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2.

0 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Conceito de inteligência emocional


Durante anos foi realizado pesquisas que poderiam comprovar uma
definição clara e objetiva sobre a inteligência emocional, assim, através de
estudos científicos o conceito de I.E trouxe uma nova visão em relação ao
emocional e quociente. Assim sendo, o “monitoramento dos sentimentos e
emoções em si mesmo e nos outros, na discriminação entre ambos e na
utilização desta informação para guiar o pensamento e as ações” (SALOVEY;
MAYER, 1990, apud., p. 189), traduz de forma clara, que a inteligência
emocional é ação equilibrada dos sentimentos e emoções tanto do próprio
quociente e daqueles que estão a sua volta.

IE é simplesmente o uso inteligente das emoções – isto é,


fazer intencionalmente com que as emoções trabalhem a
seu favor, usando-as como uma ajuda para ditar seu
comportamento a seu raciocínio de maneira a aperfeiçoar
seus resultados. (WEISINGER, 2001, p. 14).

Weisinger descreve um ponto importante para a compreensão de I.E,


que se baseia nas ações inteligentes, o beneficiamento de tal comportamento
que que envolve emoção, mas que deve ser trabalhado para favorecimento
próprio onde conseguirá ter cautela das suas atitudes e emoções em
determinados momentos.
Percebe-se que a definição conceitual de I.E pode variar de acordo com
cada pesquisador, GOLEMAN (2005, p.323) diz que a inteligência emocional
poder ser a “capacidade de reconhecer os nossos sentimentos e dos outros,
de nos motivarmos e de gerirmos bem as emoções em nós e nas nossas
relações”. O autor determina que a inteligência emocional é o reconhecimento
dos sentimentos, que de certa forma, pode nos motivar, mas que devemos
saber gerir, tanto para si mesmo, tanto na convivência em outros
relacionamentos, sejam eles, pessoais ou profissionais, podendo influenciar em
possíveis decisões.
Para Mayer e Salovey, assim como cita Lima no seu trabalho, os dois
autores conceituam quatros habilidades básicas de I.E, sendo elas:
A capacidade de perceber, valorizar e expressar emoções com
precisão; capacidade de acessar e/ ou gerar sentimentos que
facilitem o pensamento; a capacidade de compreender
emoções promovendo o crescimento emocional e intelectual
(MAYER; SALOVEY, 1997, p.15) (LIMA, 2019, p. 15).

Segunda Lima, pode se dizer que o desenvolvimento de I.E é importante


quando ampliada de maneira que as principais técnicas de autoconsciência,
controle emocional e motivação sejam administradas de forma lidar com as
emoções. (LIMA, 2019, p. 17). A inteligência emocional é uma habilidade que
se desenvolve com tais aptidões que capacitam o indivíduo na sua vida
profissional e pessoal, pois, lidar com as emoções do quociente emocional
requer sabedoria em momentos de pressão psicológica.
Conclui-se o conceito de inteligência emocional de acordo com
Goleman, Boyatzis e Mckee (2002, p. 49), que as pessoas com habilidades
emocionais desenvolvidas possuem uma maior probabilidade de serem
eficientes, dominando os hábitos mentais que fomentam a sua produtividade.
Portanto, o treinamento e a busca por desenvolver o I.E se tornou importante,
principalmente, ao longo da carreira profissional. Goleman (2015) afirma que
ter uma boa Inteligência Emocional é mais importante para a liderança do que
aptidões puramente cognitivas, como fazer cálculos.

