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EXPERIÊNCIA 1: DENSIDADE DOS CORPOS SÓLIDOS REGULARES E IRREGULARES

Objectivos:

 Determinar a densidade dos corpos sólidos regulares


 Determinar o volume dos corpos sólidos irregulares através do princípio de Arquimedes

Resumo teórico:

Densidade (  ) de uma substância ou massa específica é a razão entre a sua massa ( m ) e o seu
m
volume ( V ), isto é:   .
V

Para a sua determinação, utilizam-se métodos direto e indireto como procederemos neste trabalho.

 m  Kg
No sistema internacional (SI) a unidade da densidade é    
V  m 3 . Mas na prática a unidade mais
utilizada é     g cm 3 .

A massa de um certo corpo permanece sempre constante, mas, os volumes dos corpos dependem da
temperatura, devido a sua dilatação térmica à temperaturas mais elevadas. Portanto, a densidade de um
corpo, depende da temperatura. Além disso a pressão influencia o volume, especialmente dos gases que
se podem comprimir mais facilmente que os líquidos e os sólidos. Por ser pequeno o efeito de uma
variação de temperatura e de pressão no volume de um sólido ou de um líquido, consideram-se neste
caso a densidade como sendo constante. Todavia, no caso de um gás é absolutamente errado desprezar
o efeito da temperatura e da pressão.

Material necessário:

 Paquímetro
 Balança electrónica
 Régua graduada
 Proveta graduada
 Corpos regulares
 Corpo de cortiça ou de borracha
 Pedras irregulares

Procedimentos:

1. Procede de modo a medir os parâmetros necessários para calcular o volume do corpo regular,
utilizando uma régua graduada em centímetros. Anote os valores de medição na tabela 1;

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2. Faça as mesmas medições mas utilizando agora a régua graduada em milímetros. Anote os
valores na segunda linha da tabela 1;

TABELA 1

Corpo Comprimento Altura Largura Volume Massa Densidade


(cm) (cm) (cm) (cm3) (g) (g/cm3)
1
2
3
3. Utilizando um paquímetro meça cinco vezes o diâmetro de um corpo de borracha. As possíveis
variações podem acontecer devido à facilidade de deformação do material; Meça a massa do
corpo na balança eletrónica, e preencha a tabela 2;

TABELA 2

Diâmetro Altura Massa Densidade


No. d  d  2 h  h  2
(cm) (cm) (g) (g/cm3)
1
2
3
4
5
6
Média
4. Escolha duas provetas de graduações diferentes. Meça o volume do líquido deslocado pela pedra.
Anote os valores medidos na tabela 3;

TABELA 3

Volume (ml) Massa (g) Densidade (g/cm3)

5. Discuta os resultados.

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EXPERIÊNCIA 2: ESTUDO SOBRE AS LEIS DO MOVIMENTO RETILÍNEO E UNIFORME (MRU)

Objetivos:

 Elaborar as leis dos espaços e em simultâneo das velocidades do MRU;


 Confirmar experimentalmente os conceitos da velocidade e da aceleração.

Resumo teórico:

Velocidade é uma grandeza vetorial que caracteriza a rapidez ou a lentidão do movimento de um corpo.

Velocidade escalar é o módulo da velocidade do corpo, isto é, a velocidade escalar é sempre positiva e
não transmite informação direcional.

No caso de movimento com rapidez constante o gráfico que representa posição em função do tempo é
uma linha recta de inclinação constante. Com isso, pode-se concluir que quanto maior for a inclinação
maior será a velocidade.

O MRU é caracterizado por uma velocidade constante numa trajetória retilínea.

Velocidade constante significa que um móvel percorre espaços iguais em intervalos de tempo iguais, ou a
aceleração é nula ( a  0 ).

A equação do espaço para este tipo de movimento é x t   x 0  v  t .

O deslocamento de um corpo à velocidade constante é equivalente à área sob o gráfico v  t  entre os


momentos correspondentes. Porém, só podemos determinar o deslocamento e não a posição do corpo.
Para isso precisamos de conhecer a posição inicial do objeto que não se indica no gráfico.

Material necessário:

 Tubo de vidro de 150cm de comprimento, contendo um líquido e uma bolha de ar


 Cronómetro
 Marcador
 Fita métrica
 Carrinho elétrico

Procedimentos (Variante A):

1. Deixe um espaço para iniciar a contagem do tempo e marque as distâncias de 40 cm, 60 cm e 80


cm;
2. Coloque o tubo na posição vertical;

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3. Registar cinco vezes o tempo que a bolha leva para passar pelos marcos;
4. Preenche a tabela 1 para as distâncias de 40 cm, 60 cm e 80 cm;
5. Calcule as velocidades com os respetivos erros e analise os resultados.

Tabela 1

Espaço de ………
Tempo
t i  s 
 t i  2 v v v v max v min
No. %
t  s
i  s 2  cm / s  v  cm / s   cm / s   cm / s 
1
2
3
4
5
 
t  t 

Procedimento (Variante B):

1. Marque 5 distâncias separadas em 30 cm;


2. Registe o tempo que o carrinho leva para percorrer cada distância da tabela 2;

Tabela 2

x cm  30 60 90 120 150
t s
v  cm / s 
3. Construa o gráfico x  t com base nos dados da tabela 2;
4. Faça a análise e a discussão dos resultados e do gráfico.

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EXPERIÊNCIA 3: ESTUDO SOBRE AS LEIS DO MOVIMENTO RECTILÍNEO UNIFORME E
UNIFORMEMENTE VARIADO: MÁQUINA DE ATWOOD

Objectivos:

 Estudar o movimento rectilíneo uniforme com auxílio da máquina de Atood;


 Estudar o movimento rectilíneo uniformemente acelerado com auxílio da máquina de
Atood.
Resumo Teórico:

O físico inglês Atood inventou no séc. XVIII um aparelho simples (fig. 1), que ficou conhecido
como máquina de Atood. Esta máquina permite observar especialmente, o movimento
rectilíneo uniforme e uniformemente acelerado.

No caso do movimento uniformemente acelerado, sem a velocidade inicial, a distância


percorrida s, a velocidade v e a aceleração a estão lidadas pelas relações seguintes:

1 2
v  v 0  a  t x  x0  v  t  a  t 2 v 2  v0  2a  x
, 2 e

No caso da ausência da aceleração  a  0 o movimento é uniforme para o qual a velocidade é


v constante e s  v.t .

