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ANÁLISE DE PROPRIEDADES TERMO ACÚSTICAS DE

ARGAMASSA DE REVESTIMENTO PARA HABITAÇÃO DE


INTERESSE SOCIAL COM SUBSTITUIÇÃO DE ETIL VINIL
ACETATO COMO AGREGADO MIÚDO
Bruno N. Rodrigues (1); Bernardo N. de Codes (2); Washington B. da
Silva Filho (3); Helano W. Pimentel (4); Antônio Eduardo B. Cabral (5)
(1) PEC – Universidade Federal do Ceará – brunonoronhar@gmail.com; (2) PEC – Universidade
Federal do Ceará – bncodes@hotmail.com; (3) PEC – Universidade Federal do Ceará –
wbastos.filho@gmail.com; (4) PEC – Universidade Federal do Ceará - helanowilson@hotmail.com;
(5) PEC – Universidade Federal do Ceará – eduardo.cabral@ufc.br

RESUMO
A reciclagem de resíduos sólidos é fundamental para a sustentabilidade da construção civil. O
descarte indevido de resíduos plásticos tem um impacto ímpar na natureza, devido o prolongado
tempo de degradação apresentado pelo material. Uma alternativa é a incorporação destes resíduos
em forma de agregado na produção de argamassa. O objetivo deste trabalho é analisar as
propriedades termo acústicas de argamassa com substituição de Etil Vinil Acetato, ou EVA, como
agregado miúdo, para fins de revestimento de alvenaria de vedação em habitações de interesse social
(HIS). Foram analisados a resistência mecânica à compressão, à tração na flexão, aderência, conforto
acústico e desempenho térmico. Os resultados desta pesquisa mostram que a utilização do EVA em
argamassas é viável, principalmente para efeitos de diminuição da temperatura em edificações.
Palavras-chave: Etil Vinil Acetato (EVA). Agregado Reciclado. Argamassa de Revestimento.

ANALYSIS OF ACOUSTIC THERMAL PROPERTIES OF


COATING MORTAR FOR HOUSING OF SOCIAL INTEREST
WITH REPLACEMENT OF ETHYL VINYL ACETATE AS
ADDED KID
ABSTRACT
The recycling of solid residue is essential for the sustainability of construction. The improper disposal
of plastic residue has a broad impact on nature, due to prolonged degradation time by the material.
An alternative is the incorporation of these residues as aggregate to produce mortar. The objective of
this research is the analysis of acoustic and thermal properties in the mortar with the addition of Ethyl
vinyl acetate, or EVA, as fine aggregate to for purposes coating of sealing brickwork in social housing
(HIS). We analyzed the mechanical compressive strength, tensile strength in bending, grip, acoustic
comfort and thermal performance. These results show that the use of EVA in mortars is feasible,
especially for lowering effects of temperature in buildings.
Key-words: Ethyl Vinyl Acetate (EVA). Recycled aggregate. Coating mortar.
1. INTRODUÇÃO

O estudo e aplicação de reaproveitamento de resíduos têm crescido em escala mundial, justificando-


se no conceito de sustentabilidade como a busca de um equilíbrio entre proteção ambiental, justiça
social e viabilidade econômica(1), uma vez que a reciclagem acarreta redução de custos com extração
e tratamento de matéria-prima bruta de grandes indústrias.

Várias diretrizes empresariais e políticas públicas visam incentivar a reaplicação de resíduos, como a
política dos 3 R’s que visa a redução na fonte, reutilização e reciclagem como uma alternativa para o
descarte de produtos compostos por polímeros sintéticos(2). Dentre estes, destaca-se o EVA ou Etil
Vinil Acetato.

O EVA é um copolímero micro poroso, obtido por polimerização do gás Etileno com Acetato de Vinila.
Sua principal aplicação é realizada em adesivos, brinquedos, chaveiros, pastas, assentos sanitários,
artesanatos em geral, entre muitos outros produtos. O maior uso deste material é realizado pela
indústria calçadista para a fabricação de solas, entressolas e palmilhas(3).

O total de placas de EVA produzidas no país é de 36,6 mil toneladas/ano, sendo 95% consumido para
o setor de calçados(3). No entanto, 12% a 20% do EVA consumido pelo setor transforma-se em
resíduo, resultando 4 a 7 mil toneladas/ano de resíduo de EVA(4). Dados mais atualizados mostram
que, em 2009, o consumo anual de EVA, em todos os setores, foi de 52 mil toneladas, representando
1% do total de resinas termoplásticas no Brasil(5).

