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CORTINAS ATIRANTADAS

1 INTRODUÇÃO

Regiões com topografias acidentadas e com crescimento urbano Em


decorrência de topografias acidentadas e da crescente dos centros urbanos
incorporada como o crescimento desordenadoda população, surgiu a
necessidade de conter esforços horizontais de solo causados por
escavações de elevadas alturas, com o intuito de garantir a segurança, são
aplicasa contenções.
As cortinas de contenção são, basicamente, estruturas de contenção planas
assegurando a estabilidade, em parte, pelo empuxo passivo que é mobilizado
ao longo de um trecho inserido no solo (ficha) e por elementos funcionando à
tração (tirantes protendidos) ou à compressão (estroncas). Essa
estabilização de taludes a partir do conjunto de um elemento tipo laje
verticalizada averso ao maciço de solo e tirantes, por isso o nome
“atirantada”.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Histórico da técnica de cortina atirantada

Passa a existir na Europa na década de 50 a técnica de atirantamento, na


qual era iniciqalmente apenas tirantes compostoos por barras não protendidas,
atingindo a capacidade de carga de 100 a 200 kN. (MELO et al, 2016).
De acordo com Costa Nunes (1987 apud MELO et al, 2016) essa técnica
chegou ao Brasil no ano de 1957 estruturando rodovias que interligavam o Rio de
Janeiro à Teresópolis e Grajaú à Jacarepaguá, e se intensificou nacionalmente
devido as freguentes chuvas nas engostas. Em 1970, nas obras do metrô de São
Paulo foi utilizada a técnica de atirantamento com ancoragem reinjetável,
constatando-se resultados satisfatórios que atingiram cerca de 400 kN, fator
relevante para alavancar a técnica de contenção no país.
Cortina atirantada - conceito

Esse método de cortina atirantada é designado à estabilizar os esforços


horizontais de maciços de solo com deslocamentos mínimos compreende uma
estrutura de contenção semelhante a um elemento tipo parede, formada de materiais
como concreto armado, concreto projetado ou perfis metálicos, ancorada ou
acoplada por meio de tirantes ao maciço de solo. A técnica é projetada de modo a
transportar a carga para o tirante, que, por conseguinte transfere-a ao terreno.
(MELO et al, 2016).
A utilização da técnica de atirantamento é indicada para estruturas de
contenções que exigem grande capacidade de carga, alturas elevadas e situadas
em locais de espaço restrito. Primoroso para centros urbanos, onde o espaço é
restrito. A técnica é também bastante observada em obras rodoviárias e ferroviárias,
especialmente em locais que atravessam serras ou que contenham relevos
altamente acidentados (MELO et al, 2016). A Figura 1 ilustra uma estrutura de
cortina atirantada.

Figura 1 – Exemplo de cortina atirantada

Colocar foto

Fonte : Autoria do grupo.


Princípio de funcionamento

O paramento de concreto é empurrado contra o solo através da aplicação de


tirantes constituídos por cordoalhas ou monobarras, o que garante a contenção da
área. O princípio de funcionamento da técnica de cortina atirantada deriva da
execução de um elemento tipo parede executado comumente a partir de concreto
armado frente ao maciço de solo a ser contido. Posteriormente à implantação da
parede, são inseridos tirantes previamente dimensionados em sua estrutura de
modo a causar um empuxo contra o solo, assegurando a estabilidade pelas tensões
induzidas na interface solo-paramento, através dos efeitos de protensão dos tirantes
que atingem cargas de até 1500 kN, exemplificado na Figura 3. (PEREIRA, 2016).

Figura 3 – Transferência de carga na interação solo estrutura

Fonte: (MORE, 2003).

Elementos constituintes

Concreto armado

O concreto armado figura o sistema construtivo resultante da união do


concreto simples (água, mistura de aglomerante, agregado miúdo e agregado
graúdo) e barras de aço.
Esses materiais complementares promovem elementos que resistem aos esforços
de tração e compressão, provenientes da boa resistência à tração apresentada pelo
aço e boa resistência à compressão verificada no concreto. O concreto armado além
de apresentar boa resistência à maioria dos esforços apresenta boa trabalhabilidade,
facilidade de mão de obra, alta durabilidade e resistência ao fogo, choques,
vibrações, efeitos térmicos e atmosféricos (CARVALHO E FILHO, 2015).

Aço

Os aços comumente empregados no concreto armado são das classes CA50


(barras nervuradas) e CA60 (fios entalhados) - para maior aderência ao concreto.
De acordo com a ABNT NBR 6118:2014 a aderência entre o aço e o concreto
está relacionada ao coeficiente de aderência 1, conforme Tabela 1.

Tabela 1 – Valor do coeficiente de aderência 1


Fonte: (ABNT NBR 6118:2014).

Calda de injeção

Segundo Dutra (2013), o trecho ancorado ou bulbo, localizado na extremidade


do tirante transmite os esforços atuantes dos tirantes ao terreno. O trecho ancorado
é então envolto por material aglutinante que garante maior aderência (aço-cimento)
em relação ao solo-cimento.

Tirantes

Infere-se de Costa Nunes (1976 apud VASCONCELOS, 2016) algumas


aplicações de ancoragens além do uso para estabilização de taludes: estabilização
de escavações subterrâneas (túneis), reforço em estruturas de arrimo, fundações,
fundações de torres e estaiamento de estruturas sujeitas à ação do vento. A Figura 2
ilustra alguns casos mencionados.
Figura 2 – Aplicabilidade de tirantes

Anexar foto

Fonte: Autoria do grupo.

Os tirantes constituem elementos lineares que transmitem os esforços


externos de tração para o maciço de solo através do bulbo. (ABNT NBR 5629:2006).
Vasconcelos (2016) explica que o tirante de cordoalhas é usualmente
empregado em ancoragens que necessitam de grande capacidade de carga, já o
tirante monobarra é usado em ancoragens com pequenos comprimentos e que
requerem pequena capacidade de carga. As Figuras 3 a 4 ilustram os tirantes mais
usuais - tirantes de cordoalhas, monobarra e múltiplas barras, respectivamente.

Figura 3 – Tirante de cordoalhas Figura 5 – Tirante monobarra

Fonte: (GEOSSINTEC, 2007). Fonte: (PORTO, 2017).

Figura 4 – Tirante de múltiplas barras

Fonte: (PORTO, 2017).

A Figura 6 representa a esquemática dos componentes constituintes do


tirante.
Figura 6 – Componentes do tirante

Fonte: (TÉCHNE, 2007).

Acessórios complementares dos tirantes

A Tabela 1 retrata alguns acessórios complementares do tirante, além do


elemento estrutural (aço) e do material de ancoragem (calda de cimento).

Tabela 1 – Acessórios complementares do tirante


Fonte: (Adaptado TÉCHNE, 2007).

Drenagem da cortina atirantada

A drenagem da cortina atirantada, como de quaisquer contenções, deve


funcionar de maneira eficaz a fim de evitar problemas advindos da má execução e
dimensionamento dos dispositivos de drenagem, podendo abalar a estrutura e até
mesmo levá-la ao colapso

Método executivo da cortina atirantada


Fundação

A infraestrutura de uma cortina atirantada deve ser dimensionada de acordo


com a a resistencia do solo.

Cortina

O elemento tipo parede (cortina) cumpre a função de paramento e pode ser


dimensionado conforme instruções para dimensionamento de uma laje lisa ou laje
cogumelo, porém, disposta de forma vertical. Preparo do tirante

Perfuração

Segundo a ABNT NBR 5629:2006, as perfurações para inserção dos tirantes


devem ser realizadas com equipamento compatível ao terreno, de modo a
promover furos retilíneos
de comprimento, diâmetro e inclinação pré-estabelecidos e locados conforme
projeto. A norma ressalta ainda que a perfuração deve contemplar um perfeito
alinhamento, além de impedir que o ato da perfuração prejudique a resistência do
terreno.

Injeção da calda de cimento ou aglutinante

De acordo com Porto (2017), a injeção da calda de cimento em fases


múltiplas deve ser feita através do processo de injeção, lavagem do furo, nova
injeção e assim sucessivamente.

Inserção dos tirantes

De acordo com Dutra (2013), os tirantes podem ser posicionados aos furos
antes ou após a injeção da calda de cimento. Em ambos os casos, o correto
posicionamento é fundamental para garantir o funcionamento pleno da estrutura.
Caso a introdução dos tirantes seja feita após o preenchimento dos furos, esta deve
ser realizada imediatamente após a inserção da calda de injeção. Salienta-se que
para utilização dos tirantes, os mesmos devem passar por ensaios preconizados
pela ABNT NBR 5629:2006.

Aplicação das cargas

A ABNT NBR 5629:2006 elucida que a aplicação das cargas deve ser
realizada através do conjunto manômetro-macaco-bomba hidráulico e que as forças
de tração devem coincidir com a direção dos eixos dos tirantes.
A Figura 9 ilustra o processo executivo da técnica de cortina atirantada.

Figura 9 – Processo construtivo de cortina atirantada

Fonte: (TÉCHNE, 2007).

(MELO et al, 2016)


MELO et al, 2016).
(PEREIRA, 2016
Fonte: (MORE, 2003).
(CARVALHO E FILHO, 2015).
(ABNT NBR 6118:2014).
Dutra (2013),
(1976 apud VASCONCELOS, 2016)
(ABNT NBR 5629:2006).
Vasconcelos (2016)
GEOSSINTEC, 2007).
PORTO, 2017).
PORTO, 2017).
TÉCHNE, 2007).
ABNT NBR 5629:2006

Porto (2017),
Dutra (2013),
ABNt NBR 5629:2006
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1 DIRETRIZES DA PESQUISA

As diretrizes para desenvolvimento do trabalho são descritas nos próximos itens.

QUESTÃO DE PESQUISA

A questão de pesquisa do trabalho é: quais são as principais características das


cortinas atirantadas?
14

OBJETIVOS DA PESQUISA

Os objetivos da pesquisa estão classificados em principal e secundário e são


descritos a seguir.

Objetivo principal

O objetivo principal do trabalho é

Objetivo secundário

O objetivo secundário do trabalho é


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presente trabalho dissertará sobre cortinas atirantadas, apresentando as principais


patologias correntes e suas causas.

2 PAREDES DE CONTENÇÃO

Segundo Tacitano (2006), parede ou cortina de contenção é todo elemento ou


estrutura plana, geralmente vertical, destinado a contrapor-se a tensões geradas por
empuxos de solo e/ou água em um maciço de solo cuja condição de equilíbrio foi
alterada por algum tipo de escavação ou eventual reaterro, que tenha ocorrido em
um de seus lados, sendo caracterizada pela pequena deslocabilidade. Contudo, há
distinção no que se refere aos tipos de estruturas de contenção, podendo elas ser
divididas, basicamente, em estruturas massivas ou estruturas delgadas.

Ranzini e Negro Junior (1998) apresentam os principais tipos de estruturas de contenção:

a) muros de arrimo de gravidade,


- muros de pedra seca;
- muro de pedra argamassada;
- muro de concreto ciclópico;
- muro de gabiões do tipo caixa;
- muros do tipo ‘crib-wall’;
- muros de terra;
- muros de arrimo atirantados na base;
- muro de pneus;
b) muros de arrimo de flexão,
- muros de concreto armado sem contrafortes;
- muros de concreto armado com contrafortes;
- muros de concreto armado pré-moldados;
c) reforços de solo,
- terra armada;
- solo grampeado ou pregado;
- solo-cimento (jetgrouting);
d) paredes ou cortinas,
- cortinas de concreto armado atirantadas;
- cortinas de estacas justapostas;
- cortinas de estaca prancha;
- cortinas de perfil metálico cravado;
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
16
- cortinas de estacas do tipo ‘raiz’;
- cortinas de estacas escavadas com arco de concreto projetado
- paredes-diafragma atirantadas;
- paredes-diafragma estroncadas.

Conforme Tacitano (2006, p. 1), a primeira etapa no projeto de estruturas de


contenção é a avaliação estratégica e objetiva do problema a ser resolvido, tendo
como meta a resolução do problema, aliando concomitantemente, sempre que
possível, técnica, custo e fatores ambientais. Segundo o mesmo autor, os seguintes
fatores influenciam a escolha do tipo de estrutura:

a) asdimensões da escavação (profundidade, largura e


comprimento);

b) as propriedades do solo na região;

c) a sequência imposta pelo método construtivo;

d) sobrecargas devidas ao trânsito local e aos equipamentos


utilizados na obra;

e) o regime do nível de água, quando presente na escavação;

f) o tipo de escoramento;

g) a presença de utilidades e edificações vizinhas;

h) o clima (principalmente a temperatura nas estroncas);

i) o
tempo de construção (tanto de escavação, quanto de instalação
do escoramento);

j) técnicas construtivas e equipamentos disponíveis;

k) experiência profissional e prática local;

l) disponibilidade financeira.

Tacitano (2006) explica que palavras como paramento, parede e cortina são
palavras análogas, e se referem à parte da estrutura de contenção que está em
contato direto com o solo a ser contido. Essas partes da estrutura de contenção são
geralmente verticais, sendo compostas, usualmente, de madeira, aço ou concreto
ou, inclusive, combinações dos três materiais. Tais paredes podem ser contínuas ou
descontínuas, de modo que são as condições de campo e o julgamento do projetista
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
17
que influenciarão na escolha.
CORTINA DE CONCRETO ARMADO ATIRANTADA

Essa subdivisão tem como objetivo caracterizar esse sistema de contenção e


apresentar o método de execução de tais estruturas.

Elementos constituintes de cortinas atirantadas

Esse sistema de contenção somente é eficiente e desempenha o comportamento


esperado se houver um comportamento monolítico entre a cortina de concreto
armado e os elementos que funcionam tracionados (tirantes). Tirantes são
elementos que estão ancorados, em uma das extremidades, a painéis de concreto
armado, que estão submetidos aos esforços de reação devidos à tração nos tirantes.
Dessa maneira, é de fundamental importância, para a estabilidade da estrutura, o
funcionamento conjunto entre tirante e cortina de concreto armado. A seguir, serão
caracterizados os principais elementos.

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


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Tirantes

Segundo a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006),


tirantes injetados são peças montadas, em que um ou mais elementos resistem aos
esforços de tração impostos. Esses são introduzidos no terreno segundo um método
específico de perfuração. O bulbo de ancoragem resulta da injeção de calda de
cimento, sendo responsável pela transmissão da força absorvida pelo tirante ao
terreno.

Conforme a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006),


macroscopicamente, as seguintes partes constituem o corpo de um tirante:

a) comprimento ancorado ou bulbo (Lb): Parte da peça que é projetada


para transmitir a carga aplicada ao solo/rocha;
b) carga aplicada ao tirante: carga que é aplicada na cabeça do tirante e
será transmitida ao solo pelo bulbo de ancoragem;
c) comprimento livre (Ll): distância que está entre a cabeça do tirante e o
início do bulbo de ancoragem, devendo ser previsto em projeto;
d) comprimento ancorado efetivo ou bulbo efetivo (Lbe): trecho de
transferência efetivo de carga no local em que está inserido. É possível
que este, seja igual, maior ou menor que o comprimento de projeto (Lb);
e) comprimento livre efetivo (Lle): trecho efetivo de alongamento livre sob
aplicação de carga. O mesmo é obtido através de ensaio de
qualificação;
f) cabeça do tirante: dispositivo que transfere a carga do tirante à
estrutura a ser ancorada. É constituído de placas de apoio, cunhas,
cones, porcas, etc.

A figura 3 representa os elementos que compõem os tirantes.

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


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Figura 3 - Elementos que constituem os tirantes

(fonte: FUNDAÇÃO INSTITUTO DE GEOTÉCNICA DO MUNICÍPIODO RIO


DE JANEIRO,
2014, p. 43)

A mesma norma regulamentadora explica a diferença existente entre os


seguintes tipos de tirantes:

a) provisórios são peças destinadas a serem utilizadas por tempo inferior


a dois anos;
b) permanente são peças destinadas a serem utilizadas por tempo
superiores a dois anos;
c) reinjetáveis são peças em que é possível mais fases de injeções após
a sua instalação;
d) não reinjetáveis são peças em que não é possível mais fases de
injeções após a sua instalação.
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
20

Segundo a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006), no


que se refere às características físicas das barras, tais objetos podem ser divididos em,
tirantes:

a) monobarra: são elementos constituídos por aço encruado a frio, em


que as barras comumente utilizadas são de aço CA-50 ou CA-60.
Nessas barras a tensão de escoamento é, respectivamente, 500 e 600
MPa.
b) de fios ou cordoalhas: são elementos constituídos por aço encruado a
frio, com elevadas resistências à tração e pequenas deformações de
fluência. São constituídos de diversos fios ou cordoalhas, de modo que
parte do projetista a escolha da necessidade de maiores resistências,
consequentemente maiores quantidades de fios ou cordoalhas. São
utilizados, na prática de engenharia, com mais frequência fios com
diâmetros de oito e nove milímetros e cordoalhas com 12,7 e 15,2 mm.
Apresentam tensões de escoamento maiores se com parados com os
tirantes monobarra. Exemplificando, tirantes compostos por fios e com
aço 150RB possuem valores de tensão de escoamento igual a 1350
MPa enquanto que tirantes compostos por cordoalhas com aço 190RB
possuem tensão de escoamento igual a 1708 MPa.

Quanto ao sistema de injeção, Solotrat Engenharia Geotécnica [2015], afirma que


tais elementos podem ser injetados em um único estágio ou em múltiplos estágios. O
fator que irá determinar tal distinção é a caracterização do solo em que o mesmo
será inserido. Dessa forma, em solos resistentes e com índice de vazios baixo, é
possível a injeção em um único estágio. No entanto, solos com menores
capacidades portantes e com alto índice de vazios é recomendada a injeção em
múltiplos estágios, em que será necessária a utilização de tirantes reinjetáveis. Tal
fator é de grande importância visto que as tensões serão distribuídas ao longo do
comprimento ancorado da barra, que, segundo sucessivas injeções, expande e
contempla maiores áreas, fato que contribui para a distribuição de tensões.

A seguir, segundo a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,


2006), são apresentadas as fórmulas indicadas para o cálculo do dimensionamento
da seção de aço e para o cálculo do dimensionamento para o bulbo de ancoragem.
Para o cálculo do dimensionamento da seção de aço com tirantes permanentes, se
utiliza a fórmula 1:

σadm = (fyk/1,75)*0,9 (fórmula 1)

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


21

Onde:
σadm é igual à tensão admissível, em MPa;
fyk é a resistência característica do aço à tração, em MPa.

Para o cálculo do dimensionamento da seção de aço com tirantes provisórios, se


utiliza a fórmula 2:

σadm = (fyk/1,50)*0,9 (fórmula 2)

Onde:
σadm é igual à tensão admissível, em MPa;
fyké a resistência característica do aço à tração, em MPa.

Para o cálculo do dimensionamento para o bulbo de ancoragem em solos arenosos, se


utiliza a fórmula 3:

T = σ’z*U*Lb*kf (fórmula 3)

Onde:
T é igual à força resistente à tração da ancoragem, em kN;
σ’z é a tensão efetiva no ponto médio da ancoragem, em
kN/cm²; U é o perímetro médio da seção transversal da
ancoragem, em cm; Lb é o comprimento ancorado, cm;
kf é igual ao coeficiente de ancoragem indicado na tabela 1.

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


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Tabela 1 - Coeficientes de ancoragem

Compacidade
Solo Muito
Fofa Compact
compact
a
a
Silte 0,1 0,4 1,0
Areia 0,2 0,6 1,5
fina
Areia
média 0,5 1,2 2,0
Areia
grossa 1,0 2,0 3,0

(fonte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,


2006, p. 4)

Para o cálculo do dimensionamento para o bulbo de ancoragem em solos argilosos,


se utiliza a fórmula 4:

T = α*U*Lb*Su (fórmula 4)

Onde:
T é igual à força resistente à tração da ancoragem, em kN;
α é igual ao coeficiente redutor ao cisalhamento (para Su ≤ 40 kPa, α = 0,75 e para
Su ≥ 100 kPa, α = 0,35. Entre os dois valores, interpolar linearmente);
U é o perímetro médio da seção transversal da ancoragem,
em cm; Lb é o comprimento ancorado,em cm;
Su é igual à resistência ao cisalhamento não drenado do solo argiloso, em kN/cm².

A NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006) acrescenta


que a ancoragem em rocha é obtida a partir de uma tensão de aderência rocha-
argamassa, devendo ser o menor entre 1/30 da resistência à compressão simples
da rocha e 1/30 da resistência à compressão simples da argamassa.

O mesmo texto afirma que o trecho de ancoragem do tirante não pode ser
executado nas seguintes situações:

a) solos orgânicos moles;

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23
b) aterros ou solos coesivos, com N ≤ quatro do ensaio SPT (Standard
Penetration Test);

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24

c) aterros sanitários.

Onde:
N é igual ao número médio de golpes obtidos no ensaio SPT (SCHNAID;
ODEBRECHT, 2012).

Cortina de concreto armado

Conforme Tecnosolo (1978), cortinas de concreto armado são cortinas (painéis)


esbeltas, devido ao alívio de esforços causados pela protensão dos tirantes. Os
tirantes transferem os esforços através do comprimento ancorado por intermédio do
bulbo de concreto, que é localizado na extremidade oposta à parede de concreto
armado.

Ranzini e Negro Junior (1998) descrevem essa estrutura como contenções que, por
estarem ancoradas a estruturas mais rígidas, apresentam menor deslocabilidade, o
que pode acarretar em comportamento elastoplástico do maciço contido. Dessa
maneira, a rigidez relativa é um conceito de extrema importância, visto que influencia
na distribuição e na intensidade dos empuxos na estrutura supracitada.

Segundo os mesmos autores, rigidez relativa é um conceito que se refere à


interação entre o painel de contenção e o maciço de solo suportado pelo mesmo. Tal
interação envolve deslocamentos, que influenciam a distribuição de tensões, que
atuam na face da parede de contenção.

Conforme Tacitano (2006), a classificação de uma parede de contenção como rígida


ou flexível está diretamente relacionada com os seguintes fatores:

a) produto de rigidez (EI);


b) tipo de escoramento;
c) distribuição do escoramento;
d) tipo de solo contido.

Cortinas de concreto armado podem ser diferenciadas quanto à rigidez, uma vez que
há a subdivisão dessa estrutura em cortinas Rígidas e em cortinas Flexíveis. Ranzini
e Negro Junior (1998) relatam que uma cortina ou parede é flexível quando seus
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
25
deslocamentos,

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


26

devidos a fenômenos de flexão, são suficientes para influenciar de forma significativa


a distribuição de tensões aplicadas pelo maciço. Dada a diferença mencionada
acima, os autores mencionam que só é possível estabelecer a rigidez de uma cortina
se forem feitos cálculos com objetivo da obtenção dos deslocamentos causados por
flexão. De posse dos resultados, cabe ao projetista analisá-los averiguando se é
possível desprezá-los, conforme as condições adotadas pelo mesmo.

De acordo com Tacitano (2006), para alturas entre dois níveis de escoramento,
classificam-se como paredes de contenção rígidas aquelas constituídas por paredes-
diafragma, paredes de estacas justapostas, etc. Diferentemente, paredes de
contenção constituídas por perfis metálicos com pranchões de madeira ou de
concreto e por estacas-prancha são consideradas como paredes flexíveis, haja vista
que é menor o produto de rigidez (EI), ocasionando, dessa maneira, maiores
deslocamentos horizontais se empregadas nas mesmas condições.

MÉTODO EXECUTIVO USUAL DE UMA CORTINA ATIRANTADA

Consoante Tecnosolo Engenharia e Tecnologia de Solos e Materiais (1978, p. [29]),


o método executivo de uma cortina atirantada, conforme execução descendente, é
composto, basicamente, de seis fases bem definidas, sendo elas:

a) fase 1 - escavação de nichos para colocação dos tirantes


alternados (1ª fileira);

b) fase 2 - perfuração, colocação do tirante, injeção do furo,


colocação da placa, protensão com esforço de ensaio,
ancoragem da placa com esforço de incorporação;

c) fase 3 - repetição das operações das fases um e dois, com


relação às placas restantes da 1ª fileira;

d) fase 4 - concretagem da cortina na faixa relativa à 1ª fileira.


Repetição das operações das fases um e dois com relação
às placas alternadas da 2ª fileira;

e) fase 5 - repetição das operações da fase três com relação às


placas da 2ª fileira, concretagem da cortina na faixa relativa
à 2ª fileira;

d) fase 6 - prosseguimento dos trabalhos da mesma maneira


até a conclusão da cortina.
Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
27

Segundo Ranzini e Negro Junior (1998), a principal dificuldade comum aos vários
tipos de escoramento é a impossibilidade de se obter ficha (parte da estrutura
embutida no solo) suficiente, ocasionando a necessidade de mais estroncas
provisórias para conter os empuxos

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28

atuantes. Outra dificuldade é a fuga de solos finos abaixo do nível do lençol freático,
que ocorre devido à falta de estanqueidade. Tal problema pode ser resolvido se for
executado o rebaixamento do lençol freático, em que um sistema de filtros impede o
transporte das partículas sólidas. Uma vez que o carreamento de partículas sólidas
não é impedido, podem ocorrer vazios, que geram o perigo de colapso da estrutura
ou grandes recalques não previstos no projeto.

A influência da água é um fator preocupante nesse tipo de estrutura, conforme


Ranzini e Negro Junior (1998, p. 505):

A influência da água é marcante na estabilidade de uma


estrutura, basta dizer que o acúmulo de água, por deficiência
de drenagem, pode chegar a duplicar o empuxo atuante.

O efeito da água pode ser direto, resultante do acúmulo de


água junto ao tardoz interno do arrimo e do encharcamento do
terrapleno, ou indireto, produzindo uma redução da resistência
ao cisalhamento do maciço em decorrência do acréscimo das
pressões intersticiais.

O efeito direto é o de maior intensidade, podendo ser eliminado


ou bastante atenuado por um sistema eficaz de drenagem.

Dado que o objetivo do trabalho é a caracterização de paredes de contenção do tipo


cortina de concreto armado atirantada, com atenção às patologias frequentes nessa
estrutura e suas causas, será dedicado, exclusivamente, o item 3.3 para execução
de tirantes, visto que grande parte das patologias nessas estruturas são devidas a
problemas executivos nessa fase crítica.

MÉTODO EXECUTIVO DE UM TIRANTE

Como fora supracitado, a execução de tirantes é uma fase decisiva na qualidade


final da estrutura. São recorrentes problemas envolvendo essas peças na prática de
engenharia e a análise de laudos e casos de sinistros apontam que tais eventos têm
origem, geralmente, em fases de execução, em que não foram adotados os métodos
corretos de construção. A seguir serão apresentadas as principais fases para a
execução dos mesmos.

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


29

Preparo e montagem

Segundo Yassuda e Dias (1998), inicialmente, o aço é cortado e, se houver a


necessidade, emendado no comprimento de projeto (Lb), com o objetivo de se obter
as recomendações do projeto estrutural. Os autores recomendam os seguintes
aspectos que merecem a devida atenção:

a) barras de aço: atentar no corte e montagem para que fique com


comprimento livre estipulado no projeto, sendo recomendado que se
evite emendas no trecho livre. Uma que vez isso não seja possível,
essas devem ser posicionadas, preferencialmente, próximo ao bulbo;
b) fios e cordoalhas: prever um comprimento adicional equivalente a 1,0
m para que seja possível a instalação do equipamento de protensão;
c) placas de ancoragem: é necessária a devida atenção ao tamanho
dessas peças. Uma vez que as mesmas, quando não atendem ao
projeto, podem causar o puncionamento do concreto, devido ao
pequeno tamanho da placa de ancoragem.

Dado atenção aos itens acima, é indicada a proteção anticorrosiva do aço, conforme
a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006). Essa
norma explica
que o grau de agressividade do meio em que é instalado o tirante irá orientar a
escolha do tipo de cimento adequado para a injeção e a classe de proteção
anticorrosiva a ser empregada, objetivando-se atender a vida útil de projeto. Tal
agressividade do meio é apresentada conforme a tabela 2.

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30

Tabela 2 - Agressividade do meio


Dimensões em miligramas por litro
Grau de agressividade do meio
Tipos de águas
freáticas Não Medianament Muito
agressiv e agressiv
o agressivo o
Águas puras 1
> 150 150 a 50 < 50
Resíduo
filtrável
Águas ácidas pH > 6 pH 5,5 a pH pH < 5,5
6
Águas ácidas
< 30 30 a 45 > 45
com CO2
dissolvido
Águas selenitosas < 150 150 a 500 > 500
Teor de SO -
4
Águas
< 100 100 a 200 > 200
magnesianas
Teor de Mg ++
Águas amoniacais < 100 100 a 150 > 150
Teor de NH4+
Águas com cloro
< 200 200 a 500 > 500
Teor de Cl-
1 São as águas de montanhas, de fontes, com a ação lixiviante, que
dissolvem a cal livre e hidrolisam os silicatos e aluminatos do
cimento

(fonte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,


2006, p. 29)

O texto afirma que:

a) proteção classe um: usada para tirantes inseridos em meio muito


agressivo ou medianamente agressivo e para tirantes provisórios em
meio muito agressivo. Essa proteção é composta de duas barreiras
físicas contra a corrosão em toda a extensão do tirante, sendo elas o
cimento e um tubo plástico corrugado ou tubo metálico com espessura
mínima de 4,0 mm. Os elementos do trecho livre devem ser protegidos
em conjunto (todos envolvidos por um duto plástico e graxa
anticorrosiva, sendo envolvidos por outro duto plástico, em que é
preenchido com argamassa o vazio entre os dois tubos) ou cada
elemento (envolvidos por graxa anticorrosiva ou duto plástico, e o
conjunto de elementos por outro duto plástico e injetado com calda de
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
31
cimento após protensão.)
b) proteção classe dois: usada para tirantes permanentes em meio não
agressivo e tirantes provisórios em meio medianamente agressivo.
Mesmo tipo de proteção do trecho livre da classe um, contudo o trecho
ancorado deve ser protegido por cimento ou argamassa injetada.
c) proteção classe três: usada para tirantes não provisórios em meio não
agressivo. O trecho livre é protegido por um duto plástico abrangendo
todos os elementos

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


32

ou por dutos plásticos individuais. O trecho de ancoragem é equipado com


centralizadores e protegido com calda de cimento ou argamassa injetada.

Yassuda e Dias (1998) afirmam que as peças podem ser montadas em oficina ou
em canteiro de obras. Devem ser tomadas as providências necessárias para que
não seja danificada a proteção anticorrosiva durante o transporte e a instalação dos
tirantes.

Após serem executados os serviços iniciais citados acima, deve-se executar o furo
no qual este será instalado, conforme se apresenta em 3.3.2.

Segue o quadro 1, resumindo os tipos de proteção anticorrosiva.

Quadro1 - Tipos de proteção anticorrosiva

Classe - Aplicação Proteçã


o
Classe 1 Exigido o emprego de duas barreiras
* Tirantes físicas em todo o comprimento (*);
permanentes em
meio muito ou * Trecho Ancorado:
medianamente - revestimento com tubo plástico
agressivo corrugado ou tubo metálico com
* Tirantes provisórios espessura mínima de 4 mm.
em meio muito - calda de cimento.
agressivo * Trecho Livre:
a) graxa + duto plástico individual por fio
ou cordoalha + duto plástico envolvendo
todo o conjunto + cimento entre os
dutos;
b) ou graxa + duto plástico envolvido por
outro duto plástico + cimento no vazio entre
os dois dutos + cimento entre o tubo de
fora e o terreno.
Classe 2
* Trecho Ancorado:
* Tirantes - utilização de centralizadores de forma a
permanentes em garantir um recobrimento mínimo de 2 cm.
meio não agressivo * Trecho livre
* Tirantes provisórios - idêntico a Classe 1.
em meio
medianamente
agressivo

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33
Classe 3
* Trecho Ancorado:
* Tirantes provisórios - utilização de centralizadores.
em meio não * Trecho Livre:
agressivo - protensão por um duto plástico abrangendo
individualmente cada barra, fio ou cordoalha
ou o duto plástico envolvendo o conjunto
destes.

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34

(*) Entendendo-se por barreira física de proteção anticorrosiva um dos


seguintes componentes:
- películas protetoras sintéticas (tintas e resinas);
- fluidos a base de batume com teor de enxofre inferior a 0,5 % em massa;
- tubo contínuo de polipropileno, polietileno, PVC ou similar;
- graxa, quando houver garantia de recobrimento, continuidade e permanência
no local da aplicação e for específica para uso em cabo de aço;
- tratamento superficial de galvanização ou zincagem;
- nata ou argamassa à base de cimento: válida apenas para tirantes provisórios
ou como primeira proteção de um sistema duplo e quando utilizado cimento
com teores máximos de:
- cloro total: 0,05 % da massa de cimento.
- Enxofre: 0,15 % da massa de cimento.

Nota: álem do que prescreve a norma, é recomendado o uso de um dispositivo que assegure a
continuidade da proteção na transição do trecho livre para a cabeça do tirante. Este dispositivo
pode ser um tubo de PVC, engastado na estrutura de concreto, com comprimento sobressaindo
do concreto e penetrando no terreno, em cerca de 40 cm, à semelhança da recomendação da
norma francesa TA 77 (TA. 1977)

(fonte: YASSUDA; DIAS, 1998, p.


629)

Perfuração

A NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006) enuncia que


tolera qualquer sistema para a perfuração, que não deteriore a resistência do
terreno. É necessário que o furo resultante seja retilíneo, com diâmetro, inclinação e
comprimentos previstos no projeto. É mencionado, que o sistema de perfuração
deve garantir que o furo permaneça aberto até que ocorra a injeção de aglutinante,
com essa finalidade é permitido o uso de revestimento de perfuração e/ou fluído
estabilizante.

Realizada a perfuração, o próximo passo é a instalação do tirante na cavidade,


conforme o item a seguir.

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


35

Instalação do tirante

Segundo Yassuda e Dias (1998), os cuidados necessários são:

a) não ferir a proteção anticorrosiva;


b) não deslocar acessórios (válvulas e espaçadores);
c) posicionar a cabeça na altura correta.

A NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006) comunica


que antes da instalação de cada tirante seja averiguado se a proteção anticorrosiva
não apresenta falhas no instante da instalação, especialmente nos locais de
emenda, que devem ser inspecionados e corrigidos, quando necessário. Outra
verificação é a correspondência dos dispositivos de fixação da cabeça com as
necessidades estruturais.

Dada as devidas verificações, a instalação da peça é o processo em que se insere o


tirante no furo, previamente executado. A próxima fase de execução consiste na
injeção de calda de cimento, podendo esta ser realizada antes da locação do tirante
no furo.

Injeção

A injeção da peça pode ser feita com a utilização de calda de cimento ou outro
aglutinante, conforme especificado em projeto. Essa fase pode ser realizada em um
único estágio ou em múltiplos, sendo o projetista o responsável por tal escolha, uma
vez que a tomada de decisão será feita segundo critérios de campo. A escolha não
deve afetar a capacidade de carga do elemento e deve ser garantido o total
preenchimento do furo (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,
2006).

