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doi: 10.4025/10jeam.ppeuem.

04004

HASTINGS, 1066: A CAVALARIA DE GUILHERME, O


CONQUISTADOR NA TAPEÇARIA DE BAYUEX

FERRARESE, Lúcio Carlos (UEM)


REIS, Jaime Estevão dos (DHI/UEM)

Em meados do século XI a Inglaterra se vê diante de um conturbado cenário político:


Eduardo o Confessor havia sido seu rei entre os anos de 1042 e 1065, mas embora tenha
sido considerado um homem justo e piedoso, seu reinado fora fraco, e ele morreria sem
deixar descendentes diretos ao trono. Mesmo antes de sua morte, já se desenhavam no
horizonte os problemas de sua sucessão, pois ele era descendente tanto de Ingleses quanto
de Normandos, e homens de ambos os lados do Canal da Mancha tinham interesse em suas
terras.
Na Normandia, um jovem guerreiro bastardo, filho ilegítimo de uma plebéia, torna-se
um líder político e ocupa o nobre posto de Conde da Normandia. Este era Guilherme, o
Bastardo, sobrinho em segundo grau de Eduardo. Enquanto isso, na Inglaterra, a família
Godwin, de origem anglo-saxônica, se tornava politicamente forte, com seus membros
tornando-se condes e sendo suseranos sobre grandes extensões da Inglaterra, e com o apoio
dos líderes locais ingleses, preocupados com a influência normanda. Dentro dessa família
se encontraria o guerreiro chamado Haroldo, cavaleiro anglo-saxão temido e
experimentado na batalha, que receberia a coroa inglesa por aclamação de seus pares,
porém com a contestação do normando Guilherme. Da luta entre estes dois homens pela
coroa, deste momento decisivo da história da Inglaterra, seria criada uma extraordinária
fonte histórica, bem como surgiria uma monarquia forte, cujas influências podem ser
percebidas hodiernamente.
De fato, o historiador atento pode perceber que, na Inglaterra medieval, o poder real
não diminuiu e nem se desintegrou em pequenos reinos, comparativamente ao que o
ocorreu com o poder real franco do continente europeu. Vários são os fatores que
permitiram esse acontecimento peculiar da Inglaterra, mas em específico podemos apontar

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a influencia daquele que seria o seu rei normando Guilherme, alcunhado o “Conquistador”,
considerado um poderoso cavaleiro e patrono de cavaleiros. Com sua vitória, os senhores
ingleses curvam-se a um só suserano, que molda o governo ao redor de sua figura.
Sua história, e de como se tornou rei dos ingleses, é de vasto interesse, especialmente
graças a um documento histórico que sobrevive até hoje: a Tapeçaria de Bayeux. Esta
fonte, embora muitas vezes denominada como tapeçaria, consiste em um bordado
(THORPE, 1973, p. 57) que conta em suas delicadas tramas os acontecimentos anteriores
que levaram à conquista de Guilherme sobre a Inglaterra. Seu ponto alto é a representação
da Batalha de Hastings do ano 1066, através da visão normanda dos fatos, celebrando seus
guerreiros e heróis enquanto derrotam os opositores daquele que seria um rei por direito. A
Tapeçaria preza um estilo descritivo contínuo, com poucas interrupções e escrita em latim
simples, o que permitiria a qualquer pessoa que estudara essa língua ler a narração para
outros, sem qualquer dificuldade, demonstrando sua utilização como forma de propagação
da vitória retratada.
A primeira imagem é a figura do Rei Eduardo “o Confessor” da Inglaterra, parente do
Duque Guilherme da Normandia, o que situa temporalmente o leitor da Tapeçaria no seu
reinado, que durou entre 1042 e 1066. Como a Tapeçaria foi criada pouco tempo após a
conquista de Guilherme, esses eventos ainda encontravam-se recentes nas mentes da
época, que conseguiriam precisar o tempo e os eventos que hoje fogem aos historiadores.
Eduardo, no entanto, não tem descendentes, e seu trono é motivo de discórdia entre
os vários possíveis sucessores indiretos, ou mesmo de conquistadores oportunistas,
incluindo chefes vikings. O vassalo mais poderoso de Eduardo, Conde Haroldo, é
introduzido nessa esta história juntamente com o rei, e aparenta estar recebendo ordens
para que vá até a Normandia, além da ilha britânica. Este momento, na visão normanda, é
quando Haroldo teria sido enviado até Guilherme como mensageiro para confirmar sua
sucessão ao trono, que teria sido prometida em anos anteriores. A viagem marítima de
Haroldo, no entanto, é mal-sucedida, pois ele perde seu barco e se transforma em
prisioneiro de Guy da Normandia, sendo a tática de apresamento uma “tradição”
cavaleiresca da época.
Deste momento em diante, o protagonista principal da Tapeçaria, Guilherme, aparece
e resgata pacificamente a Haroldo, usando de sua autoridade sobre Guy. Haroldo torna-se
hóspede de Guilherme, e o ajuda em suas batalhas dentro da Normandia. Após estas