As principais vantagens para o uso do EVA na indústria são a baixa densidade, boa resistência à
abrasão, boas características mecânicas, custo competitivo, dentre outros(3). O EVA também é bom
isolante térmico e acústico, inerte, estável e não suscetível a fungos(6).

A indústria dos calçados utiliza o EVA termofixo, com teores de acetato de vinila variando de 18% a
28% em massa(7). A quantidade de acetato de vinila é o principal componente que influência nas
propriedades do composto. Segundo a norma NBR 10004 (8), os resíduos de EVA são classificados
como não perigosos, código A007. Logo é atóxico, inofensivo ao contato humano e não oferece riscos
em seu estado normal.

Como um polímero termofixo, não permitem ser reprocessado por fusão. Devido à esta dificuldade,
uma solução encontrada para o reaproveitamento de EVA foi a sua utilização na construção civil(9),
como agregado para concreto.

1
O uso do EVA em materiais de construção agrega as vantagens de isolamento acústico, isolamento
térmico, mistura homogênea, redução de rachaduras, redução de densidade e de custo total, devido
o alívio de carga estrutural(10). Sua aplicação é recomendada para enchimentos de lajes, isolamento
acústico e térmico de blocos e/ou painéis para vedação sem função estrutural(6). A adição deste tipo
de agregado ao concreto fornece a este composto a característica de leve. Para a NBR 12655, são
considerados leves os agregados com massa unitária menor ou igual a 1800 kg/m3. Os resultados
da aplicação são a diminuição da massa especifica do concreto e diminuição de sua resistência(11).
Essas características variam conforme quantidade, tamanho e distribuição dos poros. A relação entre
massa específica e dimensão do agregado leve é inversamente proporcional, logo a granulometria
influencia as propriedades do concreto(12).

1.1. Acústica

No que se refere a acústica, procura-se atingir o conforto, que é subjetivo, com parâmetros de caráter
objetivo, mensuráveis, para poder avaliar e proporcionar satisfação com o ambiente que envolve o
indivíduo(13). Níveis de ruído elevados provoca desconforto aos usuários, prejudicando o desempenho
de estudo, lazer, fala e sono(14). São ruídos comuns em edificações a passagem de bolhas em
tubulações hidrossanitárias, trânsito de pessoas, arrastar de móveis e outros atritos mecânicos.

Os estudos realizados para contribuir ao conforto acústico são focados nas vedações exteriores e
interiores, revestimentos e sistemas de forro e piso. Examinando a evolução histórica das tecnologias
nacionais de paredes de vedação, observa-se notável decrescimento no nível de isolamento acústico
comparada as edificações realizadas em décadas passadas(15). Algumas técnicas analisadas
apresentam nível de isolamento acústico bastante inferior aos níveis divulgados pelos fabricantes,
geralmente em função de erros de detalhamento ou execução dos painéis(16).

De forma geral, o isolamento acústico das técnicas utilizadas no Brasil é deficiente, significativamente
inferior aos padrões aplicados na Europa, tanto em edificações de alto padrão, quanto de baixo
padrão construtivo(17).

Segundo a NBR 15575, para edifícios habitacionais de até cinco pavimentos, é necessário que haja
isolamento acústico adequado entre unidades distintas contíguas, bem como entre dependências de
uma mesma unidade, quando destinada ao repouso, ao lazer e ao trabalho intelectual(18).

A NBR 10151, uma cópia fiel da norma europeia ISO 10534-1 de 1996(20), especifica procedimento
para a medição de aceitabilidade de ruídos, além de propor conceitos de níveis de pressão sonora e

2
ruídos e especificar os equipamentos de medição(19). Já a NBR 10152 estabelece o nível de ruído
aceitável para conforto acústico dos usuários, enfatizando o método de avaliação do ruído por meio
de curvas de avaliação do ruído (NC), através das quais um espectro sonoro pode ser comparado,
possibilitando uma identificação das bandas de frequência mais significativas e quais necessitam
correção(21).

