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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE ALAGOAS

Campus Penedo – Técnico em Meio Ambiente


Professor Pablo Pinheiro
BIOLOGIA APLICADA

HISTÓRIA DA BIOLOGIA

A história da Biologia se inicia ainda na época da pré-história.

A Humanidade sempre estudou os seres vivos. Nos seus primórdios, o ser humano
aprendeu a utilizar as plantas e os animais em seu proveito. Aprendeu a evitar plantas venenosas
e como tratar os animais, além de adotar técnicas de caça. Partindo também dos conhecimentos
acerca da utilidade e da época de frutificação de variados vegetais, desenvolveu a agricultura,
aprendendo a garantir de maneira mais constante e previsível, o sustento das comunidades. Os
conhecimentos na área da biologia, embora empíricos e como exercício prático do dia a dia,
existem já desde a época da pré-história. Prova disso são as representações de seres vivos em
pinturas rupestres.

História da Biologia – Antiguidade

O estudo da vida emergiu em várias civilizações e culturas ao longo do tempo histórico. Na


Mesopotâmia, sabia-se já que o pólen podia ser utilizado para fertilizar plantas. Elementos do
mundo vivo eram já utilizados como objetos de comércio em 1800 a.C., durante o período de
Hamurabi, especialmente as flores. Os povos orientais já tinham conhecimento do fenômeno de
polinização em palmeiras e do fenômeno de dimorfismo sexual em variadas espécies vegetais.
Na Índia, textos descrevem variados aspectos da vida das aves. Egípcios e babilônicos tinham já
um conhecimento apreciável de anatomia e fisiologia de várias formas de vida. Na Mesopotâmia,

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animais eram mantidos naquilo que hoje podemos considerar como sendo os primeiros jardins
zoológicos.
No Egito, eram usados baixos relevos e papiros para fazer a representação anatômica do
corpo humano e de outros animais. A prática do embalsamento utilizado pelo povo egípcio
requeria já um amplo conhecimento das propriedades de plantas e óleos de origem vegetal.
No entanto, nestas épocas, a superstição ainda vinha muitas vezes associada ao conhecimento
objetivo. Na Babilônia e Assíria, órgãos de animais eram usados para prever o futuro, e no Egito,
uma grande dose de misticismo envolvia a prática médica.
Durante o período greco-romano, os estudiosos começam a dar mais ênfase e utilização a
métodos racionalistas. Aristóteles tornou-se, na Antiguidade clássica, num dos mais influentes e
importantes naturalistas. Atingiu tal estatuto, fruto do seu aturado trabalho de observação da
natureza, sobretudo no que diz respeito ao comportamento e características dos animais e
plantas. Desenvolveu trabalho relacionado com a categorização dos seres vivos, tendo sido o
primeiro a formular um sistema de classificação, baseado na distinção entre animais com sangue e
animais sem sangue. Constatou a existência de órgãos homólogos e análogos em vários grupos de
seres vivos. O seu trabalho foi de tal modo importante que a sua influência e ideias perduraram
durante séculos.
O sucessor de Aristóteles, Teofrasto, foi o autor de inúmeros trabalhos sobre botânica
(Historia Plantarum) que sobreviveram como sendo os mais importantes contributivos para esta
área até à Idade Média.
Na Roma Antiga, Plínio, o Velho é conhecido pelos seus conhecimentos em botânica e
natureza em geral. Mais tarde, Galeno tornou-se um pioneiro nas áreas da medicina e anatomia.

História da Biologia – Idade Média

A Idade Média é considerada por muitos como a idade das trevas no que também diz
respeito ao avanço do conhecimento científico. No entanto, no que diz a respeito à história da
Biologia, alguns avanços verificaram-se neste período. Muitos estudiosos de medicina começam a
orientar o seu trabalho também para as áreas da zoologia e botânica.
É precisamente no mundo árabe que as ciências naturais mais se desenvolveram. Muita da
literatura da Grécia Antiga, incluído as obras de Aristóteles, foi traduzida para árabe.

Flor de Alho Poró.


