-contador não pode omitir nenhum fato rele-
vante encontrado no decorrer de suas pesquisas ou diligências, mesmo
que não tenha sido objeto de quesitação e desde que esteja relacionado
ao objeto da perícia;
(b) a conclusão com quantificação de valores é viável em casos de: apuração
de haveres; liquidação de sentença, inclusive em processos trabalhistas;
resolução de sociedade; avaliação patrimonial, entre outros;
(c) pode ocorrer que na conclusão seja necessária a apresentação de alter-
nativas, condicionada às teses apresentadas pelas partes, casos em que
cada uma apresenta uma versão para a causa. O perito deve apresentar
ao juiz as alternativas condicionadas às teses apresentadas, devendo,
necessariamente, serem identificados os critérios técnicos que lhes deem
respaldo. Tal situação deve ser apresentada de forma a não representar
a opinião pessoal do perito, consignando os resultados obtidos, caso ve-
130 Pe rícia Contábil • Ornelas

nha a ser aceita a tese de um ou de outro demandante, como no caso de


discussão de índices de atualização e taxas;
(d) a conclusão pode ainda reportar-se às respostas apresentadas nos quesitos;
(e) a conclusão pode ser, simplesmente, elucidativa quanto ao objeto da pe-
rícia, não envolvendo, necessariamente, quantificação de valores.

Estrutura

80. O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil devem conter, no míni-
mo, os seguintes itens:
(a) identificação do processo e das partes;
(b) síntese do objeto da perícia;
(c) metodologia adotada para os trabalhos periciais;
(d) identificação das diligências realizadas;
(e) transcrição e resposta aos quesitos: para o laudo pericial contábil;
(D transcrição e resposta aos quesitos: para o parecer pericial contábil,
onde houver divergência, transcrição dos quesitos, respostas formula -
das pelo perito-contador e as respostas e comentários do perito-conta-
dor assistente;
(g) conclusão;
(h) anexos;
(i) apêndices;
U) assinatura do perito: fará constar sua categoria profissional de conta-
dor e o seu número de registro em Conselho Regional de Contabilidade,
comprovada mediante Declaração de Habilitação Profissional - DHP. É
permitida a utilização da certificação digital, em consonância com a le-
gislação vigente e as normas estabelecidas pela Infraestrutura de Chaves
Públicas Brasileiras - !CP-Brasil.

Assinatura em conjunto

81. Quando se tratar de laudo pericial contábil assinado em conjunto, pelo(s)


perito-contador e perito(s)-contador(es) assistente(s), há responsabilidade
solidária sobre o referido documento.
82. Em se tratando de laudo pericial contábil realizado por peritos contadores
não oficiais para a área criminal, o exame só pode ser realizado após a pres-
tação de compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo.
83. Quando se tratar de laudo pericial contábil realizado para área criminal, as-
sinado em conjunto pelos peritos não oficiais, há responsabilidade solidária
sobre o referido documento.
Apêndice A - No rm as Técn icas e Funciona is de Pe ríci a ·Co ntábil 131

,':'·

Laudo e parecer de leigo ou profissional não habilitado _.,,,.··


...:.,,
... .... ·-, ~ • •

84. O Decreto-Lei nº 9.295/ 46 e a Norma Brasileira de Contabilidade consideram


leigo ou profissional não habilitado para a elaboração de laudos periciais
contábeis e pareceres periciais contábeis qualquer profissional que não seja
contador habilitado perante Conselho Regional de Contabilidade.

Esclarecimentos do laudo e do parecer pericial contábil em audiência

85 . Esclarecimentos são respostas oferecidas pelo perito aos pedidos de esclare-


cimentos do laudo pericial contábil e parecer pericial contábil, determinados
pelas autoridades competentes, quando estas por algum motivo entenderem
a necessidade da presença do perito na audiência, para descrever e explicar
de maneira ordenada e pormenorizada o conteúdo do laudo pericial. Os que-
sitos de esclarecimentos efetuados podem ser respondidos de duas maneiras:
(a) de forma escrita: os quesitos de esclarecimentos deferidos e apresentados
ao perito, no prazo legal, podem ser respondidos por escrito e, neste caso,
deverá ser entregue o original, na audiência, para a juntada nos autos.
(b) de forma oral: os quesitos de esclarecimentos deferidos e apresentados
ao perito, no prazo legal, podem ser respondidos de forma oral, cuidan-
do para sanar as obscuridades, omissões, contradições ou interpretações
distintas daquelas constantes no laudo pericial contábil.
86. Se for necessário efetuar diligências para arrecadar novos documentos ou
outros elementos de prova, o perito deve adotar todas as providências cons-
tantes nesta Norma, não podendo, no entanto, requerer honorários comple-
mentares para aquele feito.

Quesitos e respostas

87. O perito deve observar as perguntas efetuadas pelas partes, no momento


próprio dos esclarecimentos, pois tal ato se limita às respostas a quesitos
integrantes do laudo pericial, ou do parecer pericial contábil às explicações
sobre o conteúdo da lide ou sobre a conclusão.

