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Módulo Tributo e Segurança Jurídica

SEMINÁRIO III - FONTES DO DIREITO TRIBUTÁRIO

Leitura básica
• CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 30 ed. São Paulo: Saraiva,
2019, Capítulo III.
• CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: linguagem e método. 7ª ed. São Paulo:
Noeses, 2018, Capítulo II, itens 2.1.2 (Hierarquia das leis complementares: hierarquia
formal e hierarquia material) e 2.3 (Fontes do direito) até 2.3.6 (Fonte do direito e fonte da
Ciência do Direito) da segunda parte do livro.
• MOUSSALLÉM, Tárek. Fontes do direito tributário. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2006.
Capítulos 7 e 9.

Leitura complementar
• CARVALHO, Aurora Tomazini de. Curso de teoria geral do direito: o constructivismo
lógico-semântico. 6. ed. São Paulo: Noeses, 2019. Capítulo XVI.

• CARVALHO, Paulo de Barros. Derivação e positivação no direito tributário. v.1. 2. ed. São
Paulo, Noeses, 2014. Tema I (O Preâmbulo e a prescritividade constitutiva dos textos
jurídicos).
• IVO, Gabriel. A relação entre lei complementar e lei ordinária. In: CONGRESSO NACIONAL
DE ESTUDOS TRIBUTÁRIOS – IBET, v.10, 2013, São Paulo. Sistema tributário brasileiro e
as relações internacionais. São Paulo: Noeses, 2013, p. 363 a 380.
• IVO, Gabriel. Norma jurídica, produção e controle. São Paulo: Noeses, 2006. Introdução,
item 6.
• LINS, Robson Maia. Curso de Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Noeses, 2019.
Capítulo 4 primeira parte.
• MCNAUGHTON, Charles William. Hierarquia e Sistema Tributário. São Paulo: Quartier
Latin, 2011. Capítulo VIII.
• MOUSSALLEM, Tárek Moysés. Revogação em matéria tributária. 2.ed. São Paulo:
Noeses, 2011. Capítulo V, itens 5.3 e 5.4.

Questões
1. Que são fontes do “Direito”? Qual a utilidade do estudo das fontes do direito
tributário? Defina o conceito de direito e relacione-o com o conceito de fontes
do direito.

As fontes do direito, são os meios pelos quais se tem a criação da


norma, ela ainda pode ser compreendida como todo o complexo que o envolve,
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ora, tanto o órgão responsável pela sua criação devidamente constituído, como
a atividade desenvolvida por este órgão, que no caso é a confecção da norma.
Por meio deste, fatos do mundo social, passam a ser de interesse do
mundo jurídico, de modo a integrá-lo, por meio de normas de estrutura, as
quais servirão de base para a produção de normas jurídicas.
Segundo Kelsen, fontes do direito podem ser compreendidas como
fundamento de validade, isto é, servirá de fonte para a formação e
regulamentação do processo de criação futura de outra norma. Um exemplo é
a Constituição Federal, a qual serve de fundamento de validade e regulamento
da legislação do direito positivo (ex: direito tributário).
Seguindo neste raciocínio, a fonte do direito é o próprio direito, visto
que não há a possibilidade de fonte não ser outro senão o próprio sistema do
direito positivo, agindo como veículo introdutório de normas jurídicas, se
materializando por meio da atividade enunciativa.
O direito é formado pela ciência do direito, a qual busca interpretar e
transmitir o conhecimento codificado no texto de lei, e pelo direito positivo, o
qual consiste no conjunto de normas as quais possuem o escopo de
regulamentar o comportamento humano.
Desta maneira, verifica-se que o estudo das fontes do direito é de
suma importância e apresenta grande relevância para o direito, visto ele servir
de base e meio propiciador de criação de normas através da enunciação.
Outro ponto é que o ordenamento jurídico possui regras as quais
determinam qual será a autoridade competente e prescreve a forma que
deverá ser o procedimento de criação dos enunciados jurídicos. E, ao analisar
estas fontes, torna possível constatar se tais enunciados estão ou não de
acordo com as normas que regulamentam a sua criação, e desta maneira,
auferir os possíveis vícios da atividade produtora.

