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Queridos e amados IIr REVISTA MAÇÔNICA DIGITAL


Há um fato, sobre o que gostaria ACÁCIA 13
chamar sua atenção, pois é sem dúvida
nenhuma, um fenómeno que vem
afetando a vida de nossos Irmãos Publicação Mensal
Maçons. Se trata das sequelas, ora ANO 3 – Nº 35 – NOVEMBRO 2021
físicas, ora emocionais, ora financeiras
que, como produto da pandemia, estão Administração
deixando um rastro de sofrimento e de
Wagner Tomás Barba (L376)
incertezas, numa grande maioria do
povo maçônico. Na medida que as Joaquim Domingues Filho (L547)
Oficinas vão abrindo suas portas, para as
reuniões presenciais, vamos
conhecendo as dificuldades pelas que Conselho
tiveram de passar, ou estão passando, durante estes 20 meses da pandemia, Omar Téllez (L329)
Irmãos e suas famílias. Não tem uma Loja, onde esse estrago, não se tenha Alessandro Zahotei (L605)
apresentado em pelo menos um de seus membros.
Aqueles que não passaram ao Oriente Eterno, e sobreviveram ao Paulo da Costa Caseiro (L512)
terrível mal, hão ficado com problemas físicos, como confusão mental, André Luís Almeida Nascimento (L188)
cansaço permanente, problemas respiratórios, etc., somado isto, al fato de Cláudio Sérgio Foltran (L184)
ter perdido seu emprego, e ter que vender para subsistir, seu carro, suas Paulo Fernando de Souza (L547)
pertencias e assim por diante. É uma situação precária, à que não podemos Francisco Assis Javarini (L595)
dar as costas, como seres humanos, e muito menos como Maçons. É,
preciso reagir meus Irmãos, precisamos neste momento de verdadeira
necessidade, agir com rapidez, formando uma Cadeia de Apoio Solidário,
em auxilio de nossos Irmãos necessitados, vítimas da pandemia. Editor, Criador, Jornalista Responsável e
Os maçons temos a cultura da solidariedade; em forma iniciativa.
permanente ajudamos instituições de toda índole, pessoas em condição de Wagner Tomás Barba (L376)
rua, etc. Então me pergunto: É muito difícil fazê-lo com nossos próprios MTB 67.820/SP
Irmãos e suas famílias? Mas não devemos enxergar este apoio, como algo
passageiro, pois dificilmente, a situação atual vá melhorar da noite para o ATENÇÃO:
dia. Os Artigos assinados são de
Não se trata também de entregar uma “esmola”. Temos que
responsabilidade de seu autor e não
acudir ás altas autoridades de nossa Grande Loja, para que incentive aos
Delegados Regionais e Distritais a formar Comissões de Apoio Solidário,
refletem, necessariamente, o pensamento
por cada Região maçônica, que desenvolvam Planos de Ação, onde se do Editor, Administração ou conselho.
involucre, principalmente, aqueles que precisam da ajuda, provendo-lhes
ferramentas, sejam estas: bancos de dados de empresas, onde podam Esta Revista está sendo enviada para mais
ingressar, ou cursos para o Irmão e a cunhada, ou um filho, o parente, de 7.000 (Sete mil) Irmãos e as
incentivando o empreendedorismo. propagandas são totalmente gratuitas.
A simples vista, parece uma tarefa titânica, porem dentro de
nossas Lojas, temos Irmãos altamente qualificados nestes quesitos, ou são O objetivo desta Revista é integrar os
empresários, e contam com contatos, na indústria o no comercio que, os Irmãos e levar mais conhecimento
convidando a participar, o faram com amor. O transcendente, neste caso, maçônico.
é não ficar de braços cruzados, escutando as dificuldades de nossos
Irmãos. Temos de aplicar, em casa, um dos maiores emblemas da nossa
Ordem a SOLIDARIDADE, pois de quê serviria ter Conhecimento, REVISTA GRATUITA
Sabedoria e Riqueza, se não temos capacidade de atender e entender PROPAGANDAS GRATUITAS
nossa mão solidaria, ao Irmão em dificuldades?
Ir Omar Téllez
ARLS Estrela de Vargem Grande Paulista N° 329 – GLESP E-Mail:
Or de Vargem Grande Paulista/SP revista.acacia13@gmail.com
Conselheiro da Revista Acácia 13Administrador da Revista Acácia 13

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Ir Dermivaldo Collinett
ARLS Rui Barbosa nº 46
Grande Loja Maçônica de Minas Gerais – GLMMG
Or de São Lourenço/MG

Cabala ou Kabala, do hebraico Kabbalah – tradição oral -


com o significado literal de RECEBER é a sabedoria oculta dos judeus muito estudada na
Idade Média, pelos rabinos. Em outra versão a palavra Cabala tem origem no vocábulo
hebraico “kibbel”, significando lição, tradição, ensino.

Considerada um sistema filosófico-religioso judaico de


origem medieval, sendo que, no entanto, integra elementos que remontam ao início da era
cristã, e mesmo se reportando a época dos patriarcas bíblicos, ela não poderia ter sido escrita,
mas sim transmitida de forma oral.

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De acordo com a tradição hebraica, os ensinamentos da Cabala
começaram a ser transmitida de forma oral.

Foi por Enoque um patriarca bíblico, que a transmitiu aos


seus descendentes, e posteriormente, Moisés, para evitar que esses ensinamentos se
perdessem, comunicou-os aos setenta anciãos escolhidos por ele, sendo que daí para frente
o foi de forma escrita.

Mas esses ensinamentos, ao serem escritos, o foi de uma


maneira simbólica, para dificultar a compreensão do homem comum, mas tão somente dos
iniciados. Dois são os livros fundamentais da Cabala: O Sefer Yetsirah, ou Livro da Criação,
e o Zohar, ou Livro dos Esplendores.

Ela surgiu, na sua forma atual, por volta do século XII.

Ela compreende preceitos práticos, especulações de natureza


mística, esotérica e taumatúrgica, informando que nosso universo é uma emanação divina,
sendo utilizada para a interpretação e esclarecimento dos significados ocultos do Antigo
Testamento.

O segredo da Cabala é relacionar e comparar palavras e


números da Torá (Antigo Testamento) de uma maneira detalhada e clara, sendo que sua

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origem está no Sefer Ietsirá, ou Livro da Criação, obra de autoria e data incerta. A obra em
questão explica que Deus criou o Universo usando as 22 letras do alfabeto hebraico. “O
Gênese já dizia que o verbo divino foi o instrumento da Criação: Deus disse ‘Haja luz’, e
houve luz, assim foi criada a Terra.

De acordo com a Cabala, há uma Bíblia que pode ser lida


por qualquer pessoa leiga e uma outra que só pode ser entendida pelos estudiosos e pelos
iniciados. É nesta última interpretação que está oculta a verdadeira sabedoria, que foi
transmitida oralmente de acordo com a tradição oral a Abraão e confirmada a Moises no
Monta Sinai.

Assim, de acordo com a Cabala, cada símbolo, letra, número,


tem um significado literal e um outro oculto, somente conhecido dos iniciados e estudiosos.

No estudo da Cabala, podemos ver a chamada Árvore da


Vida, que é um desenho considerado magico e também filosófico que indica como Deus
construí o universo físico e espiritual através de suas emanações. Como o próprio nome diz,
ela tem a forma de uma árvore, projetando dez ramos ou galhos, conhecido como Sephirots,

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podendo elas ser interpretadas como energias criadoras ou emanações, como se fossem
estados de consciência, a indicar a evolução do homem.

Essas dez emanações, que podem ser entendidas como


sendo os atributos da divindade, são a Coroa, (Kether), a Sabedoria (Chokhmah), a
Inteligência (Binah) a Grandeza (Hesed), a Justiça (Gueburah), a Beleza (Tifheret), a
Eternidade (Nethsat), a Glória (Hod), o Fundamentos (Yesod) , o Reino (Malcuth), podem
ser consideradas a inteligência pura, que se manifesta em cada fase do universo, podendo
também ser considerada a representação cósmica da criação.

Desta maneira, nosso simbolismo concorda com o que a


Cabala tem de primordial, sendo que iremos demonstrar a relação da Árvore da Vida, com
os cargos em loja, como veremos a seguir:

Venerábel.Mestre (Kether) – Coroa ou Unidade


Orador (Binah) - Sabedoria
Secretário (Hokmah) Inteligência ou Compreensão
Tesoureiro (Geburat) Justiça ou Julgamento ou ainda Rigor
Chanceler (Hesed) Grandeza ou Misericórdia
Mestre de Cerimônias (Tiphaeret) - Beleza
1º Vigilante (Hod) – Glória ou Esplendor ou ainda também pode ser Vitória
Firmeza, de acordo com nossos rituais
2º Vigilante (Netzah) Eternidade ou Ordem, ou ainda Esplendor
Experto ou Mestre Harmonia (Yesod) Fundamentos ou Fundação ou ainda ao
Experto como guarda das tradiçôes
Guarda do Templo (Malkut) Reino ou Mundo Profano

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O Livro da Lei, na Árvore da Vida, corresponde a Daath.

Sua presença mais evidente se dá no REAA, sendo que o


Templo e as colocações dos cargos e altar seguem a famosa Árvore da Vida.

Antigamente, antes das diversas mudanças das várias


obediências no REAA, o trono do 2º Vigilante ficava no lado ocidental da Coluna
do Sul, paralelo ao trono do 1º Vigilante. Hoje o 2º Vigilante foi para centro da Coluna do
Sul, como podemos observar. Essa influência ocorreu devido aos templos ingleses e ao Rito
de York.

A Maçonaria brasileira, por total desconhecimento, realizou


com o passar dos tempos diversas alterações em seus templos do REAA,
desfigurando totalmente a Árvore da Vida pela influência de outros Ritos e Rituais.

BIBLIOGRAFIA

Dicionário de Maçonaria – Joaquim Gervásio de Figueiredo


Escola no esquadro: O que é cabala e qual sua verdadeira relação com a maçonaria? Kennyo
Ismail 2008.

