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Engenharia

Matemática da Variação

Matemática da Variação
2º semestre de 2021

Roteiros de aulas



Unidade 1 – Introdução ao
Cálculo e Limites




Turma A – Prof. Fabio Orfali
Turma B – Prof. Leonidas Sandoval
Turma C – Profa. Angélica Turaça
Plano de Aulas – Unidade 1

Aula DATA CONTEÚDOS ATIVIDADES PREPARAÇÃO TAREFAS

1 16/08 Introdução ao Curso Avisos Gerais

Introdução à ideia de
2 16/08 Atividade: A reta tangente
derivada

Sugestão de
Introdução à ideia de Atividade: Captação da água
3 18/08 estudo
integral de um rio
Aulas 2 e 3

Atividade: Limite de uma


4 18/08 Limite de sequências
sequência

Atividade: Limite de uma


5 23/08 Limite de sequências
sequência

Sugestão de
Atividade: Sequências e os
6 23/08 Limite de sequências estudo
números reais
Aulas 4 a 6

Funções contínuas e limite


7 25/08 Atividade: consumo de água
de funções

Funções contínuas e limite


8 25/08 Aula expositiva e discussão
de funções

Limites de polinômios e
9 30/08 extensão do conceito de Atividade: cálculo de limites
limite
Limites de polinômios e Sugestão de
Resolução de exercícios em
10 30/08 mudança de variável em estudo
grupo.
limites Aulas 7 a 10

2
AULA 2 – ATIVIDADE: A RETA TANGENTE

O PROBLEMA DA RETA TANGENTE A UMA CURVA



Todos nós temos um conceito intuitivo do que é uma tangente. Em alguns casos, esse conceito é mais fácil de
ser expresso. Comecemos pela reta tangente a uma circunferência, mostrada na figura a seguir.



1. Defina, em palavras, o que é a reta tangente a uma circunferência.







Em Física, no estudo do movimento circular, você viu uma aplicação desse conceito. Considere um ponto
material que executa um movimento circular, sendo sua resultante centrípeta dada exclusivamente pelo atrito.
Se o ponto repentinamente perde a aderência com o solo, ou seja, caso a componente centrípeta de sua
resultante passe a ser nula, ele tende, conforme a primeira lei de Newton, a seguir na mesma direção, tangente
à trajetória circular no ponto de perda da aderência.

Considere agora que o ponto executa uma trajetória sobre um arco de parábola e que repentinamente perca a
aderência com o solo.

2. Nesse caso, tente explicar o significado da expressão “sair pela tangente”.








3
Para ilustrar, vamos dar uma abordagem algébrica ao problema. Suponha que o ponto material seja
representado por um ponto 𝑃(𝑥, 𝑦) que se desloca sobre o plano cartesiano, e que a trajetória do ponto seja
dada pelo gráfico da função 𝑦 = 𝑓(𝑥) = 𝑥 ! , com 𝑃 se deslocando no sentido de 𝑥 crescente. Considere, ainda,
que em qualquer ponto da trajetória, a componente centrípeta da resultante seja dada exclusivamente pelo
atrito, e que a aderência seja perdida no ponto (𝑥" , 𝑦" ).

3. Represente a situação descrita no plano cartesiano a seguir, escolhendo um ponto qualquer (𝑥" , 𝑦" ) com
𝑥" ≠ 0.



Agora, vamos tentar determinar a reta tangente à parábola no ponto (𝑥" , 𝑦" ) = (1,1). Não utilize calculadora
em nenhuma das situações a seguir.

4. Comece obtendo a equação da reta secante à parábola nos pontos de abscissas 𝑥 = 1 e 𝑥 = 2 e represente
essa reta na figura a seguir. Ela representa a trajetória do ponto material após a perda da aderência no ponto
(1,1)?

4
5. Repita mais duas vezes o procedimento anterior, agora com a reta secante que passa pelos pontos de
abscissas 𝑥 = 1 e 𝑥 = 1,5 e com a reta secante que passa pelos pontos de abscissas 𝑥 = 1 e 𝑥 = 1,1.

