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Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária

Gerencial II da
Assistência Técnica
e Gerencial

Este curso tem

30 horas

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 1


©2017. FATECNA - Faculdade CNA a Distância

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A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação

dos direitos autorais (Lei Nº 9.610).

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Presidente do Conselho Deliberativo


João Martins da Silva Júnior

Entidades integrantes do Conselho Deliberativo


Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA

Confederação dos Trabalhadores na Agricultura - CONTAG

Ministério do Trabalho e Emprego - MTE

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA

Ministério da Educação - MEC

Organização das Cooperativas Brasileiras - OCB

Agroindústrias / indicação da Confederação Nacional da Indústria - CNI

Diretor Geral
Daniel Klüppel Carrara

Coordenação de Assistência Técnica e Gerencial


Matheus Ferreira Pinto da Silva
Curso da Faculdade de Tecnologia CNA

Gerencial II da
Assistência Técnica
e Gerencial
Sumário

Ponto de Partida! ............................................................................................................... 5


Introdução do módulo ...................................................................................................... 10
Tema 1 | Cálculo de custo de produção I ........................................................................... 13
Encerramento do tema..................................................................................... 65
Atividade de aprendizagem.............................................................................. 66
Tema 2 | Cálculo de custo de produção II.......................................................................... 68
Encerramento do tema................................................................................... 126
Atividade de aprendizagem............................................................................ 127
Tema 3 | Cálculo de Indicadores...................................................................................... 130
Encerramento do tema................................................................................... 169
Atividade de aprendizagem............................................................................ 170
Linha de Chegada........................................................................................................... 172
Gabarito ...................................................................................................................... 174
Ponto de Partida!

Fonte: Banco de imagens do SENAR

Olá! Bem-vindo(a) ao terceiro módulo do curso Assistência Técnica e Gerencial –


Pecuária, da Faculdade CNA a distância.

Esse curso tem como objetivo principal abordar a dinâmica no campo e o dia a dia
de um Técnico de Campo, capacitando-o para as diferentes situações que envolvem
a Assistência Técnica e Gerencial da propriedade rural.

Vamos relembrar os objetivos de cada um dos módulos que compõem o curso?

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 5


Dispor conhecimentos metodológicos para o desem-
M1 - Metodologia penho necessário de ações de Assistência Técnica e
de Assistência Técnica
Gerencial, destacando as competências requeridas
e Gerencial
ao exercício da atividade.

M2 - Gerencial I da Compreender de forma ampla os conceitos geren-


Assistência Técnica e
ciais que envolvem a Assistência Técnica e Gerencial.
Gerencial

M3 - Gerencial II da Contextualizar os conceitos gerenciais da Metodolo-


Assistência Técnica e
gia de Assistência Técnica e Gerencial.
Gerencial

M4 - Gerencial III da Contextualizar os conceitos gerenciais da Metodolo-


Assistência Técnica e
gia de Assistência Técnica e Gerencial.
Gerencial

Definir em que consiste o planejamento estratégico


M5 – Planejamento de da propriedade rural assistida pela metodologia de
propriedade rural
ATeG, facilitando sua compreensão e aplicabilidade.

Perceba que os conteúdos a serem trabalhados em cada módulo são interligados e


complementares entre si. Ao final do curso, sua formação na Assistência Técnica e
Gerencial será completa.

Fonte: Banco de imagens do SENAR

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Para ter um melhor aproveitamento do curso e utilizar com qualidade todos os re-
cursos disponíveis, confira se as configurações do computador atendem as especi-
ficações mínimas para acesso:

• computador com acesso à internet (é recomendado o uso de banda larga);

• navegador Internet Explorer 9, Firefox versão 45 ou Chrome versão 50 (ou


superiores);

• cookies liberados no navegador;

• plug-in do Flash 10 (ou superior) instalado;

• JavaScript liberado no navegador;

• caixa de som (para ouvir os vídeos ao longo do conteúdo);

• configuração mínima necessária do monitor: 1024 x 768.

Atividades
A navegação pelo conteúdo de cada módulo será linear, ou seja, você deverá aces-
sar o primeiro tema, conferir todos os tópicos e realizar a atividade de passagem
para, depois, acessar o tema seguinte. Veja os tipos de atividades que teremos ao
longo dos módulos:

Atividade de passagem

A atividade de passagem será composta por uma questão com o ob-


jetivo de verificar se você teve um bom aproveitamento em relação ao
conteúdo do tema correspondente. É importante responder à ativida-
de para poder acessar o tema seguinte.

Fórum

O fórum proporciona o debate e a troca de conhecimento entre você e o


tutor. Haverá um fórum por módulo, que ficará aberto durante todo o seu
período de estudos nesse módulo, permitindo que você faça a postagem
de novas percepções, enquanto trilha seu processo de aprendizagem.

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Simulado

Ao finalizar o conteúdo, isto é, quando você tiver passado por todos


os temas do módulo e respondido à última atividade, deverá se pre-
parar para responder ao simulado, que será composto por 17 ques-
tões de múltipla escolha. Você pode respondê-lo de uma a três vezes,
para se preparar adequadamente para a avaliação.

Avaliação

A Avaliação é obrigatória e tem caráter avaliativo, tendo como objeti-


vo verificar o seu desempenho em cada módulo. Ela é composta por
17 questões objetivas, assim como o simulado. Você poderá respon-
dê-la apenas uma vez, depois da conclusão dos 3 temas de estudo e
após realizar o simulado.

Estudo de caso

É obrigatório, com caráter avaliativo. O estudo de caso consiste em


uma questão reflexiva, relacionada aos temas estudados. No primei-
ro módulo, como resposta para a questão, você deverá gravar um ví-
deo respondendo oralmente à pergunta lançada no estudo de caso. A
partir do segundo módulo ela será discursiva.

Outra atividade importante para realizar no Ambiente de Estudos é a pesquisa de


satisfação. Com essa pesquisa, poderemos analisar a qualidade do curso por meio
das suas respostas e, assim, melhorá-lo cada vez mais.

Composição da nota de cada módulo

A nota do módulo é composta por uma média simples entre a nota


da Avaliação e o Estudo de caso. A nota pode variar de 0 a 10, sendo
que na Avaliação a correção é automática e no Estudo de caso você
receberá a nota junto com o feedback do tutor. Para ser considerado
aprovado no curso, você precisa alcançar a média final igual ou su-
perior a 6. Ela é obtida por meio de uma média simples de suas notas
em cada módulo.

Certificado
Ao final do percurso, com o desempenho esperado, você terá seu certificado de con-
clusão do curso. Para obtê-lo, você deverá:

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• percorrer o conteúdo dos módulos e seus temas;

• realizar a atividade de passagem de cada tema;

• realizar o simulado de cada módulo;

• realizar a avaliação de cada módulo;

• responder ao estudo de caso em cada módulo;

• alcançar um desempenho de 60% na média final do curso.

Agora que você está bem informado, poderá dar início ao seu curso e realizar o
acesso ao conteúdo. Conte sempre com a ajuda da tutoria e da monitoria caso tenha
alguma dúvida quanto ao curso ou Ambiente de Estudos. Aproveite a oportunidade
para participar das atividades propostas, como os fóruns e enquetes.

Lembre-se de que você terá sucesso garantido na busca por crescimento pessoal e
profissional se mantiver a organização e a dedicação durante esse processo.

Siga em frente e bons estudos!

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Introdução do módulo

Fonte: Banco de imagens do SENAR

Neste módulo, iniciaremos o estudo de cálculo de custo de produção e também


algumas análises econômicas da empresa rural. O primeiro, por ser um assunto
bastante extenso, está dividido entre os temas 1 e 2 deste módulo. Os principais
conceitos que serão explanados nesses temas foram previamente introduzidos no
Módulo 2, ao tratarmos da “Teoria Geral de Custos”. Iremos nos aprofundar em cada
uma daquelas estruturas de custos previamente citadas com vários exemplos prá-
ticos e em diversas cadeias produtivas. Fique atento!

Objetivos

O objetivo geral deste terceiro módulo é proporcionar uma ampla


apresentação e discussão das diversas peculiaridades que envolvem
a identificação dos custos na agropecuária, permitindo que o aluno
desenvolva uma visão mais crítica para o momento da aplicação em
seu trabalho prático, devidamente embasado em critérios técnicos,
de acordo a Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial. Dese-
ja-se que, ao final, este estudo proporcione uma análise econômica
mais fidedigna da empresa rural.

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Adentrando os custos, o primeiro contato do aluno será com o Custo Operacional
Efetivo (COE), pois esse é o mais facilmente enxergado pelos empresários rurais de-
vido à necessidade de desembolsos financeiros, conforme será visto. Ao final desse
tópico, o aluno deverá compreender a correta alocação dessas despesas, dedican-
do-se a investigar o que foi gasto de insumos para a produção de determinado item,
assim como diferenciar uma simples manutenção de equipamento, maquinário ou
benfeitoria de uma reforma.

Em seguida, serão abordados itens considerados como custos fixos em nossa me-
todologia. Espera-se que, ao final das duas primeiras etapas deste módulo, o alu-
no seja capaz de estratificar custos operacionais e custo total, alocando apropria-
damente cada elemento de custo, tendo como foco desse trabalho a identificação
dos fatores de maior impacto e também aqueles limitantes de desenvolvimento da
atividade, para que possa ser elaborado um planejamento adequado ao final do
processo.

Na última etapa deste módulo, espera-se que o aluno defina os conceitos de mar-
gem bruta e lucro, que se fazem muito importantes devido ao fácil entendimento de
que, via de regra, os produtores têm a margem bruta como sendo o “lucro líquido da
atividade”. Nesse entremeio, também será vista a conceituação de margem líquida,
que fornecerá dados essenciais para que o aluno aplique e compreenda a taxa de
retorno de um investimento.

Para atingir esses objetivos, o módulo está estruturado em três temas:

• Tema 1: Cálculo de custos de produção I

• Tema 2: Cálculo de custos de produção II

• Tema 3: Cálculo de indicadores

Mantenha-se focado no estudo deste módulo, que é o cerne da metodologia de cál-


culo de custos de produção, aproveitando ao máximo as explanações. Não deixe de
realizar e conferir os exercícios propostos. Boa aula!

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Vídeos

Antes de avançar, lembre-se do Marcelo, Técnico de Campo, e do Sr.


Ariovaldo. Nós os acompanhamos desde o início, construindo jun-
to deles nosso aprendizado. O Marcelo vem trabalhando na Fazenda
Santa Felicidade, que também já apresentamos a você. O Sr. Ario-
valdo procura aprender ainda mais com a ajuda do Marcelo, fazendo
diversos questionamentos a ele.

Ultimamente, o produtor tem se interessado mais em aprofundar


seus conhecimentos em gestão e gerenciamento rural. E, claro, sem-
pre surgem novas questões, como: “Cálculo de Custos de produção?
Como fazer? O que é?”; “E esses tais de indicadores?”; Será que Mar-
celo conseguirá responder e auxiliar o Sr. Ariovaldo a ter ainda mais
sucesso na Fazenda?”

Saiba mais vendo o vídeo na íntegra, no ambiente de estudos.

Mas antes de prosseguir, pare e reflita por um instante.

Tome nota

Você chegou ao terceiro módulo do curso de Assistência Técnica e


Gerencial. Até aqui, aprendeu muitas coisas novas e garantimos que
irá continuar se aprimorando ainda mais. Porém, também gostaría-
mos de saber sua opinião sobre o curso e quais assuntos você acre-
dita que deverá aprender para auxiliá-lo em seu trabalho.

Escreva aqui:

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Tema 1
Cálculo de custo de produção I

Fonte: Banco de imagens do SENAR

Conforme visto no módulo 2, quando foi trabalhado o tópico “Teoria Geral de Cus-
tos”, os custos são divididos em dois grandes grupos, de acordo com sua natureza:

Não apresentam desembolso de capital finan-


Fixos ceiro, ou seja, são custos indiretos.

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Apresentam desembolso de capital financeiro,
ou seja, são custos diretos. Variáveis

Estudando com dedicação, você compreenderá todas as possibilidades de aplica-


ção dos custos variáveis, sua dinâmica e a correta apropriação de acordo com os
diversos cenários e exemplos. Também serão vistos dois, dos três, componentes
dos custos fixos: a mão de obra familiar e a depreciação.

Ao final deste tema, você será capaz de aplicar corretamente os conceitos que com-
põem o Custo Operacional Efetivo (COE) e o Custo Operacional Total (COT), assim
como estratificar cada elemento de composição deles, com o objetivo de realizar
propostas de intervenções tecnológicas ou administrativas.

Para atingir o objetivo, este tema está estruturado em cinco tópicos:

Neste tópico, você compreenderá melhor o conceito de


“centro de custos” da metododologia de Assistência
Tópico 1:
Custo operacional Técnica e Gerencial, com a devida alocação dos custos
efetivo variáveis sob diversos aspectos e com as peculiarida-
des de diversas cadeias produtivas exemplificadas.

Neste tópico, você estudará os conceitos que funda-


Tópico 2: mentam a determinação dos valores deste que é um
Mão de obra familiar dos mais subjetivos e controversos componentes dos
custos de produção.

Neste tópico, você poderá ampliar seus conhecimentos


Tópico 3: acerca da conceituação, da aplicação e da importância
Depreciação de se calcular a depreciação como parte relevante dos
custos de produção.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 14


Neste tópico, você estudará a composição do custo
operacional total, negligenciado em algumas análises
Tópico 4: por não ter grande aplicação em campo, mas que é de
Custo operacional total
grande importância na avaliação técnico-econômica da
propriedade rural.

Tópico 5: Neste tópico, que encerra o tema, você verá a aplicação


Aplicação dos conceitos prática dos conceitos estudados, de forma detalhada.

Pronto para começar? Então, siga em frente para adquirir todo esse conhecimento.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 15


Tópico 1: Custo operacional efetivo
O Custo Operacional Efetivo (COE) diz respeito a todas as despesas diretas, ou seja,
desembolsos financeiros, realizadas pelo produtor rural (ou seu administrador) para
que se possa iniciar, conduzir e concluir o ciclo de produção animal e/ou vegetal.

Fonte: Banco de imagens do SENAR

Objetivos

Neste tópico, você compreenderá melhor o conceito de “centro de


custos” com a devida alocação dos custos variáveis, sob diversos
aspectos e com as peculiaridades de diversas cadeias produtivas
exemplificadas.

Assim, o que basicamente determina um item de custo como COE é a geração de


um desembolso efetivo (que pode ou não ser financeiro). A duração do COE será
sempre menor ou igual ao ciclo produtivo. De acordo com sua definição conceitual,
a fórmula matemática para a obtenção do COE é a seguinte:

COE = somatório de todas as despesas diretas

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 16


Dessa forma, tem-se os seguintes exemplos: o imposto sobre o valor da terra (ITR) pode
não ser variável, pois é cobrado todo ano, mas gera desembolso, então é COE; o aleita-
mento artificial não gera desembolso financeiro, mas é efetivamente um gasto realizado
na amamentação dos bezerros, de um produto que poderia ser vendido, então é COE.

Como exemplos de despesas diretas, é possível citar:

• Aquisição de sementes, fertilizantes


e corretivos

• Medicamentos

• Aluguel e/ou manutenção de máquinas


e equipamentos

• Materiais de ordenha

CLT • Rações

A Consolidação das
Leis do Trabalho (CLT)
é uma norma legislativa
de regulamentação das
leis referentes ao Direito
do Trabalho e ao Direito
Processual do Trabalho
no Brasil, aprovada pelo
• Pagamento de mão de obra avulsa (diaristas)
Decreto-Lei nº 5.452,
de 1º de maio de 1943. • Pagamento de mão de obra contratada (CLT)
Constitui o principal
instrumento de regula- • Pagamento de impostos e taxas
mentação das relações
individuais e coletivas • Arrendamento de terras
do trabalho. Desde a sua
criação, sofreu várias • Pagamento de energia elétrica
alterações no sentido de
criar uma legislação.

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Gastos pessoais (dentista, médico, escola etc.) não são itens de despesa da ativi-
dade, portanto não compõem o COE. Quando a energia elétrica, ou qualquer outro
insumo, for compartilhada entre uso para atividade e pessoal, seu custo deverá ser
computado separadamente, na proporção das aplicações realizadas.

Em comum, todos esses elementos listados como exemplos de despesa geram um


pagamento sistematizado, que irá variar de acordo com o volume e a tecnologia de
produção que o administrador adotar, estando, portanto, sob o domínio da autono-
mia decisória do produtor, que pode variar suas quantidades usadas.

Essa afirmação é possível pela seguinte lógica: caso o produtor rural deseje aumen-
tar a área de cultivo, terá de preparar um espaço maior de solo, seja para a implanta-
ção de lavoura, fruticultura, olericultura, ou mesmo de pastagens para seus animais.
Consequentemente, acarretará necessidade de aquisição de corretivos, sementes,
fertilizantes, água, defensivos, trabalhadores etc. Isso também é válido para o caso
de incremento de tecnologias, melhorando a produtividade sem aumentar a área
destinada à atividade, em um processo chamado de intensificação do cultivo.

Por outro lado, caso o produtor decida que não irá produzir, ele sequer terá a neces-
sidade de adquirir insumos. Logo, pode-se observar que o COE está diretamente li-
gado à produção desejada, na qual cada acréscimo almejado implicará, geralmente,
aumentos desse custo ou até poderá ser nulo, caso não haja produção.

Projeção do COE
Note que o gráfico possui dois eixos: o
de produção e o de custos, sendo uma
função direta do outro, cuja resposta é
traduzida pela linha que representa o
COE. Observa-se que o COE parte da in-
terseção dos eixos, cujo valor é zero, ou
seja, caso não haja produção, não ha-
verá despesas diretas, chamadas COE.
Por outro lado, conforme se aumenta a
produção, aumenta-se também o custo.

Anteriormente, foi dito que “geralmente” há uma relação direta entre aumento da
produção e incremento de custo. Contudo, pode ser que haja ampliação da quanti-
dade produzida sem que haja, necessariamente, um aumento do COE. Tal possibi-
lidade se apoiará no diagnóstico realizado pelo Técnico de Campo na propriedade,
que poderá identificar algum desperdício de recursos ou má aplicação destes, sendo
que sua correção/racionalização poderá elevar o patamar produtivo sem alterar as
estruturas de custos, ou mesmo poderá resultar até mesmo em sua redução.

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Ao se analisar a elevação de custos variáveis em função do aumento da produção, é
fundamental relembrar os conceitos estabelecidos anteriormente no tópico “econo-
mia de escala”. Essa análise é importante para que não se tenha a ideia equivocada
de que o COE apenas sofrerá aumentos, transmitindo a impressão de que a amplia-
ção do volume produzido - e portanto, do COE - é sinônimo de maiores despesas e
menores lucros.

Essa elevação de custos é observada somente no COE Total da atividade. Quando se


analisa o COE por unidade produzida, consegue-se observar sua redução paulatina.
Isto é possível por meio da obtenção de descontos nos insumos adquiridos devido
ao volume (compra programada ou coletiva), ou até mesmo à forma de pagamento/
faturamento (faturamento direto na fábrica do insumo em questão) e à diluição dos
valores de serviços contratados em um maior volume produzido.

Acompanhe:

Fonte: Banco de imagens do SENAR

Um produtor que comprar ração ou adubo terá preços diferenciados ao adquirir apenas uma
unidade do produto comparativamente à aquisição de um volume maior.

Suponha que o custo para uma unidade seja de R$ 70,00/saca, mas que poderá ser reduzido
para R$ 60,00/saca quando se adquirir maior quantidade. Assim, o custo total estará sempre
se elevando, pois estarão sendo incrementados mais insumos ao sistema.

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Porém, ao se analisarem o valor unitário dos produtos adquiridos e seu reflexo nos custos uni-
tários dos itens produzidos a partir deles, será observada uma redução gradual.

Este tópico ainda não se refere à redução de custos totais por meio da diluição dos
custos fixos, obtidos com o aumento da escala de produção. Esse assunto será tra-
tado mais adiante.

É comum o Técnico de Campo observar que nem sempre quem possui a maior renda
bruta é quem possui o maior lucro proporcional, da mesma forma que não é válido
dizer que um COE elevado é sinônimo de prejuízo.

Em relação ao pagamento de impostos e taxas, ao arrendamento de terras e ao gas-


to com energia elétrica, citados anteriormente como exemplos de despesas diretas,
consideramos que tais itens estão estreitamente ligados ao ciclo produtivo e que,
portanto, sua duração será sempre menor ou igual ao ciclo produtivo. Mesmo que
essas despesas sejam esperadas em intervalos, e até mesmo em valores regulares,
elas não se configuram como um elemento de custo fixo, mas sim como parte do
COE.

Veja o exemplo:

Em determinada proprie- Por outro lado, caso o Já no caso do arrenda-


dade rural arrendada, o produtor deseje encerrar mento, mesmo que este
produtor possui um fun- por completo a ativida- seja regido por um con-
cionário contratado e um de, não haverá motivação trato com prazos estabe-
diarista eventual, ambos para despesas elétricas, lecidos, o administrador
exclusivos para a pro- com água e com pessoal, também realiza um de-
dução. Então, ele resolve podendo dispensá-los no sembolso físico de recur-
iniciar um projeto de ir- momento de sua tomada sos financeiros e detém
rigação com a finalidade de decisão. controle absoluto e ime-
de melhorar sua produ- diato sobre essa despe-
tividade. Isso acarretará sa, podendo extingui-la a
maior gasto de energia qualquer tempo, mesmo
elétrica e água, ou seja, que para isso suporte o
os custos serão elevados. pagamento de eventuais
multas rescisórias, algo
também observado na si-
tuação laboral legalmen-
te estabelecida.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 20


Planejado versus realizado
É fundamental para os Técnicos de Campo e administradores rurais o entendimento
da conceituação exata do COE, conforme foi tratado. O COE é tão somente um cus-
to de produção. Logo, apenas podem-se considerar como custo de produção itens
que foram efetivamente utilizados para a confecção de determinado produto em
um ciclo produtivo específico, independentemente do volume de insumos que foram
adquiridos inicialmente. É o que se chama de relação “planejado versus realizado”.
Veja na tabela a seguir a exemplificação disso:

Quantidade
Quantidade Valor COE da
Item Unidade Valor Total utilizada no
adquirida unitário atividade
ciclo

Fertilizante
Saco 50 kg 20 R$ 120,00 R$ 2.400,00 16 R$ 1.920,00
ureia agrícola

Em culturas de produção permanente, como as de leite e de leguminosas, essa de-


finição de ciclo de produção por período determinado geralmente não é aplicável.
Nesse caso, adota-se um período de referência igual a um ano para poder realizar
a análise dos indicadores dessas atividades e ter seus comparativos em relação a
seus próprios exercícios anteriores, ano a ano, assim como compará-las a outras
propriedades que utilizam a mesma metodologia de cálculo de custos de produção.

No caso descrito na tabela, é possível observar que o produtor,


de fato, desembolsou a quantia de R$ 2.400,00 para a aquisição
do insumo. Porém, esse desembolso é anotado em nossa meto-
dologia como fluxo de caixa, e não como custo de produção —
afinal, nem todo insumo adquirido foi utilizado.

Outra separação importante para se fazer em relação aos desembolsos e ao COE é


se ater ao conceito de que os itens inseridos no COE possuem duração menor ou
igual ao ciclo produtivo da cultura. Caso o produtor adquira um item que irá perdurar
mais do que um ciclo produtivo, esse desembolso será classificado como investi-
mento, pois seu uso se dará por tanto tempo quanto sua vida útil permitir.

Exemplos de investimentos:
Aquisição de um macacão para apicultura, um balde para bovinocultura de leite ou um
regador para olericultura. Esses itens possuem um custo relativamente barato, o que
leva alguns administradores à tendência de o classificarem como COE. No entanto,
se durarem mais de um ciclo produtivo, devem ser classificados como investimento.

Veja mais uma diferença entre COE e investimento: arraste o cursor sobre a imagem
para a esquerda e para a direita para descobrir essas diferenças.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 21


COE Investimento
Deve ser reembolsado ao Não deve ser reembolsado
pagador (produtor rural) ao logo no primeiro ciclo de sua
final de cada ciclo, para que utilização. O retorno será
ele volte a ter capacidade de dado com a utilização do bem
comprar novamente os adquirido ao longo do tempo.
insumos. Deve-se iniciar a
cada ciclo.

Para o caso de investimento, a metodologia utilizada pela ATeG dá outro tratamento,


conforme será visto mais adiante.

Manutenção versus investimento


A manutenção de máquinas, equipamentos, ferramentas e benfeitorias que são utili-
zadas para a atividade que analisada, seja ela preventiva ou corretiva, é considerada
COE. É caracterizada como uma despesa que gera desembolso direto e tem sua
existência atrelada ao ciclo produtivo.

Entretanto, com o passar do tempo, esses itens tendem a se aproximar do suca-


teamento, necessitando de manutenções mais complexas (caso o proprietário de-
seje permanecer com o bem em pleno estado de utilização), que são chamadas de
“reforma”.

Na metodologia de ATeG, manutenções serão classificadas como investimento


sempre que atingirem a representatividade de 30% do valor de mercado atualizado
do bem que está sendo reformado.

Veja o exemplo a seguir:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 22


Quando novo, um trator custou R$ 180 mil ao
produtor, mas atualmente está com 12 anos
de uso, e seu valor atual de mercado é de R$
70 mil. Infortunadamente, o trator quebrou. Se
o produtor resolver realizar uma manutenção,
que custa R$ 23 mil, ela deverá ser classifica-
da como reforma, portanto um investimento, já
que R$ 23 mil representa 32,88% do valor de
mercado do trator.

Fonte: Shutterstock

Aplicando o cálculo para entender se é uma manutenção ou reforma, tem-se o seguinte:

Representatividade do valor da manutenção = (valor da manutenção ÷ valor de


mercado) x 100%

= (R$ 23.000,00 ÷ R$70.000,00) x 100% = 32,86%

Assim, pode-se concluir que houve um investimento, pois o valor da reforma (R$ 23
mil) superou o percentual de 30% do valor de mercado atualizado do bem em ques-
tão (R$ 70 mil), devendo a despesa ser alocada no fluxo de caixa e integrar o total de
capital imobilizado (empatado) para a atividade, não no COE.