Yassuda e Dias (1998) afirmam que a seguinte metodologia, para execução em um


único estágio, é comprovada pela prática, conforme a sequência:

a) perfuração com revestimento até o final do furo;


b) lavagem final do furo com água para a remoção de detritos de
escavação e bentonita, se utilizada;
c) ou limpeza com ar comprimido, caso esse tenha sido o processo de
perfuração;
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36
d) preenchimento total do furo com calda de cimento;
e) introdução do tirante;

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37

f) instalação da cabeça de injeção no revestimento;


g) injeção de calda de cimento sob pressão simultaneamente à retirada
do revestimento do furo.

Os mesmos autores explicam que a injeção em múltiplos estágios é o sistema mais


eficiente e seguro. Diferentemente do estágio em que há uma única fase de injeção,
na execução em múltiplos estágios, é instalado um tubo de injeção paralelo ao
tirante, que permite o livre deslocamento de um obturador em seu interior, em que
são instaladas válvulas reinjetáveis. O obturador controla a aplicação da pressão e
do volume de calda de cimento conforme a necessidade em tantos estágios quantos
forem necessários.

Os escritores elucidam a sequência executiva, do método de injeção em múltiplos


estágios, conforme os seguintes passos:

a) após a instalação do tirante no furo, é feita a injeção de calda até que


haja o preenchimento do furo. Essa injeção é conhecida como injeção
de bainha;
b) após a pega do cimento na bainha (cerca de 10 horas), é realizada a
injeção primária. Nesta fase, as válvulas são injetadas individualmente
com auxílio do obturador duplo;
c) seguindo-se a injeção, a calda irá preencher os vazios ou falhas da
bainha, comprimindo o terreno e causando a ruptura hidráulica do
mesmo (clacagem). Em solos de consistência mediana, usualmente
são utilizadas pressões entre 1 e 3 MPa. Quanto aos volumes de
cimento, se utiliza 0,5 a 1 saco de cimento por válvula, conforme
especificação de projeto;
d) ao término da injeção nesse estágio, é feita a lavagem do tubo;
e) caso não seja atinja a pressão de injeção adequada, na injeção
primária, se repete o processo com novos estágios (injeção secundária,
terciária, etc.), que só podem ser executadas após o tempo de pega do
cimento do estágio anterior.

Protensão

De acordo com a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,


2006), todos os tirantes de obra devem ser sujeitos a ensaios de protensão.

A protensão do tirante é normalmente realizada contra a estrutura a ser suportada,


através de um conjunto composto de macaco hidráulico, bomba e manômetro,
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
38
conforme figura 4. Tal instrumento deve ser calibrado e aferido, no mínimo, uma vez
ao ano, visto que um erro de 10% na leitura do manômetro pode comprometer o
elemento estrutural. A limitação da carga

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


39

máxima a ser utilizada em qualquer tipo de ensaio não pode atingir 90% da carga
teórica de escoamento do material. Com o objetivo de se calcular a carga máxima,
deve ser considerada a menor seção da peça, que sofrerá os esforços de tração. No
caso de tirantes com barras rosqueadas, essa localização é na rosca (YASSUDA;
DIAS, 1998).

Figura 4 - Conjunto composto de macaco hidráulico, bomba e manômetro

(fonte: FUNDAÇÃO INSTITUTO DE GEOTÉCNICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE


JANEIRO, 2014,
p.51)

Os mesmos autores acrescentam que podem ocorrem dois tipos de problemas em


obras mal controladas:

a) ocorrência de deformações excessivas, fissuras e, inclusive, ruptura


da estrutura. Essas patologias ocorrem devido ao teste da cortina sem
o término do aterramento, ou quando há a carência de compactação do
solo.
b) em cortinas executadas segundo o método descendente, em que um
tirante é ensaiado antes da escavação dos níveis subjacentes, há a
possibilidade de um carregamento excessivo, em que pode ocorrer
ruptura por empuxo passivo. Essa condição ocorre no caso em que a
carga no tirante é calculada pelo empuxo ativo médio.

Devido à importância para a qualidade final da estrutura, a seguir, será destinado o

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


40
subcapítulo 3.4 para tratar especificamente dos ensaios que devem ser realizados.

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


41

ENSAIOS REALIZADOS NOS TIRANTES

Conforme a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006, p.


2, 3.12) ensaios de tirantes são “Procedimentos executados para a verificação do
desempenho de um tirante, classificados em básico, de qualificação, de recebimento
e de fluência.”.

O mesmo texto enfatiza que os ensaios podem ser executados reagindo contra a
estrutura, ou contra o solo. Os procedimentos só podem ser executados após um
tempo mínimo de cura, que varia conforme o cimento utilizado, sendo, para cimento
Portland comum, sete dias e, para cimento da alta resistência inicial, três dias. As
cargas devem ser aplicadas através do conjunto macaco hidráulico-bomba-
manômetro. Inicialmente a força de tração aplicada deve ser obtida através da
fórmula 4.

Fo =0,1*fyk*S (fórmula 4)

Onde:
Fo = força inicial de tração, em kN;
fyk = resistência característica à tração do tirante, em
kN/cm²; S = área da menor seção transversal do tirante,
em cm².

Ensaio básico

O ensaio tem o propósito de verificar a qualidade do tirante, levando em


consideração estudo completo de geotecnia, do solo em que é instalada a peça, e o
estudo detalhado do bulbo. O ensaio básico é realizado após o ensaio de
qualificação. É o ensaio mais completo e detalhado, visto que é executada uma
escavação e se verificando a qualidade da injeção, a definição do comprimento livre
do tirante e a centralização do mesmo no bulbo (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, 2006; YASSUDA; DIAS, 1998).

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


42

Ensaio de qualificação

Conforme a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006), o


ensaio permite determinar a capacidade de carga, avaliar os comprimentos livre e
ancorado executados, e o atrito ao longo do trecho livre. Tal ensaio deve ser
obrigatoriamente executado em pelo menos 1% dos tirantes da obra, por tipo de
terreno e por tipo de tirante, com um mínimo dois ensaios por obra. O carregamento
deve seguir à seguinte sistemática:

a) o ensaio começa com a carga inicial (Fo) e segue pelos estágios 0,4 Ft;
0,75 Ft; 1,0 Ft; 1,25 Ft; 1,5 Ft e 1,75 Ft. Para tirantes provisórios a carga
máxima de ensaio é 1,5 Ft, enquanto que para tirantes permanentes, é
1,75 Ft;
b) após cada estágio, a partir de 1,75 Ft, deve ser procedido o alívio até Fo;
c) a carga máxima do ensaio deve ser correspondente à carga de trabalho
(Ft), multiplicada pelo fator de segurança adotado, jamais ultrapassando
a 0,9*fyk*S.

Yassuda e Dias (1998) informam que as medidas dos deslocamentos da cabeça


devem ser feitas com extensômetro com sensibilidade de 0,01 mm. Os autores
indicam as seguintes etapas para execução:

a) posicionamento do equipamento (macaco hidráulico-bomba-


manômetro), sobre estrutura de reação, com eixos do tirante e do
equipamento alinhados;
b) o ensaio somente é iniciado mediante aplicação de uma carga inicial,
com o objetivo de ‘acomodação’ do equipamento;
c) aplicação de carga de cada estágio e descarga até retornar F o,
medindo os deslocamentos totais (d) no final de cada estágio e do
deslocamento plástico (dp) no final do último estágio de descarga (Fo).
Os estágios de carga são indicados no quadro 2.
d) no final de cada estágio de carga (antes da descarga), os
deslocamentos devem ser observados até que se atinja a estabilização,
conforme o quadro 2.

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43

Quadro 2 - Estágios de carga e critérios de estabilização do ensaio de


qualificação

Estági Tipo de Critério


o solo
(início do
Fo (Fo ~ 0,1*fyk*Sf)
ensaio)
< 0,1 mm em 5
0,40*Ft qualquer
minutos
< 0,1 mm em 5
0,75*Ft qualquer
minutos
< 0,1 mm em
1,00*Ft arenosos
15
minutos
argilosos < 0,1 mm em 30
1,00*Ft
ou minutos
duvidosos
< 0,1 mm em
1,25*Ft qualquer
60
minutos
< 0,1 mm em
1,50*Ft qualquer
60
minutos
< 0,1 mm em 60
1,75*Ft qualquer minutos

(fonte: YASSUDA; DIAS, 1998, p.


634)

Ensaio de recebimento

Sua finalidade é controlar a capacidade de carga e o comportamento de todos os


tirantes de uma obra. O ensaio de recebimento parte, inicialmente, da carga inicial
(Fo) e segue a sequência de carregamento indicada no quadro 3, segundo o tipo de
ensaio. Posteriormente, a cada carregamento, deve-se diminuir o carregamento até
o valor inicial (Fo), medindo deslocamentos da cabeça para todos os estágios de
carga, tanto na fase de carregamento, quanto na fase de descarregamento. Na
carga máxima, os deslocamentos da cabeça devem ser menores que 1 mm. Tal
valor não deve ser alcançado em 5 min, em solos arenosos, e após 10 min para
solos argilosos ou não arenosos. Para tirantes definitivos, é necessário executar o
ensaio do tipo A em pelo menos 10% dos tirantes da obra e do tipo B nos tirantes
restantes (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006;
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
44
FUNDAÇÃO INSTITUTO DE GEOTÉCNICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO,
2014).

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


45

Quadro 3 - Cargas aplicadas no ensaio de recebimento

Tirante Ensaio Estágios de carga e descarga


Fo e 0,3Ft; 0,6Ft; 0,8Ft; 1,0Ft; 1,2Ft; 1,4Ft;
Permanent Tipo A
1,6Ft e
e 1,75Ft
Permanent Tipo B Fo e 0,3Ft; 0,6Ft; 0,8Ft; 1,0Ft; 1,2Ft; 1,4Ft
e
Provisório Tipo C Fo e 0,3Ft; 0,6Ft; 0,8Ft; 1,0Ft; 1,2Ft; 1,5Ft
Provisório Tipo D Fo e 0,3Ft; 0,6Ft; 0,8Ft; 1,0Ft; 1,2Ft

(fonte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,


2006, p. 16)

A NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006, p. 16)


explica que se o tirante não resistir o carregamento exposto no quadro 3, deve-se adotar
as alternativas a seguir:

a) ser reavaliado o método construtivo e o comprimento do bulbo;

b) ser reiniciado o procedimento de ensaio tipo A nos próximos


cinco tirantes executados;

c) ser aceito com carga de trabalho inferior, igual à maior carga


estabilizada dividida pelo fator de segurança, desde que
essa situação seja compatível com o projeto, sendo que,
neste caso, é obrigatória a verificação do projeto e a
execução de ensaio de fluência neste tirante ou ser
executado outro tirante em substituição ao reprovado, no
mesmo local ou nas proximidades, sendo que, neste último
caso, é obrigatória a verificação do projeto;

d) no caso de tirante reinjetável, este pode ser reinjetado e repetido


o ensaio.

Se o deslocamento máximo da cabeça ultrapassar os deslocamentos máximos


recomendados, a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2006, p. 16)
orienta:

a) ser repetido o ciclo de carga, com a finalidade de soltar o trecho


livre;

b) ser reavaliado o projeto para verificar se o tirante pode ser


Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
46
reaproveitado como está;

c) ser aceito o tirante com carga inferior, reduzindo-se do bulbo


o acréscimo de atrito observado no trecho livre;

d) ser executado ensaio de qualificação para reavaliação do


comportamento do tirante.

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


47

Ensaio de fluência

Yassuda e Dias (1998, p. 635) dizem que “O ensaio de fluência é executado para
ancoragens permanentes, com o objetivo de se avaliar o desempenho das mesmas
sob cargas de longa duração.”.

Segundo a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006), o


ensaio consiste em medir deslocamentos na cabeça do tirante, que é tracionado pelo
macaco hidráulico, em intervalos de 10 min, 20 min, 30 min, 40 min, 50 min e 60 min.
O ensaio deve ser executado com carga constante em cada intervalo de tempo
mencionado, segundo os carregamentos: 0,75 Ft; 1,0 Ft; 1,25 Ft; 1,5 Ft e 1,75 Ft.
Visto que os mesmos carregamentos são utilizados no ensaio de qualificação, o
documento informa que é possível executar ambos os ensaios em um procedimento
único. Após 60 min, o ensaio pode ser considerado concluído caso o deslocamento
nos últimos 30 min for inferior a 5% do deslocamento total do ensaio, caso contrário,
devem ser procedidas medições a cada 30 min até atingir a condição supracitada.

O quadro 4 apresenta a informação a cima de forma mais direta.

Quadro 4 - Estágios de carga e critérios de estabilização do


ensaio de fluência

Estági Critério
o
Fo início do ensaio: Fo ~0,1*fyk*S ou
0,1*fyk*S
0,75*Ft 10, 20, 30, 40, 50 e 60 minutos.
1,00*Ft A partir de 60 min., os deslocamentos
1,25*Ft medidos nos últimos 30 min. Devem ser
inferiores a 5
1,50*Ft
% do deslocamento total do ensaio. Caso
1,75*Ft contrário, prosseguir com medições de
mais 30
min.

(fonte: YASSUDA; DIAS, 1998, p.


635)

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


48

4 MODOS DE DEGRADAÇÃO DE ESTRUTURAS EM CONCRETO ARMADO

O presente capítulo dissertará sobre os modos de degradação em estruturas de


concreto armado. Com esse objetivo, serão abordados os principais mecanismos de
degradação atuantes nessas estruturas, focando em situações de possível
ocorrência na estrutura de estudo.

Nesse ínterim, serão abordadas considerações gerais sobre o tema proposto, bem
como a diferenciação dos tipos de patologias nas etapas de um projeto. Finalmente,
serão abordadas as causas e os modos de deterioração das estruturas.

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Souza e Ripper (1998, p. 23) afirmam que:

“O surgimento de problema patológico em dada estrutura


indica, em última instância e de maneira geral, a existência de
uma ou mais falhas durante a execução de uma das etapas da
construção, além de apontar para falhas também no sistema de
controle de qualidade próprio a uma ou mais atividades.”.

Reforçando a idéia de que problemas patológicos são devidos a falhas em diferentes


etapas da construção e da vida útil da mesma, o quadro 5 apresenta a análise
percentual das causas de problemas patológicos em estruturas de concreto segundo
a análise de diferentes autores.

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


49

Quadro 5 - Análise percentual das causas de problemas


patológicos em estruturas de concreto

Causas dos problemas


patológicos em estruturas
de concreto
FONTE Concepção Utilização Tota
Materiai Execuçã
DE e projeto e outras l
s o
PESQUIS (%)
A
Edward Grunau 44 18 28 10 10
Paulo Helene (1992) 0
D. E. Allen (Canadá) 55 49 10
(1979) 4
C.S.T.C (Bélgica) 46 15 22 17 10
Verçoza (1991) 0
C.E.B Boletim 157 50 40 10 10
(1982) 0
Falculdade de
Engenharia da 18 6 52 24 10
Fundação Armando 0
Álvares Penteado
Verçoza (1991)
B.R.E.A.S. (Reino 58 12 35 11 11
Unido) 6
(1972)
Bureau Securitas 88 12 10
(1972) 0
E.N.R. (U.S.A.) 9 6 75 10 10
(1968 - 1978) 0
S.I.A. (Suíça) (1979) 46 44 16 10
6
Dov Kaminetzky (1991) 51 40 16 10
7
Jean Blévot (França) 35 65 10
(1974) 0
L.E.M.I.T (Venezuela) 19 5 57 19 10
(1965 - 1975) 0

(fonte: adaptado de SOUZA; RIPPER,


1998, p. 23)

Segundo a análise do quadro supracitado, é evidente que existe uma grande


variabilidade, segundos os autores, das causas dos problemas patológicos em
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
50
estruturas de concreto. Tal fenômeno é devido aos diferentes tipos de estruturas
estudadas, aos diferentes tipos de materiais utilizados e aos diferentes tipos de
métodos construtivos utilizados. É perceptível que alguns autores relatam
somatórios superiores a 100%, isso ocorre, pois, os mesmos, segundo Souza e
Ripper (1998), utilizaram critérios cumulativos em que a falha existente na etapa de
concepção e projeto causa mais falhas nas etapas posteriores.

Dessa forma os mecanismos de degradação em estruturas de concreto armado são


dependentes das falhas existentes em diferentes etapas de construção das
estruturas, bem

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


51

como do tipo de estrutura. Consoante Souza e Ripper (1998), a diferenciação de


patologias segundo a etapa construtiva se dá conforme:

a) patologias geradas na etapa de concepção da estrutura (projeto): o


mesmo autor afirma que as dificuldades técnicas e o custo para
solucionar um problema que teve origem em uma falha de projeto
são diretamente proporcionais à ‘antiguidade da falha’, dessa forma
gerando patologias de recuperação.
b) patologias geradas na etapa de execução da estrutura (construção):
nessa etapa é possível a ocorrência de erros de diversas causas,
sendo elas: falta de condições de trabalho, não capacitação da mão
de obra, inexistência do controle de qualidade de execução, má
qualidade de materiais e, até mesmo, irresponsabilidade técnica.
Contudo, tais problemas podem ser evitados se houver um controle
adequado da qualidade de execução, que, muitas vezes, é
deficiente ou inexistente. Erros graves como posicionamento e
quantidade de armaduras, qualidade do concreto e locação
adequada de fôrmas são decorrentes da má fiscalização no
canteiro. O autor afirma que a questão da deficiência na formação
e, consequentemente, na qualidade técnica dos envolvidos no
processo de construção civil, é considerado como o fator principal
para a não obtenção de estruturas duráveis ou de bom
desempenho.
c) patologias geradas na etapa de utilização (manutenção): é possível
a analogia com um equipamento mecânico que, para ter bom
desempenho ao longo de sua vida útil, deve ter manutenção
periódica em elementos onde o desgaste e a deterioração serão
maiores. Dessa maneira, as estruturas em concreto armado devem
possuir obrigatoriamente um plano de manutenção. Os problemas
ocasionados por falta de manutenção ou manutenção inadequada
se originam no desconhecimento técnico básico, na incompetência
e em problemas econômicos. No que se refere à falta de verbas
conjuntamente com deficiência no planejamento de manutenção, as
patologias geradas tendem a maiores gravidades, implicando
maiores gastos e, em alguns casos, a demolição da estrutura.

CAUSAS DA DETERIORAÇÃO DAS ESTRUTURAS

Ao se estudar uma estrutura de concreto apresentando problemas patológicos é


preciso saber o que levou o surgimento e o desenvolvimento das ‘doenças’,
sendo necessário desvendar as causas para que seja correta a medida
mitigadora a ser tomada. Dessa forma, o conhecimento da origem da
degradação é imprescindível para seja tomada a atitude certa no reparo, visando
a não ocorrência do problema futuramente.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


52
A seguir serão listadas as principais causas de degradação em estruturas de
concreto armado.

Cortinas

Cortinas são estruturas de contenção planas cuja estabilidade é garantida em parte


pelo empuxo passivo mobilizado ao longo de um trecho embutido no solo (ficha) e
em parte por elementos de sustentação funcionado a tração (tirantes) ou a
compressão (estroncas). Se caracterizam por apresentar uma pequena
deslocabilidade (RANZINI; NEGRO JUNIOR, 1998).

São classificadas em:

a) não-ancoradas;
b) ancoradas;
c) estroncadas.

Segundo os autores supracitados, são executadas quando não há espaço disponível


para construir a fundação de um muro convencional ou quando não é possível
assegurar a estabilidade de alguma escavação adjacente durante a construção.

Os tipos mais utilizados são:

a) cortinas de estacas-prancha metálicas;


b) cortinas de perfis metálicos preenchidos com placas de concreto
armado ou pranchas de madeira;
c) cortinas de concreto armado;
d) cortinas de estacas justapostas;
e) paredes diafragma.

Elas ainda podem ser classificadas como rígidas ou flexíveis. Conforme Ranzini e
Negro Junior (1998, p. 509):

[...] cortina ou parede é flexível quando seus deslocamentos,


por flexão, são suficientes para influenciar significativamente a
distribuição de tensões aplicadas pelo maciço. Rígidas são
cortinas cujas deformações podem ser desprezadas. Entre os
extremos mencionados só um cálculo de verificação pode
realmente estabelecer se a rigidez de uma cortina é tal que
seus deslocamentos por flexão possam ser desprezados ou
não.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


53

4 CORTINAS ATIRANTADAS

Este capítulo visa apresentar o sistema de contenção a ser estudado, mostrando


seus elementos e seu processo construtivo.

TIRANTES

Segundo More (2003) em uma cortina atirantada, os tirantes devem equilibrar as forças
horizontais geradas pela pressão do contato entre solo e estrutura.

Partes dos tirantes

O tirante divide-se em três partes:

a) cabeça;
b) trecho ancorado;
c) trecho livre.

A figura 9 mostra cada um dos elementos, sendo que as partes 3 e 4 correspondem


ao trecho livre e as partes 5 e 6 ao trecho ancorado.

Cabeça

A cabeça do tirante é o elemento responsável por transferir a carga do tirante à


estrutura a ser ancorada. Encontra-se na face externa da cortina sem estar em
contato com o solo. É formado pela placa de apoio, cunha de grau e bloco de
ancoragem (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006; MORE,
2003).

Segundo More (2003, p. 21), “A placa de apoio tem como função à distribuição da
carga do tirante [...] e é normalmente formado por chapas metálicas (uma ou mais)
de tamanho conveniente para transmissão de tensões de compressão aceitáveis
sobre a estrutura de contenção.”.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


54

Ainda segundo More (2003, p. 22), “A cunha de grau é um elemento empregado


para permitir o alinhamento adequado do tirante em relação à sua cabeça, sendo
normalmente constituído por um cilindro ou chapas paralelas de aço.”.

Blocos de ancoragem são as peças que prendem o tirante tracionado na região da


cabeça. Essas peças podem ser porcas, cunhas ou botões (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006).

Trecho ancorado

É a parte responsável por transmitir ao solo os esforços de tração do tirante. É


envolvido por um aglutinante, normalmente argamassa ou nata de cimento Portland
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006; MORE, 2003).

Trecho livre

É a parte do tirante entre a cabeça e o trecho ancorado e encontra-se isolado da


calda de injeção. É responsável pela transmissão das tensões entre as
extremidades. É constituído por monobarra de aço ou fios/cordoalhas
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006; MORE, 2003).

Figura 9 – Elementos de um tirante

(fonte: adaptado de ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS


TÉCNICAS, 2006)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


55

Tipos de tirantes

Os tipos de tirantes variam conforme alguns aspectos:

a) vida útil;
b) forma de trabalho;
c) constituição;
d) injeção.

Vida útil

Dividem-se em provisórios, quando a obra tem duração menor que dois anos e
permanentes, duração superior a dois anos. O conhecimento do tipo de tirante
conforme a vida útil é importante pois muda algumas características, como
coeficiente de segurança, proteção anticorrosiva e precauções construtivas
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006; MORE, 2003;
YASSUDA; DIAS, 1998).

Forma

de trabalho

Segundo

More (2003,

p. 28):

Os tirantes podem ser classificados como ativos ou passivos.


Tirantes ativos são aqueles que estão permanentemente sob
carga, independentes dos esforços atuantes no solo ou na
estrutura de contenção [...]. Em contraste, nos tirantes passivos
a carga só começa a atuar quando o maciço de solo ou a
estrutura o solicitar, reagindo aos esforços produzidos nos
mesmos. Na pratica, os tirantes são raramente passivos.

Constituição

Segundo More (2003, p. 29), divide-se em:

a) tirantes monobarras: barra única como elemento principal


do tirante, frequentemente empregado no final da década
Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
56
de 1960 e início dos anos 1970, com barras de aço CA-50A
(tensão de escoamento 500 MPa, carga de trabalho de 100
a 200 kN) ou CA-60A (tensão de escoamento 600 MPa,
cargas de 120 a 240 kN) e diâmetros entre ¾” e 1. ¼”.

Com o passar do tempo consolidou-se a tendência de se


utilizar tirantes de maior capacidade de carga, necessitando-
se, portanto, de aços mais resistentes que os aços comuns
da construção civil. Surgiram então no mercado barras de
aço especial (tensão de escoamento de 850 MPa, diâmetros
entre 19 e 32mm), com mossas protuberantes que
funcionam como roscas, permitindo a execução de emendas
com luvas especiais bem como a fixação da cabeça através
de porcas;

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


57

b) tirantes de barras múltiplas: a ancoragem é composta por


mais de uma barra de aço. Pouco utilizada no Brasil, sua
concepção é a mesma dos tirantes de fios ou cordoalhas,
exceto pelo bloco de ancoragem que requer um sistema de
roscas e porcas para a fixação da cabeça e execução da
protensão;

c) tirantes de fios: [...] apresenta uma área mínima de 50


mm² ou 8 mm de diâmetro. Comercialmente se encontram
fios com diâmetro de 8mm e 9mm, fabricados em aço
150RN, 150RB, 160RN e 160RB (RN = relaxação normal;
RB = relaxação baixa). A carga de trabalho do tirante é
proporcional à quantidade de fios do tirante, sendo o
número destes limitado pelo diâmetro da perfuração. Na
prática, a grande maioria dos furos é executado com
diâmetros próximos de 115mm [...] o que limita o número de
fios em 12 e assegura cargas de trabalho de até 419 kN por
tirante.

Normalmente os fios são pintados com duas demãos de


tinta anticorrosiva, com bloco de ancoragem por clavetes e
cunhas com proteção contra corrosão. Apesar destes
cuidados, este tipo de tirante está deixando de ser utilizado
em virtude de problemas causados pela corrosão;

d) tirantes de cordoalhas: o elemento resistente à tração é


constituído por cordoalhas de aço, semelhantes às usadas
em obras civis de concreto protendido. Existem vários tipos
de cordoalhas [...] que podem ser comercialmente
adquiridas em aço 175RN, 175RB, 190RN e 190RB. No
Brasil, as cordoalhas empregadas têm geralmente diâmetro
de 12,7mm, sendo fabricadas em aço 190RB. Usualmente
as cordoalhas são pintadas em todo seu comprimento com
duas demãos de tinta anticorrosiva;

e) tirantes de materiais sintéticos: fabricados com novos


materiais resistentes à corrosão e apresentando elevada
resistência à tração, com fibras de carbono ou fibras de
poliéster. No Brasil ainda não são aplicados em larga escala
como elementos de ancoragem.

Injeção

É executado em estágio único ou estágios múltiplos e se consiste no enchimento do


furo com a calda de cimento.

No processo de injeção por estágio único, inicia-se lavando o furo com água para
Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis
58
remover os detritos. Após é preenchido o furo com a calda de cimento e
posteriormente, instala-se o tirante no furo (YASSUDA; DIAS, 1998).

Já no caso de injeção por estágios múltiplos, inicialmente deve-se instalar um tubo


de PVC em volta do tirante, por onde será feita a injeção. A injeção da calda de
cimenta será realizada com o tirante já instalado no furo. A calda é injetada inúmeras
vezes até o tirante esteja trabalhando conforme planejado (YASSUDA; DIAS, 1998).

Após a injeção é executada a cortina de concreto armado.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


59

Inclinação dos tirantes

Segundo Matos (1990), o ideal seria que os tirantes fossem instalados na horizontal.
Porém problemas com a introdução da calda de cimento e a execução dos furos
tornam problemática a instalação de tirantes com inclinação menor que 10° com a
horizontal. Existem casos, devido a presença de obras vizinhas (fundações, dutos
enterrados) ou devido ao fato da camada de solo resistente estar muito abaixo da
cabeça do tirante, que a inclinação do tirante é 30°.

Comprimento dos tirantes

Segundo Chuva (2011, p. 22), os seguintes aspectos são considerados e a figura 10


representa tais considerações:

a) Os bulbos de ancoragens devem estar situados fora da


cunha do empuxo ativo do solo suportado pela cortina
ancorada;

b) as profundidades dos bulbos devem ser de 5m a 6m abaixo


da superfície do terreno, ou de 3m abaixo das fundações de
edifícios. Esta recomendação é baseada nos efeitos na
superfície do terreno ou nos elementos de fundação das
elevadas pressões de injeção para a formação dos bulbos
de ancoragem;

c) o espaçamento mínimo entre os bulbos de ancoragem deve


ser da ordem de 1,5 m de modo a minimizar a interferência
entre ancoragens, ocasionando eventuais reduções da
capacidade de carga do grupo de ancoragens [...];

d) o comprimento livre não deve ser inferior a 5m – 6m, de


modo que as tensões transmitidas ao solo através do bulbo
de ancoragem não ocasionem significativos aumentos da
pressão de contato sobre a cortina;

e) comprimentos de bulbo inferiores a 3m não são


aconselháveis. O valor final depende da capacidade de
carga desejável na ancoragem.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


60

Figura 10 – Comprimento dos tirantes

(fonte: OSTERMAYER15, 1976 apud CHUVA,


2011, p. 23)

CORTINA DE CONCRETO ARMADO

Segundo a Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro 16


(2000 apud SILVA, 2014, p. 27) define cortina como “[...] uma parede de concreto
armado, de espessura [...] em função das cargas nos tirantes, fixada no terreno
através das ancoragens pré- tensionadas [...]”. A cortina de concreto armado
funciona como uma reação à força que o tirante exerce sobre o terreno e para
reduzir os deslocamentos do solo.

Segundo Silva (2014, p. 27), “A fim de que a cortina trabalhe como elemento único,
após a concretagem de cada módulo horizontal da cortina, devem ser deixadas
esperas de armadura para serem vinculadas ao módulo seguinte.”.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


61

15 OSTERMAYER, H. Practice in the detail design applications of anchorages.


Londres: Institution of civil engineers, 1976.
16 FUNDAÇÃO INSTITUTO DE GEOTÉCNICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE
JANEIRO. Manual técnico de encostas: ancoragens e grampos. 2. ed. Rio de
Janeiro, 2000. v. 4.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


62

ESTIMATIVA DE RUPTURA E FALHAS

Segundo a Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro 17


(2000 apud SILVA, 2014, p. 41) existem seis modos de ruptura em uma cortina
atirantada e estão explicadas a seguir e mostradas na figura 11:

a) puncionamento da base: pode ocorrer quando o solo onde


se apoia a base da cortina é de baixa capacidade de
suporte. Toma-se como baixa capacidade de suporte a
capacidade de carga inferior a 20 kPa, ou índice N de
resistência à penetração, SPT, inferior a 10;

b) ruptura de fundo da escavação: situação que pode


ocorrer se uma camada de solo mole existir abaixo do nível
da fundação;

c) ruptura global: a ruptura global pode ser subdividida em


dois casos, o da cunha de ruptura e de ruptura generalizada
e profunda [...]. O primeiro pode ser analisado pelo método
das cunhas, o segundo pelo método do equilíbrio limite com
superfície circular ou poligonal. Um caso comum de risco de
ruptura em cunha pode ocorrer durante a escavação,
situação que pode ser estabilizada através da escavação
em nichos;

d) deformação excessiva: pode ocorrer durante a construção


antes da protensão de um determinado nível de ancoragem.
Uma vez executada a obra, dificilmente ocorre, pois as
cortinas ancoradas são rígidas o suficiente;

e) ruptura das ancoragens: ocorre por capacidade de carga


insuficiente das ancoragens ou durante a execução, quando
outros níveis de ancoragem ainda não foram instalados. Por
exemplo, em estruturas ancoradas utilizadas na base de
taludes muito altos [...]. Havendo instabilização do talude e
deslocamentos da massa de solo, as ancoragens poderão
ser supertensionadas e romper [...];

f) ruptura de parede: pode haver duas situações: ruptura por


flexão, devida a armadura insuficiente e ruptura por
puncionamento das ancoragens [...].

Na estrutura, ainda podem ocorrer falhas nos tirantes ou na cortina de concreto

armado. Hanna18 (1982, apud SILVA, 2014, p. 41) indica que essas falhas podem
ocorrer:

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


63
a) na aderência argamassa-tirante;

b) na aderência solo-argamassa;

c) internamente, na massa de solo;

d) no aço do tirante ou um de seus componentes;

e) por ruptura da coluna de argamassa ao redor do tirante;

17 FUNDAÇÃO INSTITUTO DE GEOTÉCNICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE


JANEIRO. Manual técnico de encostas: ancoragens e grampos. 2. ed. Rio de
Janeiro, 2000. v. 4.
18 HANNA, T. H. Foundations in tension: ground anchors. 1st. ed. Clasuthal-
Zellerfeld, Germany: Trans Tech Publications, 1982.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


64

f) num feixe de tirantes.

Figura 11 – Tipos de ruptura de uma cortina atirantada em solo

(fonte: FUNDAÇÃO INSTITUTO DE GEOTÉCNICA DO


MUNICÍPIO DO RIO DE
JANEIRO19, 2000 apud MORE,
2003, p. 42)

SEQUÊNCIA EXECUTIVA

A sequência executiva difere em método ascendente, usado em aterros, e método


descendente, usado em cortes. Segundo Marzionna et al. (1998) a sequência
executiva do método descendente se divide em oito itens e está descrita a seguir:

a) escavação para implantação da primeira faixa ou placa de


cortina (do topo até a meia distância entre a primeira e a
segunda linha de ancoragens, aproximadamente);

b) execução do revestimento na face do talude, com chapisco


de cimento e areia e instalação de dispositivos de
drenagem;

c) instalação das ancoragens e concretagem da primeira faixa


de cortina. Prosseguimento da escavação em nichos
alternados. Cada nicho corresponderá à região de influência
Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis
65
de uma ancoragem;

19 FUNDAÇÃO INSTITUTO DE GEOTÉCNICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE


JANEIRO. Manual técnico de encostas: ancoragens e grampos. 2. ed. Rio de
Janeiro, 2000. v. 4.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


66

d) ensaio de carga e incorporação da primeira linha de


ancoragens. É importante respeitar o período de cura e de
resistência mínima do concreto da cortina e do bulbo de
ancoragem, que depende da especificação do cimento e
aditivos empregados (conforme NBR 562920) e que todos
os tirantes estejam instalados neste nível de cortina;

e) instalação das ancoragens e concretagem da segunda faixa de


cortina;

f) finalização da escavação da segunda faixa;

g) instalação do restante das ancoragens da segunda linha e


concretagem dos nichos correspondentes;

h) para os níveis seguintes, repetem-se os procedimentos acima.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


67

20 Esta Norma consta nas referências bibliográficas.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


68

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL


ESCOLA DE ENGENHARIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

Kauê Pereira Guimarães

CORTINAS ATIRANTADAS: ESTUDO DE


PATOLOGIAS E SUAS CAUSAS

Avaliador:

Defesa: dia / /2015 às horas


Local:UFRGS /
Engenharia Nova
Osvaldo Aranha, 99, sala
304
Anotações com sugestões
para qualificar o trabalho são
bem- vindas. O aluno fará as
correções e lhe passará a
versão final do trabalho, se for
de seu interesse.