Quesitos novos

88. O perito-contador deve observar se os quesitos formulados nesta fase pro-


cessual são pedidos de esclarecimentos sobre o seu laudo pericial contábil
ou se tratam de quesitos novos. Mesmo atinentes ao objeto da discussão, as
respostas a esses novos quesitos ficam sujeitas ao deferimento do julgador da
causa.
132 Perícia Contábil • Ornelas

NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE


NBC-PP-01 - PERITO CONTÁBIL

ÍNDICE ITEM
OBJETIVO 1
CONCEITO 2-4
COMPETÊNCIA PROFISSIONAL 5-6
HABILITAÇÃO PROFISSIONAL 7-13
EDUCAÇÃO CONTINUADA 14
INDEPENDÊNCIA 15
IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO 16-24
Impedimento legal 20
Impedimento técnico-científico 21
Suspeição 22-24
SIGILO 25 - 27
RESPONSABILIDADE 28-36
Responsabilidade e ética 30-34
Responsabilidade civil e penal 35-36
ZELO PROFISSIONAL 37-44
ESCLARECIMENTOS 45
UTILIZAÇÃO DE TRABALHO DE ESPECIALISTA 46
HONORÁRIOS 47-68
Elaboração de proposta 57- 58
Quesitos suplementares 59
Quesitos de esclarecimentos 60-61
Apresentação de proposta de honorários 62-64
Levantamento de honorários 65-66
Execução de honorários periciais 67
Despesas supervenientes na execução da perícia 68

OBJETIVO

1. Esta Norma estabelece procedimentos inerentes à atuação do contador na


condição de perito.

CONCEITO

2. Perito é o contador regularmente registrado em Conselho Regional de Conta-


bilidade, que exerce a atividade pericial de forma pessoal, devendo ser pro-
fundo conhecedor, por suas qualidades e experiências, da matéria periciada.
Apêndi ce A - Normas Técnica s e Funcionais d e Perícia Contábil 133

3. Perito-contador nomeado é o designado pelo juiz em perícia contábil judicial;


contratado é o que atua em perícia contábil extrajudicial; e escolhido é o que
exerce sua função em perícia contábil arbitral.
4. Perito-contador assistente é o contratado e indicado pela parte em perícias
contábeis, em processos judiciais e extrajudiciais, inclusive arbitral.

COMPETÊNCIA PROFISSIONAL

5. Competência técnico-científica pressupõe ao perito manter adequado nível de


conhecimento da ciência contábil, das Normas Brasileiras de Contabilidade,
das técnicas contábeis, da legislação relativa à profissão contábil e aquelas
aplicáveis à atividade pericial, atualizando-se, permanentemente, mediante
programas de capacitação, treinamento, educação continuada e especializa-
ção. Para tanto, deve demonstrar capacidade para:
(a) pesquisar, examinar, analisar, sintetizar e fundamentar a prova no laudo
pericial contábil e no parecer pericial contábil;
(b) realizar seus trabalhos com a observât).cia da equidade significa que o pe-
rito-contador e o perito-contador assistente devem atuar com igualdade
de direitos, adotando os preceitos legais, inerentes à profissão contábil.
6. O espírito de solidariedade do perito não induz nem justifica a participação
ou a conivência com erros ou atos infringentes às normas profissionais, téc-
nicas e éticas que regem o exercício da profissão, devendo estar vinculado
à busca da verdade fática, a fim de esclarecer o objeto da perícia de forma
técnica-científica e o perito-contador assistente para subsidiar na defesa da
parte que o indicou.

HABILITAÇÃO PROFISSIONAL

7. O perito deve comprovar sua habilitação profissional por intermédio da De-


claração de Habilitação Profissional - DHP, de que trata a Resolução CFC
nº 871/ 00. É permitida a utilização da certificação digital, em consonância
com a legislação vigente e as normas estabelecidas pela Infraestrutura de
Chaves Públicas Brasileiras - !CP-Brasil.
8. A DHP deve ser afixada abaixo da assinatura do perito-contador ou do perito-
-contador assistente, e no caso da DHP-Eletrônica, deve ser colocada na pri-
meira folha após a assinatura de cada profissional, no laudo pericial contábil
ou no parecer pericial contábil.
9. A nomeação, a contratação e a escolha do perito-contador para o exercí-
cio da função pericial contábil, em processo judicial, extrajudicial e arbitral
devem ser consideradas como distinção e reconhecimento da capacidade e
honorabilidade do contador, devendo este escusar-se do encargo sempre que
134 Pe rícia Contá bil • Orne las

reconhecer não ter competência técnica ou não dispor de estrutura profissio-


nal para desenvolvê-lo, podendo utilizar o serviço de especialistas de outras
áreas, quando parte do objeto da perícia assim o requerer.
10. A indicação ou a contratação para o exercício da atribuição de perito-con-
tador assistente, em processo extrajudicial, devem ser consideradas como
distinção e reconhecimento da capacidade e da honorabilidade do contador,
devendo este recusar os serviços sempre que reconhecer não estar capacitado
a desenvolvê-los, contemplada a utilização de serviços de especialistas de
outras áreas, quando parte do objeto do seu trabalho assim o requerer.
11. A utilização de serviços de especialista de outras áreas, quando parte do ob-
jeto da perícia assim o requerer, não implica presunção de incapacidade do
perito, devendo tal fato ser, formalmente, relatado no laudo pericial contábil
ou no parecer pericial contábil para conhecimento do julgador, das partes ou
dos contratantes.
12. A indicação ou a contratação de perito-contador assistente ocorre quando
a parte ou contratante desejar ser assistida por um contador, ou compro-
var algo que dependa de conhecimento técnico-científico, razão pela qual o
profissional só deve aceitar o encargo se reconhecer estar capacitado com
conhecimento suficiente, discernimento e irrestrita independência para a
realização do trabalho.
13. Para efeito de controle técnic.o dos laudos periciais e pareceres periciais con-
tábeis, os Conselhos Regionais de Contabilidade devem manter relatórios
atualizados contendo, no mínimo, identificação do número do processo e
local de sua tramitação, para os quais foi utilizada a DHP. Tratando-se de
perícia extrajudicial, inclusive arbitral, devem ser indicadas as partes para as
quais foram utilizadas tais declarações.

EDUCAÇÃO CONTINUADA

14. O perito, no exercício de suas atividades, deve comprovar a participação em


programa de educação continuada, na forma a ser regulamentada pelo Con-
selho Federal de Contabilidade.