5

6. Observando os resultados anteriores, tente estimar os coeficientes 𝑎 e 𝑏 da equação reduzida 𝑦 = 𝑎𝑥 + 𝑏
da reta tangente à parábola no ponto (1,1).




Agora, vamos obter os coeficientes 𝑎 e 𝑏 de maneira mais rigorosa. Considere a reta secante à parábola pelos
pontos de abscissas 1 e (1 + ℎ), com ℎ > 0.

7. Escreva a equação dessa reta secante em função de ℎ.




























8. O que você faria com o valor de ℎ na equação obtida para chegar à equação da reta tangente à parábola no
ponto (1,1)?





6
9. Escreva a equação da reta tangente procurada.



10. Por fim, vamos generalizar o raciocínio aplicado para uma curva qualquer, dessa vez considerando que a
trajetória é descrita no plano cartesiano pelo gráfico de uma função 𝑓. Tente entender o que significam as
figuras a seguir e escreva uma fórmula para a tangente do ângulo de inclinação da reta secante que seja válida
para as três figuras. Em seguida, explique o que fazer com o valor de ℎ para obter a equação da reta tangente
ao gráfico de 𝑓 no ponto k𝑎, 𝑓(𝑎)l.

11. Considere, agora, que a função 𝑓 descreve a relação entre duas grandezas. A fórmula que você obteve para
o coeficiente angular da reta tangente coincide com um conceito explorado no 1º semestre do curso. Que
conceito é esse?

7
AULA 3 – ATIVIDADE: CAPTAÇÃO DA ÁGUA DE UM RIO

INTRODUÇÃO

A crise no abastecimento de água do estado de São Paulo, que atingiu seu ápice em 2015, mostrou a
necessidade de se buscar ações alternativas para o controle dos níveis dos reservatórios, de modo
que o sistema não fique tão vulnerável às variações do regime de chuvas de ano para ano.

Uma opção consiste no desvio de parte da água de rios próximos para os reservatórios. Esse tipo de
ação, porém, deve ser cuidadosamente planejado. Todo rio necessita de uma quantidade mínima de
água para fluir adequadamente. A retirada de um volume excessivo da água de um rio pode
prejudicar as condições de sobrevivência de várias espécies, tanto animais quanto vegetais, além de
interferir na sua navegabilidade e no seu potencial de geração de energia elétrica.

Neste planejamento, deve-se levar em conta que a vazão de água de um rio não é constante ao longo
de um ano, variando bastante conforme o regime de chuvas da região. Por isso, é comum que as
agências nacionais reguladoras do uso da água controlem a vazão dos principais rios de um país,
detectando eventuais anormalidades que possam interferir no equilíbrio hidrográfico.

Nesta atividade, você vai utilizar dados da vazão de um dos principais rios australianos, o Rio Murray,
para avaliar a viabilidade de uma proposta de utilização de parte de seu volume de água para o
abastecimento de cidades da região.

INSTRUÇÕES PARA A ATIVIDADE

O governo do estado de Victoria (Austrália) elaborou um plano para utilizar, ao longo do ano de 2017,
parte da água do Rio Murray para completar
o volume morto do sistema de represas que
abastece várias cidades da região,
estimando que sejam necessários 50
milhões de metros cúbicos para realizar a
tarefa. A agência reguladora de águas da
Austrália, porém, restringiu a operação,
estipulando que seja retirado, no máximo,
1% do volume de água que flui anualmente
pelo rio.

O gráfico a seguir mostra a vazão do Rio
Murray, medida em megalitros por dia, no
período de agosto de 2015 a julho de 2016.
(1 megalitro corresponde a 1 milhão de
litros).

8


Considerando que o padrão da vazão do Rio Murray descrito pelo gráfico se manteve no ano de 2017,
faça o que se pede a seguir.

1. Verifique se foi possível retirar a quantidade de água estimada pelo governo sem violar a condição
imposta pela agência reguladora.

• Se foi possível, determine o percentual que o volume retirado representa do volume de água
que flui anualmente pelo rio.

