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Analisando o que é “Segurança”

Conteudista: Prof. Dr. Tercius Zychan De Moraes 


Revisão Textual: Prof. Me. Luciano Vieira Francisco 

Material Teórico

Material Complementar

Referências
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Material Teórico

 Objetivos da Unidade:

Entender o conceito doutrinário e legal do que vem a ser segurança, e de


qual forma podemos classi car as atividades de segurança, facilitando o
diagnóstico e a análise de riscos afetos a ela.

“Segurança”, O Que É?

Para muitos a segurança trata-se de uma sensação, ou seja, um sentimento que pode uir
com maior ou menor amplitude, levando em consideração o ambiente que a pessoa se
encontre, bem como diante de uma situação de risco que esta esteja envolvida, permitindo que
o nível de estresse da situação determine se a sensação de segurança venha a ser maior ou
menor. Vejamos a imagem a seguir:
Figura 1
Fonte: Wikimedia Commons
Levando em consideração a sensação de segurança, como poderíamos atribuir esta situação
em relação à mulher que se encontra na condição de refém, na ocorrência retratada pela
Figura 1?

O nível de estresse que esta mulher vivencia com certeza é elevado, pois, além da tensão
psicológica que vive nesse momento, existe uma afetação biológica que lhe causa grande
temor, podendo desencadear um trauma que leve um período considerado para ser eliminado.

Desta forma, certamente a sua perspectiva de segurança diante da situação é baixíssima diante
do aparente risco de morte.

Agora apreciemos outra imagem:

Figura 2
Fonte: Wikimedia Commons

Nesta, duas pessoas caminham em um campo, descontraídas e certamente “curtindo” a


paisagem, de modo que o nível de estresse ali deve beirar o “zero”.

Se pudéssemos perguntar a eles se neste momento que se encontram se sentem seguros,


parece-nos que a resposta “sim” seja uma obviedade.

Neste diapasão, levamos em consideração que a questão relacionada à segurança das pessoas
e destas para com seus bens sempre deve ser avaliada diante do cenário em que a pessoa se
encontre.

Ou seja, a segurança é oriunda de fatores externos que interferem em outros de caráter


interno, os quais dotarão ou não cada indivíduo de presunção de segurança ou não.

Um dos grandes doutos da chamada Escola Humanística da Psicologia foi o norte-americano


Abraham Harold Maslow, o qual, em suas pesquisas sobre as necessidades dos seres
humanos, estabeleceu uma gradação das quais. Nesta gradação, a segurança é apontada como
o segundo maior interesse das pessoas, veja:
Figura 3 – Pirâmide de Maslow

Na conformidade do que informa a presente representação, Maslow nos indica que logo após
o interesse pelas questões atinentes como elementos essenciais para a garantia de vidas, ou
seja, pelos elementos de cunho siológico, ele nos indica que a segurança é o segundo maior
interesse das pessoas, no sentido de lhes propiciar uma existência digna.

Deste modo e com todos os argumentos que adotamos com relação à sensação de segurança,
podemos dizer que esta, sem dúvida, é uma necessidade social, ou seja, algo que permita aos
seres humanos viverem harmoniosamente em sociedade; para tanto, caberá ao poder-dever
estatal oferecer dotar a coletividade desta segurança.

Nossa Constituição Federal trata da questão relacionada à segurança em algumas


oportunidades. A primeira quando a relaciona a outros direitos fundamentais, de destaque no
caput do artigo 5º :
“Art. 5º – Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...]”

- Constituição Federal, 1988

Neste dispositivo constitucional encontramos o direito à segurança expresso de modo


genérico, possibilitando que esta venha a ser aferida sob diversos aspectos, mas sempre
levando em consideração de que a “segurança” é um direito fundamental, colocado a cada
pessoa bene ciada, ou seja, o povo, na conformidade de nossa Lei Maior, tal como descreve o
citado artigo 5º, aos “[...] brasileiros e estrangeiros residentes no País [...]”.