Porto Alegre
dezembro
2015
Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
KAUÊ PEREIRA GUIMARÃES

CORTINAS ATIRANTADAS: ESTUDO DE


PATOLOGIAS E SUAS CAUSAS

Trabalho de Diplomação apresentado ao Departamento de


Engenharia Civil da Escola de Engenharia da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul, como parte dos requisitos para obtenção do
título de Engenheiro Civil

Orientador: Lucas Festugato

Porto Alegre
dezembro
2015

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


KAUÊ PEREIRA GUIMARÃES

CORTINAS ATIRANTADAS: ESTUDO DE


PATOLOGIAS E SUAS CAUSAS

Este Trabalho de Diplomação foi julgado adequado como pré-requisito para a


obtenção do título de ENGENHEIRO CIVIL e aprovado em sua forma final pelo
Professor Orientador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Porto Alegre, dezembro de 2015

Prof. Lucas
Festugato Dr.
pela UFRGS
Orientador

BANCA EXAMINADORA

Prof. Lucas Festugato (UFRGS)


Dr. pelo PPGEC/UFRGS

Prof. Nilo Cesar Consoli (UFRGS)


Dr. pelo PPGEC/UFRGS

Eng. Ricardo Bergan Born (Bornsales Engenharia)


Msc. pelo PPGEC/UFRGS

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
Dedico este trabalho a minha mãe, Cristina da
Rocha Pereira, que sempre me apoiou, incentivou
e serviu de base para que eu pudesse alcançar o
título de engenheiro
civil.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


AGRADECIMENTOS

Agradeço ao Prof. Lucas Festugato, orientador deste trabalho, pelo empenho


demonstrado como orientador e professor, estando sempre disponível para
questionamentos.

Agradeço ao Eng. Anderson Peccin, pelo interesse em ajudar futuros colegas de


profissão e por disponibilizar material bibliográfico.

Agradeço ao Eng. Jarbas Milititsky, pelo empenho demonstrado para com a nova
geração de engenheiros geotécnicos, disponibilizando tempo e material bibliográfico.

Agradeço ao Eng. Eduardo Azambuja, pelo esforço demonstrado para elucidar o


problema que foi o objeto de estudo, disponibilizando tempo e material bibliográfico,
sem o qual esse trabalho não seria possível.

Agradeço a instituição de ensino UFRGS, por fazer parte da minha vida acadêmica,
por contribuir para moldar o meu caráter, por disponibilizar ótimos professores, por
ter sido, muitas vezes, desafiado a ultrapassar os meus limites, conferindo dessa
forma, mais segurança e a certeza do sucesso.

Agradeço aos meus colegas de curso, pelas ótimas companhias ao longo da


graduação, pelos momentos inesquecíveis que partilhamos, pelas amizades
construídas e pela troca de conhecimento, sem o qual não estaria me formando.

Agradeço ao meu avô, Paulo da Silva Pereira, por ser um exemplo de vida, por me
apoiar nas grandes decisões da minha vida, por me aconselhar em momentos de
dificuldade e por contribuir com os valores necessários para o meu desenvolvimento
como cidadão.

Agradeço, finalmente, à minha mãe, Cristina da Rocha Pereira, por fomentar a


educação na minha vida, por fazer todo o possível para que eu tivesse o melhor, por
ser uma mãe exemplar, por me apoiar nos momentos difíceis da graduação, por
estar presente a qualquer momento e por ser o motivo pelo qual me aprimoro
constantemente.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
O sucesso nasce do querer, da determinação e
persistência em chegar a um objetivo. Mesmo
não atingindo o alvo, quem busca e vence
obstáculos, no mínimo fará coisas
admiráveis.
José de Alencar

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


RESUMO

Este trabalho versa sobre cortinas atirantadas e o estudo de patologias nas mesmas,
abordando as causas desses fenômenos. Primeiramente, é exposto o conceito de
parede de contenção, uma vez que a estrutura em estudo faz parte desse conjunto
estrutural. Posteriormente, é apresentada a estrutura em estudo segundo os
elementos constituintes e a tipologia de elementos de protensão utilizados. Com
objetivo de entender os problemas que afetam esse tipo de estrutura, a etapa
seguinte de estudo é o método executivo da cortina como um todo e a execução dos
tirantes, uma vez que é de conhecimento dos engenheiros que esses elementos
serão responsáveis por suportar grandes cargas. Dessa maneira, o método
executivo dos tirantes é uma etapa muito importante para a qualidade da estrutura e
irá ditar algumas das principais patologias futuras. Posteriormente, são abordados os
diferentes tipos de ensaios que objetivam conferir qualidade a essas peças. Uma vez
que o trabalho disserta sobre patologias, é estudado o modo de degradação de
estruturas construídas em concreto armando, abordando as causas de tais
fenômenos patológicos e os processos de degradação das mesmas. Finalmente,
são averiguados os tipos de patologias encontradas na estrutura de estudo segundo
a análise de relatórios cedidos por uma empresa atuante no ramo da engenharia
geotécnica com larga experiência no assunto pesquisado.

Palavras-chave: Cortinas Atirantadas. Estudo de Patologias.


Degradação de Estruturas em Concreto Armado.
Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Principais etapas do trabalho ...........................................................................


12
Figura 2 - Cronograma......................................................................................................
12
Figura 3 - Elementos que constituem os tirantes ..............................................................
17
Figura 4 - Conjunto composto de macaco hidráulico, bomba e manômetro ....................
29
Figura 5 - Gráfico da relação a/c x coeficiente de permeabilidade...................................
47
Figura 6 - Reação álcalis-agregado...................................................................................
48
Figura 7 - Tipos de fissuras conforme esforços presentes na peça...................................
50
Figura 8 - Fissuras causadas por perda de aderência das barras da armadura...................
51
Figura 9 - Fissuras causadas por retração do concreto......................................................
51
Figura 10 - Instalação do processo de corrosão em armaduras.........................................
52
Figura 11 - Carbonatação devido à fissuração..................................................................
53
Figura 12 - Critério sequencial de análise.........................................................................
58
Figura 13 - Exemplo de fissuras........................................................................................
60
Figura 14 - Exemplo de lascas..........................................................................................
60
Figura 15 - Exemplo de eflorescências.............................................................................
61
Figura 16 - Exemplo de porosidade..................................................................................
61
Figura 17 - Exemplo de exposição da cabeça do tirante...................................................
62
Figura 18 - Exemplo de fluxo de água na cabeça do tirante.............................................
62
Figura 19 - Exemplo da existência de liquens nas faces...................................................
63
Figura 20 - Exemplo de exposição da placa do tirante......................................................
63
Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
Figura 21 - Exemplo de ruptura do tirante com projeção do capacete de proteção..........
64
LISTA DE FIGURAS
Figura 22 - Exemplo de ruptura do tirante com contração da barra..................................
64
Figura 23 - Exemplo de tirante solto.................................................................................
65
Figura 24 - Exemplo de deslocamento..............................................................................
66
Figura 25 - Exemplo de surgência d’água.........................................................................
67
Figura 26 - Exemplo de fuga de finos...............................................................................
67
Figura 27 - Exemplo de vegetação nas juntas...................................................................
68
Figura 28 - Exemplo de diversas patologias em juntas horizontais..................................
69
Figura 29 - Exemplo de deficiência no cobrimento das juntas horizontais.......................
69

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


LISTA DE QUADROS
Quadro 1 - Tipos de proteção anticorrosiva.......................................................... 26
Quadro 2 - Estágios de carga e critérios de estabilização do ensaio de qualificação
............................................................................................................................. 32
Quadro 3 - Cargas aplicadas no ensaio de recebimento ...................................... 33
Quadro 4 - Estágios de carga e critérios de estabilização do ensaio de fluência . 34
Quadro 5 - Análise percentual das causas de problemas patológicos em
estruturas de concreto
................................................................................................................. 4
3
Quadro 6 - Exemplo de planilha de inspeção para as patologias nos painéis ...... 55
Quadro 7 - Modelo de planilha de inspeção das juntas ........................................ 56
Quadro 8 - Modelo de planilha de inspeção do capacete de proteção
do tirante
................................................................................................................. 5
7
Quadro 9 - Resumo das principais patologias ...................................................... 71

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Coeficientes de ancoragem .............................................................................


20
Tabela 2 - Agressividade do meio ...................................................................................
24

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


LISTA DE SIGLAS

SPT - Standard Penetration Test

UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


LISTA DE SÍMBOLOS
σadm- tensão admissível (MPa)

σ’z-tensão efetiva no ponto médio da ancoragem

(kN/cm²) α-coeficiente redutor ao cisalhamento

(MPa)

EI - rigidez à flexão (N.mm)

Ft-carga de trabalho do tirante

(kN) Fo-força inicial de tração

(kN)

fyk- resistência característica do aço a tração

(MPa) kf-coeficiente de ancoragem

Lb-comprimento ancorado

(cm) Ll-comprimento livre

(cm)

Lbe-comprimento ancorado efetivo

(cm) Lle-comprimentolivreefetivo

(cm)

S-área da menor seção transversal do tirante

(cm²) Su-resistênciaaocisalhamentonão

drenado (kN/cm²) T-força resistente à tração

da ancoragem (kN)

U-perímetro médio da seção transversal da ancoragem (cm)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO
........................................................................................................... 13
2 DIRETRIZES DE
PESQUISA................................................................................... 15
2.1 QUESTÃO DE PESQUISA
....................................................................................... 15
2.2 OBJETIVOS DA PESQUISA
.................................................................................... 15
2.2.1 Objetivo
principal................................................................................................. 15
2.2.2 Objetivo secundário
.............................................................................................. 15
2.3 PREMISSA
................................................................................................................ 15
2.4 DELIMITAÇÕES
...................................................................................................... 16
2.5 LIMITAÇÕES
............................................................................................................ 16
2.6 DELINEAMENTO
.................................................................................................... 16
3 PAREDES DE
CONTENÇÃO................................................................................... 19
3.1 CORTINA DE CONCRETO ARMADO ATIRANTADA ....................................... 21
3.1.1Elementos constituintes de cortinas atirantadas
................................................ 21
3.1.1.1 Tirantes
................................................................................................................. 22
3.1.1.2 Cortina de concreto armado
................................................................................. 27
3.2 MÉTODO EXECUTIVO USUAL DE UMA CORTINA ATIRANTADA .............. 28
3.3 MÉTODO EXECUTIVO DE UM TIRANTE ........................................................... 29
3.3.1 Preparo e montagem
............................................................................................. 30
3.3.2 Perfuração
.............................................................................................................. 33
3.3.3 Instalação do tirante
.............................................................................................. 34

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


3.3.4 Injeção
SUMÁRIO
.................................................................................................................... 34
3.3.5
Protensão................................................................................................................ 35
3.4 ENSAIOS REALIZADOS NOS TIRANTES
............................................................ 37
3.4.1 Ensaio básico
.......................................................................................................... 37
3.4.2 Ensaio de qualificação
........................................................................................... 38
3.4.3 Ensaio de recebimento
.......................................................................................... 39
3.4.4 Ensaio de fluência
.................................................................................................. 41
4 MODOS DE DEGRADAÇÃO DE ESTRUTURAS EM CONCRETO 42
ARMADO................................................................................................................
....
4.1 CONSIDERAÇÕES
GERAIS..................................................................................... 42
4.2 CAUSAS DA DETERIORAÇÃO DAS
ESTRUTURAS........................................... 44
4.2.1 Falhas humanas durante a construção da
estrutura........................................... 45
4.2.2 Falhas humanas durante a utilização da
estrutura........................................... 46
4.2.3 Falhas naturais de deterioração que competem ao
concreto.............................. 46
4.3 PROCESSOS DE DETERIORAÇÃO DAS ESTRUTURAS DE 49
CONCRETO...........................................................................................................
......
5 PATOLOGIAS EM CORTINAS ATIRANTADAS.................................................. 54
5.1 METODOLOGIA DE
ANÁLISE................................................................................ 54
5.2 ESTUDO DE
PATOLOGIAS..................................................................................... 58
5.2.1 Patologias em
tirantes............................................................................................. 59
5.2.2 Patologias em juntas
verticais................................................................................ 65
5.2.3 Patologias em juntas
horizontais........................................................................... 68

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


5.2.4 Patologias nos painéis de
SUMÁRIO
concreto......................................................................... 70
6 CONSIDERAÇÕES
FINAIS....................................................................................... 74
REFERÊNCIAS...........................................................................................................
...... 76

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


13

3 INTRODUÇÃO

O Brasil foi palco de grandes catástrofes nos últimos anos devido à instabilidade de
encostas. Por ser um País em desenvolvimento e apresentar uma parcela
significativa da população com baixos recursos financeiros e carente de informação,
o crescimento desordenado atinge grande parte dos estados do País. Dessa forma,
configura-se o panorama atual, em que, infelizmente, grandes acidentes ocorrem
devido a ocupações irregulares em áreas de encostas, que aliadas à falta de
conhecimento e à necessidade de moradia, culminam em acidentes fatais com
frequência.

Com o objetivo de tornar possível a ocupação de certas áreas e construir a malha


viária do País, garantindo segurança para a sociedade, são comuns obras de
contenção. Essas se justificam, quando é necessária uma escavação e a mesma
não apresenta a segurança necessária no que se refere à operação e manutenção
da mesma.

A análise do tipo de estrutura de contenção que será utilizada é um processo de


grande complexibilidade, visto que há uma grande variedade de técnicas disponíveis
atualmente e, em muitos casos, mais de uma solução se pode aplicar à situação do
projeto. Dessa maneira, a solução geotécnica deve garantir requisitos como:
segurança, funcionalidade, objetividade, ser viável economicamente e minimizar os
impactos no meio ambiente, haja vista que não existe obra de Engenharia que não
exerça um impacto no meio em que é inserida.

Nesse cenário, é usual a adoção de paredes de contenção, com objetivo de conter


esforços horizontais de solo causados por escavações de grandes alturas. Logo,
cortinas de contenção são, basicamente, estruturas de contenção planas em que a
estabilidade é assegurada, em parte, pelo empuxo passivo que é mobilizado ao
longo de um trecho inserido no solo (ficha) e por elementos funcionando à tração
(tirantes protendidos) ou à compressão (estroncas). Paredes-diafragma apresentam
características similares, visto que são elementos destinados a conter esforços
horizontais de solo, contudo, a principal diferença está no método executivo em que
é empregada essa solução e por estarem localizadas em meio urbano (subsolos).
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
14

Contudo, tais estruturas apresentam patologias, sendo frequentes as ocorrências de


sinistros em que mortes e perdas materiais poderiam ser evitadas. Tendo em vista
esse cenário, o

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


15

presente trabalho dissertará sobre cortinas atirantadas, apresentando as principais


patologias correntes e suas causas.

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


16

4 DIRETRIZES DA PESQUISA

As diretrizes para desenvolvimento do trabalho são descritas nos próximos itens.

QUESTÃO DE PESQUISA

A questão de pesquisa do trabalho é: quais são as principais patologias em cortinas


atirantadas e quais são suas causas?

OBJETIVOS DA PESQUISA

Os objetivos da pesquisa estão classificados em principal e secundário e são


descritos a seguir.

Objetivo principal

O objetivo principal do trabalho é a verificação das patologias frequentes em


cortinas atirantadas, assim como as causas desses problemas.

Objetivo secundário

O objetivo secundário do trabalho é a verificação dos modos de degradação de


estruturas em concreto armado.

PREMISSA

O trabalho tem por premissa que são recorrentes patologias em tais estruturas e
há pouco material na literatura nacional abordando tal tema, justificando o estudo
proposto.

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


17

DELIMITAÇÕES

O trabalho delimita-se a verificação de patologias em paredes de contenção do tipo


cortina de concreto armado atirantada.

LIMITAÇÕES

Em função das limitações de tempo e recurso, por ser um trabalho de diplomação,


este estudo abordará apenas a avaliação de patologias em cortinas atirantadas, não
se focando em problemas relativos à fundação das mesmas.

DELINEAMENTO

O trabalho será realizado através das etapas apresentadas a seguir, que estão
representadas na figura 1, e são descritas nos próximos parágrafos:

a) pesquisa bibliográfica;
b) conceituação de estruturas de contenção;
c) caracterização dos elementos que constituem a estrutura;
d) verificação de patologias de estruturas de concreto;
e) verificação de patologias em cortinas atirantadas;
f) conclusões.

Inicialmente, se realizará a pesquisa bibliográfica, que será presente em toda a


execução do trabalho, a fim de coletar dados e contribuir para o entendimento do
assunto. Essa terá embasamento em normas e bibliografias técnicas.

A seguinte etapa consiste em salientar o conceito de paredes de contenção.


Concomitantemente, será realizada a caracterização dos elementos que constituem
a estrutura assim como os materiais que os compõem.

Na próxima etapa, o foco será no estudo de patologia das estruturas de concreto,


haja vista que esse problema é recorrente em estruturas desse porte.

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


18

Figura 1 - Principais etapas do trabalho

(fonte: elaborada pelo


autor)

Com os resultados da etapa anterior, serão abordadas as patologias em cortinas


atirantadas, sendo elas de caráter estrutural. Essa etapa será baseada na pesquisa
bibliográfica e em laudos de inspeção de tais estruturas.

Finalmente, através da análise crítica dos problemas citados, serão expressas as


considerações finais.

A seguir, o cronograma previsto para a realização do trabalho conforme a figura 2.

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


19

Figura 2 - Cronograma

An 201
o 5
Descrição das etapas mai jun jul. ago set out.
o . . .
Pesquisa Bibliográfica x x x x X x
Estruturas de contenção/elementos x x
Verificação de patologias das estruturas de x x
concreto
Verificação de patologias de paredes de x x x x
contenção
Conclusões x
(fonte: elaborada pelo autor)

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


20

5 PAREDES DE CONTENÇÃO

Segundo Tacitano (2006), parede ou cortina de contenção é todo elemento ou


estrutura plana, geralmente vertical, destinado a contrapor-se a tensões geradas por
empuxos de solo e/ou água em um maciço de solo cuja condição de equilíbrio foi
alterada por algum tipo de escavação ou eventual reaterro, que tenha ocorrido em
um de seus lados, sendo caracterizada pela pequena deslocabilidade. Contudo, há
distinção no que se refere aos tipos de estruturas de contenção, podendo elas ser
divididas, basicamente, em estruturas massivas ou estruturas delgadas.

Ranzini e Negro Junior (1998) apresentam os principais tipos de estruturas de contenção:

e) muros de arrimo de gravidade,


- muros de pedra seca;
- muro de pedra argamassada;
- muro de concreto ciclópico;
- muro de gabiões do tipo caixa;
- muros do tipo ‘crib-wall’;
- muros de terra;
- muros de arrimo atirantados na base;
- muro de pneus;
f) muros de arrimo de flexão,
- muros de concreto armado sem contrafortes;
- muros de concreto armado com contrafortes;
- muros de concreto armado pré-moldados;
g) reforços de solo,
- terra armada;
- solo grampeado ou pregado;
- solo-cimento (jetgrouting);
h) paredes ou cortinas,
- cortinas de concreto armado atirantadas;
- cortinas de estacas justapostas;
- cortinas de estaca prancha;

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


21

- cortinas de perfil metálico cravado;


- cortinas de estacas do tipo ‘raiz’;
- cortinas de estacas escavadas com arco de concreto projetado
- paredes-diafragma atirantadas;
- paredes-diafragma estroncadas.

Conforme Tacitano (2006, p. 1), a primeira etapa no projeto de estruturas de


contenção é a avaliação estratégica e objetiva do problema a ser resolvido, tendo
como meta a resolução do problema, aliando concomitantemente, sempre que
possível, técnica, custo e fatores ambientais. Segundo o mesmo autor, os seguintes
fatores influenciam a escolha do tipo de estrutura:

m) as dimensões da escavação (profundidade, largura e


comprimento);

n) as propriedades do solo na região;

o) a sequência imposta pelo método construtivo;

p) sobrecargas devidas ao trânsito local e aos equipamentos


utilizados na obra;

q) o regime do nível de água, quando presente na escavação;

r) o tipo de escoramento;

s) a presença de utilidades e edificações vizinhas;

t) o clima (principalmente a temperatura nas estroncas);

u) o tempo de construção (tanto de escavação, quanto de instalação


do escoramento);

v) técnicas construtivas e equipamentos disponíveis;

w) experiência profissional e prática local;

x) disponibilidade financeira.

Tacitano (2006) explica que palavras como paramento, parede e cortina são
palavras análogas, e se referem à parte da estrutura de contenção que está em
contato direto com o solo a ser contido. Essas partes da estrutura de contenção são
geralmente verticais, sendo compostas, usualmente, de madeira, aço ou concreto
Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
22
ou, inclusive, combinações dos três materiais. Tais paredes podem ser contínuas ou
descontínuas, de modo que são as condições de campo e o julgamento do projetista
que influenciarão na escolha.

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


23

Ranzini e Negro Junior (1998) dizem que escoramentos são estruturas, que têm o
objetivo de possibilitar a execução de outras obras. Destinam-se, geralmente, à
execução de obras enterradas ou ao assentamento de tubulações embutidas no
terreno. Tais estruturas são compostas, usualmente, dos seguintes elementos:

a) parede: parte em contato direto com o solo a ser contido, sendo,


geralmente, vertical;
b) longarina: elemento linear em que a parede se apóia, sendo,
usualmente, horizontal. Pode ser constituída de vigas de madeira, aço
ou concreto;
c) estronca: elemento de apoio das longarinas. São perpendiculares às
longarinas e podem ser constituídos de barras de madeira ou aço;
d) tirantes: elementos lineares introduzidos no maciço e ancorados por
meio de um trecho alargado (bulbo). Trabalham a tração, podendo
suportar as longarinas em lugar das estroncas.

Conforme a grande quantidade de estruturas que se enquadram nesse conceito, o


presente trabalho irá abordar nos seguintes capítulos cortinas de concreto armado
atirantadas.

CORTINA DE CONCRETO ARMADO ATIRANTADA

Essa subdivisão tem como objetivo caracterizar esse sistema de contenção e


apresentar o método de execução de tais estruturas.

Elementos constituintes de cortinas atirantadas

Esse sistema de contenção somente é eficiente e desempenha o comportamento


esperado se houver um comportamento monolítico entre a cortina de concreto
armado e os elementos que funcionam tracionados (tirantes). Tirantes são
elementos que estão ancorados, em uma das extremidades, a painéis de concreto
armado, que estão submetidos aos esforços de reação devidos à tração nos tirantes.
Dessa maneira, é de fundamental importância, para a estabilidade da estrutura, o
funcionamento conjunto entre tirante e cortina de concreto armado. A seguir, serão
caracterizados os principais elementos.

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


24

Tirantes

Segundo a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006),


tirantes injetados são peças montadas, em que um ou mais elementos resistem aos
esforços de tração impostos. Esses são introduzidos no terreno segundo um método
específico de perfuração. O bulbo de ancoragem resulta da injeção de calda de
cimento, sendo responsável pela transmissão da força absorvida pelo tirante ao
terreno.

Conforme a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006),


macroscopicamente, as seguintes partes constituem o corpo de um tirante:

a) comprimento ancorado ou bulbo (Lb): Parte da peça que é projetada


para transmitir a carga aplicada ao solo/rocha;
b) carga aplicada ao tirante: carga que é aplicada na cabeça do tirante e
será transmitida ao solo pelo bulbo de ancoragem;
c) comprimento livre (Ll): distância que está entre a cabeça do tirante e o
início do bulbo de ancoragem, devendo ser previsto em projeto;
d) comprimento ancorado efetivo ou bulbo efetivo (Lbe): trecho de
transferência efetivo de carga no local em que está inserido. É possível
que este, seja igual, maior ou menor que o comprimento de projeto (Lb);
e) comprimento livre efetivo (Lle): trecho efetivo de alongamento livre sob
aplicação de carga. O mesmo é obtido através de ensaio de
qualificação;
f) cabeça do tirante: dispositivo que transfere a carga do tirante à
estrutura a ser ancorada. É constituído de placas de apoio, cunhas,
cones, porcas, etc.

A figura 3 representa os elementos que compõem os tirantes.

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


25

Figura 3 - Elementos que constituem os tirantes

(fonte: FUNDAÇÃO INSTITUTO DE GEOTÉCNICA DO MUNICÍPIODO RIO


DE JANEIRO,
2014, p. 43)

A mesma norma regulamentadora explica a diferença existente entre os


seguintes tipos de tirantes:

e) provisórios são peças destinadas a serem utilizadas por tempo inferior


a dois anos;
f) permanente são peças destinadas a serem utilizadas por tempo
superiores a dois anos;
g) reinjetáveis são peças em que é possível mais fases de injeções após
a sua instalação;
h) não reinjetáveis são peças em que não é possível mais fases de
injeções após a sua instalação.
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
26

Segundo a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006), no


que se refere às características físicas das barras, tais objetos podem ser divididos em,
tirantes:

c) monobarra: são elementos constituídos por aço encruado a frio, em


que as barras comumente utilizadas são de aço CA-50 ou CA-60.
Nessas barras a tensão de escoamento é, respectivamente, 500 e 600
MPa.
d) de fios ou cordoalhas: são elementos constituídos por aço encruado a
frio, com elevadas resistências à tração e pequenas deformações de
fluência. São constituídos de diversos fios ou cordoalhas, de modo que
parte do projetista a escolha da necessidade de maiores resistências,
consequentemente maiores quantidades de fios ou cordoalhas. São
utilizados, na prática de engenharia, com mais frequência fios com
diâmetros de oito e nove milímetros e cordoalhas com 12,7 e 15,2 mm.
Apresentam tensões de escoamento maiores se com parados com os
tirantes monobarra. Exemplificando, tirantes compostos por fios e com
aço 150RB possuem valores de tensão de escoamento igual a 1350
MPa enquanto que tirantes compostos por cordoalhas com aço 190RB
possuem tensão de escoamento igual a 1708 MPa.

Quanto ao sistema de injeção, Solotrat Engenharia Geotécnica [2015], afirma que


tais elementos podem ser injetados em um único estágio ou em múltiplos estágios. O
fator que irá determinar tal distinção é a caracterização do solo em que o mesmo
será inserido. Dessa forma, em solos resistentes e com índice de vazios baixo, é
possível a injeção em um único estágio. No entanto, solos com menores
capacidades portantes e com alto índice de vazios é recomendada a injeção em
múltiplos estágios, em que será necessária a utilização de tirantes reinjetáveis. Tal
fator é de grande importância visto que as tensões serão distribuídas ao longo do
comprimento ancorado da barra, que, segundo sucessivas injeções, expande e
contempla maiores áreas, fato que contribui para a distribuição de tensões.

A seguir, segundo a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,


2006), são apresentadas as fórmulas indicadas para o cálculo do dimensionamento
da seção de aço e para o cálculo do dimensionamento para o bulbo de ancoragem.
Para o cálculo do dimensionamento da seção de aço com tirantes permanentes, se
utiliza a fórmula 1:

σadm = (fyk/1,75)*0,9 (fórmula 1)

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


27

Onde:
σadm é igual à tensão admissível, em MPa;
fyk é a resistência característica do aço à tração, em MPa.

Para o cálculo do dimensionamento da seção de aço com tirantes provisórios, se


utiliza a fórmula 2:

σadm = (fyk/1,50)*0,9 (fórmula 2)

Onde:
σadm é igual à tensão admissível, em MPa;
fyké a resistência característica do aço à tração, em MPa.

Para o cálculo do dimensionamento para o bulbo de ancoragem em solos arenosos, se


utiliza a fórmula 3:

T = σ’z*U*Lb*kf (fórmula 3)

Onde:
T é igual à força resistente à tração da ancoragem, em kN;
σ’z é a tensão efetiva no ponto médio da ancoragem, em
kN/cm²; U é o perímetro médio da seção transversal da
ancoragem, em cm; Lb é o comprimento ancorado, cm;
kf é igual ao coeficiente de ancoragem indicado na tabela 1.

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


28

Tabela 1 - Coeficientes de ancoragem

Compacidade
Solo Muito
Fofa Compact
compact
a
a
Silte 0,1 0,4 1,0
Areia 0,2 0,6 1,5
fina
Areia
média 0,5 1,2 2,0
Areia
grossa 1,0 2,0 3,0

(fonte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,


2006, p. 4)

Para o cálculo do dimensionamento para o bulbo de ancoragem em solos argilosos,


se utiliza a fórmula 4:

T = α*U*Lb*Su (fórmula 4)

Onde:
T é igual à força resistente à tração da ancoragem, em kN;
α é igual ao coeficiente redutor ao cisalhamento (para Su ≤ 40 kPa, α = 0,75 e para
Su ≥ 100 kPa, α = 0,35. Entre os dois valores, interpolar linearmente);
U é o perímetro médio da seção transversal da ancoragem,
em cm; Lb é o comprimento ancorado,em cm;
Su é igual à resistência ao cisalhamento não drenado do solo argiloso, em kN/cm².

A NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006) acrescenta


que a ancoragem em rocha é obtida a partir de uma tensão de aderência rocha-
argamassa, devendo ser o menor entre 1/30 da resistência à compressão simples
da rocha e 1/30 da resistência à compressão simples da argamassa.

O mesmo texto afirma que o trecho de ancoragem do tirante não pode ser
executado nas seguintes situações:

d) solos orgânicos moles;

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29
e) aterros ou solos coesivos, com N ≤ quatro do ensaio SPT (Standard
Penetration Test);

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30

f) aterros sanitários.

Onde:
N é igual ao número médio de golpes obtidos no ensaio SPT (SCHNAID;
ODEBRECHT, 2012).

Cortina de concreto armado

Conforme Tecnosolo (1978), cortinas de concreto armado são cortinas (painéis)


esbeltas, devido ao alívio de esforços causados pela protensão dos tirantes. Os
tirantes transferem os esforços através do comprimento ancorado por intermédio do
bulbo de concreto, que é localizado na extremidade oposta à parede de concreto
armado.

Ranzini e Negro Junior (1998) descrevem essa estrutura como contenções que, por
estarem ancoradas a estruturas mais rígidas, apresentam menor deslocabilidade, o
que pode acarretar em comportamento elastoplástico do maciço contido. Dessa
maneira, a rigidez relativa é um conceito de extrema importância, visto que influencia
na distribuição e na intensidade dos empuxos na estrutura supracitada.

Segundo os mesmos autores, rigidez relativa é um conceito que se refere à


interação entre o painel de contenção e o maciço de solo suportado pelo mesmo. Tal
interação envolve deslocamentos, que influenciam a distribuição de tensões, que
atuam na face da parede de contenção.

Conforme Tacitano (2006), a classificação de uma parede de contenção como rígida


ou flexível está diretamente relacionada com os seguintes fatores:

a) produto de rigidez (EI);


b) tipo de escoramento;
c) distribuição do escoramento;
d) tipo de solo contido.

Cortinas de concreto armado podem ser diferenciadas quanto à rigidez, uma vez que
há a subdivisão dessa estrutura em cortinas Rígidas e em cortinas Flexíveis. Ranzini
e Negro Junior (1998) relatam que uma cortina ou parede é flexível quando seus
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
31
deslocamentos,

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


32

devidos a fenômenos de flexão, são suficientes para influenciar de forma significativa


a distribuição de tensões aplicadas pelo maciço. Dada a diferença mencionada
acima, os autores mencionam que só é possível estabelecer a rigidez de uma cortina
se forem feitos cálculos com objetivo da obtenção dos deslocamentos causados por
flexão. De posse dos resultados, cabe ao projetista analisá-los averiguando se é
possível desprezá-los, conforme as condições adotadas pelo mesmo.

De acordo com Tacitano (2006), para alturas entre dois níveis de escoramento,
classificam-se como paredes de contenção rígidas aquelas constituídas por paredes-
diafragma, paredes de estacas justapostas, etc. Diferentemente, paredes de
contenção constituídas por perfis metálicos com pranchões de madeira ou de
concreto e por estacas-prancha são consideradas como paredes flexíveis, haja vista
que é menor o produto de rigidez (EI), ocasionando, dessa maneira, maiores
deslocamentos horizontais se empregadas nas mesmas condições.

MÉTODO EXECUTIVO USUAL DE UMA CORTINA ATIRANTADA

Consoante Tecnosolo Engenharia e Tecnologia de Solos e Materiais (1978, p. [29]),


o método executivo de uma cortina atirantada, conforme execução descendente, é
composto, basicamente, de seis fases bem definidas, sendo elas:

a) fase 1 - escavação de nichos para colocação dos tirantes


alternados (1ª fileira);

b) fase 2 - perfuração, colocação do tirante, injeção do furo,


colocação da placa, protensão com esforço de ensaio,
ancoragem da placa com esforço de incorporação;

c) fase 3 - repetição das operações das fases um e dois, com


relação às placas restantes da 1ª fileira;

d) fase 4 - concretagem da cortina na faixa relativa à 1ª fileira.


Repetição das operações das fases um e dois com relação
às placas alternadas da 2ª fileira;

e) fase 5 - repetição das operações da fase três com relação às


placas da 2ª fileira, concretagem da cortina na faixa relativa
à 2ª fileira;

d) fase 6 - prosseguimento dos trabalhos da mesma maneira


até a conclusão da cortina.
Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
33

Segundo Ranzini e Negro Junior (1998), a principal dificuldade comum aos vários
tipos de escoramento é a impossibilidade de se obter ficha (parte da estrutura
embutida no solo) suficiente, ocasionando a necessidade de mais estroncas
provisórias para conter os empuxos

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


34

atuantes. Outra dificuldade é a fuga de solos finos abaixo do nível do lençol freático,
que ocorre devido à falta de estanqueidade. Tal problema pode ser resolvido se for
executado o rebaixamento do lençol freático, em que um sistema de filtros impede o
transporte das partículas sólidas. Uma vez que o carreamento de partículas sólidas
não é impedido, podem ocorrer vazios, que geram o perigo de colapso da estrutura
ou grandes recalques não previstos no projeto.

A influência da água é um fator preocupante nesse tipo de estrutura, conforme


Ranzini e Negro Junior (1998, p. 505):

A influência da água é marcante na estabilidade de uma


estrutura, basta dizer que o acúmulo de água, por deficiência
de drenagem, pode chegar a duplicar o empuxo atuante.

O efeito da água pode ser direto, resultante do acúmulo de


água junto ao tardoz interno do arrimo e do encharcamento do
terrapleno, ou indireto, produzindo uma redução da resistência
ao cisalhamento do maciço em decorrência do acréscimo das
pressões intersticiais.

O efeito direto é o de maior intensidade, podendo ser eliminado


ou bastante atenuado por um sistema eficaz de drenagem.

Dado que o objetivo do trabalho é a caracterização de paredes de contenção do tipo


cortina de concreto armado atirantada, com atenção às patologias frequentes nessa
estrutura e suas causas, será dedicado, exclusivamente, o item 3.3 para execução
de tirantes, visto que grande parte das patologias nessas estruturas são devidas a
problemas executivos nessa fase crítica.

MÉTODO EXECUTIVO DE UM TIRANTE

Como fora supracitado, a execução de tirantes é uma fase decisiva na qualidade


final da estrutura. São recorrentes problemas envolvendo essas peças na prática de
engenharia e a análise de laudos e casos de sinistros apontam que tais eventos têm
origem, geralmente, em fases de execução, em que não foram adotados os métodos
corretos de construção. A seguir serão apresentadas as principais fases para a
execução dos mesmos.