Observe que o exemplo apresenta uma decisão puramente administrativa, pois o


proprietário optou por reformar um bem já existente em detrimento de adquirir um
novo. Com um investimento tão vultoso quanto esse, é justo reavaliar esse bem sob
dois pontos de vista:

Seu valor é atualizado. Para


isso, basta somar o valor inves-
tido na reforma àquele pelo qual
o bem foi previamente avaliado
para se obter sua nova cotação.
É realizada a soma porque o
administrador já tem a oportu-
nidade de capital imobilizado
Financeiro ou empatado no equipamento
antes da reforma e, mesmo
assim, decide empatar mais
essa quantia financeira. Mesmo
que a máquina ou equipamento
não valha esse mesmo valor
atualizado no mercado, o admi-
nistrador possui esse montante
imobilizado no bem.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 23


Devido a esse investimento,
o bem avaliado poderá ser
utilizado por mais tempo. Re-
comenda-se bastante critério
no momento de realizar essa
avaliação, pois irá influen-
ciar diretamente nos custos
de produção. Como exemplo,
Vida útil pode-se supor que o trator do
caso terá um adicional de 5
anos de trabalho, ou seja, a vida
útil residual será alterada de 3
para 8 anos (5 + 3), distribuindo
ou diluindo o custo fixo do bem
(depreciação) por um período
mais prolongado.

Este é o final do primeiro tópico. No seguinte, você verá o custo de oportunidade e a


mão de obra familiar. Até lá!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 24


Tópico 2: Mão de obra familiar
O custo da mão de obra familiar é fixo e indireto, diferentemente de quando ocorre o
pagamento de funcionários contratados, que representam um custo direto. Confor-
me visto anteriormente, o custo com a mão de obra familiar nada mais é do que a
análise de custo de oportunidade.

Fonte: Banco de imagens do Senar

Objetivos

O objetivo deste tópico é compreender os conceitos que fundamen-


tam a determinação dos valores de custo com mão de obra familiar.

É importante que o Técnico de Campo faça uma avaliação muito cuidadosa desse
item, uma vez que é um elemento de custo fixo e bastante subjetivo, ou seja, não
irá se alterar no curto prazo. Além disso, a mão de obra familiar tem participação
importante no custo de produção das atividades agropecuárias, especialmente em
pequenas propriedades rurais.

O procedimento usual para valorar essa mão de obra é considerar o salário de mer-
cado como referência de custo de oportunidade. Sendo assim, é preciso avaliar a ati-
vidade exercida pelos membros da família na propriedade, assim como a disponibili-
dade e as especialidades. Diante disso, as perguntas que devem ser realizadas são:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 25


Quanto receberiam em outra propriedade para
exercer as mesmas atividades?

Quanto pagariam para que alguém exercesse


as atividades em seu lugar?

Ambos os questionamentos são importantes para chegar a um balizamento mais


justo de valores, pois sempre haverá uma tendência de supervalorização de sua
própria mão de obra. Em geral, isso não é correto e superestima o custo da atividade,
que indica o uso alternativo do fator de produção — ele poderia ganhar mais ven-
dendo sua capacidade de trabalho para terceiros do que produzindo para si mesmo.
Às vezes, o produtor só sabe fazer o que está fazendo; nesse caso, seu custo de
oportunidade é muito baixo.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 26


Veja o exemplo:

Fonte: Banco de imagens do Senar

Em uma propriedade que desenvolve as atividades de fruticultura e piscicultura, o produtor


rural possui formação superior com doutorado, mas trabalha em sua propriedade com ativida-
des básicas, que não necessitam de sua formação acadêmica.

Assim, sua mão de obra deverá ser valorada pelo trabalho que realiza, e não por sua formação
ou capacidade intelectual. O que deve ser avaliado é a atividade exercida.

Na contabilização do impacto que a mão de obra familiar tem no custo de produção,


o técnico deverá sempre ter em mente que o produtor rural é um empresário, um
empreendedor, e não um funcionário.

Nessa condição de empreendedor, seus recebimentos não englobam custos labo-


rais legais, como contribuições compulsórias, pagamento de férias e 13º salário.
Dessa forma, deve-se calcular apenas a estimativa de renda pelo período analisado,
sem acréscimos, ou seja, os 12 meses do ano, ciclo produtivo, ou ainda com base no
valor da diária paga na região para a atividade exercida.

Caso o produtor conte com a colaboração de mais algum membro da família, o


técnico deverá contabilizar como mão de obra familiar apenas os que não pos-
suírem retirada de valores sistemáticos da atividade, seja em capital financeiro
ou em produtos. Caso contrário, deverá ser contabilizado como um funcionário.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 27


Na prática

O Sr. Manoel, produtor de leite, paga a seu filho, Zezinho, a quantia de


R$ 100,00 por semana para que ele vá à cidade se divertir aos domin-
gos, pois ele o ajuda diariamente na atividade e merece uma folga.

Nesse caso, há uma grande tendência de elencarmos “Zezinho” como


mão de obra familiar, pois ele é filho do proprietário, além de também
anotarmos na saída de fluxo de caixa e nos custos de produção o
pagamento semanal de R$ 100,00.

Na verdade, o correto é contabilizar Zezinho apenas com o custo se-


manal igual a R$ 100,00 e retirá-lo da caracterização de mão de obra
familiar, pois ele recebe pagamentos financeiros por seus serviços,
ou seja, Zezinho possui características de um funcionário comum,
contratado e pago por semana, mesmo que sua mão de obra esteja
sendo avaliada de forma modesta pelo Sr. Manoel.

Caso não haja essa observância no momento de lançamento de dados,


Zezinho poderá ser contabilizado de forma duplicada nos custos de
produção: uma como pagamento a terceiros (R$ 400,00/mês) e outra
como familiar (considerando um salário-mínimo de R$ 880,00/mês).

Assim, o custo no sistema será praticamente triplicado em relação ao


custo real que deveria ser contabilizado, passando de R$ 400,00 para
um superestimado de R$ 1.280,00 (400 + 880). Esse tipo de avalia-
ção errônea pode comprometer a viabilidade do negócio analisado.

Fica nítido, a partir de agora, que o termo “mão de obra familiar” não deve ser atre-
lado exclusivamente ao fator parentesco, mas assimilado juntamente ao contex-
to de desembolsos, pois também é conhecido como pró-labore do administrador
(pagamento realizado aos sócios pelos serviços prestados à empresa). Assim, é
necessário ser um administrador da empresa rural para justificar o recebimento de
pró-labore, apresentando grau de parentesco ou não, desde que não seja sistemati-
camente remunerado, causando desembolso físico de capital ou produtos. Sempre
que houver essa situação de pagamentos regulares de familiares ou administra-
dores, eles deverão ser desqualificados dos custos fixos e alocados no COE, pois
passaram a ser uma despesa direta.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 28


Tome nota

É muito importante destacar que a mão de obra familiar, em alguns


casos, dedica um esforço maior que a mão de obra contratada, além
de trabalhar por um período superior à jornada legal de um funcio-
nário. Logo, para dimensionar o valor do trabalho da mão de obra
familiar, não se deve apenas contar o número de pessoas envolvidas,
mas sim qual seria o custo para substituí-las, dadas as atividades
executadas por elas.

Para complementar esse raciocínio, veja mais dois exemplos:

Um pai e seu filho trabalham sozinhos na propriedade


rural. Acordam diariamente às 5 h da manhã e encer-
ram sua jornada de trabalho às 19 h, perfazendo 11
horas de trabalho, descontando-se 3 horas de almo-
ço e descanso. Muito dedicados e concentrados nas
atividades, são eficientes nas operações que exercem.

Certa vez, resolveram tirar uma semana de férias com


toda a família e, para isso, contrataram duas pessoas
para substituí-los. Porém, já no primeiro dia, notaram

Pai e filho que os dois contratados, em suas 8 horas de trabalho


diário, não executaram sequer 50% das tarefas que pai
e filho realizavam. Dessa forma, tiveram de contratar
mais duas pessoas para executar o serviço, perfazen-
do quatro contratados. Assim, qual seria a atribuição
correta de custo dessa mão de obra familiar: o salário
de mercado de duas ou quatro pessoas? A resposta,
nesse caso, é a alocação de quatro salários para pai e
filho como custo fixo de mão de obra familiar, pois eles
realizam atividades que somente a contratação dessa
quantidade de funcionários atenderia à demanda.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 29


Um pai, a esposa e seus cinco filhos trabalham na
propriedade rural. De todos os filhos, o mais velho
já encerrou os estudos e os restantes fazem cursos
técnicos no período da manhã. Ao chegarem dos
cursos, o pai fala sobre a importância da lida do sítio,
porém a cada dia eles estão menos interessados nas
atividades rurais, pois acreditam que pequenas pro-
priedades não apresentam perspectivas de melhoria,
fato corroborado por seus pais ao não deixarem seus
filhos participarem da administração da propriedade,
ocultando os resultados alcançados pela família.

Dessa forma, a participação desses filhos no traba-


Caso de família lho da propriedade existe, mas está cada vez menor.
Assim, qual o custo da mão de obra familiar nesse
caso? Um salário de mercado para cada filho, esposa
e marido, ou seja, sete pessoas? Não. Nesse caso, o
custo da mão de obra familiar deveria ser dimensio-
nado com o mesmo critério do exemplo anterior: para
substituir o trabalho dessa família, quantas pessoas
seriam necessárias no salário de mercado? Ao avaliar
o trabalho, concluiu-se que as atividades realiza-
das por essa família seriam substituídas por quatro
pessoas, por exemplo. Logo, o custo da mão de obra
familiar seria o valor de quatro salários de mercado
para essa função, e não de sete.

Remuneração do empreendedor
Caso se tenha em mente que a única fonte de renda para a mão de obra familiar, ou
administrador/empreendedor, seja seus custos de oportunidade, ou seja, o produtor
tem acesso somente aos valores discutidos no tópico acima, realiza-se uma análise
errada e pouquíssimo atrativa ao produtor.

Deve-se ter em mente que a remuneração do empreendedor acontece em três


momentos:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 30


Custo de mão de Conforme visto no tópico anterior, relembre o conteú-
obra familiar do do tópico “Custo Operacional”, caso haja dúvidas.

O custo de oportunidade será tratado de manei-


ra mais aprofundada quando forem discutidos os
custos totais, no Tópico 1 do Tema 2. De uma forma
geral, esse item é um componente dos custos fixos,
pois não há desembolso, e representa também um
custo de oportunidade de investimento. Nesse caso,
será avaliado, por exemplo, se compensaria mais o
empreendedor ter investido R$ 1 milhão de capital
Custo de oportunidade médio na infraestrutura da atividade ou se teria uma
do capital melhor remuneração investindo esse mesmo capi-
tal na poupança, um investimento tradicional e com
rendimento histórico médio de 6% ao ano, e que é
adotado na Metodologia de Assistência Técnica e
Gerencial como parâmetro de comparação. Assim,
esse R$ 1 milhão renderia, na poupança a 6%a.a., a
quantia de R$ 60 mil/ano. Obrigatoriamente, para ser
minimamente atrativa, a atividade deveria render a
partir desse valor.

Será tratado de maneira mais aprofundada no Tópico


1 do Tema 2. De forma conceitual, para entender sua
alocação nessa etapa de cálculos, basta compre-
ender que o lucro, na verdade, não é diretamente do
empreendedor, mas sim do negócio — os custos com
seu trabalho já foram remunerados. Em muitas em-
presas, o lucro é destinado a diversas finalidades, de
Lucro que a atividade acordo com o planejamento estratégico da empresa.
proporciona ao
Por exemplo: 10% do lucro destinado para ações de
empreendedor
marketing; 2% para doações; 20% para investimentos
em pesquisa; 50% para aquisição de novos negó-
cios e 18% para distribuição de dividendos entre os
sócios do negócio. Assim, caso não haja destinação
para investimentos em novas áreas ou destinação
de recursos para outros setores, o lucro deverá ser
destinado do negócio ao empreendedor.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 31


Assim, a fórmula para cálculo dessa remuneração do produtor rural/empreendedor será:

CO

custo de oportunidade

Veja o exemplo:

Fonte: Banco de imagens do Senar

Ao final da apuração anual dos resultados obtidos por uma propriedade rural, o Técnico de
Campo do empreendimento encontrou os seguintes valores:

- remuneração mensal do empreendedor igual a R$ 1 mil;


- custos de oportunidade do capital iguais a R$ 60 mil;
- lucro anual igual a R$ 20 mil.

Dessa maneira, qual foi a remuneração total do empreendedor no ano analisado pela consultoria?

Aplicando a fórmula, tem-se:

REMUNERAÇÃO = MDOF + CO + LUCRO

REMUNERAÇÃO = (R$ 1.000,00/mês x 12 meses) + R$ 60.000,00 + R$ 20.000,00

REMUNERAÇÃO = R$ 92.000,00

Portanto, a remuneração total do empreendedor será igual a R$ 92 mil ao ano.

Avance para o próximo tópico!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 32


Tópico 3: Depreciação
A depreciação é uma reserva monetária destinada a gerar fundos necessários para
a substituição de bens ao final de sua vida útil — com o intuito de o produtor rual/
empreendedor se preparar para o momento da troca de bens de produção - equi-
pamentos, máquinas, benfeitorias, forrageiras não anuais (capineira, canavial etc.),
reprodutores e animais de serviço — quando necessário para manter a capacidade
produtiva da empresa. A depreciação é um custo fixo que não representa desembol-
so, sendo, portanto, um custo indireto.

Fonte: Banco de imagens do Senar

Objetivos

O objetivo a ser alcançado neste tópico será reconhecer a importância


de calcular a depreciação como parte relevante dos custos de produção.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 33


Na metodologia de cálculo de custo de depreciação de ATeG, consideram-se o mé-
todo linear e o valor de sucata dos bens sempre iguais a zero. Esse método tem por
finalidade minimizar a subjetividade do cálculo de custo da agropecuária. Ao optar
pelo método linear, também ocorre uma estabilização da depreciação ao longo de
toda a vida útil do bem, necessitando que se realize seu cálculo apenas uma única
vez, até que ela se encerre. Assim, depreciação é igual a:

Será necessário que o Técnico de Campo resgate o valor de novo do bem (mesmo
valor da nota fiscal de compra), independentemente de quantos anos de uso possua
ou seu estado de conservação, desde que esteja dentro de seu prazo de vida útil.

Na prática

Veja o exemplo:

Para um trator no valor de novo de R$ 150 mil, com vida útil de 15


anos, qual será sua depreciação?

VN – S
d=
VU

R$ 150.000,00 – 0
= R$ 10.000,00/ano
15 anos

Nesse caso, o custo anual de depreciação do trator é igual a R$ 10


mil/ano.

Sempre que o bem for adquirido novo e estiver dentro de seu prazo de vida útil,
a fórmula para calcular a depreciação será igual à do exemplo. Para os casos
em que o produtor não for o primeiro dono do bem, será visto adiante como
deve ser realizado o cálculo.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 34


edafoclimáticas A vida útil se refere ao tempo que o bem pode ser usado para desempenhar sua
função tendo utilidade econômica na empresa rural. Na metodologia utilizada pela
Edafoclimáticas são
características definidas
ATeG, ela é contabilizada em anos, podendo ser subdividida pelo intervalo de tempo
por fatores do meio, tais que o administrador desejar para suas análises pessoais, até mesmo em horas.
como o clima, o relevo,
a litologia, a temperatu- Devido ao Brasil ser um país de dimensões continentais, apresentando um grande
ra, a humidade do ar, a
mix de produtos agropecuários, com características edafoclimáticas diversas, e os
radiação, o tipo de solo,
o vento, a composição bens sofrerem intensidades de uso e desgaste diferentes, não é possível tabelar
atmosférica e a precipi- essa informação de modo que seja aplicável em todo o território nacional. Porém, os
tação pluvial.
valores de vida útil podem ser encontrados em tabelas disponíveis em obras espe-
cializadas para agropecuária, que servem de base para o Técnico de Campo realizar
sua avaliação, de acordo com a realidade local (exemplos: zona litorânea; trabalho
em solos arenosos em oposição ao trabalho em solos argilosos; regime de chuvas
na região etc.). É preciso ter muito critério ao realizar tal avaliação, pois os custos
com depreciação geralmente são “mascarados” ou não “enxergados” pelo produtor
rural, uma vez que não se realizam desembolsos para seu pagamento.

Itens que sofrem depreciação:

Benfeitorias (casas do proprietário e dos funcioná-


rios, aprisco, galpão, depósito, caixa de abelha, cer-
cas etc.)

Máquinas e equipamentos (veículos, tratores, balan-


ça, roçadeira, misturador de ração, ferramentas etc.)

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 35


Semoventes (animais de serviço, rebanhos não es-
tabilizados etc.)

Forrageiras não anuais

Quando o produtor não realiza cálculo de custos de produção, há a tendência de se


considerar a depreciação como parte de seus lucros, uma vez que a “reserva” finan-
ceira é algo raro no hábito dos brasileiros. Uma opção viável é realizá-la em investi-
mentos de longo prazo, chamados no mercado financeiro de “renda fixa”.

Sempre que a vida útil do bem for esgotada, o


cálculo da depreciação não será mais neces-
sário, pois ela será sempre igual a zero, uma
vez que toda a depreciação já foi paga.

Casos especiais
A) Bens adquiridos usados
Na aquisição de bens já utilizados, porém dentro do prazo de vida útil, o Técnico de
Campo deverá utilizar como base de cálculo o valor desembolsado pelo produtor
para adquiri-lo, independentemente de seu valor de mercado. O que está sendo ava-
liado é o custo real, e não a oportunidade, conforme a fórmula a seguir:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 36


A vida útil residual é obtida a partir da subtração da vida útil total estipulada para o
bem pelo tempo efetivo de seu uso.

Na prática

Veja o exemplo:

Uma bomba d’água elétrica, com valor de nova igual a R$ 18 mil e 15


anos de vida útil. O produtor a comprou por R$ 8 mil e com 11 anos
de uso. Qual será a depreciação desse bem?

VC – S
d=
VR

R$ 8.000,00 - 0
d=
(15 - 11) anos

R$ 8.000,00 = R$ 2.000,00
d=
4 anos

Nesse caso, o custo anual de depreciação é igual a R$ 2 mil/ano.

B) Animais de rebanho e animais de serviço


Animais de rebanho e animais de serviço também podem sofrer depreciação. Quan-
do, no cálculo do custo, considera-se todo o rebanho e ele está estabilizado, não é
feita a depreciação das matrizes, uma vez que as fêmeas mais jovens substituem as
mais velhas, mantendo-se a mesma idade média da categoria matrizes.

O custo dessa recria corresponde à depreciação dessas matrizes. Essa situação de


estabilidade é bem comum em rebanhos de corte de qualquer espécie.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 37


Conheça muito mais

Em um rebanho estável, não há mais modificações numéricas nas


diversas categorias animais do sistema de produção, embora esse
rebanho não esteja estático, e sim passando por uma renovação
anual — reposição.

Entretanto, existem propriedades de produção leiteira que não realizam recria de fê-
meas para reposição, logo serão obrigadas a adquirir novas matrizes. Nesses casos,
considerando os animais de produção como um bem, o produtor deverá reservar a
depreciação para que possa substituí-los, de acordo com os índices de descarte
adotados pelo produtor.

A mesma analogia deverá ser feita para


a depreciação de animais de serviço
(equinos, muares, asininos, cães de
pastoreio, rufiões, reprodutores ou do-
adoras e fêmeas receptoras). Quando
não houver um semovente de igual ca-
tegoria apreciado para substituí-lo,
será preciso realizar a reserva monetá-
ria para tal.

Em rebanhos de caprinos e ovinos, é bastante comum que o produtor possua em


seu inventário os reprodutores mais jovens, justamente para realizar essa substitui-
ção dos reprodutores adultos, seja por questões de idade (depreciação física), seja
por questões de consanguinidade genética. Nesses casos, o técnico deverá realizar
a estabilização da categoria sob a mesma justificativa da realizada na estabilização
de matrizes.

Depreciação da lavoura
Toda cultura permanente que produzir frutos será alvo de depreciação. Com o de-
correr dos anos, a lavoura vai perdendo seu potencial produtivo, sofrendo então de-
preciação, sendo preciso receber, em determinados momentos, intervenções, como
a poda drástica ou, até mesmo, o novo plantio.

A metodologia utilizada para a formação dos custos de depreciação de lavouras


consiste em dividir o investimento realizado para sua formação pelo número de
anos de vida útil média de produção, com algumas particularidades a serem descri-
tas a seguir. Conheça a fórmula:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 38


A fórmula é aplicável devido à expectativa de vida útil produtiva que o produtor esti-
ma para sua lavoura, cuja duração deverá ser avaliada caso a caso pelo Técnico de
Campo, fornecendo a ele a quantificação exata da reserva contábil que deverá reali-
zar em sua propriedade, por hectare, por talhão e até mesmo por planta, para que se
proceda às intervenções naturalmente necessárias.

Também é possível encontrar casos em que as intervenções irão ocorrer antes mes-
mo do encerramento da vida útil produtiva esperada para a lavoura em questão.
Estes serão tratados pela metodologia da seguinte maneira:

A depreciação incide sobre a cultura formada, ou seja, as lavouras em formação e


em renovação são consideradas investimentos, e, portanto, a depreciação será zero
durante esse período de análise.

Fonte: Banco de imagens do Senar

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 39


Na prática

Um talhão de 1 ha foi implantado e apresentou gastos com o plantio


de R$ 5 mil/ha no primeiro ano e R$ 6 mil/ha no segundo ano de for-
mação, com expectativa de 10 anos de vida útil produtiva. Porém, o
produtor optou por realizar uma intervenção/reforma em sua lavoura
na oitava safra, com um custo de renovação de R$ 6 mil. Com a inter-
venção/reforma, qual será a depreciação dessa lavoura ao longo do
período analisado?

Para chegar à resposta, é necessário dividir essa análise em dois mo-


mentos — antes e após a poda.

Análise até o momento da reforma:

VI
d=
VU

R$ 5.000,00 + R$ 6.000,00
d= = R$ 1.375,00
8

Análise após a reforma:

VR
d=
VU

R$ 6.000,00
d= = R$ 600,00/ano
10

Do primeiro ao oitavo ano produtivo, o valor de depreciação que de-


verá ser reservado será de R$ 1.375,00 por ano. No entanto, a partir
da retomada da produção após a reforma, e considerando que não
mais sofrerá intervenções antecipadas pelo período de 10 anos, a
nova reserva de depreciação deverá ser de R$ 600,00 por ano.

Observe que, no exemplo, o fato de a intervenção/reforma ter sido realizada antes


do período previamente programado não alivia os custos com a depreciação; pelo
contrário, os pressiona, causando uma elevação em sua análise anual.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 40


D) Exaustão da floresta
O conceito de depreciação é aceitável
contabilmente para a análise de flores-
tas plantadas. Porém, gramaticalmen-
te, na língua portuguesa, utilizar tal ter-
minologia para essa cadeia produtiva
não faz o menor sentido, uma vez que
um bem depreciado é aquele que foi
perdendo sua capacidade produtiva
(tornou-se obsoleto) ao longo dos
anos. Nas florestas, o que ocorre é jus-
tamente o contrário.
Fonte: Banco de imagens do Senar.

Com o passar dos anos, a floresta vai se tornando cada vez mais valiosa, ganhando
mais e mais metros cúbicos para extração. A essa extração dá-se o nome de exaus-
tão da floresta, que é como deve-se chamar a depreciação nesse caso.

A exaustão é o custo de cada período do valor


referente à parcela consumida da floresta, ou
seja, representa a porcentagem que foi remo-
vida da floresta para que se possa calcular
proporcionalmente o investimento realizado
na implantação e na condução da floresta.
Para isso, primeiramente aplica-se esta fórmula:

% de árvores extraídas: (árvores extraídas ÷ total de árvores) x 100%

Após encontrar essa porcentagem representativa, aplica-se esta outra fórmula para
realizar a proporcionalização da exaustão:

Exaustão: investimentos x % de árvores extraídas

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 41


Veja o exemplo a seguir:

Na prática

Em um florestamento que envolve 10 mil pés de eucaliptos, cujo cus-


to de formação foi de R$ 56.300,00, foram cortadas 4.800 árvores.
Calcule sua exaustão.

Para o cálculo do valor da exaustão, será observado o seguinte cri-


tério: descobrir o percentual de árvores exauridas e aplicá-lo sobre o
valor investido na formação.

Cálculo percentual das árvores extraídas:

Assim, o custo com a exaustão da floresta será 48% de R$ 56.300,00


investidos, ou seja, R$ 27.024,00. Isso significa que, do valor da venda
das árvores extraídas, R$ 27.024,00 deve ser direcionado para cobrir
o investimento realizado na formação da floresta.

A depreciação é um fator que precisa ser levado em consideração na administração


do negócio rural, e as únicas formas de amenizar os impactos desse custo são o uso
adequado e a conservação pelo devido tempo de qualquer bem ou infraestrutura.

Chegou ao final mais um tópico deste módulo. Siga em frente!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 42


Tópico 4: Custo operacional total
O Custo Operacional Total (COT) é uma forma de avaliar se uma atividade é susten-
tável no médio prazo.

Fonte: Banco de imagens do Senar.

Objetivos

Ao final deste tópico você será capaz de entender a composição do


custo operacional total, que é de grande importância na avaliação
técnico-econômica da propriedade rural.

O COT inclui o Custo Operacional Efetivo (COE), o pagamento da mão de obra fami-
liar (pró-labore) e, também, as depreciações de benfeitorias, máquinas, animais de
serviço e forrageiras perenes. Dessa forma, o COT é calculado da seguinte maneira:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 43


No caso de análise de florestas plantadas, o fator depreciação deve ser trocado pela
exaustão da floresta, de maneira que a fórmula aplicada fica um pouco diferente,
como você pode ver a seguir:

exaustão da floresta

No cálculo do COT, também se deve considerar apenas a atividade analisada, e, por-


tanto, todos os demais custos envolvidos em seu cálculo deverão ser rateados pro-
porcionalmente caso haja necessidade.

Tome nota

Esse conceito de rateio dos custos também se aplica à mão de


obra familiar e à depreciação, porém estas devem ser rateadas
proporcionalmente, de acordo com a relação de uso, ou o tempo
empregado para a atividade, ou ainda com a relação de composi-
ção da renda quando couber.

Veja o exemplo a seguir:

Fonte: Banco de imagens do Senar

Um produtor divide seu tempo entre a apicultura (30%) e a criação de caprinos (70%), sendo
justo que o técnico atribua o pagamento do de custo da mão de obra familiar proporcionalmen-
te à cada cadeia produtiva analisada.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 44


Portanto, não é tão simples quanto parece identificar corretamente o COT, pois se devem consi-
derar diversas variáveis dentro de cada item de sua composição.

Devido à grande diversidade de cadeias produtivas atendidas pela metodologia de


ATeG, à flexibilidade de sistemas de produção e às especificidades de cada uma de-
las, é natural que se tenha que ajustar alguns conceitos para que se possa atender
de forma satisfatória a todas elas e, assim, se aproximar do custo real das ativida-
des agropecuárias.

Tome nota

Essa tentativa de “aproximação” com o custo real se dá pela impos-


sibilidade de se controlar totalmente, fora do ambiente experimental
e laboratorial, as transformações e as inter-relações biológicas ocor-
ridas no campo, que por si sós comprometem a análise econômica
fidedigna, diferentemente do que acontece em um ambiente indus-
trial, por exemplo.