Por outro lado, a máquina de Atwood permite praticamente, utilizando a 1ª e a 2ª leis de


Newton, determinar a aceleração das massas e a tensão da corda T

Duas massas iguais estão ligadas por uma corda que passa sobre uma roldana
M1 e M2

sem atrito e de massa desprezível. Coloca-se por cima da massa M 1 a uma sobrecarga m.O
sistema considerado adquire movimento acelerado.

Projectando sobre OY as equações vectoriais que exprimem a segunda lei de Newton para as

massas M e M 1  m , tem-se:

T  M 1 .g  M 1 .a
T   M 2  m  g   M 2  m  a

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Combinando estas duas equações obtém-se:

at 
 M 2  m  M 1 g
M1  M 2  m

t
Em que a é a aceleração determinada teoricamente.

Como M 1  M 2  M vem:

 M m  m
T  2.M  g at  g
 2M  m  e 2M  m

1 2,
No caso inicial sem a sobrecarga, em que M =M obtém-se:

a0 e T  M 1.g  M 2 .g

Que é o resultado estático.

Material Necessário:

 Máquina de Atwood
 Massas M  M  M e várias sobrecargas m
1 2

 Régua
 Cronómetro

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Examinando o modelo da máquina de Atwood representado na fig. 1 verifica-se que na gola da
roldana muito leve R com pequeno atrito em volta de um eixo horizontal, passa um fio fino e
resistente, nas extremidades do qual estão suspensas duas massas iguais M. como o peso do
fio é desprezível, estas massas ficam em equilíbrio em qualquer posição.

Coloca-se, porém, sobre uma destas massas uma sobrecarga m, todo o sistema entrará em
movimento descendo a massa que suporta a sobrecarga e a outra subindo. Uma régua
graduada, colocada verticalmente, permite medir os espaços percorridos pelas massas móveis.
Ao longo da régua podem deslocar-se dois cursores C e C1 podendo ser fixados em qualquer
altura. O cursor C1 que tem a forma de anel (cursor anelar) detêm a sobrecarga e deixa passar
a massa M. o cursor C2 é maciço (cursor plano) e permite reter todo o sistema. Para medir os
tempos pode se utilizar um cronómetro.

Procedimentos:

Parte I : Movimento Uniformemente Acelerado

1. Tire o cursor anelar da máquina de Atwood;


2. Fixe o cursor plano C2 a distância AC2 = 20cm;
3. Coloque a massa M com a sobrecarga m sobre a linha do zero da régua;
4. Põe o sistema em movimento e meça simultaneamente o tempo t entre o início do
movimento e o choque da massa M contra o cursor plano C2;
5. Recomeça a experiência, colocando o cursor plano sucessivamente às distâncias
indicadas na tabela 1;
6. Represente graficamente a dependência s  f  t  , v  f  t  e a  f  t 
7. Calcule a aceleração teórica das massas e a tensão da corda.
Tabela 1

Distância
AC2 (cm)
M (g) m (g) s (cm) t (s) a (m/s2) at(m/s2) v(m/s) T(N)

20

40

80

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120

Parte II: Movimento Uniforme

1. Coloque o cursor anelar C1 a uma distância de 30cm e o cursor plano C2 a distância de


50cm;
2. Posicione a massa M com a sobrecarga m a distância de 10cm e põe o sistema em
movimento;
3. Depois de abandonar a sobrecarga o sistema tomará o movimento uniforme
4. Meça o tempo que leva a massa M para percorrer entre os cursores C1C2 = 50cm -30cm
= 20cm;
5. Repita esta experiência com a distância entre os cursores C1C2 indicada na tabela 2.

Tabela 2

Distância AC2 (cm) s (cm) t (s) v(m/s)

20

40

60

6. Represente graficamente a dependência v  f  t 

Conclusões:

1. Qual é a força que produz aceleração das massas M na máquina de Atwood?


2. Substituindo estas massas por outras menos pesadas, que modificações haveria?
 M 2  m  M 1 g
3. Porque na fórmula at  não entra a tensão do fio T?
M1  M 2  m
4. Que movimento toma o sistema quando a força que produz a aceleração deixa de
actuar?

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EXPERIÊNCIA 4: ESTUDO SOBRE A SEGUNDA LEI DE NEWTON
Objectivos:

1. Estudar as relações entre a força aplicada num corpo e a sua aceleração;


2. Aplicar um método experimental para neutralizar a força de atrito.

Resumo Teórico:

Força é toda causa capaz de modificar o estado de repouso ou de movimento de um


corpo ou de lhe alterar a sua forma.

De acordo com o físico e matemático, o inglês Isaac Newton (1642-1727), sucessor de


Galileu Galilei, se a resultante das forças que actuam sobre um corpo não for nula, a
rapidez (velocidade) do corpo não se conserva constante; isto é, ela varia, o que
implica a existência da aceleração. Portanto, o movimento produzido pelo corpo é
uniformemente acelerado.

A massa, na mecânica newtoniana é concebida como sendo uma grandeza constante,


e afigura-se na relação fundamental da dinâmica, como uma constante de
proporcionalidade. Newton concluiu também que à superfície da terra, a força
resultante que atua sobre um corpo e a aceleração produzida, são dois vectores com a
mesma direção e sentido, e os seus módulos são proporcionais.

Para garantir que o corpo A da figura se vá movendo com uma certa aceleração,
primeiro temos que obter um movimento retilíneo uniforme no qual o somatório de
todas as forças que atuam no sistema é igual a zero. Para tal, aumentamos a massa do
corpo B até que vençamos a força de atrito. O passo a seguir, é de acelerar o sistema
de corpos A e B sem alterar a sua massa, retirando as massas indicadas no quadro 1
do carrinho A e colocando-as na posição do corpo B.

Material Necessário:

 Carrinho

 Cronómetro

 Massas

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 Roldana

 Tripé

 Junções

 Eixo

 Fio

Procedimentos:

1. Monte o carrinho, anexando a massa de 500g e as massas de 5g e 10g (as duas


últimas massas são massas aceleradoras).

2. Deixe rolar o carrinho quando puxado por uma força que compensa a força de
atrito (controle o movimento uniforme).

3. Acelere o movimento do móvel aumentando a força anterior em 0,05N (retire 5g


do carrinho e coloque-os na posição B).