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


35

Preparo e montagem

Segundo Yassuda e Dias (1998), inicialmente, o aço é cortado e, se houver a


necessidade, emendado no comprimento de projeto (Lb), com o objetivo de se obter
as recomendações do projeto estrutural. Os autores recomendam os seguintes
aspectos que merecem a devida atenção:

a) barras de aço: atentar no corte e montagem para que fique com


comprimento livre estipulado no projeto, sendo recomendado que se
evite emendas no trecho livre. Uma que vez isso não seja possível,
essas devem ser posicionadas, preferencialmente, próximo ao bulbo;
b) fios e cordoalhas: prever um comprimento adicional equivalente a 1,0
m para que seja possível a instalação do equipamento de protensão;
c) placas de ancoragem: é necessária a devida atenção ao tamanho
dessas peças. Uma vez que as mesmas, quando não atendem ao
projeto, podem causar o puncionamento do concreto, devido ao
pequeno tamanho da placa de ancoragem.

Dado atenção aos itens acima, é indicada a proteção anticorrosiva do aço, conforme
a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006). Essa
norma explica
que o grau de agressividade do meio em que é instalado o tirante irá orientar a
escolha do tipo de cimento adequado para a injeção e a classe de proteção
anticorrosiva a ser empregada, objetivando-se atender a vida útil de projeto. Tal
agressividade do meio é apresentada conforme a tabela 2.

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36

Tabela 2 - Agressividade do meio


Dimensões em miligramas por litro
Grau de agressividade do meio
Tipos de águas
freáticas Não Medianament Muito
agressiv e agressiv
o agressivo o
Águas puras 1
> 150 150 a 50 < 50
Resíduo
filtrável
Águas ácidas pH > 6 pH 5,5 a pH pH < 5,5
6
Águas ácidas
< 30 30 a 45 > 45
com CO2
dissolvido
Águas selenitosas < 150 150 a 500 > 500
Teor de SO -
4
Águas
< 100 100 a 200 > 200
magnesianas
Teor de Mg ++
Águas amoniacais < 100 100 a 150 > 150
Teor de NH4+
Águas com cloro
< 200 200 a 500 > 500
Teor de Cl-
1 São as águas de montanhas, de fontes, com a ação lixiviante, que
dissolvem a cal livre e hidrolisam os silicatos e aluminatos do
cimento

(fonte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,


2006, p. 29)

O texto afirma que:

d) proteção classe um: usada para tirantes inseridos em meio muito


agressivo ou medianamente agressivo e para tirantes provisórios em
meio muito agressivo. Essa proteção é composta de duas barreiras
físicas contra a corrosão em toda a extensão do tirante, sendo elas o
cimento e um tubo plástico corrugado ou tubo metálico com espessura
mínima de 4,0 mm. Os elementos do trecho livre devem ser protegidos
em conjunto (todos envolvidos por um duto plástico e graxa
anticorrosiva, sendo envolvidos por outro duto plástico, em que é
preenchido com argamassa o vazio entre os dois tubos) ou cada
elemento (envolvidos por graxa anticorrosiva ou duto plástico, e o
conjunto de elementos por outro duto plástico e injetado com calda de
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
37
cimento após protensão.)
e) proteção classe dois: usada para tirantes permanentes em meio não
agressivo e tirantes provisórios em meio medianamente agressivo.
Mesmo tipo de proteção do trecho livre da classe um, contudo o trecho
ancorado deve ser protegido por cimento ou argamassa injetada.
f) proteção classe três: usada para tirantes não provisórios em meio não
agressivo. O trecho livre é protegido por um duto plástico abrangendo
todos os elementos

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


38

ou por dutos plásticos individuais. O trecho de ancoragem é equipado com


centralizadores e protegido com calda de cimento ou argamassa injetada.

Yassuda e Dias (1998) afirmam que as peças podem ser montadas em oficina ou
em canteiro de obras. Devem ser tomadas as providências necessárias para que
não seja danificada a proteção anticorrosiva durante o transporte e a instalação dos
tirantes.

Após serem executados os serviços iniciais citados acima, deve-se executar o furo
no qual este será instalado, conforme se apresenta em 3.3.2.

Segue o quadro 1, resumindo os tipos de proteção anticorrosiva.

Quadro1 - Tipos de proteção anticorrosiva

Classe - Aplicação Proteçã


o
Classe 1 Exigido o emprego de duas barreiras
* Tirantes físicas em todo o comprimento (*);
permanentes em
meio muito ou * Trecho Ancorado:
medianamente - revestimento com tubo plástico
agressivo corrugado ou tubo metálico com
* Tirantes provisórios espessura mínima de 4 mm.
em meio muito - calda de cimento.
agressivo * Trecho Livre:
c) graxa + duto plástico individual por fio
ou cordoalha + duto plástico envolvendo
todo o conjunto + cimento entre os
dutos;
d) ou graxa + duto plástico envolvido por
outro duto plástico + cimento no vazio entre
os dois dutos + cimento entre o tubo de
fora e o terreno.
Classe 2
* Trecho Ancorado:
* Tirantes - utilização de centralizadores de forma a
permanentes em garantir um recobrimento mínimo de 2 cm.
meio não agressivo * Trecho livre
* Tirantes provisórios - idêntico a Classe 1.
em meio
medianamente
agressivo

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39
Classe 3
* Trecho Ancorado:
* Tirantes provisórios - utilização de centralizadores.
em meio não * Trecho Livre:
agressivo - protensão por um duto plástico abrangendo
individualmente cada barra, fio ou cordoalha
ou o duto plástico envolvendo o conjunto
destes.

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40

(*) Entendendo-se por barreira física de proteção anticorrosiva um dos


seguintes componentes:
- películas protetoras sintéticas (tintas e resinas);
- fluidos a base de batume com teor de enxofre inferior a 0,5 % em massa;
- tubo contínuo de polipropileno, polietileno, PVC ou similar;
- graxa, quando houver garantia de recobrimento, continuidade e permanência
no local da aplicação e for específica para uso em cabo de aço;
- tratamento superficial de galvanização ou zincagem;
- nata ou argamassa à base de cimento: válida apenas para tirantes provisórios
ou como primeira proteção de um sistema duplo e quando utilizado cimento
com teores máximos de:
- cloro total: 0,05 % da massa de cimento.
- Enxofre: 0,15 % da massa de cimento.

Nota: álem do que prescreve a norma, é recomendado o uso de um dispositivo que assegure a
continuidade da proteção na transição do trecho livre para a cabeça do tirante. Este dispositivo
pode ser um tubo de PVC, engastado na estrutura de concreto, com comprimento sobressaindo
do concreto e penetrando no terreno, em cerca de 40 cm, à semelhança da recomendação da
norma francesa TA 77 (TA. 1977)

(fonte: YASSUDA; DIAS, 1998, p.


629)

Perfuração

A NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006) enuncia que


tolera qualquer sistema para a perfuração, que não deteriore a resistência do
terreno. É necessário que o furo resultante seja retilíneo, com diâmetro, inclinação e
comprimentos previstos no projeto. É mencionado, que o sistema de perfuração
deve garantir que o furo permaneça aberto até que ocorra a injeção de aglutinante,
com essa finalidade é permitido o uso de revestimento de perfuração e/ou fluído
estabilizante.

Realizada a perfuração, o próximo passo é a instalação do tirante na cavidade,


conforme o item a seguir.

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


41

Instalação do tirante

Segundo Yassuda e Dias (1998), os cuidados necessários são:

a) não ferir a proteção anticorrosiva;


b) não deslocar acessórios (válvulas e espaçadores);
c) posicionar a cabeça na altura correta.

A NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006) comunica


que antes da instalação de cada tirante seja averiguado se a proteção anticorrosiva
não apresenta falhas no instante da instalação, especialmente nos locais de
emenda, que devem ser inspecionados e corrigidos, quando necessário. Outra
verificação é a correspondência dos dispositivos de fixação da cabeça com as
necessidades estruturais.

Dada as devidas verificações, a instalação da peça é o processo em que se insere o


tirante no furo, previamente executado. A próxima fase de execução consiste na
injeção de calda de cimento, podendo esta ser realizada antes da locação do tirante
no furo.

Injeção

A injeção da peça pode ser feita com a utilização de calda de cimento ou outro
aglutinante, conforme especificado em projeto. Essa fase pode ser realizada em um
único estágio ou em múltiplos, sendo o projetista o responsável por tal escolha, uma
vez que a tomada de decisão será feita segundo critérios de campo. A escolha não
deve afetar a capacidade de carga do elemento e deve ser garantido o total
preenchimento do furo (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,
2006).

Yassuda e Dias (1998) afirmam que a seguinte metodologia, para execução em um


único estágio, é comprovada pela prática, conforme a sequência:

a) perfuração com revestimento até o final do furo;


b) lavagem final do furo com água para a remoção de detritos de
escavação e bentonita, se utilizada;
c) ou limpeza com ar comprimido, caso esse tenha sido o processo de
perfuração;
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42
d) preenchimento total do furo com calda de cimento;
e) introdução do tirante;

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43

f) instalação da cabeça de injeção no revestimento;


g) injeção de calda de cimento sob pressão simultaneamente à retirada
do revestimento do furo.

Os mesmos autores explicam que a injeção em múltiplos estágios é o sistema mais


eficiente e seguro. Diferentemente do estágio em que há uma única fase de injeção,
na execução em múltiplos estágios, é instalado um tubo de injeção paralelo ao
tirante, que permite o livre deslocamento de um obturador em seu interior, em que
são instaladas válvulas reinjetáveis. O obturador controla a aplicação da pressão e
do volume de calda de cimento conforme a necessidade em tantos estágios quantos
forem necessários.

Os escritores elucidam a sequência executiva, do método de injeção em múltiplos


estágios, conforme os seguintes passos:

f) após a instalação do tirante no furo, é feita a injeção de calda até que


haja o preenchimento do furo. Essa injeção é conhecida como injeção
de bainha;
g) após a pega do cimento na bainha (cerca de 10 horas), é realizada a
injeção primária. Nesta fase, as válvulas são injetadas individualmente
com auxílio do obturador duplo;
h) seguindo-se a injeção, a calda irá preencher os vazios ou falhas da
bainha, comprimindo o terreno e causando a ruptura hidráulica do
mesmo (clacagem). Em solos de consistência mediana, usualmente
são utilizadas pressões entre 1 e 3 MPa. Quanto aos volumes de
cimento, se utiliza 0,5 a 1 saco de cimento por válvula, conforme
especificação de projeto;
i) ao término da injeção nesse estágio, é feita a lavagem do tubo;
j) caso não seja atinja a pressão de injeção adequada, na injeção
primária, se repete o processo com novos estágios (injeção secundária,
terciária, etc.), que só podem ser executadas após o tempo de pega do
cimento do estágio anterior.

Protensão

De acordo com a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,


2006), todos os tirantes de obra devem ser sujeitos a ensaios de protensão.

A protensão do tirante é normalmente realizada contra a estrutura a ser suportada,


através de um conjunto composto de macaco hidráulico, bomba e manômetro,
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
44
conforme figura 4. Tal instrumento deve ser calibrado e aferido, no mínimo, uma vez
ao ano, visto que um erro de 10% na leitura do manômetro pode comprometer o
elemento estrutural. A limitação da carga

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


45

máxima a ser utilizada em qualquer tipo de ensaio não pode atingir 90% da carga
teórica de escoamento do material. Com o objetivo de se calcular a carga máxima,
deve ser considerada a menor seção da peça, que sofrerá os esforços de tração. No
caso de tirantes com barras rosqueadas, essa localização é na rosca (YASSUDA;
DIAS, 1998).

Figura 4 - Conjunto composto de macaco hidráulico, bomba e manômetro

(fonte: FUNDAÇÃO INSTITUTO DE GEOTÉCNICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE


JANEIRO, 2014,
p.51)

Os mesmos autores acrescentam que podem ocorrem dois tipos de problemas em


obras mal controladas:

a) ocorrência de deformações excessivas, fissuras e, inclusive, ruptura


da estrutura. Essas patologias ocorrem devido ao teste da cortina sem
o término do aterramento, ou quando há a carência de compactação do
solo.
b) em cortinas executadas segundo o método descendente, em que um
tirante é ensaiado antes da escavação dos níveis subjacentes, há a
possibilidade de um carregamento excessivo, em que pode ocorrer
ruptura por empuxo passivo. Essa condição ocorre no caso em que a
carga no tirante é calculada pelo empuxo ativo médio.

Devido à importância para a qualidade final da estrutura, a seguir, será destinado o

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


46
subcapítulo 3.4 para tratar especificamente dos ensaios que devem ser realizados.

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


47

ENSAIOS REALIZADOS NOS TIRANTES

Conforme a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006, p.


2, 3.12) ensaios de tirantes são “Procedimentos executados para a verificação do
desempenho de um tirante, classificados em básico, de qualificação, de recebimento
e de fluência.”.

O mesmo texto enfatiza que os ensaios podem ser executados reagindo contra a
estrutura, ou contra o solo. Os procedimentos só podem ser executados após um
tempo mínimo de cura, que varia conforme o cimento utilizado, sendo, para cimento
Portland comum, sete dias e, para cimento da alta resistência inicial, três dias. As
cargas devem ser aplicadas através do conjunto macaco hidráulico-bomba-
manômetro. Inicialmente a força de tração aplicada deve ser obtida através da
fórmula 4.

Fo =0,1*fyk*S (fórmula 4)

Onde:
Fo = força inicial de tração, em kN;
fyk = resistência característica à tração do tirante, em
kN/cm²; S = área da menor seção transversal do tirante,
em cm².

Ensaio básico

O ensaio tem o propósito de verificar a qualidade do tirante, levando em


consideração estudo completo de geotecnia, do solo em que é instalada a peça, e o
estudo detalhado do bulbo. O ensaio básico é realizado após o ensaio de
qualificação. É o ensaio mais completo e detalhado, visto que é executada uma
escavação e se verificando a qualidade da injeção, a definição do comprimento livre
do tirante e a centralização do mesmo no bulbo (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, 2006; YASSUDA; DIAS, 1998).

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


48

Ensaio de qualificação

Conforme a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006), o


ensaio permite determinar a capacidade de carga, avaliar os comprimentos livre e
ancorado executados, e o atrito ao longo do trecho livre. Tal ensaio deve ser
obrigatoriamente executado em pelo menos 1% dos tirantes da obra, por tipo de
terreno e por tipo de tirante, com um mínimo dois ensaios por obra. O carregamento
deve seguir à seguinte sistemática:

a) o ensaio começa com a carga inicial (Fo) e segue pelos estágios 0,4 Ft;
0,75 Ft; 1,0 Ft; 1,25 Ft; 1,5 Ft e 1,75 Ft. Para tirantes provisórios a carga
máxima de ensaio é 1,5 Ft, enquanto que para tirantes permanentes, é
1,75 Ft;
b) após cada estágio, a partir de 1,75 Ft, deve ser procedido o alívio até Fo;
c) a carga máxima do ensaio deve ser correspondente à carga de trabalho
(Ft), multiplicada pelo fator de segurança adotado, jamais ultrapassando
a 0,9*fyk*S.

Yassuda e Dias (1998) informam que as medidas dos deslocamentos da cabeça


devem ser feitas com extensômetro com sensibilidade de 0,01 mm. Os autores
indicam as seguintes etapas para execução:

e) posicionamento do equipamento (macaco hidráulico-bomba-


manômetro), sobre estrutura de reação, com eixos do tirante e do
equipamento alinhados;
f) o ensaio somente é iniciado mediante aplicação de uma carga inicial,
com o objetivo de ‘acomodação’ do equipamento;
g) aplicação de carga de cada estágio e descarga até retornar F o,
medindo os deslocamentos totais (d) no final de cada estágio e do
deslocamento plástico (dp) no final do último estágio de descarga (Fo).
Os estágios de carga são indicados no quadro 2.
h) no final de cada estágio de carga (antes da descarga), os
deslocamentos devem ser observados até que se atinja a estabilização,
conforme o quadro 2.

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


49

Quadro 2 - Estágios de carga e critérios de estabilização do ensaio de


qualificação

Estági Tipo de Critério


o solo
(início do
Fo (Fo ~ 0,1*fyk*Sf)
ensaio)
< 0,1 mm em 5
0,40*Ft qualquer
minutos
< 0,1 mm em 5
0,75*Ft qualquer
minutos
< 0,1 mm em
1,00*Ft arenosos
15
minutos
argilosos < 0,1 mm em 30
1,00*Ft
ou minutos
duvidosos
< 0,1 mm em
1,25*Ft qualquer
60
minutos
< 0,1 mm em
1,50*Ft qualquer
60
minutos
< 0,1 mm em 60
1,75*Ft qualquer minutos

(fonte: YASSUDA; DIAS, 1998, p.


634)

Ensaio de recebimento

Sua finalidade é controlar a capacidade de carga e o comportamento de todos os


tirantes de uma obra. O ensaio de recebimento parte, inicialmente, da carga inicial
(Fo) e segue a sequência de carregamento indicada no quadro 3, segundo o tipo de
ensaio. Posteriormente, a cada carregamento, deve-se diminuir o carregamento até
o valor inicial (Fo), medindo deslocamentos da cabeça para todos os estágios de
carga, tanto na fase de carregamento, quanto na fase de descarregamento. Na
carga máxima, os deslocamentos da cabeça devem ser menores que 1 mm. Tal
valor não deve ser alcançado em 5 min, em solos arenosos, e após 10 min para
solos argilosos ou não arenosos. Para tirantes definitivos, é necessário executar o
ensaio do tipo A em pelo menos 10% dos tirantes da obra e do tipo B nos tirantes
restantes (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006;
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
50
FUNDAÇÃO INSTITUTO DE GEOTÉCNICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO,
2014).

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


51

Quadro 3 - Cargas aplicadas no ensaio de recebimento

Tirante Ensaio Estágios de carga e descarga


Fo e 0,3Ft; 0,6Ft; 0,8Ft; 1,0Ft; 1,2Ft; 1,4Ft;
Permanent Tipo A
1,6Ft e
e 1,75Ft
Permanent Tipo B Fo e 0,3Ft; 0,6Ft; 0,8Ft; 1,0Ft; 1,2Ft; 1,4Ft
e
Provisório Tipo C Fo e 0,3Ft; 0,6Ft; 0,8Ft; 1,0Ft; 1,2Ft; 1,5Ft
Provisório Tipo D Fo e 0,3Ft; 0,6Ft; 0,8Ft; 1,0Ft; 1,2Ft

(fonte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,


2006, p. 16)

A NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006, p. 16)


explica que se o tirante não resistir o carregamento exposto no quadro 3, deve-se adotar
as alternativas a seguir:

e) ser reavaliado o método construtivo e o comprimento do bulbo;

f) ser reiniciado o procedimento de ensaio tipo A nos próximos


cinco tirantes executados;

g) ser aceito com carga de trabalho inferior, igual à maior carga


estabilizada dividida pelo fator de segurança, desde que
essa situação seja compatível com o projeto, sendo que,
neste caso, é obrigatória a verificação do projeto e a
execução de ensaio de fluência neste tirante ou ser
executado outro tirante em substituição ao reprovado, no
mesmo local ou nas proximidades, sendo que, neste último
caso, é obrigatória a verificação do projeto;

h) no caso de tirante reinjetável, este pode ser reinjetado e repetido


o ensaio.

Se o deslocamento máximo da cabeça ultrapassar os deslocamentos máximos


recomendados, a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2006, p. 16)
orienta:

e) ser repetido o ciclo de carga, com a finalidade de soltar o trecho


livre;

f) ser reavaliado o projeto para verificar se o tirante pode ser


Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
52
reaproveitado como está;

g) ser aceito o tirante com carga inferior, reduzindo-se do bulbo


o acréscimo de atrito observado no trecho livre;

h) ser executado ensaio de qualificação para reavaliação do


comportamento do tirante.

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53

Ensaio de fluência

Yassuda e Dias (1998, p. 635) dizem que “O ensaio de fluência é executado para
ancoragens permanentes, com o objetivo de se avaliar o desempenho das mesmas
sob cargas de longa duração.”.

Segundo a NBR 5629 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006), o


ensaio consiste em medir deslocamentos na cabeça do tirante, que é tracionado pelo
macaco hidráulico, em intervalos de 10 min, 20 min, 30 min, 40 min, 50 min e 60 min.
O ensaio deve ser executado com carga constante em cada intervalo de tempo
mencionado, segundo os carregamentos: 0,75 Ft; 1,0 Ft; 1,25 Ft; 1,5 Ft e 1,75 Ft.
Visto que os mesmos carregamentos são utilizados no ensaio de qualificação, o
documento informa que é possível executar ambos os ensaios em um procedimento
único. Após 60 min, o ensaio pode ser considerado concluído caso o deslocamento
nos últimos 30 min for inferior a 5% do deslocamento total do ensaio, caso contrário,
devem ser procedidas medições a cada 30 min até atingir a condição supracitada.

O quadro 4 apresenta a informação a cima de forma mais direta.

Quadro 4 - Estágios de carga e critérios de estabilização do


ensaio de fluência

Estági Critério
o
Fo início do ensaio: Fo ~0,1*fyk*S ou
0,1*fyk*S
0,75*Ft 10, 20, 30, 40, 50 e 60 minutos.
1,00*Ft A partir de 60 min., os deslocamentos
1,25*Ft medidos nos últimos 30 min. Devem ser
inferiores a 5
1,50*Ft
% do deslocamento total do ensaio. Caso
1,75*Ft contrário, prosseguir com medições de
mais 30
min.

(fonte: YASSUDA; DIAS, 1998, p.


635)

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


54

5 MODOS DE DEGRADAÇÃO DE ESTRUTURAS EM CONCRETO ARMADO

O presente capítulo dissertará sobre os modos de degradação em estruturas de


concreto armado. Com esse objetivo, serão abordados os principais mecanismos de
degradação atuantes nessas estruturas, focando em situações de possível
ocorrência na estrutura de estudo.

Nesse ínterim, serão abordadas considerações gerais sobre o tema proposto, bem
como a diferenciação dos tipos de patologias nas etapas de um projeto. Finalmente,
serão abordadas as causas e os modos de deterioração das estruturas.

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Souza e Ripper (1998, p. 23) afirmam que:

“O surgimento de problema patológico em dada estrutura


indica, em última instância e de maneira geral, a existência de
uma ou mais falhas durante a execução de uma das etapas da
construção, além de apontar para falhas também no sistema de
controle de qualidade próprio a uma ou mais atividades.”.

Reforçando a idéia de que problemas patológicos são devidos a falhas em diferentes


etapas da construção e da vida útil da mesma, o quadro 5 apresenta a análise
percentual das causas de problemas patológicos em estruturas de concreto segundo
a análise de diferentes autores.

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


55

Quadro 5 - Análise percentual das causas de problemas


patológicos em estruturas de concreto

Causas dos problemas


patológicos em estruturas
de concreto
FONTE Concepção Utilização Tota
Materiai Execuçã
DE e projeto e outras l
s o
PESQUIS (%)
A
Edward Grunau 44 18 28 10 10
Paulo Helene (1992) 0
D. E. Allen (Canadá) 55 49 10
(1979) 4
C.S.T.C (Bélgica) 46 15 22 17 10
Verçoza (1991) 0
C.E.B Boletim 157 50 40 10 10
(1982) 0
Falculdade de
Engenharia da 18 6 52 24 10
Fundação Armando 0
Álvares Penteado
Verçoza (1991)
B.R.E.A.S. (Reino 58 12 35 11 11
Unido) 6
(1972)
Bureau Securitas 88 12 10
(1972) 0
E.N.R. (U.S.A.) 9 6 75 10 10
(1968 - 1978) 0
S.I.A. (Suíça) (1979) 46 44 16 10
6
Dov Kaminetzky (1991) 51 40 16 10
7
Jean Blévot (França) 35 65 10
(1974) 0
L.E.M.I.T (Venezuela) 19 5 57 19 10
(1965 - 1975) 0

(fonte: adaptado de SOUZA; RIPPER,


1998, p. 23)

Segundo a análise do quadro supracitado, é evidente que existe uma grande


variabilidade, segundos os autores, das causas dos problemas patológicos em
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
56
estruturas de concreto. Tal fenômeno é devido aos diferentes tipos de estruturas
estudadas, aos diferentes tipos de materiais utilizados e aos diferentes tipos de
métodos construtivos utilizados. É perceptível que alguns autores relatam
somatórios superiores a 100%, isso ocorre, pois, os mesmos, segundo Souza e
Ripper (1998), utilizaram critérios cumulativos em que a falha existente na etapa de
concepção e projeto causa mais falhas nas etapas posteriores.

Dessa forma os mecanismos de degradação em estruturas de concreto armado são


dependentes das falhas existentes em diferentes etapas de construção das
estruturas, bem

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


57

como do tipo de estrutura. Consoante Souza e Ripper (1998), a diferenciação de


patologias segundo a etapa construtiva se dá conforme:

a) patologias geradas na etapa de concepção da estrutura (projeto): o


mesmo autor afirma que as dificuldades técnicas e o custo para
solucionar um problema que teve origem em uma falha de projeto são
diretamente proporcionais à ‘antiguidade da falha’, dessa forma
gerando patologias de recuperação.
b) patologias geradas na etapa de execução da estrutura (construção):
nessa etapa é possível a ocorrência de erros de diversas causas,
sendo elas: falta de condições de trabalho, não capacitação da mão de
obra, inexistência do controle de qualidade de execução, má qualidade
de materiais e, até mesmo, irresponsabilidade técnica. Contudo, tais
problemas podem ser evitados se houver um controle adequado da
qualidade de execução, que, muitas vezes, é deficiente ou inexistente.
Erros graves como posicionamento e quantidade de armaduras,
qualidade do concreto e locação adequada de fôrmas são decorrentes
da má fiscalização no canteiro. O autor afirma que a questão da
deficiência na formação e, consequentemente, na qualidade técnica
dos envolvidos no processo de construção civil, é considerado como o
fator principal para a não obtenção de estruturas duráveis ou de bom
desempenho.
c) patologias geradas na etapa de utilização (manutenção): é possível a
analogia com um equipamento mecânico que, para ter bom
desempenho ao longo de sua vida útil, deve ter manutenção periódica
em elementos onde o desgaste e a deterioração serão maiores. Dessa
maneira, as estruturas em concreto armado devem possuir
obrigatoriamente um plano de manutenção. Os problemas ocasionados
por falta de manutenção ou manutenção inadequada se originam no
desconhecimento técnico básico, na incompetência e em problemas
econômicos. No que se refere à falta de verbas conjuntamente com
deficiência no planejamento de manutenção, as patologias geradas
tendem a maiores gravidades, implicando maiores gastos e, em alguns
casos, a demolição da estrutura.

CAUSAS DA DETERIORAÇÃO DAS ESTRUTURAS

Ao se estudar uma estrutura de concreto apresentando problemas patológicos é


preciso saber o que levou o surgimento e o desenvolvimento das ‘doenças’, sendo
necessário desvendar as causas para que seja correta a medida mitigadora a ser
tomada. Dessa forma, o conhecimento da origem da degradação é imprescindível
para seja tomada a atitude certa no reparo, visando a não ocorrência do problema
futuramente.

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


58
A seguir serão listadas as principais causas de degradação em estruturas de concreto
armado.

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


59

Falhas humanas durante a construção da estrutura

A falha humana é frequente nessas estruturas e se relaciona com a deficiência de


qualificação profissional da equipe técnica. Segundo Souza e Ripper (1998), as
principais falhas desse tipo são:

a) deficiência na concretagem: tal processo engloba o transporte,


lançamento e adensamento. Imperfeições nessa fase podem causar
segregação entre agregado graúdo e a argamassa, formação de ninhos
de concretagem e cavidades no concreto. Lançamentos mal
executados podem gerar: deslocamento da armadura, segregação dos
componentes, e, quando em plano inclinado, o acúmulo de água
exsudada, criando pontos frágeis na estrutura devido à segregação
gerada, facilitando a corrosão de peças metálicas. Adensamentos mal
executados podem gerar: formação de cavidades e ninhos de
concretagem e irregularidades na superfície, ocasionando aumento da
porosidade superficial. Curas inadequadas aumentam as deformações
causadas por retração, gerando fissuração do concreto, o que impacta
diretamente a resistência e a durabilidade da estrutura. É importante
salientar que quanto maior for o tempo de cura, melhores serão os
parâmetros de resistência do concreto como tensão de ruptura,
impermeabilidade e resistência ao desgaste e a ataques químicos;
b) deficiência nas armaduras: problemas causados por erros na locação
são frequentes e têm causas muito variáveis. Dessa forma, as
deficiências mais frequentes são:
- inversão do posicionamento ou troca entre armaduras;
- insuficiência de armaduras;
- mau posicionamento das armaduras por falta de espaçadores;
- cobrimento insuficiente;
- deficiência no sistema de ancoragem devido a não execução do
comprimento de ancoragem necessário;
- deficiência nas emendas devido a grandes concentrações de barras
emendadas em uma seção;
c) utilização incorreta de materiais da construção: problema que se
caracteriza por falhas geradas por incompetência ou dolo. No entanto,
de caráter mais sério, visto que se refere a decisões que competem a
engenheiros ou encarregados da obra. São exemplos dessa prática:
- utilização de concreto com fck inferior ao especificado;
- utilização de aço com características diferentes das solicitadas
(menores bitolas);
- utilização de agregados reativos, gerando reações expansivas no
concreto, desagregação e fissuração do mesmo;
- utilização inadequada de aditivos;

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


60
- dosagem inadequada do concreto;

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


61

d) inexistência de controle de qualidade: prática amplamente frequente,


sendo, provavelmente, a maior de todas as causas que tem relação
com falhas humanas na construção, uma vez que o não cumprimento
dessa tarefa torna possível grande parte das causas já mencionadas.

Falhas humanas durante a utilização da estrutura

Assim como na fase de construção, as falhas na utilização das estruturas são


frequentes, sejam elas geradas tanto por falta de manutenção, quanto por mau uso
dos proprietários. Dessa maneira, as principais ocorrências de erros durante a
utilização, segundo Souza e Ripper (1998), são:

a) alterações estruturais: são casos mais frequentes a supressão de


paredes portantes e a abertura de furos em vigas ou lajes sem
avaliação da implicação estrutural;
b) sobrecarga não dimensionada;
c) alteração nas condições do terreno da fundação: alterações das
condições de estabilidade e compressibilidade do terreno, sendo
geradas por escavações e alterações do nível do lençol freático,
resultando em recalques inesperados;
d) inexistência de plano de manutenção preventiva.

Falhas naturais de deterioração que competem ao concreto

Diferentemente das falhas anteriores, o concreto, por si só, possui falhas naturais
inerentes ao material de que é composto, à sua sensibilidade ao ambiente e aos
esforços a que o mesmo é solicitado. Dessa maneira, as patologias apresentadas
não resultam de falhas humanas, contudo podem ser mitigadas pelos os mesmos.
Souza e Ripper (1998) afirmam que as causas naturais de falhas desse material
são:

a) estrutura porosa: para o concreto convencional, a resistência não é o


ponto crítico, visto que ela pode ser obtida de modo trivial. Contudo, há
grandes esforços na obtenção de concretos duráveis, ou seja, com
baixos índices de porosidade e permeabilidade. Quanto mais
permissivo um concreto for ao transporte interno de água, gases e
outros agentes agressivos, maior será a degradação nas armaduras.
Nesse caso, a porosidade aliada a condições ambientes extremas é o
fator crítico de degradação da estrutura, sendo que somente temos
controle da porosidade do concreto. Com o objetivo de diminuir esse
Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
62
fator, basicamente, é necessário diminuir o fator água/cimento e
impedir a

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


63

evaporação da água de hidratação da pasta através de uma cura


adequada. A figura 5 exprime a importância de baixos fatores
água/cimento em relação à permeabilidade;

Figura 5 - Gráfico da relação a/c x coeficiente de permeabilidade

(fonte: SOUZA; RIPPER, 1998,


p. 36)

b) causas químicas: com o objetivo de aderência entre o cimento e os


agregados, são necessárias combinações químicas entre os mesmos e
os componentes hidratados do cimento. Contudo, há casos em que
ocorrem reações químicas de origem expansivas, que atuam com
efeitos contrários aos desejados, anulando a coesão entre os materiais.
As perturbações indesejadas são:
- reação álcalis-agregado: resultante da interação entre sílica reativa de
alguns tipos de agregados e os íons álcalis (N+ e K+) existentes nos
cimentos, sendo liberados durante a hidratação do cimento.
Caracteriza-se pela formação adicional de sólidos em meio confinado,
gerando, inicialmente, a fissuração superficial do concreto com
posterior desagregação com crateras profundas, podendo escorrer
gel de sílica. A adição de pozolonas pode inibir ou, até mesmo, evitar
tal processo, sendo recomendado a sua utilização em cimentos com
altos teores de álcalis. A figura 6 exemplifica o relatado;

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


64

Figura 6 - Reação álcalis-agregado

(fonte: SOUZA; RIPPER, 1998,


p. 37)

- reação álcalis-dolomita: resultante da expansão dos cristais de


calcário dolomítico em soluções de hidróxido de sódio, presentes nos
cimentos. Tem maior gravidade se comparada com a reação
anteriormente citada, uma vez que a única forma de conte-la é com a
utilização de cimentos com mínima quantidade de álcalis. Nesse
caso, a adição de pozolanas não impede a ocorrência do fenômeno.
Dessa forma, é extremamente necessária a avaliação de reatividade
dos calcários, objetivando a prevenção do problema;
- reação entre rochas caulinizadas: reação em que ocorre a formação
do sulfoaluminato tricálcico, através da interação entre a alumina,
presente nas rochas, e o cálcio, presente no cimento. O composto
formado é expansivo e pode ser inibido através da adição de
pozolanas ao cimento;
- presença de cloretos no concreto: Souza e Ripper (1998) afirmam que:
“Os cloretos podem ser adicionados involuntariamente ao
concreto a partir da utilização de aditivos aceleradores do
endurecimento, de agregados e de águas contaminadas, ou a
partir de tratamentos de limpeza realizados com ácido
muriático.”;

É importante salientar que é comum a penetração dessas substâncias


através da estrutura porosa do concreto. Dessa maneira, mesmo que
haja cuidado na seleção de materiais, é possível a ocorrência dessa
anomalia em concretos com relação água/cimento elevada. Tal
fenômeno se caracteriza por acelerar o processo de corrosão das
peças metálicas e por aumentar a fissuração interna e superficial das
peças em concreto armado. Por essa razão, a presença de cloretos é
limitada por norma a 0,4% do peso de cimento, haja vista que valores
Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
65
inferiores não irão romper a camada protetora da armadura quando
existir a presença de umidade e oxigênio;
- presença de anidrido carbônico (CO2): O CO2 presente na atmosfera
é transportado para o interior do concreto, sendo mais agressivo em
peças com maior índice de porosidade. Uma vez alocado, o mesmo
reage com o

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


66

hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) presente na água do concreto,


formando o carbonato de cálcio (CaCO3), que implica na
carbonatação do concreto (redução do pH para valores inferiores a 9).
A carbonatação será abordada em um tópico específico mais a frente,
visto que é uma das principais patologias nessas peças e contribui
para a formação de quadros graves quando não observada
precocemente. A fórmula 5 exprime a reação de formação do
carbonato de cálcio;

Ca(OH)2 + CO2 CaCO3 + H2O (fórmula 5)

Onde:
Ca(OH)2 = hidróxido de
cálcio; CO2 = anidrido
carbônico; CaCO3 =
carbonato de cálcio; H2O =
monóxido de hidrogênio.