Como visto, além do COE existem dois outros custos da propriedade rural que
são importantes para a identificação do custo operacional total de produção: a
mão de obra familiar e a depreciação. Avance em seus estudos e conheça cada
um deles com mais detalhes.

Para iniciar essa discussão, além das características já elencadas sobre o COE, veja
agora alguns casos especiais para esse item que impactam diretamente o COT.

Particularidades do cálculo do COE para ativida-


des pecuárias
A complexidade do cálculo do custo de
produção da atividade pecuária recomen-
da forte interação do técnico, que está de-
terminando o custo, e o produtor, na bus-
ca de uma interpretação dos resultados
que mais se aproximem da realidade.

Muitas das atividades pecuárias pos-


suem produção conjunta, gerando um
produto principal e outros que podem, ou
não, ser considerados como subprodutos
ou atividades secundárias, conforme es-
tudado no tema “composição da renda”.
Fonte: Banco de imagens do Senar.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 45


Saber operacionalizar corretamente as ferramentas de controle é
muito importante, porém ainda esbarra-se em subjetividades. Por
isso, o mais importante em um diagnóstico é ter um critério de jul-
gamento justo com as atividades analisadas.

Vamos ver um exemplo onde a propriedade tem como foco a bovinocultura leiteira,
e é somente essa a atividade a ser analisada nessa propriedade:

Na prática

Se, por exemplo, o técnico resgatar a nota fiscal de rações que o pro-
dutor adquiriu e observar apenas o valor total do documento, sem
verificar que no meio do faturamento estavam elencadas rações para
seu cão doméstico e também para os porcos cevados, a análise es-
tará errada, pois estariam sendo elencadas despesas que não são de
competência da atividade leiteira.

O critério é simples: utilizo cães e suínos para produção de leite? Em


geral, não, a não ser que seja um cão treinado para o pastoreio do
gado, que então irá compor o rebanho da propriedade na categoria
“animais de serviço”. Salvo essa exceção, esses animais não têm ab-
solutamente nada a ver com a atividade estudada. Portanto, as des-
pesas relativas a eles não devem ser consideradas no custo do leite.

Agora que o conceito está mais claro, transporte-o para a prática da atividade leitei-
ra, que é uma operação complexa.

Dentro da atividade leiteira, há um subproduto intrínseco e inevitável, que é a produ-


ção de bezerros e bezerras. Considerando que o rebanho estudado está estabiliza-
do, esse produtor terá de fazer retenções para a reposição de matrizes, ou mesmo
aumento do rebanho, mas apenas uma parte desses animais nascidos na proprie-
dade de fato permanecerão para compor o estoque de rebanho, e todo o restante
será comercializado. Essa peculiaridade de venda de animais já foi explicada no
Você sabia?
tópico “variação do inventário animal”.
A reposição de matrizes consiste na substituição de fêmeas em final
de fase reprodutiva ou que apresentaram problemas, como infertili-
dade, más-formações congênitas, danos sanitários — a exemplo da
mastite —, ou mesmo que vieram a óbito. Essa seleção de animais
que irão repor o estoque de fêmeas é baseada em genótipo, fenóti-
po, idade e condição corporal. Geralmente, ocorre de forma anual em
uma taxa entre 5% a 20%, a depender dos objetivos da empresa rural.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 46


A venda de animais descartados muitas vezes representa um volume considerável
de entrada de recursos na propriedade, mas é considerada uma subatividade da
produção leiteira. Assim, é justo que ela também seja onerada com os custos de sua
produção. Então, é necessário fazer o rateio proporcional do COE no que compete
exclusivamente à atividade leiteira, assim como de todos os demais custos de uso
em comum, seguindo a mesma proporção encontrada na relação renda do leite/
renda da atividade.

A análise a ser realizada é: a atividade necessita da cria para que seja iniciada a
produção do leite, porém, após o parto, este animal é totalmente desnecessário para
a produção desse mesmo leite. Portanto, o item “aleitamento artificial” é um custo
totalmente referente à criação desses animais, e não um custo para a atividade lei-
teira arcar sozinha. Da mesma forma que, para produzir animais para venda, não é
necessário que esta atividade seja onerada com materiais para ordenha, hormônios
ou transporte do leite.

A aplicação de uma fórmula matemática


específica nos permite descobrir o COE
do leite de forma bem detalhada, diferen-
temente de outras metodologias que não
trabalham com centro de custos, nas
quais o custo é total e a atividade leiteira
tem de arcar com todas as despesas.
Fonte: Banco de imagens do Senar

Inicialmente, removem-se os elementos que não são de uso comum para ambas as
atividades (material de ordenha, hormônios, transporte do leite e aleitamento arti-
ficial), pois as três primeiras são exclusivas do leite, e a última, da venda das crias.
Então, todo o resto de despesas comuns é rateado proporcionalmente de acordo
com a relação entre a renda da atividade e a renda total. Ao final, serão integralmen-
te somados os valores que pertencem ao leite, pois o que se pretende descobrir é
apenas o COE do leite. Assim, tem-se a seguinte fórmula para balizar esses custos:

Clique nos itens para ver o significado das siglas.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 47


Onde:

COE do leite: custo operacional efetivo do leite

COE da custo operacional efetivo da atividade leiteira


atividade:

MTO: material de ordenha

hormônios (somente aqueles ligados diretamente à produção de


HORM:
leite. Exemplo: ocitocina e BST)

TRANSP: transporte do leite (quando houver)

AL: aleitamento artificial

RL renda do proporção da renda bruta do leite sobre a renda bruta da ativi-


leite/renda da
dade leiteira
atividade:

Em outras cadeias da pecuária, geralmente o raciocínio é menos complexo. Nas


cadeias produtivas de aquicultura, avicultura, ovinocaprinocultura, suinocultura e
bovinocultura de corte para confinamento (ou terminação), encontra-se a seme-
lhança de que todos os animais pertencem ao COE, uma vez que são tratados como
insumos. Eles são assim considerados pois se faz necessária sua aquisição sempre
que um ciclo se encerra e para que se possa iniciar o subsequente.

Tome nota

Nesses casos, os animais criados serão ao mesmo tempo itens que


necessitam ser adquiridos no início da criação, como também o pró-
prio produto a ser comercializado. Como geram desembolso direto e
se encerram ao final do ciclo produtivo, compõem o COE. O critério
é válido mesmo para aqueles animais que apresentam ciclos com
duração maior que um ano, como a compra de bezerros de desmama
para engorda ou a criação de pirarucu (Arapaima gigas) em cativeiro,
uma vez que o termo “ciclo” não é específico ao tempo fixo de um
ano, mas sim ao período para o desenvolvimento da criação.

Em todos os exemplos de cadeias citadas neste tópico, não será raro o Técnico de
Campo encontrar situações em que os insumos sejam produzidos no próprio local.

A metodologia de ATeG considera sempre o centro de custos, ou seja, a


separação total dos itens para cada seguimento da criação.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 48


No caso de a propriedade ter mais de uma atividade, será sempre como se
o produtor estivesse vendendo o insumo para ele mesmo pelo preço de
mercado. Isso se chama “custo de oportunidade”, que representa o que o
produtor receberia caso decidisse vender seu produto no mercado, ao invés de usá-lo
em outra atividade na propriedade. Tal balizamento serve para o administrador avaliar
qual decisão será financeiramente mais vantajosa para sua empresa.

Já os rebanhos de matrizes, reprodutores e animais de serviço utilizados


para a obtenção desses insumos continuarão alocados em outro centro
de custo, sempre rateando proporcionalmente os custos que eventual-
mente sejam de uso comum a ambas as atividades.

Este é o final do tópico 4. Siga em frente para aplicar os conceitos aprendidos até aqui.

Avance!

Tópico 5: Aplicando os conceitos


Chegou a hora de conhecer a aplicação prática dos conceitos estudados de for-
ma detalhada!

Fonte: Banco de Imagens do Senar

Objetivos

Neste tópico, serão aplicados os conceitos aprendidos, a fim de


melhorar o entendimento sobre os indicadores de custos e a forma
como podem ser calculados.

Para começar, pense no custo operacional efetivo.Nele, contabilizam-se apenas as

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 49


despesas de custeio, que envolvem desembolsos inerentes à atividade. Ele está re-
lacionado aos desembolsos do produtor, tais como mão de obra contratada, con-
centrados, fertilizantes, sementes, medicamentos, sais minerais, reparos de benfei-
torias, consertos de máquinas, impostos e taxas, energia elétrica, combustível,
inseminação artificial e outros dessa natureza.

No estudo de caso, será analisada a atividade leiteira. Veja, a seguir, a planilha de


despesas apresentada pelo produtor.

Despesas de custeio Valor anual


Mão de obra temporária R$ 3.000,00

Manutenção de pastagens R$ 5.750,00

Manutenção de canavial R$ 2.000,00

Manutenção de capineira R$ 200,00

Silagem R$ 14.000,00

Concentrado R$ 42.705,00

Gastos com alimentação da família R$ 11.543,00

Aleitamento artificial R$ 6.086,90

Minerais R$ 3.950,00

Despesas com vestuário da família R$ 500,00

Medicamentos R$ 6.000,00

Hormônios (ocitocina + BST) R$ 800,00

Aquisição de conjunto de ordenha R$ 27.000,00

Material de ordenha R$ 2.300,00

Energia e combustível R$ 2.400,00

Inseminação artificial R$ 2.115,00

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 50


INSS + Impostos + Contribuição Sindical R$ 4.350,00

Reparos de benfeitorias R$ 1.870,00

Reparos de máquinas e equipamentos R$ 2.350,00

Outros gastos de custeio R$ 1.535,00

Total R$ 139.654,90

Tome nota

O item Aquisição de conjunto de ordenha nada mais é que um con-


junto de equipamentos destinados a realizar a ordenha mecanizada,
cada vez mais comum na bovinocultura leiteira. Essa aquisição é tra-
tada como um investimento e, portanto, não é um item a ser incluído
na somatória do COE, assim como o item Despesas com vestuário
da família.

Apenas os gastos com atividades inerentes à atividade serão utilizados para uma
avaliação econômica.

COE de um produto da atividade


O COE permite ao administrador avaliar, em separado, cada um dos produtos de uma
atividade e, com isso, tomar as decisões adequadas na gestão de cada produto ou
subproduto. Nas atividades agropecuárias, alguns itens de custo são difíceis de ratear
para cada produto da atividade. Por exemplo: quanto do mineral utilizado na atividade
foi para as vacas gerarem um novo bezerro e quanto foi para produzir leite?

Ao mesmo tempo, alguns itens de custos são específicos de um produto. Por exem-
plo: para produzir animais para venda, não é necessário material para ordenha. Com
essas informações, veja como vamos calcular o COE do leite no estudo de caso.

O primeiro passo é definir quais itens não serão rateados.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 51


• Material de ordenha:

• pré e pós-dipping;

• produtos de limpeza;

Itens que são COE • papel toalha;


apenas do leite
• outros itens vinculados à ordenha.

• Transporte do leite.

• Hormônios (ocitocina + BST).

Itens que não participam • Aleitamento das crias.


do COE do leite

Os demais itens são rateados em proporção da renda obtida pelo produto do qual
se deseja separar o custo, ou seja, assume-se que o custo do produto dividido pelo
custo da atividade é igual à renda do produto dividida pela renda da atividade.

Considera-se a correspondência a seguir:

L =
A

Logo, para se definir o COE do leite, parte-se do princípio de que:

Para corrigir essa conta, é necessário subtrair do COE da atividade aqueles itens que
não são proporcionais e adicionar ao final apenas os que são 100% do leite. Veja
como fica a conta considerando os seguintes valores:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 52


Na prática

Material de ordenha = MO = R$ 2.300,00

Aleitamento = A = R$ 6.086,90

Transporte do leite = TL = 0

Hormônios (ocitocina + BST) = H = 800,00

Renda do leite: R$ 148.807,23

Renda da atividade: R$ 170.807,23

COE da atividade: R$ 101.411,90 (COEA)

Assim, tem-se:

Renda do leite R$ 148.807,23


= = 87,11%
Renda da atividade R$ 170.807,23

RL
COEL =
{( COEA – MO – AA – TL- H x
) RA } + MO + TL + H

COEL =((R$ 101.411,90 - R$ 2.300,00 - R$ 6.086,90 - 800,000) x


87,11%) + R$ 2.300,00 + 0 + R$ 800,00

COEL = R$ 80.337,20

Com base nos resultados, observe a grande diferença encontrada (R$ 21.074,70)
entre o COE total da atividade e o COE específico do leite. Viu como não é justo que
uma atividade arque sozinha com as despesas de outras? Tal erro poderá compro-
meter a análise de viabilidade da atividade.

O mesmo raciocínio pode ser adotado em qualquer atividade. Por exemplo: a emba-
lagem do mel é custo só do mel, logo não deve ser rateado com o do própolis.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 53


COEL / litro
Para obter esse indicador, basta dividir o COEL pela produção obtida nos últimos 12
meses. Veja:

COE do leite (COEL) = R$ 80.337,20

Produção = 114.545 litros

Logo:

R$ 80.337,20
COEL / litro = = 0,70 reais
114.545 litros

Assim, para a produção total de leite, foi dispendido R$ 0,70 para cada litro de leite.

COEL / preço médio


A renda do leite representa a receita
obtida com a venda de leite ao longo do
período analisado. Sabendo que a ati-
vidade leiteira, quando executada de
forma racional, é ininterrupta e também
que, ao longo do ano, devido a diferen-
tes fatores mercadológicos (disponibi-
lidade do produto, demanda, região
analisada, época do ano etc.), os pre-
ços sofrem diversas alterações, é ne-
cessário investigar o valor médio rece-
bido ao longo do período analisado,
que será chamado de preço médio.

A forma correta de encontrar esse indicador será demonstrada a seguir, na qual se


divide o valor total obtido com a venda de leite (exclusivamente) pelo volume to-
tal produzido durante o período compreendido pela análise, independentemente de
quantas alterações o preço tenha sofrido. Veja:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 54


Renda do leite
Preço médio =
Produção

R$ 148.807,23
Preço médio = = R$ 1,30/litro
114.545 litros

Assim, pode-se assumir que o produtor, ao longo do período analisado, recebeu em


média o valor de R$ 1,30 por cada um dos 114.545 litros que comercializou. Note
que o destacado é o valor e as quantidades comercializadas, não o produzido (outra
parte pode ter sido destinada para consumo interno da propriedade ou mesmo ou-
tras atividades, como produção de queijos, iogurtes etc.).

Tendo o COE do leite por litro, é interessante descobrir, também, quanto representa o
COE em relação à renda (pode-se assumir que a renda bruta unitária é igual ao preço
unitário) obtida na comercialização.

COEL/Preço médio = 0,70/1,30 = 53,85%


De acordo com o resultado obtido, sabe-se que 53,85% do que o produtor recebe (R$
1,30) já está comprometido com o pagamento do COE (R$ 0,70/litro).

Depreciações
Conforme visto, a depreciação consiste em uma reserva monetária contábil, anual,
para a substituição de um bem ao final de sua vida útil.

Ela é calculada de forma linear dividindo o valor de novo pela vida útil, conforme a
fórmula a seguir:

Sendo que o valor de sucata recomendado pela metodologia de ATeG é igual a R$


0,00. Isso visa minimizar subjetividades.

Ao final da vida útil do bem, ele é considerado sucata, logo não serão mais contabi-
lizadas depreciações, mesmo que ele ainda possua utilidade.

Você se lembra do inventário de recursos do estudo de caso da Fazenda Santa Fe-


licidade, visto no Módulo 2? Agora é a hora de estudá-lo para compreender melhor
os conceitos.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 55


As tabelas a seguir mostram uma série de inventários:

Inventário de benfeitorias

Conforme já visto no módulo anterior, a tabela a seguir mostra o inventário


das benfeitorias:

utilização Valor unitário Valor total Vida útil


Item Quant. Idade
no leite novo (R$) (R$) (anos)
Pista de alimentação 1 100% R$ 30.000,00 R$ 30.000,00 40 10

Curral de manejo 1 50% R$ 8.000,00 R$ 4.000,00 40 15

Sala de ordenha 1 100% R$ 30.000,00 R$ 30.000,00 40 43

Cercas perimetrais 1.000 50% R$ 12,00 R$ 6.000,00 15 20

Cercas internas 1.000 100% R$ 0,00 R$ 10.000,00 10 8

Bebedouros 4 100% R$ 500,00 R$ 2.000,00 20 5

Bezerreiro 1 100% R$ 2.000,00 R$ 2.000,00 20 21

Depósito de ração 1 80% R$ 80.000,00 R$ 64.000,00 40 15

Cochos de sal mineral 12 100% R$ 500,00 R$ 6.000,00 15 10

TOTAL       R$ 154.000,00    

Inventário de máquinas e equipamentos

Valor
Utilização Valor total Vida útil
Item Quant. unitário Idade
no Leite (R$) (anos)
novo (R$)
Ordenhadeira mecânica 1 100% R$ 8.000,00 R$ 8.000,00 15 5

Irrigação 1 100% R$ 23.000,00 R$ 23.000,00 15 3

Aparelho de cerca
1 100% R$ 200,00 R$ 200,00 5 4
elétrica

Carroça 1 80% R$ 2.300,00 R$ 1.840,00 10 12

Picadeira 1 80% R$ 2.500,00 R$ 2.000,00 15 16

Bomba de água 1 100% R$ 500,00 R$ 500,00 10 11

Roçadeira costal 2 100% R$ 2.000,00 R$ 4.000,00 5 4

Latões 3 100% R$ 200,00 R$ 600,00 15 20

Tanque de resfriamento 1 100% R$ 12.000,00 R$ 12.000,00 15 8

TOTAL       R$ 52.140,00    

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 56


Inventário de forrageiras

Custo de formação Vida útil


Especificação Área (ha) Valor total (R$) Idade
(R$/ha) (anos)
Canavial 1 R$ 5.000,00 R$ 5.000,00 5 6

Pasto intensivo de mumbaca 2,3 R$ 3.000,00 R$ 6.900,00 20 5

Área de milho silagem 4   -

Pasto extensivo de
6 R$ 2.500,00 R$ 15.000,00 15 20
braquiária

Construções e estradas 1,2   -    

Reservas e APP 5,5   -    

TOTAL 20   R$ 26.900,00    

Considerando que o rebanho da Fazenda Santa Felicidade se encontra estabilizado,


e conforme os conceitos trabalhados anteriormente, não haverá cálculo de depre-
ciação para os animais que compõem o rebanho, conforme a tabela a seguir.

Inventário de animal

Vida Tempo
Categoria Un. Valor médio Valor total útil de
(anos) serviço
Vacas em lactação 20 R$ 3.200,00 R$ 64.000,00    

Vacas secas 4 R$ 2.500,00 R$ 10.000,00    

Bezerras em aleitamento 3 R$ 800,00 R$ 2.400,00    

Novilhas em recria 10 R$ 1.500,00 R$ 15.000,00    

Novilhas em reprodução 12 R$ 2.500,00 R$ 30.000,00    

Reprodutor 1 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 4 3

Animais de serviço 1 R$ 1.500,00 R$ 1.500,00 10 15

TOTAL 49   R$ 128.900,00    

Agora, identifique nas tabelas anteriores os itens que possuem idade superior à vida útil.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 57


Informação extra

Agora, vamos descobrir quais os itens que, nas tabelas anteriores,


possuem idade superior à vida útil:

• Inventário de Benfeitorias

• Sala de ordenha

• Cercas perimetrais

• Bezerreiro

• Inventário de máquinas e equipamentos

• Carroça

• Bomba de água

• Picadeira

• Latões

• Inventário de forrageiras

• Canavial

• Pasto extensivo de braquiária

• Inventário animal

• Animal de serviço

Mesmo que bens tenham funcionalidade devido às manutenções realizadas, ao


final da vida útil eles são considerados sucata, ou seja, vida útil é igual a zero. Ma-
tematicamente, a depreciação passa a não existir, pois qualquer valor atribuído ao
bem, dividido por zero, possui resultado matemático zero.

Quanto às benfeitorias, é difícil atribuir um valor comercial, logo, para efeito de


cálculos, deve-se manter o valor de novo, para calcular a depreciação.

Confira:

30.000,00
Depreciação da sala de ordenha = =0
0

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 58


Calculando a depreciação
Antes de partir para os cálculos, veja os valores de depreciação de acordo com os
inventários da Fazenda Santa Felicidade:

Inventário de benfeitorias

Valor Vida
Utilização
Item Un. unitário Valor total útil Idade Depreciação
no leite
novo (anos)
Pista de R$
1 100% R$ 30.000,00 40 10 R$ 750,00
alimentação 30.000,00

Curral de manejo 1 50% R$ 8.000,00 R$ 4.000,00 40 15 R$ 100,00

R$
Sala de ordenha 1 100% R$ 30.000,00 40 43 Não existe
30.000,00

Cercas
1.000 50% R$ 12,00 R$ 6.000,00 15 20 Não existe
perimetrais

Cercas internas 1.000 100% R$ 10,00 R$ 10.000,00 10 8 R$ 1.000,00

Bebedouros 4 100% R$ 500,00 R$ 2.000,00 20 5 R$ 100,00

Bezerreiro 1 100% R$ 2.000,00 R$ 2.000,00 20 21 Não existe

Depósito de R$
1 80% R$ 64.000,00 40 15 R$ 1.600,00
ração 80.000,00

Cochos de sal
12 100% R$ 500,00 R$ 6.000,00 15 10 R$ 400,00
mineral

R$
TOTAL           R$ 3.950,00
154.000,00

Inventário de máquinas e equipamentos

Valor Vida
Utilização
Item Un. unitário Valor total útil Idade Depreciação
no leite
novo (anos)
Ordenhadeira
1 100% R$ 8.000,00 R$ 8.000,00 15 5 R$ 533,33
mecânica

R$
Irrigação 1 100% R$ 23.000,00 15 3 R$ 1.533,33
23.000,00

Aparelho de cerca
1 100% R$ 200,00 R$ 200,00 5 4 R$ 40,00
elétrica

Carroça 1 80% R$ 2.300,00 R$ 1.840,00 10 12 Não existe

Picadeira 1 80% R$ 2.500,00 R$ 2.000,00 15 16 Não existe

Bomba de água 1 100% R$ 500,00 R$ 500,00 10 11 Não existe

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 59


Roçadeira costal 2 100% R$ 2.000,00 R$ 4.000,00 5 4 R$ 800,00

Latões 3 100% R$ 200,00 R$ 600,00 15 20 Não existe

Tanque de R$
1 100% R$ 12.000,00 15 8 R$ 800,00
resfriamento 12.000,00

R$
TOTAL           R$ 3.706,67
52.140,00

Inventário de forrageiras

Custo de Vida
Área
Especificação formação (R$/ Valor total útil Idade Depreciação
(ha)
ha) (anos)
Canavial 1 R$ 5.000,00 R$ 5.000,00 5 6 Não existe

Pasto intensivo
2,3 R$ 3.000,00 R$ 6.900,00 20 5 R$ 345,00
de mumbaca

Área de milho
4   R$ -     Não se aplica
silagem

Pasto extensivo
6 R$ 2.500,00 R$ 15.000,00 15 20 Não existe
de braquiária

Construções e
1,2   R$ -     Não se aplica
estradas

Reservas e APP 5,5   R$ -     Não se aplica

R$
TOTAL 20        
26.900,00

Inventário de animal

Vida
Preço Tempo de
Categoria Un. Valor total útil Depreciação
médio serviço
(anos)
Vacas em
20 R$ 3.200,00 R$ 64.000,00     Não se aplica
lactação

Vacas secas 4 R$ 2.500,00 R$ 10.000,00     Não se aplica

Bezerras em
3 R$ 800,00 R$ 2.400,00     Não se aplica
aleitamento

Novilhas em recria 10 R$ 1.500,00 R$ 15.000,00     Não se aplica

Novilhas em
12 R$ 2.500,00 R$ 30.000,00     Não se aplica
reprodução

Reprodutor 1 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 4 3 R$ 1.500,00

Animais de
1 R$ 1.500,00 R$ 1.500,00 10 15 Não existe
serviço

TOTAL 50   R$ 128.900,00      R$ 1.500,00

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 60


Tome nota

Veja como foram realizados alguns dos cálculos da depreciação:

1) Para começar, aplicamos a fórmula:

valor de compra - valor de sucata


Depreciação =
vida útil

2) Assim, partimos para o cálculo da depreciação do inventário de


benfeitorias:

Depreciação
R$ 30.000,00 - 0
da pista de = = R$ 750,00
40
alimentação

Depreciação
R$ 8.000,00 - 0
da pista de = = R$ 533,33
15
alimentação

3) No inventário de forrageiras, vamos calcular apenas a depreciação


do pasto intensivo de mumbaca:

Depreciação do $ 6.900,00 - 0
= = R$ 345,00
mumbaca 20

4) Quando falamos de inventário animal, é importante lembrar que


atividades que fazem a recria do reprodutor também não depreciam.
Essa é uma situação pouco comum na bovinocultura de leite mais
especializada, visando evitar consanguinidade.

Considerando que essa propriedade compra o touro, a deprecia-


ção seria:

Depreciação do R$ 6.000,00 - 0
= = R$ 345,00
mumbaca 4

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 61


Total das depreciações

Após aplicar a fórmula com os dados fornecidos na planilha, confira o resultado da


somatória do total das depreciações.

Inventário Total de depreciações


Benfeitorias R$ 3.950,00
Máquinas R$ 3.706,67
Forrageiras R$ 345,00
Animais R$ 1.500,00
Total R$ 9.501,67

Custo da mão de obra familiar


O custo da mão de obra familiar repre-
senta o quanto o empresário rural de-
veria pagar no mercado em que ele
atua para substituir o trabalho realiza-
do por ele e sua família. Vale lembrar
que isso não tem nada a ver com os
gastos pessoais do produtor — é sim-
plesmente o valor de mercado das ta-
refas realizadas pela família.
Fonte: Banco de imagens do Senar.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 62


Fazenda Santa Felicidade

custo da mão de obra


No estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade, o produtor também possui um funcioná-
rio, contratado em carteira, e os dois trabalham juntos, de forma que seus desempenhos são
Na verdade, esse é um muito semelhantes. Ao funcionário, desconsiderando encargos sociais, férias e 13º salário,
custo anual que não irá ele paga um salário-mínimo de R$ 937,00/mês. Porém, além dessas atividades, ele também
se distanciar muito do realizada a administração de sua empresa e negocia ativamente com seus fornecedores e
valor real de custo de um clientes. Portanto, foi avaliada como um valor justo a remuneração dessa mão de obra familiar
funcionário, contratado (ou pró-labore do administrador) igual a R$ 1.600,00 por mês.
em carteira, quando se
consideram todas as
Logo o custo da mão de obra familiar foi:
obrigações patronais
(pagamento de encar-
R$ 1.600,00/mês x 12 meses = R$ 19.200,00
gos, férias e 13º salário).

