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A Psicomotricidade como Facilitadora no

Processo de Ensino e Aprendizagem na


Educação Infantil

Resumo: A Psicomotricidade e o despertar da consciência da sua


responsabilidade no mundo da educação infantil retratam, na
sua ciência, o homem como seu objeto de estudo, através do seu
corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e
externo, bem como suas possibilidades de percepção, atuação,
interação com o outro, com os objetos e seu estado
comportamental consigo mesmo. Nota-se que a educação
psicomotora é o começo do processo da educação infantil; sabe-
se, também, que as dificuldades de aprendizagem detectadas em
uma criança podem ter como causa um desenvolvimento
psicomotor defasado. Desta forma, é necessário que seja
colocado em pauta a importância da psicomotricidade na
aprendizagem dos anos iniciais, buscando métodos lúdicos que
promovem essa aprendizagem e o desenvolvimento em vários
aspectos do ser humano, como o motor, o psicológico, o social e
o afetivo. Vale ressaltar que a ludicidade deve ser promovida
através das atividades psicomotoras, em um ambiente agradável
e motivador. A brincadeira é um canal direto que a criança usa
para exprimir seus desejos e emoções, sendo ferramenta muito
válida durante as séries iniciais, período no qual a criança se
vincula à sociedade.

Palavras-chave: Psicomotricidade, Criança,
Desenvolvimento Psicomotor.

1. Introdução 
O artigo em questão irá ressaltar o trabalho da educação
psicomotora com as crianças, deste modo, deverá prever a
formação de base indispensável no desenvolvimento
motor, afetivo e psicológico, dando oportunidades para que por
meio de jogos e atividades lúdicas, essa população se conscientize
sobre seu corpo. Através dessas atividades lúdicas, a criança
desenvolve suas aptidões perceptivas como meio de ajustamento
do comportamento psicomotor.

É importante que seja observado o fato de que as crianças


aprendem de modo mais satisfatório e eficaz através de jogos e
brincadeiras. O contexto lúdico é fundamental para a socialização
do ser humano. Pelo jogo, há a construção de diferentes pontos de
vista, elaboração de hipóteses e contextualização de espaço e
tempo. O ato de brincar não pode ser visualizado como um ato de
entretenimento, mas sim entendido como uma atividade que
possibilita a aprendizagem de diversas habilidades, inserido em
um ambiente motivador, aprazível e planejado para a educação
infantil.

Ressalta-se que na atividade lúdica, o que importa não é


apenas o produto da atividade, o que dela resulta, mas a própria
ação, o momento vivido. Essa possibilita a quem vivencia,
momentos de encontro consigo e com o outro, momentos de
fantasia e de realidade, de ressignificação e percepção, momentos
de autoconhecimento e conhecimento do outro, de cuidar de si e
olhar para o outro, momentos de vida.

É inegável que a falta de um acompanhamento da


psicomotricidade acarreta consequências danosas ao
desenvolvimento da criança. Um dos casos que podem ser
notados é a lateralidade pouco trabalhada no aluno. Isso pode
causar problemas de ordem espacial, por exemplo; a utilização
dos termos direita e esquerda fica prejudicada. O pequeno,
apresenta certa dificuldade para acompanhar a direção gráfica de
leitura e escrita. Outro problema, é o fato de a criança encontrar
obstáculos quanto ao entendimento na distinção de letras
específicas como p e b, entre vários transtornos que podem
aparecer no período pré-escolar.

É necessário o dito, de que a atuação preventiva dos


docentes, seja de extrema importância, tornando possível a
diminuição do quantitativo de crianças com dificuldades na
aprendizagem, o que minimiza os efeitos negativos que as
disfunções psicomotoras possuem e favorecem o
desenvolvimento global.