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Ir Sandro Pinheiro
ARLS Flauta Mágica Nº 170
GLMRJ
Or do Rio de Janeiro/RJ

A humildade é, senão a mais importante, uma das muitas


lições do grau de aprendiz. E uma lição que acompanhará o neófito durante todo o seu
percurso maçónico, tornando-se numa das pedras angulares na construção de um templo
sólido e duradouro. E a humildade que enfatiza a sabedoria, a força e a beleza. A história da
humanidade está repleta de exemplos de indivíduos que se crêem superiores as leis do
homem e do próprio Grande Arquiteto do Universo. Das cinzas viemos às cinzas
retornaremos, independentemente do grau, status ou título. O maçom não respeita o homem
pela sua riqueza profana ou sua posição social, mas preocupa-se sim com a qualidade do

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carácter que este possui. Daí dizermos que o maçom é igualmente amigo do rico e do pobre
desde que sejam pessoas de bem. O pavimento mosaico lembra-nos do potencial humano
tanto para o bem, como para o mal. Sendo que a pedra bruta simboliza o nosso estado inicial,
cru e imperfeito. Contudo a pedra cúbica demonstra que é possível aperfeiçoar-nos. O
maçom deve aprender que é um erro assumir o manto da liderança sem demonstrar as
qualificações necessárias aos seus irmãos. Os verdadeiros líderes não buscam, nem lutam pelo
poder, o poder vem até eles, porque é lhes imposto pelos que o rodeiam e nele reconhecem
as qualidades para os guiar. E o que é o verdadeiro maçom, senão um homem humilde
despojado dos preconceitos profanos, consciente das suas limitações, ansioso por crescer e
construir o seu templo interior e tornar-se um homem melhor. E procurar humildemente a
excelência, a perfeição mesmo sabendo que está fora do seu alcance, mas este facto não o
assusta, nem o impede de se lançar nesta contenda.

A humildade

A humildade, no entanto, é algo que nos é comum a todos,


um idioma, uma cultura ou uma forma de ver a vida se o preferes. Deveria ser comum para
todos nós o saber porque fomos despojados de nossos prejuízos ao colocar o avental, relegar
a soberba e a inveja, quando colocamos as luvas, valorizar tão somente a qualidade humana

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quando portamos a esquadro e o compasso, porque isto são os pontos cardeais da maçonaria,
porque isso é a base do Templo de Salomão, porque isso é o prisma com o que, ao fim e ao
cabo, pretendemos observar o mundo para fazer dele um lugar melhor. Também, se
dizermos que é fácil dizê-lo aqui, aonde observamos o mundo, mas infinitamente mais difícil
fazê-lo dia a dia, em nossas vidas quotidianas, onde não somente observamos esse novo
mundo, onde somos artífices de sua construção. É da humildade donde nasce o resto das
virtudes, é de saber as nossas limitações, tem donde nasce a força para superá-la, é a
humildade o antídoto para soberba, a altivez e a arrogância, é o início para assumir que outros
possam nos ensinar que sempre necessitaremos dos outros, que cada dia a vida volta a ser
uma nova senda a percorrer, é o início do caminho maçônico. Às vezes a miséria moral e a
podridão da alma nascem em pessoas de confusas aspirações econômicas, sociais, trabalhistas
ou materiais já cheias de crer que têm o direito de dar lições a outras pessoas sem lembrar
que somos todos aprendizes. A verdade é que nenhum de nós estamos vacinados contra a
desgraça, contra o infortúnio, contra as catástrofes pessoais que nos devolvem ao ponto de
partida e para a exigência de que lutemos novamente para tirar uma vida de suas lacunas mais
insignificantes, porque, como eu, sabemos que somente sendo humildes, teremos as forças
para nos erguer novamente.

Há realmente aqueles que vêem a vida como uma montanha


a escalar, com um pico de sucesso para conquistar e que quando coroam, eles geralmente
dão rédea solta à sua arrogância, humilham e importunam escalar acima dos outros, e então
se vendem como campeões da virtude. … mas, Irmãos, a humildade não trata disso, a
humildade deve presidir todos nossos atos, persistir em nossas vidas desde seu início, mas,
também até o seu final com independência do que temos logrado.

Muitas vezes deixamos de ver a vida e a maçonaria como o


que realmente são: a oportunidade constante de ser seres humanos melhores, de enriquecer
a vida dos outros com nossas obras, de dar
sentido a tudo o que não tem, através da
liberdade, igualdade e fraternidade, para que
estes sejam os nossos vestígios neste mundo.

A conquista da
humildade que a maçonaria nos aponta, ensina,
demonstra, por toda a sua história, pelo
conteúdo dos seus Ritos e a sua bela e sempre
tão atual liturgia, além dos exemplos
dignificantes que nos foram legados, ser
humilde, é algo realmente muito desafiador. Na
verdade, a humildade me parece ser uma
qualidade inata de um ser humano, pois é fácil
constatarmos que no mundo profano, existem
pessoas pobres materialmente que, são
orgulhosos e arrogantes, e existem pessoas abastadas, ricas, tanto materialmente, como em
valores culturais, sociais, educacionais, que são simples e humildes.

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A humildade é uma qualidade sempre encontrada no sábio:
podemos compará-lo a uma árvore cujos galhos, carregados de frutos, se curvam para o chão.
Já o homem cheio de vaidade se parece mais com uma árvore nua, cujos galhos apontam com
orgulho para cima. A humildade também se traduz em uma linguagem corporal desprovida
de arrogância e ostentação. Nas viagens que fiz em companhia de Sua Santidade o Dalai
Lama, vi com meus próprios olhos a imensa humildade, cheia de um amor bondoso, que
tem esse homem universalmente reverenciado. Ele está sempre atento a todos e jamais se
coloca como uma pessoa importante. Certo dia, quanto entrávamos em uma sala onde o
Parlamento Europeu oferecia um banquete em sua honra, ele percebeu que os cozinheiros o
observavam de trás de uma porta seme aberta. Antes de mais nada dirigiu-se a eles para visitar
a cozinha e pouco depois reapareceu, dizendo ao presidente e aos quinze vice-presidentes do
Parlamento: “Que cheiro delicioso!” Uma excelente maneira de quebrar o gelo em uma
refeição tão solene.

Os ocidentais igualmente se surpreendem quando ouvem


grandes eruditos ou meditadores do Oriente dizerem: “Nada sou e nada sei.” Acreditam que
se trata de falsa modéstia ou de um hábito cultural, quando, na verdade, não passa pela cabeça
desses sábios pensamentos do tipo “eu sou sábio” ou “eu sou um meditador realizado”. A
humildade e o desinteresse natural que têm pela própria pessoa não significam que eles não
tenham ciência de seu conhecimento e erudição, mas que esse aprendizado revela o quanto
ainda há por saber. A humildade é também uma atitude em essência voltada para os outros
e para o bem-estar deles. Estudos de psicologia social mostraram que as pessoas que
supervalorizam a si mesmas apresentam tendência para a agressividade superior à média.
Esses estudos também colocaram em evidência uma ligação entre a humildade e a faculdade
de perdoar. Aqueles que se consideram superiores julgam os erros dos outros com mais
severidade e consideram-nos como menos perdoáveis.

Paradoxalmente, a humildade favorece a força do caráter: a


pessoa humilde toma decisões tendo por base aquilo que considera certo, justo, sem se
inquietar com a sua própria imagem ou a opinião dos outros. Como diz o provérbio tibetano:
“Por fora, ele é dócil como um gatinho; por dentro, tão duro de dobrar quanto o pescoço de
um iaque”. Essa determinação nada tem a ver com obstinação ou teimosia, surgindo da
percepção lúcida de um objetivo significativo. É inútil tentar convencer o lenhador que
conhece a floresta a tomar o caminho que leva ao precipício.

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Sabemos que é necessário respeitar e amar aquela faísca da
Divindade o “Eu Superior” que reside dentro de todos nós –, mas não podemos esquecer de
que, como místicos aspirantes, cabe a nós ter sentimentos semelhantes também pelo eu
profundo dos outros. E isso deve acontecer independentemente do comportamento externo
distorcido que as pessoas possam algumas vezes apresentar. Algumas pessoas – tenho certeza
de que todos podemos citar alguns nomes – irradiam amor e contentamento. São seguras de
si e felizes e refletem sua santidade interna aceitando totalmente os outros da forma como
são, “com espinhas e tudo”. Nos referimos a essas pessoas como sendo humildes. No nosso
dia-a-dia descobrimos que, ao explorarmos o eu, o pensamento, o ser emocional, somos
levados a fazer ajustes necessários de todo o tipo. Quanto mais nos conscientizamos do nosso
eu, de nossa vida e de nossos sentimentos, mais percebemos os atributos dos outros e os
nossos próprios atributos.

Precisamos cultivar nossa consciência de ser e provar que


somos dignos do caminho da descoberta interna que escolhemos trilhar. A regra de ouro diz:
“Amar o próximo como a si mesmo”. O problema é que a maioria das pessoas não ama a si
mesma. À medida que sondamos cada vez mais profundamente nossa consciência interna e
vamos tendo a necessidade de entrar em contato com aquelas características que realmente
nos representam, percebemos a natureza maravilhosa da personalidade. O fato é que muitos
de nós quase não conhecem o seu eu profundo, um aspecto humano mais amplo conhecido
pelo místico como a Personalidade-Alma. Essa descoberta em como resultado de uma
introspecção profunda e muitas vezes dolorosa. À medida que começamos a elucidar nossa
própria natureza verdadeiramente complexa, precisamos evitar criticar aquilo que
encontramos. Em vez de enfatizarmos as deficiências que descobrimos, deveríamos
concentrar nossa atenção nas qualidades de que gostamos. Quando reforçamos esses pontos,
o bem começa a sobrepujar os aspectos problemáticos. Em outras palavras, podemos eliminar
o indesejável dando ênfase àquelas coisas que queremos conservar. Essa é a forma mística de
transmutar.

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Ser Humilde
Há dois tipos de humildade, e todos nós temos nosso
exemplo predileto de um conhecido que acreditamos de fato representar o significado dessa
palavra. É provavelmente uma pessoa que, de alguma forma, relegou coisas importantes em
sua vida a uma posição inferior. Talvez seja alguém bem sucedido sem ser agressivo ou
dominador ao mesmo tempo em que se mantém cortês, afável e atencioso com os outros.
Ou talvez seja alguém que possa ser descrito como “autoconsciente” em vez de “centrado em
si mesmo”. Muitos de nós nos preocupamos com a ideia de termos que ser humildes; o que
parece uma meta louvável. Mas o que é ser humilde? Quando descobrimos o cerne ilusório
da verdade, então podemos aprender sua natureza; em outras palavras, não tentando ser
humildes, pois uma humildade que se intitula dessa forma pode ser irritante na sua falsidade.
Que as pessoas geralmente não têm humildade é evidente, pois elas têm uma tendência a se
menosprezarem. Alguns exemplos disso são os indivíduos partidários da autocensura; ou
aqueles que adotam uma
atitude bajuladora; ou aqueles
que agem da forma mais
submissa do que o necessário.
São poucos. Essas pessoas
merecem ser pacientemente
compreendidas, pois
desconhecem a razão de seu
próprio comportamento,
razão essa que está escondida
no seu subconsciente.