4. Meça cinco (5) vezes o tempo que o carrinho gasta para percorrer a distância de
0,5m.

5. Preencha a tabela, completando os cálculos necessários.

F(N) t1(s) t2(s) t3(s) t4(s) t5(s) tmédio(s) a(m/s2) F/a(kg)

0,05

0,10

0,15

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EXPERIÊNCIA 5: ESTUDO SOBRE O COEFICIENTE DE ATRITO

Objetivos:

3. Determinar e comparar os coeficientes de atrito estático e cinético em diferentes


superfícies;
4. Analisar experimentalmente a diferença entre força de atrito e coeficiente de
atrito;
5. Demonstrar a influência de vários fatores no valor do coeficiente de atrito.

Resumo Teórico

Força de atrito estático - é a força de atrito que age entre superfícies em repouso relativo.

Força de atrito cinética – é a força que age entre superfícies em movimento relativo.

Coeficiente de atrito estático – é a grandeza adimensional que depende da natureza de


superfícies em contacto.

F est
 est 
N

Coeficiente de atrito cinético - é a razão entre o modulo da força do atrito cinético e o modulo
da força normal entre as superfícies.( segundo Tipler)

Quando o bloco esta em movimento a força de atrito que actua sobre ele e denominada força
de atrito cinético.

F cin
 cin 
N

Coeficiente de Atrito Estático -  est (Método 1)

O corpo suspenso representado na figura, exerce sobre o fio uma força igual ao seu peso Fg2,
que se pode fazer variar. Estando ele em repouso, a tensão do fio tem módulo igual a Fg2 e
considerando o fio inextensível, essa tensão é transmitida ao longo de todo o fio e atua,

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portanto, sobre o bloco colocado na mesa. Estamos pois, a exercer sobre o bloco uma força de
módulo igual a Fg2.

Enquanto Fg 2   est .FN , o bloco não se move, aumentando gradualmente Fg2, atingir-se-á o

valor Fg 2   est .FN e, então, o bloco entrará em movimento. Temos então que:

Fg 2 com
Fg 2   est .FN   est  Fg1  FN
Fg 1

Coeficiente de Atrito Cinético -  cinetico (Método 2)

Podemos usar os mesmos processos para determinar o coeficiente de atrito cinético com
pequenas alterações.

Aumenta-se gradualmente a força Fg2 dando simultaneamente pequenas pancadas sobre a


mesa até que se rompe instantaneamente o contacto.

O valor de Fg 2   cinetico .FN para o qual o corpo começa a mover-se nestas condições,
permite-nos saber o coeficiente de atrito cinético.

Fg 2 com
Fg 2   cinetico .FN   cinetico  Fg 1  FN
Fg1

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Material necessário
 Bloco de madeira
 Superfícies metal e plástico
 Balança
 Massas
 Dinamómetro
 Tábua ou mesa
Procedimentos:

a) Determinação de  estatico
pelo método 1 com superfícies diferentes.

1. Meça a massa do bloco m1 sem e com superfície de metal e plástico;


2. Coloque o bloco na pista de madeira (Tábua ou mesa);
3. Vá aumentando gradualmente o valor dos pesos suspensos até que o bloco na pista
comece a deslocar-se;
4. Registe na tabela 1 a massa do conjunto de pesos m 2 que provocou o deslocamento ;
5. Repita o procedimento 3, cinco vezes;
6. Mude as superfícies do bloco;
7. Repita os procedimentos 2 a 6;
8. Calcule o  estatico
e o seu respectivo erro.
Tabela 1

m2  g 

m1 (g   estatico
m2  g 
)
1 2 3 4 5

Superfície de
madeira

Superfície plástica

Superfície de metal

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b) Determinação de  cineticoo pelo método 2 com superfícies diferentes

1. Repita todo procedimento do método 1, dando pancadas sobre a mesa para romper
instantaneamente o contacto a medida que for aumentando o valor dos pesos
suspensos;
2. Preenche a tabela 2;
3. Aumente a massa do bloco em 50g e depois em 100g;
4. Repita o procedimento só para superfície de madeira;
5. Calcule  cineticoo e o seu respectivo erro;
Tabela 2
m2  g    estatico
m2  g 
m1
1 2 3 4 5

(g)

Superfície de madeira

Superfície plástica

Superfície de metal

Superfície de madeira + 50g

Superfície de madeira
+100g

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c) Independência de atrito cinético da extensão da área de contacto.

Procedimentos
1. Puxe o bloco (5 vezes ) e registe o valor indicado pelo dinamómetro no instante em que
se inicia o movimento nas posições indicadas pela figura;
2. Compare as forças médias e tira as conclusões sobre a relação Fa e a extensão da
área em contacto.

Tabela 3

Fi 
F N 
1 2 3 4 5

Posição 1

Posição 2

Posição 3

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EXPERIÊNCIA 6: ESTUDO SOBRE A LEI DE HOOKE (PÊNDULO ELÁSTICO)

Objectivos:

1. Determinar a constante elástica duma mola;


2. Aplicar o método gráfico para o cálculo da constante elástica duma mola.

Resumo teórico
Força Elástica - Lei de Hooke

Consideremos uma mola vertical presa em sua extremidade superior, ligada a uma
partícula de massa m. conforme mostra a figura abaixo. Ao aplicarmos uma força de
intensidade F em sua extremidade livre, essa mola sofrerá uma deformação x, que
representa a variação ocorrida em seu comprimento (x = l-l0).

Essa deformação é denominada elástica quando, retirada a força, a mola retorna ao


seu comprimento original (l0 ).

Robert Hooke (1635-1703), cientista inglês, verificou experimentalmente que, em


regime de deformações elásticas, a intensidade da força aplicada à mola é
directamente proporcional à deformação produzida, isto é, se duplicarmos a
intensidade da força aplicada à mola, sua deformação dobrará, e assim por diante
enquanto a deformação for elástica.

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Podemos sintetizar a lei de Hooke pela seguinte expressão:

F   k .x

onde k é uma constante de proporcionalidade característica da mola, chamada


constante elástica da mola. Sua unidade no SI é newton por metro (N/m).

Podemos obter a constante elástica (k) de uma mola elástica através da declive da
recta de seu gráfico força x deformação, como indicado abaixo.

Convém lembrar que, no processo de deformação, a mola sempre estará sujeita a acção de
duas forças (uma em cada extremidade), sendo de mesma intensidade (k·x) quando sua
massa for desprezível (mola ideal).