2. História da Psicomotricidade

Historicamente, o termo "psicomotricidade" aparece a


partir do discurso médico, mais precisamente neurológico, quando
foi necessário no início do século XIX nomear as zonas do córtex
cerebral situadas mais além das regiões motoras. Com o
desenvolvimento e as descobertas da neurofisiologia, começa a
constatar-se que há diferentes disfunções graves sem que o
cérebro esteja lesionado ou sem que a lesão esteja claramente
localizada. São descobertos distúrbios da atividade gestual, da
atividade práxica. Portanto, o "esquema anátomo-clínico" que
determinava para cada sintoma sua correspondente lesão focal já
não podia explicar alguns fenômenos patológicos. É justamente a
partir da necessidade médica de encontrar uma área que explique
certos fenômenos clínicos que se nomeia, pela primeira vez, o
termo Psicomotricidade, no ano de 1870. As primeiras pesquisas
que dão origem ao campo psicomotor correspondem a um
enfoque eminentemente neurológico (SBP, 2003).

É importante ressaltar que a Psicomotricidade no


Brasil foi norteada pela escola francesa. Durante as primeiras
décadas do século XX, época da primeira guerra mundial, quando
as mulheres adentraram firmemente no mercado formal enquanto
suas crianças ficavam nas creches, a escola francesa também
influenciou mundialmente a psiquiatria infantil, a psicologia e a
pedagogia.
Em 1870, tentando caracterizar fenômenos patológicos, os
médicos nomeiam as explicações de certos fenômenos clínicos, de
psicomotricidade, porém, suas primeiras pesquisas têm enfoque
neurológico. Em 1909, a figura de Dupré, neuropsiquiatra, é de
fundamental importância para o âmbito psicomotor, já que é ele
quem afirma a independência da debilidade motora, antecedente
do sintoma psicomotor, de um possível correlato neurológico.
Neste período o tônus axial começava a ser estudado por André
Thomas e Saint-Anné Dargassie.

Em 1925, Henry Wallon, médico psicólogo, ocupa-se do


movimento humano, dando uma categoria fundante como
instrumento na construção do psiquismo. Esta diferença permite a
Wallon relacionar o movimento ao afeto, à emoção, ao meio
ambiente e aos hábitos do indivíduo, e discursar sobre o tônus e o
relaxamento. Em 1935, Edouard Guilmain, neurologista,
desenvolve um exame psicomotor para fins de diagnósticos, de
indicação da terapêutica e de prognóstico.

Em 1947, Julian de Ajuriaguerra, psiquiatra, redefine o


conceito de debilidade motora, considerando-a como uma
síndrome com suas próprias particularidades. É ele quem delimita
com clareza os transtornos psicomotores que oscilam entre o
neurológico e o psiquiátrico. Ajuriaguerra aproveitou os subsídios
de Wallon em relação ao tônus, ao estudar o diálogo tônico.
A relaxação psicotônica foi abordada por Giselle Soubiran (SBP,
2003) e (ISPE-GAE, 2007).

Mediante os estudos realizados a respeito da


Psicomotricidade, evidencia-se várias definições para a Ciência
em pauta. Assim, cada autor coloca o seu olhar para defini-la. A
ISPE-GAE e a SBP definem, respectivamente, a Psicomotricidade
e o emprego de seu termo como:

“Psicomotricidade é uma neurociência que transforma o pensamento


em ato motor harmônico. É a sintonia fina que coordena e organiza as
ações gerenciadas pelo cérebro e as manifesta em conhecimento e
aprendizado. Psicomotricidade é a manifestação corporal do indivíduo
de maneira visível. É uma ciência terapêutica adotada na Europa há
mais de 60 anos, principalmente na França, que instituiu o primeiro
curso universitário de Psicomotricidade em 1963 (ISPE-GAE, 2007).”

“A ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu


corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo, bem
como suas possibilidades de perceber, atuar, agir com o outro, com os
objetos e consigo mesmo. Está relacionada ao processo de maturação,
onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas
(SBP, 1999).”

Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para


uma concepção de movimento organizado e integrado em função
das experiências vividas pelo sujeito, cuja ação é resultante de sua
individualidade, sua linguagem e sua socialização (SBP, 2003).

