Análise III

Viktor Kravchenko
Universidade do Algarve
Conteúdo
1 Funções reais de várias variáveis 3
1.1 Limites e continuidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1.1.1 De…nição de função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1.1.2 Formas de representação da função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.1.3 Funções limitadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.1.4 Espaço linear bidimensional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.1.5 Espaço linear de dimensão : . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.1.6 Limite das funções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
1.1.7 Continuidade das funções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
1.2 Derivadas e diferenciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
1.2.1 Acréscimo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
1.2.2 De…nição de derivada parcial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
1.2.3 Interpretação geométrica das derivadas parciais . . . . . . . . . . . . . . . . 13
1.2.4 Diferenciais parciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
1.2.5 Diferencial total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
1.2.6 Utilização do diferencial total para cálculos aproximados . . . . . . . . . . . 15
1.2.7 Derivada duma função composta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.2.8 Derivadas de ordem superiores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
1.2.9 Derivadas de funções implícitas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
1.2.10 Fórmula de Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
1.2.11 Estudo da variação das funções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
2 Integrais múltiplos 26
2.1 Integral duplo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
2.1.1 De…nição e existência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
2.1.2 Interpretação geométrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
2.1.3 Propriedades elementares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
2.1.4 Cálculo de integrais duplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
2.1.5 Mudança de variáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
2.1.6 Integrais duplos em coordenadas polares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
2.2 Integral triplo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
2.2.1 De…nição e existência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
2.2.2 Interpretação geométrica e física . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
2.2.3 Propriedades elementares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
1
2.2.4 Cálculo de integrais triplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
2.2.5 Mudança de variáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
2.2.6 Integrais triplos em coordenadas cilíndricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
3 Integrais curvilíneos e integrais de superfície 43
3.1 Curvas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
3.1.1 Equação duma curva no espaço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
3.1.2 Derivação das funções vectoriais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
3.1.3 Equação da tangente a uma curva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
3.1.4 Comprimento de uma curva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
3.2 Elementos da teoria do campo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
3.2.1 Campo escalar. Superfície de nível . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
3.2.2 Derivada em uma direcção dada e gradiente . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
3.2.3 Campo vectorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
3.3 Integral curvilíneo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
3.3.1 De…nição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
3.3.2 Interpretação física . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
3.3.3 Duas propriedades importantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
3.3.4 Existência e cálculo de integrais curvilíneos . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
3.3.5 Fórmula de Green . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
3.3.6 Área dum domínio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
3.3.7 Condições para que um integral curvilíneo não dependa do caminho de inte-
gração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
3.4 Integral de superfície . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
3.4.1 Superfícies . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
3.4.2 De…nição, existência, cálculo do integral de superfície . . . . . . . . . . . . . 60
3.4.3 Interpretação física . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
3.5 Fórmula de Stokes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
3.5.1 Rotacional. Interpretação física da fórmula de Stokes . . . . . . . . . . . . . 64
3.6 Fórmula de Ostrogradsky-Gauss . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66
3.6.1 Divergência. Interpretação física da fórmula de Ostrogradsky-Gauss . . . . 66
2
Capítulo 1
Funções reais de várias variáveis
1.1 Limites e continuidade
1.1.1 De…nição de função
Seja A um conjunto.
Se a cada 1 dum subconjunto de A corresponder um número real n, então a n chama-se
função de 1;
A 1 chama-se argumento ou variável independente;
à função n chama-se também variável dependente.
O facto de n ser função de 1 expressa-se abreviamente pelas fórmulas:
n = 1(1); n = o(1);
Domínio e imagem da função n = 1(1) :
dom 1 = ¦1 ÷ A : 1(1) está de…nida¦
im1 = ¦n ÷ R : ¬1 ÷ dom1 tal que n = 1(1) ¦
Se a cada 1 ÷ dom1 corresponder um e um só número n, então à função n = 1(1) chama-se
unívoca. Caso contrário à função n = 1(1) chama-se plurívoca.
Exemplo 1 1. Se A = R
2
. então 1 é um ponto do plano, i.e., 1 (r. n) . e, neste caso,
temos uma função de duas variáveis:
n = 1(r. n); n = o(r. n);
2. Se A = R
3
. então 1 é um ponto do espaço, i.e., 1 (r. n. .) . e, neste caso, temos uma
função de três variáveis:
n = 1(r. n. .); n = o(r. n. .);
3. Se A = R
n
. então 1 é um ponto do espaço de dimensão :, i.e., 1 (r
l
. r
2
. . . . . r
n
) . e,
neste caso, temos uma função de : variáveis:
n = 1 (r
l
. r
2
. . . . . r
n
) ; n = o (r
l
. r
2
. . . . . r
n
) ;
3
1.1.2 Formas de representação da função
1. Tabela
Se A é um conjunto …nito:
A = ¦1
l
. 1
2
. . 1
n
¦ .
então a função n = 1(1) pode ser representada na forma duma tabela:
1 1
l
1
2
1
n
n n
l
= 1 (1
l
) n
2
= 1 (1
2
) n
n
= 1 (1
n
)
Uma função de duas variáveis n = 1(r. n) com domínio …nito:
dom1 = ¦(r
l
. n
l
) . (r
2
. n
2
) . . (r
n
. n
n
)¦ .
também pode ser representada na forma duma tabela um pouco diferente de tabela anterior:
n
l
n
n
r
l
1 (r
l
. n
l
) 1 (r
l
. n
n
)
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
r
n
1 (r
n
. n
l
) 1 (r
n
. n
n
)
2. Representação grá…ca
Ao conjunto
Gr 1 = ¦(1. 1(1)) ÷ A R : 1 ÷ dom1¦
chama-se grá…co da função n = 1(1).
Se A = R
n
. onde : 2. então o grá…co da função n = 1(1) é um conjunto no espaço
R
n
R = R
n÷l
e : + 1 3. Ou seja, não podemos representar este grá…co geometricamente.
Só no caso duma função de duas variáveis o grá…co da função pode ser representado geometri-
camente.
Neste caso denotamos a função por
. = 1 (r. n)
e vamos considerar o conjunto
Gr 1 =
¸
(r. n. 1(r. n)) ÷ R
3
: (r. n) ÷ dom1

no espaço R
3
com um sistema de coordenadas cartesianas 0rn.. Em cada ponto (r
0
. n
0
) ÷ dom1
elevemos uma perpendicular ao plano r0n sobre a qual traçamos um segmento igual ao valor de
.
0
= 1(r
0
. n
0
). Obtemos, então, um ponto Q
0
do espaço R
3
. cujas coordenadas são (r
0
. n
0
. .
0
) .
O conjunto Gr 1 de todos os pontos Q deste tipo é uma superfície no espaço R
3
.
Exemplo 2 Parabolóide elíptico:
4
. = r
2
+n
2
+ 25
1.1.3 Funções limitadas
Algumas propriedades das funções reais podem ser introduzidas sem quaisquer condições sobre o
conjunto de argumentos. Por exemplo,
Uma função n = 1(1) diz-se limitada no conjunto 1. se
¬ ' 0 tal que [1(1)[ _ ' para todos 1 ÷ 1
Mas, para ter uma teoria rica com aplicações, o conjunto de argumentos A deve satisfazer algumas
condições.
Iremos estudar funções de : variáveis reais (principalmente, de duas variáveis reais). Por isso,
vamos começar por recordar alguns factos sobre espaços lineares (vectoriais) de dimensão …nita.
1.1.4 Espaço linear bidimensional
O espaço linear bidimensional R
2
é o conjunto de todos os pares ordenados (r. n) de números reais,
r. n ÷ R. onde estão de…nidas as duas operações:
Adição: (r
l
. n
l
) + (r
2
. n
2
) = (r
l
+r
2
. n
l
+n
2
) (1.1)
Multiplicação por um número real: `(r. n) = (`r. `n). (1.2)
Com estas duas operações (1.1) e (1.2), qualquer elemento (r. n) de R
2
pode ser escrito de
outra maneira:
(r. n) = r(1. 0) +n(0. 1) (1.3)
Os elementos (1. 0) e (0. 1) representam uma base do espaço R
2
. Por isso este espaço é bidimen-
sional.
No espaço R
2
está de…nida mais uma operação:
Produto interno (escalar): '(r
l
. n
l
). (r
2
. n
2
)` = r
l
r
2
+n
l
n
2
(1.4)
Notamos que o resultado do produto (1.4) não é um elemento do espaço R
2
. É um número
r
l
r
2
+n
l
n
2
÷ R.
5
Com o produto escalar podemos determinar a norma euclidiana do elemento (r. n) ÷ R
2
:
Norma: |(r. n)| =

'(r. n). (r. n)` =

r
2
+n
2
(1.5)
Com a norma, por sua vez, determina-se a distância euclidiana:
dist ((r
l
. n
l
) . (r
2
. n
2
)) =

(r
2
÷r
l
)
2
+ (n
2
÷n
l
)
2
(1.6)
Com esta distância de…ne-se a topologia euclidiana do espaço R
2
.
Por exemplo, seja 1
0
(r
0
. n
0
) ÷ R
2
. vamos dizer que o conjunto
\
o
(1
0
) =
¸
(r. n) ÷ R
2
: dist ((r
0
. n
0
) . (r. n)) < c

é uma c÷vizinhança do ponto 1
0
(r
0
. n
0
) .
A qualquer conjunto \ que contenha pelo menos uma c÷vizinhança do ponto 1
0
(r
0
. n
0
)
chama-se vizinhança do ponto 1
0
(r
0
. n
0
) .
Sejam um conjunto de R
2
e 1
0
(r
0
. n
0
) ÷ . Se existir uma vizinhança do ponto
1
0
(r
0
. n
0
) que esteja contida no conjunto . então ao ponto 1
0
(r
0
. n
0
) chama-se ponto interior
do conjunto .
Se todos os pontos do conjunto forem interiores, então ao conjunto chama-se aberto.
Ao complementar
c
= R
2
r dum conjunto aberto chama-se conjunto fechado.
Chama-se fronteira de um conjunto aberto · R
2
ao conjunto 0 dos pontos 1 (r. n)
tais que 1 (r. n) ´ ÷ . mas cada vizinhança de 1 (r. n) contém pontos de .
Uma das representações geométricas do espaço R
2
é o plano.
Se no plano tivermos um referencial cartesiano com eixos 0A e 01. então existe a seguinte
aplicação bijectiva entre os elementos do espaço R
2
e os pontos do plano:
¸
Elemento (r. n) do espaço R
2

¦Ponto do plano com coordenadas (r. n)¦
Neste caso, \
o
(1
0
) é o círculo aberto com centro no ponto 1
0
e com raio c.
Outra representação importante é o espaço dos vectores livres do plano:
¸
Elemento (r. n) do espaço R
2

Vector livre cujo representante
tem extremidades (0. 0) e (r. n)
¸
Neste último caso, as operações com vectores coincidem com as operações (1.1) e (1.2) de…nidas
no espaço R
2
.
Podemos repetir tudo isso (palavra em palavra) para o caso mais geral:
1.1.5 Espaço linear de dimensão n
O espaço linear R
n
é o conjunto de todos os :÷tuplos ordenados (r
l
. r
2
. . . . . r
n
) de números reais,
r
l
. r
2
. . . . . r
n
÷ R. onde estão de…nidas as duas operações:
Adição: (r
l
. r
2
. . . . . r
n
) + (¯ r
l
. ¯ r
2
. . . . . ¯ r
n
) = (r
l
+ ¯ r
l
. r
2
+ ¯ r
2
. . . . . r
n
+ ¯ r
n
) (1.7)
Multiplicação por um número real: `(r
l
. r
2
. . . . . r
n
) = (`r
l
. `r
2
. . . . . `r
n
). (1.8)
6
Com estas duas operações (1.7) e (1.8), qualquer elemento (r. n) de R
2
pode ser escrito de outra
maneira:
(r
l
. r
2
. . . . . r
n
) = r
l
(1. 0. 0. . . . . 0) +r
2
(0. 1. 0. . . . . 0) + +r
n
(0. 0. 0. . . . . 1) (1.9)
Os elementos (1. 0. 0. . . . . 0). (0. 1. 0. . . . . 0). . . . . (0. 0. 0. . . . . 1) representam uma base do espaço R
n
.
Por isso este espaço é de dimensão :.
No espaço R
n
está de…nida mais uma operação:
Produto interno (escalar): '(r
l
. r
2
. . . . . r
n
). (¯ r
l
. ¯ r
2
. . . . . ¯ r
n
)` = r
l
¯ r
l
+r
2
¯ r
2
+ +r
n
¯ r
n
(1.10)
Notamos que o resultado do produto (1.10) não é um elemento do espaço R
n
. É um número r
l
¯ r
l
+
r
2
¯ r
2
+ +r
n
¯ r
n
÷ R.
Com o produto escalar podemos determinar a norma euclidiana do elemento (r
l
. r
2
. . . . . r
n
) ÷ R
n
:
Norma: |(r
l
. r
2
. . . . . r
n
)| =

'(r
l
. r
2
. . . . . r
n
). (r
l
. r
2
. . . . . r
n
)` =

r
2
l
+r
2
2
+ +r
2
n
)
(1.11)
Com a norma, por sua vez, determina-se a distância euclidiana:
dist ((r
l
. r
2
. . . . . r
n
). (¯ r
l
. ¯ r
2
. . . . . ¯ r
n
)) =

(r
l
÷ ¯ r
l
) . (r
2
÷ ¯ r
2
) . . . . . (r
n
÷ ¯ r
n
) (1.12)
Com esta distância de…ne-se a topologia euclidiana do espaço R
n
.
Por exemplo, seja 1
0

r
0
l
. r
0
2
. . . . . r
0
n

÷ R
n
. vamos dizer que o conjunto
\
o
(1
0
) =
¸
(r
l
. r
2
. . . . . r
n
) ÷ R
n
: dist

(r
l
. r
2
. . . . . r
n
) .

r
0
l
. r
0
2
. . . . . r
0
n

< c

é c÷vizinhança do ponto 1
0

r
0
l
. r
0
2
. . . . . r
0
n

.
A qualquer conjunto \ que contenha pelo menos uma c÷vizinhança do ponto 1
0

r
0
l
. r
0
2
. . . . . r
0
n

chama-se vizinhança do ponto 1
0

r
0
l
. r
0
2
. . . . . r
0
n

.
Sejam um conjunto de R
n
e 1
0

r
0
l
. r
0
2
. . . . . r
0
n

÷ . Se existir uma vizinhança do ponto
1
0

r
0
l
. r
0
2
. . . . . r
0
n

que esteja contida no conjunto . então ao ponto 1
0

r
0
l
. r
0
2
. . . . . r
0
n

chama-se
ponto interior do conjunto .
Se todos os pontos do conjunto forem interiores, então ao conjunto chama-se aberto.
O complementar
c
= R
n
r dum conjunto aberto chama-se conjunto fechado.
Chama-se fronteira de um conjunto aberto · R
2
ao conjunto 0 dos pontos 1 (r. n) tais que
1 (r. n) ´ ÷ . mas cada vizinhança de 1 (r. n) contém pontos de .
Uma das representações geométricas de R
3
é o espaço.
Se no espaço tivermos um referencial cartesiano com eixos 0r. 0n e 0.. então existe a seguinte
aplicação bijectiva entre os elementos do espaço R
3
e os pontos do espaço:
¸
Elemento (r. n. .) do espaço R
3

¦Ponto do espaço com coordenadas (r. n. .)¦
Neste caso, \
o
(1
0
) é a bola aberta com centro no ponto 1
0
e com raio c.
Outra representação importante é o espaço dos vectores livres do espaço:
¸
Elemento (r. n. .) do espaço R
3

Vector livre cujo representante
tem extremidades (0. 0. 0) e (r. n. .)
¸
Neste último caso, as operações com vectores coincidem com as operações (1.7) e (1.8) de…nidas no espaço
R
3
.
Muitas vezes a terminologia geométrica usa-se também no caso em que : 3. só que já não podemos
imaginar geometricamente os objectos dos espaços R
n
com : 3 .
7
1.1.6 Limite das funções
Vamos considerar uma função . = 1 (r. n) e um ponto 1
0
(r
0
. n
0
) situado no interior ou sobre
a fronteira do domínio dom 1.
Diz-se que o número a é o limite da função 1 (r. n) quando o ponto 1 (r. n) tende
para o ponto 1
0
(r
0
. n
0
) . se para todo - 0 existe um número c 0 tal que para todos os
pontos 1 (r. n) ÷ \
o
(1
0
) ¨ dom 1 r¦(r
0
. n
0
)¦ . a desigualdade
[1 (r. n) ÷a[ < -
é satisfeita.
Se o número a é limite da função . = 1(r. n) no ponto 1
0
(r
0
. n
0
) . escreve-se então
lim
1!10
1(r. n) = lim
r ÷ r
0
n ÷ n
0
1(r. n) = a
É importante notar que, quando o limite da função . = 1(r. n) no ponto 1
0
(r
0
. n
0
) existe,
então o valor limite da função não depende do caminho percorido pelo ponto 1(r. n) quando ele
tende para o ponto 1
0
(r
0
. n
0
) .
Exemplo 3 1) A função 1(r. n) = c (constante) tem valor limite em qualquer ponto 1
0
do
plano R
2
.
2) Sejam 1(r. n) = rn e 1
0
(1. 2) . Usando a de…nição do limite, mostre que
lim
1!10
1(r. n) = 2
Resolução: Seja - ÷ (0. 1) qualquer. Denotamos
r = 1 + r e n = 2 + n
e escolhemos
c =
-
6
Neste caso, se 1(r. n) ÷ \
o
(1
0
) . então
max ¦[r[ . [n[¦ _

[r[
2
+[n[
2
< c =
-
6
Portanto
[rn ÷2[ = [2r + n + rn[ _ 2 [r[ +[n[ +[r[ [n[ < -
para todos os pontos 1 (r. n) que pertencem à c÷ vizinhança \
o
(1
0
) do ponto 1
0
(1. 2) .
Exercício 4 Usando a de…nição do limite, mostre que
lim
r ÷ 2
n ÷ 1

r
2
+n
2

= 5
8
Exemplo 5 Mostre que o limite
lim
r ÷ 0
n ÷ 0
n
r
não existe.
Resolução. Consideremos os valores que toma a função 1(r. n) =
n
r
nos pontos situados sobre
a recta n = :r. Temos que
1(r. :r) = :. \r = 0
Portanto o valor limite da função depende do caminho percorido pelo ponto 1(r. n) quando ele
tende para o ponto 1
0
(0. 0) . É por esta razão que o limite não existe.
Exercício 6 Mostre que o limite
lim
r ÷ 0
n ÷ 0
2r
2
+n
2
r
2
+n
2
não existe.
Exemplo 7 Calcule
lim
r ÷ 0
n ÷ 0
2r
2
÷n
2

r
2
+n
2
Resolução: 1
o
método: Temos que
lim
r ÷ 0
n ÷ 0
2r
2
÷n
2

r
2
+n
2
= lim
r ÷ 0
n ÷ 0
¸
2r
r

r
2
+n
2
÷n
n

r
2
+n
2
¸
e

r

r
2
+n
2

_ 1 e

n

r
2
+n
2

_ 1
Isto signi…ca que as funções
r

r
2
+n
2
e
n

r
2
+n
2
são limitadas. O produto da função
in…nitamente pequena (r ÷ 0 e n ÷ 0) e função limitada é função in…nitamente pequena.
Por isso
lim
r ÷ 0
n ÷ 0
2r
2
÷n
2

r
2
+n
2
= 0
2
o
método: Usamos os coordenadas polares:

r = r cos t
n = r sint
Se r ÷ 0 e n ÷ 0. então r ÷ 0. Portanto
9
lim
r ÷ 0
n ÷ 0
2r
2
÷n
2

r
2
+n
2
= lim
:!0
r
2

2 sin
2
t ÷cos
2
t

r
= lim
:!0
r

2 sin
2
t ÷cos
2
t

Temos que

2 sin
2
t ÷cos
2
t

_ 2 sin
2
t + cos
2
t _ 3.
esta desigualdade mostre que a função 2 sin
2
t ÷cos
2
t é limitada. O produto da função in…nita-
mente pequena (r ÷ 0) e função limitada é função in…nitamente pequena, por isso
lim
:!0
r

2 sin
2
t ÷cos
2
t

= 0
Exercício 8 Calcule
lim
r ÷ 0
n ÷ 0
r
2
n
r
2
+n
2
1.1.7 Continuidade das funções
Vamos considerar uma função . = 1 (r. n) e um ponto 1
0
(r
0
. n
0
) ÷ dom 1.
Diz-se que a função 1 (r. n) é contínua no ponto 1
0
(r
0
. n
0
) . se
lim
1!10
1(r. n) = lim
r ÷ r
0
n ÷ n
0
1(r. n) = 1 (r
0
. n
0
) .
onde o ponto 1 (r. n) tende para 1
0
(r
0
. n
0
) permanecendo no interior do dom 1.
Exemplo 9 1) A função 1(r. n) = rn é contínua em cada ponto do plano R
2
.
2) A função
1(r. n) =

2rn
r
2
+n
2
. se (r. n) = (0. 0) .
0. se (r. n) = (0. 0)
é contínua em cada ponto do plano R
2
. excepto no ponto (0. 0) .
Uma função contínua em cada ponto dum certo domínio diz-se, contínua nesse domínio.
Exemplo 10 A função 1(r. n) =

1 ÷r
2
÷n
2
é contínua no círculo fechado unitário
C =
¸
(r. n) ÷ R
2
: r
2
+n
2
_ 1

As propriedades dos limites e das funções contínuas são análogas às propriedades
correspondentes para as funções de uma variável.
Exercício 11 Mostre que a função
1(r. n) =

2rn
r
2
+n
2
. se (r. n) = (0. 0) .
0. se (r. n) = (0. 0)
é contínua em relação a cada uma das variáveis r ou n em separado, porém não é contínua
em relação ao conjunto destas variáveis.
10
1.2 Derivadas e diferenciais
1.2.1 Acréscimo
Consideremos uma função real de duas variáveis reais . = 1(r. n) . um ponto (r
0
. n
0
) ÷ dom1 e
um número real r tal que (r
0
+ r. n
0
) ÷ dom1 .
É usual chamar-se acréscimo parcial ou crescimento parcial da função 1 (r. n) em
relação a r. à diferença 1(r
0
+ r. n
0
) ÷1(r
0
. n
0
) . Designá-la-emos por

r
. =
r
1(r
0
. n
0
) = 1(r
0
+ r. n
0
) ÷1(r
0
. n
0
) . (r
0
. n
0
) . (r
0
+ r. n
0
) ÷ dom1
Geometricamente, o acréscimo parcial em relação a r signi…ca que a função . = 1(r. n) recebe
o acréscimo
r
. "ao longo da curva" de…nida pela intersecção da superfície . = 1(r. n) e do
plano n = n
0
= Co::t. paralelo ao plano r0..
É claro que
r
. =
r
1(r
0
. n
0
) é uma função real de variável real r.
Exemplo 12 1) . = r
2
n. (r
0
. n
0
) = (3. 2) =
r
. = (3 + r)
2
2 ÷ 3
2
2 = 2(r)
2
+ 12r;
2) . =
n
r
. (r
0
. n
0
) = (1. 3) =
r
. =
3
1 + r
÷3 = ÷
3r
1 + r
Do mesmo modo, se r
0
é constante e se dá a n
0
um acréscimo n. ao acréscimo correspondente
de . chama-se acréscimo parcial ou crescimento parcial da função 1 (r. n) em relação
a n e denota-se

u
. =
u
1(r
0
. n
0
) = 1(r
0
. n
0
+ n) ÷1(r
0
. n
0
) . (r
0
. n
0
) . (r
0
. n
0
+ n) ÷ dom1
Geometricamente o acréscimo parcial em relação a n signi…ca que a função . = 1(r. n) recebe
o acréscimo
u
. "ao longo da curva" de…nida pela intersecção da superfície . = 1(r. n) e do
plano r = r
0
= Co::t. paralelo ao plano n0..
O acréscimo total ou, simplesmente, o acréscimo da função 1 (r. n) de…ne-se pela fórmula:
. = 1(r
0
. n
0
) = 1(r
0
+ r. n
0
+ n) ÷1(r
0
. n
0
) . (r
0
. n
0
) . (r
0
+ r. n
0
+ n) ÷ dom1
Notamos que, em geral, o acréscimo total não é igual à soma dos acréscimos parciais:
. =
r
. +
u
.
Exemplo 13 . = r
2
n =

r
. = (r
0
+ r)
2
n
0
÷ r
2
0
n
0
= n
0
(r)
2
+ 2r
0
n
0
r

u
. = r
0
2
(n
0
+ n) ÷ r
2
0
n
0
= r
2
0
n
. = (r
0
+ r)
2
(n
0
+ n) ÷ r
2
0
n
0
= n
0
(r)
2
+ 2r
0
n
0
r +r
2
0
n + 2r
0
rn + (r)
2
n
(1.13)
Exercício 14 Calcule os acréscimos parciais e o acréscimo total no ponto (r
0
. n
0
) das funções
seguintes:
i) . =
n
r
; ii) . = cos (rn) ; iii) . = ln (r +n)
Teorema 15 A função . = 1(r. n) é contínua no ponto (r
0
. n
0
) sse o acréscimo total
. = 1(r
0
. n
0
) da função é in…nitamente pequeno quando r ÷ 0 e n ÷ 0.
11
1.2.2 De…nição de derivada parcial
Sejam . = 1(r. n) uma função real de duas variáveis reais de…nida numa vizinhança do ponto
(r
0
. n
0
) .
Chama-se derivada parcial em relação a r da função 1(r. n) no ponto ( r
0
. n
0
) ao
limite do quociente do acréscimo parcial
r
. em relação a r e do acréscimo r da variável
r. quando r tende para zero.
Designa-se a derivada parcial em relação a r da função . = 1(r. n) por uma das notações
seguintes:
1
0
r
(r
0
. n
0
); .
0
r
;
01
0r
;
0.
0r
Logo, por de…nição:
0.
0r
= lim
.r!0

r
.
r
= lim
.r!0
1(r
0
+ r. n
0
) ÷1(r
0
. n
0
)
r
(1.14)
Exemplos: 1) 1(r. n) = C ( onde C é uma constante), \(r
0
. n
0
)
= ¦1(r
0
+ r. n
0
) = C . 1(r
0
. n
0
) = C¦ = ¦
r
. = C ÷ C = 0. \(r
0
. n
0
)¦ =

r
.
r
= 0 ==
lim
.r!0

r
.
r
= 0 =
0.
0r
= 0
0
0r
(C) = 0. C = Co::t.
2) . = rn. \(r
0
. n
0
) =
r
. = (r
0
+ r)n
0
÷ r
0
n
0
= rn
0
=
n
r
= n
0
.
lim
.r!0

r
.
r
= n
0
=
0.
0r
= n
0
;
3) . = sin(rn) . \(r
0
. n
0
) =
r
. = sin[(r
0
+ r)n
0
] ÷sin(r
0
n
0
) =
sin(r
0
n
0
) cos (n
0
r)+sin(n
0
r) cos (r
0
n
0
)÷sin(r
0
n
0
) = ÷sin(r
0
n
0
) [1 ÷cos (n
0
r)]+sin(n
0
r) cos (r
0
n
0
) =
÷2 sin(r
0
n
0
) sin
2
n
0
r
2
+ sin(n
0
r) cos (r
0
n
0
) ;
lim
.r!0
sin(n
0
r)
r
= n
0
; lim
.r!0
sin
2

n
0
r
2

r
= 0 ==
0.
0r
= lim
.r!0

r
.
r
= n
0
cos (r
0
n
0
)
Notando que
r
. é calculado deixando a variável n sem alteração, pode-se então de…nir a
derivada parcial em relação a r da função . = 1(r. n) da maneira seguinte: chama-se
derivada parcial em relação a r da função 1(r. n). à derivada em relação a r
calculada supondo n constante.
Exemplo 16
0
0r
[sin(rn)] = n cos (rn)
Do mesmo modo de…ne-se a derivada parcial em relação a n da função 1(r. n) :
0.
0r
= lim
.u!0

u
.
r
= lim
.r!0
1(r
0
+ r. n
0
) ÷1(r
0
. n
0
)
r
12
ou a derivada parcial em relação a n da função 1(r. n) é a derivada em relação a n da
função 1(r. n) calculada supondo r constante.
Exemplo 17
0
0n
[sin(rn)] = rcos (rn)
1.2.3 Interpretação geométrica das derivadas parciais
Quando calculamos a derivada parcial em relação a r da função 1(r. n) no ponto (r
0
. n
0
) . a
variável n é …xa:
n = n
0
A último equação é a equação dum plano paralelo ao plano r0.. Portanto, as equações

