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PROPRIEDADES FUNDAMENTAIS DOS AÇOS FERRAMENTA PARA MATRIZES DE FORJAMENTO

Rafael Agnelli Mesquita 1)

Paulo de Tarso Haddad 2)

Os aços ferramenta empregados em forjamento a quente possuem várias propriedades importantes, que, analisadas em conjunto, definem o melhor aço ferramenta para uma dada aplicação. No presente trabalho, as propriedades de tenacidade e resistência a quente e ao revenido são apontadas como principais. Tais propriedades são discutidas e vários exemplos de falha são descritos em termos de ambas, justificando sua relevância. Para melhoria de vida útil, diversos aspectos relativos à resistência a quente e à tenacidade são apontados, em relação ao tipo de aço empregado, ao seu tratamento térmico e, também, em relação ao projeto e às condições de uso da ferramenta. Desta forma, possibilidades de melhoria de vida útil são apontadas, com abordagens que dependem do tipo de falha em questão.

Palavras-chave: Aço ferramenta para trabalho a quente, forjamento, análise de falhas, tenacidade, resistência a quente, resistência ao revenido.

Contribuição técnica a ser apresentada na XIII Conferência Internacional em Forjamento, Porto Alegre, RS, 14 a 16 de Outubro de 2009.

1) Engenheiro de Materiais, Doutor em Ciência e Engenharia de Materiais, Professor da Universidade Nove de Julho. São Paulo, SP, Brasil, e-mail: rafael.mesquita@uninove.br.

2) Engenheiro Metalurgista, Mestre em Engenharia Metalúrgica, Supervisor de Assessoria Técnica da Villares Metals S. A., Sumaré - SP, Brasil, e-mail: paulo.haddad@villaresmetals.com.br.

1.

INTRODUÇÃO

Apesar de presentes na maioria das aplicações industriais, os aços ferramenta não são tão bem definidos como os aços comuns ao carbono ou baixa liga. Mesmo assim, existem referências interessantes que reúnem os conhecimentos destes materiais, como o livro de Roberts [1]. Uma definição interessante de aços ferramenta é apresentada pela seção específica do manual da “Iron and Steel Society” [2], sendo definidos os aços ferramenta como: “aços ao carbono, aços liga ou aços rápido, capazes de serem temperados e revenidos. Geralmente são fundidos em fornos elétricos e produzidos sob certas práticas para corresponder a especificações especiais. Podem ser usados em certas ferramentas manuais ou de fixação mecânica em corte e conformação de materiais na temperatura ambiente ou em elevadas temperaturas. Aços ferramenta são também empregados numa vasta variedade de outras aplicações onde a resistência ao desgaste, tenacidade, resistência mecânica e outras propriedades são selecionadas para ótimo desempenho”. Por esta definição,

três características principais estão presentes: i) a aplicação em processos de corte

e conformação; ii) as características especiais de fabricação e iii) os aspectos de

tratamento térmico. Apesar de não constar nesta definição, um aspecto interessante dos aços ferramenta, que também os difere dos materiais estruturais, é que normalmente tais materiais são empregados até que ocorram falhas que levem a suspensão de uso da ferramenta [3]. Portanto, torna-se importante avaliar as principais solicitações e propriedades desses materiais. No presente trabalho, as várias formas de solicitação e como estas promovem

a falha da ferramenta são discutidas. O foco principal é mantido nas aplicação de conformação a quente, em processos de forjamento de ligas ferrosas. Assim, são discutidos vários exemplos de falha e sua relação com as propriedades dos aços ferramenta. Em especial, são destacadas as possibilidades para retardamento das falhas, em termos dos aços empregados, tratamentos térmicos e do próprio processo de forjamento, no qual as ferramentas são empregadas.