2.2 A inteligência emocional no ambiente de trabalho


O uso da inteligência emocional no ambiente de trabalho é de extrema
importância, não só para aumentar a saúde mental da pessoa, como também
seu desempenho sobre atividades que demandem muita concentração, além
de estabelecer um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, segundo o
autor Wachowicz (2012, p.92)

As pessoas que apresentam dificuldades de estabelecer


equilíbrio em sua vida emocional acabam tendo problemas com
a capacidade de concentração e atenção no trabalho”. O que
pode gerar “[...] redução no raciocínio lógico, na percepção do
todo e na dificuldade de comunicação clara e objetiva, pois o
foco está direcionado para o emocional”. Além disso, essas
pessoas poderão apresentar queda de produtividade e
distração em seu ambiente de trabalho.
Seguindo a linha de entendimento do autor, pode-se compreender que o
colaborador com ausência da inteligência emocional influencia negativamente o
ambiente de trabalho, pois não cumpre com o seu papel, já que seu foco está
voltado para suas emoções e não para suas atividades, o que pode ocasionar
em uma baixa produtividade, e alto estresse.
Zanelli, Borges-Andrade e Bastos (2004, p.222), trazem que: “[...]
pessoas emocionalmente inteligentes estariam aptas a reconhecer os seus
estados emocionais e os de outras pessoas, a solucionar problemas e a regular
ações em diversas situações ou contextos, inclusive no de trabalho”.
Com as afirmações de Zanelli, Borges-Andrade e Bastos (2004) fica
claro que uma pessoa emocionalmente inteligente consegue ter a percepção
sobre, não só suas emoções, como também das pessoas ao seu redor, e
assim ser capaz de agir estrategicamente em momentos desafiadores, tanto no
trabalho, como fora dele.
Uma pessoa deveria ser capaz de ser receptiva às emoções quando
elas ocorrerem, sejam agradáveis ou desagradáveis. A partir disso, o sujeito
avaliaria e refletiria conscientemente sobre o sentimento despertado,
ponderando sua importância, para então estabelecer uma estratégia de
controle, refreando as emoções negativas ou evitando as situações
desprazerosas, e valorizando as positivas e agradáveis (Bueno & Primi, 2003;
Mayer & Salovey, 1999).
Assim, funcionários emocionalmente inteligentes tendem a favorecer
muito o local de trabalho positivamente, pois conseguem traçar estratégias que
beneficiam não só ele, como quem está ao seu redor, sabem como agir em
determinadas situações, e servem de exemplo a outros funcionários, criando
um ciclo, e ajudando não só o ambiente de trabalho, como a própria empresa.
Os autores Guebur, Poletto e Vieira (2007, p. 79) afirmam que

É importante salientar que as pessoas que têm a inteligência


emocional bem desenvolvida sentem-se satisfeitas e tendem a
ser eficientes em sua vida pessoal e profissional, aumentando
sua produtividade. Sabem gerenciar emoções, promover a
cooperação, tomar decisões adequadas, desenvolver o
autoconhecimento e ter empatia pessoal. São autoconfiantes e
capazes de persistir num determinado objetivo, apesar dos
percalços. Conseguem controlar impulsos e se mantêm em
bom estado de espírito, não deixando que a ansiedade interfira
em sua capacidade de raciocinar.
Entretanto, não se pode levar em consideração apenas o colaborador
como o principal causador de um ambiente de estresse, ou um ambiente
desequilibrado, Falcão (2008) explica que um ambiente é fruto dos fatores que
atuam sobre ele. Classifica os fatores atuantes no ambiente como Principais e
Secundários. Os principais são temperatura, iluminação, ruídos, vibrações,
odores, cores e layout. Já os secundários são arquitetura, relações humanas,
remuneração, estabilidade e apoio social.
Com isso, é possível perceber que tanto a influência de um ser sobre o
outro, como a de um ambiente sobre o ser, pode ocasionar em um ambiente de
trabalho com baixa produtividade, e alto estresse, o que afeta negativamente a
empresa, seja na sua imagem, ou até no seu crescimento.
De acordo com Krone et al. (2013, p. 4) O ambiente de trabalho se
distingue por condições físicas, materiais, e por qualidades psicológicas e
sociais. Sendo assim, um ambiente de trabalho agradável pode influenciar o
relacionamento interpessoal e a produtividade, bem como reduzir acidentes,
doenças, absenteísmo e rotatividade de colaboradores [...]
Um ambiente de trabalho saudável deve ser um dos focos primordiais de
uma empresa, para que os colaboradores consigam desenvolver a inteligência
emocional de modo mais sadio, Navarro (2012, p. 1) expõe que

A segurança, saúde e bem-estar dos trabalhadores são


preocupações vitais de centenas de milhões de profissionais
em todo o mundo, mas a questão se estende para além dos
indivíduos e suas famílias. Ela é de suprema importância para
a produtividade, competitividade e sustentabilidade das
empresas e comunidades, assim como para as economias
nacionais e regionais.