Quando mais
tentamos ter humildade,
menos conseguimos tê-la. O
esforço para manter o
pensamento que diz que você
é humilde quase nega a
possibilidade de que seja
humilde. As marcas da
humildade são a modéstia e
uma forma de despretensão.
Trata-se de uma coisa bem sutil, pois não representamos essas características em nossas ações.
O que chamamos de verdadeira humildade é, na realidade, uma aceitação inconsciente de si
mesmo. O indivíduo humilde não é submisso nem bajulador, e nem lhe falta ambição. Se
fôssemos criar algumas palavras-chave que descrevessem com palavras comuns o estado de
humildade, essas poderiam ser: imparcialidade, consideração, generosidade,
autoconhecimento e assim por diante – todos em sua versão plus. Mas palavras-chave
negativas também surgiriam como: arrogância, mediocridade, egocentrismo, baixa auto-
estima, humilhação e outras parecidas. Aqueles que fazem pontos no lado positivo

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eliminaram a dependência egocêntrica do auto engrandecimento e da abnegação excessiva, e
atingiram um meio-termo feliz que pode ser chamado de ‘humildade’.

Lembre-se sempre e cite sempre o fato de que somos todos


seres maravilhosos, uma combinação de corpo com sentidos e sensações ligados a um Ser
interno cheio de entusiasmo. Esse ser interno que nos ouviu nos menosprezando por tanto
tempo, agora precisa ouvir como somos maravilhosos. Se seguíssemos essa linha de
comportamento diariamente, perceberíamos mudanças acontecendo conosco, mudanças
essas que nos levariam gradativamente à plenitude da vida e a um crescimento inconsciente
na humildade.

Humildade
Humildade não é ser pobre, não se cuidar nem ser bobo. A
humildade é uma coisa boa! Deus abençoa os humildes, porque a humildade agrada a Deus.
Todo crente deve ser humilde. Ser humilde é entender seu verdadeiro valor. Deus lhe ama
porque ele lhe criou, não por causa de sua aparência ou das coisas que você faz. Humildade
é reconhecer que seus sucessos vêm de Deus e que é ele que lhe capacita. Ser humilde é estar
pronto para servir
outras pessoas. Jesus
era humilde. Ele não
veio para ser tratado
como celebridade, mas
para trabalhar para o
bem de outras pessoas.
Humildade é seguir o
exemplo de Jesus.

O
primeiro passo na
direção da aquisição da
verdade é a humildade
da mente, que nos
mostra a nossa
ignorância e a nossa
necessidade por
conhecimento, de
modo a estarmos preparados a recebê-lo. “Bem aventurados os humildes de espirito, porque
deles é o reino dos céus.” (Matias 5:3)

Entretanto, o irmão maçom, não importa o grau que


tenha alcançado, porque ele precisa analisar-se permanentemente, - precisa olhar
demoradamente para a sua própria pedra bruta, - pois ela é exatamente igual, jamais, - será
naturalmente melhor polida sem o seu próprio esforço, que, - a pedra bruta de todos os seus
irmãos maçons!

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Ir Osvaldo Novaes
ARLS Fraternidade Sergipense n° 11 - GLMESE - Or do Aracaju/SE
ARLS Aquibadan nº 52 – GLEB - Or de Salvador/BA
Membro Correspondente da
Academia Maçônica Sergipana de Artes, Ciências e Letras

A Maçonaria vem, desde longo tempo, nos mais


diversificados contextos sociais na Terra, registrando atividades e permanência edificadoras.
Não que esteja fisicamente em todos os lugares, mas “se espalha por todos os recantos da
Terra, sem preocupação de fronteiras e de raças” (1), disseminando conceitos filosóficos e
práticas benéficas aos homens e mulheres de cada época. Por mais fraca que seja, a luz
difundida pela Maçonaria ilumina as trajetórias de muitos caminhantes. Seu objetivo tem
sido, século após século, noite e dia, “tornar feliz a Humanidade” buscando a transformação
dos seres humanos pelo aperfeiçoamento dos costumes, fazendo prevalecer os princípios de

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Liberdade, Igualdade e Fraternidade, preconizando a tolerância, o acatamento à autoridade
e à crença de cada um, tendo a educação e a ordem como base e o progresso como fim.

Combatendo a ignorância, a tirania, os erros e preconceitos


de qualquer natureza que assolam as pessoas em todas as épocas, fez da defesa do Direito e
da Justiça um escudo contra usurpadores e ambiciosos detratores da Verdade, aqueles que
apenas defendem suas verdades de minorias sempre conflitantes com interesses da maioria.
A Maçonaria não poucas vezes pagou alto preço por suas ações em favor dos homens e
mulheres humildes, sem coroa ou cetro reais, mas construtores da sociedade com seu labor
cotidiano, mesmo sofrendo as vicissitudes da vida sem recursos. Morreram muitos Maçons
sob torturas ou queimados, sempre defendendo a Ordem Maçônica, sua história, seus
Irmãos. Em 1313, uma sexta-feira, na França, foram queimados Cavaleiros Templários entre
os quais Jacques de Molay, Grão-Mestre da Ordem. Talvez a crendice popular de azar na
sexta-feira 13 tenha aí sua origem.

Daí que não será uma pandemia, epidemia ou outro flagelo


terreno, sejam terremotos ou tsunamis, por exemplo, que desviará a Maçonaria dos seus
princípios fundamentais, de seus objetivos duramente perseguidos, quais sejam a construção
do bem comum para todos os habitantes da Terra. Hoje e sempre a Maçonaria honrará seu
compromisso de trabalhar para o Bem de todos, à Luz do Grande Arquiteto do Universo.
Para o Maçom não há busca de recompensas materiais, sendo-lhe bastante a consciência
tranquila ao deitar e levantar para novas ações beneficentes.

Quanto à antiguidade da Maçonaria muitas informações, às


vezes conflitantes, além de um sem número de especulações, proporcionam aos estudiosos

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um acervo valioso de nomes, locais, datas e eventos supostamente relacionados com a Ordem
Maçônica, bem como pessoas que teriam mantido em atividades a Maçonaria século após
século, permitindo sua continuidade e seu crescimento, mesmo diante de adversidades.
Revoluções, epidemias, desastres naturais como o terremoto de 1755, em Lisboa,
perseguições em Portugal e Espanha, Itália, Alemanha e Rússia, Tchecoslováquia, onde o
Maçom e pintor Alphonse Mucha foi assassinado aos 80 anos de idade, não calaram a
Maçonaria nem impediram suas ações em prol da sociedade. No Brasil, durante certo tempo,
foi a Maçonaria perseguida no governo de Getúlio Vargas, apesar de seu irmão Viriato ser
Maçom.

Negamos, por absoluta falta de provas, que Noé, Moisés,


João, o Batista, Jesus, Aarão fossem Maçons, apesar de alguns Irmãos menos prudentes e
desejosos de agregar prestígio à Ordem alardearem as filiações dos citados acima. Nem
vamos, com todo respeito, atribuir a condição de Maçom ao nobre rei Salomão ou a seu
competente arquiteto Hiram Abif, presentes na construção e na ornamentação do famoso
Templo de Jerusalém, onde Hiram colocou símbolos adotados pela Maçonaria, quais sejam
Colunas e Romãs. (2)

Os chamados “Mistérios Egípcios” provavelmente foram


transmitidos aos Iniciados Jesus, Moisés, Hiram Abif, João, o Batista, assim como a Platão,
Aristóteles, Sócrates, pois gregos estavam frequentemente no Egito buscando ensinamentos
esotéricos, assim como pessoas de outras nações. Sabemos que a Maçonaria não é tão antiga
assim, e mesmo sua ligação com a Ordem Rosacruz datando, segundo alguns estudiosos, do
tempo de Akenaton (c. 1500 a.C) não comprova a condição de Ordem Maçônica já naqueles
tempos. Teria, talvez, outra denominação? Sabemos que Jesus e seu primo João, o Batista,

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pertenceram à Fraternidade Essênia, que não era Maçonaria, mas confraria com costumes
rígidos, práticas ritualísticas próprias. Quem sabe teriam sinais e palavras de identificação?

Vitoriosa, apesar de percalços, a Maçonaria busca ainda


edificar uma Humanidade Feliz onde os humanos desfrutem do progresso e da plena
transformação espiritual, vivendo na Terra uma harmonia com árvores, águas, animais, terras,
cuja necessitada é patente. Será que apenas durante pandemias nocivas à vida e à inteligência
humanas o homem e a mulher estendem os pensamentos até a necessidade de
transformação? Não o fazem cotidianamente (como deveriam), e esperam que ocorra uma
tragédia para terem despertado o sentido do NÓS em vez de apenas cuidar do EU?

Lembremos que a Humanidade já experimentou epidemias


e pandemias terríveis, a vida social, política, econômica e cultural recebendo impactos
devastadores de doenças cujo saldo em mortes alcança milhões de vidas. Todavia, assim nos
parece, ainda os humanos não aprenderam as regras do viver em harmonia, o progresso a
todos beneficiando, o social superando o individual. As descobertas científicas, o progresso
tecnológico, o que deveria alcançar todas as classes sociais não é acessível à grande parcela da
atual população da Terra, parecendo o que disseram faz tempo: “Os ricos cada vez mais ricos,
os pobres cada vez mais pobres”. De certa forma acirrando os ânimos que poderão manter
ativa a eterna luta de classes preconizada por Karl Marx.

Mesmo não existindo como instituição formalizada em


algumas trágicas épocas da História, as noções de Liberdade, Igualdade e Fraternidade que
são faróis da Maçonaria, estiveram sempre ao alcance das pessoas, e muitas laboravam
sentindo na intimidade do Ser os princípios filosóficos que norteiam a Maçonaria ao longo
do tempo. Lembremos acontecimentos como Revolução Francesa (1789), Independência
dos Estados Unidos (1776), Independência do Brasil (1822), quando Maçons e não maçons
tinham inscrito nos corações e nas consciências a necessidade de serem abolidas tantas
distinções sociais políticas, religiosas, econômicas, pois enfrentavam da mesma forma as
doenças, pestes, terremotos e enchentes, vivenciando épocas de dor e sofrimento.

Mais ou menos em 541 d.C. a chamada “Peste Justiniano”,


flagelo pandêmico rigoroso
levou a óbito entre
quinhentos mil e um
milhão de vítimas, tendo
durado quase dois séculos.
Claro, não existia
Maçonaria sob qualquer
forma, e ainda que lá
estivesse pouco poderia
fazer salvo ações caritativas,
socorro a necessitados,
abrigo a deserdados da
sorte, tal como a Maçonaria
de nossos tempos, diante da pandemia dita COVID-19, procura fazer mesmo carecendo de
recursos e pessoas.

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Na época da “Peste Negra”, entre 1343 e 1353, noticia-se a
morte de quase duzentos milhões de pessoas em todos os lugares da Terra, notadamente na
Europa. É considerada a pior pandemia na Terra. Vale imaginar que algum vestígio de
Maçonaria nesse tempo erguia “Templos à Virtude” e “Cavava Masmorras ao Vício”, com
atuação dos chamados “Maçons sem Avental”, homens dignos, de bons costumes, colocando-
se altruisticamente contra a trágica ocorrência e buscando minorar sofrimentos dos mais
necessitados, despertando a ira dos poderosos. Senão, porque já a Igreja Católica tramava
perseguições contra a Ordem do Templo com uma bula denominada “Vox in Excelso”, em
1312, do Papa Clemente V, suprimindo essa Ordem? E em 1307, um outro Papa, Bonifácio
VIII, expediu a bula “Pastoralis Praeminencia”, excluindo os Cavaleiros Templários da
cristandade!?