- presença de água: como já mencionado anteriormente, o transporte


de água através dos poros do concreto resulta na dissolução do
hidróxido de cálcio, diminuindo os valores de pH do mesmo e
precipitando gel de sílica ou de alumina com consequente
desagregação do compósito;
- elevação da temperatura interna do concreto: a reação de
cimentação é exotérmica. A quantidade de calor liberada pode causar
problemas na concretagem de elementos de grande porte, gerando
um gradiente térmico, que pode ocasionar na fissuração interna do
concreto.
- presença de raízes e algas: o ataque químico de ácidos ocasionados
pelo crescimento de raízes de plantas e algas que se instalam nas
fissuras e poros do concreto é a principal processo biológico atuante
em estruturas de concreto que, com a introdução de anidrido
carbônico, contribuem para a carbonatação do concreto.

PROCESSOS DE DETERIORAÇÃO DAS ESTRUTURAS DE


CONCRETO

Os processos de deterioração são variados e são devidos a diversas causas, sendo


elas geradas na fase de projeto ou na fase de execução e, até mesmo em ambas as
fases. Contudo, o somatório de erros de projeto aliados à incoerências construtivas,
como métodos construtivos inadequados, mão-de-obra tecnicamente deficitária, má
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
67
fiscalização, etc., pode ocasionar o enfraquecimento da estrutura, oportunizando
maiores facilidades para a atuação de agentes deteriorantes.

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


68

Souza e Ripper (1998, p. 57) afirmam que:

“A busca de soluções e o estabelecimento dos métodos a


serem adotados para recuperar ou reforçar uma estrutura de
concreto só poderão ser bem-sucedidos se forem
cuidadosamente estudadas e analisadas, em conjunto, as
condições físicas, químicas, ambientais e mecânicas às quais a
estrutura está submetida, as causas da sua deterioração (que
podem ser múltiplas) ou os seus efeitos (sintomas
patológicos).”.

A seguir serão listadas as principais patologias presentes no processo de


degradação das estruturas em concreto armado. Segundo Souza e Ripper
(1998), são elas:

a) fissuração: é considerada como a patologia característica das


estruturas de concreto, dada sua recorrência. Contudo, é necessário
estudar o quadro de fissuração quanto à origem, intensidade e
magnitude, uma vez que só considerada como deficiência estrutural
quando o mesmo é exposto a tensões trativas maiores que a
resistência última a tração. As causas mais frequentes de fissuras são:
- deficiências de projeto: estão relacionadas com o tipo de esforço a
que estão submetidas. A figura 7 revela a tipologia de fissuras
segundo o esforço a que a peça está submetida;

Figura 7 - Tipos de fissuras conforme esforços presentes na peça

(fonte: SOUZA; RIPPER, 1998,


p. 58)

- contração plástica do concreto: caso em que a fissuração ocorre


antes da pega do concreto devido à evaporação rápida da água. A
massa se contrai de forma irreversível, podendo ocorrer
imediatamente após o lançamento do concreto. Ocorre principalmente
Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
69
em grandes peças e se caracterizam por fissuras paralelas entre si,
fazendo ângulos de 45º com os cantos;
- perda de aderência das barras da armadura: acontecem no processo
de assentamento do concreto, devido a grandes espessuras de
concretagem. Caracterizam-se por acompanharem longitudinalmente
as armaduras, criando

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


70

vazios abaixo das barras. Possuem séria gravidade em estruturas


com altas taxas de armadura, uma vez que há a interação entre as
mesmas, potencializando a perda total de aderência, conforme figura
8;

Figura 8 - Fissuras causadas por perda de aderência das barras da

armadura
(fonte: SOUZA; RIPPER, 1998,
p. 62)

- retração do concreto: a retração do concreto é um movimento natural


do componente. Contudo, falhas causadas por não considerar tal
comportamento em projetos, podem desenvolver a formação de
trincas, conforme exposto na figura 9. Em casos de concretagem de
grandes peças, é de fundamental importância uma cura adequada, de
modo que haja, em todo o processo, a água necessária para a o
ganho de resistência do concreto sem a formação de fissuras;

Figura 9 - Fissuras causadas por retração do concreto

(fonte: SOUZA; RIPPER, 1998,


p. 63)

- falhas na execução: por se tratar de um modo de produção, muitas


vezes, artesanal, falhas na execução são recorrentes, podendo gerar
fissuras de diferentes formas. Contudo, tal problema é mitigado
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
71
quando a mão-de-obra possui conhecimento técnico para a
confecção da peça, sendo que a fiscalização é a etapa em que será
conferido controle à produção. Desse

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


72

modo, falhas na execução não são toleradas quando há uma


fiscalização eficiente do andamento da construção;
- reações expansivas: reações álcali-agregado, como visto
anteriormente, dão origem a fissuração pela formação de um gel
expansivo no interior da peça concretada. Tal fenômeno se
caracteriza por apresentar fissuração desordenada na superfície
exposta. Diferentemente das falhas ocorridas por retração, através de
uma cura indevida, em que poucas semanas após à concretagem é
possível ver as fissuras, as reações expansivas apresentam sintomas
em prazos de tempo superiores a um ano. A gravidade de tal
processo está no fato de que há a fissuração interna e externa da
peça, afetando drasticamente a durabilidade, uma vez que a
velocidade de ataque dos constituintes interiores das peças é
elevada;
- corrosão das armaduras: a ocorrência de fissuras se justifica uma vez
que, ao se oxidar, o ferro cria óxido de ferro hidratado (Fe 2O3 nH2O)
que ocupa maior espaço no interior do concreto. A pressão exercida
pode chegar a 15 MPa, sendo, dessa forma, suficiente para fissurar o
concreto. No que se refere a dimensão das barras, uma barra de aço
sob processo de corrosão pode ter um aumento de dez vezes em seu
volume original. A figura 10 ilustra a instalação do processo de
corrosão em armaduras;

Figura 10 - Instalação do processo de corrosão em armaduras

(fonte: SOUZA; RIPPER, 1998,


p. 68)

b) desagregação do concreto: patologia recorrente causada por múltiplos


fatores, ocorrendo concomitantemente com a fissuração. No entanto,
esse fenômeno se mostra com maior gravidade, visto que há a
separação de placas do concreto. Nesses casos, a peça de concreto
deixa de apresentar comportamento monolítico devido à deterioração
da função ligante do cimento, acarretando perda localizada ou global
de resistência a esforços. Segundo Souza e Ripper (1998), as
principais causas da desagregação de estruturas em concreto armado
são:
- fissuração: casos em que o processo de fissuração acontece por
longos períodos sem as devidas medidas corretivas originam
desplacamento do concreto. Porém, maiores velocidades de
desagregação são detectadas em casos onde há a ocorrência de
reações expansivas e corrosão de armaduras;
Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
73
- movimentação de formas na concretagem: a ocorrência desse erro
na concretagem cria juntas não previstas nas peças e possibilita a
fuga da nata de cimento que, consequentemente, segrega e,
finalmente, desagrega;

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


74

- corrosão do concreto: a definição geral de corrosão é a destruição de


um material através de reações químicas ou eletroquímicas, se
aplicando a qualquer tipo de material. Dessa maneira, o concreto
sofre três diferentes tipos de corrosão química: por lixiaviação, reação
iônica e por expansão. A corrosão por lixiviação é a mais frequente e
se caracteriza pela dissolução e transporte do hidróxido de cálcio
(Ca(OH)2) presente no cimento Portland, diminuindo o pH do concreto
e causando a desagregação. A corrosão por reação iônica é
particularizada pela interação de substâncias químicas presentes no
meio agressivo (magnésio, amônio, cloro e nitrato) com componentes
do cimento endurecido, gerando componentes solúveis. A corrosão
por expansão no concreto é devida ao ataque de sulfatos aos
componentes do cimento, acarretando aumento do volume do
concreto que provoca expansão e desagregação do mesmo. Sulfatos
estão presentes em águas com resíduos industriais, água
subterrâneas e na água do mar, sendo os mais perigosos para o
concreto: o amoníaco ((NH4)2SO2), o cálcico (CaSO4), o de magnésio
(MgSO4) e o de sódio (Na2SO4).
- calcinação: o concreto apresenta tal efeito uma vez que tenha sofrido
a ação do fogo, gerando alteração da cor e perda de resistência. A
desagregação do concreto acontece em temperaturas próximas a
600°C, de modo que os agregados dilatam causando tensões
internas na estrutura, fissurando as mesmas.

c) carbonatação do concreto: tal fenômeno acontece com a dissolução do


anidrido carbônico (CO2), presente na atmosfera, no cimento hidratado,
com a consequente formação do carbonato de cálcio e a diminuição do
pH até valores menores que 9. A carbonatação é um processo
presente em todas as estruturas de concreto, no entanto a espessura
carbonatada é fortemente influenciada pela porosidade do concreto,
dessa forma é preciso atentar para a porosidade do mesmo, a
quantidade de fissuras e ter o cuidado de obedecer ao cobrimento
mínimo recomendado por norma. O problema se mostra com maior
gravidade quando a espessura de carbonatação atinge as armaduras,
uma vez que esse fenômeno causa a despassivação das armaduras e
a corrosão das mesmas, conforme a figura 11. Aberturas de fissuras
superiores a 0,4 mm apresentam condições propícias para acelerar tal
processo patológico na peça.

Figura 11 - Carbonatação devido à fissuração

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


75
(fonte: SOUZA; RIPPER, 1998,
p. 75)

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


76

5 PATOLOGIAS EM CORTINAS ATIRANTADAS

O presente capítulo dissertará sobre as patologias mais frequentes nesse tipo de


estrutura. Com esse objetivo, primeiramente, será relatado como é o procedimento
de aquisição desses dados. Os métodos descritos são baseados no estudo de
relatórios de avaliação disponibilizados por uma empresa atuante no ramo de
engenharia geotécnica com larga experiência no assunto supracitado.

METODOLOGIA DE ANÁLISE

A avaliação dos danos da estrutura é realizada em campo, atentando para fatores


relacionados com o estado da superfície da cortina. Para tanto, utiliza-se a
metodologia observacional com o intuito de levantar as patologias e a gravidade das
mesmas, levando em consideração que, frequentemente, há diversas patologias
atuantes concomitantemente.

Com a intenção de racionalizar o processo de aquisição de dados, é necessário


atentar os seguintes elementos:

a) painéis (Pn);
b) juntas de dilatação (verticais) (Jn/n-1);
c) juntas de construção (horizontais) (Nn);
d) capacetes de proteção das cabeças dos tirantes.

Com o intuito de reunir toda a informação mencionada, é recomendado o uso de


checklist de forma que, com o auxílio dessa ferramenta, é possível ser objetivo.
Dessa forma, todo o histórico patológico de uma cortina é resumido em poucas
páginas, fato que irá ser favorável, uma vez que essa inspeção determinará a
gravidade do problema. Exemplos de quadros de verificação são apresentados nos
quadros 6, 7 e 8.

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


77

Quadro 6 - Exemplo de planilha de inspeção para as


patologias nos painéis
Km: PLANILHA DE INSPEÇÃO DE PAINÉIS
Nº Cortina: Painel: Fotos:
Data: Tipo de tirante:
Abertura não < 0,3 mm > 0,3 mm
Frequência não Esp. < 1m Esp. > 1m
Fissuras Orientação Transvers Oblíqua Longitudinal Entrecruzad
al a
Extensão não < 20 % > 20 % e < 50 > 50 %
%
Natureza não Externa Coação interna

Área não <5% > 5 % e < 10 % > 10 %


Posição não Tração Cisalhamento Compressão
Desagregaç
ão Grau não Agreg. Agreg. Coberto
exposto
Profundidad não < 0,3 cm < Cobrimento >
e Cobrimento

Carbonataçã Profundidad não < Cobrimento > Cobrimento


o e

Área não <5% > 5 % e < 10 % > 10 %


Posição não Tração Cisalhamento Compressão
Segregaçã
o Grau não Agreg. Agreg. coberto
exposto
Profundidad não < 0,3 cm < Cobrimento >
e Cobrimento

Tipo não Discreta Expressiva


Exposição não Isolados Toda armadura Dectável
Corrosão
Estricção não Red. < 20 % Red. > 20 % Total
Eflorescênci não Discreta Ampla
a

Obstrução de canaleta Não sim


Trincas nas canaletas Não sim
Observar
Func. dren. de paramento Não sim
Func. dren. profunda Não sim
LAYOUT:

(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia


geotécnica, 2011)

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


78

Quadro 7 - Modelo de planilha de inspeção das juntas

CADASTRO DE PALOGIAS DAS JUNTAS HORIZONTAIS


Km: Painel: Foto:
Linha:
Fissura nã sim
o
Desagregação nã até 10 > 10 %
o %
Segregação nã até 10 > 10 %
o %
Surgência d'água nã sim
o
Faixa de liquens nã até 20 > 20 %
o %

Obs.:

CADASTRO DE PATOLOGIAS DAS JUNTAS VERTICAIS


Km: Painel: Foto:
Entre painéis:
Fuga de finos: nã sim
o
Deslocamento: nã até 2 > 2 cm
o cm
Vegetação: nã rala arbustiv
o a
Surgência d'água nã sim
o

Obs.:

(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia


geotécnica, 2011)

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


79

Quadro 8 - Modelo de planilha de inspeção do capacete de proteção do


tirante

CADASTRO PATOLOGIAS DO DO TIRANTE


DE CAPACETE
Km: Painel: Foto:
Fissura
Número do tirante: não < 0,3 mm >= 0,3 mm
Lascas não < 2 cm >= 2 cm
Eflorescência não sim
Cabeça Porosa não sim
Liquens em todas as faces não sim
Exposição da placa não sim
Exposição da cabeça não sim
Surgência d'água não sim
Cabeça solta não sim
Tirante rompido não sim

Cabeça projetada
Cabeça contraída
Obs.:

(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia


geotécnica, 2011)

De posse dos dados referentes aos elementos citados é possível estimar a avaliação
da cortina. É recomendado que tal processo seja feito de forma organizada, uma vez
que há uma grande quantidade de elementos para aferição. Dessa forma, é utilizado
um critério sequencial, em que cada cortina é dividida em zonas delimitadas por
juntas verticais e juntas horizontais, numerando os tirantes conforme o sentido
preferencial do executor. A figura 12 exemplifica tal abordagem.

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


80

Figura 12 - Critério sequencial de análise

(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia


geotécnica, 2011)

ESTUDO DE PATOLOGIAS

De posse dos conhecimentos adquiridos, através de pesquisa bibliográfica, no


processo de execução da estrutura de concreto, da execução dos tirantes (etapa
crítica), dos mecanismos de degradação da estrutura e de entrevistas com
engenheiros renomados como Eduardo Azambuja e Jarbas Milititsky, é possível
constatar que as principais manifestações patológicas encontradas em cortinas
atirantadas, são:

a) nos painéis,
- fissuração;
- desagregação;
- segregação;
- corrosão;
- surgência d’água;
b) nas juntas horizontais construtivas,
- fissuras;
- desagregação;
- segregação;
- presença de liquens;
- surgência d’água;
Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
81
c) nas juntas de dilatação,
- deslocamentos ou giros;

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


82

- fuga de finos;
- vegetação;
- surgência d’água;
c) nos capacetes de concreto,
- fissuração;
- lascas (causadas por danos por impacto, desagregação ou segregação);
- eflorescência;
- porosidade;
- presença excessiva de liquens;
- base exposta;
- surgência d’água;
- tirante solto;
- tirante rompido com projeção;
- tirante rompido com contração.

Patologias em tirantes

Segundo o relato do engenheiro Eduardo Azambuja, “as principais patologias


existentes nesse tipo de estrutura estão localizadas nos tirantes, sendo elas de alta
gravidade, uma vez que a capacidade portante da estrutura pode ser afetada”. Uma
vez que não é possível avaliar a peça em sua totalidade visualmente, o processo de
verificação do elemento é direcionado na aferição do grau de conservação do
capacete de proteção do mesmo. As principais patologias presentes nessas peças
são:

a) fissuração: problema de difícil observação, uma vez que as fissuras,


geralmente, são de tamanhos reduzidos e dificultam a sua visualização
no início do processo de deterioração. Em cortinas em que o processo
de gunitagem (tratamento superficial de concreto projetado) foi
realizado, a observação de fissuras e patologias na face da estrutura é
prejudicada e quando observada, o processo, geralmente, já está
avançado. Tal problema, frequentemente, está associado a outras
patologias, podendo ter origem por dilatação térmica, retração do
concreto, impactos físicos, movimentação da cabeça do tirante, entre
outros;

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


83

Figura 13 - Exemplo de fissuras

(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia


geotécnica, 2011)

b) lascas: diferentemente das fissuras, tal problema é de fácil observação,


visto que é de fácil visualização a longas distâncias. Essas se originam
por segregação (erro de concretagem do capacete) ou desagregação
(perda de volume de concreto após a concretagem) e, como
consequência, há a redução do cobrimento de concreto, podendo
afetar as armaduras precocemente;

Figura 14 - Exemplo de lascas

(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia


geotécnica, 2011)

c) eflorescências: problema característico de peças que sofrem com o


processo excessivo de carbonatação. Dessa maneira, existe a
Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
84
possibilidade de despassivação das peças metálicas protegidas pelo
concreto do capacete de proteção;

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


85

Figura 15 - Exemplo de eflorescências

(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia


geotécnica, 2011)

d) porosidade: patologia grave, uma vez que o cobrimento de concreto


serve como proteção das armaduras e peças metálicas. Tal proteção
está fortemente relacionada com a vida útil da estrutura. Essa
complicação se origina da concretagem inadequada ou de traços de
concreto mal projetado (pobre), tendo em vista a proteção passiva
almejada;

Figura 16 - Exemplo de porosidade

(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia


geotécnica, 2011)

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


86
e) exposição da cabeça do tirante: complicação de pouca recorrência,
uma vez que quando ocorre é devida, possivelmente, à ruptura do
tirante. Geralmente acontece no processo de desforma ou por algum
impacto físico ao longo da

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


87

vida útil da estrutura. A gravidade está relacionada à falta de


proteção da cabeça do tirante;

Figura 17 - Exemplo de exposição da cabeça do tirante

(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia


geotécnica, 2011)

f) fluxo de água na cabeça do tirante: patologia com alta recorrência em


cortinas, ocorrendo, principalmente, em tirantes mais próximos da base
da estrutura. A surgência d’água indica deficiência da vedação na
junção do tirante com o painel de concreto. Uma vez que há a presença
de água nessa região, há a ameaça de corrosão dos elementos
metálicos da região;

Figura 18 - Exemplo de fluxo de água na cabeça do tirante

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


88

(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia


geotécnica, 2011)

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89

g) existência de liquens em todas as faces: tal patologia expõe a


presença de umidade no capacete de proteção, sendo,
frequentemente, relacionada à alta porosidade do concreto utilizado na
peça. Dessa maneira, a umidade em excesso pode agredir as peças
metálicas, afetando a cortina como um todo;

Figura 19 - Exemplo da existência de liquens nas faces

(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia


geotécnica, 2011)

h) exposição da placa: problema bastante frequente, umas vez que, no


processo de concretagem dos capacetes, a fôrma é apoiada na base
da placa de aço do tirante. Dessa forma, o cobrimento de concreto não
é suficiente e a corrosão afeta rapidamente a base da placa que, ao
expandir, devido à reação química, destrói a fina nata de cimento,
deixando a base da placa exposta. Uma fez que a placa fique exposta,
o mecanismo de deterioração afeta o capacete como um todo e, em
casos extremos, pode afetar o vergalhão do tirante, pondo em risco tal
elemento de sustentação;

Figura 20 - Exemplo de exposição da placa do tirante

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


90

(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia


geotécnica, 2011)

i) ruptura do tirante com projeção do capacete: nesse problema, a


funcionalidade do tirante deixa de existir. Tal manifestação está ligada
à ruptura interna da peça, frequentemente, por corrosão sob tensão
(diminuição de área) da luva ou barra no trecho livre, havendo perda da
mesma;

Figura 21 - Exemplo de ruptura do tirante com projeção do capacete de

proteção
(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia
geotécnica, 2011)

j) ruptura do tirante com contração da barra: analogamente ao caso


anterior, tal manifestação patológica tem como consequência a perda
da funcionalidade da peça. Geralmente, ocorre devido à corrosão das
peças de aço localizadas na cabeça do mesmo (rosca da barra, placa
ou ‘porca’);

Figura 22 - Exemplo de ruptura do tirante com contração da

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


91
barra
(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia
geotécnica, 2011)

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92

k) tirante solto: problema de difícil identificação, uma vez que, sem


exumar a cabeça do tirante, há poucos indícios dessa anormalidade.
Quando detectável, sem a exumação do capacete, tal patologia
caracteriza-se por uma pequena fenda entre o cacete de proteção e a
parede de concreto armado, se estendo por todas as faces. Uma vez
que foi perdida a protensão, esse elemento não impõe nenhuma força
resultante no painel de concreto e, dessa maneira é análogo a peças
rompidas. Contudo, em alguns casos, é possível aplicar a protensão
novamente.

Figura 23 - Exemplo de tirante solto

(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia


geotécnica, 2011)

Patologias em juntas verticais

A importância da aferição de patologias em juntas verticais é justificada visto que as


mesmas desempenham funções relevantes para um bom desempenho da estrutura
de contenção. Esses componentes proporcionam deslocamentos e deformações
provenientes dos efeitos de dilatação térmica. Tal comportamento é necessário uma
vez que os painéis são expostos a grandes variações de temperatura ao longo de
sua vida útil, essa oscilação na temperatura tende a produzir trincas e fissuras no
painel, fato que pode ser controlado com a execução correta de juntas de dilatação
verticais.

É importante salientar que as juntas verticais devem apresentar espessura constante


e verticalidade, visto que, dessa maneira, ao se movimentar, não são gerados
esforços não previstos no dimensionamento. Dada a má execução das juntas, são
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
93
frequentes fenômenos de

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


94

desagregação nas bordas dos painéis de concreto. As principais patologias


presentes nas juntas de dilatação verticais são:

a) deslocamentos: os deslocamentos são facilmente observados nas


juntas verticais, podendo ser causados por movimentações dos painéis
superiores durante o processo executivo descendente da cortina. Uma
vez que esse problema acontece após o término da concretagem, o
mesmo aponta uma possível queda da capacidade de suporte da
estrutura de contenção, que pode ser devida a tirantes rompidos ou
soltos;

Figura 24 - Exemplo de deslocamento

(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia


geotécnica, 2015)

b) surgência d’água: esta patologia evidencia dois problemas, um é o


mau funcionamento da drenagem na parte inferior da cortina, o outro é
a má execução do sistema de vedação da junta. Grande parte desse
tipo de patologia se encontra em alturas inferiores a 2 metros,
revelando a possível existência de condições de fluxo na base da
cortina. Se essa situação acontecer por longos períodos de tempo, é
possível a ocorrência de fuga de finos, agravando o quadro.

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


95

Figura 25 - Exemplo de surgência d’água

(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia


geotécnica, 2011)

c) fuga de finos: patologia provocada pela má vedação das juntas, sendo


assinalado pelo fluxo intermitente de água na junta. A gravidade
consiste no fato de que há perda do material do tardoz da cortina,
consequentemente há um desconfinamento que pode provocar perda
de protensão dos tirantes, deslocamentos, subsidência, trincas no
aterro e na canaleta de montante, etc;

Figura 26 - Exemplo de fuga de finos

(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia


geotécnica, 2011)

c) vegetação: patologia provocada pela má vedação das juntas, umidade


Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
96
excessiva no tardoz e, geralmente, fuga de finos. Sua gravidade está
no fato de comprometer o funcionamento das juntas e drenos e causar
destruição das bordas dos painéis;

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


97

Figura 27 - Exemplo de vegetação nas juntas

(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia


geotécnica, 2011)

Patologias em juntas horizontais

Juntas horizontais ou construtivas são criadas no processo descendente de


execução da cortina. Segundo a análise de relatórios, as mesmas indicam a
qualidade da execução dos painéis, uma vez que grande parte das patologias
nesses elementos estão localizadas nessa zona.

A má execução é a maior causa de problemas nessa região, de forma que, com


pequenos esforços, é possível a remoção da argamassa que protege as armaduras
de transpasse entre painéis. A falta de controle do cobrimento nessa região é um
fator crítico, haja vista que é possível observar as armaduras sofrendo processos
avançados de corrosão, apresentando, em alguns casos, perdas significativas de
área útil. Uma vez que as patologias presentes nessa região são as mesmas
supracitadas, será citado apenas o tipo de patologia, sendo o diferencial a
localização das mesmas. Dessa maneira, as patologias em juntas horizontais são:

a) fissuração;
b) surgência d’água;
c) segregação;
d) desagregação;
e) liquens;

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


98
f) eflorescência.

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99

Figura 28 - Exemplo de diversas patologias em juntas

horizontais
(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia
geotécnica, 2011)

Figura 29 - Exemplo de deficiência no cobrimento das juntas

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


10
horizontais 0
(fonte: empresa atuante no ramo de engenharia
geotécnica, 2011)

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


10
1
Patologias nos painéis de concreto

As manifestações patológicas existentes nesses elementos, geralmente, são


decorrentes do não tratamento das patologias nos capacetes de concreto, nas juntas
construtivas horizontais e nas juntas de dilatação verticais. Dessa maneira, o
processo de degradação dos painéis é tardio se comparado com o tempo necessário
para a degradação dos outros elementos da cortina. Contudo, é fácil a observação
dos problemas visto que são elementos de grande porte. Para a avaliação das
condições internas dos painéis podem ser utilizados ensaios de resistência
superficial (esclerométrico) e ensaio de carbonatação.

A gravidade dos problemas nessas regiões, geralmente, não é crítica, visto que são
complicações que não comprometem a estabilidade da estrutura, apresentando a
possibilidade de reparos com maior facilidade se comparados com adversidades
localizadas nos tirantes. Uma vez que as placas são elementos de espessura
considerável e que é possível um maior controle de concretagem ao se utilizar
concretos com alto teor de cimento para a proteção das armaduras, as patologias
graves nessas regiões são decorrentes de erros de projeto no que refere ao
dimensionamento das armaduras, visto que tais elementos estão sob esforços de
empuxos de terra e água no tardoz e sofrem grandes esforços aplicados pelos
tirantes na face oposta. Desse modo, o dimensionamento das armaduras é o fator
que irá ditar o comportamento do painel, visto que o mesmo tende a contrapor
grandes deformações. Uma vez que as patologias presentes nessa região são as
mesmas citadas anteriormente, será mencionado apenas o tipo de patologia, sendo
o diferencial a localização das mesmas. As patologias presentes nessas peças são:

a) fissuração;
b) desagregação;
c) segregação;
d) corrosão;
e) surgência d’água.

Abaixo, segue o quadro 9 que abrange o resumo das principais patologias contendo
suas causas e conseqüências segundo sua localização na estrutura.

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10
2

Quadro 9 - Resumo das principais patologias

Local Patologia Caus Consequência


a
Dilatação térmica; Início do processo de
Retração do degradação da
Fissuração concreto; Impactos estrutura; Porta de
físicos; passagem para gases
Movimentação da e umidade;
cabeça do tirante; carbonatação
acelerada;
Segregação (erro Redução do
Lascas concretagem cobrimento; Maiores
capacete); chances de ataque
Desagregação corrosivos
(Perda de volume de nas armaduras;
concreto);
Despassivação
Eflorescência Carbonatação da armadura;
Manchas;
Capacete Despassivação
de Cura inadequada; da armadura;
proteção Porosidade Traço de concreto Maiores chances
do tirante mal projetado; de ataque
corrosivos nas
armaduras;
Ruptura do tirante;
Exposição da Desproteção das
Desforma
cabeça do peças metálicas de
inadequada;
tirante fixação;
Impacto físico;
Deficiência da Corrosão acelerada
Fluxo de água na
vedação na junção das peças metálicas
cabeça do tirante
do tirante com o da cabeça do tirante;
painel;
Corrosão acelerada
Liquens Presença de
das peças metálicas
umidade; Alta
da cortina;
porosidade;
Cobrimento
insuficiente;
Exposição da placa Erro na Corrosão da base
concretagem do da placa;
capacete; Corrosão dos
elementos presentes
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
10
no capacete; 3

Ruptura interna;
Ruptura com Corrosão sob tensão Perda de
da luva ou barra no funcionalidad
projeção e;
trecho livre;

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


10
4
Corrosão dos
Ruptura com Perda de
elementos de fixação
contração funcionalidad
(rosca, placa, porca);
e;
Fenda entre a parede
e o capacete por
Tirante solto Construção todas as faces;
deficiente; Perda de
funcionalidad
e;
Movimentação
dos painéis Queda de capacidade
Deslocamentos suporte;
superiores
durante
execução;
Mau funcionamento
da drenagem na
Surgência d'água parte inferior da Fuga de finos;
cortina;
Má execução do
sistema de vedação
da junta;
Juntas Verticais
Perda de material do
tardoz;
Desconfinamento
Má execução do causa perda de
Fuga de finos protensão dos
sistema de vedação
da junta; tirantes;
Deslocamentos;
Subsidência;
Trincas no aterro;
Trincas na canaleta
de montante;
Má execução
Mau funcionamento
do sistema
de juntas e drenos;
Vegetação de vedação da junta;
Destruição das
Umidade
bordas dos painéis;
excessiva; Fuga de
finos;
Início do processo de
Dilatação térmica; degradação da
Fissuração Retração do estrutura; Porta de
concreto; Impactos passagem para
físicos; gases e umidade;
carbonatação
acelerada;

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10
Juntas Despassivação 5
Mau funcionamento
Horizontais da armadura;
da drenagem na
Surgência d'água Maiores chances
parte inferior da
de ataque
cortina; Alta
corrosivos nas
porosidade;
armaduras;
Maiores chances
Lançamento
Segregação de ataque
incorreto; Traços
corrosivos nas
mal dimensionados;
armaduras;
Perda de resistência;

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10
6
Carbonatação;
Reações Maiores chances
Desagregação expansivas; de ataque
Presença d'água; corrosivos nas
Corrosão do armaduras; Perda
concreto; de resistência;
Presença de Corrosão acelerada
Liquens
umidade; Alta das armaduras;
porosidade;
Despassivação
Eflorescência Carbonatação; da armadura;
Corrosão acelerada
das armaduras;
Início do processo de
Dilatação térmica;
degradação da
Fissuração Retração do
estrutura; Porta de
concreto; Impactos
passagem para gases
físicos; Vegetação;
e umidade;
carbonatação
acelerada;
Carbonatação;
Reações Maiores chances
Desagregação expansivas; de ataque
Presença d'água; corrosivos nas
Corrosão do armaduras; Perda
concreto; de resistência;
Painéis de
Concreto Maiores chances
Lançamento
Segregação de ataque
incorreto; Traços
corrosivos nas
mal dimensionados;
armaduras; Perda
de resistência;
Fissuração;
Carbonatação; Desagregação;
Corrosão Presença de Perda de
umidade; resistência;
Porosidade; Exposição de
armaduras;
Manchas;
Despassivação
da armadura;
Mau funcionamento Maiores chances
Surgência d'água da drenagem; de ataque
corrosivos nas
armaduras;
Manchas;
(fonte: elaborado pelo autor)

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


10
7

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Patologias nesse tipo de estrutura são mais frequentes que o esperado. Ao analisar
o material fornecido pela empresa, é possível concluir que grande parte dos
problemas existentes na estrutura em estudo são decorrentes de erros na etapa de
execução, sejam eles provocados por carência de capacidade técnica da equipe
responsável pela realização da obra, sejam eles causados pelo pela deficiência ou
inexistência de controle de qualidade. Quando existe um correto controle de
qualidade não é possível tolerar erros graves na execução, uma vez que essa etapa
tem o dever de relacionar tais problemas e corrigi-los ou, no mínimo, mitigá-los.

Referindo-se a erros em projeto, segundo Eduardo Azambuja, os mesmos estão


relacionados à má interpretação de mecanismos geotécnicos, visto que, geralmente,
estruturas de contenção são construídas quando o solo já rompeu, dessa maneira,
utilizando a retroanálise como ferramenta, é possível a adoção de parâmetros de
pico que não condizem com a realidade, sendo imprescindível experiência para a
adoção de parâmetros corretos, caracterizando o método de forma empírica. Tal erro
pode acontecer visto que é possível que a ocorrência de rupturas anteriores tenham
existido sem que fossem percebidas pela investigação do subsolo. Nesses casos,
devem ser utilizados parâmetros que levam em consideração os efeitos de grandes
deformações, cabendo ao projetista avaliar a redução dos mesmos. A falta de
detalhamento nas pranchas também pode ser considerado como erro frequente,
uma vez que poucas são as empresas em que os detalhes da montagem dos
tirantes estão bem elucidados.

Em cortinas em que foi realizado o tratamento superficial da face com concreto


projetado (gunitagem) é extremamente difícil a observação de fissuras e do estado
dos demais componentes da estrutura, uma vez que esse tratamento superficial
sobrepõe à visualização de certos problemas. Tal tratamento não apresenta
nenhuma função estrutural e, muitas vezes, é realizado para tapar imperfeições
oriundas de deslocamentos na concretagem dos painéis, afetando futuras inspeções
na estrutura por fins meramente estéticos.

Kauê Pereira Guimarães. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


10
É possível concluir que a aferição de patologias em cortinas de concreto armado
8
atirantadas é um processo delicado em que o técnico responsável, deve ter um
conhecimento multidisciplinar, visto que o entendimento do problema envolve
questões que abrangem diferentes conhecimentos de engenharia como: geotecnia,
projeto, execução de estruturas de

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10
9
concreto e manutenção. Dessa forma, a pessoa responsável por tal tarefa deve
possuir a habilidade de abstração para que consiga entender as causas que levaram
aos processos patológicos e, dessa maneira, trate a estrutura de forma objetiva para
que não haja a ocorrência de novas patologias em um curto período de tempo.

Finalmente, a inexistência de um plano de manutenção aliada aos erros que foram


cometidos na execução causam a maior parte das patologias graves encontradas
em cortinas de concreto armado, exaltando, dessa forma, a importância de um bom
controle de qualidade associado a manutenções periódicas, uma vez que os
mecanismos de degradação são cumulativos e somente dessa maneira é possível a
obtenção de estruturas de qualidade, segurança e durabilidade.

Dessa maneira, o presente trabalho contribui com informações que visam a melhora
da qualidade desse tipo de estrutura, objetivando a obtenção de maior durabilidade
da mesma, justificando o meu estudo, uma vez que o assunto abordado é carente
de informação na literatura nacional.