• Se não foi possível, determine o volume máximo que pôde ser retirado do rio em 2017.























9
2. Escreva uma breve descrição do método que você usou para fazer a estimativa do item a e explique
por que você considera que ele funcione. Como você faria para tornar sua estimativa mais precisa?

Estimar a área sob o gráfico dividindo toda regiâo em em pequenas áreas (retângulos, triângulos). Para
melhorar
a precisão, é necessário utilizar mais pontos neste intervalo.





















10
AULAS 4 E 5 – ATIVIDADE: LIMITE DE UMA SEQUÊNCIA

1 REPRESENTAÇÃO DE SEQUÊNCIAS
O matemático italiano Leonardo de Pisa (1170 – 1250), também conhecido como Fibonacci, foi o primeiro a
descrever a sequência numérica que, mais tarde, foi batizada com o seu nome. Ao estudar uma população de
coelhos fictícia que cresce segundo determinado padrão, ele obteve a famosa sequência de Fibonacci.
O esquema a seguir ilustra o padrão de crescimento dos coelhos de Fibonacci. No primeiro mês, ocorre o
nascimento de um único casal. Cada casal atinge a maturidade sexual 2 meses após o seu nascimento, a partir
de quando passa a dar à luz um novo casal de coelhos por mês. Admite-se, ainda, que os coelhos nascidos
nunca morrem e permanecem se reproduzindo indefinidamente.

+ + + +

+ + +

+ +

+ +

Mês 1 Mês 2 Mês 3 Mês 4 Mês 5 Mês 6

recém-nascido 1 mês de idade 2 ou mais meses de idade



1. Utilizando a notação de sequências, escreva a quantidade de casais de coelhos existente nessa população
fictícia desde o primeiro até o décimo mês.





2. Escreva uma lei de formação para a sequência que você descreveu no item 1.

11
No exemplo anterior, você trabalhou com uma mesma sequência representada de diferentes maneiras, o que
é fundamental para compreender determinados comportamentos das sequências. A seguir, vamos exercitar
um pouco mais essa habilidade.

3. Represente cada sequência abaixo por meio da enumeração de seus elementos.
1 #$%
a) 𝑎# = yz { | , 𝑛 ≥ 1
10
𝑏% = 1
b) 𝑏 ∶ € 𝑏#
𝑏#&% = , para todo 𝑛 ≥ 1
10
c) 𝑐 é a sequência em que cada termo é o quadrado da posição que ocupa.
d) 𝑑 é a sequência cujo primeiro termo é 1 e cada termo a partir do segundo é igual ao anterior multiplicado
por −1.
e) 𝑒 é a sequência em que o termo da posição 𝑛 é igual à razão entre o sucessor de 𝑛 e o próprio 𝑛, nessa ordem.

4. Escreva uma lei de formação para as sequências 𝑐, 𝑑 e 𝑒 do item 3.













12
2 LIMITE DE UMA SEQUÊNCIA
Uma das principais características de uma sequência com infinitos termos está relacionada ao seu
comportamento quando o número de termos cresce indefinidamente. Por exemplo, no caso da sequência de
Fibonacci, podemos nos perguntar o que acontece com o número de casais de coelhos à medida que se passam
muitos e muitos meses.
5. Responda à pergunta feita no final do parágrafo anterior. Procure apresentar, de forma resumida,
argumentos que justifiquem a sua opinião.


Vamos reproduzir a sequência 𝑎 com a qual você trabalhou no item 3.
1 1 1 1 1
z1; ; ; ; ; ; … { = (1; 0,1; 0,01; 0,001; 0,0001; 0,00001; … )
10 100 1000 10000 100000
Note que, à medida que cresce o número de termos, os elementos da sequência vão ficando cada vez mais
próximos de 0. Nesse caso, dizemos que o limite da sequência 𝒂 quando o número de termos tende para
infinito é igual a 0. Ou, de modo mais simplificado, afirmamos que a sequência 𝒂 tende para 𝟎. Em símbolos,
podemos escrever:
1 #$%
lim z { = 0
#→&( 10