INDEPENDÊNCIA

15. O perito deve evitar qualquer interferência que possa constrangê-lo em seu
trabalho, não admitindo, em nenhuma hipótese, subordinar sua apreciação
a qualquer fato, pessoa, situação ou efeito que possa comprometer sua inde-
pendência, denunciando a quem de direito a eventual ocorrência da situação
descrita.
Apê ndi ce A - Norma s Técni ca s e Fun cio na is d e Perícia Contábil 135

IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO

16. São situações fáticas ou circunstanciais que impossibilitam o perito de exer-


cer, regularmente, suas funções, ou realizar atividade pericial em processo
judicial ou extrajudicial, inclusive arbitral. Os itens previstos nesta Norma
explicitam os conflitos de interesse motivadores dos impedimentos e das sus-
peições a que está sujeito o perito nos termos da legislação vigente e do Có-
digo de Ética Profissional do Contabilista.
17. Para que o perito possa exercer suas atividades com isenção, é fator deter-
minante que ele se declare impedido, após nomeado, contratado, escolhido
ou indicado quando ocorrerem as situações previstas nesta Norma, nos itens
abaixo.
18. Quando nomeado em juízo, o perito deve dirigir petição, no prazo legal, jus-
tificando a escusa ou o motivo do impedimento.
19. Quando indicado pela parte e não aceitando o encargo, o perito-contador as-
sistente deve comunicar a ela sua recusa, devidamente justificada por escrito,
com cópia ao juízo.

Impedimento legal

20. O perito-contador nomeado ou escolhido deve se declarar impedido quando


não puder exercer suas atividades com imparcialidade e sem qualquer inter-
ferência de terceiros, ou ocorrendo pelo menos uma das seguintes situações:
(a) for parte do processo;
(b) tiver atuado como perito contador contratado ou prestado depoimento
como testemunha no processo;
(c) tiver mantido, nos últimos dois anos, ou mantenha com alguma das par-
tes ou seus procuradores, relação de trabalho como empregado, admi-
nistrador ou colaborador assalariado;
(d) tiver cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou em
linha colateral até o terceiro grau, postulando no processo ou entidades
das quais esses façam parte de seu quadro societário ou de direção;
(e) tiver interesse, direto ou indireto, mediato ou imediato, por si, por seu
cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou em linha
colateral até o terceiro grau, no resultado do trabalho pericial;
(f) exercer cargo ou função incompatível com a atividade de perito-conta-
dor, em função de impedimentos legais ou estatutários;
(g) receber dádivas de interessados no processo;
(h) subministrar meios para atender às despesas do litígio; e
(i) receber quaisquer valores e benefícios, bens ou coisas sem autorização
ou conhecimento do juiz ou árbitro.
136 Perícia Contábil • Orne las

Impedimento técnico-científico

21. O impedimento por motivos técnico-científicos a ser declarado pelo perito


decorre da autonomia, estrutura profissional e da independência que deve
possuir para ter condições de desenvolver de forma isenta o seu trabalho. São
motivos de impedimento técnico-científico:
(a) a matéria em litígio não ser de sua especialidade;
(b) a constatação de que os recursos humanos e materiais de sua estrutura
profissional não permitem assumir o encargo; cumprir os prazos nos tra-
balhos em que o perito-contador for nomeado, contratado ou escolhido;
ou em que o perito-contador assistente for indicado;
(c) ter o perito-contador da parte atuado para a outra parte litigante na
condição de consultor técnico ou contador responsável, direto ou indi-
reto em atividade contábil ou em processo no qual o objeto de perícia
seja semelhante àquele da discussão, sem previamente comunicar ao
contratante.

Suspeição

22. O perito-contador nomeado ou escolhido deve declarar-se suspeito quando,


após nomeado, contratado ou escolhido, verificar a ocorrência de situações
que venha suscitar suspeição em função da sua imparcialidade ou indepen-
dência e, desta maneira, comprometer o resultado do seu trabalho em rela-
ção à decisão.
23. Os casos de suspeição aos quais está sujeito o perito-contador são os seguintes:
(a) ser amigo íntimo de qualquer das partes;
(b) ser inimigo capital de qualquer das partes;
(c) ser devedor ou credor em mora de qualquer das partes, dos seus cônju-
ges, de parentes destes em linha reta ou em linha colateral até o terceiro
grau ou entidades das quais esses façam parte de seu quadro societário
ou de direção;
(d) ser herdeiro presuntivo ou donatário de alguma das partes ou dos seus
cônjuges;
(e) ser parceiro, empregador ou empregado de alguma das partes;
CD aconselhar, de alguma forma, parte envolvida no litígio acerca do objeto
da discussão; e
(g) houver qualquer interesse no julgamento da causa em favor de alguma
das partes.
24. O perito pode ainda declarar-se suspeito por motivo íntimo.
Ap êndice A - Normas Técnicas e Funcionais de Perícia Contábil 137

SIGILO

25. O perito, em obediência ao Código de Ética Profissional do Contabilista, deve


respeitar e assegurar o sigilo das informações a que teve acesso, proibida a
sua divulgação, salvo quando houver obrigação legal de fazê-lo.
26. O dever de sigilo subsiste mesmo na hipótese de o profissional se desligar do
trabalho antes de tê-lo concluído.
27. Os empregados designados pelo Conselho Federal de Contabilidade e Conse-
lhos Regionais de Contabilidade, para efetuarem a fiscalização do exercício
profissional devem ter competência legal similar à requerida do perito para
o trabalho por ele realizado, e assumem compromisso de sigilo profissional
semelhante.

RESPONSABILIDADE

28. O perito deve conhecer as responsabilidades sociais, éticas, profissionais e


legais, às quais está sujeito no momento em que aceita o encargo para a exe-
cução de perícias contábeis judiciais e extrajudiciais, inclusive arbitral.
29. O termo "responsabilidade" refere-se à obrigação do perito em respeitar os
princípios da moral, da ética e do direito, atuando com lealdade, idoneidade
e honestidade no desempenho de suas atividades, sob pena de responder
civil, criminal, ética e profissionalmente por seus atos.