2. SOLICITAÇÕES EM FORJAMENTO A QUENTE

Várias propriedades dos aços ferramenta são conhecidamente importantes para suportar as diversas solicitações envolvidas no forjamento a quente. Destacam- se as propriedades de resistência a quente, resistência ao revenido (ou perda em dureza), tenacidade, condutividade térmica, expansão térmica, soldabilidlade, temperabilildade, usinabilildade e resposta à nitretação. Mesmo não sendo propriedades, também são importantes características dos aços ferramenta as sua facilidade de tratamento térmico e o custo de fabricação, composto pelos elementos de liga e processo empregado na sua manufatura, que refletem no preço de mercado de cada tipo de aço. Apesar destes diversos aspectos serem importantes, a maioria das falhas (prematuras ou esperadas) podem ser entendidas baseadas em duas propriedades principais: 1) relativas à resistência a quente e ao revenido; 2) relativas à tenacidade do aço ferramenta. Obviamente, a falha da ferramenta possui como fator fundamental, também, as questões de projeto, tratamento térmico e utilização das ferramentas. Porém, por diversas maneiras, estas outras variáveis acabam “exigindo” do aço ferramenta uma resposta em termos de tenacidade ou resistência

a quente, que pode ou não ser suficiente. E, quando excedida a capacidade do material a este esforço, a falha ocorrerá.

2.1 Resistência a Quente e Resistência à Perda em Dureza

Nas aplicações em forjamento [4], destaca-se o forjamento a quente de aços, especialmente de aços para construção mecânica aplicados em peças automobilísticas. Devido às altas temperaturas de trabalho (com a superfície das ferramentas atingindo mais de 500ºC [5]), a resistência a quente é primeiramente considerada nas aplicações de forjamento a quente. Quanto maior a temperatura de trabalho, menor a resistência mecânica dos aços ferramenta, dada a maior facilidade do movimento das linhas de discordância [6]. Além da temperatura atingida em forjamento a quente, o efeito do tempo de contato e dos diversos números de operações deve ser considerado. Primeiramente, deve-se considerar a elevada temperatura do tarugo forjado, normalmente acima de 1100ºC. Durante a conformação, a superfície da ferramenta é aquecida, sendo a temperatura atingida tanto maior quanto maior a temperatura do tarugo e o tempo de contato entre a ferramenta e a peça. Em relação ao tempo de contato, este é maior em forjamento em prensa e menor no caso de forjamento em martelo. As regiões da superfície podem atingir, por exemplo, mais de 550 ºC, e assim os mecanismos de revenimento voltam a ocorrer no aço ferramenta. Em termos práticos, isto significa que diminui a dureza superficial (que indica a resistência mecânica dessas regiões), facilitando vários mecanismos de fim de vida das ferramentas. Desta forma, a resistência do aço ferramenta à perda em dureza torna-se fundamental. Também importante são as questões de projeto da ferramenta e variáveis do processo, sendo desejável que o aquecimento superficial da ferramenta seja “aliviado”.

2.2 Tenacidade em Forjamento a Quente

A tenacidade também é uma propriedade importante. Em locais de concentração de tensão, a falta de tenacidade pode gerar trincas grosseiras, que dependendo do tamanho implicam na suspensão da utilização da matriz. Em forjamento, tais trincas podem ser catastróficas, suspendendo imediatamente a operação, ou ter origem por fadiga mecânica. A tenacidade também é importante em operações de extrusão, nas partes das ferramentas auxiliares à matriz, que recebem o impacto do tarugo ou possuem as regiões de maior concentração de tensão. Um outro modo de falha em que tipicamente a tenacidade é importante são as trincas de fadiga térmica. Geradas pelo repetitivo aquecimento e resfriamento da superfície da ferramenta, uma malha de trincas finas e distribuídas pode ser observada em ferramentas. A profundidade de propagação das trincas é tipicamente dependente da tenacidade, porém a iniciação destas depende da resistência a quente e ao revenido, pois quanto maior a dureza superficial, menor a tendência ao início das trincas por fadiga.