Custo operacional total da atividade (COTA)


Conforme visto, o custo operacional total da atividade é obtido pela adição da de-
preciação e do custo da mão de obra familiar ao COE.

Total de depreciações = R$ 9.501,67

Custo da mão de obra familiar (MOF) = R$ 19.200,00

COEA = R$ 101.411,90

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 63


COTA = COEA + Depreciações + MOF

COTA = R$ 101.411,90 + R$ 9.501,67 + R$ 19.200,00 = R$ 130.113,57

Este tópico termina aqui. Avance para a parte final deste tema.

Até lá!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 64


Encerramento do tema
Tema 1: Cálculo de custo de produção I

Neste tema, você pôde conhecer o conceito e comportamento de um dos principais


custos de produção da metodologia de ATeG, os custos variáveis. Também foi pos-
sível diferenciar outros elemento de custo fixo e uma despesa de valor fixo, como,
por exemplo, arrendamentos, aluguéis, mão de obra contratada e energia elétrica.

Decompondo os custos fixos com exemplos práticos, a de-


preciação e a contabilização dos valores de mão de obra
familiar foram estudadas detalhadamente.
Assim, foi possível ver que qualquer empresa rural precisa otimizar seus recursos
para obter melhores resultados. Para isso, é importante conhecer profundamente os
custos, ou seja, ter uma anotação detalhada das despesas como uma ferramenta de
controle dos processos produtivo e administrativo.

Vídeos

O Sr. Ariovaldo, como já sabemos, é um homem curioso, gosta de


aprender. Sabe que, se houver dedicação e empenho, ele terá tudo
para continuar a trabalhar em sua empresa rural. Ele preza pelo bom
crescimento da produção de sua propriedade e, com a ajuda do Mar-
celo, quer aprender a fazer todos os cálculos necessários para o bom
gerenciamento de sua produção. Agora que você já estudou o primei-
ro tema, conseguiria realizar alguns cálculos mais complexos? As-
sista o vídeo completo em seu ambiente de estudos e descubra mais!

No próximo tema, você estudará mais sobre custos de produção. Até breve!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 65


Atividade de passagem
Chegamos ao final do primeiro tema. A seguir, você responderá a uma questão rela-
cionada ao conteúdo estudado até aqui. Preparado?

Atenção!

Você terá três tentativas para realizar a atividade.

Se você estiver com alguma dúvida quanto ao assunto, retorne ao conteúdo do mó-
dulo ou, se preferir, entre em contato com o tutor.

Questão
Antes de avançarmos no conteúdo, vamos verificar se você compreendeu todos os
temas e reforçar os conceitos?

Leia os itens a seguir e relacione-os com os seguintes elementos:

(COE) Custo Operacional Efetivo;

(COT) Custo Operacional Total;

(d) Depreciação;

(MDOF) Mão de obra Familiar.

( ) Despesas diretas

( ) Reserva contábil

( ) Exige desembolso de capital

( ) Ocorrendo retiradas na forma de “salário fixo”, deixa de ser um Custo


Fixo, tornando-se COE.

( ) Serve como parâmetro de análise de viabilidade da empresa no curto e


médio prazos

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 66


Assinale a alternativa que contém a ordem correta:

1. COE / d / COE/ COT / MDOF

2. COE / d / COE/ COE / MDOF

3. COE / d / COT / MDOF / COE

4. COE / d / COT / COE / MDOF

5. COE / d / COE / MDOF / COT

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 67


Tema 2
Cálculo de custo de produção II

Fonte: Banco de imagens do SENAR

Dando continuidade aos estudos, no primeiro tópico trataremos dos custos fixos,
destacando sua importância no planejamento das atividades agropecuárias. Os
custos fixos merecem atenção, já que, uma vez gerados, não são diluídos ou re-
duzidos com facilidade. Porém, se evitados, podemos estar limitando a capacida-
de produtiva. Dentro do tópico dos custos fixos, daremos maior ênfase ao custo
de oportunidade sobre o capital, pelo fato de os outros dois componentes - mão
de obra familiar e depreciações - já terem sido detalhados dentro do tópico Custo
Operacional Total, no tema 1. Na sequência estudaremos os custos totais, estes
que quando conhecidos nos darão condições de analisar com maior precisão a real
situação econômica da propriedade, nos encaminhando para a tomada de decisões
mais assertivas.

Após encerrarmos a análise dos Custos Totais, faremos a avaliação de alguns indica-
dores econômicos, que são a margem bruta e a margem líquida. Aqui começaremos
a estudar a viabilidade financeira do negócio.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 68


Objetivos

Ao final, espera-se que o aluno seja capaz de realizar a análise com-


pleta do panorama de custos de uma empresa, o que lhe permitirá
compreender que poucos são os negócios verdadeiramente inviáveis,
mas que são muitos os negócios mal dimensionados para o mercado
em que atuam e para a infraestrutura que possuem.

Para atingir esses objetivos, o tema está estruturado em 5 tópicos:

Nesse tópico você terá o dimensionamento total


Tópico 1: do custo fixo, assim como diversas análises que
Custos fixos
podem ser feitas a partir de sua identificação.

Nesse tópico você aprenderá sobre a determina-


Tópico 2: ção do custo total de uma produção agropecuária,
Custo total respeitando as peculiaridades de cada cadeia pro-
dutiva, quando houver.

Nesse tópico você estudará a margem bruta. Verá


Tópico 3: como calcular, interpretar os resultados e tomar
Margem bruta decisões. A análise de viabilidade de um negócio
se inicia por ela.

Nesse tópico você estudará a margem líquida.


Verá como calcular, interpretar os resultados e to-
mar decisões com base nela. Essa análise é fun-
Tópico 4: damental para checar a capacidade do negócio de
Margem líquida
se manter no longo prazo, possibilitando verificar a
coerência entre a estrutura de custos do negócio e
sua escala de produção.

Nesse tópico que encerra o tema, você verá a


Tópico 5: aplicação prática dos conceitos estudados, de
Aplicando os conceitos
forma detalhada.

Agora que você já sabe como será sua trajetória pelo tema 2, siga em frente e sucesso!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 69


Tópico 1: Custos fixos
Vamos iniciar o tema com os custos fixos. A depreciação e a mão de obra familiar já
foram estudadas no tema 1, portanto, daremos maior ênfase ao terceiro componen-
te - o custo de oportunidade do capital.

Fonte: Banco de imagens do Senar.

Objetivos

Nesse tópico você irá compreender a formação dos custos fixos, além
de algumas análises que são possíveis a partir da sua identificação.

Tome nota

A clássica divisão dos custos em variáveis e fixos muitas vezes é ar-


bitrária e difícil de ser operacionalizada, já que um fator de produção
pode ser classificado como fixo ou variável, dependendo do tempo
considerado. O mesmo fator pode ser fixo no curto prazo e variável,
em longo prazo.

Em razão dessas dificuldades, existem outros critérios para se classificar os custos,


que se ajustam melhor às necessidades do empresário rural, tais como despesas
diretas e indiretas e custos operacionais.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 70


Na metodologia da Assistência Técnica e Gerencial, são considerados custos
fixos aqueles em que não incorrem em despesas diretas, ou seja, não possuem
desembolso físico de capital para sua remuneração.

Outras características importantes do custo fixo é que eles tendem a se manter


inalteráveis em curto e médio prazos (mantendo-se as mesmas estruturas produ-
tivas), que seu valor independe do volume produzido e que jamais será igual a zero.
Conforme visto, são elementos do custo fixo:

1 2 3
Custo de oportunidade
Mão de obra familiar Depreciação
do capital empatado

Temos a seguinte fórmula:

CF MOF CO

depreciação
custo fixo
custo de
mão de obra oportunidade

Observe que a fórmula do CF (Custo Fixo) engloba todos os elementos de custos,


exceto os variáveis (COE). Podemos afirmar também que a somatória de ambos
elementos resultará no CT (Custo Total).

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 71


Na prática

Vamos calcular o custo fixo de um galpão de máquinas no valor de


R$ 36.000,00, com vida útil de 30 anos.

CF = MDOF + d + CO

1° Passo: calcula-se a depreciação

VN – S
d=
VU

R$ 36.000,00 – 0
d=
30

d= R$ 1.200,00

2° Passo: calcula-se o custo de oportunidade:

VN - S
CO =
( 2 ) xi

R$ 36.000,00 - 0
CO =
( 2 ) x 6% = R$ 1.080,00/ano

E então, o custo fixo:

CF = MDOF + d + CO

CF = 0 + R$ 1.200,00 + R$ 1.080,00

CF = R$ 2.280,00

Note que, no exercício, a mão de obra familiar foi considerada igual a zero, pois es-
tamos avaliando o custo fixo de um bem - nesse caso, não envolvendo o item mão
de obra familiar.

A mão de obra familiar, a depreciação e o custo de oportunidade do capital


empatado são custos que não geram desembolsos diretos ao produtor rural. Na
análise da propriedade, você deverá prestar atenção nesses três elementos de
custos, uma vez que podem informar quanto à capacidade produtiva da em-
presa rural. Ao mesmo tempo em que limita a capacidade produtiva pela falta,
pode inviabilizar a atividade por ter uma estrutura muito pesada.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 72


Outra observação importante é que deve se realizar o inventário somente de bens
que compõem a atividade e considerando seu uso efetivo na atividade rural, como
por exemplo:

Em uma atividade de piscicultura, não deverá ser


alocado um curral de ordenha para essa atividade,
mesmo que a propriedade desenvolva ambas.

Quando uma infraestrutura é compartilhada entre


duas ou mais atividades, seu custo deverá ser ratea-
do proporcionalmente. Se um mesmo galpão é utili-
zado para guardar rações do gado leiteiro e também
dos peixes, a atividade que for mais representativa
em uso deverá arcar com uma maior porcentagem
dos custos fixos desse galpão.

Outra situação a se observar é o inventário das terras. Quando a propriedade traba-


lha exclusivamente com uma atividade, toda a área deverá ser lançada como sendo
da atividade. Porém, quando se desenvolve mais do que uma atividade, considera-se
área da atividade o espaço diretamente utilizado e é feito o rateio das áreas conside-
radas de uso comum, como pátios, estradas, app, reservas etc.

Uma propriedade com valores de de-


preciação e custo de oportunidade mui-
to elevados nos faz pensar que possui
uma vasta infraestrutura (benfeitorias,
máquinas, equipamentos e ferramen-
tas), ou seja, que há uma grande capa-
cidade produtiva instalada.
Fonte: Banco de imagens do Senar

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 73


De outra maneira, quando encontramos propriedades com esses mesmos custos
muito baixos, podemos supor que têm pouca capacidade produtiva, ou que estão
operando abaixo da capacidade.

Em ambos os cenários, a empresa poderá operar em situação de ociosidade,


normalidade ou até mesmo abaixo da necessidade. Tudo isso só será possível
de ser analisado quando avaliarmos o negócio como um todo, com a obtenção
de mais dados, conforme veremos abaixo.

Mão de obra familiar


Como vimos no tema 1, a mão de obra familiar é contabilizada no custo fixo porque
geralmente não há um pagamento efetivo – o produtor não paga a si mesmo. Assim,
esse custo se configura como um custo indireto, não havendo desembolso.

Além disso, é um custo que sempre existirá, a não ser que se interrompa a atividade
e não haja mais possibilidade de executá-la. Via de regra, as retiradas não são siste-
matizadas, nem uniformes.

Durante todo o ciclo produtivo, o produtor realiza diversas pequenas retiradas de va-
lores para honrar compromissos pessoais geralmente não uniformes, mas de acor-
do com suas necessidades. Essas retiradas devem sair dos ganhos da atividade
leiteira e não devem ser consideradas como remuneração da mão de obra familiar.

O valor atribuído à mão de obra familiar deve ter como base os valores praticados
na região, ou seja, caso o produtor contrate alguém em seu lugar, quanto pagaria
pelo mesmo serviço. Utiliza-se o mesmo critério para todos os membros da família
envolvidos na atividade.

Dois pontos críticos devem ser observados, pois são facilmente solucionados quan-
do se atêm a realidades distintas, mas que podem ocorrer na propriedade:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 74


Incapacidade de trabalho do produtor

O produtor não possui mais condições físicas e/ou


mentais de realizar trabalho algum, muitas vezes já
recebendo benefícios de aposentado rural. Nessa si-
tuação, por não haver a oportunidade de venda da sua
mão de obra, esse custo não deverá ser computado.

Retirada sistemática de valores pelo administrador

Onde o(s) administrador(es) realiza(m) retiradas


sistemáticas e padronizadas, caracterizando salá-
rio. Sendo assim, este irá compor o COE (pagamento
da administração), e não o custo fixo. Tal situação é
mais comum em grandes propriedades rurais, onde
pode haver até mesmo a existência de vários pro-
prietários (grupos empresariais).

A mão de obra familiar é tratada como custo fixo também pelo fato de não responder,
de forma imediata, às variações de escala de produção.

Note que não estamos dizendo que a aposentadoria rece-


bida anula a contabilização na mão de obra familiar. Renda
pessoal não possui nexo algum com a renda oriunda da
atividade rural. Em muitos casos, o produtor é aposentado
por idade ou tempo de contribuição, mas ainda se encontra
em pleno gozo de suas faculdades físicas e mentais, ge-
rando uma oportunidade e, portanto, um custo de mão de
obra familiar.

Depreciação
Como vimos no tema 1, a depreciação é um custo fixo e consiste em uma reserva

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 75


monetária para que a propriedade tenha condições de substituir os bens duráveis no
final de sua vida útil, mantendo a capacidade produtiva da empresa. Os principais
itens geradores desse custo são equipamentos, máquinas, veículos, forrageiras e
outra culturas não anuais, benfeitorias, animais de serviço e reprodutores.

Na metodologia de cálculo de custos de produção utilizada pela ATeG, aplica-se o


método linear, ou seja, o valor da depreciação anual é igual em todos os anos du-
rante sua vida útil.

Para minimizar a subjetividade, a mesma metodologia considera o valor de su-


cata sempre igual a zero.

Veja a fórmula:

VN – S
d=
VU

d = depreciação

VN = valor de novo

S = sucata (sempre igual a 0)

VU = vida útil

Na prática

Veja, a seguir, um exemplo do cálculo de depreciação anual de um


tanque de resfriamento de leite.

Valor de novo do tanque (VN) = R$ 12.000,00

Vida útil (VU) = 15 anos

Valor de Sucata (S) = 0

R$ 12.000,00 – 0
d=
15

d = R$ 800,00/ano

A depreciação anual do bem seria de R$ 800,00, valor que o produtor


deverá reservar para a reposição do bem ao final de sua vida útil.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 76


Para situações em que se adquire máquinas, equipamentos e veículos usados, po-
rém, dentro da vida útil, a metodologia prevê um tratamento diferenciado. Para cal-
cular a depreciação nesses casos, utiliza-se o valor pago pelo bem denominado na
fórmula chamada (VC) valor de compra. o valor atribuído à sucata será sempre zero,
e a vida útil, considera-se a residual (VR).

VC – S
d=
VR

D = depreciação

VC = Valor de compra

S = Sucata

Agora, veja um exemplo do cálculo de depreciação de um bem adquirido usado.

Na prática

Supondo que o produtor adquiriu um tanque de resfriamento que vi-


nha sendo utilizado há cinco anos em uma propriedade vizinha, pa-
gou R$ 7.000,00 e a vida total do bem é de 15 anos.

Valor de compra (VC) = R$ 7.000,00

Valor de sucata (S) = R$ 0

Vida útil residual (VR) = 10 anos

R$ 7.000,00 – 0
d=
10

d = R$ 700,00/ano

Nesse caso, o produtor deverá fazer uma reserva de R$ 700,00 por


ano para que, ao final da vida útil do bem, tenha condições de fazer
sua reposição.

Custo de oportunidade do capital


O custo de oportunidade sobre o capital empatado consiste na remuneração anual
esperada pelo dono do capital por emprestá-lo à atividade. Se o valor dos bens (in-
vestimento do dono do capital em toda a propriedade) estivesse aplicado na poupan-
ça, por exemplo, daria ao capitalista um retorno de aproximadamente 6% de juros

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 77


ao ano. É o mínimo que se espera que a atividade seja capaz de remunerar pela
oportunidade de uso do capital. Conforme já introduzido no conteúdo do tema 1, para
calcular o custo de oportunidade do capital investido sobre bens dentro do prazo de
vida útil, utiliza-se a fórmula abaixo:

CO VN S i
2
custo de
oportunidade sucata
(sempre igual a “0”)

valor de novo taxa de juros


(6%a.a.)

O cálculo do custo de oportunidade sobre o capital empatado se apoia no ideal de


capital médio (divisão do valor de novo por 2), enquanto o bem avaliado ainda está
dentro do prazo de vida útil. A lógica de se utilizar o capital médio é para que os juros
sobre esse capital sejam estabilizados (linear) ao longo de toda a vida útil desse bem,
uma vez que, durante parte desse tempo, a avaliação será mais próxima do valor de
novo e no restante do período ela se aproximará do valor totalmente depreciado. A
utilização do capital médio também é justificada por minimizar a subjetividade no mo-
mento do levantamento do valor dos bens, já que para apurar o valor de novo existem
parâmetros, diferente de estimar o valor atual de um bem usado.

A avaliação dos itens do inventário deverá ser realizada individual-


mente, item a item, e não uma avaliação genérica de todos os itens
conjuntamente.

O cálculo precisa ser realizado uma única vez, enquanto o item estiver dentro de seu
prazo de vida útil.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 78


Na prática

Exemplo:

Para um trator com valor de novo igual a R$ 150.000,00 e dentro do


prazo de vida útil, qual será o valor do custo de oportunidade sobre o
capital empatado?

( )
VN - S
CO = xi
2

( )
R$ 150.000,00 + 0
CO = x 6%a.a
2

CO = R$ 4.500,00/ano

Nesse caso, o custo de oportunidade desse trator será de R$ 4.500,00


por ano.

A metodologia não considera o cálculo de juros sobre o capital empatado em terras,


somente sobre benfeitorias, máquinas, equipamentos, ferramentas, pastagens, cul-
turas não anuais e rebanho.

Informação extra

A metodologia também não considera o cálculo de juros sobre o ca-


pital de giro, pois devem ser observadas, em cada caso, a dimensão e
a necessidade desse item. A metodologia atende, sob a mesma ótica,
diversas cadeias produtivas com características individuais diversas,
o que a torna pouco prática para a realização de uma análise de ca-
pital de giro caso a caso.

Custo de oportunidade de bens depreciados


Após o encerramento da vida útil dos bens, a forma de se calcular os juros sobre o
capital empatado é alterada. A justificativa é de que não haverá mais tempo de uso
desse bem para estabilizarmos o cálculo desses juros no decorrer do período ana-
lisado. Porém, o administrador (produtor rural) ainda detém o bem em sua posse,
portanto, tem oportunidade de capital implícito, mesmo que esse já não valha mais o
que valia no início de sua vida útil.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 79


A metodologia prevê particularidades no cálculo do custo de oportunidade dos
bens depreciados, conforme a categoria a que pertencem: animais, benfeitorias
e plantações, máquinas, veículos e equipamentos.

Particularidades no cálculo do custo de oportunidade sobre


o capital empatado em máquinas, veículos e equipamentos
já depreciados
Nesses casos, deverá ser considerado o valor atual de mercado do bem, a fim de
valorar quanto se poderia obter de capital ao comercializá-lo. Entretanto, este já não
será capital médio, e sim integral, de acordo com a fórmula a seguir:

CO VM S i

custo de
oportunidade sucata
(sempre igual a “0”)

valor de mercado taxa de juros


(6%a.a.)

Uma vez que, ano a ano, todos os bens reduzem paulatinamente seu valor de mer-
cado, será necessária a realização de uma atualização do inventário de bens depre-
ciados anualmente, a fim de se aproximar o máximo possível do custo real.

Na prática

Uma propriedade rural possui em seu inventário um trator, já deprecia-


do, cujo valor era de R$ 120.000,00 quando novo. Atualmente, o valor
de mercado é R$ 30.000,00. Considerando a taxa de juros médio de 6%
a.a., vamos calcular o custo de oportunidade do capital investido. Veja:

CO = (VM - S) x i

CO = (R$30.000,00 - 0) x 6%a.a.

CO = R$ 1.800,00 /a.a

Assim, observamos que o custo de oportunidade desse trator é de R$


1800,00 ao ano.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 80


Custo de oportunidade sobre benfeitorias e lavouras não anu-
ais já depreciadas
No caso de benfeitorias e lavouras com a vida útil esgotada, o custo de oportunidade
do capital investido continua sendo calculado com base no capital médio.

Na prática

Uma sala de ordenha com a vida útil já esgotada, com valor de nova de
R$ 50.000,00 e juros médio de 6% a.a, terá o custo de oportunidade do
capital calculado da seguinte maneira:

( )
VN - S
CO = xi
2

VN = Valor de novo

S = Valor de sucata (sempre igual a zero)

i = Taxa de juros

Assim, temos:

( )
R$ 50.000,00 – 0
CO = x 6%
2

CO = R$ 1.500,00/ ano

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 81


Custo de oportunidade sobre rebanho e animais de serviço

Fonte: Banco de imagens do Senar

O rebanho, como visto anteriormente, é um dos componentes para mensuração da


riqueza do produtor rural, pois possui valor de mercado. Isso se mostra totalmente
verdadeiro quando o produtor decide paralisar sua atividade pecuária e se desfazer
do rebanho. Logo, o mesmo converteria seu inventário de semoventes (animais, re-
banhos) em capital corrente (dinheiro).

A forma de mensuração desse capital empatado em semoventes se dará pela quan-


tificação do estoque por categoria (inventário de rebanho), multiplicado pelo valor
médio de mercado local para cada uma das categorias.

Note que destacamos que o valor considerado deverá ser uma média dos pre-
ços pagos na região, para não corrermos o risco de mascarar os resultados,
superdimensionando esse capital, ao considerarmos o valor máximo, ou sub-
dimensionando, considerando o valor mínimo.

Uma vez estabelecido o critério de avaliação pelo valor médio, utilizamos a mesma
base da fórmula de juros anuais sobre bens depreciados:

CO VM S i

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 82


Veja o exemplo a seguir:

Fonte: Banco de imagens do Senar

Em uma propriedade rural que desenvolve a atividade de bovinocultura de corte, e cujo inven-
tário total do rebanho esteja avaliado em R$ 3.850.000,00, qual será o valor dos juros anuais
sobre capital empatado em rebanho?

CO = (VM + S) x i
CO = R$ 3.850.000,00 + 0 x 6% = R$ 231.000,00

Conforme observado no exemplo, geralmente será encontrado um grande impac-


to do custo de oportunidade nos rebanhos analisados. Por isso, é fundamental ter
muito critério no momento dessa análise, pois corre-se o risco de distorcer o custo
total de produção.

Pare para pensar

Em alguns casos, o capital empatado em animais pode ser elevado,


impactando os custos fixos na forma de custo de oportunidade sobre
o capital. O que precisa ser investigado é se o rebanho está desestru-
turado e os motivos dessa desestruturação. Pode ser que a atividade
esteja sendo ineficiente, com muitos animais improdutivos no reba-
nho, ou os animais podem estar sendo retidos com o propósito de
aumentar o rebanho e a produção.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 83


É fundamental entender as motivações do elevado estoque de capital empatado em
animais, para que se tenha condições de fazer uma boa leitura da situação e, junto
com o produtor, tomar as decisões mais coerentes. Também para o caso de animais
de serviço, utiliza-se o valor médio de mercado.

Uma propriedade conta com 10 equinos para manejo do rebanho bovino, que conta
com 5 reprodutores. Nenhum desses animais é utilizado para lazer ou como animal
doméstico, apenas para trabalho. Para o cálculo do custo de oportunidade (juros)
sobre o capital empatado em animais de serviço, estando dentro ou fora da vida útil,
utiliza-se a seguinte fórmula.

CO= (VM – S) xi

Dessa forma, chegamos à seguinte tabela:

Valor Vida útil


Descrição Qnt. Idade Juros anuais
unitário (anos)
Equinos 1 1 R$ 600,00 7 9 R$ 36,00

Equinos 2 4 R$ 1.350,00 7 5 R$ 324,00

Reprodutores 5 R$ 4.500,00 6 3 R$ 1.350,00

TOTAL R$ 1.710,00

Juros de financiamento x custos de produção


É importante que o Técnico de Campo e o produtor tenham plena consciência de que
a atividade em si não necessita de financiamento, apenas de recursos, para que pos-
sa ser executada, não importando a fonte ou as taxas envolvidas em cada uma delas.

Na prática

Uma produtora de suínos adquiriu um trator financiado com valor de


novo igual a R$ 120.000,00 e vida útil de 15 anos. A taxa de juros anu-
ais contratada foi definida pela instituição financeira em 8% ao ano,
que também determinou 3 anos de carência e mais 7 parcelas anuais
para que seja realizada a quitação do bem, totalizando 10 anos. De
que maneira deveremos contabilizar a entrada desse bem no sistema
produtivo, no custo de produção da atividade?

A aquisição dessa máquina resultará em três alterações financeiras na


propriedade: custo de oportunidade sobre capital empatado, deprecia-
ção do bem e fluxo de caixa. As duas primeiras dizem respeito ao custo
de produção; a última, apenas ao próprio fluxo de caixa. Vejamos:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 84


Cálculo de depreciação:

d= VN - S
VU

R$120.000,00 – 0
d= = R$ 8.000,00/ano
15

Cálculo do custo de oportunidade:

CO =
( VN - S
2 ) xi

CO =
( R$120.000,00 - 0
2 ) x 6%

CO = R$ 3.600,00/ano

Em relação ao fluxo de caixa, temos:

Valor de novo = R$ 120.000,00

Valor total dos juros contratados = R$ 96.000,00 (R$120.000,00 x


8%a.a. x 10 anos)

Custo total do bem à produtora = R$ 216.000,00

Valor da parcela anual = R$ 30.857,14 (em 7 parcelas, após 3 anos


de carência).

Este será o valor (R$ 30.257,14) que irá compor o fluxo de caixa; é
um pagamento, uma saída de capital da empresa. Não há nenhuma
relação com o custo de produção.

De acordo com a análise acima, essa máquina irá compor o custo de produção da
atividade suinocultura da seguinte maneira: depreciação e custo de oportunidade do
capital empatado. Observe que o valor do equipamento foi aportado no inventário de
recursos da propriedade, totalmente no início do primeiro ciclo, não tendo ligação al-
guma com seu parcelamento e prazo de carência. O que contabilizamos é seu custo
(depreciação e custo de oportunidade) durante sua vida útil produtiva.

Custo fixo médio


O custo fixo médio nos remete ao custo fixo por unidade produzida em determinado
período analisado, sendo assim calculado:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 85


CFM CFtotal
Produção
CFM CF total Título

Custo fixo médio Custo fixo total Produção total no período


analisado (ano, mês etc.)