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A força elástica sobre um corpo pode estar orientada no sentido de puxar (mola
esticada) ou de empurrar (mola comprimida).

Pode-se obter a constante elástica pelo método estático através da expressão

F Fg m.g
F  k .x então k  e se a massa estiver suspensa na mola : k   k
x x x

Constante elástica no movimento harmónico simples

Período
É o  intervalo de tempo necessário para o corpo completar uma oscilação em torno da
posição de equilíbrio.
n t
O período é o inverso da frequência f  então T  e podemos obter a
t n

m
constante elástica pelo método dinâmico através da expressão T  2
K

Material necessário:
Mola
Massas
Suportes
Cronómetro
Régua
Ganchos

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Procedimentos:

Determinação da constante elástica duma mola (método dinâmico)


9. Conte o tempo de 10 ciclos completos para reduzir o erro do período de uma oscilação.
10. Determine o período de oscilação, T, duma mola para seis massas diferentes e
preencha a tabela 1.
11. Represente em papel milimétrico os valores de T 2 em função da massa.
12. Calcule a constante elástica da mola na base da inclinação da recta.

Atenção! ! ! !

Não considere os resultados das medições quando o movimento for perturbado.

Nesta, como em qualquer outra experiência com molas ,não deverá estender a mola
exageradamente , uma vez que o material de que é feito poder ser deformado , alterando
definitivamente o valor da constante elástica da mola.

Tabela 1

N
o
1 2 3 4 5 6

Massas m(g)

Tempo de 10 períodos (s)

Período T (s)

 
T 2 s2

Determinação da constante elástica duma mola (método estático)


Considerando que na posição de equilíbrio a força restaurada é igual e de sentido
contrário a da força de gravidade da massa suspensa, podemos determinar a constante
elástica k medindo a extensão x provocada pelo peso da massa suspensa:

M .g
K 
x

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Procedimentos
6. Suspenda a mola que usou anteriormente sem qualquer massa adicional coincidindo o
zero da régua com a extremidade inferior da mola.
7. Suspenda na mola massas de valores diferentes e, para cada uma delas, anota as
novas posições de equilíbrio na tabela 2.
8. Determine, graficamente e matematicamente a constante elástica da mola e compare
os valores obtidos no método a) e b).

Tabela 2

N
o
1 2 3 4 5 6

Massas m(g)

Alongamento x cm 

K  mg x N m 

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EXPERIÊNCIA 7: EQUILÍBRIO DE FORÇAS

Objectivos:

3. Decompor forças;
4. Somar as forças vectorialmente;
5. Confirmar experimentalmente os conceitos aprendidos na estática.

2. Resumo teórico

Estática é o ramo da Mecânica que estuda o equilíbrio dos corpos e das suas partes.

Terceira lei de Newton

A forma exacta de F obtém-se a partir de considerações sobre a circunstância


particular do objecto. A terceira lei de Newton dá uma indicação particular sobre F se
um corpo A exerce uma força F sobre outro corpo B, então B exerce uma força (de
reacção) de igual direcção e sentido oposto sobre A, -F (terceira lei de Newton ou
princípio de acção e reacção).

Força

Na Mecânica, chama-se Força a medida quantitativa da interacção mecânica entre os corpos


materiais.

Sistema de forças

É o conjunto de forças aplicadas a um corpo.


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Estado de equilíbrio

Se o sólido sob acção do sistema de forças, mantiver o repouso ou realizar o chamado


movimento de inércia (MRU) chamaremos o semelhante estado do corpo estado de equilíbrio.
Isto é, o somatório de todas as forças actuantes no sistema é igual a zero.

F
i 1
i 0

Força resultante  R 

Quando o sistema de forças  F 1, F 2 ,...,F n  é equivalente a uma força R esta força é


denominada resultante única deste sistema de força R.

Neste caso as forças  F 1, F 2 ,...,F n  são denominadas componentes da força R ou pode se

dizer que  F 1, F 2 ,...,F n  é decomposição desta força R em suas componentes.

2 2 2
R 2  F 1  F 2 ...  F n

A fim facilitar o estudo do equilíbrio de um corpo sob acção de forças concorrentes, é


conveniente introduzir um sistema de coordenadas cartesianas, decompor as forças segundo
os eixos cartesianos e achar a resultante em cada direcção. Assim, num plano pode-se afirmar
que um corpo está em equilíbrio quando a soma das forças em cada uma das direcções x e y é
igual a zero.

Material necessário
 Suportes
 Dinamómetros de 1N
 Dinamómetro de 3N
 Barras
 Jogo de massas
 Fios
 Transferidor

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 Fita cola
 Garra
 Folha de papel A4
Proedimentos:
Prenda uma folha de papel na mesa com uma garra. A garra deve estar fixa num dos
cantos da folha. Coloque o dinamómetro de 1,5N na garra e puxe-o segundo um ângulo
de 30º com a borda da mesa, de tal modo que o dinamómetro indique uma força F de
1,0N.

1. Utilize, agora, mais dois dinamómetros: um tangente a borda da mesa e o outro


perpendicular (eixo x e y). Puxe de novo o dinamómetro de 1,5N segundo o mesmo
ângulo de 30º até ele indicar o mesmo valor que o do em item 1. Faça leitura dos
dinamómetros e preencha os resultados na folha de resposta, ( veja fig. 1) o efeito das

forças F x e F y aplicadas simultaneamente, é igual ao efeito da força F aplicada


isoladamente.
2. Calcula F r : Fr 2  Fx 2  Fy 2

3. Compare F r do item 2 com o item 1 e comente o resultado

Fig. 1

Tabela 1

ângulo α F N  F xN F yN Fr  N 

30º

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Realize a situação da figura 2 e meça os ângulos α e β

Fig. 2

Faça a leitura nos dois dinamómetros e determina a força de gravidade no corpo. Faça,
na folha do relatório, um desenho com vectores representando as forças dos
dinamómetros A e B e o peso do bloco. Escolha uma escala apropriada para uma força
de 1N. Trace o vector soma das forças dos dinamómetros A e B nesse desenho. Mostre
tanto gráfica como analiticamente que a resultante das forças é aproximadamente igual
a zero.