Responsabilidade e ética

30. A responsabilidade do perito decorre da relevância que o resultado de sua


atuação pode produzir para solução da lide.
31. A responsabilidade ética do perito decorre da necessidade do cumprimento
dos princípios éticos, em especial, os estabelecidos no Código de Ética Profis-
sional do Contabilista e nesta Norma.
32. Ciente do livre exercício profissional deve o perito-contador, sempre que
possível e não houver prejuízo aos seus compromissos profissionais e suas
finanças pessoais, em colaboração com o Poder Judiciário aceitar o encargo
confiado, na condição de perito-contador do juízo, ou escusar-se do encargo,
no prazo legal, apresentando suas razões.
33. Cumpre ao perito-contador no exercício de seu ofício atuar com indepen-
dência.
34. O perito-contador no desempenho de suas funções deve propugnar pela im-
parcialidade, dispensando igualdade de tratamento às partes e especialmen-
te aos perito-contadores assistentes. Não se considera parcialidade, entre ou-
tros, os seguintes:
138 Perícia Contábil • Orne las

(a) atender a uma das partes ou perito-contadores assistentes, desde que se


assegure igualdade de oportunidade à outra parte, quando solicitado;
(b) trabalho técnico-científico anteriormente publicado pelo perito-contador
que verse sobre o tema objeto da perícia.

Responsabilidade civil e penal


35. A legislação civil determina responsabilidades e penalidades para o profis-
sional que exerce a função de perito-contador, as quais consistem em multa,
indenização e inabilitação.
36. A legislação penal estabelece penas de multa, detenção e reclusão para os
profissionais que exercem a atividade pericial que vierem a descumprir as
normas legais.

ZELO PROFISSIONAL

37. O termo "zelo" para o perito refere-se ao cuidado que o mesmo deve dis-
pensar na execução de suas tarefas, em relação à sua conduta, documentos,
prazos, tratamento dispensado às autoridades, aos integrantes da lide e aos
demais profissionais, de forma que sua pessoa seja respeitada, seu trabalho
levado a bom termo e, consequentemente, o laudo pericial contábil e o pare-
cer pericial contábil dignos de fé pública.
38. O zelo profissional do perito na realização dos trabalhos periciais compreende:
(a) cumprir os prazos fixados pelo juiz em perícia judicial e nos termos con-
tratados em perícia extrajudicial, inclusive arbitral;
(b) assumir a responsabilidade pessoal por todas as informações prestadas,
quesitos respondidos, procedimentos adotados, diligências realizadas,
valores apurados e conclusões apresentadas no Laudo Pericial Contábil e
no Parecer Pericial Contábil;
(c) prestar os esclarecimentos determinados pelo juiz ou pelo árbitro, res-
peitados os prazos legais ou contratuais;
(d) propugnar pela celeridade processual, valendo-se dos meios que garan-
tam eficiência, segurança, publicidade dos atos periciais, economicida-
de, o contraditório e a ampla defesa;
(e) ser prudente, no limite dos aspectos técnico-científicos, e atento às con-
sequências advindas dos seus atos;
(f) ser receptivo aos argumentos e críticas, podendo ratificar ou retificar o
posicionamento anterior.
39. A transparência e o respeito recíproco entre o perito-contador e o perito-
-contador assistente pressupõem tratamento impessoal, restringindo os tra-
balhos, exclusivamente, ao conteúdo técnico-científico.
Apê ndi ce A - Normas Téc ni ca s e Funciona is de Perícia Co nt áb il 13 9

40. O perito é responsável pelo trabalho de sua equipe técnica, a qual compreen-
de os auxiliares para execução do trabalho complementar do laudo pericial
contábil e/ ou parecer pericial contábil, tais como: digitação, pesquisas e aná-
lises contábeis, cálculos e pesquisas pertinentes.
41. O perito ao contratar os serviços de profissionais de outras profissões regu-
lamentadas, deve certificar-se de que eles se encontram em situação regular
perante o seu conselho profissional. São exemplos de laudos interprofissio-
nais para subsidiar a perícia contábil:
(a) avaliação de engenharia;
(b) de medicina para subsidiar a perícia contábil em cálculo de indenização de
perdas e danos, para apuração de danos emergentes ou lucros cessantes;
(c) de perito criminal em documentos, cópia e grafotecnia para reconhecer
a autenticidade ou a falsidade de documentos.
42. Sempre que não for possível concluir o laudo pericial contábil no prazo fixa-
do pelo juiz, deve o perito-contador requerer a sua dilação antes de vencido
aquele, apresentando os motivos que ensejaram a solicitação.
43. Na perícia extrajudicial, o perito deve estipular, de comum acordo com o
contratante, os prazos necessários para a execução dos trabalhos, junto com
a proposta de honorários e com a descrição dos serviços a executar.
44. A realização de diligências para busca de provas, quando necessária, é de
responsabilidade exclusiva do perito, podendo mediante delegação expressa
autorizar terceiros, na arrecadação de elementos de prova.

ESCIARECIMENTOS

45. Em defesa de sua conduta técnica profissional, o perito deve prestar esclare-
cimentos sobre o conteúdo do laudo pericial contábil ou do parecer pericial
contábil, em atendimento a determinação do juiz ou árbitro que preside o
feito ou a pedido das partes.