2. Os costumes, a doutrina, os princípios de direito, a jurisprudência e o fato jurídico


tributário são fontes do direito? E as indicações jurisprudenciais e doutrinárias,
contidas nas decisões judiciais são concebidas como “fontes de direito”?
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Os costumes, podem ser entendidos como práticas reiteradas de


determinada ação, a qual somente terá relevância dentro do ordenamento
jurídico, com a realização da enunciação, de modo a tornar tal ato, parte do
enunciado prescritivo.
Tem-se portanto, que ele não é fonte do direito, visto que somente trará
modificação dentro do direito positivo, quando inserido nele por meio da
enunciação, não tendo o condão de criar e alterar normas.
Por outro lado, segundo Tárek Moysés Moussalem, o costume servirá
como fonte, em uma hipótese, quando o próprio direito vier a atirbuir à prática de
determinado costume, o condão de inserir norma jurídica dentro do
ordenamento, tendo-se como exemplo o artigo 100, III do CTN.
A doutrina, é considerada parte integrante da ciência do direito, a qual
tem como escopo, descrever de maneira explicativa o direito positivo, servindo
como meio de compreensão do contido na norma positiva. E, pelo fato de
somente informar sobre o direito, não pode ser considerada como fonte.
O fato jurídico tributário é nada mais que a previsão de determinada
conduta, dentro do direito prescritivo, a qual gera sobre ela, o direito de tributar.
E, partindo da premissa que os fatos jurídicos produtores de normas e,
consequentemente fonte de direito seriam somente as normas de estrutura, não
há como enquandrar fato jurídico tributário como tal, visto ser normas
comportamentais.
Os princípios jurídicos por sua vez, são fundamentos de validade de
determinada norma jurídica, os quais se traduzem em limites e vetores à
atividade legislativa, mas não serve de fonte, visto a ausência do poder de
criação e alteração do direito em sua atividade.
A jurisprudência por sua vez, é tida como o próprio direito, considerando,
ser o conjunto de reiteradas decisões proferidas por determinado tribunal,
servindo como forma de convencimento, a fim de direcionar o poscionamento do
juiz, sendo livre de acatamento, tão quanto, ausente de criação e alteração do
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direito.
E, seguindo esta linha de raciocínio, as indicações doutrinárias e
jurisprudenciais, contidas nas decisões judiciais, também não podem ser
consideradas fontes do direito, tendo em vista que a doutrina tem o escopo de
explicar o direito positivo e, a jurisprudência, como já afirmado acima é fruto da
atividade jurisdicional.

3. Quais são os elementos que diferenciam o conceito de fontes do Direito


adotado pela doutrina tradicional e da doutrina de Paulo de Barros Carvalho?
Relacione o conceito de fontes do Direito de acordo com a doutrina de Paulo
de Barros Carvalho com a atividade da autoridade administrativa que realiza o
lançamento de ofício. Há diferença quando o crédito é constituído pelo
contribuinte?