Tabela 3

ângulo α ângulo β F AN FBN m kg  F gN

7. Realize a situação da figura 3. O fio de 3 deve permanecer na posição horizontal

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Fig. 3

Meca o valor de  . Desenhe numa escala apropriada o valor da forca do


dinamómetro. Desenhe na fig. 3 a força do dinamómetro em componentes
rectangulares. Calcule a componente vertical da força e compare-a com a força de
gravidade. Comente o resultado.

8. Realiza a situação da figura 3 considerado 4 valores de  . O fio de 3 deve


permanecer na posição horizontal.
9. Compare o módulo do Fg com os valores na coluna direita da tabela e comente os
resultados.
10. Calcule a forca da tensão do fio 3 para um valor de  . Explique o método usado

Tabela 3
№ m g   F N  TN F gN

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EXPERIÊNCIA 8: PÊNDULO SIMPLES

Objectivos:

 Estudar o comportamento matemático do pêndulo .


 Determinar experimentalmente o valor da aceleração de gravidade
 Estudar as características de um movimento harmónico simples.
 Estudar as relações entre o período, massa, comprimento e ângulo num pêndulo
simples.

Resumo Teórico

O Pêndulo simples é um sistema mecânico que realiza


movimento periódico, oscilatório. É constituído por uma
massa puntiforme m pendurada num fio leve, de
comprimento l, que tem uma extremidade fixa, conforme
mostra a figura ao lado.

O movimento ocorre num plano vertical e é provocado pela


força de gravidade.

As forças que actuam sobre a massa são a tensão T, que actua ao longo do fio e o peso P.

Define-se período de oscilação T de um pêndulo simples como sendo o tempo necessário para
o corpo de massa m passar duas vezes consecutivas pelo mesmo ponto, movendo-se na
mesma direcção. O comprimento pendular é a distância da extremidade fixa do fio até o centro
do corpo pendurado. A amplitude A da oscilação, é definida como sendo o deslocamento
angular máximo entre a posição de equilíbrio vertical e a posição em que estiver o corpo.

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Material necessário:

Cronómetro
Fita métrica
Haste
2 Massas
Fio de 150cm
Transferidor

Procedimentos:
a) Verificação da dependência ou não do período T, com a amplitude φ.

13. Monte o esquema experimental conforme a figura, usando uma massa maior (1kg) e o
comprimento do pêndulo de  150cm . Determine o período liberando o pêndulo com
pelo menos quatro amplitudes iniciais diferentes, isto é, 4 valores de  diferentes
preencha a tabela 1.
14. Meça para cada ângulo escolhido, o tempo de pelo menos 10 oscilações completas e
calcule o valor do respectivo período T.

Observação:

O valor de  não pode ser muito grande para que as equações não percam a sua
validade. Deste modo podemos fixar o valor máximo de  como 15°.

Portanto para um comprimento pendular de 150cm a distancia do ponto de lançamento


( distância x da figura 1 ) e de 15cm ( x  1 sen ). Podemos então associar a distancia x
as amplitudes  .

Tabela 1
N°de oscilações

N°  t (s) T (s)

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b) Verificação da dependência ou não do perito T com o comprimento l .
Procedimentos:
9. Use diversos comprimentos pendulares l e a mesma massa. Sugestão: Escolha os
comprimentos pendulares de aproximadamente meio metro de diferença.
10. Procure utilizar a mesma amplitude para cada novo comprimento escolhido e calcule o
valor de x para cada comprimento pendular.
11. Meca, para cada comprimento escolhido, o tempo de pelo menos 10 oscilações
completas e calcule o valor do respectivo período T.
Tabela 2
N° N°de l  cm  t (s) T (s) x m 
oscilações

1 10

2 10

3 10

c) Verificação da dependência ou não do período T da massa pendular l


Procedimentos:
1. Na alínea a), já se determinou o período da massa 1kg com l  150cm . Usando o
mesmo comprimento pendular determine o período de oscilações da massa de 0,5kg e
de 100g.
2. Meça o período utilizando o mesmo procedimento dos itens anteriores e preencha a
tabela 3.
Tabela 3
N°de
oscilações
N° m kg  t (s) T (s)

Guiõ es de experiencias
1 10 de Mecâ nica Clá1ssica Por dr. Changadeia Pá gina 29

2 10 0,5

3 10 0,1
d) Comparação do valor da aceleração de gravidade teórico e experimental.
1. O valor da aceleração de gravidade pode ser calculado, tendo em conta a equação

l
do pêndulo matemático T  2 , em que: T é o período, l é o comprimento
g

pendular e g é a aceleração de gravidade.


2. Para as alíneas a), b) e c) calcule o valor da aceleração de gravidade e, tendo em
conta o erro absoluto, compare-o com o valor teórico.

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EXPERIÊNCIA 9: PÊNDULO DE TORÇÃO

Objectivos:
 Estudar as leis de movimento de um pêndulo de torção;
 Determinar o módulo de torção de uma substancia elástica;
Resumo teórico:
Os processos periódicos durante os quais qualquer grandeza física toma os valores iguais (ou
quase iguais ), chamam-se oscilações. As oscilações pode surgir num sistema se ao desviá-lo
do estado de equilíbrio aparecem as forças restauradoras que tendem a fazê-lo voltar para o
estado inicial.

Num sistema mecânico, a grandeza oscilante num determinado instante, caracteriza-se pelo
deslocamento linear (ou angular) a que se encontra o sistema (ou sua parte ) em relação a
posição de equilíbrio .O deslocamento varia periodicamente tanto em módulo como em sentido.

Vamos considerar as oscilações livres que se realizam num pêndulo de torção da figura 1. A
barra metálica é suspensa num fio preso a seu centro de massa O. No extremo oposto o fio é
fixado firmemente a um suporte.

Na posição de equilíbrio a soma dos torques de todas as forças é nulo. Se a torção do fio for
pequena, verifica-se que um torque restaurador que é proporcional à torção ou ao
deslocamento angular (lei de Hooke), ou seja:

   D (1)

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Em que D é constante que depende das propriedades do material do fio, denominado módulo
de torção. O sinal negativo indica que o sentido do torque é oposto ao deslocamento angular
 . Sob acção deste momento de forças elástica a barra carregada por duas massas iguais C,
situadas simetricamente a uma distância r do centro O, move-se com uma aceleração angular
α cujo o valor é determinado pela lei fundamental do movimento de rotação do corpo rígido, isto
é:

d d 2
  I .  I I 2 (2)
dt dt

Em que I é o momento de inércia do sistema. Logo, combinando a equação (1) e (2) obtém-se:

d 2 D
 0 (3)
dt 2 I

Que é a equação do movimento harmónico do sistema.