6. Sendo 𝐹 a sequência de Fibonacci, complete a lacuna de modo que a igualdade fique verdadeira:
lim 𝐹# = __________
#→(


! #
7. Sendo 𝑝# = •5 − • Ž Ž, quanto vale lim 𝑝# ?
) #→(

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8. Sendo 𝑑 a sequência com a qual você trabalhou no item 3, o que você diria sobre lim 𝑑# ?
#→(










9. Sendo 𝑒 a sequência com a qual você trabalhou no item 3, o que você diria sobre lim 𝑒# ?
#→(

10. O Tapete de Sierpinski é a figura que se obtém partindo de um quadrado pintado de preto, ao dividir cada
lado do quadrado em três partes iguais, obtém-se nove quadrados menores, o quadrado central é pintando de
branco. Depois, consideram-se os quadrados pretos restantes e o processo é repetido para cada um desses
quadrados. O processo pode perpetuar-se indefinidamente, obtendo-se, então, um fractal. As figuras a seguir
ilustram o processo para 𝑛 = 0 até 𝑛 = 4 iterações.



Vamos explorar algumas propriedades dessa figura e aprofundar a compreensão de sequências infinitas. Para
isto, considere agora que o tapete original tenha lados medindo 3 𝑐𝑚.

14
a) Determine a área 𝐴" do quadrado original preto, em seguida, calcule as áreas 𝐴% , 𝐴! e 𝐴) , que representam
as áreas totais das partes pretas do tapete nas três primeiras iterações







b) Escreva uma expressão matemática para a área total preta dos tapetes em qualquer iteração 𝑛.

15
c) Escreva uma expressão para o perímetro da parte preta do tapete em qualquer iteração 𝑛. Considere como
perímetro a soma dos comprimentos de todos os contornos que delimitam a parte escura dos tapetes.















d) O que acontece com as áreas cobertas por quadrados pretos e com os perímetros de todos os quadrados
pretos conforme o número de iterações 𝑛 tende a infinito?



e) No caso da sequência das áreas do tapete de Sierpinski, a sequência tende a um número finito ou infinito?
E no caso da sequência dos perímetros do tapete de Sierpinski, ela tende a um número finito ou infinito?

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Como você viu até aqui, uma sequência infinita pode tender a um número real ou tender para infinito.
Eventualmente, o limite de uma sequência também pode não existir.
Quando uma sequência tende a um número real, dizemos que ela é convergente (ou que ela converge). Caso
contrário, dizemos que ela é divergente (ou que ela diverge).

3 EXERCÍCIOS
10. Calcule, se existir, o limite das seguintes sequências. Em seguida, classifique cada uma em convergente ou
divergente.
1
a) 𝑎# = z { , 𝑛 ≥ 1 c) 𝑐# = (−2)# , 𝑛 ≥ 1
𝑛+4
2𝑛 + 1 𝑛! + 1
b) 𝑏# = z { , 𝑛 ≥ 1 d) 𝑑# = y | , 𝑛 ≥ 2
𝑛+1 𝑛−1

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AULA 6 – ATIVIDADE: SEQUÊNCIAS E OS NÚMEROS REAIS
INTRODUÇÃO

Na aula anterior, nós trabalhamos com sequências infinitas, analisando seu comportamento à medida que o
%
número de termos cresce muito. Por exemplo, vamos observar alguns termos da sequência dada por 𝑎# = %"! :
1 1 1 1 1
z , , , , , ⋯ { = (0,1; 0,01; 0,001; 0,0001; 0,00001; … ) .
10 100 1000 10000 100000
É fácil ver que os termos da sequência vão se aproximando cada vez mais de 0. Assim, escrevemos:
1
lim 𝑎# = 0, ou ainda, lim z # { = 0
#→( #→( 10

É bem intuitivo o significado da frase: “os termos da sequência estão próximos de 0”. Porém, pode não ser tão
simples definir matematicamente o que isso quer dizer. O primeiro passo para estabelecer com mais rigor
uma definição para o limite de uma sequência é pensar em que conjunto numérico vamos trabalhar e
investigar algumas de suas principais propriedades. Faremos isso a seguir.