Neste sentido, a segurança pode ser vista tanto sob o aspecto da segurança física de cada
bene ciário do direito, como também da segurança atinente às relações jurídicas, as quais
devem estar pautadas no mais absoluto direcionamento que o direito oferece.

O artigo 6º da Constituição também aborda a segurança, mas agora com outro aspecto, que
não tange somente a pessoa certa e determinada, mas a todos, categorizando-a como um
direito social.

“Art. 6º – São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o


transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a
assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. ”

- Constituição Federal, 1988


Sob esta imposição constitucional a segurança é uma garantia a ser despojada pelo Estado
para a coletividade de modo geral, tal como rea rma o artigo 144 da Norma Constitucional:

“Art. 144º – A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é


exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio,
através dos seguintes órgãos: [...]”

- Constituição Federal, 1988

Como se denota, a segurança pública deve ser disposta pelo Estado, por intermédio de seus
órgãos a este m designados a “todos”, ou seja, aos destinatários dos direitos fundamentais
anunciados no caput do artigo 5º da Lei Maior, que novamente mencionamos como sendo
“[...] brasileiros e estrangeiros residentes no País [...]”.

Atividades De Segurança

A atividade constitucional com relação à segurança não poderia se desenvolver de outra forma
a não ser levando em consideração, dentre outros impositivos legais, ao da impessoalidade e
igualdade.

Qualquer postura a ser adotada pela Administração Pública, em todas as suas competências –
e não somente para as questões que dizem respeito à Segurança Pública, sejam elas materiais
ou formais, devem ser desenvolvidas com um propósito exclusivo, o da satisfação de um único
interesse e destinatário, que é a coletividade, melhor denominado interesse público.

Desta forma, os órgãos que compõem o sistema de segurança pública em nosso país,
descritos no artigo 144 da Constituição, deverão voltar os seus esforços quanto à segurança
em prol de todos sem se sobrepor qualquer interesse de ordem privada.

Figura 4
Fonte: Wikimedia Commons

A doutrinadora Odete Medauar (2016) muito bem sinaliza como deve ser dada a compreensão
do que vem a ser interesse público, vejamos: “[...] interesse público pode ser associado a bem
de toda a coletividade, à percepção geral das exigências da vida na sociedade”.

Impor ao Estado a obrigação atinente à segurança geral da população não pode impedir que
certos interesses das pessoas físicas ou jurídicas, com relação à proteção à vida, integridade
física, proteção do patrimônio e de prestação de serviços possam ser complementados de
modo “personalizado”, com ações de segurança prestadas de modo especí co. 
É neste contexto, de necessidade de se complementar as ações de segurança pública, que
existem normas jurídicas especí cas em nosso país que permitem a criação de empresas
prestadoras de atividades de segurança, com atuação certa. A esta relação damos o nome de
segurança privada.

Figura 5
Fonte: Getty Images

Um dos grandes nomes na Ciência da Administração é o engenheiro francês Jules Henri Fayol;
entre diversos temas o ilustre pesquisador, em seu livro de 1949  e intitulado Administration
industrielle générale, coloca em destaque como sendo uma das grandes preocupações nas
atividades de gestão a “segurança”, compreendendo-a como voltada à proteção de uma
organização contra riscos de cunho nanceiro, ético, comercial, contábil, dos trabalhadores e
das próprias instalações.
“Sua missão é proteger os bens e as pessoas contra roubo, o incêndio e a inundação, e evitar
as greves, os atentados e, em geral, todos os obstáculos de ordem social que possam
comprometer o progresso e, mesmo, a vida da empresa. É o olho do patrão, o cão de guarda,
numa empresa rudimentar; é a polícia e o exército. É, de modo geral, toda medida que dá à
empresa a segurança e ao pessoal a tranquilidade de espírito de que tanto precisa. ”

- FAYOL, 2007, p. 25

No tocante às atividades privadas de segurança, podemos destacar a Lei 7.102, de 20/06/1983


que, segundo a sua ementa, assim nos diz:

“Dispõe sobre segurança para estabelecimentos nanceiros, estabelece normas para


constituição e funcionamento das empresas particulares que exploram serviços de vigilância e
de transporte de valores, e dá outras providências”.