UTILIZAÇÃO DE TRABALHO DE ESPECIALISTA

46. O perito pode valer-se de especialistas de outras áreas para a realização do


trabalho, desde que parte da matéria-objeto da perícia assim o requeira. Tal
obrigação assumida pelo perito perante o julgador ou contratante não exime
o especialista contratado da responsabilidade pelo trabalho executado. São
exemplos de trabalho de especialista: analista de sistema, atuária, tecnólo-
go, geólogo, especialista em obras de artes e outros avaliadores. Neste caso,
o especialista nomeado pelo juiz deve protocolizar o seu laudo em juízo e o
perito-contador, ou perito-contador assistente, pode valer-se das apurações
e conclusões ali constantes.
140 Períci a Contábil • Orn elas

HONORÁRIOS

47. Na elaboração da proposta de honorários, o perito dever considerar os se-


guintes fatores: a relevância, o vulto, o risco, a complexidade, a quantidade
de horas, o pessoal técnico, o prazo estabelecido, a forma de recebimento e
os laudos interprofissionais, entre outros fatores.
48. A relevância é entendida como a importância da perícia no contexto social e
sua essencialidade para dirimir as dúvidas de caráter técnico-científico con-
tábil, suscitadas em demanda judicial ou extrajudicial.
49. O vulto está relacionado ao valor da causa no que se refere ao objeto da perí-
cia; à dimensão determinada pelo volume de trabalho; e à abrangência pelas
áreas de conhecimento envolvidas.
50. O risco compreende a possibilidade do honorário pericial não ser integral-
mente recebido, o tempo necessário ao recebimento, bem como a antecipa-
ção das despesas necessárias à execução do trabalho. Igualmente, devem ser
levadas em consideração as implicações cíveis, penais, profissionais e outras
de caráter específico a que poder estar sujeito o perito.
51. A complexidade está relacionada à dificuldade técnica para a realização do
trabalho pericial em decorrência do grau de especialização exigido; à difi-
culdade em obter os elementos necessários para a fundamentação do laudo
pericial contábil; e ao tempo transcorrido entre o fato a ser periciado e a
realização da perícia. Deve ser considerado também o ineditismo da matéria
periciada.
52. As horas estimadas para a realização de cada fase do trabalho é o tempo des-
pendido para a realização da perícia, mensurado em horas trabalhadas pelo
perito-contador, quando aplicável.
53 . O pessoal técnico é formado pelos auxiliares que integram a equipe de traba-
lho do perito, estando os mesmos sob sua orientação direta e inteira respon-
sabilidade.
54. O prazo determinado nas perícias judiciais ou contratado nas extrajudiciais
deve ser levado em conta nas propostas de honorários, considerando-se
eventual exiguidade do tempo que requeira dedicação exclusiva do perito e
da sua equipe para a consecução do trabalho.
55. O prazo médio habitual de liquidação compreende o tempo necessário para
recebimento dos honorários.
56. Os laudos interprofissionais e outros inerentes ao trabalho são peças técnicas
executadas por perito qualificado e habilitado na forma definida no Código
de Processo Civil e de acordo com o conselho profissional ao qual estiver
vinculado.
Apêndice A - Normas Técnicas e Funcionais de Perícia Contábil 141

Elaboração de proposta

57. O perito deve elaborar a proposta de honorários estimando, quando possível,


o número de horas para a realização do trabalho, por etapa e por qualifica-
ção dos profissionais (auxiliares, assistentes, seniores etc.) considerando os
trabalhos a seguir especificados:
(a) retirada e entrega dos autos;
(b) leitura e interpretação do processo;
(c) elaboração de termos de diligências para arrecadação de provas e comu-
nicações às partes, terceiros e peritos-contadores assistentes;
(d) realização de diligências;
(e) pesquisa documental e exame de livros contábeis, fiscais e societários;
(f) realização de planilhas de cálculos, quadros, gráficos, simulações e aná-
lises de resultados;
(g) laudos interprofissionais;
(h) elaboração do laudo;
(i) reuniões com peritos-contadores assistentes, quando for o caso;
(j) revisão final;
(k) despesas com viagens, hospedagens, transporte, alimentação etc.;
(1) outros trabalhos com despesas supervenientes.
58. O perito deve considerar, na proposta de honorários, os seguintes itens:
(a) relevância e valor da causa;
(b) prazos para execução da perícia;
(c) local da coleta de provas e realização da perícia.

Quesitos suplementares

59. O perito deve ressaltar, em sua proposta de honorários, que esta não con-
templa os honorários relativos a quesitos suplementares e, se estes forem
formulados pelo juiz e/ou pelas partes, pode haver incidência de honorários
suplementares a serem requeridos, observando os mesmos critérios adotados
para elaboração da proposta anterior.

Quesitos de esclarecimentos

60. O oferecimento de respostas aos quesitos de esclarecimentos formulados


pelo juiz e/ou pelas partes pode não ensejar novos honorários periciais, se
forem apresentados para obtenção de detalhes do trabalho realizado.
142 Perícia Contábil • Ornelas

61. O perito-contador deve analisar com zelo os quesitos de esclarecimentos,


uma vez que as partes podem formulá-los com essa denominação, mas serem
quesitos suplementares, situação em que o trabalho deve ser remunerado na
forma prevista no item 63. Para tanto, o perito-contador poderá requerer ho-
norários suplementares, justificando o pleito, pela caracterização de quesito
suplementar.

Apresentação de proposta dos honorários


62. O perito-contador deve apresentar sua proposta de honorários, devidamente
fundamentada, ao juízo ou contratante, podendo conter o orçamento ou este
constituir-se em um documento anexo.
63. O perito-contador assistente deve explicitar a sua proposta no contrato que,
obrigatoriamente, celebrará com o seu cliente, observando as normas estabe-
lecidas pelo Conselho Federal de Contabilidade.
64. O perito-contador assistente deve estabelecer, mediante "Contrato Particular
de Prestação de Serviços Profissionais de Perícia Contábil", o objeto, as obriga-
ções das partes e os honorários profissionais, podendo, para tanto, utilizar-se
dos parâmetros estabelecidos nesta Norma com relação aos honorários dope-
rito-contador. O perito-contador assistente deve adotar, no mínimo, o modelo
constante nesta Norma referente ao seu contrato de prestação de serviços.