. = 1(r. n).
n = n
0
de…nem uma curva plana 1 que é a intersecção da superfície . = 1(r. n) e do plano n = n
0
.
A derivada parcial em relação a r da função 1(r. n) no ponto (r
0
. n
0
) coincide com a derivada
habitual da função 1(r. n
0
). Por isso a derivada parcial em relação a r da função 1(r. n) no ponto
(r
0
. n
0
) é igual à tangente do ângulo formado pela tangente à curva no ponto (r
0
. n
0
. 1 (r
0
. n
0
))
com o plano r0n (no sentido dos r positivos).
1.2.4 Diferenciais parciais
De acordo com (1.14) o quociente

r
.
r
quando r ÷ 0 tende para um número determinado
0.
0r
. Daqui segue que

r
.
r
=
0.
0r
+c(r).
onde c(r) é in…nitamente pequena quando r ÷ 0.
Desta igualdade segue que

r
. =
0.
0r
r +c(r)r (1.15)
Portanto, o acréscimo parcial
r
. da função . = 1(r. n) é a soma de duas funções de variável
r ( n é …xo) in…nitamente pequenas quando r ÷ 0 :
1) A parte principal é
0.
0r
r. A função
0.
0r
r é linear ( r é um ponto …xo, a variável
independente é r).
2) A parte c(r)r é in…nitamente pequena de ordem superior em relação a r.
À parte principal
0.
0r
r chama-se diferencial parcial da função . = 1(r. n) em relação
a r e designa-se pela notação d
r
. ou d
r
1(r. n) :
d
r
. = d
r
1(r. n) =
0.
0r
r (1.16)
13
O diferencial dr da variável independente r identi…ca-se com o seu acréscimo r.
Portanto a fórmula (1.16) pode ser reescrita na forma:
d
r
. = d
r
1(r. n) =
0.
0r
dr (1.17)
Da última igualdade segue que
0.
0r
=
d
r
.
dr
(1.18)
É preciso notar que
0.
0r
não pode ser considerado como quociente de 0. e de 0r.
0.
0r
considera-
se como um símbolo uno que é a notação para derivada parcial.
d
r
.
dr
é quociente do diferencial
parcial d
r
. e do diferencial dr.
Analogamente de…ne-se
d
u
. = d
u
1(r. n) =
0.
0n
dn
e
0.
0n
=
d
u
.
dn
Exemplo 18 1) . = C ( onde C é uma constante)
d
r
C = d
u
C = 0. C = Co::t.
2) . = nr
2
d
r
. = 2rndr e d
u
. = r
2
dn
1.2.5 Diferencial total
Diz-se que a função . = 1(r. n) é diferenciável no ponto 1 (r. n), se o acréscimo total 1(r. n)
puder ser representado na forma:
1(r. n) = ¹r +1n + (r. n) . (1.19)
onde ¹ e 1 não dependem de r e n e a função (r. n) é in…nitamente pequena
de ordem superior em relação a |(r. n)| =

(r)
2
+ (n)
2
.
À parte linear ¹r + 1n do acréscimo total 1(r. n) chama-se diferencial total da
função . = 1(r. n) no ponto 1 (r. n) e denota-se por
d. = d1(r. n) = ¹r +1n (1.20)
Teorema 19 Se a função tem todas as derivadas parciais contínuas numa vizinhança do ponto
1. então ela é diferenciável no ponto 1 e o seu diferencial total é igual a soma de todos os
diferenciais parciais.
14
No caso de uma função de duas variáveis isto é
d. = d
r
. +d
u
.
ou
d. =
0.
0r
dr +
0.
0n
dn (1.21)
Portanto na fórmula (1.20) temos que
¹ =
0.
0r
e 1 =
0.
0n
(1.22)
Para as funções de mais variáveis é a mesma coisa. Por exemplo, para a função de três variáveis
n = 1(r. n. .) temos que
dn = d
r
n +d
u
n +d
:
n
ou
dn =
0n
0r
dr +
0n
0n
dn +
0n
0.
d.
Exemplo 20 . = r
2
n =
d
r
. = 2rndr
d
u
. = r
2
dn
d. = 2rndr +r
2
dn
Notamos que
. = d. + (r. n) .
onde (r. n) = n
0
(r)
2
+ 2r
0
rn + (r)
2
n (ver (1.13) ).
1.2.6 Utilização do diferencial total para cálculos aproximados
Podemos reescrever a igualdade (1.19) na forma:
. = d. +(r. n)
Assim, a diferença entre o acréscimo total e o diferencial total . ÷d. é in…nitamente pequena
de ordem superior em relação a |(r. n)| =

(r)
2
+ (n)
2
. Por isso, em cálculos numéricos
usa-se frequentamente a igualdade aproximada
. - d.
ou
1(r + r. n + n) - 1(r. n) +
0.
0r
r +
0.
0n
n (1.23)
Exemplo 21 Calcule (2.001)
2
ln1.1
Resolução: Seja 1(r. n) = r
2
lnn. r
0
= 2. n
0
= 1. r = 0.01 e n = 0.1. então
(2.001)
2
ln1.1 = 1(r
0
+ r. n
0
+ n) - 1(r
0
. n
0
) +
0.
0r
(r
0
. n
0
)r +
0.
0n
(r
0
. n
0
)n = 0.4
O erro cometido é (2.001)
2
ln1.1 ÷0.4 - 0.381 62 ÷0.4 = ÷0.018 38
15
1.2.7 Derivada duma função composta
Seja . = 1(r. n) uma função diferenciável num domínio aberto . Se as variáveis r e n
também forem funções diferenciáveis:
r = .(t) e n = c(t). (1.24)
então temos uma função composta de uma variável
. = 1 [.(t). c(t)]
diferenciável.
Vamos calcular a derivada desta função composta:
Dando à variável t um acréscimo t. então as variáveis r e n recebem, em virtude das
igualdades (1.24) os acréscimos r e n respectivamente. Com os últimos acréscimos, podemos
escrever o acréscimo total da função . = 1(r. n) na forma:
. = ¹r +1n + (r. n) . (1.25)
onde ¹ e 1 não dependem de r e n e a função (r. n) é in…nitamente pequena de
ordem superior em relação a |(r. n)| =

(r)
2
+ (n)
2
.
Dividamos todos os membros da igualdade (1.25) por t
.
t
= ¹
r
t
+1
n
t
+
(r. n)
t
Se agora t ÷ 0. então
lim
.|!0
.
t
=
d.
dt
; lim
.|!0
r
t
=
dr
dt
e lim
.|!0
n
t
=
dn
dt
É possível mostrar que
lim
.|!0
(r. n)
t
= 0
Por isso obtemos
d.
dt
= ¹
dr
dt
+1
dn
dt
(1.26)
Lembrando as igualdades (1.22) podemos escrever:
d.
dt
=
0.
0r
dr
dt
+
0.
0n
dn
dt
(1.27)
Se as variáveis r e n são funções diferenciáveis de mais variáveis, por exemplo, de duas
variáveis:
r = .(t. t) e n = c(t. t). (1.28)
então temos uma função composta de duas variáveis
. = 1 [.(t. t). c(t. t)]
16
diferenciável.
Quando nós calculamos a derivada parcial em relação a uma variável, todas as outras variáveis
são …xas. Portanto o caso com mais variáveis é completamente análogo ao caso de uma variável e
para as derivadas parciais duma função composta vamos ter as fórmulas análogas à fórmula (1.27) :
0.
0t
=
0.
0r
0r
0t
+
0.
0n
0n
0t
0.
0t
=
0.
0r
0r
0t
+
0.
0n
0n
0t
Exemplo 22 Seja . = [.(t)]
r(|)
. Calcule .
0
|
Resolução: Vamos considerar . = r
u
. r = .(t) e n = c(t). De acordo com a fórmula
(1.27) vamos ter
d.
dt
= nr
ul
.
0
(t) +c
0
(t)r
u
lnr
ou
d.
dt
= c(t) [.(t)]
r(|)l
.
0
(t) +c
0
(t) [.(t)]
r(|)
ln[.(t)]
Derivada total
Se . = 1(r. n) e n é uma função de r : n = c(r). então . = 1(r. n) é, na realidade, uma
função composta de uma variável r :
. = 1 [r. c(r)]
De acordo com (1.27) temos que
d.
dr
=
0.
0r
+
0.
0n
dn
dr
. (1.29)
onde a derivada
d.
dr
chama-se a derivada total da função composta . = 1(r. n). n = c(r).
(para distingui-la da derivada parcial
0.
0r
).
Nos casos mais gerais temos as fórmulas análogas. Por exemplo,
n = 1(r. n. .). n = .(r) e . = c(r) ==
dn
dr
=
0n
0r
+
0n
0n
dn
dr
+
0n
0.
d.
dr
Exemplo 23 Achar
0.
0r
e
d.
dr
. se . = r
u
. onde n = c(r).
Resolução:
0.
0r
= nr
ul
e
d.
dr
= nr
ul
+ (r
u
lnr) c
0
(r)
1.2.8 Derivadas de ordem superiores
Chamam-se derivadas parciais de segunda ordem de uma função . = 1(r. n) às derivadas
parciais de suas derivadas parciais de primeira ordem:
0
0r
¸
0.
0r

=
0
2
.
0r
2
= 1
00
rr
;
0
0n
¸
0.
0n

=
0
2
.
0n
2
= 1
00
uu
;
17
0
0n
¸
0.
0r

=
0
2
.
0r0n
= 1
00
ru
;
0
0r
¸
0.
0n

=
0
2
.
0n0r
= 1
00
uu
;
Às duas últimas derivadas chamam-se derivadas mistas.
Por analogia determinam-se e designam-se as derivadas de ordem superior à segunda.
Teorema 24 Se a função . = 1(r. n) numa vizinhança do ponto 1(r. n) tiver derivadas de
primeira ordem e derivadas contínuas mistas de segunda ordem, então neste ponto 1(r. n) as
derivadas mistas são iguais:
0
2
.
0r0n
=
0
2
.
0n0r
(1.30)
Deste teorema segue que no caso em que as derivadas parciais são contínuas, então o
resultado da derivação múltipla não depende da ordem desta derivação.
Por exemplo, para a função n = 1(r. n. .) nesse caso temos que
0
3
n
0r0n0.
=
0
3
n
0r0.0n
=
0
3
n
0n0r0.
=
0
3
n
0n0.0r
=
Exemplo 25 n = r
2
n
3
.
d
==
0n
0r
= 2rn
3
.
d
;
0n
0n
= 3r
2
n
2
.
d
;
0n
0.
= 4r
2
n
3
.
3
;
0
2
n
0r
2
= 2n
3
.
d
;
0
2
n
0n
2
= 6r
2
n.
d
;
0
2
n
0.
2
= 12r
2
n
3
.
2
;
0
2
n
0r0n
= 6rn
3
.
d
;
0
2
n
0r0.
= 8rn
3
.
3
;
0
3
n
0r
3
= 0;
0
3
n
0n
3
= 6r
2
.
d
;
0
3
n
0r0n0.
= 24rn
2
.
3
;
1.2.9 Derivadas de funções implícitas
Uma equação
Vamos supor que a função 1(r. n) tem derivadas parciais contínuas numa vizinhança \ do ponto
1(r
0
. n
0
) e nesta vizinhança a igualdade
1(r. n) = 0
determina a variável n como uma função diferenciável de r num intervalo (r
0
÷c. r
0
+c) :
n = .(r). Isto signi…ca que
r ÷ (r
0
÷c. r
0
+c) == ¦(r. .(r)) ÷ \ e 1(r. .(r)) = 0. \r ÷ (r
0
÷c. r
0
+c)¦
Para encontrar a derivada da função n = .(r) podemos proceder do modo seguinte:
Da identidade
1(r. .(r)) = 0. \r ÷ (r
0
÷c. r
0
+c)
segue que \r ÷ (r
0
÷c. r
0
+c) a derivada total da parte esquerda desta igualdade é igual à
derivada total da parte direita, por isso, de acordo com a fórmula (1.29) temos que
01
0r
+
01
0n
dn
dr
= 0
18
Logo, se
01
0n
= 0. obtemos
dn
dr
= ÷
01
0r
01
0n
(1.31)
Se quiséssemos calcular a segunda derivada poderíamos prosseguir na mesma maneira:
d
2
n
dr
2
= ÷
d
dr

01
0r

01
0n
÷
01
0r
d
dr

01
0n

01
0n

2
= ÷
¸
0
2
1
0r
2
+
0
2
1
0n0r
dn
dr

01
0n
÷
01
0r
¸
0
2
1
0n0r
+
0
2
1
0n
2
dn
dr

01
0n

2
e, usando a igualdade (1.31), obteríamos
d
2
n
dr
2
=
2
01
0r
01
0n
0
2
1
0r0n
÷

01
0n

2
0
2
1
0r
2
÷

01
0r

2
0
2
1
0n
2

01
0n

3
Analogamente, poderíamos calcular (se existirem) derivadas da ordem superior.
No caso em que a igualdade
1(r. n. .) = 0
de…ne uma função implícita, . = .(r. n). podemos obter da mesma maneira as derivadas parciais
da função. Por exemplo,
0.
0r
= ÷
01
0r
01
0.
;
0.
0n
= ÷
01
0n
01
0.
e assim por diante.
Exemplo 26 A função n é determinada pela equação
ln

r
2
+n
2
= arctg
n
r
Achar
dn
dr
e
d
2
n
dr
2
.
Resolução. ln

r
2
+n
2
= arctg
n
r
==
1
r
2
+n
2
[r +nn
0
] =
r
2
r
2
+n
2

n
0
r ÷n
r
2
==
r +nn
0
= n
0
r ÷n == n
0
=
r +n
r ÷n
==
n
00
=
(1 +n
0
) (r ÷n) ÷(r +n) (1 ÷n
0
)
(r ÷n)
2
=
÷2n + 2rn
0
(r ÷n)
2
=
÷2n (r ÷n) + 2r(r +n)
(r ÷n)
3
n
00
= 2
r
2
+n
2
(r ÷n)
3
19
Sistema de equações. Determinante de Jacobi
Vamos supor que as funções
1
l
(r
l
. . . . . r
n
. n
l
. . . . . n
n
) ; 1
2
(r
l
. . . . . r
n
. n
l
. . . . . n
n
) ; . . . . 1
n
(r
l
. . . . . r
n
. n
l
. . . . . n
n
)
têm todas as derivadas contínuas de primeira ordem e o sistema

1
l
(r
l
. . . . . r
n
. n
l
. . . . . n
n
) = 0.
1
2
(r
l
. . . . . r
n
. n
l
. . . . . n
n
) = 0.
. . . . . . . . . . . . . . .
1
n
(r
l
. . . . . r
n
. n
l
. . . . . n
n
) = 0.
determina as variáveis n
l
. . . . . n
n
como funções de r
l
. . . . . r
n
.
Para encontrar as derivadas das funções n
l
. . . . . n
n
podemos proceder na mesma maneira
do que no caso anterior:
Comparando as derivadas totais de ambos os lados de cada equação do sistema anterior, obtemos

01
l
0r
l
+
01
l
0n
l
0n
l
0r
l
+ +
01
l
0n
n
0n
n
0r
l
= 0.
01
2
0r
l
+
01
2
0n
l
0n
l
0r
l
+ +
01
2
0n
n
0n
n
0r
l
= 0.
. . . . . . . . . . . . . . .
01
n
0r
l
+
01
n
0n
l
0n
l
0r
l
+ +
01
n
0n
n
0n
n
0r
l
= 0.
(1.32)
isto é, um sistema linear de : equações com : incógnitas
0n
l
0r
l
.
0n
2
0r
l
. . . . .
0n
n
0r
l
.
Ao determinante deste sistema chama-se determinante de Jacobi e denota-se por
J =
1(1
l
. . . . . 1
n
)
1(n
l
. . . . . n
n
)
=

01
l
0n
l
01
l
0n
2

01
l
0n
n
01
2
0n
l
01
2
0n
2

01
2
0n
n

01
n
0n
l
01
n
0n
2

01
n
0n
n

(1.33)
Se o determinante de Jacobi for diferente de zero, então o sistema (1.32) tem uma única solução
que nos dá as derivadas
0n
l
0r
l
.
0n
2
0r
l
. . . . .
0n
n
0r
l
.
Analogamente podemos encontrar outras derivadas das funções n
l
. . . . . n
n
.
20
Exemplo 27 Seja o sistema

r +n +. +n = a
r
2
+n
2
+.
2
+n
2
= /
que determina . e n como funções de r e n.
Calcule as derivadas parciais destas funções.
Resolução.

1 + 0 +.
0
r
+n
0
r
= 0
2r + 0 + 2..
0
r
+ 2nn
0
r
= 0
Vamos supor que o determinante de Jacobi

1 1
2. 2n

= 2 (n ÷.)
é diferente de zero. Neste caso obtemos
.
0
r
=
r ÷n
n ÷.
; n
0
r
=
r ÷.
. ÷n
Analogamente
.
0
u
=
n ÷n
n ÷.
; n
0
u
=
n ÷.
. ÷n
1.2.10 Fórmula de Taylor
Vamos lembrar a fórmula de Taylor para a função de uma variável:
Seja n = 1(r) uma função que tem todas as derivadas até à ordem : + 1 inclusivamente numa
vizinhança do ponto r. À igualdade
1(r + r) = 1(r) +
1
0
(r)
1!
r +
1
00
(r)
2!
r
2
+ +
1
(n)
(r)
:!
r
n
+
1
(: + 1)!
1
(n)
(r +0r)r
n÷l
.
onde
0 < 0 < 1. (1.34)
chama-se fórmula de Taylor.
Para as funções de várias variáveis existe a fórmula de Taylor análoga.
Vamos só considerar um caso particular em que a função tem duas variáveis e : = 2. Neste
caso, se a função
. = 1(r. n)
tiver todas as derivadas parciais contínuas até à terceira ordem numa vizinhança do ponto 1(r. n).
então tem lugar a fórmula de Taylor seguinte:
21
1(r + r. n + n) =
1(r. n) +
1
1!

1
0
r
(r. n)r +1
0
u
(r. n)n

+
+
1
2!

1
00
rr
(r. n)r
2
+ 21
00
ru
(r. n)rn +1
00
uu
(r. n)n
2

+
+
1
3!

1
000
rrr
(r +0r. n +0n)r
3
+
+31
000
rru
(r +0r. n +0n)r
2
n+
+31
000
ruu
(r +0r. n +0n)rn
2
+
+1
000
uuu
(r +0r. n +0n)n
3

.
(1.35)
onde 0 satisfaz as desigualdades (1.34) .
Diferenciais de ordem superior
Como já sabemos (ver (1.20) ou ( 1.21) ), a expressão
d. = d1(r. n) = 1
0
r
(r. n)r +1
0
u
(r. n)n
é o primeiro diferencial da função . = 1(r. n).
Às expressões
d
2
. = d
2
1(r. n) = 1
00
rr
(r. n)r
2
+ 21
00
ru
(r. n)rn +1
00
uu
(r. n)n
2
e
d
3
. = d
3
1(r. n) = 1
000
rrr
(r. n)r
3
+ 31
000
rru
(r. n)r
2
n + 31
000
ruu
(r. n)rn
2
+1
000
uuu
(r. n)n
3
chamam-se os diferenciais de segunda e de terceira ordem respectivamente.
Para os diferenciais podemos introduzir as notações convencionais:
d. = d1(r. n) =

0
0r
r +
0
0n
n

1(r. n)
d
2
. = d
2
1(r. n) =

0
0r
r +
0
0n
n

2
1(r. n)
d
3
. = d
3
1(r. n) =

0
0r
r +
0
0n
n

3
1(r. n)
e para o diferencial de ordem :
d
n
. = d
n
1(r. n) =

0
0r
r +
0
0n
n

n
1(r. n)
22
Com estas notações podemos escrever a fórmula de Taylor para qualquer :
1(r + r. n + n) = 1(r. n) +
1
1!

0
0r
r +
0
0n
n

1(r. n)+
+
1
2!

0
0r
r +
0
0n
n

2
1(r. n) +
+
1
:!

0
0r
r +
0
0n
n

n
1(r. n)+
+
1
(: + 1)!

0
0r
r +
0
0n
n

n÷l
1(r +0r. n +0n)
ou
1(r + r. n + n) = 1(r. n) +
1
1!
d1(r. n) +
1
2!
d
2
1(r. n) + +
1
:!
d
n
1(r. n)+
+
1
(: + 1)!
d
n÷l
1(r +0r. n +0n)
E analogamente para os casos das funções de mais variáveis.
Exemplo 28 Sejam 1(r. n) = rn
2
. r = n = 1; r = 0.1 e n = 0.2.
De acordo com a fórmula de Taylor devemos ter
(r + r) (n + n)
2
= rn
2
+
1
1!

n
2
r + 2rnn

+
1
2!

4 (n +0n) rn + 2 (r +0r) n
2

.
onde 0 satisfaz (1.34) .
Usando os dados númericos, obtemos a igualdade:
0.004 = 0.012 0
Daqui segue que na realidade
0 < 0 =
1
3
< 1
1.2.11 Estudo da variação das funções
Pontos extremos
Sejam . = 1(r. n) e 1 (r
0
. n
0
) ÷ dom1.
Se existir uma vizinhança \ · dom1 tal que
1 (r
0
. n
0
) 1(r. n). \(r. n) ÷ \.
então, diz-se que a função . = 1(r. n) admite um máximo no ponto 1 (r
0
. n
0
) .
Se existir uma vizinhançã \ · dom1 tal que
1 (r
0
. n
0
) < 1(r. n). \(r. n) ÷ \.
então diz-se que a função . = 1(r. n) admite um mínimo no ponto 1 (r
0
. n
0
) .
Ao máximo e ao mínimo duma função chamam-se extremos dessa função.
Estas de…nições são análogas para as funções de qualquer número de variáveis.
23
Teorema 29 (Condições necessárias para a existência dum extremo). Se a função
. = 1(r. n) admitir um extremo no ponto 1 (r
0
. n
0
) . então, cada derivada parcial de primeira
ordem da função 1 anula-se no ponto 1 (r
0
. n
0
) ou então não existe.
Aos pontos onde as derivadas parciais de primeira ordem se anulam chamam-se pontos críticos
da função.
Vamos supor que a função . = 1(r. n) tem derivadas de segunda ordem no ponto 1 (r
0
. n
0
)
e denotamos:
¹ =
0
2
1
0r
2
(r
0
. n
0
) . 1 =
0
2
1
0r0n
(r
0
. n
0
) e C =
0
2
1
0n
2
(r
0
. n
0
)
Teorema 30 (Condições su…cientes para a existência dum extremo). Seja 1 (r
0
. n
0
)
um ponto crítico da função . = 1(r. n). Se a função tem todas as derivadas parciais contínuas
até à terceira ordem inclusive numa vizinhança do ponto 1 (r
0
. n
0
) . então
1. . = 1(r. n) tem um máximo no ponto 1 (r
0
. n
0
) . se
¹C ÷1
2
0 e ¹ < 0
2. . = 1(r. n) tem um mínimo no ponto 1 (r
0
. n
0
) . se
¹C ÷1
2
0 e ¹ 0
3. . = 1(r. n) não tem extremo no ponto 1 (r
0
. n
0
) . se
¹C ÷1
2
< 0
O caso
¹C ÷1
2
= 0
é indeterminado.
Exemplo 31 Achar os extremos da função: . = r
2
+n
2
÷rn + 2r ÷4n + 27.
Resolução. Achamos as derivadas parciais de primeira ordem para encontrar os pontos críticos:

0.
0r
= 2r ÷n + 2 = 0.
0.
0n
= 2n ÷r ÷4 = 0
Resolvemos o sistema e obtemos um ponto crítico: 1 (0. 2) . Também temos que
¹ = 2. 1 = ÷1. C = 2
ou, seja
¹C ÷1
2
= 3 0 e ¹ = 2 0
Por isso a função . = r
2
+n
2
÷rn + 2r ÷4n + 27 no ponto 1 (0. 2) tem o mínimo:
24
. = r
2
+n
2
÷rn + 2r ÷4n + 27
Valores máximo e mínimo da função
Toda a função diferenciável numa região limitada e fechada atinge o seu valor máximo e o seu valor
mínimo.
Exercício 32 Determinar o máximo e mínimo da função . = 1(r. n) = r
2
÷rn +n
2
+ 10 na
região [r[ _ 1 e [n[ _ 1.
25
Capítulo 2
Integrais múltiplos
2.1 Integral duplo
Viktor
Kravchenko
Análise III
(partes/I/1a.tex)
2.1.1 De…nição e existência
Seja 1 uma curva plana fechada de Jordan (isto signi…ca que a curva não tem pontos múltiplos).
Denotamos por o domínio fechado limitado pela curva 1.
Seja dado no domínio uma função:
. = 1 (r. n)
Dividimos o domínio em : domínios parciais por curvas de Jordan quaisquer:
.
l
. .
2
. . .
n
Denotamos por
.
l
. .
2
. . .
n
as áreas destes domínios.
26
Em cada domínio .
|
escolhemos um ponto 1
|
arbitrário.
À soma
o
n
(1) = 1 (1
l
) .
l
+1 (1
2
) .
2
+ +1 (1
n
) .
n
(2.1)
chama-se a soma integral da função . = 1(r. n) no domínio .
Consideremos uma sucessão arbitrária de somas integrais
o
n1
(1) . o
n2
(1) . . . . . o
nn
(1) . . . . (2.2)
formadas por diversos cortes de em domínios parciais .
|
e tais que o maior diâmetro dos .
|
tende para zero quando :
n
÷ ·.
Se existir limite da sucessão (2.2) e este limite for o mesmo qualquer que seja a sucessão (2.2) .
i.e., se o limite não depender nem do modo do corte de em domínios parciais .
|
nem da escolha
do ponto 1
|
em .
|
. então a este limite único vamos chamar integral duplo da função 1 (r. n)
sobre o domínio e denotar por

:
1 (1) d. ou

:
1 (r. n) drdn
Teorema 33 Se a função . = 1 (r. n) for contínua no domínio fechado . então o integral duplo

:
1 (r. n) drdn existe.
2.1.2 Interpretação geométrica
Área
Qualquer soma integral da função 1(r. n) = 1 no domínio
o
n
(1) = .
l
+ .
2
+ + .
n
é igual a área /
:
do domínio :
/
:
= o
n
. \.
|
; \:
Por isso a área /
:
do domínio é igual
/
:
=

:
d. (2.3)
Volume
Se 1(1) _ 0. \1 ÷ . então 1 (1
|
) .
|
. \/. é o volume do cilindro de base .
|
e de altura
1 (1
|
) (as geratrizes do cilindro são paralelas ao eixo 0.):
27
Portanto a soma integral
o
n
(1) = 1 (1
l
) .
l
+1 (1
2
) .
2
+ +1 (1
n
) .
n
é soma dos volumes desses cilindros ou o volume do corpo em "escada".
O limite das somas integrais quando os diâmetros de todos os .
|
tendem para 0. i.e., o
integral duplo, dá-nos o volume 1 do corpo limitado pela superfície . = 1(1) _ 0. o plano
. = 0 e a superfície cilindrica cujas geratrizes são paralelas ao eixo 0. e se apoiam sobre a
fronteira de :
1 =

:
1(1)d. (2.4)
2.1.3 Propriedades elementares
1.

:
C1 (1) d. = C

:
1 (1) d.. \C = Co::t.;
2.

:
[1 (1) +o(1)] d. =

:
1 (1) d. +

:
o (1) d.;
3.

:
1 (1) d.