3. EXEMPLOS DE FALHAS RELACIONADAS À RESISTÊNCIA A QUENTE

3.1 Desgaste em Punção de Forjamento a Morno

Um interessante estudo de caso foi realizado em forjamento a quente, mostrando o efeito da perda em dureza na falha por desgaste a quente (detalhes podem ser obtidos na referência [7]). A ferramenta em questão é mostrada na Figura 1a, sendo observadas falhas por desgaste e trincas. Na realidade, o retardamento da falha por desgaste foi tentado via aumento da dureza, que incorreu nas trincas mecânicas observadas. A análise do caso em questão, a partir de medidas de microdureza, mostrou que o retardamento da falha não deveria ser via aumento da dureza inicial, mas a redução da perda em dureza (observe a redução da dureza nas regiões próximas da superfície). Portanto, as opções, neste caso, devem ser relativas à utilização de aços ferramenta com maior capacidade de retenção de dureza após aquecimento (resistência ao revenido). Um comparativo deste efeito, para diversos materiais, é mostrado na Figura 2 (quanto mais deslocadas para direita as curvas, maior a resistência ao revenido do aço em questão). Destaca-se o comportamento do aço de nomenclatura comercial VHSUPER * , que foi aplicado nesta ferramenta com sucesso, como mostra a referência [7].

ferramenta com sucesso, como mostra a referência [7]. a) b) Figura 1: Exemplo de perda em

a)

ferramenta com sucesso, como mostra a referência [7]. a) b) Figura 1: Exemplo de perda em

b)

Figura 1: Exemplo de perda em dureza em uma ferramenta de trabalho a quente (forjamento de

precisão) após fim de vida. Fonte: ref. [7].

* O aço DIN 1.2365 também se destaca neste sentido, porém sua aplicação é mais limitada que o VHSUPER, devido à menor tenacidade e temperabilidade, inviabilizando as aplicações em matrizes de uso geral

47 Temperatura = 600ºC 45 DIN 1.2365 43 VHSUPER 41 TENAX 300 39 37 H1
47
Temperatura =
600ºC
45
DIN 1.2365
43
VHSUPER
41
TENAX
300
39
37
H1
1
35
H13
33
0,1
1
10
100
Dureza (HRC)

Tempo (h)

Figura 2: Curvas típicas de perda em dureza, para varios aços ferramenta de trabalho a quente, obtida da referência [8].

Para entender um pouco melhor o caso em questão, a curva da Figura 3 é interessante. Ela mostra a mesma análise de perda em dureza após solicitação em fadiga. O mesmo fenômeno é observado e o comparativo desta curva com os ensaios estáticos, mostra que a aplicação de deformações severas na superfície acelera o efeito de perda em dureza (a razão seria a introdução de diversos defeitos microestruturais, como linhas de discordâncias e lacunas, que facilitam a difusão e o coalescimento dos carbonetos secundários).

a difusão e o coalescimento dos carbonetos secundários). Figura 3: Corpos de prova submetidos à fadiga

Figura 3: Corpos de prova submetidos à fadiga térmica [9], em repetidos aquecimentos a 700ºC. Observar a redução de dureza nas regiões da superfície.

3.2 Aquecimento Excessivo em Forjamento Progressivo

Um exemplo similar ao anterior foi observado em ferramentas de forjamento progressivo, em equipamentos tipo Hatebur. A elevada temperatura de processo e a alta velocidade de forjamento (mais de uma peça por segundo) conduzem a um expressivo aquecimento nestas ferramentas, mesmo sendo elevada a refrigeração. Para tentar elevar a resistência ao revenido, as ferramentas utilizadas empregaram o aço rápido ligado ao Co, tipo M35 (0,9%C, 5%Mo, 6%W, 2%V, 5%Co). Mesmo

assim, a análise da falha em questão (Figura 4), mostra que a perda em dureza era muito expressiva (redução de 53 para 24 HRC). Neste caso, diferentemente que no anterior, a solução de melhoria de vida útil dificilmente seria efetiva apenas com a mudança do aço em questão (pois o aço M35, já possui altíssima resistência ao revenido). A opção mais viável seria observar o processo de forjamento e o projeto do conjunto de ferramentas, de modo a promover melhor refrigeração e, assim, inibir o aquecimento das ferramentas.

