Você está na página 1de 5

PEDAGOGIA

Disciplina: Fundamentos e Métodos do Ensino de Artes


Tutor: Leandro Henrique Siena RA: 8007056
Aluna: Fabíola Alberti  Turma: DGPED1601CRTAOS
Unidade: Curitiba

Portfólio referente ao 2º ciclo de aprendizagem.

Mulher: de lá para cá.

Curitiba
Abril/2019

Claretiano - Centro Universitário


Mulher: de lá para cá
A arte é uma manifestação humana e cultural de um povo em um
determinado momento da história pelo qual este indivíduo ou esta comunidade
estejam passando. Ao longo da História da Arte muitas representações
artísticas intencionais ou não mostravam a mulher apenas com um cunho
sexual, ou como uma imagem de fertilidade.
No período da Pré História, duas esculturas muito importantes foram
encontradas, a Vênus de Willendorf, pequena escultura em pedra calcaria,
colorida com ocre vermelho e a Vênus de Hohle Fels, feita de marfim de
mamute. Ambas são representadas com busto e pernas largas e vantajosas
em relação a outros membros como braços e cabeça.
Ao “dar um google” sobre mulheres pré-históricas as imagens que
aparecem são moças jovens fantasiadas com roupas curtas de estampas
animais, ilustrações de desenhos animados, ou a clássica imagem da mulher
sendo arrastada pelos cabelos. Enquanto as imagens que aparecem para os
homens são gravuras que retratam a força e bravura masculina em situações
de caça, ou fazendo armas e ferramentas. Segundo alguns estudiosos do
tema, como a cientista Hannah Devlin, existia igualdade na Pré História, na
realização de atividades entre gêneros, homens e mulheres se revezavam na
caça, pesca, coleta, montagem dos acampamentos e cuidado com as crianças
do grupo.
Milhares de anos se passaram desde então, e a tão sonhada igualdade de
gêneros ainda não é concreta e nem tão visível em alguns lugares do mundo,
fortemente baseados em uma cultura patriarcalista.
Outra simples pesquisa no google nos mostra a triste realidade de matérias
sobre homicídios. Ao digitar “morto pelo...” as opções que aparecem são
“segurança, Bope, trem, tráfico”; enquanto ao escrever “morta pelo...” as
opções subsequentes que se dão pela busca são “marido, companheiro, pai,
ex-sogro...”. No Brasil, o Ministério dos Direitos Humanos no primeiro semestre
de 2018 recebeu 79.661 denúncias de assédio, violência física, moral,
psicológica, patrimonial, de homicídios, cárcere privado e tráfico de pessoas
com mulheres, além de mais 63.116 casos relatados como violência doméstica
de diversos tipos.

Claretiano - Centro Universitário


A função feminina até algumas décadas atrás era ficar cuidando da casa e
dos filhos, enquanto o homem se encarregava do sustento do lar, mas essa
realidade vem sendo drasticamente mudada para melhor ao longo das últimas
décadas. Há ainda certo preconceito e violência moral com mulheres que
exercem por vezes profissões consideradas majoritamente masculinas, porém
é inegável que conquistaram seu espaço em universidades e no mercado de
trabalho, bem como em outros setores.
Os termos abordados acima como violência contra a mulher, igualdade
entre gêneros e a falsa crença da figura idealizada de uma “mulher perfeita”
que deveria estar em consonância com os padrões de beleza que a mídia
induz a aderir, fazem parte da pauta de discussões do Movimento Feminista, e
do Grupo de artistas Guerrilha Girls. Essas artistas questionam sobre a arte ser
um espaço predominantemente masculino e a importância das mulheres no
meio artístico. Um outdoor produzido pelo Grupo, para uma campanha de
conscientização chama muito a atenção: “As mulheres têm de estar nuas para
entrar no Museu Metropolitano? Menos de 5% dos artistas das seções de Arte
Moderna são mulheres, mas 85% dos nus são femininos” (GUERRILHA
GIRLS, 2010). Ou seja, as mulheres em sua grande maioria só foram
retratadas (nuas, geralmente com cunho sexual), mas apenas 15% foram as
autoras das obras que continham o nu feminino no Museu Metropolitano.
As mesmas questões baseadas em diferenças gritantes entre os acessos
ao que deveria ser direito de todos independente do sexo, se repete no meio
escolar. Daí surge a Pedagogia Feminista, criada por um grupo de mulheres
que participavam de estudos culturais. Essa vertente da Pedagogia
questionava os conteúdos dos currículos escolares, como os homens têm
determinados privilégios em relação às mulheres, a hierarquia de gêneros,
estereótipos, o sistema de patriarcado em que homens predominam em
liderança e autoridade perante a família e a sociedade, e sobre profissões e
cursos de graduação que antes eram considerados território masculino.
Em função do exposto acima, conclui-se que as mulheres ao longo da
história não contaram com as mesmas oportunidades e acessos do que os
homens. Custaram a ocupar sua primeira cadeira em uma universidade, a
votar, a publicar seus livros sem pseudônimos, a ocupar um grande cargo de

Claretiano - Centro Universitário


chefia em empresa pública ou privada, ou a ter exposta uma obra de arte sua
em um Museu para contemplação, ganhando reconhecimento. Ainda hoje
contam com jornada dupla de trabalho, com a pressão para terem filhos, ou
indagadas constantemente quando mães-solo, para seguirem estereótipos e
padrões de beleza, dentre outras infinitas situações. As mulheres se
conscientizaram de seus direitos, ocupam seu espaço na sociedade e exigem
respeito. A luta contra a violência e opressão segue constante.

Ilustração com o tema Mulher: de lá para cá

Busquei representar por meio da ilustração um ciclo na vida de toda mulher; no


canto inferior esquerdo a infância, no canto superior esquerdo o inicio as
atividades domésticas, no quadrante seguinte a mulher tendo de se adequar a
padrões de beleza e estereótipos, no espaço seguinte a mulher atarefada com
dupla jornada de trabalho e o companheiro negando-se a ajudá-la. No fim do

Claretiano - Centro Universitário


ciclo uma representação um tanto mais atual: a mulher com crachá no
pescoço, representando uma trabalhadora com um filho nos braços carregando
também em sua bolsa os dizeres “mãe-solo, trabalho, casa e filhos”, que
representam suas responsabilidades.

Referências Bibliográficas

PEREIRA, K. H. A. Fundamentos e Métodos da Arte-Educação. Batatais:


Claretiano, 2013. Unidade 1 e 2.

https://arqueologiaeprehistoria.com/2015/05/16/havia-igualdade-entre-os-
primeiros-homens-e-mulheres-dizem-os-cientistas/

https://arqueologiaeprehistoria.com/2017/02/25/onde-estavam-todas-as-
mulheres-na-pre-historia/

https://www.mdh.gov.br/todas-as-noticias/2018/agosto/ligue-180-recebe-e-
encaminha-denuncias-de-violencia-contra-as-mulheres

Claretiano - Centro Universitário

Você também pode gostar