Levantamento dos honorários

65. O perito-contador deve requerer o levantamento dos honorários periciais,


previamente depositados, na mesma petição em que requer a juntada do
laudo pericial aos autos.
66. O perito-contador pode requerer a liberação parcial dos honorários quando jul-
gar necessário para o custeio de despesas durante a realização dos trabalhos.

Execução de honorários periciais


67. Quando os honorários periciais forem fixados por decisão judicial, estes po-
dem ser executados, judicialmente, pelo perito-contador em conformidade
com os dispositivos do Código de Processo Civil.

Despesas supervenientes na execução da perícia


68. Nos casos em que houver necessidade de desembolso para despesas superve-
nientes, tais como viagens e estadas, para a realização de outras diligências,
o perito deve requerer ao juízo ou solicitar ao contratante o pagamento das
despesas, apresentando a respectiva comprovação, desde que não estejam
contempladas ou quantificadas na proposta inicial de honorários.
Apêndice B

• MODELO DE
PROPOSTA/CONTRATO
DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA

Como disciplinado na NBC-P-2 - NORMAS PROFISSIONAIS DE PERITO, item


2.5.5 -, é dever do perito contábil, quando indicado ou contratado por terceiros,
formalizar essa relação profissional por escrito.
Assim, de modo a subsidiar esse dever, na sequência, é apresentado um mo-
delo de proposta/ contrato de prestação de serviços de assistência técnica.
Como pode ser observado, é importante definir e estabelecer os direitos e as
obrigações entre as partes contratantes, tanto no aspecto técnico da prestação de
serviços quanto nos aspectos remunerários.
144 Perícia Co ntábil • Orn elas

APÊNDICE B - MODELO DE PROPOSTA/CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE ....... .

(Nome da Contratante)

(Endereço da Contratante)
(Cidade da Contratante)

ATT. Dr.
---------
Prezados Senhores:

Honrados com a oportunidade oferecida, estamos formalizando pro-


posta de prestação de serviços profissionais a saber:

1. NATUREZA DOS SERVIÇOS


Nosso trabalho consistirá na realização de serviços de Perícia Judicial inerentes à
função de Assistente Técnico indicado por V. Sas. nos autos do processo nº ....... -
Ação (especificar) - ........... ª. Vara (especificar) do Foro .................... , em que são
partes: (nome da Autora x nome do Réu), na qual é debatido (descrever, de
forma breve, o objeto da lide).
Nesse sentido acompanharemos os trabalhos desenvolvidos pelo Sr. Perito Judicial,
cooperando nas tarefas a serem desenvolvidas por aquele profissional, se permitido,
bem como executaremos, se necessário, serviços e diligências a nosso critério.
Havendo concordância nas respostas e cálculos oferecidos pelo Sr. Perito Judicial, o
Assistente Técnico indicado por V. .Sas. oferecerá Parecer Pericial Contábil, concor-
dando com o Laudo Pericial Contábil oferecido por aquele profissional, realçando os
aspectos técnicos favoráveis à Contratante.
Discordando do conteúdo técnico do Laudo Oficial, será oferecido Parecer Pericial
Contábil divergente evidenciando e fundamentando as divergências técnicas.
É, também, nossa incumbência assessorar seu Escritório de Advocacia na formula-
ção de quesitos (tarefa já realizada) e em eventuais quesitos suplementares e/ ou
pedido de esclarecimentos e nos demais aspectos do processo que envolvam matéria
mercantil, até pleno encerramento da fase de produção da prova pericial.

2. HONORÁRIOS E FATURAMENTO
2.1 Honorários
Nossa proposta de remuneração, em face do despacho saneador, da complexida-
de técnica envolvida nos quesitos formulados, do período de tempo relativo aos
levantamentos periciais e da relevância da matéria sub judice, é equivalente à
quantia de R$ .................. (por extenso), remunerando as várias fases de reali-
zação da prova pericial até a homologação do laudo pericial, envolvendo, entre
outros aspectos, diligências, acompanhamento e orientação do levantamento
de dados perante a Contratante em face dos quesitos formulados, colaboração
no desenvolvimento dos trabalhos do expert oficial, elaboração de parecer e res-
pectivas planilhas, reuniões com o Sr. Perito Judicial e com os seus advogados.
Apêndice B - Modelo de Proposta/ Contrato de Pres tação de Serviços de Ass istência Téc ni ca 145

2.2 Forma de Pagamento


Como forma de pagamento, propõe-se o seguinte fluxo:
1. uma parcela de R$ ....................... (por extenso), a título inicial, a ser paga
em até (por extenso) dias após a aceitação e assinatura da presente proposta;
2. uma parcela de R$ .................... (por extenso) a ser paga em até (por ex-
tenso) dias após a entrega de nosso Parecer Pericial Contábil;
3. despesas na realização dos serviços, tais como: passagens aéreas, hospeda-
gem, transporte etc., serão autorizadas e assumidas diretamente pela Con-
tratante;
4. o faturamento correspondente será consubstanciado através de recibo emiti-
do pela Contratada (a ser remetido oportunamente, após o crédito em conta
corrente) e liquidado na forma acima, nada sendo devido ao profissional
indicado para funcionar como Assistente Técnico, solicitando-se o especial
obséquio de ser realizado depósito bancário em nossa conta, cujos dados são
os que seguem:
(Nome da sociedade do assistente técnico)
(Nome do banco e agência)
(Número da conta bancária)
5. se a perda do poder aquisitivo da moeda nacional ultrapassar, no período de
execução dos serviços, o percentual de 10% (dez por cento), será incluída na
última parcela a variação monetária medida pelo IGP-M - FGV desse perío-
do, ou seja, entre a data de aceitação da proposta e a da entrega do Parecer
Pericial, calculada sobre o valor dessa parcela.