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De particular relevo encontra-se o trabalho de al-Jahiz (776-869): Kitab al Hayawan (Livro
dos animais). Nesta obra, o autor discorre sobre variados assuntos, entre os quais há que frisar os
que dizem respeito à organização social de insetos (especialmente formigas), à psicologia e
comunicação animal. Parte da obra sobreviveu até aos nossos dias, encontrando atualmente
numa biblioteca em Milão.
Durante o século XIII, Alberto Magno escreveu De Vegetabilis et Plantis (por volta de 1260)
e De animalibus. Este autor deu especial relevância à reprodução e sexualidade das plantas e
animais. Na primeira obra, há a destacar a diferenciação entre plantas monodicotilodôneas e
dicotiledôneas e entre plantas vasculares e não vasculares. Alberto Magno foi beber dos
conhecimentos de Aristóteles. Deles retirou o seu melhor, não se curvando sobre eles, mas
adotando uma atitude crítica.
Chega a afirmar que o objetivo da ciência natural não é simplesmente aceitar as afirmações
de outros, mas investigar as causas que operam na natureza. Chega a dedicar um capítulo inteiro,
numa de suas obras, ao que ele chamou de erros de Aristóteles. Tal como Roger Bacon, seu
contemporâneo, Alberto Magno estudou intensivamente a natureza, utilizando de modo intensivo
o método experimental. Em De vegetabilis relata que: A experimentação é o único meio seguro
em tais investigações. Em termos do estudo da botânica, os seus trabalhos são comparáveis, em
importância aos de Teofrasto.
Deram-se também avanços significativos em ótica, que no futuro proporcionou o
desenvolvimento de um aparelho que iria revolucionar a maneira como os estudiosos viam e
interpretavam o mundo vivo: o microscópio.
Talvez o principal legado da Idade Média para o avanço do conhecimento científico na área
das ciências biológicas terá sido o estabelecimento de inúmeras universidades que funcionaram
como gérmen do pensamento e método científico contemporâneo. Na Europa foram fundadas as
primeiras universidades por volta de 1200 (Paris, Bologna e Oxford). Muitos documentos gregos e
árabes começaram a ser traduzidos, dando ímpeto a um avanço em várias áreas do conhecimento,
incluindo a Biologia e a Medicina.

História da Biologia – Século XVII e Século XVIII

William Harvey mostra que o sangue circula pelo corpo todo e que é bombeado pelo
coração. Com a descoberta do microscópio por Antony van Leeuwenhoek, por volta de 1650, abre-
se um pequeno grande mundo que até então havia escapado do olhar atento dos cientistas e
curiosos.
O trabalho na área da história natural das plantas foi impulsionado por Giovanni Bodeo da
Stapel, em 1644, de forma quase enciclopédica. Em 1658, Jan Swammerdam tornou-se o primeiro
a observar eritrócitos, enquanto que Leeuwenhoek, por volta de 1680, observou pela primeira vez
espermatozoides e bactérias.
Durante estes dois séculos, grande ênfase foi dada à classificação, nomeação e
sistematização dos seres vivos. O expoente máximo desta atividade foi Lineu. Em 1735 publicou o
seu sistema taxonômico, baseado nas semelhanças morfológicas entre seres vivos e na utilização
de uma nomenclatura binominal (nomes científicos) em latim.

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A descoberta e a descrição de novas espécies se tornaram nessa época, uma ocupação
generalizada no meio científico. Friedrich Wöhler demonstrou em 1828, que moléculas orgânicas
como a ureia, poderiam ser sintetizadas por meios artificiais, abalando assim a corrente do
vitalismo. Em 1833, foi sintetizada artificialmente a primeira enzima (diastase): uma nova ciência,
a bioquímica, começa a dar os primeiros passos. Por volta de 1850, a teoria miasmática da doença
foi ultrapassada pela nova teoria germinal da doença. O método antisséptico tornou-se prática
usual na atividade médica.
Por volta de 1880, Robert Koch introduziu métodos para fazer crescer culturas puras de
micro-organismos, utilizando placas de Petri e nutrientes específicos. A disciplina da bacteriologia
começava assim a tomar forma. Introduziu também aquilo a que se viria a chamar de postulados
de Koch, permitindo através da sua utilização, a determinação concreta de que um
microorganismo provoca uma doença específica.
A geração espontânea, crença que afirmava a possibilidade de poder aparecer vida a partir
de matéria não viva, foi finalmente desacreditada por via de experiências levadas a cabo por Louis
Pasteur.

História da Biologia – Século XIX

Schleiden e Schwann propõem a sua teoria celular em 1839. Esta teoria tinha como
princípios básicos o fato da célula ser a unidade básica de constituição dos organismos e o de que
todas as células serem provenientes de células pré-existentes.

O Isolamento geográfico dos Tentilhões de Darwin das Ilhas Galápagos produziram mais de uma dúzia de espécies.