_

:
[1 (1)[ d.
4. Se 1 (1) _ o(1). \1 ÷ . então

:
1 (1) d. _

:
o (1) d.
5. Se : _ 1 (1) _ '. \1 ÷ . então
: /
:
_

:
1 (1) d. _ ' /
:
.
28
onde /
:
é a área do domínio .
6. (Teorema do valor médio): Se a função 1 (1) for contínua no domínio . então existe pelo
menos um ponto 1
0
÷ tal que

:
1 (1) d. = 1(1
0
)/
:
7. Se o domínio for constituido por dois domínios parciais
l
e
2
sem pontos interiores
comuns, então

:
1 (1) d. =

:1
1 (1) d. +

:2
1 (1) d.
2.1.4 Cálculo de integrais duplos
Domínio rectangular
Teorema 34 Se 1(r. n) é uma função contínua no rectângulo = [a. /] [c. d] . então

:
1 (r. n) drdn =
b

o
dr
J

c
1 (r. n) dn =
J

c
dn
b

o
1 (r. n) dr
Exemplo 35 Calcule: 1 =

:
1
r +n
drdn. onde = [3. 4] [1. 2] .
Resolução:
. =
l
r÷u
. = [3. 4] [1. 2]
1 =

:
1
r +n
drdn =
d

3
dr
2

l
1
r +n
dn

1
r +n
dn = ln[r +n[ +C ==
2

l
1
r +n
dn = ln[r + 2[ ÷ln[r + 1[ ==
29
1 =
d

3
[ln[r + 2[ ÷ln[r + 1[] dr =
d

3
ln[r + 2[ dr ÷
d

3
ln[r + 1[ dr

lntdt =
¸
n = lnt dn =
1
t
dt
d· = dt · = t
¸
= t lnt ÷ t ==

ln(r +j) d (r +j) = (r +j) ln(r +j) ÷
(r +j) +C ==
d

3
ln[r + 2[ dr = (4 + 2) ln(4 + 2) ÷(4 + 2) ÷(3 + 2) ln (3 + 2) + (3 + 2) = 6 ln6 ÷5 ln 5 ÷1;
d

3
ln[r + 1[ dr = (4 + 1) ln(4 + 1) ÷(4 + 1) ÷(3 + 1) ln (3 + 1) + (3 + 1) = 5 ln5 ÷4 ln 4 ÷1;
1 = 6 ln6 ÷5 ln 5 ÷1 ÷(5 ln5 ÷4 ln 4 ÷1) ==
1 = 6 ln6 ÷10 ln 5 + 4 ln4
Analogamente,
1 =

:
1
r +n
drdn =
2

l
dn
d

3
1
r +n
dr
d

3
1
r +n
dr = ln[n + 4[ ÷ln[n + 3[ ==
1 =
2

l
[ln[n + 4[ ÷ln[n + 3[] dn =
2

l
ln[n + 4[ dn ÷
2

l
ln[n + 3[ dn;
2

l
ln[n + 4[ dn = (2 + 4) ln(2 + 4) ÷(2 + 4) ÷(1 + 4) ln (1 + 4) + (1 + 4) = 6 ln6 ÷5 ln 5 ÷1;
2

l
ln[n + 3[ dn = (2 + 3) ln(2 + 3) ÷(2 + 3) ÷(1 + 3) ln (1 + 3) + (1 + 3) = 5 ln5 ÷4 ln 4 ÷1;
1 = 6 ln6 ÷5 ln 5 ÷1 ÷(5 ln5 ÷4 ln 4 ÷1) ==
1 = 6 ln6 ÷10 ln 5 + 4 ln4
Exercício 36 Seja = [÷1. 1] [2. 3] . Calcule:
1. /
:
;
2. 1
l
=

:
1
r +n
drdn;
30
. =
l
r÷u
. = [3. 4] [1. 2]
3. 1
2
=

:
1
(r +n)
2
drdn;
. =
l
(r÷u)
2
. = [3. 4] [1. 2]
4. 1
3
=

:
r +n
(r
2
+n
2
)
2
drdn
31
. =
r÷u
(r
2
÷u
2
)
2
. = [3. 4] [1. 2]
Respostas: 1
l
= ln
64
27
; 1
2
= ln
3
2
; 1
3
=
1
2
arctg
1
2
÷
1
3
arctg
1
3
Domínio regular
Domínio regular segundo o eixo 0n Sejam n = c(r) e n = d(r) duas funções contínuas
sobre o segmento [a. /] . a < /. e tais que
c(r) _ d(r). \r ÷ [a. /]
Ao domínio que é limitado pelas curvas n = c(r) e n = d(r) e pelas rectas r = a e
r = / chama-se domínio regular segundo o eixo 0n.
Teorema 37 Se 1(r. n) for uma função contínua no domínio regular segundo o eixo 0n. então

:
1 (r. n) drdn =
b

o
dr
J(r)

c(r)
1 (r. n) dn (2.5)
Exemplo 38 O domínio
o
é limitado pela parábola n = r
2
e pelas duas rectas: n = r + 2
e r = 1. Calcule

:a
1
n
2
drdn.
Resolução:
32
: n = r
2
; n = r + 2; r = 1

:a
1
n
2
drdn =
2

l
dr
r÷2

r
2
1
n
2
dn =
2

l
¸
1
r
2
÷
1
r + 2

dr =
1
2
+ ln
3
4
;
Exemplo 39 O domínio
b
é limitado pelas parábolas n = 1 ÷ r
2
; n = 4 ÷ r
2
e pelas rectas:
r = ÷1; r = 1. Calcule a área /
:
b
do domínio
b
.
Resolução:
: n = 1 ÷r
2
; n = 4 ÷r
2
; r = ÷1; r = 1
/
:
b
=

:
b
drdn =
l

l
dr
dr
2

lr
2
dn =
l

l

4 ÷r
2

÷

1 ÷r
2

dr = 6
Exercício 40 Calcule:
1. 1
c
=

:
b
rndrdn. onde o domínio
c
é limitado pelas rectas: n = 2r; n = r ÷ 1 e
r = 1 :
33
: n = 2r; n = r ÷1; r = 1
2. 1
J
=

:J
(r +n) drdn. onde o domínio
c
é limitado pelas parábolas: n = r
3
; n = r
d
:
: n = r
d
; n = r
3
Respostas: 1
c
=
2
3
; 1
J
=
1
5
÷
1
6
+
1
2
¸
1
7
÷
1
9

=
31
630
Domínio regular segundo o eixo 0r Sejam r = a(n) e r = /(n) duas funções contínuas
sobre o segmento [c. d] . c < d. e tais que
a(n) _ /(n). \n ÷ [c. d]
Ao domínio que é limitado pelas curvas r = c(n) e r = d(n) e pelas rectas n = c e
n = d chama-se domínio regular segundo o eixo 0r.
Teorema 41 Se 1(r. n) for uma função contínua no domínio regular segundo o eixo 0n. então

:
1 (r. n) drdn =
J

c
dn
b(u)

o(u)
1 (r. n) dr (2.6)
34
Exemplo 42 O domínio é limitado pelas parábolas n
2
= 1 ÷r; n
2
= 4 (2 ÷r) e pelas rectas:
n = ÷1; n = 1. Calcule a área /
:
do domínio .
Resolução:
: n
2
= 1 ÷r; n
2
= 4 (2 ÷r) ; n = ÷1; n = 1
/
:
=

:
drdn =
l

l
dn
2
1
4
u
2

lu
2
dr =
l

l

2 ÷
l
d
n
2

÷

1 ÷n
2

dr =
5
2
Exercício 43 O domínio é limitado pelas parábolas n = 1 ÷ r
2
; n = 1 ÷ 16r
d
e pela recta:
n = 0. Calcule a área /
:
do domínio .
n = 1 ÷r
2
; n = 1 ÷16r
d
; n = 0
Domínio regular Um domínio regular segundo os dois eixos de coordenadas dir-se-á, simples-
mente, domínio regular.
Corolário 44 Se 1(r. n) é função contínua no domínio regular que satisfaz as condições dos
35
teoremas anteriores, então

:
1 (r. n) drdn =
b

o
dr
J(r)

c(r)
1 (r. n) dn =
J

c
dn
b(u)

o(u)
1 (r. n) dr
Caso geral Se o domínio for constituido por : domínios regulares segundo 0r ou 0n :

l
. .
n
que não têm pontos interiores comuns , então

:
1 (r. n) drdn =

:1
1 (r. n) drdn + +

:n
1 (r. n) drdn
e cada integral da parte direita da última igualdade pode ser calculado através das fórmulas (2.6)
ou (2.5) .
Exemplo 45 O domínio é limitado pelas rectas: n = r + 1; n = ÷r + 1; n = 4 ÷ 2r; n =
÷4 ÷2r; n = 4 + 2r; n = ÷4r ÷4; n = 0. Calcule:

:
ndrdn
Resolução:
36

:
ndrdn =

:1
ndrdn +

:2
ndrdn +

:3
ndrdn +

:4
ndrdn =
0

d
ndn
l
1
4
u

2
1
2
u
dr+
l

0
ndn
l÷u


1
2
u
dr +
l

0
ndn
2
1
2
u

lu
dr +
d

l
ndn
2
1
2
u


1
2
u
dr =
8
3
+
2
3
+
2
3
+ 9 = 13
Exercício 46 O domínio é limitado pelas rectas: n + r = 1; n ÷ r = 1; r ÷ n = 1; n + r =
2; n ÷2r = 2; r ÷2n = 2; Calcule

:
rdrdn
2.1.5 Mudança de variáveis
Caso geral
Sejam
r = .(n. ·) e n = c (n. ·) (2.7)
funções diferenciáveis que estabelecem uma correspondência biunívoca e contínua em ambos os
sentidos, entre os pontos dum domínio
r,u
do plano r0n e os pontos dum determinado domínio

u,u
do plano n0·.
Com esta correspondência biunívoca ao ponto 1 (r. n) do plano r0n corresponde univoca-
mente um ponto 1
0
(n. ·) do plano n0·. Aos números n e · chamam-se coordenadas
curvilíneas do ponto 1.
O determinante de Jacobi do sistema (2.7) :
J (n. ·) =
1(r. n)
1(n. ·)
=

0.
0n
0.

0c
0n
0c

37
conserva invariável o seu sinal no domínio
u,u
. Nestas condições será válida a fórmula:

:x;y
1 (r. n) drdn =

:u:v
1 [.(n. ·) . c (n. ·)] [J (n. ·)[ dnd· (2.8)
2.1.6 Integrais duplos em coordenadas polares
Consideramos no plano as coordenadas polares 0 e j :
r = j cos 0; n = j sin0
Temos que
J (0. j) =
1(r. n)
1(0. j)
=

÷j sin0 cos 0
j cos 0 sin0

= ÷j
Por isso,

:x;y
1 (r. n) drdn =

:
;
1 [j cos 0. j sin0] jdjd0 (2.9)
No caso particular, em que o domínio é limitado pelas curvas
j =
l
(0) . j =
2
(0)
e os raios
0 = c e 0 = .
tais que

l
(0) _
2
(0) e c < .
se em estivece de…nida uma função contínua
. = 1 (0. j) .
então o integral duplo desta função existe e é igual a:

:
1 (0. j) d. =
o

o
d0
+2(0)

+1(0)
1 (0. j) jdj (2.10)
2.2 Integral triplo
2.2.1 De…nição e existência
Seja o uma superfície fechada. Denotamos por \ o domínio fechado limitado pela superfície o.
Seja dada, no domínio \ , uma função:
1(1) = 1 (r. n. .) . 1 = (r. n. .) ÷ \
38
Dividimos o domínio \ em : domínios parciais por superfícies quaisquer:
·
l
. ·
2
. . ·
n
Denotamos por
·
l
. ·
2
. . ·
n
os volumes destes domínios.
Em cada domínio ·
|
escolhemos um ponto 1
|
arbitrário.
À soma
o
n
= 1 (1
l
) ·
l
+1 (1
2
) ·
2
+ +1 (1
n
) ·
n
(2.11)
chama-se soma integral da função 1(1) no domínio \.
Consideremos uma sucessão arbitrária de somas integrais
o
n1
. o
n2
. . . . . o
nn
. . . . (2.12)
formadas por diversos cortes de \ em domínios parciais ·
|
e tais que o maior diâmetro dos ·
|
tende para zero quando :
n
÷ ·.
Se existe limite da sucessão (2.12) e este limite for o mesmo qualquer que seja a sucessão
(2.12) . i.e., se o limite não depender nem do modo do corte de \ em domínios parciais ·
|
nem da
escolha do ponto 1
|
em ·
|
. então a este limite único vamos chamar integral triplo da função
1 (1) sobre o domínio \ e denotar por

\
1 (1) d· ou

\
1 (r. n. .) drdnd. (2.13)
Teorema 47 Se a função . = 1 (r. n. .) for contínua no domínio fechado \. então o integral
triplo

\
1 (r. n. .) drdnd. existe.
2.2.2 Interpretação geométrica e física
Volume
Qualquer soma integral da função 1(r. n. .) = 1 no domínio \
o
n
= ·
l
+ ·
2
+ + ·
n
é igual ao volume 1 do domínio \ :
1 = o
n
. \.
|
; \:
Por isso o volume 1 do domínio \ é igual
1 =

\
drdnd.
39
Massa
Se 1(1) _ 0. \1 ÷ \. então podemos considerar 1(1) como a densidade da distribuição duma
matéria num domínio \. Se ·
|
for bastante pequeno, então o produto 1 (1
|
) ·
|
. \/. é aproxi-
mamente igual a toda a massa do domínio ·
|
. A precisão desta igualdade é melhor, quanto menor
for o domínio ·
|
. Portanto o integral (2.13) é a massa de toda a matéria que se encontra em \.
2.2.3 Propriedades elementares
1.

\
C1 (r. n. .) drdnd. = C

\
1 (r. n. .) drdnd.. \C = Co::t.;
2.

\
[1 (r. n. .) +o(r. n. .)] drdnd. =

\
1 (r. n. .) drdnd.+

\
o (r. n. .) drdnd.;
3.

\
1 (r. n. .) drdnd.

_

\
[1 (r. n. .)[ drdnd.
4. Se 1 (r. n. .) _ o(r. n. .). \(r. n. .) ÷ \. então

\
1 (r. n. .) drdnd. _

\
o (r. n. .) drdnd.
5. Se : _ 1 (r. n. .) _ '. \(r. n. .) ÷ \. então
: 1 _

\
1 (r. n. .) drdnd. _ ' 1.
onde 1 é o volume do domínio .
6. (Teorema do valor médio): Se a função 1 (1) for contínua no domínio \. então existe pelo
menos um ponto 1
0
÷ \ tal que

\
1 (r. n. .) drdnd. = 1(1
0
)1
7. Se o domínio \ for constituido por dois domínios parciais \
l
e \
2
sem pontos interiores
comuns, então

\
1 (r. n. .) drdnd. =

\1
1 (r. n. .) drdnd. +

\2
1 (r. n. .) drdnd.
40
2.2.4 Cálculo de integrais triplos
Domínio paralelepípedal
Teorema 48 Se 1(r. n. .) for uma função contínua no paralelepípedo \ = [a. /] [c. d] [j. c] .
então

\
1 (r. n. .) drdnd. =
o

µ
d.
b

o
dr
J

c
1 (r. n. .) dn
ou por uma das fórmulas análogas (as variáveis r. n e . podem trocar de lugares).
Exemplo 49 Seja \ = [0. 1] [2. 4] [0. 3] . Calcule
1 =

\
(r +n +.) drdnd.
Resolução:
1 =
d

2
dn
3

0
d.
l

0
(r +n +.) dr =
d

2
dn
3

0

1
2
+n +.

d. =
d

2

3
2
+ 3n +
9
2

dn = 30
Domínio regular
Domínios regulares são domínios que podem ser representados na forma:
\ = [a. /] [c(r). d(r)] [j(r. n). c(r. n)]
ou
\ = [a(n). /(n)] [c. d] [j(r. n). c(r. n)]
ou em qualquer uma forma análoga onde um dos segmentos tem limites constantes, outro tem
limites que são funções de uma variável de…nida no segmento com limites constantes e o terceiro
segmento tem limites que são funções de duas variáveis sendo cada uma delas de…nida num dos
segmentos anteriores. Em cada um destes casos as fórmulas do cálculo de integral triplo são
análogas. Por exemplo,
Teorema 50 Se 1(r. n. .) for uma função contínua no domínio \ = [a(n. .). /(n. .)][c(.). d(.)]
[j. c] . então

\
1 (r. n. .) drdnd. =
o

µ
d.
J(:)

c(:)
dn
b(u,:)

o(u,:)
1 (r. n. .) dr
Exemplo 51 Seja \ = [0. 1] [0. 1] [0. rn] . Calcule
1 =

\
rndrdnd.
Resolução:
1 =
l

0
rdr
l

0
ndn
ru

0
d. =
l

0
r
2
dr
l

0
n
2
dn =
1
9
41
2.2.5 Mudança de variáveis
Caso geral
Sejam
r = .(n. ·. n) , n = c (n. ·. n) e . = .(n. ·. n) (2.14)
funções diferenciáveis que estabelecem uma correspondência biunívoca e contínua em ambos os sentidos,
entre os pontos dum domínio \
r,u,:
do epaço 0rn. e os pontos dum determinado domínio \
u,u,u
do
espaço 0n·n.
Com esta correspondência biunívoca ao ponto 1 (r. n. .) do espaço 0rn. corresponde univocamente
um ponto 1
0
(n. ·. n) do espaço 0n·n. Aos números n. · e n chamam-se coordenadas curvilíneas
do ponto 1.
O determinante de Jacobi do sistema (2.14) :
J (n. ·. n) =
1(r. n. .)
1(n. ·. n)
=

0.
0n
0.

0.
0n
0c
0n
0c

0c
0n
0.
0n
0.

0.
0n

é diferente de zero em cada ponto de \
u,u,u
e, por isso, conserva invariável o seu sinal no domínio \
u,u,u
.
Nestas condições será válida a fórmula:

\x;y;z
1 (r. n. .) drdnd. =

\u;v;w
1 [.(n. ·. n) . c (n. ·. n) . .(n. ·. n)] [J (n. ·. n)[ dnd·dn (2.15)
2.2.6 Integrais triplos em coordenadas cilíndricas
Consideramos no espaço as coordenadas cilíndricas 0. j e / :
r = j cos 0; n = j sin0 e . = /
Temos que
J (0. j. /) =
1(r. n. .)
1(0. j. /)
=

÷j sin0 cos 0 0
j cos 0 sin0 0
0 0 1

= ÷j
Por isso, se \
r,u,:
não contém o ponto (0. 0. 0) . então

\x;y;z
1 (r. n. .) drdnd. =

\
;;h
1 [j cos 0. j sin0. /] jdjd0d/ (2.16)
42
Capítulo 3
Integrais curvilíneos e integrais de
superfície
3.1 Curvas
3.1.1 Equação duma curva no espaço
No espaço R
3
com o sistema das coordenadas 0rn. vamos considerar uma função vectorial:
÷÷
r (t)=(r(t). n(t). .(t)) = r(t)
÷÷
i +n(t)
÷÷
, +.(t)
÷÷
/ . (3.1)
onde
÷÷
i =(1. 0. 0) .
÷÷
, =(0. 1. 0) e
÷÷
/ =(0. 0. 1)
é uma base do espaço R
3
.
Quando t varia, as coordenadas r(t). n(t) e .(t) variam e a extremidade do raio vector
÷÷
r (t) descreve no espaço uma determinada curva que se chama odografo do vector
÷÷
r (t).
Às equações (3.1) chamam-se equações vectoriais da curva.
Exemplo 52 1)
÷÷
r (t) = (t + 1)
÷÷
i +(t ÷1)
÷÷
, +t
÷÷
/ . t ÷ R. é uma recta.
2)
÷÷
r (t) = cos t
÷÷
i +sint
÷÷
, +
÷÷
/ . t ÷ [0. 2¬] . é uma circunfêrencia.
Se as funções r(t). n(t) e .(t) forem contínuas, então à curva chama-se contínua.
3.1.2 Derivação das funções vectoriais
De…nimos a derivada da função vectorial (3.1) pela relação
d
÷÷
r
dt
=
÷÷
r
0
(t)=(r
0
(t). n
0
(t). .
0
(t)) = r
0
(t)
÷÷
i +n
0
(t)
÷÷
, +.
0
(t)
÷÷
/ . (3.2)
Se as funções r(t). n(t) e .(t) forem diferenciáveis, então à curva chama-se regular ou
suave.
Resulta imediatamente desta de…nição que as principais regras de derivação das funções vecto-
riais são análogas às principais regras de derivação das funções escalares.
43
1. A derivada da soma de funções vectoriais é igual à soma das derivadas dessas funções
vectoriais:
d (
÷÷
r
l
+
÷÷
r
2
)
dt
=
d (
÷÷
r
l
)
dt
+
d (
÷÷
r
2
)
dt
2. Se C é uma constante, então
d (C
÷÷
r )
dt
= C
d (
÷÷
r )
dt
3. A derivada do produto escalar de funções vectoriais é dada pela fórmula:
d (
÷÷
r
l
÷÷
r
2
)
dt
=
d (
÷÷
r
l
)
dt
÷÷
r
2
+
÷÷
r
l
d (
÷÷
r
2
)
dt
A um vector
÷÷
c tal que
|
÷÷
c | = 1
chama-se vector unitário.
Corolário 53 A derivada da função vectorial unitária é ortogonal a este vector, i.e.,
|
÷÷
c (t)| = 1. \t ==
÷÷
c (t)
d (
÷÷
c (t))
dt
= 0
4. A derivada do produto vectorial de funções vectoriais é dada pela fórmula:
d (
÷÷
r
l

÷÷
r
2
)
dt
=
d (
÷÷
r
l
)
dt

÷÷
r
2
+
÷÷
r
l

d (
÷÷
r
2
)
dt
3.1.3 Equação da tangente a uma curva
De acordo com a de…nição da derivada (3.2) temos que
d
÷÷
r
dt
= lim
.|!0
(
÷÷
r )
t
.
onde
(
÷÷
r ) =
÷÷
r (t + t) ÷
÷÷
r (t)
O vector (
÷÷
r ) é secante da curva
÷÷
r (t). Quando t ÷ 0 a direcção da secante no limite
coincide com a da tangente da curva
÷÷
r (t).
Portanto o vector
÷÷
r
0
(t
0
)=(r
0
(t
0
). n
0
(t
0
). .
0
(t
0
)) = r
0
(t
0
)
÷÷
i +n
0
(t
0
)
÷÷
, +.
0
(t
0
)
÷÷
/
é um vector director da tangente da curva
÷÷
r (t) no ponto (r
0
. n
0
. .
0
) . onde
r
0
= r(t
0
) . n
0
= (t
0
) e .
0
= . (t
0
)
Logo, a equação da tangente da curva
÷÷
r (t) no ponto (r
0
. n
0
. .
0
) é
r ÷r
0
r
0
(t
0
)
=
n ÷n
0
n
0
(t
0
)
=
. ÷.
0
.
0
(t
0
)
(3.3)
44
Se o parâmetro t é o tempo, então
d
÷÷
r
dt
=
÷÷
·
é o vector da velocidade do extremo do vector
÷÷
r (t) e
d
2÷÷
r
dt
2
=
÷÷
n
é o vector de aceleração deste extremo.
3.1.4 Comprimento de uma curva
Seja uma curva suave ou seccionalmenete suave:
÷÷
r (t)=(r(t). n(t). .(t)) = r(t)
÷÷
i +n(t)
÷÷
, +.(t)
÷÷
/ . c _ t _ .
e sejam ¹ =
÷÷
r (c) e 1 =
÷÷
r () a origem e a extremidade de . Efectuemos uma partição de
escolhendo
c = t
0
< t
l
< < t
n
=
Ficamos com os arcos elementares
\
1
|l
1
|
. onde 1
|
=
÷÷
r (t
|
). cujo comprimento denotamos por
:
|
. Temos também uma linha poligonal 1
n
que liga todos os pontos 1
|
. O comprimento da
linha 1
n
é
compr 1
n
=
¸

÷÷÷÷÷÷
1
|l
1
|

=
¸
|
÷÷
r (t
|
) ÷
÷÷
r (t
|l
)| =
¸

|
k

|
k1
÷÷
r
0
(t)dt

Pela de…nição, o comprimento do arco de entre ¹ =
÷÷
r (c) e 1 =
÷÷
r (t). com c _ t _ .
é o supremo, se existir, dos comprimentos das poligonais 1
n
que se podem inscrever em
entre ¹ =
÷÷
r (c) e 1 =
÷÷
r (t) e é dado por
: (t) =
|

o
|
÷÷
r
0
(t)| dt =
|

o

[r
0
(t)]
2
+ [n
0
(t)]
2
+ [.
0
(t)]
2
dt
A curva diz-se recti…cável sse tiver comprimento …nito.
O comprimento da curva recti…cável entre ¹ =
÷÷
r (c) e 1 =
÷÷
r () é dado por
:
I
=
o

o
|
÷÷
r
0
(t)| dt =
o

o

[r
0
(t)]
2
+ [n
0
(t)]
2
+ [.
0
(t)]
2
dt
À expressão
d: =

[r
0
(t)]
2
+ [n
0
(t)]
2
+ [.
0
(t)]
2
dt
chama-se diferencial do arco.
45
3.2 Elementos da teoria do campo
3.2.1 Campo escalar. Superfície de nível
Seja
n = 1(r. n. .)
uma função determinada num domínio \ _ R
3
.
Diz-se, neste caso, que no domínio \ está de…nido um campo escalar.
Exemplo 54 Se, por exemplo, 1(r. n. .) designar a temperatura no ponto 1(r. n. .). então temos
um campo escalar de temperatura.
Se C é uma constante, então a igualdade
1(r. n. .) = C (3.4)
é uma equação de uma superfície. Superfícies deste tipo chamam-se superfícies de nível.
Exemplo 55 Se tivermos o campo escalar de temperatura, então a superfície de nível é o conjunto
de todos os pontos 1(r. n. .) onde o campo tem a mesma temperatura C.
Se a função 1 depender apenas de duas variáveis
. = 1(r. n).
então
1(r. n) = C
é uma equação de uma linha a que se chama linha de nível.
3.2.2 Derivada em uma direcção dada e gradiente
Chama-se derivada da função 1(1) no ponto 1
0
numa direcção dada
÷÷
| =
÷÷÷
1
0
1
l
ao
limite
01
0
÷÷
|
= lim

!
1011

!0
1 (1
l
) ÷1 (1
0
)

÷÷÷
1
0
1
l

Se a função 1 (1) for diferenciável e
÷÷
|
0
=
1

÷÷
|

÷÷
| = (cos c. cos . cos ) .
então
01
0
÷÷
|
=
01
0r
cos c +
01
0n
cos +
01
0.
cos (3.5)
Chama-se gradiente do campo escalar 1(1) (ou da função 1(1) ) ao vector
grad 1 =

01
0r
.
01
0n
.
01
0.

=
01
0r
÷÷
i +
01
0n
÷÷
, +
01
0.
÷÷
/ (3.6)
46
Comparando grad1 com a fórmula (3.21) . podemos concluir que o gradiente é normal à superfície
de nível (3.4).
A derivada dada na direcção
÷÷
| está relacionada com o gradiente pela seguinte fórmula:
01
0
÷÷
|
=

÷÷
|
0
. grad 1

=
÷÷
|
0
grad 1.
i.e., a derivada na direcção
÷÷
| é igual à projecção do gradiente da função sobre a direcção em que
se deriva.
Quando
÷÷
| = grad 1 a derivada
01
0
÷÷
|
toma o seu valor máximo, igual a
|grad 1| =

01
0r

2
+

01
0n

2
+

01
0.