A “Gripe Espanhola”, aí por 1918, levou à morte entre vinte


e cinquenta milhões de pessoas, inclusive no Brasil. A Maçonaria esteve atuante em muitos
países, visto que desde junho de 1717 a Grande Loja Unida da Inglaterra existia e atuava por
si mesma e através de centenas de Lojas que se espalhavam em todos os continentes.
Epidemias de AIDS e de EBOLA ameaçaram a saúde, o bem-estar de milhões de pessoas,
especialmente na África berço das duas. Discretamente, sem alardear os seus feitos,
certamente Maçons estiveram em atividades em favor dos menos favorecidos, porque esse é
seu papel, sempre será, e não serão epidemias que afastarão os Obreiros de seus deveres para
com a Humanidade.

Até agora, fevereiro de 2021, a pandemia infernal


denominada COVID-19, alastrou-se mundo afora chegando a quase 110 milhões de
infectados, sendo o Brasil atingido com quase 10 milhões de infectados e aproximadamente

20
240 mil óbitos. Isso nas estatísticas conhecidas, mas podem existir casos não incluídos. Ainda
em evidência com crescente letalidade, a atual pandemia ainda se encontra distante do seu
término, como prevêem cientistas de todo o mundo, apesar dos avanços científicos em
vacinas, medicamentos, atenção médica e hospitalar, bem como providências do poder
público em todos os níveis de administração. Seus estragos físicos, morais e espirituais são
alerta para a Humanidade como se dissesse aos homens e mulheres de nosso tempo:
“Cuidem uns dos outros; ame seu próximo; faça da caridade um degrau para a paz; somos
todos de origem superior e precisamos estar unidos diante de qualquer malefício, natural ou
provocado pelo homem.”

A Maçonaria perdeu Irmãos e familiares, sem distinção de


graus, vida profana, credos ou filiação política apenas porque, como em outras circunstâncias
adversas na história da Humanidade, a Venerável Ordem se manteve na superfície dos
acontecimentos, mas vivenciando-os como parte que é da sociedade onde se insere, sem
privilégios ou conveniências. Constituída por homens de boa vontade e de bons costumes
leais ao dever inarredável de fazer a Humanidade Feliz, Maçons de diversas profissões
colaboram no combate à pandemia, comprovando que a Maçonaria é solidária e atuante e
preocupada com o bem-estar das pessoas. O lema “Um por todos e todos por um”, trazido
pelo escritor francês Alexandre Dumas, no livro Os Três Mosqueteiros, está presente no dia-
a-dia do Maçom. Não será uma pandemia, vigorosa que seja, que afastaria os Maçons dos
seus princípios filosóficos, dos fundamentos espirituais que embasam sua ação não sectária,
e que nunca esteve fora dos ensinamentos de Jesus: “Amar o próximo como a si mesmo” e
“Fora da caridade não há salvação.”

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No seio da Maçonaria se encontram pessoas de classes
sociais variadas; condições pessoais de patrimônio, poder público ou político diversificadas;
casados, solteiros, divorciados, viúvos; lá estão Católicos, Protestantes, Presbiterianos,
Batistas, Espíritas, Umbandistas; Professores, técnicos, Advogados, Médicos, Estudantes e
uma miríade de profissionais dispostos ao sacrifício pessoal para socorrer ou remediar o
próximo em situação de infortúnio. Suas contribuições vão desde a doação de valores
monetários até a entrega de alimentos, roupas, objetos de uso pessoal, água potável,
cobertores e até barracas para acampamentos de desabrigados ou refugiados.

Mesmo sem precisão quanto à época certa de surgimento da


Maçonaria como é conhecida em nossos dias, e nos abstraindo da criação da Grande Loja
Unida da Inglaterra em 1717, em todo o passado da vida humana com ilustração de pinturas
rupestres, descoberta do fogo, invenção da roda, criação de armas e ferramentas de ossos, o
ser humano desenvolveu o senso de amor, de socorro, de solidariedade ao semelhante diante
de calamidades às quais estiveram sujeitos os humanos. Já então o espírito maçônico que
enobrece o ser humano pairava na Terra e sobre a Terra.

Quando ocorreu a “Peste Negra”, esboço de Maçonaria se


apresentava aqui e acolá, pois existem comprovações de reuniões de associações ou
sociedades come segredos, especialmente agrupando artífices e construtores de igrejas,
mosteiros, castelos e fortificações militares. As guildas na Inglaterra e Holanda; as
Compagnonnage, em França, e as Steinmetz, na Alemanha, bem como os Collegia Fabrorum,
eram sociedades que tinham juramentos de sigilo entre seus integrantes, além de sinais e
palavras secretas reservadas aos Iniciados (poderíamos dizer filiados, ou hoje seriam os
sindicalizados). O Colégio Romano de Arquitetos e Pedreiros, do qual o imperador Augusto
foi Grão-Mestre, usava símbolos das ferramentas
dos ofícios, ou seja, fio de prumo, compasso,
esquadro, régua e o nível, ainda hoje usados na
Maçonaria Universal. A denominada Ordem dos
Comancini, por volta de 346 e 395 d.C. era dividida
em lojas dirigidas por mestres. Usavam luvas
brancas e sinais secretos. Seu nome deriva da sua
localização na ilha Comancina, no Lago Como,
norte da Itália. (3)

A Carta de
Bolonha, de agosto 1248, e o Poema Régio ou
Manuscrito Halliwell, de 1390, são tidos como
precursores da moderna regulamentação da
Maçonaria e de seus fundamentos. Além de uma
Academia Platônica d 1482, na Polônia; uma Loja
em Kilwinning, em 1677; em Colônia, na
Alemanha, fala-se de uma Fraternidade Maçônica
de São João aí pelo ano 1440. Vale, então, dizer que
a Maçonaria existe ao longo dos séculos, com
denominações diferentes, sobrevivendo impávida às tempestades políticas, econômicas,
religiosas que afligiram a Humanidade de tempos em tempos.

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Após as pandemias, lutas pelo poder, querelas políticas e
religiosas, confrontações sociais de classes socioeconômicas rivais, o que ainda ocorre em
vários lugares da Terra, resta e se sobressai a Maçonaria como esteio na formação, educação,
orientação dos membros da sociedade no caminho do “não faça aos outros o que não gostaria
que lhe fizessem”, buscando sempre edificar melhores dias para todos.

Como sobrevivente a Ordem Maçônica tem, não obstante


incompreensões, difamações, ódio e perseguições, o DEVER universal de persistir
construindo suas Oficinas ou Lojas para qualificar homens de bons costumes, aperfeiçoando-
os para manter viva a chama da Fraternidade sem fronteiras, pugnando pelo Direito,
glorificando a Justiça e tornando uma realidade acatada por todos a Verdade em toda sua
força e pureza. O ecumenismo no âmbito da Maçonaria é uma característica e um princípio.
Lá se encontram todas as vertentes do pensamento liberal, da liberdade de expressão do
exercício do livre arbítrio, não significando que cada Maçom possa agir como bem entender.
“Ao entrar na ordem, o membro é instruído sobre a ‘moral universal’, um conjunto de
virtudes obrigatórias, como bondade, lealdade, honra, honestidade, amizade, tranquilidade e
obediência.” (4)

Chegaremos a dizer: “Pelo fruto é que se conhece a árvore”,


conforme Mateus no capítulo 12, versículo 33 (5). Um presidente dos Estados Unidos, Calvin
Coolidge, disse: “Eu não tive a sorte de conhecer muito a Maçonaria, em compensação tenho
o grande prazer de conhecer muitos maçons, e por isso julgar a árvore pelos frutos”. E se a
árvore é a Maçonaria na sua pureza, no seu trabalho, em sua dedicação ao bem-comum,
buscando o aperfeiçoamento da Humanidade, sabemos que NENHUM MAL, NENHUMA
PESTILÊNCIA, NENHUMA PANDEMIA, por mais danosas que sejam, destruirá a ação
da Maçonaria em prol do progresso da Terra. Alguns Maçons cairão à esquerda, outros à
direita da trajetória através do piso mosaico de suas existências, mas a Venerável Ordem

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Maçônica seguirá de cabeça erguida pelo ‘Caminho do Meio’ na construção do mundo com
o qual nós sonhamos.

Surgirão notícias falsas e falsos profetas; ocorrerão mudanças


comportamentais; o temor vai ainda pairar sobre nações e sobre as pessoas por uns tempos;
crenças religiosas serão abaladas; vez
por outra instalar-se-á o caos social com
debandada de fracos e aproveitamento
por ambiciosos da miséria alheia em
proveito próprio. Homens como
George Washington, Franklin
Roosevelt, Simon Bolívar, Winston
Churchill, Giuseppe Garibaldi,
Wolfgang Mozart, René Descartes,
Gustavo Eiffel, Claude Debussy, Eric
Satie, José Bonifácio de Andrada e
Silva, Cipriano Barata, Gonçalves Ledo,
cônego Januário da Cunha Barbosa e
milhares de outros em toda a Terra
dedicaram-se à Maçonaria pensando no
próximo, na construção do progresso a
que todos tivessem acesso.
Combateram governos de opressores,
exigências religiosas, inimigos da
democracia. A lista de Maçons célebres encherá milhares de páginas e seus nomes e
atividades serão exemplos duradouros.

A Maçonaria estará – DEVE ESTAR – na linha de frente dos


trabalhos para a “Reintegração dos poderes e virtudes primitivas dos seres criados”, referidos
por Martinez de Pasqually em sua obra (6), dotando-se os humanos da pureza dos primeiros
tempos, do discernimento para a escolha entre o Bem e o Mal, da coragem necessária para
vencer suas paixões, da eterna e constante dedicação à causa da edificação da Humanidade
Feliz e Próspera.

Bibliografia

(1) – Ritual de Aprendiz Maçom – Rito Escocês Antigo e Aceito - Grande Loja Maçônica
do Estado de Sergipe – 2012
(2) - Freitas, Antonio F. e Novaes, Osvaldo – “Maçonaria – da antiguidade até Sergipe -
breve histórico” – Editora Infographics – 2017
(3) – Moretti, Fernando – “Maçonaria Ritos e Valores” – Editora Escala, 2012
(4) – Oliveira, Françoise Jean de – Revista Aventuras na História, ed. 64 – Nov 2008 – Ed
Abril
(5) - Biblia Sagrada – Tradução do Novo Mundo – Edit. Associação Torre de Vigia de
Biblias e Tratados – 2015
(6) – Pasqually, Martinez de – “Tratado da reintegração dos seres criados em seus poderes
e virtudes primitivos’ – Edições 70 – Coleção Esfinge – Lisboa, 1979

24
Ir Cláudio Lúcio Fernandes Amaral
ARLS Cavaleiros da Arte Real nº 4309 GOB – BA
Or de Jequié - BA
Membro Fundador da Academia Maçônica de Letras, Ciências, Artes e Ofícios do GOB -
BA (ACADGOB - BA) e da Brazilian Internet Masonic Academy (BRAIN - ACAD)

Resumo: Este trabalho objetiva divulgar a Maçonaria do Arco Real


junto às Lojas Simbólicas face a sua mais alta relevância na complementação da jornada do
maçom em sua caminhada ético-moral e, sobretudo, espiritual. Para atingir seu propósito,
utilizou-se o teatro / peça teatral como estratégia didático - pedagógica para, não apenas e tão
somente, atrair, cativar, mas também, arrebatar e fidelizar novos membros. Com isto, espera-
se que estes possam vir a se tornarem novos multiplicadores deste charmoso, sedutor e
maravilhoso sistema doutrinário maçônico.