Os materiais usados na construção civil, como blocos concreto ou cerâmicos, concreto armado, vidro,
mármore e madeira possuem características isolantes, mas nem sempre suficientes para atenuar o
nível de ruído(22). Materiais como lã de vidro, lã de rocha e espuma elastomérica apresentam baixa
densidade, similar ao EVA, e já foram desenvolvidos para isolar acusticamente e termicamente os
ambientes(23).

Os materiais que apresentam melhor capacidade de absorver o som são aqueles de composição
porosa ou fibrosa. Os materiais fibrosos são compostos por uma grande quantidade de fibras
cruzadas, ao contrário dos materiais porosos que são constituídos de vários espaços vazios ou
orifícios, que se comunicam entre si. A atenuação da onda no meio poroso depende do tamanho dos
poros e da proporção de micro cavidades abertas que possui o material. Essas propriedades estão
relacionadas com o tamanho, forma e densidade das partículas e fibras que constituem a estrutura
do material estudado(22).

Ademais, os principais ruídos nas edificações podem ser reduzidos através da utilização de resíduos
sólidos em lajes(24;25), observando também critérios importantes como a questão estrutural, resistência
ao fogo, uso e durabilidade(23).

1.2. Térmico

Já no tocante a estudo de temperatura, o conforto térmico pode ser definido como a satisfação com
o ambiente térmico que envolve a pessoa(26). A sensação de conforto térmico é função das trocas de
calor entre o corpo humano e o ambiente, sem que para isso seja exigido grande esforço fadiga ou
estresse do corpo do mesmo.

Destaca-se o uso da condutividade térmica para avaliação de desempenho de materiais, sendo


definida como a capacidade do material de permitir a condução de calor. Suas unidades são W/m.oC
e kcal/h.m.oC(27).

3
A condutividade térmica se explica pelo transporte de calor em uma taxa de transferência de energia
térmica por difusão, através de um meio material(28). É a unidade que determina os níveis de
temperatura de trabalho de um material(29).

Similar a densidade e o calor específico, a condutividade térmica dos materiais varia com a
temperatura. Mas a nível prático as variações são muito leves e podem ser desconsideradas, sendo
esta unidade tratada pelo valor médio, considerada como constante (30).

Assim, dados confiáveis de condutividade térmica são essenciais na seleção de um material, para
que o mesmo possa ter o melhor desempenho possível na aplicação a que se destina(26). De forma
conjunto, trata-se de um importante indicador para avaliação no ambiente construído, relacionando-
se intimamente com o conforto térmico da edificação. Com capacidade térmica adequada, resulta-se
em economia energética de equipamentos condicionadores de ar, dentre outras vantagens(31).A
Norma NBR 15220 apresenta os métodos de cálculo da transmitância e da capacidade térmica das
paredes, trazendo valores tabelados das propriedades físicas necessárias para os cálculos, como
condutividade térmica e calor de uma série de materiais(32).

1.3. Objetivo

Assim, o objetivo deste trabalho é analisar as propriedades termo acústicas de argamassa com
substituição de EVA como agregado miúdo, para fins de revestimento de alvenaria de vedação em
habitações de interesse social (HIS).

2. MATERIAIS E MÉTODO

Toda a pesquisa está esquematizada no fluxograma experimental abaixo.

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2.1 Materiais
Os materiais utilizados nesta pesquisa para a confecção das argamassas de revestimento foram:
água fornecida pela CAGECE; cimento CP II Z – 32 – RS, atendendo às exigências das normas
técnicas NBR 11578 (Cimento Portland Composto) e NBR 5737 (Cimentos Portland Resistentes à
Sulfatos); como agregado natural miúdo, uma areia da região metropolitana de Fortaleza - CE; e como
agregado artificial miúdo, partículas residuais de EVA derivados do processo de confecção de
tatames, calçados e folhas de EVA (Figura 1).

Figura 1: Resíduo do EVA

A tabela 1 apresenta as propriedades físicas dos agregados utilizados.