2
Portanto, a direcção do gradiente, num ponto dado, é a direcção da velocidade máxima de cresci-
mento da função 1(1) nesse ponto.
Operador de Hamilton \ (nabla)
À expressão
\ =
0
0r
÷÷
i +
0
0n
÷÷
, +
0
0.
÷÷
/
chama-se operador de Hamilton (o símbolo \ lê-se: nabla).
Com o operador de Hamilton, podemos escrever na forma seguinte a fórmula para o gradiente
:
grad 1 = \1
3.2.3 Campo vectorial
No espaço R
3
. com o sistema das coordenadas 0rn., o campo vectorial é determinado por
uma função vectorial:
÷÷
a (1)=(a
r
. a
u
. a
:
) = a
r
÷÷
i +a
u
÷÷
, +a
:
÷÷
/ .
onde
a
r
= a
r
(r. n. .) ; a
u
= a
u
(r. n. .) ; a
:
= a
:
(r. n. .)
Campo potencial
Um exemplo importante do campo vectorial é o campo vectorial do gradiente:
Se num domínio \ _ R
3
estiver determinado um campo escalar diferenciável
n = 1(r. n. .).
então neste domínio também está determinado o campo vectorial
grad 1 (1) . 1 ÷ \
47
Ao campo vectorial
÷÷
a (1). 1 ÷ \. chama-se potencial, se existir uma função 1 (1) tal
que
÷÷
a (1) = grad 1 (1) . 1 ÷ \
Neste caso à função 1 (1) chama-se potencial do campo.
3.3 Integral curvilíneo
3.3.1 De…nição
Sejam 1(r. n) uma função contínua num domínio do plano r0n e 1 · uma curva dum
ponto ¹ a um ponto 1.
Cortemos a curva 1 em : partes arbitrárias pelos pontos:
¹
0
= ¹. ¹
l
. ¹
2
. . ¹
n
= 1
Denotamos
¹
|
= (r
|
. n
|
) e r
|
= r
|÷l
÷r
|
. / = 0. 1. . . . . :÷1
É importante notar que o vector
÷÷÷÷÷
r
|
r
|÷l
é a projecção do arco ¹
|
¹
|÷l
e por isso r
|
tanto pode ser um número positivo como um número negativo.
Em cada arco da curva 1 que liga os pontos ¹
|
e ¹
|÷l
escolhemos um ponto
¯
¹
|
= (¯ r
|
. ¯ n
|
)
arbitrário.
À soma
o
n
= 1 (¯ r
l
. ¯ n
l
) r
l
+1 (¯ r
2
. ¯ n
2
) r
2
+ +1 (¯ r
n
. ¯ n
n
) r
n
(3.7)
chama-se soma integral da função 1(r. n) na curva 1 em relação ao eixo 0r.
Consideremos uma sucessão arbitrária de somas integrais
o
n1
. o
n2
. . . . . o
nn
. . . . (3.8)
formadas por diversos cortes de 1 em arcos parciais e tais que o maior dos números [r
|
[ tende
para zero quando :
n
÷ ·.
Se existir limite da sucessão (3.8) e este limite for o mesmo qualquer que seja a sucessão (3.8) .
i.e., se o limite não depender nem da maneira como se corta 1 em arcos parciais nem da escolha
dos pontos
¯
¹
|
. então a este limite único vamos chamar integral curvilíneo da função 1(r. n)
sobre a curva 1 em relação ao eixo 0r e denotar por

J
1(r. n)dr (3.9)
Analogamente, podemos de…nir integral curvilíneo da função Q(r. n) sobre a curva 1
em relação ao eixo 0n e denotar por

J
Q(r. n)dn (3.10)
48
À soma dos integrais (3.9) e (3.10) chama-se integral curvilíneo do par de funções 1(r. n)
e Q(r. n) sobre a curva 1 e denota-se por

J
1(r. n)dr +

J
Q(r. n)dn =

J
1(r. n)dr +Q(r. n)dn (3.11)
Qualquer par ordenado de funções 1(r. n) e Q(r. n) pode ser considerado como uma função
vectorial
÷÷
1 =
÷÷
1 (r. n) = (1(r. n).Q(r. n))
Se denotarmos
d
÷÷
: = (dr. dn) .
então, o integral (3.11) pode ser escrito na forma vectorial

J
÷÷
1 d
÷÷
: . (3.12)
onde
÷÷
1 d
÷÷
: é o produto escalar dos dois vectores
÷÷
1 e d
÷÷
: .
Analogamente, de…ne-se integral curvilíneo sobre a curva espacial 1

J
1(r. n. .)dr +

J
Q(r. n. .)dn +

J
1(r. n. .)d. =

J
1(r. n. .)dr +Q(r. n. .)dn +1(r. n. .)d.
ou na forma vectorial ( 3.12), onde, no caso da curva espacial, deve ser
÷÷
1 =
÷÷
1 (r. n. .) = (1(r. n. .).Q(r. n. .). 1(r. n. .)) e d
÷÷
: = (dr. dn. d.)
3.3.2 Interpretação física
Trabalho
Vamos supor que no domínio espacial \ está determinado um campo vectorial de força, i.e., em
cada ponto de \ está determinada uma função vectorial
÷÷
1 =
÷÷
1 (r. n. .) = (1(r. n. .).Q(r. n. .). 1(r. n. .)) . \(r. n. .) ÷ \.
que dá a intensidade da força.
Esta força pode ser, por exemplo, a força da gravidade ou a força magnética ou a força elec-
trostática, etc..
Para deslocar um ponto material '. de um sítio para outro, o campo vectorial deve fazer um
trabalho.
No caso da força ser constante e o ponto material ' com massa : = 1 se deslocar com
movimento rectilíneo do ponto ¹ até o ponto 1. o trabalho T , feito pela força do campo, é dado
pelo seguinte produto escalar:
¹ =
÷÷
1
÷÷÷
¹1
49
No caso geral, quando a força não é constante e o ponto material ' com a massa : = 1
se desloca ao longo duma curva 1 do ponto ¹ até o ponto 1. o trabalho T feito pela força do
campo é dado pelo integral curvilíneo

J
÷÷
1 d
÷÷
: =

J
1(r. n. .)dr +Q(r. n. .)dn +1(r. n. .)d.
Ao integral curvilíneo duma função vectorial sobre uma curva fechada 1 chama-se circulação
do vector
÷÷
1 (sobre esta curva fechada 1).
3.3.3 Duas propriedades importantes
1. Com a mudança do sentido da curva da integração 1 o integral curvilíneo muda
de sinal, i.e., se a curva 1
.,1
tem o sentido do ponto ¹ até ao ponto 1 (¹ = 1) e a mesma
curva 1 for considerada como a curva 1
1,.
que tem o sentido do ponto 1 até ao ponto ¹.
então

J
A;B
1(r. n. .)dr+Q(r. n. .)dn+1(r. n. .)d. = ÷

J
B;A
1(r. n. .)dr+Q(r. n. .)dn+1(r. n. .)d.
Se os pontos ¹ e 1 coincidirem, i.e., a curva 1 for fechada, então para o integral curvilíneo

J
1(r. n. .)dr +Q(r. n. .)dn +1(r. n. .)d.
temos que indicar separadamente o sentido de percurso ao longo da curva.
Se a curva 1 for plana, então no integral

J
1(r. n)dr +Q(r. n)dn.
considera-se que o sentido do percurso ao longo da curva é positivo, i.e., um observador
que percorra a curva no sentido positivo tem sempre o domínio limitado pela curva à sua
esquerda.
2. Se a curva 1 for constituida por duas curvas parciais 1
l
e 1
2
, então

J
1(r. n. .)dr +Q(r. n. .)dn +1(r. n. .)d. =

J1
1(r. n. .)dr +Q(r. n. .)dn +1(r. n. .)d. +

J2
1(r. n. .)dr +Q(r. n. .)dn +1(r. n. .)d.
50
3.3.4 Existência e cálculo de integrais curvilíneos
Suponhamos a curva plana 1 dada sob a forma paramétrica:
r = r(t). n = n(t) (3.13)
e tal que, quando o parâmetro t se desloca de c até . o ponto (r(t). n(t)) percorre toda a
curva 1 no sentido indicado.
(Notemos que o número c pode ser maior que .) Vamos supor também que a curva 1 é
suave, i.e, as funções ( 3.13) têm derivadas contínuas:
dr
dt
= r
0
(t) e
dn
dt
= n
0
(t)
Com estas condições é válido o teorema seguinte
Teorema 56 Se as funções 1(r. n. .) e Q(r. n. .) forem contínuas ao longo da curva 1. então
o integral curvilíneo existe e é igual a

J
1(r. n)dr +Q(r. n)dn =
o

o
[1(r(t) . n (t))r
0
(t) +Q(r(t) . n (t))n
0
(t)] dt (3.14)
Analogamente, no caso da curva espacial 1 dada sob a forma paramétrica:
r = r(t). n = n(t). . = .(t) (3.15)
tal que, quando o parâmetro t se desloca de c até . o ponto (r(t). n(t). .(t)) percorre toda a
curva 1 no sentido indicado e tal que as funções (3.15) têm derivadas contínuas:
dr
dt
= r
0
(t),
dn
dt
= n
0
(t) e
d.
dt
= .
0
(t)
temos que

J
1(r. n. .)dr +Q(r. n. .)dn +1(r. n. .)d. =
o

o
[1(r(t) . n (t) . .(t))r
0
(t) +Q(r(t) . n (t) . .(t))n
0
(t) +1(r(t) . n (t) . .(t)).
0
(t)] dt
Exemplo 57 Calcule o integral
1 =

J
(÷n) dr +rdn.
onde 1 é a elipse
r
2
a
2
+
n
2
/
2
= 1
51
Se escrevermos a equação da elipse na forma paramétrica:
r = a cos t.
n = / sint.
então, quando o parâmetro t se desloca de 0 até 2¬. o ponto (a cos t. / sint) a partir do ponto
(1. 0) percorre toda a elipse 1 no sentido positivo. Temos que
dr
dt
= ÷a sint.
dn
dt
= / cos t
Portanto
1 =
2t

0

a/ sin
2
t +a/ cos
2
t

dt = 2¬a/
Casos particulares
Suponhamos a curva plana 1 dada sob a forma:
n = n(r)
e tal que, quando a variável r se desloca de a até /. o ponto (r. n(r)) percorre toda a curva 1
no sentido indicado. Neste caso

J
1(r. n)dr +Q(r. n)dn =
b

o
[1(r. n (r)) +Q(r. n (r))n
0
(r)] dr
No caso particular em que
n = C. C = Co::t..
temos que dn = 0 e

J
1(r. n)dr +Q(r. n)dn =
b

o
1(r. C)dr
52
Analogamente, se a curva plana 1 for dada sob a forma:
r = r(n)
e tal que, quando a variável n se desloca de c até d. o ponto (r(n). n) percorre toda a curva 1
no sentido indicado, então

J
1(r. n)dr +Q(r. n)dn =
J

c
[1(r(n). n)r
0
(n) +Q(r(n). n)] dn
e, no caso particular em que,
r = C. C = Co::t..
temos que dr = 0 e

J
1(r. n)dr +Q(r. n)dn =
J

c
Q(C. n)dn
Exemplo 58 Calcule

J
rndr + (r
2
+n
2
)dn.
onde 1 é o contorno de um triângulo cujos vértices estão nos pontos ¹(1; 1). 1(3; 1) e C(2; 2)
e que é percorrido no sentido positivo.
Resolução:
1. 1 = 1
.,1
' 1
1,c
' 1
c,.
;
2. 1
.,1
= ¦n = 1; dn = 0; r deve variar entre 1 e 3¦ ==

J
A;B
rndr + (r
2
+n
2
)dn =
3

l
rdr = 4
53
3. 1
1,c
= ¦n = ÷r + 4; dn = ÷dr; r deve variar entre 3 e 2¦ ==

J
B;C
rndr + (r
2
+n
2
)dn =
2

3

r(÷r + 4) + (r
2
+ (÷r + 4)
2
) (÷1)

dr = 5
4. 1
c,.
= ¦n = r; dn = dr; r deve variar entre 2 e 1¦ ==

J
C;A
rndr + (r
2
+n
2
)dn =
l

2

r
2
+ (r
2
+r
2
)

dr = ÷3
5.
J
rndr + (r
2
+n
2
)dn = 4 + 5 ÷3 = 6
3.3.5 Fórmula de Green
Seja um domínio constituido por : domínios regulares segundo 0r ou 0n :
l
. .
n
que
não têm pontos interiores comuns.
Teorema 59 Se as funções 1 (r. n) e Q(r. n) forem contínuas e tiverem as derivadas contínuas
01
0n
e
0Q
0r
. então

J:
1dr +Qdn =

:

0Q
0r
÷
01
0n

drdn (3.16)
À igualdade (3.16) chama-se fórmula de Green.
3.3.6 Área dum domínio
Se 1 (r. n) = ÷n e Q(r. n) = 0. então, de acordo com a fórmula de Green, temos que
÷

J:
ndr =

:
drdn
ou
÷

J:
ndr = /
:
.
onde /
:
é a área do domínio .
Analogamente, se 1 (r. n) = 0 e Q(r. n) = r. então

J:
rdn = /
:
Às vezes é mais cómodo usar a seguinte fórmula:
/
:
=
1
2

J:
rdn ÷ndr
54
3.3.7 Condições para que um integral curvilíneo não dependa do cam-
inho de integração
Um domínio chama-se simplesmente conexo se toda a curva fechada contida em envolver
somente os pontos de . Vamos considerar integrais curvilíneos sobre curvas que estão contidas
num domínio simplesmente conexo .
Lema 60 O integral sobre uma curva que une dois pontos ¹. 1 ÷ não depende do caminho
seguido, mas somente destes dois pontos sse este integral é nulo sobre qualquer curva fechada.
Se o integral curvilíneo sobre uma curva que une dois pontos ¹ e 1 não depender do
caminho seguido, então podemos escrever este integral na forma:
(1)

(.)
1(r. n)dr +Q(r. n)dn
Teorema 61 Sejam 1 (r. n) e Q(r. n) funções contínuas que têm as derivadas contínuas
01
0n
e
0Q
0r
num domínio simplesmente conexo . Para que o integral curvilíneo sobre qualquer curva
fechada 1 · seja nulo, i.e.,

J
1(r. n)dr +Q(r. n)dn = 0.
é necessário e su…ciente que
01
0n
=
0Q
0r
. (r. n) ÷ . (3.17)
As funções 1 (r. n) e Q(r. n) determinam o campo vectorial
÷÷
1 (r. n) = (1 (r. n) . Q(r. n)) (3.18)
no domínio .
Lema 62 O campo vectorial (3.18) é potencial sse as funções 1 (r. n) e Q(r. n) satis…zerem
a condição (3.17) .
Se o campo 3.18 for potencial e l (r. n) for o potencial deste campo, i.e., se
1 (r. n) =
0l
0r
e Q(r. n) =
0l
0n
.
então
(1)

(.)
1(r. n)dr +Q(r. n)dn =
(1)

(.)
dl = l (1) ÷l (¹)
55
3.4 Integral de superfície
3.4.1 Superfícies
Plano tangente e normal a uma superfície
Seja
1 (r. n. .) = 0 (3.19)
uma equação da superfície o.
Diz-se que uma recta é tangente a uma superfície num ponto 1
0
(r
0
. n
0
. .
0
) se ela é tangente
a uma curva qualquer traçada sobre esta superfície e que passe por aquele ponto.
Visto que uma in…nidade de curvas traçadas sobre a superfície passa pelo ponto 1
0
(r
0
. n
0
. .
0
) .
haverá neste ponto uma in…nidade de tangentes a esta superfície.
Diz-se que o ponto 1
0
(r
0
. n
0
. .
0
) é um ponto singular da superfície o se
01
0r
(r
0
. n
0
. .
0
) =
01
0n
(r
0
. n
0
. .
0
) =
01
0.
(r
0
. n
0
. .
0
) = 0
ou se pelo menos uma destas derivadas não existe neste ponto.
Diz-se que o ponto 1
0
(r
0
. n
0
. .
0
) é um ponto simples da superfície o se todas as derivadas
01
0r
.
01
0n
.
01
0.
existem, são contínuas no ponto 1
0
(r
0
. n
0
. .
0
) e pelo menos uma é diferente de
zero neste ponto.
Teorema 63 Todas as rectas tangentes à superfície (3.19) no ponto simples 1
0
(r
0
. n
0
. .
0
) per-
tencem a um mesmo plano.
Ao plano formado pelas rectas tangentes à superfície (3.19) no ponto simples 1
0
(r
0
. n
0
. .
0
)
chama-se plano tangente à superfície no ponto 1
0
(r
0
. n
0
. .
0
) .
Chama-se normal à superfície (3.19) no ponto simples 1
0
(r
0
. n
0
. .
0
) à recta perpen-
dicular ao plano tangente nesse ponto.
Se a curva ( 3.1) pertence a superfície (3.19) . então
1 (r(t) . n (t) . . (t)) = 0
Comparando as derivadas totais de ambos os lados desta identidade, obtemos
01
0r
dr
dt
+
01
0n
dn
dt
+
01
0.
d.
dt
= 0 (3.20)
Se denotamos
÷÷
·=

01
0r
.
01
0n
.
01
0.

=
01
0r
÷÷
i +
01
0n
÷÷
, +
01
0.
÷÷
/ .
então a igualdade (3.20) mostra que os vectores
÷÷
· e
d
÷÷
r
dt
são ortogonais.
Se a curva ( 3.1) passa através do ponto 1
0
(r
0
. n
0
. .
0
) . então o vector
d
÷÷
r
dt
(t
0
) é vector
director da tangente (3.3) . Logo o vector
÷÷
· (r
0
. n
0
. .
0
) =

01
0r
(r
0
. n
0
. .
0
) .
01
0n
(r
0
. n
0
. .
0
) .
01
0.
(r
0
. n
0
. .
0
)

(3.21)
56
é ortogonal ao plano tangente à superfície no ponto 1
0
(r
0
. n
0
. .
0
) e, portanto, é normal à
superfície (3.19) .
Portanto, a equação do plano tangente à superfície no ponto 1
0
(r
0
. n
0
. .
0
) é
01
0r
(r
0
. n
0
. .
0
) (r ÷r
0
) +
01
0n
(r
0
. n
0
. .
0
) (n ÷n
0
) +
01
0.
(r
0
. n
0
. .
0
) (. ÷.
0
) = 0
e a equação da normal à superfície no ponto 1
0
(r
0
. n
0
. .
0
) é
r ÷r
0
01
0r
(r
0
. n
0
. .
0
)
=
n ÷n
0
01
0n
(r
0
. n
0
. .
0
)
=
. ÷.
0
01
0.
(r
0
. n
0
. .
0
)
Se 1
0
(r
0
. n
0
. .
0
) for um ponto simples da superfície o. então

÷÷
· (r
0
. n
0
. .
0
)

=

01
0r
(r
0
. n
0
. .
0
)

2
+

01
0n
(r
0
. n
0
. .
0
)

2
+

01
0.
(r
0
. n
0
. .
0
)

2
= 0
e o vector
÷÷
: =
1

÷÷
·

÷÷
·
é vector unitário da normal à superfície o.
Vamos denotar
÷÷
: =
÷÷
: (r. n. .) = (:
l
(r. n. .). :
2
(r. n. .). :
3
(r. n. .))
O produto escalar
÷÷
:
÷÷
i = :
l
(r. n. .)
mostra que
:
l
(r. n. .) = cos (:. r) .
onde através de (:. r) está denotado o ângulo entre os vectores
÷÷
: e
÷÷
i ou entre a normal à
superfície o e o eixo 0r com direcções correspondentes às direcções dos vectores
÷÷
: e
÷÷
i .
Analogamente,
:
2
(r. n. .) = cos (:. n) . :
3
(r. n. .) = cos (:. .) .
Às funções cos (:. r) . cos (:. n) e cos (:. .) chamam-se cossenos directores da normal
à superfície o.
Temos que
cos
2
(:. r) + cos
2
(:. n) + cos
2
(:. .) = 1
Caso . = .(r. n)
Vamos considerar a superfície o que é determinada pela equação
. = .(r. n).
57
onde a função .(r. n) tem derivadas parciais contínuas. Neste caso
1 (r. n. .) = . ÷.(r. n) = 0
e
01
0r
= ÷
0.
0r
.
01
0n
= ÷
0.
0n
e
01
0.
= 1
Daqui segue que qualquer ponto da superfície o é simples.
Se denotamos
0.
0r
= j e
0.
0n
= c. (3.22)
então, de acordo com (3.21) .
÷÷
· = (÷j. ÷c. 1)
e

÷÷
·

=

1 +j
2
+c
2
Portanto os cossenos directores da normal à superfície o são
cos (:. r) = ÷
j

1 +j
2
+c
2
. cos (:. n) = ÷
c

1 +j
2
+c
2
e cos (:. .) =
1

1 +j
2
+c
2
(3.23)
Se as funções j e c são contínuas, então os cossenos directores da normal também são contínuos.
Cálculo das áreas de superfícies
Vamos considerar a superfície dada pela fórmula
. = .(r. n). (r. n) ÷ (3.24)
Dividimos o domínio em : domínios parciais por curvas suaves por quaisquer partes :
.
l
. .
2
. . .
n
58
Denotamos por
.
l
. .
2
. . .
n
as áreas destes domínios.
Em cada domínio .
|
escolhemos um ponto 1
|
arbitrário. Corresponde ao ponto 1
|
(r
|
. n
|
)
um ponto sobre a superfície
Q
|
(r
|
. n
|
. .
|
) . onde .
|
= 1 (r
|
. n
|
)
Tracemos o plano tangente
|
à superfície no ponto Q
|
. Delimitemos sobre o plano
|
o
domínio ¬
|
que tem como projecção ortogonal sobre o plano r0n o domínio .
|
. Seja ¬
|
a
área do domínio ¬
|
.
Consideremos a soma de todas as áreas correspondentes ¬
|
:
o
n
= ¬
l
+ ¬
2
+ + ¬
n
(3.25)
Consideremos uma sucessão arbitrária de somas deste tipo
o
n1
. o
n2
. . . . . o
nn
. . . . (3.26)
formadas por diversos cortes de em domínios parciais .
|
e tais que o maior diâmetro dos .
|
tende para zero quando :
n
÷ ·.
Se existir limite da sucessão (3.26) e este limite for o mesmo qualquer que seja a sucessão
(3.26) . i.e., que o limite não dependa nem do modo do corte de em domínios parciais .
|
nem
da escolha do ponto 1
|
em .
|
. então a este limite único chama-se área da superfície o.
Designemos por
|
o ângulo entre o plano tangente
|
e o plano r0n. Sabe-se da geometria
analítica que
.
|
= ¬
|
cos
|
ou
¬
|
=
.
|
cos
|
O ângulo
|
é igual ao ângulo entre o eixo 0. e a normal à superfície o no ponto Q
|
. De acordo
com (3.23) temos que
cos
|
= cos (:. .) =
1

1 +j
2
(r
|
. n
|
) +c
2
(r
|
. n
|
)
Por conseguinte
¬
|
=

1 +j
2
(r
|
. n
|
) +c
2
(r
|
. n
|
).
|
Substituindo esta expressão na fórmula (3.25) . obtemos
o
n
=

1 +j
2
(r
l
. n
l
) +c
2
(r
l
. n
l
).
l
+ +

1 +j
2
(r
n
. n
n
) +c
2
(r
n
. n
n
).
n
Isto é a soma integral do integral duplo

:

1 +j
2
+c
2
drdn
59
Portano, se o limite das sucessões (3.26) existir, então é este integral duplo. Lembrando as notações
( 3.22) . podemos escrever a fórmula para calcular as áreas das superfícies do tipo (3.24) :
o =

:

1 +

0.
0r

2
+

0.
0n

2
drdn (3.27)
Se a equação da superfície é dada por
r = c (n. .) .
então
o =

:yz

1 +

0r
0n

2
+

0r
0.

2
dnd.
e no caso em que
n = c (r. .) .
teremos
o =

:xz

1 +

0n
0r

2
+

0n
0.

2
drd.
3.4.2 De…nição, existência, cálculo do integral de superfície
Vamos considerar as superfícies que satisfazem à seguinte propriedade importante:
PS) Em cada ponto 1 da superfície está de…nido um sentido positivo indicando a normal
unitária
÷÷
: =
÷÷
: (r. n. .) = (:
l
(r. n. .). :
2
(r. n. .). :
3
(r. n. .)) . (3.28)
cujos cossenos directores
:
l
= cos (:. r) . :
2
= cos (:. n) e :
3
= cos (:. .) . (3.29)
são funções contínuas das coordenadas dos pontos da superfície.
À superfície que satisfaça esta proriedade chama-se bilateral e regular.
Seja o uma superfície tal que
i) qualquer recta paralela ao eixo 0. a corta num só ponto. Neste caso a equação da superfície
pode ser escrita na forma:
. = .(r. n)
Vamos supor também que
ii) .(r. n) é uma função diferenciável que está de…nida no domínio do plano r0n e o domínio
é limitado por uma curva suave 1.
Com estas condições a superfície o tem normal unitária contínua ( 3.28) .
Vamos supor que na superfície o está determinada uma função 1(r. n. .). (r. n. .) ÷ o.
Dividamos arbitrariamente a superfície o em superfícies pequenas o
|
e em cada superfície
elementar o
|
escolhemos um ponto
¯
¹
|
= (¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
) arbitrário.
60
À soma
o
n
=
¸
1 (¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
) :
3
(¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
) o
|
. (3.30)
onde o
|
é a área de o
|
. chama-se soma integral da função 1(r. n. .) na superfície o em
relação ao plano r0n.
Consideremos uma sucessão arbitrária de somas integrais
o
n1
. o
n2
. . . . . o
nn
. . . . (3.31)
formadas pelas diversas divisões em pequenas superfícies o
|
e tais que o maior dos números o
|
tende para zero quando :
n
÷ ·.
Se existir limite da sucessão (3.31) e este limite for o mesmo qualquer que seja a sucessão
(3.31) . i.e., se o limite não depender nem da maneira como se fazem as divisões em superfícies
pequenas nem da escolha dos pontos
¯
¹
|
. então, a este limite único vamos chamar integral de
superfície da função 1(r. n. .) sobre a superfície o em relação ao plano r0n e denotar
por

c
1(r. n. .) cos (:. .) do (3.32)
Também é possível introduzir este integral de outra maneira:
A superfície o tem dois lados: "o de cima" e "o de baixo". Vamos marcar com o símbolo o
÷
se
se considerar o lado da superfície o "o de cima", e com o

quando consideramos "o de baixo".
Vamos projectar cada superfície elementar o
|
no plano r0n. Vamos denotar por .
r,u
|
a
projecção da o
|
no plano r0n .
Sejam 0o
|
e 0.
r,u
|
fronteiras de o
|
e .
r,u
|
respectivamente. Se um observador que …ca
no lado "de cima" da superfície o percorrer a curva 0o
|
no sentido positivo, então a projecção
deste observador sobre o plano r0n percorre a curva 0.
r,u
|
também no sentido positivo. Mas se o
observador que …ca no lado "de baixo" da superfície o percorrer a curva 0o
|
no sentido positivo,
então a projecção deste observador sobre o plano r0n percorre a curva 0.
r,u
|
no sentido negativo.
Temos que distinguir estas duas situações diferentes, por isso através de .
r,u
|
vamos denotar:
.
r,u
|
=

à área de !
r,u
|
com sinál + , se se considera
÷
à área de .
r,u
|
com sinál ÷, se se considera

Na superfície elementar o
|
existe pelo menos um ponto
´
¹
|
= (´ r
|
. ´ n
|
. ´ .
|
) tal que
.
r,u
|
= :
3
(´ r
|
. ´ n
|
. ´ .
|
) o
|
Usando este facto, é possível mostrar que o integral ( 3.32) pode ser considerado como o limite
das sucessões das somas integrais do tipo:
o
0
n
=
¸
1 (¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
) .
r,u
|
(3.33)
Por isso o integral de superfície da função 1(r. n. .) sobre a superfície o em relação ao
plano r0n denota-se também por

c
1(r. n. .)drdn. (3.34)
61
onde drdn faz-nos lembrar o integral duplo. Mas o integral de superfície e integral duplo são tão
diferentes, como o integral curvilíneo e o integral de…nido habitual.
Se nós considerarmos o lado "de cima"da superfície o. i.e., o
÷
. então .
r,u
|
são positivos
para todo o /. Neste caso a soma (3.33) pode ser escrita na forma:
¸
1 [¯ r
|
. ¯ n
|
. .(¯ r
|
. ¯ n
|
)] .
r,u
|
que é exactamente a soma integral (2.1) do integral duplo

:
1 [r. n. .(r. n)] drdn
Portanto
c
+
1(r. n. .)drdn =

:
1 [r. n. .(r. n)] drdn
Se nós considerarmos o lado "de baixo"da superfície o. i.e., o

. então .
r,u
|
são negativos
para todo o /. portanto

c

1(r. n. .)drdn = ÷

:
1 [r. n. .(r. n)] drdn
Desta maneira, se a superfície o satis…zer as condições i) e ii), então

c
1(r. n. .)drdn = ±

:
1 [r. n. .(r. n)] drdn (3.35)
Notamos que o sinal de .
r,u
|
depende do sinal de cos (:. .) .
Se a superfície o satis…zer as condições i) e ii), então a igualdade dá-nos a fórmula (3.35)
para calcular o integral de superfície.
Analogamente, de…nem-se o integral de superfície da função 1(r. n. .) sobre a superfície
o em relação ao plano n0.

c
1(r. n. .) cos (:. r) do =

c
1(r. n. .)dnd. (3.36)
e o integral de superfície da função 1(r. n. .) sobre a superfície o em relação ao plano
.0r
c
1(r. n. .) cos (:. n) do =

c
1(r. n. .)d.dr (3.37)
Para o cálculo dos operadores (3.36) e (3.37) usamos fórmulas análogas à fórmula (3.35).
62
À soma de todos os integrais deste género

c
1(r. n. .)dnd. +

c
Q(r. n. .)d.dr +

c
1(r. n. .)drdn =

c
[1(r. n. .) cos (:. r) +Q(r. n. .) cos (:. n) +1(r. n. .) cos (:. .)] do =

c
1(r. n. .)dnd. +Q(r. n. .)d.dr +1(r. n. .)drdn
(3.38)
chama-se integral de superfície das funções 1(r. n. .). Q(r. n. .) e 1(r. n. .) sobre a
superfície o.
Teorema 64 Seja o uma superfície bilateral e regular. Se as funções 1(r. n. .). Q(r. n. .) e
1(r. n. .) são contínuas, então o integral (3.38) existe.
Se a superfície o está dividida em partes o
l
. o
2
. . . . . o
Þ
. então

c
1(r. n. .)dnd. +Q(r. n. .)d.dr +1(r. n. .)drdn =
Þ
¸
,=l

cj
1(r. n. .)dnd. +Q(r. n. .)d.dr +1(r. n. .)drdn
Usa-se este facto para calcular o integral de superfície: A superfície o divide-se em partes
o
l
. o
2
. . . . . o
Þ
de tal maneira que cada uma das superfícies o
l
. o
2
. . . . . o
Þ
satisfaça as condições
i) e ii) ou as condições análogas em relação aos planos n0. ou .0r.
Forma vectorial
Qualquer terno ordenado de funções 1(r. n. .). Q(r. n. .) e 1(r. n. .) pode ser considerado como
uma função vectorial
÷÷
1 =
÷÷
1 (r. n. .) = (1(r. n. .). Q(r. n. .). 1(r. n. .))
Portanto, o integral (3.38) pode ser escrito na forma vectorial

c
÷÷
1
÷÷
: do (3.39)
onde
÷÷
1
÷÷
: é o produto escalar de dois vectores
÷÷
1 e
÷÷
: .
3.4.3 Interpretação física
Quando o integral de superfície está escrito na forma vectorial (3.39) . pode ser considerado como
o limite da soma integral seguinte:
o
n
=
¸
÷÷
1 (¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
)
÷÷
: (¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
) o
|
.
63
onde
÷÷
1 (¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
)
÷÷
: (¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
) é o produto escalar:
÷÷
1 (¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
)
÷÷
: (¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
) =
1 (¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
) :
l
(¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
) +Q(¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
) :
2
(¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
) +1(¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
) :
3
(¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
)
Vamos supor que
÷÷
1 é a velocidade dum ‡uido que atravessa a superfície o.
Neste caso, o produto
÷÷
1 (¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
)
÷÷
: (¯ r
|
. ¯ n
|
. ¯ .
|
) o
|
é igual à quantidade de ‡uido que atravessa a superfície elementar o
|
na unidade de tempo na
direcção
÷ ÷
: .
O integral de superfície

c
÷÷
1
÷÷
: do
dá a quantidade total do ‡uido que atravessa, na unidade do tempo, a superfície o no sentido
positivo.
Por isso ao integral de superfície também se chama ‡uxo do campo vectorial
÷÷
1 através
da superfície o.
3.5 Fórmula de Stokes
Seja o uma superfície bilateral e regular e 0o a fronteira dessa superfície o.
Vamos supor também que a superfície o se encontra completamente num domínio espacial \
e em \ estão dadas três funções contínuas: 1(r. n. .). Q(r. n. .) e 1(r. n. .).
Com estas condições tem lugar a fórmula de Stokes:

Jc
1dr +Qdn +1d. =

c
¸
0Q
0r
÷
01
0n

cos (:. .) +

01
0n
÷
0Q
0.

cos (:. r) +

01
0.
÷
01
0r

cos (:. n)

do.
(3.40)
onde o sentido de percurso da fronteira 0o no integral curvilíneo é positivo em relação ao lado
da superfície que está determinado com os cossenos directores da normal à superfície o : cos (:. r) .
cos (:. n) e cos (:. .) .
3.5.1 Rotacional. Interpretação física da fórmula de Stokes
Se nós considerarmos o campo vectorial
÷÷
1 =
÷÷
1 (r. n. .) = (1(r. n. .). Q(r. n. .). 1(r. n. .)) .
então ao vector
rot
÷÷
1 =

01
0n
÷
0Q
0.
.
01
0.
÷
01
0r
.
0Q
0r
÷
01
0n

(3.41)
chama-se rotacional da função vectorial
÷÷
1 .
64
Usando o operador \ podemos reescrever a fórmula (3.41) na forma mais simples:
rot
÷÷
1 = \
÷÷
1 .
onde \
÷÷
1 é o produto vectorial simbólico do vector
\ =
0
0r
÷÷
i +
0
0n
÷÷
, +
0
0.
÷÷
/
pelo vector
÷÷
1 :
\
÷÷
1 =

÷÷
i
÷÷
,
÷÷
/
0
0r
0
0n
0
0.
1 Q 1
¸
¸
¸
¸
=
÷÷
i

0
0n
0
0.
Q 1
¸
¸
÷
÷÷
,
¸
0
0r
0
0.
1 1
¸
+
÷÷
/

0
0r
0
0n
1 Q
¸
¸
=

01
0n
÷
0Q
0.