 I 
  t   m cos 2    (4)
 T 

Onde:  m é o deslocamento angular máximo, T é o período das oscilações livres que é


igual a:

I
T  2
D
(5)

E pode ser medido directamente. O módulo de torção D encontra-se indirectamente. Para isso
escrevamos o momento de inércia do sistema dos corpos que fazem parte do sistema numa

forma conveniente, isto é: I 1  I 02mR1


2
(6)

Em que 2mR12 é o momento de inércia das massas C; I 0 é o momento de inércia do resto

dos corpos do sistema; R1 é a distância do eixo OO  até ao centro de massa C.

Se as massas C forem situadas a uma outra distância R2 , o momento de inércia será igual a:

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I 2  I 0 2mR22 (7)

A partir das equações (6) e (7) obtemos


I1  I 22m R12  R22  (8)

Da fórmula (5) encontramos I 1 e I 2 através dos seus respectivos períodos T1 e T2 , isto é:

DT12 DT22
I 1 e I 2 (9)
4 2 4 2

 Agora tendo em consideração as expressões (9), a partir da (8) obtemos o módulo de


torção sob a fórmula:
2 2

D  8 2 m R1  R2
2 2
T1 T 2
Material necessário:

 Cronometro
 Régua milimétrica
 Balança
 Pêndulo de torção que esta representada na figura 1.

Procedimentos:

1. Coloque as massas C nas extremidades da barra simetricamente ao eixo OO  e meça

a distância R 1 do eixo até ao centro de massa C.

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2. Põe o pêndulo em movimento.
t1
3. Meca o tempo t 1 de n oscilações completas e calcule T1  , ( n = 10 ou n = 20)
n
4. Desloque as massas C de uns centímetros para o eixo OO  e meça a distancia R 2 .

t2
5. Põe em movimento o pêndulo, meça o t 2 de n oscilações completas e calcule T2 
n
, ( n = 10 ou n = 20).
6. Pese as massas C.
7. Calcule o módulo de torção D do material do fio, usando a relação (10).
8. Repita a experiência mais de duas vezes para valores de R 1 e R 2 diferentes dos
anteriores.
9. Calcule os erros absolutos e relativos, segundo a formula:

m R 1  R 2 R 1  R 2 T 1 T 2 T 1 T 2
D     
m R1  R 2 R1  R 2 T 1T 2 T 1T 2

 
10. Apresente os resultados na forma D   D  D  (unidades)
 

Tabela1
№ n m t1 R1 T1 t2 R2 T2 D 
D
(g) (s) (cm) (s) (s) (cm) (s) gcm 2 / s 2 D
gcm 2 / s 2

Conclusões:
1. Por que é que a amplitude das oscilações tem de ser pequena?
2. Depende ou não o período das oscilações da amplitude?

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3. Como se pode medir nesta experiência o momento de inércia dum corpo em relação ao
seu eixo de simetria?

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EXPERIÊNCIA 10: TRANSFORMAÇÃO DE ENERGIA

Objectivos:

1. Determinar a quantidade de energia potencial armazenada num elástico deformado;


2. Determinar a força de atrito entre um carrinho e uma prancha, com base na lei de
conservação de energia total.

Introdução:

Energia é um conceito muito importante. Ela representa a capacidade de realizar trabalho. A


energia pode-se apresentar de diversas formas: energia química, energia mecânica, energia
térmica, energia eléctrica, energia nuclear, etc.

Neste trabalho se trata de transformação de alguns tipos de energia (potencial elástica E e,


potencial gravitacional, Eg e térmica Qt), utilizando para tal o princípio de conservação de
energia, segundo o qual a energia não se cria nem se destrói, ela se transforma. Este princípio
constitui uma das leis básicas da natureza.

Para um elástico, que se utiliza na experiência, a força f não é directamente proporcional à


deformação ∆x. para obter a energia potencial elástica E e constrói-se o gráfico F  f  x  e
determina-se a área sob a curva. Esta área corresponderá à energia potencial elástica
armazenada no elástico.

A expressão para a energia potencial gravitacional é a seguinte:

E g  mgh
(1)

Em que m é a massa do corpo, g é a aceleração de gravidade e h é a altura.

A energia térmica resulta do trabalho realizado pela força de atrito:

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Qt  Fa .d
(2)

Em que Fa é a força de atrito e d é a distância percorrida.

Pelo procedimento, o carrinho com ajuda do elástico deformado é lançado ao longo do plano
inclinado como mostra a figura 3. Considerando a posição inicial A e a posição final B do
carrinho, a energia potencial elástica se transforma em energia potencial gravitacional e
energia térmica.

Assim, aplicando a lei de conservação de energia entre as posições A e b temos:

EtotalA  EtotalB

EcA  E gA  E gB  Qt

EcA  mgh A  mghB  Qt

EcA  mg  hA  hB   Qt

Qt  EcA  E g
(3)

EcA  E g
Fa 
d (4)

Material necessário:

 Prancha
 Dinamómetro de 20N
 Elástico
 Carrinho
 Régua
 Balança
 Papel milimétrico

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Procedimentos:

1. Realize a situação representada na figura 1. A extremidade à direita do plano inclinado


tem altura de h  30cm .
2. Fixe com ajuda das garras o elástico na posição C (fig.2). o elástico não deve ser
esticado.
3. Com ajuda do dinamómetro puxe o carrinho juntamente com o elástico para trás de
x  2,0cm a x  14,0cm em intervalos de 2,0cm . Anote as leituras de força F do
dinamómetro na tabela 1.
cateto oposto
4. Faça medições necessárias para determinar o ângulo   cateto adjacente

5. Meça com ajuda da balança a massa do carrinho.


6. Dispare o carrinho a partir de x  6,0cm (fig. 3), meça o deslocamento d e anote-o na
tabela 2.
7. Repita o procedimento 6 disparando o carrinho das posições x  8,0cm , x  10,0cm ,
x  12,0cm e x  14,0cm .