Com relação aos ditos acima referidos à conceituação da


Psicomotricidade,  Fonseca (1995) afirma que a
Psicomotricidade não é exclusiva de um novo método ou de uma 
“escola” ou de uma “corrente’ de pensamento, nem constitui uma
técnica, um processo, mas visa fins educativos pelo emprego do
movimento humano.

Para o estudioso, Nicola, uma conceituação atual da


Psicomotricidade é que esta ciência nova, cujo objeto de estudo é
o homem nas suas relações com o corpo em movimento, encontra
sua aplicação prática em formas de atuação que configuram uma
nova especialidade. A Psicomotricidade estuda o homem na sua
unidade como pessoa (NICOLA, 2004, p. 5)

3. Metodologia

A metodologia é um caminho a ser percorrido durante a


elaboração e a construção de uma pesquisa. A abordagem do
problema é de ordem qualitativa, visto que se trata de pesquisa
social e não aborda tratamento estatístico, e no entendimento de
Richardson (1999, p. 80): “(...) os estudos que empregam uma
metodologia qualitativa podem descrever a complexidade de
determinado problema, analisar a interação entre certas
variáveis, compreender e classificar os processos dinâmicos
vividos por grupos sociais (...)”.

Este estudo trata-se de uma pesquisa bibliográfica, visto não


se fazer uso de materiais de campo, ou pesquisa ação, apenas
obras já conceituadas cientificamente, ou seja, material já
elaborado. Confirmando, Gil (1999, p. 65):

“Embora em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho


desta natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de
fontes bibliográficas. Parte dos estudos exploratórios podem ser
definidos como pesquisas bibliográficas [...]”.

A pesquisa se classifica, pela sua natureza, como pesquisa


pura, pois não se tem a intenção de aplicá-la, e segundo Gil (1999,
p.43): “busca o progresso da ciência, procura desenvolver os
conhecimentos científicos sem a preocupação direta com suas
aplicações e consequências práticas (...)”.

Também se classifica a pesquisa como descritiva pelo fato


de descrever a importância da psicomotricidade no
desenvolvimento infantil. Para Gil (1999, p.44), na pesquisa
descritiva busca-se “juntamente com a exploratória, as que
habitualmente realizam os pesquisadores sociais preocupados
com a atuação prática. São também as mais solicitadas por
organizações como instituições educacionais, empresas
comerciais, partidos políticos etc”.

A pesquisa não deixa de ser exploratória, pois ao adentrar


na opinião de tantos teóricos, faz-se exploração do conhecimento
científico para produção da pesquisa. Segundo Gil (1999, p.43) a
pesquisa exploratória “tem como principal finalidade desenvolver,
esclarecer e modificar conceitos e idéias, tendo em vista, a
formulação de problemas mais precisos com hipóteses
pesquisáveis”

4. Estrutura do Trabalho

Para a organização do artigo, o texto foi dividido em três


seções. Na primeira, a introdução, que faz uma apresentação do
tema abordado com breve explanação do mesmo, seguido do
problema que conduziu esta pesquisa e dos objetivos propostos.
Também apresenta a metodologia utilizada para sua realização e a
delimitação, além desta estrutura.

Na segunda seção, o desenvolvimento, relata-se a


fundamentação teórica, enfocando o que é psicomotricidade, as
etapas do desenvolvimento infantil segundo principais autores e a
importância da psicomotricidade no desenvolvimento infantil. Na
terceira e última seção, as considerações finais, onde se percebeu
que com o desenvolvimento psicomotor é possível aumentar a
capacidade motora, cognitiva e psíquica da criança.

5. A Importância da Psicomotricidade na Educação


Infantil

Sabe-se que na educação infantil a prioridade é ajudar a


criança a ter uma percepção adequada de si mesma,
compreendendo suas possibilidades e limitações reais e ao mesmo
tempo auxiliá-la a se expressar com maior liberdade,
conquistando e aperfeiçoando novas competências motoras. Que
desenvolver:

 Habilidades motoras que levem a criança a aprender a conhecer o


seu próprio corpo e a se movimentar livremente;
 Habilidades motoras finas, através de diversas atividades que
facilitam a escrita;
 Possibilitar a exploração do mundo físico e o conhecimento do
espaço que a cerca;
 Facilitar a comunicação e a expressão das ideias.
 Percepções rítmicas através de jogos corporais e danças.  