÷÷
i +

01
0.
÷
01
0r

÷÷
, +

0Q
0r
÷
01
0n

÷÷
/ = rot
÷÷
1
Agora, podemos escrever a fórmula de Stokes (3.40) na forma:

Jc
÷÷
1 d
÷÷
: =

c
÷÷
: rot
÷÷
1 do (3.42)
A fórmula (3.42) mostra que
A circulação de um vector ao longo duma curva fechada que limita uma superfície é igual ao
‡uxo do seu rotacional através desta superfície.
Notamos que a fórmula de Green é um caso particular da fórmula de Stokes.
Campo potencial
O campo vectorial
÷÷
1 =
÷÷
1 (r. n. .) = (1(r. n. .). Q(r. n. .). 1(r. n. .)) = gradl
é potencial, i.e., existe uma função l tal que
÷÷
1 = gradl
sse
rot
÷÷
1 = 0
ou
01
0n
÷
0Q
0.
= 0;
01
0.
÷
01
0r
= 0;
0Q
0r
÷
01
0n
= 0
65
De acordo com a fórmula de Stokes, se o campo é potencial, então

J
1dr +Qdn +1d. = 0 (3.43)
qualquer que seja a curva regular fechada 1.
No campo potencial temos que
1dr +Qdn +1d. = dl
A igualdade (3.43) mostra que o integral curvilíneo sobre uma curva que une dois pontos ¹ e
1 não depende do caminho seguido:
(1)

(.)
1dr +Qdn +1d. = l (1) ÷l (¹)
3.6 Fórmula de Ostrogradsky-Gauss
Seja \ um domínio limitado por uma superfície fechada regular o.
Vamos supor também que em \ estão dadas três funções contínuas: 1(r. n. .). Q(r. n. .)
e 1(r. n. .) que têm as derivadas contínuas:
01
0r
.
0Q
0n
e
01
0.
Com estas condições tem lugar a fórmula de Ostrogradsky-Gauss:

\

01
0r
+
0Q
0n
+
01
0.

drdnd. =

c
[1 cos (:. r) +Qcos (:. n) +1cos (:. .)] do.
(3.44)
onde a normal à superfície o está dirigida para o exterior.
3.6.1 Divergência. Interpretação física da fórmula de Ostrogradsky-
Gauss
À expressão
div
÷÷
1 =
01
0r
+
0Q
0n
+
01
0.
(3.45)
chama-se divergência do campo vectorial
÷÷
1 =
÷÷
1 (r. n. .) = (1(r. n. .). Q(r. n. .). 1(r. n. .))
66
Usando o operador \ podemos reescrever a fórmula (3.45) na forma mais simples:
div
÷÷
1 = \
÷÷
1 .
onde \
÷÷
1 é o produto escalar simbólico do vector
\ =
0
0r
÷÷
i +
0
0n
÷÷
, +
0
0.
÷÷
/
pelo vector
÷÷
1 :
\
÷÷
1 =
01
0r
+
0Q
0n
+
01
0.
= div
÷÷
1
Sob a forma vectorial, a fórmula de Ostrogradsky-Gauss escreve-se

\
div
÷÷
1 d· =

c
÷÷
1
÷÷
: do (3.46)
A fórmula (3.46) mostra que
O integral da divergência dum campo vectorial
÷÷
1 num domínio espacial \ é igual ao ‡uxo
do campo vectorial através da superfície o que limita este domínio.
Campo solenoidal
O campo vectorial
÷÷
1 chama-se solenoidal ou tubular, se
div
÷÷
1 = 0
No campo solenoidal o integral de superfície sobre qualquer superfície fechada o é nulo. Isto
signi…ca que a quantidade de ‡uido que entra em qualquer domínio \ (limitado pela esta
superfície o ) é igual à quantidade de ‡uido que sai. Por outras palavras, o campo solenoidal não
contém quaisquer origens de ‡uido.
É possível mostrar que qualquer campo vectorial
÷÷
1 pode ser representado como a soma
÷÷
1 =
÷÷
1
µ
+
÷÷
1
s
dum campo potencial
÷÷
1
µ
e um campo solenoidal
÷÷
1
s
.
Bibliogra…a:
1. N. Piskounov, Cálculo diferencial e integral, volumes 1 e 2
2. Problemas e exercícios de análise matemática, Sob a redação de Demidovitch.
67

Conteúdo
1 Funções reais de várias variáveis 1.1 Limites e continuidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.1.1 De…nição de função . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.1.2 Formas de representação da função . . . . . . . . . . . . 1.1.3 Funções limitadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.1.4 Espaço linear bidimensional . . . . . . . . . . . . . . . 1.1.5 Espaço linear de dimensão n . . . . . . . . . . . . . . . . 1.1.6 Limite das funções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.1.7 Continuidade das funções . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.2 Derivadas e diferenciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.2.1 Acréscimo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.2.2 De…nição de derivada parcial . . . . . . . . . . . . . . . 1.2.3 Interpretação geométrica das derivadas parciais . . . . . 1.2.4 Diferenciais parciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.2.5 Diferencial total . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.2.6 Utilização do diferencial total para cálculos aproximados 1.2.7 Derivada duma função composta . . . . . . . . . . . . . 1.2.8 Derivadas de ordem superiores . . . . . . . . . . . . . . 1.2.9 Derivadas de funções implícitas . . . . . . . . . . . . . . 1.2.10 Fórmula de Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.2.11 Estudo da variação das funções . . . . . . . . . . . . . . 2 Integrais múltiplos 2.1 Integral duplo . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.1.1 De…nição e existência . . . . . . . . . . 2.1.2 Interpretação geométrica . . . . . . . . 2.1.3 Propriedades elementares . . . . . . . . 2.1.4 Cálculo de integrais duplos . . . . . . . 2.1.5 Mudança de variáveis . . . . . . . . . . 2.1.6 Integrais duplos em coordenadas polares 2.2 Integral triplo . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.2.1 De…nição e existência . . . . . . . . . . 2.2.2 Interpretação geométrica e física . . . . 2.2.3 Propriedades elementares . . . . . . . . 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 3 3 4 5 5 6 8 10 11 11 12 13 13 14 15 16 17 18 21 23 26 26 26 27 28 29 37 38 38 38 39 40

2.2.4 2.2.5 2.2.6

Cálculo de integrais triplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Mudança de variáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Integrais triplos em coordenadas cilíndricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . inte. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

41 42 42 43 43 43 43 44 45 46 46 46 47 48 48 49 50 51 54 54 55 56 56 60 63 64 64 66 66

3 Integrais curvilíneos e integrais de superfície 3.1 Curvas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.1.1 Equação duma curva no espaço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.1.2 Derivação das funções vectoriais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.1.3 Equação da tangente a uma curva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.1.4 Comprimento de uma curva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.2 Elementos da teoria do campo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.2.1 Campo escalar. Superfície de nível . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.2.2 Derivada em uma direcção dada e gradiente . . . . . . . . . . . . . . . 3.2.3 Campo vectorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3 Integral curvilíneo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3.1 De…nição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3.2 Interpretação física . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3.3 Duas propriedades importantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3.4 Existência e cálculo de integrais curvilíneos . . . . . . . . . . . . . . . 3.3.5 Fórmula de Green . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3.6 Área dum domínio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3.7 Condições para que um integral curvilíneo não dependa do caminho de gração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.4 Integral de superfície . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.4.1 Superfícies . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.4.2 De…nição, existência, cálculo do integral de superfície . . . . . . . . . . 3.4.3 Interpretação física . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.5 Fórmula de Stokes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.5.1 Rotacional. Interpretação física da fórmula de Stokes . . . . . . . . . . 3.6 Fórmula de Ostrogradsky-Gauss . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.6.1 Divergência. Interpretação física da fórmula de Ostrogradsky-Gauss .

2

Domínio e imagem da função u = f (P ) : dom f = fP 2 X : f (P ) está de…nidag Se a cada P 2 dom f corresponder um e um só número u.1 Limites e continuidade De…nição de função Seja X um conjunto. y. O facto de u ser função de P expressa-se abreviamente pelas fórmulas: u = f (P ).. xn ) .e. então à função u = f (P ) chama-se unívoca. i. Exemplo 1 1. 3 . P (x. e. : : : . y. Se X = Rn . z) . y. u = g(P ). x2 . e.e. u = g(x. xn ) .. im f = fu 2 R : 9P 2 dom f tal que u = f (P ) g u = f (x. P (x. 3. x2 . i.1. P (x1 . x2 . neste caso. z). : : : . y) .Capítulo 1 Funções reais de várias variáveis 1. neste caso. temos uma função de três variáveis: u = f (x. à função u chama-se também variável dependente. 2. xn ) . temos uma função de n variáveis: u = f (x1 . u = g(x. então P é um ponto do espaço.. e. Caso contrário à função u = f (P ) chama-se plurívoca. Se X = R2 . y).1 1. então P temos uma função de duas variáveis: é um ponto do plano. então P é um ponto do espaço de dimensão n. y). u = g (x1 . A P chama-se argumento ou variável independente. então a u chama-se função de P . i. Se X = R3 . neste caso. : : : . z).e. Se a cada P dum subconjunto de X corresponder um número real u.

y1 ) . .2 Formas de representação da função 1. então. . cujas coordenadas são (x0 . um ponto Q0 do espaço R3 . xm y1 f (x1 . ym )g . . f (xm . . Pm g . y0 ) 2 dom f elevemos uma perpendicular ao plano x0y sobre a qual traçamos um segmento igual ao valor de z0 = f (x0 . 2. f (P )) 2 X R : P 2 dom f g chama-se grá…co da função u = f (P ): Se X = Rn . ym ) . onde n > 2. y1 ) . Pm um = f (Pm ) então a função u = f (P ) pode ser representada na forma duma tabela: Uma função de duas variáveis u = f (x. Só no caso duma função de duas variáveis o grá…co da função pode ser representado geometricamente. então o grá…co da função u = f (P ) é um conjunto no espaço n R R = Rn+1 e n + 1 > 3: Ou seja. f (x. também pode ser representada na forma duma tabela um pouco diferente de tabela anterior: x1 . . Representação grá…ca Ao conjunto Gr f = f(P. y1 ) ym f (x1 . y.1. P2 . y2 ) . não podemos representar este grá…co geometricamente. . y0 ): Obtemos. Neste caso denotamos a função por z = f (x. z0 ) : O conjunto Gr f de todos os pontos Q deste tipo é uma superfície no espaço R3 : Exemplo 2 Parabolóide elíptico: 4 . f (xm . y)) 2 R3 : (x. Tabela Se X é um conjunto …nito: X = fP1 . P u P1 u1 = f (P1 ) P2 u2 = f (P2 ) . (x2 . . y0 . y) 2 dom f no espaço R3 com um sistema de coordenadas cartesianas 0xyz: Em cada ponto (x0 . y) com domínio …nito: dom f = f(x1 .1. . y) e vamos considerar o conjunto Gr f = (x. . (xm . ym ) .

Por exemplo. 1) (1. y 2 R. y) = ( x.3 Funções limitadas Algumas propriedades das funções reais podem ser introduzidas sem quaisquer condições sobre o conjunto de argumentos. y1 ) + (x2 .4) não é um elemento do espaço R2 . 0) e (0.2). 0) + y(0.4 Espaço linear bidimensional O espaço linear bidimensional R2 é o conjunto de todos os pares ordenados (x. Uma função u = f (P ) diz-se limitada no conjunto D. y1 ).1. onde estão de…nidas as duas operações: Adição: (x1 .1) e (1. qualquer elemento (x. 1) representam uma base do espaço R2 : Por isso este espaço é bidimensional. para ter uma teoria rica com aplicações.2) Com estas duas operações (1. de duas variáveis reais). Por isso. y2 )i = x1 x2 + y1 y2 (1. É um número x1 x2 + y1 y2 2 R: 5 . No espaço R2 está de…nida mais uma operação: Produto interno (escalar): h(x1 . o conjunto de argumentos X deve satisfazer algumas condições. vamos começar por recordar alguns factos sobre espaços lineares (vectoriais) de dimensão …nita. x. y) de R2 pode ser escrito de outra maneira: (x.z = x2 + y 2 + 25 1. 1. y2 ) = (x1 + x2 . se 9 M > 0 tal que jf (P )j M para todos P 2 D Mas. (x2 . y): (1. y) = x(1.1.3) Os elementos (1.1) (1. Iremos estudar funções de n variáveis reais (principalmente. y) de números reais. y1 + y2 ) Multiplicação por um número real: (x.4) Notamos que o resultado do produto (1.

y2 )) = (x2 x1 ) + (y2 Com o produto escalar podemos determinar a norma euclidiana do elemento (x.5 Espaço linear de dimensão n n O espaço linear R é o conjunto de todos os n tuplos ordenados (x1 . x1 . y) do espaço R2 Vector livre cujo representante tem extremidades (0. x2 . as operações com vectores coincidem com as operações (1. : : : . xn ) = (x1 + x1 . y1 ) . y) Neste último caso. : : : . então ao conjunto chama-se aberto. V (P0 ) é o círculo aberto com centro no ponto P0 e com raio : Outra representação importante é o espaço dos vectores livres do plano: Elemento (x. xn ) + (e1 . xn 2 R. y)i = x2 + y 2 (1. : : : . y0 ) 2 R2 . xn + xn ) x e e e e e Multiplicação por um número real: (1. y0 ) 2 : Se existir uma vizinhança do ponto P0 (x0 . y)) < é uma vizinhança do ponto P0 (x0 . x2 . y0 ) que esteja contida no conjunto . vamos dizer que o conjunto V (P0 ) = (x. y) contém pontos de : = Uma das representações geométricas do espaço R2 é o plano. determina-se a distância euclidiana: q 2 dist ((x1 . : : : . y0 ) : A qualquer conjunto V que contenha pelo menos uma vizinhança do ponto P0 (x0 . y0 ) chama-se ponto interior do conjunto : Se todos os pontos do conjunto forem interiores. Ao complementar c = R2 r dum conjunto aberto chama-se conjunto fechado.8) (x1 . (x.2) de…nidas no espaço R2 : Podemos repetir tudo isso (palavra em palavra) para o caso mais geral: 1. x2 . xn ) de números reais. y)k = h(x. y0 ) . y). Chama-se fronteira de um conjunto aberto R2 ao conjunto @ dos pontos P (x. y) 2 R2 : p p Norma: k(x. y0 ) : Sejam um conjunto de R2 e P0 (x0 . : : : . y) do espaço R2 fPonto do plano com coordenadas (x. x2 + x2 . por sua vez. seja P0 (x0 .Com a norma. então existe a seguinte aplicação bijectiva entre os elementos do espaço R2 e os pontos do plano: Elemento (x. y) tais que P (x. Por exemplo. x2 .1. : : : . então ao ponto P0 (x0 .1) e (1. xn ): 6 . onde estão de…nidas as duas operações: Adição: (x1 . x2 .7) (1. y) 2 . x2 . xn ) = ( x1 . : : : .6) Com esta distância de…ne-se a topologia euclidiana do espaço R2 .5) y1 ) 2 (1. mas cada vizinhança de P (x. y0 ) chama-se vizinhança do ponto P0 (x0 . (x. Se no plano tivermos um referencial cartesiano com eixos 0X e 0Y. (x2 . y) 2 R2 : dist ((x0 . y)g Neste caso. 0) e (x.

: : : . : : : . y) tais que P (x. x2 . : : : . xn ) . x0 2 Rn . x0 : n 1 2 A qualquer conjunto V que contenha pelo menos uma vizinhança do ponto P0 x0 . 0) + + xn (0. seja P0 x0 . então existe a seguinte aplicação bijectiva entre os elementos do espaço R3 e os pontos do espaço: Elemento (x. x0 . : : : . : : : . 0). z) do espaço R3 Vector livre cujo representante tem extremidades (0. z)g Neste caso. Por exemplo. xn ) = x1 (1. por sua vez. x2 . : : : .8) de…nidas no espaço R3 : Muitas vezes a terminologia geométrica usa-se também no caso em que n > 3. qualquer elemento (x. : : : . O complementar c = Rn r dum conjunto aberto chama-se conjunto fechado. : : : . 0. : : : . determina-se a distância euclidiana: q p h(x1 . 1) representam uma base do espaço Rn : Por isso este espaço é de dimensão n: No espaço Rn está de…nida mais uma operação: Notamos que o resultado do produto (1. : : : . x2 . y. y. xn ) 2 Rn : dist (x1 . x0 1 2 n vizinhança do ponto P0 x0 . x0 . x2 . x2 . xn )) = x e e xn ) e < V (P0 ) = (x1 . x0 chama-se n n 1 2 ponto interior do conjunto : Se todos os pontos do conjunto forem interiores. : : : . : : : . xn )k = Com a norma. 0).12) Com esta distância de…ne-se a topologia euclidiana do espaço Rn . 0) + x2 (0. mas cada vizinhança de P (x. 0.7) e (1. x0 2 : Se existir uma vizinhança do ponto n 1 2 0 0 P0 x1 . (e1 . 0. xn )i = x2 + x2 + 1 2 p (x1 x1 ) . só que já não podemos imaginar geometricamente os objectos dos espaços Rn com n > 3 . x0 n 1 2 0 0 0 chama-se vizinhança do ponto P0 x1 . : : : . : : : . : : : . xn ). então ao conjunto chama-se aberto. y) de R2 pode ser escrito de outra maneira: (x1 . x0 . as operações com vectores coincidem com as operações (1. x0 . xn ).11) (1. 0. x0 . V (P0 ) é a bola aberta com centro no ponto P0 e com raio : Outra representação importante é o espaço dos vectores livres do espaço: Elemento (x. y. 0y e 0z. : : : . 1. (x1 . Chama-se fronteira de um conjunto aberto R2 ao conjunto @ dos pontos P (x. 0) e (x. x2 .7) e (1. x0 . : : : . y) 2 . (e1 . x2 . : : : . y) contém pontos de : = Uma das representações geométricas de R3 é o espaço. então ao ponto P0 x0 . 0. : : : . : : : . Se no espaço tivermos um referencial cartesiano com eixos 0x. x2 . (0. 0. x0 . 0.8). 7 .9) Os elementos (1. x0 que esteja contida no conjunto . (0. 0. : : : . : : : . : : : . z) do espaço R3 fPonto do espaço com coordenadas (x. É um número x1 x1 + e Produto interno (escalar): h(x1 . 0. : : : . z) Neste último caso. : : : . x2 . x2 . (xn e + x2 ) n (1. (x2 e x2 ) . 1) (1. : : : .10) k(x1 . xn )i = x1 x1 + x2 x2 + x e e e e x2 x2 + e Com o produto escalar podemos determinar a norma euclidiana do elemento (x1 . : : : . x2 . xn : Sejam um conjunto de Rn e P0 x0 .10) não é um elemento do espaço Rn . x2 . xn ). y.Com estas duas operações (1. 0. vamos dizer que o conjunto n 1 2 é dist ((x1 . 0. 1. xn ) 2 Rn : Norma: + xn xn 2 R: e + xn xn e (1. x2 .

mostre que lim x!2 y!1 x2 + y 2 = 5 8 .6 Limite das funções Vamos considerar uma função z = f (x. 2) : para todos os pontos P (x.1. y) 2 V (P0 ) . y) = 2 Resolução: Seja " 2 (0. y) quando ele tende para o ponto P0 (x0 . j yjg Portanto jxy 2j = j2 x + y+ x yj 2 j xj + j yj + j xj j yj < " vizinhança V (P0 ) do ponto P0 (1. y) que pertencem à x e y =2+ " 6 y q 2 2 j xj + j yj < = " 6 Exercício 4 Usando a de…nição do limite. y0 ) . então o valor limite da função não depende do caminho percorido pelo ponto P (x. y) = lim x ! x f (x. y) = c (constante) tem valor limite em qualquer ponto P0 do plano R2 : 2) Sejam f (x. y0 ) : Exemplo 3 1) A função f (x. y) tende para o ponto P0 (x0 . então max fj xj . y) = a 0 y ! y0 É importante notar que. y) no ponto P0 (x0 . y) = xy e P0 (1. a desigualdade jf (x.1. se P (x. y0 ) existe. escreve-se então limP !P0 f (x. Se o número a é limite da função z = f (x. Denotamos x=1+ e escolhemos = Neste caso. 2) : Usando a de…nição do limite. y) no ponto P0 (x0 . y) 2 V (P0 ) \ dom f r f(x0 . y) quando o ponto P (x. y) e um ponto P0 (x0 . y0 )g . quando o limite da função z = f (x. y0 ) situado no interior ou sobre a fronteira do domínio dom f: Diz-se que o número a é o limite da função f (x. mostre que limP !P0 f (x. se para todo " > 0 existe um número > 0 tal que para todos os pontos P (x. y) aj < " é satisfeita. y0 ) . 1) qualquer.

mx) = m. 0) : É por esta razão que o limite não existe. 8x 6= 0 Portanto o valor limite da função depende do caminho percorido pelo ponto P (x. y Resolução. y) quando ele tende para o ponto P0 (0. então r ! 0: Portanto 9 . Consideremos os valores que toma a função f (x. Exemplo 7 Calcule 2x2 y 2 lim p x2 + y 2 x!0 y!0 " x y # 2x2 + y 2 x2 + y 2 Resolução: 1o método: Temos que 2x2 y 2 = lim lim p x2 + y 2 x!0 x!0 y!0 y!0 e p x 1 e 2x p x2 + y 2 p y yp x2 + y 2 1 x2 + y 2 x2 + y 2 x y Isto signi…ca que as funções p e p são limitadas. y) = nos pontos situados sobre x a recta y = mx: Temos que f (x. O produto da função 2 + y2 2 + y2 x x in…nitamente pequena (x ! 0 e y ! 0) e função limitada é função in…nitamente pequena. Exercício 6 Mostre que o limite lim x!0 y!0 não existe. Por isso 2x2 y 2 lim p =0 x2 + y 2 x!0 y!0 2o método: Usamos os coordenadas polares: x = r cos t y = r sin t Se x!0 e y ! 0.Exemplo 5 Mostre que o limite y lim x x!0 y!0 não existe.

y0 ) 2 dom f: Diz-se que a função f (x. porém não é contínua é contínua em relação a cada uma das variáveis x ou em relação ao conjunto destas variáveis. y) = xy é contínua em cada ponto do plano R2 : f (x. y) = lim x ! x f (x. y) = 8 < : x2 2xy . 0 y ! y0 onde o ponto P (x.r2 2 sin2 t 2x2 y 2 lim x ! 0 p = limr!0 r x2 + y 2 y!0 Temos que 2 sin2 t cos2 t 2 cos2 t = limr!0 r 2 sin2 t cos2 t 2 sin2 t + cos2 t 2 3. esta desigualdade mostre que a função 2 sin t cos t é limitada. y) = 1 x2 y 2 é contínua no círculo fechado unitário C = (x. 0) . 0) : Uma função contínua em cada ponto dum certo domínio diz-se. excepto no ponto (0. 10 . 0) é contínua em cada ponto do plano R2 . y) 2 R2 : x2 + y 2 1 As propriedades dos limites e das funções contínuas são análogas às propriedades correspondentes para as funções de uma variável. por isso r!0 lim r 2 sin2 t cos2 t = 0 Exercício 8 Calcule x2 y lim 2 + y2 x!0 x y!0 1. y0 ) . x2 + y 2 : 0. Exercício 11 Mostre que a função f (x.1. y) e um ponto P0 (x0 . y) = (0. y) 6= (0. y0 ) . y) = f (x0 . 0) y em separado. y0 ) permanecendo no interior do dom f: Exemplo 9 1) A função 2) A função f (x. y) 6= (0.7 Continuidade das funções Vamos considerar uma função z = f (x. se limP !P0 f (x. se (x. y) = (0. O produto da função in…nitamente pequena (r ! 0) e função limitada é função in…nitamente pequena. y) = 8 < 2xy . se (x. + y2 0. 0) . contínua nesse domínio. y) é contínua no ponto P0 (x0 . se (x. se (x. y) tende para P0 (x0 . p Exemplo 10 A função f (x.

(x0 + x.2 1. ii) z = cos (xy) . (x0 + x. y) de…ne-se pela fórmula: z= f (x0 . y0 ) = (3. 3) ) x z = x 1+ x xz = (3 + x)2 2 3 x 3= 1+ x 32 2 = 2( x)2 + 12 x. y0 ) 2 dom f : É usual chamar-se acréscimo parcial ou crescimento parcial da função f (x. o acréscimo total não é igual à soma dos acréscimos parciais: z 6= Exemplo 13 z = x2 y ) = (x0 + x)2 y0 x2 y0 = y0 ( x)2 + 2x0 y0 x 0 2 y) x2 y0 = x2 y y z = x0 (y0 + 0 0 z = (x0 + x)2 (y0 + y) x2 y0 = y0 ( x)2 + 2x0 y0 x + x2 y + 2x0 x y + ( x)2 y 0 0 (1.13) xz xz + yz Exercício 14 Calcule os acréscimos parciais e o acréscimo total no ponto (x0 . y0 ) = f (x0 . y0 ) = f (x0 + x. y) é contínua no ponto (x0 . (x0 . y0 + y) f (x0 . y) . y0 ) 2 dom f e um número real x tal que (x0 + x. (x0 . o acréscimo parcial em relação a x signi…ca que a função z = f (x. y0 ) . y) em relação a y e denota-se yz = y f (x0 . 11 . y0 ) 2 dom f Geometricamente.2. y0 ) da função é in…nitamente pequeno quando x ! 0 e y ! 0. y) em relação a x. o acréscimo da função f (x. se x0 é constante e se dá a y0 um acréscimo y. y0 ) . y) e do plano y = y0 = Const: paralelo ao plano x0z: É claro que x z = x f (x0 . em geral. y0 ) . y) recebe o acréscimo x z "ao longo da curva" de…nida pela intersecção da superfície z = f (x. (x0 . um ponto (x0 . (x0 . y0 ) das funções seguintes: y i) z = . iii) z = ln (x + y) x Teorema 15 A função z = f (x. (x0 . y0 ) f (x0 . y0 ) . y0 ) = (1. ao acréscimo correspondente de z chama-se acréscimo parcial ou crescimento parcial da função f (x. (x0 . y0 + y) f (x0 . y0 ) . à diferença f (x0 + x.1 Derivadas e diferenciais Acréscimo Consideremos uma função real de duas variáveis reais z = f (x. y0 ) . y0 ) f (x0 . y0 ) : Designá-la-emos por xz = x f (x0 . y0 + y) 2 dom f Geometricamente o acréscimo parcial em relação a y signi…ca que a função z = f (x. y) recebe o acréscimo y z "ao longo da curva" de…nida pela intersecção da superfície z = f (x. y0 + y) 2 dom f Notamos que. simplesmente. 2) ) 3 y 2) z = . y) e do plano x = x0 = Const: paralelo ao plano y0z: O acréscimo total ou.1. y0 ) sse o acréscimo total z = f (x0 . y0 ) = f (x0 + x. y0 ) é uma função real de variável real x: Exemplo 12 1) z = x2 y. Do mesmo modo.