ALGUNS CONJUNTOS NUMÉRICOS


Você se lembra dos conjuntos numéricos que estudou na escola? Vamos ajudá-lo: naturais (ℕ), inteiros (ℤ),
racionais (ℚ), reais (ℝ) e complexos (ℂ).

1. Dê três exemplos de um número que seja
a) inteiro, mas não natural;
b) racional, mas não inteiro;
c) real, mas não racional.


Vamos relembrar a diferença entre números racionais e irracionais.
Números racionais são aqueles que podem ser escritos na forma de uma fração, com numerador inteiro e
denominador inteiro e não nulo. Como consequência dessa definição, são números racionais todos os números
inteiros, todos os números decimais com representação decimal finita e todos os números decimais com
representação decimal infinita e periódica.

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2. Escreva, na forma de fração com numerador inteiro e denominador inteiro e não nulo, os seguintes números:
a) 7 b) 0,18 c) 0,444...












Números irracionais são todos os números reais que não são racionais. Colocada neste momento, esta
definição não serviria para muita coisa, uma vez que não definimos números reais. Porém, considerando que
você tenha uma ideia intuitiva de número real, acreditamos que ela possa ser útil.

3. Escreva cinco números irracionais. Atenção: ao escrever esses números, você poderá usar o símbolo de raiz
no máximo duas vezes.

Vamos voltar agora ao contexto das sequências. Dizer que os termos de uma sequência estão próximos de
determinado valor é equivalente a dizer que a distância entre eles é pequena. Por exemplo, os números 0,35 e
0,36 estão próximos; de fato, a distância entre eles, dada por |0,36 − 0,35|, é igual a 0,01, que é um número
pequeno.

4. Escreva, se existirem, cinco números:


a) inteiros, cuja distância até o número 5 seja menor do que 0,01.
b) racionais, cuja distância até o número 5 seja menor do que 0,01.
c) irracionais, cuja distância até o número 5 seja menor do que 0,01.

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5. Existem sequências convergentes cujos termos sejam todos números inteiros? Pensando na sua resposta,
você considera adequado estudar as sequências convergentes restringindo-nos ao conjunto dos números
inteiros?







Como você sabe desde o Ensino Fundamental, o número √2 é irracional. Mostramos abaixo uma parte de sua
representação decimal, que é infinita e não periódica.
√2 ≈ 1,414213562373095
Considere, então, a sequência:
(1; 1,4; 1,41; 1,414; 1,4142; 1,41421; 1,414213; 1,4142135; 1,41421356; … ) .
Observe que, a cada termo, acrescentamos um algarismo da representação decimal de √2 , fazendo isso
indefinidamente.

6. Essa sequência é convergente? Em caso afirmativo, qual é o seu limite?







7. Existe algum termo da sequência acima que não pertença ao conjunto dos números racionais?

A sequência anterior mostra porque não vamos trabalhar o conceito de limite usando apenas o conjunto dos
números racionais. Ele não é um conjunto completo. Podemos entender isso de duas maneiras, uma mais
algébrica e outra geométrica:
• uma sequência formada exclusivamente por números racionais pode convergir para um número que
não seja racional.
• quando representamos todos os números racionais em uma reta numérica, há pontos da reta que não
ficam associados a nenhum racional; em outras palavras, os racionais não completam todos os pontos
de uma reta.

Dessa forma, trabalharemos sempre com o conjunto dos números reais, que é completo. Existe uma
correspondência biunívoca entre os números reais e os pontos de uma reta: a cada número real está associado
um único ponto da reta e, reciprocamente, todo ponto da reta corresponde a um único número real.

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Outra maneira de enxergar essa propriedade é: o limite de qualquer sequência convergente em que todos os
termos são números reais é, necessariamente, um número real.
A seguir, você vai estudar algumas propriedades importantes dos números reais.