É importante o Técnico de Campo realizar o cálculo do custo fixo médio por unidade,
para que possa fazer a análise da eficiência dessa empresa em ofertar seus produtos
ao mercado. O aumento do custo fixo unitário pode ser um indicativo de ineficiência
da atividade, porém, isso não é regra, pois é possível que a aquisição dos bens, que
geram aumento no custo fixo, causem redução no COE.

Por exemplo, o produtor adquire um novo equipamento e a produção se mantém no


mesmo patamar, ou seja, ocorre aumento no custo fixo unitário, porém, a máquina
adquirida permite dispensar um funcionário, reduzindo mais o COE do que aumen-
tou o custo fixo gerado pela aquisição. Referente ao uso dos recursos, devemos ter
cuidado ao realizar observações, levando em conta o momento que a propriedade
está atravessando. Veja:

Fonte: Banco de imagens do Senar

Uma fazenda de produção leiteira realizou, de uma só vez, todo o investimento necessário em
infraestrutura de pastagens, irrigação, currais de ordenha, ordenhadeiras, casa de funcionários
etc., mas ainda está em fase de formação de rebanho.

Logo, sua análise de custo fixo unitário será altamente prejudicada, uma vez que o cenário
aponta alto custo fixo, com pouca produção.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 86


Assim como no exemplo, temos ainda o comportamento do Custo Fixo Médio
(CFM), que, frente a diferentes volumes anuais de produção de leite (aumen-
tados em uma escala de 200L/dia em cada simulação), mantém inalterada a
estrutura de Custo Fixo Total (CFT). Veja na tabela:

Simulação Volume (L) CFT CFM


1 73.000 R$ 2,60

2 146.000 R$ 1,30
R$ 190.000,00
3 219.000 R$ 0,87

4 292.000 R$ 0,65

A partir dos dados apresentados, teremos diferentes impactos dos custos fixos totais
sobre a unidade produzida, de acordo com a escala de produção estabelecida.

No gráfico a seguir podemos observar que o custo fixo total mantém-se estável ao
longo de todo o período analisado, independentemente do volume de produção, desde
que se mantenham estáveis as variáveis que o compõem (mão de obra familiar, de-
preciação e custo de oportunidade). Também podemos observar o comportamento do
custo fixo médio, que tem tendência de redução por unidade produzida quando a pro-
dução aumenta, podendo chegar a valores irrisórios, porém, jamais será igual a zero.
R$

Custo Fixo Total

Custo Fixo Médio


Produção

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 87


A terra como fator de custo fixo

Fonte: Banco de imagens do Senar.

A metodologia de cálculo do custo de produção utilizada não considera o va-


lor da terra como componente do custo de produção. São avaliadas todas as
benfeitorias úteis que estão sobre ela (incluindo poço artesiano, se houver).

Pare para pensar

Se tivéssemos propriedades com a mesma atividade, porém, em re-


giões onde há grande variação no valor da terra, perderíamos a opor-
tunidade de comparação. Isso acontece porque, dessa forma, esta-
ríamos atribuindo menores custos da atividade a quem tem a terra
com valor menor e maiores custos da atividade a quem tem a terra
com valor maior.

Os bens são inventariados à parte, onde se apura o estoque de capital médio. Para
obtermos o valor da terra nua, desconsideraremos todo o inventário realizado, conta-
bilizando somente o tamanho da área multiplicado pelo valor de mercado do hectare
naquela região. Utilizamos a seguinte fórmula:

Valor da Área Valor do Ha


Terra Nua
Na metodologia utilizada, não é contabilizada a remuneração do capital empatado,
nem a depreciação sobre o valor da terra nua. O capital empatado em terras será
levado em consideração apenas quando calcularmos a taxa de remuneração do ca-
pital com terra, conforme veremos no tema 3, sobre indicadores. Você chegou ao
final do tópico 1, onde pôde ver mais detalhadamente os conceitos e as definições
sobre custo fixo.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 88


Tópico 2: Custo total
Já entendemos os tipos de custos fixos que podem surgir, certo? Vamos entender
melhor como determinar o custo total, pois não basta apenas somar todos os de-
mais para obtê-lo. Precisamos considerar muitos pontos particulares entre as va-
riadas cadeias produtivas.

Fonte: Banco de imagens do Senar.

Objetivos

Nesse tópico, você aprenderá a determinar o custo total de uma


produção agropecuária, compreendendo as peculiaridades de cada
cadeia produtiva.

A partir do momento em que conhecemos os custos totais de uma atividade, pode-


mos analisar com maior profundidade a situação em que se encontra, com reais con-
dições de projetar o futuro. Seremos capazes de interpretar questões relacionadas
à estrutura de produção e à eficiência no uso dos recursos, buscando o equilíbrio de
todos elementos formadores do custo total.

O custo total engloba todos os custos, tanto variáveis quanto fixos, sendo a soma do
Custo Operacional Total (COT) com o Custo de Oportunidade (CO) do capital empa-
tado em benfeitorias, máquinas, forrageiras não anuais e animais de rebanho. Sua
fórmula é a seguinte:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 89


CT COT CO

custo total
Custo de
oportunidade
custo operacional total

Além da depreciação e da mão de obra familiar, deve-se contabilizar o custo de opor-


tunidade do capital investido na atividade, que corresponde à remuneração, pelo uso
do capital, no processo produtivo analisado. É como se todo o dinheiro aplicado na
atividade estivesse alocado em outro tipo de investimento, sendo que nossa base de
comparação é a taxa de remuneração da poupança, que paga juros reais de 6% ao
ano, em média.

O custo de oportunidade do capital investido corresponde, em média, a 6% ao


ano sobre o somatório dos valores investidos na atividade rural avaliada.

Nesse ponto, é importante dividir o produtor em duas figuras distintas: o empreende-


dor e o capitalista.

Empreendedor Capitalista

O empreendedor é quem realiza o processo Capitalista é o dono do capital. Ocorre que,


produtivo. Para tal, necessita de recursos na maioria das vezes, o empreendedor e o
financeiros para executar a atividade de capitalista são a mesma pessoa, ou seja, o
sua opção. Porém, o empreendedor é tão produtor rural tem recursos próprios, que
somente um executor, que não detém re- serão empregados na execução da produ-
cursos financeiros e deve recorrer ao capi- ção. Em caso de tomada de crédito de cus-
talista para tomar emprestado os recursos teio e/ou investimentos, ou seja, aquisição
necessários. de dívidas, o dono do capital (capitalista)
deverá arcar com as parcelas e os juros do
financiamento. A atividade, representada
pelo empreendedor, remunera o capitalista
(dono do capital) pela oportunidade de
uso do capital, o que na metodologia de
ATeG chamamos de custo de oportunidade
sobre o capital empatado.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 90


Quando assumimos que o produtor é, ao mesmo tempo, empreendedor e capitalista,
nada mais natural do que o capital aplicado/emprestado ser remunerado, que na
configuração apresentada não irá gerar desembolsos diretos, pois será pago a ele
mesmo. Além disso, não irá compor o fluxo de caixa, apenas o custo de produção.

Veja o exemplo

Um produtor de aves financiou a quantia de R$ 50.000,00 junto a uma instituição de crédito


para compra de rações. A taxa cobrada para esse capital de giro financiado foi de 25% a.a.,
com prazo de pagamento em seis meses. Qual será o valor atribuído ao COE dessa atividade e
qual será o valor de juros pago pelo mesmo?

Resposta: o valor a ser atribuído ao COE será apenas a quantia de R$ 50.000,00. Isso se dá
pelo fato de que a atividade necessitava da ração (comprada por esse valor no mercado), e
não do capital, muito menos dos juros. Devido à metodologia de ATeG não considerar juros
sobre capital de giro, não incidirão juros sobre o mesmo, portanto, não há inserção no custo
de produção.

Como observado, o produtor contratou tal crédito com a taxa de 25% a.a., ou seja, pagará o
equivalente a 12,5% no período correspondente ao prazo de pagamento (6 meses).

Calculando o novo valor a ser pago pelo produtor:

R$ 6.250,00 = R$ 50.000,00 x 12,5/100

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 91


Ou seja, apenas a título de juros à instituição credora, o produtor tomador pagará a quantia de
R$ 6.250,00. Essa quantia não irá compor o custo de produção, somente o fluxo de caixa, uma
vez que irá, de fato, “sair do caixa”. Esse custo, apesar de efetivo, é debitado ao empreendedor,
e não à atividade.

Custo total médio


O custo total médio é o resultado da divisão do custo total da atividade pelo volume
produzido, sendo assim calculado:

Custo total Custo total


Médio
Produção

É fundamental conhecer e analisar o custo total por unidade produzida. Ele nos dará
condições de analisar a eficiência da empresa, se seus custos e receitas estão equi-
librados e se a escala de produção está adequada em relação à estrutura envolvida.

O gráfico a seguir nos ajuda a compreender a tendência de comportamento do cus-


to total médio em função da escala de produção. Quando a escala de produção é
pequena, o custo total médio tende a ser alto por ter poucas unidades produzidas
para diluir o custo fixo, diluição que vai acontecendo com o aumento da escala de
produção. Porém, para fazer com que a produção aumente, geralmente elevamos
os custos variáveis com insumos, mão de obra, serviços de máquinas etc., fazendo
com que o custo total médio volte a subir.
Custo Total Médio

0 q* Produção

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 92


O custo total médio pode ser utilizado para diversas unidades comerciais.

Informação extra

Veja exemplos de unidades comerciais:

• Dúzia de ovos

• Animal abatido

• Arroba de boi

• Litro de leite

• Quilo da carne

• Sacas de milho (ou de café, feijão, arroz, trigo, soja)

• Caixa de tomate (ou de laranja, uva, maçã etc)

Custo total por área


O custo total por área é resultado da divisão do custo total da atividade pela área
utilizada. O cálculo é realizado da seguinte forma:

Custo total Custo total


por área
Área da atividade/ha

A análise do custo total por área nos dá elementos para compreender a eficiência do
uso dos recursos, especialmente da terra, nos permitindo ainda fazer comparações
entre áreas da propriedade e outras propriedades. Muitos são os empresários rurais
que se preocupam com os preços dos produtos e poucos são os que gastam tempo
e energia para conhecer e controlar os custos de produção. Detalhe: são os custos
que estão sob nosso controle, e não os preços.

Todos os fatores formadores de custos de uma atividade precisam ser conhecidos


e, a partir daí, administrados. Só dessa forma seremos bem-sucedidos em nossas
atividades.

Encerramos nesse tópico a análise dos custos totais. Nos vemos no próximo tópico,
onde saberemos mais sobre margem bruta! Até mais!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 93


Tópico 3: Margem bruta
Estamos iniciando o tópico 3, onde você conhecerá melhor a margem bruta.

Esse indicador é muito utilizado de forma empírica pelos produtores. Muitas vezes é in-
terpretado erroneamente como lucro (cujo conceito ainda será estudado nesse módulo).

Fonte: Banco de imagens do Senar.

Objetivos

Nesse tópico, você aprenderá a definir o conceito de margem bruta


considerando as variáveis de uma atividade rural.

A margem bruta (MB) é obtida pela subtração dos custos operacionais efetivos da
renda bruta de uma determinada atividade ou de toda a propriedade.

MB RB COE
Em um reflexo natural, o produtor, ao vender a produção, paga as despesas, analisa
quanto sobrou e chama de lucro, o que não passa de margem bruta. Foram pagos
apenas os custos operacionais efetivos, sem considerar a mão de obra familiar, a
depreciação e o custo de oportunidade do capital.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 94


Tome nota

A margem bruta permite ao gestor analisar aspectos fundamentais


de sua produção e do seu negócio. A partir da sua apuração é pos-
sível identificar se é suficiente para cobrir os custos fixos, além de
permitir a análise do quanto essa unidade produtiva é capaz de su-
portar oscilações de mercado, tanto nos preços dos insumos quanto
no preço de venda dos produtos.

Para que uma propriedade continue produzindo, precisa de fluxo de caixa positivo, o que
somente será possível se tivermos margem bruta positiva. Trata-se, portanto, de um
indicador que nos permite analisar a capacidade operacional da empresa a curto prazo.

Para se calcular a margem bruta corretamente, o gestor precisa realizar os seguin-


tes passos:

1
Levar em consideração a receita produzida pela venda
dos produtos e subprodutos da atividade. Também é
convertida em renda a riqueza que foi produzida no
período analisado, porém, ainda não foi realizada a
venda. Isso é usado especialmente nas atividades de
criação animal onde ocorreu uma variação no inventário,
pois dessa forma o produtor aumentou seu patrimônio
(rever conceito de variação do inventário animal).

2
Retirar os pagamentos ou recebimentos de empréstimos.
Estes não são componentes da renda. São apenas
componentes do fluxo de caixa. Se o dinheiro for
utilizado como capital de giro, os insumos adquiridos
entrarão no custo operacional efetivo do produto.

1
Retirar os itens de investimento. Verificar se atendem a
mais de um ciclo produtivo. Logo, não fazem parte do
custo operacional efetivo. O gestor deve fazer esse filtro
antes da análise, pois é muito comum considerar um
item que foi pago à vista como despesa, mesmo que ele
possa ser utilizado por mais de um ciclo produtivo. Como
exemplo, é possível destacar latões de leite, roçadeira
costal, aparelho de cerca elétrica, entre outros.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 95


Fazer com que o empreendimento tenha margem bruta positiva e sustentável é a pri-
meira tarefa do gestor, pois qualquer empreendimento com margem bruta negativa,
se não rever sua estrutura de custos, estará à beira do fechamento.

Análise da margem bruta


Veja os tipos de margem bruta:

Em uma empresa em situação de margem bruta negativa, a renda


obtida com a venda da produção não cobre os custos operacionais
efetivos (desembolsos), criando dificuldades operacionais que
comprometem o fluxo de caixa, chegando a inviabilizar comple-
MB < 0 tamente a atividade. É preciso muita cautela ao interpretar indica-
dores, que nos dão informações sobre o momento da análise, não
significando que a situação apresentada seja definitiva. É necessá-
rio um constante acompanhamento de sua evolução.

A empresa que apresentar resultados de margem bruta iguais a


zero, a renda obtida com a venda da produção é suficiente apenas
para cobrir os custos operacionais efetivos. Não consegue pagar
mão de obra familiar, depreciação e custo de oportunidade do ca-
pital empatado. Caso a situação não seja revertida, a tendência é
de que seus bens venham a se exaurir, já que a empresa não terá
condições de mantê-los, tampouco substitui-los. A empresa que
MB = 0 apresentar resultados de margem bruta iguais a zero, a renda ob-
tida com a venda da produção é suficiente apenas para cobrir os
custos operacionais efetivos. Não consegue pagar mão de obra fa-
miliar, depreciação e custo de oportunidade do capital empatado.
Caso a situação não seja revertida, a tendência é de que seus bens
venham a se exaurir, já que a empresa não terá condições de man-
tê-los, tampouco substitui-los.

Quando a margem bruta for maior do que zero, significa que a pro-
priedade é viável no curto prazo, em função de pagar todos os cus-
tos operacionais efetivos, sobrando recursos para pagar toda ou
parte da mão de obra familiar, da depreciação e custo de oportuni-
dade do capital.
MB > 0
A empresa que apresenta uma situação de margem bruta positiva,
porém, com margem líquida negativa, carece de um acompanha-
mento da evolução de seus indicadores, a fim de que se identifique
os principais gargalos e se realize os ajustes necessários.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 96


Veja o caso a seguir:

Fazenda Jussara

A Fazenda Jussara é uma propriedade de médio porte destinada à produção de bovinocultura


de corte. O Sr. Claudiomar, seu proprietário, está analisando a viabilidade de sua fazenda a
curto prazo e quer saber se o negócio é sustentável pelo cálculo da margem bruta. Para isso,
conta com a ajuda de Joel, o Técnico de Campo.

Ao analisar os dados da Fazenda Jussara, temos o seguinte quadro:

Renda bruta da produção de bovinos de corte:

Mês Quantidade em arrobas Valor unitário Valor total


Janeiro

Fevereiro

Março 686 R$ 143,00 R$ 98.098,00

Abril

Maio 114 R$ 146,00 R$ 16.644,00

Junho

Julho

Agosto 1015 R$ 152,00 R$ 154.280,00

Setembro

Outubro 622 R$ 149,00 R$ 92.678,00

Novembro

Dezembro 563 R$ 150,00 R$ 84.450,00

Renda bruta total 3000 R$ 446.150,00

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 97


Planilha de custo operacional efetivo (COE) da produção de
bovinos de corte

Item Valor (R$)


Mão de obra para manejo do rebanho 43.200,00

Manutenção de pastagens 120.000,00

Silagem 45.000,00

Concentrado 53.000,00

Minerais 35.200,00

Medicamentos 6.500,00

Energia e combustível 10.300,00

Inseminação artificial 3.000,00

Impostos, taxas e serviços 6.200,00

Reparos de benfeitorias 3.450,00

Reparos de máquinas 3.500,00

Outros gastos de custeio 9.580,00

COE TOTAL 338.930,00

Analisando os dados fornecidos nas planilhas, temos:

RB = R$ 446.150,00

COE = R$ 338.930,00

MB = RB – COE

MB = R$ 446.150,00 - R$ 338.930,00

MB = R$ 107.220,00

Assim, chegamos à conclusão de que, na propriedade, a atividade proporcio-


nou uma margem bruta positiva no valor de R$ 107.220,00/ano.

Dessa forma, o Sr. Claudiomar pode ficar tranquilo, já que a atividade é viável a curto
prazo, pois cobre os custos operacionais. Mas o Joel já avisou que não podemos
estender essas informações para longo prazo, já que não há dados sobre os custos
fixos, podendo ser maiores do que a margem bruta.

Tome nota

Apenas conhecendo a margem bruta da atividade, não podemos con-


cluir a respeito da viabilidade da atividade a médio e longo prazos.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 98


Margem bruta/área

Fonte: Banco de imagens do Senar.

Considerando a manutenção das estruturas de custos fixos, esse indicador pode ser
utilizado para comparar diversas atividades agropecuárias e decidir qual explorar.

Vamos voltar no exemplo da Fazenda Jussara.

O Sr. Claudiomar viu que ocupa uma área de 300 hectares da propriedade para a
produção de bovino de corte. Mais uma vez, com a ajuda do Técnico de Campo Joel,
realizou o seguinte cálculo:

Atividade: bovinocultura de corte

Margem bruta: R$ 107.220,00

MB/ha = 107.220,00/300 = R$ 357,40/ha

Assim, eles identificaram que, com a mecanização que tinha disponível e com as ca-
racterísticas de clima e topografia, o Sr. Claudiomar poderia explorar milho na mes-
ma área. Para definir se manteria o gado de corte ou exploraria milho, ele calculou a
margem bruta/ha projetada para o milho naquele ano agrícola.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 99


Planilha de custo operacional efetivo (COE) da produção de milho, por hectare:

Item Valor (R$)


Semente de milho 461

Corretivo de solo 93

Macronutrientes 899

Micronutrientes 217

Fungicida 85

Inseticida 223

Adjuvante 31

Herbicida 263

Operações mecanizadas 165

Reparos de benfeitorias 124

Reparos de máquinas 161

Operações e aéreas 92

Transporte da produção 240

Beneficiamento 191

Assistência técnica 15

Armazenagem 70

Impostos e taxas 42

Despesas administração 128

COE TOTAL 3.500

Atividade principal: agricultura

COE : R$ 3.500,00/ha

Renda bruta:

Produção = 120 sacas/ha

Produção = 120 x 300ha = 36.000

Preço = R$ 33,00/saca

Renda bruta = 36.000 x R$ 33,00 = R$ 1.188.000,00

COE da Atividade = R$ 3.500 x 300ha = R$ 1.050.000

MB = R$ 1.188.000,00 – R$ 1.050.000 = R$ 138.000,00

MB/ha = 138.000,00/300 = R$ 460,00/ha

Por fim, eles compararam os resultados:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 100


MB/ha – Bovinocultura de corte: R$ 357,40/ha

MB/ha – Cultura de milho: R$ 460,00/ha

Diante desse cenário, o empresário pode tomar a decisão de explorar a atividade de


produção de milho.

Margem bruta por unidade produzida


A margem bruta por unidade produzida, ou margem bruta unitária, é obtida da divisão
da MB pela quantidade de unidades produzidas. Logo, nesse indicador devemos
utilizar as unidades comerciais.

No exemplo da Fazenda Jussara, a margem bruta unitária seria:

MB total
MB unitária =
Produção

R$ 107.220,00
MB unitária = = R$ 35,74/arroba
3.000 arrobas

A margem bruta unitária é utilizada para identificar:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 101


Quanto do preço do produto sobra ao produtor para pagar seus
Rendimentos
custos fixos e dimensionar seu lucro.

Capacidade daquele negócio de suportar oscilações de preço


Sustentabilidade
no mercado.

Uso da margem bruta como ferramenta para di-


mensionar o sistema produtivo
Esse indicador pode ser utilizado para projetar quantas unidades devem ser produzi-
das para alcançar determinada meta financeira.

Pensando ainda na Fazenda Jussara, onde a margem bruta anual foi de R$


107.220,00 e foram abatidos 200 animais no período, vamos verificar a margem bru-
ta da atividade.

MB/cab = R$ 107.220,00/200 cabeças

MB/cab = R$ 536,10 por animal abatido.

Vamos supor que esse produtor solicita que façamos uma estimativa de quantos
animais precisa terminar para o abate anualmente para cobrir os custos fixos,
que somam um montante de R$ 45.000,00, e deseja ainda fazer uma retirada de
R$ 85.00,00.

Meta para margem bruta = Custos fixos de R$ 45.000,00 + retirada de R$ 85.000,00

Meta para a margem bruta anual = R$ 130.000,00

O número de animais a ser vendido é igual à meta financeira/MB por animal.

R$ 130.000,00 = 243 bois


Número de animais a serem abatidos =
R$ 536,10

Isso significa que o Sr. Claudiomar precisa elevar sua margem bruta anual de R$
107.220,00 para R$ 130.000,00, para cobrir um custo fixo de R$ 45.000,00 e fa-
zer uma retirada anual de R$ 85.000,00. Para isso, deverá vender pelo menos 243
animais/ano.

Nesse caso, ele chegou ao resultado de quantos animais deve vender. A dimensão
do rebanho, no entanto, dependerá de quanto ele intensificar o sistema.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 102


Tome nota

Nas outras cadeias, o mesmo raciocínio pode ser utilizado para:

• Número de matrizes

• Número de vacas em lactação

• Número de vacas no rebanho

• Número de poedeiras

• Número de peixes

Margem bruta em equivalentes


unidades produzidas
É a conversão do valor financeiro da margem bruta em unidades produzidas. Isso é
obtido pela margem bruta dividida pelo preço médio de venda.

Veja o cálculo da Fazenda Jussara, de bovinocultura de corte:

Margem bruta
MB em equivalentes unidades produzidas =
Preço médio

R$ 107.220,00
MBeq = = 720,96 arrobas
R$ 148,72

A margem bruta em equivalentes unidades produzidas permite ao gestor:

1
Comparar sua eficiência com outras regiões onde o preço
de mercado é diferente, pois a unidade comercializada é a
mesma nas regiões.

Conhecer sua margem bruta convertida na unidade de


comercialização. 2

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 103


3 Analisar os resultados obtidos em safras ou ciclos produti-
vos diferentes.

No próximo tópico será trabalhado o cálculo da margem líquida, que permite ao ad-
ministrador saber se a atividade é viável em médio prazo.

Siga adiante e bons estudos!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 104


Tópico 4: Margem líquida
Você sabe a importância de analisar o resultado do cálculo da margem líquida?

Fonte: Banco de imagens do Senar

Objetivos

Nesse tópico você estudará a margem líquida. Verá como calcular,


interpretar os resultados e tomar decisões com base nela. Essa aná-
lise é fundamental para checar a capacidade do negócio de se man-
ter no longo prazo, verificando a coerência entre a estrutura de custos
do negócio e sua escala de produção.

A margem líquida (ML) é o resultado da subtração do custo operacional efetivo, da


depreciação e da mão de obra familiar da renda bruta da atividade (RB), ou seja, é a
renda bruta menos o custo operacional total.

ML RB COE Depreciação Mão de obra familiar

ML RB COT

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 105


A análise da margem líquida permite ao administrador identificar se a atividade está
sendo viável em curto e médio prazos:

Se positiva, sinaliza ao empresário que a estrutura empregada na


atividade está compatível com a escala de produção.

Se negativa, indica desequilíbrio na estrutura de custos e, muitas


vezes, elevado estoque de capital empatado na atividade, sem uma
escala de produção que a justifique.

Análise da margem líquida


Ao analisar a margem líquida e identificar que a mesma é menor que zero, ou seja,
negativa, devemos investigar em qual das duas situações ela se enquadra: ML nega-
tiva com MB negativa ou ML negativa com MB positiva. Veja as diferenças a seguir:

ML < 0
Essa atividade não é sustentável nem mesmo no curto prazo, sen-
do recomendada uma revisão minuciosa na estrutura de custos e
ML com no sistema de produção. Vale destacar que alguns itens do COE, em
margem bruta
situações de baixa escala de produção, podem comprometer gran-
negativa:
de parte da renda, podendo ser diluídos com a escala de produção.
Ex.: energia elétrica, mão de obra contratada e medicamentos.

Significa que a atividade está cobrindo os custos operacionais efe-


tivos, mas não consegue cobrir todas as depreciações e o custo da
mão de obra do produtor, além de não pagar o custo de oportunida-
ML com de sobre o capital investido. Analisando economicamente, podemos
margem bruta
dizer que a atividade é viável apenas no curto prazo. Caso a situação
positiva:
de margem líquida negativa persista, levará ao empobrecimento da
empresa, inviabilizando a atividade, pois a atividade não consegue
recursos suficientes para renovar seus bens duráveis.

ML = 0

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 106


Em situação de margem líquida igual a 0, essa atividade é considerada viável no mé-
dio prazo, porém, muito sensível às oscilações de mercado e de tecnologia. Pode-se
dizer também que o negócio não é atrativo, pois não paga o custo de oportunidade
do capital empatado, com taxa de 6% ao ano, também conhecido como taxa de atra-
tividade mínima.

ML > 0

Quando a margem líquida é maior que 0, significa que essa atividade é viável em médio
prazo, pois é capaz de cobrir o custo operacional efetivo, as depreciações, o custo da
mão de obra familiar e ainda sobram recursos para pagar pelo menos parte do custo de
oportunidade sobre o capital empatado. Porém, não podemos definir se esse negócio é
atrativo antes de avançarmos para análises econômicas vinculadas ao lucro.

Tome nota

No meio rural, a margem líquida, apesar de importante, é pouco ana-


lisada pelos produtores e gestores de fazendas, não havendo a de-
vida preocupação com as estruturas geradoras de custos fixos que,
superdimensionadas e com baixa escala de produção, acabam por
inviabilizar as propriedades. De maneira geral, é possível afirmar que
o crédito facilitado é algo positivo, capaz de proporcionar incremen-
to de produção e desenvolvimento das unidades produtivas. Porém,
infelizmente, muitos produtores têm inviabilizado suas propriedades
ao buscar crédito e investir em estrutura sem analisar o impacto des-
sa ação, tendo dificuldades de arcar com seus compromissos diante
das instituições financeiras.