Em suma, o que propulsiona e torna possível o nascimento do direito, é


a atividade humana, visto que o sistema do direito não se reproduz sozinho.
O que acaba por influenciar na conceituação das fontes de direito é o
que se entende pelo termo direito. Para a doutrina tradicional, o fato social
relevante juridicamente, responsável pela produção de novos enunciados, são
considerados fontes do direito.
Há ainda a subdivisão em fonte formal e fonte material. A primeira está
relacionada como plano do dever ser tidas como exemplos estipulados para
introduzir normas jurídicas. Já a segunda, se encontra no plano dos
acontecimentos, sendo objetos de estudo, visto influírem na confecção de
novas proposituras prescritivas.
Na concepção de Paulo de Barros Carvalho, os fatos sociais apenas
influenciam na criação das normas, sendo mera motivação. Os enunciados que
exercem tal papel de fonte, visto ser a realização de um procedimento através
de um agente competente, criando e inovando no ordenamento jurídico
brasileiro.
Outro ponto que os distingue é que para Paulo de Barros, há somente
a fonte material (enunciação), não havendo que se falar em fonte formal, visto
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que o fato social por si só, não tem o condão de inovação no ordenamento,
sendo necessário a ação humana, através da enunciação.
Outrossim, na visão do professor, os documentos normativos (os quais
seriam considerados fontes formais para a doutrina tradicional) são produtos
que advém da fonte, sendo o próprio direito. E, tendo em vista que ela se
consubstancia no direito positivo, logo não é anterior as normas e
consequentemente não é fonte.
Elas podem ser consideradas como regras de direito positivo, visto
fazerem parte do sistema e não fontes, como afirma a doutrina tradicional,
denominadas por Paulo de Barros, como veículos introdutores de normas.
Partindo da concepção de fonte do direito, como um conjunto de fatos
jurídicos, os quais fazem nascer regras jurídicas introdutoras por meio do
processo de enunciação, tem-se que o ato administrativo de lançamento de
ofício, se traduz no próprio conceito de fonte do direito, como veículo introdutor
de norma.
Tem-se a norma tributária geral e abstrata, a qual introduz no
ordenamento o fato jurídico tributário e por meio do ato de enunciação, através
do lançamento de ofício é que se terá a criação de uma norma concreta e
individual, fazendo nascer uma relação obrigacional entre o ente administrativo
e o contribuinte.
Quando o lançamento for realizado pelo contribuinte, este continuará
sendo um ato de enunciação, visto que o contribuinte é agente competente
para tanto, considerando a sua previsão como tal na norma geral e abstrata.

4. Quais as diferenças entre ciência do direito e direito positivo? Desenvolva o


fundamento descrito por Tárek Moysés Moussallem no sentido de que o
“nascedouro do direito altera-se de acordo com a ciência que o investiga”. Sob
esse referencial, qual sua opinião sobre as fontes do direito para a ciência do
direito?

A ciência do direito acaba por se diferir do direito positivo, no tocante


ao objeto de estudo de ambas, visto que cada um apresenta um escopo
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diferente dentro da sistemática do direito.


A primeira busca compreender e explicar as normas jurídicas do direito
posto, através dos enunciados descritivos. Já a segunda, é formada por um
conjunto de normas jurídicas as quais regulamentam as condutas humanas.
Seguindo a linha de raciocínio de Tárek Moysés Mouss, a fonte para a
ciência do direito, se difere da fonte do direito positivo, visto cada um ter um
foco de pesquisa diferentes, assumindo cada um, uma vertente diferente dentro
do direito.
E, desta maneira, a fonte do direito para a ciência do direito será todos
os elementos que se mostrem necessários e pertinentes para a boa
compreensão de determinado fenômeno jurídico, visto ele ser a parte do direito
a qual busca trazer aprofundamento e significância para o texto positivado,
sendo, portanto, amplo e diferente para cada enfoque dado ao seu estudo.

5. Que posição ocupa, no sistema jurídico, norma inserida por lei complementar
que dispõe sobre matéria de lei ordinária? Para sua revogação é necessária
norma veiculada por lei complementar? (Vide anexos I, II, III IV e V).

A grande diferença entre a lei complementar e a lei ordinária é com


relação ao quórum exigido para a sua aprovação, sendo da primeira, de
maioria absoluta e da segunda, de maioria simples.
Outra diferenciação é no concerne à sua matéria, visto que a ordinária
apresenta caráter residual em face da complementar, ora cabendo a ela
legislar o que não for tematicamente competente no campo da complementar.
Pode-se dizer que não há hierarquia entre ambas, visto que cada uma
possui apenas campos normativos distintos. Além disso, pelo fato de o
processo de criação de norma por meio de lei complementar ser mais rigoroso,
não haveria que se falar em inconstitucionalidade.
E, desta maneira, mesmo que a norma tenha sido introduzida por
enunciação – enunciada formalmente como norma complementar, ela ocupará
o espaço de instrumento introdutório primário de norma tributária de lei
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ordinária, em respeito ao seu fundamento de validade.