Tabela 1: Propriedades físicas dos agregados utilizados

Resultado
Propriedade Normatização utilizada
Areia EVA

Massa Específica NBR NM 52/2003(33) 2,46 g/cm³ -

Massa Específica NBR NM 53/2003(34) - 0,08 g/cm³

Massa Unitária NBR NM 45/2006(35) 1305,78 Kg/m³ 109,60 Kg/m³

Dimensão Máxima Característica NBR NM 248/2003(36) 1,20 mm 2,40 mm

Módulo de Finura NBR NM 248/2003 2,04 1,16

% retido acumulado na peneira 4,8 mm NBR NM 248/2003 0,09 % 0,00 %

% retido acumulado na peneira 2,4 mm NBR NM 248/2003 0,34 % 1,30 %

% retido acumulado na peneira 1,2 mm NBR NM 248/2003 3,90 % 14,51 %

% retido acumulado na peneira 0,6 mm NBR NM 248/2003 26,18 % 49,51 %

% retido acumulado na peneira 0,3 mm NBR NM 248/2003 76,24 % 74,97 %

5
% retido acumulado na peneira 0,15 mm NBR NM 248/2003 97,54 % 91,69 %

2.2 Método

O traço da argamassa de referência foi calculado para a utilização em revestimentos de alvenarias


de paredes internas. Isaia(37) defende que um dos melhores traços para revestimento e assentamento
de alvenarias é a proporção de cimento e areia de 1:3, que foi o traço adotado, com a relação
água/cimento ajustada objetivando a consistência de 260 ± 10 mm, observada durante o ensaio
normatizado pela NBR 13276. Para a realização das análises das propriedades das argamassa optou-
se por fazer um traço de referência e a partir dele, substituir, em volume, a areia por EVA, nos
percentuais de 5%, 10% e 15%. A Tabela 2 apresenta os traços em massa.

Depois de todos os traços preparados foram realizados os ensaios de resistência à compressão (NBR
13279), resistência à tração na flexão (NBR 13279), resistência de aderência à tração (NBR 13528),
ensaio de conforto acústico e avaliação de desempenho térmico, todos aos 28 dias.

Tabela 2: Traços em massa

Traço em massa
Ensaio de
Argamassas
consistência
Cimento Areia EVA Água

0% 1 3 0 0,89 258 mm

5% 1 2,85 0,0049 0,89 265 mm

10% 1 2,7 0,0097 0,89 268 mm

15% 1 2,55 0,0145 0,89 259 mm

Os corpos-de-prova foram moldados, conforme a NBR 13279, no formato prismáticos com dimensões
de 4x4x16 cm, utilizados nos ensaios de resistência à compressão e resistência à tração na flexão.
Todos foram desmoldados 48 horas após a preparação, colocados em uma câmara com 100% de
umidade até a data dos ensaios, 28 dias depois.

Para o ensaio de conforto acústico foram moldados corpos-de-prova em formato de placas, com
dimensões 2x11x11 cm, adaptação do método proposto por Flach (23), que utiliza uma caixa
reverberante de pequenas dimensões, para medição do conforto acústico. Já para a avaliação do
desempenho térmico foram confeccionados conjuntos com dois blocos cerâmicos, revestidos e
assentadas com as argamassas em estudo, com dimensão total do conjunto de 13x19x40 cm,
conforme ensaio descrito por Çengel(30).

6
Figura 2: Corpos-de-prova utilizados: (a) Corpos-de-prova cilíndricos; (b) Placas para medição do conforto
acústico; e (c) Conjunto para ensaio de desempenho térmico

(a) (b) (c)


O coeficiente de absorção sonora real é difícil de ser medido diretamente, porque ele depende de
como o material foi instalado, do ângulo de incidência sonora e das características do recinto. O
ensaio de conforto acústico foi realizado com uma câmara reverberante de pequena dimensão,
utilizada normalmente quando se deseja realizar uma análise rápida do desempenho de soluções
construtivas na redução de ruídos, ensaio normatizado pela ISO 354:2003. A câmara tem dimensões
de 0,56x0,56x0,56 m, com 0,18 m³. Ela foi construída com chapas de madeira compensada, com uma
abertura para a colocação da placa que será ensaiada. No seu interior foi instalado um alto falante
que emite ruídos, que são captados do lado externo com o auxílio de um decibelímetro digital portátil
(Figura 3).

Figura 3: Câmara reverberante e decibelímetro

Para a avaliação do desempenho térmico, foi utilizado o método desenvolvido por Çengel (30), que
considera paredes planas compostas, contendo duas camadas de argamassa (interna e externa),
sobre uma parede de tijolos cerâmicos de oito furos. Foi aplicado, através de um abajur com uma
lâmpada de 60 W, fluxo de calor contínuo e unidirecional. Durante a aplicação do fluxo de calor foi
observada a temperatura, através de termopares, em quatro pontos do conjunto, sendo dois
colocados em pontos que mediam a diferença de temperatura do conjunto argamassa-bloco cerâmico
e outros dois que mediam a diferença de temperatura apenas nas argamassas, como mostrado na
Figura 4. As análises foram feitas a partir do momento em que a temperatura estabilizava em 35ºC,

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do lado da aplicação do calor, até a temperatura de 45ºC, afim de analisar como as diferentes
argamassas absorviam o calor e diminuíam a temperatura interna.