Atualmente é a Portaria 3.233 da Direção Geral (DG) do Departamento de Polícia Federal (DPF),
de 10/12/2012, que tem por escopo regular as atividades de segurança privada em nosso país,
merecendo destaque o § 1º do artigo 1º da presente norma, que reconhece vínculo entre as
atividades de segurança privada às de segurança pública, estabelecendo que aquelas são
complementares a estas.

“Art. 1º - A presente Portaria disciplina as atividades de segurança privada, armada ou


desarmada, desenvolvidas pelas empresas especializadas, pelas empresas que possuem serviço
orgânico de segurança e pelos pro ssionais que nelas atuam, bem como regula a scalização
dos planos de segurança dos estabelecimentos nanceiros.
§ 1º – As atividades de segurança privada serão reguladas, autorizadas e scalizadas pelo
Departamento de Polícia Federal – DPF e serão complementares às atividades de segurança
pública nos termos da legislação especí ca. ”

- Portaria 3.233 da Direção Geral do Departamento de Polícia Federal, de 10/12/2012

Segurança Pública

A questão da segurança das pessoas e do patrimônio sempre foi uma preocupação de todas as
sociedades, entretanto, sob diferentes concepções.

A princípio, a segurança imposta pelos Estados foi concebida sob duas égides: a preservação
do território, no comando dos monarcas e grandes latifundiários; e a ordem interna, como
mecanismo de paci cação social e controle dos nobres sobre a plebe.
Figura 6
Fonte: Wikimedia Commons

Com relação ao desenvolvimento das próprias relações sociais através dos séculos, a questão
associada à segurança pública foi se transformando de segurança territorial e de ordem
interna para um direito de cada indivíduo e da coletividade como um todo.

Tal processo evolutivo fez nascer uma preocupação ao longo do tempo para aquilo que se
convencionou chamar de direitos humanos, os quais, quando consagrados nas ordens
jurídicas internas de cada Estado, passaram a ser denominados direitos fundamentais.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, ao tratar da segurança relacionada às


pessoas, assim a retrata em seu artigo 3º:

“Art. 3º - Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. ”

- DECLARAÇÃO Universal dos Direitos Humanos. Unicef, [20--]. Disponível em:


https://uni.cf/3hFiSTu

Como já abordado, a nossa Constituição Federal não caminhou de maneira diversa, de modo
que ao abordar o tema em seus artigos 5º, 6º e 144, este último dispositivo delimita à
estrutura do sistema de segurança pública, inserido no capítulo terceiro, do Título V – Da
defesa do Estado e das instituições democráticas –, juntamente com ações de garantia deste
Estado, que são as medidas excepcionais do Estado de Defesa e do Estado de Sítio, e as Forças
Armadas, destinadas à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa
de qualquer destes, da lei e da ordem.
Ainda no mencionado artigo 144, o seu caput prevê os objetivos básicos para a questão
relacionada à segurança pública no País: “[...] preservação da ordem pública e da
incolumidade das pessoas e do patrimônio [...]”.

Deste modo, podemos deduzir que as questões relacionadas à segurança pública são
pendulares, com fulcro em garantir o Estado Democrático de Direito, assegurando a proteção
da lei, ordem pública, vida e integridade física, bem como à proteção ao patrimônio público e
privado.

Acrescentemos que a questão relacionada à segurança pública tangencia um dos fundamentos


do Estado brasileiro, elencado no artigo 1º da Lei Maior, em seu inciso III:

“Art. 1º - A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como
fundamentos:

[...]