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


11
0

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5629: execução de


tirantes
ancorados no terreno. Rio de Janeiro, 2006.

EMPRESA ATUANTE NO RAMO DE ENGENHARIA GEOTÉCNICA. Estudos e


projetos finais de engenharia de reforço e recuperação de cortinas
atirantadas nas rodovias ERS-115, trecho Arroio Muller (Taquara) –
Gramado, km 38+000 e na rodovia ERS-235, trecho Gramado – Canela, km
35+300: ERS-115 km 38+000. Porto Alegre: DAER/RS, 2011. Impressão final do
relatório do projeto executivo de reforço da cortina atirantada. v. 1.

FUNDAÇÃO INSTITUTO DE GEOTÉCNICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO.


Manual técnico de encostas. Rio de Janeiro, 2014. v. II.

RANZINI, S. M. T.; NEGRO JUNIOR, A. Obras de contenção: tipos, métodos


construtivos, dificuldades executivas. In: HACHICH, W.; FALCONI, F. F.; SAES,
J. L.; FROTA, R. G. Q.; CARVALHO, C. S.; NIYAMA, S. (Ed.). Fundações:
teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Pini, 1998. p. 497-515.

SCHNAID, F.; ODEBRECHT, E. Ensaios de campo e suas aplicações à


engenharia de fundações. 2. ed. (1º reimpr.). São Paulo: Oficina de Textos,
2012 (reimpr.2014).

SOLOTRAT ENGENHARIA GEOTÉCNICA. Manual Tirantes. [São Paulo:


2015]. Disponível em:
<http://www.solotrat.com.br/ws/manual/pt_ManTirantes.pdf>. Acesso em: 20 abr.
2015

SOUZA, V. C. de; RIPPER, T. Patologia, recuperação e reforço de


estruturas de concreto. 1. ed. São Paulo: Pini, 1998. p. 22-80.

TACITANO, M. Análise de paredes de contenção através de método


unidimensional evolutivo. 2006. 268 f.Dissertação (Doutorado em
Engenharia Civil) – Faculdade de eng. civil, arquitetura e urbanismo,
Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2006.

TECNOSOLO ENGENHARIA E TECNOLOGIA DE SOLOS E MATERIAIS.


Estabilização de taludes com ancoragem: vinte anos de atividades. Rio de
Janeiro: Tecnosolo, 1978. Tópicos de Geomecânica Tecnosolo n. 29.

YASSUDA, C. T.; DIAS, P. H. V. Tirantes. In: HACHICH, W.; FALCONI, F. F.; SAES,
J.
L.; FROTA, R. G. Q.; CARVALHO, C. S.; NIYAMA, S. (Ed.). Fundações: teoria
e prática. 2. ed. São Paulo: Pini, 1998. p. 603-640.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL


ESCOLA DE ENGENHARIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
11
1

Mateus Picoli Bernardi

CORTINA ATIRANTADA: O CASO DA OBRA DE UM SUBSOLO EM


FLORIANÓPOLIS

Avaliador:

Defesa: dia 03/12/2015 às 15:10 horas


Local: UFRGS / Engenharia
Nova Osvaldo Aranha, 99,
sala 304
Anotações com sugestões
para qualificar o trabalho são
bem- vindas. O aluno fará as
correções e lhe passará a
versão final do trabalho, se for
de seu interesse.

Porto Alegre
dezembro
2015

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


MATEUS PICOLI BERNARDI

CORTINAS ATIRANTADAS: O CASO DA OBRA DE UM SUBSOLO EM


FLORIANÓPOLIS

Trabalho de Diplomação apresentado ao Departamento de


Engenharia Civil da Escola de Engenharia da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul, como parte dos requisitos para obtenção do
título de Engenheiro Civil

Orientador: Lucas Festugato

Porto Alegre
dezembro
2015

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


MATEUS PICOLI BERNARDI

CORTINAS ATIRANTADAS: O CASO DA OBRA DE UM SUBSOLO EM


FLORIANÓPOLIS

Este Trabalho de Diplomação foi julgado adequado como pré-requisito para a


obtenção do título de ENGENHEIRO CIVIL e aprovado em sua forma final pelo/a
Professor/a Orientador/a e pela Coordenadora da disciplina Trabalho de
Diplomação Engenharia Civil II (ENG01040) da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul.

Porto Alegre, dezembro de 2015

Prof. Lucas
Festugato Dr. pelo
PPGEC/UFRGS
Orientador

BANCA EXAMINADORA

Prof. Lucas Festugato (UFRGS)


Dr. pelo PPGEC/UFRGS

Prof. Nilo Cesar Consoli (UFRGS)


Ph. D. pela Concordia University, Canada

Profa. Gracieli Dienstmann (UFRGS)


Dra. pelo PPGEC/UFRGS

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
Dedico este trabalho a meus pais, Joelcir e Marly,
que não mediram esforços para que todas as
coisas boas de minha
vida fossem possíveis.

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


AGRADECIMENTOS

Agradeço ao Prof. Lucas Festugato, orientador deste trabalho, pela constante


disponibilidade, pelos questionamentos, pelas sugestões e pelo apoio ao longo da
realização deste trabalho.

Agradeço aos meus pais, meus exemplos de vida, sem os quais nada seria possível,
pelo apoio, pela compreensão, pela educação e pelos valores transmitidos ao longo
dos anos. Vocês são a razão do meu esforço e da minha dedicação.

Agradeço a minha irmã Raquel, pelo apoio, por sempre estar presente e pela ajuda
nos momentos difíceis.

Agradeço a todos meus familiares pelo suporte e apoio, em especial ao Mario,


Marcia, Pedro e Bernardo por me receberem como filho/irmão.

Agradeço a todos os colegas e professores que, de alguma maneira, contribuíram


para minha formação ao longo do curso de graduação.

E por fim, agradeço a todos os meus amigos pelo companheirismo e pelos momentos
vividos.

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
Procure ser um homem de valor, em vez de ser um homem
de sucesso.
Albert Einstein

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


RESUMO

Este trabalho versa sobre o cálculo de uma cortina atirantada. A cortina estudada
está localizada na Avenida Mauro Ramos, no centro do município de Florianópolis,
SC, Brasil. A partir da revisão da literatura que aborda as estruturas de contenção,
foram realizadas três simulações para esse caso, utilizando apenas estruturas
delgadas, afim se obter uma otimização do espaço do terreno. Dentre as três
soluções adotada, uma foi a originalmente proposta e outras duas alternativas para o
caso em questão. A partir dos ensaios realizados no terreno, através de correlações,
obteve-se os parâmetros do solo, sendo assim possível caracterizar o solo e calcular
as estruturas. Para a realização desses cálculos, utilizou-se os princípios dos
cálculos de empuxo através da teoria de Rankine e softwares para as análises das
estabilidades e segurança das estruturas. Através dos cálculos e simulações
realizadas, foi verificado que o projeto proposto originalmente foi bem escolhido e
bem dimensionado para o problema em questão.

Palavras-chave: Cortinas Atirantadas. Estruturas de Contenção. Análise de


Estabilidade.

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Diagrama das etapas do trabalho 20


....................................................................
Figura 2 – Escorregamento planar 25
...................................................................................
Figura 3 – Escorregamento circular 25
.................................................................................
Figura 4 – Escorregamento em cunha 26
..............................................................................
Figura 5 – Superfície de ruptura plana 28
.............................................................................
Figura 6 – Superfície de ruptura circular 28
.........................................................................
Figura 7 – Forças atuantes em uma fatia pelo método Morgenstern Price 30
......................
Figura 8 – Forças atuantes em uma fatia pelo método Bishop Simplificado 31
...................
Figura 9 – Elementos de um tirante 41
.................................................................................
Figura 10 – Comprimento dos tirantes 45
.............................................................................
Figura 11 – Tipos de ruptura de uma cortina atirantada em solo 47
.....................................
Figura 12 – Planilha padrão de um ensaio SPT 53
...............................................................
Figura 13 – Ábaco de Newmark 57
......................................................................................
Figura 14 – Planta de situação da obra 60
.............................................................................
Figura 15 – Trechos das cortinas atirantadas 61
...................................................................
Figura 16 – Perfil de solo do trecho A 62
.............................................................................
Figura 17 – Perfil de solo do trecho B 63
.............................................................................
Figura 18 – Perfil de solo dos trechos C e D 64
....................................................................
Figura 19 – Perfil de solo dos trechos E e F 64
.....................................................................
Figura 20 – Perfil de solo do trecho G 65
.............................................................................
Figura 21 – Perfil de solo do trecho H 66
.............................................................................
Figura 22 – Perfil de solo dos trechos I e J 66
......................................................................
Figura 23 – Análise estabilidade por Bishop Simplificado e Morgenstern Price
no trecho A 67
..............................................................................................................
Figura 24 – Análise estabilidade por Bishop Simplificado e Morgenstern Price
no trecho B Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas 68
..............................................................................................................
Figura 25 – Análise estabilidade por Bishop Simplificado e Morgenstern Price
nos trechos C e D 68
......................................................................................................
Figura 26 – Análise estabilidade por Bishop Simplificado e Morgenstern Price
nos trechos E e F 68
.......................................................................................................
Figura 27 – Análise estabilidade por Bishop Simplificado e Morgenstern Price
no trecho G 69
..............................................................................................................
Figura 28 – Análise estabilidade por Bishop Simplificado e Morgenstern Price
no trecho H 69
..............................................................................................................

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


Figura 29 – Análise estabilidade por Bishop Simplificado e Morgenstern Price
69
nos trechos I e J
.........................................................................................................
Figura 30 – Trecho A simulado no Plaxis 74
........................................................................
Figura 31 – Deslocamento final no trecho A 75
...................................................................
Figura 32 – Tensões totais (nas direções principais) após o último passo de
escavação no trecho A 75
.........................................................................................................
Figura 33 – Trecho B simulado no Plaxis 76
........................................................................
Figura 34 – Deslocamento final no trecho B 76
....................................................................
Figura 35 – Tensões totais (nas direções principais) após o último passo de
escavação no trecho B 76
.........................................................................................................
Figura 36 – Trechos C e D simulado no Plaxis 77
................................................................
Figura 37 – Deslocamento final nos trechos C e D 77
..........................................................
Figura 38 – Tensões totais (nas direções principais) após o último passo de
escavação nos trechos C e D 78
...............................................................................................
Figura 39 – Trechos E e F simulado no Plaxis 78
.................................................................
Figura 40 – Deslocamento final nos trechos E e F 79
...........................................................
Figura 41 – Tensões totais (nas direções principais) após o último passo de
escavação nos trechos E e F 79
................................................................................................
Figura 42 – Trecho G simulado no Plaxis 80
........................................................................
Figura 43 – Deslocamento final no trecho G 80
...................................................................
Figura 44 – Tensões totais (nas direções principais) após o último passo de
escavação no trecho G 80
.........................................................................................................
Figura 45 – Trecho H simulado no Plaxis 81
........................................................................
Figura 46 – Deslocamento final no trecho H 81
...................................................................
Figura 47 – Tensões totais (nas direções principais) após o último passo de
escavação no trecho H 82
.........................................................................................................
Figura 48 – Trechos I e J simulado no Plaxis 82
..................................................................
Figura 49 – Deslocamento final nos trechos I e J 83
............................................................
Figura 50 – Tensões totais (nas direções principais) após o último passo de
escavação nos trechos
Cortinas I e J estudo de patologias e suas causas
Atirantadas: 83
..................................................................................................
Figura AP-A1 – Empuxos atuantes no trecho A 94
..............................................................
Figura AP-A2 – Empuxos atuantes no trecho B 95
..............................................................
Figura AP-A3 – Empuxos atuantes nos trechos C e D 96
....................................................
Figura AP-A4 – Empuxos atuantes nos trechos E e F 97
.....................................................
Figura AP-A5 – Empuxos atuantes no trecho G 98
..............................................................
Figura AP-A6 – Empuxos atuantes no trecho H 99
..............................................................
Figura AP-A6 – Empuxos atuantes nos trechos I e J 100
.......................................................

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


Figura AN-A1 – Perfil de sondagem SP-01 102
.....................................................................
Figura AN-A2 – Perfil de sondagem SP-02 103
.....................................................................
Figura AN-A3 – Perfil de sondagem SP-03 104
.....................................................................
Figura AN-A4 – Perfil de sondagem SP-04 105
.....................................................................
Figura AN-A5 – Perfil de sondagem SP-05 106
.....................................................................
Figura AN-A6 – Perfil de sondagem SP-06 107
.....................................................................
Figura AN-A7 – Perfil de sondagem SP-07 108
.....................................................................
Figura AN-A8 – Perfil de sondagem SP-08 109
.....................................................................
Figura AN-A9 – Perfil de sondagem SP-09 110
.....................................................................
Figura AN-A10 – Perfil de sondagem SP-09A 111
................................................................
Figura AN-A11 – Perfil de sondagem SP-10 112
...................................................................
Figura AN-A12 – Perfil de sondagem SP-10A 113
................................................................
Figura AN-A13 – Perfil de sondagem SP-11 114
...................................................................
Figura AN-A14 – Perfil de sondagem SP-12 115
...................................................................
Figura AN-A15 – Perfil de sondagem SP-13 116
...................................................................
Figura AN-A16 – Perfil de sondagem SP-14 117
...................................................................
Figura AN-A17 – Perfil de sondagem SP-15 118
...................................................................
Figura AN-A18 – Localização dos furos de sondagem 119
...................................................
Figura AN-B1 – Projeto da cortina atirantada no trecho A 121
..............................................
Figura AN-B2 – Projeto da cortina atirantada no trecho B 122
..............................................
Figura AN-B3 – Projeto da cortina atirantada nos trechos C e D 123
....................................
Figura AN-B4 – Projeto da cortina atirantada nos trechos E e F 124
.....................................
Figura AN-B5 – Projeto da cortina atirantada no trecho G 125
..............................................
Figura AN-B6 – Projeto da cortina atirantada no trecho H 126
..............................................
Figura AN-B7 – Projeto da cortina atirantada nos trechos I e J 127
.......................................
Figura AN-B8 – Planta baixa Cortinasdo projeto estudo
Atirantadas: da cortina atirantada
de patologias e suas causas 128
........................................
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Principais tipos de obras de estabilização de taludes 33


.....................................
Tabela 2 – Estimativa de pesos específicos para solos arenosos 59
.....................................
Tabela 3 – Estimativa de pesos específicos para solos argilosos 59
.....................................
Tabela 4 – Parâmetros geotécnicos do trecho A 63
..............................................................
Tabela 5 – Parâmetros geotécnicos do trecho B 63
..............................................................
Tabela 6 – Parâmetros geotécnicos dos trechos C e D 64
.....................................................
Tabela 7 – Parâmetros geotécnicos dos trechos E e F 65
......................................................
Tabela 8 – Parâmetros geotécnicos do trecho G 65
..............................................................
Tabela 9 – Parâmetros geotécnicos do trecho H 66
..............................................................
Tabela 10 – Parâmetros geotécnicos dos trechos I e J 67
.....................................................
Tabela 11 – Análise da estabilidade dos trechos do terreno 70
.............................................
Tabela 12 – Dados do projeto da cortina atirantada 70
.........................................................
Tabela 13 – Fatores de segurança 71
....................................................................................
Tabela 14 – Tamanho da cortina sem ancoragem 72
............................................................
Tabela 15 – Deslocamentos máximos e tensões totais (nas direções
principais) no trecho A 75
..............................................................................................................
Tabela 16 – Deslocamentos máximos e tensões totais (nas direções
principais) no trecho B 77
..............................................................................................................
Tabela 17 – Deslocamentos máximos e tensões totais (nas direções
principais) nos trechos C e D 78
......................................................................................................
Tabela 18 – Deslocamentos máximos e tensões totais (nas direções
principais) nos trechos E e F 79
.......................................................................................................
Tabela 19 – Deslocamentos máximos e tensões totais (nas direções
principais) no trecho G 81
..............................................................................................................
Tabela 20 – Deslocamentos máximos e tensões totais (nas direções
principais) no trecho H 82
..............................................................................................................
Tabela 21 – Deslocamentos máximos e tensões totais (nas direções
principais) nos trechos I e J 83
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
.........................................................................................................
Tabela 22 – Parâmetros geotécnicos do trecho A variando o Nspt 84
..................................
Tabela 23 – Parâmetros geotécnicos do trecho B variando o Nspt 84
..................................
Tabela 24 – Parâmetros geotécnicos dos trechos C e D variando o Nspt 84
........................
Tabela 25 – Parâmetros geotécnicos dos trechos E e F variando o Nspt 85
.........................
Tabela 26 – Parâmetros geotécnicos do trecho G variando o Nspt 85
..................................
Tabela 27 – Parâmetros geotécnicos do trecho H variando o Nspt 85
..................................
Tabela 28 – Parâmetros geotécnicos dos trechos I e J variando o Nspt 85
...........................

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


Tabela 29 – Dados comparativos entre as três análises para o trecho A 86
..........................
Tabela 30 – Dados comparativos entre as três análises para o trecho B 86
..........................
Tabela 31 – Dados comparativos entre as três análises para os trechos C e D 87
................
Tabela 32 – Dados comparativos entre as três análises para os trechos E e F 87
.................
Tabela 33 – Dados comparativos entre as três análises para o trecho G 87
..........................
Tabela 34 – Dados comparativos entre as três análises para o trecho H 88
..........................
Tabela 35 – Dados comparativos entre as três análises para os trechos I e J 88
...................

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


LISTA DE SIGLAS

FS – Fator de segurança

N.A. – Nível da Água

Nspt – número de golpes médios obtidos através do

ensaio SPT Nspt60 – número de golpes do ensaio SPT

corrigidos

SPT – Standard Penetration Test

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


LISTA DE SÍMBOLOS

ø’ = ângulo de atrito efetivo

(graus) Ka = coeficiente de

empuxo ativo Ea = empuxo

ativo (kPa)

Kp = coeficiente de empuxo

passivo Ep = empuxo passivo

(kPa)

γ = peso específico do solo (kN/m3)

H = altura da parede de solo

(m) c’ = coesão efetiva do

solo (kPa)

Su = resistência não drenada

(kN/m2) W = peso da fatia de

solo (kN)

u = peso especifico da água

(kN/m³) σ'h = tensão horizontal

efetiva (kPa) σ'v = tensão

vertical efetiva (kPa)

q = sobrecarga (kPa)

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 17
...........................................................................................................
2 DIRETRIZES DA PESQUISA 18
..................................................................................
2.1 QUESTÃO DE PESQUISA 18
.......................................................................................
2.2 OBJETIVOS DA PESQUISA 18
...................................................................................
2.2.1 Objetivo principal 18
.................................................................................................
2.2.2 Objetivo secundário 18
..............................................................................................
2.3 PRESSUPOSTO 18
.........................................................................................................
2.4 DELIMITAÇÃO 19
........................................................................................................
2.5 LIMITAÇÕES 19
............................................................................................................
2.6 DELINEAMENTO 19
....................................................................................................
3 ESTABILIDADE DE TALUDES 21
..............................................................................
3.1 FATORES CONDICIONANTES E CAUSAS 21
..........................................................
3.2 PROCESSOS DE INSTABILIZAÇÕES 22
...................................................................
3.3 MOVIMENTOS DE MASSAS 22
.................................................................................
3.3.1 Quanto à forma ou tipo de movimento 23
................................................................
3.3.1.1 Rastejos 23
................................................................................................................
3.3.1.2 Escorregamentos 24
..................................................................................................
3.3.1.3 Quedas 26
..................................................................................................................
3.3.1.4 Corridas 26
................................................................................................................
3.3.2 Quanto ao amolgamento do solo 27
..........................................................................
3.3.3 Quanto às condições de drenagem 27
.......................................................................
3.4 SUPERFÍCIES DE RUPTURA 28
.................................................................................
3.5 MÉTODOS DE ANÁLISE DA ESTABILIDADE DE TALUDES .......................... 29
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas 29
3.5.1 Método de Morgenstern Price
..............................................................................
SUMÁRIO
3.5.2 Método de Bishop Simplificado 30
...........................................................................
3.6 OBRAS DE ESTABILIZAÇÃO 32
................................................................................
4 ESTRUTURAS DE CONTENÇÃO 34
..........................................................................
4.1 HISTÓRICO 34
...............................................................................................................
4.2 CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DA ESTRUTURA A SER UTILIZADA .......... 35
4.3 TIPOS DE ESTRUTURAS DE CONTENÇÃO 35
........................................................
4.3.1 Muros 35
......................................................................................................................
4.3.1.1 Muros de gravidade 36
..............................................................................................
4.3.1.2 Muros atirantados 36
.................................................................................................

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


4.3.1.3 Muros de flexão 36
....................................................................................................
4.3.1.4 Muros mistos 37
........................................................................................................
4.3.1.5 Muros de contraforte 37
............................................................................................
4.3.1.6 Muros de gabião 37
...................................................................................................
4.3.1.7 Crib Wall 37
..............................................................................................................
4.3.2 Escoramentos 38
.........................................................................................................
4.3.3 Reforços no terreno 38
...............................................................................................
4.3.4 Cortinas 39
..................................................................................................................
5 CORTINAS ATIRANTADAS 40
...................................................................................
5.1 TIRANTES 40
.................................................................................................................
5.1.1 Partes dos tirantes 40
.................................................................................................
5.1.1.1 Cabeça 40
..................................................................................................................
5.1.1.2 Trecho ancorado 41
...................................................................................................
5.1.1.3 Trecho livre 41
..........................................................................................................
5.1.2 Tipos de tirantes 42
....................................................................................................
5.1.2.1 Vida útil 42
................................................................................................................
5.1.2.2 Forma de trabalho 42
.................................................................................................
5.1.2.3 Constituição 42
..........................................................................................................
5.1.2.4 Injeção 43
..................................................................................................................
5.1.3 Inclinação dos tirantes 44
..........................................................................................
5.1.4 Comprimento dos tirantes 44
....................................................................................
5.2 CORTINA DE CONCRETO ARMADO 45
..................................................................
5.3 ESTIMATIVA DE RUPTURA E FALHAS 46
.............................................................
5.4 SEQUÊNCIA EXECUTIVA 47
.....................................................................................
Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas 49
6 INVESTIGAÇÃO GEOTÉCNICA ...........................................................................
6.1 ENSAIO SPT 49
.............................................................................................................
6.1.1 Equipamentos 49
........................................................................................................
6.1.1.1 Amostrador 49
...........................................................................................................
6.1.1.2 Hastes 50
...................................................................................................................
6.1.1.3 Martelo 50
.................................................................................................................
6.1.1.4 Tripé de sondagem 50
...............................................................................................
6.1.1.5 Cabeça de bater 50
....................................................................................................
6.1.1.6 Sistema de perfuração 50
..........................................................................................
6.1.2 Procedimento de ensaio 51
........................................................................................
6.1.2.1 Execução do ensaio 51
..............................................................................................

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


6.1.2.2 Perfuração 51
.............................................................................................................
6.1.2.3 Elevação e liberação do martelo 52
...........................................................................
6.1.3 Apresentação dos resultados 52
................................................................................
6.2 TEORIA DE EMPUXO DE RANKINE 53
....................................................................
6.3 ESTIMATIVA DOS PARÂMETROS DO SOLO 57
....................................................
7 CASO 60
............................................................................................................................
7.1 GEOLOGIA LOCAL 61
.................................................................................................
7.2 INVESTIGAÇÃO GEOTÉCNICA 62
............................................................................
7.3 ANÁLISE DE ESTABILIDADE 67
...............................................................................
7.4 PROJETO 70
...................................................................................................................
7.4.1 Caso 1 71
.....................................................................................................................
7.4.2 Caso 2 72
.....................................................................................................................
7.4.3 Caso 3 73
.....................................................................................................................
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS 89
.....................................................................................
REFERÊNCIAS 91
...............................................................................................................
APÊNDICE A – Empuxos atuantes na estrutura 93
.............................................................
ANEXO A – Resultados da sondagem SPT 101
.....................................................................
ANEXO B – Projetos das cortinas atirantadas 120
.................................................................

Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas


Cortinas Atirantadas: estudo de patologias e suas causas
17

1 INTRODUÇÃO

O aumento expressivo do número de carros circulando nas estradas tem levado as


construtoras a realizarem suas obras buscando obter o maior número de vagas de
garagem possível. Esse fator tem levado a construção de edificações com cada vez
mais níveis de subsolos.

Retirando toda essa camada de solo para a realização do subsolo, os esforços


gerados pelas paredes escavadas (empuxos) são muito grandes, sendo assim
necessária a implantação de uma solução para impedir que esses esforços gerem
problemas de estabilidade no solo. Nesse caso, são construídas estruturas de
contenção para absorver esses esforços.

Existem vários tipos de estruturas de contenção. Em obras de Engenharia Civil, em


que se busca uma solução adequada e ao mesmo tempo uma otimização do espaço
do terreno, obtendo mais área útil e consequentemente mais valor de mercado, uma
das melhores soluções é o uso de cortinas atirantadas (MORE, 2003).

Cortinas atirantadas consistem na execução de uma parede de contenção, que pode


ser de concreto projetado, armado ou estrutura metálica com o uso de tirantes. Sua
aplicação é recomendada para cortes em terrenos com grandes cargas ou em solos
que apresentam pouca estabilidade. A instalação dos tirantes é feita em quatro
etapas: perfuração, instalação dos tirantes, injeção do cimento e protensão dos
tirantes.

Segundo More (2003, p. 19):

Um grande avanço da técnica de ancoragem no Brasil ocorreu


no final da década de 1960, após as chuvas de grande
intensidade ocorridas na cidade do Rio de Janeiro em 1966 e
1967 e que deram oportunidade de aplicação de ancoragens
em diversas obras de contenção de encostas na cidade e em
estradas próximas.

Graças a esse avanço, cortinas atirantadas é uma técnica muito usual no Brasil.

Neste trabalho, será feito um estudo de uma cortina atirantada construída em uma
Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis
18
obra em Florianópolis, SC, Brasil.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


19

2 DIRETRIZES DA PESQUISA

Nos itens apresentados a seguir são descritas as diretrizes de pesquisa,


subdivididas em questão de pesquisa e objetivos principal e secundário.

QUESTÃO DE PESQUISA

A questão de pesquisa do trabalho foi: o projeto inicial da cortina atirantada foi bem
dimensionado para absorver os empuxos gerados a partir da escavação do terreno?

OBJETIVOS DA PESQUISA

Os objetivos da pesquisa estão classificados em principal e secundário e são descritas


nos próximos itens.

Objetivo principal

O objetivo principal do trabalho foi a verificação do projeto inicial de uma cortina


atirantada, caso da obra realizada em Florianópolis, SC, Brasil.

Objetivo secundário

Os objetivos secundários do trabalho são as apresentações dos projetos:

a) somente da cortina, com as dimensões originais, sem o uso de tirantes;


b) somente da cortina, com as dimensões necessárias para evitar o uso de
tirantes.

PRESSUPOSTO

São pressupostos do trabalho que:

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


20

a) as especificações contidas na NBR 5629/ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA


DE NORMAS TÉCNICAS, 20061 são válidas para o dimensionamento
e execução de tirantes ancorados no terreno;
b) as especificações contidas na NBR 6122/ ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
DE NORMAS TÉCNICAS, 20102 são válidas para a determinação dos
parâmetros geotécnicos do terreno;
c) o projeto inicial da cortina atirantada foi bem dimensionado;
d) a estabilidade global da estrutura é mantida enquanto não houver ruína.

DELIMITAÇÃO

O trabalho delimitou-se ao cálculo de cortinas atirantadas executadas em um subsolo


de uma edificação em Florianópolis, SC, Brasil.

LIMITAÇÕES

São limitações do trabalho:

a) somente a avaliação geotécnica da estrutura;


b) o cálculo do empuxo através da teoria de Rankine;
c) a validade dos resultados a partir dos modelos e dos softwares utilizados.

DELINEAMENTO

O trabalho foi realizado através das etapas apresentadas a seguir, que estão
representadas na figura 1, e são descritas nos próximos parágrafos:

a) pesquisa bibliográfica;
b) determinação dos parâmetros geotécnicos do local da obra;
c) determinação dos empuxos atuantes na estrutura;
d) apresentação dos cálculos do projeto somente da cortina, com as
dimensões originais, sem o uso de tirantes;

1 Esta Norma consta nas referências bibliográficas.


2 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR-6122: projeto e
execução de fundações. Rio de Janeiro, 2010.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


21

e) apresentação dos cálculos do projeto somente da cortina, com as


dimensões necessárias para evitar o uso de tirantes;
f) apresentação dos cálculos da cortina atirantada conforme projeto inicial;
g) considerações finais.

Figura 1 – Diagrama das etapas do trabalho

(fonte: elaborado pelo autor)

A partir da definição do tema do trabalho, iniciou-se a pesquisa bibliográfica sobre o


assunto, buscando aprimorar o conhecimento a respeito do tema escolhido. A
pesquisa se deu ao longo de toda a execução do trabalho.

Em seguida, foram determinados os parâmetros geotécnicos do local estudado,


através de ensaios SPT (Standard Penetration Test) e suas correlações. Com a
obtenção dos parâmetros, foi possível determinar os empuxos atuantes na estrutura.

Posteriormente, foram calculadas as três situações de projeto: somente da cortina,


com as dimensões originais, sem o uso de tirantes; somente da cortina, com as
dimensões necessárias para evitar o uso de tirantes; cortina atirantada conforme o
projeto inicial.
Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
22

Por fim, foram feitas as considerações finais com base nos resultados dos cálculos já
citados.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


23

3 ESTABILIDADE DE TALUDES

Augusto Filho e Virgili (1998, p. 243) definem taludes como “[...] superfícies
inclinadas de maciços terrosos, rochosos ou mistos (solo e rocha), originados de
processos geológicos e geomorfológicos diversos.”. Ainda segundo os mesmos
autores, devido a ação do homem, podem sofrer alterações, tais como: cortes,
desmatamentos, introdução de cargas, etc. Caputo (1987) complementa que eles
podem ser naturais (encostas) ou artificiais (taludes de corte e aterro).

Os primeiros estudos sobre estabilidade de taludes foram realizados há mais de


2000 anos, em países como Japão e China. Com o avanço das grandes obras civis
modernas, a análise e o controle de instabilizações de taludes está cada vez mais
desenvolvida. (AUGUSTO FILHO; VIRGILI, 1998).

Atualmente, segundo Augusto Filho e Virgili (1998), três grandes áreas de aplicação
estão relacionadas ao estudo e controle da estabilidade de taludes:

a) construção e recuperação de grandes obras civis (rodovias, ferrovias,


barragens, etc.);
b) exploração mineral;
c) consolidação de ocupações urbanas em áreas de encostas.

FATORES CONDICIONANTES E CAUSAS

Augusto Filho e Virgili (1998, p. 246) apontam os principais fatores condicionantes


como:

a) características climáticas, com destaque para o regime


pluviométrico;

b) características e distribuição dos materiais que compõem o


substrato das encostas/taludes, abrangendo solos, rochas,
depósitos e estruturas geológicas (xistosidade, fraturas,
etc.);

c) características geomorfológicas, com destaque para


inclinação, amplitude e forma do perfil das encostas
(retilíneo, convexo e côncavo);

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


24
d) regime das aguas de superfície e subsuperfície;

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


25

e) características de uso e ocupação, incluindo cobertura


vegetal e as diferentes formas de intervenção antrópica das
encostas, como cortes, aterros, concentração de agua
pluvial e servida, etc.

Os autores supracitados ainda afirmam que atuam mais de um fator condicionante


na maioria dos casos de instabilização de encostas.

Segundo Terzaghi3 (1952 apud FIAMONCINI, 2009, p. 23), as causas são divididas
em:

a) causas internas – são as que atuam reduzindo a resistência


interna do material constituinte do talude, sem que haja
mudança no aspecto geométrico (aumento da pressão
hidrostática, diminuição de coesão e ângulo de atrito interno
por processo de alteração);

b) causas externas – são provocadas pelo aumento das


tensões de cisalhamento, sem que haja a diminuição da
resistência que igualando ou superando a resistência
intrínseca do solo, levam o maciço a condição de ruptura
(aumento do declive do talude por processos naturais ou
artificiais de decomposição de material na porção superior
do talude, abalos sísmicos e vibrações);

c) causas intermediárias – são as que causam os efeitos de


agente externos, no interior do talude (liquefação
espontânea, rebaixamento rápido e erosão regressiva –
piping).

PROCESSOS DE INSTABILIZAÇÕES

Segundo Augusto Filho e Virgili (1998), existem alguns fatores que podem
instabilizar um talude, tais como:

a) movimentos de massa;
b) erosão;
c) desagregação superficial;
d) alivio de tensões;
e) etc.

MOVIMENTOS DE MASSAS
Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
26

Segundo Augusto Filho e Virgili (1998, p. 245), as classificações dos movimentos de


massas baseiam-se nas combinações dos seguintes critérios:

3 TERZAGHI, K. Mecanismos de Escorregamentos de Terra. Mechanism of


Landslides. Tradução de E. Pichler. Departamento de Livros e Publicações do
Grêmio Politécnico, São Paulo, 1952.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


27

a) velocidade, direção e recorrência dos deslocamentos;

b) natureza do material instabilizado, solo, rocha, detritos,


depósitos, etc. sua textura, estrutura e conteúdo d’agua;

c) geometria das massas movimentadas;

d) modalidade de deformação do movimento.

Os movimentos de massa podem ser classificados em três tipos segundo a

Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro 4 (2000 apud


FIAMONCINI, 2009, p. 20) conforme:

a) a forma ou tipo de movimento;


b) ao amolgamento do solo;
c) às condições de drenagem.

Quanto à forma ou tipo de movimento

Segundo Infanti Junior e Fornasari Filho (1998), divide-se em:

a) rastejos;
b) escorregamentos;
c) quedas;
d) corridas.

Rastejos

Rastejos são movimentos lentos e contínuos de camadas superficiais sobre


camadas mais profundas, com limites, na maioria dos casos, indefinidos. A
movimentação é provocada pela ação da gravidade. Sua velocidade é muito lenta
(em geral não supera trinta centímetros em dez anos) e decresce com a
profundidade. É identificada pela curvatura dos troncos de árvores, inclinação de
postes, degraus no talude, presença de fendas no solo, etc. Com o tempo, podem
evoluir para escorregamento. (INFANTI JUNIOR; FORNASARI FILHO, 1998;
CAPUTO, 1987; GUIDICINI; NIEBLE, 1984)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


28

4 FUNDAÇÃO INSTITUTO DE GEOTÉCNICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO.


Manual técnico de
encostas: ancoragens e grampos. 2. ed. Rio de Janeiro, 2000. v. 4.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


29

Escorregamentos

Segundo Infanti Junior e Fornasari Filho (1998), Caputo (1987) e Guidicini e Nieble
(1984), escorregamentos são deslocamentos rápidos, de duração relativamente
curta, de uma massa de solo ou rocha que, rompendo-se do maciço, desloca-se
para baixo e para fora do talude, ao longo de uma ‘superfície de deslizamento’. Com
relação a superfície de deslizamento, pode ser considerada:

a) escorregamento superficial: superfície de deslizamento passa acima ou


pelo pé do talude;
b) escorregamento profundo: superfície de deslizamento passa por um
ponto afastado do pé do talude.

