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EQUAÇÕES DIFERENCIAIS APLICADAS

PROGRAMA:

1) Equações Diferenciais de 1a Ordem


a) Definição e classificação das equações diferenciais.
b) Solução geral e solução particular.
c) Equação de Variáveis Separáveis.
d) Equação Homogênea.
e) Equações Lineares.
f) Equação Diferencial Exata. Fator Integrante.
g) Aplicações.
2) Equações Diferenciais Lineares de Ordem n
a) Classificação.
b) Equações diferenciais lineares homogêneas de 2a ordem com coeficientes constantes.
c) Equações diferenciais lineares homogêneas de ordem n com coeficientes constantes.
d) Equações diferenciais lineares não-homogêneas de ordem n com coeficientes
constantes.
e) Método dos coeficientes a determinar para o cálculo de uma solução particular.
f) Método da variação dos parâmetros para o cálculo de uma solução particular.
g) Método dos operadores para o cálculo de uma solução particular.
h) Equações diferenciais lineares de coeficientes variáveis.
i) Equação de Euler-Cauchy, homogênea e não-homogênea.
j) Equação de Euler-Cauchy generalizada.
k) Método da Redução de Ordem.
l) Aplicações.
3) Sistemas de Equações Diferenciais
a) Método da Eliminação.
b) Método dos Operadores.
c) Método Matricial (autovalores e autovetores).
d) Aplicações (sistemas massa-mola e circuitos elétricos).
4) Transformação de Laplace
a) Definição e propriedades. Cálculo de integrais.
b) Definição de Transformada Inversa de Laplace. Teorema de Lerch. Propriedades.
c) Cálculo da Transformada Inversa de Laplace: por inspeção e por frações parciais.
d) Solução de equações diferenciais e sistemas de equações diferenciais.
5) Seqüências e Séries de Números Reais
a) Seqüências.
b) Séries Numéricas.
c) Critérios de convergência e divergência de séries numéricas.
d) Séries de Potências: definição. Intervalo de convergência.
e) Série de MacLaurin. Série de Taylor.
6) Resolução de Equações Diferenciais Lineares por Séries
a) Resolução em torno de um Ponto Ordinário.
b) Resolução em torno de um Ponto Singular Regular (Método de Frobenius).

Livro texto: Equações Diferenciais Elementares e Problemas de Valores de Contorno


William Boyce & Richard Diprima
2

1 Equações diferenciais de 1a ordem

1.1 Equações diferenciais

Definição 1: Uma equação cujas incógnitas são funções e que contém, pelo
menos, uma derivada ou diferencial dessas funções é denominada de equação
diferencial.

Definição 2: Se uma equação diferencial só contém diferenciais ou derivadas


totais é denominada de equação diferencial ordinária.

Definição 3: Se uma equação diferencial contém, pelo menos, uma derivada


parcial é denominada de equação diferencial parcial.

Exemplos:
d 2 y dy
a) x ⋅ 2 − =2
dx dx
b) x ⋅ dy − y ⋅ dx = 0 ordinárias
c) y′′ + y = e x
∂ 2z ∂ 2z
d) + = 0 , z = z(x, y ) parciais
∂x 2 ∂y 2
∂ 2u ∂ 2u ∂ 2u
e) + + = 0 , u = u (x, y, z )
∂x 2 ∂y 2 ∂z 2

Definição 4: Chama-se ordem de uma equação diferencial a ordem da “maior”


derivada que aparece na equação.

Definição 5: O grau de uma equação diferencial é o grau da derivada de maior


ordem envolvida na equação.

Exemplos:
d 2 y dy
a) + +y=0
dx 2 dx
10
dx d3x
b) − 2t 2 + 2 ⋅ cos(t ) ⋅ =0
dt dt 3
3 4
d2y dy
c) 2
+x⋅ = ex
dx dx
2 3
∂ 3u ∂ 2u
d) x ⋅ = y⋅
∂x ⋅ ∂y 2 ∂y 2
∂ 2u ∂ 2u
e) + =0
∂x 2 ∂y 2
3

1.2 Resolução

Resolver uma equação diferencial significa determinar as funções que


satisfazem tal equação. Dessa forma, é pela integração de uma diferencial que se dá a
solução e, geometricamente, as curvas que representam soluções são chamadas
curvas integrais.

Existem 3 tipos de soluções:

1.2.1 Solução geral: é a solução da equação que contém tantas constantes


arbitrárias quantas forem as unidades da ordem de integração;
1.2.2 Solução particular: é a solução deduzida da solução geral atribuindo-se
valores particulares às constantes;
1.2.3 Solução singular: é uma solução não deduzida da solução geral e que só
existe em alguns casos.

Exemplos:
dy
a) Dada a equação = 2x , determine a solução geral e represente
dx
geometricamente.
(esta família de curvas recebe o nome de curvas integrais)

b) Sendo dadas as curvas seguintes determinar, para cada uma delas, a equação
diferencial de menor ordem possível que não contenha nenhuma constante arbitrária:
i) y = c1 ⋅ sen (x ) + c 2 ⋅ cos(x )
ii) y = c⋅ x2
iii) y = c1 ⋅ x 2 + c 2
iv) y = a ⋅ cos(x + b ) , onde a e b são constantes
v) y = c1 ⋅ e 3x + c 2 ⋅ e −2x

Definição 6: Uma condição inicial é uma condição da solução de uma equação


diferencial num ponto.

Definição 7: Uma condição de contorno é uma condição da solução de uma


equação diferencial em 2 ou mais pontos.

Definição 8: Uma equação diferencial com uma condição inicial apresentada é


chamada problema de valor inicial (PVI). Aquelas que envolvem condições de
contorno são chamadas problema de valor de contorno (PVC).

Exemplos:
a) Seja a equação diferencial y′′ + y = 0 . Verifique que a função
y = c1 ⋅ sen (x ) + c 2 ⋅ cos(x ) é solução da equação diferencial e determine o valor das
y(0) = 2
constantes (a solução particular) através do PVI .
y′(0) = 1
4

d2 y dy y(0 ) = 0
b) Idem para − − 6y = 0 , y = c1 ⋅ e 3x + c 2 ⋅ e −2x , .
dx 2 dx y′(0 ) = −10

c) Idem para y′′ + 4y = 0 , y = c1 ⋅ cos(2x ) + c 2 ⋅ sen (2x ) ,


( 4 ) = −3 .