III – a dignidade da pessoa humana;”

- Constituição Federal, 1988

Como se denota, o princípio fundamental relacionado à dignidade da pessoa humana é


impreciso, cabendo ao intérprete do texto constitucional procurar reunir preceitos
incrustados na mesma Lei Maior, os quais amparam e dão suporte a este princípio
fundamental.

Uma das interpretações é feita por Alexandre de Moraes (2007, p. 49), que desta maneira
vislumbra o princípio da dignidade da pessoa humana:
“A dignidade é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que se manifesta singularmente
na autodeterminação consciente e responsável da própria vida e que traz consigo a pretensão
ao respeito por parte das demais pessoas, constituindo-se um mínimo invulnerável que todo
estatuto jurídico deve assegurar, de modo que, somente excepcionalmente, possam ser feitas
limitações ao exercício dos direitos fundamentais, mas sempre sem menosprezar a
necessária estima que merecem todas as pessoas enquanto seres humanos e a busca ao
Direito à Felicidade.”

- Alexandre de Moraes (2007, p. 49)

Conjugando a todos estes preceitos vistos até o momento, podemos deduzir que a segurança
pública promove e garante a própria existência do Estado Democrático de Direito, como um
dos sustentáculos de sua estabilidade social.

Importante saber que o Estado Democrático de Direito, dentre outras características, possui
duas com alto grau de relação à segurança pública:

A primeira nasce da interpretação de que o Estado possui uma estrutura jurídica que o
organiza, a qual denomina-se Constituição.

Quanto à expressão Constituição, tem como base a ideia de construção ou formação de algo,
que no caso é o Estado, mas sob o seu aspecto jurídico, de nindo quem é o proprietário do
“poder”, de onde emana toda a “vontade geral” que a todos deve se submeter, ou seja, o povo
funda todas as vontades de quem, em seu nome, exerce as funções do Estado.

Outra característica a se considerar é que o Estado é regido por um sistema jurídico – daí ele
ser de Direito.
Neste Estado, as garantias e os direitos fundamentais são o alicerce que sustenta toda a sua
existência. Tais direitos são tão relevantes que estão descritos no texto da Constituição,
devendo ser seguidos por todos e respeitados pelo Estado.

Vejamos, no Quadro a seguir, alguns destes direitos:

Quadro 1 – Texto Constitucional e Direitos Fundamentais

Preceito Constitucional Direito Fundamental Protegido

Art. 5º – Todos são iguais perante a Vida;


lei, sem distinção de qualquer
Liberdade;
natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros Igualdade;
residentes no País a inviolabilidade do
direito à vida, à liberdade, à Segurança;
igualdade, à segurança e à
Propriedade
propriedade, nos termos seguintes:

Art. 5º
[...]
Legalidade.
II – ninguém será obrigado a fazer ou
deixar de fazer alguma coisa senão em
virtude de lei;
Preceito Constitucional Direito Fundamental Protegido

Art. 5º
[...] Intimidade;
X – são invioláveis a intimidade, a Vida privada;
vida privada, a honra e a imagem das
Imagem das pessoas.
pessoas, assegurado o direito a
indenização pelo dano material ou
moral decorrente de sua violação;

Art. 5º
[...] Direito de propriedade.
XXII – é garantido o direito de
propriedade;

Art. 144 – A segurança pública, dever


do Estado, direito e responsabilidade
de todos, é exercida para a preservação Direito social à segurança pública.
da ordem pública e da incolumidade
das pessoas e do patrimônio, através
dos seguintes órgãos:

Art. 196 – A saúde é direito de todos e


dever do Estado, garantido mediante
políticas sociais e econômicas que
Direito social à saúde.
visem à redução do risco de doença e
de outros agravos e ao acesso universal
e igualitário às ações e serviços para
sua promoção, proteção e recuperação.
Preceito Constitucional Direito Fundamental Protegido

Art. 205 – A educação, direito de todos


e dever do Estado e da família, será
promovida e incentivada com a
Direito social à educação.
colaboração da sociedade, visando ao
pleno desenvolvimento da pessoa, seu
preparo para o exercício da cidadania e
sua quali cação para o trabalho.