Tabele 1

x(m) 0,020 0,040 0,060 0,080 0,100 0,120 0,140

F(N)

Ec(J)

Cateto oposto ________ cm

Cateto adjacente _______ cm

Massa do carrinho _______ kg

Tabela 2

x(m) d(m) h m  E g  J  Q J  Fa  N 

0,060

0,080

0,100

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0,120

0,140

Conclusões:

1. Represente no papel milimétrico os dados do quadro 1 e determine a energia potencial


elástica armazenada no elástico (método das áreas).
2. Faça os cálculos necessários para determinar o ângulo  .
3. Calcule h utilizando o valor o valor do ângulo  calculado.
4. Faça cálculos necessários para preencher o quadro 2.
5. Calcule a força de atrito média e tire as conclusões.

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EXPERIÊNCIA 11: TEOREMA DE VARIAÇÃO DO MOMENTO ANGULAR DUM SISTEMA

Objectivos:

1. Verificar experimentalmente o teorema da variação do momento angular dum sistema


usando a máquina de Oberbeck;
2. Determinar experimentalmente o momento de inércia.

Resumo teórico:

O teorema de variação do momento angular L dum sistema em relação a um eixo fixo (no
exemplo é considerado o eixo coincidente com o eixo da rotação da roldana) é traduzido pela
fórmula:

dL 
  ext .
dt


Em que  ext . é o momento de todas as forças externas que actuam sobre o sistema em
relação ao eixo O.

Apenas o momento da força M.g em relação ao eixo O é diferente de zero. Portanto:

 ext .  M .g .R (1)

O momento angular L do sistema em relação ao eixo O é dado por:

   
L  I 0  4mr 2   MvR ou L  I 0  4mr 2  MR 2  visto que
v  R. (2)

Onde:  é a velocidade angular de rotação da roldana


juntamente com as barras da cruz com quatro massas m; r é o
raio a que ista a massa m do eixo O; R é o raio da roldana.

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Substituindo o valor de L (2) na equação (1) e atendendo a relação entre a velocidade e a
aceleração angular   d dt , obtemos:

MgR
 (3)
I 0  4mr 2  MR 2

Fig.1 Acção das forças num sistema de Oberbeck

Material necessário:

 Máquina de Oberbeck
 Fita métrica
 Cronómetro
 Pesos

A máquina de Oberbeck, figura 2, é constituída por uma


roldana ligada a uma cruz com quatro massas idênticas m que
devem ser fixas a mesma distância do eixo. A roldana é
bobinada por um fio na extremidade do qual suspende-se um
corpo de massa M.

Nas extremidades propostas, as massas m colocam-se mesma dist6ancia r do eixo O e


efectuam em conjunto com a roldana e a cruz um movimento de rotação, enquanto a massa M
realiza um movimento de translação na direcção vertical. A fita métrica e o cronómetro
possibilitam tirar as características cinemáticas do movimento.

Procedimentos:

A verificação experimental da equação do teorema da variação do momento angular divide-se


em três partes:

I. Determinação do momento angular próprio do sistema I 0


II. Verificação da dependência da aceleração angular  da massa M    f  M   ;
III. Verificação da dependência da aceleração angular  do momento de inércia
I  I 0  4mr 2 quando M é constante.

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Parte I

1. Tire as massa m da barras da cruz;


2. Bobine o fio na roldana, situando a massa M a uma altura h e anote o seu valor na
tabela 1;
3. Deixando cair a massa M sem velocidade inicial da altura h, meça o tempo t1 que ela
leva para atingir o chão. Repita o mesmo procedimento mais duas vezes. Calcule
t   t1  t 2  t 3  3 ; calcule também  usando a fórmula   a R  2h Rt 2
MgR g 
4. Da fórmula (3), que neste caso tem o aspecto   2 e resulta I 0  MR  R ,
I 0  MR  
calcule o valor de momento de inércia próprio.
5. Repita as alíneas 2 e 4 para diferentes para diferentes valores de massa M e preenche
a tabela 1.
6. Calcule o valor médio do momento de inércia próprio do sistema I 0 .

Tabela 1

№ h m  t  s   rad .s 2  M  kg  
I 0 kgm 2 
1

Média

Parte II

1. Fixe as massas m nas barras da cruz a uma distancia r do eixo.


2. Proceda como nas alíneas 2 e 3 parte I e preencha os valores medidos na tabela 2.
3. Repita o procedimento anterior, deixando as massas m na mesma distância r do eixo e
aumente gradualmente quatro vezes a massa M.

Tabela 2

№ h m  t s M  kg    rad .s 2  r  m  m kg  R m  
I 0 kgm 2   t  rad .s 2 

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2

4. Calcule pela fórmula (3) o valor teórico da aceleração angular  t e preencha a última
coluna da tabela 2
5. No mesmo sistema ortogonal represente os gráficos   f  M  e  t  f  M  de
aceleração angular experimental  e teórica  t em função da massa.
6. Compare  com  t e tire conclusões.

Parte III

1. Mantendo M constante procede como nas alíneas 2 e 3 da parte 1 para diferentes


valores da distancia r e preencha as primeiras seis colunas da tabela 3.
2. Para cada valor de r calcule I  I 0  4mr e preencha a coluna 7 da tabela 3.
2

Tabela 3

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№ M  kg  m kg  r  m h m  t s   rad .s 2  I  kg .m 2 

3. Trace no mesmo sistema ortogonal os gráficos f 1  I  


e   f I  MR 2 / MgR .
4. Compare os valores I e MR 2 , tire as conclusões sobre  e  t e os respectivos
gráficos.

Conclusões:

1. Deduza a fórmula (3) a partir da lei principal da dinâmica de rotação dum corpo rígido.
2. Porque o momento da força m0 .g é igual a zero?
3. Porque na equação (3) não entra a tensão do fio?
4. Podemos considerar que o momento das forças que actuam sobre o sistema roldana-
cruz-mas4444sas m é igual a MgR ?

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EXPERIÊNCIA 12: ONDAS ESTACIONÁRIAS

OBJECTIVOS:

 Estudar os processos ondulatórios.


 Determinar as velocidades de propagação do sistema.

RESUMO TEÓRICO

Parte 1

Num corpo unidimensional de tamanho finito, tal como uma corda esticada pelas duas
extremidades de comprimento l, as ondas que se propagam são reflectidas nos contornos do
corpo, isto é, nas presilhas. Cada reflexão dessas origina uma onda que se propaga pela corda
no sentido oposto. As ondas reflectidas somam-se as ondas incidentes, de acordo com o
princípio de superposição.