Introdução:

O maçom (O AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO) participa em


sua loja de uma série de cerimônias, sessão após sessão, sob a forma de peça teatral, por
conseguinte, encenações dramáticas, falas decoradas e textos analíticos e interpretativos fazem
parte de seu cotidiano (A LITURGIA E A RITUALÍSTICA) em sua oficina.

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A Maçonaria (O TEATRO - ESCOLA), portanto, originada ou
baseada nas guildas de pedreiros medievais, utiliza as cenas por dramatizações dos oficias (O
CORPO DE ATORES) e observações de seus membros (A PLATEIA), desde seus
primórdios até a época vigente, para incutir na mente dos obreiros, seus princípios
fundamentais (A TEORIA).

O teatro (O MÉTODO), além de ser meio eficiente de socialização


(A FRATERNIDADE) possibilita desenvolver a criatividade (A INSPIRAÇÃO), ao permitir
transformar a sessão da loja ou oficina (A ESCOLA) em ambiente atraente (A SALA DE
AULA) pela sua dinâmica e, participativa, por sua atratividade (A MOTIVAÇÃO).

Deste modo, o ensaio da peça teatral (A AULA) constitui-se em


laboratório (A PRÁTICA) onde se verifica a ocorrência de experiências reflexivas geradoras
de conhecimentos múltiplos (AS LIÇÕES).

Então, sua demonstração constitui - se no processo instrutivo (A


EDUCAÇÃO) que se efetiva por meio constante da ação de reorganizar estas experiências
(O AUTO - APRENDIZADO), convertendo-as em habilidades (A EVOLUÇÃO), tanto
para quem assiste, quanto para que trabalha (VALORIZAÇÃO DO CONHECIMENTO).

Enfim, da interação eficaz entre os diferentes participantes,


espera-se o crescimento pessoal, o desenvolvimento intelectual e o aprimoramento integral
do maçom (A MORALIDADE / A ESPIRITUALIDADE).

A proposta do “Fazer Teatro em Maçonaria” tem o único intuito


de, exclusivamente, servir de “Escola para Disseminação de Ensinamentos Maçônicos” por:

1) - Envolvimento pela brilhante atuação dos atores (A BELEZA),

2) - Encantamento vislumbrado pela cativante apresentação (A FORÇA),

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3) - Arrebatamento via mensagens dadas pelos personagens (A SABEDORIA).

O potencial do teatro para o processo educativo é enorme. Este


importantíssimo tema é amplamente abordado em diversos artigos de vários periódicos,
porém, como ferramenta didático - pedagógica é pouco estudado em Maçonaria, sob o ponto
de vista acadêmico. Portanto, foi objetivo deste trabalho desenvolver uma peça teatral como
estratégia didática motivadora no processo de ensino e aprendizagem em Maçonaria do Arco
Real.

Desenvolvimento:

A confecção deste trabalho foi inspirada nas seguintes etapas


norteadoras, quais sejam: a) - propor o tema, b) - estabelecer o objetivo, c) - escrever o roteiro,
d) - escolher o cenário, e) - ensaio e f) - apresentação.

a) - Tema Proposto:

Importância da exaltação do Mestre - Maçom (O SUBLIME


GRAU) ao Arco Real (A SUPREMA ORDEM) para a conclusão de sua jornada (O
CAMINHO ÉTICO, MORAL E ESPIRITUAL), independente do rito praticado.

b) - Objetivo Traçado:

Disseminar a Maçonaria do Arco Real tanto intrapotência (GOB),


quanto interobediência (GOB - BA, GOB - MG, GOB - RJ, GOB - SP e outros).

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c) - Roteiro Sugerido:

► Identificação e Caracterização dos Personagens:

● Mestre Maçom da Loja CARIDADE - Esta oficina maçônica NÃO tem irmãos que são do
Arco Real (ATOR COADJUVANTE).

● Mestre Maçom da Loja ESPERANÇA - Esta oficina maçônica TEM irmãos que são do
Arco Real, mas NÃO TEM representante do capítulo na loja (ATOR COADJUVANTE).

● Mestre Maçom da Loja FÉ - Esta oficina maçônica TEM irmãos que são do Arco Real.
porém TEM representante do capítulo na loja (ATOR COADJUVANTE).

● Mestre Maçom da Loja AMOR - Esta oficina maçônica tem irmãos que são dos ALTOS
CORPOS (ATOR COADJUVANTE).

● Companheiro do Capítulo LUZ ESPIRITUAL - Este capítulo tem sua parte tradicional,
além de se ramificar em CAPÍTULO DE INSTRUÇÃO E DE ESTUDOS E PESQUISAS
(ATOR PRINCIPAL).

► Construção das Cenas

- CENA N°01: “A Falsa Discórdia”

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Descrição da Cena: É encenado a contradição aparente da
Maçonaria Simbólica com a do Arco Real. Porém, é mostrado que uma complementa a outra.

■ Companheiro do Capítulo LUZ ESPIRITUAL: Bom dia, meus queridos irmãos, vocês já
ouviram falar do Sagrado Arco Real (Curioso)?

■ Mestre Maçom da Loja CARIDADE: Mais ou menos, vocês sabem alguma coisa disto
(Despreocupado)? Mas nem importo muito, pois se o Grau de Mestre é a plenitude da
Maçonaria Simbólica (Provocando), porque eu devo fazer o Sagrado Arco Real (Desafiando)?
Me convença, se for capaz (Rindo)?

■ Mestre Maçom da Loja ESPERANÇA: Sim, ouvi alguma coisa, pois na minha loja tem
irmão que fez isto. Mas não sei muita coisa (Insatisfeito).

■ Mestre Maçom da Loja FÉ: Na minha oficina também tem. Tem um irmão que me falou
que era representante do capítulo na loja. Ele falou conforme ouviu de um irmão de minha
oficina sobre o Arco Real, mas eu não estava na sessão (Despreocupado). Depois, até fiquei
curioso (Preocupado), mas o tempo passou e eu não perguntei mais, havia até me esquecido
(Desanimado). Porém, agora que tocou no assunto me veio a lembrança (Curioso).

■ Mestre Maçom da Loja AMOR: Eu não sei, prefiro fazer Altos Corpos (Alegre), tem 33
graus (Feliz), portanto o conhecimento deve ser maior (Entusiasmado), pois já vi irmãos cheio
de medalhas no paletó (Satisfeito). Também ouvi que o grau 33 é o grau máximo (Poderoso).

■ Companheiro do Capítulo LUZ ESPIRITUAL: Vou tentar:

Em primeiro lugar (Calmo), sendo o obreiro, como ser ativo e incansável buscador do
conhecimento, é iniciado, passado e elevado, atingindo assim o sublime grau, tornando-se
mestre maçom, eterno aprendiz ávido por conhecer, companheiro do saber.
Porém, em segundo lugar (Tranquilo), ele não atinge a tão sonhada plenitude maçônica
(Pasmo), haja vista que não conhece os verdadeiros segredos (Assombrado), só os
substitutivos (Atônito) destes augustos mistérios. Em decorrência (Cordial), o Sagrado Arco
Real desponta-se como oportunidade imperdível (Encantado) na procura incessante por
“Mais Luz na Maçonaria Universal” (Extasiado), além, é claro, de explicitar o que lhe foi
oculto (Maravilhado).

Em terceiro lugar, portanto, sinto na obrigação de, como representante do capítulo em minha
loja (Convicto), tenho que te mostrar a íntima relação entre a loja e o capítulo. Permita-me
irmãos (Alegre), na certeza de um dia os encontrar como companheiro (Contente), enumerar
está forte e indissolúvel associação (Pausado):

1ª - A carta constitutiva vai anexar determinado capítulo à loja específica (Explicando...);

2ª - O capítulo é patrocinado pela loja, tendo ou podendo ter seu número e / ou nome
(Explicando...);

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3ª - A joia do Sagrado Arco real não pertencente à simbólica, mas é a única que pode e deve
ser utilizada na loja em qualquer grau (Explicando...);

4ª - O grão mestre da potência simbólica é o líder do grande capítulo central” (Explicando...);

5ª - Certos oficiais assumindo cargos na potência simbólica, se devidamente qualificados,


ocupavam automaticamente cargos equivalentes no grande capítulo central (Explicando...);

6ª - Ser decretado irregular em loja é ser automaticamente decretado irregular no capítulo. O


mesmo é válido se o maçom for desligado ou expulso (Explicando...);

7ª - Qualquer assunto não coberto especificamente no escopo legal do grande capítulo central,
deve ser considerado como governado pela constituição da potência simbólica
(Explicando...).

Decorre, portanto, do que foi exposto (Aliviado) de forma inequívoca que todo mestre
maçom tem (Tranquilo), e deve ter (Calmo), a oportunidade de descobrir esta fonte
inesgotável de conhecimento (Alegre) para impulsionar seu crescimento pessoal e
desenvolvimento intelectual (Feliz) com vistas ao aperfeiçoamento ético e moral (Contente)
e, sobretudo, espiritual (Realizado).

- CENA N°02: “O Sublime Inacabado (Verso) e O Supremo Dependente (Reverso)”

Descrição da Cena: É encenado de modo contundente a necessidade de se fazer a Maçonaria


do Arco Real de forma amplamente argumentada, substancialmente embasada em exemplos.

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■ Mestre Maçom da Loja CARIDADE: Foi boa sua explicação (Agradável), mas ainda
infelizmente não me convenceu (Respeitoso), mas o irmão teria mais alguma observação
sobre o tema (Curioso)?

■ Mestre Maçom da Loja ESPERANÇA: É verdade, pode ser que informações adicionais
ajude-nos (Atencioso).

■ Mestre Maçom da Loja FÉ: Isto que eu ia dizer, concordo plenamente (Observador).

■ Mestre Maçom da Loja AMOR: Eu ainda vou além (Perplexo), gostaria de que, por
gentileza, me esclarecesse que para mim não ficou bem claro (Vigilante), porque eu devo
deixar de fazer Altos Corpos para ir para o Sagrado Arco Real (Curioso)?