Contudo, em respeito ao âmbito material no tocante à competência
legislativa, tendo a lei complementar usurpado a competência de lei ordinária,
poderá esta vir a revogá-la e até mesmo legislar em sentido contrário ao seu
texto dispositivo.
E ante a isso, não há a necessidade de a revogação ser por meio de lei
complementar, visto ser matéria competente de lei ordinária, sem contar o fato
de que revogará um enunciado prescritivo de regime de lei ordinária.
Vale ainda ressaltar de que tal revogação é de forma temporária, a qual
se perdurará enquanto a norma ordinária estiver vigente.

6. O preâmbulo da Constituição Federal e a exposição de motivos integram o


direito positivo? São fontes do direito? (Vide anexos VI e VII).

O preâmbulo da Constituição Federal, assim como a exposição de


motivos, compõe o direito positivo, visto que a sua redação integra o corpo
normativo. Contudo, importante salientar de que o texto normativo se subdivide
em enunciação – enunciada e enunciado – enunciado.
O preâmbulo é marcado por carga prescritiva em seu conteúdo,
presente como em qualquer outra parte do direito posto. Ele é responsável por
anunciar valores, servindo como elemento linguístico que indica o lugar, tempo
e espaço em que a Carta Magna de 1988 fora instituída.
Desta maneira, seguindo a linha de pensamento de Paulo de Barros
Carvalho, o preâmbulo seria uma enunciação – enunciada, visto se tratar de
uma linguagem através da qual auxilia no procedimento de produção do
enunciado.
E, por fazer parte do direito posto, esta não pode ser considerada fonte
do direito, mas sim produto da enunciação, fazendo parte das normas
introdutoras.
Do mesmo modo, a exposição dos motivos, por serem de cunho
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prescritivo, também faz parte do direito positivo, tendo como enfoque o clima
histórico em que fora criado o diploma, trazendo os confrontos feitos em sua
criação, apresentando em suma, os motivos que levaram o constituinte a
produzir o texto normativo, se inclinando mais para o processo de enunciação.
Ou seja, pelo fato de estarem correlacionados com os motivos,
percebe-se que fazem parte do processo de enunciação, como fatos que
possuem relevância para o direito e, desta maneira, se traduz como
enunciação – enunciada, diretamente integrante da enunciação e
consequentemente, fonte de direito.

7. A Emenda Constitucional n. 42/03 previu a possibilidade de instituição da


PIS/COFINS-importação. O Governo Federal editou a Lei n. 10.865/04
instituindo tal exação. (a) Identificar as fontes materiais e formais da
Constituição Federal, da Emenda 42/03 e da Lei 10.865/04. (b) Pedro
Bacamarte realiza uma operação de importação em 11/08/05; este fato é fonte
material do direito? (c) O ato de ele formalizar o crédito tributário no
desembaraço aduaneiro e efetuar o pagamento antecipado é fonte do direito?

A fonte material da Constituição Federal, nada mais é que o processo


legislativo através da Assembleia Nacional Constituinte, responsável por sua
criação. Já a sua fonte formal, é o seu próprio texto redacional.
Com relação à Emenda 42/03, a sua fonte material é o procedimento
devidamente promulgado pelas mesas do Senado Federal e da Câmara dos
Deputados que lhe deu origem. E, sua fonte formal é a Emenda Constitucional
propriamente dita, a qual serve de meio de introdutor.
Já a Lei 10.865/04, tem como fonte material, o rito que lhe deu a
criação, sendo ele o rito de lei ordinária, devidamente aprovado por uma das
Casas do Congresso, revisado pela outra e sancionado pelo Presidente da
República. A sua fonte formal, é a lei ordinária a qual lhe serve como veículo
introdutor.
A conduta praticada por Pedro, se mostra como fato jurídico relevante
dentro do ordenamento jurídico, através de uma norma geral e abstrata. A
concretização deste fato jurídico gera o nascimento de uma norma específica e
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concreta, a qual se desdobrará no vínculo obrigacional de contribuir perante o


fisco, sendo, portanto, uma fonte material do direito.
O ato de formalizar o crédito tributário e realizar o pagamento do tributo
não são considerados fonte do direito pelo fato de se encontrarem no
consequente da hipótese jurídica tributária, sendo desta maneira, obrigações
frutos da fonte material do direito.