y′(π ) = −5
4

1.3 Exercícios

1) Sendo dadas as curvas seguintes, determinar para cada uma delas a equação
diferencial de menor ordem possível que não contenha nenhuma constante
arbitrária:
a) x 2 + y 2 = c 2 R: x ⋅ dx + y ⋅ dy = 0
dy
b) y = c ⋅ e x R: −y=0
dx
( )
c) x 3 = c ⋅ x 2 − y 2 , x 2 ≠ y 2 e x ≠ 0 (
R: 2xy ⋅ dy + x 2 − 3y 2 ⋅ dx = 0 )
d2y
d) y = c1 ⋅ cos(2x ) + c 2 ⋅ sen (2x ) R: + 4y = 0
dx 2
d3y d2y dy
e) y = (c1 + c 2 x ) ⋅ e x + c 3 R: 3
− 2⋅ 2
+ =0
dx dx dx
d2y dy
f) y = c1 ⋅ e 2x + c 2 ⋅ e − x R: 2
− − 2y = 0
dx dx
x x
g) ln = 1 + ay ; a ≡ c te , x, y ≠ 0 R: y ⋅ dx − x ⋅ ln ⋅ dy = 0
y y

2) Em cada caso, verificar que a função dada constitui uma solução da equação:
a) y′ + 2y = 0 ; y = c ⋅ e -2x
b) y′′′ = 0 ; y = ax 2 + bx + c
c) y′′ + y = 0 ; y = a ⋅ cos(x ) + b ⋅ sen(x )
d) y′′ − y = x ; y = c1 ⋅ e x + c 2 ⋅ e − x − x
e) y′ = 2x ; y = x 2 + c
2y
f) y′ = ; y = c ⋅ x2
x
2
g) y′ + 2xy = 0 ; y = c ⋅ e - x
x
h) y′ = − ; x 2 + y 2 = c
y
i) y′ − y = e 2x ; y = c ⋅ e x + e 2x
y1 = c ⋅ x − c 2
j) (y′)2
− xy′ + y = 0 ; x2
y2 =
4
5

k) y′′ + y = 0 ; y = cos(x )

y1 = sen (x )
l) y′ = cos(x ) ; y 2 = sen(x ) + 3
4
y 3 = sen (x ) −
5

y1 = e x
m) y′ − y = 0 ; y 2 = 2 ⋅ e x
6
y3 = − ⋅ e x
5
y1 = x 2
n) x 2 ⋅ y′′ − 4x ⋅ y′ + 6y = 0 ; y 2 = x 3
y 3 = c1 ⋅ x 2 + c 2 ⋅ x 3

3) Em cada caso, determinar y = f (x ) ⋅ dx e a constante de integração c, de


modo que y satisfaça a condição dada:
a) f (x ) = x 2 ; y(2) = 0 R: y =
3
(
1 3
x −8 )
π 1 1
b) f (x ) = cos 2 (x ) ; y(π ) = R: y = x + sen (2x )
2 2 4
sen (2x )
c) f (x ) = cos(2x ) ; y(0 ) = 1 R: y = +1
2
2 1 2
d) f (x ) = x ⋅ e - x ; y(0 ) = 0 R: y = − e − x + 1
2

4) Em cada caso, verificar que a função dada é solução da equação diferencial


correspondente e determinar as constantes de modo que a solução particular
satisfaça a condição dada:
a) y′ + y = 0 ; y = c ⋅ e − x ; y(0) = 3 R: y = 3 ⋅ e − x
b) y′ + y = 5 ; y = c ⋅ e − x + 5 ; y(1) = 6 R: y = e1− x + 5
2 2
c) y′ + 2xy = 0 ; y = c ⋅ e − x ; y(0) = −2 R: y = −2 ⋅ e − x
dy 2y
d) = ; y = c ⋅ x 2 ; y(1) = 3 R: y = 3 ⋅ x 2
dx x
d 2 y dy y(1) = −8
e) x 2 − = 0 ; y = c1 ⋅ x 2 + c 2 ; R: y = 2x 2 − 10
dx dx y′(1) = 4

d2y
+ y = 0 ; y = a ⋅ cos(x + b ) ;
( )
y 3π = a
2 2 π
f)
dx 2
( )
y′ 3π = 3
2
R: y = 2 ⋅ cos x +
6

5) Suponha que r1 e r2 são duas raízes reais e distintas da equação


ar 2 + (b − a )r + c = 0 . Verifique se a função y = d1x r1 + d 2 x r2 , onde d1 e d2 são
6

constantes arbitrárias, é uma solução da equação diferencial


ax 2 y′′ + bxy′ + cy = 0

1.4 Equações de 1a ordem e 1o grau

dy
São equações do tipo = f (x, y ) .
dx
M(x, y )
Se f (x, y ) = − , com N(x, y ) ≠ 0 , podemos escrever:
N(x, y )
dy M (x, y )
=− Mdx + Ndy = 0
dx N(x, y )

1.5 Equações de Variáveis Separáveis

Se apresentam ou são transformáveis numa equação do tipo Mdx + Ndy = 0 ,


onde M e N podem ser:

1.5.1 funções de uma variável ou


1.5.2 produtos com fatores de uma só variável ou
1.5.3 constantes.

São equações de fácil solução, bastando isolar os termos de x e y e integrar.

Exemplos:
( )
a) y 2 − 1 dx − (2y + xy )dy = 0 b) ydx − xdy = 0
c) (x − 1)⋅
2 dy
1 − y 2 ⋅dx − x 2 ⋅ dy = 0 d) = 3x − 1
dx
e) tg (x ) ⋅ sec( y ) ⋅ dx − tg (y ) ⋅ sec(x ) ⋅ dy = 0

1.6 Exercícios

1) Determine, se possível, a solução geral das seguintes equações diferenciais:


a) (x − 1)dy − ydx = 0 R: y = k (x − 1)
dy 1 + y2 kx 2
R: y 2 =
b) =
(
dx 1 + x 2 xy ) x2 +1
−1

dy k
c) + y ⋅ cos(x ) = 0 R: y = sen (x )
dx e
d) sec 2 (x ) ⋅ tg (y ) dx + sec 2 (y ) ⋅ tg(x ) dy = 0 R: tg (y ) = k ⋅ cotg(x )

e) a ⋅ x
dy
dx
+ 2y = xy
dy
dx
(
R: y = ln kx 2a ⋅ y a )
7

( ) ( )
f) 1 + x 2 y 3dx + 1 − y 2 x 3dy = 0 R: ln
x
y

1 1
2 x 2
1
+ 2 =k
y
g) (x + a )(y + b )dx + (x
2 2 2 2 2
)( )
− a 2 y 2 − b 2 dy = 0
a
x −a y
R: x + ln + y − 2b ⋅ arctg =c
x+a b
1 dy
h) − tg (y ) = 0 R: x ⋅ cos(y ) = k
x dx
(
i) 4xy 2 dx + x 2 + 1 dy = 0 ) (
R: ln x 2 + 1 − )2 1
y
=c

j) xy ⋅ dx − 3(y − 2 ) ⋅ dy = 0 R: 6y − x 2 = ln (ky )12


2 2
k) xdx + ye − x dy = 0 R: e x + y 2 = k
l) (2 + y )dx − (3 − x )dy = 0 R: (2 + y )(3 − x ) = k
(
m) xy ⋅ dx − 1 + x 2 ⋅ dy = 0 ) (
R: y 2 = k 1 + x 2 )
−2y
dy e x
n) = 2 R: e 2y = arctg +k
dx x + 4 2
o) cos 2 (y ) ⋅ sen (x )dx + sen (y ) ⋅ cos(x )dy = 0 R: ln (sec(x )) + sec(y ) = k