■ Companheiro do Capítulo LUZ ESPIRITUAL: Sim, claro, meus valorosos irmãos


(Pensativo).

Não há, contudo, desvantagens (Citar: Perda de Tempo, Materialidade) em fazer o Sagrado
Arco Real, só vantagens (Citar: Ganho de Conhecimento, Espiritualidade). Sua importância
para a “Arte Real” é verificada na forma de como ele é descrito, em especial, destacam - se,
as seguintes, quais sejam (Pausadamente):

● A mais pura e antiga maçonaria consiste em três graus e não mais, a saber aprendiz,
companheiro e mestre, incluindo a Ordem Suprema do Santo Arco Real (Explicando...);

● É a única outra ordem mencionada nos regulamentos contidos no “Livros das Constituições
da Loja Mãe de Todas as Lojas”, cimentando a ampla relevância do Arco Real na vida de
todos os maçons (Explicando...);

● A essência da maçonaria clássica, por ser a raiz, a medula e o coração da mais pura e antiga
maçonaria (Explicando...);

● Complementação da maçonaria antiga (Explicando...);

● O elo indissolúvel da moderna com a antiga maçonaria, ao manter os costumes e tradições


(Explicando...);

● O alicerce, a base e a pedra angular da maçonaria tradicional, propiciando-lhe sólida


sustentação (Explicando...);

● O ápice e o clímax da maçonaria convencional por lhe conferir de modo racional


significado lógico (Explicando...);

● A progressão natural da maçonaria universal, pelo fato de seu encadeamento lógico na


estrutura maçônica organizacional (Explicando...);

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● O próximo passo na maçonaria por trazer mais luz à simbólica (Explicando...);

● A perfeição e a completa realização do maçom, por aproximar criatura do criador,


estabelecendo laços inquebráveis entre ambos;

● A parte final da caminhada do maçom, sem o Arco Real, sua jornada não é incompleta, é
sem sentido (Explicando...);

● O “SUMMUM BONUM”, o bem supremo da maçonaria (Explicando...).

■ Mestre Maçom da Loja AMOR: Mas eu não posso seguir minha jornada maçônica nos
Altos Corpos, ou mesmo, ainda em outras ordens de aperfeiçoamento maçônico?

■ Companheiro do Capítulo LUZ ESPIRITUAL: Poder, pode. Isto é certo, porém?

■ Mestre Maçom da Loja ESPERANÇA: Ahhh, não entendi. Mas, o quê? Hummm...
(Interessado)

■ Mestre Maçom da Loja FÉ: Ser ou não ser exaltado (Cuidadoso)?

■ Mestre Maçom da Loja CARIDADE: Eis a questão (Atencioso).

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- CENA N°03: “A Verdadeira Concordância”

Descrição da Cena: É encenado o reforço dado pelo ator principal a seus interlocutores em
buscar previamente completar sua jornada na “Mais Antiga e Pura Maçonaria, antes de
expandir seus horizontes para novos caminhos, os Altos Corpos.

■ Companheiro do Capítulo LUZ ESPIRITUAL: Veja bem (Sério), considerando o Sagrado


Arco Real como uma ordem atualmente separada, mas inextricavelmente ligada à simbólica,
deve o maçom (Enfático), entretanto, por ser naturalmente o passo seguinte ao Grau de
Mestre (Reflexivo), contudo, ser exaltado (Tranquilo), tornando-se, portanto, (Calmo)
membro efetivo do capítulo, (Focado) antes de se pensar em outras possibilidades oferecidas.
Levanto aqui alguns pontos para reflexão dos amados irmãos:

● PARA UNS, (Explicando...) os Altos Corpos são supérfluos, pois podem desviar a atenção,
fazendo perder o foco no proposto fundamental da “Mais Antiga e Pura Maçonaria”, pois
tudo que se precisa saber é encontrado na arte real primeva, original, primitiva, clássica,
tradicional etc (Pausando).

Não é deixar de fazer Altos Corpos (Enfático). Eu mesmo, já fiz. Sou praticante também. É
mais conhecer profundamente uma parte importante da Maçonaria, previamente, ao se
avançar para outra fase, posteriormente; não menos relevante.

● PARA OUTROS, (Explicando...) os Altos Corpos são opcionais ou adicionais, pois vão
desenvolver os aspectos complementares da doutrina maçônica ou reinterpretar seus
ensinamentos (Pausando). Assim sendo, (Tomando fôlego) se os estimados irmãos ainda não
fazem parte do Sagrado Arco Real (Enfático), sintam-se convidados (Confiante) a trilharem
esta que é a maravilhosa jornada por meio da cerimônia que, por ser ímpar, torna-se ao
mesmo tempo intrigante e empolgante (Intenso) e, finalmente, sendo colorida, é exuberante
(Maravilhado).

Para aprender é preciso caminhar passo a passo, valorizando as fases, sem atropelar etapas.

■ Mestre Maçom da Loja CARIDADE: Por outro lado, (Respeitoso) além do fato do
brilhante argumento do irmão ser bem fundamentado (Atencioso)...Ahhh

■ Mestre Maçom da Loja ESPERANÇA: O modo de se expressar (Observador)...Hummm

■ Mestre Maçom da Loja FÉ: Evidencia que o irmão realmente se encontrou nesta ordem.

■ Mestre Maçom da Loja AMOR: Seu sentido de pertença é considerado, querido irmão
(Atencioso).

■ Companheiro do Capítulo LUZ ESPIRITUAL: É verdade meu amado irmão... Não é de


se surpreender que a suprema ordem seja considerada a perfeição e a completa realização da
Maçonaria, pois o Sagrado Arco Real ressalta as práticas das virtudes incorporadas à

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Maçonaria Simbólica, sobressaindo o contexto espiritual que rege código moral de conduta
da vida.

■ Mestre Maçom da Loja CARIDADE: Me doarei a fazer;

■ Mestre Maçom da Loja ESPERANÇA: Espero também;

■ Mestre Maçom da Loja FÉ: Creio que sim;

■ Mestre Maçom da Loja AMOR: Amei, é só marcar;

■ Mestre Maçom da Loja CARIDADE: Eis a questão.

■ Companheiro do Capítulo LUZ ESPIRITUAL: Em sendo assim, é (Feliz) fácil adivinhar


qual será a escolha de vocês, amados irmãos. Eu espero todos lá e, ao chegarem, (Alegre)
sejam bem - vindos a mais nobre de todas às ordens maçônicas existentes (Contente), pois ao
entrarem na cerimônia são, carinhosamente, reconhecidos como leais irmãos (Satisfeito) e,
ao saírem, serão conhecidos por fiéis companheiros (Realizado). Então, o “Gran Finale”
(Pausando...).

(Explicando...) Se a esperança expande, a caridade evoluirá, a fé será disseminada, o amor


será para todos, pois a luz espiritual agiu sob o maçom, transformando-o (Agradecendo...).

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d) - Cenário (s) Possível (is):

Esta peça teatral devido à alta relevância da temática que aborda e, por ter como público
alvo membros do quadro oficina, destina-se a ser apresentada em loja (CONTE SEMPRE
COM O REPRESENTANTE DO ARCO REAL DE SUA LOJA). Entretanto, seus atores,
os propagadores do ideal simbólico e filosófico do Arco Real podem e devem também
demonstrá-la no capítulo, para que se criem multiplicadores (É RECOMENDADO O
APOIO DOS PRINCIPAIS DO SEU CAPÍTULO).

e) - Ensaio:

Momento propiciador de introspecção, permitindo o apresentador dialogar consigo


próprio e entre seus pares para, posteriormente, dialogar com o expectador. Por conseguinte,
estimula-se o público a dialogar com toda a cena, portanto, facilita-se a compreensão da
mensagem ao usar o próprio código, suscitando ação ou reação a assistência. Então, pode-se
avaliar criticamente o processo e imprimir-lhe melhoria constantemente.

f) - Apresentação:

Por transmitir a realidade vivida pelo maçom, o teatro possibilita enfretamentos dos
problemas, propiciando o roteiro elaborado que estimule a percepção da necessidade de
construção das repostas, tornando a peça teatral mais atrativa ao convidar o expectador
(IRMÃO DA LOJA) para, também, fazer parte da encenação. Cabe ao apresentador
(COMPANHEIRO DO CAPÍTULO), por obrigação, buscar, constantemente, novos
caminhos para que todos tenham atenção e vontade de apreender bem mais, mediando e
desenvolvendo potencialidades.

Em sendo assim, com esta peça teatral pode-se mobilizar capacidade gerativa ou criadora,
permitindo o aprimoramento da relação do maçom com seu mundo. Deste modo, a
dramatização libera a criatividade e humaniza o obreiro, o qual será, então, capaz de aplicar
o conhecimento adquirido a sua vida, possibilitando sua evolução.

Conclusões:

Dado ao enorme potencial de se empregar o teatro como ferramenta didática na


educação maçônica, ao permitir a intervenção pedagógica, por meio da dramatização como
estratégia de ensino-aprendizagem, tem-se como resultante deste processo instrutivo, a
contribuição para socialização dos participantes.

Também, desponta-se a obtenção, enfatiza-se a incorporação e destaca-se a assimilação dos


ensinamentos de forma atrativa, colaborativa, recreativa e descontraída.

Finalmente é, perfeitamente, possível por meio desta peça teatral unir a Teoria dos
Ensinamentos da Maçonaria à Prática de Aquisição dos Conhecimentos Doutrinários da
Ordem. EM CARTAZ - SE É PRECISO FAZER ARTE COM ARTE, VAMOS À ARTE,
CAVALEIROS!!!

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Agradecimentos:

À A.R.L.S. Cavaleiros da Arte Real, N° 4309 (CAR), Oriente de Jequié-BA, Jurisdicionada


ao Grande Oriente do Brasil - Bahia (GOB - BA) e Federada ao Grande Oriente do Brasil
(GOB), ao Capítulo “Cavaleiros da Arte Real”, N° 089 (CAP / CAR) do Supremo Grande
Capítulo de Maçons do Sagrado Arco Real do Brasil (SGCMSARB).