Consideremos dois trens de ondas que tenham a mesma frequência, velocidade e


amplitude e que se propagam em sentidos opostos ao longo de uma corda. Duas dessas ondas
podem ser representadas pelas equações.

y1  y o  sen kx  t  (1)
y 2  y o  sen kx  t 
(2)
A onda resultante pode ser representada, portanto, como:

y  y1  y 2  y o  sen kx  t   y o  sen kx  t 

Ou, utilizando a relação trigonométrica podemos ter:

y  2 senkx  cos t (3)

em que y – amplitude da onda sinusoidal,

y0 – amplitude máxima,

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 2 
k – número de onda  k  .
  

ω – frequência angular    2 T  .

A equação (3) é a equação de uma onda estacionária.

Note que uma partícula, localizada em qualquer ponto, realiza movimento harmónico simples
com o decorrer do tempo e que todas as partículas vibram com a mesma frequência. A
característica duma onda estacionária é o facto de que a amplitude não é a mesma para
diferentes partículas, variando com a posição da partícula.

fig. 1 Ondas estacionárias

Com efeito, a amplitude, 2 y o sen kx  , tem valor máximo 2 y o nos pontos para os quais:
kx   2 , 3 2 , 5 2 , etc. ou seja x   4 , 3 4 , 5 4 , etc.

Esses pontos são denominados antinodos, estando distanciados entre si em meio comprimento
de onda (figura 1). A distância de um nodo ao antinodo adjacente é de um quarto de
comprimento de onda. Está claro que não há transmissão de energia ao longo da corda para a
direita ou para a esquerda, pois a energia não pode ultrapassar os pontos nodais, em que a
corda está permanentemente em repouso.

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Parte 2

Vamos agora deduzir a velocidade de um pulso, que se propaga numa corda, através da
análise mecânica.

A figura 2 representa um pulso de onda que se desloca ao longo da corda da direita para a
esquerda, com velocidade v.

Figura 2 – Pulso de onda

Pode-se imaginar que toda a corda se move da direita com essa velocidade, de forma que o
pulso de onda permaneça fixo no espaço, enquanto as partículas que compõem a corda
passam sucessivamente por ele. Considere uma pequena secção do pulso, cujo comprimento
l seja um arco de um círculo de raio R, representado na figura 2. Sendo μ a massa por
unidade de comprimento de corda (ou densidade linear), l é a massa desse elemento.

A tensão F da corda é uma força tangencial que age em cada extremo deste pequeno
segmento da corda. As componentes horizontais se cancelam e as verticais são iguais a
Fsen . Portanto, a força vertical total é 2.Fsen . Como θ é pequeno, sen   e portanto,

l
2 Fsen  2 F  2 F 2  F l (4)
R R

expressão da força que produz a aceleração centrípeta das partículas da corda, dirigida para
O.

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Ora, a força centrípeta que actua na massa l que se move sobre um círculo de raio R com
velocidade v é expressa por lv 2 R . Note que a velocidade tangencial v desse elemento de
massa é horizontal na parte superior do arco, identificando-se com a velocidade de fase do
pulso. Combinando as expressões equivalentes dadas acima obtém-se:

l lv 2
F  (5)
R R

F
Ou seja v (6)

Parte 3

Em geral, sempre que, sobre um sistema capaz de oscilar actua uma série de impulsos
periódicos cuja frequência seja igual ou quase igual a frequência natural do sistema, este
começará também a oscilar com amplitude relativamente grande. Tal fenómeno denomina-se
ressonância.

Consideramos uma corda que tenha fixas ambas extremidades, nela podem ser produzidas
oscilações ou ondas estacionárias. A única exigência que pode ser atendida é que as
extremidades da corda sejam nodos de vibração. Entre eles pode haver qualquer número de
nodos intermediários, zero inclusive; por isso o comprimento de onda estacionária pode
assumir muitos valores diferentes. A distância entre nodos adjacentes é  2 ; portanto numa
corda de comprimento l haverá exactamente um número inteiro n de meios comprimentos de

onda,  2 , isto é n  2  l . Ou seja   2l n , n = 1, 2, 3, etc. Ora   v f e v   F   1 2


portanto as frequências de oscilação:

n F
f  (7)
2l 

Material necessário:

Na figura 3 esta representado o aparelho experimental, que é constituído pelas seguintes


partes:

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V – Vibrador que se alimenta da rede eléctrica com frequência de 50 Hz e a tensão máxima

de alimentação de 6V. A extremidade A do vibrador oscila com frequência de f A  50 Hz ;

D – Dinamómetro que mede a força de tensão da corda;

Fig. 3 Esquema de montagem do aparelho das ondas estacionárias.

PROCEDIMENTOS

1. Meça o comprimento da corda l (entre os pontos A e C),


2. Meça a massa da corda,
3. Determina a densidade linear  ,
4. Ligue o vibrador à rede eléctrica e verifique se o ponto A da corda oscila,
5. Variando gradualmente a forca de tensão da corda (para isso variamos a altura do
dinamómetro ou a distância AB), obtenha as ondas estacionarias bem fixas para três
números diferentes ( n  2,3,4 ).
6. Para cada valor de n anote a amplitude de ondas y0 , seu comprimento  e da escala do
dinamómetro a força de tensão da corda F.
7. Calcule a velocidade da onda pela fórmula (6).

Guiõ es de experiencias de Mecâ nica Clá ssica Por dr. Changadeia Pá gina 49
8. Determine a frequência natural f pela fórmula (7) e compare esta frequência com a

vibração de extremidade A ( f A  50 Hz )

m 2 y0 f K 
(Hz) ( rad / s )
№ n m(kg) l(m) (kg/m) F(N) (m) v(m/s) (1/m)  (m)

1 2

2 3

3 4

Conclusões:

1. Escreva as equações das ondas estacionárias utilizando a fórmula (7).


2. Como se pode provar experimentalmente eu existe energia numa onda?
3. De que dependem a forma e a amplitude duma onda estacionária nesta experiência?
4. Como se determina a velocidade e a frequência natural de propagação de uma onda?
5. Sob que condições na corda de comprimento l podem excitar-se ondas estacionárias?
6. Qual é o sentido físico do número de onda k?

Guiõ es de experiencias de Mecâ nica Clá ssica Por dr. Changadeia Pá gina 50

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