2) Resolva os seguintes problemas de valor inicial (PVI):


( )
a) y − y 2 dx − dy = 0 ; y(0 ) = 2 R: y =
1
1 −x
1− e
2
b) e x dx − ydy = 0 ; y(0 ) = 1 R: y = 2e x − 1
2

c) ydx − x dy = 0 ; y(1) = 4 R: y = ( x +1 )2
1− y

d) y dx + (x − 1)dy = 0 ; y(0 ) = 1
2
R: 1 − x = e y

( )
e) dx + x 3 − x dy = 0 ; y(2 ) = ln 3 ( ) R: y = ln
3x
2 x 2 −1
( ) ( )
f) 1 − y 2 dx + 1 − x 2 dy = 0 ; y(2 ) = 2 R:
y −1
=
x +1
y + 1 9(x − 1)
1− x 2

( )
g) 1 − y 2 dx + x 3dy = 0 ; y(1) = 2 R:
y +1
y −1
= 3⋅e x2

h) 1 − y 2 dx + 1 − x 2 dy = 0 ; y(1) = 1 R: arccos(x ) + arccos(y ) = 0

( ) ( )
i) 1 + y 2 dx + 1 + x 2 dy = 0 ; y(1) = 1 R: arctg(y ) =
π
2
− arctg(x )

7(x − 6 )3
(
j) (x + 3)ydx + 6x − x 2 dy = 0 ; y(7 ) = 1) R: y 2 =
x
8

k) xe y dx − 2(x + 1)2 ydy = 0 ; y(0 ) = 0


1
R: − 2e − y (y + 1) = ln (x + 1) + −3
x +1
2x
l) y ⋅ ln (x )dx − (x + 1)2 dy = 0 ; y(1) = 1 R: y = 1
x +1
x ⋅ (x + 1)
(
m) e x dx − 1 + e ) dy = 0 ; y(0) = 0
−x 2

− ln (e + 1) −
2 1
R: y = e x x
x
+ ln (4 )
e +1
n) (cotg (x ) + tg (x ))ydx − (ln (tg (x )))dy = 0 ; y π( 3 ) = ln(3)
R: y = ln (tg (x ))2
o) sen (2x )dx + cos(3y )dy = 0 ; y π ( 2)= π 3 R: 2sen (3y ) = 3cos(2x ) + 3
p) xdx + ye − x dy = 0 ; y(0 ) = 1 R: y 2 = 2e x (1 − x ) − 1
dr
q) = r ; r (0 ) = 2 R: r = 2eθ

r)
dy
=
2x
dx y + x 2 y
; y(0 ) = −2 [ (
R: y 2 = ln e 2 1 + x 2 )] 2

s)
dy
(
= xy 3 1 + x 2 )
−1
2 ; y(0) = 1 R: y 2 =
1
dx
(
3 − 2 1+ x2 )
1
2

dy 2x
t) = ; y(2 ) = 0 R: y(1 + y ) = x 2 − 4
dx 1 + 2y
2
( )
u) xe x dx + y 5 − 1 dy = 0 ; y(0 ) = 0
2
(
R: 3e x + y y 5 − 6 = 3 )
dy y − 4x
3) Observe que a equação = não é separável, mas se a variável y for
dx x − y
y
substituída por uma nova variável v, definida por v = , então a equação se
x
torna separável em x e v. Ache a solução da equação dada usando esta técnica.
R: (y + 2x )3 (y − 2x ) = k

1.7 Equações Homogêneas

Definição 9: Diz-se que uma função f (x, y, z ) é homogênea se, substituindo-se


x por kx, y por ky e z por kz, for verdadeira a igualdade f (kx, ky, kz ) = k m ⋅ f (x, y, z ) ,
onde m é dito grau de homogeneidade.

Exemplos:
a) f (x, y ) = x 2 − 2xy + y 2
9

b) f (x, y, z ) = 5 x 3 + xy 2 + y 3 − xyz − z 3
x 2 − xy + y 2 y
c) f (x, y ) = 2 2
+ sen
x + xy + y x

Definição 10: As equações homogêneas são do tipo, ou podem ser


transformadas, em Mdx + Ndy = 0 , onde M e N são funções homogêneas do mesmo
grau.

Exemplos:
( )
a) x 2 − y 2 ⋅ dx − 2xy ⋅ dy = 0 b) (2x − y ) ⋅ dx − (x + 4y ) ⋅ dy = 0
c) (x 2
− y2 )⋅ dx − (x + 4y)⋅ dy = 0
Seja Mdx + Ndy = 0 uma equação homogênea.
dy M
Então, Mdx = − Ndy =− .
dx N
Como a equação é homogênea, M e N têm o mesmo grau de homogeneidade
M
m. Daí, se dividirmos M e N por xm, transformaremos − numa função do tipo
N
y
F .
x
dy y
Daí, =F . (I)
dx x
y
Se fizermos = t ou y = tx e derivarmos em relação a x, teremos a equação
x
dy dt
=t+x . (II)
dx dx
dt dt dx
Substituindo (II) em (I), t + x = F(t) = , que é uma equação
dx F(t) − t x
de variáveis separáveis.

Exemplos:
(
a) 2x 2 ⋅ dy + y 2 − 2xy − x 2 ⋅ dx = 0) ( )
b) xy 2 ⋅ dy − x 3 + y 3 ⋅ dx = 0
( 2
c) x − 3y 2
)⋅ dx + 2xy ⋅ dy = 0
1.8 Exercícios

2) Determine, se possível, a solução geral das seguintes equações diferenciais:


( )
a) x 2 − y 2 dx − 2xydy = 0 R: x 3 − 3xy 2 = k
y2

( )
b) x 2 + y 2 dx − xydy = 0 R: kx = e 2x
2

c) (x − y )dx − (x + y )dy = 0 R: x 2 − 2xy − y 2 = k


10

( )
d) x 2 + y 2 dx + (2x + y )ydy = 0 R: x 3 + 3xy 2 + y 3 = k

e) (x + y )dx + (y − x )dy = 0 [( )]
R: ln k x 2 + y 2 = 2 ⋅ arctg
y
x
(
f) x (x + 2 y )dx + x 2 + y 2 dy = 0 ) R: x 3 + 3x 2 y + y 3 = k
g) xdy − ydx = x 2 + y 2 dx ; x > 0 R: x 2 + y 2 + y = kx 2