É de grande relevância o dito de que, a criança na escola


precisa se sentir segura para que possa sentir possibilidades de se
aventurar. Trazendo com isso, conhecimento acerca de si mesmo.

É de suma importância salientar que o movimento é a


primeira manifestação na vida do ser humano. Pois desde a vida
intrauterina realizamos movimentos com o nosso corpo, na qual
vão se estruturando e exercendo enormes influências no
comportamento.

Segundo Assunção & Coelho (1997, p.108)


a psicomotricidade é a ” educação do movimento com atuação
sobre o intelecto numa relação entre pensamento e ação,
englobando funções neurológicas e psíquicas ”. Além disso
possui uma dupla finalidade, “assegurar o desenvolvimento
funcional tendo em conta as possibilidades da criança e ajudar a
sua afetividade a se expandir e equilibrar-se através do
intercâmbio com o ambiente humano“.

Os movimentos expressam o que sentimos, nossos


pensamentos e atitudes que muitas vezes estão arquivados em
nosso inconsciente. Através da ação sobre o meio físico com o
meio social, processa-se o desenvolvimento e a aprendizagem do
ser humano.

Portanto, a educação psicomotora na idade escolar deve


ser antes de tudo uma experiência ativa, onde a criança se
confronta com o meio. As educações provenientes dos pais e do
âmbito escolar não tem a finalidade de ensinar a criança
comportamento motores, mas sim permite exercer uma função de
ajustamento individual ou em grupo.
As atividades desenvolvidas no grupo favorecem a
integração e a socialização das crianças com o grupo, portanto,
propiciam o desenvolvimento tanto psíquico como motor.

 6. A Psicomotricidade na Concepção


Neuroeducacional

Conforme esclarece Luria (1981), por muitas décadas os


psicólogos estudaram o curso dos processos mentais: de
percepção e memória, de fala e pensamento, da organização de
movimentos e ações. Daí o interesse científico no estudo do
cérebro como o órgão da atividade mental.

Sabe-se que o cérebro humano, é o mais requintado dos


instrumentos, capaz de refletir as complexidades e os
emaranhamentos do mundo ao nosso redor. Segundo a autora, o
estudo acurado desses fenômenos, no contexto das ciências
comportamentais, forneceu informações de valor inestimável e
revelou importantes pistas para o esclarecimento da natureza das
leis científicas que governam esses processos.

Vale ressaltar, tendo como base os estudiosos citados no


tópico anterior, que por muitos anos, atribuições ligadas à
atividade humana, tal como a estrutura e a função dos processos
psicológicos, além da percepção, memória, atividade intelectual,
fala, movimento e a ação foram descritas e estudadas por
inúmeras teorias psicológicas.

Tal abordagem tem se mostrado cada vez mais eficaz pelo


simples fato de os especialistas nas áreas em questão
reconhecerem que o aprendizado está ligado a determinados
fatores. Falar dos aspectos psicomotores por meio da
concepção neuroeducacional é enriquecer ainda mais os
caminhos que visam ao desenvolvimento dos pequenos. Por conta
dessa visão, a neuroeducação é definida como uma área de
abordagem que trata da junção dos conhecimentos da
Neurociência, da Educação e da Psicologia.

Pondo em pauta a importância da neurociência, convém


enfatizar que a mesma está fundamentada no estudo sobre o
sistema nervoso e todas as suas funcionalidades. Além disso, ela
estuda as estruturas, os processos de desenvolvimento e alguma
eventual alteração que possa surgir no decorrer da vida de uma
pessoa. Em outras palavras, é como uma análise minuciosa sobre
o que manda e desmanda em nossa vida.