Homenagem:

Pretende-se com este texto publicado fazer uma singela homenagem ao “Representante
do Capítulo na Loja”, aquele que serve de ponte que liga a Maçonaria Simbólica (A MENTE
CONSCIENTE DO MAÇOM) à do Arco Real (O GADU), encorajando todo Mestre
Maçom (VOCÊ, MEU IRMÃO) a conscientemente atravessá-la, descobrindo o que se
perdeu e que pelo esforço e mérito próprios, o conduzirá a encontrar.
Referências:

Para confeccionar este trabalho e produzir a peça teatral indicada, sugerida e


recomendada, as seguintes obras foram utilizadas; quais sejam:

AMARAL, C. L. F.; Oliveira, M. S. Maçonaria: O que há a mais entre o céu filosófico e a


terra simbólica do que nossa vã filosofia? REVISTA CIÊNCIA & EDUCAÇÃO
MAÇÔNICA. n.01, v.01, p.21-29, 2020.
CAVASSIN, J. Perspectivas para o teatro na educação como conhecimento e prática
pedagógica. Revista científica/FAP, Curitiba, v.3,
pp.39-52 , jan./dez. 2008.
COELHO, M. A. TEATRO NA ESCOLA: Uma Possibilidade de Educação Efetiva.
POLÊM!CA, [S.l.], v. 13, n. 2, p. 1208-1224, maio 2014. ISSN 1676-0727. Disponível em:
<https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/polemica/article/view/10617/8513>. Acesso
em: 13 set. 2021. doi:https://doi.org/10.12957/polemica.2014.10617.
KOUDELA, I. Abordagens metodológicas do teatro na educação. Revista Científica, São
Luís, V.3, n.2, dezembro 2005.
REGULAMENTO GERAL DO SUPREMO GRANDE CAPÍTULO DOS MAÇONS
DO SANTO ARCO REAL DO BRASIL (GRANDE ORIENTE DO BRASIL). Brasília -
DF, Brasil: 2017, 70p.
RITUAL DOMÁTICO DAS CERIMÔNIAS DO SAGRADO ARCO REAL. Supremo
Grande Capítulo dos Maçons do Sagrado Arco Real do Brasil., Grande Oriente do Brasil
(GOB). Brasília - DF, Brasil: 2020, 256p. ISBN:978-65-00-11469-0.

36
Ir Paulo da Costa Caseiro
ARLS Pátria, Educação e Cultura nº 512 GLESP
Or de Santana de Parnaíba – SP

A Bandeira Nacional é um dos Símbolos Nacionais, assim como o


são o Hino Nacional, as Armas Nacionais e o Selo Nacional.

É o Símbolo da nossa Pátria. O Símbolo do Brasil.

A Bandeira Nacional possui um hino específico: o Hino da


Bandeira Nacional; e um dia de comemoração: 19 de Novembro - Dia da Bandeira.

37
Adotada pelo Decreto nº 4, de 19 de novembro
de 1889.
Regulada pela Lei nº 5.700, de 1º de setembro de
1971.
Alterada pela Lei nº 8.421, de 11 de maio de
1992

Desenho modular

M (módulo) é um segmento retilíneo


arbitrário consoante o tamanho da bandeira.
Assim, 14 M será sua largura, 20 M será seu
comprimento e 3,5 M, o raio do círculo.

Antes da bandeira atual, o Brasil teve outras 12 bandeiras

Bandeira de Ordem de Cristo (1332 - 1651)


A Ordem de Cristo, rica e poderosa, patrocinou as grandes
navegações lusitanas e exerceu grande influência nos dois
primeiros séculos da vida brasileira. A cruz de Cristo estava
pintada nas velas da frota Cabralina e o estandarte da Ordem
esteve presente no descobrimento de nossa terra, participando
das duas primeiras missas.

Bandeira Real (1500 - 1521)


Era o pavilhão oficial do Reino Português na época do
descobrimento do Brasil e presidiu a todos os acontecimentos
importantes havidos em nossa terra até 1521. Como inovação
apresenta, pela primeira vez, o escudo de Portugal

38
Bandeira de D. João III (1521 - 1616)
O lábaro desse soberano, cognominado o "Colonizador", tomou
parte em importantes eventos de nossa formação histórica, como
as expedições exploradoras e colonizadoras, a instituição do
Governo Geral na Bahia em 1549 e a posterior divisão do Brasil
em dois Governos, com a outra sede no Maranhão.

Bandeira do Domínio Espanhol (1616 - 1640)


Este pendão, criado em 1616, por Felipe II da Espanha, para
Portugal e suas colônias, assistiu às invasões holandesas no
Nordeste e ao início da expansão bandeirante, propiciada, em
parte, pela "União Ibérica".

Bandeira da Restauração ( 1640 - 1683)


Também conhecida como "Bandeira de D. João IV", foi
instituída, logo após o fim do domínio espanhol, para
caracterizar o ressurgimento do Reino Lusitano sob a Casa de
Bragança O fato mais importante que presidiu foi a expulsão
dos holandeses de nosso território. A orla azul alia à ideia de
Pátria o culto de Nossa Senhora da Conceição, que passou a
ser a Padroeira de Portugal, no ano de 1646.

Bandeira do Principado do Brasil (1645 - 1816)


O primeiro pavilhão elaborado especialmente para o Brasil. D
João IV conferiu a seu filho Teodósio o título de "Príncipe do
Brasil", distinção transferida aos demais herdeiros presuntivos da
Coroa Lusa. A esfera armilar de ouro passou a ser representada
nas bandeiras de nosso País.

Bandeira de D. Pedro II, de Portugal (1683 - 1706)


Esta bandeira presenciou o apogeu de epopeia bandeirante, que
tanto contribuiu para nossa expansão territorial. É interessante
atentar para a inclusão do campo em verde (retângulo), que
voltaria a surgir na Bandeira Imperial e foi conservado na
Bandeira atual, adotada pela República.

Bandeira Real Século XVII (1600 - 1700)


Bandeira Real Século XVII (1600 - 1700). Esta bandeira foi usada
como símbolo oficial do Reino ao lado dos três pavilhões já
citados, a Bandeira da restauração, a do Principado do Brasil e a
Bandeira de D. Pedro II, de Portugal.

39
Bandeira do Reino Unido de Portugal, Brasil e
Algarve (1816-1821)
Criada em consequência da elevação do Brasil à categoria
de Reino, em 1815, presidiu as lutas contra Artigas, a
incorporação da Cisplatina, a Revolução Pernambucana de
1817 e, principalmente, a conscientização de nossas
lideranças quanto à necessidade e à urgência de nossa
emancipação política. O Brasil está representando nessa
bandeira pela esfera armilar de ouro, em campo azul, que
passou a constituir as Armas do Brasil Reino.

Bandeira do Regime Constitucional ( 1821- 1822)


A Revolução do Porto, de 1820, fez prevalecer em Portugal os
ideais liberais da Revolução Francesa, abolindo a monarquia
absoluta e instituindo o regime constitucional, cujo pavilhão foi
criado em 21 de agosto de 1821. Foi a última bandeira Lusa a
tremular no Brasil.

Bandeira Imperial do Brasil (1822 - 1889)


Criada por Decreto de 18 de setembro de 1822, era composta de
um retângulo verde e nele, inscrito, um losango ouro, ficando no
centro deste o Escudo de Armas do Brasil. Assistiu ao nosso
crescimento como Nação e a consolidação da unidade nacional.

Bandeira Provisória da República (15 a 19 Novembro 1889)


Esta bandeira foi hasteada na redação do jornal "A Cidade do Rio",
após a proclamação da República, e no navio "Alagoas", que
conduziu a família imperial ao exílio.

A bandeira atual do Brasil adotada pela República mantém a


tradição das antigas cores nacionais, verde e amarelo, do seguinte modo: um losango amarelo
em campo verde, tendo no meio a esfera celeste azul, atravessada por uma zona branca, em
sentido oblíquo e descendente da esquerda para a direita, com a legenda, Ordem e Progresso,
e pontuada por vinte e uma estrelas, entre as quais as da constelação do CRUZEIRO,
dispostas na sua situação astronômica, quanto a distância e ao tamanho relativos,
representando os Estados da República e o Município Neutro.

A Bandeira Nacional foi adotada por decreto (redigido por Rui


Barbosa) em 19 de novembro de 1889, sendo alterada (a esfera celeste) sempre que um novo
Estado é criado ou extinto.

40
Foi projetada por Raimundo Teixeira Mendes, com a colaboração
de Miguel Lemos. O professor Manuel Pereira Reis, catedrático em Astronomia da Escola
Politécnica tratou da posição das estrelas e o desenho foi executado por Décio Vilares.

A primeira bandeira republicana foi bordada por D. Flora Simas de


Carvalho.

Sua confecção, exibição e uso obedecem a rigorosas normas.

Significados dos Detalhes da Bandeira

O retângulo e o losango estão presentes com as mesmas tonalidades


na bandeira imperial, mostrando que a bandeira republicana não rompeu definitivamente
com o Império.

O losango, em particular, é a representação da mulher na posição


de mãe, esposa, irmã e filha.

A esfera é o antigo símbolo do mundo, unindo o Brasil a Portugal


através de D. Manuel, em cujo reinado se deu o descobrimento.

Ela é também um antigo emblema romano, presente na bandeira


do Principado do Brasil instituída por D. João IV, onde já constava a faixa branca (faixa
zodiacal).

O verde da bandeira tem muitos significados, pois remonta ao


primeiro objeto que provavelmente funcionou como bandeira: ramos de árvores arrancados
em instantes de alegria espontânea.

Na bandeira do Brasil o verde tem outros significados históricos,


como a Casa de Bragança, a filiação com a França e o estandarte dos Bandeirantes.

O amarelo recorda o período imperial e, poeticamente, é a


representação do Sol.

Essa cor recorda a Casa dos Habsburgos e também a Casa de


Castela e a Casa de Lorena, a que pertencia D. Leopoldina, esposa de D. Pedro I. Combinado
ao verde, o amarelo irmaniza-nos com os povos africanos.

O azul, juntamente com o branco também remonta a nacionalidade


lusitana, bem como homenageia a história do Cristianismo e a mãe de Jesus, padroeira de
Portugal e do Brasil.

O branco, plenitude das cores, traduz os desejos de paz. Vale


destacar também a ausência do vermelho e do preto, excluindo da bandeira lembranças de
guerras, ameaças e agressões.

41
A estrela isolada é Spica, a principal estrela (estrela alfa) da
constelação de Virgem.

Na bandeira do Brasil, Spica tornou-se a representação do Estado


do Pará, pois este era o Estado da União com maior parte de seu território acima da linha do
equador (Amapá e Roraima tornaram-se Estados somente em 1988).

Sua posição na bandeira revela a extensão territorial do Brasil:


nenhum outro país do mundo, com dimensão geográfica semelhante, ocupa parte dos dois
hemisférios da Terra.

Muitos pensam que a estrela isolada representa o Distrito Federal.


Mas o Distrito Federal é representado por uma estrela mais significativa do ponto de vista
simbólico: Sigma do Oitante.

Sigma do Oitante está numa região do firmamento bem próxima


do pólo celeste sul (que é a projeção do pólo sul terrestre na esfera celeste).

Dessa posição singular resulta que todas as estrelas visíveis no céu


do Brasil descrevem arcos em torno de Sigma do Oitante.

Assim, Sigma do Oitante pode ser observada de praticamente todo


o território brasileiro, a diferentes alturas do horizonte, sem nunca nascer ou se pôr. Está
sempre no céu, em qualquer dia e horário.

Este é, sem dúvida, um significado bastante apropriado para


representar o Município Neutro da União.