Segundo Guidicini e Nieble (1984, p. 28), “a velocidade do avanço de um


escorregamento cresce mais ou menos rapidamente, de quase zero a pelo menos
0,30 metros por hora. Velocidades maiores, da ordem de alguns metros por
segundo, podem ser atingidas.”. Ainda segundo os autores supracitados, “A
velocidade máxima do movimento depende da inclinação da superfície de
escorregamento, da causa inicial de movimentação e da natureza do terreno.”.

Causas de um escorregamento geralmente são causadas, segundo Caputo (1987, p.


384), pelo “[..]aumento de peso do talude (incluindo as cargas aplicadas) e a
diminuição da resistência ao cisalhamento do material. As primeiras classificam-se
como externas e as segundas, como internas.”.

Segundo Infanti Junior e Fornasari Filho (1998), escorregamentos possuem


geometria variável, podendo ser:

a) planares: solos poucos espessos, solos e rochas com um plano de


fraqueza (figura 2);
b) circulares: solos espessos homogêneos e rochas ,muito fraturadas (figura
3);
c) em cunha: solos e rochas com dois planos de fraqueza (figura 4).

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


30

Figura 2 – Escorregamento planar

(fonte: UNIVERSISADE ESTADUAL


PAULISTA5)

Figura 3 – Escorregamento circular

(fonte: UNIVERSISADE ESTADUAL


PAULISTA6)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


31

5 Disponível em: http://www.rc.unesp.br/igce/aplicada/ead/interacao/inter09b.html;.


Acesso em out. 2015.
6 Disponível em: http://www.rc.unesp.br/igce/aplicada/ead/interacao/inter09c.html;.
Acesso em out. 2015.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


32

Figura 4 – Escorregamento em cunha

(fonte: UNIVERSISADE ESTADUAL


PAULISTA7)

Quedas

Segundo Caputo (1987, p. 382), queda “é uma porção de um maciço terroso ou de


fragmentos de rocha que se destaca do resto do maciço, caindo livre e rapidamente,
acumulando-se onde estaciona.”. O mesmo autor supracitado afirma que se trata de
um fenômeno localizado. Infanti Junior e Fornasari Filho (1998) salientam que o
material envolvido na queda possui pequeno a médio volume e sua geometria é
variável.

Corridas

Guidicini e Nieble (1984, p. 21) definem corridas como “[...] formas rápidas de
escoamento, de caráter essencialmente hidrodinâmico, ocasionados pela perda de
atrito interno, em virtude da destruição da estrutura, em presença de excesso de
água.”.

Segundo Infanti Junior e Fornasari Filho (1998), corridas se caracterizam pelas


muitas superfícies de deslocamentos (internas e externas à massa em
movimentação), pelas velocidades de médias a altas, pelo grande volume de

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


33
material envolvido e também pelo extenso raio de alcance, mesmo em áreas planas.
Os autores supracitados ainda diferenciam corridas em 3 tipos:

7 Disponível em: http://www.rc.unesp.br/igce/aplicada/ead/interacao/inter09d.html;.


Acesso em out. 2015.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


34

a) corrida de lama (mud flow): solo com alto teor de água;


b) corrida de terra (earth flow): solo com teor menor de água;
c) corrida de detritos (debris flow): material predominantemente grosseiro,
envolvendo fragmentos de rochas de vários tamanhos.

Quanto ao amolgamento do solo

Segundo a Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro8 (2000


apud FIAMONCINI, 2009, p. 21), divide-se em:

a) escorregamentos virgens: ocorrem em geral em material indeformado


com parâmetros de resistência associados à condição de pico da
curva tensão- deformação;
b) escorregamentos reativados: ocorrem com material amolgado, em
superfícies preexistentes, que sofreram escorregamentos anteriores. A
resistência do material tende para a condição residual.

Quanto às condições de drenagem

Segundo a Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro9 (2000


apud FIAMONCINI, 2009, p. 22), divide-se em:

a) condições drenadas (longo prazo): poropressão associada a fluxo


permanente no material. Dissipação total das poropressões geradas
pelo cisalhamento;
b) condições parcialmente drenadas (prazo intermediário): parte da
poropressão gerada pelo cisalhamento é dissipada;
c) condições não drenantes (curto prazo): matérias com baixo valor de
coeficiente de adensamento. Geração de excesso de poropressão
associados ao cisalhamento do material.

SUPERFÍCIES DE RUPTURA

Segundo Guidicini e Nieble (1984), a forma da superfície de ruptura do talude


depende de alguns fatores, entre eles:

8 FUNDAÇÃO INSTITUTO DE GEOTÉCNICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO.


Manual técnico de
encostas: ancoragens e grampos. 2. ed. Rio de Janeiro, 2000. v. 4.
Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis
35
9 op. cit.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


36

a) geometria do problema;
b) estratigrafia;
c) características dos matéria envolvidos.

Ainda segundo os autores supracitados, existem três tipos de superfície de ruptura:

a) superfície de ruptura plana (figura 5);


b) superfície de ruptura circular (figura 6);
c) superfície de ruptura qualquer.

Figura 5 – Superfície de ruptura plana

(fonte: HOEK; BRAY10, 1974 apud FIAMONCINI,


2009, p. 26)

Figura 6 – Superfície de ruptura circular

(fonte: HOEK; BRAY11, 1974 apud FIAMONCINI,


2009, p. 26)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


37

10 HOEK, E.; BRAY, J. W. Rock Slope Engineering. 1.ed. Londres: IMM, 1974.
11 op. cit.

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38

MÉTODOS DE ANÁLISE DA ESTABILIDADE DE TALUDES

Os métodos de análise de estabilidade visam identificar o potencial de ruptura,


atribuindo fatores de segurança para cada caso analisado. Segundo Guidicini e
Nieble (1984), existem algumas formas de análise de estabilidade de taludes, entre
elas os modelos matemáticos e o método de equilíbrio-limite.

Ainda segundo Guidicini e Nieble (1984, p. 117):

A análise baseada no método de equilíbrio-limite é a mais


utilizada atualmente, justamente porque a análise não deve ser
mais complexa que o nível de conhecimento do próprio talude.
Devido ao fato de existirem geralmente muitas variáveis e
hipóteses envolvidas, estas devem ser mantidas as mais
simples possíveis, principalmente quanto aos elementos
geométricos, geológico-geotécnicos e hidrológicos envolvidos,
embora em nenhum caso se devam simplificar as hipóteses
quanto à superfície potencial de ruptura considerada.

A análise de equilíbrio-limite considera que as forças que


tendem a induzir a ruptura são ‘exatamente’ balanceadas pelos
esforços resistentes. A fim de comparar a estabilidade de
taludes em condições diferentes de equilíbrio-limite, define-se o
fator de segurança (FS) como a relação entre a resultante das
forças solicitantes e resistentes ao escorregamento.

Método de Morgenstern Price

Segundo Fiamoncini (2009, p. 29), “o método de Morgenstern Price é um método


rigoroso de análise de estabilidade de taludes, que admite superfície de ruptura
qualquer e satisfaz todas as condições de equilíbrio estático.”.

“Nesse método, a massa potencialmente instável é dividida em fatias infinitesimais e


se faz necessário o uso de ferramenta computacional para execução dos cálculos.”
(FIAMONCINI, 2009, p. 28).

A figura 7 apresenta todas as forças consideradas pelo método.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


39

Figura 7 – Forças atuantes em uma fatia pelo método Morgenstern

Price
(fonte: PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE
CATÓLICA - RJ12)

Método de Bishop Simplificado

Segundo Fiamoncini (2009, p. 29), “este método considera a superfície de ruptura de


forma circular e a resultante das forças entre as fatias é horizontal. O equilíbrio das
forças é feito na vertical o que faz com que o método além de satisfazer o equilíbrio
de momentos, satisfaça a mais uma condição de equilíbrio, o equilíbrio das forças
verticais.”.

A figura 8 apresenta todas as forças consideradas pelo método.

12
Disponível em: http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/8888/8888_3.PDF;. Acesso em out. 2015.

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40

12
Disponível em: http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/8888/8888_3.PDF;. Acesso em out. 2015.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


41

Figura 8 – Forças atuantes em uma fatia pelo método Bishop


Simplificado

(fonte: PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE


CATÓLICA - RJ13)

Trata-se de um método iterativo, que apresenta a seguinte fórmula:

(fórmula 1)

Onde:

(fórmula 2)

13
Disponível em: http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/8888/8888_3.PDF;. Acesso em out. 2015.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


42

13
Disponível em: http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/8888/8888_3.PDF;. Acesso em out. 2015.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


43

Onde:
= fator de
segurança; = peso
da fatia;
= ângulo formado entre a força peso e a força normal
da fatia; = coesão efetiva do solo;
= largura da fatia;
= poropressão media na base da
fatia; = ângulo de atrito efetivo do
solo.

OBRAS DE ESTABILIZAÇÃO

Segundo Augusto Filho e Virgili (1998, p. 264) “o geólogo de engenharia deve ter
conhecimento dos seu principais tipos [obras de estabilização], de sua forma de
atuação e das solicitações que impõem ao terreno, a fim de, conjuntamente com o
engenheiro geotécnico, escolher a melhor solução técnico-econômica [...].”. Ainda
segundo o autor supracitado, “o principal aspecto de um projeto de estabilização
moderno refere-se à escolha da solução mais adequada, dentro de uma relação de
custo/benefício otimizada.”.

A obra de estabilização “deverá atuar diretamente nos agentes e causas da


instabilização investigada, e as alternativas do projeto deverão sempre partir das
soluções mais simples e baratas.” (AUGUSTO FILHO; VIRGILI, 1998, p. 264).

A tabela 1 apresenta os principais grupos e tipos de obras de estabilização de taludes.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


44

Tabela 1 – Principais tipos de obras de estabilização de taludes

(fonte: CARVALHO14, 1991 apud AUGUSTO FILHO; VIRGILI,


1998, p. 264)

Ainda segundo Augusto Filho e Virgili (1998, p. 264), as obras com estruturas de
contenção podem ser classificadas em:

a) obras de contenção passivas: oferecem reação contra


tendências de movimentação dos taludes, por exemplo,
muros de arrimo (gravidade, flexão, etc.), cortinas cravadas
(estacas, pranchas, etc.) e cortinas ou muros ancorados
sem protensão;

b) obras de contenção ativas: introduzem compressão no


terreno, aumentando sua resistência por atrito, além de
oferecer reações as tendências de movimentação do talude,
por exemplo =, muros e cortinas atirantadas, placas
atirantadas, etc.;

c) obras de reforço de maciço: aumentam a resistência media


ao cisalhamento de certas porções do maciço, por exemplo,
injeções de cimento e resinas químicas, estacas e micro-
estacas de concreto, etc.

Ainda segundo os autores supracitados, executam-se diversos tipos de obras de


estabilização combinadas, na maioria dos casos.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


45

14 CARVALHO, P. A. S. Taludes de rodovias: orientação para diagnósticos e


soluções de seus problemas. São Carlos: IPT, 1991.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


46

4 ESTRUTURAS DE CONTENÇÃO

Este capítulo visa apresentar como surgiram as primeiras estruturas de contenção e


também mostrar os principais tipos e suas características. Segundo Ranzini e Negro
Junior (1998), estruturas de contenção são executadas para impedir os
deslocamentos do solo em contato com a estrutura. Se caracterizam por
apresentarem uma rigidez diferente daquela do solo que conterá.

Estrutura de contenção é “[...] destinada a contrapor-se a empuxos ou tensões


geradas em maciço cuja condição de equilíbrio foi alterada por algum tipo de
escavação, corte ou aterro.” (RANZINI; NEGRO JUNIOR, 1998, p. 497).

HISTÓRICO

Os registros indicam que, entre os anos de 3200 e 2800 a.C., na região sul da
Mesopotâmia (atualmente Iraque), foram construídas as primeiras estruturas de
contenção. Essas estruturas eram simplesmente muros com alvenaria de argila
contendo aterros (RANZINI; NEGRO JUNIOR, 1998).

Ainda segundo os mesmos autores supracitados, o grande desenvolvimento foi


motivado, no século 16, pela expansão colonizadora europeia, que necessitava a
construção de fortificações militares e estruturas de defesa em quase todos os seus
territórios conquistados. Esse crescimento levou aos estudos dessas estruturas de
contenção e em 1776, Coulomb publicou um trabalho que é usado até hoje para o
dimensionamento desse tipo de estrutura.

No Brasil, as primeiras estruturas construídas foram fortes costeiros, no século 18.


No século seguinte, com a chegada da família portuguesa, começaram a ser
realizadas estruturas de contenção em obras urbanas e portuárias. Mais tarde, ainda
no século 19, devido ao grande investimento em obras ferroviárias particulares,
essas estruturas passaram a serem conhecidas por todo o país (RANZINI; NEGRO
JUNIOR, 1998).

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


47

CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DA ESTRUTURA A SER UTILIZADA

Saes et al. (1998) indicam que a escolha da estrutura de contenção a ser utilizada
não depende apenas de fatores técnicos ou econômicos, mas também de fatores
externos, como por exemplo, no uso de tirantes, deve haver a aprovação dos
vizinhos para a execução dos mesmos. Devido a esse fator, em alguns casos a
solução mais adequada técnica e economicamente não pode ser adotada.

Ainda segundo Saes et al. (1998), o desempenho de cada opção depende de alguns
fatores, que acabam tornando a escolha da estrutura de contenção um processo
mais complexo:

a) características do solo;
b) condições do N.A.;
c) espaço do terreno para sua implantação;
d) condições das construções vizinhas.

TIPOS DE ESTRUTURAS DE CONTENÇÃO

Segundo Ranzini e Negro Junior (1998) as estruturas de contenção se dividem da


seguinte forma:

a) muros;
b) escoramentos;
c) reforços de solo;
d) cortinas.

A seguir, será exemplificado cada um dos tipos de estruturas de contenção.

Muros

Ranzini e Negro Junior (1998, p. 503) define muros como “[...] estruturas corridas de
contenção constituídas de parede vertical ou quase vertical apoiada numa fundação
rasa ou profunda. Podem ser construídos em alvenaria (de tijolos ou pedras) ou em
concreto (simples ou armado) ou ainda, de elementos especiais.”. Divide- se em:

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


48

a) muros de gravidade;
b) muros atirantados;
c) muros de flexão;
d) muros mistos;
e) muros de contraforte;
f) muros de gabião;
g) crib wall.

Muros de gravidade

São estruturas corridas, com grande volume que usa seu peso próprio para se opor
aos empuxos horizontais. São usadas para conter desníveis médios ou pequenos,
inferiores a cinco metros de altura. São construídos quando se tem espaço no
terreno, pois a largura da base é aproximadamente 40% da sua altura e também
quando o terreno apresenta uma boa capacidade de carga, devido ao seu peso
(RANZINI; NEGRO JUNIOR, 1998).

Muros atirantados

Segundo Ranzini e Negro Junior (1998, p. 503):

Muros atirantados são estruturas mistas em concreto e


alvenaria de blocos de concreto ou tijolos, com barras quase
horizontais, contidas em planos verticais perpendiculares ao
paramento do muro, funcionando como tirantes [...]. São
construções de baixo custo utilizadas para alturas até cerca de
3 m.

Muros de flexão

Ranzini e Negro Junior (1998, p. 503) definem muros de flexão como “[...] estruturas
mais esbeltas, com seção transversal em forma de ‘L’ que resistem aos empuxos por
flexão, utilizando parte do peso próprio do maciço arrimado, que se apoia sobre a
base do ‘L’, para manter-se em equilíbrio.”. Como usualmente são construídas de
concreto armado, normalmente é usada até cinco metros de altura por fatores
econômicos. Assim como o muro de gravidade, a largura da base corresponde a
aproximadamente 40% de sua altura.
Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
49

Muros mistos

Muros mistos são estruturas que funcionam pelo tanto pelo peso próprio quanto pela
flexão. A largura da base também corresponde a aproximadamente 40% da sua
altura (RANZINI; NEGRO JUNIOR, 1998).

Muros de contrafortes

São muros similares aos muros de flexão, porem possuem elementos verticais de
maior porte, denominados contrafortes. Esses contrafortes são espaçados ao longo
do muro para suportar os esforços de flexão causados pelo engastamento da
fundação. Seu equilíbrio externo é através do peso próprio do maciço arrimado que
se apoia sobre a fundação. A largura da fundação é, em média, 40% da altura a ser
arrimada (RANZINI; NEGRO JUNIOR, 1998).

Muros de gabião

Segundo Ranzini e Negro Junior (1998, p. 504) muros de gabião “[...] são muros de
gravidade construídos pela superposição de ‘gaiolões’ de malhas de arame
galvanizado cheios com pedras cujos diâmetros mínimos devem ser superiores à
abertura de malha das gaiolas.”. Ainda segundo os autores supracitados, suas
principais características são a permeabilidade e a flexibilidade, que faz com que o
muro de gabião se ajeite ao terreno conforme haja recalque diferencial.

Segundo Ranzini e Negro Junior (1998, p. 504), “[Muros de gabião] São construídos
posicionando-se os gabiões no local em que deverão ficar, enchendo-os com pedras
de mão para formar as sucessivas fiadas que formarão um arrimo de gravidade.”.

Crib wall

Ranzini e Negro Junior (1998) indicam que crib wall “[...] são estruturas formadas por
elementos pré-moldados de concreto armado ou de madeira ou aço, que são
montados no local, em forma de ‘fogueiras’ justapostas e interligadas
longitudinalmente, cujo espaço interno é cheio de preferência com material granular
graúdo.”.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


50

Escoramentos

Segundo Ranzini e Negro Junior (1998), escoramentos são estruturas de contenção


provisórias que compõem-se dos seguintes elementos:

a) paredes;
b) longarinas;
c) estroncas;
d) tirantes.

Parede “[...] é a parte em contato direto com o solo a ser contido. E, mais
comumente, vertical e formada por materiais como madeira, aço ou concreto.
Quando formada por pranchas de madeira, pode ser continua ou descontinua [...]”
(RANZINI; NEGRO JUNIOR, 1998, p. 505).

Ainda segundo Ranzini e Negro Junior (1998, p. 506), “Longarina é um elemento


linear, longitudinal, em que a parede se apoia. Em geral é disposta horizontalmente
e pode ser constituída de vigas de madeira, aço ou concreto armado.”.

Estroncas ou escoras “[...] são elementos de apoio das longarinas. Dispõem-se,


portanto, no plano horizontal das longarinas, sendo perpendiculares às mesmas.
Podem ser constituídas de barras de madeira ou aço.” (RANZINI; NEGRO JUNIOR,
1998, p. 506).

Segundo Ranzini e Negro Junior (1998, p. 506), “Tirantes são elementos lineares
introduzidos no maciço contido e ancorados em profundidade por meio de um trecho
alargado, denominado bulbo. Trabalhando a tração, podem suportar as longarinas
no lugar das estroncas, quando essa solução for mais adequada ou econômica.”.

Reforços no terreno

Ranzini e Negro Junior (1998) indicam que nesse caso de contenção, procura-se
aumentar a resistência do solo adicionando um ou mais elementos. Com isso, o solo
pode resistir às tensões geradas por um grande desnível. Divide-se em:

a) solo reforçado;
b) terra armada;
Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
51
c) solo grampeado.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


52

Cortinas

Cortinas são estruturas de contenção planas cuja estabilidade é garantida em parte


pelo empuxo passivo mobilizado ao longo de um trecho embutido no solo (ficha) e
em parte por elementos de sustentação funcionado a tração (tirantes) ou a
compressão (estroncas). Se caracterizam por apresentar uma pequena
deslocabilidade (RANZINI; NEGRO JUNIOR, 1998).

São classificadas em:

a) não-ancoradas;
b) ancoradas;
c) estroncadas.

Segundo os autores supracitados, são executadas quando não há espaço disponível


para construir a fundação de um muro convencional ou quando não é possível
assegurar a estabilidade de alguma escavação adjacente durante a construção.

Os tipos mais utilizados são:

f) cortinas de estacas-prancha metálicas;


g) cortinas de perfis metálicos preenchidos com placas de concreto
armado ou pranchas de madeira;
h) cortinas de concreto armado;
i) cortinas de estacas justapostas;
j) paredes diafragma.

Elas ainda podem ser classificadas como rígidas ou flexíveis. Conforme Ranzini e
Negro Junior (1998, p. 509):

[...] cortina ou parede é flexível quando seus deslocamentos,


por flexão, são suficientes para influenciar significativamente a
distribuição de tensões aplicadas pelo maciço. Rígidas são
cortinas cujas deformações podem ser desprezadas. Entre os
extremos mencionados só um cálculo de verificação pode
realmente estabelecer se a rigidez de uma cortina é tal que
seus deslocamentos por flexão possam ser desprezados ou
não.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


53

5 CORTINAS ATIRANTADAS

Este capítulo visa apresentar o sistema de contenção a ser estudado, mostrando


seus elementos e seu processo construtivo.

TIRANTES

Segundo More (2003) em uma cortina atirantada, os tirantes devem equilibrar as forças
horizontais geradas pela pressão do contato entre solo e estrutura.

Partes dos tirantes

O tirante divide-se em três partes:

a) cabeça;
b) trecho ancorado;
c) trecho livre.

A figura 9 mostra cada um dos elementos, sendo que as partes 3 e 4 correspondem


ao trecho livre e as partes 5 e 6 ao trecho ancorado.

Cabeça

A cabeça do tirante é o elemento responsável por transferir a carga do tirante à


estrutura a ser ancorada. Encontra-se na face externa da cortina sem estar em
contato com o solo. É formado pela placa de apoio, cunha de grau e bloco de
ancoragem (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006; MORE,
2003).

Segundo More (2003, p. 21), “A placa de apoio tem como função à distribuição da
carga do tirante [...] e é normalmente formado por chapas metálicas (uma ou mais)
de tamanho conveniente para transmissão de tensões de compressão aceitáveis
sobre a estrutura de contenção.”.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


54

Ainda segundo More (2003, p. 22), “A cunha de grau é um elemento empregado


para permitir o alinhamento adequado do tirante em relação à sua cabeça, sendo
normalmente constituído por um cilindro ou chapas paralelas de aço.”.

Blocos de ancoragem são as peças que prendem o tirante tracionado na região da


cabeça. Essas peças podem ser porcas, cunhas ou botões (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006).

Trecho ancorado

É a parte responsável por transmitir ao solo os esforços de tração do tirante. É


envolvido por um aglutinante, normalmente argamassa ou nata de cimento Portland
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006; MORE, 2003).

Trecho livre

É a parte do tirante entre a cabeça e o trecho ancorado e encontra-se isolado da


calda de injeção. É responsável pela transmissão das tensões entre as
extremidades. É constituído por monobarra de aço ou fios/cordoalhas
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006; MORE, 2003).

Figura 9 – Elementos de um tirante

(fonte: adaptado de ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS


TÉCNICAS, 2006)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


55

Tipos de tirantes

Os tipos de tirantes variam conforme alguns aspectos:

a) vida útil;
b) forma de trabalho;
c) constituição;
d) injeção.

Vida útil

Dividem-se em provisórios, quando a obra tem duração menor que dois anos e
permanentes, duração superior a dois anos. O conhecimento do tipo de tirante
conforme a vida útil é importante pois muda algumas características, como
coeficiente de segurança, proteção anticorrosiva e precauções construtivas
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006; MORE, 2003;
YASSUDA; DIAS, 1998).

Forma

de trabalho

Segundo

More (2003,

p. 28):

Os tirantes podem ser classificados como ativos ou passivos.


Tirantes ativos são aqueles que estão permanentemente sob
carga, independentes dos esforços atuantes no solo ou na
estrutura de contenção [...]. Em contraste, nos tirantes passivos
a carga só começa a atuar quando o maciço de solo ou a
estrutura o solicitar, reagindo aos esforços produzidos nos
mesmos. Na pratica, os tirantes são raramente passivos.

Constituição

Segundo More (2003, p. 29), divide-se em:

a) tirantes monobarras: barra única como elemento principal


do tirante, frequentemente empregado no final da década
Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
56
de 1960 e início dos anos 1970, com barras de aço CA-50A
(tensão de escoamento 500 MPa, carga de trabalho de 100
a 200 kN) ou CA-60A (tensão de escoamento 600 MPa,
cargas de 120 a 240 kN) e diâmetros entre ¾” e 1. ¼”.

Com o passar do tempo consolidou-se a tendência de se


utilizar tirantes de maior capacidade de carga, necessitando-
se, portanto, de aços mais resistentes que os aços comuns
da construção civil. Surgiram então no mercado barras de
aço especial (tensão de escoamento de 850 MPa, diâmetros
entre 19 e 32mm), com mossas protuberantes que
funcionam como roscas, permitindo a execução de emendas
com luvas especiais bem como a fixação da cabeça através
de porcas;

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


57

b) tirantes de barras múltiplas: a ancoragem é composta por


mais de uma barra de aço. Pouco utilizada no Brasil, sua
concepção é a mesma dos tirantes de fios ou cordoalhas,
exceto pelo bloco de ancoragem que requer um sistema de
roscas e porcas para a fixação da cabeça e execução da
protensão;

c) tirantes de fios: [...] apresenta uma área mínima de 50


mm² ou 8 mm de diâmetro. Comercialmente se encontram
fios com diâmetro de 8mm e 9mm, fabricados em aço
150RN, 150RB, 160RN e 160RB (RN = relaxação normal;
RB = relaxação baixa). A carga de trabalho do tirante é
proporcional à quantidade de fios do tirante, sendo o
número destes limitado pelo diâmetro da perfuração. Na
prática, a grande maioria dos furos é executado com
diâmetros próximos de 115mm [...] o que limita o número de
fios em 12 e assegura cargas de trabalho de até 419 kN por
tirante.

Normalmente os fios são pintados com duas demãos de


tinta anticorrosiva, com bloco de ancoragem por clavetes e
cunhas com proteção contra corrosão. Apesar destes
cuidados, este tipo de tirante está deixando de ser utilizado
em virtude de problemas causados pela corrosão;

d) tirantes de cordoalhas: o elemento resistente à tração é


constituído por cordoalhas de aço, semelhantes às usadas
em obras civis de concreto protendido. Existem vários tipos
de cordoalhas [...] que podem ser comercialmente
adquiridas em aço 175RN, 175RB, 190RN e 190RB. No
Brasil, as cordoalhas empregadas têm geralmente diâmetro
de 12,7mm, sendo fabricadas em aço 190RB. Usualmente
as cordoalhas são pintadas em todo seu comprimento com
duas demãos de tinta anticorrosiva;

e) tirantes de materiais sintéticos: fabricados com novos


materiais resistentes à corrosão e apresentando elevada
resistência à tração, com fibras de carbono ou fibras de
poliéster. No Brasil ainda não são aplicados em larga escala
como elementos de ancoragem.

Injeção

É executado em estágio único ou estágios múltiplos e se consiste no enchimento do


furo com a calda de cimento.

No processo de injeção por estágio único, inicia-se lavando o furo com água para
Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis
58
remover os detritos. Após é preenchido o furo com a calda de cimento e
posteriormente, instala-se o tirante no furo (YASSUDA; DIAS, 1998).

Já no caso de injeção por estágios múltiplos, inicialmente deve-se instalar um tubo


de PVC em volta do tirante, por onde será feita a injeção. A injeção da calda de
cimenta será realizada com o tirante já instalado no furo. A calda é injetada inúmeras
vezes até o tirante esteja trabalhando conforme planejado (YASSUDA; DIAS, 1998).

Após a injeção é executada a cortina de concreto armado.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


59

Inclinação dos tirantes

Segundo Matos (1990), o ideal seria que os tirantes fossem instalados na horizontal.
Porém problemas com a introdução da calda de cimento e a execução dos furos
tornam problemática a instalação de tirantes com inclinação menor que 10° com a
horizontal. Existem casos, devido a presença de obras vizinhas (fundações, dutos
enterrados) ou devido ao fato da camada de solo resistente estar muito abaixo da
cabeça do tirante, que a inclinação do tirante é 30°.

Comprimento dos tirantes

Segundo Chuva (2011, p. 22), os seguintes aspectos são considerados e a figura 10


representa tais considerações:

a) Os bulbos de ancoragens devem estar situados fora da


cunha do empuxo ativo do solo suportado pela cortina
ancorada;

b) as profundidades dos bulbos devem ser de 5m a 6m abaixo


da superfície do terreno, ou de 3m abaixo das fundações de
edifícios. Esta recomendação é baseada nos efeitos na
superfície do terreno ou nos elementos de fundação das
elevadas pressões de injeção para a formação dos bulbos
de ancoragem;

c) o espaçamento mínimo entre os bulbos de ancoragem deve


ser da ordem de 1,5 m de modo a minimizar a interferência
entre ancoragens, ocasionando eventuais reduções da
capacidade de carga do grupo de ancoragens [...];

d) o comprimento livre não deve ser inferior a 5m – 6m, de


modo que as tensões transmitidas ao solo através do bulbo
de ancoragem não ocasionem significativos aumentos da
pressão de contato sobre a cortina;

e) comprimentos de bulbo inferiores a 3m não são


aconselháveis. O valor final depende da capacidade de
carga desejável na ancoragem.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


60

Figura 10 – Comprimento dos tirantes

(fonte: OSTERMAYER15, 1976 apud CHUVA,


2011, p. 23)

CORTINA DE CONCRETO ARMADO

Segundo a Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro 16


(2000 apud SILVA, 2014, p. 27) define cortina como “[...] uma parede de concreto
armado, de espessura [...] em função das cargas nos tirantes, fixada no terreno
através das ancoragens pré- tensionadas [...]”. A cortina de concreto armado
funciona como uma reação à força que o tirante exerce sobre o terreno e para
reduzir os deslocamentos do solo.

Segundo Silva (2014, p. 27), “A fim de que a cortina trabalhe como elemento único,
após a concretagem de cada módulo horizontal da cortina, devem ser deixadas
esperas de armadura para serem vinculadas ao módulo seguinte.”.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


61

15 OSTERMAYER, H. Practice in the detail design applications of anchorages.


Londres: Institution of civil engineers, 1976.
16 FUNDAÇÃO INSTITUTO DE GEOTÉCNICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE
JANEIRO. Manual técnico de encostas: ancoragens e grampos. 2. ed. Rio de
Janeiro, 2000. v. 4.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


62

ESTIMATIVA DE RUPTURA E FALHAS

Segundo a Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro 17


(2000 apud SILVA, 2014, p. 41) existem seis modos de ruptura em uma cortina
atirantada e estão explicadas a seguir e mostradas na figura 11:

a) puncionamento da base: pode ocorrer quando o solo onde


se apoia a base da cortina é de baixa capacidade de
suporte. Toma-se como baixa capacidade de suporte a
capacidade de carga inferior a 20 kPa, ou índice N de
resistência à penetração, SPT, inferior a 10;

b) ruptura de fundo da escavação: situação que pode


ocorrer se uma camada de solo mole existir abaixo do nível
da fundação;

c) ruptura global: a ruptura global pode ser subdividida em


dois casos, o da cunha de ruptura e de ruptura generalizada
e profunda [...]. O primeiro pode ser analisado pelo método
das cunhas, o segundo pelo método do equilíbrio limite com
superfície circular ou poligonal. Um caso comum de risco de
ruptura em cunha pode ocorrer durante a escavação,
situação que pode ser estabilizada através da escavação
em nichos;

d) deformação excessiva: pode ocorrer durante a construção


antes da protensão de um determinado nível de ancoragem.
Uma vez executada a obra, dificilmente ocorre, pois as
cortinas ancoradas são rígidas o suficiente;

e) ruptura das ancoragens: ocorre por capacidade de carga


insuficiente das ancoragens ou durante a execução, quando
outros níveis de ancoragem ainda não foram instalados. Por
exemplo, em estruturas ancoradas utilizadas na base de
taludes muito altos [...]. Havendo instabilização do talude e
deslocamentos da massa de solo, as ancoragens poderão
ser supertensionadas e romper [...];

f) ruptura de parede: pode haver duas situações: ruptura por


flexão, devida a armadura insuficiente e ruptura por
puncionamento das ancoragens [...].

Na estrutura, ainda podem ocorrer falhas nos tirantes ou na cortina de concreto

armado. Hanna18 (1982, apud SILVA, 2014, p. 41) indica que essas falhas podem
ocorrer:

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


63
g) na aderência argamassa-tirante;

h) na aderência solo-argamassa;

i) internamente, na massa de solo;

j) no aço do tirante ou um de seus componentes;

k) por ruptura da coluna de argamassa ao redor do tirante;

17 FUNDAÇÃO INSTITUTO DE GEOTÉCNICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE


JANEIRO. Manual técnico de encostas: ancoragens e grampos. 2. ed. Rio de
Janeiro, 2000. v. 4.
18 HANNA, T. H. Foundations in tension: ground anchors. 1st. ed. Clasuthal-
Zellerfeld, Germany: Trans Tech Publications, 1982.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


64

l) num feixe de tirantes.

Figura 11 – Tipos de ruptura de uma cortina atirantada em solo

(fonte: FUNDAÇÃO INSTITUTO DE GEOTÉCNICA DO


MUNICÍPIO DO RIO DE
JANEIRO19, 2000 apud MORE,
2003, p. 42)

SEQUÊNCIA EXECUTIVA

A sequência executiva difere em método ascendente, usado em aterros, e método


descendente, usado em cortes. Segundo Marzionna et al. (1998) a sequência
executiva do método descendente se divide em oito itens e está descrita a seguir:

a) escavação para implantação da primeira faixa ou placa de


cortina (do topo até a meia distância entre a primeira e a
segunda linha de ancoragens, aproximadamente);

b) execução do revestimento na face do talude, com chapisco


de cimento e areia e instalação de dispositivos de
drenagem;

c) instalação das ancoragens e concretagem da primeira faixa


de cortina. Prosseguimento da escavação em nichos
alternados. Cada nicho corresponderá à região de influência
Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis
65
de uma ancoragem;

19 FUNDAÇÃO INSTITUTO DE GEOTÉCNICA DO MUNICÍPIO DO RIO DE


JANEIRO. Manual técnico de encostas: ancoragens e grampos. 2. ed. Rio de
Janeiro, 2000. v. 4.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


66

d) ensaio de carga e incorporação da primeira linha de


ancoragens. É importante respeitar o período de cura e de
resistência mínima do concreto da cortina e do bulbo de
ancoragem, que depende da especificação do cimento e
aditivos empregados (conforme NBR 562920) e que todos
os tirantes estejam instalados neste nível de cortina;

e) instalação das ancoragens e concretagem da segunda faixa de


cortina;

f) finalização da escavação da segunda faixa;

g) instalação do restante das ancoragens da segunda linha e


concretagem dos nichos correspondentes;

h) para os níveis seguintes, repetem-se os procedimentos acima.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


67

20 Esta Norma consta nas referências bibliográficas.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


68

6 INVESTIGAÇÃO GEOTÉCNICA

Em toda a obra de engenharia civil é necessária uma investigação geotécnica para


poder determinar em que tipo de solo se dará a obra. Existem alguns ensaios de
campo para determinar o perfil de solo, mas o mais usado no Brasil, segundo
Schnaid e Odebrecht (2012) é o ensaio SPT.