8. Diante do fragmento de direito positivo abaixo, responda:


LEI N. 10.168, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2000, D.O.30/12/2000

Institui contribuição de intervenção de domínio econômico destinada a financiar o


Programa de Estímulo à Interação Universidade-Empresa para o Apoio à Inovação e dá
outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA: faço saber que o Congresso Nacional


decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação Universidade-
Empresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o
desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa
científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de
pesquisa e o setor produtivo.
Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior,
fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida
pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de
conhecimentos tecnológicos, bem como, aquela signatária de contratos
que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou
domiciliados no exterior.
§ 1º Consideram-se, para fins desta Lei, contratos de transferência de
tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os
de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica.
§ 1º-A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a
remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou
distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a
transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei n.. 11452,
de 2007).
§ 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput
deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas
signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de
assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes
ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que
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pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a


qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.
(Redação da pela Lei 10.332, de 19.12.2001).
§ 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues,
empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no
exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no
caput e no § 2º deste artigo. (Redação da pela Lei 10.332, de 19.12.2001).
§ 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). (Redação da
pela Lei 10332, de 19.12.2001).
(...)
Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, aplicando-se aos
fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2001.
Brasília, 29 de dezembro de 2000; 179º da Independência e 112º da
República.
(FERNANDO HENRIQUE CARDOSO)

a) Identifique os seguintes elementos da Lei n. 10.168/00: (i) enunciados-


enunciados, (ii) enunciação-enunciada, (iii) instrumento introdutor de norma, (iv)
fonte material, (v) fonte formal, (vi) procedimento, (vii) sujeito competente, (viii)
preceitos gerais e abstratos e (ix) norma geral e concreta.

Os enunciados – enunciados seria o próprio texto de lei, visto ser o


suporte físico utilizado na construção da enunciação, mais especificamente os
artigos 2º ao 8º. A enunciação – enunciada, por ser a linguagem que se volta
para a pessoa, tempo e espaço da produção do texto, seria “Brasília, 29 de
dezembro de 2000; 179º da Independência e 112º da República” e “Institui
contribuição de intervenção de domínio econômico destinada a financiar o
Programa de Estímulo à Interação Universidade-Empresa para o Apoio à
Inovação e dá outras providências”.
O instrumento introdutor de norma, bem como a fonte formal, seria a
própria Lei nº 10.168/00, tomando como base a acepção de tais institutos por
Paulo de Barros Carvalho.
A fonte material, seria o ato por meio do qual juridicializa a contribuição
de intervenção do domínio econômico, ja o procedimento seria o previsto no
artigo 61 da CF, referente ao seu processo de criação de lei ordinária.
Os sujeitos competentes seria a União como ente político competente,
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o Congresso Nacional como órgão legilador e o Presidente da República como


sancionador.
Já os preceitos gerais e abstratos são os próprios enunciados-
enunciados mencionados acima, e a norma geral e concreta, é a própria norma
introdutora o artigo 2° da Lei supramencionada.

b) Os enunciados inseridos na Lei n. 10.168/00 pelas Leis n. 11.452/07 e n.


10.332/01 passam a pertencer à Lei n. 10.168/00 ou ainda são parte integrante
dos veículos que os introduziram no ordenamento? No caso de expressa
revogação da Lei n. 10.168/00, como fica a situação dos enunciados veiculados
pelas Leis n. 11.452/07 e n. 10.332/01? Pode-se dizer que também são
revogados, mesmo sem a revogação expressa dos veículos que os inseriram?

Os enunciados inseridos na Lei nº 10.168/00, pelo fato de terem natureza


complementar, passam a pertencer à Lei supramencionada, como forma de
trazer maior completude ao ordenamento.
Já no caso de expressa revogação, os enunciados a ela veiculados,
mesmo que as normas que os fundamentaram foram revogadas, eles se
manteriam vigentes, ante a necessidade de norma específica que os venha a
impugná-los e retirar sua juridicidade.