Exemplo 16 @ [sin (xy)] = y cos (xy) @x Do mesmo modo de…ne-se a derivada parcial em relação a y da função f (x. y0 ) ao limite do quociente do acréscimo parcial x da variável x z em relação a x e do acréscimo x. lim x!0 lim x!0 x x @z = lim x!0 @x xz x = y0 cos (x0 y0 ) Notando que x z é calculado deixando a variável y sem alteração. x @z xz lim x!0 = y0 ) = y0 .2 De…nição de derivada parcial Sejam z = f (x. y) por uma das notações seguintes: @f @z 0 0 fx (x0 . pode-se então de…nir a derivada parcial em relação a x da função z = f (x. y0 ) = Cg ) f x z = C C = 0. y0 ) f (x0 . por de…nição: @z f (x0 + x. y0 ) x f (x0 . y0 ) (1.14) xz ) ff (x0 + x. 8 (x0 . y0 ) xz = lim = lim x!0 x!0 @x x x Exemplos: 1) f (x. @x @x Logo. C = Const: @x y 2) z = xy. y0 ) = C ^ f (x0 . zx . y0 )g ) = 0 =) x @z xz lim =0) =0 x!0 x @x @ (C) = 0. y0 ). 8 (x0 . quando x tende para zero.1. 8 (x0 . .2. Designa-se a derivada parcial em relação a x da função z = f (x. y) : @z = lim y!0 @x yz x = lim f (x0 + x!0 x. 8 (x0 . y). x @x 3) z = sin (xy) . 2 y0 x sin2 sin (y0 x) 2 = 0 =) = y0 . y0 ) ) x z = sin [(x0 + x)y0 ] sin (x0 y0 ) = sin (x0 y0 ) cos (y0 x)+sin (y0 x) cos (x0 y0 ) sin (x0 y0 ) = sin (x0 y0 ) [1 cos (y0 x)]+sin (y0 x) cos (x0 y0 ) = y0 x 2 sin (x0 y0 ) sin2 + sin (y0 x) cos (x0 y0 ) . y) no ponto ( x0 . à derivada em relação a x calculada supondo y constante. y) = C ( onde C é uma constante). y0 ) 12 . y) uma função real de duas variáveis reais de…nida numa vizinhança do ponto (x0 . y0 ) : Chama-se derivada parcial em relação a x da função f (x. y0 ) ) x z = (x0 + x)y0 x0 y0 = xy0 ) = y0 . y) da maneira seguinte: chama-se derivada parcial em relação a x da função f (x.

y) no ponto (x0 . y) em relação @x a x e designa-se pela notação dx z ou dx f (x.4 Diferenciais parciais xz @z = + ( x). y0 ) . y) : dx z = dx f (x. a variável @x @x independente é x). y) e do plano y = y0 : A derivada parcial em relação a x da função f (x. Exemplo 17 @ [sin (xy)] = x cos (xy) @y 1. f (x0 . y).ou a derivada parcial em relação a y da função f (x. 1. 2) A parte ( x) x é in…nitamente pequena de ordem superior em relação a x: @z À parte principal x chama-se diferencial parcial da função z = f (x. y0 ): Por isso a derivada parcial em relação a x da função f (x. y) no ponto (x0 . x @x onde ( x) é in…nitamente pequena quando x ! 0: Desta igualdade segue que xz xz De acordo com (1:14) o quociente @z : Daqui segue que @x x quando x ! 0 tende para um número determinado = @z x + ( x) x @x (1. y) = @z x @x (1.2. y0 )) com o plano x0y (no sentido dos x positivos). o acréscimo parcial x z da função z = f (x.16) 13 . y) no ponto (x0 .2. a variável y é …xa: y = y0 A último equação é a equação dum plano paralelo ao plano x0z: Portanto. y0 . y0 ) coincide com a derivada habitual da função f (x. y = y0 de…nem uma curva plana L que é a intersecção da superfície z = f (x. as equações z = f (x.3 Interpretação geométrica das derivadas parciais Quando calculamos a derivada parcial em relação a x da função f (x. y) é a soma de duas funções de variável x ( y é …xo) in…nitamente pequenas quando x!0: @z @z 1) A parte principal é x: A função x é linear ( x é um ponto …xo. y0 ) é igual à tangente do ângulo formado pela tangente à curva no ponto (x0 .15) Portanto. y) é a derivada em relação a y da função f (x. y) calculada supondo x constante.

y) chama-se diferencial total da função z = f (x. y) e denota-se por dz = df (x. y). onde A e B não dependem de x e y e a função q y) . então ela é diferenciável no ponto P e o seu diferencial total é igual a soma de todos os diferenciais parciais. se o acréscimo total puder ser representado na forma: f (x. é quociente do diferencial dx parcial dx z e do diferencial dx: Analogamente de…ne-se @z dy z = dy f (x.O diferencial dx da variável independente x identi…ca-se com o seu acréscimo Portanto a fórmula (1:16) pode ser reescrita na forma: dx z = dx f (x. y) = A x + B y + ( x. 14 .20) de ordem superior em relação a k( x. ( x.5 Diferencial total f (x.19) Diz-se que a função z = f (x. y) no ponto P (x. y) = dy @y e @z dy z = @y dy Exemplo 18 1) z = C ( onde C é uma constante) dx C = dy C = 0. C = Const: 2) z = yx2 dx z = 2xydx e dy z = x2 dy 1. y) é in…nitamente pequena 2 2 À parte linear A x + B y do acréscimo total f (x. y) é diferenciável no ponto P (x.2. y) (1.17) (1. y) = A x + B y (1. y)k = ( x) + ( y) : Teorema 19 Se a função tem todas as derivadas parciais contínuas numa vizinhança do ponto P.18) @z @z não pode ser considerado como quociente de @z e de @x: considera@x @x dx z se como um símbolo uno que é a notação para derivada parcial. y) = Da última igualdade segue que @z dx z = @x dx É preciso notar que @z dx @x x: (1.

y0 + y) f (x0 .22) @z @z dx + dy @x @y (1. y0 ) x + (x0 . y) . então @z @z 2 (2:001) ln 1:1 = f (x0 + x.21) Para as funções de mais variáveis é a mesma coisa.No caso de uma função de duas variáveis isto é dz = dx z + dy z ou dz = Portanto na fórmula (1:20) temos que A= @z e @x B= @z @y (1. z) temos que du = dx u + dy u + dz u ou du = Exemplo 20 z = x2 y ) @u @u @u dx + dy + dz @x @y @z dx z = 2xydx dy z = x2 dy dz = 2xydx + x2 dy z = dz + ( x. y + y) f (x.6 Utilização do diferencial total para cálculos aproximados z = dz + ( x. y0 ) y = 0:4 @x @y 2 O erro cometido é (2:001) ln 1:1 0:4 0:381 62 0:4 = 0:018 38 15 . Por exemplo. x = 0:01 e y = 0:1. y) = x2 ln y. y) Podemos reescrever a igualdade (1:19) na forma: Assim. y)k = ( x) + ( y) : Por isso. y) = y0 ( x)2 + 2x0 x y + ( x)2 y (ver (1:13) ). Notamos que onde ( x. 1. y. x0 = 2. y0 = 1. para a função de três variáveis u = f (x. em cálculos numéricos usa-se frequentamente a igualdade aproximada z ou f (x + 2 dz @z @z x+ y @x @y x. a diferença entre o acréscimo total e o diferencial total z dz é in…nitamente pequena q 2 2 de ordem superior em relação a k( x.23) Exemplo 21 Calcule (2:001) ln 1:1 Resolução: Seja f (x.2. y) + (1. y0 ) + (x0 .

t dt lim t!0 x dx = e t dt ( x. em virtude das igualdades (1:24) os acréscimos x e y respectivamente. y) .1. ) e y = (t.2. ). Com os últimos acréscimos. Vamos calcular a derivada desta função composta: Dando à variável t um acréscimo t.24) Seja z = f (x. y) na forma: z = A x + B y + ( x. (t. de duas variáveis: x = '(t. (1.26) (1. q 2 2 ordem superior em relação a k( x.7 Derivada duma função composta : Se as variáveis x e y (1. por exemplo. ). podemos escrever o acréscimo total da função z = f (x. y) =0 t lim t!0 y dy = t dt dz dx dy =A +B dt dt dt Lembrando as igualdades (1:22) podemos escrever: dz @z dx @z dy = + dt @x dt @y dt (1. onde A e B não dependem de y e a função ( x. (t)] diferenciável. então temos uma função composta de uma variável z = f ['(t).25) y) é in…nitamente pequena de x e y + t ( x. então as variáveis x e y recebem. y) t z dz = .27) Se as variáveis x e y são funções diferenciáveis de mais variáveis. então lim É possível mostrar que lim Por isso obtemos t!0 t!0 (1. )] 16 .28) então temos uma função composta de duas variáveis z = f ['(t. y) uma função diferenciável num domínio aberto também forem funções diferenciáveis: x = '(t) e y = (t). y)k = ( x) + ( y) : Dividamos todos os membros da igualdade (1:25) por t z x =A +B t t Se agora t ! 0.

2. @x @x @x2 @y @y @y 2 17 . Portanto o caso com mais variáveis é completamente análogo ao caso de uma variável e para as derivadas parciais duma função composta vamos ter as fórmulas análogas à fórmula (1:27) : @z @x @z @y @z = + @t @x @t @y @t @z @z @x @z @y = + @ @x @ @y @ 0 Exemplo 22 Seja z = ['(t)] : Calcule zt Resolução: Vamos considerar z = xy . y.8 Derivadas de ordem superiores Chamam-se derivadas parciais de segunda ordem de uma função z = f (x. x = '(t) e y = (t): De acordo com a fórmula (1:27) vamos ter dz = yxy 1 '0 (t) + 0 (t)xy ln x dt ou dz (t) 1 0 (t) = (t) ['(t)] ' (t) + 0 (t) ['(t)] ln ['(t)] dt (t) Derivada total Se z = f (x. y) às derivadas parciais de suas derivadas parciais de primeira ordem: @ @z @2z @ @z @2z 00 00 = = fxx . (x)] De acordo com (1:27) temos que @z @z dy dz = + . todas as outras variáveis são …xas. Quando nós calculamos a derivada parcial em relação a uma variável. y). na realidade. = = fyy . y = (x). uma z = f [x. y) e y é uma função de x : y = função composta de uma variável x : (x). z). então z = f (x. dx @z (para distingui-la da derivada parcial ). onde y = (x): @x dx @z dz Resolução: = yxy 1 e = yxy 1 + (xy ln x) 0 (x) @x dx 1. Por exemplo.diferenciável. y) é. @x Nos casos mais gerais temos as fórmulas análogas. se z = xy . u = f (x. dx @x @y dx onde a derivada (1.29) dz chama-se a derivada total da função composta z = f (x. y = '(x) e z = (x) =) du @u @u dy @u dz = + + dx @x @y dx @z dx @z dz Exemplo 23 Achar e .

y0 ) e nesta vizinhança a igualdade F (x.@ @z @2z @ @z @2z 00 00 = = fxy . x0 + ) =) f(x. de acordo com a fórmula (1:29) temos que @F @F dy + =0 @x @y dx 18 . x0 + ) segue que 8x 2 (x0 .2. = 4x2 y 3 z 3 . y) numa vizinhança do ponto P (x. = 3x2 y 2 z 4 . Por exemplo. y. = 6xy 3 z 4 . y) = 0 determina a variável y como uma função diferenciável de x num intervalo (x0 y = '(x): Isto signi…ca que x 2 (x0 . então o resultado da derivação múltipla não depende da ordem desta derivação. = = fyy . Teorema 24 Se a função z = f (x.30) @x@y @y@x Deste teorema segue que no caso em que as derivadas parciais são contínuas. x0 + ) : . por isso. x0 + )g Para encontrar a derivada da função y = '(x) podemos proceder do modo seguinte: Da identidade F (x. = 6x2 z 4 . 8x 2 (x0 . @y @x @x@y @x @y @y@x Às duas últimas derivadas chamam-se derivadas mistas. '(x)) 0.9 Derivadas de funções implícitas Uma equação Vamos supor que a função F (x. = 12x2 y 3 z 2 . então neste ponto P (x. y) tem derivadas parciais contínuas numa vizinhança V do ponto P (x0 . y) tiver derivadas de primeira ordem e derivadas contínuas mistas de segunda ordem. y) as derivadas mistas são iguais: @2z @2z = (1. 8x 2 (x0 . @y 3 @x@y@z 1. x0 + ) a derivada total da parte esquerda desta igualdade é igual à derivada total da parte direita. @y 2 @z 2 @x@y @x@z @3u @3u = 0. para a função u = f (x. = 6x2 yz 4 . '(x)) 0. z) nesse caso temos que @3u @3u @3u @3u = = = = @x@y@z @x@z@y @y@x@z @y@z@x Exemplo 25 u = x2 y 3 z 4 =) @2u @x2 @3u @x3 @u @u @u = 2xy 3 z 4 . = 24xy 2 z 3 . = 8xy 3 z 3 . @x @y @z @2u @2u @2u @2u = 2y 3 z 4 . '(x)) 2 V e F (x. Por analogia determinam-se e designam-se as derivadas de ordem superior à segunda.

y. Por exemplo. usando a igualdade (1:31). @F @F @y @x @z @z e assim por diante. Exemplo 26 A função y é determinada pela equação p y ln x2 + y 2 = arctg x Achar dy d2 y e : dx dx2 p y 1 x2 y0 x y Resolução.Logo. No caso em que a igualdade F (x. podemos obter da mesma maneira as derivadas parciais da função. y). obteríamos d2 y = dx2 2 @F @F @ 2 F @x @y @x@y @F @y @F @y 2 @2F @x2 3 @F @x 2 @2F @y 2 Analogamente. z = '(x. ln x2 + y 2 = arctg =) 2 [x + yy 0 ] = 2 =) x x + y2 x + y2 x2 x+y =) x + yy 0 = y 0 x y =) y 0 = x y 2y + 2xy 0 2y (x y) + 2x (x + y) (1 + y 0 ) (x y) (x + y) (1 y 0 ) = = y 00 = 2 2 3 (x y) (x y) (x y) 2 2 x +y y 00 = 2 3 (x y) 19 . se @F 6= 0. z) = 0 de…ne uma função implícita.31) Se quiséssemos calcular a segunda derivada poderíamos prosseguir na mesma maneira: d2 y = dx2 d dx @F @x @F @y @F @y @F d @x dx 2 @F @y = @F @x 2 @2F @ 2 F dy + @y@x @y 2 dx e. obtemos @y dy = dx @F @x @F @y @2F @ 2 F dy @F + @x2 @y@x dx @y @F @y (1. @F @F @z @z @y = = @x . poderíamos calcular (se existirem) derivadas da ordem superior.

ym ) . ym como funções de x1 . : : : . então o sistema (1:32) tem uma única solução @y1 @y2 @ym que nos dá as derivadas . ym ) têm todas as derivadas contínuas de primeira ordem e o sistema 8 > F1 (x1 . > < F2 (x1 . determina as variáveis y1 . : @x1 @x1 @x1 Ao determinante deste sistema chama-se determinante de Jacobi e denota-se por @F1 @y1 @F2 @y1 @F1 @y2 @F2 @y2 @F1 @ym @F2 @ym (1. > > @x1 @y1 @x1 @ym @x1 > > > > > > @F > @F2 @y1 @F2 @ym > 2 > + + + = 0. F2 (x1 . ym podemos proceder na mesma maneira do que no caso anterior: Comparando as derivadas totais de ambos os lados de cada equação do sistema anterior.:::.33) @Fm @y1 @Fm @y2 @Fm @ym J= D (F1 . y1 . ym . Fm ) = D (y1 . xn . : : : . : : : . y1 . : : : . xn . ::: ::: ::: ::: > ::: > : Fm (x1 . ym ) = 0.32) > > > > ::: ::: ::: ::: ::: > > > > @Fm @Fm @y1 @Fm @ym > > + = 0. : : : . < @x1 @y1 @x1 @ym @x1 (1. obtemos 8 @F1 @ym > @F1 + @F1 @y1 + > + = 0. : : : . : : : . . : : : . : : : .Sistema de equações. y1 . : : : . > @x + @y @x + > @ym @x1 > 1 1 1 : isto é. : : : . y1 . : : : . xn . : : : . : : : . xn . Fm (x1 . : : : . : : : . um sistema linear de m equações com m incógnitas @y1 @y2 @ym . ym ) = 0. xn : Para encontrar as derivadas das funções y1 . ym ) = 0. : @x1 @x1 @x1 Analogamente podemos encontrar outras derivadas das funções y1 . Determinante de Jacobi Vamos supor que as funções F1 (x1 . y1 . ym ) . : : : . . 20 . : : : . y1 . xn . xn . : : : .:::. ym ) Se o determinante de Jacobi for diferente de zero.

Resolução.34) chama-se fórmula de Taylor. 0 1 + 0 + zx + u 0 = 0 x 0 2x + 0 + 2zzx + 2uu0 = 0 x Vamos supor que o determinante de Jacobi 1 2z é diferente de zero. então tem lugar a fórmula de Taylor seguinte: 21 . u0 = y z z z u z u Analogamente 0 zy = 1.Exemplo 27 Seja o sistema x+y+z+u=a x2 + y 2 + z 2 + u2 = b que determina z e u como funções de x e y: Calcule as derivadas parciais destas funções. < 1.10 Fórmula de Taylor Vamos lembrar a fórmula de Taylor para a função de uma variável: Seja y = f (x) uma função que tem todas as derivadas até à ordem n + 1 inclusivamente numa vizinhança do ponto x: À igualdade f (x + onde x) = f (x) + f 00 (x) f 0 (x) x+ x2 + 1! 2! 0< + f (n) (x) 1 xn + f (n) (x + n! (n + 1)! x) xn+1 . se a função z = f (x. (1.2. Vamos só considerar um caso particular em que a função tem duas variáveis e n = 2: Neste caso. y). Para as funções de várias variáveis existe a fórmula de Taylor análoga. Neste caso obtemos 0 zx = 1 2u = 2 (u z) x u y u x u . u0 = x z z u y . y) tiver todas as derivadas parciais contínuas até à terceira ordem numa vizinhança do ponto P (x.

onde satisfaz as desigualdades (1:34) : x. y + y) = 1 0 0 f (x. y) y + f (x. y + y) y 3 . y) @x @y 3 @ @ d3 z = d3 f (x. y) x + fy (x. y): Às expressões d2 z = d2 f (x. y) = e para o diferencial de ordem n dn z = dn f (x. y + y) x2 y+ 000 +3fxyy (x + x. y) x2 + 2fxy (x. y) + 1! x h 00 i 1 00 00 + fxx (x. y) y 3 chamam-se os diferenciais de segunda e de terceira ordem respectivamente. y) y é o primeiro diferencial da função z = f (x. y) x y + fyy (x. Diferenciais de ordem superior Como já sabemos (ver (1:20) ou ( 1:21) ). y) x2 + 2fxy (x. y) = fx (x. y + y) x3 + 3! 000 xxx +3fxxy (x + x. y) @x @y dz = df (x. y) x + fy (x. y) x2 y + 3fxyy (x. y) = x+ y f (x. y) x+ @x @y 2 @ @ d2 z = d2 f (x. y) x y + fyy (x. y) y 2 e d3 z = d3 f (x. Para os diferenciais podemos introduzir as notações convencionais: @ @ y f (x. y) = x+ y f (x. y) = fxxx (x. y) 22 .35) x. y) x3 + 3fxxy (x. y) x y 2 + fyyy (x. a expressão 0 0 dz = df (x. y) = fxx (x. y) = @ @ x+ y @x @y n 000 000 000 000 00 00 00 f (x. y) y 2 + 2! h 1 000 + f (x + x. y + y) xi y 2 + +fyyy (x + 000 f (x + (1.

x = y = 1. y0 ) : Se existir uma vizinhançã V dom f tal que f (x0 . diz-se que a função z = f (x. y + y) = f (x. y) = xy 2 . y0 ) < f (x. y) + @x @y n 1 @ @ + x+ y f (x. y) + df (x. y)+ n! 1 1 f (x + x. 23 . y) admite um máximo no ponto P (x0 . y) e P (x0 . + Exemplo 28 Sejam f (x. y + y) 1 n d f (x. então. y) + 1! 2! 1 dn+1 f (x + x. y) 2 V. y) + d2 f (x. 8 (x. y0 ) > f (x. y)+ n! @x @y n+1 1 @ @ + x+ y f (x + (n + 1)! @x @y ou x. y) + 2 1 1! @ @ x+ y f (x. x = 0:1 e De acordo com a fórmula de Taylor devemos ter y = 0:2: 1 2 2 y x + 2xy y + (x + x) (y + y) = xy 2 + 1! 1 4 (y + y) x y + 2 (x + x) y 2 .11 Estudo da variação das funções Pontos extremos Sejam z = f (x. então diz-se que a função z = f (x. y)+ @x @y @ @ x+ y f (x. y0 ) : Ao máximo e ao mínimo duma função chamam-se extremos dessa função. y). y) admite um mínimo no ponto P (x0 . Estas de…nições são análogas para as funções de qualquer número de variáveis. y). 2! onde satisfaz (1:34) : Usando os dados númericos. y0 ) 2 dom f: Se existir uma vizinhança V dom f tal que f (x0 .Com estas notações podemos escrever a fórmula de Taylor para qualquer n f (x + + 1 2! x. obtemos a igualdade: 0:004 = 0:012 Daqui segue que na realidade 0< = 1 <1 3 1. y) 2 V. y + y) = f (x.2. 8 (x. y + y) + (n + 1)! E analogamente para os casos das funções de mais variáveis.

B = ou. se AC B2 > 0 e A>0 3. y) tem um máximo no ponto P (x0 . se AC O caso AC é indeterminado. Se a função z = f (x. y0 ) . Vamos supor que a função z = f (x.Teorema 29 (Condições necessárias para a existência dum extremo). y0 ) e C = (x0 . B = (x0 . y0 ) @x2 @x@y @y 2 Teorema 30 (Condições su…cientes para a existência dum extremo). y0 ) um ponto crítico da função z = f (x. Exemplo 31 Achar os extremos da função: z = x2 + y 2 xy + 2x 4y + 27: Resolução. então 1. y0 ) . se AC B2 > 0 e A<0 2. Aos pontos onde as derivadas parciais de primeira ordem se anulam chamam-se pontos críticos da função. y0 ) . Seja P (x0 . z = f (x. y0 ) . y) admitir um extremo no ponto P (x0 . y0 ) e denotamos: @2f @2f @2f A= (x0 . y0 ) . cada derivada parcial de primeira ordem da função f anula-se no ponto P (x0 . z = f (x. y) não tem extremo no ponto P (x0 . y0 ) . y) tem derivadas de segunda ordem no ponto P (x0 . z = f (x. seja AC Por isso a função z = x2 + y 2 B2 = 3 > 0 e A = 2 > 0 4y + 27 no ponto P (0. então. 2) : Também temos que 24 . y) tem um mínimo no ponto P (x0 . Achamos as derivadas parciais de primeira ordem para encontrar os pontos críticos: 8 > @z = 2x y + 2 = 0. y0 ) ou então não existe. 2) tem o mínimo: xy + 2x 1. < @x > @z = 2y x 4 = 0 : @y A = 2. C = 2 B2 = 0 B2 < 0 Resolvemos o sistema e obtemos um ponto crítico: P (0. y): Se a função tem todas as derivadas parciais contínuas até à terceira ordem inclusive numa vizinhança do ponto P (x0 .

Exercício 32 Determinar o máximo e mínimo da função região jxj 1 e jyj 1: z = f (x. y) = x2 xy + y 2 + 10 na 25 .z = x2 + y 2 Valores máximo e mínimo da função xy + 2x 4y + 27 Toda a função diferenciável numa região limitada e fechada atinge o seu valor máximo e o seu valor mínimo.

.1. !m 26 . !2 . .1 Integral duplo De…nição e existência Viktor Kravchenko Análise III (partes/I/1a. as áreas destes domínios.Capítulo 2 Integrais múltiplos 2.1 2. y) Dividimos o domínio em m domínios parciais por curvas de Jordan quaisquer: !1 .tex) Seja L uma curva plana fechada de Jordan (isto signi…ca que a curva não tem pontos múltiplos). !m Denotamos por !1 . Denotamos por o domínio fechado limitado pela curva L: Seja dado no domínio uma função: z = f (x. !2 .

1) (2. 8P 2 . 8m é igual ZZ A = d! (2. y) Sm (1) = é igual a área A do domínio : Por isso a área A do domínio A = Sm .e.3) Volume Se f (P ) 0. Sm2 (f ) .1. então o integral duplo 2. : : : .2 Área Interpretação geométrica 1 no domínio !1 + !2 + + !m Qualquer soma integral da função f (x. i. : : : : (2.2) formadas por diversos cortes de em domínios parciais ! k e tais que o maior diâmetro dos ! k tende para zero quando mn ! 1: Se existir limite da sucessão (2:2) e este limite for o mesmo qualquer que seja a sucessão (2:2) . se o limite não depender nem do modo do corte de em domínios parciais ! k nem da escolha do ponto Pk em ! k . y) dxdy Teorema 33 Se a função z = f (x. y) for contínua no domínio fechado ZZ f (x. então a este limite único vamos chamar integral duplo da função f (x. é o volume do cilindro de base ! k e de altura f (Pk ) (as geratrizes do cilindro são paralelas ao eixo 0z): 27 . y) sobre o domínio e denotar por ZZ ZZ f (P ) d! ou f (x.. y) no domínio Consideremos uma sucessão arbitrária de somas integrais Sm1 (f ) . À soma Sm (f ) = f (P1 ) ! 1 + f (P2 ) ! 2 + + f (Pm ) ! m chama-se a soma integral da função z = f (x. . 8k.Em cada domínio ! k escolhemos um ponto Pk arbitrário. Smn (f ) . 8! k . y) dxdy existe. então f (Pk ) ! k .

