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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO


DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO
CADASTRO MULTIFINALITÁRIO

ESTUDANTES: Caio Costa, Letícia Tainá, Maria Eduarda Carneiro, Mário José Silva, Paolla
Giannina

PROFESSORA: Andrea Carneiro.

● PERFIL DO MUNICÍPIO 3:

Município com 37 mil habitantes, de grande extensão territorial, com economia


baseada no setor primário, destacando-se a monocultura da soja, a pecuária e
hortifrutigranjeiros. Possui apenas uma área urbana, a Sede, onde residem 21 mil
habitantes. É cortado por duas rodovias de importância regional e fica a 130km da maior
cidade da região, de 560 mil habitantes. O plano diretor foi elaborado em 2005, assim como
parte de sua legislação complementar (zoneamento, código de obras, parcelamento e
perímetro urbano). Na ocasião da elaboração do plano diretor, o município contratou um
levantamento aerofotogramétrico que contempla toda a área urbana. Os mapas temáticos
do diagnóstico do Plano Diretor foram elaborados sobre esta base, assim como os mapas de
macrozoneamento, perímetro urbano e zoneamento urbano. Verificam-se conflitos pontuais
de uso e ocupação do solo. A tributação do IPTU é precária e é lançada por meio de uma
planta cadastral em papel. A arrecadação é baixa, sendo o município dependente de
transferências governamentais. O conselho das cidades está instituído e se reúne
periodicamente, no entanto, apresenta poucas ações efetivas.

1. Estratégias para a atualização do mapeamento do município:

O município em questão é considerado de pequeno porte em razão da sua população


menor que 50 mil habitantes, ainda que possua uma grande extensão territorial. É primordial
que haja uma preocupação sobre a necessidade e importância de se criar um cadastro
multifinalitário e mantê-lo atualizado. O primeiro passo deve ser a conscientização dos
gestores municipais e de outros órgãos que utilizam o cadastro sobre a importância que o
CTM tem para a cidade e para a sociedade, a prefeitura deve sempre buscar por parcerias e
essas poderiam ser feitas com os maiores detentores da economia do município
(monocultores de soja, pecuária e hortifrutigranjeiros) e com o setor de transporte, pois estes
são órgãos de importância e imponência que podem se beneficiar das informações e dos
dados cadastrais, e que também podem ajudar com custos e facilitar a atualização e
manutenção do cadastro quando necessária.

Além disso, também deve haver uma parceria entre a prefeitura e o cartório de registro
de imóveis (RI) para a facilitação da troca de informações e definindo as parcelas e seus
proprietários, implantando o SICART (Sistema de Cadastro e Registro Territorial) e
facilitando a participação de diversas instituições municipais que atuam no cadastro -
integrando dados do CTM com o RI. Fazendo essas parcerias, o levantamento de dados e a
utilização da carta cadastral será a mesma para todos, evitando a criação de cadastros
paralelos baseados em interesses pontuais, que diferem e confundem as informações. Além
disso, a atualização do mapeamento do município tornaria a administração territorial muito
mais eficaz e multifinalitária, abrangendo as informações pontuais em uma grande rede
unificada.

Apesar de haver uma parte urbana no município, também há as áreas voltadas para a
agropecuária, e o levantamento foi feito por meio de aerofotogrametria em todo o município,
método este que abre mais margens para erros. Então a sugestão seria de haver o
levantamento de campo e a utilização de recursos tecnológicos relacionados à topografia e
vinculados ao sistema de referência geodésico nacional, utilizando coordenadas UTM. Isso
se deve ao fato de que o trabalho não precisará ser refeito em cada atualização, facilitando o
processo. Ainda, com relação à área rural, é interessante um convênio com o INCRA,
proporcionando a utilização do seu banco de dados. Os marcos que são georreferenciados
podem estar longe da cidade ou não serem suficientes por conta do pequeno porte do
município, neste caso a prefeitura pode consultar o IBGE e realizar novas implantações, o
que é muito positivo, pois, implantando os marcos, a prefeitura pode exigir que novos
loteamentos e/ou obras sejam referenciados a eles, atualizando o mapa cadastral
imediatamente.

É importante que o plano diretor seja ajustado à realidade do município e se mantenha


sempre atualizado e conectado ao CTM, o que não acontece atualmente visto que a última
atualização foi no ano de 2005, neste caso há conflito de uso e ocupação do solo e a
tributação dos imóveis é precária e lançada por meio de uma planta cadastral em papel.
Haveria a necessidade de uma parceria com o banco municipal para que um observatório de
valores mantivesse os valores do mercado de imóveis sempre atualizado para que a
tributação seja justa, o que também seria melhorado em decorrência de um cadastro
atualizado com o plano diretor.

2. Cadastros temáticos que podem ser integrados à base do CTM, considerando


as características do município:

Funcionando como um inventário público, os cadastros temáticos são baseados nos


levantamentos dos dados das parcelas que constituem os municípios. Dessa forma, além do
cadastro fiscal, podemos integrar ao CTM o cadastro de logradouros, ambiental e
socioeconômico, incluindo descrições político-administrativas, ficando a encargo do poder
executivo e agentes atados à infraestrutura da cidade, onde cada instituição contribui com os
dados relacionados a seu sistema.
É importante se atentar ao fato do município possuir uma extensa área rural, assim,
integrando cadastros referentes a tais áreas, como o CAFIR (Cadastro de Imóveis Rurais), o
CNIR (Cadastro Nacional de Imóveis Rurais) e o SNCR (Sistema Nacional de Cadastro
Rural seguindo as normas do Incra que possui a missão prioritária de realizar a reforma
agrária, manter o cadastro nacional de imóveis rurais e administrar as terras públicas da
União.
Sendo atravessado por 2 vias de grande importância, o cadastro de logradouros
também deve fazer parte, para obter a identificação das ruas e dos acessos à cidade para a
integração da cidade com os municípios próximos. Mediante a esse determinado cadastro a
prefeitura poderá viabilizar obras de infraestrutura urbana possibilitando uma futura
expansão do seu perímetro urbano.
Podemos integrar os dados territorias ao Cadastro Nacional de Endereços para Fins
Estatísticos (CNEFE) otimizando as pesquisas socioeconômicas do município, e assim,
gerando dados importantes para o planejamento da cidade.