A disposição das estrelas na bandeira do Brasil reproduz parte de


uma esfera celeste vista como se estivesse nas mãos de um artista, que a inclinou segundo a
latitude da cidade do Rio de Janeiro no dia 15 de novembro de 1889, às 12 horas siderais,
instante em que a constelação do Cruzeiro do Sul tem seu eixo maior na vertical. Doze horas
siderais correspondem às 08 h e 37 min da manhã. É, portanto um céu diurno. O Sol já está
acima do horizonte e não é possível observar estrela alguma no céu.

Ainda que fosse, suas posições estariam invertidas, uma vez que
observar o modelo de uma esfera celeste é como ver o firmamento refletido

Regimento Legal

LEI N. 5.700 - DE 1º DE SETEMBRO DE 1971


CAPÍTULO II
Da Forma dos Símbolos Nacionais
SEÇÃO I
Dos Símbolos em Geral

42
Art. 2º Consideram-se padrões dos Símbolos Nacionais os modelos
compostos de conformidade com as especificações e regras básicas
estabelecidas na presente Lei.

SEÇÃO II
Da Bandeira Nacional

Art. 3º A Bandeira Nacional, adotada pelo decreto n. 4, de 19 de


novembro de 1889, com as modificações feitas da Lei n. 5.443, de 28 de
maio de 1968 (Anexo n. 1) fica alterada na forma do Anexo I desta lei,
devendo ser atualizada sempre que ocorrer a criação ou a extinção de
Estados. (Refere-se à lei N. 8.421 de 11 de Maio de 1992).

§ 1º - As constelações que figuram na Bandeira Nacional


correspondem ao aspecto do céu, na cidade do Rio de Janeiro, às 8 horas
e 30 minutos do dia 15 de novembro de 1889 (doze horas siderais) e
devem ser consideradas como vistas por um observador situado fora da
esfera celeste. (Modificação feita pela lei N. 8.421 de 11 de Maio de 1992).

§ 2º - Os novos Estados da Federação serão representados por


estrelas que compõe o aspecto celeste referido no parágrafo anterior, de
modo a permitir-lhes a inclusão no círculo azul da Bandeira Nacional sem
afetar a disposição estética original constante do desenho proposto pelo
Decreto n. 4, de 19 de novembro de 1889. (Modificação feita pela lei N.
8.421 de 11 de Maio de 1992).

§ 3º - Serão suprimidas da Bandeira Nacional as estrelas


correspondentes aos Estados extintos, permanecendo a designada para
representar o novo Estado, resultante de fusão, observado, em qualquer
caso, o disposto na parte final do parágrafo anterior.

Art. 4º A Bandeira Nacional em tecido, para as repartições públicas


em geral, federais, estaduais, e municipais, para quartéis e escolas públicas
e particulares, será executada em um dos seguintes tipos: tipo 1, com um
pano de 45 centímetros de largura; tipo 2, com dois panos de largura; tipo
3, três panos de largura; tipo 4, quatro panos de largura; tipo 5, cinco
panos de largura; tipo 6, seis panos de largura; tipo 7, sete panos de
largura. Parágrafo único.

Os tipos enumerados neste artigo são os normais. Poderão ser


fabricados tipos extraordinários de dimensões maiores, menores ou intermediarias, conforme
as condições de uso, mantidas, entretanto, as devidas proporções.

43
Relações entre as estrelas e os estados da Federação

Acre Gama da Hidra Fêmea


Amapá Beta do Cão Maior
Amazonas Procyon (Alfa do Cão Menor)
Pará Spica (Alfa da Virgem)
Maranhão Beta do Escorpião
Piauí Antares (Alfa do Escorpião)
Ceará Epsilon do Escorpião
Rio Grande do Norte Lambda do Escorpião
Paraíba Capa do Escorpião
Pernambuco Mu do Escorpião
Alagoas Teta do Escorpião
Sergipe Iotá do Escorpião
Bahia Gama do Cruzeiro do Sul
Espírito Santo Epsilon do Cruzeiro do Sul
Rio de Janeiro Beta do Cruzeiro do Sul
São Paulo Alfa do Cruzeiro do Sul
Paraná Gama do Triângulo Austral
Santa Catarina Beta do Triângulo Austral
Rio Grande do Sul Alfa do Triângulo Austral
Minas Gerais Delta do Cruzeiro do Sul
Goiás Canopus (Alfa de Argus)
Mato Grosso Sirius (Alfa do Cão Maior)
Mato Grosso do Sul Alfard (Alfa da Hidra Fêmea)
Rondônia Gama do Cão Maior
Roraima Delta do Cão Maior
Tocantins Epsilon do Cão Maior
Brasília (DF) Sigma do Oitante

44
Art. 5º A feitura da Bandeira Nacional obedecerá às seguintes
regras (Anexo n. 2):

I - Para cálculo das dimensões, tomar-se-á por base a largura


desejada, dividindo-se esta em 14 (quatorze) partes iguais. Cada uma das
partes será considerada uma medida ou módulo.

II - O comprimento será de vinte módulos (20M).

III - A distância dos vértices do losango amarelo ao quadro externo


será de um módulo e sete décimos (1,7M).

IV - O círculo azul no meio do losango amarelo terá o raio de três


módulos e meio (3,5M).

V - O centro dos arcos da faixa branca estará dois módulos (2M) à


esquerda do ponto do encontro do prolongamento do diâmetro vertical
do círculo com a base do quadro externo.

VI - O raio do arco inferior da faixa branca será de oito módulos


(8M); o raio do arco superior da faixa branca será de oito módulos e meio
(8,5M).

VII - A largura da faixa branca será de meio módulo (0,5M).

VIII - As letras da legenda Ordem e Progresso. serão escritas em


cor verde. Serão colocadas no meio da faixa branca, ficando, para cima e
para baixo, um espaço igual em branco. A letra P ficará sobre o diâmetro
vertical do circulo. A distribuição das demais letras far-se-á conforme a
indicação do Anexo n. 2. As letras da palavra Ordem e da palavra
Progresso terão um terço de módulo (0.33M) de altura. A largura dessas
letras será de três décimos de módulo (0.30M). A largura dessa letra será
de um quarto de módulo (0.25M).

IX - As estrelas serão de 5 (cinco) dimensões: de primeira, segunda,


terceira, quarta e quinta grandezas. Devem ser traçadas dentro de círculos
cujos diâmetros são de três décimos de módulo (0,30M) para as de
primeira grandeza; de um quarto de módulo (0,25M) para as de segunda
grandeza; de um quinto de módulo (0,20M) para as de terceira grandeza;
de um setimo de módulo (0,14M) para as de quarta grandeza; e de um
décimo de módulo (0,10M) para a de quinta grandeza.

X - As duas faces devem ser exatamente iguais, com a faixa branca


inclinada da esquerda para a direita (do observador que olha a faixa de
frente), sendo vedado fazer uma face como avesso da outra.

45
Hino à Bandeira

Juvenil ou Varonil?

Retirado do Noticiário do Exército n.º 9352, de 04 de fevereiro de


1998.

Juvenil ou varonil? Esta é a dúvida que todo ano surge acerca da


letra do Hino à Bandeira, haja vista circularem versões contendo as duas expressões.

Em face do problema, foi empreendida uma pesquisa junto à


Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, ao Centro de Documentação do Exército e à própria
biblioteca do Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEX).

O Hino à Bandeira surgiu de um pedido feito pelo Prefeito do Rio


de Janeiro, Francisco Pereira Passos, ao poeta Olavo Bilac para que compusesse um poema
em homenagem à Bandeira, encarregando o professor Francisco Braga, da Escola Nacional
de Música, de criar uma melodia apropriada à letra.

Em 1906, o hino foi adotado pela prefeitura, passando, desde


então, a ser cantado em todas as escolas do Rio de Janeiro. Aos poucos, sua execução
estendeu-se às corporações militares e às demais unidades da Federação, transformando-se,
extra-oficialmente, no Hino à Bandeira Nacional, conhecido de todos os brasileiros.

O Boletim do 1º Trimestre de 1906 da Intendência Municipal,


publicado pela Diretoria Geral de Polícia Administrativa, Arquivo e Estatística, da Prefeitura
do Rio de Janeiro, apresenta a letra e a partitura do Hino à Bandeira, como resultado das
gestões de Francisco Pereira Passos. Nessa publicação — a mais antiga dentre as levantadas —
aparece a palavra juvenil.

A 2ª edição do livro "A Bandeira do Brasil", de Raimundo Olavo


Coimbra, publicada em 1979 pelo IBGE, em sua página 505, publica o hino com a palavra
juvenil no estribilho.
Não existe nenhum ato oficial do governo federal adotando ou modificando a letra do Hino
à Bandeira.

Diante do acima exposto, o CCOMSEX decidiu publicar no NE a


versão do Hino à Bandeira que contém a palavra juvenil no estribilho, uma vez que assim
consta na publicação mais antiga do hino que se tem notícia e considerando, ainda, a
inexistência de qualquer ato oficial do governo federal acerca do assunto. Levou-se em
consideração, finalmente, a participação de organizações militares (OM) nas cerimônias de
culto à Bandeira em praças públicas. Esses eventos, mediante incentivo de nossas OM, vêm
contando com presença significativa de estabelecimentos de ensino civis, onde vigora a versão
do hino com a expressão juvenil no estribilho, havendo, portanto, a necessidade de
uniformizar o canto do Hino à Bandeira entre civis e militares.

46
Fontes de Pesquisas:

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1851-1899/d0004.htm

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5700.htm

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8421.htm

https://academiavilhenensedeletras.wordpress.com/2015/11/18/hino-a-bandeira-nacional/

https://bandeiranacional.com.br/

Enciclopédia de Educação Moral, Cívica e Política, de Douglas Michalany e Ciro de Moura


Ramos, Editora Michalany, ano de 1973

História de Nossos Hinos, de Décio Leal Pereira de Souza, Biblioteca Nacional, ano de 1991

Imagens da internet

47
48
CONTATO: retalesdemasoneria@gmail.com

49
CONTATO: mb@bancadosbodes.com.br

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DESDE NEÓFITO
Ir Adilson Zotovici
ARLS Chequer Nassif-169

Empunha o robusto maço


Também afiado cinzel
Na oficina teu espaço
Que vai da terra ao céu

É ferramental de aço
A ser aplicado com mel
Por equilibrado braço
Desde o portal ao dossel

Burilar em bom compasso


Do livre pedreiro é o papel
A bruta pedra passo a passo

Não será pra ti o laurel,


A perfeição do teu traço,
Pois é cantaria ao Betel !

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VENCER PAIXÕES
Ir Adilson Zotovici
ARLS Chequer Nassif-169

Há muito se tem indagado


Da obra da fraternidade
Qual a pedra na realidade
Que requer um maior cuidado

Todas tem sua preciosidade


Para um bom muro aprumado
Esquadrejado e nivelado
Diversas, porém, com igualdade

Da bondade, do aprendizado,
Do desvelo, da caridade...
Desde aprendiz ao mestrado

Quiçá maior dificuldade


Ter cada canto burilado
A “das paixões” em verdade !!!

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