Neste capitulo será abordado o ensaio SPT, suas correlações para determinar
parâmetros do solo e a partir desses parâmetros, determinar o empuxo através da
Teoria de Rankine.

ENSAIO SPT

Segundo Schnaid e Odebrecht (2012), o SPT é a ferramenta de investigação mais


utilizada em praticamente todo o mundo. Segundo Velloso e Lopes (1997, p. 57), “O
ensaio SPT tem uma primeira utilidade na indicação da compacidade de solos
granulares (areias e siltes arenosos) e da consistência de solos argilosos (argilas e
siltes argilosos).”.

Ainda segundo os autores supracitados, as vantagens desse ensaio são o baixo


custo de execução, simplicidade do equipamento e da execução e a obtenção de
valores numéricos de ensaios, que podem ser relacionados com fórmulas empíricas
para a obtenção de parâmetros desejados.

Equipamentos

São divididos em seis partes e serão apresentados a seguir.

Amostrador

Schnaid e Odebrecht (2012) mostram que o amostrador é constituído de três partes:


cabeça, corpo e sapata. A cabeça é responsável pela saída da água de dentro das
hastes e com isso retém a amostra de solo dentro do amostrador. O corpo é
constituído por um tubo bipartido, sendo possível a inspeção tátil e visual das

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


69
amostras.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


70

Hastes

São tubos mecânicos que apresentam roscas em suas extremidades permitindo a


ligação entre uma ou mais hastes através de elementos de conexão. Existem
diferentes pesos para as hastes, podendo ter 3,23 kg/m ou estar no intervalo entre
5,69 kg/m e 11,8 kg/m. As hastes devem ser retas e se apresentarem qualquer sinal
de empenamento, devem ser substituídas pois não iriam transmitir toda energia
fornecida pelo golpe do martelo ao amostrador (SCHNAID; ODEBRECHT, 2012).

Martelo

Segundo Schnaid e Odebrecht (2012, p. 25), “O martelo, constituído de aço, com


massa de 65 kg [...] é o elemento que aplica o golpe sobre a composição (cabeça de
bater, haste, amostrador). Trata-se do elemento que apresenta maior diversidade de
configurações, tanto nacional como internacionalmente.”.

Os autores supracitados ainda citam que existem dez configurações de martelo


diferente, sendo cinco com controle de queda e cinco sem. Dentre esses, se destaca
os martelos automáticos devido ao seu controle de queda e reprodutibilidade do
procedimento, devido à elevação de massa automática.

Tripé de sondagem

E o equipamento responsável por segurar todos os outros elementos.

Cabeça de bater

Segundo Schnaid e Odebrecht (2012, p. 25), “[Cabeça de bater] é um elemento


cilíndrico de aço maciço que tem por finalidade promover a transferência de energia
do golpe do martelo para a haste. [...] é constituída por tarugo de aço de 83 ± 5 mm
de diâmetro, 90 ± 5 mm de altura e massa nominal de 3,5 kg a 4,5 kg.”.

Sistema de perfuração

Segundo Schnaid e Odebrecht (2012, p. 26):

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


71

Os equipamentos normalmente usados para a abertura do furo


de sondagem são os trados manuais, com destaque para
aqueles de tipo helicoidal e tipo concha, além do trépano ou
faca de lavagem.

No sistema mecanizado, a perfuração é executada com a


introdução de um tubo com um helicoide na sua parte externa
denominado tubo hollow auger, o qual, além de facilitar a
perfuração, promove o revestimento do furo de sondagem,
facilitando a operação em solos não coesivos ou não
cimentados.

Procedimento de ensaio

Destacam-se três procedimentos: execução do ensaio, procedimento de perfuração


e a forma de elevação e liberação do martelo (SCHNAID; ODEBRECHT, 2012).

Execução do ensaio

Posiciona-se o amostrador no fundo da perfuração e coloca-se o martelo sobre a


cabeça de bater, que está conectada à haste. Em seguida, marca-se na haste três
segmentos de 15 cm cada e inicia-se a cravação com o martelo batendo na cabeça
de bater. Anota-se o número de golpes necessários para penetrar cada um dos três
segmentos marcados na haste. Os valores de penetração dos últimos 30 cm são
somados dando origem ao Nspt, que é utilizado nos projetos de engenharia
(SCHNAID; ODEBRECHT, 2012).

Ainda segundo os autores supracitados, há dois casos especiais: quando o solo é


muito resistente ou muito mole. Quando é muito resistente, pode ser necessário dar
mais de 30 golpes para penetrar 15 cm. Nesse caso, registra-se o número de golpes
efetuados e sua respectiva penetração. Para o caso de solos moles, um único golpe
pode penetrar mais que os 15 cm. Nesse caso anota-se a penetração
correspondente.

Perfuração

Segundo Schnaid e Odebrecht (2012, p. 28), “Não há um procedimento único de


perfuração. A depender das condições do subsolo e do sistema de perfuração
Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis
72
utilizado, procedimento e equipamentos distintos podem ser empregados.”. Ainda
conforme os autores supracitados, deve-se tomar cuidados para garantir a remoção
do solo escavado no fundo da perfuração. Se houver dificuldades em manter o furo
aberto, deve-se usar algum tipo de estabilizante ou um tubo de revestimento.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


73

Elevação e liberação do martelo

O martelo deve ser elevado 75 cm em relação a cabeça de bater. Essa elevação


pode ser manual ou mecanizada. Na elevação manual, o martelo é hasteado pelos
operadores, auxiliados ou não pelo uso de uma roldana. Já nos sistemas
mecanizados, o martelo é elevado por um guincho (SCHNAID; ODEBRECHT, 2012).

6.1.3 Apresentação dos resultados

Após realizado o ensaio SPT, os resultados são apresentados através de uma


planilha padrão, que possui o número de golpes para a penetração a cada metro de
profundidade (normalmente é apresentado o número de golpes para os primeiros 30
cm e para os últimos 30 cm), a classificação do solo (feita pela experiência do
operador), um gráfico com a relação entre número de golpes e profundidade, a
caracterização da amostra, o nível em que foi encontrado
o lençol freático (alguns ensaios mostram o nível do lençol freático no momento da
execução e também após 24 horas), a posição e a cota do furo. A figura 12 mostra
um perfil típico de sondagem.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


74

Figura 12 – Planilha padrão de um ensaio SPT

(fonte: elaborado pelo autor)

TEORIA DE EMPUXO DE RANKINE

Nas análises geotécnicas, é fundamental conhecer as forças de empuxo atuantes


nas estruturas. A Teoria de Rankine é uma das mais consagradas existentes na
literatura. Usam-se métodos de equilíbrio limite para calcular os empuxos ativos e
passivos. Conforme Consoli (1988, p. 9), as hipóteses básicas da Teoria de Rankine
são:

a) plastificação total do solo;

b) não leva em consideração atrito entre solo e muro;

c) considera distribuição triangular de tensões;

d) maciço homogêneo e de superfície horizontal.


Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis
75

O coeficiente de empuxo ativo apresentado por Rankine é função do ângulo de atrito do


solo, conforme a fórmula 3 (CONSOLI, 1988):

Ka = tg2 (45 – ø’/2) (fórmula 3)

Onde:
Ka = coeficiente de empuxo ativo;
ø’ = ângulo de atrito efetivo do solo, em graus.

Por conseguinte, o empuxo ativo é calculado pela fórmula 4 para solos granulares e
pela fórmula 5 para solos coesivos (CONSOLI, 1988):

Ea = ½ Ka γ H2 (fórmula 4)

(fórmula 5)
Ea = ½ Ka γ H2 – 2 c’ H

Onde:
Ea = empuxo ativo, em kPa;
Ka = coeficiente de empuxo ativo;
γ = peso específico do solo, em

kN/m3; H = altura da parede de


solo, em m;
c’ = coesão efetiva do solo, em kPa.

O coeficiente de empuxo passivo apresentado por Rankine também é função do


ângulo de atrito do solo, conforme a fórmula 6 (CONSOLI, 1988):

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


76

Kp = tg2 (45 + ø’/2) (fórmula 6)

Onde:
Kp = coeficiente de empuxo passivo;
ø’ = ângulo de atrito efetivo do solo, em graus.

Por conseguinte, o empuxo passivo é calculado pela fórmula 7 para solos granulares e
pela fórmula 8 para solos coesivos (CONSOLI, 1988):

Ep = ½ Kp γ H2 (fórmula 7)

(fórmula 8)
Ep = ½ Kp γ H2 + 2 c’ H

Onde:
Ep = empuxo passivo, em kPa;
Ka = coeficiente de empuxo passivo;
γ = peso específico do solo, em

kN/m3; H = altura da parede de


solo, em m;
c’ = coesão efetiva do solo, em kPa.

Outra forma de calcular os empuxos é através da relação entre tensões verticais e


horizontais, dada por:

σ' h = k o . σ' v (fórmula 9)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


77
Onde:
σ' h = tensão horizontal efetiva, em kPa;

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


78

σ' v = tensão vertical efetiva, em kPa;


k o = coeficiente de empuxo ao

repouso. A tensão vertical efetiva é

definida por:

σ' v = (γ – u).H + q (fórmula 10)

Onde:
σ' v = tensão vertical efetiva, em kPa;
γ = peso específico do solo, em

kN/m3; u = peso especifico da


água, em kN/m³; H = altura da
camada de solo, em m;
q = sobrecarga, em kPa.

Na fórmula 10, deve ser corrigido o valor de sobrecarga, pois ela é tratada como
semi-infinita, ou seja, com uma grande extensão em relação as demais extensões do
carregamento. Para isso, utiliza-se o ábaco proposto por Newmark, apresentada na
figura 13.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


79

Figura 13 – Ábaco de Newmark

(fonte: CAVALCANTE, 2006)

ESTIMATIVA DOS PARÂMETROS DO SOLO

É necessário conhecer os parâmetros do solo para determinar os empuxos. Esses


parâmetros são determinados através de correlações com os ensaios SPT.

Para a determinação do ângulo de atrito, Teixeira21 (1996 apud SCHNAID;


ODEBRECHT, 2012, p. 41) propõem a fórmula 11:

21 TEIXEIRA, A. H. Projeto e execução de fundações. Seminário de Engenharia de


Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis
80
Fundações Especiais e Geotecnia, SEFE, São Paulo, v. 1, p. 33-50, 1996.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


81

(fórmula 11)

ø’ = 15º +

Também é possível determinar o ângulo de atrito por Hatanaka e Uchida 22 (1996 apud
SCHNAID; ODEBRECHT, 2012, p. 42) propõem a fórmula 12:

(fórmula 12)

ø’ = 20º +

Onde:
ø’ = ângulo de atrito efetivo do solo, em
graus; Nspt = número de golpes do ensaio
SPT;
Nspt60 = número de golpes do ensaio SPT corrigido.

Para a determinação da resistência não drenada, Stroud23 (1989 apud SCHNAID;


ODEBRECHT, 2012, p. 45) propõem a fórmula 13:

Su / Nspt60 = 4 a 6 (fórmula 13)

Onde:
Su = resistência não drenada, em kN/m2;
Nspt60 = número de golpes do ensaio SPT corrigido.

22 HATANAKA, M.; UCHIDA, A. Empirical correlation between penetration


Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
82
resistance and effective friction of sandy soil. Soils Found., v. 36, n. 4, p. 1-9,
1996.
23 STROUD, M. A. The standard penetration test – its aplication and interpretation.
In: GEOTECHNICAL CONFERENCE ON PENETRATION TESTING IN THE UK,
Birmingham. Proceedings... London: Thomas Telford, 1989.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


83

Para determinar os pesos específicos, Cintra et al.24 (2003 apud SILVA, 2014, p.
51-52) propõem as correlações apresentadas nas tabelas 2 e 3.

Tabela 2 – Estimativa de pesos específicos para solos arenosos

(fonte: CINTRA et al.25, 2003 apud SILVA,


2014, p. 52)

Tabela 3 – Estimativa de pesos específicos para solos argilosos

(fonte: CINTRA et al.26, 2003 apud SILVA,


2014, p. 51)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


84

24 CINTRA, J. C. A.; AOKI, N.; ALBIERO, J. H. Tensão admissível em fundações


diretas. São Carlos: Rima, 2003.
25 op. cit.
26 op. cit.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


85

7 CASO

O caso estudado trata-se de uma edificação que será construída na Avenida Mauro
Ramos, no centro do município de Florianópolis, SC, Brasil (figura 14). Esta
edificação caracteriza-se por ter 14 pavimentos tipos e 6 níveis de garagens, sendo
3 no subsolo. Para a realização das obras no subsolo, será necessário fazer um
corte no terreno de, aproximadamente 12 metros. Para conter a instabilização dos
terrenos vizinhos, será necessário a execução de uma estrutura de contenção, que
será o objeto de estudo desse trabalho.

Figura 14 – Planta de situação da obra

(fonte: adaptado de GOOGLE


MAPS27)

Serão executadas dez cortinas atirantadas (trechos A a H) de diferentes


comprimentos, alturas e quantidade de tirantes instalados. A localização de cada
trecho é apresentada na figura 15.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


86

27 Disponível em:
https://www.google.com.br/maps/place/Av.+Mauro+Ramos,+Florian%C3%B3polis+
-+SC/@- 27.5879598,-
48.5423193,256m/data=!3m1!1e3!4m2!3m1!1s0x9527383bb0429eb1:0x769d315b1
d27da02.
Acesso em out. 2015.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


87

Figura 15 – Trechos das cortinas atirantadas

(fonte: adaptado do projeto)

GEOLOGIA LOCAL

Segundo Florianópolis28 (2004 apud FLORIANÓPOLIS, 2009, p. 16):

Florianópolis está geologicamente constituída por duas


formações básicas: os terrenos rochosos chamados cristalinos
e os terrenos sedimentares de formação recente. As rochas
cristalinas estão no chamado Embasamento Cristalino ou
Escudo Catarinense que ocorre em toda a borda leste do
estado, são as rochas mais antigas [...]. Já os terrenos
sedimentares estão em áreas baixas e planas com a chamada
cobertura Sedimentar Quaternária (da Era Cenozóica), onde
são denominadas “Planícies Costeiras”.

Florianópolis29 (2008 apud FLORIANÓPOLIS, 2009, p. 16) também destaca que:

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


88

28 FLORIANÓPOLIS. Atlas do município de Florianópolis. Florianópolis:


Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, 2004.

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


89

Os terrenos cristalinos formam as partes mais elevadas na Ilha


de Santa Catarina, destacando-se uma cadeia central de
direção N-S e os pontos rochosos que se sobressaem no
entorno. Os terrenos sedimentares nas partes baixas formam a
planície costeira com depósitos aluviais, dunas, restingas e
manguezais.

INVESTIGAÇÃO GEOTÉCNICA

A investigação geotécnica foi realizada pelo método do Standard Penetration Test


(SPT). Ao todo, foram realizados 15 furos de sondagem (Anexo A), a fim de se obter
os tipos de solos presente no terreno e suas características.

Através dos furos de sondagem, constatou-se que o terreno se trata de um solo


residual, apresentando em alguns casos, uma pequena camada de argila arenosa e
logo após areia siltosa de compacidade variada até o fim da sondagem.

Com o resultado dos furos de sondagem, foi feito um perfil de solo típico para cada
um dos trechos onde haverá estrutura de contenção e a partir das correlações
existentes (capítulo 6.3), obteve-se os parâmetros do solo.

Os perfis estão apresentados nas figuras a seguir e os parâmetros do solo nas tabelas
a seguir.

Figura 16 – Perfil de solo do trecho A

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90
(fonte: elaborado pelo autor)

29 FLORIANÓPOLIS. Plano Diretor Participativo da Cidade: Leitura da Cidade (vol.


1) 2008. Florianópolis: Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis, 2008.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


91

Tabela 4 – Parâmetros geotécnicos do trecho A

(fonte: elaborado pelo autor)

Figura 17 – Perfil de solo do trecho B

(fonte: elaborado pelo autor)

Tabela 5 – Parâmetros geotécnicos do trecho B

(fonte: elaborado pelo autor)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


92

Figura 18 – Perfil de solo dos trechos C e D

(fonte: elaborado pelo autor)

Tabela 6 – Parâmetros geotécnicos dos trechos C e D

(fonte: elaborado pelo autor)

Figura 19 – Perfil de solo dos trechos E e F

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


93
(fonte: elaborado pelo autor)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


94

Tabela 7 – Parâmetros geotécnicos dos trechos E e F

(fonte: elaborado pelo autor)

Figura 20 – Perfil de solo do trecho G

(fonte: elaborado pelo autor)

Tabela 8 – Parâmetros geotécnicos do trecho G

(fonte: elaborado pelo autor)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


95

Figura 21 – Perfil de solo do trecho H

(fonte: elaborado pelo autor)

Tabela 9 – Parâmetros geotécnicos do trecho H

(fonte: elaborado pelo autor)

Figura 22 – Perfil de solo dos trechos I e J

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96

(fonte: elaborado pelo autor)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


97

Tabela 10 – Parâmetros geotécnicos dos trechos I e J

(fonte: elaborado pelo autor)

ANÁLISE DE ESTABILIDADE

Através do programa Slope/W (GEOSLOPE INTERNATIONAL LTD., 2013), foi


realizada uma análise para determinar a estabilidade dos cortes realizados. Essa
análise foi feita utilizando os métodos de equilíbrio limite de Morgenstern Price e
Bishop Simplificado. Esses resultados estão apresentados nas figuras abaixo e na
tabela 11. Foi considerada uma sobrecarga de 25 kPa nos terrenos vizinhos. (As
análises foram realizadas na versão estudantil do programa, no qual limitava o
número de matérias utilizados. Por isso, em alguns casos, as areias com peso
especifico de 20 kN/m³ foram substituídas por areias de 19 kN/m³).

Figura 23 – Análise estabilidade por Bishop Simplificado e


Morgenstern Price no trecho A

(fonte: GEOSLOPE INTERNATIONAL LTD., 2013)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


98

Figura 24 – Análise estabilidade por Bishop Simplificado e


Morgenstern Price no trecho B

(fonte: GEOSLOPE INTERNATIONAL


LTD., 2013)

Figura 25 – Análise estabilidade por Bishop Simplificado e


Morgenstern Price nos trechos C e D

(fonte: GEOSLOPE INTERNATIONAL


LTD., 2013)

Figura 26 – Análise estabilidade por Bishop Simplificado e


Morgenstern Price nos trechos E e F

(fonte: GEOSLOPE INTERNATIONAL LTD., 2013)

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99

(fonte: GEOSLOPE INTERNATIONAL LTD., 2013)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


10
0
Figura 27 – Análise estabilidade por Bishop Simplificado e
Morgenstern Price no trecho G

(fonte: GEOSLOPE INTERNATIONAL


LTD., 2013)

Figura 28 – Análise estabilidade por Bishop Simplificado e


Morgenstern Price no trecho H

(fonte: GEOSLOPE INTERNATIONAL


LTD., 2013)

Figura 29 – Análise estabilidade por Bishop Simplificado e


Morgenstern Price nos trechos I e J

(fonte: GEOSLOPE INTERNATIONAL LTD., 2013)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


10
1

(fonte: GEOSLOPE INTERNATIONAL LTD., 2013)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


10
2
Tabela 11 – Análise da estabilidade dos trechos do terreno

(fonte: elaborado pelo autor)

PROJETO

Como verificado pelas análises de estabilidades, em todos os trechos serão


necessárias estrutura de contenção. O projeto original das estruturas de contenção
foi feito utilizando cortinas atirantadas, cujos dados estão apresentados na tabela 12.

Tabela 12 – Dados do projeto da cortina atirantada

(fonte: elaborado pelo autor)

A partir desses dados, foram calculadas algumas situações para a estrutura de


contenção a ser adotada. Em todos os casos, foi adotado uma sobrecarga de 25 kPa
para os terrenos vizinhos.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


71

7.4.1 Caso 1

O caso 1 trata-se do cálculo da cortina, seguindo as dimensões do projeto original,


porém sem a instalação dos tirantes. Essa situação foi calculada para ver a real
necessidade dos tirantes no projeto.

O cálculo para a definição do fator de segurança utilizado é apresentado a seguir e


para esse caso, o fator de segurança deve ser maior ou igual a 1.

(fórmula 14)

Onde:
FS = fator de segurança;
Mestabilizante = momentos causados pelo empuxo passivo;
Minstabilizante = momentos causados pelo empuxo ativo.

Os resultados mostram que não é possível executar apenas a cortina, com as


dimensões do projeto original, sem os tirantes, conforme tabela 13. Os valores de
empuxos ativos e passivos calculados para esse caso estão no apêndice A.

Tabela 13 – Fatores de segurança

(fonte: elaborado pelo autor)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


72

7.4.2 Caso 2

O caso 2 trata-se da execução da cortina sem a instalação dos tirantes. Essa


situação foi calculada para ver o tamanho necessário das cortinas sem ser
necessária a instalação dos tirantes.

O cálculo para a definição do fator de segurança utilizado é apresentado a seguir e


para esse caso, o fator de segurança deve ser maior ou igual a 1.

(fórmula 15)

Onde:
FS = fator de segurança;
Mestabilizante = momentos causados pelo empuxo passivo;
Minstabilizante = momentos causados pelo empuxo ativo.

Os resultados mostraram ser possível a execução da cortina sem tirantes, porém


tornam-se inviável a execução pelo tamanho que as fichas necessitam. Os
resultados estão apresentados na tabela 14.

Tabela 14 – Tamanho da cortina sem ancoragem

(fonte: elaborado pelo autor)

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73

Caso 3

No caso 3 foi calculado a estabilidade do projeto inicial (Anexo B), utilizando os


dados contidos na tabela 12. Para isso, foi utilizado o software Plaxis.

Segundo Chuva (2011, p. 46), “o software Plaxis utilizado na modelação,


fundamenta-se no método dos elementos finitos em duas dimensões. A malha
existente no programa é unicamente triangular.”.

No programa, foram solicitados os dados dos solos (apresentados nas tabelas 4 a


10), os dados da cortina (utilizando os valores já existentes para cortina dentro do
programa) e os dados da ancoragem (utilizando os dados conforme consta no
projeto).

Com esses dados, foi possível desenhar cada uma das situações do projeto. A partir
dos desenhos, iniciou-se os cálculos para saber se tal situação simulada atingia o
fator de segurança mínimo exigido para projetos de cortina (FS = 1).

Os passos de simulação foram os seguintes (a simulação só avançava caso o passo


anterior atingisse o fator de segurança desejável):

a) ativação da cortina e do carregamento (25 kPa);


b) primeiro passo de escavação;
c) protensão da primeira ancoragem;
d) segundo passo de escavação;
e) protensão da segunda ancoragem;
f) terceiro passo de escavação;
g) protensão da terceira ancoragem;
h) quarto passo de escavação;
i) protensão da quarta ancoragem;
j) quinto passo de escavação;
k) protensão da quinta ancoragem (caso existisse tal situação);
l) sexto passo de escavação (caso existisse tal situação);
m) protensão da sexta ancoragem (caso existisse tal situação);
n) sétimo passo de escavação (caso existisse tal situação);
o) protensão da sétima ancoragem (caso existisse tal situação);
p) oitavo passo de escavação (caso existisse tal situação).
Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis
74

Todos os trechos analisados executaram todos os passos citados acima, ou seja,


todos estavam dentro do fator de segurança desejado. Com esses dados, obteve-se
os máximos deslocamentos e tensões suportadas pela cortina em cada uma das
situações exemplificadas acima.

A seguir, será mostrado a configuração de cada trecho de cortina atirantada


projetada, o gráfico de deslocamento final da estrutura, gráfico de tensões totais (nas
direções principais) e uma tabela contendo os mesmos no fim de cada passo de
escavação para cada trecho analisado.

Figura 30 – Trecho A simulado no Plaxis

(fonte: PLAXIS, 2002)

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75

Figura 31 – Deslocamento final no trecho A

(fonte: PLAXIS, 2002)

Figura 32 – Tensões totais (nas direções principais) após o


último passo de escavação no trecho A

(fonte: PLAXIS, 2002)

Tabela 15 – Deslocamentos máximos e tensões totais (nas


direções principais) no trecho A

(fonte: elaborado pelo autor)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


76

Figura 33 – Trecho B simulado no Plaxis

(fonte: PLAXIS, 2002)

Figura 34 – Deslocamento final no trecho B

(fonte: PLAXIS, 2002)

Figura 35 – Tensões totais (nas direções principais) após o


último passo de escavação no trecho B

(fonte: PLAXIS, 2002)


Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015
77

Tabela 16 – Deslocamentos máximos e tensões totais (nas


direções principais) no trecho B

(fonte: elaborado pelo autor)

Figura 36 – Trechos C e D simulado no Plaxis

(fonte: PLAXIS, 2002)

Figura 37 – Deslocamento final nos trechos C e D

(fonte: PLAXIS, 2002)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


78

Figura 38 – Tensões totais (nas direções principais) após o


último passo de escavação nos trechos C e D

(fonte: PLAXIS, 2002)

Tabela 17 – Deslocamentos máximos e tensões totais (nas


direções principais) nos trechos C e D

(fonte: elaborado pelo autor)

Figura 39 – Trechos E e F simulado no Plaxis

(fonte: PLAXIS, 2002)


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79

Figura 40 – Deslocamento final nos trechos E e F

(fonte: PLAXIS, 2002)

Figura 41 – Tensões totais (nas direções principais) após o


último passo de escavação nos trechos E e F

(fonte: PLAXIS, 2002)

Tabela 18 – Deslocamentos máximos e tensões totais (nas


direções principais) nos trechos E e F

(fonte: elaborado pelo autor)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


80

Figura 42 – Trecho G simulado no Plaxis

(fonte: PLAXIS, 2002)

Figura 43 – Deslocamento final no trecho G

(fonte: PLAXIS, 2002)

Figura 44 – Tensões totais (nas direções principais) após o


último passo de escavação no trecho G

(fonte: PLAXIS, 2002)


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81

Tabela 19 – Deslocamentos máximos e tensões totais (nas


direções principais) no trecho G

(fonte: elaborado pelo autor)

Figura 45 – Trecho H simulado no Plaxis

(fonte: PLAXIS, 2002)

Figura 46 – Deslocamento final no trecho H

(fonte: PLAXIS, 2002)


Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis
82

Figura 47 – Tensões totais (nas direções principais) após o


último passo de escavação no trecho H

(fonte: PLAXIS, 2002)

Tabela 20 – Deslocamentos máximos e tensões totais (nas


direções principais) no trecho H

(fonte: elaborado pelo autor)

Figura 48 – Trechos I e J simulado no Plaxis

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83
(fonte: PLAXIS, 2002)

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84

Figura 49 – Deslocamento final nos trechos I e J

(fonte: PLAXIS, 2002)

Figura 50 – Tensões totais (nas direções principais) após o


último passo de escavação nos trechos I e J

(fonte: PLAXIS, 2002)

Tabela 21 – Deslocamentos máximos e tensões totais (nas


direções principais) nos trechos I e J

(fonte: elaborado pelo autor)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


85

Foram realizadas mais duas análises, variando o valor médio de Nspt adotado em
mais e menos cinco devido ao fato do ensaio SPT não ser muito preciso e também
devido ao fato dos parâmetros geotécnicos terem sido calculados a partir das
médias dos valores obtidos nos próprios ensaios SPT.

Os valores dos parâmetros geotécnicos utilizados para essas duas analises estão
apresentados nas tabelas 22 a 28.

Tabela 22 – Parâmetros geotécnicos do trecho A variando o


Nspt

(fonte: elaborado pelo autor)

Tabela 23 – Parâmetros geotécnicos do trecho B variando o


Nspt

(fonte: elaborado pelo autor)

Tabela 24 – Parâmetros geotécnicos dos trechos C e D


variando o Nspt

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86

(fonte: elaborado pelo autor)

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87

Tabela 25 – Parâmetros geotécnicos dos trechos E e F


variando o Nspt

(fonte: elaborado pelo autor)

Tabela 26 – Parâmetros geotécnicos do trecho G variando o


Nspt

(fonte: elaborado pelo autor)

Tabela 27 – Parâmetros geotécnicos do trecho H variando o


Nspt

(fonte: elaborado pelo autor)

Tabela 28 – Parâmetros geotécnicos dos trechos I e J


variando o Nspt

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


88

(fonte: elaborado pelo autor)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


89

Assim como a análise anterior, foram executados os passos já citados, ou seja,


estavam dentro do fator de segurança desejado. Portanto, mesmo que houvesse um
erro na realização do ensaio SPT ou na interpretação do mesmo, desde que esse
erro não seja grosseiro, a estrutura não teria problemas. As tabelas 29 a 35 mostram
os valores para os deslocamentos máximos e tensão totais (nas direções principais)
para as três formas de análise realizada.

Tabela 29 – Dados comparativos entre as três análises para o trecho A

(fonte: elaborado pelo autor)

Tabela 30 – Dados comparativos entre as três análises para o trecho B

(fonte: elaborado pelo autor)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


90

Tabela 31 – Dados comparativos entre as três análises para


os trechos C e D

(fonte: elaborado pelo autor)

Tabela 32 – Dados comparativos entre as três análises para


os trechos E e F

(fonte: elaborado pelo autor)

Tabela 33 – Dados comparativos entre as três análises para o


trecho G

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


91

(fonte: elaborado pelo autor)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


92

Tabela 34 – Dados comparativos entre as três análises para o


trecho H

(fonte: elaborado pelo autor)

Tabela 35 – Dados comparativos entre as três análises para


os trechos I e J

(fonte: elaborado pelo autor)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


93

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como mostraram as análises de estabilidade realizadas, eram necessárias, em


todos os trechos, estruturas de contenção para absorver os esforços gerados pelo
solo.

Como o projeto buscava aproveitar o máximo possível o espaço do terreno, para


assim obter mais vagas de garagem, os projetistas optaram por adotar uma estrutura
de contenção delgada, obtendo assim mais espaço no terreno.

Foram feitas simulações de cortinas para absorver esses esforços, que se


mostraram ineficientes (mesmo tamanho da cortina atirantada do projeto, porém sem
ancoragem) ou difíceis de serem realizadas (cortina sem ancoragem). Devido a isso,
comprovou-se a validade, para esse caso, da afirmação de More (2003) que
afirmava que para obras que necessitam de estruturas de contenção que buscam
otimizar espaços, cortinas atirantadas é a melhor solução.

Com isso, utilizou-se o projeto original de cortinas atirantadas. Esse projeto estava
de acordo com os critérios descritos por Ostermayer em relação ao comprimento do
trecho livre, ângulo entre solo e ancoragem, etc. e ao critério descrito por Matos em
relação a inclinação dos tirantes.

Com o projeto obedecendo as recomendações, foram feitas as análises para cada


trecho projetado utilizando o software Plaxis.

A partir dessa análise, constatou-se que o projeto foi bem dimensionado e não
apresenta nenhum risco, visto que a simulação só prosseguia caso o item anterior
não apresentasse risco, no caso atingindo, no mínimo, o fator de segurança igual a
1.

Devido ao fato de todo o projeto ter sido realizado em função somente de ensaios
SPT, cujos valores encontrados podem variar conforme a forma de execução, foram
Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis
94
realizadas outras análises variando os valores de Nspt para mais e menos 5, sendo
assim foram feitas três análises em um intervalo de Nspt igual a 10. Com isso,
mesmo havendo erro de execução ou

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


95

interpretação do SPT, desde que o erro não fosse grosseiro, se o projeto atingisse o
fator de segurança desejado ele estaria bem dimensionado. E conforme constatou-
se através das análises realizadas pelo software, as cortinas atirantadas foram bem
dimensionadas.

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


96

REFERÊNCIAS

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Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011.

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Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


99

APÊNDICE A – Empuxos atuantes na estrutura

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


100

Figura AP-A1 – Empuxos atuantes no trecho A

(fonte: elaborado pelo autor)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


101

Figura AP-A2 – Empuxos atuantes no trecho B

(fonte: elaborado pelo autor)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


102

Figura AP-A3 – Empuxos atuantes nos trechos C e D

(fonte: elaborado pelo autor)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


103

Figura AP-A4 – Empuxos atuantes nos trechos E e F

(fonte: elaborado pelo autor)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


104

Figura AP-A5 – Empuxos atuantes no trecho G

(fonte: elaborado pelo autor)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


105

Figura AP-A6 – Empuxos atuantes no trecho H

(fonte: elaborado pelo autor)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


106

Figura AP-A7 – Empuxos atuantes nos trechos I e J

(fonte: elaborado pelo autor)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


107

ANEXO A – Resultados da sondagem SPT

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


108

Figura AN-A1 – Perfil de sondagem SP-01

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


103

Figura AN-A2 – Perfil de sondagem SP-02

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


104

Figura AN-A3 – Perfil de sondagem SP-03

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


105

Figura AN-A4 – Perfil de sondagem SP-04

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


106

Figura AN-A5 – Perfil de sondagem SP-05

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


107

Figura AN-A6 – Perfil de sondagem SP-06

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


108

Figura AN-A7 – Perfil de sondagem SP-07

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


109

Figura AN-A8 – Perfil de sondagem SP-08

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


110

Figura AN-A9 – Perfil de sondagem SP-09

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


111

Figura AN-A10 – Perfil de sondagem SP-09A

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


112

Figura AN-A11 – Perfil de sondagem SP-10

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


113

Figura AN-A12 – Perfil de sondagem SP-10A

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


114

Figura AN-A13 – Perfil de sondagem SP-11

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


115

Figura AN-A14 – Perfil de sondagem SP-12

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


116

Figura AN-A15 – Perfil de sondagem SP-13

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


117

Figura AN-A16 – Perfil de sondagem SP-14

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


118

Figura AN-A17 – Perfil de sondagem SP-15

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


119

Figura AN-A18 – Localização dos furos de sondagem

(fonte: FURO E SOLO


PERFURAÇÕES, 2014)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


120

ANEXO B – Projetos das cortinas atirantadas

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121

Figura AN-B1 – Projeto da cortina atirantada no trecho A

(fonte: COELHO, 2014)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


122

Figura AN-B2 – Projeto da cortina atirantada no trecho B

(fonte: COELHO, 2014)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


123

Figura AN-B3 – Projeto da cortina atirantada no trecho C e D

(fonte: COELHO, 2014)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


124

Figura AN-B4 – Projeto da cortina atirantada no trecho E e F

(fonte: COELHO, 2014)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


125

Figura AN-B5 – Projeto da cortina atirantada no trecho G

(fonte: COELHO, 2014)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


126

Figura AN-B6 – Projeto da cortina atirantada no trecho H

(fonte: COELHO, 2014)

Mateus Picoli Bernardi. Porto Alegre: DECIV/EE/UFRGS, 2015


127

Figura AN-B7 – Projeto da cortina atirantada no trecho I e J

(fonte: COELHO, 2014)

Cortinas atirantadas: o caso da obra de um subsolo em Florianópolis


128

Figura AN-B8 – Planta baixa do projeto da cortina atirantada

(fonte: COELHO, 2014)

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