O naturalista britânico Charles Darwin, no seu livro A Origem das Espécies (1859) descreve
a seleção natural como mecanismo primário da evolução. Esta teoria se desenvolveu no que é
agora considerado o paradigma central para explicação de diversos fenômenos, um marco para a
história da Biologia.
Em 1866, a genética dá os seus primeiros passos graças ao trabalho de um monge
austríaco, Gregor Mendel. Nesse ano, formulou as suas leis da hereditariedade. No entanto, o seu
trabalho permaneceu na obscuridade durante 35 anos.
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Em 1869, Friedrich Miescher descobre aquilo a que ele chamou de nucleína (tratava-se de
um preparado rude de DNA).
O citologista Walther Flemming, em 1882, tornou-se o primeiro a demonstrar que os
estágios diferenciados da mitose não eram frutos de artefatos de coloração das lâminas para
observação microscópica. Assim, estabeleceu-se que a mitose ocorre nas células vivas e, além
disso, que o número cromossômico duplicava mesmo antes da célula se dividir em duas. Em 1887,
August Weismann propôs que o número cromossômico teria que ser reduzido para metade, no
caso das células sexuais (gametas). Tal proposição tornou-se fato quando se descobriu o processo
da meiose.

História da Biologia – Século XX

Mesmo no início do século XX, em 1902, o cromossomo foi identificado como a estrutura
que alberga os genes. Desta forma, o papel central dos cromossomos na hereditariedade e nos
processos de desenvolvimento foi estabelecido. O fenômeno de linkage genético e a
recombinação de genes em cromossomos durante a divisão celular foram explorados, em
particular por Thomas Hunt Morgan, através de organismo modelo: a drosophila melanogaster.

O século XX marcou a história da Biologia pelos avanços na Genética.

Ainda no início do século, deu-se a unificação da ideia de evolução por seleção natural com
os processos da genética mendeliana, produzindo a chamada síntese moderna. Estas ideias e
processos continuaram a ser investigados e aprofundados através de uma nova disciplina, a
genética populacional. Mais tarde, na segunda metade do século, a sociobiologia e a psicologia
evolutiva foram também beber dessas ideias.
Oswald Avery, em 1943, mostrou que era o DNA e não as proteínas, que compunham
material genético dos cromossomos. Em 1953, James Watson e Francis Crick mostraram que a
estrutura do DNA era em forma de dupla hélice. Em paralelo, propuseram o possível papel da
estrutura assim apresentada no processo de replicação. A natureza do código genético foi
experimentalmente descortinada a partir do trabalho de Nirenberg, Khorana e de outros, no final
da década de 50. Esta última descoberta aliada à descoberta da primeira enzima de restrição em
1968 e da técnica de PCR em 1983, proporcionou o impulso da ciência a que hoje damos o nome
de biologia molecular.

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O estudo dos organismos, da sua reprodução e da função dos seus órgãos, passou a ser
efetuado a nível molecular. O reducionismo na análise dos processos biológicos tornava-se cada
vez mais triunfante e promissor. Até mesmo os processos de classificação científica dos
organismos, especialmente a cladística, passaram a utilizar dados moleculares como as seqüências
de DNA e RNA como caracteres a ter em conta.
Nos meados da década de 80, como consequência do trabalho pioneiro de Woese
(sequenciação RNA ribossomal do tipo 16S), a própria árvore da vida tomou nova forma. De uma
classificação em dois domínios, passou-se a uma classificação em três domínios: Archaea, Bacteria
e Eukarya.
Enquanto que o processo de clonagem em plantas era já conhecido há milênios, foi só em
1951 que o primeiro animal foi clonado pelo processo de transferência nuclear. A ovelha Dolly
tornou-se depois, em 1997, no primeiro clone de mamífero adulto, através do processo de
transferência de um núcleo de célula somática para o citoplasma de um ovócito anucleado.
Poucos anos mais tarde, outros mamíferos foram clonados pelo mesmo método: cães, gatos e
cavalos.
Em 1965, foi demonstrado que células normais em cultura dividiam-se apenas um número
limitado de vezes (o limite de Hayflick), envelhecendo e morrendo depois. Por volta da mesma
altura, descobriu-se que as células-tronco eram uma exceção a esta regra e começou-se o seu
estudo exaustivo. O estudo das células-tronco totipotentes começou a ser crucial para se entender
a biologia do desenvolvimento, levando também a esperança de aparecimento de novas
aplicações médicas de importância relevante.
A partir de 1983, com a descoberta dos genes, muitos dos processos de morfogênese dos
organismos, do ovo até ao adulto, começaram a ser descobertos, começando pela mosca-da-fruta,
passando por outros insetos e animais.

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