( )
h) x 2 − xy + y 2 dx − xydy = 0
y
R: ln (x − y ) + = k
x
y
dy y k
i) = ex + R: y = − x ⋅ ln ln
dx x x
y y y
j) x ⋅ sen + x + y dx − xdy = 0 R: ln (kx ) = tg − sec
x x x

(
k) ydx + 2 ⋅ xy − x dy = 0 ; x > 0) R:
x
y
+ ln ( y ) = k

( ) ( )
l) 4x 2 + 3xy + y 2 dx + 4y 2 + 3xy + x 2 dy = 0 ( ) 3
R: x 2 + y 2 ⋅ (x + y )2 = k
x x x x
m) y ⋅ cos dx + y ⋅ sen − x ⋅ cos dy = 0 R: y = k ⋅ cossec
y y y y
n) (x − 2y )dy + ydx = 0 R: y ⋅ (y − x ) = k

2) Resolva os problemas de valor inicial (PVI) abaixo:


a) (2x − y )dx − (x + 4y )dy = 0 ; x = 1 ; y = 2 R: x 2 − xy − 2y 2 + 9 = 0
( )
b) x 2 − 3y 2 dx + 2xydy = 0 ; x = 2 ; y = 1
3
R: y 2 − x 2 = − x 3
8
dy x 2 + xy y−x
c) dx = x 2 R: x = e x
y(1) = 1
y
y − x ⋅ cos 2
dy x y
d) dx = x R: tg = 1 − ln (x )
x
π
y(1) =
4
dy 4y 3 + 3xy 2 4
e) dx = x3 R: (y + x )(4y − x )4 = 5
⋅ (xy )5
y(3) = 1 3

3) Dadas as equações abaixo, verifique que a mudança para coordenadas polares,


x = r ⋅ cos(θ ) e y = r ⋅ sen(θ ) , transforma as equações em variáveis separáveis
e, então, resolva as equações:

( )
a) x 2 + y 2 dx − xydy = 0 R: ln (kx ) =
x 2 + y2
2x 2
11

dy y x y x
b) = ⋅ ln + R: x ⋅ ln =k
dx x y x y

1.9 Equações Diferenciais Exatas

Definição 11: Uma equação na forma, ou redutível à forma Mdx + Ndy = 0 é


diferencial exata se existe U(x, y ) tal que:
dU = Mdx + Ndy = 0
(como dU = 0 então U(x, y ) = c )

Teorema: Sejam M e N funções contínuas e deriváveis. Mdx + Ndy = 0 é


∂M ∂N
diferencial exata se, e somente se, = .
∂y ∂x
Demonstração:
( ) Sejam M e N funções contínuas e deriváveis tais que Mdx + Ndy = 0 é
diferencial exata.
Então, ∃U(x, y ) tal que U(x, y ) = c e dU = Mdx + Ndy = 0 .
Pela definição de diferencial total,
∂U ∂U
dU = dx + dy
∂x ∂y
∂U ∂U
Mdx + Ndy = dx + dy
∂x ∂y
∂U ∂U
M= e N=
∂x ∂y
∂M ∂2U ∂N ∂2U
= e = .
∂ y ∂ y∂x ∂x ∂x∂y
∂2U ∂2U
Pelo teorema de Schwartz, = .
∂x∂ y ∂ y∂ x
∂M ∂N
Daí, = .
∂y ∂x

∂M ∂N
(⇐) Sejam M e N funções contínuas e deriváveis tais que = .
∂y ∂x
Seja Mdx + Ndy = 0 .
∂ ∂U ∂ ∂U
Pelo teorema de Schwartz, = .
∂y ∂x ∂x ∂y
∂U ∂U
Daí, M = e N= .
∂x ∂y
∂U ∂U
Mdx = dx e Ndy = dy .
∂x ∂y
12

∂U ∂U
Mdx + Ndy =dx + dy = dU = 0 .
∂x ∂y
Logo, Mdx + Ndy = 0 é diferencial exata.

( )
Exemplo: Verificar se a equação x 2 − y 2 dx − 2xydy = 0 é diferencial exata.

∂M ∂N
Resolução: Sabemos que = e queremos determinar a função U(x, y )
∂y ∂x
tal que dU = Mdx + Ndy .
Seja w = Mdx a integral parcial de Mdx , isto é, a integral obtida
quando se considera y constante (M = M (x, y )) .
∂w
Mostraremos que N − é função apenas de y:
∂y
∂ ∂w ∂N ∂ ∂
N− = − (w ) =
∂x ∂y ∂x ∂x ∂y

=
∂N ∂ ∂

∂x ∂x ∂y
Mdx = ( )
=
∂N ∂

∂x ∂y ∂x

Mdx = ( )
∂N ∂
= − (M ) =
∂x ∂y
∂N ∂M
= − = 0.
∂x ∂y
∂w
Se tomarmos U = w + N− dy , teremos:
∂y
∂w ∂w ∂w
dU = dx + dy + N − dy =
∂x ∂y ∂y

=

∂x
(
Mdx dx +
∂w
∂y
)dy + Ndy −
∂w
∂y
dy =

= Mdx + Ndy .
∂w
Logo, U(x, y ) = w + N− dy = c , ou ainda:
∂y

U(x, y ) = Mdx + N−

∂y
( )
Mdx dy = c é a solução geral da equação.

Exemplos:
( )
a) e y dx + xe y − 2y dy = 0 ( )
c) x 2 − y 2 dx − 2xy dy = 0
( )
b) x + y dx + (2xy + cos(y )) dy = 0
3 2
13

1.10 Fator Integrante

Quando a equação M (x, y )dx + N(x, y )dy = 0 não é diferencial exata, isto é,
∂M ∂N
≠ , pode-se transformá-la em uma diferencial exata multiplicando-se um
∂y ∂x
λ (x, y ) , denominado fator integrante.

1
Exemplo: y(1 + xy )dx − xdy = 0 ; λ = .
y2

Pesquisa do Fator Integrante:


Seja λ (x, y ) fator integrante de Mdx + Ndy = 0 .
∂ (λ M ) ∂ (λ N )
Daí, = (1)
∂y ∂x
∂λ ∂M ∂λ ∂N
⋅M +λ ⋅ = ⋅N+λ⋅
∂y ∂y ∂x ∂x
∂λ ∂λ ∂N ∂M
M⋅ − N⋅ =λ⋅ − (2)
∂y ∂x ∂x ∂y
Esta equação é uma equação diferencial parcial de 1a ordem em λ e, portanto,
sua solução não poderia ser efetuada por enquanto.
Assim, ela se simplifica supondo-se λ função apenas de x ou de y.
∂λ
Suponhamos λ = λ (x ) . Então, = 0.
∂y
Daí e de (2), temos:
∂λ ∂N ∂M
− N⋅ =λ⋅ − (: λ N )
∂x ∂x ∂y
1 ∂λ 1 ∂N ∂M
− ⋅ = ⋅ −
λ ∂x N ∂x ∂y
1 ∂λ 1 ∂M ∂N
⋅ = ⋅ − (3)
λ ∂x N ∂y ∂x
1 ∂λ 1 ∂M ∂N
Como ⋅ é função apenas de x, seja R (x ) = ⋅ − (4)
λ ∂x N ∂y ∂x
1 ∂λ 1 ∂λ
R (x ) = ⋅ R (x )dx = ⋅ dx
λ ∂x λ ∂x
u=λ
∂λ
du = dx
∂x
1
R (x )dx = du = ln (u ) = ln (λ )
u
1 ∂M ∂N
⋅ − dx
R ( x )dx N ∂y ∂x
λ=e ou λ=e
14