Daí resulta-se um dos impactos da neuroeducação na vida


de uma criança, é que em função dos progressos oferecidos por
essa ciência, muitos indivíduos conseguem utilizar a autonomia.
Desta forma, considerando o aspecto neuroeducacional, a
Psicomotricidade ganha uma dimensão inegável pelo fato de sua
atuação provir do sistema nervoso central. Ele é responsável pela
criação de uma consciência no indivíduo acerca do meio de
parâmetros como a velocidade, o tempo, o espaço e a percepção
própria da pessoa.

7. A Psicomotricidade no Desenvolvimento Cognitivo

É de suma importância que seja colocado em pauta que o


aspecto cognitivo está intimamente ligado ao psicomotor, o
desenvolvimento da cognição na infância funciona como força
motriz no oferecimento de todas as condições de uma vida
saudável e independente à criança. Sendo interessante lembrar
que a condição de uma pessoa favorece essa e outras
assimilações, pois tal aspecto é responsável não só pelo papel
social a que a criança está sujeita, mas a outros pontos
fundamentais ao seu desenvolvimento.

A discussão da Psicomotricidade está se tornando comum


no meio escolar, em especial no âmbito pedagógico. Estimular as
crianças com ações visando desenvolvimento motor, cognitivo e
afetivo, faz parte da educação infantil e o professor pode oferecer
inúmeras possibilidades para o desenvolvimento integral da
criança. Com esta visão, a psicomotricidade tem a intenção de
enxergar o ser humano de uma maneira total, levando sempre em
consideração a pessoa e suas habilidades como um vasto campo a
ser explorado.

Gonçalves (2010, p.87), afirma que “O corpo como porta


de entrada e saída da aprendizagem, utiliza-se da
psicomotricidade para expor toda a transcedência de sua
experiência.”

O bom exercício docente proporcionará à criança


oportunidades de estabelecer equilíbrio quanto às suas
capacidades psicológicas, emocionais e motoras em relação ao
mundo. Protegida em um ambiente de supervisão e orientação, a
criança formará bases para encarar o crescimento de maneira
saudável e pronta para assimilar com o corpo, a mente e as
emoções às mudanças de fase da vida.

Fonseca (1995), fala da Psicomotricidade como resultado da


experiência individual da criança, explicitando ainda que é
necessário que a criança simbolize seu corpo, de uma expressão
semiótica a seu corpo. Esta simbolização do corpo em si e no
envolvimento, é vital para a aprendizagem humana e essencial
para a evolução cognitiva da criança.

Piaget (1975) em seus estudos, procura demonstrar que na


construção do conhecimento infantil a experiência através da ação
é fundamental, assim o desenvolvimento cognitivo está dividido
em dois planos; o primeiro, sensório-motor, forma-se nos
primeiros anos da criança e ocorre durante toda a sua vida. E o
segundo, representativo, inicia-se a partir do primeiro e se
desenvolve paralelamente a ele desde os sete anos. É a interação
entre estes dois planos que possibilitará a sistematização do
conhecimento.
Segundo Coll (2010), os pais, os educadores e as próprias
crianças devem compartilhar uma visão positiva do ser humano e
de suas possibilidades. Encontrar sentido para a vida, sentir-se em
um mundo acolhedor e acompanhado por seres humanos que têm
recursos que lhes permitam também ser pró-sociais e inclusive,
em determinadas situações, altruístas. Tudo isso é muito
importante para sentir-se querido e aceito, para fazer o esforço de
descobrir os melhores recursos próprios, mentais e emocionais, e
pô-los à disposição da colaboração e da ajuda.

8. A Importância do Desenvolvimento Psicomotor Para


a Aprendizagem na Educação Infantil

É importante ressaltar que o desenvolvimento psicomotor é


um processo contínuo e dinâmico, e em permanente evolução em
degraus sucessivos logo desde o nascimento. É fundamental para
a Educação Infantil não esquecer que cada criança possui suas
particularidades. Segundo Barreto, Melo e Silva, o maior desafio
da Educação Infantil e dos profissionais é compreender, conhecer
e reconhecer que cada criança possui a sua subjetividade, seu jeito
único de ser e estar no mundo. É preciso considerar que as
crianças são diferentes uma das outras e que cada uma tem um
tempo diferente de aprendizagem.