Sugestão para pesquisa suplementar


• Itens 1.3 e 1.4, do Capítulo 1 do livro Decadência e prescrição no direito tributário, de Eurico
Marcos Diniz de Santi. São Paulo: Saraiva.
• Capítulo III – “Fontes da interpretação do direito tributário” do livro Compêndio
de legislação tributária, de Rubens Gomes de Sousa. São Paulo: Resenha
Tributária.
• Capítulo V – “Tridimensionalidade e fontes do direito tributário” do Curso de
direito tributário, de Ruy Barbosa Nogueira. São Paulo: Saraiva.
• Capítulos XII, XIII e XIV do livro Lições preliminares de direito de Miguel Reale. São
Paulo: Saraiva.
• MOUSSALLEM, Tárek Moysés. Classificação dos tributos: uma visão analítica. In:
CONGRESSO NACIONAL DE ESTUDOS TRIBUTÁRIOS – IBET, v.4, 2007, São Paulo.
Tributação e processo. São Paulo: Noeses, 2007, p. 601-637.
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Anexo I
AI n.702.533/RJ
DJ 26/04/2013
(...) 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às
sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar
70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei
complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição
material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente
complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos
concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ
156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. 3. O
pronunciamento exarado pelo Tribunal de origem não divergiu desse entendimento. 4.
Agravo regimental desprovido.

Anexo II
ARE n.669.072/MG
DJ 31/08/2015
1. O entendimento adotado pela Corte de origem, nos moldes do assinalado na
decisão agravada, não diverge da jurisprudência firmada no âmbito deste Supremo
Tribunal Federal, no sentido da inexistência de reserva de lei complementar para dispor
sobre isenção pertinente à Cofins, bem como ausente relação hierárquica entre lei
complementar e lei ordinária (art. 59 da Constituição) porquanto, em matéria tributária, a
reserva de lei complementar é definida em razão da matéria. 2. Obstada a análise da
suposta afronta aos incisos II e LV do artigo 5º da Carta Magna, porquanto dependeria
de prévia análise da legislação infraconstitucional aplicada à espécie, procedimento que
refoge à competência jurisdicional extraordinária desta Corte Suprema, a teor do art.
102 da Magna Carta. 3. Inexiste violação do artigo 93, IX, da Constituição Federal. A
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que o referido dispositivo
constitucional exige a explicitação, pelo órgão jurisdicional, das razões do seu
convencimento, dispensando o exame detalhado de cada argumento suscitado pelas
partes. 4. As razões do agravo regimental não se mostram aptas a infirmar os
fundamentos que lastrearam a decisão agravada. 5. Agravo regimental conhecido e não
provido.

Anexo III
REsp n. 371.214/MG
DJ 18/03/2002

TRIBUTÁRIO. COFINS. ISENÇÃO. SOCIEDADES CIVIS PRESTADORAS DE


SERVIÇOS. PRECEDENTES.
1. A Lei Complementar n. 70/91, de 30/12/1991, em seu art. 6º, II, isentou,
expressamente, da contribuição da COFINS, as sociedades civis de que trata o art. 1º,
do Decreto-Lei n. 2.397, de 22/12/1987, sem exigir qualquer outra condição senão as
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decorrentes da natureza jurídica das mencionadas entidades.