É muito comum encontrarmos no mercado produto-


res insatisfeitos com os preços dos produtos, porém,
no período de alta nos preços, também é muito co-
mum identificar os superinvestimentos. Os produto-
res, movidos pela empolgação com períodos de valo-
rização, usam uma sobra de dinheiro e investem em
bens depreciáveis, sem prever o custo da reposição
desses itens para manter a eficiência do sistema.

A margem líquida, assim como os outros indicadores de análise de rentabi-


lidade, é calculada com base em um realizado, ou seja, com dados passados.
No entanto, se o produtor tem uma margem líquida restrita em sua atividade

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 107


e aumenta seus custos de depreciação sem aumento da renda ou redução do
COE, corre o risco de inviabilizar sua atividade ou diminuir a eficiência até
então alcançada.

Em outras palavras, se um produtor adquire um bem qualquer, que possui depre-


ciação anual superior à sua margem líquida, e esse bem não promoveu redução no
COE, nem aumento de produção, o produtor pode concluir que, a princípio, esse
investimento é inviável ou incompatível com suas projeções atuais.

Fonte: Shutterstock

Uma determinada atividade, nos últimos 12 meses, contabilizou uma margem líquida de R$
10.000,00. Ao visitar uma feira agropecuária, ofereceram ao produtor rural um trator e imple-
mentos que, juntos, contabilizam uma depreciação de R$ 12.000,00 ao ano.

Em um primeiro momento, quando o produtor consultou a margem bruta da atividade, de R$


35.000,00 nos últimos 12 meses, e viu um programa de financiamento com carências e pres-
tações de R$ 8.000,00, a conclusão foi: “Eu consigo adquirir esse trator”.

De fato, no curto prazo estava tudo certo. Ele conseguiria pagar as prestações, porém, não so-
brariam recursos para pagar o custo extra de depreciação do novo trator.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 108


Ao avaliar que não aumentaria sua produção, pois não tem mercado para isso, o
produtor calculou qual seria sua nova margem líquida ao adquirir o trator:

ML Margem líquida depreciação dos novos


anterior bens adquiridos

ML = R$ 10.000,00 – R$ 12.000,00

ML = - R$ 2.000,00

Dessa forma, no longo prazo, esse seria um investimento inviável para sua atividade.

A margem líquida também é avaliada por unidade e por equivalência em


unidades produzidas.

Na prática

Agora, vamos aplicar os conceitos com esse exemplo de dados de


uma propriedade:

Depreciação anual de R$ 12.000,00

Mão de obra familiar de R$ 15.000,00.

COE da atividade de R$ 338.930,00

Renda bruta de R$ 446.150,00

Qual a margem líquida?

COT = COE + Depreciação + Mão de obra familiar

COT = R$ 338.930,00 + R$ 12.000,00 + R$ 15.000,00

COT= R$ 365.930,00

ML = RB – COT

ML = R$ 446.150,00 – R$ 365.930,00

ML= R$ 80.220,00

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 109


Margem líquida unitária
A margem líquida unitária é representada pela relação entre a margem líquida e a
quantidade produzida.

ML unitária ML
Produção

A margem líquida unitária é utilizada para verificar quanto está sobrando de cada
unidade por unidade produzida, após pagar COE, depreciação e mão de obra familiar.
Caso seja positiva, o capital começa a ser remunerado, a essa remuneração chama-
mos de custo de oportunidade do capital investido.

Na prática

Veja o cálculo aplicado ao exemplo do gado de corte que estamos


trabalhando:

ML= R$ 80.220,00

Produção em arrobas = 3.000

R$ 80.220,00
Margem líquida/arroba =
3000

Margem líquida/arroba = R$ 26,74/arroba,

Significa que esse é o valor que sobra após o pagamento dos custos
operacionais efetivos, depreciações e custo da mão de obra fami-
liar, ou seja, é o valor que sobra, por arroba vendida, para remunerar
o capital empatado.

Essa mesma análise pode ser feita para qualquer atividade. Veja:

• ML/kg de carne

• ML/litro de leite

• ML/dúzia de ovos
Pecuária
• ML/kg mel

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 110


• ML/saca (café, milho e soja)

• ML/tonelada (cana, silagem)

• ML/arroba de fumo
Agricultura
• ML/caixa (hortaliças e frutas)

Margem líquida em equivalentes


unidades produzidas
É a conversão do resultado financeiro da margem líquida em unidades produzidas.
Esse valor é obtido da divisão da margem líquida pelo preço de uma unidade do
produto em questão.

ML ML
em equivalentes
unidades produzidas
Preço unitário

Veja o resultado na apuração da margem líquida equivalente em uma atividade de


gado de corte:

Produtor A Produtor B

ML da atividade = R$ 80.220,00 ML da atividade = R$ 75.900,00

Preço = 148,72 R$/arroba Preço = 130,00 R$/arroba

ML equivalente = ML da atividade ML equivalente = ML da atividade


Preço unitário Preço unitário

ML equivalente arrobas = R$ 80.220,00 ML equivalente = R$ 75.900,00


R$ 148,72 R$ 130,00

ML equivalente arrobas = 539,4 arrobas ML em equivalente = R$ 583,84 arrobas

Para que possamos analisar a eficiência


produtiva e econômica pela ótica desse
indicador, vamos comparar os resultados
do produtor A desse exemplo, com o que
chamaremos de produtor B, que hipoteti-
camente utilizam áreas equivalentes. Veja
a aba a seguir.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 111


Qual dos dois ganhou mais dinheiro?

Sem dúvida, foi o produtor A, cuja margem líquida foi de R$


80.200,00 para a mesma área.

Qual dos dois foi mais


eficiente tecnicamente?
O produtor A obteve uma margem líquida da atividade equivalente a 539,4 arrobas.

Já o produtor B obteve uma margem líquida da atividade equivalente a 583,84 arrobas.

Produtor B/583,84 arrobas – Produtor A/539,4 arrobas = diferença de 44,44 arro-


bas a mais para o produtor B.

Assim, observamos que o resultado produtivo do produtor B, explorando uma


mesma área, foi melhor que o do produtor A em 44,44 arrobas, porém, ele não foi
economicamente melhor devido ao preço pelo qual comercializou.

Essa informação é rica para os dois produtores, mostrando que um pode comerciali-
zar seu produto melhor e o outro consegue ser mais eficiente tecnicamente.

Pare para pensar

Ao converter o resultado financeiro em unidades produzidas, o pro-


dutor também consegue comparar seus resultados ao longo dos
anos, podendo avaliar o resultado da aplicação de tecnologias em
diferentes safras. Esse comparativo anual de resultados é muito im-
portante para visualizar a interação do sistema de produção que o
produtor tem com o que acontece no mercado.

Usando do mesmo exemplo, o produtor A de gado de corte obteve, nos últimos 12 me-
ses, sua margem líquida de 539,4 arrobas. Ao buscar em seus registros, no ano 2000,
antes de implementar diversas tecnologias, sua margem líquida era de 700 arrobas.
Essa análise permite ao produtor concluir que, para justificar as tecnologias implemen-
tadas, ele precisaria aumentar sua eficiência técnica e sua escala de produção.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 112


Na prática

Veja outro exemplo:

Caso estivéssemos apurando a margem líquida equivalente na cultu-


ra do milho e hipoteticamente a margem líquida da atividade fosse R$
80.220,00, a mesma do exemplo da bovinocultura de corte, no caso
do produtor B e o preço do milho R$ 33,00/saca.

Qual seria a margem líquida da atividade equivalente em sacas de milho?

ML da atividade= R$ 80.220,00

Preço da saca = R$ 33,00

R$ 80.220,00
ML equivalente sacas =
R$ 33,00

ML equivalente sacas= 2.430 sacas

O resultado visto no exemplo acima permite comparar a margem líquida com ou-
tros produtores que vendem a preços diferentes, e também comparar a margem
líquida em épocas diferentes. Dessa forma, a moeda é convertida em produto.

A margem líquida pode ser usada na equivalência com qualquer unidade produzida.
Veja os exemplos a seguir:

• Equivalente kg de carne

• Equivalente litros de leite

• Equivalente dúzia ou caixa de ovos


Pecuária
• Equivalente kg mel

• Equivalente sacas (café, milho e soja)

• Equivalente toneladas (cana, silagem)

• Equivalente arrobas de fumo


Agricultura
• Equivalente caixas (hortaliças e frutas)

Chegamos ao final desse tópico!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 113


Tópico 5: Aplicando os conceitos
Para fixarmos melhor os conceitos trabalhados nesse tema, iremos finalizá-lo com
sua aplicação na análise de propriedades rurais.

Fonte: Banco de imagens do Senar

Objetivos

Nesse tópico, vamos aplicar o conceito de custos fixos, custo total,


margem bruta e líquida nas cadeias produtivas do agronegócio.

É importante manter o foco, pois, ao finalizarmos todas as contabilizações de cus-


tos de produção, faremos a análise dos dois principais indicadores econômicos
apresentados nesse tema: margem bruta e margem líquida.

Estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade


Custo Fixo

O custo fixo (CF) é o somatório dos custos da mão de obra familiar (MDOF), depre-
ciação (DEP) e custo de oportunidade (CO).

Para o estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade, veja os dados para calcular o
custo fixo:

CO = R$ 13.919,04

MDOF = R$ 19.200,00

DEP = R$ 9.501,67

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 114


Aplicando a fórmula:

CF MDOF DEP CO

Chegamos ao seguinte resultado:

CF = R$ 19.200,00 + R$ 9.501,67 + R$ 13.919,04

CF = R$ 42.620,71

Custo de oportunidade do capital empatado


Vamos utilizar os dados da Fazenda Santa Felicidade vistos em tópicos anteriores
para ilustrar os conceitos de custos e margens, iniciando pelo custo de oportunidade.
No caso da ordenhadeira, por exemplo, o custo de oportunidade seria calculado da
seguinte forma. Observe os dados:

Valor de novo = R$ 8.000,00

Vida útil = 15 anos

Idade = 5 anos

Veja que idade é menor do que vida útil, logo:

CO =
( VN - S
2 ) x 6%

CO =
( R$ 8.000,00 - 0
2 ) x 6%

CO = R$ 240,00

Custo de oportunidade do capital = R$ 240,00

Para o cálculo do custo de oportunidade do capital dos bens da atividade leiteira nas
tabelas abaixo, seguiu-se o mesmo padrão e fórmula do exemplo da ordenhadeira
acima apresentado.

Veja as tabelas a seguir:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 115


Forrageiras no período da vida útil

Custo de
Área Vida Custo de
Especificação formação Valor total Idade
(ha) útil oportunidade
(R$/ha)
Pasto Mombaça intensivo 2,3 R$ 3.000,00 R$ 6.900,00 20 5 R$ 207,00

Benfeitorias no período da vida útil

Utilização Valor
Vida Custo de
Item Unid na atividade unitário Valor total Idade
útil oportunidade
leiteira novo
Pista de
1 100% R$ 30.000,00 R$ 30.000,00 40 10 R$ 900,00
alimentação

Curral de
1 50% R$ 8.000,00 R$ 4.000,00 40 15 R$ 120,00
manejo

Cercas
1000 100% R$ 10,00 R$ 10.000,00 10 8 R$ 300,00
internas

Bebedouros 4 100% R$ 500,00 R$ 2.000,00 20 5 R$ 60,00

Depósito de
1 80% R$ 80.000,00 R$ 64.000,00 40 15 R$ 1.920,00
ração

Cochos de sal
12 100% R$ 500,00 R$ 6.000,00 15 10 R$ 180,00
mineral

TOTAL R$ 3.480,00

Máquinas e equipamentos no período da vida útil

Utilização Valor
Vida Custo de
Item unid na atividade unitário Valor total Idade
útil oportunidade
leiteira novo
Ordenhadeira
1 100% R$ 8.000,00 R$ 8.000,00 15 5 R$ 240,00
mecânica

Irrigação 1 100% R$ 23.000,00 R$ 23.000,00 15 3 R$ 690,00

Aparelho de cerca
1 100% R$ 200,00 R$ 200,00 5 4 R$ 6,00
elétrica

Roçadeira costal 2 100% R$ 2.000,00 R$ 4.000,00 5 4 R$ 120,00

Tanque de
1 100% R$ 12.000,00 R$ 12.000,00 15 8 R$ 360,00
resfriamento

TOTAL           R$ 1.416,00

No quadro a seguir são apresentados os equipamentos já depreciados. Nesse caso,


recorremos às particularidades previstas na metodologia, onde, para o cálculo do
custo de oportunidade do capital, ao invés de capital médio (valor de novo/2), utili-
za-se o valor de mercado do bem.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 116


Tome nota

Veja o exemplo:

Valor de novo da bomba de água = R$ 500,00


Valor de mercado da bomba de água = R$ 50,00
Vida útil = 10 anos
Idade = 11 anos

CO = (VM + VS) x i
CO = (R$ 50,00 + 0) x 6%
CO = R$ 3,00

O custo de oportunidade anual da bomba de água é igual a R$ 3,00

Considerando o valor atualizado de mercado dos bens já depreciados, de acordo


com o que vimos no exemplo da bomba de água, veja como ficou o custo de oportu-
nidade sobre o capital empatado (juros anuais) da Fazenda Santa Felicidade:

Equipamentos já depreciados

Utilização Valor
Valor total
na unitário Vida Custo de
Item Unid para a Idade
atividade atualizado útil oportunidade
atividade
leiteira de mercado
Carroça 1 80% R$ 230,00 R$ 184,00 10 12 R$ 11,04

Picadeira 1 80% R$ 250,00 R$ 200,00 15 16 R$ 12,00

Bomba de
1 100% R$ 500,00 R$ 50,00 10 11 R$ 3,00
água

Latões 3 100% R$ 200,00 R$ 600,00 15 20 R$ 36,00

TOTAL   R$ 62,04

Com base nas particularidades previstas na metodologia, calculamos o custo


de oportunidade das benfeitorias, tanto as que estão no período de vida útil
quanto as já depreciadas com base no capital médio (valor de novo/2).

Confira no quadro abaixo os resultados do custo de oportunidade do capital sobre as


benfeitorias já depreciadas:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 117


Benfeitorias já depreciadas

Utilização
na Valor de Vida Custo de
Item Unid Valor total Idade
atividade novo útil oportunidade
leiteira
Sala de
1 100% R$ 30.000,00 R$ 30.000,00 40 43 R$ 900,00
ordenha

Cercas
1000 50% R$ 12,00 R$ 6.000,00 15 20 R$ 180,00
perimetrais

Bezerreiro 1 100% R$ 2.000,00 R$ 2.000,00 20 21 R$ 60,00

TOTAL R$ 1.140,00

Valor do inventário animal


No cálculo do custo de oportunidade do capital empatado em animais, não se utiliza
o capital médio, como no caso de benfeitorias, máquinas, equipamentos e lavouras.
Ao realizar o inventário do rebanho, já se estabelece o valor médio de cada categoria.

Tome nota

Veja o exemplo a seguir:

Capital empatado em vacas secas = 10.000,00

CO = (VN + VS) x i

CO = (R$ 10.000,00 + 0 ) x 6%

CO = R$ 600,00

O quadro abaixo apresenta os resultados do custo de oportunidade apurado em cada


categoria animal. Observe:

Preço Vida Tempo de Custo de


Categoria Unid Valor total
médio útil serviço oportunidade
Vacas em lactação 20 R$ 3.200,00 R$ 64.000,00 R$ 3.840,00

Vacas secas 4 R$ 2.500,00 R$ 10.000,00 R$ 600,00

Bezerras em
3 R$ 800,00 R$ 2.400,00 R$ 144,00
aleitamento

Novilhas em recria 10 R$ 1.500,00 R$ 15.000,00 R$ 900,00

Novilhas em reprodução 12 R$ 2.500,00 R$ 30.000,00 R$ 1.800,00

Reprodutor 1 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 4 3 R$ 360,00

Animais de serviço 1 R$ 1.500,00 R$ 1.500,00 10 15 R$ 90,00


TOTAL 49          R$ 7.744,00

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 118


Somatório do custo de oportunidade anual

Inventário Custo de oportunidade


Animais R$ 7.734,00

Máquinas e equipamentos R$ 1.478,04

Benfeitorias R$ 4.620,00

Forrageiras não anuais R$ 807,00

TOTAL R$ 14.639,04

Custo total (CT)


O custo total pode ser obtido pela soma do Custo Operacional Efetivo (COE) ao custo
fixo ou pela soma do Custo Operacional Total (COT) ao custo de oportunidade sobre
o capital próprio. Veja a fórmula abaixo:

CT COT CO
No estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade, veja os dados para calcular o CT:

COT = R$ 130.113,57

CO = R$ 13.919,04

Veja o cálculo:

CT = COT + CO

CT = R$ 130.113,57 + R$ 13.919,04 =

CT = R$ 144.032,61

Custo total proporcional de um produto


O custo total de um produto pode ser obtido pela soma do COT desse produto com o
custo de oportunidade proporcional à renda gerada por ele em relação à renda bruta
da atividade (RA), conforme estudamos no Módulo II.

Fazenda Santa Felicidade

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 119


Veja no estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade:

COTL = R$ 108.336,09
CO = R$ 13.919,04

CT leite = COT do produto + CO

CT leite= R$ 108.336,09 + (R$ 13.919,04 x 87,11 %)


CT leite = R$ 120.460,97

Atenção: o custo de oportunidade de R$ 13.919,04 é o total referente aos juros de todos os


itens que a atividade possui em uso compartilhado por uma ou mais atividades, devendo, por-
tanto, ser rateado.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 120


Agora você consegue perceber que não é tão complicado
determinar um custo de produção de forma correta? No en-
tanto, esse conhecimento exige uma constante visão sistê-
mica do processo, sabendo reconhecer o que pertence ou
não à atividade, proporcionalizando quando for o caso. Por
isso é que dissemos logo no começo: ninguém melhor para
definir os custos de produção do que quem trabalha direta-
mente na atividade (produtores e técnicos).

Pare para pensar

Com base no que você estudou até aqui, quais dados você precisa ter
para calcular os custos de oportunidade de uma propriedade? Anote
sua resposta no campo a seguir:

Margem bruta da atividade


A margem bruta da atividade (MB) é obtida pela diferença entre a Renda Bruta (RB)
e o Custo Operacional Efetivo (COE), conforme a fórmula abaixo:

MB RB COE
No nosso estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade, a renda obtida pelo somató-
rio da venda de leite e dos animais, da variação do inventário animal, do leite utilizado
para consumo, do aleitamento e da produção de lácteos foi de R$ 170.807,23. O
custo operacional efetivo foi de R$ 101.411,90.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 121


Os dados podem ser observados mais detalhadamente na tabela:

Produto Valor
Renda do leite R$ 94.757,45

Leite processado na fazenda R$ 47.488,00

Leite utilizado no aleitamento R$ 6.086,90

Leite consumido pela família R$ 474,88

Venda de animais R$ 12.000,00

Variação do inventário animal R$ 10.000,00

TOTAL R$ 170.807,23

A partir da apuração da renda bruta e do COE, podemos calcular a margem bruta:

MB = RB - COE

MB = R$ 170.807,23 – R$ 101.411,90

MB = R$ 69.395,33

Variações na análise da margem bruta da atividade

Fonte: Banco de imagens do Senar

A) Margem bruta unitária

É a margem bruta por unidade produzida. É calculada pela divisão da margem bruta pela pro-
dução. Veja a fórmula abaixo:

Margem bruta
MB unitária =
Produção

Na Fazenda Santa Felicidade, veja os dados:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 122


Produção = 114.545 litros

Margem bruta = R$ 69.395,33

R$ 69.395,33
MB unitária = = R$ 0,61
114.545

A margem bruta por unidade produzida na Fazenda Santa Felicidade é de R$ 0,61.

B) Margem bruta em equivalentes unidades produzidas

Consiste em converter o valor da margem bruta em litros de leite, dividindo a margem bruta
pelo preço do leite. Isso permite comparar o resultado de margem bruta entre as propriedades,
sem o efeito do preço. Veja a fórmula abaixo:

Margem bruta
MB equivalente =
Preço

Veja o resultado no estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade:

R$ 69.395,33
MB equivalente = = 53.794,83 litros
R$ 1,29

No período analisado, a margem bruta da atividade é de R$ 69.395,33, que equivale a 53.794,83


litros de leite.

C) Margem bruta por área

É a margem bruta dividida pela área utilizada para a produção. Veja a fórmula abaixo:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 123


Margem bruta por
MB
Animal MB/área =
A
Esse indicador não tem
uma referência padrão, No estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade, seguem os dados:
pois depende muito do
sistema de produção em
R$ 69.395,33
que a vaca está inserida. MB/área = = R$ 3.469,77
Por exemplo, uma vaca 20
de alta produção inserida
em um sistema intensivo A margem bruta por hectare utilizado para produção foi de R$ 3.469,77.
de larga escala e alta
tecnificação, tende a ge-
rar uma maior margem D) Margem bruta por animal de produção
bruta por animal, porém,
vacas de produção de A margem bruta por animal é utilizada no gerenciamento de uma propriedade para dimensio-
intermediária a baixa, nar o rebanho necessário para atingir uma meta financeira.
em sistemas intensivos
de pastagem ou com Na fazenda de leite, é feita por vaca em lactação (VL). Veja no estudo de caso da Fazenda
forrageiras que possuam
Santa Felicidade:
alta lotação animal, po-
dem gerar uma margem
Vacas em lactação = 20
bruta por animal inferior
ao primeiro caso, porém,
em sistemas altamente R$ 69.395,33
viáveis, devido à alta MB/VL = = R$ 3.469,77
20
lotação animal.

Neste caso, a margem bruta da atividade corresponde a R$ 3.469,77 por vaca em lactação.

Margem líquida da atividade


Margem Líquida da atividade (ML) é obtida pela diferença entre a Renda Bruta (RB)
e o Custo Operacional Total (COT), conforme a fórmula abaixo:

ML RB COT
No estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade, temos:

RB = R$ 170.807,23

COT = R$ 130.113,57

ML = R$ 170.807,23 - R$ 130.113,57 = R$ 40.693,66

Variações na análise da margem líquida da atividade


Veja as variações na análise da margem líquida da atividade:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 124


Margem líquida unitária Margem líquida equivalente

É a margem líquida por unidade produzida. Consiste em converter o valor da mar-


É calculada pela divisão da margem líquida gem líquida em litros de leite, dividindo a
pela produção. Veja a fórmula abaixo: margem líquida pelo preço do leite. Isso
permite comparar o resultado de margem
MB unitária Margem líquida
líquida entre as propriedades, sem o efeito
Produção do preço. Veja a fórmula abaixo:

Na Fazenda Santa Felicidade, veja os dados: MB equivalente Margem líquida


Preço
Produção = 114.545 litros
Veja o resultado no estudo de caso da
Margem líquida = R$ 40.693,66 Fazenda Santa Felicidade:

ML unitária = R$ 40.693,66 R$ 40.693,66


ML equivalente =
20 R$ 1,29

ML unitária = R$ 0,36 ML equivalente= 31.545 litros

Nesse tópico você pôde ver como aplicar todos os conceitos aprendidos, tanto no
tema 1 quanto no tema 2.

Falta muito pouco para concluir esse tema.

Nos vemos no próximo tema. Sucesso!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 125


Encerramento do tema
Cálculo de custo de produção II

Nesse tema você pôde conhecer os conceitos e aplicações dos principais custos de
produção por meio da Metodologia de Assistência Técnica e Gerencial tanto os fixos
quanto os variáveis, além de avaliar o resultado econômico da propriedade por meio
das margens bruta e líquida.

Os dados de produção, custos, além das receitas, quando devidamente processa-


dos, tornam-se valiosas informações para a administração, possibilitando a avaliação
econômica do negócio e o planejamento da empresa.

Pudemos elaborar unidades de medida de custos mais claras para o produtor, onde
os números foram “traduzidos” em produtos. Assim, aprendemos também sobre a
“visualização” de quanto esforço físico e financeiro está sendo direcionado apenas
para pagar custos, e não para gerar lucro.

Que tal relembrar os conceitos desse tema? Aperte o play e assista ao vídeo. Ah, e
não esqueça de fazer as atividades de passagem!

Vídeos

No início deste Módulo, vimos que um dos questionamentos do Sr.


Ariovaldo era sobre o cálculo dos custos de produção, pois são mui-
tos fatores a se considerar (e a calcular). Agora, passa a analisar as
relações entre a renda e os custos, obtendo indicadores como a mar-
gem bruta e a líquida. Tendo em vista que você concluiu os estudos
do segundo tema, vamos relembrar o que são estes custos e como
calculá-los? Veja mais no vídeo que preparamos pra você, em seu
ambiente de estudos!

Agora que finalizamos o estudo dos custos de produção e iniciamos a análise


de alguns indicadores financeiros, está na hora de nos aprofundarmos em ou-
tros indicadores, pois são eles que nos proporcionam ferramentas para a ges-
tão mais eficiente da empresa rural. Parabéns! Siga em frente!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 126


Atividade de passagem
Chegamos ao final do primeiro tema. A seguir, você responderá a uma questão rela-
cionada ao conteúdo estudado até aqui. Preparado?

Atenção!

Você terá três tentativas para realizar a atividade.

Se você estiver com alguma dúvida quanto ao assunto, retorne ao conteúdo do mó-
dulo ou, se preferir, entre em contato com o tutor.

Questão
A partir do que estudamos no Tema 2, analise a resolução do problema abaixo,
onde são identificados o Custo Fixo Médio (CFM) e o Custo Total (CT) da atividade:

• 01 trator novo financiado, com valor de R$ 150.000,00 e 15 anos de vida útil.


Pagamento em 8 parcelas, anuais. Juros e taxas à instituição financeira iguais a
R$ 45.000,00.

• 01 carretinha de arrasto com valor de novo igual a R$ 14.000,00 e 10 anos de vida


útil. Atualmente, está com 11 anos de uso e valor de sucata igual a R$ 5.000,00.

• Rebanho estabilizado no valor de R$ 223.500,00.

• 01 mão de obra familiar no valor de R$ 1.034,00 ao mês, com um dia de fol ga


na semana.

• Construções (casa e curral) erguidas na mesma época, 11 anos atrás, e dentro da


vida útil de 40 anos, totalizando R$ 230.000,00.

• Produção leiteira: 260L/dia, com preço médio de R$ 1,00/L.

• COE total: R$ 37.230,00.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 127


Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 128
A partir dos dados apresentados, analise as afirmativas abaixo e as classifique em
verdadeiro (V) ou falso (F):

( ) A mão de obra familiar, por ter um dia de folga na semana, deveria ter sido
reduzida.