O CONJUNTO DOS NÚMEROS REAIS
!#&%
8. Considere a sequência dada pela lei 𝑎# = .
#

a) Escreva um argumento que possa convencê-lo de que lim 𝑎# = 2.


#→(

b) Existe algum elemento dessa sequência que seja igual a 2?


c) Obtenha dois elementos dessa sequência cuja distância até o número 2 seja inferior a 0,001.
d) Obtenha dois elementos dessa sequência cuja distância até o número 2 seja inferior a 10$%" .





No item anterior, a intuição nos indicou que o limite da sequência é 2. Vimos que os seus termos ficavam cada
vez mais próximos de 2. Algumas perguntas, porém, podem nos causar certa confusão: será que o limite é
mesmo 2, ou poderia ser 2,0000000000000000000000001? Como saber que chegamos suficientemente perto
do 2 para cravar: o limite é 2?! Vamos pensar um pouco a respeito.
21
9. Qual é o número real, maior do que 2, que se encontra mais próximo desse número? Discuta com os colegas
de sua mesa e escreva abaixo suas conclusões.





Para enfrentar o problema gerado pela discussão do item anterior, os matemáticos, depois de muito esforço,
criaram uma definição de limite bastante engenhosa. A ideia pode ser ilustrada pelo seguinte diálogo:
– Para que o limite de uma sequência seja 2, é preciso que seus termos estejam cada vez mais próximos
desse número.
– Mas quão próximo?
– Tão próximo quanto se queira...
Vamos explorar mais essa ideia no próximo exercício.

!#&%
10. Considere novamente a sequência dada pela lei 𝑎# = .
#

a) A partir de determinado termo, a distância de qualquer elemento da sequência até o número 2 fica menor
do que 0,1. Encontre esse termo.
b) A partir de determinado termo, a distância de qualquer elemento da sequência até o número 2 fica menor
do que 10$%" . Encontre esse termo.
c) Seja um número positivo 𝜀. A partir de determinado termo, a distância de qualquer elemento da sequência
até o número 2 fica menor do que 𝜀. Encontre esse termo.

22
Para finalizar, damos, a seguir, a definição de limite de uma sequência, ilustrada pela figura abaixo.


Definição. Dizemos que o limite de uma

sequência dada por 𝑎! é igual ao número
real 𝐿 se, e somente se: para todo número
positivo 𝜀, existe um número natural 𝑀 tal
que, se 𝑛 > 𝑀, então a distância entre 𝑎! e
𝐿 fica menor do que 𝜀.












EXERCÍCIO EXTRA
Classifique cada sequência a seguir em convergente ou divergente. Para as convergentes, determine o valor
do limite.

𝑎) 𝑎# = 3# − 2#
√2𝑛! + 1
𝑏) 𝑏# =
𝑛
(−1)#
𝑐) 𝑐# =
𝑛

23
AULA 7 – ATIVIDADE: CONSUMO DE ÁGUA
INTRODUÇÃO

Na região metropolitana de São Paulo, a tarifa paga pelo consumo de água varia de acordo com a quantidade
total consumida. A tabela a seguir exibe as tarifas de consumo de água para uma residência normal, de acordo
com a própria Sabesp (valores estabelecidos em janeiro/2021).

Consumo mensal (𝒎𝟑 ) Tarifa (valores aproximados)


até 10 R$ 27,00 / mês
mais que 10, até 20 R$ 4,00 / 𝑚)
mais que 20, até 50 R$ 11,00 / 𝑚)
mais que 50 R$ 12,00 / 𝑚)

1. Na sua opinião, esse sistema tarifário é justo? Escreva uma breve justificativa.

Sim, pois incentiva o consumo consciente de água, já que premia os que menos gastam água.