Vale ressaltar que no processo de desenvolvimento


psicomotor, a criança é vista em sua totalidade, ou seja, não
separa o ser intelectual do emocional e racional, sempre
considerando suas habilidades como um campo a ser
desenvolvido de modo prazeroso e significativo. Para que esse
processo ocorra de forma adequada, é crucial considerar e
respeitar a subjetividade de cada criança.

A estimulação do desenvolvimento psicomotor é


fundamental para que aconteça a interação dos movimentos com a
emoção e a cognição do indivíduo. Para que essa estimulação
ocorra de forma adequada é fundamental que a criança disponha
de um bom ambiente e de facilitadores para auxiliar no
desenvolvimento das capacidades psicomotoras.

É sabido que nem sempre sendo notada, a psicomotricidade


se encontra nos gestos mais simples e em todas as atividades que
desenvolve a parte motora, tendo como objetivo o conhecimento e
domínio pela criança, do próprio corpo. Nesse sentido, a
psicomotricidade passa a ser um fator indispensável para o
desenvolvimento geral e a aprendizagem da criança. Segundo
Alves (2012), o processo de aprendizagem na Educação Infantil
tem como base a educação psicomotora, por isso, a raiz dos
problemas de aprendizagem, na maioria dos casos, está na base do
desenvolvimento psicomotor.

Sobre as fases do desenvolvimento psicomotor, Silva


(2010) diz que não devem ser consideradas somente como uma
maturação neurológica, sim, como um processo relacional.
Levando em consideração as relações do indivíduo com o
ambiente em que está inserido e as relações com os demais. As
fases do corpo podem ser resumidas em três fase até chegar a
perfeição; primeiro o corpo é percebido; em segundo, é
conhecido; e, finalmente, é vivido.

É de suma importância que seja pautada a escala do


desenvolvimento psicomotor ressaltando as principais
características de cada fase dos 2 aos 4 anos, segundo Fonseca
(2009):

 Aos 2 anos: nesta fase a criança chuta uma bola, explora


intencionalidade os brinquedos, faz traços horizontais, utiliza
frases de pelo menos quatro palavras, consegue abrir uma porta,
e/ou gaveta, ajuda ativamente a se vestir ou a se despir, consegue
juntar brinquedos de encaixe, imita movimentos verticais e
horizontais.
 Aos 3 anos: nota-se que nesta fase prevalece na criança a vontade
de se afirmar, geralmente nesta fase a criança expressa interesse
em atividades em que é solicitada que faça desenhos, brinca com
outras crianças e já assumem papéis na brincadeira; apresenta uma
melhor percepção do espaço, equilibra-se em um pé e na ponta dos
pés por um pequeno período de tempo, controla-se em equilíbrio
com os olhos fechados, coordena a marcha e a corrida, demonstra
o domínio da coordenação motora grossa.
 Aos 4 anos: percebe-se nesta fase que a criança já consegue
desenvolver atividades como segurar o lápis na posição correta e
pedalar; demonstra interesse pelos sentimentos das pessoas que
estão ao seu redor, como por exemplo, perceber que sua mãe está
triste e tentar confortá-la; consegue fazer desenhos do corpo, de
casas, apresenta noção em relação ao corpo, sobe e desce escadas
alternadamente, sabe seu nome completo, sexo, idade, e, em
alguns casos o endereço; sabe esperar a sua vez.

Para Fonseca (2009), nos primeiros anos de vida a criança é


compreendida por meio dos gestos, os movimentos constituem
grande parte das expressões de suas necessidades até o
movimento em que a linguagem começa a ser constituída.

9. A Relação entre Psicomotricidade e


Desenvolvimento Infantil

O desenvolvimento é um processo ativo, dinâmico e


interativo, que vai acontecendo no desenrolar da vida. Como visto
nos três conhecimentos básicos, a criança, no processo de
desenvolvimento, passa pelas três etapas que são, o movimento, o
intelecto e o afeto. A partir de cada um deles observa-se a
importância da psicomotricidade no desenvolvimento infantil
(Fonseca, 2009).