2.3 Aspectos casuais ou imprevistos


1. Se acaso, no decorrer dos trabalhos periciais, as Partes resolverem firmar
acordo, dando por finda a demanda judicial e se ainda não tiverem sido
encerrados os trabalhos periciais, serão devidos honorários correspondentes
às horas técnicas aplicadas até a época do acordo. Entretanto, se o acordo
se processar após o encerramento dos trabalhos periciais, serão devidos os
honorários integrais avençados.
2. Caso a Contratante, por qualquer motivo, deixar de honrar qualquer das par-
celas dos honorários avençados nas épocas próprias, assumirá os encargos de
atualização monetária e juros de 12% ao ano, calculados sobre o principal
corrigido, tudo acrescido de multa de 10% (dez por cento).
3. Caso a Contratada, por intermédio do Assistente Técnico indicado, deixe
de cumprir com as obrigações técnicas descritas nesta proposta, salvo por
motivo de doença, invalidez ou morte, arcará com a devolução das quan-
tias já recebidas, deduzidas as horas técnicas já aplicadas, tudo devidamente
atualizado e acrescido de multa no importe de 10% (dez por cento) sobre o
valor devolvido.
146 Pe ríc ia Contá bil • Ornelas

4. As Partes elegem o Foro Central da Capital do Estado de ......................... .


como o único e exclusivo para nele serem dirimidas todas e quaisquer dúvi-
das resultantes do presente instrumento.

3. RESPONSABILIDADE PROFISSIONAL
Estará atuando no processo mencionado, na função de Assistente Técnico indicado
por V. Sas., o Perito, Sr........................... , (qualificação do perito), responsável
técnico pelo desenvolvimento dos trabalhos periciais naquilo que lhe é pertinente.

4. PARECER E PRAZO
Como decorrência dos trabalhos anteriormente mencionados, apresentaremos:
a) cópia do Laudo do Vistor Oficial, acompanhada, se necessário, de comentários,
destacando os pontos mais relevantes do mesmo;
b) cópia do Parecer Pericial oferecido pelo Assistente Técnico indicado, acompanha-
da, se necessário, de comentários, destacando os pontos convergentes e/ ou di-
vergentes em relação ao Laudo Oficial.

No que se refere a prazo, desenvolveremos os trabalhos de comum acordo com o Sr.


Perito Judicial, cabendo, entretanto, como de praxe, a esse profissional determinar as
datas das diligências, dos trabalhos de elaboração do Laudo e a respectiva entrega.

5. INDICAÇÃO DO ASSISTENTE TÉCNICO


Caso a (nome da Contratante), por qualquer motivo, não venha a contratar os
serviços descritos no tópico 1, obriga-se, se já indicado o profissional nominado na
cláusula 3, a proceder à sua substituição, remetendo à proponente cópia da corres-
pondente petição, devidamente protocolada. Se, no decorrer da realização da perí-
cia, vier a substituir o assistente técnico indicado, obriga-se, do mesmo que acima.

6. CONTRATO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS


Nossa sugestão é que, se aceita a presente proposta, sirva a mesma, no seu inteiro
teor, como Contrato de Prestação de Serviços Profissionais de Assistente Técnico.

TERMO DE ACEITAÇÃO
Aceitamos a presente proposta de prestação de serviços profissionais de Assistente
Técnico indicada pela Contratante no do processo nº ................ -Ação (especificar)
- ................ ª Vara Cível do Foro .. ..... ........., em que são partes: (nome da Autora x
Nome do Réu).

(Nome da Cidade), de ........ de .................... 20:XX.

(Nome da Contratante)
CNPJ nº .. ......... ........... - Contratante
Apênd ice B - Modelo de Proposta/ Contrato d e Prestação de Serviços de Assis tência Técnica 14 7

(Nome da Contratada)
CNPJ nº ................. - Contratada
(Nome do Assistente Técnico indicado)
CNPJ nº ........... .. .... - Assistente Técnico

TESTEMUNHAS:

Nome:
RG :
CPF:

Nome:
RG :
CPF:

Sendo o que temos a propor, aproveitamos a oportunidade para


reiterar nossos protestos de alta estima e consideração.

Atenciosamente.

(Nome da Contratada)

CURRICULUM VITAE RESUMIDO


Do Assistente Técnico

Dados pessoais

Escolaridade

Experiência profissional

Referências

.

BIBLIOGRAFIA

ABRÃO, Nelson. Sociedade por quotas de responsabilidade limitada. 2. ed. São Paulo: Sa-
raiva, 1980.
AGUIAR, João Carlos Pestana de. Comentários ao código de processo civil. São Paulo: Re-
vista dos Tribunais, 197 4. v. 4.
ALBERTO, Valder Luiz Palombo et ai. O conceito extensivo de verificação de haveres e a
delimitação da abrangência da perícia contábil. Anais ... Salvador: XIV CONGRESSO BRA-
SILEIRO DE CONTABILIDADE. 1992. v. 2.
_ __ . Perícia contábil. São Paulo: Atlas, 1996.
ALONSO, José Rojo. Normas e procedimentos de perícia judicial. São Paulo: Atlas, 1975.
BRASIL. Código Civil de 2002. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2002.
___ . Código Comercial. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 1951.
_ _ _ . Código de Processo Civil. Organização dos textos, notas remissivas e índices por
Juarez de Oliveira. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 1996.
_ __ . Código de Processo Penal. Organização dos textos, notas remissivas e índices por
Juarez de Oliveira. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1997.
_ __ . Consolidação das Leis do Trabalho. Organização de Juarez de Oliveira. 18. ed. São
Paulo: Saraiva, 1994.
_ _ _ . Constituição Federal. São Paulo : Atlas, 1994.
_ _ _ . Lei de falências. Organização dos textos, notas remissivas e índices por Juarez de
Oliveira. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 1996.
___ . Lei das sociedades por ações. 6. ed . São Paulo: Atlas, 1978.
150 Perícia Contábil • Ornelas