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vitórias, o hóspede inglês presta juramento para tornar-se vassalo de seu salvador,
movimento que o futuro Conquistador usaria para justificar seu ataque ao Conde inglês,
pois este teria jurado ajudá-lo a se tornar rei da Inglaterra (LEWIS, 1999, p. 100-101).
Livre após isso, Haroldo retorna à Inglaterra, onde após um interlúdio vemos a imagem do
rei Eduardo moribundo e morto, e a coroação do próprio Haroldo.
A nova posição do antigo Conde é obviamente contestada pelos vários lordes, em
especial Guilherme, já que o juramento de Haroldo o fazia vassalo seu, e tal ato, além
disso, estaria quebrando a palavra dada em um ritual sagrado sobre as relíquias de santos.
Ademais, a Tapeçaria demonstra muito bem que a coroação havia sido feita com o aval de
Stigand, Arcebispo de York, que havia cortado relações com a Igreja Católica de Roma, e
que, portanto, teria perdido o aval papal, tornando a coroação anulável nos termos da
época. O Suserano Normando, então, lidera uma invasão de forças consideráveis contra a
Inglaterra, arregimentando homens e equipamentos para cruzar o mar até a Inglaterra e
atacar o rei perjuro e falso.
Na Inglaterra, encontra o seu inimigo próximo a um local chamado Hastings, onde
ocorre uma terrível batalha entre as forças do Normando e do Inglês. Bordados minuciosos
sobre os cavaleiros de Guilherme, seus cavalos, suas armas e armaduras, contra os homens
de Haroldo, a pé e protegidos por escudos, estão representados na Tapeçaria. São as figuras
cavaleirescas as principais atuantes da batalha encarniçada, que se prolonga até a morte em
batalha do Rei Haroldo e com a vitória do Duque Guilherme, de agora em diante chamado
o “Conquistador”. A tapeçaria se encerra com a cavalaria normanda perseguindo o resto do
exército inglês, que batia em retirada com a morte de seu líder.
Embora ela não esteja completa (parte do final foi destruída), nem relate todos os
eventos de seu período, a Tapeçaria é um poderoso instrumento, não apenas histórico, mas
mesmo propagandístico de sua época, tendo sido periodicamente mostrada às populações
que a viram na Igreja de Bayeux, França, durante a Idade Média Central. Ela também foi
colocada para demonstração em outras cidades, incluindo da Inglaterra conquistada, e
mesmo em períodos posteriores aos da Idade Média. O fato de este bordado ter sido
conservado, embora por vezes quase tenha sido destruído e por outras vezes tenha sido
reconstituído, é uma oportunidade fantástica para qualquer historiador, e sua pesquisa é de
largo interesse para qualquer pessoa interessada na história da Inglaterra. A maneira como
esta fonte foi bordada, as cores utilizadas, a lingüística, as formas dos desenhos, as próprias

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imagens e como elas interagem podem no dizer muito acerca das técnicas da época, bem
como do pensamento e das alegorias desses homens. Ela foi criada como testemunho da
vitória de Guilherme, como justificação de sua coroação, e também como um regalo, pois
foi bordada a mando do Bispo Odo, vassalo de Guilherme e também participante da
história, para então ser presenteada a Guilherme.
Todos esses detalhes apontam para a profundidade dessa fonte. Porém, seu estudo
também demonstra uma especial participação de um grupo de guerreiros que adquiriam
cada vez mais prestígio, e logo estariam no seu auge: os cavaleiros medievais. Tais
combatentes advieram do passado “bárbaro” da Europa, constituídos pela tradição romana
e germana, bem como foram influenciados pelos ideais cristãos. Graças à sua posição
como protetores da sociedade, de seu prestígio e de suas tradições familiares, eram cada
vez melhor equipados e treinados, e suas capacidades militares e equipamentos os faziam
possuir uma vasta importância militar no campo de batalha. Esses homens, portanto, foram
adquirindo cada vez mais influência política, social e econômica na sociedade medieval.
Isso se evidencia na própria Tapeçaria de Bayeux, onde eles são os principais
combatentes do lado vencedor, ou seja, de Guilherme, e mesmo este e seus principais
líderes em batalha também são cavaleiros. As armaduras, os cavalos, as formas de manejar
a lança, as investidas, as armas, os principais combatentes de uma luta terrível que mudaria
o destino da Inglaterra – todos estes sinais seriam detalhados e referenciados aos cavaleiros
normandos d’o Conquistador, o que significa que sua importância não era desprezível,
mesmo diante de um líder tão poderoso quanto Guilherme.
A vitória de Guilherme, portanto, seria uma vitória sua e de seus cavaleiros. Após
Hastings, ele viaja com sua hoste pelo interior do país, conquistando as principais cidades
até Londres, onde é coroado e lida com os últimos focos de resistência. O novo rei
consolida o seu poder ao distribuir terras entre seus fiéis vassalos, estes combatentes à
cavalo, e procede a um largo recenseamento de suas novas terras, tornando-se um poderoso
rei e centralizando a ilha ao redor de sua figura. Isso criaria uma monarquia poderosa,
cujas influências podem ser vistas mesmo na Inglaterra Parlamentarista de hoje. E, na base
dessa conquista, estariam os cavaleiros: ou assim a Tapeçaria de Baeyux deseja que
pensemos, pois a proposta do presente estudo é de uma pesquisa detalhada de tal
documento histórico, que em muito pode nos falar da verdadeira influência de tais
guerreiros além da propaganda.