3 1. dá-nos o volume V do corpo limitado pela superfície z = f (P ) 0. ZZ f (P ) d! + ZZ g (P ) d!. 28 . ZZ ZZ Propriedades elementares Cf (P ) d! = C ZZ f (P ) d!.. O limite das somas integrais quando os diâmetros de todos os ! k tendem para 0.4) 2. o plano z = 0 e a superfície cilindrica cujas geratrizes são paralelas ao eixo 0z e se apoiam sobre a fronteira de : ZZ V= f (P )d! (2. 8P 2 .1.e.Portanto a soma integral Sm (f ) = f (P1 ) ! 1 + f (P2 ) ! 2 + + f (Pm ) ! m é soma dos volumes desses cilindros ou o volume do corpo em "escada". 3. o integral duplo. Se f (P ) f (P ) d! g (P ) d! 5. então ZZ M. 2. [f (P ) + g(P )] d! = ZZ g(P ). 8C = Const:. então mA f (P ) d! ZZ ZZ jf (P )j d! 4. 8P 2 . i. Se m f (P ) ZZ f (P ) d! M A .

y) é uma função contínua no rectângulo ZZ f (x.onde A é a área do domínio : . y) dy = d Z c dy f (x. então for constituido por dois domínios parciais 1 e ZZ ZZ ZZ f (P ) d! = f (P ) d! + f (P ) d! 1 2 2 sem pontos interiores 2.1. (Teorema do valor médio): Se a função f (P ) for contínua no domínio menos um ponto P0 2 tal que ZZ f (P ) d! = f (P0 )A 7.4 Cálculo de integrais duplos = [a. = [3. 2] : z= I= R ZZ 1 dxdy = x+y 4 Z 3 1 x+y . 2] dx 2 Z 1 1 dy x+y 2 Z 1 1 dy = ln jx + yj + C =) x+y 1 dy = ln jx + 2j x+y 29 ln jx + 1j =) . d] . Se o domínio comuns. onde x+y = [3. y) dx a Exemplo 35 Calcule: I = Resolução: 1 dxdy. y) dxdy = ZZ b Z [c. 4] [1. b] b Z Domínio rectangular Teorema 34 Se f (x. então existe pelo 6. 4] [1. então dx a d Z c f (x.

ln jy + 4j dy = (2 + 4) ln (2 + 4) ln jy + 3j dy = (2 + 3) ln (2 + 3) 5 ln 5 1 (5 ln 5 (1 + 4) ln (1 + 4) + (1 + 4) = 6 ln 6 (2 + 3) (1 + 3) ln (1 + 3) + (1 + 3) = 5 ln 5 4 ln 4 1. A . ln jx + 1j dx = (4 + 1) ln (4 + 1) 5 ln 5 1 (5 ln 5 (4 + 1) (3 + 1) ln (3 + 1) + (3 + 1) = 5 ln 5 4 ln 4 1. I = 6 ln 6 4 ln 4 1) =) 10 ln 5 + 4 ln 4 I = 6 ln 6 Exercício 36 Seja 1.I= R 4 Z 3 [ln jx + 2j " ln jx + 1j] dx = 1 dt t # 4 Z 3 ln jx + 2j dx t =) 4 Z 3 ln jx + 1j dx ln (x + p) d (x + p) = (x + p) ln (x + p) ln tdt = u = ln t du = dv = dt v=t = t ln t (x + p) + C =) 4 Z ln jx + 2j dx = (4 + 2) ln (4 + 2) 3 4 Z 3 R (4 + 2) (3 + 2) ln (3 + 2) + (3 + 2) = 6 ln 6 5 ln 5 1. I = 6 ln 6 4 ln 4 1) =) 10 ln 5 + 4 ln 4 I = 6 ln 6 Analogamente. x+y 30 . 2. 5 ln 5 1. 3] : Calcule: 1 dxdy. V1 = ZZ = [ 1. 2 4 ZZ Z Z 1 1 I= dxdy = dy dx x+y x+y 1 3 4 Z 3 2 Z 1 1 dx = ln jy + 4j x+y [ln jy + 4j ln jy + 3j =) 2 Z 1 I= 2 Z 1 2 Z 1 ln jy + 3j] dy = ln jy + 4j dy (2 + 4) 2 Z 1 ln jy + 3j dy. 1] [2.

2] (x + y) z= 4. (x+y)2 = [3. 4] [1. = [3. V3 = ZZ x+y (x2 2 dxdy 1 . V2 = ZZ 1 2 dxdy. 1 x+y . 2] + y2 ) 31 . 4] [1.z= 3.

y) dy (2. então f (x. y) for uma função contínua no domínio regular ZZ b Z d(x) Z c(x) segundo o eixo 0y. y) dxdy = dx f (x. e tais que c(x) d(x). (x2 +y 2 )2 = [3. V2 = ln . b] Ao domínio que é limitado pelas curvas y = c(x) e y = d(x) e pelas rectas x = a e x = b chama-se domínio regular segundo o eixo 0y: Teorema 37 Se f (x. 8x 2 [a.z= Respostas: V1 = ln Domínio regular x+y . 4] 1 1 arctg 2 2 [1. 27 2 V3 = Domínio regular segundo o eixo 0y Sejam y = c(x) e y = d(x) duas funções contínuas sobre o segmento [a.5) a Exemplo 38 O domínio a é limitado pela parábola ZZ 1 e x = 1: Calcule dxdy: y2 a y = x2 e pelas duas rectas: y = x + 2 Resolução: 32 . b] . 2] 1 1 arctg 3 3 64 3 . a < b.

x = 1 dx = 6 b dx b 1 4 Z x2 1 x2 dy = 4 x2 1 Exercício 40 Calcule: ZZ 1. Ic = xydxdy. x+2 2 4 y=1 x2 . x = 1 x2 1. y = 4 1 Z x2 .: y = x2 . y = x + 2. x = 1 ZZ 1 dxdy = y2 2 Z 1 dx a x+2 Z x2 1 dy = y2 2 Z 1 1 x2 1 1 3 dx = + ln . x = 1: Calcule a área A b do domínio b : Resolução: :y=1 A = ZZ dxdy = 1 Z x2 . y = 4 x2 e pelas rectas: Exemplo 39 O domínio b é limitado pelas parábolas x = 1. y = x 1 e x=1: 33 . b onde o domínio c é limitado pelas rectas: y = 2x.

y) dx 34 . y = x3 Respostas: Ic = 2 . d] . Id = ZZ (x + y) dxdy. 8y 2 [c. y) dxdy = d Z c segundo o eixo 0y. e tais que a(y) b(y). 3 Id = 1 5 1 1 1 + 6 2 7 1 31 = 9 630 Domínio regular segundo o eixo 0x Sejam x = a(y) e x = b(y) duas funções contínuas sobre o segmento [c. y) for uma função contínua no domínio regular ZZ f (x.6) dy a(y) b(y) Z f (x. então (2. y = x 2. onde o domínio c 1.: y = 2x. c < d. d] Ao domínio que é limitado pelas curvas x = c(y) e x = d(y) e pelas rectas y = c e y = d chama-se domínio regular segundo o eixo 0x: Teorema 41 Se f (x. y = x4 : d : y = x4 . x = 1 é limitado pelas parábolas: y = x3 .

domínio regular. y = 1 5 2 16x4 e pela recta: A = dxdy = dy 1 1 y2 Z4 y 1 2 dx = 2 1 y2 dx = 1 Exercício 43 O domínio y = 0: Calcule a área A é limitado pelas parábolas do domínio : y=1 x2 . y = 1 y=1 x2 . y) é função contínua no domínio regular que satisfaz as condições dos 35 . Corolário 44 Se f (x. y = 1 16x4 . y = 0 Domínio regular Um domínio regular segundo os dois eixos de coordenadas dir-se-á. simplesmente.Exemplo 42 O domínio é limitado pelas parábolas y 2 = 1 y = 1. y = 1: Calcule a área A do domínio : Resolução: x. y 2 = 4 (2 x) e pelas rectas: : y2 = 1 ZZ 1 Z 2 x. y = 1. y 2 = 4 (2 1 Z 1 2 4y x) .

y) dy = dy f (x. então ZZ b Z d(x) Z c(x) d Z c b(y) Z f (x. y = 4 2x. y = 0: Calcule: ZZ ydxdy Resolução: x + 1. então 1. y) dxdy + + f (x. y) dxdy 1 n e cada integral da parte direita da última igualdade pode ser calculado através das fórmulas (2:6) ou (2:5) : Exemplo 45 O domínio é limitado pelas rectas: y = x + 1. y) dxdy = dx f (x. y) dxdy = f (x. y = 4x 4. y) dx a a(y) Caso geral Se o domínio for constituido por n domínios regulares segundo 0x ou 0y : . ZZ ZZ ZZ f (x. n que não têm pontos interiores comuns . y = 36 . y = 4 2x.teoremas anteriores. y = 4 + 2x.

x 2y = 2. y 2x = 2. v) (2. v) e y= (u. y) do plano x0y corresponde univocamente um ponto P 0 (u. v) do plano u0v: Aos números u e v chamam-se coordenadas curvilíneas do ponto P: O determinante de Jacobi do sistema (2:7) : @' @u @ @u @' @v @ @v J (u.y do plano x0y e os pontos dum determinado domínio u. v) 37 .5 Sejam Mudança de variáveis Caso geral x = ' (u. v) = D(x. Calcule ZZ xdxdy 2.ZZ 1 Z 0 ydxdy = 1+y Z ZZ ydxdy + 1 Z 0 2 1 ZZ 1 2y ydxdy + 4 Z 1 2 ZZ ydxdy + Z 1 2y 3 ZZ ydxdy = 4 0 Z 1 ydy 4 2 Z 1 4y dx+ 1 2y ydy dx + ydy 2+ 1 y 2 1 y Z 2 dx + ydy dx = 8 2 2 + + + 9 = 13 3 3 3 x = 1.7) funções diferenciáveis que estabelecem uma correspondência biunívoca e contínua em ambos os sentidos.v do plano u0v: Com esta correspondência biunívoca ao ponto P (x. y 2. entre os pontos dum domínio x. y + x = 2+ 1 y 2 Exercício 46 O domínio é limitado pelas rectas: y + x = 1. y) = D(u. x y = 1.1.

Temos que J( . v)] jJ (u.conserva invariável o seu sinal no domínio u. uma função: f (P ) = f (x. y. sin ] d d (2. ). )= Por isso.8) 2. ) d ) (2. em que o domínio = e os raios = tais que 1 1 é limitado pelas curvas ( ). e 2 = 2 ( ) = .6 Integrais duplos em coordenadas polares e : Consideramos no plano as coordenadas polares x = cos . (u. y) = D( . P = (x.1.10) 2.v : Nestas condições será válida a fórmula: ZZ ZZ f (x.y u:v (2. v)j dudv x. No caso particular. y) dxdy = f [' (u. e < . y. v) .9) x. y) dxdy = f [ cos . então o integral duplo desta função existe e é igual a: ZZ Z 2 Z( 1( ) F ( . z) 2 V 38 .2 2. ) d! = d F( .1 Integral triplo De…nição e existência Seja S uma superfície fechada.y . ZZ D(x. ( ) ( ) se em estivece de…nida uma função contínua z = F ( . z) .2. no domínio V . Denotamos por V o domínio fechado limitado pela superfície S: Seja dada. ) ZZ y = sin sin cos cos sin = f (x.

Sm2 . Smn . então a este limite único vamos chamar integral triplo da função f (P ) sobre o domínio V e denotar por ZZZ ZZZ f (P ) dv ou f (x.11) formadas por diversos cortes de V em domínios parciais vk e tais que o maior diâmetro dos vk tende para zero quando mn ! 1: Se existe limite da sucessão (2:12) e este limite for o mesmo qualquer que seja a sucessão (2:12) . v2 .13) V V Teorema Z Se a função z = f (x.. V 2. 8! k . z) for contínua no domínio fechado V. Em cada domínio vk escolhemos um ponto Pk arbitrário. v2 . : : : .2 Volume Interpretação geométrica e física 1 no domínio V v2 + + vm Qualquer soma integral da função f (x. z) dxdydz existe.Dividimos o domínio V em m domínios parciais por superfícies quaisquer: v1 . vm os volumes destes domínios. y. i. À soma Sm = f (P1 ) v1 + f (P2 ) v2 + + f (Pm ) vm chama-se soma integral da função f (P ) no domínio V: Consideremos uma sucessão arbitrária de somas integrais Sm1 .12) . y. y. Denotamos por v1 . se o limite não depender nem do modo do corte de V em domínios parciais vk nem da escolha do ponto Pk em vk . z) Sm = é igual ao volume V do domínio V : v1 + V = Sm . y. então o integral Z Z 47 triplo f (x. z) dxdydz (2. : : : (2.2. 8m Por isso o volume V do domínio V é igual ZZZ V= dxdydz V 39 .e. . vm (2.

quanto menor for o domínio vk : Portanto o integral (2:13) é a massa de toda a matéria que se encontra em V: 2. z) dxdydz. z). z) dxdydz = C ZZZ V f (x. onde V é o volume do domínio : 6. z)j dxdydz 4. 8k. y. y. y. Se o domínio V for constituido por dois domínios parciais V1 e V2 sem pontos interiores comuns. y. ZZZ V f (x. y. z) dxdydz g (x. então ZZZ mV f (x. y. 3. y. z)] dxdydz = f (x. y. z) dxdydz+ ZZZ V g (x. y. y. y. z) M. z) dxdydz V M V. então ZZZ ZZZ f (x. 8 (x. z) + g(x. então existe pelo menos um ponto P0 2 V tal que ZZZ f (x. ZZZ V [f (x. z) 2 V. z) 2 V. 8C = Const:. então ZZZ ZZZ ZZZ f (x. ZZZ V 2.Massa Se f (P ) 0. y. Se f (x. z) dxdydz = f (P0 )V V 7. Se m f (x.3 1. 8P 2 V. então podemos considerar f (P ) como a densidade da distribuição duma matéria num domínio V: Se vk for bastante pequeno. y. é aproximamente igual a toda a massa do domínio vk : A precisão desta igualdade é melhor. y. y. z) dxdydz ZZZ V jf (x.2. y. 8 (x. z) dxdydz + f (x. ZZZ V Propriedades elementares Cf (x. z) dxdydz V V 5. então o produto f (Pk ) vk . y. z) g(x. y. y. z) dxdydz V V1 V2 40 . (Teorema do valor médio): Se a função f (P ) for contínua no domínio V. z) dxdydz = f (x. z) dxdydz. y.

Domínio paralelepípedal Teorema 48 Se f (x. q(x.2. y. Em cada um destes casos as fórmulas do cálculo de integral triplo são análogas. d] [p. Exemplo 49 Seja V = [0. q] . y)] Exemplo 51 Seja V = [0. y. y. y. Teorema 50 Se f (x. 1] [2. z) dxdydz = dz dx f (x. b(y)] [c. y). d] [p(x. b(y. y). q] . q(x. outro tem limites que são funções de uma variável de…nida no segmento com limites constantes e o terceiro segmento tem limites que são funções de duas variáveis sendo cada uma delas de…nida num dos segmentos anteriores. y)] ou em qualquer uma forma análoga onde um dos segmentos tem limites constantes. d(x)] [p(x. z) dy V p a c ou por uma das fórmulas análogas (as variáveis x. 4] [0. b] então q b d ZZZ Z Z Z f (x. y e z podem trocar de lugares). z)] [c(z). z) dx V p c(z) a(y.2. b] ou V = [a(y). z) for uma função contínua no paralelepípedo V = [a. y. xy] : Calcule ZZZ I= xydxdydz V Resolução: xy 1 1 1 1 Z Z Z Z Z 1 2 I = xdx ydy dz = x dx y 2 dy = 9 0 0 0 0 0 41 . 1] [0. d(z)] [p. z). z) dxdydz = dz dy f (x. 3] : Calcule ZZZ I= (x + y + z) dxdydz V Resolução: 4 3 1 4 3 Z Z Z Z Z I = dy dz (x + y + z) dx = dy 2 0 0 2 0 1 + y + z dz = 2 4 Z 2 3 9 + 3y + 2 2 dy = 30 Domínio regular Domínios regulares são domínios que podem ser representados na forma: V = [a. então d(z) b(y.z) [c(x). Por exemplo. 1] [0. z) for uma função contínua no domínio V = [a(y. y.4 Cálculo de integrais triplos [c.z) q ZZZ Z Z Z f (x.

por isso. Temos que y = sin sin cos 0 e z=h cos sin 0 0 0 1 J ( . . w)] jJ (u.v.z não contém o ponto (0.16) 42 . v. z) = D( . z) do espaço 0xyz corresponde univocamente um ponto P 0 (u.y.w : Nestas condições será válida a fórmula: ZZZ f (x. w) .2. v e w chamam-se coordenadas curvilíneas do ponto P: O determinante de Jacobi do sistema (2:14) : @' @u J (u. v. entre os pontos dum domínio Vx. y.y.v. y. y.w e. conserva invariável o seu sinal no domínio Vu. w) (2. z) dxdydz = Vx. e h: x = cos . v. y. h) = Vx. 0.2. v.v. y.z V .w do espaço 0uvw: Com esta correspondência biunívoca ao ponto P (x.6 Integrais triplos em coordenadas cilíndricas Consideramos no espaço as coordenadas cilíndricas . h] d d dh Vx. v. v. se D(x. h) = Por isso.2. . w) e z= (u.h (2.w 2. (u. então ZZZ ZZZ f (x. v.z ZZZ f [' (u.y. w) @ @u @ @u @' @v @ @v @ @v @' @w @ @w @ @w é diferente de zero em cada ponto de Vu.v. v. y= (u. v.z do epaço 0xyz e os pontos dum determinado domínio Vu. w)j dudvdw (2. w) do espaço 0uvw: Aos números u.14) funções diferenciáveis que estabelecem uma correspondência biunívoca e contínua em ambos os sentidos. . w) = D(x. z) dxdydz = f [ cos .y. (u. w) . 0) .5 Sejam Mudança de variáveis Caso geral x = ' (u. z) = D(u.15) Vu. sin . v. w) .

r Se as funções x(t). 3. t 2 [0. é uma circunfêrencia.1.1) onde ! ! ! i = (1. r ! ! ! 2) !(t) = cos t i + sin t j + k . y(t) e z(t) forem contínuas. 0.1. 1) é uma base do espaço R3 : Quando t varia. 0. 2 ] . y(t) e z(t) variam e a extremidade do raio vector !(t) descreve no espaço uma determinada curva r que se chama odografo do vector !(t): r Às equações (3:1) chamam-se equações vectoriais da curva. j = (0. t 2 R. 43 . dt (3. r i j k (3. y(t) e z(t) forem diferenciáveis. y 0 (t).Capítulo 3 Integrais curvilíneos e integrais de superfície 3. z 0 (t)) = x0 (t) i +y 0 (t) j +z 0 (t) k .2 Derivação das funções vectoriais De…nimos a derivada da função vectorial (3:1) pela relação ! d! !0 r ! ! = r (t)= (x0 (t). ! ! ! Exemplo 52 1) !(t) = (t + 1) i +(t 1) j +t k .2) Se as funções x(t).1 Curvas Equação duma curva no espaço No espaço R3 com o sistema das coordenadas 0xyz vamos considerar uma função vectorial: !(t)= (x(t). y(t). z(t)) = x(t)!+y(t)!+z(t)!. então à curva chama-se regular ou suave. 0) e k = (0. então à curva chama-se contínua. 0) . as coordenadas x(t).1 3. Resulta imediatamente desta de…nição que as principais regras de derivação das funções vectoriais são análogas às principais regras de derivação das funções escalares. é uma recta. 1.

A derivada do produto escalar de funções vectoriais é dada pela fórmula: d (!1 ) ! r d (!2 ) r d (!1 !2 ) r r = r 2 + !1 r dt dt dt A um vector ! tal que e chama-se vector unitário. y0 . z0 ) . então 3.1.e. A derivada da soma de funções vectoriais é igual à soma das derivadas dessas funções vectoriais: d (!1 ) d (!2 ) r r d (!1 + !2 ) r r = + dt dt dt d (C !) r d (!) r =C dt dt 2. onde r x0 = x (t0 ) .1.3 Equação da tangente a uma curva d! r = lim t!0 dt (!) r . 8t =) !(t) e e =0 dt 4. Se C é uma constante. A derivada do produto vectorial de funções vectoriais é dada pela fórmula: d (!1 !2 ) r r d (!1 ) r = dt dt ! +! r2 r1 d (!2 ) r dt k!k = 1 e 3. z 0 (t )) = x0 (t )!+y 0 (t )!+z 0 (t )! r 0 0 0 0 0 i 0 j 0 k é um vector director da tangente da curva !(t) no ponto (x0 . z0 ) é r x x0 y y0 z z0 = 0 = 0 x0 (t0 ) y (t0 ) z (t0 ) 44 (3.. a equação da tangente da curva !(t) no ponto (x0 . d (!(t)) e k!(t)k = 1. Corolário 53 A derivada da função vectorial unitária é ortogonal a este vector. y0 . y0 = (t0 ) e z0 = z (t0 ) Logo. y 0 (t ). t ! (t) r t ! 0 a direcção da secante no limite De acordo com a de…nição da derivada (3:2) temos que onde (!) = ! (t + t) r r !) é secante da curva !(t): Quando O vector (r r coincide com a da tangente da curva !(t): r Portanto o vector !0 (t )= (x0 (t ).3) . i.

e sejam A = !( ) e B = !( ) a origem e a extremidade de r r escolhendo = t0 < t1 < < tm = : Efectuemos uma partição de Ficamos com os arcos elementares P\k . se existir. k!0 ( )k d = r t Z q [x0 ( )] + [y 0 ( )] + [z 0 ( )] d 2 2 2 A curva diz-se recti…cável sse tiver comprimento …nito.d! ! r = v dt é o vector da velocidade do extremo do vector !(t) e r d2 ! ! r = w 2 dt é o vector de aceleração deste extremo. onde Pk = !(tk ). o comprimento do arco de entre A = !( ) e P = !(t). z(t)) = x(t)!+y(t)!+z(t)!. y(t). q 2 2 2 [x0 ( )] + [y 0 ( )] + [z 0 ( )] d 45 . Se o parâmetro t é o tempo. com r r t é o supremo. dos comprimentos das poligonais Lm que se podem inscrever em entre A = !( ) e P = !(t) e é dado por r r s (t) = t Z .4 Seja Comprimento de uma curva uma curva suave ou seccionalmenete suave: !(t)= (x(t). r i j k t . O comprimento da curva recti…cável entre A = !( ) e r s = Z k!0 ( )k d = r B = !( ) é dado por r Z q 2 2 2 [x0 ( )] + [y 0 ( )] + [z 0 ( )] d À expressão ds = chama-se diferencial do arco. cujo comprimento denotamos por r k 1P sk : Temos também uma linha poligonal Lm que liga todos os pontos Pk : O comprimento da linha Lm é X X ! k!(tk ) r 1 Pk = !(t r k X t Zk compr Lm = Pk 1 )k = !0 ( )d r 1 tk Pela de…nição.1. então 3.

2. Se a função f depender apenas de duas variáveis z = f (x.4) 3. cos . y) = C é uma equação de uma linha a que se chama linha de nível.2 Derivada em uma direcção dada e gradiente ! ! l = P0 P 1 ao Chama-se derivada da função f (P ) no ponto P0 numa direcção dada limite @f f (P1 ) f (P0 ) lim != ! ! @l P0 P 1 !0 P0 P 1 Se a função f (P ) for diferenciável e ! 1 ! l 0 = ! l = (cos . . Se C é uma constante. Superfícies deste tipo chamam-se superfícies de nível. z) onde o campo tem a mesma temperatura C. f (x. por exemplo. @x @y @z = (3. y. Superfície de nível u = f (x. então temos um campo escalar de temperatura. cos ) . l então @f @f @f @f ! = @x cos + @y cos + @z cos @l Chama-se gradiente do campo escalar f (P ) (ou da função grad f = @f @f @f . z). que no domínio V está de…nido um campo escalar. neste caso. Exemplo 55 Se tivermos o campo escalar de temperatura.5) f (P ) ) ao vector (3. y. então a superfície de nível é o conjunto de todos os pontos P (x.2. z) designar a temperatura no ponto P (x. z) uma função determinada num domínio V R3 : Diz-se. y. y).6) @f ! @f ! @f ! i + j + k @x @y @z 46 .2 3. então a igualdade f (x. Exemplo 54 Se. então f (x.1 Seja Elementos da teoria do campo Campo escalar. y.3. z) = C é uma equação de uma superfície. (3. y.

y. y. Com o operador de Hamilton. ay = ay (x. z) .e. a . é a direcção da velocidade máxima de crescimento da função f (P ) nesse ponto.. y. a derivada na direcção l é igual à projecção do gradiente da função sobre a direcção em que se deriva.Comparando grad f com a fórmula (3:21) . com o sistema das coordenadas 0xyz. podemos concluir que o gradiente é normal à superfície de nível (3:4). ! A derivada dada na direcção l está relacionada com o gradiente pela seguinte fórmula: ! ! @f ! = l 0 . a ) = a !+a !+a !. a x y z x i y j z k onde ax = ax (x. num ponto dado. grad f = l 0 grad f. P 2 V 47 . z) Campo potencial Um exemplo importante do campo vectorial é o campo vectorial do gradiente: Se num domínio V R3 estiver determinado um campo escalar diferenciável u = f (x. a direcção do gradiente. igual a @l s 2 2 2 @f @f @f + + kgrad f k = @x @y @z Portanto. z) .3 Campo vectorial No espaço R3 . az = az (x.2. o campo vectorial é determinado por uma função vectorial: !(P )= (a . podemos escrever na forma seguinte a fórmula para o gradiente : grad f = rf 3. ! @f Quando l = grad f a derivada ! toma o seu valor máximo. z). y. @l ! i. Operador de Hamilton r (nabla) À expressão r= @ ! @ ! @ ! i + j + k @x @y @z chama-se operador de Hamilton (o símbolo r lê-se: nabla). então neste domínio também está determinado o campo vectorial grad f (P ) .

se o limite não depender nem da maneira como se corta L em arcos parciais nem da escolha e dos pontos Ak . y) sobre a curva L em relação ao eixo 0x e denotar por Z P (x. : : : . : : : xk = xk+1 xk .1 Integral curvilíneo De…nição uma curva dum Sejam P (x.9) L Analogamente. k = 0. y) na curva L em relação ao eixo 0x. Am = B chama-se soma integral da função P (x.3. podemos de…nir integral curvilíneo da função Q(x. y)dx (3. se existir uma função f (P ) tal a que !(P ) = grad f (P ) . e Em cada arco da curva L que liga os pontos Ak e Ak+1 escolhemos um ponto Ak = (ek .3 3. y1 ) x1 + P (e2 . A1 . ym ) xm x e (3.7) (3. y2 ) x2 + x e x e + P (em . Denotamos Ak = (xk . Sm2 . i. P 2 V. yk ) e . Smn . : : : . m 1 ! É importante notar que o vector xk xk+1 é a projecção do arco ^ Ak Ak+1 e por isso xk tanto pode ser um número positivo como um número negativo. y) sobre a curva L em relação ao eixo 0y e denotar por Z Q(x. chama-se potencial. À soma Sm = P (e1 .e. P 2 V a Neste caso à função f (P ) chama-se potencial do campo. A2 . yk ) x e arbitrário. y)dy (3. Consideremos uma sucessão arbitrária de somas integrais Sm1 . 3. y) uma função contínua num domínio do plano x0y e L ponto A a um ponto B: Cortemos a curva L em m partes arbitrárias pelos pontos: A0 = A.. então a este limite único vamos chamar integral curvilíneo da função P (x.Ao campo vectorial !(P ).8) formadas por diversos cortes de L em arcos parciais e tais que o maior dos números j xk j tende para zero quando mn ! 1: Se existir limite da sucessão (3:8) e este limite for o mesmo qualquer que seja a sucessão (3:8) .10) L 48 . 1.

y) e Q(x. y. y.Q(x. No caso da força ser constante e o ponto material M com massa m = 1 se deslocar com movimento rectilíneo do ponto A até o ponto B. y)dx + Q(x.11) L L L Qualquer par ordenado de funções P (x. onde. z)dz L L L L ou na forma vectorial ( 3:12). a força da gravidade ou a força magnética ou a força electrostática. y) sobre a curva L e denota-se por Z Z Z P (x. y)dy (3. y. etc. z) = (P (x. y. i. z). z).Q(x. dy. em cada ponto de V está determinada uma função vectorial ! ! F = F (x. R(x.12) ! ! onde F d! é o produto escalar dos dois vectores F e d!: s s Analogamente. y). o trabalho T .3. 8 (x. y. z). z)dz = P (x. z)) e d! = (dx. o campo vectorial deve fazer um trabalho. y)) Se denotarmos d! = (dx.À soma dos integrais (3:9) e (3:10) chama-se integral curvilíneo do par de funções P (x. z) 2 V.. o integral (3:11) pode ser escrito na forma vectorial Z ! ! F ds. por exemplo. y.Q(x. L (3. Para deslocar um ponto material M. s então. z)dx + Q(x. z) = (P (x. y) pode ser considerado como uma função vectorial ! ! F = F (x. z)dy + R(x. feito pela força do campo. y. z)) . dz) s 3. Esta força pode ser. y) e Q(x. y.. y.e. no caso da curva espacial. y.2 Interpretação física Trabalho Vamos supor que no domínio espacial V está determinado um campo vectorial de força. y) = (P (x. é dado pelo seguinte produto escalar: ! ! A = F AB 49 . y. y. y. que dá a intensidade da força. z)dx + Q(x. de um sítio para outro. dy) . y)dy = P (x. y)dx + Q(x. z). de…ne-se integral curvilíneo sobre a curva espacial L Z Z Z Z P (x. y. R(x. deve ser ! ! F = F (x. y. z)dy + R(x.

y. z)dx + Q(x.A que tem o sentido do ponto B até ao ponto A. então Z Z P (x. z)dx + Q(x. z)dz + L1 Z P (x. z)dy + R(x. y. z)dy + R(x. Se a curva L for plana. z)dz L L Ao integral curvilíneo duma função vectorial sobre uma curva fechada L chama-se circulação ! do vector F (sobre esta curva fechada L). 3. z)dx+Q(x. z)dz LA.3. o trabalho T feito pela força do campo é dado pelo integral curvilíneo Z Z ! ! F d s = P (x. y. y. então no integral Z P (x.. y. Se a curva L for constituida por duas curvas parciais L1 e L2 . z)dy+R(x.. z)dy + R(x. z)dz = P (x. um observador que percorra a curva no sentido positivo tem sempre o domínio limitado pela curva à sua esquerda. z)dx + Q(x. y. i. z)dx + Q(x. z)dy+R(x. y. z)dx+Q(x. z)dx + Q(x. y. z)dy + R(x. y)dx + Q(x. Com a mudança do sentido da curva da integração L o integral curvilíneo muda de sinal. quando a força não é constante e o ponto material M com a massa m = 1 se desloca ao longo duma curva L do ponto A até o ponto B. y)dy. i. y. y. i. então para o integral curvilíneo Z P (x. se a curva LA. y.3 Duas propriedades importantes 1. y.e. z)dz L2 50 . z)dy + R(x.B LB. y.B tem o sentido do ponto A até ao ponto B (A 6= B) e a mesma curva L for considerada como a curva LB. z)dz L temos que indicar separadamente o sentido de percurso ao longo da curva. a curva L for fechada.e. y.A Se os pontos A e B coincidirem. 2. L considera-se que o sentido do percurso ao longo da curva é positivo. y.No caso geral. então Z P (x.e. y.. y. z)dz = L Z P (x. y. y. y. y.

y(t). y (t))x0 (t) + Q(x (t) . z(t))y 0 (t) + R(x (t) . z) e Q(x. y(t)) percorre toda a curva L no sentido indicado. y. y. o ponto (x(t). L x2 y2 + 2 =1 2 a b 51 . quando o parâmetro t se desloca de até . o ponto (x(t).e. y = y(t).4 Existência e cálculo de integrais curvilíneos Suponhamos a curva plana L dada sob a forma paramétrica: x = x(t). y (t) .3. z)dy + R(x. y. y)dx + Q(x. y (t) . quando o parâmetro t se desloca de até . y. z) forem contínuas ao longo da curva L.3. (Notemos que o número pode ser maior que :) Vamos supor também que a curva L é suave. z = z(t) (3. y (t))y 0 (t)] dt P (x.15) tal que. z(t))z 0 (t)] dt Exemplo 57 Calcule o integral I= onde L é a elipse Z ( y) dx + xdy. z)dx + Q(x. z(t)) percorre toda a curva L no sentido indicado e tal que as funções (3:15) têm derivadas contínuas: dy dz dx = x0 (t).14) L Analogamente. = y 0 (t) e = z 0 (t) dt dt dt temos que Z L P (x. z(t))x0 (t) + Q(x (t) .13) e tal que. as funções ( 3:13) têm derivadas contínuas: dy dx = x0 (t) e = y 0 (t) dt dt Com estas condições é válido o teorema seguinte Teorema 56 Se as funções P (x. z)dz = Z [P (x (t) . y (t) . y = y(t) (3. então o integral curvilíneo existe e é igual a Z Z [P (x (t) . no caso da curva espacial L dada sob a forma paramétrica: x = x(t). y. i. y)dy = (3.

y (x)) + Q(x. y (x))y 0 (x)] dx L a No caso particular em que y = C. C = Const:. y(x)) percorre toda a curva L no sentido indicado. 0) percorre toda a elipse L no sentido positivo. temos que dy = 0 e Z P (x. C)dx L a 52 . quando a variável x se desloca de a até b. o ponto (x. y)dx + Q(x.Se escrevermos a equação da elipse na forma paramétrica: x = a cos t. y)dx + Q(x. y)dy = b Z P (x. quando o parâmetro t se desloca de 0 até 2 . o ponto (a cos t. y = b sin t. y)dy = b Z [P (x. dt dy = b cos t dt Portanto I= 2 Z ab sin2 t + ab cos2 t dt = 2 ab 0 Casos particulares Suponhamos a curva plana L dada sob a forma: y = y(x) e tal que. b sin t) a partir do ponto (1. então. Temos que dx = a sin t. Neste caso Z P (x.