2. Em consequência da mensagem concessiva de isenção contida no art. 6º, II,
da LC n. 70/91, fixa-se o entendimento de que a interpretação do referido comando
posto em Lei Complementar, consequentemente, com potencialidade hierárquica em
patamar superior à legislação ordinária, revela que será abrangida pela isenção da
COFINS as sociedades civis que, cumulativamente, apresentem os seguintes
requisitos:
– seja sociedade constituída exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no
Brasil;
– tenha por objetivo a prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de
profissão legalmente regulamentada; e
– esteja registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas.
3. Outra condição não foi considerada pela Lei Complementar, no seu art. 6º, II,
para o gozo da isenção, especialmente o tipo de regime tributário adotado para fins de
incidência ou não de Imposto de Renda.
4. Posto tal panorama, não há suporte jurídico para se acolher a tese da Fazenda
Nacional de que há, também, ao lado dos requisitos acima elencados, um último, o do
tipo de regime tributário adotado pela sociedade. A Lei Complementar não faz tal
exigência, pelo que não cabe ao intérprete criá-la.
5. É irrelevante o fato de a recorrente ter optado pela tributação dos seus
resultados com base no lucro presumido, conforme lhe permite o art. 71, da Lei n.
8.383/91 e os arts. 1º e 2º, da Lei 8.541/92. Essa opção terá reflexos para fins de
pagamento do Imposto de Renda. Não afeta, porém, a isenção concedida pelo art.
6º, II, da Lei Complementar n. 70/91, haja vista que esta, repita-se, não colocou
como pressuposto para o gozo da isenção o tipo de regime tributário seguido pela
sociedade civil.
6. A revogação da isenção pela Lei n. 9.430/96 fere, frontalmente, o princípio da
hierarquia das leis, visto que tal revogação só poderia ter sido veiculada por outra lei
complementar.
7. Recurso provido.
ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas,
acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por
unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os
Srs. Ministros Francisco Falcão, Luiz Fux, Garcia Vieira e Humberto Gomes de Barros
votaram com o Sr. Ministro Relator.
Brasília (DF), 05 de fevereiro de 2002 (Data do Julgamento).
MINISTRO FRANCISCO FALCÃO
Presidente
MINISTRO JOSÉ DELGADO
Relator
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Anexo IV
AC n. 2209 AgRg/MG
DJ 26/03/2010
COOPERATIVA. COFINS. PIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO POR MEDIDA
PROVISÓRIA. ALEGADA VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA ENTRE AS
LEIS. CONTRARIEDADE AO DEVER DE PROVER ADEQUADO
TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO ATO COOPERADO (ART. 146, III, C DA
CONSTITUIÇÃO). ATO COOPERADO. ALEGADA INEXISTÊNCIA DE INTUITO
COMERCIAL OU LUCRATIVO. DESCARACTERIZAÇÃO DO INGRESSO DE
VALORES COMO FATURAMENTO. LEI 5.764/1971, ART. 79. 1. Em razão da
preclusão e da força do trânsito em julgado, somente cabe a propositura e o exame de
novos pleitos cautelares se houver substancial modificação do quadro fático-jurídico,
que justifique a densa probabilidade de conhecimento e provimento do recurso
extraordinário. Situação descaracterizada, dada a reiteração dos argumentos
apresentados por ocasião do exame da primeira medida liminar pleiteada, cujo resultado
parcialmente favorável ao contribuinte não foi objeto de recurso. 2. Compete ao
recorrente atacar de forma específica os fundamentos da decisão recorrida. Menção, na
decisão agravada, à primeira medida liminar quanto à inexistência de periculum in mora.
Ponto não enfrentado. “O risco ordinário da falta de eficácia suspensiva [do recurso
extraordinário] não basta à concessão do efeito pretendido, senão toda interposição de
recurso extraordinário por contribuinte reclamaria tal efeito” (AC 1.192-MC, rel. min.
Sepúlveda Pertence, DJ de 16.05.2006). 3. Ausência de densa plausibilidade das teses
arregimentadas. O art. 146, III, c da Constituição não implica imunidade ou tratamento
necessariamente privilegiado às cooperativas. Conforme orientação desta Corte, em
matéria tributária, não há hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, nem a
observância de simetria entre as formas para revogar isenções. A circunstância de dado
tributo estar sujeito às normas gerais em matéria tributária não significa que eles
deverão ser instituídos por lei complementar, ou então que qualquer norma que se refira
ao respectivo crédito tributário também deva ser criada por lei complementar. A
concessão de isenções ou outros benefícios fiscais, bem como a instituição dos critérios
das regras-matrizes dos tributos não têm perfil de normas gerais (normas destinadas a
coordenar o tratamento tributário em todos os entes federados), embora delas extraiam
fundamento de validade. Não é possível, sem profundo exame da questão de fundo,
considerar como violada a regra da isonomia e da capacidade contributiva, considerada
a tributação das cooperativas, em si consideradas (de trabalho, crédito, consumo etc), e
comparadas com as demais pessoas jurídicas. Não está completamente afastada a
predominância da interpretação da legislação infraconstitucional e da análise do quadro
probatório para descaracterização dos ingressos oriundos da prática de atos por
cooperativas como faturamento. Agravo regimental conhecido, mas ao qual se nega
provimento.