Analogamente, se λ = λ (y ) ,
1 ∂N ∂M
⋅ − dy
λ = e R ( y )dy
M ∂x ∂y
ou λ=e

Observe que, pelo processo adotado, pode-se obter um fator integrante e não
todos os fatores, de modo que as restrições adotadas não prejudicam a pesquisa deste
fator.

Exemplos:
a) y 2 dx + (xy + 1)dy = 0 b) xdy − ydx = x 2 e x dx

1.11 Exercícios

1) Determine, se possível, a solução geral das seguintes equações diferenciais:


a) (2x − y + 1)dx − (x + 3y − 2 )dy = 0 R: 2x 2 − 2xy + 2x − 3y 2 + 4y = k
y 1
b) y ⋅ cos(xy ) + dx + x ⋅ cos(xy ) + 2 x + dy = 0
x y
R: sen (xy ) + 2y x + ln ( y ) = C
2x y 2 − 3x 2 x2 1
c) 3
dx + 4
dy = 0 R: 3
− =C
y y y y
( ) (
d) 3x 2 + 6xy 2 dx + 6x 2 y + 4y 3 dy = 0 ) R: x 3 + 3x 2 y 2 + y 4 = C

e) xdx + ydy = 2
xdy + ydx
x +y 2
( 2
R: x 2 + y 2 − 4xy = k )
f) (1 + y ⋅ sen (x ))dx + (1 − cos(x ))dy = 0 R: x − y ⋅ cos(x ) + y = C
g) (sec(t ) ⋅ tg (t ) − w )dt + (sec(w ) ⋅ tg (w ) − t + 2 )dw = 0
R: sec(t ) − wt + sec(w ) + 2w = k
(
h) 2t ⋅ sen (y ) + y 3 ⋅ e t + t 2 ⋅ cos(y ) + 3y 2 ⋅ e t
dy
dt
)
=0

R: t 2 ⋅ sen ( y ) + y 3 ⋅ e t = C
dy
i) y ⋅ sec 2 (t ) + sec(t ) ⋅ tg (t ) + (2y + tg (t )) = 0 R: y 2 + y ⋅ tg (t ) + sec(t ) = C
dt
dx dy xdy
j) + = R: x + x 2 + y 2 = k
2
x +y 2 y y⋅ x + y 2 2

dy x + xy 2
k) =− R: x 2 + x 2 y 2 + y 2 = k
dx y + x2y
l) (x − 2y )dx − 2xdy = 0 R: x ⋅ (x − 4y ) = C
m) (x − y ⋅ cos(x ))dx − sen (x )dy = 0 R: x 2 − 2y ⋅ sen (x ) = k
n) sec 2 (x ) ⋅ tg (y ) dx + sec 2 (y ) ⋅ tg (x ) dy = 0 R: tg (x ) ⋅ tg (y ) = C
15

o) y − x ⋅ x 2 + y 2 dx + x − y ⋅ x 2 + y 2 dy = 0

R: 3xy − x 2 + y 2 ( )
3
2 =K
( )
p) 3x 2 + 2x + y ⋅ cos(xy ) dx + (sen ( y ) + x ⋅ cos(xy ))dy = 0
R: x 3 + x 2 + sen (xy ) − cos( y ) = c
q) cosh(2x ) ⋅ cosh(2y ) dx + senh(2x ) ⋅ senh(2y ) dy = 0
R: senh (2x ) ⋅ cosh (2y ) = C
2y 2 2y 2
r) 2xye x + y 2 e xy + 2x dx + x 2 e x + 2xye xy + 2y dy = 0
2y 2
R: e x + e xy + x 2 + y 2 = C
2 2
s) e y − cossec(y )cossec 2 (x ) dx + 2xye y − cossec( y )cotg(y ) ⋅ cotg(x ) dy = 0
2
R: xe y + cossec(y ) ⋅ cotg(x ) = C
y 1
t) y 2 − + 2x dx + + 2xy + 2y dy = 0
x ⋅ (x + y ) x+y
x+y
R: xy 2 + x 2 + y 2 + ln =K
x

2) Determine os fatores integrantes para as seguintes equações:


x3
( 3
a) x y − x dx + xdy = 0 2
) 1
R: λ = ⋅ e 3
x
(
b) ydx + ye y x − y 2 dy = 0 ) 1 ey
R: λ = ⋅ e
y
c) (y ⋅ cos(x ) − tg (x ))dx − sen (x )dy = 0 R: λ = cossec2 (x )
(
d) x 3 − 2xy dx + x 2 dy = 0 ) R: λ = 4
x
1

3) Determine, se possível, a solução geral das seguintes equações diferenciais:

( )
a) x 2 − y 2 dx + 2xydy = 0 R:
x 2 + y2
x
=C

b) y 2 dy + ydx = xdy R: y 2 + x = Cy
y
(
c) dx + y 3 − ln (x ) dy = 0
x
) R: ln x 2 + y 3 = ky ( )
( )
d) x 2 + x − y 2 dx − xydy = 0 R: x 2 3x 2 + 4x − 6y 2 = C ( )
e) (3x y + 2xy + y )dx + (x
2 3 2
)
+ y 2 dy = 0 R: ye (y
3x 2
)
+ 3x 2 = C
dy
f) = e 2x + y − 1 R: y − e 2x = k ⋅ e x + 1
dx
x
g) dx + − sen ( y ) dy = 0 R: xy + y ⋅ cos(y ) − sen (y ) = k
y
16

( )
h) ydx + 2xy − e −2y dy = 0 R: xe 2y − ln (y ) = c
i) e dx + (e cotg(y ) + 2y ⋅ cossec( y ))dy = 0
x x
R: e x sen ( y ) + y 2 = K
j) (y + x ln (x ))dx − xdy = 0
4
(
R: 9y + x 4 1 − ln x 3 = Cx ( ))
k) 2xydx + (2y − 3x )dy = 0 2 2
R: x 2 − 2y 2 = Ky 3
l) (y + 2y )dx + (xy + 2y − 4x )dy = 0
4 3 4
R: y 3 (x + y ) + 2x = cy 2
3 3
m) 2y 3 + 3xe x dx + 3xy 2 dy = 0 R: x 2 y 3 + e x = K