Já nos é evidente que segurança pública possui um caráter de direito fundamental, no qual
este dever do Estado e direito de todos deve direcionar as medidas de ordem legal e
administrativa a m de:

Preservar a ordem pública;

A incolumidade das pessoas e do patrimônio.

 A primeira questão aqui é entendermos o que vem a ser “ordem pública”, para que após
possamos entender como os órgãos que compõem o sistema de segurança pública do Estado
devem atuar sobre este mister.

Nossa Constituição Federal não nos indica, de maneira precisa, o que vem a ser a “ordem
pública”, cabendo esta de nição ser delimitada pela legislação infraconstitucional, a doutrina
e jurisprudência.

Um conceito bem objetivo do que vem a ser “ordem pública” pode ser abstraído do artigo 2º,
item 21 do Regulamento para as polícias militares e corpos de bombeiros militares (R-200),
aprovado pelo presidente da República, por intermédio do Decreto 88.777, de 30/09/1983:
“Art. 2º – Para efeito do Decreto-lei nº 667, de 02 de julho de 1969 modi cado pelo Decreto-
lei nº 1.406, de 24 de junho de 1975, e pelo Decreto-lei nº 2.010, de 12 de janeiro de 1983, e
deste Regulamento, são estabelecidos os seguintes conceitos:

[...]

21) Ordem Pública – Conjunto de regras formais, que emanam do ordenamento jurídico da
Nação, tendo por escopo regular as relações sociais de todos os níveis, do interesse público,
estabelecendo um clima de convivência harmoniosa e pací ca, scalizado pelo poder de
polícia, e constituindo uma situação ou condição que conduza ao bem comum.”

- Regulamento para as polícias militares e corpos de bombeiros militares (R-200)

Neste sentido, a primeira função da segurança pública é assegurar a todos o pleno exercício de
seus direitos fundamentais; para tanto, ca entendido que um Estado Democrático de Direito
não será possível existir sem “ordem”, ou seja, as rotineiras relações pací cas do elemento
humano do Estado, que é o seu povo.

Até porque não existe direito sem ordem, sem se garantir a coercibilidade que deve ter o
sistema jurídico.

A manutenção da ordem pública deve ser dotada de forma direta ou indireta de coercibilidade.
Figura 7 – Polícia Militar de São Paulo
Fonte: Reprodução

Para se ter uma ideia da coercibilidade necessária a qual deve-se fazer respeitar, vejamos o que
diz o artigo 155 do atual Código Penal Brasileiro:

“Furto

Art. 155 – Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:

Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa.”


- Código Penal Brasileiro

Prevê que quem comete a conduta descrita neste tipo penal estará sujeito a uma pena privativa
de liberdade de 1 a 4 anos, além da aplicação de uma pena pecuniária de multa.

A segurança, quando atua na preservação da ordem pública, deve buscar a garantia que a “lei”,
um dos pilares de um Estado Democrático de Direito, seja cumprida e, sobretudo, respeitada
para que a harmonia social seja uma realidade. É neste sentido que a lei garante a privação
imediata da liberdade de quem comete um crime, nos moldes do que nos diz o artigo 301, do
Código de Processo Penal:

““Art. 301 –   Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão
prender quem quer que seja encontrado em agrante delito”.

Aliada à questão que a segurança pública seja um instrumento de garantia da preservação da


ordem pública, ela também tem por foco a “[...] incolumidade das pessoas e do patrimônio
[...]”.”

A ideia de que a expressão nos sugere é de fácil interpretação, pois ao unirmos os signi cados
das expressões podemos conceber o que ela nos indica.

Quanto à expressão incolumidade, signi ca tornar algo protegido de lesão, ou seja, ileso.