e, assim, inibir o aquecimento das ferramentas. DANO 570 HV (~ 53 HRC) 460 HV (~
e, assim, inibir o aquecimento das ferramentas. DANO 570 HV (~ 53 HRC) 460 HV (~

DANO

e, assim, inibir o aquecimento das ferramentas. DANO 570 HV (~ 53 HRC) 460 HV (~

570 HV (~ 53 HRC)

460 HV (~ 46 HRC)

260 HV (~ 24 HRC)

Figura 4: Punção empregado em forjamento progressivo (Hatebur), com dano por desgaste nas regiões de trabalho devido ao elevado aquecimento. Fonte: ref. [3].

4. EXEMPLOS DE FALHAS RELACIONADAS À TENACIDADE

4.1 Fragilização de Contornos de Grão Austeníticos Os aços ferramenta de alta liga empregados em matrizes de forjamento, como o aço H13, possuem elevada temperabilidade. Por isso, nas décadas de 1930 a 60, acreditava-se que estes materiais poderiam ser temperados com a utilização de baixas velocidades de resfriamento durante a têmpera, pois a obtenção da dureza final era entendida como o fator principal. Porém, desde os primeiros estudos na década de 60 até os dias atuais, diversos resultados da literatura mostram que este conceito incorre em erros. Em termo de dureza, o aço H13 pode sim ser temperado mesmo com taxas de resfriamento lentas (como têmpera ao ar, por exemplo). Porém, este procedimento promove excessiva fragilização dos contornos de grão, pela precipitação de carbonetos. Este efeito é normalmente indicado por uma linha tracejada na curva TRC do material (Figura 5) e, microestruturalmente, aparece como uma marcação expressiva dos contornos de grão após ataque metalográfico. Hoje é de tal modo importante, que a recomendação da associação americana de função sob pressão

estabelece níveis aceitáveis de marcação em contornos de grão para aços de trabalho

a quente aplicados em matrizes de alto desempenho (NADCA 2006, [10]).

aplicados em matrizes de alto desempenho (NADCA 2006, [10]). Figura 5: Curva TRC (transformação em resfriam

Figura 5: Curva TRC (transformação em resfriamento contínuo) do aço H13, mostrando a precipitação de carbonetos, para 2 temperaturas de austenitização. Quanto maior a temperatura de austenitização empregada, mais deslocadas para a esquerda as linhas de precipitação de carbonetos, sendo mais intenso o efeito de fragilização. Fonte: ref. [11].

Apesar de metalurgicamente ser clara esta necessidade, ainda podem ser observados casos de excessiva precipitação em contornos de grão, devido à baixa taxa de resfriamento na têmpera. Isto ocorre porque, em termos de tratamento

térmico, a têmpera lenta é muito mais simples de ser realizada, evitando distorções e trincas. Porém, como mostram as Figuras 6, falhas podem facilmente ocorrer, devido

à expressiva redução da tenacidade. A fragilização, além do efeito do resfriamento, também foi causada pela provável elevada temperatura de austenitização nos dois casos que, como mostra a Figura 5, acelera a precipitação de carbonetos.