( ( ))
n) e y + xe y + tg e x dx + xe y dy = 0 ( ( ))
R: xe x + y + ln sec e x = C

4) Mostre que as equações abaixo não são exatas, mas tornam-se exatas quando
multiplicadas pelo fator integrante dado ao lado. Portanto, resolva as equações:
( ) 1
a) x 2 y 3dx + x 1 + y 2 dy = 0 ; λ (x, y ) = 3
xy
1
R: x 2 − 2 + ln y 2 = C
y
( )
sen (y ) cos(y ) + 2e − x cos(x )
b) − 2e − x sen (x ) dx + dy = 0 ; λ (x, y ) = ye x
y y
R: e x sen ( y ) + 2 y ⋅ cos(x ) = k

5) Achar a solução particular para x = 0 na equação:


( )
2x ⋅ cos(y ) − e x dx − x 2sen (y )dy = 0 R: e x − x 2 cos(y ) = 1

6) Resolver os seguintes problemas de valor inicial (PVI):


2
dy −
a) 2ty + 3t y3
= 0 ; y(1) = 1
2 2
R: y = t 3
dt
b) 3t 2 + 4ty + 2y + 2t 2(dy
dt
)
= 0 ; y(0 ) = 1 R: t 3 + 2t 2 y + y 2 = 1
dy 2x − 3y + 5
c) = ; y(1) = 1 R: x 2 − 3xy + 5x + 2y 2 − 2y = 3
dx 3x − 4y + 2
dy ye xy + 4y 3
d) = − xy ; y(0 ) = 2 R: y 2 − e xy − 4xy 3 = 3
dx xe + 12xy 2 − 2y
dy 3x 2 ln (x ) + x 2 − y
e) = ; y(1) = 5 R: xy − x 3 ⋅ ln (x ) = 5
dx x

7) Determine a constante a de modo que a equação seja exata e, então, resolva a


equação resultante:
dy
a) x + ye 2xy + axe 2xy =0 R: x 2 + e 2xy = k
dx
1 1 ax + 1 dy
b) 2 + 2 + 3 =0 R: 2x 2 − 2y 2 − x = cxy 2
x y y dx

(
c) e ax + y + 3x 2 y 2 + 2x 3 y + e ax + y )dx
dy
=0 R: e x + y + x 3 y 2 = C
17

( )
d) xy 2 + ax 2 y dx + (x + y )x 2 dy = 0 R: x 2 y ⋅ (y + 2 x ) = K

1.12 Equações Lineares

dy
Se apresentam, ou podem ser transformadas, na forma + Py = Q , onde P e
dx
Q são funções de x ou constantes.
Pdx
Observe que, neste tipo de equação, e é fator integrante.
dy
De fato, + Py = Q (Py − Q )dx + dy = 0
dx
e
Pdx
(Py − Q )dx + e Pdx dy = 0 , onde λ M = e Pdx (Py − Q ) e λ N = e Pdx
.
∂ (λ M ) Pdx ∂ (λ N ) Pdx
= P⋅e e = P ⋅e
∂y ∂x
Daí, transformamos a equação linear em outra diferencial exata.
Vamos achar, então, sua solução:

⋅ (Py − Q ) dx + e ⋅ (Py − Q ) dx dy = C
Pdx Pdx Pdx
e − e (1)
∂y

⋅ (Py − Q ) dx = y ⋅
Pdx Pdx Pdx
e P⋅e dx − e ⋅ Q dx =

Pdx Pdx
= y⋅e − e ⋅ Q dx (2)


⋅ (Py − Q ) dx = e
Pdx Pdx
e (3)
∂y

De (1), (2) e (3), temos:


Pdx Pdx Pdx Pdx
y⋅e − e ⋅ Q dx + e −e dy = C

Pdx Pdx
y⋅e = e ⋅ Q dx + C

− Pdx Pdx
y=e ⋅ e ⋅ Q dx + C

que é a solução geral de uma equação linear de 1a ordem e 1o grau.

Exemplos:
dy dy y
a) x + 2y = x 4 c) − =x−2
dx dx x
dy
b) − y = ex
dx
18

1.13 Exercícios

1) Determine, se possível, a solução geral das seguintes equações diferenciais:


dy sen 2 (x )
a) − y ⋅ tg (x ) = sen(x ) R: y = sec(x ) ⋅ +C
dx 2
b) (x + sen (y ) − 1)dy − cos(y )dx = 0
R: x = [sec(y ) + tg (y )]⋅ [2sec( y ) − 2tg(y ) + y + C]
(
c) 1 + x 2 )
dy
dx
+ y = arctg(x ) R: y = arctg(x ) − 1 + k ⋅ e −arctg(x )
dy y cotg(x ) 1
d) + − =0 R: y = ⋅ [ln (sen (x )) + C]
dx x x x
dy 1 1
e) = y ⋅ tg (x ) + cos(x ) R: y = sec(x ) ⋅ x + sen (2x ) + C
dx 2 4
dy
f) x − y = x 2 R: y = Cx + x 2
dx
dy 2y x4
g) + = x3 R: y = + Cx − 2
dx x 6
1
h) y 2 dx − (2xy + 3)dy = 0 R: x = Cy 2 −
y
dy
i) +y=x R: y = x − 1 + k ⋅ e − x
dx
dy sen (x ) − cos(x )
j) + y = sen (x ) R: y = + k ⋅ e− x
dx 2
k)
dy
dx
+ 4y =
1
3 + 2e 4x
R: y = e − 4x
⋅ ln 3 +(2e
1
4x 8
) +C

l)
dx
dy
− x ⋅ ln (y ) = y y (
R: x = y y ⋅ 1 + k ⋅ e − y )
(
m) x 2 + 1
dy
dx
) + 2xy = x 2 ⋅ e x R: y = 2
1
x +1
[ (
⋅ e x ⋅ x 2 − 2x + 2 + C) ]
n) dx + 2xdy = e −2y ⋅ sec 2 ( y ) ⋅ dy R: x = e −2y ⋅ [tg (y ) + C]
dx 6y y2 1
o) + 2 ⋅x = R: x = ⋅ [y − arctg(y ) + C]
dy y + 1 (
y2 +1
4
) (y + 1)
2 3

dy 2
p) − ⋅ y = x 2 ⋅ arctg(x ) R: y = x 2 ⋅ x ⋅ arctg(x ) − ln 1 + x 2 + C
dx x
C
q) x ⋅ ln (x ) ⋅ dy + ( y − 2 ⋅ ln (x ))dx = 0 R: y = ln (x ) +
ln (x )
dx
r) + x ⋅ cos( y ) = sen (2y ) R: x = 2 ⋅ (sen (y ) − 1) + C ⋅ e − sen ( y )
dy
dy sen (x ) − (1 − y ) ⋅ cos(x )
s) =
dx sen (x )
R: y = sen (x ) ⋅ [ln (cossec(x ) − cotg(x )) + cossec(x ) + C]
19

dr
t) + 3r ⋅ cotg(θ ) = −5 ⋅ sen (2θ ) R: r = −2 ⋅ sen 2 (θ ) + k ⋅ cossec3 (θ )

u) x ⋅ cos(x ) ⋅ dy + [y ⋅ (x ⋅ sen (x ) + cos(x )) − 1]⋅ dx = 0
1
R: y = ⋅ [sen (x ) + k ⋅ cos(x )]
x