3. Mecanismos de acesso aos dados (internet, solicitação direta à prefeitura,


gratuito ou não, acesso limitado ou não, etc.):

Como já sugerido anteriormente, o CTM unificado com parcerias entre as instituições


que precisam dos dados da base cadastral traria para o município mais facilidade para a
colocação e manutenção/atualização de informações. Haveria um investimento dessas
instituições que primeiro fechassem a parceria para criar uma plataforma de acesso aos
dados modernizada, então eles teriam acesso aos dados juntamente com a prefeitura. Como
o município está em grande extensão territorial, certamente outras instituições iriam se
interessar ou precisar dos dados cadastrais para seus próprios fins cada vez mais, então
essas mesmas instituições que estão de fora do consórcio precisarão comprar os seus
produtos, havendo assim a arrecadação de recursos do consórcio para as atualizações e
manutenções do CTM.
Por conta da grande parte rural do município, não há a garantia de que haveria a
eficiência por meio da internet para todos que precisassem ter o acesso aos dados
cadastrais. Devido a essa questão, a proposta procura atender de forma abrangente a
parcela de pessoas que não têm acesso a internet, mas precisam acessar os seus dados.
Os dados também poderiam ser acessados pelo cartório de registro de imóveis
presencialmente e caso o indivíduo queira tomar posse de uma cópia dos dados solicitados,
ele deverá ser cobrado em uma taxa de valor simbólico e a depender de sua situação
financeira ele poderá recorrer na prefeitura para conseguir sem custo.
Já para aqueles que optarem pelo acesso via rede móvel também se dará de forma
gratuita. Além de ser mais prático pelo meio digital, a plataforma beneficia o usuário pelo fato
de possibilitar atualizações e coleta de dados de forma mais eficiente. Vale ressaltar que
informações de dados de outros usuários se dará de forma restrita apenas para cada perfil
pessoal e as entidades regulamentadoras.
Ressaltando que, todas as informações disponibilizadas serão cópias e que as
informações originais serão mantidas em seus bancos de dados. Haveria limitações quanto
ao acesso pelos habitantes, dados pessoais de proprietários (sejam estes pessoas físicas ou
jurídicas) seriam de posse exclusiva dos órgãos reguladores de maneira que os interessados
possam ter informação a nível geográfico, fiscal e cadastral.
4. Estratégias para o financiamento e para a sustentabilidade do cadastro do
município em questão:

Para que haja uma organização do município é de extrema importância que a


atualização cadastral da prefeitura e a do cartório de registro do imóvel entrem em acordo,
assim pode se ter entendimento do desenvolvimento da cidade. Acordo esse que se trata de
uma troca de informação entre ambos lados. Primeiro deve-se fazer a introdução do
SICART (Sistema de Cadastro e Registro Territorial) que permite a inclusão dos dados. Para
que o Cadastro seja realmente efetivado é preciso que tais informações sejam de fácil
acesso ao público a fim de proporcionar um melhor aproveitamento dos dados expostos.
Por ser um destaque na monocultura da Soja, o município em questão pode facilitar as
etapas relacionadas ao estabelecimento de um estreitamento entre a prefeitura e o setor
privado, em empresas alinhadas aos principais produtos que a área pode oferecer. Graças a
essa parceria, métodos de desconto na compra e venda poderiam ser acordados pela
direção do município.
No caso das pessoas que obtivessem poder aquisitivo e quisessem proporcionar essa
ajuda, consequentemente os impostos poderiam ser reduzidos para tornar essa parceria
mais cativante, e também, a venda de tais dados para empresas que procuram conhecer
melhor a área para se instalarem poderia ser uma outra alternativa a ser seguida.
É preciso de uma iniciativa de empresas de engenharia cartográfica e geomática para
fazer a atualização do SIG (Sistema de Informações Geográficas) e a criação de mapas
temáticos ou de órgãos que mostram interesse na melhoria da cartografia do município,
levando em consideração os registros desatualizados, de modo que os investimentos
venham de origens distintas e a cidade possa arcar com os custos relacionados à sua parte
do acordo.
O PNAFM (Programa Nacional de Modernização Administrativa e Fiscal dos
Municípios Brasileiros) e o PMAT (Programa de Modernização da Administração Tributária)
são instituições distintas que têm interesses diferentes mas possuem a mesma base, cada
órgão visa diferenciados anseios que pode montar base de acordo com necessidades
próximas, mas utilizando a mesma topografia cadastral no intuito de assegurar uma
representação padrão de cada parcela. São duas propostas de financiamento que propõem
a modernização administrativa dos municípios.
O Ministério das Cidades contribui com programas voltados ao auxílio do
financiamento da modernização dos cadastros municipais para o fortalecimento da gestão
urbana. Por fim, é possível também o estabelecimento de um acordo entre o município e a
Receita Federal para arrecadar o ITR (Imposto Territorial Rural), já que o município
apresenta propriedades rurais e que o imposto arrecadado será em benefício do mesmo.

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