Já quando juntamos a esta expressão pessoas e patrimônio, bem como na sua inserção
relacionada à segurança, torna-se fácil deduzir que ela terá por escopo tornar a vida e
integridade das pessoas protegidas de qualquer lesão ao seu direito, bem como a proteção do
patrimônio, seja ele público ou privado.

Compõe o sistema de segurança pública, nos moldes indicados pela nossa Constituição, o
seguinte:

Quadro 2

Órgãos do sistema de segurança pública

Polícia Federal 

Polícia Rodoviária Federal 

Polícia Ferroviária Federal

Polícias Civis

Polícias Militares

Corpos de Bombeiros Militares

Polícias Penais (Federal, Estados e Distrito Federal)

Guardas Municipais

Força Nacional de Segurança


Figura 8
Fonte: Wikimedia Commons

Segurança Privada 

A existência de atividades privadas de segurança, em apoio às instituições públicas ou ligadas


à prestação de serviço desta natureza a pessoas ou instituições privadas sempre foi uma
realidade na história, nas mais remotas civilizações.

No Brasil não foi diferente, mas levando em conta a regulamentação dessa atividade, podemos
estabelecer um marco inicial e que se deu por intermédio da entrada em vigor do Decreto-Lei
1.034, de 21/10/1969, que inicialmente assim deliberou:
“Art. 1º – É vedado o funcionamento de qualquer dependência de estabelecimento de

crédito, onde haja recepção de depósitos, guarda de valores ou movimentação de


numerário, que não possua, aprovado pela Secretaria de Segurança ou Chefatura de
Polícia o respectivo Estado, dispositivo de segurança contra saques, assaltos ou roubos,
na forma preceituada neste Decreto-lei.”

- Decreto-Lei 1.034, de 21/10/1969

Contudo, no Brasil quando a “segurança privada” passou a ser uma realidade?

O Decreto-Lei de 1969 tinha por escopo somente a regulamentação das atividades de


segurança privada ligadas à proteção das instituições nanceiras. Como base histórica,
podemos dizer que tal norma foi percussora do surgimento de diversas empresas que se
equiparam, prepararam mão de obra e prestaram os serviços que a norma regulava.

Não há dúvida de que esse início fora fundamental para o crescimento do setor de prestação
de serviços, a ponto de que as atividades passaram a ser ampliadas com a edição da Lei 7.102,
de 20/06/1983.

Para constatarmos a ampliação das atividades dos serviços de segurança privada, miremos no
que trata o artigo 10 da mencionada norma:

“Art. 10 – São considerados como segurança privada as atividades desenvolvidas em


prestação de serviços com a nalidade de:

I – proceder à vigilância patrimonial das instituições nanceiras e de outros


estabelecimentos, públicos ou privados, bem como a segurança de pessoas físicas;                   
II – realizar o transporte de valores ou garantir o transporte de qualquer outro tipo de carga.  
   ”

- Decreto-Lei 7.102, de 20/06/1983

Além de ampliar os serviços regulares de segurança privada, a nova Lei desloca a


responsabilidade dos Estados por intermédio de suas respectivas Secretarias de Segurança
Pública, até então responsáveis pelo controle e pela concessão de funcionamento, na
conformidade da Norma de 1969, passando à competência ao que em 1983 denominava-se
Ministério da Justiça; lá coube ao seu Departamento de Polícia Federal a competência de
scalizar e regular a presente matéria.

Por m, vale enfatizar que as atividades de segurança privada no Brasil são normatizadas pela
mencionada Lei 7.102/1983, mas também pelo Decreto 89.056, de 24/11/1983 e pela Portaria
do DPF 3.233/2012, com as suas alterações posteriores.
2/3

Material Complementar

Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados


nesta Unidade:

Leituras

Segurança pública: desa os e perspectivas

ACESSE

A segurança privada no Brasil: alguns aspectos relativos às motivações, regulações e


implicações sociais do setor

ACESSE

Constituição Federal de 1988

ACESSE

Lei 7.102, de 20/06/1983

ACESSE
3/3

Referências

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