A fragilização em contornos de grão, na maioria das situações, pode ser

revelada por uma fratura intergranular (neste caso, é indicado observar a fratura de um corpo de prova de impacto, não apenas a fratura da ferramenta, pois o estado de tensão no ensaio de impacto é mais conhecido). Um exemplo é mostrado na Figura 7a, que mostra o expressivo aumento na tenacidade do mesmo material, após retratamento com têmpera acelerada. E, na Figura 7b, a fratura intergranular do corpo de prova de impacto, antes do retratamento, denotando a fratura intergranular e a fragilização dos contornos de grão austeníticos pela têmpera com baixa taxa de resfriamento. Antes de finalizar este item, uma ressalva importante deve ser feita. Apesar de indesejável, um certo limite de precipitação em contornos de grão deve ser aceitado. Isto ocorre porque, em matrizes de dimensões consideráveis (acima de 100 mm), não é possível estabelecer velocidades de resfriamento maiores que a crítica para a precipitação dos carbonetos. A limitação é física, pela transferência de calor no estado sólido pelo material, que depende de sua condutividade térmica (quanto maior a matriz, menor será a taxa de resfriamento). E, também, pela imposição do processo de têmpera, que não deve ser demasiadamente acelerado, para não levar a trincas ou distorções excessivas das ferramentas. O ponto de equilíbrio da velocidade de resfriamento deve, portanto, ser definido para cada aplicação. Uma forma interessante de controle é proposta pela NADCA, por meio do ensaio de impacto em corpos de prova padrão (detalhes, ver referência [10).

4.2 Trincas de Fadiga Térmica em Matriz de Forjamento de Válvulas Um exemplo interessante da combinação de vários aspectos na falha em forjamento a quente pode ser observado neste item, que analisa uma ferramenta pequena de forjamento de válvulas. Após trabalho, a ferramenta apresenta elevada incidência de trincas térmicas, que de tal modo severas chegam a inviabilizar a utilização da ferramenta (ver Figura 8a). A análise das regiões afetadas mostrou que, assim como no item 3.1, o efeito do aquecimento de processo foi o principal fator relacionado à falha. Porém, neste caso, o efeito não foi relativo à perda em dureza, mas a fragilização do material. Devido às elevadas temperaturas atingidas na superfície, a ferramenta em questão apresentou uma grande mudança no seu perfil de dureza nitretada (Figura 9b). E, em alguns pontos da microestrutura, foram observados sinais de reaustenitização (regiões brancas na superfície, Figura 9a). A redução da tenacidade promovida por ambos aspectos, especialmente o segundo, pode explicar as trincas e o fim de vida da ferramenta.

A causa de tal fragilização mostra-se ligada ao excessivo aquecimento em

trabalho. Desta forma, a melhoria da vida útil deve envolver, preferencialmente, mudanças que promovam a retirada do calor introduzido na ferramenta, como alterações de projeto e de refrigeração (similar ao sugerido no item 3.1).

a) b) Figura 6: Exemplos de ferramentas com falha prematur a por fragilização dos contornos
a) b) Figura 6: Exemplos de ferramentas com falha prematur a por fragilização dos contornos

a)

a) b) Figura 6: Exemplos de ferramentas com falha prematur a por fragilização dos contornos de
a) b) Figura 6: Exemplos de ferramentas com falha prematur a por fragilização dos contornos de

b)

Figura 6: Exemplos de ferramentas com falha prematura por fragilização dos contornos de grão austeníticos, após a têmpera. As micrestruturas com contornos de grão marcados é mostrada junto às fotos das ferramentas. Fonte: ref. [3].

400 360 J 350 300 250 200 150 100 60 J , 50 0 Heat
400
360 J
350
300
250
200
150
100
60 J
,
50
0
Heat Treated Tool
Sample, a fter
Antes do
Após
(a s-received)
annealing and new
Retratamento
retratamento
heat treating
Energia de Impacto sem
entalhe, NADCA 1990
Unnotched Impact Energy (J) .

a)

sem entalhe, NADCA 1990 Unnotched Impact Energy (J) . a) b) Figura 7: a) estudo de

b)

Figura 7: a) estudo de tenacidade em impacto, da matriz mostrada na Figura 6a, antes e após retratamento. b) análise da fratura antes do retratamento, por microscopia eletrônica de varredura, mostrando o aspecto intergranular, resultante da fragilização dos contornos de grão. Fonte: ref. [3].

a)
a)
a) b) 1400 Perfil de dureza inicial 1200 Região de Trabalho Região de trabalho Região não

b)

1400 Perfil de dureza inicial 1200 Região de Trabalho Região de trabalho Região não aquecida
1400
Perfil de dureza inicial
1200
Região de Trabalho
Região de trabalho
Região não aquecida
1000
800
600
400
200
0
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
Dureza (HV 0.2)

Distäncia da Superfícies (mm)

c)

Figura 8: a) matriz para forjamento de válvulas de motores, após a falha. b) análise microestrutural das regiões da trincas. c) perfil de dureza das regiões aquecidas (região de trabalho) e não

aquecidas (perfil inicial). Fonte: ref. [3].