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Sendo um tema pouco explorado pela historiografia brasileira, a Cavalaria na
Tapeçaria de Bayeux é de grande importância, haja vista a influência que provocou na
história da Inglaterra, principalmente em sua história militar, e desta para o mundo. A
Tapeçaria, em si, é uma fonte documental estupenda, e através de sua análise é possível
compreender a importância do uso de formas documentais imagéticas para a percepção
historiográfica, que fizeram e fazem interessantes estudos acerca deste bordado.
Citamos a publicação de Asa Briggs, História Social da Inglaterra (1998), que se
torna a base introdutória sobre a qual o historiador pode entender o contexto histórico da
Inglaterra, tanto de seu passado quando da época contemporânea à Tapeçaria. Também
recomendamos os trabalhos de Dominique Barthélemy, A Cavalaria (2010), Maurice
Keen, La Caballería (2008), Jean Flori, A Cavalaria (2005) e Josef Fleckenstein, La
Caballería y el Mundo Caballeresco (2006), cujas obras abordam os cavaleiros e seu papel
na sociedade, bem como o que levou estes guerreiros a serem tão bem quistos durante a
confecção da Tapeçaria de Bayeux. Referente especificamente a esta última, podemos citar
o trabalho de Kelly Devries, Batalhas Medievais 1000 – 1500 (2009), interessante trabalho
introdutório para o tema abordado neste projeto.
Da mesma forma, o estudo sobre a Cavalaria Normanda de Guilherme o
Conquistador, na Batalha de Hastings de 1066, representada na Tapeçaria de Baeyux, será
fundamentado na análise documental dessa última, bem como no estudo da historiografia
relativa à cavalaria normanda e da batalha. Além dos autores já indicados, utilizaremos
obras específicas sobre os normandos, como Norman Knight (1993) e Hastings 1066
(1994), ambas de Christopher Gravett, que estudam a evolução do guerreiro normando,
seus armamentos, treinamento e posição social e política, com importantes reflexões sobre
este personagem durante a supracitada batalha. De igual importância são as já mencionadas
obras de Lewis Thorpe, The Bayeux Tapestry and the Norman Invasion (1973), e Suzanne
Leiws, The Rhetoric of Power in the Bayeux Tapestry (1999), estudos mais aprofundados
que apresentam uma maravilhosa cópia da própria Tapeçaria para análise dos historiadores,
bem como discussões pertinentes aos episódios representados.
Já compreendido o papel do cavaleiro medieval e sua ascensão - discussão abordada
em projeto de iniciação científica anterior, intitulado “Miles: de Guerreiros a Cavaleiros” -
neste trabalho objetiva-se estabelecer um quadro mais preciso da figura do cavaleiro
normando deste período. Pretendemos, portanto, verificar o seu papel social, cuja

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importância cada vez mais cresce graças aos fatores anteriormente apontados. Isso leva à
sua exaltação como força militar primária na descrição da Batalha de Hastings de 1066, ao
contrário do papel da infantaria, quer de arqueiros quer de guerreiros desmontados.
Estabelecendo sua importância, poderemos verificar se realmente sua influência foi
decisiva para a decisão desta batalha, e por quais motivos ela teria sido imprescindível, se
o foi. Trataremos também de sua representação na Tapeçaria de Baeyux, e porque sua
destacada relevância neste meio de comunicação, bem como da evolução técnico-militar
representada nesta mesma, conforme podemos observar na armaduras que os cavaleiros
utilizam, e na forma que brandem suas lanças, diferente da maneira que os cavaleiros de
períodos anteriores as brandiram.
Com a conquista de Guilherme, o mundo normando é apresentando aos ingleses,
incluindo a sua forma de lutar. Sendo introduzida a cavalaria e o pensamento normando
com essa conquista, não é possível desconsiderar a influência franca sobre os saxões que
ali moravam. Desta mistura de dois povos e duas nações, surgiriam os homens ingleses,
cuja história em muito influencia a história do Ocidente. Da mesma forma, com a ascensão
da cavalaria e de seus ideais, podemos verificar suas influências no mundo militar, que
existem até hoje. Compreendendo este acontecimento, poderemos obter mais um
importante detalhe da estruturação e forma de pensamento destas pessoas, e através delas
das várias formas de estruturação e pensamento do Ocidente.

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