BUSSADA, Wilson. Prova pericial civil: interpretada pelos tribunais. Bauru-SP: Edipro, 1994.
CABRAL, Alberto Franqueira. A responsabilidade social do perito contador frente às frau-
des. Anais ... Salvador: XIV CONGRESSO BRASILEIRO DE CONTABILIDADE. 1992. v. 2.
CARNELUTTI, Francesco. A prova civil. Campinas: Bookseller, 2002.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Normas brasileiras de contabilidade: NBC-
TP-01 - Perícia contábil; NBC PP-01 - Perito Contábil, 2009.
___ • Normas da profissão contábil. 2. ed. Brasília: CFC, 1992.
_ __ . Normas brasileiras de contabilidade. 2. ed. Rio de Janeiro : CFC, 1991.
_ _ . Resolução CFC nº 563, de 28 de outubro de 1983. Norma NBC-T-2.1 - Da escri-
turação contábil.
D'ÁURIA, Francisco. Revisão e perícia contábil. 3 ed. São Paulo: Nacional, 1962. v. Parte
teórica.
FABRETTI, Láudio Carmargo. Código Tributário Comentado. São Paulo: Saraiva, 1998.
_ _ _ . Contabilidade tributária. São Paulo: Atlas, 1996.
FERREIRA FILHO, Joaquim Gonçalves. A contabilidade nos processos de falência e concor-
data. São Paulo: Ícone, 2002.
GONÇALVES, Reynaldo de Souza. Peritagem contábil. Rio de Janeiro: Forense, 1968.
HERRMANN JR., Frederico. Contabilidade superior. 8. ed. São Paulo: Atlas, 1970.
IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da contabilidade. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.
LOPES DE SÁ, Antonio. Perícia contábil. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1997.
MANUAIS de Legislação Atlas. Falências e concordatas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1985.
MILHOMENS, Jônatas. A prova no processo. Rio de Janeiro: Forense, 1982.
MUJALLI, Walter Brasil. A nova lei de arbitragem: comentários e legislação. Leme: Editora
de Direito, 1997.
ORNELAS, Martinho Maurício Gomes de. Avaliação de sociedades: apuração de haveres
em processos judiciais. São Paulo: Atlas, 2002 .
. Perícia contábil em falências e concordatas. Anais ... Salvador: XIV CONGRESSO
BRASILEIRO DE CONTABILIDADE. 1992. v. 2.
___ • Avaliação de empresas em processos judiciais: alguns limites e dificuldades.
Anais ... Salvador: XV CONGRESSO BRASILEIRO DE CONTABILIDADE. 1996. v. 2.
SANTOS, Moacyr Amaral. Prova judiciária no cível e comercial. 5. ed. São Paulo: Saraiva,
1983. V. 1.
___ • Prova judiciária no cível e comercial. São Paulo: Max Limonad, 1949. v. 5.
SILVA, João Luiz da. Perícia contábil: um modelo de cálculo para laudos periciais na jus-
tiça do trabalho. 2002. Dissertação (Mestrado em Controladoria e Contabilidade Estraté-
gica) - FECAP, São Paulo.
VÁSQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.
l

Fonnato 17 x 24 cm
Tipografia Charter 11/13
Papel Offset Sun Paper 90 g/ m' (miolo)
Supremo 250 g/m2 (capa)
Número de páginas 176
Impressão Editora e Gráfica Vida e Consciência
PERÍCIA
CONTÁBIL
Perícia contábil é um dos meios que as pessoas e as empresas têm a sua disposição,
garantido constitucionalmente, de se defenderem ou exigirem direitos nas mais
variadas situações. Seu estudo possibilita uma avaliação da própria ciência
contábil, pois esta é um dos melhores instrumentos de prova de fatos econômico-
financeiros quantificáveis monetariamente.

Três momentos são observados no livro. No primeiro, definem-se o que é e a


que se presta a perícia contábil. No segundo, cuida-se da elaboração do trabalho
pericial contábil. No terceiro, é feito um diagnóstico positivo das possibilidades
de desenvolvimento da perícia contábil no país.

O autor sistematiza aspectos relevantes sobre a perícia contábil, abordando


Prova Pericial, Perícia Contábil, Exercício Profissional da Função Pericial
Contábil, A Perícia no Código de Processo Civil, Técnicas do Trabalho Pericial
Judicial, Quesitos, Laudo Pericial Contábil, Remuneração do Trabalho Pericial e
Perspectivas da Perícia Contábil.

Martinho Maurício Gomes de Ornelas é doutor em Ciências Contábeis pela USP,


mestre e bacharel em Ciências Contábeis pela PUC/SP. Professor da disciplina
Perícia Contábil - 1978 a 2003 - do curso de Ciências Contábeis da FEA-PUC/SP.
É perito-contador nomeado por Tribunais Arbitrais e assistente técnico indicado
por escritórios de advocacia nacionais. É autor de trabalhos técnicos e científicos
sobre perícia contábil, disponíveis no site: www.contadoresforenses.net.br. É
sócio da De Ornelas & Associados - Perícia Contábil e Arbitragem Sociedade
Simples Ltda. - São Paulo.

APLICAÇÃO

Livro-texto para a disciplina Perícia Contábil, integrante do currículo do curso de


graduação em Ciências Contábeis e para cursos de especialização sobre Perícia
Contábil. Leitura recomendada para profissionais de Perícia e operadores do Direito.

publicoçoo ot:los
www.EditoraAtlas.com.br

Você também pode gostar