10. Educação Psicomotora

A educação física é extremamente importante no


desenvolvimento psicomotor da criança. É através dela que as
mesmas irão demonstrar suas habilidades e dificuldades
corporais. A educação física é pautada nas necessidades da
criança. Desse modo, entende-se que o desenvolvimento da
criança acontece através dos três conhecimentos básicos, sendo o
movimento o primeiro meio de comunicação da criança. É a partir
desses conhecimentos que a criança toma consciência de si
mesma, passando a conhecer seu corpo, compreendendo assim a
importância de se expressar e compreender o outro (Fonseca,
2009).

A educação física escolar tem como objetivo principal


incentivar os movimentos corporais buscando compreender as
diversas etapas da vida. A educação psicomotora bem
desenvolvida pode detectar possíveis dificuldades, em relação à
concentração, coordenação, dificuldades de aprendizagem. As
habilidades da criança bem desenvolvidas possibilitam que estas
aprendam melhor ou que possam ser detectadas com antecedência
problemas como citados acima, colaborando assim para intervir-
los (Fonseca, 2009).

O esquema corporal da criança deixa de ser limitado,


tornando-a mais perceptiva ao ambiente. Entende-se por esquema
corporal o ritmo, o tempo e o espaço da criança (Rosa Neto,
2002).

Tanto o afeto, quanto o intelecto é desenvolvido a partir do


movimento – atividade física – que possibilita esse
desenvolvimento. É necessário que a criança tenha uma boa
coordenação motora para iniciar seu processo de escrita, assim
como para a leitura é necessário que consiga concentrar-se.
Portanto, a educação psicomotora no ensino infantil exerce um
papel fundamental em toda a vida do indivíduo.

“É a educação um fato social tão antigo quanto o próprio homem,


devendo ter sido praticada desde que apareceu na terra a primeira
família humana. Coincide, assim, o início da história da educação com
o da história da humanidade” (BELLO, 1978 p. 9).
11. O Desenvolvimento, a Adaptação Social e o
Equilíbrio Afetivo

É preciso estar atento para o fato de que o desenvolvimento


infantil vai ser determinado pela própria vida da criança, ou seja,
quanto mais oportunidades a criança tem de desenvolver suas
capacidades, maiores serão as chance de se apropriarem da
cultura em que estão inseridas (ARIOLI, 2007).

Os primeiros anos de vida são de grande importância para o


desenvolvimento, nesse momento é fundamental que a criança
pertença a um ambiente favorável para seu desenvolvimento e que
disponha de estímulos. Segundo Arioli (2007), o desenvolvimento
psíquico da criança se inicia com sua inserção no mundo que é
mediado pelos adultos, e especialmente por parte dos pais, elas
sofrem a forte influência das condições sócio-históricas, culturais,
econômicas e políticas do local onde irão se desenvolver.

Do ponto de vista afetivo, o mais importante é que as


crianças tenham uma boa história de apego e uma adequada rede
de relações sociais que não faltem os amigos, isso ultrapassa as
possibilidades da escola, porém esta, na medida do possível, deve
favorecer a segurança emocional, promover o compromisso dos
pais com a educação dos filhos e favorecer as relações com os
iguais.

Existe um fator afetivo extremamente importante que pode


fortalecer-se não apenas pela educação incidental, mas também
pela educação formal. Trata-se da empatia ou da capacidade de
colocar-se no lugar do outro, de compartilhar seus sentimentos e
de estar emocionalmente inclinado à cooperação e à ajuda.

É importante ressaltar que as habilidades sociais em seus


diferentes conteúdos, especialmente aqueles referentes às relações
interpessoais, à promoção da conduta pós-social e ao controle das
condutas agressivas, oferecem a possibilidade de melhorar o
próprio bem-estar pessoal e social, trabalhar melhor em grupo e
relacionar-se melhor com os professores e alunos.