Portanto, assim como os funcionários emocionalmente inteligentes


proporcionam o crescimento positivo da organização, o ambiente também.
Existe uma correlação entre os dois, que ao atingir o ponto de equilíbrio, resulta
em uma maior produtividade, uma imagem melhor sobre a empresa, menos
rotatividade de funcionários etc. Com isso, a empresa atingiria um estágio onde
não estaria beneficiando apenas a si própria, como também a sociedade de
modo indireto.
2.3 A inteligência emocional no desempenho profissional
Do ponto de vista teórico empírico, o termo inteligência emocional foi
utilizado pela primeira vez por, Mayer, DiPaolo e Salovey (1990), em um
periódico científico internacional de Psicologia, num trabalho que teve como
objetivo estudar empiricamente um de seus componentes, a habilidade de
percepção de conteúdos afetivos. Essa pesquisa citou a inteligência emocional
como uma subclasse da Inteligência Social, cujas habilidades estariam
relacionadas ao "monitoramento dos sentimentos em si e nos outros, na
discriminação entre ambos e na utilização desta informação para guiar o
pensamento e as ações Duramente algumas décadas a inteligência emocional
passou a ser conhecida como "a capacidade de perceber acuradamente, de
avaliar e de expressar emoções;
para os mesmos autores, a relação positiva entre a inteligência e o
sucesso no trabalho não estabelece um artifício decorrente do nível
socioeconômico, mas sim, de que a inteligência é a causa fundamental da
correlação entre nível socioeconômico e sucesso ocupacional. Análises em
pesquisas de Brody (1997, conforme citado por Nascimento, 2000) com relação
ao nível ocupacional e habilidades intelectuais demonstraram que variações na
inteligência influenciam mudanças no status ocupacional.
A inteligência emocional é capaz de predizer o desempenho profissional
para além do que a tradicional possa prever, ou seja, esse estudo buscou
trazer dados de validade incremental (Smith, Fischer & Fister, 2003). Sabendo-
se que a inteligência emocional se associa ao desempenho profissional e que
ela também está correlacionada com a inteligência, pode-se questionar se a
previsão do desempenho é a compartilhada com a inteligência.
Caso isso seja verdadeiro, a emocional não apresentaria informações
únicas para a previsão do desempenho profissional, ou seja, não teria validade
incremental (Smith, Fischer & Fister, 2003). Assim esse estudo corrobora os
dados da literatura internacional mostrando que a inteligência geral está
associada significativamente ao desempenho no trabalho (Barrett & Depinet,
1991; ao mesmo tempo mostra que a inteligência emocional é um preditor
único do desempenho no trabalho, mas vista como fator adicional e não o mais
importante, como diz Goleman (1995).
Em suma, os dados desse trabalho trazem mais evidências positivas
coerentes com as reivindicações de que inteligência emocional é um tipo
separado das inteligências conhecidas e importantes no contexto
organizacional.
Assim a capacidade de resolver problemas complexos usando o
raciocínio indutivo-dedutivo como medido na BPR-5 (Primi & Almeida, 2000b) e
a habilidade de entender as informações sobre o mundo trazidas pelas
emoções e a habilidade de as gerenciar em si e nos outros são aspectos
importantes do desempenho no trabalho, já que pessoas com essas
características tendem a ser mais frequentemente avaliadas, pelos seus
supervisores, como funcionários muito bons ou excelentes.
Conclui-se então, que o construto de inteligência emocional parece ser
um tipo específico de inteligência, que antes não havia sido demonstrado,
sendo independente de medidas de personalidade e relativamente associado a
medidas tradicionais de inteligência podendo ainda ser útil na previsão do
desempenho profissional.

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