Anexo V
RE 584.378
DJe 16/10/2017
Módulo Tributo e Segurança Jurídica

Ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO EM RECURSO


EXTRAORDINÁRIO. PIS E COFINS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO.
LEGITIMIDADE RECONHECIDA POR ESTA CORTE. INSTITUIÇÃO MEDIANTE LEI
COMPLEMENTAR. DESNECESSIDADE. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA
ISONOMIA E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. INOCORRÊNCIA. 1. O Supremo
Tribunal Federal, ao julgar o RE 559.937-RG, decidiu pela legitimidade das
contribuições denominadas PIS/PASEP-importação e COFINS-importação, declarando
a inconstitucionalidade somente em relação à base de cálculo trazida pela Lei nº
10.865/2004, no tocante à inclusão do ICMS e das próprias contribuições. 2. No
julgamento do RE 559.937-RG, admitido sob a sistemática da repercussão geral, a
Ministra Ellen Gracie assinalou que as contribuições ao PIS/PASEP-importação e
COFINS-importação podem ser instituídas validamente por lei ordinária. 3. Inaplicável
o art. 85, §11, do CPC/2015, uma vez que não é cabível, na hipótese, condenação em
honorários advocatícios (art. 25, Lei nº 12.016/2009 e Súmula 512/STF). 4. Agravo
interno a que se nega provimento, com aplicação da multa prevista no art. 1.021, §4º,
do CPC/2015. (RE 584378 AgR, Relator(a):  Min. ROBERTO BARROSO, Primeira
Turma, julgado em 29/09/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-235 DIVULG 13-10-
2017 PUBLIC 16-10-2017)

Anexo VI
ADI n. 3510/DF
DJ 27/05/2010
O princípio fundamental da dignidade da pessoa humana opera por modo binário,
o que propicia a base constitucional para um casal de adultos recorrer a técnicas de
reprodução assistida que incluam a fertilização artificial ou “in vitro”. De uma parte,
para aquinhoar o casal com o direito público subjetivo à “liberdade” (preâmbulo da
Constituição e seu art. 5º), aqui entendida como autonomia de vontade. De outra
banda, para contemplar os porvindouros componentes da unidade familiar, se por eles
optar o casal, com planejadas condições de bem-estar e assistência físico-afetiva (art.
226 da CF).

Anexo VII
ADI n. 2076/AC
DJ 08/08/2003
CONSTITUIÇÃO: PREÂMBULO. NORMAS CENTRAIS. Constituição do Acre. I. –
Normas centrais da Constituição Federal: essas normas são de reprodução obrigatória na
Constituição do Estado-membro, mesmo porque, reproduzidas, ou não, incidirão sobre a
ordem local. Reclamações 370-MT e 383-SP (RTJ 147/404). II. – Preâmbulo da
Constituição: não constitui norma central. Invocação da proteção de Deus: não se trata de
norma de reprodução obrigatória na Constituição estadual, não tendo força normativa. III.
– Ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente. “O preâmbulo, ressai das
lições transcritas, não se situa no âmbito do Direito, mas no domínio da política,
refletindo posição ideológica do constituinte. É claro que uma Constituição que consagra
princípios democráticos, liberais, não poderia conter preâmbulo que proclamasse
Módulo Tributo e Segurança Jurídica

princípios diversos. Não contém o preâmbulo, portanto, relevância jurídica. O preâmbulo


não constitui norma central da Constituição, de reprodução obrigatória na Constituição do
Estado-Membro. O que acontece é que o preâmbulo contém, de regra, proclamação ou
exortação no sentido dos princípios inscritos na Carta: princípio do Estado Democrático
de Direito, princípio republicano, princípio dos direitos e garantias etc. Esses princípios,
sim, inscritos na Constituição, constituem normas centrais de reprodução obrigatória, ou
que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária, dado que,
reproduzidos, ou não, na Constituição estadual, incidirão na ordem local.” Voto de Carlos
Velloso.

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