12. A Influência da Psicomotricidade na Aprendizagem

O desempenho motor da criança está intrinsecamente ligado


à aprendizagem. As habilidades motoras de recorte, colagem,
escrita e o desenvolvimento do intelecto requerem conhecimento
do próprio corpo. Se houverem estímulos realizados de forma a
abranger todas as áreas do corpo, certamente o desenvolvimento
psicomotor se dará plenamente, contribuindo de forma satisfatória
para a aprendizagem.

“Se eu tivesse que reduzir toda a psicologia educacional a um único


princípio, diria isto: O fator isolado mais importante que influencia a
aprendizagem é aquilo que o aprendiz já conhece. Descubra o que ele
sabe e baseie nisso seus ensinamentos (AUSUBEL; NOVAK;
HANESIAN, 1980).”

Ausubel, Novak e Hanesian (1980), nos remetem a


aprendizagem significativa, para que ela ocorra é necessário que a
criança tenha uma atitude positiva para aprender de modo
significativo, ou seja, tenha predisposição para aprender. É
importante que a criança relacione material novo aos materiais
disponíveis em sua estrutura cognitiva. Ao teorizar a
aprendizagem significativa, observa-se a importância da
motivação para aprender. A motivação é um fator subjetivo, mas
pode ser potencializada através de estímulos adequados.

A aprendizagem é o resultado da estimulação do ambiente


sobre o ser aprendente. Por isso, é importante que a aprendizagem
possa ser significativa, esta por sua vez, nos remete
a psicomotricidade, que se bem desenvolvida na criança pode
gerar níveis de aprendizagem satisfatório, ou se não bem
estimuladas, causar consequências (AUSUBEL; NOVAK;
HANESIAN, 1980).
Para que a aprendizagem provoque uma efetiva mudança de
comportamento e amplie cada vez mais o potencial da criança, é
necessário que ela estabeleça relação direta com o meio e com
aquilo que está aprendendo. Para isso, é importante a estimulação.
Portanto, é de suma importância que o professor conheça as
crianças e o processo de aprendizagem e possa se interessar por
elas como seres humanos sensíveis que estão se transformando, e
mais que isso, que são únicos no seu desenvolvimento.

Considerações Finais

Partindo das conclusões comentadas nos itens anteriores,


vale ressaltar a participação do educador no cotidiano da criança,
pois este possui um papel importante no processo de
aprendizagem, devendo respeitar e compreender a subjetividade
de cada criança, bem como o ambiente em que está inserida e
objetivar uma boa estimulação do desenvolvimento psicomotor.

É fundamental que o educador faça uso das práticas


psicomotoras de forma adequada na elaboração das atividades,
saindo da educação tradicional e investindo mais em uma
educação que proporcione aos professores informações e
formações sobre a psicomotricidade no âmbito escolar e dessa
forma, oferecer possibilidades de elaborar um trabalho voltado
para as necessidades das crianças.

Observa-se com nitidez que o foco principal deste trabalho


foi de explicitar como é importante que as crianças tenham
oportunidades de vivenciar situações positivas no âmbito escolar,
em especial nas séries iniciais, e assim passem a conhecer e
confiar em seu próprio corpo e no seu desenvolvimento global,
evitando ao máximo que elas passem por experiência que a
desvalorizem, mas, sim proporcionem a descoberta das suas
habilidades e os melhores meios para aprender aquilo que lhe for
proposto.
Por fim, é através da educação infantil que a criança poderá
expandir seus movimentos corporais, explorando seus
sentimentos, seu corpo. Cabe à escola conscientizar os
profissionais da educação infantil do valor da psicomotricidade,
pois esta passa a ser um fator indispensável para o
desenvolvimento geral e a aprendizagem da criança, desse modo,
devem ser reconhecidas através de pequena avaliação,
dificuldades psicomotoras que não foram trabalhadas,
possibilitando assim o desenvolvimento integral do aluno. O
professor deve estar sempre preocupado de trazer atividades
corporais para dentro da sala de aula, proporcionado cada vez
mais experiência para seus alunos, favorecendo
a psicomotricidade fina, auxiliando os alunos de ritmo normal e
de aprendizagem lenta a vencer os obstáculos, os desafios da
leitura e da escola.

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