Figura 4: Ensaio de desempenho térmico

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 Ensaios de resistência mecânica

Os ensaios de resistência à tração na flexão, resistência a compressão e resistência a aderência por


tração, mediram a capacidade resistiva da argamassa. A figura 5 mostra a realização desses ensaios.

Figura 5: Ensaios de resistência

Os resultados da resistência à tração na flexão da argamassa de referência e das que foram


adicionado o EVA, estão apresentados na Tabela 3. Para cada traço foi rompido três corpos-de-prova
e com isso obtido um valor médio. A experiência tem demonstrado que os valores obtidos supera
aqueles adequados para os fins de revestimento interno, que é de 0,3 MPa. Comparando o valor da
argamassa de referência com as que foram adicionadas EVA, têm-se que a maior diferença é de
apenas 8,3 %, implicando que essas porcentagens de substituição da areia pelo EVA não têm
influência significativa nesse tipo de resistência.

8
Tabela 3: Valores de resistência à tração na flexão

Argamassas Resistência à tração na flexão

0% 4,22 MPa

5% 3,87 MPa

10% 4,45 MPa

15% 4,57 MPa

Os resultados da resistência à compressão das argamassas representado pelo valor médio dos seis
corpos-de-prova estão apresentados na Tabela 4. Os valores do ensaio foram satisfatórios, pois, a
norma estabelece como valor mínimo para resistência à compressão de argamassas de
revestimentos 1,5 MPa. Porém, a diferença entre o valor da resistência da argamassa de referência
em relação as outras argamassas representam apenas 7,01%, o que mostra que como a resistência
à tração a substituição da areia por EVA, nessas frações, não são significativas.

Tabela 4: Valores de resistência à compressão

ARGAMASSAS RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO

0% 14,39 MPa

5% 15,08 MPa

10% 14,77 MPa

15% 13,38 MPa

Para se testar a resistência de aderência à tração, foram feitos quatro furos em dois conjuntos
diferentes de cada argamassa. Os resultados obtidos pela média dos furos estão expostos na Tabela
5.

Tabela 5: Valores de resistência de aderência à tração

ARGAMASSAS RESISTÊNCIA DE ADERÊNCIA À TRAÇÃO

0% 0,42 MPa

5% 0,45 MPa

10% 0,35 MPa

15% 0,26 MPa

Observa-se que todos os resultados atingiram o valor mínimo estabelecido por norma, que é de 0,2
MPa, para aderência em revestimentos internos. Nesse caso destaca-se que a aderência da
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argamassa com substituição de 15% de EVA, teve uma queda de 61,9% em relação a argamassa de
referência.

3.2 Conforto acústico

A média, dos valores máximos, de decibéis captados pelo decibelímetro digital, para os corpos-de-
prova das diferentes argamassas são apresentados na Tabela 6. Esses resultados são originados da
transmissão de diferentes frequências emitidos do interior da caixa para fora, medindo dessa forma o
quanto cada argamassa absorvia o ruído. Os resultados demonstram, que essas porcentagens
estudadas de substituição da areia pelo EVA nas argamassas, não interferem na absorção do ruído.
Além disso, ao analisarmos uma placa com 100% de EVA, com as mesmas dimensões, verificou-se
uma melhoria na absorção de ruído de apenas 5,8 dB (7,7%), o que segundo a norma de desempenho
(NBR 15575), seria indiferente para a audição humana.

Tabela 6: Valores médios do nível de captação de som

ARGAMASSAS NÍVEL DE SOM CAPTADO

0% 75,43 dB

5% 75,50 dB

10% 75,70 dB

15% 75,07 dB

PLACA COM
69,60 dB
100% DE EVA

Vale ressaltar que a diferença neste caso, não foi considerável, tendo a NBR 15.575, que considera
diferença significativa para audição humana valores acima de 10 dB. O uso da placa com 100% de
EVA, justifica-se pela diferença desprezível, entre as porcentagens analisadas, e mesmo assim, não
atingiu o valor descrito na norma.