Analogamente, se a curva plana L for dada sob a forma: x = x(y) e tal que, quando a variável y se desloca de c até d; o ponto (x(y); y) percorre toda a curva L no sentido indicado, então Z
d Z c

P (x; y)dx + Q(x; y)dy =

[P (x(y); y)x0 (y) + Q(x(y); y)] dy

L

e, no caso particular em que, x = C; C = Const:; temos que dx = 0 e Z Exemplo 58 Calcule P (x; y)dx + Q(x; y)dy =
d Z c

Q(C; y)dy

L

Z

xydx + (x2 + y 2 )dy;

L

onde L é o contorno de um triângulo cujos vértices estão nos pontos A(1; 1); B(3; 1) e C(2; 2) e que é percorrido no sentido positivo. Resolução:

1. L = LA;B [ LB;C [ LC;A ; 2. LA;B ) fy = 1; dy = 0; x deve variar entre 1 e 3g =) Z xydx + (x + y )dy =
2 2 3 Z 1

xdx = 4

LA;B

53

3. LB;C ) fy = Z

x + 4; dy =
2

dx; x deve variar entre 3 e 2g =)
2 2 Z h 3

xydx + (x + y )dy =

LB;C

i 2 x ( x + 4) + (x2 + ( x + 4) ) ( 1) dx = 5
1 Z 2

4. LC;A ) fy = x; dy = dx; x deve variar entre 2 e 1g =) Z xydx + (x + y )dy = Z
2 2

x2 + (x2 + x2 ) dx =

3

LC;A

5.

xydx + (x2 + y 2 )dy = 4 + 5

3=6

L

3.3.5

Fórmula de Green
1;

Seja um domínio constituido por n domínios regulares segundo 0x ou 0y : não têm pontos interiores comuns.

;

n

que

Teorema 59 Se as funções P (x; y) e Q (x; y) forem contínuas e tiverem as derivadas contínuas @Q @P e ; então @y @x Z ZZ @Q @P P dx + Qdy = dxdy (3.16) @x @y
@

À igualdade (3:16) chama-se fórmula de Green.

3.3.6

Área dum domínio
y e Q (x; y) = 0; então, de acordo com a fórmula de Green, temos que Z ZZ ydx = dxdy
@

Se P (x; y) =

ou

@

Z

ydx = A ;

onde A é a área do domínio : Analogamente, se P (x; y) = 0 e

Q (x; y) = x; então Z xdy = A
@

Às vezes é mais cómodo usar a seguinte fórmula: Z 1 xdy A = 2
@

ydx

54

3.3.7

Condições para que um integral curvilíneo não dependa do caminho de integração

Um domínio chama-se simplesmente conexo se toda a curva fechada contida em envolver somente os pontos de . Vamos considerar integrais curvilíneos sobre curvas que estão contidas num domínio simplesmente conexo : Lema 60 O integral sobre uma curva que une dois pontos A; B 2 não depende do caminho seguido, mas somente destes dois pontos sse este integral é nulo sobre qualquer curva fechada. Se o integral curvilíneo sobre uma curva que une dois pontos A e B não depender do caminho seguido, então podemos escrever este integral na forma:
(B) Z (A)

P (x; y)dx + Q(x; y)dy

Teorema 61 Sejam P (x; y) e Q (x; y) funções contínuas que têm as derivadas contínuas

@P @y

@Q e num domínio simplesmente conexo : Para que o integral curvilíneo sobre qualquer curva @x fechada L seja nulo, i.e., Z P (x; y)dx + Q(x; y)dy = 0;
L

é necessário e su…ciente que @P @Q = ; @y @x As funções P (x; y) e (x; y) 2 : (3.17)

Q (x; y) determinam o campo vectorial ! F (x; y) = (P (x; y) ; Q (x; y)) (3.18)

no domínio

:

Lema 62 O campo vectorial (3:18) é potencial sse as funções P (x; y) e Q (x; y) satis…zerem a condição (3:17) : Se o campo 3.18 for potencial e U (x; y) for o potencial deste campo, i.e., se P (x; y) = então
(B) Z (A)

@U @U e Q (x; y) = ; @x @y
(B) Z (A)

P (x; y)dx + Q(x; y)dy =

dU = U (B)

U (A)

55

y0 . z0 ) . haverá neste ponto uma in…nidade de tangentes a esta superfície. Teorema 63 Todas as rectas tangentes à superfície (3:19) no ponto simples P0 (x0 . são contínuas no ponto P0 (x0 . y0 . z0 ) e pelo menos uma é diferente de @x @y @z zero neste ponto. z0 ) chama-se plano tangente à superfície no ponto P0 (x0 . Visto que uma in…nidade de curvas traçadas sobre a superfície passa pelo ponto P0 (x0 . então F (x (t) . dt ! N= @F @F @F . z0 ) @x @y @z 56 Se denotamos (3.3. z0 ) . z0 ) = 0 @x @y @z ou se pelo menos uma destas derivadas não existe neste ponto. Ao plano formado pelas rectas tangentes à superfície (3:19) no ponto simples P0 (x0 . . existem. . y0 . z (t)) 0 Comparando as derivadas totais de ambos os lados desta identidade. y0 . z0 ) pertencem a um mesmo plano. y0 . Diz-se que o ponto P0 (x0 . y0 . y0 . Se a curva ( 3:1) pertence a superfície (3:19) . z0 ) .20) d! r (t0 ) é vector dt (3.1 Seja Integral de superfície Superfícies Plano tangente e normal a uma superfície F (x. z0 ) . y0 . z0 ) = (x0 . y (t) . y0 . y0 . z0 ) = (x0 .21) .19) uma equação da superfície : Diz-se que uma recta é tangente a uma superfície num ponto P0 (x0 . y0 . y0 . z0 ) à recta perpendicular ao plano tangente nesse ponto. então o vector director da tangente (3:3) : Logo o vector ! N (x0 . y0 . y0 . z0 ) se ela é tangente a uma curva qualquer traçada sobre esta superfície e que passe por aquele ponto. (x0 . z0 ) é um ponto singular da superfície se @F @F @F (x0 . y0 . y0 . y. obtemos @F dx @F dy @F dz =0 + + @x dt @y dt @z dt @F ! @F ! @F ! i+ j+ k. z0 ) é um ponto simples da superfície se todas as derivadas @F @F @F . z) = 0 (3. @x @y @z = Se a curva ( 3:1) passa através do ponto P0 (x0 . @x @y @z ! d! r então a igualdade (3:20) mostra que os vectores N e são ortogonais. Diz-se que o ponto P0 (x0 . z0 ) : Chama-se normal à superfície (3:19) no ponto simples P0 (x0 . y0 .4 3.4. (x0 . z0 ) = @F @F @F (x0 .

z) = cos (n. ! ! = n (x. x) . n3 (x. y. y0 . z0 ) é @F (x0 . y) . y. y0 . y). y) + cos2 (n. y) que é determinada pela equação z = '(x. z0 ) (x0 . x) . z0 ) + (x0 . y) e cos (n. cos (n. y0 . z) chamam-se cossenos directores da normal à superfície : Temos que cos2 (n. z). x) + cos2 (n. n (x.é ortogonal ao plano tangente à superfície no ponto P0 (x0 . ! onde através de (n. y. z0 ) e. y0 . y0 . y0 . y. z) = cos (n. n2 (x. z) = (n (x. z)) n n 1 2 3 O produto escalar mostra que n1 (x. z0 ) (y @y y0 ) + @F (x0 . então s 2 2 ! @F @F (x0 . y. z) = 1 Caso z = '(x. z0 ) = @x @y e o vector != 1 ! n ! N N @F (x0 . y. y0 . x) está denotado o ângulo entre os vectores ! e i ou entre a normal à n ! superfície e o eixo 0x com direcções correspondentes às direcções dos vectores ! e i : n Analogamente. z0 ) @x @y @z Se P0 (x0 . z0 ) (x @x x0 ) + @F (x0 . z) : Às funções cos (n. y0 . y0 . y. z0 ) + N (x0 . é normal à superfície (3:19) : Portanto. portanto. y0 . z) n i 1 Vamos considerar a superfície 57 . z0 ) (z @z z0 ) = 0 e a equação da normal à superfície no ponto P0 (x0 . y0 . z). y. n (x. z0 ) for um ponto simples da superfície . y0 . a equação do plano tangente à superfície no ponto P0 (x0 . z0 ) (x0 . y0 . z0 ) é x x0 y y0 z z0 = = @F @F @F (x0 . z) = cos (n. z0 ) @z 2 6= 0 é vector unitário da normal à superfície : Vamos denotar ! = !(x. y0 .

y) = 0 @' @y @F =1 @z e Daqui segue que qualquer ponto da superfície é simples.24) em m domínios parciais por curvas suaves por quaisquer partes : !1 . !m 58 . y. . x) = p p 1+ p2 + q2 .23) Se as funções p e q são contínuas. Se denotamos @' @' =p e = q. 1) p ! N = 1 + p2 + q 2 p q 1+ p2 + q2 (3. @x @y então. de acordo com (3:21) . y). cos (n. z) = p 1 1 + p2 + q 2 (3. z) = z e @F = @x @' . então os cossenos directores da normal também são contínuos. @x @F = @y '(x. y) tem derivadas parciais contínuas.onde a função '(x. !2 . Cálculo das áreas de superfícies Vamos considerar a superfície dada pela fórmula z = '(x. (x. y) = são e cos (n. Neste caso F (x. q. e ! N = ( p. y) 2 Dividimos o domínio (3.22) Portanto os cossenos directores da normal à superfície cos (n.

yk .25) Consideremos uma sucessão arbitrária de somas deste tipo Sm1 . yk ) = Substituindo esta expressão na fórmula (3:25) . obtemos p p Sm = 1 + p2 (x1 . : : : (3. onde zk = f (xk . !m as áreas destes domínios. y1 ) + q 2 (x1 . i. !2 .. yk ) ! k . Sm2 . então a este limite único chama-se área da superfície : Designemos por k o ângulo entre o plano tangente k e o plano x0y: Sabe-se da geometria analítica que !k = k cos k ou k = !k cos k no ponto Qk : De acordo O ângulo k é igual ao ângulo entre o eixo 0z e a normal à superfície com (3:23) temos que cos Por conseguinte k = cos (n.e. : : : . yk ) + q 2 (xk . yk ) Tracemos o plano tangente k à superfície no ponto Qk : Delimitemos sobre o plano domínio k que tem como projecção ortogonal sobre o plano x0y o domínio ! k : Seja área do domínio k : Consideremos a soma de todas as áreas correspondentes k : Sm = 1 k k o a + 2 + + m (3. zk ) . que o limite não dependa nem do modo do corte de em domínios parciais ! k nem da escolha do ponto Pk em ! k . ym ) ! m Isto é a soma integral do integral duplo ZZ p 1 + p2 + q 2 dxdy 59 p 1 + p2 (xk . Corresponde ao ponto Pk (xk . Em cada domínio ! k escolhemos um ponto Pk arbitrário.Denotamos por !1 . yk ) um ponto sobre a superfície Qk (xk . yk ) + q 2 (xk . ym ) + q 2 (xm . z) = p k 1 1+ p2 (xk . .26) formadas por diversos cortes de em domínios parciais ! k e tais que o maior diâmetro dos ! k tende para zero quando mn ! 1: Se existir limite da sucessão (3:26) e este limite for o mesmo qualquer que seja a sucessão (3:26) . Smn . y1 ) ! 1 + + 1 + p2 (xm .

z) 2 : Dividamos arbitrariamente a superfície em superfícies pequenas e elementar k escolhemos um ponto Ak = (ek . n2 = cos (n. z).Portano. n (x. z). (x. se o limite das sucessões (3:26) existir. 2 2 ZZ s 1+ @x @y + @x @z dydz yz 1+ + @y @z 2 dxdz xz 3. y) é uma função diferenciável que está de…nida no domínio do plano x0y e o domínio é limitado por uma curva suave L: Com estas condições a superfície tem normal unitária contínua ( 3:28) : Vamos supor que na superfície está determinada uma função f (x. zk ) arbitrário. @y @x 2 (y.2 De…nição. z) . n n (3. y. x) . Lembrando as notações ( 3:22) . z) . À superfície que satisfaça esta proriedade chama-se bilateral e regular. y. y) Vamos supor também que ii) '(x. y) e n3 = cos (n.29) são funções contínuas das coordenadas dos pontos da superfície. yk . Neste caso a equação da superfície pode ser escrita na forma: z = '(x.27) S= @x @y Se a equação da superfície é dada por x= então S= e no caso em que y= teremos S= ZZ s (x.28) 1 2 3 cujos cossenos directores n1 = cos (n. x e e 60 k e em cada superfície .4. z). y. z) = (n (x. (3. então é este integral duplo. y. z)) . existência. y. z) . y. Seja uma superfície tal que i) qualquer recta paralela ao eixo 0z a corta num só ponto. podemos escrever a fórmula para calcular as áreas das superfícies do tipo (3:24) : s ZZ 2 2 @z @z 1+ + dxdy (3. cálculo do integral de superfície Vamos considerar as superfícies que satisfazem à seguinte propriedade importante: PS) Em cada ponto P da superfície está de…nido um sentido positivo indicando a normal unitária ! = !(x. n (x.

se o limite não depender nem da maneira como se fazem as divisões em superfícies e pequenas nem da escolha dos pontos Ak . (3. zk ) x b b k k Por isso o integral de superfície da função f (x.y = k Na superfície elementar à área de ! x. Vamos marcar com o símbolo + se se considerar o lado da superfície "o de cima". k Temos que distinguir estas duas situações diferentes.y com sinál . y. : : : . então a projecção deste observador sobre o plano x0y percorre a curva @! x.. Mas se o k observador que …ca no lado "de baixo" da superfície percorrer a curva @ k no sentido positivo. então. : : : X f (ek . y. z)dxdy.32) Também é possível introduzir este integral de outra maneira: A superfície tem dois lados: "o de cima" e "o de baixo".y fronteiras de k e ! x.y respectivamente.e.30) em (3. i. 61 Usando este facto.y no sentido negativo.À soma Sm = onde k é a área de k . y. y.y x e e (3. é possível mostrar que o integral ( 3:32) pode ser considerado como o limite das sucessões das somas integrais do tipo: X 0 Sm = f (ek .y vamos denotar: k ! x.y também no sentido positivo.y a k projecção da k no plano x0y : Sejam @ k e @! x. zk ) ! x.y = n3 (bk .y com sinál + . z) sobre a superfície plano x0y denota-se também por ZZ f (x. se se considera k à área de ! x. y. Sm2 . yk . yk . yk . então a projecção deste observador sobre o plano x0y percorre a curva @! x. z) d (3. se se considera k k + b existe pelo menos um ponto Ak = (bk .31) formadas pelas diversas divisões em pequenas superfícies k e tais que o maior dos números k tende para zero quando mn ! 1: Se existir limite da sucessão (3:31) e este limite for o mesmo qualquer que seja a sucessão (3:31) . Se um observador que …ca k k no lado "de cima" da superfície percorrer a curva @ k no sentido positivo. a este limite único vamos chamar integral de superfície da função f (x.34) em relação ao . z) sobre a superfície em relação ao plano x0y e denotar por ZZ f (x. z) na superfície relação ao plano x0y.33) k (3. yk . z) cos (n. zk ) n3 (ek . Consideremos uma sucessão arbitrária de somas integrais Sm1 . yk . Smn . zk ) x e e x e e k. chama-se soma integral da função f (x. e com quando consideramos "o de baixo": Vamos projectar cada superfície elementar k no plano x0y: Vamos denotar por ! x. zk ) tal que x b b ! x. por isso através de ! x.

z) cos (n. ' (ek . Mas o integral de superfície e integral duplo são tão diferentes. y)] dxdy Desta maneira. y. se a superfície satis…zer as condições i) e ii). y)] dxdy + . y)] dxdy ! x. i. então ZZ ZZ f (x. y.35) Notamos que o sinal de ! x. yk )] ! x.y são negativos k (3. x) d = f (x.onde dxdy faz-nos lembrar o integral duplo. ' (x.y são positivos k para todo o k: Neste caso a soma (3:33) pode ser escrita na forma: X f [ek . y. z) sobre a superfície em relação ao plano y0z ZZ ZZ f (x.37) Para o cálculo dos operadores (3:36) e (3:37) usamos fórmulas análogas à fórmula (3:35). ' (x. z)dxdy = f [x. y. z)dzdx em relação ao plano (3. y) d = f (x. z)dxdy = f [x. y. 62 . y)] dxdy ZZ ZZ Portanto f (x. y. z) cos (n. z) : k Se a superfície satis…zer as condições i) e ii).36) e o integral de superfície da função f (x.. Analogamente. z) sobre a superfície z0x ZZ ZZ f (x. ' (x. y.y depende do sinal de cos (n. y. y. como o integral curvilíneo e o integral de…nido habitual. + . então ! x. para todo o k. Se nós considerarmos o lado "de cima"da superfície . i. y. y. portanto ZZ ZZ f (x.e..y x e x e k que é exactamente a soma integral (2:1) do integral duplo ZZ f [x. então Se nós considerarmos o lado "de baixo"da superfície . z)dxdy = f [x. y. yk . y.e. então a igualdade dá-nos a fórmula (3:35) para calcular o integral de superfície. ' (x. de…nem-se o integral de superfície da função f (x. z)dydz (3.

z). z) cos (n. o integral (3:38) pode ser escrito na forma vectorial ZZ ! ! F nd ! ! onde F ! é o produto escalar de dois vectores F e !: n n (3. y. y. y. 2 . y.39) 3. z) e R(x. z)dxdy = ZZ ZZ [P (x. N satisfaça as condições i) e ii) ou as condições análogas em relação aos planos y0z ou z0x: 1. y) + R(x. pode ser considerado como o limite da soma integral seguinte: X ! Sm = F (ek . Q(x. z) cos (n. z) e R(x. z) pode ser considerado como uma função vectorial ! ! F = F (x. R(x. z)dzdx + R(x. : : : . N de tal maneira que cada uma das superfícies 1 . z). Se a superfície está dividida em partes 1 . y.4. z)dydz + Q(x. z) = (P (x. y. y. z)dydz + Q(x. Q(x. z)dydz + Q(x. z)) Portanto. z) e R(x. y. : : : . z) cos (n. z)] d = P (x. zk ) x e e n x e e k. Se as funções P (x. z). então ZZ P (x. z)dxdy = P (x.À soma de todos os integrais deste género ZZ ZZ ZZ P (x. y. z) sobre a (3. z)dxdy j=1 N X ZZ j Usa-se este facto para calcular o integral de superfície: A superfície divide-se em partes 2 .3 Interpretação física Quando o integral de superfície está escrito na forma vectorial (3:39) . z). y. y. y. y. Forma vectorial Qualquer terno ordenado de funções P (x. y. y. yk . z)dzdx + R(x. então o integral (3:38) existe. : : : .38) chama-se integral de superfície das funções superfície : Teorema 64 Seja uma superfície bilateral e regular. Q(x. 63 . y. z)dydz + Q(x. z). y. z)dzdx + R(x. N . y. y. z)dxdy P (x. 2 . y. zk ) ! (ek . y. y. y. Q(x. yk . y. z)dzdx + R(x. x) + Q(x. y. y. z) são contínuas. y. y.

Q(x. Q(x. yk . @z @z ! chama-se rotacional da função vectorial F : 64 então ao vector ! rot F = @R @y @R @Q . x) . x) + cos (n. y. yk . zk ) ! (ek . z). zk ) n2 (ek . z) + P dx + Qdy + Rdz = @x @y @ (3. cos (n. yk . zk ) x e e n x e e k k ! F (ek . z) e R(x. z) : 3. zk ) + Q (ek . z)) .40) @P @R @R @Q cos (n. yk . zk ) n3 (ek . y) e cos (n. yk .5 Fórmula de Stokes Seja uma superfície bilateral e regular e @ a fronteira dessa superfície : Vamos supor também que a superfície se encontra completamente num domínio espacial V e em V estão dadas três funções contínuas: P (x. y. y.5. @x @x @P @y (3. zk ) ! (ek . z) = (P (x. a superfície positivo. y. zk ) x e e ! (e . zk ) x e e x e e x e e x e e x e e x e e : ! F (ek . yk . z). z). y . yk . z ) é o produto escalar: n xk ek ek na unidade de tempo na dá a quantidade total do ‡ uido que atravessa. z): Com estas condições tem lugar a fórmula de Stokes: Z ZZ @Q @P cos (n. zk ) + R (ek . y. yk . Se nós considerarmos o campo vectorial @Q @P . y) d . o produto ! F (ek . y.41) . Interpretação física da fórmula de Stokes ! ! F = F (x. yk . @y @z @z @x onde o sentido de percurso da fronteira @ no integral curvilíneo é positivo em relação ao lado da superfície que está determinado com os cossenos directores da normal à superfície : cos (n.1 Rotacional. R(x. yk .onde é igual à quantidade de ‡ uido que atravessa a superfície elementar direcção !: n O integral de superfície ZZ ! ! F n d ! Vamos supor que F é a velocidade dum ‡ uido que atravessa a superfície Neste caso. na unidade do tempo. zk ) n1 (ek . y. yk . zk ) = x e e n x e e P (ek . Por isso ao integral de superfície também se chama ‡ uxo do campo vectorial da superfície : no sentido ! F através 3.

podemos escrever a fórmula de Stokes (3:40) na forma: Z ZZ ! ! ! rot ! d F ds = n F @ ! rot F = r ! F. Notamos que a fórmula de Green é um caso particular da fórmula de Stokes. z). @z @P @z @R @Q = 0. y.. Campo potencial O campo vectorial ! ! F = F (x.Usando o operador r podemos reescrever a fórmula (3:41) na forma mais simples: ! F é o produto vectorial simbólico do vector r= ! pelo vector F : 2 ! ! ! 3 i j k ! 6 @ @ @ 7 7= 6 r F =4 @x @y @z 5 P3 Q R 2 2 3 " # @ @ @ @ @ @ !4 !4 ! i @y @z 5 j @x @y 5 = @x @z + k P R P Q Q R ! @P @R ! @Q @P ! @R @Q ! i + j + k = rot F @y @z @z @x @x @y Agora.e. z)) = grad U é potencial. existe uma função U tal que ! F = grad U sse ou ! rot F = 0 @R @y @Q = 0. y. onde r @ ! @ ! @ ! i + j + k @x @y @z (3. z). Q(x. z) = (P (x.42) A fórmula (3:42) mostra que A circulação de um vector ao longo duma curva fechada que limita uma superfície é igual ao ‡uxo do seu rotacional através desta superfície. y. i. y. R(x. @x @x @P =0 @y 65 .

6. z). e R(x. z)] d . y. se o campo é potencial. y. z) Seja V um domínio limitado por uma superfície fechada regular : Vamos supor também que em V estão dadas três funções contínuas: P (x. y.6 Fórmula de Ostrogradsky-Gauss Q(x. z) = (P (x. Q(x. z).43) qualquer que seja a curva regular fechada L: No campo potencial temos que P dx + Qdy + Rdz = dU A igualdade (3:43) mostra que o integral curvilíneo sobre uma curva que une dois pontos A e B não depende do caminho seguido: (B) Z (A) P dx + Qdy + Rdz = U (B) U (A) 3.45) 66 . então Z P dx + Qdy + Rdz = 0 L (3. z)) (3.1 Divergência. z). R(x. Gauss Interpretação física da fórmula de Ostrogradsky- À expressão ! @P @Q @R div F = + + @x @y @z chama-se divergência do campo vectorial ! ! F = F (x. y. y) + R cos (n. (3. y. x) + Q cos (n.De acordo com a fórmula de Stokes. e @x @y @z Com estas condições tem lugar a fórmula de Ostrogradsky-Gauss: ZZZ @P @Q @R + + dxdydz = @x @y @z V ZZ [P cos (n. z) que têm as derivadas contínuas: @R @P @Q . onde a normal à superfície está dirigida para o exterior.44) 3. y. y.

Isto signi…ca que a quantidade de ‡ uido que entra em qualquer domínio V (limitado pela esta superfície ) é igual à quantidade de ‡ uido que sai. Cálculo diferencial e integral. o campo solenoidal não contém quaisquer origens de ‡ uido.46) A fórmula (3:46) mostra que ! O integral da divergência dum campo vectorial F num domínio espacial V é igual ao ‡uxo do campo vectorial através da superfície que limita este domínio. a fórmula de Ostrogradsky-Gauss escreve-se ZZZ ZZ ! ! ! div F dv = F n d V (3. N.Usando o operador r podemos reescrever a fórmula (3:45) na forma mais simples: ! onde r F é o produto escalar simbólico do vector r= ! pelo vector F : r @ ! @ ! @ ! i + j + k @x @y @z ! div F = r ! F. 67 . volumes 1 e 2 2. Sob a redação de Demidovitch. Por outras palavras. se ! div F = 0 No campo solenoidal o integral de superfície sobre qualquer superfície fechada é nulo. Problemas e exercícios de análise matemática. ! É possível mostrar que qualquer campo vectorial F pode ser representado como a soma ! ! ! F = Fp+ Fs ! ! dum campo potencial F p e um campo solenoidal F s : Bibliogra…a: 1. ! ! @P @Q @R + + = div F F = @x @y @z Sob a forma vectorial. Campo solenoidal ! O campo vectorial F chama-se solenoidal ou tubular. Piskounov.

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