( ) O custo de bens financiados será integralmente apropriado ao custo de


produção no momento da disponibilização para uso, sem considerar o tipo
ou os valores de parcelamento.

( ) Os custos com juros de financiamento deverão ser adicionados ao bem,


pois, se não houvesse necessidade do bem para produção, não haveria o
financiamento.

( ) Itens que chegaram ao final de sua vida útil não precisarão mais reservar
valores relativos à sua depreciação, porém, continuarão a contabilizar cus-
to de oportunidade.

( ) O custo de oportunidade sobre o capital empatado em rebanho é o mais


representativo dos custos fixos por ser calculado sobre o valor integral,
porém, é um item indispensável à produção.

1. F, V, F, V, V.

2. V, V, F, V, V.

3. F, F, V, V, V.

4. F, F, V, V, F.

5. V, F, V, F, F.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 129


Tema 3
Cálculo de Indicadores

Fonte: Banco de imagens do SENAR

Os cálculos dos custos e da renda são necessários para a análise da rentabilidade,


que consiste em apurar a margem bruta, a margem líquida e o lucro. Esses dados,
puros e simples, poucos ajudam o empresário rural. Para uma tomada de decisão
assertiva, é necessária a interpretação de cada um deles.

Objetivos

Ao final deste tema, espera-se que você saiba calcular e interpretar os


resultados inerentes ao lucro, verificando a capacidade de um negócio
se manter no longo prazo. Na sequência, aprenderá sobre a equiva-
lência de produção, assim como o ponto de cobertura total. Por fim,
entenderá como calcular a taxa de retorno sobre o capital investido,
indicador importante para o empresário definir a atratividade do negó-
cio e comparar com as opções que ele tem no mercado.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 130


Para atingir o objetivo, este tema está estruturado em 5 tópicos:

Nesse tópico você verá como calcular, interpretar os


resultados e tomar decisões com o lucro. Ele possibi-
Tópico 1: lita a análise de atratividade do negócio, pois leva em
Lucro
conta o custo de oportunidade do capital empatado no
empreendimento.

Tópico 2: Nesse tópico você aprenderá a apurar os indicadores


Ponto de cobertura
PCOE e PCOT em unidades produzidas.
(PCOE – PCOT)

Nesse tópico você compreenderá como apurar um dos


Tópico 3: indicadores mais importantes para saber quanto do que
Ponto de cobertura total foi produzido foi comprometido para o pagamento do
custo total.

Nesse tópico você estudará a taxa de retorno do capi-


tal, verá como calcular essa taxa e seus componentes
levando em conta o estoque de capital com e sem a
Tópico 4:
Taxa de retorno terra. Esse indicador é muito importante para o em-
do capital presário rural comparar os resultados do seu negócio
dentro da cadeia em que atua e com outras ativida-
des do mercado.

Nesse tópico, que encerra o tema, utilizaremos o estu-


Tópico 5: do de caso da Fazenda Santa Felicidade para aplicar
Aplicando os conceitos
os conceitos obtidos neste tema.

Preparado? Vamos em frente, bons estudos!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 131


Tópico 1: Lucro
O lucro (L) é um indicador de atratividade do negócio. No meio rural ele é pouco uti-
lizado, pois muitas vezes os produtores tomam suas decisões de investimento com
base no lado técnico. Isso ocorre por falha técnica, por impulso de vendedores ou
simplesmente pela facilidade de acesso ao crédito subsidiado.

Fonte: Banco de imagens do SENAR

Objetivos

Nesse tópico você verá como calcular, interpretar os resultados e to-


mar decisões com o lucro.

O lucro é obtido pela diferença entre a Renda Bruta (RB) e o Custo Total (CT), confor-
me a fórmula abaixo:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 132


Pare para pensar

O Técnico de Campo e/ou empresário rural, quando inicia um traba-


lho de viabilização da propriedade, começa seu desafio aplicando na
atividade a margem bruta positiva. A partir disso, ele busca atingir
também a margem líquida positiva, trabalhando a produtividade e o
aumento da produção para chegar ao lucro naquele negócio.

Na sua opinião, é realmente necessário seguir esse passo a passo ou


alguma etapa poderia ser diferente? Escreva aqui.

Se sua resposta anterior foi sim, você está certíssimo! Esse entendimento escalona-
do é fundamental, especialmente para que o desafio de viabilidade de uma proprie-
dade seja suportado pelo empresário rural.

Análise do lucro
Lucro menor que zero
Lucro menor que zero significa que o
negócio não é atrativo economicamen-
te. Também mostra que se o empresá-
rio, em vez de aplicar o capital que em-
pregou nessa atividade, investisse
numa poupança ou em aplicações al-
ternativas, obteria um retorno sobre o
capital empatado maior do que o valor
do lucro do negócio.

Vale destacar que, se uma propriedade


tem lucro negativo, não significa que
ela não seja atrativa, mas sim que a for-
ma com que o negócio foi dimensiona-
do não está atendendo às expectativas
para geração de lucro.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 133


Pare para pensar

Uma propriedade produtora de leite apresenta lucro negativo. Isso


não significa que a atividade de produção de leite não seja lucrativa.
Como mudar esse cenário? O que você sugeriria para o proprietário
da fazenda?

Lucro igual a zero


Na economia, o lucro zero também é
chamado de lucro normal. Muitos ana-
listas do meio agropecuário, apesar de
tratarem o negócio que obteve lucro
zero como pouco atrativo, acreditam
que pode ser feita uma análise mais
profunda para verificar se o produtor
deve abandonar ou não a atividade.

Muitas vezes, o produtor consegue em-


pregar sua família e aumentar o capital
empatado, remunerando, em média, o
capital inicialmente investido a 6% ao
ano. Ou seja, ele consegue se manter
estável e, em alguns casos, em cresci-
mento, mesmo com lucro zero.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 134


Na prática

Dentro da atividade, um produtor com lucro igual a zero conseguiu


promover uma grande variação patrimonial que, fora da atividade, tal-
vez não conseguiria. Automaticamente, a mesma taxa de 6% de remu-
neração média, quando submetida a um capital maior, resultará em
maior retorno ao empresário.

Fonte: Shutterstock

Isso acontece porque a atividade consegue retornar os investimentos realizados,


muitos deles feitos por meio de crédito subsidiado. Há também o fator de produção,
com itens como tratores, implementos, ordenha mecânica etc., que ao entrarem no
sistema passam a contribuir para a geração de renda, ainda que não tenham sido
pagos. Com isso, surge uma oportunidade que o produtor não teria, caso o capital
estivesse na poupança, por exemplo.

Atuando nesse negócio, o produtor pode planejar seu sistema de produção para um
maior retorno, porém também está submetido a riscos. Cabe ao produtor, com apoio
do técnico, definir os melhores caminhos para obter lucro.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 135


Lucro maior que zero

Um resultado de lucro maior que zero


também é chamado de lucro supranor-
mal. Isso significa que o negócio ava-

L>0
liado remunera todos os custos e ainda
sobra dinheiro ao empresário para reti-
rada, ou aplicação, no próprio negócio
ou em outros investimentos.

No meio agropecuário, buscar o lu-


cro maior que zero é o refinamento da
gestão. Isso ocorre quando o produ-
tor atinge a maturidade gerencial e se
torna um empresário rural. Enquanto
o objetivo for puramente produzir, ra-
ramente o produtor conseguirá essa
margem de lucro.

Quando o produtor atinge maturidade


empresarial, o lucro passa a ser uma
constante. Isso se dá quando ele, com
sua gestão, consegue dimensionar os
investimentos, especialmente os que
se referem ao capital próprio, de forma
mais coesa. Ele também passa a visar
redução dos custos e aumento da ren-
da, ou aumento no custo total que seja
justificado pelo aumento da renda su-
perior ao impacto no custo.

Variações do lucro
A) Lucro unitário

É o lucro por unidade produzida. É calculado pela divisão do lucro pela produção.
Veja a fórmula abaixo:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 136


Tal indicador pode ser utilizado para verificar se o negócio avaliado tem capacidade
para suportar variações no preço de venda sem que tome prejuízo.

Essa análise pode ser feita em qualquer cultura. Veja os exemplos abaixo:

Pecuária:

● Lucro/kg de carne

● Lucro/litro de leite

● Lucro/dúzia de ovos

● Lucro/kg mel

Agricultura:

● Lucro/saca (café, milho e soja)

● Lucro/tonelada (cana, silagem)

● Lucro/arroba de fumo

● Lucro/caixa (hortaliças e frutas)

B) Lucro em equivalentes unidades produzidas

sem o efeito do Consiste em converter o valor do lucro pelo preço médio da unidade produzida. Isso
preço permite comparar o resultado do lucro entre as propriedades, sem o efeito do preço.
Logicamente, o preço Veja a fórmula abaixo:
recebido vai interferir
no resultado desse in-
dicador. De acordo com
a fórmula, se o mesmo
valor for apurado como
lucro em duas proprie-
dades e elas receberam
preços diferentes pelo
produto, o lucro equiva-
lente será diferente.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 137


O lucro equivalente a unidades produzidas é utilizado para comparação entre pro-
priedades diferentes do mesmo negócio, podendo ser usado para comparar períodos
diferentes.

Veja um exemplo:

Uma propriedade A, produtora de suínos, obteve lucro de R$ 100.000,00 no ano,


comercializando a carne por R$ 4,00/kg.

Uma propriedade B, corrigida para o mesmo número de matrizes, obteve lucro


de R$ 110.000,00 e comercializou a carne a R$ 4,50/kg. Economicamente, a pro-
priedade B foi a mais eficiente.

Qual das propriedades acima obteve maior lucro equivalente a quilos de carne? Va-
mos calcular!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 138


Conclui-se que a propriedade A, ainda que com um resultado econômico me-
nor, foi mais eficiente tecnicamente que a propriedade B. Assim, podemos di-
zer que a propriedade A precisa melhorar a qualidade de seu produto ou as
formas de comercialização para conseguir mais lucros.

Ainda pensando no exemplo apresentado, o gestor da propriedade B, ao ver o re-


sultado da propriedade A, deve analisar as potencialidades de aumentar a produti-
vidade do seu sistema, desde que isso não comprometa a qualidade do produto e,
consequentemente, os preços de venda.

A propriedade B, ao fazer uma análise histórica, identificou que já conseguiu, em ou-


tros períodos, maior lucro equivalente a quilos de carne. Dessa forma, ela validou que
pode melhorar sua produtividade.

Chegamos ao final desse tópico!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 139


Tópico 2: Ponto de cobertura
PCOE - Ponto de cobertura operacional efetivo e PCOT - Pon-
to de cobertura operacional total
Esta forma de analisar o custo consiste em converter custos em unidades produ-
zidas. Assim, o empresário e a assistência técnica conseguem definir a parcela da
produção necessária para cobrir os custos de uma propriedade.

Um jeito bem fácil de calcular o custo equivalente é dividindo o custo que se deseja
analisar pelo preço de comercialização do produto, para verificar sua conversão.

Fonte: Banco de imagens do SENAR

Objetivos

Neste tópico você aprenderá mais sobre o cálculo do ponto de cober-


tura, que ajudará a comparar os resultados de uma propriedade em
diferentes períodos. Dessa forma, é possível pensar em estratégias
de gerenciamento e gestão mais assertivas, visando o crescimento e
o lucro da propriedade.

A conversão do custo em unidades produzidas também permite ao gestor comparar


seus resultados em diferentes períodos. Essa análise ajuda a avaliar o negócio numa
série histórica, guiando tomadas de decisão.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 140


Veja um exemplo:

Foi realizada uma análise comparativa do Custo Operacional Efetivo (COE) por
meio do custo equivalente a unidades produzidas da Fazenda Esperança, pro-
dutora de leite, num período de 2 anos.

Observe os resultados:

A propriedade gastou 100 litros de leite por dia para


pagar o COE.

A propriedade gastou 120 litros de leite por dia para


pagar o COE.

Isso significa que, no segundo ano, foi comprometida uma maior parte da produção
para pagar o COE.

Podemos dizer, então, que no ano 2 a propriedade foi menos eficiente?

Não! É necessário que o empresário, antes de concluir, associe a análise com a renda
gerada por essa variação de custo. Veja, por exemplo, as hipóteses que podem justi-
ficar essa variação:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 141


Ponto de cobertura operacional efetivo
O resultado do PCOE representa o volume da produção necessária para pagar o COE.
Podemos calculá-lo pela fórmula:

COE
Ponto de cobertura operacional efetivo =
Preço médio

O resultado do PCOE é obtido em unidades produzidas, dependendo da unidade


que é comercializada o produto, por exemplo:

• litros de leite por dia;

• arrobas por ano;

• quilos de carne por ano;

• toneladas por ano;

• sacas por ano.

Veja um exemplo na atividade leiteira:

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 142


Fazenda Cambirela

A Fazenda Cambirela, produtora de leite, produz por dia 500 litros. Essa propriedade comerciali-
za o leite em média a R$ 1,20 o litro. Se foram gastos R$ 120.000,00 no ano em COE, qual seria
o PCOE dessa propriedade?

COE
Ponto de cobertura operacional efetivo =
Preço médio

R$ 120.000,00
PCOE = = 100.000 litros/ano
R$ 1,20

No caso específico do leite, cuja produção é diária, para que o número fique mais claro para o
produtor, dividimos o valor do PCOE anual por 365 dias.

PCOE = 100.000 litros ÷ 365 dias = 273,97 litros/dia

Isso significa que, dos 500 litros de leite produzidos, essa propriedade compromete 273,97
litros para pagar o COE.

Esse custo é muito analisado pelos produtores, mesmo de forma empírica, sem con-
siderar alguns pagamentos, como impostos e taxas, entre outros. Muitas vezes, o
produtor contabiliza apenas as despesas diretamente ligadas à produção. No entan-
to, a interpretação correta desse indicador é o ponto de cobertura operacional efetivo.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 143


Na prática

Uma propriedade produtora de gado de corte teve as seguintes des-


pesas no seu COE:

Item Valor (R$)


Mão de obra para manejo do rebanho 43.200,00
Manutenção de pastagens 120.000,00
Silagem 45.000,00
Concentrado 53.000,00
Minerais 35.200,00
Medicamentos 6.500,00
Energia e combustível 10.300,00
Inseminação artificial 3.000,00
Impostos, taxas e serviços 6.200,00
Reparos de benfeitorias 3.450,00
Reparos de máquinas 3.500,00
Outros gastos de custeio 9.580,00
COE TOTAL 338.930,00

Nesse período, a comercialização por arroba de boi estava avaliada


em R$ 148,72. Vamos calcular seu ponto de cobertura operacional
efetivo em arrobas?

COE
Ponto de cobertura operacional efetivo =
Preço médio

R$ 338.930,00
PCOE =
R$ 148,72

Ponto de cobertura operacional efetivo equivalente a arrobas =


2.278,98 arrobas.

Portanto, para cobrir o COE, essa propriedade precisa ter comerciali-


zado pelo menos 2.278,98 arrobas a um preço médio de R$ 148,72.

Análise do ponto de cobertura operacional efetivo


Ponto de cobertura operacional efetivo maior que a produção
Quando o PCOE supera a produção, vemos que a empresa rural precisa rever a efici-
ência na utilização dos itens do COE.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 144


Na prática

Quando o PCOE supera a produção obtida, temos problemas geren-


ciais graves, pois o empresário precisará buscar recursos próprios ou
de terceiros para manter o sistema funcionando. Popularmente, dize-
mos que o dinheiro da produção não deu para pagar as contas.

Isso pode ocorrer por diversos motivos. Vejamos os mais comuns:

• mão de obra contratada operando em sistemas de baixa es-


cala de produção e participando excessivamente do custo;

• catástrofes naturais que limitam a produção;

• erros graves de técnica de produção que comprometem a


produtividade (por exemplo, dieta mal balanceada);

• problemas sanitários que podem causar alta mortalidade.

Ponto de cobertura operacional efetivo menor que a produção


Com um PCOE menor que a produção, podemos dizer que, pelo menos em curto
prazo, a propriedade se mantém. Isso porque, ao vender sua produção, ela consegue
pagar todas as despesas de custeio e ainda sobra dinheiro.

Na prática

Se um produtor de gado de corte produziu 1.000 arrobas no ano e seu


PCOE equivalente foi de 400 arrobas, significa que ele será capaz de
pagar todas as despesas e ainda sobrarão 600 arrobas.

Esse produtor pode comparar, também, quantas arrobas gastou para


produzir as mesmas 1.000 arrobas no ano anterior. Se ele gastou 500
arrobas no ano anterior e apenas 400 neste ano, é possível concluir
que, economicamente, ele foi mais eficiente. Como isso se justifica?
Por uma melhoria na eficiência técnica ou por variações no mercado.

O produtor que pretende obter o máximo da produção deve trabalhar o manejo


e as tecnologias de forma a comprometer o mínimo possível da produção para
pagar o COE.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 145


Ponto de cobertura operacional total
O ponto de cobertura operacional total (PCOT) é o resultado da divisão do COT pelo
preço médio de venda de um produto.

O resultado expressa o COT convertido em unidades produzidas, ou seja, quantas


unidades foram produzidas para pagar o COT.

Análise do ponto de cobertura operacional total


Ponto de cobertura operacional total maior que a produção
Esse indicador significa que a produção obtida pelo sistema não foi capaz de pagar
o COE, mão de obra familiar e depreciações. Nesse cenário, o produtor deve fazer
algumas verificações:

Verificar se
o COE da
propriedade é É interessante revisar os conceitos de PCOE.
coerente com a
produção.

Os produtores rurais, muitas vezes impulsionados pelo fácil


Checar se a
acesso ao crédito, ou mesmo pelo dinheiro em caixa, superdi-
estrutura da
propriedade mensionam seus sistemas de produção, comprando máquinas e
é compatível construindo benfeitorias. Dessa forma, para ajustar esse indica-
com a escala de dor é necessário reduzir bens ociosos ou aumentar a escala de
produção. produção.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 146


Checar se
o fluxo de
produção no
qual a mão de Se o fluxo for adaptado, o recurso humano passaria a produzir
obra familiar mais, diluindo esse custo.
está inserida
pode ser
melhorado.

Análise do ponto de cobertura operacional total


Ponto de cobertura operacional total menor que a produção
Na situação em que a produção supera o PCOT, dizemos que esse negócio é susten-
tável no médio e no longo prazo, pois além de cobrir o COT, sobram recursos para
novos investimentos e para compor o lucro do empresário.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 147


Na prática

Vamos relembrar a propriedade de gado de corte que conhecemos no


estudo do COE equivalente a unidades produzidas. Veja seus dados:

• COE = R$ 338.930,00.

• Total de depreciações anuais = R$ 30.000,00.

• Nessa propriedade o pai e o filho trabalham, com a somatória de


suas atividades anuais avaliadas em R$ 36.000,00.

• O preço da arroba comercializada no período foi de R$ 148,72.

Vamos calcular?

COT = COE + DEPRECIAÇÃO ANUAL + MÃO DE OBRA FAMILIAR

COT = R$ 338.930,00 + R$ 30.000,00 + R$ 36.000,00 = R$ 404.930,00

COT
PCOT =
Preço médio

R$ 404.930,00
PCOT =
R$ 148,72

PCOT = 2.722,77 arrobas

Isso significa que essa empresa comprometeu 2.722,77 arrobas de


sua produção para pagar o COT.

Agora você está entendendo ainda mais sobre os custos, mas ainda temos muito a
mostrar.

Até o próximo tópico!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 148


Tópico 3: Ponto de cobertura total
Esse é um indicador muito importante! O PCT é obtido ao se converter o custo total
em unidades produzidas, ou seja, quanto da produção a empresa comprometeu para
pagar o custo total.

Fonte: Banco de imagens do SENAR

Objetivos

Você aprenderá como calcular o ponto de cobertura total e sua impor-


tância para a gestão da propriedade rural.

Para calcular o PCT é muito simples: basta dividir o custo total pelo preço:

Bem fácil, não é mesmo? Sabemos que você quer muito aprender ainda mais e apli-
car seu conhecimento, então vamos em frente!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 149


Análise do ponto de cobertura total
Ponto de cobertura total maior que produção
Quando o resultado do cálculo do ponto de cobertura total é maior que a produção,
vemos que a produção não foi suficiente para pagar o custo total. Isso se dá em
algumas situações, como:

Catástrofes
Dessa forma, o produtor tem o custo integral e apenas parte
naturais que
comprometeram da produção.
a produção

Muitas vezes, o produtor reduz a utilização de recursos que in-


Má aplicação fluenciam nos custos de produção. Outras situações podem
da técnica de
levar o produtor a não atingir o ponto de cobertura total, espe-
produção
cialmente a falta de gestão e a ineficiência no uso dos recursos.

Pare para pensar

Uma propriedade produtora de leite apresenta lucro negativo. Isso


não significa que a atividade de produção de leite não seja lucrativa.
Como mudar esse cenário? O que você sugeriria para o proprietário
da fazenda?

A curto prazo, atitudes como essa produzem redução das despesas e um ajuste de
fluxo de caixa momentâneo, porém esse tipo de comportamento pode promover uma
redução da produção, que acaba inviabilizando o negócio.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 150


Assim, para que o produtor eleve a pro-
dução novamente, terá que reinserir na
atividade aqueles insumos que retirou,
o que causará uma mudança no custo
utilizado para obter o PCT.

Isso explica porque o PCT não é o indica-


dor da produção que representa o lucro,
Fonte: Shutterstock mas se trata da parcela da produção uti-
lizada para cobrir o custo total.

Sistema de produção com baixa escala de produção


Muitos sistemas de produção têm alto custo fixo, porém operam em baixa escala
de produção. O curioso é que, nesses casos, quando calculado o PCT, vemos que o
resultado apresentado é de alto valor, mesmo com um alto custo fixo e operação em
baixa escala.

Fonte: Banco de imagens do SENAR

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 151


O que fazer nesse caso? Para aumentar a produção, seria necessário um aumento
em toda a parcela variável do COE, o que resultaria num CT maior do que o que foi
usado para o cálculo do PCT.

Mais uma vez, vemos que não se pode dizer que o PCT indica se a produção terá
lucro, mas sim qual a parcela da produção que seria necessária para cobrir o custo
total obtido pelo produtor.

Tome nota

O produtor precisa analisar em qual cenário ele se enquadra, tomando


as decisões administrativas mais assertivas para que não continue
produzindo sem lucro.

Especialmente nos casos de produção animal, em rebanhos de ciclo completo, ao se


aumentar o rebanho haverá um aumento no estoque de capital, sem existir aumento
nas depreciações, uma vez que animais nesses sistemas de criação não depreciam.

Logo, isso causaria um aumento no custo de oportunidade do capital empatado.


Esse aumento pode ser justificado pelo crescimento da produção.

Ponto de cobertura total menor que a produção


Nesse caso, a interpretação é bem simples. O PCT representa a parcela da produção
comprometida para pagar o custo total. A análise do PCT se fundamenta em compre-
ender se o produtor está alcançando o nível mínimo de produção para pagar todos
os custos; caso não esteja, devemos procurar saber o que se pode fazer para que ele
alcance tal patamar de produção.

Esse indicador se torna mais visível quando o produtor usa o valor para comparar
seus resultados com outros produtores que recebem preços diferentes, podendo di-
zer quem foi mais eficiente em unidades produzidas. Outra forma de usar esse indi-
cador é comparando os resultados da própria empresa rural em períodos diferentes.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 152


Fazenda Morada dos Ipês

Vamos conhecer a Fazenda Morada dos Ipês, produtora de gado para corte. Ela pertence ao Sr.
Antonio, que vem contando com a ajuda da Renata, Técnica de Campo.

A propriedade conta com um número expressivo de animais e Renata tem aplicado vários co-
nhecimentos da metodologia ATeG para ajudar a propriedade a crescer.

Vamos acompanhar o cálculo do PCT nessa fazenda? Primeiro, veja os dados:

• COT = R$ 404.930,00.

• Preço médio da arroba = R$ 148,72.

• Estoque de capital em animais de R$ 1.000.000,00.

• Estoque de capital em forrageiras não anuais, benfeitorias, máquinas e equipamentos de R$


350.000,00.

Assim, temos:

Remuneração do capital = (1.000.000 x 6%) + (350.000/2 x 6%)

Remuneração do capital = R$ 70.500,00

CT = R$ 404.930,00 + R$ 70.500,00 = R$ 475.430,00

PCT = CT/preço médio

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 153


PCOT = R$ 475.430,00
R$ 148,72

PCT = 3.196,81 arrobas

Veja que os cálculos aprendidos até aqui apresentam suas particularidades, mas
são simples e fáceis de memorizar. Lembre-se da importância e da forma correta de
aplicar cada um deles.

Ainda temos muito o que mostrar. Até o próximo tópico!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 154


Tópico 4: Taxa de retorno de capital
Como já vimos, temos uma série de fatores a considerar no momento de realizar
os cálculos de indicadores. Um deles é a taxa de retorno sobre o capital empatado,
conhecida como TRC.

Fonte: Banco de imagens do SENAR

Objetivos

Neste tópico vamos apresentar a taxa de retorno sobre o capital em-


patado (TRC), calculando novamente a margem líquida e consideran-
do os tipos de estoques e demais fatores que contribuem para o cál-
culo correto desse indicador.

A taxa de retorno sobre o capital empatado (TRC) corresponde, em termos percen-


tuais, à capacidade da atividade de remunerar o capital médio que foi aplicado na
produção. Ela é calculada considerando o estoque de capital com e sem a terra.

O Técnico de Campo deverá realizar ambas as análises, com e sem terra, para que o
efeito do “valor da terra” seja posto à parte, conseguindo avaliar apenas a atividade
em si. Isso é importante especialmente quando o empresário rural não cogita a hipó-
tese de vender a terra, o que é muito comum nesse meio.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 155


A taxa de retorno do capital é calculada com a fórmula abaixo:

Margem líquida
A margem líquida é o resultado da dife-
rença entre a renda bruta e o custo
operacional total, ou seja, o que sobra
da renda bruta quando abatido o COE,
depreciações e custo da mão de obra
familiar.

Esses custos são inerentes à operação


e são reais. Por mais que a depreciação
e a mão de obra familiar não resultem
em desembolso sistemático, elas são
custos do sistema que não retornam
ao empresário.

Tome nota

Com relação à mão de obra familiar, por mais que o desembolso não
seja sistemático, o trabalho por ela realizado precisa ser valorizado e
custeado pelo sistema de produção.

A depreciação ocorre ao longo do tempo e, mais cedo ou mais tarde, haverá neces-
sidade de substituição do bem e o consequente desembolso, ou seja, a estrutura do
negócio, se não monetizada, não é uma riqueza, e sim um custo.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 156


Uma propriedade de bovinocultura de leite necessita de uma ordenhadeira mecânica no valor
de R$ 30.000,00, com vida útil de 15 anos.