3.3 Desempenho térmico

Os resultados obtidos após o ensaio de desempenho térmico, estão apresentados nas tabelas e
gráficos abaixo. Os primeiros resultados são referentes aos termopares que estavam no meio do
conjunto, esses mediram a diferença de temperatura, interna e externa, da argamassa de
revestimento e assentamento. Os resultados seguintes são dos termopares que ficaram localizados
na parte superior do conjunto, esses, por sua vez, mediram a diferença de temperatura do conjunto
composto por argamassa de revestimento e bloco cerâmico.
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Tabela 7: Valores de temperaturas na parte central do conjunto (na junta)

TEMPERATURA INTERNA
TEMPERATURA
EXTERNA
0% 5% 10% 15%

35˚C 31˚C 29˚C 28˚C 28˚C

40˚C 34˚C 33˚C 30˚C 29˚C

45˚C 35˚C 35˚C 34˚C 34˚C

A substituição da areia por EVA, mostrou-se positiva, quando trata-se do desempenho térmico das
argamassas. A diferença de temperatura da referência para a que teve 15% do seu agregado
substituído chegou a 5˚C.

Gráfico 1: Valores de temperaturas na parte central do conjunto

Tabela 8: Valores de temperaturas na parte superior do conjunto (na argamassa)

TEMPERATURA INTERNA
TEMPERATURA
EXTERNA
0% 5% 10% 15%

35˚C 33˚C 30˚C 28˚C 28˚C

40˚C 35˚C 33˚C 32˚C 31˚C

45˚C 37˚C 37˚C 35˚C 35˚C

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Gráfico 2: Valores de temperaturas na parte superior do conjunto

A argamassa com 5% de EVA não difere muito da referência, já as outras tem um melhor
desempenho. As maiores variações nas argamassas ocorreram quando a temperatura externa atingiu
40˚C, nesse momento quanto mais EVA continha o conjunto ensaiado, menor era a temperatura. Com
a elevação da temperatura para 45˚C, nota-se que a eficiência da argamassa, com EVA, tende a
diminuir.

Diante das evidências positivas do uso de EVA em argamassa de revestimento interno, vale destacar
que o material atende aos seis critérios de tecnologia apropriada, citadas por(1),que são:

Integração com o ecossistema, reduzindo o impacto no meio ambiente, pois os agregados utilizados
são reciclados de indústrias;

Autonomia local, pois a utilização de EVA é marcante no mundo todo;

Baixo custo, reduzindo o valor da argamassa, por ter um preço muito inferior se comparado com a
areia;

Capacitação acessível, pois a forma de aplicação é a mesma;

Tecnologia acessível, pois seu estudo foi disponibilizado nesse trabalho;

Adaptabilidade e simplicidade devido a facilidade de compreensão da tecnologia apreciada.

4. CONCLUSÕES

As propriedades físicas e mecânicas, tanto no estado fresco quanto no endurecido, das argamassas
de revestimentos produzidas a partir da substituição da areia natural por EVA indicam a possibilidade
de aplicações como em alvenarias de vedação em habitações de interesse social.

Na avaliação do conforto acústico, com o método da caixa reverberante em pequenas dimensões e


para os porcentagens de 5%, 10% e 15% de substituição da areia pelo EVA na argamassa de

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revestimento, os resultados mostraram-se insignificativos, mesmo quando fez-se o uso de uma placa
maciça de EVA. Dessa maneira, não se pode concluir o que foi proposto inicialmente na pesquisa,
que era a redução significativa do ruído quando aplicado o material.

Para o desempenho térmico, percebe-se uma redução significativa da temperatura para uma
argamassa com 15% de EVA, o que aponta uma grande vantagem na aplicação do material. As
temperaturas aplicadas durante o ensaio variaram de 35˚C a 45˚C, compatível com a realidade do
clima, nos horários mais quentes, da região do semiárido brasileiro. Vale ressaltar que essa região
carece de tecnologias com baixo custo de construção, para auxiliar a erradicação do problema de
moradia. Como sugestões de trabalhos futuros, a argamassa com EVA poderia ser moldada em
painéis, para ensaios acústicos em câmaras reverberantes de grandes dimensões. Além, de testes
de resistência ao fogo.

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