5.

CONCLUSÕES

-

Dentre as várias propriedades dos aços ferramenta, a tenacidade e a resistência a quente são as mais importantes, relacionadas à maioria das análises de falha observadas no presente trabalho.

-

Apesar de serem propriedades conhecidas como “do aço ferramenta”, a tenacidade e a resistência a quente são consideravelmente influenciadas pelas condições de uso e tratamento térmico das ferramentas.

-

O aquecimento em trabalho mostra efeito importante para a vida útil de muitas ferramentas de forjamento a quente. Em algumas dessas situações, o emprego de aços de superior resistência ao revenido pode promover melhorias de vida útil. Em outras, a mudança de processo é necessária, para reduzir o aquecimento das regiões de trabalho.

-

Falhas também podem ocorrer por menor tenacidade, promovida por alterações microestruturais durante o uso ou tratamento térmico da ferramenta. Nestes casos, a análise dos fatores causadores é essencial para melhoria da tenacidade e aumento da vida útil.

6.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] ROBERTS, G.; KRAUSS, G.; KENNEDY, R. Tool Steels. 5. ed. Materials Park, Ohio: ASM International, 1998. p. 1-123 e p. 219-250.

[2]

Failure Analysis in Tool Steels, p. 311-355. In:

CANALE, L. C. F. ; MESQUITA, R. A. ; TOTTEN, G. E. Failure Analysis of Heat Treated Steel Components. Ohio: American Society for Metals, 2008. v. 1 [4] BYRER, T. G.; SEMIATIN, A. L.; VOLLMER, D. C. Forging Handbook. Cleveland, Ohio:

ASM, 1985. p. 195-217. [5] BERNS, H. Strength and Toughness of Hot Working Tool Steels. In: KRAUSS, G.; NORDBERG, H.; Tool Materials for Molds and Dies: Application and Performance. Ilinois, EUA: The Colorado School of Mines Press, 1987. p. 45-65

[6] DIETER, G. E. Metalurgia Mecânica. 2. ed. Rio de Janeiro, RJ: Guanabara Dois, 1981. p. 166-212 e p. 378-386.

[7] MESQUITA, R. A. ; HADDAD, P. T. ; BARBOSA, C.

Matrizes de Forjamento. Anais do 28 Senafor e 12 Conferência Internacional de Forjamento, 2008, p. 49-62. [8] MESQUITA, R. A.; BARBOSA, C. A. Novo aço ferramenta de alta resistência a quente. Tecnologia em Metalurgia e Materiais, São Paulo, v. 3, p. 63-68, 2007. [9] SJÖSTRÖM, J; BERGSTRÖM, J. Thermal fatigue testing of chromium martensitic hot-work tool steel after different austenitizing treatments. Journal of Materials Processing Technology, v. 153–154, p. 1089 -1096. 2004

A Aplicação do Aço VHSUPER em

[3] MESQUITA, R. A. ; BARBOSA, C.

Tool Steels, Steel Products Manual, Iron and Steel Society, Apr. 1988. 81p.

[10] NADCA no 229/2006 – Special Quality Die Steel & Heat Treatment Acceptance Criteria for Die Casting Dies, Ed. North American Die Casting Association, Holbrook Wheeling, Ilinois, 2006, 33p. [11] K. –E. Thelning, Steel and Its Heat Treating, 2nd ed. Butterworths, London, 1984.