2. Paula consome, mensalmente, 14 𝑚) de água. Para estimar o valor mensal referente ao consumo, ela adotou
o seguinte raciocínio:
• como o consumo cai na 2ª faixa (mais que 10, até 20 𝑚) ), o valor de cada 𝑚) é de 𝑅$ 4,00;
• como são 14 𝑚) , o valor referente ao consumo é de 14 × 4,00 = 𝑅$ 56,00;
• caso ela consumisse 23 𝑚) de água, então pagaria 23 × 11,00 = 𝑅$ 253,00.

a) Seguindo o mesmo raciocínio de Paula, calcule o valor referente a um consumo de
𝒂𝟏 ) 20 𝑚) ; 𝒂𝟐 ) 21 𝑚) ; 𝒂𝟑 ) 20,1 𝑚) ; 𝒂𝟒 ) 20,01 𝑚) .








b) Ainda seguindo o mesmo raciocínio de Paula, obtenha a lei 𝑉(𝑥) de uma função que fornece o valor da conta
de água referente ao consumo de 𝑥 𝑚) .

24
c) Esboce, no plano cartesiano a seguir, o gráfico da função 𝑉 , cuja lei você obteve no item anterior.

d) Explique, a partir do gráfico que você construiu, por que o raciocínio de Paula não está correto. Em seguida,
proponha uma interpretação para os dados da tabela que torne coerente o cálculo do valor da conta de água.





3. Suponha que um consumidor consulte o site da Sabesp procurando compreender o sistema de cobrança de
água praticado em sua residência, descrito pela tabela fornecida. Redija um parágrafo que seja compreensível
para o consumidor explicando esse sistema, para ficar disponível no site da empresa.

25
4. Seguindo a lógica estabelecida no item anterior, obtenha a nova lei 𝑉(𝑥) da função que fornece o valor da
conta, em reais, referente ao consumo de 𝑥 𝑚) , e esboce seu gráfico no plano cartesiano a seguir.


26
AULA 8 – FUNÇÕES CONTÍNUAS E LIMITES DE FUNÇÕES
/ " $%
1. Considere a função 𝑓, dada por 𝑓(𝑥) = .
/$%
a) Determine o domínio de 𝑓.





b) Procure descrever o comportamento da função nas vizinhanças do ponto 𝑥 = 1. Para isso, complete a tabela
abaixo.

𝑥 0,8 0,9 0,95 0,99 1,01 1,05 1,1 1,2


𝑓(𝑥)

c) Desenhe o gráfico de 𝑓.






























27
2. Dado o gráfico da função 𝑓 mostrado na figura abaixo, determine os limites a seguir.

28
AULAS 9 E 10 – CÁLCULO DE LIMITES

Nas aulas anteriores, estudamos alguns limites cujos cálculos exigem um pouco de manipulação matemática,
como a fatoração. A maioria deles envolvia funções do tipo
𝑝(𝑥)
𝑓(𝑥) = ,
𝑞(𝑥)
em que 𝑝(𝑥) e 𝑞(𝑥) são funções polinomiais.

Nesta atividade, vamos trabalhar outros recursos para resolver limites desse tipo, em especial a mudança de
variável.

1. Considere o limite
#
√𝑥 ! − 4
lim # .
/→0 √𝑥 − 2

Embora seja possível, não é trivial visualizar uma fatoração que ajude a resolvê-lo. Vamos tentar outra
estratégia.
Uma vez que aparece uma raiz cúbica tanto no numerador quanto no denominador, vamos procurar escrevê-
#
la de forma mais conveniente. Para isso, realize a mudança de variável 𝑡 = √𝑥.

a) O que acontece com a variável 𝑡 à medida em que 𝑥 → 8?





b) Reescreva o limite dado em função da variável 𝑡. Em seguida, calcule-o.







29
2. Indique uma mudança de variável que possa ajudá-lo a calcular o limite

(9 + 𝑥 ) )1 − 1
lim .
/→$! 𝑥) + 8
Em seguida, calcule o limite.



3. Encontre o coeficiente angular da reta tangente ao gráfico da função 𝑓(𝑥) = √𝑥 no ponto 𝑥 = 1.


30
4. Encontre o valor de:
®𝑦 ! + 7 − 4
lim
2→) 𝑦−3

Dica: lembre-se do produto notável (𝑎 + 𝑏)(𝑎 − 𝑏) = 𝑎! − 𝑏! .

31

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