(
v) x ⋅ x 2 − 1 ) dx
dy
+y=
x2
R: y =
x
⋅ ln
x −1
x +1
+C
x2 −1 x 2 −1
dy
w) + y ⋅ sec 2 (x ) = tg (x ) ⋅ sec 2 (x ) R: y = tg (x ) − 1 + C ⋅ e − tg(x )
dx
dy k
x) x ⋅ ln (x ) ⋅ + y = ln (ln (x )) R: y = ln (ln (x )) + −1
dx ln (x )
dr
y) + 2r ⋅ cos(2θ ) = sen (4θ ) R: r = sen (2θ ) + k ⋅ e −sen (2θ ) − 1

2) Achar a solução particular para y = 0 e x = 0 na equação:


dy
− y ⋅ tg (x ) = sec(x ) R: y = x ⋅ sec(x )
dx

3) Achar a solução particular para y = b e x = a na equação:


dy
x ⋅ + y − ex = 0
dx
1
R: y = ⋅ e x + ab − e a
x
( )

1.14 Equações Redutíveis às de Variáveis Separáveis

dy a x + b1y + c1
Equações da forma =F 1 (1)
, onde a1, a2, b1, b2, c1, c2 são
dx a 2x + b2 y + c2
a1 b1
constantes e o determinante = 0 , podem ser redutíveis a variáveis
a2 b2
separáveis.
Se o determinante acima é zero, então a1b 2 − a 2 b1 = 0 .
a 2 b2 c
Daí, a1b 2 = a 2 b1 = = m , onde m ≠ 2 (caso fosse igual seria
a1 b1 c1
possível uma simplificação na forma da equação, não sendo necessário, então, o
processo em descrição).
a = m ⋅ a1 (2)
Desta forma, 2 .
b 2 = m ⋅ b1
Levando (2) em (1), temos:
dy a1x + b1y + c1 dy a1x + b1y + c1 (3)
=F =F
dx ma1x + mb1y + c 2 dx m(a1x + b1y ) + c 2
20

1
Seja t = a1x + b1y (4)
b1y = t − a1x y= ( t − a 1x )
b1
dy 1 dt
= − a1 (5)
dx b1 dx
Levando (5) e (4) em (3), temos:
1 dt t + c1 1 dt
− a1 = F = G(t) − a1 = G(t)
b1 dx mt + c 2 b1 dx
dt dt
= b1 ⋅ G(t) + a1 = dx , que é uma equação de variáveis
dx b1 ⋅ G(t) + a1
separáveis.

Exemplos:
dy 2x − y + 1
f) (2x − y + 4 )dy + (4x − 2y + 5)dx = 0 c) =
dx 6x − 3y − 1
g) (x + y + 1)dx + (2x + 2y − 1)dy = 0

1.15 Equações Redutíveis às Homogêneas

dy a x + b1y + c1
Equações da forma =F 1 (1)
, onde a1, a2, b1, b2, c1, c2 são
dx a 2x + b2 y + c2
a1 b1
constantes e o determinante ≠ 0 , podem ser reduzidas à forma das
a2 b2
homogêneas.
a1x + b1y + c1 = 0 (2)
Considerando o sistema , com solução genérica x = α
a 2 x + b2 y + c2 = 0
e y=β .
x = u + α ∴ du = dx
Reintroduzindo x e y na equação (1) como
y = v + β ∴ dv = dy
(geometricamente equivale a uma translação dos eixos coordenados para o ponto
(α , β ) que é a interseção das retas componentes do sistema (2), o que é verdadeiro,
uma vez que o determinante considerado é diferente de zero).
dv a (u + α ) + b1 (v + β ) + c1 a u + a1α + b1v + b1β + c1
=F 1 =F 1 =
du a 2 (u + α ) + b 2 (v + β ) + c 2 a 2 u + a 2α + b 2 v + b 2 β + c 2
a1u + b1v + (a1α + b1β + c1 )
=F (vemos, em (2), que α e β são soluções
a 2 u + b 2 v + (a 2α + b 2 β + c 2 )
do sistema)
dv a u + b1v
=F 1 , que é uma equação homogênea.
du a 2u + b2 v
21

Exemplos:
a) (x + 2y − 4 )dx − (2x + y − 5)dy = 0
b) (x + y − 2)dx + (x − y + 4)dy = 0

1.16 Exercícios

Determine, se possível, a solução geral das seguintes equações diferenciais:


a) (2x + 3y − 1)dx + (2x + 3y + 2)dy = 0 R: 3x + 3y + ln(− 2x − 3y + 7 )9 = k
dy − 3x − 3y + 1
b) = R: 3x + y + ln(− x − y + 1)2 = k
dx x + y +1
dy x + 2y + 1
c) = R: 8 y − 4 x + ln (4 x + 8y + 5) = k
dx 2x + 4 y + 3
d) (3x − y + 2 )dx + (9x − 3y + 1)dy = 0 R: 2x + 6 y + ln (6 x − 2 y + 1) = k
dy 2x − 3y − 1
e) = R: 2x 2 − 6xy − y 2 − 2x + 4y = k
dx 3x + y − 2
f) (3y + x )dx + (x + 5y − 8)dy = 0

[ ]
R: ln 5(y − 4)2 + 4(x + 12 )(y − 4) + (x + 12)2 − 2arctg
5( y − 4 )
x + 12
+2 =k

g) (2x − y + 4 )dy + (x − 2 y + 5)dx = 0 R: C(x + y − 1)3 = y − x − 3


h) (x − 4y − 3)dx − (x − 6y − 5)dy = 0 R: C(2y − x + 1)2 = 3y − x + 2

1.17 Aplicações

Problemas, fenômenos, processos, etc., que dependem (são funções) de uma


variável contínua (independente) podem sempre ser representados (modelados) por
uma equação diferencial. Geralmente a variável (contínua) independente é tempo,
distância, tamanho, velocidade, volume, etc. A variável dependente (função) deve ser
aquela que melhor caracteriza (descreve) o fenômeno ou processo que se deseja
modelar.
A modelagem – representação matemática de um enunciado em palavras – de
um fenômeno, processo, etc., é facilitada se forem levadas em consideração as
seguintes sugestões:
a) No enunciado do problema reconheça a variável dependente e represente-a
por uma função (f) da variável independente (x);
b) Represente uma “taxa de variação” pela derivada da função em relação à
df (x )
variável independente ;
dx
c) Represente a frase “proporcional a ...” por “ = k ⋅ g(x) ” onde g(x) pode ser a
própria f(x) ou o x ou uma outra função (g) de f e/ou de x, conforme
especificado no enunciado;
d) A constante de proporcionalidade k pode ser positiva ou negativa,
dependendo se f(x) cresce ou decresce, de acordo com o enunciado.
22

Após a montagem da equação diferencial esta deve ser resolvida. Os valores da


constante k e da constante arbitrária (provenientes da solução da equação diferencial)
serão determinados pelas condições iniciais dadas no enunciado do problema.