Durante o tempo de utilização do equipamento o sistema terá apenas gastos com manutenções,
porém, ao final da vida útil, precisará dos R$ 30.000,00 para adquirir uma nova ordenhadeira.

Podemos concluir, considerando a depreciação linear, que essa propriedade terá um custo de
depreciação da ordenhadeira mecânica de R$ 2.000,00/ano.

Não se usa o lucro para calcular a taxa de retorno, porque dele são contabilizados os
custos de oportunidade sobre o capital empatado e esse custo não se incorpora ao
produto, sendo apenas analítico. Assim, esse valor também retorna ao empresário.

O objetivo principal, ao se calcular a taxa de retorno, é justamente identificar se o


negócio avaliado possui retorno superior a 6%, que constitui a taxa média de remune-
ração do capital, balizada na poupança.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 157


Estoque de capital médio em benfeitorias, forra-
geiras, máquinas e equipamentos (ECM)
O estoque de capital médio consiste em
calcular a média do capital empatado,
considerando um determinado bem ao
longo de sua vida útil. Como na meto-
dologia da ATeG considera-se valor de
sucata igual a zero, um bem emprega-
do na atividade passará toda a sua vida
útil nela.

Dessa forma, o bem irá de 100% a 0%


do capital nele empatado dentro da ati-
vidade. Em média, ao longo da vida útil
o bem tem 50% do capital investido na
atividade. Logo, para máquinas, forrageiras não anuais, equipamentos e benfeito-
rias, o capital médio é calculado usando a fórmula abaixo:

Estoque de capital em animais (ECA)


O estoque de capital em animais é tam-
bém chamado de inventário animal, ou
seja, é o valor do rebanho. Vale desta-
car que, para fazer esse levantamento,
deve-se definir um valor médio do ani-
mal para cada categoria (e não o valor
do melhor animal). Em outras palavras,
se esse rebanho fosse vendido, quanto
ele valeria no mercado atual?

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 158


Estoque de capital em terra (ECT)
terra nua O estoque de capital em terra é o valor da terra nua no mercado em que a proprieda-
Consideramos o valor da de está inserida, multiplicado pela área da propriedade.
terra nua, pois as benfei-
torias já estão contabi- Estoque de capital em terra = Valor da terra nua (R$) x Área (ha)
lizadas no inventário de
recursos. Vale destacar que, se na propriedade houver mais de uma atividade, devemos ratear
as áreas de construções, estradas, reservas e outras áreas improdutivas. Esse rateio
pode ser feito em proporção à área útil utilizada em cada atividade.

Na prática

Uma propriedade de 100 hectares produz café e leite. Do espaço total,


temos 30 ha destinados a reservas e áreas construídas e 70 ha úteis,
sendo 28 para leite e 42 para café.

Participação do leite na área útil = 28/70 = 40%.

O café, por sua vez, participa com 42/70 = 60%.

Logo:

Área de reservas e construções destinadas ao leite = 30 ha x 40% = 12 ha.

Área de reservas e construções destinadas ao café = 30 ha x 60% = 18 ha.

Se o valor da terra nua na região for de R$ 10.000,00/ha, o estoque de


capital em terra destinado para cada atividade será:

ECT para o leite = (28 ha + 12 ha) x R$ 10.000,00 = R$ 400.000,00.

ECT para o café = (42 ha + 18 ha) x R$ 10.000,00 = R$ 600.000,00.

Simples de calcular!

Taxa de retorno do capital sem a terra (TRCST)


A taxa de retorno do capital sem a terra é utilizada para comparar diferentes sistemas
de produção. Trata-se de um importante indicador para que o empresário rural, deten-
tor da terra, possa definir qual atividade explorar.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 159


Uma questão importante é que a maio-
ria dos proprietários de terra não estão
dispostos a vendê-la, portanto, é im-
portante saber o que dá maior retorno
sobre a terra para a tomada de decisão.
Além disso, esse indicador é utilizado
também para casos de arrendatários.

Fonte: Shutterstock A taxa de retorno do capital sem terra


é calculada segundo a fórmula abaixo:

Margem líquida x 100


TRCST =
ECST

Onde:

TRCST = Taxa de retorno do capital sem terra.

ECST = Estoque de capital sem terra, que corresponde à soma do estoque de ca-
pital médio de máquinas, benfeitorias e forrageiras não anuais com o estoque
de capital em animais.

Vamos entender melhor esse cálculo, aplicado num exemplo prático:

Na prática

Numa fazenda de gado de corte, foi calculada a taxa de retorno do


capital sem a terra:

Estoque de capital médio em máquinas, equipamentos, benfeitorias e


forrageiras não anuais = R$ 350.000,00.

Estoque de capital em animais = 400.000,00.

Margem líquida = R$ 80.220,00.

Margem líquida x 100


TRCST =
ECST

R$ 80.220,00 x 100
TRCST = = 10,69%
R$ 750.000

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 160


Taxa de retorno do capital com terra (TRCCT)
A taxa de retorno do capital com a terra permite ao empresário analisar a capacidade
que o sistema de produção integrado à terra tem de remunerar o capital. Seu cálculo
é feito através da seguinte fórmula:

Margem líquida x 100


TRCCT =
ECCT

Onde:

TRCCT = Taxa de retorno do capital com terra.

ECCT = Estoque de capital com terra, que é a soma do estoque de capital sem
terra com o estoque de capital em terra.

Interpretação da TRCCT
Veja o que os valores encontrados nesse indicador podem apontar:

Fonte: Banco de imagens do SENAR

Para definir se a taxa de retorno do capital é atrativa, cada gestor precisa adotar sua re-
ferência. A mais comum é a poupança e outros investimentos de renda fixa assegurada,
porém cada empresário pode adotar uma taxa mínima de atratividade de acordo com as
oportunidades que ele tem para o capital.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 161


Vale destacar que a metodologia não calcula a variação do patrimônio em terra, pois con-
sidera a decisão de ter a terra como outra atividade. A especulação imobiliária, ou seja, a
decisão de ter a terra contando com uma valorização desse patrimônio, aceita uma menor
taxa de retorno, pois o risco dessa decisão é menor, quando comparado a montar um sis-
tema de produção em qualquer cadeia.

Taxa de retorno do capital inferior a 6%: considera-se que esse negócio não é atrativo. O
empresário deve revisar o sistema, avaliando se há ganho imobiliário da propriedade ou se
é possível maior intensificação do sistema de produção, visando maior margem líquida.

Em algumas atividades, como a bovinocultura de corte trabalhada extensivamente,


o estoque de capital em benfeitorias, máquinas e equipamentos é muito baixo. Isso
pode causar uma alta TRCST.

Esse tipo de sistema demanda grandes extensões de terra, pois opera normalmente
em baixa lotação animal. Dependendo do valor da terra na região, isso resulta em
baixas taxas de retorno do capital investido.

Dessa forma, podemos afirmar que, em regiões de terra de alto valor, para via-
bilizar e manter a terra é necessário ter uma produção intensiva em qualquer
atividade agropecuária.

Na prática

Considerando, ainda, uma propriedade produtora de gado para corte


com as informações abaixo, veja o cálculo da TRCCT.

Valor da terra: R$ 10.000,00/ha.

Área = 300 ha.

Estoque de capital com terra = R$ 10.000,00/ha x 300 ha = R$


3.000.000,00.

Estoque de capital médio em máquinas, equipamentos, benfeitorias


e forrageiras não anuais = R$ 350.000,00.

Estoque de capital em animais = 400.000,00.

TRCCT = R$ 80.220,00 x 100 = 2,13%


R$ 3.750.000,00

Logo, podemos concluir que é necessário ter uma produção intensi-


va para viabilizar e manter a terra.

Chegamos ao final desse tópico!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 162


Tópico 5: Aplicando os conceitos
Agora vamos aplicar ao estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade os conceitos
aprendidos neste módulo!

Fonte: Banco de imagens do SENAR

Usaremos todos os valores de custo e renda que foram apresentados no tópico 5 do


tema 2, no Módulo Gerencial 1.

Objetivos

Neste tópico vamos aplicar o que aprendemos ao longo do módulo no


estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade. Também vamos relem-
brar alguns conceitos já aprendidos e que o ajudarão a construir seu
conhecimento.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 163


Vamos refrescar a memória, lembrando o que já aprendemos sobre a Fazenda Santa
Felicidade?

A renda bruta da fazenda foi de R$ 170.807,23

O custo operacional efetivo foi de R$ 101.411,90

O custo operacional total foi de R$ 130.113,57

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 164


O custo total foi de R$ 144.032,61

A produção de leite obtida pela fazenda foi de


114.545 litros por ano.

A produção foi comercializada a um preço médio


de R$ 1,29 por litro de leite.

Com base nesses dados, a seguir vamos calcular o lucro e os indicadores relaciona-
dos ao lucro, destacando o PCT.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 165


Lucro (L)
O lucro é obtido pela diferença entre a Renda Bruta (RB) e o Custo Total (CT), confor-
me a fórmula abaixo:

Com os dados apresentados, vamos realizar o cálculo do lucro da Fazenda Santa


Felicidade:

L = RB – CT

L = R$ 170.807,23 – R$144.032,61

L = R$ 26.774,60

Fonte: Shutterstock

Variações do lucro
Lucro unitário
O lucro unitário é aquele obtido por unidade produzida. Conseguimos o seu valor
calculando a divisão do lucro pela produção. Veja a fórmula abaixo:

Com os dados apresentados, vamos realizar o cálculo do lucro unitário da Fazenda


Santa Felicidade:

R$ 26.774,60
Lucro unitário = = R$ 0,23
114.545

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 166


Lucro equivalente a unidades produzidas
Consiste em converter o valor do lucro
em litros de leite, dividindo esse valor
encontrado pelo preço do leite. Isso
permite comparar o resultado de lucro
efeito do preço entre as propriedades, sem o efeito do
Logicamente, o preço preço. Veja a fórmula abaixo:
recebido vai interferir no
resultado desse indica- Fonte: Shutterstock
dor. De acordo com a fór-
mula, se o mesmo valor
for apurado como lucro
em duas propriedades e
estas receberam preços
diferentes pelo produto,
o lucro equivalente será
diferente.

Veja o resultado no estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade:

R$ 26.774,60
Lucro equivalente = = 20.775,5 litros
R$ 1,29

Veja as fórmulas e sua aplicação no estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade,


convertendo os valores dos custos em litros de leite, ou seja, quantos litros de leite
são necessários para cobrir COE, COT e CT.

PCOE equivalente a litros de leite


Nos dados da Fazenda Santa Felicidade, temos:
COE = R$ 101.411,90.
Preço médio ponderado do leite = R$ 1,29.

R$ 101.411,90
PCOE equivalente a litros de leite = = 78.613,87 litros/ano
R$ 1,29
COE
Para entender melhor esses resultados, dividimos esse valor em
litros por dia, pois, na prática, o que o produtor planeja é sua
produção diária.
78.613,87 litros/365 dias = 215,38 litros por dia
Assim, a quantidade da produção diária comprometida para pa-
gar o COE foi de 215,38 litros.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 167


PCOT equivalente a litros de leite
Considere:
COT = R$ 130.113,57.
Preço médio ponderado do leite = R$ 1,29.

R$ 130.113,57
PCOT = = 100.863,23 litros/ano
R$ 1,29
COT
No PCOT faremos a conversão em litros por dia, dividindo o volu-
me anual por 365 dias.

100.863,23 litros/365 dias = 276,34 litros por dia

Portanto, 276,34 litros do leite da produção diária são compro-


metidos para pagar o COT.

Ponto de Cobertura Total (CT equivalente a litros de leite)


Veja agora o custo total:
CT = R$ 144.032,61.
Preço médio ponderado do leite = R$ 1,29.
Para calcular o ponto de cobertura total, temos:

CT
R$ 144.032,61
PCT = = 111.653,19 litros/ano
R$ 1,29

111.653,19 litros/365 = 305,90 litros por dia.

Concluindo: a produção diária necessária para pagar todos os


custos é de 305,9 litros.

Viu só como é simples fazer os cálculos e ter uma visão mais ampla dos custos e
lucros de uma empresa rural?

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 168


Encerramento do tema
Tema 3: Cálculo de Indicadores

Neste tema, você pôde conhecer como calcular os principais indicadores de


rentabilidade.

Ao avançar nos estudos sobre o lucro, vimos que ele ajuda a medir a atratividade do
negócio. O lucro é também um refinamento da gestão por parte do empresário rural;
ao analisá-lo, o produtor passa a avaliar também o custo de oportunidade do seu
capital.

Esse indicador é ainda mais evidente quando calculamos a taxa de retorno do capi-
tal, em que o produtor passa a comparar as oportunidades do mercado, entendendo
quais são os pontos fortes de sua gestão ou onde deverá mudar, para melhorá-la.

No próximo módulo, estudaremos mais profundamente os indicadores que nos aju-


dam a medir o desempenho da empresa rural e, assim, tomar decisões mais precisas
rumo ao sucesso.

Antes de prosseguir, veja mais um vídeo que preparamos especialmente para você e
realize as atividades de passagem.

Vídeos

No início deste Módulo, vimos que um dos questionamentos do Sr.


Ariovaldo era sobre o cálculo dos custos de produção, pois são mui-
tos fatores a se considerar (e a calcular). Agora, passa a analisar as
relações entre a renda e os custos, obtendo indicadores como a mar-
gem bruta e a líquida. Tendo em vista que você concluiu os estudos
do segundo tema, vamos relembrar o que são estes custos e como
calculá-los? Veja mais no vídeo que preparamos para você, em seu
ambiente de estudos!

Parabéns por chegar até aqui!

Sucesso!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 169


Atividade de passagem
Chegamos ao final do primeiro tema. A seguir, você responderá a uma questão rela-
cionada ao conteúdo estudado até aqui. Preparado?

Atenção!

Você terá três tentativas para realizar a atividade.

Se você estiver com alguma dúvida quanto ao assunto, retorne ao conteúdo do mó-
dulo ou, se preferir, entre em contato com o tutor.

Questão
Leia o trecho a seguir, retirado do portal da Universidade Federal de Minas Gerais:

“Atualmente, a cadeia da bovinocultura de corte consiste num segmento do


agronegócio de elevada concorrência, incertezas e redução continuada das
margens de ganho. Os sistemas de produção são complexos e diversifica-
dos. Cada produtor deve desenvolver seu sistema de produção, combinando
suas metas às condições ambientais e mercadológicas, devendo aliar às suas
capacidades financeiras e recursos humanos, tendo como base as responsa-
bilidades social e ambiental. A capacidade gerencial do administrador, envol-
vendo o planejamento, a direção e o controle dos processos da atividade, bem
como a alocação dos recursos produtivos de maneira racional, são fundamen-
tais para a eficiência técnica e econômica. A gerência não deve permitir que o
aumento de custo unitário diminua sua vantagem competitiva. Quando se au-
menta a produtividade, aumenta-se o custo total (principalmente o variável).
Devido à maior quantidade de produtos gerados (bezerros, kg de peso vivo ou
carcaça), o custo unitário diminui. Com menor custo unitário de produção e
mesmo preço médio de venda, ocorre maior receita total, além de aumento do
lucro total e da rentabilidade do sistema. A produtividade deve ser analisada
de acordo com a disponibilidade dos fatores de produção (terra, trabalho e ca-
pital), que, sendo mais escassos, tornam-se mais caros. Quando se aumenta
a produtividade do rebanho, observa-se também o aumento da produtividade
da terra, do trabalho e do capital. O uso de tecnologias permite aumentar pro-
dutividade e, consequentemente, reduzir o custo médio unitário. É por esse
motivo que as propriedades mais tecnificadas são mais competitivas.”

Fonte: adaptado de http://csr.ufmg.br/pecuaria/portfolio-item/rentabilidade/

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 170


Com base no que você aprendeu nesse Tema do curso, analisando o texto acima,
classifique as seguintes afirmações como verdadeiras (V) ou falsas (F):

A. O lucro de uma atividade é produto da diferença entre custos e receitas.


Quanto maior a eficiência produtiva, melhor é a diluição dos Custos Fixos,
aumentando o Lucro Unitário.

B. O Ponto de Cobertura Operacional Efetivo (PCOE) representa um nível de


produção necessário para cobrir o COE. Portanto, é variável de acordo com
a produtividade.

C. Uma maior infraestrutura produtiva impacta diretamente no Estoque de


Capital Médio. Assim, o equivalente em produção do lucro obtido será maior
quanto maior for este estoque.

D. A diferença entre a quantidade total de unidades de produtos agropecuá-


rios produzidos e o Ponto de Cobertura Total permite ao produtor conhecer
seu lucro em equivalente produtos.

E. Uma maior eficiência produtiva melhora as perspectivas de lucro e de Taxa


de Retorno do Capital. Porém, para encontrarmos a TRC, utilizamos a Mar-
gem Líquida, e não o lucro - este já contabiliza o Custo de Oportunidade do
Capital Empatado (CO).

1. F, F, V, F, F

2. V, F, V, V, V

3. V, V, F, V, V

4. V, F, F, V, V

5. V, F, V, F, F

Desejamos ótimos estudos.

Voltaremos a nos ver em breve. Até mais!

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 171


Linha de Chegada

Fonte: Banco de Imagens do SENAR

Parabéns pelo seu percurso até aqui! Bom, chegamos em mais um momento para
você aplicar seus conhecimentos! Para finalizar o módulo, você deverá realizar três
atividades:

São 17 questões objetivas sobre os três temas deste módulo.


Você pode respondê-lo até três vezes. O objetivo é que você se
prepare bem para a avaliação. A realização dessa atividade é
Simulado
obrigatória, porém, não afere nota. Essa é uma ótima oportuni-
dade para verificar o seu conhecimento, estudar e ter uma prévia
de como será a avaliação.

Realizado o simulado, você terá acesso à avaliação. Ela também


é composta por 17 questões objetivas e contempla todo o con-
teúdo estudado no módulo. Essa atividade é obrigatória e vale
Avaliação
nota. O seu desempenho nessa atividade será contabilizado na
sua média. A correção é automática, ou seja, é o LMS que fará a
correção da atividade.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 172


Será apresentada uma situação problema (relacionada aos te-
mas estudados no módulo) e você deverá respondê-la fazendo
uma análise da situação. No Módulo 1, você deverá gravar um
vídeo de até 3 minutos respondendo à pergunta lançada no es-
Estudo de caso
tudo de caso. O upload do vídeo deverá ser feito no LMS, dentro
da atividade estudo de caso. Essa atividade será corrigida pelo
tutor, que atribuirá uma nota e um feedback. Nos módulos 2, 3, 4
e 5 você deverá responder ao estudo de caso em forma de texto.

Tanto o simulado quanto a prova são compostos por 17 questões de


múltipla escolha, que têm como objetivo verificar o seu conhecimen-
to com base no que você estudou durante o curso.

Para acessar essas atividades, clique no menu do seu ambiente de estudos e clique
em Minhas avaliações.

Como informamos no início do


curso, o tempo total para encerra-
mento do módulo é 45 dias. Veja
no seu planejamento quantos dias
ainda faltam para encerrar o prazo
e aproveite para estudar e se prepa-
rar para a avaliação do módulo.

Fonte: Shutterstock

A avaliação estará disponível somente depois que você passar pelo simulado. Co-
mece quando se sentir seguro e confiante em seu aprendizado, pois aqui você terá
somente uma tentativa de acerto.

Não se preocupe se houver uma queda de energia, pois você não perderá o que já
respondeu! O sistema de avaliações, incluindo o simulado, salva automaticamente
as suas respostas.

Para obter informações mais detalhadas sobre como acessá-lo ou se tiver qualquer
dúvida, entre em contato pelo Tira-Dúvidas ou pelo e-mail faleconoscoead@faculda-
decna.com.br, ou ainda via telefone, pelo 0800 006 4849, de segunda a sexta-feira,
das 8h às 12h e das 14h às 18h, no horário de Brasília.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 173


Gabarito
Questão 1
Resposta correta: COE / d / COE / MDOF / COT

Feedback:

O Custo Operacional Efetivo é variável e exige desembolsos financeiros para


que a produção ocorra.

A Depreciação representa a reserva de capital destinada à substituição de itens


ao final de sua vida útil, desprezando-se os valores de sucata.

Já a mão de obra familiar representa uma despesa de natureza fixa, que não
exige desembolso de capital financeiro para seu pagamento, pois apenas é um
levantamento da oportunidade implícita em se vender o trabalho, ao invés de
trabalhar para si próprio. Ou seja, a atividade se torna obrigada a remunerar
esse fator de produção, caso contrário, será melhor aplicá-la em outra atividade
ou lugar. Porém, quando há pagamento sistemático desse trabalho executado
para si mesmo, a terminologia mais adequada é pró-labore.

Ao ser identificada essa ocorrência, o aconselhável é remover esse item dos


custos fixos da propriedade e alocá-lo nos variáveis, pois há, de fato, saída de
capital.

Por fim, o Custo Operacional Total representa uma somatória do COE, depre-
ciação e MDOF. Caso seja negativo com COE positivo, significa que a atividade
se mantém no curto prazo. Caso o COT seja nulo, significa que ela poderá se
manter no médio prazo. Em caso de COT positivo, é necessário dar sequência
aos estudos e analisar se houve ou não lucro na empresa.

Diante do exposto, a resposta que melhor completa as informações elencadas


é “E”.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 174


Questão 2
Resposta correta: F, V, F, V, V

Feedback:

Analisando item a item das informações fornecidas:

• Trator: o valor total do bem para o sistema produtivo será seu valor de novo, sem
taxas ou juros bancários. Portanto, R$ 150mil. Sua vida útil será igual a 15 anos,
independentemente do número de parcelas do financiamento.

• Carretinha de arrasto: é um bem depreciado, ou seja, não possui mais vida útil.
Porém, ainda possui valor de mercado, atualmente avaliado em R$ 5.000,00.

• Rebanho estabilizado: não sofre depreciação. Seu valor é contabilizado integral-


mente para cálculo de Custo de Oportunidade.

• A mão de obra familiar não possui acréscimos de obrigações trabalhistas, sen-


do considerado apenas o salário mensal estabelecido, multiplicado pelos 12 me-
ses do ano.

• Foi informado que as construções custaram R$ 230mil quando novas, e este


será o valor a ser considerado. O fato de já estarem sendo utilizadas há 11 anos,
frente aos 40 de vida útil total, não irá alterar a forma de se calcular a deprecia-
ção, pois a metodologia utiliza a depreciação linear. O Custo de Oportunidade
também não será afetado por este uso, uma vez que o importante é saber apenas
se o bem analisado está ou não dentro do prazo de vida útil.

• Produção leiteira: foi fornecido o volume de produção diária (260L), devendo


ser encontrado o volume anual.

• Preço do leite: essa informação não será usada para responder ao exercício,
mas é sempre bom termos em mente o valor recebido por cada unidade co-
mercializada, a fim de agilizarmos diversas análises, como o lucro ou o prejuízo
unitário.

• COE: esse é valor deverá ser utilizado como referência do COE, sem rateios.

Identificação dos indicadores de custos:

Para determinarmos o Custo Fixo Médio, ou seja, o Custo Fixo por litro de leite
produzido, é necessário que encontremos o Custo Fixo Total, para então dividi-lo
pelo volume total da produção anual dessa propriedade.

Custo Fixo será igual à somatória da mão de obra familiar, depreciação e custo

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 175


de oportunidade.

CF = MDOF + d + CO

CF = 12.408,00 + 15.750,00 + 25.110,00

CF = R$ 53.268,00/ano

CF
CFM
Produção Total

R$ 53.268,00/ano
CFM
94.900 L/ano

CFM = R$ 0,56/L

Isso significa que a cada R$ 1 ganho na venda de cada litro de leite, esse produtor
possui R$ 0,56 comprometidos somente em custo fixo.

Uma vez conhecidos os valores do COE e CF, fica mais fácil determinar o CT. Veja:

CT = COE + CF

CT = 37.230,00 + 53.268,00

CT = R$ 90.498,00/ano

Isso significa que o custo total suportado por esse produtor, para que ele oferte
seus produtos no mercado, é de R$ 90.498,00 ao ano.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 176


Questão 3
Resposta correta: V, V, F, V, V

Feedback:

A afirmativa A é verdadeira, pois lucro é função de renda bruta menos custos


totais. Relembre a fórmula: L = RB – CT. Nos custos totais, estão inclusos tan-
to os variáveis quanto os fixos. Os primeiros têm por característica aumentar
conforme se aumenta a produção, sendo pequena sua redução por unidade
produzida.

Já os segundos se mantêm constantes, sendo mais impactante sua amortiza-


ção quando se tem maior eficiência produtiva, pelo simples processo da dilui-
ção (distribuição).

Corroborando com a essa explicação, temos a afirmativa B, que também é ver-


dadeira. Afinal, o COE tanto poderá não existir quanto poderá não ter limite para
chegar ao seu máximo, sendo dinâmico, em conformidade com a produção
alcançada ou desejada.

Para respondermos à afirmativa C, vamos relembrar que o CF é composto pela


somatória da Depreciação, Custo de Oportunidade do capital empatado na ati-
vidade e Mão de Obra Familiar. Sendo o CF um componente do CT e, confor-
me vimos, a margem de lucro é dependente dos custos, podemos afirmar que
quanto maior o Estoque de Capital Médio, maior será seu impacto no CF da
atividade (e CT), podendo comprometer o lucro, reduzindo-o conforme se au-
menta esse estoque e mantendo-se as mesmas expectativas de Renda Bruta.
Portanto, essa afirmativa é falsa.

A afirmativa D é verdadeira, pois, ao assumirmos que o PCT representa a quan-


tidade de produtos necessários para se cobrir os custos totais de produção, e
conhecendo o volume total produzido, podemos afirmar que a diferença entre
eles representa o lucro do produtor em equivalente produto.

A afirmativa E necessita de uma análise mais profunda.

Relembre a fórmula da TRC: (Margem Líquida/Estoque de Capital) x 100.

De fato, utiliza-se a ML para cálculo de TRC, ao invés do lucro. O motivo, con-


forme visto no conteúdo que você estudou, é que o Custo de Oportunidade, já
embutido na análise do lucro, não se configura um custo operacional, sendo
apenas analítico. Inserir o lucro nessa fórmula exigiria que a atividade pagasse
em duplicidade o Custo de Oportunidade. Assim, essa afirmativa também é
verdadeira.

Assistência Técnica e Gerencial - Pecuária 177


Referências
ARAÚJO, A. J. Fundamentos do Agronegócio. 2ª edição. São Paulo: Atlas S. A. 2007.

ASSIS, L. P. de. Análise técnica e econômica de uma propriedade leiteira em Couto


de Magalhães de Minas-MG: um estudo plurianual. Diamantina, 2012. Dissertação
(mestrado) - Pós-Graduação em Zootecnia, UFVJM.

BAHIA, J. Veja a importância de um bom gerenciamento para a empresa. In Revista


Gestão em Negócios. Disponível em: http://revistagestaoenegocios.uol.com.br/arti-
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