Exemplos:
1) A taxa de crescimento de um investimento na bolsa de valores é
proporcional ao investimento a cada instante. Determine a equação (modelo
matemático) que rege o investimento com o tempo.
Solução:
Sejam:
t - tempo (variável independente);
f(t) - valor do investimento no instante t (variável dependente);
df (t )
- taxa de crescimento do investimento com o tempo;
dt
k ⋅ f(t) - representando o “proporcional ao investimento”.
Logo, do enunciado temos a equação diferencial que modela o problema:
df (t )
= k ⋅ f(t)
dt
onde k > 0 , por ser a taxa de investimento crescente (pelo enunciado do
problema).

2) Experiências mostram que uma substância radioativa se decompõe a uma


taxa proporcional à quantidade de material radioativo presente a cada
instante. Obtenha a equação diferencial que modela o fenômeno.
Solução:
Sejam:
t - tempo (variável independente);
f(t) - quantidade (massa) de substância presente no instante t;
df (t )
- taxa de variação da quantidade de substância;
dt
k ⋅ f(t) - representando o “proporcional à quantidade de substância”.
Logo, do enunciado temos a equação diferencial que modela o problema:
df (t )
= k ⋅ f(t)
dt
onde k < 0 , por haver decaimento (pelo enunciado do problema).

3) Qual a equação diferencial que vai permitir determinar a velocidade inicial


mínima de um corpo o qual é disparado na direção radial da Terra e que é
suposto escapar desta. Desprezar a resistência do ar e a atração gravitacional
de outros corpos celestes.
Solução:
Sejam:
t - tempo (variável independente);
v(t) – velocidade do corpo no instante t.
Aqui o problema é mais complexo por não enunciar a proporcionalidade.
Mas, sabemos da Física Clássica (Lei de Newton) que a aceleração radial a
23

uma distância r do centro da Terra (a(r)) é inversamente proporcional ao


quadrado da distância (r) do corpo ao centro da Terra.
1
Temos, então, que a (r ) = k ⋅ 2 , onde k < 0 por ser a aceleração dirigida
r
para o centro da Terra.
A constante k é facilmente determinada, lembrando que:
(
a (R ) = −g = −9,81 m s 2 , onde R é o raio da Terra R = 6,38 ⋅ 106 m . )
1
Assim, − g = k ⋅ 2 k = −g ⋅ R 2 .
R
dv dr
Por outro lado, sabemos que a (r ) = , onde v(t ) = (taxa de variação da
dt dt
distância radial em relação ao tempo).
Juntando as informações anteriores e verificando que desejamos a variação
de v em relação a r (e não a t), temos:
dv dr dv 1 1
a (r ) = ⋅ = ⋅ v = k ⋅ 2 = −g ⋅ R 2 ⋅ 2 .
dr dt dr r r
Daí, a equação procurada é:
dv 1
⋅ v = −g ⋅ R 2 ⋅ 2
dr r

4) Sabendo que o volume de uma gota, suposta esférica, decresce por


evaporação a uma taxa proporcional à área de sua superfície, determine a
equação do raio da gota em função do tempo.
Solução:
Sejam:
t – tempo (variável independente);
V(t) – volume da gota no instante t;
S(t) – superfície da gota no instante t.
Do enunciado do problema, temos:
dV
= k ⋅ S , onde k < 0 pois V decresce com o tempo.
dt
4
Como a gota é esférica, V = π r 3 e S = 4 π r 2 , onde r(t) é o raio da gota
3
no instante t.
Substituindo V e S na equação diferencial, temos:
d 4
dt 3
( )
π r3 = k ⋅ 4 π r 2 , k < 0 .
Derivando e simplificando a equação acima, teremos:
4 dr dr
3 r2 = k 4 r2 = k , k <0.
3 dt dt
Integrando a equação acima teremos a equação que exprime o raio da gota
em função do tempo, isto é,
r (t ) = k ⋅ t + r0 , onde r0 é o raio da gota no instante t = 0 (constante de
integração).
24

1.18 Exercícios

1) No exemplo 1, sabe-se que um investimento de R$ 100,00 rendeu R$ 44,00


após 6 anos. Determine qual foi o rendimento deste investimento nos 3
primeiros anos.
R: R$ 20,00

2) No exemplo 3, determine:
a) A distância radial do centro da Terra na qual o corpo para e começa a
retornar à Terra em queda livre sabendo que a velocidade inicial no
lançamento foi de 3600 km/h;
b) A velocidade inicial mínima necessária para o corpo escapar da
gravitação terrestre e nunca mais retornar.
R: a) 6431 km; b) 4027 km/h.

3) No exemplo 4, determine o tempo necessário para a gota evaporar por


completo, sabendo que a gota inicialmente tinha 1 mm de diâmetro e que o
tempo em que uma outra gota de 0,5 mm de diâmetro evaporou foi de 10
minutos.
R: 20 minutos

4) a) Determine a equação diferencial cujas curvas integrais são círculos de


raio 10 e cujos centros estejam sobre o eixo das ordenadas.
b) Quais são as duas soluções singulares da equação diferencial determinada
no item (a)?
2
dy x2
R: a) = ; b) Retas x = ±10
dx 10 2 − x 2

5) Um tanque vertical tem uma pequena fenda no fundo. Supondo que a água
escape do tanque a uma taxa proporcional à pressão da água sobre o fundo e
sabendo que 5% de água escapou no primeiro dia, determine o tempo
necessário para que o nível da água no tanque chegue à metade.
R: 13,5 horas

6) De acordo com a Lei de Newton, a taxa a que uma substância se resfria é


proporcional à diferença das temperaturas da substância e do ar. Se a
temperatura do ar é de 20oC e a substância se resfria de 100oC para 60oC em
30 minutos, quando a temperatura da substância atingirá 40o
R: 60,2 minutos
25

FORMULÁRIO

1) Mdx + Ndy = 0

2) U(x, y ) = Mdx + N−

∂y
( )
Mdx dy = c

1 ∂M ∂N
⋅ − dx
N ∂y ∂x
3) λ = e
− Pdx Pdx
4) y = e ⋅ e ⋅ Q dx + C

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